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M.M.D.C. – Wikipédia, a enciclopédia livre https://pt.wikipedia.org/wiki/M.M.D.C.

M.M.D.C.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
M.M.D.C. é o acrônimo pelo qual se tornou representado os nomes dos
mártires do Movimento Constitucionalista de 1932, que culminou no
levante denominado como Revolução Constitucionalista, eclodido em 9 de
julho daquele ano. As iniciais representam os nomes dos manifestantes
paulistas Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, mortos por tropas federais
ligadas ao Partido Popular Paulista (PPP), um grupo político-militar
sustentáculo do regime de Getúlio Vargas, em uma manifestação ocorrida
na noite de 23 de maio de 1932, evento que antecedeu e foi uma das razões
para o grande conflito daquele ano. A sigla também representou a
organização clandestina que conspirou para o levante e posteriormente
coordenou os esforços de guerra, no recrutamento, arrecadação de fundos e Cartão-postal em homenagem ao MMDC, com as
recursos, bem como a distribuição desses para os soldados do Exército inscrições em latim: Dulce et decorum est pro
patria mori (“é doce e honrado morrer pela
Constitucionalista.[1][2]
pátria”), Pro brasilia fiant eximia (“pelo Brasil faça-
Atualmente, os restos mortais dos estudantes estão sepultados no mausoléu se o melhor” ), Non ducor, duco (“não sou
conduzido, conduzo”) e In Hoc Signo Vinces
do Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, e seus nomes estão incluídos no
("Com este sinal vencerás")
livro de heróis da pátria.[3]

Índice
Histórico
Inquérito policial
M.M.D.C.A.
Toponímia
Ver também
Referências

Histórico
Em 1932, o Brasil vivia um período do regime de Getúlio Vargas em que era governado de forma discricionária, sem uma
Constituição Federal que delimitasse os poderes do Presidente da República ou estabelecesse as articulações entre os três poderes.
Somando-se a isso, tampouco havia Congresso Nacional, Assembleia legislativa e Câmaras municipais. Além disso, os estados
federados perderam grande parte da autonomia que tinham na vigência da Constituição de 1891, pois Vargas nomeava interventores
leais ao seu regime e em sua maioria "tenentes" ligados ao Clube 3 de Outubro, que por vezes entravam em atritos com os grupos
políticos dos respectivos estados. A situação de São Paulo nesse contexto era uma das mais críticas do país, dado a contínua e
crescente insatisfação com a forma com que Vargas lidava politicamente com o estado.[4]

Contrários à ditadura Vargas, a população paulista começou a protestar, o que resultou em uma série de manifestações iniciada por
aquela ocorrida na Praça da Sé em 25 de janeiro de 1932, no dia do aniversário da cidade de São Paulo, em que se aglomeraram
cerca de 100 mil pessoas. Ao longo dos meses seguintes a insatisfação popular acentuou-se.[4]

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No dia 23 de maio de 1932, durante outra manifestação, um grupo tentou invadir a


sede do Partido Popular Paulista (PPP), ex-Liga Revolucionária, um grupo político-
militar encabeçado por Miguel Costa, fundado após a Revolução de 1930 e
sustentáculo de apoio no estado ao regime de Getúlio Vargas, cuja sede era na Rua
Barão de Itapetininga esquina com a Praça da República, na cidade de São Paulo. Os
governistas da organização político-militar, já antecipando-se à provável invasão,
resistiram por meio de armas e granadas tão logo os manifestantes se postaram a
frente do edifício. Após a fuzilaria, houve vários feridos e mortos, entre os quais, os
nomes das pessoas que deram origem a sigla M.M.D.C:[2][5]

Mário Martins de Almeida,


Euclides Miragaia,
Dráusio Marcondes de Sousa e
Antônio Camargo de Andrade.
Os jovens Martins, Miragaia e Camargo pereceram já durante o confronto. O jovem
Dráusio, na data com 14 anos, morreu cinco dias depois no hospital de uma
peritonite traumática, em virtude dos ferimentos. Um quinto ferido, o jovem
Orlando de Oliveira Alvarenga, morreu em 12 de agosto de 1932, após quase três
meses internado no mesmo hospital e no quarto ao lado onde antes falecera
Cartaz convocando a população à luta
Dráusio. Por essa razão não teve seu nome associado ao movimento.[2][5]

O jornal A Gazeta, na edição de 24 de maio de 1932,[6] apresentou detalhes da ocorrência da noite anterior em uma reportagem de
capa, conforme os trechos principais:

Um tanto desprevenidos, os que se dirigiam ao P.P.P.


“ logo trataram de forçar a entrada do prédio em que está
installada essa agremiação, tentando, ainda escalar a
parede principal. Nesse momento, entretanto, foram
surprehendidos por violenta descarga de armas de
fogo, partida de um dos andares do edifício. Este
inesperado ataque poz em pânico os populares, que se
dispersaram, espalhando-se pelas adjacências. Mas,
refeitos da surpreza, tornaram a concentrar-se
promptos a responder aos tiros contra elles disparados.
Elegendo as arvores do jardim da praça como
trincheiras, os populares servindo-se de seus
revólveres, trataram de obter um desforço, rompendo
fogo cerrado contra a sede. Os que estavam acoutados
nesta também respondiam intensamente com suas
armas automáticas.
Em poucos minutos o local se transformou em verdadeira praça de
guerra. Os que estavam alheios ao conflicto trataram de abrigar-se
nas raras casas que conservavam suas portas abertas. Cerca de
Primeira página do jornal paulistano A
um quarto de hora decorreu, até que um esquadrão de cavallaria
Gazeta de 24 de maio de 1932.
surgiu. O seu commandante estava incumbido de normalizar a
situação. Tentativa inútil porque á sua apparição violentíssimo tiro
de barragem, feito com fuzis-metralhadora, partiu da sede do P.P.P.
Também foi solicitada a presença de bombeiros. Os valentes
soldados do fogo equalmente nada puderam fazer, visto que os
sitiados descarregaram suas armas contra os milicianos,
obrigando-os a retroceder.

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A medida que o tempo corria, mais e mais se exaltavam os ânimos


dos populares que de vez em vez procuravam achegar-se ao
prédio em que está situada a sede do P.P.P. Mas por mais esforços
que dispendessem, essas tentativas eram repellidas. Finalmente,
servindo-se de um bonde que surgira, foram até ás proximidades.
A multidão, porém, foi alvo de intensa fuzilaria. Enquanto isso, o
serviço de soccorro era feito pelas ambulâncias da Assistencia
Publica, que também eram attingidas propositalmente pelos tiros
partidos da sede da antiga Legião. Os feridos, após os primeiros
curativos de emergência, na sua maioria eram transportados para
o hospital da Santa Casa.

Vão passando as horas. Nesse intermédio, verifica-se que os


sitiados estavam de posse de grande quantidade de munição,
porquanto até de granadas de mão se serviam para afastar a
multidão. O cerco, todavia, a mais e mais se intensificava. Também
do lado da praça da Republica era feito fogo contra os populares.
Um deste, foi attingido em cheio por uma granada de mão, tendo
morte instantânea. A confusão era horrível e o povo, indignado
com a attitude da gente que se escondia no P.P.P. decidira, de
qualquer forma, entrar na sede. Os bombeiros chegados ao local,
nada puderam fazer pois foram também recebidos a bala,
retirando-se logo para regressarem de novo, armados. Até quasi
duas horas de hoje era intensa a fuzilaria. Uma ambulância e um
carro de bombeiros foram attingidos por granadas. — A Gazeta, 24
de maio de 1932.

Logo após o atentado, foi criada a sigla MMDC a partir dos nomes de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, para representar os
mártires da causa Constitucionalista. Essa sigla ao mesmo tempo passou a representar uma organização civil clandestina que
inicialmente passou a conspirar para o levante contra a ditadura de Getúlio Vargas. Após eclodido o levante, em 9 de julho de 1932, a
organização passou a realizar o recrutamento dos voluntários para os combates, treinamento militar e demais esforços de guerra,
além de arrecadar fundos e recursos em prol do conflito. Durante o levante, a organização fazia uma intensa e coordenada campanha
por todo o estado de São Paulo para o alistamento voluntário. O levante veio a ser denominado de Revolução Constitucionalista.[2]

Inquérito policial
Em junho de 2013, o inquérito policial aberto ainda no dia do atentado foi recuperado por pesquisadores do museu do Tribunal de
Justiça de São Paulo e disponibilizado ao público. O documento histórico é o exame mais detalhado sobre o fatídico evento, em que é
apresentado, por exemplo, a identidade dos feridos e dos mortos, além de apresentar o exame do corpo de delito das vítimas, bem
como os vários depoimentos de testemunhas oculares que esclarecem a dinâmica dos eventos que culminou no massacre. Dentre as
informações disponíveis no documento está, por exemplo, a autópsia de Mário Martins de Almeida, que constatou que o seu corpo
recebeu múltiplas perfurações por projéteis de arma de fogo em trajetória diagonal, indicando que ele foi alvejado por disparos de
uma posição superior. Além disso, sofreu várias perfurações no corpo e no rosto por estilhaços de granadas de mão. As lesões que
sofreu atingiram vários órgãos vitais, além de causar hemorragia. As informações sobre os demais mortos e feridos também
apresentaram características similares.[5][7]

De acordo com as testemunhas, entre as 22h30 e 23h00 do dia 23 de maio de 1932, após um animado comício, uma grande massa
popular, que segundo estimativas dos depoentes era de cerca de 300 pessoas, se encaminharam para a sede do PPP (sigla para
Partido Popular Paulista, ex-Legião Revolucionária e que consistia em um grupo de apoio político-militar a ditadura Vargas) então
sediado na Rua Barão de Itapetininga, esquina com a Praça da República, com o objetivo de empastelar o prédio. Contudo, ao

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chegarem no local e após ter se consolidado a aglomeração de pessoas, e precisamente no momento em que chegava um caminhão
do corpo de bombeiros, os manifestantes foram fuzilados a esmo por soldados posicionados nas janelas daquele edifício. Houve de
imediato vários feridos e mortos, dentre os nomes dos feridos internados que constam no inquérito está o de Sebastião Vergueiro
dos Santos, Sebastião Alves de Oliveira, Orlando de Oliveira Alvarenga, Dráusio Marcondes de Sousa, Francisco Antonio Valente,
Moacyr de Oliveira, João Baptista de Oliveira Filho, Manoel Jacinto Lessa, Emilio Almeida Bessa, Mario Rodrigues, Ignácio Cruz,
Domingos Nobrega Filho, e dos três mortos Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia e Antônio Camargo de Andrade (Draúzio
faleceu cinco dias depois e Orlando Alvarenga veio a falecer 3 meses depois). Os feridos sofreram múltiplas lesões e dilaceramentos
por conta dos projetéis de arma de fogo e de estilhaços de granadas de mão.[5]

Segundo o depoimento de Sebastião Alves de Oliveira (ferido na manifestação, embora tenha declarado não ter feito parte dela),
havia muitas pessoas na multidão que estariam armadas naquela ocasião, algo que ele também presumiu dado que na época era
comum o porte de arma, embora essa informação não tenha sido corroborada pelas demais testemunhas. O depoente também
afirmou que os primeiros tiros partiram dos soldados de dentro daquele edifício. Contudo, exceto pela fuzilaria dos soldados,
Sebastião e as demais testemunhas não confirmaram terem visto troca de tiros de parte a parte, isto é, um confronto armado entre a
multidão e os soldados do PPP, ou mesmo disparos vindos dos manifestantes em direção ao edifício, considerando a hipótese de um
possível assalto armado ao prédio pelos manifestantes ou mesmo uma reação à fuzilaria inicial dos soltados. Dráuzio Marcondes de
Sousa, apesar de internado com gravidade, conseguiu prestar um ligeiro depoimento aos investigadores, em que afirmou ter ouvido
muitos disparos, mas não soube precisar de que direções vinham. Dráuzio, apesar de ter passado por uma cirurgia bem-sucedida
para contenção da hemorragia na região do abdómen onde foi alvejado, veio a falecer na madrugada de 28 de maio de 1932 devido a
uma peritonite traumática.[5]

É possível observar também no inquérito policial a descoberta de que a 2.ª Região Militar do Exército Brasileiro, sediada na capital
de São Paulo, tinha em seus arquivos a lista precisa de pessoas que se encontravam dentro do prédio do PPP na ocasião do fatídico
episódio de 23 de maio. Contudo, o documento foi negado pelos militares aos investigadores, tampouco foi autorizado o depoimento
de pessoas ligadas à organização, mesmo nos anos subsequentes à Revolução Constitucionalista. Os investigadores também não
puderam descobrir se houve feridos entre as pessoas que se encontravam naquele prédio, seja devido a supostos disparos vindos da
multidão ou por agressões físicas, tampouco constataram a presença de marcas de disparos nas paredes externas do prédio sede do
PPP. Houve apenas a informação de que no térreo do prédio, na calçada em frente, havia um pequeno incêndio sobre entulhos feito
pelos primeiros manifestantes que chegaram ao local na tentativa de invasão do prédio.[5]

A investigação ficou paralisada entre 1936 e novembro de 1954, data em que foi encerrada definitivamente sem quaisquer
atribuições de responsabilidades pelo ocorrido, por conta da prescrição de crimes prevista no art. 85 do código penal vigente naquela
data.[5][7]

M.M.D.C.A.
Alguns historiadores utilizam a sigla MMDCA em homenagem a Orlando de Oliveira Alvarenga, ferido mortalmente a exemplo de
seus colegas Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, mas que veio a falecer em agosto de 1932, em razão dos ferimentos. Para
homenageá-lo, o governo do Estado criou o "Colar Cruz de Alvarenga e dos Heróis Anônimos"[8]. Em 13 de janeiro de 2004, foi
promulgada a Lei Estadual 11.658[9], denominando o dia 23 de maio como "Dia dos Heróis MMDCA", em homenagem a Orlando de
Oliveira Alvarenga, alvejado também em 23 de maio e que veio a falecer em 12 de agosto de 1932.

Toponímia
A toponímia da cidade de São Paulo homenageia todos os nomes e datas da Revolução: as ruas Martins, Miragaia, Dráusio,
Camargo, Alvarenga e MMDC se intercruzam no bairro do Butantã, e nas proximidades destas ruas, na praça Waldemar Ortiz existe
um discreto monumento. Duas das vias arteriais da cidade homenageiam as datas mais importantes do evento: 23 de Maio e 9 de
Julho, que se iniciam na Praça da Bandeira no centro da cidade. Também em São Paulo existe uma escola no bairro da Mooca que
faz uma homenagem e tem em seu nome as iniciais dos quatro heróis.

Nas demais cidades do estado, há ruas homenageando os mártires nas cidades de Campinas, Cotia, Franca, Itaquaquecetuba, Leme,

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Lorena, Piracicaba, São Bernardo do Campo (precisamente no bairro Pauliceia, onde está localizado um obelisco com as iniciais
MMDC), São José dos Campos, São José do Rio Preto, Sorocaba, Itu e Votorantim, além de praças nas cidades de Bauru, Jundiaí,
Lorena e São Carlos[10]. Na cidade de São Vicente existe ainda a praça "Heróis de 32", onde foi erigido um monumento e inscrições
sobre o fato. Esta praça está localizada na orla da praia do Gonzaguinha, entre a avenida Antonio Rodrigues e a rua João Ramalho,
altura do número 578.

Ver também
Revolução Constitucionalista de 1932
São Paulo
Medalha Governador Pedro de Toledo

Referências
1. «Histórico» (http://www.mmdcleste.com.br/site/medalhas/medalha-mmdc). mmdcleste.com.br. Consultado em 26 de setembro
de 2014.
2. Abreu, Alzira Alves (2015). Dicionário histórico-biográfico da Primeira República (1889-1930). Rio de Janeiro: CPDOC FGV.
ISBN 978-85-225-1658-2
3. «MMDC no Livro dos Heróis da Pátria traz à tona antigas discussões em torno da célebre sigla» (http://www.migalhas.com.br
/Quentes/17,MI136110,81042-MMDC+no+Livro+dos+Herois+da+Patria+traz+a+tona+antigas+discussoes+em). Migalhas. 22
de junho de 2011
4. Sobrinho, Barbosa Lima (1975). A verdade sobre a Revolução de Outubro-1930. São Paulo: Editora Alfa-Omega
5. «Arquivo TJSP: Inquérito policial sobre as ocorrências verificadas às 23h de hoje» (http://www.tjsp.jus.br/Handlers
/FileFetch.ashx?id_arquivo=51441). tjsp.jus.br. 26 de junho de 2013. Consultado em 14 de fevereiro de 2018.
6. «A hora histórica que São Paulo hontem viveu» (http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=763900&
pasta=ano%20193&pesq=24%20de%20maio%20de%201932) 07892 ed. A Gazeta. 24 de maio de 1932. pp. 1 e 3. Consultado
em 23 de maio de 2018.
7. «Inquérito sobre morte de heróis da Revolução de 1932 é recuperado» (http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2013/07/inquerito-
sobre-morte-de-herois-da-revolucao-de-1932-e-recuperado.html). g1.globo.com. 9 de julho de 2013. Consultado em 14 de
fevereiro de 2018.
8. Relembrando o MMDC (http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2004/06/284845.shtml) Mídia Independente, 29/06/2004,
acesso em 24 de julho de 2009.
9. Homenagem ao MMDC (http://www.oabsp.org.br/noticias/2007/05/23/4184/) OAB-SP, 23/05/2007, acesso em 24 de julho de
2009.
10. Mediante busca pelo termo "Rua MMDC" na seguinte página: Busca CEP - Endereço (http://www.correios.com.br/servicos
/dnec/menuAction.do?Metodo=menuEndereco)

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