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INTRODUÇÃO

Este relatório descreve o preparo e ensaio metalográfico, para a


análise óptica de uma amostra do aço SAE 4130 não tratada e com tratamento
de carbonitretação, permitindo visualizar a sua microestrutura, na qual
podemos definir as suas respectivas fases, podemos ainda a partir deste
ensaio realizado no laboratório da Musashi MDA, localizada no Distrito
Industrial de Manaus, identificar e definir os tipos de estruturas encontradas a
partir da análise microscópica obtida.
As etapas de metalografia, de forma geral, prescrevem os conceitos
gerais aplicados na preparação do corpo de prova para análise microscópica.
Aplica-se a todos os materiais e produtos metálicos ferrosos. As técnicas
metalográficas dos aços e ferros fundidos exigem uma preparação meticulosa.
Alicerçadas na total atenção, paciência e imaginação do preparador. As etapas
se dividem nas seguintes partes: corte do material, embutimento do material,
lixamento do material embutido, polimento do material embutido, análise
microscópica do material e obtenção/definição dos constituintes químicos
encontrados, bem como o tipo de estrutura do material. Para realização dessas
etapas faz-se necessário o uso de ferramentas e materiais importantes, tanto
para execução quanto para segurança, tais estes: cortadora metalografica,
embutidora, lixadeira automática ou manual, lixas d’agua ( 220, 230, 400, 600 ),
lixadeira politriz, pasta diamantada, baquelite, reagente químico ( NITAL ),
microscópio.
Convém esclarecer que os metais de um modo geral, são agregados
cristalinos cujos cristais (perfeitamente justapostos e unidos) tanto podem ser
quimicamente idênticos, como se composição química diferente. Esses cristais
chamam-se geralmente grãos em virtude de sua conformação, mas quando
apresentam formas ou aspectos particulares, podem chamar-se nódulos, veios,
agulhas, glóbulos, etc.
OBJETIVO

Apresentar através de um ensaio metalográfico, a análise


micrográfica, a morfologia e estrutura do material em estudo, determinando os
micro-constituintes que o compões com o auxílio do microscópio. E que estes
micro-constituintes variam de acordo com o tipo de liga analisada e de acordo
com os tratamentos térmicos, mecânicos, processos de fabricação e outros
processos a que o material tenha sido submetido.
A importância deste ensaio metalográfico, decorre do fato das
propriedades mecânicas de um metal dependerem não só de sua composição
química como também de sua textura. Com resultado final, um mesmo material
pode torna-se maleável, dúctil, quebradiço, elástico, tenaz, etc., conforme a
textura que apresentar e que lhe pode ser dada por meio de trabalhos
mecânicos ou tratamentos térmicos adequados.
ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

A preparação metalográfica visa obter amostras com superfícies


polidas, atacadas ou não, para a análise microestrutural por meio de técnicas
de microscopia (óptica e/ou eletrônica), microdureza, microanálise química
(espectroscopia por dispersão de energia (EDS-Energy Dispersive
Spectroscopy) ou de comprimento de onda (WDS-Wavelength Dispersive
Spectroscopy), análise por difração de raio x (quando a deformação plástica é
importante na análise), entre outras. Embora haja diferentes procedimentos,
uma preparação metalográfica básica pode envolver as seguintes etapas:
a) corte de secção escolhida para a análise a partir de uma peça ou
produto;
b) montagem (embutimento) da amostra em um porta amostra;
c) desbaste por uma sequencia de lixamento;
d) polimento superficial por uma sequencia de polimento;
e) ataque controlado da superfície para revelação de
microconstituintes;
f) analise da microestrutura (constituintes químicos e estrutura).

ETAPAS

1. Corte da peça

Em um equipamento de laboratório, onde o corte é realizado com


discos abrasivos ‘’finos’’, deve-se refrigerar o corte, geralmente com um líquido
refrigerante (por exemplo, água ou querosene, em materiais susceptíveis à
corrosão) e a operação deve ser realizada sem agressividade que resulte em
superaquecimento no local da secção de corte e leve a alterações
microestruturais.
É necessário verificar o sistema de refrigeração em direção à peça
antes de cortá-la. Verificar também se o sistema de refrigeração está limpo e
operante. A escolha do tipo de corte depende do que queres analisar, e o corte
transversal é o mais adequado pois permiti verificar a natureza do material.
(ANEXO 1 – Cortadeira PANTEC PANCUT 100 )

2. Embutir a peça
É uma mistura vertida dentro de molde plástico onde se encontra a
amostra, polemizando-se após certo tempo. A reação de polimerização,
despeito do nome que é a operação de embutimento a frio tem, é fortemente
exotérmico, atingindo temperaturas entre 50 à 120° C, com um tempo de
endurecimento que varia de 0,2 à 24h, dependendo do tipo de resina
empregada e do catalisador.
Tem a finalidade de facilitar o manuseio da amostra durante as
etapas de lixamento e polimento, além de facilitar a obtenção de bordas planas
na amostra.

PARA O NOSSO ENSAIO DIDÁTICO: Põe-se a peça, e bombeia até


150kgf/cm² ( verificar a pressão no manômetro ), com uma temperatura de 150°
C, coloca-se o baquelite ( formado por resina fenórica, ideal para embutimento
a quente ) temperatura do embutimento 140° C à 150° C, contração de 0,06 à
0,08%.

(ANEXO 2 – Embutidora PANTEC Panpress 50ª, ZXQ-5 )

( ANEXO 3 – Baquelite AROTEC )

3. Lixar a peça
Folha com material abrasivo destinado a dar à abrasão a peça.
Sendo necessário variar a granulação da mesma para ir melhorando o
acabamento ( rugosidade superficial ).
No lixamento o poder de desgaste é avaliado pela dureza do grão e
pela sua granulometria da lixa.
Devemos começar a peça começando sempre da mais grossa para
a mais fina, aplicando uma força de 2x maior que o corpo de prova.
Tipos de lixas: ( grossa 220, 320, 600, 1200 fina ).
Marcamos o corpo de prova com um traço para que na troca de lixa
mudamos de posição em 90° que serve para tirar as ranhuras das lixas
anteriores, usamos primeiro a lixa 220, para retirar imperfeições grosseiras,
depois lavamos a peça em água corrente para retirar qualquer resíduo tanto da
lixa como do corpo de prova e assim trocamos para a próxima lixa girando o
corpo de prova em 90°, e sempre repetindo o procedimento da primeira e
observando os riscos no corpo de prova.

( ANEXO 4 – Lixadeira automática PANTEC POLIPAN 2, rotações


de 300 a 600 rpm ).
( ANEXO 5 – Lixadeira comuns ).
( ANEXO 6 – Representação esquemática do método de lixamento
com trabalho em sentidos alternados ).

4 – Polimento da peça
Operação por plimento que visa um acabamento superficial polido
isento de marcas, utiliza para estes fins abrasivos como pasta de diamante ou
alumina em uma rotação média, e fazemos movimentos circulares para um
bom polimento.
( ANEXO 7 – Máquina Politriz panten rotações de 300 a 600 rpm ).
( ANEXO 8 – Pasta diamantada de 1 micron ).

5 – Ataque da amostra
Para fazemos o ataque, pegamos a peça e atacamos em um ácido,
que é o nítrico com álcool etílico ( NITAL ). O tempo de ataque deve ser feito
durante 4 a 6 segundos. Esse ataque é feito para revelar todo o trabalho que já
fizemos na peça, que seria a microestrutura encontrada.
Como usamos pasta diamantada nas peças sem tratamento e com
tratamento de carbonitretação, a pasta cria uma película na amostra, então
lavamos com sabão e fazemos novamente o ataque com NITAL a 3%, então
resumido fazemos o ataque de 3 a 4 vezes durante em média 18 segundos.
( ANEXO 9 – NITAL “ácido nítrico, álcool etílico” ).

6 – Análise da microestrutura
Para fazemos as analises, levamos as amostras até o microscópio
numa resolução de aumento de 50x ; 100x ; 200x e 500x, para podemos ter
uma melhor avaliação dos contornos e tamanhos dos grãos conforme a
ampliação das imagens.
( ANEXO 10 – Analisando as amostras microscopicamente )

Foram feitas dois amostras para análise uma normalizada e a outra


com tratamento térmico de carbonitretação, sendo que no mesmo baquelite.

6.1 Amostra normalizada


Na amostra normalizada que trabalhamos, analisamos e chegamos
a conclusão que a microestrutura encontrada é composta por lamelas
alternadas de ferrita e perlita, basicamente o aço SAE 4130 de teor de carbono
de 0,30%.

( ANEXO 11 – Resultado da amostra normalizada nas imagens de


50x ; 100x ; 200x e 500x ).

6.2 Amostra com tratamento de carbonitretação


Na amostra com tratamento térmico de carbonitretação que
trabalhamos, analisamos e chegamos a conclusão que a microestrutura
encontrada é a martensita, comum nesse tipo de tratamento térmico,
apresentando características tipo agulha, a mertensita aparecerá a uma
temperatura cima de 727° C.
Na amostra que foi retirada de uma engrenagem, a profundidade
poderá chegar de 0,1 à 0,75mm de camada carbonitretada.
CONCLUSÃO

Ao final das etapas laboratoriais, com auxílio de microscópio


resultam na determinação de seus constituintes químicos, sua textura e fase. A
análise foi realizada em superfície polida e atacada por um reagente químico
adequado, como feito em nosso ensaio em laboratório, com auxílio da técnica
apropriada que descrevemos, sendo possível a visualização da textura
microscópica do material, e seus constituintes colocando em evidência os
diversos grãos que é formado, suas respectivas fases das estruturas
resultantes. Possibilitando avaliá-los segundo dimensões, arranjo e formatos,
as interpretações destes dados constituem o escopo do exame micrográfico
dos metais presentes neste trabalho.
A microestrutura encontrada em nosso ensaio metalográfico foi o
aço liga SAE 4130, que possui estrutura laminada e boa resistência mecânica
(limite de resistência de 500 MPa, tensão de escoamento de 210 MPa, H.
Brinell de 163 kgf/mm²), dureza de até 102 HRB dependendo do valor.
É comum o uso do aço SAE 4130 em processos de fabricação
mecânica como engrenagens, pinhões, componentes de disco de embreagem,
eixos, pinos, travas, etc.
Conclui-se que a metalografia é considerada uma análise de suma
importância para garantir a qualidade dos materiais no processo de fabricação
e também para a realização de estudos na formação de novas ligas metálicas.
É uma pratica muito complexa e ao mesmo tempo necessário, pois os
materiais apresentam diferentes estruturas morfológicas, dependendo dos
tratamentos térmicos que lhe foram aplicados e também da composição
química empregada, devendo ser analisado antes de sua aplicação.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

[1]COLPAERT, Hubertus. Metalografia dos produtos siderúrgicos comuns,


3ª Edição, Editora Edgarg Blücher Ltda, São Paulo – 1974.
[2]COUTINHO, Telmo de Azevedo. Metalografia de Não-Ferrosos, Editora
Edgard Blücher Ltda, São Paulo – 1080.
[3]Apostila do curso de Ensaio Metalográfico – LIME 1.1 – 2010.
[4]ROSENDO, Tonilson. Apostila – 2010.
ANEXOS

(ANEXO 1 – Cortadeira PANTEC PANCUT 100 )

(ANEXO 2 – Embutidora PANTEC PANPRESS 50A, ZXQ-5 )

( ANEXO 3 – Baquelite AROTEC )


( ANEXO 4 – Lixadeira automática PANTEC POLIPAN 2, rotações de 300 a 600 rpm )

( ANEXO 5 – Lixas comuns )

( ANEXO 6 – Representação esquemática do método de lixamento com trabalho em sentidos


alternados )
( ANEXO 7 – Máquina Politriz PANTEC POLIPAN 2, rotações de 300 a 600 rpm )

( ANEXO 8 – Pasta diamantada de 1 micron )

( ANEXO 9 – NITAL “ácido nítrico, álcool etílico” )


( ANEXO 10 – Analisando as amostras microscopicamente )

( ANEXO 11 – Resultado da amostra normalizada nas imagens de 50x ; 100x ; 200x e 500x )

( ANEXO 12 – Resultado da amostra carbonitretada nas imagens de 50x ; 100x ; 200x e 500x )