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JOGOS DE INTERPRETAÇÃO

DE PAPÉIS E SIMULAÇÃO
Traduçõe
s: Uma Técnica de Treinamento
por Phil Bartle, PhD
Català Traduzido por Maria Cristina Pereira de Souza
中文 /
Zhōngwé Anotações do Facilitator
n
English Os jogos simulam situações reais e
Español proporcionam aos jogadores
Filipino/T
agalog a oportunidade de praticarem suas novas
Français habilidades
Ελληνικά
/ Elliniká Introdução:
Italiano
Portuguê Dos vários documentos deste web site,
s
Romãnã recomenda-se o "Treinamento pela Prática."
Nós aprendemos através da leitura, escutando
alguém falando, observando alguma coisa sendo
feita, e fazendo algo por nossa conta. É claro
que, diferentes indivíduos aprendem de
maneiras diferentes, com certas variações,
Outras dependendo de como foi obtida a informação.
Páginas: Esta lista é uma generalização elementar.

Módulos Se você olha os vários tipos de aprendizagem, a


leitura parece estar no final da lista - a
Mapa Do informação é difícil de ser absorvida e
Site compreendida, e sua retenção na memória é
curta. Assistir uma aula parece estar bem no
Palavras final da lista, quase como a leitura. Observar
Chave alguém fazendo algo, ao vivo, por um vídeo ou
num filme, é um pouco mais efetivo - melhor
Contato
ainda ao vivo. Quando existe uma participação
Documen ativa na atividade em questão, a absorção, de
tos Úteis tal informação, torna-se mais rápida, mais
completa, com uma maior concentração, e com
Links uma retenção muito superior - tal atividade se
Úteis encaixa no topo da lista.

Conteúdo Por mais semelhante que seja o cenário montado


: numa sala de aula ou workshop, não é possível
replicar, exatamente, uma autêntica situação no
 Topo campo, a qual os participantes vivenciam. Por
 Intro
essa razão, dentre várias outras, é que o
treinamento não deveria ser todo amontoado, e
duçã
o
depois esperar, que o facilitador ou mobilisador
 Essê
possa desempenhar sua função no campo.
ncia
 Mont
Após a experiência adquirida no trabalho de
agem
 Jogo
campo, mobilizadores devem regressar ao
 Segu centro de treinamento, a fim de compartilhar
iment suas experiências práticas e adquirir
o treinamento adicional com base na experiência
 Hum de campo. Treinamentos de rotina, com
or seguimentos subsequentes, devem ser
 Quan consideradas como elementos básicos nos
do
programas de facilitação de mobilização,

desenvolvimento de habilidades, redução da
Simul
ação
pobreza, treinamento de gestão e geração de
 Conc
lusão
renda.
 Roda
Existe também outra forma simulada de

participação podendo ser aplicada na sala de
Conteúdo aula, workshop ou numa sessão de treinamento.
: Jogos de interpretação de papéis ou de
simulação são considerados como técnicas muito
 Topo efetivas. Tal participação simulada deveria
 Intro fazer parte no treinamento dos seus
duçã facilitadores e mobilizadores, e utilizadas pelos
o próprios nos trabalhos de desenvolvimento de
 Essê
ncia
 Mont habilidades, mobilização comunitária, geração
agem de renda, e gestão de treinamento.
 Jogo
 Segu A Essência do Jogo de Interpretação de
iment
Papéis:
o
 Hum
O jogo de interpretação de papéis consiste
numa sessão de treinamento em que o
or
 Quan
facilitador, talvez com um ou dois assistentes,
do
 Simul
monta o cenário onde participantes serão
ação
escolhidos para desempenhar distintos papéis,
 Conc os quais se assemelharão com possíveis
lusão situações confrontadas pelos participantes no
 Roda trabalho de campo.

Esse jogo oferece, aos participantes do
Conteúdo treinamento, oportunidades de representarem
: os vários papéis que confrontariam na vida real
em seus ambientes de trabalho.
 Topo
 Intro Um resultado esperado do treinamento é que
duçã seus participantes tenham a oportunidade de
o observar a situação no campo sob uma
 Essê
perspectiva diferente daquela que acontece na
vida real. Essa oportunidade gera uma maior
ncia
 Mont
sensibilidade frente a experiências com outras
agem
 Jogo
pessoas no ambiente de trabalho.
 Segu
A sessão de seguimento, ou discussão, após o
iment
o
jogo, oferece aos participantes do treinamento,
 Hum uma oportunidade para analisarem algumas das
or dinâmicas sociais ocorridas. Esta análise é de
 Quan utilidade tanto aos que tomaram parte no jogo
do de interpretações, como aos que apenas o
 Simul observaram.
ação
 Conc
lusão
 Roda Existem três fases numa sessão típica de
pé interpretação de papéis: (1) a montagem, (2) o
jogo, e (3) o seguimento.
Conteúdo
: Montagem do Jogo:

 Topo Na fase de montagem, o facilitador prepara o


 Intro cenário; ou seja, ele o descreve e distribui
duçã papéis aos participantes.
o
 Essê No caso em que o participante exerce um
ncia
determinado papel na vida real, ou seja, no seu

trabalho de campo, seria mais efetivo oferecer-
Mont
agem
lhe um papel diferente para sua representação.
 Jogo

Uma opção na fase de montagem é incluir um
Segu
iment
tempo adicional para que os personagens
o
 Hum
principais possam se reunir e planejar em
or detalhes seus papéis. Como facilitador você
 Quan decide incluir ou não essa opção, de acordo com
do o que você deseja enfatizar; tal opção deve ser
 Simul decidida no planejamento do workshop.
ação
 Conc Outra opção é preparar um programa de uma
lusão página descrevendo, em detalhe, o cenário a ser
 Roda representado pelos participantes. Uma outra

opção consiste em descrever, num paragráfo, os
papéis prinicipais dos participantes. A descrição
pode incluir os objetivos principais e problemas
relacionados com o papel a ser interpretado,
podendo talvez incluir alguns diálogos chaves ou
um enunciado a ser lido pela pessoa que vai
interpretar o papel em questão. Existem muitas
variações que podem ser utilizadas; use-las.

Alternativamente, todos participantes podem


interpretar seus papéis de maneira mais
espontânea, sem preocupar-se com detalhes
antecipadamente. Nesta instância, não é
necessário alocar tempo adicional para melhor
preparar-los, sem instruções ou descrições por
escrito.

A Fase da Interpretação dos Papéis:

A segunda fase, também chamada de jogo de


interpretações, é quando os participantes do
treinamento levam à cena os seus papéis.

Se o jogo se estende muito, então o facilitador


avisa aos atores que lhes resta apenas um ou
dois minutos, e após disso, o jogo termina.

Alternativamente, se o jogo fica muito curto, o


facilitador deve encorajar os atores a
estenderem um pouco mais sua representação,
adicionando mais diálogos, monólogos e outros
atos para tornarem sua representação menos
acelerada.

O Seguimento:

A terceira fase é o seguimento, ou discussão:


de muita importância que não pode ser omitida.

É muito importante que todos participantes do


treinamento discutam o que foi feito. Podem
questionar certos papéis, individualmente, a fim
de entender o porquê de uma posição tomada
em particular, de certa afirmação, ou pela
responsabilizadade tomada por uma
determinada ação. A explicação e discussão são
importantes para que os participantes
obtenham um maior entendimento das dinâmicas
sociais relacionadas a uma situação particular
que pode acontecer no trabalho de campo.
É possível que certas partes do jogo gerem
certa tensão (raiva, desalento, desacordo),
particularmente, se alguns atores tomam seus
papéis com muita seriedade, e adquirem
posições de linha dura. As discussões geradas
durante o seguimento oferecem ao facilitador
uma abertura para acalmar um pouco o grupo, e
explicar que a tensão foi criada pela estrutura
da situação, e não pela teimosia (ou maldade)
dos atores.

Tal tensão não deve ser considerada como algo


negativo a ser evitado; é uma oportunidade para
demonstrar a essência de algumas situações que
acontecem no trabalho de campo, e encorajar os
participantes a serem mais sensíveis a
suposições, valores, metas e posições distintas
que podem ser tomadas por diferentes
indivíduos em situações reais.

O Valor do Humor:

Em ambas as fases de montagem e seguimento,


o facilitador deve introduzir um toque de
humor. Lembre-se que uma "peça teatral ou
representação", por sua própria definição, não
significa a realidade e nem deve ser
considerada seriamente. Encoraja-se o senso de
humor.

O humor pode neutralizar uma situação de


ansiedade, permitindo que os participantes
tomem atitudes mais frias e objetivas ao
analisarem possíveis e futuras situações no
ambiente de trabalho.
Participantes devem ser encorajados a "agir de
forma exagerada," (brincar com seus papéis;
reagir com exageros) e a divertir-se.

Quando Usamos Interpretações de Papéis:

Como mencionado anteriormente, jogos de


interpretações de papéis devem ser utilizados
no treinamento de mobilizadores e facilitadores
em trabalho de campo. Interpretações de
papéis não devem limitar-se ao treinamento
inicial ou em sessões de trabalho de
conscientização.

Eles são de grande valia durante revisões anuais


e semestrais de vários programas; são de
grande utilidade nos treinamentos em
andamento e de seguimento dos trabalhadores
da comunidade e que já atuam no campo por um
determinado tempo. Eles são utilizados pelos
responsáveis dos programas, gerentes,
programas, planejadores, funcionários,
particularmente, se incluídos nas sessões
juntamente com os trabalhadores de campo, nos
programas por eles administrados.

Você pode programar mais de um jogo de


interpretação numa única sessão de
treinamento ou workshop. Nesse caso, planeje
um pouco diferente, usando distintos cenários e
estruturação (ou seja, distribuindo ou não
folhetos com instruções; alocando ou não um
tempo adicional para que os atores preparem
suas representações; usando todos ou alguns
dos participantes).

Jogos de Simulação:
Os jogos de simulação são mais elaborados que
uma simples interpretação de papéis. Talvez um
dos primeiros jogos de simulação, criado para
uma aula em ciência política, é o "O Poder dos
Soís ."

Um dos mais elaborados jogos de simulação foi


financiado pela CIDA, no Campo Shylo, um local
militar ermo no sul de Manitoba, onde
aproximadamente cem estudantes do segundo
grau, procedentes de todo o Canadá, formaram
cinco "nações," de características variadas, com
facilitadores e acompanhantes, equipados com
rádios transmissores, num jogo que durou várias
semanas.

Com relação ao resultado, uma maior


conscientização dos participantes, pode ser que
a montagem mais elaborada do jogo de
simulação não justifique o seu uso no
treinamento dos facilitadores e mobilizadores
no exercício de mobilização comunitária,
redução da pobreza, desenvolvimento de
habilidades e geração de rendas. *

Conclusão:

Os jogos de interpretação de papéis constituem


um método efetivo para despertar a consciência
dos participantes, melhorar suas análises em
situações reais no campo, familiarizá-los com os
papéis, metas, perspectivas e posições das
pessoas, com as quais eles trabalharão no
campo, durante os workshops de treinamento e
revisões de rotina.

Mesmo que tais situações não sejam


diretamente participativas, pois não acontecem
na vida real, elas se tornam participativas na
sua implementação, e proporcionam benefícios
valiosos e de importância no programa de
treinamento.

––»«––

Interpretando Papéis:
Página Inicial Métodos de Treinamento

Jogos de Papéis

Não se trata de abandonar o universo do imaginário


em favor do universo da realidade...
mas antes definir os meios pelos quais
o indivíduo pode adquirir
um completo domínio de uma situação,
vivendo nas duas vias
e capaz de passar de uma para a outra.

Jacob-Levy Moreno

O Jogo de Papéis tem características específicas que o distinguem de qualquer outra


abordagem expressiva. Esta especificidade pragmatiza-se em várias premissas,
princípios ou características.
O Jogo de Papéis é uma forma de expressão e comunicação em que o indivíduo age em
vez de dizer o que pensa, o que critica ou o que o magoa. Mostra-o em actos, na fogueira
da acção e na primeira pessoa. A acção tem como veículo um espaço dramático, uma
cena, um cenário de jogo, definido de forma rudimentar ou elaborada, de forma
improvisada ou pré-determinada.

Decorrente do princípio anterior, um segundo pressuposto pragmático pode especificar


a prática do Jogo de Papéis: tudo se passa aqui e agora independentemente do grau de
preparação que possa ter antecedido a acção. Esta regra de ouro do Jogo de Papéis, a
do aqui e agora, aplica-se a situações novas que nunca se passaram e que, certamente,
não voltarão a acontecer.

Nesta perspectiva a expressão de cada participante, situa-se no momento, aqui e agora e


traduz-se numa acção. Richard Courtney (1980), propõe três categorias para essa acção:
Eu Sou, Eu Faço e Eu Crio.

Ao acrescentar o Eu Sou ao Eu Faço e ao Eu Crio, Courtney (idem) alarga assim o campo


proposto por Dewey (1976) relativamente ao aprender fazendo. Aprender fazendo, sim,
mas numa dimensão de Ser. Na expressão de cada pessoa, o Eu Faço, pressupõe o Eu
Sou, não fazendo pois sentido, a expressão de um Saber-Fazer, sem a expressão de um
Saber-Ser. É assim que, Eu Sou e Eu Faço, definem-se num mesmo espaço-tempo: a
expressão de si próprio, partilhada ou não com os outros, com os objectos e com o
meio, com ou sem a intenção explícita de criar um produto. A organização do ensino de
uma língua estrangeira deve pois garantir esse espaço-tempo de expressão do SER, do
FAZER e do CRIAR que, pressupõe uma estrutura espacio-temporal semelhante à que o
estudante encontra no universo das relações sociais, e que facilite a estruturação da sua
experiência de vida.

Comunicar com o outro através do desempenho de papéis, expressar com o corpo e a


voz as criações do seu mundo interior e exterior, accionar o mecanismo do como se
mágico, estabelecer um ritual lúdico aqui e agora com os outros, tais são as
características principais de um jogo de papéis, onde quer que ela seja praticada e sejam
quais forem os objectivos traçados para a sua realização.
Da relação entre a realidade e a simbolização da realidade poderemos enunciar um
terceiro princípio: o Jogo de Papéis, ao permitir a recriação, a simbolização e a
representação de situações do quotidiano, real ou imaginado, é a forma de expressão
que mais se aproxima da vida. Uma vez que não poderemos ter à mão o país cuja língua
os estudantes aprendem criemos então situações em que os alunos poderão viver numa
cena fictícia tão próxima da realidade futura com que se vâo deparar. É verdade que o
Jogo de Papéis não é a realidade. Constitui, por assim dizer, uma segunda realidade a
viver (evitamos aqui empregar o sempre equívoco conceito de ficção). Neste contexto o
Jogo de Papéis é uma espécie de segundo mundo que explica, que transforma e que
reflecte o primeiro, o da realidade, colocando esta muitas vezes no seu lugar: uma forma
possível de existência entre outras possíveis. Um parêntesis desenvolvido no fluído
percurso do quotidiano?

O Jogo de Papéis e a realidade são distintas como distintas são uma fotografia e uma
pintura, por muito realista que esta se possa apresentar. Com efeito, o jogo dramático,
ao proporcionar a comunicação, através de personagens imaginárias, prepara o
indivíduo para o contacto com os outros, atrvés de uma língua comum. Este aspecto
colectivo e imagético do Jogo de Papéis, promove e acelera todas as aquisições linguís
ticas e comunicativas mediadas pelo universo social. É certo que o domínio de uma
língua estrangeira é possível em múltiplas actividades mas, adquire no Jogo de Papéis
um carácter mais subtil, profundo, constante e global. O Jogo de Papéis prefigura a
sociedade e, nesse sentido, funciona como um parêntesis na vida social, onde é
possível jogar, pensar e exercitar a língua no universo da vida comunitária.

A prática de Jogo de Papéis por muito que se apresente espontânea, necessita de um


animador, de um espaço convencionado e de uma técnica e de um método que neste
capítulo vamos dar a conhecer.

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