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Educação e tecnologia preservando vidas

3
módulo
Noções de
primeiros socorros
Neste módulo você conhecerá a sequência
do pronto atendimento ao acidentado, o
que fazer e o que não fazer ao prestar os
primeiros socorros. Serão apresentadas
informações para a segurança das pessoas
no local do acidente, sejam vítimas ou
não. As técnicas de socorro de emergência
devem ser aplicadas apenas se você tiver
um treinamento prático.

Siga a Procondutor.
PROCONDUTOR TECNOLOGIA
DE TRÂNSITO S/A

Diretora de produto
Claudia de Moraes

Coordenadora de conteúdo
Paula Beatriz de Matos Pires

Conteúdo
Paula Beatriz de Matos Pires
Fernanda Melo Terra
Renata Kuba
Fernando Gonzaga

Revisão ortográfica
Fernando Gonzaga
Thaís Nogueira

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Diagramação e arte
Renata Kuba

Noções de
módulo

Ilustrações
Ciatech

primeiros socorros
Thiago Dias
Renata Kuba

Fotografia
Shutterstock
Depositphotos
Pixabay

Equipe Multidisciplinar
Pollyana Coelho da Silva
Notargiacomo
Sérgio Ejzenberg
Claudia Lopes Pereira Pinto
Maria Aparecida Marques
Henrique Naoki Shimabukuro

Este material é registrado na Biblioteca


Nacional. Todos os direitos autorais
reservados à Procondutor Tecnologia
de Trânsito S/A.
É proibida a duplicação ou reprodução
Sumário
DEFINIÇÕES...........................................................7
CRIME DE OMISSÃO DE SOCORRO.....................8
SEQUÊNCIA DAS AÇÕES......................................8
SINALIZAÇÃO DO LOCAL DO ACIDENTE............9
SITUAÇÕES DE RISCO.........................................11
Produtos químicos perigosos..............................12
Utilização do extintor de incêndio......................13
ACIONAMENTO DE RECURSOS.........................14
SAMU................................................................14
Bombeiros.........................................................14
Polícia ou Brigada Militar, Polícia Rodoviária
Federal e Estadual..............................................15
Rodovias............................................................15
CONDIÇÕES GERAIS DA VÍTIMA.......................15
ANÁLISE PRIMÁRIA............................................16
Pulsação............................................................16
Respiração (VOS)................................................17
Vias aéreas.........................................................17
Temperatura......................................................18
Dilatação das pupilas.........................................18
Cor da pele........................................................18
Parada cardiorrespiratória..................................19
Estado de choque..............................................19
Sintomas.......................................................19
Procedimentos...............................................19
Desmaios...........................................................20
Sintomas.......................................................20
Procedimentos...............................................20
Convulsões........................................................21
Sintomas.......................................................21
Procedimentos...............................................21
ANÁLISE SECUNDÁRIA.......................................22
Ferimentos.........................................................22
Hemorragias......................................................23
Hemorragias internas.....................................23
Hemorragias externas....................................24
Procedimentos para pequenos sangramentos..24
Procedimentos para grandes sangramentos...24
Queimaduras.....................................................25
Procedimentos...............................................25
Fraturas.............................................................26
Procedimentos...............................................26
Luxação .........................................................27
Fraturas na coluna.............................................27
Fraturas no crânio..............................................27
Fraturas das costelas..........................................28
Amputações......................................................28
CUIDADOS COM A VÍTIMA..................................29
CUIDADOS ESPECIAIS COM
A VÍTIMA MOTOCICLISTA..................................30
ACIDENTES SEM VÍTIMA....................................31

TESTE OS SEUS CONHECIMENTOS....................32


REFERÊNCIAS......................................................34
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MÓDULO

Noções de primeiros socorros

Este módulo foi elaborado em acordo com


o anexo II da Resolução 168 de 14/12/2004,
alterada pela Resolução 285 de 29/07/2008 do
LEMBRE-SE SEMPRE:
Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Caso presencie
O módulo traz informações básicas para que
um acidente de você atue com calma e segurança caso presen-
trânsito, mantenha cie um acidente de trânsito.
a calma e chame a Atenção! Não é nosso objetivo ensinar
equipe de socorro. primeiros socorros. Medidas de socorro ne-
cessitam de treinamento prático e técnico es-
pecífico, oferecido apenas por entidades cre-
denciadas. E, ainda assim, eles não substituem
um sistema profissional de socorro.
Nosso objetivo é ensinar a sequência do
pronto atendimento, o que fazer e o que não
fazer ao prestar ajuda. Por isso, este módulo

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apresenta informações que garantem a segurança das pessoas no lo-
cal do acidente, sejam vítimas ou não. Lembre-se de aplicar técnicas
de socorro de emergência apenas se você tiver um treinamento práti-
co de primeiros socorros.

||  DEFINIÇÕES

Segundo o Ministério da Saúde e da Ação Social, primeiros socorros:

São medidas específicas de socorro imediato a uma vítima,


executadas por pessoal adestrado, enquanto se aguarda a
chegada do médico ou equipe especializada que o conduza
ao hospital”.

Diante de acidentes de trânsito com vítimas, muitas pessoas ficam


paralisadas, sem ação ou em pânico por não saber como ajudar ou
que medidas tomar. Contudo, a vítima muitas vezes necessita de aju-
da imediata para sobrevivência ou para não agravar o quadro.

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Nesses momentos, é importante manter a calma. Faça aquilo que
for capaz, tentando controlar a situação, mas antes de tudo verifique
se você não está ferido.

3 ||  CRIME DE OMISSÃO DE SOCORRO

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o condutor:

Comete uma infração gravíssima (7 pontos na CNH),


passível de multa, ao deixar de prestar socorro à vítima de
Noções de primeiros socorros

acidente de trânsito, evadir-se do local, deixar de sinalizar


e afastar o perigo, não identificar-se, não prestar infor-
mações ou não acatar determinações das autoridade.

Se em um acidente, o condutor não prestar imediato socorro à ví-


tima, ou, na impossibilidade de fazê-lo diretamente, por justa causa,
não solicitar auxílio da autoridade pública, seu ato pode consistir em
crime de trânsito, ou multa, se não for elemento de crime mais grave.
Segundo o Código Penal Brasileiro, configura-se como crime de
omissão de socorro, com pena de detenção de 6 meses a 1 ano, que
pode aumentar pela metade se, da omissão, resultar lesão corporal de
natureza grave, e triplicar, se resultar em morte.

||  SEQUÊNCIA DAS AÇÕES

Cada acidente de trânsito é diferente do outro, por isso é importan-


te saber quais suas características para melhor socorrer a(s) vítima(s).
A sequência de ações sempre seguirá a mesma ordem, por isso ao se
deparar com um acidente de trânsito ou atropelamento siga as se-
guintes instruções:
„„ mantenha a calma e evite o pânico;
„„ garanta a segurança de todos: estacione o veículo em local se-
guro, não bloqueie a passagem da polícia ou do resgate, ligue o
pisca-alerta, sinalize o local com triângulo, identifique as ameaças

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à segurança e verifique os riscos as-
sociados (como vazamento de com-
bustível);
„„ controle a situação, mantendo os
curiosos longe;
„„ peça socorro profissional imedia-
tamente, informando o número de
vítimas e a localização;
„„ verifique a situação das vítimas,
tranquilize-as e caso não haja riscos
como incêndio ou quedas, evite que
elas se movam e não retire os equi-
pamentos de segurança;
„„ realize algumas ações de cuida-
do com as vítimas (detalhadas em
próximos tópicos), com o objetivo
de socorrê-la, sempre considerado
o seu conhecimento e treinamento
em primeiros socorros.

O socorrista tem obrigação de fazer


apenas o que estiver ao seu alcance, sem
jamais colocar a sua própria vida ou de
outras pessoas em risco.

||  SINALIZAÇÃO DO LOCAL DO ACIDENTE

Para garantir a segurança e evitar novos acidentes, a sinalização


deve estar distante do acidente, informando o ocorrido aos outros
condutores e pedestres. A distância pode ser medida contando passos
de acordo com a velocidade máxima da via indicada na placa. Caso
não haja sinalização sobre a velocidade máxima, pode-se considerar
os valores definidos de acordo com o CTB, veja a tabela:

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Velocidade Distância para início da sinalização
Tipo da via máxima Pista molhada, neblina,
permitida Pista seca
fumaça ou à noite

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Vias coletoras 40 km/h 40 passos largos 80 passos largos
Vias arteriais 60 km/h 60 passos largos 120 passos largos
Vias de trânsito rápido 80 km/h 80 passos largos 160 passos largos
Rodovias (pista dupla) 110 km/h* 110 passos largos 220 passos largos
Noções de primeiros socorros

Rodovias (pista simples) 100 km/h* 100 passos largos 200 passos largos
Estradas 60 km/h 60 passos largos 120 passos largos
* Para automóveis e caminhonetas

Quando estiver contando os passos e encontrar uma curva, pare a


contagem. Caminhe até o final da curva e então recomece a contar a
partir do zero. Faça a mesma coisa quando o acidente ocorrer no topo
de uma elevação, sem visibilidade para os veículos que estão subindo.
Utilize sempre triângulos. Na ausência de um, use outros objetos
do local como galhos de árvore. Pessoas também podem sinalizar o
acidente com uma camisa, por exemplo, desde que:
„„ estejam posicionadas longe de curvas, lombadas e pontes;
„„ utilizem roupas coloridas, contrastando com o local e agitando um
pano colorido para alertar os motoristas;

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„„ fiquem na lateral da pista, antes
do local do acidente e sempre de
frente ao fluxo do veículo;
„„ estejam atentas e preparadas em
caso de aparecer algum carro
desgovernado.

Quando for via de mão dupla, si-


nalize o local nos dois sentidos. À
noite ou com neblina sinalize com
objetos luminosos como lanterna,
pisca alerta e faróis de veículo.

||  SITUAÇÕES DE RISCO

Evite maiores riscos, adotando as seguintes atitudes em um acidente


de trânsito:
„„ proteja-se: evite contato com as secreções ou sangue da vítima;
„„ mantenha o acidentado seguro: na maioria dos casos, você não
poderá removê-lo da pista, por isso, sinalize para os condutores
dos demais veículos desviarem;
„„ desvie o veículo: ao parar o veículo próximo ao local do acidente,
coloque o volante e rodas viradas para o lado de fora da via. Assim,
se houver colisão com o seu carro, ele não será arremessado para
o local do acidente;
„„ desligue o motor do veículo e reúna todos os extintores que
puder;
„„ não fume no local do acidente;
„„ nunca encoste em cabos ou fios elétricos partidos. Caso seja
necessário, afaste o cabo utilizando objetos não condutores de ele-
tricidade como cano longo de plástico ou madeira seca;
„„ não entre em um automóvel se desconfiar que existe algum risco
de combustão ou explosão;

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„„ se houver óleo na pista, jogue terra e retire os obstáculos que pos-
sam existir;
„„ evacue a área e isole-a totalmente em caso de fogo ou de va-

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zamento de produtos que possam causar incêndios e explosões.
Fique atento aos painéis de segurança e aos rótulos de risco.

PRODUTOS QUÍMICOS PERIGOSOS


São alguns exemplos: agrotóxicos, combustíveis (gasolina, álcool,
diesel, gás liquefeito de petróleo – GLP), ácidos, explosivos, infectan-
Noções de primeiros socorros

tes e alcalinos, como soda cáustica.


Pode-se identificar o tipo de produto químico perigoso por meio do:
„„ painel de segurança: placa laranja contendo o nº ONU do produ-
to, que serve para identificar o tipo produto;
„„ rótulo de risco: placa de formato losango e serve para identificar
o tipo de risco envolvido.

Geralmente são transportados em grandes quantidades, por isso, es-


ses produtos representam grande risco à saúde, ao meio ambiente e
à segurança. Mantenha a distância de produtos químicos perigosos, o
indicado pelo Ministério do Meio Ambiente é que você fique a pelo me-
nos 100 metros de distância, em sentido contrário à direção do vento.

Número de risco Símbolo


Texto
Número ONU
Número de classe

Painel de segurança Rótulo de risco

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UTILIZAÇÃO DO EXTINTOR DE INCÊNDIO
Caso ocorra princípio de incêndio no aciden-
te com vítima, na ausência de especialista, use
o seu extintor e tente conter o fogo. O extin-
tor de incêndio mais comum em veículos é o
ABC. Ele elimina pequenos incêndios ocorridos
com líquidos inflamáveis em materiais sólidos
e equipamentos elétricos, além de ser de fácil
manuseio, como manipular um spray de tinta
comum. Deve ser usado na posição vertical, ja-
mais deitado ou de cabeça para baixo. É acio-
nado por uma válvula que deve ser mantida a
uma distância média do incêndio, sempre dire-
cionando o jato para a base das chamas.
Fique atento aos sinais:
„„ fumaça branca e sem cheiro: é vapor de
água do radiador;
„„ fumaça de cor escura e com cheiro forte: é
princípio de incêndio;
„„ vazamento de combustível: se perceber a
ocorrência, isole a área e saia do veículo.
Não tente apagar o incêndio.

Em um princípio de incêndio, você deverá estacionar em um lugar


seguro e aberto, tirar a chave da ignição e ligar para a equipe de so-
corro. Retire do local os produtos inflamáveis que houver e isole a área
se ocorrer vazamento de combustível.
O Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), a partir de 2015,
tornou facultativo (não obrigatório) o uso de extintor de incêndio para
automóveis, utilitários, camionetas, caminhonetes e triciclos de cabine
fechada. Os proprietários do veículo poderão optar pela utilização do
extintor de incêndio, que deverá ser do tipo ABC.

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||  ACIONAMENTO DE RECURSOS

Ao acionar o socorro, procure falar e escutar com calma, relatando

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o que viu acontecer. É sempre necessário informar:
„„ localização, pontos de referência e se há vias interditadas;
„„ tipo de acidente e riscos (fique atento às placas de incêndios, des-
moronamento ou cargas perigosas);
„„ número de vítimas, gravidade do estado delas, dados que você sai-
ba (idade, sexo etc.) e quais providências foram tomadas;
Noções de primeiros socorros

„„ quantos e quais são os veículos envolvidos.

Lembre-se que as ligações são gratuitas, os contatos são:

SAMU
Ligue para o Serviço de Atendimento
Móvel de Urgência (SAMU) – 192, em qual-
quer tipo de emergência relacionada à saú-
de. Pode ser acionado para atender:
„„ vítimas de acidentes de trânsito;
„„ pessoas que passam mal;
„„ pessoas que se acidentam (queda ou torções) em via urbana ou rural.

BOMBEIROS
Entre em contato com Bombeiros – 193:
„„ em acidente com vítimas presas em fer-
ragens ou capotamentos;
„„ quando houver perigo identificado
como fogo, fumaça, faíscas, vazamento
de substâncias, gases, líquidos ou com-
bustíveis;
„„ em locais instáveis como ribanceiras, muros caídos, valas etc.

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POLÍCIA OU BRIGADA MILITAR, POLÍCIA RODOVIÁRIA
FEDERAL E ESTADUAL
Contate a Polícia ou a Brigada Militar, discan-
do 190, quando o acidente for em vias urbanas.
Para Polícia Rodoviária Federal, disque 191, nas
vias rurais. Para Polícia Rodoviária Estadual disque
198. Acione sempre que ocorrer uma emergência
em locais sem serviços próprios de socorro. Estes
profissionais poderão auxiliar (ainda que sem os equipamentos e ma-
teriais necessários para o atendimento e transporte de uma vítima) e
garantir a segurança do local e das vítimas.

RODOVIAS
Todas as rodovias devem divulgar o número de
telefone a ser acionado em uma emergência.
Esses serviços não possuem um número único
de telefone, mudam de uma rodovia a outra. O
Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU) é obri-
gatório nas rodovias administradas por concessio-
nárias, geralmente o telefone inicia com 0800. Mantenha atualizado
o número de telefone das rodovias que utiliza com frequência.
Muitas rodovias possuem telefone de emergência nos acostamen-
tos, geralmente dispostos a cada quilômetro. Neles, é só retirar o tele-
fone do gancho e aguardar o atendimento.

||  CONDIÇÕES GERAIS DA VÍTIMA

Enquanto espera pelo socorro profissional, você pode ajudar as ví-


timas de trânsito de várias formas, como realizando alguns procedi-
mentos de primeiros socorros ou simplesmente sendo solidário.
„„ permaneça junto à vítima, em local que ela possa te ver, verificando
se ela está consciente;
„„ proteja-a contra frio, sol e chuva;

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„„ verifique os sinais vitais como respiração e batimentos cardíacos, e se
não há lesões na coluna, sangramento pela boca, nariz ou ouvidos;
„„ converse com ela acalmando-a: ouça e aceite suas queixas;

3
„„ mantenha-a informada do que está fazendo e o que está ocorrendo;
„„ faça perguntas para identificar dores físicas ou confusão mental;
„„ responda as perguntas com calma, não minta, mas não dê informa-
ções que possam causar impacto;
„„ se possível, sem movimentá-la, retire casacos e blusas para avaliar
se existem fraturas, ferimentos, queimaduras e sangramentos.
Noções de primeiros socorros

Lembre-se de se proteger, evitando possíveis doenças infectoconta-


giosas. Tenha cuidado pois algumas vítimas de acidente podem tor-
nar-se agressivas, não permitindo acesso ou auxílio. Tente a ajuda de
familiares ou conhecidos dela, se houver algum, mas se a situação
colocar você em risco, afaste-se.
Se houver mais de uma vítima, atenda primeiramente a que estiver
quieta e não consiga se movimentar, pois pode indicar que ela esteja
com parada respiratória. Aconselhe as vítimas a aguardarem sentadas,
em local seguro, mesmo as que conseguem se movimentar.

||  ANÁLISE PRIMÁRIA

Para saber como proceder no auxílio à vítima, você precisa fazer a


análise primária. Esta análise tem o objetivo de avaliar o estado geral
da vítima e seus sinais vitais para que os devidos procedimentos sejam
adotados. É avaliado o nível de consciência e seus sinais vitais como
pulsação, respiração e temperatura corporal.

PULSAÇÃO
Verifique a pulsação do acidentado, colocando dois ou três dedos
em um ponto arterial. O melhor local do corpo para verificar a pulsa-
ção de um adulto inconsciente é na base do pescoço, onde fica locali-
zada a artéria carótida, que leva o sangue do coração ao cérebro.

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A frequência da pulsação é afetada por diversos fatores: idade, sexo,
peso, emoções, estresse, medicamentos, condições físicas etc.
Segundo o cardiologista Maurício Scanavacca, crianças têm os bati-
mentos cardíacos mais altos e idosos mais baixos. Já em um adulto em
repouso, os batimentos cardíacos são considerados:
„„ altos (taquicardia): se estão acima de 100 por minuto;
„„ baixos (braquicardia): se estão abaixo de 40 por minutos.

RESPIRAÇÃO (VOS)
Você pode avaliar a frequência e a qualidade da respira-
ção com passos simples:
„„ Veja os movimentos respiratórios por meio da eleva-
ção do tórax/abdome;
„„ Ouça, colocando o ouvido próximo à boca e ao nariz;
„„ Sinta, colocando a mão próximo da boca e do nariz.

Para a avaliação da respiração, saiba que a frequência respiratória


média varia de acordo com o sexo e idade.
Em seu estado normal de saúde, um homem adulto respira de 14 a
20 vezes por minuto, já uma mulher adulta de 16 a 22 vezes, um bebê
respira de 40 a 50 vezes nos primeiros meses de vida e uma criança de
20 a 26 vezes.
Se a vítima apresentar inconsciência, ausência de movimento respi-
ratório, além de lábios, línguas e unhas azulados, significa que ela teve
parada respiratória.

VIAS AÉREAS
Se a vítima estiver consciente e responder sem dificuldade, significa
que as vias aéreas estão abertas, ela respira e apresenta circulação.
Mas, se a vítima não responder aos estímulos verbais, isso pode indicar
que as vias aéreas estão fechadas, tente desobstruí-las. Lembre-se de
não movimentar sua cabeça, evitando assim lesões na coluna.

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Caso a vítima esteja com a respiração ofegante, ela pode estar com
um quadro de sintoma de asma, estado de choque, embolia pulmonar
(existência de coágulo nas veias ou artérias do pulmão), asfixia devido

3
a inalação de fumaça, intoxicação por monóxido de carbono, hemor-
ragias ou lesão do pulmão, pescoço ou tórax.

TEMPERATURA
Meça a temperatura das vítimas nas axilas, e se for:
„„ menor que 36 graus: pode indicar estado de choque, he-
Noções de primeiros socorros

morragia interna ou morte;


„„ maior que 37 graus: pode indicar febre ou exposição pro-
longada ao sol.

DILATAÇÃO DAS PUPILAS


A pupila é o ponto mais escuro no centro do olho. Ela tem a carac-
terística de se ajustar conforme exposição à luz. Contrai quando nos
aproximamos da luz e dilata quando nos afastamos. Observe as pupi-
las e verifique se elas estão contraídas ou dilatadas:
„„ quando ambas as pupilas estão dilatadas, pode in-
dicar estado de choque, parada cardíaca ou morte;
„„ quando ambas as pupilas estão contraídas, pode
indicar traumatismo craniano ou intoxicação;
„„ quando uma pupila está dilatada e a outra contra-
ída, pode indicar derrame cerebral.

COR DA PELE
A cor da pele também é um indicador da condição da vítima. Veja:

Arroxeada Palidez Avermelhada

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„„ arroxeada: exposição ao frio, estado de choque, parada cardior-
respiratória ou morte;
„„ palidez: hemorragia, exposição ao frio ou parada cardiorrespiratória;
„„ avermelhada: febre, calor ambiente, ingestão de bebida alcoólica
ou início de envenenamento por monóxido de carbono.

PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA
Quando uma pessoa não apresenta movimento de respiração e nem
pulsação, pode indicar uma parada cardiorrespiratória. Outros sinto-
mas: inconsciência, o peito não mexe, cianose, ausência de pulsação e
palidez acentuada. A equipe de socorro fará a compressão torácica,
também conhecida como massagem cardíaca.

ESTADO DE CHOQUE
O sangue é responsável por levar o oxigênio para as células. Quando
há uma deficiência na circulação sanguínea, ocorre a falta de oxigênio
nas células, condição conhecida por estado de choque. Essa defi-
ciência pode ser provocada por grandes hemorragias, queimaduras
graves, choques elétricos, ataque cardíaco, fratura ou graves trauma-
tismos. Também pode ser provocado por uma crise de pânico.

Sintomas
Os principais sintomas são: palidez, suor na testa e nas palmas das
mãos, calafrios, pulso fraco, respiração acelerada, pele fria e pegajosa,
agitação e ansiedade, enjoos e vômitos, sensação de frios e tremores,
inconsciência parcial ou total.

Procedimentos Glossário
„„ Se a vítima não apresentar lesão na coluna, eleve as pernas; Cianose.  É a descoloração
azulada da pele.
„„ afrouxe as roupas;
Massagem
„„ retire qualquer objeto ou restos de comida da boca; cardíaca.  Técnica que
„„ mantenha a vítima aquecida; objetiva garantir a oxigenação
dos órgãos. Só pode ser
„„ verifique a pulsação e a respiração. realizada por profissionais.

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DESMAIOS1
É a perda instantânea e temporária da consciência e da capacidade
de manter-se em pé. Na maioria das vezes, os desmaios são causados

3
pela diminuição da circulação sanguínea no cérebro, resultando em
uma baixa oxigenação. O grande problema é que na queda, com fre-
quência há traumatismos ou fraturas ósseas.
O desmaio não é uma doença, mas pode ser um sintoma de doen-
ças vasculares, distúrbios metabólicos, uso de medicação, hipotensão
ou hipoglicemia. Fatores físicos ou emocionais como estresse, nervo-
Noções de primeiros socorros

sismo, emoções fortes, dores, cansaço, consumo de drogas ou álcool


também podem causar desmaios.

Sintomas
Alguns sintomas anunciam que a pessoa vai desmaiar,
são eles: fraqueza, palidez, náuseas, ânsia, suor frio, pul-
so fraca, respiração lenta e visão turva. Assim, se você
perceber esses sintomas, apoie a vítima antes que ela
caia, sente-a numa cadeira e coloque as pernas entre os
joelhos. Peça que a vítima respire profundamente e não
permita que ela se levante sozinha.

Procedimentos
Deite a pessoa desmaiada o mais confortável possível,
mas lembre-se de não movimentá-la se houver risco de
agravar o seu estado.
Glossário
Não tente acordar a vítima do desmaio. Se ela ficar in-
Hipotensão.  Estado de
baixa pressão arterial. consciente por mais de 5 minutos, chame a equipe de
Hipoglicemia.  Condição socorro imediatamente. Depois que ela recobrar a cons-
em que a taxa de glicose
no sangue está baixa.
ciência, mantenha-a deitada até ter certeza de que seu
estado de saúde está bom.

1 http://drauziovarella.com.br/letras/d/desmaiosincope/
http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2015/06/entenda-causas-dos-desmaios.html

20
CONVULSÕES
São contrações musculares involuntárias de todo o
corpo ou parte dele. Podem causar crises de convulsão2:
febre alta, falta de sono, menstruação, estresse, emo-
ções intensas, exercícios vigorosos, determinados ruí-
dos, músicas, odores ou luzes fortes.

Sintomas3
Alguns sintomas preveem a convulsão: sensação súbi-
ta de medo ou ansiedade, enjoo, tontura ou até mesmo
alteração na visão.
Glossário
Os sintomas de uma convulsão são: perda de consci- Espasmos musculares. 
ência seguida de confusão, espasmos musculares, sali- Contração involuntária
ou anormal de um
vação saliente, movimentos rápidos dos olhos, alteração músculo, normalmente
com dor na região.
súbita de humor, lábios e dedos arroxeados, respiração
Micção.  Ato de urinar.
irregular, perda do controle miccional e intestinal.

Procedimentos4
Diante de um quadro de convulsão:
„„ deite a vítima de lado para evitar que ela se engasgue com a pró-
pria saliva;
„„ apoie sua cabeça em algum material macio;
„„ afaste os objetos ao redor que possam machucá-la;
„„ afrouxe suas roupas e erga seu queixo para facilitar a respiração;
„„ não tente puxar a língua da vítima para fora e nem coloque objetos
em sua boca;
„„ não jogue água no seu rosto;
„„ mantenha-se próximo à vítima e não impeça os seus movimentos,
apenas garanta que não há nada que possa machucá-la.

2 https://drauziovarella.com.br/letras/c/convulsao-2/
3 http://pt.healthline.com/health/convulsoes#Sintomas3
4 https://drauziovarella.com.br/letras/c/convulsao-2/ e http://www.epilepsiabrasil.org.br
noticias/voce-sabe-como-ajudar-durante-uma-crise-convulsiva

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||  ANÁLISE

SECUNDÁRIA

Após realizar a análise primária e ter normalizado as funções vitais

3
da vítima, examine-a, verificando se há hemorragias, ferimentos, fra-
turas, queimaduras etc.

FERIMENTOS
Os ferimentos podem ser considerados abertos ou fechados. Se hou-
ver rompimento da pele, será caracterizado como aberto, caso contrá-
Noções de primeiros socorros

rio, será fechado, como uma contusão. Há procedimentos específicos


para cada tipo de ferimento. Veja:
„„ contusões: são pancadas ou batidas. Apli-
que compressas frias sobre a região e eleve a
parte atingida, deixando-a em repouso;
„„ ferimentos leves ou superficiais: são fe-
rimentos como arranhões ou escoriações.
Lave o ferimento em água corrente e pro-
teja o local com uma compressa de gaze ou
pano limpo até estancar o sangue5;
„„ ferimentos profundos: nesses casos, o mais urgente é estancar
o sangue. Se for preciso, limpe a área com um pano molhado para
encontrar o ferimento. Depois, pressione o local do ferimento com
gaze ou pano limpo e chame a equipe de socorro. A vítima deve ser
encaminhada para o socorro médico caso o sangue não estanque
em no máximo 10 minutos.
„„ ferimentos abdominais abertos: são considerados perigosos de-
vido a possibilidade de algum órgão interno da vítima ter sido atin-
gido. Primeiramente, mantenha a vítima deitada, não mecha nos
órgãos expostos e nem tente recolocá-los no lugar. Em seguida,
proteja os órgãos com um pano úmido, fixando de forma firme e
sem aplicar pressão excessiva.

5 https://drauziovarella.com.br/letras/c/cortes/

22
„„ ferimentos no tórax (peito): podem ser gravís-
simos caso haja algum pulmão atingido. Se per-
ceber ruídos de ar no sangramento, é possível
que os pulmões estejam perfurados. Verifique a
respiração da vítima até o socorro chegar, man-
tendo-a vítima imóvel e agasalhada. Em uma
situação de urgência, cubra o ferimento com
plástico e pano limpo em compressa grande. O
plástico deve ser fixado somente em 3 extremi-
dades, deixando um a livre afim de facilitar a en-
Fixar somente 3 extremidades
trada e saída de ar.
„„ ferimentos nos olhos: necessitam de cuidados
profissionais já que são muito sensíveis. Lave os olhos da vítima
com água limpa. Certifique-se de que a água não contenha ne-
nhum produto químico, uma vez que pode agravar a lesão. Cubra
o olho com gaze ou pano limpo e peça à vítima para manter ambos
os olhos fechados, mesmo se apenas um estiver com ferimento. Por
fim, encaminhe a vítima ao um profissional.
„„ ferimentos no rosto: podem ocorrer em forma de fraturas na
face ou dentes, hematomas nas pálpebras e hemorragias nasais ou
no ouvido. Esses ferimentos podem ser mais graves se, no caso de
motociclistas, o capacete não tiver proteção facial plena.

HEMORRAGIAS
Hemorragias internas
São aquelas em que não há o rompimento da
pele. Alguns dos sintomas são: inchaço, lábios páli-
dos, agitação, suor excessivo e pele escura e áspera.
Veja os principais procedimentos:
„„ não retire objetos empalados;
„„ não recoloque os órgãos expostos na cavidade;
„„ não aplique compressão sobre os órgãos;
„„ procure socorro médico imediatamente.

23
Hemorragias externas
São aquelas em que há o rompimento da pele e podem ser:

3
ARTERIAL VENOSA CAPILAR

Rompimento de uma artéria Rompimento de uma veia Rompimento de um vaso


capilar (pequeno calibre)
�  sangue sai em jatos; �  sangue escorre;
Noções de primeiros socorros

� cor vermelha rutilante �  cor vermelha mais escura; � sangue escorre lentamente;
(vivo); � mais fácil de controlar do � cor vermelha mais escura;
�  difícil de ser controlada; que a arterial; � facilmente controlada
� procedimentos para � procedimentos para com procedimentos para
grandes sangramentos. pequenos ou grandes pequenos sangramentos.
sangramentos.

Procedimentos para pequenos sangramentos


� Proteja-se utilizando uma luva de borracha;
„„ aplique compressa com gaze ou pano limpo;
„„ se não houver suspeita de fraturas, eleve os membros superiores
ou inferiores;
„„ realize bandagem: ela possibilita a imobilização de parte do cor-
po, se adapta à forma do membro, exercendo a pressão na medi-
da adequada, além de sustentar curativos. Não retire a bandagem
para colocar outra, e sim sobreponha;
„„ aguarde o socorro especializado.

Procedimentos para grandes sangramentos


„„ Proteja-se utilizando uma luva de borracha ou uma sacola plástica;
„„ aplique a compressa, se ela ficar encharcada de
Glossário
sangue, coloque outra por cima;
Gaze.  Tecido fino, de trama
„„ pressione os pontos arteriais. Compressão digital: aberta, feito de algodão,
seda ou fibras sintéticas.
o ponto de compressão no membro superior é a
artéria braquial, próxima ao bíceps; e, no mem- Bandagem.  Faixa aplicada
sobre um ferimento.
bro inferior é a artéria femoral, próxima a virilha;

24
„„ jamais fazer torniquete, procedimento médico no qual se bloqueia
a passagem do sangue para um determinado membro;
„„ não retirar objetos encravados.

QUEIMADURAS
As queimaduras podem ser classificadas em três níveis:

1º GRAU 2º GRAU 3º GRAU


Queimadura superficial, Queimadura parcial, Queimadura total, atinge
atinge somente a atinge a epiderme e a todas as camadas da pele
epiderme e possui derme e possui sintomas (pele, gordura, músculos e
sintomas de dor e de dor e vermelhidão ossos). Os sintomas são pouca
vermelhidão. mais intensa, além da e/ou ausência de dor e área
formação de bolhas. escurecida ou esbranquiçada.

Há também as queimaduras por produtos químicos como áci-


dos, cal, produtos cáusticos e agentes químicos em forma de pó. Nes-
ses casos, não lave a região, pois em muitas situações, a água pode
reagir com os produtos e agravar as lesões. Por isso, procure socorro
imediatamente.

Procedimentos
„„ Afaste a fonte de calor;
„„ retire rapidamente objetos que possam apertar como
anéis, pulseiras e relógio, antes que ocorra inchaço;
„„ lave com água corrente;
„„ aguarde a chegada do atendimento especializado;
„„ não fure bolhas;
„„ não passe produtos como borra de café, clara de ovo,
pimenta etc;
„„ não coloque gelo;
„„ não remova roupas que estejam grudadas à pele.

25
Em caso de fogo nas roupas:
„„ não deixe a vítima correr pois o oxigênio pode agravar a combustão;
„„ deite-a no chão com as chamas para cima;

3
„„ use um cobertor, toalha ou agasalho para abafar as chamas, come-
çando da cabeça em direção aos pés. Também pode fazer a vítima
rolar no chão.

Em caso de queimadura por corrente elétrica: não toque na vítima e


afaste-a da fonte de energia com um isolante como cabo de vassoura,
Noções de primeiros socorros

borracha, pano grosso ou corda. Nunca utilize objetos metálicos


ou úmidos6. Leve o acidentado imediatamente ao hospital para veri-
ficar se não houve alguma lesão interna.

FRATURAS
As fraturas podem ser:
„„ abertas (ou expostas): o osso quebra e
rompe a pele. Sintomas: dor, inchaço, defor-
mação e sangramento;
„„ fechadas: o osso quebra, mas não há o rom-
pimento da pele. Sintomas: dor, inchaço, de-
formação e local arroxeado.

Procedimentos
„„ Impessa o deslocamento e movimento das partes quebradas;
„„ se possível, proteja o membro com uma bandagem até a chegada
do socorro especializado;
„„ em caso de fratura exposta, NÃO tentar recolocar o osso fratu-
rado no lugar;
„„ nunca massagear o local;
„„ não movimentar o membro.

6 http://www.edp.com.br/distribuicao/edp-bandeirante/utilidades/acidentes-com-energia-ele-
trica/Paginas/default.aspx

26
Luxação7
É o descolamento repentino, podendo ser parcial ou completo, de
algum osso composto em uma articulação. Diferentemente da fratu-
ra, o osso apenas sai do lugar, sem se quebrar. Porém, não exclui a
possibilidade daquele osso também conter uma fratura. Os sintomas
são: dor intensa, inchaço, hematoma, pode haver fraqueza muscular
e deformação da articulação.

FRATURAS NA COLUNA
Não movimente a vítima e infor-
me a condição da vítima ao serviço
de socorro. Se a vítima informar dor
no pescoço e você perceber posi-
cionamento estranho da cabeça ou
adormecimento dos braços, pernas
ou outras partes do corpo, ela pode-
rá ter sofrido uma fratura na coluna.
Nesses casos, é extremamente importante mobilizar a cabeça e o
pescoço, pois uma lesão em algum nervo dessa região pode chegar a
deixar a vítima paralítica. SE O SOCORRO NÃO PUDER CHEGAR AO
LOCAL, veja como proceder:
„„ segure a cabeça da vítima pressionando a região das orelhas afim
de imobilizar a cabeça e o pescoço;
„„ não mova a vítima caso ela esteja dentro do veículo;
„„ se a vítima estiver de lado ou de bruços e respirando, mantenha a
cabeça sustentada na posição em que se encontra até a chegada
do socorro;
„„ somente vire a vítima caso perceba que ela não está respirando.

FRATURAS NO CRÂNIO
As fraturas no crânio podem ser gravíssimas e não são fáceis de
identificar, pois nem sempre são visíveis. Os sintomas são: dor local,

7 https://drauziovarella.com.br/letras/l/luxacao/

27
vômito, inconsciência, parada respiratória e sangramento pelo nariz,
boca ou ouvido.
SE O SOCORRO NÃO PUDER CHEGAR AO LOCAL, ao suspeitar

3
de fratura no crânio:
„„ deite a vítima de costas e afrouxe suas roupas;
„„ proteja o ferimento com uma compressa ou panos limpos;
„„ mantenha a vítima aquecida;
„„ em caso de acidentes com motocicletas, não retire o capacete;
„„ aguarde pelo socorro e em caso da vítima estar inconsciente, leve-a
Noções de primeiros socorros

imediatamente ao hospital.

FRATURAS DAS COSTELAS


Os sintomas de uma suspeita de fratura na
costela são dificuldade e dor para respirar.
Caso haja eliminação de sangue pela boca,
tente manter as vias aéreas desobstruídas e
evite movimentar a vítima. O sangue pode ser
sinal de que algum pulmão foi atingido.

AMPUTAÇÕES
A amputação traumática é a mutilação, quando um membro ou es-
trutura se separa do restante do corpo. Veja os procedimentos:
„„ faça compressão do local com força, usando gazes ou panos limpos;
„„ recolha a parte amputada, enrole-a com panos limpo e coloque-a
em um saco plástico com água limpa;
„„ armazene o saco dentro de um recipiente ou outro saco com gelo;
„„ não coloque o membro amputado diretamente no gelo.

SE O SOCORRO NÃO PUDER CHEGAR AO LOCAL, imobilize o


ferimentos com talas e somente depois movimente a vítima, caso seja
necessário.

28
||  CUIDADOS COM A VÍTIMA (O QUE NÃO FAZER)

1 Evite movimentar a vítima: você pode causar a piora de


uma lesão na coluna ou uma fratura de braço ou perna. Se
houver perigos ou riscos imediatos como incêndio, queda do
veículo ou explosões, faça a remoção utilizando técnicas ade-
quadas e ajuda. Evite impedir os movimentos da vítima.

2 Parada cardiorrespiratória: chame socorro imediatamente,


uma vez que não é permitido que um leigo faça técnicas de
reanimação cardiorrespiratória.

3 Não tente colocar no lugar membros ou vísceras/órgãos


expostos: a movimentação pode agravar as lesões e provocar
o rompimento de vasos sanguíneos ou lesões nos nervos.

4 Fraturas de costelas: não realize nenhum procedimento que


possa dificultar a respiração da vítima, como enfaixar o tórax.

5 Não arranque partes do vestuário grudados ao corpo


por motivo de queimadura.

6 Não aplique torniquetes: atualmente o torniquete só é apli-


cado por profissionais treinados e, mesmo assim, quase nunca
é aconselhado.

7 Não troque curativos: Você pode contaminar e infeccionar o


ferimento. Além disso, você correrá o risco de contrair alguma
doença contagiosa ou infecção.

8 Não aplique produtos nos ferimentos e queimaduras:


Você pode contaminar e infeccionar o ferimento, causando
um agravamento do estado da vítima.

9 Não dê alimentos ou bebidas para a vítima: a ingestão de


qualquer substância pode interferir negativamente nos pro-
cedimentos hospitalares (com exceção de pessoas cardíacas

29
que que podem fazer o uso de seus medicamentos). Pode ocorrer he-
morragias internas e o líquido pode chegar aos pulmões, agravando a
situação. Além disso, caso a vítima necessite de uma cirurgia, ela pre-

3
cisará estar de estômago vazio e, o líquido ou alimento ingerido pode
demorar várias horas para ser absorvido pelo organismo.

ATENÇÃO! A técnica da elevação da mandíbula somente deve ser exe-


cutada por profissionais extremamente capacitados. O DETRAN/RS
através da Divisão de Habilitação, em 15 de julho de 2008, expediu
Noções de primeiros socorros

correspondência eletrônica alegando que as técnicas de reanimação


cardiorrespiratória, mobilização e outros procedimentos específicos do
socorro devem ser feitos apenas por profissionais. A realização desses
procedimentos por leigos pode agravar o estado da vítima8.

||  CUIDADOS ESPECIAIS COM A VÍTIMA MOTOCICLISTA

Além de todos os cuidados vistos anteriormente, quando o aciden-


tado é um motociclista, alguns cuidados especiais devem ser tomados:
„„ desconfie sempre de que haverá fratura na região inferior, por cau-
sa da queda;
„„ não movimente a vítima e nem a remova do local: você pode agra-
var o estado geral dela e gerar outras complicações;
„„ não retire o capacete: a simples retirada do capacete pode movi-
mentar intensamente a cabeça e agravar lesões no pescoço ou crâ-
nio. Somente retire o capacete se a vítima estiver com sinais claros
que tem dificuldade de respirar e necessita de respiração artificial;
„„ proteja bem o local para que o trânsito de veículos fique bem dis-
tante da vítima;
„„ nunca eleve a cabeça e pernas: não é recomendado que movimen-
te nem se eleve a cabeça ou as pernas pois geralmente as fraturas
de vitimas de moto são agravadas.

8 Os conteúdos de primeiros socorros seguem orientações do CONTRAN e DETRAN /RS

30
||  ACIDENTES SEM VÍTIMA

„„ Retire o veículo do local para desbloquear a via;


„„ não há a necessidade de chamar resgate;
„„ faça o Boletim de Ocorrência na delegacia mais próxima. Algumas
cidades já oferecem a possibilidade de fazer o registro online.

Caso seja observado, nos condutores envolvidos, a suspeita de cri-


mes de trânsito como embriaguez, condutor não habilitado etc. A
Polícia Militar (190) ou Rodoviária (191) deve ser acionada e os
condutores devem permanecer no local até a chegada da viatura.

31
TESTE OS SEUS CONHECIMENTOS

1. Qual ação deve ser realizada para sinalizar o para que eles identifiquem o tipo de pro-
local do acidente? duto e os riscos.
a. Bloquear o fluxo de trânsito da via com o c. Isolar o local, mantendo uma distância
seu veículo, ligando o pisca-alerta. mínima de 100 metros e em sentido con-
b. Estacionar o veículo em local seguro, li- trário ao vento. Não é necessário informar
gando o pisca-alerta, evitando bloquear o à equipe de socorro que se trata de um
fluxo de trânsito. acidente envolvendo produtos perigosos.
c. Estacionar o veículo em local seguro, evi- d. Isolar o local, mantendo uma distância
tando bloquear o fluxo de trânsito. Não é máxima de 50 metros e em sentido a fa-
necessário ligar o pisca-alerta. vor do vento. Não é necessário informar
d. Bloquear o fluxo de trânsito da via com o à equipe de socorro que se trata de um
seu veículo. Não é necessário ligar o pis- acidente envolvendo produtos perigosos.
ca-alerta.
4. Qual dos serviços abaixo deve ser acionado
2. Para sinalizar o local do acidente, você deve para socorrer qualquer emergência ligada à
considerar a velocidade da via e as condições saúde, em qualquer local, inclusive acidentes
da pista, sendo: de trânsito?
a. Se a pista estiver seca, calcular 2 passos a. Polícia Militar, ligando para 190.
por km/h. Se a pista estiver molhada, cal- b. Polícia Rodoviária Federal, ligando para
cular 5 passos por km/h. 191.
b. Se a pista estiver seca, calcular 2 passos c. Serviço de Atendimento Móvel de Urgên-
por km/h. Se a pista estiver molhada, cal- cia (SAMU), ligando para 192.
cular 1 passo por km/h. d. Polícia Rodoviária Estadual, ligando para
c. Se a pista estiver seca, calcular 1 passo por 198.
km/h. Se a pista estiver molhada, calcular
2 passos por km/h. 5. Em um acidente de trânsito, o que o condu-
d. Se a pista estiver seca, calcular 2 passos tor pode fazer enquanto espera a equipe de
por km/h. Se a pista estiver molhada, cal- socorro?
cular 3 passos por km/h. a. Conversar com ela, acalmando-a e infor-
mando-a do que está acontecendo, sem
3. O que deve ser feito em um acidente de trân- passar informações impactantes.
sito que envolva caminhão de transporte de b. Nada, o condutor deve aguardar o mais
produtos perigosos, como o combustível? distante possível das vítimas.
a. Isolar o local, mantendo uma distância mí- c. Movimentar a vítima para longe do fluxo de
nima de 100 metros e em sentido contrá- veículos, facilitando a chegada do socorro.
rio ao vento. Informar à equipe de socorro d. Ficar próximo da vítima, mesmo que a si-
o que está escrito na placa de segurança tuação ofereça riscos ao condutor.
para que eles identifiquem o tipo de pro-
duto e os riscos. 6. Se houver mais de uma vítima no local do aci-
b. Isolar o local, mantendo uma distância dente, qual delas a equipe de socorro atende-
máxima de 50 metros e em sentido a favor rá primeiro?
do vento. Informar à equipe de socorro o a. A vítima que estiver mais agitada, para
que está escrito na placa de segurança acalmar a situação.

32
b. A vitima que estiver mais quieta e não b. Em caso de parada cardiorrespiratória, de-
conseguir se movimentar, pois pode indi- ve-se chamar o socorro imediatamente,
car parada respiratória. pois não é permitido que um leigo faça
c. A vítima que estiver com ferimentos mais técnicas de reanimação cardiorrespiratória.
leves para atender o maior número de c. Em caso de queimaduras, o indicado é
pessoas primeiro. NÃO arrancar a roupa que esteja grudada
d. Não há prioridade de atendimento, a equi- na pela da vítima.
pe irá atender a que estiver mais próxima. d. Se a vítima estiver com sede oferecer água,
mantendo-a hidratada até que o socorro
7. Se em um acidente de trânsito, a vítima apre-
chegue ao local.
sentar convulsão. Qual é a recomendação
para esse caso? 10. O que fazer em um acidente com vítima mo-
a. Deitar a vítima de bruços, afastar objetos tociclista que esteja inconsciente e com os jo-
que possam machucá-la e apertar as rou- elhos dobrados em posição estranha?
pas para impedir a movimentação. a. Retirar o capacete, desdobrar os joelhos e
b. Deitar a vítima de lado, apertar as roupas acionar a equipe de socorro.
para impedir movimentação e tentar pu- b. Desdobrar os joelhos da vítima para uma
xar a língua da vítima para fora. posição mais confortável e acionar a equi-
c. Deitar a vítima de lado, apoiar sua cabeça pe de socorro.
em material macio, afrouxar suas roupas e c. Verificar se está respirando sem retirar o
colocar alguma objeto em sua boca para capacete e acionar a equipe de socorro.
que ela morda. d. Virar a cabeça do motociclista e tentar
d. Deitar a vítima de lado, apoiar sua cabe- acordá-lo.
ça em material macio, afastar objetos que
possam machucá-la e afrouxar suas roupas. 11. Se a vítima apresentar temperatura inferior a
36º C, ela pode estar apresentando sinal de:

1- B, 2- C, 3- A, 4- C, 5- A, 6- B, 7- D, 8- D, 9- D, 10- C, 11-A, 12-B


8. Quais procedimentos NÃO SÃO INDICADOS a. Hemorragia interna ou estado de choque.
para tratar queimaduras de 2º grau? b. Febre ou hemorragia interna.
a. Afastar a fonte de calor e retirar objetos c. Exposição prolongada ao sol ou febre.
que possam apertar antes do inchaço. d. Febre ou estado de choque.
b. Afastar a fonte de calor e lavar a região
com água corrente; 12. Em caso de acidente de trânsito com vítima, o

c. Retirar objetos que possam apertar antes condutor deverá:


do inchaço e lavar a região com água cor- a. Sinalizar a área do acidente, com o carro
rente. impedindo o fluxo de trânsito e com o fa-
d. Remover roupas que estejam grudadas na rol alto ligado.
pele e furar bolhas. b. Sinalizar a área do acidente com triângulo,
estacionar o carro em local seguro, ligar o
9. Quais das ações indicam um procedimento pisca-alerta e chamar a equipe de socorro.
que NÃO DEVE ser realizado em primeiros so- c. Remover, imediatamente, as vítimas do lo-
corros? cal, colocando-as na lateral da pista ou na
a. Em caso de queimaduras NÃO aplicar ne- calçada e avisar os familiares.
nhum tipo de produto, para não contami- d. Não perder tempo e levar a vítima para o
nar ou infeccionar o ferimento. hospital mais próximo em seu veículo.

33
REFERÊNCIAS

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Socorros no Trânsito. São Paulo: desmaio. São Paulo, SP. 2015. Disponível

3
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