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A Política - Aristóteles / Editora de Universidade de Brasília 1985

Cap. I

Aristóteles começa seu livro dizendo que toda cidade ( no contexto grego "pólis") é
uma comunidade política que visa o bem. Ser um chefe de estado não se baseia somente no
número de pessoas governados.No terceiro parágrafo Aristóteles ressalta que para entender
estes assuntos cientificamente é necessário separar as partes do todo para um melhor
entendimento.
Trata sobre as uniões naturais como de um homem e de uma mulher e de um
comandante e um comandado justificando assim a naturalidade da escravidão baseados em
interesses recíprocos, mas diferencia a mulher e o escravo em relação a finalidade e natureza.
Aristóteles começa traçar um panorama sobre a organização humana na sociedade
grega que inicialmente estabeleciam-se em povoados ligados a laços sanguíneos e governados
por reis. Destaca também que o cidade nada mais é que uma evolução natural dos povoados,
ou seja, seu estágio final que além de garantir a sobrevivência dos seus membros é
responsável por uma vida melhor. " [...] a natureza de uma coisa é seu estágio final [...]", mais
do que a natureza Aristóteles coloco a finalidade como a características mais importante.
Diante disso "[...] a cidade é uma criação natural, e que o homem é por natureza um
animal social [...]" aqueles que não participam, por natureza, de nenhuma cidade é um ser
desprezível. Destaca que o homem é o único animal que possui o dom da fala capaz de
apontar o nocivo ou o bom, a justiça e a injustiça características de indivíduos que compõem
uma cidade.
O filósofo destaca que a cidade assim precede a família assim como o indivíduo, pois
o todo sempre precede a parte e ressalta novamente a noção de que a parte só é relevante em
relação a sua função e finalidade. Um indivíduo sozinho, portanto sem fazer parte do todo é
só um indivíduo. Aristóteles trata a vida em sociedade como algo natural e o homem afastado
da sociedade é também o mais impiedoso e selvagem dos animais. "[...] a justiça é a base da
sociedade; sua aplicação assegura a ordem na comunidade social [...]".

Cap. II

Aristóteles começa o capítulo se propondo a analisar a família que corresponde à


composição da cidade. "[...] a família, em sua forma perfeita, é composta por escravos e
pessoas livres." Aristóteles então inicia uma análise de cada componente familiar e das
relações que estabelecem, como as relações matrimoniais, entre pais e filhos e senhor e
escravo. Em relação ao escravo Aristóteles o considera como um "bem" vivo da família ou
como um instrumento. " [...] o escravo é um auxiliar em relação aos instrumentos de ação."
Além disso destaca que quando chamamos o escravo de "bem" tem-se a ideia de parte e os
"bens" pertencem ao senhor, logo o escravo pertence inteiramente ao senhor. "[...] um ser
humano pertencente por natureza não a si mesmo, mas a outra pessoa, é por natureza um
escravo.[...] ele é um bem, e um bem é instrumento de ação inseparável do seu dono". "
Mandar e obedecer são condições não somente inevitáveis mas também convenientes."
Um corpo é constituído de alma e corpo e a primeira é dominante sobre o segundo.
Existe também internamente dentro de um indivíduo relações de dominação, como a razão
sobre a inteligência e emoção. Esta relação pode ser aplicada para o uso de animais
domésticos e das mulheres considerados em uma posição inferior. Além de ser indivíduos
diferentes uns do outros a constituição física difere também de um escravo e de um senhor
legitimando a escravidão. Aristóteles ainda destaca que aqueles que consideram a escravidão
como antinatural também estão corretos, pois há uma diferença entre escravo e escravidão,
pois existe escravos e escravidão por força de lei como as conquistas de guerra.

Cap. III

Neste capítulo Aristóteles trata sobre a arte de enriquecer e da propriedade.


Inicialmente separa o ato de enriquecer da economia doméstica, pois sua função é
proporcionar e não usar, que seria a função da economia doméstica. Utiliza a agricultura
como exemplo para discutir se é economia doméstica ou arte do enriquecimento. Discorre
sobre o modo de obtenção de alimentos pelos animais o que ocorre também nos homens.
Aristóteles difere a arte da aquisição com a arte de enriquecer, pois a primeira está voltada
para as necessidades básicas do homem, mas é da aquisição ainda na forma de permuta que
surge a atividade comercial feita com dinheiro vinculado mais diretamente ao enriquecimento.

Cap. IV

Fala sobre a questão do monopólio e de como esta ação pode ser utilizada para o
enriquecimento.

Cap. V.

Neste capítulo Aristóteles elenca os três elementos da economia doméstica o senhor e o


escravo, o marido e a mulher e o pai e o filho e destaca "[...] o macho é naturalmente mais
apto para o comando do que a fêmea [...]". A relação estabelecida entre os pais e seus filhos é
a mesmo que de um rei e seus súditos que apesar de serem de um mesma espécie se
diferenciam pela afeição e idade.
Aristóteles se debruça então na questão do escravo. Será que ele possui outras
qualidades além do físico? Se possuem, como diferenciá-los dos outros homens? Essa
diferença é natural se encontra na alma "[...] há por natureza várias classes de comandantes e
comandados [...]" isto justifica os diferentes tipos de relações na sociedade, homem e mulher,
homem e filhos e homem e escravos " Todos possuem as várias partes da alma, mas possuem-
nas diferentemente, pois o escravo não possui de forma alguma a faculdade de deliberar,
enquanto a mulher a possui, mas sem autoridade plena, e a criança a tem, posto que ainda em
formação". isto é expandido para a moral por exemplo.
Uma vez que a família é parte da cidade é interessante que as suas partes constituintes,
mulher e crianças, sejam formados para fazer alguma diferença na qualidade da cidade.

Livro II

Cap.I

Aristóteles inicia esse capítulo anunciando seu objetivo que é explanar e encontrar as
falhas nos diversos sistemas políticos existentes no período. Aristóteles debate se seria melhor
a existência de bens comuns ou bens privados e como eles deveriam se distribuir. Sócrates
adota uma postura de bens comuns como mulheres e filhos.
" A cidade não é constituída somente de numerosos seres humanos, mas é também
composta de seres humanos especificamente diferentes". É necessário não expandir essa
unificação uma vez que a cidade é pluralidade. Aristóteles destaca a importância da
alternância entre os poderes. " [...] devido a igualdade natural dos cidadãos [...]" mesmo se
governaram mal ou bem apesar de considerar que em determinadas áreas isso seja possível (
profissões). "[...] a cidade só passa a existir quando a comunidade é bastante diversificada
para ser autosuficiente [...]". Aristóteles aponta os erros da existência dessa unidade como
uma comunidade de filhos destaca que uma comunidade única de filhos e mulheres seria mais
vantajosa entre os agricultores, pois "[...] a falta de amizade entre as classes oprimidas
conveniente por favorecer sua submissão à autoridade e evitar rebeliões."

Cap. II

Aristóteles continua com a temática da propriedade privada se indagando agora se


seria vantajoso se a comunidade deveria ser comum ou privada,desconsiderando ou não a
questão de comunidades únicas de filhos ou de mulheres. Uma das primeiras questões que
Aristóteles levanta é problema da igualdade não equivalente resultado do equilíbrio da
produção de alimentos nessas possíveis terras compartilhadas, ou seja, caso as pessoas não
usufruam do mesmo direito pode haver conflito entre aqueles que trabalham muito e ganham
pouco alimento e aqueles que trabalham pouco e ganham muito alimento. Aristóteles continua
dizendo que ter uma vida de partilha gera constantes atritos usando como exemplos as
navegações marítimas e o convívio com os serviçais. Apesar disso Aristóteles ainda considera
que o uso comum em certos aspectos pode ser benéfico e é praticado também em algumas
regiões e conclui " É obviamente melhor, portanto, que a propriedade seja privada, mas que o
uso seja comum, e preparar os cidadãos para este sistema é tarefa específica do legislador."
Aristóteles admite que o partilhamento de bens deve ser feito com moderação. Critica
a noção de cidade elaborada por Sócrates.

Cap.III (pg.53)

Aristóteles continua neste capítulo criticando as definições de Sócrates especialmente


o conteúdo contido no livro as Leis. " Diz mesmo que o legislador, ao elaborar suas leis, deve
fixar a atenção em duas coisas: território e população." Segue apontando falhas em relação a
defesa da cidade ao controle da natalidade.

Capítulo IV

" Com efeito, algumas pessoas pensam que a regulamentação adequada da propriedade é o
ponto mais importante, pois todas as revoluções são feitas por causa dessa questão".
" Os homens não fazem mal somente para satisfazer suas necessidades - comportamento para
o qual Feleas pensa que a igualização dos bens é a cura [...] os homens também fazem mal
para desfrutar de mais prazeres e para satisfazer seus desejos, e não somente por causa dos
desejos, mas também para sentir os prazeres sem ter de penar por isso."
"[...] os cidadãos devem não somente possuir o bastante para poder cumprir seus deveres
cívicos, mas também para enfrentar os perigos que os ameaçam de fora; [...]" as riquezas não
devem ser grande demais para não causar a cobiça pelos povos vizinhos e nem escassas ao
ponto da cidade não ser capaz de enfrentar outra cidade na questão da população e riquezas.

" O início de uma reforma em atais assuntos, em vez de estar na igualização das riquezas
consiste em fazer com que homens melhores por natureza não queiram enriquecer, e com que
homens os piores não possam enriquecer ( [...] mas sem ser maltratados) [...]".

Capítulo V
Aristóteles apresenta a visão de Hipodamos sobre a constituição destacando que ele foi
o primeiro não político a tentar esse feito.

Cap. VI (65)

"Admite-se geralmente que numa cidade destinada a ser bem governada os cidadãos
devem ficar livres das fadigas ligadas a satisfação de suas necessidades elementares."
Aristóteles discorre como deve ser tratada a classe servil e dos perigos existentes nos
levantes dessa classe. "[...] os cidadãos ainda não descobriram a melhor maneira de tratar a
classe servil." Aristóteles ainda destaca a questão feminina na Lacedemônia cuja constituição
foca na questão bélica masculina, mas "[...] falhou quanto às mulheres, que vivem
licenciosamente, entregues a todas as formas de depravação e de maneira mais luxuriosa".
"[...] o mau comportamento da mulher não somente infunde um ar de licenciosidade à própria
constituição , mas também tende de certo modo a estimular o amor à riqueza."

Capítulo VII (71)

Aristóteles neste capítulo nos mostra que a constituição da lacedemônia é derivada dos
cretenses.

Cap. VIII
Aristóteles discorre agora sobre a constituição dos Cartaginenses. Dentro desse contexto
destaca que sua constituição é muito parecida com a da Lacedemônia e de Creta, mas com
pontos que se destacam "[...] prova de sua boa estruturação é de que o povo permanece fiel ao
ordenamento constitucional, e que em Cartago nem ocorreram rebeliões dignas de menção,
nem apareceu tirano algum." Aristóteles diz que o sistema cartigenes se aproxima de uma
oligarquia, pois "[...] os cartiginenses pensam que os governantes devem ser escolhidos não
somente por seus méritos mas também por suas riqueza, pois dizem que um homem pobre não
pode governar bem por não dispor de tempo." (pag.76)

Cap. IX
Neste capítulo Aristóteles discorre sobre as mudanças realizadas por Licurgo e como ele foi
importante na consolidação da democracia Ateniense fundindo 3 formas de governo, a
Aristocracia, a Oligarquia e a Democracia esta última representada pela criação dos tribunais
escolhidos mediante sorteio.

Livro III

Cap. I. (pg.83)

Aristóteles começa se questionando o que é a cidade?

" [...] a atividade do estadista e do legislador tem por objeto a cidade, a constituição é a forma
de organização dos habitantes de uma cidade. Mas a cidade é um complexo, no mesmo
sentido de quaisquer outras coisas que são um todo mas se compõem de muitas partes;[...]"

Aristóteles então se empenha para entender o conceito do cidadão. Não pode ser
considerado cidadão quem somente é domiciliado ou se utiliza do sistema judiciário.como o
caso de estrangeiros. " Um cidadão integral pode ser definido por nada mais nada menos que
pelo direito de administrar justiça e exercer as funções públicas; [...]". Aristóteles ressalta que
essa definição e cidadão é aplicada exclusivamente para uma democracia, pois esta noção
difere dependendo da constituição utilizada como base."

"[...] aquele que tem o direito de participar da função deliberativa ou da judicial é um cidadão
da comunidade na qual ele tem esse direito [...]" Aristóteles debate a questão da cidadania
confirmando que só é cidadão quem nasce de uma união entre dois cidadãos o que abre o
debate sobre as até quando conseguimos datar as gerações desses cidadãos . ALém disso
Aristóteles debate a legitimidade da cidadania quando é adquirida como acontece em
movimentos revolucionários.

Cap.II (pg.89)

Neste capítulo Aristóteles debate se as qualidades de um home bom são as mesmas que um
bom cidadão. "[...] um cidadão difere do outro, mas a preocupação de todos é a segurança de
sua comunidade; esta comunidade é estabelecida graças a constituição da cidade à qual ele
pertence."
Aristóteles ressalta que um homem bom e um bom cidadão são nomeações diferentes. " [...]
todos devem possuir a bondade do bom cidadão (esta é a condição indispensável para que
uma cidade seja a melhor possível), mas é impossível que todos possuam a vontade de um
homem bom [...]" O bom cidadão e o homem bom se encontram em um bom governante
alguns inclusive argumentando ( não Aristóteles mas uma corrente da época) que essas
pessoas deveriam receber uma educação especial. Aristóteles nos diz que um bom cidadão é
aquele que sabe tanto mandar quando obedecer, mas que existem diferentes formas de
autoridade. A autoridade do senhor "[...] relacionada com as tarefas domésticas triviais não
exige que o senhor saiba executá-las e sim que saiba mandar as executem;[...]" uma outra
forma de autoridade é a política "[...] o futuro governante aprende esta forma enquanto é
governado [...]"

Cap.III (93)