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E S PCEX

Escola Preparatória de Cadetes do Exército

Oficial de Carreira do Exército Brasileiro


Edital Nº 01/SCONC, de 28 de Abril de 2017
AB094-2017
DADOS DA OBRA

Título da obra: Escola Preparatória de Cadetes do Exército - EsPCEx

Cargo: Oficial de Carreira do Exército Brasileiro

(Baseado no Edital Nº 01/SCONC, de 28 de Abril de 2017)

• Física
• Química
• Geografia
• História
• Inglês
• Matemática
• Português
• Redação

Gestão de Conteúdos
Emanuela Amaral de Souza

Produção Editorial/Revisão
Elaine Cristina
Igor de Oliveira
Suelen Domenica Pereira

Capa
Rosa Thaina dos Santos

Editoração Eletrônica
Marlene Moreno

Gerente de Projetos
Bruno Fernandes
APRESENTAÇÃO

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SUMÁRIO

Física
1) Mecânica: Introdução ao método científico na Física, conceitos básicos de cinemática, movimento uniforme, movi-
mento uniformemente variado, movimentos sob a ação da gravidade, movimentos circulares, gráficos da cinemática,
composição de movimentos e cinemática vetorial, dinâmica, energia, trabalho, impulso, potência, rendimento, quan-
tidade de movimento, choques mecânicos, estática de um ponto material e de um corpo extenso rígido, hidrostática,
princípios de conservação, leis de Kepler e gravitação universal.......................................................................................................... 01
2) Termologia: Conceitos fundamentais de termologia, termometria, calorimetria, mudanças de fase, diagramas de fase,
propagação do calor, dilatação térmica de sólidos e líquidos, gases ideais e termodinâmica................................................. 12
3) Óptica: Princípios da óptica geométrica, reflexão da luz, espelho plano, espelhos esféricos, refração luminosa, lentes
esféricas, instrumentos ópticos, olho humano e defeitos da visão...................................................................................................... 14
4) Ondas: Movimento harmônico simples, conceitos básicos de ondas e pulsos, reflexão, refração, difração, interferên-
cia, polarização, ondas sonoras e efeito Doppler. ...................................................................................................................................... 15
5) Eletricidade: Carga elétrica, princípios da eletrostática, processos de eletrização, força elétrica campo elétrico, po-
tencial elétrico, trabalho da força elétrica, energia potencial elétrica, condutores em equilíbrio eletrostático, capacidade
elétrica, corrente elétrica, potência e energia na corrente elétrica, resistores, resistência elétrica, associação de resisto-
res, associação de capacitores, energia armazenada nos capacitores, aparelhos de medição elétrica, geradores e recep-
tores elétricos, .......................................................................................................................................................................................................... 33
Leis de Kirchhoff, conceitos iniciais do magnetismo, campo magnético, força magnética, indução eletromagnética, cor-
rente alternada, transformadores e ondas eletromagnéticas................................................................................................................. 42

Química
1) Matéria e Substância: Propriedades gerais e específicas; estados físicos da matéria-caracterização e propriedades;
misturas, sistemas, fases e separação de fases; substâncias simples e compostas; substâncias puras; unidades de matéria
e energia...................................................................................................................................................................................................................... 01
2) Estrutura Atômica Moderna: Introdução à Química; evolução dos modelos atômicos; ....................................................... 05
elementos químicos: principais partículas do átomo,................................................................................................................................ 06
número atômico e número de massa, íons, isóbaros, isótonos, isótopos e isoeletrônicos;....................................................... 07
configuração eletrônica: diagrama de Pauling, regra de Hund (Princípio de exclusão de Pauli) e números quânticos. ...........08
3) Classificações Periódicas: Histórico da classificação periódica; grupos e períodos;................................................................. 09
propriedades periódicas: raio atômico, energia de ionização, afinidade eletrônica, eletropositividade e eletronegativi-
dade. ............................................................................................................................................................................................................................. 10
4) Ligações Químicas: Ligações iônicas, ligações covalentes e ligação metálica; .......................................................................... 12
fórmulas estruturais: reatividade dos metais. ............................................................................................................................................... 13
5) Características dos Compostos Iônicos e Moleculares: Geometria molecular: polaridade das moléculas; forças inter-
moleculares; número de oxidação; polaridade e solubilidade. ............................................................................................................. 14
6) Funções Inorgânicas: Ácidos, bases, sais e óxidos; nomenclaturas, reações, propriedades, formulação e classificação. ..............17
7) Reações Químicas: Tipos de reações químicas; previsão de ocorrência das reações químicas: balanceamento de equa-
ções pelo método da tentativa e oxirredução.............................................................................................................................................. 18
8) Grandezas Químicas: Massas atômicas e moleculares; massa molar; quantidade de matéria e número de Avogrado. ......... 19
9) Estequiometria: Aspectos quantitativos das reações químicas; cálculos estequiométricos; reagente limitante de uma
reação e leis químicas (leis ponderais). ........................................................................................................................................................... 21
10) Gases: Equação geral dos gases ideais; leis de Boyle e de Gay-Lussac: equação de Clapeyron; princípio de Avogrado
e energia cinética média; misturas gasosas, pressão parcial e lei de Dalton; difusão gasosa, noções de gases reais e
liquefação. .................................................................................................................................................................................................................. 21
11) Termoquímica: Reações endotérmicas e exotérmicas; tipos de entalpia; Lei de Hess, determinação da variação de
entalpia e representações gráficas; e cálculos envolvendo entalpia.................................................................................................... 23
12) Cinética: Velocidade das reações; fatores que afetam a velocidade das reações; e cálculos envolvendo velocidade da
reação............................................................................................................................................................................................................................ 29
13) Soluções: Definição e classificação das soluções; tipos de soluções, solubilidade, aspectos quantitativos das so-
luções; concentração comum; concentração molar ou molaridade, título, densidade; relação entre essas grandezas:
diluição e misturas de soluções; e análise volumétrica (titulometria)................................................................................................. 30
14) Equilíbrio Químico: Sistemas em equilíbrio; constante de equilíbrio; princípio de Le Chatelier; constante de ioniza-
ção; grau de equilíbrio; grau de ionização; efeito do íon comum; hidrólise; pH e pOH; produto de solubilidade; reações
envolvendo gases, líquidos e gases. ................................................................................................................................................................ 32
15) Eletroquímica: Conceito de ânodo, cátodo e polaridade dos eletrodos; processos de oxidação e redução, equacio-
namento, número de oxidação e identificação das espécies redutoras e oxidantes; aplicação da tabela de potenciais
padrão; pilhas e baterias; equação de Nernst; corrosão; eletrólise e Leis de Faraday. ................................................................ 33
SUMÁRIO

16) Radioatividade: Origem e propriedade das principais radiações; leis da radioatividade; cinética das radiações e cons-
tantes radioativas; transmutações de elementos naturais; fissão e fusão nuclear; uso de isótopos radioativos; e efeitos
das radiações. ........................................................................................................................................................................................................... 40
17) Princípios da química orgânica: Conceito: funções orgânicas: tipos de fórmulas; séries homólogas: propriedades
fundamentais do átomo de carbono, tetravalência, hibridização de orbitais, formação, classificação das cadeias carbô-
nicas e ligações.......................................................................................................................................................................................................... 43
18) Análise orgânica elementar: determinação de fórmulas moleculares. ....................................................................................... 51
19) Funções orgânicas: Hidrocarbonetos, álcoois, aldeídos, éteres, cetonas, fenóis, ésteres, ácidos carboxílicos, sais de
ácidos carboxílicos, aminas, amidas e nitrocompostos: nomenclatura, radicais, classificação, propriedades físicas e quí-
micas, processos de obtenção e reações........................................................................................................................................................ 52

Geografia
1) Geografia Geral: a) Localizando-se no Espaço: orientação e localização: coordenadas geográficas e fusos horários;
cartografia: a cartografia e as visões de mundo, as várias formas de representação da superfície terrestre, projeções
cartográficas, escalas e convenções cartográficas. .................................................................................................................................... 01
b) O Espaço Natural: estrutura e dinâmica da Terra: evolução geológica, deriva continental, placas tectônicas, dinâmica
da crosta terrestre, tectonismo, vulcanismo, intemperismo, tipos de rochas e solos, formas de relevo e recursos minerais;
as superfícies líquidas: oceanos e mares, hidrografia, correntes marinhas....................................................................................... 04
– Tipos e influência sobre o clima e a atividade econômica, utilização dos recursos hídricos e situações hidroconfliti-
vas;........................................................................................................................................................................................................................05
A dinâmica da atmosfera: camadas e suas características, composição e principais anomalias.............................................. 06
– El Niño, La Niña,..................................................................................................................................................................................................... 07
Buraco na camada de ozônio e aquecimento global: elementos e fatores do clima e os tipos climáticos;........................ 08
Os domínios naturais: distribuição da vegetação e características gerais das grandes paisagens naturais;....................... 09
E os impactos ambientais: poluição atmosférica, erosão, assoreamento, poluição dos recursos hídricos e a questão da
biodiversidade. ......................................................................................................................................................................................................... 10
c) O Espaço Político e Econômico: indústria: o processo de industrialização, primeira, segunda e terceira revolução in-
dustrial, tipos de indústria, a concentração e a dispersão industrial, os conglomerados transnacionais, os novos fatores
de localização industrial, as fontes de energia e a questão energética,............................................................................................. 10
Impactos ambientais; agropecuária: sistemas agrícolas, estrutura agrária, uso da terra, agricultura e meio ambiente,
produção agropecuária, comércio mundial de alimentos e a questão da fome;............................................................................ 14
Globalização e circulação: os fluxos financeiros, transportes, os fluxos de informação, o meio tecnocientífico-informa-
cional, comércio mundial, blocos econômicos, conflitos étnicos e as migrações internacionais; a Divisão Internacional
do Trabalho (DIT) e as trocas desiguais; a Nação e o Território............................................................................................................. 18
Os Estados territoriais e os Estados nacionais: a organização do Estado Nacional; e o poder global, nova ordem mundial,
fronteiras estratégicas............................................................................................................................................................................................ 21
d) O Espaço Humano: demografia: teorias demográficas, estrutura da população, crescimento demográfico; transição
demográfica e migrações; urbanização: processo de urbanização, espaço urbano e problemas urbanos; e os principais
indicadores socioeconômicos............................................................................................................................................................................. 23
2) Geografia do Brasil: a) O Espaço Natural: características gerais do território brasileiro: posição geográfica, limites e
fusos horários; geomorfologia: origem, formas e classificações do relevo: Aroldo de Azevedo, Aziz Ab’Saber e Jurandyr
Ross e a estrutura geológica;............................................................................................................................................................................... 27
a atmosfera e os climas: fenômenos climáticos e os climas no Brasil; domínios naturais: distribuição da vegetação, ca-
racterísticas gerais dos domínios morfoclimáticos, aproveitamento econômico e problemas ambientais; e os recursos
hídricos: bacias hidrográficas, aquíferos, hidrovias e degradação ambiental.................................................................................. 30
b) O Espaço Econômico: a formação do território nacional: economia colonial e expansão do território, da cafeicultura
ao Brasil urbano-industrial e integração territorial;.................................................................................................................................... 36
a industrialização pós Segunda Guerra Mundial: modelo de substituição das importações, abertura para investimentos
estrangeiros, dinâmica espacial da indústria, pólos industriais.............................................................................................................. 38
A indústria nas diferentes regiões brasileiras e a reestruturação produtiva;.................................................................................... 42
O aproveitamento econômico dos recursos naturais e as atividades econômicas: os recursos minerais, fontes de energia
e meio ambiente, o setor mineral e os grandes projetos de mineração;........................................................................................... 43
Agricultura brasileira: dinâmicas territoriais da economia rural, a estrutura fundiária,................................................................ 44
Relações de trabalho no campo,........................................................................................................................................................................ 45
A modernização da agricultura,.......................................................................................................................................................................... 45
Êxodo rural,................................................................................................................................................................................................................. 46
Agronegócio e a produção agropecuária brasileira; e o comércio: globalização e economia nacional, comércio exterior,
integração regional (Mercosul e América do Sul), eixos de circulação e custos de deslocamento......................................... 47
SUMÁRIO

c) O Espaço Político: formação territorial – território, fronteiras, faixa de fronteiras, mar territorial e ZEE; estrutura polí-
tico-administrativa, estados, municípios, distrito federal e territórios federais; a divisão regional, segundo o IBGE, e os
complexos regionais; e políticas públicas............................................................................................................................................................
d) O Espaço Humano: demografia: transição demográfica, crescimento populacional, estrutura etária, política demo-
gráfica e mobilidade espacial (migrações internas e externas);............................................................................................................. 66
mercado de trabalho: estrutura ocupacional e participação feminina; desenvolvimento humano: os indicadores socioe-
conômicos;.................................................................................................................................................................................................................. 66
e a urbanização brasileira: processo de urbanização, rede urbana, hierarquia urbana, regiões metropolitanas e RIDEs,
espaço urbano e problemas urbanos............................................................................................................................................................... 68

História
1) A Sociedade Feudal (Século V ao XV)......................................................................................................................................................... 01
2) O Renascimento Comercial e Urbano......................................................................................................................................................... 02
3) Os Estados Nacionais Europeus da Idade Moderna, o Absolutismo e o Mercantilismo........................................................ 03
4) A Expansão Marítima Europeia...................................................................................................................................................................... 04
5) O Renascimento Cultural, o Humanismo e as Reformas Religiosas................................................................................................ 05
6) A Montagem da Colonização Europeia na América: Os Sistemas Coloniais Espanhol, Francês, Inglês e dos Países
Baixos............................................................................................................................................................................................................................ 06
7) O Sistema Colonial Português na América: Estrutura Político-Administrativa; estrutura socioeconômica; invasões
estrangeiras; expansão territorial; rebeliões coloniais............................................................................................................................... 08
Movimentos Emancipacionistas: Conjuração Mineira e Conjuração Baiana..................................................................................... 09
8) O Iluminismo e o Despotismo Esclarecido................................................................................................................................................ 10
9) As Revoluções Inglesas (Século XVII) e a Revolução Industrial (Século XVIII a XX)................................................................... 12
10) A Independência dos Estados Unidos da América.............................................................................................................................. 13
11) A Revolução Francesa e a Restauração (o Congresso de Viena e a Santa Aliança)................................................................ 14
12) O Brasil Imperial: O processo da independência do Brasil: o Período Joanino; Primeiro Reinado; Período Regencial;
Segundo Reinado; Crise da Monarquia e Proclamação da República................................................................................................. 17
13) O Pensamento e a Ideologia no Século XIX: O Idealismo Romântico; o Socialismo Utópico e o Socialismo Científico;
o Cartismo; a Doutrina Social da Igreja; o Liberalismo e o Anarquismo; o Evolucionismo e o Positivismo......................... 18
14) O Mundo na Época da Primeira Guerra Mundial: O imperialismo e os antecedentes da Primeira Guerra Mundial; a
Primeira Guerra Mundial; consequências da Primeira Guerra Mundial; a República Velha no Brasil; conflitos brasileiros
durante a República Velha.................................................................................................................................................................................... 20
15) O Mundo na Época da Segunda Guerra Mundial: O entre-guerras; a Segunda Guerra Mundial;.................................... 23
O Brasil na Era Vargas; a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial................................................................................. 24
16) O Mundo no Auge da Guerra Fria: A reconstrução da Europa e do Japão e o surgimento do mundo bipolar; os
principais conflitos da Guerra Fria – a Guerra da Coréia (1950 – 1953),............................................................................................. 29
A Guerra do Vietnã (1961 – 1975)...................................................................................................................................................................... 31
Os conflitos árabes-israelenses entre 1948 e 1974;.................................................................................................................................... 32
A descolonização da África e da Ásia;.............................................................................................................................................................. 33
A República Brasileira entre 1945 e 1985........................................................................................................................................................ 37
17) O Mundo no Final do Século XX e Início do Século XXI: Declínio e queda do socialismo nos países europeus (Ale-
manha, Polônia, Hungria, ex-Tchecoslováquia, Romênia, Bulgária, Albânia, ex-Iugoslávia) e na ex-União Soviética; os
conflitos do final do Século XX – a Guerra das Malvinas,......................................................................................................................... 38
A Guerra Irã-Iraque (1980 – 1989),.................................................................................................................................................................... 39
A Guerra do Afeganistão (1979 – 1989), a Guerra Civil no Afeganistão (1989 – 2001),............................................................... 39
A Guerra do Golfo (1991),..................................................................................................................................................................................... 40
A Guerra do Chifre da África (1977 – 1988);.................................................................................................................................................. 41
A Guerra Civil na Somália (1991);....................................................................................................................................................................... 42
O 11 de Setembro de 2001 e a nova Guerra no Afeganistão;................................................................................................................ 42
A República Brasileira de 1985 até os dias atuais........................................................................................................................................ 43

Inglês
A prova de Língua Inglesa do Concurso de Admissão estina-se a avaliar a habilidade de compreensão geral de textos
na língua inglesa, bem como a compreensão específica de expressões, frases, palavras e o conhecimento das seguintes
estruturas gramaticais: adjectives, adverbs, nouns, articles, conjunctions, modal auxiliaries, prepositions, pronouns, pos-
sessive adjectives, determiners, quantifiers, verb forms, wh-questions. Os textos abordarão temas variados e poderão
ser extraídos das mais diversas fontes (livros, revistas, jornais e internet)........................................................................................ 01
SUMÁRIO

Matemática
1) Teoria dos Conjuntos e Conjuntos Numéricos: representação de conjuntos, subconjuntos, operações: união, in-
terseção, diferença e complementar. Conjunto universo e conjunto vazio; conjunto dos números naturais e inteiros:
operações fundamentais, Números primos, fatoração, número de divisores, máximo divisor comum e mínimo múlti-
plo; conjunto dos números reais: operações fundamentais, módulo, representação decimal, operações com intervalos
reais; e números complexos: operações, módulo, conjugado de um número complexo, representações algébrica e
trigonométrica. Representação no plano de Argand-Gauss, Potencialização e radiciação. Extração de raízes. Fórmulas
de Moivre. Resolução de equações binomiais e trinomiais.................................................................................................................01
2) Funções: definição, domínio, imagem, contradomínio, funções injetoras, sobrejetoras e bijetoras, funções pares e
ímpares, funções periódicas; funções compostas; relações; raiz de uma função; função constante, função crescente,
função decrescente; função definida por mais de uma sentença; as funções y=k/x, y= raiz quadrada de x e seus gráfi-
cos; função inversa e seu gráfico; e translação, reflexão de funções................................................................................................14
3) Função Linear, Função Afim e Função Quadrática: gráficos, domínio, imagem e características; variações de sinal;
máximos e mínimos; e inequação produto e inequação quociente. ...............................................................................................16
4) Função Modular: o conceito e propriedades do módulo de um número real; definição, gráfico, domínio e imagem
da função modular; equações modulares; e as inequações modulares..........................................................................................18
5) Função Exponencial: gráficos, domínio, imagem e características da função exponencial, logaritmos decimais, ca-
racterística e mantissa; e as equações e inequações exponenciais. .................................................................................................19
6) Função Logarítmica: definição de logaritmo e propriedades operatórias; gráficos, domínio, imagem e características
da função logarítmica; e equações e inequações logarítmicas...........................................................................................................21
7) Trigonometria: trigonometria no triângulo (retângulo e qualquer); lei dos senos e lei dos cossenos; unidades de
medidas de arcos e ângulos: o grau e o radiano; círculo trigonométrico, razões trigonométricas e redução ao 1º qua-
drante; funções trigonométricas, transformações, identidades trigonométricas fundamentais, equações e inequações
trigonométricas no conjunto dos números reais; fórmulas de adição de arcos, arcos duplos, arco metade e transfor-
mação em produto; as funções trigonométricas inversas e seus gráficos, arcos notáveis; e sistemas de equações e
inequações trigonométricas e resolução de triângulos.........................................................................................................................26
8) Contagem e Análise Combinatória: fatorial: definição e operações; princípios multiplicativo e aditivo da contagem; arran-
jos, combinações e permutações; e o binômio de Newton: desenvolvimento, coeficientes binomiais e termo geral. ............33
9) Probabilidade: experimento aleatório, experimento amostral, espaço amostral e evento; probabilidade em espaços
amostrais equiprováveis; probabilidade da união de dois eventos; probabilidade condicional; propriedades das pro-
babilidades; e a probabilidade de dois eventos sucessivos e experimentos binomiais. ..........................................................37
10) Matrizes, Determinantes e Sistemas Lineares: operações com matrizes (adição, multiplicação por escalar, trans-
posição produto); matriz inversa; determinante de uma matriz: definição e propriedades; e os sistemas de equações
lineares.....................................................................................................................................................................................................................41
11) Sequências Numéricas e Progressões: sequências Numéricas; progressões aritméticas: termo geral, soma dos
termos e propriedades; progressões Geométricas: termo geral, soma dos termos e propriedades....................................47
12) Geometria Espacial de Posição: posições relativas entre duas retas; posições relativas entre dois planos; posições
relativas entre reta e plano; perpendicularidade entre duas retas, entre dois planos e entre reta e plano; e a projeção
ortogonal. ..............................................................................................................................................................................................................51
13) Geometria Espacial Métrica: prismas: conceito, elementos, classificação, áreas e volumes e troncos; pirâmide: con-
ceito, elementos, classificação, áreas e volumes e troncos; cilindro: conceito, elementos, classificação, áreas e volumes
e troncos; cone: conceito, elementos, classificação, áreas e volumes e troncos; esfera: elementos, seção da esfera, área,
volumes e partes da esfera; projeções; sólidos de revolução; e inscrição e circunscrição de sólidos..................................53
14) Geometria Analítica Plana: ponto: o plano cartesiano, distância entre dois pontos, ponto médio de um segmento
e condição de alinhamento de três pontos; reta: equações geral e reduzida, interseção de retas, paralelismo e perpen-
dicularidade, ângulo entre duas retas, distância entre ponto e reta e distância entre duas retas, bissetrizes do ângulo
entre duas retas, Área de um triângulo e inequações do primeiro grau com duas variáveis; circunferência: equações
geral e reduzida, posições relativas entre ponto e circunferência, reta e circunferência e duas circunferências; proble-
mas de tangência; e equações e inequações do segundo grau com duas variáveis; elipse: definição, equação, posições
relativas entre ponto e elipse, posições relativas entre reta e elipse; hipérbole: definição, equação da hipérbole, posi-
ções relativas entre ponto e hipérbole, posições relativas entre reta e hipérbole e equações das assíntotas da hipér-
bole; parábola: definição, equação, posições relativas entre ponto e parábola, posições relativas entre reta e parábola;
reconhecimento de cônicas a partir de sua equação geral..................................................................................................................60
15) Geometria Plana: Ângulo: definição, elementos e propriedades; Ângulos na circunferência; Paralelismo e perpen-
dicularidade; Semelhança de triângulos; Pontos notáveis do triângulo; Relações métricas nos triângulos (retângulos
e quaisquer); Relação de Stewart; Triângulos retângulos, Teorema de Pitágoras; Congruência de figuras planas; Feixe
SUMÁRIO

de retas paralelas e transversais, Teorema de Tales; Teorema das bissetrizes internas e externas de um triângulo; Qua-
driláteros notáveis; Polígonos, polígonos regulares, circunferências, círculos e seus elementos; Perímetro e área de po-
lígonos, polígonos regulares, circunferências, círculos e seus elementos; Fórmula de Heron; Razão entre áreas; Lugares
geométricos; Elipse, parábola e hipérbole; Linha poligonal; e a inscrição e circunscrição.......................................................... 73
16) Polinômios: função polinomial, polinômio identicamente nulo, grau de um polinômio, identidade de um polinômio,
raiz de um polinômio, operações com polinômios e valor numérico de um polinômio; divisão de polinômios, Teorema
do Resto, Teorema de D’Alembert e dispositivo de Briot-Ruffinni; relação entre coeficientes e raízes. Fatoração e multi-
plicidade de raízes e produtos notáveis. Máximo divisor comum de polinômios;......................................................................... 84
17) Equações Polinomiais: teorema fundamental da álgebra, teorema da decomposição, raízes imaginárias, raízes racio-
nais, relações de Girard e teorema de Bolzano............................................................................................................................................ 86

Português
1) Leitura, Interpretação e Análise de Textos: Leitura, interpretação e análise dos significados presentes num texto e
relacionamento destes com o universo em que foi produzido............................................................................................................. 01
2) Fonética: Fonemas, sílaba, tonicidade, ortoépia, prosódia, ortografia, acentuação gráfica, notações léxicas, abreviatu-
ras, siglas e símbolos............................................................................................................................................................................................... 08
3) Morfologia: Estrutura das palavras, formação das palavras, sufixos, prefixos, radicais gregos e latinos, origens das pa-
lavras da Língua Portuguesa. Classificação e flexão das palavras (substantivo, artigo, adjetivo, numeral, pronome, verbo,
advérbio, preposição, conjunção, interjeição, conectivos e formas variantes). .............................................................................. 18
4) Semântica: Significação das palavras. ........................................................................................................................................................ 58
5) Sintaxe: Análise sintática, termos essenciais da oração, termos integrantes da oração, termos acessórios da oração,
período composto, orações coordenadas, orações principais e subordinadas, orações subordinadas substantivas, ora-
ções subordinadas adjetivas, orações subordinadas adverbiais, orações reduzidas, estudo complementar do período
composto, sinais de pontuação, sintaxe de concordância, sintaxe de regência (verbal e nominal), sintaxe de colocação,
emprego de algumas classes de palavras, emprego dos modos e dos tempos, emprego do infinitivo, emprego do verbo
haver.............................................................................................................................................................................................................................. 64
6) Teoria da Linguagem: História da Língua Portuguesa; linguagem, língua, discurso e estilo; níveis de linguagem e fun-
ções da linguagem. ................................................................................................................................................................................................. 89
7) Estilística: Figuras de linguagem, língua e arte literária. ...................................................................................................................103
8) Alterações introduzidas na ortografia da língua portuguesa pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado
em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990, por Portugal, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau,
Moçambique e, posteriormente, por Timor Leste, aprovado no Brasil pelo Decreto nº 6.583, de 29 de setembro de 2008
e alterado pelo Decreto nº 7.875, de 27 de dezembro de 2012. .......................................................................................................106
9) Literatura Brasileira: literatura e a história da literatura; os gêneros literários; a linguagem poética; elementos da
Narrativa; Trovadorismo; Humanismo; Classicismo; Quinhentismo; Barroco; Arcadismo; Romantismo prosa e poesia;
Realismo/ Naturalismo; Parnasianismo; Simbolismo; Pré-Modernismo; movimentos de Vanguarda Europeia no Brasil;
Modernismo Brasileiro prosa e poesia (1ª, 2ª e 3ª gerações); e as tendências da Literatura Contemporânea.................115

Redação
Dissertação – Tema: é a colocação do título; a correta interpretação do tema central; capacidade de reflexão; o não tan-
genciamento, desvio ou fuga parcial do tema; ........................................................................................................................................... 01
a estrutura dissertativa, com introdução, desenvolvimento e conclusão, em que não haja características de relato puro,
pela incidência recorrente ou pela predominância de verbos no pretérito. Na introdução, a apresentação do assunto
geral, o direcionamento ou delimitação do tema e o posicionamento do aluno, ou objetivo do trabalho; no desenvol-
vimento, a abordagem do tema, a apresentação de no mínimo duas ideias-força, o aprofundamento necessário para
alicerçar cada uma delas, a clara intenção persuasiva, o grau de conhecimento, maturidade e capacidade de abstração
mental; na conclusão, a retomada do tema, a ratificação do objetivo do trabalho e o fecho. ................................................ 02
Linguagem: ADEQUAÇÃO VOCABULAR (coerência, coesão textual, clareza, estruturação frasal, períodos gramaticalmen-
te íntegros, impessoais, sem prolixidade, não utilização de pronome de tratamento “você”, não utilização de texto ape-
lativo, verbos no imperativo, aconselhamentos; utilização da norma culta da Língua, sem repetição viciosa, sem marcas
de oralidade e/ou gírias, não utilização de clichês). APRESENTAÇÃO (sem rasuras, letra padrão da Língua, marginação,
capricho). .................................................................................................................................................................................................................... 06
Gramática: cumprimento das normas gramaticais, de acordo com a norma culta da Língua................................................... 21
FÍSICA

1) Mecânica: Introdução ao método científico na Física, conceitos básicos de cinemática, movimento uniforme, movi-
mento uniformemente variado, movimentos sob a ação da gravidade, movimentos circulares, gráficos da cinemática,
composição de movimentos e cinemática vetorial, dinâmica, energia, trabalho, impulso, potência, rendimento, quan-
tidade de movimento, choques mecânicos, estática de um ponto material e de um corpo extenso rígido, hidrostática,
princípios de conservação, leis de Kepler e gravitação universal.......................................................................................................... 01
2) Termologia: Conceitos fundamentais de termologia, termometria, calorimetria, mudanças de fase, diagramas de fase,
propagação do calor, dilatação térmica de sólidos e líquidos, gases ideais e termodinâmica................................................. 12
3) Óptica: Princípios da óptica geométrica, reflexão da luz, espelho plano, espelhos esféricos, refração luminosa, lentes
esféricas, instrumentos ópticos, olho humano e defeitos da visão...................................................................................................... 14
4) Ondas: Movimento harmônico simples, conceitos básicos de ondas e pulsos, reflexão, refração, difração, interferên-
cia, polarização, ondas sonoras e efeito Doppler. ..................................................................................................................................... 15
5) Eletricidade: Carga elétrica, princípios da eletrostática, processos de eletrização, força elétrica campo elétrico, po-
tencial elétrico, trabalho da força elétrica, energia potencial elétrica, condutores em equilíbrio eletrostático, capacidade
elétrica, corrente elétrica, potência e energia na corrente elétrica, resistores, resistência elétrica, associação de resistores,
associação de capacitores, energia armazenada nos capacitores, aparelhos de medição elétrica, geradores e receptores
elétricos, ...................................................................................................................................................................................................................... 33
Leis de Kirchhoff, conceitos iniciais do magnetismo, campo magnético, força magnética, indução eletromagnética, cor-
rente alternada, transformadores e ondas eletromagnéticas................................................................................................................. 42
FÍSICA
FÍSICA

tação da “velocidade média” de um automóvel em deter-


MECÂNICA: INTRODUÇÃO AO MÉTODO minada volta. Podemos definir a velocidade escalar média
CIENTÍFICO NA FÍSICA, CONCEITOS (Vm) de um móvel por meio da relação entre a variação do
BÁSICOS DE CINEMÁTICA, MOVIMENTO espaço ΔS e o intervalo de tempo Δt. Assim, temos:
UNIFORME, MOVIMENTO UNIFORMEMENTE
VARIADO, MOVIMENTOS SOB A AÇÃO DA
GRAVIDADE, MOVIMENTOS CIRCULARES,
GRÁFICOS DA CINEMÁTICA, COMPOSIÇÃO
DE MOVIMENTOS E CINEMÁTICA VETORIAL,
DINÂMICA, ENERGIA, TRABALHO, IMPULSO, Velocidade escalar instantânea
POTÊNCIA, RENDIMENTO, QUANTIDADE
DE MOVIMENTO, CHOQUES MECÂNICOS, Podemos entender a velocidade escalar instantânea (V)
ESTÁTICA DE UM PONTO MATERIAL E DE UM como sendo a velocidade escalar média para um intervalo
CORPO EXTENSO RÍGIDO, HIDROSTÁTICA, de tempo extremamente pequeno, ou seja, o tempo ten-
PRINCÍPIOS DE CONSERVAÇÃO, LEIS DE dendo a zero.
KEPLER E GRAVITAÇÃO UNIVERSAL.

Aceleração escalar média


Embora frequentemente nos passem despercebidos, Podemos relacionar o termo aceleração com a variação
os fenômenos físicos estão sempre presentes no nosso co- da velocidade de um móvel no decorrer do tempo. Assim,
tidiano. Poderíamos mesmo dizer que a Física aparece, de podemos definir aceleração escalar média αm de um mó-
uma forma ou de outra, em todas as atividades do homem. vel da seguinte maneira:
A cinemática é a parte da física que estuda o movimen-
to das “coisas” sem levar em consideração o que provocou
seu movimento. Mas para entendermos melhor essa parte
da física, vamos descrever os conceitos iniciais.

Referencial Aceleração escalar instantânea


Podemos dizer que referencial é o corpo em relação ao Podemos entender a aceleração escalar instantânea
qual identificamos o estado de repouso ou movimento de como sendo uma aceleração escalar média para um tempo
um móvel. Assim, dizemos que um móvel está se movendo muito pequeno, que tende a zero. Assim, podemos definir
em relação a um determinado referencial se a sua posição aceleração escalar instantânea como sendo:
se altera, com o passar do tempo, em relação a ele.

Espaço de um móvel
Para localizarmos um móvel ao longo de uma trajetó-
ria, devemos orientá-la e adotar um ponto como origem.
A medida em relação ao ponto de origem até um ponto Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/fisica/ci-
qualquer é chamada de espaço S. nematica-escalar.htm

Variação do espaço Cinemática Vetorial


Vamos considerar um móvel que parte da cidade A que Na Cinemática Escalar, estudamos a descrição de um
se encontra no Km 235 de uma rodovia. O móvel demora movimento em trajetória conhecida, utilizando as grande-
cerca de 4h para chegar até a cidade B, que fica localizada zas escalares. Agora, veremos como obter e correlacionar
no Km 672 da mesma rodovia. Chamamos de variação de as grandezas vetoriais descritivas de um movimento, mes-
espaço a diferença entre o espaço de chegada e o espaço mo que não sejam conhecidas previamente as trajetórias.
de saída.
Grandezas Escalares – Ficam perfeitamente definidas
por seus valores numéricos acompanhados das respectivas
Onde: unidades de medida. Exemplos: massa, temperatura, volu-
ΔS é a variação do espaço me, densidade, comprimento, etc.
Si é o espaço de saída do móvel
Sf é o espaço de chegada do móvel Grandezas vetoriais – Exigem, além do valor numérico
e da unidade de medida, uma direção e um sentido para
Velocidade escalar média que fiquem completamente determinadas. Exemplos: des-
Em corridas automobilísticas é comum ouvirmos a ci- locamento, velocidade, aceleração, força, etc.

1
FÍSICA

VETORES Movimento Oblíquo


Para representar as grandezas vetoriais, são utilizados
os vetores: entes matemáticos abstratos caracterizados por Um movimento oblíquo é um movimento parte verti-
um módulo, por uma direção e por um sentido. cal e parte horizontal. Por exemplo, o movimento de uma
Representação de um vetor – Graficamente, um vetor é pedra sendo arremessada em um certo ângulo com a ho-
representado por um segmento orientado de reta: rizontal, ou uma bola sendo chutada formando um ângulo
com a horizontal.
Com os fundamentos do movimento vertical, sabe-se
que, quando a resistência do ar é desprezada, o corpo sofre
apenas a aceleração da gravidade.

Lançamento Oblíquo ou de Projétil

Elementos de um vetor: O móvel se deslocará para a frente em uma trajetória


Direção – Dada pela reta suporte (r) do vetor. que vai até uma altura máxima e depois volta a descer, for-
Módulo – Dado pelo comprimento do vetor. mando uma trajetória parabólica.
Sentido – Dado pela orientação do segmento.
Resultante de vetores (vetor-soma) – Considere um au-
tomóvel deslocando-se de A para B e, em seguida, para C.
O efeito desses dois deslocamentos
combinados é levar o carro de A para C. Dizemos, en-
tão, que o vetor é a soma ou resultante dos vetores e
.

Regra do Polígono – Para determinar a resultante


dos vetores e , traçamos, como na figura acima, os ve- Para estudar este movimento, deve-se considerar o
tores de modo que a origem de um coincida com a extre- movimento oblíquo como sendo o resultante entre o mo-
midade do outro. O vetor que une a origem de com a vimento vertical (y) e o movimento horizontal (x).
extremidade de é o resultante . Na direção vertical o corpo realiza um Movimento Uni-
Regra do paralelogramo – Os vetores são dispostos de formemente Variado, com velocidade inicial igual a e
modo que suas origens coincidam. Traçando-se um para- aceleração da gravidade (g)
lelogramo, que tenha e como lados, a resultante será Na direção horizontal o corpo realiza um movimento
dada pela diagonal que parte da origem comum dos dois uniforme com velocidade igual a .
vetores. Observações:
• Durante a subida a velocidade vertical diminui,
chega a um ponto (altura máxima) onde , e desce
aumentando a velocidade.
• O alcance máximo é a distância entre o ponto do
lançamento e o ponto da queda do corpo, ou seja, onde
y=0.
• A velocidade instantânea é dada pela soma
vetorial das velocidades horizontal e vertical, ou seja,
. O vetor velocidade é tangente à trajetória

Componentes ortogonais de um vetor – A componen- em cada momento.


te de um vetor, segundo uma dada direção, é a projeção
ortogonal (perpendicular) do vetor naquela direção. De- Exemplo:
compondo-se um vetor , encontramos suas componen- Um dardo é lançado com uma velocidade inicial
tes retangulares, x e y, que conjuntamente podem subs- v0=25m/s, formando um ângulo de 45° com a horizontal.
tituí-lo, ou seja, = x + y. (a) Qual o alcance máximo (b) e a altura máxima atingida?

2
FÍSICA

temos:

(2)

E o tempo é igual para ambas as equações, então pode-


mos isolá-lo em (1), e substituir em (2):

(1)

Para calcular este movimento deve-se dividir o movi- e , então:


mento em vertical e horizontal.
Para decompor o vetor em seus componentes são ne-
cessários alguns fundamentos de trigonometria:

onde substituindo em (2):

(2)

e onde o alcance é máximo . Então te-


Genericamente podemos chamar o ângulo formado de mos:
.

Então:

logo:
mas , então:
e:

logo:

resolvendo esta equação por fórmula de Baskara:


(a) No sentido horizontal (substituindo o s da função do
espaço por x):

sendo mas

temos:

(1)
então:
No sentido vertical (substituindo h por y):

sendo

3
FÍSICA

mas

Então

Substituindo os dados do problema na equação:

(b) Sabemos que quando a altura for máxima . Então, partindo da equação de Torricelli no movimento vertical:

e substituindo os dados do problema na equação, obtemos:

Movimento Circular

Grandezas Angulares

As grandezas até agora utilizadas de deslocamento/espaço (s, h, x, y), de velocidade (v) e de aceleração (a), eram úteis
quando o objetivo era descrever movimentos lineares, mas na análise de movimentos circulares, devemos introduzir novas
grandezas, que são chamadas grandezas angulares, medidas sempre em radianos. São elas:

• deslocamento/espaço angular: φ (phi)


• velocidade angular: ω (ômega)
• aceleração angular: α (alpha)

4
FÍSICA

Saiba mais...
Da definição de radiano temos:

Desta definição é possível obter a relação:

E também é possível saber que o arco correspondente a 1rad é o ângulo


formado quando seu arco S tem o mesmo comprimento do raio R.
Espaço Angular (φ)
Chama-se espaço angular o espaço do arco formado, quando um móvel encontra-se a uma abertura de ângulo φ
qualquer em relação ao ponto denominado origem.

E é calculado por:

Deslocamento angular (Δφ)

Assim como para o deslocamento linear, temos um deslocamento angular se calcularmos a diferença entre a posição
angular final e a posição angular inicial:

Sendo:

5
FÍSICA

Por convenção:
No sentido anti-horário o deslocamento angular é positivo.
No sentido horário o deslocamento angular é negativo.

Velocidade Angular (ω)

Análogo à velocidade linear, podemos definir a velocidade angular média, como a razão entre o deslocamento angular
pelo intervalo de tempo do movimento:

Sua unidade no Sistema Internacional é: rad/s


Sendo também encontradas: rpm, rev/min, rev/s.
Também é possível definir a velocidade angular instantânea como o limite da velocidade angular média quando o
intervalo de tempo tender a zero:

Aceleração Angular (α)


Seguindo a mesma analogia utilizada para a velocidade angular, definimos aceleração angular média como:

Algumas relações importantes


Através da definição de radiano dada anteriormente temos que:

mas se isolarmos S:

derivando esta igualdade em ambos os lados em função do tempo obteremos:

mas a derivada da Posição em função do tempo é igual a velocidade linear e a derivada da Posição Angular em função
do tempo é igual a velocidade angular, logo:

onde podemos novamente derivar a igualdade em função do tempo e obteremos:

mas a derivada da velocidade linear em função do tempo é igual a aceleração linear, que no movimento circular é tan-
gente à trajetória, e a derivada da velocidade angular em função do tempo é igual a aceleração angular, então:

Então:
Linear Angular
S = φR
v = ωR
a = αR

6
FÍSICA

Período e Frequência

Período (T) é o intervalo de tempo mínimo para que um fenômeno ciclico se repita. Sua unidade é a unidade de tempo
(segundo, minuto, hora...)

Frequência(f) é o número de vezes que um fenômeno ocorre em certa unidade de tempo. Sua unidade mais comum é
Hertz (1Hz=1/s) sendo também encontradas kHz, MHz e rpm. No movimento circular a frequência equivale ao número de
rotações por segundo sendo equivalente a velocidade angular.

Para converter rotações por segundo para rad/s:

sabendo que 1rotação = 2πrad,

Movimento Circular Uniforme

Um corpo está em Movimento Curvilíneo Uniforme, se sua trajetória for descrita por um círculo com um “eixo de rota-
ção” a uma distância R, e sua velocidade for constante, ou seja, a mesma em todos os pontos do percurso.
No cotidiano, observamos muitos exemplos de MCU, como uma roda gigante, um carrossel ou as pás de um ventilador
girando.
Embora a velocidade linear seja constante, ela sofre mudança de direção e sentido, logo existe uma aceleração, mas
como esta aceleração não influencia no módulo da velocidade, chamamos de Aceleração Centrípeta.

Esta aceleração é relacionada com a velocidade angular da seguinte forma:

Sabendo que e que , pode-se converter a função horária do espaço linear para o espaço angular:

então:

Movimento Circular Uniformemente Variado

Quando um corpo, que descreve trajetória circular, e sofre mudança na sua velocidade angular, então este corpo tem
aceleração angular (α).
As formas angulares das equações do Movimento Curvilíneo Uniformemente Variado são obtidas quando divididas
pelo raio R da trajetória a que se movimenta o corpo.
Assim:

7
FÍSICA

MUV MCUV

Grandezas lineares Grandezas angulares

E, aceleração resultante é dada pela soma vetorial da aceleração tangencial e da aceleração centípeta:

Exemplo:

Um volante circular como raio 0,4 metros gira, partindo do repouso, com aceleração angular igual a 2rad/s².
(a) Qual será a sua velocidade angular depois de 10 segundos?
(b) Qual será o ângulo descrito neste tempo?
(c) Qual será o vetor aceleração resultante?

(a) Pela função horária da velocidade angular:

(b) Pela função horária do deslocamento angular:

8
FÍSICA

(c) Pelas relações estabelecidas de aceleração tangencial e centrípeta:

Fonte: http://www.sofisica.com.br/conteudos/Mecanica/Cinematica/mc2.php

Força gravitacional

Ao estudar o movimento da Lua, Newton concluiu que a força que faz com que ela esteja constantemente em órbita é
do mesmo tipo que a força que a Terra exerce sobre um corpo em suas proximidades. A partir daí criou a Lei da Gravitação
Universal.

Lei da Gravitação Universal de Newton:


“Dois corpos atraem-se com força proporcional às suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância
que separa seus centros de gravidade.”

Onde:
F=Força de atração gravitacional entre os dois corpos
G=Constante de gravitação universal

9
FÍSICA

M e m = massa dos corpos


d=distância entre os centros de gravidade dos corpos.

Nas proximidades da Terra a aceleração da gravidade varia, mas em toda a Litosfera (camada em que há vida) esta pode
ser considerada constante, seus valores para algumas altitudes determinadas são:

Altitude (km) Aceleração da Gravidade (m/s²) Exemplo de altitude


0 9,83 nível do mar
8,8 9,80 cume do Monte Everest
maior altura atingida por balão
36,6 9,71
tripulado
400 8,70 órbita de um ônibus espacial
35700 0,225 satélite de comunicação

Leis de Kepler

Quando o ser humano iniciou a agricultura, ele necessitou de uma referência para identificar as épocas de plantio e
colheita.
Ao observar o céu, os nossos ancestrais perceberam que alguns astros descrevem um movimento regular, o que pro-
piciou a eles obter uma noção de tempo e de épocas do ano.
Primeiramente, foi concluído que o Sol e os demais planetas observados giravam em torno da Terra. Mas este modelo,
chamado de Modelo Geocêntrico, apresentava diversas falhas, que incentivaram o estudo deste sistema por milhares de
anos.
Por volta do século XVI, Nicolau Copérnico (1473-1543) apresentou um modelo Heliocêntrico, em que o Sol estava no
centro do universo, e os planetas descreviam órbitas circulares ao seu redor.
No século XVII, Johanes Kepler (1571-1630) enunciou as leis que regem o movimento planetário, utilizando anotações
do astrônomo Tycho Brahe (1546-1601).
Kepler formulou três leis que ficaram conhecidas como Leis de Kepler.

1ª Lei de Kepler - Lei das Órbitas

Os planetas descrevem órbitas elipticas em torno do Sol, que ocupa um dos focos da elipse.

10
FÍSICA

2ª Lei de Kepler - Lei das Áreas

O segmento que une o sol a um planeta descreve áreas iguais em intervalos de tempo iguais.

3ª Lei de Kepler - Lei dos Períodos

O quociente dos quadrados dos períodos e o cubo de suas distâncias médias do sol é igual a uma constante k, igual a
todos os planetas.

Tendo em vista que o movimento de translação de um planeta é equivalente ao tempo que este demora para percorrer
uma volta em torno do Sol, é fácil concluirmos que, quanto mais longe o planeta estiver do Sol, mais longo será seu período
de translação e, em consequência disso, maior será o “seu ano”.

Fonte: http://www.sofisica.com.br/conteudos/Mecanica/GravitacaoUniversal/lk.php

11
FÍSICA

Escala Fahrenheit
2) TERMOLOGIA: CONCEITOS Outra escala bastante utilizada, principalmente nos
FUNDAMENTAIS DE TERMOLOGIA, países de língua inglesa, criada em 1708 pelo físico alemão
TERMOMETRIA, CALORIMETRIA, Daniel Gabriel Fahrenheit (1686-1736), tendo como refe-
rência a temperatura de uma mistura de gelo e cloreto de
MUDANÇAS DE FASE, DIAGRAMAS DE FASE,
amônia (0 °F) e a temperatura do corpo humano (100 °F).
PROPAGAÇÃO DO CALOR, DILATAÇÃO
Em comparação com a escala Celsius:
TÉRMICA DE SÓLIDOS E LÍQUIDOS, GASES 0 °C = 32 °F
IDEAIS E TERMODINÂMICA. 100 °C = 212 °F

Escala Kelvin
TERMOMETRIA Também conhecida como escala absoluta, foi verifica-
Temperatura da pelo físico inglês William Thompson (1824-1907), tam-
Chamamos de Termologia a parte da física que estuda bém conhecido como Lorde Kelvin. Esta escala tem como
os fenômenos relativos ao calor, aquecimento, resfriamen- referência a temperatura do menor estado de agitação de
to, mudanças de estado físico, mudanças de temperatura, qualquer molécula (0 K) e é calculada apartir da escala Cel-
etc. sius.
Por convenção, não se usa “grau” para esta escala, ou
Temperatura é a grandeza que caracteriza o estado seja 0 K, lê-se zero kelvin e não zero grau kelvin. Em com-
térmico de um corpo ou sistema. paração com a escala Celsius:
Fisicamente o conceito dado a quente e frio é um pou- -273 °C = 0 K
co diferente do que costumamos usar no nosso cotidiano. 0 °C = 273 K
Podemos definir como quente um corpo que tem suas mo- 100 °C = 373 K
léculas agitando-se muito, ou seja, com alta energia ciné-
tica. Analogamente, um corpo frio, é aquele que tem baixa Conversões entre escalas
agitação das suas moléculas. Para que seja possível expressar temperaturas dadas
Ao aumentar a temperatura de um corpo ou sistema em uma certa escala para outra qualquer deve-se estabele-
pode-se dizer que está se aumentando o estado de agita- cer uma convenção geométrica de semelhança.
ção de suas moléculas. Por exemplo, convertendo uma temperatura qualquer
Ao tirarmos uma garrafa de água mineral da geladei- dada em escala Fahrenheit para escala Celsius:
ra ou ao retirar um bolo de um forno, percebemos que
após algum tempo, ambas tendem a chegar à temperatura
do ambiente. Ou seja, a água “esquenta” e o bolo “esfria”.
Quando dois corpos ou sistemas atingem o mesma tem-
peratura, dizemos que estes corpos ou sistemas estão em
equilíbrio térmico.

Escalas Termométricas
Para que seja possível medir a temperatura de um cor-
po, foi desenvolvido um aparelho chamado termômetro.
O termômetro mais comum é o de mercúrio, que con-
siste em um vidro graduado com um bulbo de paredes
finas que é ligado a um tubo muito fino, chamado tubo
capilar.
Quando a temperatura do termômetro aumenta, as
moléculas de mercúrio aumentam sua agitação fazendo
com que este se dilate, preenchendo o tubo capilar. Para
cada altura atingida pelo mercúrio está associada uma
temperatura. Pelo princípio de semelhança geométrica:
A escala de cada termômetro corresponde a este valor
de altura atingida.

Escala Celsius
É a escala usada no Brasil e na maior parte dos países,
oficializada em 1742 pelo astrônomo e físico sueco Anders
Celsius (1701-1744). Esta escala tem como pontos de refe-
rência a temperatura de congelamento da água sob pres-
são normal (0 °C) e a temperatura de ebulição da água sob
pressão normal (100 °C).

12
FÍSICA

Exemplo:
Qual a temperatura correspondente em escala Celsius para a temperatura 100 °F?

Da mesma forma, pode-se estabelecer uma conversão Celsius-Fahrenheit:

E para escala Kelvin:

13
FÍSICA

Algumas temperaturas:

Escala Celsius E s c a l a
Escala Kelvin (K)
(°C) Fahrenheit (°F)

Ar liquefeito -39 -38,2 243


Maior Temperatura na superfície da
58 136 331
Terra
Menor Temperatura na superfície
-89 -128 184
da Terra
Ponto de combustão da madeira 250 482 523
Ponto de combustão do papel 184 363 257
Ponto de fusão do chumbo 327 620 600
Ponto de fusão do ferro 1535 2795 1808
Ponto do gelo 0 32 273,15
Ponto de solidificação do mercúrio -39 -38,2 234
Ponto do vapor 100 212 373,15
Temperatura na chama do gás
660 1220 933
natural
Temperatura na superfície do Sol 5530 10000 5800
Zero absoluto -273,15 -459,67 0

Fonte: http://www.sofisica.com.br/conteudos/Termologia/Calorimetria/calor.php

3) ÓPTICA: PRINCÍPIOS DA ÓPTICA GEOMÉTRICA, REFLEXÃO DA


LUZ, ESPELHO PLANO, ESPELHOS ESFÉRICOS, REFRAÇÃO LUMINOSA,
LENTES ESFÉRICAS, INSTRUMENTOS ÓPTICOS, OLHO HUMANO E
DEFEITOS DA VISÃO.

Óptica é o ramo da física que estuda os fenômenos relacionados à luz. Devido ao fato do sentido da visão ser o que
mais contribui para a aquisição do conhecimento, a óptica é uma ciência bastante antiga, surgindo a partir do momento
em que as pessoas começaram a fazer questionamentos sobre o funcionamento da visão e sua relação com os fenômenos
ópticos.

Os princípios fundamentais da óptica são:

1º - Princípio da Propagação Retilínea: a luz sempre se propaga em linha reta;


2º - Princípio da Independência de raios de luz: os raios de luz são independentes, podendo até mesmo se cruzarem,
não ocasionando nenhuma mudança em relação à direção dos mesmos;
3º - Princípio da Reversibilidade da Luz: a luz é reversível. Por exemplo, se vemos alguém através de um espelho, cer-
tamente essa pessoa também nos verá. Assim, os raios de luz sempre são capazes de fazer o caminho na direção inversa.

A luz pode ser propagada em três diferentes tipos de meios.


Os meios transparentes permitem a passagem ordenada dos raios de luz, dando a possibilidade de ver os corpos com
nitidez. Exemplos: vidro polido, ar atmosférico, etc.
Nos meios translúcidos a luz também se propaga, porém de maneira desordenada, fazendo com que os corpos sejam
vistos sem nitidez. Exemplos: vidro fosco, plásticos, etc.
Os meios opacos são aqueles que impedem completamente a passagem de luz, não permitindo a visão de corpos
através dos mesmos. Exemplos: portas de madeira, paredes de cimento, pessoas, etc.
Quando os raios de luz incidem em uma superfície, eles podem ser refletidos regular ou difusamente, refratados ou
absorvidos pelo meio em que incidem. A reflexão regular ocorre quando um raio de luz incide sobre uma superfície e é
refletido de forma cilíndrica, diferentemente da reflexão difusa, onde os feixes de luz são refletidos em todas as direções.

14
FÍSICA

A refração da luz ocorre quando os feixes de luz mu- mos. Isso significa que o ponto próximo se afasta do olho
dam de velocidade e de direção quando passam de um e, portanto, a pessoa presbiope não enxerga bem de perto.
meio para outro. A absorção é o fenômeno onde as super- Da mesma maneira que a hipermetropia, a correção é feita
fícies absorvem parte ou toda a quantidade de luz que é com o uso de lentes convergentes.
incidida.
Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/fisica/ Astigmatismo
optica.htm
O astigmatismo consiste em uma imperfeição do olho
Podemos dizer que um dos sentidos mais importantes (córnea) cujo raio de curvatura varia conforme a secção
que temos é a visão. Graças a ela podemos ver o mundo considerada. Por isso a luz sofre refrações diferentes nas
a nossa volta. Podemos ver o filme que está em cartaz no diferentes secções. Consequentemente, a imagem que se
cinema, podemos ver as cores dos objetos, etc. Algumas forma na retina do olho astigmático apresenta deforma-
pessoas não possuem uma boa visão, ou seja, apresentam ções. A correção para o astigmatismo é feita usando lentes
alguns “defeitos” que podem trazer certo desconforto. Ge- cilíndricas, que podem ser convergentes ou divergentes.
ralmente, como forma de corrigir alguns defeitos na visão, Fonte: http://alunosonline.uol.com.br/fisica/defeitos-
as pessoas fazem uso de óculos. visao.html

É importante salientar que devemos realizar exames


rotineiros no consultório oftalmológico, a fim de preservar
uma boa visão. Exames de visão devem ser feitos em todas 4) ONDAS: MOVIMENTO HARMÔNICO
as etapas de nossas vidas, pois o diagnóstico antecipado SIMPLES, CONCEITOS BÁSICOS DE ONDAS E
de doenças oculares ajuda a evitar futuros problemas de PULSOS, REFLEXÃO, REFRAÇÃO, DIFRAÇÃO,
visão. Abaixo vamos conhecer os principais defeitos da vi- INTERFERÊNCIA, POLARIZAÇÃO, ONDAS
são, que são: miopia, hipermetropia, astigmatismo e apres- SONORAS E EFEITO DOPPLER.
biopia.

Miopia ONDAS
Classificação das ondas
A miopia é um defeito que não permite a visão níti- Uma onda é um movimento causado por uma pertur-
da de um objeto ao longe, porque, estando os músculos bação, e esta se propaga através de um meio.
ciliares relaxados, o foco imagem do olho está antes da Um exemplo de onda é tido quando joga-se uma pe-
retina. Dessa forma, a imagem de um objeto distante for- dra em um lago de águas calmas, onde o impacto causará
ma-se antes da retina. O olho míope apresenta uma exces- uma perturbação na água, fazendo com que ondas circula-
siva convergência ou um alongamento na direção do eixo res se propagem pela superfície da água.
anteroposterior, o que leva a um encurtamento da faixa
de visão. Sendo assim, o míope apresenta dificuldade para
enxergar ao longe, porém, enxerga muito bem a curtas dis-
tâncias. A miopia pode ser corrigida fazendo uso de lentes
divergentes.

Hipermetropia

A hipermetropia é um defeito oposto à miopia, carac-


terizando-se por um achatamento do olho na direção do
eixo anteroposterior ou por uma convergência diminuída,
em relação ao olho normal. Em consequência, se o olho
não estiver realizando esforço de acomodação, o foco ima-
gem estará depois da retina. Para que o hipermetrope pos-
sa enxergar nitidamente objetos próximos a ele, deve-se
aumentar a convergência de seu olho, o que se consegue
com o uso de lentes convergentes ou com cirurgias que Também existem ondas que não podemos observar a
modificam a curvatura da córnea, deixando-a mais conver- olho nu, como, por exemplo, ondas de rádio, ondas de te-
gente. levisão, ondas ultra-violeta e microondas.
Além destas, existem alguns tipos de ondas que co-
Presbiopia ou vista cansada nhecemos bem, mas que não identificamos normalmente,
como a luz e o som.
Com o passar dos anos, o cristalino perde a capacidade Mas o que elas têm em comum é que todas são ener-
de acomodação, de modo que suas faces não adquirem a gias propagadas através de um meio, e este meio não
curvatura necessária que permita a visão de objetos próxi- acompanha a propagação.

15
FÍSICA

Conforme sua natureza as ondas são classificadas em:

• Ondas Mecânicas: são ondas que necessitam de um meio material para se propagar, ou seja, sua propagação en-
volve o transporte de energia cinética e potencial e depende da elasticidade do meio. Por isto não é capaz de propagar-se
no vácuo. Alguns exemplos são os que acontecem em molas e cordas, sons e em superfícies de líquidos.

• Ondas Eletromagnéticas: são ondas geradas por cargas elétricas oscilantes e sua propagação não depende do meio
em que se encontram, podendo propagar-se no vácuo e em determinados meios materiais. Alguns exemplos são as ondas
de rádio, de radar, os raios x e as microondas.
Todas as ondas eletromagnéticas tem em comum a sua velocidade de propagação no vácuo, próxima a 300000km/s,
que é equivalente a 1080000000km/h.

Por que as ondas do mar quebram?

Sabendo que as ondas em geral têm como característica fundamental propagar energia
sem que haja movimentação no meio, como explica-se o fenômeno de quebra das ondas
do mar, causando movimentação de água, próximo à costa?
Em águas profundas as ondas do mar não transportam matéria, mas ao aproximar-se
da costa, há uma brusca diminuição da profundidade onde se encontram, provocando a
quebra destas ondas e causando uma movimentação de toda a massa de água e a formação
de correntezas.
Após serem quebradas, as ondas do mar deixam de comportar-se como ondas.

Quanto a direção de propagação as ondas são classificadas como:

• Unidimensionais: que se propagam em apenas uma direção, como as ondas em cordas e molas esticadas;
• Bidimensionais: são aquelas que se propagam por uma superfície, como as água em um lago quando se joga uma
pedra;
• Tridimensionais: são capazes de se propagar em todas as dimensões, como a luz e o som.
Quanto à direção da vibração as ondas podem ser classificadas como:
• Transversais: são as que são causadas por vibrações perpendiculares à propagação da onda, como, por exemplo,
em uma corda:

• Longitudinais: são ondas causadas por vibrações com mesma direção da propagação, como as ondas sonoras.

16
FÍSICA

Componentes de uma onda

Uma onda é formada por alguns componentes básicos


que são:

Velocidade de propagação das ondas

Como não transportam matéria em seu movimento, é


previsível que as ondas se desloquem com velocidade con-
tínua, logo estas devem ter um deslocamento que valide a
expressão:
Sendo A a amplitude da onda.
É denominado comprimento da onda, e expresso pela
letra grega lambida (λ), a distância entre duas cristas ou
dois vales consecutivos.
Que é comum aos movimentos uniformes, mas conhe-
Chamamos período da onda (T) o tempo decorrido até cendo a estrutura de uma onda:
que duas cristas ou dois vales consecutivos passem por um
ponto e frequência da onda (f) o número de cristas ou vales
consecutivos que passam por um mesmo ponto, em uma
determinada unidade de tempo.

Portanto, o período e a frequência são relacionados


por:

A unidade internacionalmente utilizada para a fre-


quência é Hertz (Hz) sendo que 1Hz equivale à passagem
de uma crista ou de um vale em 1 segundo.
Para o estudo de ondas bidimensionais e tridimensio-
nais são necessários os conceitos de:
Podemos fazer que ΔS=λ e que Δt=T
• frente de onda: é a fronteira da região ainda não Assim:
atingida pela onda com a região já atingida;

• raio de onda: é possível definir como o raio de
onda a linha que parte da fonte e é perpendicular às frentes
de onda, indicando a direção e o sentido de propagação.

17
FÍSICA

Sendo esta a equação fundamental da Ondulatória, Para este caso costuma-se dizer que há inversão de
já que é valida para todos os tipos de onda. fase já que o pulso refletido executa o movimento contrá-
É comum utilizar-se frequências na ordem de kHz (1qui- rio ao do pulso incidente.
lohertz = 1000Hz) e de MHz (1megahertz = 1000000Hz)
Com extremidade livre:
Exemplo: Considerando uma corda presa por um anel a uma
(1) Qual a frequência de ondas, se a velocidade des- haste idealizada, portanto sem atrito.
ta onde é de 195m/s, e o seu comprimento de onda é de
Ao atingir o anel, o movimento é continuado, embo-
1cm?
ra não haja deslocamento no sentido do pulso, apenas no
1cm=0,01m
sentido perpendicular a este. Então o pulso é refletido em
direção da aplicação, mas com sentido inverso. Como mos-
tra a figura:

Reflexão de ondas

É o fenômeno que ocorre quando uma onda incide so-


bre um obstáculo e retorna ao meio de propagação, man-
tendo as características da onda incidente.
Independente do tipo de onda, o módulo da sua ve-
locidade permanece inalterado após a reflexão, já que ela
continua propagando-se no mesmo meio.

Reflexão em ondas unidimensionais


Esta análise deve ser dividida oscilações com extremi-
dade fixa e com extremidade livre:

Com extremidade fixa:


Quando um pulso (meia-onda) é gerado, faz cada pon-
to da corda subir e depois voltar a posição original, no en-
tanto, ao atingir uma extremidade fixa, como uma parede,
a força aplicada nela, pelo princípio da ação e reação, rea-
ge sobre a corda, causando um movimento na direção da
aplicação do pulso, com um sentido inverso, gerando um
pulso refletido. Assim como mostra a figura abaixo:

Para estes casos não há inversão de fase, já que o pulso


refletido executa o mesmo movimento do pulso incidente,
apenas com sentido contrário.
É possível obter-se a extremidade livre, amarrando-se
a corda a um barbante muito leve, flexível e inextensível.

Reflexão de ondas bidimensionais


Quando uma frente de onda, propagando-se em su-
perfície líquida, incide sobre um obstáculo, cada ponto da
frente reflete-se, então é possível representá-las por seus
raios de onda.
A reflexão dos raios de onda é regida por duas leis da
reflexão, que são apresentadas como:

18
FÍSICA

• 1ª Lei da Reflexão: O raio incidente, o raio refletido e a reta perpendicular à superfície refletora no ponto de inci-
dência estão contidos sempre no mesmo plano;

• 2ª Lei da Reflexão: Os ângulos formados entre o raio incidente e a reta perpendicular e entre o raio refletido e a
reta perpendicular têm sempre a mesma medida.
Assim:

Como afirma a 2ª Lei, os ângulos têm valor igual, portanto:

Então pode-se imaginar que a reflexão das ondas aconteça como se fosse refletida em um espelho posto perpendi-
cularmente ao ponto de incidência.
Considere a reflexão de ondas circulares:

Refração de ondas

É o fenômeno que ocorre quando uma onda passa de um meio para outro de características distintas, tendo sua dire-
ção desviada.
Independente de cada onda, sua frequência não é alterada na refração, no entanto, a velocidade e o comprimento de
onda podem se modificar.

19
FÍSICA

Através da refração é possíveis explicar inúmeros efeitos, como o arco-íris, a cor do céu no pôr-do-sol e a construção
de aparelhos astronômicos.
A refração de ondas obedece duas leis que são:
• 1ª Lei da Refração: O raio incidente, a reta perpendicular à fronteira no ponto de incidência e o raio refratado
estão contidos no mesmo plano.
• Lei de Snell: Esta lei relaciona os ângulos, as velocidades e os comprimentos de onda de incidência de refração,
sendo matematicamente expressa por:

Aplicando a lei:

Conforme indicado na figura:

20
FÍSICA

Como exemplos da refração, podem ser usadas ondas Este tipo de superposição é chamado interferência
propagando-se na superfície de um líquido e passando por construtiva, já que a superposição faz com que a amplitude
duas regiões distintas. É possível verificar experimental- seja momentaneamente aumentada em módulo.
mente que a velocidade de propagação nas superfícies de
líquidos pode ser alterada modificando-se a profundidade Situação 2: os pulsos são dados em oposição de fase.
deste local. As ondas diminuem o módulo de velocidade ao
se diminuir a profundidade.

Superposição de ondas
A superposição, também chamada interferência em al-
guns casos, é o fenômeno que ocorre quando duas ou mais
ondas se encontram, gerando uma onda resultante igual à
soma algébrica das perturbações de cada onda.
Imagine uma corda esticada na posição horizontal, ao
serem produzidos pulsos de mesma largura, mas de dife-
rentes amplitudes, nas pontas da corda, poderá acontecer
uma superposição de duas formas:

Situação 1: os pulsos são dados em fase. Novamente, ao se encontrarem as ondas, suas ampli-
tudes serão somadas, mas podemos observar que o sen-
tido da onda de amplitude é negativo em relação ao
eixo vertical, portanto <0. Logo, o pulso resultante terá
amplitude igual a diferença entre as duas amplitudes:

No momento em que os pulsos se encontram, suas


elongações em cada ponto da corda se somam algebrica-
mente, sendo sua amplitude (elongação máxima) a soma
das duas amplitudes:

Numericamente:

Sendo que o sinal negativo está ligado à amplitude e


elongação da onda no sentido negativo.
Após o encontro, cada um segue na sua direção inicial,
com suas características iniciais conservadas.
Numericamente:

Após este encontro, cada um segue na sua direção ini-


cial, com suas características iniciais conservadas.

Este tipo de superposição é chamado interferência


destrutiva, já que a superposição faz com que a amplitude
seja momentaneamente reduzida em módulo.

21
FÍSICA

Superposição de ondas periódicas

A superposição de duas ondas periódicas ocorre de maneira análoga à superposição de pulsos.


Causando uma onda resultante, com pontos de elongação equivalentes à soma algébrica dos pontos das ondas so-
brepostas.

A figura acima mostra a sobreposição de duas ondas com períodos iguais e amplitudes diferentes (I e II), que, ao serem
sobrepostas, resultam em uma onda com amplitude equivalente às suas ondas (III). Este é um exemplo de interferência
construtiva.

Já este outro exemplo, mostra uma interferência destrutiva de duas ondas com mesma frequência e mesma amplitude,
mas em oposição de fase (I e II) que ao serem sobrepostas resultam em uma onda com amplitude nula (III).
Os principais exemplos de ondas sobrepostas são os fenômenos ondulatórios de batimento e ondas estacionárias.
• Batimento: Ocorre quando duas ondas periódicas de frequência diferente e mesma amplitude são sobrepostas,
resultando em uma onda com variadas amplitudes dependentes do soma de amplitudes em cada crista resultante.
• Ondas estacionárias: É o fenômeno que ocorre quando são sobrepostas duas ondas com mesma frequência, velo-
cidade e comprimento de onda, na mesma direção, mas em sentidos opostos.

• Superposição de ondas bidimensionais

• Imagine duas ondas bidimensionais circulares, geradas respectivamente por uma fonte F1 e F2, com, amplitudes e
frequências iguais, e em concordância de fase.

22
FÍSICA

• Considere a esquematização da interferência causada como:

• Na figura a onda da esquerda tem cristas representadas por linhas contínuas pretas e vales por linhas tracejadas
vermelhas e a onda da direita tem cristas representadas por linhas contínuas verdes e vales por linhas tracejadas azuis.
• Os círculos preenchidos representam pontos de interferência construtiva, ou seja, onde a amplitude das ondas é
somada.
• Os círculos em branco representam pontos de interferência destrutiva, ou seja, onde a amplitude é subtraída.

• Ressonância
• É o fenômeno que acontece quando um sistema físico recebe energia por meio de excitações de frequência igual
a uma de suas frequências naturais de vibração. Assim, o sistema físico passa a vibrar com amplitudes cada vez maiores.
• Cada sistema físico capaz de vibrar possui uma ou mais frequências naturais, isto é, que são características do sis-
tema, mais precisamente da maneira como este é construído. Como por exemplo, um pêndulo ao ser afastado do ponto de
equilíbrio, cordas de um violão ou uma ponte para a passagem de pedestres sobre uma rodovia movimentada.
• Todos estes sistemas possuem sua frequência natural, que lhes é característica. Quando ocorrem excitações perió-
dicas sobre o sistema, como quando o vento sopra com frequência constante sobre uma ponte durante uma tempestade,
acontece um fenômeno de superposição de ondas que alteram a energia do sistema, modificando sua amplitude.
• Conforme estudamos anteriormente, se a frequência natural de oscilação do sistema e as excitações constantes
sobre ele estiverem sob a mesma frequência, a energia do sistema será aumentada, fazendo com que vibre com amplitudes
cada vez maiores.

23
FÍSICA

• Um caso muito famoso deste fenômeno foi o rom- • Se a ponte não tiver uma resistência que suporte a
pimento da ponte Tacoma Narrows, nos Estados Unidos, amplitude do movimento, esta sofrerá danos podendo até
em 7 de novembro de 1940. Em um determinado momen- ser destruída como a ponte Tacoma Narrows.
to o vento começou soprar com frequência igual à natural
de oscilação da ponte, fazendo com que esta começasse • Princípio de Huygens
a aumentar a amplitude de suas vibrações até que sua es-
trutura não pudesse mais suportar, fazendo com que sua • Christian Huygens (1629-1695), no final do século
estrutura rompesse. XVII, propôs um método de representação de frentes de
• O caso da ponte Tacoma Narrows pode ser con- onda, onde cada ponto de uma frente de onda se com-
siderado uma falha humana, já que o vento que soprava
porta como uma nova fonte de ondas elementares, que se
no dia 7 de Novembro de 1940 tinha uma frequência ca-
propagam para além da região já atingida pela onda ori-
racterística da região onde a ponte foi construída, logo os
engenheiros responsáveis por sua construção falharam ginal e com a mesma frequência que ela. Sendo esta ideia
na análise das características naturais da região. Por isto, conhecida como Princípio de Huygens.
atualmente é feita uma análise profunda de todas as possí-
veis características que possam requerer uma alteração em
uma construção civil.
• Imagine que esta é uma ponte construída no estilo
pênsil, e que sua frequência de oscilação natural é dada por:

• Ao ser excitada periodicamente, por um vento de


frequência:

• A amplitude de oscilação da ponte passará a ser • Para um considerado instante, cada ponto da fren-
dada pela superposição das duas ondas: te de onda comporta-se como fonte das ondas elementa-
res de Huygens.
• A partir deste princípio, é possível concluir que,
em um meio homogêneo e com as mesmas características
físicas em toda sua extensão, a frente de onda se desloca
mantendo sua forma, desde que não haja obstáculos.
• Desta forma:

24
FÍSICA

Difração de ondas

Partindo do Princípio de Huygens, podemos explicar um outro fenômeno ondulatório, a difração.


O fenômeno chamado difração é o encurvamento sofrido pelos raios de onda quando esta encontra obstáculos à
propagação.
Imagine a situação em que uma onda se propaga em um meio, até onde encontra uma fenda posta em uma barreira.

Este fenômeno prova que a generalização de que os raios de onda são retilíneos é errada, já que a parte que atinge a
barreira é refletida, enquanto os raios que atingem a fenda passam por ela, mas nem todas continuam retas.
Se esta propagação acontecesse em linha reta, os raios continuariam retos, e a propagação depois da fenda seria uma
faixa delimitada pela largura da fenda. No entanto, há um desvio nas bordas.
Este desvio é proporcional ao tamanho da fenda. Para o caso onde esta largura é muito inferior ao comprimento de
onda, as ondas difratadas serão aproximadamente circulares, independente da forma geométrica das ondas incidentes.

Experiência de Young

Por volta do século XVII, apesar de vários físicos já defenderem a teoria ondulatória da luz, que afirmava que a luz era
incidida por ondas, a teoria corpuscular de Newton, que descrevia a luz como um partícula, era muito bem aceita na co-
munidade científica.
Em 1801, o físico e médico inglês, Thomas Young foi o primeiro a demonstrar, com sólidos resultados experimentais,
o fenômeno de interferência luminosa, que tem por consequência a aceitação da teoria ondulatória. Embora, hoje em dia,
a teoria aceita é a dualidade onda-partícula, enunciada pelo físico francês Louis-Victor de Broglie, baseado nas conclusões
sobre as características dos fótons, de Albert Einstein.

25
FÍSICA

Na experiência realizada por Young, são utilizados três anteparos, sendo o primeiro composto por um orifício, onde
ocorre difração da luz incidida, o segundo, com dois orifícios, postos lado a lado, causando novas difrações. No último, são
projetadas as manchas causadas pela interferência das ondas resultantes da segunda difração.
Ao substituir-se estes orifícios por fendas muito estreitas, as manchas tornam-se franjas, facilitando a visualização de
regiões mais bem iluminadas (máximos) e regiões mal iluminadas (mínimos).

Observa-se que o máximo de maior intensidade acontece no centro, e que após este máximo, existem regiões de me-
nor intensidade de luz, e outras de mínimos, intercalando-se.

Som e sua propagação


O som é definido como a propagação de uma frente de compressão mecânica ou onda longitudinal, se propagando
tridimensionalmente pelo espaço e apenas em meios materiais, como o ar ou a água.
Para que esta propagação ocorra, é necessário que aconteçam compressões e rarefações em propagação do meio.
Estas ondas se propagam de forma longitudinal.
Quando passa, a onda sonora não arrasta as partículas de ar, por exemplo, apenas faz com que estas vibrem em torno
de sua posição de equilíbrio.
Como as ondas sonoras devem ser periódicas, é válida a relação da velocidade de propagação:

A audição humana considerada normal consegue captar frequências de onda sonoras que variam entre aproximada-
mente 20Hz e 20000Hz. São denominadas ondas de infra-som, as ondas que tem frequência menor que 20Hz, e ultra-som
as que possuem frequência acima de 20000Hz.
De maneira que:

A velocidade do som na água é aproximadamente igual a 1450m/s e no ar, à 20°C é 343m/s.


A propagação do som em meios gasosos depende fortemente da temperatura do gás, é possível inclusive demonstrar
experimentalmente que a velocidade do som em gases é dada por:

26
FÍSICA

Onde: Terça maior 5:4


k=constante que depende da natureza do gás;
Terça menor 6:5
T=temperatura absoluta do gás (em kelvin).
Sexta maior 5:3
Como exemplo podemos tomar a velocidade de pro- Sexta menor 8:5
pagação do som no ar à temperatura de 15° (288K), que Tom maior (M) 9:8
tem valor 340m/s. Tom menor (m) 10:9
Semitom (s) 16:15
Exemplo:
Sabendo que à 15°C o som se propaga à 340m/s, qual As notas musicais de mesmo nome são separadas por
será sua velocidade de propagação à 100°C? um intervalo de uma oitava (2:1)
Lembrando que:
15° = 288K
100° = 373K

O timbre de um som é a característica que permite di-


ferenciar dois sons de mesma altura e mesma intensidade,
mas que são emitidos por instrumentos diferentes.
Desta forma, uma música executada por um violino e
um piano se diferencia pelo timbre.

Intensidade sonora

A intensidade do som é a qualidade que nos permite


caracterizar se um som é forte ou fraco e depende da ener-
gia que a onda sonora transfere.
A intensidade sonora (I) é definida fisicamente como
a potência sonora recebida por unidade de área de uma
superfície, ou seja:

Intervalo Acústico
Mas como a potência pode ser definida pela relação de
A audição humana é capaz de diferenciar algumas ca- energia por unidade de tempo:
racterísticas do som como a sua altura, intervalo e timbre.
A altura do som depende apenas de sua frequência,
sendo definida como a diferenciação entre grave e agudo.
Um tom de maior frequência é agudo e um de menor
é grave. Então, também podemos expressar a intensidade por:
Os intervalos entre dois sons são dados pelo quo-
ciente entre suas frequências. Ou seja:

As unidades mais usadas para a intensidade são J/m²


Como o intervalo é um quociente entre duas medidas e W/m².
de mesma unidade, este não tem dimensão. É chamada mínima intensidade física, ou limiar de
Na música é dada uma nomenclatura para cada inter- audibilidade, o menor valor da intensidade sonora ainda
valo: audível:

Intervalo Acústico Razão de frequência É chamada máxima intensidade física, ou limiar de


Uníssono 1:1 dor, o maior valor da intensidade sonora suportável pelo
Oitava 2:1 ouvido:
Quinta 3:2
Quarta 4:3

27
FÍSICA

Conforme um observador se afasta de uma fonte so- Se este intervalo de tempo for inferior à persistência
nora, a intensidade sonora ou nível sonoro (β) diminui acústica (t < 0,1s), o som ouvido após ser refletido parecerá
logaritmicamente, sendo representado pela equação: apenas um prolongamento do som direto. A este efeito dá-
se o nome de reverberação. Para intervalos maiores que
a persistência acústica (t > 0,1s) é instintivo perceber que
esta reflexão será ouvida como eco.
Os outros fenômenos acontecem da mesma forma que
para as outras ondas estudadas. Tendo uma utilização bas-
A unidade utilizada para o nível sonoro é o Bel (B), mas tante conhecida a de interferência do som, onde é possível
como esta unidade é grande comparada com a maioria dos aplicar uma frequência anti-ruído, a fim de suavizar o som
valores de nível sonoro utilizados no cotidiano, seu múlti- do ambiente.
plo usual é o decibel (dB), de maneira que 1B=10dB.
Tubos sonoros
Reflexão do som
Assim como para qualquer outra onda, as ondas so- Assim como as cordas ou molas, a ar ou gás contido
noras, ao atingirem um obstáculo fixo, como uma parede, dentro de um tubo pode vibrar com frequências sono-
são refletidas. ras, este é o princípio que constitui instrumentos musicais
como a flauta, corneta, clarinete, etc. que são construídos
A reflexão do som acontece com inversão de fase, mas basicamente por tubos sonoros.
mantém a mesma velocidade de propagação, mesma fre- Nestes instrumentos, uma coluna de ar é posta a vibrar
quência e o mesmo comprimento de onda do som inci- ao soprar-se uma das extremidades do tubo, chamada em-
dente. bocadura, que possui os dispositivos vibrantes apropria-
dos.
Um efeito muito conhecido causado pela reflexão do Os tubos são classificados como abertos e fechados,
som é o efeito de eco. Que consiste na reflexão do som sendo os tubos abertos aqueles que têm as duas extremi-
que bate em uma parede afastada. dades abertas (sendo uma delas próxima à embocadura) e
os tubos fechados que são os que têm uma extremidade
aberta (próxima à embocadura) e outra fechada.
As vibrações das colunas gasosas podem ser estudadas
como ondas estacionárias resultantes da interferência do
som enviado na embocadura com o som refletido na outra
extremidade do tubo.
Em uma extremidade aberta o som reflete-se em fase,
formando um ventre (interferência construtiva) e em uma
extremidade fechada ocorre reflexão com inversão de fase,
formando-se um nó de deslocamento (interferência des-
trutiva).
Quando uma pessoa emite um som em direção a um
obstáculo, este som é ouvido no momento da emissão, Tubos abertos
chamado som direto, e no momento em que o som refle-
tido pelo obstáculo retorna a ele. Considerando um tubo sonoro de comprimento ℓ,
cujas ondas se propagam a uma velocidade v.
Sabemos que a velocidade é dada pela distância per- Assim as possíveis configurações de ondas estacioná-
corrida pelo som em um determinado tempo, esta distân- rias são:
cia é dada por duas vezes a distância ao obstáculo refletor,
já que o som vai e volta. Assim:

E a velocidade é a de propagação do som no ar.


Ao receber um som, este “permanece” em nós por
aproximadamente 0,1s, sendo este intervalo conhecido
como persistência acústica.
Pela relação da velocidade:

28
FÍSICA

As maneiras de vibrar podem, partindo destes exemplos, ser generalizadas como:

E a frequência dos harmônicos será dada por:

Como n não tem restrições, no tubo aberto, obtêm-se frequências naturais de todos os harmônicos.

Tubos fechados

Considerando um tubo sonoro de comprimento ℓ, cujas ondas se propagam a uma velocidade v.


Assim as possíveis configurações de ondas estacionárias são:

29
FÍSICA

As maneiras de vibrar podem, partindo destes exemplos, ser generalizadas como:

E a frequência dos harmônicos será dada por:

Em um tubo fechado, obtêm-se apenas frequências naturais dos harmônicos ímpares.

Efeito Doppler

Este efeito é descrito como uma característica observada em ondas emitidas ou refletidas por fontes em movimento
relativo ao observador. O efeito foi descrito teoricamente pela primeira vez em 1842 por Johann Christian Andreas Doppler,
recebendo o nome Efeito Doppler em sua homenagem.
Para ondas sonoras, o efeito Doppler constitui o fenômeno pelo qual um observador percebe frequências diferentes
das emitidas por uma fonte e acontece devido à velocidade relativa entre o a onda sonora e o movimento relativo entre o
observador e/ou a fonte.
Considerando:

30
FÍSICA

Podemos determinar uma fórmula geral para calcular a frequência percebida pelo observador, ou seja, a frequência
aparente.

• Supondo que o observador esteja em repouso e a fonte se movimente:


Para o caso onde a fonte se aproxima do observador, há um encurtamento do comprimento da onda, relacionado à
velocidade relativa, e a frequência real será menor que a observada, ou seja:

Mas, como a fonte se movimenta, sua velocidade também deve ser considerada, de modo que:
Substituindo no cálculo da frequência observada:

Ou seja:

Para o caso onde a fonte se afasta do observador, há um alongamento aparente do comprimento de onda, nesta situa-
ção a dedução do cálculo da frequência observada será análoga ao caso anterior.

No entanto:

Então:

31
FÍSICA

Podemos escrever uma fórmula geral para os casos onde a fonte se desloque e o observador fique parado,

se utilizarmos:

Sendo o sinal negativo utilizado no caso onde a fonte se aproxima e positivo no caso em que a fonte se
afasta.

Supondo que a fonte esteja em repouso e o observador se movimente:


No caso em que o observador se aproxima da fonte, em um mesmo intervalo de tempo ele encontrará mais frentes de
onda do que se estivesse parado. Assim a frequência observada deverá ser maior que a frequência emitida pela fonte. Neste
caso, o comprimento de onda não é alterado, mas a velocidade de propagação é ligeiramente aumentada.

Mas:

Quando estes dois valores são substituídos no cálculo da frequência observada temos:

Então:

No caso em que o observador se afasta da fonte, em um mesmo intervalo de tempo ele encontrará menor número de
frentes de onda do que se estivesse parado. Assim a frequência observada deverá ser menor que a frequência emitida pela
fonte. A dedução do cálculo da frequência observada será análoga ao caso anterior, no entanto a velocidade de propaga-
ção é ligeiramente reduzida.

Mas:

e
Quando estes dois valores são substituídos no cálculo da frequência observada temos:

Então:

32
FÍSICA

Podemos escrever uma fórmula geral para os casos onde o observador se desloque e a fonte fique parada,

se utilizarmos:

Sendo o sinal negativo utilizado no caso onde a fonte se aproxima e positivo no caso em que a fonte se
afasta.

Conhecendo estas quatro possibilidades de alteração na frequência de onda observada podemos escrever uma fórmu-
la geral para o efeito Doppler se combinarmos todos os resultados, sendo ela:

Sendo utilizados os sinais convenientes para cada caso.

5) ELETRICIDADE: CARGA ELÉTRICA, PRINCÍPIOS DA ELETROSTÁTICA, PROCESSOS DE


ELETRIZAÇÃO, FORÇA ELÉTRICA CAMPO ELÉTRICO, POTENCIAL ELÉTRICO, TRABALHO
DA FORÇA ELÉTRICA, ENERGIA POTENCIAL ELÉTRICA, CONDUTORES EM EQUILÍBRIO
ELETROSTÁTICO, CAPACIDADE ELÉTRICA, CORRENTE ELÉTRICA, POTÊNCIA E ENERGIA NA
CORRENTE ELÉTRICA, RESISTORES, RESISTÊNCIA ELÉTRICA, ASSOCIAÇÃO DE RESISTORES,
ASSOCIAÇÃO DE CAPACITORES, ENERGIA ARMAZENADA NOS CAPACITORES, APARELHOS
DE MEDIÇÃO ELÉTRICA, GERADORES E RECEPTORES ELÉTRICOS,.

ELETRODINÂMICA
Corrente Elétrica

Ao se estudarem situações onde as partículas eletricamente carregadas deixam de estar em equilíbrio eletrostático
passamos à situação onde há deslocamento destas cargas para um determinada direção e em um sentido, este desloca-
mento é o que chamamos corrente elétrica.
Estas correntes elétricas são responsáveis pela eletricidade considerada utilizável por nós.
Normalmente utiliza-se a corrente causada pela movimentação de elétrons em um condutor, mas também é possível
haver corrente de íons positivos e negativos (em soluções eletrolíticas ou gases ionizados).
A corrente elétrica é causada por uma diferença de potencial elétrico (d.d.p./ tensão). E ela é explicada pelo conceito
de campo elétrico, ou seja, ao considerar uma carga A positiva e outra B, negativa, então há um campo orientado da car-
ga A para B. Ao ligar-se um fio condutor entre as duas os elétrons livres tendem a se deslocar no sentido da carga positi-
va, devido ao fato de terem cargas negativas, lembrando que sinais opostos são atraídos.
Desta forma cria-se uma corrente elétrica no fio, com sentido oposto ao campo elétrico, e este é chamado sentido
real da corrente elétrica. Embora seja convencionado que a corrente tenha o mesmo sentido do campo elétrico, o que
não altera em nada seus efeitos (com exceção para o fenômeno chamado Efeito Hall), e este é chamado o sentido con-
vencional da corrente.
Para calcular a intensidade da corrente elétrica (i) na secção transversal de um condutor se considera o módulo da
carga que passa por ele em um intervalo de tempo, ou seja
:

Considerando |Q|=n e

33
FÍSICA

A unidade adotada para a intensidade da corrente no SI é o ampère (A), em homenagem ao físico francês Andre Ma-
rie Ampère, e designa coulomb por segundo (C/s).
Sendo alguns de seus múltiplos:

Continuidade da corrente elétrica


Para condutores sem dissipação, a intensidade da corrente elétrica é sempre igual, independente de sua secção trans-
versal, esta propriedade é chamada continuidade da corrente elétrica.
Isto implica que se houver “opções de caminho” em um condutor, como por exemplo, uma bifurcação do fio, a cor-
rente anterior a ela será igual à soma das correntes em cada parte desta bifurcação, ou seja:

Resistência Elétrica
Ao aplicar-se uma tensão U, em um condutor qualquer se estabelece nele uma corrente elétrica de intensidade i. Para
a maior parte dos condutores estas duas grandezas são diretamente proporcionais, ou seja, conforme uma aumenta o
mesmo ocorre à outra.
Desta forma:

A esta constante chama-se resistência elétrica do condutor (R), que depende de fatores como a natureza do mate-
rial. Quando esta proporcionalidade é mantida de forma linear, chamamos o condutor de ôhmico, tendo seu valor dado
por:

Sendo R constante, conforme enuncia a 1ª Lei de Ohm: Para condutores ôhmicos a intensidade da corrente elétrica é
diretamente proporcional à tensão (ddp) aplicada em seus terminais.

34
FÍSICA

A resistência elétrica também pode ser caracterizada Geradores térmicos


como a “dificuldade” encontrada para que haja passagem São aqueles capazes de converter energia térmica em
de corrente elétrica por um condutor submetido a uma energia elétrica, diretamente.
determinada tensão. No SI a unidade adotada para esta
grandeza é o ohm (Ω), em homenagem ao físico alemão Quando associados dois, ou mais geradores como pi-
Georg Simon Ohm. lhas, por exemplo, a tensão e a corrente se comportam da
Pode-se também definir uma grandeza chamada Con- mesma forma como nas associações de resistores, ou seja:
dutância elétrica (G), como a facilidade que uma corrente • Associação em série: corrente nominal e tensão é
tem em passar por um condutor submetido à determina- somada.
da tensão, ou seja, este é igual ao inverso da resistência: • Associação em paralelo: corrente é somada e
tensão nominal.

Corrente contínua e alternada


Se considerarmos um gráfico i x t (intensidade de cor-
rente elétrica por tempo), podemos classificar a corrente
conforme a curva encontrada, ou seja:

Corrente contínua
E sua unidade, adotada pelo SI é o siemens (S), onde: Uma corrente é considerada contínua quando não
altera seu sentido, ou seja, é sempre positiva ou sempre
negativa.
A maior parte dos circuitos eletrônicos trabalha com
corrente contínua, embora nem todas tenham o mesmo
“rendimento”, quanto à sua curva no gráfico i x t, a cor-
Geradores de corrente elétrica rente contínua pode ser classificada por:
A corrente sempre existe enquanto há diferença de
potencial entre dois corpos ligados, por um condutor, por Corrente contínua constante
exemplo, mas esta tem pequena duração quando estes
corpos são eletrizados pelos métodos vistos em eletrostá-
tica, pois entram rapidamente em equilíbrio.
A forma encontrada para que haja uma diferença de
potencial mais duradoura é a criação de geradores elé-
tricos, que são construídos de modo que haja tensão por
um intervalo maior de tempo.
Existem diversos tipos de geradores elétricos, que são
caracterizados por seu princípio de funcionamento, alguns
deles são:
Diz-se que uma corrente contínua é constante, se seu
Geradores luminosos gráfico for dado por um segmento de reta constante, ou
seja, não variável. Este tipo de corrente é comumente en-
São sistemas de geração de energia construídos de contrado em pilhas e baterias.
modo a transformar energia luminosa em energia elétrica,
como por exemplo, as placas solares feitas de um com- Corrente contínua pulsante
posto de silício que converte a energia luminosa do sol
em energia elétrica.

Geradores mecânicos

São os geradores mais comuns e com maior capacida-


de de criação de energia. Transformam energia mecânica
em energia elétrica, principalmente através de magnetis-
mo. É o caso dos geradores encontrados em usinas hi-
droelétricas, termoelétricas e termonucleares.

Geradores químicos
São construídos de forma capaz de converter energia Embora não altere seu sentido as correntes contínuas
potencial química em energia elétrica (contínua apenas). pulsantes passam periodicamente por variações, não sen-
Este tipo de gerador é muito encontrado como baterias e do necessariamente constantes entre duas medidas em
pilhas. diferentes intervalos de tempo.

35
FÍSICA

A ilustração do gráfico acima é um exemplo de cor- Associação em Série


rente contínua constante. Associar resistores em série significa ligá-los em um
Esta forma de corrente é geralmente encontrada em único trajeto, ou seja:
circuitos retificadores de corrente alternada.

Corrente alternada

Como existe apenas um caminho para a passagem da


corrente elétrica esta é mantida por toda a extensão do
circuito. Já a diferença de potencial entre cada resistor irá
variar conforme a resistência deste, para que seja obede-
cida a 1ª Lei de Ohm, assim:

Dependendo da forma como é gerada a corrente, esta


é invertida periodicamente, ou seja, ora é positiva e ora é
negativa, fazendo com que os elétrons executem um mo- Esta relação também pode ser obtida pela análise do
vimento de vai-e-vem. circuito:

Este tipo de corrente é o que encontramos quando


medimos a corrente encontrada na rede elétrica residen-
cial, ou seja, a corrente medida nas tomada de nossa casa.

Resistores
São peças utilizadas em circuitos elétricos que tem
como principal função converter energia elétrica em ener-
gia térmica, ou seja, são usados como aquecedores ou
como dissipadores de eletricidade.

Alguns exemplos de resistores utilizados no nosso co- Sendo assim a diferença de potencial entre os pontos
tidiano são: o filamento de uma lâmpada incandescente, o inicial e final do circuito é igual à:
aquecedor de um chuveiro elétrico, os filamentos que são
aquecidos em uma estufa, entre outros.

Em circuitos elétricos teóricos costuma-se considerar


toda a resistência encontrada proveniente de resistores,
ou seja, são consideradas as ligações entre eles como
condutores ideais (que não apresentam resistência), e Analisando esta expressão, já que a tensão total e a
utilizam-se as representações: intensidade da corrente são mantidas, é possível concluir
que a resistência total é:

Ou seja, um modo de se resumir e lembrar-se das


propriedades de um circuito em série é:
Associação de Resistores
Em um circuito é possível organizar conjuntos de re-
sistores interligados, chamada associação de resistores.
O comportamento desta associação varia conforme a
ligação entre os resistores, sendo seus possíveis tipos: em
série, em paralelo e mista.

36
FÍSICA

Tensão (ddp) (U) se divide


Intensidade da corrente (i) se conserva
Resistência total (R) soma algébrica das resistência em cada resistor.

Associação em Paralelo:

Ligar um resistor em paralelo significa basicamente dividir a mesma fonte de corrente, de modo que a ddp em cada
ponto seja conservada. Ou seja:

Usualmente as ligações em paralelo são representadas por:

Como mostra a figura, a intensidade total de corrente do circuito é igual à soma das intensidades medidas sobre
cada resistor, ou seja:

Pela 1ª lei de ohm:

E por esta expressão, já que a intensidade da corrente e a tensão são mantidas, podemos concluir que a resistência
total em um circuito em paralelo é dada por:

37
FÍSICA

Associação Mista:

Uma associação mista consiste em uma combinação, em um mesmo circuito, de associações em série e em paralelo,
como por exemplo:

Em cada parte do circuito, a tensão (U) e intensidade da corrente serão calculadas com base no que se conhece sobre
circuitos série e paralelos, e para facilitar estes cálculos pode-se reduzir ou redesenhar os circuitos, utilizando resistores
resultantes para cada parte, ou seja:
Sendo:

Efeito Joule
A corrente elétrica é resultado de movimentação de ânions, cátions ou elétrons livres, como já vimos. Ao existir cor-
rente elétrica as partículas que estão em movimento acabam colidindo com as outras partes do condutor que se encontra
em repouso, causando uma excitação que por sua vez irá gerar um efeito de aquecimento. A este efeito dá-se o nome
efeito Joule.
O aquecimento no fio pode ser medido pela lei de joule, que é matematicamente expressa por:

38
FÍSICA

Esta relação é valida desde que a intensidade da


corrente seja constante durante o intervalo de tempo de
ocorrência.

Efeito Joule
A corrente elétrica é resultado de movimentação de Mas sabemos que , então podemos escrever
ânions, cátions ou elétrons livres, como já vimos. Ao existir que:
corrente elétrica as partículas que estão em movimento
acabam colidindo com as outras partes do condutor que
se encontra em repouso, causando uma excitação que por
sua vez irá gerar um efeito de aquecimento. A este efeito Por exemplo:
dá-se o nome efeito Joule. Qual a corrente que passa em uma lâmpada de 60W
O aquecimento no fio pode ser medido pela lei de em uma cidade onde a tensão na rede elétrica é de 220V?
joule, que é matematicamente expressa por:

Pela 1ª Lei de Ohm temos que , então pode-


mos definir duas formas que relacionem a potência elétri-
ca com a resistência.
Esta relação é valida desde que a intensidade da
corrente seja constante durante o intervalo de tempo de
ocorrência.

Potência Elétrica
A potência elétrica dissipada por um condutor é defi-
nida como a quantidade de energia térmica que passa por
ele durante uma quantidade de tempo.

A unidade utilizada para energia é o watt (W), que


designa joule por segundo (J/s)
Ao considerar que toda a energia perdida em um cir-
cuito é resultado do efeito Joule, admitimos que a energia
transformada em calor é igual a energia perdida por uma
carga q que passa pelo condutor. Ou seja:

Então se utilizando do exemplo anterior, qual a resis-


tência do filamento interno da lâmpada?
Mas, sabemos que:

Então:

Consumo de energia elétrica


Cada aparelho que utiliza a eletricidade para funcio-
nar, como por exemplo, o computador de onde você lê
Logo: esse texto, consome uma quantidade de energia elétrica.

39
FÍSICA

Para calcular este consumo basta sabermos a potência do aparelho e o tempo de utilização dele, por exemplo, se qui-
sermos saber quanta energia gasta um chuveiro de 5500W ligado durante 15 minutos, seu consumo de energia será:

Mas este cálculo nos mostra que o joule (J) não é uma unidade eficiente neste caso, já que o cálculo acima se refere a
apenas um banho de 15 minutos, imagine o consumo deste chuveiro em uma casa com 4 moradores que tomam banho
de 15 minutos todos os dias no mês.
Para que a energia gasta seja compreendida de uma forma mais prática podemos definir outra unidade de medida,
que embora não seja adotada no SI, é mais conveniente.
Essa unidade é o quilowatt-hora (kWh).
Para calcularmos o consumo do chuveiro do exemplo anterior nesta unidade consideremos sua potência em kW e o
tempo de uso em horas, então teremos:

O mais interessante em adotar esta unidade é que, se soubermos o preço cobrado por kWh, podemos calcular quan-
to será gasta em dinheiro por este consumo.
Por exemplo:
Considere que em sua cidade a companhia de energia elétrica tenha um tarifa de 0,300710 R$/kWh, então o consu-
mo do chuveiro elétrico de 5500W ligado durante 15 minutos será:

Se considerarmos o caso da família de 4 pessoas que utiliza o chuveiro diariamente durante 15 minutos, o custo
mensal da energia gasta por ele será:

Segunda lei de Ohm


Esta lei descreve as grandezas que influenciam na resistência elétrica de um condutor, conforme cita seu enunciado:
A resistência de um condutor homogêneo de secção transversal constante é proporcional ao seu comprimento e da
natureza do material de sua construção, e é inversamente proporcional à área de sua secção transversal. Em alguns mate-
riais também depende de sua temperatura.
Sendo expressa por:

40
FÍSICA

Onde:
ρ= resistividade, depende do material do condutor e de sua temperatura.
ℓ= largura do condutor
A= área da secção transversal.

Como a unidade de resistência elétrica é o ohm (Ω), então a unidade adotada pelo SI para a resistividade é .

Capacitores

Em circuitos eletrônicos alguns componentes necessitam que haja alimentação em corrente contínua, enquanto a
fonte está ligada em corrente alternada. A resolução deste problema é um dos exemplos da utilidade de um capacitor.
Este equipamento é capaz de armazenar energia potencial elétrica durante um intervalo de tempo, ele é construído
utilizando um campo elétrico uniforme. Um capacitor é composto por duas peças condutoras, chamadas armaduras e um
material isolante com propriedades específicas chamado dielétrico.
Para que haja um campo elétrico uniforme é necessário que haja uma interação específica, limitando os possíveis
formatos geométricos de um capacitor, assim alguns exemplos de capacitores são:

Capacitores planos

Capacitores cilíndricos

Fonte: http://www.sofisica.com.br/conteudos/Eletromagnetismo/CampoMagnetico/imasemagnetos.php

41
FÍSICA

LEIS DE KIRCHHOFF, CONCEITOS INICIAIS DO MAGNETISMO, CAMPO


MAGNÉTICO, FORÇA MAGNÉTICA, INDUÇÃO ELETROMAGNÉTICA, CORRENTE
ALTERNADA, TRANSFORMADORES E ONDAS ELETROMAGNÉTICAS..

Ímãs e magnetos
Um ímã é definido com um objeto capaz de provocar um campo magnético à sua volta e pode ser natural ou artificial.
Um ímã natural é feito de minerais com substâncias magnéticas, como por exemplo, a magnetita, e um ímã artificial é
feito de um material sem propriedades magnéticas, mas que pode adquirir permanente ou instantaneamente característi-
cas de um ímã natural.
Os ímãs artificiais também são subdivididos em: permanentes, temporais ou eletroímãs.
• Um ímã permanente é feito de material capaz de manter as propriedades magnéticas mesmo após cessar o pro-
cesso de imantação, estes materiais são chamados ferromagnéticos.
• Um ímã temporal tem propriedades magnéticas apenas enquanto se encontra sob ação de outro campo magné-
tico, os materiais que possibilitam este tipo de processo são chamados paramagnéticos.
• Um eletroímã é um dispositivo composto de um condutor por onde circula corrente elétrica e um núcleo, normal-
mente de ferro. Suas características dependem da passagem de corrente pelo condutor; ao cessar a passagem de corrente
cessa também a existência do campo magnético.

Propriedades dos ímãs


Polos magnéticos
São as regiões onde se intensificam as ações magnéticas. Um ímã é composto por dois polos magnéticos, norte e sul,
normalmente localizados em suas extremidades, exceto quando estas não existirem, como em um ímã em forma de disco,
por exemplo. Por esta razão são chamados dipolos magnéticos.
Para que sejam determinados estes polos, se deve suspender o ímã pelo centro de massa e ele se alinhará aproxima-
damente ao polo norte e sul geográfico recebendo nomenclatura equivalente. Desta forma, o polo norte magnético deve
apontar para o polo norte geográfico e o polo sul magnético para o polo sul geográfico.

Atração e repulsão
Ao manusear dois ímãs percebemos claramente que existem duas formas de colocá-los para que estes sejam repelidos
e duas formas para que sejam atraídos. Isto se deve ao fato de que polos com mesmo nome se repelem, mas polos com
nomes diferentes se atraem, ou seja:

42
FÍSICA

Esta propriedade nos leva a concluir que os polos norte e sul geográficos não coincidem com os polos norte e sul
magnéticos. Na verdade eles se encontram em pontos praticamente opostos, como mostra a figura abaixo:

A inclinação dos eixos magnéticos em relação aos eixos geográficos é de aproximadamente 191°, fazendo com os seus
polos sejam praticamente invertidos em relação aos polos geográficos.

Interação entre polos


Dois polos se atraem ou se repelem, dependendo de suas características, à razão inversa do quadrado da distância
entre eles. Ou seja, se uma força de interação F é estabelecida a uma distância d, ao dobrarmos esta distância a força ob-
servada será igual a uma quarta parte da anterior F/4. E assim sucessivamente.

Inseparabilidade dos polos de um ímã

Esta propriedade diz que é impossível separar os polos magnéticos de um ímã, já que toda vez que este for dividido
serão obtidos novos polos, então se diz que qualquer novo pedaço continuará sendo um dipolo magnético.

Campo Magnético
É a região próxima a um ímã que influencia outros ímãs ou materiais ferromagnéticos e paramagnéticos, como cobalto
e ferro.
Compare campo magnético com campo gravitacional ou campo elétrico e verá que todos estes têm as características
equivalentes.

Também é possível definir um vetor que descreva este campo, chamado vetor indução magnética e simbolizado por
. Se pudermos colocar uma pequena bússola em um ponto sob ação do campo o vetor terá direção da reta em que a
agulha se alinha e sentido para onde aponta o polo norte magnético da agulha.

Se pudermos traçar todos os pontos onde há um vetor indução magnética associado veremos linhas que são chamadas
linhas de indução do campo magnético. estas são orientados do polo norte em direção ao sul, e em cada ponto o vetor
tangencia estas linhas.

43
FÍSICA

Supondo:
• campos magnéticos estacionários, ou seja, que o
vetor campo magnético em cada ponto não varia com
o tempo;
• partículas com uma velocidade inicial no mo-
mento da interação;
• e que o vetor campo magnético no referencial
adotado é ;
Podemos estabelecer pelo menos três resultados:

Carga elétrica em repouso


“Um campo magnético estacionário não interage com
cargas em repouso.”
Tendo um Ímã posto sobre um referencial arbitrário
R, se uma partícula com carga q for abandonada em sua
vizinhança com velocidade nula não será observado o sur-
gimento de força magnética sobre esta partícula, sendo ela
positiva, negativa ou neutra.
As linhas de indução existem também no interior do Carga elétrica com velocidade na mesma direção do
ímã, portanto são linhas fechadas e sua orientação interna campo
é do polo sul ao polo norte. Assim como as linhas de força, “Um campo magnético estacionário não interage com
as linhas de indução não podem se cruzar e são mais den- cargas que tem velocidade não nula na mesma direção do
sas onde o campo é mais intenso. campo magnético.”
Sempre que uma carga se movimenta na mesma dire-
Campo Magnético Uniforme ção do campo magnético, sendo no seu sentido ou con-
De maneira análoga ao campo elétrico uniforme, é de- trário, não há aparecimento de força eletromagnética que
finido como o campo ou parte dele onde o vetor indução atue sobre ela. Um exemplo deste movimento é uma carga
magnética é igual em todos os pontos, ou seja, tem mes- que se movimenta entre os polos de um Ímã. A validade
mo módulo, direção e sentido. Assim sua representação desta afirmação é assegurada independentemente do sinal
por meio de linha de indução é feita por linhas paralelas e da carga estudada.
igualmente espaçadas.
Carga elétrica com velocidade em direção diferente
do campo elétrico
Quando uma carga é abandonada nas proximidades
de um campo magnético estacionário com velocidade em
direção diferente do campo, este interage com ela. Então
esta força será dada pelo produto entre os dois vetores,
e e resultará em um terceiro vetor perpendicular a am-
bos, este é chamado um produto vetorial e é uma operação
vetorial que não é vista no ensino médio.
Mas podemos dividir este estudo para um caso pe-
culiar onde a carga se move em direção perpendicular ao
campo, e outro onde a direção do movimento é qualquer,
exceto igual a do campo.
• Carga com movimento perpendicular ao cam-
po
Experimentalmente pode-se observar que se aproxi-
marmos um ímã de cargas elétricas com movimento per-
pendicular ao campo magnético, este movimento será des-
viado de forma perpendicular ao campo e à velocidade, ou
A parte interna dos imãs em forma de U aproxima um seja, para cima ou para baixo. Este será o sentido do vetor
campo magnético uniforme. força magnética.
Para cargas positivas este desvio acontece para cima:
Efeitos de um campo magnético sobre carga
Como os elétrons e prótons possuem características
magnéticas, ao serem expostos à campos magnéticos, in-
teragem com este, sendo submetidos a uma força magné-
tica .

44
FÍSICA

E para cargas negativas para baixo.

Para o cálculo da intensidade do campo magnético se


considera apenas o componente da velocidade perpendi-
cular ao campo, ou seja, , sendo o ângulo for-
mado entre e então substituindo v por sua compo-
nente perpendicular teremos:

A intensidade de será dada pelo produto vetorial Aplicando esta lei para os demais casos que vimos an-
teriormente, veremos que:
, que para o caso particular onde e são • se v = 0, então F = 0
perpendiculares é calculado por: • se = 0° ou 180°, então sen = 0, portanto F = 0
• se = 90°, então sen = 1, portanto
.

Regra da mão direita


A unidade adotada para a intensidade do Campo mag- Um método usado para se determinar o sentido do ve-
tor é a chamada regra da mão direita espalmada. Com
nético é o tesla (T), que denomina , em homena- a mão aberta, se aponta o polegar no sentido do vetor ve-
locidade e os demais dedos na direção do vetor campo
gem ao físico iugoslavo Nikola Tesla. magnético.
Consequentemente a força será calculada por: Para cargas positivas, vetor terá a direção de uma
linha que atravessa a mão, e seu sentido será o de um vetor
que sai da palma da mão.
Para cargas negativas, vetor terá a direção de uma
linha que atravessa a mão, e seu sentido será o de um vetor
Medida em newtons (N)
que sai do dorso da mão, isto é, o vetor que entra na palma
da mão.
• Carga movimentando-se com direção arbitrá- Efeito Hall
ria em relação ao campo Em 1879, durante experiências feitas para se medir di-
retamente o sinal dos portadores de carga em um condu-
Como citado anteriormente, o caso onde a carga tem tor Edwin H. Hall percebeu um fenômeno peculiar.
movimento perpendicular ao campo é apenas uma pecu- Na época já se sabia que quando o fio percorrido por
liaridade de interação entre carga e campo magnético. Para corrente elétrica era exposto a um campo magnético as
os demais casos a direção do vetor será perpendicular cargas presentes neste condutor eram submetidos a uma
ao vetor campo magnético e ao vetor velocidade . força que fazia com que seu movimento fosse alterado.

45
FÍSICA

No entanto, o que Edwin Hall descreveu foi o surgimento de regiões com carga negativa e outras com carga positiva
no condutor, criando um campo magnético perpendicular ao campo gerado pela corrente principal.
Em sua homenagem este efeito ficou conhecido como Efeito Hall.

Força magnética sobre um fio condutor


Sempre que uma carga é posta sobre influência de um campo magnético, esta sofre uma interação que pode alterar
seu movimento. Se o campo magnético em questão for uniforme, vimos que haverá uma força agindo sobre a carga com
intensidade , onde é o ângulo formado no plano entre os vetores velocidade e campo magnético. A
direção e sentido do vetor serão dadas pela regra da mão direita espalmada.
Se imaginarmos um fio condutor percorrido por corrente, haverá elétrons livres se movimentando por sua secção
transversal com uma velocidade . No entanto, o sentido adotado para o vetor velocidade, neste caso, é o sentido real da
corrente ( tem o mesmo sentido da corrente). Para facilitar a compreensão pode-se imaginar que os elétrons livres são
cargas positivas.
Como todos os elétrons livres têm carga (que pela suposição adotada se comporta como se esta fosse positiva), quan-
do o fio condutor é exposto a um campo magnético uniforme, cada elétron sofrerá ação de uma força magnética.

Mas se considerarmos um pequeno pedaço do fio ao invés de apenas um elétron, podemos dizer que a interação con-
tinuará sendo regida por , onde Q é a carga total no segmento do fio, mas como temos um compri-
mento percorrido por cada elétron em um determinado intervalo de tempo, então podemos escrever a velocidade como:

Ao substituirmos este valor em teremos a força magnética no segmento, expressa pela notação :

Mas sabemos que indica a intensidade de corrente no fio, então:

Sendo esta expressão chamada de Lei Elementar de Laplace.


A direção e o sentido do vetor são perpendicular ao plano determinado pelos vetores e , e pode ser determi-
nada pela regra da mão direita espalmada, apontando-se o polegar no sentido da corrente e os demais dedos no sentido

do vetor .
Saiba mais...
Se quisermos determinar a força magnética que atua em fio extenso (com
dimensões não desprezíveis) devemos fazer com que os comprimentos
sejam cada vez menores e somar os vetores em cada , de modo que toda o
fio seja descrito, uma forma avançada para se realizar este cálculo é utilizando-se
integral de linha.
Para o caso particular onde o condutor é retilíneo, todos os vetores serão iguais,
então podemos reescrever a Lei elementar de Laplace como .

46
FÍSICA

Força magnética sobre uma espira retangular Então podemos escrever o fluxo de indução magné-
Da mesma forma como um campo magnético unifor- tica como o produto do vetor indução magnética (campo
me interage com um condutor retilíneo pode interagir com magnético) pela área da superfície A e pelo cosseno do
um condutor em forma de espira retangular percorrido por ângulo θ, formado entre e uma linha perpendicular à
corrente. superfície, chamada reta normal. Assim:
Quando a corrente passa pelo condutor nos segmen-
tos onde o movimento das cargas são perpendiculares ao
vetor indução magnética há a formação de um “braço de
alavanca” entre os dois segmentos da espira, devido ao
surgimento de . Nos segmentos onde o sentido da cor- A unidade adotada para se medir o fluxo de indução
rente é paralelo ao vetor indução magnética não há surgi- magnética pelo SI é o weber (Wb), em homenagem ao fí-
mento de pois a corrente, e por consequência , tem sico alemão Wilhelm Webber, e caracteriza tesla por metro
mesma direção do campo magnético. quadrado .
Se esta espira tiver condições de girar livremente, a for-
ça magnética que é perpendicular ao sentido da corrente É possível também se associar o fluxo de indução mag-
e ao campo magnético causará rotação. À medida que a nética à quantidade de linhas de indução que atravessam a
espira gira a intensidade da força que atua no sentido ver- superfície, de modo que:
tical, que é responsável pelo giro, diminui, de modo que • Se a reta normal à superfície for perpendicular
quando a espira tiver girado 90° não haverá causando ao vetor indução magnética, nenhuma linha de indução o
giro, fazendo com que as forças de cada lado do braço de atravessará, portanto o fluxo será nulo. O que é comprova-
alavanca entrem em equilíbrio. do pela equação do fluxo magnético já que
No entanto, o movimento da espira continua, devido à
inércia, fazendo com que esta avance contra as forças .
Com isso o movimento segue até que as forças o anu-
lem e volta a girar no sentido contrário, passando a exercer
um movimento oscilatório.
Uma forma de se aproveitar este avanço da posição
de equilíbrio é inverter o sentido da corrente, fazendo com
que o giro continue no mesmo sentido. Este é o princípio
de funcionamento dos motores de corrente contínua, e a
inversão de corrente é obtida através de um anel metálico
condutor dividido em duas partes.
Fluxo de Indução
Para que se entenda o que é, e como se origina a indu-
ção magnética é necessário que definamos uma grandeza
física chamada fluxo de indução magnética. Esta grandeza
é vetorial é simbolizada por Φ.
Mesmo que haja fluxo de indução magnética sobre
qualquer corpo, independente de sua forma ou material,
vamos defini-lo apenas para o caso particular de uma su- • Se a reta normal à superfície for paralela ao vetor
perfície plana de área superficial A, podendo ser a área de- indução magnética, o número máximo de linhas de indu-
limitada por uma espira, imersa em um campo magnético ção o atravessará, logo o valor do fluxo será máximo já que
uniforme, desta forma:
• e que onde .

47
FÍSICA

Se o vetor indução magnética e a área são valores Então, se pensarmos em um ímã qualquer, este terá
constante e apenas o ângulo θ é livre para variar, então po- campo magnético mais intenso nas proximidades de seus
demos montar um gráfico de Φxθ, onde veremos a varia- polos, já que as linhas de indução são mais concentradas
nestes pontos. Portanto, uma forma de fazer com que Φ
ção do fluxo em função da variação de θ, em uma senoide varie é aproximar ou afastar a superfície da fonte magnéti-
defasada de (gráfico do cosseno). ca, variando

Variação do fluxo devido à variação da área

Outra maneira utilizada para se variar Φ é utilizando


um campo magnético uniforme e uma superfície de área A.
Como o campo magnético uniforme é bem delimitado,
é possível variar o fluxo de indução magnética movimen-
tando-se a superfície perpendicularmente ao campo, entre
a parte sob e fora de sua influência. Desta forma, a área
efetiva por onde há fluxo magnético varia.

Variação do fluxo devido à variação do ângulo θ

Além das duas formas citadas acima, ainda é possível


variar Φ fazendo com que varie o ângulo entre a reta nor-
mal à superfície e o vetor . Uma maneira prática e possi-
velmente a mais utilizada para se gerar indução magnética
é fazendo com que a superfície por onde o fluxo passa gire,
fazendo com que θ varie
Indução Eletromagnética
Quando uma área delimitada por um condutor sofre
variação de fluxo de indução magnética é criado entre seus
Variação do Fluxo Magnético terminais uma força eletromotriz (fem) ou tensão. Se os
Saber apenas calcular o fluxo magnético não resolve terminais estiverem ligados a um aparelho elétrico ou a um
nossos problemas de indução, pois para que esta exista, é medidor de corrente esta força eletromotriz ira gerar uma
necessário que haja variação no fluxo magnético. corrente, chamada corrente induzida.
Sabendo que o fluxo magnético é calculado por: Este fenômeno é chamado de indução eletromagné-
tica, pois é causado por um campo magnético e gera cor-
rentes elétricas.
A corrente induzida só existe enquanto há variação do
fluxo, chamado fluxo indutor.
Como a equação nos mostra, o fluxo depende de três Lei de Lenz
grandezas, B, A, e θ. Portanto, para que Φ varie é neces- Segundo a lei proposta pelo físico russo Heinrich Lenz,
sário que pelo menos uma das três grandezas varie, como a partir de resultados experimentais, a corrente induzida
veremos a seguir. tem sentido oposto ao sentido da variação do campo mag-
nético que a gera.
Variação do fluxo devido à variação do vetor indu- • Se houver diminuição do fluxo magnético, a cor-
ção magnética rente induzida irá criar um campo magnético com o mes-
mo sentido do fluxo;
Imagine um tubo capaz de conduzir em seu interior • Se houver aumento do fluxo magnético, a cor-
as linhas de indução geradas por um ímã, por exemplo. Se rente induzida irá criar um campo magnético com sentido
em um ponto do tubo houver uma redução na área de sua oposto ao sentido do fluxo.
secção transversal, todas as linhas que passavam por uma Se usarmos como exemplo, uma espira posta no plano
área A terão de passar por uma área A’, menor que a ante- de uma página e a submetermos a um fluxo magnético
rior. A única forma de todas as linhas de indução passarem, que tem direção perpendicular à página e com sentido de
ou seja, de se manter o fluxo, por esta área menor é se o entrada na folha.
vetor indução aumentar, o que nos leva a concluir que as • Se for positivo, ou seja, se a fluxo magnético
linhas de indução devem estar mais próximas entre si nas aumentar, a corrente induzida terá sentido anti-horário;
partes onde a área é menor. Como as secções transversais • Se for negativo, ou seja, se a fluxo magnético
no tubo citadas são paralelas entre si, esta afirmação pode diminuir, a corrente induzida terá sentido horário.
ser expressa por: Correntes de Foucault
Quando um fluxo magnético varia através de uma su-
perfície sólida, e não apenas delimitada por um condutor

48
FÍSICA

como foi visto em indução eletromagnética, há criação de S=200km


uma corrente induzida sobre ele como se toda superfície t=4h
fosse composta por uma combinação de espiras muito fi- v=?
nas justapostas.
O nome dado a estas correntes é em homenagem ao
físico e astrônomo francês Jean Bernard Léon Foucault, que
foi quem primeiro mostrou a existência delas. Mesmo o carro tendo ficado parado algum tempo du-
Devido à suas dimensões consideráveis, a superfície rante a viagem, para o cálculo da velocidade média não le-
sofre dissipação de energia por efeito Joule, causando vamos isso em consideração.
grande aumento de temperatura, o que torna possível uti-
lizar estas correntes como aquecedores, por exemplo, em 3. No exercício anterior, qual foi a velocidade nos in-
um forno de indução, que têm a passagem de correntes de tervalos antes e depois de o pneu furar? Sabendo que o
Foucault como princípio de funcionamento. incidente ocorreu quando faltavam 115 km para chegar à
Em circuitos eletrônicos, onde a dissipação por efei- cidade B.
to Joule é altamente indesejável, pois pode danificar seus
componentes. É frequente a utilização de materiais lamina- • Antes da parada:
dos ou formados por pequenas placas isoladas entre si, a S= 200-115=85km
fim de diminuir a dissipação de energia.
t=1hora
Lei de Faraday-Neumann v=?
Também chamada de lei da indução magnética, esta
lei, elaborada a partir de contribuições de Michael Faraday, • Depois da parada:
Franz Ernst Neumann e Heinrich Lenz entre 1831 e 1845,
quantifica a indução eletromagnética. S= 115km
A lei de Faraday-Neumann relaciona a força eletro- t= 4h-1h-1h20min= 1h40min=1,66h (utilizando-se re-
motriz gerada entre os terminais de um condutor sujeito gra de três simples)
à variação de fluxo magnético com o módulo da variação
do fluxo em função de um intervalo de tempo em que esta
variação acontece, sendo expressa matematicamente por: v=?

4. Um bola de basebol é lançada com velocidade igual


a 108m/s, e leva 0,6 segundo para chegar ao rebatedor. Su-
O sinal negativo da expressão é uma consequência da pondo que a bola se desloque com velocidade constante.
Lei de Lenz, que diz que a corrente induzida tem um sen- Qual a distância entre o arremessador e o rebatedor?
tido que gera um fluxo induzido oposto ao fluxo indutor.
Fonte: http://www.sofisica.com.br/conteudos/Eletro-
magnetismo/InducaoMagnetica/transformadores.php.
, se isolarmos S:

Exercicios
Velocidade:

1. Um macaco que pula de galho em galho em um


zoológico, demora 6 segundos para atravessar sua jaula,
que mede 12 metros. Qual a velocidade média dele? 5. Durante uma corrida de 100 metros rasos, um com-
petidor se desloca com velocidade média de 5m/s. Quanto
S=12m tempo ele demora para completar o percurso?
t=6s
v=?

, se isolarmos t:

2. Um carro viaja de uma cidade A a uma cidade B,


distantes 200km. Seu percurso demora 4 horas, pois de-
corrida uma hora de viagem, o pneu dianteiro esquerdo
furou e precisou ser trocado, levando 1 hora e 20 minutos
do tempo total gasto. Qual foi a velocidade média que o
carro desenvolveu durante a viagem?

49
FÍSICA

6. Um carro desloca-se em uma trajetória retilínea 8. O gráfico a seguir mostra as posições em função
descrita pela função S=20+5t (no SI). Determine: do tempo de dois ônibus. Um parte de uma cidade A em
(a) a posição inicial; direção a uma cidade B, e o outro da cidade B para a cidade
(b) a velocidade; A. As distâncias são medidas a partir da cidade A. A que
(c) a posição no instante 4s; distância os ônibus vão se encontrar?
(d) o espaço percorrido após 8s;
(e) o instante em que o carro passa pela posição 80m;
(f) o instante em que o carro passa pela posição 20m.

Comparando com a função padrão:

(a) Posição inicial= 20m


(b) Velocidade= 5m/s

(c) S= 20+5t
S= 20+5.4
S= 40m

(d) S= 20+5.8
S= 60m
Para que seja possível fazer este cálculo, precisamos sa-
ber a velocidade de algum dos dois ônibus, e depois, calcular
a distância percorrida até o momento em que acontece o
(e) 80= 20+5t encontro dos dois, onde as trajetórias se cruzam.
80-20=5t Calculando a velocidade ônibus que sai da cidade A em
60=5t direção a cidade B (linha azul)
12s =t

(f) 20= 20+5t


20-20= 5t
t=0 Sabendo a velocidade, é possível calcular a posição do
encontro, quando t=3h.
7. Em um trecho de declive de 10km, a velocidade má-
xima permitida é de 70km/h. Suponha que um carro inicie
este trecho com velocidade igual a máxima permitida, ao
mesmo tempo em que uma bicicleta o faz com velocidade
igual a 30km/h. Qual a distância entre o carro e a bicicleta
quando o carro completar o trajeto?
• Carro:
• 9. Um carro, se desloca a uma velocidade de 20m/s
S=10km em um primeiro momento, logo após passa a se deslocar
v=70km/h com velocidade igual a 40m/s, assim como mostra o gráfi-
t=? co abaixo. Qual foi o distância percorrida pelo carro?
S=70t
10=70t
0,14h=t
t=8,57min (usando regra de três simples)
• Bicicleta

O tempo usado para o cálculo da distância alcançada


pela bicicleta, é o tempo em que o carro chegou ao final do
trajeto: t=0,14h
v=30km/h
t=0,14h
S=?
S=0+30.(0,14)
S=4,28Km

50
FÍSICA

Tendo o gráfico da v x t, o deslocamento é igual à área 13. Um automóvel encontra-se parado diante de um
sob a reta da velocidade. Então: semáforo. Logo quando o sinal abre, ele arranca com ace-
S= Área A + Área B leração 5m/s², enquanto isso, um caminhão passa por ele
S=20 5 + 40 (15-5) com velocidade constante igual a 10m/s.
S=100+400 (a) Depois de quanto tempo o carro alcança o cami-
S=500m nhão?
(b) Qual a distância percorrida até o encontro.
10. Dois trens partem simultaneamente de um mesmo
local e percorrem a mesma trajetória retilínea com veloci- Escreve-se as equações do muv para o carro e do mu
dades, respectivamente, iguais a 300km/h e 250km/h. Há para o caminhão:
comunicação entre os dois trens se a distância entre eles Carro:
não ultrapassar 10km. Depois de quanto tempo após a saí-
da os trens perderão a comunicação via rádio?
Para este cálculo estabelece-se a velocidade relativa en-
tre os trens, assim pode-se calcular o movimento como se o
trem mais rápido estivesse se movendo com velocidade igual
a 50km/h (300km/h-250km/h) e o outro parado.
Assim:
v=50km/h
S=10km
t=? Caminhão:

Quando os dois se encontram, suas posições são iguais,


então:

11. Durante uma corrida de carros, um dos competido-


res consegue atingir 100km/h desde a largada em 5s. Qual
a aceleração média por ele descrita?

(b) Sabendo o momento do encontro, só é necessário


aplicá-lo em uma das duas funções (do caminhão ou do car-
ro).

Logo o carro encontra o caminhão 4 segundos após a


12. Um móvel, partindo do repouso com uma acelera- sinaleira abrir, a uma distância de 40 m.
ção constante igual 1m/s² se desloca durante 5 minutos. Ao
final deste tempo, qual é a velocidade por ele adquirida? 14. Uma motocicleta se desloca com velocidade cons-
tante igual a 30m/s. Quando o motociclista vê uma pes-
soa atravessar a rua freia a moto até parar. Sabendo que
a aceleração máxima para frear a moto tem valor absoluto
igual a 8m/s², e que a pessoa se encontra 50m distante da
motocicleta. O motociclista conseguirá frear totalmente a
motocicleta antes de alcançar a pessoa?

51
FÍSICA

Como a aceleração utilizada para frear a moto se opõe do uma das crianças lança a bola para cima, esta chega a
ao movimento, tem valor negativo, então: uma altura de 15 metros. E retorna ao chão em 6 segundos.
Qual a velocidade inicial do lançamento?
Para realizar este cálculo deve-se dividir o movimento
em subida e descida, mas sabemos que o tempo gasto para
a bola retornar é o dobro do tempo que ele gasta para subir
ou descer. Então:
• Subida (t=3s)

A motocicleta não irá parar antes de atingir a pessoa.

15. Um corredor chega a linha de chegada em uma


corrida com velocidade igual a 18m/s. Após a chegada ele
anda mais 6 metros até parar completamente. Qual o valor
de sua aceleração?

18. Durante a gravação de um filme, um dublê deve


cair de um penhasco de 30m de altura e cair sobre um col-
chão. Quando ele chega ao colchão, este sofre uma defor-
mação de 1m. Qual é a desaceleração que o dublê sofre até
parar quando chega colchão?
16. Uma pedra é abandonada de um penhasco de A desaceleração sofrida pelo dublê se dará quando a
100m de altura. Com que velocidade ela chega ao solo? velocidade inicial for a velocidade de chegada ao solo na
Quanto tempo demora para chegar? queda vertical, a velocidade final for zero, e a distância do
deslocamento for 1m de deformação do colchão. Então o
primeiro passo para chegar a resolução é descobrir a veloci-
dade de chegada ao solo:
Como no exercício não é dado o tempo, a maneira mais
rápida de se calcular a velocidade é através da Equação de
Torricelli para o movimento vertical, com aceleração da gra-
vidade positiva, já que o movimento é no mesmo sentido da
gravidade.

O segundo passo é calcular o movimento uniformemen-


te variado para a desaceleração da queda. Com velocidade
inicial igual a 24,5m/s.

17. Em uma brincadeira chamada “Stop” o jogador


deve lançar a bola verticalmente para cima e gritar o nome
de alguma pessoa que esteja na brincadeira. Quando a
bola retornar ao chão, o jogador chamado deve segurar a
bola e gritar: “Stop”, e todos os outros devem parar, assim
a pessoa chamada deve “caçar” os outros jogadores. Quan-

52
FÍSICA

19. Um fazendeiro precisa saber a profundidade de Tendo os tempos de cada movimento, podemos cal-
um poço em suas terras. Então, ele abandona uma pedra cular a altura utilizando qualquer uma das duas funções:
na boca do poço e cronometra o tempo que leva para ouvir
o som da pedra no fundo. Ele observa que o tempo crono-
metrado é 5 segundos. Qual a altura do poço?
Podemos dividir o movimento em movimento da pedra
e o deslocamento do som.

• Movimento da Pedra:

20. Durante uma partida de futebol, um goleiro chu-


ta uma bola com velocidade inicial igual 25m/s, formando
um ângulo de 45° com a horizontal. Qual distância a bola
alcançará?

• Deslocamento do som:

Sabendo que a altura do poço é a mesma para as duas 21. Um tiro de canhão é lançado formando um ângulo
funções e que : de 30° com a horizontal, conforme a figura abaixo:

mas , então:

, mas quando a altura for máxima


a velocidade final será zero:

Sabendo que

Então a altura que o tiro do canhão alcança é igual a


50m+30m=80m

53
FÍSICA

22. Suponha que você precise jogar um livro, do se-


gundo andar de um prédio, para um amigo que esteja a
10m de distância de você. Qual deve ser a velocidade ini-
cial com que você deverá lançá-lo? Sabendo que você vai
realizar o lançamento verticalmente e que a janela de um
segundo andar está a 4 metros de altura do chão.

25. Uma roda de 1 metro de diâmetro, partindo do re-


pouso começa a virar com aceleração angular igual a 2rad/
s². Quanto tempo ele demora para atingir uma velocidade
linear de 20m/s?
O primeiro passo para a resolução é transformar a ve-
locidade linear pedida em velocidade angular, considerando
que o raio da roda é igual a metade do diâmetro. Então:

23. Os ponteiros do relógio realizam um movimento A partir daí, apenas se aplica a função horária da velo-
circular uniforme. Qual a velocidade angular dos ponteiros cidade angular:
(a) das horas, (b) dos minutos (c) e dos segundos?
(a) O ponteiro das horas completa uma volta (2π) em 12
horas (12∙3600s)
ωh=∆φt
ωh=2π12∙3600=1,45∙10-4 rad/s
(b) O ponteiro dos minutos completa um volta (2π) em
uma hora (3600s)
ωm=∆φt
ωm=2π3600=1,74∙10-3 rad/s
(c) O ponteiro dos segundos completa uma volta (2π) em
um minuto (60s) 26. Uma bola de bilhar, com raio igual a 2,5cm, após
ωs=∆φt ser acertada pelo jogador, começa a girar com velocidade
ωs=2π60=0,105 rad/s angular igual a 5rad/s, e sofre uma desaceleração igual a
-1rad/s² até parar, qual o espaço percorrido pela bola?
24. Se considerarmos um relógio, no exercício anterior,
com ponteiro das horas de 10cm, dos minutos de 15cm e
dos segundos de 20cm. Qual será a aceleração centrípeta
de cada um dos ponteiros?
O primeiro passo para a resolução é transformar a velo-
cidade linear pedida em velocidade angular

(b)

(c)

54
QUÍMICA

1) Matéria e Substância: Propriedades gerais e específicas; estados físicos da matéria-caracterização e propriedades;


misturas, sistemas, fases e separação de fases; substâncias simples e compostas; substâncias puras; unidades de matéria
e energia...................................................................................................................................................................................................................... 01
2) Estrutura Atômica Moderna: Introdução à Química; evolução dos modelos atômicos; ....................................................... 05
elementos químicos: principais partículas do átomo,................................................................................................................................ 06
número atômico e número de massa, íons, isóbaros, isótonos, isótopos e isoeletrônicos;....................................................... 07
configuração eletrônica: diagrama de Pauling, regra de Hund (Princípio de exclusão de Pauli) e números quânticos. ...........08
3) Classificações Periódicas: Histórico da classificação periódica; grupos e períodos;................................................................. 09
propriedades periódicas: raio atômico, energia de ionização, afinidade eletrônica, eletropositividade e eletronegativida-
de. .................................................................................................................................................................................................................................. 10
4) Ligações Químicas: Ligações iônicas, ligações covalentes e ligação metálica; .......................................................................... 12
fórmulas estruturais: reatividade dos metais. ............................................................................................................................................... 13
5) Características dos Compostos Iônicos e Moleculares: Geometria molecular: polaridade das moléculas; forças inter-
moleculares; número de oxidação; polaridade e solubilidade. ............................................................................................................. 14
6) Funções Inorgânicas: Ácidos, bases, sais e óxidos; nomenclaturas, reações, propriedades, formulação e classificação. ..............17
7) Reações Químicas: Tipos de reações químicas; previsão de ocorrência das reações químicas: balanceamento de equa-
ções pelo método da tentativa e oxirredução.............................................................................................................................................. 18
8) Grandezas Químicas: Massas atômicas e moleculares; massa molar; quantidade de matéria e número de Avogrado. ......... 19
9) Estequiometria: Aspectos quantitativos das reações químicas; cálculos estequiométricos; reagente limitante de uma
reação e leis químicas (leis ponderais). ........................................................................................................................................................... 21
10) Gases: Equação geral dos gases ideais; leis de Boyle e de Gay-Lussac: equação de Clapeyron; princípio de Avogra-
do e energia cinética média; misturas gasosas, pressão parcial e lei de Dalton; difusão gasosa, noções de gases reais e
liquefação. .................................................................................................................................................................................................................. 21
11) Termoquímica: Reações endotérmicas e exotérmicas; tipos de entalpia; Lei de Hess, determinação da variação de
entalpia e representações gráficas; e cálculos envolvendo entalpia.................................................................................................... 23
12) Cinética: Velocidade das reações; fatores que afetam a velocidade das reações; e cálculos envolvendo velocidade da
reação............................................................................................................................................................................................................................ 29
13) Soluções: Definição e classificação das soluções; tipos de soluções, solubilidade, aspectos quantitativos das solu-
ções; concentração comum; concentração molar ou molaridade, título, densidade; relação entre essas grandezas: dilui-
ção e misturas de soluções; e análise volumétrica (titulometria).......................................................................................................... 30
14) Equilíbrio Químico: Sistemas em equilíbrio; constante de equilíbrio; princípio de Le Chatelier; constante de ioniza-
ção; grau de equilíbrio; grau de ionização; efeito do íon comum; hidrólise; pH e pOH; produto de solubilidade; reações
envolvendo gases, líquidos e gases. ................................................................................................................................................................ 32
15) Eletroquímica: Conceito de ânodo, cátodo e polaridade dos eletrodos; processos de oxidação e redução, equacio-
namento, número de oxidação e identificação das espécies redutoras e oxidantes; aplicação da tabela de potenciais
padrão; pilhas e baterias; equação de Nernst; corrosão; eletrólise e Leis de Faraday. ................................................................ 33
16) Radioatividade: Origem e propriedade das principais radiações; leis da radioatividade; cinética das radiações e cons-
tantes radioativas; transmutações de elementos naturais; fissão e fusão nuclear; uso de isótopos radioativos; e efeitos
das radiações. ........................................................................................................................................................................................................... 40
17) Princípios da química orgânica: Conceito: funções orgânicas: tipos de fórmulas; séries homólogas: propriedades
fundamentais do átomo de carbono, tetravalência, hibridização de orbitais, formação, classificação das cadeias carbô-
nicas e ligações.......................................................................................................................................................................................................... 43
18) Análise orgânica elementar: determinação de fórmulas moleculares. ....................................................................................... 51
19) Funções orgânicas: Hidrocarbonetos, álcoois, aldeídos, éteres, cetonas, fenóis, ésteres, ácidos carboxílicos, sais de
ácidos carboxílicos, aminas, amidas e nitrocompostos: nomenclatura, radicais, classificação, propriedades físicas e quí-
micas, processos de obtenção e reações........................................................................................................................................................ 52
QUÍMICA
QUÍMICA

SUBSTÂNCIA E MISTURA
1) MATÉRIA E SUBSTÂNCIA: PROPRIEDADES Analisando a matéria qualitativamente (qualidade)
GERAIS E ESPECÍFICAS; ESTADOS FÍSICOS chamamos a matéria de substância.
DA MATÉRIA-CARACTERIZAÇÃO E Substância  – possui uma composição característica,
determinada e um conjunto definido de propriedades.
PROPRIEDADES; MISTURAS, SISTEMAS,
Pode ser simples (formada por só um elemento químico)
FASES E SEPARAÇÃO DE FASES; ou composta (formada por vários elementos químicos).
SUBSTÂNCIAS SIMPLES E COMPOSTAS; Exemplos de substância simples: ouro, mercúrio, ferro,
SUBSTÂNCIAS PURAS; UNIDADES DE zinco.
MATÉRIA E ENERGIA. Exemplos de substância composta: água, açúcar (saca-
rose), sal de cozinha (cloreto de sódio).
Mistura  – são duas ou mais substâncias agrupadas,
MATÉRIA onde a composição é variável e suas propriedades tam-
O QUE É MATÉRIA bém.
Exemplo de misturas: sangue, leite, ar, madeira, grani-
Matéria é tudo o que tem massa e ocupa espaço. to, água com açúcar.
Qualquer coisa que tenha existência física ou real é ma- CORPO E OBJETO
téria. Tudo o que existe no universo conhecido manifesta- Analisando a matéria quantitativamente chamamos a
se como matéria ou energia. matéria de Corpo.
A matéria pode ser líquida, sólida ou gasosa. São exem- Corpo - São quantidades limitadas de matéria. Como
plos de matéria: papel, madeira, ar, água, pedra.  por exemplo: um bloco de gelo, uma barra de ouro.
Os corpos trabalhados e com certo uso são chamados
de objetos. Uma barra de ouro (corpo) pode ser transfor-
mada em anel, brinco (objeto).

FENÔMENOS QUÍMICOS E FÍSICOS


Fenômeno é uma transformação da matéria. Pode ser
química ou física.
Fenômeno Químico  é uma transformação da matéria
com alteração da sua composição. 
Exemplos: combustão de um gás, da madeira, forma-
ção da ferrugem, eletrólise da água.

Química – é a ciência que estuda os fenômenos quími-


cos. Estuda as diferentes substâncias, suas transformações
e como elas interagem e a energia envolvida.
Fenômenos Físicos  - é a transformação da matéria
sem alteração da sua composição.
Exemplos: reflexão da luz, solidificação da água, ebuli-
ção do álcool etílico.
Física – é a ciência que estuda os fenômenos físicos.
Estuda as propriedades da matéria e da energia, sem que
haja alteração química.

1
QUÍMICA

líquida para a fase sólida, respectivamente.


Ponto de ebulição e de liquefação  – são as tempe-
raturas onde a matéria passa da fase líquida para a fase
gasosa e da fase gasosa para a líquida, respectivamente.
Calor específico – é a quantidade de calor necessária
para aumentar em 1 grau Celsius (ºC) a temperatura de
1grama de massa de qualquer substância. Pode ser medida
em calorias.
Densidade absoluta – relação entre massa e volume
de um corpo.
d=m:V
Propriedade magnética – capacidade que uma subs-
tância tem de atrair pedaços de ferro (Fe) e níquel (Ni).
Maleabilidade – é a propriedade que permite à maté-
ria ser transformada em lâmina. Característica dos metais.
  Ductibilidade – capacidade que a substância tem de
ser transformada em fios. Característica dos metais.
PROPRIEDADES DA MATÉRIA Dureza – é determinada pela resistência que a super-
O que define a matéria são suas propriedades. fície do material oferece ao risco por outro material. O dia-
Existem as propriedades gerais e as propriedades es- mante é o material que apresenta maior grau de dureza na
pecíficas. natureza.
As propriedades gerais são comuns para todo tipo de Tenacidade – é a resistência que os materiais oferecem
ao choque mecânico, ou seja, ao impacto. Resiste ao forte
matéria e não permitem diferenciar uma da outra. São elas:
impacto sem se quebrar.
massa, peso, inércia, elasticidade, compressibilidade, ex-
As propriedades químicas são as responsáveis pelos
tensão, divisibilidade, impenetrabilidade.
tipos de transformação que cada substância é capaz de so-
Massa – medida da quantidade de matéria de um cor- frer. Estes processos são as reações químicas.
po. Determina a inércia e o peso. Fonte: http://www.soq.com.br/conteudos/ef/materia/
Inércia – resistência que um corpo oferece a qualquer p2.php
tentativa de variação do seu estado de movimento ou de
repouso. O corpo que está em repouso, tende a ficar em Matéria – Definição
repouso e o que está em movimento tende a ficar em mo- A matéria não tem uma definição universal, nem é um
vimento, com velocidade e direção constantes. conceito fundamental na física hoje. A matéria também é
Peso – é a força gravitacional entre o corpo e a Terra. usado livremente como um termo geral para a substância
Elasticidade – propriedade onde a matéria tem de re- que compõe todos os objetos físicos observáveis
tornar ao seu volume inicial após cessar a força que causa Todos os objetos da vida cotidiana que podemos tocar
a compressão. ou espremer são compostas de átomos. Esta matéria atô-
Compressibilidade – propriedade onde a matéria tem mica por sua vez é composta de interação de partículas ge-
de reduzir seu volume quando submetida a certas pres- ralmente subatômicas um núcleo de prótons e nêutrons, e
sões. uma nuvem de elétrons em órbita. Normalmente, a ciência
Extensão – propriedade onde a matéria tem de ocupar considera estas partículas compostas importantes, porque
lugar no espaço. eles têm tanto a massa e volume.
Divisibilidade – a matéria pode ser dividida em por- Em contraste, partículas sem massa, como fótons, não
ções cada vez menores. A menor porção da matéria é a são considerados matéria, porque eles não têm massa e
molécula, que ainda conserva as suas propriedades. nem volume.
Impenetrabilidade – dois corpos não podem ocupar o Matéria – O que é
mesmo espaço ao mesmo tempo. A  matéria  é tudo ao seu redor. Átomos e moléculas
As propriedades específicas são próprias para cada são todos compostos de matéria. Matéria é tudo que tem
tipo de matéria, diferenciando-as umas das outras. Podem massa e ocupa espaço. A matéria é, por vezes, relacionada
ser classificadas em organolépticas, físicas e químicas. com luz e radiação eletromagnética.
Mesmo que matéria possa ser encontrada em todo o
As propriedades organolépticas podem ser percebidas
Universo, você só vai encontrá-lo em algumas formas na
pelos órgãos dos sentidos (olhos, nariz, língua). São elas:
Terra. Nós cobrimos cinco estados da matéria no site. Cada
cor, brilho, odor e sabor.
um desses estados é às vezes chamado de uma fase. Há
As propriedades físicas são: ponto de fusão e ponto
muitos outros estados de matéria que existem em ambien-
de ebulição, solidificação, liquefação, calor específico, den-
tes extremos. Os cientistas provavelmente irão descobrir
sidade absoluta, propriedades magnéticas, maleabilidade, mais estados à medida que continuamos a explorar o Uni-
ductibilidade, dureza e tenacidade. verso.
Ponto de fusão e ebulição – são as temperaturas onde Você deve saber sobre sólidos, líquidos, gases, plas-
a matéria passa da fase sólida para a fase líquida e da fase mas, e um estado chamado o condensado de Bose-Einstein

2
QUÍMICA

(BEC). téria.
Os cientistas sempre souberam a respeito de sólidos, Energia
líquidos e gases. A energia é a capacidade de causar a mudança ou fazer
Plasma era uma ideia nova, quando foi identificado por o trabalho.
William Crookes em 1879. Os cientistas que trabalharam O calor que nos aquece, a luz do Sol, de outras estrelas
com o condensado de Bose-Einstein receberam o Prêmio ou das lâmpadas, são formas de energia. Todas as substân-
Nobel por seu trabalho em 1995. cias que formam os materiais que encontramos na Terra,
na Lua, nos outros planetas, nos seres vivos, nos alimen-
Matéria e Energia – Diferença tos, nos objetos, são formas diferentes de matéria. Todos
os seres vivos são feitos de matéria e precisam de energia
para que seu organismo funcione, seja ele uma planta, uma
bactéria ou um ser humano.
Em nossas atividades cotidianas precisamos de vários
tipos de matéria e energia. Para nossa sobrevivência preci-
samos dos alimentos, para que estes nos forneçam ener-
gia para nossas funções vitais. Para o mais leve movimento
que realizamos, como um piscar de olhos, precisamos de
energia.
Além dos alimentos, precisamos de materiais para
produzir todos os objetos, utensílios, ferramentas que
utilizamos:  como um abridor de latas, uma mesa, um
copo, uma máquina de lavar roupa, um fogão a gás, um
computador, um caminhão. Para que qualquer instrumen-
to, máquina ou ferramenta funcione precisamos de algum
tipo de energia, por exemplo, para que um computador
funcione precisamos de energia elétrica, para o funciona-
mento de um abridor de latas precisamos da energia dos
Matéria e Energia nossos músculos.
Tudo no universo é feito de matéria e energia. Além de massa e volume existem outras características
A curiosidade natural do homem, o leva a explorar o comuns a toda matéria e são denominadas propriedades
ambiente que o cerca, observando, analisando, realizando gerais.
experiências, procurando saber o porquê das coisas. Nes- Quando um ônibus arranca a partir do repouso, os
ta atividade, exploradora e investigativa, o homem adquire passageiros tendem a deslocar-se para trás, resistindo ao
conhecimentos. Muitos desses conhecimentos são usados movimento. Por outro lado, quando o ônibus já em movi-
para melhoria de sua vida. mento freia, os passageiros deslocam-se para frente, ten-
O homem aprendeu a utilizar o fogo como fonte de luz dendo a permanecer com a velocidade que possuíam, isto
e calor, a água para mover uma roda, o vapor de água para é devido a uma outra característica da matéria, a inércia.
movimentar máquinas, o vento para movimentar o moinho Inércia: é a propriedade da matéria de resistir a qual-
e barcos a vela, dessa maneira atingiu um conhecimento quer variação de seu estado de repouso ou de movimen-
tecnológico. to.
Por outro lado, essa curiosidade natural o leva a sis- É mais fácil empurrar um carro do que um caminhão,
tematizar os conhecimentos adquiridos, procurando saber porque os corpos que apresentam maior inércia são aque-
como e porquê acontecem, fazer comparações e analogias, les que apresentam maior massa.
Peso:  é a força de atração gravitacional que a Terra
estabelecer relações de causa e efeito, que lhe permitam
exerce sobre um corpo.
fazer previsões. Neste caso ele adquire um conhecimento
Todos os corpos abandonados próximos à superfície
científico dos fatos.
da Terra caem devido aos seus pesos, com velocidades
O Universo é constituído de Matéria e Energia. crescentes, sujeitos a uma mesma aceleração, denominada
aceleração da gravidade. A aceleração da gravidade é re-
Matéria presentada pela letra g.
Se você observar o ambiente que o rodeia, notará coi- A aceleração da gravidade varia de um local para ou-
sas que pode pegar, como uma bola, lápis, caderno, ali- tro, quanto mais distante do centro da Terra o corpo se
mentos, outras que pode ver, como a lua, as estrelas, e ou- encontrar, menor será a ação da atração gravitacional.
tras ainda que pode apenas sentir, como o vento, a brisa. Na superfície da Terra, a aceleração da gravidade varia
Se você colocar algumas destas coisas em uma balança, muito pouco e o valor desta é aproximadamente 9,8 m /
perceberá que todas elas possuem uma quantidade de s2,ou seja, a cada segundo a sua velocidade aumenta em
massa, medida em relação a um padrão pré-estabelecido. 9.8 m/s.
Todas essas coisas que você observou, comparou Peso e massa de um corpo não são a mesma coisa, o
e cuja quantidade você mediu, têm características co- peso de um corpo depende do valor local da aceleração da
muns: ocupam lugar no espaço e têm massa. gravidade e a massa é a quantidade de matéria, além de
Tudo que ocupa lugar no espaço e tem massa é ma- ser uma propriedade exclusiva do corpo, não depende do

3
QUÍMICA

local onde é medida. A energia cinética é a energia do movimento. A bola


Peso e massa estão relacionados entre si, o peso de um tem energia cinética quando ela voa através do ar – possui
corpo é proporcional a sua massa. a capacidade de fazer trabalho uma vez que age sobre ou-
p = mg tros objetos com os quais colide.
Energia potencial  é um tipo de energia armazenada
Cálculo do peso de um corpo na Terra, na Lua e no que os objetos têm devido a sua posição ou configuração.
Espaço: Um copo em uma tabela possui energia potencial; se você
bater o copo em cima da mesa, a gravidade irá acelerar
N a N a o cálice, e sua energia potencial irá converter em energia
No Espaço cinética.
Terra Lua
Muitos outros tipos de energia existem, incluindo elé-
Massa do corpo trica, química, térmica e eletromagnética nuclear.
3 kg  3 kg  3 kg 
(m) No início do século 20, os cientistas teorizaram que
massa e energia estão intimamente ligados. Albert Einstein
Aceleração da 9,8 m/ 1 , 6 aproximadamente
descreveu esta chamada equivalência massa-energia com
gravidade (g) s2 m/s2 0 m/s2
a sua famosa equação E = mc2, onde “E” significa “energia”,
p= 3 “m” significa “massa” e “c” é a velocidade da luz.
p = 3 Energia – Definição
x 1,6 aproximadamente
Peso (p = mg) x 9,8 = Medida da capacidade de um organismo ou sistema
= 4,8 0N
29,4 N para fazer o trabalho ou produzir uma mudança, expressa
N
geralmente em joules ou quilowatts-hora (kWh). Nenhuma
Observação: Peso é praticamente 0 N, porque a força atividade é possível sem energia e seu montante total no
gravitacional é mínima. universo é fixo. Em outras palavras, não pode ser criado ou
Um objeto na Lua, na Terra e no Espaço possuem a destruído, mas apenas pode ser mudado de um tipo para
mesma massa, mas possuem peso muito diferentes, por- outro.
que a ação da força de atração gravitacional da Lua é bem Os dois tipos básicos de energia são:
menor, equivalente a 1/6 da força gravitacional da Terra. E 1) Potencial: energia associada com a natureza, po-
no espaço a aceleração da gravidade é quase inexistente. sição ou estado (como a energia química, energia elétrica,
Se o Super-Homem, viesse de um outro planeta no energia nuclear).
qual a força gravitacional fosse muito maior que a da Terra, 2) Energia Cinética:  a energia associada com o movi-
ele daria saltos imensos, nos dando a impressão que esta- mento (como um carro em movimento ou uma roda gira-
ria voando. tória).
Na Lua seríamos como o super-homem, pois daríamos Matéria e Energia – Química
saltos tão altos que teríamos a sensação de estarmos voan- A Química estuda as transformações que envol-
do. vem matéria e energia.
Se em um copo completamente cheio com água você A matéria
colocar uma pedra, notará que a água transbordará, isto Denomina-se matéria tudo aquilo que tem massa e
ocorre em função de uma outra propriedade da matéria, ocupa lugar no espaço e, desse modo, possui volume. Po-
denominada impenetrabilidade. demos citar como exemplos de matéria a madeira, o ferro,
Impenetrabilidade: dois corpos não podem ocupar o a água, o ar e tudo o mais que imaginemos dentro da de-
mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo. finição acima. A ausência total de matéria é o vácuo. De-
Energia – O que é nomina-se corpo qualquer porção limitada de matéria, por
O universo é feito de matéria e energia. exemplo uma tábua de madeira, uma barra de ferro, um
Matéria – qualquer coisa que tem massa e ocupa espa- cubo de gelo. Denomina-se objeto todo corpo que, devido
ço – é bastante simples e fácil de entender, mas a energia é à sua forma, se presta a determinada finalidade ou uso,
um pouco mais abstrato. como uma cadeira, uma faca ou um martelo.
Na física, a energia é a capacidade de fazer o trabalho, Propriedades da matéria: Propriedades são uma série
ou a capacidade de mover-se ou provocar a transformação de características que, em conjunto, definem a espécie de
da matéria. Com efeito, a quantidade de energia algo tem matéria.
se refere à sua capacidade de fazer as coisas acontecerem. Podemos dividi-las em 3 grupos: gerais, funcionais e
Energia  tem algumas propriedades importantes. Por específicas.
um lado, a energia é sempre “conservada” – que não pode 1. Propriedades gerais
ser criada ou destruída. Ela pode, no entanto, ser transferi- São as propriedades inerentes a toda espécie de ma-
dos entre objetos ou sistemas pelas interações das forças. téria.
Por exemplo, a energia em vegetais é transferido para as Massa:  é a grandeza que usamos como medida da
pessoas que as digerem. quantidade de matéria de um corpo ou objeto. 
Outra propriedade da  energia  é que ela possui vária Extensão: espaço que a matéria ocupa, seu volume. 
formas, e pode ser convertida de uma forma para outra. As Impenetrabilidade:  é o fato de que duas porções de
duas formas mais comuns ou básicas de energia são ener- matéria não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo
gia cinética e energia potencial. tempo.

4
QUÍMICA

Divisibilidade: toda matéria pode ser dividida sem al- A Lei da Conservação da Energia diz: sempre que de-
terar a sua constituição (até um certo limite). saparece uma quantidade de uma classe de energia, uma
Compressibilidade: o volume ocupado por uma por- quantidade exatamente igual de outra(s) classe(s) de ener-
ção de matéria pode diminuir sob a ação de forças exter- gia é (são) produzida(s). Quando Albert Einstein formulou
nas. a Teoria da Relatividade, mostrou que a massa (portanto a
Elasticidade: se a ação de uma força causar deforma- matéria) pode se transformar em energia e que a energia
ção na matéria, dentro de um certo limite, ela poderá retor- pode se transformar em massa (matéria).
nar à forma original. Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/quimica/
2. Propriedades funcionais materia-e-energia
São propriedades comuns a determinados grupos de
matéria, identificadas pela função que desempenham. A
Química se preocupa particularmente com estas proprie- 2) ESTRUTURA ATÔMICA MODERNA:
dades. Podemos citar como exemplo de propriedades fun- INTRODUÇÃO À QUÍMICA; EVOLUÇÃO DOS
cionais a acidez, a basicidade, a salinidade de algumas es-
MODELOS ATÔMICOS;
pécies de matéria.
3. Propriedades específicas
São propriedades individuais de cada tipo particu-
lar de matéria: Um grande passo rumo ao desenvolvimento da Quími-
Organolépticas: são aquelas capazes de impressionar ca como ciência foi a evolução do entendimento a respeito
os nossos sentidos, como a cor, que impressiona a visão, o da estrutura atômica. Por exemplo, foi possível entender
sabor e o odor, que impressionam o paladar e o olfato res- o que constitui a matéria, prever determinados comporta-
pectivamente, e a fase de agregação da matéria, que pode mentos dos materiais, entender e manipular a radioativi-
ser sólida (pó, pasta), líquida ou gasosa e que impressiona dade, produzir produtos de nossos interesses e assim por
o tato. diante.
Químicas:  são propriedades responsáveis pelos tipos Mas, para que chegássemos até a ideia atual da estru-
de transformação que cada matéria é capaz de sofrer. Por tura atômica, foi preciso o pensamento de filósofos, que
exemplo, o vinho pode se transformar em vinagre; o fer- levantaram hipóteses, isto é, suposições que na época não
ro pode se transformar em aço, mas o vinho não pode se podiam ser comprovadas, sobre a constituição da matéria.
transformar em aço nem o ferro em vinagre. Entre eles estavam os dois filósofos gregos Demócrito e
Físicas:  são certos valores constantes, encontrados Leucipo que, em meados de 450 a.C, levantaram a hipó-
experimentalmente, para o comportamento de cada tipo tese de que tudo seria formado por pequenas partículas
de matéria, quando submetida a determinadas condições. indivisíveis, que eles denominaram de átomos. Essa palavra
Essas condições não alteram a constituição da matéria, por vem do grego a, que significa “não”, e tomo, “parte”, ou
mais adversas que sejam. Por exemplo: sob uma pressão seja, “sem partes” ou “indivisível”. Isso significa que se fôs-
de 1 atmosfera, a água passa de líquida para gasosa à tem- semos dividindo sucessivamente um corpo, chegaríamos
peratura de 100°C, sempre. num momento em que isso não seria mais possível, porque
A energia chegaríamos à menor parte que compõe a matéria.
Denomina-se energia a capacidade de realizar trabalho No entanto, suas ideias não foram bem aceitas pelos
e tudo que pode modificar a matéria, por exemplo, na sua filósofos da época e elas foram substituídas por outras,
posição, fase de agregação ou natureza química. Energia é como as ideias de Aristóteles que perduraram por séculos
também tudo o que pode provocar ou anular movimentos à frente.
e causar deformações. Foi somente no século XIX que a ideia dos átomos foi
Há várias formas de energia: a energia mecânica, que retomada, pois agora os cientistas podiam testar as suas
engloba as energias potencial (de posição) e cinética (de hipóteses por meio de experimentos para comprová-los ou
movimento), a energia elétrica, a energia química, a ener- para refutar ideias de outros cientistas. Logo mais abaixo,
gia nuclear e assim por diante. temos alguns dos principais cientistas que contribuíram
Propriedades da energia:  As propriedades funda- para o estudo da constituição do átomo, que são vistos no
mentais da energia são a transformação e a conservação. Ensino Médio.
1. A transformação Embora algumas ideias não estivessem totalmente
Uma forma de energia pode se transformar em: corretas, todas as contribuições dadas foram importantes,
Uma queda d’água pode ser usada para transformar pois foi a partir da ideia de um cientista que o outro pode
energia potencial em energia elétrica.  desenvolver o próximo modelo.
A energia elétrica se transforma em luminosa quando Todos eles elaboram um modelo atômico, ou seja, uma
acendemos uma lâmpada ou em energia térmica quando representação que não corresponde exatamente à realida-
ligamos um aquecedor.  de, mas que serve para explicar corretamente o comporta-
A energia química se transforma em elétrica quando mento do átomo. Por exemplo, imagine que você faça um
acionamos a bateria de um carro, e assim por diante. desenho idêntico a uma caneta. Por meio deste desenho,
2. A conservação todos conseguem identificar que se trata de uma caneta,
A energia não pode ser criada ou destruída. porém o desenho não é a caneta. De modo similar, o mo-

5
QUÍMICA

delo atômico serve para entendermos o funcionamento do O átomo seria semelhante ao sistema solar, em que o
átomo, suas propriedades e características. Mas, o modelo núcleo representaria o Sol e os elétrons girando ao redor
não é exatamente igual ao átomo. do núcleo seriam os planetas.
Vejamos então os principais modelos atômicos: Modelo de Rutherford para o átomo, parecido com o
1- Modelo de Dalton: sistema solar
O químico inglês John Dalton (1766-1844) retomou as Em 1904, Rutherford descobriu que na verdade o nú-
ideias de Leucipo e Demócrito e, baseando-se em leis já cleo era composto por partículas positivas denominadas
comprovadas experimentalmente, como as Leis Ponderais, prótons e, em 1932, Chadwick descobriu que havia tam-
ele propôs resumidamente que o átomo seria parecido bém partículas neutras no núcleo que ajudavam a diminuir
com uma bola de bilhar, isto é, esférico, maciço e indivi- a repulsão entre os prótons.
sível. 4- Modelo de Rutherford-Bohr:
Modelo de Dalton para o átomo, parecido com uma O estudo dos espectros eletromagnéticos dos elemen-
bola de bilhar tos pelo físico dinamarquês Niels Bohr (1885-1962) permi-
2-Modelo de Thomson: tiu adicionar algumas observações ao modelo de Ruther-
A natureza elétrica da matéria já era bem conhecida,
ford, por isso, o seu modelo passou a ser conhecido como
por exemplo, há 2500 anos, na Grécia antiga, o filósofo Ta-
modelo atômico de Rutherford-Bohr:
les de Mileto já havia mostrado que quando atritamos âm-
Só é permitido ao elétron ocupar níveis energéticos
bar com um pedaço de lã, ele passa a atrair objetos leves.
Porém, o modelo atômico de Dalton não explicava esse nos quais ele se apresenta com valores de energia múlti-
fato: como a matéria neutra podia ficar elétrica. plos inteiros de um fóton.
Assim, em 1897, o físico inglês Joseph John Thomson Modelo de Rutherford-Bohr para o átomo
(1856-1940) passou a trabalhar com a ampola de Crookes, Dúvidas sobre esse modelo podem ser solucionadas
ou seja, um tubo onde gases eram submetidos a voltagens lendo o texto O átomo de Bohr
elevadíssimas, produzindo raios catódicos. Quando se co- É importante ressaltar que as ideias sobre o que com-
locava um campo elétrico externo, esses raios se desviavam põe o átomo continuam progredindo e existem outros mo-
em direção à placa positiva, o que significava que o átomo delos atômicos mais modernos. Entretanto, o modelo de
teria partículas negativas, que ficaram denominadas como Rutherford-Bohr explica a grande maioria dos comporta-
elétrons. mentos do átomo estudados no Ensino Médio.
No entanto, como a natureza da matéria é neutra, uma Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/
explicação razoável seria de que haveria uma parte positiva evolucao-dos-modelos-atomicos.htm
que neutralizaria os elétrons. Com base nesse raciocínio,
em 1903, Thomson modificou o modelo de Dalton, pois
o átomo não seria maciço nem indivisível, e estabeleceu o
seu, que propôs o seguinte: ELEMENTOS QUÍMICOS: PRINCIPAIS
O átomo é uma esfera de carga elétrica positiva, não PARTÍCULAS DO ÁTOMO,
maciça, incrustada de elétrons (partículas negativas), de
modo que sua carga total seja nula.
Esse modelo foi comparado a um “pudim de passas”.
Veja no texto O átomo de Thomson. Inicialmente, tanto no conceito dos filósofos gregos,
Modelo de Thomson para o átomo, parecido com um quanto no conceito de Dalton, achava-se que o átomo
pudim de passas era uma partícula indivisível. No entanto, com o passar do
3- Modelo de Rutherford: tempo e com o avanço dos métodos científicos, por meio
Em 1911, o físico neozelandês Ernest Rutherford (1871-
de experimentos abalizados, foi possível descobrir que na
1937) realizou um experimento que pode ser visto no texto
verdade o átomo é divisível.
Átomo de Rutherford, em que ele bombardeou uma finís-
Ele é composto por três partículas subatômicas prin-
sima lâmina de ouro com partículas alfa vindas do polô-
nio radioativo. Ele observou que a maioria das partículas cipais, que são: elétrons, prótons e nêutrons. Observe na
atravessava a folha, o que significava que o átomo deveria tabela abaixo algumas características de cada uma dessas
ter imensos espaços vazios. Algumas partículas eram reba- partículas e, em seguida, como foram descobertas.
tidas, o que seria explicado se o átomo tivesse um núcleo Localização e estrutura das partículas subatômicas no
pequeno e denso e, por fim, algumas partículas alfa sofriam átomo.
um desvio em sua trajetória, o que significava que o núcleo
seria positivo, pois as partículas alfa eram positivas e foram • Elétrons (e-): essa foi a primeira partícula a ser des-
repelidas ao passar perto do núcleo. coberta. Desde a Antiguidade, cerca de 2500 anos atrás, na
Com isso, o modelo atômico de Rutherford defendeu Grécia antiga, já se conhecia a natureza elétrica da matéria.
o seguinte: Porém, somente em 1856 é que foi comprovada a existên-
O átomo seria composto por um núcleo muito pe- cia do elétron no átomo. Os cientistas Geissler e Crookes
queno e de carga elétrica positiva, que seria equilibrado usaram um tubo de raios catódicos em que, ao se aplicar
por elétrons (partículas negativas), que ficavam girando ao uma ddp (diferença de potencial) muito alta, era possível
redor do núcleo, numa região periférica denominada ele- ver um feixe de luz (raios catódicos) que ia na direção do
trosfera. polo positivo.

6
QUÍMICA

Visto que cargas opostas se atraem, em 1897, J. J.


Thomson (1856-1940) provou que esse feixe ordenado era NÚMERO ATÔMICO E NÚMERO DE MASSA,
composto de partículas subatômicas que tinham uma car- ÍONS, ISÓBAROS, ISÓTONOS, ISÓTOPOS E
ga elétrica negativa e recebeu o nome de elétron (termo ISOELETRÔNICOS;
que tem origem no grego élektron, que significa âmbar –
resina que era atritada e atraía pequenos objetos). Ele fez
isso por determinar que a relação da carga do elétron e de
sua massa apresentava o mesmo valor (e/m = 1,758805 . Tomando o modelo de Rutherford–Bohr como objeto
1011 C. kg-1), independente do gás que estivesse no tubo de estudo, podemos definir alguns tópicos básicos que vão
ou na ampola. Se não importava qual gás era usado no nortear nossos estudos.
experimento, isso significava que o elétron fazia parte do a) Número atômico (Z): n.° de prótons (P) no núcleo
componente básico de qualquer matéria, o átomo. de um átomo.
O número atômico caracteriza um elemento químico.
Segundo o modelo atômico de Rutherford-Böhr, essa
b)  Número de massa (A):  O número de massa é a
partícula permanece girando ao redor do núcleo, em uma
soma dos prótons (P) e nêutrons (N) do núcleo de um áto-
região denominada eletrosfera, e sua energia varia de áto-
mo.
mo para átomo, pois depende da camada eletrônica em
A = P + N ou A = Z + N
que ele se apresenta, no seu estado fundamental.
Um átomo (X) será representado assim:
Por meio de experimentos com tubo de raios catódi- A
X ou zXA
cos, Thomson comprovou a existência do elétron. z
Átomo neutro
• Prótons (p): segunda partícula a ser descoberta. Esse Aquele em que o número de prótons é igual ao núme-
fato ocorreu em 1904, pelo cientista Ernest Rutherford ro de elétrons.
(1871-1937) e sua equipe de trabalho. Eles usaram um tubo Exemplo: 11Na23 e 8O16
parecido com o tubo de raios catódicos, porém o gás que Íon
o preenchia era o gás hidrogênio e observaram um feixe Espécie química cujo número de prótons é diferente do
que ia no sentido do polo negativo. Assim, foi comprovada número de elétrons.
a existência na estrutura do átomo de partículas positivas, Os cátions são formados por retiradas de um ou mais
que foram denominadas prótons (p), que vem do grego elétrons da eletrosfera de um átomo: íon carregado posi-
prôtos, que significa “primeiro”. tivamente.
Essa partícula permanece no núcleo do átomo e só so- Exemplos:
fre mudança em reações nucleares de fusão ou fissão. Ela 23
11
Na1+ = perdeu 1 elétron
tem intensidade de carga elétrica igual a do elétron, porém 35
17
Cl1- = ganhou 1 elétron
com sinal oposto. Ânions
• Nêutrons (n): o modelo atômico até então dizia que são formados quando adicionamos um ou mais elé-
o átomo tinha um núcleo positivo, com prótons e uma ele- trons à eletrosfera de um átomo: íon carregado negativa-
trosfera com partículas negativas, os elétrons. Porém, visto mente.
que cargas opostas se atraem, isso comprometia a estabi- Exemplos:
lidade do átomo; os elétrons iriam perder energia e per-
16
8
O2- = ganhou 2 elétrons
correr um espiral em direção ao núcleo, emitindo energia
35
17
Cl1- = ganhou 1 elétron
em forma de luz. Dessa forma, Rutherford admitiu que no Isótopos
núcleo existiam também partículas subatômicas, denomi- Átomos com o mesmo número atômico (número de
prótons) e diferentes números de massa. Pertencem ao
nadas nêutrons, que não possuíam carga nenhuma.
mesmo elemento químico. Os isótopos possuem proprie-
Isso foi comprovado em 1932, por Chadwick, que reali-
dades químicas iguais e propriedades físicas diferentes.
zou experimentos com material radioativo e descobriu essa
Exemplo: 
partícula neutra, nomeando-a nêutron. 1
1
H = Prótio ou hidrogênio leve
2
H = Deutério
* 1 u equivale a 1,660566 . 10-27 kg. 3
1
H = Trítio
# 1 uec equivale à unidade elementar de carga elétrica, 1
Isóbaros
que é 1,6 . 10-19 C. Átomos com o mesmo número de massa (A). Os isó-
Fonte: http://alunosonline.uol.com.br/quimica/a-com- baros possuem propriedades químicas e físicas diferentes.
posicao-atomo.html Exemplo:
40
19
K e 4020Ca
Isótonos
Átomos com o mesmo número de nêutrons (N). Os isó-
tonos possuem propriedades físicas e químicas diferentes.
Exemplo:
37
17
Cl e 4020Ca

7
QUÍMICA

Isoeletrônicos
Espécies químicas com o mesmo número de elétrons.
Os isoeletrônicos possuem propriedades físicas e químicas
diferentes.
Exemplo:
15
P3 – e 20Ca2+ : ambos com 18 elétrons.
Fonte: https://www.colegioweb.com.br/estrutura-ato-
mica/numero-atomico-e-numero-de-massa.html

CONFIGURAÇÃO ELETRÔNICA: DIAGRAMA


DE PAULING, REGRA DE HUND (PRINCÍPIO
DE EXCLUSÃO DE PAULI) E NÚMEROS
QUÂNTICOS. Visto que, para um mesmo nível, os subníveis têm ener-
gias diferentes,  nem sempre o subnível energético é o
mais afastado do núcleo. Por isso, é importante seguir a
Segundo o cientista Schrödinger, cada elétron da ele- ordem crescente de energia dos subníveis no momento
trosfera de um átomo possui uma determinada quantidade de fazer a distribuição dos elétrons. Essa ordem é dada
de energia. Assim, cada elétron só permanece no nível e pelas setasindicadoras no Diagrama de Pauling:
subnível de energia correspondente.
A distribuição desses elétrons em seus níveis e subní-
veis de energia é feita de forma crescente de energia. E sua
representação gráfica é dada pelo Diagrama de Pauling,
criado pelo químico Linus Pauling (1901-1994), que rece-
beu dois prêmios Nobel, um de Química (1954) e o outro
da Paz (1962).
O diagrama de Pauling representa os níveis, que são
as camadas eletrônicas do átomo. São sete níveis, enume-
rados de forma crescente do mais próximo ao núcleo para
fora (1, 2, 3... 7) e, denominados, respectivamente, pelas
letras K, L, M, N, O, P e Q.
Existem no máximo quatro subníveis, que são: s, p, d, f.
A quantidade de subníveis existentes em cada nível
está esboçada abaixo:

Portanto, veja exemplos de distribuição dos elétrons de


dois elementos químicos:

Exemplo 1: Magnésio (12Mg)


Ordem energética da distribuição eletrônica do  12Mg:
1s2, 2s2, 2p6 e 3s2.

A quantidade máxima de elétrons que pode ser distri-


buída em cada nível e subnível está evidenciada a seguir:

Exemplo 2: Vanádio (23V):


Ordem energética da distribuição eletrônica do 23V: 1s2,
2s , 2p6,3s2, 3p6, 4s2 e 3d3.
2

8
QUÍMICA

Essa divisão pode ser vista por cores, na Tabela Perió-


dica abaixo:
• Metais:  os metais constituem a maior parte dos
elementos existentes (dois terços). Eles estão representa-
dos pela cor amarela na Tabela acima e correspondem a
87 elementos.

Em temperatura ambiente eles são duros, sólidos, com


exceção apenas do mercúrio (Hg), que é líquido. São con-
dutores de calor e eletricidade. O metal é caracterizado
também por sua  maleabilidade  (capacidade de ser mol-
dado) e pela sua ductilidade (capacidade de formar fios,
como, por exemplo, os fios de cobre, usados em fios de
transmissão de energia elétrica). Além disso, apresenta um
Observe que, nesse exemplo, no último subnível preen- “brilho metálico” característico.
chido (3d) cabiam 10 elétrons; porém, apenas 3 foram ne- Os elementos das famílias ou grupos 1 (IA) e 2 (IIA),
cessários para completar o número atômico. são, respectivamente, denominados metais alcalinos (do
Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/qui- árabe  álcali, “cinza de plantas”) e metais alcalinoterrosos
mica/distribuicao-eletronica-no-diagrama-pauling. (com o sentido de “existir na terra”).
htm O grupo dos metais pode ser subdividido em três par-
tes:
A regra de Hund foi publicada, em 1927, pelo físico ale- •   Metais representativos, típicos ou característi-
mão Friedrich Hermann Hund (1896-1997) conhecido por cos: são 19 elementos pertencentes às colunas “A”*.
seu trabalho sobre a estrutura eletrônica de átomos e mo- •   Metais de transição: são 32 elementos perten-
léculas. Ele ajudou a introduzir o método de utilização de centes às colunas 3 a 12 ou 3B, 4B, 5B, 6B, 7B, 8B, 1B e 2B*.
orbitais moleculares para determinar a estrutura eletrônica •   Metais de transição interna: são 26 elementos
das moléculas e a formação de ligações químicas. da série dos Lantanídeos e dos Actinídeos.
A regra de Hund resume essa constatação experimen- •   10 metais não se encaixam em nenhum desses.
tal: elétrons numa mesma subcamada tendem a permane-  
cer desemparelhados (em orbitais separados), com spins •   Ametais ou Não metais:  são os 11 elementos
paralelos. Portanto, haverá uma menor repulsão interele- indicados na Tabela acima pela cor rosa: Carbono (C), Ni-
trônica. trogênio (N), Fósforo (P), Oxigênio (O), Enxofre (S), Selênio
Essa regra, juntamente com o princípio da exclusão de (Se), Flúor (F), Cloro (Cl), Bromo (Br), Iodo (I) e Astato (At).
Pauli, é utilizada no principio da construção (distribuição Esses elementos possuem as características opostas
dos elétrons nos diagramas de orbitais). Dessa forma, os dos metais, ou seja, não são bons condutores de calor e
orbitais são preenchidos elétron a elétron (nunca adicio- eletricidade. Pelo contrário, a maioria funciona como iso-
nando dois elétrons por vez e com mesmo spin no orbital). lante (apenas a grafita (Cn(s)) é boa condutora de calor e
Se mais de um orbital em uma subcamada estiver disponí- eletricidade). Eles não possuem brilho característico (com
vel, adiciona-se elétrons com spins paralelos aos diferentes exceção do iodo (I2(s)) e da grafita, já mencionada), e frag-
orbitais daquela subcamada até completá-la, antes de em- mentam-se.
parelhar dois elétrons em um dos orbitais. •   Semimetais: esta nomenclatura está em desuso,
Na figura vemos como será o preenchimento dos elé- pois a IUPAC (União Internacional de Química Pura e Apli-
trons até o gás nobre de número atômico 118, fechando cada) não reconhece mais essa classificação desde 1986.
com isso o 7o período da Tabela Periódica. E estamos perto Entretanto, em muitas Tabelas sete elementos ainda são
disso. classificados dessa forma, pois possuem características in-
Fonte: https://quimicaensinada.blogspot.com. termediárias às dos metais e às dos ametais.
br/2014/03/regra-de-hund.html Nas Tabelas Periódicas em que essa classificação não é
mais usada, os elementos Germânio (Ge), Antimônio (Sb)
e o Polônio (Po) são considerados metais. E os elementos
Boro (B), Silício (Si), Arsênio (As) e o Telúrio (Te) são não
3) CLASSIFICAÇÕES PERIÓDICAS: HISTÓRICO metais.
DA CLASSIFICAÇÃO PERIÓDICA; GRUPOS E
PERÍODOS; •   Gases Nobres: representam os elementos da fa-
mília 18 (0 ou VIII A), que são, respectivamente: hélio, neô-
nio, argônio, criptônio, xenônio e radônio. Esses elementos
são gasosos na temperatura ambiente e, normalmente, são
Os elementos químicos da Tabela Periódica são classi- encontrados na natureza em sua forma isolada, pois assim
ficados em cinco grandes grupos: metais, ametais (ou não são mais estáveis. Além disso, eles não formam compostos
metais), semimetais, gases nobres e hidrogênio. com outros elementos espontaneamente.

9
QUÍMICA

•   Hidrogênio: esse elemento não se enquadra em nenhum grupo da Tabela Periódica. Em algumas Tabelas ele apa-
rece na família dos alcalinos, por possuir um elétron em sua camada de valência. Aliás, essa é sua única camada eletrônica.
Porém, suas características não são semelhantes às dos elementos dessa família.
O hidrogênio é o elemento mais abundante no universo, pois pode se combinar com metais, ametais e semimetais. É
um gás extremamente inflamável, em temperatura ambiente, e normalmente é encontrado nas altas camadas da atmosfera
ou combinado com outros elementos.
Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/classificacao-dos-elementos.htm

PROPRIEDADES PERIÓDICAS: RAIO ATÔMICO, ENERGIA DE


IONIZAÇÃO, AFINIDADE ELETRÔNICA, ELETROPOSITIVIDADE E
ELETRONEGATIVIDADE.

As propriedades periódicas dos elementos químicos são as características inerentes à esses elementos que variam
de acordo com sua posição na tabela periódica, ou seja, com o número atômico.
As propriedades periódicas são: eletronegatividade, eletropositividade, raio atômico, afinidade eletrônica, poten-
cial de ionização, densidade atômica, volume atômico, temperatura de fusão e temperatura de ebulição. As quatro
últimas propriedades muitas vezes são consideradas aperiódicas por apresentarem um certo desordenamento: o volume
atômico cresce, no período, do centro para as extremidades; as temperaturas de fusão e ebulição crescem com o raio atô-
mico nas famílias da esquerda (1A e 2A), e decrescem nas da direita (gases nobres e halogênios).
As propriedades mais estudadas são:
Eletronegatividade
A eletronegatividade é a tendência que um átomo tem em receber elétrons em uma ligação química, logo, não pode
ser calculada a eletronegatividade de um átomo isolado.
A escala de Pauling, a mais utilizada, define que a eletronegatividade cresce na família de baixo para cima, devido à di-
minuição do raio atômico e do aumento das interações do núcleo com a eletrosfera; e no período da esquerda pela direita,
acompanhando o aumento do número atômico.
O flúor é o elemento mais eletronegativo da tabela periódica.

Eletropositividade
A forma da medição da eletropositividade é a mesma da eletronegatividade: através de uma ligação química. Entretan-
to, o sentido é o contrário, pois mede a tendência de um átomo em perder elétrons: os metais são os mais eletropositivos.
A eletropositividade cresce no sentido oposto da eletronegatividade: de cima para baixo nas famílias e da direita para
a esquerda nos períodos.
O frâncio é o elemento mais eletropositivo, logo, tem tendência máxima à oxidação.

10
QUÍMICA

Obs.:
Como os gases nobres são muito inertes, os valores de eletronegatividade e eletropositividade não são objetos
de estudo pela dificuldade da obtenção desses dados.

Raio Atômico

Raio atômico é, basicamente, a distância do núcleo de um átomo à sua eletrosfera na camada mais externa. Porém,
como o átomo não é rígido, calcula-se o raio atômico médio definido pela metade da distância entre os centros dos núcleos
de dois átomos de mesmo elemento numa ligação química em estado sólido:

O raio atômico cresce na família de cima para baixo, acompanhando o número de camadas dos átomos de cada ele-
mento; e, nos períodos, da direita para a esquerda.
Quanto maior o número atômico de um elemento no período, maiores são as forças exercidas entre o núcleo e a ele-
trosfera, o que resulta num menor raio atômico.
O elemento de maior raio atômico conhecido é o Césio, entretanto, é muito provável que o Frâncio tenha um maior
raio atômico, porém isto ainda não foi confirmado, em razão da raridade deste elemento na natureza.
Afinidade Eletrônica
A afinidade eletrônica mede a energia liberada por um átomo em estado fundamental e no estado gasoso ao receber
um elétron. Ou ainda, a energia mínima necessária para a retirada de um elétron de um ânion de um determinado elemen-
to.

11
QUÍMICA

Nos gases nobres, novamente, a afinidade eletrônica Os Íons são átomos que possuem uma carga elétrica
não é significativa. Entretanto, não é igual a zero: já que a por adição ou perda de um ou mais elétrons, portanto um
adição de um elétron em qualquer elemento causa libera- ânion, de carga elétrica negativa, se une com um cátion de
ção de energia. carga positiva formando um composto iônico por meio da
A afinidade eletrônica não tem uma forma muito defi- interação eletrostática existente entre eles.
nida no seu crescimento na tabela periódica, mas seu com- Exemplo: Na+​Cl-  = NaCl (cloreto de sódio ou sal de
portamento é parecido com a eletronegatividade: cresce cozinha)
de baixo para cima e da esquerda para a direita.
O Cloro possui maior afinidade eletrônica: cerca de 350 Ligação Covalente
KJ/mol (em módulo). Também chamada de  ligação molecular, as  ligações
Potencial de Ionização covalentes  são ligações em que ocorre o compartilha-
O potencial de ionização mede o contrário da afinida- mento de elétrons para a formação de moléculas estáveis,
de eletrônica: a energia necessária para retirar um elétron segundo a Teoria do Octeto; diferentemente das ligações
de um átomo neutro, em estado fundamental e no estado iônicas em que há perda ou ganho de elétrons.
gasoso. Sendo que, para a primeira retirada de elétron a Além disso, os pares eletrônicos é o nome dado aos
quantidade de energia requerida é menor que a segunda elétrons cedido por cada um dos núcleos, figurando o
retirada, que por sua vez é menor que a terceira retirada, e compartilhamento dos elétrons das ligações covalentes.
assim sucessivamente. Como exemplo, observe a molécula de água H2O: H
Apresenta mesmo comportamento da afinidade ele- - O - H, formada por dois átomos de hidrogênio e um de
trônica e da eletronegatividade. Logo, pode-se afirmar que oxigênio em que cada traço corresponde a um par de elé-
o Flúor e o Cloro são os átomos com os maiores potenciais trons compartilhado formando um molécula neutra, uma
de ionização da tabela periódica, já que são os elementos vez que não há perda nem ganho de elétrons nesse tipo
com os maiores valores de afinidade eletrônica da tabela de ligação.
periódica.
Fonte: http://www.infoescola.com/quimica/proprieda- Ligação Covalente Dativa
des-periodicas-dos-elementos/ Também chamada de  ligação coordenada, a ligação
covalente dativa é semelhante à dativa, porém ela ocorre
quando um dos átomos apresenta seu octeto completo, ou
seja, oito elétrons na última camada e o outro, para com-
4) LIGAÇÕES QUÍMICAS: LIGAÇÕES IÔNICAS, pletar sua estabilidade eletrônica necessita adquirir mais
LIGAÇÕES COVALENTES E LIGAÇÃO dois elétrons.
METÁLICA Representada por uma seta um exemplo desse tipo de
ligação é o composto dióxido de enxofre SO2: O = S → O
Isso ocorre porque é estabelecida uma dupla ligação
As ligações químicas correspondem à união dos áto- do enxofre com um dos oxigênios a fim a de atingir sua
mos para a formação das moléculas. Em outras palavras, estabilidade eletrônica e, além disso, o enxofre doa um par
as ligações químicas acontecem quando os átomos rea- de seus elétrons para o outro oxigênio para que ele fique
gem entre si. com oito elétrons na sua camada de valência.
São classificadas em: ligação iônica, ligação covalente,
ligação covalente dativa e ligação metálica. Ligação Metálica
Teoria do Octeto É a ligação que ocorre entre os metais, elementos
Na Teoria do Octeto, criada por Gilbert Newton Le- considerados eletropositivos e bons condutores térmico e
wis (1875-1946), químico estadunidense e Walter Kossel elétrico. Para tanto, alguns metais perdem elétrons da sua
(1888-1956), físico alemão, surgiu a partir da observação última camada chamados de «elétrons livres» formando
de alguns gases nobres e algumas características como assim, os cátions.
por exemplo, a estabilidade desse elementos preenchidas A partir disso, os elétrons liberados na  ligação metá-
por 8 elétrons na Camada de Valência. lica  formam uma «nuvem eletrônica», também chamada
A partir disso, a “Teoria ou Regra do Octeto” postula de «mar de elétrons» que produz uma força fazendo com
que um átomo adquire estabilidade quando possui 8 elé- que os átomos do metal permaneçam unidos. Exemplos de
trons na camada de valência (camada eletrônica mais ex- metais: Ouro (Au), Cobre (Cu), Prata(Ag), Ferro (Fe), Níquel
terna), ou 2 elétrons quando possui apenas uma camada. (Ni), Alumínio (Al), Chumbo (Pb), Zinco (Zn), entre outros.
Para tanto, o átomo procura sua estabilidade doando Fonte: https://www.todamateria.com.br/ligacoes-qui-
ou compartilhando elétrons com outros átomos, donde micas/
surgem as ligações químicas.
Tipos de Ligações Químicas
Ligação Iônica
Também chamada de ligação eletrovalente, esse tipo
de ligação é realizada entre íons (cátions e ânions), daí o
termo “ligação iônica”.

12
QUÍMICA

Zn(s) + CuSO4(aq) → Cu(s) + ZnSO4(aq)


FÓRMULAS ESTRUTURAIS: REATIVIDADE ou
DOS METAIS. Zn(s) + Cu2+(aq) + SO42-(aq) → Cu(s) + Zn2+(aq) + SO42-(aq)
ou ainda
Zn(s) + Cu2+(aq) → Cu(s) + Zn2+(aq)

Imagine o seguinte experimento: uma lâmina de zin- A cor azul da solução de sulfato de cobre era resultado
co mergulhada em uma solução de sulfato de cobre II da presença dos íons cobre (Cu2+). No entanto, como eles
(CuSO4(aq)) é colocada em um béquer, e uma lâmina de co- foram deslocados e houve formação da solução de sulfato
bre mergulhada em uma solução de sulfato de zinco (Zn- de zinco, a solução ficou incolor. O depósito sobre a lâmina
SO4(aq)) é colocada em outro béquer. é o cobre metálico que foi formado.
Entretanto, conforme mencionado, no segundo exem-
plo, nada aconteceu:

Cu(s)  + ZnSO4(aq)  → reação não ocorre espontanea-


mente

Esse exemplo comprova que existem metais que são


mais reativos que outros. Aqui vimos que o zinco é mais
reativo que o cobre, por isso, ele deslocou o cobre ligado
ao sulfato. Por outro lado, por ser menos reativo, o cobre
não conseguiu deslocar o zinco da solução.

A reatividade dos metais está ligada à eletropositivi-


dade, isto é, a tendência que o metal possui de perder
elétrons. Quanto mais reativo o metal for, maior será a
sua eletropositividade.

Observe que as reações de simples troca também


Experimento com metais em solução: zinco em solução são  reações de oxidorredução, ou seja, reações em que
de sulfato de cobre e cobre em solução de sulfato de zinco. há transferência de elétrons. Assim,  se o metal for mais
Com o passar do tempo, a solução de sulfato de cobre, reativo, ele transferirá elétrons para o cátion do outro
que era azul, vai ficando incolor, além de haver formação de metal e a reação ocorrerá.  Mas se o elemento metálico
um depósito sobre a lâmina de zinco, conforme a ilustração for menos reativo, ele não conseguirá transferir elétrons,
a seguir. Todavia, no segundo béquer, nada acontece. tendo em vista que a tendência de doar elétrons do outro
metal é maior, e a reação não ocorrerá.

Assim, uma forma de descobrir se uma reação de oxir-


redução ocorrerá é por observar a reatividade dos metais.
Por meio de experimentos, chegou-se à seguinte  fila de
reatividade dos metais, também chamada de fila das ten-
sões eletrolíticas:

Resultado de experimento com zinco e cobre.


Isso nos mostra que ocorreu uma  reação de simples
troca no primeiro béquer, em que o zinco metálico da lâ-
mina deslocou os íons cobre da solução e formou o sulfato
de zinco e o cobre metálico, conforme mostra as equações
a seguir:

13
QUÍMICA

Outro fator importante que deve ser observado nessa


ordem de reatividade dos metais é que o hidrogênio foi in-
cluído. Isso ocorreu porque se costuma comparar a capaci-
dade que alguns metais possuem de deslocar o hidrogênio
de alguns ácidos.
Pela fila de reatividade dos metais, o zinco, por exem-
plo, é colocado como mais reativo que o hidrogênio. Isso
significa que, se mergulharmos uma lâmina de zinco no
ácido clorídrico (HCl), ele deslocará o H do ácido e formará
o gás hidrogênio:
Zn(s) + 2 HCl(aq) → ZnCl2 + H2(g)
Veja a formação de bolhas de gás na imagem a seguir
que confirma a formação do gás hidrogênio:

Reação entre zinco e ácido clorídrico


Por outro lado, se mergulharmos o cobre ou o ouro no
ácido clorídrico, a reação não acontecerá.
Fonte: http://manualdaquimica.uol.com.br/fisico-qui-
mica/reatividade-dos-metais.htm

Fila de reatividade dos metais e eletropositividade


Se o metal vier acima do cátion do outro metal da rea- 5) CARACTERÍSTICAS DOS COMPOSTOS
ção, então a reação ocorrerá. Mas se o metal estiver abaixo IÔNICOS E MOLECULARES: GEOMETRIA
do cátion, a reação não ocorrerá. O zinco (Zn – na parte dos MOLECULAR: POLARIDADE DAS
metais não nobres), por exemplo, está acima do cobre (Cu
MOLÉCULAS; FORÇAS INTERMOLECULARES;
- na parte dos metais nobres). Isso confirma que realmente
NÚMERO DE OXIDAÇÃO; POLARIDADE E
o zinco é mais reativo que o cobre.
SOLUBILIDADE.
Observe também que o elemento menos reativo é o
ouro (Au), isto é, ele não possui tendência de perder elé-
trons e oxidar-se, como ocorre com o ferro. Isso explica
porque esse elemento é tão durável, não sendo atacado GEOMETRIA MOLECULAR
nem mesmo por ácidos isolados. Esse é um dos motivos A geometria molecular explica como estão dispostos
que tornam o ouro tão valioso e que fazem com que ele os átomos dentro da molécula. Os átomos tendem a fi-
resista intacto às intempéries do tempo, conforme pode car numa posição mais espaçada e esparramada possível.
ser visto em sarcófagos e esculturas egípcias revestidas de Assim, conseguem adquirir a estabilidade. As geometrias
ouro que datam desde a mais remota antiguidade. moleculares são: linear, angular, trigonal planar, piramidal,

14
QUÍMICA

tetraédrica, octaédrica, forma de T, bipirâmide trigonal,  


gangorra ou tetraédrica distorcida, quadrado planar, pirâ-
mide de base quadrática.
Veja as principais geometrias moleculares:
Linear
Ex:
          

Fonte: http://www.soq.com.br/conteudos/em/liga-
  coesquimicas/p6.php

Para moléculas diatômicas (com dois átomos).


Existem três aspectos que devem ser considerados
quando analisamos a solubilidade dos compostos orgâni-
Polar – átomos diferentes: HCl   H – Cl  cos em água e entre si, que são: a polaridade, as forças
Apolar – átomos iguais: H2   H – H de atração intermolecular e o tamanho da cadeia car-
  bônica.
Para moléculas triatômicas (com três átomos), sem so- • Polaridade:
bra de elétrons do elemento central. Apolares. Há uma regra (que está sujeita a exceções) que se apli-
Formam um ângulo de 180°. ca não somente aos compostos orgânicos, mas à grande
CS2              S – C – S          maioria das substâncias, no que se refere à solubilidade,
  que é:
Angular
Para moléculas triatômicas com sobra de elétrons. Po-
lares.
Formam um ângulo de 109°28´.

Desse modo, temos que somente os compostos or-


gânicos que são polares é que se dissolverão na água,
Trigonal Planar que também é polar (como mostrado abaixo).
Para moléculas tetratômicas sem sobra de elétrons.
Apolares.

Piramidal
Para moléculas tetratômica, com sobra de um par de
elétrons. Polares.

Por exemplo, o açúcar, o álcool comum, a acetona e o


ácido acético encontrado no vinagre são todos compostos
polares. Portanto, todos eles se dissolvem na água e tam-
bém se misturam entre si, originando misturas homogê-
neas. Você pode verificar isso facilmente misturando álcool
      
e vinagre.
      No entanto, a maioria dos compostos orgânicos não
Tetraédrica se mistura com a água porque são apolares. Um exem-
Para moléculas pentatômicas com átomo central. Apo- plo ocorre quando alguém suja as mãos com graxa, que é
lares. um composto orgânico apolar. Não adianta tentar limpá

15
QUÍMICA

-las com água, a graxa não sairá, porque ela não se dissolve
na água. A graxa é removida quando a dissolvemos com
gasolina, que também é um composto orgânico apolar.
Na imagem a seguir é mostrado um pouco de gasolina
que vazou numa estrada. Note que ela não se mistura com
a água:

O óleo de cozinha possui uma solubilidade muito pe-


quena em água, primeiro porque o óleo é apolar e a água
é polar, segundo porque as moléculas de água se atraem
e se agrupam com muita força (por ligação de hidrogênio)
e as moléculas de óleo não conseguem ficar entre duas
moléculas de água vizinhas.

• Forças de atração intermolecular

Embora os solutos apolares se dissolvam melhor em


solventes polares e vice-versa, existem exceções, como
ocorre com a gasolina, que é apolar e se dissolve muito
bem no etanol, que é polar. Assim, o mais correto é consi-
derar a solubilidade em termos de intensidade das forças
intermoleculares.  A possibilidade de ocorrer a dissolu-
ção aumenta quando a intensidade das forças atrativas
entre as moléculas de soluto e de solvente é maior ou
igual à intensidade das forças de atração entre as molé-
culas do próprio soluto e entre as moléculas do próprio
solvente.
É por isso que o benzeno, um hidrocarboneto apolar
O etanol é um caso especial de composto orgânico líquido, tem baixa solubilidade em água. As suas ligações
no que diz respeito à solubilidade, pois ele é infinitamente intermoleculares são dipolo instantâneo-dipolo induzido,
solúvel na água, que é polar, mas também dissolve mui- que são mais fracas do que as ligações de hidrogênio que
to bem materiais apolares como a gasolina. Isso acontece as moléculas de água realizam entre si. Portanto, o benze-
porque sua molécula possui uma parte apolar e uma extre- no não consegue separar as moléculas de água e interagir
midade polar, o grupo OH. com elas.

H3C ─ CH2 ─ OH • Tamanho das cadeias carbônicas:


   apolar     polar Além da semelhança de polaridade e das interações
intermoleculares, o tamanho aproximado das moléculas
A parte apolar do etanol possui bastante afinidade também contribui para uma maior solubilidade. Por exem-
com gasolina, tanto é que a gasolina que é vendida no plo, isso é verificado quando consideramos o ácido acético,
Brasil possui cerca de 20% a 25% de etanol misturado em cuja estrutura está representada a seguir. Este composto é
sua composição. Mas, o etanol é infinitamente solúvel em solúvel em água em quaisquer proporções porque, assim
água. Isso acontece porque seu grupo OH realiza ligações como o álcool, o ácido acético possui uma parte hidrofílica,
de hidrogênio com as moléculas de água. Como essas for- que tem afinidade com a água, que é a extremidade com o
ças de atração são as mais intensas, se misturássemos o grupo OH; mas também possui uma parte hidrofóbica, que
etanol, a gasolina e a água, verificaríamos que o etanol se- não tem afinidade com a água, que é a cadeia carbônica.
ria extraído da gasolina pela água.
A sacarose (açúcar) se dissolve bem na água também
porque possui vários grupos OH em sua estrutura, que rea-
lizam ligações de hidrogênio com as moléculas de água, o
que facilita sua dissolução.

16
QUÍMICA

Já o ácido caproico, mostrado ao lado da estrutura do ácido acético, é parcialmente solúvel em água. Isso ocorre por-
que sua parte hidrofóbica é maior.
Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/solubilidade-dos-compostos-organicos.htm

6) FUNÇÕES INORGÂNICAS: ÁCIDOS, BASES, SAIS E ÓXIDOS; NOMEN-


CLATURAS, REAÇÕES, PROPRIEDADES, FORMULAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO.

ÁCIDOS
Para ácidos não oxigenados, usamos a terminação IDRICO.
Exemplo:
• HCl – ácido clorídrico
• H2S – ácido sulfídrico
• H2Se – ácido selenídrico
Para ácidos oxigenados, a coisa complica um pouco.
Se o elemento possuir somente uma valência, usamos a terminação ICO.
Exemplo:
• H2CO3 – ácido carbônico
• H3BO3 – ácido bórico
Se o elemento tiver 2 valências, para a maior usamos ICO e para a menor OSO.
Exemplos:
• H2SO3 – ácido sulfuroso
• H2SO4 – ácido sulfúrico
• HNO2 – ácido nitroso
• HNO3 – ácido nítrico
Se o elemento tiver 3 ou mais valências, usamos o prefixo HIPO junto com o sufixo OSO, e o prefixo PER junto com o
sufixo ICO, nesta ordem.
Exemplos:
• HClO – ácido hipocloroso
• HClO2 – ácido cloroso
• HClO3 – ácido clórico
• HClO4 – ácido perclórico
Existem casos em que o elemento forma diversos ácidos, porém sempre com a mesma valência. Usamos então os
prefixos ORTO, META e PIRO.
Exemplos:
• H3PO4 – ácido ortofosfórico
• HPO3 – ácido metafosfórico
• H4P2O7 – ácido pirofosfórico
Note que nos três ácidos o fósforo tem valência +5.
BASES
Se o elemento possuir somente uma valência, usamos a expressão “hidróxido de” seguida do nome do elemento.
Exemplo:
• NaOH – hidróxido de sódio
• Ca(OH)2 – hidróxido de cálcio
Se o elemento possuir duas valências, usamos a expressão “hidróxido de” seguida do nome do elemento e os sufixos
OSO e ICO, ou então a valência em números romanos. Exemplo:

17
QUÍMICA

• Fe(OH)2 – hidróxido ferroso ou hidróxido de ferro II


• Fe(OH)3 – hidróxido férrico ou hidróxido de ferro III 7) REAÇÕES QUÍMICAS: TIPOS DE REAÇÕES
QUÍMICAS; PREVISÃO DE OCORRÊNCIA DAS
ÓXIDOS REAÇÕES QUÍMICAS: BALANCEAMENTO DE
Se o elemento possuir somente uma valência, usamos EQUAÇÕES PELO MÉTODO DA TENTATIVA E
a expressão “óxido de” seguida do nome do elemento. OXIRREDUÇÃO..
Exemplo:

• BaO – óxido de bário


• K2O – óxido de potássio
Se o elemento possuir duas valências, usamos a ex- DEFINIÇÃO
pressão “óxido de” seguida do nome do elemento e os su- As reações químicas são transformações que envol-
fixos OSO e ICO, ou então a valência em números romanos. vem alterações, quebra e/ou formação, nas ligações entre
Exempl: partículas (átomos, moléculas ou íons) da matéria, resul-
• Cu2O – óxido cuproso ou óxido de cobre I tando na formação de nova substância com propriedades
diferentes da anterior. Algumas evidências da ocorrência
• CuO – óxido cúprico ou óxido de cobre II
de uma reação química são mudança de cor, evolução de
• NiO – óxido niqueloso ou óxido de níquel II
calor ou luz, formação de uma substância volátil, formação
• Ni2O3 – óxido niquélico ou óxido de níquel III
de um gás, entre outros.
EQUAÇÕES QUÍMICAS
SAIS
As equações químicas representam as reações quími-
Os sais derivam da reação de um ácido ou óxido com
cas. As substâncias iniciais de uma reação química, as que
uma base.
reagem, são chamadas de reagentes. Já as substâncias fi-
nais de uma reação, as que se formam, são chamadas de
Os sais sem oxigênio mudam a terminação IDRICO
produto.
para a terminação ETO. Exemplo: Exemplo:
• CaS – sulfeto de cálcio, vem do ácido sulfídrico 2 H2 + O2 → 2 H2O + calor
• RbH – fluoreto de rubídio, vem do ácido fluorídri- H2 e O2 são os reagentes, e H2O é o produto.
co O número que precede a substância é denominado
Os sais oxigenados de menor valência mudam a ter- coeficiente. O coeficiente indica a proporção entre as subs-
minação OSO para ITO. Exemplo: tâncias que participam da reação. Quando a substância não
• Na2SO3 – sulfito de sódio, vem do ácido sulfuroso é precedida de nenhum número, significa que o coeficiente
• LiNO2 – nitrito de lítio, vem do ácido nitroso é o número 1.
Os sais oxigenados de maior valência mudam a ter- Na reação de síntese da água, demonstrada acima, te-
minação ICO para ATO. Exemplo: mos a proporção de 2:1:2. Duas moléculas H2 reagem com
• Na2SO4 – sulfato de sódio, vem do ácido sulfúrico uma molécula O2 para formar duas moléculas H2O.
• NaClO3 – clorato de sódio, vem do ácido clórico. A equação química também pode fornecer o estado
Os prefixos HIPO, PER, ORTO, META E PIRO são manti- físico da substância.
dos inalterados nos sais, mudando apenas as terminações Exemplo: 2 CO(g) + O2 → 2 CO2(g)
de OSO para ITO e de ICO para ATO. Exemplos: A letra “g” entre parênteses indica que a substância se
• NaPO3 – metafosfato de sódio, vem do ácido me- encontra no estado gasoso.
tafosfórico O estado líquido é representado por (l), e o sólido por
• Ca2P2O7 – pirofosfato de cálcio, vem do ácido pi- (s). No caso de a substância estar dissolvida em água, utili-
rofosfórico. zamos (aq), que significa aquoso.
Outros símbolos que podem estar presentes na equa-
Para terminar, os nomes dos cátions seguem as regras ção química são: ∆, que indica aquecimento; λ, indicando a
mencionadas acima para as bases e o óxidos, usando os presença de luz; ↓, quando é formado um precipitado; e ↔,
sufixos OSO e ICO ou algarismos romanos para as valên- quando a reação for reversível.
cias.
Fonte : http://www.coladaweb.com/quimica/quimica TIPOS DE REAÇÕES
-inorganica/nomenclatura-de-acidos-bases-sais-e-oxidos
Reação de síntese ou adição

Na reação de síntese, uma substância composta é for-


mada pela junção de duas ou mais substâncias (simples ou
compostas).
Exemplos:
Cu + S → CuS

18
QUÍMICA

SO2 + H2O → H2SO3 Exemplos: Na+ possui Nox = +1, o Al3+ possui Nox =
Tais reações seguem o seguinte modelo geral: A+B→AB +3, Mg2+ possui Nox = +2.
Reação de análise ou decomposição • Nos compostos moleculares, há deslocamento de
Neste tipo de reação, uma única substância composta elétrons, devido à diferença de eletronegatividade entre os
origina outros produtos mais simples que ela. átomos que efetuam a ligação covalente.
Exemplos: Exemplo: No composto HCl, o átomo de cloro é mais
eletronegativo que o hidrogênio, logo atrai pra si o elétron
CaCO3(s)→ CaO(s) + CO2(g) da ligação ficando com carga parcial -1 e o hidrogênio com
2H2O → 2 H2 + O2 nox +1.
As reações de decomposição, de uma maneira geral, • O Nox dos átomos de substâncias simples é sempre
igual a 0.
seguem o modelo: AB→A+B
Exemplo: H2, O3, Ag.
• O Nox do hidrogênio é +1, e quando combinado com
Reação de deslocamento ou simples troca metal é -1
I - Neste tipo de reação, os elementos livres e quimi- Exemplo: H2O possui Nox= +1, em NaH possui Nox=
camente ativos deslocam o elemento menos ativo de um -1.
composto. • O Nox do oxigênio quando forma substâncias com-
Exemplos: postas é -2, nos peróxidos o Nox passa a ser -1. O Nox
Fe + CuSO → FESO4 + Cu também é alterado em compostos com flúor, como por
Fe + 2 AgNO3 → Fe(NO3)2 + 2 Ag exemplo, OF2 possui Nox = +2, e O2F2 possui Nox= +1.
II - Metais ativos deslocam hidrogênio de ácidos fortes: • A soma dos Nox dos átomos de uma molécula é igual
Fe + 2HCl FeCl2 + H2 a zero.
Os elementos abaixo estão listados em ordem crescen- • A soma dos Nox de todos os íons que formam um
te de reatividade química: composto é igual à carga do íon.
Li > K > Ca > Na > Mg > Al > Zn > Cr > Fe > Ni > Pb Em uma reação de Oxirredução, o processo de oxida-
> H > Cu > Hg > Ag > Pt > Au ção e redução ocorre simultaneamente. O átomo, quando
Essas reações podem ser escritas da seguinte forma: perde elétrons sofre oxidação, e é denominado agente re-
A+BC→AC+B dutor, pois provoca redução (diminuição do Nox) em outra
espécie. O agente oxidante é a espécie receptora de elé-
trons, e provoca a oxidação de outra.
Reação de dupla troca
Um exemplo dessa reação é a que ocorre quando, em
• A reação de dupla troca ocorre entre duas subs- uma solução aquosa de sulfato de cobre(CuSO4), é mergu-
tâncias compostas e resulta na produção de outras duas lhada uma lâmina de zinco (Zn):
novas substâncias compostas. Zn(s)→ Zn2+(aq) + 2e−
Pode ser representada basicamente da seguinte ma- Os átomos de zinco perdem dois elétrons, se conver-
neira: AB+CD→AD+CB tendo em íons de zinco.
Estas reações ocorrem, em solução, quando os íons Cu2+(aq) + 2e−→ Cu(s)
positivos e negativos de uma substância encontram os íons O íon Cu2+recebe dois elétrons e se converte em áto-
de uma outra substância. mo neutro de cobre.
Exemplos: Zn(s) + Cu 2+(aq)→ Zn2+ + Cu(s)
- Um produto insolúvel é formado em solução aquosa: Os átomos de zinco transferiram elétrons para os íons
KCl + Ag NO3 → KNO3 + AgCl(s) de cobre.
K2CO3 + 2 HCL → 2 KCL + H2CO3 Fonte: http://educacao.globo.com/quimica/assunto/
H2CO3 → H2O + CO2 materiais-e-suas-propriedades/reacoes-quimicas.html
2K+ + CO3 + 2H+ + 2Cl− → 2K+ + Cl− + H2O + CO2
NÚMERO DE OXIDAÇÃO
Reação de oxidação-redução 8) GRANDEZAS QUÍMICAS: MASSAS
Esse tipo de reação ocorre através da transferência de ATÔMICAS E MOLECULARES; MASSA
elétrons, ocorrendo variação do número de oxidação dos MOLAR; QUANTIDADE DE MATÉRIA E
átomos de certos elementos. NÚMERO DE AVOGRADO.
Número de oxidação
• O número de oxidação (Nox) representa a carga elé- MASSA ATÔMICA (MA)
trica de um átomo, adquirida através de uma ligação iôni- Definição
ca, sendo a carga denominada carga real, ou adquirida em A medida de uma grandeza é feita por comparação
uma ligação covalente, sendo definida como carga parcial. com uma grandeza da mesma espécie, escolhida como
• Em compostos iônicos, a carga é real, logo o Nox é unidade de medida.
igual a carga do íon formado. Massa atômica
Exemplo: o NaCl, formado pelos íons Na+ e Cl− , o Nox A União Internacional de Química Pura e Aplicada
do Na é +1 e o Nox do Cl é -1. (IUPAC) estabeleceu como padrão de massas atômicas o
• Em íons simples o Nox também é igual à sua carga. átomo de carbono-12. A massa de 1/12 do isótopo car-

19
QUÍMICA

bono-12 é chamada de unidade de massa atômica. Logo, ➢ 1 mol de íons contém → 6,02 * 1023 íons;
a massa atômica é o número que indica quantas vezes um ➢ 1 mol de morangos contém →6,02 * 1023 morangos.
átomo de um determinado elemento químico é mais pesa- O número 6,02 * 1023 é chamado de Constante de
do que 1/12 do isótopo carbono-12. Avogadro, e sua unidade é mol-1. Ele representa a quan-
Para se calcular a massa atômica de um elemento quí- tidade de átomos que constitui a massa atômica de um
mico, deve-se levar em consideração a composição isotó- elemento quando esta é expressa em gramas. A massa de
pica do elemento e os números de massa de cada isótopo. 6,02 * 1023 unidades de massa atômica (u) corresponde a
Exemplos:
um grama. Dessa forma, podemos concluir que:
O elemento oxigênio é formado pelos átomos oxigê-
➢ Em 12g de carbono-12 há 6,02 * 1023 átomos (MAC-
nio-16 (8O16), oxigênio-17 (8O17) e oxigênio-18 (8O18),
sendo que a participação desses átomos na formação do 12 = 12 u);
elemento oxigênio, em porcentagem é de 99,76%, 0,04% e ➢ Em 56g de ferro há 6,02 * 1023 átomos (MAFe = 56
0,20%, respectivamente. u);
A massa atômica do oxigênio é determinada pela mé- ➢ Em 24g de magnésio há 6,02 * 1023 átomos de
dia aritmética ponderada das massas atômicas dos átomos magnésio (MAMg = 24 u).
isótopos constituintes: MASSA MOLAR
(16*99,76 + 17*0,04 + 18*0,20)/100 = 16 u Massa molar é a massa em gramas de um mol de en-
O valor 16 que átomos do elemento oxigênio são 16 tidades elementares, tais como átomos, moléculas e agre-
vezes mais pesados do que 1/12 do carbono-12. gados iônicos.
O símbolo “u” indica a unidade de medida da massa A unidade de massa molar é g/mol, e seu símbolo é
dos átomos. M. Ela é numericamente igual à massa atômica (MA) ou à
O cloro apresenta dois isótopos na natureza, o clo-
massa molecular (MM).
ro-35 e o cloro-37, sendo que a abundância do Cl-35 é de
Assim, temos:
75% e do Cl-37 é de 25%. A massa atômica média desses
átomos é:
(75*35 + 25*37)/100 = 35,5 u. ➢ 1 mol de oxigênio (MA = 16 u) possui massa igual a
MASSA MOLECULAR (MM) 16g (MO = 16 g/mol);
A massa molecular é a soma das massas dos átomos ➢ 1 mol de cálcio (MACa= 40 u) possui massa igual a
que formam a molécula. 40g (MCa= 40 g/mol);
Exemplo: ➢ 1 mol de água (MMágua = 18 u) possui massa igual
Calculando a massa da molécula de água (H2O), temos: a 18g (Mágua= 18 g/mol).
Massa atômica do hidrogênio: 1 u Pode-se calcular o número de mols presentes em uma
Quantidade de átomos na molécula: 2 amostra através de uma expressão onde a massa e a quan-
Contribuição para a massa molecular: 2*1 = 2 u tidade de matéria são grandezas proporcionais:
Massa atômica do oxigênio: 16 u n = m/M
Quantidade de átomos na molécula: 1
Onde n é o número de mols; m é o número de massa,
Contribuição para a massa molecular: 16*1 = 16 u
em gramas; M é a massa molar da substância, em g/mol.
MMágua = 16 + 2 = 18 u
A massa da molécula de água é 18 vezes maior que
1/12 da massa do carbono-12. Exemplo:
Massa fórmula (MF) é a medida das massas atômicas Quantos mols de moléculas há em 88g de dióxido de
de cada íon num composto iônico. carbono (CO2) ?
Tomando como exemplo o cloreto de sódio (NaCl), te- (C = 12 u ; O = 16 u)
mos: A massa atômica da molécula:
Íons fórmula: Na+Cl- MACO2 = 12 + (16*2) = 44 u
Massa atômica do Na: 23 u A massa, em gramas, de um mol da molécula:
Massa atômica do Cl: 35,5 u MCO2 = 44 g/mol
MFNaCl = 23 + 35,5 = 58,5 u. Substituindo:
MOL n = 88/44
Mol é a quantidade de matéria que contém tantas en- n = 2 mols.
tidades elementares (átomos, moléculas, íons, etc) quanto
Fonte: http://educacao.globo.com/quimica/assunto/
são os átomos contidos em 0,012 Kg de carbono-12. Expe-
rimentalmente conclui-se que uma amostra de 0,012 Kg de estequiometria/grandezas-quimicas.html.
carbono-12 é formada por 6,02*1023 átomos. Fonte: http://educacao.globo.com/quimica/assunto/
Logo, mol é a quantidade de 6,02 * 1023 partículas estequiometria/grandezas-quimicas.html
quaisquer.
➢ 1 mol de átomos contém→ 6,02 * 1023 átomos;
➢ 1 mol de moléculas contém → 6,02 * 1023 molé-
culas;

20
QUÍMICA

2. Escrever a reação de forma que reagentes e pro-


9) ESTEQUIOMETRIA: ASPECTOS dutos encontrem-se com os coeficientes balanceados. O
QUANTITATIVOS DAS REAÇÕES QUÍMICAS; termo balanceado se refere à quantidade de átomos de
CÁLCULOS ESTEQUIOMÉTRICOS; REAGENTE determinado elemento químico que deve ser a mesma nos
LIMITANTE DE UMA REAÇÃO E LEIS reagentes e nos produtos.
QUÍMICAS (LEIS PONDERAIS).. Após esses passos realiza-se geralmente uma “regra de
três” para encontrar o valor buscado.
.
Devemos levar em conta alguns termos envolvidos em
Estequiometria é o cálculo que permite relacionar cálculos deste tipo que são:
quantidades de reagentes e produtos, que participam de Pureza: Se refere a quanto do reagente realmente é
uma reação química com o auxílio das equações químicas capaz de reagir para formar determinado produto. Por
correspondentes.
exemplo, se dizemos que a massa de um reagente é 100 g,
Ao longo do tempo houveram inúmeras tentativas de
porém temos a informação de que o mesmo é 90% puro,
explicar a constituição da matéria e suas transformações,
devemos considerar que apenas 90g irão reagir e conse-
até o ano de 1500 entre árabes e europeus desenvolvia-se
a alquimia, movidos pelo intuito de obter o elixir da longa quentemente ser levadas em conta para fins de cálculo o
vida e a Pedra Filosofal. Após, desenvolveu-se a Iatroquími- restante é impureza.
ca que tinha como principal nome Paracelso. A Química só Rendimento: O rendimento tem relação em especial
obteve caráter científico a partir do século XVIII quando se com o produto. Quando uma reação tem rendimento to-
aliaram teoria e prática. Nesta época surge Lavoisier com a tal significa que toda a quantidade prevista em cálculos
lei da conservação da massa ou lei da natureza. será obtida, porém isso na prática geralmente não ocorre
Antoine Laurent de Lavoisier, químico francês e con- devido a resíduos que se formam nas reações. Porém se
siderado o pai da Química Moderna inferiu que dentro de efetuarmos os cálculos e percebermos que determinada
um recipiente fechado, a massa total seria invariável mes- reação formaria em condições ideais 180 gramas e houve
mo ocorrendo quaisquer transformações. Ficando famosa na prática um rendimento de 50% devemos considerar que
sua teoria por simplesmente: temos apenas 90 gramas de produto.
“Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se trans- Fonte: http://www.infoescola.com/quimica/estequio-
forma”. metria/
Vindo a complementar a sua teoria surge Joseph Louis
Proust que através de experimentos com substâncias puras
concluiu que a composição em massa das substâncias era
constante independente do seu processo de obtenção. Re- 10) GASES: EQUAÇÃO GERAL DOS GASES
sumindo, a soma da massa dos reagentes sempre resultará IDEAIS; LEIS DE BOYLE E DE GAY-LUSSAC:
no mesmo valor da soma da massa dos produtos. EQUAÇÃO DE CLAPEYRON; PRINCÍPIO DE
As leis de Lavoisier e Proust são conhecidas como Leis
AVOGRADO E ENERGIA CINÉTICA MÉDIA;
Ponderais e marcam o início da Química como Ciência além
de nortearem o estudo da estequiometria. Vejamos um MISTURAS GASOSAS, PRESSÃO PARCIAL E
exemplo que exemplifica bem as leis discutidas acima: LEI DE DALTON; DIFUSÃO GASOSA, NOÇÕES
Se 3 gramas de carbono se combinam com 8 gramas DE GASES REAIS E LIQUEFAÇÃO.
de oxigênio para formar gás carbônico, 9 gramas de car- .
bono irão se combinar com 24 gramas de oxigênio para
formar esse mesmo composto. Neste caso podemos per- Comportamento dos Gases
ceber que quando triplicamos o valor de um dos reagentes Os gases reais que normalmente conhecemos como,
devemos triplicar também a quantidade do outro reagente por exemplo, o hélio, o nitrogênio e o oxigênio, apresen-
(se houver) para que a reação produza proporcionalmente tam características moleculares diferentes e particulares
a quantidade de produto, isto enuncia bem a lei de Proust. de cada um. No entanto, se todos forem colocados a altas
Quando analisamos que o carbono dos reagentes se temperaturas e baixas pressões, eles passam a apresentar
combina com o oxigênio para formar gás carbônico perce- comportamentos muito semelhantes.
bemos que não há perda de átomos de carbono durante
a reação apenas ele se apresenta de forma combinada nos Gás perfeito
produtos, mantendo assim a massa constante.
No estudo dos gases adota-se um modelo teórico,
A estequiometria é dada por cálculos que relacionam
simples e que na prática não existe, com comportamento
a quantidade de reagentes e produtos existentes no meio
reacional e pré-determinam a quantidade de produto for- aproximado ao dos gases reais. Essa aproximação é cada
mada. Para realizar os cálculos precisamos seguir algumas vez melhor quanto menor for a pressão e maior a tempe-
regras: ratura. Esse modelo de gás é denominado de gás perfeito.
1. Primeiramente devemos ter clara a relação de gran-
dezas abaixo: Lei geral dos gases perfeitos
1 mol – xg (massa da tabela da substância) – 6,02 x 10-3 A expressão que determina a lei geral para os gases
átomos/moléculas – 22,4L (CNTP) perfeitos pode ser vista da seguinte forma:

21
QUÍMICA

P0 V0 / T0 = pV / T
Onde P0, V0 e T0 são respectivamente a pressão inicial, volume inicial e temperatura inicial. Essa é uma expressão que
é utilizada para quando as variáveis de um gás apresentar variações.
Lei de Boyle
Quando um gás sofre uma transformação isotérmica, ou seja, quando sua temperatura é mantida constante, a pressão
dele é inversamente proporcional ao volume ocupado. Dessa lei obtemos que como T0 = T temos que:
P0V0= pV
Lei de Charles
Quando uma massa de gás perfeito sofre transformação isocórica, isto é, quando o volume se mantém constante, a sua
pressão é diretamente proporcional à sua temperatura absoluta. Matematicamente essa lei pode ser expressa da seguinte
forma:

P0/T0 = p/T

Onde p0 e T0 são respectivamente a pressão inicial e a temperatura inicial.


Lei de Gay-Lussac
Quando um gás sofre uma transformação isobárica, isto é, à pressão constante, o volume do gás é diretamente propor-
cional à sua temperatura absoluta. Matematicamente essa lei pode ser expressa da seguinte forma:

V0 / T0 = V / T

Onde V0 e T0 correspondem respectivamente ao volume inicial e à temperatura inicial.


Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/equacao-geral-dos-gases.htm

No ano de 1811, o químico italiano Amedeo Avogadro (1776-1856) propôs uma explicação para a relação que havia
entre o número de moléculas dos gases e o volume por eles ocupado. Segundo a Hipótese de Avogadro ou Princípio de
Avogadro, volumes iguais de quaisquer gases que estão nas mesmas condições de temperatura e pressão apresen-
tam o mesmo número de moléculas.

Isso significa que independente da natureza do gás e do tamanho das suas moléculas, o volume que ele ocupará será
proporcional ao número de moléculas que há no frasco. Por exemplo, se temos dois frascos, um contendo gás hidrogênio
(H2) e o outro contendo dióxido de carbono (CO2), sendo o volume dos dois igual, isso quer dizer que existe a mesma quan-
tidade de moléculas nos dois frascos.
Esse fato acontece porque o tamanho das moléculas gasosas é considerado desprezível em comparação com a distân-
cia entre elas.

Assim, quando consideramos as Condições Normais de Temperatura e Pressão (CNTP), em que a pressão é igual a
1 atm e a temperatura é de 273 K (0ºC), temos que o volume ocupado por 1 mol de qualquer gás sempre será de 22,4
L. Esse valor corresponde ao volume molar dos gases.

Se considerarmos as Condições Ambientais de Temperatura e Pressão (CATP), em que a pressão também é de apro-
ximadamente 1 atm, mas a temperatura é de 298 K (25 ºC), o volume molar passa a ser 25 L.
Portanto, se temos 1 mol de gás hidrogênio e 1 mol de gás carbônico em dois recipientes separados, podemos concluir
que ambos estão ocupando o volume de 22,4 L nas CNTP. O número de moléculas deles também é o mesmo, tendo em
vista que 1 mol de qualquer gás é sempre 6,0 . 1023 (número de Avogadro).

A diferença estará somente na massa, pois a quantidade e o tipo de átomo em cada molécula são diferentes. No caso
de 1 mol de H2, temos a massa total de 2g, enquanto em 1 mol de CO2, temos a massa de 44 g.
Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/volume-molar-dos-gases.htm

22
QUÍMICA

11) TERMOQUÍMICA: REAÇÕES ENDOTÉRMICAS E EXOTÉRMICAS;


TIPOS DE ENTALPIA; LEI DE HESS, DETERMINAÇÃO DA VARIAÇÃO
DE ENTALPIA E REPRESENTAÇÕES GRÁFICAS; E CÁLCULOS
ENVOLVENDO ENTALPIA.
.
TERMOQUÍMICA

As transformações físicas e as reações químicas quase sempre estão envolvidas em perda ou ganho de calor. O calor é
uma das formas de energia mais comum que se conhece.
A Termoquimica é uma parte da Química que faz o estudo das quantidades de calor liberadas ou absorvidas durante as
reações químicas. A maioria das reações químicas envolve perda ou ganho de calor (energia).
Veja no quadro abaixo os tipos de reações com perda ou ganho de calor:

REAÇÕES QUE LIBERAM ENERGIA REAÇÕES QUE ABSORVEM ENERGIA


Queima do carvão Cozimento de alimentos
Queima da vela Fotossíntese das plantas, o sol fornece energia
Reação química em uma pilha Pancada violenta inicia a detonação de um explosivo
Queima da gasolina no carro Cromagem em para-choque de carro, com energia
elétrica

As transformações físicas também são acompanhadas de calor, como ocorre na mudanda de estados físicos da matéria.
absorção de calor

SÓLIDO LÍQUIDO GASOSO

liberação de calor

Quando a substância passa do estado físico sólido para liquido e em seguida para gasoso, ocorre absorção de calor.
Quando a substância passa do estado gasoso para líquido e em seguida para sólido, ocorre liberação de calor.
Essa energia que vem das reações químicas é decorrente de rearranjo das ligações químicas dos reagentes transfor-
mando-se em produtos. Essa energia armazenada é a ENTALPIA (H). É a energia que vem de dentro da molécula.
Nas reações químicas não é necessário calcular a entalpia. Devemos calcular, geralmente, a variação de entalpia (ΔH).
A variação de entalpia é a diferença entre a entalpia dos produtos e a entalpia dos reagentes.

23
QUÍMICA

UNIDADE DE CALOR

Tipos de Reações

As reações químicas podem ser de dois tipos:


- ENDOTÉRMICA: absorvem calor (+)
- EXOTÉRMICA: liberam calor (-)

REAÇÃO ENDOTÉRMICA

Se o valor for positivo (+) a reação é endotérmica.


A reação absorveu energia para acontecer.

24
QUÍMICA

REAÇÃO EXOTÉRMICA

Se o valor for negativo (-) a reação é exotérmica.


A reação perdeu energia para acontecer.

ENTALPIA

Tipos de Entalpias
Através de algumas reações, é possível calcular o valor da variação de entalpia.
- Entalpia de Formação
- Entalpia de Combustão
- Entalpia de Ligação
- Entalpia de Neutralização
- Entalpia de Dissolução

Entalpia de Formação ou Calor de Reação


A Entalpia de formação é a energia da reação quando forma 1 mol de substância, a partir das substâncias químicas
(elemento no seu estado padrão).
Estado Padrão: é a forma mais estável de uma substância a 25°C e a 1atm de pressão. São as substâncias simples.
As substâncias que participam da reação de formação devem ser simples. Devem informar o estado físico. Sua variação
de entalpia de formação padrão é zero.

Exemplo de substância simples:


C(grafite), O2(g), N2(g), H2(g), Na(s), S(s).

25
QUÍMICA

Exemplo de reação de formação:

Isto quer dizer que para formar 1 mol de NH3 a reação produz 11 kcal de energia.
Este cálculo pode ser feito utilizando a fórmula da variação de entalpia e utilizando alguns dados tabelados.

Tabela com valores de Entalpia de Formação Padrão de Algumas Substâncias

SUBSTÂNCIA H°f kJ/mol SUBSTÂNCIA H°f kJ/mol


C2H2(g) 226,8 C diamante +2,1
CH4(g) -74,8 NH3 (g) -45,9
CO(g) -110,3 NaCl (s) -412,1
CO2(g) -393,3 O3 (g) +143
H2O(v) -242 SO2 (g) -297
H2O(l) -286 SO3 (g) -396

Exemplo:

Escreva a reação de formação para cada substância abaixo, indicando o valor da entalpia de formação de SO3(g):
1°) montar a reação de formação:

2°) Aplicar a fórmula:

Entalpia de Combustão
É sempre uma reação exotérmica. É o calor liberado na reação de combustão de 1 mol de uma substância em presença
de gás oxigênio O2(g)

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QUÍMICA

COMBUSTÃO COMPLETA: mais quantidade de oxigênio. Forma gás carbônico e água.

COMBUSTÃO INCOMPLETA: menos quantidade de oxigênio. Produz menos quantidade de energia. Forma mais resí-
duos como monóxido de carbono (CO) e água (H2O).

Exemplo:

Qual o valor da entalpia de combustão do benzeno (C6H6)?


Dados:

Tabela de ΔH°comb de algumas substâncias

SUBSTÂNCIA FÓRMULA ΔH°comb (kcal/mol)

Hidrogênio H2(g) -68,3


Carbono Grafite C(grafite) -94,1
Monóxido de Carbono CO(g) -67,6
Metano CH4(g) -212,8
Etano C2H6(g) -372,8
Propano C3H8(g) -530,6
Butano C4H10(g) -688,0
Benzeno C6H6(g) -781,0
Etanol H3C – CH2 – OH(l) -326,5
Ácido Acético H3C – COOH(l) -208,5
Glicose C6H12O6(S) -673,0
Sacarose C12H22O11(S) -1348,9

27
QUÍMICA

Entalpia de Ligação

Durante as reações químicas, as ligações químicas dos reagentes e produtos são alteradas. Podemos calcular o ΔH pela
análise desses novos rearranjos.
A entalpia de ligação é a variação de entalpia verificada na quebra de 1mol de uma determinada ligação química,
sendo que todas as substâncias estejam no estado gasoso, a 25° C e 1atm.
Reagentes = sempre são quebradas as ligações = ENDOTÉRMICA (+)
Produtos = sempre são formadas as ligações = EXOTÉRMICA (-)
Exemplo:

A ΔH do processo é a soma desses calores. Calcula-se utilizando dados tabelados.

ENTALPIA DE LIGAÇÃO (EM kJ/MOL)

LIGAÇÃO H°(kJ/MOL) LIGAÇÃO H°(kJ/MOL) LIGAÇÃO H°(kJ/MOL)


H–H 436 H – Br 366 N–C 305
H–O 463 H–I 299 C≡C 837
N–N 163 H–N 388 C=C 612
N=N 409 H–C 412 C–C 348
N≡N 944 O=O 496 C – Cl 338
H–F 565 O–C 360 Br – Br 193
H – Cl 431 O=C 743 Cl – Cl 242

A partir desta tabela com dados das ligações de alguns elementos é possível calcular também outras entalpias, como
por exemplo a de combustão e a de formação.

Entalpia de Neutralização
É a entalpia de uma reação de neutralização (entre um ácido e uma base formando sal e água). A reação é exotérmica.
É a variação de entalpia verificada na neutralização de 1mol de H+ do ácido por 1mol de OH-da base, sendo todas as
substâncias em diluição total ou infinita, a 25°C e 1atm.
Exemplos:

28
QUÍMICA

Entalpia de Dissolução

É a variação de entalpia envolvida na dissolução de 1mol de determinada substância numa quantidade de água sufi-
ciente para que a solução obtida seja diluída.
Quando um sólido é colocado em um copo com água acontece uma dissolução. Nesta ordem acontece:

Fonte: http://www.soq.com.br/conteudos/em/termoquimica/p5.php

12) CINÉTICA: VELOCIDADE DAS REAÇÕES; FATO-


RES QUE AFETAM A VELOCIDADE DAS REAÇÕES; E
CÁLCULOS ENVOLVENDO VELOCIDADE DA
REAÇÃO.

A Cinética Química estuda a velocidade das reações químicas e os fatores que a influenciam.
O conhecimento e o estudo da velocidade das reações são muito importantes em termos industriais, e também estão
relacionados ao nosso dia-a-dia, como por exemplo, quando colocamos um alimento na panela de pressão para acelerar
seu cozimento.
As reações químicas ocorrem com velocidades diferentes e estas podem ser alteradas, porque além da concentração
de reagentes e produtos, as velocidades das reações dependem também de outros fatores como:
Temperatura: quando se aumenta a temperatura de um sistema, ocorre também um aumento na velocidade da reação.
Aumentar a temperatura significa aumentar a energia cinética das moléculas.
Superfície de contato: um aumento da superfície de contato aumenta a velocidade da reação. Um exemplo é quando
dissolvemos um comprimido efervescente triturado: ele se dissolve mais rapidamente do que se estivesse inteiro, isto acon-
tece porque aumentamos a superfície de contato que reage com a água.
Pressão: quando os participantes de uma reação são gasosos e se aumenta a pressão desse sistema gasoso, aumenta-
se a velocidade da reação. Isso porque o aumento da pressão diminui o volume, intensificando as colisões das moléculas.

29
QUÍMICA

Concentração de reagentes: quanto maior a concen- • Soluções sólidas: ouro 18 quilates, latão e outras
tração dos reagentes maior será a velocidade da reação. ligas metálicas diversas.
Um exemplo é quando pegamos uma amostra de palha de • Soluções líquidas: soro fisiológico, álcool comer-
aço e reagimos com ácido clorídrico concentrado e com cial e água com açúcar.
ácido clorídrico diluído. • Soluções gasosas: ar atmosférico entre outras
Luz: Algumas reações químicas se processam com misturas gasosas de interesse comercial.
maior velocidade em presença de luz, como por exemplo, Em casos onde todos os componentes da solução se
a decomposição da água oxigenada. Por isso é que deter- encontram no mesmo estado físico, considera-se o soluto
minados produtos são comercializados em frascos escuros.
o composto presente em menor quantidade e solvente o
Catalisadores: os catalisadores são substâncias que
composto presente em maior quantidade na mistura.
aceleram o mecanismo sem serem consumidos durante
Com relação à natureza do soluto, classificamos as so-
a reação. Este fato ocorre porque permitem que a reação
tome um caminho alternativo, que exige menor energia de luções em:
ativação, fazendo com que a reação se processe mais rápi- • Soluções iônicas: São compostas de solutos iôni-
do. Um catalisador possui a propriedade de acelerar a rea- cos, por exemplo, NaCl em água.
ção, mas não aumenta o rendimento, ou seja, ele produz • Soluções moleculares: São compostas por solu-
a mesma quantidade de produto, porém, num período de tos de origem molecular, por exemplo, água com açúcar
menor tempo. (C12H22O11 + água).
• Há casos especiais onde há presença de compos-
tos iônicos e moleculares compondo a solução, como o
caso do ácido acético em água, que possui moléculas CH-
13) SOLUÇÕES: DEFINIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO COOH e íons CH3COO- e H+.
3
DAS SOLUÇÕES; TIPOS DE SOLUÇÕES, SOLUBI- Com relação entre a quantidade de soluto e solvente
LIDADE, ASPECTOS QUANTITATIVOS DAS SOLU- que compõe a solução (saturação da solução), classifica-
ÇÕES; CONCENTRAÇÃO COMUM; CONCENTRA- mos as mesmas em:
ÇÃO MOLAR OU MOLARIDADE, TÍTULO, DEN-
• Soluções insaturadas: Possuem menor quantida-
SIDADE; RELAÇÃO ENTRE ESSAS GRANDEZAS:
de de soluto em relação à quantidade de solvente.
DILUIÇÃO E MISTURAS DE SOLUÇÕES; E ANÁLISE
VOLUMÉTRICA (TITULOMETRIA).
• Soluções saturadas: Possuem a máxima quanti-
dade de soluto em determinada quantidade de solvente.
• Soluções supersaturadas: Possuem maior quanti-
dade de soluto em relação à quantidade de solvente.
As soluções são misturas homogêneas, ou seja, que As soluções podem ser concentradas ou diluídas, de
apresentam um aspecto visual uniforme com uma única acordo com a necessidade e aplicação a qual se destinam.
fase que podem se apresentar nos estados físicos sólido, Nas soluções concentradas, o volume total de solução di-
líquido ou gasoso, compostas por partículas menores que minui, porém, a concentração de soluto se mantém a mes-
1 nm e que são compostas basicamente por soluto e sol- ma, já nas soluções diluídas, o volume total é aumentado,
vente. contudo a concentração de soluto se mantém a mesma.
Devido às reduzidas dimensões das partículas que Para realizar diluições ou aumentar a concentração de so-
compõe as soluções, não é possível realizar a separação luções, utiliza-se a seguinte fórmula:
da mistura através dos processos tradicionais, como filtros C(inicial) x V(l) (inicial) = C(final) x V(l) (final)
por exemplo. Onde:
• Soluto: O soluto é uma substância que está dis- • C = Concentração (inicial e final, respectivamente)
persa em um solvente, ou seja, é a substância que será dis- • V = Volume de solução em litros (inicial e final,
solvida em um meio chamado solvente afim que formar respectivamente).
uma solução qualquer desejada. Os solutos são normal- Unidades de concentração
mente compostos iônicos, mas podem se apresentar tam- As diferentes relações entre a quantidade de soluto, de
bém como compostos moleculares polares.
solvente e de solução são denominadas genericamente de
• Solvente: O solvente é uma substância onde o
concentrações.
soluto é disperso, ou seja, é a parte que se apresenta em
Concentração comum (C)
maior quantidade em uma solução e onde o soluto é dis-
solvido. O solvente mais utilizado é a água, que também é Também chamada concentração em g/L (grama por li-
conhecido como solvente universal. tro), relaciona a massa do soluto em gramas com o volume
As soluções podem ser classificadas de diferentes ma- da solução em litros.
neiras, pelo estado físico em que se encontram, com re- C = m/V
lação à natureza do soluto ou ainda pela quantidade de Concentração em quantidade de matéria (Cn)
soluto e solvente que compõe a solução. Relaciona a quantidade de soluto (mols) com o volume
Com relação ao estado físico de agregação em que se da solução, em litros. Sua unidade é mol/L:
encontram, podemos classificar as soluções em: Cn = n/V

30
QUÍMICA

Título (T) de chegar a esses valores para avaliar numericamente as


Relaciona a massa de soluto (m) com a massa da so- especificidades das diferentes misturas. As possíveis con-
lução (M) ou o volume do soluto (v) com o volume da so- centrações das soluções são representadas pelas seguintes
lução (V). fórmulas:
T = m/M • Concentração comum (c)
T = v/V Chama-se assim a relação entre a massa do soluto e o
O título não tem unidade, pois é uma divisão de dois volume da solução, que é expressa pela seguinte fórmula:
valores de massa ou volume. C = massa do soluto / volume da solução
Densidade da solução (d) C = m1 / V
Relaciona a massa (m) e o volume da solução (V): A unidade de medida resultante é g/L
d = m/V • Densidade da solução (d)
Geralmente as unidades usadas são g/mL ou g/cm3. É a unidade que indica a relação entre a massa da so-
Cuidado: não confunda densidade com concentração lução e o seu volume, portanto:
comum, pois as duas relacionam massa com volume. Lem- d = massa da solução / volume da solução
bre-se de que na concentração comum se relaciona a mas- d=m/V
sa de soluto com o volume da solução e, na densidade, a A unidade de medida resultante é g/L
massa de solução com o volume da solução. • Título (t) porcentagem em massa e ppm/ppb
Fonte: http://www.infoescola.com/quimica/solucoes/ Esse é tipo de concentração que relaciona a massa de
soluto e a massa da solução. Ela é uma das fórmulas mais
Antes de aplicar as fórmulas que permitem calcular as usadas pelas indústrias farmacêuticas e químicas. Para se
relações matemáticas das solução, é fundamental com- descobrir o título de uma mistura, aplica-se a fórmula abai-
preender a definição de tais compostos. Pode-se dizer, xo:
em termos químicos, que as soluções são todas aquelas t = massa do soluto / massa do soluto + massa sol-
misturas homogêneas. Ou seja, a expressão nomeia as vente
substâncias em que não é possível diferenciar o soluto e t = m1 / m1 + m2
t = m1 / m2
o solvente, mesmo com o uso de microscópio eletrônico.
• Partes por milhão (ppm) e partes por bilhões (ppb)
Por sua vez, as misturas heterogêneas são aquelas em que
Nos dias atuais, é bastante recorrente que se empre-
se consegue identificar as fases, isto é, o local de cada uma
gue a unidade partes por milhão, ou ppm, e também partes
das substâncias puras presentes. O soluto é a substância
por bilhão, representada por ppb. Ambas as medidas são
que geralmente aparece em menor quantidade na mistu-
extremamente úteis para indicar concentrações muito pe-
ra e que é dissolvida no solvente. Por sua vez, o solvente
quenas, sobretudo no caso de poluentes do ar, da água e
é responsável por diluir o soluto da reação. As soluções
da terra.
acontecem entre elementos em qualquer estado físicos,
ppm: esta unidade expressa, em gramas, a quantidade
com diferentes graus de miscibilidade, concentração e so-
de soluto encontrado em 1 000 000 (106) gramas de uma
lubilidade. Essas são algumas das características que as fór- determinada solução.
mulas apresentadas a seguir pretendem quantificar. ppb: esta unidade expressa, em gramas, a quantidade
• As soluções são misturas homogêneas, onde não se de soluto presente em 1 000 000 000 (109) gramas de uma
vê as fases de solvente e soluto; determinada solução.
• Essas misturas são compostas por diferentes concen- Ou seja,
trações de solvente e soluto; • Uma solução que tenha 20 ppm contém 20g de solu-
• A química conta com fórmulas que permitem quanti- to em 106 g de solução;
ficar essas características. • Uma solução que tenha 5 ppb contém 5 g de soluto
As concentrações das misturas em 109 g de solução.
Nos laboratório de química, as soluções costumam Os dois termos são usados com frequência para des-
ser preparadas a partir da dissolução de uma determinada crever soluções muito diluídas, especialmente nas misturas
massa de um soluto em certa quantidade de um soluto em que a massa da solução tem valor próximo à massa do
que tenha propriedades compatíveis. Como regra geral, solvente.
fica estabelecido que substâncias polares são eficientes • Concentração em mol/L ou concentração molar ou
em dissolver outras substâncias polares, enquanto solutos molaridade (m)
apolares são solúveis em solventes apolares. Outro fator É a relação estabelecida entre número de mol do so-
importante a ser observado são as ligações intermolecu- luto e o volume da solução, que é dado em litros pela fór-
lares presentes nas substâncias, pois elas também influen- mula assim escrita:
ciam na solubilidade. m = nº de soluto / volume da solução (L)
Dessa forma, o conhecimento acerca das quantidades m = n1 / V (L) ou m = m1 / M1.V(L).
de solvente, soluto e do total da solução, propicia que se- Fonte: https://www.resumoescolar.com.br/quimica/
jam estabelecidas algumas relações matemáticas, chama- aspectos-quantitativos-das-solucoes/
das de concentrações das soluções. A química ocupa-se

31
QUÍMICA

Variação entre velocidade e tempo. No equilíbrio, velo-


14) EQUILÍBRIO QUÍMICO: SISTEMAS EM EQUI- cidades se igualam. (Foto: Wikicommons)
LÍBRIO; CONSTANTE DE EQUILÍBRIO; PRINCÍPIO No estado de equilíbrio, mesmo com o sistema apa-
DE LE CHATELIER; CONSTANTE DE IONIZAÇÃO; rentando estar parado, as reações diretas e inversas con-
GRAU DE EQUILÍBRIO; GRAU DE IONIZAÇÃO; tinuam a ocorrer, com velocidades iguais. Por isso as con-
EFEITO DO ÍON COMUM; HIDRÓLISE; PH E POH; centrações das substâncias permanecem constantes. Por
PRODUTO DE SOLUBILIDADE; REAÇÕES ENVOL- exemplo, na reação de produção de amônia:
VENDO GASES, LÍQUIDOS E GASES.

O equilíbrio químico é atingido quando, na mistura


reacional, as velocidades das reações direta (reagentes for-
mando produtos) e inversa (produtos formando regene-
rando os reagentes) ficam iguais.
Mas, em primeiro lugar, é importante entender que
reação química é um processo onde reagentes se com-
binam e formam novas substâncias com propriedades di-
ferentes. Algumas reações se processam totalmente, en-
quanto outras parecem parar antes de estarem completas.
Isso tem a ver com a reversibilidade da reação. Em uma
reação reversível os reagentes formam os produtos, mas os
produtos reagem entre si e regeneram os reagentes.
Por exemplo, a produção da amônia ocorrendo em re-
cipiente fechado, sob pressão e temperatura constantes:
N2(g) + 3H2(g) ⟺ 2NH3(g)
O processo é dinâmico, ou seja, a reação ocorre nos No equilíbrio, as concentrações de produtos e reagen-
dois sentidos. Consideremos a reação hipotética entre a tes são constantes (Foto: Wikicommons)
mols de A e b mols de B, formando c mols de C e d mols
de D: CONSTANTES DE EQUILÍBRIO
aA + bB ⟺ cC + dD Constante de equilíbrio em termos de concentração
Inicialmente, observando uma determinada quantida- (Kc)
de de A e B e concentrações de C e D nulas. No decorrer A constante Kc é denominada constante de equilíbrio
da reação, as concentrações de A e B diminuem e de C e D em termos de concentração, e é uma grandeza com valor
aumentam. A velocidade da reação inversa, que é nula a específico para uma dada reação e temperatura, indepen-
princípio, cresce continuamente com o tempo. A velocida- dente das concentrações iniciais, volume do recipiente ou
de da reação direta diminui e da inversa aumenta, até que pressão.
atinjam a igualdade. Nesse momento as substâncias A e B
se formam na mesma velocidade em que são consumidas. A expressão da constante de equilíbrio obtém-se pela
As concentrações de reagentes e produtos não mais se al- multiplicação das concentrações dos produtos, estando
teram. Este é o instante no qual a mistura reacional atingiu elevadas a potências iguais aos respectivos coeficientes da
o equilíbrio. equação balanceada, dividindo-se esse produto pelo pro-
duto das concentrações dos reagentes, cada qual também
elevada à potência igual ao respectivo coeficiente este-
quiométrico.

Para o equilíbrio hipotético:


aA + bB ⟺ cC + dD
Onde A, B, C e D representam reagentes e produtos e
a, b, c e d os respectivos coeficientes estequiométricos. A
expressão da constante de equilíbrio é:
Kc = [C]c⋅[D]d[A]a⋅[B]b

A concentração molar está simbolizada pela fórmula


da substância entre colchetes. Exemplo:
Para a reação de formação da amônia temos:
N2(g) + 3 H2(g) ⟺ 2 NH3(g)
Kc = [NH3]2[N2]⋅[H2]3

32
QUÍMICA

O fato de os produtos estarem no numerador e os Kp = 3,3 . 1081 . (0,082 . 298)−1


reagentes no denominador, significa que quanto maior o Kp = (3,3⋅1081)0,082⋅298 / ( 0,082 .298)
valor do numerador, maior o valor do Kc e maior tendência Kp = 1,4 . 1080
de formação dos produtos. Logo, quanto maior for o valor Fonte: http://educacao.globo.com/quimica/assunto/
da constante Kc , maior será o rendimento da reação, ou equilibrio-quimico/equilibrio-quimico-e-constante-de-e-
seja, haverá o favorecimento na formação de produtos e a quilibrio.html
concentração destes presentes no sistema será maior que
a concentração dos reagentes. E quanto menor o valor do
Kc, menor o rendimento da reação, isto é, maior a concen-
tração de reagentes em relação aos produtos. 15) ELETROQUÍMICA: CONCEITO DE ÂNODO,
O equilíbrio químico pode ser homogêneo ou hetero- CÁTODO E POLARIDADE DOS ELETRODOS;
gêneo. PROCESSOS DE OXIDAÇÃO E REDUÇÃO, EQUA-
Equilíbrio homogêneo → reagentes e produtos consti- CIONAMENTO, NÚMERO DE OXIDAÇÃO E
tuem uma única fase. IDENTIFICAÇÃO DAS ESPÉCIES REDUTORAS E
Exemplo: OXIDANTES; APLICAÇÃO DA TABELA DE PO-
H2(g) + Cl2(g) ⟺ 2 HCl(g) TENCIAIS PADRÃO; PILHAS E BATERIAS; EQUA-
Equilíbrio heterogêneo → reagentes e produtos consti- ÇÃO DE NERNST; CORROSÃO; ELETRÓLISE E
tuem mais de uma fase. LEIS DE FARADAY.
Exemplo:
Na2CO3(s) ⟺ Na2O(s) + CO2(g)
Na expressão de constante de equilíbrio não devem ELETROQUÍMICA
ser incluídas substâncias nos estados sólidos ou líquidos,
pois suas concentrações molares são constantes. letroquímica é uma área da química que estuda as rea-
NH3(aq) + H2O(l) ⟺ NH+4(aq) + OH−(aq) ções que produzem corrente elétrica através de reações
chamadas de oxidação e redução. Também estuda as rea-
Constante de equilíbrio em termos de pressão par- ções que ocorrem por intermédio do fornecimento de cor-
cial (Kp) rente elétrica, conhecidas como eletrólise.
O Kp é aplicável a equilíbrios homogêneos gasosos, As reações ocorrem trocas de elétrons entre os átomos
ou equilíbrios heterogêneos, cuja constante de equilíbrio e os íons.
é função apenas do componente gasoso. Para o equilíbrio A eletroquímica está muito presente no nosso dia-a-
hipotético abaixo, sob V, P e T constantes, temos: dia. Está presente basicamente em pilhas e baterias utili-
aA + bB ⟺ cC + dD zadas em aparelhos eletrônicos, como celular, controle
Kp = (PC)c⋅(PD)d(PA)a⋅(PB)b remoto, lanternas, filmadoras, calculadoras, brinquedos
Onde: eletrônicos, rádios à pilha, computadores, e muitos outros.
Kp = constante de equilíbrio em função das pressões As reações de oxirredução (oxidação e redução) tam-
parciais. bém estão presentes no cotidiano, como na oxidação do
PA= pressão parcial do reagente A em equilíbrio ferro (formação da ferrugem), redução de minérios metáli-
PB = pressão parcial do reagente B no equilíbrio cos para a produção de metais, formação do aço, corrosão
PC= pressão parcial do reagente C no equilíbrio de navios, etc.
PD = pressão parcial do reagente D no equilíbrio A conversão de energia química em energia elétrica é
um processo espontâneo, chamado de pilha ou célula gal-
O Kp tem valor constante para uma dada temperatura, vânica.
independente das pressões parciais iniciais, volume do re- A conversão de energia elétrica em energia química é
cipiente ou pressão. Na2CO3(s) ⟺ Na2O(s) + CO2(g) um processo não-espontâneo, chamado de eletrólise.
Kp = (PCO2)

Relação entre Kp e Kc
Kp=Kc(RT)Δn

Onde: NÚMERO DE OXIDAÇÃO (NOX)


R é a constante universal dos gases (se P é em atm e V Para a compreensão da eletroquímica, é necessário sa-
em L, R = 0,082 atm.L.mol−1.K−1); ber calcular o número de oxidação das substâncias envol-
T é a temperatura absoluta (kelvin); vidas em uma reação química.
Δn é a diferença entre a soma dos coeficientes este- Número de Oxidação ou NOX deve ser calculado da
quiométricos dos produtos e a soma dos coeficientes este- seguinte maneira:
quiométricos dos reagentes. 1) Substância Simples: ZERO (porque não há perda e
Exemplo: nem ganho de elétrons).
2 H2(g) + O2(g) ⟺ 2 H2O(g) Exemplos:
Se o Kc = 3,3 . 1081 e T = 25°C, o Kp valerá: H2 NOX H = 0

33
QUÍMICA

Fe NOX Fe = 0 - soma do NOX de todos os átomos = zero


O3 NOX O = 0 - soma do NOX de todos os átomo em um íon com-
2) Átomo como íon simples: Sua própria carga. posto = sua carga
Exemplos: Exemplo:
Na+ NOX Na = 1+ Para encontrar o NOX do H na água, sabendo apenas
S2- NOX S = 2- o NOX do O:
H+ NOX H = 1+ Pode-se colocar em cima da fórmula o NOX e embaixo
3) Metais alcalinos à esquerda da fórmula: 1+ o somatório.
Exemplos:
Assim:
NaCl NOX Na = 1+
LiF NOX Li = 1+
K2S NOX K = 1+ 1+ 2- → NOX
4) Metais alcalino-terrosos à esquerda da fórmula: H 2 O → elemento químico
2+ ______
Exemplos:
CaO NOX Ca = 2+ 2+ 2- = 0 → somatório
MgS NOX Mg = 2+
SrCl2 NOX Sr = 2+ Neste caso, o NOX do O é 2-. Multiplica-se o NOX pelo
5) Halogênios: 1- número de átomos de O, então 2-
Exemplos: Como a água é uma substância que está no seu estado
NaCl NOX Cl = 1- neutro (não é um íon), o somatório de cargas é zero. O H
KF NOX F = 1- soma 2+, por este motivo.
K2Br NOX Br = 1- Para achar o NOX do H, divide-se o número do soma-
6) Calcogênios: 2- tório do H pelo número de átomos de H. Como existem
Exemplos: dois átomos de H, o NOX será 1+
CaO NOX O = 2-
ZnO NOX O = 2-
Oxirredução
MgS NOX S = 2-
É a reação química que se caracteriza pela perda ou
7) Ag, Zn e Al: 1+, 2+, 3+
ganho de elétrons. É a transferência de elétrons de uma
Exemplos:
AgCl NOX Ag = 1+ espécie química para a outra. Ocorrem dois fenômenos:
ZnS NOX Zn = 2+ oxidação e redução.
Al2S3 NOX Al = 3+ Oxidação – perda de elétrons, onde aumenta o NOX.
8) Hidrogênio em composto: 1+ Agente redutor
Exemplo: Redução – ganho de elétrons, onde diminui o NOX.
H2O NOX H = 1+ Agente oxidante
9) Hidreto metálico (hidrogênio do lado direito da Oxi-Redução – quando há transferência de elétrons.
fórmula): 1-
Exemplo: PILHAS DE DANIELL
NaH NOX H = 1- Observe a seguinte reação química de oxirredução:
10) Oxigênio em composto (regra dos calcogênio):
2-
Exemplo:
H2O NOX O = 2-
11) Oxigênio com flúor: 1+ e 2+ Esta reação pode ser feita muito facilmente colocan-
Exemplos: do um pedaço de zinco metálico (Zn°) em um copo com
O2F2 NOX O = 1+ uma solução aquosa de sulfato de cobre (CuSO4), que é
OF2 NOX O = 2+
um líquido azul translúcido. Após alguns tempo, cerca de
12) Peróxidos (oxigênio + alcalino / alcalino terro-
20 minutos, pode-se observar que o pedaço de metal ficou
so): 1-
avermelhado. A parte que ficou vermelha é o cobre (Cu°)
Exemplos:
H2O2 NOX 0 = 1- que se depositou sobre a placa de zinco. E no fundo do
Na2O NOX 0 = 1- copo há a formação de sulfato de zinco (ZnSO4), conforme
13) Superóxidos: - a reação acima.
Exemplo: Esta experiência que pode ser feita até mesmo em
K2O4 NOX O = - casa, demostra as reações de oxirredução.
Cálculo de NOX: A experiência feita pelo meteorologista e químico in-
Para as substâncias com dois ou mais elementos quí- glês John Frederic Daniell, em 1836, constitui uma pilha for-
micos: mada apartir de reações de oxirredução.

34
QUÍMICA

Pilha – São reações químicas que produzem corrente elétrica.


Daniell montou um sistema com dois eletrodos interligados.
Um eletrodo era constituido de uma placa de zinco imersa em um copo com uma solução com íons de zinco, no caso,
sulfato de zinco.
O outro eletrodo era constituído de uma placa de cobre imersa em um copo com uma solução com íons de cobre, no
caso, sulfato de cobre.
Chamou o eletrodo de Zinco de ânodo, com carga negativa.
Chamou o eletrodo de Cobre de cátodo, com carga positiva.

Fonte: http://educar.sc.usp.br/licenciatura/2006/Pilha_de_Daniel/pilha_de_Daniell.html

Ânodo ou polo negativo é o eletrodo onde saem os elétrons. Ocorre a reação de oxidação.

Cátodo ou polo positivo é o eletrodo para onde vão os elétrons. Ocorre a reação de redução.

Com o passar do tempo, os elétrons da placa de zinco vão para a solução, fazendo com que aumente a concentração
da solução e corroendo a placa de zinco.
No outro eletrodo, ocorre o contrário. Os élétrons da solução de sulfato de cobre se depositam na placa de cobre,
diminuindo a concentração da solução e aumentando a massa da placa metálica.

Fonte: http://cabarequimico.blogspot.com/2008/11/eletroqumica-abrange-todos-processo.html

35
QUÍMICA

Veja como montar as reação que ocorrerem na Pilha de Daniell:

1°) montar a reação do ânodo


2°) montar a reação do cátodo
3°) somar as reações, formando a reação global da pilha.

Obs.: Os termos semelhantes, se anulam. No caso, na reação acima, os 2é.

Daniell colocou uma ponte salina constituída de um tubo de vidro em U contendo solução de KCl aquoso. A sua função
é permitir a migração de íons de uma solução para a outra, de modo que o número de íons positivos e negativos na solução
de cada eletrodo permaneça em equilíbrio.

Tabela resumida da Pilha de Daniell:

ELETRODO REAÇÃO POLO LÃMINA SOLUÇÃO


ÂNODO OXIDAÇÃO POLO NEGATIVO (-) CORRÓI CONCENTRA
CÁTODO REDUÇÃO POLO POSITIVO (+) AUMENTA DILUI

Força Eletromotriz e Potencial de Redução e de Oxidação


Antes de realizar a montagem de uma pilha, é necessário saber qual metal vai perder e qual metal vai ganhar elétrons.
Para conseguir responder à esta questão, devemos conhecer o conceito de potencial de redução e o potencial de oxidação.
O potencial de redução e de oxidação são medidos em volt (V) e é representado pelo símbolo E°.

Onde:

variação de potencial

E° = diferença de potencial (padrão)


E°RED = potencial de redução
E°OX = potencial de oxidação
Padrão: 25°C e 1atm
Pode-se utilizar qualquer uma destas fórmulas, dependendo dos dados que são fornecidos.
A diferença de potencial pode ser chamada também de força eletromotriz (fem).
Quanto maior o E°RED mais o metal se reduz.
Quanto maior o E°OX mais o metal se oxida.
Em geral, são usadas tabelas com potenciais padrão de redução para indicar se o metal irá se reduzir ou oxidar.Veja o
exemplo:
Sendo:
E°RED Cu = +0,34V
E°RED Zn = -0,76V
a) Qual metal sofrerá redução?
O metal que sofrerá redução é o cobre (Cu) porque possui maior valor, maior tendência a reduzir.
b) Qual o valor da ddp desta pilha ou diferença de potencial?

36
QUÍMICA

Pode-se calcular também, se soubermos qual metal é o (niquelagem), prata (prateação), ouro (dourar), usados em
cátodo e qual é o ânodo: grades, calotas de carros, emblemas, peças de geladeira,
jóias, aparelhos de som. É utilizada também na purifica-
ção ou refino eletrolítico de muitos metais, como cobre e
chumbo. Em processo de anodização, que nada mais é do
que uma oxidação forçada da superfície de um metal para
que seja mais resistente à corrosão. É feita a anodização
em alumínio.
Na eletrólise, usa-se eletrodos inertes (que não regem),
c) Qual metal sofrerá oxidação? como o carbono grafite (grafita) ou platina.
O metal que sofrerá oxidação é o zinco (Zn) porque Para que a eletrólise ocorra deve haver:
possui menor valor de potencial de redução. Então possui - corrente elétrica contínua e voltagem suficiente para
tendência a sofrer oxidação. provocar a eletrólise;
- íons livres ( por fusão ou dissolução)
Existe a eletrólise ígnea e a eletrólise aquosa.
Então:
Eletrólise Ígnea
Reação Espontânea e Não Espontânea É uma eletrólise onde não há presença de água. Metais
A reação na pilha (ou célula eletrolítica) pode ser es- iônicos são fundidos (derretidos). Ao se fundirem, eles se
pontânea ou não. ionizam formando íons. A partir desses íons, é formada a
Quando o potencial padrão da célula eletrolítica é po- corrente elétrica.
sitivo, a reação é espontânea. Reação de fusão (transformação do estado físico sólido
Quando o potencial padrão da célula eletrolítica é ne- para líquido) do NaCl a 808°C:
gativo, a reação é não espontânea.

Os eletrodos devem ser inertes. Pode ser carbono gra-


fite ou platina.
Estes eletrodos são polarizados, um com carga nega-
tiva e o outro com carga positiva e são colocados em uma
Representação IUPAC
cubeta com o metal NaCl já fundido.
De acordo com a União Internacional de Química Pura
e Aplicada (IUPAC), a representação de uma pilha deve ser
da seguinte maneira:

ELETRÓLISE
Eletrólise é uma reação não espontânea provocada Observe que no desenho há dois eletrodos carregados
pelo fornecimento de energia elétrica, proveniente de um eletricamente, o polo positivo e o polo negativo, mergulha-
gerador (pilhas). É o inverso das pilhas. dos em um metal fundido. A reação acima mostra a forma-
A eletrólise possui muitas aplicações na indústria quí- ção de íons Na+ e íons Cl-. Quando estes íons entrarem em
mica, na produção de metais, como sódio, magnésio, po- contato com os eletrodos, o íons positivo (Na+) irá para o
tássio, alumínio e etc. Também na produção de não-metais eletrodo negativo. O íon negativo (Cl-) irá para o eletrodo
como cloro e o flúor e ainda substâncias como o hidróxido positivo.
de sódio (soda cáustica) e peróxido de hidrogênio (água No eletrodo negativo haverá formação de sódio me-
oxigenada) e a deposição de finas películas de metais so- tálico (Na°). No eletrodo positivo formará gás cloro (Cl2).
bre peças metálicas ou plásticas. Essa técnica de deposi- Percebe-se a formação de bolhas.
ção em metais é conhecida como galvanização. Os mais O eletrodo positvo é chamado de ânodo e nele ocorre
comuns são a deposição de cromo (cromagem), níquel a reação de oxidação.

37
QUÍMICA

O eletrodo negativo é chamado de cátodo e nele ocorre a reação de redução.


Reações:

A reação do cátodo deve ser multiplicada por 2 para poder cancelar com a reação do ânodo, já que forma gás cloro
(Cl2).

Eletrólise Aquosa
É uma eletrólise onde há a dissociação de um composto iônico em solução aquosa. O eletrodo deve ser inerte.
É necessário considerar a reação de auto-ionização da água, onde produz íon H+ e íon OH-.
O composto iônico é dissolvido em água, ocorrendoa formação de íons livres, que produzirão a corrente elétrica. Deve
ser montada as quatro reações para obter a reação global desta eletrólise.

Nesta cuba eletrolítica deve haver água e o composto iônico dissolvidos. Da auto-ionização da água, formará íons H+
e íons OH-. Se o composto for um sal, o NaCl, em contato com a água, formará o íon Na+ e o íon Cl-. Os íons positivos
serão atraídos pelo eletrodo negativo e os íons negativos serão atraídos pelo eletrodo positivo. Cada par de íons (positivo
e negativo) competirão entre si para ver qual se formará ao redor do seu respectivo eletrodo.
Existe uma tabela de facilidade de descarga elétrica, entre cátions e ânions:
Cátions:
Alcalinos
Alcalinos Terrosos
Al3+ < H+ < demais cátions

38
QUÍMICA

Ordem Crescente de Facilidade de Descarga dos Cátions


Ânions:
Ânions Oxigenados < OH- < ânions não-oxigenados < halogênios
Ordem Crescente de Facilidade de Descarga dos Ânions
Observando a tabela, deve-se comparar então os seguintes íons:
- Cl- e OH-
- H+ e Na+

De acordo com a tabela, o íon Cl- (halogênio) tem mais facilidade do que o íon OH-.
De acordo com a tabela, o íon H+ tem mais facilidade do que o íon Na+.
Então, formam-se nos eletrodos, o gás hidrogênio (H2) e o gás cloro (Cl2).
No polo (-) = H+
No polo (+) = Cl-

Reações:

Observe que forma o H2 e Cl2.


Também forma 2Na+ e 2OH-. Juntando estes dois íons, forma-se 2NaOH.

Resumo de Pilhas e Eletrólise

Polo + Polo -
Pilha de Daniell Cátodo Ânodo
Redução Oxidação
Aumenta a lâmina Corrói a lâmina
Dilui concentração Aumenta concentração
Eletrólise Ânodo Cátodo
Oxidação Redução

Leis da Eletrólise
As leis que regem a eletrólise são as leis que relacionam as massas das substâncias produzidas nos eletrodos e as quan-
tidades de energia gastas na eletrólise. Essas leis foram estabelecidas pelo físico-químico inglês Michael Faraday, em 1834.

39
QUÍMICA

Primeira Lei da Eletrólise ou Lei de Faraday


“ A massa da substância eletrolisada em qualquer dos 16) RADIOATIVIDADE: ORIGEM E PROPRIEDADE
elementos é diretamente proporcional à quantidade de DAS PRINCIPAIS RADIAÇÕES; LEIS DA RADIOA-
carga elétrica que atravessa a solução.” TIVIDADE; CINÉTICA DAS RADIAÇÕES E CONS-
TANTES RADIOATIVAS; TRANSMUTAÇÕES DE ELE-
MENTOS NATURAIS; FISSÃO E FUSÃO NUCLEAR;
Onde: USO DE ISÓTOPOS RADIOATIVOS; E EFEITOS DAS
m = massa da substância RADIAÇÕES.
k = constante de proporcionalidade
Q = carga elétrica (Coulomb)
Segunda Lei da Eletrólise
“ Empregando-se a mesma quantidade de carga elétri- Radioatividade é um fenômeno nuclear que resulta da
ca (Q), em diversos eletrólitos, a massa da substância ele- emissão de energia por átomos, provocada em decorrên-
trolisada, em qualquer dos eletrodos, é diretamente pro- cia de uma desintegração, ou instabilidade, de elementos
porcional ao equivalente-grama da substância. “ químicos. Desta forma, um átomo pode se transformar em
outro átomo e quando isso acontece, significa que ele é
radioativo.
m = massa da substância (g) A emissão de radiação é utilizada no tratamento de tu-
k2 = constante de proporcionalidade mores, na conservação de alimentos, na produção de ener-
E = equivalente-grama gia, bem como na produção de armas nucleares.
Unindo as duas leis, temos: A radioatividade da medicina é utilizada através dos
exames de raio-x, cuja radiação atravessa os tecidos com o
objetivo de mostrar internamente o corpo humano.
Estudamos na Física que: Ela foi descoberta em 1896 por Henri Becquerel, toda-
via, foi o casal Pierre e Marie Curie que se dedicou ao seu
estudo.
Onde: De Ernest Rutherford veio o contributo das bases da
Q = carga elétrica (C) teoria da radioatividade com o seu colega Frederick Soddy,
i = intensidade da corrente elétrica (A) que dá nome às leis da radioatividade.
t = tempo (s) Decaimento Radioativo
Então temos a seguinte expressão: À medida que a radiação é emitida, o átomo se desin-
tegra, o que resulta na sua transformação, pois é o número
atômico que determina o elemento químico.
A constante K chamada de constante de Faraday é O tempo que essa desintegração do elemento leva
equivalente a para reduzir a sua massa pela metade é chamado de meia
vida ou período de semidesintegração.
Unindo todas estas informações, temos a equação ge- Elementos Radioativos
ral da eletrólise: São elementos radioativos: urânio, actínio, astato, car-
bono-14, césio, criptônio, estrôncio, iodo, plutônio, polô-
nio, rádio, radônio.
• Radioatividade Natural - São os elementos en-
contrados na natureza. Exemplos: urânio, actínio e tório.
• Radioatividade Superficial - São os elementos
A carga elétrica de 96500 coulomb recebe o nome de produzidos artificialmente. Exemplos: iodo-131 e fósfo-
faraday (F). ro-30.
Saiba mais em Elementos Radioativos.
Tipos de Radioatividade
A radioatividade das partículas Alfa, Beta e das ondas
Gama são as mais comuns. O tipo de radiação determina o
1 Faraday poder de penetração na matéria, que são, respectivamente,
- É a carga elétrica que produz um equivalente-grama baixa, média e alta.
de qualquer elemento em uma eletrólise. • Alfa (α) - são partículas pesadas de carga positiva,
- Equivale aproximadamente a 96.500 Coulomb que desintegram do seu núcleo 2 prótons e 2 nêutrons.
- Equivale a carga de um mol (6,02.1023) de elétrons A sua radioatividade pode ser impedida por uma folha de
ou de prótons. papel.
Fonte: http://www.soq.com.br/conteudos/em/eletro- • Beta (β) - são partículas de carga negativa, que
quimica/p6.php não contém massa. A sua radioatividade - superior à de
alfa - pode penetrar uma folha de papel, mas não uma pla-
ca de metal.

40
QUÍMICA

• Gama (γ) - são ondas leves, de altíssima frequên- Δn = |nf – no|


cia e que não possuem massa. A sua forte capacidade de Observação: O Δn deve ser sempre trabalhado em
penetração faz com que a sua radioatividade passe tanto módulo, pois, caso contrário, o resultado seria negativo.
pelo papel como pelo metal. • Δt = variação do tempo em que ocorreu a de-
Leis da Radioatividade sintegração, que é a diminuição do tempo final pelo
• 1.ª Lei: Lei de Soddy: um átomo instável emite tempo inicial.
uma partícula alfa (α), diminui o número atômico (Z) em
duas unidades, ao passo que o número de massa (A) dimi- Δt = tf – to
nui em quatro unidades. Assim: 24α
• 2.ª Lei: Lei de Soddy, Fajans e Russel: um átomo Observação: é importante observar na fórmula do cál-
instável emite uma partícula beta (β), aumenta o número culo da velocidade de desintegração que a velocidade é
atômico (Z) em uma unidade, ao passo que o número de diretamente proporcional à quantidade de átomos que
massa (A) permanece o mesmo. Assim: -10β se desintegrou durante o processo de decaimento. Dessa
Quer saber mais? Leia Número Atômico e Número de forma, quanto maior for a quantidade de átomos na amos-
Massa. tra, maior será a velocidade
Lixo Radioativo Exemplo: Determine a velocidade de desintegração
Os resíduos dos materiais compostos por elementos radioativa de uma amostra que, no tempo de 8 minu-
radioativos representam um grande risco à população, tos, apresentou 6.1021 átomos e, em 10 minutos, apre-
uma vez que podem provocar doenças, tal como o câncer. sentou 4.1020 átomos.
Diversas áreas (medicina, engenharia, antropologia,
entre tantas outras) fazem uso de materiais que contém Δn = |nf – no| Δt = tf – to
radioatividade. Assim, os cuidados com os resíduos são in- Δn = 4.1020 – 6.1021 Δt = 10 – 8
dispensáveis para que esse tipo de lixo não contamine o Δn = 54.1020 átomos Δt = 2 minutos
ambiente ou, ainda, resulte em acidentes nucleares.
É o caso do conhecido Acidente de Chernobyl ocorrido V = Δn
em 1996 na Ucrânia. No nosso país, o Acidente Césio-137 Δt
aconteceu ainda antes, em 1987, em Goiânia, e foi provo- V = 54.1020
cado por um aparelho de radioterapia abandonado. 2

A radioatividade debruça-se sobre a emissão de ra- V = 27.1020 átomos por minuto


diação a partir do núcleo de um átomo. Essas radiações
emitidas podem ser do tipo alfa, beta ou gama. Quando b) Constante radioativa (k) ou C
a radiação (energia) é emitida, promove a transformação A constante radioativa avalia o número de átomos em
do átomo que a emitiu em outro (decaimento radioativo). relação a uma determinada faixa de tempo. Nessa relação,
Para que um átomo seja emissor de radiação, seu nú- temos que quanto maior for a quantidade de átomos na
amostra radioativa, maior será a velocidade em que ocor-
cleo deve ser obrigatoriamente instável para que a emissão
rerá a desintegração (emissão de radiação).
radioativa possa dar a ele estabilidade. A questão é que as
emissões e as consequentes transformações de um átomo
Observação: Cada elemento ou material radioativo
em outro podem acontecer em tempos ou velocidades di-
apresenta uma constante radioativa.
ferentes.
Veja a seguir a fórmula que podemos utilizar para cal-
A Cinética Radioativa estuda por meio de diferentes
cular a constante radioativa:
critérios a velocidade de um decaimento radioativo. Veja-
mos sobre quais aspectos esse campo de estudos detém- C = Δn /t
se: no
a) Velocidade de uma desintegração
• Δn: a variação da quantidade de átomos;
É uma grandeza que calula a velocidade em que • no: o número inicial de átomos da amostra;
uma desintegração acontece. Ela especifica a variação da • t: tempo de desintegração.
quantidade de átomos radioativos que ocorreu em uma Como temos a quantidade de átomos no numerador e
determinada faixa de tempo. Para calcular a velocidade no denominador, a constante radioativa pode ser resumida
de desintegração, podemos utilizar a fórmula a seguir: em uma fórmula mais simples:
V = Δn C= 1
Δt tempo
• V = velocidade de desintegração; Veja exemplos de constantes radioativas de alguns ele-
• Δn = variação do número de átomos (antes e mentos:
depois da desintegração), ou seja, o número final de — Radônio-220: C = 1 s–1
átomos subtraído pelo número inicial. Veja: 79

41
QUÍMICA

A cada 79 átomos de radônio, apenas um se desintegra Observação: quando um período de meia-vida passa,
a cada segundo. pode-se afirmar então que temos exatamente a metade da
— Tório-234: C = 1 dia–1 massa que a amostra tinha anteriormente.
35 A fórmula que podemos utilizar para determinar a
A cada 35 átomos de tório, apenas um se desintegra meia-vida é:
a cada dia. t = x.P
— Rádio-226: C = 1 ano–1 • T = tempo que a amostra leva para desintegrar-
2300 se;
A cada 2300 átomos de rádio, apenas um se desintegra • x = número de mais vidas;
a cada ano. • P = meia-vida.
c) Intensidade radioativa (i) Veja alguns exemplos de materiais radioativos e suas
Trata-se de uma grandeza que indica a quantidade de respectivas meias-vidas:
átomos que sofreu desintegração em uma faixa de tempo • Césio-137 = 30 anos
• Carbono-14 = 5730 anos
específica. Ela depende da quantidade de radiações alfa e
• Ouro-198 = 2,7 dias
beta que foi emitida pelo material. A fórmula que descreve
• Irídio-192 = 74 dias
a intensidade radioativa é:
• Rádio-226 = 1602 anos
i = C.n • Urano-238 = 4,5 bilhões de anos
• n = é a constante de Avogadro (6,02.1023) • Fósforo-32 = 14 dias
Exemplo: Determine a intensidade radioativa de uma
amostra com 1 mol de rádio que apresenta constante ra- Para determinar a massa de um material radioativo
dioativa de 1/2300 ano-1. após uma ou mais meias-vidas, basta utilizar a seguinte
i = C.n fórmula:
i = 1.(6,02.1023) m = m0
40 2x
i = átomos por ano • x → número de meias-vidas que se passaram;
d) Vida média • m → massa final da amostra;
Durante o estudo dos materiais radioativos, os cien- • m0 → massa inicial da amostra.
tistas descobriram que não é possível determinar o mo-
mento em que um grupo de átomos sofrerá desinte- Exemplo: Sabendo que a meia-vida do estrôncio é de
gração, ou seja, eles podem desintegrar-se a qualquer 28 anos, após 84 anos, qual será a massa restante se tiver-
momento. Isso ocorre por dois fatores: mos 1 grama desse elemento?
• Sua instabilidade; m0 = 1g
• Os átomos da amostra são iguais. Para encontrar o número de meias-vidas passadas,
Vale ressaltar que cada átomo da amostra de um mate- basta dividir o tempo final pela meia-vida do material:
rial radioativo possui seu tempo de desintegração. Por essa x = 84
razão, surgiu a grandeza vida média, que é apenas uma 28
média aritmética que x=3
utiliza o tempo de desintegração de cada átomo pre- Com isso, podemos utilizar a fórmula para achar a mas-
sente na amostra radioativa. sa:
A fórmula que descreva a vida média é: m = m0
2x
Vm = 1
m=1
C
23
Como podemos observar, a vida média é inversamente
m=1
proporcional à constante radioativa. 8
Exemplo: Se a constante radioativa do elemento rá- m = 0,125 g
dio-226 é de 1/2300 ano-1, qual será a sua vida média? Uma informação importantíssima é a de que a meia-
Vm = 1 vida e a vida média apresentam uma proporcionalidade: o
C período de meia-vida é exatamente 70% da vida média.
Vm = 1 Essa proporção é descrita pela seguinte fórmula:
1/2300 P = 0,7. Vm
Vm = 2300 anos-1 Então, se sabemos que a meia-vida do fósforo-32 é
de 14 dias, logo sua vida média será de:
e) Meia-vida 14 = 0,7.Vm
É a grandeza da cinética radioativa que indica o pe- 14 = Vm
ríodo que uma determinada amostra radioativa leva para 0,7
perder metade dos átomos ou da massa que existia nela. Vm = 20 dias.
Esse período pode ser de segundos ou até de bilhões de Vamos ver agora a resolução de um exercício que tra-
anos. Tudo depende da natureza do material radioativo. balha a cinética radioativa como um todo:

42
QUÍMICA

Exemplo: Considere que, durante uma pesquisa cientí-


fica, observou-se que, decorridos seis minutos de constantes 17) PRINCÍPIOS DA QUÍMICA ORGÂNICA: CON-
emissões radioativas, a quantidade de átomos ainda não CEITO: FUNÇÕES ORGÂNICAS: TIPOS DE FÓR-
desintegrados encontrava-se na ordem de 2.1023 átomos. MULAS; SÉRIES HOMÓLOGAS: PROPRIEDADES
Aos sete minutos, uma nova análise indicou a presença de FUNDAMENTAIS DO ÁTOMO DE CARBONO,
18.1022 átomos não desintegrados. Determine: TETRAVALÊNCIA, HIBRIDIZAÇÃO DE ORBITAIS,
FORMAÇÃO, CLASSIFICAÇÃO DAS CADEIAS CAR-
a) A constante radioativa do material utilizado nes- BÔNICAS E LIGAÇÕES.
sa pesquisa.
Primeiramente, devemos realizar o cálculo do Δn:
Início = 2.1023 átomos (no)
Fim: 18.1022 (nf )
Δn = |nf - no| Os fundamentos da química orgânica datam da me-
Δn = 18.1022 - 2.1023 tade do século XVIII, quando ela evoluía da arte dos al-
Δn = 2.1022 átomos quimistas a uma ciência moderna. Naquele tempo, foram
observadas diferenças inexplicáveis entre as substâncias
Como o intervalo de tempo vai de 6 a 7 minutos, a obtidas a partir dos organismos vivos e aquelas derivadas
diferença é de 1 minuto. Por isso, temos 2.1022/minuto. Em de fontes minerais. Os compostos extraídos das plantas e
seguida, calculamos a constante radioativa: dos animais eram muito difíceis de manusear e tinham a
C = Δn/t tendência de se decompor mais facilmente que os com-
no postos extraídos dos minerais. O químico sueco Torbern
C = 2.1022 Bergman, em 1770, foi o primeiro a expressar a diferença
2.1023 entre substâncias “orgânicas” e “inorgânicas”, e o termo
C = 1 min-1 química orgânica logo passou a denominar a química dos
10 compostos encontrados em organismos vivos.
b) Qual é o significado dessa constante radioativa? Para muitos químicos daquele tempo, a única explica-
ção para as diferenças de comportamento entre os com-
C = 1 min-1 postos orgânicos e os inorgânicos era que os orgânicos
10 deviam conter uma “força vital” porque se originavam de
A cada grupo de 10 átomos, 1 desintegra-se por mi- organismos vivos. Uma consequência dessa força vital,
nuto. acreditavam os químicos, era que os compostos orgânicos
não podiam ser preparados e manipulados no laboratório,
c) A velocidade de desintegração radioativa no in- como era o caso dos compostos inorgânicos. Por volta de
tervalo de 6 a 7minutos. 1816, essa teoria da força vital foi abalada quando Michel
V = C. n0 Chevreul descobriu que o sabão, preparado pela reação de
V = 1. 2.1023 álcalis com gordura animal, poderia ser separado em diver-
10 sos compostos orgânicos puros, que ele próprio denomi-
V = 2.1022 átomos desintegrados por minuto nou “ácidos graxos”. Pela primeira vez, uma substância or-
gânica (gordura) fora convertida em outras (ácidos graxos
d) O tempo de vida média (Vm) dos átomos dessa e glicerina) sem a intervenção de uma força vital externa.
amostra radioativa. Um pouco mais de uma década depois, a teoria da for-
Vm = 1 ça vital sofreu outro golpe quando Friedrich Wohler desco-
C briu, em 1828, que era possível converter o sal “inorgânico”
Vm = 1 cianato de amônio na substância “orgânica” já conhecida
1/10 como uréia, que havia sido previamente encontrada na uri-
Vm = 10 min na humana.
Assim, em média, cada átomo tem 10 minutos de
vida.

e) O valor da meia-vida do material radioativo.


P = 0,7.Vm
P = 0,7.10
P = 7 minutos.
A meia-vida do material é de sete minutos.
Fonte: http://alunosonline.uol.com.br/quimica/ci- Essa síntese abalou profundamente o meio científico
netica-das-desintegracoes-radioativas.html da época. No entanto, essa idéia ainda perdurou por muito
tempo, tendo sido aventada a hipótese de que o cianato de
amônia usado por Wohler teria provindo da calcinação de
ossos e, portanto, ainda apresentava a força vital.

43
QUÍMICA

A partir desta data outros compostos orgânicos foram obtidos em laboratório, derrubando totalmente o vitalismo, o
que ocorreu desde 1850.

divisória definida entre a química orgânica e a química inorgânica Quaisquer distinções...

Em meados do século XIX, o peso dessas evidências foi claramente contrário à teoria da força vital. Como William
Brande escreveu em 1848: “Não se pode traçar nenhuma linha devem ser consideradas daqui para frente como sendo de
caráter meramente prático, para favorecer a compreensão dos alunos”.

históricas, mantém sua “conveniência prática para acelerar o progresso dos estudantes”.

A química hoje é unificada. Os mesmos princípios que explicam os compostos inorgânicos mais simples também ex-
plicam os compostos orgânicos mais complexos. A única característica que distingue os compostos orgânicos é que todos
contêm o elemento carbono. Entretanto, a divisão entre a química orgânica e inorgânica, que começou por razões

2 CONSIDERAÇÕES INICIAIS: ESTRUTURA E LIGAÇÃO


Química orgânica é o estudo dos compostos de carbono. Muito embora tenha ocorrido uma divisão histórica entre a
química orgânica e a química inorgânica, não existe uma razão científica para isso.
Um átomo consiste em um núcleo positivamente carregado rodeado por um ou mais elétrons negativamente carrega-
dos. A estrutura eletrônica de um átomo pode ser descrita pela equação de onda mecânico-quântica, na qual se considera
que elétrons ocupam orbitais em torno do núcleo. Orbitais diferentes têm energia e formas diferentes. Por exemplo, orbi-
tais s são esféricos e orbitais p têm a forma de halteres.

Ligações covalentes são formadas quando um par de elétrons é compartilhado por um ou mais átomo. De acordo com
a teoria da ligação de valência, o compartilhamento ocorre devido à superposição de dois orbitais atômicos de átomos di-
ferentes. As técnicas computacionais envolvidas tem sido em grande parte superadas pela teoria dos orbitais moleculares,
mas grande parte da linguagem e alguns conceitos da teoria da ligação de valência ainda permanecem. De acordo com
a teoria dos orbitais moleculares (OM), as ligações resultam da combinação matemática de orbitais atômicos de átomos
diferentes para formar orbitais moleculares que pertencem à molécula como um todo.
A combinação linear de orbitais átomos pertencentes ao mesmo átomo gera os orbitais híbridos. Orbitais híbridos de
composição diferentes, são usados para justificar diferentes geometrias moleculares e fornecer uma base para a descrição
da TLV.
O carbono utiliza orbitais híbridos para formar ligações em moléculas orgânicas. Quando o carbono forma somente
ligações simples em geometria tetraédrica, ele utiliza quatro orbitais híbridos sp3 equivalentes.

Quando o carbono forma uma dupla ligação com geometria planar, ele utiliza três orbitais híbridos sp2 equivalentes e
um orbital p não hibridizado. Uma ligação dupla carbonocarbono se forma quando dois átomos de carbono hibridizados
sp2 se unem.

44
QUÍMICA

Quando o carbono forma uma ligação tripla com geometria linear, o carbono utiliza dois orbitais híbridos sp e equi-
valentes e dois orbitais p não hibridizados. Uma ligação tripla carbono-carbono se forma quando dois átomos de carbono
hibridizados sp se unem.

Outros átomos como o nitrogênio e o oxigênio também se hibridizam para formar ligações orientadas, fortes. O átomo
de nitrogênio da amônia e o oxigênio da água têm hibridização sp3 .
As ligações que possuem uma seção transversal circular e são formadas pela interação frontal de dois orbitais são
denominadas ligações sigmas (σ); as ligações formadas pela sobreposição lateral de orbitais p são denominadas ligações
pi (pi).

5 3 COMPOSTOS ORGÂNICOS: DIVERSIDADE ESTRUTURAL


4 REPRESENTAÇÃO DE FÓRMULAS ESTRUTURAIS
Os químicos orgânicos usam várias maneiras para escrever as fórmulas estruturais dos compostos orgânicos. Os tipos
mais comuns são mostrados a seguir:

45
QUÍMICA

5 CONCEITOS FUNDAMENTAIS
5.1 CLASSIFICAÇÃO DOS ÁTOMOS DE CARBONO
Dependendo de sua posição na cadeia, os átomos de carbono classificam-se em:
- Carbono primário: É o que se liga apenas a um outro átomo de carbono. São primários os átomos de carbono situados
nas extremidades da cadeia e quando houver somente um átomo de carbono, este será considerado primário. Exemplos:
- Carbono secundário: É o que se liga a dois outros átomos de carbono. Exemplos:
- Carbono terciário: Está ligado a três outros átomos de carbono. Exemplos:
- Carbono quaternário: Está ligado a quatro outros átomos de carbono. Exemplos:
5.2 CLASSIFICAÇÃO DAS CADEIAS CARBÔNICAS
As cadeias carbônicas são classificadas segundo vários critérios:
I) Cadeia aberta e fechada Cadeia aberta ou acíclica – os átomos de carbono não formam ciclo. Exemplos:
Cadeia fechada ou cíclica – os átomos de carbono formam ciclo ou anel. Exemplos:
I) Classificação das cadeias abertas ou acíclicas A) Quanto à disposição dos átomos Cadeia acíclica linear ou normal: É
aquela que apresenta unicamente átomos de carbono primário e secundário (têm duas extremidades apenas).
Cadeia acíclica ramificada: É aquela que apresenta pelo menos um átomo de carbono terciário ou quaternário (têm
mais de duas extremidades).
Obs: A cadeia do composto abaixo, embora apresente apenas átomos de carbono primário e secundário, deve ser
classificada como ramificada, pois tem três extremidades.
B) Quanto à natureza dos átomos Cadeia homogênea: É aquela que não apresenta átomos diferentes de carbono in-
tercalados na cadeia.
Cadeia heterogênea: É aquela que apresenta átomos de carbono intercalados na cadeia. Esses átomos diferentes de
carbono são chamados heteroátomos.
C) Quanto ao tipo de ligação entre os átomos de carbono Cadeia saturada: É aquela em que os átomos de carbono
ligam-se entre si, exclusivamente, por simples ligações.
Cadeia insaturada: É aquela que apresenta pelo menos uma dupla ou tripla ligação entre átomos de carbono.
I) Classificação das cadeias cíclicas ou fechadas
A) Quanto à natureza dos átomos Cadeia homocíclica (cíclica homogênea) – no anel só há átomos de carbono.
Cadeia heterocíclica (cíclica heterogênea) – no anel há átomos diferentes do carbono.
6 FUNÇÃO QUÍMICA E GRUPO FUNCIONAL
Função química é uma classe de compostos que apresentam propriedades químicas semelhantes. Esses compostos
têm estruturas semelhantes.
Na Química Orgânica, o número de funções químicas é enorme. As principais classes funcionais são os hidrocarbone-
tos, haletos de alquila, álcoois, fenóis, cetonas, aldeídos, ácidos carboxílicos, sais de ácidos carboxílicos, cloretos de ácidos,
anidrido de ácidos, ésteres, éteres, aminas, amidas e nitrilas.
As moléculas dos compostos de uma família particular são caracterizadas pela presença de certos arranjos de átomos
chamados de grupo funcional.
Um grupo funcional é a parte da molécula onde ocorre a maioria de suas reações químicas. É a parte que efetivamente
determina as propriedades químicas do composto (e muitas de suas propriedades físicas também). O grupo funcional de
um alceno, por exemplo, é a ligação dupla carbono-carbono, enquanto que o grupo funcional de uma cetona é a carbonila
(entre dois átomos de carbono). Obs: O conhecimento prévio dos grupos funcionais ajudará a organizar o conhecimento
sobre as propriedades e a reatividade das moléculas orgânicas.
7 NOMES OFICIAIS DOS COMPOSTOS ORGÂNICOS
De acordo com recomendações de 1979 da União Internacional de Química Pura e
Aplicada (IUPAC), o nome de um composto orgânico simples é formado basicamente por três partes:

46
QUÍMICA

CnH2n+2 Exemplos:
Como notamos, a nomenclatura dos alcanos não ra-
mificados é dada usando-se o prefixo correspondente ao
número de átomos de carbono, seguido do sufixo – ano. O
sufixo ano mostra a presença das ligações simples entre os
átomos de carbono.
Quando a cadeia carbônica apresentar ramificações
certas normas devem ser seguidas, para a atribuição cor-
reta, segundo a IUPAC, do nome do composto orgânico.
Verifique o exemplo a seguir:
I) Cadeia principal Individualizaremos, em primeiro lu-
gar, a cadeia principal, isto é, aquela que apresenta o maior
número de átomos de C possível.
I) Ramificações
Em seguida, verificaremos quantas ramificações apre-
senta o composto e quais são. No exemplo anterior, nota-
mos que o composto apresenta duas ramificações metil,
Exemplos: sendo denominadas dimetil. Ramificações iguais são agru-
padas numa única palavra.
I) A regra dos menores números
Agora deveremos localizar as ramificações, enumerando
a cadeia principal; esta numeração deve obedecer à regra
dos menores números: “à cadeia carbônica deve ser enu-
merada, segundo as duas possibilidades (ou duas direções);
prevalecerá, para efeito de nomenclatura, a que indicar as
posições dos substituintes, usando os menores números
possíveis (a soma desses números deve ser a menor)”.
Cicloalcanos possuem a seguinte fórmula geral:
CnH2n Exemplos:
Em sua nomenclatura, seguimos as mesmas regras vis-
tas até aqui, apenas dando a palavra ciclo antes do nome
do alcano correspondente. Caso haja cadeia laterais no ci-
8 PREFIXOS USADOS NA NOMENCLATURA ORGÂNICA clo, numera-se os átomos de carbono do ciclo de modo a
Nº de átomos de C Prefixo resultar os menores números possíveis, iniciando-se a par-
1 Met 2 Et 3 Prop 4 But 5 Pent 6 Hex 7 Hept 8 Oct 9 Non tir do carbono que possui a ramificação mais simples.
10 Dec 1 Undec 12 Dodec 13 Tridec 14 Tetradec 15 Penta- 1 ALCENOS: ESTRUTURA E NOMENCLATURA
dec 20 Eicos 21 Heneicos 2 Docos 23 Tricos 30 Triacont 31 Alcenos (alquenos, olefinas) são hidrocarbonetos insa-
Hentriacont 32 Dotriacont 40 Tetracont 50 Pentacont turados que contêm uma dupla ligação carbono-carbono.
Indicação das ligações Os alcenos apresentam a seguinte fórmula geral:
Simples ligação: an Dupla ligação: en Tripla ligação: in CnH2n Exemplos:
Indicação das funções orgânicas Na nomenclatura dos alcenos não ramificados, damos
Hidrocarboneto: o o prefixo correspondente ao número de átomos de carbo-
Álcool: ol no, seguido do sufixo – eno. O sufixo – eno mostra a pre-
Ácido carboxílico: óico sença de uma dupla ligação entre os átomos de carbono.
Cetona: ona Aldeído: al No caso de o alceno ter mais de 3 átomos de carbono na
9 HIDROCARBONETOS cadeia, devemos indicar a posição da dupla ligação, o que
Hidrocarbonetos, como sugere o nome são compos- fazemos por números; para isto, começamos a numerar a
tos cujas moléculas contêm apenas átomos de carbono e cadeia da extremidade mais próxima da dupla ligação. Se-
hidrogênio. parar número de palavra por meio de hífen.
No caso dos alcenos ramificados, a cadeia principal é
10 ALCANOS E CICLOALCANOS: ESTRUTURA E NO- aquela que apresenta o maior número de átomos de car-
MENCLATURA bono e que contém a insaturação. A numeração dos áto-
Os alcanos são uma classe de hidrocarbonetos satu- mos de carbono é feita de tal forma que a insaturação seja
rados. Eles não possuem nenhum grupo funcional, são re- indicada pelo menor número possível. Para isso a numera-
lativamente inertes e podem ser de cadeia linear (alcanos ção se inicia da extremidade mais próxima da insaturação.
normais) ou de cadeia ramificada. Os alcanos são nomea- 12 ALCINOS, ALCADIENOS E HIDROCARBONETOS PO-
dos de acordo com uma série de regras de nomenclatura LIINSATURADOS
da IUPAC. Os cicloalcanos são alcanos nos quais alguns ou Alcinos (alquinos) são hidrocarbonetos insaturados
todos os átomos de carbono estão dispostos em um anel. que contêm uma tripla ligação carbono-carbono. Os alci-
Alcanos possuem a seguinte fórmula geral: nos apresentam a seguinte fórmula geral:

47
QUÍMICA

Os alcinos seguem a mesma regra de nomenclatura Obs: Na nomenclatura usual é muito comum o uso dos
que vimos para alcenos, diferenciando-se apenas pelo uso seguintes prefixos: iso, sec e terc.
do sufixo ino ao invés de eno.
Muitos hidrocarbonetos conhecidos são moléculas
que contêm mais de uma ligação dupla ou tripla. O hidro-
carboneto cujas moléculas contêm duas ligações duplas
é chamado de alcadieno; aquele cujas moléculas contêm
três ligações duplas é chamado de alcatrieno e assim por
diante. Corriqueiramente, refere-se a esses compostos sim-
plesmente como “dienos” e “trienos”. Um hidrocarboneto
com duas ligações triplas é chamado um alcadiino, e um • Prefixo iso: (CH3)2CH • Prefixo terc: (CH3)3C
hidrocarboneto com uma ligação dupla e tripla é chamado 16 ÁLCOOIS
de alcenino. Álcool metílico (mais sistematicamente chamado me-
13 COMPOSTOS AROMÁTICOS tanol) tem a fórmula estrutural
No início da química orgânica, a palavra aromático foi CH3OH e é o membro mais simples da família de
utilizada para descrever algumas substâncias que possuíam compostos orgânicos conhecidas como álcoois. Os grupo
fragrâncias, como o benzaldeído (responsável pelo aroma funcional característico para esta família é a hidroxila (OH)
das cerejas, pêssegos e amêndoas), o tolueno (do bálsa- ligada a um átomo de carbono com hibridização sp3 . Os
mo de Tolu) e o benzeno (do carvão destilado). Entretanto, álcoois assim como os haletos de alquila podem ser classi-
logo se observou que essas substâncias aromáticas eram ficados em primários, secundários e terciários.
diferentes da maioria dos compostos orgânicos em relação Na nomencaltura oficial da IUPAC acrescentamos ao
ao comportamento químico. prefixo (met, et, prop...) o termo que indica o tipo de li-
O termo aromático é utilizado por razões históricas gação (an, en, in), e no fim colocamos a terminação ol. Se
para se referir à classe de compostos com estrutura seme- o álcool apresentar cadeia ramificada, teremos de tomar
alguns cuidados:
lhante à do benzeno.
• Achar a cadeia principal. É aquela que apresenta
Os hidrocarbonetos aromáticos, que tiraram seu nome
maior número de átomos de carbono possível e, neste
originalmente dos odores característicos que muitos deles
caso, que contenha o grupo – OH).
têm, são chamados de arenos. Todos eles contêm um anel
• Numerar a cadeia principal partindo da extremidade
aromático, usualmente o anel de seis átomos do benzeno.
mais próxima do grupo - OH.
Outros tipos de moléculas além daquelas com estrutura
• Identificar e nomear as ramificações.
semelhante a do benzeno também podem ser aromáticos,
Obs: Se a hidroxila estiver ligada a carbono de dupla
por exemplo a piridina, um heterocíclico de seis átomos
com um átomo de nitrogênio, é aromático e se assemelha ligação, teremos outra função denominada enol.
eletronicamente ao benzeno. Além da piridina temos mais 17 ÉTERES
uma miríade de outros compostos pertencente a classe de Éteres possuem a fórmula geral R-O-R ou R-O-R’, onde
compostos aromáticos (hidrocarbonetos ou não). R’ pode ser um grupo alquila (ou fenila) diferente de R.
20 14 FUNÇÕES OXIGENADAS, NITROGENADAS E OU- Éteres podem ser vistos como derivados da água em que
TRAS FUNÇÕES ambos os átomos de hidrogênio foram substituídos por
15 HALETOS DE ALQUILA OU HALOALCANOS grupos alquilas. O ângulo da ligação do átomo de oxigênio
Haletos de alquila ou haloalcanos são compostos nos de um éter é apenas levemente maior que o da água. No-
quais um átomo de halogênio (flúor, cloro, bromo ou iodo) menclatura dos éteres:
substitui um átomo de hidrogênio de um alcano. Haletos A) Oficial Damos nome às cadeias que vêm antes e
de alquila são classificados como primário, secundário ou depois do oxigênio como hidrocarboneto, intercalando o
terciário. Esta classificação refere-se ao átomo de carbono termo oxi no meio deste nome. B) Usual
ao qual o halogênio está diretamente ligado. Nomencla- Utiliza-se a palavra éter seguida do nome do 1º radical
tura dos haletos de alquila: A) Oficial: Dá-se a posição e o acompanhado do 2º radical com a terminação ico. Os radi-
nome do halogênio seguido do nome do hidrocarboneto cais são listados em ordem alfabética. Exemplos de nome
de origem. B) Usual: Usa-se a palavra do halogeneto (fluo- de radicais:
reto, cloreto, brometo, iodeto) e, em seguida, o nome do : Metil,
grupo ligado ao halogênio. - CH3 - CH3CH2 : Etil, e assim sucessivamente.
(Parte 3 de 3)

48
QUÍMICA

18 AMINAS
Assim como os álcoois e os éteres podem ser considerados como derivados orgânicos da água, as aminas podem ser
consideradas como derivados orgânicos da amônia. Aminas são classificadas como 1º, 2º ou 3º. Esta classificação baseia-
se no número de grupos orgânicos que estão ligados ao átomo de nitrogênio. As aminas são consideradas as bases da
química orgânica. São encontradas na natureza em extratos vegetais, em alguns alcalóides e em compostos provenientes
da decomposição de seres vivos, tais como a puterscina, a cadaverina e a metilamina (cheiro de peixe). São importantes na
indústria para a produção de medicamentos, corantes, sabões e na vulcanização da borracha.
Na nomenclatura das aminas primárias, damos o nome do grupo – R ligado ao nitrogênio, em seguida, a palavra amina.
Quando se nomeia amina secundárias ou terciárias, considera-se os grupos ligados ao nitrogênio como radicais.

19 ALDEÍDOS E CETONAS
Aldeídos e cetonas contêm o grupo carbonila, um grupo no qual um átomo de carbono se liga ao oxigênio por uma
ligação dupla. O grupo carbonila nos aldeídos está ligado a pelo menos um átomo de hidrogênio, e nas cetonas está ligado
a dois átomos de carbono.
Aldeídos e cetonas apresentam arranjo plano triangular dos grupos ao redor do átomo de carbono carbonílico, que
possui hibridização sp2 .
Os aldeídos aparacem na natureza nas essências de algumas flores e frutas. São usados na indústria farmacêutica, no
fabrico de alguns tipos de plásticos e como desinfetantes. Quando da descoberta desses compostos, Liebig deduziu que
eram derivados da desidrogenação de álcoois, vindo daí o nome aldeído (alcohol dehidrogenatus).
Na nomenclatura dos aldeídos são seguidos os padrões da IUPAc, com a terminação dos nomes em al. Nomenclatura
das cetonas: A) Oficial: Dá-se o sufixo – ona ao nome do hidrocarboneto correspondente.
B) Usual:
Consideram-se os grupos ligados a carbonila como radicais, dá-se o nome (em ordem alfabética) aos substituintes e,
em seguida, acrescenta a palavra cetona.

49
QUÍMICA

20 ÁCIDOS CARBOXÍLICOS 3) Desenhe as fórmulas estruturais e classifique os se-


Ácidos carboxílicos, são estruturas que possuem como guintes álcoois como primários, secundários ou terciários.
grupamento funcional a carboxila, representada a seguir: a) etanol b) 2-metilbutanol c) álcool terc-butílico d) butanol
Aparecem na natureza, sob forma combinada, em e) álcool isopropílico
óleos, gorduras, frutas, etc. São usados nas indústrias ali- 4) Desenhe as fórmulas estruturais dos seguintes éste-
mentícias, na síntese de corantes e perfumes, no tingimen- res: a) butanoato de etila b) 3-propil pentanoato de metila
to de tecidos, na medicina e para curtir peles. Possuem c) 2-etil-3-metil-4-propil heptanoato de isopropila d) me-
cheiro irritante e os de cadeia longas, são chamados ácidos tanoato de butila e) propanoato de hexila
graxos. Em sua nomenclatura sistemática seguimos as re-
5) Dados os compostos abaixo indique a hibridização
gras da IUPAC com a terminação óico. Obs: o uso da pala-
de todos os átomos de carbono a)
vra ácido antes do nome do composto é facultativo, porém
usual entre os químicos orgânicos. 6) Abaixo são apresentadas as estruturas de dois ami-
21 AMIDAS noácidos, metabólitos primários essenciais à manutenção
Amidas são compostos orgânicos teoricamente deriva- da vida. Analisando as estruturas, destaque os grupos fun-
dos de ácidos carboxílicos pela substituição do grupo – OH cionais importantes.
pelo radical – NR2. A ureia é a amida mais importante. A
uréia foi o primeiro composto orgânico preparado em la-
boratório, através da síntese de Wohler (1828). É um sólido
solúvel em água e em álcool. Ocorre na urina, como produ-
to final do metabolismo das proteínas. A aplicabilidade da
ureia é ampla e diversificada. Na medicina, é empregada na
preparação de substâncias hipnóticas. Na indústria, partici-
pa da fabricação de plásticos. É ainda utilizada na agricultu-
ra, como adubo nitrogenado. A ureia pode ser considerada
como uma diamida do ácido carbônico. 7) Encontre o erro de nomenclatura dos compostos
Na nomenclatura, basta citarmos seu nome como se abaixo e atribua o nome correto.
fosse um ácido, acrescentando a terminação amida, ou ci- Fonte: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAby-
tar o nome do hidrocarboneto correspondente com a ter- wAE/apostila-nocoes-basicas-quimica-organica?part=3
minação amida.
2 ÉSTERES
Ésteres são compostos derivados de ácidos carboxí-
licos pela substituição do hidrogênio do radical hidroxila 18) ANÁLISE ORGÂNICA ELEMENTAR: DETERMI-
por um radical derivado de hidrocarbonetos. Aparecem na NAÇÃO DE FÓRMULAS MOLECULARES..
natureza nas essências das frutas e por isso são bastante
utilizados na indústria alimentícia como flavorizantes (ter-
mo proveniente da língua inglesa que indica sabor mistu- A fórmula molecular indica o número real de áto-
rado com aroma). Aparecem também como ceras (ésteres mos de cada tipo de elemento químico que aparece na
de ácidos graxos com álcoois de cadeia longa) e gorduras. molécula.
As regras utilizadas para atribuição de seus nomes são Por exemplo, a fórmula molecular da água é H2O, o que
semelhantes as utilizadas para os ácidos carboxílicos, tro- significa que em cada molécula de água há dois átomos
cando-se a terminação óico do ácido por oato e citando-se de hidrogênio ligados a um átomo de oxigênio. Já no caso
ao final o radical que substituiu o hidrogênio. do benzeno, a sua fórmula molecular é C6H6, ou seja, para
1) A partir do nome do composto, desenhe a sua fór- cada seis átomos de carbono há exatamente seis átomos
mula estrutural. a) 2-metilpropano b) butanoamida c) trie- de hidrogênio ligados.
tilamina d) cloreto de isopropila e) etino f) 1-propeno g) Citamos esses dois exemplos para mostrar que algu-
etoxietano h) ácido butanóico i) 3,4-dimetiloctano mas vezes a fórmula molecular é igual à fórmula mínima ou
2) Dado os compostos abaixo, destaque e classifique empírica, como acontece no caso da água. Mas, isso nem
os grupos funcionais presentes nas moléculas: a) sempre é verdade, como indica o exemplo do benzeno,
que possui fórmula mínima igual a CH, pois a proporção
entre esses elementos é de 1 : 1.
Assim, a fórmula molecular é um múltiplo inteiro da
fórmula mínima, sendo que no caso do benzeno esse múl-
tiplo é igual a 6:

(Fórmula mínima)n = Fórmula molecular


Para determinarmos a fórmula molecular de qualquer
composto é necessário sabermos primeiro a sua massa mo-
lecular. Com esse dado em mãos, podemos seguir três ca-
minhos diferentes para chegar à fórmula molecular, que são:

50
QUÍMICA

1. Por meio da fórmula mínima;


2. Por meio da fórmula percentual;
3. Relacionando a porcentagem em massa com a massa molecular.
Veja um exemplo de cada um desses casos:
Exemplo 1
Por meio da fórmula mínima:
A fórmula mínima do acetileno é CH e sua massa molecular é 26 g/mol. Qual é a fórmula molecular do acetileno?
Resolução:
• Podemos calcular a massa molecular da fórmula mínima:
MM (CH) = 1 . 12 + 1 . 1 = 13 g/mol
• Agora, podemos calcular qual é o múltiplo inteiro da fórmula mínima que leva à fórmula molecular. Basta dividir a
massa molecular do composto (26 g/mol) pela massa molecular da fórmula mínima (13 g/mol).
(CH)n = 13
13. n = 26
n = 26/13
n=2
• Isso significa que a proporção de átomos da fórmula molecular é 2 vezes a indicada pela fórmula mínima:
2 . CH = C2H2
A fórmula molecular do acetileno é C2H2.
Exemplo 2
Por meio da fórmula percentual:
Uma análise da porcentagem em massa do óxido de fósforo apresentou 43,6% de fósforo e 56,4% de oxigênio. A massa
molecular desse composto é 284 g/mol. Baseado nessas informações, determine a fórmula molecular do óxido de fósforo:
Resolução:
• A porcentagem em massa nos indica que em 100 g do óxido de fósforo temos 43,6g de fósforo e 56,4g de oxigê-
nio. Assim, se dividirmos esses valores pelas massas molares dos respectivos elementos, encontramos a proporção entre
eles. Isso significa que iremos encontrar a fórmula mínima a partir da fórmula percentual:
P = 43,6/31 = 1,41
O = 56,4/16 = 3,525
• No entanto, esses valores não são inteiros, por isso, vamos dividir ambos pelo menor número entre eles, que é o
1,41:
P = 1,41/1,41 = 1
O = 3,525/1,41 = 2,5
• Ainda não conseguimos um número inteiro, então vamos multiplicar por um mesmo número que permita obter a
menor proporção de números inteiros. Nesse caso, o número adequado será 2:
P=1.2=2
O = 2,5 . 2 = 5
• A fórmula mínima do óxido de fósforo é P2O5. Agora, procedemos como no exemplo 1 para determinar a fórmula
molecular:
Massa molecular da fórmula mínima: 2 . 31 + 5 . 16 = 142 g/mol
Massa molecular da fórmula molecular = 284 g/mol
Massa molecular da fórmula molecular= 284 g/mol = 2
Massa molecular da fórmula mínima 142 g/mol
• Isso significa que a proporção de átomos da fórmula molecular é 2 vezes a indicada pela fórmula mínima:
2 . P2O5 = P4O10

A fórmula molecular do óxido de fósforo é P4O10.


Exemplo 3:Relacionando a porcentagem em massa com a massa molecular:
O exemplo anterior poderia ser feito também por esse método. Veja:
O = 43,6 % MM = 284 g/mol
P = 56,4 %
• Considerando que sua fórmula molecular seja PxOy, vamos relacionar as porcentagens em massa com as massas
atômicas e a massa molecular:
Px Oy
31x + 16y = 284
↓ ↓
43,6% 56,4%
Px: Oy:
284 ------- 100% 284 ------- 100%
31x ------- 43,6% 16y ------- 56,4%
31 . x . 100 = 284 . 43,6 16 . y . 100 = 284 . 56,4

51
QUÍMICA

3100 . x = 12382,4 1600 . y = 16017,6


x = 12382,4 y = 16017,6
3100 1600
x = 4 y = 10
A fórmula molecular do óxido de fósforoé P4O10.

19) FUNÇÕES ORGÂNICAS: HIDROCARBONETOS, ÁLCOOIS, ALDEÍDOS, ÉTERES, CE-


TONAS, FENÓIS, ÉSTERES, ÁCIDOS CARBOXÍLICOS, SAIS DE ÁCIDOS CARBOXÍLICOS,
AMINAS, AMIDAS E NITROCOMPOSTOS: NOMENCLATURA, RADICAIS, CLASSIFICA-
ÇÃO, PROPRIEDADES FÍSICAS E QUÍMICAS, PROCESSOS DE OBTENÇÃO E REAÇÕES.
,

Apesar da existência de milhões de compostos orgânicos diferentes, podemos agrupá-los quanto à semelhança de
suas propriedades químicas. A esse conjunto, damos o nome de FUNÇÃO QUÍMICA. Neste artigo você estará apto a iden-
tificar as funções orgânicas.
Essas substâncias podem ser reconhecidas pela presença de um átomo ou grupo de átomos específicos denominados
GRUPOS FUNCIONAIS (parte da molécula onde ocorre a maioria das reações químicas. É a parte que determina, efetiva-
mente, as propriedades químicas do composto, e também algumas propriedades físicas).

Funções Orgânicas Hidrogenadas

Hidrocarboneto Tipo de Cadeia Carbônica Exemplo


ALCANO ou PARAFINA Aberta e saturada CH4

ALCENO ou ALQUENO Aberta com dupla ligação C2H4

ALQUINO ou ACETILENO Aberta com tripla ligação C2H2

ALCADIENO ou DIENO Aberta com duas duplas C3H4


ligações

CICLOALCANO ou Fechada e saturada C6H12


CICLANO ou
CICLOPARAFINA

CICLOALQUENO ou Fechada com uma dupla C5H8


CICLOALCENO ou ligação no anel
CICLENO ou
CICLOOLEFINA
ARENO ou Apresentam ao menos um
HIDROCARBONETO anel benzênico
AROMÁTICO

benzeno
Funções Orgânicas Oxigenadas

Grupo
Hidrocarboneto O que apresenta Exemplo
Funcional
grupo -OH (hidroxila) junto
ÁLCOOL
a carbono saturado.

52
QUÍMICA

hidroxila junto a um
FENOL
carbono do anel aromático.

heteroátomo de Oxigênio
ÉTER no meio de 2 carbonos na
molécula.

ALDEÍDO grupo aldoxila.

grupo carbonila junto a 2


CETONA
átomos de carbono.

ÁCIDOCARBOXÍLICO grupo carboxila.

ÉSTER Grupo funcional ao lado ?

Funções Orgânicas Nitrogenadas


Função Fórmula Geral Nomenclatura IUPAC Exemplos
Orgânica
AMINA (Nome do Radical) +
H amina
|
R1-N
|
H
(primária)
AMINA (Nome do Radical 1 e
R2 Radical 2) + amina
|
R1-N
|
H
(secundária)

AMINA (Nome do Radical 1,


R2 Radical 2 e Radical 3) +
| amina
R1-N
|
R3
(terciária)

53
QUÍMICA

AMIDA (Nome do Radical) +


O amida
||
R-C
|
OH
NITRILA R-Cº N (Nome do Radical) +
nitrilo

Fonte: http://www.coladaweb.com/quimica/quimica-organica/funcoes-organicas-e-radicais

Exercícios

01) Julgue os itens a seguir.


I Eletrólito é uma substância que, dissolvida em água, forma uma solução que não conduz eletricidade. O soluto per-
manece como uma molécula.
II Uma solução está saturada quando o solvente dissolve todo o soluto.
III Interações íon-dipolo e dipolo-dipolo estão entre as responsáveis pela dissolução de compostos iônicos e polares em água.
IV Em uma solução aquosa iônica, os íons estão hidratados. O cátion está rodeado por moléculas de água com o átomo
de oxigênio próximo do íon. O ânion está rodeado por moléculas de água que dirigem seus hidrogênios na direção do íon.
Estão certos apenas os itens
A. I e II.
B. I e IV.
C. II e III.
D. III e IV.
Resposta: D

02) O cromo, Cr (Z=24), é um metal brilhante e resistente à corrosão. É importante na metalurgia porque é usado para a
fabricação de aço inoxidável e para a cromação. O ferro, Fe (Z = 26) é o metal mais abundante da terra. É bastante utilizado
na produção de diversos materiais de uso cotidiano. As configurações eletrônicas reais do cromo e do ferro, respectiva-
mente são:
A.[Ar]3d44s2, [Ar]3d74s1.
B.[Ar] 4s13d5, [Ar] 4s23d6.
C.[Ar]3d54s1, [Ar]3d64s2.
D.[Ar] 4s23d4, [Ar] 4s23d6.
E.[Ar]3d54s14p1, [Ar]3d64s14p1.
Resposta: C

03) O etino, também conhecido como acetileno, é um hidrocarboneto constituído por dois átomos de carbono e dois
átomos de hidrogênio. As ligações sigma realizadas pelos átomos de carbono, bem como a geometria linear, podem ser
explicadas fazendo-se uso de um modelo teórico-quântico conhecido como Teoria da Ligação de Valência (TLV). De acordo
com este modelo, as hibridizações de cada átomo de carbono no etino são do tipo:
A. sp2, sp2.
B. sp, sp.
C. sp, sp2
D. sp3, sp3.
E. sp, sp3.
Resposta: B

04) Eletrólitos são substâncias que dissolvidas em água produzem íons em solução, os quais possuem a capacidade de
conduzir corrente elétrica. Entre essas substâncias, encontram-se as bases fortes e os sais solúveis originários dessas bases.
Assinale a alternativa que apresenta somente tais substâncias.
A.H3CCOOH, H2S, NaCl
B.NaCl, C6H12O6, Fe(OH)3
C.NaOH, KCl, NaNO3
D.NaNO3, HCN, C6H12O6
E.BaSO4, H2S, NaCl
Resposta: C

54
GEOGRAFIA

1) Geografia Geral: a) Localizando-se no Espaço: orientação e localização: coordenadas geográficas e fusos horários;
cartografia: a cartografia e as visões de mundo, as várias formas de representação da superfície terrestre, projeções
cartográficas, escalas e convenções cartográficas. .................................................................................................................................... 01
b) O Espaço Natural: estrutura e dinâmica da Terra: evolução geológica, deriva continental, placas tectônicas, dinâmica
da crosta terrestre, tectonismo, vulcanismo, intemperismo, tipos de rochas e solos, formas de relevo e recursos minerais;
as superfícies líquidas: oceanos e mares, hidrografia, correntes marinhas....................................................................................... 04
– Tipos e influência sobre o clima e a atividade econômica, utilização dos recursos hídricos e situações hidroconfliti-
vas;........................................................................................................................................................................................................................05
A dinâmica da atmosfera: camadas e suas características, composição e principais anomalias.............................................. 06
– El Niño, La Niña,..................................................................................................................................................................................................... 07
Buraco na camada de ozônio e aquecimento global: elementos e fatores do clima e os tipos climáticos;........................ 08
Os domínios naturais: distribuição da vegetação e características gerais das grandes paisagens naturais;....................... 09
E os impactos ambientais: poluição atmosférica, erosão, assoreamento, poluição dos recursos hídricos e a questão da
biodiversidade. ......................................................................................................................................................................................................... 10
c) O Espaço Político e Econômico: indústria: o processo de industrialização, primeira, segunda e terceira revolução in-
dustrial, tipos de indústria, a concentração e a dispersão industrial, os conglomerados transnacionais, os novos fatores
de localização industrial, as fontes de energia e a questão energética,............................................................................................. 10
Impactos ambientais; agropecuária: sistemas agrícolas, estrutura agrária, uso da terra, agricultura e meio ambiente,
produção agropecuária, comércio mundial de alimentos e a questão da fome;............................................................................ 14
Globalização e circulação: os fluxos financeiros, transportes, os fluxos de informação, o meio tecnocientífico-informa-
cional, comércio mundial, blocos econômicos, conflitos étnicos e as migrações internacionais; a Divisão Internacional
do Trabalho (DIT) e as trocas desiguais; a Nação e o Território............................................................................................................. 18
Os Estados territoriais e os Estados nacionais: a organização do Estado Nacional; e o poder global, nova ordem mundial,
fronteiras estratégicas............................................................................................................................................................................................ 21
d) O Espaço Humano: demografia: teorias demográficas, estrutura da população, crescimento demográfico; transição
demográfica e migrações; urbanização: processo de urbanização, espaço urbano e problemas urbanos; e os principais
indicadores socioeconômicos............................................................................................................................................................................. 23
2) Geografia do Brasil: a) O Espaço Natural: características gerais do território brasileiro: posição geográfica, limites e
fusos horários; geomorfologia: origem, formas e classificações do relevo: Aroldo de Azevedo, Aziz Ab’Saber e Jurandyr
Ross e a estrutura geológica;............................................................................................................................................................................... 27
a atmosfera e os climas: fenômenos climáticos e os climas no Brasil; domínios naturais: distribuição da vegetação, ca-
racterísticas gerais dos domínios morfoclimáticos, aproveitamento econômico e problemas ambientais; e os recursos
hídricos: bacias hidrográficas, aquíferos, hidrovias e degradação ambiental.................................................................................. 30
b) O Espaço Econômico: a formação do território nacional: economia colonial e expansão do território, da cafeicultura
ao Brasil urbano-industrial e integração territorial;.................................................................................................................................... 36
a industrialização pós Segunda Guerra Mundial: modelo de substituição das importações, abertura para investimentos
estrangeiros, dinâmica espacial da indústria, pólos industriais.............................................................................................................. 38
A indústria nas diferentes regiões brasileiras e a reestruturação produtiva;.................................................................................... 42
O aproveitamento econômico dos recursos naturais e as atividades econômicas: os recursos minerais, fontes de energia
e meio ambiente, o setor mineral e os grandes projetos de mineração;........................................................................................... 43
Agricultura brasileira: dinâmicas territoriais da economia rural, a estrutura fundiária,................................................................ 44
Relações de trabalho no campo,........................................................................................................................................................................ 45
A modernização da agricultura,.......................................................................................................................................................................... 45
Êxodo rural,................................................................................................................................................................................................................. 46
Agronegócio e a produção agropecuária brasileira; e o comércio: globalização e economia nacional, comércio exterior,
integração regional (Mercosul e América do Sul), eixos de circulação e custos de deslocamento......................................... 47
c) O Espaço Político: formação territorial – território, fronteiras, faixa de fronteiras, mar territorial e ZEE; estrutura polí-
tico-administrativa, estados, municípios, distrito federal e territórios federais; a divisão regional, segundo o IBGE, e os
complexos regionais; e políticas públicas............................................................................................................................................................
d) O Espaço Humano: demografia: transição demográfica, crescimento populacional, estrutura etária, política demográ-
fica e mobilidade espacial (migrações internas e externas);................................................................................................................... 66
mercado de trabalho: estrutura ocupacional e participação feminina; desenvolvimento humano: os indicadores socioe-
conômicos;.................................................................................................................................................................................................................. 66
e a urbanização brasileira: processo de urbanização, rede urbana, hierarquia urbana, regiões metropolitanas e RIDEs,
espaço urbano e problemas urbanos............................................................................................................................................................... 68
GEOGRAFIA

1) GEOGRAFIA GERAL: A) LOCALIZANDO-SE NO ESPAÇO: ORIENTAÇÃO


E LOCALIZAÇÃO: COORDENADAS GEOGRÁFICAS E FUSOS HORÁRIOS;
CARTOGRAFIA: A CARTOGRAFIA E AS VISÕES DE MUNDO, AS VÁRIAS FORMAS
DE REPRESENTAÇÃO DA SUPERFÍCIE TERRESTRE, PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS,
ESCALAS E CONVENÇÕES CARTOGRÁFICAS.

Projeções Cartográficas
Uma das tarefas mais árduas da Cartografia é projetar a superfície da Terra, que é arredondada, nos mapas, que são
planos. Por conta disso, acabam sendo utilizadas diferentes técnicas de projeções, cada uma proporcionando distorções
diferentes. Nota-se as projeções também possuem uma função ideológica, pois algumas áreas são valorizadas em detri-
mento de outras, conforme a técnica adotada. Nota-se que os sistemas de projeções constituem-se de uma fórmula mate-
mática que transforma as coordenadas geográficas, a partir de uma superfície esférica (elipsoidal), em coordenadas planas,
mantendo correspondência entre elas. O uso deste artifício geométrico das projeções consegue reduzir as deformações,
mas nunca eliminá-las. Vejam as principais projeções a seguir:

Projeção de Mercator
Os meridianos e paralelos retas que se cortam em ângulos retos. É uma projeção cilíndrica conforme, que acaba exa-
gerando as regiões polares e o hemisfério Norte em geral.

Projeção de Peters
Arno Peters, em 1973, propôs uma Projeção também cilíndrica, mas equivalente, que determina uma distribuição dos
paralelos com intervalos decrescentes desde o Equador até os pólos. Ela compromete a forma dos continentes, mas permi-
te proporções mais adequadas em relação a Mercator.

1
GEOGRAFIA

Projeção de Mollweide A Leitura dos Mapas

No caso de Mollweide, os paralelos são linhas retas e Um dos primeiros a ser observado em um mapa é o seu
os meridianos, linhas curvas. Sua área é proporcional à da título. Seguramente ele trará duas informações importan-
esfera terrestre, tendo a forma elíptica. As zonas centrais tes, de imediato: o que foi mapeado e em que lugar (e em
apresentam grande exatidão, tanto em área como em con- alguns casos a data/período em questão). Não observar o
figuração, no entanto, as extremidades apresentam gran- título de um mapa pode comprometer toda a sua análise.
des distorções. Observe a mesma a seguir: Ademais, para que possa ser realizada uma boa leitu-
ra das informações presentes nos mapas, a legenda acaba
sendo uma ferramenta fundamental, pois esta vai expres-
sar valores e aspectos diversos presentes dentro do mapa,
como linhas, cores, figuras geométricas etc. No mapa, estas
informações não seriam apresentadas, pois seria gerada
uma poluição visual desnecessária, o que comprometeria
sua leitura. Diante disso, alguns aspectos sem significado
explícito no mapa acabam sendo identificados por meio da
legenda. Em resumo, a legenda decodifica símbolos usados
no mapa. Veja um exemplo a seguir, no qual a legenda au-
xilia no entendimento das áreas delimitadas no mapa.

Projeção de Goode

É uma projeção descontínua, e usa essa descontinuidade


para eliminar várias áreas oceânicas, e, com isso, reduzir as
distorções.

Algumas informações abordadas no mapa e suas res-


Também existem projeções cônicas, nas quais os me- pectivas representações ficam a critério do organizador
ridianos convergem para os pólos e os paralelos são arcos do mapa. Por outro lado, outras acabam respeitando con-
concêntricos situados a igual distância uns dos outros. Elas venções cartográficas regionais, nacionais e internacionais,
apresentam pouca distorção para as chamadas latitudes pois estas buscam universalizar alguns significados e facili-
médias. Também existem as projeções azimutais que con- tar a interpretação dos mapas. É o caso de símbolos especí-
siste na tomada de um determinado ponto e a delimitação ficos para ferrovias, aeroportos, hospitais, usinas nucleares
de áreas tangentes a partir deste (muito usada para ma- etc. Vejam alguns exemplos de convenções adotados pelo
pear as áreas polares, por exemplo. DAER-RS:
Destaca-se que, no caso da Terra, a maneira mais ade-
quada (mas nem sempre possível) de representá-la é a
partir do Globo, pois este, a partir de uma escala, procura
fazer uma representação próxima ao formato original da
área mapeada.

2
GEOGRAFIA

Ainda com relação à leitura dos mapas, alguns pontos merecem destaque, como, por exemplo as isolinhas. No caso da
Cartografia, as mais utilizadas são as curvas de nível (isoípsas), que eu ligam pontos de mesma altitude; as isóbaras (linhas
com pontos de mesma pressão); isoieta (mesma precipitação pluviométrica em um determinado período); isoterma (mes-
ma temperatura) etc. Veja um exemplo das curvas de nível e da construção de um perfil topográfico a partir delas:

3
GEOGRAFIA

Escorregamento lateral: quando uma placa se movi-


B) O ESPAÇO NATURAL: ESTRUTURA menta esbarrando lateralmente em outra. Sempre que as
placas se movimentam ocorrem abalos sísmicos.
E DINÂMICA DA TERRA: EVOLUÇÃO
As áreas das bordas das placas tectônicas estão mais
GEOLÓGICA, DERIVA CONTINENTAL, PLACAS
sujeitas à abalos sísmicos e a ocorrência de vulcões. Ob-
TECTÔNICAS, DINÂMICA DA CROSTA serve atentamente no mapa que as áreas de encontro das
TERRESTRE, TECTONISMO, VULCANISMO, placas tectônicas são zonas sísmicas, onde ocorrem mais
INTEMPERISMO, TIPOS DE ROCHAS E SOLOS, terremotos e concentram-se vulcões ativos. Nestes locais
FORMAS DE RELEVO E RECURSOS MINERAIS; próximos às bordas das placas, chamamos de áreas de
AS SUPERFÍCIES LÍQUIDAS: OCEANOS instabilidade geológica. Vamos sintetizar: nas bordas das
E MARES, HIDROGRAFIA, CORRENTES placas tectônicas formam-se montanhas, vulcões e ocor-
MARINHAS rem abalos sísmicos.

Tipos de Rocha
Temos 3 tipos principais de rochas: 1- Ígneas ou
O planeta terra se formou há aproximadamente a 4,5 magmáticas, 2- sedimentares 3- metamórficas
bilhões de anos. O que se tornaria o planeta terra era um Rochas ígneas ou magmáticas. São rochas forma-
grande aglomerado de vários elementos químicos em fu- das pelo resfriamento direto do magma (por isso mag-
são. Aos poucos começa resfriar, dissipando o calor para mática). Elas podem ser divididas em rochas magmáticas
o espaço. A partir do resfriamento da camada mais exter- intrusivas e extrusivas (ou vulcânicas). A rocha é ex-
na do planeta forma-se a Crosta terrestre. Hoje o planeta trusiva quando ocorre uma erupção e o magma é expe-
encontra-se dividido em camadas. São basicamente 3: A lido, então o magma expelido resfria de fora da terra em
Crosta (ou litosfera), o Manto e o Núcleo. contato com a atmosfera. Esse contato com a atmosfera
A Crosta é formada principalmente por minerais ricos a temperaturas bem mais baixas que no interior da terra,
em Silício e Magnésio, por isso a Crosta pode ser chamada faz com que se resfrie e se forme mais rapidamente que
de SIMA. O manto é um material pastoso e incandescente as rochas intrusivas. As rochas intrusivas são de resfria-
que chamamos Magma. O Manto e dividido em manto su- mento muito lento. O interior da terra, no manto su-
perior, onde está a astenosfera (camada do manto em que perior, vai se resfriando e solidificando lentamente. Po-
deslizam as placas tectônicas). O manto por ser muito rico demos exemplificar com rochas como o basalto (rocha
em minerais de Silício e Alumínio, pode ser chamado de magmática extrusiva, vulcânica) e o granito (rocha
SIAL. O núcleo da terra é solido, devido às altas pressões a magmática intrusiva)
que é submetido e pode ser chamado de NIFE, por ser rico Muitos calçamentos urbanos são com blocos de
em Níquel e Ferro. basalto. Nesta imagem temos uma avenida em Ribei-
rão Preto, nordeste de São Paulo, próxima aos limites
A teoria das placas tectônicas com MG. Na região do interior de SP e no Sul do Brasil,
ocorreram há bilhões de anos, derramamentos basálti-
O interior do planeta está submetido à altas pressões e cos (vulcanismo). Nestes lugares é encontrado um solo
temperaturas, e conforme o manto se movimenta, ocorrem muito fértil: “A terra roxa”.
rachaduras na crosta, formando as placas tectônicas.
As placas tectônicas se movimentam de 3 maneiras: Rochas sedimentares
A ação da atmosfera e das águas provocam desgas-
Movimentos convergentes ( ): Quando as placas se tes nas superfícies rochosas, que liberam sedimentos
movimentam na mesma direção e se chocam. Observe no (pequenas partículas de rocha). Estas ações externas na
mapa acima, a placa sul americana, que se choca conver- rocha chamamos intemperismo. O intemperismo pro-
gentemente com a placa de Nazca. Do choque entre as voca desgaste nas rochas e as partículas liberadas são
duas placas, forma-se a grande cordilheira montanhosa da transportadas pela água dos rios, da chuva, pelo vento e
América do Sul, a Cordilheira dos Andes. Perceba no mapa pelo derretimento das geleiras. Ao desgaste chamamos
que Brasil encontra-se no centro da placa sul americano, erosão. As partículas se acomodam nas regiões mais
distante da borda. baixas, com no leito dos rios, e através dos milhões de
Movimentos divergentes ( ): Quando as placas se anos, ocorre o processo de litificação, em que os sedi-
movimentam em direções opostas e afastam-se, como é o mentos se transformam em rochas sedimentares. Uma
caso da placa sul americana e a placa africana que se afas- de suas características é que podemos identificar cama-
tam. Pelo contorno dos continentes não é difícil deduzir das nas rochas. Podem ser também as estruturas que en-
que Brasil era ligado ao continente africano. Isso é provado contramos dentro de cavernas calcárias (formadas por
pois, as rochas encontradas no litoral brasileiro e no litoral calcáreo, uma rocha sedimentar), as estalactites (teto) e
africano são do mesmo material rochoso e da mesma ida- as estalagmites (piso).
de geológica.

4
GEOGRAFIA

Rochas metamórficas
Essas rochas sofreram metamorfismo (de 􀂱 TIPOS E INFLUÊNCIA SOBRE O CLIMA E
metamorfose=transformação), devido a atuação das al- A ATIVIDADE ECONÔMICA, UTILIZAÇÃO
tas temperaturas e pressão que o interior da terra exerce DOS RECURSOS HÍDRICOS E SITUAÇÕES
nas rochas. Imagine que ocorreu a erupção de um vul- HIDROCONFLITIVAS;
cão. Do interior da terra onde ele se formou até a su-
perfície, ocorrerá a passagem de material magmático
incandescente que pode derreter as rochas que encon-
tra no caminho. Outro exemplo é que as rochas podem
ser “dobradas”. Dobramentos ocorrem porque quando Existe uma ampla relação entre clima e agricultura no
uma placa tectônica empurra a outra, a força e a pressão espaço rural. Isso acontece porque as práticas agrícolas são
exercidas são tão grandes, que dobram as rochas. Quan- extremamente dependentes das variações atmosféricas, o
do isso ocorre, normalmente formam-se as montanhas. que quer dizer que alguns fatores, como a quantidade de
Tanto essas grandes temperaturas vindas do interior da chuvas, a temperatura e outros elementos, interferem na
terra, quanto a pressão exercida pelas placas estimulam produção das lavouras.
reações químicas e transformações na rocha. Então a Sendo assim, algumas espécies de vegetais são mais
rocha que sofreu uma transformação, chamamos meta- propícias de serem cultivadas em regiões que apresentam
mórfica. Por exemplo, o granito quando metamorfizado os tipos climáticos mais adequados para a sua manuten-
transforma-se em mármore ção. Apesar disso, a sociedade vem desenvolvendo técni-
cas para diminuir esses efeitos, como a criação de espécies
Tipos de Relevo híbridas e a construção de espaços artificiais que permitam
Chamamos relevo o modelado da Crosta. O relevo é o plantio de vegetais em localidades atípicas.
provocado por agentes internos ao planeta (vulcanismo e No entanto, essas técnicas – a maioria delas muito
tectonismo) e agentes externos (o intemperismo). Os prin- avançada – costumam apresentar um custo maior e nem
cipais tipos de relevo são: sempre a mesma qualidade que as originais, no caso dos
Montanhas (dobramentos modernos): forma de relevo alimentos. Por esse motivo, antes de iniciar a lavoura, é pre-
formada pelo choque das placas tectônicas. Esse processo ciso saber se o que vai ser cultivado consegue se manter
em que as placas sofrem dobras chamamos orogênese. no tipo climático em questão, além de outros fatores serem
Depressões: Formadas principalmente pela erosão. avaliados, como o solo, a disponibilidade de água, etc.
Área bastante desgastada, normalmente encaixada entre No período da colonização, por exemplo, a coroa por-
planaltos. tuguesa escolheu inicialmente o cultivo da cana-de-açúcar
Planície: Relevo em que predominou o processo de para as terras brasileiras, pois o clima da região Nordeste
sedimentação. A sedimentação supera a erosão. era o mais propício, favorecendo a produção de açúcar em
Perceba a importância da água na formação do rele- larga escala. Já o café, que se adapta melhor a locais nem
vo. Nos planaltos predomina a erosão. No Brasil o clima é muito quentes e nem muito frios o ano todo, foi muito cul-
tropical e é bastante chuvoso. Na verdade no clima tropi- tivado na região Sudeste do país, encontrando o seu auge
cal temos duas estações do ano bem definidas: Primavera na economia brasileira ao longo do século XIX.
- Verão quentes e úmidas e outono - invernos amenos e
bastante secos. Devido a esta característica climática, pre- Já a soja, por sua vez, encontrou no ambiente do Cen-
domina no Brasil o intemperismo provocado pelas águas. tro-Oeste brasileiro um local perfeito para a sua instalação,
Observe atentamente imagem acima. As chuvas modelam adaptando-se com facilidade ao clima quente e seco do
os planaltos e suas escarpas, enquanto os rios escavam Brasil Central, com uma estação quente e chuvosa e outra
suas laterais. As enxurradas transportam os sedimentos mais amena e com baixas umidades do ar. No entanto, essa
para os rios, que transportam os sedimentos pelo seu cur- espécie também se adapta ao clima mais frio da região Sul,
so. Nos cursos dos rios formam-se importantes áreas de sendo, por isso (e também por fatores econômicos diver-
sedimentação. sos), um dos produtos mais cultivados no espaço rural do
Brasil.
Portanto, podemos perceber que a influência do clima
na agricultura é um tema importante, de forma que co-
nhecer as particularidades de cada espécie e também as
condições geográficas do ambiente é algo necessário para
o bom desempenho do setor agrário na economia. Assim,
é evidente que períodos de seca extrema ou de severas
anomalias climáticas podem prejudicar a produção e todas
as atividades socioeconômicas dela dependentes.

Fonte: http://escolakids.uol.com.br/clima-e-agri-
cultura.htm

5
GEOGRAFIA

algum organismo vivo: a atmosfera torna-se saturada de


A DINÂMICA DA ATMOSFERA: CAMADAS E oxigênio. Ironicamente, os primeiros organismos a reali-
zar a fotossíntese eram anaeróbios (organismo que vivem
SUAS CARACTERÍSTICAS, COMPOSIÇÃO E
sem oxigênio e morrem na presença dele), e são extintos.
PRINCIPAIS ANOMALIAS Alguns organismos, entretanto, continuam evoluindo e se
adaptam a nova atmosfera cheia de oxigênio.
Atualmente, o nitrogênio e o oxigênio juntos, somam
Atmosfera é o nome dado à camada gasosa que envol- cerca de 99% dos gases que compõem a atmosfera terres-
ve os planetas. No caso da atmosfera terrestre ela é com- tre. O oxigênio é consumido pelo seres vivos através do
posta por inúmeros gases que ficam retidos por causa da for- processo de respiração e transformado em dióxido de car-
ça da gravidade e do campo magnético que envolve a Terra. bono e vapor de água que serão depois reabsorvidos pelos
organismos. O dióxido de carbono será consumido no pro-
cesso de fotossíntese, e o vapor de água, responsável, por
redistribuir a energia na terra através da troca de energia
de calor latente, produzir o efeito estufa e causar as chuvas,
será novamente consumido pelos organismos vivos na sua
forma líquida.
Outros gases que compõem a atmosfera terrestre são:
dióxido de carbono,  argônio, metano,  óxido nitroso,  mo-
nóxido de carbono,  dióxido de enxofre, óxido e dióxido
de nitrogênio, os clorofluorcarbonos, ozônio, e outros que
integram o 1% restante da atmosfera.
Para fins de estudos a atmosfera terrestre é dividida em
algumas camadas de acordo com a variação das transições
de temperatura:
A troposfera, que geralmente se estende a 12 km (en-
tre 20 km no equador e 8 km nos polos). É nesta camada
que acontecem praticamente todos os fenômenos que in-
fluenciam o tempo.
A  estratosfera, estende-se até aproximadamente 50
km com temperaturas parecidas com as da troposfera até
o limite de 20km. Esta camada é mais quente por causa do
ozônio que se acumula e que absorve os raios ultravioletas.
Na mesosfera, a temperatura novamente diminui. Esta
camada vai até cerca de 80 km. A esta altura, a temperatura
chega a -90ºC!
E a termosfera, que não possui um limite inferior mui-
to bem definido. Aqui as moléculas se agitam com uma ve-
locidade enorme, o que significaria uma temperatura altís-
sima. Entretanto, a concentração dessas moléculas é muito
baixa o que diminui drasticamente a quantidade de ener-
gia que essas moléculas poderiam transmitir para qualquer
corpo que se encontrasse ali, anulando, de certa forma, a
temperatura. A termosfera, por sua vez, compreende uma
Camadas da atmosfera terrestre. Ilustração: Designua / camada situada entre 80 a 900 km, chamada de ionosfera.
Shutterstock.com [adaptado] A ionosfera, como o próprio nome já diz, é compos-
No início da formação do planeta Terra a atmosfera era ta por uma infinidade de íons criados a partir da radiação
composta basicamente por gases (Metano,  amônia, nitri- solar que incide nas moléculas de oxigênio e nitrogênio,
to,  vapor de água e dióxido de carbono) resultantes das
liberando elétrons. A ionosfera é composta por três cama-
constantes erupções e colisões na superfície inóspita da
das (da mais próxima a mais distante) D, E e F que pos-
terra primitiva, além dos que eram expelidos por rachadu-
suem concentrações diferentes de íons. Durante a noite
ras na crosta terrestre.
as camadas D e E praticamente desaparecem, porque não
Então, em uma segunda fase, surgem os primeiros
há incidência de raios solares e, consequentemente, não
organismos vivos que realizam  fotossíntese  (processo
há formação de íons. Ou seja, durante a noite, os íons se
bioquímico que transforma dióxido de carbono em  oxi-
recombinam formando novamente as moléculas de oxigê-
gênio com o auxílio da luz solar, realizado pelos vegetais
nio e nitrogênio. Mas, à noite ainda há incidência de raios
e algumas algas), absorvendo o gás carbônico da atmos-
solares, mesmo que de menor intensidade, o que explica
fera e transformando-o em oxigênio. Com isso acontece
porque a camada F não se extingue também.
uma das maiores transformações causadas no planeta por

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GEOGRAFIA

Esquema da ressurgência (Foto: Climatologia UFF)


􀂱 EL NIÑO, LA NIÑA, A melhor maneira de se referir ao fenômeno El Niño é
pelo uso da terminologia, que inclui as características oceâ-
nicas-atmosféricas, associadas ao aquecimento anormal do
Oceano Pacífico Tropical. 
El Niño é um fenômeno atmosférico-oceânico caracteri- O Enos, ou El Niño-Oscilação Sul, representa de forma
zado por um aquecimento anormal das águas superficiais no mais genérica um fenômeno de interação atmosfera-oceano,
Oceano Pacífico Tropical. Altera o clima regional e global, mu- associado a alterações dos padrões normais da Temperatura
dando os padrões de vento a nível mundial, afetando assim, os da Superfície do Mar (TSM) e dos ventos alísios na região do
regimes de chuva em regiões tropicais e de latitudes médias. Pacífico Equatorial, entre a Costa Peruana e o Pacífico Oeste
Derivada do espanhol, a palavra “El Niño” refere-se à pre- próximo à Austrália.
sença de águas quentes que todos os anos aparecem na costa A La Niña também um fenômeno oceânico-atmosférico,
norte de Peru, na época de Natal. Os pescadores do Peru e mas com características opostas ao El Niño. Caracteriza-se por
Equador chamaram a esta presença de águas mais quentes de um esfriamento anormal nas águas superficiais do oceano Pa-
corrente El Niño, em referência ao Niño Jesus (Menino Jesus), cífico Tropical, alterando o clima regional e global, mudando
isso pelo fato de que a ocorrência da ressurgência proporcio- os padrões de vento a nível mundial, afetando assim, os regi-
na o acréscimo de peixe na superfície marítima. mes de chuva em regiões tropicais e de latitudes médias.
Pode ser chamado também de episódio frio, ou ainda El
Viejo (“o velho”, em espanhol). Algumas pessoas chamam o La
Niña de anti-El Niño, porém como El Niño se refere ao meni-
no Jesus, anti-El Niño seria o Diabo e, portanto, esse termo é
pouco utilizado.
A célula de circulação com movimentos ascendentes no
Pacífico Central/Ocidental e movimentos descendentes no
oeste da América do Sul e com ventos de leste para oeste
próximo à superfície (ventos alísios, setas brancas) e de oeste
para leste em altos níveis da troposfera é a chamada Célula
de Walker. A inclinação da Termoclima é vista mais rasa junto
à costa oeste da América do Sul e mais profunda no Pacífico
Ocidental.
Com os ventos alísios mais intensos, mais águas quentes
irão ficar “represadas” no Pacífico Equatorial Oeste e o des-
nível entre o Pacífico Ocidental e Oriental irá aumentar. Com
Variação em relação à temperatura média (Foto: Clima- os ventos mais intensos, a ressurgência também irá aumentar
tologia UFF) no Pacífico Equatorial Oriental. Por outro lado, devido a maior
Os ventos alísios empurram e empilham água quente su- intensidade dos ventos alísios as águas mais quentes irão ficar
perficial para o oeste. Nessa condição, a ressurgência, na costa represadas mais a oeste do que o normal. Novamente tería-
oeste da América do Sul, traz à superfície água fria profunda mos águas mais quentes, que aumentam a evaporação e con-
com nutrientes, tornando a região uma das áreas mais pisco- sequentemente os movimentos ascendentes, que por sua vez
sas do mundo. É importante destacar que a ressurgência não geram nuvens de chuva e a Célula de Walker, que em anos de
ocorre apenas com o fenômeno El Niño; ela também pode La Niña fica mais alongada que o normal.
ocorrer em um litoral qualquer.

El Niño:  efeitos no início do ano (Foto: Climatologia


UFF)

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GEOGRAFIA

Na Região Sudeste, ocorre um moderado aumento das


temperaturas médias. Tem ocorrido substancial aumento das
temperaturas neste inverno. Não há padrão característico de
mudanças das chuvas. Por último, há precipitações abundantes,
principalmente na primavera e chuvas intensas de maio a julho,
além do aumento da temperatura média na Região Sul.
O fenômeno La Niña é responsável pelo aumento de preci-
pitação e vazões de rios nas regiões Norte e Nordeste. O Centro
-Oeste e o Sudeste são áreas com baixa previsibilidade sobre os
efeitos. Por fim, a Região Sul costuma ser palco de severas secas.
Na América do Sul, El Niño provoca secas no Altipleno Pe-
ru-Bolívia, redução das precipitações na Colômbia e aumento
da vazão dos rios no Noroeste do Peru e do Equador. Já La Niña
castiga a Colômbia com precipitações intensas e enchentes, di-
minuição das chuvas no Uruguai e tendência de secas no Peru. 
Efeitos do El Niño no meio do ano (Foto: Climatologia
UFF) Fonte: http://educacao.globo.com/artigo/el-nino-e-la-nina.
html

BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO E


AQUECIMENTO GLOBAL: ELEMENTOS E
FATORES DO CLIMA E OS TIPOS CLIMÁTICOS;

Além da destruição da camada de ozônio, os gases po-


luentes tem ocasionado muitos outros fenômenos. Conheça
um pouco de cada um nos próximos tópicos.

Efeito Estufa
O efeito estufa é um fenômeno natural e essencial para a
vida no planeta, pois o mantém aquecido.
La Niña: efeitos no mundo (Foto: Climatologia UFF)
Processo do Efeito Estufa
Uma parte da radiação solar é refletida pela superfície
terrestre e logo em seguida é absorvida por alguns gases
presentes na atmosfera. Por conta disso, todo o calor fica re-
tido aqui, sem poder ser liberado para o espaço.
Mesmo sendo um processo vital, o efeito estufa também
pode ser um precursor do aquecimento global, devido à
quantidade excessiva de gases estufa na atmosfera terrestre,
a camada mais sensível do planeta.

Gases Estufa
O problema ocorre da seguinte forma: a Terra recebe ra-
diação infravermelha emitida pelo Sol e devolve parte dela
para o espaço através de radiação de calor. Porém, os gases
estufa retêm uma parte dessa radiação que seria refletida
Efeitos do La Niña (Foto: Climatologia UFF) para o espaço. Portanto, a parte retida causa o aumento da
temperatura do planeta.
Especificamente em relação ao Brasil, seguem-se os prin- A liberação de dióxido de carbono (CO2) ocorre princi-
cipais impactos dos dois fenômenos: palmente, pela queima de combustíveis fósseis, através dos
Em relação ao El Niño, a Região Norte sofre com a dimi- setores industriais e de transporte, e pelos desmatamentos e
nuição das precipitações e secas, além do aumento do risco queimadas. Já o Metano é proveniente da decomposição de
de incêndios florestais. Secas severas assolam a Região Nor- resíduos orgânicos, vazamento de gás natural, aterros sani-
deste. Não há evidencias de efeitos pronunciados nas chuvas tários, no processo de digestão dos animais, entre outros. O
na Região Centro-Oeste, no entanto, nota-se uma tendência Óxido Nitroso é liberado através da combustão e do trata-
de chuvas acima da média e temperaturas mais altas no sul mento de esgoto, de processos industriais e com a fertiliza-
do MS.  ção na agricultura.

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GEOGRAFIA

Aquecimento Global Isso fica evidente quando notamos as regiões com


Terra O aquecimento global é um fenômeno climático predominância de clima quente e chuvoso, que deriva
que ocorre devido o aumento de temperatura da superfície grandes florestas tropicais com enorme umidade e precipi-
global e dos oceanos; é a retenção de calor acima do nível tação. Já nos lugares de climas áridos, semiáridos e desér-
considerado “normal”, sem que ele se dissipe adequada- ticos a composição de vegetação é muito diferente, pois as
mente. Há quem acredite que o aquecimento ocorre por plantas e os animais são adaptados às condições adversas,
causas naturais, mas grande parte da comunidade cientí- como a falta de água e alimento.
fica acredita que o aumento da temperatura na atmosfe- Nas paisagens naturais o que mais se destacam visual-
ra é provocado pelos homens, que emitem em excesso os mente são as vegetações. As seguir algumas características
gases estufas. De acordo com o IPCC (Intergovernmental das principais formações vegetais do mundo:
Panel on Climate Change), os maiores aumentos de tempe- Floresta pluvial tropical: essas se localizam geogra-
ratura foram de 1910 a 1945, e de 1976 a 2000. Os modelos ficamente, em geral, na América do Sul, América Central,
climáticos estipulam que as temperaturas globais podem África, Ásia e Oceania. Todas as regiões citadas possuem
aumentar no intervalo entre 1,1 e 6,4ºC até 2100. características semelhantes como clima quente e úmido,
proporcionando assim o surgimento de grandes florestas
Evidências do Aquecimento Global com uma enorme riqueza de biodiversidade, essas são as
As principais evidências do aquecimento global são o áreas do planeta que concentram a maior parte dos seres
aumento das temperaturas do ar e dos oceanos, o derreti- vivos.
mento dos glaciares e algumas catástrofes que se tornam Floresta Temperada: essa vegetação é encontrada prin-
cada vez mais comuns: os tufões, ciclones e furacões, que cipalmente no hemisfério norte, situada entre os trópicos
são potencializados devido ao aumento da temperatura. e os círculos polares, os países que possuem esse tipo de
Consequências do Aquecimento Global florestas são Estados Unidos, Europa, Ásia e no Sul do Chile
Além das evidências já vistas, o aquecimento também com climas temperados. As florestas temperadas são di-
pode ter outras consequências a curto, médio e longo prazo: ferentes em relação às florestas tropicais, pois a primeira
Grande desequilíbrio dos ecossistemas; produz uma quantidade menor de variedade de plantas e
Derretimento das placas de gelo da Antárticas; animais. As florestas temperadas possuem características
Inundações; singulares, no inverno e outono as árvores perdem suas
Tempestades; folhas, e por isso são denominadas de caducifólias.
Surgimento de desertos; Florestas de coníferas: essa vegetação é encontrada
Extinção de várias espécies de animais e vegetais; geograficamente em regiões com proximidade aos círculos
Aumento das ondas de calor; polares, com características de clima com inverno bastante
Falta de água potável; rigoroso. As coníferas são denominadas também de flores-
Problemas na agricultura. ta boreal, é composta por pinheiros.
Medidas contra o Aquecimento Global Tundra: se faz presente no extremo norte do continen-
Todos esses fenômenos que ocorrem no planeta de- te americano, europeu e asiático, a particularidade dessa
moram anos e décadas para responderem às medidas pre- vegetação é em relação ao clima, pois se desenvolve em
ventivas. Portanto, por mais que nós não possamos ver o áreas de clima frio e polar, com duas estações (verão e in-
resultado, devemos lutar pela qualidade de vida no Planeta verno), sendo inverno rigoroso e verão com temperatura
Terra, longe de todas as catástrofes e tragédias que pode- um pouco mais elevada. Na tundra as vegetações encon-
rão acontecer no futuro. Sendo assim, é importante que tradas são musgos, liquens e plantas herbáceas, esses ve-
a sociedade, os governos e as empresas comecem a agir getais se desenvolvem de forma mais efetiva no verão, pois
pelo bem comum. na estação do inverno toda área fica coberta de gelo.
Fonte: http://camada-de-ozonio.info/efeito-estufa-e Savana: esse tipo de vegetação tem uma grande seme-
-aquecimento-global.html lhança com o cerrado brasileiro, as savanas são compostas
basicamente por gramíneas e capins, árvores e arbustos
espalhados na paisagem. As savanas são situadas geogra-
ficamente em regiões de clima tropical, com duas estações
OS DOMÍNIOS NATURAIS: DISTRIBUIÇÃO DA bem definidas, sendo uma de seca (inverno) e uma chuvo-
VEGETAÇÃO E CARACTERÍSTICAS GERAIS DAS sa (verão). No mundo essa vegetação se faz presente nos
GRANDES PAISAGENS NATURAIS; seguintes países e continentes: América do Sul, África, Ásia
e Austrália.
Estepe e pradarias: são compostas por plantas herbá-
A composição dinâmica da biosfera produz diferentes ceas, arbustos e gramíneas, em áreas de clima temperado,
vegetações, climas, relevos entre outros, dessa forma as geralmente o estepe desenvolve em lugares mais secos,
paisagens naturais variam de grandes florestas tropicais a enquanto que as pradarias em locais mais úmidos, essa é
desertos, montanhas e imensas geleiras. Para a consolida- utilizada como uma ótima pastagem na pecuária. Os dois
ção dos mais variados tipos de vegetações existentes no tipos de vegetações são encontrados na América do Norte,
mundo é preciso que haja a interação entre os elementos Ásia e América do Sul (Argentina, Uruguai e Rio Grande do
naturais (clima, solo, relevo, vegetação e energia). Sul nos pampas gaúcho).

9
GEOGRAFIA

Vegetação desértica: são áreas com predominância de - Diminua o uso de automóveis;


clima seco e árido, os vegetais são adaptados à falta de água, - Consuma apenas o necessário e evite compras com-
suas raízes são extensas e atingem o lençol freático, quando pulsivas;
raramente ocorre chuva brotam plantas, mas com um perío- - Utilize produtos ecológicos e biodegradáveis;
do muito curto de vida. - Não jogue lixos nas ruas;
Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/ - Não jogue fora objetos e roupas que não usa mais.
vegetacoes-mundiais.htm Opte por fazer doações.
Com atitudes simples, podemos diminuir nossos efei-
tos no meio ambiente. Pense nisso!
Atenção: Empresas e obras que podem causar grande
E OS IMPACTOS AMBIENTAIS: POLUIÇÃO impacto ambiental negativo devem apresentar um Estudo
ATMOSFÉRICA, EROSÃO, ASSOREAMENTO, de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Am-
POLUIÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS E A biental (RIMA) para que as atividades sejam ou não libe-
QUESTÃO DA BIODIVERSIDADE. radas.

Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/bio-
Segundo a resolução  Conama Nº001 de janeiro de logia/impactos-ambientais.htm
1986, o  impacto ambiental  é definido como  qualquer al-
teração das propriedades físicas, químicas e biológicas do
meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou
energia resultante das atividades humanas que, direta ou in- C) O ESPAÇO POLÍTICO E ECONÔMICO:
diretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da INDÚSTRIA: O PROCESSO DE
população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as con- INDUSTRIALIZAÇÃO, PRIMEIRA, SEGUNDA
dições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e a qualidade E TERCEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL,
dos recursos ambientais. TIPOS DE INDÚSTRIA, A CONCENTRAÇÃO
Analisando essa resolução, percebemos que  qualquer E A DISPERSÃO INDUSTRIAL, OS
atividade que o homem exerça no meio ambiente pro- CONGLOMERADOS TRANSNACIONAIS,
vocará um impacto ambiental. Esse impacto, no entanto, OS NOVOS FATORES DE LOCALIZAÇÃO
pode ser positivo ou não. Infelizmente, na grande maioria das
INDUSTRIAL, AS FONTES DE ENERGIA E A
vezes, os impactos são negativos, acarretando degradação
e poluição do ambiente. QUESTÃO ENERGÉTICA,
Os impactos negativos no meio ambiente estão direta-
mente relacionados com o  aumento crescente das áreas
urbanas, o aumento de veículos automotivos, o uso ir-
responsável dos recursos, o consumo exagerado de bens A Primeira Revolução Industrial teve início no fim do
materiais e a produção constante de lixo. Percebemos, por- século XVIII início do século XIX, a partir desse período
tanto, que não apenas as grandes empresas afetam o meio, muita coisa mudou, as tecnologias, as relações de trabalho,
nós, com pequenas atitudes, provocamos impactos ambien- o modo de produzir, entre outros. 
tais diariamente. As indústrias não se instalam em um lugar (país, esta-
Dentre os principais impactos ambientais negativos do ou município) de forma despretensiosa, pois todas as
causados pelo homem, podemos citar a  diminuição dos medidas e decisões são tomadas a partir de uma profun-
mananciais,  extinção de espécies, inundações, erosões, da análise com a finalidade de obter maiores informações
poluição, mudanças climáticas, destruição da camada de acerca da viabilidade econômica de um determinado es-
ozônio, chuva ácida, agravamento do efeito estufa e des- paço. 
truição de habitats. Isso acarreta, consequentemente, o au- Diante desse contexto são observados diversos fatores
mento do número de doenças na população e em outros para a criação e implantação de uma indústria, dentre os
seres vivos e afeta a qualidade de vida. principais estão: 
Vale destacar que os impactos ambientais positivos, • Capitais: não é possível instalar e colocar em funcio-
apesar de ocorrerem em menor quantidade, também namento uma indústria sem recursos financeiros, pois são
acontecem. Ao construirmos uma área de proteção ambien- esses que dão subsídio para a construção da edificação,
tal, recuperarmos áreas degradadas, limparmos lagos e pro- para obter a área, aquisição de equipamentos e máquinas
movermos campanhas de plantio de mudas, estamos tam- e todos os recursos necessários para o início da produção. 
bém causando impacto no meio ambiente. Essas medidas, • Energia: para a execução da prática industrial é indis-
no entanto, provocam modificações e alteram a qualidade de pensável à utilização de energia para mover as máquinas
vida dos humanos e de outros seres de uma maneira positiva. e equipamentos, ao escolher um local para instalação de
Você também pode ajudar a diminuir o impacto am- um empreendimento é preciso verificar qual fonte enérgica
biental negativo. Veja a seguir algumas dicas: está disponível e a quantidade oferecida, uma vez que essa
- Economize água; tem que ter um número abundante, pois o custo de insta-
- Evite o consumo exagerado de energia; lação é muito elevado e não pode haver falta de tal recurso
- Separe os lixos orgânicos e recicláveis; no processo produtivo. 

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GEOGRAFIA

• Mão-de-obra:  além dos itens citados, outro ele- pois representa novas formas de organização social, sobre-
mento que é de extrema importância nesse processo é a tudo com a forte divisão entre detentores dos meios de
mão-de-obra, pessoas que vendem sua força de trabalho produção e o proletariado, ou seja, aquele que vende sua
em troca de um salário que deve garantir a manutenção força de trabalho.
do trabalhador e de sua família, devido a essa dependên- Na Primeira Revolução Industrial, destaca-se, ainda, o
cia humana as indústrias geralmente se encontram estabe- uso do ferro como matéria prima e do carvão mineral como
lecidas em grandes centros urbanos que aglomeram um principal fonte energética.
grande contingente populacional, isso se torna favorável, A Segunda Revolução Industrial aumentou significati-
pois quanto maior a oferta de proletários menores são os vamente a quantidade de países participantes da evolução
salários pagos (lei da oferta e da procura), pois temendo industrial. É uma fase marcada pelo uso do aço, do petró-
perder os empregos muitos se submetem a receber baixas leo e da energia elétrica. Países como EUA, Alemanha, Itália,
remunerações. Outro motivo que favorece a implantação Japão e mesmo a Inglaterra passaram a produzir em larga
de empreendimentos industriais em grandes núcleos urba- escala, ampliando sua participação no comércio mundial.
nos é a existência de trabalhadores com qualificação profis- Já a Terceira Revolução Industrial é marcada pelo avan-
sional, pois nas cidades maiores estão os principais centros ço da eletrônica, da informática, da robotização etc. O Ja-
de difusão de informação e tecnologia como as emissoras pão foi um dos precursores, mas outras economias tam-
de tv, rádio, além de universidades e centros de pesquisas.  bém vivem esse estágio.
• Matéria-prima: esse item ocupa um lugar de desta- Vale destacar que, no mundo atual, a industrialização
que no processo produtivo, pois é a partir dessa que será se distribui por inúmeras áreas do planeta, expandindo a
agregado um valor correspondente ao resultado do tra- produção para além dos centros industriais tradicionais.
balho e automaticamente o lucro da produção. Diante da Áreas como os Tigres Asiáticos, por exemplo, se consoli-
importância, essa deve permanecer o mais próximo possí- dam como grandes espaços de produção, por oferecerem
vel, pois quanto mais perto ela se encontra menores serão vantagens competitivas às empresas que ali se instalam
os custos com o transporte entre a fonte fornecedora e a (mão de obra barata, qualificada e disciplinada, por exem-
processadora, esse fato diminui o custo final e garante o plo). Outros países apresentam crescimento de sua indus-
trialização, como o Brasil, México e Argentina, sobretudo
aumento da lucratividade que é a intenção e objetivo maior,
pelo aumento do consumo interno. Isso tudo está asso-
principalmente se tratando da sociedade capitalista. 
ciado à atual fase da Globalização, na qual as empresas
• Mercado consumidor: a escolha em estabelecer-se
procuram vantagens competitivas. Daí as grandes empre-
próximo aos núcleos urbanos é proveniente da proximidade
sas transnacionais possuírem filiais espalhadas por grande
entre a indústria e os possíveis consumidores em potencial,
parte do planeta.
desse modo evitam grandes gastos com transporte, além
Na sequência do material serão apresentadas diversas
de dinamizar o seu fluxo até os centros de distribuição. 
considerações sobre a industrialização no Brasil.
• Meios de transporte:  um sistema de transportes é
de extrema valia para a produção e distribuição industrial, Os recursos energéticos são o foco dos interesses estatais,
nesse caso é preciso que haja uma boa infraestrutura que gerando disputas geopolíticas desde a primeira Revolução In-
possibilite uma logística dinâmica e que atenda a demanda dustrial. Na segunda metade do século XX, com a expansão
de fluxo de matéria-prima até às indústrias e dessas até o do meio urbano-industrial, principalmente, na América Lati-
consumidor. A integração de todos os meios de transporte na e Sudeste Asiático e, consequentemente, o crescimento
é primordial para o processo de globalização, pois oferece populacional, houve o aumento exponencial da demanda
condições de circulação de pessoas, capitais, mercadorias energética. Nos últimos anos, a questão energética traz no-
e serviços.  vas discussões: agências internacionais, estados e a sociedade,
A Industrialização é um processo de modernização pelo geram debate sobre consumo, recursos naturais, mudanças
qual passam os meios de produção de uma determinada climáticas e, principalmente, a segurança energética dos paí-
sociedade. É pautada pela ampliação de tecnologias e pelo ses mais ricos. 
desenvolvimento da economia de modo geral. Antes de tudo, é importante conhecer os diferentes tipos
O processo de evolução da indústria, como ela é conhe- de fontes de energia. Podemos classificá-las em renováveis e
cida atualmente, demandou um longo período. O primór- não renováveis; primárias e secundárias; convencionais e al-
dios de uma industrialização efetiva ocorreram na Inglater- ternativas.
ra. Isso porque a indústria altera não só os modos de se Renováveis → Têm capacidade de se regenerar em um
produzir, mas são impactantes também nas relações sociais. tempo curto, tornando-a inesgotável. Ex.: Biomassa (óleos/
No século XVIII ocorre a chamada Primeira Revolução biodiesel a partir de cana-de-açúcar, mamona, girassol, entre
Industrial, quando a Inglaterra baseia seu desenvolvimento outros).
econômico nas indústrias, promovendo o cercamento dos Não Renováveis  →  Oriundas de matéria orgânica de-
campos (enclosures) e empurrando os trabalhadores para as composta por milhões de anos, não havendo tempo hábil
áreas que se urbanizavam através da produção industrial. para serem formados para uso humano. Ex.: Petróleo, gás na-
Ao mesmo tempo, esse processo libera mão-de-obra em tural e carvão.
abundância, amplia o mercado consumidor e disponibiliza Primárias → Quando utilizamos diretamente para gera-
terras à produção capitalista. A Industrialização promove ção de calor/energia. Ex.: Lenha queimada para uso domés-
mudanças que vão muito além da utilização de máquinas, tico.

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GEOGRAFIA

Secundárias → Utiliza-se um meio de energia para obter


outro. Ex.: Usina Nuclear enriquece o Urânio para aquecer a
água e mover as turbinas, gerando energia elétrica.
Convencionais  →  São as energias base da sociedade
contemporânea. Ex.: Petróleo, gás natural, carvão e hidroelé-
tricas.
Alternativas  →  Constituem uma alternativa ao modelo
energético decorrente dos últimos dois séculos, sua introdu-
ção diversifica a matriz de energia dos países, aumentando
sua segurança e seu desenvolvimento econômico e ambien-
tal. Ex.: Solar, Eólica, Geotérmica e Maremotriz.
Apesar dos avanços tecnológicos das últimas quatro
décadas, proporcionados pela Revolução Técnico-Científico
Informacional, o principal recurso da matriz energética é o
mesmo desde a Segunda Revolução Industrial (1850) – o pe-
tróleo – tendo o carvão como segundo maior demanda e o
gás natural em terceiro. Neste caso, apesar dos investimentos
em fontes alternativas – solar, eólica, geotérmica, mantêm-se
os combustíveis fósseis como a principal forma de obtenção
de energia em nível mundial. Gráfico com matriz energética brasileira (Foto: Ministé-
rio de Minas e Energia)

A diversificação demonstra que o Brasil está inserido nes-


te novo cenário de mudanças e discussões sobre o clima e o
desenvolvimento sustentável, já que busca alternativas à im-
portação, extração e uso em larga escala de energias não-re-
nováveis, como o petróleo, gás natural e carvão. Investimentos
em produção de biocombustíveis a partir da cana-de-açúcar
e na construção de usinas hidrelétricas, principalmente, na re-
gião Norte, trazem o Brasil para um patamar de um dos países
com matriz energética mais limpa do mundo.
Quase tudo que fazemos e usamos hoje passa por algum
gasto de energia. Ir à escola ou ao trabalho, assistir à televisão,
cozinhar, tomar banho, em tudo há gasto energético. Toda-
via, existem diferentes formas de sua produção, distribuição
e consumo, tanto de combustíveis, como de energia elétrica.
A maioria dos transportes são movidos a partir de óleos
refinados do petróleo (gasolina, diesel e querosene) sendo,
Esquema com matriz energética mundial (Foto: Revista então, o maior consumidor da indústria petrolífera. É, por isso
Escola) que, uma entre diversas dificuldades em implementar siste-
mas eficientes de transporte público – como metrôs, trens,
Combustíveis fósseis são originados a partir da decom- ciclovias etc – além da introdução e barateamento de carros
posição de restos de seres vivos, depositados em partes mais híbridos, que também são movidos à eletricidade, são origina-
baixas da crosta terrestre. Neste caso, podemos perceber que dos pelas indústrias petroquímicas, que influenciam as ações
cerca de 85% da matriz energética mundial é baseada em re- governamentais na área energética. Dessa maneira, das 25
cursos finitos, emitindo cada vez mais CO2na atmosfera, alte- maiores empresas do mundo em 2013, mais da metade é vin-
rando as condições climáticas do planeta. culada ao setor de energia.
É importante frisar que há esforços em investir e aumen- Podemos adquirir de diversas maneiras a energia elétrica
tar o consumo de energia proveniente de fontes renováveis que abastece nossas residências, parques industriais e prédios
como a solar e a eólica. Países como Estados Unidos, China e públicos. Pode-se obter pelas hidrelétricas, com o represa-
Alemanha investem cada vez mais em pesquisas para tornar mento d’água, gerando quedas para fluir entre as turbinas.
mais eficiente a captação e a distribuição de energia originada Também temos as termoelétricas – usinas que geram energia
pelo vento e sol. a partir do aquecimento de grande quantidade de água pela
Já no Brasil, diferente da mundial, observamos que a ma- queima de gás natural, biomassa e Urânio enriquecido. Além,
triz energética nacional é diversificada, tendo quase metade obviamente, das novas fontes limpas – solar, eólica, geotérmi-
dela proporcionada por fontes renováveis, como a hidrelétrica ca, maremotriz, etc.
e biomassa (conhecida como biodiesel).

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GEOGRAFIA

Educação: conheça as etapas do processo de tratamento da água


Vale lembrar que a demanda energética vai crescer nos próximos anos, principalmente, nos chamados países emergentes,
como China, Índia, Brasil, África do Sul, entre outros. O avanço do meio urbano, do potencial industrial e da população vai incre-
mentar essas áreas como novas grandes consumidoras, principalmente de petróleo e energia elétrica. Contudo, os EUA ainda
terão grande parcela na produção e no consumo da energia do mundo. Estes, inclusive, vêm investindo maciçamente em novas
fontes de energia para se tornarem independentes, principalmente, dos exportadores de petróleo do Oriente Médio, Rússia e
Venezuela. 

Gráfico informativo sobre o futuro da energia. (Foto: Colégio Qi)

Assim, o tabuleiro geopolítico vai se movimentando, conforme os interesses em investir, importar e exportar energia a partir
de diversas fontes existentes. O mundo vem passando por transformações, sobretudo, no meio ambiental, tornando os novos
meios de energia essenciais para todos os países, o que possibilita a segurança econômica e social em todo planeta.

Fonte: http://educacao.globo.com/artigo/questao-energetica-na-atualidade.html

Primeira Revolução Industrial

Esta primeira mudança impactante no modo de trabalho do homem ocorreu em meados do séc. XVIII, na Inglaterra. Era
o surgimento das indústrias, que sobrepunham o então trabalho de manufatura.
Nesta época, a vida da população transformou-se totalmente, deixando a vida mais parada do interior para um pro-
cesso de rápida entrada no capitalismo: a partir de agora as famílias se adaptariam a esse frenético ritmo, trabalhando por
mais de 12 horas por dia nas indústrias, em condições precárias e morando em lugares sujos e apertados.
Nesta revolução, começou-se um processo de fabricação de produtos de forma mais rápida e, com isso, um consu-
mo maior e um comércio mais forte. Também nesta época tivemos um grande crescimento nas cidades. Logo a revolução
espalhou-se para outros países europeus, atingindo também os EUA e o Japão. Máquinas eram movidas à vapor, influen-
ciando muito no sistema de transportes. A indústria têxtil foi o principal setor desta primeira revolução.

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GEOGRAFIA

Segunda Revolução Industrial Como consequência ocorreu uma intensa liberação de


A Primeira Revolução Industrial impulsionou a indús- mão-de-obra rural, e uma vez expulso do campo o traba-
tria, de forma que propiciou um grande crescimento nas lhador rural foi buscar trabalho nos setores secundário e
cidades, como explicado acima. Porém, o anseio de cresci- terciário, contribuindo para a aceleração do processo urba-
mento e de criação de novas formas de facilitar a vida hu- nizador já estudado na aula 08. Atualmente a agropecuária
mana não parou por aí. Foi em meados de 1870 que surgiu emprega somente cerca de 23% da PEA brasileira.
a Segunda Revolução Industrial, também conhecida como Paralelo  à mudança tecnológica, registrou-se uma
segunda etapa da que ocorreu séculos antes. acentuada incorporação de novos espaço s de fronteira
Dentre os avanços desta época, podemos destacar a agrícola com a crescente participação de empresários do
energia elétrica, o motor à explosão, o aprimoramento de Sul e do Sudeste na implantação de empreendimentos
meios de comunicação com o surgimento de telégrafo e a agropecuários. O agribusiness, voltados para a  reprodu-
metalurgia. ção do capital, valendo-se da agricultura como forma alter-
Essas técnicas deram ainda mais flexibilidade para as nativa de investimento.
indústrias, alçando ainda mais lucros. O Brasil não possui áreas impróprias à agropecuária.
Com investimentos em tecnologias torna-se possível a pro-
Terceira Revolução Industrial dução em locais como o Cerrado do Brasil-Central, local de
Também chamada de Revolução Tecno-científica, esta solo ácido que hoje se apresenta como o maior produtor
fase da Revolução Industrial iniciou-se no século XX e tem de soja e algodão do país; o Sertão Nordestino com os
como principal característica e evolução da informática. projetos de irrigação às margens do rio São Francisco na
Esta revolução também trouxe mudança na vida das região de Petrolina (PE) – Juazeiro (BA), ostentando uma
pessoas, agora o mundo iniciaria a era da integração e das maiores produções de frutas tropicais, uvas e indústria
também da globalização. vinífera.
Além da informática, o desenvolvimento tecnológico
da indústrias, principalmente da automobilística, a robó- Estrutura fundiária
tica, a biotecnologia, a indústria espacial, a genética, entre O Brasil possui uma das mais extensas áreas agrícolas
outros campos tiveram grande evolução na Terceira Revo- do globo, são cerca de 3,5 milhões de km2 ou 353 milhões
lução Industrial. de hectares e corresponde a 41,5% da área total do país.
E ainda há entre 100 a 200 milhões de hectares potencial-
Fonte: http://www.geografiaopinativa.com.br/2013/12/ mente aproveitáveis para fins agropecuários. No entanto,
segundo uma pesquisa realizada pelo IPEA (Instituto de
primeira-segunda-e-terceira-revolucao.html
Pesquisa Económica Aplicada), existe no país cerca de 30
milhões de pessoas (cinco milhões de famílias) abaixo da
linha da pobreza absoluta. A resposta para este despropó-
IMPACTOS AMBIENTAIS; AGROPECUÁRIA: sito pode estar na estrutura fundiária brasileira.
SISTEMAS AGRÍCOLAS, ESTRUTURA Como estrutura fundiária entende-se “a forma como as
propriedades agrárias estão organizadas quanto ao tama-
AGRÁRIA, USO DA TERRA, AGRICULTURA
nho, número e distribuição social”. No Brasil, essa questão
E MEIO AMBIENTE, PRODUÇÃO é um problema tão antigo quanto sua própria história; de
AGROPECUÁRIA, COMÉRCIO MUNDIAL DE um lado, um pequeno número de grandes proprietários
ALIMENTOS E A QUESTÃO DA FOME; de terras, na maioria das vezes latifundiários e improduti-
vos; de outro lado milhões de pequenos proprietários que
possuem uma quantidade mínima de terra, os minifúndios,
insuficientes para a subsistência familiar.
No Brasil a agricultura e a pecuária constituem as ati- Numa tentativa de classificar as propriedades rurais, foi
vidades  primárias fundamentais da economia. No início realizada pelo Estatuto da Terra, em 1964, uma classificação
dos anos 1950 a agropecuária contribuía com 25% do PIB utilizada pelo INCRA (Instituto Nacional de Colonização
do Brasil. Embora na atual década sua participação tenha e Reforma Agrária), toma por base o conceito de Módulo
declinado para cerca de 10% do total, não significa que o Rural, que corresponde à Propriedade Familiar.
setor tenha perdido importância, pelo contrário. É que do De acordo com esse conceito os imóveis foram dividi-
final dos anos 70 até e durante toda a década de 90 ocor- dos em quatro grupos:
reu no Brasil, uma acelerada modernização da agricultura, Minifúndio – toda propriedade inferior ao módulo rural
representada, especialmente, pelo emprego maciço de ma- regional, portanto, inviável economicamente. Correspon-
quinaria no processo produtivo e pela utilização, cada vez dem à cerca de 72% do total de imóveis rurais do país, em-
mais difundida, de insumos químicos de origem industrial. bora ocupem apenas cerca de 12% da área total dos mes-
A modernização subordinou a agropecuária aos inte- mos. Sua média gira em torno de propriedades de 20 ha.
resses e necessidades do capital urbano-industrial consti- Empresa rural – é uma propriedade explorada de ma-
tuindo a formação de um Complexo Agroindustrial (CAI), neira económica e racional, com uma área que, no máximo,
que redefiniu o contexto produtivo na agricultura e acen- atinja 600 módulos rurais regionais. Eles totalizam apenas
tuou as diferenciações existentes entre áreas do país, pro- 5% do número de imóveis e ocupa o equivalente a 10% da
dutores e segmentos produtivos da economia agrária. área total disponível, com propriedades médias de 221 ha.

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GEOGRAFIA

Latifúndio por exploração – é um imóvel rural que che- Posseiro: indivíduo que utiliza uma área que não lhe
ga até à 600 módulos rurais regionais, cuja terra é manti- pertence juridicamente. Produz somente para a subsistên-
da de forma inexplorada ou irracionalmente explorada. Sua cia familiar.
extensão média é de cerca de 350 ha. Abrangendo 73% das Pequeno proprietário: corresponde ao agricultor que
áreas disponíveis, mas totalizam apenas 23% do número total cultiva a própria terra para sua subsistência, bem como
dos imóveis. para o abastecimento do mercado local. É o pequeno si-
Latifúndio por dimensão – Toda e qualquer propriedade tiante e o chacareiro que geralmente habita as cercanias
agrícola com extensão superior a 600 módulos rurais regio- das cidades.
nais, produtivos ou não. Somam menos de 0,1% do total das Parceiro: é o trabalhador que se associa com um pro-
propriedades e equivalem a 5% da área total, com proprieda- prietário de terras e entrega-lhe parte de sua produção
des com tamanho médio de 100 mil ha. como forma de pagamento pelo uso da mesma. O trato
mais comum é de 50% para cada um – é o meeiro.
Sistemas agrícolas Arrendatário: indivíduo que usa a terra de alguém pa-
O Brasil é um país de dimensões continentais, com solos
gando um aluguel pré-determinado para esse uso. O paga-
e climas diversos, níveis de desenvolvimento contrastantes e
mento pode ser em dinheiro ou em produto colhido.
teve, no decorrer de sua história inúmeros sistemas de produ-
Assalariado fixo: é o empregado regular da proprieda-
ção, sendo que alguns deles persistem ao tempo.
Sistema de Roça: é uma agricultura de subsistência, muito de, geralmente é registrado em carteira e possui todos os
antiga e rudimentar. Caracteriza-se por ser itinerante, onde direitos legais. Pode ser representado pelo capataz, caseiro,
num primeiro momento ocorre à derrubada e queima da tratorista, ordenhador, etc.
mata, limpeza e preparo da terra e depois seu consequente Assalariado temporário: trabalhador contratado ape-
plantio e colheita. nas em alguns momentos. Geralmente para a colheita. Tra-
Sistema de Plantation: implantado pelos colonizadores ta-se do trabalhador volante ou boia-fria e o peão.
na  América Latina, com o intuito de suprir as necessidades Não remunerado: em geral corresponde aos familiares
das metrópoles. Consiste em cultivar produtos típicos de cli- de um agricultor (mulher e filhos) que o ajudam no traba-
ma tropical, de forma monocultora em grandes latifúndios, lho, entretanto não recebem nada por isso.
visando o abastecimento externo. No Brasil são exemplos a Fonte: https://www.resumoescolar.com.br/geografia/
cana-de-açúcar, o café e o cacau entre outros. agricultura-no-brasil-estrutura-fundiaria-sistemas-agrico-
Sistema Capitalista Moderno: a aplicação de modernas las-conflitos-pela-terra-e-relacoes-de-trabalho/
tecnologias de produção disponíveis, aliado à transformação
da agricultura numa atividade puramente comercial e especu- Através do estudo da gastronomia mundial é possível
lativa, a atividade ganha status de investimento muito lucra- conhecer não apenas a arte de cozinhar e o prazer de co-
tivo. Aqui o capital reproduz todas as condições necessárias mer, mas também a sua relação com os recursos alimenta-
para uma maior produção com um máximo de produtividade. res disponíveis, pois as condições naturais de vida são ex-
tremamente variadas: influência da latitude, natureza dos
Os Conflitos pela posse da terra no Brasil solos, proximidade do mar, clima, etc. (MEZOMO, 1994).
Na história rural brasileira é bastante comum o relato de Condicionados fortemente à disponibilidade de alimentos
conflitos pela da terra. Neste contexto surgiram dois protago- estão também os hábitos alimentares – disposição dura-
nistas: o posseiro e o grileiro. O lavrador que trabalha a terra doura adquirida pela repetição frequente de um ato, uso
sem possuir nenhum título legal registrado em cartório que o ou costume (BOURGUERS, 1998). Esses hábitos fazem parte
defina como proprietário é classificado como ocupante nos da cultura e do poder econômico de um povo (MEZOMO,
censos oficiais do IBGE ou como posseiro na linguagem co-
1994), além de serem de primordial importância para a
mum. No Brasil ainda existe mais de um milhão de famílias
análise do comportamento alimentar de determinado gru-
de posseiros paupérrimos que detém parte das pequenas
po populacional (BOURGUERS, 1998; GARCIA, 1995; PIO-
propriedades rurais no Brasil, representando uma  força  de
trabalho de grande importância para a produção de gêneros VESAN, 1970; PHILIPPI, 1992). A distribuição de alimentos é
alimentícios de subsistência. bastante desigual no mundo, e afeta de forma importante
O posseiro não deve ser confundido com o grileiro. O os padrões de consumo de uma população. São eviden-
grileiro é o indivíduo que se assenhoreia de uma terra que tes as diferenças na distribuição de alimentos nos países
não é sua, sabendo que não tem direito a ela, muitas vezes à desenvolvidos e em desenvolvimento, o que deixa claro a
força, expulsando posseiros ou seus proprietários. Através de relevância do fator político econômico, assim como as di-
meios escusos como suborno e falsificação de documentos ferenças dentro do próprio país. Nos países desenvolvidos
ele obtém os papéis oficiais que o habilitam a vender a terra. há uma abastada oferta de alimentos, porém, o consumo
É, portanto, um traficante de terra. sob o ponto de vista nutricional, nem sempre é adequado,
podendo ocorrer excessos, ao mesmo tempo, as popula-
Relações de trabalho no campo ções dos países em desenvolvimento convivem com a es-
As relações trabalhistas instituídas no meio rural brasilei- cassez de alimentos e não dispõem de recursos educativos,
ro que, em geral, são altamente exploratórias, apresentam-se ambientais e até financeiros para obtenção dos mesmos,
bastante variadas. Algumas ainda arcaicas enquanto outras tendo como consequência a fome e/ou subnutrição (MON-
inseridas na modernidade capitalista. As principais são. TEIRO, 1996; PEKKANIVEW, 1975).

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GEOGRAFIA

O objetivo desse trabalho é fazer um estudo retrospectivo ALIMENTAÇÃO NA IDADE CONTEMPORÂNEA


que venha oferecer subsídios para uma reflexão sobre o pano- Até o século XX, muitas descobertas técnico-científicas
rama da alimentação mundial. Procurou-se fazer uma retros- importantes levaram ao progresso e também à modificação
pectiva histórica centrada em aspectos que pudessem servir dos costumes alimentares (ABREU, 2000):
como facilitadores de um melhor entendimento, já que estão 1. O aparecimento de novos produtos;
intrinsecamente relacionados. Foram eles: recursos, hábitos e 2. A renovação de técnicas agrícolas e industriais;
padrões alimentares, tipos de alimentos consumidos e fome. 3. As descobertas sobre fermentação;
Todos esses aspectos foram abordados sempre na perspectiva 4. A produção do vinho, da cerveja e do queijo em escala
histórica, procurando ressaltar a importância das interações e industrial e o beneficiamento do leite;
intercâmbios entre os vários países. 5. Os avanços na genética permitiram sua aplicação no
  cultivo de plantas e criação de animais;
ALIMENTAÇÃO NA PRÉ–HISTÓRIA E IDADE ANTIGA 6. A mecanização agrícola;
Desde o princípio, por milênios, vagaram os predecessores 7. E ainda o desenvolvimento dos processos técnicos
do homem, o próprio homem e seus descendentes, perscrutan- para conservação de alimentos.
do a face da terra, em busca de alimento. Deixaram-nos um lega- A descoberta oficial da América, 1492 resultante das ten-
do filogenético de experiências, em que se fundamentaram nos- tativas de novas descobertas, como citado anteriormente, e
sos se ao cultivo de cereais e condimentos (GIACOMETTI, 1989). as outras viagens que Cristóvão Colombo realizou, não tive-
Os condimentos também têm sua significação na história ram apenas repercussões políticas e econômicas. As carave-
da alimentação humana. O homem primitivo, como o atual, las do navegador voltaram com novos ingredientes de cozi-
desejava alguma coisa além do alimento em si; foi o sabor que nha. Se não encontrou um trajeto mais rápido para buscar as
desenvolveu a arte de comer e a de beber (SAVARIN, 1995). especiarias no oriente, como prometera, Colombo foi pelo
  menos um brilhante estimulador de descobertas gastronô-
ALIMENTAÇÃO NA ANTIGUIDADE CLÁSSICA E IDADE micas. Assim, muitos alimentos foram à Europa, trazidos da
MÉDIA América: tomate, batata, abacaxi, abacate, amendoim, bau-
A disseminação do uso de diferentes tipos de alimentos nilha, milho, mandioca, feijão, pimentas, provocando uma
entre os continentes se deve muito ao comércio e à introdução revolução nas receitas da época (GARCIA, 1995; GULA, 1997).
de plantas e animais domésticos em novas áreas. Os gregos Pelo valor que era dado aos cereais, os europeus despreza-
e os romanos tinham um comércio de grande porte, envol- ram os tubérculos encontrados no Novo Mundo, principal-
vendo plantas comestíveis, azeite de oliva e ainda importavam mente a batata que era usada por eles para alimentar porcos,
especiarias no Extremo Oriente em 1000 a.C. (GARCIA, 1995). prisioneiros e camponeses pobres (MEZOMO, 1994). O milho
Durante os séculos tormentosos da Idade Média, houve quando introduzido na Europa foi utilizado pelas camadas
um aperfeiçoamento lento dos modos de produção de ali- sociais de reduzidas posses, surgindo assim as preparações
mentos. A alimentação não se desenvolveu, ocorrendo, ainda, econômicas. O milho e a batata foram certamente as con-
um recuo às práticas primitivas, principalmente relacionadas tribuições mais significantes para beneficiar as populações
às épocas de penúria e fome. menos favorecidas em recursos alimentares. O cacau, a bau-
Um influxo de plantas comestíveis importantes para a Eu- nilha e o tomate ascenderam às esferas de maior sofisticação
ropa ocorreu quando os árabes invadiram a Espanha em 711. culinária, comparecendo à mesa dos ricos (ORNELLAS, 1978).
Nesse tempo os invasores sarracenos levaram arroz para o sul O estudo comparativo de padrões de consumo alimen-
da Europa, além de outros alimentos vegetais, frutas, condi- tar no mundo (PEKKANIVEW, 1975) mostra o consumo dos
mentos e a cana de açúcar (GARCIA, 1995; ORNELLAS, 1978; vários tipos de cereais: “Starchy foods” - raízes, tubérculos,
SAVARIN, 1995). O domínio árabe do Mediterrâneo abalou incluindo batata, batata doce, inhame e mandioca, “plan-
drasticamente a estrutura da região, o que trouxe quinhentos tains”, bananas, figos, tâmara, desde que fossem consumidos
anos de caos principalmente no comércio. Somente no século de forma rotineira na dieta das populações; “Pulses” - nome
XII o Mediterrâneo reconquistou posição destacada no siste- dado a uma grande variedade de sementes de leguminosas
ma comercial europeu e as especiarias voltaram a ter impor- na maioria dos países de língua inglesa, nozes e sementes;
tância em toda a Europa. frutas; carnes; leite e derivados; ovos e peixe; gorduras e
Segundo MEDVED (1981), com as cruzadas, que tiveram óleos; açúcar e bebidas. Foi possível verificar a grande varia-
início em 1096, milhares de peregrinos entraram em contato ção dos padrões de consumo nas diferentes partes do mun-
com o Oriente Médio, estabelecendo-se um intenso comér- do. Dependendo do nível de desenvolvimento e das condi-
cio. Na a Idade Média, as especiarias e ervas aromáticas eram ções de produção, áreas desenvolvidas consomem diferentes
usadas em banquetes para ostentar riqueza. Durante os sé- proporções de tipos de alimentos em relação àquelas em de-
culos XV e XVI, Portugal, Espanha e Veneza competiram no senvolvimento. Maiores proporções de alimentos de origem
financiamento de viagens marítimas visando descobrir centros animal, variados tipos de vegetais, frutos, açúcares e bebidas,
produtores de especiarias e apoderar-se deles. Essas viagens são consumidos nas áreas desenvolvidas, enquanto naque-
foram de grande importância para a descoberta de novos las em desenvolvimento consomem grandes quantidades de
alimentos e especiarias, além de expressar o domínio eco- cereais e “starchy foods”, o consumo de vegetais e frutas é
nômico dos países que a realizavam. Durante a história, o menor do que nos países desenvolvidos, o consumo de ali-
poder econômico e o monopólio do comércio passou por mentos de origem animal é mínimo. O consumo de açúcar
vários povos e nessas conquistas e descobertas houve um vem aumentando em todas as partes do mundo. Em alguns
intercâmbio de cultura, hábitos, culinária e conhecimentos.  países em desenvolvimento esse consumo tem aumentado

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GEOGRAFIA

mais do que nos países desenvolvidos. Mas o uso de açú- Quase sempre, os enormes  déficits  de alimentos em
car é particularmente muito levado na América do Norte, países em desenvolvimento são acompanhados de alta
na Oceania, na maioria dos países europeus e na América desnutrição e fome, sendo que os escassos recursos usados
Latina. As mais elevadas proporções no consumo de óleos para a importação são tirados de serviços básicos e de in-
e gorduras figuram entre os países da Europa e América do dústrias dos quais necessitariam emergentemente, como por
Norte. Entre as bebidas alcóolicas, as cervejas e vinhos são exemplo, o beneficiamento de grãos.
aquelas mais comuns em todo o mundo, mas seu principal Conferências realizadas nas últimas décadas, cujo anseio
consumo ocorre na Europa. Em todas as partes do mundo foi pôr fim à pobreza, revelaram como todos os problemas pri-
outras bebidas alcoólicas são usadas ao lado da cerveja e do mários da humanidade estão inter-relacionados: crescimento
vinho, mas essas bebidas não acompanham a dieta diária da econômico, meio ambiente, desperdício de alimentos, urbani-
mesma forma que a cerveja e o vinho. zação, cuidados com as crianças, desenvolvimento econômico
O estudo de PEKKANIVEW (1975) leva à reflexão sobre (COMITÉ NACIONAL DE LOS ESTADOS UNIDOS ,1992).
alguns aspectos importantes que interferem nos padrões de Mudanças nos hábitos alimentares têm sido observadas
consumo dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, em diversos países. Essas mudanças estão associadas, entre
dentre os quais pode-se citar as desigualdades na disponi- outros fatores, com o sistema de desenvolvimento da distri-
bilidade dos suprimentos alimentares, nas condições climá- buição e da produção de gêneros alimentícios e com o fenô-
ticas, nas possibilidades técnicas. Há grande precariedade de meno da urbanização, influenciando o estilo de vida e a saú-
transporte que limitam o consumo alimentar nos países em de da população (MONDINI & MONTEIRO, 1994; OLIVEIRA,
desenvolvimento, além dos costumes religiosos e da precá- 1997).
ria educação alimentar que também influem no consumo No Brasil, segundo alguns autores, essa mudança tem
habitual. O autor deixa bem claro que a melhoria econômica ocorrido principalmente como consequência de políticas que
é fator preponderante na mudança de padrões de consumo. têm favorecido o desenvolvimento de um modelo de “capita-
É importante também que se tenha claro que hoje o lismo de oligopólio”, em que poucos tem o domínio, conduzi-
mercado internacional de alimentos e mesmo o nacional do pela imitação de padrões de produção e características de
exigem padrões de qualidade, indispensáveis nos contratos consumo de países ocidentais.
de compra e venda, que devem satisfazer os regulamentos Segundo MONTEIRO (1996), a fome medida pelas reser-
vas energéticas da população no Brasil tem incidência restrita
sanitários e os padrões de qualidade requeridos pelo impor-
no País, afetando de forma clara apenas a população rural do
tador (GIACOMETTI, 1989).
nordeste, ainda assim em grau leve e moderado de acordo
O crescimento demográfico, industrialização, urbaniza-
com padrões internacionais. A população urbana de todo o
ção, muda o consumo e o estilo de vida, favorecendo o se-
País apresenta-se protegida da fome, incluindo as que vivem
dentarismo, a restrição da necessidade de gasto de energia
nas regiões norte e nordeste e a população rural do País. No
para as atividades diárias e para o trabalho, além de facilitar
entanto, o autor ressalta que seriam necessários mais dados
o consumo de alimentos prontos e de alta densidade ener-
para esclarecer a situação da deficiência nas demais popula-
gética aumentado os problemas de saúde como a obesida- ções rurais brasileiras. As distinções identificadas na magnitu-
de, a hipertensão e alguns tipos de câncer. A urbanização de e padrão da distribuição da pobreza, da fome e da desnu-
traz consigo as infecções advindas de água e alimentos con- trição no Brasil, confirmam a natureza distinta dos problemas
taminados (COMITÉ NACIONAL DE LOS ESTADOS UNIDOS, e ao mesmo tempo em que implicam na definição de priorida-
1992). des a determinados objetivos para ação governamental.
O aumento da expectativa de vida e a urbanização com- Levantamentos periódicos possibilitarão aos pesquisado-
binados com o subdesenvolvimento econômico tem signifi- res o conhecimento das tendências de consumo alimentar da
cado com frequência a superimposição de um tipo de distúr- população em geral e/ou de grupos particulares, e, a análise
bio alimentar. Desde a conferência mundial de alimentação dessas informações em termos de macro e micronutrientes, vi-
em 1974, os organismos internacionais têm concentrado a sando verificar se as necessidades nutricionais específicas dos
questão da subnutrição que os leigos chamam de fome. Ge- brasileiros estão sendo satisfeitas (OLIVEIRA,1997).
ralmente as pessoas que não obtêm o suficiente para comer, Os problemas alimentares mais graves exigem que se
para satisfazer as suas necessidades vitais básicas, têm em compreendam os ambientes geográficos em que aparecem,
comum a pobreza. A maior parte da fome e da desnutrição não sendo simplesmente problemas de renda. É no meio rural
em todo o mundo moderno são produtos da pobreza (CO- de países em desenvolvimento, sobretudo na África subsaaria-
MITÉ NACIONAL DE LOS ESTADOS UNIDOS , 1992). na, na Ásia do sul, que se manifestam as formas mais graves de
O alimento está disponível, mas não é acessível para mi- subalimentação, e, também no nordeste brasileiro, em versão
lhões de pessoas que não têm poder aquisitivo nem terras. menos grave. É pela valorização do plantio e da irrigação e
O excedente global de alimentos não se traduz em seguran- pelos programas de recuperação de desnutridos que será pos-
ça alimentar. Mais de 100 países do mundo são importado- sível reduzir num futuro próximo as dimensões assustadoras
res de alimentos, portanto não são produtores daquilo que que o fenômeno da fome ainda assume na virada do milênio.
consomem. No caso de alguns, essa importação tem pou- O conhecimento das condições locais e da sua integração
ca importância, mas no caso de outros como, por exemplo, sócio-econômico-política com o meio em que se manifes-
Bangladesh, Etiópia e Haiti certamente este fator influencia ta, a fome pode ser a base não só para o diagnóstico, mas,
muito a manutenção da pobreza e da fome (COMITÉ NA- sobretudo para o aproveitamento de possibilidades sociais
CIONAL DE LOS ESTADOS UNIDOS, 1992). e naturais até então em repouso (ABRAMOVAY, 1996). 

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GEOGRAFIA

ALIMENTAÇÃO PARA O FUTURO Os fluxos de informações vêm aumentando em todo


Como demonstrou-se, a cada época uma região desen- planeta, isso se deve, principalmente, pelo fato dos custos
volvia seu padrão alimentar em função da disponibilidade com as novas tecnologias e serviços (como telefone fixo
de alimentos acessíveis à população. Esses alimentos eram e móvel, além da internet) estarem gradativamente dimi-
adaptados à culinária regional. nuindo, desse modo, atingindo uma quantidade cada vez
Atualmente, os padrões de consumo alimentar variam maior de pessoas. O custo de uma ligação internacional
grandemente em diferentes partes do mundo, dependen- entre Nova York e Londres custa hoje cerca de US$ 0,35, na
do do grau de desenvolvimento e condições econômicas e década de trinta o valor era de 250 dólares.
políticas para a produção. Paralelamente, o aumento da po- Tanto a rede de telecomunicação quanto os fluxos de
pulação e o envelhecimento no mundo, aliados ao “padrão informações não possuem a mesma configuração em to-
alimentar” que vem seguindo estacionário, pode significar das as partes do mundo, pelo contrário, são bastante desi-
um agravamento dos problemas nutricionais (ABREU, 2000). guais. Isso é explicado pelo fato de que os países desenvol-
Duas tendência se desenvolvem no escopo de obter ali-
vidos detêm o monopólio das informações que circulam no
mentos para o futuro. A primeira, tradicionalista, se baseia em
mundo. A maioria das agências de notícias, como as redes
produtos primários e, concede prioridade absoluta à agricultu-
de TV, se encontra nesses países, que possuem domínios
ra, recomendando a contenção ou parada na industrialização.
sobre os satélites, de onde vêm as principais informações.
Ao esforço de prover alimentos para o futuro, há uma segunda
tendência que se encaminha para fórmulas industrializadas: ali- Somente uma rede de televisão norte-americana pos-
mentos “de conveniência”; alimentos “desenhados”; alimentos sui vinte satélites, esses são usados para transmitir a mi-
sintéticos; proteína texturizada a partir de oleaginosas ou pro- lhões de pessoas seus programas. Esses satélites permitem
dutos de cereais processados e apresentados em formas varia- que um acontecimento em qualquer parte do planeta pos-
das; concentrados ou isolados; extrusão1 ; filamentos para con- sa ser transmitido quase que simultaneamente a bilhões de
fecção de alimentos não convencionais; além dos tão discutidos pessoas no mundo.
alimentos transgênicos e funcionais (NEUMANN et al.,2000). A desigualdade quanto ao uso das novas tecnologias é
provado quando se observa que em países desenvolvidos,
Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_art- como Estados Unidos, Canadá, Japão, Reino Unido, França
text&pid=S0104-12902001000200002 e Alemanha, cerca de 63% de suas respectivas populações
têm acesso à internet. Enquanto que em países da Áfri-
ca Subsaariana, somente 1,3% da população tem acesso a
GLOBALIZAÇÃO E CIRCULAÇÃO: OS essa tecnologia.
FLUXOS FINANCEIROS, TRANSPORTES, Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geogra-
OS FLUXOS DE INFORMAÇÃO, O MEIO fia/os-fluxos-informacoes.htm
TECNOCIENTÍFICO-INFORMACIONAL,
COMÉRCIO MUNDIAL, BLOCOS Recebe o nome de bloco econômico a associação de
ECONÔMICOS, CONFLITOS ÉTNICOS E AS países que estabelecem relações econômicas privilegiadas
MIGRAÇÕES INTERNACIONAIS; A DIVISÃO entre si e que concordam em abrir mão de parte da sobe-
rania nacional em proveito da associação.
INTERNACIONAL DO TRABALHO (DIT)
Como resultado da  economia mundial globalizada, a
E AS TROCAS DESIGUAIS; A NAÇÃO E O
tendência atual é a formação de blocos econômicos, desti-
TERRITÓRIO, nados a realizar uma maior integração entre seus membros
e facilitar o comércio entre os mesmos. Para isso, geral-
mente adotam a redução ou isenção de impostos ou de
Algumas tecnologias da informação, como computa-
tarifas alfandegárias e buscam soluções em comum para
dores conectados à internet, teleconferência, telefone fixo e
problemas comerciais. Em tese, o comércio entre os inte-
móvel, satélites, além de outros, favorecem de forma direta
o fluxo de informações, isso em cadeia global. grantes de um bloco aumenta e gera crescimento, e deixar
Contamos atualmente com uma complexa rede de co- de participar de uma organização do tipo significa atual-
municação, pela qual as mais diversas informações fluem de mente viver isolado do mundo comercial. Tais associações
maneira acelerada, dessas podemos citar: os noticiários da são costumeiramente formadas por países vizinhos ou que
TV, rádio, jornais, revistas, internet e muitos outros. Dian- possuam afinidades culturais ou comerciais.
te desses e de outros meios de comunicação, o homem Na época da Guerra Fria, o mundo estava dividido em
contemporâneo pode assistir uma guerra ou mesmo um dois grandes blocos econômicos, ideológicos e políticos,
atentado através de um aparelho de televisão, como o que o que equivale a dizer que a ordem política internacional
aconteceu nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001, era bipolar: de um lado, estava o bloco capitalista chefiado
quando bilhões de pessoas puderam visualizar ao vivo esse pelos EUA, e do outro o socialista, liderado pela URSS. No
acontecimento histórico. início dos anos 90, com o fim do socialismo na maior parte
Os veículos de comunicação em massa são os responsá- do mundo, apenas um bloco, o liderado pelos EUA sobrevi-
veis por nos transmitir as notícias que acontecem em nossa ve, e passa a ser a norma no restante do mundo. Esta nova
cidade, nosso Estado, país ou em qualquer outro ponto do ordem que surgia foi entendida como monopolar, isto é,
planeta. prevalece a vontade da última grande potência restante.

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GEOGRAFIA

No aspecto econômico, apesar dos EUA continuarem a • OECO; (Organização dos Estados do Caribe Oriental)
exercer sua hegemonia em muitas áreas, as últimas décadas • SAARC; (Associação Sul- Asiática para a Coopera-
testemunharam a formação de blocos econômicos regionais, ção Regional)
isto é, associações de países, na sua maioria vizinhos, que pas- • SADC; (Comunidade para o Desenvolvimento da
saram a manter relações econômicas privilegiadas entre si. África Austral)
Os blocos econômicos atuais podem ser classificados em: • UA; (União Africana)
zona de preferência tarifária, zona de livre comércio, união • UAAA; (União Aduaneira da África Austral)
aduaneira, mercado comum e união econômica e monetária. • UE; (União Europeia)
Cada modalidade equivale a um grau de comprometimento • UEMOA; (União Econômica e Monetária dos Oeste
maior de soberania, e cabe aos membros do bloco decidir Africano)
qual nível é o mais adequado. A União Europeia é um exem- • UMA; (União do Magrebe Árabe)
plo de bloco que seguiu todos esses passos (já atingiu a união • UNASUL; (União de Nações Sul-Americanas)
econômica e monetária), mas outros já formados não segui-
ram necessariamente essa ordem. O bloco econômico Mer- Fonte: http://www.infoescola.com/economia/blocos
cosul por exemplo, é classificado como união aduaneira. -economicos/
O primeiro bloco econômico foi criado na Europa, em
1956. Era formado inicialmente pela Bélgica, Alemanha Oci- Movimentos Migratórios
dental, Holanda, Itália, Luxemburgo e França, sendo conhe- Impulsionados por motivos diversos, como a fome, a
cido pela sigla CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do conquista territorial, a fuga a perseguições políticas e reli-
Aço). Esse grupo foi, logo depois, o embrião da moderna giosas, as crises econômicas, entre outros, os movimentos
União Europeia (UE). migratórios têm se realizado ao longo da história de forma
Exemplos de Blocos Econômicos: contínua.
• ACP; (Associação de países da África, Caribe e Pacífico) Cada época marca seu motivo. A verdade é que os
• ACP-EU; (Acordo de Cotonou. Um acerto comercial movimentos de popu­lação permitiram o povoamento do
entre a União Europeia) mundo e significaram a expansão de etnias, línguas, reli-
• AEC; (Associação dos Estados do Caribe) giões e conhecimento, num emaranhado processo que dá
• AELC; (Associação Europeia de Livre Comércio) ao mundo atual os traços de grande diversi­dade e riqueza
• ALADI; (Associação Latino-Americana de Integração) cultural que observamos.
• ALALC; (Associação Latino-Americana de Livre Co- As chamadas Grandes Navegações ou “grandes inva-
mércio) sões”, por exemplo, foram responsáveis pela colonização
• ALBA; (Aliança Bolivariana para as Américas) do continente americano a partir do século XVI; e signifi-
• ALCA; (Área de Livre Comércio das Américas) caram a difusão da cultura dos europeus, a qual entrou em
• APEC; (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico) choque com as culturas das comunidades indí­genas que já
• ASEAN; (Associação de Nações do Sudeste Asiático) habitavam o território.
• CEFTA; (Acordo Centro-Europeu de Livre Comércio) Esse deslocamento populacional foi estimulado pelo
• CAFTA-DR; (Comunidade de Livre Comércio entre expansionismo territorial das potências europeias da
Estados Unidos Central e República Dominicana) época, que buscavam fontes de matérias-pri­mas e novos
• CAN; (Comunidade Andina de Nações) mercados para seus pro­dutos, portanto, tinha motivação
• CAO; (Comunidade da África Oriental) geopolítica e econômica. Essa migração aumentou maciça-
• CARICOM; (Comunidade do Caribe) mente no século XIX e começo do XX.
• CARIFTA; (Associação de Livre Comércio do Caribe) Paralelamente, perseguições políti­cas e religiosas,
• CEA; (Comunidade Econômica Africana) guerras e crises econô­micas foram responsáveis por gran-
• CEDEAO; (Comunidade Econômica dos Estados da des deslocamentos humanos da Europa e Ásia para as
África Ocidental) Américas. Outras partes do mundo sofreram estimulação
• CEEA; (Comunidade Econômica Eurasiática) migrató­ria mais localizada, como é o caso da Austrália e
• CEEAC; (Comunidade Econômica dos Estados da Nova Zelândia, onde a pers­pectiva de melhoria de con-
África Central) dições de vida, com a possibilidade de mobilida­de social
• CEI; (Comunidade dos Estados Independentes) (ascensão econômica), incen­tivou especialmente parte da
• CEMAC; (Comunidade Econômica e Monetária da popula­ção da Grã-Bretanha a emigrar.
África Central)
• IBAS; (Fórum de Diálogo Índia-Brasil- África do Sul) Movimentos migratórios do século XVI ao início do sé-
• COMECOM; (Conselho para Assistência Econômica culo XX
Mútua) Causas das migrações atuais
• COMESA; (Mercado Comum da África Oriental e Os movimentos migratórios atuais rela­cionam-se, prin-
Austral) cipalmente, a duas causas:
• MERCOSUL; (Mercado Comum do Sul) • A busca por melhores condições de vida – caracteriza
• NAFTA; (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio) os deslocamentos populacionais provocados pela miséria
• OCDE; (Organização para a Cooperação e desenvol- que se concentra em algumas partes do mundo. Por­tanto,
vimento Econômico) têm caráter econômico, constituindo fluxos ou correntes

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GEOGRAFIA

migratórias de países pobres para países ricos. Exemplos: b) Europa Ocidental – essa região concentra as princi-
pós-década de 60 (século XX), da Europa Mediterrânea pais econo­mias do continente: Alemanha, França, Itália e
para a Euro­pa Ocidental; na atualidade, do norte da África Reino Unido, além da Holanda, Suécia e Suí­ça. A Europa é
para países europeus, de regiões da América Latina para os circundada por várias regiões com economias problemáti-
EUA e Canadá, do extremo oriente para as Américas. Essas cas, como a África, Oriente Médio, Europa Oriental e, mais
migrações são vistas como o efeito colateral mais perverso distante, o Sul e Sudeste Asiático.
da globalização. Quando, nos anos 60 (século XX), os países acima cita-
• A fuga de regiões em conflito – trata-se de migra- dos começaram a apresentar um desenvolvimento mais ace­
ções provocadas por guerras locais, portanto, têm motiva- lerado, libertando-se dos pro­blemas gerados pela Segunda
ção político-bélica, constituindo um verdadeiro êxodo para Guerra Mundial, teve início a imigração. Em princípio, ela
os países que recebem os refugiados. Esses deslocamen- ocorreu na própria Europa (migração intracontinental), dos
países mais pobres, como Por­tugal, Irlanda, Grécia, Espanha,
tos ocorrem por uma questão de sobrevivência às perse-
e Turquia em direção aos países centrais. Mais tarde, tam-
guições motivadas por conflitos étnicos e às atrocidades
bém começaram a chegar os imi­grantes de outros continen-
cometidas contra as populações civis. Os exemplos mais tes (migração intercontinental’), os quais eram bem-vindos à
recentes fo­ram os que ocorreram na Bósnia-Herzegovina medi­da que forneciam mão-de-obra barata, substituindo os
e Kosovo. traba­lhadores locais em serviços ge­ralmente braçais. O mais
• Mas é no continente africano que se desencadeia a típico exemplo foram os turcos mi­grando principalmente
maior quantida­de de movimentos migratórios: são legiões para a então Alemanha Ocidental.
de refugiados vagando pelo espaço local, à procura de En­tretanto, as crises econômicas e as transformações
abrigo, fugindo de guerras tribais, instabilidades políticas, na estrutura de trabalho, com a automação, reduziram os
questões raciais e religiosas e golpes mili­tares. empregos. Surgi­ram, então, as sombras da xe­nofobia. A si-
Áreas de repulsão e atração tuação ficou pior com o fim do sistema socialista e o surgi-
Hoje, no mundo, podemos identi­ficar algumas áreas mento de grupos euro­peus orientais desempregados e em-
com característi­cas de repulsão (países emissores) e de pobrecidos. A partir daí, o imigrante estrangeiro passou a ser
atração (países receptores) no espaço terrestre, que levam visto como um intruso ou concorrente indesejado, levan­do
milhares de pessoas a se deslocar. muitos países a adotar me­didas restritivas.
Como áreas de repulsão, podemos identificar:
a) América Latina (México, América Central e América c) Japão – relativamente recentes nos processos migra-
do Sul) – com seus históricos problemas de desequilíbrio tórios, os países começaram a se tornar um polo de atração
econômico, provocados por endivida­mentos e mau geren- a partir de seu acelerado crescimento econômico dos anos
ciamento do dinheiro público, gerando enormes bolsões 70. Inicialmente os imigrantes provi­nham das cercanias de
de pobreza. China, Taiwan e Coréia do Sul. O envelhecimento precoce da
popula­ção, entretanto, serviu de maior atrativo, levando a
b) África – onde, além da pobreza crônica da popula-
um aumento da imigração, com destaque para o brasileiro,
ção, ocorrem conflitos raciais de extrema vio­lência dentro
(dekassegui), trabalhador não-qualificado, aproveitado para
dos países arti­ficialmente criados pelos colo­nizadores eu-
as tarefas bra­çais. Milhares de famílias brasi­leiras mudaram
ropeus. para o Japão em busca de dólares.
c) Ásia – o continente que concentra o maior contin- Fonte: http://www.coladaweb.com/geografia/movi-
gente absoluto de pobres do mundo onde as estruturas mentos-migratorios.
sociais são pro­fundamente injustas, muitas vezes exacer-
badas pelos siste­mas de castas e pelo comportamento re- A DIT (Divisão Internacional do Trabalho) é uma divisão
ligioso. produtiva em âmbito internacional. Os países emergentes
d) Leste Europeu – onde o fim do socialismo gerou ou em desenvolvimento que obtiveram uma industrialização
enorme desor­ganização econômica, com a eli­minação de tardia e que possuem economias ainda frágeis e passíveis de
empregos e benefí­cios estatais, expondo diferenças antes crises econômicas oferecem aos países industrializados um
controladas pela ideologia política comum, provocando leque de benefícios e incentivos para a instalação de indús-
con­flitos étnicos e religiosos. trias, tais como a isenção parcial ou total de impostos, mão-
O desenvolvimento do capitalismo internacional con- de-obra abundante, entre outros.
centrou, particularmente, a riqueza em algumas regiões A Divisão Internacional do Trabalho direciona uma espe-
do globo, atraindo as popula­ções empobrecidas que têm cialização produtiva global, já que cada país fica designado
grande desejo de participar dos benefícios decorrentes a produzir um determinado produto ou partes do mesmo,
dependendo dos incentivos oferecidos em cada país. Esse
desse poder. processo se expandiu na mesma proporção que o capi-
Como exemplos dessas áreas de atração, podemos talismo. Nesse sentido, um exemplo que pode ser usado
identificar: é a montagem de um automóvel realizada na Argentina,
a) América Anglo-Saxônica – os EUA e, em menor es- porém com componentes oriundos de diferentes países,
cala, o Ca­nadá, com suas ricas econo­mias, são atrativos como parte elétrica e eletrônica de Taiwan, borrachas da
para as po­pulações latino-americanas, principalmente me- Indonésia e assim por diante. Isso ocorre porque cada país
xicanos e centro-americanos que veem na poderosa nação oferece certos atrativos. Desta forma, o custo do produto
(EUA) a solução para seus problemas. final será menor, aumentando os lucros.

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GEOGRAFIA

A Divisão Internacional do Trabalho provoca desigual- política da sociedade instituída no interior de seu território.
dades. Os países emergentes ou em desenvolvimento, como A Constituição é a norma jurídica que ordena as relações
México, Argentina, Brasil e outros, adquirem tecnologias a entre as instituições do estado e define os direitos e os
preços altos, enquanto que os produtos exportados pelos deveres dos cidadãos. A sede do poder político é a Capital,
países citados não atingem preços satisfatórios, favorecendo uma cidade que tem a função especial de abrigar os órgãos
os países ricos. centrais do Estado.
A DIT corresponde a uma especialização das atividades A diversidade das formas de organização do Estado re-
econômicas em caráter de produção, comercialização, expor- flete diferentes opções de distribuição do poder político.
tação e importação entre distintos países do mundo. Do ponto de vista territorial, as formas mais difundidas de
Antes desse processo vigorar no mundo, mais precisa- organização são o Estado, a Federação e a Confederação.
mente na década de 50, os bens manufaturados eram oriun- O Estado unitário não admite a partilha da soberania.
dos restritamente dos países industrializados, como Estados As unidades regionais não possuem legislação própria e
Unidos, Canadá, Japão e nações europeias. Os países já in- seus dirigentes limitam-se a exercer funções administrati-
dustrializados tinham suas respectivas produções primeira- vas. A maior parte das monarquias constitui Estados unitá-
mente destinadas ao abastecimento do mercado interno, e rios. A França e a Bolívia figuram entre os raros exemplos
depois, o restante direcionado ao fornecimento de mercado- de república unitária.
rias industrializadas aos países subdesenvolvidos que ainda A organização federativa oferece um elevado grau de
não haviam ingressado efetivamente no processo de indus- autonomia política para as unidades regionais ( chamadas
trialização. estados, províncias, cantões ou repúblicas). Os governos
Os países subdesenvolvidos tinham a incumbência de das unidades federativas decidem sobre assuntos de políti-
gerar matéria-prima com a finalidade de fornecê-la aos paí- ca econômica e social, com base em legislação própria. mas
ses industrializados. a legislação autônoma das unidades federadas subordina-
Após a Segunda Guerra Mundial, muitas empresas, so- se à Constituição Federal, que reserva ao governo central
bretudo norte-americanas, começaram a instalar filiais em o controle sobre as Forças Armadas, a emissão de moeda e
diferentes países do mundo. Isso foi intensificado com o as relações internacionais. As repúblicas, como os Estados
processo da globalização, que transformou muitos países Unidos, o Brasil, a Argentina, a Alemanha, a Rússia e a Índia.
subdesenvolvidos, que no passado eram meros produtores Organizam-se, geralmente, sob a forma federativa.
A organização confederativa baseia-se no princípio da
primários, em exportadores também de produtos industria-
reunião de entidades políticas soberanas. O Estado con-
lizados, alterando as relações comerciais que predominavam
siste em um contrato político que pode ser legalmente
até então.
desfeito, com a separação das partes constitutivas. Cada
Apesar da modificação apresentada na configuração
uma das repúblicas confederadas possui sua Constituição
econômica, os países da América Latina, Ásia e África, ainda
e pode até mesmo emitir moeda e manter Forças Arma-
ocupam destaque na produção de produtos primários.
das próprias. O governo confederado conserva apenas os
O que os mantêm como produtores primários é princi-
poderes a ele atribuídos pelo contrato entre as repúblicas,
palmente o modo como os países subdesenvolvidos foram como o de representá-las nas instituições internacionais.
industrializados. Grande parte das empresas e indústrias exis- Entre os raros exemplos de confederação, encontra-se a
tentes em países pobres é de nações desenvolvidas e ricas. Bósnia-Herzegovina. A Suíça - cujo nome oficial é Confe-
Diante desse fato, todos os lucros adquiridos durante o ano deração Helvética - foi exemplo clássico dessa forma de
não permanecem no território no qual a empresa se encon- organização, mas tornou-se uma federação no século XIX.
tra, e sim, migra para o país de origem da mesma. Em outras Do ponto de vista do ordenamento jurídico-político,
palavras, as empresas transnacionais sempre buscam os inte- as formas de organização do estado compreendem diver-
resses próprios sem considerar as causas sociais, econômicas sos tipos de repúblicas e de monarquias. Nas repúblicas, o
e ambientais de onde suas empresas estão instaladas. chefe de Estado é escolhido pelos cidadãos ou, no caso das
Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/ ditaduras, imposto pelas Forças Armadas (caso de Mian-
divisao-internacional-trabalho-dit.htm mar), pela elite política dirigente (caso da China, Cuba ou
da Coréia do Norte) ou pela cúpula religiosa (caso do Irã).
Nas monarquias, o chefe de Estado pertence a uma linha-
gem dinástica.
OS ESTADOS TERRITORIAIS E OS ESTADOS As repúblicas são presidencialistas quando o presi-
NACIONAIS: A ORGANIZAÇÃO DO dente acumula as funções de chefe de Estado e chefe de
ESTADO NACIONAL; E O PODER GLOBAL, governo. É o que acontece, por exemplo, nos Estados Uni-
NOVA ORDEM MUNDIAL, FRONTEIRAS dos, Brasil, na Argentina e na África do Sul. Nas repúblicas
ESTRATÉGICAS. parlamentaristas, o presidente é apenas chefe de estado,
pois a chefia de governo é exercida pelo primeiro- ministro,
que representa a maioria parlamentar. Esse sistema é ado-
A Geografia Política dedica-se ao estudo das relações tado na Alemanha, na Itália e na Índia, entre outros países.
entre o estado e o espaço geográfico. O poder do estado Há ainda sistemas mistos, nos quais o presidente divide
exercido por um conjunto de instituições governamentais , as funções de chefe de governo com o primeiro-ministro,
executivas ou judiciárias. Essas instituições regulam avida como ocorre na França.

21
GEOGRAFIA

As monarquias democráticas adotam regimes de gover- A Divisão do Mundo entre Norte e Sul
no parlamentarista, como ocorre no Reino Unido, na Espanha, Durante a ordem geopolítica bipolar, o mundo era ro-
na Suécia e no Japão. Nas monarquias autoritárias, o sobera- tineiramente dividido entre leste e oeste. O Oeste era a re-
no (rei, sultão, emir ou príncipe) exerce as funções de chefe de presentação do Capitalismo liderado pelos EUA, enquanto
governo, seguindo regras tradicionais ou legislação religiosa. o Leste demarcava o mundo Socialista representado pela
Entre exemplos desse tipo de regime encontra-se Arábia sau- URSS. Essa divisão não era necessariamente fiel aos crité-
dita, Utão e Marrocos. rios cartográficos, pois no Oeste havia nações socialistas (a
Fonte: http://geografiasuperior.blogspot.com. exemplo de Cuba) e no leste havia nações capitalistas.
br/2017/01/a-organizacao-do-estado-nacinal.html Contudo, esse modelo ruiu. Atualmente, o mundo é
dividido entre Norte e Sul, de modo que no Norte encon-
Uma ordem mundial diz respeito às configurações gerais tram-se as nações desenvolvidas e, ao sul, encontram-se
das hierarquias de poder existentes entre os países do mundo. as nações subdesenvolvidas ou emergentes. Tal divisão
Dessa forma, as ordens mundiais modificam-se a cada oscila- também segue os ditames da Nova Ordem Mundial, em
ção em seu contexto histórico. Portanto, ao falar de uma nova considerar preferencialmente os critérios econômicos em
ordem mundial, estamos nos referindo ao atual contexto das detrimento do poderio bélico.
relações políticas e econômicas internacionais de poder.
Durante a Guerra Fria, existiam duas nações principais
que dominavam e polarizavam as relações de poder no glo-
bo: Estados Unidos e União Soviética. Essa ordem mundial era
notadamente marcada pelas corridas armamentista e espa-
cial e pelas disputas geopolíticas no que se refere ao grau
de influência de cada uma no plano internacional. Este era
o mundo bipolar.
A partir do final da década de 1980 e início dos anos 1990,
mais especificamente após a queda do Muro de Berlim e do
esfacelamento da União Soviética, o mundo passou a conhe-
cer apenas uma grande potência econômica e, principalmen-
te, militar: os EUA. Analistas e cientistas políticos passaram a
nomear a então ordem mundial vigente como unipolar. Em vermelho, os países do sul subdesenvolvido e, em
Entretanto, tal nomeação não era consenso. Alguns ana- azul, os países do norte desenvolvido
listas enxergavam que tal soberania pudesse não ser tão no- Observa-se que também nessa nova divisão do mundo
tável assim, até porque a ordem mundial deixava de ser me- não há uma total fidelidade aos critérios cartográficos, uma
dida pelo poderio bélico e espacial de uma nação e passava a vez que alguns poucos países localizados ao sul pertencem
ser medida pelo poderio político e econômico. ao “Norte” (como a Austrália) e alguns países do norte per-
Nesse contexto, nos últimos anos, o mundo assistiu às tencem ao “Sul” (como a China).
sucessivas crescentes econômicas da União Europeia e do Ja- Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geogra-
pão, apesar das crises que estas frentes de poder sofreram fia/nova-ordem-mundial.htm
no final dos anos 2000. De outro lado, também vêm sendo
notáveis os índices de crescimento econômico que colocaram No século XVII, configurou-se na Europa um sistema
a China como a segunda maior nação do mundo em tamanho de equilíbrio econômico, militar e político entre as princi-
do PIB (Produto Interno Bruto). Por esse motivo, muitos cien- pais potências, como Grã-Bretanha, França, Prússia, Áus-
tistas políticos passaram a denominar a Nova Ordem Mundial tria e Rússia. tratava-se de um sistema multipolar, ou seja,
como mundo multipolar. constituído por vários polos de poder.
Mas é preciso lembrar que não há no mundo nenhuma Entretanto, as guerras mundiais do século XX muda-
nação que possua o poderio bélico e nuclear dos EUA. Esse ram esse panorama. No final da Segunda Guerra Mundial,
país possui bombas e ogivas nucleares que, juntas, seriam ca- o sistema multipolar havia deixado de existir. Em seu lugar,
pazes de destruir todo o planeta várias vezes. A Rússia, grande emergia um sistema bipolar, com base na rivalidade entre
herdeira do império soviético, mesmo possuindo tecnologia duas potências, os Estados Unidos e a União Soviética.
nuclear e um elevado número de armamentos, vem perdendo Antes de terminar a Primeira Guerra Mundial, o mundo
espaço no campo bélico em virtude da falta de investimen- conheceu um novo modo de produção: o socialismo, im-
tos na manutenção de seu arsenal, em razão das dificuldades plantado na Rússia em 1917. Em 1922, formou-se a União
econômicas enfrentadas pelo país após a Guerra Fria. das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que chegou a
É por esse motivo que a maior parte dos especialis- reunir 15 repúblicas do Leste Europeu e da Ásia.
tas em Geopolítica e Relações Internacionais, atualmente, A partir de 1947, os Estados Unidos consolidaram
nomeia a Nova Ordem Mundial como  mundo unimulti- sua influência no mundo. Dessa maneira, após a Segunda
polar. “Uni” no sentido militar, pois os Estados Unidos é guerra Mundial, o centro de poder havia se deslocado. Dois
líder incontestável. “Multi” em razão das diversas crescentes blocos antagônicos disputavam a hegemonia mundial: o
econômicas de novos polos de poder, sobretudo a União capitalista e o socialista, cada qual representado por uma
Europeia, o Japão e a China. potência emergente.

22
GEOGRAFIA

A rivalidade entre as novas superpotências do pós-


guerra ultrapassou o âmbito estratégico e diplomático D) O ESPAÇO HUMANO: DEMOGRAFIA:
para se expressar também como contraposição de mode- TEORIAS DEMOGRÁFICAS, ESTRUTURA
los de organização social e econômica. DA POPULAÇÃO, CRESCIMENTO
No pós-guerra, a URSS preocupou-se em reconstruir-
DEMOGRÁFICO; TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA
se e visava também à expansão do socialismo, para além
de suas fronteiras. O Os estados unidos , por sua vez, bus- E MIGRAÇÕES; URBANIZAÇÃO: PROCESSO
cavam manter os mercados mundiais e assegurar a expan- DE URBANIZAÇÃO, ESPAÇO URBANO E
são do capitalismo. PROBLEMAS URBANOS; E OS PRINCIPAIS
No plano estratégico, o sistema bipolar enfatizava a INDICADORES SOCIOECONÔMICOS.
capacidade militar, materializada nos arsenais nucleares. A
posse de arsenais capazes de reduzir o mundo a escom-
bros tornou-se uma marca das superpotências. A paz era O estudo da população é fundamental para podermos
impossível, mas a guerra significaria a aniquilação mútua verificar a realidade quantitativa e qualitativa da mesma.
das superpotências e da população mundial, por conse- Para governantes em especial, é de fundamental impor-
quência, já que os alvos das suas armas atômicas, e até tância pois, permite traçar planos e estratégias de atuação,
biológicas, se espalhavam por diversas partes do planeta. além de poder desenvolver um planejamento de interesse
A Guerra Fria foi a expressão desse “equilíbrio do ter- social.
ror”. Nesse período, apesar de não ter havido um enfrenta- A população deve ser entendida como um recurso na
mento direto, ocorreram diversas guerras e revoluções fi- medida em que representa mão de obra para o mercado
nanciadas pelas duas potências, como as guerras da Coreia de trabalho, soldados para a defesa nacional, dentre ou-
(1945) e do Vietnã (1961). tras coisas.
Após a Segunda Guerra Mundial, a Europa perdeu a O ramo do conhecimento que estuda a população
condição de centro do poder internacional, mas foi o prin- chama-se Demografia, portanto o profissional da área é
cipal cenário de confrontação das superpotências. No pla- o demógrafo.
no geopolítico, os Estados europeus alinharam-se com as
superpotências. Na parte ocidental do continente, formou- Conceitos Demográficos
se um bloco de estados aliados dos estados Unidos. Na
parte oriental, constituiu-se um bloco de Estados-satélites Alguns conceitos demográficos são fundamentais
da União Soviética. para a análise da população, abaixo iremos elencar alguns:
As conferências do pós-guerra, realizadas em 1945, População absoluta: corresponde a população total de
reuniram os chamados “Três Grandes” (Estados Unidos, um determinado local.
União Soviética e Grã- Bretanha) e resultaram no esboço de Quando um local tem uma população absoluta nume-
uma bipartição geopolítica da Europa, que se consolidaria rosa, dizemos que ele é populoso.
nos anos seguintes. O Brasil está entre os países mais populosos do mundo
Na Conferência de Yalta, as potências ocidentais acei- com uma população superior a 170 milhões de habitantes.
taram a exigência soviética de constituição de governos
Densidade demográfica ou população relativa: corres-
comandados pelos comunistas na Polônia, Tchecoslová-
ponde a média de habitantes por quilômetros quadrados.
quia, Hungria, Romênia, Bulgária, Iugoslávia e Albânia. O
Podemos obtê-la através da divisão da população absolu-
Leste Europeu tornou-se uma área de influência soviética.
ta pela área.
Quando a população relativa de um local é numerosa
Fonte: http://geografiasuperior.blogspot.com.
dizemos que esse local é muito povoado.
br/2017/01/alem-do-estado-as-fronteiras.html
Apesar da enorme população absoluta, a densidade
demográfica do Brasil é baixa não ultrapassando 20 habi-
tantes por quilômetro quadrado.

Superpovoamento: corresponde a um descompasso


entre as condições sócio-econômicas da população e à
área ocupada. Isso quer dizer que, superpovoamento não
depende apenas da densidade demográfica, mas princi-
palmente das condições de vida da população. Alguns
países com grande densidade demográfica podem não ser
considerados superpovoados, enquanto outros com den-
sidade baixa assim o podem ser classificados.
Recenseamento ou censo: corresponde á coleta perió-
dica de dados estatísticos dos habitantes de um determi-
nado local.

23
GEOGRAFIA

Taxa de natalidade: corresponde a relação entre o nú- As regiões brasileiras apresentam realidades diferen-
mero de nascimentos ocorridos em um ano e a população tes, o Nordeste apresenta as maiores taxas de mortalidade
absoluta, o resultado em geral é expresso por mil. infantil, sendo em 1999 de 53 por mil ou 5,3%, ou seja aci-
N.º de nascimentos X 1000 = taxa de natalidade ma da média nacional.
População absoluta
Expectativa de vida: corresponde a quantidade de anos
A natalidade é ligada a vários fatores como, por exem- que vive em média a população.
plo, qualidade de vida da população, ou ao fato de ser uma Este é um indicador muito utilizado para se verificar o
população rural ou urbana. nível de desenvolvimento dos países.
As taxas de natalidade no Brasil caíram muito nos últi- No Brasil a expectativa de vida nas últimas décadas
mos anos, isso se deve em especial ao processo de urbani- tem se ampliado, em 1999 as mulheres viviam em média
zação que gerou transformações de ordem socioeconômi- 72,3 anos, enquanto os homens 64,6 anos, esse aumento
cas e culturais na população brasileira. na expectativa também se deve a melhorias na qualidade
médico sanitária da população em virtude do processo de
Taxa de mortalidade: corresponde a relação entre o urbanização.
número de óbitos ocorridos em um ano e a população ab-
soluta, o resultado é expresso por mil. CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO
N.º de óbitos X 1000 = taxa de mortalidade
Segundo a teoria da transição demográfica, o cresci-
População absoluta mento populacional se daria em fases, o período anterior a
transição ou pré-transicional, conhecido como regime de-
Assim como a natalidade, a mortalidade está ligada em mográfico tradicional, seria aquele no qual as taxas de na-
especial a qualidade de vida da população analisada. talidade e mortalidade seriam elevadas, fazendo com que
No Brasil, assim como a natalidade a mortalidade caiu, o crescimento vegetativo fosse pequeno. A grande ruptura
especialmente a partir do processo de industrialização, que com esse período começa a se dar nos países desenvolvi-
trouxe melhorias na assistência médica e sanitária à popu- dos com a Revolução industrial, já nos subdesenvolvidos
lação, além da urbanização acentuada. isso ocorre apenas em meados do século XX. O período
posterior a transição ou pós-transicional, chamado de re-
gime demográfico moderno, se daria quando as taxas de
Crescimento vegetativo ou natural: corresponde a di-
natalidade e mortalidade baixassem. Devido ao fato de que
ferença entre a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade.
as taxas de mortalidade caem primeiro que as de natalida-
C.V. = natalidade - mortalidade.
de, durante a transição viveria-se um período de intenso
O crescimento vegetativo corresponde a única forma
crescimento populacional, chamado de explosão demográ-
possível de crescimento ou redução da população mundial,
fica, processo pelo qual passam ainda hoje vários países
quando analisamos o crescimento de áreas específicas te- subdesenvolvidos.
mos que levar em consideração também as migrações. O Brasil já superou a fase de explosão e começa a en-
O crescimento vegetativo brasileiro encontra-se em trar na fase de estabilização da população, o que faz com
processo de diminuição, mas já foi muito acentuado, em que comece a haver um maior equilíbrio na pirâmide etária
especial nas décadas de 50 à 70, em virtude especialmente do país.
da industrialização.
TEORIAS DEMOGRÁFICAS
Taxa de fecundidade: corresponde a média de filhos por
mulher na idade de reprodução. Essa idade se inicia aos 15 Lei de Malthus ou Malthusianismo
anos, o que faz com que em países como o Brasil, onde é
comum meninas abaixo dessa idade terem filhos, ela possa No final do século XVIII, o pastor anglicano Thomas
ficar um pouco distorcida. Robert Malthus, laçou sua famosa teoria, segundo a qual
Na década de 70 a taxa de fecundidade no Brasil era a razão para a existência da miséria e das enfermidades
de 5,8 filhos por mulher, em 1999 esse número caiu para sociais, seria o descompasso entre: a capacidade de produ-
2,3. Isso reflete a mudança que vem ocorrendo no Brasil em ção de alimentos, que se daria numa progressão aritmética
especial com a urbanização e com a entrada da mulher no (1,2,3,4,5), em relação ao crescimento populacional que se
mercado de trabalho, que tem contribuído com a redução daria numa progressão geométrica (1,2,4,8,16).
significativa da taxa de natalidade e por consequência da Malthus chegou a propor que só deveriam Ter filhos
taxa de fecundidade. aqueles que podessem criar, e que os pobres em decorrên-
cia disso deveriam se abster do sexo. Além disso, defendia
Taxa de mortalidade infantil: corresponde ao número a tese de que o estado não deveria dar assistência à saú-
de crianças de 0 à 1 ano que morrem para cada grupo de de das populações pobres. Para ele, se não acontecessem
mil nascidas vivas. “obstáculos positivos”, como guerras, epidemias, que cau-
No Brasil vem ocorrendo uma redução gradativa dessa sassem grande mortandade, o desequilíbrio entre a produ-
taxa, apesar de ela ainda ser muito elevada se comparada a paí- ção de alimentos e o crescimento populacional, geraria o
ses desenvolvidos, em 1999 ela era de 34,6 por mil ou 3,46%. caos total.

24
GEOGRAFIA

Malthus errou, pois a tecnologia possibilitou um au- - População economicamente inativa (PEI) ou popula-
mento exponencial na produção de alimentos que hoje são ção não economicamente ativa (PNEA): corresponde a par-
produzidos a taxas superiores as do crescimento popula- cela da população que não está empregada como crianças,
cional, além disso, temos verificado uma tendência a esta- velhos, deficientes, estudantes, etc., ou que não exercem
bilização do crescimento populacional nos países desen- atividades remuneradas como donas de casa. Essa camada
volvidos, além de uma desaceleração do crescimento em da sociedade demanda grandes investimentos sociais, e é
grande parte dos países subdesenvolvidos, especialmente bancada pela população ativa.
nas últimas décadas.
Com isso podemos concluir que, se há fome no mundo Desemprego e Subemprego
e no Brasil hoje, isso não se deve a falta de alimentos ou
ao excesso de pessoas, mas a má distribuição e destinação Hoje o maior problema enfrentado pela maioria dos
dos mesmos. países do mundo é o desemprego, ele é uma realidade não
apenas em países subdesenvolvidos mas também, em paí-
Neomalthusianismo ses altamente desenvolvidos como a Alemanha.
O desemprego se divide em dois tipos fundamentais:
No pós 2ª Guerra Mundial, o crescimento populacional - Desemprego conjuntural: que é aquele que está liga-
acelerado nos países subdesenvolvidos, fez despertarem do a conjunturas de crise econômica, nas quais a oferta de
os adeptos de Malthus chamados de neomalthusianos. empregos e os postos ocupados diminuem.
Segundo eles, a pobreza e o subdesenvolvimento se- - Desemprego estrutural ou tecnológico: que está li-
riam gerados pelo grande crescimento populacional, e gado a estrutura produtiva, e aos avanços tecnológicos in-
em virtude disso seriam necessárias drásticas políticas de troduzidos na produção, em substituição da mão de obra
controle de natalidade, que se dariam através do famoso e humana, como o que é gerado pela robótica.
bastante difundido, “planejamento familiar”. Muitos países Além do desemprego, é comum hoje a existência dos
subdesenvolvidos adotaram essas políticas anti-natalistas, chamados subempregos, onde o trabalhador além de tra-
mas com exceção da China onde a natalidade caiu pela balhar na maioria das vezes em condições precárias, ga-
metade em quarenta anos nos outros praticamente não nha baixíssimos salários e não tem nenhuma garantia legal.
Esse tipo de atividade é muito comum hoje em países sub-
surtiu efeito.
desenvolvidos como o Brasil, onde o número de subem-
Hoje em dia existem também os chamados ecomalthu-
pregados é enorme, e grande parte da população depende
sianos, que defendem a tese de que o rápido crescimento
do trabalho dessas pessoas.
populacional geraria enorme pressão sobre os recursos na-
turais, e por consequência sérios riscos para o futuro.
Trabalho infantil
No Brasil nunca chegou a acontecer um controle de
natalidade rígido por parte do estado nacional, mas a partir Além do fato de a juventude ser a maior afetada com
da década de 70 o governo brasileiro passou a apoiar pro- o desemprego, existe nos países subdesenvolvidos o pro-
gramas desenvolvidos por entidades nacionais e estran- blema do trabalho infantil, o qual é gerado por sérios pro-
geiras como a Fundação Ford, que visavam o controle de blemas econômicos e sociais enfrentados por esses países,
natalidade no país. onde crianças precisam trabalhar para ajudar na renda fa-
miliar. Muitas vezes as condições de trabalho que se en-
Reformistas ou marxistas contram essas crianças é de completa insalubridade. Além
disso outros problemas como o abandono dos estudos são
Diferentemente do que defendem os neomalthusia- gerados em virtude desse tipo de atividade.
nos, os demógrafos marxistas, consideram que é a própria No Brasil o número de criança que trabalham é muito
miséria a responsável pelo acelerado crescimento popula- grande, isso se deve em especial, pelo fato de grande par-
cional. E por conta disso, defendem reformas de caráter te dos chefes de famílias brasileiros, não terem condições
sócio-econômico que possibilitem a melhoria do padrão de arcar sozinhos com os gastos familiares, o que faz com
de vida das populações dos países subdesenvolvidos, se- que milhares de crianças tenham que trabalhar. É muito
gundo eles isso traria por consequência o planejamento comum também no Brasil, os adultos se aproveitarem das
familiar espontâneo, e com isso a redução das taxas de na- crianças, fazendo com que elas trabalhem enquanto o pró-
talidade e crescimento vegetativo, como ocorreu em vários prio adulto não busca o que fazer.
países hoje desenvolvidos.
Setores da Economia
Estrutura da População
A economia dos países se divide em 3 setores chama-
Com base na estrutura ocupacional a população de um dos de formais, pois, contribuem com a arrecadação de im-
país pode ser dividida em dois grupos: postos, assinam carteira, dentre outras formalidades legais.
- População economicamente ativa (PEA): corresponde São eles os seguintes:
as pessoas que trabalham em um dos setores formais da - Setor primário: que envolve em geral atividades liga-
economia ou que estão a procura de emprego. Subdividi- das ao meio rural, como, a agricultura, pecuária, extrativis-
se em, desempregados e população ocupada. mo vegetal e a pesca.

25
GEOGRAFIA

- Setor secundário: que envolve as atividades indústriais. A estrutura da pirâmide é a seguinte:


- Setor terciário: que envolve as atividades do comér- - Base: corresponde aos jovens.
cio, prestação de serviços, funcionalismo público, etc. - Meio: corresponde aos adultos.
È importante ressaltar que o espaço onde se desen- - Topo ou ápice: corresponde aos idosos.
volvem essas atividades não é rígido, ou seja, podemos ter
atividades primárias no espaço urbano, como o que ocorre A análise das pirâmides nos permite verificar a situação
com os cinturões verdes, ou atividades secundárias no es- de desenvolvimento ou subdesenvolvimento dos países.
paço rural, como o que ocorre na agroindústria. Exemplo: uma pirâmide de base larga, indica grande
Hoje em dia em virtude do grande avanço tecnológi- crescimento vegetativo; o topo estreito, indica baixa expec-
co, alguns autores passam a trabalhar com a ideia de um tativa de vida, o que nos faz concluir que essa seja de um
setor quaternário, onde se desenvolveriam as atividades de país subdesenvolvido. Por outro lado, uma base mais estreita,
pesquisa de ponta, envolvendo universidades, centros de indica pequeno crescimento vegetativo; um topo mais largo,
indica grande expectativa de vida, o que nos leva a concluir
pesquisas, etc., esse setor surge em função da Revolução
que seja um país desenvolvido.
Tecnocientífica em andamento.
A análise das pirâmides etárias é de fundamental impor-
No Brasil, e em outros países subdesenvolvidos, se dá
tância para os estudos de população.
a chamada hipertrofia (inchaço) do setor terciário, que por
No Brasil, temos verificado uma mudança na pirâmide
sua vez tem gerado a proliferação de atividades informais. etária, que tem alargado o topo, e estreitado a base. Essas
Esse processo decorre do intenso êxodo rural que gera mudanças decorrem em especial da urbanização do país,
um inchaço no setor terciário urbano, na medida em que que mudou significativamente o modo de vida de grande
a indústria atual utiliza cada vez menos mão de obra. Fa- parte dos brasileiros, principalmente com relação aos filhos,
zendo com que muitas pessoas especialmente nos grandes e também garantiu avanços fundamentais a nível médico-
centros do país, tenham que depender de atividades in- sanitário.
formais, os chamados subempregos, além do que contri- Cada uma das macrorregiões do IBGE apresenta caracte-
bui com o aumento da criminalidade, na medida em que rísticas particulares. São “sinais” que ajudam a identificá-las,
muitos trabalhadores passam a desenvolver atividades à como os sinais de nascença ou as impressões digitais dis-
margem da lei para poder sustentar suas famílias. tinguem as pessoas. Alguns desses sinais são muito antigos,
como se a região já tivesse nascido com eles: trata-se das
A participação da mulher no mercado de trabalho características naturais impressas na paisagem. Outros são
recentes: foram, e continuam sendo, produzidos pela ativida-
Apesar de crescente, a participação das mulheres no de social de construção do espaço geográfico.
mercado de trabalho não tem significado ainda melhorias A região Sudeste é a mais industrializada do país e tam-
das condições de vida, pelo contrário, pesquisas mostram bém a mais urbanizada. As maiores empresas instaladas no
que com o aumento de lares liderados por mulheres, hou- país têm as suas sedes no Sudeste. Nessa região, estão as
ve uma redução na renda familiar. Isso se deve ao fato de duas principais metrópoles brasileiras: São Paulo e Rio de Ja-
as mulheres em média ganharem salários mais baixos que neiro. O domínio natural mais importante é o dos mares de
os homens para desempenharem as mesmas funções. As morros, antigamente recoberto por verdes matas tropicais.
causas que estão por trás deste fato são por exemplo: A região Sul caracteriza-se pela presença de numerosos
- a herança patriarcal de nossa sociedade; descendentes de europeus: alemães, italianos ou eslavos.
- o machismo ainda muito forte e presente no nosso Essa região apresenta também os melhores indicadores so-
dia-a-dia; ciais do país. A sua agropecuária, moderna e produtiva, trans-
formou-a em fornecedora de alimentos para todo o país. É a
- a desvalorização do trabalho doméstico;
única do Brasil com clima subtropical.
- o preconceito que coloca a mulher como sexo frágil.
A região Nordeste já foi a mais rica, na época colonial.
Além dos menores salários, do preconceito, do machis-
Depois, sua economia declinou e ela se transformou na mais
mo, etc., as mulheres ainda tem que enfrentar as jornadas pobre região brasileira. Por isso, tornou-se foco de repulsão
duplas (trabalho e casa) ou triplas ( casa, trabalho e estudos de população. Os migrantes nordestinos, ao longo do sécu-
). Também é a mulher a maior vítima da violência domésti- lo XX, espalharam-se por todo o país. Atualmente, o rápido
ca, em geral praticada por maridos violentos. crescimento econômico de algumas áreas do Nordeste está
Mesmo com todas essas dificuldades, as mulheres vem mudando essa situação.
avançando em seus direitos e conseguindo espaços cada As regiões Centro-Oeste e Norte são os espaços geo-
vez maiores na nossa sociedade, como por exemplo o fato gráficos de povoamento mais recente, que continuam a so-
de a maioria dos universitários brasileiros serem mulheres. frer um processo de ocupação. Por isso, a paisagem natural
encontra-se, em grande parte, preservada.
Pirâmide Etária A região Centro-Oeste, espaço dos cerrados, começou a
ser ocupada mais rapidamente após a construção de Brasília,
Gráfico populacional que leva em consideração a es- inaugurada em 1960. De lá para cá aumentou bastante a po-
trutura sexual da população (homens e mulheres) e as fai- pulação regional. Aumentaram também a criação de gado e a
xas etárias - 0 à 19 anos jovens, 20 à 59 adultos, e 60 ou + produção agrícola. Mesmo assim, existem áreas com densida-
anos idosos. des demográficas muito baixas, como o Pantanal.

26
GEOGRAFIA

A região Norte, espaço da floresta equatorial, é de ocu- Fusos Horários


pação ainda mais recente. Mas essa ocupação vem cres-
cendo rapidamente. A derrubada da mata, as queimadas, O território brasileiro está localizado a oeste do meridia-
a poluição dos cursos de água por garimpos e os conflitos no de Greenwich (longitude 0º) e, em virtude de sua grande
pela posse da terra são consequências ambientais e sociais extensão longitudinal, compreende quatro fusos horários, va-
da colonização da Amazônia. riando de duas a cinco horas a menos que a hora do meri-
diano de Greenwich (GMT). O primeiro fuso (30º O) tem duas
horas a menos que a GMT. O segundo fuso (45º O), o horário
oficial de Brasília, é três horas atrasado em relação à GMT. O
2) GEOGRAFIA DO BRASIL: A) O ESPAÇO
terceiro fuso (60º O) tem quatro horas a menos que a GMT. O
NATURAL: CARACTERÍSTICAS GERAIS quarto e último possui cinco horas a menos em relação à GMT.
DO TERRITÓRIO BRASILEIRO: POSIÇÃO Horário de verão: Prática adotada em vários países
GEOGRÁFICA, LIMITES E FUSOS HORÁRIOS; do mundo para economizar energia elétrica. Consiste em
GEOMORFOLOGIA: ORIGEM, FORMAS E adiantar os relógios em uma hora durante o verão nos lu-
CLASSIFICAÇÕES DO RELEVO: AROLDO DE gares onde, nessa época do ano, a duração do dia é signifi-
AZEVEDO, AZIZ AB’SABER E JURANDYR cativamente maior que a da noite. Com isso, o momento de
ROSS E A ESTRUTURA GEOLÓGICA; pico de consumo de energia elétrica é retardado em uma
hora. Usado várias vezes no Brasil no decorrer do século XX
(1931, 1932, 1949 a 1952, 1963 e 1965 a 1967), o horário de
verão é retomado a partir de 1985.
Em 1998 tem início em 11 de outubro, com duração
O Brasil é o quinto país mais extenso do planeta, sua prevista até 21 de fevereiro de 1999. Atinge 12 estados e o
área é de 8.514.876 quilômetros quadrados, apresentan- Distrito Federal: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná,
do-se inferior apenas à Rússia, Canadá, China e Estados São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás,
Unidos. O país está localizado na América do Sul, possui Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Bahia. Nos
uma extensa faixa litorânea, com 7.367 quilômetros, e uma demais estados, tanto no inverno quanto no verão, não há
fronteira terrestre ainda maior (15.719 quilômetros), faz diferença significativa na duração do dia e da noite. A eco-
limite com dez países sul-americanos do continente. Ape- nomia resultante da adoção do horário de verão equivale,
nas Chile e Equador não compartilham desta ligação. A em média, a 1% do consumo nacional de energia. Em 1997,
grande dimensão territorial do país possibilita a existência a redução média do consumo de energia elétrica durante os
de uma imensa diversidade de paisagens, climas, plurali- três primeiros meses (outubro a dezembro) de vigência do
dade cultural, além de uma grande biodiversidade. horário de verão nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste é
O território brasileiro corresponde a, aproximadamen- de 270 megawatts, ou 0,9%. Esse valor corresponde à ener-
te, 1,6% da superfície do planeta, 5,6% das terras emer- gia consumida, no mesmo período, por um estado do tama-
sas do globo, 20,8% da extensão territorial da América e nho de Mato Grosso do Sul. No horário de pico, entre 17h e
48% das áreas que constituem a América do Sul. A gran- 22h, a redução registrada é de 1.480 MW, ou cerca de duas
de extensão do território brasileiro no sentido leste-oeste vezes a capacidade de geração da usina nuclear Angra I. 
(4.319 quilômetros entre os pontos extremos) faz com que Segundo a Lei nº 11.662, de 24 de abril de 2008, a partir
o país possua três fusos horários diferentes. de zero hora de 24 de junho de 2008 passaram a vigorar no
Todo o território brasileiro está localizado a oeste do Brasil 3 (três) fusos horários. O presidente Luiz Inácio Lula da
meridiano de Greenwich, portanto, sua área pertence ao Silva sancionou ontem (24), sem vetos, a lei que reduz de
quatro para três o número de fusos horários usados no Brasil.
hemisfério ocidental. A linha do Equador passa no extremo
A mudança, que tem prazo de 60 dias para entrar em vigor,
norte do país, fazendo com que 7% de seu território per-
atingirá municípios nos Estados do Acre, Amazonas e Pará.
tença ao hemisfério norte e 93% localizado no hemisfério
Dentro desse prazo, os 22 municípios do Acre ficarão
sul. Cortado ao sul pelo Trópico de Capricórnio, apresenta com diferença de uma hora em relação a Brasília --hoje são
92% do território na zona intertropical (entre os trópicos duas horas a menos. Municípios da parte oeste do Amazo-
de Câncer e de Capricórnio); os 8% restantes estão na zona nas, na divisa com o Acre, sofrerão a mesma mudança, o que
temperada do sul (entre o Trópico de Capricórnio e o Cír- igualará o fuso dos Estados do Acre e do Amazonas.
culo Polar Antártico). A mudança na lei também fará com que o Pará, que
A localização geográfica de qualquer ponto do plane- atualmente tem dois fusos horários, passe a ter apenas um.
ta é realizada através da latitude e longitude. No sentido Os relógios da parte oeste do Estado serão adiantados em
leste-oeste do território brasileiro, os extremos são a Ser- mais uma hora, fazendo com que todo o Pará fique com o
ra Contamana (AC), a oeste, com longitude de 73°59’32”; mesmo horário de Brasília.
e Ponta do Seixas (PB), a leste, com longitude 34°47’30”. O projeto, de autoria do senador Tião Viana (PT-AC), foi
Os extremos no sentido norte-sul apresentam 4.394 qui- aprovado no Senado em 2007. Ao tramitar na Câmara, foi
lômetros de distância, onde estão o Monte Caburaí (RR), alvo de pressão de emissoras de televisão. O lobby foi por
ao norte do território, com latitude 5°16’20”; e Arroio Chuí conta da entrada em vigor de portaria do Ministério da Jus-
(RS), ao sul, com latitude 33°45’03”. tiça que determinou a exibição do horário de programas
obedecendo à classificação indicativa.

27
GEOGRAFIA

Parlamentares da região Norte ainda pressionam o governo em virtude das regras da classificação indicativa.
Ela determina que certos programas não indicados para menores de 14 anos, por exemplo, não possam ser exibidos
em todo o território nacional no mesmo horário, já que existem diferenças de fuso.
O território brasileiro, com uma área de aproximadamente 8.516.000 km², é considerado um país com dimensões
continentais. Por esse motivo, ele apresenta uma grande diversidade no que se refere à fisionomia de suas paisagens e às
características de suas formas de relevo, o que tornou o seu detalhamento uma tarefa bastante difícil. Assim, para melhor
compreender a estrutura física do nosso país, foram elaborados diferentes modelos de classificação do relevo Brasileiro.
Em termos gerais de caracterização, o espaço físico do Brasil é conhecido por ter uma formação geologicamente antiga,
o que significa que ele esteve, ao longo das eras geológicas, mais tempo exposto à ação dos agentes externos ou exógenos
de transformação do relevo, como as chuvas, os ventos e demais fatores. Por isso, as formas superficiais foram bastante
desgastadas ao longo do tempo, o que explica, por exemplo, a ausência de grandes cadeias montanhosas no país.
A primeira classificação do relevo brasileiro – incluindo o seu mapeamento e total caracterização – só ocorreu na déca-
da de 1940, quando foi possível, então, ter uma noção inicial das composição geomorfológica do território nacional. Essa
classificação foi realizada pelo Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), liderada pelo professor e
pesquisador Aroldo de Azevedo.
Na classificação do relevo brasileiro, segundo Aroldo de Azevedo, o Brasil ficou dividido em 59% de planaltos, con-
ceituados como terrenos acidentados com mais de 200 metros, e 41% de planícies, consideradas como áreas planas com
altitudes inferiores. As áreas mais altas, acima de 1200 metros, perfizeram um valor muito pequeno, de aproximadamente
0,58%. Assim, o Brasil foi dividido em oito unidades de relevo: o planalto das Guianas, a planície Amazônia, o planalto Cen-
tral, a planície do Pantanal, o planalto Atlântico, a planície costeira, o planalto Meridional e a planície de Pampa. Confira o
mapa abaixo:

28
GEOGRAFIA

Classificação de Aroldo de Azevedo


No ano de 1958, no entanto, uma nova classificação do relevo brasileiro foi realizada, essa também executada pelo
Departamento de Geografia da USP, sob a liderança de  Aziz Ab’Saber. Esse geógrafo adotou outras conceituações e
passou a considerar como planalto toda e qualquer área em que o processo de erosão (perda de sedimentos) é superior
ao de sedimentação (acúmulo de sedimentos. Nas planícies, de maneira inversa, é a sedimentação quem supera a erosão.
Portanto, o critério da altitude não estava mais inserido na classificação do relevo brasileiro, mas sim os tipos de processos
geomorfológicos predominantes.
Por conta dessa mudança nos conceitos de planície e planalto, a classificação do relevo brasileiro foi modificada. Os
planaltos, então, passaram a compor cerca de 75% do território brasileiro enquanto que as planícies ficaram com 25%,
perfazendo um total de dez unidades de relevo: o planalto das Guianas, a Planície e Terras Baixas Amazônicas, o planalto
Central, o planalto do Maranhão-Piauí, o planalto Nordestino, a planície do Pantanal, as serras e planaltos do Leste e Su-
deste, as planícies de terras baixas costeiras, o planalto Meridional e o planalto Uruguaio Sul-Rio-Grandense.

Observe o mapa a seguir:

Classificação de Aziz Absaber


Mas, novamente, uma nova classificação foi realizada com base na modificação dos critérios para a definição dos tipos
de relevo. Dessa vez, os estudos foram realizados pelo geógrafo Jurandyr Ross no ano de 1989, que utilizou como ponto
de partida a própria classificação de Aziz Ab’Saber. Assim, com base nos conhecimentos previamente estabelecidos e nas
imagens obtidas pelo projeto Radam Brasil, entre 1970 e 1985, Ross realizou um minucioso mapeamento que resultou em
uma classificação mais completa e complexa.
Uma novidade na classificação do relevo brasileiro de Jurandyr Ross foi a introdução de mais um tipo de unidade de
relevo: as depressões. Nessa definição, era considerada depressão qualquer área de relevo aplainada que estivesse rebai-
xada em relação ao seu entorno, caracterizando as “depressões relativas”, haja vista que no Brasil não existem “depressões
absolutas”, aquelas que se encontram abaixo do nível do mar.
A classificação de Ross foi tão mais detalhada, por conta dos resultados do projeto Radam Brasil, que nela o território
brasileiro ficou dividido em 28 unidades de relevo, sendo 11 planaltos, 11 depressões e 6 áreas de planícies. Conforme po-
demos verificar no mapa abaixo, o espaço geomorfológico brasileiro ficou marcado pela presença de grandes depressões,
como a da Amazônia Oriental, e alguns grandes planaltos, como as Chapadas da Bacia do Parnaíba e da Bacia do Paraná.
Dentre as planícies, o destaque vai para a do Rio Amazonas e os tabuleiros litorâneos.

29
GEOGRAFIA

Classificação de Jurandyr Ross


Essas sucessivas caracterizações e detalhamentos de território brasileiro foram muito importantes não apenas para o
conhecimento sobre as paisagens naturais do nosso país, mas também para auxiliar o planejamento público de ocupação
do espaço geográfico. Além disso, uma maior e melhor noção da disposição de tipos minerais e das diferentes estruturas
puderam ser analisadas, o que favoreceu a atividade econômica da mineração.
Fonte: http://escolaeducacao.com.br/classificacao-do-relevo-brasileiro/

A ATMOSFERA E OS CLIMAS: FENÔMENOS


CLIMÁTICOS E OS CLIMAS NO BRASIL;
DOMÍNIOS NATURAIS: DISTRIBUIÇÃO DA
VEGETAÇÃO, CARACTERÍSTICAS GERAIS
DOS DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS,
APROVEITAMENTO ECONÔMICO E
PROBLEMAS AMBIENTAIS; E OS RECURSOS
HÍDRICOS: BACIAS HIDROGRÁFICAS,
AQUÍFEROS, HIDROVIAS E DEGRADAÇÃO
AMBIENTAL.

Relevo
O relevo brasileiro é de formação antiga ou pré-cambriana, sendo erodido e, portanto, aplainado. Apresenta o predo-
mínio de planaltos, terrenos sedimentares e certas áreas com subsolo rico em recursos minerais. Um outro aspecto impor-
tante consiste na ausência de vulcanismo ativo e fortes abalos sísmicos, fatos explicados pela distância em relação à divisa
ou encontro das placas tectônicas, somado à idade antiga do território.

Clima
O país apresenta o predomínio de climas quentes ou macrotérmicos, devido à sua localização no planeta, apresentando
uma grande porção de terras na Zona Intertropical e uma pequena porção na Zona Intertropical e uma pequena porção na
Zona Temperada do Sul.
É fundamental perceber que a diversidade climática do País é positiva para a agropecuária e é explicada por vários
fatores, destacando-se a latitude e a atuação das massas de ar.

30
GEOGRAFIA

DOMÍNIO AMAZÔNICO Hidrografia


A hidrografia regional é riquíssima, representada quase
Relevo que totalmente pela bacia amazônica.
O Domínio Geoecológico Amazônico apresenta um re- O rio principal, Amazonas, é um enorme coletor das
levo formado essencialmente por depressões , originando chuvas abundantes na região (clima Equatorial); seus afluen-
os baixos planaltos e as planícies aluviais. Apenas nos ex- tes provêm tanto do hemisférico norte (margem esquerda),
tremos norte e sul desse domínio, é que ocorrem maiores como o Negro, Trombetas, Jari, Japurá, etc., quanto do he-
altitudes, surgindo os planaltos das Guianas ao norte e o misfério sul (margem direita), como o Juruá, Purus, Madei-
Central (Brasileiro) ao sul. (Classificação de Aroldo de Aze- ra, Tapajós, Xingu, etc. Esse fato explica o duplo período de
vedo). cheias anuais em seu médio curso.
O planalto das Guianas, situado no extremo norte do O rio Amazonas (e alguns trechos de seus afluentes)
Brasil, corresponde ao escudo cristalino das Guianas. Tra- é altamente favorável à navegação. Por outro lado, o po-
ta-se, portanto, de terrenos cristalinos do pré-cambriano,
tencial hidráulico dessa bacia é atualmente considerado o
altamente desgastado pela erosão, apresentando, como
mais elevado do Brasil, localizado sobretudo nos afluentes
consequência, modestas cotas altimétricas em sua maior
da margem direita que formam grande número de quedas
parte. Entretanto, nas fronteiras com as Guianas e a Ve-
nezuela, existe uma região de serras, onde aparecem os e cachoeiras nas áreas de contatos entre o planalto Brasi-
pontos culminantes do relevo brasileiro: o pico da Neblina leiro e as terras baixas amazônicas (Tocantis, Tucuruí).
(serra do Imeri), o pico 31 de Março e o monte Roraima. Apresenta a maior variedade de peixes existentes em
Dentre as serras podemos citar: Parima, Pacaraima, Suru- todas as bacias hidrográficas do mundo. A pesca tem uma
cucu, Tapirapecó, Imeri, etc. grande expressão na alimentação da população local.
A maior parte do Domínio Amazônico apresenta um Além da grande quantidade de rios na região existem
relevo caracterizado por terras baixas. As verdadeiras planí- os igarapés (córregos ou riachos); os furos (braços de água
cies (onde predomina a acumulação de sedimentos) ocor- que ligam um rio a outro ou a um lago); os paranás-mirins
rem somente ao longo de alguns trechos de rios regionais; (braços de rios que contornam elevações formando ilhas
os baixos planaltos (ou platôs), também de origem sedi- fluviais) e lagos e várzea.
mentar, mas em processo de erosão, apresentam a princi-
pal e mais abrangente forma de relevo da Amazônia. Solos
A maior parte do Domínio Amazônico apresenta so-
Clima los de baixa fertilidade. Apenas em algumas áreas restritas,
A Amazônia apresenta o predomínio do clima Equato- ocorrem solos de maior fertilidade natural, como os solos
rial. Trata-se de um clima quente e úmido. Região de baixa de várzeas em alguns trechos dos rios regionais e a terras
latitude, apresenta médias térmicas mensais elevadas que pretas, solo orgânico bastante fértil (pequenas manchas).
variam de 24 ºC e 27 ºC.
A amplitude térmica anual, isto é, as diferenças de tem- Vegetação
peraturas entre as médias dos meses mais quentes e mais A floresta amazônica, principal elemento natural do
frios, é bastante baixa (oscilações inferiores a 2 ºC); os índi- Domínio Geoecológico Amazônico, abrangia quase 40% da
ces pluviométricos são extremamente elevados, de 1500 a área do País. Além do Brasil, ocupa áreas das Guianas, Ve-
2500 mm ao ano, chegando a atingir 4.000 mm; o período nezuela, Colômbia, Peru, Equador e Bolívia, cobrindo cerca
de estiagens é bastante curto em algumas áreas. A região é de 5 milhões de km².
marcada por chuvas o ano todo.
A floresta Amazônica possui as seguintes característi-
cas:
Clima Equatorial
• Latifoliada: com vegetais de folhas largas e gran-
Este pluviograma apresenta a região de Uaupés, no
des;
Estado do Amazonas, com o tipo de clima predominan-
te na área. Observe que a linha de temperatura não cai a • Heterogênea: apresenta grande variedade de es-
menos de 24 ºC e que a pluviosidade é alta durante o ano pécies vegetais, ou grande biodiversidade;
todo, não se observando estação seca. • Densa: bastante compacta ou intricada com plan-
As precipitações que ocorrem nessa região são exem- tas muito próximas uma das outras;
plos de chuvas de convecção, resultantes do movimento • Perene: sempre verde, pois não perde as folhas no
ascendente do ar carregado de umidade; essas correntes outono-inverno como as florestas temperadas (caducifó-
de ar ascendentes são consequências do encontro dos lias);
ventos alísios (convergência dos alísios). • Higrófila: com vegetais adaptados a um clima bas-
A massa de ar Equatorial Continental (Ec) é responsável tante úmido;
pela dinâmica do clima em quase toda a região. Somente • Outros nomes: Hiléia, denominação dada por Ale-
na porção ocidental a frente fria (Polar Atlântica) atinge a xandre Von Humboldt, Inferno Verde, por Alexandre Ran-
Amazônia durante o inverno, ocasionando uma queda de gel e Floresta Latifoliada Equatorial.
temperatura denominando friagem. Apresenta aspectos diferenciados dependendo, princi-
A massa de ar Equatorial Atlântica (Ea) exerce alguma palmente da maior ou menor proximidade dos cursos flu-
influência somente em áreas litorâneas (AP e PA). viais. Pode ser dividida em três tipos básicos ou florestais:

31
GEOGRAFIA

• Caaigapó: ou mata de igapó, localizada ao longo Solos


dos rios nas planícies permanentemente inundadas. São No Domínio do Cerrado predominam os solos pobres
espécies do Igapó a vitória-régia, piaçava, açaí, cururu, e bastante ácidos (pH abaixo de 6,5). São solos altamente
marajá, etc. lixiviados e laterizados, que para serem utilizados na agri-
• Mata de várzea: localizada nas proximidades dos cultura, necessitam de corretivos; utiliza-se normalmente
rios, parte da floresta que sofre inundações periódicas. o método da calagem, que é a adição de calcário ao solo,
Como principais espécies temos a seringueira (Hevea bra- visando à correção do pH.
siliensis), cacaueiro, sumaúma, copaíba, etc. Ao sul desse domínio (planalto Meridional) aparecem
• Caaetê: ou mata de terra firme, parte da flores- significativas manchas de terra roxa, de grande fertilidade
ta da maior extensão localizada nas áreas mais elevadas natural (região de Dourados e Campo Grande).
(baixos planaltos), que nunca são atingidas pelas enchen-
tes. Além de apresentar a maior variedade de espécies, Hidrografia
possui as árvores de maior porte. São espécies vegetais A densidade hidrográfica é baixa; as elevações do
do Caaetê o angelim, caucho, andiroba, castanheira, gua- planalto Central (chapadas) funcionam como divisores de
raná, mogno, pau-rosa, salsaparrilha, sorva, etc. águas entre as bacias Amazônica (rios que correm para o
norte) e Platina (Paraná e Paraguai que correm para o sul)
O DOMÍNIO DOS CERRADOS e do São Francisco.
São rios perenes com regime tropical, isto é, as cheias
O Cerrado é um domínio geoecológico característi- ocorrem no verão e as vazantes no inverno.
co do Brasil Central, apresentando terrenos cristalinos (as
chamadas “serras”) e sedimentares (chapadas), com solos Clima
muito precários, ácidos, muito porosos, altamente lixivia- O principal clima do Cerrado é tropical semi-úmido;
dos e laterizados. apresenta estações do ano bem definidas, uma bastante
A expansão contínua da agricultura e pecuária mo- chuvosa (verão) e outra seca (inverno); as médias térmicas
dernas exige o uso de corretivos com calagens e nutrien-
são elevadas, oscilando entre 20 ºC a 28 ºC e os índices
tes, que é a fertilização artificial do solo. A mecanização
pluviométricos variam em torno de 1.500 mm.
intensiva tem aumentado a erosão e a compactação dos
Verifica-se pelo climograma anterior a estação seca no
solos. A região tem sido devastada nas últimas décadas
meio do ano, destacando-se a queda de temperatura.
pela agricultura comercial policultora (destaque para a
soja).
Vegetação
O Cerrado apresenta dos estratos: o arbóreo-arbusti-
O Cerrado é a vegetação dominante; apresenta normalmen-
vo e o herbáceo. As árvores de pequeno porte, com tron-
te dois estratos: um arbóreo-arbustivo, com árvores de pequeno
cos e galhos retorcidos, cascas grossas e raízes profundas,
denotam raquitismo, e o lençol freático profundo. A pro- porte (pau-santo, lixeira, pequi) e outro herbáceo, de gramíneas e
dução da lenha e de carvão vegetal continua a ocorrer, vegetação rasteiras com várias espécies de capim (barba-de-bo-
apesar das proibições e alertas, bem como da prática das de, flechinha, colonião, gordura, etc.).
queimadas. Os arbustos possuem os troncos e galhos retorcidos,
caule grosso, casca espessa e dura e raízes profundas. O
Localização espaçamento entre arbusto e árvores é grande favorecen-
O Domínio Geoecológico do Cerrado ocupa quase do a prática da pecuária extensiva.
todo o Brasil Central, abrangendo não somente a maior Ao longo dos rios, consequência da maior umidade do
parte da região Centro-Oeste, mas também trechos de solo, surgem pequenas e alongas florestas, denominadas
Minas Gerais, parte ocidental da Bahia e sul do Maranhão Matas Galeiras ou Ciliares. Essas formações vegetais são
/ Piauí. de grande importância para a ecologia local, pois evitam a
erosão das margens impedindo o assoreamento dos rios;
Relevo favorecem ainda a fauna e a vida do rio.
A principal unidade geomorfológica do Cerrado é o Nos últimos anos, como consequências da expansão
planalto Central, constituído por terrenos cristalinos, bas- da agricultura na região, as Matas Galerias e o Cerrado
tante desgastados pelos processos erosivos, e por terre- sofrem intenso processo de destruição, afetando o meio
nos sedimentares que formam as chapadas e os chapa- ambiente regional.
dões.
Destacam-se nesse planalto as chapadas dos Parecis, O DOMÍNIO DAS CAATINGAS
dos Guimarães, das Mangabeiras e o Espigão Mestre, que
divide das águas das bacias do São Francisco e Tocantins. Este domínio é marcado pelo clima tropical semi-ári-
Na porção sul desse domínio (MS e GO) localiza-se do, vegetação de caatinga, relevo erodido, destacando-se
parte do planalto Meridional, com a presença de rochas o maciço nordestino e a hidrografia intermitente.
vulcânica (basalto) intercaladas por rochas sedimentares, A Zona da Mata ou litoral oriental é a sub-região mais
formando as cuestas Maracaju, Caiapó, etc. industrializadas, mais populosa, destacando-se o solo de
massapé (calcário e gnaisse), com as tradicionais lavouras

32
GEOGRAFIA

comerciais de cana e cacau. O agreste apresenta pequena nal, devido à concorrência das rodovias. Rio de planalto,
propriedades com policultura visando a abastecer o litoral. apresenta, sobretudo em seu baixo curso, várias quedas, fa-
O sertão é marcado pela pecuária em grandes proprieda- vorecendo a produção de energia elétrica (usinas de Paulo
des. Já o Meio-Norte, apresenta grandes propriedades com Afonso, Sobradinho etc.).
extrativismo. A maior parte de seus afluentes são intermitentes ou
temporários, reflexo das condições locais.
Clima Além do São Francisco, existem vários outros que dre-
O Domínio da Caatinga apresenta como característica nam a Caatinga: os rios intermitentes da bacia do Nordeste
mais marcante a presença do clima semi-árido. É um tipo como o Jaguaribe, Acaraú, Apodi, Piranhas, Capibaribe, etc.
de clima tropical, portanto, quente, mais próximo do árido
(seco); as médias de chuvas anuais são inferiores a 1000 Convém lembrar que o rio São Francisco possui três
mm (Cabaceiras, PB – 278 mm, mais baixa do Brasil), con- apelidos importantes:
centradas num curto período (três meses do ano) – chuvas • Rio dos Currais: devido ao desenvolvimento da pe-
de outono-inverno. A longa estação seca é bastante quen- cuária extensiva no sertão.
te, com estiagens acentuadas. • Rio da Unidade Nacional: devido ao seu trecho na-
Esse pluviograma da região Cabaceiras, Na Paraíba, é o vegável ligando o Sudeste ao Nordeste, sendo as regiões
mais representativo do clima semi-árido do Sertão nordes- mais importantes na fase colonial.
tino. A região apresenta o menor índice pluviométrico do • Rio Nilo Brasileiro: devido à semelhança com o rio
Brasil, com 278 mm de chuvas. Observe o predomínio do africano, pois nasce numa área úmida (MG – serra da Ca-
tempo seco e a temperatura elevada durante o ano todo. nastra) e atravessa uma área seca, sendo perene. Além de
A baixa e irregular quantidade de chuvas dói Domínio apresentar o sentido sul-norte e ser axorréico.
da Caatinga pode ser explica pela situação da região em
relação à circulação atmosférica (massa de ar), relevo, geo- Relevo
logia, etc. No domínio das Caatingas predominam depressões
Trata-se de uma área de encontro ou ponto final de interplanálticas, exemplificadas pela Sertaneja e a do São
quatro sistemas atmosféricos: as massas de ar Ec, Ta, Ea e Francisco.
Pa. Quando essas massas de ar atingem a região, já perdem A leste atinge o planalto de Borborema (PE) e a Chapada
grande parte de sua umidade. Diamantina (sul da Bahia). A oeste estende-se até o Espigão
O Planalto de Borborema raramente ultrapassa 800 m Mestre e a Chapada das Mangabeiras. Nos limites setentrio-
de altitude, sendo descontínuo. Portanto, é incapaz de pro- nais desse domínio, localizam inúmeras serras ou chapadas
vocar a semi-aridez da área sertaneja. residuais, como Araripe, Grande, Ibiapada, Apodi, etc.
A presença de rochas cristalinas (impermeáveis) e solos O interior do planalto Nordestino é uma área em proces-
rasos dificulta a formação do lençol freático em algumas so de pediplanação, isto é, a importância das chuvas é peque-
áreas, acentuando o problema da seca. na (clima semi-árido) nos processos erosivos, predominando
Um dos mitos ou explicações falsas do subdesenvol- o intemperismo físico (variação de temperatura) e ação dos
vimento nordestino é a afirmação de que as secas cons- ventos (erosão eólica), que vão aplainando progressivamente
tituem a principal causa do atraso socioeconômico dessa o relevo (fragmentação de rochas e de blocos).
região, causando também migração para São Paulo e Rio É comum no quadro geomorfológico nordestino a pre-
de Janeiro. sença de inselbergs, que são morros residuais, composto
Na realidade, a pobreza regional é muito mais bem ex- normalmente por rochas cristalinas.
plicada pelas causas históricas e sociais. Os solos do Domínio da Caatinga são, geralmente,
As arcaicas estruturas socioeconômicas regionais (es- pouco profundas devido às escassas chuvas e ao predomí-
truturas fundiária, predomínio da agricultura tradicional de nio do intemperismo físico. Apesar disso, apresentam boa
exportação, governos controlados pelas elites locais, bai- quantidade de minerais básicos, fator favorável à prática da
xos níveis salariais, analfabetismo, baixa produtividade nas agricultura. A limitação da atividade agrícola é representada
atividades econômicas, etc.) explicam muito melhor o sub- pelo regime incerto e irregular das chuvas, problema que
desenvolvimento nordestino que as causas naturais. poderia ser solucionado com a prática de técnicas adequa-
A seca é apenas mais agravante, que poderia ser solu- das de irrigação.
cionada com o progresso socioeconômico regional. A paisagem arbustiva típica do Sertão Nordestino, que
dá o nome a esse domínio geoecológico, é a Caatinga (caa =
Hidrografia mata; tinga = branco). Possui grande heterogeneidade quan-
A mais importante bacia hidrográfica do Domínio da to ao seu aspecto e composição vegetal.
Caatinga é a do São Francisco. Apesar de percorrer áreas Em algumas áreas, forma-se uma mata rala ou aberta,
de clima semi-árido, é um rio perene embora na época das com muitos arbustos e pequenas árvores, tais como juazei-
secas possua um nível baixíssimo de águas. É navegável ro, a aroeira, baraúna, etc. Em outras áreas o solo apresenta-
em seu médio curso numa extensão de 1370 km, no tre- se quase que descoberto, proliferando os vegetais xerófilos,
cho que vai de Juazeiro (BA) a Pirapora(MG). Atualmente como as cactáceas (mandacaru, facheiro, xique-xique, coroa
essa navegação é de pouca expressão na economia regio- de frade, etc.) e as bromeliáceas (macambira).

33
GEOGRAFIA

É uma vegetação caducifólia, isto é, na época das secas No Sudeste, ocorre a presença de um solo argiloso,
as plantas perdem suas folhas, evitando-se assim a evapo- de razoável fertilidade, formado, principalmente, pela de-
transpiração. composição do granito em climas úmidos, denominado
Os brejos são as mais importantes áreas agrícolas do salmourão.
sertão. São áreas de maior umidade, localizadas em encos- É o domínio geoecológico brasileiro mais sujeito aos
tas das serras ou vales fluviais, isto é, regatos e riachos. As processos erosivos, consequência do relevo acidentado e
cabeceiras são formadas pelos “olhos d’água” (minas). da ação de clima tropical úmido. O intemperismo químico
atinge profundamente as rochas dessa área, formando solos
Projetos profundos, intensamente trabalhados pela ação das chuvas e
A região Nordeste é marcada por projetos, destacando enxurradas. É comum a ocorrência de deslizamentos, causa-
os relacionados à irrigação. O mais famoso envolve as ci- dos pela destruição da vegetação natural, práticas agrícolas
dades vizinhas e separadas pelo rio São Francisco, Petrolina inadequadas, etc.
(PE) e Juazeiro (BA). O clima seco e a irrigação controlada
favorecem o controle de pragas, e o cultivo de frutas para Hidrografia
exportação marca a paisagem, com influência de capital As terras altas do Sudeste dividem as águas de várias
estrangeiro. bacias Paranaica (Grande Tietê, etc.), bacias Secundárias do
Porém, existem projetos eleitoreiros, que não saem do Leste (Paraíba do Sul, Doce) e Sul.
papel, como o da transposição das águas do São Francis- A maior parte dos rios são planálticos, encachoeirados,
co: antiga ideia de construir um canal artificial, envolven- com grande número de quedas ou saltos, corredeiras e com
do Cabrobó (PE) e Jati (CE), ligando os rios São Francisco elevado poder de erosão. O potencial hidráulico é também
ao Jaguaribe, com 115 km. Deste canal, nasceriam outros, de vários rios de maior extensão que correm diretamente
levando águas para o Rio Grande do Norte, Paraíba e Per- para o mar (bacias Secundárias ). A serra do Mar representa
nambuco. Mas o projeto é polêmico, podendo colocar em uma linha de falhas que possibilita, também, a produção
risco o rio São Francisco. energética (exemplo: usinas Henry Borden I e II que apro-
veitam as águas do sistema Tietê – Pinheiros- Billings).
O DOMÍNIO DOS MARES DE MORROS
Esses rios apresentam cheias de verão e vazante de in-
verno (regime pluvial tropical).
Localização
Esse domínio geoecológico localiza-se na porção
Clima
oriental do País, desde o Nordeste até o Sul. Na região Su-
O Domínio dos Mares de Morros apresenta o predomínio
deste, penetra para o interior, abrangendo o centro-sul de
do clima tropical úmido. Na Zona da Mata Nordestina, as chuvas
Minas Gerais e São Paulo.
concentram-se no outono e inverno.
Relevo Na região Sudeste, devido a maiores altitudes, o clima
O aspecto característico do Domínio dos Mares de Mor- é o tropical de altitude, com médias térmicas anuais entre
ros encontra-se no relevo e nos processos erosivos. 14 ºC e 22 ºC. As chuvas ocorrem no verão, que é muito
O planalto Atlântico (Classificação Aroldo Azevedo) é a quente. No inverno, as médias térmicas são mais baixas, por
unidade do relevo que mais se destaca; apresenta terrenos influência da altitude e da massa de ar Pa (Polar Atlância).
cristalinos antigos, datados do pré-cambriano, correspon- No litoral, sobretudo no norte de São Paulo, a pluviosidade
dendo ao Escudo Atlântico. Nesse planalto estão situadas é elevadíssima, consequência da presença da serra do Mar, que
as terras altas do Sudeste, constituindo um conjunto de sa- barra a umidade vinda do Atlântico (chuvas orográficas ou de re-
liência ou elevações, abrangendo áreas que vão do Espírito levo). Em Itapanhaú, litoral de São Paulo, foi registrado o maior
Santo a Santa Catarina. anual de chuvas (4.514 mm).
Entre as várias serras regionais como a do Mar, Man-
tiqueira, Espinhaço, Geral, Caparão (Pico da Bandeira = 2 Vegetação
890 m), etc. A principal paisagem vegetal desse domínio era, origi-
A erosão, provocada pelo clima tropical úmido, asso- nalmente, representada pela mata Atlântica ou floresta la-
ciada a um intemperismo químico significativo sobre os tifoliada tropical. Essa formação florestal ocupava as terras
terrenos cristalinos (granito/gnaisse), é um dos fatores desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul, co-
responsáveis pela conformação do relevo, com a presença brindo as escarpas voltadas para o mar e os planaltos in-
de morros com vertentes arredondadas (morros em Meia teriores do Sudeste. Apresentava, em muitos trechos, uma
Laranja, Pães-de-Açúcar). vegetação imponente, com árvores de 25 a 30 metros de al-
Entre a serra do Mar e a da Mantiqueira, localiza-se a tura, como perobas, pau-d’alho, figueiras, cedros, jacarandá,
depressão do rio Paraíba do Sul (vale do Paraíba) formada jatobá, jequitibá, etc.
a partir de uma fossa tectônica. Com o processo de ocupação dessas terras brasileiras,
essa floresta sofreu grandes devastações. No início, foi a ex-
Solos tração do pau-brasil; posteriormente, a agricultura da cana-
Na Zona da Mata Nordestina encontra-se um solo de de-açúcar (Nordeste) e a do café (Sudeste).
grande fertilidade, denominando massapé; originou-se da Atualmente, restam apenas alguns trechos esparsos
decomposição do granito, gnaisse e, ás vezes, do calcário. em encostas montanhosas.

34
GEOGRAFIA

O DOMÍNIO DAS ARAUCÁRIAS • Não é uma floresta homogênea porque possui man-
chas de vegetais latifoliados.
Localização • É uma formação de vegetação menos densa.
Abrange áreas altas do Centro-Sul do País, sobretudo • Foi intensamente devastada.
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. • Área de colonização européia no século XIX (italianos
e alemães)
Relevo
O Domínio das Araucárias ocupa áreas pertencentes ao Hidrografia
Planalto Meridional do Brasil; as altitudes variam entre 800 O Domínio das Araucárias é drenado, principalmente,
e 1.300 metros; apresentam terrenos sedimentares (Paleo- por rios pertencentes às bacias Paranaica e do Uruguai (alto
zóico), recobertos, em partes, por lavas vulcânicas (basalto) curso).
datadas do Mesozóico. São rios de planaltos com belíssimas cachoeiras e que-
Além do planalto arenito basáltico, surgem a Depres- das, o que lhes confere em elevado potencial hidráulico.
são Periférica e suas cuestas. São relevos salientes, forma- Embora o Paraná apresente um regime tropical, com
dos pela erosão diferencial, ou seja, ação erosiva sobre ro- cheias de verão (dezembro a março), a maior parte dos
chas de diferentes resistências; apresentam uma vertente rios desse domínio possui regime subtropical (Uruguai, por
inclinada, denominada frente ou front e um reverso suave. exemplo), com duas cheias e duas vazantes anuais, apresen-
Essas frentes de cuestas são chamadas serras: Geral, Botu- tando pequena variação em sua vazão, consequência do re-
catu, Esperança, etc. gime de chuvas, distribuído durante o ano todo.
Solos Características Gerais
Aparecem, nesse domínio, solos de grande fertilidade • Bacias do rio Paraná (parte) e do rio Uruguai (alto cur-
natural, como a terra roxa a oeste do Paraná, solo de ori- so).
gem vulcânica, de cor vermelha, formado pela decomposi- • Os afluentes da margem esquerda do rio Paraná se
ção do basalto.
formam nos planaltos e nas serras da porção oriental das re-
Em vários trechos do Rio Grande do Sul, ocorrem vas-
giões Sudeste e Sul; portanto, correm de leste para o oeste.
tas áreas do solos fértil, denominando brunizem (elevado
• A bacia hidrográfica do Paraná possui o maior poten-
teor de matéria orgânica).
cial hidrelétrico instalado no País.
São encontrados ainda, nesse domínio, solos ácidos,
• Hidrovia do Tietê-Paraná.
pobre em mineiras e de baixa fertilidade natural.
• O rio Uruguai e rio Iguaçu apresentam um regime sub-
Clima tropical.
O domínio das araucárias apresenta como clima predo-
minante o subtropical. Ao contrário dos demais climas brasi- O DOMÍNIO DAS PRADARIAS
leiros, pode ser classificado como mesotérmico, isto é, tem-
peraturas médias, não muito elevadas. O Domínio das Pradarias, também, conhecido como
As chuvas ocorrem durante o ano todo; durante o ve- Campanha Gaúcha ou Pampas, abrange vastas áreas (Cen-
rão são provocadas pela massa deserta (Tropical Atlânti- tro-Sul) do Rio Grande do Sul, constituindo-se em um pro-
ca). No inverno, é frequente a penetração da massa Polar longamento dos campos ou pradarias do Uruguai e Argen-
Atlântica (Pa) ocasionando chuvas frontais, precipitações tina pelo território brasileiro.
causadas pelo encontro da massa de ar quente (Ta) com a O centro-sul do Rio Grande do Sul é marcado por baixa
fria (Pa). Os índices pluviométricos são elevados, variando densidade demográfica, clima subtropical e por uma econo-
de 1.250 a 2.000 mm anuais. mia que apresenta cultivos mecanizados (soja) ou grandes
Forte influência da massa de ar Polar Atlântica principal- estâncias com pecuárias extensiva. O povoamento é de ori-
mente no outono e no inverno, quando é responsável pela gem ibérica.
formação de geadas, quedas de neve em São Joaquim (SC).
Gramado (RS) e São José dos Ausentes (RS), chuvas frontais e Relevo
redução acentuada de temperatura. Este domínio engloba três unidades do relevo brasileiro:
planaltos e chapadas da bacia do paraná (oeste), depressão
Vegetação periférica sul-rio-grandense (centro) e o planalto sul-rio-
O Domínio das Araucárias apresenta o predomínio da grandense (centro) e o planalto sul-rio-grandense (leste).
floresta aciculifoliada subtropical ou floresta das Araucárias. Trata-se de um baixo planalto cristalino com altitudes médias
Originalmente, localizava-se das terras altas de São Paulo até entre 200 e 400 metros, onde se destacam conjuntos de coli-
o Rio Grande do Sul, sendo o único exemplo brasileiro de nas onduladas denominadas coxilhas, ou seja, pequenas ele-
conífera. Também denominada mata dos Pinhais, apresenta vações onduladas. As saliências mais significativas (cristas),
as seguintes características gerais: de maior altitudes, são chamadas regionalmente de cerros.
• Os pinheiros apresentam folhas em forma de agulha No litoral do Rio Grande do Sul são comuns as lagoas
(aciculifoliadas). costeiras (Patos, Mirim e Mangueira), isoladas pelas restin-
• Ocupam principalmente os planaltos meridionais do gas, as faixas de areia depositada paralelamente ao litoral,
Brasil. graças ao dinamismo oceânico, formando um aterro natural.

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GEOGRAFIA

Clima
O clima é subtropical com temperatura média anual B) O ESPAÇO ECONÔMICO: A FORMAÇÃO
baixa, devido a vários fatores, destacando-se a latitude e a DO TERRITÓRIO NACIONAL: ECONOMIA
ocorrência de frentes frias (mPa).
COLONIAL E EXPANSÃO DO TERRITÓRIO,
Apresenta considerável amplitude térmica e, no verão,
as áreas mais quentes são Vale do Uruguai e a Campanha
DA CAFEICULTURA AO BRASIL URBANO-
Gaúcha, que registram máximas diárias acima de 38º. As INDUSTRIAL E INTEGRAÇÃO TERRITORIAL;.
chuvas são regulares.

Vegetação
A paisagem vegetal típica é constituída pelos Campos Economia Colonial
Limpos ou Pampas, onde predominam gramíneas, cuja al- A economia colonial brasileira é integrada ao proces-
tura varia de 10 a 50 cm aproximadamente. É a vegetação so mundial de expansão do capitalismo mercantil. Baseada
brasileira (natural) mais favorável à prática da pecuária, tra- no monopólio colonial – Portugal tem a exclusividade do
dicional atividade dessa região. comércio com a colônia –, é altamente especializada e di-
rigida para o mercado externo. Internamente tem caráter
Nos vales fluviais, surgem capões de matas (matas de predatório sobre os recursos naturais.
galerias ou ciliares) que quebram a monotonia da paisa- As técnicas agrícolas utilizadas são rudimentares e pro-
gem rasteira, formando verdadeiras ilhas de vegetação em vocam rápido esgotamento da terra. A produção está cen-
meio aos campos. trada na grande propriedade monocultora, o latifúndio, e
na utilização de numerosa mão-de-obra escrava – primeiro
Solos dos indígenas e depois dos negros.
Apresentam boa fertilidade natural.
Formação de areais e campos de dunas no sudoeste do Escravidão
Rio Grande do Sul (Alegrete, Quarai, Cacequi). O trabalho compulsório do indígena é usado em dife-
A utilização do conceito de desertificação é conside- rentes regiões do Brasil até meados do século XVIII. A caça
rado inadequado para a região, porque ela não apresenta ao índio é um negócio local e os ganhos obtidos com sua
um clima árido ou semi-árido, como também não existem venda permanecem nas mãos dos colonos, sem lucros para
evidências de que o processo estaria alterando o clima re- Portugal. Por isso, a escravização do nativo brasileiro é gra-
gional, sendo assim o termo mais indicado, segundo a pes- dativamente desestimulada pela metrópole e substituída
quisadora Dirce Suertegaray, é arenização. pela escravidão negra. O tráfico negreiro é um dos mais
O geógrafo José Bueno Conti utiliza o termo deserti- vantajosos negócios do comércio colonial e seus lucros são
ficação ecológica, que corresponde ao processo interativo canalizados para o reino.
entre o homem (uso predatório dos recursos naturais por
meio da agricultura e da pecuária) e o meio ambiente (cli-
ESCRAVIDÃO NEGRA – A primeira leva de escravos ne-
ma úmido – arenito Botucatu).
gros que chega ao Brasil vem da Guiné, na expedição de
Martim Afonso de Souza, em 1530. A partir de 1559, o co-
Hidrografia
mércio negreiro se intensifica. A Coroa portuguesa autoriza
Envolve partes das bacias hidrográficas do Uruguai e
cada senhor de engenho a comprar até 120 escravos por
do Sudeste e Sul. Os rios desse domínio são perenes mas
ano. Sudaneses são levados para a Bahia e bantus espa-
de baixa densidade hidrográfica, com traçados meândricos
lham-se pelo Maranhão, Pará, Pernambuco, Alagoas, Rio
(curvas), favoráveis à navegação.
Alguns correm para o Leste (bacia Secundária do Sul), de Janeiro e São Paulo.
desaguando nas lagoas litorâneas como Patos (maior do
Brasil), Mangueira e Mirim. Os rios Jacuí (Guaíba) e Cama- TRÁFICO DE ESCRAVOS – O tráfico negreiro é oficiali-
quã são exemplos. Outros correm em direção ao Oeste zado em 1568 pelo governador-geral Salvador Correa de
(bacia do Uruguai), como os rios Quarai, Ijuí, etc. Sá. Em 1590, só em Pernambuco registra-se a entrada de
10 mil escravos. Não há consenso entre os historiadores
sobre o número de escravos trazidos para o Brasil. Alguns,
como Roberto Simonsen e Sérgio Buarque de Holanda, es-
timam esse número entre 3 milhões e 3,6 milhões. Caio
Prado Júnior supõe cerca de 6 milhões e Pandiá Calógeras
chega aos 13,5 milhões.

Cana-de-açúcar
O cultivo da cana-de-açúcar é introduzido no Brasil
por Martim Afonso de Souza, na capitania de São Vicen-
te. Seu apogeu ocorre entre 1570 e 1650, principalmente
em Pernambuco. Fatores favoráveis explicam o sucesso do

36
GEOGRAFIA

empreendimento: experiência anterior dos portugueses nos lho, inclusive com a mão-de-obra escrava. Os escravos
engenhos das ilhas do Atlântico, solo apropriado, principal- trabalham por tarefa e, muitas vezes, podem ficar com
mente no Nordeste, abundância de mão-de-obra escrava e uma parte do ouro descoberto. Com isso, têm a chance
expansão do mercado consumidor na Europa. A agroindús- de comprar sua liberdade. O período áureo dura pouco:
tria açucareira exige grandes fazendas e engenhos e enor- entre 1735 e 1754, a exportação anual gira em torno de
mes investimentos em equipamentos e escravos. 14.500 kg. No final do século, o volume enviado a Portu-
gal cai para 4.300 kg por ano, em média.
O ENGENHO – Os chamados engenhos de açúcar são
unidades de produção completas e, em geral, autossufi- DIAMANTES – A exploração de diamantes toma corpo
cientes. Além da casa grande, moradia da família proprie- por volta de 1729, nas vilas de Diamantina e Serra do Frio,
tária, e da senzala, dos escravos, alguns têm capela e esco- no norte de Minas Gerais. A produção atinge grandes vo-
la, onde os filhos do senhor aprendem as primeiras letras. lumes e chega a causar pânico no mercado joalheiro euro-
Junto aos canaviais, uma parcela de terras é reservada para peu, provocando a queda nos preços das pedras. Em 1734
o gado e roças de subsistência. A “casa do engenho” pos- é instituída uma intendência para administrar as lavras. A
sui toda a maquinaria e instalações fundamentais para a extração passa a ser controlada por medidas severas que
obtenção do açúcar. incluem confisco, proibição da entrada de forasteiros e ex-
pulsão de escravos.
ECONOMIA AÇUCAREIRA – Estimativa do final do sé-
culo XVII indica a existência de 528 engenhos na colônia. Diversificação agrícola
Eles garantem a exportação anual de 37 mil caixas, cada A agricultura de subsistência e a pecuária desenvol-
uma com 35 arrobas de açúcar. Dessa produção, Portugal vem-se ao longo dos caminhos para as minas e nas proxi-
consome apenas 3 mil caixas anuais e exporta o resto para midades das lavras. O crescimento demográfico aumenta
a Europa. O monopólio português sobre o açúcar assegura rapidamente os lucros dessas atividades. Sesmarias são
lucros consideráveis aos senhores de engenho e à Coroa. doadas na região a quem queira cultivá-las. Novas culturas
Esse monopólio acaba quando os holandeses começam a surgem em outras áreas da colônia.
produzir açúcar nas Antilhas, na segunda metade do século
XVII. A concorrência e os limites da capacidade de consu- NOVOS PRODUTOS AGRÍCOLAS – Em meados do sé-
mo na Europa provocam uma rápida queda de preços no
culo XVII, o algodão, o tabaco e o cacau passam a ser pro-
mercado.
duzidos em larga escala e a integrar a pauta de exporta-
ções da colônia. A produção algodoeira desenvolve-se no
Mineração
Nordeste, em especial Maranhão e Pernambuco. O tabaco
Na passagem do século XVII para o XVIII, são des-
é produzido principalmente na Bahia, seguida por Alagoas
cobertas ricas jazidas de ouro no centro-sul do Brasil. A
e Rio de Janeiro e, ao longo do século XVII, o produto é
Coroa portuguesa volta toda sua atenção para as terras
usado como moeda de troca para aquisição de escravos
brasileiras. A região das minas espalha-se pelos territórios
nos mercados da costa africana. O cacau é explorado ini-
dos atuais Estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso
e torna-se pólo de atração de migrantes: portugueses em cialmente apenas em atividade extrativista, no Pará e no
busca de fortuna, aventureiros de todas as regiões do Brasil Amazonas. Começa então a ser cultivado na Bahia e no
e escravos trazidos do Nordeste. Criam-se novas vilas: Sa- Maranhão com mão-de-obra escrava.
bará, Mariana, Vila Rica de Ouro Preto, Caeté, São João del
Rey, Arraial do Tejuco (atual Diamantina) e Cuiabá. INTRODUÇÃO DO CAFÉ – O café é introduzido no Brasil
por Francisco de Melo Palheta, em 1727, que o contraban-
O QUINTO – A Coroa portuguesa autoriza a livre ex- deia da Guiana Francesa. Durante o século XVIII, seu cultivo
portação de ouro mediante o pagamento de um quinto limita-se ao nordeste, onde os solos não são adequados.
do total explorado. Para administrar e fiscalizar a ativi- A cafeicultura só se desenvolve no século XIX, quando o
dade mineradora, cria a Intendência das Minas, vincula- produto começa a ser cultivado na região Sudeste.
da diretamente à metrópole. Toda descoberta deve ser
comunicada. Para garantir o pagamento do quinto, são FRANCISCO DE MELO PALHETA (1670 – ?) nasce em Be-
criadas a partir de 1720 as casas de fundição, que trans- lém do Pará e é considerado o primeiro a introduzir o café
formam o minério em barras timbradas e quintadas. Em no Brasil. Militar e sertanista, em 1727 é mandado à Guiana
1765 é instituída a derrama: o confisco dos bens dos Francesa e recebe duas incumbências do governador do
moradores para cobrir o valor estipulado para o quinto Estado do Maranhão e Grão-Pará, João Maia da Gama. A
quando há déficit de produção. primeira tem caráter diplomático: o governador da Guia-
na, Claude d’Orvilliers, tinha mandado arrancar um padrão
ECONOMIA MINERADORA – O chamado “ciclo do com o escudo português plantado na fronteira entre as
ouro” traz uma grande diversificação social para a co- duas colônias. A missão de Palheta seria fazer respeitar a
lônia. A exploração das jazidas não exige o emprego de divisa, estabelecida pelo Tratado de Utrecht no rio Oiapo-
grandes capitais, permite a participação de pequenos que. A segunda tarefa de Palheta é clandestina: deveria
empreendedores e estimula novas relações de traba- obter mudas de café, cultivado nas Guianas desde 1719, e

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GEOGRAFIA

trazê-las para o plantio no Pará. O sertanista cumpre suas cipalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. Eram fábricas
duas incumbências. Faz os franceses aceitarem a faixa divi- de tecidos, calçados e outros produtos de fabricação mais
sória entre os dois países e traz mudas de café para o Brasil, simples. A mão-de-obra usadas nestas fábricas eram, na
apesar da proibição formal do governo francês. Conta-se maioria, formada por imigrantes italianos.
que ele mesmo teve um cafezal no Pará, com mais de mil  
pés, para o qual pediu ao governo cem casais de escravos. Era Vargas e desenvolvimento industrial 
 
EXPANSÃO DO AÇÚCAR – A agroindústria açucareira Foi durante o primeiro governo de Getúlio Vargas
do nordeste volta a se expandir no século XVIII, quando (1930-1945) que a indústria brasileira ganhou um grande
as revoltas escravas nas Antilhas interrompem a produção impulso. Vargas teve como objetivo principal efetivar a in-
local. O aumento das exportações brasileiras estimula a dustrialização do país, privilegiando as indústrias nacionais,
expansão dos canaviais para o Rio de Janeiro e São Paulo, para não deixar o Brasil cair na dependência externa. Com
já enriquecidos pelo comércio do ouro. leis voltadas para a regulamentação do mercado de tra-
balho, medidas protecionistas e investimentos em infraes-
trutura, a indústria nacional cresceu significativamente nas
Pecuária
décadas de 1930-40. Porém, este desenvolvimento conti-
Fator essencial na ocupação e povoamento do interior,
nuou restrito aos grandes centros urbanos da região su-
a pecuária se desenvolve no vale do rio São Francisco e na
deste, provocando uma grande disparidade regional. 
região sul da colônia. As fazendas do vale do São Francis- Durante este período, a indústria também se benefi-
co são latifúndios assentados em sesmarias e dedicados à ciou com o final da Segunda Guerra Mundial (1939-45),
produção de couro e criação de animais de carga. Muitos pois, os países europeus, estavam com suas indústrias ar-
proprietários arrendam as regiões mais distantes a peque- rasadas, necessitando importar produtos industrializados
nos criadores. Não é uma atividade dirigida para a expor- de outros países, entre eles o Brasil. 
tação e combina o trabalho escravo com a mão-de-obra Com a criação da Petrobrás (1953), ocorreu um gran-
livre: mulatos, pretos forros, índios, mestiços e brancos po- de desenvolvimento das indústrias ligadas à produção de
bres. No sul, a criação de gado é destinada à produção do gêneros derivados do petróleo (borracha sintética, tintas,
charque para o abastecimento da região das minas. plásticos, fertilizantes, etc).
 
Fonte: http://www.coladaweb.com/economia/econo- Período JK
mia-colonial  
Durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956
-1960) o desenvolvimento industrial brasileiro ganhou no-
vos rumos e feições. JK abriu a economia para o capital in-
A INDUSTRIALIZAÇÃO PÓS SEGUNDA ternacional, atraindo indústrias multinacionais. Foi durante
GUERRA MUNDIAL: MODELO DE este período que ocorreu a instalação de montadoras de
SUBSTITUIÇÃO DAS IMPORTAÇÕES, veículos internacionais (Ford, General Motors, Volkswagen
ABERTURA PARA INVESTIMENTOS e Willys) em território brasileiro. 
ESTRANGEIROS, DINÂMICA ESPACIAL DA  
Últimas décadas do século XX
INDÚSTRIA, PÓLOS INDUSTRIAIS
 
Nas décadas 70, 80 e 90, a industrialização do Brasil
continuou a crescer, embora, em alguns momentos de crise
econômica, ela tenha estagnado. Atualmente o Brasil pos-
Introdução 
sui uma boa base industrial, produzindo diversos produtos
 
como, por exemplo, automóveis, máquinas, roupas, aviões,
Enquanto o Brasil foi colônia de Portugal (1500 a 1822)
equipamentos, produtos alimentícios industrializados, ele-
não houve desenvolvimento industrial em nosso país. A trodomésticos, etc. Apesar disso, a indústria nacional ainda
metrópole proibia o estabelecimento de fábricas em nos- é dependente, em alguns setores, (informática, por exem-
so território, para que os brasileiros consumissem os pro- plo) de tecnologia externa.
dutos manufaturados portugueses. Mesmo com a chega-  
da da família real (1808) e a Abertura dos Portos às Nações Dados atuais
Amigas, o Brasil continuou dependente do exterior, po-  
rém, a partir deste momento, dos produtos ingleses. - Infelizmente a indústria do Brasil não vai bem na
  atualidade. De acordo com dados divulgados pelo IBGE
Começo da industrialização  (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 08 de
  fevereiro de 2017, a produção industrial brasileira apresen-
Foi somente no final do século XIX que começou o tou queda de 6,6% em 2016.
desenvolvimento industrial no Brasil. Muitos cafeicultores
passaram a investir parte dos lucros, obtidos com a ex- Fonte: http://www.suapesquisa.com/historiadobra-
portação do café, no estabelecimento de indústrias, prin- sil/industrializacao_brasil.htm

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GEOGRAFIA

Há tempos, as indústrias vêm conquistando o seu es- nacional integrado, tendo uma estrutura de arquipélago
paço no Brasil, tornando-se um dos elementos mais bási- econômico com várias áreas desarticuladas, passa a se in-
cos de uma determinada região. Trazendo consigo, sempre tegrar. Esta integração reflete nossa divisão inter-regional
uma característica marcante, a MUDANÇA, seja ela qual for, do trabalho, sendo tipicamente centro-periferia, ou seja,
tanto na cultura como na economia ou até mesmo no es- com a região Sudeste polarizando as demais.
paço que ela ocupa e no impacto que ela causará em seu A exemplo do que ocorre em outros países industria-
ambiente. lizados, existe no Brasil uma grande concentração espacial
A seguir, veremos um pouco mais sobre essas indús- da indústria no Sudeste.A concentração industrial no Su-
trias, como e porque, que um lugar que comporta uma deste é maior no Estado de São Paulo, por motivos históri-
ou várias indústrias se modifica, e modifica a vida de sua cos. O processo de industrialização, entretanto, não atingiu
população; como os meios de transporte e comunicação toda a região Sudeste, o que produziu espaços geográficos
podem influenciar para a industrialização de uma determi- diferenciados e grandes desigualdades dentro da própria
nada região. região. A cidade de São Paulo, o ABCD(Santo André,São
Porque as indústrias tendem a se concentrar mais em Bernardo do Campo, São Caetano e Diadema)e centros
uma determinada região? Como fica o desenvolvimento de próximos, como Campinas, Jundiaí e São José dos Campos
uma região pouco industrializada? Essas e outras questões, possuem uma superconcentração industrial, elaborando
serão abordadas a seguir, tendo como principal objetivo espaços geográficos integrados à região metropolitana de
fazer que se entenda melhor o papel desta gigante chama- São Paulo.Esta área tornou-se o centro da industrialização,
da INDÚSTRIA ! que se expandiu nas seguintes direções: par a Baixada San-
tista, para a região de Sorocaba, para o Vale do Paraíba –
A DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DAS INDÚSTRIAS NO BRASIL Rio de Janeiro e interior, alcançando Ribeirão Preto e São
A atividade industrial, muito concentrada no Sudes- José do Rio Preto.
te brasileiro, de uns tempos pra cá, vem se distribuindo
melhor entre as diversas regiões do país. Atualmente, se- AS ATIVIDADES ECONÔMICAS E INDUSTRIAIS NAS 05
guindo uma tendência mundial, o Brasil vem passando por REGIÕES DO BRASIL
um processo de descentralização industrial, chamada por
alguns autores de desindustrialização, que vem ocorrendo Sudeste:
intra-regionalmente e também entre as regiões. Como descrito anteriormente, o Sudeste, é a região
Dentro da Região Sudeste há uma tendência de saída que possui a maior concentração industrial do país.
do ABCD Paulista, buscando menores custos de produção Nesta área, os principais tipos de indústrias são: auto-
do interior paulista, no Vale do Paraíba ao longo da Rodo- mobilística, petroquímica, de produtos químicos, alimen-
via Fernão Dias, que liga São Paulo à Belo Horizonte. Estas tares, de minerais não metálicos, têxtil, de vestuário, meta-
áreas oferecem, além de incentivos fiscais, menores custos lúrgica, mecânica, etc. É um centro polindustrial, marcado
de mão-de-obra, transportes menos congestionados e por pela variedade e volume de produção.
tratarem-se de cidades-médias, melhor qualidade de vida, Várias empresas multinacionais operam nos setores
o que é vital quando trata-se de tecnopólos. automobilísticos de máquinas e motores, produtos quí-
A desconcentração industrial entre as regiões vem micos, petroquímicos, etc. As empresas governamentais
determinando o crescimento de cidades-médias dotadas atuam principalmente nos setores de siderurgia. Petróleo
de boa infraestrutura e com centros formadores de mão- e metalurgia, enquanto empresas nacionais ocupam áreas
de-obra qualificada, geralmente universidades. Além dis- diversificadas.
so, percebe-se um movimento de indústrias tradicionais, O grande interesse de empresas multinacionais é prin-
de uso intensivo de mão-de-obra, como a de calçados e cipalmente pela mão-de-obra mais barata, pelo forte mer-
vestuários para o Nordeste, atraídas sobretudo, pela mão- cado consumidor e pela exportação dos produtos indus-
de-obra extremamente barata. triais a preços mais baixos. Quem observa a saída de navios
dos portos de Santos e do Rio de Janeiro tem oportunida-
A CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL NO SUDESTE de de verificar quantos produtos industriais saem do Brasil
A distribuição espacial da indústria brasileira, com para outros países. E aí vem a pergunta: com quem fica o
acentuada concentração em São Paulo, foi determinada lucro dessas operações? Será que fica para os trabalhado-
pelo processo histórico, já que no momento do início da res que as produziram?
efetiva industrialização, o estado tinha, devido à cafeicul- A cidade do Rio de Janeiro, caracterizada durante mui-
tura, os principais fatores para instalação das indústrias a to tempo como capital administrativa do Brasil até a criação
saber: capital, mercado consumidor, mão-de-obra e trans- de Brasília, possui também um grande parque industrial.
portes. Porém, não tem as mesmas características de alta produ-
Além disso, a atuação estatal através de diversos pla- ção e concentração de São Paulo. Constitui-se também,
nos governamentais, como o Plano de Metas, acentuou de empresas de vários tipos, destacando-se as indústrias
esta concentração no Sudeste, destacando novamente São de refino de petróleo, estaleiros, indústria de material de
Paulo. A partir desse processo industrial e, respectiva con- transporte, tecelagem, metalurgia, papel, têxtil, vestuário,
centração, o Brasil, que não possuía um espaço geográfico alimentos, etc.

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GEOGRAFIA

Minas Gerais, de passado ligado à mineração, assumiu A indústria passou a se diversificar para produzir bens
importância no setor metalúrgico após a 2º Guerra Mun- intermediários para as indústrias de São Paulo. Nesse sen-
dial e passou a produzir principalmente aço, ferro-gusa e tido o sul passou a complementar a produção do Sudeste.
cimento para as principais fábricas do Sudeste. Belo Ho- Daí considerarmos o Sul como sub-região do Centro-Sul.
rizonte tornou-se um centro industrial diversificado, com Objetivando a integração brasileira com os países do
indústrias que vão desde o extrativismo ao setor auto- Mercosul, a indústria do Sul conta com empresas no setor
mobilístico. petroquímico, carboquímico, siderúrgico e em indústrias de
Além do triângulo São Paulo, Rio de Janeiro, Belo ponta (informática e química fina).
Horizonte, existem no Sudeste outras áreas industriais, a A reorganização e modernização da indústria do sul
maioria apresentando ligação direta com algum produto necessitam também de uma política nacional que possibi-
ou com a ocorrência de matéria-prima. É o caso de Vol- lite o aproveitamento das possibilidades de integração da
ta Redonda, Ipatinga, Timóteo, João Monlevade e Ouro agropecuária e da indústria, à implantação e crescimento da
Branco, entre outras, ligadas à siderurgia. Outros centros produção de bens de capital( máquinas, equipamentos), de
industriais estão ligados à produção local, como Campos indústrias de ponta em condições de concorrência com as
e Macaé (açúcar e álcool), Três Corações, Araxá e Itape- indústrias de São Paulo.
runa(leite e derivados), Franca e Nova Serrana(calçados),
Nordeste:
Araguari e Uberlândia(cereais), etc.
A industrialização dessa região vem se modificando,
O estado do Espírito Santo é o menos industrializa-
modernizando, mas sofre a concorrência com as indústrias
do do Sudeste, tendo centros industriais especializados
do Centro-Sul, principalmente de São Paulo, que utilizam
como: Aracruz , Ibiraçu, Cachoeiro de Itapemirim
um maquinário tecnologicamente mais sofisticado.
Vitória, a capital do Estado, tem atividades econômi- A agroindústria açucareira é uma das mais importantes,
cas diversificadas, relacionadas à sua situação portuária e visando sobretudo a exportação do açúcar e do álcool.
às indústrias ligadas à usina siderúrgica de Tubarão. As indústrias continuam a tendência de intensificar a
No Sudeste, outras atividades estão muito ligadas à produção ligada à agricultura (alimentos, têxteis, bebidas)
vida urbana e industrial: comércio, serviço público, pro- e as novas indústrias metalúrgicas, químicas, mecânicas e
fissionais liberais, educação, serviços bancários, de co- outras.
municação, de transporte , etc. Quanto maior a cidade, A exploração petrolífera no Recôncavo Baiano trouxe
maior variedade de profissionais aparecem ligados às para a região indústrias ligadas à produção refino e utiliza-
atividades urbanas. ção de derivados do petróleo.
Como entre São Paulo, Rio e Belo Horizonte concen- Essa nova indústria , de alta tecnologia e capital intenso,
tra-se a maior produção industrial do país, a circulação não absorve a mão-de-obra que passa a subempregar-se na
de pessoas e mercadorias é muito intensa na região. área de serviços ou fica desempregada.
Milhares de pessoas estão envolvidas na comercializa- As indústrias estão concentradas nas mãos de poucos
ção, transporte e distribuição dos produtos destinados empresários e os salários pagos são muito baixos, acarretan-
à industrialização, ao consumo interno ou à exportação. do o empobrecimento da população operária.
Considerada também o centro cultural do país, a região O sistema industrial do Nordeste, concentrado na Zona
possui uma vasta rede de prestação de serviços em todos da Mata, tem pouca integração interna. Encontra-se somen-
os ramos, com grande capacidade de expansão, graças te em alguns pontos dispersos e concentra-se sobretudo
ao crescimento de suas cidades. nas regiões metropolitanas: Recife, Salvador e Fortaleza .
Com vistas à política do Governo Federal para o Pro-
Sul: grama de Corredores da Exportação, instituído no final da
A industrialização do Sul, tem muita vinculação com década de 70 para atender ao escoamento da produção
a produção agrária e dentro da divisão regional do tra- destinada ao mercado externo, foram realizadas obras nos
balho visa o abastecimento do mercado interno e as ex- terminais açucareiros dos portos de Recife e Maceió.
A rede rodoviária acha-se mais integrada a outras re-
portações.
giões do que dentro do próprio Nordeste. A construção da
O imigrante foi um elemento muito importante no
rodovia , ligando o Nordeste(Zona da Mata) ao Sudeste e ao
início da industrialização como mercado consumidor e
Sul, possibilitou o abastecimento do Nordeste com produ-
no processo industrial de produtos agrícolas, muitas ve-
tos industrializados no Sudeste e o deslocamento da popu-
zes em estrutura familiar e artesanal. lação nordestina em direção a este.
A industrialização de São Paulo implicou na incorpo-
ração do espaço do Sul como fonte de matéria-prima, Centro-Oeste:
Implicou também na incapacidade de concorrência das Na década de 60, a industrialização a nível nacional
indústrias do sul, que passaram a exportar seus produtos adquire novos padrões. As indústrias de máquinas e in-
tradicionais como calçados e produtos alimentares, para sumos agrícolas, instaladas no Sudeste, tiveram mercado
o exterior. Com as transformações espaciais ocasionadas consumidor certo no Centro-Oeste, ao incentivarem-se os
pela expansão da soja, o Sul passou a ter investimentos cultivos dos produtos de exportação em grandes áreas me-
estrangeiros em indústrias de implementos agrícolas. canizadas.

40
GEOGRAFIA

A partir da década de 70, o Governo Federal implantou As principais regiões industriais são Belém e Manaus.
uma nova política econômica visando a exportação .Para Na Amazônia não acontece como no Centro-sul do país,
atender às necessidades econômicas brasileiras e a sua a criação de áreas industriais de grandes dimensões.
participação dentro da divisão internacional do trabalho, Mais adiante veremos sobre a criação da Zona Franca
caberia ao Centro-Oeste a função de produtor de grãos e de Manaus.
carnes para exportação.
Com tudo isso, o Centro-Oeste tornou-se a segun- COMO A IMPLANTAÇAO DE UMA INDÚSTRIA PODE
da região em criação de bovinos do País, sendo esta a ALTERAR NA CULTURA E NAS RELAÇÕES DE TRABALHO
atividade econômica mais importante da sub-região. Sua NA REGIÃO EM QUE FOI IMPLANTADA
produção de carne visa o mercado interno e externo. Já é do conhecimento de todos nós, que quando uma
Existem grandes matadouros e frigoríficos que indus- indústria é implantada em determinada região, várias mu-
trializam os produtos de exportação. O abastecimento re- danças acontecem, dentre elas, mudanças no espaço geo-
gional é feito pelos matadouros de porte médio e mata- gráfico, mudanças culturais, e principalmente, mudanças
douros municipais, além dos abates clandestinos que não na economia.
passam pela fiscalização do Serviço de Inspeção Federal.
Sua industrialização se baseia no beneficiamento de A implantação de uma indústria, modifica a cultura,
matérias-primas e cereais, além do abate de reses o que pois, um trabalho que artesanalmente era executado pelo
contribui para o maior valor de sua produção industrial povo, e tido como tradição, cede seu lugar, muitas ve-
. As outras atividades industriais são voltadas para a pro- zes à máquinas pesadas, e que exercem sozinhas e em
dução de bens de consumo, como :alimentos, móveis etc. pouco tempo, o serviço que muitas vezes, era desem-
A indústria de alimentos, a partir de 1990, passou a se penhado por várias pessoas e em um período de tempo
instalar nos polos produtores de matérias-primas, pro- muito maior. Assim, milhares de postos de trabalho se ex-
vocando um avanço na agroindústria do Centro-Oeste. A tinguiam, fazendo-se aumentar o número de empregos
CEVAL, instalada em Dourados MS, por exemplo, já pro- informais surgidos nessa região.
cessa 50% da soja na própria área. Além de mudanças na cultura e economia , surgem
No estado de Goiás por exemplo ,existem indústrias também, mudanças no espaço geográfico: em alguns ca-
em Goiânia, Anápolis, Itumbiara, Pires do rio, Catalão, sos, as industrias são implantadas, sem maior avaliação
Goianésia e Ceres. Goiânia e Anápolis, localizadas na área dos danos que ela poderá causar, acarretando conse-
de maior desenvolvimento econômico da região, são os quências gravíssimas posteriormente.
centros industriais mais significativos, graças ao seu mer-
cado consumidor, que estimula o desenvolvimento indus- A ZONA FRANCA DE MANAUS
trial. A ZFM foi criada em 1957 originalmente através da Lei
Enquanto outras áreas apresentam indústrias ligadas 3.173 com o objetivo de estabelecer em Manaus um en-
aos produtos alimentares, minerais não metálicos e ma- treposto destinado ao beneficiamento de produtos para
deira, esta área possui certa diversificação industrial. Con- posterior exportação. Em 1967, a ZFM foi subordinada di-
tudo, os produtos alimentares representam o maior valor retamente ao Ministério do Interior, através da SUFRAMA
da produção industrial. (pelo Decreto-Lei nº 288). O decreto estabelecia incenti-
vos com vigência até o ano 1997.
Norte: Ao longo dos anos 70, os incentivos fiscais atraíram
A atividade industrial no Norte, é pouco expressiva, para a ZFM investimentos de empresas nacionais e es-
se comparada com outras regiões brasileiras. Porém, os trangeiras anteriormente instaladas no sul do Brasil, bem
investimentos aplicados, principalmente nas últimas dé- como investimentos de novas ET, principalmente da
cadas, na área dos transportes, comunicações e energia indústria eletrônica de consumo. Nos anos 80, a Políti-
possibilitaram à algumas áreas o crescimento no setor in- ca Nacional de Informática impediu que a produção de
dustrial , visando à exportação. computadores e periféricos e de equipamentos de teleco-
Grande parte das indústrias está localizada próxima municações se deslocasse para Manaus e a ZFM manteve
à fonte de matérias-primas como a extração de minerais apenas o segmento de consumo da indústria eletrônica.
e madeiras, com pequeno beneficiamento dos produtos. A Constituição de 1988 prorrogou a vigência dos in-
A agroindústria regional dedica-se basicamente ao centivos fiscais da União para a ZFM até o ano 2.013, mas
beneficiamento de matérias-primas diversas, destacan- com a abertura da economia, nos anos 90, esses incen-
do-se a produção de laticínios; o processamento de carne, tivos perderam eficácia. Simultaneamente, os produtos
ossos e couro; a preservação do pescado, por congelação, fabricados na ZFM passaram a enfrentar a concorrência
defumação, salga, enlatamento; a extração de suco de com produtos importados no mercado doméstico brasi-
frutas; o esmagamento de sementes para fabricação de leiro. As empresas estabelecidas em Manaus promoveram
óleos; a destilação de essências florestais; prensagem de um forte ajuste com redução do emprego e aumento do
juta, etc. Tais atividades, além de aumentarem o valor final conteúdo importado dos produtos finais.
da matéria-prima, geram empregos.

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GEOGRAFIA

A RELAÇÃO DOS MEIOS DE TRANSPORTE E COMUNI-


CAÇÃO, E DO COMÉRCIO COM A INDUSTRIALIZAÇÃO DE A INDÚSTRIA NAS DIFERENTES REGIÕES
UMA DETERMINADA REGIÃO BRASILEIRAS E A REESTRUTURAÇÃO
Os meios de transporte, comunicação e comércio, são os
PRODUTIVA;
fatores cruciais para que se implante uma indústria em uma
determinada região.
Para ser determinado estratégico para a implantação de
uma indústria, um local tem que ter fácil acesso à rodovias, A divisão regional oficial do Brasil é aquela estabe-
que escoem a sua produção para as diversas regiões do país lecida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
e os portos, visando a exportação. (IBGE), sendo composta por cinco complexos regionais:
Os meios de comunicação, também são vitais, para que Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul. No entanto,
sejam feitos os contatos necessários para se fechar grandes além dessa regionalização do território nacional, existe outra
negócios, visando a obtenção de lucros mais altos, para o divisão regional (não oficial), conhecida como regiões geoe-
crescimento da indústria, a atualização dos conhecimentos e conômicas do Brasil: a Amazônia, o Nordeste e o Centro-Sul.
a velocidade de comunicação. Os critérios adotados para a delimitação dessas três regiões
O comércio, também é muito importante, pois para que foram os aspectos naturais e, principalmente, as característi-
se produza alguma coisa , é necessário que haja mercado cas socioeconômicas.
para este produto, e o comércio tem o papel de intermediá- As regiões geoeconômicas do Brasil não seguem os
rio entre o produtor e o consumidor final. limites das fronteiras dos estados, visto que seus critérios
mais importantes são os aspectos sociais e econômicos, ha-
OS IMPACTOS AMBIENTAIS CAUSADOS PELA INDÚS- vendo grande dinamismo na delimitação espacial.
TRIA Portanto, alguns estados brasileiros estão inseridos em
As economias capitalistas tiveram, do pós guerra até diferentes regiões: a porção norte de Minas Gerais é par-
meados da década de 70, uma das fases de maior expansão e te integrante da chamada região Nordeste, e o restante do
transformações da estrutura produtiva, sob a égide do setor
estado está localizado no complexo regional Centro-Sul; o
industrial. Essa expansão foi liderada por dois grandes subse-
extremo sul do Tocantins localiza-se na região Centro-Sul, e
tores: o metal-mecânico (indústria de automotores, bens de
o restante do seu território faz parte da região da Amazônia;
capital e do consumo duráveis) e a química (especialmente a
a porção oeste do Maranhão integra a região da Amazônia
petroquímica).
e a sua porção leste está localizada no complexo regional
A rápida implantação da matriz industrial internacional
nordestino; Mato Grosso integra a região Centro-Sul (por-
no Brasil internalizou os vetores produtivos da químico-pe-
ção sul), além da região da Amazônia (porção centro-norte).
troquímica, da metal-mecânica, da indústria de material de
transporte, da indústria madeireira, de papel e celulose e de Mapa das regiões geoeconômicas do Brasil:
minerais não-metálicos todos com uma forte carga de im- 1- Amazônia; 2- Centro-Sul; 3- Nordeste Formada por
pacto sobre o meio ambiente. todos os estados da região Norte, além do Mato Grosso (ex-
De maneira geral, e abstraindo as características de cada ceto sua porção sul) e oeste do Maranhão, a região da Ama-
ecossistema, o impacto do setor industrial sobre o meio am- zônia corresponde a 60% do território nacional, abrangen-
biente depende de três grandes fatores: da natureza da es- do toda a extensão da Amazônia Legal. Apesar de possuir a
trutura da indústria em distintas relações com o meio natural; maior área, esse complexo regional abriga a menor parcela
da intensiva e concentração espacial dos gêneros e ramos in- da população brasileira - aproximadamente 7% do total.
dustriais; e o padrão tecnológico do processo produtivo- tec- No que se refere ao clima, esse é quente e bastante chu-
nologias de filtragem e processamento dos efluentes além voso. E quanto à vegetação, a Floresta Amazônica é a de
do reaproveitamento econômico dos subprodutos. maior predominância.
A industrialização maciça e tardia incorporou padrões As principais atividades econômicas desenvolvidas na
tecnológicos avançados para base nacional, mas ultrapassa- região da Amazônia são: extração mineral, agropecuária e
dos no que se refere ao meio ambiente, com escassos ele- extrativismo vegetal. O setor industrial é pouco desenvolvi-
mentos tecnológicos de tratamento, reciclagem e reproces- do, tal segmento econômico destaca-se em Manaus.
samento. O complexo regional do Centro-Sul é formado pelos
Enquanto o Brasil começa a realizar ajustes no perfil da estados das regiões: Sul, Sudeste (exceto o extremo norte
indústria nacional, a economia mundial ingressa em um novo de Minas Gerais) e Centro-Oeste (exceto o centro-norte de
ciclo de paradigma tecnológico. Ao contrário da industria- Mato Grosso), além do extremo sul do Tocantins. Essa região
lização do pós-guerra, altamente consumidora de recursos corresponde a aproximadamente 22% do território nacional,
naturais – matérias – primas, “commodities” e energéticos, o e abriga cerca de 70% da população brasileira, razão pela
novo padrão de crescimento tende a uma demanda eleva- qual é considerada como a região mais populosa e mais po-
da de informação e conhecimento com diminuição relativa voada do país.
do “consumo” de recursos ambientais e de “produção” de A região Centro-Sul é a mais desenvolvida, economi-
efluentes poluidores. camente, do Brasil, uma vez que é a principal responsável
pelo Produto Interno Bruto (PIB) nacional: cerca de 75% do
Fonte: http://www.coladaweb.com/geografia-do-bra- PIB brasileiro. Sua economia é dinâmica, apresentando um
sil/o-espaco-industrial-no-brasil elevado grau de industrialização. As principais atividades

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GEOGRAFIA

econômicas são: agropecuária moderna, variados segmen- é o Maciço de Urucum, no município de Corumbá – Mato
tos industriais dotados de um efetivo aparato tecnológico, Grosso do Sul. O minério dessa região é escoado pelo rio
bancos, desenvolvimento de pesquisas científicas, serviços Paraguai, através do porto de Corumbá, e abastece os paí-
diversos, etc. ses do Mercosul. A mais importante jazida de minério de
Esse é o complexo regional que concentra a maior par- ferro de alto teor está localizada na Serra dos Carajás, a
te da renda nacional, além de apresentar os melhores Índi- maior e mais variada província mineralógica brasileira. Si-
ces de Desenvolvimento Humano (IDH) do país. tua-se próxima da cidade de Marabá e do rio Tocantins,
Composto por todos os estados nordestinos, além da no Estado do Pará. O minério é transportado pela Estrada
porção norte de Minas Gerais, a região geoeconômica do de Ferro Carajás até o porto de Itaqui, no Maranhão, de
Nordeste corresponde a aproximadamente 18% do territó- onde é exportado. O Estado do Pará é o segundo produ-
rio brasileiro, sendo, portanto, o menor complexo regional. tor nacional.
O território nordestino apresenta contrastes naturais e O minério de ferro é o principal produto mineral ex-
disparidades econômicas entre as áreas litorâneas: urbani- portado pelo Brasil, sendo este o 2º maior exportador do
zadas, industrializadas e, economicamente desenvolvidas. mundo, sendo superado apenas pela China, respondendo
Porém, no interior, há o predomínio de um clima semiárido por 18% da produção do globo.
e grandes problemas socioeconômicos.
As atividades econômicas mais relevantes são: cultivo Manganês
da cana-de-açúcar, algodão, arroz, cultivo irrigado de fru- Segundo minério em importância no Brasil, extraído
tas, extrativismo vegetal, pecuária extensiva e de corte, in- principalmente da pirolusita. Sua maior utilização é na fa-
dústrias têxteis, produção de petróleo (Bahia e Rio Grande bricação do aço, misturado ao ferro, no setor metalúrgico
do Norte) e o turismo. de ferro-liga.
Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geogra-
fia/as-regioes-geoeconomicas-brasil.htm Áreas de ocorrência:
• A tradicional área produtora e exportadora, locali-
zou-se na Serra do Navio, no Amapá, desgastada por com­
O APROVEITAMENTO ECONÔMICO DOS panhias exploradoras norte-americanas. Verda­deiramente,
RECURSOS NATURAIS E AS ATIVIDADES a Serra do Navio não está mais no Amapá e, sim, nos EUA.
ECONÔMICAS: OS RECURSOS MINERAIS, O manganês brasileiro foi escoado pelo porto de Santana,
FONTES DE ENERGIA E MEIO AMBIENTE, O situado nas proximidades de Macapá e ligado à área de
SETOR MINERAL E OS GRANDES PROJETOS exploração pela Estrada de Ferro do Amapá.
DE MINERAÇÃO; • Outras jazidas localizam-se no Maciço de Urucum,
em Mato Grosso do Sul, também explorado por empresa
norte-americana e na Serra dos Carajás, no Pará.
Recursos Minerais do Brasil • Há também as jazidas de Minas Gerais, no Quadriláte­
Por sua extensão e, principalmente, devido aos inúme­ ro Ferrífero e vizinhanças, especialmente no município de
ros ambientes geológicos favoráveis à formação de Conselheiro Lafaiete, onde estão as maiores reservas da
depósi­tos minerais, o Brasil dispõe de um vasto potencial região, com destaque para o Morro da Mina. A exploração
de ocorrência desses recursos, que podem ser classifica- abastece o mercado regional.
dos tecnicamente como minerais metálicos, não-metálicos
e energéticos do ponto de vista de sua presença, podemos Alumínio
também dividi-los em abundantes, como o ferro; suficien­ O alumínio é extraído da bauxita pelo processo de
tes, como o urânio; e insuficientes, como o cobre. eletrólise. As maiores reservas de bauxita estão locali­
zadas no Estado do Pará (80% das reservas nacionais)
Ferro especialmente ao longo do curso do rio Trombetas, no
Principal recurso mineral encontrado no Bra­sil. O miné- município de Oriximiná. As reservas nas regiões de Poços
rio de ferro é extraído principalmente da hematita, magne- de Caldas e Ouro Preto, em Minas Gerais, abaste­cem o
tita, limonita e siderita. Áreas de ocorrência: mercado regional. As reservas de bauxita do Brasil estão
A principal e tradicional área produtora localiza-se no entre as maiores do mundo e a importância do minério
Estado de Minas Gerais, numa área chamada de “Quadri- tem se expandido no mercado, por sua leveza e capacida-
látero Ferrífero”, tendo como “vértices” as cidades de Belo de anticorrosiva.
Horizonte, Santa Bárbara, Mariana e Congonhas, cobrindo
um território de mais de 7.000 km2. A produção do Qua- Estanho
drilátero abastece as usi­nas siderúrgicas nacionais e pro- Extraído da cassiterita, tem tido sua aplicação am-
duz, em grande parte, para a exportação, através da Cia pliada na formação de ligas. Os Estados do Amazonas
Vale do Rio Doce. O minério é escoado pela Estrada de e de Rondônia são os maiores produtores nacionais de
Ferro Vitória-Minas até os terminais dos portos de Vitória estanho, com a quase totalidade da representatividade
e, principalmente, o de Tubarão, ambos no Espírito Santo. brasileira. As maio­res ocorrências estão nos aluviões das
Uma outra área produtora e com reservas superiores às de regiões circundantes às bacias dos rios Amazonas e Ma-
Minas Gerais, embora com minérios de qualida­de inferior, deira-Mamoré.

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GEOGRAFIA

Cobre
Minério estratégico para o setor elétrico, em função AGRICULTURA BRASILEIRA: DINÂMICAS
da condutibilidade e maleabilidade do metal. É extraído TERRITORIAIS DA ECONOMIA RURAL, A
principalmente da calcopirita. As maiores re­servas de co-
ESTRUTURA FUNDIÁRIA,
bre estão na Província de Carajás, no Pará, com quase 80%
das jazidas. A exploração é realizada tradicional­mente em
Caraíbas, na Bahia e em Caçapava do Sul e Camaquã, no
Rio Grande do Sul. Porém, a produção é insuficiente para A  agricultura brasileira  se iniciou na  região nordes-
atender às necessidades nacionais. te  do Brasil, no século XVI, com a criação das chamadas
“Capitanias Hereditárias” e o início do cultivo da cana.
Petróleo Baseada na  monocultura, na mão de obra escrava e
A principal área produtora é a Bacia de Campos, na em grandes latifúndios, a agricultura permaneceria basica-
plataforma continental do Rio de Janeiro, seguida dos mente restrita à cana com alguns cultivos diferentes para
campos de extração no litoral do Espírito Santo, no Recôn- subsistência da população da região, porém de pouca ex-
cavo Baiano, em mar; no Rio Grande do Norte, em terra pressividade.
e mar; no Amazonas e Paraná, em terra. Em setembro de Só a partir do século XVIII com a mineração e o início
1999 foi anunciada a descoberta de um campo na bacia de das plantações de café, que a partir do século XIX seriam o
Santos (SP), com reservas potenciais de 600 a 700 milhões principal produto brasileiro, é que o cultivo de outros ve-
de barris, segundo a Petrobrás, o que pode representar 10 getais começa a ganhar mais expressividade. Muitos enge-
bilhões de dólares a serem explorados em 20 anos, o cha- nhos são abandonados e a atividade canavieira se estagna
mado pré-sal. devido à transferência da mão-de-obra para a mineração e
o cultivo do café.
Carvão Mineral Tal como ocorrera com o período de grande produção
Os maiores depósitos de carvão do país encontram-se da cana-de-açúcar, o auge da cafeicultura no Brasil repre-
na Região Sul, na Bacia Sedimentar Paranaica ou do Para- sentou uma nova fase econômica. Por isso, podemos dizer
ná. O Estado de Santa Catarina, que tem o carvão de me- que a história da agricultura no Brasil está intimamente
lhor qualidade, é o maior produtor nacional (61%); e o Rio associada com a história do desenvolvimento do próprio
Grande do Sul é o 2° produtor (36%). Destacam-se, no su- país. Ainda mais, quando se considera o período a partir
deste de Santa Catarina, os municípios de Criciúma, Lauro do século XIX quando o café se tornou o principal artigo de
Muller e Urussanga, que escoam o carvão catarinense pe- exportação brasileiro, logo após o declínio da mineração.
los portos de Henrique Laje e Imbituba. O carvão brasileiro Mas o cultivo do café, que durante todo o século XIX
contém impurezas (enxofre e cinzas), o que deprecia seu faria fortunas e influenciaria fortemente a política do país,
valor de mercado. começa a declinar por volta de 1902 quando a crise atinge
seu ponto culminante, o Brasil produzira mais de 16 mi-
Veja mais: Carvão Mineral lhões de sacas de café enquanto que o consumo mundial
Xisto Betuminoso pouco ultrapassava os 15 milhões fazendo com que o pre-
É o nome mais conhecido de uma rocha metamórfica ço do café, que já estava em queda, chegasse a 33 francos
impregnada de óleo que aparece em grande quantidade (bem menos que os 102 francos de 1885).
no Brasil. As maiores reservas encon­tram-se nos municí- Desta forma, houve uma necessidade de diversifica-
pios de São Mateus do Sul e Irati, no Paraná. Para haver ção da economia que, entre outras atividades além das
aproveitamento econômico do material que impregna a estreantes indústrias, começava a valorizar outros tipos de
rocha é preciso usar solventes comuns. Já o xisto pirobetu- culturas. Além do que, o aumento da urbanização do país
minoso, que tem a mesma origem, contém um composto exigia também, o aumento do cultivo de matérias-primas.
orgânico complexo, solicitando processo de aquecimento Mas, esta mudança tomaria forma mesmo, só a partir da
à altas temperaturas para desprender óleo e gás. Isso torna década de 1940.
o processamento do xisto dispendioso, mas a necessidade Atualmente, segundo dados do último levantamento
de se buscar novas alternativas energéticas muitas vezes realizado pelo IBGE em novembro de 2007, no Brasil são
justifica os investimentos. cultivados 58.033,075 ha de terra. Sendo que a cana-de
-açúcar ainda predomina: são produzidos 514.079,729t
Fonte: http://www.coladaweb.com/geografia-do-bra- contra 58.197,297t da soja em grão. Quanto ao café em
sil/recursos-minerais-do-brasil grão, este responde por cerca de 2.178,246t.

Fonte: http://www.infoescola.com/agricultura/agricul-
tura-brasileira/

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GEOGRAFIA

A reforma agrária é outro problema muito polêmico


RELAÇÕES DE TRABALHO NO CAMPO, no país, contudo convém explicitar o significado de tal ex-
pressão.
A reforma agrária tem a finalidade de promover a dis-
tribuição ou reorganização mais justa da terra.
O subaproveitamento do espaço rural brasileiro é ca- A questão agrária provoca uma grande tensão no cam-
racterizado por uma baixa produtividade em relação aos po.
outros países que possui uma agricultura pautada na me- A fixação do trabalhador rural no campo depende de
canização. O motivo que faz o Brasil ter uma baixa produ- vários fatores, pois não basta a simples redistribuição de
tividade está na predominância da prática da agropecuária terras para garantir o sucesso da reforma agrária é preciso
tradicional. facilidade na obtenção e pagamentos de créditos financei-
O Brasil é um país extremamente agrícola, quase a me- ros, garantia de preços, condição de transportes, orienta-
tade do território é ocupada por estabelecimentos rurais. ção técnica e infraestrutura.
As concentrações e as relações estão divididas em estru- Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geogra-
tura fundiária, latifúndio, minifúndio, expropriação e êxodo fia/o-trabalho-terra-no-brasil.htm
rural.
- Estrutura fundiária: Corresponde à maneira como as
terras estão distribuídas no território. A MODERNIZAÇÃO DA AGRICULTURA,
- Latifúndio: São grandes propriedades rurais com
aproximadamente 600 hectares.
- Minifúndio: São pequenas propriedade rurais com
A base comparativa parte do contexto da agricultura
aproximadamente 3 hectares. tradicional para agricultura de países desenvolvidos, com
- Expropriação: É quando um pequeno proprietário sistemas produtivos integrados, cuja cadeia se constitui de
rural se encontra endividado e é obrigado a vender sua indústria fornecedora de insumos agrícolas, agroindústria
propriedade para pagar dívidas, geralmente os grandes fa- e a unidade agrícola. Esta última apoiando-se em produti-
zendeiros próximos adquirem essas terras. vidade resultante de técnicas modernas de uso do solo e
- Êxodo rural: Corresponde ao deslocamento de traba- uso intensivo de implementos. Quanto ao desenvolvimen-
lhadores rurais que saem do campo com destino aos cen- to tecnológico, algumas vertentes de pensamento surgem
tros urbanos, isso pode ocorrer por falta de trabalho no diante de análises microeconômicas, como por exemplo,
campo devido à mecanização ou mesmo para buscar uma proveniente da substituição de fatores relativamente es-
vida melhor. cassos, mais dispendiosos, por outros mais abundantes.
No campo existem as relações de trabalho que são di- FIGUEIREDO (1996) cita como exemplo, variedade mais
versificadas, como mão-de-obra familiar, posseiros, parce- produtiva e fertilizante para anulação das restrições ao cres-
ria, arrendatários, trabalhadores assalariados temporários e cimento imposta pela escassez de terra. Pelo antes exposto
o trabalho escravo no campo. é possível identificar dois tipos de inovações tecnológicas
- Mão-de-obra familiar: É a relação de trabalho entre aplicáveis à agricultura: - Inovações em tecnologia mecâ-
os entes da família exercendo todas as etapas produtivas. nica (economizadora de mão-de-obra) – contribui para o
- Posseiros: São trabalhadores rurais que ocupam e/ou aumento da produtividade do trabalho; - Inovações em
cultivam terras devolutas. tecnologia química e biológica (economizadora de terra) –
- Parceria: É a junção entre dois trabalhadores ou pro- geralmente acarreta um aumento do rendimento da terra
dutores rurais, no qual um possui a propriedade da terra e pelo aumento da fertilidade do solo através de sistemas de
o outro apenas a força de trabalho, esse vai cultivar a terra conservação mais intensivos em mão-de-obra, por exem-
e depois dividir uma parte da produção com aquele. plo. Experiências de modernização da agricultura em países
- Arrendatário: É quando um agricultor não possui ter- como EUA e Japão mostram que o Estado tem sido o gran-
ra, mas tem recursos financeiros, então arrenda ou aluga a de promotor das mudanças através da pesquisa agrícola,
promoção da capacitação de seus técnicos, incentivos para
propriedade por um período pré-determinado.
a produção industrial dos insumos e políticas agrícolas que
- Trabalhadores assalariados temporários: São traba-
alterem os preços relativos de produtos e insumos. Tecno-
lhadores rurais que recebem salário, mas que trabalham
logia agrícola e equidade Há clara distinção entre peque-
apenas uma parte do ano, é o que acontece nas colheitas. nos e grandes agricultores quando se trata do emprego de
- Trabalho escravo no campo: É quando o trabalhador tecnologia mecânica pela necessidade de sua aplicação em
não tem direitos trabalhistas, não recebe salário, pois tudo escala, resultando num diferencial de produtividade e con-
que é utilizado é cobrado, desde a alimentação até as fer- sequente renda agrícola. Tão importante, é também res-
ramentas de trabalho, esse fica endividado, fato que o im- saltar que a adoção de inovações em tecnologia mecânica
pede de ir embora. contribui para diminuição do emprego agrícola, podendo
Em pleno século XXI, esse fato se faz real, principal- ser considerado um fator que contribui para o êxodo rural.
mente em estados como Pará, Mato Grosso e Goiás, esses Em função basicamente do acesso a informação, também
não são únicos no país. se diferenciam os grandes dos pequenos quando o assunto

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é aplicação de inovações químicas e biológicas. A origem produção agropecuária. Por fim, numa nova citação a GRA-
do resultado de maior produtividade é principalmente nos ZIANO (1983), FIGUEIREDO (1996) assegura que permane-
grande agricultores ora pela maior capacidade de financia- cem válidas as observações: “o desenvolvimento capitalista
mento ora pela maior capacidade de uso, resultando num na agricultura brasileira acentua marcas contraditórias ao
“aumento” da área da propriedade, portanto, aumentando produzir simultaneamente riqueza e pobreza, ao conjugar
o lucro que por sua vez permite aquisição de mais tecno- uma grande capacidade de se modernizar com a manuten-
logia mecânica, que, como vista antes, resulta em desem- ção de agudas desigualdades ao nível tecnológico entre
prego. Modernização agrícola, desigualdade e pobreza no regiões e produtos, ao exibir modernas relações de traba-
Brasil A modernização da agricultura no Brasil surge com lho acopladas com a extensão ilegal da jornada de trabalho
parte da política de substituição de importações, plano do em todas as regiões do país”.
segundo Governo Vargas. Mas é na década de 60 que se
solidifica a indústria de bens de produção para agricultura
– tratores, implementos, fertilizantes e defensivos –, e a ex-
pansão das agroindústrias processadoras que provocaram ÊXODO RURAL,
profundas transformações na base técnica da agricultura.
Entretanto, a estratégia utilizada nesse plano, privilegiou o
aumento da eficiência, deixando em segundo plano, ques-
tões estruturais tais como a desigualdade da distribuição Introdução
da renda e da posse da terra, desigualdades regionais, bai-
xo nível de escolaridade, desemprego e êxodo rural. Com Podemos definir êxodo rural como sendo o desloca-
destaque para políticas de crédito a juros subsidiados, na mento de pessoas da zona rural (campo) para a zona ur-
década de 70, a agricultura brasileira mostrou grande dina- bana (cidades). Ele ocorre quando os habitantes do campo
mismo, cabendo ao Estado o importante papel na promo- visam obter condições de vida melhor.
ção da reformulação do aparato institucional de assistência
técnica e de pesquisa, visando oferecer aos agricultores, Causas
maior disponibilidade de conhecimentos técnicos e cientí-
ficos com a criação da EMBRAPA e EMBRATER. A crise dos Os principais motivos que fazem com que grandes
mercados no início da década de 80 provocou um processo quantidades de habitantes saiam da zona rural para as
de modernização da agricultura mais lento, resultado do grandes cidades são: busca de empregos com boa remu-
decrescimento substancial dos subsídios para aquisição de neração, mecanização da produção rural, fuga de desastres
insumos modernos e de máquinas e equipamentos. Este naturais (secas, enchentes, etc), qualidade de ensino e ne-
conjunto de fatores associados à capacidade maior de ar- cessidade de infra-estrutura e serviços (hospitais, transpor-
ticulação dos grandes agricultores proporcionou um de- tes, educação, etc).
sequilíbrio no padrão tecnológico das regiões brasileiras,
notadamente nas grandes propriedades das regiões mais Consequências
desenvolvidas (centro – sul), atingindo as lavouras de soja,
cana-de-açúcar e a pecuária. Uma importante observação O êxodo rural provoca, na maioria das vezes, proble-
de FIGUEIREDO (1996) é que o fator limitante da moder- mas sociais. Cidades que recebem grande quantidade de
nização da pequena propriedade parece residir, funda- migrantes, muitas vezes, não estão preparadas para tal fe-
mentalmente, na incompatibilidade entre a escala mínima nômeno. Os empregos não são suficientes e muitos mi-
de produção requerida pelo novo padrão tecnológico e a grantes partem para o mercado de trabalho informal e pas-
insuficiência dos recursos produtivos e financeiros da pe- sam a residir em habitações sem boas condições (favelas,
quena propriedade. Nas pequenas propriedades, as técni- cortiços, etc).
cas que não dependem de uma escala mínima foram mais
incorporadas que as tecnologias mecânicas. O fato de ab- Além do desemprego, o êxodo rural descontrolado
sorverem as novas técnicas apenas parcialmente provocou causa outros problemas nas grandes cidades. Ele aumenta
um aumento das diferenças de produtividade entre as pe- em grandes proporções a população nos bairros de peri-
quenas e as grandes unidades produtivas. O autor termina feria das grandes cidades. Como são bairros carentes em
por citar a existência de muitos trabalhos argumentando hospitais e escolas, a população destes locais acabam so-
que a política agrícola, cujo principal instrumento foi o cré- frendo com o atendimento destes serviços. Escolas com ex-
dito rural subsidiado, concorreu para o aumento das de- cesso de alunos por sala de aula e hospitais superlotados
sigualdades, pois dadas às estruturas fundiárias e organi- são as consequências deste fato.
zacionais, os recursos creditícios se acumularam no grupo Os municípios rurais também acabam sendo afetados
dos produtores mais integrados ao mercado e os maiores. pelo êxodo rural. Com a diminuição da população local,
GRAZIANO (1983) citado por FIGUEIREDO (1996) aponta diminui a arrecadação de impostos, a produção agrícola
que a modernização das instituições de pesquisa e assis- decresce e muitos municípios acabam entrando em crise.
tência não concorreu para gerar tecnologias adequadas às Há casos de municípios que deixam de existir quando to-
condições da pequena propriedade atendendo mais as de- dos os habitantes deixam a região.
mandas dos setores industriais a montante e a jusante da

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GEOGRAFIA

Êxodo Rural na História


AGRONEGÓCIO E A PRODUÇÃO
Roma Antiga: durante o Império Romano, a mão-de-o-
AGROPECUÁRIA BRASILEIRA; E O
bra escrava foi substituindo o trabalho livre na zona rural.
COMÉRCIO: GLOBALIZAÇÃO E ECONOMIA
Estes camponeses começaram a migrar em grande quan-
tidade para as cidades romanas, principalmente, a capital NACIONAL, COMÉRCIO EXTERIOR,
do império, Roma. Esta legião de desocupados passou a INTEGRAÇÃO REGIONAL (MERCOSUL E
preocupar os imperadores, que tinham medo de revoltas. AMÉRICA DO SUL), EIXOS DE CIRCULAÇÃO E
Criaram, pare evitar problemas sociais nas cidades, a polí- CUSTOS DE DESLOCAMENTO.
tica do pão-e-circo (comida e diversão para acalmar e dis-
trair os desempregados).
Idade Média: entre os séculos XIII e XV (Baixa Idade
Média), o comércio voltou a ser praticado, impulsionando Introdução
o surgimento e desenvolvimento de cidades. Uma nova  
classe social surgiu, a burguesia. Muitos camponeses dei- Por ser um país integrado a economia mundial capi-
xavam a zona rural em busca de melhores condições de talista e com conexões culturais com diversos países do
vida nestas cidades. mundo, o Brasil está participando atividade do mundo
Revolução Industrial: com o surgimento das indústrias globalizado.
no século XVIII, as grandes cidades europeias passaram a  
atrair grandes quantidades de camponeses. Estes busca- Economia brasileira e a globalização
vam trabalho nas fábricas e melhores salários.
Brasil (década de 1960): durante o governo de JK (Jus- O Brasil possui uma economia aberta ao mercado in-
celino Kubitschek) houve um grande investimento no de- ternacional, ou seja, nosso país vende e compra produ-
senvolvimento industrial nas grandes cidades da região tos de diversos tipos para diversas nações. Fazer parte da
Sudeste. Com a abertura da economia para o capital in- globalização econômica apresenta vantagens e desvan-
ternacional, diversas multinacionais, principalmente mon- tagens.
tadoras de veículos, construíram grandes fábricas em cida-  As vantagens é o acesso aos produtos internacionais,
des como São Paulo, São Bernardo do Campo, Guarulhos, muitas vezes mais baratos ou melhores do que os fabri-
Santo André, Diadema, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. cados no Brasil. Por outro lado, estes produtos, muitas
O resultado disso foi um grande êxodo rural do Nordeste vezes, entram no mercado brasileiro com preços muitos
para o Sudeste do país. Os migrantes nordestinos, fugitivos baixos, provocando uma competição injusta com os pro-
da seca do Nordeste e do desemprego, foram em busca de dutos nacionais e levando empresas à falência e gerando
trabalho e melhores condições de vida nas grandes cidades desemprego em nosso país. Isso vem ocorrendo atual-
do Sudeste. Este processo estendeu-se com força durante mente com a grande quantidade de produtos chineses
as décadas de 70 e 80. Como estas cidades não oferece- (brinquedos, calçados, tecidos, eletrônicos) que entram
ram condições sociais aos migrantes, houve o esperado:
no Brasil com preços muito baixos.
aumento das favelas e cortiços, desemprego (muitos mi-
 Outra questão importante no aspecto econômico é a
grantes não tinham qualificação profissional para os em-
integração do Brasil no mercado financeiro internacional.
pregos) aumento da violência, principalmente nos bairros
Investidores estrangeiros passam a investir no Brasil, prin-
de periferia.
cipalmente através da Bolsa de Valores, trazendo capitais
Outro fato relacionado ao êxodo rural ocorreu com a
para o país. Porém, quando ocorre uma crise mundial,
construção de Brasília, no final da década de 1950. Muitos
o Brasil é diretamente afetado, pois tem sua economia
migrantes do Norte e Nordeste do país foram em busca
muito ligada ao mundo financeiro internacional. É mui-
de empregos na região central do país, principalmente na
construção civil. As cidades satélites de Brasília cresceram to comum, em momentos de crise econômica mundial,
desordenadamente, causando vários problemas sociais, os investidores estrangeiros retirarem dinheiro do Brasil,
que persistem até os dias de hoje. provocando queda nos valores das ações e diminuição de
capitais para investimentos.
Fonte: http://www.suapesquisa.com/geografia/exo-  
do_rural.htm Cultura brasileira e globalização
 
No aspecto cultural os pontos são mais positivos do
que negativos. Com a globalização, os brasileiros podem
ter acesso ao que ocorre no mundo das artes, cinema,
música, etc. Através da televisão, internet, rádio, cinema
e intercâmbios culturais, podemos ficar conectados ao
mundo cultural internacional. Conhecimentos científicos,
artísticos e tecnológicos chegam ao Brasil e tornam nossa
cultura mais dinâmica e completa.

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 Por outro lado, a cultura brasileira sofre com essa in- Entretanto, já na década de 60 do século XX, influen-
fluência musical e comportamental maciça, principalmen- ciados por estudos desenvolvidos no âmbito da CEPAL
te originária dos Estados Unidos. As músicas, os seriados (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe),
e os filmes da indústria cultural norte-americana vão espa- que afirmavam a necessidade da região ter um processo
lhando comportamentos e gostos que acabam diminuin- de desenvolvimento relativamente autônomo e centrado
do, principalmente entre os jovens, o interesse pela cultura na industrialização, os países sul-americanos instituíram o
brasileira. primeiro modelo consolidado de integração regional, ba-
seado na economia, com a criação da Associação Latino-A-
Fonte: http://www.suapesquisa.com/globalizacao/bra- mericana de Livre Comércio (ALALC). O Acordo de criação
sil_globalizacao.htm da ALALC previa a constituição de uma área de livre comér-
cio na região, no prazo de 12 anos. O descumprimento dos
I- Breves Antecedentes prazos e as dificuldades referentes à eliminação de tarifas,
com base no princípio da cláusula da nação mais favore-
As primeiras tentativas de integração dos países lati- cida, são alguns dos fatores usualmente relacionados ao
no-americanos remontam aos primeiros anos de indepen- fracasso da ALALC.
dência. O descontentamento com os rumos da ALALC condu-
Naquela época, quase toda a América do Sul obteve a ziu Bolívia, Colômbia, Chile, Equador e Peru a firmarem, em
ansiada liberdade em processos semelhantes e, em muito 1969, o Acordo de Cartagena, que instituiu o Pacto Andino.
casos, vinculados entre si. A luta de San Martín foi a luta da Segundo Hugo Eduardo Meza Pinto e Márcio Bobik Braga,
Argentina, do Chile, do Uruguai, do Peru. A luta de Bolívar “além da insatisfação pelos resultados da ALALC, a moti-
foi a luta da Venezuela, da Colômbia, do Equador. E a luta vação para a formação do Pacto Andino era o vislumbra-
de um era a luta do outro. mento da integração regional seguindo os padrões inter-
nacionais e tendo na sua composição certa uniformidade
Desse modo, o combate pela independência foi um
econômica entre os países-membros”.
combate que uniu os melhores americanos, numa era em
Com o malogro da ALALC, os Estados Partes decidiram
que as fronteiras eram dadas apenas pelos vastos ideais
criar, em 1980, a Associação Latino-americana de Integra-
iluministas. Surgiram, dessa forma, tentativas de manter
ção – ALADI, que, apesar da denominação sugerir objetivos
unidas as forças e os povos que haviam se sublevado con-
mais amplos, limita o projeto de integração regional à es-
tra a opressão das metrópoles europeias.
fera comercial. Ao contrário da ALALC, o Acordo da ALADI
A mais difundida dessas iniciativas foi o Congresso An-
é mais flexível, já que não estabelece prazos rígidos para a
fictiônico do Panamá, de 1826, convocado pelo libertador
formação de uma área de livre comércio, tampouco prevê
Simon Bolívar, que defendia a criação de uma espécie de
a eliminação automática de barreiras tarifárias entre seus
federação de estados latino-americanos. Como é de co- membros, o que, segundo o pactuado, somente é possível
nhecimento geral, a proposta integracionista do prócer por meio da assinatura dos chamados acordos preferen-
nunca se concretizou, em razão de interesses externos e ciais, os famosos ACEs, ou acordos de complementação
das oligarquias locais, que levaram a América espanhola a econômica.
fragmentar-se em diversas nações independentes, o que Entretanto, até meados da década de 1980, todas es-
inviabilizou, naquela época, qualquer iniciativa de fusão de sas tentativas de integração não haviam produzido conse-
caráter político-institucional. quências significativas, nem do ponto de vista econômi-
De fato, a independência dos países da América do Sul, co-comercial quanto do ponto de vista social e político. A
que começou como afirmação de identidade própria frente América do Sul e a América Latina continuavam com um
às antigas metrópoles, acabou concretizando-se em múlti- nível muito baixo de integração e intensamente voltadas,
plas identidades que se definiam, às vezes em sangrentos em suas políticas externas, para as grandes metrópoles,
conflitos, contra as outras. Ao mesmo tempo, intervieram particularmente para os EUA.
no processo novas metrópoles que, com frequência, esti- Nas últimas décadas houve, contudo, dois grandes
mularam as divergências e desestimularam a industrializa- fatores que impulsionaram e aceleraram os processos de
ção e o desenvolvimento econômico autônomo. integração no subcontinente. O primeiro tange à redemo-
A América espanhola fragmentou-se irremediavelmen- cratização dos países da América do Sul, em especial do
te e a América portuguesa, o Brasil, manteve-se íntegra Cone Sul. Já o segundo diz respeito ao fracasso das políti-
dada à sua singularidade, mas de costas para o resto do cas neoliberais na região, que levou ao redirecionamento
continente. das políticas externas de muitos países. Nas últimas déca-
Uma longa noite de quase duzentos anos, na qual pre- das houve, contudo, dois grandes fatores que impulsiona-
dominaram as rivalidades artificiais, os regimes autoritá- ram e aceleraram os processos de integração no subcon-
rios, a dependência econômica e política, e a falta de con- tinente. O primeiro tange à redemocratização dos países
sistência nos processos de desenvolvimento econômicos e da América do Sul, em especial do Cone Sul. Já o segundo
sociais impediu que nossos países implementassem pro- diz respeito ao fracasso das políticas neoliberais na região,
cessos de integração para produzir sinergias comerciais, que levou ao redirecionamento das políticas externas de
econômicas e políticas. muitos países.

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De fato, os últimos anos da década de 80 marcam o Entretanto, essa estratégia inicial de integração à eco-
início do período de redemocratização dos países sul-a- nomia internacional, radicalmente distinta da recomenda-
mericanos, com o fim dos regimes militares. Esse cenário da pelo Consenso de Washington, foi parcialmente aban-
político inaugura uma nova fase de aproximação entre as donada na época da celebração do Tratado de Assunção,
nações da região, em particular no denominado Cone Sul. que criou formalmente o Mercosul.
Com efeito, o retorno da democracia, a partir dos anos Com efeito, a hegemonia ideológica do paradigma
80 do século passado, permitiu que, dois países, Argentina neoconservador na América do Sul teve como consequên-
e Brasil, abandonassem a histórica disputa pela hegemonia cia principal, no âmbito do Mercosul, a ênfase excessiva na
da bacia do Prata e identificassem vastas áreas de coope- liberalização comercial, com prejuízos para outras dimen-
ração e interesse mútuo. Como resultado, foram firmados sões do processo de integração.
os famosos acordos Alfonsín-Sarney, que deram impulso Por conseguinte, aspectos vitais para uma integração
inicial à integração entre Argentina e Brasil e pavimentaram verdadeiramente exitosa, como a coordenação de políticas
a criação posterior do MERCOSUL, já com a presença de macroeconômicas, a implementação de políticas de desen-
dois aliados preciosos: Paraguai e Uruguai. volvimento e industriais simétricas e a redução da vulnera-
O ponto culminante dessa aproximação foi a assinatu- bilidade externa das economias, foram colocados em se-
ra, em 26 de março de 1991, do Tratado de Assunção para gundo plano em favor das aberturas econômicas quase in-
a Constituição de um Mercado Comum do Sul, o Mercosul. condicionais e das “políticas amistosas para os mercados”.
Este bloco se constitui na base de outros processos de in- Também a dimensão social do processo de integração,
tegração, como o da UNASUL e da Celac. que inclui a livre circulação dos trabalhadores e a harmoni-
A redemocratização foi importante para dar um primei- zação da legislação trabalhista, entre outros aspectos, não
ro impulso real à integração regional, mas o fator que me teve a atenção merecida.
parece mais relevante relaciona-se ao fracasso das políticas Aldo Ferrer, pensador arguto Mercosul, identifica qua-
neoliberais na região, que se tornou evidente ao final da tro “pecados originais” que prejudicaram o processo de
década de 1990. Com efeito, o fracasso do neoliberalismo, integração em seu início: a vulnerabilidade externa das
ou melhor, do paleoliberalismo, teve como consequência economias, o mal-estar social na região, o abandono das
o rechaço da proposta da ALCA, que representava o fim estratégias nacionais de desenvolvimento e a crise ideoló-
de qualquer processo de integração regional, e o direcio-
gica frente à globalização.
namento das políticas externas de países importantes do
A vulnerabilidade externa tendia e tende a dificultar
subcontinente para a aproximação com seus vizinhos.
que os governos adotem políticas autônomas em relação
Nessa nova conjuntura econômica e política do pós-
aos interesses criados pela globalização financeira. Aliada
neoliberalismo, a integração regional passou a ser uma
ao predomínio da “visão fundamentalista da globalização”,
efetiva prioridade de política externa para muitos países.
segundo a qual as únicas políticas possíveis são as paleoli-
Essa diretriz prioritária substituiu, em alguns casos, a antiga
centralidade que as relações bilaterais com os EUA e com berais, tal vulnerabilidade tornava perenes e praticamente
os demais países mais desenvolvidos tinham como fator intocáveis os ajustes econômicos pró-cíclicos, com as con-
balizador da política externa dos tempos do predomínio do sequências negativas que todos conhecemos.
paradigma neoliberal. Por sua parte, o mal-estar social ocasionado pelo au-
mento da concentração dos rendimentos, do desemprego
Esse foi, sem dúvida, o caso do Brasil, que, a partir do e do subemprego, bem como também pelo agravamento
governo Lula, passou a priorizar intensamente, em sua da marginalização de amplos setores da população, tendia
nova política externa, a integração regional e a cooperação a gerar tensões sociopolíticas que dificultam uma integra-
Sul-Sul. ção mais estreita.
De outro lado, o abandono parcial das estratégias na-
II- O MERCOSUL COMO MODELO DE INTEGRAÇÃO cionais de desenvolvimento impedia a coordenação das
PARA A NOSSA REGIÃO: POTENCIALIDADES E DESAFIOS políticas macroeconômicas que poderiam ter evitado as
de UM PROJETO REALMENTE INTEGRACIONISTA grandes oscilações do câmbio, as quais provocaram notá-
Como vimos, o Mercado Comum do Sul (Mercosul) vel instabilidade no fluxo comercial no Mercosul.
teve sua origem nos acordos Alfonsín-Sarney. Ora, para que o processo de integração possa avançar
Tais acordos tinham uma estratégia implícita. Tratava- e distribuir equitativamente os seus frutos, fazendo crescer
se de dar aos Estados Partes condições de enfrentar jun- as economias de todos os Estados Partes, é preciso que haja
tos os problemas criados pela crise da dívida, do aumento políticas nacionais de desenvolvimento industrial e científi-
da vulnerabilidade externa e da recessão com inflação. Os co-tecnológico estrategicamente convergentes. Essas polí-
países pretendiam fortalecer sua posição ante um cenário ticas devem se constituir nos pilares da divisão do trabalho
internacional mais competitivo e hostil, mediante a ativa- no bloco sobre bases intraindustriais, as quais permitiriam o
ção de complementaridades econômicas. Ao mesmo tem- crescimento harmônico simultâneo dos países do Mercosul.
po, procuravam estabelecer políticas de desenvolvimento Senão houver esse tipo de política, o crescimento é
harmônicas com ênfase nas variáveis endógenas do cresci- errático e seus benefícios tendem a distribuir-se sem equi-
mento econômico. Por esta razão, buscava-se, sobretudo, dade, estabelecendo-se uma relação centro-periferia no
a integração industrial dos setores líderes, especialmente o interior do bloco, que mina profundamente o processo de
de bens de capital. integração.

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Em relação à crise ideológica, ela provocou, em alguns Tal situação é, obviamente, incompatível com a con-
casos, alinhamentos ideológicos e acríticos com interesses solidação do bloco, já que processos consistentes de in-
externos e a opção preferencial pelo “realismo periférico”, tegração de países em verdadeiros mercados comuns não
isto é, pela inserção subalterna no cenário mundial como podem existir em espaços políticos vazios de cidadania.
única forma de aceder à “modernidade”. A Argentina de Este é o ponto principal. Somente a integração construí-
Menem, que estabeleceu “relaciones carnales” com os EUA, da, por assim dizer, “de baixo para cima” e fundamentada
foi o exemplo mais bem-acabado dessa opção pela subal- nos interesses dos cidadãos de todos os Estados Partes po-
ternidade geopolítica. derá superar as assimetrias e as forças centrífugas que sem-
Evidentemente, os Estados Partes do Mercosul têm de pre ameaçaram o Mercosul e a integração latino-americana
ter uma visão comum do cenário global que dê embasa- de forma geral. Uma integração assentada somente em in-
mento teórico-político a um único projeto comunitário de teresses comerciais e financeiros será sempre frágil e incom-
inserção internacional. pleta, pois estará sempre submetida às conjunturas econô-
Na realidade, o Mercosul deve ser, fundamentalmente, micas e será regulada pelos mercados, e não pelos cidadãos.
tal como já estava desenhado nos acordos bilaterais Brasil/ Esse tipo de integração resulta somente em áreas de
Argentina, um projeto político com estratégia comum de livre comércio e não contempla as dimensões da união
inserção internacional dos Estados Partes. aduaneira, da livre circulação de trabalhadores e da cons-
Pois bem, como resultado desses “pecados originais”, trução de instituições suprarregionais. Na realidade, essa
o Mercosul perdeu, durante muito tempo, iniciativa polí- pseudointegração não constrói uma cidadania comum,
tica no cenário mundial e seu sentido estratégico inicial, mas pode, por outro lado, construir muros, como o que
tendo se mantido, as vezes precariamente, apenas pelos separa o México dos EUA, países que fazem parte da área
interesses específicos vinculados ao notável incremento do de livre comércio do NAFTA. Além disso, as áreas de livre
comércio intrabloco. comércio acabam se superpondo. Com isso, as áreas de
Portanto, o fortalecimento e a consolidação do Mer- livre comércio entre países de nível baixo ou mediano de
cosul pressupõem enfrentamento permanente desses pro- desenvolvimento acabam se diluindo nas áreas de livre co-
blemas e inconsistências e crescente recuperação do seu mércio formadas com países mais avançados.
sentido estratégico inicial. O desafio essencial do Mercosul e da integração lati-
Com a nova política externa implantada a partir do go- no-americana de uma forma geral é, pois, o de transformar
verno Lula, o Brasil passou a empenhar-se no fortalecimen- o processo de integração num processo de construção de
to e no aprofundamento do Mercosul. direitos e cidadania comuns, para além da mera integração
Com efeito, o MERCOSUL conheceu, nos últimos anos, dos mercados.
avanços muito significativos, tais como a criação do FO- A ruptura do mencionado círculo vicioso passa, por-
CEM, instrumento fundamental de combate às assimetrias, tanto, por um novo papel do Parlamento, instância máxima
e a incorporação de vários países andinos como membros de representação da cidadania de todos os Estados Partes
associados e a Venezuela como membro pleno, que agre- no Mercosul.
gou peso econômico e político ao bloco e pavimentou a O Parlamento do bloco tem como desafio principal
criação da UNASUL, assim como a implementação do seu aprofundar o compromisso democrático do Mercosul,
Parlamento, principal conquista do bloco. ameaçado pelo autoritarismo histórico da região e pelo
Digo que o Parlamento é a principal conquista do blo- longo período de acúmulo desse déficit democrático do
co porque, para que o Mercosul se consolide definitiva- bloco.
mente, é imprescindível que o bloco enfrente e corrija o Ao contrário de outros parlamentos regionais, como o
que talvez seja o seu “pecado original” mais sério: o déficit Parlatino e o Parlamento Andino, que são meras instâncias
democrático. de reuniões e debates, o Parlamento do Mercosul já tem
Em relação a este ponto crucial, é fácil constatar que o algumas funções legislativas e um crucial papel a cumprir.
processo de integração vinha sendo conduzido, até perío- Cabe ao Parlamento do Mercosul, além de representar
do relativamente recente, quase que exclusivamente pelos a voz dos cidadãos no processo de integração, empenhar-
poderes executivos dos quatro países signatários do Tra- se na harmonização das legislações dos Estados Partes.
tado de Assunção, com participação bastante restrita das Meio ambiente, educação, questões aduaneiras, livre
sociedades civis e dos poderes legislativos. circulação de trabalhadores, agilização da solução de con-
Assim sendo, concomitantemente à perda de sentido trovérsias, coordenação de políticas macroeconômicas, in-
estratégico do processo de integração, acumulou-se um tegração das cadeias produtivas, etc., são todos temas que
considerável déficit democrático no Mercado Comum do precisam do empenho deste parlamento para encontrar a
Sul, que ainda precisa ser resgatado. necessária ressonância na cidadania do Mercosul.
A combinação desse déficit democrático com a per- Um tema, em especial, merece dedicação maior: a cor-
da de sentido estratégico do Mercosul criou, por sua vez, reção das assimetrias, em todos os níveis. Como afirmei em
um notável círculo vicioso: a ausência de discussão mais meu discurso quando assumi a presidência do Parlasul: “o
profunda dos destinos do bloco aprofundou a inconsis- Mercosul pode incluir países pequenos, mas, se quiser ter
tência estratégica e a ênfase conservadora nos aspectos êxito, jamais poderá ter sócios minoritários. Todo o Estado
puramente comerciais da integração, que, por sua vez, am- tem de ter seus interesses contemplados e se beneficiar da
pliaram e cristalizaram o déficit democrático do Mercado integração. Todos, sem exceção, devem ser grandes dentro
Comum do Sul. do Mercosul.”.

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GEOGRAFIA

Mas é preciso enfatizar apesar de suas incompletudes, US$ 7,6 bilhões com o bloco. Além disso, cerca de 90%
insuficiências e problemas, o Mercosul é um êxito. das nossas exportações para o Mercosul são de produtos
Esse êxito se sobrepõe até mesmo ao marcado “mer- manufaturados. Para União Europeia, China e Estados Uni-
coceticismo” que há nas forças conservadoras da região. dos são de 36%, 5% e 50%. Na realidade, o Mercosul é o
Com efeito, o Mercosul lembra o caso do escritor principal destino das exportações da nossa indústria.
Mark Twain, que teve a ingrata tarefa de desmentir notí- Em relação à crítica de que o Mercosul impede uma
cias de sua morte. Twain estava em Londres quando sur- maior participação dos Estados Partes no comércio mun-
giram boatos sobre seu falecimento. Com sua habitual dial, é necessário levar em consideração que, entre 2003
ironia, afirmou: “Os rumores sobre a minha morte foram e 2011, as exportações extrazona do bloco foram multipli-
grosseiramente exagerados”. cadas por 4. Em contraste, as exportações mundiais foram
Com o Mercosul se passa algo semelhante. Desde o multiplicadas por um fator de apenas 2,8. Em outras pala-
nascimento, vaticinam seu iminente falecimento. Na épo- vras, as exportações do Mercosul cresceram bem mais que
ca da assinatura do Tratado de Assunção, não faltaram o aumento do comércio internacional. Coisa semelhante
ironias sobre a união “dos rotos com os esfarrapados” e aconteceu com os investimentos. Hoje em dia, muitas em-
críticas ácidas em relação à suposta inviabilidade de um presas brasileiras têm investimentos e projetos de vulto no
bloco fadado a ser absorvido em processos de integração Mercosul e em toda a América do Sul. O Mercosul só não
mais amplos com países desenvolvidos. aumenta mais sua participação no comércio mundial por-
Ao longo dos anos, também não faltaram aqueles que muitos países desenvolvidos não aceitam, nas nego-
que defenderam que o Mercosul renunciasse a sua união ciações, a liberação do comércio agrícola e, por outro lado,
aduaneira e se transformasse numa área de livre comér- propugnam intransigentemente por uma maior abertura
cio, de modo a permitir integração supostamente mais do comércio de manufaturados. O Mercosul e o Brasil, ao
dinâmica com o “comércio globalizado”. Consideravam o contrário da Aliança, preferem um bom acordo a qualquer
Mercosul um arcaísmo “terceiro-mundista” e sonhavam acordo.
com a miragem neoliberal da ALCA. Ademais, o Mercosul, que se espelha no exemplo da
Com a crise mundial, voltaram a condenar o Mercosul UE, vem dando, como assinalamos, passos largos na cria-
e a sugerir o fim da sua união aduaneira, de modo a que ção de instituições supranacionais, como o Parlamento do
os Estados Partes possam negociar independentemente MERCOSUL, destinado a criar e dar voz à cidadania comum.
acordos bilaterais de livre comércio com países desenvol- Áreas de livre comércio, lembre-se, não constroem cidada-
vidos, particularmente com os EUA e a UE. nias, constroem muros.
Recentemente, o lançamento da Aliança do Pacífico, A bem da verdade, o Mercosul é o grande projeto de
bloco que reúne Peru, Colômbia, Chile, México e Costa verdadeira integração da América do Sul e da América La-
Rica, aguçou as críticas contra o Mercosul. A Aliança foi tina, pois ele inclui a dimensão da união aduaneira, da cir-
apresentada pelos setores conservadores da mídia como culação de pessoas e das instituições supranacionais. Ele
o bloco do futuro, das economias mais “dinâmicas” e “in- tem, portanto, o potencial de construção de uma cidadania
tegradas ao comércio mundial”. Em contraste, o Mercosul comum.
foi novamente caracterizado como um bloco moribundo,
uma espécie de aliança autárquica, que condena os seus III- OUTROS PROCESSOS DE INTEGRAÇÃO
Estados Partes ao atraso e à baixa integração com as “ca- Evidentemente, o Mercosul não é o único processo de
deias produtivas globalizadas”. integração dos países da América do Sul e da América La-
Bom, em primeiro lugar, é preciso afirmar que a Alian- tina, muito embora seja, do nosso ponto de vista, o mais
ça nada mais é que uma jogada de marketing geopolítico completo e o que apresenta maior potencial de construção
que não altera a realidade econômica da América do Sul. de uma cidadania comum.
O Brasil e o Mercosul já têm livre comércio com todos os Há outros processos, inclusive mais antigos que o
países da América do Sul, inclusive os que fazem parte da Mercosul. Alguns são complementares ao Mercosul e se
Aliança. As únicas exceções são a Guiana e o Suriname. reforçam mutuamente. Outros são concorrentes e apresen-
Com o México, o Brasil tem também dois importantes tam um desenho político distinto, que definitivamente não
acordos de preferência comerciais. Além disso, os países aponta para uma verdadeira integração.
da Aliança do Pacífico, por força de acordos firmados no
âmbito da ALADI, têm, há bastante tempo, livre comércio A continuação, fazemos breves comentários sobre os
entre si. Em outras palavras, a Aliança “chove no molha- principais.
do”. a) Comunidade Andina de Nações (CAN)
Em segundo lugar, o Mercosul é um claro sucesso A Comunidade Andina de Nações (em espanhol, Co-
comercial e econômico. Desde a sua criação, em 1991, as munidad Andina de Naciones, abreviado CAN) é um bloco
exportações intrazona aumentaram 13 vezes. Já as expor- econômico sul-americano formado, hoje, por Bolívia, Co-
tações brasileiras para o bloco aumentaram 12 vezes. Nos lômbia, Equador e Peru.
últimos 9 anos, nosso superávit acumulado com o bloco Fundado em 26 de maio de 1969, pelo Acordo de Car-
ascendeu a US$ 45,5 bilhões. Apenas no passado, já con- tagena, o bloco reunia, além dos membros atuais, o Chile.
siderando a Venezuela, o Brasil obteve um superávit de Em 1973, houve a adesão da Venezuela.

51
GEOGRAFIA

O Chile, antigo participante, deixou o bloco em 1976 e Segundo dispõe o texto do Tratado, os seguintes ór-
a Venezuela fez o mesmo em 2006. O bloco foi chamado gãos compõem a estrutura institucional da UNASUL: a)
de Pacto Andino até 1996. A cidade-sede da secretaria é Conselho de Chefes de Estado e de Governo; b) Conselho
Lima, no Peru. de Ministros das Relações Exteriores; c) Conselho de Dele-
A comunidade andina possui 120 milhões de habitan- gados; e d) Secretaria Geral. Está prevista ainda a consti-
tes, em uma área de 4.700,000 quilômetros quadrados, tuição de Conselhos de nível Ministerial e Grupos de Tra-
com um produto interno bruto nominal de 280 bilhões de balho. Todas essas instâncias já se encontram em plena
dólares. atividade.
Em 8 de Dezembro de 2004, os países membros da A UNASUL conta hoje com oito conselhos ministe-
Comunidade Andina assinaram a Declaração de Cuzco, que riais: a) Energia; b) Saúde; c) Defesa; d) Infraestrutura e
lançou as bases da União de Nações Sul-Americanas, en- Planejamento; e) Desenvolvimento Social; f) Problema
tidade que une a Comunidade Andina ao MERCOSUL, em Mundial das Drogas; g) Educação, Cultura, Ciência, Tec-
uma zona de livre comércio continental. nologia e Inovação; h) Economia e Finanças. A UNASUL
Na realidade, hoje a CAN e seu órgão legislativo, o Par- conta ainda com dois Grupos de Trabalho: a) Integração
lamento Andino, já não têm mais relevância econômica e Financeira (agora subordinado ao Conselho de Economia
política. e Finanças); e b) Solução de Controvérsias em Matéria de
Destaque-se que Bolívia e Equador pretendem torna- Investimentos, em cujo âmbito estuda-se a possibilidade
rem-se, em breve, membros plenos do MERCOSUL. de criar mecanismo de arbitragem, Centro de Assessoria
Na América do Sul, o MERCOSUL e a UNASUL são os Legal e código de conduta para membros de tribunais ar-
blocos de maior relevo e consistência estratégica. bitrais.
Entretanto, a principal função da UNASUL é estratégi-
b) UNASUL ca e política. Trata-se de um bloco que pretende tratar os
O Tratado Constitutivo da União das Nações Sul-Ame- temas regionais sem a interferência da grande superpo-
ricanas, que uniu o MERCOSUL e a CAN, representa a cul- tência do planeta, como ocorre, por exemplo, na Organi-
minação de um longo processo histórico, feito de marchas zação dos Estados Americanos (OEA).
e contramarchas, da tão sonhada integração da América Exemplo dessa função foi a resposta concatenada do
do Sul e da América Latina, objetivo que consta da nossa subcontinente no recente episódio envolvendo o avião
Carta Magna. presidencial da Bolívia.
Embora a UNASUL não tenha uma dimensão comercial
econômica própria, como O MERCOSUL, ela tem uma rele- c) CELAC
vante dimensão político-diplomática que já se desdobra na A Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Cari-
conformação de uma geoestratégia comum (lembre-se de benhos (CELAC) tem origem na “Declaração da Cúpula da
seu Conselho de Defesa). Unidade”, adotada pelos Chefes de Estado e de Governo
Para o Brasil, a UNASUL representa a consolidação for- da América Latina e do Caribe durante reunião de Cúpula
mal de seu protagonismo na América do Sul, diretriz-chave realizada na Riviera Maya, México, em fevereiro de 2010.
da sua política externa. Diretriz esta que vem produzindo Naquela ocasião, houve consenso em constituir um
resultados muito positivos. Saliente-se, a esse respeito, que novo mecanismo de concertação política e integração,
a ALADI, organização econômica que congrega os países que abrigará os trinta e três países da América do Sul,
da América do Sul, já absorve cerca de 42 % das nossas América Central e Caribe.
exportações de manufaturados. A CELAC é, na realidade, a herdeira do Grupo do Rio
O Brasil é hoje um ator internacional de primeira gran- e da CALC (Cúpula da América Latina e Caribe sobre Inte-
deza em grande parte porque é um líder regional indiscu- gração e Desenvolvimento).
tível. Ela assumirá, assim, o patrimônio histórico do Grupo
Agregue-se que o projeto do MERCOSUL e o da UNA- do Rio, no que tange à concertação política, e da CALC
SUL não só são compatíveis, como complementares, pois (Cúpula da América Latina e Caribe sobre Integração e
este último agrega política e diplomaticamente países que Desenvolvimento), no que se refere aos assuntos de inte-
ainda não fazem parte (ou não querem fazer parte) da tari- gração física e econômica.
fa externa comum do MERCOSUL (TEC). A convergência da CALC e do Grupo do Rio ocorrerá
A UNASUL tem como objetivo formal construir, de de forma gradual. Ambos os mecanismos manterão suas
maneira participativa e consensual, um espaço de articula- agendas e métodos de trabalho paralelos até a conclusão
ção no âmbito cultural, social, econômico e político entre do processo de construção da CELAC.
seus povos. Prioriza o diálogo político, as políticas sociais, De acordo com o Itamaraty, para o Brasil a CELAC de-
a educação, a energia, a infraestrutura, o financiamento e o verá contribuir para a ampliação tanto do diálogo político,
meio ambiente, entre outros, com vistas a criar a paz e a se- quanto dos projetos de cooperação na América Latina e
gurança, eliminar a desigualdade socioeconômica, alcançar Caribe. O novo mecanismo também facilitará a conforma-
a inclusão social e a participação cidadã, fortalecer a demo- ção de uma identidade própria regional e de posições la-
cracia e reduzir as assimetrias no marco do fortalecimento tino-americanas e caribenhas comuns sobre integração e
da soberania e independência dos Estados. desenvolvimento.

52
GEOGRAFIA

A dimensão política da CELAC partirá da base construí- Em 29 de abril de 2006, a Bolívia (tendo Evo Morales
da pelo Mecanismo Permanente de Consulta e Concerta- como seu presidente) somou-se ao grupo a partir do Tra-
ção Política, estabelecido no Rio de Janeiro em 1986 e co- tado de Comércio dos Povos, termo que foi acrescentado
nhecido como Grupo do Rio. Concebido como instrumento ao nome oficial do bloco, que resultou na sigla ALBA-TCP.
de articulação política de alto nível, o Grupo do Rio atuou Posteriormente, houve a adesão do Equador, Nicarágua,
tradicionalmente na consolidação da democracia, tendo Honduras (que após o golpe contra Zelaya abandonou o
como pressuposto o bem sucedido trabalho diplomático bloco) e outros países.
dos Grupos de Contadora e de Apoio em favor da paz na Atualmente, a ALBA-TCP é composta por oito países,
América Central. Sua interseção com a CALC é natural, uma sendo que quatro deles possuem governos de matiz so-
vez que, por ser um foro de discussão política, o Grupo cialista. Além de Venezuela, Cuba, Bolívia, aderiram ao
do Rio sempre prescindiu de atuação mais aprofundada na bloco: Nicarágua, Dominica, Equador, Antigua e Barbuda
área econômica e de formas institucionalizadas de coope- e São Vicente e Granadinas.
ração. Hoje em dia, contudo, a ALBA, assim como a CAN,
Os fundadores do Grupo do Rio resolveram delimi- não tem maior expressividade. Seus principais países, Ve-
tar seu escopo de atuação a reuniões de caráter informal, nezuela, Bolívia e Equador, ou já são membros plenos do
destinadas a servir como espaço exclusivamente político, MERCOSUL ou pretendem aderir em breve. Ademais, to-
apropriado para consultas, troca de informações e even- dos eles já fazem parte da UNASUL.
tuais iniciativas conjuntas, decididas sempre por consenso.
Ao longo de mais de duas décadas, foram realizadas vinte e) SICA
Cúpulas, vinte e nove reuniões ministeriais ordinárias e três O Sistema de Integração Centro-Americana (SICA) é o
extraordinárias. Sua temática foi aberta, tratando, em geral, atual quadro institucional do processo de integração re-
de temas importantes para a região. Em suas mais recentes gional na América Central, que foi criado 13 de dezembro
reuniões, o Grupo do Rio abordou questões como a pro- de 1991, com a assinatura do “Protocolo de Tegucigalpa”,
moção dos direitos humanos e o impacto das migrações. firmado por Costa Rica, Guatemala, El Salvador, Honduras,
O Grupo do Rio fortaleceu-se gradualmente como Nicarágua e Panamá.
espaço presidencial privilegiado e como um mecanismo Posteriormente, houve a adesão de Belize. O Brasil
regional representativo da América Latina e do Caribe em participa como observador regional.
relação a outros países e blocos. Os contatos políticos ins- O “Protocolo de Tegucigalpa” é o molde que deu for-
titucionalizados do Grupo do Rio com terceiros promo- ma jurídica à nova América Central, e baseia formalmente
veram o diálogo inter-regional entre autoridades do mais a reunião de experiências, princípios, objetivos e aspira-
alto nível, com o intercâmbio de pontos de vista sobre im- ções da região. No plano político, o SICA se baseia no pro-
portantes temas da agenda internacional. Atualmente, são cesso de pacificação, democratização e desenvolvimento
dezenove parceiros de diálogo com o Grupo do Rio, que que se verificou na América Central, desde 1986.
devem ser herdados pela CELAC: União Europeia, Conselho
de Cooperação do Golfo, China, Rússia, Canadá, Índia, Ja- O “Protocolo de Tegucigalpa” tem o escopo de uma
pão, Coréia do Sul, ASEAN, Israel, Ucrânia, Liga Árabe, G-77, constituição regional.
Grupo GUUAM (Geórgia, Ucrânia, Uzbequistão, Azerbaijão O “Sistema de Integração Centro-Americana (SICA)”
e Moldova), CEI, Austrália, EUA e União Africana. optou por um desenvolvimento de base econômica, so-
Na realidade, a constituição da CELAC significa, em úl- cial, cultural, política e ecológica, com proteção e promo-
tima instância, a projeção estratégica da UNASUL na Amé- ção dos direitos humanos. Ele também tem um inovador
rica Central e no Caribe, áreas que até pouco tempo esta- “Modelo Regional de Segurança Democrática”, o que cria
vam sob a influência quase que exclusiva dos EUA. as condições ideais para os habitantes da região de bene-
ficiar-se igualmente a partir deste desenvolvimento, tendo
d) ALBA como principal objetivo transformar a América Central em
A Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América uma região de paz, liberdade, democracia e desenvolvi-
– Tratado de Comércio dos Povos (Alianza Bolivariana para mento.
los Pueblos de Nuestra América – Tratado de Comercio de Para alcançar seus objetivos, propósitos e princípios, o
los Pueblos) ou simplesmente ALBA (antiga Alternativa Bo- Sistema de Integração Centro-Americana tem os seguintes
livariana para as Américas) é uma plataforma de coope- órgãos: a) a Reunião de Presidentes, que é o órgão supre-
ração internacional baseada na ideia da integração social, mo do sistema, composto pelos Presidentes e Chefes de
política e econômica entre os países da América Latina e Governo Constitucional Os Estados-Membros; b) o Conse-
do Caribe. lho de Ministros, composto dos principais ministros, é res-
A ALBA foi constituída na cidade de Havana, capital de ponsável pelo monitoramento do sistema de integração;
Cuba, em 14 de dezembro de 2004, como um acordo entre c) o Comitê Executivo, que é um órgão permanente que
Venezuela e Cuba, tendo as assinaturas dos presidentes de integra um representante de cada um dos Estados-Mem-
ambos os países na época, Hugo Chávez e Fidel Castro. bros e que tem entre suas principais funções assegurar a
Este início deu-se pela colaboração de Cuba ao enviar mé- eficaz implementação das decisões tomadas na reunião
dicos para ajudar no território venezuelano e pela colabo- dos Presidentes; d) a Secretária-geral, cujo titular, o Secre-
ração da Venezuela ao abastecer Cuba com seu petróleo. tário-Geral, é o diretor administrativo do Sistema.

53
GEOGRAFIA

Fazem parte também do Sistema de Integração Centro


-Americana: a) o Parlamento da América Central (Parlacen), C) O ESPAÇO POLÍTICO: FORMAÇÃO
que analisa e faz recomendações sobre os direitos políticos, TERRITORIAL 􀂱 TERRITÓRIO, FRONTEIRAS,
econômicos, sociais e culturais de interesse comum; b) a Cor- FAIXA DE FRONTEIRAS, MAR TERRITORIAL
te Centro-Americana de Justiça, que garante o cumprimento
E ZEE; ESTRUTURA POLÍTICO-
da lei na interpretação e aplicação do Protocolo de Teguci-
galpa e seus instrumentos complementares ou derivados; c) ADMINISTRATIVA, ESTADOS, MUNICÍPIOS,
o Comitê Consultivo, que é composto do setor empresarial, DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS
dos trabalhadores, da academia e de outras principais forças FEDERAIS; A DIVISÃO REGIONAL, SEGUNDO
motrizes que representam da sociedade civil. O IBGE, E OS COMPLEXOS REGIONAIS; E
Conforme a Secretaria do SICA, o processo de integra- POLÍTICAS PÚBLICAS.
ção regional tem tido progressos significativos em direção
à criação de uma união aduaneira centro-americana, a qual
substituirá paulatinamente os territórios aduaneiros dos Es-
tados-Membros. Espaço geográfico e política são, ambos, instâncias que
Entretanto, dada à fragilidade e à dependência das eco- se colocam à sociabilidade. Admitir a condição de instân-
nomias da América Central, particularmente no que tange à cia ao espaço e à política significa admitir que ambos
economia dos EUA, o SICA, por si só, dificilmente terá gran- não são elementos passivos à sociedade, mas ativos nela
de relevância. No nosso entendimento, sua relevância po- e por isso mesmo pesam sobre as ações e as decisões
deria ser ampliada com a integração do sistema à CELAC, à dos homens e das mulheres, pois o espaço é social e a
UNASUL e ao MERCOSUL. política também o é. A política age sobre a sociedade,
mas também sobre o espaço. O espaço age sobre a so-
f) CARICOM ciedade, mas também sobre a política. O espaço político
A Comunidade do Caribe (CARICOM), originalmente é, portanto, o espaço cuja dimensão é assegurada pela
Comunidade do Caribe e Mercado Comum, foi criada pelo política, mas que a assegura, via de regra, uma dimensão
Tratado de Chaguaramas, que entrou em vigor em 1 de
espacial cujo epítome é, sem embargo, o território.
Agosto de 1973. Os quatro primeiros signatários foram Bar-
É Ratzel (1983, p. 99) mesmo quem já nos chamava
bados, Jamaica, Guiana e Trinidad & Tobago.
a atenção que “o papel do elemento humano na política
A CARICOM substituiu a Associação de Livre Comércio
não pode ser exatamente apreciado, se não se conhe-
do Caribe (CARIFTA), que tinha sido organizada para propor-
cem às condições às quais a ação política do homem
cionar uma ligação econômica contínua entre os países de
está subordinada”, aqui, apoiado na natureza de sua
língua inglesa.
Escola, certamente se referencia nas determinações do
A Comunidade do Caribe (CARICOM) congrega, hoje, 15
países do Caribe e adjacências. Os propósitos principais da meio sobre o homem que hoje ultrapassam os limites
CARICOM são promover a integração econômica e coopera- físico-naturais. Essas determinações, tal qual o mundo,
ção entre os seus membros, para garantir que os benefícios se complexificaram e se diversificaram, se apresentan-
da integração são equitativamente partilhados, e a coorde- do nos âmbitos cultural, ambiental, histórico, espacial e
nação da política externa. econômico que, por sua vez, subordinam também a ação
Suas principais atividades envolvem a coordenação das política. Mas, adverte Iná de Castro (2012, p. 44):
políticas econômicas e o planejamento do desenvolvimen- “aceitar a existência de uma dimensão política do
to; a elaboração e a instituição de projetos especiais para espaço requer a aceitação prévia da política como uma
os países menos desenvolvidos e o tratamento aos litígios instancia com certo grau de autonomia na vida social, o
comerciais regionais. A sede da Secretaria está baseada em que significa considerar que existem fenômenos políti-
Georgetown, Guiana. cos que, de algum modo, qualificam o espaço”.
Em 2001, os chefes de governo assinaram um Tratado Em termos geográficos as “unidades espaciais po-
de Revisão de Chaguaramas. Parte do tratado revisto inclui dem ser divididas em três tipos: o conjunto supranacio-
a criação e implementação do Tribunal de Justiça do Caribe. nal, o Estado-nação e a unidade interna” (BRITO, 1986,
Desde 2013, a CARICOM, está vinculada à Comissão Euro- p. 19) tendo então, como ponto de corte ao espaço po-
peia, através de um Acordo de Parceria Econômica, assinado lítico, o Estado. Embora um conceito político, o que di-
em 2008. O tratado concede a todos os membros da União fere a análise geográfica do Estado é a reivindicação de
Europeia e CARICOM direitos iguais em termos de comércio sua materialidade, pois “como o Estado não é concebível
e investimento. sem território e sem fronteiras, constitui-se bastante ra-
Entretanto, os progressos internos da CARICOM têm pidamente uma geografia política” (RATZEL, 1983, p. 93).
sido bastante tímidos, dadas as limitações dessas economias A dinâmica política deve ser avaliada na Geografia, en-
regionais. tão, a partir das relações internas ao Estado, ao mesmo
tempo encarada como parte de uma estrutura maior, o
Fonte: http://brasilnomundo.org.br/analises-e-opi- global. Por isso “em caso algum existe uma linha divisória
niao/o-mercosul-e-os-processos-de-integracao-da-ameri- acentuadamente nítida entre o funcionamento interno e
ca-do-sul-e-da-america-latina-integracao-pela-cidadania externo do Estado” (MOODIE, 1965, p. 12), afinal uma
-ou-desintegracao-pelas-assimetrias/#.WQngE_nyvIU revolução cubana tem impactos na política brasileira, as-

54
GEOGRAFIA

sim como também a tem uma geada nos Estados Unidos. Além dos tratados e convenções a seguir, a própria
Todavia o esforço teórico pode também caminhar para Constituição Cidadã prevê, em seu art. 20, a preocupação
garantir à Geografia Política a análise espacial da política no tocante a essa faixa de mar:
interna ao Estado, enquanto à Geopolítica, as relações “São bens da União: V – os recursos naturais da pla-
internacionais (COSTA, 1992). taforma continental e da zona econômica exclusiva. VI – o
Armando Corrêa da Silva (1984, p. 103) afirma que mar territorial. (...) §1º É assegurada, nos termos da lei, aos
“o espaço político é um espaço humano que se realiza Estados, (...) participação no resultado da exploração de pe-
como domínio do espaço produzido” e essa produção é tróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de ge-
atravessada por diversos atores cada um com seu “siste- ração de energia elétrica e de outros recursos minerais no
ma de objetivos e sistema de ações” (RAFFESTIN, 1993), respectivo território, plataforma continental, mar territorial
sendo um desses atores, mas não o único, o Estado. “O ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira
papel das instituições políticas como forças organizado- por essa exploração”. (Art. 20, inc. V e VI e §1, CRFB/1988)
ras do território” (CASTRO, 2012, p. 55) é fundamental no (grifo do autor)
fato político, mas incompleto. O que a corrente da Geo- Mas foi a Convenção das Nações Unidas sobre o Di-
grafia Crítica, aliás, a corrente mais politizada no campo reito do Mar (CNUDM), assinada no dia 10 de dezembro
da disciplina, nos legou foram grandes estudos sobre o de 1982, em Montego Bay (Jamaica), e em vigor, interna-
papel das empresas na dinâmica dos governos, dos Esta- cionalmente, desde 16 de novembro de 1994, que trouxe
dos e dos territórios. Desde que os poderes ideológicos o grande embasamento político-jurídico, estabelecendo a
e políticos foram subordinados ao econômico (BOBBIO “fronteira marítima” dos Estados costeiros.
& NOGUEIRA, 1987), os agentes econômicos se trans- Apesar de assinada apenas em 1982, o início da formu-
formaram numa poderosa força política institucional e lação da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do
extra institucional, cuja síntese pode ser visualizada nas Mar deu-se a partir de 1958, em Genebra, na Suíça. Toda-
composições dos regimes de governos. via, esta primeira tentativa malogrou, tendo sido necessária
A Geografia Política presa ao plano institucional, por mais duas reuniões para, enfim, ser concluída a Convenção.
excelência não dá conta dos fatos políticos não-institu- Na introdução da CNUDM, mais precisamente em seu
cionalizados, muito pelo contrário, os sujeitos políticos preâmbulo, já se detecta os principais objetivos e fomen-
que se organizam de fora da lógica do Estado, isto é, tadores de sua existência. Abaixo seguem alguns trechos:
na sociedade civil, se organizados politicamente a partir “Animados do desejo de solucionar, num espírito de
de uma pauta fundiária vão para gaveta da Geografia compreensão e cooperação mútuas, todas as questões re-
Agrária, se no plano urbano vão para a Geografia Urba- lativas ao direito do mar (...). Reconhecendo a conveniência
na, se no plano partidário vão para Geografia Eleitoral, de estabelecer por meio desta Convenção, com a devida
sobrando assim, à Geografia Política, obviamente, o viés consideração pela soberania de todos os Estados, uma or-
institucional. A organização política do espaço não se re- dem jurídica para os mares e oceanos (...) e promova os
sume ao Estado e sua institucionalidade, o Estado é um usos pacíficos (...), a utilização equitativa e eficiente de seus
ator com uma intencionalidade (ou interesse) político recursos, a conservação dos recursos vivos e o estudo, a
dentro de um “sistema de objetivos” cuja materialização proteção e a preservação do meio marinho (...).”. (CNUDM,
no espaço opera por meio do “sistema de ações”, como 1982, Preâmbulo)
nos ensina Raffestin (1993). Antes mesmo da assinatura da CNUDM, segundo
A ideia de sistema de interesses políticos pressupõe RANGEL (2005), as nações já estabeleciam como princípio
uma amarração das intencionalidades de mais de um consagrado, por meio da Resolução nº 2.749 (XXV), de 17
ator via um sistema de objetivos que se realiza no territó- de dezembro de 1970, da Assembleia Geral das Nações
rio por um sistema de ações, não à toa, Raffestin (1993, p. Unidas, o seguinte:
63) definiu o território, numa concepção política, como “(...) os fundos marinhos e oceânicos e o seu subsolo
um sistema de objetos e um sistema de ações. Se o espa- para além dos limites de jurisdição nacional, bem como os
ço político for admitido nessa concepção política, isto é, respectivos recursos são patrimônio comum da humanida-
numa análise sistêmica de espaço produzido por agen- de e que a exploração e o aproveitamento dos mesmos
tes, a Geografia Política terá que dá conta de análises serão feitos em benefício da humanidade em geral, inde-
mais amplas que as das ações do institucionais do Esta- pendentemente da situação geográfica dos Estados”. (Res.
do, não o abandonando, mas terá que dá conta também n. 2.749, 1970, ONU, apud Vicente Marotta Rangel, 2005, p.
das políticas econômicas das empresas e dos Estados e 249-) (grifo do autor)
das políticas feitas na ordem da sociedade civil, tendo No Brasil, a CNUDM foi aprovada pelo Congresso Na-
que passar, portanto, obrigatoriamente, pela análise das cional ainda em 1987, tendo sido ratificada a 22 de dezem-
organizações populares. bro de 1988 e promulgada pelo Decreto n. 1.530, de 22 de
Tarefa colocada á Geografia Política, então, é de ana- junho de 1995. Todavia, segundo Francisco Rezek, a Lei n.
lisar a dimensão política conformadora do espaço a par- 8.617/93 já havia causado algumas alterações: a redução
tir de três esferas: a do Estado, a das empresas e a da da extensão do Mar Territorial (de 200 para as 12 milhas
sociedade civil. marítimas) e a adoção do conceito de Zona Econômica Ex-
Fonte: http://ripe.ufba.br/cogu/blog/espaco-politico clusiva (ZEE), correspondente as 188 milhas adjacentes ao
-e-geografia-pontuando-alguns-elementos Mar Territorial.

55
GEOGRAFIA

Na verdade, os conceitos utilizados pela Convenção Mas lembra também os doutrinadores que essa relati-
não trouxeram, expressamente, o termo fronteira, mas sim vização – a passagem inocente – deve ser rápida e contínua,
algumas definições que amalgamaram a extensão da so- vez que há proibição de realização de manobras militares,
berania e a possibilidade de exploração econômica de um atos de propaganda, pesquisas e buscas de informações,
país no mar – seus limites. atividade de pesca, levantamentos hidrográficos etc.

2.4.1 MAR TERRITORIAL 2.4.2 ZONA CONTÍGUA

O primeiro e importantíssimo conceito trata do Mar O segundo conceito criado pela CNUDM foi o de Zona
Territorial. Segundo J. F. Rezek (2005, p. 307) Mar Territo- Contígua, que é uma área reservada às medidas de fiscali-
rial “é a extensão da soberania do Estado costeiro além de zação, no que concernir à alfândega, à imigração, à saúde
seu território e de suas águas interiores”. Para este autor, e, ainda, à disciplina regulamentar dos portos e do trânsito
dentro desse conceito estão abrangidos o leito do mar, o pelas águas territoriais. Essa Zona não poderá ir além das
24 milhas marítimas, contadas da mesma linha de base do
respectivo subsolo e, ainda, o espaço aéreo sobrejacente.
Mar Territorial. Isso é o que consta do art. 33 da CNUDM.
Rezek construiu essa definição a partir dos arts. 2º e 3º,
É, portanto, na Zona Contígua que o Estado costeiro
ambos da CNUDM.
exerce ações de natureza preventiva, visando impedir a
Essa ideia de soberania do Estado costeiro está intrin-
ocorrência de delitos ou de outras anormalidades no ter-
secamente ligada ao imperativo de defesa do território. ritório nacional. É o caso, verbi gratia, das inspeções sa-
Para se ter uma noção acerca de sua importância, ao rom- nitárias em navios, para fins de conferência da qualidade
per do século XVIII adotava-se três milhas náuticas marí- dos gêneros transportados, ou das barreiras fitossanitárias
timas como Mar Territorial. Isso se justificava pelo alcance criadas, eventualmente, com a finalidade de impedir algu-
máximo da artilharia costeira à época. ma epidemia no território (nos últimos anos destacam-se
No século XX, e por volta da II Guerra Mundial (II GM), a da gripe aviária e, mais recentemente, a da gripe suína).
alguns Estados estenderam – sempre mediantes atos uni- Nessa faixa de 12 milhas náuticas, após o Mar Terri-
laterais – a largura dessa área (4, 6, 9 e mesmo 12 milhas torial, é que o País costeiro também inibe a entrada de
náuticas marítimas). imigrantes ilegais (de forma clandestina) no seu território,
A partir de 1952, diversos países da América Latina – a ou, ainda, evita que seres humanos sejam transportados
começar pelo Chile, Equador e Peru – decidiram estender de forma degradante, remontando-se, de certo modo, ao
esse limite até as duzentas milhas, correspondendo a 370 período do tráfico negreiro. Também nos últimos anos,
quilômetros, aproximadamente. Justificaram, tais países, inúmeros foram os casos de imigrantes clandestinos (a
essa medida, tendo em vista as necessidades de ordem maioria africanos) terem adentrado o território brasileiro,
econômica. Nesse caso é fácil perceber o grande motivo: utilizando-se como porta de acesso o mar, mesmo com a
os três países têm como parte substancial de suas econo- fiscalização e o controle já existente.
mias a pesca industrial em águas salgadas, sobretudo pelo Dentro desse aspecto, convém trazer à tona a recente
aproveitamento da qualidade e da quantidade do pescado, edição da Lei Complementar (LC) Nr 136, de 25 de agosto
como consequência da corrente marítima fria de Humboldt de 2010, que fez alterações importantes na LC 97, a qual
(ou do Peru) e da existência de uma área de ressurgência. dispõe sobre as normas gerais para a organização, o pre-
Os Estados Unidos não ficaram para trás: também logo paro e o emprego das Forças Armadas. Com base nessas
após a II GM reivindicaram o limite de 200 milhas para o alterações, a Marinha do Brasil (MB) recebera uma série de
mar territorial, “tendo em vista a necessidade de proteger atribuições subsidiárias para a fiscalização e o maior con-
o seu território contra armas de longo alcance” (MATTOS, trole sobre essa porção territorial: tratou-se da extensão do
poder de polícia - preventivo ou repressivo - a esta Força
1990, p. 70).
Armada.
O Brasil adotara o critério das 200 milhas náuticas, por
Seguiu tais alterações o já proposto e modificado pela
lei, apenas em março de 1970, tendo sido o 9º país da re-
LC Nr 117/2004, a qual atribuía apenas ao Exército o poder
gião a adotar esta medida. Mas essa extensão e delimi-
de polícia na faixa de fronteira terrestre do País [01], de for-
tação não ocorreram apenas na América Latina: na Guiné, ma integrada ou não. Agora, com o advento dessa nova LC,
fixou-se 80 milhas; na Islândia, 50 (o que, inclusive, lhe cus- as Três Forças estão legitimadas a atuarem com esse poder
tara um litígio com a Grã-Bretanha). na faixa fronteiriça [02].
Portanto, tem-se como Mar Territorial a faixa adjacente
ao litoral de 12 milhas náuticas, a contar da linha de base 2.4.3 ZONA ECONÔMICA EXCLUSIVA
do território. Por sua vez, linha de base é a linha litorânea
de maré mais baixa (baixa-mar). O terceiro conceito, agora muito mais ligado à explora-
A doutrina, baseada na CNUDM, alerta que essa sobe- ção econômica, vem ser o de ZEE (Zona Econômica Exclu-
rania não é absoluta como a do território, pois está sub- siva). Segundo Rezek (2005, p. 303-) é “uma faixa adjacente
metida a alguns senões. Como por exemplo, há o direito ao Mar Territorial e cuja largura máxima é de 188 milhas
de passagem inocente, reconhecido em favor dos navios náuticas contadas a partir do limite exterior daquele, com o
– mercantes ou de guerra – de qualquer Estado. que perfazem 200 milhas, a partir da linha de base”.

56
GEOGRAFIA

O art. 56, da CNUDM, expõe os direitos concernentes Ainda assim, inegável, pela redação do caput do artigo
ao Estado costeiro sobre essa faixa de água. Inclui-se a 18, CF, que o Brasil adota um modelo de Estado Federado
soberania, no que diz respeito à exploração e ao aprovei- no qual são considerados entes federados e, como tais, au-
tamento, a conservação e a gestão dos recursos naturais, tônomos, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Muni-
vivos ou não vivos, das águas sobrejacentes ao leito do mar cípios. Esta autonomia se reflete tanto numa capacidade de
e seu subsolo. Também autoriza a investigação científica auto-organização (normatização própria) quanto numa ca-
marinha e a produção de energia, a partir da água, das cor- pacidade de autogoverno (administrar-se pelos membros
rentes e dos ventos, e atribui como um dever a proteção e eleitos pelo eleitorado da unidade federada).
a preservação do meio marinho.
Apenas levando-se em conta essa Zona com fins de Artigo 18, §1º, CF. Brasília é a Capital Federal.
exploração econômica e pesquisa científica, soma-se
para o Poder Nacional brasileiro uma área de cerca de Brasília é a capital da República Federativa do Brasil,
3.500.000Km2 sendo um dos municípios que compõem o Distrito Federal.
Fonte: https://jus.com.br/artigos/17519/o-direito-do O Distrito Federal tem peculiaridades estruturais, não sen-
-mar-e-a-fronteira-maritima-brasileira. do nem um Município, nem um Estado, tanto é que o caput
deste artigo 18 o nomeia em separado. Trata-se, assim, de
unidade federativa autônoma.
Da organização político-administrativa
O artigo 18 da Constituição Federal tem caráter genéri-
Artigo 18, §2º, CF. Os Territórios Federais integram a
co e regulamenta a organização político-administrativa do
União, e sua criação, transformação em Estado ou reinte-
Estado. Basicamente, define os entes federados que irão gração ao Estado de origem serão reguladas em lei comple-
compor o Estado brasileiro. mentar.
Neste dispositivo se percebe o Pacto Federativo firma-
do entre os entes autônomos que compõem o Estado bra- Apesar dos Territórios Federais integrarem a União,
sileiro. Na federação, todos os entes que compõem o Es- eles não podem ser considerados entes da federação, logo
tado têm autonomia, cabendo à União apenas concentrar não fazem parte da organização político-administrativa,
esforços necessários para a manutenção do Estado uno. não dispõem de autonomia política e não integram o Es-
O pacto federativo brasileiro se afirmou ao inverso do tado Federal. São meras descentralizações administrativo-
que os Estados federados geralmente se formam. Trata-se territoriais pertencentes à União. A Constituição Federal de
de federalismo por desagregação – tinha-se um Estado 1988 aboliu todos os territórios então existentes: Fernando
uno, com a União centralizada em suas competências, e di- de Noronha tornou-se um distrito estadual do Estado de
vidiu-se em unidades federadas. Difere-se do denominado Pernambuco, Amapá e Roraima ganham o status integral
federalismo por agregação, no qual unidades federativas de Estados da Federação.
autônomas se unem e formam um Poder federal no qual
se concentrarão certas atividades, tornando o Estado mais Artigo 18, §3º, CF. Os Estados podem incorporar-se en-
forte (ex.: Estados Unidos da América). tre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem
No federalismo por agregação, por já vir tradicional- a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais,
mente das bases do Estado a questão da autonomia das mediante aprovação da população diretamente interessa-
unidades federadas, percebe-se um federalismo real na da, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei
prática. Já no federalismo por desagregação nota-se uma complementar.
persistente tendência centralizadora.
Prova de que nem mesmo o constituinte brasileiro en- Artigo 18, §4º, CF. A criação, a incorporação, a fusão
tendeu o federalismo que estava criando é o fato de ter e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei
colocado o município como entidade federativa autônoma. estadual, dentro do período determinado por Lei Comple-
mentar Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante
No modelo tradicional, o pacto federativo se dá apenas en-
plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após
tre União e estados-membros, motivo pelo qual a doutrina
divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresenta-
afirma que o federalismo brasileiro é atípico.
dos e publicados na forma da lei.
Além disso, pelo que se desprende do modelo de di-
visão de competências a ser estudado neste capítulo, aca- Como se percebe pelos dispositivos retro, é possível
bou-se esvaziando a competência dos estados-membros, criar, incorporar e desmembrar os Estados-membros e os
mantendo uma concentração de poderes na União e distri- Municípios. No caso dos Estados, exige-se plebiscito e lei
buindo vasta gama de poderes aos municípios. federal. No caso dos municípios, exige-se plebiscito e lei
estadual.
Art. 18, caput, CF. A organização político-administra- Ressalta-se que é aceita a subdivisão e o desmembra-
tiva da República Federativa do Brasil compreende a União, mento no âmbito interno, mas não se permite que uma
os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos au- parte do país se separe do todo, o que atentaria contra o
tônomos, nos termos desta Constituição. pacto federativo.

57
GEOGRAFIA

Art. 19, CF. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Artigo 103, CC. O uso comum dos bens públicos pode
Federal e aos Municípios: ser gratuito ou retribuído, conforme for estabelecido le-
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencio- galmente pela entidade a cuja administração pertencerem.
ná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com
eles ou seus representantes relações de dependência ou Os bens da União estão enumerados no artigo 20 e
aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de inte- os bens dos Estados-membros no artigo 26, ambos da
resse público; Constituição, que seguem abaixo. Na divisão de bens es-
II - recusar fé aos documentos públicos; tabelecida pela Constituição Federal denota-se o caráter
III - criar distinções entre brasileiros ou preferências en- residual dos bens dos Estados-membros porque exige-se
tre si. que estes não pertençam à União ou aos Municípios.

Embora o artigo 19 traga algumas vedações expressas Artigo 20, CF. São bens da União:
aos entes federados, fato é que todo o sistema constitucio- I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vie-
nal traz impedimento à atuação das unidades federativas rem a ser atribuídos;
e de seus administradores. Afinal, não possuem liberdade II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das
para agirem como quiserem e somente podem fazer o que fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias
a lei permite (princípio da legalidade aplicado à Adminis- federais de comunicação e à preservação ambiental, defi-
tração Pública). nidas em lei;
Repartição de competências e bens III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em
O título III da Constituição Federal regulamenta a orga- terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Es-
nização do Estado, definindo competências administrativas tado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam
e legislativas, bem como traçando a estrutura organizacio- a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os
nal por ele tomada. terrenos marginais e as praias fluviais;
Bens Públicos são todos aqueles que integram o pa- IV - as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes
com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceâni-
trimônio da Administração Pública direta e indireta, sendo
cas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a
que todos os demais bens são considerados particulares.
sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao ser-
Destaca-se a disciplina do Código Civil:
viço público e a unidade ambiental federal, e as referidas
no art. 26, II; 
Artigo 98, CC. São públicos os bens de domínio nacional
V - os recursos naturais da plataforma continental e
pertencentes as pessoas jurídicas de direito público interno;
da zona econômica exclusiva;
todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que
VI - o mar territorial;
pertencerem.
VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos;
VIII - os potenciais de energia hidráulica;
Artigo 99, CC. São bens públicos: IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo;
I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios ar-
estradas, ruas e praças; queológicos e pré-históricos;
II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.
destinados a serviço ou estabelecimento da administração § 1º É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao
federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de Distrito Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da
suas autarquias; administração direta da União, participação no resulta-
III - os dominicais, que constituem o patrimônio das do da exploração de petróleo ou gás natural, de recur-
pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito sos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de
pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades. outros recursos minerais no respectivo território, platafor-
Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, con- ma continental, mar territorial ou zona econômica exclusi-
sideram-se dominicais os bens pertencentes às pessoas ju- va, ou compensação financeira por essa exploração.
rídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de § 2º A faixa de até cento e cinquenta quilômetros de
direito privado. largura, ao longo das fronteiras terrestres, designada
como faixa de fronteira, é considerada fundamental para
Artigo 100, CC. Os bens públicos de uso comum do defesa do território nacional, e sua ocupação e utilização
povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto con- serão reguladas em lei.
servarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.
Artigo 26, CF. Incluem-se entre os bens dos Estados:
Artigo 101, CC. Os bens públicos dominicais podem ser I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes,
alienados, observadas as exigências da lei. emergentes e em depósito, ressalvadas, neste caso, na for-
ma da lei, as decorrentes de obras da União;
Artigo 102, CC. Os bens públicos não estão sujeitos a II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que es-
usucapião. tiverem no seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da
União, Municípios ou terceiros;

58
GEOGRAFIA

III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à c) a navegação aérea, aeroespacial e a infraestrutura
União; aeroportuária;
IV - as terras devolutas não compreendidas entre as d) os serviços de transporte ferroviário e aquaviário
da União. entre portos brasileiros e fronteiras nacionais, ou que trans-
ponham os limites de Estado ou Território;
Competência material e legislativa da União, Esta- e) os serviços de transporte rodoviário interestadual
dos e Municípios e internacional de passageiros;
1) Competência organizacional-administrativa ex- f) os portos marítimos, fluviais e lacustres;
clusiva da União XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Minis-
A Constituição Federal, quando aborda a competência tério Público do Distrito Federal e dos Territórios e a
da União, traz no artigo 21 a expressão “compete à União” e Defensoria Pública dos Territórios;
no artigo 22 a expressão “compete privativamente à União”. XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia mi-
Neste sentido, questiona-se se a competência no artigo 21 litar e o corpo de bombeiros militar do Distrito Fede-
seria privativa. Obviamente, não seria compartilhada, pois ral, bem como prestar assistência financeira ao Distrito
os casos que o são estão enumerados no texto constitu- Federal para a execução de serviços públicos, por meio de
cional. fundo próprio;
Com efeito, entende-se que o artigo 21, CF, enumera XV - organizar e manter os serviços oficiais de estatísti-
competências exclusivas da União. Estas expressões que ca, geografia, geologia e cartografia de âmbito nacional;
a princípio seriam sinônimas assumem significado diverso. XVI - exercer a classificação, para efeito indicativo, de
Privativa é a competência da União que pode ser delegada diversões públicas e de programas de rádio e televisão;
a outras unidades federadas e exclusiva é a competência da XVII - conceder anistia;
União que somente pode ser exercida por ela. XVIII - planejar e promover a defesa permanente con-
O artigo 21, que traz as competências exclusivas da tra as calamidades públicas, especialmente as secas e as
União, trabalha com questões organizacional-administrati- inundações;
vas.
XIX - instituir sistema nacional de gerenciamento de
recursos hídricos e definir critérios de outorga de direitos
Artigo 21, CF. Compete à União:
de seu uso;
I - manter relações com Estados estrangeiros e parti-
XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urba-
cipar de organizações internacionais;
no, inclusive habitação, saneamento básico e transportes
II - declarar a guerra e celebrar a paz;
urbanos;
III - assegurar a defesa nacional;
XXI - estabelecer princípios e diretrizes para o sistema
IV - permitir, nos casos previstos em lei complementar,
que forças estrangeiras transitem pelo território nacional nacional de viação;
ou nele permaneçam temporariamente; XXII - executar os serviços de polícia marítima, aero-
V - decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a portuária e de fronteiras;
intervenção federal; XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares
VI - autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de de qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre a
material bélico; pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a in-
VII - emitir moeda; dustrialização e o comércio de minérios nucleares e seus
VIII - administrar as reservas cambiais do País e fisca- derivados, atendidos os seguintes princípios e condições:
lizar as operações de natureza financeira, especialmente as a) toda atividade nuclear em território nacional so-
de crédito, câmbio e capitalização, bem como as de seguros e mente será admitida para fins pacíficos e mediante aprova-
de previdência privada; ção do Congresso Nacional;
IX - elaborar e executar planos nacionais e regionais b) sob regime de permissão, são autorizadas a comer-
de ordenação do território e de desenvolvimento econô- cialização e a utilização de radioisótopos para a pesquisa e
mico e social; usos médicos, agrícolas e industriais;
X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional; c) sob regime de permissão, são autorizadas a produção,
XI - explorar, diretamente ou mediante autorização, con- comercialização e utilização de radioisótopos de meia-vida
cessão ou permissão, os serviços de telecomunicações, nos igual ou inferior a duas horas;
termos da lei, que disporá sobre a organização dos serviços, d) a responsabilidade civil por danos nucleares inde-
a criação de um órgão regulador e outros aspectos institu- pende da existência de culpa;
cionais; XXIV - organizar, manter e executar a inspeção do tra-
XII - explorar, diretamente ou mediante autorização, balho;
concessão ou permissão: XXV - estabelecer as áreas e as condições para o exer-
a) os serviços de radiodifusão sonora, e de sons e ima- cício da atividade de garimpagem, em forma associativa.
gens;
b) os serviços e instalações de energia elétrica e o apro- Envolve a competência organizacional-administrativa
veitamento energético dos cursos de água, em articulação da União a atuação regionalizada com vistas à redução das
com os Estados onde se situam os potenciais hidroener- desigualdade regionais, descrita no artigo 43 da Constitui-
géticos; ção Federal:

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GEOGRAFIA

Artigo 43, CF. Para efeitos administrativos, a União po- XIV - populações indígenas;
derá articular sua ação em um mesmo complexo geoeco- XV - emigração e imigração, entrada, extradição e
nômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redu- expulsão de estrangeiros;
ção das desigualdades regionais. XVI - organização do sistema nacional de emprego e
§ 1º Lei complementar disporá sobre: condições para o exercício de profissões;
I - as condições para integração de regiões em desen- XVII - organização judiciária, do Ministério Públi-
volvimento; co do Distrito Federal e dos Territórios e da Defensoria
II - a composição dos organismos regionais que exe- Pública dos Territórios, bem como organização adminis-
cutarão, na forma da lei, os planos regionais, integrantes dos trativa destes
planos nacionais de desenvolvimento econômico e social, XVIII - sistema estatístico, sistema cartográfico e de
aprovados juntamente com estes. geologia nacionais;
§ 2º Os incentivos regionais compreenderão, além de XIX - sistemas de poupança, captação e garantia da
outros, na forma da lei: poupança popular;
I - igualdade de tarifas, fretes, seguros e outros itens XX - sistemas de consórcios e sorteios;
de custos e preços de responsabilidade do Poder Público; XXI - normas gerais de organização, efetivos, material
II - juros favorecidos para financiamento de atividades bélico, garantias, convocação e mobilização das polícias
prioritárias; militares e corpos de bombeiros militares;
III - isenções, reduções ou diferimento temporário de XXII - competência da polícia federal e das polícias ro-
tributos federais devidos por pessoas físicas ou jurídicas; doviária e ferroviária federais;
IV - prioridade para o aproveitamento econômico e XXIII - seguridade social;
social dos rios e das massas de água represadas ou repre- XXIV - diretrizes e bases da educação nacional;
sáveis nas regiões de baixa renda, sujeitas a secas periódicas. XXV - registros públicos;
§ 3º Nas áreas a que se refere o § 2º, IV, a União in- XXVI - atividades nucleares de qualquer natureza;
centivará a recuperação de terras áridas e cooperará com XXVII - normas gerais de licitação e contratação, em
os pequenos e médios proprietários rurais para o estabele- todas as modalidades, para as administrações públicas di-
cimento, em suas glebas, de fontes de água e de pequena retas, autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito
irrigação. Federal e Municípios, obedecido o disposto no art. 37, XXI, e
para as empresas públicas e sociedades de economia mista,
2) Competência legislativa privativa da União nos termos do art. 173, § 1°, III; 
A competência legislativa da União é privativa e, sendo XXVIII - defesa territorial, defesa aeroespacial, defesa
assim, pode ser delegada. As matérias abaixo relacionadas marítima, defesa civil e mobilização nacional;
somente podem ser legisladas por atos normativos com XXIX - propaganda comercial.
abrangência nacional, mas é possível que uma lei comple- Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar
mentar autorizar que determinado Estado regulamente os Estados a legislar sobre questões específicas das ma-
questão devidamente especificada. térias relacionadas neste artigo.

Artigo 22, CF. Compete privativamente à União legislar 3) Competência organizacional-administrativa


sobre: compartilhada
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleito- União, Estados-membros, Distrito Federal e Municípios
ral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do tra- compartilham certas competências organizacional-ad-
balho; ministrativas. Significa que qualquer dos entes federados
II - desapropriação; poderá atuar, desenvolver políticas públicas, nestas áreas.
III - requisições civis e militares, em caso de iminente Todas estas áreas são áreas que necessitam de atuação in-
perigo e em tempo de guerra; tensa ou vigilância constantes, de modo que mediante ges-
IV - águas, energia, informática, telecomunicações e tão cooperada se torna possível efetivar o máximo possível
radiodifusão; os direitos fundamentais em casa uma delas.
V - serviço postal; Artigo 23, CF. É competência comum da União, dos Es-
VI - sistema monetário e de medidas, títulos e garan- tados, do Distrito Federal e dos Municípios:
tias dos metais; I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das
VII - política de crédito, câmbio, seguros e transferên- instituições democráticas e conservar o patrimônio pú-
cia de valores; blico;
VIII - comércio exterior e interestadual; II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção
IX - diretrizes da política nacional de transportes; e garantia das pessoas portadoras de deficiência;
X - regime dos portos, navegação lacustre, fluvial, ma- III - proteger os documentos, as obras e outros bens
rítima, aérea e aeroespacial; de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as
XI - trânsito e transporte; paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos;
XII - jazidas, minas, outros recursos minerais e me- IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracte-
talurgia; rização de obras de arte e de outros bens de valor histórico,
XIII - nacionalidade, cidadania e naturalização; artístico ou cultural;

60
GEOGRAFIA

V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à edu- § 1º No âmbito da legislação concorrente, a com-


cação, à ciência, à tecnologia, à pesquisa e à inovação; petência da União limitar-se-á a estabelecer normas
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição gerais.
em qualquer de suas formas; § 2º A competência da União para legislar sobre nor-
VII - preservar as florestas, a fauna e a flora; mas gerais não exclui a competência suplementar dos
VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar Estados.
o abastecimento alimentar; § 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os
IX - promover programas de construção de moradias Estados exercerão a competência legislativa plena, para
e a melhoria das condições habitacionais e de sanea- atender a suas peculiaridades.
mento básico; § 4º A superveniência de lei federal sobre normas
X - combater as causas da pobreza e os fatores de gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe
marginalização, promovendo a integração social dos seto- for contrário.
res desfavorecidos;
XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de O estudo das competências concorrentes permite vis-
direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e lumbrar os limites da atuação conjunta entre União, Esta-
minerais em seus territórios; dos e Distrito Federal no modelo Federativo adotado no
XII - estabelecer e implantar política de educação para Brasil, visando à obtenção de uma homogeneidade nacio-
a segurança do trânsito. nal, com preservação dos pluralismos regionais e locais.
Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas O cerne da distinção da competência entre os entes
para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito federados repousa na competência da União para o esta-
Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do de- belecimento de normas gerais. A competência legislativa
senvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional. dos Estados-membros e dos Municípios nestas questões
é suplementar, ou seja, as normas estaduais agregam de-
4) Competência legislativa compartilhada talhes que a norma da União não compreende, notada-
Além de compartilharem competências organizacional mente trazendo peculiaridades regionais.
-administrativas, os entes federados compartilham com-
No caso do artigo 24, CF, a União dita as normas ge-
petência para legislar sobre determinadas matérias. Entre-
rais e as normas suplementares ficam por conta dos Esta-
tanto, excluem-se do artigo 24, CF, os entes federados da
dos, ou seja, as peculiaridades regionais são normatizadas
espécie Município, sendo que estes apenas legislam sobre
pelos Estados. As normas estaduais, neste caso, devem
assuntos de interesse local.
guardar uma relação de compatibilidade com as normas
federais (relação hierárquica). Diferentemente da compe-
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Fe-
tência comum em que as leis estão em igualdade de con-
deral legislar concorrentemente sobre:
dições, uma não deve subordinação à outra.
I - direito tributário, financeiro, penitenciário, eco-
nômico e urbanístico; Entretanto, os Estados não ficam impedidos de criar
II - orçamento; leis regulamentadoras destas matérias enquanto a União
III - juntas comerciais; não o faça. Sobrevindo norma geral reguladora, perdem
IV - custas dos serviços forenses; a eficácia os dispositivos de lei estadual com ela incom-
V - produção e consumo; patível.
VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da nature-
za, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio 5) Limitações e regras mínimas aplicáveis à com-
ambiente e controle da poluição; petência organizacional-administrativa autônoma dos
VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artís- Estados-membros
tico, turístico e paisagístico;
VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, Artigo 25, CF. Os Estados organizam-se e regem-se
ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, pelas Constituições e leis que adotarem, observados os
histórico, turístico e paisagístico; princípios desta Constituição.
IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência, § 1º São reservadas aos Estados as competências que
tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inovação; não lhes sejam vedadas por esta Constituição.
X - criação, funcionamento e processo do juizado de § 2º Cabe aos Estados explorar diretamente, ou me-
pequenas causas; diante concessão, os serviços locais de gás canalizado,
XI - procedimentos em matéria processual; na forma da lei, vedada a edição de medida provisória para
XII - previdência social, proteção e defesa da saúde; a sua regulamentação. 
XIII - assistência jurídica e Defensoria pública; § 3º Os Estados poderão, mediante lei complementar,
XIV - proteção e integração social das pessoas porta- instituir regiões metropolitanas, aglomerações urba-
doras de deficiência; nas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de
XV - proteção à infância e à juventude; municípios limítrofes, para integrar a organização, o pla-
XVI - organização, garantias, direitos e deveres das po- nejamento e a execução de funções públicas de interesse
lícias civis. comum.

61
GEOGRAFIA

O documento que está no ápice da estrutura norma- 6) Limitações e regras mínimas aplicáveis à com-
tiva de um Estado-membro é a Constituição estadual. Ela petência organizacional-administrativa autônoma dos
deve guardar compatibilidade com a Constituição Federal, Municípios
notadamente no que tange aos princípios nela estabeleci- Os Municípios gozam de autonomia no modelo fede-
dos, sob pena de ser considerada norma inconstitucional. rativo brasileiro e, sendo assim, possuem capacidade de
A competência do Estado é residual – tudo o que não auto-organização, normatização e autogoverno.
obrigatoriamente deva ser regulamentado pela União ou Notadamente, mediante lei orgânica, conforme se
pelos Municípios, pode ser legislado pelo Estado-membro, extrai do artigo 29, caput, CF, o Município se normatiza,
sem prejuízo da já estudada competência legislativa con- devendo esta lei guardar compatibilidade tanto com a
corrente com a União. Constituição Federal quanto com a respectiva Constituição
O §3º do artigo 25 regulamenta a conurbação, que estadual. O dispositivo mencionado traça, ainda, regras mí-
abrange regiões metropolitanas (um município, a metró- nimas de estruturação do Poder Executivo e do Legislativo
pole, está em destaque) e aglomerações urbanas (não há municipais.
município em destaque), e as microrregiões (não conur- Por exemplo, só haverá eleição de segundo turno se o
badas, mas limítrofes, geralmente identificada por bacias município tiver mais de duzentos mil habitantes. Destaca-
hidrográficas). se, ainda, a exaustiva regra sobre o número de vereadores
A estrutura e a organização dos Poderes Legislativo e e a questão dos subsídios. Incidente, também a regra sobre
Executivo no âmbito do Estado-membro é detalhada na o julgamento do Prefeito pelo Tribunal de Justiça.
Constituição estadual, mas os artigos 27e 28 trazem bases O artigo 29-A, CF, por seu turno, detalha os limites de
regulamentadoras que devem ser respeitadas. despesas com o Poder Legislativo municipal, permitindo a
responsabilização do Prefeito e do Presidente da Câmara
Artigo 27, CF. O número de Deputados à Assembleia por violação a estes limites.
Legislativa corresponderá ao triplo da representação do
Estado na Câmara dos Deputados e, atingido o número de Artigo 29, CF. O Município reger-se-á por lei orgâni-
trinta e seis, será acrescido de tantos quantos forem os De-
ca, votada em dois turnos, com o interstício mínimo de dez
putados Federais acima de doze.
dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara
§ 1º Será de quatro anos o mandato dos Deputados
Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios esta-
Estaduais, aplicando- sê-lhes as regras desta Constituição
belecidos nesta Constituição, na Constituição do respectivo
sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, re-
Estado e os seguintes preceitos:
muneração, perda de mandato, licença, impedimentos
I - eleição do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Vereadores,
e incorporação às Forças Armadas.
para mandato de quatro anos, mediante pleito direto e si-
§ 2º O subsídio dos Deputados Estaduais será fixado
multâneo realizado em todo o País;
por lei de iniciativa da Assembleia Legislativa, na razão
de, no máximo, setenta e cinco por cento daquele estabe- II -