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Burke, Timoth 1996- “Sunlight Soap Has Changed My Life”: Hygiene, Commodification, and

the Body in Colonial Zimbabwe. In Hendrickson, Hildi (ed.), Clothing and Difference:
Embodied Identities in Colonial and Post-Colonial Africa. Durham: Duke University Press.

O artigo analisa as intersecções entre raça e corpo na Zimbauê colonial, tendo como
inspiração o recente interesse do papel social e histórico do corpo. Conceitos tais como de
biopoder de Foucault e superfície do corpo despertou nas últimas décadas especial
interesse nos estudos acerca do tema. De modo geral, esses estudos possuem duas
abordagens centrais , de um lado destaca-se a configuração ideológica acerca do corpo
bem como da história circunscrita ao mesmo , por outro lado , a historiografia das práticas e
dos usos do corpo. Nos seus últimos estudos Foucault apontou esta característica do
biopoder que perpassa a internalização no eu de normas e regulações.
Obviamente , o corpo é um elemento central de várias configurações culturais da África , em
conceitos como de Foucault e Butler foram criados para descrever contexto ocidentais
específicos , e portanto possui o uso ambíguos em termos de aplicabilidade em contextos
culturais africanos tanto pré-coloniais quanto contemporâneos.
● Higiene e a colonização no Zimbábue.
O corpo africano foi mediado historicamente por uma série de discursos pseudocientíficos
que davam embasamento para colonização diante do constructo de uma diferença racial
absoluta na qual a higiene era parte componente. Porém também é problemático agrupar
práticas e usos do corpo pré-colonial dentre as culturas presentes no Zimbauê tais como
Shona , Tonga , Nedbele. O único elemento universalmente encontrado era a utilização de
uma mistura de óleos corporais.
Camaroff argumenta que a apropriação do corpo em termos sociais têm uma relação
consciente e crítica com essas estruturas que o compõem o coletivo.E , tendo em vista as
suas variações locais , este artifício de beleza e higiene variava em técnica e ingredientes
conforme a posição social , de gênero e assim por diante daqueles que o utilizavam.
Inclusive era um elemento de diferenciação e acusação da alteridade étnica . Essas
distinções também faziam parte da questão dos grupos para o banho e uso do rio. Em
resumo práticas de higiene e de cuidados corporais faziam parte de vários aspectos da vida
social a sexualidade, a infância e rituais de iniciação e funerários.
● Em destaque o corpo : as primeiras impressões coloniais.
Neste contexto encontrava-se discursos na qual o corpo africano era descrito como o sujo ,
em contraste com os hábitos ocidentais, por outro lado estas práticas eram descritas por
alguns como aquelas pertencentes ao bom selvagem diante do Imaginário concernente a
este tipo de imaginário. Por outro lado, aspectos da segregação, especialmente no espaço
urbano , justificavam discursos acerca dos espaços negros como espaços de doenças e
sujeira colocando em simetria às doenças tropicais e o homem tropical.
● Produtos e propaganda na Zimbaue e colonial.
Havia uma percepção de que o poder colonial se expandia através do imenso mercado
consumidor em crescimento ,que demandava novos tipos e novas configurações de
mercadorias manufaturadas , uma dessas mercadorias , por exemplo, a questão do sabão e
de produtos para o banho.
Esse conjunto de empresas se apropria do discurso colonial da higienização para civilização
como mecanismo de propaganda. Um dos exemplos da utilização da propaganda ,a partir
desse imaginário da sujeira, se encontrava peças publicitárias em que se associava o
homem trabalhador negro da mina , da fábrica ou até mesmo da escola como professor
como sujo e necessitando da commodity que estava sendo vendida.
As se apropriaram dos códigos coloniais de higiene, aparência do corpo e domesticidade
para fomentar o uso de uma série de produtos.
Porém o processo de recepção dos significados entre aqueles que produziam e os que
consumiam nem sempre seguiam uma lógica do tipo linear, tendo uma pluralidade de
disputas e de negociações em termos de classe, gênero e etnicidade e, obviamente, as
gramáticas próprias do urbano e rural.
Esses produtos reinventaram localmente a prática do smearing , e sendo muito comum nas
nas culturas do sul da África do século XIX ganhou novas técnicas e produtos diante desta
conjuntura.
Burke, Timothy
1996- “Sunlight Soap Has Changed My Life”: Hygiene, Commodification, and the Body in
Colonial Zimbabwe. In Hendrickson, Hildi (ed.), Clothing and Difference: Embodied
Identities in Colonial and Post-Colonial Africa. Durham: Duke University Press.
Hendrickson, Hildi
1996 – Bodies and Flags: The Representation of Herero Identity in Colonial Namibia. In
Hendrickson, Hildi (ed.), Clothing and Difference: Embodied Identities in Colonial and
Post-Colonial Africa. Durham: Duke University Press.
Boëtsch, Gilles et Éric Savarese
1999- Les corps de l’Africaine. Érotisation et inversion. Cahiers d’Études Africaines 153:
123-144.
Warnier, Jean-Pierre
2007 – Corps, technologies du pouvoir et appropriation de la modernité au Cameroun.
Politique Afrticaine 107: 23-41.
Fouquet, Thomas
2007 – De la prostitution clandestine aux désirs de l’ailleurs: une «ethnographie de
l’extraversion» à Dakar. Politique Africaine 107: 102-123