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16/11/2017 Inteiro Teor (6847169)

RECURSO CÍVEL Nº 5000518-37.2017.4.04.7217/SC


RELATOR : JAIRO GILBERTO SCHÄFER
RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
RECORRIDO : JUCILEI MACHADO CLEMES
ADVOGADO : FABIANO CANELLA

EMENTA
AUXÍLIO-DOENÇA. CARÊNCIA. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 767/2017.
INAPLICABILIDADE. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 24 DA LEI Nº 8.213/91 EM
SUA REDAÇÃO ORIGINAL.
No período de vigência da MP 767/2017 deve prevalecer quanto ao requisito carência
a redação original do art. 27 da LBPS, pois a exigencia daquela norma foi refutada
quando de sua conversão em lei.
ACÓRDÃO

ACORDAM os Juízes da 2ª Turma Recursal de Santa Catarina, por unanimidade,


NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Florianópolis, 27 de setembro de 2017.

Jairo Gilberto Schäfer


Juiz Federal Relator

Documento eletrônico assinado por Jairo Gilberto Schäfer, Juiz Federal Relator, na forma do artigo 1º,
inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26 de março de
2010. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico
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RECURSO CÍVEL Nº 5000518-37.2017.4.04.7217/SC


RELATOR : JAIRO GILBERTO SCHÄFER
RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
RECORRIDO : JUCILEI MACHADO CLEMES
ADVOGADO : FABIANO CANELLA

VOTO

Insurge-se o INSS contra sentença que reconheceu o direito da parte autora ao


recebimento de auxílio-doença desde a DER (31-10-2016).

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16/11/2017 Inteiro Teor (6847169)

Alega que na DII (31-01-2017) e na DER (20-02-2017) estava em vigor a MP 767-


2016, que exigia 12 contribuições para fins de carência após , sendo que a autos dispunha de 10 na
DII.

A sentença, no particular que interessa à análise do recurso, está assim fundamentada:

(...)
Assevere-se que administrativamente o benefício foi negado à parte autora em virtude de falta de
período de carência - MP 767/17.
Vejamos.
A incapacidade laborativa encontra-se comprovada, cabe verificar se a autora preenche os requisitos
de qualidade de segurado e a carência.
A qualidade de segurada da autora encontra-se demonstrada, pois a demandante apresentou vínculo
empregatício com o Município de Araranguá no período de 18/03/2016 a 16/12/2016 (evento 2,
CNIS2).
Anteriormente a tais contribuições a autora manteve vínculo com o RGPS através do vínculo
empregatício com a empresa Klemes Fashion - Indústria e Comércio de Confecções Ltda.-ME no
período de 01/11/2009 a 30/09/2010 e com o Condomínio Edifício Green River no período de
01/04/2014 a 17/04/2014 (evento 3, CNIS3), sendo que neste último a rescisão do contrato foi por
iniciativa do empregado (evento 36, CNIS1). Dessa forma, a requerente manteve a qualidade de
segurado até 15/06/2015, consoante dispõe o inciso II c/c § 4º, do art. 15, da Lei de Benefícios. Logo,
quando a autora começou recolheu novamente contribuição previdenciária em março de 2016 já havia
perdido a qualidade de segurada.
Na data de início da incapacidade (30.01.2017), fixada pela perícia médica judicial, estava
efetivamente vigente a Medida Provisória nº 767, de 06.01.2017, que alterava a Lei nº 8.213/1991,
dando nova redação ao parágrafo único do art. 27, passando a exigir a seguinte carência:
Parágrafo único. No caso de perda da qualidade de segurado, para efeito de carência para a
concessão dos benefícios de auxílio-doença, de aposentadoria por invalidez e de salário-maternidade,
o segurado deverá contar, a partir da nova filiação à Previdência Social, com os períodos previstos
nos incisos I e III do caput do art. 25.' (NR)
Em outras palavras, durante a vigência da MP nº 767/2017, seriam necessárias 12 contribuições para
fins de carência, após o reingresso, para a concessão do benefício de auxílio-doença, nos termos do
inciso I do art. 25 da Lei de Benefícios.
Entretanto, a referida medida provisória teve sua vigência encerrada no dia 26.06.2017, com a sua
conversão na Lei nº 13.457/2017, que não convalidou o artigo de lei na forma da MP 767/2017, mas
assim determinou (alteração do texto originário da MP):
Art. 1o A Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações:
"Art. 27-A. No caso de perda da qualidade de segurado, para efeito de carência para a
concessão dos benefícios de que trata esta Lei, o segurado deverá contar, a partir da nova
filiação à Previdência Social, com metade dos períodos previstos nos incisos I e III do caput do
art. 25 desta Lei."
Art. 25. ...
I - auxílio-doença e aposentadoria por invalidez: 12 (doze) contribuições mensais;"
Ou seja, a Lei substitui a totalidade do período previsto no artigo originário da MP para a metade
daquele período.
Em outras palavras, durante a vigência da MP nº 767/2017, seriam necessárias 12 contribuições para
fins de carência, após o reingresso, para a concessão do benefício de auxílio-doença, nos termos do
inciso I do art. 25 da Lei de Benefícios; e, após sua conversão em norma jurídica (Lei nº.
13.457/2017), com a modificação desse prazo para metade, seriam necessárias 06 contribuições.
Portanto, teríamos, pela legislação de regência: até 05.01.2017, 04 contribuições (já que a MP nº.
739/2016 não foi convertida em lei e perdeu sua eficácia desde sua edição, sem decreto legislativo
regulando qualquer relação jurídica - Precedente 2ª TR/SC, autos 50069304820164047207); de
06.01.2017 a 25.06.2017, 12 contribuições (MP 767/2017); e a partir de 26.06.2017, 06 contribuições
(Lei nº.13.457/2017).
E, nos termos do art. 62, § 12, da CF, Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original
da medida provisória, esta manter-se-á integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o
projeto. Em outras palavras, dispositivo de medida provisória refutado pelo parlamento continuaria a
produzir efeitos para evitar o "vácuo legislativo".
Contudo, entendo de forma diversa.

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16/11/2017 Inteiro Teor (6847169)

Não havendo a convalidação pela Lei nº 13.457/2017 do art. 27 em sua redação original, vigente na
data da incapacidade, entendo que deve ser considerado o prazo originário estabelecido no parágrafo
único do art. 24, ou seja, 1/3 da carência exigida para o benefício (4 contribuições) - redação anterior
a MP 767, porquanto era o artigo que tratava da carência necessária ao benefício após a refiliação ao
sistema. Ora, se o parlamento não convalidou o texto originário da MP, ele o refutou, do que não há
como manter a produção dos efeitos da MP em completa dissonância com o sistema legal que
produzirá efeitos ex nunc.
Nesse sentido, mutatis mutandis, aplico a mesma linha de interpretação definida pela 2ª Turma
Recursal por ocasião da decisão proferida, por unanimidade, na apreciação do Processo nº 5023747-
14.2016.4.04.7200:
Isso porque, nos termos do § 3º do art. 62 da Constituição da República, as medidas provisórias
perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias,
prorrogável, nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional
disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes. (grifei)
Desta forma, não tendo sido editado ato legislativo disciplinando as consequências advindas
da revogação da medida provisória, perdeu seus efeitos retroativamente, voltando a vigorar as
disposições do parágrafo único do art. 24 da Lei nº 8.213-1991, sendo exigível a carência de 4
meses após o reingresso.
Ainda a título de referência interpretativa, acrescento, apenas, que, em situação semelhante, de
medida provisória de cunho previdenciário que perdeu sua eficácia e não foi convertida em lei, assim
decidiu a Turma Regional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais desta
Região:
INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO. PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIO-DOENÇA. MEDIDA
PROVISÓRIA Nº 242/2005. INAPLICABILIDADE. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 29, II E § 5º,
DA LEI Nº 8.213/91. 1. 'Não se aplica a MP 242/2005 aos benefícios concedidos desde a sua
edição até a sua rejeição pelo Ato Declaratório nº 1º do Senado Federal, tendo em vista o
reconhecimento da sua inconstitucionalidade na ADI 3.467 e no próprio Ato Declaratório nº 1º
do Senado Federal, que a revogou. Destarte, não tendo sido convertida em Lei, não se cogita da
sua incidência aos benefícios concedidos na época em que suspostamente estaria em vigor.
Incidente de Uniformização conhecido e provido para declarar a inaplicabilidade da MP nº
242/2005 e a incidência, no período em que supostamente estaria em vigor, do art. 29, II e § 5º,
da Lei nº 8.213/91.' (IUJEF 2008.72.55.004219-7, Turma Regional de Uniformização da 4ª
Região, Relator Antonio Fernando Schenkel do Amaral e Silva, D.E. 24/03/2010). 2. Os
benefícios concedidos no período de 28/03/2005 a 20/07/2005 devem ser calculados nos termos
da Lei 8.213/91 em sua redação anterior a medida Provisória 242/2005. 3. Incidente de
uniformização provido. ( 5003005-96.2011.404.7117, Turma Regional de Uniformização da 4ª
Região, Relator p/ Acórdão Daniel Machado da Rocha, juntado aos autos em 14/04/2014).
No mesmo sentido o posicionamento da TNU:
PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIO-DOENÇA - MP 242/05 - REJEIÇÃO PELO
SENADOFEDERAL.REVOGAÇÃO.INCONSTITUCIONALIDADE. VIOLAÇÃO DO
PRINCÍPIO DAISONOMIA - RECÁLCULO DA RMI DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS NO
PERÍODO DE28/03/2005 a 20/07/2005 - INCIDENTE CONHECIDO E NÃO PROVIDO.
PROCESSOREPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.1. Trata-se de pedido de uniformização
apresentado pelo INSS contraacórdão que limitou os efeitos da MP nº 242/2005 ao dia
31/06/2005, sobo fundamento de que esta teve sua eficácia suspensa pelo Supremo
TribunalFederal a partir de 01/07/2005.2. Alega a parte recorrente que o julgado recorrido
diverge doentendimento da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Federais de
SantaCatarina (processo 2007.72.50.002461-4), no qual restou firmada a tese deque o cálculo
da RMI deve observar a lei vigente na data da concessão dobenefício, sob o princípio do tempus
regit actum, sendo que no caso dosautos isso significa a observância da redação imposta pela
MP 242/2005desde a data de concessão do benefício.3. Comprovada a divergência
jurisprudencial, na forma do art. 14, §2°,Lei n° 10.259/2001, devendo o pedido ser conhecido.4.
A Medida Provisória nº 242/05, através da inclusão do §10 no artigo29 da Lei nº 8.213,
determinava que a renda mensal do auxílio-doença eaposentadoria por invalidez, calculada de
acordo com o inciso III do mesmoartigo, não poderia exceder a remuneração do trabalhador,
consideradaem seu valor mensal, ou seu último salário de contribuição, no casode remuneração
variável, violando, desta forma, diversos preceitosconstitucionais, especialmente o §11 do
artigo 201 da Carta Magna.5. Esta Turma Nacional de Uniformização já possui entendimento
firmado emrelação à questão, no sentido de que é devida a revisão do benefíciode auxílio-
doença concedido pela sistemática da Medida Provisória nº242/2005, aplicando-se a Lei nº
8213/91, em sua redação anterior ao adventoda referida medida provisória. Precedentes
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16/11/2017 Inteiro Teor (6847169)

PEDILEF 200770660005230, RelatorJuiz Federal Ronivon de Aragão, pub DOU 04/05/2012 e


PEDILEF 200670590023231,Relatora para acórdão Juíza Federal Joana Carolina Lins
Pereira.6. Pedido de uniformização não provido.7. Julgamento realizado de acordo com o art.
7º, VII, a), do RITNU, servindocomo representativo de controvérsia.
(PEDILEF 200738007401093, Relatora Juíza Federal Ana Beatriz Vieira da Luz Palumbo,
DOU de 28/03/2014, pg 288/314).
Logo, faticamente analisando a questão sob o ângulo acima exposto, com clareza se constata o
preenchimento do período de 04 meses de carência imposto pela norma. Em mensuração do extrato
previdenciário obtido no Cadastro Nacional de Informações Sociais (evento2, CNIS2), embora
concluindo pela perda da qualidade de beneficiário da autora em junho/2015, observo o recolhimento
de 10 (dez) contribuições ao Regime Geral de Previdência Social, nos meses de março a
dezembro/2016, havendo a qualidade de segurado na superveniência do contexto incapacitante,
definido para 30.01.2017 pela perícia (evento 25, LAUDO1).
Assim sendo, a autora faz jus ao benefício auxílio-doença a contar da DER 20/02/2017 (NB
617.596.827-5).

O recurso não merece provimento.

Aos bem lançados fundamentos da sentença acrescento que se aplica ao caso o mesmo
fundamento aplicado à MP 739/2016, já consolidado neste Colegiado (v.g. 5005724-
68.2017.404.7205, julgado por unanimidade em 23/08/2017). Ou seja, no período de vigência da
MP 767/2017 deve prevalecer quanto ao requisito carência a redação original do art. 27 da LBPS,
pois a exigencia daquela norma foi refutada quando de sua conversão em lei.
Condeno o INSS ao pagamento de honorários advocatícios fixados em 10% do valor
da condenação, não inferior a um salário-mínimo.

Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.

Jairo Gilberto Schäfer


Juiz Federal Relator

Documento eletrônico assinado por Jairo Gilberto Schäfer, Juiz Federal Relator, na forma do artigo 1º,
inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26 de março de
2010. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico
http://www.jfsc.jus.br/gedpro/verifica/verifica.php, mediante o preenchimento do código verificador
6847168v8 e, se solicitado, do código CRC D8B93D21.
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Signatário (a): Jairo Gilberto Schäfer
Data e Hora: 06/09/2017 14:04

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