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HISTÓRIA DO CINEMA II

A HISTÓRIA DE TRANSFORMAÇÕES DA MAIS IMPORTANTE INDÚSTRIA DO


CINEMA, HOLLYWOOD.
História de Hollywood década de 1930

 Se vamos descrever um pouco a história da indústria do cinema mais importante do Ocidente, a


mais performática e midiática do mundo do cinema. Devemos apresentar o início da sua grande
celebração, sua festa oficial, o Oscar. Academia de Artes e de Ciência Cinematográficas nasceu
em 11 de maio de 1927. E a primeira cerimônia da Academia só aconteceu em 1929, e o primeiro
filme a tomar conta da crítica especializada e do Oscar foi o Cantor de Jazz (filme revolucionário
por ser o primeiro filme falado da história do cinema, e por apresentar uma temática do
preconceito étnico).

Já nos anos de 1930, temos o que vamos chamar de casamento dos astros da música com o
cinema, pois Duke Ellington (um dos pais do jazz) cria músicas, especialmente, para produções
hollywoodianas.

Já em 1934 ganha o Oscar de melhor filme Cavalgada que narra os olhares e ideias de um casal
britânico (Jane e Robert Marryot) que passa por diversos momentos como: a Guerra dos Boers, a
morte da rainha Vitória, e a Primeira Guerra mundial, e esses acontecimentos influenciaram em
suas vidas.

Também não poderíamos esquecer que os primeiros passos de Hollywood (como instituição) deu
foram o resultado de uma intensa influência do cinema expressionista alemão. Além disso o
cinema norte-americano surge como fonte política contrária ao cinema realista russo que surgia
como propaganda institucionalizada pelo Estado.

 A indústria de cinema norte-americano, realmente, tem seu salto de qualidade e de quantidade de


História de Hollywood década de 1940

 Já na década de 1940, principalmente, após a 2° Guerra Mundial, Hollywood vai se


consolidar como modelo de produção cinematográfico ocidental.

A partir de 1940, temos três grandes produções de peso (E O Vento Levou, O


Mágico de Oz e Cidadão Kane) e a última produção irá revolucionar a narrativa
cinematográfica (com o uso de flash back, o uso dramático de profundidade de
campo, e a invenção de soluções visuais que vão colaborar para os seus objetivos).

E na cerimônia de 1940, Hattie McDaniel (no papel de Mamie em E O Vento Levou)


vai ser a primeira negra a ganhar o Oscar na categoria de melhor atriz coadjuvante.

Já na cerimônia de 1942, temos outras grandes produções (O Falcão


Maltês, Como Era Verde Meu Vale, Pérfida), sendo o primeiro um filme que vai
inaugurar o gênero noir norte-americano. E o ganhador de melhor filme foi Como
Era Verde Meu Vale sendo uma narrativa que avalia a desintegração familiar,
principalmente após a crise de 1929.

Já nas cerimônias de 1943 a 1945 as famosas estatuetas de metal e banhadas a


ouro serão substituídas por estatuetas de base de gesso.
História de Hollywood década de 1940


A Formação do Comitê

Um dos primeiros comitês da Academia era formado por sete pessoas que sugeria o
prêmio em doze (12) categorias. Os primeiros prêmios da Academia foram
apresentados oficialmente em uma festa black-tie no Hotel Blossom em 16 de maio
de 1929. Desde a primeira cerimônia até o ano de 1940, o resultado era conhecido
previamente, foi em 1941 que a Academia adotou o sistema de envelope lacrados
vigentes até hoje.

Trasmissão da Cerimônia
 A segunda cerimônia de entrega dos prêmios concedidos pela Academia já era
transmitida por rádio. O entusiasmo pela cerimônia era tal que uma estação de rádio
de Los Angeles produziu uma transmissão de uma hora ao vivo do evento. A
televisão apresentou pela primeira vez a cerimônia do Oscar em 1953, mas apenas
para os Estados Unidos e Canadá, e foi apenas em 1966 que a grande festa do
cinema norte-americano foi transmitido por televisão a cores. Desde 1969, a
transmissão do Oscar começou a alcançar outros países, agora alcança mais de
200 países.
História de Hollywood década de 1950

 São nos intensos anos de 1950 que a TV encontra a festa da Academia, o Oscar, e nessa época
que Marlon Brando ganhou o Oscar de melhor ator no filme Sindicato de Ladrões (1954, Elia
Kazan).

Sindicato de Ladrões vai renovar Hollywood com seu realismo nas imagens ( roupas
amarfanhadas, os barracos perto do cais), debatia o compromisso com a verdade, e falar sobre
o significado incerto das certezas. Mas, o mais importante nesse filme será a atuação de Brando
que vai imprimir um novo método de atuação voltado para o realismo do personagem.

Nessa década dois outros filmes vão contribuir para renovação em Hollywood:Juventude
Transviada (1955, Nicholas Ray) e Anjo do Mal (1953, Samuel Fuller). Na festa de 1958, um
dos apresentadores foi o ator de western e futuro presidente Ronald Reagan. No ano seguinte, a
festa do Oscar já é transmitida ao vivo pela TV.

Neorrealismo Italino e Nouvelle Vague

No cenário mundial, a epóca será de intenso debate sobre a sociedade de massa e sobre as
consequências devastação da 2° Guerra Mundial. Na Itália já no final da década de 1940 e
principalmente na década seguinte surge o Neorrealismo Italiano que tenta descrever as
mazelas de uma sociedade arrasada pela guerra, fome e miséria.

No final da década de 1950, na França, nasce na revista francesa Cahiers du Cinema, um


movimento que vai renovar o cinema: Nouvelle Vague. Esse movimento nasce do entusiasmo
de atrevidos cinéfilos franceses que apaixonados por Hollywood desenvolvem a Teoria do Autor,
História de Hollywood década de 1960

 As megaproduções tomam conta de Hollywood do início da década de 1960. Ben-Hur(mesmo


sendo na década anterior já mostra a tendência dos estúdios em megaproduções de William
Wyler,1959) apresenta a odisseia de um rico mercador judeu, na Jerusalém do séc. I, que acaba
sendo condenado a viver como escravo em uma galera romana. Lawrence da Arábia (David
Lean, 1965) vai ser o grande vencedor da cerimônia da Academia em 1962 com sete Oscar
incluindo o de melhor filme e de melhor ator para Peter O'Toole.

Lawrence da Arábia será a tradução cinematográfica da obra existencialista e poítica de T.E.


Lawrence, oficial britânico que esteve na Península Arábica durante a 1° Guerra Mundial que
deixou registrado a experiência em Os Sete Pilares da Sabedoria. O filme continua no topo de
qualquer lista da crítica de cinema devido à ambivalência do heroísmo do protagonista e,
principalmente, a consciência do protagonista da interferência do colonialismo na autonomia de
outros povos.

Essa época também será de quebra de barreiras étnicas em Hollywood, Sidney Poitier é o
primeiro negro a ganhar o prêmio de melhor ator por sua atuação em Uma Voz nas
Sombras (1963).

Da Broadway surge uma atriz desconhecida que Hollywood vai se apaixonar, Jule Andrews,
ganhadora do Oscar de melhor atriz no papel da protagonista do filme Mary Poppins em 1965.

Em 1968, o gênio Alfred Hitchcock recebeu o prêmio honorário Irving Thalberg dado pela
Academia na cerimônia do Oscar.
História de Hollywood década de 1960

Se os anos de 1960 surgiram com estrondo das megaproduções (Ben-Hur, Lawrence da
Arábia e Cleópatra), vão ver florescer os gêneros (se é possível falar em gênero dentro da
perspectiva pós-moderna) western, sci-fi e das vanguardas (Cinema Novo e Nouvelle
Vague).

Western, Sci-fi e Cinema Novo


A sci-fi (science and fiction ou em português ficção-científica) vai ganhar corpo nessa
década devido à corrida espacial das duas grandes potências (URSS e EUA), a explosão
de publicações do gênero (revistas, livros e jornais) e o desenvolvimento de uma estética
(mescla de cubismo, construtivismo e suprematismo) que teve seu ápice com a chegada
da missão norte-americana à Lua. Nessa linha, temos o melhor exemplo: 2001, Uma
Odisseia no Espaço.
Em relação ao gênero western pode ser compreendido em dois polos: um histórico e
outro geográfico. O aspecto geográfico refere-se ao espaço hostil, seco, inclemente
àqueles que tentam desafiar a natureza. Quanto a própria história revela a ocupação e
conquista dos territórios a oeste que se tornou parte integrante da identidade norte-
americana.
E as vanguardas como Cinema Novo, Nouvelle Vague e Neorrealismo são essenciais na
História do Cinema, e principalmente, por sua contribuição pela consolidação de formas
narrativas alternativas, o que renova a estética cinematográfica.
História de Hollywood década de 1970

 Os anos de 1970 vão começar com um certo mal-estar nos grandes estúdios de Hollywood, é a
primeira vez na história que há um crise sem precedentes na indústria cinematográfica norte-
americana.

Ao longo de sua história, Hollywood enfrentou diversas crises. Entretanto, a crise a mais severa
aconteceu no final da década de 1960 até a década seguinte, quando os grandes estúdios de
Hollywood vieram ao limiar da bancarrota.

Devido a essa crise, Hollywood submeteu-se a um período de radicalização e de inovação, que


foi conhecido como 'Renascimento de Hollywood'. Os principais filmes do Renascimento de
Hollywood são: Bonnie e Clyde (1967), A Primeira Noite de Um Homem (1967), Easy
Rider(1969) e O Poderoso Chefão (1972) marcaram um retorno a um cinema verdadeiramente
americano.

Durante esse período, o cinema hollywoodiano aproximou-se das vanguardas europeias, o que
trouxe um renascimento do cinema norte-americano e constituiu o que foi chamado pela crítica de
Nova Hollywood.

A sofisticação dos roteiros, característica do Renascimento de Hollywood, deve ser atribuída onda
de novos cineastas talentosos, independentes, que tiveram algum treinamento na televisão ou
eram formados em Cinema (grandes exemplos de diretores que surgem nessa época são:
Spielberg, George Lucas, Coppola e Scorsese).

Os grandes estúdios começaram perder seu poder (devido à redução drástica do público nas
História de Hollywood década de
1970
 O termo 'Nova Hollywood ', aplica-se ao breve período de inovação radical e à sensibilidade
artística dos anos de 1960 aos anos de 1970.

As obras mais importantes na época revitalizam a indústria cinematográfica norte-americana,


principalmente, aliado ao entusiasmo da audiência e a receptivadade nos termos de suas
preocupações: a alienação da juventude, a rebelião contra todos os tipos da autoridade, a
celebração de valores da contracultura, alusões ao traumatismo de Vietnã e o fiasco de
Watergate.

 Durante este período de crise/renovação a TV ajudou Hollywood a sobreviver financeiramente,


através de alugueis dos grandes estúdios, a compra de lotes de séries e filmes para TV e tomou
do cinema o lugar de mito coletivo da nação.
 Hollywood Pós-Moderna

O renascimento assim chamado foi seguido por seu oposto, conservador, voltado ao mercado e
regido pelos conglomerados e corporações que alguns críticos, para o diferenciar do termo
precedente, chamam de 'Hollywood Pós-Moderna' ou 'Hollywood Pós-Clássica‘. Diversos
críticos, tais como Michael Ryan e Douglas Kellner, explicam esta volta conservadora na cultura
americana está associada à administração de Ronald Reagan. Embora os filmes de época pós-
1975 pareçam refletir as mudanças sociais e políticas dessa época.

Definitivamente, o 'cálculo político do sucesso de público' dos grandes corporaçõs de Hollywood


sinalizam uma mentalidade totalmente nova nos termos da produção, da promoção e de
História de Hollywood década de
1970
 Se os anos de 1970 foram divisores de duas fases econômicas e políticas
do universo cinematográfico hollywoodiano (a primeira rebelde, inovadora
e surpreendente a segunda conservadora, voltada ao mercado e de
roteiros pobres) pavimentaram a condição para a volta de um cinema
autoral aliado a um mercado jovem em ascensão.

A contrarrevolução conservadora tornou-se hegemônica nos Estados


Unidos com a eleição Ronald Reagan e a ascensão da Nova Direita.

Essa época vai desenvolver os primeiros filmes voltados ao público jovem


(Star Wars e Tubarão são os exemplos mais contundentes) e possibilita
aos grandes estúdios recuperarem as perdas da crise de 1973.

A crise da classe média norte-americana também será o norte para o


desenvolvimento de uma série de filmes de terror e suspense (Carrie,a
Estranha, O Exorcista e Poltergeist), esses filmes põem em confronto os
medos originários da intensa insegurança da classe média (crescente
medo de perder o emprego, a casa e o controle sobre as coisas
possuídas).
História de Hollywood década de
1980
 Se o início da década de 1980 vai assistir o avanço da Nova Direita e do
conservadorismo no mundo anglo-saxônico ao final vai assistir o fim de ditaduras na
América Latina e o declínio do socialismo no Leste europeu.

O universo cinematográfico também vai participar na construção de uma década


estimulante e cheia de referências no atual imaginário de cinéfilos ao redor do
mundo.

Na Alemanha vai se desenvolver o que os críticos chamariam de Novo Cinema


Alemão (nesse período os principais diretores: Rainer Fassbinder com filmes
amargurados, o lirismo de Werner Herzog, e a obra muito particular de Wim
Wenders, considerado seguidor de Antonioni).

Se o universo hollywoodiano da década de 1980 foi essencialmente conservador e


retrógrado no que se refere ao experimentalismo visto na década de 1960, mas
temos algumas obras que destoam do discurso conservador da década (Blade
Runner,Platoon,Homem-Elefante, Veludo Azul e Mozart).

A década de 1980, vai alicerçar o cinema blockbuster (Spielberg e George Lucas) e


reduz ao mínimo o sonho de transformação social proposto pelo valores do
Modernismo.
História de Hollywood década de
1980
 Os anos de 1980 vão representar o fim ou quase de uma oposição política
no contexto global, e igualmente a supremacia ilusória do conservadorismo
nas produções hollywoodianas.

São nas bases de uma sólida cultura midiática que a ação heróica norte-
americana vão se erguer os filmes: Rambo e Top Gun. A questão étnica e
a temática do corpo vão criar imagens, figuras, cenas e códigos que
alimentam a narrativa ideologicamente da Nova Direita.

O espetáculo hollywoodiano investe o público de poder, propiciando-lhe um


sentimento passageiro de domínio e força, o que compensa o declínio do
poder na vida diária (Kellner, 2001).

Essa década vai traçar o modelo de consumo imagético das ansiedades


sociais e da juventude insatisfeita nos filmes de terror: Alien, O Iluminado,
O exorcista.
História de Hollywood década de
1990
 Se o final da década de 1980 foi de um impressionante guinada
conservadora em Hollywood, Hollywood vai ganhar fôlego, principalmente,
pela atuação de diretores independentes que renovaram a narrativa
saturada de clichês. Jovens diretores surgem e vão estabelecer uma
maneira despretensiosa e genial de ver a realidade (Sam Mendes, David
Fincher, Tarantino, os irmãos Coen).

É na mesma época que os grandes blockbusters reinam nas salas de


cinema, e, a máquina industrial hollywoodiana dá gargalhadas com os
extraordinários ganhos de bilheterias, não sabiam eles a capacidade da
internet revolucionar a indústria do entretenimento nos anos 2000.

Os diretores independentes de Hollywood vão surgir em pequenas


produtoras, com filmes lançados em em Festivais como Cannes e
Sundance, e vão fazer tributo às produções e ideias da era de ouro de
Hollywood (1930-1945).
História de Hollywood década de
1990
 Se a década de 1990 vê o espetáculo grandiloquente dos grandes estúdios
em seus melhores tempos em termos de arrecadação, o surgimento de
jovens diretores, a volta trágica da comédia de situação e por fim a
ascensão dos pequenos estúdios de animação que vão desbancar os
grandes estúdios.

Nessa temporada pelo lucro excessivo, os grandes estúdios passam para


a mão do capital transnacional, principalmente, japonês. E devido à
saturação do mercado interno norte-americano e à acirrada competição
com outras formas de entretenimento fizeram que os grandes estúdios
buscar uma nova expansão internacional.

Depois da ascensão dos jovens diretores que dão gás ao velhos e já


empoeirados roteiros dos grandes estúdios, apenas as animações da Pixar
e da Dreamworks dão ao universo dos desenhos animados uma
renovação só comparado com o uso de cores. A grande estratégia dessas
produtoras foi na criação de roteiros inovadores e do desenvolvimento de
ferramentas digitais.
História de Hollywood década de
1990
 A grande marca do cinema hollywoodiano da década de 1990 foi a
autorreferencialidade (isto é, quando os filmes falam de outros filmes e de si
mesmos), depois mas não menos importante foi os altos investimentos em
marketing ficam tão caros quanto a produção dos filmes (Matrix é o maior exemplo),
e as sequências de blockbusters.

Essa marca maior a autorreferencialidade pode ser entendida de duas maneiras. A


primeira é a própria incapacidade criativa de Hollywood. As ideias cada vez se
tornam-se mais homogêneas e os roteiros acabam por falar do próprio processo de
produção cinematográfico. A segunda maneira refere-se à estratégia de
autopromoção dos filmes. O próprio espaço narrativo do filme é usado para
promover o filme em seus erros e acertos.

A publicidade torna-se tão ou mais cara e importante do que o filme, os anos de


1990 legitimam as estreias e circo midiático em torno de produções B cada vez mais
caras.

E as sequências dessas produções B são cada vez mais produzidas e regravações


cada vez mais vistas, o verão norte-americano (inverno no hemisfério sul) é a época
mais concorrida entre os grandes estúdios para ganhar as salas de cinema
internacionais.
Hollywood_Anos 2000
 Aqui surgem novos nomes de diretores que vão dar a tônica do que melhor é
produzido em Hollywood a partir do final da década de 1990 e início dos anos 2000.
 Outro diretor de sucesso do circuito não-comercial é Gus Van Sant. Pós-graduado
em Design pela Escola de Rhode Island, escritor (seu primeiro romance Pink foi
publicado em 1997), membro de uma banda, Destroy All Blondes. E o seu diretor
favorito é Stanley Kubrick

Considerado um dos mais criativos diretores off-Hollywood é reconhecido


pela coragem em defesa liberdade de expressão, particularmente nas artes, por
seus filmes que apresentam pontos de vista fora do senso comum.
Com Elephant (2003), Gus Van Sant ganhou no festival de Cannes os dois
principais prêmios: a Palma de Ouro e de Melhor Diretor.

Aqui um trecho de uma entrevista de Gus Van Sant e ele fala da independência
de suas produções.

Diferentes cineastas fazem de diferentes maneiras. Meu caminho é fazer algo


barato. É um bom negócio para as pessoas (produtores) darem U$ 3 milhões para
um filme. Dessa forma, eles não têm um monte de exigências. Se eu estivesse
procurando por US $ 30 milhões, então eles fariam mais exigências. A desvantagem
é que, quando gastam pequenas quantias de dinheiro, os estúdios não tendem a
Hollywood_Anos 2000
 O segundo grupo de diretores que despontam neste início de século XXI são de jovens diretores
norte-americanos que apresentam um gosto refinado pelo non-sense, roteiros muito bem
acabados, obras autorais, um objetivo de mostrar o lado obscuro da sociedade norte-americana
e um humor beirando ao humor negro.
Entre esses jovens diretores estão: Sam Mendes, os irmãos Coen, Gus Van Sant e Tim Burton.
Suas primeiras produções são da década de 1980 e vão se estabelecer como grandes nomes do
cinema hollywoodiano na primeira década do século XXI. Vamos falar sobre os irmãos Coen
que já ganharam o Oscar por Onde os Fracos Não Têm Vez , mas em suas obras anteriores já
demonstravam uma criatividade e habilidade espontâneas de entender como a sociedade norte-
americana se mobiliza para classificar as pessoas entre os perdedores e os vencedores.

Aqui vou colocar um trecho de uma entrevista dos irmãos Coen feita por Laurent Tirard.

Ethan: realizar um filme é uma espécie de número de equilibrista no qual você deve aprender a
oscilar o que deseja e o que é possível obter.[...] Mas creio que, no final das contas, o que é
preciso saber, o que é vital controlar e jamais perder de vista, é a ideia motriz do filme. Essa
ideia é a ideia que você teve no começo, a que lhe deu vontade de fazer o filme.

Joel: em nosso caso é verdade que controlamos o filme do início ao fim: nós mesmos
escrevemos, produzimos, realizamos e montamos. No conjunto, conseguimos em geral fazer o
que queremos. [...] A maioria dos autores são acima de tudo escritores que veem na direção uma
maneira de estender fielmente para a tela o que escreveram no papel. Mas nós não funcionamos
assim. Nossa vontade de contar histórias é inteiramente visual, e mesmo que sejamos muito
exigentes e minuciosos quanto ao trabalho da escrita, vemos o roteiro apenas como uma
Hollyood_Anos 2000
 Como Spielberg, ele é um pouco filho natural de Walt Disney, mas um filho
escondido, maldito, que teria crescido numa caverna [...] Graças à sua imaginação
sem limites e senso de poesia visual, Tim Burton assina filmes mágicos que nos
convidam a descobrir a beleza oculta dos monstros. Estas são as palavras descritas
por Laurent Tirard do seu entrevistado Tim Burton.

Tim Burton: logo no início, o que me atraía era o desenho animado, e depois de
alguns estágios em diversos estúdios de animação, me vi como desenhista da
Disney. Mas logo ficou claro que minhas ideias não correspondiam de modo algun
ao espírito do estúdio do Mickey. Eu destoava um pouco na paisagem. Em outra
época, logo me teriam demitido. Mas foi um momento em que o estúdio estava em
plena crise.

Como eu tinha tempo de sobra, fiz dois curtas-metragens, Vincent e Frankenweenie,


que fizeram tanto sucesso que imediatamente me propuseram realizar o longa-
metragem As grandes aventuras de Pee Wee. Ainda hoje não consigo entender
como tive tanta sorte.

De certa maneira, a animação foi uma boa escola de direção, pois me obrigava a
fazer tudo por mim mesmo - o quadro, a luz, a interpretação, os diálogos - e,
portanto, a saber dominar todos esses aspectos.
Hollyood_Anos 2000
 Sou fascinado pelos Estados Unidos, não há dúvida sobre isso. [...] eu sou atraído
por ele. Eu não acho que é estranho para um estranho querer ir e fazer filmes que
são essencialmente norte-americanos. Acho que o século 20 mostra que existe uma
tradição de povos que estão sendo atraídos para os Estados Unidos como o local da
grande paisagem mítica. Você pode contar grandes histórias lá que você pode não
ser capaz de dizer em grande escala, e de graça em outro lugar. Essa frase foi dita
por Sam Mendes, diretor britânico, mas que tem uma fascinação pelos Estados
Unidos, por isso elencamos esse diretor entre os jovens diretores norte-americanos.

Pequena biografia de Sam Mendes

Samuel Alexander Mendes, conhecido apenas por Sam Mendes nasceu em primeiro
de agosto de 1965 em Reading, Inglaterra dos pais de James Pedro Mendes, um
professor universitário aposentado, e Helene Valerie Mendes, autora de livros
infantis.

O casamento dos pais não durou muito tempo, o divórcio aconteceu em 1970,
quando Sam foi de apenas 5 anos de idade. Sam estudou na Universidade de
Cambridge e entrou para a Chichester Festival Theatre após sua graduação em
1987.
Hollyood_Anos 2000
 Em 1992, tornou-se diretor artístico da Donmar Warehouse
reaberto em Londres, onde dirigiu produções como "The Glass
Menagerie" e o renascimento do musical "Cabaret", que ganhou
quatro Tony Awards, incluindo uma de Melhor Revival de um
Musical .
Em 1999, ele teve a chance de dirigir seu primeiro filme, Beleza
Americana (1999). O filme ganhou cinco Oscar, incluindo Melhor
Filme e Melhor Diretor para Mendes, que é um feito raro para um
diretor de cinema iniciante.
2 Características básicas:
Todos os meus filmes são ligados por preocupações semelhantes,
se você olhar abaixo da superfície. Estão todos mais ou menos
perdidos e tentando encontrar um caminho.
Muitas vezes, os seus filmes começam com uma narração a cargo
do personagem principal, no final do filme o personagem termina
sua narração em muito da mesma maneira que começou.