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Roberto Covolan

Neurociências:
“Cérebro e Mente”
Francis Crick (1916 - 2004)

“A hipótese espantosa (Astonishing


Hypothesis) é que ‘você’, suas alegrias e
suas tristezas, suas memórias e suas
ambições, seu senso de identidade e
livre arbítrio, não são mais do que o
comportamento de uma vasta coleção
de células nervosas e suas moléculas
associadas. Como a Alice de Lewis
Carroll poderia ter dito: ‘Você não é
nada além de um pacote de neurônios’.”
Cérebro e Mente

• Cérebro vs. Mente


• O que é que nós somos:
– um pacote de neurônios?
– alma incorporada?
– corpo animado?
Neurociências:
“Cérebro e Mente”

Introdução Científica
Andreas Vesalius (1514 – 1564)
• Pai da anatomia moderna: foi o autor da publicação De
Humani Corporis Fabrica (Da Organização do Corpo Humano),
um atlas de anatomia publicado em 1543
Santiago Ramón y Cajal
(1852 – 1934)

• Médico e histologista espanhol: o "pai da neurociência


moderna", recebeu o Nobel de Medicina de 1906
Gall e a Frenologia
Franz Joseph Gall
(1758-1828)
• Frenologia: “a única verdadeira ciência da mente”
• do Grego: φρήν, phrēn, "mente"; e λόγος, logos, "lógica ou estudo"

1. O cérebro é o órgão da mente


2. A mente é composta de múltiplas e distintas faculdades inatas
3. Por serem distintas, cada faculdade deve ter uma sede ou "órgão"
separado no cérebro
4. O tamanho de cada “órgão” cerebral é uma medida de seu poder
5. A forma do cérebro é determinada pelo desenvolvimento dos vários
órgãos nele existentes
6. O crânio assume a sua forma a partir do cérebro, portanto a
superfície do crânio pode ser lida como um índice exato de aptidões
e tendências psicológicas John van Wyhe (The History of Phrenology on the Web)
Frenologia
Frenologia
Mapeamento Cerebral
Da Frenologia à Neuroimagem Funcional

Fonte: Roberto Lent (2002)


Mapeamento Cerebral
Neuroimagem
Funcional ?!
Mas que diabos é isso ?!
Mapeamento Cerebral
Imagens anatômicas Imagens funcionais
Mapeamento Cerebral
Mapeamento Cerebral

PET MEG
fMRI
Mapeamento Cerebral
Fisiologia da Ativação Neuronal
• Disparos Neurais  atividade eletromagnética
– Detecção: MEG, EEG

• Reações Bioquímicas  atividade metabólica


– Detecção: PET, SPECT, MRSI
• CMRO2: cerebral metabolic rate of O2 consumption

• Resposta Vascular  atividade hemodinâmica


– Detecção: PET, Espectroscopia Óptica, fMRI
• BOLD
• Cerebral Blood Flow (CBF)
• Cerebral Blood Volume (CBV)
Fisiologia da Ativação Neuronal
• Disparos Neurais  atividade eletromagnética
– Detecção: MEG, EEG

• Reações Bioquímicas  atividade metabólica


– Detecção: PET, SPECT, MRSI
• CMRO2: cerebral metabolic rate of O2 consumption

• Resposta Vascular  atividade hemodinâmica


– Detecção: PET, Espectroscopia Óptica, fMRI
• BOLD
• Cerebral Blood Flow (CBF)
• Cerebral Blood Volume (CBV)
EEG: eletro-encefalografia

• Análise de sinais
• Mapas topográficos
• Localização de fontes
• Estudos funcionais
MEG: magneto-encefalografia

• Campos magnéticos muito pequenos (~ femto-Tesla) são produzidos pelas


despolarizações dos neurônios

• Esses campos são detetados por dispositivos denominados SQUIDs


(superconducting quantum interference device)
Fisiologia da Ativação Neuronal
• Disparos Neurais  atividade eletromagnética
– Detecção: MEG, EEG

• Reações Bioquímicas  atividade metabólica


– Detecção: PET, SPECT, MRSI
• CMRO2: cerebral metabolic rate of O2 consumption

• Resposta Vascular  atividade hemodinâmica


– Detecção: PET, Espectroscopia Óptica, fMRI
• BOLD
• Cerebral Blood Flow (CBF)
• Cerebral Blood Volume (CBV)
PET: Positron Emission Tomography
(Tomografia por Emissão de Pósitrons)

• Indivíduos recebem a injeção de algum


radiofármaco
• P.ex. FDG (fluor-desoxiglicose)
• Pósitrons e elétrons aniquilam-se dando
dois gamas
• Os gamas detectados em coincidência
permitem localizar a fonte (fig. ao lado)
Fisiologia da Ativação Neuronal
• Disparos Neurais  atividade eletromagnética
– Detecção: MEG, EEG

• Reações Bioquímicas  atividade metabólica


– Detecção: PET, SPECT, MRSI
• CMRO2: cerebral metabolic rate of O2 consumption

• Resposta Vascular  atividade hemodinâmica


– Detecção: PET, Espectroscopia Óptica, fMRI
• BOLD
• Cerebral Blood Flow (CBF)
• Cerebral Blood Volume (CBV)
fNIRS: functional Near InfraRed Spectroscopy
(Espectroscopia Óptica)
fNIRS: functional Near InfraRed Spectroscopy
(Espectroscopia Óptica)
fMRI: functional Magnetic Resonance Imaging
(Ressonância Magnética Funcional)
fMRI: functional Magnetic Resonance Imaging
(Ressonância Magnética Funcional)
MRI: Magnetic Resonance Imaging
(Imagens por Ressonância Magnética)
• 1971: Raymond Damadian mostra que os tempos de relaxação
de tecidos normais e tumorais são diferentes, motivando
aplicações médicas

• 1972: Damadian pede registro de uma patente

• 1973: surge a tomografia computadorizada (CT), introduzida


por Hounsfield
MRI: Magnetic Resonance Imaging
(Imagens por Ressonância Magnética)

• 1973: Paul Lauterbur demonstra, pela primeira vez MRI, usando


técnicas de retroprojeção semelhantes às utilizadas em CT e a
técnica de gradientes (Nature)
MRI: Magnetic Resonance Imaging
(Imagens por Ressonância Magnética)
• 1976: Peter Mansfield e colaboradores publicam a primeira
imagem via MRI de uma parte do corpo: um dedo

• 1977: Peter Mansfield desenvolve a técnica de echo-planar


imaging (EPI)

Paul Lauterbur Peter Mansfield


MRI: Magnetic Resonance Imaging
(Imagens por Ressonância Magnética)
• Pós 1980: grande desenvolvimento técnico e produção
industrial
• 1982: GE  primeiro sistema comercial de 1.5 T
• 1992: surge o functional MRI (fMRI)
MRI: Magnetic Resonance Imaging
(Imagens por Ressonância Magnética)

Prêmio Nobel de Medicina de


2003

Raymond Damadian

Paul Lauterbur Peter Mansfield


NY Times
08/10/2003

NY Times
20/10/2003
NY Times
20/11/2003
O Cérebro
Os lobos cerebrais

Sulco central
Lobo frontal

Lobo parietal

Lobo
occipital

Lobo temporal Fissura (lateral) Silviana


O Neurônio

Fonte: Huettel et al. (2003)


O Potencial de Ação

37
Sinapses e liberação de neurotransmissores

Fonte: Huettel et al. (2003)


Canais iônicos e bomba de Na/K

Fonte: Huettel et al. (2003)


Metabolismo aeróbico e anaeróbico

Oxigênio (via
hemoglobina) Glicose

Fonte: Huettel et al. (2003)


Microcirculação: suprimento de sangue para o cérebro

Fonte: Huettel et al. (2003)


Rede capilar

Fonte: Huettel et al. (2003)


Fonte: Huettel et al. (2003)
Metabolismo cerebral
fMRI: functional Magnetic Resonance Imaging
(Ressonância Magnética Funcional)

Logothetis et al.(2001): BOLD x Ephys


fMRI: functional Magnetic Resonance Imaging
(Ressonância Magnética Funcional)

Logothetis et al.(2001):
BOLD x Ephys

46
Funções cerebrais
Funções cerebrais
Funções cerebrais
Funções cerebrais
Funções cerebrais
Funções cerebrais
Funções cerebrais
Funções cerebrais
Ressonância Magnética

512 direções

Imagens por tensor de difusão


fMRI e DTI conjugados
Tratos conectando as áreas de Broca e Wernicke

Todas as fibras que passam pelas Fibras que conectam as áreas


áreas de Broca e Wernicke de Broca e Wernicke

Courtesy: S. Sunaert, University Hospital KU Leuven, Belgium


fMRI: motor imagery
Como são feitos os experimentos?

• Esquema mais utilizado: apresentação de


estímulos/tarefas em blocos
Estímulo Repouso Estímulo Repouso Estímulo Repouso Estímulo Repouso

Tarefa A Tarefa B Tarefa A Tarefa B Tarefa A Tarefa B Tarefa A Tarefa B

Tarefa A Repouso Tarefa B Repouso Tarefa A Repouso Tarefa B Repouso


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O cérebro em repouso
(Resting State)
• O estado de repouso (rsfMRI) é um método usado para
avaliar as interações regionais que ocorrem quando um
sujeito não está executando uma tarefa explícita
• Como a atividade cerebral está presente mesmo na
ausência de uma tarefa externa, toda região do cérebro
terá flutuações espontâneas no sinal fMRI
• A abordagem de estado de repouso é útil para explorar
a organização funcional do cérebro e para examinar se
ela está alterada em doenças neurológicas ou
psiquiátricas
O cérebro em repouso
(Resting State)
• A pesquisa de conectividade funcional em estado de repouso
revelou uma série de redes que são consistentemente
encontradas em indivíduos saudáveis, diferentes estágios de
consciência e entre espécies, e representam padrões específicos
de atividade síncrona
Conectividade cerebral

• Redes neuronais
Conectividade cerebral
• Default mode network (DMN)
• A rede de modo padrão (DMN) é uma rede de interação
entre regiões cerebrais conhecidas por ter atividade
altamente correlacionada entre si e distinta de outras
redes no cérebro
• A rede de modo padrão geralmente está ativa quando a
pessoa não está focalizada no mundo exterior e o
cérebro está em descanso (sonhando acordado ou
divagando)
• Ela também está ativa quando o indivíduo está
pensando nos outros, pensando em si mesmos,
lembrando o passado e planejando o futuro
Conectividade cerebral
• Default mode network (DMN)
fMRI – Estudos avançados
fMRI – Estudos avançados
fMRI – Estudos avançados
fMRI – Estudos avançados

Figure 1. Density of moral neuroscience studies. The intensity of the color is proportional
to the number of the citations of the corresponding region in the article.

• Os corticais pré-frontais orbitais e ventromediais estão implicados em decisões morais


motivadas emocionalmente, enquanto o córtex pré-frontal dorsolateral parece moderar sua
resposta. Estes processos concorrentes podem ser mediados pelo córtex cingulado anterior.
As estruturas parietal e temporal desempenham papéis importantes na atribuição das
crenças e intenções dos outros. O córtex insular é envolvido durante processos empáticos.
Outras regiões parecem desempenhar um papel mais complementar na moralidade.
fMRI – Estudos avançados

Caso de Phineas Gage


Neurotecnologia

• Técnicas de Neuroimagem e Sinais Cerebrais


• Brain-computer interface (BCI)
• Implantes cerebrais - Neuropróteses
Neurotecnologia
• Brain-Computer Interface (BCI)
Neurotecnologia
• Brain-Computer Interface (BCI)
Neurotecnologia
• Implantes cerebrais (Deep Brain Stimulation)
Neurotecnologia
• Implantes cerebrais (NEUROPACE)
Neurotecnologia

• NEUROPACE
• Monitora: O sistema monitora constantemente as ondas cerebrais, procurando
atividade incomum que pode levar a uma convulsão. Ele funciona o tempo todo,
mesmo durante o sono
• Detecta: O dispositivo é personalizado para reconhecer os padrões elétricos específicos
do cérebro de cada paciente, identificando rapidamente a atividade anômala que pode
levar a uma convulsão
• Responde: Milissegundos após detectar a atividade incomum, o dispositivo envia
impulsos curtos para interromper instantaneamente esta atividade e normalizar as
ondas cerebrais, às vezes mesmo antes do paciente sentir sintomas de convulsões
Grandes Projetos
• The BRAIN Initiative
BRAIN (Brain Research through Advancing Innovative Neurotechnologies)
Grandes Projetos
• The BRAIN Initiative
BRAIN (Brain Research through Advancing Innovative Neurotechnologies)

Francis Collins
Grandes Projetos
• The BRAIN Initiative
BRAIN (Brain Research through Advancing Innovative Neurotechnologies)
Grandes Projetos
• The BRAIN Initiative
BRAIN (Brain Research through Advancing Innovative Neurotechnologies)
Grandes Projetos

Christof Koch Christof Koch with Francis Crick


Grandes Projetos
• Brain/MINS (Projeto Japonês)
Grandes Projetos
• HUMAN BRAIN PROJECT (Projeto Europeu)
Grandes Projetos
Grandes Projetos
Grandes Projetos

One World, Two Views


Tópicos de Diálogo com a Fé

Neuroética
Neuroética
• A Neuroética centra-se em questões éticas
levantadas pela nossa compreensão cada vez mais
detalhado do cérebro, e por consequentes
melhorias em nossa capacidade de monitorar e
influenciar a função cerebral
• A Neuroética passou a receber maior atenção a
partir de 2002, quando a Fundação Dana organizou
um encontro de neurocientistas e outros
especialistas intitulado Neuroethics: Mapping the
Field.
Neuroética
Neuroethics é um fórum para estudos interdisciplinares
em neuroética e em questões relacionadas nas ciências
da mente. O foco está nas questões éticas colocadas
pelas novas tecnologias desenvolvidas através da
neurociência, como os psicofarmacêuticos e outras
formas de intervir na mente.
• A prática da própria neurociência, incluindo problemas
colocados por descobertas acidentais em estudos de
neuroimagem nos indivíduos sujeitos de uma pesquisa
• A regulação das tecnologias neurocientíficas e as maneiras
pelas quais as ciências da mente iluminam os problemas
morais e filosóficos tradicionais, como a natureza do livre-
arbítrio e da responsabilidade moral, o auto-engano, a
fraqueza da vontade e a natureza da pessoa
Neuroética
Muitos aspectos de nossas vidas podem ser afetados
profundamente em função dos avanços na
neurociência. Por exemplo:
• Medicamentos que alteram funções cerebrais para
tratar crianças com distúrbios de aprendizagem
• Nosso senso de responsabilidade e justiça num
tribunal (“I'm not guilty - but my brain is!”)
• O status moral que conferimos às pessoas com
doenças mentais ou distúrbios de viciados
Tópicos de Diálogo com a Fé

Livre arbítrio
Neurociência e livre arbítrio
• Será que o funcionamento determinístico do
cérebro deixa espaço para o livre arbítrio?

“Free will is an illusion!”


Einstein e o livre arbítrio

Sinceramente, não consigo entender


o que as pessoas entendem por
liberdade da vontade humana. Eu
tenho um sentimento, por exemplo,
que eu quero algo ou outra coisa.
Mas que relação isso tem com a
liberdade eu não entendo de jeito
nenhum! Eu sinto que eu vou acender
meu cachimbo e eu faço isso. Mas
como posso ligar isso com a ideia de
liberdade? O que está por trás do ato
de eu querer acender um cachimbo?
Um outro ato de querer?
Neurociência e livre arbítrio
• O problema não é simplesmente a questão do
determinístico
1. A objeção do determinismo: se o cérebro
funciona deterministicamente, a vontade não é
livre
2. A objeção de aleatoriedade: se o cérebro funciona
indeterministicamente, nossas decisões são
aleatórias, portanto elas não são causadas por
nós e não somos responsáveis por elas
Determinismo e livre arbítrio
Determinismo é a visão de que cada evento é determinado por
eventos anteriores
Filósofos antideterministas argumentam que:
1. Para fornecer uma prova rigorosa de que o determinismo é
sempre verdadeiro precisaríamos ter uma quantidade ilimitada
de dados perfeitamente precisos, o que é impossível;
2. Mesmo que aceitássemos o determinismo como uma hipótese
de trabalho para fins científicos (pelo menos, para a
neurociência), isso não justificaria torná-lo um princípio
metafísico (filosófico);
3. O determinismo absoluto minaria a noção de racionalidade, que
por sua vez minaria nossos fundamentos para acreditar no
determinismo.
Livre arbítrio e racionalidade
O livre-arbítrio torna possível a racionalidade
Se não há livre arbítrio, então ninguém é capaz de escolher
acreditar em algo por causa de boas razões. Só acreditaria em
algo porque se está predeterminado a fazê-lo. Argumentos
não importariam.
Considere alguém que argumenta em favor do determinismo.
Se ele está certo, então sua convicção não é realmente
baseada em razões, mas em condições prévias que causam sua
crença. Ou seja, ele está fadado a acreditar no determinismo.
Conclusão: Sem liberdade, não há racionalidade. Pois, se não
houver livre arbítrio, ninguém jamais poderia sabê-lo, porque
nunca se poderia ter uma boa razão para acreditar nisso.
Bases neurais
do livre arbítrio
O autor baseia-se em dados neurocientíficos recentes
sobre como a causalidade informacional é realizada
na causação física ao nível dos receptores NMDA,
sinapses, dendritos, neurônios e circuitos neuronais.

Ele argumenta que um tipo particular de livre-arbítrio e causalidade


mental “top-down" é realizado através rápida plasticidade
sináptica. Essa causalidade informacional não pode alterar a base
física da informação realizada no presente, mas pode alterar a base
física da informação que pode ser realizada no futuro imediato.
Com isso, contorna o argumento padrão contra livre arbítrio
centrado na impossibilidade de autocausação.
Tópicos de Diálogo com a Fé

Neuroteologia
Neuroteologia – “the God spot”
• Alguns neurocientistas defendem que se pode
estudar objetivamente as experiências religiosas
por meio de metodologias de neuroimagem e de
visualização in vivo da atividade cerebral
• Busca-se correlatos neurofuncionais dos estados mentais da
espiritualidade, das experiências místicas e do sentimento
religioso
• Busca-se também um hipotético God Spot, ou seja, uma área do
cérebro humano na qual esteja localizada uma função
correspondente ao divino
(Everaldo Cescon, Teocomunicação, 2011)
“the God helmet”: o capacete divino
• Importância do lobo temporal na religiosidade
• Epilepsia de LTM
• Michael Persinger (1987), da Laurentian University, Ontário (Canadá)
• Usou campos eletromagnéticos fracos e focalizados em áreas circunscritas
da superfície cortical (região temporal)
“the God helmet”: o capacete divino
• Durante os três minutos de estimulação
temporal focalizada, as pessoas submetidas ao
experimento relataram o que sentiram
• Alguns disseram sentir a presença de Deus,
outros de Buda, outros ainda falaram de uma
presença benevolente ou do milagre do universo
• Persinger (1987) concluiu que a experiência
religiosa e a fé em Deus não são senão a
consequência de anomalias elétricas cerebrais
• Tentativas de replicar este experimento mais
tarde não reproduziram os resultados
Neuroteologia

Andrew Newberg
Neuroteologia – Andrew Newberg
Monges budistas tibetanos
Quando examinamos os cérebros dos
meditadores budistas tibetanos,
observamos uma diminuição da atividade
no lobo parietal durante a meditação.
Esta área do cérebro é responsável por
nos dar um sentido de nossa orientação
no espaço e no tempo.

Nós hipotetizamos que o bloqueio de toda a entrada


sensorial e cognitiva nessa área durante a meditação está
associado à sensação de não haver mais espaço e tempo,
tão frequentemente descrita na meditação
Neuroteologia – Andrew Newberg
Monges budistas tibetanos
A parte frontal do cérebro, que geralmente está envolvida na
atenção e concentração, é mais ativa durante a meditação (região
vermelha aumentada). Isso faz sentido já que a meditação exige
um alto grau de concentração. Verificou-se também que quanto
mais atividade aumentou no lobo frontal, mais atividade diminuiu
no lobo parietal.
Neuroteologia – Andrew Newberg
Freiras franciscanas
Quando olhamos para os cérebros das freiras franciscanas em
oração, encontramos maior atividade nos lobos frontais (o mesmo
que os budistas), mas também aumento da atividade no lobo
parietal inferior (a área da linguagem).

Este último achado faz sentido em


relação às freiras fazendo uma prática
baseada verbalmente (oração) em
vez de visualização (meditação).
Neuroteologia – Andrew Newberg
Freiras franciscanas
As freiras, como os budistas, também mostraram diminuição da
atividade na área de orientação (lobos parietais superiores) do
cérebro
Neuroteologia – Andrew Newberg
Ateu meditando
Também olhamos para o cérebro de
um meditador de longo prazo que era
ateu. Examinamos a pessoa em
repouso e enquanto meditava sobre o
conceito de Deus.

Os resultados mostraram que não houve aumento significativo nos


lobos frontais como com as outras práticas de meditação. A
implicação é que o indivíduo não foi capaz de ativar as estruturas
geralmente envolvidas na meditação quando ele estava focando
em um conceito em que ele não acreditava.
Neuroteologia – Andrew Newberg
Mulheres falando em línguas (Glossolalia)
O resultado evidenciava, nas mulheres em transe místico, uma
diminuição de atividade nos lobos frontais. Visto que esta parte do
cérebro tem um papel importante no autocontrole e nos processos
cognitivos conscientes, os pesquisadores concluíram que a singular
aptidão linguística é o simples efeito da perda desta função de
controle.
Neuroteologia

Meu trabalho sugere fortemente que não há um


“módulo” de Deus, mas sim uma rede complexa que
envolve virtualmente todo o cérebro quando as são
suscitadas experiências ricas e diversas.
Podemos apontar para áreas específicas do cérebro
que podem estar associadas a componentes específicos
de experiências religiosas, mas uma vez que existem
inúmeras maneiras de perceber, pensar ou meditar
em Deus, cada método de meditação ou oração afetará
a função do cérebro de maneiras ligeiramente
diferentes.
Neuroteologia
• Mario Beauregard e Vincent Paquette
(Universidade de Montreal) tinham muitas
dúvidas sobre a existência do God Spot
teorizado por Persinger, todavia sabiam que
esta tese se baseara na análise de centenas de
voluntários, enquanto as evidências de uma
pluralidade de circuitos (Newberg) eram
confiadas somente às imagens das três
religiosas obtidas mediante o SPECT, uma
técnica com baixa resolução espacial e
considerada obsoleta.
• Propuseram, então, o estudo de um número mais
elevado de religiosas através de fMRI e EEG Quantitativo
Neuroteologia

Estudo investigou a
atividade cerebral
durante lembrança
de experiência
mística de 15 irmãs
carmelitas
O principal resultado deste estudo consistiu em identificar pelo
menos 6 diferentes regiões encefálicas ativas somente durante a
reminiscência da experiência mística
Neuroteologia

Os correlatos neuroelétricos
mostraram uma presença geral
de ondas lentas (atividade theta)
evidente em algumas áreas dos
lobos parietais e temporais, mas
percebida também no córtex
anterior da volta do cíngulo e no
córtex pré-frontal medial.

Tais identificações são coerentes com a mudança de estado


de consciência.
Neuroteologia

Tomados em conjunto, os resultados destes dois estudos


documentam uma atividade cerebral ampla e complexa,
que refuta definitivamente a hipótese de um único centro
localizado no lobo temporal com função de base neural
das experiências místicas.

(Everaldo Cescon, Teocomunicação, 2011)


Neuroteologia

• Artigo de 40 páginas e 400 referências


• Mais de 40 regiões diferentes regiões do cérebro ficaram
seletivamente ativas durante diferentes atividades religiosas
• A ideia de um “God spot” é simplista demais
Neuroteologia

• Principais conclusões
1) “A experiência religiosa não envolve um
sistema neural específico e provavelmente
requer a ativação conjunta de uma família de
sistemas, todos normalmente envolvidos em
contextos não religiosos.”

apud Malcolm Jeeves (Mentes, Cérebros, Almas e Deuses)


Neuroteologia

• Principais conclusões
2) “Uma análise detalhada da bibliografia
especializada não revelou nenhuma prevalência
hemisférica consistente de uma área cerebral
particular durante a experiência religiosa.”

apud Malcolm Jeeves (Mentes, Cérebros, Almas e Deuses)


Neuroteologia

• Principais conclusões
3) “A despeito de quase cinquenta anos de
estudos de experiência religiosa com
eletroencefalogramas, não há até agora nenhum
consenso sobre o substrato neurofisiológico
subjacente à experiência religiosa.”

apud Malcolm Jeeves (Mentes, Cérebros, Almas e Deuses)


Neuroteologia

• Principais conclusões
4) “Todos os principais sistemas neuromediadores
no cérebro estão envolvidos (com exceção do
sistema noradrenérgico) na experiência religiosa.”

apud Malcolm Jeeves (Mentes, Cérebros, Almas e Deuses)


Neuroteologia

• Principais conclusões
5) “No momento, a neurociência não é capaz de
fornecer uma explicação confiável para a
experiência religiosa. No entanto, em sentido
amplo, mesmo hoje a neurociência cognitiva é
capaz de contribuir para uma descrição geral da
experiência religiosa no que concerne às
dimensões biológicas e psicológicas.”
apud Malcolm Jeeves (Mentes, Cérebros, Almas e Deuses)
Neuroteologia

Em geral, a minha avaliação destes numerosos estudos de


imagem funcional é que outros são mais necessários. Eles
abriram uma forma nova abordar questões novas e
fascinantes, e mostraram que muitas regiões diferentes
do cérebro estão envolvidas em diferentes aspectos da
experiência e da crença religiosa, mas ainda há um longo
caminho a percorrer.
Tópicos de Diálogo com a Fé

Ciência Cognitiva da Religião


Predisposição para a religião

A predisposição para crenças religiosas é a força mais


complexa e poderosa na mente humana e, com toda
a probabilidade, uma parte inerradicável da natureza
humana. Certamente é um dos universais do
comportamento social, assumindo forma
reconhecível em toda a sociedade, desde os bandos
de caçadores-coletores até as repúblicas socialistas.

Edward O. Wilson (On Human Nature, 1978)


Ciência Cognitiva da Religião

• O cérebro de uma criança não é uma tábula


rasa

129
Ciência Cognitiva da Religião

Justin Barrett

130
Mente: palco do encontro com Deus

Ciência Cognitiva da Religião


• Crença em Deus é uma consequência quase
inevitável do tipo de mentes que temos
• A maior parte do que cremos vem de
Justin Barrett estruturas mentais que operam abaixo do
nível consciente. O que acreditamos
conscientemente é em grande parte
impulsionado por essas crenças
inconscientes
• As crenças religiosas são tão difundidas por
que é muito difícil para nossas mentes
pensar sem elas
131
Mente: palco do encontro com Deus

Born Believers: A Ciência da Crença Religiosa das


Crianças
a crença em Deus ou deuses parece ser um fenômeno
humano que ocorre naturalmente

Justin Barrett independentemente de seus pais serem crentes ou


ateus/agnósticos, as crianças pequenas regularmente
possuem crenças que podem ser chamadas de
religiosas
os deuses são prontamente e facilmente acomodados
pelas mentes das crianças e preenchem algumas
lacunas conceituais naturais facilmente
o "espaço em forma de Deus" no coração humano
está lá desde a infância.
132
Tópicos de Diálogo com a Fé

Princípio Teotrópico
O Logos Divino e a Criação

... todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele.


(Colossenses 1.16)

Olhando a criação a partir da ciência:


• “Por Ele”: metáfora pintor-quadro
• Deslumbramento, perplexidade, fascínio

• “Para Ele”: menos óbvio


• Reflexão, discernimento
Agostinho (354 - 430)

Para Agostinho, Deus trouxe tudo à existência, em


um único momento de criação. No entanto, a
ordem criada não é estática. Deus dotou-a com a
capacidade de se desenvolver. Agostinho usa a
imagem de uma semente adormecida para ajudar
seus leitores compreender este ponto. Deus cria
sementes, que irão crescer e se desenvolver no
tempo certo.

Alister McGrath – Christianity Today – maio 2009


Agostinho (354 - 430)

Usando uma linguagem mais técnica, Agostinho pede


a seus leitores para pensar na ordem criada como
contendo causalidades divinamente embutidas que
surgem ou evoluem em um estágio posterior.
Agostinho não se ocupa de qualquer noção de
mudanças aleatórias ou arbitrárias dentro da criação.
O desenvolvimento da criação de Deus está sempre
sujeito à soberana providência de Deus. O Deus que
plantou as sementes no momento da criação também
governa e dirige o tempo e o lugar do seu crescimento.
Alister McGrath – Christianity Today – maio 2009
O Logos Divino e o
Caráter Teotrópico do Universo
• Princípio Antrópico
O Princípio Antrópico afirma que o universo
foi feito de forma que haja vida nele.

• Princípio Teotrópico
O Princípio Teotrópico afirma que o universo
foi feito de forma que haja vida nele e esta se
volte para Deus.
Bíblia e Ciência

Proposição:
“A maneira correta de relacionar a informação
da Bíblia com a narrativa científica é considerar
como esta narrativa pode ser entendida à luz
das verdades teológicas afirmadas na Bíblia.”
138
Teotrópico: a expressão

Girassol:
planta heliotrópica

Rabino Michael Lerner:


“Sentimos uma fome [espiritual] permanente
porque os seres humanos são teotrópicos - eles
se voltam para o sagrado - e esta dimensão em
nós não pode ser completamente extinguida.” 139
Princípio Antrópico

• A expressão "princípio antrópico" apareceu pela primeira vez na


contribuição de Brandon Carter (físico teórico) a um simpósio de
Cracóvia de 1973, em homenagem ao aniversário de 500 anos de
Copérnico.

PAF: "O Universo deve ter as


propriedades que permitem
que a vida se desenvolva
dentro dele em algum
momento de sua história".
140
Minha visão
• O universo criado reflete a glória de Deus (Sl 19.1)
– há um logos (razão) implantado no coração da
criação (enunciado de Kepler), manifesto nas leis
naturais
– este logos (razão) procede do Logos (divino),
está submetido a Ele e para Ele converge (Ef 1:10)
• Tendo sido criada em amor, a criação sente-se
constrangida a voltar-se para o seu Criador
em adoração
• At 17.27-28; Rm 1.20-21; Cl 1.19-20; Jo 4.23; Ef 1.5-6,11-12
Agostinho (354-430)

“No entanto, o ser humano, mera partícula


de tua criação, quer te louvar. Tu nos
despertaste para o prazer de te louvar, pois
nos criaste para ti, e o nosso coração não
tem sossego enquanto não repousar em ti.”
(Confissões, Cap.I)
Jesus Cristo

Colossenses 1:16,17

... todas as coisas foram


criadas por ele e para ele.
Ele é antes de todas as
coisas, e nele tudo subsiste.
143
Roberto Covolan

Obrigado!