Você está na página 1de 69

Maurício Sampaio

COACHING
VOCACIONAL
Uma nova estratégia para ajudar os jovens em
suas escolhas profissionais
© Editora DSOP, 2015
© Maurício Sampaio, 2015

Presidente
Reinaldo Domingos

Editora de texto
Renata de Sá

Capa e edição de arte


Christine Baptista

Projeto gráfico
Denise Patti Vitielo

Produção editorial
Amanda Torres Todos os direitos desta edição reservados

Sumário
à Editora DSOP.
Revisão
Av. Paulista, 726 | Cj. 1210 | 12o andar
Patrícia Dourado
Bela Vista | CEP 01310-910 | São Paulo - SP
Impressão Tel.: 11 3177.7800
Intergraf Indústria Gráfica Eireli www.editoradsop.com.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Sampaio, Maurício
Coaching vocacional : uma nova estratégia para
ajudar os jovens em suas escolhas profissionais /
Maurício Sampaio. -- São Paulo : Editora DSOP,
2015.

ISBN 978-85-8276-134-2

1. Carreira profissional 2. Coaching 3. Escolha


da profissão 4. Orientação vocacional I. Título.

15-05535 CDD-371.425
Índices para catálogo sistemático:
1. Coaching : Escolha profissional : Educação
371.425
Sumário
Parte quatro 64
Iniciando o processo de coaching 65
Introdução 6 Ferramentas & estratégias 66
Ganhe a confiança do seu coachee 69

Parte um 12 Apresentando o processo de coaching vocacional 70


Formulando um contrato de trabalho 71
Conhecendo o processo de coaching 13
Cadastro do coachee 75
Seja um coach de sucesso 15
Organizando as sessões 77
O coach e suas formas de atuação 18
O poder de transformar perguntas em armas poderosas 21
O “que/qual”, “como”, “quando”, “onde” e “por que?” 23 Parte cinco 82
Teste – Você está preparado para ser um coach? 25 Levantamento de expectativas 83
Entendendo as necessidades do seu cliente 84

Parte dois 28 Ferramentas do autoconhecimento – levantamento da maturidade vocacional 86


Identificando valores 88
O método MS® para coaching vocacional 29
Descobrindo e eliminando as crenças limitantes 92
Educando o seu coachee para o coaching 30
Estratégias para eliminar as crenças 95
Analisando seu coachee mais de perto – etapa do autoconhecimento 34
Análise SWOT pessoal 96
É preciso planejar e agir – etapa do planejamento e da ação 35
Definição de critérios ocupacionais (motivadores e interesses) 100
Encontre o Sherlok Holmes que existe dentro do seu coachee – etapa da pesquisa 36
Planejando e decidindo 103
Estamos indo no caminho certo? – etapa de avaliação e da autoavaliação 38
Trabalhando com agenda 108
O método MS® e sua fundamentação teórica 39
Tomada de decisão 110
Algumas teorias sobre orientação vocacional 42
Plano de voo 114
Fases do desenvolvimento vocacional e ocupacional de Super 48
Identidade pessoal, vocacional e ocupacional 52
Parte seis 126
Parte três 54 Como se tornar um coach vocacional de sucesso 127
Vivendo de coaching 128
Cuidados ao atuar com jovens e adolescents 55
O jovem e a escolha profissional 56
O jovem coachee na fase de escolha profissional 58 Conclusão 132
Utilizar ou não testes, eis a questão 60 Referências bibliográficas 133
Barreiras na escolha de uma profissão 62 Biografia 135
Cada vez mais tem crescido no Brasil e no mundo a procura

Introdução
pela formação em coaching. E isso tem um motivo, as pessoas es-
tão mais infelizes no trabalho, com a vida profissional e com a car-
reira que escolheram. Para dar a volta por cima, acabam buscando
auxílio de profissionais especializados com métodos bem práticos.

Segundo uma pesquisa realizada pelo ISMA (International


Stress Management Association), a mais antiga e respeitada as-
sociação sem fins lucrativos e a única com caráter internacional
voltada para a pesquisa e para o desenvolvimento da prevenção
e do tratamento do estresse no mundo, apontou que, no Brasil,
cerca de 80% dos profissionais ativos no trabalho estão insatis-
feitos. Uma outra pesquisa realizada pelo Instituto Gallup, com
80 anos de experiência e abrangência global, apontou que ape-
nas 13% da população mundial encontra-se satisfeita com sua
vida profissional.

6 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 7


Boa parte dessas pessoas quer promover uma gran- prática as técnicas aprendidas, ela também está aplicando em
de mudança em suas vidas, mais do que tudo, elas querem sua vida a filosofia por trás do coaching.
achar um propósito de vida, querem ser felizes no trabalho e
Não existe quem não tenha passado por momentos de turbu-
serem reconhecidas.
lência na carreira. Veja meu caso: tive problemas e inquietações tí-
Você pode estar se questionando: qual a relação disso picas da idade, principalmente na questão da escolha profissional.
com o coaching para jovens e adolescentes? A questão é que Fui levado pelo impulso de gostar muito de esporte e optei cursar
uma grande parcela desses profissionais, tanto aqui em nos- Educação Física. Prestei vestibular, passei e, depois de um ano,
so país como em outros, provavelmente, fizeram uma esco- desisti, foi um momento emocionalmente ruim pra mim e finan-
lha profissional nessa fase da vida com uma alta margem de ceiramente ruim para os meus pais.
erro. Ou seja, de certa forma sofreram influências externas de
pais, amigos e professores e também, influências internas, Na mesma época, minha mãe tinha inaugurado uma escola

tais como autoconceito negativo, falta de autoconhecimento, em São Paulo. E como pais que desejam proteger seus filhos,

crenças limitantes e outros aspectos que impediram que rea- principalmente pais que possuem um negócio, ela me convidou
lizassem uma escolha profissional mais assertiva. para trabalhar na escola.

Nesse sentido, o processo de coaching vocacional pode contri- Aceitei o desafio, porém a contrapartida era que eu deveria
buir e muito. Essa é uma ferramenta muito pragmática, com um cursar Pedagogia. E não é que eu me identifiquei com o curso.
poder muito grande de promover reflexões e novas estratégias. Foi por meio dele que consegui entender meu verdadeiro papel e
As pessoas que procuram uma formação, ou mesmo inciar, nesse foi durante esse período que entendi que minha vocação era, de
nicho de mercado, querem ajudar outras pessoas a se realizarem fato, ajudar pessoas, ensinar e aprender.
na vida pessoal, nos negócios, na empresa e na carreira.
Dali para frente, comecei a ver que, assim como eu, muitos
Costumo dizer que, quando uma pessoa realizar um curso jovens da escola em que eu era diretor do Ensino Médio, estavam
de formação em coach, principalmente voltado para as questões passando pelo tormento que passei. Foi a partir desse momento
de carreira e vocação, na verdade, está pagando por um serviço, que me dediquei fortemente às questões relativas à vocação e
mas recebendo dois em troca, uma vez que, além de colocar em orientação profissional.

8 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 9


Foram diversos cursos, formações, palestras, muitos livros e ras e dificuldades desse grupo específico de clientes, ou melhor
muitas horas de atendimento, realizando sessões de orientação dizendo, dos coachees (essa é a forma que chamamos os clientes
vocacional e profissional. O coaching chegou um pouco depois em coaching).
para agregar valor ao meu projeto. E é isso tudo que eu quero
Na quarta parte, entramos já na aplicação do método. Nessa
ensinar a você neste livro: os conceitos, as ferramentas e tudo
etapa do livro, eu ensino a você algumas questões importantes
que for relativo ao processo da escolha profissional dos jovens.
sobre atendimento, que vão desde a apresentação do método
Nesse sentido, eu não vou me ater a um único meio de apli- até o contrato de trabalho.
car, mas sim a uma mistura que vem dando certo há muitos
Na quinta parte, você vai aprender as principais ferramentas
anos comigo, o coaching vocacional. Durante as próximas pá-
para serem utilizadas durante seu programa de coaching vocacio-
ginas, você vai entender “como” e “por que” aplicar as técnicas
nal com os adolescentes e os jovens.
que eu desenvolvi.
E, para fechar o ciclo, na última parte, eu ensino como vender
Na primeira parte do livro, você vai ser apresentado ao pro-
seu projeto de coaching vocacional. Você vai entender como con-
cesso de coaching, conhecer os benefícios, descobrir quais ha-
quistar o mercado e ser reconhecido.
bilidades e competências são necessárias para um profissional
se tornar um coach vocacional e ainda descobrir os diferenciais Ao ler essa introdução, você talvez esteja se perguntado se
dessa ferramenta. isso tudo é para você? Se é possível você se tornar um coach
vocacional? Como o coaching tem em sua base conceitos sobre
Na segunda parte, vou apresentar a você o método MS®. Foi
desenvolvimento humano, todo profissional é capaz de aprender
com ele que eu realizei mais de 5 mil horas de atendimentos nos
as técnicas e se tornar uma coach vocacional de sucesso. O mais
últimos dez anos. Essa é uma parte muito importante, pois ter
importante é ter na alma a vontade de contribuir com outras pes-
um método ajuda muito na elaboração e na aplicação de um pro-
soas e gostar de aprender.
grama de coaching.
Maurício Sampaio
Na terceira parte, falarei sobre os cuidados legais em lidar
com adolescentes e jovens e também apresento algumas barrei-

10 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 11


Parte um Conhecendo o processo
de coaching

12 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 13


Seja um coach de sucesso
A procura por cursos e palestras voltados para a formação em
coach vem crescendo substancialmente. São profissionais que es-
tão estudando, pesquisando e contribuindo com seu conhecimento
em diferentes áreas, em questões ligadas ao planejamento pessoal,
desenvolvimento de carreira, coaching financeiro e de vendas. Mais
recentemente, o coaching invadiu o setor educacional. Isso já era de
se esperar, pois este universo cheio de relacionamentos e interações
foi o local em que o coaching promoveu suas primeiras inserções, por
meio de grandes filósofos, como Sócrates e Aristóteles.

A filosofia do coaching teve como base a herança das teorias


de Sócrates, que tinha como propósito central a descoberta das
respostas referentes à capacidade e ao potencial em si próprio.
O método socrático era composto de perguntas, palavras que
promovessem a reflexão de seus discípulos, sempre levando em
consideração os conhecimentos prévios, que eram contestados e
discutidos exaustivamente.

Sócrates utilizava duas estratégias. A primeira era a ironia, que bus-


cava a parte mais humilde do pensador, em que ele se portava na figura
de ouvinte. A partir de um dado momento, o pensador adotava uma
postura de inserir uma série de perguntas, fazendo com que o discípu-
lo caísse em contradição. Daí entrava a segunda estratégia, intitulada
maiêutica. Em homenagem à sua mãe parteira, o momento do “parto”

Maurício Sampaio 15
intelectual, da procura da verdade no interior do homem. Sócrates le-

___________________________________________________________
vava seus discípulos a conceberem uma nova ideia, uma nova opinião
O coaching pode promover resultados
sobre o assunto. Por meio de questões simples, inseridas dentro de um
contexto determinado, a maiêutica dá luz a ideias complexas.
fantásticos, conheça alguns deles:
Em uma concepção mais contemporânea, o coaching teve seu
ponto de partida em 1996, com o americano Timothy Gallwey.
a Aprendizagem constante.
Ele, simplesmente, adaptou para o mundo corporativo técnicas
que utilizava com seus alunos, nas aulas de tênis. Segundo ele,
a Autoconhecimento e autoconsciência.
“o adversário dentro da nossa própria cabeça é mais poderoso
do que o que está do outro lado da rede”. Com isso, Gallwey de- a Melhora da autoestima e da qualidade de vida.
senvolveu uma abordagem diferenciada para ajudar as pessoas
a aperfeiçoarem seu jogo de tênis, ao invés de berrar com os alu- a Promoção do equilíbrio em todas as áreas da vida.
nos, como fazia a maior parte dos professores da época.

Ele entendia que o papel do técnico era o de fazer pergun-


a Organização do tempo.
tas, de modo que contribuísse para que o jogador ampliasse sua
a Ajuda no processo criativo.
consciência sobre como jogava e, depois, fizesse os ajustamen-
tos necessários. Para Gallwey, o jogo de tênis, como o jogo da
a Melhora dos relacionamentos pessoais e organizacionais.
vida, consiste em expressar nosso potencial e ser uma fonte de
respostas para as nossas próprias perguntas.
a Aumento da autoconfiança.
Por coaching, compreende-se uma sistemática de trabalho, em
que uma pessoa especializada e com técnicas corretas, denominado a Planejamento e foco de atuação.
coach, irá cooperar para que a outra, o coachee, atinja seus objetivos
e metas, por meio da exploração de competências, mudanças de
_________________________________________
hábitos e comportamentos, novas atitudes, planejamento e ação.

16 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 17


O coach e suas formas de atuação Coach independente: Uma das formas de trabalho que mais
cresce. Boa parte dos profissionais que se formam, nos diferen-
O processo de coaching é formado basicamente por três im- tes cursos de coaching, logo pensam em se estabelecer como tal,
portantes agentes: coach (quem conduz o processo), coachee procuram um local para começar a atender e, aos poucos, vão
(o cliente) e coaching (o processo), considerando o processo do criando a própria carteira de clientes.
coaching como um agente efetivo, visto que ele é formado de
Em todos os casos, existem os prós e os contras, e a decisão
ferramentas práticas e, principalmente, de reflexões que pro-
de como trabalhar será exclusivamente sua, dependendo do pla-
movem mudanças.
no de negócio e do projeto de cada profissional. Um erro crucial
Atualmente, existem três formas básicas de atuação para a cometido pelos profissionais é a falta de um plano de negócios,
abordagem de coaching: tema que trabalharemos mais a frente. É claro também que ou-
tros aspectos influenciam na escolha da forma de atuação, como
Coach externo: profissional sem vínculo empregatício, contra-
disponibilidade financeira para iniciar o próprio negócio, foco de
tado por um tempo determinado e para uma demanda específi-
trabalho, tempo disponível, entre outros.
ca. No caso do coaching vocacional, orientações para um aluno ou
até mesmo um grupo de alunos que estão com dificuldades na Após decidir a forma de atuação com a escola contratante, o
escolha profissional. profissional, juntamente com a equipe pedagógica, precisa avaliar
se o mais adequado seria um atendimento individual ou coletivo.
Coach interno: profissional que atua de forma rotineira e sis-
Vale ressaltar que, mesmo nos atendimentos coletivos, em alguns
temática em uma organização. Nas escolas, geralmente, esse
momentos, o coach deverá fazer um trabalho individualizado com
profissional assume duas ocupações – o de orientador educa-
cada aluno, para sanar possíveis dúvidas e questionamentos.
cional, com a função de cuidar de questões ligadas ao rendimen-
to escolar do aluno e, no Ensino Médio, desenvolve um projeto O coaching vocacional é uma especialização, um setor muito
de orientação profissional. Porém, nem todos os colégios têm promissor da atividade de coaching, isso porque existem muitas
um trabalho focado, no qual é necessário um acompanhamento dúvidas quando o assunto é vocação. Por isso, listei uma série de
constante, e outras nem sequer têm um projeto vocacional. pontos que um coach pode trabalhar com um jovem, na busca por
uma carreira de sucesso.

18 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 19


Coaching de carreira para adolescentes e jovens. a Rompa crenças limitantes – quebre paradigmas que o im-
peçam de crescer.
Coaching de carreira para jovens universitários.
a Instale crenças fortalecedoras – seja capaz de incentivar e
Coaching para o primeiro emprego.
descobrir os interesses e motivações.
Coaching para transição de carreira.
a Promova autonomia e ação – faça com que o coachee este-
ja motivado para realizações.
Habilidades e competências essenciais para que o coach rea-
lize um processo de coaching de forma eficiente e que contribua, a Aprenda constantemente – promova e fomente novas des-
de fato, para o crescimento e desenvolvimento do coachee: cobertas para a vida e não apenas para os momentos pontuais.

a Estabeleça empatia – crie sinergia com o coachee, entenda


o seu universo, seus costumes, pensamentos, gestos e atitudes.
O poder de transformar perguntas em
a Identifique reais necessidades – saia das perguntas su- armas poderosas
perficiais, pesquise, reflita, indague e procure por verdades.
Costuma-se falar que um bom coach é um bom perguntador. E é
a Planejamento – organize a agenda de trabalho, antecipan- verdade! Como mencionei no primeiro capítulo, perguntar, questio-
do possibilidades, hipóteses, entre outros. nar e debater vem desde a Antiguidade, lá com os grandes filósofos,
sendo que o coaching se apropriou dessa técnica, a fim de buscar
a Detecte influências externas – seja capaz de identificar,
uma autoavaliação, uma autoconsciência e um aprendizado.
com ou sem auxílio de ferramentas (testes), os níveis de influên-
cias no processo de escolha. As perguntas promovem desafios constantes, e qual o ser
humano que não gosta de se sentir desafiado? Imagine um jovem,
a Detecte valores – esteja atento às palavras, aos discur-
então? Utilize perguntas, de forma moderada e assertiva, pois,
sos, identifique os propósitos embutidos no processo.
muitas vezes, os profissionais acabam chateando seus coachees
a Promova o autoconhecimento – propicie uma reflexão cons- por conta de tantas perguntas, transformando a sessão em um
trutiva, capaz de avaliar potenciais, talentos e habilidades. verdadeiro interrogatório. Quando isso ocorre com um jovem, o

20 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 21


processo tende a ficar mais difícil, uma vez que o cliente passa a
O “que/qual”, “como”, “quando”, “onde”
achar que você é mais um para cobrá-lo.
e “por que?”
Para usar as perguntas de uma maneira mais assertiva, é
Assim como um lead jornalístico, que nada mais é do que
possível fazê-las de duas maneiras: perguntas abertas e pergun-
elencar as informações mais importantes dos fatos no primeiro
tas interrogativas.
parágrafo da reportagem, em que o repórter responde às cinco
questões: “que/qual”, “como”, “quando”, “onde” e “por que?”, o
coach também precisa dessas informações do seu cliente para
Perguntas abertas: Promovem a autoconsciência
conseguir construir as ações necessárias para escrever a história
sobre determinado assunto. Propõem uma análise profissional do coachee.
para que o cliente reflita de uma forma diferente,
por meio de uma nova perspectiva. Questões utilizando o “que” buscam por especificidade: o que
aconteceu? O que você pretende fazer? O que você está espe-
rando? Questões utilizando o “qual” buscam por opções: qual
outro caminho que você poderia escolher? Qual curso além des-
se? Qual o tempo que você precisa para escolher? Enquanto que
Perguntas interrogativas: são mais eficazes ao perguntas com “como” buscam por estratégias: como você vai
reforçar a consciência e aumentar a responsabilidade fazer para saber sobre o curso? Como você vai saber se isso lhe
no cliente, questionando sobre prazos de inscrições, dará dinheiro? Como você vai saber que o curso que escolheu vai
quais universidades o cliente pretende prestar proporcionar um bom futuro?
vestibular, entre outros.
Já as do “quando” buscam por tempo: quando você vai ter cer-
teza da escolha de seu curso? Quando vou ficar sabendo que você
já fez a escolha? As questões utilizando o “onde” buscam por
localizações: onde você poderá utilizar o que aprenderá em seu
curso? Onde você estará daqui a quatro anos?

22 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 23


Teste
E, por fim, o “por que” busca por valores e crenças: Por que
você acredita que esta é a melhor escolha? Por que esta opção Você está preparado para ser um coach?
SIM NÃO
de curso?
É importante para você realizar alguma coisa significativa em sua vida?
Todos os exemplos de perguntas colocados aqui podem ser Você é apaixonado por ajudar os outros?
alterados em função de seu objetivo, sempre promovendo o des- Você, frequentemente, determina e alcança seus objetivos?
pertar de uma reflexão e, o mais importante, promovendo a ação Você gosta de trabalhar de forma independente?
propriamente dita.
Você pensa estrategicamente?

Você é autodirecionado?

Você gosta de estar no controle do seu ambiente de trabalho?

Você assume a responsabilidade pelo seu sucesso e fracasso?

Você se encontra em excelente condição física, mental e emocional?

________________________________________
O que/qual? Você possui conhecimento básico sobre as questões de desenvolvimento de
carreira?

O seu trabalho é muito interessante, tanto que o tempo passa e você não sente?
________________________________________
Como? Você considera “falhas” oportunidades para aprender e crescer?

Você consegue sustentar suas ideias e objetivos mesmo quando outros não

________________________________________
Quando?
concordam ou mesmo não o incentivam?

Você está disposto a sofrer riscos moderados para alcançar suas metas?

Você pode investir dinheiro em seu próprio negócio?


________________________________________
Onde? Diante de uma necessidade, você está disposto a realizar tarefas que provavel-
mente não lhe interessam?

________________________________________
Por que?
Você acredita que consegue estabelecer uma interação, comunicação apropriada,
trabalhando via telefone ou internet?

Você constantemente se prende em uma tarefa até que ela esteja completa?

Você consegue ignorar as distrações de trabalhar em sua própria casa?

24 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 25


Resultados
17 – 20 ”sim” – coaching é para você!
14 – 16 “sim” – você pode estar preparado para atuar como coach.
10 – 13 “sim” – trabalhar com equipes ou em organizações pode se
encaixar melhor em seu perfil.
5 – 9 “sim” – examine sua escolha com calma, tenha certeza de que
coaching é para você.
0 – 4 “sim” – coaching não é a melhor escolha.

26 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 27


Parte dois O Método MS®
para coaching vocacional

28 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 29


Educando o seu coachee para o coaching encontros, a quantidade de sessões e outros detalhes operacionais.
Aqui também começa a relação coach e coachee e, por conta disso,
O Método MS® foi desenvolvido com base em conceitos e teo- algumas barreiras costumam aparecer nesse momento. Não foram
rias existentes, juntamente com a prática em orientação vocacio- poucas as vezes em que os pais forçaram os filhos a participarem
nal e processo de coaching. Essa metodologia segue um modelo de um programa de orientação vocacional, causando um desâ-
sequencial, isto é, uma estrutura que permite estabelecer o pro- nimo por parte dos jovens. Se isso ocorrer com você, será preciso
grama em sessões. Porém, com o diferencial de ser também fle- ter bastante habilidade para prosseguir com o trabalho. Constan-
xível em suas fases, como no tempo de duração ou nas diferentes temente, você terá que ministrar situações conflitantes entre pais e
ferramentas a serem utilizadas no processo. Trata-se, no entanto, filhos logo na primeira sessão. Essa fase pode durar, às vezes, mais
de um modelo para que o coach possa, de forma mais organizada, de uma sessão. Sem problemas! Não tenha pressa!
estruturar as principais etapas do seu atendimento.
Apresentação do Método MS®
A primeira etapa do método é uma das mais importantes, pois
trata-se da etapa de apresentação do processo de coaching e do seu
ICEC
trabalho enquanto coach. No mundo do coaching, essa etapa é cha-
mada de coaching education, ou seja, é a fase de educar seu coachee Levantamento de valores -
AUTOCONHECIMENTO talentos - habilidades - competências
para o método. É nesse momento que se dá o início de uma relação
de confiança e esperança, tanto por parte do coachee como de seus PLANEJAMENTO E AÇÃO
Definição de objetivos e metas -
foco de atuação

APRENDIZADO
familiares. Conquistar seu cliente tem papel fundamental nesse pro-
cesso. Costumo dizer aos professores e educadores que a aceitação PESQUISA Análise de cenário

corresponde a 50% do resultado final de um trabalho educativo.


AVALIAÇÃO E Checagem das
No coaching vocacional, isso não é diferente. Além disso, o primeiro AUTOAVALIAÇÃO conquistas realizadas

momento pode determinar o ritmo dos próximos encontros.


AUTONOMIA
Esse é o momento em que o coach deve apresentar o seu tra-
balho ao futuro coachee, as suas estratégias e definir as datas dos Capacidade de reiniciar o processo

30 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 31


Orientações valiosas no processo deve interferir e explicar novamente o processo e o papel
de cada um. Seja claro a respeito de que ambos estão ali
do coaching vocacional para um objetivo em comum, e não para discussões.

aAnote todas as colocações e detalhes da conver-


aEscute bastante seu cliente. Tente descobrir sa. Faça isso como um hábito e tenha sempre folhas em
sempre o que existe por trás dos discursos dos pais branco ou um caderno para anotações. Isso pode ajudar
e dos filhos. no trabalho de planejamento, como também demonstrar
seu interesse pelas angústias alheias.
aNa maioria das vezes, você atenderá um menor
de idade, por isso uma dica muito importante é ja- aPrepare uma apresentação do seu trabalho. Como
mais começar um atendimento sem o consentimento o processo de coaching é algo intangível, à primeira vista,
dos responsáveis. transparece um trabalho mais conceitual e reflexivo. De-
monstrar, por meio de uma apresentação, ferramentas,
aEvite tantas perguntas! Geralmente, os jovens são depoimentos e resultados, pode ajudar não só a vender,
avessos aos questionamentos, levam isso como uma
como a passar segurança aos novos clientes, principal-
afronta. Procure se aproximar devagar e depois acelere o
mente aos pais, na maioria das vezes, os pagantes.
ritmo. A grande “sacada” nesse momento é a conquista
da confiança. aExponha claramente os resultados, evite tantos con-
ceitos iniciais. Muitos profissionais acham que o cliente está
aEvite discussões entre pais e filhos, o famoso “la- ali porque quer aprender sobre coaching. Não! Ele veio te pro-
var roupa suja”. Muitas vezes, você vai se deparar com al-
curar porque você é a solução. Os clientes querem saber de
guns desentendimentos, porque pais e filhos esquecem
resultados e, só depois, eles desejam saber como você fez.
que estão diante de um coach e não de um terapeuta. Você

32 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 33


Analisando seu coachee mais de perto que o coachee já traz como bagagem, uma vez que isso pode

- Etapa do autoconhecimento facilitar o seu trabalho e, logicamente, os resultados. Lembre-


-se de que você vai atender jovens de diferentes culturas, de
Passada a fase inicial, está na hora de conhecer de perto diferentes sistemas de ensino, portanto essa bagagem precisa
quem, de fato, é o seu cliente, o que ele pensa, suas crenças e ser pesada no processo de desenvolvimento vocacional.
valores, seu autoconceito, se entende quais são as suas forças,
fraquezas, além de identificar seus talentos, suas habilidades,
seus interesses e suas motivações. É preciso planejar e agir - Etapa do
Trata-se, no entanto, de uma fase de exploração, porque tudo
planejamento e da ação
o que envolve o desenvolvimento humano e vocacional deve ser Imagine a seguinte situação: seu filho ou alguém próximo a você
avaliado, checado e entendido. Talvez, você sinta que uma grande passou horas sentado na areia da praia, construindo um lindo cas-
parte dos jovens com os quais você irá trabalhar pareça ser um telo e imaginando grandes batalhas com príncipes, princesas, reis,
pouco inibida e desconfiada frente a esses assuntos. E eles real- rainhas e, de repente, você vem e pisa em cima ou o mar avança e
mente são. Isso ocorre, principalmente, porque vivemos em uma cobre tudo. Você pode imaginar a decepção? A maioria das pessoas
cultura em que reconhecer o próprio talento parece uma afronta faz isso diariamente, sem perceber, tudo porque não são imparciais,
à sociedade. acham que todos devem viver sua vida, sua história, seus aprendi-
zados, e pertencer à mesma cultura ou classe social sem nenhum
Dizer em voz alta dentro de uma sala de aula, ou mesmo no
tipo de dosador sobre o quanto esse jovem é ou não capaz de absor-
trabalho, que você é bom no que faz, parece ter virado um crime. No
ver uma nova realidade ou um novo ponto de vista.
círculo social, não é muito diferente. As pessoas têm dificuldades
de elogiar uns aos outros, e isso pode acarretar em consequências Para que tudo aconteça no tempo certo, é preciso um pla-
desastrosas, tais como insegurança, inibição, sentimento de nejamento, isto é, traçar ações efetivas, que tragam respostas
fracasso, sensação de estar perdido profissionalmente. tangíveis ao processo. Em muitos casos, você vai perceber que
existe uma tendência para o desvio dos planos estabelecidos e
Essa é uma fase muito delicada e de muitas descobertas para
isso ocorre por alguns motivos, principalmente quando o coach
o seu cliente. Um outro ponto importante é levar em conta aquilo

34 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 35


ou o coachee não conseguem estabelecer uma agenda com prio- de conhecer mais de perto a rotina dos profissionais, seu am-
ridades. Planejar é um hábito, um exercício constante e obriga- biente de trabalho, retorno financeiro, entre outros, são fatores
tório ao coach e ao coachee, sendo que isso não pode ser apenas importantíssimos na escolha da carreira.
um dever do coachee.
Em posse de um conhecimento maior do coachee sobre ele
Se você pretende agir dessa forma, logo a sua ausência será mesmo, está na hora de pesquisar sobre o mundo que o cerca.
percebida. Preste atenção ao comportamento dele, pois o jovem Na verdade, sempre irá existir um déficit entre aquilo que sabe-
tem uma grande tendência em desviar assuntos comprometedo- mos e a realidade em si. Um bom processo de coaching de carreira
res para temas sem importância. E nesse momento, podem surgir deve dar conta da pesquisa da realidade, da visão que o jovem
um mar de desculpas, justificando a falta de tempo para a reali- tem dos acontecimentos, da forma como as coisas realmente
zação das tarefas propostas, que podem ser desde a semana de funcionam. Não se trata de um pré-julgamento das coisas, mas
provas na escola até jantares muito importantes com parentes. sim a forma como a vemos, para isso damos o nome de filtro.

Caso você perceba isso, é preciso conversar com o jovem e, jun- Cada um tem o seu, constituído de vivências, experiências, inter-

tos, chegarem a um ponto de equilíbrio, não sendo duro demais, ferências culturais, sociais e familiares. Com o jovem, ainda existe
mas também não se tornando um grande amigo do seu cliente. um agravante: a imaturidade.

Você vai perceber que muitos jovens coachees que você aten-
derá não sabem ao certo justificar suas afirmações. Isso me faz
Encontre o Sherlok Holmes que existe lembrar o caso de um garoto que queria de qualquer forma se
dentro do seu coachee - Etapa da pesquisa tornar um grande cantor de banda de rock. Ele sabia tudo sobre
Assim como o famoso detetive Sherlok Holmes, que investiga música, conhecia os lançamentos, os melhores músicos, as gran-
os casos sem solução até mesmo para a famosa Scotland Yard, des turnês, os melhores CDs, só não sabia da rotina de trabalho,
faça seu cliente desvendar os mistérios por trás das possíveis do ambiente, das pessoas envolvidas em todo contexto, dos pro-
carreiras que ele pretende prestar vestibular. Pesquisar sobre o blemas de estrelismo que permeiam esse segmento, de como é
mercado educacional e suas possibilidades: universidades, facul- viver sob a luz da fama, o que é ficar longe de casa durante mui-
dades, diferentes modalidades de ensino, grade curricular. Além to tempo, das consequências de abdicar das grandes amizades.

36 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 37


Isso tudo foi colocado à prova quando realizamos um trabalho de jamento. Não deixe de realizar a avaliação final, mesmo após a
pesquisa estruturado com as perguntas certas. Decepção total. avaliação durante o processo, para validar o trabalho desenvol-
Essa é a palavra correta, porque nunca tinha visto tão de perto vido com o seu coachee e os resultados obtidos. Faça disso um
um castelo desmoronar com tanta força. Vamos refletir quanto hábito de trabalho.
tempo e dinheiro esse jovem economizou em sua vida, o quanto
poderia lhe custar essa decepção no futuro? Jamais continue o
processo sem que estas questões sejam muito trabalhadas, elas O Método MS® e sua
são a alma de um excelente processo. fundamentação teórica
Embasei o Método MS® a uma série de estudos específicos
sobre desenvolvimento vocacional, conferidos por especialistas
Estamos indo no caminho certo? -
como Super e Pelletier. Atrelado a isso, incorporei teorias de dois
Etapa de avaliação e da autoavaliação
pensadores do construtivismo, Jean Piaget, com o conceito da
Assim como as histórias do famoso detetive e seu fiel com- epistemologia genética, e Lev Vygotsky, com a teoria histórico-
panheiro, o Dr. Watson, você, juntamente com seu coachee, preci- -cultural, uma abordagem conhecida por sócio-histórica e, por
sam criar métodos a fim de mensurar o resultado das sessões de último, adicionei ao método ferramentas e filosofias de coaching
coaching. Crie formas de evidenciar o crescimento ou o desenvol- mundialmente utilizadas.
vimento da maturidade de seu coachee, suas conquistas e realiza-
Piaget foi o precursor do construtivismo, desenvolveu seus
ções. Faça isso primeiro para validar o seu trabalho e depois para
estudos com foco nas estruturas cognitivas, hoje reconhecida
provar a ele, e a seus familiares, que o processo, se bem realizado,
entre educadores e pesquisadores. Segundo o autor, são essas
traz retorno.
estruturas que constituem nossa inteligência. Na perspectiva de
Isso deve acontecer durante o processo, geralmente, do meio Piaget, para que ocorra a construção de um novo conhecimen-
para o final do contrato de trabalho. Não deixe de realizar uma to, é preciso que se estabeleça um desequilíbrio nas estruturas
avaliação. Caso, o processo não esteja ocorrendo conforme o mentais, isto é, os conceitos já assimilados necessitam passar
planejado no início da sessão, basta fazer um ajuste de plane- por um processo de desorganização para que possam novamen-

38 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 39


te, por meio do contato com novos conceitos, reorganizarem- radores, o desenvolvimento é impulsionado pela linguagem. Um
-se, estabelecendo um novo conhecimento. Esse mecanismo ponto central da teoria de Vygotsky é o conceito de Zona de De-
pode ser denominado de equilibração das estruturas mentais, ou senvolvimento Proximal (ZDP), na qual o aprendizado acon-
seja, a transformação de um conhecimento prévio em um novo. tece no intervalo entre o conhecimento real e o conhecimento
potencial. Em outras palavras, a ZDP é a distância existente entre
Para o processo de coaching, isso significa que o coach deve
o que o sujeito já sabe e aquilo o que ele tem potencialidade de
entender que o coachee está passando pelo período das ope-
aprender. O ideal seria que o coach atuasse nesse campo, esti-
rações formais, que se inicia, em tese, a partir dos 12 anos de
mulando a aquisição do potencial, partindo do conhecimento da
idade. Nessa fase, o indivíduo, ampliando as capacidades con-
ZDP do aprendiz.
quistadas anteriormente, já consegue raciocinar sobre hipóteses,
na medida em que ele é capaz de formar esquemas conceituais Para definir o conhecimento real, Vygotsky sugere que se
abstratos e, por meio deles, executar operações mentais dentro avalie o que o sujeito é capaz de fazer sozinho e o potencial
de princípios da lógica formal. De acordo com a teoria piagetia- daquilo que ele consegue fazer com a ajuda de outro sujeito.
na, ao atingir essa fase, o indivíduo adquire a sua forma final de Quanto mais ricas as interações, maior e mais sofisticado será o
equilíbrio, ou seja, ele consegue alcançar o padrão intelectual que desenvolvimento. Um exemplo claro disso é avaliar o nível do co-
persistirá durante a idade adulta. Isso não quer dizer que ocorra nhecimento sobre a realidade de uma ocupação escolhida por um
uma estagnação das funções cognitivas, após o ápice adquirido coachee. Raramente, ele consegue, sozinho, avaliar a realidade e
na adolescência. A partir desse momento, um jovem pode sim as consequências futuras.
sofrer influências externas em suas escolhas. A base da sua for-
Lembro-me de um caso em que uma das minhas coachees
ma de pensar, suas crenças e valores pouco serão afetadas, mas
dizia, com toda a certeza, que queria fazer uma faculdade de
esse pouco pode promover transformações expressivas, como
gestão de eventos, ao mesmo tempo em que demonstrava
veremos mais adiante.
em seu discurso um forte relacionamento e convívio familiar.
Já os estudos de Lev Vygotsky postulam uma dialética das Ao levá-la a investigar de perto o dia a dia de quem ocupa a
interações com o outro e com o meio, como desencadeador do posição de coordenação de eventos, ela foi confrontada com
desenvolvimento sócio-cognitivo. Para Vygotsky e seus colabo- os seus valores e com a sua capacidade de administrar pos-

40 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 41


síveis atividades da profissão, como um evento seguido do sendo que cada uma, em sua época e cultura, deu sua impor-
outro, sem a possibilidade de descanso no fim de semana, tante contribuição. Farei uma breve apresentação das que eu
por exemplo. considero mais importantes, mas existe ainda uma infinidade
de outras teorias, que podem ser buscadas como referência
O coach deve assumir o papel de mediador da aprendiza-
para o seu trabalho.
gem, deve estimular seus coachees frente a novos desafios,
a novas descobertas e a novos entendimentos sobre si e Vamos a elas!
o mundo que os cercam. Segundo o estudioso Jiron Matui,
O primeiro teórico na área da psicologia vocacional foi
a mediação não funciona com autoritarismo, com imposi-
Frank Parson (1909), responsável pela primeira teoria no as-
ção de conhecimentos, como no diretivismo pedagógico.
sunto, que resultou no livro Choosing a vacation. Segundo o
Não funciona também por omissão de quem fica “em cima
autor, a escolha adequada de uma vocação segue três fato-
do muro”, como no espontaneísmo pedagógico, na atitude
res importantes: exame do indivíduo (inclusive o autoexame),
laissez-faire, de quem “espera para ver como é que fica”. A
exame das profissões e ocupações, e o estabelecimento da
mediação participa do processo de construção do conheci-
relação entre elas. Desde a publicação de sua teoria, vários
mento, funciona como um catalisador químico que, presen-
outros modelos e teorias foram desenvolvidos para contribuir
te em uma reação, facilita ou acelera e até mesmo possibi-
não somente para a escolha da carreira, mas no desenvolvi-
lita essa reação. Já, quando está ausente, retarda a reação
mento profissional.
ou mesmo pode nem ocorrer.
Essas teorias fornecem subsídios para estudar o desenvol-
vimento vocacional. De uma forma geral, as teorias de escolha se
Algumas teorias sobre orientação caracterizam por privilegiar apenas determinados aspectos, de-
vocacional pendendo da disciplina das quais derivam: psicologia, economia ou
sociologia. Crites (1974) propõe uma divisão em três modalidades
Para quem deseja iniciar seu trabalho como coach de carrei-
distintas de teorias de escolha: as teorias não psicológicas, as psico-
ra, é muito importante entender tais concepções. Elas foram as
lógicas e as teorias gerais.
precursoras na preocupação da relação ser humano-trabalho,

42 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 43


Teorias não psicológicas Teorias psicodinâmicas

De acordo com Crites, existe uma série de teorias que trata As teorias chamadas psicodinâmicas priorizam os fatores de
da escolha profissional sem se preocupar com o indivíduo, consi- ordem motivacional ou de processo a serem constituídos ao lon-
derando apenas as determinações externas, o ambiente e o con- go da história de vida da pessoa, enfatizando, em geral, as pri-
texto social. Ainda segundo o pesquisador, podemos classificar meiras experiências.
as teorias não psicológicas em três tipos distintos: teoria aciden-
Teorias desenvolvimentistas
tal, teoria econômica e teoria sociológica.
As teorias desenvolvimentistas surgiram para contestar ou-
Teorias psicológicas
tras teorias que têm como pressuposto que a escolha profissio-
Estabelecem os fatores sociais e ambientais como acessórios, nal ocorre pontualmente ou em um curto espaço de tempo. Dois
isto é, o que estaria em jogo seria a forma como a pessoa se desen- autores tiveram suma importância e fizeram suas contribuições.
volve e como ela se organiza em função dos fatores externos. De Para Super (1980), o desenvolvimento vocacional não se encer-
acordo com Crites, estão divididas em quatro grupos: traço e fator, ra ao final da adolescência, mas ao longo da vida da pessoa,
psicodinâmicas, desenvolvimentistas, tomadas de decisão. chegando até a aposentadoria. Ele propõe as seguintes fases
para o desenvolvimento vocacional: crescimento, exploração, es-
Teoria traço e fator
tabelecimento, manutenção e declínio.
A mais tradicional teoria dentro da orientação profissional
Teoria das tomadas de decisão
remonta ao início do século XX, quando as transformações na
esfera produtiva foram acompanhadas da necessidade de mão As teorias das tomadas de decisão são compostas por mo-
de obra adequada para suprir a crescente industrialização. Essa delos com origem na economia, que entendem o processo de
teoria parte do princípio de que as pessoas diferem em suas ha- escolha profissional como uma ação cognitiva. O processo par-
bilidades, interesses e traços de personalidade. Sendo assim, te da coleta, organização e análise das informações sobre si
isolando e quantificando as características pessoais e as caracte- próprio e sobre a realidade externa, a partir daí, avaliam-se as
rísticas das ocupações, seria possível adequar a pessoa ao posto oportunidade disponíveis e opta-se por aquela que garantir um
de trabalho. melhor retorno.

44 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 45


Teorias tipológicas Teorias sobre carreira
Essas teorias ainda são muito utilizadas em todo mundo, a O conceito de carreira é praticamente sinônimo de vida pro-
mais conhecida é a de Holland, que deu origem aos tipos huma- fissional, uma trajetória ocupacional ao longo da vida. Nela,
nos. Holland (1997) propôs um modelo tipológico de personali- tenta-se deslocar o foco de uma profissão para uma perspecti-
dades vocacionais que tem dominado as pesquisas nos últimos va mais abrangente, na extensão do tempo e na abertura para
20 anos. Para o autor, os interesses vocacionais são uma expres- um possível leque de ocupações.
são da personalidade, e indivíduos de uma mesma profissão pos-
No enfoque de uma carreira, o principal passa a ser a trajetó-
suem personalidades e histórias de desenvolvimento similares.
ria ocupacional, o movimento evolutivo e progressivo para a rea-
As personalidades vocacionais podem ser de seis tipos: Realista
lização de um projeto de vida. Deve-se lembrar que o desenvolvi-
(R), Investigativo (I), Artístico (A), Social (S), Empreendedor (E) e
mento pessoal permeia a evolução-maturação resultante de um
Convencional (C), mais conhecido pela sigla RIASEC. É importante
processo interno da dinâmica da personalidade ou puramente
esclarecer que cada indivíduo possui, em maior ou menor grau,
orgânico, de crescimento e envelhecimento gradual.
características de todos os seis tipos, embora os atributos de um
dado tipo sejam predominantes. A estruturação da carreira depende de certas tendências:
personalidade, aptidões, interesses, motivações, valores, entre
outros, e sofre a influência de pressões e demandas externas,
culturais e familiares. A constituição da carreira é, portanto, re-
sultante da interação dos fatores internos da pessoa com fato-
res externos a ela.

Carreira = fatores internos + fatores externos

A maior virtude do conceito de carreira, atualmente, dá-se


por conta do seu deslocamento de foco temporal, ganhando
assim uma perspectiva de projeto de vida, com um horizonte
mais amplo e mais distante no tempo e no espaço.

46 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 47


Crescimento: vai do nascimento até os 14 anos, e se desen-
Fases do desenvolvimento vocacional
de Super volve por meio das identificações com figuras importantes, prin-
cipalmente da família e da escola. Predominam as necessidades
A teoria de Super assim como a abordagem de Pelletier de- orgânicas e afetivas, sendo que interesses e habilidades surgem
ram a maior contribuição para o trabalho apresentado, sendo as- de acordo com os estímulos e as oportunidades que lhe são pro-
sim, vamos analisar o cérebro dessas teorias que podem ajudá- porcionados. Esta fase está subdividida da seguinte maneira: fan-
-lo a realizar um projeto de coaching vocacional mais eficiente. tasia (4 a 10 anos) – imitação e desejo de ser adulto, realização
por meio de jogos; interesse (11 a 12 anos) – mudança contínua
Donald Super foi um dos principais autores da corrente de-
de área, interesses diversos; capacidade (13 a 15 anos) – leva em
senvolvimentista. Um conceito fundamental na teoria de Super
conta o desempenho na escola e o relaciona com seus interesses.
(1985) é o da maturidade vocacional, que está relacionada com a
localização da pessoa dentro das situações de desenvolvimen- Exploração: caracteriza-se pela exploração de si mesmo e das
to vocacional. Ao relacionar a idade da pessoa ao momento do ocupações e está subdividida da seguinte forma: tentativa (15 aos 17
desenvolvimento vocacional em que ela se encontra, chega-se anos) – a realidade começa a intervir na escolha, inseguranças da ado-
ao quociente de maturidade. Segundo ele, o desenvolvimento lescência, transição (18 aos 21 anos) – algumas decisões são tomadas
pode ser guiado pela facilitação da maturação, habilidades e in- e as experiências vocacionais são mais pessoais; ensaio (22 aos 24
teresses, pelo teste da realidade e pela ajuda do autoconceito. anos) – escolha feita, concretizando o ingresso no primeiro trabalho.

O autoconceito é fundamental em sua teoria e se relaciona Estabelecimento: tendo encontrado uma área de atuação no
à imagem que a pessoa constrói de si próprio, baseado no con- período anterior, faz esforços para se estabilizar. Esta fase está
tato com os seus valores, competências, aptidões e na relação subdividida da seguinte maneira: ensaio e estabilização (25 aos 30
com as pessoas que se encontram em seu entorno. Para o au- anos) – localização estável no mercado de trabalho, experiências
tor, as decisões vocacionais se iniciam na infância, perdurando profissionais realizadas e promoções almejadas; consolidação (31
até a idade adulta, com ênfase no aspecto sequencial do com- a 40 anos) – período criativo em que as promoções e experiências
portamento vocacional. Super apresenta cinco fases do desen- profissionais se consolidam, a pessoa pode definir o ponto máxi-
volvimento vocacional. mo de sua carreira e metas.

48 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 49


Manutenção (45 aos 65 anos): a pessoa chegou ao auge da aExperimentar papéis profissionais na imaginação.
carreira, suas aspirações profissionais foram alcançadas, atin-
Cristalização
giu-se o ponto máximo, mantém-se nessa posição.
aConstatar a necessidade de fazer escolhas.
Declínio (a partir dos 65 anos): a pessoa diminui seu ritmo
de trabalho até a chegada da aposentadoria. aDar-se conta da multiplicidade dos pontos de vista com
base nos quais se podem associar as ocupações.
O enfoque operatório é introduzido por Pelletier, Noiseux e
Bujold (1977) e propõe a operacionalização do estágio de explo- aInferir as significações que podem ter resultados, rendi-
ração descrito por Super. Esses autores propõem as seguintes mentos, performances, situando-os em uma grade de habilida-
tarefas como evolutivas desse estágio: exploração, cristaliza- de e talentos.
ção, especialização e realização.
aEncontrar para si atributos essenciais que têm o poder de
Exploração incluir um grande número de experiências.

aDescobrir que existem problemas no meio imediato e na aIdentificar, entre muitas atividades, aquelas para as quais
sociedade, em geral, e tarefas para realizar. se mostram interesses duradouros.

aAcumular em abundância informações sobre o ambiente. Especificação


aDispor de um repertório diversificado de informações. aIdentificar os valores e as necessidade subjacentes aos
aObter informações dificilmente acessíveis e incomuns com comportamentos.

relação ao meio sociocultural imediato do indivíduo. aOrdenar, segundo importância, as necessidades e os valores.
aReconhecer que a questão de orientação se coloca e que aEncontrar possibilidades que são consequentes às ne-
tem importância. cessidades e aos valores identificados.
aAceitar que a questão de orientação seja complexa e não aDecidir integrando todos os elementos já considerados.
ofereça respostas únicas e definitivas.

50 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 51


Realização Sendo assim, um processo de coaching vocacional não pode

aRever as etapas da decisão e rever sua estabilidade e certeza. se limitar apenas a escolher uma profissão, mas também iden-
tificar, prever, preparar e alimentar o futuro ocupacional.
aOperacionalizar e planejar as etapas da decisão.

aAntecipar as dificuldades.

aProteger sua decisão.


IDENTIDADE OCUPACIONAL
aFormular escolhas substitutivas. Onde?

Identidade pessoal, vocacional e


ocupacional IDENTIDADE VOCACIONAL
Por quê?
Para quê?
Os processos de desenvolvimento vocacional e ocupacional
incluem o conceito de identidade pessoal, vocacional e ocupa-
cional. Para qualquer um, adolescente ou não, diante de uma IDENTIDADE PESSOAL
Quem somos?
escolha ou de uma nova escolha profissional, diante de uma Como somos?
Quem queremos ser?
problemática vocacional ou ocupacional, definir um futuro não Como pretendemos ser?

é só definir o que fazer (profissão ou ocupação).

Com base nessa visão de quem somos e de quem queremos


ser, clarificamos nossos valores, necessidades básicas, objeti-
vos de vida, interesses predominantes, nosso projeto de reali-
zação humana, e criamos a ponte para a definição ocupacional.

52 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 53


Parte três Cuidados ao atuar com
jovens e adolescentes

54 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 55


O jovem e a escolha profissional aO momento da escolha de uma profissão, que coincide com
a fase do desenvolvimento, no qual o jovem está se descobrindo.
Para quem decidir trabalhar com o coaching vocacional, deve-se
aDefinição da sua identidade, ao mesmo tempo em que
ter em mente que a grande maioria dos clientes é constituída de jo-
está construindo sua identidade vocacional, por meio de percep-
vens e adolescentes, um ser em desenvolvimento social, biológico
ções da realidade sócio-cultural que o cerca de interferências.
e cognitivo, sem estruturas prontas e acabadas. Esse jovem possui
uma história de vida, experiências e crenças próprias, em um momen- aBusca por conhecer-se melhor, seus gostos, interesses
to que passa por uma das fases mais delicadas de sua vida. Trata-se, e motivações. Muitos adultos ou supostos adultos ainda estão
portanto, de uma máquina em pleno vapor, mas ainda incompleta! procurando sentido para sua existência e não conseguem reco-
nhecer suas ferramentas, possibilidades e potenciais.
Os nossos neurônios são constituídos de um tipo particular de
células denominadas gliais, que significa “cola”. Essas células isolam aNessa fase, começam a aparecer os primeiros confrontos
os neurônios para acelerar a transmissão de mensagens dentro das com os familiares, principalmente nesse novo cenário que trouxe
redes neurais. Esse isolamento é chamado de mielina, um lipídio que de carona a tecnologia.
está distribuído por todo o cérebro. No nascimento, a mielina já se
aOs valores vivenciados surgem como fundamentais e o
desenvolveu em algumas áreas cerebrais, como aquelas pertencen-
jovem faz escolhas precipitadas, em que também pode ser facil-
tes à audição. A última área do cérebro a ser mielinizada é o cortax
mente influenciado.
pré-frontal, área do lombo frontal, atrás da testa.
aProcura, inconscientemente, por um sentido de vida, por
Depois de concluída, essa área facilita nos processos de to-
mais que isso não fique evidente.
mada de decisão e planejamento a longo prazo, por exemplo. Po-
rém, essa área só está completamente mielenizada entre os 20 aMuitos jovens têm dificuldades de iniciar um projeto e
e 30 anos de idade. Perceba que muitas coisas ainda não estão seguir com ele até o fim, sabendo que existem etapas a serem
prontas para um jovem, isto é, ele ainda não é maduro suficiente alcançadas, o que acaba exigindo muito da inspiração do coach.
para tomar algumas decisões tão importantes, principalmente
aPassagem para a vida adulta. Aqui, entra um dos proble-
para definir hoje seu futuro. Veja, a seguir, algumas delas.
mas mais graves e que pode levar o jovem a um processo de-

56 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 57


pressivo, chamado de “luto”. Amizades do colégio são deixadas Lembre-se de que, na maioria das vezes, você estará atuando
para trás, cada qual toma o seu próprio rumo. Cobrança dos pais com menores de idade e que, por força da lei, ainda não podem
e familiares por resultados mais tangíveis, como passar no vesti- responder por si próprio. Sendo assim, a contratação do seu ser-
bular, tirar boas notas. Emancipação do mercado de trabalho, que viço deverá ser efetuada com o consentimento dos pais ou res-
emprega cada vez mais pessoas com idade menor. ponsáveis. Por isso, inicie o processo apenas com a autorização
por escrito deles. Demonstre profissionalismo e seriedade. Pro-
cure conhecer o Estatuto da Criança e do Adolescente.
O jovem coachee na fase de escolha Antes de iniciar no processo de coaching, analise os quatro as-
profissional pectos que podem determinar o quanto você está sendo ético em
Por mais distraído, desinteressado ou desanimado que um sua atuação.
jovem pareça, ele está sim à procura de uma luz no final do túnel.
Congruência
Todos eles buscam um sentido na vida e isso vai perdurar e se
fortalecer com o tempo. Algumas características ainda são co- Estou fazendo coaching, utilizando métodos e ferramentas
muns entre os jovens, apesar de a juventude ter-se estendido, consagradas? Quais os exemplos que estou passando ao meu
não somente em termos de idade e comportamento, mas tam- coachee? Estou feliz com minha carreira para poder orientar o su-
bém pela falta de maturidade. No boxe abaixo, exemplifico alguns cesso dos outros?
pontos a serem observados nos seus futuros clientes.
Acreditar no coachee

Cuidado com o preconceito, julgamento de aparências, credo,


aBuscar um sentido de vida, mas não sabe com quem. gênero, entre outros. Todos são seres humanos e possuem po-
aPassar por uma turbulência hormonal, mas não reconhece. tencial para crescer, basta que sejam estimulados para tal.
aTer dificuldades em enxergar as consequências de suas
escolhas, mas mesmo assim acaba fazendo. Confiança
aSer, ao mesmo tempo, sociável e introspectivo. O coachee está confiando a você seu futuro profissional. Você
aQuerer ajudar, mas não sabe como. sabe o que isso significa? Os pais ou as instituições para as quais
aNão ter constância em suas atividades.
58 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 59
você for trabalhar estão lhe passando o que há de mais precioso tes prognósticos vocacionais, dando ao orientador o recurso
para eles. para, como perito, aconselhar o orientando quanto à escolha
ideal, em um balanço de possibilidades, probabilidades e priori-
Conhecimento
dades, as alternativas cogitáveis.
Realmente eu sei o que eu estou fazendo? Estou preparado? Sei
Nesse sentido, os coaches devem tomar as devidas precau-
o que significa trabalhar com jovens? Entendo sobre esse universo?
ções ao utilizarem os testes, não que seja inviável, porém utili-
zá-los como fim em si próprio pode não ser satisfatório para o
processo. É preciso entender que os testes são apenas um com-
Utilizar ou não testes, eis a questão ponente de um processo maior de investigação e descobertas,
Os testes são as mais antigas e tradicionais ferramentas uti- como é o caso do coaching vocacional.
lizadas no processo de orientação vocacional. Historicamente,
Existem testes que podem ser aplicados somente por psi-
apoiam-se nas concepções iniciais do educador norte-americano
cólogos e testes que podem ser aplicados por não psicólogos.
Frank Parsons (1909). Segundo ele, a escolha adequada de uma
Conheça alguns desses testes: Teste de Avaliação dos Interes-
vocação envolve três amplos fatores: exame do indivíduo, exame
ses Profissionais (AIP); Escala de Aconselhamento Profissional
das profissões e ocupações e estabelecimento de uma relação
(EAP); Escala da Maturidade Profissional (EMEP); Berufsbilder
entre A e B.
Test (BBT): Teste de Fotos; Teste de Frases Incompletas e Crité-
Segundo o educador Fernando Mello, um grande estudio- rios para Escolha Profissional.
so e pesquisador do tema, existe um modo científico de fazer
Geralmente, eles vêm acompanhados de livros explicativos
orientação vocacional, que consiste em correlacionar, em uma
sobre a aplicação e o método de validação. O ideal é ler esses
espécie de casamento ou combinação ideal, uma pessoa a uma
livros para entender por completo o teste. Assim, conhecendo
profissão. Há também o pressuposto de que as informações
bem o material e sua fundamentação teórica, o trabalho tende a
factuais, os dados levantados sobre a pessoa e as profissões
ser bem mais aproveitado.
ensinam e explicam a composição vocacional das pessoas e das
profissões. Além disso, permitem um diagnóstico e consequen-

60 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 61


Pouca maturidade – A juventude é uma passagem para a vida
Barreiras na escolha de uma profissão
adulta, isso significa que muito terá que ser vivenciado para que
Podemos classificar como barreiras todos os aspectos que atinja a maturidade. Cabe ao coach contribuir nessa estratégia.
podem, de certa forma, influenciar de forma negativa a esco-
Crenças limitantes – Mesmo com poucos anos de vida, uma
lha de uma profissão. Você, enquanto coach, deverá ficar atento
pessoa já começa a criar sua visão do mundo e, quando atinge a
a eles durante suas sessões. No capítulo seguinte, irei abordar
maturidade, tende a confrontar o mundo, incluindo os pais. Algu-
mais sobre esse assunto.
mas crenças fazem sentido e poderão contribuir, outras podem
Geralmente, os discursos dos jovens carregam junto algum estar sem fundamento, podendo limitar as ações do coachee e de
ou alguns dos aspectos/barreiras abaixo. todo o processo.

Dinheiro – O coachee se sente preso na sua escolha profis- Desconhecimento da realidade – A expressão popular “falar
sional porque acredita que apenas um ótimo salário vai trazer da boca para fora”. Discursar sem, ao menos, conhecer a realida-
sucesso e felicidade na carreira. de ou validar a fonte da informação.

Influências externas – Em maior ou menor grau, a maioria


dos jovens carrega uma grande carga de influência. O importante
é identificar a sua percepção sobre isso e o quanto ele está in-
fluenciando, a ponto de ir contra seus interesses próprios.

Esperar pelo sucesso – Isso não é só característico dos jo-


vens, muitos adultos também sofrem desse mal e esperam o su-
cesso por conta do acaso.

Incertezas futuras – O jovem ainda é imaturo para projetar


seu futuro e isso, de acordo com alguns autores, faz parte do ser
biológico, da sua capacidade cognitiva. Discussões à parte, a incer-
teza ou a certeza absoluta podem dificultar o processo de escolha.

62 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 63


Parte quatro Iniciando o processo
de coaching

64 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 65


APRESENTAÇÃO DO MÉTODO MS® - 1 A 2 SESSÕES
O primeiro encontro
Ferramentas & estratégias Contrato de trabalho
Cadastro do coachee
Nas próximas páginas, apresentarei algumas ferramentas e Cronograma de sessões
estratégias para que você inicie seu trabalho com mais segurança. Levantamento de expectativas
Vamos começar pelo cronograma de sessões. A seguir, você en-
contrará uma tabela com sugestões para se organizar em relação AUTOCONHECIMENTO - 4 A 6 SESSÕES A
Levantamento da maturidade vocacional P
ao número de sessões, atividades e tempo de aplicação. Lembran- R
Valores
do que é apenas uma sugestão, você pode segui-la ou montar seu E
Crenças N
próprio cronograma conforme as demandas dos seus coachees. Talentos D
Critérios ocupacionais I
O importante é que você mantenha a estrutura do Método Z
MS© apresentado anteriormente. Porém, você pode inserir mais A
PLANEJAMENTO & AÇÃO - 2 A 3 SESSÕES D
atividades e exercícios, que poderão ser desenvolvidos ao longo Metas e objetivos O
de sua experiência. Isso é normal e deve acontecer. Eu sempre Trabalhando com agenda
C
incentivo os meus alunos a criarem mais estratégias e, com você, Agenda / administração do tempo O
não será diferente. Tomada de decisão N
Mudança de hábitos S
T
A
PESQUISA - 2 A 3 SESSÕES N
Pesquisa do mercado educacional T
Pesquisa do mercado de trabalho E

AVALIAÇÃO E AUTOAVALIAÇÃO - 1 SESSÃO


Avaliações do processo de coaching
Avaliações do coach
Avaliações do coachee

AUTONOMIA
Capacidade de reiniciar o processo
66 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 67
Esse primeiro contato serve para conhecer seu cliente e tro-
Ganhe a confiança do seu coachee
car informações relevantes para o bom funcionamento do traba-
lho, por isso, ele deve ser bem dirigido, a ponto de não virar uma O jovem, nessa fase, é muito fechado para uma infinidade de
conversa sem propósito. É lógico que algumas conversas para- assuntos e, quando o foco da conversa for a escolha profissional,
lelas podem surgir, principalmente, no início, porém, não devem esse jovem tende a se fechar, ainda mais quando ele já vem com
durar muito tempo. pré-conceitos, imaginando que uma sessão de coaching se asse-
melha a uma sessão de terapia. Durante alguns anos, essa temá-
O processo de coaching vocacional para jovens, na fase da es-
tica foi tratada como uma atribuição de um profissional de saúde,
colha profissional, pode ser realizado em grupo, porém vai exigir
o que gerou uma conotação de resolver um problema, quando, na
de você mais habilidade e atenção. Sendo assim, realize muitas
verdade, estamos falando da promoção de soluções.
sessões individuais, caso seja sua primeira experiência como
coach, para depois atuar em grupo. Caso forme grupos, limite o Por isso, vá com calma nas perguntas! As armas de um coach
número de participantes. Para uma boa condução das sessões, são suas perguntas bem estruturadas. Abusar delas pode colocar
faça grupos de, no máximo, oito pessoas. Procure juntá-los em o coachee em uma situação desconfortável e fazê-lo tomar deci-
pares porque muitas atividades poderão ser desenvolvidas dessa sões equivocadas por pressão.
forma, também chamado de peer coaching.

Os temas e as práticas apresentadas, nos próximos capítulos,


Perguntas a serem evitadas Perguntas a serem feitas
não seguem uma sequência lógica. E isso, óbvio, seria contra a
filosofia inerente a este trabalho e a realidade mutante dos fatos Você está indo bem na escola? Você pretende ser um bom profissional?
e da juventude. Além disso, você pode escolher o tema e a solu-
É comportado? Quais profissões você admira?
ção que interessa no momento, que for oportuno. Cada sessão
é única, proveniente do estado de espírito e da situação do seu Já foi expulso de alguma escola? Você quer ganhar muito dinheiro?
coachee, dos mapas e cenários, conforme os preceitos da PNL
É repetente?
(Programação Neurolinguística).

68 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 69


Se você pretende resolver os conflitos de um jovem usando a um método de trabalho, com conquista de metas, objetivos, mu-
sua cabeça, provavelmente, isso não dará certo. É preciso entrar danças comportamentais. Mostre como isso é realizado, quais
no universo desse jovem como fator primordial para entender a são as ferramentas e as dinâmicas.
forma como pensam e agem, o sistema de raciocínio, os links, a
Evite no primeiro momento dar uma aula de teoria sobre
comunicação e a cultura momentânea. Não se trata de fazer um
coaching, e é isso que acontece com a grande maioria dos coaches
processo de regressão, até porque sua juventude deve ter sido
que não convertem seus interessados em clientes!
um pouco diferente, e sim de pesquisa, busca de informações e
muita atenção ao universo jovem. Monte uma pasta com alguns modelos de ferramentas que
costuma utilizar. O jovem gosta de ver como as coisas acontecem,
caso contrário, ainda permanece na desconfiança. Mostre
Apresentando o processo de coaching exemplos de cases que você já conduziu, caso seja o primeiro,
vocacional abra o jogo, nem que tenha que oferecer algo mais: um desconto,

Essa é uma parte muito importante para o sucesso de um uma sessão a mais.

programa de coaching vocacional. Como você leu nos capítulos Demonstre que você está atento e preocupado em ajudar e
anteriores, um programa de coaching é realizado em cinco etapas não somente em ser mais uma pessoa que cobra e exige. Dei-
e essa é a primeira delas. E, talvez, uma das mais importantes. xe claro que agora o seu coachee tem um grande parceiro com
É nesse primeiro encontro que o seu serviço será avaliado, quem pode contar.
desde sua aparência, estilo de comunicação até os resultados
que você já obteve. Para que você conquiste seu jovem coachee e
seus pais, logo nessa primeira etapa, algumas estratégias e cui- Formulando um contrato de trabalho
dados são muito importantes.
Após a conversa inicial com seu futuro coachee, relate, em voz
Apresente o processo de coaching, demonstre o maior pro- alta, os principais pontos acordados, expondo as necessidades
pósito que é contribuir para reduzir a margem de erro na escolha e expectativas dele. Chamo isso de espelhamento, quando você
profissional e, para que isso aconteça, mostre que você possui repete o que você entendeu e o seu coachee concorda, é como se

70 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 71


ele ou ela estivesse se vendo em sua frente, é quase como um
Prezado amigo,
acordo de cavalheiros.

Se as duas partes estiverem de acordo, formule o contrato de Chegou um dos momentos mais difíceis e importantes de sua vida,
escolher uma profissão, iniciar a carreira, trilhar um caminho de su-
prestação de serviço. Solicite ao coachee e seu responsável que
cesso. Lembre-se daquele velho e sábio ditado: “a vida é uma caixinha
leiam atentamente e, depois, peça para que o responsável assine o de surpresas”.
documento. Jamais inicie um processo de coaching vocacional com
um menor de idade sem o consentimento dos pais ou responsáveis. Assim, este programa de coaching vocacional para jovens passa a ser
somente um instrumento balizador para tomada de decisões sobre
Se você estiver com um grupo de alunos de escola, peça que levem
suas ações. Passaremos por algumas etapas importantes, nas quais
para casa e tragam assinado. Mostre ao responsável que o contrato
você terá a oportunidade de desenvolver o autoconhecimento e
existe e é essencial. habilidades e competências de organização, pesquisa e planejamento.

O texto a seguir é somente um modelo para ser utilizado, e você Além disso, elas lhe demandarão muita seriedade, dedicação e
pode alterá-lo, conforme sua necessidade e realidade. O contrato é compromisso. Lembre-se de que este é só o primeiro passo para que
individual, por isso não deve ser assinado por um grupo de alunos. você mesmo possa comandar seu destino. Pesquise, converse, tire
dúvidas e esteja disposto a aprender, sempre!

Alguns itens que envolvem o sucesso do programa e da sua esco-


lha profissional: (leia com muita atenção e, depois, peça para o seu
responsável assinar).

1. Envolvimento com o processo de coaching, ou seja, mergulhar de


cabeça realizando todos os desafios em casa ou nos encontros.

2. Pontualidade nos encontros e nas datas marcadas, para que o


ritmo de trabalho não seja quebrado.

72 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 73


3. Pesquisar, recolher materiais em revistas e sites, ficar atento
às propagandas e matérias em jornais. Enfim, nesse momento, qual-
Cadastro do coachee
quer informação é muito válida e o ajudará na sua decisão final.
Na ansiedade de começar logo um trabalho, muitos profissio-
4. Disposição para realizar pesquisa de campo e coletar informa- nais se esquecem de alguns itens básicos, como anotar os dados
ções elementares para a tomada de decisão e composição de seu do coachee, por exemplo. Cansei de assistir situações em que o
projeto de vida. profissional não conseguiu entrar em contato, para desmarcar
uma sessão, ou mesmo enviar um convite de algo importante ao
5. Estar seguro de que este trabalho pode não determinar sua
futura ocupação e profissão, mas contribuir no desenvolvimento
cliente, pois esqueceu de anotar o seu telefone. Além disso, você
dos aspectos organizacionais e metodológicos para uma futura deve começar a se preocupar em trabalhar como uma empresa,
escolha profissional ou mesmo para uma mudança de rumo ao longo formar a base de dados dos seus clientes para uma ação de pós-
de sua vida profissional.
-venda. Por isso, aqui vai um modelo de cadastro.

Eu ,
estou de acordo com o texto acima.

, de de 20 .

Assinatura do aluno

Assinatura do responsável

74 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 75


Cadastro de coachee
Dados do programa de coaching vocacional
Data:
Data de início:
Nome:
Periodicidade:
Idade:
Dias da semana:
Telefone:
Horário:
E-mail:
Valor da sessão:
Data de aniversário:
Valor do pacote:
Nome do pai:

Telefone do pai:

Estado civil do pai: Organizando as sessões


Data de aniversário do pai:
Você deve iniciar sempre cada sessão antes mesmo que ela
Escolaridade do pai:
aconteça. Como diz o ditado: “um bom lutador se faz fora dos rin-
Local de trabalho do pai:
gues”, por isso estabeleça uma rotina de trabalho fora das sessões.
E-mail do pai:
Costume chamar essa rotina de backoffice, ou seja, o momento
Endereço do pai:
de preparação, a rotina realizada para que o processo aconteça.
Nome da mãe:

Telefone da mãe: É a famosa burocracia, tais como atender novas solicitações,

Estado civil da mãe:


guardar fichas de atendimento, preencher dados que faltam no
cadastro, organizar papéis, entre outros. Você deve se preocupar
Data de aniversário da mãe:
com o planejamento de suas ações, escolher as melhores ferra-
Escolaridade da mãe:
mentas, estudar, buscar conhecimento, ler cases de sucesso. Ao
Local de trabalho da mãe:
longo dos meus atendimentos, estabeleci uma rotina de trabalho
E-mail da mãe:
semanal, com períodos determinados e estruturados, conforme
Endereço da mãe: segue no quadro a seguir.

76 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 77


PERÍODO
PRÉ-SESSÃO
para a sessão - aplicação de ferramentas/pesquisas/leituras/refle-
xões. Por último, a Etapa de tarefas, que são as tarefas normalmente
exigidas para serem realizada entre as sessões.

Pós-sessão – ao longo da minha carreira, aprendi que deixar


DESENVOLVI- para depois o que pode ser feito agora, pode se tornar um fator
SESSÃO
MENTO
complicador. Se você tiver um tempo, após o atendimento, reor-
ganize suas ideias, reveja o que aconteceu em sua sessão, faça
as anotações necessárias. Caso você faça um atendimento após
o outro, deixe para realizar isso no final do dia.

Pesquisa – você deve separar, ao menos uma vez por semana,


PESQUISA PÓS-SESSÃO
um período para pesquisar novas ferramentas, livros, teses, cases
sobre o assunto em questão, isso vai contribuir muito no seu cresci-
mento profissional e ajudar no desenvolvimento das suas sessões.
Pré-sessão – essa é a fase da organização, por isso procure
deixar pronta as ferramentas que você irá utilizar, os materiais de Desenvolvimento – é o espaço de tempo em que você analisa
apoio, tais como textos, vídeos, sites e testes. Deixe a estrutura de os seus atendimentos e desenvolve novas estratégias basea-
atendimento em ordem, como a sala limpa, água e alguns biscoi- das nos conhecimentos adquiridos com as pesquisas e o próprio
tos. Prime pela limpeza. Esse é o momento de preparar o ambiente atendimento. Cada coachee é único, sendo assim, para cada um,
para seu cliente se sentir confortável. você, provavelmente, vai desenvolver uma estratégia. Determine
um período para realizar essas análises, não entre no “ringue”
Sessão – aqui é só colocar em prática tudo o que você pesqui-
sem passar por essas fases.
sou, desenvolveu e preparou. Essa etapa é subdividida em 3 partes,
da seguinte forma. Revisão, ou seja verificar o que foi realizado na Ao fim de cada sessão, monitore seu atendimento com um cro-
sessão anterior, no caso de ser um segundo encontro. Estratégias nograma, que servirá para ajudá-lo no planejamento do trabalho.
programadas, esse é o momento de trabalhar o que foi programado Ele pode ser utilizado individualmente ou para um grupo.

78 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 79


Modelo
Cronograma de sessões
Cliente: Paulo
Sessão: 1 Previsto Executado
Início: 9h Levantamento de Apresentação
Fim: 10h expectativas e levantamento de
Data: 01/02/2015 expectativas
Início:
Fim:
Data: __/__/__
Início:
Fim:
Data: __/__/__
Início:
Fim:
Data: __/__/__
Início:
Fim:
Data: __/__/__
Início:
Fim:
Data: __/__/__
Início:
Fim:
Data: __/__/__
Início:
Fim:
Data: __/__/__

80 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 81


Parte cinco Levantamento de
expectativas

82 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 83


Entendendo as necessidades do Cliente:
seu cliente
Dados pessoais:
Essa é uma das etapas mais importantes de um programa de
Escolaridade:
coaching vocacional, pois é nesse momento que você vai entender
a real necessidade de seu coachee. Após esse levantamento, você Cursos extras:

conseguirá, de forma mais assertiva, desenhar uma estratégia Experiência profissional:

para as próximas sessões. Profissão (profissões) de interesse:

Jovens coachees podem chegar com várias interrogações. Para


facilitar o seu trabalho, segue um modelo para que utilize em sua Um sonho profissional (permita-se sonhar):

primeira sessão, outros poderão ser criados, quando adquirir mais


experiência. Lembre-se de que o coachee aceitou sua proposta, Quais seriam as possíveis barreiras para realizar o seu sonho?
está motivado, se colocou como responsável no processo e, o mais
importante, seus pais também estão de acordo.
Expectativa (o que você espera desses encontros?)

Autoavaliação (mensure de 0% a 100% o grau de sua decisão profissional, sendo


0% - você está totalmente indeciso e 100% você está totalmente decidido).

Obs.: Esse levantamento deve ser realizado na primeira sessão, depois na me-
tade e ao final do programa. Esses dados vão ajudar a identificar se o programa
está indo bem!

Modelo
Data Grau de decisão
10/5 80%

84 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 85


Ferramentas do autoconhecimento – Segue uma lista de perguntas que você pode fazer para detectar

levantamento da maturidade vocacional tais variantes. Utilize a escala de 0 a 10, sendo 0 = nunca e 10 = sempre.

Um dos aspectos mais importantes ao iniciar o processo de 1 - Com qual frequência você pensa sobre sua futura pro-
coaching vocacional é fazer um levantamento do nível de maturi- fissão? (consciência da necessidade de escolher e decidir).

dade de seu coachee em relação à escolha profissional. Boa parte 2 - Dedica parte de seu tempo pesquisando sobre pro-
dos jovens escolhe suas futuras profissões por impulso ou inter- fissões existentes e novas profissões? (consciência da
necessidade de escolher e decidir).
ferências externas, isso é próprio da idade. Ao fazer esse levanta-
mento, você vai ter uma baliza de quais aspectos ainda não estão 3 - Sente-se seguro em relação à sua escolha? (conheci-
mento de si próprio).
maduros, ou seja, você vai perceber que, em muitos casos, o coa-
chee discursa sem fundamentos. 4 - Consegue descrever as atividades da profissão a ser
escolhida? (conhecimento da realidade educacional).
Os 7C’s da maturidade para escolha 5 - Acredita que a profissão escolhida lhe proporcionará
grandes oportunidades? (conhecimento realista do siste-
1º conhecimento de si próprio (autoconhecimento/autoconsciência);
ma econômico e da macrotendência).

2º conhecimento realista das influências; 6 - Acredita que suas habilidades possam te ajudar na
futura profissão? (conhecimento de si próprio).
3º consciência da necessidade de escolher e decidir;
7 - Sente-se influenciado por amigos ou familiares em sua
escolha? (conhecimento realista das influências).
4º consistência das preferências vocacionais;
8 - Você realmente conhece as modalidades e os
5º composição de uma carreira (começo, meio e fim); cursos oferecidos pelas universidades? (conhecimento da
realidade educacional).
6º conhecimento da realidade educacional;
9 - Você considera a opinião de seus amigos e familiares
7º conhecimento realista do sistema econômico e da macroten- muito importante? (conhecimento realista das influências).
dência. 10 - Você se considera um grande conhecedor de si mes-
mo? (conhecimento de si próprio).

86 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 87


Identificando valores - os fins que procura -, por isso, manter uma família é muito im-
portante para a maioria das pessoas.
Os valores fazem parte de um juízo adquirido na formação
O mesmo acontece com o dinheiro. Eu poderia perguntar o que
da pessoa. Rokeach destacou que valores são crenças hierarqui-
o dinheiro realmente significa para você? O que lhe proporciona?
zadas sobre estilos de vida e formas de existência que orientam
Você poderia responder: liberdade, status, segurança. Como você
nossas atitudes e comportamentos. Basicamente, qualquer coisa
pode perceber, o dinheiro é apenas um meio para alcançar um
que você preza muito pode ser considerada um “valor”. Aqui, no
conjunto de valores muito mais profundos. A escolha da profissão
entanto, estou me referindo especificamente aos valores da vida,
apenas pelo retorno financeiro é o caso mais comum entre os jo-
as coisas que são mais importantes para você: segurança, doação,
vens e adultos. Ninguém, obviamente, pretende trabalhar de graça
comprometimento, conexão, felicidade, entre outros.
e nem deve, todo serviço ou produto tem o seu valor.
Os valores pessoais também estão vinculados de forma direta
É muito bom poder acumular bens materiais, aproveitar os
e indireta a diferentes aspectos do comportamento humano, como
prazeres da vida, mas isso deve ser consequência de uma escolha
o contato intergrupal, a cooperação, a orientação política, o uso de
consciente, de algo que você procura realizar com vontade, amor
regras de justiça, a solução de conflitos. Podemos, para uma me-
e paixão. Quem não tem orgulho de dizer que faz o que gosta e
lhor compreensão, dividir os valores em dois tipos: os valores fins
ainda ganha dinheiro. O maior desafio na vida é mais que entender
e os valores meios.
o significado dos valores, mas viver por eles, planejar o sucesso
Se eu perguntar quais são os itens que você dá mais valor em contando com eles.
sua vida, provavelmente responderia amor, família, dinheiro, felici-
A maioria das pessoas não compreende muito bem a diferença
dade etc. Dentre eles, amor e felicidade têm sido os valores mais
entre “valores meios” e “valores fins” e acabam sofrendo por isso,
procurados pelas pessoas. Por outro lado, família e dinheiro são
e se empenhando na busca dos “valores meios” e não alcançam
valores que servem como meios, alavancas, que o impulsio-
seus verdadeiros “valores fins”. Querem tanto o dinheiro e quando
nam na direção desejada, no caso, na busca da felicidade. Veja,
o conseguem acham que a vida é vazia, sem sentido, não sabem
por exemplo, se eu perguntar o que a família lhe proporciona, você
fazer outra coisa a não ser comprar prazeres momentâneos.
pode responder: amor, segurança, felicidade. O que de fato preza

88 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 89


Os “valores fins” são aqueles que o tornam realizado, fazem 1 - O que é mais importante na sua vida?
sua vida rica e compensadora. Um dos maiores desafios, ao meu
ver, é o fato das pessoas fixarem objetivos sem saber o que real-
mente prezam na vida, o que querem de retorno dela. Talvez esse
tema seja um dos mais difíceis de ser trabalhado, devido ao grau
2 - O que isso proporciona a você?
de subjetividade, porém sua descoberta pode promover resulta-
dos expressivos para seus coachees.

A prática de identificar valores deve fazer parte do seu planeja-


mento de atividades. Não existe um tempo ou um prazo para isso,
você vai perceber que, ao longo das sessões, constantemente, irá 3 - O que você acredita que sua escolha profissional poderá lhe proporcionar?

avaliar os valores do seu coachee sem ao menos perceber que isso


está acontecendo. Basta que você faça com que ele tome consciên-
cia e desenhe seu plano de vida com base nessas descobertas.

A prática a seguir foi desenvolvida para você dar o primeiro 4 - Quais das opções anteriores você mais gosta, que considera serem as
mais importantes?
passo para essa descoberta. São perguntas que poderão ser re-
formuladas ou acrescentadas. Peça ao seu coachee que responda
e, em hipótese alguma, responda ou transcreva por ele. É neste
momento que ocorre uma profunda reflexão e aprendizado. Discu-
ta bastante cada questão. Descasque a cebola, procure encontrar
5 - Como você saberá que está vivendo por elas?
a essência das respostas. De nada vai adiantar se essa prática for
apenas mais um exercício.

90 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 91


Descobrindo e eliminando as crenças pretações alternativas e válidas. Segundo Aron Beck, alterá-las

limitantes ou reformulá-las identifica novas possibilidades de ação; abrindo


margem para novas interpretações aos fatos e aos dados; desen-
A crença é um estado mental que pode ser verdadeiro ou fal- volve novas formas de tratar e resolver problemas; modifica, altera
so. É a forma como o mundo parece funcionar, o que acreditamos. e expande sua percepção dos fenômenos. Nos jovens, as crenças,
Uma crença é um depósito sedimentado de ideias ou conceitos além de serem comuns, são dotadas de muita imaginação, quase
que a pessoa crê, tem fé ou convicção. Pertencem à categoria das sempre são formadas sem o senso da realidade, que, ainda por
crenças aspectos como estereótipos, fanatismo político, precon- imaturidade ou tempo de vida, não foram experimentadas.
ceitos, rigidez religiosa, intolerâncias, opiniões puramente emo-
cionais, generalizações irracionais, tradições culturais. Observe a seguir as crenças mais comuns.

Todos nós temos as nossas próprias crenças sobre diferentes aSou feio e meu grupo não me aceita.
coisas ou até sobre nós mesmos. Acreditar que você é muito tí-
aNão vou conseguir me tornar um bom profissional.
mido quando está diante de pessoas desconhecidas irá conduzi-
-lo a agir dessa mesma forma. Uma pessoa pode acreditar em aTodo mundo acredita que eu não tenho condições.
algo e, ainda assim, ter dúvidas. Acreditar em alguma coisa é dar
a isso mais de 50% de chance de ser verdadeiro. aMeus pais não gostam de mim.

É a certeza que se tem de alguma coisa. É uma tomada de aEsse trabalho de coaching vocacional não vai dar certo.
posição em que se acredita nela até ao fim: convicção, fé, conjun-
Você vai se deparar com várias situações em que as crenças
to de ideias sobre alguma coisa. Uma crença se transforma fre-
estão enraizadas. Sua missão será a de confrontá-las sem que
quentemente em uma verdade absoluta, em um mandamento,
se instale um conflito. Além da técnica apresentada, a sua ex-
em um dogma. Pode, como tal, balizar e ditar atitudes, escolhas
periência irá contribuir para lidar de forma mais assertiva com
e decisões. Por isso, identificá-la se torna imprescindível em um
essas situações.
processo de coaching vocacional.

As crenças fazem com que as pessoas, em muitas situações,


procedam de forma estereotipada ou deixem de visualizar inter-

92 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 93


1 - O que é realmente importante para você na vida?
Estratégias para eliminar as crenças
As crenças podem, além de ditar seu comportamento, levar a um
2 - O que você acredita sobre si mesmo? ciclo vicioso e difícil de se libertar. Utilizo um modelo que criei duran-
te alguns anos de atendimento e me ajudou a conduzir processos
de coaching de carreira para jovens e para adultos, denominado LAE.

3 - Quais são os seus maiores sonhos na vida? LAE = LEVANTAR EVIDÊNCIAS + ASSUMIR O CONTROLE
+ ENTRAR EM AÇÃO

Inicie identificando uma crença a ser alterada, por exemplo, se


4 - Você acredita que algo poderá impedi-lo de realizá-los?
seu coachee não acredita que vai conseguir fazer uma apresenta-
ção em público (colégio ou na empresa), porque se acha tímido ou
acredita que seus amigos o acham tímido. Ajude-o a evidenciar que
5 - Realizá-los depende de quem? existe uma timidez, anotando quantas vezes se comportou daquela
maneira e o quanto isto o atrapalhou. Após essa primeira fase, faça-o
trocar o pensamento “eu sou tímido” por “eu era tímido”, pedindo que
6 - O que está custando para você não realizá-los? ele informe aos amigos e pessoas mais próximas sua nova postura. A
linguagem pode alterar pensamentos, por isso repeti-la em voz alta,
quantas vezes forem necessárias, pode ajudar na mudança de ati-
tudes. Por fim, indique a necessidade de buscar um apoio: estudos,
7 - O que irá custar no futuro você não realizá-los?
cursos e outros que possam prepará-lo para uma apresentação. Tal-
vez, sozinho fique muito difícil vencer uma barreira técnica, como no
caso de falar bem em público. Seu papel enquanto coach é de incen-
8 - O que você poderia fazer agora para ir em direção aos seus sonhos?
tivar novas práticas e não ensiná-las, a não ser que você tenha muita
competência. Estabeleça junto ao coachee metas para a conquista do
novo comportamento e aquisição da nova habilidade.

94 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 95


Durante esses anos de trabalho, em todas as minhas palestras,
Análise SWOT pessoal pude comprovar a dificuldade que o jovem tem em se expor de for-

SWOT é mais um recurso com o qual você pode contar para fazer ma positiva perante os amigos. Segue um exemplo da aplicação do

com que seu coachee descubra coisas maravilhosas sobre si mes- SWOT. Obviamente, você deverá contar com a sua criatividade e a

mo. Geralmente, essa ferramenta adotada no mundo coorporativo análise da situação em que se encontra o coachee.

e organizacional para tomada de decisões estratégicas também


está sendo muito utilizada para o trabalho de autoconhecimento e
Trabalhando com as forças (SWOT)
autoconceito. De origem inglesa, o SWOT um acrônimo de forças
(Strengths), fraquezas (Weaknesses), oportunidades (Opportunities) Inicie com algumas perguntas: o que você acredita que possui de
e ameaças (Threats). melhor? O que faz com facilidade que os outros admiram? Quais os
seus pontos fortes, suas principais forças, virtudes ou talentos?
Alguns profissionais têm sua própria dinâmica de aplicação. Durante
Exemplos:
anos, venho utilizando uma sequência que vem demonstrando re-
sultados. Começo trabalhando com as forças e, por incrível que pa- Sou comunicativo.

reça, é nesse ponto em que a maioria dos jovens e das pessoas em Sou criativo.
geral sente dificuldade para responder. Falar dos fracassos ou das Me dou bem com todo mundo.
deficiências parece ser mais fácil, isso ocorre porque em uma cultura Tenho facilidade em lidar com as pessoas.
igual a nossa, falar que é bom em alguma coisa pode acarretar em
alguns conflitos, como estudar muito e ser taxado de nerd.
Trabalhando com as fraquezas (SWOT)
Não importa a situação, mas parece que, para muitos, falar pouco
Quais pontos precisam ser melhorados, suas principais fraquezas,
sobre si mesmo é uma questão de humildade e isso é um perigo! As
defeitos ou dificuldades? O que mais o incomoda em você mesmo?
pessoas que desconhecem ou não pretendem conhecer seu potencial
estão perdendo muitas oportunidades na vida. Com o jovem, isso deve Exemplos:

ser trabalhado constantemente. Não consigo terminar o que começo.


Sou “cabeça dura”.

96 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 97


Rebata esses questionamentos: Você acredita que, se colocasse um
Que ameaças existem pelas suas fraquezas? O que pode impedir
espaço de tempo entre a informação e a decisão, poderia melhorar
que você atinja seus objetivos? Como são essas ameaças?
suas opções? O que isso pode contribuir?
Exemplos:
Se eu não terminar bem o meu curso de Ensino Médio, eu não entra-
rei em uma boa universidade! Preciso me organizar melhor para dar
Trabalhando com as oportunidades (SWOT)
conta dos estudos!

Em que situações suas forças podem ajudar? Em que atividades elas


podem contribuir? Quais as ocupações que demandam suas forças?
Que oportunidades existem para você aproveitar essas forças e al- DICAS VALIOSAS
cançar seus objetivos? Aonde e em quais situações você acha que
- Para finalizar essa dinâmica, ajude o coachee na reflexão sobre
poderia utilizá-las?
como se beneficiar de suas forças e quais estratégias podem contri-
Exemplos:
buir para diminuir essas ameaças.
Buscar mais informações sobre as profissões, conversando com
profissionais mais experientes. Vendedores costumam ter que se - Programe próximos encontros para trabalhar mudança de hábitos,
comunicar muito! Publicidade é legal para quem é descontraído e caso seja necessário.
faz amigos.
- Aproveite e peça que faça uma lista com as três possíveis profissões/
ocupações que correspondam à sua lista de forças e oportunidades.

Trabalhando com as ameaças (SWOT) - Evite trabalhar a escolha do curso propriamente dita, deixe isso
para outro momento. O objetivo aqui é ajudar no desenvolvimento
Agora, é hora de promover a ação. Costumo brincar que é a hora de
da maturidade para a escolha profissional.
colocar o tubarão na banheira. Esse é o momento de colocar em xe-
que a realidade e visualizar os possíveis problemas, se algo não mu-
dar ou se o coachee não entrar em ação.

98 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 99


Outras são motivadas pelo desafio, interesse pelo trabalho, opor-
Análise SWOT
tunidade de serem criativas, possibilidade de participação e contribui-
FORÇAS FRAQUEZAS ção, e ainda pelo reconhecimento de suas realizações e conquistas.
Nesse sentido, a pirâmide de maslow, que trata da hierarquia das ne-
Quais são os seus pontos Quais são os seus pontos a cessidades, com objetivo de compreender as diferentes motivações
fortes, principais forças, serem melhorados, princi- humanas, serve como um auxílio mais que conceitual.
virtudes ou talentos? pais fraqueza, defeitos ou
Um aspecto importante diz respeito a diferença entre desejo
dificuldades?
e necessidade. Você pode desejar o que quiser nesta vida, seja
OPORTUNIDADES AMEAÇAS real ou não, com a possibilidade até de conseguir realizá-lo ou
não em um determinado período de tempo. Uma necessidade é
Que oportunidades existem Que ameaças existem pelas algo latente e mais emergencial, como precisar de um carro para
para você aproveitar essas suas fraquezas que podem trabalhar e conseguir visitar mais clientes ou matricular o filho
forças e alcançar seus impedi-lo de atingir seus em uma creche para ter tempo para trabalhar. A atividade de de-
objetivos? objetivos? finição de critérios educacionais foi elaborada justamente para
explorar os motivadores e os interesses de um jovem, mesmo
ele não estando ainda em atividade ocupacional. Isso requer um

Definição de critérios ocupacionais trabalho de visualização, simulação e pesquisa. Durante essa ati-

(motivadores e interesses) vidade, você notará várias nuances no discurso de seu coachee.

Conheça algumas definições de critérios ocupacionais.


É muito importante entender o que motiva uma pessoa a re-
alizar alguma coisa e quais interesses levam a seguir em frente, • Forneça ao coachee uma folha em branco, pode ser um sul-
mesmo em situações adversas. Alguns estudos da psicologia fite tamanho A4, o mais utilizado. Peça para que dobre a folha em
apontam o crescimento financeiro, benefícios e status como al- 4 partes. Nela, trabalhe os motivadores.
guns desses motivadores e que tornam alguém temporariamen-
• O coachee deverá escolher 4 profissões de seu interesse e
te satisfeita.
listar as atividades inseridas nelas em cada parte.

100 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 101


Obs.: Faça perguntas sobre o ambiente e a rotina de trabalho, Dica: durante o trabalho, você pode retirar várias conclusões
perfil das pessoas, competências necessárias. Explore ao máximo a respeito da maturidade de escolha profissional, do nível de co-
o conhecimento que o coachee tem sobre as profissões citadas. nhecimento da realidade das profissões, conhecimento sobre o
ambiente e a rotina de trabalho, da expectativa em relação ao
• Após listadas as atividades, peça que, no verso da mesma
ganho financeiro, das interferências nas escolhas, basta que você
folha, ele faça uma lista das atividades em comum encontrada
nas 4 profissões. Ajude-o a listar as atividades mais motivadoras. faça as perguntas corretas durante a atividade.

Administração Jornalismo
Planejando e decidindo
Nada adianta levantar um mar de reflexões e soluções se não
Lidar com pessoas. Falar com o público.
forem colocadas em prática! Muitos processos de coaching ou
Trabalhar em local fixo. Trabalhar em ambiente mais
de orientação profissional acabam não surtindo resultados ex-
Trabalhar no computador. aberto.
pressivos, porque não dão continuidade àquilo que seria natural:
Muita responsabilidade. Viajar bastante. colocar em prática o aprendido. Isso acontece, principalmente,
Pesquisar. com o jovem, porque, como já vimos, é um indivíduo itinerante
e imprevisível, passivo de desistências relâmpagos. Cabe ao pro-
Pedagogia Engenharia fissional ajudá-lo na organização de suas ações.

Não pense que ele conseguirá realizar isso sozinho, sem


Estar em contato com o
Atenção. mediação, isso é raro! Além disso, é o momento de colocar em
mundo.
prática tudo o que foi discutido, aprendido e obter os resultados
Lidar com tecnologia.
Estudar bastante. almejados. O planejamento ou, como podemos chamar, o projeto
Rotina de trabalho. de vida é composto de metas e objetivos, e isso é muito interes-
Gostar de criança.
Estudar muita Matemática. sante para ensinar aos jovens, pois eles utilizarão esses concei-
Ter bom relacionamento.
tos e práticas para o resto de suas vidas, seja na carreira ou em
Rotina fixa.
qualquer outro aspecto.

102 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 103


As metas servem para balizar as conquistas, se o objetivo final Alcançável (Attainable)
é muito grande, divida em fatias, metas, pedaços menores para fa-
Avaliação do que é possível realizar em bases concretas. Nem
cilitar. Um instrumento muito utilizado nas grandes organizações e
sempre o que se deseja é possível, ou o possível, desejável. Todo
por empreendedores no mundo inteiro são as metas SMART, que
objetivo deve ser analisado à procura de prováveis problemas.
significa: Specifc (específico), Mensurable (mensurável), Attainable
Quando transformamos um desejo, um sonho em um objetivo,
(alcançável), Relevant (relevante), Time-bound (temporal). De modo
devemos analisar se ele é executável. Muitas vezes, a única coisa
geral, é uma fórmula que as pessoas usam para classificarem aquilo
que impossibilita sua execução é o prazo. Algo inalcançável se
que desejam alcançar. Cada letra do SMART está associada a um
transforma em fonte de desânimo e frustrações. Para nos man-
conceito sobre estabelecimento de metas.
termos dentro da realidade, é fundamental que as metas e os
Específico (Specifc) objetivos possam ser manejáveis. Que tenham possibilidade de
serem mudados quando as circunstâncias se alteram.
A meta precisa ser colocada em termos claros e concisos, não
deixando margem para interpretações equivocadas. Permite vi- Relevante (Relevant)
sualizar o que desejamos atingir. Por exemplo, fluência em língua
Aciona o movimento. Representa um desafio. Algo em que va-
inglesa fornece várias interpretações. Mas se usarmos como re-
lha a pena colocar sua energia. O futuro reserva muitos desafios,
ferência “atingir X pontos em um exame de proficiência”, todas as
mas eu escolho aqueles que desejo superar. Um empreendedor
dúvidas desaparecerão.
trava constantemente um combate para seu aperfeiçoamento. A
Mensurável (Mensurable) realização de um objetivo deve proporcionar-lhe satisfação pelo
seu investimento em energia pessoal. Se você não encontrar ne-
A meta também deverá conter um conjunto de fatores coloca- nhuma satisfação em realizar sua meta é porque você não tem
dos numericamente, que permitam a avaliação futura dos resulta- meta nenhuma.
dos. É qualquer conjunto de valores que você possa monitorar seus
avanços, que indique claramente o que você deseja atingir. Tem que Temporal (Time-bound)
ser visível e mensurável. Se não forem claros, você nunca saberá se
Finalmente, a meta deverá ter um prazo definido para ser reali-
os atingiu. E com um agravante, você perde o controle sobre os
zada. Esse é um dos itens mais simples e complexos para analisar.
resultados, podendo ainda ser uma fonte de angústia.
Temos uma tendência a protelar a colocação de uma data para que

104 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 105


as coisas se realizem. É óbvio. A data indica se alcançamos ou não Metas & objetivos
o que estamos almejando. Com um tempo final, você pode elimi- Plano de objetivos e metas do coachee
nar distrações, fixar-se no essencial, pensar com mais clareza e
Cliente:
ser criativo. Data significa dia, mês e ano. Não use tempos vagos. É
uma maneira de enganar-se com o prazo. Se usar prazo em anos, OBJETIVO METAS PRAZO
Carreiras & negócios
não esqueça de colocar a data de início. 1. Escolher uma profissão. 1. Visitar três universidades. 1. Três meses.
2. 2. 2.
3. 3. 3.
Bens & finanças
1. 1. 1.
2. 2. 2.
3. 3. 3.
Desenvolvimento educacional
1. 1. 1.
2. 2. 2.
3. 3. 3.
Participação familiar
1. 1. 1.
2. 2. 2.
3. 3. 3.
Responsabilidade social
1. 1. 1.
2. 2. 2.
3. 3. 3.
Espiritualidade
1. 1. 1.
2. 2. 2.
3. 3. 3.
Vida social
1. 1. 1.
2. 2. 2.
3. 3. 3.
Lazer & esporte
1. 1. 1.
2. 2. 2.
3. 3. 3.

106 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 107


Tarefas: registros das atividades pontuais e mais urgentes,
Trabalhando com agenda
como fazer um telefonema para alguma faculdade/universidade,
Talvez você imagine que falar de agenda a um jovem seja um confirmar uma informação, dar um recado etc. Geralmente, as ta-
pouco complicado e isso pode deixar você um pouco apreensivo. refas devem ser cumpridas conforme prioridades por você indica-
Eu sei, mas você vai perceber que trabalhar com agenda é muito das: A (muito importante); B (importante); C (menos importante); D
simples e eficiente, e que muitos dos problemas operacionais de (pode ser realizada depois). Comece sempre pela mais importante!
um jovem, nessa fase, serão resolvidos. Evite apresentar a agen-
Observações: deixe um espaço no rodapé da página para que
da antes das primeiras sessões, lembre-se de que a conquista do
possam ser feitas anotações importantes.
seu coachee pode determinar o resultado do seu trabalho.

Durante anos de processo, eu desenvolvi uma agenda pa-


drão para os meus trabalhos e você pode fazer o mesmo. Aqui
Agenda/administração do tempo
Janeiro 01
vai uma dica, faça um modelo e reproduza em gráfica, ofereça
Compromissos
como brinde durante seu trabalho, além de encantar, ela será
7:00
mais valorizada. Hoje, no mercado, você encontra gráficas digi-
8:00
tais que fazem esse trabalho por demanda, poucos exemplares,
9:00 – Visita à universidade
caso necessário.
10:00
Para uma agenda funcionar e o tempo ser melhor adminis- Tarefas
trado, o coachee deve entender a diferença entre compromisso e PRIORIDADES PRIORIDADE
tarefa, fora isso, priorizar suas atividades. Cada folha da agenda Ligar para a Mariana e pedir A B C D
deve conter. x
o material de Matemática.

Compromissos: aqui serão marcadas reuniões, visitas, tempo


Obs.: na universidade “X”, vou procurar o coordenador
de estudo e leitura, horários de pesquisa. Tudo o que lhe ocupar
do curso.
um tempo durante o qual você precisará ter muita atenção e foco.

108 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 109


Dica: Não é necessário produzir sua própria agenda, cons- A seguir, veja o exemplo de uma prática de tomada de decisão,
trua uma juntamente com o seu coachee no computador. Caso sendo que o modelo abaixo pode dar margem a muitos assuntos
o coachee tenha um notebook, peça que o traga, caso não te- e descobertas. O mais importante é que, após a sua aplicação, o
nha nenhum computador, faça isso em um caderno universitário. coachee se sinta mais seguro e confortável frente às decisões e
Ofereça esse presente. consiga planejar os próximos passos.

TOMADA DE DECISÃO
Tomada de decisão Cliente:

Situação Decisão A Decisão B


Quem nunca teve que tomar uma decisão importante? Você
acabou de realizar uma: a compra deste livro para se tornar um coach Curso de Pedagogia Tecnólogo em gestão
de pessoas
educacional! Pois é, todas as pessoas passam por momentos de
O que eu ganho se Posso me tornar Vou trabalhar com
decisão, em maior ou menor escala, mas a verdade é que passamos
realizar isso? professor pessoas
e temos que decidir, às vezes, sem muito tempo para uma opção.
O que eu ganho se Nada Tempo
Existem técnicas para que isso seja resolvido da forma mais não realizar isso?
tranquila, mas, às vezes, o que conta é realmente o sentimento, O que eu perco se Nada Contato com as
principalmente, quando não temos muito tempo para pensar. realizar isso? crianças, pois o
profissioanl de RH
Durante um processo de coaching, supostamente, o tempo trabalha com
empresas
joga ao nosso favor, uma vez que se trata de um processo sistê-
O que eu perco se Deixo de realizar meu Contato com as
mico e organizado. Sendo assim, você poderá utilizar com seus não realizar isso? sonho de trabalhar pessoas, poder
coachees uma ferramenta muito importante e de alto impacto com crianças ajudar
para decisões. Lembrando que a decisão se inicia muito cedo e
Note que, no caso apresentado, o coachee descobriu que sua
se engana quem acredita que somente grandes profissionais e
grande paixão era estar com as pessoas, poder ajudar e contribuir.
empresários precisam se preocupar com isso.
Mas percebeu que seu grande sonho era estar com as pessoas
pequenas, as crianças. Outro fato interessante, nessa simulação,

110 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 111


era que, até um determinado período do trabalho, o coachee não faltam pessoas com iniciativas e com competências para gerenciar
tinha noção do real papel de um gestor de recursos humanos, mudanças. Cabe a você, coach, começar a pensar que seu processo
achava que um gestor somente ajudava as pessoas, em qualquer não é somente válido para um momento, mas para a formação.
situação. Cabe a você, coach, extrapolar todos os pensamentos e
Nessa prática, você vai trabalhar sobre dois momentos: o
crenças levantadas durante esse processo, muitas vezes, como
atual (hábitos atuais) e o futuro (novos hábitos e consequências).
no ocorrido na simulação, existe um problema de maturidade
Inicie pelo estado atual, esgote todos os que forem importantes
para a escolha, como já vimos nos capítulos anteriores.
para o processo e, depois, parta para a segunda etapa. Deixe cla-
Talvez, essa seja uma das partes mais difíceis para qualquer ser ro isso aos coachees. A sensibilização anterior a uma ferramenta
humano. Imagine para os jovens! Nada adianta pensar e refletir so- pode contribuir para o resultado final.
bre todas as coisas que devem ser melhoradas se elas não foram
acompanhadas por um processo de novos hábitos. Não considero
MUDANÇA DE HÁBITOS
o hábito uma mudança e sim uma adaptação a uma nova forma
Hábitos atuais Consequências
ou estratégia que contribui para o crescimento, por exemplo: se
precisamos de um planeta mais limpo, temos que começar a criar Acordo muito cedo Me sinto cansado
novos hábitos, o de reciclar, separar os materiais. Se precisamos Chego da escola, almoço e Muito corrido, estou ficando
perder peso, precisamos fazer atividades esportivas com maior vou direto para a academia exausto
frequência e assim para várias coisas que precisamos alcançar. Deixo para estudar à noite Não consigo ficar muito
tempo estudando
Para um processo de coaching educacional, esse trabalho é
Novos hábitos Benefícios
muito útil, pois contribui para que o jovem entenda o seu papel
Dormir mais cedo Mais tempo de reposição
frente às suas conquistas. Isso significa que não adianta somen-
te o discurso ou as reflexões, mas que algo realmente precisa Descansar de 40 a 60 min, Melhora minha disposição
antes de ir à academia
ser feito. Muitos jovens ficam paralisados nesse momento, espe-
rando que alguém construa seu futuro por eles. É nesse sentido Diminuir o tempo de Aumentar o tempo de
academia em 20 min, para estudos
que algumas empresas ao redor do mundo estão reclamando que chegar mais cedo em casa

112 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 113


Plano de voo
Prezado amigo…
Muitos jovens coachees acabam escolhendo uma instituição
de ensino superior, seja universidade, faculdade, centro univer-
Chegou a hora de você escolher qual caminho trilhar.
sitário, por alguns motivos nem sempre conscientes, como es-
Sendo assim, este documento passa a ser somente um ins-
tudar onde os amigos estudam, nome da instituição, estrutura trumento balizador de suas ações. Procure sempre revisar
muito bonita etc. Com isso, esquecem que além desses aspec- o que preencheu e, se mudanças ocorrerem, normal. Altere a
tos, as instituições devem obedecer alguns critérios obrigatórios, rota e continue a trilhar o seu caminho de sucesso.

como a qualificação de seus professores e a estrutura de apoio à


Até aqui, percorremos os seguintes pontos: desenvol-
formação, entre outros.
vemos autoconhecimento; detectamos valores e crenças;
Outro ponto diz respeito à falta de conhecimento do que o descobrimos seus talentos e habilidades. Pesquisamos sobre

curso em si oferece. De instituição para instituição, às vezes, o os cursos existentes; falamos sobre o mercado de trabalho e
as oportunidades, nas quais incluímos a questão de estágios.
curso pode ter alguns itens diferenciados, como no caso da grade
E, agora, temos que colocar esses aprendizados em prática,
de matérias oferecidas. Esse é um dos pecados mais cometidos
uma espécie de rota marítima, uma carta de navegação.
pelos jovens que desistem de um curso nos primeiros anos.
Lembre-se de que o trabalho ainda não terminou e está
A prática a seguir contribui para que o jovem faça esse levan-
longe de acabar. Este foi o primeiro passo para que você mes-
tamento de forma detalhada, tomando uma decisão mais asser-
mo possa comandar seu destino. Pesquise, converse, seja um
tiva e consciente sobre a sua escolha. O texto inicial apresentado verdadeiro “chato”, tire dúvidas e esteja disposto a aprender.
é uma forma de alertar o coachee para essa tarefa de muita res-
ponsabilidade e para que ele entenda sua participação no proces- Boa sorte e conte comigo para o que der e vier!
so. Você pode fazer o plano de voo, adaptando ao seu gosto, mas
não deixe de entregá-lo ao seu coachee.

114 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 115


Invista alguns minutos do tempo do seu coachee para res- 2 - Quais são as instituições de ensino superior escolhidas? Liste
ponder às perguntas abaixo. Utilize sua agenda para registrar as somente três opções, da mais cara para a mais barata.
datas dos vestibulares e das inscrições.
A)
1 - Você está escolhendo seu caminho baseado nas informa-
B)
ções já apresentadas, então descreva: quais são as opções de
curso escolhidas? Cite no máximo três opções. Para cada opção, C)
descreva a grade curricular (matérias), modalidades (tecnólogo,
3 - Para cada instituição, descreva: localização (da mais próxima para a
licenciatura, bacharelado, a distância), horários e investimento
mais distante), tradição, graduação dos profissionais (em porcentagem)
(valor da mensalidade e número de parcelas).
e instalações (qualidade das salas de aula, dos laboratórios, da bibliote-
Opção A ca, do refeitório, das lanchonetes e dos espaços para lazer e esporte).
Grade curricular (matérias):
Modalidade: (Opção A)
Localização:
Horário:
Tradição:
Investimento: Graduação dos profissionais:
Doutores: %
Opção B Mestres: %
Grade curricular (matérias): Especialistas: %
Modalidade: Instalações: %

Horário:
Investimento: (Opção B)
Localização:
Opção C Tradição:
Graduação dos profissionais:
Grade curricular (matérias):
Doutores: %
Modalidade: Mestres: %
Horário: Especialistas: %
Instalações: %
Investimento:

116 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 117


(Opção C) coordenador do curso tem estes dados ou podem ser investiga-
Localização: dos com os próprios alunos, procure alguém que esteja realizan-
Tradição:
do ou tenha concluído o curso escolhido.
Graduação dos profissionais:
Doutores: %
Mestres: %
Especialistas: %
Instalações: %

6 - Faça um levantamento no site Inep – Instituto Nacional de Estu-


4 - A universidade tem os seguintes apoios aos estudantes.
dos Educacionais Anísio Teixeira (www.inep.gov.br) e tabule abaixo
A) Parceira com empresas para estágio? sobre a idoneidade das instituições e dos cursos escolhidos; elas
precisam estar com os cursos aprovados; caso contrário, o seu di-
ploma de nada valerá.

B) Um departamento para acompanhamento de carreira?

7 - Como você pretende se preparar para o próximo vestibular?


(Utilize sua agenda para determinar data e horário para iniciar e
terminar os seus passos).
C) Murais para anúncios de vagas em empresas e outros?
1º passo

2º passo

3º passo
5 - Faça um levantamento e tabule os resultados se os alunos
que escolheram as mesmas faculdades que você estão conse- 4º passo
guindo uma colocação no mercado de trabalho. Geralmente, o

118 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 119


8 - Você vai necessitar de apoio financeiro? Quais? Dica:

aFazer pesquisas mais detalhadas pode eliminar surpresas


negativas ao longo de sua convivência com a instituição escolhida.

aPara vender a qualquer custo um curso, algumas institui-


ções estão vendendo mais coisas do que podem entregar.

aProcure por pessoas que estão frequentando a instituição


9 - O curso escolhido exige teste de aptidão? Qual? que você escolheu, faça muitas perguntas.

aAparência e estrutura não são tudo, procure e escolha ins-


tituições com bons profissionais.

As avaliações finais são necessárias para analisar o fim de um


processo ou talvez a sua continuidade. Nessa fase, são computa-
das as conquistas realizadas pelo coachee e pelo coach. Em muitos
casos, chega-se à conclusão de que o processo de coaching deve
10 - Você pretende continuar os estudos após conclusão do
continuar, pois alguns aspectos precisam ainda serem melhores
curso? Qual modalidade (especialização, MBA, pós-graduação,
trabalhados. É muito importante realizar essa prática. Muitos pro-
mestrado e doutorado)? Por quê? Onde?
fissionais negligenciam esse momento e perdem a oportunidade
de avaliarem não só o processo, mas a sua performance profis-
sional. As avaliações finais podem também ser utilizadas para um
fechamento junto aos responsáveis de seu coachee, lembrando
que, em muitos casos, você estará lidando com menores de idade.

120 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 121


Avaliação e autoavaliação Avaliação e autoavaliação
Avaliações do processo de coaching. Avaliações do coach.

De 0 a 10 - sendo 0 pouco satisfeito e 10 muito satisfeito. De 0 a 10 - sendo 0 pouco satisfeito e 10 muito satisfeito.

1 - Companheiro?
1 - Reconheço minhas habilidades/talentos?
2 - Atuou com ética?
2 - Reconheço meus valores?
3 - Ajudou a clarear os caminhos?
3 - Reconheço minhas crenças?
4 - Ensina com facilidade e clareza?
4 - Estou mais focado no que eu quero?
5 - Conheçe sobre o tema?
5 - Conheço as possibilidades de mercado?
6 - Contribuiu para o processo de escolha?
6 - Conheço os cursos e universidades disponíveis?
7 - Paciente e compreensivo?
7 - Reconheço quando existem interferências externas?
8 - Motivador?
8 - Consigo me organizar melhor?
9 - Comunica-se com clareza e assertividade?
9 - Consigo planejar com maior facilidade?
10 - Possui metodologia de trabalho?
10 - Estou tomando decisões mais conscientes?

122 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 123


Avaliação e autoavaliação
Avaliações do coachee.

De 0 a 10 - sendo 0 pouco satisfeito e 10 muito satisfeito.

1 - Me dediquei em todas as tarefas?

2 - Pesquisei?

3 - Plenejei bem o meu tempo?

4 - Acreditei no processo?

5 - Não faltei aos encontros?

6 - Estava interessado?

7 - Estava atento aos encontros?

8 - Tive aprendizados?

9 - Sinto que posso seguir sozinho?

124 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 125


Parte seis Como se tornar um coach
vocacional de sucesso

126 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 127


Dica:
Vivendo de coaching
aEstude muito!!! Assim como uma empresa precisa inves-
O coach é uma das profissões que mais cresce no mundo
tir em seus profissionais, um profissional autônomo também. O
inteiro, estamos falando de movimentações financeira de um
único cuidado aqui é não se transformar em um estudante pro-
mercado bilionário. Muitos setores da economia já aderiram ao
fissional e esquecer que o outro lado deve ser colocado em práti-
processo de coaching e o setor educacional começa a dar seus
ca, o lado negociador, vendedor e empresário de si mesmo.
primeiros passos nesse sentido.
aPense em você como uma marca, isso mesmo. Desenvol-
O novo profissional encontra algumas barreiras ao iniciar
va um projeto de imagem, peça auxílio a alguém que saiba fazer
nesse mercado, nada que não possa ser superado. Uma delas é
isso. Geralmente, um profissional de comunicação. Lembre-se
entender que ser coach é um negócio como qualquer outro, ou
de responder à pergunta: como desejo ser conhecido pelos ou-
seja, precisa de investimento, tempo e dedicação.
tros? Questione-se sempre: o que sei fazer e que os outros não
No geral, o coach é uma carreira autônoma. Desde a elabora- fazem? Em quais competências eu me diferencio dos demais?
ção das sessões, dos estudos sistêmicos, da atualização, da di- Qual o meu talento e que diferença ele faz? Que imagem passo
vulgação do seu serviço e da organização (o chamado back office), as pessoas? Quem são meus clientes em potencial? Como posso
às tarefas subjacentes ao exercício profissional. atingi-los? Como posso ajudá-los?

Durante esses anos todos como profissional nesse mercado, a Cuidados legais. Você está lidando com estudantes ado-
eu tive contato com muitas pessoas e muitas histórias, inclusive lescentes e jovens, grande parte menor de idade. Conhecer o
de outros profissionais, que me ajudaram a formular essas di- ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente - é importante. E as
cas valiosas para que você possa conquistar o sucesso que você questões legais de sua profissão, também. Veja com um conta-
merece e cumprir a sua missão de ajudar milhares de jovens em dor as despesas de se cadastrar como profissional autônomo. Já
suas escolhas profissionais. vi casos de escolas ou universidades deixarem de contratar pro-
fissionais por conta de registro. Sem registro, muitas empresas
não fazem contrato com terceiros.

128 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 129


aUtilize a tecnologia a seu favor e cadastre-se nas comuni- aAponte um problema e uma solução. Alguns atributos são im-
dades virtuais, mas não para jogar conversa fora, e sim deixar claro portantes, tais como ser simpático, motivador, alegre, integrador, mas
o que você faz, com o que contribui para a vida das pessoas. Inicie o mais importante é aquilo que você promove, que é conquista, es-
um cadastro de e-mail para realizar ações de marketing, mesmo tratégia para melhorar de vida e sistema inovador de aprendizagem.
que inicie com poucas pessoas, siga em frente. Conheço casos de
aCuidado com a vaidade, seja humilde. Realizar um curso,
pessoas que começaram com dois e nenhuma receita e hoje pos-
uma formação ou obter conhecimento que poucos têm acesso
suem milhares de contatos e com ganhos expressivos. Não caia na
não lhe dá o direito de se sentir melhor que o outro ou com po-
bobagem de se achar pequeno. Um e-mail marketing não precisa
deres extras, como alguns profissionais fazem. Ser humilde não
ser algo tão elaborado visualmente, apesar de sua força, mas algu-
significa ter que se ajustar às condições alheias, mas sim res-
ma coisa que traga valor às pessoas. A humanidade está carente
peitá-las. Também não adianta se vestir de qualquer forma, por
do como realizar seus sonhos e objetivos.
exemplo, só porque vai atender uma comunidade muito carente.
a Procure quem não é procurado. Há uma grande tendên- Muito pelo contrário, mostre que você dá importância a essas di-
cia das pessoas buscarem clientes no mesmo local, no mesmo ferenças e que respeita suas posições.
nicho. Quer ver? Provavelmente, você já deve estar pensando
aDesenhe, planeje e apresente um projeto diferenciado.
nas escolas que pode visitar e se esqueceu das associações de
Monte no computador uma apresentação do seu trabalho. Não
bairros, associações de jovens, ONGs, igrejas, órgãos públicos,
precisa ser algo fora do normal cheio de textos e figuras com
qualquer tipo de organização que promova trabalho ou projeto
muitas páginas. Apenas uma introdução do potencial do seu tra-
para os jovens.
balho. Evite falar muito de você, lembre-se de economizar dis-
aEscreva artigos, textos para serem apresentados aos jor- cursos sobre os atributos e gastar nas soluções.
nais do bairro, revistas, sites especializados, ou mesmo, para se-
rem disparados por e-mail. Quanto mais se escreve, com mais
ideias e com maior facilidade você irá criar seus textos.

130 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 131


Conclusão Referências bibliográficas
Parabéns! 1. BENCH, Marcia. Career coaching: a insider’s guide-second
edition. USA: High Flight Press, 2008.
Você acaba de chegar ao final deste livro e isso significa que
você está bem interessado em contribuir com a vida de milhares 2. BOHOSLAVSKY, Rodolfo. Orientação vocacional: A estraté-
de pessoas em sua volta. gia clínica. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

Venho já há mais de 10 anos pesquisando e atuando no mer- 3. BUCKINGHAM, Marcus. Empenhe-se! Ponha seus pontos
cado, e hoje acabei me tornando uma referência no Brasil. fortes para trabalhar: 6 passos decisivos para alcançar a máxima
performance. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.
Muitos profissionais passaram a me procurar para saber mais
sobre o tema e, em 2008, formei a primeira turma do curso de 4. FILOMENO, Karina. Mitos familiares e escolha profissional:
formação em Coaching Vocacional. Em 2013, decidi atender mais uma visão sistêmica. São Paulo: Vetor, 1997.
pessoas espalhadas dentro e fora do país e transformei a forma-
5. FIGUEIREDO, Ana Beatriz Freitas. Orientação profissional:
ção em um curso 100% on-line.
o caminho das possibilidades. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2003.
Trata-se de um curso para quem deseja se especializar em
6. FRAIMAN, Léo. Guia prático do amadurescente: da escola para
orientação e coaching vocacional. Pelo fato de ser um curso total-
a vida adulta - 100 dúvidas. São Paulo - “Publicação Independente”.
mente on-line, isso facilita os participantes estabelecerem seus
próprios horários e, além disso, o custo para realização do curso 7. KRAUSZ, Rosa R. Coaching executivo: a conquista da lide-
tornou-se bem mais acessível! rança. São Paulo: Nobel, 2007.

Maurício Sampaio 8. LEAL, Ruy. Condutores do amanhã - jovens inteligentes


entram no mercado de trabalho: como o jovem pode se orientar
para entrar e se manter no mercado de trabalho altamente com-
petitivo e globalizado. São Paulo: Saraiva, 2007.

132 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 133


9. LUCCHIARI, Dulce Helena P. S. Pensando e vivendo orienta-
ção profissional. São Paulo: Summus, 1993.

10. MACEDO, Gutemberg B. De. Carreira: que rumo seguir?


Saiba tudo o que você deve e não deve fazer para assumir o con-
trole de sua vida profissional. São Paulo: editora Gente, 2005.
Maurício Sampaio

©LUKE Fotografia
11. MELLO, Fernando Achilles F. O desafio da escolha profis-
sional. Campinas: Papirus, 2002.
Maurício Sampaio é empresário, educador, coach, especialista
12. MINARELLI, José Augusto. Empregabilidade: o caminho
em orientação educacional e vocacional. Fundador do Instituto
das pedras. São Paulo: editora Gente, 1995.
MS de Coaching de Carreira. Pós-graduado em Educação pela
13. PAULA, Maurício De. O sucesso é inevitável: Coaching e PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Espe-
carreira. São Paulo: Futura, 2005. cializado em Marketing Pleno pela Madia Marketing School. Espe-
cializado em Pensamento Estratégico e Gestão de Pessoas pela
14. PENTEADO, José Roberto Whitaker. Cartas a um jovem
FGV (Fundação Getulio Vargas). Formado em Leader & Executive
indeciso: transforme seu problema em oportunidades. Rio de Ja-
Coaching, com reconhecimento pelo Behavioral Coach Institute e
neiro: Elsevier, 2007.
pelo International Coaching Counsil - ICC.
15. SKIFFINGTON, Suzanne. Behavioral coaching: how to build
Exerceu o cargo de Coordenador de Programas para Juven-
sustainable personal and organizational strenght. Australia: Mc
tude do Governo do Estado de São Paulo. Autor do projeto social
Graw-hill, 2003.
“Rumo Profissional”, que ajuda jovens no desenvolvimento de
16. WHITMORE, John. Coaching para performance: aprimo- seus projetos de vida; colaborador do blog Juventude, da Revis-
rando pessoas, desempenhos e resultados: competências pesso- ta Exame, e ainda, palestrante e coach com mais de 5.000 horas
ais para profissionais. Rio de janeiro: Qualitymark, 2006. de atendimentos a adolescentes, jovens, pais e líderes. Maurício
é autor dos livros Escolha Certa e Influência Positiva, ambos pela
Editora DSOP.

134 COACHING VOCACIONAL Maurício Sampaio 135