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8 Técnicas Para Memorizar Qualquer Coisa

Técnicas simples que facilitam a memorização de fatos, nomes, datas, listas e outros elementos
do dia a dia
Por Claudia Gasparini, de Exame.com
access_time25 abr 2018, 12h26 - Publicado em 22 mar 2016, 18h30

O excesso de estímulos não é a única razão pela qual estamos ficando


cada vez mais esquecidos, afirma Renato Alves, primeiro brasileiro a
receber homologação oficial de Melhor Memória do Brasil pelo Guinness
Book.
Em seu livro Faça seu cérebro trabalhar por você (Editora Gente), o
campeão de memorização defende que o problema também está ligado
a uma dependência cada vez maior da tecnologia, que substitui
recordações naturais por artificiais.
“Quem nunca teve um HD de computador queimado com todos aqueles
documentos, fotos, arquivos importantes, ou um celular sem bateria
quando precisava consultar urgentemente um contato?”, escreve ele no
livro.

A melhor forma de reconquistar a capacidade de reter informações


“organicamente” é apostar numa rotina saudável e em exercícios
frequentes para o cérebro. Mas existem alguns macetes que podem
facilitar esse processo.

Os chamados métodos mneumônicos são dispositivos práticos para


expandir a capacidade de memorização no cotidiano. Segundo Alves, o
ideal é que o método seja fácil de usar: ele não deve exigir horas de
treinamento ou associações mentais acrobáticas.

Nesta galeria, reunimos 8 técnicas simples que facilitam a memorização


de fatos, nomes, datas, listas e outros elementos do dia a dia.
1. Construa um “palácio da memória”

Também conhecido como “método de loci”, este dispositivo de


memorização remonta à Grécia Antiga. Segundo o mito, o poeta grego
Simônides de Ceos precisou identificar os corpos de pessoas que
haviam morrido no desabamento de um palácio. Como ele se lembrava
exatamente da localização de cada um, conseguiu assim “reconhecer”
cada um dos cadáveres desfigurados. A técnica consiste em usar a
memória espacial para gravar nomes, fatos ou listas. O objetivo é criar
um lugar imaginário, como uma casa ou um palácio, visualizar os móveis
de cada cômodo e associar uma memória a cada um deles.
Imagine que você queira gravar os nomes de todos os presidentes
brasileiros, por exemplo. Getúlio Vargas pode ser ligado à poltrona da
sala e Juscelino Kubitschek, ao lustre. O ideal é que as associações
entre os móveis e os elementos a serem memorizados sejam divertidas
ou inusitadas – você pode associar Jânio Quadros ao quadro na parede,
por exemplo. Depois que fizer todas as associações, a ideia é percorrer
mentalmente o “palácio” várias vezes, lembrando-se da posição de cada
móvel e, consequentemente, dos nomes ou fatos vinculados a eles.
Oradores gregos e romanos, como Cícero, usavam essa técnica para
memorizar seus longos discursos.

2. Invente acrônimos, acrósticos e encadeamentos

Acrônimos são palavras formadas por letras que representam, por sua
vez, outras palavras. A ferramenta de
gestão CHA (Conhecimento, Habilidade e Atitude) é um exemplo. Já os
acrósticos são frases formadas por palavras cuja primeira letra é a dica
para o que precisa ser lembrado. Se você quer memorizar, por exemplo,
os nomes dos bairros paulistanos Mooca, Penha, Belém e Carrão, por
exemplo, pode gravar a frase “Meu Pai Bebe Café”.
Outro dispositivo útil é o encadeamento, sugere o site The Memory
Institute. Para guardar elementos numa determinada ordem, crie uma
frase narrativa com eles. O ideal é que cada item “puxe” o outro por
associação. Para gravar, nesta ordem, as palavras “menina”, “panela”,
“doze”, “abóbora” e “verde”, por exemplo, você pode criar uma sentença
como “A menina vendeu uma panela por doze reais ao plantador de
abóboras, que ainda estão verdes”. A estrutura de encadeamento traz
lógica para as palavras avulsas, além de facilitar a fixação de uma
ordem.

3. Faça conexões entre informações novas e velhas

Uma das melhores formas de reter um dado é contextualizá-lo, isto é,


integrá-lo aos conhecimentos que você já tem. Quanto mais conexões
você fizer com os seus conhecimentos prévios, mais facilmente gravará
uma novidade, dizem ao site Business Insider os autores do livro Make It
Stick: The Science Of Successful Learning, Peter Brown, Henry Roediger
e Mark McDaniel.
Uma ótima forma de fazer isso é aplicar, na prática, tudo que você
precisa memorizar — ou, no mínimo, vislumbrar hipóteses de aplicação
desses dados na vida real. Se você precisa gravar como funciona o
processo de transmissão de ondas de calor, por exemplo, tente pensar
nessas informações a cada vez que tiver uma xícara de chá em suas
mãos num dia de frio.

4. Explore o seu próprio humor

A neurocientista Carla Tieppo, professora adjunta da Faculdade de


Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, diz que um excelente
método para estimular a memória é criar imagens bizarras, engraçadas e
surreais sobre o elemento que precisa ser recordado. Se você acaba de
conhecer uma pessoa, por exemplo, imagine-a numa situação esquisita,
que faça você rir, e que tenha relação com o som do nome dela. É uma
forma muito eficiente de gravar para sempre como ela se chama –
quanto mais “cócegas” a imagem mental fizer em você, mais fácil será
fixá-la, diz a professora.

5. Aposte em associações visuais

Muitas pessoas têm memória fortemente visual, e, para elas, uma das
melhores técnicas de memorização passa pela combinação de imagens.
Acabou de conhecer uma pessoa? Para nunca mais esquecer como ela
se chama, sugere o site de treinamento Memorise, escolha um atributo
físico ou parte do corpo dela para associar ao seu nome.
A vantagem está em transformar um dado abstrato, como um conceito,
data ou nome, em algo concreto. Vale caprichar na criatividade: imagens
mentais ricas, coloridas e vívidas são mais fáceis de guardar.

6. Escreva o que você precisa lembrar (com papel e


caneta)

De acordo com o campeão de memorização Renato Alves, primeiro


brasileiro a receber homologação oficial de Melhor Memória do Brasil
pelo Guinness Book, a escrita é um excelente antídoto contra o
esquecimento. “Escrever exige grande atividade mental e envolve
diretamente as funções da memória”, escreve ele no livro Faça seu
cérebro trabalhar para você (Editora Gente). “A mente lança seus
estímulos vasculhando todos os departamentos da memória buscando
palavras, expressões, experiências, comparando, associando, incluindo,
excluindo, selecionando e pinçando o que pode ser utilizado no texto”.
O benefício é ainda maior se você registrar as suas palavras no papel.
Pesquisadores das universidades de Princeton e da
Califórnia afirmam que quem escreve informações à mão tem mais
facilidade de compreendê-las e memorizá-las do quem as digita. O
motivo é que, ao usar o teclado, processamos a escrita de forma mais
superficial do que quando precisamos desenhar as palavras com um
lápis ou caneta.
7. Reflita por 15 minutos e alimente um diário

A memória humana pode ser muito prejudicada pelo estresse. A saída é


buscar um respiro em meio à correria e dedicar algum tempo para pensar
sobre o que você aprendeu e viveu durante o dia. Pesquisadores
da Harvard Business Schooldescobriram que sessões de 15 minutos de
reflexão ao final de um dia de trabalho aumentaram em quase 23% a
produtividade de profissionais de um call center. Após o exercício, os
participantes do experimento também escreveram um diário com os
principais acontecimentos do dia. Esse breve momento de introspecção
ajuda a organizar as informações novas e articulá-las com aquelas que já
estavam no seu cérebro. “Quando as pessoas têm a chance de parar
para refletir, elas têm um enorme ganho de eficiência, porque se sentem
mais confiantes e, assim, colocam mais energia no que fazem e
aprendem”, diz a professora Francesca Gino ao Business Insider.

8. Repita, repita, repita

Este é um método intuitivo para a memorização. Quanto mais vezes você


disser a si mesmo o que precisa recordar – ainda mais se for em voz alta
– melhor será o resultado. De acordo com Peter Brown, Henry Roediger
e Mark McDaniel, autores do livro Make It Stick: The Science Of
Successful Learning, a memória exige esforço: quando o aprendizado é
difícil para você, é porque você realmente está aprendendo, dizem eles
ao Business Insider. A repetição pode ser estimulada por um exercício de
perguntas e respostas, de acordo com o campeão de memorização
Renato Alves. Em seu livro Faça seu cérebro trabalhar para
você (Editora Gente), ele sugere que questões como “O quê?”, “Quem?”,
“Quando?”, “Onde?”, e “Como?” sejam um roteiro usado regularmente
para repassar mentalmente as suas lembranças.