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UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE

CENTRO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES

UNIDADE ACADÊMICA DE CIÊNCIAS SOCIAS

DISCIPLINA: PROJETO DE PESQUISA III

GRADUAÇÃO EM HISTORIA

Roberto Douglas Dias Rolim

UMA ANALISE HISTORIOGRAFICA

LIBERDAD E DEMOCRACIA

CAJAZEIRAS-PB
2018
ROBERTO DOUGLAS DIAS ROLIM

UMA ANALISE HISTORIOGRAFICA

LIBERDAD E DEMOCRACIA

Trabalho de aprendizagem de analise


historiográfico de autores que serão utilizados
no projeto de pesquisa, curso licenciatura em
História, como requisito de avaliação do
conteúdo apresentada na aula.

Orientador (a) Prof. (a) M. Lucinete Fortunato

CAJAZEIRAS-PB
2018
RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo, fazer uma análise historiográfica sobre os
autores que irei utilizar na minha pesquisa, que neste caso utilizarei dois deles. Explicitando os
conceitos que cada autor passa a descrever sobre aquilo que os mesmos entendem de
DEMOCRACIA E LIBERDADE. Para essa análise historiográfica irei utilizar o livro
DEFININDO A LIBERDADE: 50 Questões fundamentais que afetam nossa liberdade, do
político, estudioso da ESCOLA AUSTRIACA DE ECONOMIA, (sendo inclusive autor não só
desse livro em destaque, mas também de vários outros livros no assunto e filosofia) e medico
estadunidense, Ron Paul. E por fim utilizarei o livro A ÉTICA DA LIBERDADE: Perspectiva
para a liberdade, do Historiador, economista da escola austríaca e filosofo americano Murray
N. Rothbard.
Nestes historiadores irei me apegar e tratar de como seus escritos estabelecem regras
básicas para definir e diferenciar liberdade de democracia, bem como eles definem liberdade e
democracia, que é objeto da minha pesquisa. Os mesmos serão analisados a luz de sua época,
trazendo para nossa realidade atual, o que eles entendiam sobre liberdade e democracia.

Palavra-chave: analise historiográfica, democracia, liberdade, expressão.


INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como principal objetivo fazer uma pequena analise
historiográfica das obras citadas acima, assim como explicitar aquilo que foi dito por todos eles,
sobre o conceito de democracia e liberdade.

A democracia e a liberdade de expressão, foi no passado e é no presente, usada para


“manter um sistema equilibrado” de votação eleitoral para eleger diversos candidatos a cargos
eletivos, quando falamos ou melhor, tratamos da política propriamente dita, assim como dar
vez e voz aos indivíduos (ou pelo menos esse seria seu sentido pleno) a pensarem suas vidas
quando os mesmos por si só, através de suas escolhas individuais, escolhem seus próprios
caminhos. Para pensarem na solução de problemas coletivos e individuais, livremente. Assim
foi na monarquia Brasileira governada por D. Pedro II em seus 65 anos de reinado, assim foi
na república Deodoriana, pós-golpe de estado e ainda é em diversos países que tem como
sistema de governo diverso, onde há reis, ditadores e presidentes.

A democracia e a liberdade (de expressão) são duas expressões linguísticas diferentes e


parecidas ao mesmo tempo, que pode nos confundir quando usadas por si mesmo ou usada por
terceiro em detrimento de outros. A liberdade e a democracia serão o ponto central deste estudo
de caso e quero mostrar por que os autores escolhidos conceituam tais palavras dando um
sentido real, bem como mostrando que não há compatibilidade entre essas duas formas de
imaginar o sentido – e/ou significado de democracia e sobre a liberdade utilizando elas para um
mesmo fim, seja no tempo passado, seja na contemporaneidade. Ainda há muito o que se dizer
sobre esses termos, onde muitos grupos de intelectuais de várias correntes, ainda hoje (e no
passado) confundem – e confundiram – tais palavras como se elas fossem uma coisa só e o uso
das mesmas fossem aplicadas igualmente a todos os indivíduos e setores. Ao meu ver duas
palavras distintas e inconfundíveis (que será comprovado mais adiante), onde utilizarei esses
autores como fonte de pesquisa para corroborar com aquilo que ora me propus a pesquisar (e
dissertar), e que os conceitos usados por políticos, intelectuais, historiadores, que estudaram (e
estudam) os termos dessas palavras e sua aplicabilidade, muitas das vezes (ora propositalmente
para fins outros, ora por usarem apenas o senso comum) perderam a oportunidade de tratá-los
como deveria ser.
Liberdade versos democracia.

O diálogo com esses autores, será marcado ora por afinidade que os mesmos têm (e
tiveram) com essas duas palavras em seus escritos, pela vivencia que os mesmos tiveram em
seus respectivos espaços onde viveram e se utilizaram, tanto da democracia, como da liberdade
para chegar onde chegaram. Começarei a dialogar com aquele que em sua definição e olhar
libertário, justificou para o termo democracia e liberdade, não só aquilo que escreveu, mas o
que ele viveu, na essência do que ele afirmava em seus escritos, onde fez prevalecer a praxes,
bem como deixou um manifesto, do qual ele foi usuário. Em seu livro A ÉTICA DA
LIBERDADE: Perspectiva para a liberdade, o historiador Murray N. Rothbard, logo nas
primeiras páginas do mesmo, deixa claro qual sua definição de liberdade e logo encontraremos
citações que por si só já abrem a mente de quem o pretende ler até o final. O conceito (e o
quanto é importante tal definição) sobre aquilo que é liberdade na sua essência e o que esse
conceito representa para o indivíduo, foi defendido com fervor e serenidade por este historiador.
Logo no início do livro podemos ver uma citação que é a porta de entrada para quem quer
separar aquilo que é democracia e aquilo que é liberdade:

“A razão nos mostra que todos nascem naturalmente iguais, i.e., com igual direito à
suas pessoas, e também com igual direito à sua preservação e dado que todo homem
é proprietário de sua própria pessoa, o trabalho de seu corpo e de suas mãos é
propriamente seu, ao qual ninguém tem direito a não ser ele mesmo; portanto se segue
que quando remove qualquer coisa do estado que a natureza proveu e deixou, ele
mistura seu trabalho a ela e acrescenta algo a ela que era seu, e assim a torna sua
propriedade. Portanto, todo homem tendo o direito natural à (ou sendo o proprietário
de) sua própria pessoa e suas próprias ações e seu trabalho, o que nós chamamos de
propriedade, certamente se segue que nenhum homem pode ter o direito à pessoa ou
à propriedade de outro: E se todo homem tem o direito à sua pessoa e propriedade; ele
também tem o direito de defendê-las . . . e assim tem o direito de punir toda afronta a
sua pessoa e sua propriedade. ”

Reverendo Elisha Williams (1744)

Murray N. Rothbard escreveu sua obra, A ÉTICA DA LIBERDADE: Perspectiva para


a liberdade em 5 partes, versando desde da lei natural, teoria da liberdade, estado versus
liberdade até sobre a estratégia da liberdade, sendo a primeira parte um esboço do que ele
pretendia esclarecer e a segunda parte a obra em si. Para este estude de caso, iremos nos ater
apenas na parte em que o autor descreve ESTADO democrático versus LIBERDADE do
indivíduo, e como ele conceitua o termo liberdade na sua aplicabilidade cotidiana frente ao
aparato estatal que por sinal uma coisa puxa a outra (a democracia) mesmo que os termos e sua
aplicabilidade sejam diferentes.
De acordo com Murray N. Rothbard, o ESTADO é na sua visão libertaria, um órgão
necessário, desde que limitado (ou até invisível aos olhos dos anarco-capitalistas), porém, sua
natureza é querendo ou não contra a liberdade, embora sendo em alguns países, legitimado pela
democracia, A liberdade para o autor, é o poder único e inalienável tanto do ponto de vista
religioso quando olhamos para o livre arbítrio, quando do ponto de vista libertário, onde cada
indivíduo tem na sua singularidade e particularidade, a liberdade de ir para onde quiser, fazer
aquilo que suas escolhas lhe direcionem sem afetar o direito à liberdade do outro, sem que o
estado, pela força de coerção que o mesmo tem, os digam para onde ir, o que fazer e como deve
viver.
Para demostrar na pratica essa definição de liberdade, o autor destaca em seu texto e cita
hipoteticamente como exemplo a história do vendedor de melão que morava em uma certa
vizinhança e que em uma sociedade livre, seus melões seriam vendidos normalmente e
comprados voluntariamente pelos consumidores que assim o quisessem. Com o advento do
estado, que legitimado pelo voto na democracia, onde o autor destacou no texto como sendo a
“democracia da minoria”, interfere, a começar pela taxação de impostos, e terminando com o
monopólio, passando de interventor das liberdades individuais do vendedor de melão que ali
vendia voluntariamente sua safra, a vendedor de melão, não mais fazendo concorrência, mas
sendo o estado, o próprio produtor e distribuidor de melão. A democracia para Murray N.
Rothbard, é uma espécie de proprietário que sobre o uso do estado, passa a controlar uma
maioria que seguem como servos, escravos de uma ideia que os engoliu, mas que ao ser
legitimado pela força brutal que esse mesmo estado tem de arrecadar recursos financeiros do
próprio servo, o taxando de impostos, ante a não consciência e falta de conhecimento próprio
dos indivíduos, perde-se o sentido da vida e da sua própria liberdade. Por que democracia é
antes de mais nada, o oposto de liberdade. O estado natural de acordo com Murray N. Rothbard,
seria o uso da liberdade na sua essência, negar aquele ditado popular de que o homem só tem
certeza de duas coisas neste mundo: “da morte e dos impostos”, é aquilo que todo e qualquer
defensor da liberdade antes mesmo da democracia implantada deve fazer. “Empregar o modelo
lógico do estado natural nos ajuda a nos livrar das algemas do hábito para enxergar o estado
como ele é – e enxergar que o Rei, de fato, está nu” (A Ética da Liberdade / Murray N.
Rothbard.), era a visão sobre liberdade pratica aplicada no dia a dia de uma sociedade de
homens que saberiam distinguir liberdade de democracia, e assim estariam livres de fato.
Em seu livro Definindo a liberdade: 50 Questões Fundamentais que Afetam a Nossa
Liberdade, Ron Paul usa uma parte de sua obra para falar sobre o que ele imaginava ser e como
seria o uso da palavra democracia na pratica. Acompanharemos mais adiante, em seu capitulo
13, o pensamento deste autor, e o que ele acreditava ser a democracia. Para Ron Paul, a
democracia e o problema dela em si é sua dinâmica, na qual imprimiria gradualmente uma
mudança radical de um governo pequeno para um governa grande, abrangente. Neste caso o
significado de democracia seria relativo ao tamanho de governo e como ele seria administrado
por um grupo menor de indivíduos (mais que aumentaria o estado, no tocante ao poder), mas
abrangente no seu poder de legislar, aptos a dirimir a vida de uma maioria. Bem como sua
definição de liberdade esta restritamente ligado a este grupo seleto de legisladores, que na visão
do autor, a liberdade deve ser limitada, no seguinte aspecto: não deveriam ter o poder para
aprovar a expropriação dos diretos umas das outras através de uma votação. Já que o conceito
de democracia nos tempos atuais para ele, tinham mudado, onde a democracia não mais
prevalecia sendo o poder do povo sobre o estado, mas agora o contrário. Tal visão sobre
democracia iria mais além como bem o fez nesta citação ao ser questionado sobre o perigo da
“democracia”:

Mais perigoso do que isto é a ideia de exportar democracia. Tem sido


propagado entre nós que difundir a bondade americana, e implantar nosso
sistema político democrático, é uma das principais razões de estarmos no
Oriente Médio e na Ásia Central. Entre outras mentiras, esta justificativa para
a ocupação do Iraque e Afeganistão têm resultado num grande sacrifício de
vidas americanas e de riquezas.

Para o autor a democracia tal qual passou a ser utilizada, passando a definir praticas
ideológicas, fez a massa, cegar de tal maneira, que eleger tiranos ao longo da história foi um
dos seus legados, (bem como aprovar a violência em que seu próprio país usando a democracia,
invadia outros países) como aconteceu na Alemanha oriental, quando o líder revolucionário
Hitler (ditador e tirano) apegado ao nacional socialismo, apoiando-se na democracia, chegou
ao poder e com sua tirania, usou o estado para matar de acordo com as estatísticas, 20 milhões
de alemães, entre os “inimigos internos”, ao cidadãos comuns que morreram na guerra, ora
lutando nos frontes como “voluntários”, ora fugindo da guerra. Na visão de Ron Paul,
democracia era oposto de liberdade, que virou sinônimo de violência aplicada por uma minoria,
que eleita através da democracia, votada por uma massa especifica, legitimava a coerção das
liberdades individuais, da guerra territorial em nome da “defesa nacional”, bem como
impossibilitando o fortalecimento da República e suas especificidades que na visão dele, seria
muito melhor difundir a liberdade republicana, ante a democracia das massas.

Em resumo, podemos notar que, a democracia é definida diferentemente por ambos os


autores, mas que ao mesmo tempo, suas definições afunilam para o mesmo fim, de que a
liberdade é o oposto de democracia e vice-versa, bem como ambos acreditam que, aplicar
liberdade onde há democracia nos de acordo com o que cada um analisou, é quase impossível,
quando essa massa, desconhecendo o conceito de liberdade, passa a ser manobrada por líderes
que controlaram, não só a sociedade como um todo, mas a própria liberdade dos indivíduos
que nela estão inseridas. Assim como a democracia seria impossível aplica-la onde existe o
senso e o conhecimento da massa, daquilo que é liberdade na sua essência.