Trabalho de Direito Tributário I Prof.

Emilson José Aluno: Walte de Oliveira Gomes Pereira Saltiel Turma 51M Mat.: 31090067

Orçamento
Conceito
Orçamento- é peça escrita, organizada pelo Governo, na qual faz previsão de receita e fixa as despesas para determinado período financeiro. É uma lei de caráter sui generis. A Constituição Federal (art. 165, §5º, incisos) aponta três tipos de orçamentos compreendidos na Lei Orçamentária: fiscal, referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, incluídas fundações; de investimento, das empresas em que a União detenha a maioria do capital social com direito a voto: da seguridade social, que abrange todas as entidades e órgãos a ela vinculados, fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público.(Dicionário Técnico
Jurídico ± Deocleciano Torrieri Guimarães, Ed. Rideel .)

Receita Pública ± total das rendas previsto no orçamento, arrecadadas de fontes produtivas durante um exercício financeiro. Por elas é fixada a despesa para atender a gastos administrativos. Pode ser ordinária, aquela proveniente de fontes produtivas do Estado, certas e permanentes, fixadas no orçamento; e extraordinárias, a de rendas incertas, eventuais e temporárias, para cobrir déficits orçamentários ou que o Governo decreta para cobrir despesas imprevistas. (Dicionário Técnico Jurídico ± Deocleciano Torrieri Gu imarães, Ed.
Rideel.)

Despesa Pública ± consignação de parte da receita para atender às necessidades coletivas e obrigações administrativas; a despesa global é autorizada pelo Legislativo, após aprovação do Orçamento e despesa particular, após aprovação dos órgãos que fazem o controle dos gastos e passa por três estágios para ser legitimada: empenho, liquidação e pagamento. Pode ser: ordinária: aquela prevista no orçamento e que é periódica; extraordinária: a que se faz eventualmente, sem previsão orçamentária, por suplementação ou transferência de recursos; especial: a que é votada posteriormente à aprovação do Orçamento para atender a despesas obrigatórias do Estado. (Dicionário Técnico
Jurídico ± Deocleciano Torrieri Guimarães, Ed. Ride el.)

Introdução
Diante das inúmeras demandas sociais existentes a figura estatal é necessariamente cogitada, já que sua existência deve ser voltada para a consecução do bem comum. E para o Estado atender às necessidades públicas, lança mão de ações que visam à realização de gastos e obtenção de receitas. É a chamada atividade financeira.

em situações de crise. pressionando ou estimulando a estrutura produtiva e modificando as formas de distribuição de renda. É possível que o poder Legislativo conheça e autorize.320. aprovação. Através dele. Legislação O orçamento encontra-sepositivado na Constituição Federal de 1988. Através dele. ao ano civil. estimam-se as receitas a serem arrecadadas e fixam-se as despesas a serem realizadas em um exercício financeiro.PRINCÍPIO DO ORÇAMENTO BRUTO ± As receitas e despesas devem constar no orçamento por seus valores brutos. correspondente. de 4 de maio de 2000. entre os artigos 165 e 169. estabelecendo normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal. Ainda relacionado ao aspecto político.PRINCÍPIO DA UNIDADE ± Estabelece a existência de uma única lei orçamentária para cada ente federado (União. Também existe a função econômica do orçamento. opta-se pelo superávit. . todavia os mesmos são os mais relevantes. com a preocupação do Legislativo em fiscalizar a distribuição das receitas arrecadadas. o orçamento promove uma defesa do patrimônio do particular ante o poderio arrecadatório do Estado (na figura do poder Executivo). a qual compreenderá os orçamentos fiscal. de investimento das estatais e da seguridade social. pois a realização de despesas é restrita ao período e aos limites estabelecidos pelo poder Legislativo.PRINCÍPIO DA ANUALIDADE ± O orçamento tem sua vida limitada a um ano. . . para incrementar os investimentos na economia. Estados. O assunto orçamento não se restringe a estes diplomas legais. vedadas as deduções. . mais conhecida como ³Lei de Responsabilidade Fiscal´. no Brasil.PRINCÍPIO DA UNIVERSALIDADE ± O orçamento conterá todas as despesas e todas as receitas do Estado num dado exercício financeiro. adota-se o déficit. Em momentos de crescimento. previamente.Um instrumento relevante utilizado pela administração pública para planejar e efetivar suas ações é o ORÇAMENTO. Estados. Municípios e do Distrito Federal. também trata da matéria. devendo ser executado entre 1° de janeiro e 31 de dezembro. com as normas gerais do direito financeiro para a elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União. Outro dispositivo legal que aborda o tema é a Lei n° 4. de 17 de março de 1964. na medida em que constitui forma de controle da administração. Princípios Orçamentários A administração pública baseia-se em alguns princípiospara que o processo de elaboração. Funções O orçamento apresenta uma função política. A Lei Complementar n° 101. o Estado possui condições de intervir na economia. Constitui-se num mecanismo de equilíbrio político entre os dois poderes citados. os ingressos e os dispêndios de recursos. execução e controle do orçamento seja corretamente norteado : . Distrito Federal e Municípios).

Usado em países parlamentaristas. ou seja. um orçamento democrático.. executa e controla o orçamento.PRINCÍPIO DO EQUILÍBRIO ± Princípio clássico de finanças. a elaboração.PRINCÍPIO DA NÃO-AFETAÇÃO (NÃO-VINCULAÇÃO) DAS RECEITAS ± Veda a vinculação da receita tributária a despesas específicas.PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE ± O orçamento deve ser levado ao conhecimento da sociedade para ser considerado válido (publicação no Diário Oficial). Consideravam-se as necessidades financeiras das unidades organizacionais.PRINCÍPIO DA ESPECIFICAÇÃO ± Postula o aparecimento no orçamento das despesas e receitas de forma discriminada. este poder elabora. Constituía-se num mero instrumento contábil e baseava-se no orçamento do exercício anterior. explicitando a origem e a aplicação dos recursos. de desempenho ou de realizações. . Classificação O orçamento pode ser classificado de duas formas: de acordo com o regime político adotado no país e segundo a técnica aplicada para sua elaboração. . dividindo o orçamento em: clássico ou tradicional. Orçamento Tradicional ou Clássico . aprova. orçamentoprograma.PRINCÍPIO DA EXCLUSIVIDADE ± O orçamento não conterá elementos estranhos à fixação da despesa e à previsão de receita. . a aprovação e a votação competem ao referido poder. . No Executivo. Esse tipo de orçamento não é mais utilizado. . cabendo ao Executivo a execução. o orçamento pode ser classificado em: Legislativo. Pelo critério político. Executivo e Misto. enfatizava atos passados. preceitua que o montante das despesas não pode ultrapassar a estimativa de receita para o exercício financeiro. a discussão.PRINCÍPIO DA CLAREZA ± O orçamento deve ser claro e compreensível para qualquer indivíduo. . Por fim. sendo característico de Estados absolutistas. e orienta o recolhimento dos recursos a uma conta única do Tesouro. Outra forma de classificação do orçamento utiliza critérios técnicos. ou seja. demonstrando uma despreocupação do administrador público com o atendimento das necessidades da coletividade. tratará exclusivamente de assuntos financeiros. orçamento base zero ou por estratégia e orçamento participativo. No orçamento Legislativo. Vedam-se as dotações globais não-especificadas. . através do qual representantes do povo (deputados) e dos entes federados (senadores) autorizam o Executivo a realizar os gasto públicos conforme dispuser a lei (modelo adotado no Brasil).PRINCÍPIO DA PROGRAMAÇÃO ± Estrutura orçamentária baseada em programas de trabalho.a principal característica deste orçamento era a falta de planejamento da ação governamental. o tipo misto.

Percebe-se que a partir desse modelo passa a existir um elo entre o planejamento e as funções executivas da organização. criou-se um novo modelo: o orçamento de desempenho ou de realizações. Orçamento Base Zero ou por Estratégia . Considerado avançado na comparação com o orçamento clássico. Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA). nesse modelo orçamentário inexistia um instrumento central de planejamento das ações do governo vinculado à peça orçamentária. através do orçamento-programa. e não apenas o gasto em si. Planejamento Para realização do planejamento e do orçamento é importante instrumentalizar o Estado com as corretas ferramentas. democratiza-se a relação Estado X Sociedade. quais sejam: Plano Plurianual (PPA). Orçamento Participativo . em seu artigo 165.Consiste em planejamento estratégico de longo prazo. Ou seja. e para as relativas aos programas de duração continuada´ . Caracterizava-se pela apresentação de dois quesitos: o objeto de gasto (secundário) e um programa de trabalho contendo as ações desenvolvidas. enfatizava-se o resultado dos gastos. deixa de existir vínculo entre a verba destinada para uma atividade específica de um ano para outro. as diretrizes. como se cada item da despesa fosse uma nova iniciativa do governo. com a consequente formalização de programas visando ao atingimento das metas e alcance dos objetivos. que era a desvinculação entre planejamento e orçamento. ordenando suas ações e visando à consecução de objetivos e metas a serem atingidas nos quatro anos de mandato. com o PPA. traçar o seguinte caminho: estabelecimento de objetivos e quantificação de metas. Busca-se. É o tipo de orçamento utilizado no Brasil.na busca da evolução do controle orçamentário. tem-se a descrição dos instrumentos legais de planejamento.Orçamento de Desempenho ou de Realizações . Na atual Constituição. Busca-se. Aqui. rompendo com a visão política tradicional e colocando o cidadão como protagonista ativo da gestão pública. Estabelece-se a necessária relação entre as ações a serem . Partindo desse pressuposto.instrumento que serve para alocar os recursos públicos de forma eficiente e eficaz segundo as demandas sociais. Busca-se a participação real e efetiva da população. contendo os projetos e atividades que o governo pretende realizar. Orçamento-Programa . O § 1° do artigo 165 da Constituição diz que ³a lei que instituir o Plano Plurianual estabelecerá. bem como os resultados esperados. Dessa forma.essa modalidade tem como preocupação básica identificar os custos dos programas propostos para alcançar os objetivos. explicitar as metas e prioridades da administração. de forma regionalizada. os objetivos e metas da Administração Pública para as despesas de capital e outras delas decorrentes. PLANO PLURIANUAL (PPA) . o orçamento de desempenho apresentava uma falha.modelo orçamentário que determina o detalhamento justificado de todas as despesas públicas a cada ano.

até 31 de agosto. permitindo a avaliação do desempenho dos programas. compreender as metas e prioridades da administração pública.desenvolvidas e a orientação estratégica do governo. Retomando o que foi explicado anteriormente. O prazo para encaminhamento da LDO ao Legislativo é oito meses e meio antes do encerramento do exercício financeiro (15 de abril). incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente. Todavia. dispor sobre as alterações na legislação tributária (criação de novos tributos. uma vez que os planos plurianuais dificilmente conseguiam respaldar as ações incorporadas e implementadas constantes no orçamento anual. LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS (LDO) . LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL (LOA) . A vigência do PPA é de quatro anos. através de LEI. a criação de cargos. estabelecer a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento. bem como a admissão e contratação de pessoal a qualquer título nos órgãos e entidades da administração pública.Instrumento de gestão relativamente novo no ordenamento jurídico pátrio. Ele deve ser encaminhado do Executivo ao Legislativo até quatro meses antes do encerramento do primeiro exercício.A finalidade da LOA é a concretização dos objetivos e metas estabelecidas no PPA. Seus objetivos são: orientar a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA) em harmonia com o PPA. o PPA facilita o gerenciamento da administração. Além disso. a execução das despesas destinadas ao funcionamento da ³máquina administrativa´. Com relação à vigência da LDO. autorizar a concessão de qualquer vantagem ou aumento de remuneração de servidores. . E a devolução ao Executivo deve ser realizada até o encerramento do primeiro período da sessão legislativa (17 de julho). A LDO é doutrinariamente conhecida como parte do planejamento operacional da administração pública. em consonância com o que foi estabelecido na LDO. através de definição de responsabilidades pelos resultados. empregos. A LOA é o que poderia ser chamado de orçamento por excelência ou orçamento propriamente dito. iniciando-se no segundo exercício financeiro do mandato do chefe do executivo e terminando no primeiro exercício financeiro do mandato subsequente. ou seja. a LDO surgiu através da Constituição de 1988. E a devolução ao Executivo deve ser feita até o encerramento do segundo período da sessão legislativa (22 de dezembro). diminuição ou majoração de alíquotas). o entendimento da doutrina majoritária é que a mesma tem validade de um ano. É o cumprimento ano a ano das etapas do PPA. do exercício em que for encaminhado. funções ou alteração na estrutura de carreira. a eficácia formal da LDO extrapola o exercício financeiro. com exceção das empresas públicas e sociedades de economia mista. para ser uma conexão entre o plano estratégico das ações governamentais (Plano Plurianual) e o plano operacional a ser executado (Lei Orçamentária Anual). Sua relevância reside no fato de ter conseguido minimizar a divergência de realização das ações. é o ato pelo qual o poder Executivo prevê a arrecadação de receitas e fixa a realização de despesas para o período de um ano e o poder Legislativo autoriza-lhe. uma vez que ela estabelece regras orçamentárias a serem executadas ao longo do exercício financeiro subseqüente.

Deverá ser encaminhada ao Legislativo quatro meses antes do término exercício financeiro (31 de agosto). e devolvida ao executivo até o encerramento da sessão legislativa (22 de dezembro). ou seja. do exercício corrente.320/64. 2008. 2007. Dicionário Técnico Jurídico. Deusvaldo.A elaboração da proposta orçamentária para um dado exercício financeiro é tarefa deveras complexa. GUIMARÃES.com. . 2009. Ricardo. e demais órgãos (Unidades Orçamentárias) elaboram suas propostas orçamentárias e encaminham para o poder Executivo (Ministério do Planejamento. e Secretarias de Planejamento Estaduais e Municipais). é entendido que a lei orçamentária possui vigência anual. coincidirá com o ano civil (1° de janeiro a 31 de dezembro). De forma resumida. NASCIMENTO. LEXANDRE. Direito tributário esquematizado. Orçamento e Contabilidade Pública. Rio de Janeiro: Elsevier. Segundo a definição do princípio da anualidade. Bibliografia: CARVALHO. Orçamento e Gestão ± MPOG. Judiciário e mais o Ministério Público). no caso da União. está adstrita ao exercício financeiro que.br/2009/04/28/orcamento-publico/). São Paulo: Ed. funciona de seguinte forma: todos os poderes (Executivo. São Paulo: Método. Texto postado no site ³Laboratório Jurídico´ (http://laboratoriojuridico. segundo o artigo 34 da Lei n° 4. Legislativo.de 28/04/2009. Renato Cardoso. Deocleciano Torrieri. Rideel. o qual consubstancia todas as propostas e encaminha um Projeto de Lei de orçamento ao Congresso Nacional.

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