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VERSÃO DO PROFESSOR

D I S C I P L I N A Organização do Espaço

A dinâmica entre o global e


o local na globalização

Autoras

Eugênia Maria Dantas

Ione Rodrigues Diniz Morais

aula

Material APROVADO (conteúdo e imagens) Data: ___/___/___


04
Nome:_______________________________________
Governo Federal
Presidente da República
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Ministro da Educação
Fernando Haddad
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Apresentação

N
as aulas anteriores, estudamos a relação homem/natureza e sua importância para a
emergência do meio geográfico. Além disso, discutimos um dos conceitos básicos
da Geografia: o de espaço geográfico.

Prosseguindo a análise sobre o espaço, iremos abordar um tema de suma importância


para entendermos a sociedade atual. Trata-se das relações globais-locais (e vice-versa),
viabilizadas pelo meio técnico-científico-informacional no período da globalização.
Focalizaremos, nesta aula, as características do meio técnico-científico-informacional,
o significado do processo de globalização, a relação entre Revolução Técnico-Científica e
globalização e, nesse contexto, a dinâmica entre o local e o global na atualidade.

Objetivos
Caracterizar o meio técnico-científico-informacional.
1
Apreender o significado do processo de globalização.
2
Entender a relação entre a Revolução Técnico-Científica
3 e a globalização.

Compreender a dinâmica das relações entre o local e o


4 global no contexto da globalização.

Aula 04  Organização do Espaço 1


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Navegando pelas teias do meio
técnico-científico-informacional
e da globalização
Você já parou para pensar como as coisas mudaram nos últimos tempos? Parece que
tudo se acelerou e se tornou mais próximo...

Você sabia que, em 1950, um avião cumpria o percurso entre Londres (Inglaterra) e
Nova York (EUA) em 18 horas e que, desde 1976, os aviões supersônicos l (aqueles que
têm uma velocidade maior que a do som) levam apenas cerca de 3,5 horas para fazer essa
mesma rota? Você já observou quantas pessoas do seu convívio têm celular? E quantas
usam a internet, se comunicando com pessoas que estão em outros países e até em outros
continentes? Pois é, os meios de transporte e comunicação estão no centro de todas
essas modificações que nos dão a impressão de que o mundo ficou menor. O que será que
aconteceu no final do milênio?
Fonte: <www.masterfile.com>. Acesso em: 4 maio 2008.

Figura 1 - Meios de transportes e comunicação.

2 Aula 04  Organização do Espaço


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Zarpando...

Você está sendo convidado a fazer essa maravilhosa viagem em busca do


conhecimento que permitirá entender o que tem provocado ou contribuído para
tantas mudanças.

As últimas décadas do século XX e o início do século XXI estão sendo marcados por
mudanças significativas que afetam a forma de pensar e de agir do homem. Tais mudanças
estão vinculadas ao nível de desenvolvimento científico-tecnológico, que influenciou as
relações sociais e ampliou os horizontes da criação, inovação e reinvenção do saber-fazer
humano, imprimindo um novo ritmo de vida, assinalado pela aceleração do tempo e pelo
encurtamento das distâncias. Analisando esse período, Santos (1994, p. 29) assim se
manifesta: “acelerações são momentos culminantes na História, como se abrigassem forças
concentradas, explodindo para criarem o novo”.

Mudanças... acelerações... forças concentradas, precisamos esclarecer do que


estamos a tratar. Por isso, é oportuno perguntar: em que reside a força motriz
que impulsiona as céleres mudanças? De quais mudanças estamos falando?

As referências dizem respeito à nova fase vivenciada pelo sistema capitalista e pela
sociedade moderna, do final da década de 1970 até os dias atuais, em que se destacam
a Revolução Técnico-Científica ou Terceira Revolução Industrial e a globalização. Tais
fenômenos são interligados e interdependentes, constituindo-se faces do processo de
mudanças econômicas, políticas e culturais que delinearam um novo padrão tecnológico e
um novo perfil social.

Você já leu ou ouviu falar nestes termos: Revolução Técnico-Científica ou


Terceira Revolução Industrial e globalização? O que apreendeu sobre eles?

Aula 04  Organização do Espaço 3


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Em nossa viagem pelos caminhos da Ciência, iremos buscar o conhecimento necessário
para que possamos compreender a sociedade em que vivemos. Por isso, outras perguntas
insistem em aparecer: por que a Revolução Técnico-Científica também é chamada de Terceira
Revolução Industrial? O que caracteriza essa revolução? Qual a relação entre esse fenômeno
e a globalização? Qual o significado do termo globalização? A que se refere esse processo?
Partindo de tais questionamentos, caminhemos em busca de suas respostas como forma de
buscar a compreensão dos fenômenos em destaque.

Pelo enredo da Revolução


Técnico-Científica

C
onsiderando o elenco de questões formuladas, enfrentemos o desafio de elucidá-las.
Nesse trajeto, a História é nossa companheira e, a partir de seus registros, permite
resgatar aspectos que são fundamentais. Embalados pelo prazer da leitura, façamos
uma viagem no túnel do tempo...

Reportemo-nos à segunda metade do século XVIII, quando surge o processo


de industrialização. Sua origem está diretamente vinculada ao capitalismo, sistema
socioeconômico baseado em uma economia de mercado e em uma sociedade de classes.

Você compreendeu a definição relativa ao sistema capitalista? Como aprender


mais é sempre positivo, faça uma paradinha no roteiro para pesquisar: consulte
livros que abordam o tema “capitalismo” e leia sobre as características de
uma economia de mercado e de uma sociedade de classes. Com certeza, ao
final da pesquisa, você terá ampliado sua compreensão sobre esse sistema
político-econômico.

Até os dias atuais, a industrialização, sob o ponto de vista da complexidade tecnológica,


se realizou a partir de três etapas, descritas a seguir.

n Primeira Revolução Industrial – Ocorreu entre a segunda metade do século XVIII até
meados do século XIX, sendo deflagrada a partir do Reino Unido, que, especialmente
a Inglaterra, assumiu a dianteira desse processo porque contava com equipamentos,
capital e estabilidade política. Nesta fase, em que predominou o uso da máquina e do
transporte a vapor, a fonte de energia básica foi o carvão; destacaram-se as indústrias
têxtil, naval e siderúrgica.

4 Aula 04  Organização do Espaço


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n Segunda Revolução Industrial – Teve início nas últimas décadas do século XIX e se
estendeu até os anos de 1970, aproximadamente. Neste período, o poder da Inglaterra
foi declinando e em seu lugar surgiram outras potências, principalmente, os Estados
Unidos - EUA. A atividade industrial difundiu-se para outros países da Europa (Alemanha
e França), além dos EUA e Japão. Houve a descoberta da eletricidade e a invenção dos
motores elétricos, que provocaram expressivas inovações técnicas. As transformações
se multiplicavam e surgia um novo mundo e um novo estilo de vida. As indústrias
petroquímica e automobilística são os ramos emblemáticos desta fase em que o
petróleo foi a principal fonte de energia.

n Terceira Revolução Industrial ou Revolução Técnico-científica – Foi desencadeada a


partir dos últimos decênios do século XX, especialmente na segunda metade da década
de 1970. Portanto, esta é a etapa da industrialização atual, cujas características serão
mais detalhadamente apresentadas a seguir.

Torna-se importante registrar que a difusão da industrialização não ocorre de


forma igualitária entre os países do mundo, não sendo possível considerar que
todos estão no mesmo nível de desenvolvimento industrial.

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Com essa sucinta caracterização das etapas da industrialização da humanidade, torna-
se claro o motivo pelo qual a fase atual é chamada de Terceira Revolução Industrial. Nossa
investida, agora, é desvendar as suas características. Pronto para continuar?

A Terceira Revolução Industrial ou Revolução Técnico-Científica aporta-se em um ciclo


de inovações, ancorado na informática, na biotecnologia, na automatização e na robotização
dos processos produtivos, na síntese de novos materiais e no desenvolvimento de novas
tecnologias de geração de energia. Nesse sentido, uma das características marcantes dessa
fase é a importância e o papel que assumem o conhecimento e a tecnologia avançada.
Diferentemente das revoluções anteriores, as atividades econômicas de destaque não são
aquelas que transformam matérias-primas em produtos manufaturados, mas aquelas que
produzem serviços: idéias, técnicas, designs, programas etc. Portanto, a Revolução Técnico-
Científica baseia-se na informática, ou seja, no entrelaçamento da indústria de computadores
e softwares com a das telecomunicações.

Será que essa revolução chegou ao meu município? Será que você faz parte desse
mundo da informática e das telecomunicações? Reflita sobre o que estudou, procure
identificar as características da Revolução Técnico-Científica e estabelecer em que ela se
diferencia das anteriores. Esta é uma paradinha necessária para você fazer as conexões entre
a referida revolução e o meio em que você vive, respondendo a questão: Quais as referências
dessa revolução no cotidiano do meu lugar?

Esse tema tem sido alvo de estudos de cientistas de diversas áreas, cujas leituras também
são bastante variadas. Produzindo uma visão esclarecedora desse momento histórico,
Castells (1999, p. 22) afirma que “uma revolução tecnológica concentrada nas tecnologias da
informação está remodelando a base material da sociedade em ritmo acelerado.” Deriva de tal
processo uma nova sociedade, capitalista e informacional, embora apresente diferenciações
que dizem respeito às especificidades históricas e culturais existentes entre os países e a
relação que estes mantêm com o capitalismo global e a tecnologia informacional.

Para Santos (1993, p. 35), a referida fase, corresponde ao momento no qual se constitui,
sobre territórios cada vez mais vastos, o que identificou de meio técnico-científico, ou seja,

6 Aula 04  Organização do Espaço


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“o momento histórico no qual a construção ou reconstrução do espaço se dará com um
crescente conteúdo de ciência, de técnicas e de informação.” Considerando que os objetos
técnicos tendem a ser ao mesmo tempo técnicos e informacionais, porque já surgem como
informação, e tem como principal fonte de energia de seu funcionamento a informação,
o autor propõe que se utilize a definição de meio técnico-científico-informacional. Neste
cenário, a informação é considerada o vetor fundamental do processo social e os territórios
são devidamente equipados para facilitar a sua circulação (SANTOS, 2002, p. 239).

Atividade 1
Identifique os fenômenos responsáveis pelas mudanças que marcaram
1 os últimos decênios do século XX e o início do século XXI.

Explique por que a fase atual é chamada de Terceira Revolução


2 Industrial e em que ela se diferencia das anteriores.

Descreva as principais características da Revolução Técnico-Científica


3 ou III Revolução Industrial.

1.

sua resposta
2.

3.

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”Reduzindo a marcha... para um alerta importante”:

Os cientistas sociais não têm dúvida de que vivemos a era da informação, do


espaço dos fluxos, das relações virtuais, da sociedade em rede. Todavia, é
preciso reconhecer que a base tecnológica que sustenta a Terceira Revolução
Industrial, mesmo tendo o poder de articular o planeta, está desigualmente
distribuída no espaço e é, também, desigualmente apropriada pela sociedade.

Neste contexto, o meio técnico-científico-informacional representa a feição


geográfica da globalização. Assim, o meio geográfico, por ser técnico-científico-
informacional, tende a ser universal e mesmo onde sua ocorrência assume
uma escala pontual, ele assegura o funcionamento dos processos da chamada
globalização (SANTOS, 2002, p. 240).

Cumprimos o primeiro percurso da nossa viagem e, através dessa exposição,


você deve ter percebido os marcos da trajetória do desenvolvimento científico
e tecnológico que conduziram ao estágio atual em que impera o meio técnico-
científico-informacional. Merecemos um pouso mais demorado para refletir
sobre o conteúdo estudado.

Atividade 2

Conceitue meio técnico-científico-informacional.


1
Cite dois exemplos que demonstrem como a Revolução Técnico-
2 Científica afetou o seu município.

1.

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2.

sua resposta
Pelas trilhas da globalização
Passada a primeira etapa, a viagem continua e temos novos horizontes a desbravar. No
início do nosso roteiro, definimos objetivos que desejamos alcançar. Você já percebeu por
onde vamos trilhar?

Na perspectiva de compreendermos a relação entre a III Revolução Industrial,


viabilizadora do meio técnico-científico-informacional, e o fenômeno da globalização,
caminhemos em busca de seu significado e de suas referências.

Conforme anteriormente mencionado, a Revolução Técnico-Científica e a globalização


constituem fenômenos interdependentes, que se desenvolvem sob um mesmo enredo
histórico: o final do século XX e início do novo milênio. Já tendo estudado as características
dessa revolução, torna-se fundamental desvendar o significado de globalização e os seus
mecanismos de funcionamento para compreendermos as relações de interdependência
entre os fenômenos citados.

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A palavra globalização tornou-se amplamente utilizada nos últimos anos, passando a
fazer parte da mídia cotidianamente, chegando a ser identificada como uma “palavra da moda”
(BAUMAN, 1999, p. 7). O termo disseminou-se ao longo da década de 1980, inicialmente,
em universidades norte-americanas, no âmbito dos cursos de administração de empresas.
A difusão do termo está diretamente vinculada ao aprofundamento da internacionalização
capitalista, através das multinacionais, que exigiu a definição de estratégias de atuação
global para essas empresas.

Quanto à origem da palavra globalização, uma outra possibilidade remete ao campo da


comunicação, mais especificamente aos escritos de Mashall McLuhan (1969), que ao analisar
a crescente interconexão mundial como resultado dos avanços das telecomunicações, criou
a metáfora de “aldeia global”.

Embora sendo um termo cujo emprego é recente, “como fenômeno concreto, a


globalização é nada mais do que um processo histórico, que, aliás, vem de longa data.”
(SENE, 2003, p. 37). Suas raízes remetem ao final do século XV e início do século XVI,
quando se deu a expansão capitalista através das Grandes Navegações, que deflagrou a
criação do chamado mercado mundial.

Entre os séculos XVIII e XIX, a ocorrência da I e da II Revolução Industrial constituíram-se


novas etapas do processo de mundialização capitalista, caracterizadas pelo desenvolvimento
dos trustes e cartéis e pelo imperialismo.

No início do século XX, conflitos entre Estados imperialistas conduziram à Primeira e


à Segunda Guerras Mundiais, respectivamente de 1914-1918 e 1939-1945. Nesse intervalo,
houve a crise da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, que levou à Grande Depressão
dos anos de 1930. Apesar dessas ocorrências, até meados do século XX, o capitalismo
prosseguiu em sua expansão, embora em ritmo lento e desigual.

Sinal amarelo... Atenção!

Pesquise sobre a I Guerra Mundial, a queda da Bolsa de Valores de Nova


York, a Grande Depressão e a II Guerra Mundial. Procure saber sobre o
contexto de ocorrência desses eventos que redefiniram o curso da História da
humanidade: Por que e como aconteceram? Quais os países envolvidos? Quais
as conseqüências que produziram?

Para essa atividade, utilize como fonte bibliográfica: Hobsbawm (1995).

10 Aula 04  Organização do Espaço


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No entanto, após a II Guerra Mundial, o sistema capitalista vivenciou três décadas de
crescimento econômico, via expansão e consolidação das multinacionais, responsáveis pela
mundialização da produção. Esse crescimento rebateu desigualmente sobre os Estados-
nações, evidenciando com maior nitidez as características entre países desenvolvidos
e subdesenvolvidos. Nesse período, foram gestadas as principais condições para a
emergência da globalização.

Você conseguiu apreender as informações? Percebeu a importância da História


para compreendermos os fenômenos que estamos estudando?

Convidamos você a uma breve pausa para organizar as idéias. Tratamos da


origem do termo e, em seguida, dos antecedentes históricos do processo.
Para contribuir com sua compreensão, que tal pesquisar sobre o significado
de palavras como cartel, truste e imperialismo? Ah! Também será interessante
saber quais as características dos países desenvolvidos e subdesenvolvidos.

Sinal verde! Podemos avançar...

A leitura desse fenômeno em uma perspectiva histórica permite a interpretação


de que corresponde a atual fase de expansão do capitalismo. Para Santos
(2000, p. 23), constitui “o ápice do processo de internacionalização do mundo
capitalista”, em que as economias nacionais se reorganizam em função da
hegemonia do mercado global. No dizer de Sene (2003, p. 40) “a globalização,
calcada nos avanços da revolução técnico-científica ou informacional, é,
ao mesmo tempo, continuidade e aceleração do processo de mundialização
capitalista.”

Na tentativa de apreender a época em que vivemos, recorremos a Stiglitz (2002, p.


36), que assim define a globalização: “Fundamentalmente, é a integração mais estreita dos
países e dos povos do mundo que tem sido ocasionada pela enorme redução de custos
de transportes e de telecomunicações e a derrubada de barreiras artificiais aos fluxos
de produtos, serviços, capital, conhecimento e (em menor escala) de pessoas através
das fronteiras.” A base material desse processo está na revolução tecnológica que tem
avançado através da informática (computação microeletrônica), das telecomunicações,
da biotecnologia e da engenharia genética, da invenção de novos materiais, dentre outros
(GORENDER, 1995, p. 93).

Aula 04  Organização do Espaço 11


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Mas, afinal o que
é essa tão falada
globalização?

Considerando o exposto, depreende-se que a globalização é um processo


multifacetado que tem entre suas características centrais a aceleração em todos os
setores da vida. A aceleração contemporânea está ancorada nas novas tecnologias, que
viabilizam o aumento da velocidade do deslocamento de capitais, mercadorias, informações
e pessoas provocando mudanças econômicas, políticas, sociais, culturais e espaciais.
Essas mudanças atingem, inclusive, a percepção das pessoas e das empresas em relação
ao espaço geográfico local e mundial, intensificando a inter-relação dos países e dos povos,
propiciando, entre outros, um maior intercâmbio cultural e a difusão de certos valores, como
democracia, desenvolvimento sustentável, respeito aos direitos humanos, os quais tendem
a se universalizar. Mas, é importante ressaltar que, apesar de todas essas possibilidades
positivas, a base tecnológica que dá suporte à globalização também é utilizada para conexões
de redes que operam na ilegalidade (por exemplo, tráfico de drogas, prostituição, entre
outros) e para manifestações antiglobalização, permitindo inferir que os questionamentos
formulados por seus adeptos restringem-se a certos aspectos do fenômeno.

Refletindo sobre as múltiplas dimensões da globalização, constata-se que a


econômica é a mais focalizada e, dentre os fluxos que gera, o financeiro é o
mais veloz e aquele que melhor representa o fenômeno em pauta. Chesnais
(1996, p. 239) enfatiza que “a esfera financeira representa o posto avançado
do movimento de mundialização do capital, onde as operações atingem
o mais alto grau de mobilidade, onde é mais gritante a defasagem entre as
prioridades dos operadores e as necessidades mundiais.” A hegemonia do setor
financeiro na globalização econômica articula-se aos avanços tecnológicos nas
telecomunicações e na informática, os quais tornaram o dinheiro eletrônico,
desmaterializado, virtual. A transferência de expressivas somas de dinheiro de
um lugar para outro tornou-se uma atividade relativamente simples, envolvendo
a digitação de números e códigos em um teclado, ou seja, o domínio da
linguagem e das ferramentas digitais.

12 Aula 04  Organização do Espaço


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Dadas às condições técnicas da “era da informação”, as relações em escala mundial
são assinaladas pela supressão ou relativização das distâncias, posto que os sistemas
de comunicação possibilitam o intercâmbio de informações em tempo real, interligando
instantaneamente os diferentes espaços do planeta. Dessa forma, é perceptível que a
Revolução Técnico-Científica, ao produzir as tecnologias de informação, viabilizou a existência
do meio técnico-científico-informacional, instituindo a sociedade em rede, no âmbito do
capitalismo globalizado.

Sobressaltos na estrada em busca do conhecimento? Então, façamos uma outra pausa


visando continuar a trajetória de forma segura! Revisite os objetivos da aula e veja que,
nesta etapa, o desafio é entender o significado da globalização e a relação existente entre tal
fenômeno e o meio técnico-científico-informacional. Por isso, vale o esforço para responder
as atividades propostas e avaliar se o objetivo foi alcançado.

Atividade 3

A que se refere o processo de globalização?


1
Qual a relação entre globalização e capitalismo?
2
Qual o papel do meio técnico-científico-informacional na globalização?
3
A globalização é um processo que atinge exclusivamente a economia?
4

Percurso bem pavimentado, navegando pelas teias do meio técnico-científico-


informacional e da globalização, enfim vislumbramos a última etapa de nossa aula. Nossa
investida agora é compreender a dinâmica entre o global e o local na tessitura de relações
mediatizadas pelo meio técnico-científico-informacional, em plena globalização.

Os conhecimentos já adquiridos sobre o assunto nos colocam diante da afirmação de que


o desenvolvimento técnico-científico e a globalização repercutem desigualmente tanto entre
os países, como no interior de seus territórios. Segundo Sene (2003, p. 119), “os avanços
tecnológicos nos transportes e nas telecomunicações mudaram a perspectiva do mundo de
forma bastante desigual, segundo a posição das pessoas no espaço geográfico e sua inserção
na sociedade.” A “geografia das redes” (SANTOS, 2002), que se institui com a globalização,
revela que este é um processo extremamente seletivo em termos de lugares e de pessoas,
construindo-se a partir de dinâmicas de inclusão-exclusão, articulação-fragmentação.

Aula 04  Organização do Espaço 13


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Sinal amarelo! Atenção!

Isso não parece contraditório? Se o fenômeno é, como o próprio nome revela,


globalizador, como pode ser seletivo e excludente? A globalização não é
global? Vamos prosseguir e, sem pressa, avançar pelas sinuosas estradas do
conhecimento...

A análise do contexto atual revela que a globalização é, de fato, um processo que


seleciona os lugares e as pessoas e, ao se manifestar assim, gera a exclusão. Nesse cenário,
os fluxos da globalização atingem o planeta Terra inteiro, mas não a totalidade do espaço
geográfico mundial, ou seja, não todos os seus lugares. Na “geografia das redes”, os países
industrializados dominantes (EUA, Japão e países europeus), além dos países recentemente
industrializados (emergentes), embora nem todos os lugares de seus territórios nacionais,
estão fortemente articulados à globalização. Enquanto isso, parte do espaço latino-americano
e asiático e a maioria do espaço africano encontram-se marginalizados do processo.

Isso demonstra que, a despeito do nome, a globalização está longe de ser global, posto
que a densidade da técnica, do capital e do conhecimento está altamente concentrada, em
termos geográficos, assim como os fluxos de investimentos e comerciais. Sendo assim, na
chamada “geografia das redes”, como pensar as relações entre o global e o local? Qual o
sentido de lugar no âmbito de uma sociedade globalizada?

O caráter seletivo e excludente da globalização produz a fragmentação espacial,


pinçando os espaços que interessam a lógica do capitalismo global, transformando-os em
nichos de produção e/ou consumo, e relegando à margem os demais espaços, que não se
mostram atraentes sob a ótica economicista do sistema. Dessa forma, paralelamente aos
circuitos que vinculam local e global no sistema-mundo, há toda uma massa de excluídos
(HAESBAERT, 1999, p. 28).

Nesse contexto, os lugares podem assumir diferentes significados, podendo


representar pontos de conexão, nós da teia de relações globalizadas, ou núcleos de
enfrentamento das forças fragmentadoras dos fluxos hegemônicos, focos de resistência.
Isso porque é no lugar que se materializam as relações sociedade-espaço geográfico;
nele, as pessoas vivem e interagem entre si e com a paisagem, constroem as relações do
cotidiano. Para Felipe (2002, p. 235):

o local é o lugar da fixidez, onde os moradores criam significados, símbolos e imagens,


que vão forjar as identidades e as aderências que prendem o indivíduo e o seu grupo
social a esse espaço particular, resultado da memória, da produção e da técnica, mas,
acima de tudo, resultado de suas vidas.

14 Aula 04  Organização do Espaço


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Considerando a perspectiva do local em sua articulação com a dinâmica global, é
possível apontar as duas faces desse mesmo processo. Haesbaert (1999, p. 25), ao analisar
a dinâmica global-local, evidencia que “a luta entre uma face homogeneizadora e uma face
heterogeneizadora demonstra que processos globais implantam-se no local, adaptando-se
a ele, ao mesmo tempo em que o local pode globalizar-se na medida em que expande pelo
mundo determinadas características locais.” Na visão desse autor, pode-se ter uma dinâmica
do global para o local e o seu inverso, do local para o global. Considerando a primeira
perspectiva, tem-se que o local não é necessariamente um simples reflexo do global, visto
que impõe condições para a realização da globalização (por exemplo, espaços de produção
de frutas tropicais no Semi-Árido do Nordeste). Na segunda, o local produz a diversidade no
âmbito do global, tornando mais complexas as características da globalização (por exemplo,
culinária chinesa que se projetou para o mundo).

Desse modo, as relações global-local contemporâneas não estão pautadas apenas


na globalização homogeneizadora, que padroniza as desigualdades, e em localismo
diferenciadores que resistem, promovendo a heterogeneização. Essas relações se firmam
tanto na possibilidade da globalização de se condensar em nível local, quanto na perspectiva
de que o local pode se projetar globalmente. É possível ainda que condições originalmente
locais possam se tornar globais e que a própria globalização, com o seu potencial de
transformação, possam re-criar ou reinventar o local. Dessa forma, pode-se afirmar que,
com a globalização, o local contém o global, mas o global também contém o local.

Assim, embora a globalização tenha atingido uma escala planetária, aportada no discurso
da homogeneização e uniformização dos lugares, tornou-se evidente que esse processo
também produziu desigualdades e acentuou as diferenças. A despeito da universalização das
técnicas e do imperativo do meio técnico-científico informacional, na atualidade, não há um
espaço global, mas apenas espaços da globalização, ligados por redes. (SANTOS, 2002). São
estes os espaços que definem a dinâmica das relações entre o local e o global na atualidade.

Atividade 4

Explique por que a globalização não é, efetivamente, global.


1
Examine as faces da articulação entre o global e o local no contexto
2 da globalização.

Aula 04  Organização do Espaço 15


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Chegamos ao final da nossa aula. Desejamos que a travessia pelos temas meio técnico-
científico-informacional, globalização e relações global-local tenha sido proveitosa e que
você se sinta capaz de compreender melhor, através desse estudo, a sociedade em que
vivemos. Gostaria de saber mais sobre o assunto? Consulte livros, revistas e jornais, ouça
noticiários de TV e de rádio, acesse a internet. Lembre-se de que você é um cidadão inserido
numa sociedade globalizada!

Resumo
Nesta aula, aprendemos que a sociedade do final do século XX e início do novo
milênio vivencia a Revolução Técnico-Científica, que produziu expressivos
avanços tecnológicos os quais remodelaram a forma de pensar e de se
comportar do homem atual, criando o meio técnico-científico-informacional.
Nesse contexto, surgiram as condições para a emergência do fenômeno da
globalização, que se traduz pela possibilidade de articulação e interdependência
entre países e povos do planeta. No âmbito desse fenômeno, desenvolve-se
uma dinâmica global-local, que se firma tanto na possibilidade da globalização
de se condensar em nível local, quanto na perspectiva de que o local pode se
projetar globalmente.

Auto-avaliação
Elabore um texto analítico estabelecendo as relações entre o meio-técnico-
1 científico-informacional e a globalização e as perspectivas de articulação entre o
global e o local nesse contexto.

Na sua avaliação, a cidade em que você vive está fortemente, razoavelmente ou


2 fracamente articulada à globalização? Por quê?

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Material APROVADO (conteúdo e imagens) Data: ___/___/___ Nome:______________________
Referências
BAUMAN, Zigmunt. Globalização: as conseqüências humanas. Rio de Janeiro: Jorge
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CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede: a era da informação – economia, sociedade e


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CHESNAIS, François. A mundialização do capital. São Paulo: Xamã, 1996.

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GORENDER, Jacob. Estratégias dos estados nacionais diante do processo de globalização.


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HOBSBAWM, Eric. A era dos extremos: o breve século XX. São Paulo: Companhia das
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MCLUHAN, Mashall. Os meios de comunicação como extensões do homem. São Paulo:


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SENE, Eustáquio de. Globalização e espaço geográfico. São Paulo: Contexto, 2003.

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Anotações

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Organização do Espaço – GEOGRAFIA

EMENTA

Objeto de estudo da geografia; as correntes filosóficas que embasam o pensamento geográfico; espaço, território,lugar,
região e paisagem nas diversas abordagens geográficas; a importância das redes no estudo geográfico do mundo
globalizado; a ciência geográfica na sociedade pós-moderna:paradigmas, perspectivas e dificuldades; as formas de
abordagens dos temas geográficos no Ensino de geografia; atividades práticas voltadas para a resolução de problemas
referentes ao espaço geográfico em situações de ensino

AUTORAS

n  Eugênia Maria Dantas

n  Ione Rodrigues Diniz Morais

AULAS

01   Despertando para a leitura do espaço

02   Aprofundando o conceito de espaço

03   A Organização do Espaço: um desafio inter-trans-disciplinar?

04   A dinâmica entre o global e o local na globalização

05   Paisagem como categoria da análise geográfica

06   Lugar e (des) identidade

07   Território e territorialidade: abordagens conceituais

08   Território e territorialidade: abordagens conceituais (parte II)

09   Por entre territórios e redes: múltiplas leituras


Impresso por: Gráfica xxxxxx

10   Região e a Geografia tradicional

11   Região no contexto da renovação da geografia

12   Organização do espaço: do universo conceitual ao ensino da Geografia


4º Semestre de 2008