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PROCESSO PENAL I

Noções. Conceito. Denominação. Objeto. Fontes. Evolução Histórica.


Aplicação da lei Processual no tempo e no espaço. Interpretação da lei processual
penal. Inquérito policial. Ação penal. Sujeitos processuais. Jurisdição e Competência.
Conflitos de Jurisdição. Questões e processos incidentes.

19/02/2018
Abertura Ginásio.
Livro base: Pacelli e Tourinho Filho
Trabalho sobre Proibição da proteção insuficiente no processo penal brasileiro.
Vale até 2,00 extras. Doutrina e jurisprudências. Entrega dia 18/06/2018 na G2.

26/02/2018

Processo Penal
Crise na área de segurança pública, principalmente no RJ. Interpretação das
normas penais. Vitimologia. Suspensão de prejuízos ideológicos. Leitura
contemporânea voltada para as vítimas, norte a ser buscado. O processo penal
vincula mecanismos de controle do poder de punir.
 Conceito: Disciplina do direito voltada ao estudo da aplicação do direito
penal objeto, afim de conferir a respectiva marcha a tramitação, aos
procedimentos ou ritos através dos quais se processa a pretensão
punitiva do estado. Base numa questão de conflito, conflitualidade, de
lide, processo. O processo penal é direito constitucional aplicado. Ex.:
proibição de provas ilícitas. O CPP é de 1941 e tem forte viés
inquisitorial. O processo penal tem uma estrutura marcadamente a partir
da CF88 acusatória.
 Autotutela (não presença do Estado) /auto composição (acordo
entre as partes) /heterocomposição (figura do juiz como terceiro
imparcial).
 Transação penal/ suspenção condicional do processo e
colaboração premiada.
 Modelos: Modelo inquisitivo caracterizado pela verdade “real”,
absoluta, enquanto que o modelo acusatório se baseia na verdade
processual. O modelo inquisitivo tem uma identificação entre as funções
de acusar e de julgar (exercidos em regra por uma única pessoa),
enquanto que o modelo acusatório temos uma separação entre as
funções de acusar e jugar. No modelo inquisitório o juiz assume um
papel protagonista (centro das decisões), enquanto que no modelo
acusatório temos um juiz inerte (princípio processual – não agindo de
ofício). Ponto controvertido entre os dois modelos é a questão da prova.
A gestão da prova do juiz no modelo acusatório é suplementar, não
tendo viés... Durante a instrução, determinada testemunha arrolada pelo
MP refere outra testemunha que presenciou o exato momento dos
disparos de arma de fogo que mataram a vítima. Prazo para arrolamento
das testemunhas até a denúncia. Testemunha do juízo, normalmente
deferida durante a instrução.
 Objetivo:
 Processo x procedimento: Procedimento é a forma, a marcha do
processo. Cada processo tem um procedimento (atos processuais).
 Relações com demais ramos jurídicos:
 Constitucional: Estabelecer a seguinte premissa, que o
processo penal é garantia, da sociedade, do imputado, que a
acusação que há de pesar sobre ele, deve ser conduzida por
um órgão oficial do Estado. Art. 127 e 129, I, CF. O MP tem
intuito de concretização da lei penal, é fiscal da ordem jurídica,
fiscal da lei. Controle do poder. Todo poder deve ser passível de
controles (pelas partes, Magistrados, Órgãos de controle).
Garantismo Visa estabelecer controles epistêmicos ao
poder de acusar, ao poder de julgar e ao poder de punir.
Epistemologia jurídica. Estabelecer controle democrático ao
poder punitivo da Estado. Garantismo distorcido (processo
penal de classes), duro com os pobres e brando com os ricos
(crime do colarinho branco). Art. 5º, CF. Direito a segurança.
Equilíbrio entre as garantias do processo/individuais e a
funcionalidade (celeridade/efetividade/devido processo legal).
Estabelecer mecanismos mais céleres visando as garantias e
funcionalidade do processo penal. Art. 5º, XXXIX. Princípio da
Legalidade. Art. 5º XVIX. Princípio da Integridade. Art. 5º, VI.
Brasileiros natos não são passíveis de extradição. Art. 5º, VIII.
Princípio do juiz natural. Ninguém será processado nem
sentenciado senão pela autoridade competente. Não se admite
tribunal de exceção (ad roc). Art. 5º, § 4º, O Brasil se submete à
jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha
manifestado adesão. Art. 5º, LIV. Devido processo legal.
Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido
processo legal. Formal (associado ao cumprimento dos
procedimentos devidos, legalmente previstos) e material
(associado ao fato de que no processo não se admite violação de
direitos fundamentais a pretexto de se alcançar uma “verdade
real”). Ex.: São inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por
meios ilícitos. Só se pode decidir a partir da prova produzido nos
autos do processo, em suma fora dos autos não há mundo.
Imparcialidade do juiz (juiz não pode trazer fatos externos). Prova
mediante tortura. Verdade processual, hermenêutica,
possível. Respeito ao contraditório, ampla defesa. Art. 5º,
LVII. Princípio da presunção de inocência. Ninguém será
considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal
condenatória. O réu não pode ser tratado como culpado.
Prerrogativa do silêncio, não aponta presunção de culpabilidade.
O ônus da prova compete ao MP (se dá entre a autoria e a
materialidade do crime). Eventual tese da exclusão da
ilicitude ou culpabilidade é da defesa, art. 155, CPP. (regra
probatória). Duplo grau de jurisdição (TJ, TRF). Nenhum País
do mundo admite a execução da pena em última instancia
(execução provisória da pena não obsta a presunção de
inocência). Isto é, deve ser cumprida a pena após os
embargos declaratórios em 2ª instância.
 Direito Penal: O processo penal busca concretizar as
disposições estabelecidas pelo direito penal. A finalidade do
processo penal mediata é assegurar a paz social e a imediata é a
aplicação do direito penal objetivo, aplicação da lei penal. O
direito penal se materializa pelo processo penal. Juiz, autor e réu.
 Processo civil: Art. 3º, CPP. A lei processual penal admitirá
interpretação extensiva e aplicação analógica, bem como o
suplemento dos princípios gerais de direito. Art. 489 e 926, CPC
 Dever de fundamentação das decisões judiciais (ideia de
coerência e integridade). Coerência quando, a partir da
concretização do princípio da igualdade, leva o juiz a decidir de
acordo com parâmetros fixados por outros juízes e tribunais, ou
seja, com base na jurisprudência. Integridade diz respeito a não
repetição sistemática, mecânica da jurisprudência, estando
associada a aplicação da justiça ao caso concreto
(fundamentação adequada ao caso concreto, levando em
consideração o contexto do caso - applicatio). Segurança jurídica
com o advento do NCPC. Fundamentação coerente e íntegra.
Fundamentação da fundamentação (levando em consideração o
caso concreto). Ex.: Fundamentar baseado em prescrição virtual,
estabelece uma fundamentação incoerente, não obstante o olhar
atento as particularidades do caso in concreto. Interpretação
adequada diante de cada caso in concreto. Art. 93, IX, CF.
Culpabilidade: Art. 59, CP. Para efeitos da majoração da pena.
Maior ou menor reprovabilidade da conduta do agente. Ex.:
Assaltar um banco/quitanda. Fundamentação das decisões 
Art. 312, CPP. Preventiva. A prisão preventiva poderá ser
decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica,
por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a
aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do
crime e indício suficiente de autoria. Decisão mal fundamentada
cabe HC. No processo penal a liberdade é a regra, a prisão é a
exceção. Só vai ser preso se/quando preenchidos requisitos da
prisão preventiva. Garantia da ordem pública  Não reiteração
criminal do agente. Não significa a gravidade do delito em
abstrato, e sim em concreto. Aplicação da lei penal 
Possibilidade de fuga. Conveniência do instituto criminal:
testemunha.
Em se tratando do modelo acusatório, acolhido implicidamente pela CF,
segundo entendimento doutrinário até onde o juiz pode ir na atividade probatória sem
que haja violação aos princípios da imparcialidade e da inércia? Gestão da prova 
princípio da imparcialidade. Juan Picó  o juiz é a prova. O processo não é mais ou
menos garantista se concede ao juiz o poder produzir provas.

05/03/2018

Modelos
 Acusatório: É contraditório, público, imparcial, assegura ampla defesa;
há distribuição das funções de acusar, defender e julgar a órgãos
distintos. No sistema acusatório, a fase investigatória fica a cargo da
Polícia Civil, sob controle externo do Ministério Público (CF, art.
129, VII; Lei Complementar n. 734/93, art. 103, XIII, a a e), a quem, ao
final, caberá propor a ação penal ou o arquivamento do caso. A
autoridade judiciária não atua como sujeito ativo da produção da
prova, ficando a salvo de qualquer comprometimento psicológico
prévio.
 Inércia do juiz: Princípio da imparcialidade. Temos separação
entre o juiz e o acusador.
 Publicidade: Hipóteses de segredo de justiça para preservar os
interesses da sociedade ou de incapazes.
 Verdade Processual: Hermenêutica.
 Inquisitório: É sigiloso, sempre escrito, não é contraditório e reúne na
mesma pessoa as funções de acusar, defender e julgar. O réu é visto
nesse sistema como mero objeto da persecução, motivo pelo qual
práticas como a tortura eram frequentemente admitidas como meio para
se obter a prova-mãe: a confissão.
 Iniciativa probatória de ofício: O juiz tem iniciativa de prova,
assumindo uma postura probatória. O juiz também é o acusador.
 Segredo: Da fase investigatória e processual.
 Verdade material: A qualquer custo.
No modelo acusatório, a atuação dos sujeitos processuais deve prestigiar a luz
do sol e não as trevas.

Fontes
 Material: A competência em matéria processual penal é da União.
Somente a União tem competência para legislar sobre processo penal.
Art. 22, CF. A competência dos estados é supletiva, subsidiária. Ex.:
Em matéria de direito penitenciário, em relação a correição parcial
(quando há inversão tumultuária nos autos do processo) e questões
relativas ao regramento do PADE).
 Formal: Temos a Lei. Tratados internacionais (Pacto de San José –
Audiência de custódia – apresentação do preso ao juiz no prazo de 24hs,
tendo como finalidade a verificação de eventual abuso de poder ou
prática de tortura em relação ao preso. Está prevista na resolução 213,
CNJ). Princípios (PGD – Art. 3º do CPP. Princípios Fundamentais –
Contraditório, etc.). Costume. Jurisprudência. Súmula Vinculante -
Tem por objetivo estabelecer uma orientação normativa emanada dos
tribunais superiores que seja vinculante e obrigatória para as instâncias
judiciais inferiores – Tribunais e Juízes. SV 11 – Algemas. Deve haver
fundamentação para utilização de algemas. Cabe a defesa Reclamação
direta ao STF, diante da não observância da súmula vinculante 11. SV
14 – O advogado tem amplo acesso aos elementos de prova
documentados no curso do inquérito, não se confundindo com acesso
irrestrito.

Princípios x Regras
Princípios são padrões objetivos de interpretação. Enraizamento ontológico na
moralidade política presente na comunidade. As regras são prescrições normativas
voltadas a fixação de comandos de fazer e não fazer.
Não há regras sem princípios e nem princípios sem regras. O direito despido
de coação é ineficaz. Coação, sanção no sentido de pena.
O princípio no DP está associado a proteção de bens jurídicos fundamentais a
sociedade (vida, patrimônio, dignidade sexual, saúde publica). Tendo caráter
principiológico, No PP estamos tratando dos padrões objetivos estruturantes
fundamentais a relação jurídica processual.
 Princípio do devido processo penal: Ninguém poderá ser privado
da sua liberdade e dos seus bens sem que se estabeleça diante de
um devido processo penal. Se reveste de um conteúdo de garantia a
limitar a intervenção do jus puniendi a observância da regra do
processual penal. Jogos de linguagem, dentro de um contexto vivencial,
dentro do processo. De um lado os direitos do imputado e do outro, os
direitos da sociedade, atingida pela prática do delito, designadamente a
vitima ou o ofendido. A citação completa a relação jurídico-processual,
possibilitando ao acusado ter acesso prévio ao teor da acusação, para
preparar sua defesa.
 Contraditório e ampla defesa: Não há processo sem defesa. Nulidade
processual. Contraditório – não se resume, a bilateralidade da
audiência, mas sim, consiste na capacidade de garantir influência e não
surpresa na condução da decisão. O contraditório, fundamentalmente, é
garantia de um processo penal justo e válido. Evitar o efeito surpresa.
Ex.: Juiz surge com uma qualificadora não levantada pelo MP.
Aditamento, não podendo agir de oficio. Ampla defesa – consiste no
amplo acesso ao meio de prova e de impugnação as decisões judiciais.
No tribunal de júri o principio é o da plenitude da defesa, tendo o
réu todos as garantias do processo justo (procedimento bifásico – a
primeira do recebimento da denúncia até a sentença de pronúncia e a
segunda, da pronúncia transitada em julgado até a decisão proferida
pelo tribunal do júri. Órgão colegiado: garantias – soberania dos
vereditos, sigilo das votações, irreversibilidade do mérito da decisão pelo
tribunal de justiça, salvo se presente alguma nulidade, ou se
manifestamente contrária as provas dos autos, com único cartucho
(soberania dos vereditos). Enquanto o juiz de direito só pode condenar
com base na prova produzida no contraditório (judicializada), o tribunal
do júri ao contrário, pode condenar com base na prova produzida no
inquérito policial diante da soberania dos vereditos. O júri julga o
processo de capa-a-capa.
 Direito ao processo: Acesso ao poder judiciário em todas as instâncias.
 Direito a citação: Conhecimento prévio ao teor da citação.
 Julgamento: Direito a um julgamento público e célere.
 Igualdade de armas: Paridade de armas. Tanto a acusação quanto a
defesa devem ter acesso aos meios de prova, recursos e outras
medidas processuais voltadas a assegurar o equilíbrio da relação
jurídico-processual. Ex.: No rito ordinário, cada parte tem o direito de
arrolar até 8 testemunhas por fato. No rito sumário, até 5 testemunhas
por fato. No sumaríssimo, 3 por fato. Igualdade material – Embargos
infringentes (exclusivos da defesa em caso de voto vencido).
 Do juiz natural:
 Direito ao silêncio:
 Direito de não ser processado de prova ilícitas:
 Direito a prova:
 Direito a presença e participação ativa no interrogatório do réu e
dos demais acusados:
 Princípio do Favor-Rei: Está associado ao princípio do em dubio pro
réu. Na dúvida acerca da existência dos pressupostos do fato (autoria e
materialidade), absolvesse o acusado. Não é qualquer dúvida, devendo
a mesma ser ao menos razoável. Consequência também do estado de
inocência. Não se resume apenas ao em dubio pro réu, conta também
com instrumentos processuais: O réu tem o direito de falar por último. O
réu tem o direito ao silêncio. A proibição da reformatio in pejus, evitando
surpresa ao réu em 2º grau. Ex.: Se não houver recurso do MP, apenas
da defesa, o Tribunal não pode aumentar a pena diante da não
recorribilidade do MP. Permissão da reformatio in mellius,
eventualmente para favorecer o acusado. A defesa tem algumas armas:
Embargos infringentes. Princípio ne bis in idem (dupla imputação pelo
mesmo fato). Uso de provas ilícitas (salvo se pro réu).
 Princípio da Publicidade: Art. 93, IX, CF. Os julgamentos serão
públicos. Art. 5º, LX, CF. Art. 20, CPP. Fundamentos: Defesa da
intimidade ou interesse social. Elucidação do fato ou exigido pelo
interesse da sociedade. Garantia de celeridade e ineficácia das
diligências investigatórias.
 Princípio da oralidade e da escritura: Oralidade - regra geral, os
processos penais são orais. Essa oralidade decorre da produção de
provas no âmbito dos depoimentos e nos debates e nas alegações finais
orais. O princípio da oralidade não exclui a existência de escritura no
processo, sendo necessária para a materialização dos atos processuais.
Escritura – se aplica principalmente as ações penais originárias, fase
recursal, precatórios, rogatórias e cartas de ordem.
 Princípio da identidade física do juiz (oralidade): Atrelada ao princípio
da oralidade. O juiz que participou da instrução não é o juiz que deve
decidir o caso, pois teve contato com as partes e as provas.
 Princípio do nemotenetur: Ninguém é obrigado a produzir provas
contra si mesmo. Decorre do princípio da presunção de inocência, que
vincula o processo de produção e sentido em construção da decisão
penal. Decisão penal. O silêncio não implica culpa. Liberdades
fundamentais.
 Colaboração ativa: Fere o princípio do nemotenetur. Ex.:
Bafômetro.
 Colaboração passiva: Não fere pois não viola os direitos
fundamentais do investigado. Ex.: Colhimento de algum dado
genético do suspeito num copo, torneira.

Aplicação da lei processual penal


 Espaço: Segue o princípio da territorialidade, que é decorrente do
princípio da soberania nacional. Art. 1º, CPP.
 Tempo: Principio da aplicação imediata. Tempus reje actum. Art. 2º,
CPP.

Interpretação da lei processual penal


Art. 3ª, CPP. Extensiva, analógica e PGD.
 Gramatical/literal: Queixa-crime.
 Teleológica: Leva em conta os fins da norma processual penal. Art. 5º,
LIND.
 Extensiva: Art. 254, CPP.
 Analógica: Crime de homicídio qualificado. Art. 3º, CPP. Analogia em
bonan partem. O dever de fundamentação é um dever de
fundamentação analítica. Fundamentação da fundamentação,
analisando todas as teses. Art. 489, CPP. Pena de litigância de má-fé –
não tem previsão no CPP.

12/03/2018

Inquérito Policial
Por inquérito policial compreende-se o conjunto de diligências realizadas pela
autoridade policial para obtenção de elementos que apontem a autoria e comprovem
a materialidade das infrações penais investigadas, permitindo ao Ministério Público
(nos crimes de ação penal pública) e ao ofendido (nos crimes de ação penal privada)
o oferecimento da denúncia e da queixa-crime. O inquérito policial é um conjunto
de diligências realizadas para a apuração da autoria e da materialidade dos
crimes. Tratando-se de um procedimento inquisitorial, destinado a angariar
informações necessárias à elucidação de crimes, não há ampla defesa no seu curso.
A natureza jurídica do inquérito policial não há o contraditório, tem natureza
inquisitorial. Raciocino por métodos indutivos.
O STF firmou posicionamento da validade Constitucional da investigação
criminal pelo MP.
Lei 12830/13. Art. 2º, § 1º.
 Polícia de segurança pública: PM, PE.
 Polícia judiciária: PC E PF. Instituição voltada a investigação dos
crimes, sendo composta por servidores que trabalham na investigação,
no cartório, bem como pela autoridade policial, ou seja, o delegado de
polícia com atribuição para atuar em uma determinada circunscrição
territorial. O delegado de policia preside o inquérito policial.
Características do
 Inquisitivo: Trata-se o inquérito, assim, de um procedimento inquisitivo,
voltado, precipuamente, à obtenção de elementos que sirvam de suporte
ao oferecimento de denúncia ou de queixa-crime (função preparatória
do inquérito). O advogado no inquérito, mesmo não comtemplado o
contraditório, pode fazer anotações e tomar apontamentos. Lei 8906/94.
Pode ter acesso amplo aos autos do inquérito policial com base na
sumula vinculante 14 do STF. Elementos já documentados, no inquérito,
como oitivas de testemunhas, pericias já realizadas, acareações. Lei
13.245/2016.
 O advogado pode conduzir investigações? A primeira
corrente, o advogado pode realizar investigações internas, como
apuração de fraudes. A segunda,
 Escrito: Todos os atos realizados no curso das investigações policiais
serão formalizados de forma escrita e rubricados pela autoridade,
incluindo-se nesta regra os depoimentos, testemunhos,
reconhecimentos, acareações e todo gênero de diligências que sejam
realizadas (art. 9.º do CPP). Documentação do inquérito policial para
posterior envio ao Juiz, MP.
 Sigiloso: Ao contrário do que ocorre em relação ao processo criminal,
que se rege pelo princípio da publicidade (salvo exceções legais), no
inquérito policial é possível resguardar sigilo durante a sua realização.
Esta possibilidade inerente ao inquérito decorre, principalmente, do fato
de que o êxito das investigações policiais prende-se, em muito, ao
elemento surpresa nas diligências realizadas e ao fato de que as provas
colhidas no inquérito são produzidas no estrépito dos acontecimentos,
vale dizer, quando ainda não houve a possibilidade de o investigado
maquiar os fatos, como muitas vezes ocorre na fase judicial.

Instauração do inquérito
O art. 5.º do CPP contempla as formas de início do procedimento policial, as
quais dependem, sobretudo, da natureza do crime a ser investigado – crime de ação
penal pública incondicionada ou condicionada e crime de ação penal privada.
Independentemente destas variáveis, é certo que todas estas formas de início
do inquérito decorrem de uma notitia criminis, assim compreendida a notícia da
infração penal levada ao conhecimento da autoridade policial.
 Notitia criminis de cognição direta (ou imediata, ou espontânea, ou
inqualificada): A autoridade policial toma conhecimento da ocorrência
de um crime de forma direta por meio de suas atividades funcionais
rotineiras, podendo ser por meio de investigações por ela mesma
realizadas, por notícia veiculada na imprensa, por meio de denúncias
anônimas (pode ocorrer que não se convença, minimamente, a
autoridade policial quanto à verossimilhança do fato que chegou a seu
conhecimento. Nestes casos, a cautela recomenda ao delegado,
previamente à instauração formal do inquérito, realizar
investigação preliminar com vistas a constatar a plausibilidade do
relato. Encontrando, a partir desta apuração sumária, evidências no
sentido de que não se trata de falsa notícia, deverá, agora sim,
proceder à instauração do procedimento investigativo). Esta
modalidade de notitia criminis apenas pode conduzir à instauração de
inquérito nos crimes de ação penal pública incondicionada.
 Notitia criminis de cognição indireta (ou mediata, ou provocada, ou
qualificada): A autoridade policial toma conhecimento da ocorrência do
crime por meio de algum ato jurídico de comunicação formal do delito
dentre os previstos na legislação processual. Este ato pode ser o
requerimento da vítima ou de qualquer pessoa do povo, a requisição do
juiz ou do Ministério Público, a requisição do Ministro da Justiça e a
representação do ofendido. Nesta hipótese, dependendo da forma como
se revestir a notitia criminis, poderá ela dar ensejo a instauração de
inquérito nos crimes de ação penal pública incondicionada, de ação
penal pública condicionada e de ação penal privada.
 Notitia criminis de cognição coercitiva: Ocorre na hipótese de prisão
em flagrante delito, em que a autoridade policial lavra o respectivo auto.
Veja-se que o auto de prisão em flagrante é forma de início do inquérito
policial, independentemente da natureza da ação penal. Entretanto, nos
crimes de ação penal pública condicionada e de ação penal privada sua
lavratura apenas poderá ocorrer se for acompanhado, respectivamente,
da representação ou do requerimento do ofendido (art. 5.º, §§ 4.º e 5.º,
do CPP).
 Art. 6º, CPP. Procedimentos que o delegado deve tomar.
 Dirigir-se ao local.
 Apreensão de objetos.
 Colher todas as provas.
 Ouvir o ofendido.
 Ouvir o indiciado. Ato final, após recolher todos os elementos.
 Reconhecimento de pessoas, acareações.
 Exame de corpo de delito.
 Identificação datiloscópica e folha de antecedentes.
 Apreciação temperamento e caráter indiciado.
 Existência de filhos do preso e telefone de eventual responsável
pelos mesmos.

Tipos de Instauração
 Portaria do Delegado: Tratando-se de crime de ação penal pública
incondicionada, prevê o Código de Processo Penal, como primeira forma
para instauração do inquérito, o ato de ofício da autoridade policial
(art. 5.º, I), o que ocorre mediante a expedição de portaria. Esta,
subscrita pelo delegado de polícia, conterá o objeto da investigação, as
circunstâncias conhecidas em torno do fato a ser apurado (dia, horário,
local etc.) e, ainda, as diligências iniciais a serem realizadas. Tal forma
de instauração independe de provocação de interessados, devendo ser
procedida sempre que tiver a autoridade ciência da ocorrência de um
crime, não importando a forma de que se tenha revestido a notitia
criminis (registro de ocorrência, notícia veiculada na imprensa etc.).
 Requisição MP/Juiz: Também existe a possibilidade de ser instaurado
o inquérito mediante requisição da autoridade judiciária ou do
Ministério Público (art. 5.º, II, CPP). A requisição de instauração de
inquérito pelo juiz ou pelo Ministério Público possui conotação de
exigência, determinação, razão pela qual, em tese, não poderá ser
descumprida pela autoridade policial. Esta forma de instauração, em
que pese obrigue ao desencadeamento do procedimento investigatório,
não confere à autoridade requisitante poder para dirigir ou conduzir o
inquérito, o que deve ser feito pelo delegado de polícia, que é a quem
incumbe a presidência do expediente policial. Delegado manda
negativa, diante do requerimento de instauração de inquérito, via
corregedoria. A requisição do Juiz, doutrinalmente viola o acusatório (o
Juiz não pode investigar).
 APF: Auto de prisão em flagrante. Apesar de não mencionado,
expressamente, no art. 5.º do CPP, o auto de prisão em flagrante (APF)
é forma inequívoca de instauração de inquérito policial, dispensando a
portaria subscrita pelo delegado de polícia. Tanto é que, em se tratando
de auto de prisão em flagrante presidido pela autoridade policial, dispõe
o art. 304, § 1.º, do CPP, que se dos depoimentos colhidos resultar
fundada a suspeita contra o conduzido, a autoridade mandará recolhê-
lo à prisão e prosseguirá nos atos do inquérito. Neste contexto, é
equivocada a praxe adotada em algumas delegacias no sentido de não
procederem à instauração do inquérito policial quando se tratar de
hipótese de flagrância. Considerando que o auto de prisão em flagrante
é procedimento célere que formaliza o mínimo de elementos de
convicção, ainda que a ele tenham sido angariadas provas suficientes
para o oferecimento de denúncia, mesmo assim deverá o delegado
realizar o inquérito policial visando aprofundar as investigações iniciadas
com o APF. Art. 302, CPP. A comunicação funciona como garantia da
observância dos direitos do preso e requisito de validade do APF.
 O delegado deve assegurar a presença do advogado, inclusive
mediante contato com a OAB, DP.
 Basta que o delegado de polícia comunique ao preso, que tem
direito a assistência a advogado.