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ARBITRABILIDADE – CASO CAMARB 2016

Quando falamos em arbitrabilidade, devemos nos ater a dois pontos


principais: Capacidade das Partes para compor um tribunal arbitral, além, da
disponibilidade dos bens.
Partindo dessa premissa, que a jurisdição é uma das funções do estado,
no âmbito da arbitragem, este faz-se valer do seu poder para definir as
matérias que podem ser arbitradas ou não.
Para que um objeto seja arbitrado, este precisa ser de cunho
patrimonial e disponível.
Entende-se como Patrimonial, aquele que:
● Suscetível de Avaliação Econômica
● Transmissível
● Transferível
Além disso, o objeto deve ser disponível (vale ressaltar que o cunho
patrimonial e a disponibilidade do bem tem que estar CUMULADAS),
entende-se como disponível, aquele que o detentor desse direito/bem tem a
faculdade de exercer livremente os atos inerentes a esse bem ou direito.

Trataremos agora, do Caso da Competição da CAMARB de


2016:
Sabe-se que no mercado empresarial, acima de qualquer produto, as
empresas vendem e entregam credibilidade, partindo dessa premissa, este foi
o maior prejuízo que uma das partes obteve nesse caso.
A Empresa SubATech é uma empresa do ramo da tecnologia, mais
precisamente do desenvolvimento de aplicativos, tendo como sua mina
principal o aplicativo “Help”. Num dos eventos em que fora divulgado esse
aplicativo, o Sr Jorge Martins (empresário e ex-gestor administrativo) se
interessou na empresa e na expansão desse aplicativo, e depois de muitas
negociações, começou a fazer parte do quadro de acionistas dessa empresa.
Após a entrada do Sr Jorge Martins na empresa, os lucros da empresa e
a qualidade do aplicativo só aumentaram, fazendo com que a empresa
tomasse uma proporção de caráter nacional e obtivesse lucros inimagináveis a
anos atrás. Porém, no auge desse crescimento, o Sr. Jorge Martins foi preso
após uma operação deflagrada pela Polícia Federal, que investigava atos
ilícitos do Sr. Jorge ainda na época em que trabalhava como gestor
administrativo.
Antes desses acontecimentos, houve uma assembleia geral na empresa,
onde fora aprovado o novo estatuto social da mesma, em que se adotava a
política de compliance (transparência e efetividade) dentro daquela
instituição, que previa a possibilidade de exclusão do sócio em casos como
este. Não obstante toda a repercussão do nome do Sr Jorge Martins nessa
investigação, o Sr Jorge Martins foi preso na sede da empresa, o que maculou
de sobremaneira a imagem desta, ferindo assim o maior bem que uma
empresa possui dentro do marcado empresarial, a sua credibilidade.

Neste Caso, temos dois pontos de


PROCEDIMENTO (também chamados de PRELIMINARES). Se a se a
cláusula compromissória contida no Estatuto Social da SubATech vincula o
Sr. Jorge Martins e se a exclusão do mesmo dos quadros de sócios é matéria
arbitrável.
O primeiro ponto da discussão quanto ao procedimento é bem simples
de ser dirimido. Como consta no caso, o Sr. Jorge Martins foi contra a
elaboração do novo Estatuto Social da Empresa que além de adotar o
Compliance como base principal dos atos daquela, estipula também a adoção
da Cláusula Compromissória como forma de solução de litígios. Vale
ressaltar, que na Assembleia Geral em que foi deliberada a adoção deste novo
estatuto social, este foi aprovado por 99,29% do capital social votante, sendo
o Sr. Jorge Martins, o único a votar contra o novo estatuto.
A plena incidência da regra da maioria no direito das sociedades,
também denominada pela doutrina de “princípio majoritário”, apresenta-se
como fato essencial para o funcionamento das sociedades, ao passo de que
viabiliza o desenvolvimento das atividades das empresas. Dessa forma, deve
se levar em consideração que o interesse social da empresa é maior que o
interesse de apenas um acionista.

Vamos agora nos prender na segunda problemática.

Para uma matéria ser arbitrável, esta precisa tratar de direitos


patrimoniais e disponíveis. No presente caso, tratamos de Direito Societário.
Ao avaliar o cunho patrimonial desse litígio, podemos perceber que
patrimônio é o direito que pode ser reduzido à pecúnia, assim, se adequando
ao primeiro ponto do cunho patrimonial, ao passo de que a parte de um sócio
dentro de uma empresa, pode ser avaliado monetariamente, vale lembrar a
parte da doutrina que entende no sentido de que mesmo que algo não possa
ser avaliado em forma de pecúnia, uma vez esse direito sendo perdido e for
aferido uma indenização por perda desse direito, portanto, geraria direito
subjetivo a indenização, sendo esta evidentemente de cunho patrimonial.

A maior controvérsia nesse caso, reside na disponibilidade do


direito. Entende-se como um direito disponível, aquele cabível de um ato de
disposição, ou seja, aquele em que a perda ou modificação desse direito
emana de uma vontade do titular deste.

No presente caso, temos a exclusão de um sócio do quadro de sócios de


uma empresa. Levando em consideração que um direito disponível é aquele
que pode ser alienado, renunciado, transmitido ou transacionado, como diria
o Mestre Carmona: “Essa disponibilidade caracteriza-se pela suficiência da
vontade do titular para dispor de seu patrimônio livremente e com
exclusividade, na medida em que nele não se mesclam outros interesses que
não os dele próprios”.
No presente caso, o Sr. Jorge Martins foi retirado do quadro de sócios :
Um julgado do TJ-SP - TJSP, Apl. 00338782320118260068 (o maior
tribunal da América Latina – Juri feelings) entendeu que o direito de retirada
de sócio de uma Sociedade é um Direito Indisponível, porém, tal decisão é um
peixe nadando contra a correnteza, ao passo de que a maioria da doutrina
entende de forma contrária, PORÉM, o STJ nadou contra a correnteza
juntamente com o TJ/SP e entendeu que essa retirada violaria a liberdade de
associação prevista no inciso XX do art 5 da CF. Vale ressaltar que o TJ-SP e
STJ trataram da retirada de sócio e não da exclusão de acionista, que por
simetria, acabam sendo equivalentes.

Portanto, neste caso, uma linha de raciocínio entende que sendo o


direito de retirada de sócio/exclusão de acionista estar diretamente
relacionado ao princípio fundamental da livre associação, trata-se de matéria
indisponível e, consequentemente, não arbitrável. Outra corrente, entende
que a disponibilidade desse bem está ligada ao direito aos direitos do
acionista, logo, por serem direitos que são disponíveis de alienação, renúncia,
transação e transmissão, este passa a ser disponível e arbitrável.

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