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Externalidades

IST, LEGI - Teoria Económica II 1


Margarida Catalão Lopes

Externalidades
• As externalidades são uma falha de
mercado (por isso a intervenção
governamental pode ser aconselhável).
• As externalidades implicam uma diferença
entre o óptimo privado e o óptimo social.
• Em certo sentido, este tópico é sobre a
propriedade privada (quem tem o direito a
quê).

Externalidades
• Uma externalidade é um custo ou um
benefício imposto a alguém por acções de
outros, sem compensação.
• Um benefício imposto é uma externalidade
positiva.
• Um custo imposto é uma externalidade
negativa.
• Existem externalidades no consumo e
externalidades na produção.

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Externalidades
• A característica principal das externalidades é
serem bens/serviços que são valorizados
pelas pessoas mas não são transaccionados
no mercado. O problema principal é pois o
facto de a afectação de equilíbrio poder não
ser eficiente.
• As externalidades levantam o problema da
justiça intertemporal/intergeneracional. Que
taxa de desconto deve ser usada para valorar
o futuro (probabilidade de estar vivo,
impaciência, preferências futuras, …)?
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Exemplos de Externalidades
Negativas
• Poluição atmosférica.
• Poluição das águas.
• Festas barulhentas na vizinhança.
• Trânsito congestionado.
• Fumo de cigarro (fumadores “passivos”).
• Subida nos prémios de seguro devido ao
consumo de álcool ou tabaco por parte dos
outros.
• Vista obstruída.

Examplos de Externalidades
Positivas
• Uma propriedade vizinha bem conservada,
que faz subir o valor de mercado da nossa.
• Um perfume agradável usado pela pessoa
que vai sentada ao nosso lado.
• Melhores hábitos de condução, que reduzem
o risco de acidentes.
• Um progresso científico.
• Educação.
• Vacinação.

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Externalidades e Eficiência
• Uma externalidade tem impacto numa
terceira parte; i.e.alguém que não
participa na actividade que produz o custo
ou o benefício externo (nesse mercado).

Externalidades e Eficiência

• As externalidades causam ineficiência de


Pareto; tipicamente
– demasiados recursos escassos são afectados a
uma actividade que causa uma externalidade
negativa (porque parte do custo social não é tida
em conta; o agente considera apenas os seus
custos privados)
– demasiadamente poucos recursos escassos são
afectados a uma actividade que causa uma
externalidade positiva (porque parte do benefício
social não é tida em conta; o agente considera
apenas os seus benefícios privados).

Externalidades e Direitos de
Propriedade
• A visão de Ronald Coase foi que a maior
parte dos problemas de externalidades
são devidos a uma especificação
inadequada dos direitos de propriedade e,
consequentemente, a uma ausência de
mercados em que o comércio possa ser
usado para internalizar os custos ou os
benefícios externos.

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Externalidades e Direitos de
Propriedade
• Internalizar a externalidade consiste em
fazer o seu produtor suportar a totalidade
do custo externo ou usufruir da totalidade
do benefício externo.

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Soluções
• Existem soluções de mercado para as
externalidades: uma vez que os lucros de
coordenação são maiores que os lucros sem
coordenação, cada empresa tem incentivo a
comprar a outra e internalizar a externalidade.
• Existem soluções governamentais para as
externalidades (e.g. poluição):
- atribuir direitos de poluição (‘grandfathering’)
- vender direitos de poluição (leiloar)
- colocar um imposto sobre as emissões

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Soluções
• Os direitos de poluição são fixados num montante
equivalente ao nível de poluição eficiente.
• As empresas que poluirem acima dos direitos de
poluição que detêm devem ser altamente penalizadas.
• A atribuição de direitos de poluição baseda nas
emissões passadas é um incentivo perverso para as
empresas reduzirem estas.
• A livre negociação dos direitos entre as empresas pode
levar a que algumas delas acumulem direitos com o
intuito de impedir a entrada.
• O nível eficiente do imposto deve ser igual ao prejuízo
marginal externo no nível socialmente óptimo de
poluição.

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Fusão e Internalização
• Suponhamos que duas empresas se
fundem, tranformando-se numa só.
• A fusão internaliza uma externalidade e
induz eficiência económica.
• De que outra forma pode a internalização
ser provocada, de modo a atingir a
eficiência?

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Coase e as Externalidades na
Produção
• Coase argumentou que as externalidades
existem porque nem a empresa de aço nem a
de pesca detêm a água que está a ser poluída.
• Falta um mercado: o mercado da poluição.
Neste mercado alguns agentes estariam
dispostos a pagar para ver a quantidade de
produção de poluição reduzida. Assim, a
poluição teria um preço negativo.

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Coase e as Externalidades na
Produção
• Suponhamos que é criado o direito de
propriedade da água e que é atribuído a
uma das empresas. Será que isto induz a
eficiência?
• Sim (hipótese: não existem custos de
transacção).

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Coase e as Externalidades na
Produção
• Teorema de Coase: quando as partes
afectadas pelas externalidades podem
negociar (quase) sem custo uma com a
outra, obtém-se um resultado eficiente
independentemente de a quem a lei atribui
a responsibilidade pelos prejuízos.
• Requisitos: definição dos direitos de
propriedades, o que pode requerer o
acesso fácil aos tribunais.

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Externalidades na Produção e
Direitos de Poluição
• Em vez de atribuir direitos de poluição e
deixar a empresas negociar o montante
desta, o Governo pode vender estes
direitos.

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Externalidades na Produção e
Impostos
• Assegurar que a empresa cobre o custo social
que gera, pagando um imposto sobre a
poluição.
• O problema das autoridades é pois encontrar
o valor de t que induz a empresa a produzir o
montante socialmente óptimo de poluição.
• Os impostos que corrigem uma situação
ineficiente são conhecidos como impostos de
Pigou (economista Arthur Pigou).

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A Tragédia dos Comuns

• Recursos comuns: são rivais mas não


exclusivos.
• A tragédia dos comuns ilustra o que
pode suceder numa sociedade que não
tem os direitos de propriedade bem
estabelecidos.

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A Tragédia dos Comuns


• Considere-se uma área de pasto que é detida
“em comum” por todos os membros de uma
aldeia.
• Os habitantes levam as suas vacas a pastar
no pasto comum.
• Quando vão v vacas a pastar, a produção total
de leite é f(v), com f’>0 e f”<0.
• Como devem os indivíduos levar as suas
vacas a pastar, de forma a maximizar o seu
rendimento?

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A Tragédia dos Comuns


• O lucro económico de introduzir mais uma vaca
é positivo.
• A entrada continua até o lucro económico de
levar mais uma vaca a pastar ser zero.
• Uma vez que ninguém detém o pasto comum, a
entrada é irrestrita.
• Os pastos comuns são sobre-explorados,
tragicamente.

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A Tragédia dos Comuns
• Razão para a tragédia: quando um
habitante introduz mais uma vaca, o seu
rendimento aumenta mas o rendimento de
todos os outros desce.
• O habitante que introduz uma vaca extra
não leva em conta o custo inflingido ao
resto da aldeia.

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A Tragédia dos Comuns


• Exemplos de “tragédias dos comuns” dos
dias de hoje:
– sobre-exploração da pesca nos mares altos
– uso sobre-intensivo dos parques públicos
– congestão de trânsito nas cidades.

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