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Fernando Alves de Santana

A Chama

1ª edição

Aquidabã/SE
2010

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“CONTAGEM REGRESSIVA NO TEMPO”

- Oh vida, doce vida.


Inserida no espaço e no tempo,
Contra o tempo uma grande corrida.
Um invólucro de contrastes e surpresas,
Que nos fazem chorar e sorrir,
Tal qual uma bomba relógio,
Programada em um espaço de tempo,
Acionada na hora do nascimento,
Uma contagem regressiva no tempo,
Para na hora da morte explodir.

- Oh vida, doce vida.


Se o homem pudesse discernir,
A importância deste dom precioso,
Viveria intensamente cada segundo,
Não tornaria seu caminho tortuoso.
Valorizava a chuva que cai,
Os raios do sol e os céus tão densos
De estrelas luminosas na escuridão,
Jamais deixaria em nenhum momento,
Que tu se transformasses em bruma,
Uma bruma levada ao fim,
Pela força e ação do vento.

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- Oh, doce vida programada no tempo,
Se eu pudesse lhe juro, eu faria,
Desligaria todo seu mecanismo,
O detonador jamais acionaria,
Lhe congelava no espaço e no tempo,
Para viver, amar e sorrir,
Tinha certeza, oh vida, doce vida,
Que como uma bomba já desativada,
Que desligada, conservada e guardada,
Tu nunca mais, irias explodir.

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“PORÇÃO VENENOSA”

- Língua, oh língua malvada.


Pedaço de músculo danado,
Atuando em extremos opostos,
Levando a humanidade ao pecado.
Profere palavras doces,
Tão doce quanto o açúcar e o mel,
Às vezes, atua no extremo oposto,
Causando discórdia e desgosto,
Quando de ti saem coisas amargas,
Pior que o absinto e o fel.

- Qualquer animal feroz,


O homem é capaz de domar,
No entanto, a ti oh língua,
Jamais conseguiu dominar.
Se mal usada tu fores,
Causas muitos dissabores,
Deslealdade, discórdia e desunião,
Tal qual uma arma engatilhada,
Nas mãos de um franco atirador,
Se bem usada tu fores,
Transformas espinhos em flores,
Transformas o ódio em amor,
Arranca o mal e a dor,
Arraigados em qualquer coração.

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- Que mais eu direi de ti, oh língua?
Podes ser uma chama acesa,
Que soprada pelo vento, se espalha em segundos,
E ninguém será capaz,
De evitar aos estragos,
Que podes causar a tudo,
Estragos sem dimensão,
Causado pela labareda,
Da chama da língua acesa,
Tocando fogo no mundo.

- Oh língua, pedaço de músculo malvado.


Tão pequeno e perigoso,
Perverso e ardiloso,
Que destrói, mata e consome,
Consegue com sutileza,
Ser senhora e realeza,
Ao longo de uma vida inteira,
Escravizando o homem.

- De vez em quando – sensata, sábia, amiga,


Companheira e bálsamo para todo o corpo.
Outras vezes – traiçoeira, infiel, insensata,
Inimiga do homem, do corpo e da alma.
Qual fio de uma espada afiada,
Mata, mutila e degola.
Oh língua, malvada língua,

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Se eu não dependesse de ti,
Já tinha lhe jogado fora.
Mais, como preciso de ti,
Submeto-me aos seus caprichos,
Mesmo quando estiver louca,
E me agarro à convicção,
De que tu és uma porção,
Uma porção de veneno,
Que o homem tem bem guardada,
Protegida e encravada,
Bem no céu da sua boca.

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GENEROSA MÃE
NATUREZA

- Oh, bela mãe natureza,


Rainha de tanta beleza,
Igual a uma linda mulher,
Bem vestida e adornada,
Que traz consigo em teu seio,
Um nobre e belo tesouro,
És tão bela e esplendorosa,
Tão perfeita e generosa,
Por todos tão respeitada,
Cultuada e venerada,
Mulher de tanta riqueza,
Por tantas pedras enfeitadas,
Rubis, safiras, diamantes,
Turquesas e esmeraldas,
Por todos tão explorada,
Suporta a tudo calada,
Ninguém lhe vê reclamar,
Gemer ou até suspirar,
E mesmo tão maltratada,
De todos teus bens despojada,
Nunca ouvi o seu choro,
Mesmo amada e odiada,
Continuas sempre tão linda,

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Tão bela e adornada,
Toda adornada em ouro.

- Oh, mãe tão boa e generosa,


Que tantas vidas sustentas
Protege e acalenta,
Não sei como tu agüentas.
A todos os males sofridos,
E mesmo assim nos contemplas,
Com parques, bosques e montanhas,
E tantos jardins floridos.

- Flores tão lindas e belas,


Que enfeitam nossa terra,
Que através dos meus olhos,
Sinto um grande fascínio,
E vejo em ti minha mãe,
Uma imensa expressão de amor,
Com tantas formas de vida,
Tão fascinantes e coloridas,
Pássaros, aves e animais,
Peixes, rios e oceanos,
Montanhas, nascentes e manguezais,
Que o homem não foi capaz,
De amar e respeitar,
A tudo que vós criou.

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- Eu fico imaginando se um dia a mãe natureza,
Resolvesse nos tirar, tudo que ela criou,
Seria um deus nos acuda,
Uma enorme calamidade,
Vê toda a humanidade sem rumo e desnorteada,
Sem poder pagar a conta,
De tudo que devastou

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ÁS LÁGRIMAS DE DEUS

- Às vezes eu me pergunto,
Por que tanta inconsciência
Por que tanta semelhança e
Por que tanta diferença.
Descendência de um patriarca,
Do mesmo gene criado,
Com semelhança divina,
Por diversos dons dotado,
Senhor do bem e do mal,
O homem foi o animal,
Que por sua misericórdia,
De Deus recebeu um legado.

- Vida longa e feliz,


É tudo que sempre quis,
Uma busca impetuosa, árdua, dura e dolorosa,
É o caminho trilhado por cada progenitor,
Para manter sua prole,
Numa estrada virtuosa,
Colhendo os frutos vitais,
Há muito intencionados,
Pelo nosso criador.

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- Mais, o que é que tem de errado,
Por que foi o homem desviado,
Do propósito original,
Que foi projetado por Deus
Com tanto amor e carinho,
E hoje desvirtuada,
Anda a criação apartada,
Do seu sábio criador,
Um desgarrado do outro,
Buscando o seu próprio caminho,
Alimentando o próprio ego
E andando sempre sozinho.

- Se ao passado voltares
E começar a recordar, de como você cuidou,
Com carinho, afeto e amor,
Do teu filho pequenino,
Que no decorrer dos anos,
No mundo ele mergulhou,
E não considera mais,
Ao próprio pai que o gerou.

- Oh, quão triste e calamitoso,


É ver um pai já idoso,
Pelos filhos relegados,
Ao desprezo e solidão,
Ao invés de sorrir, você chora,
Quando recebe uma esmola,

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Vinda das mãos de estranhos,
Que despertou compaixão.

- Quão abominável é,
Ver um pai assassinado e o seu sangue derramado,
Pelas mãos do próprio filho,
Que por ele foi criado,
E com uma arma em punho,
Dá as costas e vai embora,
É triste só de pensar,
É algo tão deplorável, cruel e devastador,
Ver até que ponto chegou,
A real falta de amor.

-Só nos resta lamentar,


Que a cada dia que passa,
Aumenta mais a desgraça,
A violência, a miséria,
E tudo aqui só piora,
E o mundo acha normal
E cada vez mais, ignora,
Tenha certeza irmão,
Que não só nós neste chão,
Também no alto, nos céus,
O próprio Deus também chora.

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Estes poemas encontram-se no livro intitulado “A Chama” do mesmo autor do
livro “Os Seres vivos Criados ou Evoluídos?” que está à venda no Site:
www.clubedeautores.com.br no menu temático poesias.

Autor: Fernando Alves de Santana


Natural de Aquidabã/Se.

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