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Acimarney C. S. Freitas / Acimarley C. S. Freitas / Acimarleia C. S. Freitas

Dislexia e os desafios para a equipe multidisciplinar

ACSF

Acimarney C. S. Freitas / Acimarley C. S. Freitas / Acimarleia C. S. F

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Dislexia e os desafios para a equipe multidisciplinar

Copyright © 2015 by Acimarney C. S. Freitas / Acimarley C. S. Freitas / Acimarleia C. S. Freitas.

Grafia atualizada segundo o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, que entrou em vigor no Brasil em 2009.

Capa Yenramica Satierf .

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Todos os direitos desta edição reservados à editora ACSF. Rua Q, 39, Recanto dos Pássaros - Felícia. CEP 45055-694 Vitória da Conquista BA Telefone: (77) 98808-8849

Site: www.ney1.com

Dados Internacionais de Catalogação da Publicação:

Freitas, C. S. Acimarney, Freitas, C. S. Acimarley, Freitas, C. S. Acimarleia. Dislexia e os desafios para a equipe multidisciplinar/ Acimarney C. S. Freitas. 1a ed. Vitória da Conquista : ACSF, 2015. ISBN 978-85-913433-8-

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1. Psicologia 2. Educação.

DEDICATÓRIA:

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Este livro é dedicado aos profissionais que dia após dia se empenham em ajudar crianças a superarem suas dificuldades.

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AGRADECIMENTOS:

Agradecemos aos mestres que nos inspiraram ao longo dos árduos anos de formação acadêmica. Agradecemos a nossa família que sempre foi motivo de inspiração. Agradecemos especialmente a Deus, autor e consumador de nossa fé.

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Não basta amar, é preciso cuidar de quem necessita

Educação Especial

Entende-se por educação especial, para os efeitos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender as peculiaridades da clientela de educação especial. O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns do ensino regular. A oferta da educação especial, dever constitucional do Estado, tem início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil.

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Sumário

Capítulo I - Reconhecendo a dislexia

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Capítulo II - Dislexia e os transtornos associados

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Capítulo III - Dislexia e o prognóstico

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Capítulo IV- Dislexia e a necessidade de intervenção

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Capítulo V - Dislexia, a atuação da equipe multidisciplinar

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Capítulo VI - Dislexia - tem tratamento

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REFERÊNCIAS

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Capítulo I - Reconhecendo a dislexia

A temática Educação Especial Inclusiva vem ganhando espaço no mundo, precisamente, nas duas últimas décadas. Podemos dizer que esse movimento envolve ações nas áreas: política, cultural, social, médica e pedagógica. A discussão em si tem sua semente na defesa do direito de toda pessoa humana ter acesso à Educação, por meio do ensino regular, oferecido pelo Estado, e ao Portador de Necessidades Especiais em particular, de usufruir desse direito junto aos outros alunos, aprendendo e participando, respeitando as suas capacidades e limitações, sem nenhum tipo de discriminações. Os movimentos sociais vêm impulsionando através das reivindicações para que haja mais igualdade entre todos os cidadãos. Sabe-se que o projeto de reforma para se obter escolas mais inclusivas não é uma tarefa simples, é necessário criar um currículo comum a todos os alunos, mas é também preciso respeitar os ritmos de aprendizagem de cada aluno. Sendo assim, é necessário que a sociedade, as escolas, profissionais liberais e professores, tomem consciência destas dificuldades e procurem criar as condições que cooperem no alcance deste objetivo.

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A respeito da questão prática, existe um longo caminho a percorrer até alcançar parâmetros dignos de nota, a questão jurídica já caminhou consideravelmente, constando em leis, decretos, portarias e normas regulamentadoras, pelo qual se deve ocorrer a inclusão. Ao reconhecermos, através de nossas reflexões, as dificuldades enfrentadas para a implantação do plano previsto em lei, confrontamos as práticas discriminatórias e a necessidade de criarmos alternativas para superá-las. Esta superação ocorrerá por meio de mudanças estruturais, que dizem respeito à acessibilidade; ações pedagógicas com adoção de projeto pedagógico, ao mesmo tempo especial e inclusivo; mudanças sociais, uma vez que o desconhecimento e o preconceito ainda imperam, e, sobretudo, mudança cultural, a fim de que o educando, seja ele Portador de Necessidades Especiais ou não, tenha todas as suas especificidades plenamente atendidas. PAIN (2008) afirma que em função do caráter complexo da função educativa, a aprendizagem se dá simultaneamente como instância alienante ou como possibilidade libertadora. A autora ainda afirma que o sujeito que não aprende não realiza nenhuma das funções sociais da educação.

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A inclusão de pessoas com necessidades especiais no

ensino regular tem se propagado com grande velocidade entre educadores, familiares, governantes e demais autoridades que desejam uma sociedade mais igualitária. O que poderia ser um ideal na área da educação,

muitas vezes acaba por tornar-se uma frustração, uma vez que

o discurso ainda está muito longe da ação, por uma série de razões.

Questões socioculturais ainda fomentam e

promovem a discriminação do aluno especial; As dificuldades

e limitações vivenciadas pelos educadores tanto no sistema

escolar quanto no ambiente da sala de aula; As limitações na formação profissional desses educadores, não tendo preparo

adequado para ensinar alunos com necessidades especiais; Os professores da educação especial, não se sentem preparados para atender uma turma tão diversificada com

alunos ditos normais e alunos especiais; Destaca-se ainda, o receio e insegurança dos pais de alunos especiais que tendem

a manter seus filhos em instituições especializadas, de forma a evitar que seus filhos sejam discriminados ou estigmatizados por alunos do ensino regular.

O desenvolvimento de habilidades básicas para ler e

escrever, graças ao seu impacto na educação recebe uma

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atenção especial, principalmente nas séries iniciais do ensino fundamental. A aprendizagem pode ser um grande desafio para muitos e dificuldades variáveis podem surgir durante este processo. Verifica-se que um dos aspectos que mais chama a atenção está relacionado à ortografia, isto é, o domínio da escrita convencional das palavras. Pode ser difícil, para muitas crianças, compreender como as palavras devem ser apropriadamente escritas, o que pode ser observado nas alterações ortográficas presentes em suas produções escritas. Desta forma, ressaltamos que as crianças cometem "erros" durante a aprendizagem da escrita até que, progressivamente, elas dominem de forma mais segura o sistema ortográfico. Assim, os erros tendem a tornarem-se cada vez mais específicos e ocasionais. Por outro lado, também se observa que algumas destas crianças parecem ter uma direção diferente, exibindo uma diversidade e constância de alterações de escrita mais clara e duradoura. Tais problemas podem, além de revelar uma possível má qualidade do ensino, serem sintomas de problemas ou

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limitações, como os distúrbios de aprendizagem e as dislexias. Muitas crianças acabam sendo encaminhadas para profissionais especializados para diagnóstico e atendimento extraescolar. Neste singelo livro apresentam-se os conceitos de transtorno de aprendizagem, com destaque para a dislexia e também aborda os desafios que uma equipe multidisciplinar precisa enfrentar para confirmar o diagnóstico da dislexia, bem como, proporcionar ao disléxico uma forma de conviver com a dificuldade. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais - DSM IV-R (2002), apresenta como a principal característica dos Transtornos de Aprendizagem a presença de um funcionamento acadêmico abaixo do esperado para a pessoa, tendo em vista sua idade cronológica, suas medidas de inteligência e se a educação que recebe é apropriada para sua idade. Dentre os vários Transtornos de Aprendizagem existentes, destacam-se o Transtorno de Leitura (ou Dislexia); Transtorno de Matemática (ou Discalculia); Transtorno da Expressão Escrita (ou Disgrafia); e Transtorno da Aprendizagem sem outra especificação (DSM IV-R, 2002).

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Pode-se diagnosticar um transtorno de aprendizagem quando os resultados obtidos a partir de testes padronizados e aplicados individualmente que avaliam itens como leitura, matemática e expressão escrita trazem como resultado dados substancialmente abaixo do esperado para a idade, escolarização e nível de inteligência da pessoa (DSM IV-R,

2002).

Para o diagnóstico preciso, é preciso também que este baixo desempenho nas referidas áreas acadêmicas interfiram significativamente no rendimento escolar ou nas atividades da vida diária que exigem habilidades em leitura, matemática e escrita. Isto porque, quando há existência de um déficit sensorial, as dificuldades de aprendizagem são maiores do que apenas as dificuldades associadas com o déficit (DSM IV-R, 2002). A Dislexia é uma perturbação em um dos processos psicológicos básicos envolvidos na compreensão ou utilização da linguagem falada ou escrita, que pode manifestar-se por uma aptidão imperfeita de escutar; ler, compreendendo o que se lê; escrever; soletrar ou fazer cálculos matemáticos. Ao contrário do que o senso comum tem como verdade, a dislexia não é o resultado de má alfabetização,

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desatenção, desmotivação, condição socioeconômica ou baixa

inteligência.

A principal razão da dislexia é condição hereditária,

na qual, a pessoa herda alterações genéticas, o que ocasiona

mudanças no padrão neurológico.

Paulla Telles (2004), psicóloga Educacional, em seu

artigo: Dislexia: Como identificar? Como intervir?, faz uma

importante abordagem sobre a perturbação sofrida em

decorrência da dislexia:

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O rendimento na leitura/escrita, medido através de provas normalizadas, situa-se substancialmente abaixo do nível esperado para a idade do sujeito, quociente de inteligência e escolaridade própria para a sua idade; A perturbação interfere significativamente com o rendimento escolar, ou atividades da vida quotidiana que requerem aptidões de leitura/escrita; Se existe um déficit sensorial, as dificuldades são excessivas em relação às que lhe estariam habitualmente associadas (pg.

04).

Diante de um quadro de incerteza, a família em

muitos momentos fica desnorteada, sem saber qual direção

tomar. A família em regra não sabe discernir se a criança está

fazendo corpo mole, com preguiça, desinteresse, ou se de fato

existe um déficit sensorial.

Assim, o desafio de diagnosticar estas perturbações

que interferem significativamente no rendimento escolar do

educando e em suas atividades quotidianas e que repercutem

em suas aptidões de leitura/escrita devem ser levadas para uma criteriosa avaliação de uma equipe multidisciplinar (neurologista, psicólogo, fonoaudiólogo, psicopedagogo). Destarte, para o êxito na resolução do problema, se faz necessária uma avaliação detalhada das condições de vida da criança, e um acompanhamento mais efetivo das dificuldades apresentadas após o contato inicial, para somente após uma maturação das informações obtidas, se proceder a elaboração de um diagnóstico preciso. Efetuado o diagnóstico pela equipe, deve-se direcionar o tratamento às particularidades de cada indivíduo, pois, somente assim, com um acompanhamento das especificidades da criança, será possível chegar a resultados mais eficientes. O diagnóstico diferencial da dislexia deve ser diferenciado de síndromes de retardo mental; habilidades de leitura pobres resultantes de educação inadequada; disfunções ou deficiências auditivas e visuais; lesões cerebrais (congênita e adquirida); desordens afetivas anteriores ao processo do fracasso escolar (com constantes fracassos escolares o disléxico irá apresentar prejuízos emocionais, mas estes são consequências, não causa da dislexia).

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Capítulo II - Dislexia e os transtornos associados

Crianças com transtorno de leitura têm risco mais alto do que a média de apresentar problemas de atenção, transtornos disruptivos do comportamento (p. ex., transtorno de conduta) e transtornos depressivos, em especial as mais velhas e os adolescentes. Dados sugerem que até 25% das crianças com esse transtorno também têm TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Estudos familiares indicam que pode haver alguns fatores genéticos comuns que produzem tanto o transtorno da leitura, como a síndromes de atenção. Alguma evidência sugere incidência mais alta de transtornos de conduta entre os adolescentes afetados. O risco aumentado pode ser atribuído a TDAH co-mórbido e a fatores independentes, que tornam adolescentes com transtornos de leitura mais suscetíveis a envolvimento em comportamentos anti-sociais. Crianças com transtornos da aprendizagem têm taxas mais altas de depressão, do que a média. Esta informação é constatada em questionários auto-respondidos. Nestes questionários as crianças demonstram que elas experimentam

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mais sintomas de ansiedade do que aquelas sem transtornos da aprendizagem. Corroborando com este fato, está também o registro de que elas tendem a apresentar dificuldades nos relacionamentos com os pares e menos habilidade para responder com sensibilidade a situações sociais ambíguas.

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Capítulo III - Dislexia e o prognóstico

Muitas crianças com transtorno da leitura obtêm algum conhecimento da linguagem impressa durante seus primeiros dois anos do ensino fundamental, mesmo sem qualquer assistência. Ao final da 1ª série, muitas delas aprendem a ler algumas palavras, entretanto, quando chegam à 3ª série, necessitam de suporte pedagógico para acompanhar seus colegas.

Em casos de dislexia leve, o suporte o quanto mais cedo garantirá a remissão dos sintomas na 1ª ou 2ª série, porém, em casos graves, e a depender do padrão de déficits e áreas cerebrais preservadas, pode ser necessário apoio educacional especializado até o ensino médio.

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Capítulo IV- Dislexia e a necessidade de intervenção

Pela própria conceituação, há necessidade de que um

grupo de profissionais proceda à investigação e à análise dos

déficits funcionais, traçando o perfil de desempenho da

criança e formulando hipóteses explicativas para as causas da

dislexia, com fins a propiciar ao educando e a família

soluções terapêuticas.

Os autores: Helenice Maria Abrantes Soares,

Marcela Pi Rocha Reis, Kerley Oliveira Aquino, Jadson

Rabelo Assis (2010), no artigo intitulado Diagnóstico

Precoce da Dislexia: Importância da Equipe Multidisciplinar

apresentam ponderações extremamente relevantes sobre a

necessidade de um acompanhamento mais efetivo das

dificuldades após o diagnóstico:

A dislexia deve ser diagnosticada por uma equipe multidisciplinar, a fim de realizar um acompanhamento mais

efetivo das dificuldades após o diagnóstico, direcionando-o às particularidades de cada indivíduo, levando a resultados mais

concretos

(pg. 06)

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Na mesma esteira, tratam da importância de se

determinar o nível funcional da leitura de cada criança que

apresentar a sintomatologia:

Na realização do diagnóstico devem-se utilizar procedimentos que possibilitem determinar o nível funcional da leitura, seu potencial e capacidade, a extensão da deficiência, as deficiências específicas na capacidade de leitura, as disfunções neuropsicológicas, os fatores associados e as estratégias de desenvolvimento e recuperação para a melhoria do processamento neuropsicológico e para a integração das capacidades perceptivo-linguísticas (CECHELLA, 2009) (pg. 06).

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Assim, torna-se imperioso uma análise acurada dos

fatores associados a causa primária da dislexia e também a

extensão da deficiência, traçando de maneira pormenorizada e

compartilhada as estratégias de desenvolvimento e

recuperação para a melhoria do processamento

neuropsicológico.

Somente assim será possível a integração das

capacidades perceptivo-linguísticas após o diagnóstico de

dislexia.

Ainda segundo SOARES (2010),

possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia. É o que se chama de avaliação multidisciplinar e

de exclusão. Fatores como déficit intelectual, disfunções ou deficiências auditivas e visuais, lesões cerebrais (congênitas e adquiridas), desordens afetivas anteriores ao processo de fracasso escolar (com constantes fracassos escolares o disléxico irá apresentar prejuízos emocionais, mas estes não

são conseqüências, não a causa da dislexia

a equipe de profissionais deve verificar todas as

(pg. 07).

Cunha (2008) em seu Livro Psicodiagnóstico - V,

enfatiza com precisão que o psicodiagnóstico enquanto

entrevista clínica é permeado por técnicas de investigação:

A entrevista clínica é um conjunto de técnicas de investigação, de tempo delimitado, que utiliza conhecimentos psicológicos em uma relação profissional, com objetivo de descrever e avaliar aspectos pessoais, relacionais ou sistêmicos (individuo, casal, família, rede social), em um processo que visa fazer recomendações, encaminhamentos ou propor algum tipo de intervenção em beneficio das pessoas entrevistadas (pg. 45).

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Neste diapasão, ao final da investigação é possível,

se bem realizada a entrevista, descrever e avaliar os muitos

aspectos envolvidos na escuta.

Assim, ressalta-se a importância da

interdisciplinaridade entre os saberes dos profissionais da área

da educação e da saúde, para que o processo de intervenção

após o diagnostico, sinalize a possibilidade de redução dos

danos do distúrbio da aprendizagem ao disléxico.

Um dos fatores de maior importância do diagnóstico

cediço do problema é a necessidade de se estabelecer e

descrever o desempenho do paciente, e avaliar outros

possíveis déficits, proporcionando assim para a equipe

multidisciplinar a possibilidade de uma classificação

nosológica, que permitirá um diagnóstico diferencial, com o objetivo de determinar o provável curso do caso (prognóstico). Dessa forma a equipe multiprofissional atuará colaborativamente com o objetivo de prevenção. CUNHA (2008) sinaliza que a equipe multiprofissional, ainda que cada profissional utilize-se das ferramentas peculiares a sua profissão, deve colocar os dados colhidos a disposição de todos da equipe, com o intuito de proporcionar ao disléxico uma melhor qualidade de vida acadêmica. RORATO (2007) sinaliza que cada vez mais ocorre a evidência de que se faz necessário considerar o aspecto orgânico como importante na avaliação do problema de aprendizagem, como também é indispensável que os aspectos cognitivos e afetivos sejam ponderados na elaboração do diagnóstico, dessa forma é importante a intervenção de uma equipe multidisciplinar frente aos problemas enfrentados pelo disléxico.

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Capítulo

equipe multidisciplinar

V

Dislexia,

a

atuação

da

-

Cada integrante da equipe multidisciplinar tem um papel relevante na busca do diagnóstico preciso e na condução do processo de resolução do problema de aprendizagem. O psicólogo atuará realizando a avaliação emocional, perceptual e intelectual, auxiliando na estabilização da auto- estima, no auto-conhecimento que possibilite ao indivíduo a percepção de como consegue aprender melhor, o que auxiliará o estabelecimento da metodologia utilizada pelo psicopedagogo. Neste sentido, o trabalho com a família do disléxico não pode ser esquecido, considerando a importância desta no desenvolvimento dos filhos. O psicólogo deverá interagir com a família para que esta o ajude na construção do diagnóstico, seja compartilhando informações, percepções e/ou sentimentos. O tratamento psicoterápico se dar somente após a avaliação intelectual e emocional, caso seja necessário. Ele ocorrerá por intermédio dos testes psicológicos psicométricos e projetivos. Estes consistem em medir as diferenças existentes, quanto à determinada característica, entre diversos

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sujeitos, como também o comportamento do mesmo indivíduo em diferentes ocasiões. O tratamento psicoterápico deve se iniciar realizando o levantamento histórico da criança, colhida junto aos pais, e do exame direto da criança. Ressalta-se que antes de qualquer coisa, é preciso diferenciar um quadro orgânico de um quadro emocional, sendo que, é alta a incidência de problemas de fala ocasionados por problemas emocionais. Assim, é necessário que os familiares de crianças com problemas de fala e linguagem sejam inseridos no tratamento, pois se trata de um quadro de deficiência comunicativa e a família é o maior estímulo e modelo comunicativo. Surte grande efeito também as comunicações individuais e em grupo. A psicoterapia em grupo tem como proposta criar dentro do grupo um espaço de descontinuidade para que eles possam elaborar as suas histórias, suas dificuldades e conflitos. Outrossim, espera-se que na interlocução e na interação com o outro, a criança e/ou adolescente acabe por processar os fatos que o afligem. Ao fazer um relato, o outro que o ouve e opina, permite aquele momento de processar, de tornar pensável o ocorrido.

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Este momento leva o adolescente a um desenvolvimento de sua crítica, à percepção de que eles possuem um potencial que deve ser respeitado, desenvolvendo um sentimento de autoconfiança e auto-estima e, deste modo, ressignificar todo o seu processo de aprendizagem.

O indivíduo, ao desenvolver sua crítica, estará

desenvolvendo também um poder de autoria de pensamento,

que o leva a uma autonomia e responsabilidade. Deve-se propor o estabelecimento de metas a serem alcançadas com o sentimento de autonomia do individuo. Se ele não tiver metas a atingir não terá nunca a responsabilidade do fazer; não terá o sentimento de gratidão de um ser autônomo e conseqüentemente, será um indivíduo que não se autoriza, e por não se autorizar, não se respeita, advindo insatisfação, desmotivação e insegurança. O indivíduo precisa de alguém que interaja com ele, tanto o adulto como os participantes do grupo, que o ouçam, que o ajudem a desenvolver o seu poder ser , o seu poder fazer , e o seu poder aprender .

Os grupos possuem uma importância tão grande que

as dinâmicas acabam por tornarem-se tanto meios, que nos indicam os prováveis diagnósticos das dificuldades de aprendizagem, bem como os próprios instrumentos de

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intervenções psicoterápicas e pedagógicas abarcando os contextos individuais, familiar e escolar. Uma equipe multidisciplinar, formada por Psicólogo, Fonoaudiólogo, Psicopedagogo e o Professor, deve iniciar uma minuciosa investigação. Essa mesma equipe deve ainda garantir uma maior abrangência do processo de avaliação, verificando a necessidade do parecer de outros profissionais, como Neurologista, Oftalmologista e outros, conforme o caso. Identificar um quadro de dislexia não é tarefa fácil. Ainda hoje, o método por exclusão é o mais empregado. Por meio dele é possível excluir déficit intelectual, sensorial, orgânico, motivacional e instrucional, que pode ser causa de dificuldade na aquisição da leitura. Os disléxicos ainda podem apresentar dificuldade em memorizar sequências, em orientação direita/esquerda e em organização espaço-temporal. Sendo assim, a equipe de profissionais deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia. Em suma o psicólogo conduzirá a avaliação emocional, perceptual e intelectual do disléxico. Em relação à família da criança com dislexia, o psicólogo pode sinalizar para os pais possíveis orientações como:

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1)

A necessidade de se oferecer segurança, carinho,

2)

compreensão e elogiar os pequenos acertos da criança. A importância de se procurar ajuda profissional para

3)

realizar um diagnóstico correto: fonoaudiólogo, neurologista, psicopedagogo e outros. Explicar que as dificuldades da criança tem um nome, e

4)

que embora seja desconhecido é possível tratar. Orientar a criança que a família vai ajudá-la a superar a

5)

deficiência, mas que ela é o principal agente desta mudança. Encoraja-la a encontrar coisas em que se saia bem e

6)

estimula-la nessas atividades. Elogiar por seus esforços e motivá-lo a esforçar-se para

7)

atingir metas no desenvolvimento da leitura e escrita. Orientar a família a auxiliar a criança em seus trabalhos

8)

escolares, ou, em algumas lições em especial, com paciência (mas não escrevendo para ele, ou resolvendo as suas tarefas de matemática). O dever de efetuar a atividade é da criança. Ajudar a ser organizado. A organização ajuda as ideias a

9)

se concatenarem Encorajar a pessoa com dislexia a ter atividades fora da escola, como esportes, musica, teatro, etc.

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10) Acompanhar e observar se ele está recebendo ajuda na escola, porque isso faz muita diferença na habilidade dele enfrentar suas dificuldades, de prosperar e de crescer normalmente .

11)

Não permitir que os problemas escolares impliquem em mau comportamento ou falta de limites. Pois uma coisa nada tem a ver com a outra.

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A observação destas sinalizações do psicólogo possibilitarão um maior êxito e assertividade no tratamento.

O papel do psicopedagogo na dislexia é de olhar e

escutar. Esta escuta psicopedagógica é dirigida para o sujeito e sua história, não se interessando pelas características que os

disléxicos têm em comum, nem com rótulos.

O olhar e a escuta psicopedagógica é dirigida para o

sujeito e sua história de trocas, dificuldades de leitura /

escrita, no contexto de sua modalidade de aprendizagem.

O psicopedagogo deve fazer perguntas para situar o

indivíduo com dislexia como sujeito e não como síndrome; como identidade e não como categoria; saber como esse indivíduo aprendeu o que sabe hoje; quais os conhecimentos que possui, e quais não consegue estruturar, situando-o como aprendente e não como aluno.

A partir deste momento é possível intervir de algumas formas:

1-

Diferenciando - tirando o sujeito do lugar do estereótipo e tornando-o único a seus próprios olhos e aos de sua família e escola;

2-

Abrindo possibilidades de mudança - a partir da diferenciação, o sujeito, a família e a escola podem mudar sua maneira de atuar, o que vai repercutir na modalidade de aprendizagem;

3-

Resgatando o prazer de aprender - fundamental para conectar a estrutura desejante e estruturar um corpo com possibilidades de aprendizagem;

4-

Construindo juntos estratégias para o desempenho das funções de leitura e escrita;

5-

Oferecendo suporte tecnológico - para adequação das

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respostas do sujeito às necessidades de comunicação com o meio em que convive. Agindo desta forma, a Psicopedagogia tem ajudado muitos indivíduos com síndrome disléxica ou outras dificuldades, a resgatar sua autonomia, prazer e criatividade

diante de situações de aprendizagem. Em suma o psicopedagogo fará a avaliação acadêmica do disléxico.

O

fonoaudiólogo

é

o

profissional

que

atua

em

pesquisas, prevenção e terapia fonoaudióloga na área de

comunicação oral e escrita, voz e audição.

Em

sua

atividade,

o

fonoaudiólogo

pode

atuar

sozinho ou em conjunto, com outros profissionais de saúde

em

clínicas,

creches,

comunidades.

escolas

comuns

e

especiais

e

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Essa ciência aborda os distúrbios de voz, audição e

da

linguagem.

As

quatro

maiores

áreas

abordadas

pela

fonoaudióloga são: voz, audição, linguagem e motricidade

oral.

Um dos principais objetivos do fonoaudiólogo no

processo de diagnóstico é avaliar a audiometria do disléxico,

cujo foco é descartar possível déficit auditivo.

RORATO (2007) sinaliza que os Fonoaudiólogos

definem dislexia como a dificuldade específica que afeta a

aprendizagem da decodificação do sistema verbal escrito,

classificada

entre

as

patologias

de

linguagem,

mais

especificamente de linguagem escrita.

O trabalho de Prevenção pode ser feito ainda na

primeira infância quando os pais ou professores estiverem atentos aos sinais de alerta.

Os sintomas que podem indicar a dislexia, antes de

um diagnóstico multidisciplinar, só indicam um distúrbio de aprendizagem, os sintomas não confirmam a dislexia. Somente um profissional capacitado poderá diagnosticar a dislexia.

A terapia precoce proporciona os melhores

resultados. Sendo assim, o fonoaudiólogo o encaminhará a outros profissionais incluindo psicólogo, neurologista, psicopedagogo, oftalmologista e outros profissionais conforme o caso.

A Intervenção do professor e da escola é

fundamental. O profissional de educação tem papel preponderante no processo de acompanhamento da aprendizagem do aluno.

Em se tratando de professor de alunos portadores de

dificuldade de aprendizagem, observar-se-á a importância de uma formação específica e continuada em Educação Inclusiva ou Especial.

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A sua atividade deve ser baseada na diferença de

cada estudante, sendo importante salientar que o tipo de acolhimento, a diversidade e a qualidade das atividades voltadas para o contexto, garantem o desenvolvimento do aluno.

Uma rede de relações deve ser criada entre o trabalho do professor, instituição escolar e família.

A intervenção da escola se refere à garantia dos

direitos da inclusão previstos pela legislação, quais sejam a garantia do sucesso escolar através do acesso e da permanência, em parceria com as secretarias responsáveis pelo tema e principalmente, com a interação com a família. Para tanto, a escola precisa se adequar às

necessidades do aluno, especialmente quando se tratar de portador de uma necessidade especial. Cabe à escola oferecer aos pais de alunos e aos próprios alunos, metodologias interessantes e eficientes, do ponto de vista pedagógico, para atender aos alunos especiais, os que apresentam dificuldades em leitura, escrita e ortografia.

É incumbência da escola e, em especial dos

professores, oferecerem recuperação de estudos para aqueles que têm baixo rendimento escolar.

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O aluno disléxico exige um tratamento diferenciado

por parte dos professores e da instituição. Diferenciado no sentido de que precisa de mais atenção para aprender os conteúdos, precisa ser submetido a outro tipo de avaliação, que não a convencional aplicada pelas escolas.

É direito dos estudantes com algum tipo de deficiência ou necessidade especial o atendimento especializado. Está garantido na Constituição de 1988 o princípio

da dignidade da pessoa humana, razão pela qual ninguém deve ser discriminado em razão de sua condição.

A própria Lei de Diretrizes e Bases da educação (Lei

nº 9394/96) assegura as pessoas com deficiências físicas e de aprendizado o direito a uma educação inclusiva e especializada. No entanto, a maioria das escolas ainda se mostram resistentes a isto, porque significa mais trabalho e alguns professores até evitam saber sobre o assunto. Contudo, pelo país vai se multiplicando as experiências exitosas de profissionais que com afinco e determinação, usam da criatividade para superar os desafios de um sistema educacional que muitas vezes não proporciona as condições mínimas para a realização de um trabalho eficaz.

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O professor que atua na educação especial é alguém muito importante. A função da educação escolar é promover, de forma intencional, o desenvolvimento de certas capacidades e apropriação de determinados conteúdos da cultura, indispensáveis para que os alunos possam ser membros ativos em sua esfera sociocultural de referência. A escola deve obter o difícil equilíbrio de proporcionar uma resposta educativa, tanto compreensiva, quanto diversificada, ajustando uma cultura comum a todos os alunos, que evite a descriminação e a desigualdade de oportunidades e, ao mesmo tempo, que respeite suas características suas necessidades individuais. Todos os alunos compartilham de necessidades educativas comuns, em relação ao seu desenvolvimento de aprendizagem pessoal e sua socialização, no entanto, nem todos os alunos, enfrentam com a mesma bagagem e da mesma forma, as aprendizagens estabelecidas no currículo escolar.

Sabe-se que existem capacidades, interesse, ritmos, motivações e experiências diferentes que conduzem a diferentes formas de aprendizagem. Os professores precisam conhecer bem as possibilidades de aprendizagem dos alunos, os fatores que a favorecem e as necessidades mais específicas deles. Somente

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com esse conhecimento poderão ser ajustadas pedagógicas ao

processo de construção pessoal de cada aluno.

GUIJARRO (2010) apresenta a maneira como o

professor deve organizar o ensino:

Oferecer experiências e atividades diversificadas que permitam trabalhar determinados conteúdos com diversos graus de complexidade e, inclusive, conteúdos distintos. Elaborar atividades que tenham diferentes graus de dificuldades e permitam diferentes possibilidades de execução e expressão: propor várias atividades para trabalhar um mesmo conteúdo; apresentar uma mesma atividade para trabalhar conteúdos com diferentes graus de dificuldade; utilizar metodologias que incluam atividades de tipo diverso, como, por exemplo, o trabalho por meio de projetos, de oficinas, etc .

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A autora GUIJARRO (2010) sinaliza a necessidade

de utilizar estratégias metodológicas diversificadas, dar

oportunidades para que os alunos pratiquem e apliquem de

forma autônoma o que aprenderam, utilizem métodos de

avaliação distintos que se adaptem a diferentes estilos,

capacidades e possibilidades de expressão dos alunos.

Percebe-se que o papel do professor na educação

especial é de fundamental importância, sobretudo numa

sociedade como a que vivemos. A atuação do professor tem

início já no diagnóstico.

O professor, por meio da observação e do trabalho

com a criança portadora de necessidades especiais é quem

vai, em regra, em primeiro lugar, descobrir e perceber essas necessidades.

A depender da instituição escolar, em algumas vezes,

o professor atuará amparado por equipes multiprofissionais, e na grande maioria das vezes não, será apenas ele. Em nosso país, na maior parte das vezes, o professor tem nessa fase uma

participação essencial. O Professor desempenha outro papel muito importante que é o de mediador dos processos ensino- aprendizagem. É ele quem primeiro recebe o aluno com necessidades especiais na sala de aula, e sua atitude perante a deficiência será determinante para facilitar a forma como esse aluno, com as suas diferenças, será recebido pelos colegas.

O trabalho de organização pedagógica, que envolve a

programação, os procedimentos e avaliação, também é

realizado, na maior parte das vezes, unicamente pelo professor.

A LDB preconiza no Art. Art. 59 que: Os sistemas

de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades; (BRASIL, 1996). Neste sentido, é dever dos

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sistemas de ensino fornecerem aos professores condições para um trabalho individualizado e que contemple as necessidades dos alunos com algum tipo de necessidade especial ou deficiência. Em regra é o professor quem pensa nas estratégias para garantir que todos tenham a possibilidade de participar e aprender. A escola também responde pela inclusão, contudo cabe ao professor promover a mediação entre a família e a escola, solicitando, sempre que necessário o seu suporte durante o ano letivo. Dessa forma, a mediação da qual falamos dá-se nos mais diversos níveis, seja no tocante ao trabalho pedagógico, nas relações em sala de aula, e também nas relações com a família e a comunidade. Sabe-se que muitos profissionais, sequer receberam treinamento ou formação para trabalhar com alunos com necessidades especiais. Existe uma crença de que são necessárias características como dedicação, amor, afeto, boa vontade, sensibilidade, paciência, compreensão como essenciais para o trabalho em educação especial. Muito embora tais características, ligadas à sensibilidade do ser humano, sejam de fato importantes e

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relevantes, elas são necessárias em qualquer profissão. Não se pode sobrepor-se à questão técnica-profissional e de formação. A ação pedagógica exige um processo de investigação e estudo e de solução de problemas. Na sala de aula o professor encontra problemas relacionados às condições de trabalho, da sua própria formação, ou das necessidades especiais do aluno. Esta situação exigirá do professor a busca de alternativas, outras estratégias, ou até mesmo uma reprogramação pedagógica para solucionar o problema. Assim, as soluções podem vir de vários campos do conhecimento e o professor deverá estar preparado para isso. É nessa situação que entendemos a necessidade de uma equipe multiprofissional. Compete à família, enquanto primeira instituição de integração social, acompanhar o processo de desenvolvimento da criança e observar se a criança apresenta dificuldades em alguma área. No caso específico que estamos tratando neste livro, os desafios frente à dislexia, à família deve estar atenta ao nível de proficiência das palavras, por isso, deve ter informações sobre o nível de linguagem de acordo à faixa etária da criança.

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Em casa, o estímulo deve ser iniciado com a leitura de histórias infantis pelos pais para os filhos, a estimulação de jogos de rimas, que ajudam na consciência fonológica, jogos com letras e desenhos, para a criança já ir se familiarizando com a escrita, leitura de rótulos e propagandas, enfim, nunca se deve obrigar uma criança a ler um livro, e sim fazê-la ter vontade de ler e conhecer a sua história. Destacando ainda o papel da família no processo de tratamento, é imperioso frisar que os pais devem ficar atentos sobre o desempenho de leitura de seus filhos. Desta forma, as baixas notas em língua portuguesa e a falta de interesse em ler textos podem ser sinais de alerta. Ocorrendo uma destas situações é importante procurar a ajuda de um profissional. Os alunos que apresentam características de dislexia tendem a se afastar de atividades que envolvem a leitura ou texto escrito, temendo as dificuldades inerentes ao sistema escrito da língua e buscam outras atividades, como lazer, esporte, liderança escolar, entre tantas em que possa revelar seu potencial de criação e inteligência. Sendo assim percebe-se que em volta do disléxico deve haver situações e indivíduos que os incentive a desenvolver um sentimento de autoconfiança e autoestima e, desse modo, ressignificar todo o seu processo de

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aprendizagem, e a família será a mola propulsora de intervenção no disléxico. Destarte, a família exerce significativa função no diagnóstico e na reconstrução desse aprendizado, pois é o espaço de apoio afetivo e emocional.

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Capítulo VI - Dislexia - tem tratamento

Sabe-se que as causas de alterações de linguagem e de dificuldades de aprendizagem podem ser variadas, apesar de existirem muitos estudos indicando fatores neurológicos para tais problemas. Avanços na compreensão da neurobiologia dos processos de desenvolvimento da linguagem e aprendizagem certamente irão contribuir para uma melhoria na abordagem terapêutica desses pacientes.

A sistemática da investigação em busca do

diagnóstico preciso pode direcionar o profissional de saúde na escolha do melhor tratamento indicado para cada caso.

A participação da equipe multidisciplinar no

diagnóstico é fundamental, contudo será pouco producente se não houver o envolvimento, apoio e ação familiar no sentido de viabilizar as ações propostas.

Em síntese, podemos afirmar que a Dislexia é um

Transtorno de Aprendizagem, caracterizado pela dificuldade

específica nas áreas de leitura e escrita.

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Os teóricos apontam para fatores físicos (neurológicos) e/ou má formação congênita. A patologia costuma ser diagnostica na infância, idade escolar, e necessita

de uma abordagem multidisciplinar, envolvendo neurologista, fonoaudiólogo, psicopedagogo, psicólogo e professor.

Assim como os demais transtornos de aprendizagem, a dislexia não tem cura, porém existe tratamento. Em casos bem sucedidos a redução dos sintomas é considerável.

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São muitos os desafios enfrentados pela pessoa que sofre da dislexia. A família e os profissionais envolvidos também enfrentam muitos desafios, desde o pouco conhecimento dos fatores que causam a dislexia, até condições mínimas de formação e espaço adequado para o tratamento.

Após o diagnóstico, o tratamento requer desde treinamento fonético-fonológico, a psicoterapia e o imprescindível apoio familiar.

Percebe-se assim a importância da intervenção de uma equipe multiprofissional para diagnosticar, bem como, para criar estratégias que possam possibilitar um prognóstico com avanços no desempenho acadêmico do disléxico.

Sabe-se que unindo profissionais de diversas áreas da saúde e educação (psicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos e médicos de diversas especialidades como neurologista, pediatra), consegue-se dissecar cada aspecto da

dislexia, contando com a atuação específica de cada profissional, possibilitando o diagnóstico precoce.

A equipe multidisciplinar é um dos meios mais eficientes para suprir as limitações que cada profissional encontra de forma isolada.

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Com o apoio da família é possível assegurar um tratamento completo e adequado a cada criança com dislexia.

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Acimarney C. S. Freitas é Advogado e professor de Direito do Instituto Federal da Bahia,
Acimarney C. S. Freitas é Advogado e professor de Direito do Instituto Federal da
Bahia, é Especialista em Educação Profissional e de Jovens e Adultos pelo IFBA, e em Direito
Educacional pela Faculdade de Tecnologia e Ciências, concluiu o Bacharelado em Teologia no
ano de 2004. Cursou mestrado em Filosofia pela UFSC e atualmente é mestrando em Teologia.
Atuou como professor em cursos de pós-graduação e extensão universitária na Universidade
Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB e na Universidade do Estado da Bahia - UNEB. Foi
professor de Teologia no Instituto Teológico no Centro Evangelístico Urbano.
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Acimarley C. S. Freitas é Psicólogo e atua na Clínica Afetos, é Especialista em
Educação Especial com Ênfase em Deficiências, Pós-Graduando em Psicologia do Trânsito,
Bacharel em Teologia pelo CFTBN, Graduando em Licenciatura em Letras / Espanhol pela
Universidade do Estado da Bahia - UNEB. Atuou como Professor no Programa Nacional de
Apoio ao Ensino Técnico no Instituto Federal da Bahia no ano de 2014. Desde 2013 é
Professor do CEEPS.
Acimarleia C. S. Freitas possui Bacharelado em Secretariado Executivo Trilingue, é
Especialista em Gestão Governamental. Atualmente é analista da Universidade do Estado da
Bahia - UNEB. Atuou por 11 anos na Secretaria Municipal de Educação de Vitória da
Conquista e realizou importante contribuição na Secretaria Municipal da Transparência e do
Controle deste mesmo município. Teve participação importante na organização dos Congressos
de Educação da Secretaria Municipal de Educação - SMED. Dedicou parte de sua atividade
profissional a pesquisar a temática educação de jovens e adultos. Pesquisa também a temática
comunicação interna, qualidade no atendimento e redes sociais.