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Quem nos protegerá de quem nos protege?

A quantidade de seguranças não pára de crescer. Supermercados, shopping centers,


estádios, estações, vias públicas, escritórios, escolas, cinemas: em todos os lugares
reconhecemos a presença desses homens de preto, sempre prontos a interpelar e
intimidar os cidadãos, que nunca sabem até onde se estende o seu poder.

POR MARTIN MONGIN

Seja em nosso ambiente cotidiano, seja no país como um todos, a quantidade de


seguranças não pára de crescer. Supermercados, estacionamentos, shopping centers, escritórios,
estações, vias públicas, universidades, museus, manifestações culturais e esportivas e até
bibliotecas municipais (1) não há mais um lugar em que não se veja a silhueta desses
"profissionais da vigilância" e seu olhar desconfiado dirigido à multidão. Estamos habituados à
sua presença. Estamos habituados a fornecer uma identificação e abrir a bolsa para ser
revistadas. Docilmente, deixamos que chamem nossa atenção.
Cento e cinqüenta mil empregados na França em 2007; crescimento médio anual dos
efetivos desde 1998: 8,5% (5,5% em 2005/2006); perspectivas de hoje a 2015: 60 mil vagas a
preencher(2). A aplicação generosa do plano Vigipirate e a luta contra o terrorismo têm sido os
pretextos fáceis que permitem a qualquer um equipar sua loja, seu estabelecimento, seus locais
de trabalho com esses agentes de prevenção e de segurança (APS)(3). Mas que ninguém se
engane, a função desses agentes é, antes de tudo, de ordem "econômica": dissuadir os ladrões,
prevenir o vandalismo, garantir uma utilização adequada dos equipamentos e dos espaços postos
à disposição do público, etc. Dispositivos tecnológicos de ponta (circuito interno de televisão,
sistemas de alarme e de detecção), controlados pela própria segurança, contribuem para a
eficácia da missão. Portanto, é a segurança do próprio estabelecimento (mercadorias,
equipamento, pessoal, caixa) que os APS e seus dispositivos de vigilância têm de garantir -
contrariamente ao que, com mais freqüência, se alega: "Para seu conforto e segurança, uma
empresa de vigilância está presente em nossa loja...".

EFEITOS INVISÍVEIS SOBRE O PÚBLICO


No entanto, graças precisamente a essa impostura, a presença maciça de seguranças no
conjunto do campo social produz efeitos invisíveis no público. Efeitos que têm sua origem
exatamente no halo de confusão que cerca o exercício dessa profissão. Confusão quanto ao seu
status, quanto a seu papel, quanto ao seu poder e, por fim, quanto à definição desta "segurança"
que eles supostamente garantem e que justifica o aumento incessante de seus efetivos. Confusão
tanto maior pelo fato de que a mídia raramente aborda o assunto do ponto de vista do direito.
Essa profissão indefinida, além de abrir a porta a todas as distorções, difunde a indefinição ao seu
redor. Os indivíduos, quando são confrontados cotidianamente com os APS, acabam por sobrepor
as esferas, ainda que bem delimitadas, da vida social, a confundir determinados domínios com
outros, a adotar comportamentos que não têm razão de ser. A onipresença dos seguranças tende
a se misturar as grandes separações constitutivas da sociedade e principalmente aquela que
existe entre o regime da lei e o da regra (por exemplo, o regulamento interno de um lugar), mas
também a separação entre o espaço público e o espaço privado.
O status do APS proteção pessoal, vigilância, controle de equipamentos , de fato, envolve
não só todo um conjunto de profissões - agente de segurança, brigada de incêndio, agente de
prevenção de roubos, adestrador de cães, operador de circuito interno de televisão, vigia etc. -,
como também de atividades - guarda, transporte de bens técnicos, etc. Sob o pretexto de que
estão todas ligadas direta ou indiretamente, ao domínio da "segurança", as funções se
multiplicam e frequentemente se sobrepõem: um agente de brigada de incêndio pode também
proceder ao controle do público (museus) ou a interpelação de indivíduos suspeitos (shopping
centers). De igual modo, o trabalho de um agente de segurança "consiste principalmente em
missões de recepção e de controle de acesso, de ronda de vigilância, de controle do respeito às
normas de segurança local, de intervenção de emergência, de alerta e de orientação das equipes
de socorro, de redação dos relatórios de incidentes ou de atividade"(4).

ÓCULOS ESCUROS E WALKIE-TALKIES

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Nesses termos, passa-se imperceptivelmente da informação para a prevenção, da


prevenção para a intervenção, da intervenção para a repressão. Na grande maioria dos casos, o
público não sabe muito bem onde começa e onde termina a função de um APS. Única constante:
terno preto e gravata ou calça camuflada e coturnos; ombreiras, crachá, fones de ouvido, walkie-
talkie; o uniforme do segurança tem a função principal de instituir um dissimetria, uma relação
de autoridade e, portanto, uma relação de poder que permanece totalmente ilegítima do ponto de
vista do direito.
O Livro branco sobre a segurança privada elaborado em 2003 pelo Ministério da Segurança
Pública do Quebec, insiste diversas vezes nesse ponto(5); Um dos principais problemas
suscitados hoje pela segurança privada nos países ocidentais é a superposição dos papéis entre
os serviços públicos e privados de segurança". Por conseguinte, "a ausência de regras de
deontologia e de ética que rege a indústria da segurança privada é suscetível de criar, entre os
diversos participantes, um grande confusão quanto às praticas que são aceitáveis e as que não
são". Mas de criar também uma confusão no espírito dos cidadãos: "Tal situação pode [...] levar
os cidadão a confundir a incumbência particular de proteção do lucro pelo proprietário de uma
agência de segurança privada com relação a um cliente e a incumbência de segurança pública dos
policiais com relação à comunidade".
Acrescentemos ainda: confusão entre os empregadores que, valendo-se da situação, ou
mal informados, atribuem invariavelmente aos seguranças direitos que não lhes cabem(6).
Contudo, os seguranças não são policiais militares nem guardas civis. Eles não pertencem ao
contingente das forças da ordem. Regras muito estritas estipulam isso. Mesmo que seja apenas
regras acerca de sua vestimenta: "Salvos as exceções [...], os [APS] devem trajar, no exercício
de suas funções, uma vestimenta particular. Esta não deve acarretar nenhuma confusão com os
uniformes dos agentes dos serviços públicos, principalmente da polícia militar, da guarda civil, dos
agentes da alfândega e das polícias municipais"(7).
Ora, mesmo que essa exigência de distinção de trajes fosse respeitada, o que está longe
de ser o caso mais freqüente, os APS se apresentam sempre, de um ponto de vista simbólico,
como representantes da lei - ou pelo menos como representantes dos representantes dela. De
um ponto de vista simbólico, pois a totalidade dos efeitos invisíveis induzidos pela presença dos
seguranças tem sua origem nas impressões que eles suscitam entre os indivíduos. Mas isso nada
tem a ver com uma forma qualquer de subjetivismo. As impressões em questão são, nesse caso
preciso, refletidas, elaboradas, provocadas e e mantidas. Todo um cálculo do medo preside à
instauração desse poder de dissuasão.
Em todo caso, se um agente da polícia é o intermediário entre o cidadão e a justiça, o
segurança não seria outra coisa senão o intermediário entre o cidadão e esse agente da polícia.
Ele ficaria, portanto, do lado das forças da ordem, tendo como principal missão preveni-las em
caso de infração, e representaria somente um elo suplementar no processo de aplicação da lei.
Encarregados de vigiar, de controlar e principalmente de dar o alerta; agindo em nome de
imperativos de segurança; zelando pelo respeito de um código prescritivo; equipados às vezes
para enfrentar a violência; iniciadores de uma relação de poder ou de autoridade - tudo concorre
para semear a dúvida no espírito do público. Os seguranças, onde quer que atuem, fazem pairar
a ameaça da lei.
No entanto, os APS são cidadãos como os outros, e é espantoso que a mídia nunca
divulgue uma informação tão fundamental. Eles não tem mais direitos que um cidadão comum,
nem mais privilégios, ou autoridade. Os profissionais da segurança são "profissionais" do mesmo
tipo que relojoeiros e funcionários de restaurante, Eles desempenham portanto, na maior parte
do tempo, um papel que não lhes cabe. Pois não somente o segurança não está mais perto da lei
ou da justiça que o cidadão comum, como também está sujeito a eles nas mesmas condições(8).
Como qualquer cidadão, o segurança pode, sem dúvida, proceder à detenção de supostos
delinqüentes, conforme as disposições do artigo 73 de nosso Código de Processo Penal. Todavia,
esse direito só pode ser exercido no caso de um crime flagrante ou de um delito flagrante "punido
com pena de detenção". O que, para os cidadãos, significa uma certa margem de manobra que os
seguranças estão sempre longe de admitir. Pois, na realidade, esses crimes e delitos - assim
como casos de incêndio ou mal-estar que caberia aos APS prevenir - permanecem raros. Seria
possível, fazendo uma ironia, concluir que eles cumprem sua missão com sucesso. Mas ao
contrário dos bombeiros, das forças da ordem ou dos paramédicos da emergência, que intervêm
somente depois que incidente aconteceu, os seguranças tem de esperar pacientemente que a

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insegurança ocorra. E, enquanto ela não ocorre, eles podem facilmente sentir-se tentados, para
se livrar do tédio ou justificar sua presença, a dirigir sua mira autoritária para qualquer episódio
de menor importância.

O TERRENO DA LEI E O TERRENO DA REGRA


De fato, no dia-a-dia de seu exercício, o trabalho de um segurança não consiste em deter
supostos delinqüentes e retê-los até a chegada das forças da ordem O trabalho de um segurança
não se situa no terreno da lei, mas no da regra. Consiste simplesmente em garantir que o
regulamento interno de um espaço de destinação comercial seja bem utilizado pelo público que
ele acolhe(9). Não comer fora dos espaços previstos para tal fim; não tirar fotos com flash; não
distribuir panfletos de conteúdo político; não introduzir objetos cortantes que possam ferir, como
cortadores de papel, tesouras, estiletes etc.; não pisar na grama etc. Eis as regras que o
segurança tem por função fazer respeitar, ao mesmo tempo em que não dispõe de nenhum poder
que lhe dê autoridade para tanto.
O seguranças intervém nem lugares privilegiados que podemos chamar de "propriedades
privadas de massa"(10). Os shopping centers ou os conjuntos de salas de cinema são certamente
espaços privados, ou seja, espaços cuja gestão cabe a um particular ou a uma empresa
independente, mas também espaços abertos ao público e nos quais se desenrola uma parte cada
vez mais importante da vida em sociedade. Esses espaços ambivalentes se distinguem dos
espaços públicos tradicionais pelo fato de serem estritamente "funcionais".
O que é um espaço funcional? É um espaço cuja razão de ser, cuja função e legitimidade
em matéria de freqüentação e uso é fixada previamente e codificada por um regulamento
interno(11). Um espaço que foi dividido em unidades monofuncionais (espaço lazer, espaço
alimentação, espaço crianças, espaço fumante etc.) que permitem a qualquer individuo que se
encontre numa dessas unidades saber precisamente o que se espera que ele deva e possa fazer.
Um espaço, portanto, no qual todos itinerários foram traçados previamente, todos os
comportamentos, previstos. Um espaço lógico - isto é, fundado num sistema finito de ralações
necessárias entre objetos, pessoas, signos - em que cada uma das partes está inteiramente
subordinada à realização desse plano geral.
Em decorrência disso, um espaço funcional é também um espaço no qual são acolhidos
somente os indivíduos que aceitam se sujeitar em respeito a esse plano. Um supermercado, um
estacionamento, uma sala de cinema, um museu, um parque aquático são espaços funcionais. Os
indivíduos que não respeitam, portanto, as cláusulas de seus diferentes regulamentos, mesmo
que não sejam julgados "fora da lei", são assim considerados "indesejáveis" ali. Pois cada um
desses lugares traz em si a tentação, para seus administradores, de regular o acesso e de fazer
eles mesmos a separação entre público bem-vindo (cientes, freqüentadores, usuários,
consumidores, funcionários) e público indesejável (desocupados, bando de jovens, manifestantes
etc.) - cada indivíduo, ao mesmo tempo, a uma e a outra dessas duas categorias.
Assim, um hipermercado representa um lugar verdadeiramente insidioso pelo fato de
convocar consumidores a vir até ele (publicidade, cartazes, estacionamento gratuito), de
escancarar suas portas (automáticas) para eles, de acolhê-los com um sorriso (atendimento),
mas também de ter grande dificuldade, em seguida, em deixá-los sair sem uma certa dose de
suspeição sobre eles (câmeras, alarmes). Pois se todo indivíduo deve ser bem recebido ali por
princípio, quase contra a vontade, já que todo indivíduo é um delinqüente em potencial. Cabe
então aos seguranças prevenir, retificar ou reprimir todo tipo de acontecimento que ultrapasse o
contexto funcional previamente estabelecido - um acontecimento que sempre tem um custo,
ainda que mínimo, para o gerente de um estabelecimento comercial: custo em termos de caixa,
mas também em termos de freqüentação, de reputação, de imagem etc.
Contudo, a função dos APS nunca pode ser nada além de preventiva. Seu único direito
além de estar presente no local, é o de informar o público quanto às disposições do regulamento
interno. Mas uma vez infringidas essas disposições, eles não detêm nenhum poder que lhes
permita reprimir essas mesmas infrações. Apenas o poder de constatá-las, de registrar a
modalidade delas num relatório e, se for o caso, de chamar as forças da ordem.
Na prática, entretanto, o APS, agente de prevenção e de segurança, por seu traje, por sua
função, por sua atitude, acaba atuando no duplo registro da lei e da regra, e tende a transformar
o menor lapso em uma infração, o menos sobressalto, o menor evento em um ato de
delinqüência. A tal ponto que o indivíduo "desviante", sem nunca saber ao certo se está lidando

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ou não com um representante da lei, tende a aceitar a repreensão como exigência do


cumprimento da lei. Ele imagina que seu comportamento é "ilegal", quando na verdade é
simplesmente (e relativamente a uma norma contingente) "anormal".
A confusão entre esses dois registros tem, em parte, sua origem no fato de se ter
transformado uma relação de autoridade informal numa relação de autoridade formal. Ela não se
deve tanto à existência do próprio regulamento interno e sim, bem mais, à decisão de fazer com
que seja aplicado por profissionais externos à função do estabelecimento em questão. Até
recentemente, ao pessoal dos estabelecimentos (bibliotecários, chefes de seção, caixas, etc.)
cabia o encargo de impor o respeito às regras e, portanto, de repreender os indivíduos não-
cooperantes de maneira informal, ou seja, humana e viva, maneira que podia mudar em função
das personalidades e das circunstâncias. Hoje em dia, os APS, empregados por empresas
terceirizadas são, ao contrário, obrigados a fazer cumprir o regulamento ao pé da letra, a seguir
um protocolo, a informar seus superiores, a redigir relatórios, a prestar contas.
Onde antes uma certa flexibilidade ainda podia ser exercida numa relação de poder, o que
prevalece é a ordem matemática e mecânica: as mesmas causas observadas devem provocar os
mesmos efeitos.
O filósofo Michel Foucault mostrou muito bem quais efeitos invisíveis podiam ser induzidos
por essa confusão mantida entre o regime da lei e o regime da regra; confusão característica das
sociedades ditas "disciplinares". Ela termina de fato "tornando natural e legítimo o poder de punir,
rebaixando o patamar de tolerância à penalidade. [Ela] tende a apagar o que pode haver de
exorbitante no exercício do castigo. E isso ao fazer que se troque um pelo outro os dois registros
onde [ela] se desdobra: o registro legal, da justiça, e o extra-legal, da disciplina" (12).
A presença dos vigilantes no lugares públicos, ou de acolhida do público, vai no sentido de
um açambarcamento do conjunto do campo social pela lógica do mundo carcerário, que dá,
assim, uma espécie de caução legal aos mecanismos disciplinares, bem como às decisões e às
punições que eles engendram. Assim, "a continuidade carcerária e a difusão da forma-prisão
permitem legalizar, ou em todo caso legitimar, o poder disciplinar, que se esquiva assim ao que
pode comportar de excesso ou de abuso. [...] A generalidade carcerária, ao agir em toda a
espessura do corpo social e ao misturar incessantemente a arte de retificar com o direito de punir,
rebaixa o nível a partir do qual se torna natural e aceitável ser punido"(13).
O regime da regra, cuja extensão os seguranças contribuem para generalizar, compromete
perigosamente o exercício das liberdades individuais. Ele leva os indivíduos a aceitar mais
facilmente as relações de autoridade, a se mostrar mais dóceis diante das manifestações do
poder, a normalizar seus comportamentos, a reprimir toda forma de excentricidade ou de
extravagância. Mas ele se premune, no mesmo ato, contra toda forma de manifestação de ordem
política ou contra todo ato de desobediência civil suscetível de vir a perturbar a recondução do
indivíduo.

REGIME AUTORITÁRIO DIFUSO


Em nome das exigências de uma pretensa "segurança" ainda não justificada, os gestores
das "propriedades privadas de massa" convocam os indivíduos que as freqüentam a respeitar
regulamentos muitas vezes liberticidas quando se armam de "profissionais" encarregados de
vigiá-los de perto. Se de fato houver alguma coisa aqui da esfera do "fascismo", será mais
adequado falar de "microfascismo"(14). Não há nenhum plano global que fixe suas modalidades
de aplicação, nenhum agente particular que seja seu instigador, nenhum texto fundador que
enuncie sua doutrina geral, nenhuma conspiração. Nada além de um conjunto de vontades
particulares que se unem, se somam, se reforçam para constituir enfim um regime autoritário
difuso, cujo centro está em toda parte e a circunferência em lugar algum; regime que oferece por
isso mesmo muito poucas brechas para quem deseja derrubá-lo.

NOTAS

1) Como a Biblioteca municipal de Les Champs Libres, em Rennes.

2) Site do Sindicato Nacional das Empresas de Segurança (SNES): www.snes.org.

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3) Denominação reconhecida pela convenção coletiva do setor.

4) www.enes.org

5) Livre blanc: la sécurité privée paternaire de la sécurité intérieure, Ministère de la Sécurité


Publique du Quebec, dezembro de 2003
(www.canasa.org/newwebsite/french/content_pages/qc_reform/livre_blanc_secprive_12-03.pdf).

6) Como é o caso por exemplo na SNCF, onde os seguranças as vezes são levados a fazer o
trabalho dos agentes de polícia ferroviária (SUGE).
Ver Paul Stilatti e Olivier Cyran, "Quand SNCF sous-traite le gardiennnage", CQFD, n° 14,
Marselha, julho de 2004.

7) Lei de 12 de julho de 1983, n°. 83-629, modificada, regulamentando as atividades privadas de


segurança, artigo 10. Ver também os artigos 2 e 9.

8) Lei de 12 de julho de 1983, artigo 13.

9) A apresentação dos "principais encargos da segurança e vigilância humanas" no site do SNES


insiste neste ponto: "controle do respeito das regras de segurança do local"; d"eve garantir [...] a
aplicação das normas definidas"; "zelar pelo respeito da regulamentação" etc.

10) Clifford D. Shearing e Philip C. Stenning, "Lá próprieté priveé de masse", em Problemés
politiques et sociaux, La Documentation Française, novembro de 2006.

11) O estabelecimento de um regulamento interno é obrigatório nas empresas, lojas, escritórios,


associações etc. que empreguem habitualmente ao menos vinte funcionários.

12) Michael Foucault, Vigiar e punir, Petrópolis, Vozes, 1977.

13) Ibid.

14) Gilles Deleuze, Deus régimes de fous, Paris, Les Éditions de Minuit, 2003; "O velho fascismo,
por mais atual e mais poderoso que seja em muitos países, não é o novo problema atual. Outros
fascismos estão sendo preparados para nós. Todo um neofascismo se instala com relação ao qual
o antigo fascismo faz figura de folclore. Em vez de ser uma política e uma economia de guerra, o
neofascismo é uma entente mundial pela segurança, pela gestão de uma "paz" não menos
terrível [...]

Fonte: Le Monde Diplomatique Brasil - Edição Janeiro/2008

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