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INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO DO ENSINO SUPERIOR DO BRASIL-IDESB

UNIDADE ACADÊMICA DE GRADUAÇÃO


CURSO DE SERVIÇO SOCIAL

Conceição de Cássia Torres Araújo


Francisco Washington Torres Araújo
Márcio José da Silva Rocha

SUICÍDIO A PARTIR DE UMA PERSPECTIVA PÓS-MODERNA:


UMA ANÁLISE SOBRE AS INFLUÊNCIAS DO PÓS-MODERNISMO NO
FENÔMENO SUICIDA.

PICOS, 2017
Picos
2017
Conceição de Cássia Torres Araújo
Francisco Washington Torres Araújo
Márcio José da Silva Rocha

SUICÍDIO A PARTIR DE UMA PERSPECTIVA PÓS-MODERNA:


Uma análise sobre as influências do Pós-Modernismo no fenômeno suicida.

Artigo apresentado como requisito parcial


para obtenção do título de Assistente
Social pelo Curso de Serviço Social da
Instituição de Desenvolvimento do Ensino
Superior do Brasil - IDESB

Orientador(a): Prof(a). Daniela Rodrigues Cipriano de Sousa


Picos
2017
1

Suicídio a partir de uma perspectiva Pós-Moderna:


Uma análise sobre as influências do Pós-Modernismo no fenômeno suicida.
Conceição de Cássia Torres Araújo1
Francisco Washington Torres Araújo2
Márcio José da Silva Rocha3

Daniela Cipriano4
Resumo: O suicídio sempre foi um ato que chamou a atenção de toda sociedade
que o presenciava, foi encarado como crime, pecado, ato provindo de doença e
outros. É sabido atualmente que não se pode explica-lo apenas dentro da formula
pura “causa e efeito”, o suicídio se entende mais como uma construção que culmina
no ato de extinguir a própria vida, é necessário, assim, levar em conta todas
influencias, inclusive da filosofia predominante no momento, no caso da atualidade,
a pós-modernidade. O fenômeno “pós-modernidade” pode exerce influencia
significativa sobre os indivíduos da época cabe enfim, analisar qual a direção dessa
influencia e qual os efeitos que produz, para, por fim, oferecer uma intervenção,
neste caso através do próprio Serviço Social, magnitude do conhecimento humano
essa que age justamente em contrapartida aos focos pós-modernos.

Palavras-chave: Suicídio. Pós-modernidade. Causa. Serviço Social.

Abstract: Suicide was always an act that caught the attention of every society that
was present, was seen as a crime, sin, an act of illness and others. It is now known
that one can not explain it only within the pure formula "cause and effect", suicide is
understood more as a construction that culminates in the act of extinguishing one's
own, it is necessary, therefore, to take into account all influences, including of the
predominant philosophy at the moment, in the present case, postmodernity. The
phenomenon "postmodernity" can exert a significant influence on the individuals of
the time, it is important to analyze the direction of this influence and what effects it
produces, to finally offer an intervention, in this case through Social Service itself,
magnitude of human knowledge that acts precisely in counterpart to postmodern
focuses.

Keywords: Suicide. Postmodernity. Cause. Social service.

1 INTRODUÇÃO

O ser humano sempre desenvolveu lutas contra a morte, sendo esta


encarada de inúmeras formas. O suicídio é um dos meios pelo qual o indivíduo
encara a própria morte por meio de um ato intencional. Ao longo da história o
suicídio teve várias reações sociais, na antiguidade era tratado como um crime ante
a sociedade que o presenciava.
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Na antiguidade, entre gregos e romanos, o suicídio era fato punível, pois


tomava o caráter de violação de um dever para com outrem ou para com o
estado. Sobre o cadáver do suicida recaíam ou a pena de infâmia ou a
prática de mutilação ou de outros tratamentos impiedosos. (NOGUEIRA,
1995, p.119).

Em uma espécie de paralelo invertido a essa ação, na idade média não mais
necessariamente se entendia o ato de suicídio como um crime, mas como pecado.
Uma vez que a vida emanava em sua totalidade de Deus, o individuo ao tirar a
própria vida estava se excluindo dos próprios privilégios eclesiásticos como o
sacramento e a sepultura eclesiástica. (NOGUEIRA, 1995).
Durante as longas eras o suicídio foi encarado de maneiras diferentes, hoje
não passa a ser diferente essa multiplicidade de pensamento sobre esse ato.
Entretanto é sabido que o suicídio vem aumentando exponencialmente, cerca de
1,4% do total de mortes mundial é em virtude do suicídio, figurando um milhão de
óbitos por ano, sendo uma das três principais causas de morte entre indivíduos na
faixa etária de 15 a 44 anos de idade. (WHO, 2014). Levando em conta que a visão
de mundo dos indivíduos influencia diretamente a prática dos mesmos, alguns ligam
o aumento exorbitante dos casos de suicídio a perspectivas pós-modernas. Sendo
que nesse pressuposto o ser humano não dispõe mais de um proposito único para
vida, onde Deus foi sobreposto e a ciência perdeu seu status de detentor final da
verdade (HICKS, 2011).
A intensificação dos casos de suicídio teria alguma correlação com a
concepção de mundo pós-moderna?

2 CAUSAS DO SUICÍDIO

Qual seria a natureza do suicídio? Pelo que ele é provocado? Essas são
perguntas que motivaram inúmeras respostas, a partir de cada cosmovisão se tem
uma visão do que seria esse ato. Para Durkheim (2000) O suicídio apesar de poder
ser dividido em categorias – como próprio fez em sua obra – não deixa de ter um
aspecto fundamentalmente social. Qualquer análise que deixe de levar em conta a
relação de individuo e sociedade torna-se incompleta ou insuficiente.
Atualmente, é possível notar principalmente no meio acadêmico uma extensa
ligação entre o suicídio e transtornos mentais. Uma revisão de 31 artigos científicos
publicados entre 1959 e 2001, englobando 15.629 suicídios ocorridos na população
3

geral, demonstrou que em mais de 90% estariam ligados a esta causa.


(BERTOLOTE & FLEISCHMANN, 2002). Essa visão de suicídio como decorrente de
“transtornos mentais” viria ainda a concordar em parte com as teses de Durkheim
no sentido que, de certo modo, as causas transcendem a pura escolha do individuo.
Normalmente as principais causas de suicídio hoje são ligadas a fatores
como: depressão, transtorno do humor bipolar e dependência de álcool e de outras
drogas psicoativas, também invariavelmente são levados em conta caracteres da
personalidade do individuo. Esses fatores tonam-se ainda mais graves quando são
associados cumulativamente, um ao outro, aumentando as chances do ato suicida.
(BERTOLOTE & FLEISCHMANN, 2002)
A depressão implica prejuízos cognitivos, ela causa aflições, cansaço,
perturbação de apetite e de sono, produzindo alterações quanto a natureza e
intensidade dos pensamentos, tornando assim evidente sua natureza
psicossomática (FABELA, 2007).
De outro lado, o transtorno bipolar ou TB é uma grave patologia psiquiátrica.
Esse transtorno psicológico engloba aspectos funcionais, cognitivos, socioafetivos,
psicológicos e neuroquímicos, essa é uma doença crônica associada a elevados
índices de mortalidade (SUPPES; DENNEHY, 2009). O TB apresenta como
caraterística crucial o desenvolvimento de humor alternado, variando em
intensidade, duração e frequência (GOODWIN; JAMISON, 2010).
Ainda a dependência do álcool, (LARANJEIRA et al., 2000; SILVA, 2006) outra
grande variante que influencia nos suicídios tende a apresentar, quando suprimida
um quadro de abstinência que revela o peso da dependência características são:
manifestações desde insônia, tremores, náuseas, inquietação, a complicações mais
graves.
Segundo Cassorla (1998), o ato suícida não deveria ser encarado como fato
isolado, sendo um rompimento com a vida por uma simples tristeza causada por um
evento momentâneo, na verdade esse ato se transfigura como rompimento de uma
grande cadeia construida por eventos mútiplos ao longo da vida. Assim o suicídio
passa a ser não um fato facilmente observado e mensurável, toma os contornos
complexos exigidos pela própria natureza do fato. Onde não cabe dizer que foi
apenas “fraqueza” ou que todo ato resulta de uma “doença” ou ainda que são
apenas fatos sociais que se sobrepõe ao ser.
4

O suicídio é um ato muito complexo, portanto, não pode ser considerado em


todos os casos como psicose, ou como decorrente de desordem social.
Também não pode ser ligado de forma simplista a um determinado
acontecimento como rompimento amoroso, ou perda de emprego. Trata-se
de um processo que pode ter tido o seu início na infância, embora os
motivos alegados sejam tão somente os fatores desencadeantes.
(KOVÁCS, 1992, p.173)

3 PÓS MODERNISMO: NOSSA ERA.

A pós-modernidade não é um consenso dentro da academia, de qualquer


modo independente do nome à que se dá é sabido que a contemporaneidade
apresenta características especificas. Essas características tendem a se acentuar
com o passar do tempo e passam a desenvolver grande influencia na cosmovisão
do individuo.
O pós-modernismo se apresenta com características intrinsicamente
chamativas. Se baseando em filósofos como Kant, Hegel, Nietzsche, Heidegger e
outros, tem desenvolvido o relativismo, que em si pressupõe a queda de verdades
universais, apresenta um antirrealismo ao tratar de questões metafisicas (HICKS,
2011). Em geral no pós-modernismo conceitos como “Deus” ou até mesmo verdades
da ciência são substituídos por convenções de grupos sociais e subjetivismo do
individuo.

Os debates pós-modernos exibem, assim, uma natureza paradoxal. Todos


professam, por um lado, os temas abstratos do relativismo e do
igualitarismo. Esses temas assumem formas éticas e epistemológicas. A
objetividade é um mito; não existe Verdade, nenhuma Maneira Certa de
interpretar a natureza ou um texto. Todas as interpretações são igualmente
válidas. Os valores são produtos socialmente subjetivos. Culturalmente
falando, portanto, não há valores, em nenhum grupo, que mereçam crédito
especial. Todos os modos de vida são legítimos, de afegãos a zulus.
(HICKS, 2011, p. 32)

De inúmeros modos esses conceitos guiam a vida dos indivíduos,


logicamente não como respostas diretas, todavia, essas premissas se misturam e
dissipam no ocidente de maneira longa e avassaladora. Tendo em vista que não é
possível atingir uma verdade ultima e universal, está validado os variados tipos de
pensamento, o que por muitas vezes deságua em uma espécie de hedonismo fruto
de um niilismo existencial.
É indispensável também lembrar que atrelada a essas perspectivas está o
sistema capitalista que tende a acentuar ideais individuais, narcisismo - onde o
5

individuo parece tomar ares de autossuficiência plena para própria felicidade -


partindo de uma ideia de competitividade onde os indivíduos fracassam
constantemente e são tomados por um grande pesar. (FENSTERSEIFER &
WERLANG, 2006).

Qual a causa dessa ‘estranha melancolia’ que permeia nossa sociedade


mesmo em tempos de atividade frenética, e que se transforma em imediato
desespero quando a prosperidade diminui? Tcqueville diz que ela vem do
ato de tomar uma ‘alegria incompleta deste mundo’ e construir a vida inteira
em torno dela. (KELLER, 2016, p. 10)

O ser humano passa a tornar sua existência indispensável por meio daquilo
que ela possui ou pode manipular, sejam pessoas, coisas ou situações, dando todo
o significado de sua vida ao citado acima, estando sempre expostas a tristezas
profundas em virtudes de perdas drásticas. (KELLER, 2016)

3.1 O pós-modernismo e o suicídio

É vivido o pensamento de desamparo proveniente da perspectiva pós-


moderna, o suicídio se torna assim uma fuga deste desamparo (BIRMAN, 2003). Para
Hicks (2011) apesar de Nietzsche não ser um homem necessariamente pós-moderno, ele
desenvolveu uma grande influencia sobre os teóricos que viriam após ele. De maneira tácita,
Nietzsche foi o famoso filósofo que anunciou a morte de Deus, no meio acadêmico isso ainda
faz muito eco, um Deus morto.

Não ouviram falar daquele homem louco que em plena manhã acendeu uma
lanterna e correu ao mercado, e pôs-se a gritar incessantemente: “Procuro
Deus! Procuro Deus!”? – E como lá se encontrassem muitos daqueles que
não criam em Deus, ele despertou com isso uma grande gargalhada. Então
ele está perdido? Perguntou um deles. Ele se perdeu como uma criança?
Disse outro. Está se escondendo? Ele tem medo de nós? Embarcou num
navio? Emigrou? – Gritavam e riam uns para os outros. O homem louco se
lançou para o meio deles e trespassou-os com seu olhar. “Para onde foi
Deus?”, gritou ele, “já lhes direi! Nós o matamos – vocês e eu. Somos todos
seus assassinos! Mas como fizemos isso? Como conseguimos beber
inteiramente o mar? Quem nos deu a esponja para apagar o horizonte? (…)
Não ouvimos o barulho dos coveiros a enterrar Deus? Não sentimos o
cheiro da putrefação divina? – também os deuses apodressem! Deus está
morto! Deus continua morto! E nós o matamos! Como nos consolar, a nós,
assassinos entre os assassinos? O mais forte e mais sagrado que o mundo
até então possuíra sangrou inteiro sob nossos punhais – quem nos limpará
este sangue? (NIETZSCHE, A Gaia ciência, fragmento 125, p.147-8)
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A filosofia de Nietzsche (2011) deságua na certeza de que Deus se foi, agora


o homem tem a responsabilidade de ir por conta própria explorar e submeter o
mundo a sua própria vontade, sem mais fraquezas, agora com poder e força. O
problema se desenvolve quando surge a pergunta: Quem substituirá Deus?
Para Tim Keller (2016), o ser humano tende a substituir as divindades por
coisas, situações ou pessoas, entretanto chega-se a conclusão de que isso é
insuficiente, viver como se a vida tivesse sentido pleno não faz ela ter sentido pleno.
Os novos deuses pós-modernos prometem o que não vão, o que por consequência
evoca grande melancolia, não é difícil ligar essa melancolia que vai sendo
construída de maneira gradual desde a infância e pode terminar no suicídio.
Kalina e Kovadloff (1983) citados por Fensterseifer e Werlang (2006) dizem que é a
queda das máscaras que escondem o profundo vazio existencial da filosofia contemporânea
que chega ao auge com o suicídio. Nessa estrutura a ideia de “máscaras” poderia
perfeitamente ser substituída pelo conceito de ídolo de Timothy Keller (2016).
Para Botega (et al, 2006).é o sentimento de vinculo e pertencimento de um
grupo social forte como a religião ou família que torna o individuo mais protegido
contra o suicídio, exatamente onde o pós-modernismo costuma derrapar.

O que é que nós estamos fazendo diferente nesse sentido? O que fazer
para que a vida miserável que faz com que as pessoas desejem a morte
não permaneça a mesma e para que as pessoas não tenham que suportar
essa condição, pelo bem daquilo que elas mal conhecem, mas que elas
entendem ser necessário? Essas mortes, então, deveriam nos levar a
algumas reflexões que são importantes de serem feitas. Como nós
profissionais da saúde, seja no âmbito da prevenção, seja no âmbito da
promoção da vida estamos agindo? (CFP, 2013, p. 21)

Netto (2013) Na citação acima ao citar “vida” está citando esta em um


contexto capitalista onde o individuo é imposto como um ser que necessariamente
tem que se afirmar em uma sociedade competitiva e que está exposto a exploração
do mercado. Ele ainda sugere que essas mortes servem como denuncia de uma
doença epidêmica do sistema social. Ainda sim, o mais difícil é perceber como a
ganância e o narcisismo toma conta das pessoas individualmente, sem ser notado
(KELLER, 2016). Dessa forma a sociedade se torna doente e a forma de escapar
dessa doença é muitas vezes através do suicídio.
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4 SUICÍDIO NA CAPITAL TERESINA

O suicídio afeta todas as regiões, dos interiores do país até os grandes


centros urbanos. Em Teresina, capital do estado do Piauí, o caso não é diferente.
Segundo o IBGE (2016) a capital abrangeria aproximadamente uma população de
850.198 pessoas, sendo a décima oitava capital mais numerosa do país em âmbito
populacional. Segundo o Ministério da Saúde (2010), o índice de suicídio na região
metropolitana da capital chega a 46 mortes suicidas para cada 100.000 habitantes,
índice que em 1990 era de 14 suicídios para cada 100.000, representando um
aumento alarmante.
No que respeito a população jovem (15-24 anos) o índice de suicídios cresceu
152, 3% dos anos 1998 a 2008, o que coloca a capital em segundo lugar no ranking
de suicídios jovens das capitais do país. Aragão Neto (2013) argumenta que um dos
fatos para tal taxa parece ser a grande cobrança posta em cima desses jovens pelas
próprias instituições de ensino, não é a toa que o nível de ensino escolar da cidade
é um dos maiores do país que contrasta com a própria pobreza do estado.
A questão a se desenrolar se liga direto ou indiretamente com fato de que a
filosofia geral da época tende a influenciar a vida dos indivíduos. A necessidade de
ser o melhor, o quanto mais rápido possível termina por frustrar lentamente o núcleo
da sociedade.

Estamos vivendo uma época de encontros e desencontros, sem certeza


para onde caminhar e aonde chegar. O mundo atual nos convoca a uma
nova leitura, mas não há tempo nem desejo para isso. O momento é
delivery, apenas sinopses, fastfood [...] que tem nos levado a uma leitura de
mundo também fragmentada e rápida, sem reflexão (HADDAD, 2009, p.31).

5 O SUICÍDIO E O SERVIÇO SOCIAL

O suicídio para além das causas e influencia que o provocam, não deixa
nunca de ser uma questão social juntamente com relação de saúde pública. Aqui
entra o papel do assistente social que visa trabalhar nos mais variados aspectos de
vulnerabilidade social que, em si, envolvem também atos suicidas. Desde 2004 o
Sistema Único de Assistência Social (SUAS) vem desenvolvendo medidas voltadas
para a prevenção de suicídios, estabelecendo assim um papel fundamental e direto
entre a assistência social o fenômeno suicida (BRASIL, 2006).
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A politica assistencial do estado se desenvolve em cima da função


assistencialista emanada do serviço social, dessa forma o assistencialismo ganha
forma e força contra fatos sociais como o suicídio.

A nova concepção de assistência social como direito à proteção social,


direito à seguridade social tem duplo efeito: o de suprir sob dado padrão
pré-definido um recebimento e o de desenvolver capacidades para maior
autonomia. Neste sentido ela é aliada ao desenvolvimento humano e social
e não tuteladora ou assistencialista, ou ainda, tão só provedora de
necessidades ou vulnerabilidades sociais. O desenvolvimento depende
também de capacidade de acesso, vale dizer da redistribuição, ou melhor,
distribuição dos acessos a bens e recursos, isto implica incremento das
capacidades de famílias e indivíduos. . (BRASIL, 2004, p. 15-16)

De modo diversificado, as pessoas que apenas planejam ou até tentam um


ato suicida, são pessoas que preciso de algo mais que formalidade e morosidade, o
ideal se transcreve na necessidade de um contato pessoal a ágil, quanto mais
próximo do ato suicida mais necessidade dessa relação aproximada.
Como já afirmado acima a nos casos de suicídio se dar sempre com um
fortalecimento de vinculo de pertencimento do individuo em um meio social, de modo
que o serviço social se desenvolve como função imprescindível em uma sociedade
marcada pelo individualismo.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tendo em vista a veracidade de todo o supracitado é necessário trazer a tona


várias assertivas sobre suas consequências. Fica claro que o suicídio não é algo
simples de se interpretar, haja vista que compreende um conjunto complexo de
elementos que levam pessoas ao ato. Todavia não se pode escapar da realidade de
que o suicídio se apresenta muitas vezes como sintoma de uma sociedade doente e
mais, fruto de uma filosofia e de um sistema que tentaram elevar o homem ao
máximo, mas o trouxe a um desalento. Deixando-o perdido em um universo, vivendo
à própria sorte, explorado e extorquido por uma sociedade envenenada pela
ganância. Torna-se assim necessário uma reflexão mais profunda sobre os efeitos
mais cruéis dessa cosmovisão, levando em conta o âmbito psicossomático do
individuo. É importante, por outro lado, não apenas olhar para os efeitos, mas
pensar assim as causas que deságuam as vezes em tanta melancolia. O suicídio
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sempre existiu, mas o suicídio fruto direto ou indireto do pós-modernismo não


precisa ser encarado como sem “cura”, muito pelo contrário. Assim, brota a
necessidade da atenção se voltar para o assistente social, como individuo que age
dentro de sua função como um reparador social, sanando os vácuos construídos e
expostos no pós-modernismo, assim, o serviço social, acaba por ter ação direta no
desenvolvimento da saúde pública e social que engloba o suicídio, atenuando seus
efeitos, na medida do possível, informando, contatando e dando o apoio a família
que teve algum membro enveredado por este caminho,

REFERÊNCIAS

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