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CEDERJ - CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTÂNCIA

DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

MATERIAL DIDÁTICO IMPRESSO


CURSO: Química DISCIPLINA: QUÍMICA III

CONTEUDISTAS : Rodrigo e Elânio

AULA 7 C
OS METAIS NO MEIO AMBIENTE

METAS:
Apresentar os principais metais pesados, suas químicas e
conseqüências no meio ambiente.

OBJETIVOS:
Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz
de:
1. Identificar os potenciais metais tóxicos;
2. Identificar as fontes de contaminação desses metais;
3. Identificar os principais metais pesados com alta toxicidade.
4. Realizar estudos da toxicidade do Hg, Pb, Cd e As.

INTRODUÇÃO

São metais muito reativos e bioacumláveis, ou seja, que se acumulam nos


organismos e este não consegue eliminar. São definidos como um grupo de
elementos situados entre o cobre e o chumbo na tabela periódica tendo pesos
atômicos ente 63,546 e 200,590 e densidade superior a 4,0 g/cm3.

Os seres vivos precisam de certas quantidades destes metais, como é o


caso do Cobalto, Cobre, Manganês , Molibdênio, Vanádio, Estrôncio e Zinco
para o funcionamento do organismo. No entanto, em níveis elevados, estes
elementos passam de necessários a tóxicos. Já os metais como Mercúrio,
Chumbo e Cádmio, não apresentam funcionalidade no organismo, não sendo
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necessário então, nenhum tipo de acúmulo pelos seres vivos. Então, qualquer
acúmulo pode levar a doenças.

Devido ao lançamento prejudicial na natureza destes elementos através do


desejo de resíduos industriais, na água, no solo ou no ar, estes elementos
podem ser absorvidos pelos vegetais e animais, provocando intoxicações e
acúmulos ao longo da cadeia alimentar.

Se você observar bem, verá que sua


vida cotidiana está constantemente envolvida
por diferentes elementos derivados das
tecnologias industriais modernas. De fato,
alguns destes produtos passam praticamente
despercebidos de tão comuns: a tinta das
paredes de sua casa; os produtos de limpeza

ou higiene usados em cozinhas e banheiros;


os plásticos em copos, escovas de dentes,
sacolas. Além destes, você ainda poderia
observar os vários eletrodomésticos,
máquinas e eletrônicos que povoam sua
casa, bairro ou cidade: celulares, televisões,
carros, computadores, videogames,
geladeiras, etc.
Apesar de estes elementos possuírem
uma função muito útil em nossa vida atual, a
história de sua produção não é nada
saudável para o meio ambiente, pois as
indústrias envolvidas com sua confecção
fazem uso de diversos metais pesados
durante os seus processos de produção:
mercúrio, chumbo, fósforo amarelo, alumínio
e vários outros. Nesta aula, você verá quais
são os fundamentos químicos que tornam os metais pesados tão
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potencialmente prejudiciais e tóxicos para a saúde humana, a despeito de seu


papel importante no desenvolvimento da vida moderna.

1. METAIS PESADOS: FATOS BÁSICOS

Os metais ocupam a maior parte dos elementos da tabela periódica.


Eles distribuem-se entre os metais alcalinos e alcalinos terrosos, que tem um
preenchimento da última camada aberta de ns1 e ns2 respectivamente; metais
de transição interna que apresentam uma configuração ndx (x=1,2...,10
elétrons); os semi-metais, em um conceito clássico: B, Si, Ge, As, Sb, Te e Po,
que tem configuração npx na última camada e por fim os metais de transição
interna, os lantanídeos e actinídeos que preenchem os subníveis de simetria f
na camada de valência.

Uma ótima fonte de consulta aos elementos da Tabela Periódica é o site


Tabela Periódica Online (link: http://www.tabela.oxigenio.com/), onde é possível
fazer pesquisas sobre as diversas características químicas das substâncias.

Os metais pesados, em particular, estão situados a parte inferior da


tabela periódica, suas densidades são altas quando comparados aos demais
metais. Nesse capitulo abordaremos, com maior detalhe, os metais pesados
Mercúrio, Chumbo, Arsênio e Cádmio. Esses metais são mais suscetíveis a
serem contaminantes ambientais devido ao seu intenso uso e alta toxicidade.
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Muito se veicula sobre a contaminação de metais pesado em fontes de


água potável e alimentos. Mas, o principal meio de contaminação por esses
metais pesados se dá por via aérea. Eles podem estar na forma gasosa ou
adsorvida e absorvida em material particulado em suspensão. Desse modo a
contaminação de uma fonte de água potável, por exemplo, se dá pelo depósito
desses metais que estão presente no ar.
A tabela 1 compara a densidade desses metais com outros metais mais
leves.
Tabela 1 : Densidade de alguns metais.
Metal Densidade
(g/cm3)
Hg 13,5
Pb 11,3
Cd 8,7
As 5,8
Mg 1,7
Al 2,7

O processo de queima de combustíveis são uma das mais importantes


fontes de emissão antropogênica de metais pesados no ar.

A Tragédia de Minamata

Na cidade de Minamata, no Japão, ocorreu um dos mais trágicos exemplos do


uso inconseqüente de metais tóxicos pela indústria. Na década de 50 (século
XX) toneladas de peixes mortos começaram a aparecer na costa marinha da
região, que vivia da pesca marítima. Logo após, surgiram alarmantes casos de
doenças relacionadas ao sistema nervoso na população, mal que foi
denominado de "Doença de Minamata" pelos pesquisadores. Acreditou-se na
época que uma epidemia infectocontagiosa tinha atingido a cidade. Casas e
pessoas foram desinfetadas, mas a doença continuou a crescer em numero de
vítimas, chegando aos milhares.
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Diagramação: Inserir legenda: “Pescador de Minamata”


Fonte: UCLA International Institute
http://www.international.ucla.edu/calendar/showevent.asp?eventid=7329).
Autor: Shiota Takeshi. Imagem liberada para fins educacionais não-lucrativos.]
Nos anos seguintes, o caso agravou-se com o nascimento de crianças
defeituosas. Somente em 1968 a verdadeira fonte do mal foi descoberta:
tratava-se do composto cloreto de etil-mercúrio (C2-H5-Hg-Cl). Esse composto
organometálico era proveniente de uma Indústria influente na região, que
empregava boa parte dos moradores. Esta Indústria, até então respeitada,
lançava poluentes nas águas (estima-se que mais de 25 toneladas de mercúrio
foi despejado entre 1932 a 1968) que banhavam a baía de Minamata. Os
resíduos tóxicos surgiam da fabricação de Cloreto de Vinila, e o processo se
dava na presença dos catalisadores sulfato e cloreto de mercúrio.
A alimentação quase exclusivamente restrita aos frutos do mar (especialmente
peixes e moluscos, nos quais o mercúrio costuma se acumular) tornava os
moradores vítimas desta gravíssima intoxicação.
O caso tornou-se um dos primeiros exemplos das consequências terríveis da
exploração industrial no mundo moderno.

A tabela 2 mostra a emissão global e as principais fontes de


contaminação do ar por alguns metais pesados largamente utilizados.
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Tabela 2: Emissão anual de metais pesados no ar por fontes naturais,


antropogênicas e por combustão. 103 ton. por ano

Metal % por
Combustão Antropogênica Natural Total
Pesado combustão
As 2,5 18,9 12,2 31,1 8,1
Cd 1,6 7,6 1,1 9,0 17,8
Cr 13,5 30,5 43,3 73,8 18,3
Cu 9,8 35,3 28,1 63,4 15,5
Hg 3,5 3,9 2,5 6,4 54,7
Mn 20,4 38,2 316,9 355,1 5,7
Ni 42,4 51,6 29,3 80,9 52,4
Pb 15,1 332,3 12,2 344,5 4,4
Sb 2,0 3,5 2,6 6,1 32,7
Se 4,0 6,3 10,3 16,6 24,1
V 85,2 86,0 27,7 113,7 75,0
Zn 18,6 131,8 44,7 176,5 10,5

Esses metais pesados, apresentados na tabela 2, podem existir em


baixa concentração em combustíveis oriundos de madeiras e em altas
concentrações em combustíveis de origem mineral, como o carvão mineral por
exemplo. No processo de combustão esses metais podem se comporta de
diversas maneiras e seguir diversos caminhos diferentes, dependendo da
presença ou ausência de reagentes específicos, como por exemplo, elementos
oxidantes como os cloretos ou a presença de outros metais.

A temperatura e as condições gerais de combustão irão ditar os diversos


caminhos possíveis que esses metais poderão dispor. Inevitavelmente esses
metais podem ser adsorvidos nos produtos sólidos da combustão (por
exemplo, nas cinzas pesadas e cinzas leves), no sistema de exaustão e
purificação que foram utilizados na queima ou então passar para o ar como
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impurezas. A figura 8.1 demonstra os possíveis caminhos e destino que podem


ocorrer com os metais pesados na combustão.

Figura 8.1: Mecanismo e caminhos para os metais pesados na queima de


combustíveis.

Atividade 1:
O chumbo e o mercúrio são metais pesados com elevado potencial tóxico. E,
apesar disso, o chumbo é comumente utilizado na fabricação de utensílios
diversos, ao contrário do uso do mercúrio que foi proibido em algumas
ocasiões, como por exemplo, no garimpo de ouro. Explique o porquê do
contraste na utilização desses dois metais no cotidiano.
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RESPOSTA COMENTADA:
Os metais pesados na sua forma metálica apresentam uma baixa
toxidade, pois estão na sua forma de elemento livre condensados. Para serem
potencialmente tóxicos esses devem estar na forma iônica, o que permitiria
formar ligações com outros elementos, tornando-se um potencial contaminante
para sistemas biológicos. No caso do mercúrio, em particular, esse apresenta
uma alta densidade, porém uma baixa coesão molecular. Logo, ele é
extremamente volátil à temperatura ambiente, e seu vapor é extremamente
tóxico se for inalado. O que não ocorre com o chumbo, que apresenta
volatilidade à temperatura ambiente desprezível.

TOXICIDADE DOS METAIS PESADOS

Os metais pesados são extremamente tóxicos em sua


forma catiônica. Isso se deve, em grande parte, ao fato desses
cátions serem capazes de formar ligações com as terminações
de enxofre que estão presentes nas enzimas. No ponto de vista
bioquímico, é conhecido o fundamental papel das enzimas nos organismos
vivos, portanto se um metal pesado se ligar a um átomo de enxofre do terminal
sulfidrila, esses poderão alterar consideravelmente as reação metabólicas dos
sistemas biológicos. Potencializa-se esse fato devido à forte ligação metal-
enxofre, tornando a ligação extremamente estável e alterando
permanentemente a estrutura enzimática. Umas das conseqüências diretas é a
considerável alteração das velocidades das reações catalisadas por essas
enzimas, criando-se uma conseqüência catastrófica a vida e aos sistemas
biológicos como as conhecemos. Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1027220, foto
de: não informado
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A contaminação por metais pesados tem sido motivo de profundas


investigações, principalmente em solos e aportes aqüíferos. Pois, esses são
umas das principais vias de contaminação dos seres humanos diretamente.

Quando ocorre em seres humanos um cenário de contaminação por


metais pesados lança-se mão de substâncias capazes de capturar os metais
de maneira ainda mais fortes que as enzimas. Essas substâncias, que agora se
ligaram a esses metais, são metabolizadas e excretadas pelos organismos,
deixando a enzima livre da ligação S-M, onde S representa o enxofre e M o
metal pesado. As características dessas substâncias é que formem uma
ligação mais forte que as ligações metal enzima, podendo competir com essas.
Essas substâncias são conhecidas como quelantes, pois são capazes de
formarem fortes ligações com os metais, em um sistema de complexação
inorgânica.

Reações de Complexação
As moléculas ou íons (normalmente quatro ou seis) que são as bases de Lewis
ligadas ao átomo central, em um complexo de metal d, são conhecidas como
ligantes. Como exemplo, mais simples temos o K4[Fe(CN)6]4-:

http://www.merck-chemicals.com/brazil/hexacianoferrato-ii-potassico-tri-
hidratado/MDA_CHEM-104982/p_Lzmb.s1LHyQAAAEWEOEfVhTl
no qual o ácido de Lewis é o Fe2+ forma ligações pelo compartilhamento de
pares de elétrons com os íons CN-
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Uma substância que tem alto poder de quelação, e conseqüentemente


forma fortes ligações com os metais pesados é o EDTA (trietanolamina). Esse
composto é conhecido por ser altamente solúvel e capaz de se ligar por 6 sítios
diferentes na mesma molécula com o metal o que o torna a ligação, metal
quelante, extremamente forte. E por ser solúvel é capaz de introduzir o metal
pesado no sistema metabólico normal, sendo excretado pelo organismo.

http://jeffreydach.com/2008/07/24/edta-chelation-with-detoxamin-suppository-for-
prostatitis-by-jeffrey-dach-md.aspx

Figura 8.2: Representação da molécula de EDTA. Fórmula estrutural e forma


quelada com um metal pesado (M).

No tratamento de envenenamento de metais pesados o uso de um


quelante como agente seqüestraste deve ser ingerido o mais breve possível, a
fim de evitar breves danos ao sistema neurológico.

Atividade 2
Um dos agentes quelante utilizado no tratamento de envenenamento por
metais pesados é o composto Antilewisita Britânica (BAL). A estrutura desse
composto demonstra-se a seguir:

H C SH

H C SH

H C OH

H
Molécula de Antilewisita Britânica, BAL.
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Argumente como esse composto seria capaz de seqüestrar um metal


pesado que esteja ligado a um grupo sulfidrila de uma enzima, eficientemente.
Lembre-se que essa molécula, de quelante, apresenta também grupos
sulfidrilas ligados a ela.
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RESPOSTA COMENTADA:
A molécula de BAL apresenta dois grupos sulfidrilas em sua estrutura,
tornando-a possível efetuar duas ligações simultâneas com o metal pesado. A
conseqüência é uma força de ligação mais forte desse composto com o metal.
Logo, haverá uma grande competição do metal pela molécula de BAL, que se
complexará com ela pelos dois sítios de enxofre, levando posteriormente ao
sistema excretor biológico. Sua resposta acaba por aqui, contudo para matar
sua possível curiosidade observe a seguir Abaixo o exemplo de complexação
de um agente quelante e um metal pesado.
H

H C S
M
H C S

H C OH

Molécula de Antilewisita Britânica, Complexada com meta pesado.


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CONTAMINAÇÃO POR METAIS PESADOS.

Faremos agora algumas considerações


sobre contaminação de metais pesados,
ressaltando, quando possível, a realidade brasileira
frente a esse problema.
O solo é um dos principais aportes suscetível
à contaminação por metais pesados, pois ele
apresenta uma alta absortividade de metais
pesados o que gera um efeito desfavorável devido à
possibilidade da alta concentração desses metais
tóxicos. Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1186607,
foto de Alan Rainbow
De fato, é grande a importância do fenômeno da adsorção do solo por
metais pesados, é necessário considerar, também, os fatores que o afetam,
entre os quais podem ser citados a natureza da fase sólida inorgânica do solo,
o pH, o teor de matéria orgânica e a presença de outros íons. Inicialmente, os
poluentes são adsorvidos nos solos por meio de troca iônica ou interações
eletrostáticas, forças de van der Waals ou ligações químicas estáveis. Devido
às intempéries e envelhecimento do solo, esses metais podem vir a fazer parte
da estrutura de alguns minerais. Além disso, quando não ocorre uma interação
estável do poluente com o solo, pode haver a migração do poluente, o que
culmina com a contaminação da água, de lençóis ou da superfície.

Força de Van der Waals


Forças elétricas relativamente fracas que se caracterizam por permitir que
moléculas neutras se atraiam mutuamente em gases puros, gases solidificados
ou liquefeitos, e em quase todos os líquidos e sólidos orgânicos. Estas forças
foram nomeadas em respeito ao físico holandês Johannes van der Waals. Em
1873 ele foi o primeiro a postular a existência destas forças intermoleculares ao
desenvolver uma teoria para lidar com as propriedades de gases reais. Os
sólidos que são mantidos juntos pelas forças de van der Waals
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caracteristicamente tem baixo ponto de fusão e são mais suaves do que


elementos mantidos em conjunto pelas ligações mais fortes, iônicas,
covalentes ou metálicas.
Fonte de consulta: Encyclopædia Britannica Online 2010
<http://www.britannica.com/EBchecked/topic/622645/van-der-Waals-forces>.

Umas das realidades


brasileiras no tratamento e
armazenamento de rejeitos e lixos
é o aterro sanitário. Nos aterros
sanitários, muitas das vezes são
depositados diversos tipos de lixo:
de origem industrial, urbana e
hospitalar. E os lixos de origem
urbana, por exemplo, podem
conter pilhas, latas, baterias, etc.; que são potenciais fontes contaminantes de
metais pesados. Esse fato se potencializa, ainda mais, se uma determinada
região sofre uma considerável explosão demográfica. Em contraste, aos
aterros sanitários, muitas vezes os rejeitos são descartados ao céu aberto em
lugares não adequados e próximos a aportes aqüíferos, por exemplo. Fonte:
http://www.sxc.hu/photo/772355, foto de: Konstantin Shafikov

Em um estudo realizado sobre um aterro sanitário, localizado próximo a


Manaus, na rodovia AM-010, no estado do Amazonas, foi analisado diversos
metais pesados. Umas das características marcantes desse aterro sanitário é a
grande produção de chorume. Este líquido é despejado no igarapé do Matrinxã,
bem como em duas de suas nascentes. É possível, devido à deposição
inadequada de diversos componentes do lixo (pilhas, latas, baterias etc.), que
alguns metais pesados estejam contaminando todo o sistema hídrico da bacia
do Tarumã-Açu, no mínimo.
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Conhecendo a composição do Chorume


O chorume é um líquido escuro contendo alta carga poluidora, o que
pode ocasionar diversos efeitos sobre o meio ambiente. O potencial de impacto
deste efluente está relacionado com a alta concentração de matéria orgânica,
reduzida biodegradabilidade, presença de metais pesados e de substâncias
recalcitrantes.
A decomposição dos resíduos sólidos, depositados em aterros
sanitários, pode ser descrita pelas fases aeróbia e anaeróbia.
A fase aeróbia ocorre durante o primeiro mês de deposição e
recobrimento do lixo na vala. A ação de decomposição é realizada pelas
bactérias aeróbias que utilizam o oxigênio presente no interior do aterro. É mais
intensa no início e a medida que o oxigênio vai ficando escasso a
decomposição torna-se mais lenta. A presença de águas pluviais exerce
grande influência sobre esta fase, pois facilita a redistribuição de nutrientes e
microorganismos ao longo do aterro sanitário.
Quando todo o oxigênio é consumido, inicia-se a fase anaeróbia, onde a
decomposição ocorre através dos organismos anaeróbios e/ou facultativos que
hidrolisam e fermentam celulose e outros materiais presentes no resíduo. Esta
fase é caracterizada pela redução da concentração de carbono orgânico, altos
níveis de amônia e largo espectro de metais, representando considerável
potencial de risco para o meio ambiente. A fase anaeróbia pode demorar vários
anos para estar completa.

Fonte de Consulta: Departamento de Química/TECNOTRATER – UFPR


(http://www.quimica.ufpr.br/tecnotrat/chorume.htm).

Uma vez no ecossistema aquático, os metais pesados são distribuídos


nos diversos compartimentos do ambiente, como solo, sedimento, plantas e
animais. Especificamente no caso dos sedimentos, a literatura mostra que este
compartimento funciona como um sistema de estoque de poluentes.
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Foram determinadas as concentrações de diversos metais pesados no


sedimento do aterro sanitário e ao longo da bacia do Tarumã-Açu. A tabela 3
mostra os valores de concentrações para diversos metais pesados nesse
sistema.

Tabela 3: Composição química da água das duas nascentes do Igarapé


de Matrinxã, Igarapé da Bolívia e Bacia de Tarumã-Açu. Os resultados
correspondem à média de três repetições.
Esses valores de concentração, em alguns pontos, estão superiores

para águas de classe 2 segundo o CONAMA.

No tocante a analise dos sedimentos do aterro sanitário, encontraram os


seguintes valores de concentração, compilados na Tabela 4 a seguir:

Tabela 4: composição química dos metais pesados das amostras de


sedimentos.
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Os teores de metais pesados, quase em todos os pontos, são


extremamente elevados para todos os metais pesados.
As realidades tanto dos sedimentos e dos aportes aqüíferos próximos ao
aterro sanitário, evidencia um aumento considerável de metais pesados,
caracterizando um processo de contaminação pela ação humana.
Em um estudo realizado nos sedimentos da Baia de Guanabara, na
cidade do Rio de Janeiro, foram coletados depósitos de cinco anos desses
sedimentos para analise de metais pesados. De um modo geral caracterizou-se
que a Baia de Guanabara é altamente poluída por metais pesados, em especial
valores extremos de cobre e zinco. É conhecido que a baía capta grande
volumes de água diariamente, proveniente de esgotos urbanos e indústrias,
muitas vezes sem o mínimo de prévio tratamento, resultando em uma
considerável contaminação por metais pesados diversos, devido à atuação
humana.
Atividade 3
Como águas e sedimentos contaminados por metais pesados pode ser
um potencial meio de contaminação aos seres vivos, principalmente os seres
humanos.
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Se um aporte de sedimento contém níveis elevados de metais pesados


adsorvidos, esses podem ser lixiviados para os lençóis freáticos, por exemplo,
o que levaria a uma contaminação direta de possíveis fontes de águas
potáveis. No caso de águas contaminadas com metais pesados esses são
facilmente acumulados nos organismo da fauna marinha, como peixes por
exemplo. Logo o consumo de pescados nesse cenário levaria a um possível
envenenamento de seres humanos.

TOXICIDADE DE METAIS PESADOS

Agora que você já sabe quais as características básicas dos metais


pesados, sabe que eles são tóxicos e que por isso podem contaminar solos e
aportes aqüíferos resultando em conseqüências danosas para vida humana,
nessa seção continuaremos nosso estudo dando ênfase aos metais pesados
específicos; são eles: mercúrio, cádmio, chumbo e arsênio. Como
anteriormente explicado.

1 Mercúrio

O mercúrio à temperatura ambiente se apresenta no estado liquido,


característica marcante em relação aos demais metais. Como a pressão de
vapor do mercúrio é extremamente baixa esse se vaporiza facilmente,
tornando-se extremamente tóxico por inalação. No estado liquido se for
ingerido, esse pode facilmente ser eliminado pelo sistema excretor. Mas ao ser
inalado seu vapor, esse passa para a corrente sanguínea, e pode atravessar
facilmente a barreira sangue-cérebro, causando grandes danos ao sistema
nervoso central.
Por ser líquido e gozar das propriedades dos metais, como alta
condutividade térmica e elétrica esse é amplamente utilizado no cotidiano,
aplicações industriais e aplicações especiais.
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No cotidiano ressalta-se a utilização de lâmpadas fluorescente, que


apresentam vapor de mercúrio em seu bulbo. O vapor de mercúrio quando
excitado pela corrente elétrica emite comprimentos de luz no espectro visível,
simulando a luz branca, com baixo consumo de energia.
Como esse é um liquido a temperatura ambiente e apresenta um
coeficiente de dilatação linear, aproximadamente constante, em temperaturas
moderadas, é largamente utilizado em termômetros de precisão.
Na realidade industrial o mercúrio é lançado na atmosfera devido à
queima de óleos combustíveis e carvão mineral, que contem em sua
composição traços desse elemento. Outra fonte em potencial seria a
incineração de lixos, que contém baterias e outros compostos que contém ligas
metálicas. Esse metal quando na forma gasosa pode ser transportado por
longos percursos pelo ar até ser oxidado e entrar no ciclo do mercúrio, sendo
depositado na terra ou nos aportes aqüíferos.

Figura 8.3: ciclo do mercúrio no meio ambiente.


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No processo de obtenção de sódio metálica e cloro, numa planta


industrial de álcalis, utilizam grandes quantias de mercúrio na forma de
eletrodos. A reação a seguir exemplifica a química desse processo.

Na+(aq) + e-  Na ( em amálgama de Na/Hg)

O sódio metálico produzido forma uma amálgama com o mercúrio,


impedindo a reação com a água. Depois esse sódio é restituído, no estado
puro, ou na forma de hidróxido de sódio livre de impurezas. Mas, nesse
processo de recuperação do sódio, grandes quantias de mercúrio são vertidas
no rio que serve de fonte para água de refrigeração.
Uma das grandes aplicações do mercúrio metálico é na formação de
amalgamas metálicas. Nesse tipo de liga metálica o mercúrio pode se ligar a
outros metais, formando uma liga estável, e posteriormente o mercúrio pode
ser evaporado aquecendo-se a liga, restituindo completamente o metal que se
ligou ao mercúrio. Vale ressaltar que esse método foi amplamente utilizado no
garimpo de prata e ouro, pois formava-se amalgamas de mercúrio com prata
ou ouro, depois esses eram restituídos aquecendo-se a liga e evaporando todo
o mercúrio. Estima-se que para cada grama de prata extraída evapora-se um
grama de mercúrio no meio ambiente!
O uso de amalgamas em obturações
foi amplamente utilizado no passado.
Vapores de mercúrio poderia se desprender
dessas amálgamas, e acredita-se que
diversas doenças em seres humanos foram
devido ao uso desse material na odontologia.
Atualmente em alguns países da Europa, os
usos de amalgamas na dentição estão sendo gradativamente eliminado.
Principalmente em crianças e mulheres grávidas. Fonte:
http://www.sxc.hu/photo/480106, foto de: Maria Clara Moraes
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 Toxidade do metil mercúrio


O metil mercúrio, CH3Hg, é a forma mais tóxica do mercúrio. Se
observarmos o ciclo do mercúrio (figura 8.3) observamos que há a formação
dessa espécie nas águas e sedimentos pela ação bacteriana. O mercúrio
nessa forma pode ser mais facilmente bioacumulado, pois é lipossolúvel,
promovendo o drástico aumento da concentração desse metal no organismo
humano.
Nos sedimentos o CH3Hg é mais tóxico que o mercúrio inorgânico,
apesar de representar 1,5 % do metal total. Particulados ricos em Hg2+ são
transportados para o sedimento, onde o metal pode ser metilado por bactérias
sulfato-redutoras. Em adição à metilação, as bactérias presentes no sedimento
podem também desmetilar o metilmercúrio, via reação reversa. O balanço das
reações de metilação e desmetilação determina se um ambiente atuará como
fonte ou sumidouro de metilmercúrio.
A principal forma de exposição do homem ao CH3Hg dá-se através da
dieta, onde este é absorvido rapidamente e eliminado lentamente se
comparado às outras formas mercuriais. No entanto, o ar e a água,
dependendo do nível de concentração, podem contribuir significativamente
para o aumento do nível de Hg total no organismo humano. O CH3Hg, no corpo
humano, é considerado relativamente estável para a forma inorgânica. Nos
seres humanos, o CH3Hg tem um tempo de meia-vida biológico relativamente
longo, de 44 a 80 dias, e sua excreção ocorre via fezes, leite materno e urina.
A maior fonte de CH3Hg na alimentação está nos peixes, frutos do mar e
derivados. Na realidade brasileira a literatura apresenta vários trabalhos sobre
a concentração de Hg total em peixes no Brasil, sendo que para algumas
regiões os valores encontrados estão acima do valor permitido na legislação
brasileira.
O principal sintoma de intoxicação pelo CH3Hg é no sistema nervoso,
causando distúrbios visuais, distúrbio na capacidade de andar, insensibilidade
na pele, dor nos nervos, perda da audição, dificuldade na articulação das
palavras, deterioração mental, tremor muscular, distúrbio da motilidade e, nos
casos de exposição grave, paralisia e morte.
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A formação do CH3Hg ocorre por dois processos que metilam o mercúrio


inorgânico em um processo anaeróbico e outro aeróbico. Os processos
ocorrem por intermédio de processos biológicos e químicos. Os processos
biológicos ocorrem por atuação de bactérias e fungos, o químico por reações
de transmetilação, radiação UV e reação de ácido fúlvico e húmico.

Atividade 4
Argumente porque o metil mercúrio é mais tóxico que o dimetilmercúrio e o
mercúrio na forma iônica.
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O dimetimercúrio representando a seguir é um liquido muito volátil, pois


sua geometria o torna um composto apolar evaporado facilmente em águas
degaseificadas.

A menos que esse seja transformado para a forma de metilmercúrio, sob


condições ácidas, esse composto é fotodegradado, nas águas, gerando um
sumidouro de mercúrio. Além, de ser a potencial forma de mercúrio que passa
para a atmosfera, que e depois é transformado para mercúrio metálico. O metil
mercúrio é um cátion que não vive dissociado, ele vai estar na forma, por
exemplo, de cloreto ou hidróxido nas águas, dependendo do Ph. Tendo uma
alta solubilidade em água, e conseqüentemente um alto tempo de vida,
mantendo por mais tempo o mercúrio em contanto com a fauna aquática.
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Rodrigo e Elânio

H H

Hg Cl Hg OH
H H
H H

Cloreto de metilmercúrio Hidróxido de metilmercúrio

Já no organismo essa forma é bastante solúvel em lipídicos, pois possui


uma parte lipofílica caracterizada pela metila, podendo ser bioacumulado e
facilmente atravessar a barreira sangue cérebro, causando danos.
O mercúrio iônico, no ciclo do mercúrio, pode formar complexos
orgânicos ou inorgânicos, bem como sulfeto depositando-se em sedimentos,
caracterizando uma forma de sumidouro desse metal na água.

2 Cádmio

Quando falamos do metal cádmio sempre


pensamos nas baterias níquel-cádmio, que teve seu
uso extremamente potencializado, na ultima década,
devido às baterias de produtos portáteis.
Exemplificam-se notebooks, celulares, aparelhos de
som, entre outros similares. Se esses tipos de
eletrônicos forem descartados inadequadamente
podem torna-se uma potencial fonte de contaminação de cádmio. Em um lixão,
por exemplo, se forem queimados, haverá uma grande liberação desse metal
para o meio ambiente. A fusão industrial do zinco produz o cádmio como
subproduto, pois os dois metais estão normalmente juntos. É usual ocorrer
contaminação de cádmio nas áreas adjacentes as indústrias de obtenção
desses metais. Fonte: http://www.sxc.hu/photo/547697, foto de: Erkin
Sahin
Nas baterias por eletrodo de cádmio a corrente elétrica flui através do
eletrodo sólido de cádmio metálico dissolvendo-o parcialmente e formando
hidróxido de cádmio, Cd(OH)2, insolúvel, gerando corrente elétrica. A reação a
seguir exemplifica esse processo.
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Rodrigo e Elânio

Cd(s) + 2 OH-  Cd(OH)2(s) + 2e-

Nota-se que a formação de uma molécula de Cd(OH)2 a partir de um


átomo de cádmio gera 2 elétrons livre como corrente elétrica. Quando ocorre o
carregamento da bateria o processo inverso ocorre, gerando cádmio sólido a
partir do Cd(OH)2, acumulando, novamente energia.
Um grande uso de cádmio na esfera industrial é como pigmento, na
forma de sulfeto de cádmio, CdS e seleneto de cádmio, CdSe. Ambos são
largamente utilizados em pigmentos plásticos coloridos. Logo, é fácil
deduzirmos que o acumulo desse material em lixões, e posterior queima,
colocará grandes quantias desse metal no meio ambiente. Bem como a
inadequação do descarte de baterias tornam esses utensílios potenciais fontes
contaminantes de cádmio. Atualmente é proibido o descarte de baterias em
lixos comuns, mas a realidade brasileira é muito frágil na captação seleta de
lixos, gerando, fatalmente, aterros ou lixões com grandes quantias de baterias
níquel-cádmio dos mais variados tipos.
A maior fonte de contaminação por cádmio nos seres humanos provem
da dieta alimentar principalmente de batatas, trigos, arroz e outros cereais.
O cádmio está situado abaixo do zinco na tabela periódica e
conseqüentemente apresenta propriedades periódicas similares ao zinco.
Similarmente o cádmio será assimilado pelas plantas, assim como é o zinco
presente na água de irrigação. Os fertilizantes a base de fósforos pode conter
cádmio iônico contaminando o solo e aumento o teor de desse metal nos
cereais. Os lodos provenientes dos esgotos industriais também contém
grandes quantias desse metal adsorvido, elevando sua concentração no solo e
conseqüentemente nas plantas.

 Toxicidade do cádmio
A dose letal de cádmio é aproximadamente um grama, com uma
toxicidade aguda. Em doses menores, a metalotioneína que é rica em enxofre
e regula o funcionamento do zinco no organismo, protege os seres humanos,
pois complexa com o cádmio iônico e o insere no mecanismo de eliminação
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similar ao zinco no organismo. Se doses elevadas forem ingeridas,


aproximadamente maior que um grama, a capacidade de complexação da
metalotioneína é superado e o metal fica armazenado, principalmente, nos rins
e fígado. De fato o envenenamento por cádmio apresenta como sintomas
problemas nesse órgão.

3 Chumbo
O chumbo, Pb, é um metal pesado com interessante características
físicas e químicas, o que culminou em sua demasiada utilização, desde tempos
remotos. Ele é extremamente maleável, possui um baixo ponto de fusão (326
°C ), sendo facilmente moldado ao sabor da necessidade e conveniência. Além
disso, o chumbo apresenta uma alta resistência corrosiva quando exposto ao
ar e água. Na Roma antiga fazia-se muito uso desse metal, para diversas
finalidades, destacam-se: dutos de água, panelas e cálices, entre outros.
Nessa época utilizava-se o acetato de chumbo como um adoçante do vinho,
para retirar-lhe o sabor azedo.

Figura 8.4: Molécula de acetato de chumbo.

Na indústria o chumbo é utilizado para confecção de chapas, telhados e


isolamentos acústicos. Na medicina e na ciência serve como barreira protetora
de raios-X. Seu uso é extremamente difundido em armas de fogo como
projéteis balísticos.
O chumbo metálico, Pb0, não apresenta severos problemas ambientais.
Mas as suas duas formas iônicas Pb+2 e Pb+4 são extremamente tóxicas. A
espécie Pb+2 é a forma mais estável do chumbo iônico, formando ligações com
sulfetos, gerando a sua forma mineral Galena, do qual é extraído quase todo o
chumbo.
O chumbo metálico não reage com ácidos diluídos daí o seu intenso uso
em baterias de chumbo, largamente utilizados em veículos automotores.
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Rodrigo e Elânio

Mesmo na presença de ácido sulfúrico concentrado esse mantém uma


resistência a reação, podendo ser usado como eletrodos nessas baterias.
O chumbo foi, no passado, utilizado como um dos constituintes para
forma uma liga de solda para produtos enlatados. Os produtos enlatados
quando aberto expunha essa liga que continha chumbo ao oxigênio
atmosférico, oxidando-o a forma Pb+2 que era solúvel nos alimentos ácidos.

Pb0 + O2 + 4H+  2Pb+2 + 2H2O

Esse chumbo na forma iônica era um forte contaminante para os


alimentos ali armazenados e conseqüentemente para quem os consumia.
Similarmente os dutos antigos, que continham solda a base de chumbo,
podiam se dissolver em águas que tinham relativa acidez, gerando íons Pb +2
em águas de uso domésticos. E de fato o chumbo contido na água é mais
absorvido do que o chumbo dissolvido em alimentos.
Pigmentos a base de chumbo apresentam ampla utilização como
coloração amarela (PbCrO4); coloração vermelha (Pb3O4) que é resistente a
corrosão; o chumbo branco (Pb3(CO3)2(OH)2); esse último encontrou um
grande substituto no TiO2 e esses pigmentos são utilizados em embalagens de
alimentos e ilustração de gravuras.
Já o íon Pb+4 só é gerado em ambiente altamente oxidantes gerando o
óxido PbO2, que é iônico e compõem os óxidos mistos de chumbo Pb 2O3 e
Pb3O4 (PbO + Pb2O3). Esses óxidos mistos são conhecidos como chumbo
vermelho, e são utilizados na fabricação de tintas, especialmente para pintura
de ferro, pois é altamente resistente a corrosão e forma uma camada protetora
no metal que for aplicado.
Na bateria de chumbo o íons Pb+4 é convertido a íons Pb+2 gerando
energia elétrica.

Pb(s) + SO4-2  PbSO4(S) + 2e-


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O chumbo, que compõe o eletrodo, se oxida a íon chumbo bivalente,


Pb+2, cedendo 2 elétrons ao meio, e gerando energia elétrica.
Outro eletrodo de PbO2 adquire dois elétrons convertendo Pb+4 para
Pb+2 na forma de sulfato.

PbO2(s) + SO4-2  PbSO4(S) + 2H2O(liq)

A reação global nessas duas semi-celas é:


Pb(S) + PbO2(S) + 2H2SO4(aq) 2PbSO4(S) + 2H2O(liq)

No processo inverso a reação acumula novamente energia, carregando


a bateria, e regenerando o chumbo metálico. Por esse motivo as baterias a
base de chumbo são seladas e seu descarte deve ser feito de maneira
adequada. Atualmente é pedida, na maioria das vezes, a compra da bateria
antiga.
O tetraetilchumbo foi muito utilizado no passado como aditivo para
gasolina. Esse aumentava a octanagem da gasolina e a queima de gasolina
com esse aditivo era uma poderosa fonte de contaminação por esse metal.

CH 3
H 2C
H 3C
C Pb CH 3
H2 C
H2
H2 C

CH 3

Figura 8.5: molécula de tetraetilchumbo

 Toxicidade do chumbo

O chumbo na forma de Pb+2 é extremamente venenoso aos sistemas


metabólicos nos seres humanos. O tetraetilchumbo foi o grande vilão que
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contribuiu para uma grande quantia de chumbo no ar, já que esse composto
tem baixa volatilidade.
Os grupos humanos de maior risco a exposição de chumbo são os fetos
e as crianças menores que sete anos de idade. Pois esses absorvem um
percentual de chumbo maior em sua dieta. No caso das gestantes o metal
apresenta facilidade em atravessar a placenta e passa para o feto em
formação. No passado verificou-se um excesso de abortos e partos de crianças
mortas em gestantes que eram expostas a esse metal.
Nas crianças, o chumbo promove uma deficiência no desenvolvimento
cerebral podendo gerar pequenas lesões neurofisiológicas.

Atividade 5
Porque a água potável “dura” é menos suscetível a contaminação por
chumbo do que a potável água “mole”, quando passa por dutos feitos com
chumbo em sua composição?
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A água dura, diferentemente da água mole, apresenta consideráveis


quantias de carbonatos de cálcio e magnésio. O carbonato, CO 3-2, reage com o
mercúrio, Pb+2, que é formado por oxidação do Pb0, gerando o carbonato de
mercúrio, PbCO3. Esse carbonato é insolúvel em água e forma um depósito em
forma de filme no interior dos dutos, protegendo o mercúrio metálico de
ataques químicos que possam levá-los a forma iônica. Esse processo de
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formação de um fino filme de carbonato será diminuído se a água for mole, pois
contém baixos índices de carbonato.

4 Arsênio

Compostos formados por arsênio são extremamente tóxicos e compõem


uma série de venenos ao seres humanos. Esses, compostos, tiveram grande
aplicabilidade em pesticidas antes de esses serem substituídos por pesticidas
orgânicos.
As fontes de contaminação de arsênio no meio ambiente provem do uso
de pesticidas e da mineração e fundição de metais, como ouro, níquel, cobre e
chumbo. Assim como o mercúrio, esse pode ser lançado à atmosfera pela
queima de carvão mineral, pois há traços desse metal nesse combustível.
Águas de origens subterrâneas são uma das principais fontes de
ingestão de arsênio nos seres humanos. Em muitos alimentos há a presença
de traços desse metal.

 Toxicidade do arsênio

A ingestão de arsênio é extremamente carcinogênica aos seres


humanos, pois se for ingerido pode causar câncer de pele e fígado e,
possivelmente, câncer da bexiga e rins. Se alguma forma volátil ou dispersa no
ar, de arsênio, for inalado pode causar câncer nos pulmões. Especula-se que a
presença de arsênio no ar junto com a fumaça de cigarro aumente
potencialmente o risco de câncer nos pulmões. Essa atuação ocorre em
processo sinérgico onde os dois fatores somados são extremamente maiores
do que os fatores individuais.

Conclusão
Nesta aula pudemos estudar como os metais pesados se apresentam
para a sociedade e seus efeitos no meio ambiente. Abordamos técnicas de
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recuperação de ambientes contaminados, usando, principalmente, agentes


quelantes bidentados e estudamos o caso de contaminação.
Vale ressaltar que entender estes elementos é de extrema importância
para saber usá-los e posteriormente tratá-los de maneira adequada, traz
benefícios tanto ao meio ambiente quanto à saúde humana, pois vimos que
alguns elementos se acumulam desde a base da cadeia alimentar e que
também nem todos os elementos são necessários ao funcionamento do nosso
organismo e os que são necessários, se estiverem em elevadas concentrações
se tornam tóxicos.

ATIVIDADE FINAL
Proponha duas moléculas para sequestrar metais pesados, usando as
aminas e sais de ácidos carboxílicos como grupos funcionais.
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Resposta comentada:
Como aprendido nesta aula, agentes complexantes de metais pesados
apresentam, normalmente, dois grupos funcionais por molécula. Ademais,
estes grupos estão localizados em carbonos próximos ou em estruturas
moleculares flexíveis, de modo a permitir a aproxiação dos grupos quelantes.
Abaixo apresentamos duas estruturas para possíveis pegadores de cátions
metálicos. Observe que em um caso a molécula é mais rígida, porém os grupos
quelantes estão próximos; no segundo caso, a estrutura é flexível, permitindo
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aproximação dos grupos funcionais responsáveis pela interação eletrostática


com os cátions metálicos.
NH2 NH2

NH2

O O

-O
O-