Você está na página 1de 10

Ponta Grossa, Paraná, Brasil – 07 a 09 de junho de 2017

Termografia em painéis elétricos

Anselmo Cecatto (UNOPAR) anselmo.cecatto@gmail.com


Carlos Henrique Passarelli (UNOPAR) carloshpassarelli@gmail.com
Marcos Ferreira Padilha (UNOPAR) marcos_fpadilha@outlook.com
Sergio Krachinski (UNOPAR) sergiokra@brturbo.com.br
Nelson Malta Callegari (UNOPAR) nelsocallegari.prof@gmail.com

Resumo:
A utilização da termografia em painéis elétricos para fins preditivos no meio industrial
apresenta excelentes resultados com a identificação precoce de falhas e degradações de
elementos em painéis e quadros elétricos, com a finalidade de apresentar a metodologia
envolvida no processo de controle da termografia em painéis elétricos, foi realizado um
estudo de caso e com o resultado adjunto as intervenções em campo geraram um relatório
termográfico para fins de controle e referencias históricas.
Palavras-chave: termografia, painéis elétricos, analise termográfica.

Thermography in electrical panels

Abstract
The use of thermography in electrical panels for predictive purposes in the industrial environment
presents excellent results with the early identification of faults and degradations of elements in panels
and electric boards, with the purpose of presenting the methodology involved in the thermography
control process in electric panels, A case study was carried out and with the accompanying result the
interventions in the field generated a thermographic report for control purposes and historical
references
Key-words: Thermography, electrical panels, thermographic analysis.

1. Introdução

A termografia teve seus primeiros estudos na Grécia relacionados na medicina,


aonde se notou a diferença de temperatura em diferentes partes do corpo utilizando
lama passada pelo corpo, o ponto com maiores temperaturas secava antes das
demais áreas, dessa maneira se diagnosticava regiões enfermas no paciente. No
sec. XVII com as definições das escalas Fahrenheit, Celsius e Joule as referencias
se tornaram mais eficientes para novas comparações e estudos ainda embasados
na medicina(Drº Marcos L. Brioschi, 2002).
A imagem térmica surge nas décadas de 40 e 50 por radiação infravermelha (IR)
com aplicação exclusiva militar aonde de maneira rudimentar já era possível
visualizar movimentos de tropas inimigas em campos de batalha.
Posterior à revolução industrial a termografia passou a ser estudada em casos
Ponta Grossa, Paraná, Brasil – 07 a 09 de junho de 2017

industriais, observando maquinas e elementos com aquecimentos de partes em


funcionamento, da mesma maneira falhas em instalações elétricas e seus elementos
foram identificados a relação da geração de temperatura. Os instrumentos de
medições da termografia foram evoluídos adjuntos a sua expansão na aplicação
industrial, sempre buscando melhores referencias e eficiência na análise.
O trabalho demonstra o ganho benéfico de controle por meio preditivo da aplicação
da termográfica, através de um relatório termográfico se constata a real condição de
elementos com possíveis falhas e necessidades de intervenção, a facilidade e a
antecipação do diagnóstico de uma possível falha é uma das vantagens dessa
aplicação, as imagens termográficas apontam de maneira especifica os elementos
superaquecidos justificando uma intervenção planejada e organizada para sanar
uma possível falha.
A segurança deste método não invasivo em redes elétricas aumenta as razões da
sua aplicação, não substitui a intervenção humana em caso de necessidade de
correção, porem inibe a avaliação direta em redes com linhas vivas de tensões
elétricas.

1. REFERENCIAL TEORICO

2.1 TERMOGRAFIA

A termografia é uma técnica de intervenção não agressiva, ou seja, não invasiva que
independe da manipulação dos componentes, por meio da detecção da radiação
infravermelha, emitida naturalmente pelos componentes e corpos geradores de
calor.
A termografia é adequada à monitoração dos sistemas elétricos, pois os
componentes elétricos novos começam a se degradar assim que estão em uso.
Qualquer afrouxamento das conexões elétricas geram aquecimentos e com o tempo
de uso prolongado pode surgir uma corrosão. Todas as conexões elétricas irão ao
longo do tempo gerar algum tipo de falha relacionada com a sua degradação se não
forem localizadas e corrigidas, essas conexões inadequadas levarão a uma falha do
circuito.
O afrouxamento ou a corrosão da conexão aumenta a resistência elétrica
apresentada pela mesma e, uma vez que a maior resistência elétrica resulta no
aquecimento da conexão, as imagens térmicas podem detectar a falha em
desenvolvimento, antes que o equipamento venha a falhar.
A detecção e correção antes que ocorra uma falha previnem gastos em reposição de
elementos e danos maiores como incêndios nos componentes superaquecidos,
componentes em condições críticas para as operações industriais, comerciais e
institucionais não apresentam a melhor confiabilidade de trabalho.
Ponta Grossa, Paraná, Brasil – 07 a 09 de junho de 2017

As medidas de prevenção são importantes porque a falha aumenta inevitavelmente


os custos, exige a realocação de funcionários e materiais, reduz a produtividade,
coloca em risco a lucratividade e afeta a segurança de funcionários.
Segundo Fluke (2009) O método termográfico identifica as conexões que estiverem
mais quentes que as outras. Esse aquecimento sinaliza uma resistência elétrica
elevada, possivelmente decorrente de afrouxamento, aperto exagerado ou corrosão.
Os pontos aquecidos em função de conexões geralmente aparecem mais quentes
no local de maior resistência, resfriando-se conforme aumenta a distância do ponto
crítico. O superaquecimento das conexões pode ocasionar a falha do circuito,
conforme aumentar o afrouxamento ou a corrosão, devendo, portanto ser corrigido.
A melhor solução é instituir uma rotina de inspeções regulares, incluindo todos os
painéis principais e outras conexões onde a carga seja elevada, tais como motores
disjuntores, controles etc.
A inspeção termográfica só analisa o aspecto de comportamento da temperatura e
não analisa o aspecto de isolação elétrica, portanto em transformadores e
disjuntores de 13,8 KV é recomendado executar análise do óleo isolante e
manutenção preventiva com ensaios elétricos não destrutivos.

2.2 METODOLOGIA DE ANALISE CONFORME PROATIVENGE MANUTENÇÃO


PREDITIVA

Metodologia embasada no estudo de caso das atividades da empresa


PROATIVENGE, aonde foi realizada um estudo de prioridades internas da empresa
LP Brasil, sendo que as prioridades foram definidas para facilitar a tomada de
decisões do responsável pelas correções, permitindo desta forma referenciar de
uma forma bem clara por onde se devem priorizar as intervenções perante a um
universo de recomendações.
Em inspeções de sistemas elétricos de baixa, média e alta tensão, as prioridades
são padronizadas pela USA Navy baseadas no delta de temperatura (diferença da
máxima temperatura encontrada no componente com defeito com a temperatura de
um componente sem defeito), na máxima temperatura admissível (MTA) para cada
componente e na experiência do termografista.
Os critérios são técnicos e o responsável pelas correções deve também levar em
consideração a importância de cada equipamento para o processo produtivo.
Salientando que todas as anomalias devem ser eliminadas o mais rápido possível.
Ponta Grossa, Paraná, Brasil – 07 a 09 de junho de 2017

2.3 DEFINIÇÕES DE TEMPERATURA

De maneira conceitual para o processo de termografia ficam esclarecidos os termos


de temperatura utilizados nas indicações de falhas e compreensão dos relatórios
técnicos, com o objetivo de padronizar a leitura e compreensão entre termografista e
mantenedores responsáveis pelas tratativas indicadas nos relatórios. Desta maneira
a classificação dos níveis de temperatura fica conforme listado:

a) Temperatura do Ambiente: É a temperatura do local inspecionado no


momento da inspeção;
b) Temperatura Excepcional: É a temperatura medida do ponto mais quente no
equipamento inspecionado;
c) Temperatura de Referência: É a menor temperatura obtida do equipamento
inspecionado
d) Delta de Temperatura: É a diferença da temperatura excepcional em relação
à temperatura de referência.

2.4 CORREÇÃO DE TEMPERATURA

Alguns fatores que afetam o valor da temperatura devem ser considerados para se
obter a melhor precisão dos laudos técnicos das analises, pois fatores externos
influenciam diretamente na leitura do aparelho utilizado na termografia, desta forma
considerando estes desvios de leitura se obtém uma maior precisão nos resultados.
Dentre essas correções estão:

 Correção de temperatura devido à carga;


 Correção de temperatura devido à velocidade do vento;
 Correção de Temperatura pela Emissividade.

2.4.1 CORREÇÃO DE TEMPERATURA DEVIDO À CARGA

Quando as medições de carga do circuito não são feitas com o mesmo à plena
carga é possível fazer a correção da temperatura para a plena carga. A tabela
seguinte apresenta os valores de correção. A temperatura corrigida θc é calculada
pela expressão: θc = θmedida x FCC
Ponta Grossa, Paraná, Brasil – 07 a 09 de junho de 2017

% de
Fcc
carregamento
4.00 50%
3.30 55%
2.78 60%
2.37 65%
2.00 70%
1.77 75%
1.56 80%
1.38 85%
1.23 90%
1.11 95%
1.00 100%
Fonte: Proativenge-manutenção preditiva
Tabela 1 – fator de correção de carga

2.4.2 Correção de temperatura devido à Velocidade do Vento

A velocidade do vento impõe um resfriamento nos componentes aquecidos à troca


de calor. A tabela 2 apresenta os valores de correção. A temperatura corrigida θc
calculada pela expressão: θc = θmedida x FCV

Este fator normalmente será aplicado em redes externas de altas tensões, aonde a
ambiente ira influenciar de maneira prejudicial à leitura.

Sendo relevante a utilização das melhores condições de leitura com o objetivo de


reduzir a necessidade de correções e deduções das condições dos elementos.

Velocidade do
Fcv
vento (m/s)

1.00 1
1.37 2
1.64 3
1.86 4
2.06 5
2.23 6
2.39 7
Fonte: Proativenge-manutenção preditiva
Tabela 2 – fator de correção pelo vento
Ponta Grossa, Paraná, Brasil – 07 a 09 de junho de 2017

2.4.3 CORREÇÃO DE TEMPERATURA PELA EMISSIVIDADE

A emissividade depende das condições impostas na camada superficial do


equipamento inspecionado. Desta forma o acúmulo de poeira, óxidos, pinturas
afetam os valores de emissividade. Para instalações elétricas utiliza-se um valor de
emissividade igual a 0,85, previamente ajustado na câmera termográfica.

2.5 PRIORIDADES PARA INTERVENÇÃO

Para todas as avaliações realizadas nas leituras das imagens termográficas dentro
de critérios se define as ações classificando com recomendações embasadas em
tempo e prazos de execução prevenindo a falha eminente do componente.
Esta classificação na tabela 3 segue apenas um modelo, para cada empresa e
necessidade deveram ser definidos os níveis e descrições das prioridades, podendo
ser algo interno da determinada empresa.

Classe de Recomendação
prioridade
E INTERVIR – EMERGÊNCIA
1 INTERVIR – PRIORIDADE 1 (GRAVE)
2 INTERVIR – PRIORIDADE 2 (CRÍTICO)
3 INTERVIR – PRIORIDADE 3 (SÉRIO)
4 REALIZAR ANÁLISE ADICIONAL
5 EQUIPAMENTOS SEM ANOMALIAS
BC BAIXA CARGA
NI NÃO INSPECIONADO
Fonte: Proativenge-manutenção preditiva
Tabela 3 – prioridade e recomendações de intervenção

A importância esta na clara descrição e compreensão das informações pelos


envolvidos nas avaliações e ações tomadas, os níveis devem ter seus critérios
previamente definidos em comum com os envolvidos na atividade de maneira prévia,
a fim de evitar erros de compreensão e definição das ações, conforme abaixo a
descrição dos conceitos das classes de prioridade poderão estar descritos dentro do
relatório termografico.

 E - INTERVIR - EMERGÊNCIA
Anomalia grave que pode causar a falha e/ou danos a outros componentes a
qualquer momento, sendo recomendada intervenção imediata.
 1 - INTERVIR – PRIORIDADE 1 (GRAVE)
Anomalia em estágio avançado, sendo recomendado intervir em até 7 dias.
 2 - INTERVIR – PRIORIDADE 2 (CRÍTICO)
Anomalia em estágio avançado, sendo recomendado intervir em até 15 dias.
 - INTERVIR – PRIORIDADE 3 (SÉRIO)
Ponta Grossa, Paraná, Brasil – 07 a 09 de junho de 2017

Anomalia em estágio avançado, sendo recomendado intervir em até 30 dias.


 - REALIZAR ANÁLISE ADICIONAL
Anomalia desconhecida ou cuja a avaliação do estágio necessita de nova análise ou
de apoio de nova técnica.
 5 - EQUIPAMENTOS SEM ANOMALIAS
Não identificada nenhuma anomalia sendo recomendado o monitoramento normal
nas próximas medições.
 BC - BAIXA CARGA
Equipamento operando abaixo de 40% de sua carga nominal (conforme padrão
NFPA 70-E)
 NI - NÃO INSPECIONADO
Equipamento não inspecionado devido a chuva, acesso de risco, equipamento
parado, etc..

2.6 MTA- MAXIMA TEMPERATURA ADIMISSIVEL

Os valores de MTA definidos abaixo foram obtidos através de especificações


técnicas de componentes quanto aos fabricantes, referências da IEC (International
Electrical Commission).

O respeito a estes valores é de extrema importância para garantir os resultados e


eficiência na aplicação da termografia, na tabela 4 estão relacionados os principais
componentes utilizados habitualmente em painéis elétricos na indústria em
especifico no estudo de caso deste no modelo abordado.

MTA (°c) Componente

70° Régua de bornes


75° Fios encapados
90º Conectores de alta tensão (+500)
90º Cabos isolados até 15KV
100° Conexões através de parafusos
100° Conexões e barramento de baixa tensão
100° Corpo de fusíveis
Fonte: Proativenge-manutenção preditiva
Tabela 4 – fator de correção pelo vento
Ponta Grossa, Paraná, Brasil – 07 a 09 de junho de 2017

2.6 MODELO DE RELATÓRIO DE INTERVENÇÃO

Como na figura 1, os modelos de relatórios precisam conter de maneira objetiva e


clara as informações justificando a necessidade de intervenção no elemento
danificado, os relatórios para facilitar a compreensão se apresentam com duas
imagens, uma comum do componente e a outra da analise térmica além das
informações de temperatura, descrição da falha e recomendação para sanar o
problema.

Fonte: Proativenge-manutenção preditiva


Figura 1 – modelo de relatório
Ponta Grossa, Paraná, Brasil – 07 a 09 de junho de 2017

2.7 INSTRUMENTO UTILIZADO

Todo o processo de termografia exige a utilização de instrumentos qualificados e pré


definidos conforme a aplicação necessária, quanto maior a necessidade de precisão
maior devera ser a qualidade da imagem e leitura da câmera termográfica a ser
utilizada, neste estudo de caso a câmera termográfica utilizada foi:
Câmera Termográfica:
FLIR T400
Número de Série 377001255
Calibrada em 03/06/2016
Próxima calibração em 03/06/2018

3 CONCLUSÃO

Toda a pesquisa e desenvolvimento salientou a enorme importância deste


procedimento preditivo de manutenção em quadros elétricos, a precisão dos
resultados das avaliações termográficas aceleram as ações de manutenção
preventiva gerando ganhos de vida útil de componentes e segurança no processo de
funcionamento dos equipamentos dentro das indústrias.
Mesmo existindo inúmeros modelos de equipamentos e processos de avaliações
termográficas, o embasamento se concentra no conceito preditivo de avaliação, ou
seja, realizar avaliações e ações de maneira antecipada aos potenciais de falhas
nos elementos elétricos de um painel.
Compreendendo a importância da utilização da câmera termográfica conforme a
necessidade da aplicação e precisão dos resultados obtidos na leitura, fica evidente
uma avaliação prévia de cada caso a ser aplicada a metodologia termográfica.
Sempre seguido de um relatório técnico apontando de maneira objetiva e clara as
condições do componente e com a sugestão de ação a ser tomada para sanar o
potencial de falha, tudo classificado dentro de níveis de urgência, com o objetivo de
gerar de maneira organizada e precisa as ações corretivas.

REFERENCIAS

PELIZZARI, E et al. Aplicação da termografia como ferramenta de manutenção preditiva em


conectores elétricos. 17º CBECIMat - Congresso Brasileiro de Engenharia e Ciência dos Materiais, 15
a 19 de Novembro de 2006, Foz do Iguaçu, PR, Brasil.
FLUKE. Introdução aos princípios da termografia. Ed. ATP, 2009. Disponível
em:<https//:www.fluke.com> acesso 06 mar 2017 as 20:00hrs.
BRIOSCHI,Drº MARCOS L. A história da termografia – SOBRATERM –sociedade brasileira de
termologia.
Ponta Grossa, Paraná, Brasil – 07 a 09 de junho de 2017

MARQUES, WELLINGTON CARVALHO. Termografia aplicada no sistema elétrico: um estudo de


caso de uma subestação de 13,8kv- monografia –IFF Instituto Federal Fluminense, campos dos
Goytacazes-RJ 2011.
CARDOSO, RAFAEL F.; FERNANDES, JEFERSON V.; VALENTIM, NINA CARLA R. termografia
em instalações elétricas industriais- monografia –IFF Instituto Federal Fluminense, campos dos
Goytacazes-RJ 2015.
AFONSO, J.; MARTINS, J. “Qualidade da Energia Elétrica”, Revista o Eletricista, ano 3, no. 9, pp. 66-
71, 3º trimestre de 2004.
O QUE É TERMOGRAFIA?. Disponível em:<https://thermotronics.com.br/o-que-e-a-termografia/>
acesso 06 mar 2017 as 21:00 hrs.
SOUZA, L. F. R. Aplicação de termografia no estudo do isolamento térmico de edifícios. Universidade
de Aveiro 2010. Departamento de Engenharia Mecânica.

SANTOS, CAROLINE MENDEZ R. MENDONÇA.; VOLL, LAILA GOZZER. O emprego da


termografia na inspeção preditiva- Revista de divulgação do Projeto Universidade Petrobras e IF
Fluminense v. 2, n. 1, p. 113-119, 2012.

FUNDAÇÃO BRASILEIRA DE TECNOLOGIA DA SOLDAGEM. Termografia. Disponível em:


<http://pt.scribd.com/doc/43383156/Apostila- Termografia>. Acesso 21 mar 2017.

Você também pode gostar