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MAFUÁ

Revista de Literatura em Meio Digital


ISSN 1806-2555
- ano 6 n.9 2008 –
http://www.mafua.ufsc.br/

O MODERNISMO PORTUGUÊS E FERNANDO


PESSOA

Por Ítalo Puccini


Graduando em Letras
Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE
italopuccini@yahoo.com.br

RESUMO: O presente artigo apresenta um panorama do surgimento


e da história do movimento literário Modernismo, em Portugal,
estabelecendo relações com um dos maiores poetas de Portugal e um
dos responsáveis pelo Modernismo lá: Fernando Pessoa. De maneira
mais abrangente possível, neste artigo são traçados paralelos entre
os três heterônimos criados por Fernando Pessoa e o próprio Pessoa,
contendo relações próximas e distantes nas produções dos quatro
poetas.

PALAVRAS-CHAVE: Modernismo Europeu, Fernando Pessoa,


heterônimos.

ABSTRACT: This article presents a panorama of the commencement


and history of the literary movement called Modernism, inPortugal,
establishing relationships with one of Portugal’s greatest poets and
one of the responsibles for that movement there: Fernando Pessoa.
In a widespread way, in this article we draw parallels among three
heteronyms, created by Fernando Pessoa andPessoa himself as a
poet, containing proximal and distant correlations between the four
poets’ works.

KEY WORDS: European Modernism, Fernando Pessoa, Heteronyms

1 Modernismo português

O movimento artístico chamado Modernismo, em Portugal, deu


seus primeiros passos em 1910, numa época de transição e de
instabilidade política naquele país com a mudança do regime
monárquico para o regime republicano. Porém, o ponto alto de início
desse movimento deu-se em 1915, com a publicação da
revista Orpheu, que tinha entre seus escritores Mário de Sá Carneiro,
Fernando Pessoa, Luís de Montalvor, Almada Negueiros e até o
brasileiro Ronald de Carvalho, todos com o objetivo de revolucionar e
de atualizar a cultura portuguesa no cenário europeu.
Apresentando semelhança com o modernismo brasileiro no que
se refere, principalmente, à literatura, o movimento, em Portugal,
surgiu com uma poesia alucinada, provocadora, irritante, com o
intuito maior de desestabilizar a ordem política, social e econômica
reinante na época. Também influenciada pelo contexto mundial
daquele período – 1ª Guerra Mundial (1914), Revolução Russa
(1919), EUA assumindo a alcunha de maior potência do mundo – e
acompanhando as tendências de vanguarda que nasciam pela
Europa, atemática artística apresentava-se com veias de
inconformismo, de instabilidade, com o desejo de romper com o
passado, de aderir a idéias futuristas, dando maior vida – e
visibilidade – ao país. A Europa como um todo vivia um momento de
efervescência cultural: a realidade reinterpretada pelos artistas, a
crítica aos costumes ultrapassados e a ânsia em aderir e em
acompanhar os avanços tecnológicos que rompiam com conceitos já
estabilizados, porém atrasados.
Tanto que, na literatura, a idéia futurista foi a mais explorada
pelos escritores. O manifesto técnico da literatura futurista pregava,
assim como no modernismo brasileiro, a destruição da sintaxe, o uso
de símbolos matemáticos musicais e o menosprezo por adjetivos,
advérbios e pontuação.
Ainda, alguns críticos literários apresentam três fases para o
modernismo português:
- 1ª fase, orfeísmo, escritores responsáveis pela revista Orpheu, e
por trazer Portugal de volta às discussões culturais na Europa;
- 2ª fase, presencismo, integrada por aqueles que ficaram de fora
do orfeísmo, que fundaram a revista Presença e que buscavam, sem
romper com as idéias da geração anterior, aprofundar em Portugal a
discussão sobre teoria da literatura e sobre novas formas de
expressão que continuavam surgindo pelo mundo;
- 3ª fase, neo-realismo, movimento que combateu o fascismo, e que
defendeu uma literatura como crítica/denúncia social, combativa,
reformadora, a serviço da sociedade – extremamente próxima do
realismo no Brasil, daí advindo a nomenclatura “neo-realismo”, um
novo realismo para “alertar” as pessoas e tirá-las da passividade.
Foi da primeira fase que participou um dos maiores poetas da
história de Portugal, o que melhor soube apresentar em versos os
íntimos da contradição de ser humano.

2 Fernando Pessoa – “ele mesmo” – o ortônimo

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Fernando Antônio Nogueira Pessoa – Fernando Pessoa –


participou da primeira geração do modernismo português e foi
considerado, junto a Camões, o maior poeta de Portugal.
Nascido no dia 13 junho de 1888, em Lisboa, Pessoa teve uma
infância tumultuada, perdendo o pai aos cinco anos. Viajou com a
mãe e o padrasto para a África do Sul, ainda quando criança, vivendo
por lá até boa parte de sua adolescência, inclusive tendo ingressado
na Universidade de Cabo.
Retornou a Portugal onde ainda cursou Letras por um tempo.
Trabalhou durante boa parte da vida como tradutor de cartas
comerciais para empresas estrangeiras, e publicou apenas dois livros
enquanto vivo: “35 sonnets” (livro de poemas, em inglês) e
“Mensagem”, a obra mais conhecida dele, na qual apresenta o
glorioso passado de Portugal e tenta encontrar um sentido para a
antiga grandeza e a decadência existente no seu país na época em
que o livro foi escrito. Um livro que revisita e também cria uma
mitologia do passado heróico de Portugal, repleta de símbolos. Um
livro que apresenta proximidade com o que propunha o modernismo
quando no seu surgimento: dar maior visibilidade e vida à história e
à cultura de Portugal, evitando continuar deixando-a para trás
perante o cenário europeu da época.
Outra obra escrita e assinada por Pessoa, porém publicada
postumamente, foi Cancioneiro, em que são explorados temas como
solidão, saudade, infância, vida, arte, tédio, ceticismo, e onde
encontra-se um dos poemas mais célebre de Fernando Pessoa,
“Autopsicografia”, no qual o poeta reflete justamente sobre o fazer
poético:

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,


Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
(Antologia Poética, 2001, p. 25).

Próximo ao pensar de Caeiro, segundo Moisés (1991, p. 400),


um dos dramas de Pessoa foi o de ser extremamente lúcido, de
sonhar em ser inconsciente, porém sem perder a lucidez. E,
diferentemente de um dos seus heterônimos, para Pessoa existia
coerência entre sentir e pensar. Sentir e pensar constituiam “atos
indissociáveis de um órgão íntimo que só por absurdo poderia deixar
de sentir e, portanto, de pensar simultaneamente: sentir é pensar,
pensar é sentir” (MOISÉS, 1991, p. 400).
Feranando Pessoa faleceu em 30 de novembro de 1935, no
mesmo país em que nasceu, sem ter noção exata da dimensão que
sua obra alcançaria, e do enigma que sua pessoa deixaria a todos.

3 Fernando Pessoa e os heterônimos

No dia 8 de março de 1914, Fernando Pessoa explodiu em três


diferentes poetas: um mestre bucólico (Alberto Caeiro), um
neoclássico estóico (Ricardo Reis), e um poeta futurista (Álvaro de
Campos). E foi de onde pôde afirmar: “E tudo me parece que fui eu,
criador de tudo, o menos que ali houve”.
Talvez criados apenas como estratégia de marketing do poeta
(no que poucos conseguem acreditar), o objetivo com os
heterônimos era formar em si uma unidade:

Sentir tudo de todas as maneiras,


Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.
(Antologia Poética, 2001, p. 26)

Conforme, ainda, palavras de Álvaro de Campos,


Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo.
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
despi-me, entreguei-me,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.
(Poesias de Álvaro de Campos, 1983, p. 177).

Unidade quem sabe Pessoa tenha alcançado, mas também o


que se vê são três personalidades que não se complementam em
muitos aspectos. O mestre é Caeiro, o Pai, com a sabedoria e a
calma invejadas por seus dois irmãos, a quem dá origem: Ricardo
Reis, um epicurista triste, de tradição clássica, ligado à mitologia
pagã, para quem a emoção podia ser controlada pela razão, e Álvaro
de Campos, o mais ligado à tendência futurista, engenheiro formado,
de versos fortes, diretos, feitos mais na inspiração do que na arte de
criação.
Refletindo o momento da época – a desestruturação do mundo
na 1ª Guerra Mundial, a instabilidade em Portugal pela mudança de
regime político, as diferentes formas de expressão cultural
apresentadas pelas vanguardas – Fernando Pessoa multiplicou-se em
diversos heterônimos, destacando-se os três já citados. As
expressões artísticas seguiam o cenário em que se faziam observar.
Fragmentavam-se, espalhavam-se em diferentes e inconstantes
formas de representar o viver, o pensar e o sentir. Pessoa foi o
exemplo mais claro.
O fato é que sua poesia, seus sentimentos, suas idéias e suas
vontades de ser – e, conseqüentemente, de viver – angustiavam-no,
como bem sintetizado por Álvaro de Campos:

Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,


Quando mais personalidades eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.
(Poesias de Álvaro de Campos, 1983, p.
187).

Dessa angústia, então, “nasceram” três personalidades completas,


distintas e semelhantes em alguns aspectos, que, se não
conseguiram dar ao poeta a unidade buscada, muito próximo disso
chegaram.

3.1 Alberto Caeiro

Há metafísica bastante em não pensar em nada (Poemas completos


de Alberto Caeiro, 2006, p. 38).

A minha poesia é natural como o levantar-se vento... (Poemas


completos de Alberto Caeiro, 2006, p. 53).

O Pai dos heterônimos, o “mestre”. Aquele cuja poesia mais se


aproximou da do próprio Fernando Pessoa, por encontrar no sentira
base mais sólida de se viver. Para o mestre, o que importava era
viver o mundo, era nele estar presente, sem querer saber o porquê
de estar-se ali naquele momento, sem interrogar-se do que se vive.
Entretanto – eis a grande contradição do mestre – tendo consciência
do que se está e do que se é. E esta contradição foi manifestada:

Porque o ter consciência não me obriga a ter teorias sobre as coisas:


Só me obriga a ser consciente.
(...)
Ter consciência é mais que ter cor?
Pode ser e pode não ser.
Sei que é diferente apenas.
Ninguém pode provar que é mais que só diferente.
(Poemas completos de Alberto Caeiro, 2006, p.
109).

Para Caeiro, o objetivo era aprender a desaprender, aprender a


não pensar, a silenciar a mente, a somente viver o contato direto
com a realidade que se tinha à frente, palpável. A vida para ele era o
puro sentir. Como expressou no poema “XXIV”, de “O Guardador de
Rebanhos”:
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.

Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),


Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender”.
(Poemas completos de Alberto Caeiro, 2006, p.
63).

A poesia de Caeiro era pagã. Era a poesia da anti poesia, que


questionava palavras, conceitos, pensamentos, ideologias, religiões,
com as quais o homem vestia a realidade, trazendo à tona que ela –
a realidade – simplesmente era e valia por si mesma. A única
experiência que valia à pena para o mestre era a de silenciar, a de
libertar-se do poder de signos e de significados de tudo o que existia,
o que, aí sim, possibilitaria ao homem o conhecimento real de toda a
verdade do mundo no qual vivia, e da sua própria verdade, enquanto
presença e existência.

O espelho reflete certo; não erra porque não pensa.


Pensar é essencialmente errar.
Errar é essencialmente estar cego e surdo.

O único mistério do universo é o mais e não o menos.


Percebemos demais as coisas – eis o erro, a dúvida.
O que existe transcende para mim o que julgo que existe.
A realidade é apenas real e não pensada.

O único sentido íntimo das coisas


É elas não terem sentido íntimo nenhum.
(grifo meu). Poemas completos de Alberto Caeiro, 2006,
p. 39).
O que valia para Caeiro era o hoje, era o presente, era o agora.
Era isto e não pensar sobre isto. Eram os verbos “ver” e “ouvir”, e
não o “pensar”. “Abolir o pensar para ver e ouvir”, eis seu lema.
Segundo Moisés (1991, p. 400), era “o poeta que pensa o seu
propósito de não pensar, ou antes, de limitar-se a ver e ouvir”.

Creio no mundo como num malmequer,


Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.
(Poemas completos de Alberto Caeiro, 2006, p. 34).

Caeiro apresentou-se autodidata, anti filosófico e anti metafísico.


Solitário e neutro. Contrário ao misticismo. Camponês, de linguagem
simples e paradoxal, o “guardador de rebanhos” que se importava
somente em ver de forma objetiva e natural a realidade, que dava
importância ao ato de ver e de ouvir, e só. Sua maior obra foi “O
Guardador de Rebanhos”, que escreveu de uma vez só, sendo
formada por 49 poemas, e dedicada à memória de Cesário Verde.

Pensar incomoda como andar à chuva


Quando o vento cresce e parece que chove mais.

Não tenho ambições nem desejos


Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinha.
(Poemas completos de Alberto Caeiro, 2006, p.
32).

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?


A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?.
(Poemas completos de Alberto Caeiro, 2006, p.
38).

Sou um guardador de rebanhos.


O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la


E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor


Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.
(Poemas completos de Alberto Caeiro, 2006, p.
48).

Até mesmo Deus Caeiro não afirmou existir, por nunca tê-lo
visto:

Não acredito em Deus porque nunca o vi.


Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!.
(Poemas completos de Alberto Caeiro, 2006, p.
39).

Pensar em Deus é desobedecer a Deus,


Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou....
(Poemas completos de Alberto Caeiro, 2006, p.
41).
E ainda mostrou sua crença num deus superior, que para ele
não recebia o nome de “Deus”.

Mas se Deus é as árvores e as flores


E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvore e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,


(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
(grifo meu). (Poemas completos de Alberto Caeiro, 2006, pp.
39-40).

Ainda, Caeiro, no extenso poema “VIII” de “O Guardador de


Rebanhos”, apresentou sua versão da história do menino Jesus,
inclusive afirmando que Jesus não gostava de Deus:

Diz-me muito mal de Deus.


Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
(...)
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou –
‘Se é que ele as criou, do que duvido’.
(Poemas completos de Alberto Caeiro, 2006, p. 44-
45).

E nos últimos versos deste poema questionou a veracidade de sua


versão perante as apresentadas e já conhecidas das religiões, num
ato de quem tinha consciência daquilo em que acreditava:

Esta é a história do meu Menino Jesus.


Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?.
(Poemas completos de Alberto Caeiro, 2006, p.
47).

Conforme palavras de seu discípulo Ricardo Reis, “este homem


descobriu o mundo sem pensar nele, e criou um conceito do universo
que não contém meras interpretações. (...) Não se pode comentar,
porque se não pode pensar, o que é direto, como o céu e a terra;
pode tão-somente ver-se e sentir-se” (REIS, apud Poemas Completos
de Alberto Caeiro, p. 26, 2006).

3.2 Ricardo Reis

A veia clássica dos heterônimos de Fernando Pessoa.


Monarquista, educado em colégio de jesuístas, amante das culturas
grega e latina. Buscou sempre o mais alto, o impossível em sua
poesia, esta refinada, concisa, elíptica, com linguagem bem
trabalhada e vocabulário rebuscado. Participou bastante da
revista Presença, da denominada 2ª fase do modernismo português.
Sua poesia tinha um pouco do paganismo de Alberto Caeiro. Um
paganismo consciente, assim como consciente era da efemeridade da
vida, pois para ele tudo passava e perdia o sentido diante da morte
inevitável.

Tudo que cessa é morte, e a morte é nossa


Se é para nós que cessa. Aquele arbusto
Fenece, e vai com ele
Parte da minha vida.
Em tudo quanto olhei fiquei em parte.
Com tudo quanto vi, se passa, passo,
Nem distingue a memória
Do que vi do que fui.
(Odes de Ricardo Reis, 1983, p. 132).

Em seus poemas, Reis convidava as pastoras


Lídia, Neera e Cloe, a acompanhá-lo nos seus momentos de dor e de
prazer, sempre sérios e regrados, de forma equilibrada e serena:

Prazer, mas devagar,


Lídia, que a sorte àqueles não é grata
Que lhe das mãos arrancam.
Furtivos retiremos do horto mundo
Os depredandos pomos.
Não despertemos, onde dorme, a Erínis
Que cada gozo trava.
Como um regato, mudos passageiros,
Gozemos escondidos.
A sorte inveja, Lídia. Emudeçamos
(Odes de Ricardo Reis, 1983, p. 122).

Lenta, descansa a onda que a maré deixa,


Pesada cede. Tudo é sonegado.
Só o que é de homem se ouve.
Cresce a vinda da lua.
Nesta hora, Lídia ou Neera ou Cloe,
Qualquer de vós me é estranha, que me inclino
Para o segredo dito
Pelo silêncio incerto.
Tomo nas mãos, como caveira, ou chave
De supérfluo sepulcro, o meu destino,
E ignaro o aborreço
Sem coração que o sinta.
(Odes de Ricardo Reis, 1983, p. 129).

A natureza em Reis era mantida com o fascínio que


tinha Caeiro pela mesma, só que em Ricardo de maneira mais
neoclássica, outra característica sua. Adepto do Lócus Amoenus (local
ameno) e do Carpe Diem (aproveitar o dia), apresentou a busca pelo
equilíbrio contido nos clássicos. A simplicidade natural passou a ser
cuidadosamente estudada com ele:

Coroai-me de rosas,
Coroai-me em verdade
De rosas –
Rosas que se apagam
Em fronte a apagar-se
Tão cedo!
Coroai-me de rosas
E de folhas breves.
E basta.
(Odes de Ricardo Reis, 1983, p. 77).

Para ser grande, sê inteiro: nada


Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
(Odes de Ricardo Reis, 1983, p. 146).

Seus poemas eram odes, poemas líricos, com métrica, estrofes


regulares e variáveis, diferentemente de Caeiro. Suas odes voltavam-
se aos deuses da mitologia grega. Ao contrário de seu mestre, Reis
pensava bastante nos deuses, esses que, para ele, controlavam o
destino dos homens e estavam acima de tudo:
O Deus Pã não morreu,
Cada campo que mostra
Aos sorrisos de Apolo
Os peitos nus de Ceres –
Cedo ou tarde vereis
Por lá aparecer
O deus Pã, o imortal.

Não matou outros deuses


O triste deus cristão.
Cristo é um deus a mais,
Talvez um que faltava.
Pã continua a dar
Os sons da sua flauta
Aos ouvidos de Ceres
Recumbente nos campos.

Os deuses são os mesmos,


Sempre claros e calmos,
Cheios de eternidade
E desprezo por nós,
Trazendo o dia e a noite
E as colheitas douradas
Sem ser para nos dar
O dia e a noite e o trigo
Mas por outro e divino
Propósito casual.
(Odes de Ricardo Reis, 1983, p. 78).

Só esta liberdade nos concedem


Os deuses: submetermo-nos
Ao seu domínio por vontade nossa.
Mais vale assim fazermos
Porque só na ilusão da liberdade
A liberdade existe.
(...)
Nós, imitando os deuses,
Tão pouco livres como eles no Olimpo,
Como quem pela areia
Ergue castelos para encher os olhos,
Ergamos nossa vida
E os deuses saberão agradecer-nos
O sermos tão como eles.
(Odes de Ricardo Reis, 1983, p. 93).

Esta realidade os deuses deram


E para bem real a deram externa.
Que serão os meus sonhos
Mais que a obra dos deuses?

Deixai-me a Realidade do momento


E os meus deuses tranqüilos e imediatos
Que não moram no Vago
Mas nos campos e rios.
(Odes de Ricardo Reis, 1983, p. 96).

Para os Deuses as coisas são mais coisas.


Não mais longe eles vêem, mas mais claro
Na certa Natureza
E a contornada vida...
Não no vago que mal vêem
Orla misteriosamente os seres,
Mas nos detalhes claros
Estão seus olhos.
A Natureza é só uma superfície.
Na sua superfície ela é profunda
E tudo contém muito
Se os olhos bem olharem.
Aprende, pois, tu, das cristãs angústias,
Ó traidor à multíplice presença
Dos deuses, a não teres
Véus nos olhos nem na alma.
(Odes de Ricardo Reis, 1983, p. 157).

Entretanto, mesmo diferente de Caeiro no que se referia à


ligação com algum Deus, Reis apresentou alguns versos e odes
próximos do que pregava Caeiro: o apego à natureza, a solidão e o
não-pensar, ainda assim este devotado aos deuses.

Segue o teu destino,


Rega tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.


Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixar a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não pensam.
(grifos meus). (Odes de Ricardo Reis, 1983, p.
109).

Substituindo, nos dois últimos versos desta ode, “deuses” por


“homens”, os versos encaixam-se ao pensamento de Caeiro, para
quem o homem devia não pensar para viver. Somente sentir e ver.
E também Reis assemelhava-se em determinados momentos de
sua produção ao seu irmão Álvaro de Campos, no niilismo pregado
por este:

Nada fica de nada. Nada somos.


Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespirável treva que nos pese
Da humilde terra imposta,
Cadáveres adiados que procriam.

Leis feitas, estátuas vistas, odes findas –


Tudo tem cova sua. Se nós, carnes
A que um íntimo sol dá sangue, temos
Poente, por que não elas?
Somos contos contando contos, nada.
(grifos meus). (Odes de Ricardo Reis, 1983, p.
146).

3.3 Álvaro de Campos

Apresentou-se como o mais moderno entre os “irmãos


heterônimos”. E, pode-se dizer também, o mais indisciplinado.
Homem voltado para o impulso das emoções, para o presente, para
as modernidades que o mundo apresentava, aberto à realidade, algo
contrário aos seus dois irmãos, Caeiro e Reis, mais voltados à
natureza bucólica e ao paganismo. Nesse viés, Álvaro fez o papel do
heterônimo mais próximo às tendências do início do modernismo
europeu, influenciado principalmente pela geração futurista.
Assim como Reis, Álvaro escreveu algumas odes, mas, ao
contrário daquele, muito longas, sem a linguagem cuidadosa do outro
– em alguns versos até com uso de onomatopéias e sons guturais
representados pelo uso repetitivo de algumas letras –, sem exaltação
aos deuses, e com um pouco de ironia que lhe era peculiar, de
maneira mais despojada, nem por isso descompromissada.

Eia comboios, eia pontes, eia hotéis à hora do jantar


Eia aparelhos de todas as espécies, férreos, brutos, mínimos,
Instrumentos de precisão, aparelhos de triturar, de cavar,
Engenhos, brocas, máquinas rotativas!
Eia! eia! eia!
Eia eletricidade, nervos doentes da Matéria!
Eia telegrafia-sem-fios, simpatia metálica do Inconsciente!
Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel, Suez!
Eia todo o passado dentro do presente!
Eia todo o futuro já dentro de nós! eia!
Eia! eia! eia!.
(Álvaro de Campos, In: Panorama da Literatura
Portuguesa, 1997).

Hela-hoho comboio, automóvel, aeroplano minhas ânsias,


Velocidade entra por todas as idéias dentro,
Choca de encontro a todos os sonhos e parte-os,
Chamusca todos os ideais humanitários e úteis,
Atropela todos os sentimentos normais, decentes, concordantes,
Colhe no giro do teu volante vertiginoso e pesado
Os corpos de todas as filosofias, os tropos de todos os poemas,
Esfrangalha-os e fica só tu, volante abstrato nos ares,
Senhor supremo da hora européia, metálico cio.
Vamos, que a cavalgada não tenha fim nem em Deus!.
(Poesias de Álvaro de Campo, 1983, p. 87).

A poesia de Álvaro de Campos pôde ser apresentada em três


distintas fases:
A primeira, a fase do Opiário – poema dedicado a Mário de Sá-
Carneiro, o qual apresentava algumas tendência de Campos.
Foia fase ligada à poesia do final do século XIX, ainda influenciada
pelo simbolismo – movimento anterior ao modernismo na literatura.
Escrevia Campos ainda com métrica, com rima, com quadras,
estrofes de quatro versos, e já se mostrava insatisfeito e
amargurado.

Ao toque adormecido da morfina


Perco-me em transparências latejantes
E numa noite cheia de brilhantes
Ergue-se a lua como a minha Sina.
(...)
Eu fingi que estudei engenharia.
Vivi na Escócia. Visitei a Irlanda.
Meu coração é uma avozinha que anda
Pedindo esmola às portas da Alegria.
(...)
Não tenho personalidade alguma.
É mais notado que eu esse criado
De bordo que tem um belo modo alçado
De laird escocês há dias em jejum.
(...)
Um inútil. Mas é tão justo sê-lo!
Pudesse a gente desprezar os outros
E, ainda que co’os cotovelos rotos,
Ser herói, doido, amaldiçoado ou belo!
(...)
E o que quero é fé, é calma,
E não ter estas sensações confusas.
Deus que acabe com isto! Abra as eclusas
E basta de comédias na minh’alma!.
(Poesias de Álvaro de Campos, 1983, pp. 20-
24).

A segunda fase foi a que mais refletiu a influência do futurismo


no poeta. A fase mais Whitmaniana, mais mecanicista, na qual se
destacavam as odes por ele escritas. A partir dessa fase, seus
poemas não mais apresentavam resquícios do simbolismo. Foram de
versos livres e longos, marcados pela oralidade, próximos à prosa.

À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica


Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno!


Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!.
(“Ode Triunfal”. Poesias de Álvaro de Campos, 1983, p.
25).

Tremo com frio da alma repassando-me o corpo


E abro de repente os olhos, que não tinha fechado.
Ah, que alegria a de sair dos sonhos de vez!
Eis outra vez o mundo real, tão bondoso para os nervos!
Ei-lo a esta hora matutina em que entram os paquetes que chegam
cedo.

Já não me importa o paquete que entrava. Ainda está longe.


Só o que está perto agora me lava a alma.
A minha imaginação higiênica, forte, prática,
Preocupa-se agora apenas com as coisas modernas e úteis,
Com os navios de carga, com os paquetes e os passageiros,
Com as fortes coisas imediatas, modernas, comerciais, verdadeiras.
(“Ode Marítima”. Poesias de Álvaro de Campos, 1983, p.
60).

E a terceira fase da poesia de Campos foi a de maior


descontentamento com a vida e com o mundo. A fase do sono e do
cansaço, com algum tom surrealista, e que mais equilibrada se
apresentou, principalmente em poemas
como Lisbon Revisited (1923, 1926), Apontamento, Poema em Linha
Reta, Aniversário e Tabacaria. Poemas que retratavam o
inconformismo, a fragilidade humana, a amargura e a desilusão pela
existência. Demonstravam momentos de total niilismo, de apego à
idéia de morrer para se livrar do que o atormentava.

Não sou nada.


Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(“Tabacaria”. Poesias de Álvaro de Campos,
1983, p. 105).

Não ser nada, ser uma figura de romance,


Sem vida, sem morte material, uma idéia,
Qualquer coisa que nada tornasse útil ou feia,
Uma sombra num chão irreal, um sonho num transe.
(Poesias de Álvaro de Campos, 1983, p. 92).

Não: não quero nada.


Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!


A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!


Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!


Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) –
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.


Fora disso sou doido, com todo o direto a sê-lo.
Com todo o direto a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?


Queriam-me o contrário disso, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!


Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul – o mesmo da minha infância –


Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...


E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!.
(“Lisbon Revisited, 1923”. Poesias de Álvaro de Campos, 1983,
pp. 94-95).
Ainda, em alguns trechos de sua obra, Álvaro se aproximou do
seu mestre, Caeiro, a quem, em um poema, também confessou não
ter aprendido com ele a serenidade e a calma que o caracterizavam
como mestre. Na perspectiva do não-pensar de Caeiro,Campos
escreveu, sem conseguir distinguir claramente se a sensação lhe era
boa ou lhe trazia dor:

Não estou pensando em nada


E essa coisa central, que é coisa nenhuma,
É-me agradável como o ar da noite,
Fresco em contraste com o verão quente do dia.

Não estou pensando em nada, e que bom!

Pensar em nada
É ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
É viver intimamente
O fluxo e o refluxo da vida...
Não estou pensando em nada.
É como se me tivesse encostado mal.
Uma dor nas costas, ou num lado das costas,
Há um amargo de boca na minha alma:
É que, no fim das contas,
Não estou pensando em nada,
Mas realmente em nada,
Em nada....
(Poesias de Álvaro de Campos, 1983, p. 173).

Foi o heterônimo que mais se aproximou da terceira fase do


modernismo português. O mais próximo do realismo.

4. A unidade poética

Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje, que pode um
homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou
quando menos, os seus companheiros de espírito? (FERNANDO
PESSOA).
Esta a afirmação de Pessoa a partir da qual mais é possível
identificar o princípio da criação dos seus heterônimos. Um poeta que
fez nascer três diferentes personagens para expressar o que sozinho
não conseguiria: as diferentes observações e sensações que criava
para com o mundo no qual vivia – apesar de, ao ler sua obra, ser
possível imaginá-lo caindo de pára-quedas nesse mundo, tamanho
seu grau de observação e dos variados sentires e pensares que
apresentava.
Em vida, Fernando Pessoa nunca recebeu o reconhecimento
que merecia. Pode-se até dizer que viveu em certa obscuridade,
sempre discreto, silencioso. Muito se importou com a intelectualidade
humana e sempre quis divulgar “sua pátria”, a língua portuguesa.
Como poeta e escritor, nunca se considerou um profissional. Para ele,
ser poeta e escritor era vocação. Sua obra ortónima apresentou a
procura por um certo patriotismo perdido, com uma poesia
sensacionista – próxima e ao mesmo tempo distante da de Alberto
Caeiro – mítica e heróica, por vezes, trágica. Para o poeta, todo
objetivo é uma sensação nossa, toda arte é conversão da sensação
em objeto, e toda arte é também conversão da sensação em
sensação (interseccionismo). É o que pode-se observar nos versos do
poema “Isto”, que muito refletem o Caeiro nele existente.

Dizem que finjo ou minto


Tudo o que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,


O que me falha ou finda
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio


Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!.
(grifos meus). (Antologia Poética, 2001, p. 26).

Lê-lo e senti-lo. Combinação explosiva.


Como poucos, o poeta conquistou os mais variados tipos de
leitores existentes. Como poucos, Pessoa atingiu o sentir das
pessoas, mesmo defendendo o não-sentir. Metafísica maior não há.

4 Referências bibliográficas

CEREJA, William Roberto e MAGALHÃES, Thereza Cochar. Panorama


da literatura portuguesa – ensino médio. 2ª ed. rev. e ampl. São
Paulo: Atual, 1997.

MOISÉS, Massaud. A literatura portuguesa. 26ª ed. ver. e ampl.


São Paulo: Cultrix, 1991.

PESSOA, Fernando. Antologia poética. Int. e seleção de


Walmir Ayala. 2ª ed. reform. São Paulo: Ediouro, 2001. – (Coleção
antologias).

__________. Ficções do interlúdio/2-3: Odes de Ricardo


Reis/3: Para além do outro oceano de C[oelho] Pacheco. Rio
de Janeiro: Nova Fronteira, 1983.

__________. Ficções do interlúdio/4: Poesias de Álvaro de


Campos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983.

__________. Mensagem. São Paulo: Martin Claret, 2003.

__________. Poemas completos de Alberto Caeiro. São Paulo:


Martin Claret, 2006.

Artigo recebido em 19/11/2007 e aprovado em 14/02/2008.