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A MANUTENÇÃO DA PRISÃO DE LULA EXPRESSA

OS INTERESSES DO CAPITAL EM CRISE


Associados a interesses internacionais contrários a qualquer grau de soberania, os
grupos capitalistas dominantes em nosso país empreendem um movimento
antidemocrático de “natureza preventiva” no sentido de bloquear, mesmo as alternativas
de conciliação com o empresariado, e impedir que a desigualdade e a exclusão social
geradas, irrompam e convertam-se em uma “força política” contrária à sua existência e
continuidade enquanto grupos sociais e políticos dominantes.
Tal curso e dinâmica desses grupos empresariais/políticos brasileiros, são parte dos
“desequilíbrios globais” e de toda uma “trama de interações” que se desenvolvem a partir
de uma realidade de aprofundamento da crise capitalista que produz sérias repercussões
em todos os continentes mas, sobretudo, na periferia desse sistema, além de promover
uma nova redefinição da Divisão Internacional do Trabalho (DIT) que, para os países da
América Latina, em particular o Brasil, significa uma “regressão neocolonial”.
O estágio atual da crise estrutural do capital já não possibilita as mesmas margens
dos anos 2003-2013 em que o PT pode contemplar os lucros do setor financeiro,
agronegócio e industrial e mesmo assim realizar algumas políticas sociais através de uma
maior intervenção e endividamento do Estado. Hoje, com o acirramento da
competitividade internacional, as políticas protecionistas dos países centrais e a chegada da
Dívida Pública brasileira aos R$ 5 trilhões, essa perspectiva está bastante bloqueada.
A burguesia necessita de ataques muito mais duros aos trabalhadores. Vemos que
as frações de capital que operam no Brasil (o capital financeiro em primeiro plano) não
pretendem tolerar projetos de conciliação de classes, por mais limitados que sejam, como
seria um retorno de Lula/PT ao governo federal. Apostam em projetos neoliberais puros,
que implementem muito mais rápido e diretamente os planos de privatização, cortes nos
serviços públicos, no funcionalismo, nos direitos trabalhistas e salários. Isso explica até
certa atração de setores do empresariado por Bolsonaro e a demora da burguesia em
desconstruir sua candidatura.
É a partir desse enfoque que precisamos considerar a adequação do Estado aos
interesses e pressões do capitalismo financeiro e suas várias vertentes, além, é claro, da
acirrada disputa comercial entre a China e os Estados Unidos, tendências que repercutem
na atuação dos governos nacionais, que procuram se adequar aos desejos lucrativos dessas
duas potências conflitantes em interesses comerciais.
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Passamos a conviver cotidianamente com uma crescente “necessidade de controle
social” travestido de democracia, onde: “(...) é permitido falar sobre tudo que se queira,
mas não é permitido mudar absolutamente nada.” (Mészáros, 2009, A Crise Estrutural do
Capital)
No caso do Brasil, os grupos capitalistas dominantes, “(...) não vacilam no recurso à
violência quando julgam que seu poder oligárquico é ameaçado (...)”. (Maar, 2018, A
Contrarrevolução no Brasil)
A ação dessa burguesia/oligarquia não se restringe apenas ao uso da violência
praticada pelo seu aparato policial e forças armadas. Agora, vemos o uso recorrente do
poder judiciário – comprometido em sua maioria –, no sentido de manter o seu status quo
– enquanto grupo político dominante – e na criminalização de grupos políticos divergentes
com potencial de crescimento e questionamento ao ordenamento político e econômico
brasileiro; criminalização de lideranças políticas de movimentos sociais, chegando ao
assassinato de várias delas no campo e nas cidades. E o alijamento de líderes políticos que
outrora conciliaram com esses grupos capitalistas dominantes, neste caso, o ex-presidente
Lula, mas também Rafael Correa, entre outros, que vêm sendo alvo de operações
orquestradas das “justiças” de seus respectivos países. Trata-se de uma política que atinge
a América Latina mas também outras regiões dominadas.
Do ponto de vista da burguesia, uma candidatura Lula teria o inconveniente de abrir
maiores contradições e mediações na implementação dos ataques necessários ao capital e,
o pior de tudo, a possibilidade de um espaço por onde pudesse irromper o
descontentamento e a luta social.
Dessa forma, assim como lançaram mão da manobra do Impeachment contra
Dilma, depois a condenação de Lula sem provas e sua prisão sem ter esgotado seu direito
de defesa, vemos mais um atropelo de procedimentos e seletividade da Polícia Federal e da
Justiça no caso da manutenção da prisão de Lula.

CONTRA A MANUTENÇÃO DA PRISÃO DE LULA,


DEFENDER OS DIREITOS DEMOCRÁTICOS BÁSICOS!
Somos contra a manutenção da prisão Lula, por ser uma prisão sem provas e por
não ter esgotado os trâmites até o STF (a prisão foi decretada já a partir da condenação em
2ª instância).
Não queremos, negligenciar sobre as (os) inúmeras (os) ativistas que foram mortos
ou estão em cárcere, dentre eles, Rafael Braga, mas também não podemos nos cegar a esse
movimento estratégico, preventivo e atual do capitalismo e seus agentes políticos, que nos
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impõem formas de “tolerância repressiva”, “democracia de baixa intensidade” ou ainda um
“totalitarismo relativo” e a defesa da “intervenção militar” por políticos de extrema direita
com a anuência de setores significativos da burguesia brasileira.
A democracia burguesa sempre foi limitada, mas nos últimos anos houve uma
mudança significativa de grau e intensidade, limitando-a ainda mais.

SUPERAR LULA E O PT!


BOULOS/SÔNIA COM O POVO NAS RUAS, PARA REVOGAR AS
REFORMAS E ABRIR UMA SAÍDA DOS TRABALHADORES!
Salientamos, porém, que ao encararmos a luta pela defesa das liberdades e direitos
democráticos, precisamos também apontar uma alternativa que supere o lulismo, o PT e
suas variantes reformistas PC do B, etc.
O PT e Lula, no período em que estiveram no governo, e já desde antes, utilizaram
seu peso e prestígio para implementar um projeto dentro dos limites e a serviço do capital.
Para isso desmobilizaram e desorganizaram os movimentos e a luta dos trabalhadores. Para
conseguir chegar ao governo e se manter, foram se aliando e fortalecendo os piores setores
da política e da justiça burguesa. Contribuíram largamente para fortalecer os setores de
direita que hoje os atacam.
Nesse sentido, embora defendemos os direitos democráticos e a soltura de Lula,
não apoiamos sua candidatura e nenhuma outra do PT, PC do B e seu campo. Defendemos
o apoio crítico à candidatura Boulos/Sônia pela frente PSOL, PCB, MTST, e outros
movimentos e organizações de base.
Não se trata de um apoio eleitoreiro, mas como instrumento para nos fortalecer na
base, na disputa política e ideológica na sociedade. Precisamos reconstruir uma Nova
Esquerda de Luta e Socialista, que tenha como prioridade as lutas diretas e a organização
independente de base. Juntamente a isso, irmos formando a consciência e organização
alternativas ao capital para conseguirmos por abaixo essa ordem e essa estrutura cada vez
mais antidemocrática do estado burguês, substituindo-a por uma rede de poder popular
que se desenvolva nesse processo.

11/07/2018

“Para Um Novo Começo” - Centro Político Marxista