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Grafos - Uma Introdu¸ c˜ ao
Samuel Jurkiewicz
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Sobre o Autor
Samuel Jurkiewicz ´ e carioca e Doutor em Matem´ atica pela Univer-
sidade Pierre et Marie, em Paris. Atualmente ´ e professor da Es-
cola de Engenharia da UFRJ. J´ a atuou como docente em todos os
n´ıveis, inclusive no pr ´ e-escolar. Al ´ em do ensino de graduac¸ ˜ ao e
p ´ os-graduac¸ ˜ ao, tem desenvolvido atividades junto a professores e
alunos do Ensino M´ edio atrav´ es de oficinas de Matem´ atica Discreta.
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Sum´ ario
1 O que ´ e um Grafo ? 5
1.1 Primeiras Noc¸ ˜ oes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.2 Grau de um V´ ertice . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
1.3 Nosso Primeiro Resultado . . . . . . . . . . . . . . . . 10
1.4 Alguns Problemas com as Definic¸ ˜ oes . . . . . . . . . . 11
1.5 Isomorfismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
1.6 Outras Definic¸ ˜ oes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.7 Tipos Especiais de Grafos . . . . . . . . . . . . . . . . 18
1.8 Representac¸ ˜ ao por Matrizes . . . . . . . . . . . . . . . 23
2 Ciclos e Caminhos 29
2.1 Conexidade Outra Vez . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
2.2 O Problema do Menor Caminho . . . . . . . . . . . . 32
Algoritmos e Computadores . . . . . . . . . . . . . . . 32
Qual o Menor Caminho at ´ e a Escola ? . . . . . . . . . 33
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SUM
´
ARIO iii
3 Mais Ciclos e mais Caminhos 47
3.1 Euler e as Pontes de K¨ oenisberg . . . . . . . . . . . . . 47
Esse Problema ´ e Importante? . . . . . . . . . . . . . . 49
3.2 Estrutura de Dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
3.3 Grafos Eulerianos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
3.4 O Problema Chin ˆ es do Carteiro . . . . . . . . . . . . . 59
3.5 Grafos e Ciclos Hamiltonianos . . . . . . . . . . . . . 60
3.6 O Problema do Caixeiro Viajante- PCV . . . . . . . . . 61
3.7 Uma Palavra sobre Complexidade . . . . . . . . . . . 64
4
´
Arvores 69
4.1 Definic¸ ˜ oes e Caracterizac¸ ˜ oes . . . . . . . . . . . . . . . 69
4.2
´
Arvores Geradoras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
O Problema de Conex˜ ao de Peso M´ınimo . . . . . . . 71
5 Subconjuntos Especiais de um Grafo 76
5.1 Conjuntos Independentes . . . . . . . . . . . . . . . . 76
5.2 Colorac¸ ˜ ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78
5.3 Aplicac¸ ˜ oes de Colorac¸ ˜ ao . . . . . . . . . . . . . . . . . 80
5.4 Cliques . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86
5.5 Acoplamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86
5.6 Acoplamentos em Grafos Bipartidos . . . . . . . . . . 88
5.7 Colorac¸ ˜ ao de Arestas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89
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iv SUM
´
ARIO
5.8 Outros Subconjuntos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95
6 Grafos Planares 97
6.1 Definic¸ ˜ oes e Resultados Simples . . . . . . . . . . . . 97
6.2 Teorema de Kuratowski . . . . . . . . . . . . . . . . . 101
6.3 Dualidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102
6.4 O Problema das 4 Cores . . . . . . . . . . . . . . . . . 103
´
Indice 112
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Introdu¸ c˜ ao
O leitor seria capaz de desenhar a figura 1 abaixo sem tirar o
l ´ apis do papel ? Tem que ir de ponto a ponto e n ˜ ao pode passar pela
mesma linha duas vezes.
A
B
C
D
E
Figura 1
Foi f´ acil? Experimente agora comec¸ar pelo ponto B.
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2 SUM
´
ARIO
Bem, esse problema ´ e importante? Pensemos numa pequena
cidade com pequeno orc¸amento. O servic¸o de recolhimento de lixo
´ e feito por um pequeno caminh ˜ ao. Queremos evitar o desperd´ıcio;
uma boa id ´ eia seria fazer o caminh ˜ ao passar uma ´ unica vez por cada
rua e retornar ao ponto de partida. Na verdade, ´ e o mesmo proble-
ma.
Um outro problema que propomos ` as crianc¸as para que se aqui-
etem ´ e o seguinte: temos que ligar Luz, G´ as e Telefone a tr ˆ es casas
sem que as linhas se cruzem. Vocˆ e j´ a tentou? (veja a figura 2)
casa 1
casa 2
casa 3
L
G
T
Figura 2
Outra vez, cabe a pergunta: esse problema ´ e importante? Pense-
mos ent ˜ ao numa f´ abrica de placas de circuito integrado. Encontrar
esquemas de ligac¸ ˜ ao que evitem cruzamento ´ e crucial para baratear
os custos de manufatura; quanto menos camadas, mais r ´ apido e
rent ´ avel se torna o servic¸o.
Nos dois casos s ´ o nos interessou considerar um conjunto de pon-
tos e um conjunto de ligac¸ ˜ oes entre eles.
´
E a essa estrutura que
chamamos grafo.
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SUM
´
ARIO 3
Estas notas tratam da Teoria dos Grafos - uma modesta
introduc¸ ˜ ao. Desde o s´ eculo XVIII at ´ e nossos dias essa teoria tem
conhecido extraordin ´ ario desenvolvimento te ´ orico e aplicado. Ado-
tamos ent ˜ ao a pr ´ atica de introduzir alguns temas gerais que dessem
uma pequena id ´ eia da variedade de abordagens e problemas que
ela pode oferecer. Certamente, muito ficou para depois. O que es-
peramos ´ e que ao final o leitor tenha se convencido da utilidade dos
conceitos e processos apresentados, mas guardamos o secreto desejo
de que o aspecto l ´ udico dos grafos o contaminem com o que costu-
mamos chamar de ”graphical desease”, ou melhor, traduzindo, a
febre dos grafos.
Uma observac¸ ˜ ao: sendo essa uma primeira abordagem da teo-
ria dos grafos, tratamos aqui apenas de grafos sem orientac¸ ˜ ao. A
intenc¸ ˜ ao foi apresentar os conceitos da forma mais simplificada
poss´ıvel. Para o leitor interessado, a bibliografia contempla grafos
com orientac¸ ˜ ao.
Cada cap´ıtulo ´ e acompanhado de exerc´ıcios, sem a soluc¸ ˜ ao,
preferimos deixar o prazer desta tarefa ao leitor. A bibliografia ao
fim das notas ´ e mais do que suficiente para adquirir um conheci-
mento razo´ avel de teoria dos grafos, e inclui trabalhos de n´ıvel di-
versificado.
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4 SUM
´
ARIO
Enfim, deve haver erros; as cr´ıticas (construtivas, por favor) s ˜ ao
bem vindas.
Esperamos que apreciem estas notas.
Samuel Jurkiewicz
Escola de Engenharia/ UFRJ - Departamento de Engenharia Indus-
trial
COPPE/ UFRJ - Programa de Engenharia de Produc¸ ˜ ao
jurki@pep.ufrj.br
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Cap´ıtulo 1
O que ´ e um Grafo ?
1.1 Primeiras No¸ c˜ oes
Numa escola algumas turmas resolveram realizar um torneio
de v ˆ olei. Participam do torneio as turmas 6A, 6B, 7A, 7B, 8A e 8B.
Alguns jogos foram realizados at ´ e agora:
6A jogou com 7A, 7B, 8B
6B jogou com 7A, 8A, 8B
7A jogou com 6A, 6B
7B jogou com 6A, 8A, 8B
8A jogou com 6B, 7B, 8B
8B jogou com 6A, 6B, 7B, 8A
Mas ser ´ a que isto est ´ a correto ? Pode ter havido um erro na
listagem. Uma maneira de representar a situac¸ ˜ ao atrav´ es de uma
figura as turmas ser ˜ ao representadas por pontos e os jogos ser ˜ ao
5
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6 CAP. 1: O QUE
´
E UM GRAFO ?
representados por linhas.
6A
6B
7A
7B
8A
8B
Figura 1.1: Grafo do Campeonato de Vˆ olei
N˜ ao ´ e dif´ıcil agora constatar a consist ˆ encia das informac¸ ˜ oes. A
estrutura que acabamos de conhecer ´ e um grafo. Apresentamos
duas formas de representar esta estrutura
• Por uma lista, dizendo quem se relaciona com quem.
• Por um desenho, isto ´ e, uma representac¸ ˜ ao gr ´ afica.
Qual ´ e a forma correta? As duas s ˜ ao corretas. A estrutura
“grafo”admite v ´ arias maneiras de ser representada. Isso n ˜ ao ´ e novi-
dade: a palavra “dois”e o s´ımbolo “2” representam o mesmo con-
ceito matem´ atico.
Para que um grafo fique bem definido temos que ter dois con-
juntos:
• O conjunto V , dos v´ ertices - no nosso exemplo, o conjunto das
turmas.
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SEC. 1.2: GRAU DE UM V
´
ERTICE 7
• O conjunto A, das arestas - no nosso exemplo, os jogos realiza-
dos.
Em outra palavras, o que nos interessa num grafo ´ e:
• Quem s ˜ ao os v´ ertices.
• Que pares de v´ ertices est ˜ ao ligados e quais n ˜ ao est ˜ ao (isto ´ e,
quem s ˜ ao as arestas).
Quando existe uma aresta ligando dois v´ ertices dizemos que os
v´ ertices s ˜ ao adjacentes e que a aresta ´ e incidente aos v´ ertices. No
nosso exemplo podemos representar o grafo de forma sucinta como:
V = ¦6A; 6B; 7A; 7B; 8A; 8B¦
A = ¦(6A; 7A); (6A; 7B); (6A; 8B); (6B; 7A); (6B; 8A); (6B; 8B); (7B; 8A);
(7B; 8B); (8A; 8B)¦
Observe que n ˜ ao precisamos colocar (8A; 7B) no conjunto de
arestas pois j´ a t´ınhamos colocado (7B; 8A).
O n ´ umero de v´ ertices ser ´ a simbolizado por [V [ ou pela letra n.
O n ´ umero de arestas ser ´ a simbolizado por [A[ ou pela letra m.
No nosso exemplo n = 6 e m = 9.
1.2 Grau de um V´ ertice
No nosso exemplo vimos que cada turma jogou um n ´ umero dife-
rente de jogos:
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8 CAP. 1: O QUE
´
E UM GRAFO ?
6A jogou 3 jogos
6B jogou 3 jogos
7A jogou 2 jogos
7B jogou 3 jogos
8A jogou 3 jogos
8B jogou 4 jogos
Por isso, no nosso desenho, o v´ ertice 6A tem 3 arestas ligadas a
ele, o v´ ertice A7 tem 2 arestas ligadas a ele e assim por diante.
Dizemos que estas arestas s ˜ ao incidentes ao v´ ertice. O n ´ umero
de vezes que as arestas incidem sobre o v´ ertice v ´ e chamado grau
do v´ ertice v, simbolizado por d(v). No nosso exemplo, d(6A) = 3;
d(7A) = 2.
Exerc´ıcios
1. Usando o grafo do campeonato:
(a) Dˆ e o grau de cada um dos v´ ertices
(b) Qual a soma de todos os graus ?
(c) Qual o n ´ umero de arestas ?
(d) O que vocˆ e observou ? Ser ´ a coincid ˆ encia ?
2. Fac¸a o mesmo exerc´ıcio anterior usando os grafos da figura 1.2:
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SEC. 1.2: GRAU DE UM V
´
ERTICE 9




Figura 1.2:
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10 CAP. 1: O QUE
´
E UM GRAFO ?
1.3 Nosso Primeiro Resultado
No exerc´ıcio anterior voce deve ter observado que a soma dos graus
de um grafo ´ e sempre o dobro do n ´ umero de arestas (e isso n ˜ ao deve
ser coincid ˆ encia...). Isso pode ser escrito em linguagem matem´ atica.
Para isso, denotaremos um grafo pela letra G e representaremos
por V (G) e A(G) respectivamente, os conjuntos de v´ ertices e das
arestas de G.
Teorema. Para todo grafo G

v∈V (G)
d(v) = 2 m
Isto ´ e: ”A soma dos graus dos v´ ertices de um grafo ´ e sempre o dobro do
n ´ umero de arestas“.
Demonstra¸ c˜ ao. Quando contamos os graus dos v´ ertices estamos con-
tando as extremidades das arestas uma vez. Como cada aresta tem
duas extremidades, cada aresta foi contada duas vezes.
Corol ´ ario. Todo grafo G possui um n ´ umero par de v´ ertices de grau ´ımpar.
Demonstra¸ c˜ ao. Se tiv´ essemos um n ´ umero ´ımpar de v´ ertices de grau
´ımpar a soma dos graus seria ´ımpar. Mas a soma dos graus ´ e o dobro
do n ´ umero de arestas e, portanto ´ e um n ´ umero par.
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SEC. 1.4: ALGUNS PROBLEMAS COM AS DEFINIC¸
˜
OES 11
1.4 Alguns Problemas com as Defini ¸ c˜ oes
Algumas perguntas acerca das definic¸ ˜ oes podem nos deixar atrapa-
lhados. Vamos examinar algumas.
• Uma aresta pode ligar um v´ ertice a ele mesmo ?
Pode.
´
E o que chamamos de la¸ co (veja figura 1.3). Por
exemplo, vamos construir o grafo em que V = ¦2, 3, 4, 5, 6¦ e
dois v´ ertices ser ˜ ao ligados quando tiverem um divisor comum
(diferente de 1).
Figura 1.3: Grafo com lac¸os
Pela definic¸ ˜ ao do grafo vemos que o 5 n ˜ ao est ´ a ligado a ne-
nhum outro v´ ertice mas tem um lac¸o (como ali ´ as todos os ou-
tros v´ ertices deste grafo). Para haver coer ˆ encia com os resulta-
dos da sec¸ ˜ ao anterior, temos que contar o lac¸o duas vezes (uma
para cada extremidade) quando calcularmos o grau do v´ ertice.
No nosso exemplo:
d(2) = 4; d(3) = 3; d(4) = 4; d(5) = 2; d(6) = 5.
e o teorema continua valendo.
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Estilo OBMEP
12 CAP. 1: O QUE
´
E UM GRAFO ?
• Dois v´ ertices podem estar ligados por mais de uma aresta ?
Podem. Neste caso usamos o nome especial de multi-
grafo(veja figura 1.4). Um exemplo que veremos adiante re-
sulta no seguinte grafo:
Figura 1.4: Multigrafo (com arestas m ´ ultiplas)
Grafos sem lac¸os ou arestas m ´ ultiplas s ˜ ao chamados de grafos
simples. Neste texto estaremos trabalhando quase sempre
com grafos simples.
• A figura 1.5 mostra um grafo ou dois grafos ?
Figura 1.5: Um grafo ou dois ?
Depende da situac¸ ˜ ao. Em princ´ıpio parecem dois grafos dis-
tintos, e podemos consider ´ a-los assim. Mas podemos pensar
que esse grafo representa as ligac¸ ˜ oes entre casas de uma cidade
onde passa um rio (veja figura a seguir).
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Estilo OBMEP
SEC. 1.5: ISOMORFISMO 13
Figura 1.6:
Se as pontes forem destru´ıdas em um temporal a cidade ainda
´ e uma s ´ o, apenas foi desconectada. O grafo da figura 1.5
poderia ser o que chamamos de grafo desconexo. Essa ´ e uma
noc¸ ˜ ao importante e voltaremos a ela algumas vezes. Cada
parte conexa do grafo (no nosso exemplo o ”quadrado“ e
o ”tri ˆ angulo“) ´ e chamada de componente conexa do grafo.
Dizemos que um grafo ´ e conexo se qualquer par de pontos
´ e ligado por ao menos um caminho.
1.5 Isomorfismo
Observe o grafo mostrado na figura adiante.
Verifique que a situac¸ ˜ ao representada ´ e exatamente a mesma do
grafo inicial do campeonato. Apenas nesse caso procuramos fazer o
desenho de forma a n ˜ ao haver pontos comuns entre as arestas (fora
dos v´ ertices, ´ e claro). Quando dois grafos representam a mesma
situac¸ ˜ ao dizemos que eles s ˜ ao grafos isomorfos.
Esse conceito ` as vezes gera pol ˆ emica.
´
E o mesmo grafo ou
n ˜ ao? Claramente as caracter´ısticas de um e de outro s ˜ ao as mes-
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Estilo OBMEP
14 CAP. 1: O QUE
´
E UM GRAFO ?
6A
6B
7A
7B
8A
8B
Figura 1.7:
mas (graus, n ´ umero de arestas e outras que veremos mais tarde). E
na verdade esta n ˜ ao ´ e uma quest ˜ ao realmente importante. O essen-
cial ´ e saber discernir quando dois grafos s ˜ ao isomorfos ou n ˜ ao. Para
isso vamos usar uma definic¸ ˜ ao t ´ ecnica.
Dois grafos G
1
e G
2
s ˜ ao ditos isomorfos se existe uma
correspond ˆ encia 1-a-1 entre seus conjuntos de v´ ertices que preserve
as adjacˆ encias.
Vejamos um exemplo:
a
b
c
d
w
x
y
z
Figura 1.8:
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SEC. 1.5: ISOMORFISMO 15
Vamos estabelecer uma correspond ˆ encia 1−1 entre os conjuntos
de v´ ertices:
f : a −w
b −x
c −z
d −y
Esta func¸ ˜ ao funciona perfeitamente. Se tomarmos uma aresta
no primeiro grafo (digamos (a; d)) a func¸ ˜ ao far ´ a a correspond ˆ encia
com (w; y) que ´ e uma aresta no segundo grafo. Se tomarmos dois
v´ ertices que n ˜ ao s ˜ ao ligados por uma aresta (digamos a e c) a func¸ ˜ ao
far ´ a corresponder dois v´ ertices (w e z) que tamb´ em n ˜ ao s ˜ ao ligados.
Exerc´ıcios
1. Verifique que a correspond ˆ encia a seguir n ˜ ao serve para
mostrar o isomorfismo dos grafos da firgura 1.8.
SUGEST ˜ AO: Tome dois v´ ertices que n ˜ ao sejam ligados, fac¸a a
correspond ˆ encia e veja o que acontece.
f : a −x
b −y
c −z
d −w
2. Mostre que os pares de grafos da figura 1.9 e 1.10 s ˜ ao isomor-
fos:
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Estilo OBMEP
16 CAP. 1: O QUE
´
E UM GRAFO ?
v
Figura 1.9:
Figura 1.10:
3. Mostre que os grafos 1.11 e 1.12 n ˜ ao s ˜ ao isomorfos:
Figura 1.11:
Figura 1.12:
1.6 Outras Defini ¸ c˜ oes
O conjunto de v´ ertices adjacentes a v ´ e chamado vizinhan¸ ca aberta
de v, denotado por N(v). A vizinhan¸ ca fechada de v ´ e denotada
e definida por N[v] = N(v) ∪ ¦v¦, isto ´ e, inclui a vizinhanc¸a e o
pr ´ oprio v´ ertice. Podemos estender esta definic¸ ˜ ao para conjuntos de
v´ ertices (N(S)eN[S]). Por exemplo, no grafo do campeonato temos
N(7B) = ¦6A; 8A; 8B¦ e N[7B] = ¦6A; 7B; 8A; 8B¦.
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SEC. 1.6: OUTRAS DEFINIC¸
˜
OES 17
Um v´ ertice de grau 0 ´ e dito isolado; um v´ ertice de grau 1 ´ e dito
pendente. A seq ¨ uˆ encia de graus de um grafo ´ e a seq ¨ u ˆ encia n ˜ ao
crescente formada pelos graus dos v´ ertices dos grafos. Por exemplo,
a seq ¨ u ˆ encia de graus do grafo do campeonato ´ e (4, 3, 3, 3, 3, 2).
O menor grau de um v´ ertice em G ´ e o grau m´ınimo, denotado
δ(G), e o maior ´ e o grau m´ aximo, denotado Δ(G). No caso do
campeonato temos Δ(G) = 4 e δ(G) = 2.
G

´ e dito um subgrafo de G se V (G

) ⊆ V (G) e A(G

) ⊆ A(G).
Na figura a seguir, o grafo G

´ e um subgrafo de G. O grafo G” ´ e dito
um subgrafo induzido pelo subconjunto ¦a, b, c, d¦ de V (G), pois to-
das as arestas incidentes aos v´ ertices de a,b,c,d em Gest ˜ ao presentes
em G”(veja a figura 1.13).
d
a
b
c
e
d
a
b
c
e
d
a
b
c
e
G
G’
G”
Figura 1.13:
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18 CAP. 1: O QUE
´
E UM GRAFO ?
1.7 Tipos Especiais de Grafos
• Grafo completo
Imagine o grafo do campeonato quando todos os jogos tiverem
sido jogados. Ele ficaria com o aspecto da 1.14:
6A
6B
7A
7B
8A
8B
Figura 1.14: O grafo completo K
6
Isto ´ e o que chamamos um grafo completo. Um grafo com-
pleto ´ e definido como um grafo onde todo par de v´ ertices ´ e
ligado por uma aresta. Um grafo completo com n v´ ertices ´ e
denotado por K
n
(O nosso exemplo ´ e K
6
).
Exerc´ıcios
1. Quantas arestas tem K
7
? e K
12
? e K
n
?
2. Quantos v´ ertices um grafo simples precisa ter para poder
ter 200 arestas?
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SEC. 1.7: TIPOS ESPECIAIS DE GRAFOS 19
• Grafo complementar (veja figura 1.15)
Imagine agora que temos o grafo do campeonato e queremos
fazer o grafo dos jogos que faltam. Far´ıamos um grafo com o
mesmo conjunto de v´ ertices mas com as arestas que faltam no
grafo original. Veja a figura.
6A
6B
7A
7
B
8A
8B
6A
6B
7A
7
B
8A
8B
Figura 1.15: Dois grafos complementares
Chamamos este grafo de grafo complementar do grafo G,
denotado por G.
´
E f´ acil perceber que V (G) = V (G) e que
A(G) ∪ A(G) inclui todas as arestas de G.
• Grafo nulo ou vazio (figura 1.16)
Um grafo G ´ e nulo ou vazio quando o conjunto de arestas
A(G) ´ e vazio.
Por exemplo, antes de comec¸ar o campeonato nenhum jogo
havia sido jogado. Nosso grafo ficaria como na figura 1.16:
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Estilo OBMEP
20 CAP. 1: O QUE
´
E UM GRAFO ?
6A
6B
7A
7B
8A
8B
Figura 1.16: Grafo nulo ou vazio
• Grafo regular (figura 1.17)
Um grafo ´ e regular (de grau k, ou ainda k-regular) quando
todos os seus v´ ertices t ˆ em o mesmo grau (k). A figura 1.17
mostra um grafo 3-regular, isto ´ e, todos os v´ ertices tem grau 3.
Figura 1.17: Um grafo k-regular de grau 3
• Ciclo (figura 1.18)
Um ciclo ´ e um grafo conexo regular de grau 2. A notac¸ ˜ ao ´ e C
n
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Estilo OBMEP
SEC. 1.7: TIPOS ESPECIAIS DE GRAFOS 21
Figura 1.18: Exemplos de ciclo: C
5
e C
6
• Caminho (figura 1.19)
Um caminho ´ e um ciclo do qual retiramos uma aresta. O com-
primento do caminho ´ e dado pelo n ´ umero de arestas (o que
faz sentido: ´ e o n ´ umero de ”passos“ que gastamos para per-
correr o caminho). Assim, o caminho P
n
´ e obtido retirando
uma aresta do ciclo C
n+1
.
Figura 1.19: Exemplos de caminho: P
4
e P
5

´
Arvores (figura 1.20)
Uma ´ arvore ´ e um grafo conexo sem ciclos como subgrafos.
Note que o fato de n ˜ ao ter ciclos faz com que a ´ arvore seja a
maneira mais ”econ ˆ omica“ de conectar os v´ ertices. As ´ arvores
formam uma fam´ılia importante de grafos e voltaremos a elas
mais tarde.
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Estilo OBMEP
22 CAP. 1: O QUE
´
E UM GRAFO ?
Figura 1.20: Exemplos de ´ arvores
• Grafos bipartidos (figura 1.21)
´
E um grafo em que o conjunto V de v´ ertices pode ser parti-
cionado em dois subconjuntos disjuntos V
1
e V
2
tal que toda
aresta de G tem uma extremidade em V
1
e outra em V
2
. O sub-
conjunto V
1
´ e dito um subconjunto independente de v´ ertices
do grafo G pois n ˜ ao h ´ a arestas ligando dois v´ ertices de V
1
.
Temos tamb´ em que V
2
´ e um subconjunto independente de
v´ ertices de G.
Figura 1.21: Grafo bipartido
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2008/ 6/ 23
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Estilo OBMEP
SEC. 1.8: REPRESENTAC¸
˜
AO POR MATRIZES 23
• Grafos bipartidos completos - Nota¸ c˜ ao K
p,q
(figura 1.22).
´
E um grafo bipartido em que todos os v´ ertices de V
1
s ˜ ao liga-
dos a todos os v´ ertices de V
2
.
Figura 1.22: Grafo bipartido completo K
2,4
1.8 Representa¸ c˜ ao por Matrizes
Matrizes ´ e um assunto t´ıpico do ensino m´ edio mas o que
mostraremos aqui pode ser entendido por todos. Uma das formas
mais comuns de ”informar“ uma estrutura de grafo para um com-
putador ´ e atrav´ es de matrizes. Uma matriz nada mais ´ e do que uma
tabela com linhas e colunas. Um exemplo bastante conhecido ´ e a
tabuada:
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Estilo OBMEP
24 CAP. 1: O QUE
´
E UM GRAFO ?
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
2 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18
3 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27
4 0 4 8 12 16 20 24 28 32 36
5 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45
6 0 6 12 18 24 30 36 42 48 54
7 0 7 14 21 28 35 42 49 56 63
8 0 8 16 24 32 40 48 56 64 72
9 0 9 18 27 36 45 54 63 72 81
Se quisermos saber o valor de 3 5 procuramos o valor na linha
do 3 e na coluna do 5, isto ´ e 15.
Mas as matrizes t ˆ em outras utilidades. No caso dos grafos elas
podem ser usadas na representac¸ ˜ ao de v ´ arias formas. Eis algumas
delas. Exemplificaremos com as representac¸ ˜ oes do grafo a seguir:
a
b c
d
Figura 1.23:
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Estilo OBMEP
SEC. 1.8: REPRESENTAC¸
˜
AO POR MATRIZES 25
• Matriz de adjacˆ encia - ´ e a matriz definida por
x
ij
=

1 se ij ∈ A(G)
0 se ij / ∈ A(G)
No exemplo da figura 1.23, a matriz de adjacˆ encia ´ e:
0 1 1 1
1 0 1 0
1 1 0 1
1 0 1 0
• Matriz de incid ˆ encia - ´ e a matriz n m definida por
x
ij
=

1 se a aresta e
j
´ e incidente em v
i
0 caso contr ´ ario
No exemplo da figura 1.23 a matriz de incid ˆ encia ´ e:
ab ac ad bc cd
a 1 1 1 0 0
b 1 0 0 1 0
c 0 1 0 1 1
d 0 0 1 0 1
Exerc´ıcios
1. Qual o grafo complementar do grafo desconexo formado por
duas componentes conexas isomorfas a K
3
e K
7
?
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Estilo OBMEP
26 CAP. 1: O QUE
´
E UM GRAFO ?
2. Qual o grafo complementar do grafo desconexo formado por
duas componentes conexas isomorfas a K
r
e K
s
?
3. Mostre que um grafo G ´ e deconexo ent ˜ ao seu complementar G
tem um subgrafo bipartido completo. Mostre que a rec´ıproca
n ˜ ao ´ e verdadeira.
4. Mostre que as seq ¨ u ˆ encias (9,8,7,6,5,5,4,3,3) e (7,7, 7,6,5,4,3,2)
n ˜ ao correspondem a seq ¨ u ˆ encias de graus de nenhum grafo.
5. Mostre que a seq ¨ u ˆ encia (3, 3, 3, 3, 3, 3) corresponde a pelo
menos dois grafos n ˜ ao isomorfos.
6. Mostre que uma mesma seq ¨ u ˆ encia pode corresponder a grafos
n ˜ ao isomorfos.
7. Prove que δ ≤
2.m
n
≤ Δ.
8. Mostre que em um grafo bipartido m ≤
n
2
4
.
9. (a) Mostre que se G ´ e conexo, ent ˜ ao m ≥ n −1.
(b) Mostre que a rec´ıproca n ˜ ao ´ e verdadeira.
(c) Qual o menor valor de m que garante que G ´ e conexo?
10. Desenhe uma representac¸ ˜ ao do grafo cuja matriz de adjacˆ encia
´ e:
0 1 0 1 1
1 0 1 1 0
0 1 0 1 0
1 1 1 0 1
1 0 0 1 0
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Estilo OBMEP
SEC. 1.8: REPRESENTAC¸
˜
AO POR MATRIZES 27
11. Um grafo ´ e auto-complementar se for isomorfo ao seu comple-
mento. Mostre que se G ´ e auto-complementar, ent ˜ ao n = 4k
ou n = 4.k + 1 para algum k inteiro.
12. O grafo de linha ou grafo adjunto, notac¸ ˜ ao L(G) , ´ e o grafo
cujos v´ ertices est ˜ ao em correspond ˆ encia 1 a 1 com as arestas
de Ge cujas arestas ligam v´ ertices que correspondem a arestas
incidentes em G.
(a) Mostre que L(K
3
) = L(K
1,3
).
(b) Mostre que se G ´ e regular de grau k, L(G) ´ e regular de
grau 2.k −2.
(c) Encontre uma express ˜ ao para o n ´ umero de arestas de
L(G) em func¸ ˜ ao dos graus de G.
13. Suponha que as arestas de K
6
sejam coloridas de azul ou de
vermelho. Mostre que, seja qual for a forma de colorir, o grafo
ter ´ a um subgrafo isomorfo a K
3
colorido com uma s ´ o cor.
ROTEIRO: Suponha, por absurdo, que isso n ˜ ao ´ e verdade.
(a) Escolha um v´ ertice v qualquer; mostre que existem (pelo
menos) 3 arestas incidentes a v com a mesma cor (diga-
mos, sem perda de generalidade, (v; a); (v; b); e (v; c) s ˜ ao
coloridas de azul).
(b) Mostre que (a; b); (a; c); e (b; c) n ˜ ao podem ser coloridas
de azul.
(c) Conclua que (a; b); (a; c); e (b; c) devem ser coloridas de
vermelho, mostrando o absurdo, e provando a afirmac¸ ˜ ao.
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Estilo OBMEP
28 CAP. 1: O QUE
´
E UM GRAFO ?
14. Suponha que as arestas de K
17
sejam coloridas de azul, verde
ou de vermelho. Mostre que, seja qual for a forma de colorir,
o grafo ter ´ a um subgrafo isomorfo a K
3
colorido com uma s ´ o
cor.
SUGEST ˜ AO: Use o exerc´ıcio anterior.
15. Mostre que num grafo simples pelo menos dois v´ ertices t ˆ em o
mesmo grau.
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Estilo OBMEP
Cap´ıtulo 2
Ciclos e Caminhos
2.1 Conexidade Outra Vez
Observa¸ c˜ ao. Quando n˜ ao houver risco de confus˜ ao a aresta (v, w) ser´ a
denotada simplemente por vw.
Um passeio ´ e uma seq ¨ u ˆ encia de arestas do tipo
v
0
v
1
,v
1
v
2
,v
2
v
3
,...v
s−1
v
s
; s ´ e o comprimento do passeio. Se to-
das as arestas do passeio s ˜ ao distintas, o passeio ´ e chamado trilha;
se v
0
= v
s
o passeio ´ e uma trilha fechada. Se, al ´ em das arestas,
todos os v´ ertices s ˜ ao distintos ent ˜ ao temos um caminho e se v
0
= v
s
temos um ciclo (como visto anteriormente). Uma outra forma de
definir a conexidade ´ e observar que um grafo G ´ e conexo se, e s ´ o se,
existe um caminho entre quaisquer dois v´ ertices de G. As compo-
nentes conexas podem ser vistas como as classes de equival ˆ encia da
29
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Estilo OBMEP
30 CAP. 2: CICLOS E CAMINHOS
relac¸ ˜ ao:
x · y se, e somente se, existe um caminho ligando x a y.
(Para isso, estamos considerando que entre um v´ ertice e ele mesmo
existe um caminho de comprimento 0). O menor comprimento
poss´ıvel para um caminho entre os v´ ertices u e v ´ e chamado de
distˆ ancia entre u e v. Podemos tamb´ em sinalizar as sequ ˆ encias de
arestas descritas acima pela sucess ˜ ao de v´ ertices v
0
,v
1
,v
2
,...,v
s−1
,v
s
.
Dizemos que um grafo conexo ´ e k-conexo se, ao retirarmos k −1
v´ ertices do grafo, ele continua conexo. Por exemplo, o grafo da
figura 1.17 ´ e 3 conexo, pois podemos escolher 2 v´ ertices quaisquer
para retirar, e mesmo assim o grafo continuar ´ a conexo.
Teorema. Um grafo G ´ e bipartido se, e somente se, n˜ ao cont ´ em ciclos de
comprimento ´ımpar.
Demonstra¸ c˜ ao.
(⇒) Seja G bipartido. Se n ˜ ao houver ciclo em G, n ˜ ao h ´ a o que
mostrar. Se h ´ a um ciclo em G este alterna v´ ertices de V
1
e V
2
, dois
subconjuntos independentes e disjuntos. Partindo de V
1
(por ex-
emplo), para retornar ao ponto de partida teremos que utilizar um
n ´ umero par de arestas. O ciclo ´ e, portanto, de comprimento par.
(⇐) Podemos considerar apenas grafos conexos. Seja G um grafo
sem ciclos ´ımpares. Vamos particionar seu conjunto de v´ ertices em
dois subconjuntos V
1
e V
2
, independentes e disjuntos. Tomamos
primeiramente um v´ ertice qualquer v. O subconjunto V
1
ser ´ a for-
mado por todos os v´ ertices w tais que exista um caminho de com-
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Estilo OBMEP
SEC. 2.1: CONEXIDADE OUTRA VEZ 31
primento par entre v e w. O subconjunto V
2
ser ´ a formado por todos
os v´ ertices w que tais que exista um caminho de comprimento ´ımpar
entre v e w. Os conjuntos V
1
e V
2
s ˜ ao disjuntos, pois se w estivesse em
V
1
e V
2
ao mesmo tempo, haveria um caminho de comprimento par
e um caminho de comprimento ´ımpar ligando v a w. Esses dois ca-
minhos podem se cruzar (ou n ˜ ao) antes de chegar em w, produzindo
alguns ciclos (veja a figura a seguir). Como o n ´ umero de arestas u-
sado nestes ciclos ´ e ´ımpar (´ e a soma do n ´ umero de arestas dos dois
caminhos) isso produziria pelo menos um ciclo ´ımpar em G, con-
trariando a hip ´ otese.
Figura 2.1:
J´ a sabemos que o conjunto de v´ ertices de um grafo bipartido ´ e
particionado em dois subconjuntos V
1
e V
2
. O conjunto V
1
(e tamb´ em
o conjunto V
2
) ´ e chamado conjunto independente, isto ´ e, se w e t
forem ambos v´ ertices de V
1
eles n ˜ ao s ˜ ao adjacentes.
Exerc´ıcio
Nos pares de grafos das figuras 2.2 e 2.3, mostre qual dos grafos
´ e bipartido e qual n ˜ ao ´ e.
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Estilo OBMEP
32 CAP. 2: CICLOS E CAMINHOS
Figura 2.2:
Figura 2.3:
2.2 O Problema do Menor Caminho
Algoritmos e Computadores
Nesta sec¸ ˜ ao vamos tratar de um problema relativamente simples.
Por exemplo, algu ´ em precisa se deslocar de uma cidade para outra e
para isso disp ˜ oe de v ´ arias estradas que passam por diversas cidades.
Qual caminho oferece uma trajet ´ oria de menor comprimento?
O algoritmo que soluciona este problema (e at ´ e hoje n ˜ ao se en-
controu forma melhor) foi criado por Edsger Wybe Dijkstra, em
1952. Dijkstra nasceu em 1930, na cidade de Roterdan - Holanda,
e morreu em 2002. Foi um cientista de computac¸ ˜ ao e recebeu o Tu-
ring Award de 1972 por suas contribuic¸ ˜ oes fundamentais na ´ area de
linguagens de programac¸ ˜ ao.
Notem um fato interessante: geralmente o que estudamos em
Matem´ atica foi criado h ´ a muito tempo. Mas a Matem´ atica, como
veremos no problema que estamos estudando, continua a oferecer
soluc¸ ˜ oes e com o desenvolvimento da Inform´ atica a id ´ eia de uma
soluc¸ ˜ ao para um problema tem se modificado. Em vez de procurar-
mos um n ´ umero, uma resposta (o que em muitos casos ´ e necess ´ ario),
procuramos um algoritmo, isto ´ e, uma s´ erie de procedimentos que
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Estilo OBMEP
SEC. 2.2: O PROBLEMA DO MENOR CAMINHO 33
nos levem ` a soluc¸ ˜ ao. A vantagem ´ e que, se o problema for muito
extenso, poderemos programar um computador para realizar este
algoritmo. Esse problema ´ e um excelente exemplo disso.
Veremos mais tarde que isso n ˜ ao quer dizer que n ˜ ao precisamos
de teoria, muito pelo contr ´ ario. Um bom algoritmo depende de boa
matem´ atica. Mas, voltaremos a isso adiante. Por enquanto vamos
ver a soluc¸ ˜ ao, simples e interessante, oferecida por Dijkstra, que
viveu no nosso tempo, ou dos nossos pais.
Observe que trabalharemos com grafos valorados, isto ´ e, estare-
mos atribuindo valores ` as arestas. Esses valores podem ser
dist ˆ ancias, tempo gasto no trajeto, custo com a ligac¸ ˜ ao, etc. Usare-
mos as express ˜ oes ”custo“ ou ”dist ˆ ancia“ para nos referirmos a estes
valores. Esses valores geralmente s ˜ ao estimados por engenheiros,
economistas e consideraremos nos pr ´ oximos exemplos que eles s ˜ ao
dados. Esse algoritmo trabalha apenas com grafos valorados com
valores positivos e nossa tarefa ´ e minimizar ”custo”ou ”dist ˆ ancia”.
Qual o Menor Caminho at´ e a Escola ?
Lembremos que este grafo ´ e valorado, isto ´ e, atribu´ımos valores ` as
arestas. A “dist ˆ ancia”´ e diferente da que estamos acostumados. Por
exemplo, na figura 2.4, entre a Pracinha (P) e a Banca de Jornal (B)
colocamos a dist ˆ ancia 11 pois h ´ a um cachorro que nos assusta. Entre
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Estilo OBMEP
34 CAP. 2: CICLOS E CAMINHOS
Armazem
Pracinha
Banca de
Jornal
Quitanda
Cancela
Escola
Casa do
João
5
6
10
3
6
11
6
4
8
13
3

Figura 2.4:
a Quitanda (Q) e a Cancela (C) a ”dist ˆ ancia“ ´ e 4 pois h ´ a uma moc¸a
(ou rapaz) interessante. Usaremos este grafo simples e pequeno para
vermos como o algoritmo de Dijkstra funciona. Comec¸amos calcu-
lando todas as dist ˆ ancias a partir da Casa de Jo˜ ao (J). A dist ˆ ancia de
J at ´ e J ´ e 0 (zero).
Vamos comec¸ar com o mapa sem ligac¸ ˜ oes(2.5).
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Estilo OBMEP
SEC. 2.2: O PROBLEMA DO MENOR CAMINHO 35
Armazem
Pracinha
Banca de
Jornal
Quitanda
Cancela
Escola
Casa do
João
0
8
8
8
8
8 8
Figura 2.5:
At ´ e onde posso chegar a partir da casa de Jo˜ ao (J) em uma ´ unica
etapa? Qual o custo? Vamos preencher a tabela abaixo.
Determinado Posso chegar ...com custo ... vindo de...
(fechado) at ´ e.. ou dist ˆ ancia...
* J - Casa de Jo˜ ao 0 ***
A - Armaz´ em ∞ Ainda n ˜ ao atingimos
P - Pracinha ∞ Ainda n ˜ ao atingimos
Q - Quitanda ∞ Ainda n ˜ ao atingimos
B- Banca de Jornal ∞ Ainda n ˜ ao atingimos
C - Cancela ∞ Ainda n ˜ ao atingimos
E - Escola ∞ Ainda n ˜ ao atingimos
Aten¸ c˜ ao: colocamos a dist ˆ ancia ∞para dizer que ainda n ˜ ao atingi-
mos este v´ ertice.
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Estilo OBMEP
36 CAP. 2: CICLOS E CAMINHOS
Vamos entender a figura e a tabela; na figura escurecemos a
”Casa de Jo˜ ao“, pois j´ a sabemos a menor dist ˆ ancia: 0. Os outros
v´ ertices ainda podem ser melhorados, por isso n ˜ ao est ˜ ao escureci-
dos, e a etiqueta ∞mostra que ainda n ˜ ao foram atingidos.
A partir da casa de Jo˜ ao, quem podemos atingir imediatamente?
O Armaz´ em, que est ´ a a dist ˆ ancia 5 da Casa de Jo˜ ao, a Pracinha que
est ´ a a dist ˆ ancia 6 e a Quitanda, que est ´ a a dist ˆ ancia 10. Vou assinalar
isso no meu grafo. Mais ainda, eu agora percebo que a dist ˆ ancia
ao armaz´ em n ˜ ao ir ´ a diminuir. De fato, qualquer outro caminho que
eu tome, j´ a comec¸a com um valor maior que 5 (ou eventualmente
igual). Ent ˜ ao escurec¸o o v´ ertice do armaz´ em para mostrar que ele
est ´ a ”fechado“.
Armazem
Pracinha
Banca de
Jornal
Quitanda
Cancela
Escola
Casa do
João
0
10
6
5
8
8 8
5
6
10
Figura 2.6:
Vamos preencher a tabela de acordo:
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Estilo OBMEP
SEC. 2.2: O PROBLEMA DO MENOR CAMINHO 37
Determinado Posso chegar ...com custo ... vindo de...
(fechado) at ´ e.. ou dist ˆ ancia...
* J - Casa de Jo˜ ao 0 ***
* A - Armaz´ em 5 J
P - Pracinha 6 J
Q - Quitanda 10 J
B- Banca de Jornal ∞ Ainda n ˜ ao atingimos
C - Cancela ∞ Ainda n ˜ ao atingimos
E - Escola ∞ Ainda n ˜ ao atingimos
Como a dist ˆ ancia at ´ e o armaz´ em n ˜ ao vai diminuir, ´ e a nossa vez
de investigar se indo pelo caminho do armaz´ em poderemos melho-
rar as dist ˆ ancias. A partir do Armaz´ em s ´ o podemos chegar ` a Banca
de Jornais (B) (Lembre-se que J j´ a est ´ a fechado). Note que a etiqueta
de dist ˆ ancia da Banca de Jornal passa a ser 18 = 5 + 13 (5 da eti-
queta do Armaz´ em mais 13 da dist ˆ ancia Armaz´ em-Banca de Jornais.
Como 18 < ∞a melhor dist ˜ ancia at ´ e a Banca ´ e de 18.
Nosso grafo e tabela ficam assim e o pr ´ oximo v´ ertice a ser
fechado ´ e a Pracinha (P).
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Estilo OBMEP
38 CAP. 2: CICLOS E CAMINHOS
Armazem
Pracinha
Banca de
Jornal
Quitanda
Cancela
Escola
Casa do
João
0
10
6
5
18
8 8
5
6
10
13
Figura 2.7:
Determinado Posso chegar ...com custo ... vindo de...
(fechado) at ´ e.. ou dist ˆ ancia...
* J - Casa de Jo˜ ao 0 ***
* A - Armaz´ em 5 J
* P - Pracinha 6 J
Q - Quitanda 10 J
B- Banca de Jornal 18 A
C - Cancela ∞ Ainda n ˜ ao atingimos
E - Escola ∞ Ainda n ˜ ao atingimos
Como a dist ˆ ancia ` a Pracinha n ˜ ao pode ser melhorada ´ e a partir
dela que investigaremos. Podemos chegar, passando pela Pracinha
` a Quitanda, ` a Banca de Jornal e ` a Cancela. Vamos ver o que acontece
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Estilo OBMEP
SEC. 2.2: O PROBLEMA DO MENOR CAMINHO 39
nos tr ˆ es casos:
Quitanda: 6 (etiqueta da Pracinha) + 3 (dist ˆ ancia Pracinha-
Quitanda) = 9; como 9 < 10 (que ´ e a etiqueta atual da Qui-
tanda), o caminho melhor passa a ser pela Pracinha.
Cancela: 6 + 6 = 12 < ∞logo o caminho para a cancela passa a ser
pela Pracinha.
Banca de Jornal: 6 + 11 = 17 < 18 e o caminho para a Banca de
Jornal passa a ser pela Pracinha.
O v´ ertice a ser fechado ´ e a Quitanda pois ´ e o menor valor em aberto.
Nosso grafo e tabela ficam assim:
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Estilo OBMEP
40 CAP. 2: CICLOS E CAMINHOS
Armazem
Pracinha
Banca de
Jornal
Quitanda
Cancela
Escola
Casa do
João
0
9
6
5
17
12 8
5
6
3
11
6
Figura 2.8:
Determinado Posso chegar ...com custo ... vindo de...
(fechado) at ´ e.. ou dist ˆ ancia...
* J - Casa de Jo˜ ao 0 ***
* A - Armaz´ em 5 J
* P - Pracinha 6 J
* Q - Quitanda 9 P
B- Banca de Jornal 17 P
C - Cancela 12 P
E - Escola ∞ Ainda n ˜ ao atingimos
Agora vamos estudar se podemos melhorar a dist ˆ ancia a par-
tir da Quitanda (que fechamos por ser o menor valor em aberto).
Da Quitando posso alcanc¸ar a Banca de Jornais com dist ˆ ancia
total 9 + 6 = 15 < 17 logo meu caminho para a Banca de Jornais
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Estilo OBMEP
SEC. 2.2: O PROBLEMA DO MENOR CAMINHO 41
passa a usar a Quitanda.
Tamb´ em posso alcanc¸ar a Cancela mas com dist ˆ ancia 9 + 4 =
13 > 12. Ent ˜ ao n ˜ ao ´ e vantagem, e continuo a ir para a Cancela pas-
sando pela Pracinha.
Nosso grafo e tabela ficam assim:
Armazem
Pracinha
Banca de
Jornal
Quitanda
Cancela
Escola
Casa do
João
0
9
6
5
15
12 8
5
6
3
11
6
6
Figura 2.9:
Determinado Posso chegar ...com custo ... vindo de...
(fechado) at ´ e.. ou dist ˆ ancia...
* J - Casa de Jo˜ ao 0 ***
* A - Armaz´ em 5 J
* P - Pracinha 6 J
* Q - Quitanda 9 P
B- Banca de Jornal 15 Q
* C - Cancela 12 P
E - Escola ∞ Ainda n ˜ ao atingimos
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Estilo OBMEP
42 CAP. 2: CICLOS E CAMINHOS
Observe que escurecemos o v´ ertice da Cancela, que ´ e o que
tem menor dist ˆ ancia acumulada entre os abertos. Isso mostra que
nem sempre ”fechamos”os v´ ertices na ordem da tabela. Nesse caso
”fechamos”a Cancela antes da Banca de Jornal.
J´ a estamos quase terminando. Da Cancela s ´ o consigo ir ` a Escola
com dist ˆ ancia acumulada 12 + 8 = 20 < ∞.
Minha tabela e grafo ficam assim (escurecemos o v´ ertice da
Banca de Jornais):
Armazem
Pracinha
Banca de
Jornal
Quitanda
Cancela
Escola
Casa do
João
0
9
6
5
15
12
20
5
6
3
11
6
8
6
Figura 2.10:
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Estilo OBMEP
SEC. 2.2: O PROBLEMA DO MENOR CAMINHO 43
Determinado Posso chegar ...com custo ... vindo de...
(fechado) at ´ e.. ou dist ˆ ancia...
* J - Casa de Jo˜ ao 0 ***
* A - Armaz´ em 5 J
* P - Pracinha 6 J
* Q - Quitanda 9 P
* B- Banca de Jornal 17 Q
* C - Cancela 12 P
E - Escola 20 C
E finalmente, vemos que pela Banca de Jornal conseguimos
chegar ` a Escola com dist ˆ ancia acumulada de 15 + 3 < 20.
O grafo e tabela finais ficam:
Armazem
Pracinha
Banca de
Jornal
Quitanda
Cancela
Escola
Casa do
João
0
9
6
5
15
12
18
5
6
3
11
6
3 6
Figura 2.11:
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Estilo OBMEP
44 CAP. 2: CICLOS E CAMINHOS
Determinado Posso chegar ...com custo ... vindo de...
(fechado) at ´ e.. ou dist ˆ ancia...
* J - Casa de Jo˜ ao 0 ***
* A - Armaz´ em 5 J
* P - Pracinha 6 J
* Q - Quitanda 9 P
* B- Banca de Jornal 17 Q
* C - Cancela 12 P
* E - Escola 18 B
Observe que:
• O grafo final ´ e uma ´ arvore - conexa e sem ciclos (sempre
que cheg´ avamos num v´ ertice, elimin ´ avamos uma aresta, im-
pedindo a formac¸ ˜ ao de ciclos).
• O algoritmo encontra o menor caminho da Casa de Jo˜ ao a to-
dos os outros pontos. Ele n ˜ ao encontra o menor caminho en-
tre dois v´ ertices quaisquer. Por exemplo para ir da Cancela ` a
Banca de Jornais a dist ˆ ancia ´ e 11 e n ˜ ao 15 como a ´ arvore sugere.
• A representac¸ ˜ ao gr ´ afica foi ´ util para entendermos o problema,
mas poder´ıamos perfeitamente ter usado apenas uma matriz
de dist ˆ ancias:
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Estilo OBMEP
SEC. 2.2: O PROBLEMA DO MENOR CAMINHO 45
J A P Q B C E
J 0 5 6 10 ∞ ∞ ∞
A 5 0 ∞ ∞ 13 ∞ ∞
P 6 ∞ 0 3 11 6 ∞
Q 10 ∞ 3 0 6 4 ∞
B ∞ 13 11 6 0 ∞ 3
C ∞ ∞ 6 4 ∞ 0 8
E ∞ ∞ ∞ ∞ 3 8 0
Exerc´ıcios
1. Nas figura abaixo, use o algoritmo de Dijkstra para descobrir
qual o menor caminho do v´ ertice A a todos os outros v´ ertices.
N
P
M L
J
H I
G
E
D
C
F
B
A
70
110
31
70
65
100
67
30
126
105
74
30
39 19
26
12
61
140 85
Figura 2.12:
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Estilo OBMEP
46 CAP. 2: CICLOS E CAMINHOS
2. Abaixo, temos uma tabela de dist ˆ ancias entre uma Mercearia
e as localidades onde ela faz entregas. Use o algoritmo de
Dijkstra para descobrir qual o menor caminho da Mercearia a
todas as outras localidades.
Mercearia B C D E F G H
Mercearia 0 11 5 8 ∞ ∞ ∞ ∞
B 11 0 ∞ 3 ∞ ∞ 8 ∞
C 5 ∞ 0 2 8 ∞ ∞ ∞
D 8 3 2 0 4 ∞ 12 11
E ∞ ∞ 8 4 0 15 ∞ 4
F ∞ ∞ ∞ ∞ 15 0 3 7
G ∞ 8 ∞ 12 ∞ 3 0 2
H ∞ ∞ ∞ 11 4 7 2 0
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Estilo OBMEP
Cap´ıtulo 3
Mais Ciclos e mais
Caminhos
3.1 Euler e as Pontes de K¨ oenisberg
Na introduc¸ ˜ ao, perguntamos se vocˆ e conseguiria desenhar a cas-
inha abaixo sem tirar o l ´ apis do papel. A figura mostra uma soluc¸ ˜ ao
e, na verdade, o problema ´ e bastante f´ acil.
Figura 3.1:
47
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Estilo OBMEP
48 CAP. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS
Mas se quisermos comec¸ar pelo v´ ertice B? (vocˆ e pode tentar o
tempo que quiser).
O fato ´ e que esse outro problema ´ e imposs´ıvel. Todas as soluc¸ ˜ oes
comec¸am/ terminam pelo v´ ertice A/E. Se comec¸am em A terminam
em E, e vice-versa.
O problema tem origem no famoso ”problema das pontes de
K¨ oenisberg“, considerado o marco fundador da Teoria dos Grafos.
Os habitantes de K¨ oenisberg (hoje Kaliningrado) se perguntavam
se seria poss´ıvel atravessar as sete pontes do Rio Prega, sem pas-
sar duas vezes na mesma ponte, retornando ao ponto de partida. O
problema e sua modelagem por grafos est ´ a apresentada na figura a
seguir.
Figura 3.2:
Observamos que o problema d ´ a origem a um grafo com arestas
m ´ ultiplas, o que n ˜ ao afetar ´ a a soluc¸ ˜ ao. Leonard Euler mostrou que a
resposta era negativa, estabelecendo assim uma condic¸ ˜ ao necess ´ aria;
embora se acredite que a sufici ˆ encia n ˜ ao lhe fosse desconhecida.
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Estilo OBMEP
SEC. 3.1: EULER E AS PONTES DE K
¨
OENISBERG 49
Essa segunda parte foi publicada por Hierholzer em 1873, muito
mais tarde.
Antes de prosseguir com a soluc¸ ˜ ao, vamos tecer algumas
considerac¸ ˜ oes sobre grafos, computadores e problemas finitos.
Esse Problema ´ e Importante?
Sim! Para comec¸o de conversa, ele ´ e interessante, simples de pro-
por e veremos que sua soluc¸ ˜ ao ´ e atraente, interessante e tem con-
seq ¨ u ˆ encias importantes.
Mas no aspecto imediato, pense numa pequena cidade com um
´ unico caminh ˜ ao para recolher o lixo onde o prefeito deseja econo-
mizar, o que significa que ele prefere que o caminh ˜ ao passe uma
´ unica vez por todas as ruas e retorne ao ponto de partida.
O problema ´ e id ˆ entico ao problema da casinha e, se a cidade
tivesse essa configurac¸ ˜ ao, n ˜ ao teria soluc¸ ˜ ao (pois o caminh ˜ ao n ˜ ao re-
tornaria ao ponto inicial (Vocˆ e experimentou?). Se o mapa da cidade
fosse como na figura a seguir, o prefeito ficaria contente (experi-
mente desenhar esta figura sem tirar o l ´ apis do papel mas voltando
ao ponto inicial).
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Estilo OBMEP
50 CAP. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS
Figura 3.3:
E em que um computador pode nos ajudar nesse caso?
3.2 Estrutura de Dados
O desenho ajuda a n ´ os, pessoas, mas os computadores pre-
ferem letras e n ´ umeros. Lembre-se que a casinha repre-
senta o grafo G(V, A) em que V (G) = ¦A, B, C, D, E¦ e
A(G) = ¦(A; B); (A; D); (A; E); (B; C); (B; D); (B; E); (C; D); (D; E)¦.
Observe que usamos uma ordem semelhante ` a ordem do di-
cion ´ ario; isso facilita encontrar a aresta que procuramos e isso vale
para o computador tamb´ em (essa ordem tem o nome de ”ordem le-
xicogr ´ afica”).
Bem, queremos saber se realmente todas as soluc¸ ˜ oes
comec¸am/ terminam por A/E. N˜ ao haver ´ a excec¸ ˜ ao? Como o nosso
problema tem um n ´ umero de possibilidades finito e pequeno, pode-
mos examinar todas. Como um computador pode fazer isso?
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Estilo OBMEP
SEC. 3.2: ESTRUTURA DE DADOS 51
Calma! N˜ ao precisamos saber programac¸ ˜ ao de computado-
res. Basta lembrar que computadores t ˆ em facilidade para tratar
informac¸ ˜ oes organizadas. Como isso funciona no nosso caso?
Digamos que achei a soluc¸ ˜ ao codificada pela seq ¨ u ˆ encia de letras
AEBDCBADE. Mesmo sem o desenho, podemos verificar que
esta ´ e de fato uma soluc¸ ˜ ao. As arestas dispon´ıveis s ˜ ao:
ABAD AE BC BD BE CD DE
Comec¸amos pela aresta AE. Ela est ´ a dispon´ıvel? Sim. Retiramos ela
da lista de dispon´ıveis:
ABAD AE == BC BD BE CD DE
A pr ´ oxima aresta a ser examinada ´ e EB. Est ´ a dispon´ıvel? Sim.
Retiramos ela da lista de dispon´ıveis:
ABAD AE == BC BD BE == CD DE
(Repare que no nosso problema EB e BE s ˜ ao a mesma coisa.)
E assim por diante. A seq ¨ u ˆ encia da verificac¸ ˜ ao est ´ a a´ı abaixo:
AEBDCBADE ABAD AE == BC BD BE CD DE
AEBDCBADE ABAD AE == BC BD BE == CD DE
AEBDCBADE ABAD AE == BC BD == BE == CD DE
AEBDCBADE ABAD AE == BC BD == BE == CD == DE
AEBDCBADE ABAD AE == BC == BD == BE == CD == DE
AEBDCBADE AB == AD AE == BC == BD == BE == CD == DE
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Estilo OBMEP
52 CAP. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS
AEBDCBADE AB == AD == AE == BC == BD == BE == CD == DE
AEBDCBADE AB == AD == AE == BC == BD == BE == CD == DE ==
E a verificac¸ ˜ ao mostra que a soluc¸ ˜ ao ´ e boa.
Observe que n ˜ ao usamos o desenho. E que foi fundamental
a maneira como apresentamos os dados.
´
E o que chamamos uma
estrutura de dados. Lembre-se, computadores s ˜ ao m´ aquinas e n ˜ ao
podemos passar informac¸ ˜ oes de qualquer jeito. A estrutura de da-
dos ´ e fundamental.
N˜ ao temos a intenc¸ ˜ ao aqui de explicitar o funcionamento de um
computador, mas intuitivamente percebemos que com a estrutura
adequada e uma seq ¨ u ˆ encia de procedimentos (um programa!), isto
´ e, um algoritmo, podemos verificar se uma seq ¨ u ˆ encia de 9 letras
(por qu ˆ e 9?) ´ e ou n ˜ ao uma soluc¸ ˜ ao.
Vamos fazer algumas contas. Temos 8 arestas dispon´ıveis e
podemos numer ´ a-las de 1 a 8. Podemos pensar num procedi-
mento (diferente do que usamos antes) que verifique se uma de-
terminada seq ¨ u ˆ encia de 8 algarismos do tipo (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8) ou
(3, 5, 6, 2, 8, 4, 7, 1) ´ e ou n ˜ ao uma soluc¸ ˜ ao para o problema da casi-
nha. Melhor ainda, podemos colocar essas seq ¨ u ˆ encias em ordem de
(1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8) at ´ e (8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1).
Quantas seq ¨ u ˆ encias temos? Na apostila [2] vimos que tere-
mos 8! = 8 7 6 5 4 3 2 1 = 40320 seq ¨ u ˆ encias. S˜ ao as
permutac¸ ˜ oes de 8 elementos. Ora, um bom computador pode gerar
e verificar essas seq ¨ u ˆ encias todas em segundos! Poderemos ter
certeza de que todas as soluc¸ ˜ oes realmente comec¸am (ou terminam)
com a letra A ou E.
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Estilo OBMEP
SEC. 3.2: ESTRUTURA DE DADOS 53
Isso se chama uma ”solu¸ c˜ ao por for¸ ca bruta“ e n ˜ ao usamos
nenhuma sofisticac¸ ˜ ao matem´ atica, nehum teorema. Ser ´ a o fim da
Matem´ atica? N˜ ao ´ e bem assim...
Lembre-se do prefeito. Digamos que a cidade dele n ˜ ao tenha
8 ruas, mas 20. N˜ ao ´ e uma grande cidade e podemos tentar usar
a mesma forc¸a bruta do computador para resolver o problema de
percorrer com o caminh ˜ ao sem repetic¸ ˜ ao de ruas. Se temos 20 ruas,
teremos 20! seq ¨ u ˆ encias. Quanto ´ e isso?
20! = 2432902008176640000 seq ¨ u ˆ encias
S˜ ao muitas seq ¨ u ˆ encias. Mas ser ´ a que um bom computador n ˜ ao
resolveria este problema? Se o computador verificasse um milh˜ ao
de seq ¨ u ˆ encias por segundo (e poucos computadores o fazem hoje
em dia) ele demoraria (os c´ alculos s ´ o incluem a parte inteira):
2432902008176640000 ÷1000000 ≥ 2432902008170 segundos
2432902008170 ÷60 ≥ 40548366800 minutos
40548366800 ÷60 ≥ 675806110 horas
675806110 ÷24 ≥ 28158580 dias
28158580 ÷365 ≥ 77140 anos
77140 ÷1000 ≥ 77 mil ˆ enios
O prefeito n ˜ ao pode esperar tanto tempo (nem n ´ os, nem
ningu ´ em). Quem vir ´ a nos socorrer? Um teorema de Euler.
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Estilo OBMEP
54 CAP. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS
3.3 Grafos Eulerianos
Um grafo com marestas ´ e dito euleriano se existe uma trilha fechada
de comprimento m em G; em outras palavras, se podemos percor-
rer cada aresta uma e s ´ o uma vez partindo de um v´ ertice e a ele
retornando. Se o grafo n ˜ ao ´ e euleriano mas tem uma trilha aberta de
comprimento m, ele ´ e dito semi-euleriano.
Em outras palavras, podemos desenhar um grafo euleriano (ou
melhor, uma representac¸ ˜ ao gr ´ afica dele) sem retirar o l ´ apis do
papel e retornando ao ponto inicial. Num grafo semi-euleriano
comec¸amos num ponto e terminamos em outro.
Figura 3.4:
Na figura acima, G
1
´ e euleriano (a trilha pode ser a-b-c-d-e-f-a-
d-b-e-a), G
2
´ e semi-euleriano (a trilha pode ser a-e-b-d-c-b-a-d-e) e
G
3
n ˜ ao ´ e euleriano, nem semi-euleriano.
J´ a vimos que o problema (e o nome ”euleriano”) se originou com
o problema das pontes de K¨ oenisberg. Euler mostrou que a resposta
era negativa, estabelecendo assim uma condic¸ ˜ ao necess ´ aria.
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Estilo OBMEP
SEC. 3.3: GRAFOS EULERIANOS 55
Comec¸amos por um lema simples por ´ em necess ´ ario.
Lema. Se todo v´ ertice de um grafo (n˜ ao necessariamente simples) G tem
grau maior ou igual a 2, ent ˜ ao G cont ´ em um ciclo.
Demonstra¸ c˜ ao. Se G cont ´ em lac¸os ou arestas m ´ ultiplas, n ˜ ao h ´ a o que
provar, pois, automaticamente, G cont ´ em um ciclo. Consideramos,
portanto, apenas os grafos simples.
`
A partir de um v´ ertice v
0
, qual-
quer, iniciamos nossa trilha. Quando chegamos a um v´ ertice qual-
quer, ou o estamos visitando pela primeira vez e podemos continuar,
ou chegamos a um v´ ertice j´ a visitado, produzindo um ciclo. Como
o n ´ umero de v´ ertices ´ e finito, o lema est ´ a provado.
E agora, o teorema.
Teorema de Euler (Euler - 1736). Um grafo conexo (n˜ ao necessariamen-
te simples) G ´ e euleriano se e somente se todos os seus v´ ertices tem grau
par.
Demonstra¸ c˜ ao.
(⇒) Suponhamos que G tenha uma trilha fechada de comprimento
m. Cada vez que a trilha passa por um v´ ertice utiliza duas novas
arestas, uma para entrar e outra para sair. Logo, o grau de cada
v´ ertice deve ser obrigatoriamente par.
(⇐) Usaremos induc¸ ˜ ao sobre o n ´ umero de arestas m do grafo. Por
vacuidade, o teorema ´ e valido quando m = 0. Suponhamos que
o teorema seja v ´ alido para todos os grafos com menos do que m
arestas. Sendo G conexo, todos os v´ ertices t ˆ em grau maior do que
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Estilo OBMEP
56 CAP. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS
2, pois os graus s ˜ ao pares. Pelo lema anterior, G cont ´ em um ciclo
(que ´ e uma trilha fechada). Dentre todos as trilhas fechadas em G
escolhemos uma trilha T com comprimento m´ aximo. Se T tem com-
primento m, o teorema est ´ a provado. Caso contr ´ ario, consideramos
o grafo H resultante da retirada das arestas de T. Como retiramos
um n ´ umero par de arestas de cada v´ ertice de T, e todos os v´ ertices
do grafo tem grau par (pela hip ´ otese), pelo menos uma das com-
ponentes de H tem um v´ ertice em comum com T e tem todos os
v´ ertices com grau par. Pela hip ´ otese de induc¸ ˜ ao, H tem uma trilha
fechada que passa por todos os v´ ertices de H, e podemos formar
uma trilha fechada maior concatenando T com a trilha em H. Mas
isso contraria a maximalidade na escolha de T.
Corol ´ ario. Um grafo conexo (n˜ ao necessariamente simples) G ´ e semi-
euleriano se, e somente se, no m´ aximo, dois v´ ertices t ˆ em grau ´ımpar.
Demonstra¸ c˜ ao. Deixada ao leitor. (SUGEST ˜ AO: pense em acrescentar
uma aresta a dois v´ ertices de grau ´ımpar.)
Um algoritmo decorrente da demonstrac¸ ˜ ao do teorema acima as-
segura a construc¸ ˜ ao de uma trilha fechada de comprimento m num
grafo euleriano. A demonstrac¸ ˜ ao da correc¸ ˜ ao do algoritmo pode
ser encontrada em [6]. Podemos dar uma id ´ eia do funcionamento
do algoritmo e do motivo pelo qual ele funciona. Veja a figura
3.5. Comec¸ando nossa trilha pelo v´ ertice a poder´ıamos percorrer
abfcedcbefa, chegando a um beco sem sa´ıda. Repare que os graus
eram todos pares e a retirada de um ciclo subtrai sempre n ´ umeros
pares dos graus.
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Estilo OBMEP
SEC. 3.3: GRAFOS EULERIANOS 57
O grafo restante tamb´ em tem v´ ertices com grau par (Veja ainda
a figura 3.5).
a
b
c
d
e
f
g
h
i
j
k
d
h
i
j
g
c
Figura 3.5:
Esse resto pode ser percorrido pela trilha fechada dghijkcjhd.
Basta agora incluir essa trilha na trilha inicial onde est ´ a o v´ ertice d.
Nossa trilha fica abfced(dghijkcjhd)dcbefa(veja a figura 3.6).
a
b
c
d
e
f
g
h
i
j
k
Figura 3.6:
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Estilo OBMEP
58 CAP. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS
Exerc´ıcio
Na figura 3.7, quais grafos s ˜ ao eulerianos? Quais s ˜ ao semi-
eulerianos? No caso dos semi-eulerianos, por onde devemos
comec¸ar (terminar) nossa trilha?




Figura 3.7:
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Estilo OBMEP
SEC. 3.4: O PROBLEMA CHIN
ˆ
ES DO CARTEIRO 59
3.4 O Problema Chinˆ es do Carteiro
Esse problema ´ e uma aplicac¸ ˜ ao bastante importante do conceito de
grafo euleriano. Usamos um grafo valorado onde ` as arestas ´ e as-
sociado um peso, isto ´ e, uma func¸ ˜ ao f : A → '
+
. Este peso pode
representar comprimento, custo, tempo, ou o que a modelagem do
problema exigir. J´ a vimos esse conceito no caso do algoritmo de Dij-
kstra.
O problema chin ˆ es do carteiro (que tem este nome por ter sido
apresentado pela primeira vez por um pesquisador chin ˆ es e n ˜ ao pela
nacionalidade do carteiro...) consiste em minimizar o esforc¸o de um
carteiro que percorre todas as ruas de uma cidade. Ora, se o grafo
em quest ˜ ao ´ e euleriano, n ˜ ao h ´ a problema. Mas se esse n ˜ ao for o caso,
teremos que eulerizar o grafo. Lembramos que o n ´ umero de v´ ertices
de grau ´ımpar ´ e par (veja o corol ´ ario na sec¸ ˜ ao 2.3), logo poderemos
unir pares desses v´ ertices por novas arestas, tornando-os pares.
´
E
claro que n ˜ ao construiremos novas ruas! A id ´ eia ´ e fazer o carteiro
percorrer ruas repetidas de forma econ ˆ omica. O problema pode se
complicar bastante, mas hoje h ´ a algoritmos que produzem resulta-
dos aproximados com bastante efici ˆ encia.
´
E um problema bastante
estudado devido ` a economia que uma boa soluc¸ ˜ ao pode gerar. Va-
mos ilustrar o caso mais simples poss´ıvel, quando o grafo ´ e semi-
euleriano, isto ´ e, quando tem apenas dois v´ ertices de grau ´ımpar.
O menor caminho entre os v´ ertices a e b (calculado pelo algo-
ritmo de Dijkstra) indica que o melhor meio de eulerizar o grafo ´ e
construir uma ”aresta virtual”entre a e b, o que significa simples-
mente percorrer o caminho av
2
, v
2
v
3
, v
3
v
4
, v
4
b como se fosse uma
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Estilo OBMEP
60 CAP. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS
12
5
3
5
3
5
3
4
3
8
8
7
2
10
a
b
v
1
v
3
v
4
2
v
5
v
6
v
2
aresta virtual
12
5
3
5
3
5
3 4
3
8
8
7
2
10
a
b
v
1
v
3
v
4
2
v
5
v
6
v
2
Figura 3.8:
aresta. Assim, gastaremos menos a sola do carteiro.
3.5 Grafos e Ciclos Hamiltonianos
Um problema aparentemente similar ao dos grafos eulerianos ´ e o de
procurar em G uma trilha fechada que passe por todos os v´ ertices
uma e s ´ o uma vez. Uma trilha assim teria de ser necessariamente um
ciclo (salvo no caso do grafo nulo com um v´ ertice); chamamos um
tal ciclo de ciclo hamiltoniano. O nome homenageia Sir Willian R.
Hamilton, que estudou e divulgou o problema - embora a primeira
formulac¸ ˜ ao tenha sido feita por Kirkman em 1885. As primeiras
definic¸ ˜ oes de grafo hamiltoniano e de grafo semi-hamiltoniano
seguem as mesmas diretrizes dos grafos eulerianos. Um grafo e
seu ciclo hamiltoniano aparecem na figura 3.9(a); um grafo semi-
hamiltoniano aparece na figura 3.9(b).
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Estilo OBMEP
SEC. 3.6: O PROBLEMA DO CAIXEIRO VIAJANTE- PCV 61
(a)
(b)
Figura 3.9:
As semelhanc¸as, entretanto, param por aqui. O problema de
saber se um grafo ´ e ou n ˜ ao hamiltoniano ´ e um dos mais estuda-
dos da teoria dos grafos por sua aplicabilidade em comunicac¸ ˜ ao,
transporte e planejamento. Entretanto, at ´ e hoje, nenhuma condic¸ ˜ ao
necess ´ aria e suficiente elegante para que um grafo seja hamiltoniano
foi encontrada. Na verdade, todos os teoremas se encontram muito
longe de oferecer uma previs ˜ ao razo´ avel de soluc¸ ˜ ao.
3.6 O Problema do Caixeiro Viajante- PCV
O PCV ´ e um dos problemas mais estudados no campo da pesquisa
operacional, mas at ´ e hoje n ˜ ao foi encontrado um algor´ıtmo com-
putacionalmente eficiente para resolvˆ e-lo. Sua formulac¸ ˜ ao ´ e sim-
ples: dado um grafo completo valorado G, desejamos determinar o
valor do menor ciclo hamiltoniano de G. Tomemos o exemplo dado
pela seguinte matriz valorada de adjacˆ encia
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Estilo OBMEP
62 CAP. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS
a b c d e f g
a XXX 404 270 490 490 338 258
b 404 XXX 618 890 890 460 320
c 270 618 XXX 360 360 210 240
d 490 890 360 XXX 78 390 330
e 490 890 360 78 XXX 390 330
f 338 460 210 390 390 XXX 270
g 258 320 240 390 330 270 XXX
Como o grafo em quest ˜ ao ´ e K
7
, uma soluc¸ ˜ ao ´ obvia seria exa-
minar todas as permutac¸ ˜ oes entre os v´ ertices, cada uma correspon-
dendo a um ciclo hamiltoniano.
Com 7 v´ ertices, teremos 7! = 5760 permutac¸ ˜ oes; na verdade s ˜ ao
6! = 820, pois s ˜ ao permutac¸ ˜ oes circulares. Seja como for, ´ e uma
tarefa at ´ e modesta para um computador. Mas o PCV freq ¨ uente-
mente trata de grafos com mais de 60 v´ ertices. Isso nos daria 60!,
o que nos tomaria mil ˆ enios, mesmo usando todos os computadores
do mundo!
Nossa atitude ser ´ a ent ˜ ao de procurar um algoritmo heur´ıstico,
isto ´ e, que usa uma id ´ eia ”razo´ avel”, mesmo que n ˜ ao assegure a me-
lhor soluc¸ ˜ ao, a soluc¸ ˜ ao ´ otima. A primeira tentativa ´ e um algoritmo
guloso que parte do ponto A e procura sempre a menor dist ˆ ancia ao
ponto da vez. No nosso caso, o ciclo produzido seria a-g-c-f-g-b-d-
e-a, com valor 2470. A contra-indicac¸ ˜ ao para o algoritmo guloso ´ e
que no final terminamos por aceitar arestas de valores muito altos.
Observamos, entretanto, que estamos ` a procura de um ciclo, e n ˜ ao
temos portanto nescessidade de agir seq ¨ uencialmente. Uma outra
tentativa heur´ıstica seria procurar agregar sempre a aresta de menor
valor que n ˜ ao produza ciclo com menos de 7 v´ ertices nem produza
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Estilo OBMEP
SEC. 3.6: O PROBLEMA DO CAIXEIRO VIAJANTE- PCV 63
v´ ertices de grau 3 (num ciclo, todos os v´ ertices s ˜ ao de grau 2). As
escolhas recaem sobre:
Aresta Valor
DE 78
CF 210
CG 240
GA 258
AC Bifurcac¸ ˜ ao
FG Bifurcac¸ ˜ ao
AF Fecha ciclo
CD Bifurcac¸ ˜ ao
CE Bifurcac¸ ˜ ao
DF 390
BE 890
AB 404
O ciclo ´ e a-c-d-e-f-g-b-a e o valor conseguido tamb´ em ´ e 2470. Isso
foi coincid ˆ encia, como veremos em outros exemplos. A id ´ eia pare-
cia boa e o resultado foi um pouco melhor. Entretanto, o melhor
valor encontrado, examinando todas as possibilidades, corresponde
ao ciclo a-c-d-e-f-g-b-a com o valor, bem inferior, de 2092.
´
E claro, se tivermos que examinar o PCV para 20 cidades
ter´ıamos que examinar cerca de 20! permutac¸ ˜ oes e j´ a vimos que este
´ e um n ´ umero muito grande. Pior ainda, n ˜ ao foi descoberto at ´ e o
momento um algoritmo eficiente para este problema (como no caso
euleriano, em que o teorema de Euler nos salvou). E, ainda pior, os
cientistas da computac¸ ˜ ao acreditam que ele pertenc¸a a uma classe
de problemas para os quais n ˜ ao h ´ a uma soluc¸ ˜ ao ”elegante“. Vamos
falar um pouco sobre isso adiante.
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Estilo OBMEP
64 CAP. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS
Exerc´ıcio
Na figura 3.10 temos um grafo completo, valorado nas arestas,
e desejamos encontrar o ciclo hamiltoniano com menor valor total
(Problema do Caixeiro Viajante). Para isso, use os algoritmos gu-
losos descritos nesta sec¸ ˜ ao e constate que o valor obtido ´ e sempre
maior do que o melhor valor (que pode ser encontrado por exame
exaustivo).
A
B C
D
10
80
50
70
150
20
Figura 3.10:
3.7 Uma Palavra sobre Complexidade
A an ´ alise da complexidade de algoritmos ´ e um assunto bastante
t ´ ecnico e que foge ` a intenc¸ ˜ ao destas notas. Entretanto, as dificul-
dades enfrentadas por quem trabalha com problemas combinat ´ orios
(entre os quais os da teoria dos grafos) podem ser informalmente
compreendidas. J´ a viemos fazendo isso quando falamos de soluc¸ ˜ oes
elegantes, efici ˆ encia computacional, enfim, sugerindo qualitativa-
mente que certos problemas t ˆ em sido mais resistentes a uma abor-
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Estilo OBMEP
SEC. 3.7: UMA PALAVRA SOBRE COMPLEXIDADE 65
dagem algor´ıtmica e computacional do que outros.
Um algoritmo ´ e composto de passos elementares; se a totalidade
dos passos exigidos por qualquer problema que esse algoritmo re-
solva ´ e dado por uma func¸ ˜ ao polinomial do tamanho da entrada do
algoritmo, um aumento de poder computacional pode reduzir sig-
nificativamente o tempo utilizado.
Entretanto, se a totalidade dos passos do algoritmo, no pior dos
casos, ´ e uma func¸ ˜ ao exponencial do tamanho da entrada, o au-
mento do poder computacional tem pouco efeito sobre o tempo de
execuc¸ ˜ ao; basta um pequeno incremento na entrada para inutilizar
o aumento computacional.
Dos algoritmos que j´ a examinamos, o de pesquisa de menor
dist ˆ ancia (Dijkstra) ´ e de complexidade polinomial assim como o da
determinac¸ ˜ ao se um grafo ´ e ou n ˜ ao euleriano ( e de sua exibic¸ ˜ ao, se
esse ´ e o caso). Para o PCV, entretanto, at ´ e hoje n ˜ ao foi descoberto um
algoritmo polinomial; mais ainda, a maior parte dos pesquisadores
acredita que isso n ˜ ao ser ´ a mesmo poss´ıvel.
Maior informac¸ ˜ ao sobre complexidade computacional pode ser
encontrada em Garey e Johnson [5].
Exerc´ıcios
1. Uma ponte ´ e uma aresta que, quando retirada, desconecta o
grafo.
Dado um grafo conexo G, um v´ ertice v ser ´ a chamado de
v´ ertice separador quando a sua retirada resultar num grafo
desconexo ou nulo. Prove que um grafo s ´ o tem uma ponte se
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Estilo OBMEP
66 CAP. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS
Ponte
Figura 3.11:
tiver um v´ ertice separador, mas a rec´ıproca n ˜ ao ´ e verdadeira.
2. Prove que dentre G e G, pelo menos um ´ e conexo.
3. Mostre que A
2
, o quadrado da matriz de adjacˆ encia de um
grafo, nos d ´ a o n ´ umero de caminhos de comprimento 2 entre
cada par de v´ ertices do grafo. Que n ´ umero aparece na diag-
onal principal de A
2
? Qual o significado da matriz A
k
? (Teo-
rema de Festinger).
4. Mostre que se um grafo tem 2.k v´ ertices de grau ´ımpar seu
conjunto de arestas pode ser particionado em k caminhos dis-
juntos.
5. Para que valores de n, p e q os grafos K
n
, K
p,q
, P
n
s ˜ ao euleri-
anos? semi-eulerianos? hamiltonianos? semi-hamiltonianos?
6. Mostre que K
i,j
´ e hamiltoniano se e s ´ o se i = j; e que nesse
caso, existem
i
2
| ciclos hamiltonianos disjuntos.
Observa¸ c˜ ao: x| ´ e o maior n ´ umero inteiro menor ou igual a x.
Por exemplo:
5
7
| = 0,
41
3
| = 13 e
6
2
| = 3.
7. Seja o grafo Q
j
= (X
j
, U
j
) no qual X
j
= ¦vetores de j coorde-
nadas, cada uma igual a 0 ou 1 ¦ e U
j
= ¦(v
j
, w
j
)[v
j
difere de
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Estilo OBMEP
SEC. 3.7: UMA PALAVRA SOBRE COMPLEXIDADE 67
w
j
por uma s ´ o coordenada ¦.
A figura 3.12 mostra Q
1
, Q
2
e Q
3
.
(0) (1)
(0,0)
(1,0) (1,1)
(0,1) (0,0,0)
(0,0,1)
(1,0,0)
(1,1,0)
(0,1,1)
(1,1,1)
(0,1,0)
(1,0
,1)
Q
1
Q
2
Q
3
Figura 3.12:
(a) Calcule n
j
= [X
j
[ e m
j
= [U
j
[.
(b) Para que valores de j ´ e Q
j
euleriano? Justifique.
(c) Mostre que Q
j
´ e bipartido.
(d) Para que valores de j ´ e Q
j
hamiltoniano? Justifique.
8. Mostre que o grafo de Petersen (ver figura 3.13) n ˜ ao ´ e hamilto-
niano.
Figura 3.13:
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Estilo OBMEP
68 CAP. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS
9. Mostre que se G for euleriano, L(G) ser ´ a hamiltoniano, mas a
rec´ıproca n ˜ ao ´ e verdadeira.
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Estilo OBMEP
Cap´ıtulo 4
´
Arvores
4.1 Defini ¸ c˜ oes e Caracteriza¸ c˜ oes
Um dos tipos mais freq ¨ uentes de grafos s ˜ ao as ´ arvores, j´ a definidos
anteriormente como grafos conexos sem ciclos. Um grafo cujas com-
ponentes conexas s ˜ ao ´ arvores ´ e chamado de floresta.
árvore
floresta
Figura 4.1:
Para um dado n ´ umero de v´ ertices n, uma ´ arvore ´ e o grafo
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Estilo OBMEP
70 CAP. 4:
´
ARVORES
conexo com menor n ´ umero de arestas. As v ´ arias caracterizac¸ ˜ oes
das ´ arvores podem ser reunidas no teorema a seguir.
Teorema. Seja T um grafo com n v´ ertices. As seguintes afirma¸ c˜ oes s˜ ao
equivalentes:
(i) T ´ e uma ´ arvore.
(ii) T n˜ ao cont ´ em ciclos e tem n −1 arestas.
(iii) T ´ e conexo e tem n −1 arestas.
(iv) T ´ e conexo e toda aresta ´ e uma ponte.
(v) Todo par de v´ ertices de T ´ e ligado por um ´ unico caminho.
(vi) T n˜ ao cont ´ em ciclos, mas a adi¸ c˜ ao de uma aresta produz um ´ unico
ciclo.
Demonstra¸ c˜ ao.
(i) ⇒ (ii): Pela definic¸ ˜ ao de ´ arvore, T n ˜ ao cont ´ em ciclos. Portanto,
a retirada de uma aresta uv separa u de v e o grafo ´ e separado em
um par de ´ arvores T

e T

com n

e n

v´ ertices, respectivamente, tais
que n = n

+ n

. Por induc¸ ˜ ao, o n ´ umero de arestas de T

´ e n

− 1
e o n ´ umero de arestas de T

´ e n

− 1. Acrescentando a aresta uv,
conclu´ımos que o n ´ umero de arestas de T ´ e, portanto, (n

− 1) +
(n

−1) + 1 = n −1.
(ii) ⇒(iii): Se T fosse desconexo, cada componente seria uma ´ arvore.
Por induc¸ ˜ ao, o n ´ umero de arestas em cada componente ´ e inferior em
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Estilo OBMEP
SEC. 4.2:
´
ARVORES GERADORAS 71
uma unidade ao n ´ umero de v´ ertices e o n ´ umero total de arestas seria
inferior a n −1.
(iii) ⇒(iv): A retirada de qualquer aresta separa o grafo, pois n − 2
arestas s ˜ ao insuficientes para conectar o grafo.
(iv) ⇒ (v): Se existisse mais de um caminho entre dois v´ ertices, o
grafo teria um ciclo e haveria uma aresta que n ˜ ao separaria o grafo.
(v) ⇒(vi): Se T contivesse um ciclo, haveria um par de v´ ertices lig-
ado por mais de um caminho. A adic¸ ˜ ao de uma aresta uv, concate-
nada com o caminho ( ´ unico) entre u e v, produz um ciclo. Se esse
ciclo n ˜ ao fosse ´ unico, a retirada da aresta uv deixaria dois caminhos
distintos entre u e v.
(vi) ⇒(i): Basta mostrar que T ´ e conexo. Se T fosse desconexo, uma
aresta ligando duas componentes n ˜ ao produziria um ciclo.
4.2
´
Arvores Geradoras
O Problema de Conex˜ ao de Peso M´ınimo
Uma ´ arvore geradora de uma componente conexa de um grafo G,
com n v´ ertices, ´ e um subgrafo que ´ e uma ´ arvore com n − 1 arestas;
isto ´ e, toca todos os v´ ertices.
Vimos que um algoritmo ”guloso”pode ser f´ acil de implemen-
tar, mas dificilmente dar ´ a um bom resultado (da´ı o nome...). Uma
excec¸ ˜ ao ocorre na soluc¸ ˜ ao do seguinte problema: ”Dado um grafo
G valorado, qual a ´ arvore geradora de menor valor?”. Por exem-
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Estilo OBMEP
72 CAP. 4:
´
ARVORES
plo, se queremos realizar a ligac¸ ˜ ao de computadores em rede a custo
m´ınimo, que ligac¸ ˜ oes deveremos fazer?
A resposta ser ´ a uma ´ arvore geradora, ´ e claro. Mas qual?
O grafo da figura 4.2 mostra o custo entre as ligac¸ ˜ oes de um grafo
K
5
.
a
b
c d
e
40
100
44
46
44
102
42
60
6
42
Figura 4.2:
Para resolver o problema, usaremos o algoritmo de Kruskal.
Este algoritmo consiste em tomar a aresta de menor valor; se ela
n ˜ ao forma ciclo, a acrescentamos ` a nossa ´ arvore. Caso contr ´ ario, n ´ os
a desprezamos. Quando tivermos conseguido n − 1 arestas, nossa
´ arvore estar ´ a pronta.
No nosso caso :
c →e ⇒6
a →e ⇒40
Agora h ´ a um empate entre a −c e b −d. Podemos escolher qual-
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Estilo OBMEP
SEC. 4.2:
´
ARVORES GERADORAS 73
quer uma.
a →c ⇒forma ciclo.
b →d ⇒42
Temos outro empate, agora entre b −c e d −e. Podemos escolher
qualquer uma.
b →c ⇒44
Ja temos 4 arestas. Nossa ´ arvore est ´ a completa.
Total: 132
Nossa ´ arvore ficar ´ a assim:
d
e
a
b
c
40
42
44
6
Figura 4.3:
Teorema. O algoritmo de Kruskal fornece uma solu¸ c˜ ao ´ otima para o prob-
lema da conex˜ ao de peso m´ınimo.
Demonstra¸ c˜ ao. O algoritmo, evidentemente, fornece uma ´ arvore ger-
adora T. Suponhamos que T n ˜ ao tenha peso m´ınimo, isto ´ e, existe
uma ´ arvore geradora T

tal que o peso de T

´ e menor do que o peso
de T. Seja e a primeira aresta escolhida para T que n ˜ ao pertence a
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Estilo OBMEP
74 CAP. 4:
´
ARVORES
T

. Se adicionarmos e a T

obtemos um ciclo que cont ´ em uma aresta
e
k
que n ˜ ao est ´ a em T. Retiramos a aresta e
k
e temos uma ´ arvore T”
com peso menor que T. Mas nesse caso, essa aresta e
k
teria sido es-
colhida pelo algoritmo no lugar de e, o que mostra que o algoritmo
constr ´ oi efetivamente uma ´ arvore de menor peso.
Um algoritmo guloso pode ser usado para obter um limite infe-
rior para o PCV. Como um ciclo ´ e um caminho adicionado de uma
aresta, um limite inferior para o PCV ´ e dado pelo valor da ´ arvore
geradora m´ınima (obtido por um algoritmo guloso) mais o menor
valor de uma aresta n ˜ ao usada na ´ arvore.
Exerc´ıcios
1. Desenhe todas as ´ arvores com 6 v´ ertices e com 7 v´ ertices.
2. Mostre que um grafo conexo, com n v´ ertices e m arestas, tem,
no m´ınimo, m−n + 1 ciclos distintos.
3. Determine todas as ´ arvores geradoras do grafo da figura 4.4.
a
b
c
d
e
Figura 4.4:
4. (a) Mostre que toda ´ arvore ´ e um grafo bipartido.
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Estilo OBMEP
SEC. 4.2:
´
ARVORES GERADORAS 75
(b) Quais ´ arvores s ˜ ao tamb´ em grafos bipartidos completos?
5. Como podemos adaptar o algoritmo de Kruskal para obter o
valor de uma ´ arvore geradora de valor m´ aximo?
6. Prove que um grafo conexo ´ e uma ´ arvore se e somente se tem
uma ´ unica ´ arvore geradora.
7. Prove que uma ´ arvore com Δ > 1 tem , no m´ınimo, Δ v´ ertices
pendentes.
8. Prove que uma ´ arvore em que exatamente 2 v´ ertices n ˜ ao s ˜ ao
v´ ertices separadores ´ e um caminho.
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Estilo OBMEP
Cap´ıtulo 5
Subconjuntos Especiais de
um Grafo
5.1 Conjuntos Independentes
J´ a vimos, pelo menos, um exemplo de subconjunto not ´ avel de um
grafo: um subgrafo independente, no qual nenhum par de v´ ertices
est ´ a ligado. Um conjunto independente pode desempenhar papel
importante em uma modelagem.
Suponhamos que um grafo represente a incompatibilidade de
hor ´ arios entre professores que devem dar prova final; os v´ ertices x
e y estar ˜ ao ligados se representarem professores que t ˆ em alunos em
comum para ministrar a prova. Qual o maior n ´ umero de professores
que podem dar prova ao mesmo tempo? a resposta ´ e dada pelo
subconjunto independente m´ aximo de v´ ertices do grafo.
76
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Estilo OBMEP
SEC. 5.1: CONJUNTOS INDEPENDENTES 77
O subconjunto assinalado com quadrados negros no grafo da fi-
gura 5.1 mostra um conjunto com estas caracter´ısticas. O n ´ umero
de independˆ encia α(G) ´ e a cardinalidade do subconjunto indepen-
dente m´ aximo de v´ ertices do grafo. No nosso exemplo (figura 5.1),
α(G) = 4.
Figura 5.1:
Aplicac¸ ˜ oes do conceito de conjunto independente surgem
quando, por exemplo, desejamos evitar duplicac¸ ˜ ao de esforc¸os.
Suponhamos que num parque, representado pelo grafo da figura
5.2, eu quisesse instalar barracas para venda de sorvete. A operado-
ra das barracas faz as seguintes restric¸ ˜ oes:
• Uma barraca deve ser localizada em uma esquina (v´ ertice).
• Esquinas pr ´ oximas (v´ ertices adjacentes) s ´ o admitem uma bar-
raca.
Estamos procurando ent ˜ ao um conjunto independente. Para ins-
talar o m´ aximo de barracas procuramos um conjunto independente
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Estilo OBMEP
78 CAP. 5: SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DE UM GRAFO
Figura 5.2:
m´ aximo. J´ a vimos que esta pode ser uma tarefa complexa. Na fi-
gura 5.3 a configurac¸ ˜ ao da esquerda mostra um conjunto indepen-
dente maximal, isto ´ e, n ˜ ao podemos acrescentar mais barracas de
sorvete. Mas a configurac¸ ˜ ao da direita tamb´ em ´ e independente e
cont ´ em quase o dobro de barracas.
Figura 5.3:
5.2 Colora¸ c˜ ao
Suponha, no exemplo anterior, que quis´ essemos saber qual o menor
n ´ umero de hor ´ arios necess ´ arios para ministrar as provas. Para isto,
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Estilo OBMEP
SEC. 5.2: COLORAC¸
˜
AO 79
devemos resolver o problema de particionar o conjunto de v´ ertices
do grafo em subconjuntos independentes; cada conjunto correspon-
der ´ a a um hor ´ ario de prova. Uma forma de resolver o problema ´ e
atribuir cores aos v´ ertices de forma que v´ ertices adjacentes tenham
necessariamente cores diferentes.O menor n ´ umero de cores que se
pode utilizar ser ´ a portanto a soluc¸ ˜ ao do problema.
Observa¸ c˜ ao. N˜ ao precisamos efetivamente ”colorir“ os v´ ertices, basta
atribuir um n ´ umero ou um s´ımbolo aos v´ ertices.
Podemos colorir os v´ ertices com 12 cores (uma para cada
v´ ertice), mas o menor n ´ umero poss´ıvel de cores ´ e 4 (veja a figura
5.1). O menor n ´ umero de cores para colorir os v´ ertices de um grafo
G ´ e chamado n ´ umero crom´ atico de G e denotado por χ(G). No
caso, χ(G) = 4.
Teorema. Para todo grafo G, tem-se que χ(G) ≤ Δ + 1.
Demonstra¸ c˜ ao. Colorimos v´ ertice por v´ ertice. Cada v´ ertice pode ser
adjacente a, no m´ aximo, Δ v´ ertices. Podemos sempre encontrar uma
cor com a qual colorir o v´ ertice da vez.
A demonstrac¸ ˜ ao acima fornece um algoritmo para colorir um
grafo com Δ + 1 cores.
Apresentamos, sem demonstrar, um teorema cl ´ assico que reduz
um pouco o limite acima.
Teorema (Brooks - 1941). Se G ´ e um grafo conexo que n˜ ao seja K
n
e tal
que Δ(G) ≥ 3, ent ˜ ao χ(G) ≤ Δ(G)
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Estilo OBMEP
80 CAP. 5: SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DE UM GRAFO
Teorema. Um grafo G ´ e bipartido se e somente se χ(G) = 2.
Demonstra¸ c˜ ao. Basta fazer corresponder cada uma das partic¸ ˜ oes in-
dependentes de G a uma cor.
5.3 Aplica¸ c˜ oes de Colora¸ c˜ ao
As aplicac¸ ˜ oes de colorac¸ ˜ ao aparecem quando precisamos repartir o
conjunto de v´ ertices em conjuntos de v´ ertices independentes disjun-
tos. Voltando ao problema do parque da Sec¸ ˜ ao 6.1, suponha que
quis´ essemos instalar barracas de sorvete, pipocas, cachorro-quente,
etc. As restric¸ ˜ oes agora ser ˜ ao:
• Uma barraca deve ser localizada em uma esquina (v´ ertice).
• Esquinas pr ´ oximas (v´ ertices adjacentes) s ´ o admitem barracas
com servic¸os diferentes.
Por motivos comerciais, queremos evitar a diversificac¸ ˜ ao ex-
cessiva de servic¸os. Qual seria o menor n ´ umero de servic¸os que
poder´ıamos usar? Vemos na figura 5.4 que podemos colorir os
v´ ertices com apenas 3 cores. Este n ´ umero ´ e m´ınimo pois o grafo
inclui um subgrafo isomorfo a K
3
.
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Estilo OBMEP
SEC. 5.3: APLICAC¸
˜
OES DE COLORAC¸
˜
AO 81
Figura 5.4:
Uma outra aplicac¸ ˜ ao cl ´ assica de colorac¸ ˜ ao ´ e o problema dos exa-
mes. A tabela abaixo mostra a alocac¸ ˜ ao de alunos nos exames finais
que eles devem prestar:
Alunos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16
Matem´ atica X X X X
Portugu ˆ es X X X X
Ingl ˆ es X X X X
Geografia X X X X X
Hist ´ oria X X X X X
F´ısica X X X
Qu´ımica X X X X X
Biologia X X
Duas disciplinas s ´ o podem ter exames realizados simultanea-
mente se n ˜ ao houver alunos comuns. Vamos construir um grafo
com os v´ ertices ¦M, P, I, G, H, F, Q, B¦; dois v´ ertices estar ˜ ao ligados
se tiverem um aluno em comum.
A figura 5.5 mostra uma partic¸ ˜ ao dos v´ ertices em dois conjun-
tos independentes disjuntos. Os exames podem ser realizados em 2
hor ´ arios, um para ¦B, G, H, M¦ e outro para ¦F, I, P, Q¦.
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Estilo OBMEP
82 CAP. 5: SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DE UM GRAFO
M
P
I
G
H F
Q
B
Figura 5.5:
Uma outra aplicac¸ ˜ ao ´ e a determinac¸ ˜ ao de per´ıodos de um sinal
de tr ˆ ansito. O desenho abaixo representa um cruzamento. As
direc¸ ˜ oes permitidas est ˜ ao assinaladas por setas. Veja a figura 5.6.
A
B
C
D
E
Figura 5.6:
Como organizar o tr ˆ ansito? Vamos formar um grafo de incom-
patibilidade. Os v´ ertices ser ˜ ao as direc¸ ˜ oes poss´ıveis:
V = AB, AC, AD, BA, BC, BD, DA, DB, DC, EA, EB, EC, ED
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Estilo OBMEP
SEC. 5.3: APLICAC¸
˜
OES DE COLORAC¸
˜
AO 83
Ligamos dois v´ ertices sempre que as direc¸ ˜ oes forem incom-
pat´ıveis (por exemplo AD e EB). Veja a figura 5.7.
Figura 5.7:
Observe que BA, DC e ED s ˜ ao compat´ıveis com todas as
direc¸ ˜ oes, sendo por isso v´ ertices isolados. Uma colorac¸ ˜ ao dos
v´ ertices coerresponde a uma divis ˜ ao em per´ıodos. Poder´ıamos usar
13 cores, uma para cada direc¸ ˜ ao, mas isso seria um desperd´ıcio
de tempo. Como os v´ ertices AC, BD, DA e EB formam um K
4
precisamos de pelo menos 4 cores. A partic¸ ˜ ao em conjuntos in-
dependentes ¦AB, AC, AD¦, ¦BC, BD, EA¦, ¦BA, EB, EC, ED¦,
¦DA, DB, DC¦ mostra que de fato 4 cores (4 per´ıodos) s ˜ ao sufi-
cientes, isto ´ e, χ(G) = 4.
Exerc´ıcios
1. O dono de uma loja de animais comprou uma certa quantidade
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Estilo OBMEP
84 CAP. 5: SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DE UM GRAFO
de peixes ornamentais de diversas esp ´ ecies. Alguns destes
peixes n ˜ ao podem ficar no mesmo aqu ´ ario. A compatibilidade
entre as esp ´ ecies est ´ a retratada na tabela abaixo, onde X sig-
nifica que as esp ´ ecies n ˜ ao devem ficar no mesmo aqu ´ ario.
(a) Qual o menor n ´ umero de aqu ´ arios necess ´ ario para abri-
gar sem problemas todos os peixes?
(b)
´
E poss´ıvel distribuir os peixes de forma que cada aqu ´ ario
tenha (aproximadamente) o mesmo n ´ umero de peixes?
A B C D E F G H I
A X X X
B X X
C X X X
D X X X
E X X X
F X X X X
G X X X X X
H X X X X
I X X X
2. Para os cruzamentos da figura 5.8, d ˆ e uma seq ¨ u ˆ encia
econ ˆ omica de per´ıodos para o sinal de tr ˆ ansito.
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Estilo OBMEP
SEC. 5.3: APLICAC¸
˜
OES DE COLORAC¸
˜
AO 85
A
B
C
D
Figura 5.8:
3. Determine o n ´ umero crom´ atico dos grafos da figura 5.9.
v
Figura 5.9:
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Estilo OBMEP
86 CAP. 5: SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DE UM GRAFO
5.4 Cliques
Uma clique de G ´ e um subgrafo completo de G. O n ´ umero de
v´ ertices da clique m´ axima ´ e o n ´ umero de clique de G, denotado
por ω(G). Note-se que uma clique de G corresponde a um conjunto
independente em G, isto ´ e ω(G) = α(G).
5.5 Acoplamentos
Da mesma forma que selecionamos um conjunto independente de
v´ ertices, podemos considerar um conjunto independente de arestas,
isto ´ e, de arestas n ˜ ao incidentes duas a duas. Um conjunto deste tipo
´ e chamado um acoplamento do grafo G.
G
1
G
2
G
3
Figura 5.10:
Na figura 5.10 o acoplamento em G
1
´ e maximal (pois n ˜ ao pode
ser aumentado) mas n ˜ ao ´ e m´ aximo. O acoplamento em G
2
´ e
m´ aximo, mas n ˜ ao toca todos os v´ ertices; os que s ˜ ao tocados s ˜ ao di-
tos v´ ertices saturados e os outros v´ ertices n˜ ao saturados. O acopla-
mento em G
3
´ e m´ aximo e satura todos os v´ ertices; dizemos ent ˜ ao
que ´ e um acoplamento perfeito. O n ´ umero de acoplamento de um
grafo G, denotado por α

(G), ´ e a cardinalidade do maior acopla-
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Estilo OBMEP
SEC. 5.5: ACOPLAMENTOS 87
mento de G.
Observa¸ c˜ ao. Note a diferen¸ ca entre os conceitos de m´ aximo (o conjunto
de maior cardinal poss´ıvel dentro das condi¸ c˜ oes exigidas) e maximal (um
conjunto que n˜ ao pode ser aumentado sem violar as condi¸ c˜ oes exigidas). A
mesma id´ eia se aplica a conjuntos m´ınimos e minimais.
Dado um grafo G e um acoplamento M, um caminho M-
aumentante em G ´ e um caminho que liga dois v´ ertices n ˜ ao
saturados por M que alternam arestas de M e arestas de G−M.
Teorema (Berge). Um acoplamento M de um grafo G ´ e m´ aximo se e so-
mente se n˜ ao cont ´ em um caminho M-aumentante.
Demonstra¸ c˜ ao.
(⇒) Se h ´ a um caminho M-aumentante, podemos obter um acopla-
mento uma unidade maior adicionando as arestas do caminho fora
de M ao acoplamento e retirando as arestas em M do acoplamento.
A definic¸ ˜ ao de caminho aumentante garante que o resultado ´ e ainda
um acoplamento.
(⇐) Se M n ˜ ao ´ e maximo, ent ˜ ao existe M

maximo. Considere
D = MΔM

, a diferenc¸a sim´ etrica entre M e M

(isto ´ e, o con-
junto de arestas de M e M

que n ˜ ao pertencem a M ∩ M

); como
s ˜ ao acoplamentos, os v´ ertices em D t ˆ em grau no m´ aximo 2. Logo,
as componentes de D s ˜ ao ciclos pares (alternam arestas de M e M

)
ou caminhos. Como [M

[ ≥ [M[, uma das componentes, ao menos,
´ e um caminho alternando arestas de [M

[ e [M[ comec¸ando e termi-
nando em M

. Esse ´ e um caminho M-alternante.
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Estilo OBMEP
88 CAP. 5: SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DE UM GRAFO
5.6 Acoplamentos em Grafos Bipartidos
O acoplamento modela situac¸ ˜ oes em que formamos pares; se o grafo
G for bipartido, o acoplamento assume a forma de formac¸ ˜ ao de ca-
sais, e ´ e estudado de forma ligeiramente diferente. Seja G um grafo
bipartido com partic¸ ˜ oes dos v´ ertices X e Y . Dizemos que temos um
acoplamento de X em Y quando um acoplamento de G satura Y
(mas n ˜ ao necessariamente X).
Apresentamos o seguinte teorema, sem demonstrac¸ ˜ ao.
Teorema. Se G´ e um grafo bipartido com parti¸ c˜ oes de v´ ertices X e Y , ent ˜ ao
G tem um acoplamento de X em Y se e somente se [N(S)[ ≥ [S[, ∀S ⊆
X, sendo N(S) a vizinhan¸ ca aberta de S.
Demonstra¸ c˜ ao. Ver em West [6].
A condic¸ ˜ ao deste teorema ´ e tamb´ em conhecida como Condi ¸ c˜ ao
de Hall.
Teorema. Se k > 0, qualquer grafo k-regular bipartido admite um acopla-
mento perfeito.
Demonstra¸ c˜ ao. Comec¸amos contando as arestas pelas extremidades
em X e Y , as partic¸ ˜ oes de v´ ertices. Cada aresta tem uma extremi-
dade em X e outra em Y , logo k.[X[ = k.[Y [ e, portanto, [X[ = [Y [.
S´ o precisamos ent ˜ ao provar a condic¸ ˜ ao de Hall. Considere S ⊆ X,
tal que haja r arestas entre S e N(S). Como G ´ e k-regular, temos que
r = k[S[. Do lado de Y temos r ≤ k.[N(S)[. Logo, k.[S[ ≤ k.[N(S)[
e, finalmente, [S[ ≤ [N(S)[.
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Estilo OBMEP
SEC. 5.7: COLORAC¸
˜
AO DE ARESTAS 89
5.7 Colora¸ c˜ ao de Arestas
Suponhamos que num grupo de pessoas v ´ arias duplas devam ser
formadas para cumprir determinadas tarefas num laborat ´ orio. O
grafo da figura 5.11 ilustra esta situac¸ ˜ ao. Observe que uma mesma
pessoa pode ter que cumprir uma tarefa em diversas duplas. Cada
tarefa dessas necessita de 1 hora para ser executada. Qual o menor
n ´ umero de horas necess ´ arias para que todas as tarefas sejam realiza-
das?
a
b
c
d
e
f
Figura 5.11:
As arestas representam as duplas e, como cada indiv´ıduo s ´ o
pode trabalhar em uma tarefa de cada vez, tarefas executadas si-
multaneamente correspondem a um acoplamento. Podemos fazer
corresponder uma cor a cada hor ´ ario (j´ a sabemos que essa cor pode
ser um n ´ umero ou um s´ımbolo) e nossa pergunta passa a ser:
”Qual o m´ınimo de cores para colorir as arestas do grafo de
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Estilo OBMEP
90 CAP. 5: SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DE UM GRAFO
modo que arestas incidentes num mesmo v´ ertice recebam cores
diferentes?”
O menor n ´ umero usado para colorir (propriamente) as arestas de
um grafo ´ e chamado ´ındice crom´ atico do grafo , notado por χ

(G) .
No nosso exemplo conseguimos colorir as arestas com 4 cores (veja
figura 5.12) - que ´ e evidentemente o menor n ´ umero poss´ıvel pois o
v´ ertice a tem quatro arestas incidentes. Logo χ

(G) = 4. Os hor ´ arios
ficariam assim distribu´ıdos:
4
2
2
1
1
4
3
3
b
d
c
e
a
3
1
4
2
f
Figura 5.12:
Hor ´ ario(cor) Duplas
1 ab, ce, df
2 ac, bd, ef
3 af, bc, de
4 ae, cd
Pelo que vimos acima, fica claro que χ

(G) ≥ Δ. O teorema
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Estilo OBMEP
SEC. 5.7: COLORAC¸
˜
AO DE ARESTAS 91
a seguir (que apresentamos sem demonstrac¸ ˜ ao) nos d ´ a um limite
superior bem estreito.
Teorema (Vizing). Para qualquer grafo G, tem-se que
Δ ≤ χ

(G) ≤ Δ + 1.
Para grafos bipartidos, entretanto, χ

(G) ´ e conhecido.
Teorema (Vizing). Para qualquer grafo G bipartido, χ

(G) = Δ.
Demonstra¸ c˜ ao. Suponha que estamos colorindo as arestas uma por
uma, dispondo de Δ cores. Ao colorir a aresta xy tentaremos encon-
trar uma cor que n ˜ ao esteja presente em arestas incidentes a x e nem
em arestas incidentes a y. Se for poss´ıvel, tudo bem. Se esse n ˜ ao for
o caso, observemos que as arestas incidentes a x ocupam no m´ aximo
Δ− 1 cores (pois xy n ˜ ao est ´ a colorida), o mesmo acontecendo com
y. Isso nos garante que h ´ a uma aresta incidente a x que est ´ a colorida
com a cor c
x
, ausente nas arestas incidentes em y; por seu lado, existe
uma cor c
y
presente nas arestas incidentes em y e ausente nas arestas
incidentes a x. Formemos uma cadeia de arestas comec¸ando em x
e alternando arestas de cor c
x
e c
y
(essa cadeia pode at ´ e, eventual-
mente, s ´ o possuir uma aresta). Como o grafo bipartido, as arestas c
x
v ˜ ao de uma partic¸ ˜ ao para outra e as arestas c
y
retornam ` a primeira
partic¸ ˜ ao. Como c
x
est ´ a ausente em y, essa cadeia n ˜ ao passa pelo
v´ ertice y. Podemos ent ˜ ao recolorir a cadeia intercambiando as cores
c
x
e c
y
, sem afetar a propriedade da colorac¸ ˜ ao. Depois desse in-
tercˆ ambio a cor c
x
estar ´ a ausente em x e y e podemos colorir a aresta
xy. Isto mostra que todas as arestas podem ser coloridas utilizando
apenas Δ cores.
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Estilo OBMEP
92 CAP. 5: SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DE UM GRAFO
Observa¸ c˜ ao. A t ´ ecnica dessa demonstra¸ c˜ ao se baseia numaid´ eia de Kempe
e retornaremos a ela quando falarmos do Problema das 4 cores no cap´ıtulo
sobre planaridade.
Uma aplicac¸ ˜ ao conhecida da colorac¸ ˜ ao de arestas ´ e o problema
dos exames orais. Tr ˆ es professores devem examinar 6 estudantes,
segundo a seguinte lista:
Professor 11 A, C, D
Professor 22 A, C
Professor 33 A, B, D
A cada hora um professor chama um dos alunos para ser exami-
nado. Dois professores n ˜ ao podem examinar um aluno e cada pro-
fessor examina apenas um aluno. Qual o menor espac¸o de tempo
que podemos utilizar? Usaremos um modelo de grafo bipartido
(veja figura 5.13)- de um lado os professores, do outro os alunos.
Uma colorac¸ ˜ ao das arestas representa uma divis ˜ ao de hor ´ arios. A
colorac¸ ˜ ao ¦P1A, P2C, P3D¦, ¦P1C, P2A, P3B¦, ¦P1D, P2E, P3F¦,
´ e uma partic¸ ˜ ao das arestas em acoplamentos disjuntos - o que ´ e
garantido pelo teorema demonstrado anteriormente.
Outro problema cl ´ assico da colorac¸ ˜ ao de arestas ´ e a organizac¸ ˜ ao
de passeios por duplas. Suponha que um batalh ˜ ao com 2.t solda-
dos sai para marchar todo dia. Quantos passeios podemos fazer de
modo que cada soldado tenha sempre um companheiro diferente?
Este n ´ umero ´ e, no m´ aximo 2.t − 1 pois este ´ e o n ´ umero de compa-
nheiros que cada soldado tem. Veremos que este ´ e o n ´ umero exato.
Para melhor enxergar este fato vamos dar o exemplo com t = 3, isto
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SEC. 5.7: COLORAC¸
˜
AO DE ARESTAS 93
P1
P2
P3
A
B
C
D
E
F
Figura 5.13:
´ e, com 6 soldados. Se pensarmos em todas as duplas poss´ıveis esta-
mos pensando no grafo K
6
, os soldados sendo os v´ ertices e as arestas
as duplas. Um passeio corresponder ´ a a um acoplamento perfeito e
uma colorac¸ ˜ ao das arestas usando acoplamentos perfeitos nos dar ´ a
o n ´ umero poss´ıvel de passeios. Desenhamos K
6
da seguinte forma:
Figura 5.14:
Os acoplamentos s ˜ ao obtidos pelas arestas paralelas e perpendi-
culares (figura 5.15):
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Estilo OBMEP
94 CAP. 5: SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DE UM GRAFO
Figura 5.15:
A colorac¸ ˜ ao produzida ´ e:
¦12, 36, 45¦, ¦13, 24, 56¦, ¦14, 26, 35¦, ¦15, 23, 46¦, ¦16, 25, 34¦
Exerc´ıcios
1. Exiba uma colorac¸ ˜ ao m´ınima das arestas de K
10
.
2. (
´
Indice crom´ atico de K
2t−1
)
(a) K
5
tem 5 v´ ertices e 10 arestas. Um acoplamento de K
5
pode ter no m´ aximo arestas.
(b) Para uma colorac¸ ˜ ao das 10 arestas de K
5
precisamos de
(no m´ınimo) acoplamentos (cores).
(c) Mostre que para obter uma colorac¸ ˜ ao de K
5
basta tomar
uma colorac¸ ˜ ao de K
6
e desconsiderar as arestas que con-
tenham o v´ ertice 6.
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Estilo OBMEP
SEC. 5.8: OUTROS SUBCONJUNTOS 95
(d) Mostre que:
• χ

(K
t
) = t −1, se t ´ e par.
• χ

(K
t
) = t, se t ´ e ´ımpar.
5.8 Outros Subconjuntos
Outros tipos de subconjuntos e de invariantes t ˆ em sido estudados.
Citaremos apenas tr ˆ es.
• Coberturas de v´ ertices -
´
E um subconjunto de v´ ertices tal que
toda aresta ´ e incidente a um v´ ertice do conjunto. O n ´ umero de
cobertura de v´ ertices de um grafo G, denotado por β(G), ´ e a
cardinalidade da maior cobertura de v´ ertices de G.
• Coberturas de arestas -
´
E um subconjunto de arestas tal que
todo v´ ertice ´ e tocado por uma aresta do conjunto. O n ´ umero
de cobertura de arestas de um grafo G, denotado por β

(G), ´ e
a cardinalidade da maior cobertura de arestas de G.
• Conjuntos dominantes -
´
E um subconjunto de v´ ertices tal que
todo v´ ertice do grafo est ´ a no conjunto ou ´ e adjacente a um de
seus v´ ertices. O n ´ umero de dominˆ ancia de um grafo G, deno-
tado por γ(G), ´ e a cardinalidade do maior conjunto dominante
de G.
Exerc´ıcios
1. Qual o n ´ umero de independ ˆ encia α(Pet) do grafo de Petersen?
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96 CAP. 5: SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DE UM GRAFO
2. Qual o n ´ umero de colorac¸ ˜ ao χ(Pet) do grafo de Petersen?
3. Apresente um acoplamento maximal do grafo de Petersen
com 3 arestas. Encontre caminhos aumentantes que fornec¸am
acoplamentos de 4 e 5 arestas.
4. Prove que
n
2
≤ χ(G) ≤ n −α + 1
5. Mostre que se K
t
´ e subgrafo de G, ent ˜ ao χ(G) ≥ t.
´
E verdade
que se χ(G) = t, ent ˜ ao K
t
´ e subgrafo de G?
6. O ´ındice crom´ atico do grafo G, denotado por χ

(G), ´ e o
menor n ´ umero de cores com que podemos colorir as arestas de
maneira que duas arestas incidentes tenham cores diferentes.
(a) Calcule χ

(K
n
).
(b) Calcule χ

(Pet), o ´ındice crom´ atico do grafo de Petersen.
7. (a) Prove que um conjunto independente maximal ´ e um con-
junto dominante.
(b) Prove que um conjunto dominante minimal pode n ˜ ao ser
um conjunto independente.
8. Mostre que:
(a) α

(G) ≤ β(G).
(b) α(G) ≤ β

(G).
(c) α(G).χ(G) ≥ n.
(d) γ(G) ≤
n
2
.
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Cap´ıtulo 6
Grafos Planares
6.1 Defini ¸ c˜ oes e Resultados Simples
Um grafo planar ´ e um grafo que admite uma representac¸ ˜ ao
gr ´ afica em que as arestas s ´ o se encontrem (possivelmente) nos
v´ eritces a que s ˜ ao incidentes. Exemplos cl ´ assicos de grafos planares
s ˜ ao dados pelos grafos que representam os poliedros. Na figura 6.1,
apresentamos os grafos dos 5 s ´ olidos plat ˆ onicos: tetraedro, cubo,
octaedro, dodecaedro e icosaedro.
97
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Estilo OBMEP
98 CAP. 6: GRAFOS PLANARES
Figura 6.1:
Uma pergunta que pode ser feita ´ e se existe um grafo que n ˜ ao
seja planar. Mostraremos que o grafo K
5
n ˜ ao ´ e planar. De fato, qual-
quer representac¸ ˜ ao de K
5
dever ´ a ter um ciclo de comprimento 5 que
divide o plano em ”interior”e ”exterior”. S´ o conseguimos colocar
duas arestas no interior sem que se cruzem; no exterior, a situac¸ ˜ ao ´ e
a mesma. Nos sobra uma aresta.
Quantas arestas pode ter um grafo planar? Uma representac¸ ˜ ao
gr ´ afica de um grafo com pelo menos um ciclo separa o plano em
regi ˜ oes (no caso das ´ arvores, temos uma ´ unica regi ˜ ao). Essas regi ˜ oes
s ˜ ao chamadas faces; n ˜ ao devemos esquecer que uma das faces
´ e tudo que ”sobra”do plano - ´ e a face ilimitada. O n ´ umero de
faces de um grafo ser ´ a designado por f. A figura 6.2 mostra duas
representac¸ ˜ oes do mesmo grafo, ilustrando que qualquer face pode
ser colocada como face ilimitada.
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Estilo OBMEP
SEC. 6.1: DEFINIC¸
˜
OES E RESULTADOS SIMPLES 99
Figura 6.2:
Para grafos planares, vale a relac¸ ˜ ao de Euler para poliedros
convexos.
Teorema de Euler. Num grafo planar conexo vale f −m+n = 2.
Demonstra¸ c˜ ao. Demonstraremos o teorema por induc¸ ˜ ao sobre o
n ´ umero de arestas. Tomemos um grafo conexo qualquer. Se for uma
´ arvore, temos f −m+n = 1−(n−1)+n = 2. Se houver um ciclo, reti-
ramos uma aresta do ciclo, e o grafo fica com uma face a menos, mas
pela hip ´ otese de induc¸ ˜ ao a relac¸ ˜ ao vale para o novo grafo. Temos
ent ˜ ao (f −1) −(m−1) +n = 2 e, portanto, f −m+n = 2.
Observamos que podemos acrescentar arestas a um grafo planar
sempre que uma porc¸ ˜ ao do plano estiver limitada por um ciclo de
comprimento maior do que 3. Logo, um grafo maximal planar
(i.e., um grafo ao qual n ˜ ao poderemos acrescentar arestas sem
comprometer a planaridade) tem uma representac¸ ˜ ao composta por
ciclos de comprimento 3. Isso nos d ´ a outra relac¸ ˜ ao importante.
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Estilo OBMEP
100 CAP. 6: GRAFOS PLANARES
Teorema. Num grafo planar conexo Gvale m ≤ 3.n−6; a igualdade vale
se G ´ e maximal planar.
Demonstra¸ c˜ ao. Se formos contar as arestas de cada face, contaremos
duas vezes cada aresta do grafo. Como cada face tem no m´ınimo 3
arestas (a igualdade valendo no caso maximal) temos:
3.f ≤ 2.m.
Substituindo na f ´ ormla de Euler:
f −m+n = 2,
3.f −3.m + 3.n, = 6,
2.m−3.m+ 3.n ≥ 6,
m ≤ 3.n −6.
Este teorema nos d ´ a outra demonstrac¸ ˜ ao de que K
5
n ˜ ao ´ e planar.
De fato, K
5
( e de resto todos os grafos completos com mais do que
4 v´ ertices) n ˜ ao obedece ` a relac¸ ˜ ao acima: 10 > 3.5 −6.
Teorema. Num grafo planar bipartido conexo G vale
m ≤ 2.n −4.
Demonstra¸ c˜ ao. Observamos que um grafo bipartido s ´ o tem ciclos
pares. Cada face tem no m´ınimo 4 arestas.
4.f ≤ 2.m.
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Estilo OBMEP
SEC. 6.2: TEOREMA DE KURATOWSKI 101
Substituindo na f ´ ormla de Euler:
f −m+n = 2,
4.f −4.m + 4.n = 8,
2.m−4.m + 4.n ≥ 8,
m ≤ 2.n −4.
Vemos agora que K
3,3
n ˜ ao ´ e planar, pois 9 > 2.6−4. O problema
das casinhas, na introduc¸ ˜ ao, acaba de ser resolvido.
6.2 Teorema de Kuratowski
A id ´ eia de planaridade ´ e aparentemente topol ´ ogica, mas sempre
pairou a quest ˜ ao sobre se haveria uma caracterizac¸ ˜ ao combinat ´ oria
dos grafos planares. A resposta foi dada atrav´ es de um teorema, que
apresentaremos, sem demonstrac¸ ˜ ao, depois de algumas definic¸ ˜ oes.
Uma subdivis ˜ ao do grafo G ´ e o grafo G

que obtemos pela
inserc¸ ˜ ao de P
2
(caminho de comprimento 2) no lugar de uma aresta
de G. Um grafo G

´ e dito homeomorfo ao grafo G se G

puder ser
obtido de G por sucessivas operac¸ ˜ oes de subdivis ˜ ao(veja figura 6.3)
Teorema (Kuratowski). Um grafo ´ e planar se n˜ ao contiver subgrafo
homeomorfo a K
5
ou a K
3,3
.
Demonstra¸ c˜ ao: Ver em Fournier[7].
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Estilo OBMEP
102 CAP. 6: GRAFOS PLANARES
G G’
Figura 6.3:
a
a
a
b
b
b
K
3,3
Figura 6.4:
Como aplicac¸ ˜ ao mostramos na figura 6.4 que o grafo de Petersen
n ˜ ao ´ e planar.
Observamos que embora tenhamos tratado o exemplo grafica-
mente, a verificac¸ ˜ ao das condic¸ ˜ oes do teorema pode ser feita de
forma computacional (embora possa ser complexa).
6.3 Dualidade
O Dual G
D
de um grafo simples planar G ´ e o grafo constru´ıdo da
seguinte maneira:
(i) A cada face de G associamos um v´ ertice em G
D
.
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Estilo OBMEP
SEC. 6.4: O PROBLEMA DAS 4 CORES 103
(ii) A cada aresta de G (que separa duas faces) associamos uma
aresta em G
D
ligando os v´ ertices correspondentes ` as faces.
Um bom exemplo s ˜ ao os s ´ olidos plat ˆ onicos apresentados na Fi-
gura 6.4. O cubo ´ e o dual do octaedro, o icosaedro ´ e o dual do do-
decaedro e o tetraedro ´ e o dual dele mesmo (auto-dual). Esses duais
correspondem aos duais da geometria cl ´ assica. A figura 6.5 mostra
a correspond ˆ encia entre as faces do cubo e os v´ ertices do octaedro.
f
i
f
1
f
5
f
3
f
4
f
2
f
6
v
1
v
3
v
2
v
5
v
4
v
6
v
i
Figura 6.5:
Verifica-se com facilidade que o dual do dual de G ´ e o pr ´ oprio
grafo G (desde que G tenha conexidade maior ou igual a 3).
A dualidade aparece num dos problemas mais famosos, n ˜ ao s ´ o
da teoria dos grafos, mas da matem´ atica.
6.4 O Problema das 4 Cores
Em 1852 Frederick Guthrie, aluno de Augustus de Morgan, trouxe
a este um problema proposto por seu irm˜ ao Francis Guthrie. Na
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Estilo OBMEP
104 CAP. 6: GRAFOS PLANARES
verdade, tratava-se de uma conjectura, hoje um teorema.
Teorema das 4 cores. Um mapa pode ser colorido com 4 cores.
Colorir um mapa ´ e colorir as regi ˜ oes de maneira que regi ˜ oes
fronteiric¸as n ˜ ao sejam coloridas com a mesma cor. Usando a
dualidade podemos formular o teorema em forma de colorac¸ ˜ ao de
v´ ertices.
Teorema das 4 cores formula¸ c˜ ao. Num grafo planar G tem-se que
χ(G) ≤ 4.
O grafo K
4
mostra que 4 cores s ˜ ao necess ´ arias, mas ser ˜ ao sufi-
cientes? O problema demorou um s´ eculo para ser resolvido. Em
1976, Appel, Haken e Koch, com o aux´ılio de 1200 horas do com-
putador mais rapido de sua ´ epoca, executando mais do que 10
10
operac¸ ˜ oes computacionais, provaram o teorema. Embora a teoria
envolvida seja profunda muitos consideram esta ”a mais feia prova
da matem´ atica”.
As tentativas anteriores s ˜ ao, entretanto, dignas de nota. Kempe
utilizou uma t ´ ecnica (por isso chamada de cadeias de Kempe) e
apresentou uma demonstrac¸ ˜ ao em 1879. Heawood, onze anos de-
pois, percebeu uma falha sutil na demonstrac¸ ˜ ao, que a invalidava.
Entretanto, utilizou as cadeias de Kempe para demonstrar um
resultado um pouco mais fraco. Comec¸aremos por um lema.
Lema. Num grafo planar h´ a pelo menos um v´ ertice com grau menor ou
igual a 5.
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Estilo OBMEP
SEC. 6.4: O PROBLEMA DAS 4 CORES 105
Demonstra¸ c˜ ao. J´ a sabemos que

v∈V (G)
d(v) = 2.m.
Se d(v) > 5, ∀v ∈ V , ent ˜ ao
6.n ≤

v∈V (G)
d(v) = 2.m.
Mas num grafo planar temos m ≤ 3.n −6; isto ´ e, 2m ≤ 6.n −12.
Ficamos com
6.n ≤ 6.n −12,
o que ´ e imposs´ıvel.
Teorema das 5 cores. Num grafo planar simples G, tem-se χ(G) ≤ 5.
Demonstra¸ c˜ ao. Em todo grafo planar existe um v´ ertice com grau
menor ou igual a 5. Podemos decompor o grafo retirando sempre
um v´ ertice de grau menor que 5 e recomp ˆ o-lo colorindo, v´ ertice a
v´ ertice. Desta forma, podemos sempre supor que estamos colorindo
um v´ ertice v de grau menor ou igual a 5. Se os v´ ertices em N(v)
est ˜ ao coloridas com menos do que 5 cores, basta colorir o v´ ertice v.
Podemos ent ˜ ao supor que o v´ ertice est ´ a cercado por 5 v´ ertices col-
oridos cada um com uma cor do conjunto ¦a, b, c, d, e¦.
Consideremos o subgrafo induzido pelos v´ ertices coloridos com
as cores a e c. Se a componente que cont ´ em o v´ ertice de N(v) co-
lorido com a n ˜ ao contiver o v´ ertice colorido com c, podemos trocar
as cores desta componente: quem est ´ a colorido com a fica colorido
com c e vice-versa. Podemos ent ˜ ao colorir o v´ ertice v com a cor a.
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Estilo OBMEP
106 CAP. 6: GRAFOS PLANARES
Se a componente que cont ´ em o v´ ertice de N(v), colorido com
a, for o mesmo do v´ ertice colorido com c, existe um caminho de
v´ ertices que ”cerca”o v´ ertice b (veja figura 6.6).
Figura 6.6:
Ent ˜ ao, tomamos a componente do grafo induzido por v´ ertices
coloridos com b e d, que cont ´ em o v´ ertice de N(v) colorido com b.
Depois de trocar as cores b e d nesta componente, podemos colorir o
v´ ertice v com a cor b.
Exerc´ıcios
1. Construa o grafo com seq ¨ u ˆ encia de graus (4, 4, 3, 3, 3, 3):
(a) Que seja planar.
(b) Que n ˜ ao seja planar.
2. Mostre que um grafo planar com δ = 5 tem no m´ınimo 12
v´ ertices. Dˆ e um exemplo de grafo com δ = 5 e n = 12.
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Estilo OBMEP
SEC. 6.4: O PROBLEMA DAS 4 CORES 107
3. Um grafo ´ e auto-dual se G
D
´ e isomorfo a G.
(a) Mostre que se G ´ e auto-dual ent ˜ ao 2.n = m+ 2.
(b) Um grafo roda (notac¸ ˜ ao W
n
) ´ e o grafo obtido pela adic¸ ˜ ao
de um v´ ertice de grau n−1 a C
n−1
(ver figura 6.7).Mostre
que os grafos roda W
n
s ˜ ao auto-duais.
W
6
Figura 6.7:
4. Mostre que um grafo planar G ´ e bipartido se e s ´ o se G
D
´ e eu-
leriano.
5. Mostre que um grafo planar conexo pode ter suas faces colori-
das com 2 cores se e somente se G ´ e euleriano.
6. Mostre que os grafos abaixo (figura 6.8) s ˜ ao isomorfos mas
seus duais n ˜ ao s ˜ ao. Esse fato contraria o texto do cap´ıtulo?
7. A cintura de um grafo, denotada por g(G) ´ e o comprimento
do seu menor ciclo. Mostre que num grafo planar temos
m ≤
(n −2).g
g −2
.
Sugest ˜ ao: adapte a demonstrac¸ ˜ ao dos dois ´ ultimos teoremas
da sec¸ ˜ ao 7.1.
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Estilo OBMEP
108 CAP. 6: GRAFOS PLANARES
Figura 6.8:
8. Mostre que ´ e poss´ıvel obter um grafo planar a partir do grafo
de Petersen pela retirada de 2 arestas.
9. Mostre que um grafo n ˜ ao planar tem 5 v´ ertices de grau no
m´ınimo 4 ou tem 6 v´ ertices de grau no m´ınimo 3.
10. (a) (Resolvido) Mostre que o grafo n ˜ ao planar K
3,3
pode ser
desenhado sem cruzamentos num toro . E numa esfera,
pode?
SOLUC¸ ˜ AO: A seq ¨ u ˆ encia apresentada na figura 6.9 mostra
como podemos ”recortar“ o toro para transform´ a-lo num
ret ˆ angulo. As setas mostram como podemos passar as
arestas pelos cortes.
(b) Mostre como podemos desenhar K
5
num toro. O teorema
das 4 cores vale para o toro?
(c) Mostre como podemos desenhar K
7
num toro. Vocˆ e con-
segue dividir o toro em 7 regi ˜ oes de maneira que cada
uma fac¸a fronteira com todas as outras 6?
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SEC. 6.4: O PROBLEMA DAS 4 CORES 109
a a
b b
c
c
d
d
Figura 6.9:
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Estilo OBMEP
110 CAP. 6: GRAFOS PLANARES
11. Um jogo, usando a figura 6.10 tem as seguintes regras: Dois
jogadores escolhem alternadamente uma regi ˜ ao para colorir.
Duas regi ˜ oes n ˜ ao podem receber a mesma cor. Quem for obri-
gado a usar uma quinta cor ser ´ a o perdedor.
1
2
3
4
5
6
Figura 6.10:
12. Exiba uma colorac¸ ˜ ao desses mapas com o menor n ´ umero de
cores poss´ıvel.
(a) Quem ser ´ a o vencedor - o primeiro ou o segundo jogador?
(b) Como modificar o tabuleiro para que a vantagem seja in-
vertida?
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Estilo OBMEP
SEC. 6.4: O PROBLEMA DAS 4 CORES 111
Figura 6.11:
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Estilo OBMEP
Referˆ encias Bibliogr´ aficas
[1] Boaventura Netto, P. O., Grafos: Teoria, Modelos, Algoritmos, 2a.
ed, Edgard Bl ¨ ucher (1996)
[2] Carvalho, P. C. P., Contagem, Apostila 2 do Est ´ agio de treina-
mento dos alunos premiados da OBMEP, 2006
[3] Wilson, R., Introduction to Graph Theory, Addison Wesley,(1996)
[4] Balakrishnan, J. ; Ranganathan, K., A Textbook of Graph Theory,
Springer-Verlag (1999)
[5] Garey, M. R.; Johnson, D. S.,Computers and Intractability: A Guide
to the Theory of NP-Completeness, W.WH. Freeman (1979)
[6] West, D., Introduction to Graph Theory, Prentice Hall (1996)
[7] Fournier, J-C., Demonstration simple du th´ eoreme de Kuratowski et
de sa forme duale, Discrete Mathematics, 31 (1980) 329-332
112

“GrafosModfranc 2008/6/23 page i Estilo OBMEP

Sobre o Autor Samuel Jurkiewicz e carioca e Doutor em Matem´ tica pela Univer´ a sidade Pierre et Marie, em Paris. Atualmente e professor da Es´ cola de Engenharia da UFRJ. J´ atuou como docente em todos os a n´veis, inclusive no pr´ -escolar. Al´ m do ensino de graduacao e ı e e ¸˜ pos-graduacao, tem desenvolvido atividades junto a professores e ´ ¸˜ alunos do Ensino M´ dio atrav´ s de oficinas de Matem´ tica Discreta. e e a

“GrafosModfran 2008/6/23 page ii Estilo OBMEP

Sum´ rio a
1 O que e um Grafo ? ´ 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 1.8 2 Primeiras Nocoes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ¸˜ Grau de um V´ rtice . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . e Nosso Primeiro Resultado . . . . . . . . . . . . . . . . Alguns Problemas com as Definicoes . . . . . . . . . . ¸˜ Isomorfismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Outras Definicoes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ¸˜ Tipos Especiais de Grafos . . . . . . . . . . . . . . . . Representacao por Matrizes . . . . . . . . . . . . . . . ¸˜ 5 5 7 10 11 13 16 18 23 29 29 32 32 33

Ciclos e Caminhos 2.1 2.2 Conexidade Outra Vez . . . . . . . . . . . . . . . . . . O Problema do Menor Caminho . . . . . . . . . . . . Algoritmos e Computadores . . . . . . . . . . . . . . . Qual o Menor Caminho at´ a Escola ? . . . . . . . . . e ii

. . . . . . . . .2 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 3. . . . .5 5. . . . . . . . . .1 Euler e as Pontes de Koenisberg . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 5. . . a ı 5 Subconjuntos Especiais de um Grafo 5. . . .4 5. . ¸˜ Aplicacoes de Coloracao . . .6 5. . . . . . . . . ¸˜ ¸˜ Cliques . . . . . . . . . . . . ¸˜ . . . . . . . . . . . . .2 Definicoes e Caracterizacoes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Acoplamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ¸˜ ¸˜ ´ Arvores Geradoras . . . ´ 4 Arvores 4. . . .3 5.7 Conjuntos Independentes . . . . . ´ 3. . . . . .“GrafosModfranc 2008/6/23 page iii Estilo OBMEP ´ SUMARIO iii 47 47 49 50 54 59 60 61 64 69 69 71 71 76 76 78 80 86 86 88 89 3 Mais Ciclos e mais Caminhos 3. . . O Problema Chinˆ s do Carteiro . . . . . . . . .1 5. Acoplamentos em Grafos Bipartidos . . . . . . . . . . O Problema do Caixeiro Viajante. . . . . . .4 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Grafos Eulerianos . . . . . . . . . .3 3. ¨ Esse Problema e Importante? . O Problema de Conex˜ o de Peso M´nimo . . . . . . . Uma Palavra sobre Complexidade . . . . . . .PCV . . . . . . . . . .1 4. . . e Grafos e Ciclos Hamiltonianos . . .6 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . Coloracao . . . . . . . Coloracao de Arestas .7 Estrutura de Dados . . . . . . . . . . . .

¸˜ Teorema de Kuratowski . . . . . 102 O Problema das 4 Cores . . . . . . . . . . . . . . . 103 112 ´ Indice . . . . . 101 Dualidade . . . . . . . . . . . . . .1 6. .8 6 ´ SUMARIO Outros Subconjuntos . . .3 6. . . . . . . . . 95 97 97 Grafos Planares 6. . . . . . . . . . . . . .2 6. . . . . . . . . . . . . . . .4 Definicoes e Resultados Simples . . . . . . . .“GrafosModfranc 2008/6/23 page iv Estilo OBMEP iv 5. . . . .

C B D A Figura 1 E Foi f´ cil? Experimente agora comecar pelo ponto B. a ¸ 1 .“GrafosModfranc 2008/6/23 page 1 Estilo OBMEP Introdu¸ ao c˜ O leitor seria capaz de desenhar a figura 1 abaixo sem tirar o l´ pis do papel ? Tem que ir de ponto a ponto e n˜ o pode passar pela a a mesma linha duas vezes.

“GrafosModfranc 2008/6/23 page 2 Estilo OBMEP 2 ´ SUMARIO Bem. Queremos evitar o desperd´cio. e o mesmo proble´ ma. ´ a ı uma boa id´ ia seria fazer o caminh˜ o passar uma unica vez por cada e a ´ rua e retornar ao ponto de partida. . quanto menos camadas. E a essa estrutura que ¸˜ chamamos grafo. Encontrar a a esquemas de ligacao que evitem cruzamento e crucial para baratear ¸˜ ´ os custos de manufatura. G´ s e Telefone a trˆ s casas ´ a e sem que as linhas se cruzem. Um outro problema que propomos as criancas para que se aqui` ¸ etem e o seguinte: temos que ligar Luz. Vocˆ j´ tentou? (veja a figura 2) e a T G L casa 3 casa 2 casa 1 Figura 2 Outra vez. esse problema e importante? Pensemos numa pequena ´ cidade com pequeno orcamento. Na verdade. a ¸ Nos dois casos so nos interessou considerar um conjunto de pon´ ´ tos e um conjunto de ligacoes entre eles. mais r´ pido e a rent´ vel se torna o servico. O servico de recolhimento de lixo ¸ ¸ e feito por um pequeno caminh˜ o. cabe a pergunta: esse problema e importante? Pense´ mos ent˜ o numa f´ brica de placas de circuito integrado.

ı ´ ı ¸˜ preferimos deixar o prazer desta tarefa ao leitor. mas guardamos o secreto desejo de que o aspecto ludico dos grafos o contaminem com o que costu´ mamos chamar de ”graphical desease”. a bibliografia contempla grafos ı com orientacao. ¸˜ Cada cap´tulo e acompanhado de exerc´cios. Para o leitor interessado. A ¸˜ intencao foi apresentar os conceitos da forma mais simplificada ¸˜ poss´vel.uma modesta introducao. Uma observacao: sendo essa uma primeira abordagem da teo¸˜ ria dos grafos. e inclui trabalhos de n´vel dia ı versificado. a febre dos grafos. A bibliografia ao fim das notas e mais do que suficiente para adquirir um conheci´ mento razo´ vel de teoria dos grafos. . ou melhor. Adoa ´ tamos ent˜ o a pr´ tica de introduzir alguns temas gerais que dessem a a uma pequena id´ ia da variedade de abordagens e problemas que e ela pode oferecer. muito ficou para depois. Certamente. traduzindo. tratamos aqui apenas de grafos sem orientacao. O que esperamos e que ao final o leitor tenha se convencido da utilidade dos ´ conceitos e processos apresentados. Desde o s´ culo XVIII at´ nossos dias essa teoria tem ¸˜ e e conhecido extraordin´ rio desenvolvimento teorico e aplicado.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 3 Estilo OBMEP ´ SUMARIO 3 Estas notas tratam da Teoria dos Grafos . sem a solucao.

por favor) s˜ o ı a bem vindas.Programa de Engenharia de Producao ¸˜ jurki@pep.ufrj. as cr´ticas (construtivas. Samuel Jurkiewicz Escola de Engenharia/UFRJ . deve haver erros.br . Esperamos que apreciem estas notas.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 4 Estilo OBMEP 4 ´ SUMARIO Enfim.Departamento de Engenharia Industrial COPPE/UFRJ .

8B 6A. 8A. 8A e 8B. 8A Mas ser´ que isto est´ correto ? Pode ter havido um erro na a a listagem. Participam do torneio as turmas 6A. 8A. 8B 6A. 8B 6B. 8B 7A. 7B.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 5 Estilo OBMEP Cap´tulo 1 ı O que e um Grafo ? ´ 1. 6B 6A.1 Primeiras No¸ oes c˜ Numa escola algumas turmas resolveram realizar um torneio de volei. ˆ Alguns jogos foram realizados at´ agora: e 6A 6B 7A 7B 8A 8B jogou com jogou com jogou com jogou com jogou com jogou com 7A. 6B. Uma maneira de representar a situacao atrav´ s de uma ¸˜ e figura as turmas ser˜ o representadas por pontos e os jogos ser˜ o a a 5 . 7B. 7B. 6B. 7B. 7A.

A a ´ ı e ¸˜ estrutura que acabamos de conhecer e um grafo. ´ ¸˜ a Qual e a forma correta? As duas s˜ o corretas. A estrutura ´ a “grafo”admite v´ rias maneiras de ser representada. 1: O QUE E UM GRAFO ? 8B 6B 8A 7B 7A Figura 1. .“GrafosModfranc 2008/6/23 page 6 Estilo OBMEP 6 representados por linhas.no nosso exemplo. a Para que um grafo fique bem definido temos que ter dois conjuntos: • O conjunto V .1: Grafo do Campeonato de Volei ˆ N˜ o e dif´cil agora constatar a consistˆ ncia das informacoes. dizendo quem se relaciona com quem. isto e. dos v´ rtices . o conjunto das e turmas. 6A ´ CAP. uma representacao gr´ fica. Isso n˜ o e novia a ´ dade: a palavra “dois”e o s´mbolo “2” representam o mesmo conı ceito matem´ tico. • Por um desenho. Apresentamos ´ duas formas de representar esta estrutura • Por uma lista.

8A. (6B. (7B. 6B. 8A).2 Grau de um V´ rtice e No nosso exemplo vimos que cada turma jogou um numero dife´ rente de jogos: . 7A). No e a ´ e nosso exemplo podemos representar o grafo de forma sucinta como: V = {6A. 8B). (7B. 7A. ´ a No nosso exemplo n = 6 e m = 9. a e • Que pares de v´ rtices est˜ o ligados e quais n˜ o est˜ o (isto e. o que nos interessa num grafo e: ´ • Quem s˜ o os v´ rtices. 8B} A = {(6A. 7B. das arestas .“GrafosModfranc 2008/6/23 page 7 Estilo OBMEP ´ SEC. (6A. (6B. a Quando existe uma aresta ligando dois v´ rtices dizemos que os e v´ rtices s˜ o adjacentes e que a aresta e incidente aos v´ rtices. (8A. (6B. 7A). 8A).no nosso exemplo. 1. 8B)} Observe que n˜ o precisamos colocar (8A. a ı O numero de v´ rtices ser´ simbolizado por |V | ou pela letra n. (6A. 8A). os jogos realizados. ´ e a O numero de arestas ser´ simbolizado por |A| ou pela letra m. Em outra palavras.2: GRAU DE UM VERTICE 7 • O conjunto A. 8B). 7B) no conjunto de a arestas pois j´ t´nhamos colocado (7B. 1. 7B). e a a a ´ quem s˜ o as arestas). 8B).

O numero a e ´ de vezes que as arestas incidem sobre o v´ rtice v e chamado grau e ´ do v´ rtice v. d(6A) = 3. o v´ rtice 6A tem 3 arestas ligadas a e ele. No nosso exemplo. simbolizado por d(v). e Dizemos que estas arestas s˜ o incidentes ao v´ rtice. o v´ rtice A7 tem 2 arestas ligadas a ele e assim por diante. Faca o mesmo exerc´cio anterior usando os grafos da figura 1. e d(7A) = 2. Usando o grafo do campeonato: (a) Dˆ o grau de cada um dos v´ rtices e e (b) Qual a soma de todos os graus ? (c) Qual o numero de arestas ? ´ (d) O que vocˆ observou ? Ser´ coincidˆ ncia ? e a e 2.2: ¸ ı . no nosso desenho. 1: O QUE E UM GRAFO ? 3 jogos 3 jogos 2 jogos 3 jogos 3 jogos 4 jogos Por isso.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 8 Estilo OBMEP 8 6A 6B 7A 7B 8A 8B jogou jogou jogou jogou jogou jogou ´ CAP. Exerc´cios ı 1.

2: .“GrafosModfranc 2008/6/23 page 9 Estilo OBMEP ´ SEC. 1.2: GRAU DE UM VERTICE 9 Figura 1.

´ Demonstra¸ ao. ´ ´ ´ . os conjuntos de v´ rtices e das e arestas de G. Quando contamos os graus dos v´ rtices estamos conc˜ e tando as extremidades das arestas uma vez. Como cada aresta tem duas extremidades. Se tiv´ ssemos um numero ´mpar de v´ rtices de grau c˜ e ´ ı e ´mpar a soma dos graus seria ´mpar. portanto e um numero par. Teorema.. e a Para isso. Corol´ rio. denotaremos um grafo pela letra G e representaremos por V (G) e A(G) respectivamente. Isso pode ser escrito em linguagem matem´ tica. 1: O QUE E UM GRAFO ? 1. Todo grafo G possui um numero par de v´rtices de grau ´mpar. Para todo grafo G d(v) = 2 · m v∈V (G) Isto e: ”A soma dos graus dos v´rtices de um grafo e sempre o dobro do ´ e ´ numero de arestas“.).3 Nosso Primeiro Resultado No exerc´cio anterior voce deve ter observado que a soma dos graus ı de um grafo e sempre o dobro do numero de arestas (e isso n˜ o deve ´ ´ a ser coincidˆ ncia. cada aresta foi contada duas vezes..“GrafosModfranc 2008/6/23 page 10 Estilo OBMEP 10 ´ CAP. a ´ e ı Demonstra¸ ao. Mas a soma dos graus e o dobro ı ı ´ do numero de arestas e.

d(3) = 3. 5.4 Alguns Problemas com as Defini¸ oes c˜ Algumas perguntas acerca das definicoes podem nos deixar atrapa¸˜ lhados. No nosso exemplo: d(2) = 4.3). E o que chamamos de la¸ o (veja figura 1. 4.3: Grafo com lacos ¸ Pela definicao do grafo vemos que o 5 n˜ o est´ ligado a ne¸˜ a a nhum outro v´ rtice mas tem um laco (como ali´ s todos os oue ¸ a tros v´ rtices deste grafo). d(4) = 4. Para haver coerˆ ncia com os resultae e dos da secao anterior. Por c exemplo. Vamos examinar algumas. 3. e o teorema continua valendo. d(6) = 5. • Uma aresta pode ligar um v´ rtice a ele mesmo ? e ´ Pode. 1. vamos construir o grafo em que V = {2.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 11 Estilo OBMEP SEC. temos que contar o laco duas vezes (uma ¸˜ ¸ e para cada extremidade) quando calcularmos o grau do v´ rtice. Figura 1. d(5) = 2.4: ALGUNS PROBLEMAS COM AS DEFINICOES ¸˜ 11 1. . 6} e e a dois v´ rtices ser˜ o ligados quando tiverem um divisor comum (diferente de 1).

4). Em princ´pio parecem dois grafos dis¸˜ ı tintos. Neste caso usamos o nome especial de multigrafo(veja figura 1.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 12 Estilo OBMEP 12 ´ CAP. • A figura 1. Um exemplo que veremos adiante resulta no seguinte grafo: Figura 1. e podemos consider´ -los assim. .5: Um grafo ou dois ? Depende da situacao.4: Multigrafo (com arestas multiplas) ´ Grafos sem lacos ou arestas multiplas s˜ o chamados de grafos ¸ ´ a simples.5 mostra um grafo ou dois grafos ? Figura 1. Mas podemos pensar a que esse grafo representa as ligacoes entre casas de uma cidade ¸˜ onde passa um rio (veja figura a seguir). 1: O QUE E UM GRAFO ? • Dois v´ rtices podem estar ligados por mais de uma aresta ? e Podem. Neste texto estaremos trabalhando quase sempre com grafos simples.

5: ISOMORFISMO 13 Figura 1. e claro). ´ 1.5 Isomorfismo Observe o grafo mostrado na figura adiante. E o mesmo grafo ou ` e n˜ o? Claramente as caracter´sticas de um e de outro s˜ o as mesa ı a .5 ´ ´ poderia ser o que chamamos de grafo desconexo. Verifique que a situacao representada e exatamente a mesma do ¸˜ ´ grafo inicial do campeonato. Essa e uma ´ nocao importante e voltaremos a ela algumas vezes. Cada ¸˜ parte conexa do grafo (no nosso exemplo o ”quadrado“ e o ”triˆ ngulo“) e chamada de componente conexa do grafo. apenas foi desconectada. ¸˜ a ´ Esse conceito as vezes gera polˆ mica. Apenas nesse caso procuramos fazer o desenho de forma a n˜ o haver pontos comuns entre as arestas (fora a dos v´ rtices.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 13 Estilo OBMEP SEC. Quando dois grafos representam a mesma e ´ situacao dizemos que eles s˜ o grafos isomorfos. 1. O grafo da figura 1. a ´ Dizemos que um grafo e conexo se qualquer par de pontos ´ e ligado por ao menos um caminho.6: Se as pontes forem destru´das em um temporal a cidade ainda ı e uma so.

e Vejamos um exemplo: b x y d a c w z Figura 1. numero de arestas e outras que veremos mais tarde).“GrafosModfranc 2008/6/23 page 14 Estilo OBMEP 14 6A ´ CAP. 1: O QUE E UM GRAFO ? 8B 6B 8A 7B 7A Figura 1. O essena ´ a cial e saber discernir quando dois grafos s˜ o isomorfos ou n˜ o. E ´ na verdade esta n˜ o e uma quest˜ o realmente importante. ¸˜ e a Dois grafos G1 e G2 s˜ o ditos isomorfos se existe uma correspondˆ ncia 1-a-1 entre seus conjuntos de v´ rtices que preserve e e as adjacˆ ncias. Para ´ a a isso vamos usar uma definicao t´ cnica.8: .7: mas (graus.

“GrafosModfranc 2008/6/23 page 15 Estilo OBMEP SEC. a e e a a Exerc´cios ı a 1. e f :a−x b−y c−z d−w 2. faca a correspondˆ ncia e veja o que acontece. Se tomarmos dois ´ v´ rtices que n˜ o s˜ o ligados por uma aresta (digamos a e c) a funcao e a a ¸˜ far´ corresponder dois v´ rtices (w e z) que tamb´ m n˜ o s˜ o ligados.10 s˜ o isomora fos: . y) que e uma aresta no segundo grafo. 1. Mostre que os pares de grafos da figura 1.8.9 e 1. ˜ e a ¸ S UGEST AO : Tome dois v´ rtices que n˜ o sejam ligados. d)) a funcao far´ a correspondˆ ncia ¸˜ a e com (w. Se tomarmos uma aresta ¸˜ no primeiro grafo (digamos (a.5: ISOMORFISMO 15 Vamos estabelecer uma correspondˆ ncia 1 − 1 entre os conjuntos e de v´ rtices: e f :a−w b−x c−z d−y Esta funcao funciona perfeitamente. Verifique que a correspondˆ ncia a seguir n˜ o serve para e mostrar o isomorfismo dos grafos da firgura 1.

A vizinhan¸ a fechada de v e denotada c ´ e definida por N [v] = N (v) ∪ {v}. 7B.9: Figura 1.6 Outras Defini¸ oes c˜ O conjunto de v´ rtices adjacentes a v e chamado vizinhan¸ a aberta e ´ c de v.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 16 Estilo OBMEP 16 ´ CAP.11: Figura 1. no grafo do campeonato temos e N (7B) = {6A.11 e 1. inclui a vizinhanca e o ´ ¸ proprio v´ rtice.12 n˜ o s˜ o isomorfos: a a Figura 1. 8A.10: 3. Por exemplo. 8A. isto e. . Mostre que os grafos 1. Podemos estender esta definicao para conjuntos de ´ e ¸˜ v´ rtices (N (S)eN [S]). 8B}. 8B} e N [7B] = {6A. denotado por N (v). 1: O QUE E UM GRAFO ? v Figura 1.12: 1.

a e b e a b e a b d c d c d c G G’ Figura 1. Por exemplo. 3. o grafo G e um subgrafo de G. ¨e ´ O menor grau de um v´ rtice em G e o grau m´nimo. A sequˆ ncia de graus de um grafo e a sequˆ ncia n˜ o ¨e ´ ¨e a crescente formada pelos graus dos v´ rtices dos grafos. No caso do ´ a campeonato temos Δ(G) = 4 e δ(G) = 2. ´ G e dito um subgrafo de G se V (G ) ⊆ V (G) e A(G ) ⊆ A(G). e a sequˆ ncia de graus do grafo do campeonato e (4.b. c.d em G est˜ o presentes e a em G”(veja a figura 1. d} de V (G). um v´ rtice de grau 1 e dito e ´ e ´ pendente. denotado Δ(G).“GrafosModfranc 2008/6/23 page 17 Estilo OBMEP SEC. 1.c.6: OUTRAS DEFINICOES ¸˜ 17 Um v´ rtice de grau 0 e dito isolado.13: G” . 2). denotado e ´ ı δ(G). ´ ´ Na figura a seguir. 3. e o maior e o grau m´ ximo. pois todas as arestas incidentes aos v´ rtices de a. O grafo G” e dito um subgrafo induzido pelo subconjunto {a. b. 3.13). 3.

Um grafo com´ pleto e definido como um grafo onde todo par de v´ rtices e ´ e ´ ligado por uma aresta. Ele ficaria com o aspecto da 1.7 Tipos Especiais de Grafos • Grafo completo Imagine o grafo do campeonato quando todos os jogos tiverem sido jogados. Quantas arestas tem K7 ? e K12 ? e Kn ? 2. Um grafo completo com n v´ rtices e e ´ ´ denotado por Kn (O nosso exemplo e K6 ).“GrafosModfranc 2008/6/23 page 18 Estilo OBMEP 18 ´ CAP.14: 6A 8B 6B 8A 7B 7A Figura 1.14: O grafo completo K6 Isto e o que chamamos um grafo completo. Exerc´cios ı 1. 1: O QUE E UM GRAFO ? 1. Quantos v´ rtices um grafo simples precisa ter para poder e ter 200 arestas? .

Nosso grafo ficaria como na figura 1. Veja a figura.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 19 Estilo OBMEP SEC. 1. ´ Por exemplo.16) Um grafo G e nulo ou vazio quando o conjunto de arestas ´ A(G) e vazio. E f´ cil perceber que V (G) = V (G) e que A(G) ∪ A(G) inclui todas as arestas de G. Far´amos um grafo com o ı mesmo conjunto de v´ rtices mas com as arestas que faltam no e grafo original.15) Imagine agora que temos o grafo do campeonato e queremos fazer o grafo dos jogos que faltam. 6A 8B 6B 8B 6A 6B 8A 7 B 7A 8A 7 B 7A Figura 1.15: Dois grafos complementares Chamamos este grafo de grafo complementar do grafo G.16: . • Grafo nulo ou vazio (figura 1. antes de comecar o campeonato nenhum jogo ¸ havia sido jogado.7: TIPOS ESPECIAIS DE GRAFOS 19 • Grafo complementar (veja figura 1. ´ a denotado por G.

18) Um ciclo e um grafo conexo regular de grau 2.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 20 Estilo OBMEP 20 6A ´ CAP. isto e.16: Grafo nulo ou vazio • Grafo regular (figura 1.17: Um grafo k-regular de grau 3 • Ciclo (figura 1. todos os v´ rtices tem grau 3. A figura 1.17) Um grafo e regular (de grau k. ou ainda k-regular) quando ´ todos os seus v´ rtices tˆ m o mesmo grau (k). ´ e Figura 1. 1: O QUE E UM GRAFO ? 8B 6B 8A 7B 7A Figura 1.17 e e mostra um grafo 3-regular. A notacao e Cn ´ ¸˜ ´ .

. o caminho Pn e obtido retirando uma aresta do ciclo Cn+1 . 1.19: Exemplos de caminho: P4 e P5 ´ • Arvores (figura 1.18: Exemplos de ciclo: C5 e C6 • Caminho (figura 1. ´ ´ Note que o fato de n˜ o ter ciclos faz com que a arvore seja a a ´ maneira mais ”economica“ de conectar os v´ rtices. Assim.7: TIPOS ESPECIAIS DE GRAFOS 21 Figura 1.19) Um caminho e um ciclo do qual retiramos uma aresta. Figura 1. O com´ primento do caminho e dado pelo numero de arestas (o que ´ ´ faz sentido: e o numero de ”passos“ que gastamos para per´ ´ ´ correr o caminho).20) Uma arvore e um grafo conexo sem ciclos como subgrafos. As arvores ˆ e ´ formam uma fam´lia importante de grafos e voltaremos a elas ı mais tarde.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 21 Estilo OBMEP SEC.

21: Grafo bipartido .“GrafosModfranc 2008/6/23 page 22 Estilo OBMEP 22 ´ CAP. 1: O QUE E UM GRAFO ? Figura 1. a a e ´ Temos tamb´ m que V2 e um subconjunto independente de e v´ rtices de G. e Figura 1.20: Exemplos de arvores ´ • Grafos bipartidos (figura 1.21) ´ E um grafo em que o conjunto V de v´ rtices pode ser partie cionado em dois subconjuntos disjuntos V 1 e V2 tal que toda aresta de G tem uma extremidade em V 1 e outra em V2 . O sub´ e conjunto V1 e dito um subconjunto independente de v´ rtices do grafo G pois n˜ o h´ arestas ligando dois v´ rtices de V 1 .

8 Representa¸ ao por Matrizes c˜ Matrizes e um assunto t´pico do ensino m´ dio mas o que ´ ı e mostraremos aqui pode ser entendido por todos.8: REPRESENTACAO POR MATRIZES ¸˜ 23 • Grafos bipartidos completos . c˜ ´ E um grafo bipartido em que todos os v´ rtices de V 1 s˜ o ligae a dos a todos os v´ rtices de V 2 .22).4 1.22: Grafo bipartido completo K2.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 23 Estilo OBMEP SEC. 1. Uma das formas mais comuns de ”informar“ uma estrutura de grafo para um computador e atrav´ s de matrizes.q (figura 1. e Figura 1.Nota¸ ao Kp. Um exemplo bastante conhecido e a ´ tabuada: . Uma matriz nada mais e do que uma ´ e ´ tabela com linhas e colunas.

No caso dos grafos elas e podem ser usadas na representacao de v´ rias formas. isto e 15.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 24 Estilo OBMEP 24 × 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 2 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 3 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 4 0 4 8 12 16 20 24 28 32 36 5 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 6 0 6 12 18 24 30 36 42 48 54 ´ CAP. 1: O QUE E UM GRAFO ? 7 0 7 14 21 28 35 42 49 56 63 8 0 8 16 24 32 40 48 56 64 72 9 0 9 18 27 36 45 54 63 72 81 Se quisermos saber o valor de 3 × 5 procuramos o valor na linha do 3 e na coluna do 5.23: . Exemplificaremos com as representacoes do grafo a seguir: ¸˜ d a c b Figura 1. Eis algumas ¸˜ a delas. ´ Mas as matrizes tˆ m outras utilidades.

1. Qual o grafo complementar do grafo desconexo formado por duas componentes conexas isomorfas a K 3 e K7 ? .23 a matriz de incidˆ ncia e: e ´ ab a b c d 1 1 0 0 ac 1 0 1 0 ad 1 0 0 1 bc 0 1 1 0 cd 0 0 1 1 Exerc´cios ı 1.e a matriz definida por e ´ xij = 1 se ij ∈ A(G) 0 se ij ∈ A(G) / No exemplo da figura 1.8: REPRESENTACAO POR MATRIZES ¸˜ 25 • Matriz de adjacˆ ncia .e a matriz n × m definida por e ´ xij = 1 se a aresta ej e incidente em vi ´ 0 caso contr´ rio a No exemplo da figura 1.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 25 Estilo OBMEP SEC.23. a matriz de adjacˆ ncia e: e ´ 0 1 1 1 1 0 1 0 1 1 0 1 1 0 1 0 • Matriz de incidˆ ncia .

a ´ 4. Prove que δ ≤ 2. 3. ent˜ o m ≥ n − 1.2) ¨e n˜ o correspondem a sequˆ ncias de graus de nenhum grafo. 7.7.6.7. Mostre que a sequˆ ncia (3. Mostre que as sequˆ ncias (9. 1: O QUE E UM GRAFO ? 2. ´ a (b) Mostre que a rec´proca n˜ o e verdadeira.6. n2 4 . a ¨e 5.m n ≤ Δ. 3. 3) corresponde a pelo ¨e menos dois grafos n˜ o isomorfos.4. Desenhe uma representacao do grafo cuja matriz de adjacˆ ncia ¸˜ e e: ´ 0 1 0 1 1 1 0 1 1 0 0 1 0 1 0 1 1 1 0 1 1 0 0 1 0 .5.5. 3.3. Mostre que um grafo G e deconexo ent˜ o seu complementar G ´ a tem um subgrafo bipartido completo. 3.3.4. a 6. Mostre que a rec´proca ı n˜ o e verdadeira. Mostre que uma mesma sequˆ ncia pode corresponder a grafos ¨e n˜ o isomorfos. Qual o grafo complementar do grafo desconexo formado por duas componentes conexas isomorfas a K r e Ks ? 3.5.8. (a) Mostre que se G e conexo.3) e (7. a 7.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 26 Estilo OBMEP 26 ´ CAP. Mostre que em um grafo bipartido m ≤ 9. 8. ı a ´ (c) Qual o menor valor de m que garante que G e conexo? ´ 10.

notacao L(G) . c) n˜ o podem ser coloridas a de azul. (b) Mostre que (a. Suponha que as arestas de K6 sejam coloridas de azul ou de vermelho. e provando a afirmacao. b). (c) Encontre uma express˜ o para o numero de arestas de a ´ L(G) em funcao dos graus de G. ent˜ o n = 4k ´ a ou n = 4. 12. e (b. ¸˜ 13. mostre que existem (pelo e menos) 3 arestas incidentes a v com a mesma cor (digamos. sem perda de generalidade. c) s˜ o a coloridas de azul).“GrafosModfranc 2008/6/23 page 27 Estilo OBMEP SEC. c). b). Um grafo e auto-complementar se for isomorfo ao seu comple´ mento. por absurdo. (a) Mostre que L(K3 ) = L(K1. (c) Conclua que (a. ¸˜ . (a. (v.k − 2. Mostre que. L(G) e regular de ´ ´ grau 2. a a ´ R OTEIRO : Suponha. (a) Escolha um v´ rtice v qualquer. 1. seja qual for a forma de colorir. a). Mostre que se G e auto-complementar. O grafo de linha ou grafo adjunto. (b) Mostre que se G e regular de grau k. b). e o grafo ¸˜ ´ cujos v´ rtices est˜ o em correspondˆ ncia 1 a 1 com as arestas e a e de G e cujas arestas ligam v´ rtices que correspondem a arestas e incidentes em G. (a. c) devem ser coloridas de vermelho.k + 1 para algum k inteiro. e (b. (v. e (v.3 ).8: REPRESENTACAO POR MATRIZES ¸˜ 27 11. que isso n˜ o e verdade. c). mostrando o absurdo. o grafo ´ ter´ um subgrafo isomorfo a K3 colorido com uma so cor.

15. Suponha que as arestas de K17 sejam coloridas de azul. . o grafo ter´ um subgrafo isomorfo a K3 colorido com uma so a ´ cor. ˜ ı S UGEST AO : Use o exerc´cio anterior. Mostre que num grafo simples pelo menos dois v´ rtices tˆ m o e e mesmo grau. Mostre que. seja qual for a forma de colorir.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 28 Estilo OBMEP 28 ´ CAP. verde ou de vermelho. 1: O QUE E UM GRAFO ? 14.

v2 v3 . s e o comprimento do passeio.. e so se.. todos os v´ rtices s˜ o distintos ent˜ o temos um caminho e se v 0 = vs e a a temos um ciclo (como visto anteriormente). Se. o passeio e chamado trilha. Uma outra forma de definir a conexidade e observar que um grafo G e conexo se. al´ m das arestas.v1 v2 . a ´ ´ e se v0 = vs o passeio e uma trilha fechada.. Quando n˜ o houver risco de confus˜ o a aresta (v. Um passeio e uma sequˆ ncia de arestas do tipo ´ ¨e ´ v0 v1 .vs−1 vs .“GrafosModfranc 2008/6/23 page 29 Estilo OBMEP Cap´tulo 2 ı Ciclos e Caminhos 2. Se todas as arestas do passeio s˜ o distintas. As compoe nentes conexas podem ser vistas como as classes de equivalˆ ncia da e 29 . ´ ´ ´ existe um caminho entre quaisquer dois v´ rtices de G.1 Conexidade Outra Vez Observa¸ ao. w) ser´ c˜ a a a denotada simplemente por vw.

para retornar ao ponto de partida teremos que utilizar um numero par de arestas.vs . (Para isso. O ciclo e. e somente se. 2: CICLOS E CAMINHOS y se. Podemos tamb´ m sinalizar as sequˆ ncias de a e e arestas descritas acima pela sucess˜ o de v´ rtices v0 . de comprimento par. Um grafo G e bipartido se. Tomamos a primeiramente um v´ rtice qualquer v. Por exemplo. Seja G um grafo ı e sem ciclos ´mpares. n˜ o h´ o que a a a mostrar. O menor comprimento poss´vel para um caminho entre os v´ rtices u e v e chamado de ı e ´ distˆ ncia entre u e v. Se h´ um ciclo em G este alterna v´ rtices de V1 e V2 . Se n˜ o houver ciclo em G.17 e 3 conexo.vs−1 .v2 . o grafo da e figura 1. estamos considerando que entre um v´ rtice e ele mesmo e existe um caminho de comprimento 0). a e Dizemos que um grafo conexo e k-conexo se. ele continua conexo. existe um caminho ligando x a y. Vamos particionar seu conjunto de v´ rtices em dois subconjuntos V1 e V2 . e mesmo assim o grafo continuar´ conexo. O subconjunto V1 ser´ fore mado por todos os v´ rtices w tais que exista um caminho de come .. Partindo de V 1 (por exemplo).. ´ ´ (⇐) Podemos considerar apenas grafos conexos. c˜ (⇒) Seja G bipartido. e somente se. n˜ o cont´m ciclos de ´ a e ı comprimento ´mpar. portanto. independentes e disjuntos.. ao retirarmos k − 1 ´ v´ rtices do grafo. Teorema. Demonstra¸ ao. pois podemos escolher 2 v´ rtices quaisquer ´ e a para retirar. dois a e subconjuntos independentes e disjuntos.v1 ..“GrafosModfranc 2008/6/23 page 30 Estilo OBMEP 30 relacao: ¸˜ x CAP.

isto e. contrariando a hipotese. mostre qual dos grafos e bipartido e qual n˜ o e. ´ a ´ .3. Como o numero de arestas u´ sado nestes ciclos e ´mpar (´ a soma do numero de arestas dos dois ´ı e ´ ı caminhos) isso produziria pelo menos um ciclo ´mpar em G. haveria um caminho de comprimento par e um caminho de comprimento ´mpar ligando v a w. Esses dois caı minhos podem se cruzar (ou n˜ o) antes de chegar em w. e Exerc´cio ı Nos pares de grafos das figuras 2. produzindo a alguns ciclos (veja a figura a seguir).2 e 2. O conjunto V1 (e tamb´ m ´ ´ o conjunto V2 ) e chamado conjunto independente. se w e t a a forem ambos v´ rtices de V1 eles n˜ o s˜ o adjacentes. O subconjunto V 2 ser´ formado por todos os v´ rtices w que tais que exista um caminho de comprimento ´mpar e ı entre v e w. Os conjuntos V 1 e V2 s˜ o disjuntos. 2.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 31 Estilo OBMEP SEC. ´ Figura 2.1: J´ sabemos que o conjunto de v´ rtices de um grafo bipartido e a e ´ e particionado em dois subconjuntos V1 e V2 .1: CONEXIDADE OUTRA VEZ 31 a primento par entre v e w. pois se w estivesse em a V1 e V2 ao mesmo tempo.

como veremos no problema que estamos estudando.2: Figura 2. ˜ a Qual caminho oferece uma trajetoria de menor comprimento? ´ O algoritmo que soluciona este problema (e at´ hoje n˜ o se ene a controu forma melhor) foi criado por Edsger Wybe Dijkstra. ¸˜ Por exemplo. isto e. algu´ m precisa se deslocar de uma cidade para outra e e para isso dispoe de v´ rias estradas que passam por diversas cidades. Dijkstra nasceu em 1930. uma s´ rie de procedimentos que ´ e .Holanda. Em vez de procurar¸˜ mos um numero.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 32 Estilo OBMEP 32 CAP. continua a oferecer solucoes e com o desenvolvimento da Inform´ tica a id´ ia de uma ¸˜ a e solucao para um problema tem se modificado.3: 2. ¸˜ Notem um fato interessante: geralmente o que estudamos em a a a Matem´ tica foi criado h´ muito tempo. Foi um cientista de computacao e recebeu o Tu¸˜ ring Award de 1972 por suas contribuicoes fundamentais na area de ¸˜ ´ linguagens de programacao. Mas a Matem´ tica. e morreu em 2002. 2: CICLOS E CAMINHOS Figura 2. uma resposta (o que em muitos casos e necess´ rio). ´ ´ a procuramos um algoritmo. na cidade de Roterdan .2 O Problema do Menor Caminho Algoritmos e Computadores Nesta secao vamos tratar de um problema relativamente simples. em 1952.

atribu´mos valores as ´ ´ ı ` arestas. etc. ´ a Qual o Menor Caminho at´ a Escola ? e Lembremos que este grafo e valorado. oferecida por Dijkstra. Esse algoritmo trabalha apenas com grafos valorados com valores positivos e nossa tarefa e minimizar ”custo”ou ”distˆ ncia”. Esses valores geralmente s˜ o estimados por engenheiros. estare´ mos atribuindo valores as arestas. Por a e exemplo. ´ Veremos mais tarde que isso n˜ o quer dizer que n˜ o precisamos a a de teoria. poderemos programar um computador para realizar este algoritmo. Esse problema e um excelente exemplo disso. voltaremos a isso adiante. ou dos nossos pais. Esses valores podem ser ` distˆ ncias.4. 2. Mas. A “distˆ ncia”´ diferente da que estamos acostumados. tempo gasto no trajeto. se o problema for muito ` ¸˜ ´ extenso. entre a Pracinha (P) e a Banca de Jornal (B) colocamos a distˆ ncia 11 pois h´ um cachorro que nos assusta. Um bom algoritmo depende de boa a matem´ tica.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 33 Estilo OBMEP SEC. Usarea ¸˜ mos as expressoes ”custo“ ou ”distˆ ncia“ para nos referirmos a estes ˜ a valores. isto e. que ¸˜ viveu no nosso tempo. A vantagem e que.2: O PROBLEMA DO MENOR CAMINHO 33 nos levem a solucao. simples e interessante. custo com a ligacao. na figura 2. Entre a a . Por enquanto vamos a ver a solucao. isto e. a economistas e consideraremos nos proximos exemplos que eles s˜ o ´ a dados. Observe que trabalharemos com grafos valorados. muito pelo contr´ rio.

“GrafosModfranc 2008/6/23 page 34 Estilo OBMEP 34 5 Casa do João 6 11 10 3 6 6 Pracinha CAP.5). ¸ ¸˜ . Comecamos calculando todas as distˆ ncias a partir da Casa de Jo˜ o (J). A distˆ ncia de a a a J at´ J e 0 (zero).4: a Quitanda (Q) e a Cancela (C) a ”distˆ ncia“ e 4 pois h´ uma moca a ´ a ¸ (ou rapaz) interessante. 2: CICLOS E CAMINHOS Armazem 13 Banca de Jornal 3 Quitanda 4 Cancela 8 Escola Figura 2. Usaremos este grafo simples e pequeno para ¸ vermos como o algoritmo de Dijkstra funciona. e ´ Vamos comecar com o mapa sem ligacoes(2.

..“GrafosModfranc 2008/6/23 page 35 Estilo OBMEP SEC... 2.2: O PROBLEMA DO MENOR CAMINHO 35 8 Armazem 0 Casa do João 8 Pracinha Banca de Jornal Quitanda 8 8 Escola 8 Cancela Figura 2..Armaz´ m e P . e 8 .Casa de Jo˜ o a A . *** Ainda n˜ o atingimos a Ainda n˜ o atingimos a Ainda n˜ o atingimos a Ainda n˜ o atingimos a Ainda n˜ o atingimos a Ainda n˜ o atingimos a Aten¸ ao: colocamos a distˆ ncia ∞ para dizer que ainda n˜ o atingic˜ a a mos este v´ rtice...5: At´ onde posso chegar a partir da casa de Jo˜ o (J) em uma unica e a ´ etapa? Qual o custo? Vamos preencher a tabela abaixo. e J .. a 0 ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ .Cancela E . vindo de.Pracinha Q ..Escola .com custo ou distˆ ncia.Quitanda B . Determinado (fechado) * Posso chegar at´ .Banca de Jornal C .

e a etiqueta ∞ mostra que ainda n˜ o foram atingidos. Mais ainda. que est´ a distˆ ncia 5 da Casa de Jo˜ o. pois j´ sabemos a menor distˆ ncia: 0. a A partir da casa de Jo˜ o. quem podemos atingir imediatamente? a O Armaz´ m. por isso n˜ o est˜ o escurecie a a dos.6: Vamos preencher a tabela de acordo: . Vou assinalar a a a a isso no meu grafo. que est´ a distˆ ncia 10.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 36 Estilo OBMEP 36 CAP. 2: CICLOS E CAMINHOS Vamos entender a figura e a tabela. Os outros a a a v´ rtices ainda podem ser melhorados. na figura escurecemos a ”Casa de Jo˜ o“. qualquer outro caminho que e a a eu tome. a 0 5 Casa do João Armazem 5 6 6 Pracinha Banca de Jornal 8 10 10 Quitanda 8 8 Escola Cancela Figura 2. Ent˜ o escureco o v´ rtice do armaz´ m para mostrar que ele a ¸ e e est´ ”fechado“. a Pracinha que e a a a est´ a distˆ ncia 6 e a Quitanda. j´ comeca com um valor maior que 5 (ou eventualmente a ¸ igual). eu agora percebo que a distˆ ncia a ao armaz´ m n˜ o ir´ diminuir. De fato.

...Armaz´ m e P .Pracinha Q . a 0 5 6 10 ∞ ∞ ∞ . e J . a e ´ Nosso grafo e tabela ficam assim e o proximo v´ rtice a ser ´ e fechado e a Pracinha (P). *** J J J Ainda n˜ o atingimos a Ainda n˜ o atingimos a Ainda n˜ o atingimos a Determinado (fechado) * * Posso chegar at´ .Quitanda B ..2: O PROBLEMA DO MENOR CAMINHO 37 ... ´ . e a e Como 18 < ∞ a melhor dist˜ ncia at´ a Banca e de 18.. Note que a etiqueta a a de distˆ ncia da Banca de Jornal passa a ser 18 = 5 + 13 (5 da etia queta do Armaz´ m mais 13 da distˆ ncia Armaz´ m-Banca de Jornais.com custo ou distˆ ncia. vindo de.Cancela E .“GrafosModfranc 2008/6/23 page 37 Estilo OBMEP SEC.Casa de Jo˜ o a A ..Escola Como a distˆ ncia at´ o armaz´ m n˜ o vai diminuir.. A partir do Armaz´ m so podemos chegar a Banca a e ´ ` de Jornais (B) (Lembre-se que J j´ est´ fechado). 2.Banca de Jornal C . e a nossa vez a e e a ´ de investigar se indo pelo caminho do armaz´ m poderemos melhoe rar as distˆ ncias.

Cancela E .Casa de Jo˜ o a A .. 2: CICLOS E CAMINHOS 5 Armazem 13 6 6 Pracinha 18 Banca de Jornal 10 10 Quitanda 8 8 Escola Cancela Figura 2.. *** J J J A Ainda n˜ o atingimos a Ainda n˜ o atingimos a Como a distˆ ncia a Pracinha n˜ o pode ser melhorada e a partir a ` a ´ dela que investigaremos. e J ..Escola .Armaz´ m e P .. Podemos chegar.com custo ou distˆ ncia..Quitanda B . Vamos ver o que acontece ` ` ` . a Banca de Jornal e a Cancela. passando pela Pracinha a Quitanda.Pracinha Q . vindo de..“GrafosModfranc 2008/6/23 page 38 Estilo OBMEP 38 0 5 Casa do João CAP.. a 0 5 6 10 18 ∞ ∞ .7: Determinado (fechado) * * * Posso chegar at´ ..Banca de Jornal C ..

e ´ ´ Nosso grafo e tabela ficam assim: . o caminho melhor passa a ser pela Pracinha. como 9 < 10 (que e a etiqueta atual da Qui´ tanda). O v´ rtice a ser fechado e a Quitanda pois e o menor valor em aberto. Cancela: 6 + 6 = 12 < ∞ logo o caminho para a cancela passa a ser pela Pracinha. 2. Banca de Jornal: 6 + 11 = 17 < 18 e o caminho para a Banca de Jornal passa a ser pela Pracinha.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 39 Estilo OBMEP SEC.2: O PROBLEMA DO MENOR CAMINHO 39 nos trˆ s casos: e Quitanda: 6 (etiqueta da Pracinha) + 3 (distˆ ncia Pracinhaa Quitanda) = 9.

Banca de Jornal C .Quitanda B ... vindo de... a 0 5 6 9 17 12 ∞ ..Pracinha Q .Armaz´ m e P .Casa de Jo˜ o a A .8: Determinado (fechado) * * * * Posso chegar at´ ..Cancela E . *** J J P P P Ainda n˜ o atingimos a Agora vamos estudar se podemos melhorar a distˆ ncia a para tir da Quitanda (que fechamos por ser o menor valor em aberto). 2: CICLOS E CAMINHOS 5 Armazem 6 6 Pracinha 11 17 Banca de Jornal 3 9 Quitanda 12 8 Escola 6 Cancela Figura 2...Escola .“GrafosModfranc 2008/6/23 page 40 Estilo OBMEP 40 0 5 Casa do João CAP.. Da Quitando posso alcancar a Banca de Jornais com distˆ ncia ¸ a total 9 + 6 = 15 < 17 logo meu caminho para a Banca de Jornais .com custo ou distˆ ncia. e J .

a 0 5 6 9 15 12 ∞ ..2: O PROBLEMA DO MENOR CAMINHO 41 passa a usar a Quitanda.Cancela E . e J .Casa de Jo˜ o a A .9: Determinado (fechado) * * * * * Posso chegar at´ . Ent˜ o n˜ o e vantagem.Escola ...Armaz´ m e P . 2. Nosso grafo e tabela ficam assim: 0 5 Casa do João Armazem 5 6 6 Pracinha 11 15 Banca de Jornal 3 9 Quitanda 6 6 12 Cancela Escola Figura 2. vindo de.Quitanda B ... Tamb´ m posso alcancar a Cancela mas com distˆ ncia 9 + 4 = e ¸ a 13 > 12.. *** J J P Q P Ainda n˜ o atingimos a 8 .Banca de Jornal C ..Pracinha Q . e continuo a ir para a Cancela pasa a ´ sando pela Pracinha...com custo ou distˆ ncia.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 41 Estilo OBMEP SEC.

a Minha tabela e grafo ficam assim (escurecemos o v´ rtice da e Banca de Jornais): 0 5 Casa do João 5 Armazem 6 6 Pracinha 11 15 Banca de Jornal 3 9 Quitanda 6 6 20 8 Cancela Escola 12 Figura 2.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 42 Estilo OBMEP 42 CAP. Da Cancela so consigo ir a Escola a ´ ` com distˆ ncia acumulada 12 + 8 = 20 < ∞. Nesse caso e ”fechamos”a Cancela antes da Banca de Jornal. J´ estamos quase terminando. que e o que e ´ tem menor distˆ ncia acumulada entre os abertos. Isso mostra que a nem sempre ”fechamos”os v´ rtices na ordem da tabela.10: . 2: CICLOS E CAMINHOS Observe que escurecemos o v´ rtice da Cancela.

vemos que pela Banca de Jornal conseguimos chegar a Escola com distˆ ncia acumulada de 15 + 3 < 20.com custo ou distˆ ncia.11: . vindo de..Quitanda B ..Casa de Jo˜ o a A .. a 0 5 6 9 17 12 20 .Armaz´ m e P . 2. e J . ` a O grafo e tabela finais ficam: 0 5 Casa do João Armazem 5 6 6 Pracinha 11 15 Banca de Jornal 3 9 Quitanda 6 6 3 18 Escola 12 Cancela Figura 2...2: O PROBLEMA DO MENOR CAMINHO 43 .Cancela E .Pracinha Q ..“GrafosModfranc 2008/6/23 page 43 Estilo OBMEP SEC.... *** J J P Q P C Determinado (fechado) * * * * * * Posso chegar at´ .Escola E finalmente.Banca de Jornal C .

ima e a pedindo a formacao de ciclos). a ´ a ´ • A representacao gr´ fica foi util para entendermos o problema.. vindo de... ¸˜ • O algoritmo encontra o menor caminho da Casa de Jo˜ o a toa a dos os outros pontos.conexa e sem ciclos (sempre ´ ´ que cheg´ vamos num v´ rtice. ¸˜ a ´ mas poder´amos perfeitamente ter usado apenas uma matriz ı de distˆ ncias: a .Casa de Jo˜ o a A . Ele n˜ o encontra o menor caminho entre dois v´ rtices quaisquer.Escola CAP. *** J J P Q P B Observe que: • O grafo final e uma arvore ... elimin´ vamos uma aresta.Quitanda B .“GrafosModfranc 2008/6/23 page 44 Estilo OBMEP 44 Determinado (fechado) * * * * * * * Posso chegar at´ .. Por exemplo para ir da Cancela a e ` Banca de Jornais a distˆ ncia e 11 e n˜ o 15 como a arvore sugere. 2: CICLOS E CAMINHOS .Cancela E .. e J .Pracinha Q .com custo ou distˆ ncia.Armaz´ m e P ... a 0 5 6 9 17 12 18 .Banca de Jornal C .

e e N 70 P 31 110 M 61 L 70 67 H 65 J 30 I 74 F 126 105 G 100 26 12 C E 30 B 140 19 85 D 39 A Figura 2. use o algoritmo de Dijkstra para descobrir qual o menor caminho do v´ rtice A a todos os outros v´ rtices.2: O PROBLEMA DO MENOR CAMINHO 45 B ∞ 13 11 6 0 ∞ 3 C ∞ ∞ 6 4 ∞ 0 8 E ∞ ∞ ∞ ∞ 3 8 0 J J A P Q B C E 0 5 6 10 ∞ ∞ ∞ A 5 0 ∞ ∞ 13 ∞ ∞ P 6 ∞ 0 3 11 6 ∞ Q 10 ∞ 3 0 6 4 ∞ Exerc´cios ı 1.12: . 2. Nas figura abaixo.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 45 Estilo OBMEP SEC.

2: CICLOS E CAMINHOS 2.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 46 Estilo OBMEP 46 CAP. Use o algoritmo de Dijkstra para descobrir qual o menor caminho da Mercearia a todas as outras localidades. Abaixo. temos uma tabela de distˆ ncias entre uma Mercearia a e as localidades onde ela faz entregas. Mercearia Mercearia B C D E F G H 0 11 5 8 ∞ ∞ ∞ ∞ B 11 0 ∞ 3 ∞ ∞ 8 ∞ C 5 ∞ 0 2 8 ∞ ∞ ∞ D 8 3 2 0 4 ∞ 12 11 E ∞ ∞ 8 4 0 15 ∞ 4 F ∞ ∞ ∞ ∞ 15 0 3 7 G ∞ 8 ∞ 12 ∞ 3 0 2 H ∞ ∞ ∞ 11 4 7 2 0 .

A figura mostra uma solucao a ¸˜ e.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 47 Estilo OBMEP Cap´tulo 3 ı Mais Ciclos e mais Caminhos 3.1 Euler e as Pontes de Koenisberg ¨ Na introducao. perguntamos se vocˆ conseguiria desenhar a cas¸˜ e inha abaixo sem tirar o l´ pis do papel. na verdade.1: 47 . o problema e bastante f´ cil. ´ a Figura 3.

2: Observamos que o problema d´ origem a um grafo com arestas a multiplas. o que n˜ o afetar´ a solucao. ¨ Os habitantes de Koenisberg (hoje Kaliningrado) se perguntavam ¨ se seria poss´vel atravessar as sete pontes do Rio Prega. Se comecam em A terminam ¸ e ¸ em E. e vice-versa. Figura 3. e a . O fato e que esse outro problema e imposs´vel. O problema tem origem no famoso ”problema das pontes de Koenisberg“. Todas as solucoes ´ ´ ı ¸˜ comecam/terminam pelo v´ rtice A/E. estabelecendo assim uma condicao necess´ ria. retornando ao ponto de partida.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 48 Estilo OBMEP 48 CAP. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS Mas se quisermos comecar pelo v´ rtice B? (vocˆ pode tentar o ¸ e e tempo que quiser). Leonard Euler mostrou que a ´ a a ¸˜ resposta era negativa. sem pası sar duas vezes na mesma ponte. considerado o marco fundador da Teoria dos Grafos. ¸˜ a embora se acredite que a suficiˆ ncia n˜ o lhe fosse desconhecida. O problema e sua modelagem por grafos est´ apresentada na figura a a seguir.

muito mais tarde. .1: EULER E AS PONTES DE KOENISBERG 49 Essa segunda parte foi publicada por Hierholzer em 1873. 3. ele e interessante. interessante e tem con¸˜ ´ sequˆ ncias importantes. simples de pro¸ ´ por e veremos que sua solucao e atraente. Antes de prosseguir com a solucao. ¸˜ Esse Problema e Importante? ´ Sim! Para comeco de conversa. o prefeito ficaria contente (experimente desenhar esta figura sem tirar o l´ pis do papel mas voltando a ao ponto inicial). o que significa que ele prefere que o caminh˜ o passe uma a unica vez por todas as ruas e retorne ao ponto de partida. ¨e Mas no aspecto imediato. vamos tecer algumas ¸˜ consideracoes sobre grafos. Se o mapa da cidade e fosse como na figura a seguir. n˜ o teria solucao (pois o caminh˜ o n˜ o re¸˜ a ¸˜ a a tornaria ao ponto inicial (Vocˆ experimentou?). ´ O problema e idˆ ntico ao problema da casinha e.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 49 Estilo OBMEP ¨ SEC. computadores e problemas finitos. se a cidade ´ e tivesse essa configuracao. pense numa pequena cidade com um unico caminh˜ o para recolher o lixo onde o prefeito deseja econoa ´ mizar.

E). C). (D. D). E). E)}. queremos saber se realmente todas as solucoes comecam/terminam por A/E. B). pessoas. isso facilita encontrar a aresta que procuramos e isso vale a para o computador tamb´ m (essa ordem tem o nome de ”ordem lee xicogr´ fica”). (C. (B. Observe que usamos uma ordem semelhante a ordem do di` cion´ rio. pode´ mos examinar todas. (A. ´ Lembre-se que a casinha representa o grafo G(V. Como um computador pode fazer isso? . mas os computadores pre´ ferem letras e numeros. E} e A(G) = {(A.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 50 Estilo OBMEP 50 CAP.3: E em que um computador pode nos ajudar nesse caso? 3. A) em que V (G) = {A. (B. B.2 Estrutura de Dados O desenho ajuda a nos. N˜ o haver´ excecao? Como o nosso ¸ a a ¸˜ problema tem um numero de possibilidades finito e pequeno. D. C. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS Figura 3. a ¸˜ Bem. D). (A. (B. D).

´ ´ a ı Retiramos ela da lista de dispon´veis: ı AB AD AE BC BD BE CD DE == == (Repare que no nosso problema EB e BE s˜ o a mesma coisa. Basta lembrar que computadores tˆ m facilidade para tratar e informacoes organizadas.) a ¸˜ a ı E assim por diante. podemos verificar que esta e de fato uma solucao. Ela est´ dispon´vel? Sim.2: ESTRUTURA DE DADOS 51 Calma! N˜ o precisamos saber programacao de computadoa ¸˜ res. Retiramos ela ¸ a ı da lista de dispon´veis: ı AB AD AE BC BD BE CD DE == A proxima aresta a ser examinada e EB. Como isso funciona no nosso caso? ¸˜ Digamos que achei a solucao codificada pela sequˆ ncia de letras ¸˜ ¨e AEBDCBADE. Est´ dispon´vel? Sim. Mesmo sem o desenho.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 51 Estilo OBMEP SEC. As arestas dispon´veis s˜ o: ´ ¸˜ ı a AB AD AE BC BD BE CD DE Comecamos pela aresta AE. A sequˆ ncia da verificacao est´ a´ abaixo: ¨e AEBDCBADE AEBDCBADE AEBDCBADE AEBDCBADE AEBDCBADE AEBDCBADE AB AD AE BC BD BE CD DE == AB AD AE BC BD BE CD DE == == AB AD AE BC BD BE CD DE == == == AB AD AE BC BD BE CD DE == == == == AB AD AE BC BD BE CD DE == == == == == AB AD AE BC BD BE CD DE == == == == == == . 3.

7. Quantas sequˆ ncias temos? Na apostila [2] vimos que tere¨e mos 8! = 8 × 7 × 6 × 5 × 4 × 3 × 2 × 1 = 40320 sequˆ ncias. 6. mas intuitivamente percebemos que com a estrutura adequada e uma sequˆ ncia de procedimentos (um programa!). 2. 4. 7. 3. ¸˜ ¸˜ ´ a Observe que n˜ o usamos o desenho. E o que chamamos uma estrutura de dados. ´ N˜ o temos a intencao aqui de explicitar o funcionamento de um a ¸˜ computador. S˜ o as ¨e a permutacoes de 8 elementos. . 8. 7. 3. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS AB AD AE BC BD BE CD DE == == == == == == == AB AD AE BC BD BE CD DE == == == == == == == == E a verificacao mostra que a solucao e boa. 2. Ora. Lembre-se. 6. 2.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 52 Estilo OBMEP 52 AEBDCBADE AEBDCBADE CAP. 3. 8) ou ¨e (3. 1). Melhor ainda. 5. 5. um bom computador pode gerar ¸˜ e verificar essas sequˆ ncias todas em segundos! Poderemos ter ¨e certeza de que todas as solucoes realmente comecam (ou terminam) ¸˜ ¸ com a letra A ou E. e ´ a ¸˜ Vamos fazer algumas contas. computadores s˜ o m´ quinas e n˜ o a a a podemos passar informacoes de qualquer jeito. 4. um algoritmo. 1) e ou n˜ o uma solucao para o problema da casi´ a ¸˜ nha. 2. 4. E que foi fundamental ´ a maneira como apresentamos os dados. Podemos pensar num procedimento (diferente do que usamos antes) que verifique se uma determinada sequˆ ncia de 8 algarismos do tipo (1. podemos colocar essas sequˆ ncias em ordem de ¨e e (1. 5. A estrutura de da¸˜ dos e fundamental. isto ¨e e. 4. 6. 7. Temos 8 arestas dispon´veis e ı a podemos numer´ -las de 1 a 8. 8) at´ (8. podemos verificar se uma sequˆ ncia de 9 letras ´ ¨e (por quˆ 9?) e ou n˜ o uma solucao. 5. 6.

2: ESTRUTURA DE DADOS 53 Isso se chama uma ”solu¸ ao por for¸ a bruta“ e n˜ o usamos c˜ c a nenhuma sofisticacao matem´ tica. Se temos 20 ruas. mas 20. N˜ o e uma grande cidade e podemos tentar usar a ´ a mesma forca bruta do computador para resolver o problema de ¸ percorrer com o caminh˜ o sem repeticao de ruas.. Digamos que a cidade dele n˜ o tenha a 8 ruas. Mas ser´ que um bom computador n˜ o a ¨e a a resolveria este problema? Se o computador verificasse um milh˜ o a de sequˆ ncias por segundo (e poucos computadores o fazem hoje ¨e em dia) ele demoraria (os c´ lculos so incluem a parte inteira): a ´ 2432902008176640000 ÷ 1000000 ≥ 2432902008170 segundos 2432902008170 ÷ 60 ≥ 40548366800 minutos 40548366800 ÷ 60 ≥ 675806110 horas 675806110 ÷ 24 ≥ 28158580 dias 28158580 ÷ 365 ≥ 77140 anos 77140 ÷ 1000 ≥ 77 milˆ nios e O prefeito n˜ o pode esperar tanto tempo (nem nos. Quem vir´ nos socorrer? Um teorema de Euler. nehum teorema. Quanto e isso? ¨e ´ ¨e 20! = 2432902008176640000 sequˆ ncias S˜ o muitas sequˆ ncias. e a . Ser´ o fim da ¸˜ a a Matem´ tica? N˜ o e bem assim. a ¸˜ teremos 20! sequˆ ncias..“GrafosModfranc 2008/6/23 page 53 Estilo OBMEP SEC. 3. nem a ´ ningu´ m). a a ´ Lembre-se do prefeito.

Se o grafo n˜ o e euleriano mas tem uma trilha aberta de a ´ comprimento m. ele e dito semi-euleriano. Euler mostrou que a resposta ¨ era negativa. nem semi-euleriano. em outras palavras. ¸˜ a . Num grafo semi-euleriano comecamos num ponto e terminamos em outro. uma representacao gr´ fica dele) sem retirar o l´ pis do ¸˜ a a papel e retornando ao ponto inicial. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS 3. ¸ Figura 3.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 54 Estilo OBMEP 54 CAP. se podemos percorrer cada aresta uma e so uma vez partindo de um v´ rtice e a ele ´ e retornando.3 Grafos Eulerianos Um grafo com m arestas e dito euleriano se existe uma trilha fechada ´ de comprimento m em G. G2 e semi-euleriano (a trilha pode ser a-e-b-d-c-b-a-d-e) e a ´ G3 n˜ o e euleriano. G1 e euleriano (a trilha pode ser a-b-c-d-e-f-a´ d-b-e-a). ´ Em outras palavras. podemos desenhar um grafo euleriano (ou melhor. J´ vimos que o problema (e o nome ”euleriano”) se originou com a o problema das pontes de Koenisberg.4: ´ Na figura acima. estabelecendo assim uma condicao necess´ ria.

3. o teorema. iniciamos nossa trilha. Se todo v´rtice de um grafo (n˜ o necessariamente simples) G tem e a grau maior ou igual a 2. ou chegamos a um v´ rtice j´ visitado. A e quer. todos os v´ rtices tˆ m grau maior do que e e . Quando chegamos a um v´ rtice quale quer. Sendo G conexo. o lema est´ provado. apenas os grafos simples. Por ¸˜ ´ vacuidade. pois. Suponhamos que ´ o teorema seja v´ lido para todos os grafos com menos do que m a arestas. n˜ o h´ o que c˜ e ¸ ´ a a provar.1736). G cont´ m um ciclo. Consideramos. Demonstra¸ ao. ou o estamos visitando pela primeira vez e podemos continuar. ´ e ´ a E agora. Cada vez que a trilha passa por um v´ rtice utiliza duas novas e arestas. ¸ e a Lema. e ` partir de um v´ rtice v0 . produzindo um ciclo. automaticamente. Se G cont´ m lacos ou arestas multiplas.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 55 Estilo OBMEP SEC. Teorema de Euler (Euler . e (⇐) Usaremos inducao sobre o numero de arestas m do grafo. a e Demonstra¸ ao. o teorema e valido quando m = 0. uma para entrar e outra para sair. Um grafo conexo (n˜ o necessariamena te simples) G e euleriano se e somente se todos os seus v´rtices tem grau ´ e par.3: GRAFOS EULERIANOS 55 Comecamos por um lema simples por´ m necess´ rio. qualportanto. ent˜ o G cont´m um ciclo. Como e a o numero de v´ rtices e finito. c˜ (⇒) Suponhamos que G tenha uma trilha fechada de comprimento m. o grau de cada v´ rtice deve ser obrigatoriamente par. Logo.

chegando a um beco sem sa´da. Pelo lema anterior. o teorema est´ provado.5. pelo menos uma das com´ ponentes de H tem um v´ rtice em comum com T e tem todos os e v´ rtices com grau par.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 56 Estilo OBMEP 56 CAP. Caso contr´ rio. . Podemos dar uma id´ ia do funcionamento e do algoritmo e do motivo pelo qual ele funciona. consideramos a a o grafo H resultante da retirada das arestas de T . Comecando nossa trilha pelo v´ rtice a poder´amos percorrer ¸ e ı abf cedcbef a. Dentre todos as trilhas fechadas em G ´ escolhemos uma trilha T com comprimento m´ ximo. Se T tem coma primento m. Repare que os graus ı eram todos pares e a retirada de um ciclo subtrai sempre numeros ´ pares dos graus. e todos os v´ rtices ´ e e do grafo tem grau par (pela hipotese). (S UGESTAO : pense em acrescentar c˜ uma aresta a dois v´ rtices de grau ´mpar. A demonstracao da correcao do algoritmo pode ¸˜ ¸˜ ser encontrada em [6]. H tem uma trilha e ´ ¸˜ fechada que passa por todos os v´ rtices de H. no m´ ximo. e podemos formar e uma trilha fechada maior concatenando T com a trilha em H. Um grafo conexo (n˜ o necessariamente simples) G e semia a ´ euleriano se. Veja a figura 3. a e e ı ˜ Demonstra¸ ao. Pela hipotese de inducao. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS 2. Corol´ rio. pois os graus s˜ o pares. G cont´ m um ciclo a e (que e uma trilha fechada). Deixada ao leitor.) e ı Um algoritmo decorrente da demonstracao do teorema acima as¸˜ segura a construcao de uma trilha fechada de comprimento m num ¸˜ grafo euleriano. Como retiramos um numero par de arestas de cada v´ rtice de T . dois v´rtices tˆm grau ´mpar. e somente se. Mas isso contraria a maximalidade na escolha de T .

5).“GrafosModfranc 2008/6/23 page 57 Estilo OBMEP SEC. e f d g h i c a b j k Figura 3. Basta agora incluir essa trilha na trilha inicial onde est´ o v´ rtice d.5: Esse resto pode ser percorrido pela trilha fechada dghijkcjhd. a e Nossa trilha fica abf ced(dghijkcjhd)dcbef a(veja a figura 3.3: GRAFOS EULERIANOS 57 O grafo restante tamb´ m tem v´ rtices com grau par (Veja ainda e e a figura 3.6).6: . 3. e f d g h i c b k j c j d g h i a Figura 3.

7. quais grafos s˜ o eulerianos? Quais s˜ o semia a eulerianos? No caso dos semi-eulerianos. por onde devemos comecar (terminar) nossa trilha? ¸ Figura 3. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS Exerc´cio ı Na figura 3.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 58 Estilo OBMEP 58 CAP.7: .

Lembramos que o numero de v´ rtices ´ e de grau ´mpar e par (veja o corol´ rio na secao 2.4: O PROBLEMA CHINES DO CARTEIRO 59 3. quando tem apenas dois v´ rtices de grau ´mpar. Ora.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 59 Estilo OBMEP ˆ SEC. quando o grafo e semiı ´ euleriano. o que significa simplesmente percorrer o caminho av2 . logo poderemos ı ´ a ¸˜ ´ unir pares desses v´ rtices por novas arestas.4 O Problema Chinˆ s do Carteiro e Esse problema e uma aplicac ao bastante importante do conceito de ´ ¸˜ grafo euleriano. Va` ¸˜ mos ilustrar o caso mais simples poss´vel. J´ vimos esse conceito no caso do algoritmo de Dija kstra. v3 v4 . E um problema bastante e estudado devido a economia que uma boa solucao pode gerar. a ´ a a a teremos que eulerizar o grafo.3). ´ e ı O menor caminho entre os v´ rtices a e b (calculado pelo algoe ritmo de Dijkstra) indica que o melhor meio de eulerizar o grafo e ´ construir uma ”aresta virtual”entre a e b.. isto e. custo. mas hoje h´ algoritmos que produzem resultaa ´ dos aproximados com bastante eficiˆ ncia. tempo. uma funcao f : A → ´ ¸˜ representar comprimento. E e claro que n˜ o construiremos novas ruas! A id´ ia e fazer o carteiro a e ´ percorrer ruas repetidas de forma economica. se o grafo em quest˜ o e euleriano. 3. Usamos um grafo valorado onde as arestas e as` ´ + . v2 v3 . n˜ o h´ problema. tornando-os pares. O problema chinˆ s do carteiro (que tem este nome por ter sido e apresentado pela primeira vez por um pesquisador chinˆ s e n˜ o pela e a nacionalidade do carteiro. v4 b como se fosse uma . Este peso pode sociado um peso. Mas se esse n˜ o for o caso.. ou o que a modelagem do problema exigir. O problema pode se ˆ complicar bastante. isto e.) consiste em minimizar o esforco de um ¸ carteiro que percorre todas as ruas de uma cidade.

. 3.5 Grafos e Ciclos Hamiltonianos Um problema aparentemente similar ao dos grafos eulerianos e o de ´ procurar em G uma trilha fechada que passe por todos os v´ rtices e uma e so uma vez. O nome homenageia Sir Willian R. um grafo semihamiltoniano aparece na figura 3.9(a). Hamilton. Uma trilha assim teria de ser necessariamente um ´ ciclo (salvo no caso do grafo nulo com um v´ rtice). As primeiras ¸˜ definicoes de grafo hamiltoniano e de grafo semi-hamiltoniano ¸˜ seguem as mesmas diretrizes dos grafos eulerianos.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 60 Estilo OBMEP 60 CAP. que estudou e divulgou o problema .embora a primeira formulacao tenha sido feita por Kirkman em 1885. Um grafo e seu ciclo hamiltoniano aparecem na figura 3.9(b). chamamos um e tal ciclo de ciclo hamiltoniano. gastaremos menos a sola do carteiro. Assim.8: aresta. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS aresta virtual a 5 v1 5 v 3 3 5 8 3 v2 3 3 v6 8 7 2 4 10 v5 12 b 2 v 4 5 v 1 5 v3 5 3 3 3 v6 a 3 8 v2 2 4 10 v5 12 8 7 b 2 v 4 Figura 3.

a a ¸˜ 3. Tomemos o exemplo dado pela seguinte matriz valorada de adjacˆ ncia e . desejamos determinar o valor do menor ciclo hamiltoniano de G. todos os teoremas se encontram muito longe de oferecer uma previs˜ o razo´ vel de solucao.6: O PROBLEMA DO CAIXEIRO VIAJANTE.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 61 Estilo OBMEP SEC. Sua formulacao e sime ¸˜ ´ ples: dado um grafo completo valorado G. ¸˜ transporte e planejamento. entretanto. 3.9: As semelhancas. O problema de ¸ saber se um grafo e ou n˜ o hamiltoniano e um dos mais estuda´ a ´ dos da teoria dos grafos por sua aplicabilidade em comunicacao. mas at´ hoje n˜ o foi encontrado um algor´tmo come a ı putacionalmente eficiente para resolvˆ -lo.PCV O PCV e um dos problemas mais estudados no campo da pesquisa ´ operacional. nenhuma condicao e ¸˜ necess´ ria e suficiente elegante para que um grafo seja hamiltoniano a foi encontrada.PCV 61 (a) (b) Figura 3. param por aqui. Entretanto. Na verdade. at´ hoje.6 O Problema do Caixeiro Viajante.

“GrafosModfrancis 2008/6/23 page 62 Estilo OBMEP 62 a a b c d e f g XXX 404 270 490 490 338 258 b 404 XXX 618 890 890 460 320 c 270 618 XXX 360 360 210 240 CAP. e uma tarefa at´ modesta para um computador. mesmo que n˜ o assegure a me´ e a a lhor solucao. Com 7 v´ rtices. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS d 490 890 360 XXX 78 390 390 e 490 890 360 78 XXX 390 330 f 338 460 210 390 390 XXX 270 g 258 320 240 330 330 270 XXX Como o grafo em quest˜ o e K7 . cada uma correspon¸˜ e dendo a um ciclo hamiltoniano. Mas o PCV frequentee ¨ mente trata de grafos com mais de 60 v´ rtices. Seja como for. No nosso caso. a solucao otima. pois s˜ o permutacoes circulares. Uma outra ¨ tentativa heur´stica seria procurar agregar sempre a aresta de menor ı valor que n˜ o produza ciclo com menos de 7 v´ rtices nem produza a e . a a ı isto e. teremos 7! = 5760 permutacoes. entretanto. o ciclo produzido seria a-g-c-f-g-b-de-a. e o que nos tomaria milˆ nios. A primeira tentativa e um algoritmo ¸˜ ¸˜ ´ ´ guloso que parte do ponto A e procura sempre a menor distˆ ncia ao a ponto da vez. que estamos a procura de um ciclo. na verdade s˜ o e ¸˜ a a ¸˜ ´ 6! = 820. Observamos. mesmo usando todos os computadores e do mundo! Nossa atitude ser´ ent˜ o de procurar um algoritmo heur´stico. com valor 2470. uma solucao obvia seria exaa ´ ¸˜ ´ minar todas as permutacoes entre os v´ rtices. e n˜ o ` a temos portanto nescessidade de agir sequencialmente. que usa uma id´ ia ”razo´ vel”. A contra-indicacao para o algoritmo guloso e ¸˜ ´ que no final terminamos por aceitar arestas de valores muito altos. Isso nos daria 60!.

o melhor valor encontrado. todos os v´ rtices s˜ o de grau 2). corresponde ao ciclo a-c-d-e-f-g-b-a com o valor. As e e a escolhas recaem sobre: Aresta DE CF CG GA AC FG AF CD CE DF BE AB Valor 78 210 240 258 Bifurcacao ¸˜ Bifurcacao ¸˜ Fecha ciclo Bifurcacao ¸˜ Bifurcacao ¸˜ 390 890 404 O ciclo e a-c-d-e-f-g-b-a e o valor conseguido tamb´ m e 2470. de 2092. Vamos a a ¸˜ falar um pouco sobre isso adiante. se tivermos que examinar o PCV para 20 cidades ter´amos que examinar cerca de 20! permutacoes e j´ vimos que este ı ¸˜ a e um numero muito grande. bem inferior. Entretanto. Isso ´ e ´ foi coincidˆ ncia. Pior ainda. .6: O PROBLEMA DO CAIXEIRO VIAJANTE. ainda pior.PCV 63 v´ rtices de grau 3 (num ciclo. os cientistas da computacao acreditam que ele pertenca a uma classe ¸˜ ¸ de problemas para os quais n˜ o h´ uma solucao ”elegante“. E. examinando todas as possibilidades. A id´ ia paree e cia boa e o resultado foi um pouco melhor. em que o teorema de Euler nos salvou).“GrafosModfranc 2008/6/23 page 63 Estilo OBMEP SEC. ´ E claro. n˜ o foi descoberto at´ o ´ ´ a e momento um algoritmo eficiente para este problema (como no caso euleriano. 3. como veremos em outros exemplos.

Entretanto. sugerindo qualitativae mente que certos problemas tˆ m sido mais resistentes a uma abore . valorado nas arestas.10 temos um grafo completo.7 Uma Palavra sobre Complexidade A an´ lise da complexidade de algoritmos e um assunto bastante a ´ t´ cnico e que foge a intencao destas notas. enfim. use os algoritmos gulosos descritos nesta secao e constate que o valor obtido e sempre ¸˜ ´ maior do que o melhor valor (que pode ser encontrado por exame exaustivo). eficiˆ ncia computacional. Para isso. A 20 10 50 D 80 70 B 150 C Figura 3. J´ viemos fazendo isso quando falamos de solucoes a ¸˜ elegantes.10: 3.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 64 Estilo OBMEP 64 CAP. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS Exerc´cio ı Na figura 3. e desejamos encontrar o ciclo hamiltoniano com menor valor total (Problema do Caixeiro Viajante). as dificule ` ¸˜ dades enfrentadas por quem trabalha com problemas combinatorios ´ (entre os quais os da teoria dos grafos) podem ser informalmente compreendidas.

3. ı Um algoritmo e composto de passos elementares.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 65 Estilo OBMEP SEC. um v´ rtice v ser´ chamado de e a v´ rtice separador quando a sua retirada resultar num grafo e desconexo ou nulo. um aumento de poder computacional pode reduzir significativamente o tempo utilizado.7: UMA PALAVRA SOBRE COMPLEXIDADE 65 dagem algor´tmica e computacional do que outros. o au´ ¸˜ mento do poder computacional tem pouco efeito sobre o tempo de execucao. at´ hoje n˜ o foi descoberto um ´ e a algoritmo polinomial. mais ainda. e uma funcao exponencial do tamanho da entrada. se a totalidade dos passos do algoritmo. quando retirada. Prove que um grafo so tem uma ponte se ´ . Entretanto. entretanto. a maior parte dos pesquisadores a a ı acredita que isso n˜ o ser´ mesmo poss´vel. o de pesquisa de menor a distˆ ncia (Dijkstra) e de complexidade polinomial assim como o da a ´ determinacao se um grafo e ou n˜ o euleriano ( e de sua exibicao. Uma ponte e uma aresta que. Exerc´cios ı 1. Maior informacao sobre complexidade computacional pode ser ¸˜ encontrada em Garey e Johnson [5]. Dos algoritmos que j´ examinamos. desconecta o ´ grafo. basta um pequeno incremento na entrada para inutilizar ¸˜ o aumento computacional. Para o PCV. no pior dos casos. Dado um grafo conexo G. se ¸˜ ´ a ¸˜ esse e o caso). se a totalidade ´ dos passos exigidos por qualquer problema que esse algoritmo resolva e dado por uma funcao polinomial do tamanho da entrada do ´ ¸˜ algoritmo.

3 = 13 e 6 = 3. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS Ponte Figura 3. Mostre que se um grafo tem 2. Kp. Mostre que A2 . Observa¸ ao: x e o maior numero inteiro menor ou igual a x. Uj ) no qual Xj = {vetores de j coordenadas. e ı a ´ 2. mas a rec´proca n˜ o e verdadeira. a 5. Que numero aparece na diage ´ 2 ? Qual o significado da matriz Ak ? (Teoonal principal de A rema de Festinger).j e hamiltoniano se e so se i = j. nos d´ o numero de caminhos de comprimento 2 entre a ´ cada par de v´ rtices do grafo. Prove que dentre G e G. o quadrado da matriz de adjacˆ ncia de um grafo. cada uma igual a 0 ou 1 } e Uj = {(vj .k v´ rtices de grau ´mpar seu e ı conjunto de arestas pode ser particionado em k caminhos disjuntos. 4. pelo menos um e conexo. Mostre que Ki. p e q os grafos K n .q . existem 2 ciclos hamiltonianos disjuntos.11: tiver um v´ rtice separador. Para que valores de n.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 66 Estilo OBMEP 66 CAP. Seja o grafo Qj = (Xj . 2 7. Pn s˜ o eulerianos? semi-eulerianos? hamiltonianos? semi-hamiltonianos? ´ ´ 6. e que nesse i caso. ´ e 3. wj )|vj difere de . c˜ ´ ´ 5 41 Por exemplo: 7 = 0.

0) (0) (1) (0. (b) Para que valores de j e Qj euleriano? Justifique. (d) Para que valores de j e Qj hamiltoniano? Justifique. 3.0) (1. ´ ´ (c) Mostre que Qj e bipartido. Q2 e Q3 . ´ 8.1.1.0 .“GrafosModfranc 2008/6/23 page 67 Estilo OBMEP SEC. Mostre que o grafo de Petersen (ver figura 3. (1.0.0.1.0.1) (0.1) (1. A figura 3.1) (0.1.12 mostra Q1 .1) (0.0) (0. Figura 3.0) (1.12: (a) Calcule nj = |Xj | e mj = |Uj |.7: UMA PALAVRA SOBRE COMPLEXIDADE 67 ´ wj por uma so coordenada }.0) (0.13) n˜ o e hamiltoa ´ niano.1) Q1 Q2 Q3 Figura 3.1) (1.13: .0) (1.

mas a a rec´proca n˜ o e verdadeira. Mostre que se G for euleriano. 3: MAIS CICLOS E MAIS CAMINHOS 9. L(G) ser´ hamiltoniano.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 68 Estilo OBMEP 68 CAP. ı a ´ .

1: Para um dado numero de v´ rtices n.1 Defini¸ oes e Caracteriza¸ oes c˜ c˜ Um dos tipos mais frequentes de grafos s˜ o as arvores. a ´ ´ árvore floresta Figura 4. Um grafo cujas componentes conexas s˜ o arvores e chamado de floresta. uma arvore e o grafo ´ e ´ ´ 69 . j´ definidos ¨ a ´ a anteriormente como grafos conexos sem ciclos.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 69 Estilo OBMEP Cap´tulo 4 ı ´ Arvores 4.

´ Teorema. As seguintes afirma¸ oes s˜ o e c˜ a equivalentes: (i) T e uma arvore. ´ ´ (v) Todo par de v´rtices de T e ligado por um unico caminho. Por inducao.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 70 Estilo OBMEP 70 ´ CAP. ´ Por inducao. ´ conclu´mos que o numero de arestas de T e. Seja T um grafo com n v´rtices. 4: ARVORES conexo com menor numero de arestas. ´ ´ (ii) T n˜ o cont´m ciclos e tem n − 1 arestas. cada componente seria uma arvore. (n − 1) + ı ´ ´ (n − 1) + 1 = n − 1. As v´ rias caracterizac oes ´ a ¸˜ das arvores podem ser reunidas no teorema a seguir. o numero de arestas em cada componente e inferior em ¸˜ ´ ´ . Demonstra¸ ao. ¸˜ ´ a e a retirada de uma aresta uv separa u de v e o grafo e separado em ´ e um par de arvores T e T com n e n v´ rtices. ´ (iv) T e conexo e toda aresta e uma ponte. a e (iii) T e conexo e tem n − 1 arestas. (ii) ⇒ (iii): Se T fosse desconexo. o numero de arestas de T e n − 1 ´ e o numero de arestas de T e n − 1. tais ´ ¸˜ ´ ´ que n = n + n . c˜ (i) ⇒ (ii): Pela definicao de arvore. T n˜ o cont´ m ciclos. respectivamente. Portanto. e ´ ´ a e c˜ ´ (vi) T n˜ o cont´m ciclos. mas a adi¸ ao de uma aresta produz um unico ciclo. portanto. Acrescentando a aresta uv.

Se esse ´ ciclo n˜ o fosse unico. Por exem´ . 4..2 Arvores Geradoras O Problema de Conex˜ o de Peso M´nimo a ı Uma arvore geradora de uma componente conexa de um grafo G. e ´ ´ ´ isto e. (vi) ⇒ (i): Basta mostrar que T e conexo. mas dificilmente dar´ um bom resultado (da´ o nome. a (iv) ⇒ (v): Se existisse mais de um caminho entre dois v´ rtices. a (v) ⇒ (vi): Se T contivesse um ciclo. e um subgrafo que e uma arvore com n − 1 arestas.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 71 Estilo OBMEP ´ SEC. o e grafo teria um ciclo e haveria uma aresta que n˜ o separaria o grafo. ´ e Vimos que um algoritmo ”guloso”pode ser f´ cil de implemena tar. toca todos os v´ rtices.2: ARVORES GERADORAS 71 uma unidade ao numero de v´ rtices e o numero total de arestas seria ´ e ´ inferior a n − 1. a retirada da aresta uv deixaria dois caminhos a ´ distintos entre u e v. concate¸˜ nada com o caminho (unico) entre u e v. a ´ 4. pois n − 2 arestas s˜ o insuficientes para conectar o grafo. A adicao de uma aresta uv. uma ´ aresta ligando duas componentes n˜ o produziria um ciclo. ´ com n v´ rtices. produz um ciclo. qual a arvore geradora de menor valor?”.).. Uma a ı excecao ocorre na solucao do seguinte problema: ”Dado um grafo ¸˜ ¸˜ G valorado. haveria um par de v´ rtices lige ado por mais de um caminho. (iii) ⇒ (iv): A retirada de qualquer aresta separa o grafo. Se T fosse desconexo.

e claro. ´ a No nosso caso : c→e⇒6 a → e ⇒ 40 Agora h´ um empate entre a − c e b − d. 4: ARVORES plo. Podemos escolher quala . usaremos o algoritmo de Kruskal. Quando tivermos conseguido n − 1 arestas.2 mostra o custo entre as ligacoes de um grafo ¸˜ K5 . Caso contr´ rio. a acrescentamos a nossa arvore. a 40 e 102 44 6 42 60 42 44 100 b d 46 c Figura 4.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 72 Estilo OBMEP 72 ´ CAP. se ela n˜ o forma ciclo. nos a ` ´ a ´ a desprezamos.2: Para resolver o problema. Este algoritmo consiste em tomar a aresta de menor valor. Mas qual? a ´ ´ O grafo da figura 4. que ligacoes deveremos fazer? ı ¸˜ A resposta ser´ uma arvore geradora. nossa arvore estar´ pronta. se queremos realizar a ligacao de computadores em rede a custo ¸˜ m´nimo.

agora entre b − c e d − e. b → c ⇒ 44 Ja temos 4 arestas. ´ a Total: 132 Nossa arvore ficar´ assim: ´ a a 40 e 6 42 b 44 d c Figura 4. a ı Demonstra¸ ao. Suponhamos que T n˜ o tenha peso m´nimo. O algoritmo. evidentemente. isto e.3: Teorema. 4. existe a ı ´ ´ uma arvore geradora T tal que o peso de T e menor do que o peso ´ de T .“GrafosModfranc 2008/6/23 page 73 Estilo OBMEP ´ SEC. Nossa arvore est´ completa. b → d ⇒ 42 Temos outro empate. fornece uma arvore gerc˜ ´ adora T . Podemos escolher qualquer uma.2: ARVORES GERADORAS 73 quer uma. O algoritmo de Kruskal fornece uma solu¸ ao otima para o probc˜ ´ lema da conex˜ o de peso m´nimo. Seja e a primeira aresta escolhida para T que n˜ o pertence a a . a → c ⇒ forma ciclo.

um limite inferior para o PCV e dado pelo valor da arvore ´ ´ geradora m´nima (obtido por um algoritmo guloso) mais o menor ı valor de uma aresta n˜ o usada na arvore. o que mostra que o algoritmo constroi efetivamente uma arvore de menor peso. a ´ Exerc´cios ı 1. 4: ARVORES T . ´ a b c d e Figura 4. m − n + 1 ciclos distintos. tem. ´ ´ . e no m´nimo. Retiramos a aresta ek e temos uma arvore T ” com peso menor que T . Se adicionarmos e a T obtemos um ciclo que cont´ m uma aresta e a a ´ ek que n˜ o est´ em T . ´ ´ Um algoritmo guloso pode ser usado para obter um limite inferior para o PCV. ı 3. Como um ciclo e um caminho adicionado de uma ´ aresta.4. Desenhe todas as arvores com 6 v´ rtices e com 7 v´ rtices. ´ e e 2. (a) Mostre que toda arvore e um grafo bipartido. Determine todas as arvores geradoras do grafo da figura 4. essa aresta e k teria sido escolhida pelo algoritmo no lugar de e.4: 4. com n v´ rtices e m arestas.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 74 Estilo OBMEP 74 ´ CAP. Mas nesse caso. Mostre que um grafo conexo.

Prove que um grafo conexo e uma arvore se e somente se tem ´ ´ uma unica arvore geradora.2: ARVORES GERADORAS 75 (b) Quais arvores s˜ o tamb´ m grafos bipartidos completos? ´ a e 5. no m´nimo. e a a 8. ´ ´ 7. Prove que uma arvore com Δ > 1 tem . Δ v´ rtices ´ ı e pendentes. Como podemos adaptar o algoritmo de Kruskal para obter o valor de uma arvore geradora de valor m´ ximo? ´ a 6.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 75 Estilo OBMEP ´ SEC. e ´ . Prove que uma arvore em que exatamente 2 v´ rtices n˜ o s˜ o ´ v´ rtices separadores e um caminho. 4.

os v´ rtices x a e e y estar˜ o ligados se representarem professores que tˆ m alunos em a e comum para ministrar a prova. Um conjunto independente pode desempenhar papel a importante em uma modelagem. Qual o maior numero de professores ´ que podem dar prova ao mesmo tempo? a resposta e dada pelo ´ subconjunto independente m´ ximo de v´ rtices do grafo. um exemplo de subconjunto not´ vel de um a a grafo: um subgrafo independente.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 76 Estilo OBMEP Cap´tulo 5 ı Subconjuntos Especiais de um Grafo 5. no qual nenhum par de v´ rtices e est´ ligado. a e 76 .1 Conjuntos Independentes J´ vimos. pelo menos. Suponhamos que um grafo represente a incompatibilidade de hor´ rios entre professores que devem dar prova final.

por exemplo. No nosso exemplo (figura 5.2.1: Aplicacoes do conceito de conjunto independente surgem ¸˜ quando. desejamos evitar duplicacao de esforcos. eu quisesse instalar barracas para venda de sorvete.1 mostra um conjunto com estas caracter´sticas.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 77 Estilo OBMEP SEC. ¸˜ ¸ Suponhamos que num parque.1: CONJUNTOS INDEPENDENTES 77 O subconjunto assinalado com quadrados negros no grafo da figura 5. O numero ı ´ de independˆ ncia α(G) e a cardinalidade do subconjunto indepene ´ dente m´ ximo de v´ rtices do grafo. a e α(G) = 4. a Estamos procurando ent˜ o um conjunto independente. 5.1). A operadora das barracas faz as seguintes restricoes: ¸˜ • Uma barraca deve ser localizada em uma esquina (v´ rtice). Figura 5. Para instalar o m´ ximo de barracas procuramos um conjunto independente a . representado pelo grafo da figura 5. e • Esquinas proximas (v´ rtices adjacentes) so admitem uma bar´ e ´ raca.

que quis´ ssemos saber qual o menor e numero de hor´ rios necess´ rios para ministrar as provas. isto e.2 Colora¸ ao c˜ Suponha. Para isto. n˜ o podemos acrescentar mais barracas de ´ a sorvete.3: 5. e Figura 5. ´ a a .3 a configuracao da esquerda mostra um conjunto indepen¸˜ dente maximal. Na fia a gura 5. no exemplo anterior. J´ vimos que esta pode ser uma tarefa complexa. 5: SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DE UM GRAFO Figura 5. Mas a configuracao da direita tamb´ m e independente e ¸˜ e ´ cont´ m quase o dobro de barracas.2: m´ ximo.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 78 Estilo OBMEP 78 CAP.

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SEC. 5.2: COLORACAO ¸˜

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devemos resolver o problema de particionar o conjunto de v´ rtices e do grafo em subconjuntos independentes; cada conjunto corresponder´ a um hor´ rio de prova. Uma forma de resolver o problema e a a ´ atribuir cores aos v´ rtices de forma que v´ rtices adjacentes tenham e e necessariamente cores diferentes.O menor numero de cores que se ´ pode utilizar ser´ portanto a solucao do problema. a ¸˜ Observa¸ ao. N˜ o precisamos efetivamente ”colorir“ os v´rtices, basta c˜ a e atribuir um numero ou um s´mbolo aos v´rtices. ´ ı e Podemos colorir os v´ rtices com 12 cores (uma para cada e e ´ ı ´ v´ rtice), mas o menor numero poss´vel de cores e 4 (veja a figura 5.1). O menor numero de cores para colorir os v´ rtices de um grafo ´ e G e chamado numero crom´ tico de G e denotado por χ(G). No ´ ´ a caso, χ(G) = 4. Teorema. Para todo grafo G, tem-se que χ(G) ≤ Δ + 1. Demonstra¸ ao. Colorimos v´ rtice por v´ rtice. Cada v´ rtice pode ser c˜ e e e adjacente a, no m´ ximo, Δ v´ rtices. Podemos sempre encontrar uma a e cor com a qual colorir o v´ rtice da vez. e A demonstracao acima fornece um algoritmo para colorir um ¸˜ grafo com Δ + 1 cores. Apresentamos, sem demonstrar, um teorema cl´ ssico que reduz a um pouco o limite acima. Teorema (Brooks - 1941). Se G e um grafo conexo que n˜ o seja Kn e tal ´ a que Δ(G) ≥ 3, ent˜ o χ(G) ≤ Δ(G) a

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CAP. 5: SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DE UM GRAFO

Teorema. Um grafo G e bipartido se e somente se χ(G) = 2. ´ Demonstra¸ ao. Basta fazer corresponder cada uma das particoes inc˜ ¸˜ dependentes de G a uma cor.

5.3 Aplica¸ oes de Colora¸ ao c˜ c˜
As aplicacoes de coloracao aparecem quando precisamos repartir o ¸˜ ¸˜ conjunto de v´ rtices em conjuntos de v´ rtices independentes disjune e tos. Voltando ao problema do parque da Secao 6.1, suponha que ¸˜ quis´ ssemos instalar barracas de sorvete, pipocas, cachorro-quente, e etc. As restricoes agora ser˜ o: ¸˜ a • Uma barraca deve ser localizada em uma esquina (v´ rtice). e • Esquinas proximas (v´ rtices adjacentes) so admitem barracas ´ e ´ com servicos diferentes. ¸ Por motivos comerciais, queremos evitar a diversificacao ex¸˜ cessiva de servicos. Qual seria o menor numero de servicos que ¸ ´ ¸ poder´amos usar? Vemos na figura 5.4 que podemos colorir os ı v´ rtices com apenas 3 cores. Este numero e m´nimo pois o grafo e ´ ´ ı inclui um subgrafo isomorfo a K3 .

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SEC. 5.3: APLICACOES DE COLORACAO ¸˜ ¸˜

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Figura 5.4: Uma outra aplicacao cl´ ssica de coloracao e o problema dos exa¸˜ a ¸˜ ´ mes. A tabela abaixo mostra a alocacao de alunos nos exames finais ¸˜ que eles devem prestar:
Alunos Matem´ tica a Portuguˆ s e Inglˆ s e Geografia Historia ´ F´sica ı Qu´mica ı Biologia 1 X X 2 3 4 X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X 5 6 7 8 X 9 10 11 X X 12 X 13 14 15 X 16 X

Duas disciplinas so podem ter exames realizados simultanea´ mente se n˜ o houver alunos comuns. Vamos construir um grafo a com os v´ rtices {M, P, I, G, H, F, Q, B}; dois v´ rtices estar˜ o ligados e e a se tiverem um aluno em comum. A figura 5.5 mostra uma particao dos v´ rtices em dois conjun¸˜ e tos independentes disjuntos. Os exames podem ser realizados em 2 hor´ rios, um para {B, G, H, M } e outro para {F, I, P, Q}. a

EA. BA. EB. Os v´ rtices ser˜ o as direcoes poss´veis: e a ¸˜ ı V = AB. As a direcoes permitidas est˜ o assinaladas por setas. ¸˜ a D C E B A Figura 5.5: Uma outra aplicacao e a determinacao de per´odos de um sinal ¸˜ ´ ¸˜ ı de trˆ nsito. Veja a figura 5. DB. AD. ED . 5: SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DE UM GRAFO M P B I Q G F H Figura 5.6. O desenho abaixo representa um cruzamento. DC. DA. EC. AC.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 82 Estilo OBMEP 82 CAP. BD.6: Como organizar o trˆ nsito? Vamos formar um grafo de incoma patibilidade. BC.

EC. DB.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 83 Estilo OBMEP SEC. ´ Exerc´cios ı 1. Como os v´ rtices AC. Uma coloracao dos ¸˜ e ¸˜ v´ rtices coerresponde a uma divis˜ o em per´odos. uma para cada direcao. DA e EB formam um K 4 e precisamos de pelo menos 4 cores. BD. AD}. Veja a figura 5. EA}. AC. O dono de uma loja de animais comprou uma certa quantidade . 5. {BA. ED}. Poder´amos usar e a ı ı 13 cores. A particao em conjuntos in¸˜ dependentes {AB.3: APLICACOES DE COLORACAO ¸˜ ¸˜ 83 Ligamos dois v´ rtices sempre que as direcoes forem income ¸˜ pat´veis (por exemplo AD e EB).7: Observe que BA. mas isso seria um desperd´cio ¸˜ ı de tempo. EB. {BC.7. {DA. isto e. DC e ED s˜ o compat´veis com todas as a ı direcoes. DC} mostra que de fato 4 cores (4 per´odos) s˜ o sufiı a cientes. BD. ı Figura 5. χ(G) = 4. sendo por isso v´ rtices isolados.

Para os cruzamentos da figura 5. Alguns destes e peixes n˜ o podem ficar no mesmo aqu´ rio. A compatibilidade a a entre as esp´ cies est´ retratada na tabela abaixo. 5: SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DE UM GRAFO de peixes ornamentais de diversas esp´ cies. dˆ uma sequˆ ncia e ¨e economica de per´odos para o sinal de trˆ nsito.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 84 Estilo OBMEP 84 CAP. onde X sige a nifica que as esp´ cies n˜ o devem ficar no mesmo aqu´ rio. e a a (a) Qual o menor numero de aqu´ rios necess´ rio para abri´ a a gar sem problemas todos os peixes? ´ (b) E poss´vel distribuir os peixes de forma que cada aqu´ rio ı a tenha (aproximadamente) o mesmo numero de peixes? ´ A A B C D E F G H I X X X B C X D E F X G X H X I X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X 2. ˆ ı a .8.

5.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 85 Estilo OBMEP SEC. ´ a Figura 5.8: 3.9. Determine o numero crom´ tico dos grafos da figura 5.3: APLICACOES DE COLORACAO ¸˜ ¸˜ 85 A D B C Figura 5.9: v .

O numero de ´ ´ v´ rtices da clique m´ xima e o numero de clique de G.4 Cliques Uma clique de G e um subgrafo completo de G. denotado por α (G).10: ´ a Na figura 5.“GrafosModfrancis 2008/6/23 page 86 Estilo OBMEP 86 CAP. 5. denotado e a ´ ´ por ω(G). de arestas n˜ o incidentes duas a duas. podemos considerar um conjunto independente de arestas. mas n˜ o toca todos os v´ rtices. os que s˜ o tocados s˜ o dia a e a a tos v´ rtices saturados e os outros v´ rtices n˜ o saturados. O numero de acoplamento de um ´ ´ ´ grafo G.10 o acoplamento em G1 e maximal (pois n˜ o pode ´ ser aumentado) mas n˜ o e m´ ximo. isto e ω(G) = α(G).5 Acoplamentos Da mesma forma que selecionamos um conjunto independente de v´ rtices. e a cardinalidade do maior acopla- . dizemos ent˜ o que e um acoplamento perfeito. 5: SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DE UM GRAFO 5. e isto e. Um conjunto deste tipo ´ a e chamado um acoplamento do grafo G. O acoplamento em G2 e a ´ a m´ ximo. Note-se que uma clique de G corresponde a um conjunto ´ independente em G. ´ G1 G2 G3 Figura 5. O acoplae e a ´ a e a mento em G3 e m´ ximo e satura todos os v´ rtices.

Observa¸ ao. a e Demonstra¸ ao. ent˜ o existe M maximo. o cona junto de arestas de M e M que n˜ o pertencem a M ∩ M ). os v´ rtices em D tˆ m grau no m´ ximo 2. Esse e um caminho M -alternante. Logo. Como |M | ≥ |M |. 5. ao menos. a diferenca sim´ trica entre M e M (isto e. A definicao de caminho aumentante garante que o resultado e ainda ¸˜ ´ um acoplamento. c˜ (⇒) Se h´ um caminho M -aumentante. um caminho M aumentante em G e um caminho que liga dois v´ rtices n˜ o ´ e a saturados por M que alternam arestas de M e arestas de G − M . e ı Dado um grafo G e um acoplamento M . Teorema (Berge). podemos obter um acoplaa mento uma unidade maior adicionando as arestas do caminho fora de M ao acoplamento e retirando as arestas em M do acoplamento. . uma das componentes. Note a diferen¸ a entre os conceitos de m´ ximo (o conjunto c˜ c a de maior cardinal poss´vel dentro das condi¸ oes exigidas) e maximal (um ı c˜ conjunto que n˜ o pode ser aumentado sem violar as condi¸ oes exigidas).“GrafosModfranc 2008/6/23 page 87 Estilo OBMEP SEC. a e e a as componentes de D s˜ o ciclos pares (alternam arestas de M e M ) a ou caminhos. A a c˜ mesma id´ia se aplica a conjuntos m´nimos e minimais. Um acoplamento M de um grafo G e m´ ximo se e so´ a mente se n˜ o cont´m um caminho M -aumentante. ¸ e um caminho alternando arestas de |M | e |M | comecando e termi´ ´ nando em M . como s˜ o acoplamentos.5: ACOPLAMENTOS 87 mento de G. (⇐) Se M n˜ o e maximo. Considere a ´ a ¸ e ´ D = M ΔM .

|S| ≤ k. se o grafo ¸˜ G for bipartido. Dizemos que temos um ¸˜ e acoplamento de X em Y quando um acoplamento de G satura Y (mas n˜ o necessariamente X). Como G e k-regular. Logo. ent˜ o ´ c˜ e a G tem um acoplamento de X em Y se e somente se |N (S)| ≥ |S|. temos que ´ r = k|S|.|Y | e.|N (S)|.|N (S)| e. So precisamos ent˜ o provar a condicao de Hall. o acoplamento assume a forma de formacao de ca¸˜ sais. Demonstra¸ ao. 5: SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DE UM GRAFO 5. Demonstra¸ ao. Cada aresta tem uma extremidade em X e outra em Y . ´ a ¸˜ tal que haja r arestas entre S e N (S). Se k > 0.|X| = k. sem demonstracao. ∀S ⊆ c X. finalmente. ¸˜ Teorema. Ver em West [6]. sendo N (S) a vizinhan¸ a aberta de S. a Apresentamos o seguinte teorema. as particoes de v´ rtices. portanto. Se G e um grafo bipartido com parti¸ oes de v´rtices X e Y .6 Acoplamentos em Grafos Bipartidos O acoplamento modela situacoes em que formamos pares. qualquer grafo k-regular bipartido admite um acoplamento perfeito. |S| ≤ |N (S)|.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 88 Estilo OBMEP 88 CAP. |X| = |Y |. c˜ A condicao deste teorema e tamb´ m conhecida como Condi¸ ao ¸˜ ´ e c˜ de Hall. Teorema. Considere S ⊆ X. logo k. Comecamos contando as arestas pelas extremidades c˜ ¸ ¸˜ e em X e Y . e e estudado de forma ligeiramente diferente. Do lado de Y temos r ≤ k. k. Seja G um grafo ´ bipartido com particoes dos v´ rtices X e Y . .

7 Colora¸ ao de Arestas c˜ Suponhamos que num grupo de pessoas v´ rias duplas devam ser a formadas para cumprir determinadas tarefas num laboratorio.11 ilustra esta situacao.7: COLORACAO DE ARESTAS ¸˜ 89 5. como cada indiv´duo so ı ´ pode trabalhar em uma tarefa de cada vez. Podemos fazer corresponder uma cor a cada hor´ rio (j´ sabemos que essa cor pode a a ser um numero ou um s´mbolo) e nossa pergunta passa a ser: ´ ı ”Qual o m´nimo de cores para colorir as arestas do grafo de ı . tarefas executadas simultaneamente correspondem a um acoplamento. Cada tarefa dessas necessita de 1 hora para ser executada. Observe que uma mesma ¸˜ pessoa pode ter que cumprir uma tarefa em diversas duplas. O ´ grafo da figura 5.11: As arestas representam as duplas e. Qual o menor numero de horas necess´ rias para que todas as tarefas sejam realiza´ a das? a b f c e d Figura 5. 5.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 89 Estilo OBMEP SEC.

df ac.12: Hor´ rio(cor) a 1 2 3 4 Duplas ab.que e evidentemente o menor numero poss´vel pois o ´ ´ ı a v´ rtice a tem quatro arestas incidentes. ce. notado por χ (G) .“GrafosModfranc 2008/6/23 page 90 Estilo OBMEP 90 CAP. bd. bc. O teorema . fica claro que χ (G) ≥ Δ. de ae. cd Pelo que vimos acima. Logo χ (G) = 4. ´ ı a No nosso exemplo conseguimos colorir as arestas com 4 cores (veja figura 5. Os hor´ rios e ficariam assim distribu´dos: ı a 3 f 2 4 2 2 e 4 3 d 1 1 4 c 3 1 b Figura 5. 5: SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DE UM GRAFO modo que arestas incidentes num mesmo v´ rtice recebam cores e diferentes?” O menor numero usado para colorir (propriamente) as arestas de ´ um grafo e chamado ´ndice crom´ tico do grafo .12) . ef af.

Para qualquer grafo G bipartido. entretanto. Teorema (Vizing). so possuir uma aresta). Isto mostra que todas as arestas podem ser coloridas utilizando apenas Δ cores. tudo bem. Depois desse ina tercˆ mbio a cor cx estar´ ausente em x e y e podemos colorir a aresta a xy. Demonstra¸ ao. eventualmente. Se for poss´vel. existe uma cor cy presente nas arestas incidentes em y e ausente nas arestas incidentes a x. ´ Teorema (Vizing). essa cadeia n˜ o passa pelo ¸˜ v´ rtice y. o mesmo acontecendo com a a y. χ (G) e conhecido. Como cx est´ ausente em y. sem afetar a propriedade da coloracao. Se esse n˜ o for ı a o caso. Podemos ent˜ o recolorir a cadeia intercambiando as cores e a ¸˜ cx e cy . . tem-se que Δ ≤ χ (G) ≤ Δ + 1. χ (G) = Δ.“GrafosModfrancis 2008/6/23 page 91 Estilo OBMEP SEC. por seu lado. 5. Como o grafo bipartido. observemos que as arestas incidentes a x ocupam no m´ ximo a Δ − 1 cores (pois xy n˜ o est´ colorida). Para grafos bipartidos. Suponha que estamos colorindo as arestas uma por c˜ uma. Para qualquer grafo G. Ao colorir a aresta xy tentaremos encontrar uma cor que n˜ o esteja presente em arestas incidentes a x e nem a em arestas incidentes a y. as arestas c x ´ v˜ o de uma particao para outra e as arestas cy retornam a primeira a ¸˜ ` a a particao. Isso nos garante que h´ uma aresta incidente a x que est´ colorida a a com a cor cx .7: COLORACAO DE ARESTAS ¸˜ 91 a seguir (que apresentamos sem demonstracao) nos d´ um limite ¸˜ a superior bem estreito. Formemos uma cadeia de arestas comecando em x ¸ e e alternando arestas de cor cx e cy (essa cadeia pode at´ . dispondo de Δ cores. ausente nas arestas incidentes em y.

P 2C.o que e ´ ¸˜ ´ garantido pelo teorema demonstrado anteriormente. C A. Uma aplicacao conhecida da coloracao de arestas e o problema ¸˜ ¸˜ ´ dos exames orais. D A. ´ Para melhor enxergar este fato vamos dar o exemplo com t = 3. Uma coloracao das arestas representa uma divis˜ o de hor´ rios. P 2A. Quantos passeios podemos fazer de modo que cada soldado tenha sempre um companheiro diferente? Este numero e. {P 1D. A t´cnica dessa demonstra¸ ao se baseia numa id´ia de Kempe c˜ e c˜ e e retornaremos a ela quando falarmos do Problema das 4 cores no cap´tulo ı sobre planaridade.13). {P 1C. Dois professores n˜ o podem examinar um aluno e cada proa fessor examina apenas um aluno. Trˆ s professores devem examinar 6 estudantes. ¸˜ e uma particao das arestas em acoplamentos disjuntos . P 3B}. e segundo a seguinte lista: Professor 11 Professor 22 Professor 33 A. C. Outro problema cl´ ssico da coloracao de arestas e a organizacao a ¸˜ ´ ¸˜ de passeios por duplas. A ¸˜ a a coloracao {P 1A. 5: SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DE UM GRAFO Observa¸ ao. do outro os alunos.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 92 Estilo OBMEP 92 CAP. Qual o menor espaco de tempo ¸ que podemos utilizar? Usaremos um modelo de grafo bipartido (veja figura 5.t soldaa dos sai para marchar todo dia. P 3D}. P 2E. B. Suponha que um batalh˜ o com 2. D A cada hora um professor chama um dos alunos para ser examinado. P 3F }. no m´ ximo 2. isto .t − 1 pois este e o numero de compa´ ´ a ´ ´ ´ nheiros que cada soldado tem.de um lado os professores. Veremos que este e o numero exato.

7: COLORACAO DE ARESTAS ¸˜ 93 A P1 B P2 C D P3 E F Figura 5. 5.14: Os acoplamentos s˜ o obtidos pelas arestas paralelas e perpendia culares (figura 5. com 6 soldados.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 93 Estilo OBMEP SEC. os soldados sendo os v´ rtices e as arestas as duplas. Se pensarmos em todas as duplas poss´veis esta´ ı e mos pensando no grafo K 6 . Um passeio corresponder´ a um acoplamento perfeito e a uma coloracao das arestas usando acoplamentos perfeitos nos dar´ ¸˜ a o numero poss´vel de passeios.13: e. Desenhamos K 6 da seguinte forma: ´ ı Figura 5.15): .

46}. 26.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 94 Estilo OBMEP 94 CAP. 36. {14. 23. 25. 34} Exerc´cios ı ¸˜ ı 1. Um acoplamento de K 5 pode ter no m´ ximo a arestas. 35}. 56}. (b) Para uma coloracao das 10 arestas de K5 precisamos de ¸˜ (no m´nimo) ı acoplamentos (cores). {16. (´ Indice crom´ tico de K2t−1 ) a e (a) K5 tem 5 v´ rtices e 10 arestas.15: A coloracao produzida e: ¸˜ ´ {12. (c) Mostre que para obter uma coloracao de K5 basta tomar ¸˜ uma coloracao de K6 e desconsiderar as arestas que con¸˜ tenham o v´ rtice 6. {15. {13. 24. 5: SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DE UM GRAFO Figura 5. Exiba uma coloracao m´nima das arestas de K10 . e . 45}. 2.

E um subconjunto de v´ rtices tal que e todo v´ rtice do grafo est´ no conjunto ou e adjacente a um de e a ´ seus v´ rtices.8: OUTROS SUBCONJUNTOS 95 (d) Mostre que: ´ • χ (Kt ) = t − 1. denotado por β(G). Exerc´cios ı 1. e a cardinalidade da maior cobertura de arestas de G. e a cardinalidade do maior conjunto dominante ´ de G. ´ • Conjuntos dominantes .“GrafosModfranc 2008/6/23 page 95 Estilo OBMEP SEC.E um subconjunto de v´ rtices tal que e e toda aresta e incidente a um v´ rtice do conjunto. se t e par.8 Outros Subconjuntos Outros tipos de subconjuntos e de invariantes tˆ m sido estudados. O numero de dominˆ ncia de um grafo G. denotado por β (G). e Citaremos apenas trˆ s. 5. Qual o numero de independˆ ncia α(P et) do grafo de Petersen? ´ e . O numero e ´ ´ ´ de cobertura de arestas de um grafo G. e ´ • Coberturas de arestas . denoe ´ a tado por γ(G). 5. e a e ´ cardinalidade da maior cobertura de v´ rtices de G. O numero de ´ e ´ cobertura de v´ rtices de um grafo G.E um subconjunto de arestas tal que todo v´ rtice e tocado por uma aresta do conjunto. ´ı • χ (Kt ) = t. se t e ´mpar. e ´ • Coberturas de v´ rtices .

e o ı a menor numero de cores com que podemos colorir as arestas de ´ maneira que duas arestas incidentes tenham cores diferentes. Mostre que se K t e subgrafo de G.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 96 Estilo OBMEP 96 CAP. ent˜ o Kt e subgrafo de G? a ´ ´ 6. (a) Prove que um conjunto independente maximal e um con´ junto dominante. (a) Calcule χ (Kn ). Apresente um acoplamento maximal do grafo de Petersen com 3 arestas. 4. (c) α(G). E verdade que se χ(G) = t.χ(G) ≥ n. Encontre caminhos aumentantes que fornecam ¸ acoplamentos de 4 e 5 arestas. ı a (b) Calcule χ (P et). 7. o ´ndice crom´ tico do grafo de Petersen. O ´ndice crom´ tico do grafo G. ent˜ o χ(G) ≥ t. 2 . 5: SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DE UM GRAFO 2. Prove que n 2 ≤ χ(G) ≤ n − α + 1 ´ ´ a 5. (b) Prove que um conjunto dominante minimal pode n˜ o ser a um conjunto independente. 8. denotado por χ (G). Qual o numero de coloracao χ(P et) do grafo de Petersen? ´ ¸˜ 3. (d) γ(G) ≤ n . Mostre que: (a) α (G) ≤ β(G). (b) α(G) ≤ β (G).

“GrafosModfranc 2008/6/23 page 97 Estilo OBMEP Cap´tulo 6 ı Grafos Planares 6. cubo. ´ ˆ octaedro. Exemplos cl´ ssicos de grafos planares e a a s˜ o dados pelos grafos que representam os poliedros.1. Na figura 6. dodecaedro e icosaedro. a apresentamos os grafos dos 5 solidos platonicos: tetraedro. 97 .1 Defini¸ oes e Resultados Simples c˜ Um grafo planar e um grafo que admite uma representacao ´ ¸˜ gr´ fica em que as arestas so se encontrem (possivelmente) nos a ´ v´ ritces a que s˜ o incidentes.

temos uma unica regi˜ o).1: a Uma pergunta que pode ser feita e se existe um grafo que n˜ o ´ seja planar. A figura 6.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 98 Estilo OBMEP 98 CAP. no exterior. . Mostraremos que o grafo K5 n˜ o e planar. quala ´ a quer representacao de K 5 dever´ ter um ciclo de comprimento 5 que ¸˜ divide o plano em ”interior”e ”exterior”. Nos sobra uma aresta. Quantas arestas pode ter um grafo planar? Uma representacao ¸˜ gr´ fica de um grafo com pelo menos um ciclo separa o plano em a regioes (no caso das arvores. Essas regioes ˜ ´ ´ a ˜ s˜ o chamadas faces. O numero de ´ ´ ´ faces de um grafo ser´ designado por f . ilustrando que qualquer face pode ¸˜ ser colocada como face ilimitada. De fato. 6: GRAFOS PLANARES Figura 6.e a face ilimitada.2 mostra duas a representacoes do mesmo grafo. So conseguimos colocar ´ duas arestas no interior sem que se cruzem. a situacao e ¸˜ ´ a mesma. n˜ o devemos esquecer que uma das faces a a e tudo que ”sobra”do plano .

1: DEFINICOES E RESULTADOS SIMPLES ¸˜ 99 Figura 6. vale a relacao de Euler para poliedros ¸˜ convexos. Demonstraremos o teorema por inducao sobre o c˜ ¸˜ numero de arestas. a ¸˜ .“GrafosModfrancis 2008/6/23 page 99 Estilo OBMEP SEC. Logo. portanto. mas pela hipotese de inducao a relacao vale para o novo grafo..e. Tomemos um grafo conexo qualquer. um grafo ao qual n˜ o poderemos acrescentar arestas sem a comprometer a planaridade) tem uma representacao composta por ¸˜ ciclos de comprimento 3. temos f −m+n = 1−(n−1)+n = 2. f − m + n = 2. Se for uma ´ arvore. Demonstra¸ ao. e o grafo fica com uma face a menos.2: Para grafos planares. um grafo maximal planar (i. 6. a Observamos que podemos acrescentar arestas a um grafo planar sempre que uma porcao do plano estiver limitada por um ciclo de ¸˜ comprimento maior do que 3. Isso nos d´ outra relacao importante. Num grafo planar conexo vale f − m + n = 2. Teorema de Euler. Se houver um ciclo. Temos ´ ¸˜ ¸˜ ent˜ o (f − 1) − (m − 1) + n = 2 e. reti´ ramos uma aresta do ciclo.

m − 3.m + 3.n.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 100 Estilo OBMEP 100 CAP.f − 3. K5 ( e de resto todos os grafos completos com mais do que 4 v´ rtices) n˜ o obedece a relacao acima: 10 > 3. Como cada face tem no m´nimo 3 ı arestas (a igualdade valendo no caso maximal) temos: 3. Num grafo planar bipartido conexo G vale m ≤ 2. = 6. 2. Demonstra¸ ao.n − 6. Num grafo planar conexo G vale m ≤ 3. m ≤ 3.f ≤ 2. contaremos c˜ duas vezes cada aresta do grafo.f ≤ 2.n − 4. Substituindo na formla de Euler: ´ f − m + n = 2. Este teorema nos d´ outra demonstracao de que K 5 n˜ o e planar. ı 4.5 − 6. . 6: GRAFOS PLANARES Teorema. 3.m.m. ´ Demonstra¸ ao. a igualdade vale se G e maximal planar.m + 3. Cada face tem no m´nimo 4 arestas. e a ` ¸˜ Teorema. a ¸˜ a ´ De fato.n − 6. Se formos contar as arestas de cada face.n ≥ 6. Observamos que um grafo bipartido so tem ciclos c˜ ´ pares.

m + 4.n = 8.2 Teorema de Kuratowski A id´ ia de planaridade e aparentemente topologica. ¸˜ ¸˜ Uma subdivis˜ o do grafo G e o grafo G que obtemos pela a ´ insercao de P2 (caminho de comprimento 2) no lugar de uma aresta ¸˜ ´ de G.f − 4. pois 9 > 2.3) ¸˜ a Teorema (Kuratowski).3 . A resposta foi dada atrav´ s de um teorema. mas sempre e ´ ´ pairou a quest˜ o sobre se haveria uma caracterizac ao combinatoria a ¸˜ ´ dos grafos planares. Um grafo e planar se n˜ o contiver subgrafo ´ a homeomorfo a K5 ou a K3.6 − 4.3 n˜ o e planar. 4. 6. que e apresentaremos.m − 4. m ≤ 2. Vemos agora que K3. na introducao. O problema a ´ das casinhas.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 101 Estilo OBMEP SEC.n ≥ 8. sem demonstracao.n − 4.m + 4. Um grafo G e dito homeomorfo ao grafo G se G puder ser obtido de G por sucessivas operacoes de subdivis˜ o(veja figura 6. 2. depois de algumas definicoes.2: TEOREMA DE KURATOWSKI 101 Substituindo na formla de Euler: ´ f − m + n = 2. c˜ . Demonstra¸ ao: Ver em Fournier[7]. ¸˜ 6. acaba de ser resolvido.

3 Dualidade O Dual GD de um grafo simples planar G e o grafo constru´do da ´ ı seguinte maneira: (i) A cada face de G associamos um v´ rtice em GD .3 b Figura 6. 6: GRAFOS PLANARES G G’ Figura 6. e .3: a b a b a K3.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 102 Estilo OBMEP 102 CAP. a ´ Observamos que embora tenhamos tratado o exemplo graficamente. 6.4 que o grafo de Petersen ¸˜ n˜ o e planar.4: Como aplicacao mostramos na figura 6. a verificacao das condicoes do teorema pode ser feita de ¸˜ ¸˜ forma computacional (embora possa ser complexa).

mas da matem´ tica. Na a .5 mostra a a correspondˆ ncia entre as faces do cubo e os v´ rtices do octaedro. A dualidade aparece num dos problemas mais famosos. aluno de Augustus de Morgan.“GrafosModfrancis 2008/6/23 page 103 Estilo OBMEP SEC. 6. Um bom exemplo s˜ o os solidos platonicos apresentados na Fia ´ ˆ gura 6. trouxe a este um problema proposto por seu irm˜ o Francis Guthrie. n˜ o so a ´ da teoria dos grafos. e e v5 f2 f4 f1 f5 fi f3 f6 v4 v6 v1 vi v2 v3 Figura 6. o icosaedro e o dual do do´ ´ decaedro e o tetraedro e o dual dele mesmo (auto-dual). Esses duais ´ correspondem aos duais da geometria cl´ ssica.4.4 O Problema das 4 Cores Em 1852 Frederick Guthrie.4: O PROBLEMA DAS 4 CORES 103 (ii) A cada aresta de G (que separa duas faces) associamos uma e ` aresta em GD ligando os v´ rtices correspondentes as faces. A figura 6. a 6. O cubo e o dual do octaedro.5: Verifica-se com facilidade que o dual do dual de G e o proprio ´ ´ grafo G (desde que G tenha conexidade maior ou igual a 3).

provaram o teorema. percebeu uma falha sutil na demonstracao. entretanto. a As tentativas anteriores s˜ o. 6: GRAFOS PLANARES verdade. Num grafo planar G tem-se que c˜ χ(G) ≤ 4. Embora a teoria ¸˜ envolvida seja profunda muitos consideram esta ”a mais feia prova da matem´ tica”. ¸ Lema. onze anos de¸˜ pois. Kempe a e utilizou uma t´ cnica (por isso chamada de cadeias de Kempe) e apresentou uma demonstracao em 1879. Um mapa pode ser colorido com 4 cores. Num grafo planar h´ pelo menos um v´rtice com grau menor ou a e igual a 5. executando mais do que 10 10 ´ operacoes computacionais. e Teorema das 4 cores formula¸ ao. Em e 1976. ¸˜ Entretanto. Comecaremos por um lema. Heawood. tratava-se de uma conjectura. hoje um teorema. Appel. dignas de nota. . Teorema das 4 cores. utilizou as cadeias de Kempe para demonstrar um resultado um pouco mais fraco. mas ser˜ o suficientes? O problema demorou um s´ culo para ser resolvido. Usando a ¸ a dualidade podemos formular o teorema em forma de coloracao de ¸˜ v´ rtices. a a a O grafo K4 mostra que 4 cores s˜ o necess´ rias.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 104 Estilo OBMEP 104 CAP. com o aux´lio de 1200 horas do comı putador mais rapido de sua epoca. Colorir um mapa e colorir as regioes de maneira que regioes ´ ˜ ˜ fronteiricas n˜ o sejam coloridas com a mesma cor. Haken e Koch. que a invalidava.

podemos sempre supor que estamos colorindo e um v´ rtice v de grau menor ou igual a 5.n ≤ = 2. ∀v ∈ V .n ≤ 6. Demonstra¸ ao. ´ Ficamos com 6. isto e. b. J´ sabemos que c˜ a Se d(v) > 5. Podemos ent˜ o colorir o v´ rtice v com a cor a. Se os v´ rtices em N (v) e e est˜ o coloridas com menos do que 5 cores.m. c. a e Podemos ent˜ o supor que o v´ rtice est´ cercado por 5 v´ rtices cola e a e oridos cada um com uma cor do conjunto {a. tem-se χ(G) ≤ 5. d.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 105 Estilo OBMEP SEC. ent˜ o a 6. Se a componente que cont´ m o v´ rtice de N (v) coe e lorido com a n˜ o contiver o v´ rtice colorido com c.m.4: O PROBLEMA DAS 4 CORES 105 v∈V (G) d(v) Demonstra¸ ao. Podemos decompor o grafo retirando sempre um v´ rtice de grau menor que 5 e recompo-lo colorindo. 2m ≤ 6. 6. d(v) = 2. Em todo grafo planar existe um v´ rtice com grau c˜ e menor ou igual a 5. Desta forma. e}.n − 6. v´ rtice a e ˆ e v´ rtice.n − 12. v∈V (G) Mas num grafo planar temos m ≤ 3. Consideremos o subgrafo induzido pelos v´ rtices coloridos com e as cores a e c. o que e imposs´vel. Num grafo planar simples G. basta colorir o v´ rtice v. podemos trocar a e as cores desta componente: quem est´ colorido com a fica colorido a com c e vice-versa.n − 12. a e . ´ ı Teorema das 5 cores.

6: Ent˜ o. e e . existe um caminho de e v´ rtices que ”cerca”o v´ rtice b (veja figura 6. tomamos a componente do grafo induzido por v´ rtices a e coloridos com b e d. 3. a 2. colorido com e e a. 6: GRAFOS PLANARES Se a componente que cont´ m o v´ rtice de N (v). e e Depois de trocar as cores b e d nesta componente. e Exerc´cios ı 1. e e Figura 6.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 106 Estilo OBMEP 106 CAP. Mostre que um grafo planar com δ = 5 tem no m´nimo 12 ı v´ rtices. 3. 3): ¨e (a) Que seja planar.6). podemos colorir o v´ rtice v com a cor b. 3. for o mesmo do v´ rtice colorido com c. 4. Construa o grafo com sequˆ ncia de graus (4. Dˆ um exemplo de grafo com δ = 5 e n = 12. (b) Que n˜ o seja planar. que cont´ m o v´ rtice de N (v) colorido com b.

Esse fato contraria o texto do cap´tulo? a a ı 7. Mostre que os grafos abaixo (figura 6. Mostre que num grafo planar temos m≤ (n − 2).7).g . ´ 6.n = m + 2. ´ a (b) Um grafo roda (notacao Wn ) e o grafo obtido pela adicao ¸˜ ´ ¸˜ de um v´ rtice de grau n − 1 a Cn−1 (ver figura 6. 6.1. A cintura de um grafo.Mostre e a que os grafos roda W n s˜ o auto-duais. Mostre que um grafo planar G e bipartido se e so se G D e eu´ ´ leriano. W6 Figura 6. Um grafo e auto-dual se GD e isomorfo a G. g−2 Sugest˜ o: adapte a demonstracao dos dois ultimos teoremas a ¸˜ ´ da secao 7.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 107 Estilo OBMEP SEC.7: ´ 4. 5. ¸˜ . denotada por g(G) e o comprimento ´ do seu menor ciclo.4: O PROBLEMA DAS 4 CORES 107 ´ 3. Mostre que um grafo planar conexo pode ter suas faces coloridas com 2 cores se e somente se G e euleriano.8) s˜ o isomorfos mas a seus duais n˜ o s˜ o. ´ (a) Mostre que se G e auto-dual ent˜ o 2.

As setas mostram como podemos passar as a arestas pelos cortes. pode? ¸˜ ¨e S OLUC AO : A sequˆ ncia apresentada na figura 6.“GrafosModfranc 2008/6/23 page 108 Estilo OBMEP 108 CAP.3 pode ser a desenhado sem cruzamentos num toro .8: 8.9 mostra como podemos ”recortar“ o toro para transform´ -lo num a retˆ ngulo. (a) (Resolvido) Mostre que o grafo n˜ o planar K3. Vocˆ consegue dividir o toro em 7 regioes de maneira que cada ˜ uma faca fronteira com todas as outras 6? ¸ . 6: GRAFOS PLANARES Figura 6. ı e ı 10. 9. Mostre que um grafo n˜ o planar tem 5 v´ rtices de grau no a e m´nimo 4 ou tem 6 v´ rtices de grau no m´nimo 3. E numa esfera. O teorema das 4 cores vale para o toro? e (c) Mostre como podemos desenhar K 7 num toro. Mostre que e poss´vel obter um grafo planar a partir do grafo ´ ı de Petersen pela retirada de 2 arestas. (b) Mostre como podemos desenhar K 5 num toro.

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SEC. 6.4: O PROBLEMA DAS 4 CORES

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d

c

b a

b a

d

c

Figura 6.9:

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CAP. 6: GRAFOS PLANARES

11. Um jogo, usando a figura 6.10 tem as seguintes regras: Dois jogadores escolhem alternadamente uma regi˜ o para colorir. a Duas regioes n˜ o podem receber a mesma cor. Quem for obri˜ a gado a usar uma quinta cor ser´ o perdedor. a

2 1 5 6

3

4

Figura 6.10: 12. Exiba uma coloracao desses mapas com o menor numero de ¸˜ ´ cores poss´vel. ı (a) Quem ser´ o vencedor - o primeiro ou o segundo jogador? a (b) Como modificar o tabuleiro para que a vantagem seja invertida?

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SEC. 6.4: O PROBLEMA DAS 4 CORES

111

Figura 6.11:

Algoritmos.. R. M. 31 (1980) 329-332 112 . D. 2a. Addison Wesley. Contagem. D.Computers and Intractability: A Guide to the Theory of NP-Completeness..“GrafosModfranc 2008/6/23 page 112 Estilo OBMEP Referˆ ncias Bibliogr´ ficas e a [1] Boaventura Netto.WH.. K. P... P.. Edgard Blucher (1996) ¨ [2] Carvalho. R.. J..(1996) [4] Balakrishnan. Ranganathan. Prentice Hall (1996) [7] Fournier. C. S. O. . A Textbook of Graph Theory. P. Freeman (1979) [6] West. ed. Johnson. Modelos. Apostila 2 do Est´ gio de treinaa mento dos alunos premiados da OBMEP. Grafos: Teoria. J-C. Introduction to Graph Theory. 2006 [3] Wilson. Springer-Verlag (1999) [5] Garey. Discrete Mathematics. W. Demonstration simple du th´oreme de Kuratowski et e de sa forme duale. Introduction to Graph Theory.

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