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SUMÁRIO:
Introdução:
​O Catecismo de Heidelberg - 1563……………………………………………………….. 8

Dia do Senhor 1:
1. Qual é o seu único consolo na vida e na morte?....................................................... ​11
2. O que é que você precisa saber para viver e morrer nessa consolação?................. ​11

Parte I: ​NOSSOS PECADOS E MISÉRIA


Dia do Senhor 2:
3. Como é que você sabe dos seus pecados e miséria?............................................... ​15
4. O que a lei de Deus exige de nós?…………………………………………………….... ​15
5. Você consegue guardar tudo isso perfeitamente?……………………………………..​ ​15

Dia do Senhor 3:
6. Então, Deus criou o homem assim tão mau e perverso?.......................................... ​18
7. De onde veio, então, a natureza corrompida do homem?......................................... ​18
8. Mas, somos tão corruptos que não somos capazes de fazer bem algum e somos
inclinados a todo o mal?............................................................................................ ​18

Dia do Senhor 4:
9. Mas, Deus não age injustamente com o homem ao exigir em Sua lei aquilo que o
homem não consegue cumprir?................................................................................ ​22
10. Permitiria Deus que uma tal desobediência e apostasia ficasse sem castigo?........ ​22
11. Mas Deus não é também misericordioso?................................................................ ​22

Parte II: ​NOSSA SALVAÇÃO


Dia do Senhor 5:
12. Se pelo justo julgamento de Deus merecemos tanto o castigo temporal quanto o
eterno, como, então, poderemos escapar desta punição para sermos novamente
recebidos em graça?................................................................................................. ​27
13. Podemos, nós mesmos, satisfazer essa justiça?...................................................... ​27
14. Qualquer mera criatura pode satisfazê-la por nós?.................................................. ​27
15. Que tipo de mediador e libertador temos que buscar?............................................. ​27

Dia do Senhor 6:
16. Por que tem de ser um homem verdadeiro e justo?................................................. ​31
17. Por que ele tem de ser, ao mesmo tempo, Deus verdadeiro?.................................. ​31
18. Mas, que Mediador é esse que é, ao mesmo tempo, Deus verdadeiro e homem
verdadeiro e justo?.................................................................................................... ​31
19. Como você sabe disso?............................................................................................ ​31

Dia do Senhor 7:
20. Então, todos os homens foram salvos por Cristo, exatamente como por meio de
Adão todos pereceram?............................................................................................ ​35
21. O que é a verdadeira fé?........................................................................................... ​35
22. Então, no que o cristão tem de acreditar?................................................................. ​35
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23. Que artigos são esses?............................................................................................. ​35

Dia do Senhor 8:
24. Como se dividem esses artigos?.............................................................................. ​40
25. Por que é que você fala em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo; visto que só
existe um único Deus?.............................................................................................. ​40

Deus Pai e a Nossa Criação


Dia do Senhor 9:
26. Em que você crê quando diz: “Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do céu e
da terra”?................................................................................................................... ​43

Dia do Senhor 10:


27. ​O que você entende por “Providência de Deus”?.................................................... ​46
28. Que benefício há em sabermos que Deus criou todas as coisas e que continuamente
as sustenta pela Sua providência?........................................................................... ​46

Deus Filho e a Nossa Redenção


Dia do Senhor 11:
29. Por que razão é o Filho de Deus chamado de Jesus, que quer dizer, Salvador?.... ​50
30. Aqueles que buscam com fervor a sua salvação ou bem-estar nos santos, em si
mesmos ou em outra coisa qualquer, também crêem no único Salvador Jesus?.... ​50

Dia do Senhor 12:


31. Por que razão é Ele chamado de Cristo, que quer dizer, Ungido?........................... ​52
32. Por que é que você é chamado de cristão?.............................................................. ​52

Dia do Senhor 13:


33. Por que é Ele chamado de “Filho unigênito” de Deus, se nós também somos filhos
de Deus?................................................................................................................... ​56
34. Por você O chama de “nosso Senhor”?.................................................................... ​56

Dia do Senhor 14:


35. Que confessa você quando diz que Cristo: “foi concebido por obra do Espírito Santo;
nasceu da virgem Maria”?......................................................................................... ​59
36. Que benefício você recebe de Cristo ter sido concebido e nascido sem pecado?... ​59

Dia do Senhor 15:


37. O que você confessa quando diz que Ele “padeceu”?.............................................. ​61
38. Por que Ele “padeceu sob” o julgamento de “Pôncio Pilatos?”................................. ​61
39. Há algum sentido especial em Cristo ter sido crucificado e não ter morrido de outro
modo?........................................................................................................................ ​61

Dia do Senhor 16:


40. Por que foi necessário que Cristo se humilhasse até à morte?................................ ​64
41. Por que foi Ele “sepultado”?...................................................................................... ​64
42. Se Cristo morreu por nós, por que ainda temos que morrer?................................... ​64
43. Que outros benefícios recebemos do sacrifício e morte de Cristo na cruz?............. ​64
44. Por que razão se acrescenta: “desceu ao inferno”?.................................................. ​64
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Dia do Senhor 17:


45. Como somos favorecidos com a ressurreição de Cristo?......................................... ​67

Dia do Senhor 18:


46. O que você confessa quando diz que Cristo “subiu ao céu”?................................... ​69
47. Quer dizer, então, que Cristo não está conosco até a consumação dos séculos,
conforme Ele nos havia prometido?.......................................................................... ​69
48. Mas, se a natureza humana não estiver presente onde quer que a natureza Divina
esteja, não estariam as duas naturezas de Cristo separadas uma da outra?.......... ​69
49. De que modo somos abençoados com a ascensão de Cristo ao céu?.................... ​69

Dia do Senhor 19:


50. Por que se acrescentou “está assentado à mão direita de Deus”?.......................... ​73
51. Que benefício tem para nós esta glória de Cristo, o nosso Cabeça?....................... ​73
52. Que consolo lhe dá o fato de que Cristo “há de vir para julgar os vivos e os
mortos”?.................................................................................................................... ​73

Deus Espírito Santo e a Nossa Santificação


Dia do Senhor 20:
53. O que você crê sobre o Espírito Santo?................................................................... ​76

Dia do Senhor 21:


54. O que você crê sobre a “santa Igreja universal ” de Cristo?..................................... ​79
55. O que você crê sobre a “comunhão dos santos”?.................................................... ​79
56. O que você crê sobre a “remissão dos pecados”?.................................................... ​79

Dia do Senhor 22:


57. Que consolação lhe traz a “ressurreição do corpo”?................................................ ​85
58. Que consolação lhe traz o artigo sobre a “vida eterna”?.......................................... ​85

A Nossa Justificação
Dia do Senhor 23:
59. Que proveito há para você que agora crê nisso?..................................................... ​87
60. Como é que você é justo diante de Deus?............................................................... ​87
61. Por quê você diz que é justo somente pela fé?........................................................ ​87

Dia do Senhor 24:


62. Mas, por que as nossas boas obras não podem ser a nossa justiça diante de Deus,
ou pelo menos parte dessa justiça?.......................................................................... ​90
63. Se as nossas boas obras não merecem nada, por que Deus promete
recompensá-las nesta vida e na futura?................................................................... ​90
64. Esse ensinamento não torna as pessoas descuidadas e ímpias?............................ ​90

A Palavra e os Sacramentos
Dia do Senhor 25​:
65. Visto que somente a fé é o que nos torna participantes de Cristo e de todos os Seus
benefícios, de onde vem essa fé?............................................................................. ​93
66. O que são sacramentos?.......................................................................................... ​93
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67. Então, tanto a Palavra quanto os sacramentos têm por objetivo direcionar a nossa fé
para o sacrifício de Jesus Cristo na cruz, como a única base para a nossa
salvação?.................................................................................................................. ​93
68. Quantos sacramentos Cristo instituiu na nova aliança?........................................... ​93

O Santo Batismo
Dia do Senhor 26:
69. Como o santo batismo lhe faz saber e lhe assegura que o único sacrifício de Cristo
na cruz lhe beneficia?............................................................................................... ​97
70. Que significa ser lavado com o sangue e o Espírito de Cristo?................................​ 97
71. Onde Cristo prometeu que nos lavaria com o Seu sangue e Espírito tão certo quanto
somos lavados com a água do batismo?.................................................................. ​97

Dia do Senhor 27:


72. Então, esse lavar exterior com água por si mesmo remove os pecados?.............. ​100
73. Então, por que o Espírito Santo chama o batismo de “lavar regenerador” e de
“purificação de pecados”?....................................................................................... ​100
74. As crianças pequenas devem ser batizadas?......................................................... ​100

A Santa Ceia
Dia do Senhor 28:
75. Como a santa ceia lhe faz saber e lhe assegura que você tem parte no único
sacrifício de Cristo na cruz e de todos os Seus dons?........................................... ​104
76. O que significa comer o corpo crucificado de Cristo e beber o Seu sangue
derramado?............................................................................................................. ​104
77. Onde foi que Cristo prometeu que Ele quer alimentar e refrigerar os crentes com o
Seu corpo e sangue tão certamente quanto eles comem desse pão partido e bebem
desse cálice?........................................................................................................... ​104

Dia do Senhor 29:


78. Então, o pão e o vinho são transformados no corpo e no sangue reais de
Cristo?..................................................................................................................... ​107
79. Por que, então, Cristo chama o pão de “Seu corpo” e o cálice de “Seu sangue”, ou
de a “nova aliança no Seu sangue”, e por que Paulo fala da comunhão do corpo e do
sangue de Cristo?................................................................................................... ​107

Dia do Senhor 30​:


80. Qual é a diferença entre a Ceia do Senhor e a missa do papa?............................. ​110
81. Quem deve vir à mesa do Senhor?......................................................................... ​110
82. Esses que por sua confissão e vida demonstram que são incrédulos e ímpios devem
ser admitidos à ceia do Senhor?............................................................................. ​110

Dia do Senhor 31:


83. O que são as chaves do reino do céu?................................................................... ​114
84. Como se abre e se fecha o reino do céu pela pregação do evangelho?................ ​114
85. Como se fecha e se abre o reino do céu pela disciplina eclesiástica?................... ​114
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Parte III: ​A NOSSA GRATIDÃO


Dia do Senhor 32:
86. Se fomos libertados da nossa miséria somente pela graça através de Cristo, sem
nenhum mérito nosso, por que então devemos praticar boas obras?.................... ​119
87. Podem ser salvos aqueles que não abandonam o modo de viver ingrato e
impenitente e não se convertem a Deus?............................................................... ​119

Dia do Senhor 33:


88. O que é o verdadeiro arrependimento ou conversão do homem?.......................... ​122
89. O que é a morte da velha natureza?....................................................................... ​122
90. O que é a ressurreição da nova natureza?............................................................. ​122
91. Mas, o que são as boas obras?.............................................................................. ​122

Os Dez Mandamentos

Dia do Senhor 34:


92. O que diz a lei de Deus?......................................................................................... ​126
93. Como estão divididos estes mandamentos?........................................................... ​126
94. Que exige o SENHOR no primeiro mandamento?.................................................. ​127
95. O que é idolatria?................................................................................................... ​127

Dia do Senhor 35:


96. Que exige Deus no segundo mandamento?........................................................... ​131
97. Então, não podemos fazer nenhum tipo de imagem?............................................. ​131
98. Quer dizer que não se pode tolerar as imagens nas igrejas como “livros para os
leigos”?.................................................................................................................... ​131

Dia do Senhor 36:


99. O que se exige no terceiro mandamento?.............................................................. ​135
100. Será que blasfemar o Nome de Deus por juramentos e maldições é um pecado
tão grande que Deus se ira também contra aqueles que não impedem nem proíbem
isso o tanto quanto podem?.................................................................................... ​135

Dia do Senhor 37:


101. Mas será que podemos, de modo piedoso, fazer juramentos e votos em Nome
de Deus?................................................................................................................. ​138
102. Podemos também jurar pelos santos ou por outras criaturas?......................... ​138

Dia do Senhor 38:


103. O que exige Deus no quarto mandamento?...................................................... ​141

Dia do Senhor 39:


104. O que exige Deus no quinto mandamento?...................................................... ​143

Dia do Senhor 40:


105. O que exige Deus no sexto mandamento?....................................................... ​146
106. Mas, esse mandamento fala somente de matar?............................................. ​146
107. Então, basta que não matemos o nosso próximo dessa maneira?................... ​146
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Dia do Senhor 41:


108. O que nos ensina o sétimo mandamento?........................................................ ​149
109. Neste mandamento, Deus só proíbe o adultério e pecados vergonhosos
semelhantes?.......................................................................................................... ​149

Dia do Senhor 42:


110. O que proíbe Deus no oitavo mandamento?..................................................... ​152
111. O que exige Deus de você nesse mandamento?.............................................. ​152

Dia do Senhor 43:


112. O que se exige no nono mandamento?............................................................ ​155

Dia do Senhor 44:


113. O que exige de nós o décimo mandamento?.................................................... ​157
114. Mas os que se converteram a Deus são capazes de guardar esses
mandamentos perfeitamente?................................................................................. ​157
115. Se nessa vida ninguém consegue obedecer perfeitamente os Dez Mandamentos,
por que Deus manda que sejam pregados com tanto rigor?.................................. ​157

A Oração
Dia do Senhor 45:
116. Por que a oração é necessária aos cristãos?................................................... ​161
117. O que é preciso para que nossa oração agrade a Deus e por Ele seja
ouvida?.................................................................................................................... ​161
118. O que foi que Deus ordenou que Lhe pedíssemos?......................................... ​161
119. Qual é a oração do Senhor?............................................................................. ​161

Dia do Senhor 46:


120. Por que Cristo ordenou nos dirigir a Deus como o “Pai nosso”?...................... ​165
121. Por que se acrescentou “que estás nos céu”?.................................................. ​165

Dia do Senhor 47:


122. Qual é a primeira petição?................................................................................ ​168

Dia do Senhor 48:


123. Qual é a segunda petição?................................................................................ ​170

Dia do Senhor 49:


124. Qual é a terceira petição?................................................................................. ​172

Dia do Senhor 50:


125. Qual é a quarta petição?................................................................................... ​174

Dia do Senhor 51:


126. Qual é a quinta petição?.................................................................................... ​176

Dia do Senhor 52:


127. Qual é a sexta petição?..................................................................................... ​179
128. Como é que você conclui a sua oração?.......................................................... ​179
129. O que significa a palavra “Amém”?................................................................... ​179
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Introdução:
O Catecismo de Heidelberg - 1563

O Catecismo de Heidelberg

O ​Catecismo de Heidelberg​ foi publicado em 19 de Janeiro de 1563 a pedido de Frederico


III, eleitor da província alemã do Palatinado. Um eleitor era um dos sete príncipes que
detinham o direito de voto para escolher o rei do Sacro Império Romano Germânico, nesse
tempo Fernando I, irmão de Carlos V, que abdicara em 1558. Frederico III governou o
Palatinado de 1559 a 1576.

Visando implementar sua reforma calvinista iniciada em 1560, Frederico III convocou a
liderança reformada do Collegium Sapientiae (Colégio da Sabedoria), em Heidelberg,
capital do Palatinado, para elaborarem um novo catecismo que substituísse o catecismo
luterano, harmonizasse os partidos teológicos luterano e calvinista e pudesse ser usado nas
escolas como manual de instrução, orientação para a pregação e confissão de fé. Essa
equipe de teólogos foi conduzida pela dupla Zacarias Ursino (1534-1583) e Gaspar
Oleviano (1536-1587), talentosos teólogos de orientação suíça, ambos com menos de 30
anos na época. Ursino havia estudado com Melanchton, sucessor de Lutero na reforma
luterana, e depois com Calvino. Oleviano era um reformador francês que havia estudado
com Calvino e apreciava os escritos de Melanchton e se tornara o pastor da principal igreja
de Heidelberg.

Esse catecismo é importante por pelo menos quatro razões:


1 - Foi traduzido para muitos idiomas sendo adotado por inúmeros grupos protestantes
tornando-se a mais popular declaração de fé reformada.
2 - Como o seu objetivo era pacificar uma controvérsia, sua linguagem é pacífica no seu
espírito, de tom moderado, devocional e prático na sua atitude; sua linguagem é clara e
fervorosa. Esposa uma teologia calvinista não ofensiva ao luteranismo majoritário na
Alemanha pós-Lutero conciliando o melhor dessas duas tradições eclesiásticas.
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3 - É um manual prático da vida cristã, tanto para crianças como para jovens e adultos.
4 - Sua organização diferenciada o torna agradável na leitura, pois visa demonstrar
simplicidade bíblica, moderação e paz, fugindo das sutilezas do escolasticismo (escola
filosófica que procurava conciliar a teologia cristã com a filosofia grega de Aristóteles,
marcada por um academismo rigoroso).

Suas 129 perguntas e respostas são dispostas em três partes seguindo o padrão do livro de
Romanos. As perguntas de 1-11 tratam do pecado e da miséria da humanidade vivendo
nele. As perguntas 12-85 tratam da redenção em Cristo e a fé. As perguntas finais (86-129)
da gratidão do homem expressas numa vida de obediência em amor ao Deus gracioso
salvador.

As perguntas estão organizadas de modo que o Catecismo todo possa ser estudado em 52
domingos (o número de domingos que tem em um ano). Outras características agradáveis
do Catecismo de Heidelberg são uma exposição do Credo Apostólico e dos Dez
Mandamentos, além do fato de ser todo redigido na primeira pessoa do singular tornando-o
íntimo e como uma declaração de fé pessoal do cristão que dele fizer uso devocional.

Suas ênfases reformadas podem ser vistas claramente (1) na doutrina dos sacramentos,
apontando para uma presença real de Cristo na celebração da ceia, onde os crentes
participam verdadeiramente do corpo e do sangue de Cristo mediante a operação do
Espírito Santo; (2) na centralidade das Escrituras como autoridade prática na vida de cada
cristão; (3) na consagração a Deus mediante a prática de boas obras como resposta à sua
graça recebida em Cristo (Ef 2.8-10); (4) Na igreja como fonte de verdadeira disciplina
cristã.

Esperamos que o espírito piedoso e ao mesmo tempo profundamente bíblico desse


catecismo possa ser-lhe útil no seu crescimento espiritual e de toda a sua família.

fonte: ​http://revhelio.blogspot.com.br/2011/04/o-catecismo-de-heidelberg-1563.html
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Ilustração da Estrutura do Catecismo de


Heidelberg:
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Dia do Senhor 1

P.1. Qual é o seu único consolo na vida e na morte?

R. Que não pertenço a mim mesmo,1 mas pertenço de corpo e alma, tanto na vida quanto
na morte,2 ao meu fiel Salvador Jesus Cristo.3 Ele pagou completamente todos os meus
pecados com o Seu sangue precioso4 e libertou-me de todo o domínio do diabo.5 Ele
também me guarda de tal maneira6 que sem a vontade do meu Pai celeste nem um fio de
cabelo pode cair da minha cabeça;7 na verdade, todas as coisas cooperam para a minha
salvação.8 Por isso, pelo Seu Espírito Santo, Ele também me assegura a vida eterna9 e
faz-me disposto e pronto de coração para viver para Ele de agora em diante.10

1. 1Co 6.19, 20. 2. Rm 14.7-9. 3. 1Co 3.23; Tt 2.14. 4. 1Pe 1.18, 19; 1Jo 1.7; 2.2. 5. Jo
8.34-36; Hb 2.14, 15; 1Jo 3.8. 6. Jo 6.39, 40; 10.27-30; 2Ts 3.3; 1Pe 1.5. 7. Mt 10.29-31; Lc
21:16-18. 8. Rm 8.28. 9. Rm 8.15, 16; 2Co 1.21, 22; 5.5; Ef 1.13, 14. 10. Rm 8:14

P.2. O que é que você precisa saber para viver e morrer nessa consolação?

R. Primeiro, como são grandes meus pecados e miséria;1 segundo, de que modo sou
liberto de todos os meus pecados e miséria;2 terceiro, de que modo devo ser grato a Deus
por uma tal libertação.3

1. Rm 3.9, 10; 1Jo 1:10. 2. Jo 17.3; At 4.12; 10.43. 3. Mt 5.16; Rm 6.13; Ef 5.8-10; 1Pe 2.9,
10.

DOMINGO 1

Pergunta e resposta 1:

1. O que é um fundamento?
EXPLICAÇÃO: Um fundamento é uma base, uma coisa a qual nos apoiamos. É como o
alicerce de uma casa ou de um prédio. Casas e prédios precisam de um fundamento. Seres
humanos também.

2. Por que o Catecismo fala do “seu ​único​ fundamento”?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo fala assim para ensinar que, na realidade, há um só
fundamento que merece nossa confiança. É o fundamento dado por Deus. Todos os demais
fundamentos estão fora de Deus. As pessoas que estão procurando esses fundamentos
não encontrarão uma base firme para suas vidas. Só o fundamento que Deus colocou, dá
certeza e firmeza na vida. E também na morte.

3. Qual é o nosso único fundamento?


EXPLICAÇÃO: Nosso único fundamento é Jesus Cristo. O fato de pertencermos a Jesus
Cristo nos dá uma base segura e grande certeza na vida e na morte. Romanos 14:8 diz: “Se
vivemos, vivemos para o Senhor; e, se morremos, morremos para o Senhor. Assim, quer
vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor”.
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Ser crente não significa seguir algumas regras religiosas mas, antes de mais nada,
pertencer a Cristo.

4. O que significa “pertencer a Jesus Cristo” e, por que o crente não pertence a si
mesmo?
EXPLICAÇÃO: “Pertencer a Jesus Cristo” significa que somos de Jesus Cristo. Há duas
coisas relacionadas com esta verdade. A primeira é que Cristo cuida de nós. A segunda é
que nós devemos obedecer a Cristo. É como o relacionamento entre um filho e seu pai. O
pai assumiu a obrigação de cuidar de seu filho, mas o filho tem a obrigação de obedecer a
seu pai.
1 Coríntios 6:19-20 ensina que não pertencemos à nós mesmos, porque fomos “comprados
por alto preço”. O Domingo 1 do Catecismo diz que Jesus Cristo pagou por nossos pecados
com seu precioso sangue. Não foi com dinheiro, mas com seu sangue que nos comprou,
dando sua vida por nós.

5. Será que nosso pecado pode fazer com que não pertençamos mais a Jesus Cristo?
Satanás tem condições de fazer isso?
EXPLICAÇÃO: Não há nada que possa fazer com que não sejamos mais de Cristo. Os
nossos pecados podem fazer mal à nossa vida, mas não são mais fortes do Jesus Cristo. A
Bíblia diz que Deus perdoará os nossos pecados, se os confessarmos (1 João 1:9). Satanás
pode nos atrapalhar muito, mas não é mais poderoso do que Deus. 1 João 3:8 diz que
quem continua pecando, pertence ao diabo. Mas diz também que o Filho de Deus veio para
destruir o que o diabo fez. O vs.9 continua assim: quem é filho de Deus, quem pertence a
Jesus Cristo não continua pecando. Em outras palavras, embora não estejamos livres do
pecado, já estamos livres de todo o domínio do diabo (Resposta 1 do Catecismo). Por outro
lado, precisamos entender bem a frase “Não há nada que possa fazer com que não
sejamos mais de Cristo”. Não é para pensar assim: se sempre somos de Cristo, podemos
viver em pecado. Quem pensa assim não tem defesa contra o pecado e Satanás. Pior: nem
pertence a Cristo! Quem continua pecando, não será salvo. Apesar de ser membro da
Igreja, morrerá para sempre.

6. O Catecismo, na Resposta 1, fala apenas da obra que Cristo fez no passado?


EXPLICAÇÃO: De jeito nenhum! O Catecismo fala do passado, “Cristo pagou por todos os
nossos pecados”, mas também do presente, “Agora Ele me protege…”, e do futuro “Ele me
garante a vida eterna”.

7. O Catecismo, diz que Jesus Cristo nos protege. É verdade que Ele nos protege
contra todo o mal?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo não quer dizer que não possa acontecer nenhum mal em
nossa vida. Mas Deus, o Pai de Jesus Cristo, tem poder e com seu poder Ele cuida de nós.
Romanos 8:28 diz que Deus opera para o bem daqueles que o amam. Transformará em
bem todo o mal que me enviar nesta vida conturbada.
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8. Que mais Jesus Cristo faz para nós e o que isto tem a ver com a obra do Espírito
Santo?
EXPLICAÇÃO: É pelo Espírito Santo que Cristo faz duas coisas: primeiro, nos garante a
vida eterna. Segundo, nos torna dispostos a viver para Ele. A vida cristã, hoje e para
sempre, é fruto da obra do Espírito Santo, que está a serviço de Cristo.

9. Por que o catecismo fala sobre ​seu​ e ​meu​ único fundamento?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo fala sobre seu e meu único fundamento, porque o Domingo 1
trata de assuntos íntimos e pessoais. Procurar a certeza da qual Domingo 1 fala é
fundamental para cada um de nós. É preciso dizer que Jesus Cristo é meu único
fundamento. É uma confissão de fé, que preciso fazer agora e sempre repetir.

10. Quem é que fala neste Catecismo?


EXPLICAÇÃO: Pode ser claro da explicação dada que é o crente em Cristo que fala aqui. É
a pessoa que confessa sua fé em Cristo. O Catecismo de Heidelberg não é uma obra
científica, mas uma confissão de fé.

11. Por que o Catecismo tem o estilo de perguntas e respostas?


EXPLICAÇÃO: Além de ser uma confissão de fé, o Catecismo é um livro didático, escrito
para a juventude da Igreja Reformada e para todos os que sabem que são discípulos
(alunos) de Cristo. Conforme o estilo da época, século XVI, o Catecismo foi feito na forma
de perguntas e respostas. Acreditamos que esta forma ainda seja útil.

Pergunta e resposta 2:

1. Quais são as três palavras-chave na Resposta 2 do Catecismo?


EXPLICAÇÃO: As três palavras-chave nesta resposta do Catecismo são: miséria, salvação
e gratidão. O Catecismo explica nos Domingos 2-4 que nossa miséria é nossa natureza
pecaminosa e nossos pecados. Os Domingos 5-31 falam sobre nossa salvação e os
Domingos 32-52 sobre a nossa gratidão.

2. Leia Efésios 5:8. Você vê neste verso os três assuntos dos quais fala o Catecismo?
EXPLICAÇÃO: Efésios 5:8 fala, sim, desses três assuntos:
A miséria: “Porque outrora vocês eram trevas”;
A salvação: “mas agora são luz no Senhor”; e,
A gratidão: “Vivam como filhos da luz”.

3. A Resposta 2 fala de três fases da vida cristã? É assim que o crente precisa
conhecer sua miséria, antes de conhecer sua salvação e mostrar sua gratidão?
EXPLICAÇÃO: Não, não é assim. O Catecismo não fala de três fases consecutivas em
nossa vida como se o crente conhecesse primeiro sua miséria, só depois sua salvação e no
final da vida, sua gratidão. Se uma pessoa não conhece seu salvador e não sabe da
salvação, também não pode entender qual é a sua miséria. Precisamos conhecer as três
coisas ao mesmo tempo: sendo salvos, sabemos do que somos salvos (da nossa miséria) e
assim sabemos que somos salvos para agradecer e agradar a Deus (nossa gratidão).
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4. Mas é coincidência que o Catecismo comece com o assunto da nossa miséria?


EXPLICAÇÃO: Não, não é coincidência, porque a primeira coisa que precisamos saber é
como são grandes os nossos pecados. Como poderíamos confessar que somos salvos por
Cristo dos nossos pecados se não soubéssemos dos nossos pecados? Da mesma maneira,
é preciso conhecer a salvação que temos em Cristo para sermos gratos a Deus por esta
Salvação.
- 15 -

Parte I: ​NOSSOS PECADOS E MISÉRIA

Dia do Senhor 2

P.3. Como é que você sabe dos seus pecados e miséria?

R. Pela lei de Deus.1

1. Rm 3.20; 7.7-25.

P.4. O que a lei de Deus exige de nós?

R. É isso o que Cristo nos ensina resumidamente em Mateus 22.37-40: “Amarás o Senhor,
teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.1 Este é
o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo
como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. 2

1. Dt 6.5. 2. Lv 19.18.

P.5. Você consegue guardar tudo isso perfeitamente?

R. Não.1 Sou, por natureza, inclinado a odiar a Deus e ao meu próximo.2

1. Rm 3.10, 23; 1Jo 1.8, 10. 2. Gn 6.5; 8.21; Jr 17.9; Rm 7.23; 8.7; Ef 2.3; Tt 3.3.

DOMINGO 2

Pergunta e resposta 3:

1. A pergunta 3 do Catecismo fala sobre o conhecimento da nossa miséria. Será que


todas as pessoas conhecem sua miséria?
EXPLICAÇÃO: Muitas pessoas usam a palavra miséria sem o conhecimento da miséria de
que fala o Domingo 2. Para muitas pessoas miséria significa toda sorte de males como
guerra, desemprego, pobreza, doença, morte etc. Porém precisamos conhecer a raiz de
todo mal. Essa raiz é o pecado, nosso pecado. Eis aqui a miséria do homem. Essa miséria
conhecemos somente pela lei de Deus.

2. O que é uma lei? De que lei fala o Catecismo?


EXPLICAÇÃO: Uma lei é uma regra para pessoas que vivem juntas. Cada família tem suas
regras internas. Cada escola tem um regimento interno. O exército e a sociedade em geral
mantêm certas regras ou leis. A vida humana precisa de leis. O Catecismo fala da lei de
Deus. A Bíblia toda é lei de Deus. Mas um resumo dessa lei está nos Dez Mandamentos e
estão em vigor até o dia de hoje. Todas as pessoas devem obedecer aos mandamentos de
Deus.
- 16 -

3. Como é que podemos conhecer nossa miséria pela lei de Deus?


EXPLICAÇÃO: Quando olhar num espelho, você verá quem você é. A lei de Deus é como
um espelho. Olhando nela, você vê que é um pecador que não consegue cumprir a lei de
Deus.

4. O que significam a Pergunta e a Resposta 3 para a pregação da lei de Deus?


EXPLICAÇÃO: Se a lei de Deus é a única fonte de conhecimento da nossa miséria,
podemos entender que a pregação regular da lei de Deus é indispensável.

Pergunta e resposta 4:

1. De que resumo fala o Catecismo?-Cf. Levítico 19:18 e Deut. 6:5


EXPLICAÇÃO: Trata-se dos dois grandes mandamentos do A.T. que Cristo juntou: amar o
Senhor teu Deus de todo o teu coração etc., e amar o teu próximo como a ti mesmo. Eles
resumem toda a mensagem da Bíblia e resumem também os Dez Mandamentos. O
apóstolo Paulo ensina em Romanos 13:10 que “o amor é o cumprimento da lei”.

2. Não é estranho que a Bíblia fale de amor como uma exigência?


EXPLICAÇÃO: Parece estranho, mas não é. Sem dúvida, amar é mais do que obedecer.
Mas como Deus é amor ( 1 João 4:16), Ele exige que nós mostremos amor para com Ele.

3. O segundo mandamento é amar o nosso próximo. Jesus declarou esse


mandamento semelhante ao primeiro: o que significa isto?
EXPLICAÇÃO: Isto quer dizer que os dois grandes mandamentos são inseparáveis. Quem
não ama a Deus, não é capaz de cumprir nenhum mandamento da lei. Muitas pessoas
pensam que é possível amar seu próximo sem amar a Deus, mas é impossível. O amor
para com Deus, que nos amou quando enviou seu próprio Filho, é a coisa mais importante
na vida. Por isso Jesus Cristo diz que este é O Grande e Primeiro mandamento. Mas isto
não quer dizer que amar nosso próximo seja menos importante. Não podemos separar os
dois mandamentos. Por isso é verdade: quem não ama seu próximo, não ama a Deus.
1 João 4:20 diz que ninguém pode amar a Deus, a quem não vê, se não amar o seu irmão,
a quem vê. Quando o Senhor Jesus diz que o segundo mandamento é semelhante ao
primeiro, Ele ensina que os dois são da mesma importância e têm o mesmo vigor.

4. Quem é nosso próximo?


EXPLICAÇÃO: O nosso próximo é qualquer pessoa que Deus coloca em nosso caminho.
São nossos familiares em casa, nossos vizinhos, nossos irmãos na igreja, nossos colegas
de trabalho, amigos, etc;

5. O que significa a frase: “Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os


profetas?
EXPLICAÇÃO: “A lei e os profetas” é uma expressão que significava, na época do Senhor e
dos apóstolos, toda a palavra de Deus, tanto no A.T. quanto no N.T.
A Bíblia toda nos ensina a amar a Deus e ao próximo.
- 17 -

Pergunta e resposta 5:

1. Por que não podemos observar a lei de Deus perfeitamente?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo responde assim: por natureza somos inclinados a odiar a Deus
e a nosso próximo. Por natureza fazemos o contrário do que Deus exige: estamos odiando
em vez de amando.

2 Você conhece a doutrina dos fariseus a respeito?


EXPLICAÇÃO: Os fariseus achavam que podiam amar a Deus e ao próximo perfeitamente.
Foi este pensamento que o moço rico revelou quando disse: tenho obedecido a todos esses
mandamentos (Mateus 18:20). Mas o Senhor lhe ensinou que amar a Deus e ao próximo
não é uma questão de cumprir algumas regras, mas do coração. Quando o moço rico
recebeu a ordem de vender tudo o que possuía, seu coração não gostou. O moço
abandonou o Senhor Jesus.

3. O Catecismo diz que “por natureza sou inclinado a odiar a Deus e a meu próximo”.
Mas será que um cristão realmente está odiando a Deus e o próximo?
EXPLICAÇÃO: Todos nós nascemos pecadores. Nossa natureza humana é pecaminosa e
faz com que não possamos amar a Deus e ao próximo. Mas não é preciso continuar
odiando a Deus e ao próximo. Deus mostrou seu amor no seu Filho. Ele nos dá seu Espírito
que transforma nosso coração. É pelo Espírito que começamos a amar a Deus e ao nosso
próximo, embora nosso amor ainda não seja perfeito.

4. A palavra “odiar” não é forte demais? O que é “odiar”?


EXPLICAÇÃO: Odiar é contrário de amar. É uma palavra forte, mas reflete a realidade.
Romanos 8:7-8 diz que quem não obedece à lei de Deus, é um inimigo de Deus. A obra de
um inimigo é odiar.
- 18 -

Dia do Senhor 3

P.6. Então, Deus criou o homem assim tão mau e perverso?

R. Não, pelo contrário, Deus criou o homem bom1 e à Sua imagem,2 isso é, em verdadeira
justiça e santidade,3 de modo que ele pudesse conhecer corretamente a Deus, o seu
Criador,4 amá-Lo de coração, e viver com Ele em eterna felicidade para O louvar e
glorificar.5

1. Gn 1.31. 2. Gn 1.26, 27. 3. Ef 4.24. 4. Cl 3.10 5. Sl 8. 52

P.7. De onde veio, então, a natureza corrompida do homem?

R. Da queda e desobediência dos nossos primeiros pais, Adão e Eva, no Paraíso.1 Ali a
nossa natureza tornou-se corrupta2 de tal modo que somos todos concebidos e nascidos
em pecado.3

1. Gn 3. 2. Rm 5.12, 18, 19. 3. Sl 51.5.

P.8. Mas, somos tão corruptos que não somos capazes de fazer bem algum e somos
inclinados a todo o mal?

R. Sim,1 a menos que sejamos gerados novamente pelo Espírito de Deus.2

1. Gn 6.5; 8.21; Jó 14.4; Is 53.6. 2. Jo 3.3-5.

DOMINGO 3

Pergunta e resposta 6:

1. Por qual motivo o Catecismo faz a Pergunta 6? Para enfatizar nossa natureza má ou
para livrar Deus da culpa por nosso pecado?
EXPLICAÇÃO: A resposta anterior nos leva a perguntar quem é o culpado pela situação do
homem. A pergunta 6 é natural e até lógica. O Domingo 3 trata da origem do pecado.
Primeiro precisamos conhecer o começo da história, a criação. Gênesis 1 e 2 dizem que
tudo o que Deus fez era bom. Também o homem que Ele criou era bom. Não é correto dizer
que o homem sempre teve uma natureza má. Houve uma época em que o homem não
cometia nenhum pecado: após a criação e antes da queda. O homem bom podia fazer o
que Deus queria que ele fizesse. Deus tinha um plano com o homem e o homem tinha as
condições de agir conforme esse plano de Deus. Conclusão: nossa natureza má não é a
culpa de Deus.

2. O que significa que “Deus criou o homem à sua imagem”? Será que, o homem tem
a aparência de Deus?
EXPLICAÇÃO: Uma imagem é uma representação gráfica ou fotográfica de uma pessoa ou
de um objeto. No Brasil há muitas imagens de Maria, a mãe de Jesus. Mas “imagem de
Deus” significa uma coisa bem diferente. Ninguém pode ser uma representação gráfica ou
fotográfica de Deus. Adão não parecia com Deus. “Feito à imagem de Deus”, Adão era “filho
- 19 -

de Deus” (Lucas 3:38) com uma tarefa grandiosa. Deus que é o Rei do céu e da terra,
queria ter um representante na terra. Era o homem, seu vice-rei. Devia governar sobre a
terra e todas as criaturas de Deus, representando o Criador.

3. Leia Efésios 4:24. O que este verso diz sobre a nova natureza do homem?
EXPLICAÇÃO: Nós, sendo pecadores, temos uma velha natureza, que é dominada pelo
pecado. Mas pela obra do Espírito Santo, recebemos uma nova natureza. Esta renovação
significa uma natureza dominada por Deus. As duas naturezas estão lutando uma contra a
outra dentro de nós. Efésios 4 diz que a nova natureza é dedicada a Ele. O Catecismo diz
que Deus criou o homem bom e à sua imagem, isto é, em verdadeira justiça e santidade.
Essas duas palavras são exatamente as últimas palavras de Efésios 4:24.

4. Por que Deus criou o homem à sua imagem? Veja a Resposta 6 do Catecismo que
fala sobre três objetivos da criação do homem.
EXPLICAÇÃO: Esses três objetivos são:
a) para o homem conhecer corretamente a Deus, seu Criador.
b) para o homem amá-Lo de todo o coração.
c) para o homem viver com Ele em eterna felicidade, para louvá-Lo e glorificá-Lo.

5. Adão tinha condições de cumprir a lei de Deus antes de cair no pecado?


EXPLICAÇÃO: Sim, tinha sim. Tinha condições de conhecer a Deus, viver com Ele e
amá-lo. Podia cumprir a lei, pois Deus o criou bom. Por isso nunca podemos dizer que o
pecado é a culpa de Deus.

Pergunta e resposta 7:

1. Como é que podemos conhecer a origem da nossa miséria?


EXPLICAÇÃO: Só o próprio Deus pode revelar a origem da nossa miséria e Ele o faz na
sua Palavra. Muitas pessoas, quando pensam sobre a origem da miséria, pensam que a
miséria é o efeito de certas circunstâncias, negando assim a culpa do homem. Para não
cairmos neste erro, precisamos aceitar o ensino da Bíblia.

2. O que significa a palavra “queda”?


EXPLICAÇÃO: É preciso começar com a proibição que Deus deu ao homem no paraíso
(Gênesis 2:16-17). Deus disse ao homem: pode comer as frutas de qualquer árvore do
jardim, menos da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Não coma a fruta dessa
árvore porque no dia que a comer, certamente morrerá. Por que Deus proibiu isto? Seu
objetivo era que Adão lhe mostrasse que queria amá-Lo de todo o seu coração. Mas Adão
caiu no pecado fazendo o que Deus havia proibido. Foi a queda da alta posição de filho de
Deus e vice-rei, para a posição de filho rebelde. A queda do homem significa a
desobediência a seu Deus e Criador.

3. Qual foi exatamente o primeiro pecado?


EXPLICAÇÃO: Comendo a fruta proibida, o homem desobedeceu ao mandamento de seu
Criador. Eis aqui o primeiro pecado. Qualquer pecado é desobediência à lei de Deus. “A
fruta proibida” não tem nada a ver com ´sexo´ como muitas pessoas pensam. Quem lê
- 20 -

Gênesis 3, não lê nada sobre ´sexo´. Adão e Eva comeram a fruta da Árvore do
Conhecimento do Bem e do Mal: este foi o primeiro pecado. Lamentavelmente, muitas
pessoas identificam esta fruta com a maçã que se tornou o símbolo da relação sexual. Mas
Gênesis 2 ensina que a relação sexual é um dom de Deus e não pode ser relacionada com
o pecado.

4. Nossos primeiros pais podiam apresentar desculpas pelo pecado?


EXPLICAÇÃO: Não, não podiam, mas inventaram desculpas: Adão jogou a culpa na mulher
porque lhe havia dado a fruta, e ela disse que foi Satanás quem a enganou. Deus não
aceitou estas desculpas. Adão e sua mulher negaram suas próprias responsabilidades e
esqueceram que eram perfeitamente capazes de escolher o bem.

5. Qual a conseqüência da queda de Adão para a natureza humana? O que o


Catecismo quer dizer com “natureza corrompida do homem”?
EXPLICAÇÃO: Nossa natureza tornou-se tão envenenada, que todos nós somos
concebidos e nascidos em pecado. O homem perdeu a capacidade de fazer o bem, e só é
capaz de fazer o mal. É a realidade horrível da vida humana após a queda. Um exemplo da
natureza envenenada, imediatamente após a queda, é: Caim, que matou seu próprio irmão,
Abel. Nossa “natureza corrompida” significa que tudo está corrompido: nossa mente, nossa
vontade, nosso juízo, nossa emoção e nossos atos.

6. O que Romanos 5:19 e Salmo 51:5 ensinam sobre a origem do pecado e a


conseqüência da queda?
EXPLICAÇÃO: Romanos 5:19 diz que os seres humanos se tornaram pecadores por causa
da desobediência de um só homem, Adão. No Salmo 51:5, Davi confessa que de fato tem
sido mau desde que nasceu e que desde o dia de seu nascimento, tem sido pecador. Esses
versos mostram que a origem do pecado é a queda de Adão, sendo o pecado original, e a
conseqüência da queda é a natureza pecaminosa dos descendentes de Adão e Eva.

7. Havia pessoas antes de Adão e Eva?


EXPLICAÇÃO: A Resposta 7 fala de “nossos primeiros pais” conforme a Bíblia. Adão e Eva
eram as primeiras criaturas humanas.

8. Todas as pessoas são “irmãos” sendo descendentes de Adão e Eva?


EXPLICAÇÃO: Sim, somos todos “irmãos” como “filhos” de Adão, mas não como filhos de
Deus. Filhos de Deus e irmãos mesmo são apenas os que adoram o Pai celestial.

Pergunta e resposta 8:

1. O Catecismo não é muito radical quando diz: “não podemos fazer bem algum”?
EXPLICAÇÃO: Muitas pessoas consideram o Catecismo radical demais porque acham que
o homem ainda possa fazer o bem. Reconhecem que o homem faz mal, mas não querem
dizer que somos tão corrompidos que não possamos fazer bem algum. Isto não é aceitável
para a maioria do povo, nem para a igreja Romana e nem para muitos evangélicos. Mas a
Bíblia mostra que esta é a realidade: o homem não é mais capaz de fazer o bem no sentido
de se salvar do pecado e fazer tudo o que Deus falou na Sua palavra.
- 21 -

2. Será que nós mesmos podemos vencer o pecado em nossa vida?


EXPLICAÇÃO: Não, não é possível. Por mais que tentemos melhorar a nossa vida. Na luta
contra o pecado, precisamos de uma força maior: precisamos nascer de novo pelo Espírito
de Deus.

3. O que é nascer de novo? De que maneira nascemos de novo?


EXPLICAÇÃO: Nosso nascimento é o começo da nossa vida. Mas nascemos com natureza
pecaminosa! Por isso é preciso que Deus faça um novo começo em nossa vida: o novo
nascimento. Se não nascermos de novo, não podemos ser filhos de Deus. João 1:12,13 diz
que filho de Deus é aquele que nasce de Deus. Para esse novo nascimento, Deus usa um
instrumento: Sua Palavra. 1 Pedro 1:23 diz: “Pois vocês foram regenerados…por meio da
Palavra de Deus”. É o Espírito Santo que opera em nossa vida, pela Palavra, para nos
tornar novas pessoas, pessoas que nasceram de novo.
- 22 -

Dia do Senhor 4

P.9. Mas, Deus não age injustamente com o homem ao exigir em Sua lei aquilo que o
homem não consegue cumprir?

R. Não, pois Deus criou o homem de tal forma que ele era capaz de a cumprir.1 Mas o
homem, sob a instigação do diabo,2 em desobediência deliberada,3 privou a si mesmo e a
todos os seus descendentes destes dons.4

1. Gn 1.31. 2. Gn 3.13; Jo 8.44; 1Tm 2.13, 14. 3. Gn 3.6. 4. Rm 5.12, 28, 19.

P.10. Permitiria Deus que uma tal desobediência e apostasia ficasse sem castigo?

R. Certamente que não, pois tanto o nosso pecado original quanto os nossos pecados
presentes O deixam terrivelmente irado. Por isso, Ele os castigará com justo juízo agora e
eternamente,1 conforme declarou:2 “Maldito todo aquele que não permanece em todas as
coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las” (Gl 3.10).

1. Gn 2.17; Ex 34.7; Sl 5.4-6; 7.11; Na 1.2; Rm 1.18; 5.12; Ef 5.6 Hb 9.27. 2. 27.26. 53

P.11. Mas Deus não é também misericordioso?

R. Deus é verdadeiramente misericordioso,1 mas também é justo.2 A Sua justiça requer


que o pecado cometido contra a Sua suprema majestade, seja castigado também com a
pena mais severa, quer dizer, com o eterno castigo do corpo e da alma.3

1. Ex 20.6; 34.6, 7; Sl 103.8, 9. 2. Ex 20.5; 34.7; Dt 7.9-11; Sl 5.4-6; Hb 10.30, 31. 3. Mt


25.45, 46.

DOMINGO 4

Pergunta e resposta 9:

1. Qual a razão da Pergunta 9?


EXPLICAÇÃO: Já aprendemos com os Domingos 2 e 3 que o homem pecador não é capaz
de amar a Deus e seu próximo. Mas este duplo amor é justamente o que Deus exige, é o
resumo da lei de Deus. Por isso, o Domingo 4 faz a pergunta: “Não é injusto que Deus exija
do homem o que ele não pode fazer?”. Exigir de uma criança o que só um adulto pode
fazer, não é injusto? Mas este exemplo falha, porque o pecador não é como uma criança.
Deus deu ao homem tudo o que precisava para fazer a divina vontade: “Deus criou o
homem de tal maneira que este pudesse cumprir a lei.” Mas o homem jogou fora sua
‘ferramenta’ Ele “privou a si mesmo … destes dons.” Não fez por ignorância, mas “por sua
própria rebeldia”. Seguiu a instigação do diabo e rejeitou o mandamento de Deus. Por isso
Deus não é injusto. É pela própria culpa que o homem não pode cumprir a lei de Deus.

2. O que nós, hoje, temos a ver com a desobediência de Adão?


EXPLICAÇÃO: Adão, no paraíso, podia cumprir a lei de Deus enquanto nós não possuímos
“os dons” que ele tinha. Mesmo assim, não há uma ruptura entre ele e nós. Pelo contrário,
- 23 -

estamos ligados com Adão porque ele é o pai de todos nós. O pecado do nosso pai teve
conseqüências para todos os seus descendentes. Também por outro motivo: como pai da
humanidade, Adão é também seu representante. Se um rei começa uma guerra, todos os
habitantes de seu país ficam envolvidos na guerra porque o rei representa seu país. Assim
o ato de desobediência de Adão influi na vida de todos nós. Atos 17:26 diz que Deus criou
de um só homem (Adão) todas as raças humanas. Adão não era um homem qualquer. Era
o primeiro homem. Somos todos da mesma origem. Como todos os ramos de uma árvore
estão ligadas com a raiz da árvore e como todos os membros de um corpo estão ligados
com a cabeça, assim todos temos a ver com Adão e com sua desobediência.

3. O que é “instigação”? E será que a Resposta 9 diminui a culpa do homem, falando


do papel do diabo?
EXPLICAÇÃO: A resposta 9 diz que o homem agiu “sob instigação do diabo”. Isto quer dizer
que o diabo incitou, estimulou, aconselhou e moveu o homem a pecar. Mas isto não diminui
a culpa do homem. Ele agiu e, embora sob a influência do diabo, permaneceu responsável
por seus atos.

4. O que a Bíblia diz em Romanos 5:12 e 19 sobre o papel de Adão?


EXPLICAÇÃO: Romanos 5:12 ensina: “Portanto, da mesma forma como o pecado entrou no
mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte sobreveio a todos os
homens porque todos pecaram”. Este verso não diz que Adão cometeu o pecado em nosso
nome, mas diz que nós pecamos nele. Nós mesmos jogamos fora os nossos dons. Neste
sentido, o pecado de Adão é nosso pecado. Romanos 5:19 diz: “… assim como por meio da
desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores. Assim também, por meio
da obediência de um único homem, muitos serão justos”. Isto quer dizer que todas as
pessoas são pecadoras, porque Adão desobedeceu a Deus, e muitas pessoas recebem
perdão de Deus, porque Jesus Cristo obedeceu à Deus.

5. A ligação entre Adão e nós significa também que estamos, por assim dizer,
contaminados com o pecado original?
EXPLICAÇÃO: ‘Contaminados com o pecado original’ quer dizer que nós não cometemos
este pecado pessoalmente, mas nascemos com ele. Nós o herdamos. Assim como um filho
recebe os cabelos ruivos de seu pai ruivo, assim herdamos o pecado do nosso pai, Adão.

6. Se o pecado original é uma questão de herança, ele nos torna culpados? Cf.
Salmos 51:1- 9.
EXPLICAÇÃO: O Salmo 51 ensina que o pecado original é uma realidade e nos torna
culpados. Davi se acusa porque cometeu um crime terrível. Mas este crime não é um caso à
parte, nem é explicável pela influência de maus exemplos. Davi volta seus pensamentos
para o passado, sua juventude e seu nascimento, o momento em que começou sua vida.
Sempre houve o pecado. Ele diz: ‘ De fato tenho sido mau desde que nasci; desde o dia do
meu nascimento tenho sido pecador’ (vs.5). Davi sabe que está contaminado nas raízes
mais profundas da sua existência. Entretanto, a conclusão dele não é que não tem culpa
por ser pecador. Pelo contrário, Davi diz que a situação é bem pior, porque sua maldade já
vem de antes do seu nascimento. Davi aceita seu pecado, que herdou, como dívida perante
- 24 -

Deus. Quando diz “apaga toda minha maldade” (vs.9), ele inclui também a maldade em que
nasceu (vs.5)

Pergunta e resposta 10:

1. O que é castigo? Para que serve o castigo? O castigo pode ser arbitrário? Existe
pecado que não mereça castigo?
EXPLICAÇÃO: Castigo é como o ‘salário’ do erro, pecado ou crime. Se uma pessoa fizer
uma coisa errada, merece ser castigada. Castigo serve para tirar a culpa ou pagar a dívida.
Mas não deve ser arbitrário. Uma criança que furtou uma bala não pode ser condenada a
10 anos de prisão. Tal castigo não seria justo. Por outro lado, não existe pecado que não
mereça castigo. O santo Deus não tolera o pecado.

2. O que é a ira de Deus?


EXPLICAÇÃO: A resposta 10 diz que Deus não deixa sem castigo a desobediência e
rebeldia do homem, porque se ira terrivelmente contra os pecados. Deus odeia o pecado.
Ele não diz, quando cometemos pecados, “não faz mal”, porque pecado faz mal. Sua ira
que é como um fogo, queima. Ele é como um pai, que fica indignado quando seu filho faz
uma coisa errada. Habacuque 1:13 diz: “Mas como podes tolerar esses traidores, essa
gente má? Os teus olhos são puros demais para olharem o mal; tu não suportas ver as
pessoas cometendo maldades. Como é, então, que ficais calado quando esses malvados
matam pessoas que são melhores do que eles?”. Isto quer dizer que Deus se ira contra a
maldade. Salmo 90:11 diz: “Quem conhece o grande poder da tua ira? Quem conhece o
medo que o teu furor produz?”. Isto quer dizer que a ira de Deus é terrível.

3. Que diferença há entre os pecados em que nascemos e os que cometemos?


EXPLICAÇÃO: Os pecados em que nascemos se referem ao pecado original que herdamos
do nosso pai Adão e à nossa natureza pecaminosa. Os pecados que cometemos são os
pecados que fazemos todos os dias. Há uma relação entre o pecado original e os pecados
diários: o pecado original é a raiz que produz em nós todo tipo de pecado. O pecado diário
pode ser comparado com uma fonte contaminada, da qual jorra o pecado como água
corrente. Todos os pecados que cometemos vêm do pecado original.

4. O julgamento e o castigo de Deus são justos?


EXPLICAÇÃO: Deus castiga o pecado “por justo julgamento.” Ele é justo. A Bíblia diz que
Deus exige muito da pessoa que recebe muito. O Senhor Jesus diz em Mateus 11:20-24
que as pessoas que viram a obra dEle, mas não creram nEle, receberão um castigo mais
pesado do que as pessoas que não viram suas obras. O apóstolo Paulo diz em Gálatas
3:10 que todos que não praticam a vontade de Deus escrita na sua lei são malditos. Mas
esta maldição veio sobre o Senhor Jesus! O castigo que Ele sofreu é a melhor prova de que
o castigo de Deus é justo. Foi preciso que o Senhor sofresse por causa dos nossos
pecados.
- 25 -

5. O que é o castigo nesta vida? Pode dar alguns exemplos? O que é o castigo na
vida futura?
EXPLICAÇÃO: O castigo nesta vida significa que Deus já castiga o homem pecador nesta
vida. Deus disse, por exemplo, ao povo de Israel (Deuteronômio 28) que Ele abençoaria os
obedientes e castigaria os desobedientes. O castigo seria falta de chuva (vs. 23), derrota
(vs.25), morte (vs. 26) e tumores (vs.27). Mas não podemos dizer que qualquer pessoa que
enfrente adversidades, deve ter cometido um pecado e por isso é castigada por Deus.
Pensemos em Jó, um servo de Deus, que recebeu muita adversidade. Mas no caso dele,
não era castigo. O castigo na vida futura é a morte eterna, o inferno, onde não haverá
nenhuma comunhão com Deus. A Bíblia diz que esse castigo consiste em escuridão e fogo.
Ninguém pode imaginar como será esse castigo terrível para aqueles que não serviram a
Deus. A Bíblia fala do assunto para nos avisar. Todos nós merecemos ser lançados no
inferno, mas podemos escapar graças a Jesus Cristo, pela fé nEle, porque Ele sofreu o
castigo em nosso lugar.

Pergunta e resposta 11:

1. A pergunta 11 parece jogar a misericórdia de Deus contra a justiça. Deus não


mostrou sua misericórdia? Ele não pode esquecer ou cancelar o castigo?
EXPLICAÇÃO: A Pergunta 11 reflete apenas o desejo do pecador que quer escapar do
castigo e que pergunta: Mas Deus não é também misericordioso? Claro que é. Deus
mostrou sua misericórdia através do seu Filho Jesus Cristo, que enviou ao nosso mundo
para nos salvar. Mas Deus é também justo. Justamente a vida e a morte de seu Filho
mostram que Deus não cancela ou esquece o castigo. Seu Filho foi castigado em nosso
lugar. Deus cumpriu assim a palavra que diz que o salário do pecado é a morte (Romanos
6:23). Não é correto fazer um contraste entre a misericórdia e a justiça de Deus, jogando
um contra a outra. São os dois lados da mesma moeda. Em Deus não há contraste ou
contradições!

2. O que significa o termo “pena máxima” e que pena é essa? E por que o Catecismo
diz que o pecado merece a pena máxima?
EXPLICAÇÃO: O termo “pena máxima” significa o castigo mais severo que existe não
havendo outro castigo mais pesado. Esta pena máxima é “o castigo eterno em corpo e
alma” (Resposta 11, no final). O pecado que cometemos é sempre pecado contra a
suprema majestade de Deus, o Altíssimo e Santíssimo. Não pecamos contra um homem!
Por isso o pecado merece a pena máxima. Entre os homens já é assim. Um crime contra
um magistrado recebe um castigo mais severo do que um crime contra um cidadão comum.
Muito mais severo tem que ser um crime contra o Todo-poderoso! O castigo que Cristo
sofreu, o castigo eterno em corpo e alma, justamente prova que nosso pecado merece a
pena máxima.

3. O castigo eterno não é duro demais para seres humanos que vivem sua vida curta
aqui na terra?
EXPLICAÇÃO: O castigo eterno não é duro ou pesado demais, se o compararmos com o
pecado cometido: é cometido contra a suprema majestade de Deus. Não há coisa mais
grave. Deus também não pode ser acusado de crueldade como alguns fazem, porque em
- 26 -

sua misericórdia Deus nos avisou revelando que existe o castigo eterno. Precisamos saber
o que acontecerá com aquele que não querem servir a Deus, para que nos arrependamos e
Lhe sirvamos.

4. O que as testemunhas de Jeová dizem sobre a morte eterna?


EXPLICAÇÃO: As testemunhas de Jeová dizem que os que crêem receberão a vida eterna
e os descrentes deixarão de existir após a morte. Dizem que não existe um inferno. O que
essa seita diz, não é conforme a Palavra de Deus.
- 27 -

Dia do Senhor 5

P.12. Se pelo justo julgamento de Deus merecemos tanto o castigo temporal quanto o
eterno, como então poderemos escapar desta punição para sermos novamente recebidos
em graça?

R. Deus requer que a Sua justiça seja satisfeita.1 Por isso, nós mesmos devemos satisfazer
essa justiça completamente, ou um outro por nós.2

1. Ex 20.5; 23.7; Rm 2:1-11. 2. Is 53.11; Rm 8.3, 4.

P.13. Podemos, nós mesmos, satisfazer essa justiça?

R. Certamente que não. Pelo contrário, todos os dias aumentamos a nossa dívida.1

1. Sl 130.3; Mt 6.12; Rm 2.4, 5.

P.14. Qualquer mera criatura pode satisfazê-la por nós?

R. Não. Em primeiro lugar, Deus não vai castigar uma outra criatura pelo pecado que o
homem cometeu.1 Além disso, não há criatura que possa suportar o peso da ira eterna de
Deus contra o pecado, nem libertar outros dessa ira.2

1. Ez 18.4, 20; Hb 2.14-18. 2. Sl 130.3; Na 1.6.

P.15. Que tipo de mediador e libertador temos que buscar?

R. Alguém que seja homem verdadeiro1 e justo,2 e mais poderoso que todas as criaturas;
isso é, alguém que seja ao mesmo tempo, Deus verdadeiro.3

1. 1Co 15.21; Hb 2.17. 2. Is 53.9; 2Co 5.21; Hb 7.26. 3. Is 7.14; 9.6; Jr 23.6; Jo 1.1; Rm 8.3,
4.

DOMINGO 5

Pergunta e resposta 12:

1. Qual parte do Catecismo de Heidelberg começa com o Domingo 5?


EXPLICAÇÃO: Aqui começa a segunda parte que trata da nossa salvação. A primeira parte
fala da nossa miséria, e a terceira parte da nossa gratidão.
- 28 -

2. Falando da nossa salvação, podemos distinguir entre a obra da salvação para nós
e a obra da salvação em nós. Quem fez a obra da salvação para nós e quem faz a obra
da salvação em nós?
EXPLICAÇÃO: Jesus Cristo fez a obra da salvação para nós, quando estava na terra,
conquistando nossa salvação. O Espírito Santo faz a obra da salvação em nós. Ele nos dá a
salvação que Cristo conquistou fazendo com que a salvação fosse nossa.

3. Por que a Pergunta 12 coloca nossa salvação em termos de “escapar do castigo e,


de novo, sermos aceitos por Deus em sua graça”?
EXPLICAÇÃO: Porque nossa salvação é isso mesmo, é escapar do castigo terrível que é o
contrário da vida, e encontrar a vida em Deus que nos aceita em sua graça.

4. Como sabemos que Deus quer que sua justiça seja cumprida?
EXPLICAÇÃO: Sabemos isto pela vida de Cristo que deveria sofrer e morrer para cumprir a
justiça divina. Veja Mateus 3:15 onde o Senhor responde para João Batista, quando insiste
em ser batizado por ele: “Deixe assim por enquanto; convém que assim façamos, para
cumprir toda a justiça”.

5. O Catecismo diz que nós mesmos devemos satisfazer a justiça de Deus. O que isso
quer dizer?
EXPLICAÇÃO: De fato, Adão no paraíso já devia satisfazer a justiça de Deus, no sentido de
fazer o que Deus exigiu na aliança e cumprir a lei de Deus. “Satisfazer a justiça de Deus” é
em primeiro lugar, cumprir a lei de Deus.
A queda do homem no pecado resultou em mais duas obrigações:
a) sofrer o castigo merecido pelos pecados cometidos;
b) pagar as dívidas. Porque quem comete pecados, cria dívidas.
Temos que pagar o que Deus exige de nós. Se não, não receberemos o ‘recibo’ que mostra
que a dívida está paga. Além disso, temos que pagar a dívida total. Deus não dá descontos.
Tudo isso é “Satisfazer a justiça de Deus”. É o caminho da salvação ou reconciliação com
Deus. Reconciliação quer dizer que dois partidos que estão em pé de guerra se tornam
amigos. Para que o homem pecador, inimigo de Deus, se reconcilie com Deus, é preciso
satisfazer a justiça de Deus.

6. Quem deve pagar? A resposta 12 fala de “um outro por nós”. Isto vale como nosso
pagamento?
EXPLICAÇÃO: É pensando no A.T. que o Catecismo abre a porta para a possibilidade de
outra pessoa pagar por nós. Os animais sacrificados valiam como pagamento dos israelitas,
no lugar deles, e isto já apontava para Cristo que viria para pagar em nosso lugar. Isto quer
dizer que se “um outro” pagar, somo nós que fazemos o pagamento, por meio daquele
“outro”. É assim que o pagamento de Cristo vale para nós, pela fé nEle.
- 29 -

Pergunta e resposta 13​:

1. Por que nós mesmos não podemos pagar a dívida?


EXPLICAÇÃO: Não fazer o que Deus quer, cria dívidas com Ele. Isto acontece todos os
dias. Por isso o Catecismo diz que “aumentamos, a cada dia, a nossa dívida com Deus”.
Nem chegamos a pagar as dívidas de ontem. Desta maneira nunca conseguimos satisfazer
a justiça de Deus.

2. De que maneira pessoas estão tentando pagar suas dívidas? Qual o resultado
destas tentativas?
EXPLICAÇÃO: Há muitas pessoas que querem pagar a Deus. Para isso, alguns fazem boas
obras ou estão lutando para se corrigir, outros procuram se arrepender ou oferecem
sacrifícios a Deus. Mas tudo isso não adianta nada. Se dissermos para Deus: ‘Aqui o meu
monte de boas obras’, Ele dirá para nós: ‘O monte de seus pecados é muito maior’. Não dá
para pagar fazendo boas obras. Nenhum de nós o consegue porque devemos pagar 100%.
Além disso, devemos obedecer totalmente a lei de Deus. Nenhum de nós consegue fazer
isso e aumentamos, a cada dia, a nossa dívida com Deus. Também as pessoas que se
converteram e sempre se arrependem precisam orar: “ Perdoa-nos as nossas dívidas.”

3. Há uma diferença entre ‘pecado’ e ‘dívida’?


EXPLICAÇÃO: Podemos distinguir entre pecado e dívida. O pecado é o erro cometido. A
dívida é a conseqüência ou resultado do erro. Esta distinção entre pecado e dívida não
significa uma separação entre as duas coisas, porque é o pecado que cria dívidas. Neste
sentido pecado é dívida.

Pergunta e resposta 14:

1. Por que uma criatura, sendo apenas criatura, não pode pagar por nós?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo apresenta duas razões.
- Primeiro: Deus não quer castigar uma outra criatura, que não tenha a natureza humana,
pela dívida do homem. Isto não seria justo. Quem pecou tem que pagar: o homem e seus
descendentes. Ezequiel 18:4 diz que a pessoa que pecar, morrerá.
- Segundo: uma criatura, sendo apenas criatura, não poderia suportar o peso da ira eterna
de Deus contra o pecado e dela livrar outros. Sofrer a ira de Deus é uma coisa, mas
suportar o peso dessa ira, é outra. Além disso, é preciso pagar tudo, ser capaz de terminar
o pagamento e dizer: ‘ Está consumado: tudo pago’. Nenhuma criatura, sendo apenas
criatura, consegue fazer isto. Naum 1:6 ensina isso com estas palavras: “Quando o Deus
Eterno está irado, quem pode ficar de pé? Quem pode resistir à sua ira? A sua fúria se
derrama como um rio de fogo; diante dele as pedras se arrebentam” (Linguagem de Hoje).

2. Em que outra (s) Criatura (s) pensa o Catecismo na Pergunta e Resposta 14?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo pensa em anjos e em animais, que são criaturas, mas sem a
natureza humana.
- 30 -

3. Mas os sacrifícios de animais no templo não valiam como pagamento das dívidas
dos israelitas?
EXPLICAÇÃO: É verdade. O povo de Israel usava sacrifícios de animais para se reconciliar
com Deus. Mas estes sacrifícios nunca tiravam o pecado. Hebreus 10:4 ensina que o
sangue de touros e de bodes nunca poderá tirar os pecados de ninguém. O povo de Israel
sabia disso. Salmo 40:6 diz: “Tu não queres animais oferecidos em sacrifício, nem ofertas
de cereais. Não pedistes que animais fossem queimados em sacrifício, nem exigiste ofertas
para tirar pecados”. Os sacrifícios em Israel ensinavam o povo que um sacrifício diferente,
um sacrifício perfeito, era necessário.

Pergunta e resposta 15:

1. O que é um mediador?
EXPLICAÇÃO: Um mediador é uma pessoa que se coloca entre duas pessoas ou dois
grupos (países) para reconcilia-los, resolvendo o conflito entre eles.

2. Quem é o nosso Mediador? O que Ele precisou fazer para nos reconciliar com
Deus?
EXPLICAÇÃO: Nosso Mediador é Jesus Cristo. Sua morte na cruz era necessária para nos
reconciliar com Deus.

3. O que quer dizer: “devemos buscar o Mediador?”


EXPLICAÇÃO: Buscar não quer dizer que Ele está escondido. Pelo contrário: Deus nos deu
seu Filho, Jesus Cristo. O Pai o revelou. Ouvimos sobre Ele na pregação da Palavra.
Buscar o Mediador significa buscar o Mediador pregado. Buscá-lo significa ir para Cristo e
aceitar a obra que Ele fez.

4. O Mediador entre Deus e nós devia ter duas naturezas. Quais são elas? E por que
deveria ter essas duas naturezas?
EXPLICAÇÃO: Trata-se da natureza humana e da natureza divina. O Mediador deveria ter a
natureza humana porque o homem pecou. Só um ser humano podia pagar a dívida. O
Mediador devia ter também a natureza divina, porque só a natureza divina podia suportar a
ira de Deus.

5. O que é um “homem justo”?


EXPLICAÇÃO: A palavra “justo” significa um homem que faça toda a vontade de Deus sem
erro ou pecado nenhum.
- 31 -

Dia do Senhor 6

P.16. Por que tem de ser um homem verdadeiro e justo?

R. Tem de ser homem verdadeiro, pois a justiça de Deus exige que a mesma natureza
humana que pecou, pague pelo pecado.1 Tem de ser homem justo, pois alguém que, por
natureza, já é pecador, não pode pagar pelos pecados dos outros.2

1. Rm 5.12, 15; 1Co 15.21; Hb 2.14-16. 2. Hb 7.26, 27; 1Pe 3.18.

P.17. Por que ele tem de ser, ao mesmo tempo, Deus verdadeiro?

R. Ele tem de ser Deus verdadeiro para que, pelo poder da Sua natureza Divina,1 possa
suportar em sua natureza humana o peso da ira de Deus2 e, conquistar e restituir para nós,
a justiça e a vida.3

1. Is 9.6. 2. Dt 4.24; Na 1.6; Sl 130.3. 3. Is 53.5, 11; Jo 3.16; 2Co 5.21.

P.18. Mas, que Mediador é esse que é, ao mesmo tempo, Deus verdadeiro e homem
verdadeiro e justo?

R. O nosso Senhor Jesus Cristo,1 “o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e
justiça, e santificação, e redenção” (1Co 1.30).

1. Mt 1.21-23; Lc 2.11; 1Tm 2.5; 3.16.

P.19. Como você sabe disso?

R. Pelo santo evangelho, revelado pela primeira vez no Paraíso pelo próprio Deus.1 O qual
o fez proclamar depois pelos patriarcas2 e profetas,3 e prefigurar, como sombras, pelos
sacrifícios e outras cerimônias da lei.4 Fazendo-o, por fim, ser cumprido por meio do Seu
único Filho.5

1. Gn 3.15. 2. Gn 12.3; 22.18; 49.10. 3. Is 53; Jr 23.5, 6; Mc 7.18-20; At 10.43; Hb 1.1 4. Lv


1-7; Jo 5.46; Hb 10.1-10. 5. Rm 10.4; Gl 4.4, 5; Cl 2.17.

DOMINGO 6

Pergunta e resposta 16:

1. Por que o Mediador deve ser verdadeiro homem? O que 1 Coríntios 15:21 diz?
EXPLICAÇÃO: O nosso Mediador deve ser verdadeiro homem, quer dizer, alguém igual a
nós, em corpo e alma. Isto é necessário porque a justiça de Deus exige que o homem
pague o pecado do homem. Deve ser claro que aquele que fez o pecado, o homem,
também deve pagar. 1 Coríntios 15:21 diz: “Visto que a morte veio por meio de um só
- 32 -

homem”. Isto quer dizer que a morte, que é o salário do pecado, veio por meio de um
homem, Adão.

2. Por que um pecador não pode pagar por outros pecadores? Isto tem a ver com o
Mediador como homem justo? O que diz Hebreus 7:26?
EXPLICAÇÃO: O nosso Mediador deve ser homem justo, porque alguém que tenha seus
próprios pecados, não pode pagar pelo pecado dos outros. Qualquer homem pecador
aumenta, a cada dia, a sua própria dívida com Deus. Está escrito em Hebreus 7:26 “É de
um sumo sacerdote como este (Jesus) que precisávamos: santo, inculpável, puro, separado
dos pecadores, exaltado acima dos céus”. Os chamados santos da Igreja Romana não
podem ser nossos mediadores porque não têm essas características.

Pergunta e resposta 17:

1. Por que o Mediador deve ser verdadeiro Deus?


EXPLICAÇÃO: Primeiro: somente sendo verdadeiro Deus, o Mediador pode suportar, como
homem, o peso da ira de Deus. Se pedir a um homem para esvaziar o mar com um balde,
você pede uma coisa impossível. Assim uma criatura, sendo apenas criatura, nunca pode
esvaziar a taça da ira de Deus. Mas o nosso Mediador, sendo verdadeiro Deus, é capaz de
fazer isto.
Segundo: nosso Mediador deve também conquistar nossa salvação. Nenhuma pessoa,
sendo apenas criatura, é capaz de fazer isto, porque é pecadora. Mas nosso Mediador pode
conquistar a salvação, sendo mais que homem: verdadeiro Deus.
Terceiro: nosso Mediador deve também restituir para nós a justiça e a vida. Isto quer dizer,
transformar o nosso coração. Nenhuma pessoa humana pode fazer isso. Somente Deus,
nosso Mediador divino.

Pergunta e resposta 18:

1. O que fica claro quando sabemos que o nosso Mediador deve ser homem e, ao
mesmo tempo, Deus?
EXPLICAÇÃO: Fica claro que nós mesmos não podemos oferecer esse Mediador. Do
nosso lado, não há nenhuma perspectiva de salvação. Felizmente, nós não precisamos dar
o Mediador. O Catecismo diz que Ele já nos foi dado por Deus e é o nosso Senhor Jesus
Cristo.

2. Quantos mediadores há entre Deus e nós? Moisés pode ser considerado um


mediador para sua época? Davi, Salomão e outros que oravam pelo povo de Deus
não funcionavam como mediadores?
EXPLICAÇÃO: Podemos sim, considerar homens como Moisés como mediadores entre
Deus e seu povo. Os sacerdotes israelitas eram uma categoria de mediadores com seu
ofício no lugar da reconciliação, o templo. Mesmo assim, não eram mediadores perfeitos ou
sem pecados. Os sacerdotes precisavam oferecer sacrifícios pelos próprios pecados! O
único Mediador perfeito e competente é o nosso Senhor Jesus Cristo, porque é verdadeiro
Deus e, ao mesmo tempo, verdadeiro homem e homem justo.
- 33 -

3. O que nos ensinam Lucas 2:7 e 1 Timóteo 2:5 sobre nosso Mediador como
verdadeiro homem?
EXPLICAÇÃO: Lemos em Lucas 2:7 “E ela (Maria) deu à luz o seu primogênito. Envolveu-o
em panos e o colocou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria”.
Lucas escreve aqui sobre o nascimento de Jesus, mostrando que Ele é verdadeiro homem.
Lemos em 1 Timóteo 2:5 : “Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens:
o homem Cristo Jesus”.

4. Como explicam 1 Pedro 2:22 e João 8:46 que o nosso Mediador é homem justo?
EXPLICAÇÃO: 1 Pedro 2:22 diz: “Ele (Cristo) não cometeu pecado algum, e nenhum
engano foi encontrado em sua boca”. Pedro diz que Jesus Cristo, nosso Mediador, não
cometeu nenhum pecado. Por isso é homem justo. E João 8:46: “Algum de vocês pode me
acusar de algum pecado? Se estou falando a verdade, por que vocês não crêem em mim?.
O próprio Senhor e Mediador diz aqui que Ele não tem nenhum pecado.

5. O que nos ensinam Romanos 9:5 e 1 João 5:20 sobre nosso Mediador como
verdadeiro Deus?
EXPLICAÇÃO: Lemos em Romanos 9:5: “Deles (dos judeus) são os patriarcas; e à partir
deles, se traça a linhagem humana de Cristo, que é Deus acima de tudo, bendito para
sempre! Amém”. Paulo diz que Cristo é um ser humano e também é Deus. Lemos em 1
João 5:20 “Sabemos também que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento, para que
conheçamos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos naquele que é Verdadeiro, em seu
Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.” João diz que Jesus Cristo é o
Deus verdadeiro.

6. Para que o Senhor Jesus Cristo nos foi dado, segundo o Catecismo?
EXPLICAÇÃO: “Nosso Senhor Jesus Cristo nos foi dado para completa salvação e justiça”.
A palavra “justiça” significa aqui fazer o que Deus quer, o que é justo, e assim ser justo. Foi
pelo pecado que perdemos essa justiça. Não podemos fazer o que Deus quer. Mas quando
aceitamos o Mediador Jesus, recebemos de volta a justiça e nos tornamos justos perante
Deus. Recebemos tudo isso pela fé em Jesus Cristo.

Pergunta e resposta 19:

1. Como sabemos tudo o que foi dito sobre o Mediador?


EXPLICAÇÃO: Sabemos tudo pelo Evangelho.

2. O que significa a palavra “evangelho”?


EXPLICAÇÃO: “Evangelho” significa boa notícia ou boa nova. Não devemos pensar
imediatamente nos primeiros quatro livros do Novo Testamento, os evangelhos segundo
Mateus, Marcos, Lucas e João. Há só um evangelho que é a mensagem da Bíblia toda,
inclusive destes quatro evangelhos. O evangelho anuncia a salvação. É a mensagem de
Deus, e não apenas um livro, embora a mensagem esteja em livros.
- 34 -

3. Quem revelou primeiro o Evangelho? Quando? O que diz Gênesis 3:15?


EXPLICAÇÃO: O próprio Deus revelou o Evangelho, já no paraíso, logo após a queda do
homem. Lemos em Gênesis 3:15 sobre a primeira promessa da vinda de Cristo: “Eu farei
que você (= o diabo) e a mulher sejam inimigas uma da outra, e assim também serão
inimigas a sua descendência e a descendência dela. Esta esmagará a sua cabeça, e você
picará o calcanhar da descendência dela. (= Jesus Cristo)” (BLH). Todas as promessas da
Bíblia vêm desta primeira promessa de Deus.

4. Quem eram os santos patriarcas e profetas?


EXPLICAÇÃO: Os patriarcas (primeiros pais) do povo de Israel eram Abraão, Isaque e
Jacó. Foi por eles que Deus anunciou o Evangelho. Também os profetas anunciaram o
Evangelho. Profetas eram pessoas que falavam em nome de Deus. Deviam transmitir a
Palavra de Deus a seu povo.

5. Como foi o Evangelho representado através dos sacrifícios?


EXPLICAÇÃO: O Evangelho foi representado através dos sacrifícios e das outras
cerimônias do Antigo Testamento porque todos eles apontavam para Cristo, para seu
sangue que nos traria a salvação. Podemos pensar no Cordeiro da Páscoa e nos demais
animais sacrificados, no Sumo Sacerdote e nos demais sacerdotes, e nas muitas
cerimônias de purificação.

6. Quem cumpriu o Evangelho?


EXPLICAÇÃO: Finalmente Deus cumpriu o Evangelho por seu único Filho. As promessas
que Deus havia dado no A.T. desde Gên. 3;15 se cumpriram na vinda de Jesus Cristo. Veio
o Mediador prometido! O Evangelho cumprido por Cristo é sempre anunciado pelos
mensageiros de Deus onde e quando Ele quiser.

7. O que a Resposta 19 ensina sobre o valor e a importância do A.T. ?


EXPLICAÇÃO: Ensina que A.T. já é Evangelho e certamente não é inferior ao N.T. como
muitos crentes pensam. O A.T. fala de Cristo e isto constitui seu valor e importância para a
Igreja de Hoje.
- 35 -

Dia do Senhor 7

P.20. Então, todos os homens foram salvos por Cristo, exatamente como por meio de Adão
todos pereceram?

R. Não.1 Só estão salvos os que, pela verdadeira fé, foram enxertados em Cristo e
aceitaram todos os Seus benefícios.2

1. Mt 7 .14; Jo 1.12; 3.16, 18, 36; Rm 11.16-21.

P.21. O que é a verdadeira fé?

R. A verdadeira fé é a convicção com que aceito como verdade tudo aquilo que Deus nos
revelou em Sua Palavra.1 É também a firme certeza2 de que Deus garantiu — não só aos
outros como também a mim3 — perdão de pecados, justiça eterna, e salvação4 por pura
graça e somente pelos méritos de Cristo.5 O Espírito Santo realiza essa fé em meu coração
por meio do evangelho.6

1. Jo 17.3, 17; Hb 11.1-3; Tg 2.19. 2. Rm 4.18-21; 5.1; 10.10; Hb 4.16. 3. Gl 2.20 4. Rm


1.17; Hb 10.10. 5. Rm 3.20-26; Gl 2.16; Ef 2.8-10. 6. At 16.14; Rm1.16; 10.17; 1Co 1.21.

P.22. Então, no que o cristão tem de acreditar?

R. Em tudo que nos está prometido no evangelho,1 e que nos são ensinados
resumidamente pelo artigos da nossa fé cristã universal e indubitável.

1. Mt 28.19; Jo 20.30, 31.

P.23. Que artigos são esses?

R.

1. Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do céu e da terra.

2. em Jesus Cristo, Seu unigênito Filho, nosso Senhor,

3. o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria;

4. padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao
inferno;

5. ressurgiu dos mortos ao terceiro dia;

6. subiu ao céu; está assentado à mão direita de Deus Pai Todo-poderoso,

7. de onde há de vir para julgar os vivos e os mortos.

8. Creio no Espírito Santo;


- 36 -

9. na santa Igreja universal; na comunhão dos santos;

10. na remissão dos pecados;

11. na ressurreição do corpo;

12. na vida eterna.

DOMINGO 7

Pergunta e resposta 20:

1. A Bíblia ensina que todo o mundo se torna salvo por Cristo? Cf. 2 Pedro 3:9 e 1
Timóteo 2:4.
EXPLICAÇÃO: Mateus 22:14 diz: “Pois muitos são chamados, mas poucos são escolhidos.”
Isto quer dizer que Deus convida muitas pessoas para participarem da festa no seu Reino,
mas poucas aceitam esse convite crendo em Jesus.
2 Pedro 3:9 diz: “O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns.
Pelo contrário, ele é paciente com vocês não querendo que ninguém pereça, mas que todos
cheguem ao arrependimento”. Esse texto não significa que todas as pessoas sejam salvas,
mas que Deus manda que todas as pessoas se arrependam. Se eu disser para uma
pessoa: ‘Quero que você vá’, não sei se ela fará o que mandei. Outra coisa é dizer: ‘ Eu
quero ficar aqui’. É uma decisão minha: eu fico. Assim precisamos distinguir entre o
mandamento de Deus e sua decisão. Deus dá sua ordem: “Creiam todos em Cristo”. Mas
sua decisão de chamar um determinado número de pessoas para salvá-las é uma coisa
distinta. A mesma observação deve ser feita sobre 1 Timóteo 2:4 onde lemos: (Deus) “o
qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.”
Trata-se de uma ordem de Deus para todos.

2. Quem será salvo? Cf. João 3:36 . As pessoas não-salvas podem culpar Deus por
sua situação?
EXPLICAÇÃO: Quem crê em Jesus Cristo será salvo. João 3:36 diz: “Quem crê no Filho
tem a vida eterna; já quem rejeita o Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece
sobre ele“. O sacrifício de Cristo na cruz é suficiente para salvar todos, mas muitos não
querem aceitá-lo por fé. Por isso, a perdição deles é a sua própria culpa, e não a culpa de
Deus.

3. Quem nos une a Cristo? Como Ele faz isso?


EXPLICAÇÃO: É o próprio Deus quem nos une a Cristo. Esta união não é o resultado da
nossa fé ou de alguma obra nossa, porque é Deus, o Espírito Santo que nos dá a fé. Ele
nos une a Cristo pela fé. A fé em Cristo nos faz receber a salvação porque essa fé aceita
todos os benefícios de Cristo. Estes são os frutos da sua obra realizada na terra e no céu.
- 37 -

Pergunta e resposta 21:

1. A expressão ‘verdadeira fé’ sugere que existem outras qualidades de fé? Cf. Tiago
2:20.
EXPLICAÇÃO: Existe também fé que não mereça esse nome. Muitas pessoas dizem que
crêem em Deus, mas a maioria delas têm uma crença que não é ‘a verdadeira fé’, por
exemplo, a ‘fé espírita’. Também na Igreja, existe uma qualidade de fé que não é
‘verdadeira’. A Bíblia fala de fé morta: Tiago 2:20: “Insensato! Quer certificar-se de que a fé
sem obras é inútil?”.

2. O que aprendemos sobre a verdadeira fé, com a Resposta 21?


EXPLICAÇÃO: Aprendemos que as duas características da verdadeira fé são conhecimento
(certeza) e confiança. Fé é conhecimento da verdade da Palavra e confiança em Deus, o
qual me dá a salvação.

3. Que relação há entre conhecimento, certeza e confiança?


EXPLICAÇÃO: A verdadeira fé é uma coisa singular: conhecimento, certeza e confiança
estão totalmente interligadas. A palavra “certeza” define de que conhecimento o Catecismo
fala. É conhecimento que dá certeza. Sem este conhecimento seguro, não há base para
confiar em Deus. Já em geral é assim: para confiar numa pessoa preciso conhecê-la. Para
confiar em Deus e nas suas promessas preciso conhecê-lo através da Revelação escrita.
Por outro lado, conhecimento sem confiança é uma coisa fria e inútil. O conhecimento da
verdade bíblica nos leva e deve levar-nos à plena confiança na salvação pelos méritos de
Cristo. O conhecimento da fé não é conhecimento científico ou intelectual, uma coisa só da
nossa cabeça, mas é conhecimento baseado no relacionamento pessoal com Deus. Uma
pessoa com pouca inteligência pode ter esse conhecimento e certeza. Quando aceita toda a
Palavra, tal pessoa diz ‘amém’ à Palavra. Crer é dizer ‘amém’ pela confiança de que é
verdade o que Deus nos diz. Conhecimento e confiança são uma coisa só. São um
conhecimento que confia em Deus e uma confiança que conhece Deus.

4. O que precisamos conhecer? (Note a palavrinha “tudo”) Em que devemos confiar?


EXPLICAÇÃO: A verdadeira fé acredita que tudo o que Deus revelou em sua Palavra é
verdade. A fé não reduz a Bíblia a um número mínimo de verdades, mas aceita tudo,
embora não compreenda tudo. Devemos ter confiança de que as promessas da Bíblia são
também para nós. Usando uma comparação: quando recebe uma coisa, você pode dizer
com toda a razão ‘isso é meu’, é para ‘mim’. Assim a fé age, dizendo ‘as promessas de
Deus são também para mim’.

5. Uma pessoa que rejeita a Bíblia pode acreditar em Deus? E uma pessoa que não
conhece a Bíblia?
EXPLICAÇÃO: Pode ser claro que aquele que rejeita a Palavra de Deus não acredita em
Deus. Não devemos criticar a Palavra, mas aceitá-la. A pessoa que não conhece nada da
Palavra também não pode acreditar em Deus. Precisamos estudar a Palavra.
- 38 -

6. Qual palavra explica o que é “a pura graça”?


EXPLICAÇÃO: É a palavra “méritos”. A remissão dos pecados, a justiça eterna e a salvação
não são coisas que merecemos ou realizamos, mas são “méritos de Cristo”, coisas que Ele
conquistou para nós e que vêm até nós por pura graça. O Catecismo fala dos méritos de
Cristo para excluir nossos méritos ou merecimentos e enfatizar a graça exclusiva de Deus.

7. O que a Resposta 21 ensina sobre o Espírito Santo e a Palavra, e sobre a relação


entre eles?
EXPLICAÇÃO: O Espírito Santo opera a verdadeira fé em meu coração. É uma obra
invisível. Mas o Espírito usa um instrumento visível como um carpinteiro usa seu martelo.
Esse instrumento do Espírito é o Evangelho. Ele opera e produz a fé por meio do
Evangelho. Eis aqui a relação entre o Espírito Santo e a Palavra: o Espírito utiliza ou
emprega a Palavra de Deus que é a “espada do Espírito” (Efésios 6:17). A Palavra sempre
acompanha o Espírito e Ele não opera sem a Palavra. Quem quer receber a fé, não precisa
de visões, sonhos e outras revelações particulares, mas precisa ir ao culto.

Perguntas e respostas 22 e 23:

1. Por que o Catecismo diz: “Em que um cristão ​deve​ crer?” e não: “Em que um
cristão crê?”?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo fala assim porque o cristão não tem uma fé perfeita. A fé de
todos os crentes ainda tem erros. Por isso, precisamos sempre comparar o conteúdo de
nossa fé com a Bíblia, em que devemos crer.

2. Em que devemos crer? O que Deus exige de nós?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que devemos crer “em tudo o que nos é prometido no
Evangelho”. Este Evangelho é a Bíblia como Boa Nova, que é uma Grande Promessa. Deus
não diz apenas: ‘Eu sou Deus e faço muita coisa’. Mas Ele diz: ‘Eu sou seu Deus e faço
muita coisa para você’. A promessa é uma característica da Palavra de Deus. Estamos
falando da promessa de Deus! Pessoas humanas podem prometer algo sem cumprir sua
promessa, mas Deus faz o que Ele diz: “Prometido” é ‘garantido’. As promessas do
Evangelho são seguras. Deus exige que aceitemos a sua promessa pela fé. Quem não crê,
não recebe o que Deus prometeu. Daí a importância da palavra “tudo” (confira a Resposta
21!): devemos crer na totalidade do Evangelho. Quem não acredita na Bíblia toda, não
merece o nome cristão.

3. O que é o Credo Apostólico segundo a Resposta 22? Por que se chama


“Apostólico”?
EXPLICAÇÃO: É um resumo da nossa universal e indubitável fé cristã. Nada mais e nada
menos que um resumo. O Credo não pode, nem quer substituir a Bíblia, mas como resumo
do Evangelho ele é muito útil. Trata-se da fé universal! Não foram os apóstolos que
escreveram esse Credo como se pensava antigamente. Mas o Credo Apostólico contém,
sim, a fé e a doutrina dos apóstolos.
- 39 -

4. Por que a Igreja tem Credos? (Há quatro motivos).


EXPLICAÇÃO: A Igreja tem Credos para:
a) testemunhar publicamente qual é a verdade da fé e da doutrina da Igreja.
b) ensinar a doutrina aos filhos dos crentes.
c) defender a verdade contra falsas doutrinas.
d) mostrar e preservar a união dos crentes.
- 40 -

Dia do Senhor 8

P.24. Como se dividem esses artigos?

R. Em três partes.
— a primeira é sobre Deus o Pai e a nossa criação;
— a segunda é sobre Deus o Filho e a nossa redenção;
— a terceira é sobre Deus o Espírito Santo e a nossa santificação.

P.25. Por que é que você fala em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo; visto que só
existe um único Deus?

R. Porque o próprio Deus se revelou de tal maneira em Sua Palavra1 que essas três
Pessoas distintas são o único, verdadeiro e eterno Deus.2

1. Dt 6.4; Is 44.6; 45.5; 1Co 8.4, 6. 2. Gn 1.2, 3; Is 61.1; 63.8-10; Mt 3.16, 17; 28.18, 19; Lc
4.18; Jo 14.26; 15.26; 2Co 13.14; Gl 4.6; Tt 3.5, 6.

DOMINGO 8

Pergunta e resposta 24:

1. Olhando a Reposta 23, dá para reconhecer as três partes do Credo mencionadas na


Resposta 24?
EXPLICAÇÃO: O Credo Apostólico é dividido, como se vê na Resposta 23, em três partes
principais, marcadas por números romanos. Parte I fala do Pai, parte II fala do Filho, e parte
III fala do Espírito Santo. O Credo é também dividido em 12 partes menores, chamadas
‘artigos’, e por isso se chama “Os Doze Artigos da Fé”.

2. De que maneira as três Pessoas da Divindade são distintas?


EXPLICAÇÃO: Principalmente por suas obras como explica a Resposta 24. As três
Pessoas Divinas são igualmente Deus mas são distintas por suas obras. O Filho veio ao
mundo para sofrer e morrer por nós. Não foi o Pai que fez isso, nem o Espírito. Mas o
Espírito Santo veio habitar conosco depois de Pentecostes, e não o Filho. O Pai não subiu
ao céu nem veio ao mundo, mas Ele nos adotou como os seus filhos. Assim cada uma das
três Pessoas tem o seu próprio trabalho distinto.

3. É verdade que o Filho e o Espírito Santo não têm nada a ver com a obra da (nossa)
criação?
EXPLICAÇÃO: Parece que a Resposta 24 está confirmando esta pergunta porque ela se
refere à obra da criação como a obra do Pai. Mas a Bíblia diz mais. Gênesis 1:2 diz que o
Espírito de Deus pairava por cima da água. E João 1:3 diz que Deus fez todas as coisas por
meio do Filho, e nada do que existe foi feito sem ele. Gênesis 1:26 fala no plural: “Façamos
o homem”. Assim entendemos que tanto o Filho como o Espírito Santo estavam presentes
na hora da criação do mundo. O Catecismo não nega isso, mas quer apenas salientar que a
obra da criação é especialmente uma obra do Pai.
- 41 -

4. Mas por que o Catecismo menciona somente nossa criação ao falar da obra do
Pai? Nossa salvação não é obra do Pai?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo não quer negar que o Pai tenha feito outras obras, mas a obra
específica do Pai é a criação. É claro que a nossa salvação é também obra do Pai. O Pai e
o Filho são um. O Pai enviou o Filho para nos salvar. Mas quando pensamos na obra
específica de Deus Filho, chegamos à conclusão de que é nossa salvação, e não nossa
criação, ou nossa santificação. É Deus Filho que a Bíblia chama de Salvador!

5. Em que parte o Credo coloca a Igreja? O que significa este lugar?


EXPLICAÇÃO: Como se vê na Resposta 23, a Igreja tem seu lugar na parte do Espírito
Santo. Ela é fruto da obra do Espírito. Efésios 2:22 chama a Igreja de “habitação de Deus
no Espírito”. Cf.1 Cor. 3:16.
1 Pedro 2:5 chama o povo de Deus de “casa espiritual”, que quer dizer ‘Casa do Espírito
Santo’. É o Espírito que habita e atua na Igreja.

Pergunta e resposta 25:

1. A Bíblia usa a palavra “pessoa” quando fala do Pai, do Filho ou do Espírito Santo?
EXPLICAÇÃO: A Bíblia não usa este termo. Ele foi inventado por antigos mestres da Igreja
para expressar que há um só Deus, mas ao mesmo tempo distinção entre o Pai, o Filho e o
Espírito Santo. Até agora não se tem achado um termo mais adequado que “pessoa”.

2. Por que falamos de três Pessoas em um só Deus?


EXPLICAÇÃO: A Resposta 25 coloca as coisas de uma maneira muito simples e correta:
falamos de Três Pessoas porque Deus se revelou em sua Palavra como três Pessoas
distintas. A Igreja não inventou nada, mas só repete o que a Palavra diz, aliás, o que Deus
revelou na Bíblia. Lendo a Palavra, chegamos à conclusão de que há realmente três
Pessoas distintas em Deus. Nós nos baseamos exclusivamente na revelação de Deus!

3. Como os seguintes versos mostram que o Filho é Deus: Isaías 9:5; João 1:1 e 14,
20:28; Romanos 9:5 e 2 Pedro 1:1?
EXPLICAÇÃO: Isaías 9:5 é uma profecia do nascimento de Jesus Cristo. “O menino” será
chamado de “Deus Poderoso” o que mostra a divindade do Filho. João 1:1 e 14 falam sobre
“o Verbo” que já existia antes da criação. Ele estava com Deus e era Deus. Depois se
tornou um ser humano e morou entre nós. Vimos a sua glória que é do Filho único do Pai.
Nesse texto, João fala do nascimento de Jesus Cristo que é Deus. Em João 20:28, Tomé
diz a Jesus: “meu Senhor e meu Deus!”, Ele reconhece que Jesus é Deus. Romanos 9:5 diz
que Cristo, governa sobre todos e é louvado para sempre! Paulo mostra que o Filho é Deus.
2 Pedro 1:1 diz que nossa salvação nos é dada pelo nosso Deus e Salvador Jesus Cristo.
Mais uma vez a Bíblia diz que o Filho é Deus.

4. Como Atos 5:3-4 mostra que o Espírito Santo é Deus?


EXPLICAÇÃO: Lemos em Atos 5:3-4 (a história de Ananias e Safira) que Pedro perguntou a
Ananias por que ele mentiu ao Espírito Santo. Depois Pedro concluiu: “Você não mentiu aos
- 42 -

humanos, mas sim a Deus!”. Esse texto mostra que o Espírito Santo é Deus porque Pedro
diz que mentir ao Espírito Santo é mentir a Deus.

5. O que as Testemunhas de Jeová pensam sobre a doutrina da Trindade? Podemos


raciocinar sobre o Deus Triuno?
EXPLICAÇÃO: As Testemunhas de Jeová negam a Trindade de Deus porque não querem
acreditar no que não entendem pela lógica. Mas não devemos raciocinar sobre Deus.
Parece que a Igreja diz que 3*1 = 1 ou 3 = 1, como as testemunhas de Jeová argumentam.
Mas a Trindade é um mistério. Há um só Deus em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.
Deus está acima do nosso raciocínio. Fé é mais que lógica, mas é uma doutrina
fundamental: nossa salvação depende dEle. Se Jesus não fosse Deus, não poderia salvar
ninguém. Se o Espírito Santo não fosse Deus, não poderia dar a fé à ninguém.
- 43 -

Deus Pai e a Nossa Criação

Dia do Senhor 9

P.26. Em que você crê quando diz: “Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do céu e
da terra”?

R. Creio que o eterno Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, que criou do nada o céu e a terra e
tudo o que neles há,1 e também os sustenta e governa por Seu conselho e providência
eternos,2 é o meu Deus e o meu Pai, por causa do Seu Filho Cristo.3 Creio nEle tão
completamente que não tenho nenhuma dúvida de que Ele me suprirá de tudo que é
necessário ao corpo e à alma,4 e que também converterá em bem para mim toda a
adversidade que me enviar nessa vida conturbada.5 Ele assim pode fazer porque é Deus
Todo-Poderoso6 e quer fazer como Pai Fiel.7

1. Gn 1; 2; Ex 20.11; Jó 38; 39; Sl 33.6; Is 44.24; At 4.24; 14.15. 2. Sl 104.27-30; Mt 6.30;


10.29; Ef 1.11. 3. Jo 1.12, 13; Rm 8.15, 16; Gl 4.4-7; Ef 1.5. 4. Sl 55.22; Mt 6.25, 26; Lc
12.22-31. 5. Rm 8.28. 6. Gn 18.14; Rm 8.31-39. 7. Mt 6.32, 33; 7.9-11

DOMINGO 9

Pergunta e resposta 26:

1. Por que o primeiro artigo do Credo Apostólico confessa estas duas coisas juntas:
“Deus é o Criador de tudo e Ele é Deus Pai”?
EXPLICAÇÃO: A Bíblia não fala da criação para nos dar informação sobre fatos do começo
da história. A Bíblia nos relata que Deus criou tudo para que pudéssemos conhecê-lo. De
propósito, o Catecismo diz duas coisas: Primeiro, o eterno Pai de nosso Senhor Jesus
Cristo é o todo-poderoso Deus, que Criou tudo, e segundo: Ele é nosso Deus e nosso Pai,
por causa de seu Filho Jesus Cristo. Esta é uma consolação muito valiosa: temos um Pai
todo-poderoso. Nós que conhecemos Deus, somos como crianças que dizem aos seus
amiguinhos: ‘Meu pai é o pai mais forte que existe’. É bom ser filho de Deus: o
Todo-poderoso é Pai fiel. Ele cuida de nós e dará tudo o que for necessário para nosso
corpo e nossa alma. Podemos confiar nEle.

2. O que é criar?
EXPLICAÇÃO: Para Deus o Criador, criar significa fazer algo do nada. Deus não usou
nenhuma matéria para criar o universo. Isto nos mostra o poder de Deus. A Bíblia usa uma
palavra especial para a atividade criativa de Deus. Nós, seres humanos, não conseguimos
criar coisas do nada.

3. Em quantos dias Deus criou o mundo? O que Ele criou nos primeiros seis dias?
(Gên.1). O que fez no sétimo dia? (Gên.2:2-3)
EXPLICAÇÃO: Deus criou tudo em seis dias:
1º dia: a luz.
2º dia: o firmamento.
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3º dia: a terra e os mares, as flores e as árvores.


4º dia: o sol, a lua e as estrelas.
5º dia: os peixes e os pássaros.
6º dia: os demais animais e o homem.
7º dia: Deus descansou, isto é, Ele se alegrou sobre o que havia feito.

4. Deus é o Pai de quem, segundo o Domingo 9?


EXPLICAÇÃO: Deus é antes de mais nada “o eterno Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”.
Isto quer dizer que Deus sempre foi Pai, o Pai de Deus Filho. O relacionamento divino entre
o Pai e o Filho é eterno, sem início e sem fim. Mas Deus é também o Pai de todos os que
crêem em seu Filho. Somente por causa de seu Filho, Deus é “meu Deus e meu Pai”.
Somos filhos adotivos de Deus somente graças a obra de Cristo que nos reconciliou com
seu Pai.

5. Não é difícil aceitar que Deus nos pode enviar algum mal?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo usa uma palavra forte, “enviar”, mas quando Deus nos envia
um mal, Ele não está querendo fazer mal. Ele é Pai! Mas como Pai, Deus dirige a nossa
vida, e dentro desta direção, Deus nos pode provar com um mal. O que o Catecismo
confessa é que podemos confiar em Deus como Pai que é capaz de transformar todo mal
em bem. (Rom. 8:28). Esta capacidade é uma coisa garantida porque Ele é o Criador
Todo-Poderoso.
_________________________________________________________________________

Excursão sobre os anjos:

1. A Bíblia diz que há milhares de anjos. Hebreus 1:14 diz que anjos são espíritos que
servem a Deus e a seu povo. Como servos de Deus, os anjos têm uma posição inferior aos
homens que são filhos de Deus porque crêem no Filho de Deus. Um filho é mais importante
do que um empregado.

2. A Bíblia fala sobre o trabalho dos anjos. Isaías 6 diz que anjos louvam a Deus. Hebreus
1:14 diz que anjos são mandados para ajudar os que recebem a salvação. Mateus 18:10 diz
que os anjos dos pequeninos estão sempre na presença de Deus Pai. Eles cuidam dos
filhos de Deus.

3. O que aconteceu com uma parte dos anjos? (Judas:6). Uma parte dos anjos fez uma
revolução contra Deus após a criação. Judas escreve que eles não ficaram dentro dos
limites da sua própria autoridade, mas abandonaram o lugar onde moravam. O dono deles é
o diabo, o grande adversário de Deus e seu povo. Os anjos maus são chamados de
demônios e espíritos maus e imundos.

4. O diabo e seus anjos dominam as vidas dos incrédulos. Lutam contra os crentes.
Devemo-nos vestir com toda a armadura que Deus nos dá, para lutarmos contra o diabo e
os seus anjos. Efésios 6 nos fala desta armadura: nosso cinturão é a verdade; nossa
couraça é a justiça; nossos sapatos são o entusiasmo para anunciar a Boa-Notícia da paz;
nosso escudo é a fé, que nos proteger das flechas incendiadas do diabo; nosso capacete é
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a Palavra de Deus, que é a espada do Espírito Santo. Usando essa armadura, orando a
Deus para pedir sua ajuda, podemos vencer a luta contra o diabo e seus anjos Cf. Efésios
6:10-18 e 1 Pedro 5:8,9.

5. O que acontecerá com Satanás e seus anjos no último dia? (Apocalipse 20:10). O diabo
e seus anjos serão jogados no lago de fogo e enxofre, isto é, no inferno.
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Dia do Senhor 10

P.27. O que você entende por “Providência de Deus”?

R. A providência de Deus é o Seu onipotente e onipresente poder,1 por meio do qual, com
as Sua mãos, Ele sustenta continuamente o céu e a terra e todas as criaturas,2
governando-os de tal modo que ervas e plantas, chuva e seca, abundância e escassez,
comida e bebida, saúde e doença, riqueza e pobreza,3 todas as coisas na verdade, não nos
vêm por acaso4 mas procedem da Sua mão paternal.5

1. Jr 23.23, 24; At 17.24-28. 2. Hb 1.3 3. Jr 5.24; At 14.15-17; Jo 9.3; Pv 22.2. 4. Pv 16.33.


5. Mt 10.29.

P.28. Que benefício há em sabermos que Deus criou todas as coisas e que continuamente
as sustenta pela Sua providência?

R. Podemos ser pacientes na adversidade,1 agradecidos na prosperidade2 e podemos,


quanto ao futuro, confiar firmemente em nosso Deus e Pai fiel, porque criatura alguma
poderá nos separar do Seu amor;3 pois todas elas estão de tal modo em Sua mão que sem
a Sua vontade, elas não podem nem mesmo se mover.4

1. Jó 1.21, 22; Sl 39.10; Tg 1.3 2. Dt 8.10; 1Ts 5.18. 3. Sl 55.22; Rm 5.3-5; 8.38, 39. 4. Jó
1.12; 2.6; Pv 21.1; At 17.24-28.

DOMINGO 10

Pergunta e resposta 27:

1. A providência de Deus é uma coisa que funciona ‘solta’, como se fosse separada
de Deus e fora dEle?
EXPLICAÇÃO: A providência de Deus não é uma coisa fora de Deus. O Catecismo fala da
força com que Deus pela sua mão, sustenta e governa tudo. A providência é uma força
ativa de Deus, que parte diretamente dEle. Em outras palavras: a providência de Deus é
Deus sustentando e governando tudo.

2. Por que o Catecismo usa a palavra: “mão”?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo fala da mão de Deus, porque a Bíblia fala assim, referindo-se
ao poder de Deus. Lemos em Êxodo 7:4-5: “Porém eu (= Deus) farei que caia sobre ele (= o
rei do Egito) um castigo terrível e levarei para fora do Egito os meus exércitos, isto é, o povo
de Israel. Quando eu levantar a minha mão contra os egípcios e tirar do meio deles os
israelitas, os egípcios ficarão sabendo que eu sou o Deus Eterno” (BLH). Deus diz aqui que
vai salvar seu povo pela sua mão, isto é, pelo seu poder. Lemos em Jó 12:9-10: “Todas
essas criaturas sabem que foi a mão de Deus; é ele quem fez. A vida de todas as criaturas
está na mão do Deus; é ele quem mantém todas as pessoas com vida” (BLH). Jó fala da
mão que é o poder de Deus, que criou e sustenta tudo. Cf. Núm. 11:23; Ecl. 2:24.
- 47 -

3. Que mais o Catecismo diz sobre a mão de Deus?


EXPLICAÇÃO: Ele diz que a mão de Deus é a mão paternal. Esta é nossa grande
consolação no meio de tantos acontecimentos que nos assustam. Acreditamos que a mão
do nosso Pai está em tudo.

4. Por que a Resposta 27 menciona contrastes como chuva e seca, anos frutíferos e
infrutíferos, saúde e doença, riqueza e pobreza?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo menciona esses contrastes, inclusive coisas más, para provar
que Deus reina sobre tudo, inclusive o mal.

5. É verdade que Deus nos envia coisas más? Veja Rom. 8:28 sobre “todas as
coisas”. O Catecismo não torna Deus o autor do mal? O que a queda do homem e o
pecado têm a ver com isso?
EXPLICAÇÃO: À Resposta 27 diz que ​todas as coisas​ (também as coisas más!) não nos
sobrevêm por acaso, mas da mão paternal de Deus. Romanos 8:28 diz o seguinte:
“Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que
foram chamados de acordo com o seu propósito”. Realmente, todas as coisas que
acontecem em nossa vida, as boas e as más, têm a ver com Deus. Nossa consolação é
saber que Deus transforma o mal em bem. Não podemos dizer que Deus é o autor do mal.
Precisamos considerar também o papel do pecado e do diabo. Pelo homem que caiu em
pecado (Gên. 3) veio o mal no mundo. E o diabo faz coisas más. Mas isto não quer dizer
que Deus seja a vítima do que aconteceu no ou do Diabo. Pois Deus reina sobre tudo,
como Atos 2:23 mostra: “Este homem (Jesus) lhes foi entregue por propósito determinado e
pré-conhecimento de Deus; e vocês, com a ajuda de homens perversos, o mataram,
pregando-o na cruz”. Conclusão: há três coisas para levar em consideração:
a. Deus reina sobre tudo, inclusive o mal.
b. O diabo tenta destruir a obra de Deus e faz coisas más.
c. À nossa responsabilidade é fazer o que Deus quer. Mas muitas vezes não o fazemos.
Uma outra confissão Reformada diz o seguinte: “Contudo, Deus não é o autor, nem tem
culpa do pecado que se comete. Pois seu poder e bondade são tão grandes e
incompreensíveis, que Ele ordena e faz sua obra muito bem e com justiça, mesmo que os
demônios e os ímpios ajam injustamente. E as obras dEle que ultrapassam o entendimento
humano, não queremos investigá- las curiosamente, além da nossa capacidade de
entender. Mas, adoramos humildemente e piedosamente a Deus em seus justos
julgamentos, que nos estão escondidos.” (Confissão de Fé das Igrejas Reformadas do
Brasil / Confissão Belga, Art.13).

6. Qual a diferença entre o acaso e a mão paternal de Deus?


EXPLICAÇÃO: A diferença principal entre o acaso e a mão de Deus é que o acaso não
existe. É nossa consolação saber que não existe acaso, nem acontecem coisas por acaso.
Também não existem sorte, azar ou o chamado destino. “O Destino” é uma coisa
impessoal, mas nós cremos em Deus que é uma ‘Pessoa’. Ele dirige e governa tudo.
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7. Podemos usar o Catecismo para combater o uso do horóscopo​?


EXPLICAÇÃO: Certamente! O Catecismo rejeita o uso do horóscopo, confessando a fé
cristã que nossa vida não é governada, dominada ou destinado pelos astros, mas por Deus
que é o nosso Pai. Sua mão paternal nos dirige.

8. A providência de Deus nos governa, é permitido tomar certas providências? Por


exemplo, usar vacinação contra doenças possíveis, ir ao médico e tomar remédios? O
Catecismo não condena tudo isso quando diz que doenças vêm da mão de Deus?
EXPLICAÇÃO: Vacinação e outras providências médicas não são condenadas pelo
Catecismo. O Catecismo se baseia na Bíblia que permite tomar as providências
necessárias. José tomou providências para que o povo do Egito e o povo de Deus
pudessem sobreviver numa época de fome (Gênesis 41: 33-36). E Lucas, o Evangelista, era
médico. Remédios vêm também de Deus. Quando o Catecismo diz que saúde e doença
nos sobrevêm de Deus, afirma também que aquilo que possa contribuir para a saúde vem
de Deus: remédios, tratamento médico etc. Em outras palavras, a providência de Deus não
exclui nossa responsabilidade. A Bíblia sempre prega que somos seres responsáveis.
Podemos até dizer que nossas providências estão incluídas na providência de Deus.

Pergunta e resposta 28:

1. Conhecendo e acreditando na providência de Deus, devemos fazer três coisas,


segundo o Catecismo. Quais são elas?
EXPLICAÇÃO: As três coisas que devemos fazer são:
a. ter paciência em toda adversidade
b. mostrar gratidão em toda prosperidade
c. confiar em Deus, quanto ao nosso futuro. Se fizermos isso, seremos muito abençoados.

2. O que é adversidade? Pode dar alguns exemplos dela?


EXPLICAÇÃO: Adversidade significa todas as coisas ruins que acontecem na vida. É o
oposto de prosperidade. Exemplos de adversidade são: doença, pobreza, acidentes e
desemprego.

3. O que é mais difícil: ter paciência na adversidade ou mostrar gratidão em


prosperidade?
EXPLICAÇÃO: Mostrar gratidão é muito mais difícil. A história de Lucas 17:11-19 mostra
isto. Havia dez pessoas doentes que procuravam a ajuda de Cristo. Depois de serem
curados, só uma delas voltou para agradecer a Jesus. Acontece muito que quando pessoas
estejam numa situação difícil (adversidade) procurem a ajuda de Deus. Mas quando passa
o problema e a prosperidade volta, muitas delas esquecem Deus e vivem como viviam
antes.

4. Também a Resposta 28 fala da mão de Deus. Onde é que percebemos a mão de


Deus? Cf. Atos 14:15-17.
EXPLICAÇÃO: Podemos perceber a mão de Deus em nossa própria vida, na vida dos
povos e na história do mundo. Atos 14 diz que no passado, isto é, na época do Antigo
Testamento, Deus deixou que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos. Mas
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Deus sempre mostrou quem Ele era através das coisas boas que fazia: mandava chuvas e
colheitas e dava comida e alegria. Atos 14 mostra assim que a mão de Deus está em todas
as coisas boas, apesar de muitas pessoas não reconhecerem isso.

5. Deus reina também sobre o mal e o diabo?


EXPLICAÇÃO: Deus reina também sobre o mal e o diabo. A história de Jó mostra isto. O
diabo podia destruir tudo o que Jó tinha, porque Deus lhe tinha dado permissão. Mas o
diabo não podia fazer o que Deus lhe tinha dado permissão. Mas o diabo não podia fazer o
que Deus não queria que fizesse: matar Jó (Jó 1:12). A história do Senhor Jesus mostra
também que Deus reina sobre o mal que homens inventam. Ele foi crucificado por homens
maus (Atos 2:22-23), mas só porque Deus permitiu isto. Deus continuou governando tudo.
“Todas as criaturas estão na mão de Deus, de tal maneira que sem a vontade dEle não
podem agir nem se mover”: esta é a confissão bíblica do Catecismo.
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Deus Filho e a Nossa Redenção

Dia do Senhor 11

P.29. Por que razão é o Filho de Deus chamado de Jesus, que quer dizer, Salvador?

R. Porque Ele nos salva de todos os nossos pecados,1 e porque em ninguém mais
devemos buscar ou podemos encontrar salvação.2

1. Mt 1.21; Hb 7.25. 2. Is 43.11; Jo 15.4, 5; At 4.11, 12; 1Tm 2.5.

P.30. Aqueles que buscam com fervor a sua salvação ou bem-estar nos assim chamados
“santos”, em si mesmos ou em outra coisa qualquer, também crêem no único Salvador
Jesus?

R. Não. Embora gloriem-se nEle com palavras, eles na verdade negam a Jesus como o
único Salvador.1 Pois das duas coisas, só uma é verdadeira: ou Jesus é um Salvador
incompleto, ou aqueles que pela verdadeira fé aceitam esse Salvador têm que achar nEle
tudo que é necessário para a sua salvação.2

1. 1Co 1.12, 13; Gl 5.4 2. Cl 1.19, 20; 2.10; 1Jo 1.7.

DOMINGO 11

Pergunta e resposta 29:

1. Por que os nomes do nosso Mediador são importantes? Quem lhe deu o nome de
Jesus?
EXPLICAÇÃO: Os nomes do nosso Mediador são importantes porque nos dizem quem Ele
é e o que Ele fez (suas obras). Um anjo do Senhor apareceu a José num sonho para
anunciar que Maria teria um filho (Mateus 1:21). José lhe daria o nome de Jesus, mas de
fato foi o próprio Deus que deu esse nome ao seu Filho.

2. De que nome do Antigo Testamento o nome Jesus é a tradução? Quais os dois


homens da época do A.T. tinham esse nome?
Cf. Josué 1:1-2; Ageu 1:12-14 e Zacarias 3. O que eles fizeram?
EXPLICAÇÃO: O nome Jesus é a tradução do nome Josué que encontramos no A.T. Esse
nome significa “o SENHOR salva”, Salvador. Dois homens conhecidos no A.T. tinham esse
nome: Josué, filho de Num, que era o líder de Israel após a morte de Moisés. O outro Josué
erra sumo sacerdote e um dos líderes do povo de Deus que havia voltado do cativeiro.
Deus usou os dois Josués para salvar o povo. Especialmente o segundo Josué é importante
porque foi coroado, sendo sacerdote, como se fosse um rei (Zacarias 6:11) ! Assim era
símbolo e tipo de Jesus Cristo, rei e sacerdote.
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3. De que Jesus Salva?


EXPLICAÇÃO: Jesus salva seu povo do pecado e do domínio do diabo. Esta é sua missão
segundo Mateus 1:21: “porque ele salvará o seu povo dos seus pecados”. Jesus não é o
Grande Revolucionário que já liberta este mundo de todos os males sociais. O grande mal,
também o grande mal social, é o pecado.

4. O Catecismo confirma Atos 4:12 quando diz: “em ninguém mais, devemos buscar
ou podemos encontrar salvação”?
EXPLICAÇÃO: Confirma, sim. Atos 4:12: “Não há salvação em nenhum outro, pois debaixo
do céu, não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos”. Jesus
é o Único Salvador. Não adianta buscar outro porque nunca o encontrará.

Pergunta e resposta 30:

1. A doutrina ou prática de quem é combatida aqui?


EXPLICAÇÃO: Combatida é a doutrina romana, que busca a salvação em seres humanos,
seja nos chamados santos com Maria e os apóstolos, seja nas boas obras da pessoa. A
doutrina oficial não nega que Jesus é o perfeito Salvador, mas na prática busca-se a
salvação fora de Jesus.

2. Evangélicos correm o risco de buscar sua salvação em outros, ou em si mesmos


ou em qualquer lugar?
EXPLICAÇÃO: Correm, sim, por exemplo, quando buscam a salvação num pastor ou em si
mesmos, na sua fé, na oração e no arrependimento. Mas das duas, uma: ou Jesus é TUDO
para nós, ou Ele não é NADA.
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Dia do Senhor 12

P.31. Por que razão é Ele chamado de Cristo, que quer dizer, Ungido?

R. Porque Ele foi ordenado por Deus o Pai, e ungido com o Espírito Santo,1 para ser o
nosso supremo Profeta e Mestre,2 que nos revelou completamente o propósito secreto e a
vontade de Deus quanto à nossa redenção;3 nosso único Sumo Sacerdote4 o qual por um
único sacrifício do Seu corpo nos remiu,5 e intercede continuamente por nós diante do Pai;6
e nosso Rei eterno,7 que nos governa pela Sua Palavra e por Seu Espírito, e que nos
defende e preserva na redenção que para nós conquistou.8

1. Sl 45.7 (Hb 1.9); Is 61.1 (Lc 4.18); Lc 3.21, 22. 2. Dt 18.15 (At 3.22) 3. Jo 1.18; 15.15. 4.
Sl 110.4 (Hb 7.17). 5. Hb 9.12; 10.11-14. 6. Rm 8.34; Hb 9.24; 1Jo 2.1. 7. Zc 9.9 (Mt 21.5);
Lc 1.33. 8. Mt 28.18-20; Jo 10.28. Ap 12.10, 11.

P.32. Por que é que você é chamado de cristão?

R. Porque, pela fé, sou membro de Cristo e por isso partilho da Sua unção,2 para poder
como profeta confessar o Seu nome;3 como sacerdote apresentar a mim mesmo como
sacrifício vivo de gratidão a Ele;4 como rei, de livre e boa consciência, combater o pecado e
o diabo nessa vida5 e no porvir reinar eternamente com Ele sobre todas as criaturas.6

1. 1Co 12.12-27. 2. Jl 2.28 (At 2.17); 1Jo 2.27. 3. Mt 10.32; Rm 10.9, 10; Hb 13.15. 4. Rm
12.1; 1Pe 2.5, 9. 5. Gl 5.16, 17; Ef 6.11; 1Tm 1.18, 19. 6. Mt 25.34; 2Tm 2.12.

DOMINGO 12

Pergunta e resposta 31:

1. O que significa a palavra “ordenado” na Resposta 31? Quando foi que Cristo foi
ordenado pelo Pai?
EXPLICAÇÃO: A palavra “ordenado” significa aqui que o Filho de Deus foi escolhido e
nomeado para uma tarefa especial. É claro que não foi ordenado sem seu próprio
consentimento. Entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo existe o mais perfeito relacionamento.
Quanto ao momento da sua ordenação, temos que pensar na eternidade: já antes de Deus
criar o mundo existia o Pacto Divino de mandar o Filho ao mundo. 1 Pedro 1:20 diz: “(Cristo
era) conhecido antes da criação do mundo, revelado nestes últimos tempos em favor de
vocês”. O Senhor Jesus também sempre se apresentou como o Enviado pelo Pai, porque o
Pai o ordenou desde a eternidade. Cf. João 17:3,8,18.

2. O que significa a palavra “ungido”? Quando Cristo foi ungido com o Espírito
Santo?
EXPLICAÇÃO: A palavra “ungido” significa que Jesus foi equipado para seu ofício e
capacitado pelo Espírito Santo para seu dever especial. Quanto ao momento da sua unção,
temos que pensar no que aconteceu depois que Cristo foi batizado por João Batista. Mateus
- 53 -

3:13-17 conta esta história e Atos 10:38 diz que Deus derramou o Espírito Santo sobre
Jesus e lhe deu poder.

3. Quais são os três ofícios de Cristo? Quem no A.T. tinha estes três ofícios?
EXPLICAÇÃO: Cristo foi ordenado e ungido para ser Profeta, (Sumo) Sacerdote e Rei.
Ninguém no A.T. tinha estes três ofícios juntos. Existia a separação dos ofícios; cf. a
separação dos três poderes no estado moderno. Reis e profetas não eram sacerdotes, e
sacerdotes não eram reis. Alguns reis podem ser considerados profetas ocasionais como
Davi e Salomão, mas não eram profetas ‘de tempo integral’ como Elias e outros. Temos
também o caso de Melquisedeque que era rei e sacerdote (Gênesis 14:18), mas este não
era israelita. Cristo é único e diferente dos profetas, sacerdotes e reis do A.T.

4. O que um profeta fazia? Que trabalho Cristo fez para nós como Profeta?
EXPLICAÇÃO: Um profeta fala em nome de Deus, transmitindo a Palavra de Deus ao povo.
Como Profeta, Cristo revelou o plano de Deus para nossa salvação.

5. Como e quando Cristo revelou o plano de Deus? Já no A.T.?


EXPLICAÇÃO: Já no A.T. Cristo fez isso. Sendo o Filho de Deus, Ele já operava através
dos patriarcas e profetas, revelando o plano da salvação. Mas, como diz Hebreus 1:2, foi
especialmente “nestes últimos tempos”, quando estava na terra, que Cristo revelou o plano
de Deus. Os apóstolos continuaram esta obra de Cristo. Graças a Cristo, nosso Profeta,
temos agora a revelação completa.

6. Por que Cristo é chamado nosso supremo Profeta e Mestre?


EXPLICAÇÃO: Jesus é chamado nosso supremo Profeta e Mestre em comparação com
outros profetas e mestres que Deus mandou, tanto na época do A.T. como na do N.T. .
ninguém é maior que Cristo. Como Filho de Deus, contribuiu ao plano de Deus para nossa
salvação. Nenhum profeta ou apóstolo têm igual autoridade à de Cristo. Veja Mateus 23:8 e
10.

7. Qual era o trabalho de um sacerdote? O que Cristo fez como Sumo Sacerdote? O
que significa sumo sacerdote?
EXPLICAÇÃO: A tarefa de um sacerdote israelita era sacrificar e orar. O trabalho de Cristo
como Sumo Sacerdote foi o seu sacrifício na cruz como o resgate da nossa vida. A função
de sumo sacerdote no A.T. era ser o chefe dos sacerdotes Ele era descendente de Arão. Só
o sumo sacerdote podia entrar, uma vez por ano, no Dia da Expiação, no Santo dos Santos
para derramar sangue sobre a Arca da Aliança (Levítico 16). Este ritual foi cumprido e
encerrado por Cristo, que, por assim dizer, entrou no Santo dos Santos celestial, mediante
seu sangue. Nosso Sumo Sacerdote é Cristo, e não o papa que entre seus muitos títulos
tem também o de Pontifex Maximus (= sumo sacerdote).

8. O que Cristo ainda faz para nós como Sumo Sacerdote?


EXPLICAÇÃO: Como Sumo Sacerdote, Cristo intercede por nós, orando por nós junto ao
Pai. Ele faz isso continuamente, cada dia e 24 horas por dia. Cristo está de plantão para
receber nossas orações e levá-las ao Pai.
- 54 -

9. Por que Cristo é chamado o único Sumo Sacerdote? A Igreja de hoje não precisa
mais de sacerdotes?
EXPLICAÇÃO: A Igreja não precisa de pessoas que tenham o ofício especial de sacerdote.
Um sacerdote humano poderia fazer melhor o que Cristo está fazendo? Além disso, o que
Cristo fez não precisa nem pode ser repetido. Não há mais precisão de sacrifícios, e por
isso não há mais altar, e conseqüentemente a Igreja não precisa mais de uma categoria de
sacerdotes. Cristo é o único Sacerdote da Igreja. A Resposta 32 explica que todos os
Cristãos são sacerdotes.

10. O que faz um rei? O que Cristo faz como nosso Rei?
EXPLICAÇÃO: Um rei governa e luta. Como Rei, Cristo nos governa por sua Palavra e por
seu Espírito. É um trabalho contínuo, dia e noite. Seu reino não tem fim, como diz o Credo
Niceno.

11. Por quê e como Cristo nos protege e guarda na Salvação?


EXPLICAÇÃO: Visto que temos inimigos, precisamos de que Cristo nos proteja e guarde na
salvação que Ele realizou. Para isto Ele usa como armas principais a Palavra e a ação do
Espírito Santo, nos coloca na comunhão dos santos e nos dá todo apoio espiritual e moral
para que não caiamos nem sejamos perdidos. É Cristo mesmo que luta por nós contra os
inimigos na batalha espiritual.

Pergunta e resposta 32:

1. O que significa a palavra cristão? De onde vem esse nome?


EXPLICAÇÃO: Cristão é aquele que pertence a Cristo, sendo unido a Ele. Lemos em Atos
11:26 que foi em Antioquia que os seguidores de Jesus foram, pela primeira vez, chamados
de cristãos.

2. É necessário dizer “pela fé” sou membro de Cristo ou existe outra maneira de ser
membro de Cristo?
EXPLICAÇÃO: Não existe outra maneira de ser membro de Cristo. É só pela fé que o
cristão está unido a Cristo. A fé é como uma corda que nos liga a Ele.

3. De que maneira o cristão é ungido?


EXPLICAÇÃO: O cristão é também ungido com o Espírito Santo como lemos e 1 João 2:20
e 27. Ser ungido quer dizer ter recebido o Espírito Santo pelas mãos de Cristo. O nome
‘Cristo’ significa Ungido e é por isso que o nome ‘cristão’, que significa que somos de Cristo,
significa também que somos do Ungido. Assim um cristão é também um ungido tendo os
três ofícios de profeta, sacerdote e rei. Cf. ainda Isaías 59:21 e Atos 2:17.

4. Sendo profeta, como é que o cristão confessa o nome de Cristo?


EXPLICAÇÃO: Confessar o nome de Cristo significa divulgar tudo o que Cristo falou, fez e
faz. Divulgá-lo por palavras e atos. É mostrar que somos de Cristo em todas as áreas da
vida. Exemplos disso são evangelizar como Igreja e como Cristão individual, atuar na
política, manter escolas cristãs para transmitir o ensino de Cristo etc.
- 55 -

5. Sendo sacerdote, o que o cristão oferece a Deus? Pode dar exemplos disto?
EXPLICAÇÃO: O cristão oferece sua vida a Cristo, quer dizer, sua vida inteira. Ser de Cristo
não é somente uma coisa do domingo. Somos de Cristo 24 horas do dia e 7 dias por
semana. Exemplos disso são: oferecer nosso tempo a Cristo, ajudar na Igreja oferecer
nosso dinheiro a Cristo através de ofertas, oferecer nosso intelecto a Cristo etc. Se temos
cabeça boa para estudar, devemos estudar bem na escola. Também somos chamados a
oferecer nosso corpo a Cristo e por isso não podemos oferecê-lo à imoralidade, ter relações
sexuais ilícitas, ler revistas pornográficas ou assistir cenas eróticas na televisão.

6. Por que o Catecismo fala de sacrifício de ​gratidão​? Por que este sacrifício é
chamado ​vivo​?
EXPLICAÇÃO: Como sacerdotes, oferecemos nossa vida a Cristo para mostrarmos nossa
gratidão pelo sacrifício dEle que nos trouxe a salvação. Nosso sacrifício não serve para
pagar por nossos pecados – o que seria impossível! – mas para agradecer a Deus.
Romanos 12:1 diz que devemos oferecer-nos completamente a Deus como sacrifício vivo.
O contraste é com os sacrifícios da época do A.T. que eram animais mortos! Devemos viver
para Cristo, oferecendo-nos a Ele.

7. Como rei, o cristão combate o pecado e o diabo: por quê?


EXPLICAÇÃO: O cristão combate o pecado e o diabo porque são seus inimigos. Quem é de
Cristo não pode deixar que o pecado e o diabo dominem sua vida.

8. Por que o Catecismo fala aqui de “livre consciência”?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo quer dizer que não precisamos lutar como culpados e
condenados. Quem é de Cristo está livre da condenação eterna e da culpa. Nossa
consciência é livre, também no sentido de disposta a lutar.

9. Como é que os três ofícios do Cristão estão relacionados com os três ofícios de
Cristo?
EXPLICAÇÃO: Como profetas, confessamos o nome de Cristo. Isto é possível somente
graças a Cristo que, como Profeta, nos revelou seu nome. Como sacerdotes, oferecemos
nossa vida a Cristo, porque Ele, como Sacerdote, resgatou nossa vida. Ele se deu como
sacrifício por nós, e por isso nossa vida é um sacrifício de gratidão para Ele. Como reis,
podemos combater nossos inimigos porque Cristo, como Rei, nos governa e protege.

10. Você nota diferenças entre os ofícios de Cristo e o do cristão?


EXPLICAÇÃO: Há várias diferenças. Cristo, como Profeta, revelou o plano de Deus e nos
deu esta revelação na Bíblia. Como profetas, nós não revelamos nada. Só usamos a
revelação de Cristo e devemos usá-la. Em outras palavras, em nosso trabalho de profetas,
dependemos de Cristo, nosso Supremo Profeta.
Atuando como sacerdotes, não podemos imitar o sacrifício de Cristo. Nosso sacrifício é
totalmente diferente. Cristo deu sua vida como pagamento. Nós damos nossas vidas num
ato de gratidão. Como reis, combatemos os inimigos que Cristo já derrotou. Além disso,
Cristo, nosso Rei, ​nos​ governa, o que quer dizer que como reis sempre estamos sujeitos a
Ele.
- 56 -

Dia do Senhor 13

P.33. Por que é Ele chamado de “Filho unigênito” de Deus, se nós também somos filhos de
Deus?

R. Porque somente Cristo é o eterno e natural Filho de Deus.1 Nós, contudo, somos filhos
de Deus por adoção, pela graça, por causa de Cristo.2

1. Jo 1.1-3, 14, 18; 3.16; Rm 8.32; Hb 1; 1Jo 4.9. 2. Jo 1.12; Rm 8.14-17; Gl 4.6; Ef 1.5, 6.

P.34. Por você O chama de “nosso Senhor”?

R. Porque Ele nos comprou e nos resgatou, o corpo e a alma,1 de todos os nossos pecados
— não com ouro nem prata, mas com o Seu precioso sangue2 — e nos libertou de todo o
domínio do diabo para nos tornar Sua possessão.3

1. 1Co 6.20; 1Tm 2.5, 6. 2. 1Pe 1.18, 19. 3. Cl 1.13, 14; Hb 2.14, 15.

DOMINGO 13

Pergunta e resposta 33:

1. De que questão trata a Pergunta 33?


EXPLICAÇÃO: A questão é esta: que sentido tem a palavra “único” usada pela Bíblia para
Cristo como Filho de Deus, se a Bíblia também fala de muitos filhos de Deus?

2. O Catecismo explica que Cristo é o único Filho de Deus dizendo que só Ele é, ​por
natureza ​o Filho ​eterno ​de Deus. Mas o que significa isto? Estas coisas são
importantes para nossa fé?
EXPLICAÇÃO: Cristo como o Filho ​eterno​ de Deus sempre foi Filho de Deus, desde a
eternidade. Ele é também por ​natureza​ o Filho eterno de Deus no sentido de ser Deus e ter
a mesma natureza divina que o Pai. Estas coisas são importantes para nossa fé porque nos
dão a certeza de que nossa salvação é segura. Quem nos salvou é o Filho de Deus. O Pai
sempre atenderá a seu Filho para nosso bem. Nossa salvação é uma coisa inabalável
porque tem seu fundamento no Filho eterno.

3. Quantos filhos eternos de Deus há? Qual é a nossa posição?


EXPLICAÇÃO: Há um só Filho eterno de Deus: Cristo. Por isso Ele é o ​único​ Filho de Deus.
Nossa posição é diferente: não somos filhos de Deus desde a eternidade, mas somos filhos
adotivos​. Deus nos adotou. Conclusão: não somos iguais a Cristo embora a Bíblia nos
chame de filhos de Deus.

4. Quem é que a Bíblia chama de filhos de Deus? Todos os seres humanos são filhos
de Deus?
EXPLICAÇÃO: Uma crença popular em nosso país é que todo o mundo é filho de Deus.
Mas a Bíblia fala diferente. Filhos de Deus são aqueles que são de Cristo. É graças ao
- 57 -

único Filho de Deus que somos filhos de Deus. João 1:12 diz que aqueles que recebem
Jesus Cristo e crêem nEle, recebem o direito de se tornarem filhos de Deus.

5. Somos nós filhos de Deus por natureza?


EXPLICAÇÃO: Não somos filhos de Deus por natureza. O Catecismo diz que somos filhos
de Deus ​pela graça​. Não temos a natureza divina e não somos iguais ao Pai e ao Filho.

6. Por que o Catecismo diz que o cristão é filho adotivo de Deus ​por causa de Cristo​?
EXPLICAÇÃO: Ser filhos de Deus ​por causa de Cristo​ quer dizer que Deus nos adotou
somente graças a obra de Cristo. É pelo Filho de Deus e só por Ele que somos filhos de
Deus.

Pergunta e resposta 34:

1. Será que há uma diferença entre Cristo como único Filho de Deus e Cristo como
nosso Senhor?
EXPLICAÇÃO: Existe esta diferença: ‘único Filho de Deus’ expressa o relacionamento entre
Cristo e seu Pai, enquanto ‘nosso Senhor’ se refere ao relacionamento entre Cristo e nós.

2. Como foi que Cristo se tornou nosso Senhor e Dono?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo aponta na Resposta 34 para o sangue de Cristo. Cristo se
tornou nosso Senhor porque derramou seu sangue por nós. Assim nos comprou e resgatou
das mãos dos inimigos. O preço que Cristo pagou era seu sangue. Cristo é o nosso Dono
porque nos comprou.

3. O que quer dizer, “Cristo é nosso Senhor”?


EXPLICAÇÃO: Quer dizer, que nós pertencemos a Ele, devemos obedecê-Lo e servi-Lo.

4. O que é resgatar? A quem Cristo pagou o preço do resgate?


EXPLICAÇÃO: Resgatar é libertar ou livrar de prisão ou cativeiro, pagando um preço para
isto. Estávamos na prisão do pecado e do diabo por uma ordem de um juiz, que, neste
caso, é Deus. Cristo, então, não pagou ao diabo (o carcereiro da nossa prisão), mas a Deus
como juiz.

5. O que significa para nossa vida a obra de resgate que Cristo realizou?
EXPLICAÇÃO: A obra de Cristo resgatando-nos dos nossos pecados e de todo o domínio
do diabo significa para nossa vida: ​liberdade​. O cristão não é mais dominado pelo mal,
embora não esteja completamente livre do mal. Ainda somos pecadores mas não vivemos
mais no pecado.

6. Pertencer a Cristo é um privilégio? É também um compromisso?


EXPLICAÇÃO: Certamente é um privilégio porque Cristo nos comprou, não por obrigação
mas porque o quis e porque o Pai o quis. Cristo nos libertou pela livre e soberana graça de
Deus. É pela graça que pertencemos a Cristo. Mas deve ser claro que isto resulta num
compromisso. Se somos de Cristo, não podemos mas viver para o pecado e o diabo. Não
- 58 -

podemos servir a dois senhores. Se Cristo é nosso ​Senhor​, mandamos embora qualquer
‘senhor’ que nos queira dominar. Este é nosso compromisso.
- 59 -

Dia do Senhor 14

P.35. Que confessa você quando diz que Cristo: “foi concebido por obra do Espírito Santo;
nasceu da virgem Maria”?

R. O eterno Filho de Deus, o qual é e permanece Deus verdadeiro e eterno,1 tomou sobre
Si a verdadeira natureza humana da carne e do sangue da virgem Maria,2 pela operação do
Espírito Santo.3 Por isso, Ele é também a verdadeira semente de Davi,4 semelhante a Seus
irmãos em tudo,5 porém, sem pecado.6

1. Jo 1.1; 10.30-36; Rm 1.3; 9.5; Cl 1.15-17; 1Jo 5.20. 2. Mt 1.18-23; Jo 1.14; Gl 4.4; Hb
2.14. 3. Lc 1.35 4. 2 Sm 7.12-16; Sl 132.11; Mt 1.1; Lc 1.32; Rm 1.3. 5. Fl 2.7; Hb 2.17. 6.
Hb 4.15; 7.26, 27.

P.36. Que benefício você recebe de Cristo ter sido concebido e nascido sem pecado?

R. Ele é o nosso Mediador,1 e com a Sua inocência e perfeita santidade cobre aos olhos de
Deus o meu pecado, no qual fui concebido e nascido.2

1. 1Tm 2.5, 6; Hb 9.13-15. 2. Rm 8.3, 4; 2Co 5.21; Gl 4.4, 5; 1Pe 1.18, 19.

DOMINGO 14

Pergunta e resposta 35:

1. De que grande milagre fala o Domingo 14?


EXPLICAÇÃO: Fala de um duplo milagre: primeiro, o eterno Filho de Deus, Cristo, se tornou
homem, igual a nós; segundo, tornando-se ​verdadeiro​ homem, permanecia verdadeiro e
eterno Deus. Este duplo milagre excede nosso entendimento, mas é conforme a Bíblia. É
um milagre revelado por Deus.

2. O que significa o fato de Cristo ser o ​eterno​ Filho de Deus?


EXPLICAÇÃO: Cristo sempre foi e será o Filho de Deus. Quando estava na terra, não
deixou de ser Deus e continuou sendo o Filho de Deus.

3. Por que é preciso saber estas coisas?


EXPLICAÇÃO: Porque temos assim a garantia de que temos um Salvador forte: Ele é ​Deus​.
Isto quer dizer que nossa salvação foi realizada e efetuada, não por um homem fraco mas
por aquele que é e sempre foi verdadeiro Deus. Nossa salvação está firme em Cristo, sendo
Ele o Filho de Deus. Nunca precisamos duvidar do poder do nosso Salvador ou da firmeza
da nossa salvação.

4. Por que o Catecismo diz que Cristo ​tornou-se​ verdadeiro homem da carne e do
sangue da virgem Maria?
EXPLICAÇÃO: O Credo Apostólico diz que Cristo ​nasceu​ da virgem Maria. Mas o
Catecismo tem razão quando entende seu nascimento como um ​ato​ dEle: Ele se ​tornou
- 60 -

verdadeiro homem. O verbo ‘ tornar-se’ se refere ao ato próprio de Cristo. Foi um


nascimento planejado! Cristo quis nascer! Quem de nós pode dizer isto? Nenhum de nós
pode afirmar o que Cristo sempre disse: “Eu ​vim​”.

5. Quem era o pai do Filho de Maria?


EXPLICAÇÃO: Ninguém. Justamente como o primeiro Adão não teve um pai natural, assim,
Cristo, como o segundo Adão, também não teve um pai natural. Confessamos no Credo e
no Catecismo que tudo foi a obra do Espírito Santo que fez com que Maria ficasse grávida.
Ele fez nascer o Filho de Deus como filho de Maria.

6. Por que o Catecismo fala de Cristo como o descendente de Davi?


EXPLICAÇÃO: Porque Cristo nasceu na casa e na família de Davi (Mateus 1). Com isto
Deus cumpriu a antiga promessa feita a Davi e ao povo de Israel. Deus, mais uma vez,
mostrou-se o Deus fiel.

7. Tendo-se tornado homem, Cristo não recebeu ou aceitou a natureza humana


pecaminosa​?
EXPLICAÇÃO: Não, não recebeu ou aceitou a natureza humana pecaminosa. Cristo se
tornou ​verdadeiro​ homem, sem dúvida, porque nasceu da carne e do sangue de Maria.
Tornou-se igual a seus irmãos, mas ​sem pecado​ (Hebreus 4:15 e 7:26-27).

Pergunta e resposta 36:

1. Por que é preciso saber e crer que Cristo nasceu sem pecado?
EXPLICAÇÃO: Se Cristo tivesse nascido como pecador, não poderia ser nosso Salvador e
nós estaríamos perdidos. Um pecador não pode salvar outros pecadores. Mas Cristo é o
perfeito Mediador porque nasceu inocente e santo, sem pecado. Por isso cremos que Cristo
cobre meu pecado no qual fui concebido e nasci. Cristo cobre toda a minha natureza
pecaminosa com sua perfeita santidade.

2. Se Cristo é Deus e homem, Ele não tem duas personalidades?


EXPLICAÇÃO: Cristo não tem duas personalidades. Ele é uma Pessoa só, mas tem duas
naturezas: a natureza divina (porque é Deus) e a natureza humana. Assim ele é nosso
Mediador. Estas duas naturezas de Cristo não se misturam nem mudaram, mas estão
unidas numa só Pessoa: Jesus Cristo. Ele não tem uma dupla personalidade. É ao mesmo
tempo totalmente Deus e totalmente homem.

3. A Bíblia ensina que Maria foi concebida e nasceu sem pecado?


EXPLICAÇÃO: A Bíblia, como Lucas 2:48:-50 mostra, não ensina que Maria foi concebida e
nasceu sem pecado. Ela era também uma pecadora. Temos um só Mediador, Jesus Cristo.
Veja também Lucas 1:47.
- 61 -

Dia do Senhor 15

P.37. O que você confessa quando diz que Ele “padeceu”?

R. Durante todo o tempo em que viveu sobre a terra, e especialmente no final, Cristo
suportou no corpo e na alma a ira de Deus contra o pecado de toda a raça humana.1
Assim, por Seu sofrimento, como o único sacrifício de expiação,2 Ele redimiu o nosso corpo
e a nossa alma da condenação eterna3 e conquistou para nós a graça de Deus, a justiça e
a vida eterna.4

1. Is 53; 1Tm 2.6; 1Pe 2.24; 3.18. 2. Rm 3.25; 1Co 5.7; Ef 5.2; Hb 10.14; 1Jo 2.2; 4.10. 3.
Rm 8.1-4; Gl 3.13; Cl 1.13; Hb 9.12; 1Pe 1.18, 19. 4. Jo 3.16; Rm 3.24-26; 2Co 5.21; Hb
9.15.

P.38. Por que Ele “padeceu sob” o julgamento de “Pôncio Pilatos?” R. Embora inocente,
Cristo foi condenado por um juiz terreno,1 e assim Ele nos livrou do severo juízo de Deus
que haveria de cair sobre nós.2

1. Lc 23.13-24; Jo 19.4, 12-16. 2. Is 53.4, 5; 2Co 5.21; Gl 3.13.

P.39. Há algum sentido especial em Cristo ter sido crucificado e não ter morrido de outro
modo?

R. Sim. Por causa disso tenho a certeza de que Ele levou sobre Si a maldição que estava
sobre mim, pois quem era crucificado era maldito de Deus.1

1. Dt 21.23; Gl 3.13. 62

DOMINGO 15

Pergunta e resposta 37:

1. De que maneira foi que Cristo sofreu?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que Cristo sofreu em corpo e alma. Como homem, sofreu
em todos os sentidos, físico e mentalmente, corporal e espiritualmente.

2. Que parte foi a mais pesada para Cristo, o sofrimento corporal ou o espiritual? Por
quê?
EXPLICAÇÃO: Quanto ao sofrimento físico, pode parecer que haja pessoas que tenham
sofrido mais que Cristo. Mesmo assim ninguém sofreu como Cristo. Porque seu sofrimento,
tanto espiritual como o corporal, foi causado pela ira de Deus contra nossos pecados. Seu
sofrimento como castigo de Deus torna a parte espiritual a mais pesada.

3. Quando foi que Cristo sofreu?


EXPLICAÇÃO: Cristo sofreu durante toda a sua vida na terra, mas principalmente no final.
Já imediatamente depois de seu nascimento havia sofrimento para Ele na matança das
- 62 -

crianças de Belém por Herodes (Mateus 2:16-18), na fuga para o Egito com José e Maria.
Sua vida estava sendo ameaçada. Cristo sofreu também porque muitas pessoas o
rejeitavam, os líderes do povo o perseguiam e até seus discípulos às vezes não
acreditavam nEle. Mas principalmente sofreu no final da sua vida. Pense no que aconteceu
no jardim de Getsêmani (Mateus 26:36-45), no que Pedro, Judas, Herodes e Pilatos Lhe
fizeram e no que aconteceu no Calvário.

4. O que Cristo sofreu?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que Cristo sofreu a ira de Deus contra os pecados de todo
o gênero humano.

5. Por que o Catecismo fala aqui de “todo o gênero humano”? cristo salvou todos?
Seu sacrifício é suficiente para salvar todos?
EXPLICAÇÃO: Quando o Catecismo fala aqui de “todo o gênero humano” ele não quer
dizer que Jesus Cristo salva todas as pessoas. Mas a questão é essa: as pessoas, hoje
salvas, eram também atingidas pela ira de Deus contra todo o gênero humano. Por isso
Cristo não podia salvá- las sem suportar a ira de Deus contra os pecados de todo o gênero
humano. Seu sofrimento é sim suficiente para salvar todos, mas só as pessoas que
acreditavam nEle serão salvas.

6. O que significa a palavra “propiciatório”?


EXPLICAÇÃO: Esta palavra significa que o sacrifício de Cristo tira nossos pecados e os
cobre de tal maneira que Deus não mais os vê ou leva em conta.

7. O que a Resposta 37 diz sobre a bênção do sofrimento de Cristo para nós?


EXPLICAÇÃO: As bênçãos do sofrimento de Cristo são estas:
- Cristo nos salvou da condenação eterna por Deus
- esta salvação é para nosso corpo e nossa alma.
- Cristo conquistou para nós três coisas:
a graça de Deus;
a justiça (= o bom relacionamento com Deus);
a vida eterna.
Obs.: a palavra “conquistou” quer dizer que perdemos estas coisas pela queda do nosso pai
Adão.

Pergunta e resposta 38:

1. Por que o Credo diz “sob Pôncio Pilatos”? É só para indicar a época em que Cristo
sofreu?
EXPLICAÇÃO: As palavras “sob Pôncio Pilatos” não indicam apenas a época. Indicam
muito mais a natureza do sofrimento de Cristo: Ele foi condenado, sendo inocente, sendo
inocente, pelo juiz oficial, Pôncio Pilatos. Esta condenação era ao mesmo tempo a
condenação da parte de Deus.
- 63 -

2. Será que o sofrimento de Cristo foi uma tragédia ou um destino infeliz de uma
pessoa fracassada?
EXPLICAÇÃO: Não foi nada disso, muito pelo contrário, o sofrimento de Cristo foi um ato
voluntário e resultou no ato judicial desejado por Deus para castigar seu Filho em nosso
lugar.

3. Qual a bênção da condenação de Cristo sob Pôncio Pilatos para nós?


EXPLICAÇÃO: A bênção é esta: Cristo nos libertou do severo juízo de Deus. Caiu sobre Ele
o que deveria cair sobre nós.
Obs. : a palavra “nós” se refere a nós que somos de Cristo. O Catecismo sempre fala de
nós que cremos em Cristo. Somos “nós” que recebemos as bênçãos, os frutos do
sofrimento de Cristo. Mas o castigo que caiu sobre Cristo ainda cai e cairá sobre os
descrentes.

Pergunta e resposta 39:

1. Por que Cristo devia morrer na cruz?


EXPLICAÇÃO: A crucificação significa a maldição por Deus (Deuteronômio 21:23). A
crucificação é a morte mais vergonhosa e humilhante que se pode imaginar. Assim Cristo
tomou sobre si nossa maldição, isto é, a maldição de Deus que nós merecíamos por causa
dos nossos pecados. Resumindo, Domingo 15 fala do sofrimento de Cristo nestes termos:
sacrifício (resposta 37), condenação (resposta 38) e maldição (resposta 39).

2. É certo ou necessário fazer o sinal da cruz?


EXPLICAÇÃO: O sinal da cruz não precisa ser feito. Não é uma ordem de Deus. É uma
invenção de homens que se tornou quase obrigatória na religião romana. Hoje em dia o
sinal da cruz está muito ligado à superstição popular. Por isso nem é certo fazer este sinal.
- 64 -

Dia do Senhor 16

P.40. Por que foi necessário que Cristo se humilhasse até à morte?

R. Por causa da justiça e da verdade de Deus1 a satisfação pelos nossos pecados não
poderia ocorrer de outra forma senão pela morte do Filho de Deus.2

1. Gn 2.17. 2. Rm 8.3; Fl 2.8; Hb 2.9, 14, 15.

P.41. Por que foi Ele “sepultado”?

R. O Seu sepultamento testifica que Ele realmente morreu.1

1. Is 53.9; Jo 19.38-42; At 13.29; 1Co 15.3, 4.

P.42. Se Cristo morreu por nós, por que ainda temos que morrer?

R. A nossa morte não é o pagamento pelos nossos pecados,1 mas ela põe fim aos nossos
pecados e é a entrada para a vida eterna.2

1. Mc 8.37; 2. Jo 5.24; Rm 7.24, 25; Fp 1.23.

P.43. Que outros benefícios recebemos do sacrifício e morte de Cristo na cruz?

R. Pela morte de Cristo a nossa velha natureza é crucificada, morta e sepultada com Ele,1
para que os desejos malignos da carne não reinem mais sobre nós2 e possamos nos
ofertar a Ele como sacrifício de gratidão.3

1. Rm 6.5-11; Cl 2.11-12. 2. Rm 6.12-14. 3. Rm 12.1; Ef 5.1, 2.

P.44. Por que razão se acrescenta: “desceu ao inferno”?

R. A angústia, a dor, o terror e a agonia indizíveis que Cristo suportou em todos os Seus
sofrimentos1 — especialmente na cruz — dão-me a certeza e a consolação de que, por
maiores que sejam as minhas tristezas e tentações, Ele me livrou da angústia e do tormento
do inferno.2

1. Sl 18.5, 6; 116.3; Mt 26.36-46; 27.45, 46; Hb 5.7-10. 2. Is 53.

DOMINGO 16

Pergunta e resposta 40:

1. Por que a Resposta 40 diz que a ​justiça​ de Deus exigia a morte do Filho de Deus?
Cf. o Domingo 5 na Resposta 12.
- 65 -

EXPLICAÇÃO: A Resposta 12 do Catecismo diz que alguém deveria morrer para satisfazer
à justiça de Deus. O pecado exige castigo, e esse castigo é a morte do pecador. O pecado
leva à pena capital. Em outras palavras, trata-se de uma questão de justiça. Deus é justo e
por isso seu Filho devia morrer.

2. Por que a Resposta 40 diz que a ​verdade​ de Deus exigia a morte do Filho de Deus?
EXPLICAÇÃO: A palavra ‘verdade’ significa aquilo que Deus falou. O que Deus falou nunca
se tornaria uma coisa vã. Deus havia dito que o pecador morreria (Gênesis 2:17). Por isso o
Filho de Deus deveria morrer, em nosso lugar, por causa da verdade da Palavra de Deus.

Pergunta e resposta 41:

1. Por que Jesus foi sepultado?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo explica que o sepultamento de Cristo serviu de prova da morte
dEle. Sua morte não foi uma aparência, mas uma coisa real.

2. O que mais significa o sepultamento de Cristo?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo menciona um só motivo para seu sepultamento. Mas há mais
motivos. De passagem dizemos que o Catecismo não foi escrito com a intenção de tratar de
todos os ensinamentos da Bíblia. O sepultamento do Senhor fez também parte de sua
humilhação como Servo do Senhor. Foi no sepultamento que Cristo se tornou igual a nós e
provou mais uma vez que é nosso Mediador.

Pergunta e resposta 42​:

1. Por que nossa morte não pode pagar nossos pecados? Cf. o Domingo 5 na
Reposta 13.
EXPLICAÇÃO: Quanto a Resposta 42 diz que nossa morte não é um pagamento dos
nossos pecados, ela se baseia na Resposta 13: o pecador não pode pagar suas dívidas,
nem através de sua morte. Nossa morte ​não pode​ ser pagamento. Não temos condições de
nos livrarmos da nossa dívida. Só o Filho de Deus, não sendo pecador poderia morrer para
pagar pelos pecados.

2. Em que sentido a morte de Cristo mudou a morte do cristão?


EXPLICAÇÃO: A morte do cristão não é mais castigo. É, sim, o fim do pecado. É o fim do
estado de ser pecador: nós morreremos para o pecado e deixaremos de pecar, o que será
uma grande bênção. Além disso, a morte é para o crente a ​passagem​ para a vida eterna.
Por isso concluímos que a morte de um crente é diferente da morte de um descrente.

Pergunta e resposta 43:

1. Qual a bênção da morte de Cristo para nossa vida de hoje?


EXPLICAÇÃO: As bênçãos são estas: Estamos livres do domínio do pecado. O Catecismo
fala dos maus desejos da nossa carne: estes não mais nos dominam se somos de Cristo. O
nosso ‘velho homem’ morreu com Cristo. Este ‘velho homem’ significa o que somos, fora de
Cristo. Já vivemos a vida nova, a vida de gratidão, que é a vida oferecida e dedicada ao
- 66 -

Senhor. Obs. : o pecado tem dois lados: ele é culpa e ele tem força. Quanto à culpa, Cristo
pagou por sua morte e removeu a culpa ( o assunto da Pergunta e resposta 40). Quanto à
força, Cristo a quebrou por sua morte (o assunto da Pergunta e resposta 43).

Pergunta e resposta 44:

1. O que quer dizer que Jesus desceu ao inferno? Será que Ele foi ao inferno depois
da sua morte?
EXPLICAÇÃO: A Bíblia não diz que Jesus foi ao inferno depois da sua morte. Ele disse ao
criminoso na cruz antes de sua morte. Eu lhe afirmo que ​hoje​ você estará comigo no
paraíso (Lucas 23:43). Mas quando confessamos que Cristo desceu ao inferno estamos
dizendo que Ele sofreu, principalmente na cruz, inexprimíveis angústias, dores e terrores.
Este sofrimento fez que o inferno viesse sobre Ele. Deus o abandonou. Isso era o inferno.
Não havia nenhuma comunhão com Deus.

2. Qual a bênção desse sofrimento de Cristo?


EXPLICAÇÃO: A bênção desse sofrimento de Cristo é que Deus nunca nos abandonará. O
Catecismo diz que por isso, até nossas mais duras tentações, temos a certeza de que Ele
nos libertou da angústia e do tormento do inferno.
_________________________________________________________________________

NOTA EXPLICATIVA:
“Desceu ao inferno” é um acréscimo posterior ao Credo Apostólico. A razão do acréscimo
era combater fantasias sobre o que Cristo teria feito depois de ter sido sepultado. A Igreja,
na época, queria dizer que Cristo foi ao “reino dos mortos” (no grego: Hades).
Especialmente o luggar das palavras “desceu ao inferno” no Credo indicam este significado
original de Cristo ter entrado no estado da morte. Por esta razão as Igrejas Reformadas do
Brasil adotaram como seu texto do Credo: “desceu ao reino dos mortos”. Isto pode levar à
pergunta por que o Catecismo ainda fala de “desceu ao inferno”. Não seria mais coerente
colocar esta parte depois da pergunta e resposta 41? De fato, seria. Mas até agora,
nenhuma Igreja Reformada nacional modificou o texto do Catecismo. Por outro lado, a
explicação do Catecismo é bíblica e também acaba com a idéia de uma viagem que Cristo
teria feito ao inferno. O catecismo enfatiza os tormentos do inferno que Cristo sofreu
durante toda a sua vida e especialmente na cruz quando passou três horas em completo
abandono por seu pai. Assim “desceu ao inferno” fala do clímax do sofrimento de Cristo,
antes da sua morte.
- 67 -

Dia do Senhor 17

P.45. Como somos favorecidos com a ressurreição de Cristo?

R. Primeiro: pela ressurreição Ele venceu a morte, para nos tornar participantes da justiça
que Ele conquistou para nós pela Sua morte.1
Segundo: pelo Seu poder nós também somos ressuscitados para uma vida nova.2
Terceiro: a ressurreição de Cristo é, para nós, a garantia da nossa ressurreição gloriosa.3

1. Rm 4.25; 1Co 15.16-20; 1Pe 1.3-5. 2. Rm 6.5-11; Ef 2.4-6; Cl 3.1-4. 3. Rm 8.11; 1Co
15.12-23; Fl 3.20, 21.

DOMINGO 17

Pergunta e resposta 45:

1. Por que o Catecismo não fala do fato da ressurreição de Cristo, explicando o que
aconteceu naquela hora?
EXPLICAÇÃO: A primeira razão do silêncio do Catecismo é bem simples: nenhum ser
humano era testemunha do acontecimento! Deus não permitiu que homens fossem
testemunhas do ato e do fato da ressurreição de Cristo. O que o Catecismo, então, poderia
dizer? Segundo, na época em que o Catecismo foi escrito, ninguém duvidava da
ressurreição de Cristo como fato histórico. Por isso não havia motivo para o Catecismo falar
deste assunto.

2. Como é a situação de hoje? Todos que se chamam cristãos aceitam a ressurreição


de Cristo como fato histórico? Que pensamento tem cristãos modernistas?
EXPLICAÇÃO: Hoje em dia muitos cristãos não acreditam na ressurreição de Cristo como
um fato real e histórico. Cristãos modernistas dizem que a ressurreição de Cristo era uma
ilusão da fé dos apóstolos. Estes tinham tanta fé na vitória de Cristo que começaram a
pregar que Cristo tinha saído do túmulo. Mas, dizem os modernistas, não importa saber se
a ressurreição de Cristo é um fato histórico ou não. Ela é uma expressão da nossa fé no
Cristo vivo.

3. É preciso e também possível provar que Cristo ressuscitou?


EXPLICAÇÃO: Não é possível provar isto porque é uma questão de crer no relato da Bíblia.
Nem é preciso provar a ressurreição de Cristo. É preciso, sim, proclamar o que Deus nos
revelou sobre Cristo.

4. O que nos dá a certeza de que Cristo realmente ressuscitou?


EXPLICAÇÃO: A certeza vem da Palavra de Deus que nos fala, por exemplo em 1 Coríntios
15:1-11, de muitas testemunhas que viram Cristo depois de sua ressurreição.

5. É importante saber que Cristo ​realmente​ ressurgiu dos mortos?


EXPLICAÇÃO: Sim, é importante, porque não adianta nada ter um Salvador morto! A
realidade da ressurreição de Cristo faz parte do fundamento da nossa salvação. Nós não
- 68 -

acreditamos na imaginação dos apóstolos mas nos fatos reais do ministério de Cristo na
terra.

6. A ressurreição de Cristo tem um valor a mais em comparação com a morte dEle?


EXPLICAÇÃO: Tem, sim. O Catecismo diz que Cristo ​venceu a morte​ pela ressurreição. Isto
quer dizer que a ressurreição e a coroa conseqüência necessária de sua morte. A
ressurreição é a coroa sobre a obra da salvação que Cristo realizou. A ressurreição é
também a ​prova​ da vitória de Cristo sobre o diabo e o domínio do pecado. É uma prova a
mais de que Cristo realmente pagou por nossos pecados.

7. O que significa “participar da justiça, que Ele conquistou por sua morte”?
EXPLICAÇÃO: A palavra justiça significa aqui a absolvição do pecado, ser justificado
perante Deus e estar livre da culpa. Tudo isso Cristo conquistou por sua morte. Mas, se
tivesse permanecido na morte, Cristo não poderia ter dado esta justiça a nós! Não poderia
ter enviado o Espírito Santo para nos pregar o evangelho da nossa justificação. Um Cristo
morto não poderia dar a fé! Mas é o Cristo ressuscitado que nos faz participar da justiça
através do evangelho que ouvimos e aceitamos. A palavra ‘participar’ fala da nossa fé e da
certeza, pela Bíblia, de que somos livres da condenação e libertados do domínio do pecado.
Esta é a nossa justificação.

8. A Resposta 45 fala primeiro da nossa justificação. Depois fala da nossa


santificação, “Segundo: nós também, por seu poder, somos ressuscitados para a
nova vida”. O que a ressurreição de Cristo significa para nossa santificação?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo fala do ​poder​ de Cristo, que é o poder de sua ressurreição.
Como Cristo entrou numa vida nova, assim nós, pelo seu poder, entramos numa vida nova.
Como pecadores éramos como mortos, mas o Cristo ressuscitado nos dá a vida. Essa vida
é a vida de ‘santificação’, a vida em santidade.

9. A última parte da Resposta 45 fala da nossa glorificação. O que a ressurreição de


Cristo significa para isto?
EXPLICAÇÃO: Quem é de Cristo vai ter seu corpo ressuscitado como Cristo o tem. Sua
ressurreição é ​garantia​ disto. Quem é de Cristo vai ter um corpo glorificado como Cristo. A
isto chamamos de ‘glorificação’.
- 69 -

Dia do Senhor 18

P.46. O que você confessa quando diz que Cristo “subiu ao céu”?

R. Que Cristo, à vista dos Seus discípulos, foi levado da terra ao céu,1 e que lá está para o
nosso benefício2 até que venha novamente para julgar os vivos e os mortos.3

1. Mc 16.19; Lc 24.50, 51; At 1.9-11. 2. Rm 8.34; Hb 4.14; 7.23-25; 9.24. 3. Mt 24.30; At


1.11.

P.47. Quer dizer, então, que Cristo não está conosco até a consumação dos séculos,
conforme Ele nos havia prometido?

R. Cristo é verdadeiro homem e verdadeiro Deus.1 Segundo Sua natureza humana, Ele não
está mais na terra,2 mas segundo a Sua natureza divindade, majestade, graça e Espírito,
Ele jamais se ausentou de nós.3

1 Mt 28.20. 2. Mt 26.11; Jo 16.28; 17.11; At 3.19-21; Hb 8.4. 3. Mt 28.18-20; Jo 14.16-19;


16.13.

P.48. Mas, se a natureza humana não estiver presente onde quer que a natureza Divina
esteja, não estariam as duas naturezas de Cristo separadas uma da outra?

R. De maneira nenhuma, pois a Sua Divindade é ilimitada e está presente em toda parte.1
Por isso, conclui-se que apesar da Sua natureza Divina ultrapassar a natureza humana que
Ele assumiu, ela está dentro dessa natureza humana e a ela permanece unida como
pessoa.2

1. Jr 23.23, 24; At 7.48, 49. 2. Jo 1.14; 3.13; Cl 2.9.

P.49. De que modo somos abençoados com a ascensão de Cristo ao céu?

R. Primeiro: Ele é o nosso Advogado no céu diante do Pai.1 Segundo: temos a nossa carne
no céu como a garantia segura de que Ele, o nosso Cabeça, também nos levará para Si,
como membros Seus.2 Terceiro: Ele nos enviou o Seu Espírito como garantia,3 pelo poder
do qual buscamos as coisas do alto — onde Cristo está assentado à direita de Deus — e
não as que são da terra.4

1. Rm 8.34; 1Jo 2.1. 2. Jo 14.2; 17.24; Ef 2.4-6. 3. Jo 14.16; At 2.33; 2Co 1.21, 22; 5.5; Ef
1.13,14 4. Cl 3.1- 4.
- 70 -

DOMINGO 18

Pergunta e resposta 46:

1. A pergunta 46 diz que Cristo ​subiu​ ao céu, enquanto a Pergunta 49 fala da


ascensão​ de Cristo. Trata-se da mesma coisa?
EXPLICAÇÃO: Sim, trata-se da mesma coisa. A palavra ascensão significa aqui a subida de
Cristo. Ascensão significa um movimento para cima, assim como palavras como descer e
descendência indicam um movimento para baixo.

2. Por que é importante para nós que os discípulos tenham visto que Cristo subiu ao
céu?
EXPLICAÇÃO: Os discípulos são nossas testemunhas oculares. A subida de Cristo é um
fato histórico! Como tal, ela faz parte do fundamento da nossa fé. Não acreditamos em
lendas, mas no que os discípulos viram com os seus próprios olhos. Os olhos deles são, por
assim dizer, nossos olhos.

3. Por que a Resposta 46 diz que Cristo “foi elevado da terra ao céu”? isto indica algo
diferente da subida de Cristo?
EXPLICAÇÃO: Não indica algo diferente porque trata-se do mesmo fato. Mas, enquanto a
palavra ‘subida’ se refere ao ato do próprio Cristo, a expressão ‘foi elevado’ se refere ao ato
do Pai. Deus o Pai elevou seu Filho, Jesus Cristo, recebendo-o como o vitorioso e
dando-lhe o lugar de honra à sua direita. Mas como o Pai e o Filho são um, o fato é também
um só: Cristo subiu, ou seja, foi elevado da terra ao céu.

4. O que o Catecismo diz sobre a volta de Cristo? Quantas vezes voltará?


EXPLICAÇÃO: A Resposta 46 diz que Cristo voltará uma só vez. As Igrejas Reformadas
não aceitam o pensamento de muitos evangélicos de hoje que falam de duas voltas de
Jesus. Este pensamento não tem fundamento na Bíblia.

Pergunta e resposta 47:

1. O que devemos crer a respeito da presença real de Cristo em nossa vida, visto que
Ele deixou a terra?
EXPLICAÇÃO: Se Cristo fosse apenas homem, estaria somente no céu, afastado de nós.
Mas Cristo é também Deus, e sua natureza divina está presente em todo lugar. Cristo,
então, está realmente conosco mediante seu Espírito; sua majestade e sua graça jamais se
afastam de nós! Esta é nossa grande consolação.

2. Cristo poderia, então, estar presente na hóstia como afirma a Igreja Católica
Romana? Ou poderia estar presente no pão da Santa Ceia?
EXPLICAÇÃO: Não, não poderia. O Catecismo explica que Cristo, agora, não está na terra
“segundo sua natureza humana”. Como homem, Ele não está aqui, mas está no céu,
inclusive com seu corpo humano! Ele não pode estar na hóstia da Missa nem no pão da
Santa Ceia. Não é o corpo de Cristo que comemos na Santa Ceia!
- 71 -

Pergunta e resposta 48:

1. Podemos entender o assunto das duas naturezas de Cristo?


EXPLICAÇÃO: De fato, há algo incompreensível neste assunto. Veja a Resposta 48: “a
natureza divina de Cristo está na sua natureza humana e permanece pessoalmente unida a
ela”. Isto quer dizer que Cristo é uma Pessoa só, embora sendo sempre Deus e homem.
Mas, por outro lado, sua natureza divina pode estar fora de sua natureza humana. Isto
aconteceu, por exemplo, quando Cristo estava no túmulo. Cristo morreu como ​homem​ e
não como Deus! Deus não pode morrer. Mesmo assim, durante os dias em que o homem
Jesus Cristo estava morto sua natureza divina permanecia unida à sua natureza humana. É
um mistério, fora do alcance do nosso entendimento.

Pergunta e resposta 49:

1. Em que sentido Cristo está lá, no céu, para nosso bem?


EXPLICAÇÃO: A Resposta 49 menciona três bênçãos da subida de Cristo: - Primeiro, Cristo
é nosso Advogado, lá no céu. - Segundo, em Cristo temos nossa carne no céu; já estamos
lá. - Terceiro. Cristo nos envia seu Espírito de lá.

2. Em que sentido Cristo é nosso Advogado?


EXPLICAÇÃO: Um advogado defende um réu. Nós somos réus sendo pecadores. Cristo
nos defende e é capaz de nos defender junto a seu Pai, contra todas as acusações, graças
a sua obra consumada na cruz. Ele pagou por nós, sendo nosso Advogado! Cristo pagou a
fiança e se tornou nosso Fiador. Assim Cristo nos libertou da condenação eterna que
merecíamos.

3. Como devemos entender a Resposta 49 quando diz: “segundo: em Cristo temos


nossa carne no céu…”?
EXPLICAÇÃO: Cristo está no céu, como homem. Sua presença, lá, como homem, tendo
carne igual à nossa, é a garantia de que nós estaremos com Cristo, no seu Reino. Cristo
nos “levará para si” porque como seus membros Lhe pertencemos.

4. Por que o Catecismo fala de duas garantias na Resposta 49​?


EXPLICAÇÃO: Uma garantia está no céu, é Cristo que é homem. A outra garantia está na
terra, o Espírito Santo. Isto reflete a Aliança: estamos unidos a Cristo como se houvesse um
matrimônio entre Ele e nós. Cristo sempre pensa em nós, lá no céu, porque tem nossa
carne. E Cristo envia o Espírito Santo que nós sempre pensamos nEle.

5. O que são “as coisas que são do alto”? (Colossenses 3:1).


EXPLICAÇÃO: As coisas do alto não significam coisas espirituais que seriam opostas às
coisas materiais da terra. Mas trata-se de tudo o que vem de Cristo, tudo que é puro, santo
e perfeito, tanto coisas espirituais como coisas materiais. A frase “As coisas que são da
terra” indica tudo que é pecaminoso. Precisamos ser dirigidos e guiados aqui na terra por
Cristo que está lá no alto.
- 72 -

6. Considerando este Domingo 18, podemos dizer que Cristo abandonou a terra
porque é uma coisa inferior?
EXPLICAÇÃO: Não podemos dizer isto. O Domingo 18 não ensina que, para Cristo, a terra
é inferior como se Ele desprezasse a vida natural e material. Pelo contrário, temos que
considerar bem que Cristo está no céu com seu corpo humano, um corpo natural e material!
Além disso, Cristo envia seu Espírito para santificar a vida natural e material. A distinção, ou
melhor, a oposição não é entre espiritual e material, mas entre o Espírito e o pecado. Da
mesma forma, não podemos dizer que coisas materiais são inferiores. A questão é como
usaremos as coisas materiais, para Cristo ou para o pecado.
- 73 -

Dia do Senhor 19

P.50. Por que se acrescentou “está assentado à mão direita de Deus”?

R. Cristo ascendeu ao céu para manifestar-se lá como o Cabeça da Sua igreja,1 por meio
de quem o Pai governa todas as coisas.2

1. Ef 1.20-23; Cl 1.18. 2. Mt 28.18; Jo 5.22, 23.

P.51. Que benefício tem para nós esta glória de Cristo, o nosso Cabeça?

R. Primeiro: pelo Seu Espírito Santo Ele derrama sobre nós, Seus membros, os dons
celestiais.1 Segundo: pelo Seu poder Ele nos defende e preserva de todos os inimigos.2

1. At 2.33; Ef 4.7-12. 2. Sl 2.9; 110.1, 2; Jo 10.27-30; Ap 19.11-16.

P.52. Que consolo lhe dá o fato de que Cristo “há de vir para julgar os vivos e os mortos”?

R. Que em todas as minhas aflições e perseguições eu de cabeça erguida e cheio de ânimo


espero vir do céu, como juiz, Aquele mesmo que antes se submeteu ao juízo de Deus por
minha causa, e removeu de sobre mim toda a maldição.1 Ela lançará todos os Seus e meus
inimigos na condenação eterna, mas levará para Si mesmo, para o gozo e glória celestiais,
a mim e a todos os Seus escolhidos.2

1. Lc 21.28; Rm 8.22-25; Fl 3.20, 21; Tt 2.13, 14. 2. Mt 25.31-46; 1Ts 4.16, 17; 2Ts 1.6-10.

DOMINGO 19

Pergunta e resposta 50:

1. A ascensão de Cristo significa que Ele está sentado à direita de Deus?


EXPLICAÇÃO: Temos que distinguir entre uma e outra coisa. A Pergunta 50 já indica isto
quando fala assim “Por que se acrescenta: ‘ e está sentado à direita de Deus?”. A ascensão
ou subida de Cristo aconteceu primeiro e só depois Ele se sentou à direita do Pai. Por outro
lado, há um laço estreito entre os dois acontecimentos: Cristo subiu ao céu a fim de
sentar-se à direita de seu Pai.

2. O Catecismo e o Credo falam sobre a direita de Deus. Mas Deus tem mão direita? O
que quer dizer que Jesus Cristo está sentado à direita de Deus? (Atos 7:55-56)​.
EXPLICAÇÃO: Deus Pai não é homem, mas a própria Bíblia fala sobre a (mão) direita de
Deus no sentido figurado da palavra. O lugar onde Jesus Cristo está agora quer dizer que
Ele recebeu de Deus o lugar mais honroso. É também o lugar de poder. Cf. Mateus 28:18.
“Sentado” expressa a posição de quem governa no trono de Deus. Por outro lado, a história
de Estêvão em Atos 7 mostra que Jesus se pode levantar a fim de entrar em ação. Estêvão
o viu em pé do lado direito de Deus. Talvez por isso exista outra interpretação: os
- 74 -

sacerdotes judeus estavam sempre em pé durante seu serviço, mas Cristo terminou seu
trabalho, “Tudo consumado está”, e por isso está sentado.

3. O que significam as palavras ‘ manifestar-se’ na Resposta 50? Cristo já era o


Cabeça da Igreja antes da sua ascensão?
EXPLICAÇÃO: Cristo já era o Cabeça da sua Igreja antes da sua subida ao céu. Já no
Antigo Testamento Ele era o Cabeça da Igreja. As palavras ‘manifestar-se’ na Resposta 50
expressam que depois de sua humilhação veio a glorificação de Cristo. Como Ele mesmo
diz em Mateus 28:18 “Foi-me ​dada​ toda autoridade…”. Ele mostra claro e gloriosamente,
estando sentado à direita do Pai, que é o Cabeça da Igreja.

4. O que quer dizer que Cristo é o Cabeça da sua Igreja? Quais os efeitos desta
posição para o governo da Igreja?
EXPLICAÇÃO: Cristo, como o Cabeça da Igreja, é quem decide na Igreja e governa sobre
ela. Ele é o chefe da Igreja. No corpo humano é a cabeça que toma as decisões. É a parte
mais importante do corpo. A expressão “Cabeça da Igreja”, que encontramos na Bíblia,
mostra a suprema autoridade de Cristo. Na prática isto quer dizer que não é o pastor que é
o dono da Igreja, nem um papa ou um sínodo. A Bíblia rejeita qualquer hierarquia na Igreja
porque a hierarquia não respeita Cristo como o dono e o Cabeça da Igreja.

5. O que a Resposta 50 diz sobre o relacionamento entre o Pai e o Filho?


EXPLICAÇÃO: A Resposta 50 diz que Cristo subiu ao céu para governar tudo em nome do
Pai. Mateus 28:18 (“ A mim foi dada”) ensina que Cristo ​recebeu​ todo o poder no céu e na
terra. O Pai entregou o governo sobretudo àquele que se manifestou o Salvador do mundo,
Jesus Cristo. Ele é também o Juiz do mundo, João 5:22. Tudo isso fala da perfeita união
entre o Pai e o Filho.

6. Não é difícil confessar que Cristo governa tudo, considerando nosso mundo cheio
de miséria?
EXPLICAÇÃO: Pode ser difícil confessar que Cristo governa tudo, se olharmos somente
para o lado externo do nosso mundo com toda a sua miséria. É justamente o cristão que
tem dificuldades com a verdade bíblica sobre o governo de Cristo. Mas temos que ficar com
esta verdade. O que o Catecismo diz é uma confissão de fé. A fé é maior que aquilo que os
nossos olhos vêem. Veja Hebreus 11:1 “A ​fé​ é… a prova das coisas que não vemos.” Nós
cremos​ que Cristo governa, embora o modo de Ele governar vá além do nosso
entendimento.

Pergunta e resposta 51:

1. O que quer dizer a expressão “nosso Cabeça” na Pergunta 51?


EXPLICAÇÃO: Esta expressão indica a intimidade e a união estreita entre Cristo e nós,
sendo Ele o Cabeça, e nós seus membros. Veja na Resposta 51: “nós, seus membros”. A
Igreja é o Corpo de Cristo. O Catecismo é o livro da consolação que nos ensina que
pertencemos a Cristo (Domingo 1).

2. O que significa a posição de Cristo à direita do Pai para nossa vida na terra?
- 75 -

EXPLICAÇÃO: O Catecismo fala de duas coisas:


- temos o Espírito Santo, com todos os seus dons;
- temos proteção contra os inimigos. Cristo está sempre atento para nos ajudar e nos
defender.

3. O que são os dons celestiais?


EXPLICAÇÃO: Os dons celestiais são todos os dons que recebemos do céu, através do
Espírito Santo. Ele atua sempre junto a Cristo, em tudo. Estes dons são mencionados no
Novo Testamento como os dons espirituais porque são os frutos do Espírito Santo.

Pergunta e resposta 52:

1. O que confessamos sobre a volta de Cristo?


EXPLICAÇÃO: A Resposta 52 contém os seguintes elementos:
- Cristo virá do céu como Juiz.
- Ele condenará todos os seus inimigos.
- Ele levará para si os verdadeiros cristãos para eles desfrutarem a alegria e glória eternas.

É bom notar que o Catecismo não faz uma lista completa de todos os acontecimentos
futuros.

2. Por que o Catecismo usa a palavra ‘consolo’ na Pergunta 52?


EXPLICAÇÃO: Existe uma razão histórica: o Catecismo foi escrito numa época em que
havia muita perseguição aos cristãos reformados. Existe também uma razão pessoal:
Aquele que voltará como Juiz é o mesmo que se apresentou em meu lugar ao tribunal de
Deus. Este Juiz é meu Salvador como cada crente pode dizer. Temos aqui uma grande
consolação.

3. O que ensina o milenismo?


EXPLICAÇÃO: O que chama nossa atenção especial é a doutrina do reino dos mil anos (daí
o nome ‘milenismo’). Esta doutrina nos leva às seguintes perguntas:
- Cristo vai reinar ou já está reinando? O milenismo diz que Ele reinará futuramente. Nós
confessamos no Catecismo que Cristo já está reinando.
- Cristo voltará uma vez ou duas vezes? O milenismo diz que Ele voltará duas vezes: na
primeira vez, voltará para reinar durante 1000 anos na terra. E voltará outra vez para o juízo
final. A Bíblia não conhece essa doutrina, mas diz que Cristo voltará uma só vez. Sua volta
iniciará o juízo final.
-Haverá uma dupla ressurreição? O milenismo diz que a primeira ressurreição acontecerá
no dia em que Jesus voltar. Será a ressurreição dos cristãos enquanto a segunda
ressurreição se refere aos demais homens, antes do juízo final. A Bíblia não conhece uma
dupla ressurreição neste sentido. Todos ressuscitarão no mesmo instante, quando Jesus
voltar. Somente podemos falar de uma dupla ressurreição pensando nos dois destinos
diferentes das pessoas: uma ressurreição para a vida e a outra para a morte eterna, Daniel
12:2 e João 5:29.
Conclusão: a doutrina do milenismo, que muitos evangélicos aceitam, não tem fundamento
na Bíblia.
- 76 -

Deus Espírito Santo e a Nossa Santificação

Dia do Senhor 20

P.53. O que você crê sobre o Espírito Santo?

R. Primeiro: Creio que Ele é verdadeiro e eterno Deus, juntamente com o Pai e o Filho.1
Segundo: Creio que Ele foi dado também a mim2 para — pela verdadeira fé — me tornar
participante de Cristo e de todos os Seus benefícios,3 para me consolar4 e para
permanecer comigo para sempre.5

1. Gn 1.1, 2; Mt 28.19; At 5.3, 4; 1Co 3.16. 2. 1Co 6.19; 2Co 1.21, 22; Gl 4.6; Ef 1.13. 3. Gl
3.14; 1Pe 1.2. 4. Jo 15.26; At 9.31. 5. Jo 14.16, 17; 1Pe 4.14.

DOMINGO 20

Pergunta e resposta 53:

1. O que o Catecismo diz em primeiro lugar sobre o Espírito Santo?


EXPLICAÇÃO: Em primeiro lugar, o Catecismo diz que o Espírito Santo é verdadeiro e
eterno Deus com o Pai e o Filho. Ele é a terceira pessoa da Trindade. Como cremos no Pai
e no Filho, assim cremos no Espírito Santo, cf. o Credo Apostólico: “Creio no Espírito
Santo”. É a própria Bíblia que diz que o Espírito Santo é Deus: Em Atos 5:3,4 Pedro
perguntou: “Ananias, como Satanás encheu seu coração a ponto de você mentir ao Espírito
Santo? … Você não mentiu aos homens, mas sim a Deus!”. Falando assim, Pedro ensina
que o Espírito Santo é Deus. Salmo 139:7 diz que o Espírito Santo está presente em toda a
parte. Não podemos escapar dEle. Tal afirmação só pode ser feita sobre Deus.
Gênesis 1:2 fala sobre a obra do Espírito Santo, quando Deus criou tudo. O Espírito Santo
se movia por cima da água. Outra afirmação que só pode ser feita sobre Deus. Gênesis 1
fala da obra de Deus. Em Mateus 28:19 Jesus diz aos seus apóstolos que devem batizar os
seguidores de Jesus em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O Espírito recebe a
honra divina. Em resumo: a Bíblia dá ao Espírito Santo o nome divino (Atos 5), ensina suas
virtudes divinas (Salmo 139) e sua obra divina (Gênesis 1) e fala da sua honra divina
merecida (Mateus 28).

2. Há pessoas que dizem que o Espírito Santo é somente uma força de Deus. Negam
que Ele seja uma pessoa. O que dizem 1 Coríntios 2:10 e Efésios 4:30 sobre isto?
EXPLICAÇÃO: Entre outros heréticos estão as Testemunhas de Jeová que negam que o
Espírito Santo seja Deus. Dizem que Ele é apenas uma força ou um poder de Deus. Negam
também que Ele seja uma Pessoa. A Bíblia mostra claramente que o Espírito Santo é uma
Pessoa. Ele tem características que pessoas têm. 1 Coríntios 2:10 ensina que o Espírito
Santo investiga tudo, até mesmo os propósitos mais profundos e escondidos de Deus. Em
Efésios 4:30 lemos que não devemos entristecer o Espírito Santo de Deus. Uma força não
pode investigar nada nem entristecer uma força. Mas uma pessoa pode investigar algo e
nós podemos entristecê-la.
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3. Por que o Espírito de Deus é o Espírito ​Santo​?


EXPLICAÇÃO: O Espírito é o Espírito ​Santo​, porque sua obra específica é nossa
santificação. O título desta parte do Catecismo mostra isto, falando de Deus Espírito Santo
e de nossa santificação.

4. Onde o Espírito Santo trabalha?


EXPLICAÇÃO: Em primeiro lugar, o Espírito Santo trabalha na Igreja. As palavras de Paulo
dirigidas à Igreja de Corinto mostram isto: “Vocês não sabem que são santuário de Deus e
que o Espírito de Deus habita em vocês?” (1 Coríntios 3:16). Paulo diz que o Espírito mora
na Igreja. É nela que faz o seu trabalho. Mas Ele opera também fora da Igreja. Salmo
104:30 diz: “Envias o teu Espírito, eles são criados, e assim renovas a face da terra.” É o
Espírito, então, quem dá a vida. Em Êxodo 31:2,3 lemos que Deus diz a Moisés: “Eu escolhi
Bezalel … e o enchi com meu Espírito. Eu lhe dei inteligência, competência e habilidade
para fazer todo tipo de trabalho artístico..” O Espírito deu a Bezalel o que precisava para
fazer o tabernáculo.

5. O Catecismo diz que o Espírito foi dado também a mim. O que a palavra ​dado​ quer
dizer?
EXPLICAÇÃO: A palavra ​‘dado’​ quer dizer que para termos o Espírito Santo, Ele nos deve
ser concedido, por Deus. Por natureza não temos o Espírito Santo – temos só o pecado.
Mas Deus nos quer ​dar​ o Espírito Santo.

6. Como é que o crente pode dizer com certeza que o Espírito lhe foi dado?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo e o crente podem dizer isso, baseando-se na promessa de
Deus. Quando fomos batizados, o Espírito Santo nos disse que Ele queria morar e atuar em
nós.

7. Para que o Espírito foi dado a nós? O que Ele faz?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que o Espírito nos torna participantes de Cristo e de todos
os seus benefícios, por uma verdadeira fé. Cristo morreu por nossos pecados e mereceu
benefícios para nós. Mas sem a obra do Espírito Santo não podemos receber o que Cristo
mereceu. O Espírito Santo nos torna participantes de Cristo. Ele faz com que tenhamos um
relacionamento vivo com Cristo e o faz pela fé que nos dá. O Espírito opera a fé em nós
pela pregação do Evangelho. Assim nos tornamos participantes de Cristo e recebemos
todos os seus benefícios

8. O que mais o Espírito Santo faz?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que Ele nos fortalece. Os versos da Bíblia em que o
Catecismo se baseia são João 15:26 e Atos 9:31. em João 15:26 lemos que o Senhor Jesus
diz aos seus discípulos que virá o Auxiliador, o Espírito Santo. Auxiliador significa aqui
Advogado. O Espírito Santo é também nosso Advogado. Cristo é o nosso Advogado no céu
e o Espírito aqui na terra. Romanos 8:26,27 ensina que o Espírito pede a Deus em nosso
favor.
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9. O Espírito pode deixar o povo de Deus?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que o Espírito Santo fica comigo para sempre. Isto tem a
ver com a promessa que o Senhor deu aos discípulos: “E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará
outro Conselheiro, para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade” (João
14:16-17). O Espírito não deixará seu povo. Mas isto não quer dizer que possamos viver
descuidadamente. A Bíblia diz que existe a possibilidade de entristecer o Espírito (Efésios
4:30). Quando fazemos isso, o Espírito se retira. Quando a Bíblia diz que o Espírito fica para
sempre conosco, recebemos uma promessa de Deus para nos fortalecer. Mas pode ser
claro que a promessa não serve se vivermos sem Ele.

10. O que é o pecado ou a blasfêmia contra o Espírito Santo? (veja Marcos 2:28,29)
EXPLICAÇÃO: O Senhor Jesus fala sobre isso quando os professores da lei dizem que Ele
é dominado por Belzebu, o chefe dos demônios. Dizem que Belzebu dá poder a Jesus para
expulsar espíritos maus. Ele responde dizendo que Deus perdoa os pecados, mas não o
pecado ou a blasfêmia contra o Espírito. Quem comete este pecado é a pessoa que rejeita
o evangelho, mesmo tendo conhecimento da ​verdade​. Os professores da Lei sabiam que as
obras de Jesus eram de Deus, mas rejeitavam Jesus, dizendo que Suas obras eram do
diabo. O pecado contra o Espírito é cometido por pessoas que sabem que o Evangelho de
Jesus Cristo é a verdade, mas não querem arrepender-se. Quem comete este pecado não
se importa mais com Cristo e não quer, nem pode se arrepender. Mas quem tem medo de
cometer este pecado, não o cometerá nem precisa ter esse medo.
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Dia do Senhor 21

P.54. O que você crê sobre a “santa Igreja universal ” de Cristo?

R. Creio que o Filho de Deus,1 desde o começo até o fim do mundo,2 reúne para Si
mesmo,3 de entre todo o gênero humano,4 uma igreja eleita para a vida eterna5 a qual
protege e preserva na unidade da verdadeira fé6 pelo Seu Espírito e pela Sua Palavra.7 E
creio que eu sou8 e serei para sempre um membro vivo dela.9

1. Jo 10.11; At 20.28; Ef 4.11-13; Cl 1.18. 2. Is 59.21; 1Co 11.26. 3. Sl 129.1-5; Mt 16.18; Jo


10.28-30. 4. Gn 26.4; Ap 5.9. 5. Rm 8.29; Ef 1.3-14. 6. At 2.42-47; Ef 4.1-6. 7. Rm 1.16;
10.14-17; Ef 5.26. 8. 1Jo 3.14, 19- 21. 9. Sl 23.6; Jo 10.27, 28; 1Co 1.4-9; 1Pe 1.3-5.

P.55. O que você crê sobre a “comunhão dos santos”?

R. Primeiro: creio que todos os crentes, juntos e cada um em particular, como membros de
Cristo, têm comunhão com Ele e participam de todos os Seus tesouros e dons.1 Segundo:
creio que cada um têm o dever de usar os seus dons com disposição e alegria para o
benefício e o bem-estar dos outros membros.2

1. Rm 8.32; 1Co 6.17; 12.4-7, 12, 13; 1Jo 1.3 2. Rm 12.4-8; 1Co 12.20-27; 13.1-7; Fl 2.4-8.

P.56. O que você crê sobre a “remissão dos pecados”?

R. Creio que Deus, por causa da satisfação que Cristo realizou, não se lembrará mais dos
meus pecados1 nem da minha natureza pecaminosa, contra a qual devo lutar durante toda
a minha vida,2 mas me concederá graciosamente a justiça de Cristo, para que eu jamais
entre em condenação.3

1. Sl 103.3, 4, 10, 12; Mq 7.18, 19; 2Co 5.18-21; 1Jo 1.7; 2.2. 2. Rm 7.21-25. 3. Jo 3.17, 18;
5.24; Rm 8.1, 2.

DOMINGO 21

Pergunta e resposta 54:

1. O que significa a palavra “igreja”?


EXPLICAÇÃO: A palavra “igreja” significa “do Senhor”. Em 1 Timóteo 3:15 Paulo escreve a
Timóteo: “…mas, se eu demorar, saiba como é necessário que as pessoas se comportem
na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade.” Paulo
ensina que a Igreja é a casa de Deus ou do Senhor.

2. Que outra palavra o Catecismo usa aqui, quando fala da Igreja? O que esta palavra
quer dizer?
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EXPLICAÇÃO: O Catecismo usa a palavra “comunidade”. Esta palavra significa que as


pessoas da Igreja têm alguma coisa em comum. O que têm em comum é serem os eleitos
para a vida eterna.

3. Que palavra a Bíblia usa quando fala do povo de Deus? (veja 1 Coríntios 1:2).
EXPLICAÇÃO: Nossas bíblias usam a palavra “igreja” que é uma tradução da palavra grega
“ekklèsia”. Outra tradução possível é assembléia. Esta palavra se usava antigamente
quando o governo convocava o povo para se reunir. O governo chamava e as pessoas
vinham. Assim é também a Igreja: ela é composta por pessoas chamadas. É Deus quem
chama e há pessoas que se reúnem.

4. Que diferença há entre crer em Deus e crer na Igreja?


EXPLICAÇÃO: Não podemos crer na Igreja do mesmo modo como cremos em Deus. Crer
em Deus quer dizer conhecê-Lo por sua Palavra e confiar nEle. Mas com relação à Igreja as
coisas são diferentes: conhecemos, sim, a Igreja pela Palavra de Deus, mas não confiamos
nela. A expressão ‘crer na Igreja’ quer dizer crer a respeito ou sobre a Igreja. É crer que ela
existe como obra de Deus.

5. Que promessa Cristo dá à Igreja? (veja Mateus 16:18).


EXPLICAÇÃO: Ele diz que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja. Satanás
luta contra a Igreja, mas não pode vencê-la, porque Cristo ajuda a Igreja. É uma promessa
bonita que Cristo dá a sua Igreja. De fato, a Resposta 54 fala sobre a Igreja mais em termos
de promessas de Deus do que em termos de exigências dEle.

6. Sobre quem fala o Catecismo, quando trata da Igreja? O que isto significa para
nossos pensamentos sobre a Igreja?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo faz uma pergunta sobre a Igreja, mas a resposta fala em
primeiro lugar sobre o que o Filho de Deus faz. Quando falamos sobre a Igreja, falamos
sobre a obra de Cristo. A igreja não é uma obra humana, de um pastor ou de membros da
Igreja. A Igreja é a obra do Filho de Deus. Isto significa para nossos pensamentos sobre a
Igreja fixar os olhos em Cristo porque é Ele que opera na Igreja. Ele é o Rei da Igreja. Por
isso, ela deve esperar tudo de Cristo que tem todo o poder no céu e na terra. Além disso, a
Igreja deve sempre pedir que se faça o que o Filho de Deus quer, porque a Igreja é dEle.

7. Quais são as atividades do Filho de Deus com relação à Igreja? O que elas
significam?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que o Filho de Deus ​reúne​, ​protege​ e ​conserva​ a Igreja. A
atividade de ​reunir​ fica pela parábola do bom pastor em João 10. Cristo, o bom pastor, diz
no vs. 16: “Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. É necessário que as conduza
também. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor”. É Cristo que
reúne seu povo. Ele ajunta suas ovelhas chamando pessoas de todas as nações. Cristo
também ​protege​ a Igreja. Já notamos a palavra dEle em Mateus 16:18 sobre as portas do
inferno que não prevalecerão contra a Igreja. Cristo protege e defende a Igreja contra os
ataques de Satanás e seus aliados. Garante que a Igreja existirá para sempre. Por fim,
Cristo ​conserva​ a Igreja. Isto quer dizer que dá ao rebanho tudo o que ele precisar. Ele diz
em João 10:9: “Eu sou a porta; quem entra por mim será salvo. Entrará e sairá e encontrará
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pastagem”. A comida de Cristo serve para conservar a Igreja. Cristo dá a comida espiritual
da Palavra, o poder do Espírito Santo, o combustível da fé.

8. Quando é que Cristo reúne sua Igreja? O que o Catecismo diz?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que o Filho de Deus reúne, protege e conserva sua Igreja
desde o princípio do mundo até o fim. Adão e Eva foram os primeiros membros da Igreja. A
Igreja começou no paraíso e ainda hoje Cristo está reunindo pessoas. Esta obra termina
quando Jesus voltar. O Catecismo fala da obra contínua de Cristo neste mundo.

9. Onde Cristo reúne sua Igreja?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que Cristo reúne sua Igreja dentre todo o gênero humano.
É o que lemos em Apocalipse 5:9 “… pois foste morto, com teu sangue compraste para
Deus homens de toda a tribo, língua, povo e nação”. Cristo reúne a Igreja entre todos os
povos. Ele opera também em todas as classes sociais e grupos de idade. Não há
discriminação na obra de Cristo. Sua Igreja é católica ou universal.

10. Qual a origem da Igreja? E qual seu destino?


EXPLICAÇÃO: Lemos 2:9: “Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa,
povo exclusivo de Deus.” O Catecismo fala da comunidade eleita para a vida eterna. A
origem da Igreja é a eleição divina. Já no Antigo Testamento lemos sobre o povo eleito de
Deus. A Igreja não existe graças a decisões de homens, mas graças a decisão de Deus. O
destino da Igreja é a vida eterna. Ela é a comunidade eleita para a vida eterna. Deus não
abandonará a obra que começou.

11. Quando o Catecismo fala de “comunidade eleita”, está dizendo que todos os que
estão na Igreja são eleitos? Ou será que todos os eleitos são membros da Igreja aqui
na terra?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo não faz afirmações mas fala de membros vivos da Igreja, na
última frase da Resposta 54. Isto quer dizer que há também membros mortos. São os
hipócritas. São as pessoas que estão ​na​ Igreja porque não têm verdadeira fé. Por isso não
podemos afirmar que todos os membros são eleitos. Isto, o Catecismo também não afirma
que todos os eleitos são membros da Igreja aqui na terra. O Catecismo fala sobre a Igreja
como obra de Cristo que reúne seu povo. Confira o Artigo 27 da Confissão de Fé que diz
que a Igreja é congregação e assembléia (dos verdadeiros crentes).

12. Como é que o Filho de Deus reúne, protege e conserva a Igreja?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que Cristo faz isso por seu Espírito e sua Palavra, na
unidade da verdadeira fé. É o que lemos em Romanos 10:14-17: “…a fé vem por ouvir a
mensagem …”. O Espírito Santo usa a Palavra pregada para dar a fé. Assim Cristo reúne a
Igreja por seu Espírito e sua Palavra. Cristo opera na terra mediante o Espírito. Este usa a
Palavra como seu instrumento. O que edifica a Igreja é a Palavra. Sem a Palavra não existe
Igreja. Cristo reúne sua Igreja também na unidade da verdadeira fé. Lemos em Atos 2:42:
“Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações.
Este verso mostra a obra de Cristo que reúne a Igreja por sua Palavra (“se dedicavam ao
ensino dos apóstolos”) e na unidade da verdadeira fé. A Igreja não é como uma casa
dividida. Está unida porque tem uma base firme: a verdadeira fé, a fé cristã e bíblica.
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13. O que significa a última frase da Resposta 54: “Creio que sou membro vivo dessa
igreja, agora e para sempre”? A palavra “creio” expressa alguma dúvida?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo não expressa nenhuma dúvida, porque ‘creio’ significa ‘tenho
certeza’. O membro da Igreja não precisa nem deve ter dúvidas. Pelo contrário, o crente
tem certeza, pela fé (creio), de que é um membro vivo da Igreja. Mas é somente ​pela fé​ que
sabemos que somos membros vivos da Igreja. Membro vivo. É claro que esta fé tem fé. E
quem tem fé sabe que é membro vivo. É claro que esta fé não nos torna preguiçosos ou
descuidosos em nossa vida espiritual.

14. Por que o assunto da Igreja faz parte do Credo Apostólico? (O Credo é um resumo
do que se ​crê​ sobre a Igreja)
EXPLICAÇÃO: Faz parte porque a Igreja é um artigo de fé. A Igreja é um assunto da fé. For
a da fé baseada na Bíblia não podemos falar sobre a Igreja. A ciência não é capaz de
explicar o que a Igreja é. Só pela fé podemos entender o que é a Igreja.

Pergunta e resposta 55:

1. A “comunhão dos santos” é algo diferente da Igreja?


EXPLICAÇÃO: Não é algo diferente. O assunto ainda é a “santa igreja universal de Cristo”.
Mas confessamos aqui que a Igreja ​é​ a comunhão dos santos.. “Comunhão dos santos”.
Não se trata de um artigo, mas de um acréscimo ao artigo de fé sobre a Igreja. Creio na
Igreja que é a comunhão dos santos.

2 . O que significa a palavra “santos”?


EXPLICAÇÃO: Os santos os crentes. Veja a primeira linha da Resposta 55. Eles são
chamados “santos” porque são membros de Cristo. Pertencem a Ele que os tirou da
impureza do mundo e do pecado e os colocou no ambiente da purificação e da santificação
pelo seu Espírito.
1 Pedro 2:9,10 ensina bem o que quer dizer “santos”: Deus chamou pessoas da escuridão
para sua maravilhosa luz. Deu-lhes um lugar especial como os escolhidos para anunciar os
atos poderosos de Deus. Santo quer dizer: separado por Deus para fazer uma tarefa
especial.

3. Qual é a primeira coisa que a Resposta 55 diz sobre a comunhão dos santos?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que todos os crentes têm comunhão com Cristo, o Senhor.
É o que nos ensina 1 Coríntios 12:12: “Porque Cristo é como um corpo que tem muitas
partes. E essas partes, ainda que sejam muitas, formam um só corpo” (BLH). Paulo fala
aqui do laço dos membros do corpo com Cristo. A coisa mais importante é o relacionamento
“vertical” de todos os crentes com Cristo. O Catecismo fala de “juntos” e “cada um por si”
para dizer que se trata de um relacionamento coletivo (“juntos”) e um individual (“cada um
por si”). Mas seja como for, a união principal é com Cristo. Sem ela não existe a comunhão
dos santos. Por exemplo, uma igreja onde o relacionamento com Cristo não domina a vida,
faltando a união pela fé nEle, não é mais uma comunhão dos santos por muitas que sejam
as atividades sociais daquela igreja. Não é suficiente ter muitos encontros e reuniões na
igreja ou nas casas dos crentes. A coisa principal é a comunhão com Cristo!
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4. O que são os “ricos dons” de Cristo?


EXPLICAÇÃO: Paulo escreve em Romanos 8:32: “Aquele (Deus) que não poupou a seu
próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará, juntamente com ele,
gratuitamente todas as coisas?”. Por isso o Catecismo diz que os crentes têm comunhão
com Cristo e ​todos os seus ricos dons​. São, por exemplo, o perdão dos pecados, a
renovação e a vida eterna. Quem tem comunhão com Cristo, tem também comunhão com
os dons que Cristo dá aos seus. Isto mostra como é bom ser cristão e ter comunhão com
Cristo.

5. Qual o dever dos crentes na comunhão dos santos? Como concretizá-lo?


EXPLICAÇÃO: 1 Coríntios 12:4-7 ensina que o Espírito dá diferentes tipos de dons. Deus
dá a todos os crentes dons para usá-los para o bem de todos. O Catecismo diz que todos
os crentes devem sentir-se obrigados a usar seus dons com vontade e alegria para o bem
dos outros membros. Todos nós temos as nossas capacidades que são os dons que Deus
nos deu. Mas não os deu para serem usados só para nós mesmos. Ele quer que ajudemos
a edificar a Igreja com as nossas capacidades e dons.
Notem bem que o Catecismo usa as palavras “com vontade e alegria” quando fala de como
usar nossos dons. É uma coisa alegre poder ajudar a edificar a Igreja e fazer coisas na
Igreja para o bem dos outros membros. Alguns exemplos de como usar os dons que
recebemos: ajudar com o Boletim, dirigir uma escola dominical para crianças, jovens ou
adultos, limpar a igreja, visitar irmãos, dar conselhos a outras pessoas. Para todo o mundo
existe a possibilidade de fazer alguma coisa na Igreja e de usar os seus dons. É bom
pensar em nós mesmos: será que estou usando os dons que Deus me dá para o bem dos
outros? Ou será que posso fazer alguma coisa na Igreja, mas não faço nada por falta de
vontade?

Pergunta e resposta 56:

1. Por que o Catecismo fala sobre perdão neste Domingo 21 que trata da Igreja?
EXPLICAÇÃO: É verdade que outros Domingos (15, 23, e 51) tratam do assunto do perdão,
mas tanto o Credo Apostólico como o Catecismo colocam a remissão dos pecados logo
após o artigo sobre a Igreja. Assim querem enfatizar que o perdão dos pecados é um dom
de Cristo para a Igreja e que a Igreja é o lugar onde Deus nos quer dar o perdão dos
pecados.

2. É a própria Igreja que dá o perdão dos pecados?


EXPLICAÇÃO: Não, de jeito nenhum! O Catecismo começa dizendo que ​Deus​ dá perdão.
Só Deus pode perdoar nossos pecados. Uma conversa com um pastor ou um amigo pode
aliviar a consciência, mas só Deus nos pode livrar da nossa culpa. Líderes da Igreja não
têm o poder de absolver nossa culpa. A prática da Igreja Romana com o padre absolvendo
“os fiéis” depois da sua confissão do pecado, não é conforme a Bíblia.

3. O que é perdoar?
EXPLICAÇÃO: Perdoar é não mais lembrar-se do pecado cometido. É o que Deus faz! O
Catecismo diz que perdão significa que Deus jamais quer lembrar-se de nossos pecados.
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Miquéias 7:19 diz que Deus jogará os nossos pecados no fundo do mar. isto quer dizer que
eles não existem mais para Deus. Perdoar é também livrar o homem da sua culpa e
condenação. É como o Catecismo diz: “assim nunca mais serei criminoso, quando o juiz lhe
der absolvição.

4. Como é possível que o Deus justo perdoe, esquecendo-se dos nossos pecados?
EXPLICAÇÃO: Paulo escreve sobre isso em 2 Coríntios 5:21: “Deus tornou pecado por nós
aquele que não tinha pecado…”. O Catecismo diz a mesma coisa: “Deus perdoa por causa
da satisfação em Cristo. Isto quer dizer que Deus cobrou de Cristo a satisfação por nossos
pecados. Eis aqui a justiça de Deus que castiga. Mas essa mesma justiça divina salva
também. Porque Cristo deu satisfação a seu pai, através do castigo na cruz. E é esta justiça
de Cristo, que Deus nos dá!

5. O que Deus perdoa? (veja Salmo 103:3, 10, 12 e Romanos 7:21-25)


EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que Deus perdoa os nossos pecados e a nossa natureza
pecaminosa. Sobre o perdão dos pecados fala o Salmo 103: O SENHOR “é quem perdoa
todas as tuas iniqüidades… Não nos trata segundo os nossos pecados… quanto dista o
oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões”. Sobre nossa natureza
pecaminosa fala Romanos 7:21-25: Quando quero fazer o que é bom, só sou capaz de
fazer o que é mau. Mas há também salvação: Quem me libertará do corpo sujeito à morte?
Graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor! (Cf. Rom. 7:24B-25A).

6. Por que o Catecismo fala sobre combater nossa natureza pecaminosa?


EXPLICAÇÃO: Porque este combate é uma prova de verdadeiro arrependimento e mostra a
sinceridade com que pedimos perdão a Deus. Se uma pessoa não estiver disposta a
combater seu pecado, não pode esperar que Deus lhe perdoe os pecados. O combate à
natureza pecaminosa é uma prova da vida cristã.
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Dia do Senhor 22

P.57. Que consolação lhe traz a “ressurreição do corpo”?

R. Que depois dessa vida, não apenas a minha alma será levada imediatamente para
Cristo, meu Cabeça,1 mas que também essa minha carne, ressuscitada pelo poder de
Cristo, será reunida à minha alma e feita à semelhança do corpo glorioso de Cristo.2

1. Lc 16.22; 23.43; Fl 1.21-23. 2. Jó 19.25, 26; 1Co 15.20, 42-46, 54; Fl 3.21; 1Jo 3.2.

P.58. Que consolação lhe traz o artigo sobre a “vida eterna”?

R. Já agora sinto em meu coração o princípio do gozo eterno,1 pois depois desta vida
obterei a perfeita bem-aventurança que o olho jamais viu, nem o ouvido ouviu, nem o
coração humano pode conceber. Uma bem-aventurança para se louvar a Deus
eternamente.2

1. Jo 17.3; Rm 14.17; 2Co 5.2, 3. 2. Jo 17.24; 1Co 2.9.

DOMINGO 22

Pergunta e resposta 57:

1. O que acontecerá com a nossa alma quando falecermos?


EXPLICAÇÃO: Quando falecermos, nosso corpo e nossa alma serão separados. O
Catecismo diz que “depois desta vida minha alma será imediatamente elevada para Cristo,
seu cabeça”. A Bíblia nos ensina isto. O Senhor contou a parábola do rico e de Lázaro
(Lucas 16). Quando morreu, o pobre Lázaro foi levado pelos anjos para junto de Abraão,
para a festa do céu. Depois o rico morreu mas ele ficou sofrendo muito no inferno (vss.
22-23). A alma do crente vai para o céu depois da morte física, mas a pessoa descrente
sofrerá muito depois de morrer. Em Filipenses 1:21-24 Paulo diz que morrer e estar com
Cristo. Ele sabe que estará com Cristo imediatamente depois da morte. Mas sabe também
que, por causa dos filipenses, é necessário que continue a viver.

2. Será que existe o purgatório?


EXPLICAÇÃO: Não, não existe o purgatório. A Bíblia não fala dele. Não ensina que as
almas ainda devem ser purificadas depois da morte. A vida que estamos levando hoje
decide o nosso futuro. Por isso não precisamos nem devemos orar por pessoas falecidas.
Não faz sentido nenhum. Nosso destino não muda depois da morte.

3. O que acontecerá com nosso corpo depois da morte?


EXPLICAÇÃO: Nosso corpo entrará em decomposição e será transformado em pó,
conforme a Palavra de Deus em Gênesis 3:19: “… pois dela (da terra) foste formado:
porque tu és pó (barro, terra) e ao pó tornarás”.
- 86 -

4. O que acontecerá quando Jesus Cristo voltar? (veja João 5:28,29; 1 Coríntios 15:52
e Filipenses 3:21).
EXPLICAÇÃO: João 5 e 1 Coríntios 15 ensinam que os mortos ressuscitarão quando Cristo
voltar. O mesmo corpo foi enterrado, será ressuscitado quando Cristo voltar. A alma e o
corpo serão unidos novamente. E Paulo diz em Filipenses 3 que Cristo transformará os
nossos corpos fracos e mortais e os tornará iguais a seu próprio corpo glorioso. Teremos o
mesmo corpo, mas totalmente transformado.

5. As pessoas, que não crêem em Cristo, também ressuscitarão?


EXPLICAÇÃO: Também as pessoas que não crêem em Cristo ressuscitarão. Cristo diz em
João 5:28,29 que está chegando a hora em que todos os mortos ouvirão a voz dele. O que
fizeram o bem, os que crêem em Cristo, ressuscitarão e viverão para sempre. Os que
fizeram o mal ressuscitarão também mas serão condenados. Quem crê em Cristo viverá
com Ele no novo céu e na nova terra. Quem não crê será condenado ao inferno.

Pergunta e resposta 58:

1. Quando começa a vida eterna?


EXPLICAÇÃO: Cristo diz em João 5:24 que quem ouve as suas palavras e crê em Deus
tem a vida eterna. Ele não diz: terá a vida eterna. Isto quer dizer que o crente já tem a vida
eterna, agora. O Catecismo diz que já percebemos no nosso coração o início da alegria
eterna. Isto não quer dizer que já tenhamos a salvação perfeita. Há ainda dificuldades em
nossa vida e a luta contra o pecado.

2. Como será a salvação perfeita, que recebemos depois da volta de Jesus?


EXPLICAÇÃO: ninguém sabe exatamente como será a vida no novo céu e na nova terra. O
Catecismo diz que “salvação nenhum olho jamais viu, nenhum ouvido ouviu e jamais surgiu
no coração de alguém.” Em Apocalipse 21:1-4 lemos sobre o novo céu e a nova terra. João
escreve que Deus morará entre os seres humanos. Não haverá mais morte, nem tristeza,
nem choro, nem dor. Como será exatamente não sabemos, mas sabemos que não haverá
mais as coisas más de agora. E sabemos que Deus morará conosco. O Catecismo diz que
louvaremos Deus para sempre. Que futuro bonito para nós que cremos em Jesus Cristo!
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A Nossa Justificação

Dia do Senhor 23

P.59. Que proveito há para você que agora crê nisso?

R. O proveito é que em Cristo sou justo diante de Deus e herdeiro da vida eterna.1

1. Hc 2.4; Jo 3.36; Rm 1.17; 5.1, 2.

P.60. Como é que você é justo diante de Deus?

R. Somente pela verdadeira fé em Jesus Cristo.1 Embora a minha consciência me acuse de


haver pecado gravemente contra os mandamentos de Deus, sem jamais haver obedecido a
todos eles,2 e de ainda ser inclinado a todo o mal,3 Deus, no entanto, sem que houvesse
em mim nenhum mérito próprio,4 somente pela Sua graça,5 imputa-me a perfeita
satisfação, justiça e santidade de Cristo.6 Se tão somente aceitar esse dom crendo
fielmente com o coração,7 Ele me concede isso como se eu jamais tivesse tido ou cometido
nenhum pecado, e como se eu mesmo tivesse cumpri- do toda a obediência que Cristo
cumpriu por mim.8

1. Rm 3.21-28; Gl 2.16; Ef 2.8, 9; Fl 3.8-11. 2. 3.9, 10. 3. Rm 7.23. 4. Dt 9.6; Ez 36.22; Tt


3.4, 5. 5. Rm 3.24; Ef 2.8. 6. Rm 4.3-5; 2Co 5.17-19; 1Jo 2.1, 2. 7. Jo 3.18; At 16.30, 31; Rm
3.22. 8. Rm 4.24, 25; 2Co 5.21.

P.61. Por quê você diz que é justo somente pela fé?

R. Eu o digo não porque sou agradável a Deus graças ao valor da minha fé, pois somente a
satisfação, a justiça e santidade de Cristo é a minha justiça diante de Deus.1 É somente
pela fé que posso receber e fazer dessa justiça a minha própria justiça.2

1. 1Co 1.30, 31; 2.2. 2. Rm 10.10; 1Jo 5.10-12.

DOMINGO 23

Pergunta e resposta 59:

1. Que proveito tem a fé no Evangelho?


EXPLICAÇÃO: O Domingo 22 é o fim da explicação do Credo Apostólico. Agora o
Catecismo faz a pergunta: qual o proveito da fé? A resposta encontramos, por exemplo, em
Romanos 5:1 : “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus…”. Também
João 3:36 fala do proveito da fé: Quem crê em Jesus Cristo tem a vida eterna. O Catecismo
ensina que o proveito da nossa fé é que somos justos perante Deus, em Cristo, e herdeiros
da vida eterna. Esse proveito não é uma coisa material, riqueza ou prosperidade, mas é ter
paz com Deus e receber a vida eterna.
- 88 -

2. O que quer dizer “ser justo perante Deus”? O que é o contrário de ser justo?
EXPLICAÇÃO: Ser justo perante Deus não quer dizer ser uma pessoa boa e justa. Somos
justos quando Deus nos ​declara​ justos! O evangelho diz que Deus nos absolve e nos
declara inocentes quando cremos em Cristo. O contrário de declarar justo ou absolver é
condenar. Ser justo perante Deus significa que Ele não nos condena.

Perguntas e respostas 60 e 61:

1. O Catecismo fala na Resposta 60 em termos de um julgamento. Quem é o juiz?


Quem é o acusado? Quem é que acusa? Quem é o Advogado?
EXPLICAÇÃO: Deus é o juiz. É Ele quem faz a sentença: culpado ou absolvido. Nós somos
os acusados, porque somos pecadores. Nossa consciência é que nos acusa. Cristo é o
Advogado que nos defende.

2. Quais são as acusações contra nós?


EXPLICAÇÃO: Paulo escreve em Romanos 3:9 que todas as pessoas estão debaixo do
poder do pecado. Isto quer dizer que todas as pessoas cometem pecados. Paulo diz em
Romanos 7:21: “Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim”.
O Catecismo fala de três acusações:
1. Tenho pecado ​gravemente​ contra ​todos​ os mandamentos de Deus.
2. Não tenho guardado ​nenhum​ deles.
3. Sou ainda inclinado a ​todo​ mal.
São três acusações gravíssimas. A sentença só pode ser: culpado e condenado à morte!

3. Como é que Cristo nos defende contra as acusações?


EXPLICAÇÃO: O apóstolo João escreve (1 João 2:1, 2) que Cristo nos defende diante do
Pai. Ele é o Advogado que não tem nenhuma culpa. O Catecismo fala da perfeita
satisfação, justiça e santidade de Cristo. Estas três palavras correspondem às três
acusações contra nós. Para nos defender contra essas acusações Cristo diz:
1. Eu carreguei, no lugar do acusado, o castigo todo. Esta é a satisfação de Cristo.
2. Eu cumpri, no lugar do acusado, todos os mandamentos de Deus. Esta é a justiça de
Cristo.
3. A maldade do acusado é coberta por minha santidade. Esta é a santidade de Cristo.
Tudo isso é o resultado da obra de Cristo na cruz, feita em nosso lugar. Foi na cruz que Ele
conquistou e mereceu a nossa absolvição.

4. Qual a conseqüência da obra de Cristo?


EXPLICAÇÃO: Paulo escreve em Romanos 4:5 “Todavia, ao homem que não trabalha, mas
confia em Deus que justifica o ímpio, sua fé lhe é creditada como justiça”. A obra de Cristo
nos traz a plena absolvição. O Catecismo diz que Deus nos trata como se nunca
tivéssemos cometido pecado algum ou jamais tivéssemos sido pecador. E Deus nos trata
como se nós pessoalmente tivéssemos cumprido toda a obediência que Cristo cumpriu por
nós.
- 89 -

5. A Bíblia e o Catecismo dizem que somos justos somente pela fé. O que isto quer
dizer? Será que à nossa fé merece que Deus nos dê sua absolvição?
EXPLICAÇÃO: Não é nossa fé que merece a absolvição. Não somos justos perante Deus
graças a nossa fé. Somos justos perante Deus graças a obra de Cristo na cruz. Mas a
questão é que só podemos aceitar e possuir esta justificação ou absolvição pela fé. Temos
que definir bem o que é a fé. A fé não é uma boa obra nossa que nos faz merecer o perdão.
Mas a fé é, por assim dizer, a mão com a qual aceitamos e recebemos a justiça de Cristo.
Somos justos e recebemos absolvição, não por causa de nossa fé, nem sem fé, mas pela
fé. A fé é o instrumento com que abraçamos Cristo (Confissão de Fé, Artigo 22).
- 90 -

Dia do Senhor 24

P.62. Mas, por que as nossas boas obras não podem ser a nossa justiça diante de Deus, ou
pelo menos parte dessa justiça?

R. Porque a justiça que pode subsistir diante do juízo de Deus deve ser absolutamente
perfeita e totalmente de acordo com a Sua lei,1 enquanto até mesmo as nossas melhores
obras nesta vida são todas imperfeitas e contaminadas com o pecado.2

1. Dt 27.26; Gl 3.10. 2. Is 64.6.

P.63. Se as nossas boas obras não merecem nada, por que Deus promete recompensá-las
nesta vida e na futura?

R. Essa recompensa não é por mérito,1 mas é um dom de graça.2

1. Mt 5.12; Hb 11.6. 2. Lc 17.10; 2 Tm 4.7, 8.

P.64. Esse ensinamento não torna as pessoas descuidadas e ímpias?

R. Não. É impossível que os que são enxertados em Cristo pela verdadeira fé não
produzam fruto de gratidão.1

1. Mt 7.18; Lc 6.43-45; Jo 15.5.

DOMINGO 24

Pergunta e resposta 62:

1. Qual o assunto do Domingo 24?


EXPLICAÇÃO: O Domingo 24 trata das obras na vida do cristão e do valor delas.

2. Qual a relação entre o Domingo 23 e o Domingo 24?


EXPLICAÇÃO: Enquanto o Domingo 23 ensina que somos justos ​pela fé​, o Domingo 24
acrescenta que “pela fé” significa que ​não​ somos justos ​pelas obras​. O Domingo 24 quer
assim esclarecer e completar o Domingo 23. É preciso receber este esclarecimento porque
nosso coração enganoso gosta de acreditar que nossas boas obras têm méritos.

3. O que a Bíblia diz sobre este assunto?


EXPLICAÇÃO: Paulo escreve em Efésios 2:8-9: “Pois vocês são salvos pela graça, por
meio da fé e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se
glorie”. Há várias coisas nestes versículos que merecem nossa atenção:
1. A salvação – nós a recebemos ​de graça​.
2. A salvação – nós a recebemos ​por meio da fé​.
3. A salvação – é um ​presente de Deus​.
4. A salvação – ​não a recebemos pelos nossos esforços​.
- 91 -

5. Ninguém pode ​se orgulhar​ da sua salvação.

4. O que dizer das nossas boas obras à luz de Isaías 64:6?


EXPLICAÇÃO: Isaías diz que todas “as nossas justiças” (nossas obras obedientes
conforme a justiça de Deus) são como trapos sujos. Não são perfeitas e por isso não valem
para receber a salvação e não têm méritos. Há pessoas, os chamados perfeccionistas, que
pensam que um crente pode ser perfeito. Dizem que não cometem mais pecados e podem
alcançar, já nesta vida, a perfeição, a vida sem pecado. Mas Isaías ensina diferente: nesta
vida não alcançaremos o estado da perfeição. As melhores boas obras são manchadas pelo
pecado.

5. Por que nossas boas obras não nos justifica perante Deus?
EXPLICAÇÃO: A resposta encontramos em Gálatas 3:10. Havia pessoas na Igreja dos
Gálatas que confiavam na sua obediência à lei de Deus. Pensavam que podiam se salvar
fazendo o bem e obedecendo a Deus. Mas Paulo ensina que isto é impossível. Ninguém
consegue obedecer à lei de Deus em tudo. Se uma pessoa pensa que pode salvar-se por
fazer boas obras, precisa saber que Deus exige obediência total, porque a justiça perante
Deus significa fazer o que é justo e obedecer 100% Paulo diz: Todos os que ​nem sempre
obedecem a ​tudo​ o que está escrito no Livro da Lei estão debaixo da maldição de Deus.
Como não há ninguém que possa dizer que ​sempre​ obedece a ​tudo​ o que Deus exige, a
conclusão deve ser que nossas boas obras não são perfeitas e por isso não têm méritos.

Pergunta e resposta 63:

1. Mas quando a Bíblia fala de recompensa para nossas boas obras, ela não ensina
que nossas boas obras têm mérito?
EXPLICAÇÃO: Apocalipse 22:12 transmite a palavra de Cristo: “Eis que venho em breve. A
minha recompensa está comigo, e eu retribuirei a cada um de acordo com o que ele fez”.
Mas isto não quer dizer que as boas obras merecem a salvação. Lucas 17:10 ensina que
temos que dizer depois de fazer tudo o que foi mandado: “…apenas cumprimos o nosso
dever”. Quando a Bíblia fala sobre recompensa, nunca fala em termos de méritos como se
pudéssemos ganhar nossa salvação através de boas obras. A palavra-chave é, aqui
também, ​graça​. Por isso o Catecismo diz: “Essa recompensa não nos é dada por mérito,
mas por graça”.

2. Que mais a Bíblia diz sobre as boas obras e a recompensa delas?


EXPLICAÇÃO: Efésios 2:10 diz: “ Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus
para fazer boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos.
“Paulo diz aqui que nossas boas obras não são “nossas” mas são de fato as obras que
Deus efetua em nós. Quando Deus recompensa nossas boas obras, Ele, de fato, mostra
seu prazer nas próprias obras dEle.

3. Como é que Deus recompensa nesta vida?


EXPLICAÇÃO: Às vezes Deus concede bênçãos materiais, como nos casos de Jó, Abraão,
Davi e Salomão, Mas Deus sempre dá bênçãos espirituais como a certeza da fé, a alegria
- 92 -

da fé, a paz com Ele e os frutos do Espírito. Todos os fiéis já são herdeiros do Reino de
Deus, que incluirá tanto bênçãos espirituais como materiais.

Pergunta e resposta 64:

1. Se tudo depende da graça de Deus, tanto nossa salvação como a recompensa das
boas obras, o crente não se torna preguiçoso e descuidoso?
EXPLICAÇÃO: O verdadeiro crente, implantado em Cristo por verdadeira fé, não se tornará
preguiçoso ou descuidoso. Conhecendo a doutrina bíblica da graça, fará boas obras por
gratidão. O Senhor Jesus diz em João 15:5 : “Se alguém permanecer em mim e eu nele,
esse dará muito fruto”. Quem crêem em Cristo, faz boas obras. E até impossível não
produzir bons frutos. Não pode ser diferente. O Catecismo toca neste assunto porque
sempre há pessoas que não entendem a doutrina da graça. Já era assim na época da
Bíblia. Romanos 6:1 nos dá a entender que havia pessoas na Igreja de Roma que usavam a
graça de Deus como pretexto para pecar mais. Diziam que podiam viver pecando para que
a graça aumentasse ainda mais. Na época em que foi feito o Catecismo, a Igreja Romana
acusava a Igreja Reformada de que era descuidada porque sempre falava da graça de
Deus, esquecendo-se das obras. Por isso o Catecismo diz que o crente que vive da graça
de Deus sempre faz boas obras. A graça de Deus não nos deixa ficar de braços cruzados.
É justamente a doutrina romana que, ao dizer que podemos ser salvos fazendo o bem,
torna as pessoas descuidadas. Aquela doutrina faz pessoas pensarem que basta cumprir
certas obrigações religiosas para estarem salvas. Ou pessoas fazem boas obras só para
escapar do inferno. Assim boas obras se tornam interesseiras e não são mais obras de
gratidão.

2. Como conciliar Romanos 3:28 e Tiago 2:24?


EXPLICAÇÃO: Paulo ensina em Romanos 3:28 que o crente é justificado (por Deus) pela
fé, independentemente da obediência ao que a lei manda. O Crente é justificado mas ​não
pelas boas obras​. Tiago escreve que o crente é aprovado por Deus ​por meio das suas
ações​ e ​não somente pela fé​. Para entendermos esta questão, precisamos saber o que os
adversários de cada um diziam. Paulo lutava contra a idéia de que o homem pode merecer
a salvação pelas boas obras e que elas são necessárias para nossa salvação. Por isso ele
diz: pela fé. Tiago lutava contra a idéia de que nem precisemos fazer boas obras. Por isso
ele diz: fé produz ​obras​. Paulo diz: somos salvos pela ​fé​. Tiago diz também somos salvos
pela fé, mas não ​sem boas obras​.
- 93 -

Dia do Senhor 25

P.65. Visto que somente a fé é o que nos torna participantes de Cristo e de todos os Seus
benefícios, de onde vem essa fé?

R. Vem do Espírito Santo,1 que opera em nossos corações pela pregação do evangelho,2 e
a fortalece pelo uso dos sacramentos.3

1. Jo 3.5; 1Co 2.10-14; Ef 2.8; Fl 1.29. 2. Rm 10.17; 1Pe 1.23-25. 3. Mt 28.19, 20; 1Co
10.16.

P.66. O que são sacramentos?

R. Os sacramentos são sinais e selos santos e visíveis. Foram instituídos por Deus para
que pelo uso deles Ele pudesse, o mais claramente possível, nos declarar e selar a
promessa do evangelho.1 E esta é a promessa: que Deus nos concede graciosamente
perdão de pecados e vida eterna por causa dos sacrifícios de Cristo ofertados na cruz.2

1. Gn 17.11; Dt 30.6; Rm 4.11. 2. Mt 26.27, 28; At 2.38; Hb 10.10.

P.67. Então, tanto a Palavra quanto os sacramentos têm por objetivo direcionar a nossa fé
para o sacrifício de Jesus Cristo na cruz, como a única base para a nossa salvação?

R. Sim, de fato. O Espírito Santo nos ensina no Evangelho e nos garante pelos
sacramentos que toda a nossa salvação baseia-se no sacrifício único de Cristo por nós na
cruz.1

1. Rm 6.3; 1Co 11.26; Gl 3.27. 70

P.68. Quantos sacramentos Cristo instituiu na nova aliança?

R. Dois: O santo batismo e a santa ceia.1

1. Mt 28.19, 20; 1Co 11.23-26.

DOMINGO 25

Pergunta e resposta 65:

1. Qual o assunto do Domingo 25?


EXPLICAÇÃO: O Domingo 25 e os seguintes Domingos também falam sobre a Palavra e os
sacramentos, o batismo e a santa ceia. A maior parte deles trata dos sacramentos o que é
compreensível considerando a época em que o Catecismo foi escrito. Havia grandes
diferenças entre a doutrina da Igreja Romana e a da Igreja Reformada sobre o batismo e a
santa ceia.
- 94 -

2. De onde vem a fé?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo fala muito sobre a fé. O Domingo 7 fala sobre a necessidade
de ter fé. Somente aqueles que crêem serão salvos. O Domingo 7 explica também o que é
a verdadeira fé: é conhecer e confiar em Deus e sua Palavra. O Credo Apostólico é um
resumo da fé cristã e o Catecismo o explica nos Domingos 8-22. o Domingo 23 fala do
proveito da fé: pela fé em Jesus Cristo somos justos perante Deus.
Agora temos que tratar de outro assunto importante: de onde vem a fé? Se a fé é de tanto
valor, segundo a Bíblia, como é que uma pessoa pode receber a fé? Será que os pais
podem dar a fé a seus filhos? Ou um pastor a seus ouvintes no culto? Será que podemos
comprar a fé na igreja? Tudo isso é impossível. O Catecismo diz que a fé vem de Deus. É
isto que lemos em Efésios 2:8 “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não
vem de vocês, é dom de Deus”. Este verso ensina três coisas:
a) A Salvação não é nossa obra, mas é obra de Deus;
b) Deus nos dá a salvação por meio da fé;
c) A fé não vem de nós mesmos ou de outras pessoas humanas, mas vem de Deus, do
Espírito Santo.
Isto não quer dizer que Deus não possa usar cristãos para dar a fé a outras pessoas. Deus
até quer usá-los. A educação cristã, por exemplo é muito importante, seja em casa, pelos
pais, seja em escolas cristãs ou igrejas.

3. Que meio o Espírito usa para dar a fé?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que o Espírito Santo produz a fé em nossos corações pela
pregação do Evangelho. Isto vem de Romanos 10:17 “Consequentemente, a fé vem por
ouvir a mensagem, e a mensagem ouvida mediante a palavra de Cristo”. Isto mostra como
é importante a pregação do Evangelho. É o meio que o Espírito quer usar para dar a fé. Há
pessoas que não dão muito valor a cultos e pregações. Acham que não perdem nada
quando não assistem ao culto. Mas Deus quer usar este meio para dar a fé. Quem quer ter
a verdadeira fé deve ouvir a pregação do Evangelho!

4. Deus usa a pregação do Evangelho para, além de dar a fé, também ​fortalecer​ a
nossa fé?
EXPLICAÇÃO: Sim, usa sim. E precisamos muito disto. Porque nossa fé está sendo
atacada. Há tentações do diabo. Há nossos pecados que atrapalham a nossa fé. Há o
mundo que luta contra nossa fé. Por causa destes inimigos, nossa fé precisa ser fortalecida
constantemente. Deus quer fazer isto também pela pregação de Evangelho. Por isso
podemos dizer: ‘Sou crente e basta, não preciso mais ouvir a pregação de Evangelho’.
Quem diz isso, ficará com uma fé cada vez mais fraca, como acontece com pessoas que
estão faltando aos cultos. Não ir à igreja tem conseqüêcias desastrosas para a fé. A fé
sempre precisa ser alimentada pela pregação do Evangelho.

5. Como é que a pregação do Evangelho fortalece nossa fé?


EXPLICAÇÃO: O diabo, o mundo e o nosso pecado combatem a nossa fé, mas a pregação
do Evangelho nos confirma nas promessas de Deus. Pense, por exemplo, em Abraão. Deus
fortalecia a fé de Abraão porque sempre vinha de novo com sua Palavra para Abraão.
- 95 -

6. Será que Deus pode dar a fé a uma pessoa sem que ela ouça a pregação do
Evangelho?
EXPLICAÇÃO: Deus é Soberano e faz o que quiser. Ele pode dar a fé a uma pessoa sem
que ela ouça a pregação regular do Evangelho. Mas para nós isto não importa. O que
importa é que, para nós, a pregação do Evangelho seja o meio que Deus usa para dar a fé.
É a nossa obrigação usarmos este meio que Deus nos dá.

Pergunta e resposta 66:

1. Deus fortalece a nossa fé, usando mais um meio. Qual é ?


EXPLICAÇÃO: A resposta encontramos na Resposta 65 do Catecismo. Deus fortalece a
nossa fé pelo uso dos sacramentos. O batismo e a santa ceia servem para fortalecer nossa
fé. Deus nos dá os sacramentos porque leva em conta a fraqueza da nossa fé.

2. O Catecismo diz que sacramentos são visíveis e santos sinais e selos. O que quer
dizer que os sacramentos são coisas ​visíveis​?
EXPLICAÇÃO: Tanto o batismo como a santa ceia nos mostram algumas coisas. Podemos
ver água, pão e vinho. Esta é a diferença da pregação da Palavra. Nós ​ouvimos​ a pregação,
mas ​vemos​ os sacramentos. Através deles podemos entender melhor o que Deus nos diz
em sua Palavra. Podemos comparar a diferença entre a pregação e os sacramentos à
diferença entre o rádio e a televisão. O mesmo acontecimento pode ser ouvido pelo rádio e
visto pela TV. Mas vendo o que aconteceu, na televisão, compreendemos melhor o que
realmente aconteceu. Assim Deus nos faz entender melhor a promessa do Evangelho
através dos sacramentos que nos deu.

3. O que quer dizer que os sacramentos são ​santos​ sinais e selos?


EXPLICAÇÃO: Os sacramentos são santos como se a água do batismo fosse água especial
(“água benta”). Nem o pão e o vinho da santa ceia são coisas especiais. Mas a palavra
‘santo’ quer dizer: a água, usada para um batismo, e o pão e o vinho da santa ceia, são
separados para um batismo, e o pão e o vinho da santa ceia, são separados para serem
usados na Igreja e no serviço a Deus. Por isso são santos.

4. O que quer dizer que os sacramentos são ​sinais​?


EXPLICAÇÃO: Um sinal sempre aponta para outra coisa. O pão e o vinho da santa ceia são
sinais do corpo e do sangue de Cristo que lava os nossos pecados. Assim os sacramentos
apontam para a morte de Cristo na cruz. Deus nos mostra de uma maneira visível o que Ele
nos promete no Evangelho.

5. O que quer dizer que sacramentos são ​selos​?


EXPLICAÇÃO: Um selo é uma garantia. Um produto pode ter o selo da marca para garantir
a validade ou veracidade do produto. Antigamente havia o costume de colocar um selo na
carta. Era como uma assinatura dizendo que a carta realmente veio da pessoa que havia
colocado seu selo. Assim os sacramentos selam (confirmam) que está garantido o que
Deus nos promete no Evangelho.
- 96 -

6. De que os sacramentos são sinais e selos?


EXPLICAÇÃO: São sinais e selos da promessa de Evangelho. Deus nos promete o perdão
dos pecados e a vida eterna por causa do único sacrifício de Cristo na cruz.

7. Quem instituiu os sacramentos? (Mateus 26:26-29 e 28:19)


EXPLICAÇÃO: A Resposta 66 do Catecismo diz que Deus instituiu os sacramentos. Em
Mateus 26 e 28 lemos que Jesus Cristo instituiu a santa ceia e o batismo. Os sacramentos
não são invenções da Igreja vêm do próprio Deus.

Perguntas e respostas 67 e 68:

1. Sob que aspecto a Palavra e os sacramentos são iguais?


EXPLICAÇÃO: A Resposta 67 do Catecismo diz que tanto a Palavra como os sacramentos
nos dizem que toda a nossa salvação está baseada no único sacrifício de Cristo na cruz.
Esta é a mensagem da Palavra e dos sacramentos.

2. Sob que aspecto Palavra e os sacramentos são diferentes?


a. A Palavra é para ​ouvir​. Os sacramentos são para ​ver​.
b. A Palavra ​produz e fortalece​ nossa fé. Os sacramentos somente ​fortalecem​ nossa fé.

3. Por que o Catecismo fala apenas de dois sacramentos vistos que a Igreja Romana
usa sete sacramentos? Quem tem razão?
EXPLICAÇÃO: A resposta a estas perguntas já está na Pergunta 68: Cristo instituiu dois
sacramentos, e não sete. Por esta razão bem simples não podemos aceitar os sete
sacramentos da Igreja Romana. No conflito com a Igreja Romana e sua doutrina é o
Catecismo que tem razão porque se baseia no que Cristo fez.
- 97 -

O Santo Batismo

Dia do Senhor 26

P.69. Como o santo batismo lhe faz saber e lhe assegura que o único sacrifício de Cristo na
cruz lhe beneficia?

R. Do seguinte modo: Cristo instituiu esse lavar exterior1 e deu com ele a promessa de que,
tão certo quanto a água remove a sujeira do corpo, assim também o Seu sangue e Espírito
removem a impureza da minha alma, isto é, todos os meus pecados.2

1. Mt 28.19. 2. Mt 3.11; Mc 16.16; Jo 1.33; At 2.38; Rm 6.3, 4; 1Pe 3.21.

P.70. Que significa ser lavado com o sangue e o Espírito de Cristo?

R. Ser lavado com o sangue de Cristo significa receber de Deus o perdão de pecados, por
meio da graça, por causa do sangue de Cristo derramado por nós em Seu sacrifício na
cruz.1 Ser lavado com o Seu Espírito significa ser renovado pelo Espírito Santo e
santificado para sermos membros de Cristo, para que morramos mais e mais para o pecado
e vivamos uma vida santa e irrepreensível.2

1. Ez 36.25; Zc 13.1; Ef 1.7; Hb 12.24; 1Pe 1.2; Ap 1.5; 7.14. 2. Jo 3.5-8; Rm 6.4; 1Co 6.11;
Cl 2.11, 12.

P.71. Onde Cristo prometeu que nos lavaria com o Seu sangue e Espírito tão certo quanto
somos lavados com a água do batismo?

R. Na instituição do batismo, onde Ele afirma: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as
nações, batizando- os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19).“Quem
crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado” (Mc 16.16). Essa
promessa se repete onde a Escritura chama o batismo de lavar regenerador e de
purificação dos pecados (Tt 3.5; At 22.16).

DOMINGO 26

Pergunta e resposta 69:

1. Por que usamos água para batizar?


EXPLICAÇÃO: A resposta correta é esta: porque Cristo escolheu a água como símbolo no
batismo. Mas queremos explicar por que Cristo escolheu água como o símbolo. Porque é
um símbolo que crianças já podem entender. Água tem a ver com lavar seu corpo. A água
do batismo simboliza, então, a limpeza, pois estamos sujos. A Resposta 69 do Catecismo
compara a água que usamos para tirar a sujeira do corpo com a lavagem pelo sangue de
Cristo é simbolizada pelo batismo.
- 98 -

2. A Pergunta 69 do Catecismo diz que o batismo ​ensina​. Como pode um sacramento


ensinar alguma coisa? Sacramentos não são símbolos?
EXPLICAÇÃO: É isso mesmo. O batismo, justamente por ser um símbolo, ensina alguma
coisa. Símbolos, como o batismo e a santa ceia, ensinam grandes verdades de uma
maneira bem simples e bem clara. O batismo é o ensino visual da promessa bíblica de que
Cristo nos lava dos nossos pecados. 3. O que é “a impureza da minha alma”?
EXPLICAÇÃO: A impureza da minha alma se refere a todos os meus pecados. O Catecismo
fala da nossa alma, porque fala também do nosso corpo, no final da Resposta 69 (“a sujeira
do corpo”). A impureza da alma é a sujeira espiritual: tudo o que nos torna sujos perante
Deus.

3. O que é “a impureza da minha alma”?


EXPLICAÇÃO: A impureza da minha alma se refere a todos os meus pecados. O Catecismo
fala da nossa alma, porque fala também do nosso corpo, no final da Resposta 69 (“a sujeira
do corpo”). A impureza da alma é a sujeira espiritual: tudo o que nos torna sujos perante
Deus.

4. De quem depende o valor do batismo? De nós? Ou de outros?


EXPLICAÇÃO: O valor do batismo não depende da pessoa que recebe o batismo. Nem
depende da pessoa que batiza. O valor do batismo depende de Cristo. O batismo tem valor
porque ​Cristo o instituiu​. Assim podemos dizer que é Cristo quem nos batiza.

5. O que Cristo garante no batismo?


EXPLICAÇÃO: Ele garante que somos lavados dos nossos pecados, com seu sangue e
Espírito, ​tão certo​ como ficamos limpos com a água que tira a sujeira do corpo. Quando o
Catecismo usa estas palavras, “tão certo”, ele quer expressar a grande certeza que temos a
respeito da nossa lavagem. Essa certeza vem da garantia que temos nas promessas de
Cristo. As promessas dEle são garantias.

Pergunta e resposta 70:

1. Como é que somos lavados com o sangue de Cristo?


EXPLICAÇÃO: A palavra “sangue” fala de todo o sofrimento de Cristo em nosso lugar.
Quando derramou seu sangue, Cristo tirou de nós a nossa culpa e pagou a nossa dívida.
Ser lavado com o sangue de Cristo significa, então , ser purificado, estar sem culpa perante
Deus, receber o perdão dos pecados e estar limpo perante Deus.

2. Por que o Catecismo fala também de ser lavado com o Espírito de Cristo?
EXPLICAÇÃO: Se a lavagem com o sangue de Cristo significa nossa justificação ou ser
absolvido da culpa, a lavagem com o Espírito de Cristo significa nossa renovação e
santificação. Entre o sangue de Cristo e seu Espírito há esta diferença: Cristo derramou seu
sangue, uma só vez. Ele pagou de uma vez por todas. Mas seu Espírito continua operando
em nossa vida, lavando-nos das nossas manchas. A lavagem com o Espírito significa a
renovação diária da nossa vida. Nossa vida se torna mais e mais santa e cada vez mais
separada do pecado.
- 99 -

Pergunta e reposta 71:

1. O que nos dá a certeza de que o batismo simboliza e garante a lavagem dos nossos
pecados? (Mateus e Marcos 16:16​)
EXPLICAÇÃO: A certeza vem das próprias palavras de Cristo, que encontramos na Bíblia.
Por isso o Catecismo faz questão de incluir aqui alguns versículos da Bíblia (Veja a
Resposta 71). A certeza da fé não se baseia em nossos sentimentos, mas nas promessas
de Cristo, que lemos na Bíblia.

2. Quem está autorizado a batizar? (Mateus 28:19 e Atos 8:38)


EXPLICAÇÃO: Cristo autorizou os apóstolos a batizar. Lemos isto em Mateus 28.19. Em
Atos 8 lemos que Filipe, um dos sete auxiliadores dos apóstolos, nomeados em Atos 6,
anunciava o Evangelho e batizava. Filipe era um pregador e colaborador dos apóstolos. por
isso a prática nas igrejas da Reforma (as Igrejas Reformadas) sempre foi assim: quem está
autorizado a pregar a Palavra, também está autorizado a batizar e administrar a santa ceia,
porque os sacramentos estão ligados e subordinados à Palavra. Daí a regra geral das
Igrejas Reformadas: é só o pastor que batiza. A Igreja Católica Romana permite, em
circunstâncias excepcionais (por exemplo, quando uma criança está morrendo) que
qualquer pessoa, inclusive um médico ateu, batize a criança.
Tal batismo não é reconhecido pelas Igrejas Reformadas, por duas razões:
a. não é qualquer pessoa que pode batizar.
b. o que a Igreja Romana permite, em casos de emergência, vem da sua crença de que o
batismo salva, e que por isso a criança precisa ser batizada. Nós cremos que uma criança,
que não chegou a ser batizada porque morreu logo depois de nascer, mas tendo pais, que
crêem em Deus, está salva, mesmo que não tenha sido batizada.
- 100 -

Dia do Senhor 27

P.72. Então, esse lavar exterior com água por si mesmo remove os pecados?

R. Não, somente o sangue de Jesus Cristo e o Espírito Santo nos purificam de todo o
pecado.1

1. Mt 3.11; 1Pe 3.21; 1 Jo 1.7.

P.73. Então, por que o Espírito Santo chama o batismo de “lavar regenerador” e de
“purificação de pecados”?

R. Deus fala assim por uma razão importante. Ele nos quer ensinar que o sangue e o
Espírito de Cristo removem os nossos pecados assim como a água remove a sujeira do
corpo.1 Porém, ainda mais importante, Ele nos quer assegurar por meio dessa garantia e
sinal divinos que somos tão verdadeiramente purificados espiritualmente dos nossos
pecados, assim como somos fisicamente lavados com a água.2

1. 1Co 6.11; Ap 1.5; 7-14. 2. Mt 16.16; At 2.38; Rm 6.3, 4; Gl 3.27.

P.74. As crianças pequenas devem ser batizadas?

R. Sim. As crianças, assim como os adultos, pertencem à aliança e à igreja de Deus.1


Através do sangue de Cristo lhes são prometidos, da mesma forma que aos adultos, a
redenção do pecado e o Espírito Santo, que opera a fé.2 Assim as crianças, por meio do
batismo como sinal da aliança, devem ser enxertadas na igreja de Cristo e distinguidas dos
filhos dos incrédulos.3 Na velha aliança isso era feito pela circuncisão,4 que, na nova
aliança, foi substituída pela instituição do batismo.5

1. Gn 17.7; Mt 19.14. 2. Sl 22.10; Is 44.1-3; At 2.38, 39; 16.31. 3. At 10.47; 1Co 7.14. 4. Gn
17.9-14. 5. Cl 2.11-13.

DOMINGO 27

Perguntas e respostas 72 e 73:

1. Será que a própria água do batismo lava os nossos pecados?


EXPLICAÇÃO: Parece que o Catecismo está ensinando isto se considerarmos a Resposta
71: “… a Escritura chama o batismo de “lavagem da regeneração” (Tito 3:5 e de “purificação
dos pecados” (Atos 22:16). Parece mas não é, embora muitas pessoas pensem que a água
do batismo lava os pecados. É o que a Igreja Católica Romana ensina! Pelo batismo
seríamos lavados do pecado original (o pecado de Adão). Desta maneira a água teria um
poder mágico. Teria o poder de operar a graça de Deus no homem. O batismo seria como
uma transfusão da graça divina. Mas, em instante algum, a Bíblia fala assim sobre o
batismo. O apóstolo João escreve: “… e o sangue de Jesus…nos limpa de todo pecado”
(João 1:7). Não é a água do batismo que nos lava do pecado, mas o sangue de Cristo!
- 101 -

Por isso o Catecismo se opõe, na Resposta 72, à doutrina católica romana e afirma que não
é a água que nos purifica, mas o sangue de Cristo e o Espírito.

2. Mas a própria Bíblia não fala diferentemente do Catecismo? Ela chama o batismo
de a “purificação dos pecados” enquanto a Resposta 72 diz que a água não purifica
dos pecados. Como conciliá-las?
EXPLICAÇÃO: Na sua Resposta 73, o Catecismo explica o que significam as expressões
bíblicas “lavagem da regeneração” e “purificação dos pecados”. São expressões fortes que
Deus usa para ensinar e assegurar a ​realidade​ da lavagem e purificação dos nossos
pecados. O final da Resposta 73 diz: …somos lavados espiritualmente dos nossos pecados
tão realmente​ como nosso corpo fica limpo com água. A água do batismo é sinal e garantia
da realidade espiritual da lavagem e purificação da nossa alma.

Pergunta e resposta 74:

1. Quem deve ser batizado?


EXPLICAÇÃO: Não somente adultos e jovens, mas crianças pequenas também devem ser
batizadas. É isto que a Bíblia nos ensina. Deus disse a Abraão: A aliança que estou fazendo
para sempre ​com você ​e com os seus descendentes​ é esta: Eu serei para sempre seu Deus
e o Deus dos seus descendentes (Gênesis 17:7). Atos 2:39 fala da promessa de Deus (o
Espírito) para os que estão presentes ​e os seus filhos​. Por isso o Catecismo diz na
Resposta 74 que também crianças pequenas devem ser batizadas. O Catecismo presta
muita atenção a este assunto por causa da doutrina dos anabatistas do século XVI. Eles
diziam que só aquele que crê pode ser batizado. O batismo, segundo a doutrina deles, é um
ato da pessoa que crê. Não é um ato de Deus, garantindo-nos sua promessa de salvação.
Em nosso dia-a-dia encontramos esta doutrina dos antigos anabatistas nas igrejas
pentecostais e também em outras igrejas evangélicas (por exemplo a Igreja Batista). A
diferença principal entre eles e nós, crentes reformados, tem a ver com esta pergunta: o que
é o batismo? Nós dizemos que o batismo é um ato e um presente de Deus para nos garantir
sua promessa. Outras igrejas dizem que o batismo é um ato do crente para expressar que
crê em Deus.

2. Se crianças pequenas devem ser batizadas, o Catecismo quer dizer que qualquer
criança deve ser batizada?
EXPLICAÇÃO: Não, não quer. A Resposta 74 deixa claro que fala das crianças que
pertencem à aliança de Deus. Não diz que os filhos dos incrédulos devem ser batizados.
Mas os filhos dos crentes devem ser batizados. Esta posição da doutrina reformada difere
da posição da Igreja Católica Romana. Esta Igreja batiza crianças embora os pais delas
nunca vão para a igreja. Só exige que eles façam um cursinho, junto com os padrinhos,
antes do batismo.

3. Quantas vezes devemos ser batizados?


EXPLICAÇÃO: Uma vez só. Não devemos batizar de novo. O batismo é um símbolo e selo
da aliança. Deus promete, na hora do batismo, que a pessoa (criança ou adulto) batizada é
dEle. Ele não precisa repetir isto por mais um batismo. Deus não é mentiroso. Quando diz
uma coisa uma só vez, isto é suficiente. Por isso basta um só batizado em o nome do Pai,
- 102 -

do Filho e do Espírito Santo, não precisa nem deve ser batizado de novo. Porque o batismo
é um símbolo e selo ​dado por Deus​. Não é um símbolo ou selo dado pelas igrejas tal e tal.

4. Qual é o fundamento principal da nossa doutrina sobre o batismo de crianças?


EXPLICAÇÃO: O fundamento é a aliança de Deus. Sobre esta aliança fala Gênesis 17. Os
filhos dos crentes, desde seu nascimento, já pertencem à aliança de Deus. Podemos
comparar isso, por exemplo, com o nascimento de um brasileiro. Desde o nascimento ele
pertence ao povo brasileiro, embora não tenha conhecimento disso. Ninguém diz que a
criança só vai pertencer ao povo brasileiro quando for adulto. Assim funciona também a
aliança de Deus. Uma criança que nasce de pais crentes, nasce dentro do povo de Deus,
com o qual Deus fez sua aliança. Por isso uma criança deve receber o símbolo e selo desta
aliança, que é o batismo. Tão simples é a doutrina reformada que defendemos.
O Catecismo acrescenta outro argumento: as crianças têm as mesmas promessas que os
adultos na Igreja: a salvação do pecado e o Espírito Santo que produz a fé. Receber essas
promessas de Deus não depende de ter fé! Os pais de uma criança podem prometer-lhe
alguma coisa embora a criança não entenda nada disso. Assim é que Deus promete a
salvação e o Espírito às crianças da Igreja embora elas ainda não entendam nada. O
batismo é um presente de Deus. Suas promessas são simbolizadas e garantidas no
batismo. Por isso as crianças devem receber o batismo. Quem defende o batismo fala do
que ​Deus​ faz e promete, defenderá o batismo dos filhos dos crentes. Mas quem diz que o
batismo fala do que ​nós​ fazemos, rejeitará esse batismo, alegando que uma criança não é
capaz de crer em Deus. Mas nós cremos que Deus dá suas promessas também aos filhos
pequenos dos crentes.

5. Por que o Catecismo diz que as crianças pequenas ​devem​ ser batizadas? O
batismo não é uma opção? (Gênesis 17:9-14)
EXPLICAÇÃO: O batismo não é uma opção. O próprio ​Deus​ instituiu o batismo. O batismo
é uma ordenança de Deus e por isso não pode ser considerado uma opção humana.
Gênesis 17 ensina claramente que a circuncisão era uma ordenança de Deus. Abraão não
recebeu uma opção. Muito pelo contrário, Deus até disse que quem não era circuncidado
não poderia morar no meio do povo de Deus, mas teria que ser eliminado, vs.14. Pais que
não apresentam seus filhos para o batismo quebram a aliança. Justamente porque o
batismo é um símbolo e selo da aliança.

6. O Catecismo diz que crianças devem ser ​incorporadas​ à Igreja pelo batismo. O que
quer dizer a palavra “incorporado”?
EXPLICAÇÃO: Esta palavra vem da palavra “corpo”. É pelo batismo que nossos filhos
entram visivelmente no corpo de Cristo, a Igreja Cristã.

7. Como é que o batismo distingue nossos filhos dos filhos dos incrédulos?
EXPLICAÇÃO: O batismo é como um crachá, que diz o que somos: somos de Cristo.
Nossos filhos pertencem à aliança de Deus e à Igreja Cristã, e assim, são distinguidos dos
filhos dos incrédulos. Mas na realidade brasileira há uma complicação: muitos filhos de pais
incrédulos são também batizados e não valorizam seu batismo. Mesmo assim, nossos filhos
não são como os filhos do incrédulos que não valorizam seu batismo. Nossos filhos
- 103 -

precisam saber qual o valor do batismo. Precisam aprender a valorizar seu batismo. Pais
crentes têm a tarefa de ensinar seus filhos a valorizar seu batismo.

8. O batismo veio no lugar de quê?


EXPLICAÇÃO: O batismo veio no lugar da circuncisão, diz o Catecismo, baseando-se em
Colossenses 2:11,12. O apóstolo Paulo diz que o batismo é uma circuncisão, que não é
feita pelos homens. Mas é a circuncisão feita pelo próprio Cristo. Isto serve para defender a
doutrina reformada de outra maneira:
Assim como Deus queria que as crianças pequenas dos judeus fossem circuncidadas,
assim quer que os filhos dos crentes de hoje sejam batizados, já na sua infância, porque o
batismo veio no lugar da circuncisão.
- 104 -

A Santa Ceia

Dia do Senhor 28

P.75. Como a santa ceia lhe faz saber e lhe assegura que você tem parte no único sacrifício
de Cristo na cruz e de todos os Seus dons?

R. Do seguinte modo: Cristo ordenou a mim e a todos os crentes que em Sua memória
comêssemos desse pão partido e bebêssemos desse cálice. Juntamente com esse
mandamento Ele deu essas promessas:1
Primeira: tão certo como vejo com os meus olhos o pão do Senhor partido por mim e o Seu
cálice dado a mim, assim também foi o Seu corpo ofertado por mim e o Seu sangue
derramado por mim na cruz.
Segunda: tão certamente quanto recebo das mãos do ministro e provo com a minha boca o
pão e o cálice do Senhor como sinais seguros do corpo e do sangue de Cristo, assim
também Ele mesmo, com o Seu corpo crucificado e o Seu sangue derramado, alimenta e
nutre a minha alma para a vida eterna.

1. Mt 26.26-28; Mc 14.22-24; Lc 22.19, 20; 1Co 11.23-25.

P.76. O que significa comer o corpo crucificado de Cristo e beber o Seu sangue derramado?

R. Primeiro: aceitar de todo coração todo o sofrimento e morte de Cristo, e assim receber o
perdão dos pecados e a vida eterna.1
Segundo: ser unido cada vez mais ao santo corpo de Cristo pelo Espírito Santo que vive
tanto nEle quanto em nós.2 Portanto, embora Cristo esteja no céu3 e nós estejamos na
terra, somos carne da Sua carne e osso dos Seus ossos4 e vivemos eternamente e somos
governados por um único Espírito, assim como os membros do nosso corpo o são por uma
única alma.5

1. Jo 6.35, 40, 40-54. 2. Jo 6.55, 56; 1Co 12.13. 3. At 1.9-11; 3.21; 1Co 11.26; Cl 3.1. 4. 1Co
6.15, 17; Ef 5.29, 30; 1Jo 4.13. 5. Jo 6.56-58; 15.1-6; Ef 4.15, 16; 1Jo 3.24.

P.77. Onde foi que Cristo prometeu que Ele quer alimentar e refrigerar os crentes com o
Seu corpo e sangue tão certamente quanto eles comem desse pão partido e bebem desse
cálice?

R. Na instituição da Ceia do Senhor: “O Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o
pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei
isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o
cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que
o beberdes, em memória de mim. Porque, todas as vezes que comerdes este pão e
beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha” (1Co 11.23-26). Paulo
repete essa promessa onde diz: “Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a
comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de
- 105 -

Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos
participamos do único pão” (1Co 10.16, 17).

DOMINGO 28

Pergunta e resposta 75:

1. Qual o assunto do Domingo 28?


EXPLICAÇÃO: O Domingo 28 trata da santa ceia. Também os Domingos 29 e 30 tratam
deste assunto.
A Resposta 75 fala dos símbolos, pão e vinho, e da promessa que eles simbolizam.
A Resposta 76 fala mais do conteúdo daquela promessa.
E a Resposta 77 diz onde essa promessa se encontra na Bíblia.

2. O que Cristo mandou fazer na santa ceia? (1 Coríntios 11:23-26)


EXPLICAÇÃO: Cristo mandou comer e beber em sua memória. Não mandou olhar, mas
participar ativamente da ceia. Por isso o Catecismo fala sobre receber da mão do ministro e
tomar, com a boca, o pão e o cálice do Senhor (Resposta 75). Trata-se de atos de pessoas
que realmente são participantes.

3. A santa ceia é para crianças? (1 Coríntios 11:28)


EXPLICAÇÃO: A resposta tem que ser: sim e não. A santa ceia é, sim, para crianças no
sentido de elas olharem e testemunharem a ceia do Senhor. Pão e vinho são dados por
Cristo para serem vistos, também por crianças. Mas a santa ceia não é para nossos filhos
pequenos participarem dela. O Catecismo diz: “Cristo me mandou, assim como a todos os
fiéis​…” (Resposta 75). Fiéis são aqueles que se declaram, publicamente, crentes através de
sua profissão de fé. O Catecismo diz: “Comer o corpo crucificado de Cristo e beber seu
sangue derramado significa aceitar ​com verdadeira fé​…”. Isto inclui também a profissão de
fé. Além disso: comer e beber em memória de Cristo pressupõe algum conhecimento e um
certo grau de consciência e maturidade do participante. O apóstolo Paulo diz que, antes de
comer o pão ou beber do cálice, cada um deve examinar a sua consciência.
Por outro lado, a Bíblia não estabelece uma idade fixa para fazer profissão de fé e participar
da santa ceia. Isto depende de cada pessoa.

4. Que grande promessa é simbolizada pelo pão partido e pelo cálice dado na santa
ceia?
EXPLICAÇÃO: A promessa de que Cristo se ofereceu por nós na cruz e opera em nós,
alimentando-se para a vida eterna.

5. Por que Cristo mandou ​comer e beber​ na santa ceia? Olhar para o pão e vinho não
é suficiente para comemorar sua morte?
EXPLICAÇÃO: É preciso comer do pão e beber do cálice, porque:
a. a santa ceia é realmente uma ceia.
b. comer e beber são atos conscientes de fé; cada celebração da ceia é uma profissão da fé
em Cristo, o salvador.
c. comer e beber expressam que recebemos o fruto da obra de Cristo na cruz.
- 106 -

d. Comer e beber expressam que somos alimentados por Cristo.


e. Comer e beber expressam a união com Cristo e uns com os outros. Cf. 1Cor.10:17: “Por
haver um único pão, nós, que somos muitos, somos um só corpo, pois todos participamos
de um único pão.

Pergunta e resposta 76:

1. O que o Catecismo diz sobre o Espírito Santo e a santa ceia?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo ensina uma realidade espiritual pela obra do Espírito Santo na
santa ceia. É Ele quem habita em Cristo e em nós. Ele nos une a Cristo. Esta união a Cristo
significa também viver pelo Espírito Santo e ser governado por Ele. A santa ceia tem seu
lugar na obra do Espírito Santo em nossa vida!

Pergunta e resposta 77:

1. Cristo manda que seus fiéis recebam o cálice? (1 Coríntios 11:25,26)


EXPLICAÇÃO: Sim, manda, sim. Paulo fala sobre beber do cálice Contrário à prática da
Igreja Católica Romana, onde somente o sacerdote bebe o vinho, os reformadores e as
igrejas da Reforma voltaram ao ensino de Cristo. Na santa ceia há dois elementos, pão e
vinho, e estes são para todos os fiéis.

2. O que 1 Coríntios 10:16,17 ensina sobre a Igreja?


EXPLICAÇÃO: Esta parte da Bíblia liga a santa ceia à união dos crentes em Cristo: Mesmo
sendo muitos, todos comemos do mesmo pão que é um só; e por isso somos um só corpo.
Nenhum de nós celebra santa ceia sozinho. Celebramos a ceia com os irmãos. A santa ceia
é uma prova e expressão da comunhão dos santos, baseada em Cristo.
- 107 -

Dia do Senhor 29

P.78. Então, o pão e o vinho são transformados no corpo e no sangue reais de Cristo?

R. Não. Do mesmo modo que a água do batismo não se transforma no sangue de Cristo
nem é a própria purificação dos pecados, mas é simplesmente um sinal e uma garantia
disso da parte de Deus,1 assim também o pão na Ceia do Senhor não se torna no próprio
corpo de Cristo,2 embora seja chamado de corpo de Cristo3 conforme a natureza e o uso
dos sacramentos.4

1. Ef 5.26; Tt 3.5. 2. Mt 26.26-29. 3. 1Co 10.16, 17; 11.26-28. 4. Gn 17.10, 11; Ex 12.11, 13;
1Co 10.3, 4; 1Pe 3.21.

P.79. Por que, então, Cristo chama o pão de “Seu corpo” e o cálice de “Seu sangue”, ou de
a “nova aliança no Seu sangue”, e por que Paulo fala da comunhão do corpo e do sangue
de Cristo?

R. Cristo fala dessa maneira por um motivo importante: Ele quer nos ensinar pela Sua ceia
que do mesmo modo como o pão e o vinho nos sustentam a vida temporal, assim também o
Seu corpo crucificado e o Seu sangue derramado são o verdadeiro alimento e a verdadeira
bebida das nossas almas para a vida eterna.1 E, ainda mais, Ele nos quer assegurar por
esse sinal e garantia visíveis, primeiramente, que pela operação do Espírito Santo nós
participamos do Seu verdadeiro corpo e sangue tão certo quanto recebemos com a nossa
boca esses santos sinais em memória dEle;2 e em segundo lugar, que todo o Seu
sofrimento e obediência são tão certamente nos- sos como se nós mesmos tivéssemos
sofrido e pago pelos nossos pecados.3

1. Jo 6.51, 55. 2. 1Co 10.16, 17; 11.26. 3. Rm 6.5-11.

DOMINGO 29

Pergunta e resposta 78:

1. Qual o assunto do Domingo 29?


EXPLICAÇÃO: O assunto do Domingo 29 é a relação entre os símbolos da santa ceia, pão
e vinho, e o corpo e sangue de Cristo. Como é a relação entre o que vemos na santa ceia,
pão e vinho, e aquilo que estes símbolos significam e representam?
A Resposta 78 explica como essa relação não deve ser entendida.
A Resposta 79 explica como essa relação, sim, deve ser entendida.

2. O que acontece no momento da comunhão, quando os fiéis comem o pão e bebem


do vinho, ou no momento em que o pastor repete as palavras da instituição da santa
ceia? Será que o pão e o vinho se transformam, naquele momento, no corpo e sangue
de Cristo?
EXPLICAÇÃO: Não acontece nada com o pão e o vinho. Pão e vinho não se transformam
no corpo e sangue de Cristo. O que acontece é que o Espírito Santo opera nos fiéis,
- 108 -

fortalecendo-lhes a fé pela lembrança da morte de Cristo e confirmando sua união com


Cristo.

3. Que igreja ensina que pão e vinho se transformam no corpo e no sangue de Cristo?
Como se chama esta doutrina?
EXPLICAÇÃO: É a Igreja Católica Romana que ensina isto. Sua doutrina se chama a
doutrina da transubstanciação. Essa doutrina ensina que a substância do pão e do vinho
muda durante a celebração da missa, embora suas características, sabor e cheiro, não
mudem. Conforme essa doutrina, pão e vinho se tornam o corpo e o sangue de Cristo no
momento que que o padre diz: ‘Isto é o meu corpo’ e ‘isto é o meu sangue’.
Mas essa doutrina é inaceitável. Se o pão se transforma no corpo de Cristo que é carne, o
seu sabor e cheiro também mudarão. Se a essência da substância (pão) muda, tudo muda.
Por isso, a hóstia não pode ser a carne de Cristo pois a hóstia tem o sabor e o cheiro de
massa. A Bíblia nos ensina que o corpo de Cristo está no céu.

4. Que igualdade vê o Catecismo entre o batismo e santa ceia, em relação à questão


da transformação dos elementos?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que a água do batismo não se transforma no sangue de
Cristo, nem tira os pecados. Igualmente o pão da santa ceia não se transforma no próprio
corpo de Cristo.

Pergunta e resposta 79:

1. Mas como explicar a palavra de Cristo que falou no ocasião da primeira santa ceia:
“Isto é o meu corpo”?
EXPLICAÇÃO: Trata-se de uma expressão figurada, como há muitas dessas expressões na
boca do Senhor, por exemplo “Eu sou a porta” (João 10:9). O símbolo (pão) recebe o nome
da coisa simbolizada (corpo). Pão é chamado “corpo”. É a ​maneira sacramental​ de falar. O
Catecismo diz que o pão é chamado “corpo de Cristo” conforme a natureza e o uso dos
sacramentos (Resposta 78, no final).

2. A doutrina da Igreja Reformada nega a presença de Cristo na santa ceia?


EXPLICAÇÃO: Não! Cremos na presença de Cristo na santa ceia. Mas a grande questão é
esta: ​como ​Cristo está presente na santa ceia?

3 Qual é a posição certa?


- Cristo está presente corporalmente;
- Cristo está presente, não realmente, mas simbolicamente;
- Cristo está presente, realmente, ou seja, espiritualmente.

EXPLICAÇÃO: A posição certa é a última. Cristo está realmente presente quando


celebramos a santa ceia mas “realmente” significa que está presente espiritualmente.
- 109 -

4. O que significa para nós o corpo crucificado e o sangue derramado de Cristo?


(João 6:51-55 e 1 Coríntios 10:16)
EXPLICAÇÃO:
A Resposta 79 fala três coisas:
a. O corpo e o sangue derramado são o alimento e a bebida da nossa alma para a vida
eterna. É o que João 6 diz: Cristo nos alimenta para a vida eterna (a vida na comunhão com
Ele)
b. Significa também que participamos do corpo e sangue de Cristo pela obra do Espírito
Santo. Esta participação é uma coisa real. Cf. o “tão realmente” no Catecismo.
c. Significa também que o sofrimento e a obediência de Cristo são nossos. Cristo sofreu e
morreu ​em nosso lugar​. O Catecismo diz: “… como se nós mesmos tivéssemos sofrido e
pago por nossos pecados”.
- 110 -

Dia do Senhor 30

P.80. Qual é a diferença entre a Ceia do Senhor e a missa do papa?

R. A Ceia do Senhor nos testifica, primeiramente, que temos o perdão completo de todos os
nossos pecados pelo único sacrifício de Jesus Cristo, que Ele mesmo realizou na cruz de
uma vez por todas;1 em segundo lugar,que pelo Espírito Santo somos enxertados em
Cristo,2 o qual está agora no céu em Seu corpo verdadeiro à mão direita do Pai,3 e é onde
Ele quer ser adorado.4 A missa, no entanto, ensina primeiro que nem os vivos nem os
mortos têm o perdão de pecados por meio do sofrimento de Cristo se Ele não for ainda
sacrificado diariamente em favor deles pelos sacerdotes; e em segundo lugar, que Cristo
está presente corporalmente na forma do pão e do vinho, e neles deve ser adorado. A
missa, portanto, é basicamente nada mais que a negação do único sacrifício e sofrimento
de Jesus Cristo, e é uma idolatria maldita.

1. Mt 26.28; Jo 10.30; Hb 7.27; 9.12, 25, 26; 10..10-18. 2. 1Co 6.17; 10.16, 17. 3. Jo 20.17;
At 7.55, 56; Hb 1.3; 8.1. 4. Jo 4.21-24; Fp 3.20; Cl 3.1; 1Ts 1.10.

P.81. Quem deve vir à mesa do Senhor?

R. Aqueles que, em verdade, estão descontentes consigo mesmos por causa dos seus
pecados e que, mesmo assim, confiam que eles lhes foram perdoados e que o mal que
ainda resta neles está coberto pelo sofrimento e morte de Cristo, e que também desejam
fortalecer a sua fé e corrigir as suas vidas, cada vez mais. Mas os hipócritas e os que não
se arrependem comem e bebem juízo para si mesmos.1

1. 1Co 10.19-22; 11.26-32.

P.82. Esses que por sua confissão e vida demonstram que são incrédulos e ímpios devem
ser admitidos à ceia do Senhor?

R. Não, porque a aliança de Deus seria profanada e a Sua ira se acenderia contra toda a
congregação.1 Por isso, segundo o mandamento de Cristo a Seus apóstolos, a igreja de
Cristo tem o dever de excluir tais pessoas pelas chaves do reino do céu, até que corrijam as
suas vidas.

1. Sl 50.16; Is 1.11-17; 1Co 11.17-34. 76

DOMINGO 30

Pergunta e resposta 80:

1. O que significa a palavra ‘missa’ e por que o Catecismo fala aqui da “missa do
papa”?
EXPLICAÇÃO: A palavra ‘missa’ significa na língua popular o culto da Igreja Católica
Romana. Mas o Catecismo se refere à chamada eucaristia, àquela parte do culto católico
romano em que o sacerdote consagra a hóstia e o vinho.
- 111 -

A expressão “missa do papa” quer dizer que a missa romana não vem da Bíblia mas é uma
invenção humana dos papas do passado que os papas atuais ainda mantêm.

2. Quais são as diferenças entre a santa ceia e a missa romana?


EXPLICAÇÃO: A santa ceia testemunha o seguinte:
- Temos perdão pelo ​único sacrifício de Jesus Cristo​.
- Cristo realizou o sacrifício ​uma única vez​ na cruz.
- Cristo está com seu corpo ​no céu​.
- ​No céu​ é que Cristo quer ser adorado por nós

A missa ensina o seguinte:


- Cristo deve ser sacrificado ​todo dia​.
- Sem a missa não há perdão dos pecados
- Cristo está ​corporalmente​ presente sob a forma de pão e vinho
- Devemos adorar Cristo ​no pão e no vinho​. Podemos esclarecer a diferença entre a santa
ceia e a missa também da seguinte maneira:
A santa ceia é uma ​ceia​. A missa é um ​sacrifício​.
Na santa ceia ​comemoramos​ o que aconteceu na cruz. Na missa é ​repetido​ o que
aconteceu na cruz.

3. Por que a missa é a negação do único sacrifício de Cristo? (Hebreus 10:10-14)


EXPLICAÇÃO: Cristo morreu ​uma só vez​ pelos nossos pecados. Hebreus 10 prega este
fato, dizendo que somos purificados do pecado pela oferta que Cristo fez, ​uma vez por
todas​, do seu próprio corpo. Hebreus 10 compara o que acontecia no Antigo Testamento
com o que Cristo fez. O sacerdote judeu se apresentava ​todos os dias​ para cumprir os seus
deveres religiosos e oferecer ​muitas vezes​ os mesmos sacrifícios. Porém Jesus Cristo
ofereceu ​só um sacrifício​, que vale ​para sempre​, e depois sentou-se ao lado direito de
Deus. Assim, ​com um só sacrifício​, Ele tornou perfeitos ​para sempre​ os que são purificados
do pecado.
O assunto de Hebreus 10 é exatamente o assunto do Domingo 30. Cristo se ofereceu uma
só vez. A missa, que quer repetir o sacrifício de Cristo, é por isso uma negação do único
sacrifício de Cristo na cruz.

4. O Catecismo diz que a missa é uma idolatria abominável. Por quê?


EXPLICAÇÃO: Idolatria quer dizer adorar uma pessoa ou um objeto no lugar de Deus ou
além de Deus. O que se faz na missa é adorar pão (hóstia) e vinho, como se fossem o
corpo e sangue de Cristo. A intenção da Igreja Católica Romana é adorar Cristo.
Infelizmente, sua doutrina errada que ensina que pão e vinha são transformados no corpo e
no sangue de Cristo torna sua adoração errada. A Igreja Romana, venerando ou adorando
a hóstia e o vinho, está praticando idolatria o que é uma coisa abominável.

Pergunta e resposta 81:

1. A Resposta 81 tem a intenção de dificultar a participação da santa ceia?


EXPLICAÇÃO: Não, não tem. O ponto de partida é que todos os crentes devem participar
da santa ceia. A ordem de Cristo é: Venha à santa ceia! Para o crente a questão não é
- 112 -

participar ou não participar. A ordem é: Participe. Mas a questão é: ​como​ participar? A


Resposta 81 esclarece o modo de participar: em humildade e confiança e com o desejo de
se corrigir. O Catecismo quer alertar para o perigo de uma participação rotineira, sem fé
viva.

2. O verdadeiro crente vive como a Resposta 81 descreve?


EXPLICAÇÃO: Sim, o verdadeiro crente se aborrece de si mesmo por causa de seus
pecados. Também confia no perdão de seus pecados e fraquezas. Ele deseja fortalecer a fé
e se corrigir na vida. São três marcas da vida do crente. Quem vive como essa Resposta 81
descreve, pode e deve vir à santa ceia. Mas há membros da Igreja que não devem
participar. É sobre eles que o Catecismo fala em especial no final da Resposta 81 e na
Reposta 82.

3. O que são pecadores impenitentes e hipócritas? Eles podem corrigir-se?


EXPLICAÇÃO: Pecadores impenitentes são membros da Igreja que não se arrependem de
seus pecados. Hipócritas são falsos crentes, pessoas que estão ​na​ Igreja, mas não são ​da
Igreja​. O Catecismo não está dizendo que estas pessoas não podem corrigir-se. Mas a
Resposta 81 diz que os hipócritas e impenitentes – que ninguém conhece! – comem e
bebem para sua própria condenação, se participarem da santa ceia sem arrependimento. A
Resposta 81 alerta os hipócritas na Igreja para que se corrijam e evitem o mal de participar
da santa ceia sem verdadeira fé.

Pergunta e resposta 82:

1. De que assunto fala a Resposta 82?


EXPLICAÇÃO: A Resposta 82 fala de uma categoria diferente de crentes: membros da
Igreja que se ​mostram​ incrédulos e ímpios. A diferença com o assunto da Resposta 81 é
que hipócritas e impenitentes são pessoas que, ​do lado de fora​, são crentes dedicados. A
Igreja não pode discipliná-los porque não se mostram incrédulos. Mas a Resposta 82 fala
daqueles membros da Igreja que vivem em pecado abertamente. O assunto aqui é portanto
a disciplina da e na Igreja não pode admitir membros à santa ceia que vivem abertamente
em pecado.

2. A Pergunta 82 fala sobre ​confissão​ e ​vida​. Que diferença há entre as duas coisas?
EXPLICAÇÃO: Há duas possibilidades de um membro se mostrar incrédulo. Ele pode ter
idéias, convicções ou crenças erradas. Por exemplo, um membro da Igreja rejeita o ensino
bíblico sobre a santa ceia porque se mostra incrédulo em sua confissão. Mas é também
possível que um membro da Igreja se mostre incrédulo em seu modo de viver,
comportamento e costumes. Por exemplo, um membro casado tem uma amante. Tal
membro não pode ser admitido à santa ceia, por causa da sua vida.

3. O que quer dizer a primeira parte da Resposta 82: “porque assim é profanada a
aliança de Deus e é provocada sua ira sobre toda a congregação?
EXPLICAÇÃO: A ceia do Senhor é santa. Quando pessoas incrédulas participam dela, a
ceia é profanada. Além disso, a ceia é um símbolo da aliança. Por isso a própria aliança de
Deus é profanada. Isto não pode ser tolerado! Se a Igreja tolerar a participação de membros
- 113 -

que vivem em pecado, a Igreja provocará a ira de Deus sobre ​toda​ a congregação. 1
Coríntios 11:30 mostra que Deus pode castigar a Igreja, quando houver pecado dentro da
comunidade que celebra a ceia. Por isso deve haver disciplina na Igreja, inclusive para
proteger a congregação contra a ira de Deus.

4. O que significa a palavra “excluir” na Resposta 82?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo não usa aqui o termo “excomunhão”, mas o verbo “excluir” se
refere à excomunhão. Se membros da Igreja viverem uma vida em pecado e ​não quiserem
mudar​, sua vida, ​não demonstrando​ arrependimento, a Igreja deve excluir tais membros. O
Catecismo não explica aqui como isto deve ser feito exatamente. Só diz que na Igreja deve
haver disciplina cristã. O Domingo 31 do Catecismo fala mais sobre este assunto.
- 114 -

Dia do Senhor 31

P.83. O que são as chaves do reino do céu?

R. A pregação do santo evangelho e a disciplina eclesiástica. É por esses dois meios que o
reino do céu se abre para os que crêem, e se fecha para os incrédulos.1

1. Mt 16.19; Jo 20. 21-23.

P.84. Como se abre e se fecha o reino do céu pela pregação do evangelho?

R. De acordo com o mandamento de Cristo, o reino do céu se abre quando se proclama e


se testifica de público a todo o crente — individual ou coletivamente — que Deus perdoou
de fato a todos os seus pecados por causa dos méritos de Cristo, sempre que aceitam a
promessa do evangelho com fé verdadeira. O reino do céu se fecha quando se proclama e
se testifica a todo os incrédulos e hipócritas que, enquanto não se arrependerem, a ira de
Deus e a condenação eterna repousam sobre eles. Segundo esse testemunho do
evangelho, Deus os julgará tanto nessa quanto na vida porvir.1

1. Mt 16.19; Jo 3.31-36; 20.21-23.

P.85. Como se fecha e se abre o reino do céu pela disciplina eclesiástica?

R. De acordo com o mandamento de Cristo, aqueles que se chamam de cristãos mas que
se mostram não-cristãos na doutrina ou na vida devem ser, em primeiro lugar e de modo
fraternal, admoestado mais de uma vez. Se não abandonarem a seus erros nem à sua
impiedade, de- vem ser denunciados à igreja, isto é aos presbíteros. Se também não derem
ouvidos às admoestações deles, serão proibidos de participar dos sacramentos e excluídos
da congregação cristã pelos presbíteros e do reino de Cristo pelo próprio Deus.1 Serão
novamente recebidos como membros de Cristo e da igreja quando prometerem e
demonstrarem arrependimento real.2

1. Mt 18.15-20; 1Co 5.3-5; 11-13; 2Ts 3.14, 15. 2. Lc 15.20-24; 2Co 2.6-11.

DOMINGO 31

Pergunta e resposta 83:

1. Por que o Domingo 31 fala de chaves com relação ao reino dos céus? Qual o
assunto deste Domingo?
EXPLICAÇÃO: Quem tem a chave de uma porta tem o poder de abri-las ou fechá-la. Em
seu ensino, o Senhor Jesus falou várias vezes sobre a porta do reino dos céus. Esta porta
se abre ou se fecha com as chaves do reino dos céus. O assunto do Domingo 31 é quem
pode entrar no reino dos céus e quem é excluído dele.

2. O que entendemos pelo reino dos céus? O que significa a entrada nele?
EXPLICAÇÃO: O reino dos céus no sentido territorial significa o reino que está nos céus.
Mas, aqui, neste domingo, o reino dos céus significa também a comunhão com os
- 115 -

benefícios e bênçãos que Cristo nos dá, o perdão dos pecados, a renovação da vida e a
glória eterna. A entrada no reino dos céus significa, portanto, receber os benefícios deste
reino.

3. Quem, de fato, abre ou fecha o reino dos céus?


EXPLICAÇÃO: É o Senhor Jesus Cristo que tem o poder de abrir e fechar o reino dos céus.
Em Apocalipse 3:7 lemos que Ele tem a chave que pertencia ao rei Davi. Cristo abre e
ninguém fecha, e quando fecha, ninguém abre. A crença popular sobre o apóstolo Pedro, o
chaveiro, é uma afronta a Cristo.

4. Considerando o fato de que Cristo está no céu, quem, aqui na terra, tem as chaves
do reino dos céus? (Mateus 16:18,19; 18:15-19)
EXPLICAÇÃO: Cristo usa a Igreja para exercer o poder de abrir e fechar o reino dos céus.
Em Mateus 16, Cristo diz a Pedro, o porta-voz de todos os apóstolos: “Eu lhe darei as
chaves do Reino dos céus; o que você ligar na terra terá sido ligado nos céus, e o que você
desligar na terra terá sido desligado nos céus”. É importante notar que Cristo repete estas
palavras, no plural, em Mateus 18.
O verbo ‘ligar’ significa aqui fechar ou amarrar, e ‘desligar’ significa aqui abrir ou soltar. O
Senhor colocou o evangelho da salvação nas mãos dos apóstolos. Quem crer neste
evangelho pode entrar no reino dos céus. Quem rejeitar o evangelho não pode entrar nele.
O evangelho, anunciado pelos apóstolos e pela Igreja de hoje, diz que há salvação pela fé
em Cristo Jesus e sem Ele há perdição.
Este evangelho decide na terra e no céu.
Cristo confia as chaves do reino dos céus à Igreja que preserva a pregação apostólica. Isto
fica claro em Mateus 18. Cristo fala a todos os discípulos (18:1) sobre como agir quando um
membro da Igreja continuar em pecado. A própria Igreja recebe um papel no ato de fechar
ou abrir o reino dos céus (18:17). As palavras de Cristo estão ligadas à disciplina na Igreja.
Confira 1 Cor. 5:13, no final: “Expulsai” o malfeitor”, uma ordem para a congregação toda. A
disciplina da Igreja tem conseqüências até no céu!

5. Quais são as duas chaves que Cristo deu à Igreja para abrir e fechar o reino dos
céus? O que elas têm em comum?
EXPLICAÇÃO: As duas chaves são a pregação do santo evangelho e a disciplina cristã. O
que têm em comum é o Evangelho. A primeira chave é o Evangelho pregado publicamente,
nos cultos. A segunda chave é também o Evangelho, mas pregado em particular para uma
pessoa que precisa ser disciplinada.

Pergunta e resposta 84:

1. Quantas categorias de ouvintes se encontram nos cultos, segundo a Resposta 84?


EXPLICAÇÃO: Basicamente há duas categorias, os crentes e os incrédulos e hipócritas. As
parábolas de Cristo sobre o semeador e a semente indicam também que nem todos os
ouvintes da Palavra a aceitam com verdadeira fé.
- 116 -

2. Como é que a pregação do evangelho abre o reino dos céus?


EXPLICAÇÃO: A pregação abre o reino do céu quando proclama e testifica que os nossos
pecados são perdoados sempre que aceitamos a promessa do evangelho com verdadeira
fé. A pregação fala do perdão para aqueles que crêem em Jesus Cristo. Assim a pregação
lhes abre o reino dos céus.

3. Como é que a pregação fecha o reino dos céus?


EXPLICAÇÃO: A mensagem da pregação sempre tem dois lados. Proclama que há perdão
para aqueles que crêem. Mas proclama também que aquele que não crê será condenado. A
ira de Deus permanece sobre ele, enquanto não se converter.

4. A pregação do evangelho tem poder?


EXPLICAÇÃO: Certamente tem. Não é pequena coisa ouvir a pregação! A pregação é uma
coisa muito séria e poderosa! O Catecismo diz que Deus julgará todos, nesta vida e na
futura, segundo o testemunho do evangelho. O julgamento definitivo se baseará em nossa
aceitação do evangelho pregado (se somos crentes) ou em nossa rejeição deste evangelho
(se somos incrédulos). Como é importante ouvir e aceitar o evangelho com fé!

5. Por que a Resposta 84 fala sobre proclamar e testificar o evangelho “a todos juntos
e cada um deles”?
EXPLICAÇÃO: O evangelho vem pela pregação para a congregação toda, coletivamente,
mas também para cada crente, individualmente. O pregador pode se dirigir a todos, dizendo
“Irmãos”, mas ao mesmo tempo a mensagem do evangelho é sempre pessoal, dirigida para
cada pessoa.

Pergunta e resposta 85:

1. Por que deve haver disciplina na Igreja?


EXPLICAÇÃO: Há vários bons motivos e objetivos:
a. Deve haver disciplina na Igreja para salvar o pecador. Se alguém está vivendo em
pecado e ninguém o avisar, o pecador vai morrer para sempre. Um dos objetivos da
disciplina é que o pecador se arrependa. É isto o que Mateus 18:15 ensina. O Catecismo
menciona, no final da Resposta 85, a possibilidade (desejada!) de que a pessoa
excomungada volte à Igreja.
b. Deve haver disciplina na Igreja porque o pecado contamina outras pessoas na Igreja
poderiam seguir o mau exemplo de um membro que vive em pecado, se este não fosse
disciplinado. O pecado é como uma doença contagiosa. Sobre isto fala 1 Coríntios 5,
especialmente os versículos 6-8.
c. Deve haver disciplina porque o nome de Deus deve ser santificado. Deus não tolera
pecado. Se a Igreja aceitar o pecado, o nome de Deus não será honrado.

2. A disciplina é aplicada em quem?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo deixa claro ela é aplicada em cristãos que não se comportam
como cristãos. A disciplina funciona dentro da Igreja. 1 Cor. 5:13 ensina que a disciplina
cristã nem pode funcionar fora da Igreja. Quando uma pessoa disciplinada pela Igreja se
retirar dela, a disciplina cessará.
- 117 -

3. A disciplina cristã não é uma disciplina dura?


EXPLICAÇÃO: Não! Quem é duro é o pecador que não quer abandonar seus erros e
maldades. Mas a disciplina cristã, como é praticada nas Igrejas Reformadas, não é dura. O
Catecismo diz que os pecadores “são fraternalmente advertidos, repetidas vezes”. Também
menciona vários passos ou fases da disciplina. A Igreja mostra paciência e não expulsa
imediatamente, desejando e esperando que o pecador se arrependa. E mesmo depois da
excomunhão, a Igreja deseja que os excomungados voltem a Deus e à Igreja (Veja o final
da Resposta).

4. O que significa a palavra “excomunhão”?


EXPLICAÇÃO: A excomunhão de um membro da Igreja que é a congregação de Cristo, e,
pior, do reino de Cristo. É a fase final da disciplina cristã que ocorre quando o pecador
mostrar que não quer mudar.

5. A disciplina cristã trata de que pecados?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo faz, novamente, uma distinção entre “doutrina” e “vida”, cf. a
Pergunta 82. A disciplina trata de erros na doutrina como pensamentos e opiniões errados,
contrários à Bíblia, mas também de uma vida errada, de maldades e práticas contrárias à
Bíblia. Esta distinção é valiosa porque um membro pode ter uma doutrina correta e mesmo
assim levar uma vida errada. O contrário também pode ocorrer: um membro da Igreja leva
uma vida correta mas tem opiniões erradas.

6. Como a disciplina deve ser realizada na prática da vida da Igreja? (Mateus 18:15-17)
EXPLICAÇÃO: A Bíblia ensina o seguinte: quando um membro da Igreja pecar e continuar
em seu pecado, os demais membros que saibam disso devem visitá-lo e avisá-lo. É
importante que a disciplina não seja apenas a tarefa dos pastores ou presbíteros da Igreja,
mas de todos os membros. A primeira parte da Resposta 85 fala de advertências fraternais.
É o primeiro passo da disciplina cristã.
O segundo passo ocorre quando uma pessoa não quer se converter ou quando o pecado
aconteceu em público. A Resposta 85 fala sobre denunciar a Igreja, tem que tomar
conhecimento do pecado, se o pecado não foi público desde o princípio. Quando o pecador
mostrar arrependimento o caso será encerrado.
Quando não mostrar arrependimento, e não atender às admoestações, outros passos se
seguirão como o afastamento dos sacramentos e finalmente a exclusão da Igreja e do
Reino de Deus. Antes de ser excluído, o pecador obstinado deve ser advertido muitas
vezes. Deus não quer a morte do pecador, mas quer que ele se arrependa. Somente
quando não mostrar arrependimento e continuar vivendo em pecado, ele pode ser excluído
da Igreja. Mas a Igreja deve ter a certeza de que o próprio Deus o exclui do seu Reino.

7. Um membro que for excluído da Igreja poderá voltar a ser membro dela?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo toca neste assunto na última frase da Resposta 85. membros
excluídos da Igreja voltam a ser recebidos como membros de Cristo e da sua Igreja, quando
realmente prometem e demonstram verdadeiro arrependimento. Eles devem fazer duas
coisas: ​prometer​ e ​demonstrar​ verdadeiro arrependimento. Só ​dizer​ que se arrependeram
não é suficiente. Precisam ​fazer​, ou seja, mostrar o arrependimento. Lamentavelmente, não
- 118 -

acontece muitas vezes que um membro excluído volte a ser membro da Igreja. Mas um dos
objetivos da disciplina permanece, isto é, que o membro que vivia em pecado se arrependa.

8. Quem faz profissão de fé na Igreja Reformada promete alguma coisa a respeito da


disciplina da Igreja?
EXPLICAÇÃO: Sim, promete sim. Uma das perguntas que são feitas na hora da profissão
de fé é esta: você promete submeter-se à exortação e disciplina da igreja caso se desvie da
verdade em sua doutrina ou vida? Quem faz profissão de fé responde “sim”. Promete se
submeter à disciplina caso se desvie da Bíblia. Infelizmente acontece muitas vezes que
membros quando são disciplinados não cumprem suas promessas e não querem
submeter-se à disciplina. Não querem se arrepender dos seus pecados. Mesmo assim,
prometeram fazer isto na hora da profissão de fé. Trata-se de uma promessa, feita perante
Deus. Devemos cumprir o que prometemos.

9. A disciplina cristã tem a ver com os sacramentos?


EXPLICAÇÃO: Sim, tem sim. Sacramentos são ​santos​ símbolos e selos da Aliança de
Deus. Esta Aliança é a santa comunhão com o santo Deus. Por isso, membros disciplinados
não podem ser admitidos aos sacramentos, como diz a Resposta 85. serão afastados da
santa ceia. Isto pode resultar em que pais, quando forem disciplinados, não possam
apresentar seus filhos ao batismo. Os dois sacramentos estão ligados. Quem estiver fora da
santa ceia, não tem direito ao batismo. Esta medida disciplinar tem a ver com um dos
objetivos da disciplina cristã: manter a santidade da Igreja que é o povo do santo Deus.
- 119 -

Parte III: ​A NOSSA GRATIDÃO

Dia do Senhor 32

P.86. Se fomos libertados da nossa miséria somente pela graça através de Cristo, sem
nenhum mérito nosso, por que então devemos praticar boas obras?

R. Por que Cristo, tendo nos remido pelo Seu sangue, também nos renova por Seu Espírito
Santo à Sua imagem para que, com toda a nossa vida, mostremo-nos gratos a Deus por
Seus benefícios1 e para que Ele seja louvado por nós.2 Além disso, para que tenhamos a
certeza da nossa fé por causa dos seus frutos,3 e que pelo novo viver piedoso possamos
ganhar os nossos próximos para Cristo.4

1. Rm 6.13; 12.1, 2; 1Pe 2.5-10. 2. Mt 5.16; 1Co 6.19, 20. 3. Mt 7.17, 18; Gl 5.22-24; 2Pe
1.10, 11. 4. Mt 5.14-16; Rm 14.17-19; 1Pe 2.12; 3.1, 2.

P.87. Podem ser salvos aqueles que não abandonam o modo de viver ingrato e impenitente
e não se convertem a Deus?

R. Não, de modo nenhum. A Escritura diz que nenhum impuro, idólatra, adúltero, ladrão,
avarento, bêbado, maldizente, assaltante ou semelhante herdará o reino do céu.1

1. 1Co 6.9, 10; Gl 5.19-21; Ef 5.5, 6; Jo 3.14.

DOMINGO 32

Perguntas e respostas 86 e 87:

1. A terceira parte do Catecismo trata de que assunto? Quais são as principais partes
deste assunto?
EXPLICAÇÃO: O assunto da terceira parte do Catecismo é nossa gratidão.
Suas principais partes são:
- ​Os Dez Mandamentos​ (Domingos 34-44), a ​regra da gratidão​; e
- ​A Oração​ (Domingos 45-52), a ​força da gratidão​.
O Domingo 32 explica a necessidade da nossa gratidão e, junto com o Domingo 33, explica
e define o que é a gratidão: a obra de Cristo que resulta na conversão do pecador.

2. É possível ter gratidão sem conhecimento da nossa miséria (o assunto da primeira


parte do Catecismo) e da nossa salvação (o assunto da segunda parte do
Catecismo)?
EXPLICAÇÃO: Não, não é possível. Por isso a Pergunta 86 liga o assunto da gratidão aos
outros dois: “Visto que fomos libertados de nossa miséria, por Cristo, …”. É a afirmação de
um crente. Ele reconhece seus pecados e sua miséria, e aceita com fé a obra de Cristo. Só
assim o crente chega a mostrar sua gratidão. Quem não admite seus pecados nem crê em
Cristo não será nem pode ser grato a Deus. Confira a Resposta 86: “Somos gratos a Deus
por seus benefícios”. Estes benefícios são a obra de Cristo para nossa salvação. A gratidão
está baseada e ligada à salvação dos pecados.
- 120 -

3. É verdade que a religião reformada não quer saber de boas obras? Somente fala de
fé porque só pela fé somos salvos?
EXPLICAÇÃO: Não, não é verdade o que se diz sobre a religião reformada. A Pergunta 86
diz claramente que devemos fazer boas obras. Gratidão é fazer boas obras! A Resposta 86
fala de “frutos da fé”. É a mesma coisa. Não é só fé, mas também obras, que são os frutos
da fé. Confira a Pergunta e a Resposta 87 que deixam bem claro que sem gratidão não há
vida cristã. Fé sem obras é fé morta e fé morta não é fé (Tiago 2:17). No fundo é assim: a
falta de gratidão ou de boas obras de fé mostra a ausência da salvação em nossa vida.
Portanto, a gratidão ou fazer boas obras são partes necessárias da vida cristã.

4. A Pergunta 86 fala de ​nós​ (“por que ainda devemos fazer boas obras”), mas a
resposta fala de ​Cristo​. Como fica isso?
EXPLICAÇÃO: Aqui temos o segredo da gratidão. No fundo, a gratidão é a obra de Cristo
em nós​. Confira Efésios 2:10 “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus
para fazer boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que as praticássemos.”
O Catecismo diz que ​Cristo​ “também nos renova, à sua imagem, por seu Espírito Santo”.
Gratidão é renovação. É a vida nova. É voltar à normalidade do homem que é filho de Deus.
É ser imagem de Cristo. É refletir Cristo na vida. Tudo isto vem de Cristo, por seu Espírito
Santo. Podemos dizer também que a terceira parte do Catecismo nos fala da obra do
Espírito Santo, a santificação.

5. Quais as três finalidades da gratidão?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que devemos fazer boas obras.
a. para que mostremos que somos gratos a Deus.
b. para que tenhamos a certeza de que nossa fé é verdadeira.
c. para que ganhemos nosso próximo para Cristo.

6. Qual a finalidade principal da salvação segundo a Resposta 86?


EXPLICAÇÃO: Não é nossa felicidade que é a principal finalidade da obra da salvação,
realizada por Cristo. Muitos crentes têm esta opinião, sempre falando da felicidade do
crente. Mas o Catecismo fala bem mais bíblico: “para que mostremos, com toda a nossa
vida, que somos gratos a Deus … e para que Ele seja louvado por nós.” A glória de Deus é
a finalidade principal da salvação. Em outras palavras, nossa gratidão, visando a glória de
Deus, é a finalidade da obra da salvação de Cristo. Por isso nossas boas obras servem, em
primeiro lugar, para que Deus seja louvado. É isso o que Cristo diz em Mateus 5:16: “Assim
brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem
ao Pai de vocês que está nos céus”.

7. O que as obras de gratidão têm a ver com a certeza da fé?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo não quer apresentar uma conclusão lógica nestes termos: ‘Eu
faço boas obras, logo sou crente’. Mas o Catecismo diz que “​pelos​ frutos da fé” temos
certeza de que nossa fé é verdadeira. É ​mediante​ (“pelos”= por meio de, mediante) as boas
obras ou frutos da fé que ficamos assegurados que nossa fé é verdadeira. Esta certeza vem
de Cristo e do Espírito Santo. Eles usam nossas boas obras (“​pelos​ frutos da fé”!) para nos
darem a certeza da fé. É praticando a fé que ganhamos a certeza de que somos crentes.
- 121 -

Podemos usar uma comparação: é praticando seu esporte que o esportista se sente
seguro. É treinando que ele vai ter a certeza de que é um esportista seguro.

8. A Resposta 86, no final, fala de ganhar nosso próximo para Cristo, pela vida cristã
que levamos. Quem é o nosso próximo?
EXPLICAÇÃO: Em primeiro lugar, nosso próximo é aquele que não conhece a Cristo,
porque o Catecismo fala de ganhar o próximo para Cristo. O nosso modo de viver deve
atrair, se vivemos como crentes, pessoas descrentes. A vida cristã é um modelo e exemplo
para outros. Por isso Cristo diz: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que
vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês que está nos céus” (Mateus 5:16).
E Pedro escreve: “Do mesmo modo, esposas, sujeitem-se a seus maridos a fim de que, se
alguns deles não obedecem à palavra, sejam ganhos sem palavras, pelo procedimento de
suas esposas, observando a conduta honesta e respeitosa de vocês” (1 Pedro 3:1, 2).
Também é verdade que nossa vida cristã é um exemplo para nosso próximo dentro da
Igreja. O bom exemplo de outros irmãos é um apoio para todos nós.

9. Nós merecemos a salvação através de boas obras? Se não, boas obras são
dispensáveis?
EXPLICAÇÃO: É impossível merecer ou conquistar a salvação através de boas obras.
Paulo escreve: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês,
é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8,9). Mas, se não
merecemos a salvação através de boas obras, não podemos ir ao outro extremo e dizer que
boas obras são dispensáveis. Elas são indispensáveis para a vida cristã que é uma vida
salva. Em Hebreus 12:14 está escrito: “Esforcem-se para viver em paz com todos e para
serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor”.

10. Salvos são apenas aqueles que não pecam mais? De que tipo de pessoas o
Catecismo fala na Pergunta e Resposta 87?
EXPLICAÇÃO: A Pergunta 87 não diz que só serão salvos os que estão sem pecados.
Ninguém nem crente algum está sem pecado. Como caíram Davi e Pedro! Mas existe uma
distinção entre cometer pecado e viver em pecado. É a distinção entre pecar e viver sem
Deus. O crente não vive em pecado, nem continua vivendo sem gratidão. Se cair num
pecado, procurará Deus e será levantado pela graça de Deus e voltará a Deus e será
levantado pela graça de Deus e voltará a Deus com arrependimento (Salmo 51). Mas o
incrédulo não procura Deus nem quer fazer isto. Ele não se converte a Deus (veja a
Pergunta 87, no final). O incrédulo continua vivendo sem Deus. Por isso não será salvo de
sua condenação e de sua miséria. Ele não herdará o reino de Deus.

11. Considerando tudo isso, será que há esperança para incrédulos ou não há?
EXPLICAÇÃO: Quando a Pergunta 87 fala dos que ​não​ se convertem a Deus (os
incrédulos), o Catecismo mostra ao mesmo tempo qual o caminho certo: que é se converter
e voltar a Deus. Notem que a Pergunta 87 define o incrédulo como a pessoa que ​continua
vivendo sem Deus. Mas se não continuar … Aí a esperança, a pista para a salvação. Está
escrito em Isaías 55:7: “Deixe ao perverso o seu caminho, ao iníquo os seus pensamentos;
converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque
é rico em perdoar”.
- 122 -

Dia do Senhor 33

P.88. O que é o verdadeiro arrependimento ou conversão do homem?

R. É a morte da velha natureza e a ressurreição da nova natureza.1

1. Rm 6.1-11; 1Co 5.7; 2Co 5.17; Ef 4.22-24; Cl 3.5-10. 78

P.89. O que é a morte da velha natureza?

R. É a profunda e sincera tristeza por termos ofendido a Deus com os nossos pecados, e o
abominar e fugir desses pecados cada vez mais.1

1. Sl 51.3, 4, 17; Jl 2.12, 13; Rm 8.12, 13; 2Co 7.10.

P.90. O que é a ressurreição da nova natureza?

R. É a alegria sincera em Deus por Cristo,1 e o amor e o deleite de viver segundo a vontade
de Deus em todas as boas obras.2

1. Sl 51.8, 12; Is 57.15; Rm 5.1; 14.17. 2. Rm 6.10, 11; Gl 2.20.

P.91. Mas, o que são as boas obras?

R. Somente as que são feitas pela verdadeira fé,1 em conformidade com a lei de Deus2 e
para a Sua glória,3 e não aquelas que se baseiam na nossa própria opinião ou em preceitos
de homens.4

1. Jo 15.5; Rm 14.23; Hb 11.6. 2. Lv 18.4; 1Sm 15.22; Ef 11.6. 3. 1Co 10.31. 4. Dt 12.32; Is
29.13; Ez 10.18, 19; Mt 15.7-9.

DOMINGO 33

Perguntas e respostas 88, 89 e 90:

1. O Catecismo entende conversão como uma coisa que acontece num determinado
momento ou como um processo contínuo?
EXPLICAÇÃO: Lendo o Domingo 33 todo, concluímos que o Catecismo entende conversão
como um processo contínuo.

2. É importante poder mencionar a hora da conversão?


EXPLICAÇÃO: De jeito nenhum! A Bíblia não oferece fundamento para o costume de certas
igrejas que exigem de seus membros que possam dizer em que dia ou hora foram
convertidos.

3. Você vê diferenças nas vidas de Lídia (Atos 16:14,15), do carcereiro de Filipos


(Atos 16: 29-34), Samuel, João Batista, Timóteo (Atos 16:1,2 e 2 Timóteo 1:5) e Paulo
(Atos 9:1-6)? Observando as suas vidas, podemos distinguir entre conversão, que é
- 123 -

um rompimento com o pecado (1 Tess. 1:9), e conversão no sentido de viver como


um convertido?
EXPLICAÇÃO: As vidas das pessoas mencionadas são bem diferentes uma das outras.
Timóteo, como também Samuel e João Batista, foram criados num lar diferente. Atos 16:1
diz que a mãe de Timóteo era cristã, como Paulo escreve em 2 Timóteo 1:5 “Recordo-me
de sua fé não fingida, que primeiro habitou em sua avó Lóide e em sua mãe Eunice…”. Mas
as demais pessoas mencionadas tinham uma experiência diferente.
Lemos sobre Lídia que Deus abriu seu coração para que acreditasse no que Paulo lhe dizia
na primeira pregação que ela ouviu (Atos 16:14). Ela se converteu a Jesus Cristo naquele
dia. A mesma coisa pode ser dita do carcereiro de Filipos (Atos 16:29-34). Ele pergunta a
Paulo e Silas: “Senhores, o que devo fazer para me salvar?” A resposta é: “Creia no Senhor
Jesus e você será salvo, você e sua família.” O carcereiro também se converteu num
determinado dia. O próprio Paulo foi convertido quando o Senhor Jesus lhe apareceu. Ele
era um perseguidor dos cristãos, mas tornou-se um seguidor de Cristo (Atos 9:1-6).
As histórias de Lídia, do carcereiro e de Paulo mostram que existe conversão no sentido de
romper com a vida em pecado. Em 1 Tessalonicenses 1:9, Paulo fala da conversão dos
tessalonicenses. Outros lhe contaram como eles receberam bem a Paulo e como deixaram
os ídolos para seguirem e servirem ao Deus vivo e verdadeiro. Houve um rompimento com
o pecado na vida dos tessalonicenses.
Conversão pode ser uma coisa de um determinado momento, mas não podemos afirmar
que isto é ou deve ser uma regra para todos os casos. Quem nasce numa família cristã não
tem necessariamente a experiência de uma conversão súbita. O que importa para todos é
que vivam da conversão, vivendo como crente.

4. Há diferença entre regeneração e conversão? É correto dizer que a regeneração é


uma obra de Deus e a conversão uma obra do homem?
EXPLICAÇÃO: Não há nenhuma diferença essencial entre regeneração e conversão. As
duas palavras se referem à mesma coisa. Por isso não é correto dizer que regeneração é
uma obra de Deus e conversão uma obra do homem. Regeneração e conversão se referem
a uma obra de Deus realizada pelo Espírito Santo.

5. Existe uma ligação entre gratidão e conversão?


EXPLICAÇÃO: Existe, sim. Confira o Domingo 32, na Resposta 87, que fala sobre pessoas
que vivem sem Deus, sem gratidão e não se convertem a Ele. Está tudo ligado: viver com
Deus, viver com gratidão e se converter. O Domingo 33 está na parte da gratidão (a terceira
parte do Catecismo). Gratidão só existe na vida de pessoas convertidas.

6. O Catecismo fala na pergunta 88 sobre a ​verdadeira​ conversão. Será que existe


falsa conversão? Há exemplos dela na Bíblia?
EXPLICAÇÃO: Existe falsa conversão, sim. A Bíblia dá alguns exemplos dela. Em Atos 8
lemos sobre um mago ou feiticeiro, Simão, que se converteu e foi batizado. Mas sua
conversão não era verdadeira. Ele só admirava os milagres que Filipe e os apóstolos faziam
e queria ter o mesmo poder de dar o Espírito Santo a outras pessoas. Até ofereceu dinheiro
aos apóstolos para receber este poder. Sua conversão era falsa. Em 2 Timóteo 4:10 Paulo
fala sobre Demas que era um seguidor de Cristo mas se apaixonou por este mundo e
abandonou Paulo. Também neste caso, a conversão era falsa.
- 124 -

7. O que significam as expressões “o velho homem” e “o novo homem”? (Efésios


4:22-24 e Colossenses 3:9,10)
EXPLICAÇÃO: Trata-se de termos bíblicos. O velho homem é o homem que somos por
natureza, o homem que nasceu como pecador e não quer viver com Deus. É nosso “eu”
pecaminoso. O novo homem é o homem que somos quando somos renovados pelo Espírito
Santo e pela Palavra.

8. A morte do “velho homem” e o nascimento do “novo homem” são duas etapas na


vida do crente? E há ainda “o velho homem” dentro do crente? (Romanos 7:18-21).
EXPLICAÇÃO: “O velho homem” e “o novo homem” não são duas etapas ou fases na vida
do crente, mas se referem a dois modos de viver dentro da vida dele. Há ainda “o velho
homem” e “o nascimento do novo homem” dos quais fala o Catecismo ocorrem ao mesmo
tempo na vida dele, mas não são coisas de um momento só. As Respostas 89 e 90 deixam
claro que a morte do velho homem e o nascimento do novo homem são processos
contínuos.

9. Conversão é uma questão do coração?


EXPLICAÇÃO: Sim, é sim. Tanto a Resposta 89 como a Resposta 90 falam sobre a
conversão em termos do que há no íntimo do homem: “profunda tristeza” e “alegria sincera”,
“vontade de …” e “forte desejo de …”. Certamente tem a ver com o coração. Estas palavras
do Catecismo indicam que o coração é a sede da conversão.

10. Conversão é somente uma questão do coração?


EXPLICAÇÃO: Em absoluto! Conversão é também uma coisa visível na vida do crente. A
Resposta 89 fala de odiar e evitar os pecados. A Resposta 90 fala de viver conforme a
vontade de Deus em todas as boas obras. João Batista já disse: “Dêem fruto que mostre o
arrependimento!” (Mateus 3:8).

Pergunta e resposta 91:

1. Boas obras são coisas especiais que só alguns crentes, avançados na vida cristã e
privilegiados com dons especiais, podem fazer?
EXPLICAÇÃO: Não é verdade. Na Igreja Católica Romana existe a idéia de que só alguns
“santos” podem fazer boas obras. Mas o Catecismo descarta esta idéia. Nem fornece uma
lista de obras especiais (caridade, oração ou contemplação, obras de monges), porque
boas obras são ​todas​ as obras dos crentes, feitas com fé, conforme a lei de Deus e para
sua glória.

2. Qual a fonte das boas obras? Descrentes podem fazer boas obras?
EXPLICAÇÃO: A Resposta 91 diz que a fé é a fonte das boas obras. A Bíblia diz que sem fé
ninguém pode agradar a Deus (Hebreus 11:6). Boas obras são frutos da fé. Por isso
descrentes não podem fazer boas obras! Jesus diz em João 15:5 “Se alguém permanecer
em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim, vocês não podem fazer coisa
alguma”. E Paulo escreve: “”Os que são dominados pela carne não podem agradar a Deus”
(Romanos 8:8). O descrente está for a de Cristo. Como ele poderia fazer uma coisa boa ou
- 125 -

fruto da fé, se não tem fé? Certamente Deus pode usar as obras dos descrentes, mas isto
não significa que sejam BOAS obras. Eles não produzem obras de fé.

3. Que normas temos para avaliar boas obras?


EXPLICAÇÃO: A norma é a lei de Deus, a Palavra dEle. Obras são boas somente se forem
feitas conforme a lei, a Palavra de Deus. Como contraste, o Catecismo menciona “nossa
própria opinião” e “tradições humanas”. Elas não podem servir de norma para avaliar se
nossas obras são boas ou não. A única regra de fé e de prática é a Palavra de Deus.

4. Qual a finalidade das boas obras?


EXPLICAÇÃO: A grande finalidade da vida do crente e, portanto, de suas obras é a glória
de Deus. O Senhor Jesus diz: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens para que
vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês que está nos céus” (Mateus 5:16).
Em Mateus 6:1 Ele diz que não devemos fazer boas obras para agradar a homens mas
para agradar a Deus. Se nossas boas obras não são feitas para a glória de Deus, elas não
são boas.
- 126 -

Os Dez Mandamentos

Dia do Senhor 34

P.92. O que diz a lei de Deus?

R. “Então, falou Deus todas estas palavras: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da
terra do Egito, da casa da servidão.

1. Não terás outros deuses diante de mim.

2. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos
céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes
darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos
pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço
misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.

3. Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, por- que o SENHOR não terá por
inocente o que tomar o seu nome em vão.

4. Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua
obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem
tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal,
nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus
e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR
abençoou o dia de sábado e o santificou.

5. Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR,
teu Deus, te dá.

6. Não matarás.

7. Não adulterarás.

8. Não furtarás.

9. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

10. Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o
seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que
pertença ao teu próximo”.1

1. Ex 20.1-17; Dt 5.6-21.

P.93. Como estão divididos estes mandamentos?

R. Em duas partes. A primeira nos ensina como viver com relação a Deus; a segunda, que
deveres temos para com o nosso próximo.1
- 127 -

1. Mt 22.37-40

P.94. Que exige o SENHOR no primeiro mandamento?

R. Que, por amor a minha salvação, devo evitar e fugir de toda idolatria,1 feitiçaria,
superstição2 e invocação à santos ou a outras criaturas.3 E que devo reconhecer
corretamente ao único e verdadeiro Deus,4 confiar somente nEle,5 submeter-me a Ele em
toda humildade6 e paciência,7 só dEle esperar todo o bem,8 e que devo O amar,9 temer10
e honrar11 com todo o meu coração. Em resumo: é preferível repudiar a todas as criaturas
a fazer qualquer coisa, mínima que seja, contra a Sua vontade.12

1. 1Co 6.9, 10; 10.5-14; 1Jo 5.21. 2. Lv 19.31; Dt 18.9-12. 3. Mt 4.10; Ap 19.10; 22.8, 9. 4.
Jo 17.3. 5. Jr 17.5, 7. 6. 1Pe 5.5, 6. 7. Rm 5.3, 4; 1Co 10.10; Fp 2.14; Cl 1.11; Hb 10.36. 8.
Sl 104.27, 28; Is 45.7; Tg 1.17. 9. Dt 6.5; (Mt 22.37). 10. Dt 6.2; Sl 111.10; Pv 1.7; 9.10; Mt
10.28; 1Pe 1.17. 11. Dt 6.13; (Mt 4.10); Dt 10.20. 12. Mt 5.29, 30; 10.37-39; At 5.29.

P.95. O que é idolatria?

R. Idolatria é ter ou inventar algo em que colocar a nossa confiança em lugar ou ao lado do
único e verdadeiro Deus que se revelou em Sua Palavra.1

1. 1Cr 16.26; Gl 4.8, 9; Ef 5.5; Fp 3.19.

DOMINGO 34

Perguntas e respostas 92 e 93:

1. Por que o Catecismo apresenta o texto completo dos Dez Mandamentos, aqui na
Resposta 92?
EXPLICAÇÃO: Primeiro, porque o Catecismo vai explicar esses Mandamentos a partir deste
Domingo 34. Segundo, os Dez Mandamentos são o resumo mais antigo da lei do SENHOR,
e essa lei é importante para a nossa gratidão.

2. A divisão dos Dez Mandamentos em duas partes faz sentido?


EXPLICAÇÃO: Sim, faz sim. Encontramos Deus e nosso próximo nos Dez Mandamentos,
exatamente como Cristo nos explicou a lei falando dos dois grandes mandamentos: amar a
Deus e amar ao próximo.
Notem bem que o Catecismo não diz que os primeiros quatro mandamentos estavam
escritos em uma das duas tábuas, e os outros seis na outra tábua. Sobre este detalhe não
recebemos informação pela Bíblia. Mas faz sentido falar de duas partes, a primeira sobre
nosso relacionamento com Deus, e a segunda sobre nosso relacionamento com nosso
próximo.
- 128 -

Perguntas e respostas 94 e 95:

1. Será que existem “outros deuses”?


EXPLICAÇÃO: O primeiro mandamento fala de “outros deuses” porque Deus não quer que
seu povo adore outros deuses, mas adore somente a Ele. O primeiro mandamento não está
dizendo que outros deuses realmente existem. Em 1 Coríntios 8:4 Paulo escreve: “…
sabemos que o ídolo não significa nada no mundo e que só existe um Deus”. O termo
“outros deuses” se refere aos falsos deuses, inventados pelos homens. São produtos da
imaginação humana. Mas eles podem exercer muito poder na vida das pessoas que
acreditam neles. Eles são reais para as pessoas que neles acreditam.
O primeiro mandamento, falando de “diante de Mim”, dirige nossa atenção para nossa vida
como Deus a vê. Estamos sempre na presença de Deus, diante dEle! Por isso não deve
haver “outros deuses”.

2. Todas as religiões são iguais?


EXPLICAÇÃO: Muitas pessoas acham que todas as religiões são iguais. Mas o primeiro
mandamento deixa bem claro que isto não é verdade. Há um só Deus. É o Deus que se
revelou na Bíblia. As religiões que não aceitam a Bíblia como a única revelação do único
Deus, não são iguais à religião cristã.

3. O que o primeiro mandamento proíbe?


EXPLICAÇÃO: A primeira parte da resposta 94 diz o que o primeiro mandamento proíbe
toda idolatria, feitiçaria, adivinhação, superstição e invocação de santos ou outras criaturas.
A própria Bíblia proíbe tudo isso. Em 1 Coríntios 6:10 lemos que os que adoram ídolos não
herdarão o Reino de Deus. E em Levítico 19:31 lemos: “Não procurem a ajuda dos que
invocam os espíritos dos mortos e dos que adivinham o futuro. Isso é pecado e fará que
vocês fiquem impuros. Eu sou o SENHOR seu Deus” (BLH). Em Mateus 4:10 Jesus diz que
as Escrituras Sagradas afirmam: “Adore o Senhor seu Deus e sirva somente a ele.”

4. O que é idolatria? (Isaías 44:15-17) Por que o Catecismo fala na Resposta 95 ​em
lugar ou ao lado​ do único e verdadeiro Deus? Há diferença entre “em lugar de” e “ao
lado de”?
EXPLICAÇÃO: A Resposta 95 explica o que é idolatria. É inventar ou ter ídolos, falsos
deuses, em que o homem deposita sua confiança. Estes ídolos tomam o lugar do único
Deus. Em Isaías 44 lemos sobre um homem que procurava madeira. Uma parte ele usou
para fazer um fogo. Ali ele se esquentava e também assava o pão. A outra parte foi usada
para fazer uma imagem. Desta imagem ele disse que era seu deus. Ficava de joelhos e
adorava a imagem. E orava à imagem, dizendo: “Tu és o meu deus; salva-me!” Assim o
homem inventou um deus para adorar.
O Catecismo distingue entre ​em lugar​ ou ​ao lado do​ único e verdadeiro Deus. Pensem na
história de Êxodo 32, sobre o bezerro de ouro. Israel não queria substituir Deus por outros
deuses, mas queria alguém ou algo ao lado de Deus. Isto é igualmente errado porque este
“alguém” ou “algo” é um ídolo. Deus não tolera concorrentes, deuses que seu povo coloca
ao lado dEle. Porque Ele é o único Deus Salvador. Outros deuses não podem salvar.
- 129 -

5. O que é feitiçaria, adivinhação e superstição?


EXPLICAÇÃO: Feitiçaria é a crença de que objetos têm um poder sobrenatural. Tem a ver
com bruxaria e magia negra.
Adivinhação é a crença de que pessoas ou objetos podem revelar o futuro ou desvendar
mistérios.
Superstição é esperar que alguém ou algo faça coisas que de fato só Deus pode fazer. Daí
o crédito que se dá a amuletos (a figa por exemplo) e o costume de se proteger no dia 13
etc. Em tudo isto, pessoas não colocam sua confiança em Deus, mas em alguém ou em
alguma coisa em lugar de Deus.

6. Por que o Catecismo diz que é preciso fugir destas coisas? Elas são tão
perigosas?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo fala exatamente como a Bíblia. Em 1 Coríntios 10:14 Paulo
escreve que Devemos fugir da adoração de ídolos. É verdade o que o Catecismo diz, logo
na primeira frase: “para não perder minha salvação, devo evitar e fugir” destas coisas.
Idolatria, feitiçaria e coisas semelhantes nos fazem perder Deus e a salvação porque nos
tiram do único caminho certo.

7. O espiritismo é uma coisa inocente?


EXPLICAÇÃO: O espiritismo, cheio de idolatria, feitiçaria e superstição, não é uma coisa
inocente. É uma falsa religião, que contraria Deus e sua Palavra. É um instrumento de
Satanás para dominar muitas pessoas.

8. O que o primeiro mandamento diz, positivamente?


EXPLICAÇÃO: A Resposta 94, na sua segunda parte, explica o primeiro mandamento
positivamente. Seu conteúdo é:
- reconhecer devidamente o único e verdadeiro Deus;
- confiar somente nEle. Lemos em Jeremias 17:5,7: “O Deus Eterno diz: Eu amaldiçoarei
aquele que se afasta de mim, que confia nos outros, que confia na força de fracos seres
humanos. Mas eu abençoarei aquele que confia em mim, aquele que tem fé em mim, o
Deus Eterno.” (BLH);
- submeter-se somente a Ele. Paulo escreve em Colossenses 1:11: “Tornem-se fortes com
toda a força que vem do glorioso poder de Deus, para que possam suportar tudo com
paciência”(BLH);
- amar, temer e honrar a Deus. Em Mateus 22:37,38 Jesus diz: “Amarás o Senhor teu Deus
de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e
maior mandamento”. E em Deuteronômio 6:2 a Bíblia diz: “… para que temas ao SENHOR
teu Deus …”;
- esperar todo o bem somente dEle. Em Tiago 1:17 lemos: “Toda boa dádiva e todo dom
perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes”.
- 130 -

9. Quando o Catecismo fala de “confiar somente em Deus”, ele exclui, por exemplo,
consultas médicas? É correto confiar em médicos esperando deles a solução para
nossos problemas?
EXPLICAÇÃO: Confiar em Deus não exclui o uso dos meios que Ele próprio nos concede
como a medicina e os resultados da ciência e tecnologia. Mas confiar em Deus, sim, exclui
que depositemos nossa confiança em médicos como se eles pudessem curar doenças.

10. Quando o Catecismo fala de “submeter-se somente a Deus”, ele não exclui a
obediência que devemos a nossos governantes?
EXPLICAÇÃO: Não é questão de excluir, mas de incluir. Porque é Deus mesmo que exige
nossa obediência aos governantes que Ele colocou na posição de dirigentes. Submeter-se
a Deus inclui a obediência à governantes a não ser que eles ultrapassem o limite e se
apresentem como “deuses”.

11. O que quer dizer “ renunciar a todas a criaturas”?


EXPLICAÇÃO: Estas palavras são explicadas e esclarecidas pela segunda parte da frase.
“e não fazer a menor coisa contra a vontade de Deus.” Nunca podemos obedecer a
pessoas ou confiar nelas se isto nos levar a contrariar a vontade de Deus. Foi o que Pedro
disse em Atos 5:29: Devemos obedecer a Deus mais que às pessoas. Quando uma pessoa
quer que façamos alguma coisa que é contra a vontade de Deus, não podemos obedecer a
ela, mas devemos obedecer a Deus. O nosso grande e primeiro compromisso é com Deus
e não com criaturas. Neste sentido devemos renunciar a todas as criaturas.
- 131 -

Dia do Senhor 35

P.96. Que exige Deus no segundo mandamento?

R. Que não façamos a imagem de Deus em hipótese alguma,1 nem O adoremos de


nenhum outro modo diferente do que nos ordenou em Sua Palavra.2

1. Dt 4.15-19; Is 40.18-25; At 17.29; Rm 1.23. 2. Lv 10.1-7; Dt 12.30; 1Sm 15.22, 23; Mt


15.9; Jo 4.23, 24.

P.97. Então, não podemos fazer nenhum tipo de imagem?

R. Deus não pode nem deve ser visivelmente representado de nenhuma maneira. As
criaturas podem ser representadas, mas Deus nos proíbe fazer ou ter imagens delas para
adorá-las ou para servir a Deus por meio delas.1

1. Ex 34.13, 14, 17; Nm 33.52; 2Rs 18.4, 5; Is 40.25.

P.98. Quer dizer que não se pode tolerar as imagens nas igrejas como “livros para os
leigos”?

R. Não. Pois não devemos querer ser mais sábios do que o próprio Deus. Ele quer que o
Seu povo seja ensinado não por meio de ídolos mudos1 mas pela pregação viva da Sua
Palavra.2

1. Jr 10.8; Hc 2.18-20. Rm 10.14, 15, 17; 2 Tm 3.16, 17; 2Pe 1.19.

DOMINGO 35

Pergunta e resposta 96:

1. Há diferença entre o primeiro e o segundo mandamentos? Idolatria e adoração de


imagens não são coisas muito semelhantes?
EXPLICAÇÃO: É verdade que o primeiro e o segundo mandamentos estão ligados um ao
outro, mas há uma diferença essencial. É esta: o primeiro mandamento ensina que nosso
dever​ é ​adorar o único Deus​. Por isso proíbe a adoração de outros deuses (ídolos). O
segundo mandamento, porém, nos diz ​como​ devemos adorar a Deus. Por isso proíbe
imagens e ensina a maneira correta de adorá-Lo.
Idolatria não é a mesma coisa que adoração de imagens. Idolatria é prestar culto àquilo que
não é Deus. O culto a imagens é para adorar a Deus, mas faz isto de uma maneira errada.
Um exemplo é a história do bezerro de ouro em Êxodo 32. O povo de Israel queria, sim,
adorar a Deus mas fazendo uso do bezerro de ouro. E isto não era permitido por Deus. O
Catecismo diz que “Não podemos, de maneira alguma, representar Deus por imagem ou
figura”. A Igreja Romana não reconhece a distinção entre o primeiro e o segundo
mandamento. Para ela, trata-se de um mandamento só. Desta maneira a Igreja Romana
chega à interpretação de que imagens são proibidas quando forem usadas para outros
- 132 -

deuses. Em outras palavras, para a Igreja Romana o único assunto aqui é a idolatria
(adoração de outros deuses). Para ela, a maneira de adorar o verdadeiro Deus está fora do
assunto. Por isso a Igreja Romana permite imagens de Cristo. Entretanto, a divisão dos Dez
Mandamentos no original hebraico não permite a interpretação da Igreja Católica Romana.

2. Como devemos adorar a Deus? (1 Samuel 15:22,23)


EXPLICAÇÃO: A Resposta 96 deixa bem claro que devemos adorar a Deus somente da
maneira que Ele ordenou em sua Palavra. A verdadeira adoração a Deus começa e termina
com a obediência à sua Palavra. É isso que a história do rei Saul mostra em 1 Samuel 15.
Saul não obedeceu a Deus e por isso foi rejeitado por Ele. Samuel disse: “Eis que o
obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender melhor do que a gordura de carneiros.
Por que a rebelião é como o pecado de feitiçaria e a obstinação é como a idolatria”.
Nossa maneira de adorar tem que ser conforme a Bíblia e não pode contrariá-la.

3. Adoração só cabe dentro das quatro paredes da igreja?


EXPLICAÇÃO: Em absoluto! Na vida cristã pode e deve haver as seguintes formas de
adoração:
a) o culto público na reunião do povo de Deus, aos domingos;
b) o culto doméstico, em casa: a família reunida para a leitura bíblica, oração e cânticos;
c) o culto pessoal de cada crente através da leitura e meditação da Palavra, e da adoração;

4. O segundo mandamento diz que Deus é um Deus zeloso. O que significa isso?
EXPLICAÇÃO: A palavra ‘zeloso’ significa que Deus não tolera outros deuses e imagens.
Deuteronômio 32:15-22 fala sobre isso. O povo de Israel tinha abandonado Deus, adorando
ídolos. Com as suas imagens provocaram a ira de Deus. O Deus zeloso ficou com ciúmes
dos falsos deuses. A Bíblia compara a relação entre Deus e seu povo com o matrimônio.
Nenhum homem casado quer que sua esposa tenha um relacionamento com outro homem.
Da mesma forma, a mulher casada não quer que seu marido tenha um relacionamento com
uma outra mulher. Assim Deus não quer que seu povo sirva a outros deuses. Nem quer que
seu povo faça imagens para adorá-las. O fato de Deus ser zeloso tem a ver com o primeiro
mandamento (não outros deuses) e com o segundo (não fazer imagens).

5. O segundo mandamento contém uma ameaça. Deus diz: Eu castigo aqueles que me
odeiam, até os netos e bisnetos. Esta ameaça atinge os pais ou os filhos?
EXPLICAÇÃO: A ameaça de Deus que está no segundo mandamento atinge tanto os pais
como os filhos. As conseqüências do pecado contra o segundo mandamento ficam, muitas
vezes, visíveis nas próximas gerações. Quem não serve a Deus conforme o segundo
mandamento corre o perigo de que seus filhos e netos, abandonem Deus totalmente.

6. A ameaça do segundo mandamento significa também que os filhos de


desobedientes não podem converter-se? (Ezequiel 18:1-18).
EXPLICAÇÃO: A Bíblia nunca diz que os filhos de desobedientes não podem converter-se,
veja Ezequiel 8. O povo de Israel na época dele estava sempre repetindo o ditado que diz:
“Os pais comeram uvas verdes, mas foram os dentes dos filhos que ficaram asperos” (BLH)
Israel queria dizer com este ditado: os nossos pais pecaram contra Deus, mas nós
recebemos o castigo. Mas Deus diz que não age assim. Castiga uma pessoa por causa do
- 133 -

seu próprio pecado. Quando um homem serve a Deus, viverá. Mas quando seu filho
abandona a Deus, morrerá. Ou, quando o filho vê os pecados do seu pai, mas não segue
seu exemplo e serve a Deus, não morrerá por causa do seu pai. Ezequiel mostra assim que
ninguém morre por causa dos pecados de seu pai. O segundo mandamento adverte que
quando pais mostram um mau exemplo, seus filhos são capazes de seguir esse mau
exemplo. Esse é o perigo que todos correm quando não levam a sério o segundo
mandamento.

7. A ameaça que está no segundo mandamento pertence só a este mandamento ou


tem a ver também com o primeiro e os demais mandamentos? Confira o final do
segundo mandamento onde lemos o plural “aos meus mandamentos”.
EXPLICAÇÃO: Esta ameaça pertence também ao primeiro e aos demais mandamentos. Já
explicamos que o primeiro e o segundo mandamento estão ligados um ao outro. E estes
dois são a base da lei de Deus. Por isso a última parte do segundo mandamento se refere
também aos demais mandamentos. Também fala de uma maneira geral: Deus castiga
aqueles que O odeiam e é bondoso para com aqueles que O amam e obedecem os seus
mandamentos. Além disso, o plural “os meus mandamentos” mostra que esta parte fala de
todos os mandamentos.

Pergunta e resposta 97:

1. O segundo mandamento proíbe toda e qualquer imagem?


EXPLICAÇÃO: O segundo mandamento não proíbe as artes belas como escultura, pintura
etc. Veja a Resposta 97: “As criaturas podem ser representadas…”, quer dizer, através de
escultura ou pintura. Se alguém quiser uma estátua de uma pessoa em seu quintal, a Bíblia
não o proíbe. O que o segundo mandamento proíbe é fazer ou ter imagens de criaturas ou
imagem de Deus para adorá-las ou usá-las para assim adorar a Deus. Em outras palavras,
nenhuma imagem de Deus ou de Cristo é permitida e o uso religioso de outras imagens é
proibido.

Pergunta e resposta 98:

1. O que a resposta 98 nos ensina?


EXPLICAÇÃO: Esta resposta ataca a posição da Igreja Católica Romana e defende a
posição reformada a respeito do uso de imagens na Igreja. Se a Igreja Romana diz que as
imagens nas igrejas servem como livros para ignorantes (analfabetos), o Catecismo
responde com este argumento: não devemos ser mais sábios do que Deus. Se Deus proibiu
imagens quem somos nós para usá-las para fins religiosos ou educacionais na Igreja?
O segundo argumento do Catecismo é este: imagens são mudas. Elas não ensinam! Deus
não quer ensinar seu povo através de coisas mudas.
Terceiro argumento: para ensinar seu povo, Deus deu sua Palavra e a pregação viva de sua
Palavra. “Viva” está em contraste com “ídolos mudos”.
Novamente estamos vendo a Palavra é indispensável para a verdadeira adoração de Deus.
Por isso, a parte central dos nossos cultos é a pregação da Palavra.
- 134 -

2. A imagem pode ser um caminho para Deus?


EXPLICAÇÃO: Se nossa maneira de adorar Deus deve ser bíblica, o uso de imagens para
nossa adoração de Deus é proibido. A imagem não é um caminho para Deus. Cristo é o
caminho para Deus. Ele diz em João 14:6: “Eu sou o caminho”. Nossa união com Cristo é
pela Palavra, e não por imagens! Cristo diz em João 8:31 se vocês obedecerem às minhas
palavras, serão de fato meus seguidores.
- 135 -

Dia do Senhor 36

P.99. O que se exige no terceiro mandamento?

R. Que não blasfememos nem façamos mau uso o Nome de Deus por maldição,1 perjúrio2
ou votos desnecessários,3 e que não participemos, por omissão silenciosa, desses terríveis
pecados.4 Antes devemos usar o santo nome de Deus somente com temor e reverência,5
para que possamos confessá-lO corretamente,6 invocá-lO,7 e O glorificar com todas as
nossas palavras e obras.8

1. Lv 24.10-17. 2. Lv 19.12. 3. Mt 5.37; Tg 5.12. 4. Lv 5.1; Pv 29.24. 5. Sl 99.1-5; Is 45.23; Jr


4.2. 6. Mt 10.32, 33; Rm 10.9, 10. 7. Sl 50.14, 15. 1Tm 2.8. 8. Rm 2.24; Cl 3.17; 1Tm 6.1.

P.100. Será que blasfemar o Nome de Deus por juramentos e maldições é um pecado tão
grande que Deus se ira também contra aqueles que não impedem nem proíbem isso o tanto
quanto podem?

R. Certamente que sim.1 Porque nenhum pecado é maior nem provoca mais a ira de Deus
do que blasfemar o Seu Nome. É por isso que Ele ordenou que esse pecado fosse punido
com a morte.2

1. Lv 5.1. 2. Lv 24.16. 82

DOMINGO 36

Pergunta e resposta 99:

1. O terceiro mandamento fala do nome do SENHOR. O que é esse nome do


SENHOR?
EXPLICAÇÃO: O nome do SENHOR diz que Ele é. Podemos até dizer que o nome dEle é
Ele mesmo. Seu nome é também como Ele se revelou, por suas obras e por suas palavras.
Quanto às obras podemos pensar na criação de tudo e na salvação de seu povo. Quanto às
palavras devemos pensar na Bíblia. O nome do SENHOR é sua boa fama ou reputação.
Quando o dono de uma firma diz que ela tem ‘um bom nome’, ele se refere à boa fama da
firma. Assim o nome do SENHOR é sua fama.

2. O que significam as palavras “blasfemar” e “profanar”?


EXPLICAÇÃO: Blasfemar é dizer palavras que ofendem e insultam Deus e sua Palavra.
Profanar é tratar Deus e coisas santas com muito desrespeito e irreverência. O Catecismo
usa essas palavras para esclarecer o que é “tomar o nome de Deus em vão”.

3. Que advertência há em tudo isso?


EXPLICAÇÃO: Não devemos tomar parte em pecados contra o nome do SENHOR, como
blasfêmias, profanações, maldições e juramentos falsos ou desnecessários.
- 136 -

4. O que são maldições?


EXPLICAÇÃO: A palavra maldição vem do verbo ‘maldizer’: dizer mal, falar mal de alguém,
neste caso, falar mal de Deus. A maldição invoca o nome de Deus para ameaçar ou desejar
o mal sobre uma pessoa, ou, diretamente, para ofender Deus.

5. O que são juramentos desnecessários? Muitas pessoas os fazem? Por que


pessoas os fazem?
EXPLICAÇÃO: Juramentos desnecessários são o tipo de juramento que não serve a
nenhum objetivo bom. As circunstâncias e as autoridades humanas, não o exigem, muito
menos Deus. Juramentos desnecessários são uma epidemia. Crianças pequenas,
brincando na rua, já fazem este tipo de juramentos (“Jura por….”), porque ouvem seus pais
e outras pessoas falarem assim. O motivo dos juramentos desnecessários é que pessoas
sintam a necessidade de ganhar a confiança de outros através de uma palavra forte. Por
trás disto está uma desconfiança generalizada na sociedade. Um simples “sim” ou “não”
não é suficiente.

6. O que o Catecismo ensina positivamente sobre o uso do nome do SENHOR?


EXPLICAÇÃO: Certamente podemos usar o nome de Deus. O abuso não cancela o uso
correto, que é “com temor e reverência”. O objetivo positivo do uso do nome do SENHOR é
confessar, invocar e glorificar seu nome. É isto que praticamos por nossa orações
(“Santificado seja teu nome”!) e por nosso testemunho cristão e modo de viver. O cristão
não pode ficar calado na sociedade, nem ficar neutro diante do nome do SENHOR na
política, no lugar de trabalho ou área de educação escolar. O cristão levanta a bandeira do
nome do SENHOR para testemunhar seu nome.

Pergunta e resposta 100:

1. Por que a Resposta 100 diz que não há maior pecado que blasfemar o nome de
Deus?
EXPLICAÇÃO: O motivo que a Resposta 100 alega é que Deus mandou castigar este
pecado com a pena de morte. Lemos isto em Levítico 24:15,16: quem amaldiçoar o seu
Deus pagará por esse pecado e será morto a pedradas por todo o povo. Blasfêmia provoca
a ira de Deus, mais do que qualquer outro pecado. Por quê? Porque o nome da pessoa e a
própria pessoa estão estreitamente ligados. Quem ofende o nome de Deus ofende o próprio
Deus.

2. Que advertência há nisto?


EXPLICAÇÃO:
a. Não devemos ficar calados quando ouvimos outros pecarem contra o nome de Deus.
Ficando calados, tomamos parte neste pecado! Confira a Resposta 99, no segundo
parágrafo
b. Devemos nos esforçar para impedir e proibir blasfêmias e coisas semelhantes.

3. Como podemos impedir e proibir os pecados contra o nome do SENHOR?


EXPLICAÇÃO: Podemos fazer isto da seguinte maneira:
- 137 -

a)Nossa língua deve estar limpa destes pecados! A luta contra o pecado começa por nossa
própria vida! Como podemos censurar outros se não disciplinamos a nós mesmos?
b)Não ficar calado! Só que, para abrir a boca e avisar outros é preciso ter coragem e, além
de coragem, habilidade para censurar aqueles que blasfemam de uma maneira correta e
efetiva.

4. Existe ainda a pena de morte para casos de blasfêmia? Deveria existir?


EXPLICAÇÃO: A pena de morte existe ainda como pena divina. Quem não se arrepender
nem pedir perdão para suas blasfêmias, sofrerá a morte eterna! Mas a pena de morte que
encontramos em Levítico 24:16 não existe mais. Temos que leva em consideração que
Israel era uma teocracia. Isto quer dizer que as leis de Deus valiam tanto para Igreja como
para o Estado. Israel era Igreja e Estado. Esta situação mudou. O Brasil não é uma
teocracia. As leis de Deus, que são leis espirituais, não podem ser aplicadas, de forma
completa, pela Estado através de seus juízes. A posição da Igreja também mudou: não é
mais como no A.T. quando Israel era Igreja e Estado. Os dirigentes da Igreja não podem
aplicar a pena de morte nesta vida. Mas a pena de morte ainda existe. Dentro da Igreja ela
deve ser anunciada como advertência. Se um membro for expulso por causa da blasfêmia
que não quer confessar, a Igreja de fato entrega aquele membro à pena de morte, a pena
divina.
- 138 -

Dia do Senhor 37

P.101. Mas será que podemos, de modo piedoso, fazer juramentos e votos em Nome de
Deus?

R. Sim, quando o governo o exige de seus súditos, ou quando a necessidade o exige para
que se guarde e se promova a fidelidade e a verdade, para a glória de Deus e o bem do
nosso próximo. Esse tipo de juramento tem por base a Palavra de Deus1 e foi assim
utilizado da maneira correta pelos santos do Velho e do Novo Testamentos.2

1. Dt 6.13; 10.20; Jr 4.1, 2; Hb 6.16. 2. Gn 21.24; 31-53; Js 9.15; 1Sm 24.22; 1Rs 1.29, 30;
Rm 1.9; 2Co 1.23.

P.102. Podemos também jurar pelos santos ou por outras criaturas?

R. Não. Um juramento legítimo é uma invocação a Deus, para que Ele, o único que conhece
o coração, sirva como testemunha da verdade e que me castigue se eu jurar falsamente.1
Nenhuma criatura é digna de uma tal honra.2

1. Rm 9.1; 2Co 1.23. 2. Mt 5.34-37; 23.16-22; Tg 5.12.

DOMINGO 37

Perguntas e respostas 101 e 102:

1. O que é um juramento? O que estamos fazendo quando juramos?


EXPLICAÇÃO: Jurar é uma maneira de invocar o nome do SENHOR (Resposta 102). É no
juramento que chamamos Deus para que seja a grande testemunha das nossas palavras,
afirmações e promessas. No juramento oramos para que Deus, santo, conhecedor do nosso
coração e todo-poderoso, nos castigue se mentirmos e nos abençoe se falarmos a verdade.
Quando juramos pelo nome de Deus, nos colocamos diante de Deus como nossa
testemunha.

2. Havia juramento no paraíso?


EXPLICAÇÃO: Se jurar significa colocar-se diante de Deus como nossa testemunha,
podemos concluir que não havia juramento no paraíso. O homem, no paraíso, sempre
estava consciente de estar diante de Deus. Juramentos não eram necessários no paraíso
porque o homem sempre falava a verdade!
É somente por causa do pecado que entrou no mundo, que é preciso jurar em certos casos,
e isto “para manter e promover a fidelidade e a verdade” (Resposta 101).

3. Juramentos entre irmãos da igreja são permitidos? Podem até ser necessários?
EXPLICAÇÃO: Há cristãos que acham errado que juramentos sejam usados dentro da
comunidade da Igreja. Apresentam os seguintes argumentos:
a) É a verdade que reina na Igreja. Por isso, entre irmãos, ​sim​ é ​sim​, e ​não​ é ​não​ (Mateus
5:37).
- 139 -

b) Crentes devem sempre viver perante Deus e ter consciência de que Ele é a testemunha
das nossas palavras. Isto exclui a necessidade de juramentos.
Certamente há elementos de verdade nestes argumentos, mas a própria Escritura nos fala
de juramentos entre dois crentes. Por exemplo, 1 Reis 18:15 fala do juramento entre Elias e
Obadias. É verdade que nosso ​sim​ deve ser ​sim​. Juramentos não deveriam ser necessários
na Igreja. Mas também na comunidade da Igreja pode haver situações que permitam ou
exijam um juramento. O pecado não passa as portas da Igreja. João Calvino dá este
exemplo: o que fazer e um membro da Igreja acusar outro membro usando mentiras que o
acusado dificilmente pode contestar? Neste caso pode ser necessário que o crente acusado
testifique sua inocência por um juramento perante o conselho da Igreja ou perante toda a
congregação.
Na Bíblia há mais exemplos de juramentos. Paulo, por exemplo, jura em Romanos 1:9 e em
2 Coríntios 1:23. Tratar-se de afirmações do apóstolo Paulo na sua correspondência com
irmãos, que têm o peso de juramentos.

4. Em que casos podemos jurar em nome de Deus?


EXPLICAÇÃO: A Resposta 101 distingue duas situações:
a) quando as autoridades o exigirem.
b) quando for preciso para manter e promover a verdade. Acontece que autoridades exigem
um juramento. Um tribunal ou um juiz pode exigir que testemunhas façam um juramento
para confirmarem suas afirmações. O Catecismo diz que o crente pode fazer isto.
Autoridades, sendo ministros de Deus, podem exigir juramento. Outros casos se referem às
pessoas que assumem um cargo público (governantes, servidores públicos, policiais,
oficiais etc.). Elas juram lealdade à Constituição.
Um juramento pode também ser preciso em caso de controvérsia e discussão. Sobre isso
fala Hebreus 6:16 “Os homens juram por alguém superior a si mesmos, e o juramento
confirma o que foi dito”. Num mundo mentiroso há necessidade de manter a verdade
através de juramentos.

5. Por que a Resposta 101 distingue entre manter e promover a fidelidade e a


verdade?
EXPLICAÇÃO: Já encontramos esta distinção na Pergunta e resposta 4. Perante um
tribunal juramos para firmar nossas palavras. É para manter e promover a verdade. Mas
outros casos, por exemplo, num juramento de oficiais do exército ou de um governador, o
juramento serve para manter e promover a fidelidade.

6. Há cristãos que dizem que é sempre proibido jurar. É com razão que se baseiam em
Mateus 5:33-37 e Tiago 5:12? Como era a prática dos santos no Antigo e Novo
Testamento?
EXPLICAÇÃO: Há juramentos legítimos e juramentos falsos. O Senhor Jesus combate os
falsos em Mateus 5:33-37. combate os jeitinhos dos judeus que não queriam jurar pelo
nome de Deus e por isso haviam inventado juramentos pelo céu, pela terra ou pela cabeça.
Deste modo queriam escapar do compromisso que um juramento pelo nome de Deus é. Por
isso o Senhor diz: “Não jurem de jeito nenhum”, porque é falsidade. O Senhor não diz que
jurar é pecado, nem diz que é errado jurar pelo nome de Deus. Mas Ele combate uma
prática errada dos judeus. Mateus 5:33- 37 está no contexto de Mateus 5:17: “o Senhor não
- 140 -

veio para acabar com a lei e os profetas (isto é, o Antigo Testamento), mas veio para
cumpri-los. O próprio Antigo Testamento nos ensina que Deus queria que seu povo jurasse
pelo seu nome (Deuteronômio 6:13 e 10:20: jurem só pelo nome de Deus). Por isso o
Senhor Jesus não proibiu qualquer juramento.
O Catecismo fala da prática dos santos tanto no Antigo como no Novo Testamento. Um
exemplo é o que Abraão diz em Gênesis 21:24: “Eu juro”. Além disso, já vimos que Paulo
jura também nas suas cartas.

7. Quais as duas finalidades do juramento?


EXPLICAÇÃO: A Resposta 101 diz que o juramento é para a glória de Deus e para o
bem-estar do próximo. Quando juramos, honramos Deus que conhece nosso coração. Só
Ele pode testemunhar a verdade. É sua honra e glória. Mas o juramento é também uma
coisa boa para o próximo. É um meio para conter mentiras e para promover a verdade num
mundo mentiroso. É por isso que mentir sob juramento é considerado um crime muito grave
em todos os países.

8. Por que não podemos jurar por pessoas humanas?


EXPLICAÇÃO: A Resposta 102 explica isto:
a) jurar é invocar o nome de Deus. Não podemos invocar o nome de seres humanos por
bons que sejam.
b) é só Deus que conhece nosso coração. É só Deus que pode ser testemunha da verdade.
Só Ele sabe se falamos a verdade ou não .
c) só Deus é capaz de nos castigar caso juremos falsamente. Diante desta realidade, jurar é
honrar a Deus. Confira a Resposta 101: “… manter e promover a fidelidade e a verdade,
para a glória de Deus​”. Por isso o Catecismo tira esta conclusão: “Tal honra não pertence a
criatura alguma”.

9. Por que motivo o Catecismo dedica um “Domingo” completo ao assunto do


juramento?
EXPLICAÇÃO: Há um motivo histórico para isto. Na época da Reforma, no século XVI,
havia um movimento forte que condenava o uso do juramento. Eram os anabatistas que
eram muito radicais em certos pontos. Por trás do seu radicalismo estava um modo de
pensar que separava o nome de Deus da vida aqui na terra. O que os anabatistas faziam,
na prática, era excluir o nome de Deus da vida pública. Isto é inaceitável. O ensino do
Catecismo sobre o juramento é bem atual porque em nossos dias há também muitos
cristãos que reservam e restringem o nome de Deus à vida particular. Mas seu nome é
maravilhoso demais para ser excluído plena vida na terra.
- 141 -

Dia do Senhor 38

P.103. O que exige Deus no quarto mandamento?

R. Primeiro, que o ministério do evangelho e as escolas cristãs sejam mantidas1 e que eu,
especialmente no dia de descanso, seja diligente em ir à igreja de Deus2 para ouvir à
Palavra de Deus,3 participar dos sacramentos,4 para invocar publicamente ao Senhor 5 e
para praticar a caridade cristã para com os necessitados. 6 Segundo, para que em todos os
dias da minha vida eu cesse as minhas más obras, deixe o Senhor operar em mim por Seu
Espírito Santo, e assim começar nesta vida o descanso eterno.7

1. Dt 6.4-9; 20-25; 1Co 9.13, 14; 2Tm 2.2; 3.13-17; Tt 1.5. 2. Dt 12.5-12; Sl 40.9, 10; 68.26;
At 2.42-47; Hb 10.23-25. 3. Rm 10.14-17; 1Co 14.26-33; 1Tm 4.13. 4. 1Co 11.23, 24. 5. Cl
3.16; 1Tm 2.1. 6. Sl 50.14; 1Co 16.2; 2Co 8; 9. 7. Is 66.23; Hb 4.9-11.

DOMINGO 38

Pergunta e resposta 103:

1. Quando foi que Deus instituiu o dia de descanso?


EXPLICAÇÃO: Deus instituiu o dia de descanso no paraíso. Lemos isto em Gênesis 2:2,3:
“No sétimo dia Deus acabou de fazer todas as coisas e descansou de todo o trabalho que
havia feito. Então abençoou o sétimo dia e o separou como um dia sagrado, pois nesse dia
ele acabou de fazer todas as coisas e descansou” (BHL). Guardar o dia de descanso é uma
coisa que já valia no paraíso. É uma ordem de Deus que vale para todos os tempos.

2. Por que Deus mandou guardar o dia de descanso?


EXPLICAÇÃO: A Bíblia fala de três motivos:
a) Devemos guardar o dia de descanso, porque Deus fez isso quando terminou a obra da
criação. Lemos isso em Êxodo 20:11 “Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra,
o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou: por isso o SENHOR abençoou o
dia de sábado, e o santificou”.
b) Deus disse a seu povo, Israel: “…para que o teu servo e a tua serva descansem como
tu” (Deuteronômio 5:14). É um segundo motivo, o motivo social e da caridade.
c) O terceiro motivo é de comemorar a salvação do Egito: “porque te lembrarás que foste
servo na terra do Egito, e que o SENHOR teu Deus te tirou dali com mão poderosa, e braço
estendido: pelo que o SENHOR teu Deus te ordenou que guardasses o dia de sábado
(Deuteronômio 5:15).

3. Por que o povo de Deus, na época do Antigo Testamento, descansava no sétimo


dia, o sábado, e por que nós descansamos no primeiro dia da semana, o domingo?
Como se chama o domingo? Desde quando o povo de Deus se reúne aos domingos?
EXPLICAÇÃO: O povo de Deus descansava, na época do A.T. no sétimo dia, porque Deus
fez isso. Primeiro criou tudo, trabalhou para só depois descansar. Assim o povo de Deus
trabalhava para só depois descansar. No Novo Testamento isto mudou: começamos a
semana com um descanso para depois trabalhar. Isto por causa da ressurreição de Cristo,
- 142 -

o fim da obra salvadora de Cristo na terra. Cristo ressuscitou num domingo. Por isso
guardamos o dia de descanso no domingo. Este dia se chama o dia do Senhor (Apocalipse
1:10). Em 1 Coríntios 16:2 Paulo diz que os coríntios devem separar algum dinheiro aos
domingos para ajudar os cristãos da Judéia. Isto mostra que a Igreja da época dos
apóstolos se reunia aos domingos. Os discípulos já faziam isto logo depois da ressurreição
de Cristo (João 20:19 e 26).

4. O dia de descanso é destinado para o quê?


EXPLICAÇÃO: Devemos dedicar este dia a Deus. Descansar quer dizer que não devemos
trabalhar no dia de descanso. Mas descansar significa mais. Deus descansou no sétimo dia
depois de terminar a obra da criação. Descansou para se alegrar sobre a obra que tinha
feito. Esta alegria é um elemento muito importante quando pensamos sobre o dia de
descanso. É o dia em que nos alegramos com as obras de Deus, a criação e a salvação de
seu povo do pecado. O Domingo 38 diz que devemos nos reunir fielmente com o povo de
Deus especialmente no dia de descanso. Temos cultos aos domingos para dedicarmos este
dia a Deus. Assim nos alegramos, juntos, com a obra de Deus. O Catecismo diz que
devemos fazer isso fielmente. É o que a Bíblia ensina em Hebreus 10:25: “Não deixemos de
nos reunir como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros,
ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia”.
Os cultos são as atividades mais importantes do domingo. Deus quer ver todo o seu povo
reunido na igreja para louvar o seu nome. Também o resto do dia deve ser dedicado a
Deus. Nossas atividades aos domingos devem combinar com o estilo deste dia. O domingo
não é um dia para fazer compras ou ir ao estádio. É dia do Senhor, reservado e dedicado a
Ele.

5. Como é que o Domingo 38 fala sobre o significado do quarto mandamento para


todos os dias da nossa vida? (Veja Hebreus 4:1-11, especialmente os versos 9 e 10).
EXPLICAÇÃO: O quarto mandamento não fala apenas do dia de descanso. O Catecismo
diz que devemos, todos os dias da nossa vida, desistir das más obras, deixando o Senhor
operar em nós, por seu Espírito. Assim começamos nesta vida o descanso eterno. Hebreus
4 diz que ainda fica um descanso em Canaã, assim promete o descanso na Canaã celestial.
Mas muitos israelitas não entraram em Canaã por causa da sua desobediência. A carta aos
Hebreus usa essa história para nos avisar. Deus nos deixou a promessa de que podemos
entrar e descansar com ele. Mas Hebreus 4 diz: Tenham muito cuidado para nenhum de
vocês seja impedido de entrar naquele descanso. Para entrar no descanso é preciso crer e
desistir das más obras. Assim o quarto mandamento tem significado para todos os dias da
nossa vida. O descanso é para aqueles que querem desistir das más obras.

6. É bom ter um dia de descanso?


EXPLICAÇÃO: Deus, em sua sabedoria, nos deu um dia de descanso físico e mental. É
bom para nós. Não precisamos trabalhar sete dias por semana sem parar. É no dia de
descanso que recebemos novas forças para que depois possamos recomeçar nosso
trabalho.
- 143 -

Dia do Senhor 39

P.104. O que exige Deus no quinto mandamento?

R. Que eu demonstre toda honra, amor e fidelidade a meu pai e à minha mãe, e a todos os
meus superiores; que eu me submeta devidamente às suas boas instrução e disciplina1 e
que também seja paciente com as suas fraquezas e defeitos,2 pois é a vontade de Deus
nos governar pelas mãos deles.3

1. Ex 21.17; Pv 1.8; 4.1; Rm 13.1, 2; Ef 5.21, 22; 6.1-9; Cl 3.18-4.1. 2. Pv 20.20; 23.22; 1Pe
2.18. 3. Mt 22.21, Rm 13.1-8; Ef 6.1-9; Cl 3.18-21.

DOMINGO 39

Pergunta e resposta 104:

1. O que é honrar? A quem é que devemos honrar?


EXPLICAÇÃO: Honrar é mais que obedecer. Honrar é respeitar. É prestar toda honra, amor
e fidelidade aos nossos superiores, como diz o Catecismo. A palavra que o quinto
mandamento usa tem a ver com a palavra ‘peso’. Devemos honrar as autoridades
constituidas por Deus porque elas têm peso, isto é: força, valor, e receberam uma missão
importante de Deus. Devemos honrar nossos pais e, em geral, todos os nossos superiores,
todos os que exercem autoridade sobre nós. É bom saber que a Bíblia dá nome de pai a
profetas, mestres e reis. Isto quer dizer: quando o quinto mandamento fala de pai e mãe, ele
inclui todas as demais autoridades.

2. Será que há diferença entre autoridade e poder?


EXPLICAÇÃO: Há, sim. Quem tem autoridade, ou, quem é uma autoridade, nem sempre
tem o poder. Por exemplo, um professor que não consegue manter a ordem entre os
alunos, não têm poder nem força, embora seja a autoridade legítima para os alunos. A lei
de Deus diz que alunos têm que respeitar o professor, mesmo que este não consiga manter
a ordem. Um ditador que dá um golpe de estado e expulsa o governo eleito pelo povo tem
poder e mostra que tem força, mas não tem, por isso, autoridade legítima sobre o povo.

3. Quem tem autoridade absoluta? E como Ele exerce sua autoridade?


EXPLICAÇÃO: O único que tem autoridade absoluta é Deus, o Criador de todos nós. Deus
exerce sua autoridade, por um lado, sem intermediários, por exemplo, governando o
universo. Mas em outros casos Deus usa intermediários, aqui na terra. Os governantes
estão a serviço de Deus. Deve ser claro que estes intermediários nunca podem tomar o
lugar de Deus. Nenhum governante aqui na terra tem autoridade divina!

4. Que qualidades ou tipos de autoridade há?


EXPLICAÇÃO: Podemos distinguir entre autoridade na família, no matrimônio, no estado,
na sociedade e na Igreja.
- 144 -

5. Por que pais têm autoridade sobre os filhos? (Efésios 6:1-3)


EXPLICAÇÃO: Os pais não têm autoridade sobre os filhos pela razão de terem mais
inteligência que seus filhos. Muitos filhos são mais inteligentes que seus pais. Mesmo
assim, esses filhos têm que honrá-los. A razão da autoridade dos pais também não é a
força ou o poder deles. Mas nossos pais têm autoridade porque Deus lhes deu autoridade
sobre seus filhos. O Catecismo diz: é porque Deus nos quer governar pelas mãos deles.
Ninguém escolhe seus pais.

6. O quinto mandamento diz também alguma coisa aos pais?


EXPLICAÇÃO: Quando Paulo fala sobre o quinto mandamento em Efésios 6:1-4, ele diz
aos pais: ‘Pais, não tratem os seus filhos de tal maneira que eles fiquem irritados. Ao
contrário, vocês devem criá-los com disciplina e de acordo com os ensinamentos cristãos’.
Há duas coisas que os pais devem fazer: não irritar seus filhos e dar-lhes uma educação
cristã.

7. Por que o homem tem autoridade dentro do matrimônio?


EXPLICAÇÃO: Tanto o Antigo Testamento como o Novo Testamento colocam o homem ou
marido na liderança. Adão foi criado primeiro. Tornou-se também o responsável principal
pelo pecado. Paulo diz em 1 Coríntios 11:3 que o homem é a cabeça da mulher. A palavra
cabeça não fala de inteligência mas de liderança e autoridade. Cristo é chamado o cabeça
da igreja. Em Efésios 5:22-25 Paulo escreve amar que a mulher deve obedecer ao seu
marido e que o marido deve amar sua mulher. A Palavra de Deus não apoia atitudes
machistas.

8. Sobre a autoridade no estado: que autoridade o governo tem?


EXPLICAÇÃO: A Bíblia fala sobre governos civis em Romanos 13 e declara que os
governos nacionais, regionais e locais, têm autoridade. Devemos obedecer às autoridades.
Paulo escreve que elas estão a serviço de Deus para o nosso bem.
De passagem dizemos que a Bíblia não está a favor da monarquia, do parlamentarismo, do
presidencialismo ou da democracia. Não há uma forma de governo preferida pela Bíblia.
Importa os governos serem justos e leais a Deus!

9. Sobre a autoridade na sociedade: por exemplo, até que ponto um patrão tem
autoridade sobre seus empregados?
EXPLICAÇÃO: Como a sociedade moderna é muito mais complicada do que a dos tempos
bíblicos, muita variedade de autoridade. Nas escolas encontramos o diretor e os
professores. Nas empresas encontramos o dono ou proprietário e o gerente. Todos eles
têm uma certa autoridade. Empregados têm que mostrar respeito aos seus superiores, e
alunos ao diretor e aos professores. A autoridade do patrão é bem limitada: só no local de
trabalho e durante o trabalho. A atitude de empregados e patrões deve ser como Paulo
ensina em Efésios 6:5-9. A situação era diferente da nossa porque na época havia ainda a
situação de escravidão, mas mesmo assim o apóstolo fala sobre a sociedade. Empregados
devem obedecer aos seus patrões e patrões não devem ameaçar seus empregados o fazer
abuso da sua posição.
- 145 -

10. Sobre a autoridade na Igreja: que caráter tem a autoridade na Igreja?


EXPLICAÇÃO: Na Igreja existe também autoridade: os presbíteros a têm. 1
Tessalonicenses 5:12 fala sobre aqueles que trabalham na Igreja e diz que Deus os
escolheu para guiarem e ensinarem a Igreja. Mas esta liderança na Igreja só pode servir. A
autoridade na Igreja está submissa ao Senhor. A autoridade na Igreja não pode forçar
pessoas. Os líderes da Igreja são pastores, os presbíteros também. 1 Pedro 5: 1-4 mostra
que os líderes da Igreja não podem ser dominadores.

11. Que limite existe para cada autoridade na terra?


EXPLICAÇÃO: Toda autoridade na terra encontra seu limite na autoridade de Deus. Isto
quer dizer que autoridades na terra só podem exigir o que Deus permite exigir. Pais que
exigem de seus filhos que cometam crimes, estão ultrapassando o limite de sua autoridade.
Toda e qualquer autoridade na terra é limitada. Nenhum governo civil na terra deve querer
dominar a vida inteira de seus súditos. Nem os pais têm autoridade sobre a vida inteira de
seus filhos.

12. Por que autoridades e superiores podem exigir obediência?


EXPLICAÇÃO: Porque receberam sua posição de Deus. É para honrar Deus que eles
devem exigir obediência. Nenhum superior, nenhuma pessoa que tenha uma posição de
liderança, tem autoridade por si próprio! Por isso, a única razão por que os superiores
podem e devem exigir obediência, vem da autoridade que Deus lhes dá. Isto significa
também que as autoridades nunca podem abusar de sua posição ou exigir obediência que
Deus não permite exigir.

13. Que limite há para nossa obediência a nossos superiores?


EXPLICAÇÃO: O limite está em Atos 5:29: devemos obedecer mais a Deus do que aos
homens. Este verso não permite nem justifica qualquer desobediência! Trata-se de uma
situação extrema, onde há um conflito entre a obediência que devemos a Deus e a
obediência que nossas autoridades exigem de nós. Em tal caso, a obediência a Deus exclui
a obediência aos homens.
O Catecismo diz também que devemos ter paciência com os defeitos dos que nos
governam, nossos pais, professores, chefes, etc;
Às vezes temos que obedecer a nossos superiores, embora eles não mereçam isso. Mas
Atos 5:29 não pode ser usado para nossa conveniência!

14. Por que há uma promessa no quinto mandamento?


EXPLICAÇÃO: O apóstolo Paulo diz em Efésios 6:2,3 que o quinto mandamento é o
primeiro mandamento com uma promessa. A promessa é ter uma vida longa. Quem mostra
obediência e respeito para com seus superiores na terra, está mostrando seu respeito para
com Deus, que é superior a todos os nossos superiores. É quem respeita a Deus viverá
para sempre.
- 146 -

Dia do Senhor 40

P.105. O que exige Deus no sexto mandamento?

R. Que eu não devo desonrar, odiar, injuriar nem matar o meu próximo por pensamentos,
palavras, ou gestos e muito menos por ações, por mim mesmo ou através de outros;1
antes, devo fazer morrer todo desejo de vingança.2 Além disso, não devo me fazer mal nem
me expor levianamente ao perigo.3 Por isso também o governo empunha a espada para
impedir homicídios.4

1. Gn 9.6; Lv 19.17, 18; Mt 5.21, 22; 26.52. 2. Pv 25.21, 22; Mt 18.35; Rm 12.19; Ef 4.26. 3.
Mt 4.7; 26.52; Rm 13.11-14. 4. Gn 9.6; Ex 21.14; Rm 13.4.

P.106. Mas, esse mandamento fala somente de matar?

R. Ao nos proibir de matar Deus nos ensina que detesta a raiz do homicídio, a saber: a
inveja, o ódio, a ira e o desejo de vingança1 e que Ele considera tudo isso como homicídio.2

1. Pv 14.30; Rm 1.29; 12.19; Gl 5.19-21; Tg 1.20; 1Jo 2.9-11. 2. 1Jo 3.15. 84

P.107. Então, basta que não matemos o nosso próximo dessa maneira?

R. Não. Deus ao condenar a inveja, o ódio, a ira e o desejo de vingança nos ordena a amar
os nossos inimigos como a nós mesmos,1 a demonstrar paciência, paz, mansidão,
misericórdia e amizade para com ele,2 a protegê-lo do mal o tanto que pudermos e a fa- zer
o bem até mesmo aos nossos inimigos.3

1. Mt 7.12; 22.39; Rm 12.10. 2. Mt 5.5; Lc 6.36; Rm 12.10, 18; Gl 6.1, 2; Ef 4.2; Cl 3.12; 1Pe
3.8. 3. Ex 23.4, 5; Mt 5.44, 45; Rm 12.20.

DOMINGO 40

Pergunta e resposta 105:

1. O sexto mandamento fala sobre a vida ou sobre a morte?


EXPLICAÇÃO: Parece que o sexto mandamento fala sobre a morte dizendo: “Não matarás”.
Mas justamente dizendo isto, este mandamento fala sobre a vida. O mandamento pode ser
resumido nestas palavras: respeite a vida de seu próximo e sua própria vida também.

2. Quem é o dono e quem é o doador da vida?


EXPLICAÇÃO: Deus é o doador da vida! Gênesis 2:7 ensina que Deus é o doador da vida:
Deus formou o ser humano do pó da terra. Mas sendo doador Ele é o dono da vida como
lemos em Daniel 5:23. O verso diz que Deus tem o poder de matar ou deixar viver. Por isso
mesmo não podemos tirar a vida a ninguém. A vida do meu próximo bem como a minha
própria vida pertencem a Deus.
- 147 -

De passagem queremos fazer esta observação: os Dez mandamentos podem ser divididos
em duas partes (Pergunta e resposta 93), mas esta divisão não significa uma separação.
Os seis mandamentos da segunda parte, que tratam do relacionamento com nosso
próximo, têm tudo a ver com Deus. A vida do meu próximo pertence a Deus.

3. O que significa a palavra matar no sexto mandamento? Esta pergunta vem da


seguinte consideração: Deus não proibiu Israel de fazer guerras, pelo contrário, os
israelitas tinham que matar os moradores de Canaã! Como é que fica isto?
EXPLICAÇÃO: Os chamados pacifistas que são contra qualquer serviço militar costumam
usar o sexto mandamento como argumento forte. Mas eles esquecem que a palavra usada
no sexto mandamento não fala de guerras e batalhas em que soldados matam ou são
mortos. Deus fala aqui sobre praticar homicídio que á a ação de um cidadão contra um
outro, tirando-lhe a vida sem autorização. Somente juízes têm autorização de (mandar)
matar caso as lei de seu país permitam condenar à morte.

4. Por que o Catecismo fala também sobre desonrar, odiar, ofender, vingança, fazer
mal, colocar-se em perigo, inveja e ira? (Confira também as Respostas 106 e 107).
EXPLICAÇÃO: O Catecismo fala de tudo isso porque o sexto mandamento fala sobre a
vida. A vida humana não é apenas física ou corporal. É também espiritual ou mental. Por
isso Deus proíbe também toda ação mental que prejudique nosso próximo, seja por
palavras, pensamentos ou gestos. O olhar pode matar!

5. O sexto mandamento fala da nossa própria vida?


EXPLICAÇÃO: Fala sim. Veja a Resposta 105: “não fazer mal a mim mesmo ou, de
propósito, colocar-me em perigo.” Se Deus é o dono das vidas de outros, Ele é também o
dono da minha vida.

6. O que significa o final da Resposta 105?


EXPLICAÇÃO: O final da Resposta 105 é uma referência a Romanos 13:4. Para impedir
homicídios, “as autoridades dispõem das armas”, também para castigar os homicidas. “As
armas” se refere à polícia, ao poder judiciário com presídios, e ao exército.

Pergunta e resposta 106:

1. É certo o que o Catecismo diz na Resposta 106: a raíz do homicídio é a inveja, o


ódio, a ira e o desejo de vingança?
EXPLICAÇÃO: É certo. O homicídio começa com inveja, ódio, ira, raiva e desejo de
vingança. O exemplo de Caim mostra isso, Gênesis 4:1-7. quando Deus rejeitou sua oferta,
Caim ficou furioso e fechou a cara. Seu ódio o levou a matar seu irmão, Abel. O Senhor
Jesus também ensina, em Mateus 5:21-25, que raiva tem tudo a ver com matar.

2. Não é exagerado dizer que inveja, ódio e coisas assim já são homicídio?
EXPLICAÇÃO: Não, não é, porque Deus nos ensina na sua Palavra, 1 João 3:15, que quem
odeia o seu irmão é um assassino.
- 148 -

Pergunta e resposta 107:

1. O que ensina este mandamento positivamente?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo dá sua resposta assim: Deus manda que amemos nosso
próximo como a nós mesmos. Devemos fazer bem até aos nossos inimigos. É o ensino da
própria Bíblia. Em Mateus 5:43-48 o Senhor Jesus ensina que devemos amar os nossos
inimigos e em Mateus 22:39 Ele ensina que devemos amar o nosso próximo.

2. Este mandamento é fácil?


EXPLICAÇÃO: Não, não é! O homem pecador não gosta de amar seus inimigos. Mas quem
odeia seus próprios pecados (seu inimigo interno) sabe que não é superior a seus inimigos
e será capaz de amá-los.
- 149 -

Dia do Senhor 41

P.108. O que nos ensina o sétimo mandamento?

R. Que toda a impureza sexual é amaldiçoada por Deus.1 Por isso devemos abominá-la de
todo coração2 e viver vidas puras e disciplinadas, tanto dentro quanto fora do santo
matrimônio.3

1. Lv 18.30; Ef 5.3-5. 2. Jd 22, 23. 3. 1Co 7.1-9; 1Ts 4.3-8; Hb 13.4.

P.109. Neste mandamento, Deus só proíbe o adultério e pecados vergonhosos


semelhantes?

R. Desde que somos, corpo e alma, templos do Espírito Santo, é a vontade de Deus que
nos conservemos puros e santos. Por isso Ele proíbe todas as ações impuras,
gesticulações, palavras, pensamentos, desejos,1 e tudo aquilo que possa nos induzir à
impureza.2

1. Mt 5.27-29; 1Co 6.18-20; Ef 5.3, 4. 2. 1Co 15.33; Ef 5.18.

DOMINGO 41

Perguntas e respostas 108 e 109:

1. Qual é a base do sétimo mandamento, o matrimônio ou a existência de dois sexos?


EXPLICAÇÃO: Lemos em Gênesis 1:27 que Deus, quando criou os seres humanos, os
criou homem e mulher. Aqui temos a base do sétimo mandamento: a existência de dois
sexos. Isto significa três coisas:
- Deus quer que haja um relacionamento respeitoso entre homens e mulheres;
- Deus quer que conservemos nossos corpos “puros e santos” (Veja a Resposta 109); e,
- Deus proíbe toda impureza sexual (Veja a Resposta 108).

2. Mas o sétimo mandamento não é só relevante para casados, visto que fala de
adultério, “Não adulterarás”?
EXPLICAÇÃO: O sétimo mandamento é para todos, casados e não casados. O primeiro
assunto é o relacionamento entre os dois sexos, um relacionamento que existe desde a
nossa infância. O segundo assunto é a vida sexual em geral. Por estas duas razões o
sétimo mandamento é para crianças, adolescentes e adultos, jovens e idosos, casados e
solteiros (Veja a Resposta 108). “Adultério” é só um exemplo de pecado sexual. Esse caso
inclui toda a área da vida sexual e do relacionamento entre os dois sexos.

3. O que Deus proíbe neste mandamento?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz na Resposta 109 que Deus proíbe todos os atos, gestos,
palavras, pensamentos e desejos impuros e tudo o que possa atrair o homem para tais
pecados. É o ensino de Efésios 5:3-5 : “Entre vocês não deve haver sequer menção de
imoralidade sexual nem de qualquer espécie de impureza nem de cobiça; pois estas coisas
- 150 -

não são próprias para os santos. Não haja obscenidade nem conversas tolas nem gracejos
imorais, que são inconvenientes, mas, ao invés disso, ações de graça. Porque vocês podem
estar certos disto: nenhum imoral, nem impuro, nem cobiçoso, o qual é idólatra, tem
herança no Reino de Cristo e de Deus”.

4. O que é pior: cometer atos impuros ou ter pensamentos impuros?


EXPLICAÇÃO: Tudo é pecado, seja atos ou pensamentos impuros. O Senhor Jesus diz em
Mateus 5:27-28, quando explica o sétimo mandamento: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não
adulterarás’. Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já
cometeu adultério com ela no seu coração”. Mas há uma diferença entre atos e
pensamentos: atos têm mais conseqüências ou conseqüências para mais pessoas do que
pensamentos.

5. Mas por que o Catecismo coloca lada a lado atos, gestos, palavras, pensamentos e
desejos impuros?
EXPLICAÇÃO: Porque tudo está interligado. Uma coisa leva à outra. Por exemplo, um
desejo pecaminoso pode facilmente levar um ato pecaminoso.

6. O que ameaça a vida cristã em nossa sociedade do ponto de vista do sétimo


mandamento?
EXPLICAÇÃO: Há muitas ameaças: rádio, TV, músicas, moda, conversas, má companhia,
cinema, revistas, vídeos etc.

7. Há pessoas que dizem: ‘O que não pode fazer fora do casamento você pode fazer
como casado’. É verdade?
EXPLICAÇÃO: Não, não é verdade. A vida dos casados está também sujeito à lei de Deus.
Marido e mulher devem amar um ao outro. A vida sexual não foi dada por Deus para
satisfazermos nossos desejos interesseiros. Não há lugar para perversidades dentro do
matrimônio. A vida dos casados tem que ser pura, santa, disciplinada e controlada.

8. Impureza sexual é um pecado grave?


EXPLICAÇÃO: Sim, é sim. A Bíblia a condena, por exemplo em 1 Coríntios 6:15-20. Paulo
escreve que nosso corpo é um templo do Espírito Santo, que vive em nós. Não
pertencemos a nós mesmos, porque Cristo nos comprou e pagou o preço. Por isso
devemos usar os nossos corpos para a glória de Deus. Paulo ensina que imoralidade não
combina com a vida cristã. Leia também Levítico 18:27-29.d

9. Que ensino recebem os casados pelo sétimo mandamento?


EXPLICAÇÃO: O sétimo mandamento ensina fidelidade conjugal e santidade na vida
sexual. Proíbe adultério e divórcio que estão muito ligados, porque adultério, muitas vezes,
leva a divórcio.

10. Que ensino os não-casados, inclusive os viúvos, recebem?


EXPLICAÇÃO: O sétimo mandamento ensina a vida pura e santa sem relação sexual nem
aventuras amorosas antes ou fora do casamento. O namoro tem que ser considerado, a
preparação para o matrimônio.
- 151 -

11. Deus permite viver amigado como alternativa para o casamento?


EXPLICAÇÃO: Hebreus 13:4 e Gênesis 2 nos dão a resposta. Em Hebreus 13:4 lemos: “O
casamento deve ser honrado por todos; o leito conjugal, conservado puro; pois Deus julgará
os imorais e os adúlteros”. Em Gênesis 2 encontramos a instituição do casamento. Deus
deu a Adão sua própria esposa. É por isso que o homem deixa o seu pai e a sua mãe para
se unir com a sua mulher, e os dois se tornam uma só pessoa (Gênesis 2:24).

12. Por que um crente não deve casar com um descrente?


EXPLICAÇÃO: A Bíblia ensina em vários lugares que um crente não deve casar com um
descrente. O casamento misto não serve para honrar a Deus porque marido e mulher não
estão unidos na mesma fé. Como é que poderão ensinar os filhos o caminho de Deus, se
um dos pais seguir um caminho diferente? Um marido crente não pode receber apoio
espiritual de sua esposa descrente nem uma mulher crente de seu marido descrente. Por
isso Paulo diz em 1 Coríntios 7:39 que uma viúva pode casar de novo, mas deve ser um
casamento cristão.

13. Divórcio é permitido ou é sempre proibido?


EXPLICAÇÃO: O casamento ou matrimônio é uma instituição de Deus que só a morte
termina. Esta é a norma bíblica principal. Mas a Bíblia sabe que estamos vivendo num
mundo em que o pecado entrou. Neste mundo há casos de adultério. Para estes casos, a
Bíblia permite o divórcio. O Senhor Jesus diz: Todo homem que se separar da sua mulher,
a não ser em caso de adultério, é culpado de torná-la adúltera, se ela se casar de novo
(Mateus 5:31-32). Em Mateus 19, Ele diz: Ninguém separe o que Deus uniu (vs. 6). Nos
versos 3 a 9, o Senhor fala de adultério, que pode ser um motivo para divórcio. O apóstolo
Paulo ensina a mesma coisa em 1 Coríntios 7:1-16. Estamos vivendo numa sociedade que
quer um divórcio facilitado. Muitas pessoas entram no casamento já com a atitude de “Se
não der certo, é fácil separar e divorciar”. Sendo cristãos, devemos mostrar uma atitude
diferente e respeitar o casamento como uma união para a vida inteira.

14. Homossexualismo é aceitável como prática sexual?


EXPLICAÇÃO: A Bíblia condena o homossexualismo como prática sexual. Lemos em
Romanos 1:24-27 que Deus entrega pessoas, que vivem sem Deus, aos desejos dos seus
corações para fazerem coisas sujas e terem relações vergonhosas. Até as mulheres trocam
as relações naturais pelas que são contra a natureza. Também os homens deixam as
relações naturais com as mulheres e se queimam de paixão uns pelos outros. Esta é a
prática homossexual que é condenada pela Bíblia.
- 152 -

Dia do Senhor 42

P.110. O que proíbe Deus no oitavo mandamento?

R. Deus não apenas proíbe o roubo e o furto que as autoridades punem1 mas também os
esquemas e ciladas malignos como falsos pesos e falsas medidas, negócio enganoso,
dinheiro falsificado e usura;2 não devemos defraudar o nosso próximo de maneira
nenhuma, nem pela força nem pela aparência de direito.3 Além disso Deus proíbe toda a
avareza4 e todo o abuso e desperdício de Suas dádivas.5

1. Ex 22.1; 1Co 5.9, 10; 6.9, 10. 2. Dt 25.13-16; Sl 15.5; Pv 11.1; 12.22; Ez 45.9-12; Lc 6.35.
3. Mq 6.9-11; Lc 3.14; Tg 5.1-6. 4. Lc 12.15; Ef 5.5. 5. Pv 21.20; 23.20, 21; Lc 16.10-13.

P.111. O que exige Deus de você nesse mandamento?

R. Que eu promova o bem do meu próximo sempre que for lícito e possível; que eu o trate
do mesmo modo que desejaria ser tratado pelos outros e que trabalhe fielmente para ter
condições de dar aos necessitados.1

1. Is 58.5-10; Mt 7.12; Gl 6.9, 10; Ef 4.28.

DOMINGO 42

Pergunta e resposta 110:

1. O que é roubar? Proibindo o roubo, o que é que o oitavo mandamento pressupõe?


EXPLICAÇÃO: Roubar é apropriar-se de uma coisa que pertence a uma outra pessoa.
Proibindo isto, o oitavo mandamento pressupõe que seja bom que pessoas possuam
coisas. O oitavo mandamento aceita como fato o direito de ter propriedades, seja casa, seja
terra, seja carro etc.

2. Quem é de fato o proprietário de tudo?


EXPLICAÇÃO: Deus é o criador deste mundo e como tal é o proprietário de tudo. A Bíblia
ensina isso. Deus diz em Êxodo 19:5: “…porque toda a terra é minha…”. E o Salmo 24:1
diz: “Ao SENHOR pertence a terra e tudo o que nela se contém; o mundo e os que nele
habitam”. É preciso pensar nestes ensinamentos quando tratamos do oitavo mandamento.
Muitos pensam que Deus não tem nada a ver com as coisas materiais que possuem. Mas a
Bíblia ensina que tudo o que temos é de Deus.

3. A quem foi que Deus deu o mundo com tudo o que nele existe? Como devemos
usar o que Deus nos dá?
EXPLICAÇÃO: Deus deu o mundo inteiro ao homem. O homem se tornou um arrendatário.
Lemos em Gênesis 1:29 que Deus deu a Adão e Eva as plantas que produzem sementes e
as árvores que dão frutas. Deus deu-as para o ser humano ter comida. O Salmo 8 ensina
que Deus deu ao homem o domínio sobre a terra (vs. 6-8). O proprietário de tudo, Deus, dá
ao homem o uso das coisas materiais. Devemos usar o que Deus nos dá para servi-Lo.
- 153 -

4. Será que possuir coisas é a coisa mais importante na vida?


EXPLICAÇÃO: Muitas pessoas pensam assim. São materialistas. Fazem tudo para ganhar
mais dinheiro e possuir mais coisas materiais. Mas uma pessoa rica que não conhece Jesus
Cristo como seu Salvador é, de fato, uma pessoa espiritualmente pobre. Cristo ensina em
Mateus 16:26: “Pois que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua
alma?”. A vida com Cristo vale muito mais do que toda a riqueza do mundo. Por isso não
precisamos ter ciúme de pessoas ricas que não conhecem Jesus Cristo.

5. O que Deus proíbe no oitavo mandamento?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo explica que há várias coisas proibidas por Deus. Ele proíbe o
furto e o roubo. Lemos em 1 Coríntios 6:10 que ladrões não herdarão o Reino de Deus. Já
no Antigo Testamento Deus proibiu o roubo. Lemos em Levítico 19:13: “Não oprimirás o teu
próximo, nem o roubarás: a paga do jornaleiro não ficará contigo até pela manhã”. Pagar
atrasado é também uma forma de roubar! Uma outra forma de roubar que o Catecismo
menciona e que Deus condena é a falsificação de peso, de medida, de mercadoria e de
moeda. Lemos sobre isso em Deuteronômio 25:13-16: “Na tua bolsa não terás pesos
diversos, um grande e um pequeno. Na tua casa não terás sortes de efa (medida), um
grande e um pequeno. Terás peso integral e justo, efa integral e justo: para que se
prolonguem os teus dias na terra que te dá o SENHOR teu Deus. Porque é abominação ao
SENHOR teu Deus todo aquele que pratica tal injustiça”. O oitavo mandamento proíbe
também o desperdício do que Deus nos dá. Lemos em Provérbios 21:20 que o homem
insensato gasta tudo o que ganha.

Pergunta e resposta 111:

1. O que Deus ordena no oitavo mandamento?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que devemos promover tanto quanto possível o bem do
nosso próximo e tratá-lo como queremos que outros nos tratem. Lemos isso em Mateus
7:12 onde o Senhor Jesus ensina: “…façam aos outros o que vocês querem que eles lhes
façam…”. Em segundo lugar, Deus ordena neste mandamento que façamos fielmente
nosso trabalho para que possamos ajudar ao necessitado. Lemos isso em Efésios 4:28: “O
que furtava não furte mais; antes trabalhe, fazendo algo de útil com as mãos, para que
tenha o que repartir com quem estiver em necessidade”.

2. Como devemos ajudar outras pessoas?


EXPLICAÇÃO: A Bíblia ensina que devemos ajudar outras pessoas com o que possuímos.
Já no A.T. encontramos esse ensino, por exemplo em Deuteronômio 15:8-11. Os israelitas
deviam ser generosos para com os pobres e necessitados. O Senhor Jesus diz em Mateus
25:40 que aquele que ajuda os seus irmãos, está fazendo algum benefício para o próprio
Cristo. Paulo escreve em Gálatas 6:10 que, sempre pudermos, devemos fazer o bem a
todos, especialmente aos que pertencem à nossa família na fé.
- 154 -

3. Qual o perigo da riqueza? E qual o perigo da pobreza? Confira a oração de Agur em


Provérbios 30:7-9.
EXPLICAÇÃO: Paulo ensina em 1 Timóteo 6:9-10 que os que querem ficar ricos caem em
tentação. O amor ao dinheiro é a fonte de todos os tipos de males. Esse é um dos perigos
da riqueza. Agur fala em Provérbios 30 sobre os perigos da riqueza e da pobreza. Ele pede
a Deus: “Duas coisas te peço:…não me dês nem a pobreza nem a riqueza: dá-me o pão
que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: quem é o
SENHOR? Ou que, empobrecido, não venha a furtar, e profane o nome de Deus”.

4. Como devemos tratar o que Deus nos faz possuir?


EXPLICAÇÃO: Paulo ensina em 1 Timóteo 4:3-5 que devemos agradecer a Deus pelo que
nos dá. Quando Deus nos dá coisas materiais devemos usá-las para servi-Lo e ajudar
nosso próximo. Podemos certamente usar o que Deus nos faz possuir, mas sempre
agradecendo a Ele.
- 155 -

Dia do Senhor 43

P.112. O que se exige no nono mandamento?

R. Que eu não devo levantar falso testemunho contra ninguém, nem distorcer as palavras
de ninguém, não fazer fofoca nem difamar, não condenar nem me ajuntar com ninguém
para condenar a outrem precipitadamente e sem o ter ouvido.1 Antes devo repudiar toda
mentira e engano, obras próprias do diabo, para não trazer sobre mim a pesada ira de
Deus.2 No tribunal ou em qualquer outro lugar eu devo amar à verdade,3 dizê-la e
confessá-la com honestidade e fazer tudo o que puder para defender e promover a honra e
a reputação do meu próximo.4

1. Sl 15; Pv 19.5, 9; 21.28; Mt 7.1; Lc 6.37; Rm 1.28-32. 2. Lv 19.11, 12; Pv 12.22; 13.5; Jo
8.44; Ap 21.8. 3. 1Co 13.6; Ef 4.25. 4. 1Pe 3.8, 9; 4.8.

DOMINGO 43

Pergunta e resposta 112:

1. De que assunto trata o nono mandamento? O que é um testemunho? Qual a função


de uma testemunha?
EXPLICAÇÃO: O assunto do nono mandamento é o uso da língua, em especial para dar
testemunho a favor ou contra alguém. O testemunho tem a ver com o mundo de tribunais e
tem uma função importante para julgamentos. A testemunha deve falar a verdade quando
testemunhar. Um testemunho falso significa não dizer a verdade. Um motivo poderia ser o
de prejudicar uma outra pessoa. O papel da testemunha é muito importante porque seu
testemunho pode destruir vidas. O bom testemunho pode salvar pessoas. Deus deu o nono
mandamento para proteger nosso nome. Não quer que nosso nome seja prejudicado por
um testemunho falso.

2. O que Deus proíbe no nono mandamento, segundo o texto do Catecismo?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que não podemos dar falso testemunho contra nosso
próximo. No livro dos Provérbios lemos várias vezes sobre este pecado. Provérbios 19:5,
por exemplo, diz que a falsa testemunha não escapará do seu castigo. O Catecismo diz
também que não podemos torcer as palavras de ninguém. Deus repreendeu seu povo por
causa deste pecado, em Salmo 50:19,20, dizendo: “Vocês estão sempre prontos para falar
mal dos outros e também para enganar. Estão sempre falando contra os seus irmãos e
dizendo mentiras a respeito deles” (BLH).
O Catecismo diz também que não podemos ser mexeriqueiros ou caluniadores. Isto é
conforme o ensino bíblico que diz em Provérbios 20:19: “O mexeriqueiro revela o segredo,
portanto não te metas com quem muito abre os seus lábios”. Além disso o Catecismo
ensina que não devemos ajudar a condenar ninguém levianamente, sem o ter ouvido.

3. Como a Bíblia e o Catecismo caracterizam a mentira e o engano?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que a mentira e o engano são obras próprias do diabo. É o
que o Senhor Jesus diz em João 8:44. Ele disse aos judeus, que o rejeitavam: “Vocês
- 156 -

pertencem ao pai de vocês, o diabo, e querem realizar o desejo dele”. O Senhor disse
também que é o diabo: “Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois
não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da
mentira”. São palavras fortes do Senhor Jesus e do Catecismo mais é tudo verídico. O
diabo enganou a Adão e Eva usando mentira. Mentir para prejudicar outros é uma obra
específica do diabo.
Qualquer pecado contra o nono mandamento é obra do diabo. Temos que pensar nisso
quando abrimos a boca. Há pessoas que pensam que pecados contra o nono mandamento
não são muito graves. Mas a Bíblia relaciona o pecado contra o nono mandamento com o
próprio diabo.

4. O que Deus ordena no nono mandamento?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que devemos amar a verdade, falar a verdade e
confessá-la francamente, e defender e promover a honra e a boa reputação do nosso
próximo. É o ensino da Bíblia. Paulo escreve, por exemplo, em Efésios 4: 25 que não
devemos mais mentir, mas devemos falar a verdade com o nosso irmão. 1 Pedro 4:8 diz
que devemos amar sinceramente uns aos outros, porque o amor perdoa muitos pecados.

5. É correto contar tudo que se saiba sobre outras pessoas? Podemos dar ouvidos a
pessoas que contam fatos negativos sobre outros?
EXPLICAÇÃO: Não, não é correto contar tudo sobre outras pessoas mesmo que seja tudo
conforme a realidade. Muitas pessoas gostam de contar coisas negativas que não são boas
para a reputação de seu próximo. A Bíblia ensina algo diferente. Tiago escreve que cada
um deve estar pronto para ouvir, mas deve demorar para falar e para ficar com raiva (1:19).
Provérbios 18:8 fala sobre o perigo do pecado da língua: “As palavras do maldizente são
doces bocados, que descem para o mais interior do ventre”. Sendo crentes, não devemos
dar ouvidos a estórias negativas nem cometer o pecado de contá-las.

6. O que Tiago 3:1-12 ensina sobre a língua?


EXPLICAÇÃO: Este trecho mostra que o pecado contra o nono mandamento está também
na Igreja. Tiago avisa contra o perigo da língua. A língua é um membro pequeno do corpo
mas pode causar muito estrago. É como uma pequena chama que pode incendiar uma
grande floresta (vs. 6). Tiago diz que ninguém ainda foi capaz de dominar a língua (vs. 7,8).
Usamos a língua tanto para agradecer a Deus, como para amaldiçoar pessoas, criadas por
Deus (vs. 9). Havendo este pecado na Igreja, Tiago diz: “Meus irmãos, isso deve ser assim”
(vs. 10). Tiago mostra que a língua é um membro do nosso corpo que podemos usar de
uma boa maneira, para agradecer a Deus. Mas infelizmente usamos a língua, muitas vezes,
de uma maneira errada, pecando contra o nono mandamento. Devemos lutar contra esse
pecado, orando a Deus que nos dê forças para essa luta.
- 157 -

Dia do Senhor 44

P.113. O que exige de nós o décimo mandamento?

R. Que nem o mais leve pensamento ou desejo contrário a quaisquer mandamentos de


Deus jamais deveriam se levantar em nosso coração. Antes, devemos sempre detestar de
todo coração a todo o pecado e, nos deleitar em toda a justiça.1

1. Sl 19.7-14; 139.23, 24; Rm 7.7, 8.

P.114. Mas os que se converteram a Deus são capazes de guardar esses mandamentos
perfeitamente?

R. Não. Pois até mesmo os mais santos nessa vida só têm um leve começo dessa
obediência.1 Mesmo assim, eles começam a viver — com sincero fervor e propósito —não
apenas segundo alguns mandamentos de Deus, mas conforme todos eles.2

1. Ec 7.20; Rm 7.14, 15; 1Co 13.9; 1Jo 1.8 2. Sl 1.1, 2; Rm 7.22-25; Fp 3.12-16.

P.115. Se nessa vida ninguém consegue obedecer perfeitamente os Dez Mandamentos, por
que Deus manda que sejam pregados com tanto rigor?

R. Primeiro, para que ao longo das nossas vidas possamos cada vez mais estar
conscientes da nossa natureza pecaminosa, e assim buscarmos com mais fervor o perdão
dos pecados e a justiça de Cristo.1 Segundo, para que, ao orarmos a Deus pela graça do
Espírito Santo, jamais deixemos de batalhar para sermos cada vez mais renovados à
imagem de Deus, até que após esta vida alcancemos o alvo da perfeição.2

1. Sl 32.5; Rm 3.19-26; 7.7, 24, 25; 1Jo 1.9. 2. 1Co 9.24; Fp 3.12-14; 1Jo 3.1-3.

DOMINGO 44

Pergunta e resposta 113:

1. Faz sentido chamar o décimo mandamento de ‘a chave da lei’ porque abre a porta
para um melhor entendimento de toda a lei? Será que a natureza do décimo
mandamento é diferente da dos outros mandamentos?
EXPLICAÇÃO: Existe, sim, uma diferença. Enquanto os demais mandamentos tratam de
atos (roubar, matar etc.), o décimo trata de desejos. Não devemos cobiçar o que é do nosso
próximo. Ao falar de cobiçar, o décimo mandamento nos ensina que a lei não proíbe
somente ​atos​ pecaminosos, mas também ​desejos e pensamentos​ pecaminosos. Assim o
décimo mandamento abre a porta para um melhor entendimento de toda a lei. É a chave da
lei.
- 158 -

2. O mandamento “Não cobiçarás” significa que toda cobiça é pecado? Se não,


quando é que cobiça é pecado?
EXPLICAÇÃO: Nem toda cobiça é pecado. Existem desejos naturais ligados a nosso corpo,
como querer comer e beber. Existem também desejos (cobiças) espirituais, como diz o
Salmo 42:1: “ Assim como a veada deseja as águas do ribeirão, assim também eu quero
estar na tua presença; ó Deus!” (BLH). Este Salmo fala de um desejo, uma santa cobiça:
estar na presença de Deus.
Mas, quando o décimo mandamento fala de cobiçar, o assunto é diferente. Trata-se de
desejos pecaminosos que contrariam os mandamentos de Deus. Já a própria cobiça, no
sentido mais restrito, significa não estar contente com o que Deus nos dá. Isto é pecado
contra o mandamento de Deus, porque Ele nos manda contentarmos com seus dons.

3. O que Deus proíbe neste mandamento, segundo o Catecismo?


EXPLICAÇÃO: A primeira parte da Resposta 113 diz que jamais pode surgir em nosso
coração o menor desejo ou pensamento contra qualquer mandamento de Deus. Não posso
matar ninguém (o ato). Mas também não posso querer matar ninguém (o desejo). O Senhor
Jesus ensina em Mateus 5:27,28 que o ato e o desejo errado são pecados: “Vocês ouviram
o que foi dito : ‘Não adulterarás’. Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher
para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração”.

4. O que Deus exige no décimo mandamento, segundo o Catecismo?


EXPLICAÇÃO: A segunda parte da Resposta 113 diz que devemos sempre, de todo o
coração, odiar todos os pecados e amar toda justiça.

Pergunta e resposta 114:

1. A Resposta 114 diz que pessoas convertidas (crentes) não podem guardar
perfeitamente a lei. Por que não podem?
EXPLICAÇÃO: Ninguém é capaz de guardar a lei de Deus sem cometer pecado nenhum.
Porque o pecado ainda está em nossa vida e em nosso coração. A Bíblia ensina isso
claramente. João escreve em 1 João 1:8: “Se afirmamos que estamos sem pecado,
enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós”. O apóstolo Paulo escreve em
Filipenses 3:12 que não está afirmando que já se tornou perfeito. Há pessoas que dizem
que uma pessoa convertida não comete mais pecados, mas isto não é verdade. Romanos 7
é bem claro sobre isto. Devemos lutar contra os nossos pecados e não pensar que
podemos alcançar a perfeição, nesta vida.

2. Isto não nos deve levar à conclusão de que não há diferença entre convertidos e
não-convertidos, porque nem os convertidos guardam a lei?
EXPLICAÇÃO: Esta conclusão seria errada. O Catecismo mostra a diferença entre
convertidos e não-convertidos assim: os convertidos ​começam​ a guardar os mandamentos
de Deus. Paulo escreve em Romanos 7:21,22 que quer fazer o que é bom, embora nem
sempre o consiga, e que gosta da lei de Deus. Pessoas não-convertidas não gostam da lei
de Deus. Os convertidos desejam guardar os mandamentos de Deus, enquanto os
não-convertidos não desejam nem começam a guardar os mandamentos de Deus.
- 159 -

3. O Catecismo não tem um tom pessimista quando declara que os mais santos
apenas começam​ a guardar os mandamentos?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo não é pessimista mas realista. Diante do santo Deus, nossa
vida está longe de ser perfeita. Estamos apenas começando…Na Bíblia há muitos
exemplos de pessoas crentes, que são chamadas de “heróis da fé”, como Abraão, Jó, Davi
e Pedro, mas que tropeçam em pecado.

4. O Catecismo fala de “os mais santos”. Será que santos existem?


EXPLICAÇÃO: Sim, existem! No Novo Testamento todos os cristãos são chamados de
santos. O santo Deus os declara santos no sentido de nos separar do mundo para que
pertençamos a Ele. É um milagre divino: pessoas comuns como nós são declaradas
“santas”. A Igreja Romana tem uma doutrina bem diferente: pessoas comuns só podem ser
declaradas santas pelo “santo padre” em Roma se fizerem milagres. Nós, porém,
acreditamos no milagre de Deus: pessoas comuns são “santas”, inclusive nossos filhos
pequenos! A Igreja Romana despreza este milagre de Deus. Ela eleva “os santos” acima do
povo cristão comum. E assim nega que todos os verdadeiros crentes sejam santos perante
Deus.

5. Mesmo assim, o Catecismo fala de “os mais santos” entre os crentes. Por quê? Há
diferença entre um e outro santo (crente)?
EXPLICAÇÃO: Existe, sim, uma diferença, uma graduação entre eles. Um crente, por
exemplo, pode ser mais zeloso e dedicado do que outro. Não deveria ser assim, mas é a
realidade. Quando o Catecismo fala de “os mais santos”, ele pensa em homens como
Abraão, Jó, Davi e outros grandes no Reino de Deus.

6. O que todos os santos ou crentes têm em comum?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo toca nesta questão na segunda parte da Resposta 114.
Aqueles que se converteram a Deus começam, com sério propósito, a viver não somente
conforme alguns, mas conforme todos os mandamentos de Deus. Assim Paulo ensina em
Filipenses 3:12. Diz que não se tornou perfeito, mas corre para conquistar o prêmio. Aquele
que se converteu começa a guardar os mandamentos. Por um lado, é apenas um começo.
Mas por outro lado, já é um começo. O crente começa a viver conforme todos os
mandamentos. É a obra do Espírito Santo em sua vida. Podemos comparar isso com uma
criança que aprende a andar. Ela cai muitas vezes porque está começando a andar. Mas
também podemos dizer que já é um começo. A criança já começa a andar.

Pergunta e resposta 115:

1. Como Deus fez e faz pregar os Dez mandamentos?


EXPLICAÇÃO: Deus os fez pregar, no A.T., pelo ensino dos sacerdotes e profetas. 2
Crônicas 15:3; Oséias 42:2. Mais tarde, pelo ensino de Cristo (Mateus 5) e dos apóstolos. É
este ensino que lemos e ouvimos cada vez que abrimos a Bíblia e ouvimos a pregação.
- 160 -

2. O Catecismo diz aqui, na pergunta, que os Dez Mandamentos devem ser pregados
rigorosamente​. O que significa esta palavra?
EXPLICAÇÃO: Esta palavra significa que a pregação da lei de Deus deve ser precisa, exata
e séria, mostrando quais são nossos pecados. A pregação da lei não pode ser superficial,
geral ou vaga.

3. Qual o primeiro objetivo da pregação dos Dez Mandamentos?


EXPLICAÇÃO: O primeiro objetivo é o conhecimento dos nossos pecados. Romanos 3:20
ensina que a lei nos faz conhecer nossos pecados. O Catecismo diz aqui que pela lei
conhecemos também cada vez melhor a nossa ​natureza​ pecaminosa e, por isso,
desejamos buscar em Cristo o perdão e a justiça. É o que Paulo diz em Romanos 7: 24,25:
“Quem me livrará do pecado? Cristo Jesus!

4. Qual o segundo objetivo da pregação da lei?


EXPLICAÇÃO: O segundo objetivo é a dedicação a Deus, o zelo por uma vida santa e pela
renovação da nossa vida. Paulo diz em Filipenses 3:12-14 que se esforça para ganhar o
prêmio. A vida do crente que conhece a lei de Deus mostra crescimento e progresso
espiritual, baseado na oração pela graça do Espírito Santo. Os Dez Mandamentos têm uma
dupla função: mostrar o mau caminho que devemos deixar, e, ao mesmo tempo, mostrar o
caminho certo, a vida nova pelo Espírito Santo para que sejamos imagem de Deus.

5. Se não somos perfeitos, por quê zelar pela perfeição?


EXPLICAÇÃO: Primeiro, porque a Bíblia exige isso. O Senhor Jesus diz em Mateus 5:48:
“Sejam perfeitos, assim como é perfeito o Pai de vocês, que está no céu”.
Segundo, o Catecismo diz que a perfeição é uma coisa que alcançaremos depois desta
vida. A perfeição nos será dada. Se acreditarmos que alcançaremos a perfeição,
certamente zelaremos por ela, já nesta vida. Assim, mostraremos que a perfeição é para
nós mais do que um ideal; cremos que a perfeição será uma realidade.
- 161 -

A Oração

Dia do Senhor 45

P.116. Por que a oração é necessária aos cristãos?

R. Porque a oração é a parte mais importante da gratidão que Deus exige de nós.1 Além
disso, Deus só concederá a Sua graça e o Espírito Santo àqueles que, constante e
sinceramente, Lhe pedem esses dons e O agradecem por eles.2

1. Sl 50.14, 15; 116.12-19; 1Ts 6.16-18. 2. Mt 7.7, 8; Lc 11.9-13.

P.117. O que é preciso para que nossa oração agrade a Deus e por Ele seja ouvida?

R. Primeiro, devemos invocar de coração apenas o único e verdadeiro Deus — que se


revelou em Sua Palavra — por tudo aquilo que Ele nos ordenou orar.1 Segundo, devemos
ter plena consciência da nossa necessidade e miséria, para que possamos nos humilhar
diante de Deus.2 Terceiro, devemos descansar no fundamento inabalável — do qual não
somos merecedores — de que Deus com certeza ouvirá às nossas orações por causa de
Cristo, nosso Senhor, conforme Ele nos prometeu na Sua Palavra.3

1. Sl 145.18-20; Jo 4.22-24; Rm 8.26, 27; Tg 1.5; 1Jo 5.14, 15 ; Ap 19.10. 2. 2Cr 7.14;
20.12; Sl 2.11; 34.18; 62.8; Is 66.2; Ap 4. 3. Dn 9.17-19; Mt 7.8; Jo 14.13, 14; 16.23; Rm
10.13; Tg 1.6.

P.118. O que foi que Deus ordenou que Lhe pedíssemos?

R. Tudo aquilo que necessitamos para nossos corpos e almas, conforme à oração que o
próprio Cristo, nosso Senhor, nos ensinou.1

1. Mt 6.33; Tg 1.17.

P.119. Qual é a oração do Senhor?

R. “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;

venha o teu reino; faça-se a tua vontade,

assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;

e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;

e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal pois teu é o reino,

o poder e a glória para sempre. Amém!”1

1. Mt 6.9-13; Lc 11.2-4.
- 162 -

DOMINGO 45

Pergunta e resposta 116:

1. Por que o Catecismo começa seu ensino sobre a oração falando da sua
necessidade? Não é lógico que o crente ore a Deus? Orar não é sua necessidade?
Não é lógico que o crente ore a Deus? Orar não é uma coisa automática na vida
cristã? Por que, enfatizar a necessidade da oração?
EXPLICAÇÃO: Devido à nossa fraqueza é preciso enfatizar a necessidade da oração. Não
é verdade que sempre oramos. A oração não é uma coisa natural ou lógica em nossa vida.
Muito menos ela é uma coisa automática. Devia ser, sim, mas ainda somos pecadores,
também na vida de oração. Especialmente a parte do agradecimento, que o Catecismo
menciona no final da Resposta 116, é muitas vezes esquecidas. Desta maneira, a oração
termina sendo uma lista de pedidos.

2. Por que a oração é necessária, segundo o Catecismo?


EXPLICAÇÃO: A resposta do Catecismo apresenta três motivos:
- A oração é a parte principal da nossa gratidão
- Deus requer a oração de nós. É o que Paulo escreve em 1 Tessalonicenses 5:17,18:
devemos sempre orar e ser agradecidos a Deus em todas as ocasiões, porque isso é o que
Deus quer de nós
- Deus dá sua graça e seu Espírito Santo somente aos que oram. É o que o Senhor Jesus
ensina em Lucas 11:9-13. Ele diz que Deus dará o Espírito Santo àqueles que pedirem.

3. Orar é necessário para nós ou para Deus?


EXPLICAÇÃO: É necessário para nós e não para Deus. Deus não precisa de nada. Não
precisa de nossas orações. Mesmo assim, Deus quer que oremos como um filho fala a seu
pai. Orar é necessário para nós.

4. É certo que só devemos orar quando sentimos a vontade de orar? (Daniel 6:10)
EXPLICAÇÃO: Não, não é certo. Não é ​nossa​ vontade que decide sobre orar ou não orar,
mas a vontade de Deus. E é realmente a vontade de Deus que oremos, mesmo que não
sintamos a vontade de orar. Maior que nossa vontade é o que Deus quer. A oração não
deve depender dos nossos sentimentos. Eles enganam. A Bíblia, por exemplo, em Daniel 6,
ensina que é preciso ter uma hora marcada para orar, cada dia. Daniel costumava orar três
vezes por dia.

5. O que podemos dizer sobre a maneira de orar?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que devemos orar continuamente. É o ensino de Jesus em
Lucas 18:1-10, “Orem sem parar”. Devemos orar sempre e nunca desistir ficando
desanimados. O Catecismo diz também sempre e nunca desistir ficando desanimados. O
Catecismo diz também que devemos orar de todo o coração. A oração não pode ser uma
coisa só de nossa boca, mas deve ser sincera, vinda do nosso coração. Ou seja, a oração
expressa nosso relacionamento vivo com Deus.
- 163 -

6. Como é a relação entre o Espírito Santo e a oração?


EXPLICAÇÃO: O Senhor ensina em Lucas 11:13 que Deus dá o Espírito Santo àqueles que
O pedirem. Deus nos promete seu Espírito, mas se queremos recebê-lo, precisamos orar,
pedindo a obra contínua do Espírito em nossa vida.

Pergunta e resposta 117:

1. Toda oração é oração? (Tiago 1:5-8 e 4:3, e Mateus 6:5-8)


EXPLICAÇÃO: Nem tudo o que se apresenta como oração é de fato oração no sentido
bíblico. Existem orações falsas, orações que não vêm do coração e carecem de
sinceridade. Tiago escreve que devemos pedir sabedoria a Deus mas com fé e sem
dúvidas. Ele diz que duvidando ninguém vai receber alguma coisa do Senhor (1:5-8). Tiago
fala também de pessoas que pedem coisas a Deus, mas não recebem nada porque oraram
de uma maneira errada. Pedem coisas só para usá- las para seus próprios prazeres.
O Senhor Jesus ensina a seus discípulos que não devem orar como os hipócritas. Estes
fazem orações para serem vistos por todos. Por isso não receberão o que pedem. Também
não devemos orar como os pagãos pensam que Deus ouve porque fazem orações
compridas e repetidas. Mas tais orações não merecem o nome de oração. Conclusão: nem
toda oração é oração no sentido bíblico.

2. ​Quem​ devemos conhecer para podermos orar corretamente, segundo o


Catecismo?
EXPLICAÇÃO: A Resposta 117 ensina que devemos conhecer o único e verdadeiro Deus.
Este Deus pode ser conhecido somente pela Bíblia. Deus se revelou a nós em sua Palavra.
Há muitas pessoas que oram sem jamais lerem a Bíblia. Essas pessoas não podem orar de
maneira certa. É preciso conhecer a Bíblia, escutar a voz de Deus para poder orar de uma
maneira agradável a Deus. Além disto, é só pela Bíblia que aprendemos ​o que​ e ​como orar​.

3. O que precisamos saber em relação a nós mesmos para podermos orar


corretamente, segundo o Catecismo?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo diz que devemos conhecer nossa necessidade e miséria a fim
de nos humilharmos perante Deus. A palavra ‘necessidade’ significa aqui que somos
dependentes de Deus. A palavra ‘miséria’ se refere a nossos pecados. Conhecendo estas
coisas, seremos oradores humildes.

4. O que é mais importante na oração, agradar a Deus ou ser atendido por Ele?
EXPLICAÇÃO: A grande questão não é se recebemos o que pedimos ou desejamos, mas
se nossa oração é agradável a Deus. Por esta razão a Pergunta 117 coloca em primeiro
lugar esta frase: “para que a oração seja agradável a Deus”, deixando para o segundo plano
estas palavras: “e Ele nos ouça”.
- 164 -

Perguntas e respostas 118 e 119:

1. A Pergunta 118 fala sobre o que Deus ordenou pedir a Ele. Mas não podemos pedir
a Deus o que quisermos?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo deixa bem claro que não somos nós que determinamos o que
devemos e podemos pedir a Deus. É Deus que determina isso. A grande questão é: o que
Deus quer que falemos em nossas orações. Sua Palavra nos ensina o que podemos e
devemos orar.

2. O que podemos pedir a Deus, ou seja, qual o conteúdo da nossa oração?


EXPLICAÇÃO: Podemos e devemos pedir ​tudo​ o que precisamos. Não é pouco o que
podemos pedir. Todas as coisas grandes e pequenas da nossa vida, e todas as coisas
materiais e espirituais devemos pedir realmente precisamos para servir a Deus. Não temos
nada de nós mesmos. Precisamos orar a Deus. Ao mesmo tempo é bom considerar que há
coisas desnecessárias, coisas que não precisamos pedir. O critério deve ser o que
precisamos para servir a Deus.

3. O que é o “Pai Nosso”, segundo a Resposta 118?


EXPLICAÇÃO: É o resumo de tudo o que precisamos pedir a Deus, tanto para o nosso
corpo como para nossa alma.

4. Podemos somente orar o “Pai Nosso”?


EXPLICAÇÃO: Não, não era esta a intenção do Senhor quando ensinou essa oração aos
seus discípulos. Há dezenas de orações na Bíblia, por exemplo no livro dos Salmos. Por
outro lado, não é sem motivo que o “Pai Nosso” é chamado de “a oração perfeita”.

5. Que ordem há no “Pai Nosso”? O que isto nos ensina?


EXPLICAÇÃO: O “Pai Nosso” começa com uma invocação: “Pai nosso, que estás no céus”.
Depois vêm seis petições. As primeiras três falam sobre o Nome, o Reino e a Vontade de
Deus. Depois vem a quarta petição sobre nossa necessidade material. A quinta petição fala
do perdão e a sexta das tentações na vida.
Não é correto dizer que as primeiras petições tratam das coisas de Deus e as últimas três,
das nossas. Todas as petições tratam do que precisamos para servir a Deus. Deus nos dá o
que precisamos para servir no seu Reino. Busquemos primeiro o seu Reino! Poderíamos
distinguir as seis petições assim: as primeiras três falam sobre o que precisamos ​fazer para
Deus​; as últimas três falam sobre o que precisamos ​receber para nossas necessidades​.
- 165 -

Dia do Senhor 46

P.120. Por que Cristo ordenou nos dirigir a Deus como o “Pai nosso”?

R. Para despertar em nós, logo no início da nossa oração, a reverência filial e confiante em
Deus que deve ser básica à nossa oração. Deus, por meio de Cristo, tornou-se o nosso Pai,
e se os nossos pais não nos negam as coisas terrenas, muito menos nos negará Deus
aquilo que Lhe pedirmos pela fé.1

1. Mt 7.9-11; Lc 11.11-13.

P.121. Por que se acrescentou “que estás nos céu”?

R. Essas palavras nos ensinam a não pensar na majestade de Deus de modo terreno,1 e a
esperar do Seu poder infinito tudo aquilo que necessitamos para os nossos corpos e
almas.2

1. Jr 23.23, 24; At 17.24, 25. 2. Mt 6.25-34; Rm 8.31, 32.

DOMINGO 46

Pergunta e resposta 120:

1. O que é orar? E, o que orar não é?


EXPLICAÇÃO: Há pessoas que pensam que orar é mais ou menos a mesma coisa que
pensar em Deus. Mas orar é muito mais que isto. Orar é falar com Deus, mas não é falar
para ser ouvido ou visto por outras pessoas. O Senhor Jesus condena tal atitude em
Mateus 6:5. Ele diz aos seus discípulos: “E quando vocês orarem, não sejam como os
hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de
serem vistos pelos homens… eles já receberam sua plena recompensa”.
Orar no sentido de falar com Deus é um milagre. Homenzinhos que somos, morando na
terra, e sendo pecadores, podemos falar com Deus que está no céu. Orar é adorar este
Deus. Orar é invocar seu santo nome.

2. O Senhor nos ensinou esta invocação: “Pai nosso, que estás nos céus”. Será que
podemos invocar Deus apenas desta maneira? Cada oração precisa começar com
estas palavras?
EXPLICAÇÃO: Não, não precisa. Também podemos usar outros nomes de Deus quando O
invocamos. Mas temos que invocar com simplicidade. Não é bom usar muitas invocações.
Cristo nos ensina no “Pai nosso” uma invocação simples.

3. O que expressamos quando invocamos Deus em nossas orações?


EXPLICAÇÃO: Expressamos nosso relacionamento com Deus. Quem diz “Pai nosso, que
estás no céu”, reconhece Deus como seu Pai celestial. A invocação é uma expressão do
relacionamento que temos com Deus Pai.
- 166 -

4. Qual é a base da oração, segundo o Catecismo? Por que motivo Deus atende às
nossas orações?
EXPLICAÇÃO: A base da oração é o respeito e a confiança, como uma criança para com
Deus. Cristo nos ensina que devemos nos aproximar de Deus com respeito e confiança.
Porém, esse respeito e confiança não constituem a razão por que Deus atende à oração. O
motivo por que Deus quer ouvir e atender nossa oração é a obra do nosso Senhor e
Salvador Jesus Cristo. Ele nos conquistou e mereceu o atendimento celestial, porque abriu
o caminho para seu Pai tirando o obstáculo dos nossos pecados. Precisamos distinguir
entre a base da oração (respeito e confiança) e a base do atendimento por Deus (a obra de
Cristo na cruz).

5. O que quer dizer que precisamos ter respeito e confiança, como uma criança para
com Deus?
EXPLICAÇÃO: Respeito como uma criança para com Deus não quer dizer ter medo de
Deus. Numa situação normal, uma criança tem respeito para com seu pai e nem precisa ter
medo de seu pai. Um pai que faz com que seu filho tenha medo dele não é um bom pai.
Assim, o respeito que temos por Deus se baseia no fato de Ele ser Deus e nós sermos
criaturas humanas. Ele merece o nosso respeito. Precisamos também ter confiança em
Deus. Numa situação normal uma criança tem plena confiança em seu pai. Confia no pai
em tudo e sabe que seu pai não o enganará. Deus é o pai perfeito. Ele nos dará o que
precisamos para servir a Ele. É isso o que o Senhor Jesus ensina em Mateus 7:9-11. Ali Ele
faz uma comparação entre um pai na terra e o Pai celestial. Pais na terra, embora sendo
maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos. Quanto mais o Pai que está no céu! Ele dará
coisas boas aos que lhe pedirem. Deus merece nossa confiança.

6. Que direito temos para chamar Deus de “nosso Pai”?


EXPLICAÇÃO: Este direito recebemos pela obra de Jesus Cristo, o único Filho de Deus.
João 1:12 diz que Deus deu às pessoas que receberam Cristo e creram nEle o direito de se
tornarem filhos de Deus. Cristo mereceu para nós o direito de chamar Deus de “nosso Pai”.
É pela fé em Cristo que podemos dizer isto.

7. Todas as pessoas podem dizer “nosso Pai”?


EXPLICAÇÃO: Não, não podem. Infelizmente é uma crença geral de que Deus seria o Pai
de todas as pessoas. Mas não é assim. João 1:12 fala sobre receber Jesus Cristo e crer
nEle. Só aquele que crê em Cristo pode dizer que Deus é seu Pai. Os judeus que não criam
em Cristo não eram filhos de Deus, João 8:44, mas filhos do diabo, conforme a própria
palavra de Cristo.

8. Por que Cristo nos ordenou orar “​nosso​ Pai”?


EXPLICAÇÃO: A palavra “nosso” mostra que Deus não é somente ​meu​ Pai, mas também o
Pai dos meus irmãos e das minhas irmãs. Sempre oramos a Deus como membros da Igreja,
Família e povo de Deus. A oração “o Pai nosso” não é a oração de uma pessoa individual
mas da comunidade da Igreja. Por isso devemos orar também pelas outras pessoas da
Igreja.
- 167 -

Pergunta e resposta 121:

1. O que significam as palavras ​que estás no céu​, segundo o Catecismo?


EXPLICAÇÃO: Não, podemos pensar que Deus é um pai comum. Ele não é um pai na
terra, mas no céu. Isto quer dizer que Ele é onipotente. Tem todo o poder. E nos pode dar o
que precisamos. Um pai na terra, muitas vezes, não tem condições de dar ao seu filho o
que quiser dar ou o que o filho precisar. Pais na terra estão limitados em suas potências e
possibilidades. Mas Deus é nosso Pai celestial Tem todas as condições de nos dar o que
precisamos.
- 168 -

Dia do Senhor 47

P.122. Qual é a primeira petição?

R. “Santificado seja o teu nome”. Isto é: Que nos concedas, antes de mais nada, que
possamos Te conhecer da maneira correta,1 e que Te santifiquemos, glorifiquemos e
louvemos em todas as Tuas obras, das quais brilham o Teu poder infinito, sabedoria,
bondade, justiça, misericórdia e verdade.2 Também que nos concedas que dirijamos toda a
nossa vida — ou pensamentos, palavras e ações — de tal maneira que o Teu nome não
seja blasfemado por nossa causa, mas que seja sempre honrado e glorificado.3

1. Jr 9.23, 24; 31.33, 34; Mt 16.17; Jo 17.3. 2. Ex 34.5-8; Sl 145; Jr 32.16-20; Lc 1.46-55,
68-75; Rm 11.33- 36. 3. Sl 115.1; Mt 5.16.

DOMINGO 47

Pergunta e resposta 122:

1. O que diz a primeira petição do “Pai nosso”?


EXPLICAÇÃO: “Santificado seja o teu nome”. Esta petição toca no mesmo assunto que o
terceiro dos Dez Mandamentos: o Nome do SENHOR.

2. O que é o nome de Deus?


EXPLICAÇÃO: O nome de Deus é o próprio Deus como Ele se revelou na Bíblia. O nome
de Deus mostra quem Ele é. Por exemplo, o nome Javé, “Eu sou o que sou”. Foi com este
nome com que Deus se revelou a seu povo na época de Moisés, mostrando quem Ele é e o
que faz. Também o nome de “Pai” mostra quem Deus é e o que faz. Assim conhecemos
Deus como o SENHOR (Javé), o Todo-poderoso e nosso Pai.

3. O que pedimos na primeira petição, segundo o Catecismo?


EXPLICAÇÃO: Pedimos a Deus que o conheçamos em verdade, que o santifiquemos e
honremos em todas as suas obras e que seu nome não seja blasfemado por nossa causa
mas honrado. Conhecer Deus em verdade é importante para poder santificar seu nome. É o
que o Senhor pede a seu Pai em João 17:3: “Esta é a vida eterna: que te conheçamos, o
único Deus verdadeiro…”.

4. É preciso conhecer Deus para poder santificar seu nome?


EXPLICAÇÃO: Em absoluto. Quando não conhecemos Deus, seu nome não tem
importância para nós e não estamos ligando para Deus. Mas quando conhecemos Deus em
verdade, iremos dirigir nossa vida de tal maneira que o nome de Deus seja honrado e
glorificado. Por isso a primeira petição em nossas orações é e deve ser: ‘Faze com que te
conheçamos em verdade’.
- 169 -

5. O Catecismo fala sobre honrar e glorificar Deus em todas as suas obras. Que
exemplos das obras de Deus conhecemos?
EXPLICAÇÃO: Podemos pensar na obra de Deus na criação. Deus mostrou seu poder
quando criou o mundo. Podemos pensar também na salvação do seu povo. A história
mostra como Deus, muitas vezes, salvou seu povo. A grande obra da salvação foi o envio
de seu Filho Jesus Cristo. Podemos pensar também na obra de Cristo em nossa vida. Ele
nos deu a fé, nos chamou e está reunindo seu povo neste mundo. Também cuida de nós
todos os dias. Há muitos motivos para honrar o nome de Deus.

6. Como devemos santificar o nome de Deus em nossa vida, segundo o Catecismo?


EXPLICAÇÃO: Pedimos a Deus : “Faze com que dirijamos toda nossa vida de tal maneira
que teu nome não seja blasfemado por nossa causa, mas honrado e glorificado”. Se
fizermos coisas erradas, o mundo incrédulo usará isto como motivo para blasfemar o nome
de Deus, por nossa culpa! O mundo sabe que somos cristãos, espera de nós que vivamos
conforme a Bíblia e percebe muito bem quando não fizermos isso. Mas quando o mundo vê
as nossas boas obras, não há motivo para blasfemar contra Deus, e, sim para louvar Deus
(Mateus 5:16). A primeira petição tem tudo a ver com o que fazemos e deixamos.
- 170 -

Dia do Senhor 48

P.123. Qual é a segunda petição?

R. “Venha o teu reino”. Isto é: Que nos governes pela Tua Palavra e Espírito de tal modo
que nos submetamos a Ti1 cada vez mais. Que protejas e faças crescer a Tua igreja.2 Que
destruas as obras do diabo, todo poder que se levante contra Ti e toda conspiração contra a
Tua Palavra.3 Que faças todas essas coisas até que venha a plenitude do Teu reino, em
que serás tudo em todos.4

1. Sl 119.5, 105; 143.10; Mt 6.33. 2. Sl 51.18; 122.6-9; Mt 16.18; At 2.42-47. 3. Rm 16.20;


1Jo 3.8. 4. Rm 8.22, 23; 1Co 15.28; Ap 22.17, 20.

DOMINGO 48

Pergunta e resposta 123:

1. O que é o Reino de Deus? Quando era que este Reino estava presente? Quando foi
que desapareceu da terra? Quem o restaura? De onde vem a restauração do Reino?
EXPLICAÇÃO: O Reino de Deus é a soberania de Deus. É a situação ou o ‘estado’ em que
Deus é reconhecido como Rei pelas criaturas, os anjos e os homens. O Reino de Deus tem
a ver com duas coisas:
O ​poder​ real e o ​território​ sobre o qual Deus tem poder. Este Reino de Deus estava
presente no paraíso aqui na terra. Mas o Reino desapareceu da terra quando o homem se
rebelou contra seu Rei e se aliou ao reino do diabo. Agora é Cristo que restaura o Reino de
Deus. Ele ensinou muito sobre o Reino. Explicou que o Reino de Deus está perto. Com a
vinda de Cristo chegou o Reino de Deus bem perto de nós. A restauração do Reino vem
dos céus onde Cristo está agora. A Bíblia também chama o Reino de Deus o Reino dos
céus. O Reino está lá e vem de lá.

2. O que pedimos primeiro em relação ao Reino de Deus, segundo o Catecismo?


EXPLICAÇÃO: A primeira coisa que pedimos, segundo o Catecismo, é que Deus nos
governe por sua Palavra e por seu Espírito. O Reino de Deus não é uma coisa vaga e
nebulosa, mas tem a ver com nossa vida aqui e agora. É nessa vida que devemos nos
submeter a Deus porque Ele é e quer ser nosso Rei. Ser crente significa ser cidadão
obediente do Reino de Deus. É fazer o que o Senhor Jesus diz em Mateus 6:33: “Busquem,
pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça (aquilo que Deus quer)…”

3. Que significação tem a Igreja para o Reino de Deus? E o que oramos por ela?
EXPLICAÇÃO: A Igreja é o povo do Reino de Deus. Na Igreja estão os cidadãos deste
Reino. Como Igreja somos os soldados e os mensageiros do Reino de Deus. A Igreja
proclama a Palavra do Reino. A Igreja de Cristo é muito importante para o Reino de Deus.
Por isso oramos a Deus para que conserve, mantenha, guarde e aumente sua Igreja. O
crescimento da Igreja significa o crescimento do Reino. Já no Antigo Testamento
encontramos a oração pela Igreja, por exemplo em Salmo 122:6,7: Orem para que haja paz
em Jerusalém (= a Igreja do Antigo Testamento).
- 171 -

4. O que o diabo tem a ver com o Reino de Deus?


EXPLICAÇÃO: O diabo é o grande adversário do Reino de Deus. Ele sonha com seu
próprio reino, o reino das trevas. Este sonho é sua rebeldia. Por esta razão o Catecismo,
em forma de oração, diz: “destrói as obras do diabo”. Sabemos que isto vai acontecer.
Paulo diz em Romanos 16:20 que Deus esmagará Satanás debaixo dos nossos pés. O
apóstolo escreve em 1 João 3:8 que o Filho de Deus veio para destruir o que o diabo fez.

5. Em que coisas temos que pensar quando o Catecismo fala das obras do diabo?
EXPLICAÇÃO: As obras do diabo são, por exemplo, seus ataques contra a Igreja. O diabo
pode usar perseguição ou heresias. O diabo ataca, muitas vezes, a Palavra de Deus e a
piedade do povo de Deus por meio das heresias. Podemos pensar também no pecado em
geral, com o qual o diabo quer destruir a Igreja e o Reino de Deus.

6. O que significa a frase do Catecismo “todos os maus planos que são inventados
contra a tua santa Palavra”?
EXPLICAÇÃO: Se há uma coisa neste mundo que promove o Reino de Deus, é a Palavra
de Deus, a Palavra do Reino! É somente pela Palavra que sabemos do Reino. É a Palavra
que nos mostra o caminho para o Reino. Por isto os maus planos do diabo são voltados
contra a Palavra de Deus. Ela é o grande obstáculo para o diabo. Por isso ele combate a
Palavra, semeando dúvidas sobre ela ou zombando dela.

7. O que é a plenitude do Reino? (Apocalipse 21:1-4)


EXPLICAÇÃO: Neste momento o Reino de Deus está no céu, mas ele virá para a terra. O
Reino abrangerá tudo e será completo. Daí a expressão “plenitude”. O apóstolo João trata
dessa plenitude em Apocalipse 21, quando fala do novo céu e da nova terra.

8. Por que é mais importante ser cidadão do Reino de Deus do que, por exemplo, ser
cidadão do Brasil?
EXPLICAÇÃO: Porque o Brasil, um dia, vai deixar de existir. Mas o Reino de Deus é
inabalável e nunca desaparecerá. É o Reino sem fim, como diz o Credo Niceno. É também
o Reino perfeito. Deus será tudo em todos. Não é exatamente isto que estamos vendo no
Brasil de hoje, nem em outros países. Nossa prática é celestial: buscai primeiro o Reino de
Deus!
- 172 -

Dia do Senhor 49

P.124. Qual é a terceira petição?

R. “Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”. Isto é: Que nós e todos os homens
renunciemos à nossa própria vontade, e sem murmuração obedeçamos à Tua vontade, a
única que é boa.1 Também que concedas que todos cumpram os deveres de seus ofícios e
vocações2 tão espontânea e fielmente como os anjos no céu.3

1. Mt 7.21; 16.24-26; Lc 22.42; Rm 12.1, 2; Tt 2.11, 12. 2. 1Co 7.17-24; Ef 6.5-9. 3. Sl


103.20, 21.

DOMINGO 49

Pergunta e resposta 124:

1. Que distinção precisamos fazer quando falamos sobre a vontade de Deus? De que
vontade Cristo fala no “Pai nosso”?
EXPLICAÇÃO: A distinção é esta: a vontade de Deus pode significar aquilo que Ele faz e
determina como os acontecimentos na história do mundo ou na própria vida de cada
homem. É sobre esta vontade que Paulo escreve em 2 Coríntios 1:1, quando diz que é
apóstolo de Cristo pela vontade de Deus. Deus fez com que Paulo se tornasse um apóstolo.
Era a determinação ou decisão de Deus.
Mas a vontade de Deus pode também significar aquilo que Ele quer que nós façamos.
Neste caso, devemos cumprir a vontade de Deus. É sobre essa vontade de Deus que lemos
em Miqueias 6:8: Deus nos mostrou o que Ele exige e o que quer de nós. E é desta vontade
que mostrou o que Ele exige e o que quer de nós. E é desta vontade que Cristo fala quando
diz: “Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”.

2. Por que Cristo fala sobre o céu nesta petição? Será que há protestos contra a
vontade de Deus, lá no céu? Ou há só protestos aqui na terra?
EXPLICAÇÃO: Cristo fala do céu porque lá estão os anjos. Eles fazem a vontade de Deus
pronta e fielmente. Lemos isso no Salmo 103:20,21 que ensina que os anjos obedecem aos
mandamentos de Deus e fazem a sua vontade. No céu não há protestos contra a vontade
de Deus. Na terra há demais! Por isso Cristo dirige nossa atenção para o céu para que
sejamos fiéis como os anjos.

3. O que é renunciar à nossa própria vontade? Por que isto é preciso? É somente a
vontade de Deus que é boa?
EXPLICAÇÃO: Renunciar quer dizer negar, dizer “não” ou deixar de fazer. Temos que dizer
“não” à nossa própria vontade porque ela é pecaminosa por natureza. A única vontade que
é boa é a vontade de Deus. Nossa vontade não é boa devido à corrupção da raça humana.
O Senhor Jesus diz em Mateus 16:24-26 que é preciso dizer “não” à nossa vontade. Quem
quer seguir Jesus, precisa esquecer seus próprios interesses.
- 173 -

4. Como fazer a vontade Deus? Fazer coisas extraordinárias?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo, usando as palavras “tarefa e vocação”, fala da vida comum,
do nosso trabalho ou serviço de cada dia, dos nossos estudos e de qualquer outra
responsabilidade que possamos ter. É aqui na terra que devemos fazer a vontade de Deus.
Isso não significa fazer coisas extraordinárias. Nossa vocação quer dizer que Deus nos
chamou para o lugar onde estamos vivendo e fazendo apenas a atividades de domingo,
orar, cantar e ouvir a pregação no culto.

5. O que Deus faz para que façamos sua vontade?


EXPLICAÇÃO: Talvez alguém estranhe esta pergunta, mas a Resposta 124 do Catecismo
começa sua explicação dizendo: “Faze com que…” É isto que pedimos a Deus: que Ele
faça alguma coisa para que nós façamos sua vontade. O Catecismo não diz exatamente ​o
que​ Deus faz para que façamos a vontade dEle. Mas podemos pensar na ação do Espírito
Santo que nos guia e orienta pela Palavra, para que sejamos fiéis a Deus cumprindo nossa
tarefa. Sobre esta obra do Espírito Paulo escreve em Gálatas 5:16-18. O apóstolo ensina
que devemos deixar que o Espírito dirija nossas vidas para que não obedeçamos aos
desejos da natureza humana. Entretanto, sempre devemos pedir esta ação do Espírito
Santo em nossa vida. Dependemos de Deus, da sua ajuda e do seu poder para que
possamos fazer sua vontade.

6. Como é que as primeiras três do “Pai Nosso” estão ligados um à outra?


EXPLICAÇÃO: Esta ligação pode ser entendida assim: o grande objetivo da nossa vida é
que o ​nome​ de Deus seja santificado. Para isto é preciso que reconheçamos Deus como
Rei​. E para isto é preciso que façamos sua ​vontade​. Assim estão interligadas as três
petições. A ordem ou sequência delas faz muito sentido.
- 174 -

Dia do Senhor 50

P.125. Qual é a quarta petição?

R. “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje”. Isto é: Que supras todas as nossas
necessidades físicas1 para que reconheçamos que Tu és a única fonte de todo o bem,2 e
que — sem a Tua bênção — nem o nosso cuidado, nem o nosso labor nem mesmo os Teus
dons, podem nos fazer bem algum.3 E, portanto, que não depositemos a nossa confiança
em nenhuma criatura, mas somente em Ti.4

1. Sl 104.27-30; 145.15, 16; Mt 6.25-34. 2. At 14.17; 17.25; Tg 1.17. 3. Dt 8.3; Sl 37.16;


127.1, 2; 1Co 15.58. 4. Sl 55.22; 62; 146; Jr 17.5-8; Hb 13.5, 6.

DOMINGO 50

Pergunta e resposta 125:

1. O que a palavra “pão” indica?


EXPLICAÇÃO: Cristo usa a palavra “pão” para indicar e incluir tudo aquilo que realmente
precisamos. Veja a Resposta 125: “tudo o que for necessário ao nosso corpo”. Trata-se de
comida, roupa, casa, escola, emprego etc. O Senhor Jesus nos ensina que não precisamos
nos preocupar com estas coisas, porque nosso Pai sabe que precisamos delas (Mateus
6:25,26).

2. Por que é preciso ​pedir​ esse pão? Há aqui uma ligação com as primeiras petições?
(Mateus 6:33)
EXPLICAÇÃO: Há sim uma ligação. Pedimos pão e outras coisas materiais necessárias por
três motivos: primeiro para que possamos fazer a vontade de Deus; segundo, a fim de que
venha o Reino de Deus; e, terceiro, para que o nome de Deus seja santificado. Pedimos,
então, coisas materiais justamente para que possamos servir a Deus. Nossa oração não é
interesseira nem pode ser. Cristo diz que quando colocamos o Reino de Deus em primeiro
lugar em nossas vidas, Deus nos dará as coisas materiais necessárias, ou seja, o que
precisamos para servir Deus.

3. Por que Cristo fala do pão ​nosso​?


EXPLICAÇÃO: Por dois motivos. O primeiro: o pão é realmente nosso no sentido de
prometido a nós. A palavra “nosso” indica uma garantia. Você pode pedir pão porque Deus
lhe promete pão.
Receberemos nosso pão.
O segundo motivo é este: devemos orar por outros e não somente por nós mesmos. Em
nossas orações estamos unidos aos irmãos. O rico ore pelo pobre como também o pobre
pelo rico.

4. Pedir pão não exclui o trabalho pelo pão?


EXPLICAÇÃO: Claro que não, porque Deus nos deu o quarto mandamento para nos
ensinar que devemos trabalhar. A oração que Cristo nos ensinou não pode anular nem está
- 175 -

anulando esse mandamento de Deus. O Catecismo fala também sobre nosso cuidado e
trabalho. Certamente, o Catecismo ensina aqui que nosso cuidado e trabalho não são úteis
sem a bênção de Deus, mas isto não leva à conclusão de que não precisamos trabalhar.
Paulo escreve em 2 Tessalonicenses 3:10: “Se alguém não quiser trabalhar (ele não diz:
quem não puder!) também não coma”.

5. O que significa o final da Resposta 125?


EXPLICAÇÃO: O Catecismo fala aqui de depositar confiança em criaturas. Sobre este
assunto fala também o Salmo 146:3-7.
Facilmente depositamos nossa confiança em Criaturas. Confiamos no médico, quando
estamos doentes. Confiamos em alguém mais forte que nós esperando que ele nos ajude.
Confiamos na esperteza de um amigo e na ajuda dele. Ou confiamos em nós mesmos, em
nossa força física que nos garantirá o pão de cada dia. Sobre tudo isso diz o Catecismo que
não devemos depositar nossa confiança em qualquer criatura, mas somente em Deus que é
nosso Pai, o Deus todopoderoso!

6. Esta petição nos ensina modéstia?


EXPLICAÇÃO: Sim, ensina sim. Primeiro porque Cristo fala de pão. Não é luxo que
pedimos! Pedimos somente coisas necessárias. Sejamos modestos em nossas orações!
Segundo porque Cristo fala de “cada dia” e de “hoje”. Isto quer dizer que não deve haver
nada de cobiça ou grandes aspirações. Pedimos cada dia o que precisamos para cada dia,
hoje. Oramos todos os dias de novo para que aprendamos a ser modestos.
- 176 -

Dia do Senhor 51

P.126. Qual é a quinta petição?

R. “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos
devedores”. Isto é: Que, por causa do sangue de Cristo, não nos imputes, pecadores
desgraçados que somos, nenhuma das nossas transgressões nem o mal que ainda persiste
em nós,1 e que também encontremos em nós essa evidência da Tua graça: que estamos
plenamente determinados de todo o coração a perdoar nosso próximo.2

1. Sl 51.1-7; 143.2; Rm 8.1; 1Jo 2.1, 2. 2. Mt 6.14, 15; 18.21-35.

DOMINGO 51

Pergunta e resposta 126:

1. Por que Cristo fala de “dívidas” na quinta petição? O que essa palavra diz sobre o
pecado?
EXPLICAÇÃO: Cristo usa a palavra “dívidas” para nos ensinar que um pecado não é
simplesmente um erro ou falha. Qualquer pecado é dívida no sentido de que não fazemos o
que ​devemos​ fazer. Daí as palavras “dívidas” e “devedores”. Pecado é dívida porque Deus
não recebe o que merece receber ou está exigindo.
O Senhor Jesus fala sobre pecado como dívida numa parábola, Mateus 18:21-35.
Cometendo pecados, somos como aquele empregado que estava devendo milhões de
moedas de prata ao rei. Isto quer dizer que nossa dívida é tão grande que nunca
poderemos pagá-la.

2. Por que somos ​miseráveis​ pecadores? E, como podemos conseguir o pagamento


das nossas dívidas?
EXPLICAÇÃO: O Catecismo usa a palavra “miseráveis” para ensinar que somos pobres
pecadores de mãos vazias diante de Deus. É o que Paulo diz em Romanos 7:24. O pecado
o faz dizer: como sou infeliz e miserável! Mas não somos coitados. Temos culpa perante
Deus. Mas miseráveis, somos: sem poder e jeito de pagar as nossas dívidas. As dívidas só
podem ser pagas pelo sangue de Cristo. Este é o perdão divino e a quitação das dívidas,
resultado da obra de Cristo. Ele pagou com seu sangue. A Resposta 126 do Catecismo
começa falando deste sangue de Cristo. É o evangelho de Romanos 8:1: “Portanto, agora já
não há nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus”. Também de 1 João
2:1,2: “Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém,
alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. Ele é a propiciação
pelos nossos pecados…”.

3. O Catecismo fala de “transgressões”. O que significa esta palavra exatamente?


EXPLICAÇÃO: Transgressão são crimes contra a lei de Deus. São atos de desobediência
contrários aos bons mandamentos de Deus. Transgressões contra a lei de Deus podem ser
cometidos na forma de atos mas também na forma de pensamentos ou palavras.
- 177 -

4. Por que o Catecismo distingue entre nossas transgressões e o mal que ainda há
em nós? (Salmo 51:3-5)
EXPLICAÇÃO: É uma distinção que faz muito sentido. Precisamos distinguir entre os
pecados que cometemos e o pecado em que nascemos. “O mal que há em nós” se refere à
nossa natureza pecaminosa, nossa inclinação ao mal. É desta natureza pecaminosa que
provêm as nossas transgressões. Davi fala sobre esta natureza pecaminosa e as
transgressões no Salmo 51. Ele diz que tem sido mau desde que nasceu.
Ele e todos os demais seres humanos têm sido pecadores desde o dia do seu nascimento
(vs.5). Esta situação faz com que cometamos pecados. Precisamos também do perdão
sobre nossa natureza humana que está corrupta e que leva a pecados reais. O sangue de
Cristo cobre tanto os pecados que de fato cometemos como nossa natureza pecaminosa.

5. Por que Cristo fala de ​nossas​ dívidas?


EXPLICAÇÃO: Como sempre no “Pai nosso”, Cristo não se dirige a pessoas
individualmente, mas à Igreja como comunidade. Somos também responsáveis uns pelos
outros. O pecado do nosso irmão pode ser o resultado de um mau exemplo nosso. Há, de
fato, muitas vezes, culpa comunal dentro da Igreja. Nesta petição oramos uns pelos outros.

6. O que significa a segunda parte da petição, “assim como nós temos perdoado aos
nossos devedores”? O fato de nós perdoarmos a outros é a base do perdão que
recebemos de Deus?
EXPLICAÇÃO: A segunda parte da quinta petição não quer dizer que Deus nos perdoa ​por
causa​ do perdão que damos a outros. A única base do perdão de Deus é o sangue de
Cristo. Isto deve ser bem claro. Cristo não diz: na medida em que vocês perdoam a outros,
Deus lhes perdoa. Cristo só quer dizer que não podemos pedir perdão a Deus se não
tivermos o propósito de perdoar nosso próximo de todo o coração. É o ensino do Senhor
Jesus que encontramos em Mateus 18:21-35: Deus não perdoa a pessoa que não quer
perdoar a dívida do seu próximo.

7. É verdade que Deus não nos perdoa se não perdoarmos nosso próximo?
EXPLICAÇÃO: Isto é verdade. O Senhor ensina isso na parábola de Mateus 18:21-35 e
também no cap. 6:14,15. Ele diz: “Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai
celestial também lhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não
lhes perdoará as ofensas”. Devemos estar muito conscientes desta verdade. Pediremos em
vão se não quisermos perdoar outros.

8. Por que o Catecismo fala aqui de “tua graça em nós”? Perdoar outros é uma coisa
que vem da graça de Deus?
EXPLICAÇÃO: Isto mesmo. O homem natural que somos não quer perdoar outros, porque
é orgulhoso. Mas é a graça de Deus que nos faz perdoar outros.

9. Podemos concluir, então, que conhecendo esta graça de Deus vamos perdoar
outros?
EXPLICAÇÃO: Podemos, sim. Conhecer a graça de Deus significa sentir que nós mesmos
precisamos do perdão divino. É sentir e saber que temos perdão só pela graça de Deus.
Não merecemos nada. Quem conhece a graça de Deus, é humilde. É tão humilde que está
- 178 -

disposto a perdoar outros porque sabe que não é melhor que outras pessoas. Se Deus nos
perdoa os nossos muitos pecados feios, quem somos nós para não perdoarmos outros?

10. Se perdoamos nosso próximo, podemos, mais tarde, lembrá-lo do seu pecado?
EXPLICAÇÃO: Em absoluto! Perdoar é esquecer. Pelo menos, Deus age assim. Quando
Deus perdoa, nunca mais se lembrará do pecado cometido. Se nos referimos a um pecado
perdoado por nós, estamos mostrando que de fato não perdoamos ainda aquele pecado. É
uma coisa muito errada.
- 179 -

Dia do Senhor 52

P.127. Qual é a sexta petição?

R. “E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal”. Isto é: Que somos tão fracos
em nós mesmos que não podemos permanecer firmes por um momento sequer.1 Além
disso, os nossos inimigos declarados — o diabo,2 o mundo3 e a nossa própria carne4 —
não cessam de nos atacar. Queiras, portanto, sustentar-nos e fortalecer-nos pelo poder do
Teu Espírito Santo, para que não sejamos derrotados nessa batalha espiritual,5 mas que
sempre resistamos a nossos inimigos, até que alcancemos finalmente a vitória total.6

1. Sl 103.14-16; Jo 15.1-5. 2. 2Co 11.14; Ef 6.10-13; 1Pe 5.8. 3. Jo 15.18-21. 4. Rm 7.13; Gl


5.17. 5. Mt 10.19, 20; 26.41; Mc 13.33; Rm 5.3-5. 6. 1Co 10.13; 1Ts 3.13; 5.23.

P.128. Como é que você conclui a sua oração?

R. “Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre”. Isto é: Tudo isso Te pedimos porque,
como nosso Rei com poder sobre todas as coisas, tanto queres quanto podes nos dar tudo
o que é bom,1 e por essa causa não nós, mas o Teu santo Nome é digno de receber toda a
glória para sempre.2

1. Rm 10.11-13; 2Pe 2.9. 2. Sl 115.1; Jr 33.8, 9; Jo 14.13.

P.129. O que significa a palavra “Amém”?

R. Amém significa: é verdadeiro e certo. Pois é mais certo e verdadeiro que Deus ouviu a
minha oração, do que o sentimento que tenho em meu coração de desejar isso dEle.1

1. Is 65.24; 2Co 1.20; 2Tm 2.13.

DOMINGO 52

Pergunta e resposta 127:

1. O que é uma tentação? O que é uma provação? É Deus que nos tenta? O que Ele
pode fazer conosco? E por que o faria?
EXPLICAÇÃO: Tentações têm como objetivo que a pessoa cometa um pecado. Provações
têm como objetivo que nossa fé seja fortalecida. Muitas vezes encontramos uma tentação e
uma provação na mesma situação. Satanás quer que cometamos pecado, mas Deus quer
que nossa fé seja mais firme. Tiago 1:13 ensina que Deus não tenta ninguém. Não age para
nos enganar e fazer com que pequemos. Mas Deus pode dar a Satanás a chance de nos
tentar. Isso aconteceu, por exemplo, com Jesus Cristo. O Espírito Santo levou Jesus ao
deserto para Ele ser tentado pelo diabo (Mateus 4:1). Deus pode fazer isso para mostrar o
poder da sua obra em nossa vida ou para que conheçamos melhor nossa fraqueza e
sintamos que precisamos dEle.
- 180 -

2. Podemos ficar em pé, por nós mesmos, quando Satanás nos tenta?
EXPLICAÇÃO: Não podemos, de jeito nenhum. O Catecismo diz que somos tão fracos que,
por nós mesmos, não podemos subsistir por um só momento. Satanás é muito mais forte do
que nós.

3. O que devemos pedir, então? E será que podemos procurar lugares onde há muitas
tentações e ao mesmo tempo fazer esta petição?
EXPLICAÇÃO: Cristo nos ensina a orar que Deus não nos deixe cair em tentação. Deve ser
claro que não podemos procurar lugares onde há muitas tentações. Se fizermos isto, não
temos nenhum direito de pedir a proteção de Deus. Não devemos dar nenhuma chance a
Satanás para nos tentar.

4. Quem são os nossos inimigos, segundo o Catecismo?


EXPLICAÇÃO: São o diabo, o mundo e a nossa própria carne. São os três inimigos que
querem a nossa morte. Querem que recebamos a morte eterna. Quanto ao diabo, Pedro
escreve em 1 Pedro 5:8,9: “Sejam sóbrios e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao
redor como leão que ruge, procurando a quem possa devorar. Resistam-lhe, permanecendo
firmes na fé e…”. Quanto ao mundo, o Senhor diz em João 17:14-16, que somos ​no​ mundo
(onde há as atrações do mundo), mas não ​do​ mundo. O Senhor Jesus pede ao Pai que nos
guarde do mundo.
O terceiro inimigo está dentro de nós: é a nossa própria carne. Sobre esse inimigo em
Gálatas 5:17: “Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito”. Os dois, o Espírito e a
carne (nossa natureza humana pecaminosa) são inimigos. Por isso não podemos fazer o
que queremos, mas devemos fazer o que o Espírito quer.

Pergunta e resposta 128:

1. Orar é apenas pedir coisas a Deus ou será que orar é mais que pedir?
EXPLICAÇÃO: A última frase do “Pai nosso”, “Pois teu é o reino, o poder e a glória, para
sempre”, é a prova de que orar é mais que pedir coisas. Orar é adorar a Deus. Orar é
também agradecer a Deus. Orar é louvar Deus. Paulo diz em Filipenses 4:6 que devemos
orar com o coração agradecido. Tudo isso não significa que pedir e louvar sejam coisas
contrárias. Quem ora a Deus, pedindo uma coisa, está dando, por este próprio ato de pedir,
a devida honra a Deus. Quem pede, confessa que depende de Deus e isto já é adoração.
Mas nossas orações devem incluir palavras de agradecimento, louvor e adoração.

2. O que significa a última frase do “Pai nosso”?


EXPLICAÇÃO: Nesta frase reconhecemos que Deus é nosso Rei. Ele ​quer​ atender às
nossas orações. Mas tem também o poder de nos atender. Só Deus pode atender às
nossas orações. E ​fará​ isso.
Por isso damos toda a glória a Deus, no final do “Pai nosso”. A glória dEle é o objetivo de
toda verdadeira oração.
- 181 -

Pergunta e resposta 129:

1. O que significa a palavra “amém”?


EXPLICAÇÃO: “Amém” significa: ‘é verdadeiro e certo’. Quem ora, não duvida. Quem ora
pode ter a certeza de que Deus ouve e atende à sua oração. “Amém” não significa que é
verdadeiro e certo o que nós dizemos – pode haver falhas e erros até em nossa oração –
mas é verdadeiro e certo o que Deus faz.

2. Deus sempre faz exatamente o que Lhe pedimos em nossa oração?


EXPLICAÇÃO: Não, isto não podemos afirmar. Paulo diz em 2 Coríntios 12:7-9 uma coisa
diferente. Paulo tinha um problema, talvez uma doença, e pediu a Deus que o livrasse do
problema ou o curasse. Três vezes pediu isso. Mas a resposta de Deus não era o
livramento do problema ou a cura de Paulo. Deus quis que Paulo continuasse com seu
problema. Assim Paulo se sentiria dependente de Deus. Deus disse a Ele: a minha graça é
suficiente para você, porque meu poder é mais forte quando você está fraco. Assim Deus
atendeu à oração de Paulo, mas de uma maneira diferente do que Paulo pensava e tinha
pedido.
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Culto Solene aos Domingos:

- Matutino:​ 9h00
- Vespertino:​ 19h00

Estudo Bíblico: ​19h30 (sexta-feira)

Endereço: ​R. Benedito Cruz, 127 - Barranco Alto, Caraguatatuba - SP

​ -mail: ​gruporeformadoemcaraguatatuba@gmail.com
E

​WhatsApp​: (12) 99679-7721 ​/​ (12) 99129-6523


   
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F YouTube​:​ ​Congregação Reformada em Caraguatatuba
 
​ arceiro: ​ www.igrejasreformadasdobrasil.org
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