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Sumário

Apresentação...................................................................................7

Prefácio.......................................................................................... 11

Meninas adolescentes LGBT no contexto familiar: violência e


exclusão social............................................................................... 17
Nivia Valença Barros, Rita de Cássia Santos Freitas, Maria Izabel
Barros, Suyane Campos Peres

O Direito e o combate às discriminações sexuais..........................28


Eder Fernandes Monica

Gênero, diversidade sexual e direitos sociais da


população trans............................................................................. 37
Carla Appollinario de Castro

Gênero, diversidade sexual e mídia............................................... 45


Antonio Cláudio Ribeiro da Costa, Luciana G. Bittencourt

Gênero, orientação sexual e diversidade sexual ............................ 56


Marcelo Ricardo Prata

Saúde, estigma e diversidade sexual e de gênero...........................63


Carolina Motta Cardoso Salles

Uma sociedade não é uma espécie................................................. 69


Theo Barreto Pereira da Silva

Reflexões sobre repressão e controle contra a população trans –


transexual e transgênero................................................................ 74
Mônica Cristina Bastos Jorge, Nivia Valença Barros

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Redes de proteção nos serviços de atendimento à população.........92
Olavo De Martino Almeida

Relato de experiência.....................................................................98
Silvia Furtado

A falta de empatia de magistrados e operadores do direito nos


processos de retificação do registro civil das pessoas trans.......... 101
Bruna G. Benevides

Sobre os autores........................................................................... 106

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Apresentação

As temáticas gênero, diversidade sexual e direitos sociais es-


tão cada vez mais presentes nos debates e reflexões societárias. Na
maioria das vezes, tais temas acabam sendo discutidos de forma dis-
criminatória e preconceituosa. Tais fatos contribuem para o aumento
da violação dos direitos humanos de indivíduos e grupos que não se
enquadram em padrões e normas consideradas como hegemônicas e
“normais”. Assim, as construções socioculturais ligadas às questões
de gênero e à orientação sexual costumam ser discutidas como valo-
res ou conceitos fechados, construídos e compartilhados de acordo
com instituições sociais como família, escola, religião e mídia.
Essas formas de preconceito e discriminação contrariam os
princípios da dignidade da pessoa humana, da liberdade e da igual-
dade, reconhecidos pela Constituição Brasileira de 1988. Portanto,
todas as pessoas têm o direito de buscar e exercer livremente sua
sexualidade e sua identidade de gênero, e não podem ser vítimas de
nenhum tipo de discriminação por não seguirem a orientação sexual
definida pela maioria. É necessário, então, promover ações que pos-
sam contribuir para a formulação de estratégias intersetoriais, dialo-
gando com diversos públicos como um trabalho de prevenção, pro-
moção e estímulo para o exercício da cidadania em nossa sociedade.
O Programa UFF Mulher compreende que existe uma gran-
de necessidade de atender a diferentes públicos, bem como de es-
tender esse trabalho como uma ação contínua de conscientização
e valorização da diversidade de gênero e sexual, no cenário atual
vivenciado em nossa sociedade. É importante ressaltar que, durante
o contato direto com o público, o UFF Mulher se preocupa em per-
ceber e detectar carências e problemas apresentados pela sociedade
sobre os assuntos pertinentes ao gênero, desenvolvendo atividades
voltadas para o esclarecimento e a conscientização, com debates so-
bre essa temática.

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Nesse sentido, o UFF Mulher realizou do dia 22 de outubro
ao dia 12 de novembro de 2015 o curso de extensão “Atualização
em gênero, diversidade sexual e direitos sociais”, com o intuito de
promover a troca de experiências e de refletir sobre a questão de gê-
nero por meio do diálogo e da atualização de profissionais de diver-
sas áreas envolvidos nessas temáticas. Além de buscar desmistificar
estigmas sobre a identidade de gênero, orientação sexual, direitos e
a saúde de pessoas LGBTs, pensando estratégias para o combate à
LGBTfobia, por meio do fortalecimento de mecanismos para o exer-
cício de uma cidadania plena dessa população ainda invisibilizada.
O curso contou com seis encontros (quatro aulas e dois semi-
nários), totalizando uma carga horária de 26 horas. A metodologia
interativa entre alunos e facilitadores proporcionou discussões rele-
vantes nas áreas de saúde, educação, estigma, direito e mídia para o
público LGBT. Considerando a necessidade de multiplicar e am-
pliar o acesso ao material utilizado durante o curso e às demais ações
propostas pelo UFF Mulher, o programa criou a coletânea Gênero,
diversidade sexual e direitos sociais com o intuito de levar à socieda-
de mais elementos para a reflexão sobre as temáticas relacionadas às
suas diversas discussões. Por isso, sua primeira edição foi construída
com as exposições e artigos escritos pelas (os) palestrantes durante
o curso, cujos temas englobam sua vivência ou a pesquisa na qual
estão envolvidos.
Em “Violência contra Meninas Lésbicas” são levantadas
questões relacionadas à violência sofrida pela população LGBT e,
em especial, pelas lésbicas. Infelizmente, esse tema, apesar de tão
presente na sociedade, ainda é pouco discutido.
Dentro da proposta sobre direitos da população LGBT te-
mos os artigos “O Direito e o combate às discriminações sexuais”;
“Gênero, diversidade sexual e direitos sociais da população trans”
e “Reflexões sobre repressão e controle contra a população trans –
transexual e transgênero” que traçam um panorama dos direitos das
pessoas LGBT no nosso país, com ênfase nas pessoas trans, ressal-
tando o fato de que o processo de diferenciação em nossa sociedade
enfatiza a sexualidade. Assim, é necessário descrever os direitos que

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cabem a essa população e como estes podem ser alcançados de forma
premente, a fim de resguardar sua cidadania e, por que não dizer,
suas próprias vidas.
Os artigos “Gênero, diversidade sexual e mídia” e “Gênero,
orientação sexual e diversidade” trazem conceitos relacionados a gê-
nero, mídia, diversidade e orientação sexual, apresentando ao leitor
conceitos relevantes para o entendimento das diversas questões que
permeiam a reprodução de estereótipos baseados nos papéis sociais
estabelecidos na sociedade. Destacando-se também o papel da mí-
dia para a propagação de atitudes e comportamentos de padrões do
que é ser “feminino e masculino”.
Em “Saúde, estigma, diversidade sexual e de gênero”, há in-
formações que atravessam o campo do atendimento à população de
lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros no
Centro de Cidadania LGBT, articulando, concretamente, as de-
mandas apresentadas pelo público atendido e o atual cenário de po-
líticas públicas para essa população.
Já os artigos “Uma sociedade não é uma espécie” e “Reflexões
sobre repressão e controle contra a população trans – transexual e
transgênero” baseiam-se na ideia de que as categorias gênero e se-
xualidade são o resultado de vivências muitas vezes “desviadas” da
ordem simbólica e moral estabelecida. De acordo com os autores, as
relações de poder estigmatizam e criam normas para a construção
das identidades e das subjetividades que dizem respeito ao gênero,
definindo os papéis de forma regulada e determinando o que é ser
homem ou mulher; o que é ser pessoa pública e pessoa privada; o
que constitui o “mundo feminino” e o “mundo masculino”. Assim,
os artigos enfatizam a necessidade de essas categorias serem dife-
renciadas, discutidas e desnaturalizadas, a partir da visibilidade de
pessoas transgênero.
Em “Redes de proteção nos serviços de atendimento à po-
pulação” e no “Depoimento da coordenadora do Centro de Cida-
dania LGBT Serrana” apresentam-se a importância de se trazer a
experiência dos atendimentos dos Centros de Cidadania LGBT,
criados pela Secretaria Estadual de Direitos Humanos, enfatizando

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a necessidade de aproximação da comunidade universitária diante
da realidade de um grupo populacional em busca do “exercício” de
cidadania plena.
Por fim, o relato “A falta de empatia dos magistrados e opera-
dores de direito nos processos de retificação do registro civil das pes-
soas trans” destaca a necessidade de uma sensibilidade maior desses
profissionais durante os processos de retificação do registro civil das
pessoas trans. Em geral, não são se consideram as inúmeras dificul-
dades que essa população sofre à espera da conclusão do processo,
principalmente porque, em caso de deferimento, o “nome” que nele
consta não condiz com a identidade de gênero do solicitante.
Esperamos que esses textos contribuam para que, cada vez
mais, temas relacionados a gênero, diversidade sexual e direitos so-
ciais, principalmente os ligados à população LGBT, sejam discuti-
dos por toda a sociedade como forma de retirar da invisibilidade essa
população tão cerceada de seus direitos.

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Prefácio

Este pequeno livro apresenta uma parte do curso de exten-


são “Atualização em gênero, diversidade sexual e direitos sociais”.1
Não poderíamos dizer que ele é o resultado deste curso, pois acre-
ditamos que os resultados são vários e esperamos que o principal
deles tenha sido a possibilidade de troca e diálogo ocorrido durante
sua realização.
Mas, sem dúvida, este é um resultado importante, pois con-
grega a voz daqueles e daquelas que deram vida a esse curso. E, além
disso, essa coletânea se anuncia como a primeira de uma série que
acreditamos possa ser mais um canal para o debate de temas ainda
pouco discutidos – embora reconheçamos o avanço dos últimos anos.
Entendemos ser importante conhecer um pouco dessa histó-
ria, nossa história. O Programa UFF Mulher teve seu início no ano
de 2010 – inicialmente como projeto ganhando, posteriormente, o
status de programa. O programa 2 – que envolve práticas extensionis-
tas e de pesquisa – tem como pressuposto a importância da troca de
saberes e da perspectiva ativista no interior da academia. Isso signi-
fica também que são necessários estudos – e práticas – que possuam
uma escuta atenta, como afirma Bourdieu (1998), bem como um
olhar para a realidade, a história e a cultura das diferentes formações
sociais e dos diferentes sujeitos históricos.
O diálogo com a sociedade civil, mais do que um desejo, já
se apresenta em nossa vida como prática cotidiana. A UFF, nos-
sa universidade, tem uma longa trajetória de interiorização. Além
disso, o Programa UFF Mulher vem se destacando na construção

1
O curso ocorreu durante os meses de outubro e novembro de 2015, na Universidade
Federal Fluminense.
2
O programa iniciou suas atividades em 2010 e conta com o apoio do Edital Proext Mec/
Sesu. Desde sua criação, o Programa UFF Mulher desenvolve ações voltadas para a pro-
moção do diálogo e da troca de saberes entre a Universidade e a sociedade por meio de
diferentes atividades relacionadas às áreas de gênero, direitos humanos, saúde, educa-
ção, entre outros,

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de diálogos e práticas junto à sociedade. Quando iniciamos nossas
atividades, tínhamos como sujeitos centrais de nossas preocupações
as mulheres. Posteriormente, no entanto, a partir das demandas e de
encontros, novos temas surgem e as questões das sexualidades e da
diversidade ocupam um lugar central no Programa. Assim, vemos
como sujeitos ativos nessa pesquisa, mulheres e homens, cisgêneros,
transgêneros, heterossexuais, queers, homossexuais.3 E, tanto meto-
dologicamente como conceitualmente, é importante insistir nessa
dimensão: eles devem ser vistos como sujeitos, nunca como meros
objetos de pesquisa.
As práticas que caracterizam esse projeto devem ser desta-
cadas: encontros nas ruas, tal como o evento “UFF Mulheres na
Praça”; construção de formas lúdicas, como um Labirinto Interativo,
oficinas, e a atividade “UFF Mulher na Comunidade” que acon-
teceu em várias cidades do estado do Rio de Janeiro e em várias
comunidades em Niterói, além de outros estados, como é o caso de
Oriximiná, no Pará, onde foram realizados cursos de capacitação
em 2016. Realizamos também outras atividades, tais como confe-
rências, mesas-redondas, seminários e a apresentação de trabalhos
em eventos científicos.
É importante destacar a realização de vários cursos de exten-
são na área de violência, que se repetem todos os anos. Esses cursos
nasceram essencialmente das demandas recebidas e envolvem priori-
tariamente os municípios de Niterói e de São Gonçalo. Seu objetivo
é capacitar multiplicadores para divulgar essa temática (envolvendo
os profissionais das redes de atendimento). Por exemplo, já está sen-
do providenciada a terceira versão do curso de extensão “Atualização
em violência doméstica e intrafamiliar”. O curso “Atualização em
gênero, diversidade sexual e direitos sociais” está em sua segunda
edição.4 Vale destacar, ainda, o curso “Feminismos e movimentos
sociais” também realizado em 2016 – cujo material resultante irá se
transformar em nova coletânea, a ser publicada posteriormente. A
3
As identidades são múltiplas e não temos como listar todas aqui. Consultar, para apro-
fundamentos, Jesus (2012).
4
Os textos dessa coletânea são o resultado das reflexões e aulas da primeira edi-
ção desse curso.

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listagem dessas atividades, ainda que pontual, serve para demons-
trar a organicidade desse programa junto à sociedade.
É dessa experiência, do contato com diferentes, que novos ca-
minhos foram se colocando e enfatizando a categoria gênero como
fundamental. Falar de gênero5 é falar, em nossa opinião, de cons-
trução social. É entender que homens e mulheres vivem a mesma
realidade, mas vivem de forma diferenciada, pois, desde crianças
(desde antes de nascer, na verdade) já são preparados para agir e pen-
sar de formas diferentes. A construção do feminino e do masculino
é fruto de uma relação social que traz embutida em si uma hierar-
quização de poder, pois historicamente, sempre coube ao homem,
ao polo masculino, a supremacia do poder. Além disso, entendemos
que gênero pressupõe necessariamente a articulação com uma di-
mensão interseccional: falar de gênero requer que se fale também
de raça, de geração, de classe social, de sexualidades, de cultura, de
territórios. Essa articulação é o mote para a criação dessa série. En-
fim, é importante partirmos da ideia de que não existe a Mulher (ou
o Homem). Existem mulheres e homens, diferentes e plurais, ainda
que a figura dominante da sociedade esteja encarnada na imagem
do homem branco, rico, jovem, sexualmente ativo. Qualquer um que
saia desse estereótipo é visto como menor, como alguém a quem
“falta” alguma coisa.
Dessa forma, a interseccionalidade6 se apresenta como uma
dimensão que nos é muito cara – e sua importância percorre tanto
as dimensões teórica e extensionista, quanto a política. Precisamos
olhar esses diferentes sujeitos em sua diversidade. São eles que estão
presentes no UFF Mulher hoje: mulheres e homens, heterossexuais,
pobres, brancos, pretos, jovens, velhos, gays, lésbicas, mulheres
trans, homens trans e travestis – e quem mais chegar. E essa diver-
sidade enriqueceu nosso programa e nossas vidas.

5
E não cabe aqui um tratado teórico para discutir essa categoria, nem as críticas que hoje
vem recebendo. Isso ficará para um segundo momento, para outra coletânea, para outro
encontro. Contudo, para aprofundar essa dimensão, é importante consultar Scott (1990),
Louro (2008), Arán e Peixoto Júnior (2007), Aguiar (2007), entre outros. Acerca da
dominação masculina, consultar Bourdieu (1999) e Welzer-Lang (2001).
6
Consultar, por exemplo, Kleba Lisboa e Lolatto (2013), Hirata (2014) e Aguiar (2007).

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O curso “Atualização em gênero, diversidade sexual e direitos
sociais” encontra-se em sua segunda edição e a sensação é a de que,
de um ano para outro, ele se solidificou e vem-se ampliando. Esse
curso surgiu a partir de demandas da própria rede municipal e este
é um dos aspectos que gostaríamos de ressaltar. Dele participaram
militantes e profissionais que estiveram presentes como construtores
ativos e não como meros recebedores de conhecimento. Essa pri-
meira versão, como todo início, foi feita a partir de erros e acertos
– e hoje vemos que a quantidade de acertos foi muito superior à de
erros. Seu caráter inicial pode ser visto nos textos que compõem
esta coletânea.
Não haverá aqui grandes tratados teóricos, mas teremos a
rede (profissionais, professores e militantes) falando. Essa é talvez
uma das grandes contribuições dessa coletânea e pode ser útil para
quem estiver se aproximando dessa temática e que o queira fazer não
apenas pelo viés acadêmico (que se encontra presente), mas também
que busque conhecer o olhar dos “outros” sujeitos fora da academia:
profissionais e militantes.
Assim, para concluir esse prefácio, terminamos ressaltando
a importância da relação entre universidade e sociedade. Entende-
mos ser necessário enfatizar a reflexão de Boaventura Santos (2007)
acerca da noção de uma “ecologia dos saberes”. Tal conceito tem
como pressuposto o reconhecimento da pluralidade de conhecimen-
tos – e práticas sociais – existentes (e não vinculados apenas à ciência
moderna). Dada a inesgotável diversidade – inclusive epistemológi-
ca – que caracteriza o mundo, o conhecimento também só pode ser
alcançado por tipo de conhecimento/saber que busque estabelecer
diálogos entre diferentes saberes e diferentes sujeitos. A ecologia de
saberes se baseia, assim, na ideia de que “conhecimento é interconhe-
cimento”. É importante, então, dar consistência a um pensamento
(e, portanto, uma intervenção – que necessariamente é do âmbito
do político) plural e propositivo. A importância desse olhar está na
abertura para ouvir – e aprender com – o outro. A universidade tem
importante papel e pode contribuir para estabelecer relações mais
horizontais com a sociedade. A participação da Universidade Fede-

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ral Fluminense nesses caminhos, a partir do cotidiano que vivencia-
mos, pode proporcionar o diálogo e o trabalho conjunto, bem como
a construção de resultados integrados, promovendo a troca entre os
diferentes tipos de saberes, “acadêmicos” e “populares” e a consoli-
dação de uma pesquisa ativista.
A idealização – mas, principalmente, o momento de realiza-
ção – desse curso trouxe-nos a ideia de criar um mecanismo que pu-
desse trazer a público essas reflexões. Este livro serve a um público
específico. Um grupo que quer se aproximar dessas reflexões, com
a grande vantagem de contribuir com reflexões teóricas acompa-
nhadas por aquelas advindas da prática profissional e da militância
política. Uma “mistura” de saberes que possibilita a construção de
um conhecimento mais amplo e que pode (ao menos esta é nossa
intenção) criar replicadores e contribuir para uma cidadania efeti-
vamente aberta a todos e a todas, que contemple todos os desejos e
necessidades de cada sujeito.
Rita de Cássia Santos Freitas
Nivia Valença Barros

Referências
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se, raça, gênero e etnicidade. Cadernos de Pesquisa do CDHIS, ano 20,
n. 36/37, 2007.
ARÁN, Márcia; PEIXOTO JÚNIOR, Carlos Augusto. Subversões do
desejo: sobre gênero e subjetividade em Judith Butler. Cadernos Pagu,
Campinas, SP, n. 28, jan./jun. 2007.
BOURDIEU, Pierre. Compreender. In: . A miséria do mundo.
Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.
. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.
BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identi-
dade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
HIRATA, Helena. Gênero, classe e raça: interseccionalidade e consubs-
tancialidade das relações sociais. Tempo Social, v. 26, n. 1, 2014.
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ceitos e termos. Brasília, DF, 2012.

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KLEBA LISBOA, Teresa; LOLATTO, Simone. Políticas públicas con
transversalidad de género. Rescatando la interseccionalidad, la intersecto-
rialidad y la interdisciplinariedad en el Trabajo Social. Cuadernos de Tra-
bajo Social, v. 26, 2013.
LOURO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva
pós-estruturalista. 10. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das li-
nhas globais a uma ecologia de saberes. Novos Estudos CEBRAP, n. 79, 2007.
SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Cadernos
SOS Corpo, Recife, 199 Porto Alegre, 16 (2), jul./dez, 1990.
WELZER-LANG, Daniel. A construção do masculino: dominação das
mulheres e homofobias Estudos Feministas, v. 9, 2001.

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