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Universidade Federal do Pará

Campus Universitário de Tucuruí - CAMTUC


Faculdade de Engenharia Elétrica
Disciplina Eletrônica de Potência

RELATÓRIOS - ELETRÔNICA DE POTÊNCIA

Tucuruí / PA
2014
Christiane Valente Brito - 11134004318
Tiago Machado Wanzeler – 11134002618
Victor Renan Barbosa da Silva - 11134000618

RELATÓRIOS - ELETRÔNICA DE POTÊNCIA

Trabalho experimental entregue ao


Prof. Ewerton Ramos Granhen como
requisito de avaliação da disciplina
Eletrônica de Potência para a turma de
Engenharia Elétrica 2011.

Tucuruí / PA
2014
Sumário

Experimento 1 – Retificadores Monofásicos não Controlados ........................................ 6


1.1. Fundamentos Teóricos ........................................................................................... 6
1.2. Objetivos ................................................................................................................ 8
1.3. Procedimento Experimental ................................................................................... 9
1.3.1. Circuito retificador monofásico com carga resistiva....................................... 9
1.3.2. Circuito retificador monofásico com carga indutiva ..................................... 10
1.3.3. Circuito retificador monofásico de ½ onda com diodo de roda livre ............ 11
1.3.4. Circuito retificador monofásico em ponte com carga resistiva ..................... 13
1.3.5. Circuito retificador monofásico em ponte com carga indutiva ..................... 14
1.4. Conclusão............................................................................................................. 15
Experimento 2 – Retificadores Trifásicos não controlados ............................................ 16
2.1. Fundamentos Teóricos ......................................................................................... 16
2.2. Objetivos .............................................................................................................. 16
2.3. Procedimento Experimental ................................................................................. 17
2.3.1. Circuito retificador trifásico de ½ onda ........................................................ 17
2.3.2. Circuito retificador trifásico em ponte de Graetz .......................................... 22
2.4. Conclusão............................................................................................................. 25
Experimento 3 – Retificadores Não Controlados Isolados ............................................. 26
3.1. Fundamentos Teóricos ......................................................................................... 26
3.1.1 - Retificador Monofásico de Meia Onda ........................................................ 26
3.1.2. - Retificador Monofásico de Onda Completa em Ponte ............................... 32
3.1.3. - Retificadores Trifásicos .............................................................................. 35
3.2. Objetivos .............................................................................................................. 39
3.3. Procedimento Experimental ................................................................................. 39
3.3.1. Circuito 1 – Estrutura Monofásica com ponto .............................................. 39
3.3.2. Circuito 2 – Estrutura Trifásica de ½ onda .................................................. 42
3.3.3. Circuito 3 – Estrutura Trifásica de onda completa ........................................ 45
3.4. Conclusão............................................................................................................. 49

Relatório 4  Retificadores Monofásicos Controlados ................................................. 51


4.1. Fundamentos Teóricos ......................................................................................... 51
4.1.1. Retificador Monofásico Controlado com Carga Resistiva ............................ 51
4.1.2. Retificador Monofásico Controlado com Carga Indutiva (RL) .................... 52
4.1.3. Retificador Monofásico Controlado com Carga Indutiva (RL) e com o
Indutor L de Indutância elevada .............................................................................. 53
4.1.4. Retificador Monofásico Controlado com Carga Indutiva (RL) e Diodo de
Retorno (DFW) ....................................................................................................... 54
4.2. Objetivos .............................................................................................................. 56
4.3. Procedimento Experimental ................................................................................. 56
4.3.1. Formas de onda na entrada e disparos dos tiristores ..................................... 56
4.3.2. Formas de onda de tensão e corrente na entrada dos tiristores ..................... 57
4.3.3. Formas de onda de tensão e corrente na saída dos tiristores ......................... 57
4.3.4. Formas de onda de tensão reversa e corrente direta nos tiristores ................ 58
4.3.5. Valores de tensão e corrente média (AVG) e eficaz (RMS) na saída ........... 58
4.3.6. Formas de onda dos pulsos de disparo e tensão de entrada .......................... 59
4.3.7. Formas de onda de tensão e corrente na entrada dos tiristores ..................... 60
4.3.8. Formas de onda de tensão e corrente na saída dos tiristores ......................... 60
4.3.9. Formas de onda de tensão reversa e corrente direta nos tiristores ................ 61
4.3.10. Valores de tensão e corrente média (AVG) e eficaz (RMS) na saída ......... 61
4.4. Conclusão............................................................................................................. 62
Experimento 5  Retificadores Trifásicos Controlados ................................................. 63
5.1. Fundamentos Teóricos ......................................................................................... 63
5.1.1. Retificador Trifásico Controlado com Carga Resistiva e com um Ângulo de
Disparo de 20° ......................................................................................................... 64
5.1.2. Retificador Trifásico Controlado com Carga Resistiva e com um Ângulo de
Disparo de 45° ......................................................................................................... 66
5.1.3. Retificador Trifásico Controlado com Carga Indutiva (RL) e Diodo de
retorno (DFW) ......................................................................................................... 67
5.2. Objetivos .............................................................................................................. 69
5.3. Procedimento Experimental ................................................................................. 69
5.3.1. Formas de onda das tensões na entrada ......................................................... 70
5.3.2. Formas de onda da corrente de entrada ......................................................... 70
5.3.3. Formas de onda de tensão e corrente na saída .............................................. 70
5.3.4. Pulsos de disparo no circuito de comando .................................................... 71
5.3.5. Tensão Reversa nos tiristores e Corrente direta no tiristores. ....................... 71
5.3.6. Fator de ondulação ........................................................................................ 72
5.3. Conclusão............................................................................................................. 72
Experimento 1 – Retificadores Monofásicos não
Controlados

1.1. Fundamentos Teóricos

O fornecimento de energia elétrica é feito, essencialmente, a partir de uma rede de


distribuição em corrente alternada, devido, principalmente, à facilidade de adaptação do
nível de tensão por meio de transformadores. Em muitas aplicações, no entanto, a carga
alimentada exige uma tensão contínua. A conversão CA-CC é realizada por conversores
chamados retificadores.
Os retificadores podem ser classificados segundo a sua capacidade de ajustar o
valor da tensão de saída (controlados x não controlados); de acordo com o número de
fases da tensão alternada de entrada (monofásico, trifásico, hexafásico, etc.); em função
do tipo de conexão dos elementos retificadores (meia ponte x ponte completa).
Os retificadores não-controlados, tema desta experiência, são aqueles que utilizam
diodos como elementos de retificação. Os diodos de potência diferem dos diodos de
sinal por terem uma capacidade superior em termos de nível de tensão de bloqueio
(podendo atingir até alguns kV, num único dispositivo), e poderem conduzir correntes
de até alguns kA. Nas aplicações em que a tensão alternada é a da rede, tais diodos não
precisam ter seu processo de desligamento muito rápido, uma vez que a freqüência da
rede é baixa (50 ou 60 Hz).
Usualmente topologias em meia ponte não são aplicadas. A principal razão é que,
nesta conexão, a corrente média da entrada apresenta um nível médio diferente de zero.
Tal nível contínuo pode levar elementos magnéticos presentes no sistema (indutores e
transformadores) à saturação, o que é prejudicial ao sistema. Topologias em ponte
completa absorvem uma corrente média nula da rede, não afetando, assim, tais
elementos magnéticos.
A figura 1.1 mostra o circuito e as formas de onda com carga resistiva para um
retificador monofásico com topologia de meia-ponte, também chamado de meia-onda.
A figura 1.2 mostra topologias de onda completa, considerando os 3 tipos básicos de
carga: resistiva, capacitiva e indutiva.
Para o retificador com carga indutiva (figura 1.3), a carga se comporta como uma
fonte de corrente. Dependendo do valor da indutância, a corrente de entrada pode
apresentar-se quase como uma corrente quadrada. Para valores reduzidos de indutância,
a corrente tende a uma forma que depende do tipo de componente à sua jusante. Se for
apenas uma resistência, tende a uma senóide. Se for um capacitor, tende à forma de
pulso, mas apresentando uma taxa de variação (di/dt) reduzida.

Figura 1.1 - Topologia e formas de onda (com carga resistiva) de retificador monofasico não-
controlado de meia onda.

Figura 1.2 - formas de onda para retificador com carga resistiva.


Figura 1.3 - Forma de Onda para um retificador monofásico, onda completa e não-controlado,
alimentando carga indutiva.

1.2. Objetivos

 Para cada estrutura apresentada determine através de simulação as forma de


onda da tensão de saída, corrente de saída, tensão reversa nos diodos, corrente direta
nos diodos;
 Através do Cursor do Probe do Pspice verifique os valores das amplitudes
encontradas nas simulações;
 Determine através de simulação o valor da indutância crítica para a estrutura
mostrada na figura 02. Compare com o resultado teórico esperado;
 Usando a ferramenta de FFT disponível no Pspice, Calcule o fator de potência e
taxas de distorção harmônica das estruturas das figuras 01 a 05;
 Apresente suas conclusões.
As estruturas a serem analisadas são:
 Retificador monofásico de ½ onda com carga resistiva, mostrada na figura 01;
 Retificador monofásico de ½ onda com carga indutiva, mostrada na figura 02;
 Retificador monofásico de ½ onda com diodo de roda livre, mostrada na figura
03;
 Retificador monofásico em ponte com carga resistiva, mostrada na figura 04
 Retificador monofásico em ponte com carga indutiva, mostrada na figura 05;
(a) (b) (c)

(d) (c)
Figura 1.4 – Circuitos Retificadores Monofásicos não Controlados
(a) - Carga Resistiva. (b) – Carga Indutiva. (c) – Com diodo de Roda Livre. (d) – Em ponte com
carga resistiva. (e) – Em ponte com carga indutiva.

1.3. Procedimento Experimental

1.3.1. Circuito retificador monofásico com carga resistiva

Para obter a tensão e corrente de saída desenhamos o seguinte circuito:


Figura 1.5 - Circuito retificador com carga resistiva e medidores de saída .

Em seguida geramos no software o gráfico de tensão e corrente de saída:

Figura 1.6 - Gráfico com tensão (Azul) e corrente (Vermelho) de saída.

1.3.2. Circuito retificador monofásico com carga indutiva

Para o circuito retificador de meia onda com carga indutiva montamos da seguinte
forma com medidores, afim de obter a tensão e corrente de saída:
Figura 1.7 - Circuito retificador de meia onda com carga indutiva montado no software.

A seguir geramos o gráfico de tensão e corrente de saída:

Figura 1.8 - Gráfico de tensão (Azul) e corrente (Vermelho) para o reficador com carga indutiva.

1.3.3. Circuito retificador monofásico de ½ onda com diodo de roda livre

Para o Retificador monofásico de ½ onda com diodo de roda livre, temos que:
Figura 1.8 - Circuito Retificador monofásico de ½ onda com diodo de roda livre com medidor de
tensão na saída e no diodo de retorno.

As seguir geramos os gráficos de tensão de saída e tensão no diodo de retorno:

Figura 1.9 - Tensão (cinza) do diodo de retorno, Tensão (azul) de saída do circuito.
1.3.4. Circuito retificador monofásico em ponte com carga resistiva

Para o circuito retificador monofásico em ponte com carga resistiva, simulamos


no software:

Figura 1.10 - Retificador monofásico em ponte com carga resistiva com medidores de tensão.

Em seguida geramos o gráfico de tensão e suas curvas características:

Figura 1.11 - Retificador monofásico em ponte com carga resistiva com medidores de tensão.
1.3.5. Circuito retificador monofásico em ponte com carga indutiva

Retificador monofásico em ponte com carga indutiva.

Figura 1.12 - Retificador monofásico em ponte com carga indutiva montado no software.

Gráfico de tensão simulado:

Figura 1.13 - Gráfico de tensão simulado de um retificador monofásico em ponte com carga
indutiva.
1.4. Conclusão

A partir das simulações realizadas em laboratório, foi possível encontrar valores


característicos. Obter essas informações é de suma importância, porque vários fatores
físicos interagem no funcionamento de retificadores, dessa forma, com conhecimento,
poderemos estudar propostas de melhoria. Assim, foi observado, também que as
simulações de software são bem próximas da teoria estudada em sala de aula.
Experimento 2 – Retificadores Trifásicos não
controlados

2.1. Fundamentos Teóricos

O circuito retificador de meia-onda, não controlado utilizando carga RL, tem o


princípio semelhante ao do circuito puramente resistivo, mas com algumas
peculiaridades. Com o acréscimo de um indutor, tem-se durante o semiciclo negativo,
quando deveria ser cessada a corrente, uma leve condução de corrente ainda no sentida
direto, proporcionada por um campo que se opõe a essa diminuição da fonte, devido à
característica do indutor de armazenar campo magnético. Em corrente alternada, devido,
principalmente, à facilidade de adaptação do nível de tensão por meio de
transformadores. Em muitas aplicações, no entanto, a carga alimentada exige uma
tensão contínua. A conversão CA-CC é realizada por conversores chamados
retificadores.
Os retificadores podem ser classificados segundo a sua capacidade de ajustar o
valor da tensão de saída (controlados x não controlados); de acordo com o número de
fases da tensão alternada de entrada (monofásico, trifásico, hexafásico, etc.); em função
do tipo de conexão dos elementos retificadores (meia ponte x ponte completa). Os
retificadores não-controlados são aqueles que utilizam diodos como elementos de
retificação, enquanto os controlados utilizam tiristores ou transistores. Usualmente
topologias em meia ponte não são aplicadas. A principal razão é que, nesta conexão, a
corrente média da entrada apresenta um nível médio diferente de zero. Tal nível
contínuo pode levar elementos magnéticos presentes no sistema (indutores e
transformadores) à saturação, o que é prejudicial ao sistema. Topologias em ponte
completa absorvem uma corrente média nula da rede, não afetando, assim, tais
elementos magnéticos.

2.2. Objetivos

 Para cada estrutura apresentada nas figuras 2.1 (a) e (b), determine através de
simulação as forma de onda da tensão de saída, corrente de saída, tensão reversa nos
diodos, corrente direta nos diodos.
 Através do Cursor do Probe do Pspice verifique os valores das amplitudes
encontradas nas formas de onda do item 2.1, o valor médio e eficaz da tensão e
corrente de saída, o fator de ondulação e compare com os valores teóricos.
 Usando a ferramenta de FFT disponível no Pspice, Calcule o fator de potência e
taxas de distorção harmônica da corrente de entrada das estruturas.
 Apresente suas conclusões

2.3. Procedimento Experimental

A seguir será descrito desde a montagem de um circuito retificador trifásico com


carga indutiva até a obtenção de algumas formas de onda do circuito obtido por meio de
simulação computacional de seus parâmetros.
A partir dos circuitos das Figuras 2.1a e 2.1b, é montado no software PSpice um
retificador de meia onda trifásico não-controlado com carga indutiva.

(a) (b)
Figura 2.1: (a) Estrutura trifásica de ½ onda, (b) Estrutura trifásica em Ponte de Graetz.

2.3.1. Circuito retificador trifásico de ½ onda

O desenho mostra o retificador com o medidor de tensão na saída do circuito


Figura 2.1c - Circuito Retificador trifásico de ½ onda com carga RL.

Forma de onda da tensão de saída do circuito.

Figura 2.2 - Tensão de saída

Determinando a corrente de saída. Para o circuito deve ser alterado conforme


mostra a figura abaixo
Figura 2.3 - Circuito Retificador trifásico de ½ onda com carga RL com um medidor de corrente
na saída.

Forma de Onda da corrente de saída. Para o circuito acima.

Figura 2.4 - Corrente de Saída.

Determinando a tensão reversa nos diodos. Temos os medidores nas formas:


Figura 2.5 - Circuito para Determinação da tensão reversa nos diodos

Forma de onda da tensão reversa nos diodos:

Figura 2.6 - Gráficos das tensões reversas dos diodos.

Determinando a corrente direta nos diodos Circuito.


Figura 2.6b - Circuito com medidores de corrente direta.

Gráfico com as devidas correntes nos diodos:

Figura 2.7 - Gráfico da corrente direta nos diodos.


2.3.2. Circuito retificador trifásico em ponte de Graetz

Forma do circuito no Pspice:

Figura 2.8 - Circuito com medidor de Tensão na saída

Forma da tensão na saída

Figura 2.9: Grafico de Tensão de saída.


Forma do circuito da corrente na saída

Figura 2.9: Circuito com medidor de corrente na saída

Corrente de saída, o atraso para a corrente atingir seu estado estacionário é devido
a presença do indutor no circuito.

Figura 2.10: Grafico de corrente de saída.


Tensão reversa nos diodos:

Figura 2.11: Tensão reversa nos diodos.

Correntes diretas nos diodos:

Figura 2.12: Gráfico da corrente nos diodos.


2.4. Conclusão

A tensão média aproximada encontrada na simulação é menor que a calculada,


pois, isto ocorre devido uma pequena queda de tensão que no diodo, onde no valor
teórico encontrado considera o ideal, ou seja, não a queda de tensão durante a condução.
O que é um valor aproximado, o que pode ter aumentado ou diminuído a tensão média
determinada aproximadamente pela curva. O que não interferiu de forma direta no
resultado, já que a tensão simulada foi menor que a calculada, como esperado. Essas
mudanças ocorrem, pois, o indutor armazena maior quantidade de energia no campo
magnético, fazendo com que o diodo conduza por mais tempo no semiciclo negativo até
o ponto em que o indutor se descarregue desligando o mesmo. A tensão de saída então
tem uma parcela negativa por mais tempo e seu valor máximo de tensão aumentado,
pois a carga aumenta com o aumento da indutância.
Experimento 3 – Retificadores Não Controlados
Isolados

3.1. Fundamentos Teóricos

Na maior parte das aplicações em eletrônica de potência, a entrada de energia


tem a forma de uma tensão alternada senoidal em 60 Hz, proveniente da rede, que é
convertida em tensão contínua para ser aplicada à carga. Isto é realizado através dos
conversores CA-CC, também chamado de Retificadores. Dependendo do semicondutor
utilizado, tiristor ou diodo, os retificadores podem ser controlados ou não controlados
respectivamente. Os retificadores a diodo são encontrados em muitas aplicações, em
geral como estágio de entrada de fontes de potência, acionamento de máquinas,
carregadores de baterias e outros. Neste caso a tensão de saída do retificador não pode
ser controlada. Em algumas aplicações, tais como acionamento de máquinas CC, alguns
acionamentos de máquinas CA, controle de temperatura e sistemas de transmissão em
corrente contínua, o controle da tensão de saída se faz necessário. Nestas situações são
utilizados retificadores controlados.

3.1.1 - Retificador Monofásico de Meia Onda

3.1.1. a) Carga Resistiva

O circuito deste retificador alimentando carga resistiva, bem como as principais


formas de onda, são mostrados na Figura 3.1. No semiciclo positivo da tensão de
entrada, o diodo está polarizadodiretamente, logo o mesmo conduz e a tensão da fonte é
aplicada sobre a carga. No semiciclo negativo o diodo fica polarizado reversamente,
logo se bloqueia, levando a tensão sobre a carga a zero.
Figura 3.1 – Retificador a diodo em meia ponte e principais formas de onda.

A tensão média aplicada sobre a carga neste caso é:

Vméd = V 0,45×Vs RMS

Onde VS RMS é o valor eficaz da tensão da fonte de entrada. Por exemplo, para
uma tensão da rede de 127V, a tensão de saída deste retificador será de 57V.E a corrente
média sobre na carga é dada por:

Iméd = S RMS

3.1.1. b) Carga RL

A estrutura do retificador monofásico de meia onda alimentando uma carga RL


bem como a formas de onda estão representadas na Figura 3.2.
Figura 3.2 - Retificador monofásico de meia onda alimentando carga RL e formas de onda

Devido a presença da indutância, a qual provoca um atraso da corrente em


relação a tensão, o diodo não se bloqueia quando wt = p. O bloqueio ocorre no ângulo b
(ângulo de extinção), que é superior a p. Enquanto a corrente de carga não se anula, o
diodo se mantém em condução e a tensão de carga, para ângulos superiores a p, torna-se
instantaneamente negativa. A presença da indutância causa uma redução na tensão
média na carga, sendo que quanto maior a indutância, maior será o valor do ângulo de
extinção, com conseqüente redução da tensão média de saída.

3.1.1. c) Carga RL com Diodo de “Roda –Livre”

Para evitar que a tensão na carga se torne instantaneamente negativa devido à


presença da indutância, emprega-se o diodo de roda-livre, também chamada de diodo de
circulação, diodo de retorno ou de diodo de recuperação. A estrutura do retificador é
apresentada na figura 3.3

Figura 3.3 Retificador monofásico de meia onda com diodo de roda livre
O retificador contendo o diodo de roda-livre possui duas etapas de
funcionamento, representadas na figura 3.4.

Figura 3.4 – Etapas de funcionamento para retificadores de diodo de roda - livre

A primeira etapa ocorre durante o semiciclo positivo da tensão VS de


alimentação. O diodo D1 conduz a corrente de carga IL e o diodo DRL, polarizado
reversamente, encontra-se bloqueado.Nesta etapa a tensão na carga é igual à tensão de
entrada.A segunda etapa ocorre durante o semiciclo negativo da tensão VS. A corrente
de carga, por açãoda indutância, circula no diodo de "roda-livre" DRL, polarizado
diretamente nesta etapa. Em conseqüência, o diodo D1 polarizado reversamente está
bloqueado e a tensão na carga é nula. O diodo de roda-livre permanece em condução até
que a corrente de carga caia até zero. Isso se dá quando a energia armazenada no indutor
é completamente descarregada. As formas de onda estão representadas na Figura 3.5.
Figura 3.5 - Formas de ondas na carga RL

Na Figura 3.5 apresentada, a corrente de carga se anula em cada ciclo de


funcionamento do retificador, nesta situação a condução é dita descontínua. Se a
corrente na carga não se anula antes do inicio do próximo ciclo, a condução é dita
contínua. O fato de a condução tornar-se contínua ou descontinua, é conseqüência da
constante de tempo da carga. Para constantes de tempo elevadas (L muito grande) a
condução poderá ser contínua. A condução contínua pode apresentar maior interesse
prático, pois implica numa redução do ripple (ondulação) de corrente na carga. As
formas de onda do retificador funcionando em condução contínua estão representadas
na Figura 3.6.
Figura 3.6 Formas de ondas na carga para condução contínua

Vméd = V 0,45×Vs RMS


Como o indutor é magnetizado e desmagnetizado a cada ciclo de funcionamento,
conclui-se portanto que o valor médio da tensão no indutor é nulo. Sendo assim, a
tensão média na carga é igual à tensão média na parcela resistiva. Daí:

Iméd = S RMS

Note então que o valor da indutância não altera o valor médio da corrente na
carga. O efeito indutor é de filtragem da componente CA de corrente, ou seja, quanto
maior o valor da indutância, menor será a ondulação (ripple) da corrente. Comumente se
diz que “o indutor alisa a corrente”.

Corrente e tensão nos diodos:

1. A máxima tensão reversa sobre os diodos é dada pelo valor de pico da tensão
de entrada do retificador.
2. Os valores médios das correntes nos diodos podem ser considerados como
iguais à metade do valor calculado para a carga, quando a constante de tempo for
elevada (condução contínua).

3.1.2. - Retificador Monofásico de Onda Completa em Ponte

3.1.2. a) Carga Resistiva

Nesta configuração, também chamada de ponte monofásica, durante o semiciclo


positivo da tensão de entrada os diodos D1 e D4 conduzem corrente à carga e os diodos
D2 e D3 estão bloqueados. Já no semiciclo negativo, D2 e D3 passam a conduzir e D1 e
D4 bloqueiam. Desta forma a tensão sobre a carga é sempre positiva. A Figura 3.7
mostra as duas etapas de operação deste retificador com as principais formas de onda.

Figura 3.7 –Retificador a diodo em ponte: Etapa e principais formas de ondas

O valor médio da tensão na carga é dado por:

Vméd = 0,9×Vs RMS

E a corrente média na carga é obtida de:

Iméd = S RMS

Corrente e tensão nos diodos da ponte:

1. A máxima tensão reversa sobre os diodos é dada pelo valor de pico da tensão
de entrada da ponte retificadora.
2. Os valores médios das correntes nos diodos são iguais à metade do valor
calculado para a carga. As oscilações que aparecem na tensão sobre a carga,
denominam-se “ripple”. Este ripple de tensão pode ser reduzido com a inclusão de um
filtro capacitivo, normalmente um capacitor eletrolítico de alto valor em paralelo com a
carga.

3.1.2. b) Filtro Capacitivo

As formas de onda da Figura 3.8 comparam a tensão na carga e a corrente na


fonte nas duas situações, com e sem o capacitor de filtro. Quanto maior a capacitância
menor será o ripple. Como o capacitor se mantém carregado, os diodos são polarizados
somente quando a tensão da rede ultrapassa o valor da tensão de saída sobre o capacitor,
portanto durante pequenos intervalos de tempo. Isto provoca correntes não senoidais na
fonte de alimentação, gerando harmônicas que reduzem o fator de potência e poluem o
sistema elétrico.

Figura 3.8 – Tensão de saída e corrente da rede para retificadores com filtro capacitivo.

3.1.2. c) Carga RL

A ponte monofásica alimentando carga RL, bem como as principais formas de


onda, estão representados na Figura 3.9.
Figura 3.9 - Retificador em ponte monofásica alimentando carga RL e formas de ondas.

Com o uso do indutor, pode-se obter uma corrente de carga menos ondulada.
Assim, quanto maior o valor da indutância, menor será o ripple de corrente. As
expressões para cálculo de tensão e corrente médias são as mesmas para carga resistiva.

3.1.2. d) Carga RLE

Em algumas aplicações, os retificadores alimentam cargas RLE, ou seja, cargas


constituídas de resistência, indutância e uma tensão CC. Como exemplo típico, cita-se
um motor de corrente contínua, cujo enrolamento de armadura pode ser representado
eletricamente por uma resistência, uma tensão contínua (tensão gerada ou contra-
eletromotriz) e uma indutância. Normalmente se utiliza um indutor em série com o
motor para diminuir a ondulação da corrente. A Figura 3.10 apresenta um retificador em
ponte com carga RLE e as principais formas de onda.

Fig. 3.10 – Retificador em ponte alimentando carga RLE.

Considerando condução contínua, o que é assegurado pelo alto valor da


indutância, a corrente na carga nunca se anula. Assim, a forma de onda da tensão na
carga (VL) não sofre alteração devido à existência da tensão E. Sabendo que o valor
médio da tensão na carga é dado por:

Vméd = 0,9×Vs RMS

3.1.3. - Retificadores Trifásicos

Na indústria onde a rede trifásica está disponível, às vezes é preferível utilizar


retificadores trifásicos, que são constituídos de três pontos de entrada, cada um
conectado a uma das fases da rede, sendo indicados para níveis maiores de potência
(maior que 2kW). Nesta configuração, o ripple de tensão e de corrente são menores,
conseqüentemente os filtros serão menores. Além disso, os retificadores trifásicos
apresentam maior valor médio de tensão de saída.

3.1.3. a) Retificador Trifásico de Meia Onda

Fig. 3.11 - Retificador trifásico com ponto médio

A estrutura apresentada na Figura 3.11 pode ser considerada uma associação de


três retificadores monofásicos de meia onda. Cada diodo é associado a uma das fases da
rede de alimentação trifásica. Nesse tipo de retificador, também conhecido como
retificador com ponto médio, é indispensável o emprego do neutro do sistema de
alimentação. As formas de onda deste retificador alimentando uma carga resistiva estão
apresentadas na figura 3.12. Cada diodo do retificador conduz durante um intervalo de
tempo que corresponde a 120 graus elétricos da tensão da rede, sendo que o diodo em
condução é sempre aquele conectado à fase que apresenta o maior valor de tensão
instantânea. O valor médio da tensão na carga é dado pela expressão:

Figura 3.12 - Formas de onda do retificador de ponto médio.

Com o uso de um indutor em série com a carga resistiva, pode-se obter um


ripple de corrente ainda menor comparado com carga resistiva pura. Observa-se que as
expressões para o cálculo da tensão e corrente médias continuam sendo válidas para
carga RL.

3.1.3. b) Retificador Trifásico de Onda Completa

O retificador trifásico de onda completa, apresentado na Figura 3.13, é


conhecido também como ponte trifásica ou como Ponte de Graetz, se tratando de uma
das estruturas mais empregadas industrialmente. Este retificador apresenta seis etapas
de operação ao longo de um período da rede, sendo que cada etapa é caracterizada por
um par de diodos em condução. Em cada instante a corrente da carga flui por um diodo
da parte superior (D1, D2 ou D3) e um da parte inferior (D4, D5, ou D6). A operação
pode ser explicada assumindo as tensões nas três fases conforme a sequência mostrada
na Figura. 3.14.
Figura 3.13 – Retificador trifásico de onda completa.

Como pode ser visto, a tensão da fase A é a maior das três entre o período de 30º
a 150º levando D1 a condução. A fase B é a maior de 150º a 270º, fazendo D2 conduzir.
E a fase C é a maior entre 270º e 390º (ou 30º do próximo ciclo), o que provoca a
condução de D3. De forma análoga, cada diodo inferior da ponte conduz quando a fase
ligada ao mesmo apresenta o menor valor instantâneo dentre as três. Desta forma, pode-
se constatar que a fase A tem menor tensão de 210º a 330º, fazendo D4 conduzir. A fase
B de 330º a 450º (90º do próximo ciclo), o que faz D5 conduzir. E a fase C de 90º a
210º, levando D6 a condução. O resultado final dos estados de condução são seis etapas
de operação, tal que em cada etapa, dois diodos (um da parte superior e um da parte
inferior) estão conduzindo, como mostra a Figura. 3.14. Em cada etapa de operação
duas fases estão conectadas a carga, uma através de um diodo superior e a outra através
de um diodo inferior. A tensão de saída é dada pelo valor instantâneo das tensões entre
as fases conectadas à carga em cada uma das seis etapas de operação mostradas,
conforme mostra a Figura. 3.15.

Figura 3.14 - Tensões nas três fases e diodos em condução nas seis etapas

Figura 3.15 – Forma de onda da tensão de saída de um retificador trifásico de onda completa.

Note que a frequência da componente fundamental da tensão é igual a 6 vezes a


frequência das tensões de alimentação. Ou seja, para a rede de 60Hz, a tensão de saída
apresenta oscilação de 360 Hz. O ripple na corrente de carga pode ser reduzido ainda
mais se for utilizado um indutor série. Observa-se que as expressões para o cálculo da
tensão e corrente médias continuam sendo válidas para carga RL. A máxima tensão
reversa e a corrente média nos diodos são obtidas da mesma forma que no retificador de
ponto médio. Entre as vantagens do retificador em ponte de Graetz sobre o retificador
de ponto médio, citam-se: maior tensão de saída ( para uma mesma tensão de entrada),
menor riple da tensão de saída e maior frequência da componente fundamental da
tensão de saída (isso requer filtros de menor peso e volume).

3.2. Objetivos

Verificar, através de simulação, quantitativamente e qualitativamente o


comportamento dos parâmetros de projetos e desempenho dos diversos retificadores não
controlados isolados.

3.3. Procedimento Experimental

 Para cada estrutura apresentada determine através de simulação as forma de


onda da tensão e corrente de entrada, tensão e corrente de saída, tensão reversa
nos diodos, corrente direta nos diodos.

 Através do Cursor do Probe do Pspice verifique os valores das amplitudes


encontradas nas simulações, o valor médio e eficaz da tensão e corrente de saída,
o fator de ondulação. Compare com os valores teóricos.

3.3.1. Circuito 1 – Estrutura Monofásica com ponto

Figura 3.16 - Estrutura monofásica com ponto médio.

Para o circuito 1, através do procedimentos especificados acima, foram


alcançados os seguintes plots, após a simulação:
3.3.1. a) Tensões de entrada e saída

Figura 3.17 – Gráficos das tensões de entrada e de saída para o circuito para o circuito 1.

3.3.1. b) Corrente de saída

Figura 3.18–Gráficos das correntes de entrada e de saída para o circuito1

3.3.1. c) Tensões Reversas nos Diodos

Figura 3.19 – Gráficos das tensões reversas nos diodos para o circuito 1.
3.3.1. d) Correntes Diretas nos Diodos

Figura 3.20 – Gráficos das correntes diretas nos diodos para o circuito 1.

3.3.1. e) Valor médio e RMS para a tensão de saída

Figura 3.21 – Gráfico do valor médio e RMS para a tensão de saída do circuito 1.

3.3.1. f) Valor médio RMS para a corrente de saída

Figura 3.22– Gráfico do valor médio e RMS para a corrente de saída do circuito1.
3.3.1. g) Fator de ondulação

Figura 3.23 – Gráfico do Fator de Ondulação para o circuito da figura1.

3.3.2. Circuito 2 – Estrutura Trifásica de ½ onda

Figura 3.24 - Estrutura trifásica de meia onda.

Para o circuito 2, através dos procedimentos especificados no roteiro, foram


alcançados os seguintes plots, após a simulação.

3.3.2. a) Tensões de entrada


Figura 3.25 – Gráficos das tensões de entrada para o circuito2.

3.3.2. b) Tensão de Saída

Figura 3.26 – Gráfico da tensão de saída para o circuito 2.

3.3.2. c) Correntes de Entrada

Figura 3.27 – Gráficos das correntes de entrada para o circuito 2.

3.3.2. d) Corrente de Saída


Figura 3.28 – Gráfico da corrente de saída para o circuito 2.

3.3.2. e) Tensões Reversas nos Diodos

Figura 3.29 – Gráficos das tensões reversas nos diodos para o circuito 2.

3.3.2. f) Tensões Diretas nos Diodos

Figura 3.30 – Gráficos das tensões diretas nos diodos para o circuito 2.

3.3.2. g) Tensões de Saída Média e RMS


Figura 3.31 – Gráficos da tensão de saída média e RMS para o circuito 2.

3.3.2. h) Correntes de Saída Média e RMS

Figura 3.32 – Gráficos da corrente de saída média e RMS para o circuito 2.

3.3.2. i) Fator de ondulação

Figura 3.33 – Gráfico do Fator de Ondulação para o circuito 2.

3.3.3. Circuito 3 – Estrutura Trifásica de onda completa


Figura 3.34 -Estrutura trifásica de onda completa.
.

Para o circuito 3, através do procedimentos especificados no roteiro, foram


alcançados os seguintes plots, após a simulação.

3.3.3. a) Tensões de entrada

Figura 3.35 – Gráficos das tensões de entrada para o circuito 3.

3.3.3. b) Tensão de Saída

Figura 3.36 – Gráfico da tensão de saída para o circuito 3.


3.3.3. c) Correntes de Entrada

Figura 3.37 – Gráficos das correntes de entrada para o circuito 3.

3.3.3. d) Corrente de Saída

Figura 3.38 – Gráfico da corrente de saída para o circuito 3.

3.3.3. e) Tensões Reversas nos Diodos

Figura 3.39 – Gráficos das tensões reversas nos diodos para o circuito 3.

3.3.3. f) Tensões Diretas nos Diodos


Figura 3.40 – Gráficos das tensões diretas nos diodos para o circuito 3.

3.3.3. g) Tensões de Saída Média e RMS

Figura 3.41 – Gráficos da tensão de saída média e RMS para o circuito 3.

3.3.3. h) Correntes de Saída Média e RMS

Figura 3.42 – Gráficos da corrente de saída média e RMS para o circuito 3.

3.3.3. i) Fator de ondulação

Figura 3.42 – Gráfico do Fator de Ondulação para o circuito 3.


3.4. Conclusão

Neste experimento foi possível se familiarizar com os retificadores de vários


tipos, como os retificadores de onda completa, meia onda e retificadores com diodo de
roda livre; nestes retificadores foram utilizadas também cargas indutivas.
De acordo com os circuitos experimentais, podem-se fazer algumas observações
em relação aos retificadores. Para o retificador de meia onda observa-se uma baixa
eficiência. A frequência de ondulação na saída é igual à frequência de entrada. Para
evitar que a tensão na carga se torne instantaneamente negativa devido à presença da
indutância (ângulo de condução maior do que p), emprega-se o diodo de "roda-livre".
Se a corrente de carga se anula em cada ciclo de funcionamento da estrutura, a
condução é dita descontínua. Caso contrário, ela é dita contínua.
O fato de a condução tornar-se contínua ou não, é consequência da constante de
tempo da carga. Para constantes de tempo elevadas (L muito grande) a condução poderá
ser contínua. A condução contínua pode apresentar maior interesse prático, pois implica
numa redução das harmônicas da corrente de carga.
No circuito retificador de onda completa com carga RL, a indutância reduz o
conteúdo harmônico da corrente. Para indutâncias elevadas pode-se ter uma corrente de
carga praticamente contínua. Quando se utiliza cargas indutivas há o aparecimento de
distorções nas formas de ondas, decorrente do efeito indutivo sobre a corrente.
No circuito retificador de onda completa em ponte foi observado o aparecimento
de formas de onda da tensão e corrente distorcidas no primário do transformador devido
à existência de componentes DC no secundário que não aparecem no primário. Estas
componentes causam um deslocamento da característica ferromagnético do
transformador devido ao desequilíbrio entre as potências aparentes do primário e do
secundário. Isto indica que esse tipo de retificador não apresenta aplicação prática e é
utilizado apenas para fins didáticos uma vez que a tensão média e a potência média
obtida na carga para esta configuração são muito baixas.
Observou-se também que em retificadores que alimentam cargas indutivas
ocorre condução durante o semi-ciclo negativo da tensão e este problema pode ser
resolvido com a utilização de um diodo de roda livre que se encarrega de conduzir
durante o período em que ocorreria a condução no semi-ciclo negativo. A indutância é
importante quando se deseja uma forma de onda contínua da corrente na carga e, quanto
maior é o valor da mesma, mais contínua se apresentará a corrente na carga.
Foi observado que na utilização do retificador em ponte, há uma vantagem de
um esforço de tensão menor sobre os diodos, entretanto precisa-se de um número maior
de diodos para este circuito. No retificador de Ponto Médio há a utilização de dois
diodos, porém necessita-se de um transformador de ponto médio.
Relatório 4  Retificadores Monofásicos Controlados

4.1. Fundamentos Teóricos

4.1.1. Retificador Monofásico Controlado com Carga Resistiva

A seguir será descrito a montagem de um circuito retificador monofásico


controlado com carga resistiva até a obtenção de algumas formas de onda do circuito.

O retificador de meia onda controlado com carga resistiva e Indutiva é mostrado


a seguir.

Figura 4.1  Retificador monofásico controlador com carga resistiva.

Após montado o circuito (Figura 4.1), será mostrado a seguir algumas formas de
onda característica do mesmo. Sendo que este tipo de circuito durante o semiciclo
positivo da tensão de alimentação, quando a tensão no ânodo é positiva em relação ao
catódo, o SCR (X1) estará diretamente polarizado e conduzirá se o pulso de
acionamento (Vdisparo) for aplicado á porta. Quando ele passa para o estado ligado em
(TD), uma corrente fluirá na carga e a tensão de saída (V0) será igual à tensão de
entrada. No tempo (TD = 180°), a corrente cai naturalmente à zero, uma vez que o SCR
(X1) estará inversamente polarizado. Durante o semiciclo negativo, o dispositivo
bloqueará o fluxo de corrente e não haverá tensão na carga. O SCR ficará fora até que o
sinal seja aplicado novamente na porta em (TD + 360°). Onde o período TD representa
o tempo no semiciclo positivo quando o SCR está desligado que é também dado em
forma de ângulo. Esse ângulo (medido em graus) é denominado ângulo de disparo
(alfa). E o ângulo de TD a 180° é denominado ângulo de condução ().

4.1.2. Retificador Monofásico Controlado com Carga Indutiva (RL)

A seguir será mostrado o funcionamento de um circuito retificador monofásico


controlado com carga indutiva como mostra a figura 4.2. montado no software PSpice.
Este é caracterizado como um retificador de meia onda controlado com carga indutiva.

Figura 4.2  Retificador monofásico controlador com carga indutiva (RL).

Após montado o circuito (Figura 4.2), será mostrados a seguir algumas formas
de onda característica do mesmo. Para esta configuração de circuito, quando o SCR é
acionado por um ângulo de disparo α, a corrente na carga aumentará de forma lenta,
uma vez que com a presença do indutor faz com que a corrente se atrase em relação à
tensão. No semiciclo positivo quando o SCR conduz, o indutor estará armazenando
energia em seu campo magnético, e quando ocorrer o semiciclo negativo, o SCR ficará
inversamente polarizado. Entretanto, a energia armazenada no campo magnético do
indutor retornará e manterá uma corrente direta na carga. A corrente continuará a fluir
até um ângulo de avanço (β), quando o SCR então passará para o estado desligado. A
tensão no indutor mudará de polaridade e a tensão na carga ficará negativa. Em
consequência disso a tensão média de saída se torna menor.
Comentários sobre as formas de onda do retificador monofásico de carga
resistiva com o retificador monofásico de carga indutiva.

Ao comparar as formas de ondas dos dois circuitos, percebe-se graficamente que


os valores médios na carga de tensão, corrente e potência com a presença da carga
indutiva são menores que o da carga resistiva devido o indutor mudar sua polaridade
durante o semiciclo negativo fazendo com que a tensão na carga (V0) se torne negativa
por um instante de tempo que vai de 180° (10 ms) até o ângulo de avanço β que faz com
que esses valores médios diminuam. Já a forma de onda nos terminais do SCR de
indutiva muda em relação ao da carga resistiva com um aparecimento de uma tensão
negativa após meio período até o ângulo de avanço, pois, o SCR mesmo no semiciclo
negativo, ele continua a conduzir de 180° até o ângulo de avanço β. Por causa da
presença do indutor que faz com que o SCR passe para o estado desligado só após o
descarregamento do mesmo.

Em relação à tensão de saída (V0) no de carga indutiva, há um pequeno aumento


na tensão máxima em relação ao de carga resistiva, devido o aumento do valor da carga,
que proporciona um aumento da tensão de saída e uma diminuição na queda de tensão
do SCR, visto que a tensão é mantida em 50 V, no exemplo em questão. Em relação à
forma de onda da tensão de disparo é igual para os dois circuitos, porque, tanto o ângulo
de disparo como a tensão de disparo são os mesmos para os dois.

4.1.3. Retificador Monofásico Controlado com Carga Indutiva (RL) e com o


Indutor L de Indutância elevada

Foi montado no software PSpice o circuito mostrado na Figura 4.3 com a


indutância 15 vezes maior (300 mH) que o da Figura 4.2. Este é caracterizado como um
retificador de meia onda controlado com carga indutiva com o valor do indutor L
elevado.
Figura 4.3  Retificador monofásico controlador com carga indutiva (RL) de indutância elevada.

Ao comparar as formas de ondas dos dois circuitos, constata-se graficamente


que o ângulo de avanço aumentou com o aumento da indutância. Além disso, os valores
médios de tensão, corrente e potência com o aumento do valor da indutância
diminuíram. Essas mudanças ocorrem, pois, o indutor armazena maior quantidade de
energia no campo magnético, fazendo com que o SCR conduza por mais tempo no
semiciclo negativo até o ponto em que o indutor se descarregue desligando o mesmo. A
tensão de saída então tem uma parcela negativa por mais tempo e seu valor máximo de
tensão aumentado, pois a carga aumenta com o aumento da indutância. A tensão nos
terminais do SCR se comporta como sendo a diferença entre a tensão de entrada e a
tensão de saída nos dois circuitos, sendo que quando se aumenta a indutância a queda de
tensão no SCR diminuir devido o aumento do valor da carga, já que a tensão de
alimentação não se altera. Em relação à forma de onda da tensão de disparo é igual para
os dois casos, pois, tanto o ângulo de disparo como a tensão de disparo são os mesmos
para os dois circuitos.

4.1.4. Retificador Monofásico Controlado com Carga Indutiva (RL) e Diodo de


Retorno (DFW)

O circuito da Figura 4.4, foi montado no software PSpice. Este é caracterizado


como um retificador de meia onda controlado com carga indutiva (RL) e diodo de
retorno (DFW).
Figura 4.4  Retificador monofásico controlador com carga indutiva (RL) e diodo de retorno
(DFW).

Para esta configuração de circuito, o diodo de retorno é usado para cortar a


porção negativa da tensão de saída instantânea e para amenizar a ondulação da corrente
de saída. Para isso, quando a tensão na carga tender a inversão, o diodo de retorno ficará
diretamente polarizado e passará para o estado ligado. Assim quando o SCR fica
inversamente polarizado passando para o estado desligado, a corrente permanece
fluindo na carga, devido á energia armazenada no indutor é ao diodo de retorno dando
um caminho a corrente em direção a carga.

Ao comparar as formas de ondas do retificador monofásico de carga indutiva


com diodo de retorno em relação ao do retificador monofásico com carga indutiva da
figura 4.3 constata-se que com a inclusão do diodo de retorno, as formas de ondas do
circuito da Figura 4.4, aumentam seus valores médios de tensão, corrente e potência em
relação ao da Figura 4.3, este aumento poderia ser maior se não houvesse a queda de
tensão no diodo de retorno, o qual se fosse ideal se igualaria as formas de ondas de um
retificado monofásico com carga resistiva. A tensão de saída (circuito 4.4.) tem seu
comportamento melhorado no semiciclo negativo devido o diodo (D). Em relação a
tensão nos terminais do SCR, para o caso do circuito com a inserção do diodo de
retorno, o ângulo de avanço deixa de aparecer devido o diodo dar um caminho
alternativo a corrente, fazendo com que o SCR não tenha uma condução forçada em
parte do semiciclo negativo e tenha sua tensão mínima em módulo diminuída devido a
queda de tensão no diodo, visto que a tensão nos terminais do SCR é a diferença entre a
tensão de saída e tensão de entrada. Em relação a forma de onda da tensão de disparo, é
igual para os dois casos, pois tanto o ângulo de disparo como a tensão de disparo são os
mesmos para os dois circuitos.

4.2. Objetivos

Verificar, através de simulação, quantitativamente e qualitativamente o


comportamento dos parâmetros de projeto e desempenho dos diversos retificadores
controlados monofásicos. Desenvolver circuitos de comando para disparo de tiristores.

4.3. Procedimento Experimental

Em seguida, montou-se os circuitos propostos para o experimento 4 e então


obteve-se o que se pedia. Os circuitos a serem montados são mostrados na figura 4.5 e
4.11. As formas de onda partir do circuito da Figura 4.5 da estrutura monofásica de ½
onda serão mostradas a seguir, após este circuito ter sido montado e simulado no
software PSpice. Para então obter as formas de onda esperadas.

Figura 4.4  Estrutura monofásica de ½ onda.

4.3.1. Formas de onda na entrada e disparos dos tiristores

A figura 4.6 mostra as formas de onda na entrada e disparos dos tiristores.


100V

50V

0V

-50V

-100V
0s 4ms 8ms 12ms 16ms 20ms 24ms 28ms 32ms 36ms 40ms
V(X1:A) V(DIFF1:OUT)
Time

Figura 4.6  Formas de onda da entrada e disparos nos tiristores.

4.3.2. Formas de onda de tensão e corrente na entrada dos tiristores

A figura 4.7 mostra as formas de onda de tensão e corrente na entrada.

100V

100 V

0V

SEL>>
-100V
V(X1:A)
5.0A

4.4986 A

0A

-5.0A
0s 4ms 8ms 12ms 16ms 20ms 24ms 28ms 32ms 36ms 40ms
I(X1:A)
Time

Figura 4.7  Formas de onda de tensão e corrente na entrada.

4.3.3. Formas de onda de tensão e corrente na saída dos tiristores

A figura 4.8 mostra as formas de onda de tensão e corrente na saída.


200V

99.320 V)

0V

SEL>>
-200V
V(R2:2)
5.0A

4.5001 V)

0A

-5.0A
0s 4ms 8ms 12ms 16ms 20ms 24ms 28ms 32ms 36ms 40ms
-I(R2)
Time

Figura 4.8  Formas de onda de tensão e corrente na saída.

4.3.4. Formas de onda de tensão reversa e corrente direta nos tiristores

100V

0V

-100V

-184.186 V

-200V
V(X1:A,X1:K)
5.0A

4.5012 V

0A

SEL>>
-5.0A
0s 4ms 8ms 12ms 16ms 20ms 24ms 28ms 32ms 36ms 40ms
I(X1:A)
Time

Figura 4.9  Formas de onda de tensão e corrente na saída.

4.3.5. Valores de tensão e corrente média (AVG) e eficaz (RMS) na saída


80V

67.747 V

40V

13.616 v

0V
AVG(V(R2:2)) RMS(V(R2:2))
4.0A

3.0A 2.6052 A

1.9943 A
2.0A

1.0A

SEL>>
0A
0s 5ms 10ms 15ms 20ms 25ms 30ms 35ms 40ms 45ms 50ms 55ms 60ms 65ms 70ms 75ms 80ms
AVG(-I(R2)) RMS(-I(R2))
Time

Figura 4.10  Valores de Tensão e Corrente média (AVG) e Eficaz (RMS) na saída.

Agora, a partir do circuito da Figura 4.11 da estrutura monofásica de onda


completa, serão mostradas as formas de onda que se pedem. Após este circuito ter sido
montado e simulado no software PSpice. Para então obter as formas de onda esperadas,
a figura 4.6 mostra as formas de onda na entrada e disparos dos tiristores.

Figura 4.11  Estrutura monofásica de Onda completa.

4.3.6. Formas de onda dos pulsos de disparo e tensão de entrada


100V

50V

0V

-50V

-100V
0s 4ms 8ms 12ms 16ms 20ms 24ms 28ms 32ms 36ms 40ms
V(DIFF1:OUT) V(DIFF2:OUT) V(V6:-) V(V2:+)
Time

Figura 4.12  Formas de onda dos pulsos de disparo e tensão de entrada.

4.3.7. Formas de onda de tensão e corrente na entrada dos tiristores

A figura 4.13 mostra as formas de onda de tensão e corrente na entrada para o


circuito de onda completa.
100V

99.999 V 99.99 V

0V

-100V
V(V6:-) V(V2:+)
20A

14.843 A

10A

SEL>>
0A
0s 5ms 10ms 15ms 20ms 25ms 30ms 35ms 40ms 45ms 50ms 55ms 60ms 65ms 70ms 75ms 80ms
I(X2:A) +I(X1:A)
Time

Figura 4.13  Formas de onda de tensão e corrente na entrada.

4.3.8. Formas de onda de tensão e corrente na saída dos tiristores


A figura 4.14 mostra as formas de onda de tensão e corrente na saída para o
retificador de onda completa.
100V

99.069 A

50V

0V

SEL>>
-50V
V(R2:2)
16.5A

16.129 A

16.0A

15.504 A
15.5A

15.029 A
15.0A
120ms 130ms 140ms 150ms 160ms
-I(R2)
Time

Figura 4.14  Formas de onda de tensão e corrente na saída.

4.3.9. Formas de onda de tensão reversa e corrente direta nos tiristores

200V

0V

-199.228 V
-200V
V(X1:A,X1:K)
20A

16.117 A
0A

-20A
I(X1:A)
200V

100V

0V

-100V
-199.235 V
-200V
V(V6:-,X2:K)
20A

16.151 A
0A

SEL>>
-20A
0s 10ms 20ms 30ms 40ms 50ms 60ms 70ms 80ms 90ms 100ms 110ms 120ms 130ms 140ms 150ms 160ms
I(X2:A)
Time

Figura 4.15  Formas de onda de tensão e corrente na saída.

4.3.10. Valores de tensão e corrente média (AVG) e eficaz (RMS) na saída


72V
69.632 V

62.460 V

60V
AVG(V(R2:2)) RMS(V(R2:2))
14A
13.644 A

13.119 A

13A

SEL>>
12A
120ms 130ms 140ms 150ms 160ms
AVG(-I(R2)) RMS(-I(R2))
Time

Figura 4.16  Valores de Tensão e Corrente média (AVG) e Eficaz (RMS) na saída.

4.4. Conclusão

Nesta simulação sobre retificadores monofásicos de meia onda controláveis,


observou-se o comportamento de alguns arranjos de circuitos para o mesmo, que são os
de carga resistiva, carga indutiva, carga indutiva com alta indutância e com carga
indutiva com diodo de retorno. Onde se verificou como cada circuito desses se
comporta ao serem submetidos a uma mesma tensão de entrada, de disparo e com o
mesmo ângulo de disparo, sendo que os diferentes comportamentos observados foram
argumentados com fundamento teórico do assunto ao decorrer das simulações. Sendo
que as disparidades entre valores simulados e calculados de alguns parâmetros são
principalmente em virtude do comportamento não ideal de componentes do circuito
como o SCR e o diodo.

A partir destas simulações apresentadas, constatou-se que estes tipos de circuito


produzem uma tensão de saída DC variável, cuja amplitude é obtida por meio de
controle de fase, isto é, com o domínio do período de condução, variando o ponto no
qual um sinal na porta é aplicado ao SCR.
Experimento 5  Retificadores Trifásicos Controlados

5.1. Fundamentos Teóricos

Os circuitos trifásicos geralmente são mais adequados quando uma grande


quantidade de potência está envolvida. Dessa forma, mesmo as cargas monofásicas de
alta potência em corrente contínua comumente são alimentadas por meio de
retificadores trifásicos.

Entre os retificadores trifásicos, o de ponte completa controlado provavelmente é


o mais utilizado conversor de eletrônica de potência para aplicações de média e alta
tensão. Tais retificadores obtêm uma tensão Direct Current (DC) com um menor
conteúdo harmônico, logo de filtragem mais simples. São largamente utilizados em
sistema de transmissão High Voltage Direct Current (HVDC), carregamento de baterias,
processos de eletrólise, operação de motores DC, fontes de potência controlada,
sistemas de iluminação controlada e equipamentos de tração.

Para analisar a operação dos retificadores de ponte completa controlados, faz-se


necessário compreender como opera o tiristor. Esse é um dispositivo utilizado para o
controle do fluxo de potência para a carga em retificadores completamente controlados.

Os tiristores são dispositivos semicondutores com capacidade de chaveamento.


Entre os tiristores mais conhecidos está o Silicon Controlled Rectifier (SCR):

• O SCR é um dispositivo de três terminais; um anodo, um catodo (como um


diodo) e um terminal adicional de controle ou gate (Figura 5.1). É capaz de bloquear
corrente na polarização direta e reversa, sendo que na polarização direta pode tornar-se
condutor aplicando-se uma corrente Corrente Contínua (CC) ao terminal de controle
gate denominada (IGT). A corrente IGT é a mínima corrente DC necessária para
chavear o tiristor do estado não-condutor para o estado condutor ou ligado.
Figura 5.1. - Representação simbólica do tiristor.

• Disparando-se uma tensão ao terminal gate com o tiristor polarizado


diretamente, o sinal de disparo pode ser removido e o SCR continuará conduzindo até a
extinção da corrente que flui através do dispositivo.

5.1.1. Retificador Trifásico Controlado com Carga Resistiva e com um Ângulo


de Disparo de 20°

A seguir será descrito desde a montagem de um circuito retificador trifásico


controlado com carga resistiva até a obtenção de algumas formas de onda do circuito
por meio de simulação computacional.

A partir do circuito da Figura 5.2, é montado no software PSpice o circuito


mostrado na Figura 5.3 sem o indutor e sem o diodo de retorno.

Figura 5.2  Retificador trifásico controlador com carga RL e diodo de retorno (DFW).
O ângulo de disparo (α) usado neste exemplo será de 20°, assim pode-se
encontrar o equivalente em tempo de TD. Onde, esses cálculos são obtidos pela equação
abaixo:

⁄ (5.1)

Figura 5.3  Retificador trifásico controlador com carga resistiva.

Após montado o circuito (Figura 5.3). O circuito se caracteriza por ser um


retificador trifásico controlável de seis pulsos, sendo utilizado como conversores de alta
potência. Ele é projetado com dois retificadores de três pulsos (Figura 5.3), ligados em
série. Onde os SCRs 1 (X1), 3 (X3) e 5 (X5) são conhecidos com o nome de grupo
positivo, uma vez que são disparados durante o semiciclo positivo da tensão de fase ás
quais estão ligados. Já os SCRs 2 (X2), 4 (X4) e 6 (X6) formam o grupo negativo e são
disparados durante o semiciclo negativo. Para a corrente pode ser fornecida a carga é
necessário que dois SCRs sejam acionados ao mesmo tempo, assim dois pulsos de 60°
são aplicados ao SCR a cada ciclo. A operação do circuito da Figura 5.3 pode ser
descrita considerando os seis períodos de 60° cada, como é descrito a seguir:

Primeiro período: Em 20°, SCR1 (X1) passa para o estado ligado, fazendo com que
SCR5 (X5) vá para o desligado. De 20° a 80°, a maior tensão de linha é vAB. Deste
modo, os SCRs 1 (X1) e 6 (X6) conduzirão nesse momento vAB é a tensão na carga
através dos SCRs 1 (X1) e 6 (X6).

Segundo período: Em 80°, SCR2 (X2) passa para o estado ligado, fazendo com que
SCR6 (X6) vá para o desligado. De 80° a 140°, a maior tensão de linha é vAC. Deste
modo, os SCRs 1 (X1) e 2(X2) conduzirão nesse momento vAC é a tensão na carga
através dos SCRs 1 (X1) e 2 (X2).

Terceiro período: Em 140°, SCR3 (X3) passa para o estado ligado, fazendo com que
SCR1 (X1) vá para o desligado. De 140° a 200°, vBC é a tensão na carga através dos
SCRs 2 (X2) e 3 (X3).

Quarto período: Em 200°, SCR4 (X4) passa para o estado ligado, fazendo com que
SCR2 (X2) vá para o desligado. De 220° a 260°, vBA é a tensão na carga através dos
SCRs 3 (X3) e 4 (X4).

Quinto período: Em 260°, SCR5 (X5) passa para o estado ligado, fazendo com que
SCR3 (X3) vá para o desligado. De 260° a 320°, vCA é a tensão na carga através dos
SCRs 4 (X4) e 5 (X5).

Sexto período: Em 320°, SCR6 (X6) passa para o estado ligado, fazendo com que SCR4
(X4) vá para o desligado. De 320° a 20°, vCB é a tensão na carga através dos SCRs 5
(X5) e 6 (X6).

Em um período de 360° não é o suficiente para completar o ciclo de seis


períodos de 60° serem completados, sendo completado 20° após esse primeiro período.
Isso ocorre devido o ângulo de díspar ser de 20°. O próximo ciclo se inicia com o SCR1
(X1) ligado, e então a sequência é repetida.

5.1.2. Retificador Trifásico Controlado com Carga Resistiva e com um Ângulo


de Disparo de 45°
A seguir será descrito desde a montagem de um circuito retificador trifásico
controlado com carga resistiva até a obtenção de algumas formas de onda do circuito
por meio de simulação computacional e o calculo teórico de alguns de seus parâmetros.

A partir do circuito da Figura 5.2, é montado no software PSpice o circuito


mostrado na Figura 5.3 sem o indutor e sem o diodo de retorno.

O ângulo de disparo (α) usado nesta simulação será de 45°, assim o equivalente
em tempo de TD pode ser calculado de acordo com a equação (5.1) apresentada
anteriormente.

 Comentários sobre as formas de onda do retificador trifásico de carga resistiva


com ângulo de disparo de 20° com o de ângulo de disparo de 45°
As formas de onda para os dois retificadores com disparos diferentes têm
comportamentos semelhantes. Onde o que difere os dois é o desempenho dos SCRs para
um ângulo de disparo de 45° onde o mesmo tem seu disparo forçado devido à tensão de
disparo direto que ocorre antes do segundo disparo (45°+50°), fazendo com que os
disparos passem a ocorrer para um ângulo de 30°. Já para o ângulo de 20° eles disparam
normalmente.

Percebe-se graficamente que os valores médios na carga de tensão, corrente e


potência e também o da tensão de saída e o valor da tensão RMS de V0, com o aumento
do ângulo de disparo diminuem, já que seus valores dependem deste ângulo.

A tensão de disparo nas portas dos SCRs tem o mesmo comportamento para os
dois casos, mudando apenas o valor de alfa. A tensão nos terminais dos SCRs 1 e 2 para
as duas situações tem comportamentos semelhantes, diferindo apenas o tempo de
condução, onde para o ângulo de 45° tem uma condução no segundo período de 60°
(este período durou 50° em vez de 60° no primeiro ciclo) menor que o retificador com
ângulo de 20°.

5.1.3. Retificador Trifásico Controlado com Carga Indutiva (RL) e Diodo de


retorno (DFW)
A seguir será descrito desde a montagem de um circuito retificador trifásico
controlado com carga indutiva e diodo de retorno até a obtenção de algumas formas de
onda do circuito por meio de simulação computacional.

A partir do circuito da Figura 5.2, é montado no software PSpice o circuito


mostrado na Figura 5.4. O ângulo de disparo (α) usado neste exemplo foi de 20°, assim
o equivalente em tempo de TD pode ser calculado pela equação (5.1). A descrição feita
para o retificador trifásico de seis pulsos anterior com carga resistiva com um ângulo de
disparo de 20° é valido para este retificador.

Figura 5.4  Retificador trifásico controlador com carga RL e diodo de retorno (DFW).

 Comentários sobre as formas de onda do retificador trifásico de carga resistiva


com ângulo de disparo de 20° com o de carga indutiva com diodo de retorno
Não houve mudanças significativas em relação às duas simulações. Os valores e
formas de ondas são bem próximos para a configuração dos circuitos dado. Se houvesse
um aumento no ângulo de disparo acima de 60°o circuito com carga indutiva e diodo de
retorno mudaria as formas de onda como, por exemplo, a tensão de saída teria uma
pequena parte negativa que seria amenizada pelo diodo de retorno quase a zero.
Considerando que a simulação seria feita com um SCR que operasse normalmente com
a tensão de alimentação dada.

5.2. Procedimentos Experimentais

Em seguida, montou-se os circuitos propostos para o experimento 4 e então


obteve-se o que se pedia. Os circuitos a serem montados são mostrados na figura 5.5 e
5.11. As formas de onda partir do circuito da Figura 5.5 da estrutura trifásica de ½ onda
serão mostradas a seguir, após este circuito ter sido montado e simulado no software
PSpice. Para então obter as formas de onda esperadas.

Figura 5.4  Estrutura trifásica de ½ onda.

5.2. Objetivos

Verificar, através de simulação, quantitativamente e qualitativamente o


comportamento dos parâmetros de projeto e desempenho dos diversos retificadores
controlados trifásicos.

5.3. Procedimento Experimental


5.3.1. Formas de onda das tensões na entrada

Figura 5.5  Formas de onda das tensões de entrada.

5.3.2. Formas de onda da corrente de entrada

Figura 5.6  Formas de onda das correntes de entrada.

5.3.3. Formas de onda de tensão e corrente na saída


Figura 5.7.  Formas de onda de tensão e corrente na saída.

5.3.4. Pulsos de disparo no circuito de comando

Figura 5.8  Pulsos de disparos no circuito de comando.

5.3.5. Tensão Reversa nos tiristores e Corrente direta no tiristores.


Figura 5.9  tensão Reversa nos tiristores e Corrente direta no tiristores..

5.3.6. Fator de ondulação

Figura 5.10.  Formas de onda de tensão e corrente na entrada.

5.3. Conclusão

Nesta simulação sobre retificadores Trifásicos em ponte de seis pulsos observou-


se o comportamento de alguns arranjos de circuitos para o mesmo, que são os de carga
resistiva com valores diferentes de ângulo de disparo e com carga indutiva com diodo
de retorno. Onde se verificou como cada circuito desses se comporta ao serem
submetidos a uma mesma alimentação, tensão de disparo e com variação do ângulo de
disparo para o caso resistivo, sendo que os diferentes comportamentos observados
foram argumentados com fundamento teórico do assunto ao decorrer das simulações. A
partir destas simulações, constatou-se que os diferentes circuitos apresentados,
fornecem tensão média DC aumentada que pode ser variada com o controle do
acionamento das entradas para as portas dos SCRs de maneira adequada.