Você está na página 1de 60

CADERNO DE

Sermões e Oficinas

O Evangelho
sermões
A mais fascinante história: O conteúdo do Evangelho.

Sábado de manhã

A MAIS FASCINANTE HISTÓRIA


O CONTEÚDO DO EVANGELHO

Princípio do evangelho de Jesus Cristo, o Filho de Deus (...).


Depois que João foi preso, Jesus foi para a Galiléia, procla-
mando as boas novas de Deus. “O tempo é chegado”, dizia ele.
“O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas
boas novas!”. (Mc 1:1, 14-15 – NVI)

INTRODUÇÃO

Estamos iniciando a série de sermões que serão proferidos no sá-


bado especial da 49ª Assembleia Geral da Convenção Geral das Igre-
jas Adventistas da Promessa. O tema geral deste ano é “O Evangelho”.
Neste primeiro sermão, trataremos sobre “A mais fascinante história”,
com destaque para o conteúdo do evangelho. À noite, a mensagem terá
como título “A mais impactante notícia”, e terá como enfoque os efeitos
do evangelho. Pois bem, iniciemos, então, a nossa primeira reflexão. Para
tanto, gostaria que você refletisse sobre as notícias que temos ouvido e
visto, quando assistimos ou lemos os principais jornais do nosso país. Elas
são animadoras? São mais positivas ou negativas? Com certeza, você deve
concordar comigo que não são nada agradáveis em sua maioria. Nós, re-
almente, precisamos ouvir boas novas! É sobre isso que vamos tratar. E
que fique claro, desde já: não vamos tratar de boas notícias como as que
estamos acostumadas a ouvir.

49ªAssembleiaGeral 5
Sábado • Manhã

Conforme você pôde observar na leitura que fizemos, Marcos chama


seu livro de “evangelho de Jesus Cristo”, ou de “boas novas” sobre Jesus.
“Evangelho” é uma tradução do termo grego euangelion, formado por: “eu”,
advérbio, que significa “bem”, e “angello”, verbo, que pode ser traduzido por
“mensagem ou notícia”. Esta palavra foi mudando de sentido, ao longo
do tempo. Era usada para: 1) referir-se à “recompensa” que se pagava ao
mensageiro que trazia uma mensagem de vitória que causasse alegria (as
pessoas recebiam alívio por causa da mensagem; por isso, ele era recom-
pensado); 2) referir-se à própria “mensagem” (uso posterior ao primeiro),
como um termo técnico para “mensagem de vitória”; 3) referir-se também
a mensagens políticas e pessoais que trazem semelhante alegria. Segundo
Watts,1 essas mensagens “são encaradas como sendo dádivas dos deuses”.
Os romanos, que receberam o evangelho de Marcos pela primeira
vez, entendiam essa palavra como uma referência ao nascimento do im-
perador; eles “celebravam o nascimento do imperador porque viam nele a
pessoa que iria trazer paz ao império”.2 Além do nascimento, celebravam
a maioridade, a entronização, os discursos, decretos e atos do imperador,
como sendo “evangelho”, “boas novas” que trariam cumprimento aos an-
seios do mundo pela felicidade e pela paz!3 Mas em que sentido a pala-
vra “evangelho” é usada na Bíblia Sagrada? De que “boa notícia” se trata?
Como podemos defini-la? É dessas questões que trataremos no presente
sermão. Precisamos deixar claro, de início, que o evangelho trata de uma
história fascinante. A partir de agora, vamos pontuar quatro verdades que
podem nos ajudar a conhecê-la melhor.

1. Coenen & Brown (2000:758).


2. Watts (2004:20).
3. Coenen & Brown (2000:758).

6 Sermões e Oficinas
A mais fascinante história: O conteúdo do Evangelho.

I. O EVANGELHO TRATA DE UMA


HISTÓRIA FASCINANTE:
VAMOS DEFENDÊ-LO DIANTE DAS DISTORÇÕES.

Antes de definirmos o que é o evangelho e entrarmos no seu conteú-


do, propriamente dito, precisamos deixar bem claro o que não é o evangelho.
Por incrível que pareça, ainda existem muitos cristãos que confundem o
significado do evangelho. Para não cairmos nesse erro e para podermos de-
fender a verdadeira mensagem do evangelho, precisamos conhecer algumas
destas distorções. Nos dias do apóstolo Paulo, já havia pessoas distorcendo
o verdadeiro evangelho, apresentando “outro”. Abra sua Bíblia em Gálatas
1:6-12 e vamos conferir o que o apóstolo escreveu sobre esse assunto:

Gl 1:6-12 (6) Admiro-me de que vocês estejam abandonando


tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo,
para seguirem outro evangelho (7) que, na realidade, não é o
evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão per-
turbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. (8) Mas
ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho dife-
rente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado! (9)
Como já dissemos, agora repito: Se alguém lhes anuncia um
evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amal-
diçoado! (10) Acaso busco eu agora a aprovação dos homens
ou a de Deus? Ou estou tentando agradar a homens? Se eu
ainda estivesse procurando agradar a homens, não seria servo
de Cristo. (11) Irmãos, quero que saibam que o evangelho por
mim anunciado não é de origem humana. (12) Não o recebi
de pessoa alguma nem me foi ele ensinado; pelo contrário, eu
o recebi de Jesus Cristo por revelação.

49ªAssembleiaGeral 7
Sábado • Manhã

Neste texto, Paulo está defendendo o evangelho. Os gálatas tinham


ouvido a mensagem do verdadeiro evangelho e crido nela. Contudo, agora,
eles estavam “virando a casaca” e se voltando para “outro” evangelho. A “boa
nova” que os falsos mestres judaizantes estavam pregando era que, para ob-
ter a salvação, além de crer em Jesus, as pessoas precisavam circuncidar-se
(At 15:1 apresenta a mensagem deles resumida). Em outras palavras, de
acordo com esse falso evangelho, só o que Cristo fez não era suficiente para
a salvação; os gálatas precisavam acrescentar suas obras à obra de Cristo.
Veja que coisa absurda! De acordo com Paulo, esses falsos mestres estavam
“pervertendo o evangelho”. A ideia do termo é de “corromper”. E, conve-
nhamos, no que diz respeito ao evangelho, é impossível modificarmos ou
fazermos acréscimos a sua mensagem, “sem que alteremos radicalmente o
seu caráter”.4 Toda falsificação do evangelho resulta sempre em problemas
para a igreja. Stott5 diz que “não se pode mexer no evangelho e deixar a
igreja intacta, pois esta é criada pelo evangelho e vive por ele”.
Ainda hoje, podemos encontrar pessoas distorcendo o evangelho. Os
“falsos mestres” não são privilégio só da época de Paulo. Por isso mesmo
precisamos nos acautelar quanto às distorções do evangelho do nosso tem-
po. Pensemos em dois exemplos: Em primeiro lugar, existem muitos, hoje,
que consideram o evangelho como um sinônimo de uma lista de regras sobre
o que fazer e o que não fazer. Para esses, em essência, o evangelho trata de
como viver uma vida correta. Apresentam-no como uma mensagem de vir-
tudes pessoais e públicas, praticadas por pessoas ocupadas em fazer coisas
boas: os cristãos. Contudo, ser cristão e atender ao evangelho não significa
ser alguém “todo certinho”. O evangelho não “é só um aditivo que pode
tornar melhor nossas vidas que já são boas. Não. O evangelho é uma men-
sagem de maravilhosas boas novas para aqueles que sabem e reconhecem
seu desespero diante de Deus”.6

4. Stott (2007:24).
5. Idem.
6. Dever (2007:96).

8 Sermões e Oficinas
A mais fascinante história: O conteúdo do Evangelho.

Em segundo lugar, há os tratam o evangelho como sinônimo de pros-


peridade, saúde e toda sorte de bênçãos. Entendem-no como uma mensagem
para “alegrar” pecadores. Mas o evangelho não se presta a massagear o ego
de ninguém! É uma mensagem que exige uma resposta radical daqueles
que vivem como se Deus não existisse. Jesus não pode ser reduzido a al-
guém disposto a solucionar todos os nossos problemas de maneira mágica,
e o evangelho, a um produto de mercado. Oferta-se poder, saúde, status,
como se isso fosse evangelho! É um absurdo! Capriles7 afirma que “é jus-
tamente a pregação desse falso evangelho, que não converte vidas, a razão
pela qual a igreja não tem mais incomodado o mundo”.  Por causa des-
se falso evangelho, ser evangélico está em moda, em nossos dias. Todavia,
muitos desses nominalmente evangélicos vivem uma vida promíscua e não
têm nenhum compromisso com o verdadeiro evangelho de Jesus. Não nos
contentemos! Continuemos a defender o evangelho verdadeiro. Afinal de
contas, como bem disse Paulo, esses “outros” evangelhos nem podem ser
considerados evangelhos, pois nos afastam daquele que nos chamou. Só a
há um evangelho!

II. O EVANGELHO TRATA DE UMA


HISTÓRIA FASCINANTE:
VAMOS ENTENDÊ-LA EM SUA ABRANGÊNCIA.

Agora que já vimos, mesmo que rapidamente, o que não é evangelho,


vamos fazer o caminho inverso. O que é o evangelho? Nesta parte do nosso
sermão, tentaremos defini-lo no sentido mais amplo. O que uma pessoa
do primeiro século entendia, quando ouvia esta palavra? O que lhe vinha
à mente? Pois bem, precisamos dizer que Jesus não inventou essa palavra.
Por isso, ela não pode ser entendida num vácuo histórico. A expressão “boas
novas” já podia ser encontrada no Antigo Testamento, mais especificamen-

7. O que não é o evangelho?. Disponível em: http://alancapriles.blogspot.com.br >. Acesso em: 01/10/2013.

49ªAssembleiaGeral 9
Sábado • Manhã

te no livro de Isaías. É dali que foi tirada. Na sua conversa com o eunuco,
por exemplo, Filipe anuncia o evangelho de Jesus, a partir de uma passa-
gem de Isaías (At 8:35). Aliás, o autor de Atos é claro em dizer que o AT
é evangelho. E, em Marcos, será que a base do uso da palavra “evangelho”
também é Isaías? Vamos conferir:

Mc 1:1-3 (1) Princípio do evangelho de Jesus Cristo, o Filho


de Deus. (2) Conforme está escrito no profeta Isaías: “Envia-
rei à tua frente o meu mensageiro; ele preparará o teu cami-
nho”— (3) “voz do que clama no deserto: ‘Preparem o cami-
nho para o Senhor, façam veredas retas para ele’ “.

Viu só? Ao tratar sobre o evangelho de Jesus, o autor cita Isaías 40:3.
Lá, no livro do profeta, o termo é usado para se referir à declaração da liber-
tação de Jerusalém do cativeiro (Is 40:9; 52:7) e ao anúncio mais amplo da
libertação dos oprimidos (Is 61:1-2).8 A “boa nova”, em Isaías, está ligada a
um tempo de restauração com a iminente vinda do reino de Deus. É esse o
sentido empregado por Jesus também. Quando um judeu do primeiro sé-
culo ouvia a palavra “evangelho”, relacionava-a à boa nova da restauração da
criação divina. O Deus de Abraão, Isaque e Jacó, de Moisés e dos profetas,
enfim, enviara o messias para habitar entre o seu povo e restaurar a terra.9
O próprio Jesus fez um “link” com essas promessas, quando começou
a pregar o evangelho nos seguintes termos: “O tempo é chegado”; “O Reino de
Deus está próximo” (Mc 1:15). Que tempo é esse que está cumprido? Temos,
no grego, a palavra  Kairós, traduzida por “tempo”. Esse termo era usado
para designar qualquer propósito prático em que se apresenta uma boa
ocasião para a ação. É a ocasião oportuna para algo ser feito. Neste caso, era
a ocasião oportuna para a “boa nova” de Isaías ser posta em prática, isto é, o
início do estabelecimento da restauração completa do reino. Devemos en-

8. Ferguson (2009:405).
9. Watts (2004:19).

10 Sermões e Oficinas
A mais fascinante história: O conteúdo do Evangelho.

tender que fazemos parte de um projeto glorioso que está em andamento:


o projeto do reino de Deus. Deus está redimindo, por meio do evangelho,
todas as coisas, resgatando-as de volta para si mesmo!10 É importante dizer
que este projeto é antiquíssimo! O evangelho foi concebido na eternida-
de. Não é inovação, não é plano B. O evangelho que Jesus e os apóstolos
anunciaram é aquele prometido pelos profetas do Antigo Testamento (Rm
1:2-3). Desde lá, temos a promessa da restauração e da vinda do Messias.
Mas do que precisávamos ser restaurados ou redimidos? Lembra o
início da nossa história? Deus, que sempre foi Rei, criou-nos para si mes-
mo, para vivermos para a sua gloria; idealizou três tipos de relacionamentos
que fariam com que o sentido da vida humana fosse completo: o espiritual,
o social e o cultural.11 O relacionamento espiritual diz respeito ao relacio-
namento dos seres humanos com Deus. Desde o início, ele nos fez para
nos relacionarmos consigo. No que diz respeito ao relacionamento social,
trata-se de uma referência ao relacionamento do ser humano com o seu
semelhante. O relacionamento cultural, por sua vez, é o relacionamento do
ser humano com todas as coisas criadas por Deus.
Já dissemos que, ao criar o ser humano, Deus o colocou como seu
representante e lhe deu o papel de administrador (Gn 1:28). O ser humano
bagunçou esse projeto de Deus, no início, quando declarou independência
do criador, do Rei. Mas este não o abandonou; agiu na história para que
as coisas voltassem a ser como antes. A maior de todas essas iniciativas
concretizou-se através da encarnação de Cristo e sua morte na cruz, pelo de-
terminado conselho e presciência de Deus (At 2:23). Cada detalhe desse plano
de restauração já havia sido planejado por Deus. Na sua infinita sabedoria
e presciência, Deus já sabia da queda humana; por isso, repetimos, não po-
demos falar em plano “B”. Com o propósito de criar, Deus também deter-
minou salvar o ser humano. O evangelho é, então, a notícia dessa redenção
completa. Deus está redimindo todas as coisas. Toda a harmonia que um

10. Cunha & Wood (2003:23).


11. Lima (2009:166-170).

49ªAssembleiaGeral 11
Sábado • Manhã

dia bagunçamos voltará para os eixos! Um dia, o Rei será reconhecido com
tal! Você pode louvar a Deus por isso?

III. O EVANGELHO TRATA DE


UMA HISTÓRIA FASCINANTE:
VAMOS ENTENDÊ-LO EM SUA ESSÊNCIA.

Acabamos de estudar, de maneira abrangente, a história fascinante


de que trata o evangelho. O evangelho é a boa nova da restauração com-
pleta. De alguma maneira, o evangelho pode ser encontrado em toda a
Bíblia. De fato, em certo sen­tido, a Bíblia inteira é evangelho, do Gênesis
ao Apocalipse.12 Contudo, precisamos captar o cerne, a essência, o coração
de toda essa história. Apreender isso nos mostrará por que a chamamos de
fascinante história! E qual é, então, o cerne do evangelho ou o seu ponto
crucial? Ao analisarmos os sermões pregados em Atos e nas epístolas, po-
demos descobrir a resposta com clareza. Em linhas gerais, podemos dizer
que o coração do evangelho é Jesus e sua obra consumada na cruz. Foi o
seu sacrifício que trouxe a possibilidade da restauração. Isso é o que jamais
pode faltar em qualquer exposição do evangelho. Jesus é “o eixo, o cerne,
o conteúdo e a essência do evangelho”.13 Vamos conferir, em síntese, dois
textos em que Paulo apresenta o evangelho de forma resumida e ver o que
ele diz sobre Jesus nestas exposições. Um texto está na Carta aos Romanos
e o outro, na Carta aos Coríntios:

Rm 1:1-4 (1) Paulo, servo de Cristo Jesus, chamado para ser


apóstolo, separado para o evangelho de Deus, (2) o qual foi
prometido por ele de antemão por meio dos seus profetas nas
Escrituras Sagradas, (3) acerca de seu Filho, que, como ho-

12. O evangelho e a cultura (1983:18).


13. Lopes (2010:42).

12 Sermões e Oficinas
A mais fascinante história: O conteúdo do Evangelho.

mem, era descendente de Davi, (4) e que mediante o Espírito


de santidade foi declarado Filho de Deus com poder, pela sua
ressurreição dentre os mortos: Jesus Cristo, nosso Senhor.

1Co 15:1-4 (1) Irmãos, quero lembrar-lhes o evangelho que


lhes preguei, o qual vocês receberam e no qual estão firmes.
(2) Por meio deste evangelho vocês são salvos, desde que se
apeguem firmemente à palavra que lhes preguei; caso con-
trário, vocês têm crido em vão. (3) Pois o que primeiramente
lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos
pecados, segundo as Escrituras, (4) foi sepultado e ressuscitou
ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu...

Nesses versículos, temos o que chamamos de “cerne do evangelho”.


Há três sentenças que não podem passar despercebidas. Em primeiro lugar,
temos a sentença: ... acerca de seu Filho, que, como homem, era descendente de
Davi (Rm 1:3). Nessa expressão, está contida a verdade que faz a história
do evangelho ser a mais fascinante de todas. O Filho do Deus eterno, Jesus
Cristo, encarnou-se e entrou no mundo como descendente de Davi. Isso
é simplesmente fantástico! O próprio Deus, deixando sua posição exalta-
da (Fp 2:6-7), veio como ser humano morar com os seres humanos para
resgatá-los ( Jo 1:14). A encarnação é um dos pilares do evangelho. É o
“Deus bendito tomando a forma de homem”.14 É ou não é uma história
formidável? Quando você ouviu uma história como essa? Mas não é só essa
verdade que faz o evangelho fascinante.
Em segundo lugar, temos a sentença: Cristo morreu pelos nossos pecados
e foi sepultado. O principal objetivo de Cristo ter vindo a este mundo como
homem não foi dar um exemplo de vida santa, mas morrer pelos nossos peca-
dos (1 Co 15:3). O autor da vida morreu. A morte de Jesus faz parte da boa

14. Idem, p. 43.

49ªAssembleiaGeral 13
Sábado • Manhã

notícia do evangelho. Por causa dela, temos a possibilidade de receber a vida


eterna, podemos ter comunhão com Deus, nossos pecados são perdoados. A
Bíblia garante que todo ser humano é pecador (Rm 3:23). Todos que estão
longe de Deus estão mortos em suas transgressões (Ef 2:1); são guiados pelo
príncipe deste mundo (Ef 2:2), dominados pelos desejos carnais (Ef 2:3); são,
por natureza, filhos da ira (Ef 2:3). A Bíblia também garante que o salário do
pecado é a morte (Rm 6:23a). Contudo, a mesma Bíblia afirma, de maneira
inegável, que Deus é rico em misericórdia (Ef 2:4) e prova seu amor para co-
nosco ao ter Cristo morrido por nós (Rm 5:8); ainda diz que o sangue de Jesus,
nos purifica de todo o pecado (1 Jo 1:5). A humanidade estava condenada e me-
recia a morte, mas, através da morte de Jesus, aqueles que o recebem, como
Senhor, ganham vida! A morte de Jesus é uma das bases do seu senhorio. A
epístola aos romanos, de forma muito clara, diz: Porque foi com este propósito
que Cristo morreu e tornou a viver: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos
(14:9 – grifo nosso). Cristo morreu e ressurgiu para ser Senhor! Não deixe-
mos esqueçamos essa verdade, quando pensarmos no evangelho!
Em terceiro lugar, temos a sentença: ... ressuscitou ao terceiro dia se-
gundo as Escrituras e apareceu. Diante de uma multidão de pessoas, no dia
do Pentecostes, Pedro afirmou: Deus o ressuscitou quebrando as algemas da
morte, pois não era possível que fosse detido por ela (At 2:24). Aquele que mor-
reu para nos salvar hoje vive exaltado à direita de Deus (v. 32). A ressurreição
de Jesus é dom de Deus e a prova de que sua morte obteve sucesso total
em apagar os pecados de seu povo. Por causa dela, diz Paulo, em Romanos,
somos justificados (Rm 4:25). A ressurreição é a garantia de que Deus
aceitou o sacrifício de Jesus em nosso lugar. A ressurreição é, também,
a prova de que ele triunfou sobre a morte; pode abrir a porta para todos
aqueles que se achegarem a ele com fé. Por isso, pôde dizer: Eu sou o que
vive; fui morto, mas agora estou aqui, vivo para todo o sempre e tenho as chaves
da morte e do inferno (Ap 1:8). Esse é o cerne do evangelho, a notícia sobre
a encarnação, a morte e a ressurreição de Jesus, o Filho de Deus, que fazem
dele o único salvador: E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do

14 Sermões e Oficinas
A mais fascinante história: O conteúdo do Evangelho.

céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que
sejamos salvos (At 4:12). Hoje ele está exaltado à destra de Deus, como Fi-
lho de Deus, e um dia voltará novamente para julgar o mundo e consumar
sua obra salvadora.

IV. O EVANGELHO TRATA DE UMA


HISTÓRIA FASCINANTE:
VAMOS NOS COMPROMETER COM SUAS EXIGÊNCIAS.

Até agora, já vimos o que não é o evangelho e o que é o evangelho.


Apresentamos uma definição mais abrangente: o evangelho como a boa
nova de que Deus está restaurando todas as coisas. Depois, mostramos o
cerne do evangelho, o ponto crucial que fez com que a restauração fosse
possível: o coração do evangelho é Jesus e sua obra consumada na cruz.
Essa é mesmo a mais fascinante história já contada! Agora, estudemos so-
bre a nossa resposta diante do evangelho. Todo aquele que diz ser crente em
Jesus precisa comprometer-se com as exigências do evangelho de Jesus, o
evangelho do reino. E quais são essas exigências? Vamos ler o que o próprio
Jesus disse:

Mc 1:14-15 (14) Depois que João foi preso, Jesus foi para a
Galiléia, proclamando as boas novas de Deus. (15) “O tempo
é chegado”, dizia ele. “O Reino de Deus está próximo. Arre-
pendam-se e creiam nas boas novas!”

A primeira das exigências do evangelho, tanto na pregação de Jesus


quanto na dos apóstolos, é o arrependimento. No sermão do apóstolo Pe-
dro, no dia de Pentecostes, após ele mostrar brilhantemente o que Jesus é
e fez, as pessoas quiseram saber o que fazer: Irmãos, que devemos fazer? (At
2:37, BV). Em resposta a esta pergunta, Pedro disse: Arrependei-vos (At
2:38). Em outro sermão do apóstolo, também registrado no livro de Atos,

49ªAssembleiaGeral 15
Sábado • Manhã

ele disse: Arrependei-vos, pois, e convertei-vos (At 3:19). O arrependimento


era parte das exigências na proclamação das boas novas.
Arrepender-se é “mudar de opinião”. Neste caso, mudar de opinião
com respeito a Jesus Cristo. Aqueles que antes o rejeitavam, deveriam rece-
bê-lo e aceitá-lo como Senhor de suas vidas. Essa mudança impõe um novo
estilo de vida, é “a re-orientação total da vida no mundo – entre os homens
– em resposta à obra de Deus por meio de Jesus Cristo”.15 Essa reorientação
da vida, esse arrependimento, inclui fé. Esse é a segunda exigência do evan-
gelho. Os quase três mil que se arrependeram e foram batizados, no dia do
Pentecostes, foram citados como todos os que creram (At 2:44).
Mais adiante, ainda no livro de Atos, Paulo apresentou essa exigência
ao carcereiro de Filipos: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa (At
16:31). Crer em Jesus é depositar a nossa confiança nele. É mais do que
conceitual. Significa colocar a fé naquele que é capaz de nos salvar. Sig-
nifica eleger Cristo como Senhor sobre os nossos planos atuais e sobre o
nosso destino eterno. É entender que ele tem todo o direito de governar
a nossa vida e deixar que ele a governe através de sua Palavra. Era “incon-
cebível para os apóstolos que qualquer pessoa pudesse crer em Jesus como
Salvador sem submeter-se a ele como Senhor”.16 Assim, as exigências do
evangelho são o arrependimento e a fé. Nós precisamos tomar uma atitude
diante destas exigências. Assim como os irmãos de Corinto, todo crente
em Jesus precisa receber o evangelho, em arrependimento e fé, e perseverar
nele (1 Co 15:1). O evangelho exige uma postura de nossa parte. Quando
o recebemos de coração, somos transformados. Passamos a ser novas cria-
turas (2 Co 5:17) e não podemos mais viver uma vida pela demanda das
nossas vontades (2 Co 5:15). Precisamos viver para Cristo, nosso Senhor,
em resposta ao seu grande amor (2 Co 5:14).

15. Stott (2010:65).


16. Idem, p. 66.

16 Sermões e Oficinas
A mais fascinante história: O conteúdo do Evangelho.

CONCLUSÃO

Estamos chegando ao final deste nosso primeiro sermão do sábado


especial da 49ª Assembleia Geral. O evangelho de Jesus, de fato, é mara-
vilhoso. Por ser assim, pode trazer esperança, mesmo diante do caos. Uma
das histórias por trás do famoso navio Titanic, que naufragou em 1912,
ilustra bem essa verdade. É a história do pastor Escocês John Harper.17
Ele e sua filha Nana, de seis anos de idade, estavam a bordo, na noite fatí-
dica em que morreram mais de mil e quinhentas pessoas. Há registros de
que, depois de o navio bater no iceberg, diante da iminência do naufrágio,
Harper correu de pessoa em pessoa, contando apaixonadamente aos que
estavam em pânico sobre a necessidade de aceitarem a Cristo.18
Contudo, uma das mais interessantes histórias é a que diz respeito
aos seus últimos minutos de vida, depois que o navio já havia submergido.
Um jovem escocês, sobrevivente do naufrágio, contou, quatro anos depois,
que estava agarrado a um destroço do navio, à deriva, na escuridão, quando
uma onda fez aproximar-se dele, sobre um pedaço de madeira, um homem,
e, só depois, ele veio saber tratar-se do Pr. Harper, um conhecido evangelis-
ta de Glasgow. Mesmo naquela situação, ao aproximar-se do jovem escocês,
o pastor perguntou: “Amigo, você está salvo?”. O jovem respondeu: “Não,
não estou”. Então Harper falou-lhe sobre o cerne do evangelho: “Creia no
Senhor Jesus Cristo, e será salvo”. Embora o movimento das águas os tives-
se separado durante alguns momentos, por uma estranha coincidência eles
voltaram a se encontrar, quando o evangelista falou de novo perguntando:
“E agora, você está salvo?”. A resposta foi: “Não, ainda não posso dizer
que estou salvo”. Então, já com grande esforço, Harper repetiu de novo
a mensagem: “Creia no Senhor Jesus Cristo, e será salvo”. E afundou-se

17. O último converso de João Harper. Disponível em: http://www.sitedopastor.com.br/ilustracoes/


joaoharper.htm >. Acesso em 05 de outubro de 2013.
18. Pastor que morreu no Titanic evangelizou até o último momento. Disponível em: http://noticias.
gospelprime.com.br/pastor-que-morreu-no-titanic-evangelizou-ate-o-ultimo-momento/>.
Acesso em 06 de outubro de 2013.

49ªAssembleiaGeral 17
Sábado • Manhã

imediatamente. O fato é que, naquela noite terrível, sozinho e com mais


de três mil metros de água sob seus pés, o jovem escocês creu no evange-
lho e entregou sua vida a Jesus Cristo. Mesmo diante da escuridão, sem
nenhuma perspectiva, a não ser a morte, aquele homem creu! A velha “boa
notícia” do evangelho, bem conhecida do pastor Harper, deu-lhe alento!
Sua filha, Nana, foi resgatada e mandada de volta à Escócia.19 Ela deve ter
ficado bastante orgulhosa do pai.
Continuemos pregando o evangelho! Continuemos crendo no evan-
gelho! Continuemos vivendo o evangelho! Ele continua transformando
vidas, dando esperança aos desesperançados. Mesmo diante do estado caó-
tico das coisas, não desanimemos. Este mundo, com crianças sendo abusa-
das, com mulheres que vendem seu corpo por dinheiro e abandonam seus
filhos em latas do lixo ou que têm seus filhos roubados para serem vendidos
no tráfico de pessoas, não é o mundo que Deus criou. Este mundo, com
poluição, com florestas sendo destruídas, não é o mundo que Deus criou.
Este mundo, com fome, miséria e terremotos por todos os lugares, não é o
mundo que Deus criou. Este mundo, onde pessoas vivem longe de Deus,
não é o mundo criado por ele! Este caos foi causado pelo pecado. Mas Deus
tem uma proposta de reorganização. O evangelho é esta boa nova! Por cau-
sa de Jesus, essa reorganização será possível! Diante disso, permaneçamos
defendo o evangelho, proclamando sua mensagem e nos comprometendo
com suas exigências! Amém.

19. Idem.

18 Sermões e Oficinas
A mais fascinante história: O conteúdo do Evangelho.

BIBLIOGRAFIA

ARAGÃO, Jarbas. Pastor que morreu no Titanic evangelizou até o último mo-
mento. Disponível em: <http://noticias.gospelprime.com.br/pastor-que-
-morreu-no-titanic-evangelizou-ate-o-ultimo-momento/>. Acesso em 06
de outubro de 2013.

CAPRILES, Alan. O que não é o evangelho?. Disponível em: <http://alan-


capriles.blogspot.com.br> Acesso em 01 de outubro de 2013.

COENEN, Lothar & BROW, Colin. Dicionário Internacional de Teolo-


gia do Novo Testamento. 2 ed. Tradução: Gordon Chown. São Paulo: Vida
Nova, 2000.

CUNHA, Maurício J. S. & WOOD, Beth A. O reino entre nós: transforma-


ção de comunidades pelo evangelho integral. Viçosa: Ultimato, 2003.

DEVER, Mark. Nove marcas de uma igreja saudável. Tradução: Wellington


Ferreira. São José dos Campos: Fiel, 2007.

FERGUSON, Sinclair B. Novo Dicionário de Teologia. São Paulo: Hag-


nos, 2009.

LIMA, Leandro Antonio de. Razão da Esperança: teologia para hoje. São
Paulo: Cultura Cristã, 2006.

LOPES, Hernandes Dias. Romanos: o evangelho segundo Paulo. São Paulo:


Hagnos, 2010.

O evangelho e a cultura. Tradução: José Gabriel Said. São Paulo: ABU, 1983.

49ªAssembleiaGeral 19
Sábado • Manhã

RICHARDSON, A. D. O último converso de João Harper. Disponível em:


<http://www.sitedopastor.com.br/ilustracoes/joaoharper.htm>. Acesso em
05 de outubro de 2013.

STOTT, John. A mensagem de Gálatas: somente um caminho. Tradução: Yo-


landa Mirdsa Krievin. São Paulo: ABU, 2007.

____________. A missão Cristã no mundo moderno. Tradução: Meire Portes


Santos. Viçosa: Ultimato, 2010.

WATTS, Rikk E. Jesus, modelo pastoral: estudo do evangelho de Marcos. Tra-


dução: Bob Moon. Rio de Janeiro: Danprewan, 2004.

20 Sermões e Oficinas
A mais impactante notícia: Os efeitos do Evangelho.

Sábado à noite

A MAIS IMPACTANTE NOTÍCIA


OS EFEITOS DO EVANGELHO

Eu não me envergonho do evangelho, pois ele é o poder de


Deus para salvar todos os que crêem. (Rm 1:16 - NTLH)

INTRODUÇÃO

Livros e mais livros são lançados diariamente pelo mundo afora; arti-
gos são publicados a todo o momento em sites e blogs na internet; revistas e
jornais são produzidos semanalmente. Contudo, as pessoas permanecem as
mesmas; a violência continua crescendo; a fome permanece uma realidade;
as famílias continuam se destruindo; os filhos se rebelam contra os pais; o
número de divórcios aumenta; estupros e abusos continuam sendo pratica-
dos; enfim, o mundo permanece o mesmo. Sabe por quê? Porque não existe
conteúdo, ciência ou literatura humana capaz de mudar uma pessoa ou
mesmo de transformar uma família ou uma cidade. Somente o evangelho
de Cristo é capaz disso.
Pela manhã, aprendemos que aprendemos que o evangelho é a mais
fascinante história; contudo, agora, à noite, veremos que ele é, também,
a mais impactante notícia que existe! Não há ninguém que creia nele e
permaneça o mesmo. Quando o evangelho é acolhido por uma pessoa, as
coisas mudam drasticamente: ladrões deixam de roubar, garotas de progra-
ma abandonam a prostituição, pessoas violentas tornam-se amorosas, gente

49ªAssembleiaGeral 21
Sábado • Noite

egoísta torna-se solidária, homens e mulheres tristes desfrutam de alegria


e felicidade na vida.
Agora, para compreendermos melhor o impacto do evangelho de
Cristo, precisamos tratar sobre quais são seus efeitos na vida de uma pes-
soa que o acolhe em seu coração ou de uma família e uma cidade que o
ouve. Neste quesito, o livro de Atos dos Apóstolos tem muito a nos ensi-
nar. Nele, encontramos os efeitos do impacto do evangelho por onde ele
era anunciado. Sendo assim, começaremos esta reflexão bíblica entendo
quais os efeitos do evangelho na vida de uma pessoa. Faremos isso através da
experiência chocante de conversão de Paulo, descrita no capítulo 9 do
livro Atos.

1. OS EFEITOS DO EVANGELHO EM UMA PESSOA

O impacto do evangelho em uma pessoa é simplesmente extraor-


dinário. A conversão de Paulo, no caminho para Damasco, é um exemplo
fantástico disso. É, sem duvida, uma das mais extraordinárias conversões
descritas na Escritura. A conversão de Paulo a Jesus Cristo é uma amos-
tra do que o evangelho pode fazer na vida de uma pessoa. Quem ele era,
antes de ser impactado pelo evangelho? Em primeiro lugar, Paulo era um
perseguidor implacável da igreja. Ele esteve por trás da execução de Este-
vão (8:1) e de muitos outros cristãos (26:10). Ele os caçava em todos os
lugares (26:11). Para ter uma ideia, os crentes em Damasco o chamavam
de exterminador (9:21). E não era para menos! Era exatamente isso o que
Paulo fazia.
Em segundo lugar, Paulo era uma pessoa furiosa e cruel. Ele não ape-
nas prendia os cristãos; ele os torturava. Depois de prendê-los, açoitava-os
com crueldade, até que blasfemassem de Jesus (26:11). Ele era um verda-
deiro carrasco. Não respeitava residências, nem lugares sagrados, como as
sinagogas. O próprio Paulo admitiria, mais tarde, estar enfurecido contra

22 Sermões e Oficinas
A mais impactante notícia: Os efeitos do Evangelho.

os cristãos (26:11). “Ele revelou sua fúria contra os cristãos ao prendê-los,


açoitá-los, esmagá-los, forçando-os a blasfemar contra Deus e a renegar
sua fé em Jesus”.1
Em terceiro lugar, Paulo era um grande opositor de Jesus. Mais tar-
de, contando sua experiência de conversão ao rei Agripa, ele disse que
achava que deveria fazer muitas coisas em oposição ao nome de Jesus (26:9).
Em seu coração só havia aversão, indiferença, desdém e ódio por Jesus
Cristo. “Não aceitava que um nazareno, crucificado como um criminoso,
pudesse ser o Messias prometido por Deus”2. Sua rejeição por Jesus era
tamanha que se empenhou em destruir tudo o que se relacionava com
ele. Esse era Paulo!
Mas algo aconteceu. Um dia, no caminho para Damasco, ao meio
dia, um brilho refulgente – uma luz mais brilhante que sol – parou-o no
meio da estrada. Era Jesus Cristo, o evangelho em pessoa, a boa nova de
Deus ao mundo. O impacto dessa experiência mudou radicalmente sua
vida. Seu ódio por Jesus transformou-se em um grande e profundo amor
por ele; sua rejeição pelo cristianismo tornou-se um incrível entusiasmo
por sua expansão; sua fúria pela igreja de Cristo transformou-se em paixão.
Que glorioso!
Quando uma pessoa é impactada pelo evangelho, sua vida muda ra-
dicalmente. Esse poderoso evangelho converte ateus, céticos, zombeteiros,
críticos do cristianismo, opositores da fé cristã, profanos, umbandistas, es-
píritas ou espiritualistas. Esse evangelho de Cristo, que impactou a vida de
Paulo e o transformou, é o mesmo que, ainda hoje, transforma pervertidos,
homossexuais, lésbicas, adúlteros, viciados em pornografia, promíscuos,
ladrões, assassinos e traficantes; que liberta viciados em crack; que salva
pessoas violentas, odiosas, temperamentais, estúpidas, cruéis e sanguiná-
rias. Esse é o impacto do evangelho na vida de uma pessoa! Você conhece

1. Lopes (2012:475).
2. Idem, p.189.

49ªAssembleiaGeral 23
Sábado • Noite

alguém assim? Cético em relação a Jesus, como Paulo era? Alguém que
ridiculariza o evangelho? Pois bem, ele pode ser impactado pelo mesmo
evangelho que impactou o apóstolo. Você precisa crer nisto!

2. OS EFEITOS DO EVANGELHO EM UMA FAMÍLIA

Continuando nossa jornada pelo livro de Atos dos Apóstolos, che-


gamos, agora, ao seu capítulo 16. Aqui, lemos como o evangelho chegou à
Macedônia, por intermédio dos missionários Paulo e Silas. Algo que nos
chama à atenção, neste capitulo, é que o evangelho não alcança apenas in-
divíduos, mas também famílias inteiras. Em Filipos, vemos duas famílias
inteiras convertendo-se a Jesus Cristo: a família de Lídia (16:13-15) e a do
carcereiro (16:25-34). Para conseguirmos entender melhor o impacto que
o evangelho pode gerar em uma família, vamos analisar a conversão de uma
delas: a família do carcereiro de Filipos.
Essa família ouviu o evangelho numa situação inusitada: Paulo e Silas
estavam presos, depois de terem sido açoitados, por pregarem o evangelho
(16:16-24). Mas, de repente, um terremoto aconteceu (v.26). O carcereiro,
em desespero, pensando que os presos haviam escapado, intentou o suicídio
(v.27). Mas Paulo tranquilizou-o, afirmando que ninguém havia escapado
(v.28). Naquela mesma noite, o carcereiro levou para a sua casa Paulo Silas,
que pregaram o evangelho para toda a sua família, e esta acabou se conver-
tendo a Jesus. Quais foram os efeitos do evangelho nessa família?
Em primeiro lugar, houve uma mudança religiosa incrível. O carcereiro
era adepto da religião do estado romano; mas as coisas mudaram, depois
que ele ouviu a boa nova do evangelho pregada por Paulo: Crê no Senhor
Jesus e será salvo tu e tua casa (v.31). Foi exatamente isso o que aconteceu.
Aquela família deixou de ser adepta da religião do estado romano; creu no
Senhor Jesus; foi batizada e fez parte da primeira igreja em Filipos (v. 32-
34). Isso nos ensina que uma família impactada pelo evangelho passa por

24 Sermões e Oficinas
A mais impactante notícia: Os efeitos do Evangelho.

uma mudança religiosa incrível: abandona o espiritismo, o candomblé, a


idolatria, o esoterismo, a adesão a religiões orientais.
Uma família impactada pelo evangelho é transformada radicalmente:
passa a abrir as portas de sua casa para abrigar missionários (v.33), ajudar os
necessitados, fazer pequenos grupos, discipular outras pessoas, acolher os
mais novos na fé, falar do evangelho para os vizinhos. Uma família impac-
tada pelo evangelho é completamente transformada: passa a se reunir para
orar, ler a bíblia e a adorar a Deus de coração. Isso acontece em sua família?
Ela já foi impactada por esse glorioso evangelho?
Em segundo lugar, aquela família encontrou a verdadeira felicidade. Suas
relações mudaram. É o que vemos no versículo 33: O carcereiro, levando-os
[Paulo e Silas] consigo, naquela mesma hora da noite, lavou-lhes os ferimentos.
O carcereiro, “um homem rude que deixa de ser carrasco para ser hospita-
leiro. Deixa de açoitar, para lavar os vergões de Paulo”.3 A crueldade cedeu
seu lugar à compaixão. A família desse homem mudou para sempre. De
acordo com o versículo 34, “a família batizada, então, convidou Paulo e Si-
las para a sua casa [...] e lhes pôs a mesa. E essa celebração era apenas uma
expressão externa da alegria interna que toda a família experimentou, por
terem crido em Deus (v.34)”.4 O retrato que temos da família do carcereiro,
depois de ouvir o evangelho e crer no Senhor Jesus, é maravilho: todos à
mesa, unidos, em alegria e celebração pela salvação.
Este é o retrato de uma família impactada pelo evangelho: a violência
doméstica acaba, as relações tornam-se harmoniosas, a estupidez dá lugar
à gentileza, o ódio e o rancor são substituídos pelo amor e pelo perdão, a
tristeza e a depressão dão lugar à alegria e à celebração, o clima de tristeza
é substituído pelo clima de festa. Cabe, aqui, uma pergunta: Sua família já
foi impactada por esse evangelho? Saiba que sua casa pode desfrutar dessas
bênçãos espirituais também. O evangelho continua impactando famílias

3. Lopes (2012:308).
4. Stott (2008:301).

49ªAssembleiaGeral 25
Sábado • Noite

inteiras; mas primeiro precisa ser pregado. Se você fizer isso, pode aconte-
cer em sua casa o mesmo que aconteceu na casa do carcereiro de Filipos: o
evangelho pode mudar radicalmente sua família.

3. OS EFEITOS DO EVANGELHO EM UMA CIDADE

Depois de vermos quais os efeitos do evangelho numa pessoa e numa


família, vejamos, agora, quais os seus efeitos numa cidade. Para tanto, va-
mos utilizar o exemplo da cidade de Éfeso, que foi tremendamente impac-
tada pelo evangelho de Cristo. A narrativa se encontra no capitulo 19 do
livro de Atos. O que aconteceu em Éfeso é o mesmo que pode acontecer
em nossas cidades, se pregarmos o poderoso evangelho de Cristo. Por isso,
precisamos saber: Quais são os efeitos do evangelho em uma cidade ou um
bairro onde a igreja está? Vejamos alguns.
Quando o evangelho é anunciado, demônios são expulsos (v.12-16).
Foi o que aconteceu em Éfeso. Esta cidade era “um centro de ocultismo
(19:18, 19) e Paulo demonstrava o poder de Deus no centro do território
de Satanás”.5 Quando o impacto do evangelho atinge uma cidade, pessoas
são, inevitavelmente, libertas do império das trevas e trazidas para o Reino
de Cristo (Cl 1:13). O impacto do evangelho também promove curas es-
petaculares (v.12). O texto diz: E Deus pelas mãos de Paulo fazia milagres
extraordinários. Para Lucas, o escritor de Atos, esses não eram meros mi-
lagres, mas milagres “extraordinários” (v.11). “Ele não considera típicos,
normais, nem mesmo para milagres”6. O texto diz o porquê: ... lenços e
panos que haviam tocado em Paulo eram lavados aos doentes. E as doenças o
deixavam (v.12).
Nesse ponto, é bom esclarecermos algumas coisas: o texto não diz
que Paulo pediu que se levassem os tecidos (como alguns que se dizem
apóstolos o fazem em nossos dias); as pessoas tomaram essa iniciativa;

5. Lopes (2012:388).
6. Stott (2008:344).

26 Sermões e Oficinas
A mais impactante notícia: Os efeitos do Evangelho.

ela não partiu do apóstolo. Os milagres “aconteceram por intermédio de


Paulo” e não por sua ordem. Além disso, em nenhum lugar da Bíblia é dito
que tecidos ou objetos tenham o poder de curar. É só nos lembrarmos da
cura da mulher com fluxo de sangue (Mt 9:18-26). O texto nos diz que
uma multidão comprimia Jesus, ou seja, todo mundo estava tocando em
suas roupas, mas apenas a mulher com hemorragia foi curada. Por quê?
Segundo o próprio Jesus Cristo, por causa de sua fé. Ora, se o poder esti-
vesse na roupa de Jesus, todos aqueles que o tocaram deveriam ser curados,
mas isso não aconteceu. Aqui, em Atos 19, as pessoas foram curadas pela
graça de Deus, mediante a fé. O que acontece em nossos dias é uma prática
antibíblica, portanto.
Devemos, contudo, enfatizar, aqui, o fato de que, quando o evangelho
é proclamado, milagres extraordinários acontecem como resposta (At 8:5-
7). O próprio Senhor afirmou que isso aconteceria, quando seus discípulos
anunciassem seu evangelho: E estes sinais seguirão os crerem: em meu nome
imporão as mãos sobre os enfermos e eles ficarão curados (Mc 16:17-18). “Os
milagres não são o evangelho, mas abrem a porta para ele”.7
O texto de Atos 19 também nos mostra que, quando o evangelho é
anunciado em uma cidade, pessoas se convertem de forma dramática. Foi
isso que aconteceu em Éfeso. Pessoas impactadas pelo evangelho confessa-
vam seus pecados e adeptos de feitiçaria queimavam seus livros em praça
pública (v.18). Sim, quando o evangelho impacta uma cidade, conversões
dramáticas acontecem. Políticos corruptos devolvem o dinheiro que rou-
baram; garotas de programa deixam de vender seus corpos; homens e mu-
lheres da alta sociedade abandonam um estilo de vida egoísta e supérfluo;
ateus tornam-se cristãos; pessoas promíscuas começam a viver em santida-
de; viciados em crack conseguem vencer seu vício; empresários mudam suas
vidas e deixam de ser escravos do dinheiro; homens e mulheres depressivos
encontram a alegria para as suas vidas; crenças supersticiosas caem por

7. Lopes (2012:388-389).

49ªAssembleiaGeral 27
Sábado • Noite

terra; espiritualistas jogam fora seus talismãs, amuletos, pirâmides, objetos


esotéricos e livros de simpatias.
Além disso, o texto nos mostra que, quando o evangelho é anunciado,
a cidade é profundamente impactada: Jesus passa a ser respeitado e exalta-
do pela sociedade. Vemos isso em Éfeso: E isto tornou-se conhecido de todos
os que moravam em Éfeso, tanto judeus como gregos; e veio temor sobre todos eles,
e o nome do Senhor Jesus era engrandecido (v.17). “A cidade sede do culto de
Diana tornou-se agora um território dominado pela Palavra de Deus. A
terra da idolatria agora estava iluminada pela verdade das Escrituras. A luz
espantou as trevas, e a verdade desmascarou a mentira”.8 Houve até um im-
pacto econômico nessa cidade. Por causa do evangelho, o templo da deusa
Diana esvaziou-se e a venda de imagens de escultura diminuiu drastica-
mente (vv.23-41). O poder do evangelho faz isso; a cidade impactada pelo
evangelho acaba com o lucro da prostituição, da idolatria, da falsa religião,
do tráfico de drogas, da corrupção. Esses são os efeitos do evangelho em
uma cidade. Ele é realmente impactante!

CONCLUSÃO

Realmente, o evangelho de Cristo é a mais impactante notícia! Atra-


vés dessa notícia, Deus, ainda hoje, deseja impactar pessoas, famílias e ci-
dades. Precisamos acordar para essa realidade. Você precisa entender que o
mesmo evangelho que impactou a vida Paulo, no caminho para Damasco,
é o mesmo que pode impactar, ainda hoje, a vida de seu vizinho, de seus
amigos da faculdade e de seus colegas do trabalho. Não importa quão pro-
míscuos eles sejam, nem mesmo se são ateus ou céticos; não importa se
estão escravizados pelas drogas; o evangelho de Cristo pode transformá-los
para sempre!

8. Lopes (2012:391).

28 Sermões e Oficinas
A mais impactante notícia: Os efeitos do Evangelho.

Você também precisa entender que o mesmo evangelho que mudou


a família do carcereiro de Filipos é também capaz de mudar a sua família
radicalmente! Você tem que crer nisto: sua família pode ser salva pela graça
de Cristo; seus filhos, seu esposo ou sua esposa podem ser impactados pelo
evangelho de Jesus; seu lar pode ser radicalmente mudado pelo poder do
evangelho: as brigas, a violência, a desarmonia, o ódio, a culpa e o adultério
podem acabar. Creia nisso! Você precisa compreender que o evangelho que
impactou sua vida deve também impactar a cidade em que você mora.
Esse é o papel da igreja na qual você congrega. Esse é o seu papel!
Quando indivíduos e famílias inteiras se convertem, a cidade é impactada
pelo evangelho. Quando isto acontece, demônios são expulsos, milagres
acontecem, conversões dramáticas são vistas e as pessoas se enchem de te-
mor e assombro, ao verem a mão de Jesus Cristo agindo com poder e glória!
Então, você está esperando o quê? Seja um instrumento de Deus para im-
pactar a vida de outras pessoas, de outras famílias e da sua própria cidade,
através do poderoso evangelho de Cristo.

49ªAssembleiaGeral 29
Sábado • Noite

BIBLIOGRAFIA

STOTT, John R. W. A mensagem de Atos: até os confins da terra. Tradução de


Markus André Heidiger e Lucy Yamakami. São Paulo: ABU, 2008.

LOPES, Hernandes Dias. Atos: a ação do Espírito na vida da igreja. São


Paulo: Hagnos, 2012.

30 Sermões e Oficinas
49ªAssembleiaGeral
Anotações
49ªAssembleiaGeral
Oficinas
Oficina 1

Oficina 1

O EVANGELHO
E OS CONFINS DA TERRA
Mas recebereis poder, ao descer sobe vós o Espírito Santo, e
sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda
a Judéia e Samaria, e até os confins da terra. ( At 1:8)

Ao iniciar esta oficina, é oportuno e recomendável lembrar o sig-


nificado da palavra “evangelho”, isto é, boas novas de salvação da parte
de Deus. E o evangelho nos coloca diante do mais extraordinário projeto
divino de promoção humana, levando-se em conta seu autor, sua abrangên-
cia, sua doação e seu propósito. Para isso, recorremos ao texto do evangelho
segundo João, capítulo 3, versículo 16, que diz: Porque Deus amou o mundo
de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não
pereça, mas tenha a vida eterna.
Esse versículo é considerado o texto áureo da Bíblia Sagrada e nos
apresenta Deus como o autor da salvação, cuja motivação está baseada em
seu amor pela humanidade. Aliás, foi por amor que Deus criou o mundo.
Foi por amor que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e seme-
lhança. Foi por amor que ele enviou seu Filho ao mundo. Observe que
Deus subordinou todas essas ações ao exercício de seu puro, profundo e
inexplicável amor, porque Deus é amor, afirma João, em sua primeira epísto-
la, capítulo 4, versículo 8.
João 3:16 segue ensinando-nos, e nele aprendemos que não existem
fronteiras para o amor de Deus, nem para o evangelho de Cristo, pois estes
são de caráter universal. Note que o texto aponta para o mundo: Deus amou
o mundo. Jesus também disse: E este evangelho do reino será pregado em todo

34 Sermões e Oficinas
O Evangelho e os confins da Terra

o mundo, em testemunho a todas as nações. Então virá o fim (Mt 24:14). Logo,
não há limites para a sua abrangência; ou seja, aonde existir um povo ou
nação, independentemente de lugar, cor, língua e cultura, o evangelho de-
verá chegar, porque as pessoas são alvos do amor do Pai. Até os confins da
terra é o limite. E o próprio Jesus foi quem afirmou: O campo é o mundo.
Outra verdade que o evangelho nos apresenta é acerca do maior ges-
to de doação de que se tem notícia na história universal, cujo protagonista
é esse mesmo Deus de amor, que doou o seu Filho unigênito para quitar
a dívida da humanidade. Ele não foi apanhado à força pelos homens, mas,
como disse Paulo, se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus,
em cheiro suave (Ef 5:2).
Escrevendo aos Gálatas, Paulo reforça sobre essa forma de doação:
... que me amou e a si mesmo se entregou por mim (2.20). Notem que Jesus se
entregou voluntariamente, espontaneamente, sem oferecer resistência algu-
ma; caso contrário, sua atitude não seria doação. Por fim, o evangelista João
deixa claro o propósito dessa doação: ... para que todo aquele que nele crê não
pereça, mas tenha a vida eterna. Como resultado da queda, toda a humani-
dade, na condição de pecadora, estaria irremediavelmente perdida e sen-
tenciada à morte, conforme Ezequiel 18.4: ... a alma que pecar, essa morrerá.
Por providência divina, Jesus Cristo substituiu cada pecador na cruz;
ou seja, ocupou o lugar, a agonia e o sacrifício que eram meus e seus. Aos
Efésios, Paulo declara: Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e
pecados nos quais andastes outrora (Ef 2:1). Assim, pelo efeito da graça mara-
vilhosa, o preço foi pago, e deixamos de ser devedores. Tito assim elucidou
essa verdade: Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a
todos os homens (Tt 2:11). Por sua vez, Paulo escreve aos romanos, afirman-
do: Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida
eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor (Rm 6:23).
É com base nesse imensurável amor, e a partir dele, que Cristo nos
diz: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura (Mc 16:15).
Essa é uma ordem de Jesus, e ordem de Deus não se discute; portanto,

49ªAssembleiaGeral 35
Oficina 1

deve ser cumprida. Não desconhecemos o fato de que há uma tendência


dos salvos em Cristo de olhar prioritariamente para a seu país de origem,
visando à proclamação do evangelho. Os argumentos são os mais variados,
e procedentes em sua maioria; todavia, o que deve prevalecer é a ordem de
Jesus de ir a todo o mundo.
Apesar de todo esforço feito por todas as igrejas e missões espalhadas
pelo globo terrestre, ainda há povos não-alcançados, dentre os quais os
que estão situados na denominada janela 10/40, que compreende a faixa
de terra que vai do oeste da África até a Ásia. Subindo a partir da linha do
Equador, fica entre os graus 10 e 40, formando um retângulo. Nessa região,
vive o maior número de povos não-evangelizados da terra, cerca de 3,2
bilhões de pessoas, em 62 países.
É ali que estão algumas megalópoles de hoje, cidades com uma
grande concentração urbana, como Tóquio ( Japão), Calcutá (Índia), Bagdá
(Iraque), Bancoc (Tailândia), entre outras. De cada dez pobres da terra, oito
estão nessa região, e somente 8% dos missionários trabalham entre eles. É
nessa faixa que se concentram adeptos das três maiores religiões não-cristãs
do mundo: islamismo, hinduísmo e budismo.1
Jesus, ao comissionar os doze discípulos para a proclamação, empre-
gou o seguinte princípio: De graça recebestes, de graça dai (Mt 10:8). Esse
mesmo princípio se aplica tanto à proclamação em nossa cidade ( Jerusalém),
em nosso estado e país ( Judéia e Samaria), quanto à proclamação em ou-
tros países (até os confins da terra). O egoísmo é condenado por Deus em
todas as áreas de atuação humana, igualmente no que se refere à salvação.
Lembre-se sempre de que Deus amou o mundo de maneira incomparável.

1. Janela 10/40. Disponível em:<http://www.jmm.org.br/index.php?option=com_content&task=v


iew&id=170&Itemid=164>. Acesso em: 17 de outubro de 2013.

36 Sermões e Oficinas
O Evangelho e os confins da Terra

Faz-se oportuno e urgente ressaltar que a proclamação e o alcance do


evangelho a todas as nações, povos e línguas só será possível com base na
somatória e no esforço conjunto de todas as igrejas e missões espalhadas
pelo mundo a serviço de Deus. Não sejamos negligentes no cumprimento
de nossa quota, nesse sagrado dever missionário. Que o Espírito Santo nos
inspire e nos impulsione para prosseguirmos sendo testemunhas de Jesus,
até os confins da terra. Amém!

49ªAssembleiaGeral 37
Oficina 2

Oficina 2

O EVANGELHO
1
E A HOMOFOBIA
Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o
criou; homem e mulher os criou. Deus os abençoou, e lhes disse:
Sejam férteis e multipliquem-se! (Gn 1:27-28)

INTRODUÇÃO

Com a graça de Deus, vamos pensar um pouco sobre o Evangelho e


a homofobia. Queremos responder duas perguntas para começo de conver-
sa. A primeira pergunta é: O que é o evangelho?. Como já vimos, a palavra
evangelho refere-se às boas novas de Cristo.2 A mensagem proclamada por
Jesus, para todos nós, é a seguinte: Chegou a hora, e o Reino de Deus está perto.
Arrependam-se dos seus pecados e creiam no evangelho (Mc 1:15 NTLH). E
a mensagem que a igreja prega é Jesus. Veja que: “Aquele que veio procla-
mando boas novas tornou-se o conteúdo do evangelho”.3
Vamos, agora, responder a segunda pergunta: O que é homofobia?
No site de uma organização homossexual,4 homofobia “pode ser definida
como o medo, a aversão, ou o ódio irracional aos homossexuais”. Somos
informados, ainda, que: “A homofobia se manifesta de diversas maneiras, e
em sua forma mais grave resulta em ações de violência verbal e física, po-

1. Palestra baseada em IAP em ação: Nossos desafios diante da homossexualidade, 2011.


2. Henry (2007:286-287).
3. Idem (2007:287).
4. Associação Brasileira de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (ABGLT). Disponível
em: <http://www.abglt.org.br/port/homofobia.php>acesso em: 02 de outubro de 2013.

38 Sermões e Oficinas
O Evangelho e a homofobia

dendo levar até o assassinato de (...) [homossexuais]”. O site, baseado em


estudos, afirma, ainda, que, quando alguém parte para agressão violenta,
pode, na verdade, estar atacando um desejo oculto em si por pessoas do
mesmo sexo.
Como igreja do Senhor, devemos pensar nesse complexo assunto,
iluminados pela palavra de Deus. Neste trabalho, queremos pensar em
como viver o evangelho em tempos de permissividade homossexual, veri-
ficar as denúncias feitas pelo evangelho, diante da realidade homossexual
e mostrar o caminho de esperança trazido pelas boas novas de Cristo.
Que o Espírito Santo nos ajude na reflexão e na aplicação desses concei-
tos, e que, juntos, com temor e tremor, proclamemos o evangelho de Jesus.
Vamos começar.

REFLEXÃO 1:
EVANGELHO E O DESAFIO DA HOMOSSEXUALIDADE

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, em seu Art.


18, defende o direito de todo homem, quanto à liberdade de pensamento,
consciência e religião. Já no Art. 19, este direito inclui: ter opiniões, sem
censura, e poder transmitir suas ideias por múltiplos meios, de maneira
global. Já a Constituição Brasileira, no Art. 5, quando menciona os direitos
e as garantias fundamentais, expressa livre a opinião, sendo vedado o anoni-
mato e inviolável a liberdade de consciência e crença. Nossos pensamentos,
em tese, são preservados.

As leis pró-homossexualidade

Apesar dessas garantias que temos do direito de expressarmos nossa


opinião, ficamos surpresos ao depararmos, aqui no Brasil, com propostas
como o Projeto de Lei da Câmara Federal n. 122/2006 (5.003/2001), que
“criminaliza toda e qualquer manifestação contrária à orientação sexual

49ªAssembleiaGeral 39
Oficina 2

pela homossexualidade, tornando sua opção imune à crítica”.5 Este projeto


altera o Art. 20 da Lei n. 7.716/1989 e, pela redação aprovada, afirma ser
crime praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de orien-
tação sexual e identidade de gênero. Assim, qualquer tipo de ação capaz de
produzir constrangimento de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica,
é caracterizado como homofobia.
Além disto, há, pelos menos, quatorze países que já aprovaram o ca-
samento entre pessoas do mesmo sexo. Estamos cada vez mais em uma so-
ciedade “ex-cristã, pós-cristã e anticristã”.6 É um desafio professarmos a fé.
Precisamos da coragem do Espírito, pois mais importa obedecer a Deus do que
aos homens (At 5:39). Aliada à coragem, precisamos orar: recomendo que se
façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças por todos os homens; pelos reis
e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranqüila e
pacífica, com toda a piedade e dignidade (1 Tm 2:1- NVI).

A homossexualidade é normal?

Este aumento de leis favoráveis à homossexualidade acontece justa-


mente porque as sociedades dos nossos tempos têm encarado as práticas
homoeróticas como algo normal, natural e totalmente aceitável. Entre os
defensores desta causa, a principal alegação apresentada é que os homos-
sexuais não escolhem ser assim: essa é uma condição que lhes é imposta,
e, portanto, não é uma “opção sexual”, como se costuma dizer. Em defesa
deste pensamento, alguns cientistas, pensadores, ativistas gays, entidades
de psicologia e psiquiatria, entre outros, tentam determinar as causas da
homossexualidade. Uma tarefa nada fácil.
Alguns pensam que os homossexuais já nascem assim; acreditam num
determinismo biológico ou genético. O problema é que nunca se descobriu ne-
nhum “gene gay”. O que prova que a homossexualidade é algo comporta-

5. Silva (2011:46-48).
6. Cavalcanti (2012:46).

40 Sermões e Oficinas
O Evangelho e a homofobia

mental e não genético. Outros alegam questões sociais, psicológicas, glandu-


lares, entre outras tantas aventadas. Assim, pesquisas e estudos são feitos e a
discussão vai longe. O fato é que, por parte desses defensores da causa, até
hoje não se chegou a nenhuma conclusão definitiva para explicar tal origem.
O fato é que grande parte da sociedade nem está tão preocupa-
da com essas questões. Ela já entende o caso como resolvido e vê essa
prática com algo natural e, em certo sentido, até salutar para vida. Isso
acontece, obviamente, porque o mundo em que vivemos não é regido pe-
los princípios cristãos, nem pelos padrões morais encontrados na palavra
de Deus. Assim, as pessoas chegam ao ponto de hostilizar, considerando
como fundamentalistas, preconceituosos, retrógados e ignorantes, aqueles
que, com base nestes princípios e padrões morais, têm opinião contrária ao
comportamento homoerótico. Hoje, qualquer manifestação contrária, de
nossa parte, é suficiente para sermos chamados de homofóbicos. E o que
é pior: estão querendo criminalizar a nossa opinião e nos botar na cadeia,
se nos posicionarmos.
É um desafio ser cristão numa sociedade que aprova e defende a ho-
mossexualidade. Somos constrangidos a concordar com o senso comum. E
parece que os jovens são os que mais sofrem, ao se posicionarem contraria-
mente, seja no ambiente acadêmico ou diante dos seus colegas e amigos.
Ninguém gosta de ser visto como fundamentalista, preconceituoso, retró-
gado, ignorante ou ser chamado de homofóbico. Por isso, atualmente, não é
difícil encontrarmos cristãos “em cima do muro”, com relação este tema. Há,
inclusive, aqueles que já não veem problema algum na homossexualidade.
Frente a essa realidade, é importante lembrarmos as palavras de Pau-
lo: Não vos conformeis com este século (Rm 12:2a). A mensagem deste servo
de Deus fica ainda mais clara na tradução NVI, em que lemos: Não se amol-
dem ao padrão deste mundo, e na tradução Almeida Século 21, que diz: E não
vos amoldeis ao esquema deste mundo. O desafio está lançado! Vamos seguir
os padrões do mundo ou os padrões bíblicos? É bom que se diga que, ao
nos posicionarmos contra essa prática, não estamos sendo preconceituosos.

49ªAssembleiaGeral 41
Oficina 2

Não! Quanto a isso, não temos preconceitos, na verdade, temos conceitos


bíblicos muito claros. Como veremos a seguir.

REFLEXÃO 2:
O EVANGELHO DENUNCIA A HOMOSSEXUALIDADE

A Bíblia nos apresenta, no Antigo e no Novo Testamento, sua posi-


ção contrária em relação à prática homossexual, assim como o faz em rela-
ção ao adultério, ao falso testemunho, à avareza, à mentira etc. No presente
momento, é fundamental deixarmos bem claro que a homossexualidade
não encontra permissão em nenhuma das páginas da Bíblia Sagrada. Os
dois testamentos não a enxergam como parte natural da sexualidade huma-
na, mas, sim, como distorção desta.

O padrão da sexualidade humana

Deus criou homem e mulher, conforme Gênesis 1:27, e uniu Adão e


Eva, “oficializando” sua vontade para o casamento heterossexual (Gn 2:18-
25). Esses acontecimentos são mostrados na Bíblia antes de Gênesis 3, o
capítulo da queda. Foi exatamente depois deste episódio que, não só na
área sexual, mas em várias esferas da vida humana e no planeta como um
todo, houve alterações causadas pelo pecado original. Desde aí, vários pe-
cados foram praticados por todos os seres humanos. A sexualidade humana
sempre foi um desafio, desde a queda.

Sodoma e Gomorra

Quando Ló, sobrinho de Abraão vivia em Sodoma, recebeu a visita


de dois anjos com aparência de homens. Este episódio trata de uma prefe-
rência dos homens da cidade pelo mesmo sexo: ... e chamaram por Ló e lhe
disseram: Onde estão os homens que, à noitinha, entraram em tua casa? Traze-os

42 Sermões e Oficinas
O Evangelho e a homofobia

fora a nós para que abusemos deles (Gn 19:5). Mesmo sabendo que o pecado
deste povo não era somente a homossexualidade, não podemos negar o
poder destrutivo desta prática sexual, principalmente para quem a pratica.
Há um texto, no Antigo Testamento, mais taxativo ainda, contrarian-
do a prática homossexual: Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; é
abominação (Lv 18:22). Deus não gosta deste comportamento. Mas não só
deste; a palavra de Deus trata de vários pecados cometidos nesta área “tais
como adultério (Êx 20.14), fornicação (Dt 22.23-30), bestialidade (Dt
27.21), incesto (Lv 20.11,12,20), prostituição (Gl 5.19) e outros”.7

No Novo Testamento

O apóstolo Paulo menciona o pecado da homossexualidade como


um afastamento da santidade de Deus, por não adorarem a Ele (Rm 1:25):
Pelo que também Deus os entregou às concupiscências do seu coração, à imundícia,
para desonrarem o seu corpo entre si (Rm 1:24). Paulo é específico: refere-se
às lésbicas: Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as
mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário
à natureza (Rm 1:26). Também se refere aos gays: ... os homens também,
deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sen-
sualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a
merecida punição do seu erro (Rm 1:27).
Outra palavra contra a prática homossexual encontra-se em 1 Co-
ríntios 6:9-10: ... não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não
vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem
sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem
roubadores herdarão o reino de Deus. Veja que, entre as várias práticas que
podem excluir as pessoas do reino de Deus está a relação homossexual.

7. Santos (2006:42).

49ªAssembleiaGeral 43
Oficina 2

E o escritor bíblico é bem específico: nem sodomitas (homossexual ativo) e


nem efeminados (homossexual passivo) herdarão o reino de Deus.

“Teologia gay”

Utilizando-nos do livro Uma perspectiva cristã sobre a homossexuali-


dade , queremos citar alguns exemplos de como falsos cristãos interpretam
8

erroneamente a Bíblia para apoiar a homossexualidade. Começamos tra-


tando sobre o caso de Sodoma e Gomorra (Gn 19:4-7; 2 Pe 2:7; Jd 7). Sabe-
mos que, entre os muitos pecados dos habitantes dessas duas cidades, havia
a prática da homossexualidade. Todavia, para teólogos mais progressistas,
Sodoma e Gomorra foram destruídas por outras razões, como: ausência de
hospitalidade, confiança em suas riquezas, violência, e assim por diante (cf.
Ez 16:49; Is 1:9,10).
Todos esses comportamentos estão errados e, com certeza, desper-
tam a ira de Deus; mas o fato de os homens cercarem a casa de Ló para
“conhecerem” os anjos com aparência humana mostra que eles queriam
praticar relações homossexuais, pois a atitude (errada) de Ló, de oferecer
suas filhas, mostra que o interesse era sexual, como nos confirma Judas: So-
doma e Gomorra e as cidades em redor se entregaram à imoralidade e a relações
sexuais antinaturais (v.7 – NVI). Não é preciso muito para perceber que a
Bíblia toda sinaliza que a homossexualidade estava entre as práticas que
levaram Sodoma e Gomorra à destruição.
Outro texto interpretado erroneamente por teólogos pró-homosse-
xualidade é Levítico 18:22 e 20:13, em que, de forma clara, Deus desaprova
o comportamento homossexual. Porém, na visão desses defensores da causa
gay, o texto combate a prostituição homossexual, já que, na visão deles, o
texto de Levítico trata mais de aspectos litúrgicos para o povo de Deus
do que de questões morais. Sabemos, porém, que este livro contém alguns

8. Idem, pp.46-53.

44 Sermões e Oficinas
O Evangelho e a homofobia

referenciais de santidade diária do povo, que, como nação santa, deveria se


purificar (Lv 20.7).
Além desse, outro ponto levantando pelos que são a favor da homos-
sexualidade seria um silêncio sobre o tema por parte de Jesus. Dizem que o
Senhor não tratou do assunto e que o que mais enfatizou em sua pregação
foi o amor; daí, entendem que ele validou a prática homossexual. Será ver-
dade? De fato, nosso Senhor não tratou de maneira específica o assunto.
Contudo, não podemos esquecer que Jesus Cristo reafirmou a proposta de
Deus: a união entre um homem e uma mulher e a perenidade do casamen-
to (Mt 19:4-6).
Isso nos leva a entender que a união heterossexual não é apoiada por
Cristo. Sabemos também que seu amor acolhe todas as pessoas, visando
restaurá-las e modifica-las. Com relação ao amor, é importante dizer que
Jesus o enfatizava em seu ministério; entretanto, este mesmo Jesus pediu
para negarmos a nós mesmos, tomarmos a cruz e o seguirmos (Mc 8:34).
O amor de Jesus é um amor responsável.
A respeito de Romanos 1, em que Paulo mostra claramente ser a
prática homossexual um afastamento de Deus, os simpatizantes da ho-
mossexualidade dizem que o que o apóstolo reprova ali é o fato de pessoas
heterossexuais praticarem a homossexualidade, o que, segundo eles, seria,
realmente, contrário à natureza. Nesta visão, a prática homossexual não é
pecado, uma vez que algumas pessoas têm, naturalmente, esta tendência,
por que Deus as fez assim. Isso é simplesmente um absurdo, pois, na Bíblia,
vemos também claramente que as práticas homossexuais são pecado e que
ninguém nasce homossexual, mas se torna um. A homossexualidade não é
algo genético ou biológico, mas, sim, comportamental.

49ªAssembleiaGeral 45
Oficina 2

REFLEXÃO 3:
O EVANGELHO PODE TRANSFORMAR
O HOMOSSEXUAL

Como vimos, a Bíblia é muito clara a respeito da homossexualidade.


Nela, a heterossexualidade é o padrão, enquanto a homossexualidade é uma
distorção na sexualidade humana. É um comportamento pecaminoso, que
tem como causa principal a queda do homem no Éden, ou seja, é conse-
quência do pecado original, que corrompeu o coração humano e perverteu
seus desejos. Após a queda, todos os seres humanos, indistintamente, são
pecadores, com inúmeras inclinações para o pecado, e a homossexualidade
é uma dessas inclinações.
Já dissemos que a homossexualidade é um comportamento; portan-
to, é algo adquirido ou aprendido, como resultado de formação, traumas,
valores e influências de grupos e até demoníacas. Por ser um comporta-
mento pecaminoso, pode, sim, ser reorientado; pode, sim, ser reconduzido
ao caminho certo pelo evangelho. Assim como qualquer outro pecador, o
homossexual pode ser lavado e redimido pelo sangue de Jesus e transfor-
mado pelo Espírito Santo. Pode, sim, aprender a resistir ao seu pecado e
vencer as suas tentações.
O evangelho é a boa notícia de que Jesus perdoa nossos pecados e
transforma nossas vidas. A possibilidade de transformação é certa. Deus
promete um coração novo para aqueles que dele se aproximam com fé em
seu perdão: Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei
da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne (Ez 11:19). Esse
texto nos revela que o Senhor pode dar ao ser humano um coração pronto
a obedecer.
O texto de 1 Coríntios 6:9-10 mostra vários grupos que não entrarão
no reino de Deus, se permanecerem em seus comportamentos errados: os
impuros, os idólatras, os adúlteros, os ladrões, os avarentos, os bêbados,
os maldizentes e os homossexuais. Sabe-se que a cidade de Corinto, bem

46 Sermões e Oficinas
O Evangelho e a homofobia

como todo mundo o greco-romano, era infestada pelas práticas homosse-


xuais. Sócrates, Platão e quatorze dos quinze imperadores romanos prati-
cavam a homossexualidade, entre estes, Nero, que, segundo a história, vivia
abertamente com dois homens.9 Perceba o desafio de viver como cristão
em Corinto.
Mas, nessa cidade promíscua, a graça de Deus atou no passado desses
cristãos, para justificá-los dos seus pecados e santificá-los para uma nova
vida. Leon Morris10 diz que “fora necessário o eficaz poder do Espírito
de Deus para converter pessoas como aquelas dos seus pecados, e fazê-las
membros da igreja de Cristo”. A palavra da cruz é poderosa para trans-
formar as pessoas (1 Co 1:18). Só através de uma mudança de propósito
e caminho, gerado pelo convencimento do Espírito ( Jo 16:7-11), tanto
homossexuais como outros pecadores poderão ser transformados.
Nesta tarefa de transformação, a igreja local deve ser uma agência de
esperança. Ela deve colocar-se como uma comunidade recuperadora, que
acolhe o homossexual e o ajuda na sua caminhada ao lado de Cristo. Assim
como Deus, ela deve odiar o pecado, mas amar o pecador. Sobretudo, a
igreja precisa aprender a lidar com os homossexuais: 1) Deve ter paciência:
ajudá-los a dar um passo de cada vez – afinal, “no desempenho de seu papel
missionário e cuidado pastoral, a igreja precisa ter em mente que a liberta-
ção é gradual”11 –; 2) Deve dar auxílio: esforçar-se para integrá-los à igreja
local; 3) Deve ser prudente: pastores e demais membros da igreja devem
tomar cuidado com brincadeiras, olhares, palavras e ações que constrangem
a pessoa que está no processo de libertação.
A igreja deve mostrar solidariedade, respeito e amor fraterno aos
homossexuais, pois é isso que Cristo faria. Deve ajudá-los a encontrar o
caminho da salvação. Para ajudá-los nisso, não basta apenas a comunicação
evangelística simples e superficial; é necessário algo mais profundo, pois “as

9. Prior (2001:96).
10. Morris (1981: 78).
11. Santos (2006:19).

49ªAssembleiaGeral 47
Oficina 2

estratégias de evangelismo que contemplem os princípios do discipulado,


terapia e aconselhamento parecem mais eficazes do que as abordagens do
evangelismo em massa”.12 Proclamemos o evangelho a eles, porque o evan-
gelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm1:16).

CONCLUSÃO

Ao povo de Deus, cabe a responsabilidade de levar o evangelho e


aplicá-lo, a fim de conduzir toda pessoa à submissão dos propósitos exi-
gidos por nosso Senhor Jesus Cristo. A homossexualidade tem solução
através da transformação realizada pela palavra de Deus. Os homossexuais
não devem ser classificados como maiores pecadores que os adúlteros, os
maldizentes, os avarentos, entre outros; também não pode ser vistos como
quem pratica algo correto e normal; é necessário mostrar que se alguém está
em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas
novas! (2 Co 5:17 NVI).
O evangelho de Cristo não é homofóbico, nem a igreja do Senhor.
Quando chamamos a homossexualidade de pecado, não estamos conside-
rando os homossexuais piores que outros pecadores, nem pregando violên-
cia contra eles. Quando nos posicionamos contra a sua prática, não estamos
sendo preconceituosos. Não é uma questão de preconceito, mas, sim, de
conceitos divinos que a Bíblia nos apresenta. A visão bíblica convida os
homossexuais a olharem para vida na proposta do Criador, sabendo que a
mudança é difícil, mas sabendo também que, para Deus, não haverá impos-
síveis (Mt 19:26).

12. Idem (2006:73).

48 Sermões e Oficinas
O Evangelho e a homofobia

BIBLIOGRAFIA

CAVALCANTI, Robinson. Conflito de símbolos e mandato cultural. Ultima-


to, Viçosa, ed. 334, Jan/Fev de 2012.

FILHO, Fernando Bortolleto (ed.). Dicionário Brasileiro de Teologia. São


Paulo: ASTE, 2008.

HENRY, Carl F. H. (org.). Dicionário de ética cristã. Tradução: Wadislau


Martins Gomes. São Paulo: Cultura Cristã, 2007.

ASSOCIAÇÃO Brasileira de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexu-


ais (ABGLT). Disponível em: <http://www.abglt.org.br/port/homofobia.
php>acesso em: 02 de outubro de 2013.

IAP em ação. Os “tempos difíceis” e a homofobia. São Paulo: Gráfica e Editora


A Voz do Cenáculo, 2009.

___________. Nossos desafios diante da homossexualidade. São Paulo: Gráfica


e Editora A Voz do Cenáculo, 2011.

PRIOR, David. A mensagem de 1 Coríntios: a vida da igreja local. 2 ed. tra-


dução: Yolanda M. Krievin. São Paulo: ABU, 2001.

SANTOS, Valdeci da Silva. Uma perspectiva cristã sobre a homossexualidade.


São Paulo: Cultura Cristã, 2006.

49ªAssembleiaGeral 49
Oficina 3

Oficina 3

O EVANGELHO
E A INCLUSÃO SOCIAL
Jesus mesmo foi o maior exemplo de transposição ideológica.
Ele se incluiu 100% no nosso mundo.

1. A chamada de Jesus aos discípulos – Mateus 4:19 – aqui, men-


ciona-se apenas homens, sem discriminação nenhuma ( João 1:12)

2. A quem Jesus se dirigia – Lucas 4:18-19 – No Sermão da Mon-


tanha (Mateus 5), Jesus se refere e se dirige aos pobres de espírito,
aos que choram, aos mansos, aos que têm sede e fome de justi-
ça, aos misericordiosos, aos limpos de coração, aos pacificadores,
aos que sofrem perseguição (de que tipo?) etc., sem discriminação.
Não podemos mais ter um evangelho SELETIVO!! (cf. Mateus
11:5 (as classes de pessoas); Êxodo 4:11; Levítico 19:14; Provér-
bios 31:8; Mateus 9:12, 11:28).

3. Negar-se a si mesmo (sua cultura, por amor do evangelho) – Mateus


16:24; Lucas 9:62, 14:33; Mateus 20:26 – Devemos ser “servos” de
Surdos? (cf. Filipenses 3:7-8; Mateus 23:11-12; Atos 20:24).

4. A ordem de ir a todos – Mateus 28:19; Marcos 16:15.

5. O respeito mútuo, um ato de amor – Lucas 6:31; Romanos 12:10;


Lucas 11:46, João 15:13.

50 Sermões e Oficinas
O Evangelho e a inclusão social

6. Deus não faz acepção de pessoas – Romanos 2:11, Tiago 2:1.

7. Deus quer quebrar preconceitos – Atos 10:15, 1 Coríntios 1:27 – 29,


6:9-11.

8. Devemos fazer a transposição ideológica e pagar o preço – Jesus foi


o maior exemplo – Filipenses 2:3-11; 1 Coríntios 9:12,19,20,22,
10:32-33, 2 Timóteo 2:10.

1. INCLUSÃO DE SURDOS NA IGREJA

Inclusão vai além do aspecto físico; chega ao filosófico, organizacio-


nal, emocional, social e espiritual.

1. A igreja precisa realmente conhecer esses sujeitos “abstratos” Sur-


dos, que, além da Surdez, trazem outras marcas de identidade (um
Surdo situado historicamente).

2. O que é (ou o que será, de agora em diante) uma “Igreja inclusiva”?


Estávamos muito acostumados a uma aparente “homogeneidade”
congregacional.

3. Precisamos rever os padrões de “normalidade” e “patologia” no seio


da igreja. O que é realmente “deficiência”, de agora em diante?

4. Até que ponto queremos “normalizar” (ouvintizar) os Surdos, ne-


gando a sua identidade e cultura? “Normalizá-los” é uma agressão
à sua cultura e identidades; é ver o Surdo como um “out-oforder”.

5. Até que ponto vemos o “empowerment” dos Surdos como rebeldia


ou “insubmissão à autoridade”?

49ªAssembleiaGeral 51
Oficina 3

6. Após o batismo de um Surdo, como funcionarão as “políticas de


autoridade e poder” a esse novo membro?

7. Como realizamos um ministério realmente bilíngue, a partir de


líderes e decisões somente por parte de ouvintes?

8. Como somos bilíngues, a partir de corais, músicas, louvor, Escola


Bíblica, sob o prisma somente dos ouvintes? Devemos ter o cui-
dado para vermos o processo histórico antropológico (catastrófico
e não bíblico) ocorrido na Coréia, em Singapura, na Europa, etc.,
de “igrejas somente para Surdos”, “segregacionistas e preconcei-
tuosas! Por que será que isso aconteceu? Vamos repetir a história
ou permitir que isso aconteça? Nenhum Surdo possui qualquer
característica intrínseca que não permita a inclusão. Muito depen-
derá da nossa postura ético-cultural, como Igreja, em relação a eles.
Não podemos esquecer que os Surdos de hoje estão muito mais
posicionados e resolvidos que os Surdos de 10 anos ( apenas) atrás!

2. AINDA NÃO EXISTE UMA “IGREJA INCLUSIVA”;


O QUE EXISTE, HOJE, É UMA “IGREJA EM INCLUSÃO”
(TALVEZ UMA IGREJA INTEGRADORA).

1. Uma Igreja inclusiva questionará todo o sistema organizacional


educacional eclesiástico, além do conceito de “integração” da Igreja.

2. Uma Igreja inclusiva deverá ser instituída de forma sistemática e


gradativa; porém, de forma completa, total.

3. Uma Igreja inclusiva trará para a membresia da Igreja (ouvintes)


uma vida espiritual muito mais ampla e profunda.

52 Sermões e Oficinas
O Evangelho e a inclusão social

4. Uma Igreja inclusiva pressupõe a abolição completa de qualquer


tipo de segregacionismo nas igrejas.

5. Uma Igreja inclusiva buscará o aprimoramento das nossas Escolas


Bíblicas para que os Surdos usufruam dos seus direitos de atingir e
manter o nível adequado da aprendizagem.

6. Ser uma Igreja inclusiva demandará sensatez, prudência (sabedo-


ria), coragem e ousadia (sem sermos agressivos).

7. Uma Igreja inclusiva precisará ter excelentes alternativas para essa


nova arquitetura eclesiástica: sensibilização sistemática da igreja
(revisão de concepção e (pré) conceitos em relação ao Surdos) e
ação educativa concreta para o acesso e a permanência qualificada
dos Surdos na igreja.

8. Uma Igreja inclusiva questionará e fomentará a formação do novo


líder inclusivo da Igreja.

9. Uma Igreja inclusiva levará a uma ressignificação de todos os con-


ceitos de normalidade, anormalidade e patologias, à luz da Bíblia.

10. Uma Igreja inclusiva deverá ser sistemática e contínua nesses pro-
cessos de inclusão, incrementando a qualidade para que frutifique
na quantidade desta inclusão.

11. Uma Igreja inclusiva formará líderes que não estejam construin-
do suas competências baseados somente nas dificuldades espe-
cíficas dos Surdos, tendo seus projetos apenas centralizados na
minimização das “deficiências” desses sujeitos. Formará líderes
que realmente conheçam e respeitem a cultura, a identidade e a

49ªAssembleiaGeral 53
Oficina 3

opinião dos Surdos, valorizando-as e tomando-as como base para


a construção de todos os projetos.

12. Uma Igreja inclusiva preparará ouvintes para conhecerem, respei-


tarem e amarem a Cultura Surda e vice-versa.

3. DURANTE O PROCESSO DE INCLUSÃO


DO SUJEITO SURDO NA IGREJA, É FUNDAMENTAL:

1. Ter informações corretas a respeito deste sujeito: anamneses, en-


trevistas, visitas, etc.

2. Identificar suas possibilidades e dificuldades, “cada um é um”; ele


não é apenas “Surdo e ponto final”!

3. Reconhecer as dinâmicas individuais sociais, emocionais, físicas e


espirituais da sua diferença – estabelecer “Common Ground”.

4. Ter informações corretas junto à família (anamneses, atendimento


pastoral, visitas, projetos específicos junto à família, etc.).

5. Levar os Surdos e seus familiares (quando possível) a assumir res-


ponsabilidades neste processo de inclusão na Igreja, não só reivin-
dicando direitos, mas também assumindo deveres.

6. Organizá-los em grupos e projetos específicos para fortalecimento


de sua autoimagem e identidade Surda, à luz da Palavra.

7. Incrementar e desenvolver recursos especiais para atendimento a


esses sujeitos e, quando necessário, buscar apoio em outros projetos
(e ministérios) da Igreja.

54 Sermões e Oficinas
O Evangelho e a inclusão social

8. Rever (e organizar) todos os critérios de agrupamento dos Surdos


junto aos ouvintes na Igreja, evitando qualquer atitude de discri-
minação, desvalorização ou superestimação mútuas.

9. Formar sempre novos líderes para que possa haver aumento na


quantidade e na qualidade de Surdos incluídos.

10. Rever e preparar materiais didáticos e programas educativos eclesi-


ásticos específicos que atendam à amplitude desta nova demanda.

4. UMA INCLUSÃO EFICIENTE NA IGREJA REQUER:

1. Saber incluir – significa dominar os conteúdos necessários sobre os


Surdos, sua cultura e identidade.

2. Saber fazer essa inclusão – conhecer e dominar todas as estratégias


e técnicas que essa ação requer dentro da igreja.

3. Saber fazer bem essa inclusão – orientar a sua prática espiritual


também no seu significado político, através de uma excelente me-
diação ética e espiritual – a perfeita inclusão. Porém, para que tudo
isso aconteça, é fundamental uma excelente postura ética.

4. Uma percepção crítica, à luz da Palavra e da cultura Surda, para


nortear a sua ação reflexiva e a sua práxis.

5. 
A busca do saber redimensionado, para o estabelecimento do
“Common Ground” espiritual.

6. Uma tomada de posição da parte do líder e da igreja – a decisão por


uma transposição ideológica equilibrada e negociada à luz da Palavra.

49ªAssembleiaGeral 55
Oficina 3

7. A superação espiritual, social, histórica de práticas espirituais, so-


ciais e pedagógicas discriminatórias, segregadoras e excludentes,
dentro da igreja (tanto por parte de ouvintes como de Surdos).

8. Uma revisão na abordagem do bilinguismo, não só como filosofia lin-


guística, mas, acima de tudo, como abordagem ética (“empowerment”
dos Surdos, respeito pela sua língua e cultura, instrutores de Libras
somente Surdos, os “corais Surdos”, a Escola Bíblica totalmente “ou-
vintizada”, o uso do Bimodal / C.T nas interpretações, etc.)

9. O abandono do etnocentrismo ouvintista, a colonização e a ma-


nipulação dos Surdos e sua cultura (para que não aconteça o que
temos hoje na Europa e na Coréia do Sul).

10. Uma revisão antropológica do processo sócio-histórico em que os


Surdos estão hoje: os movimentos em prol da identidade Surda, a
legalização da Libras, os intérpretes nas Escolas e Universidades,
a globalização, as novas tecnologias, etc.

5. Alguns grandes princípios da Inclusão


aplicados à Igreja.

1. A Surdez vista apenas como diferença e celebrada (não rejeitados ou


“normalizada”) como contribuição e valorização desta diversidade.

2. Empowerment – o poder decisório dos Surdos dentro dos nossos


projetos e arquitetura eclesiástica.

3. O sentimento e o direito de pertencer ao Corpo de Cristo, não


apenas “estar” neste Corpo - compartilhar não somente os bens
materiais, mas, acima de tudo, os bens simbólicos e sociais.

56 Sermões e Oficinas
O Evangelho e a inclusão social

4. A visão do aprendizado cooperativo - Surdos e ouvintes aprende-


rão (mutuamente), através desta nova convivência.

5. A educação do Surdo para a sua vida independente (não de Deus),


desenvolvendo capacidade de autonomia e autodeterminação cris-
tãs (nada de sub educá-lo através de paternalizações, lanchinhos,
“privilégios”, diferentes “pesos e medidas”, etc.).

6. A equiparação de oportunidades para o ministério de Surdos nos


serviços sociais, físicos e espirituais da igreja.

49ªAssembleiaGeral 57
49ªAssembleiaGeral
Anotações
VEM AÍ...
C O N V E N Ç Õ E S I N T E R E S TA D U A I S 2 0 1 4
Organize sua caravana e participE!
Informações e Inscrições
EM BREVE, NO SITE DA FUMAP
Organização Inscrições pelo