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Prova Prática de Revalidação de Diploma de Médico Graduado no

Exterior UFMT - 2017


Bom dia galera, nesse documento vou a contar para a gente sobre a prova prática da UFMT do dia
26/11/17, sobretudo para os que ainda não tem feito esse tipo de provas antes. Ler outros relatos
assim realmente me ajudou para entender como funciona aquele tipo de provas.

PARTE ORGANIZATIVA

A prova foi marcada para as 8h com a recomendação de chegar com 30 minutos de antecedência.
Todos os candidatos foram chegando e quando estávamos completos fomos levados para o
auditório, onde assinamos a lista de assistência e tínhamos que desligar todos os nossos aparelhos,
mas eles podiam ficar com nós. Dentro da sala tínhamos chá, café, biscoitos, refrigerante, bolos e
um dos organizadores fazendo de vigia o tempo tudo. Lá podíamos conversar tudo o que
quiséssemos até o início da prova. Realmente achei isso muito bom, todos intercambiando dicas,
conselhos (aclaro que eu não fiz nenhum curso preparatório, estudei dos documentos que as
pessoas mandavam nos grupos de Whatsapp e Telegram, achei muito bom tudo o que falamos).

Logo entramos para o auditório, a coordenadora falou sobre como seria a prova: seriam 10
estações e seriamos divididos em 2 grupos por ordem alfabética, o primeiro grupo faria 5 estações,
uma por cada área e voltaria para o auditório, enquanto o segundo grupo ficaria esperando seu
turno em outra habitação. Depois o segundo grupo também faria as mesmas 5 estações e também
voltaria ao auditório. As seguintes 5 estações teriam a mesma mecânica. O “meio tempo” da
prova, entre que todos tínhamos feito as primeiras 5 estações e aguardávamos para fazer as 5
seguintes foi o momento mais tenso, todos falávamos sobre o que achávamos que tivesse sido
mais importante fazer ou dizer em cada estação. (Nota: não tínhamos acesso aos nossos check-
lists, por isso os confrontos e as duvidas, após a prova também não tivemos, nem teremos acesso
nenhum a eles, parece que agora eles são segredo de alto nível para a UFMT).

Para a realização da prova fomos chamados em ordem alfabética, fizemos uma fila, fomos
distribuídos a cada uma das primeiras 5 estações com a instrução de ficar parados sobre umas “X”
no solo e de costas para a porta da estação, para não ler o que estava escrito. Os fiscais de cada
estação conferiam nosso documento de identidade para entregar o check-list correto com nossos
dados aos avaliadores (só imaginem se o check-list com seu nome fosse avaliado em outra pessoa).
Quando todos estavam alocados soava o apito e tínhamos 1 minuto para ler a folha, onde estava
apresentado o caso e os objetivos da cada estação. Então soava novamente o apito e a fiscal nos
conduzia para dentro da sala e apresentava-nos para a câmera (dentro da sala estavam os dois
avaliadores, o cenário preparado, os atores/atrizes e o câmera-boy com microfone incluído), então
começava o tempo de 10 minutos da estação. Ao finalizar o tempo soava novamente o apito
indicando o fim da estação e o fiscal nos conduzia para fora da sala. A gente devia esperar a que
todos saiam das estações e que os fiscais arrumem o cenário de novo para fazer a rotação.

O mesmo procedimento foi para todas as estações. O primeiro grupo terminou e foi conduzido
para sair pela porta de trás, enquanto o segundo grupo iniciava também a segunda parte e ao
finalizar também era conduzido a sair pelo mesmo lugar. No final todos estávamos outra vez na
discussão se o que fizemos seria suficiente para aprovar, pois o resultado ainda tardaria em sair 2
dias, e como não sabíamos nossas notas de cada estação, a ansiedade continuava.
ESTAÇÃO 1 – CLINICA MÉDICA
TEMA: HTA – Crise Hipertensiva

Caso: Vem para sua consulta ambulatória uma senhora de 45 anos, com história de cefaleia nos
últimos meses. Já tinha ido para o Pronto Socorro há 3 semanas, naquela ocasião sua pressão foi
aferida 170/110 mmHg, o médico plantonista receitou umas pastilhas e indicou a realização de
alguns exames complementares. O tratamento melhorou a dor da paciente, então a paciente não
realizou aqueles exames. Mas a cefaleia voltou com maior intensidade e a paciente decidiu marcar
consulta. Os objetivos indicados eram realizar a anamnese, exame físico e tratamento e condutas
adequados.

Cenário: Mesa com papeis e canetas, cadeiras para a consulta, a atriz estava sentada esperando e
o enfermeiro estava parado de lado da cama com os instrumentos para o exame físico.

Desenvolvimento: Apresentei-me com a paciente, fiz uma anamnese dirigida para cefaleia, para
descartar enxaqueca e cefaleia tensional, ela relatou que a dor era pulsátil e que começava no
pescoço e prosseguia para a nuca e depois para toda a cabeça, de intensidade moderada, sem
pontos dolorosos ou relação a horários específicos. Depois perguntei antecedentes pessoais e
familiares, a paciente negava tudo. Interroguei sobre a ocasião que tinha ido para o pronto
socorro, se o plantonista tinha explicado para ela alguma coisa ou se podia dizer-me o nome do
medicamento receitado, a paciente respondeu que não entendeu nada do que o plantonista
explicou-lhe e que o único que lembrava era que as pastilhas eram pequenas e brancas, e a
indicação era tomar 2 a cada dia por uma semana. Não tinha nada mais para falar e pedi a paciente
permissão para realizar o exame físico. Pedi para o enfermeiro o tensiômetro e o estetoscópio,
então o enfermeiro falou que a PA estava em 160/110 mmHg. Realizei a exploração pulmonar e
cardíaca, o enfermeiro falou tudo normal. Então eu pensei que fosse uma crise hipertensiva tipo
urgência (sem dano de órgão alvo) e que possivelmente aquele medicamento que não lembrava
fosse um betabloqueador por conta do efeito rebote caraterístico desses fármacos.

Voltei com a paciente para a mesa e expliquei-lhe que a causa da sua cefaleia poderia ser sua
pressão arterial elevada e que aquele tratamento tinha calmado sua dor por conta de reduzir sua
PA, e que ao finalizar e não fazer seguimento houve um efeito rebote e a cefaleia voltou. Perguntei
sobre seu estilo de vida e fiz as recomendações de dieta e exercício físico. Estava por escrever o
tratamento (tinha pensado captopril 25 mg a cada 12 horas) e solicitar novamente os exames
complementares (hemograma, eletrólitos, glicemia de jejum, perfil lipídico, creatinina, urina 1 e
ECG) quando o apito sonou e terminou o tempo.

Notas:
 Acho que perdi muito tempo na anamnese e nas recomendações de estilo de vida, por isso
não tive tempo de prescrever o tratamento e os exames complementares.
 Durante a anamnese esqueci perguntar sobre causes externas de elevação rápida de PA
(drogas simpaticomiméticas como a cocaína).
 Durante o exame físico o importante era realizar a aferição da PA segundo as normas do MS
e explicar as condições adequadas prévias (descanso, não realizar esforços físicos, bexiga
sem conteúdo, não tomar café, etc.).
 Durante a investigação de órgãos alvo, esqueci realizar fundo de olho.
 No final também esqueci falar sobre o seguimento ambulatorial constante e marcar
consulta de retorno
ESTAÇÃO 2 – CLINICA CIRURGICA
TEMA: Politraumatizado - IOT

Caso: Chega ao pronto socorro um homem de 42 anos vítima de acidente automobilístico há 30


minutos, choque de frente contra um muro. Quando a equipe de resgate chegou o homem estava
inconsciente, fazendo uso de cinto de segurança, o resgate foi difícil, pois o airbag tinha sido
ativado e não deixava tirar o homem do auto. Durante o transporte para o hospital foi posto em
prancha rígida com colar cervical, colocação de via venosa em braço direito, sem evidencias de
sangrado, nem hipotensão arterial. A monitorização cardíaca também estava normal. O objetivo
indicado era a realização do atendimento inicial ao politraumatizado.

Cenário: Manequim de corpo inteiro deitado sobre uma prancha rígida, com colar cervical, acesso
venoso em braço direito, conectado a monitor cardíaco, Sat O2, PA e FR. Uma enfermeira para
colaborar de lado a uma mesa com materiais de intubação. O filho do paciente o tempo tudo
falando sobre que salve a vida do seu pai.

Desenvolvimento: Agora vou relatar o que deveria de ser feito, pois no meu caso fiquei muito
nervoso e não fiz as coisas bem, foi minha pior estação.

Apresentei-me com o filho do paciente, ela não sabia nada do acidente, pois recém tinha chegado,
o único que fazia era gritar para mim pedindo que salve a vida do seu pai, conversei com a
enfermeira e perguntei-lhe sobre a situação, ela falou que não sabia nada e que só estava
esperando a minha chegada.

A e B: como o paciente não tinha resposta ocular, nem resposta motora e sua resposta verbal não
era avaliável, pois o paciente só presentava respiração irregular com “gasping”. A conclusão era
Glasgow < 8, além de mostrar uma SatO2 de 82” no monitor, era indicação de intubação sem
retirar o colar cervical, pois não era possível afastar dano de coluna. Solicitei a enfermeira ventilar
com balão enquanto calçava luvas, máscara e gorro. Na mesa tinha vários matérias, para a lâmina
de laringoscópio aferia distância entre o lóbulo da orelha e o mento e como era homem adulto
escolhi o tubo 7,5 e testei o cuff. Coloquei a lâmina e testei a luz do laringoscópio. Então procedi
para descrever o processo de intubação. Laringoscópio na mão esquerda, entrando pela rima
direita da boca para afastar a língua para esquerda, avançar até visualizar a epiglote e colocar a
ponta da lâmina na valécula, visualizar as cordas vocais e pedir o tubo sem retirar o olhar das
cordas vocais. Introduzir o tubo até a marca de segurança, insuflar o cuff e pedir a enfermeira
ventilar com balão para avaliar com o estetoscópio a correta colocação do tubo, auscultando o
epigástrio e as bases pulmonares, para finalmente assegurar o tubo, solicitei capnografo, mas não
tinha. Após a intubação a SatO2 melhorou para 95%.

C: o monitor mostrava uma PA 100/60 mmHg e a FC se elevou para 110. Então solicitei a colocação
de uma segunda via venosa calibrosa e a infusão de SF aquecida em bolo (30 ml/Kg peso) por
ambas as vias. Com essas medidas a PA melhorou para 120/100 mmHg. Comecei a fazer a
avaliação, todos os pulsos estavam presentes, finos e rápidos, o ritmo cardíaco estava normal,
pensando em pneumo ou hemotórax realizei o exame físico torácico, a enfermeira falou de tudo
normal, então foi para o exame de abdome, a enfermeira falou sem sinais de trauma, exame físico
normal, solicitei ultrassonografia FAST, mas ela falou que não tinham nesse local, solicitei
radiografia de tórax, abdome e bacia, mas também não estavam disponíveis. O ultimo era solicitar
a colocação de sonda vesical para controle da volemia.
D e E: Realizei o exame de pupilas, a enfermeira falou de tudo normal. Naquele momento já não
sabia o que fazer, não havia dano torácico, abdominal ou pélvico, não tinha hemorragia externa,
nem sinais de fraturas em membros, seus sinais vitais estavam estáveis, mas chegou com um
Glasgow baixo. Naquele momento recorde o airbag e pensei que poderia ser um TCE severo (por
conta do Glasgow < 8), então solicitei TC simples de crânio, a enfermeira falou que iriam a fazer o
traslado correspondente (finalmente não me falava “tudo normal”), perguntei se tinha Manitol ou
SF hipertônica, respondeu que não, perguntei se tinham ampolas de NaCl 20%, respondeu que sim,
então falei que durante o traslado iria a fazer a SF hipertônica a partir da SF normal e as ampolas
de NaCl 20%.

Notas:
 Esse relato aí é uma somatória do que falaram todos os que fizemos a prova, alguns fizeram
algo e outros fizeram outra coisa, acho muito difícil fazer tudo isso em 10 minutos.
 Realmente atendimento ao politraumatizado e intubação sempre vão a cair de alguma
maneira nas provas. A chave é treinar a sequência ABCDE do ATLS até fazê-la quase
automática no dia da prova.
 Outra coisa importante é praticar a sequência de investigação de dano (torácico,
abdominal, pélvico, extremidades ou neurológico).
 Acho que algo que todos esquecemos foi fazer o exame físico da cavidade cranial (para
avaliar trauma fechado ou penetrante, depressão na calota ou abaulamentos, sinais de
fratura de base de crânio) e indicar a necessidade de ventilação mecânica.
 Outra coisa que eu esqueci foi pedir para ao filho do paciente esperar fora da sala de
trauma e que eu lhe manteria comunicado do estado do seu pai (durante toda a estação ele
gritava, pegava meu braço e chorava).

ESTAÇÃO 3 – GINECOLOGIA
TEMA: CCU - DSTs

Caso: Vem para consulta uma mulher de 27 anos com queixa de leucorreia há uma semana e a
presença de uma ferida que tinha descoberto no seu lábio genital direito. Os objetivos solicitados
eram fazer a anamnese, o exame físico ginecológico e realizar o tratamento/conduta adequado.

Cenário: mesa para a consulta com papeis e caneta, cadeiras onde a atriz estava sentada
esperando. No fundo tinha um modelo pélvico e um modelo de mamas e uma enfermeira ao lado
de uma mesa com materiais ginecológicos.

Desenvolvimento: Apresentei-me com a paciente e comecei a anamnese, ela falou que tinha um
corrimento há uma semana, não tinha cheiro, era de cor amarelado, sem coceira, sem febre, sem
dispareunia. Indagando seus antecedentes pessoais, tudo normal. Entre seus antecedentes gineco-
obstétricos ela respondeu que não tinha ficado gravida nunca, com ciclos regulares, menarca aos
13 anos, em uso de anticoncepcional oral combinado de forma adequada, sem antecedentes de
DSTs prévias, CCU há 1 ano com resultados normais, sem parceiro sexual fixo e sem uso de
preservativo. Entre os antecedentes familiares o único ressaltante é que falou que uma prima tinha
sido diagnosticada de câncer de ovário há alguns anos.

Então pedi permissão para fazer o exame ginecológico e fui para o modelo pélvico. Calcei as luvas,
pedi um biombo para a intimidade da paciente e comecei o exame dos genitais externos, tinha
uma pequena úlcera no lábio direito indolora segundo a paciente, as glândulas de Bartholino
normais. Pedi para a enfermeira um espéculo, expliquei a paciente o que iria fazer, explique o
procedimento de exame especular o os achados na visualização do colo uterino. Falei sobre os
possíveis achados que poderia encontrar, mas ninguém falou nada, então compreendi que o colo
estava normal, mas pedi para fazer teste de aminas, pH e exame em fresco, mas a enfermeira falou
que não estavam disponíveis

Então vi o material de CCU na mesa e decidi realiza-lo. Soube que era o correto porque quando
comecei a câmera veio mais perto de mim para a filmagem. Então explique o procedimento à
paciente e pedi à enfermeira que ligasse o foco e identificará uma lâmina com os dados da
paciente. Peguei a espátula de Ayre, fiz a coleta exocervical com o lado correspondente e coloquei
na lâmina em 1 único movimento, depois peguei a escova endocervical, fiz a coleta endocervical e
coloquei na outra metade da lâmina com movimento rotatório único. Troquei luvas e continuei
para a palpação bimanual, descrevendo a técnica para a paciente e explicando os possíveis
achados (dor à mobilização do colo uterino ou presença de massas anexiais), mas tudo foi normal.

Após foi para o modelo de mamas e notei que tinha a mama esquerda com aspecto retraído no
quadrante inferior externo e a mama direita tinha presença de descarga mamilar sanguinolenta,
perguntei para a paciente se tinha moléstias ou tinha notado algo estranho nas suas mamas, ela
respondeu que nada, que suas mamas eram normais. Então falei que iria a fazer exame clínico de
mamas, expliquei o procedimento para a paciente e realizei o exame estático e dinâmico, fiz a
palpação até a cola de Spencer, fiz expressão mamilar. Realizei o mesmo procedimento em ambas
as mamas, mas a paciente falava que não sentia nada, nem dor, nem descarga, nem moléstias nas
mamas (Foi um grande erro fazer tudo isso). Voltei com a paciente para a mesa e o apito sonou,
não tive tempo de falar com a paciente sobre o diagnóstico (Vaginose Bacteriana e Sífilis Primária),
nem do tratamento (Metronidazol 2 g VO dose única e Penicilina Benzatina 2,400,000 U IM dose
única com 1,200,000 M em cada nádega), nem das recomendações de prevenção de DSTs.

Notas:
 A paciente tinha indicação de realizar CCU, pois segundo o MS “Realizar CCU a partir dos 25
anos, se 2 CCU estiverem normais, passar a realiza-las a cada 3 anos”. A paciente tinha 27
anos e o antecedente de 1 CCU com resultado normal o ano passado. Faltava o resultado
final desse ano que eu tinha que realizar.
 Perdi muito tempo explicando à paciente os procedimentos, acreditava que um exame
ginecológico é uma coisa muito complicada para algumas mulheres e queria atuar como se
fosse uma consulta real, falar sem palavras técnicas para que ela estivesse o mais cômoda
possível.
 Não era necessário o exame clínico das mamas, pois segundo o MS “Realizar exame clínico
de mamas a partir dos 40 anos a cada ano, ou a partir dos 35 anos em mulheres do grupo
de risco”. A paciente tinha 27 anos, o antecedente de prima com câncer de ovário não e
definição de grupo de risco, pois segundo o MS “Tem risco aumentado de câncer de mama
mulheres com parentes de PRIMEIRO grau (mãe, irmã ou filha) com câncer de mama ou
ovário“ ou “2 ou mais parentes de SEGUNDO grau com câncer de ovário da mesma linha e
tipo celular”. Mas o mais importante, eu acreditei o que eu vi no modelo de mamas e não
na paciente, acho que a banca colocou um modelo de mamas com alterações para ver se
caiamos naquela trampa. Se a paciente fala que as suas mamas estão normais, não importa
como se veja o modelo de mamas, a banca pode colocar o modelo de mamas que quiser.
ESTAÇÃO 4 – PEDIATRIA
TEMA: Triagem Neonatal

Caso: uma mãe vinha com sua filha de 15 dias para uma consulta de controle e traz os resultados
de “Teste do Pezinho” que foi realizado aos 5 dias de vida da bebê. O objetivo era fazer a consulta
de controle de puericultura, interpretar os resultados do teste e fazer as recomendações, caso
sejam necessárias.

Cenário: Tinha uma mesa com papeis e caneta, cadeiras para a consulta e a mãe com criança de
colo (boneco) em braços esperando, uma maca para exame físico e uma enfermeira de fundo.

Desenvolvimento: apresentei-me com a mãe e fiz uma anamnese rápida das condições do pré-
natal, do parto, das vacinas ao nascimento e dos primeiros dias de vida da criança, tudo normal.
Então pedi para a mãe o resultado de teste do pezinho, fiquei um pouco nervoso, mais no reporte
de laboratório tinha valores de referência:

 17-OH progesterona normal, afastava o diagnóstico de hiperplasia suprarrenal congênita


 TSH normal, afastava o diagnóstico de hipotireoidismo congênito
 Tripsina imunorreativa normal, afastava o diagnóstico de fibrose cística
 Biotinidasa normal, afastava o diagnóstico de Deficiência de Biotinidasa (Vitamina B-8)
 Hemoglobina Hb FS, indicava Traço Falciforme (eu errei falando direto para Anemia
Falciforme).
 Fenilalanina elevada, indicava Hiperfenilalaninemia Transitória (eu errei falando direto de
Fenilcetonuria)

Eu me senti muito afortunado, pois triagem neonatal foi um dos últimos temas que estudei a noite
antes da prova. Pedi permissão para fazer exame físico da criança, solicitei para a enfermeira
ajudar-me para aferir peso e cumprimento, ela falou que estavam normais, passei para o exame
físico e a enfermeira contestava de tudo normal, aproveitei esse tempo para lembrar algumas
coisas da triagem neonatal.

Voltei para a mesa e empecei a explicar à mãe os resultados de cada um dos testes, como já
mencionei, foi um pouco drástico com os diagnósticos, mas estava na direção correta, A mãe
perguntou a razão dessas doenças, eu falei que eram doenças genéticas recessivas, então ela me
deu uma ajuda perguntando para mim se tinha que ver com que ela estava casada com seu primo,
falei que sim, que a consanguinidade é um fator de risco, mas não a causa principal. Após isso falei
sobre o que era a Fenilcetonuria, de alguma maneira lembrei que para confirmar a doença era
necessário um exame de dosagem de fenilalanina em sangue e urina específicos, além de fazer
uma prova com carga de fenilalanina aos 6 meses, também falei das possíveis consequência de não
fazer seguimento adequado, como retardo mental e que o único tratamento era evitar as
sobrecargas de fenilalanina, mas que esse aconselhamento nutricional seria feito pelo
nutricionista.

No caso do traço falciforme, expliquei para a mãe que era também uma doença genética recessiva,
pero eu fui direto para anemia falciforme, e comecei falar sobre os possíveis episódios de anemia,
hemólise, icterícia, crises de dor, esplenomegalia, infeções a repetição. Mas o correto era falar que
para confirmar o diagnóstico era necessária nova análise de hemoglobina aos 6 meses, para que a
HbF desaparecesse e seja reemplazada pela HbA1, que o traço falciforme não tem sintomas. No
final encaminhei para o especialista, (mas não fale especificamente Genetista) e como ainda tinha
tempo decidi falar tudo o que pudesse de amamentação materna exclusiva até 6 meses, que as
possíveis doenças da criança não eram contraindicação, as vantagens do leite materno, vacinas e
controles de puericultura regulares, falando assim foi que o apito sonou.

Notas:
 Por alguma razão que desconheço em pediatria tomam em conta que o médico esteja do
lado direito da criança durante o exame físico.
 Sempre perguntar sobre antecedentes do pré-natal, do parto, do berçário, da caderneta de
vacinas.
 Com crianças de colo, sempre que puder falar de amamentação materna exclusiva até os
seis meses e das vantagens do leite materno, das vacinas e do controle de desarrolho e
crescimento.
 Na nota de encaminhamento esqueci perguntar o nome da criança, esse espaço ficou em
branco e me descontou pontos, erro inocente assinar alguma coisa sem colocar o nome do
paciente.

ESTAÇÃO 5 – PREVENTIVA
TEMA: Organização UBS/ESF

Caso: Você é o novo médico contratado para uma EBS que já tem 1 ESF, o enfermeiro está
esperando-lhe para conversar sobre a implementação da uma segunda ESF. O objetivo da estação
era indicar os procedimentos necessários e o que era possível fazer.

Cenário: tinha uma mesa com cadeiras, com o enfermeiro esperando sentado.

Desenvolvimento: Apresentei-me com o enfermeiro e comecei a falar sobre a proposta de


contratação de uma nova ESF na UBS, pedi para ele alguns dados básicos da área de abrangência
da UBS, quantidade de famílias e população, serviços básicos e grupos de vulnerabilidade. Ele falou
que a população referida a UBS era de 6000 pessoas, então falei que sim era indicado solicitar uma
nova ESF, porque cada equipe deve ter máximo 4000 pessoas e ideal de 3000, então a ESF que já
existia na UBS não era suficiente. Depois falei sobre que precisaríamos contratar mais pessoal, pois
uma ESF deve ter 1 médico, 1 enfermeira, 1 técnico em enfermagem e 8-12 agentes comunitários
de saúde (ACS), também falei da coordenação da carga horária de cada ESF (40 horas/semana) e
dos materiais, medicamentos, farmácia que seria necessário adquirir. O enfermeiro perguntou
como poderíamos fazer esse processo, então agora era turno de falar da via de solicitação de uma
ESF, iniciar o pedido no Conselho Municipal de Saúde, para seguir para a Secretaria Estadual de
Saúde, à Comissão Bipartite até chegar ao Ministério da Saúde, para que o projeto seja autorizado.

Ainda tinha tempo e perguntei para o enfermeiro sobre a Adscrição da Clientela e a


Territorialização, mas ele falou que não sabia bem o que era isso, então expliquei que é uma
estratégia necessária para detectar as áreas de maior vulnerabilidade para fazer intervenções
conjuntas com o município e diversas organizações. Além de estabelecer os médios de transporte
pelos quais as pessoas chegam para a UBS, para assegurar o Primero Contato e a Longitunalidade
no cuidado da saúde da população, assim como nos casos de emergência, onde seja necessário
referenciar para um nível elevado.
O enfermeiro perguntou se eu quisesse falar de alguma outra coisa, pensei um momento e falei
sobre a necessidade de coordenar com o Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF) para os casos
que precisarem de especialistas, e com o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) para os casos que
precisarem de intervenção por abuso de drogas, álcool, tabaco, disfunção familiar, etc. Falando
dessas coisas foi que o apito sonou.

Notas:
 Nesse tipo de questões sobre a forma de organização do SUS, o melhor e sempre falar tudo
o que você lembrar e encher linguiça.
 Sempre estudar a normativa da ESF, que parece acontecer que ultimamente é mais cobrado
em todas as provas. E isso é porque o MS tem grande confiança nesse programa.
 E ultimamente está surgindo um novo tema, as RAS (Redes de atenção à Saúde), que
intenta integrar todos os conceptos da APS e a ESF para aperfeiçoar a atenção em saúde em
um nível superior das ESF e os municípios.

ESTAÇÃO 6 – CLÍNICA MÉDICA


TEMA: Tosse Crónica

Caso: Um homem de 42 anos, caminhoneiro, solteiro, fumante, vem para a consulta ambulatória
por quadro de tosse há 6 semanas que empiorou há 2 dias com dispneia aos medianos esforços.
Não tem tentado remédio nenhum devido a que a tosse não interfere muito nas suas atividades.
Os objetivos eram fazer a anamnese, fazer 2 diagnósticos diferenciais e realizar o
tratamento/conduta adequadas.

Cenário: Tinha uma mesa com papeis e caneta, cadeiras com o ator esperando. No fundo tinha
uma cama, material de exame físico e uma enfermeira.

Desenvolvimento: Apresentei-me com o paciente e comecei a anamnese, ele falou que a tosse no
início era seca, mas que há duas semanas começou a ser produtiva, quase constante, não piorava
em nenhum horário específico, mas causava malestar geral, negava dor torácica, febre e
hemoptoicos. Veio à consulta porque há 2 dias apareceu dispneia aos medianos esforços. Não
tinha antecedentes familiares, e entre seus antecedentes pessoais falou que fumava desde os 14
anos uns 2 ou 3 maços a cada dia, só tinha terminado o ensino médio, não tinha uma residência
fixa, pois passava seus dias dirigindo e dormindo onde pudesse, seja no próprio caminhão ou nas
pousadas da rodovia. Na minha cabeça pensei em DPOC e câncer de pulmão. Perguntei sobre se
tinha notado perdida de peso, mas ele só falou que não tinha apetite ultimamente.

Pedi permissão para fazer o exame físico, realizei a toma da PA, ausculta pulmonar e cardíaca, mas
a enfermeira falou “tudo normal”. Então voltei para a mesa, indique ao paciente que por conta do
tabagismo crônico tenha dois possíveis diagnósticos: DPOC e câncer de pulmão, mas que para
assegurar ia solicitar uns estudos complementares, eu fiz a ordem de radiografia e TC de tórax,
além de espirometria, por enquanto receitei beta-agonista de ação curta para os episódios de
dispneia (outra vez esqueci perguntar o nome para escrever na receita). Expliquei que dependendo
do resultado dos exames o tratamento iria mudar. Então esperei que esses testes fossem
entregues pela banca, a enfermeira ou alguém, mas nada acontecia, fiquei um pouco nervoso, o
paciente continuava sentado, comecei a falar de estilos de vida saudável e como fazer uso do
inalador e ainda nada acontecia e o apito sonou.
Notas:
 Depois entendi que o que tinha de fazer era incluir TUBERCULOSE nos diagnósticos
diferenciais e solicitar Baciloscopia e indicar ao paciente o procedimento de recolecção de
amostras.
 Também tinha de explicar a definição de sintomático respiratório e os fatores de risco que o
paciente tinha para Tuberculose para justificar a Baciloscopia
 Além de investigar os contatos do paciente, para possível risco epidemiológico e
investigação de tuberculose latente.

ESTAÇÃO 7 – CLÍNICA CIRURGICA


TEMA: Sutura

Caso: Homem de 35 anos, lenhador, veio para o Pronto Socorro por conta de uma ferida cortante
na sua perna direita que foi feita pelo seu próprio machado durante seu trabalho há 30 minutos.
Devido à hemorragia e à dor ele envolveu a ferida com um pano que encontrou. Os objetivos eram
realizar o atendimento da ferida e realizar a conduta adequada.

Cenário: Tinha uma mesa com um modelo de perna acima. O ator se encontrava na cabeceira da
cintura para arriba. Também tinha uma mesa com equipe para curativo e de sutura básicos e uma
enfermeira.

Desenvolvimento: Apresentei-me com o paciente, perguntei o que tinha acontecido, ele me


relatou o mesmo da descrição do caso, mas o tempo tudo ele só gritava da dor e do sangue.
Descobri o pano da ferida e descrevi que era uma ferida contuso-cortante de 5 cm na cara anterior
de perna direita, com sangramento leve e de tipo contaminada, pois tinha restos de pó, terra e
folhas. Expliquei a paciente que era necessário realizar uma lavagem da ferida para retirar todos
esses materiais estranhos e após deveria realizar uma sutura. Calcei luvas e pedi para a enfermeira
utilizar SF para lavar a ferida, mas ela falou que ela não sabia como fazer isso, então eu peguei 1 L
de SF e lavei a ferida para retirar os restos, realizei uma revisão digital rápida para indicar que não
tinha mais sangrado.

Depois peguei uma seringa de 10 ml e pedi Lidocaína 2% sem vasoconstritor, enquanto carregava a
seringa expliquei para o paciente sobre o procedimento da anestesia local e fiz o procedimento,
realizando teste de refluxo e anestesiando as bordas da ferida, mas não dentro dela.

Após isso, troquei para luvas estéreis e pedi para a enfermeira abrir a equipe de sutura, mas ela
falou que já não tinham mais luvas e não queria contaminar a equipe, o único que fez foi acercar a
mesa para mim. Abri a equipe de sutura, tinha curativos, tesoura curva, portagulha, pinça
hemostática reta, pinça anatômica e pinça dente de rato. Escolhi corretamente o portagulha, a
tesoura curva e a pinça dente de rato. Solicitei um fio nylon 3-0 e realizei 4 pontos simples, mas
tardei um pouco, o material do modelo de perna, como de todos os bonecos era muito duro e não
queria dobrar a agulha e além disso, a câmera ficou perto para filmar minha técnica, pensando que
não iria a ter tempo suficiente, fiz os últimos 2 nós muito rápido com erros na técnica.

Enquanto fazia a sutura perguntei ao paciente se tinha alguma vacina dT adulto ou “vacina do
tétano”, mas falou que não tinha recebido nenhuma vacina desde seus 5 anos, então indiquei que
tinha indicação de fazer uma série de 3 vacinas 0-1-6 meses. Também fiz umas perguntas rápidas
sobre antecedentes familiares e pessoais, todo negativo. Também falei que por conta da
contaminação da ferida era necessário fazer tratamento antibiótico, perguntei se tinha alergias
medicamentosas e respondeu-me que nunca “tinha tomado fármacos”. Pedi para a enfermeira
que anotasse uma receita para comprimidos de Cefalexina 500 mg VO a cada 6 horas por 7 dias e
uma nota para que o paciente receber a vacina de dT na enfermaria. A câmera ficou bem perto de
mim para filmar como realizava a sutura, até que terminei o último ponto e o apito sonou.

Notas:
 Esqueci colocar os campos estéreis antes de iniciar a sutura
 Não notei que durante a anestesia a agulha da seringa que escolhi era muita “grossa” e
deveria ter escolhido uma mais delgada
 O que falei da vacina dT e do tratamento antibiótico não foi pontuado por conta de que
tinha que ser EU quem tinha de escrever a receita e indicar a vacinação, não a enfermeira.
 Esqueci indicar que o seu empregador deveria realizar a CAT (Comunicação de Acidente de
Trabalho) nas suas 4 vias, em até 24 horas, e caso contrário o empregador não queira
realiza-la, o médico (Eu) poderia fazê-la também, por conta de o paciente tiver sofrido uma
ferida “durante o seu trabalho”, para que ele possa fazer jus dos seus direitos trabalhistas.

ESTAÇÃO 8 – OBSTETRICIA
TEMA: Diabetes Melitus Gestacional

Caso: Mulher de 35 anos secundigesta vem para seu controle pré-natal de rotina, traz os
resultados dos exames de laboratório e ultrassonografia solicitados no seu último controle há 2
meses. Os objetivos eram realizar uma consulta pré-natal, o exame físico obstétrico, a
interpretação dos resultados dos exames complementares e as condutas adequadas.

Cenário: Tinha uma mesa com papeis e caneta, cadeiras onde estava esperando a atriz. No fundo
havia um modelo obstétrico e uma enfermeira com os materiais para o exame físico.

Desenvolvimento: Apresentei-me para a paciente e comecei perguntando se tinha alguma queixa


desde o último controle, ela negou tudo, e que só vinha para mostra os resultados. Pedi sua
caderneta de gestante, mas ela indicou que não sabia onde estava, que tinha ido a seu anterior
controle só para confirmar se estava grávida, foi confirmado a gravidez, e o médico entregou-lhe as
ordens desses exames, e que agora era o seu segundo controle. Perguntei sua DUM para calcular
idade gestacional, mas ela falou que não lembrava. Entre seus antecedentes obstétricos
G2P0C1A0, menarca aos 12 anos, ciclos regulares, parceiro fixo, camisinha como método
contraceptivo.

Sua última gravidez foi há 5 anos, sua primeira filha tinha nascido prematura de 7 meses por
cesariana, perguntei o motivo, mas ela falou “só lembro que o médico disse que minha pressão
estava muito elevada e meu bebê não estava bem”, também falou que ela não fazia controles
regulares. Na minha cabeça pensei que o mais provável era que na sua anterior gestação tinha
desarrolhado pré-eclâmpsia, iminência de eclampsia, afastava DPP por conta de que não falou
nada de dor ou sangrado, mas não estava seguro.

Pedi os resultados dos seus exames complementares (nessa ocasião não tinha valores de
referencia), que foram os seguintes:
 Hb 12,4 g/dl – OK normal
 Tipagem sanguínea O Rh (+) – OK não riscos
 Creatinina 0,8 mg/dl – OK Normal
 Glicemia de jejum 92 mg/dl – NÃO NORMAL
 Anti-Hbs reagente, Anti-HBc IgG reagente, HbsAg não reagente – OK imunizada
naturalmente
 Anti-VHC reagente – OK imunizada contra VHC
 Toxoplasmose: IgM não reagente, IgG reagente – OK sem infeção aguda, e imunizada
 Anti-HIV não reagente – OK normal
 VDRL não reagente – OK normal
 Urina tipo 1: sem alterações – OK normal
 Exame parasitológico de fezes – OK normal

 Ultrassonografia feita no dia 10/09/17 reportava feto único, idade gestacional 17 semanas,
BCF 142, placenta grau I de maduração, sem outras alterações (Fazendo cálculos para a data
da prova 26/11/17, a idade gestacional atual era 28 semanas).

Pedi permissão para realizar o exame físico, foi para o modelo obstétrico e fiz as manobras de
Leopold, descrevendo meus achados: situação longitudinal, posição dorso esquerdo, apresentação
cefálica alta livre, não encaixada. Pedi a enfermeira o Doppler, procurei o foco do lado esquerdo
baixo do abdômen, a enfermeira falou “BCF normais”. Pedi a fita métrica para medir altura uterina
31 cm, achei meio estranho que a altura uterina fosse maior do que o esperado. Terminei o exame
físico obstétrico e pedi um tensiometro para aferir a PA da paciente, a enfermeira falou “PA
normal”.

Voltei para a mesa e lembrei o resultado alterado da glicemia de jejum, então entendi que o mais
provável era que a paciente tivesse uma diabetes mellitus gestacional, que correlacionava com o
achado de altura uterina maior da esperada por conta de uma macrosomia fetal. Indiquei a
paciente que o único exame alterado era a glicemia de jejum (que segundo o MS já era suficiente
para detectar DMG) e que no exame físico, sua altura uterina era maior do que a esperada. Depois
falei das possíveis complicações para o feto, indicando também uma ultrassonografia morfológica
e finalizei falando dos estilos de vida saudáveis como primeira medida a tomar e caso não
funcionasse, a paciente teria de fazer uso de Insulina.

Já não tinha nada mais que falar, mas ainda tinha tempo, a atriz não se retirava e ninguém falava
nada, fiquei nervoso e não sei por que decidi também fazer uma ordem de proteinuria de 24 horas
falando que era por conta do antecedente de possível pré-eclâmpsia. Então o apito sonou.

Notas:
 Outra vez esqueci colocar o nome da paciente nas ordens, não sei por que sempre esqueço
aquilo.
 Esqueci aferir o peso e a talha da paciente, para realizar o cálculo de IMC.
 Esqueci perguntar sobre seus antecedentes de vacina dT, e indicar uma vacina dTpa (por
conta que já tinha mais do que 20 semanas)
 Esqueci falar da importância dos controles pré-natais regulares, por conta que a paciente
tem antecedente de não fazer controles regulares em nenhuma das suas gestações.
 Fazer sempre a diferença entre DMG e DM pre-gestacional (overt diabetes)
 Nunca esquecer as recomendações do MS sobre DMG para < 20 semanas (no caso a
paciente tinha feito o exame com 17 semanas):
o Gravida com glicemia de jejum < 92 mg/dl deve realizar prova TTOG com 75 g de
glicose entre 24 e 28 semanas. Se algum dos resultados for jejum > 92mg/dl, 1º hora
> 180 mg/dl ou 2º hora > 155 mg/dl, é confirmado o diagnóstico de DMG, além de
realizar ultrassonografia morfológica do feto por conta do maior risco de
malformações, especialmente cardíacas.
o Gravida com glicemia de jejum entre 92-125 mg/dl, é confirmado o diagnóstico de
DMG e se deve iniciar tratamento e avaliação do feto
o Gravida com glicemia de jejum > 126 mg/dl, é considerado overt-diabetes ou DM
pre-gestacional, iniciar tratamento adequado e avaliação do feto
 Nunca esquecer as recomendações do MS sobre DMG para > 20 semanas (não aplicável no
caso porque a paciente já tinha feito um exame às 17 semanas):
o Primeiro controle entre 20-28 semanas, realizar diretamente a prova TTOG com 75
mg/dl entre 24 a 28 semanas, mesmos valores já descritos
o Primeiro controle > 28 semanas, realizar imediatamente a prova de TTOG com 75
mg/dl entre 24 a 28 semanas, mesmos valores já descritos

ESTAÇÃO 9 – PEDIATRIA
TEMA: Infeção Urinaria

Caso: mãe vem para consulta com sua filha de 1 ano e 8 meses devido a que há 3 dias ela notou
uma redução do volume urinário, irritabilidade e recusa alimentar. Os objetivos eram realizar a
anamnese, o exame físico e o tratamento/conduta adequada.

Cenário: Tinha uma mesa com papeis e caneta, umas cadeiras onde estava a atriz com um boneco
em braços. De fundo uma cama, a enfermeira e material para exame físico.

Desenvolvimento: Apresentei-me com a mãe e comecei a anamnese, ela relatou que há 3 dias
notou que sua filha fazia menos “xixi” do que o normal, além de recusa alimentar, aceitando só
leito materno e líquidos, e muita irritabilidade. Perguntei sobre a caderneta da criança, ela falou
que não a trouxe, perguntei cosas rápidas sobre a gestação, o parto e sobre o desarrolho e
crescimento da criança, ela falou que tudo foi normal, vacinas em dia, amamentação exclusiva até
6 meses e seguia as recomendações para a alimentação complementar. Negou febre, vómitos,
diarreia ou episódios semelhantes no passado. Enfoquei-me na urina e perguntei sobre as
características, o único estranho foi que a urina estava mais escura.

Pedi permissão para examinar a criança e foi para a cama, comecei a suspeitar de uma infecção
urinária, mais fiz a revisão completa da criança, pois tinha abate línguas, otoscopio, estetoscópio,
termômetro, também fiz palpação abdominal, mas a enfermeira falava sempre “tudo normal”.
Voltei para a mesa e expliquei que minha suspeita era uma infecção urinária, mas que para ter
certeza era necessário realizar um exame de urina 1 e uma urocultura + antibiograma. Fez a ordem
para os exames (agora sim não esqueci perguntar o nome da criança). A enfermeira me entregou o
exame de urina, me confundi um pouco, porque tinha nitritos e esterasa leucocitária negativa e
leucócitos 6-8/campo, o resto era normal, mas quando chegou a urocultura estava reportado “E.
coli, observado o crescimento de 10000 UFC/ml, não disponibilidade de antibiograma”, esse
número parecia muito baixo para mim, mas perguntei como foi tomado o exame de urina e a
enfermeira falou que a urina foi obtida por sondagem vesical, então esse número fazia sentido.
Confirmei o diagnóstico de infecção urinária e na hora de prescrever antibiótico, minha cabeça
ficou em branco, não lembrava antibiótico, nem dose para ITU em criança, então escrevi o
primeiro que veio para mim: Sulfametoxazol-Trimetoprima xarope 2,5 ml VO a cada 12 horas”.
Depois expliquei que após o tratamento deveria ser repetida a urocultura e como a criança era
menos de 2 anos, era indicada fazer uma ecografia de vias urinárias. Não sabia o que mais fazer,
fiquei em silêncio e o apito sonou após uns segundos.

Notas:
 Esqueci fazer a avaliação nutricional de peso e talha
 Esqueci perguntar se a criança tinha ou não controle voluntário de urina, para indicar
amostra por jato médio ou por cateterismo vesical (nesse caso ainda não tinha por isso foi
feito cateterismo).
 Esqueci prescrever o sintomático (dipirona ou paracetamol) junto com o antibiótico
 Esqueci falar sobre medidas de higiene do períneo para evitar novas infeções urinarias.
 Meu primeiro pensamento foi prescrever Ciprofloxacina, mas lembrei de que não estava
indicado em menores de 8 anos, Acertei com minha escolha e errei a dose, pois revisando
depois, os antibióticos recomendados pela Sociedade Brasileira de Pediatria para ITU em
crianças são: Amoxicilina-Clavulanato, Sulfametoxazol-Trimetoprim, Cefalexina, Cefuroxima
e Cefprozil.
 Também é importante lembrar que o exame de urina 1 e seus marcadores infeciosos, tem
uma sensibilidade e especificidade menor em crianças, o padrão ouro é a urocultura (Jato
médio > 100000 UFC, sondagem vesical > 1000 UFC, punção supra-púbica qualquer UFC,
não está recomendada a bolsa coletora).
 Lembrar que após uma infecção urinaria em crianças menores de 2 anos, após o
tratamento, é necessário fazer uma investigação das vias urinarias na seguinte ordem:
ultrassonografia, DMSA e uretrocistografia miccional para pesquisa da malformação mais
frequente: refluxo vesico-ureteral.
 Tinha duvidas sobre se deveria indicar internação, no final não fiz. Revisando depois,
acertei, pois a criança não tinha critérios de internação: idade menor que 3 meses,
malformação urológica confirmada, intolerância digestiva, suspeita de sepse, desidratação
grave e situação socio-familiar insegura.

ESTAÇÃO 10 – PREVENTIVA
TEMA: Investigação e Controle de Surtos

Caso: Você é o médico de uma ESF de um município onde aconteceu um surto de dengue com
vários casos dentro de uma escola há 2 semanas e lamentavelmente 2 óbitos. O diretor da escola
marca uma reunião com você para conversar sobre a situação e planejar uma solução. Os objetivos
eram orientar ao diretor sobre as medidas que devem ser tomadas em uma situação como essa.

Cenário: Tinha uma mesa com cadeiras, com o diretor da escola esperando na cadeira.

Desenvolvimento: Apresentei-me com o diretor e como não entendia muito bem o que devia
fazer, eu comecei a falar tudo o que eu sabia do dengue, iniciar pelo vector (o mosquito Aedes
aegypti), sobre a forma de transmissão da doença, os sintomas iniciais, os sinais de alarme, a
importância da hidratação como tratamento inicial, como fazer soro de reidratação caseiro. Após
falei sobre o vírus do dengue, seus tipos e qualquer cosa que vinha para minha cabeça. Mas o
diretor da escola não anotava nada. Então virei meu foco e comecei a falar em base a “cadeia
epidemiológica de uma doença infeciosa” (agente etiológico, porta de saída, forma de transmissão,
porta de entrada e hospede), acho que foi pelo caminho certo, porque o diretor começou a fazer
anotações do que eu falava, depois falei sobre medidas de prevenção de transmissão do dengue,
malhas nos quartos, repelente, mosquiteiros, prevenir a formação de água estagnada em pneus ou
lixões, por conta de ser o local de reprodução do mosquito, fazer uso de roupa comprida. Fiquei
outra vez calado, não sabia que mais dizer. Então falei sobre marcar reuniões com o município, as
associações de pais de família e qualquer outra instituição para planejar medidas de contingência,
fazer propaganda no rádio, na TV, nos jornais sobre medidas de prevenção e sobre suspeita de
caso. Em resumo, enchi linguiça até que o apito sonou.

Notas:
 O que foi certo foi falar da cadeia epidemiológica e sobre as medidas de prevenção do
dengue, também a parte sobre realizar ações conjuntas.
 Mais esqueci completamente a situação do caso, já estava instaurado o surto e até tinha
óbitos, então o que eu deveria ter falado era sobre medidas de controle de surtos.
o Realizar a notificação imediata dos 2 óbitos por dengue e a notificação compulsória
do surto como evento com risco para a saúde pública.
o Procurar dados sobre o limiar endêmico do município respeito ao dengue.
o Determinar a gravidade, área de abrangência e natureza do surto.
o Estabelecer a Definição de caso suspeito e caso confirmado de dengue
o Identificar, quantificar e listar os casos, com a ajuda dos agentes comunitários de
saúde e todas as instituições possíveis.
o Realizar a curva epidemiológica para estabelecer a natureza do surto, as taxas de
incidência, ataque e letalidade.
 Coordenar as medidas de controle de emergência
o Pesquisa ativa de casos suspeitos para confirmação laboratorial
o Vigilância ativa dos contatos e da população dentro da área de risco
o Estabelecer e difundir medidas de prevenção
o Avaliar de forma constante as medidas
o Realizar a análise estatística para planejar futuras ações.
OPINIÃO FINAL

 Os casos clínicos e os objetivos das estações eram, no meu parecer, muito vagas e
inespecíficas, não davam orientação para nenhuma ação em concreto.

 Um conselho ou estratégia é que ainda se você não souber o diagnóstico do caso, lembre
que tem outras coisas que também pontuam no ckeck-list, como: apresentar-se, escutar de
forma educada as queixas do paciente, perguntar todas as caraterísticas dos sintomas,
perguntar sempre antecedentes pessoais, familiares, obstétricos ou ginecológicos, pedir
permissão para fazer exame físico, boa comunicação para o ajudante ou enfermeira, no
caso de pediatria sempre aferir peso e talha para o estado nutricional, perguntar situação
vacinal, antecedentes do pré-natal e do parto e incentivar a amamentação materna
exclusiva até 6 meses com todas as vantagens que oferece o leite materno. Com essas
simples coisas já tem quase a metade da pontuação da estação assegurada.

 A presença dos avaliadores e da câmera não deve atrapalhar em nada, faça como se não
estivessem aí. Nesse momento a gente deve focar-se no caso e no paciente, às vezes nem
tem tempo de olhar para a banca, só no final da estação se terminou antes do tempo..

 Durante a prova tínhamos relógios na parede para controlar o tempo, mas eu estava bem
focado no paciente e no que eu falava que simplesmente não olhei para ele para saber
quanto tempo ainda tinha.

 Outra coisa que fiz errado foi que tardava muito tempo em fazer a anamnese e explicar os
procedimentos aos pacientes, como falou uma das atrizes “você foi amável demais e
perdeu tempo”.

 Sempre olhar para os materiais que tenha na estação, pois eles determinam o que será
avaliado no seu check-list. E no caso específico de Preventiva, percebi que entre toda a
linguiça que eu falava, às vezes o ator fazia anotações na sua folha, como se fosse um sinal
sutil e indireto de que isso era o que eu devia de falar nesse momento, porque quando
mudava de tópico deixava de fazer anotações. Penso que foi como uma guia para que eu
notasse se estava falando coisas desnecessárias e voltasse para o caminho certo.

 Acho que minha maior fraqueza foi a minha falta de experiência naquele tipo de “prova
prática”, os outros candidatos tinham feito algum desses cursos preparatórios e notei que
tinham mais seguridade nas suas ações por conta de tiver feito entrenamento em vários
simulacros. Os temas da prova prática não são temas exageradamente rebuscados ou
doenças muito raras, são situações frequentes que talvez todos tiverem lido inúmeras
vezes.

 O que quero expor é que na prova prática o conhecimento passa para um segundo plano, o
mais importante é a experiência de fazer uma prova prática. Essa é a vantagem que
oferecem os cursos preparatórios, mas alguns são muito caros, mas a solução também é
realizar grupos de estudo (mas sim é necessário ter pelo menos 1 persona que tenha feito o
curso preparatório) para praticar as situações todas as vezes que puderem, assim você os
erros de cada um podem ser corrigidos pelos outros, muitas vezes não notamos nossos
próprios erros, mas para isso está o grupo.
 Lembre sempre que o que pontua no check-list não é quanto você sabe na teoria da
matéria cobrada na estação, o que pontua é o que você FALA e FAZ, ficar calado sem fazer
nada é o pior que você pode fazer em uma prova prática. A teoria já foi avaliada
“supostamente” na nunca bem elaborada e controversa prova objetiva. Agora é uma prova
prática, desenhada para avaliar sua capacidade de COMUNICAÇÃO e seu
COMPORTAMENTO/ATITUDE com o paciente e com a equipe de saúde, dentro do marco da
ÉTICA MËDICA. Não adianta ser um gênio erudito iluminado da medicina com memória de
elefante, e que quando está na consulta ou na emergência, trata de forma desconsiderada
ao paciente e à equipe de saúde, que fala sempre em términos técnicos para demonstrar
superioridade intelectual, que não tem atitude de líder da equipe de saúde e que não
respeita o Código de Ética Médica.

 Respeito aos atores/atrizes, descobri uns dias depois que alguns deles (não todos), eram
estudantes de medicina e funcionários da faculdade de medicina ou da coordenação do
processo. Notei que aqueles que eram mesmo atores e funcionários ajudavam e orientavam
indiretamente de forma muito sutil. Do outro lado, aqueles que eram estudantes de
medicina, tinha a impressão que tentavam dificultar um pouco a estação, mas pode ser que
só eu percebesse isso, por conta de ser um estrangeiro que gosta das novelas e histórias de
mistério, drama, suspenso e conspirações ocultas.

 Seria muito bom que relatos como este sejam feitos de cada prova prática, seja da UFMT ou
do REVALIDA, assim é possível ajudar às pessoas que também nunca fizeram uma prova
prática de revalidação no futuro.

“Vamos perfurar os céus (INEP) com nossas brocas (recursos). Você só


precisa acreditar em você que crê em si mesmo”,

“Nossa vitória se tornará uma guia para aqueles que ainda não
chegaram, a vontade que herdamos dos vencidos e as esperanças
daqueles que vivem, com esses pensamentos e com nossas espirais
(habilidades clínicas) abriremos o caminho para o futuro (CRM)”.

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