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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS

Instituto de Ciências Humanas Curso de Pós-Graduação em Antropologia

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS Instituto de Ciências Humanas Curso de Pós-Graduação em Antropologia Pré-roteiro de vídeo

Pré-roteiro de vídeo etnográfico.

CONEXÃO

Pesquisadores

Marielda Barcellos Mendeiros

Glenio Rissio Leandro Barbosa

Pelotas, 08/06/2018

PRÉ-ROTEIRO

Vídeo Etnográfico - Conexão

RESUMO

A habitação destaca-se no rol das necessidades mais basilares humanas, sendo que, para que cada indivíduo tenha a possibilidade do desenvolvimento de suas capacidades integrando-se socialmente, o acesso à moradia é essencial, pois ausência deste recurso o debilita diante das intempéries de uma vida em exposição aos fenômenos naturais e a falta de dignidade. A negação ao direito de morar é lamentavelmente, um dos problemas mais graves da sociedade brasileira. Assim o vídeo CONEXÃO nasce a partir de um olhar etnográfico focado em uma ocupação nomeada como Canto de Conexão, situada na região do Porto na cidade de Pelotas/RS/ Brasil. Estudantes, moradores de rua, artistas e famílias desabrigadas ocupam um prédio abandonado antes pertencente à Marinha Brasileira, local que era um espaço do crime na cidade, agora surge como um ambiente de convivência para indivíduos em situação de fragilidade. O vídeo acompanha a vida de moradores da ocupação e compreende a importância da revitalização dos espaços ociosos e a construção do coletivo como agente de transformação do indivíduo.

OBJETIVO

O objetivo desse é a constituição de um breve registro que torne possível compreender da problemática enfrentada por estudantes e moradores de rua durante o processo de ocupação de um prédio próximo a universidade. É a proposição da reflexão sobre a dificuldade de moradia e o direito de morar, em face das desigualdades evidentes hoje espaços urbanos, que são disputados na cidade.

JUSTIFICATIVA

Justificamos este por perceber a necessidade de diálogo e reflexão com relação ao fortalecimento da luta por moradia, já que observamos que existe no território da nossa cidade

tanta casa sem gente e tanta gente sem casa e, que o capital especulativo hoje se torna lei. Também, por perceber que lutar por moradia é muito mais que só querer morar, mas tem que transformar o que está a sua volta.

PRINCIPAIS GRUPOS A SEREM CONTEMPLADOS

Público em geral, independente de qual classe social, haja vista que em maior ou menor grau todos estamos envolvidos pela problemática da falta de moradia. Esta que se tornou um drama presente no cotidiano das cidades, em principal por ser um debate necessário em face da pobreza e desigualdade social recorrente na sociedade brasileira.

METODOLOGIA A SER APLICADA

O método de coleta de dados será a observação participante, meio ao qual participaremos de diferentes atividades cotidianas relacionadas a vida social do grupo observado, onde ressaltaremos alguns aspectos de vida dos ocupantes por meio da observação de suas rotinas em seus contextos. Também iremos recorrer a observação flutuante, ao nos deixar flutuar através do olhar em cena, não se munindo de nenhum conhecimento prévio sobre o lugar, histórias e pessoas que o circundam e freqüentam. Estaremos abertos e nos deixaremos conduzir pelo inesperado, pelo modo como as pessoas se apresentam num dado momento neste determinado lugar da cidade, cuja destinação de uso pode parecer insuspeitada. O método a ser aplicado dialoga com uma proposta de antropologia compartilhada onde o entrevistado é também autor do trabalho a ser realizado.

METODO A SER APLICADO

Nos apropriando da perspectiva etnográfica visual, usaremos a câmera fotográfica filmadora como meio de registro da experiência. Na utilização de uma câmera DSLR, faremos registros diversos, alguns terão como enfoque espaço de utilização comum dos ocupantes, outros o cotidiano. Atentando para a perspectiva da observação flutuante, a câmera ira circular por diferentes cômodos registrando distintos espaços que foram ocupados e atribuídos novos usos no prédio. Estas cenas terão caráter observacional, registrando momentos de

alimentação, descontração e diálogos. Em um segundo momento, serão gravadas pequenos diálogos com os ocupantes, e o registro de suas falas, requisições e aspirações sobre o local. A constituição do vídeo terá como pauta as entrevistas articuladas com imagens registradas do local. A constituição do vídeo ocorrerá através do intercambio de vozes e imagens, sem ressaltar interlocutores específicos, mas construindo um diálogo que ira ser mesclada com imagens. Embora algumas das falas sejam mais predominantes em detrimento de outras, a opção de edição deu-se por escolha dos ocupantes, que optam pela construção de uma narrativa do grupo e não de um único indivíduo.

Referências

GUÉRIOS, Paulo. O cinema observacional. Práticas do filme etnográfico. Curitiba. Ed. UFPR, 2016.

Os filmes compartilhados (cap. 4). In: Práticas do filme etnográfico. Curitiba. Ed. UFPR, 2016. HALBWACHS, M. A memória coletiva. São Paulo: Vertice, 1990.

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PÉTONNET, Colette. L’observationflottante: l’exemple d’un cimetièreparisien, L’Homme, oct-déc. 1982, XI (4r), p.37-47

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