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Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Instituto de Filosofia e Ciências Humanas


Departamento de História
Teoria e Metodologia da História I – A

Gabriela Rufino e Hyziel Rodrigues

Crítica liberalista ao absolutismo de John Locke


e sua influência no Iluminismo

Porto Alegre 2018.


Introdução:
Este trabalho buscará traçar a construção do pensamento liberalista clássico do século XVII
de John Locke e a influência dessa filosofia para a construção pensamento Iluminista, será
analisado a visão de Thomas Hobbes em seu livro “Leviatã” sobre como se constitui o estado
absolutista, posteriormente levantaremos a crítica de Locke ao absolutismo que levará então
ao pensamento liberalista.
Retomando, o pensamento Iluminista é aquela filosofia onde se predomina a razão e o
rompimento com as religiões, onde a razão era o caminho para a libertação do homem, o
iluminismo seria a saída da “menoridade” (Kant, 1784) que seria auto imposta pela falta de
conhecimento e esclarecimento sobre as ordens do mundo. O Iluminismo era um movimento
também, anticlerical e anti absolutista, “o Iluminismo foi basicamente uma tentativa de
substituir a religião, a ordem e o classicismo pela razão, pelo progresso e pela ciência”
(Hazard, 1974)
“Por Iluminismo entende-se aquele esforço (tão característico dos
princípios do século XVII), de secularizar todos os setores da vida e
do pensamento humano. Foi uma revolta não só contra o poder da
religião institucional como contra a religião, em si mesma”
(Collingwood, 1946).
O Iluminismo pode ser visto como essa tentativa de através da razão encontrar uma
valorização do indivíduo perante as instituições da igreja, monarquias absolutistas (caso da
França, onde, justamente, se desenvolve a filosofia Iluminista) que estavam no poder e
impediam o desenvolvimento do homem moderno e suas subjetividades intelectuais.

Desenvolvimento:
O absolutismo é a forma de organização política centralizada em uma figura (um monarca)
que possui um poder absoluto, inquestionável, sem depender de outros setores do Estado para
exercer seu poder, como poder sobre todas as pessoas que viviam dentro de seu espaço de
domínio político e militar.
“O Absolutismo de Hobbes era formado por um governo autoritário
centralizador, onde o soberano tinha autonomia delegada pelo povo
através de um contrato e teria poderes absolutos, sem limite algum,
acumulava as funções de organizador da vida social (legislando a vida
em sociedade e traçando os parâmetros segundo sua vontade
soberana), de administrar a justiça, polícia e soberania. Todos os
homens estavam subordinados ao ‘ Leviatã’, que exercia de fato e de
direito os atributos da soberania” (Pontes, 2017).
Hobbes também explora que o Estado sem uma centralização com um poder forte não há
ordem e que a soberania absoluta serve de ferramenta para a ordem e que os direitos
individuais deveriam ser abdicados em favor do soberano, esse então teria o controle total
sobre o indivíduo para a eficácia do sistema estatal absoluto e bem estruturado. Este seria o
contrato social de Hobbes, onde o homem deixa seu estado natural de inseguranças e
desordem para aceitar a vida na sociedade mais segura e ordenada. Com o consentimento de
todos que foram o Estado, um soberano tem o poder para governar por todos.
“Construção de uma ordem estável, puramente terrena, contando,
como totalidade do material, com indivíduos livres e iguais,
portadores de direitos naturais, pré-sociais, cada indivíduo autoriza,
do mesmo modo que os outros, as ações do representante soberano.”
(Hobbes, 2004).
Em suma, o governo absoluto privaria os indivíduos de seus direitos de liberdade, não existe
nada que proteja as pessoas que foram o estado, além é claro do soberano, sendo assim surge
um pensamento oposto a ordem absoluta, que reivindica os direitos dos cidadãos do Estado e
que não fazem parte da monarquia, pedindo liberdade ao indivíduo e limitação dos poderes
estatais absolutos ou não.
Na organização do estado liberal de Locke as ordens seriam em favor da liberdade dos
homens e seus interesses
“A liberdade natural do homem deve estar livre de qualquer poder
superior na terra e não depender da vontade ou da autoridade
legislativa do homem, desconhecendo outra regra além da lei da
natureza. A liberdade do homem na sociedade não deve estar
edificada sob qualquer poder legislativo, exceto aquele estabelecido
por consentimento na comunidade civil; nem sob o domínio de
qualquer vontade ou constrangimento por qualquer lei, salvo o que o
legislativo decretar, de acordo com a confiança nele depositada.
Portanto, a liberdade não é o que Sir Robert Filmer nos diz: ‘uma
liberdade para cada um fazer o que quer, viver como lhe agradar e não
ser contido por nenhuma lei’. Mas a liberdade dos homens
submetidos a um governo consiste em possuir uma regra permanente
à qual deve obedecer, comum a todos os membros aquela sociedade e
instituída pelo poder legislativo nela estabelecido É a liberdade de
seguir a própria vontade em todas as coisas não prescritas por esta
regra; e não estar sujeito à vontade inconstante, incerta, desconhecida
e arbitrária de outro homem: como a liberdade natural consiste na não
submissão a qualquer obrigação exceto a da lei da natureza.” (Locke,
1994).
Em Locke os homens se organizam em sociedade civil, regida por leis, para fugir do estado
de guerra, mas anteriormente eles vivem em paz guiados pela razão, no estado de natureza,
sem nenhum indivíduo estar acima de outro até que venha um transgressor dessa ordem e os
force a construir um Estado que será o juiz que protegerá os direitos, sua vida, sua liberdade e
suas propriedades.
“Boa parte da preocupação dos autores do liberalismo político
clássico consistia no estabelecimento de limites jurídicos e
institucionais ao poder dos governantes. Uma das questões
fundamentais da filosofia do direito dentro do liberalismo clássico é,
portanto, como limitar juridicamente o poder político.” (Coelho,
2017).
As críticas liberalistas de John Locke aos poderes absolutistas na forma de regulação dos
poderes em favor do povo (burguesia) com o ​Segundo Tratado ​que começa a traçar uma linha
para o que seria um constitucionalismo de Montesquieu, o que evidencia o papel do
liberalismo de John Locke na formação da filosofia Iluminista
“Em resumo Montesquieu deu ao protoliberalismo aquela
profundidade institucional que lhe faltava na tradição contratualista.
Por causa disso. e também por causa de seu poderoso esboço de uma
justificação sociológica da lei e da política, Montesquieu, o segundo
grande antepassado do liberalismo clássico depois de Locke, é
corretamente tido na conta de um dos iniciadores do Iluminismo”
(Merquior, 2014).
Abandonando totalmente os ideais absolutistas as políticas liberais visavam regular o poder, e
os Iluministas, conseguem implementar essas práticas, como exemplo das movimentações da
Revolução Francesa.
BIBLIOGRAFIA:

COELHO, Fernando Nagib Marcos. ​John Locke e as prerrogativas monárquicas: um problema


clássico do liberalismo político In: Estudos em Filosofia do Direito – Volume I - Liberalismo e
Pensamento Conservador. NETO, Daniel Lena Marchiori; COELHO, Fernando Nagib
Marcos (org) - 1​a ​edição – 2017 Editora da FURG

COLLINGWOOD, R. G. O Iluminismo . In: A Ideia de História . Lisboa: Presença,


1946

HAZARD, Paul. O pensamento europeu no século XVIII (de Montesquieu a Lessing), trad
Carlos Grifo Babo (Lisboa: Presença, 1974)

HOBBES, Thomas, Leviatã –Ou Matéria , Forma e Poder de um Estado


Eclesiástico e Civil-São Paulo: Editora Martin Claret, 2004.

KANT, Immanuel. O que é esclarecimento? Revista Espaço Acadêmico,


número 31, 2003

LOCKE, John. Segundo Tratado Sobre o Governo Civil, Petrópolis: Editora Vozes,
1994

MERQUIOR, José Guilherme. O Liberalismo Antigo e Moderno - 3ª Ed. 2014.

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