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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO

UNIDADE ACADÂMICA DE SERRA TALHADA

RELATÓRIO

ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM LÍNGUA PORTUGUESA 1

Jéssica Andrade Guabiraba Barbosa

Serra Talhada, 2017.


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Sumário

1 Introdução ...................................................................................................02

2 Apresentação do espaço e dos sujeitos do estágio ...............................03

3 Referencial Teórico .....................................................................................04

4 Análise das Aulas .......................................................................................07

5 Considerações Finais .................................................................................08

6 Referencias...................................................................................................09

Anexos..............................................................................................................10
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1 Introdução

O presente relatório busca descrever toda experiência vivida durante o


estágio supervisionado em língua portuguesa I, componente curricular
obrigatório para o curso de Licenciatura Plena em Letras da Universidade
Federal Rural de Pernambuco. Tal disciplina é orientada pela professora Thais
Ludmila Ranieri, docente da instituição anteriormente citada.
Esse relatório consiste em minhas observações de aulas de língua
portuguesa na escola Estadual Methódio Godoy de Lima, onde observei aulas
do primeiro e segundo ano do ensino médio pela parte da tarde. A escola deu
total abertura para realização do estágio, incluindo a professora a ser
observada.
Tomei como base os conhecimentos acerca dos documentos LDB,
PCN’S , será relatada neste trabalho, toda a prática da professora em sala de
aula, e como os alunos reagem à mesma.

A produção textual é um dos pontos mais cobrados no ensino médio,


dessa forma procurei observar como esse eixo foi abordado em sala de aula,
tomando como nota a aula de redação que realizada no segundo ano de
ensino médio.
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2 Apresentação do espaço e dos sujeitos do estágio

A Escola Estadual Methódio Godoy de Lima fica localizada no bairro


Coab, Serra Talhada- PE, onde são aproximadamente 1.218 alunos
matriculados. É uma localizada em região periférica, de uma comunidade
carente. Por ser uma escola numa localidade violenta, os alunos surpreendem
muito, pois apresentam muito respeito e dedicação. A escola também conta
com o apoio do PIBID – Letras, que recebe muito apoio da direção, dos
professores e principalmente dos alunos.
A escola foi fundada em 1977, possui 150m x 100m de tamanho,
onde são divididos em dezenove salas de aula, uma biblioteca em
funcionamento com bastante material didático, um auditório, três banheiros
para alunos, sendo um deles adaptado para deficientes, um refeitório, um sala
para os professores, dois banheiros para os professores, uma sala para
direção, uma sala para coordenação pedagógica, uma sala para secretaria e
um pátio de recreação.
O Methódio Godoy de Lima hoje está com aproximadamente 1.218
alunos matriculados e fica em funcionamento os três horários, a escola tem
quinze professores efetivos e trinta e três professores contratados. Contando
com todos os funcionários de secretaria, coordenação, cozinha e segurança se
totalizam sessenta e oito funcionários.
A professora que supervisionou o meu estágio teve formação na
FAFOPST com graduação em Letras e Inglês e fez pós-graduação também na
FAFOPST com ênfase em língua portuguesa e literatura.
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3-Referencial Teórico

Trabalhar com língua portuguesa em sala de aula é de fato um trabalho


árduo que requer muito do profissional, pois deve-se dar conta de três eixos de
ensino em apenas cinco aulas semanais, sendo eles : literatura, língua
portuguesa e produção textual. Dessa forma é preciso se organizar ao máximo
para que não deixar de lado nenhum dos eixos. Segundo a OCEM
(Orientações Curriculares de Ensino Médio) é necessário que haja extrema
organização de conteúdo em sala de aula:

“Dessa forma, o que se propõe é que, na delimitação dos


conteúdos, as escolas procurem organizar suas práticas de
ensino por meio de agrupamentos de textos, segundo recortes
variados, em razão das demandas locais, fundamentando-se
no princípio de que o objeto de ensino privilegiado são os
processos de produção de sentido para os textos, como
materialidade de gêneros discursivos, à luz das diferentes
dimensões pelas quais eles se constituem.” (BRASIL, OCEM,
pág. 32)

A construção do aluno depende do processo de aprendizagem, assim é


preciso que se veja a língua portuguesa não apenas como um conjunto de
regras gramaticais, mas também como um conjunto de conhecimento social e
politico, para que o aluno possa ganhar autonomia ao desenvolver textos,
respostas, sempre trabalhando a argumentação. Para que isso aconteça é
preciso investir na metodologia em sala de aula. De acordo com o PCN
(Parâmetro Curricular Nacional) a produção de texto é um processo contínuo,
ou seja, à volta ao texto e a reescrita são fundamentais para que os alunos
reflitam o processo de aprendizagem da escrita. Desse modo como podemos
trabalhar em sala de aula todo o conteúdo da grade e ainda exigir do aluno
esse processo que não é um processo rápido? É sabido que trabalhar
produção textual é de suma importância, principalmente no ensino médio pois
são três anos de preparação para o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio)
que tem a redação como principal ponto de corte.
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Posto a importância e a dificuldade que o professor enfrenta em sala de


aula para poder dá conta de uma tarefa árdua e que transforma a vida dos
alunos, podemos notar que é preciso um trabalho mister para se reinventar
como professor de língua portuguesa. Dessa forma é necessário se policiar
diante das aulas de produção textual. Santos (2007) afirma que o texto é um
conjunto de unidades linguísticas que pode expressar claramente um
pensamento,

“Desse ponto de vista, três atitudes são previstas para que o


aluno aprenda a representar bem o real e as idéias: fazê-los
encontrar a idéia a ser desenvolvida, trabalhar a correção da
língua e enriquecer sua capacidade de expressão
(SCHNEUWLY, op. cit.). Caberia, então, à escola, no seu papel
de ensinar a produzir textos escritos, garantir ao aluno
desenvolver sua capacidade de criar e organizar bem as idéias,
dominar a gramática e ter acesso a modelos de escrita. Ao
aluno, de posse de tais elementos, caberia imitar tais modelos,
até apropriar-se de suas estruturas e, a partir daí, constituir-se
em um bom escritor.”(SANTOS, Carmi Ferraz in Diversidade
Textual: os gêneros em sala de aula/ organizado por Carmi

Ferraz Santos, Márcia Mendonça, Marianne C.B. Cavalcanti .


1.ed., 1. reimp. — Belo Horizonte : Autêntica , 2007)

Santos (2007) enfatiza a importância do papel do professor em sala de


aula para a construção de um bom escritor, onde se sabe que é preciso trilhar
alguns caminhos. Garantir o sucesso do aluno na escrita de textos é trazer
além dos conhecimentos básicos de língua portuguesa, é importante trazer
cultura, pois mesmo sempre começando a exigir apenas descrição, ao longo
das etapas alcançadas começa-se a exigir uma narração e depois uma
dissertação que quase sempre é exigida que seja um texto argumentativo.

A aprendizagem de escrita não é algo que se aprenda


espontaneamente, a aprendizagem é dada a partir de uma didática sistemática
e planejada (SANTOS, 2007). É importante frisar que quando o texto é
trabalhado em sala de aula, leitura ou escrita, o gênero sempre será parte dos
gêneros de referência, principalmente nas características linguísticas e formais
da seleção de conteúdos que será apresentado aos alunos (MARCUSHI,
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2007). Segundo Marcushi (2007) existem varias motivações para escrita de um


texto, desde uma lista de compras a uma prova escolar ou de concurso, a
escrita dessa forma está em todos os lugares sem que percebamos.

“Na escola, a demanda do texto a ser redigido pelo aprendiz


não costuma vir de uma prática social externa, mas responde a
um objetivo interno à instituição e, por isso mesmo, está
sempre relacionada ao seu propósito pedagógico.”
(MARCUSHI, Beth - Redação escolar: breves notas sobre
um gênero textual -in Diversidade Textual: os gêneros em
sala de aula/ organizado por Carmi Ferraz Santos, Márcia
Mendonça, Marianne C.B. Cavalcanti . 1.ed., 1. reimp. — Belo
Horizonte : Autêntica , 2007)

Porém na escola o que o aluno escreve não vem de uma motivação


externa e sim de um objetivo interno, relacionado ao seu propósito que é a
ação pedagógica do professor. Dessa forma o envolvimento do aluno com o
professor nesse tipo de atividade que é a de escrita que visa a aprendizagem
da redação, se cumpri efetivamente sua ação pedagógica (MARCUSHI, 2007).

Apesar de todas as convergências, é fundamental que o professor dê


prioridade ao trabalho de redação (leitura, escrita, reescrita), pois dessa forma
a contribuição que se pode oferecer para o aluno que está aprendendo a
construção textual a escrever com autonomia. Outro ponto importante que
Marcushi cita é que a compreensão de que a atividade escrita precisa fazer
sentido para o aluno e não constituir-se em um mero exercício vazio de
significado.

Dessa forma esse trabalho pretende tomar essas observações para


analisar as aulas que foram observadas em sala de aula, tomando foco na
produção textual do segundo ano do ensino médio.
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4 Análise das Aulas

Aulas no primeiro ano do ensino médio:

Foram totalizadas duas aulas de língua portuguesa observadas no


primeiro ano do ensino médio, essas aulas foram apresentações de
seminários, onde o tema principal foi publicidade. O que a professora exigiu
dos alunos foi que eles criassem um produto e a parte desse produto ele
fizesse todo um trabalho publicitário para venda de tal.

Os grupos eram formados por no máximo seis alunos e o material


utilizado ficou a carga da equipe. O que pude observar foi que a professora
observou as apresentações e só ao final deu sua opinião sobre a postura dos
alunos. No entanto o que mais me incomodou foi o fato de que ela não explicou
o motivo de alguns grupos não terem tido bons resultados, pois ela explanou
apenas a apresentação por si só, acredito que por serem primeiro ano do
ensino médio era necessário que fosse explicado cada ponto dos seminários,
como postura, tema, produto, propaganda, motivação para escolha, elementos
linguísticos para construção da propaganda.

Aulas no segundo ano do ensino médio:

Foram totalizadas três aulas de língua portuguesa no segundo ano do


ensino médio, essas três aulas foram dadas em apenas uma tarde e tinha
como tema a produção de uma redação.

A professora fez uma breve discussão sobre como fazer uma redação e
pediu para que os alunos produzissem uma redação com o tema de sua
preferencia. Dessa forma os alunos tinham que escolher o tema e escrever a
redação, o que tornou a aula tumultuada pois os alunos não tinham ideia do
que escolher e como escolher, se era temas de afinidade ou de cunho politico e
militante, logo ele demoraram mais de uma aula apenas discutindo o que cada
uma queria fazer, posto que não queriam pegar o mesmo tema do colega ou
queria mas com vertentes diferentes (acusando ou defendendo algo), depois
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que escolherem os temas, como era de se esperar eles continuaram até o fim
da aula pra terminar de escrever.

A professora ficou a disposição para tirar dúvidas sobre conectivos e


afins da produção textual, mas não teve nenhuma reescrita em sala, apesar de
ter tempo para tal.

5 Considerações Finais

Dado o exposto o trabalho de produção textual tem sido cada vez mais
cobrado em salas de aula, o que é preocupante a forma que isso tem sido
passado para os alunos. Essa urgência em terminar os conteúdos tem feito
com que algumas práticas sejam deixadas para trás.

O que pude notar na observação foi o fato da falta de preocupação com


o conteúdo, ou seja, foi pedida a redação, mas não se norteou em relação ao
tema ou a quantidade de linhas ou qualquer padronização linguística e textual
da redação. Sabe-se que é importante essa ressalva do professor e
principalmente para o alunos que está ali para aprender.

A prática de ensino de redação requer uma junção de conhecimento de


mundo com conhecimento de língua portuguesa, com isso é importante não só
que o professor fale sobre as regras como também leve textos e apresente aos
alunos, pois toda atividade de escrita é uma atividade de leitura e vice e versa.

Outro ponto que é muito importante para o aprendizado do aluno é a


reescrita, pois nessa etapa o aluno cria seu autoconhecimento, e começa a
ganhar mais autonomia na escrita. Trabalhar toda e qualquer produção textual
pode transformar a vida dos alunos, então é preciso que haja uma dedicação a
mais que vai desde da escolha do tema até a correção.

Pela observação dos aspectos analisados é notável a importância de


uma boa metodologia para guiar o aluno na escrita, mostrando a importância
da leitura e da reescrita, conclui-se que a aula de produção textual não é um
momento de fruição, mas de muito aprendizado e dedicação.
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Referências

BRASIL. LDB: Lei de diretrizes e bases da educação nacional nº 9.394. 10. ed.
Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2014.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares


Nacionais: 3° e 4° ciclos do ensino fundamental: língua estrangeira. Brasília:
MEC/SEF, 1998

BRAIL, Linguagens, códigos e suas tecnologias / Secretaria de Educação


Básica. – Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica,
2006. 239 p. (Orientações curriculares para o ensino médio ; volume 1)

MARCUSHI, Beth - Redação escolar: breves notas sobre um gênero


textual -in Diversidade Textual: os gêneros em sala de aula/ organizado por
Carmi Ferraz Santos, Márcia Mendonça, Marianne C.B. Cavalcanti . 1.ed., 1.
reimp. — Belo Horizonte : Autêntica , 2007

SANTOS, Carmi Ferraz - O ensino da língua escrita na escola: dos tipos


aos gêneros - in Diversidade Textual: os gêneros em sala de aula/ organizado
por Carmi Ferraz Santos, Márcia Mendonça, Marianne C.B. Cavalcanti . 1.ed.,
1. reimp. — Belo Horizonte : Autêntica , 2007
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Anexos

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