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Teoria das Relações Internacionais

Há três níveis de análise nas Relações Internacionais. O primeiro nível, o indivíduo, o


segundo, a nível nacional e o terceiro, a nível internacional.

REALISMO Sistematização teórica, Análise ao Busca pelo Análise muito


perspetiva normativa, Homem e ao poder próxima de
centrado na natureza do Estado Tucidides
Homem

NEO Sistematização teórica, Análise à Busca pela Revisitação do


REALISMO perspetiva positivista, estrutura do SI segurança modelo
análise na natureza do SI (Indivíduo - clássico
Estado - SI)

Realismo
- PRESSUPOSTOS TEÓRICOS
• Estado como centro de poder e principal ator nas RI
• Interesse nacional exacerbado
• Acumulação e manutenção do poder
• Poder como sobrevivência
• Sistema anárquico
• Não se preocupam com a origem histórica

Relações de poder, de soberania nacional e de natureza militar. Interesse político. No


sistema anárquico há egoísmo e interesse individual nos Estados. Rege-se com a força
e o poder.

TUCIDIDES
Tucídides (a.C.) escreveu “História da Guerra de Peloponeso” que relata a guerra entre
Sparta (regime autoritário) e Atenas (democracia direta). Esta guerra durou 30 anos e
ambas cidades-estado ficaram destruídas. As Relações Internacionais questionam
quais as causas da guerra: duas potências mais ou menos equilibradas que desconfiam
uma da outra. Atenas queria expandir o seu domínio, pois era imperialista: conclui que
não há forma de se evitar a guerra porque os Estados estão em Estado de Natureza.

O comportamento dos estados é fortemente condicionado pelas características


intrínsecas de um sistema assente em três grandes noções: anarquia internacional,
dilema de segurança e balança de poder.
Na questão mais geral dos conflitos internacionais, a teoria da balança de poder traz
uma clarificação importante na medida em que define a guerra como um meio à
disposição dos estados, ainda que um meio com objectivos limitados. A balança de
poder constitui um mecanismo fundamental para a manutenção dos estados num
sistema internacional caracterizado pela anarquia. O modelo teórico sugere que em
caso de ruptura da balança de poder, a probabilidade de guerra é máxima.

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HANS MORGENTHAU
Um dos principais teóricos, fundou uma escola sobre política internacional chamada
“Power Politics”. Afirma que conquistar é exercer poder. Os Estados lutam pelo
interesse nacional ligado aos três elementos centrais do Estado: território, população e
governo. Assim, preservar a integridade territorial e assegurar o bem-estar da população
são os objectivos principais dos Estados. Morgenthau disse que há uma constante
competição pelo poder entre Estados para garantir a segurança e manutenção do
território. Assim, os Estados vivem em Estado de Natureza. A confiança entre Estados
traduz-se numa cooperação prolongada, uma interrupção da guerra que pode durar
mais ou menos tempo. Deve-se procurar o equilíbrio entre os Estados.

Considera como premissas básicas:


1. Estado é unitário, ou seja, o Estado é a base de análise da nação sendo a única voz
dessa região no sistema internacional;
2. Estados são os principais atores no sistema internacional;
3. Estados são racionais, ou seja, agem com base nos seus próprios interesses a fim
de maximizar seus benefícios;
4. O interesse nacional dos Estados tem como base garantir a sobrevivência e a
integridade territorial no sistema internacional, assim necessitam enfocar na
segurança dos mesmos.

- A política obedece a leis objetivas que são fruto da natureza humana. “Para estar em
condições de melhorar a sociedade, é necessário entender previamente as leis pelas
quais a sociedade se governa. Este principio retrata que tanto a nossa natureza
humana como a política não são mudados de tempos em tempos, mas obedecem a
leis objetivas. Assim, não se pode ignorar a natureza humana, que é a busca racional
pela sobrevivência.
- O interesse dos Estados é sempre configurado em termos de poder. “Uma teoria
política, de âmbito internacional ou nacional, desprovida desse conceito, seria
inteiramente impossível, uma vez que, sem o mesmo, não poderíamos distinguir entre
fatos políticos e não-políticos, nem poderíamos trazer sequer um mínimo de ordem
sistêmica para a esfera política”. Este segundo principio quer dizer que os interesses
dos Estados não são governados por influências morais, mas condicionados pela
busca racional dos ganhos e perdas na política externa. Assim, a política exterior de
país não deve estar associada às simpatias pessoais do governante, mas se guiar
pelo interesse nacional da nação. Aqui podemos perceber a influência do
pensamento de Maquiavel, realista clássico, no qual considerava que o príncipe
virtuoso deveria agir em prol da nação e não a partir de suas preferências e gostos
particulares.
- “O realismo parte do princípio de que seu conceito-chave de interesse definido como
poder constitui uma categoria objetiva que é universalmente válida, mas não outorga
a esse conceito um significado fixo e permanente”. Este principio ressalta que as
relações entre as nações sempre foram definidas em termos de poder. No entanto, o
tipo de interesse das ações políticas varia dependendo de determinado contexto
histórico cultural e político, sendo assim os interesses, que tem como base maximizar
o poder dos Estados, não são fixos e permanentes.
- Para Morgenthau, a esfera política é autônoma, não estando sujeita a nenhuma outra
ciência como a economia ou o direito. A política internacional possui suas próprias
leis e regras.

1. Qual é a preocupação dominante de Morgenthau?


Autonomizar a ciência política e relações internacionais de forma a conferir ciência, para
maior credibilidade e de forma a distingui-la das restantes ciências. A sua abordagem é
extremamente normativa — o que deve e tem que ser. (Quer ciência política quer

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relações internacionais estuda fenómenos políticos, a diferença é o sistema
internacional).
2. Em que medida é um autor realista?
A sua ideologia realista provém do seu caráter racional, objetivo e factual em entender
a política e as relações internacionais. A sobreposição destas matérias relativas a outras
como economia, por exemplo, é mais uma característica realista que dá autonomia à
política como representante do poder e do interesse nacional. O que define as relações
entre estados é o interesse.

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3. Identifique os seis princípios de Morgenthau.
1. A política, a nível internacional, obedece a leis objetivas que são feitas da
natureza humana. (Ciência para as relações internacionais. É reflexo daquilo
que o ser humano é)— princípio objetivo com concessões particulares, o que
não o torna subjetivo.
2. A política é uma área autónoma do saber e a política define-se pelo conceito de
interesse que, por sua vez, se define em termos de poder.
3. O interesse dos Estados conjugados em termos de poder deverá ser percebido
numa circunstância de tempo e espaço.
4. A ética das relações internacionais não pode ser confundida com a ética da vida
privada. Há um corte absoluto no âmbito público para o âmbito privado. As
relações são públicas internacionais.
5. Nenhuma nação pode impor a sua ideologia como sendo mais válida que as
restantes.
6. A governação de um Estado pressupõe a consciencialização das limitações do
ser humano.

4. Que argumentos da teoria realista sobressaem em Hans J. Morgenthau?


O poder e o interesse nacional, a abordagem teórica baseada em factos, sendo objetiva
e racional e a capacidade de suposição, tendo como objetivo a resolução de um conflito,
são três dos argumentos que identificam a visão realista de Hans J. O poder é definido
em termos de interesse. A natureza humana é um reflexo das relações internacionais,
ou o inverso. Estão correlacionados. O Estado é soberano em matéria política. (Definir
relações de poder em termos de interesse). Balança de poder.

Neorrealismo
- PRESSUPOSTOS TEÓRICOS
O neorrealismo sustenta que a natureza da estrutura internacional é definida pelo seu
princípio de primeira ordem — a anarquia — e pela distribuição de recursos (medidos
pelo número de grandes potências no sistema internacional).
O princípio de ordem anárquica da estrutura internacional é descentralizada, ou seja,
não existe nenhum centro formal de autoridade; cada Estado soberano é formalmente
igual no sistema.
Estes Estados agem de acordo com a lógica da auto-ajuda, ou seja, os Estados buscam
os seus próprios interesses em detrimento dos interesses dos outros Estados.

A sobrevivência é o principal fator que influencia o seu comportamento e, por sua vez,
garante aos Estados desenvolverem recursos para ofensivas militares ou
intervencionismo como meios para aumentar o seu poder relativo. Porque os Estados
nunca poderão ter certeza das intenções futuras de outros Estados, pois existe uma
falta de confiança entre os Estados que os obriga a estarem em guarda contra perdas
relativas de poder que poderiam permitir que outros Estados ameaçassem a sua
sobrevivência: com base na incerteza, é chamada de "dilema de segurança".

Os Estados são considerados semelhantes em termos de necessidades, mas não em


recursos para atingi-los. A distribuição estrutural de recursos limita a cooperação entre
os Estados, por meio dos temores de ganhos relativos por outros Estados e a
possibilidade de dependência para os outros Estados. O desejo e a capacidade relativa
de cada Estado constrange um ao outro, resultando em um "equilíbrio de poder", que
molda as relações internacionais. Isto também entra no "dilema de segurança", em que

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todas as nações se enfrentam. Há duas maneiras em que os Estados podem
estabelecer um equilíbrio de poder: o equilíbrio externo e interno.
• O equilíbrio interno ocorre quando as capacidades dos Estados crescem, aumentando
o seu crescimento económico e/ou despesa militar.
• O equilíbrio externo ocorre quando os Estados formam alianças para testar o poder
dos Estados ou alianças mais poderosas.

- Os neorrealistas consideram que a anarquia limita mais a atuação do Estado do que


os neoliberais acreditam.
- Os neorrealistas consideram que a cooperação internacional é muito mais difícil de
se conseguir e manter, e que isso depende mais do poder do Estado do que pensam
os neoliberais. Os neoliberais enfatizam os ganhos absolutos da cooperação
internacional, enquanto os neorrealistas o fazem com ganhos relativos.
- Os neorrealistas se perguntam quem ganhará mais com a cooperação internacional,
enquanto que os neoliberais estão concentrados em maximizar o nível total de
ganhos de todas as partes.
- Os neorrealistas assumem que, por causa da anarquia, os Estados tendem a estarem
preocupados pelas questões de segurança e pelas causas e efeitos das guerras,
enquanto os neoliberais se concentram na economia política internacional e no meio
ambiente. Assim, cada um tende a ver as perspectivas da cooperação internacional
de maneira diferente: estudam mundos diferentes.
- Os neorrealistas se concentram nas capacidades antes das intenções, enquanto os
neoliberais prestam mais atenção as intenções e percepções do que nas
capacidades.
- Os neorrealistas não acreditam nas instituições internacionais e nos regimes que
possam mitigar os efeitos limitadores da anarquia na cooperação internacional,
enquanto que os neoliberais acreditam que os regimes e instituições possam facilitar
a cooperação.

Os neorrealistas afirmam que existem essencialmente três sistemas possíveis de


acordo com as mudanças na distribuição de capacidades, definidos pelo número de
grandes potências no sistema internacional.
Dos sistemas polares (unipolar, bipolar ou multipolar) o bipolar é o mais estável (menos
propenso a uma guerra entre as outras potências e uma mudança no sistema), que um
sistema de equilíbrio multipolar, porque só pode haver um equilíbrio interno, não
externo, pois não existem outras grandes potências com as quais formar alianças.
Porque em um equilíbrio bipolar, há menos chances de erros de cálculo e, portanto,
menor chance das grandes potências entrarem em guerra.

KENNETH WALTZ
O neorrealismo foi a resposta de Waltz para o que ele via como as deficiências do
realismo clássico. Embora os termos sejam por vezes utilizados indistintamente, o
neorrealismo e o realismo possuem características distintas. A principal diferença entre
os dois está no papel atribuído pelo realismo clássico à natureza humana, ou ao ímpeto
de dominar, no centro de sua explicação para a guerra, enquanto o neorrealismo não
faz destaque para a natureza humana e argumenta em lugar disso que as pressões da
anarquia definem resultados independentemente da natureza humana ou dos regimes
políticos domésticos.
Waltz estabelece os níveis de análise: natureza humana, organização interna
dos Estados e sistema (estrutura).

A anarquia da política internacional significa que os Estados devem agir de forma a


garantir sua segurança acima de tudo. Como a maioria dos neorrealistas, Waltz aceita

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que a globalização está colocando novos desafios para os Estados, mas não acredita
que os Estados estejam sendo substituídos, porque nenhum ator não-estatal pode
igualar as capacidades do Estado.

Níveis de análise de Waltz


• A primeira imagem explicava a política internacional sendo guiada primariamente
pelas ações de indivíduos, ou resultados de forças psicológicas.
• A segunda imagem explicava a política internacional sendo guiada pelos regimes
estatais domésticos.
• A terceira imagem focava-se no papel de fatores sistémicos, ou o efeito da anarquia
internacional sobre o comportamento dos Estados.

1. Qual é a causa da guerra para Morgenthau? E para Waltz?


Para Morgenthau, o desejo/luta do poder e da guerra. Para Waltz, a luta pela segurança.

2. Qual o propósito do realismo estrutural ou neorrealismo?


Explicação estrutural e sistémica das relações internacionais, olhando para os vários
componentes e os níveis de análise. Explicar as RI e a mudança de poder que ocorre
provocado pela anarquia.

3. Apresente duas causas que estão na origem das mudanças estruturais que
conduzem à guerra.
A luta pela sobrevivência e a própria condição de anarquia. (Página 619)

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4. Três diferenças nas abordagens realista e neorrealista.

5. O Dilema de Segurança está mais presente em que teoria?

6. A preponderância anárquica está mais presente em que teorias?

7. Qual dos atores está mais próximo de Tucidides?


Morgenthau.

8. A ordem multipolar e bipolar constituem estruturas para o poder no sistema


internacional. Em qual das situações a guerra era mais controlável? Na visão
de Waltz, quais as explicações?
Bipolar, por ser mais estável, por haver concentração de poder e ser mais previsíveis
os comportamentos estatais.

9. Que elementos funcionavam como dissuadores da guerra na ordem bipolar?


A corrida ao armamento nuclear e a possibilidade de alianças.

GILPIN
• A luta pelo poder procura-se a fim de se encontrar maior estabilidade no sistema
internacional. A guerra é um meio para atingir o fim. As guerras são hegemónicas por
virem definir uma nova hegemonia.
• A alternância de potências são ciclos predominantes de cada potência que detenha o
poder momentâneo.
• O Estado é o principal ator do sistema internacional.
• O poder não tem que, meramente, ser militar, mas também, por exemplo, económico.
As alianças tem um mero efeito regulador e estabilizador. (Análise centrada na guerra
fria)
É estruturalista pois analisa, de forma sistémica e cíclica o sistema internacional. A
estrutura é a base da sua análise e as alterações na estrutura são alterações que se
fazem sentir nos Estados. Reconhece outros atores e a sua importância como, por
exemplo, organizações internacionais, mas não como forma de cooperação, mas sim
de forma egotista e de interesse nacional. A sua teoria vai de encontro a Waltz mas não
refere níveis de análise.

"O Desafio do Capitalismo Global" retoma antigas teses do pensamento realista da


Teoria da Estabilidade Hegemónica, segundo a qual uma economia internacional liberal
estável só seria possível se sustentada por uma potência hegemónica que garanta a
provisão dos bens públicos internacionais: uma ordem internacional liberal, a segurança
internacional, um sistema monetário estável e fornecedor de empréstimos, em última
instância, internacional. Aplica-se, segundo a TEH, o seguinte postulado: "para que
exista uma economia liberal estável é necessário um estabilizador", com poder político
e económico para levar a cabo a tarefa.

STEPHEN KRASNER
1. Qual a definiçaõ de regime segundo Stephen Krasner?
Conjunto implícito ou explícito de normas e princípios, regras e tomadas de decisão
onde os Estados, ou melhor, atores internacionais, convergem num determinado
assunto para alcançar propósitos em áreas específicas. Um regime tem um carácter
duradouro.

2. Haverá alguma distinçao


̃ entre normas, princípios, regras e modos de decisao
̃ ?
Princípios: crenças em factos, causalidades, instruções teóricas

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Normas: padrões de comportamento em direitos e deveres.

3. Será que o institucionalismo de Krasner se aproxima do liberalismo? Refira a


frase no texto que lhe permite sustentar esta afirmaçao
̃ .

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4. O que responde o autor a pergunta: “serão os regimes importantes”? O que
responde Krasner? O que responde Keohane?
Krasner refere três visões
• Visão estruturalista de Strange onde o mercado é baseado em interesses egoístas e
na concepção inútil do mercado
• Visão realista: questão do dilema do prisioneiro, na proteção da sua própria segurança
nacional e nas vantagens do isolamento ao invés do liberalismo económico
• Visão de Grotian: mercados como regimes económicos, onde não se podem somente
desenvolver relações baseadas em interesses mas também tendo em conta a vertente
social. Os atores supranacionais são valorizados, para além do Estado.
Assegurar o respeito dos princípios, a necessidade em criar o regime de forma a regular
o comportamento dos Estados deve-se à existência de uma anarquia, portanto precisa-
se de facilitar acordos, através da cooperação. Nada mais do que organizações
internacionais.

5. Será a “reciprocidade” um elemento fundamental na teoria de Krasner?


Alguma obrigação em cooperar. Quando os Estados aceitam, reciprocamente, irão
sacrificar os seus interesses egotistas a curto prazo, pelos objetivos de outros de forma
a que o sentimento seja recíproco.

6. Identifique as 3 grandes causas que estão na origem da criaçao


̃ de um regime
internacional?
• Interesse egoísta, apesar de considerarem o mercado um bem público
• Poder político
• Normas e princípios, de forma a acreditarem na causa por detrás de um regime
internacional

7. Qual a diferença entre 'normas e princípios' e 'regras e tomadas de decisão'?


Normas e princípios são essenciais a um regime internacional, mudanças no
procedimento são mudanças intrínsecas nos regimes e no comportamento dos estados.
A identidade de um regime e decidido pelas normas e princípios.

Krasner acredita na prevenção de conflitos, na qual ele diz que os Estados Unidos e as
ONGs (organizações não-governamentais) devem preocupar-se com a estabilização de
Estados falhados como prioridade na agenda política internacional.

Liberalismo
- PRESSUPOSTOS TEÓRICOS
A noção positiva do Homem. O bem coletivo e a importância das organizações
internacionais como moderadores — acreditam no bem coletivo. Conceitos de hard
power, soft power e smart power.
Todas as vertentes do liberalismo assentam em princípios comuns. Apesar de uma só
característica que as distingue.
- Crença no progresso
- Natureza múltipla das RI
- RI como cooperativas
- Estado como ator do sistema, mas não o único

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Visão positiva ou negativa do Homem, consoante a visão positiva ou negativa do SI.
O realismo afirma um período de guerra cujo fim leva ao progresso e ao
desenvolvimento de um sistema cooperativo para proteção e interesse egoísta.
Já o liberalismo acredita na coexistência pacífica pelo bem estar coletivo.
No liberalismo, o SI é pautado pelas relações económicas, culturais e sociais, e
não apenas militares, ao contrário do realismo, em que nada mais é considerado.
O papel dos atores como reguladores do SI é considerado, ao contrário da teoria
estadocêntrica realista.

LIBERALISMO SOCIOLÓGICO
Karl Deutsch, James Rosenau
Ênfase nas relações transnacionais não governamentais entre sociedades. Governance
without government. O contributo dos atores internacionais (governação multinível)
permite estabelecer um ambiente mais cooperativo no SI. Não é pautada por relações
somente estatuais. O benefício é comum, para estabilizar e permitir a paz.
[Tónica: efeito integrador da comunicação]

LIBERALISMO (INTERDEPENDÊNCIA COMPLEXA)


Joseph Nye, Robert Keohane
Atenção às ligações económicas e às trocas/dependência mútua entre pessoas e
governos. Relação de dependência, para além da política ou militar, desfavorável à
guerra.
[Tónica: o efeito dissuasório da interdependência]

LIBERALISMO INSTITUCIONAL
Woodrow Wilson, Krasner
Krasner originou o termo 'Regime Internacional'. Importância da cooperação organizada
dos Estados, através de normas e regras para preservar a harmonia internacional.
[Tónica: poder regulado das OI]

Interdependência Complexa
KEOHANE E NYE
Analisando as mudanças proporcionadas pela acelerada globalização no mundo
contemporâneo, que envolvia o surgimento de transnacionais, o crescimento do
comércio e a integração internacional intensiva, os autores defendiam que a tomada de
decisões por atores estatais e não-estatais tendiam a ser recíprocos, isto é, a trazer
consequências para muitos outros agentes do sistema internacional. Dessa forma, os
efeitos económicos de uma decisão tomada do outro lado do mundo poderiam ser muito
prejudiciais para os países envolvidos. Para Keohane e Nye, a interdependência é um
fenómeno custoso para os atores do sistema internacional, traduzida em termos de
sensibilidade (repercussão de uma decisão em um país sobre outro) e vulnerabilidade
(alternativas de contornar a sensibilidade). As consequências desse processo de
integração, segundo os teóricos, era a redução do uso da força nas relações entre
nações. Nessa perspetiva, a melhor maneira de solucionar conflitos gerados pela
interdependência seria a instituição de instâncias supranacionais, por exemplo. Essa
abordagem é importante porque subverte a relação estabelecida pelos realistas de
“baixa” e “alta” política: as questões comerciais pareciam ter grande importância para a
política de poderes.

Construtivismo
• O mundo é predeterminado, mas construído
• Negam a antecedência ontológica aos agentes e à estrutura

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• As ideias e valores desempenham uma junção essencial
• A anarquia não existe
• Adoção da postura construtivismo tem implicações metodológicas
Segundo a visão realista, o SI é designado como estrutura sendo reflexo da natureza
humana. O homem mau, egoísta. A natureza humana antecede a estrutura do SI logo
o SI é que reflete o Homem.
O liberalismo refere o Homem como eminentemente bom.
O neo-realismo diz que devemos olhar para a estrutura de forma a que leve ao indivíduo.
Em primeira análise, a estrutura antecede o indivíduo.
O construtivismo diz que todos estão errados. Não há ninguém a anteceder ninguém,
há uma interação constante entre o Homem e a estrutura. Remete para valores,
identidade, ideologia, percepções, formas de estar, não há nada objetivo pois não
remete para um conjunto de valores. Tem que ser situado no tempo e no espaço.
Passamos de uma posição positivista para uma interpretativista.

Novo cenário multipolar e multicultural nas relações internacionais: o crescimento dos


valores pró-materialistas ou valores relacionados à construção de uma identidade
(culturais ou religiosas) e os movimentos de proteção ao meio ambiente e direitos
humanos ganharam força neste período. O renascimento das nacionalidades, com
apelo à afirmação das etnias e as tradições culturais e religiosas, criou um paradoxo
frente a globalização, afinal, ao mesmo tempo em que interliga os interesses nacionais
e diminui diferenças, predispondo - como destacam vários cientistas políticos - a uma
ocidentalização ou aculturação da pluralidade dos valores, também reforça as temáticas
da identidade e do nacionalismo. Desta forma, estudar as relações entre Estados no
mundo pós Guerra Fria, não se resume apenas às relações de poder entre os Estados.
Torna-se relevante expor os agentes de transformação da atual ordem, analisando o
impacto da globalização no que tange a culturalidade, singularidade e diversidade étnica
e religiosa para explicar o comportamento político das comunidades em que se integram
e dos eventuais reflexos para a política internacional.

Como o próprio nome indica, o foco do construtivismo está na construção social da


política internacional. A principal questão dentro da teoria construtivista reside na
incógnita: Como são formados os interesses dos Estados? Dentro das perspectivas
tradicionais, os Estados, assim como as pessoas, teriam uma natureza pré-social, ou
seja, a vida em sociedade não modifica as pessoas e os Estados. O construtivismo, em
contraste, acredita que a convivência social modifica os agentes, isto é, os Estados não
podem ser considerados como verdades exógenas. No caso, as ideias e normas
possuem um papel fundamental tanto na constituição da realidade e dos agentes,
quanto na definição de identidades e interesses.
• No que tange à questão da segurança internacional, o construtivismo se aproxima
muito da corrente realista, sendo os Estados considerados a única unidade na
estrutura política internacional.
• Mesmo levando em consideração o aumento e importância dos atores não estatais
nas relações internacionais, ainda assim as mudanças sistêmicas acontecem por
meio dos Estados.
• Coloca o Estado como uma verdade histórica, sendo possível dessa forma, no futuro,
que isso não seja mais verdade.

O que interessa dentro da teoria construtivista, é saber como as ideias influenciam a


maneira pela qual as identidades são constituídas e como os atores definem seus
interesses em função de suas identidades, ou seja, a forma como os Estados definem
seus interesses depende de como se definem em relação aos outros, uma função da
identidade social aos níveis domésticos e sistêmicos da análise.

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A estrutura social, dentro da ótica construtivista, não resume apenas às ideias – com
interação entre atores e identidades – mas também ao conteúdo de questões materiais,
de interesses e poder. A importância do poder e dos interesses para a explicação do
fenómeno internacional, atribuídos pelos atores a essas forças são muito significativos.

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