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CRIMINOLOGIA

Intensivo III
Prof. Procópio Dias
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CRIMINOLOGIA
Procópio

* Criminologia, de autoria de Antonio García-Pablos de Molina e do


Dr. Luiz Flávio Gomes.

As duas perguntas fundamentais da criminologia são: Por que


alguém delinqüiu? O que fazer para minimizar a delinqüência?

1. Conceito de criminologia:
A criminologia é uma ciência empírica e interdisciplinar que cuida do
crime, do infrator, da vítima e do controle social do delito e gera uma
informação válida sobre a gênese, a dinâmica e as variáveis do crime,
orientando a sua prevenção e sua repressão.

A partir desse conceito é possível fixar o método, o objeto e a função


da criminologia.

Quanto ao método a criminologia é uma ciência e interdisciplinar.


O objeto da criminologia é o delito, a vítima e o controle social do
delito.
A função (objetivo) da criminologia é prevenir e orientar a resposta.

1.1. Método:
Método empírico é o mesmo que método experimental, ou seja,
aquele que evolui a partir da observação do mundo fenomênico.

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O método empírico também pode ser chamado de analítico ou


indutivo, ou seja, parte do objeto para chegar à constatação, parte da
coisa para chegar à idéia.
Assim, a criminologia não é uma ciência formal, não é uma ciência
silogística ou dedutiva.
A criminologia é uma ciência interdisciplinar porque conjuga, no
seu conhecimento, outras ciências e disciplinas, tais como a biologia,
a psicopatologia, a sociologia, política, etc.

1.2. Objetos:
a) Delito:
O primeiro objeto da criminologia é o delito. Delito não é uma
palavra unívoca, ou seja, dependendo da ciência a palavra delito
tem uma acepção diferente.
Para o Direito o delito tem um conteúdo formal e dependendo da
teoria adotada (bipartida, tripartite, quadripartite), o delito terá um
conceito diferente.
Para a filosofia e para a ética tem um conteúdo moral.
A sociologia enxerga o delito como mais um fato social.
Por fim, para a criminologia, o delito é um problema, ou seja, é algo
a ser decifrado.
Para a criminologia o delito é um problema social e comunitário
com incidência aflitiva (forma de constranger as pessoas naquela
comunidade) e persistência espaço-temporal e que varia conforme a

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efetividade dos controles sociais formais (polícia, MP, cárcere etc) e


informais (família, vizinhança, igreja etc).

b) Criminoso:

b.1)Para os Clássicos:
Para os clássicos o homem nasce bom e o criminoso é aquele que
optou pelo mal, embora pudesse e devesse respeitar a lei. Dentro
dessa ótica a pessoa tem livre arbítrio para decidir se quer ser bom
ou mal. Origem no “Contrato Social” de Rosseau.

b.2)Para os Positivistas:
Para os Positivistas o livre arbítrio é uma verdadeira ilusão. Para
eles não existe nada que não seja palpável (superação da metafísica).
Livre arbítrio não se demonstra empiricamente, logo, não existe.
Não tendo livre arbítrio, determinados indivíduos, portadores de
patologia (determinismo biológico), praticavam crimes.
O infrator não possui livre arbítrio, era um prisioneira de sua
própria patologia (determinismo biológico) ou de processos causais
alheios (determinismo social).

b.3)Para os Correicionalistas:
Para os Correicionalistas o criminoso é um fraco, é um ser inferior,
deficiente, inapto ao convívio social, incapaz de dirigir-se por si
mesmo – livremente – sua vida, cuja débil vontade requer uma

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eficaz e desinteressada intervenção estatal. Visão próxima dos


adolescentes infratores.
b.4) Para os Marxistas:
Para os Marxistas o criminoso é vítima do processo econômico de
exploração do homem pelo homem. Culpável é a sociedade.

c) Vítima:

c.1) Vítima de ouro:


Desde os primórdios da civilização até a Alta Idade Média.
Numa primeira fase a vítima tinha um papel muito importante na
gênese do delito, porque havia a justiça privada, autotutela, pena de
talião.

c.2) Período de neutralização do poder da vítima:


Ela deixa de ter o poder de reação ao fato delituoso, que é
assumidos pelos poderes públicos. A pena passa a ser uma garantia
de ordem coletiva e não vitimaria.
A partir do Código Penal Francês com idéias dominantes do
Liberalismo moderno.

c.3) Período de revalorização do papel da vítima:


Depois da Segunda Guerra Mundial – ciência da vitimologia

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Vitimologia é o estudo do comportamento da vítima com a


avaliação das causas e dos efeitos da ação delitiva sobre o prisma da
interação criminoso-vítima (dupla penal) e o incremento do risco da
ocorrência do delito.
Esta idéia de que o comportamento da vítima pode até fazer o crime
surgir, fez surgir uma ciência paralela, qual seja: vitimo-dogmática,
que estuda a participação da vítima no incremento do risco da
ocorrência do delito.
Muitas vezes a vítima cria a situação para que o delito ocorra.
Fala-se em doutrina de processos de vitimização primária,
secundária e terciária.
Vitimização primária: são as conseqüências do delito que atingem
diretamente o ofendido.
Vitimização secundária: são os ônus da burocracia, são as
vitimização geradas pelo próprio Estado quando demora a dar uma
resposta ao crime.
Vitimização terciária: é aquela que toca o autor do fato. É a hipótese
em que o criminoso se torna vítima de uma punição
desproporcional (sevícias no cárcere, cárcere lotado etc).

d) Controle social do delito:


É o conjunto de mecanismos e de sanções sociais que pretendem
submeter o indivíduo aos modelos sociais comunitários.
Controles formais: são aqueles pertinentes ao Estado repressor.

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Controles informais: são aqueles pertinentes à família, aos amigos, a


igreja etc.

1.3. Função da criminologia:


A partir de dados consistentes pretende a elaboração de uma
política criminal que vise explicar e prevenir o crime e intervir na
pessoa do infrator e avaliar os diferentes modelos de resposta ao
crime.

2. Breve digressão histórica:


Calcada tão-somente no aspecto didático-pedagógico podemos
dividir a história da criminologia em quatro períodos:

Primeiro período o da Antigüidade aos precursores da


Antropologia Criminal:
O Código de Hamurabi(Babilônia) já possuía dispositivo punindo o
delito de corrupção praticado por altos funcionários públicos.
Mesmo antes, Confúcio já demonstrava conhecer o gravame da
pena o que, certamente viria ser uma das maiores preocupações da
Criminologia.
Entre os gregos Alcmeon, de Cretona (séc. VI a . C.) foi o primeiro a
dissecar animais e a se dedicar ao estudo das qualidades
biopsíquicas dos delinqüentes. Pesquisou o cérebro humano
buscando uma correlação com sua conduta. Constava que no
homem há um pouco de animal e um pouco de Deus, e que a vida é

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o equilíbrio entre as forças contrárias que constituem o ser humano,


e a doença corresponderia ao rompimento desse equilíbrio. E a
morte significaria o desequilíbrio completo.
Acreditava na imortalidade da alma e que se movia eternamente tal
qual os astros nos céus.
É importante salientar que Alcmeon de Cretona é anterior ao
considerado pai da medicina, a Hipócrates.
Aliás, o pai da medicina creditava que todo o crime assim como o
vício é fruto da loucura. Lançando assim(…) as bases sobre a
imputabilidade ou o princípio da irresponsabilidade penal do
homem insano.
O grande oráculo grego, Sócrates, disse através de seu discípulo
Platão, in verbis: “que se devia ensinar aos indivíduos que se
tornavam criminosos como não reincidirem no crime, dando a eles a
instrução e a formação de caráter de que precisavam”.
Platão sagaz como sempre afirmou:” o ouro do homem sempre foi o
motivo de seus males” em sua obra “ A República” demonstrando
que os fatores econômicos e sociais são desencadeadores de crimes.
Dizia também, “onde há gente pobre haverá patifes, vilões, etc” e o
criminoso assemelha-se ao enfermo.
Endossando tal entendimento, Jimenez de Asúa ressaltou o aspecto
intimidativo da pena e sua função inibidora da ação delituosa.
Aristóteles em sua obra “A Política” ressaltou que a miséria
engendra rebelião e delito. O homem na visão aristotélica não é
plenamente livre pois é submetido à razão que controla a sua

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sensibilidade. Os delitos mais graves eram os cometidos para


possuir o voluptuário, o supérfluo.
Em sua obra “A retórica”, Aristóteles estudou o caráter dos
delinqüentes, observando a freqüente tendência à reincidência, e
analisou as circunstâncias que deveriam ser levadas em conta como
atenuantes.
Sêneca fez uma primorosa análise sobre a ira que considerava como
mola propulsora do crime, e da constante luta fratricida.
A Idade Média cuja extensão temporal é discutida sendo para
alguns uma noite dos dez séculos e, para outros apenas nove
séculos, foi severamente marcada pelo feudalismo, pela expansão do
cristianismo como ideologia religiosa oficial e pela instalação da
nobreza feudal sob a proteção do papado (que era o centro do poder
na Europa Ocidental) com todas as expansões conquistadoras.
O crime era mesmo considerado um grande peccatum e, suscitava
punições cruéis e até mesmo o uso da tortura para obtenção da
confissão.
O grande criador da Justiça Distributiva cujo adágio famoso
consagra por “dar a cada um, o que é seu.”.., segundo uma certa
igualdade, teve em São Tomás de Aquino seu mentor e, também
firmou entendimento que a pobreza é geralmente uma
incentivadora do roubo, apesar de que na sua obra Summa Theologica
defendia o chamado furto famélico (o que atualmente é previsto
pela legislação brasileira como estado de necessidade sendo assim
uma das excludentes de crime, é o roubar para comer).

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Para Santo Agostinho chamava a pena de talião significava a justiça


dos injustos, sustentando que a pena deveria ser uma medida de
defesa social e contribuir para a regeneração do culpado, além de
implicitamente conter uma ameaça e um exemplo.
Os escolásticos eram seguidores das doutrinas teológico-filosóficas,
dominantes na Idade Média, dos séculos IX até XVIII. A Filosofia,
portanto, estava intimamente ligada à religião.
No século XVIII, dentro, portanto, surge Afonso X, o sábio, que no
Código das Sete Partidas dá uma definição de assassino e trata dos
intitulados crimes premeditados mediante remuneração ou paga.
No período de transição entre a Idade Média e a Moderna, do século
XIV ao século XV, é observada a influência das chamadas “ciências
ocultas”, o que bem mais tarde seria conhecida como Criminologia.
As ciências ocultas eram a Astrologia, a Oftalmoscopia, a
Metoposcopia, a Quiromancia , a Fisiognomia e Demonologia.
Pela Fisiognomia, por exemplo, tenta-se conhecer o caráter da
pessoa pelo exame dos traços fisionômicos e da conformação
craniana. Tal ciência segundo Drapkin nasceu na idade medieval
como o físico Juan Batista Della Porta, tendo o condão de reunir
todas as ciências ocultas numa só pseudo-ciência. Teve papel de
destaque e propiciou o aparecimento da Frenologia no século XIX.
Por força de tal contribuição científica ou quase, recorda Drapkin
que em Nápoles, o Marquês de Moscardi decidia em última
instância os processos que a ele chegavam e declinava a qual
sentença examinada a face e a cabeça do delinqüente.

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Já a Demologia que estudava os demônios e os indivíduos


supostamente possuídos por estes, o que veio a facilitar e permitiu o
florescimento de todas as Inquisições. Muito mais tarde,tal estudo
propiciou o aparecimento da Psiquiatria.
Considerava-se como possuídos pelos demônio, os loucos e os
portadores de alienação mental que eram sistematicamente caçados
e encarcerados, quando não sacrificados por terríveis Tribunais de
Inquisição espalhados pelo mundo europeu católico.
Com a desculpa de expulsar o demônio de tais corpos insanos,
cometia-se as mais tenebrosas torturas e, não raro eram queimados
vivos na fogueira.
O mau comportamento humano era interpretado como um morbus
diabolicus, uma enfermidade diabólica, e só o fogo poderia purificar
tais almas atormentadas.
Baudelaire fez um famoso aviso: ”o mais atual ardil do Diabo
consiste em fazer crer a todos que ele não existe”. Até hoje, tanto a
Demologia como a Astrologia como a própria Fisiognomia tem se
preocupado ainda nos tempos atuais, em co-relacionar a aparência
externa das pessoas com sua conduta íntima.
Tal observação foi objeto de várias pesquisas entre elas a do abade
Jean Gaspar Lavater(1741-1801) onde ressaltava que “homens de
maldade natural” ou de pendor cruel em muito parecidos com o
tipo delineado por Lombroso e chamado de criminoso lato.
Enquanto que a fisiognomia estuda o caráter humano a partir dos
traços fisionômicos do rosto, os frenólogos se preocupavam com o

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estudo da configuração craniana, ou seja, da cabeça indo além da


sua fisionomia.

Segundo período de Antropologia Criminal:


O período da Antropologia Criminal, do século XV até 1875 vários
foram os precursores da Criminologia entre eles Thomas
Morus(que descreve na Utopia, sua obra, uma série de crimes que
assolava a Inglaterra na época , onde sistematicamente se aplicava a
pena capital aos criminosos).
Dotado de espírito cristão, Morus, dizia por meio de seu
personagem Rafael Hitlodeu, quando o povo é miserável, a
opulência e a riqueza ficam em poder das classes superiores e essa
situação economicamente antípoda faz gerar um maior número de
crimes, inclusive pelo comprometimento moral diretamente ligado
ao luxo esbanjador dos ricos.
Vivia-se naquela época uma deplorável crise economia na
Inglaterra. Flandres absolvia toda a produção de lã, o que forçou a
destinação dos campos ingleses ao pastoreio de gado menor(o que
tornou famosa a frase de Morus: “Na Inglaterra as ovelhas comem
os homens”).
Além disto, a Inglaterra era submetida ao déposta Henrique VIII,
enquanto a nobreza e o clero eram latifundiários e donos da maior
parte das riquezas do país, ainda existindo a péssima exploração das
terras.

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Aliás, por ter bramido contra a tal estado de coisas, apesar de ter
sido chanceler do rei Henrique VIII, Morus acabou sendo
decapitado.
Também Erasmo de Roterdã zombava e satirizava os costumes e os
homens da Igreja e enxergava na pobreza o grande filão da
criminalidade.
O primeiro autor a distinguir a criminalidade rural da urbana foi
Martinho Lutero. Outros filósofos como Francis Bacon, Descartes
admitiram as causas socioeconômicas como geratrizes da
criminalidade.
Jean Mabilon em 1632, padre beneditino francês introduziu as
primeiras prisões monásticas e Filippo Franci(italiano em 1677) em
Firense, cria a primeira prisão celular.
O Iluminismo que atingiu seu apogeu no século XVIII, por isto
chamado de o século das luzes contribuiu decisivamente para
inovações nos conceitos penais, semeando terreno fértil para as
escolas penais e para a sistematização científica não só do Direito
Penal mas também das demais ciências afins.
Vigorava uma péssima estrutura e condições inadequadas, os juízes
eram arbitrários e parciais. E a confissão (a rainha das provas) era
sistematicamente obtida mediante a aplicação de crudelíssimas
torturas.
Desta forma, os humanistas e os iluministas se rebelam e conseguem
suprimir em 1780 na França, a tortura; em 1817 na Espanha, em 1840
aboliram a tortura em Hanover e em 1851 na Prússia.

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Dos filósofos que foram ativos nesse movimento renovador e justo


tem relevante importância Montesquieu, que na sua obra principal
“L´esprit des lois”, proclamava que o bom legislador era aquele que
se empenhava na prevenção de delito, não aquele que,
simplesmente, se contentasse em castigá-lo.
Inaugura assim, um sentido reeducador da pena, Montesquieu.
Criou distinção entre os delitos (crimes que ofendem a religião, os
costumes, a tranqüilidade e a segurança dos cidadãos) consagrando
a preocupação em classificar os delitos conforme o bem jurídico
atingido, não só quanto à sua natureza mas também as próprias
características pessoais dos autores de crimes.
Jean Jacques Rousseau, no Contrato Social assevera que o Estado
for bem organizado existirão poucos delinqüentes e na
“Enciclopédia” consta sua afirmação: “a miséria é a mãe dos
grandes delitos”.
Outro filósofo Brissot de Warville enfatizou que “a propriedade era
um roubo” e, neste estio Rousseau em sua obra “Discursos sobre a
Origem e o Fundamento da Desigualdade entre os homens” ,
editada em 1753, criticou o primeiro homem que ensejou o conceito
de propriedade, decretando “isto é meu”, tal homem foi o fundador
da sociedade civil.
O pensamento rousseano enxergava na propriedade privada a razão
de todos os conflitos sociais. Tal também foi o ponto fundamental da
teoria marxista no século XIX.

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Voltaire, também condenava a aplicação de pena de morte, os


martírios, suplícios ou torturas aplicadas contra o delinqüente.
Notabilizou-se por sua luta pela reforma das prisões(ele mesmo
esteve preso e recolhido à Bastilha), pela reformulação da pena de
morte, propondo a substituição por trabalhos forçados.
Também combateu a prática da tortura como método de obter a
verdade ou a prova. Salientava Voltaire que o roubo e o furto são os
delitos dos pobres.
César Bonesana, o Marquês de Beccaria que assim como
Montesquieu, Voltaire e Rousseau teve a ousadia de afrontar os
costumes penais d época, publicando “Dos delitos e das penas”,
uma obra clássica e de leitura obrigatória para todos que se
interessem pelas ciências criminais.
Tal obra teve o mérito de alterar toda a penalogia sendo precursora
da Escola Clássica do Direito Penal.
Beccaria geneticamente rebelde( seu próprio pai, Lancelote Beccaria
por afrontar o Duque de Milão, acabou enforcado na praça de Pavia)
fez estudo no Colégio dos Jesuítas de Parma(onde também foram
educados Voltaire, Helvécio, Diderot etc…), rebelou-se contra as
inúmeras arbitrariedades da justiça criminal como ele mesmo
escreveu quis defender a humanidade e não ser um mártir dela.
Alguns pontos principais da obra de Beccaria, a saber:
• A atrocidade das penas opõe-se ao bem público;
• Aos juízes não deve ser dado interpretar as leis penais;
• As acusações não podem ser secretas;

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• As penas devem ser proporcionais aos delitos;


• Não se pode admitir a tortura do acusado por ocasião do
processo;
• Somente os magistrados é que podem julgar os acusados.
• O objetivo da pena não é atormentar o acusado e sim impedir
que ele reincida e servir de exemplo para que outros não venham a
delinqüir.
• As penas devem ser previstas em lei.
• O réu jamais poderá ser considerado culpado antes da
sentença condenatória.
• O roubo é ocasionado geralmente pela miséria e pelo
desespero.
• As penas devem ser moderadas.
• Mais útil que a repressão penal é a prevenção dos delitos.
• Não tem a sociedade o direito de aplicar a pena de morte nem
de banimento.
E ao concluir sua obra o famoso marquês: “De tudo o que acaba de
ser exposto pode deduzir-se um teorema geral utilíssimo, mas
pouco conforme ao uso, que é legislador ordinário das nações. É
que, para não ser uma to de violência contra o cidadão, a pena deve
ser essencialmente pública, pronta, necessária; a menor das penas
aplicáveis nas circunstâncias dadas proporcional ao delito e
determinada pela lei”.

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Bentham teve, juntamente com Beccaria, Servan, Howard, uma


importante participação no trabalho de reforma penal que se
sucedeu, principalmente após a publicação Dês Delitos e das Penas.
Bentham é considerado o criador da Filosofia Utilitarista que
alicerça seu fundamento no postulado: “O maior bem-estar para o
maior número.”. Nesta doutrina estaria inserida toda uma estratégia
de profilaxia ou prevenção de criminalidade.
John Howard, xerife de Bedford em 1789 se revelou um excelente
penitenciarista e se dedicou à melhoria das prisões. Foi o
responsável pela abolição de se manter encarcerados os que já
haviam cumprido pena, ou se, absolvidos, não pudessem pagar, a
“hospedagem” pois que as prisões eram exploradas por
particulares.
John Howard escreveu em 1777, a obra The State of Prisions traçando
um sistema penitenciário que conseguia favorecer os encarcerados.
O mais importante pensador para a Frenologia foi o anatomista
austríaco Johan Frans Gall (1758-1823) que foi precursor das
chamadas “teorias das localizações cerebrais” de Broca, em meados
do século XIX.
É dele também a teoria sobre vultos cranianos, que posteriormente
veio a influenciar a teoria lombrosiana. Gall organizou um mapa
dessas saliências a indicarem a conduta predominante no indivíduo,
desde a passividade absoluta à rebeldia incontrolável, a bondade ou
a maldade, a honestidade e, sua contrário senso a inteligência maior
ou menor.

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Lauvergne em 1859 elaborou estudo sobre os presidiários de Toulon


chegando as mesmas conclusões de Gall.
O Rolandis, foi o primeiro a submeter um delinqüente a uma
necropsia em 1835. Também Lucas estudou a herança genética e o
atavismo, em sua obra Sulla natura Morbosa Del delito, tratou dos
caracteres anormais do criminoso dentro de um enfoque, que
posteriormente viria fundamentar a teoria lombrosiana.
Della Porta relacionava a semelhança fisionômica dos criminosos
com os animais selvagens e, fazendo muitos adeptos. Cita-se, por
exemplo, a semelhança do ministro francês Talleyrand com a raposa
e semelhança de outro francês, o general Kleber, com o leão.
Os psiquiatras como Felipe Pinel(1745-1826) tido como o pai da
psiquiatria Moderna, e foi o primeiro a modificar, através de sua
influência, os seus pares da época, no que diz respeito à forma com
que eram tratados os loucos, tidos até então como possuídos pelo
Diabo, e, por isso eram surrados cruelmente e, via de regra,
acorrentados.
Pinel recomendava que o louco deveria ser adequadamente tratado
e não sofrer violências que só contribuem para o agravamento de
sua doença. É célebre o episódio ligado ao paciente Chevigné, um
soldado encarcerado na La Sante, que segundo Pinel, quando foi
desacorrentado “chorava como uma criança ao se ver tratado como
uma criatura humana”.
Segundo Drapkin, Esquirol foi o criador do conceito de monomania
que gerou uma nova concepção psiquiátrica da loucura moral que

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foi definida em fins do século XVII pelo médico Thomas


Abercromby, como sendo característica de alguém com bom nível
de inteligência, mas com graves defeitos ou transtornos morais.
A partir dessa época, a Escola Inglesa passou a calcar-se na moral
insanity, sendo Pritchard(1786-1848) o consolidar do seu conceito
que, posteriormente, viria a servir de embasamento para Lombroso
na elaboração do perfil do criminoso nato.
Darwin(1809-1882) teve sua teoria evolucionista coordenada aos
progressos das ciências biológicas por Julian Huxley e James
Fisher. Sua idéia básica é a evolução modificada pelos seres
humanos. As idéias da seleção natural e a da evolução completam a
teoria de Darwin que correspondem a uma generalização das mais
importante no campo da biologia.
Sem dúvida, Darwin pode ser chamado de Newton da Biologia e
apesar dos notórios progressos contemporâneos das ciências
naturais, sua teoria ainda ocupa lugar relevante na ciência atual.
O homem passou pelas fases de peixe, sapo, réptil e ave mas jamais
tal fato foi confirmado por Darwin e, nem possui qualquer apoio
científico.
No que concerne aos princípios que regiam as variações hereditárias
e não-hereditárias, as idéias eram vagas e o microscópio não
revelara até aquele momento os fatos básicos relativos aos
cromossomos e seu comportamento.
A Antropologia Criminal foi fundada por Cesare Lombroso . Em
determinado momento histórico, o direito Penal abandonou o

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terreno da abstração em que se colocara ao tempo da chamada


Escola Clássica, passando para o concretismo das verificações
objetivas sobre o delito e, fundamentalmente, sobre o criminoso.
Surgiu no espírito alemão que cultuavam o Direito Penal a
necessidade imperiosa de pesquisar profundamente o coeficiente
humano que existe na ação delituosa.
Esse movimento desencadeou na criação da Antropologia Criminal
por intermédio Lombroso, médico psiquiatra e professor da
Universidade de Turim, que considerou delinqüente sob os prismas
das ciências que eram centro de suas cogitações habituais e
outrossim, aplicando ao exame da criminalidade, a mesma
estratégia utilizada no conhecimento da natureza humana.
Lombroso no criminoso encontrou uma variedade especial homo
sapiens que seria caracterizada por sinais(stigmata) físicos e
psíquicos. Tais estigmas físicos do criminoso nato, segundo
Lombroso, constavam de particularidades de forma da calota
craniana e da face, bem como detalhes quanto ao maxilar inferior,
fartas sobrancelhas, molares proeminentes, orelhas grandes e
deformadas, dessimetria corporal, grande envergadura de braços,
mãos e pés.
Os estigmas ou sinais psíquicos caracterizavam o criminoso
nato(como sensibilidade a dor diminuída (eis porque, os criminosos
comumente se tatuariam) crueldade, leviandade, aversão ao
trabalho, instabilidade, vaidade, tendências a supertições e

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precocidade sexual. Julgou também ter encontrado a relação entre a


epilepsia e a chamada moral insanity.
Porém, mais tarde, Lombroso evidenciou que nem todos os
criminosos mostram tais características, ele distinguiu, como
pseudos criminosos, os ocasionais e os passionais.
Manteve porém, a idéia de que a maior parte dos criminosos,
formavam um tipo antropológico unitário e este seria o criminoso
verdadeiro.
Na verdade, o verdadeiro criminoso é nato. Foi suas conclusões de
grande relevância para a Política Criminal, a fim de conter o
impulso criminal, não caberiam expiações morais ou punições
infamantes e a sociedade teria o direito de proteger-se do criminoso,
condenando-o e isolando-o pela prisão perpétua ou de morte
encarada como medida de seleção.
O atavismo( que é o aparecimento em um descendente de um
caráter ausente em seus ascendentes imediatos, mas sim em
remotos, como por exemplo, se um membro de determinada
família). Há duas correntes: os defensores do atavismo físico e os
defensores do atavismo moral( o sentido moral era o último a se
adquirir na evolução natural dos seres humanos).
A respeito do criminoso epilético, Lombroso tem o aval de
Ottolenghi e Rancoroni, que esclareciam não se tratar de um
epilepsia verdadeira, argüindo um certo caráter epileptóide ao
delinqüente, a justificar a impulsividade e a anestesia que nele se
processam.

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As taras psicológicas, segundo Ingenieros, afetavam as faculdades


intelectuais e volitivas do indivíduo, juntando-se às causas
endógenas e exógenas.
Basicamente Lombroso classificava em três tipos os criminosos;
1. criminoso nato;
2. falso delinqüente ou pseudo delinqüente ou delinqüente
ocasional;
3. criminalóide( é o meio delinqüente assemelhado ao meio louco ou
fronteiriço).
Sem dúvida, o cientista ilustre que foi Lombroso anotou detalhados
dados antropológicos , nas observações a que submeteu os
criminosos, os vivos nos cárceres e os mortos através de constantes
necropsias.
Porém, os traços de degenerescência não só privativos dos
criminoso, é a tese lombrosiana dotada de exageros tendo conferido
realce desmedido, explica a conservação da Antropologia Criminal,
a Endocrinologia, a cuja frente há nome como o de Maranon,
Vidoni, Mariano Ruiz.
A constituição delinqüencial considera seu portador apenas como
um predisposto à criminalidade. Di Túlio esclarece que o delito
provém, na sua opinião, de um estado de desequilíbrio entre a
criminalidade latente e a resistência individual.
Portanto, o crime seria o resultado de forças crimino-incitantes que
superam as forças crimino-repulsivas que existem em cada
indivíduo.

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A contemporânea Antropologia Criminal não reconhece pela


conformação exterior dos indivíduos, quais devam ser submetidas
as medidas defensivas por serem perigosas.
Lombroso se depara com um número relativamente pequeno de
criminosos sendo tal tipo correspondente a uma média aritmética,
colhidos entre os delinqüentes mais afamados pela gravidade de
seus crimes.
Um dos mais ferrenhos críticos à teoria de Lombroso foi Charles
Goring através de seu livro The English convict, publicada em 1913,
concluindo pela inexistência das características morfológicas
determinadas dos criminosos por Lombroso.
Kretschmer procurou estabelecer uma correlação entre o físico e o
caráter do indivíduo, e para tanto estabelecia três categorias:
a) pícnico: indivíduo de pequeno porte vertical(baixo, gordo e bem-
humorado);
b) atlético: um tipo intermediário, de comportamento normal;
c) leptossomático: de estatura alta, de corpo magro geralmente
introvertido, porém, violento e de mau caráter.
Juntamente com Pende, Kretschmer foram considerados os
fundadores da Biotipologia.
Acentua Mezger a partir da afinidade biológica a correlação com
certas doenças mentais(ou psicoses) de origem humoral tais como
esquizofrenia(demência precoce) e o ciclofrenia(psicose-maníaco-
depressiva, loucura circular), das quais se deriva as

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personalidades psicopáticas esquizóide e ciclóide e por fim aos


temperamentos esquizotímico e ciclotímico.
A diferença entre frênicos, óides e tímicos. Drapkin assegura que
existem dois erros fundamentais na teoria de Lombroso e a
perfectabilidade do perfil do tarado e o fato de não poder ser
reeducado.
Outro fator que reforça à crítica à Lombroso é que o cientista italiano
considerava o meio ambiente como fator secundário na
criminalidade depreciando a sua influência.
Para Drapkin, Lombroso foi incompleto em suas investigações,
exagerando o valor das cifras e dava outras sem base séria,
estabelecendo, destarte, uma verdadeira pirataria científica.
A teoria lombrosiana conheceu seu apogeu mas também encontrou
adversários de suas idéias, como Francesco Carrara bem como os
outros integrantes da chamada Escola Clássica de Direito Penal(
Filangieri, Carmignani, Romagnosi, Ortolan, Rossi, Fuerbach,
Pessina etc…) trouxeram à baila todos aspectos falhos da
Antropologia Criminal, o que acabou por fulminar a figura do
criminoso nato.
É claro que se reconhece o grande mérito atribuído a Lombroso por
ter sido o primeiro a promover um estudo sério do crime sob a
acepção científica-causal; daí porque considera-lo o pai da
Criminologia.

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A atual criminologia não consagra a teoria do criminoso nato


embora admita a tendência delituosa, reconhecendo que o homem
pode nascer com a inclinação para a violência.
É importante concluir que a vida psíquica não é algo em apartado
da vida orgânica; o homem é um ser sui generis que tem uma vida
orgânica e uma psíquica inseparáveis entre si.
Desta forma, é curial a relevância da Psicologia Criminal se insere,
assim na Biologia Criminal, através de um estudo morfo-psico-
moral do delinqüente, absorvendo sua anatomia, psicologia e a
psicopatia do criminoso.
Tal estudo não abrange os fatores endógenos do delito, como
também os coeficientes sociais que condicionam e provocam o
crime.
Bem salienta Marcelo Caetano “ o papel do ambiente familiar e
social na gênese do delito”.

Terceiro período de Sociologia Criminal:


Enri Ferri (1856-1929) em sua obra Sociologia Criminal deu relevo
não só aos fatores biológicos como também aos mesológicos ou
sociológicos, além dos físicos, na etiologia delinqüencial. Revelou o
trinômio causal do delito, composto por fatores antropológicos,
sociais e físicos. Considerado o criador da Sociologia Criminal, foi
quem acendeu a polêmica entre os defensores do “livre arbítrio” e
os adeptos do “determinismo” no que se refere ao crime.

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É de Ferri, também, a denominada “Lei de Saturação Criminal” em


que dizia, ele, da mesma maneira que em um certo líquido à tal
temperatura ocorrerá a diluição de uma certa quantidade, em
determinadas condições sociais, serão produzidos determinados
delitos.
Considerada três as causas dos delitos: a) biológicas( herança e
constituição); b) físicas( clima);c) sociais(referentes às condições
ambientais).
A Escola Alemã de Naezcker avaliza a classificação de Ferri e
estabelece fatores delituógenos: os endógenos e exógenos. As
primeiras correspondendo as causas biológicas e ao segundo, as
causas físicas e sociais.
Ferri não acreditava na liberdade da vontade psíquica do homem e
defendia a teoria jurídica da responsabilidade pessoal.
Recomendava que o Código Penal deveria haver apenas um código
de defesa social, com base na periculosidade do infrator.
Assim para Ferri, a Sociologia Criminal era a ciência enciclopédica
do delito e da qual o Direito Penal não passaria de um simples ramo
ou subdivisão.
Aliás, dentro da própria Escola positiva integrada por Ferri,
Gripingni combateu a exacerbação daquela proposta, atitude em
que foi acompanhado por Etienne de Greef, Antolisei.
Importante ressaltar que Ferri teria sido o criador da expressão
“criminoso nato” em 1881, que é erroneamente conferida à
Lombroso.

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Enrico Ferri classificou os delinqüentes em cinco tipos a saber: nato,


louco, ocasional, habitual e passional.
O nato é o tipo instintivo de criminoso descrito por Lombroso com
estigmas de degeneração. Tal tipo apresenta a completa atrofia do
senso moral.
O louco seria não só alienado mental, como também os semi-loucos,
matóides e os fronteiriços.
O ocasional é aquele que eventualmente comete crime. O habitual é
o reincidente, faz do crime sua profissão. O passional é aquele que é
levado à configuração típica pelo arrebatamento, pelo ímpeto.
O criminoso passional é caracterizado pela superexcitação nervosa,
sofre no dizer de Ferri uma autêntica tempestade psíquica, pratica a
ação delituosa; pela notoriedade e quase sempre, pelo
arrependimento imediato o que o leva geralmente ao suicídio
imediato.
Foi o terrível ciúme ditado por uma paixão que Otelo matou
Desdêmona(após matá-la, se suicida). Os três famosos homicidas
shakespearianos são dissecados por Ferri: Macbeth seria o
criminoso nato; Hamlet seria o criminoso louco e Otelo o criminoso
passional( o mais citado pela literatura).
Raphael Garófalo foi o criador do termo Criminologia e construiu a
tríplice preocupação pois para ele a Criminologia é a ciência da
criminalidade, do delito e da pena. Elaborou sua concepção de
delito natural partindo da idéia lombrosiana do criminoso nato.

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O Direito Penal não era monopólio dos juristas, mas também de


interesses dos sociólogos, apregoava que os verdadeiros delitos
ofendem a moralidade elementar e revelam anomalias nos que os
praticam.
Entendia que existem duas espécies de delitos: os legais e os
naturais, sendo que os primeiros eram variáveis de país para país e
não ofendiam o senso moral e nem revelavam anomalias(as
lombrosianas) assim as penas também seriam variáveis.
Quanto ao delito natural são os que ofendem os sentimentos
altruístas fundamentais de piedade e probidade. Garófalo assevera
ser freqüente a presença de anomalias patológicas de toda ordem
nos criminosos.
Para Garófalo, o delinqüente típico é um ser a quem falta qualquer
altruísmo, destituído de qualquer benevolência e piedade, são os
epitetados de “assassinos”.Três categorias de criminosos: a)
assassinos;b) violentos ou enérgicos; c) ladrões e neurastênicos.
Ainda acrescentou um quatro grupo, o daqueles que cometem
crimes contra os costumes, aos quais chamou de criminosos cínicos.
Garófalo era um defensor da pena de morte sem qualquer
comiseração.
Augusto Comte é considerado, unanimente como o fundador da
Sociologia Moderna, e define tal ciência como abstrata que tem por
fim a investigação das leis gerais que regem os fenômenos sociais.
É ciência relativamente nova e foi Comte e Durkheim que lhe
deram um contexto científico. Apesar da contestação de Afrânio

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Peixoto que alega que a Sociologia fora fundada pelo Barão de


Montesquieu(Charles de Secondat).
A sociologia é o estudo do ser social, e tem como método a
observação e a indução. Comte foi o autor de uma teoria geral da
evolução filosófica denominada “Lei dos Três Estados” que
considera que o homem na compreensão e interpretação do
mundo.O primeiro estado é teleológico, o metafísico e o positivista.
Outra figura relevante foi Adolphe Quetelet, o criador da Estatística
Científica, fulcrado em três princípios estabeleceu as chamadas Leis
Térmicas de Quetelet procurou demonstrar que no inverno se
praticam mais crimes contra a propriedade, que no verão, são
cometidos mais crimes contra a pessoa e, na primavera, acontecem
mais crimes contra os costumes(devido a exacerbação da atividade
sexual que se opera no início dessa estação).
Quetelet distinguiu a criminalidade feminina da masculina, tentou
correlacionar o crime à idade cronológica do criminoso, observando
que a incidência delitual é maior entre os 14 e 25 anos(no homem) e,
na mulher, entre 16 e 17 anos, caindo o referido índice após os 28
anos.
O conceito de crime, e da pena e de criminoso vão variar para as
inúmeras escolas, a saber:
a) Escola Clássica, Metafísica
Crime é uma infração sendo a pena repressão. O criminoso é livre
de querer ou não. A maioria dos penologistas desta Escola, entre
eles Beccaria, Romagnosi, Filangieri, Pagano, Rossi, Carmignani,

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Carrara, Ellerio e Pessina consideravam que o livre arbítrio é que


determina a existência do crime.
b) Já para a Escola Positiva Determinista enxerga no crime uma ação
anti-social que revela o criminoso temível; a pena é intimidação,
correção, coação da temibilidade do criminoso de fato e dos
criminosos possíveis, prevendo a defesa social.
c) A Nuova Scuola ou Escola Antropológica vê o criminoso como um
ser anômalo, tachado de nascença para o crime ou para a
possibilidade de delinqüir, sobre o qual, além dos fatores
intrínsecos(antropológicos), exercem também influência os
extrínsecos do meio físico, a ambiência é de somenos importância.
O criminoso não é livre porque é determinado por motivos
estranhos sendo a pena uma medida de defesa social, é a
responsabilidade social que justifica a pena. Entre os seus
partidários temos: Lombroso, Ferri, Garófalo, Marro, Sergi,
Virgílio, Kurella, Corre, Zucarelli,, Nina Rodrigues, João Vieira,
Viveiros de Castro, Esmeraldino Bandeira, Cândido Motta e
Moniz Sodré. Os psicopatologistas acusam o criminoso de ser
portador de uma degeneração mental mais grave seus principais
defensores são Maudsley, Benedict, Kraft- Ebing, Magnam, Fere,
Delbruck, Naeck, Gortner, Intergenieros, Julio de Maros,
Bombarda.Para a chamada Escola Crítica, Eclética ou Terza Scuola
o criminoso é produto de condições sociais defeituosas apregoava
“ a sociedade tem os criminosos que merece”; os degenerados e

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suscetíveis que ela faz, mais facilmente se impressionam às causas


sociais de delinqüência.
O criminoso é responsável, não porque seja livre, mas porque, sendo
são e bem desenvolvido tem aptidão para determinar a vontade por
idéias e representações oriundas da Moral, do Direito, do senso
prático que regulam a conduta de todos porque possuem
responsabilidade moral.
Seus partidários: Gabriel Tarde, Lacassagne, Manouvrier, Laurent,
Colajanni, Alimena, Carnevalle, Baer, Havelock Elles, Salleiles,
Prins, Von Liszt, Drill, Von Hamel, José Higino, Lima Drumond,
Aurelino Leal, Clóvis Beviláqua e alguns doutrinadores socialistas
como Turatti, Bataglia, Bebel e Van Kan.

A Escola Neo-Clássica enxerga o crime como ato ilegal, é o ilícito


jurídico, e a pena é intimidação geral a repressão ocasional; o
criminoso é responsável socialmente e individualmente previne-se a
maior parte dos crimes previsíveis. Seus partidários: Manzini,
Rocco, Massari.
Escola Neo-Positiva já identifica o crime como uma to biossocial que
revela a perigosidade do criminoso, o que deve ser tratado no
sentido de proteger à sociedade, pelas mediadas de segurança. Seus
partidários: Florian, Púglia, Asúa, Crispigni, Saldaña e Mendes
Correa. A posição de Afrânio Peixoto é bem diversa da dos outros
autores faz transparecer a imprecisão de alguns conceitos como
Política Criminal.

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Lacassagne (professor de Medicina Legal de Lyon) remontando


quetelismo contra
a tese lombrosiana, apresentou uma doutrina sociológica do crime.
As teorias antropossociais relacionam os princípios constitucionais
de Lombroso com os sociais, o meio social influi sobre o criminoso
antropologicamente-nato, predispondo-o para o delito. Tais teorias
foram sustentadas por Lacassagne e Manouvrier.
Lacassagne opôs-se à tese de Lombroso, era médico e via no cérebro
três zonas com funções diversas que regem as faculdades do
indivíduo, a zona frontal, as intelectuais;a zona parental, as
volitivas; a zona occipital, as afetivas.
Quando há perturbações na zona frontal aparece o louco; na zona
parietal advém a debilidade de vontade; o que permite o
aparecimento do delinqüente ocasional; na zona occipital, quando
faculdades afetivas ficam perturbadas, aparece o verdadeiro
delinqüente, ou seja, o indivíduo predisposto para o crime, que,
quando as condições do meio e seu próprio egoísmo o impelem, virá
efetivamente a delinqüir.
Quanto maior for a desorganização social, maior será a
criminalidade. Dizia que a sociedade é como um meio de cultivo, e
afirmava que abriga em seu seio uma série de micróbios( que são os
delinqüentes e que estes, não se desenvolverão, se o meio não lhes
for propício).
Para Lacassagne os fatores sociais atuando sobre um indivíduo
predisposto, é podem dar origem ao crime. Manouvrier foi um dos

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grande colaboradores de Lacassagne na luta empreendida contra as


doutrinas de Lombroso, foi professor de antropologia na
Universidade de Paris.
Aubry dizia que o crime tinha por causa principal o contágio moral
que sofria o indivíduo predisposto, e citava, como por exemplo, a
influência do cinema sobre as crianças e certos adolescentes.
A sua doutrina do contágio moral foi tratada no seu livro La
contagion du meurtre( o contágio da morte). Dubuisson era partidário
da influência da ocasionalidade sobre o indivíduo predisposto,
acredita enfim que as causas sociais fortuitamente atuam sobre uma
preexistente predisposição individual, determinando assim a
sucessão delituosa.
Também o belga Vervaeck admite a existência de uma delinqüência
fruto da ocasionalidade, relacionada a acontecimentos eventuais,
circunstâncias excepcionais e a fatores psicossociais.
As chamadas teorias sociais propriamente ditas legaram a etiologia
do crime, aos fatores exógenos(de proeminência social)
descredibilizando os fatores endógenos.
Dentre os seguidores dessas teorias que garantem que o crime tem
uma origem notadamente social, destacam-se Gabriel Tarde,
Vaccaro, Max Nordau e Auber.Vaccaro declara que o crime é o
resultado da falta de adaptação político-social do
delinqüente com relação à sociedade em que vive. O delito é uma
forma de rebeldia, de contestação uma vez que a lei serve para
defender os interesses das classes sociais dominantes.

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Gabriel Tarde não aceitava as idéias de Ferri sobre o trinômio


criminogenético(fatores físicos, sociais e biológicos) acrescenta que a
influência do clima não está comprovada como fator criminal.
Aliás sobre a influência física( que é considerável e uniforme) dentro
do mesmo grupo social.
A polêmica entre Ferri e Tarde, poder-se-ia aduzir que os próprios
fatores individuais(endógenos)pela mesma razão não poderiam
subsistir isoladamente, até porque para que ocorra o crime, não
basta que haja o indivíduo, necessário também que exista um grupo
social, o que nos faria imergir num eterno círculo vicioso.
A autora já tve oportunidade em saliente em um artigo intitulado
“Crime: definição e dúvida”, o quão social é o conceito e a etiologia
do crime.
As causas cósmicas ou físicas do crime tais como as estações,
temperatura, natureza do solo, produção agrícola, o clima e demais
fatores naturais recebeu novas críticas do espanhol Arambusu em
seu livro “La nuova ciência penal “ e atribuiu a Ferri o defeito de
confundir o acessório com o principal e as causas ocasionais com as
verdadeiramente determinantes do crime.
Ferri retrucando sempre, erigiu sua objeção como sendo puramente
metafísica, porque tudo o que é necessário ou concorre para a
verificação de um fenômeno é a causa determinante, explicando: “ o
coração é o principal e as veias são acessórios, mas ninguém pode
viver sem elas”.

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A classificação de Ferri tem sido aceita por grande parte dos


criminologistas.
O notável Tarde escreveu três obras importantíssimas para a
Criminologia: “A Criminalidade Comparada”(1886), “As leis de
Imitação” e a”Filosofia Penal”(1890).
Sepultando a doutrina do atavismo radical, Tarde aceita apenas
residualmente a doutrina lombrosiana ao aceitar o atavismo
equivalente oriundo de Guilherme Ferrero(que prevê certas
predisposições mentais, psíquicas que permitem comparar o
criminoso do homem primitivo).
Afirma Tarde em sua obra “Leis de imitação”, assegura que a
delinqüência é um fenômeno marcadamente social e que motor
propulsor de conglomerado social é a imitação.
Daí, retira-se a assertiva de que 90 % das pessoas não possuem
índole criminosa, submetendo-se à rotina social, na mesma esteira é
o entendimento do notável espanhol Ortega y Gasset; dos 10%
restantes; 9% possuem a iniciativa delituosa e o1 % corresponde aos
indivíduos de espírito inovador(como Lênin).
É de Gasset autor da celebra frase símbolo internacional do
altruísmo: “Eu sou eu e a minha circunstância”, afirma que os
verdadeiros homens são aqueles que podem salvar ou melhorar o
mundo, os que têm coragem de fincar os pés no fundo dos rios e
nadar contra as correntes das águas.
A responsabilidade por um crime só pode existir se durante e após a
sua prática, temos o mesmo indivíduo, portador da mesma

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personalidade. Tal conceito foi útil para fixar as circunstâncias


eximentes e atenuantes da responsabilidade criminal.
Max Nordau alega que a causa determinante do crime é o
parasitismo social(quando ocorre a marginalização do indivíduo ao
grupo que como paria em nada contribuiu par a sociedade quer
materialmente, quer moralmente).
Auber sustenta que as causas do delinqüir são as fobias(o temor à
pobreza, por exemplo, levaria o homem à prática de crimes contra o
patrimônio e o medo o levaria a matar).
As teorias socialistas teve entre seus defensores Turatti e Colajanni,
Bataglia, Laria, Lafargue, Berel, Van Kan e Hakorisky.
Turatti dizia que os motivos do delito não devem ser
monopolizados apenas na necessidade ou precisão e na indigência,
mas também na cobiça e pelo enorme contraste resultante entre a
riqueza perante a pobreza.
Alegava também que as precárias condições de habitação
contribuem para a promiscuidade ensejando assim o aumento dos
delitos contra os costumes.
Em Filosofia Penal, Gabriel Tarde trata da identidade pessoal e a
semelhança social que representam postulados basilares da
responsabilidade penal.
Outro italiano, Colajanni seguidor das idéias de Turatti(que morreu
na França exilado pelo fascismo) procurou analisar qual sistema
econômico é ideal para a prevenção à criminalidade visando
diminuir a prática delituosa na Itália.

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Clamava por uma divisão de riqueza mais eqüitativa aliada a


estabilidade política poderia possibilitar a exclusão ou a eliminação
da criminalidade.
Também Bataglia, Lafargue e Bebel enxergam na má distribuição
de riquezas a origem do crime. Vindo mesmo Beguim dizer que 60%
ou mais dos crimes tem origem econômica.
Aliás, desde de Platão(a gênese do crime está relacionada pelas
influências econômicas) que atribuía à falta de educação dos
cidadãos e má organização do Estado, como geratrizes do crime.
Aristóteles também visa na miséria a condição estimuladora da
rebelião e do delito depois pulando para Rousseau que considerava
que o homem nasce bom, a sociedade que o perverte, ou seja, o
transformava em mau e criminoso;
por Durkheim que considerava o crime um fenômeno de
normalidade social, porque constante e útil; no que foi rechaçado e
combatido e existirá e nem por isso ela normal em biologia”.
Ainda sobre a utilidade do crime contraargumenta Ferri emite outro
paradoxo: “ a dor é um aviso de órgão doente, que reage e reclama
saúde assim como o crime reclama contra os defeitos sociais.”
Quando a justiça e o governo são incapazes de prover ao bem-estar
e à ordem na sociedade, podem ocorrer os crimes e, o mais graves
somos todos potencialmente vítimas pois não há segurança e nem
paz social.
O crime mais que um grito estridente das dificuldades sócio-
econômicas dos miseráveis e desvalidos também representa um

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índice avaliador do poder de organização, competência e diligência


do estado em cumprir suas funções primaciais.
A vítima empresta voz aos gritos sufocados e não ouvidos pela
indiferença e incompetência do Poder Público em atingir e manter o
bem-estar social.
De qualquer maneira, não se pode olvidar as justificativas sociais
nas pesquisas criminógenas como também não podemos ser
consideradas unicamente.
Manouvrier repele a Antropologia Criminal convencido da
atipicidade dos criminoso, por isso mesmo inclassificáveis.
Uma das conclusões do criminalista belga é que a liberdade é
indispensável no mundo moral, há um mundo inteligível onde reina
a liberdade, o homem tem uma atividade consciente que o dirige
para o bem.
No mundo real se vive a liberdade é relativa, e conseguintemente, a
responsabilidade é também um conceito relativo.

Quarto período Política Criminal:


Franz Von Liszt é considerado o pai Política Criminal sua obra
principal é intitulada pelos Princípios de Política Criminal, foi
publicado em 1889.
Em seu Tratado de Direito Penal, em 1908, Manzini definia a
Política Criminal como sendo “as doutrinas das possibilidades
políticas com relação à finalidade da prevenção e repressão da
delinqüência”.

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Para Manzini, a Política Criminal é o conjunto de conhecimentos


que podem levar a realizar um plano real e não utópico.
Já para Fuerbach é o saber legislativo do Estado em matéria de
criminalidade. Para Guilhermo Portella, é o conjunto de ciências que
estudam o delito e a pena, com o fim de descobrir as causas da
delinqüência e determinar seus remédios.
Para Liszt é o conjunto sistemático de princípios segundo os quais o
Estado e a sociedade devem organizar a luta contra o crime”
A denominação é anterior a Von Liszt, pois em 1793 Klinsroad a
chamava de Política de Direito Criminal.
Os doutrinadores modernos afirmam que são penalistas e não
médicos, psiquiatras, biólogos, etc. Não há antagonismo entre
Política Criminal e Criminologia.
A Política Criminal segundo Newton Fernandes e Valter Fernandes
é o aproveitamento por parte do Estado, de todas aquelas normas
que lhe servem para a prevenção e repressão da delinqüência.
É conceito amplo(que não se baseia somente as normas abstratas de
direito e, sim nas normas concretas determinadas pela
Criminologia).
Já se evidenciava-se princípios da Política Criminal em Beccaria, em
Manzini, Filanghier, Jeremias Bentham, Voltaire, Fuerbach,
Henre, Van Habel, Klinsroad.
A Política Criminal é um ramo de Direito Penal apesar de utilizar
dados da Antropologia Criminal, da Estatística Criminal, não se
confunde com a Criminologia.

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A suspensão condicional (sursis), o livramento condicional e o


sistema hoje praticado no mundo todo, como por exemplo, o
tratamento tutelar dos menores delinqüentes também são
conquistas da Escola da Política Criminal.
Enfim, a Criminologia focaliza o fenômeno do crime de maneira
bem diversificada, prescrutando-lhe as causas, enquanto que a
Política Criminal tem como objetivo a descoberta e a utilização
prática dos processos eficazes de combater ao crime, necessita
recorrer à conclusões criminológicas e à Penologia que ausculta os
resultados com as sanções penais.
Por muitos autores tem-se conceituado a Política Criminal como
ciência e a arte dos meios preventivos e repressivos de que o Estado,
no seu tríplice papel de Poder Legislativo, Executivo e Judiciário
dispõe para consecução de seus objetivos na luta contra o crime.

Santo Tomás de Aquino: relacionava crime com a pobreza. O crime


tem base na desigualdade e a pobreza é a maior incentivadora do
delito.
Santo Agostinho: a pena deve ser uma medida de defesa social, deve
contribuir para a regeneração do criminoso, mas deve conter
também implicitamente uma ameaça para aqueles que pretendiam
delinqüir.

Hipóteses de paternidade da criminologia:

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1) Beccaria (1764) - “Dos Delitos e das Penas” - Beccaria fez um olhar


agudo sobre o fenômeno do crime e do cárcere.

2) Carrara (1859) - Aplicação de um método dedutivo - Foco no


crime como um fato jurídico e não como um problema social.
Conceito formal de delito e não o delito como um problema.

3) Lombroso (1876) - “O homem delinqüente” - foco no criminoso e


o foco era empírico. Lombroso era positiva, fortemente influenciado
por Augusto Comte.

3. Teorias explicativas do delito:


TEORIAS DO CONSENSO:
Partem do princípio do funcionamento das instituições e indivíduos,
onde se aceita e se compartilha regras.

Escolas Criminológicas fundadas nas teorias do consenso:


1) Escola Ecológica de Chicago (1930) – Park e Burguen
Observa o homem dentro seu habitat.
Método de observação participante: vai até o local e começa a
observar o fen6omeno criminal a partir das circunstâncias da
própria cidade.
Conclusões: grandes cidades são geratrizes de crime, porque:
a) Os controles sociais informais não funcionais. As pessoas têm
menos vínculos familiares e sociais;

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b) Os grupos familiares se deterioram nas grandes cidades;


c) Há uma alta mobilidade, o que enfraquece ainda mais os vínculos
pessoais;
d) Há um estímulo ao consumo excessivo;
e) Há uma proximidade tentadora aos centros comerciais;
f) Superpopulação etc.

2) Escola da Associação ou do Contato Diferencial (1924)–


Sutherland
Foi pesquisar os criminosos nas empresas.
Entre 1920 a 1944 pesquisou 70 grandes empresas nos EUA.
Objeto empírico: trustes e cartéis.
Premissas:
1ª Crime não é exclusivo de pobre;
2ª Crime não deriva da simples inadaptação da pessoa à sociedade;
3ª Crime exige organização para burlar os controles formais e
informais;
4ª Quem delinqüe, delinqüe porque se reconhece no exemplo de
quem delinqüiu. Copia o outro que delinqüiu e que se deu bem.
Conclusões:
a) O comportamento criminal é aprendido;
b) Aprender a delinqüir depende de comunicação e de imitação.
Esse aprendizado também inclui o motivo sobre qual se delinqüe.

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c) O conflito cultural é causa da associação diferencial, ou seja, por


não compactuar com as premissas postas na sociedade é que a
pessoa se associa ao diferente, ao crime. Adesão a uma vida louca.
d) O cometimento o delito depende de situações favoráveis e
desfavoráveis, depende, portanto, de um prognóstico que o agente
faz a cerca do êxito da sua conduta.
Resumindo o seu pensamento:
A complexidade dos crimes + os seus efeitos difusos na sociedade +
a tolerância das autoridades + a impunidade geram as condições
para a delinqüência.

3) Escola da Anomia (ausência de nome) – Durkheim (1890) e


Merton (1938)
O problema todo reside na ausência de nomes, ou mesmo, na
ausência de efetividades das normas é gera a possibilidade para
delinqüência. As normas não têm efetividade, não existem em
número suficiente.
Pela teoria da anomia constata-se que a ausência de regras para a
regular as situações sociais gera conflituosidade. A conseqüência
disso é o enfraquecimento na consciência coletiva do que é certo e
do é errado. Fragilização do consciente coletivo.
O crime é um fenômeno normal e comum em toda a sociedade, só
deixa de sê-lo quando ultrapassa os seus limites e passa a agredir a
própria sociedade.

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A punição é saudável porque ela reafirma no consciente coletivo do


que é certo e do que é errado, reafirma os valores que são caros à
sociedade: família, propriedade, ética etc.
A pena aplaca a sede de vingança coletiva, a rivalidade da sociedade
para com aquela pessoa, reduz o desconforto emocional coletivo em
face do coletivo;
A impunidade fomenta a criminalidade. Onde não há Estado o
crime prospera.

Formas de reagir à pressão:


1) Conformidade:
2) Ritualismo: o cidadão renuncia aos bens, abre mão das coisas,
mas continua se movendo no mundo fenomênico como uma pessoa
comum.
3) Retraimento: o cidadão vira praticamente um monge, renuncia a
tudo, aos bens e aos ritos que a sociedade considera importante.
4) Invasão: que se redobra na rebelião: o cidadão começa a se tornar
forte concorrente a delinqüir.

4) Teoria da Subcultura do delinqüente – Cohen (1950)


Subcultura não se confunde com contracultura. Os movimentos de
subcultura reproduz os valores tradicionais, mas com sinal
invertido, com sinal negativo, sob o signo da intolerância com quem
é diferente, ex.: nazifacismo. Contracultura renega os valores

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tradicionais e propõe algo para ficar no seu lugar. O movimento


hippie é um movimento de contracultura e não de subcultura.
Cohen observou a juventude americana do final dos anos 50 e
constatou a frustração do american dreams, o sonho da prosperidade
econômica e junto com essa frustração Cohen encontrou segregação
racial, desagregação familiar etc.
Reconhecimento da cultura do gueto: estabelecimento de novos
padrões de comportamento a partir de afinidades grupais e
normalmente sob um paradigma violento. As gangues (movimento
de subcultura) surgiram como uma reação à inacessibilidade aos
bens da vida.
Conclusões:
a) a violência das gangues não tem justificativa, não tem utilidade.
b) A conduta é sempre maliciosa para mostrar o quão patética é a
vítima.
c) Não consegue enxergar um horizonte positivo, não conseguem
propror uma solução harmônica para a convivência.

TEORIAS CONFLITIVAS:
Surgem do argumento que a coesão da sociedade é fundada na força
e na sujeição, ou seja, não é a cooperação que faz a coesão, mas sim a
coerção. O criminoso não aceita os controles, não se ressocializa. O
crime é de interesse da sociedade.

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1) Teoria do “Labelling Approach”(Teoria do Etiquetamento):


HOWARD BECKER (1960)
A criminalidade não é a qualidade de determinada conduta, mas o
resultado de um processo através do qual se atribui esta qualidade
(um processo de estigmatização). Em outras palavras, criminoso é
uma etiqueta que a sociedade prega em alguém.
Sacadas:
a) Essa teoria desloca o problema criminal da ação para a repressão.
O problema não está na conduta, mas sim na forma em que se pune
essa conduta;
b) A intervenção da justiça criminal gera mais criminalidade, porque
ela estigmatiza o desviante e impede que ele retorne à sociedade;
c) Pessoas que sofrem com os mesmos estigmas tendem a agrupar-
se para reagir a esse processo de estigmatização;
d) O controle social do crime é seletivo e discriminatório. Quem
rouba um tostão é ladrão, quem rouba um milhão é barão!

2) Escola Crítica (Criminologia Radical): RUSCHE e


KIRCHEIMER (1967)
Crítica a criminologia clássica e positivista.
Fortemente influenciados pela doutrina marxista.
O processo de criminalização de determinadas condutas se relaciona
com a disciplina da mão de obra no interesse do capital e com a
contenção dos movimentos sociais (lock out, greve).

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Alessandro Baratta na Itália


Roberto Lira no Brasil
Michael Foucault na França
O delito depende do modo de produção capitalista. A lei penal, por
sua vez, deriva e justifica esse modelo.
O Direito não é ciência, é ideologia.
O Direito é apenas uma forma de dominação (Foucault).
O homem tem um livre arbítrio relativo, que é reduzido pela
propaganda e pela educação, isto é pela lavagem cerebral que o
modo capitalista produz. O foco é no ter, no possuir.
Se criminaliza as condutas para justificar o monopólio do Estado
sobre a violência.

Vertentes:

1) Neorealismo (Young, Joch): novos aspectos devem ser


considerados: desemprego maciço, o contraste entre a riqueza e a
pobreza e o surgimento de novas vítimas até então invisíveis, quais:
as mulheres e as crianças. Eles propõem uma reação ao marxista de
que tudo tem a ver com economia.

2) Minimalistas (Martin Sanches): propõe uma contração (redução)


do sistema penal em certas áreas. Descriminar determinadas
condutas que não são relevantes para a sociedade. O Direito penal

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como a última ratio. Por outro lado, propõe uma maior efetividade
do direito penal em outras áreas.

3) Abolicionistas (Mathiensen): Os abolicistas fazem uma crítica


arrasadora ao sistema penal. O sistema penal não resolve nada,
apenas gera problema. As pessoas saem da cadeia pior do que
entraram.

3) Novo Movimento de Defesa Social (Tolerância Zero):


Movimento da lei e da ordem: Rudolf Giuliane (prefeito de NY).
Premissas:
Vamos lutar passo-a-passo contra pequenos delitos. Sistema de
repressão mais ostensivo. Mais poderes a atividade policial.

DA TEORIA DO “LABELING APPROACH”

A teoria do “labelling approach”1 se insere no contexto das


teorias do processo social, ao lado das teorias de aprendizagem
social e de controle social. Para este grupo de teorias
psicosociológicas “o crime é uma função das interações psicosociais
do indivíduo e dos diversos processos da sociedade”2

Essas teorias do processo social ganharam importância


particular na década de sessenta, como forma de limitação das

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teorias estruturais, que concentravam-se na criminalidade das


classes marginalizadas, sendo incapazes de explicar
satisfatoriamente três fatos: 1) que existe, também, uma significativa
criminalidade nas classes média e privilegiada; 2) que muitos jovens
abandonam a criminalidade após um certo amadurecimento
pessoal; 3) que nem todo indivíduo das classes marginalizadas
rejeita os meios e procedimentos legítimos de acesso aos bens
culturais, integrando-se em uma subcultura criminal, do mesmo
modo que muitos jovens de classe média e alta rejeitam os valores
convencionais e delinquem3.

Para os teóricos do chamado “processo social” toda pessoa


tem o potencial necessário para tornar-se um criminoso em algum
momento de sua vida, sendo que as chances são maiores para os
integrantes das classes marginalizadas devido a uma série de
carências tal como pobreza, status social, estudos, etc.. Nada
obstante, também os indivíduos das classes privilegiadas podem
converter-se em criminosos se seus processos de interação com as
instituições resultam pobres ou destrutivos4.

Assim, as teorias do processo social abordam diversas


respostas ao fenômeno da criminalidade e sua gênesis, sendo pois
divididas nas três suborientações citadas, interessando-nos no
presente estudo tão somente a teoria do “labelling approach”.

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Pois bem, isto posto diga-se que desde os anos setenta exige-
se uma explicação interacionista do crime, a partir dos conceitos de
conduta desviada e de reação social5.

É neste contexto que surge, nos Estados Unidos, a teoria do


etiquetamento (ou teoria do labelling approach). Segundo HERRERO6,
“se trata de uma corrente criminológica próxima à criminologia
radical de cunho marxista, mas sem compartilhar, ao menos
necessariamente, o modelo de sociedade configurado por esta”.

Sua pretensão inicial nada mais era do que a busca de uma


explicação científica aos processos de criminalização, às carreiras
criminosas e ao chamado desvio secundário7, adquirindo, sem
embargo, com o tempo, o feitio de um modelo teórico explicativo do
comportamento criminal8.

Insere-se na dogmática como um teoria crítica, posto que


desloca a atenção - que antes estava focada no criminoso - para o
sistema penal e suas interações, tomando este sistema penal como “o
autêntico fundamento da desviance”9.

Por isto é tida por BARATTA10 como “o novo paradigma


criminológico”.

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De acordo com a tese sobre a desviance - exposta


primeiramente por HOWARD BECKER11 - desviante é o sujeito em
que foi aplicada com sucesso a etiqueta de desviante.

Tratando do labelling approach MOLINA12 assevera que


“segundo esta perspectiva interacionista, não se pode compreender
o crime prescindindo da própria reação social, do processo social de
definição ou seleção de certas pessoas e condutas etiquetadas como
criminosas. Crime e reação social são conceitos interdependentes,
recíprocos, inseparáveis. A infração não é uma qualidade intrínseca
da conduta, senão uma qualidade atribuída à mesma através de
complexos processos de interação social, processos altamente
seletivos e discriminatórios. O labelling approach, consequentemente,
supera o paradigma etiológico tradicional, problematizando a
própria definição da criminalidade. Esta - se diz - não é como um
pedaço de ferro, um objeto físico, senão o resultado de um processo
social de interação (definição e seleção): existe somente nos
pressuposto normativos e valorativos, sempre circunstanciais, dos
membros de uma sociedade. Não lhe interessam as causas da
desviação (primária), senão os processos de criminalização e
mantém que é o controle social o que cria a criminalidade. Por ele, o
interesse da investigação se desloca do infrator e seu meio para
aqueles que o definem como infrator, analisando-se
fundamentalmente os mecanismos e funcionamento do controle
social ou a génesis da norma e não os déficits e carências do

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indivíduo. Este não é senão a vítima dos processos de definição e


seleção, de acordo com os postulados do denominado paradigma do
controle”.
Assim, de acordo com BARATTA13, “a distinção entre os
dois tipos de comportamento depende menos de uma atitude
interior intrinsecamente boa ou má, social ou anti-social, valorável
positiva ou negativamente pelos indivíduos, do que da definição
legal que, em um dado momento distingue, em determinada
sociedade, o comportamento criminoso do comportamento lícito”.

Já na lição de HERRERO14: “Se fala de delito e delinquentes


como consequência de um processo incriminatório levado a cabo
pelos poderes dominantes e projetado, quase que exclusivamente,
sobre as classes sociais desfavorecidas, a cujos membros se impõe,
por interesses, o rótulo de delinquentes por força de critérios
criminalizantes impostos, unilateralmente, pelos que exercem a
capacidade de decisão. Isto tudo porque estes marginalizados não se
submetem ao poder estabelecido, à sua cultura, aos seus interesses
...”.
É claro que estes dois tipos de seleção (o objeto e o sujeito da
criminalização) não atendem a algo casual, mas sim a interesses
concretos de produção e reprodução do poder. A criminalidade
constitui um bem negativo, distribuído desigualmente, ainda que
não de modo arbitrário. Ou seja, selecionam-se como delinquentes -
ao menos de forma prioritária - os indivíduos que pertencem às

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classes marginalizadas, seja porque o direito penal está estabelecido


para proteger sobretudo os interesses das classes superiores, seja em
virtude da forma de funcionamento e da operatividade prática das
instâncias de controle social, desde a escola e passando pela polícia e
pelos tribunais15.

Assim, posto que o labeling approach centra seu interesse no


elemento definidor da desviação e da criminalidade, destacando que
quem condena não constata o delito, senão que o produz, temos que
o delito não é uma qualidade de uma conduta, mas sim o resultado
de uma definição através das instâncias de controle social. E esta
definição, como é notório, recai de modo desigual em prejuízo dos
extratos sociais mais baixos. Ainda que as infrações jurídico-
criminais sejam ubíquas (é dizer, se dão por igual em todas as
classes sociais), a possibilidade de escapar a uma definição juriídico-
penal cresce à medida que se sobe na hierarquia social: são os
poderosos que se inserem no âmbito da cifra negra16.

Para esta teoria, portanto, “a desviação secundária é


produto da aplicação dos órgãos de controle social”17.
Segundo BARATTA18, “esta direção de pesquisa parte da
consideração de que não se pode compreender a criminalidade se
não se estuda a ação do sistema penal, que a define e reage contra
ela, começando pelas normas abstratas até a ação das instâncias
oficiais (polícia, juízes, instituições penitenciárias que as aplicam), e

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que, por isso, o status social de delinquente pressupõe,


necessariamente, o efeito da atividade das instâncias oficiais de
controle social da delinquência, enquanto não adquire esse status
aquele que, apesar de ter realizado o mesmo comportamento
punível, não é alcançado, todavia, pela ação daquelas instâncias.
Portanto, este não é considerado e tratado pela sociedade como
“delinquente”. Nesse sentido, o labeling approach tem se ocupado
principalmente com as reações das instâncias oficiais de controle
social, consideradas na sua função constitutiva em face da
criminalidade. Sob este ponto de vista tem estudado o efeito
estigmatizante da atividade da polícia, dos órgãos de acusação
pública e dos juízes”.

Segundo MOLINA19, os principais postulados do “labeling


approach” são:

1)Interativismo simbólico e construtivismo social: “A


realidade social é construída sobre a base de certas definições e o
significado atribuído às mesmas através de complexos processos
sociais de interação. Assim sendo, o comportamento humano seria
inseparável da interação social e sua interpretação não pode
prescindir desta mediação simbólica. O conceito que o indivíduo
tem de si mesmo, de sua sociedade e da sua posição nesta
sociedade, são chaves importantes do significado genuíno da
conduta criminal”.

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2) Introspecção simpatética como técnica de aproximação à


realidade criminal para compreende-la desde o mundo do infrator e
captar o verdadeiro sentido que este atribui à sua conduta.

3) Natureza definidora do delito: “O delito é carente de


sentido material ou ontológico. Uma conduta não é delitiva em si ou
por si (qualidade negativa inerente a ela), nem seu autor criminoso
por merecimentos objetivos (nocividade do fato, patologia da
personalidade); o caráter criminoso de uma conduta e de seu autor
depende de certos processos sociais de definição, que atribuem a
esta conduta tal caráter, e de seleção, que etiquetam o autor como
delinquente”.

4) Caráter constitutivo do controle social: “Em consequência,


a criminalidade é criada pelo controle social. As instâncias ou
agências de controle social (polícia, judiciário, etc.) não detectam ou
declaram o caráter delitivo de um comportamento senão que o
geram ou produzem ao etiqueta-lo”.

5) Seletividade e discriminatoriedade do controle social: “O


controle social é altamente discriminatório e seletivo. Ainda que os
estudos empíricos demonstrem o caráter majoritário do
comportamento criminal, a etiqueta criminosa se manifesta como
um bem negativo que os mecanismos de controle social repartem

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com o mesmo critério de distribuição de outros bens positivos


(fama, poder, riqueza, etc.): o status das pessoas. De modo que as
chances e os riscos de ser etiquetado como delinquente não
dependem tanto da conduta executada (delito) como da posição do
indivíduo na pirâmide social (status). Os processos de
criminalização, ademais, respondem ao estímulo da visibilidade
diferencial da conduta desviada em uma sociedade concreta, isto é,
se guiam mais pela sintomatologia do conflito do que pela etiologia
do mesmo (visibilidade versus latência)”.

6) Efeito criminógeno da pena: “A reação social não somente


é injusta senão intrinsecamente racional e criminógena. Longe de
fazer justiça, de prevenir a criminalidade e reincluir o infrator, seu
real impacto converte a pena em uma resposta intrinsecamente
irracional e criminógena. Porque exacerba o conflito social em lugar
de resolve-lo; potencia e perpetua a desviação; consolida o infrator
em seu estado criminal e gera os esteriótipos e etiologias que se
supõe pretender evitar, fechando, desse modo, um lamentável
círculo vicioso. A pena, pois, culmina uma escalada ritual e
dramática de cerimônias de degradação do condenado,
estigmatizando-o com o selo de um status irreversível. O apenado
assumirá, assim, uma nova imagem de si mesmo e redefinirá sua
personalidade em torno do conceito de infrator, desencadeando-se a
chamada dsviação secundária”.

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7) Paradigma de controle: “A natureza definidora da


criminalidade impõe a substituição do paradigma etiológico pelo de
controle. Os fatores que possam explicar a desviação primária do
indivíduo carecem de interesse, como sucede com o próprio enfoque
etiológico tradicional. O decisivo será o estudo dos processos de
criminalização que atribuem a etiqueta criminal ao indivíduo, os
processos de definição e os processos de seleção”.

Assim, na lição de HERRERO20, “para o labelling approach,


a delinquência, o crime, não é um fenômeno ontológico, mas sim
definitorial. É dizer, que não existe tanto a criminalidade quanto a
incriminação. Uma incriminação não obediente a critérios objetivos
(de proteção ao verdadeiro bem comum) senão dependente de
critérios de grupo, parciais, discriminadores e dirigidos contra os
que estão longe do êxito, do dinheiro e do poder”.

Consiste, pois, a teoria em foco, numa “revolução científica


no âmbito da sociologia criminal”21.

Dentro do labelling approach coexistem, sem embargo, duas


tendências: uma radical, e outra, moderada22.

A tendência radical exacerba a função constitutiva ou


criadora de criminalidade exercida pelo controle social: o crime é
uma etiqueta que a polícia, os promotores e os juízes (instâncias do

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controle social formal) colocam no infrator, independentemente de


sua conduta ou merecimento.

Já para a tendência moderada, sem embargo, somente cabe


afirmar que a justiça penal se integra na mecânica do controle social
geral da conduta desviada.

É indiscutível que as teorias interacionistas - dentre elas o


labeling approach - contêm delineamentos e conclusões plausíveis e
avançadas. Todavia, tanto se concrentou na criminalidade que se
radicalizou, dirigindo suas críticas e ataques mais demolidores ao
Direito Penal. Esta radicalização é compreensível já que, ao
concentrar-se na definição da conduta criminosa, se delimitam com
maior facilidade as instâncias definidoras. Essas instâncias somos
todos, como agentes do controle social informal, na definição da
conduta desviada. Mas na definição da conduta criminal não são
apenas os agentes de controle social formal que atuam no âmbito de
sua competência23. Deste modo, o etiquetamento do desviado passa
a ser uma atuação natural da vida diária, uma estigmatização
dirigida finalisticamente e imposta de um modo sistemático24.

Leciona MOLINA25 que cabe ao labelling approach o


indiscutível mérito de haver ampliado o objeto de investigação
criminológica, ao ressaltar a importância que tem a ação bastante
seletiva e discriminatória das instâncias e mecanismos de seleção do

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controle social. Como consequência do êxito deste enfoque


interacionista, não cabe hoje estudar e compreender o problema
criminal prescindindo da própria reação social, do processo social
de definição e de seleção de certas condutas etiquetadas como
delitivas.
Ao labelling approach se deve, também, uma interpretação
muito mais realista do dogma tradicional da igualdade perante a lei
e uma preocupação pelo problema das infrações secundárias e das
carreiras criminosas26.
Sem embargo, uma substituição radical das teorias da
criminalidade pelas da criminalização - como pretende um setor do
labelling approach - não é aceita pela doutrina majoritária, já que,
sem dúvida, emprobeceria a discussão científica. A natureza
puramente definidora do delito, o caráter constitutivo do controle
social e a opção a favor do paradigma de controle, são postulados
que tão pouco contam com um respaldo unânime na comunidade
científica, pois conduzem a uma desatenção do problema das
infrações primárias (renúncia à análise etiológica) e deixam sem
respostas problemas capitais da criminologia e da política criminal
de nosso tempo: a prevenção ao delito, a ressocialização do
delinquente, etc.27.

Segundo o labeling approach, a criminologia tradicional,


etiologicamente orientada, tem buscado as causas do delito de um
modo incorreto na pessoa que é definida como delinquente, em

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lugar de fazê-lo na pessoa que realiza a definição. Deste modo tem


aceitado ingenuamente as perspectivas do Direito Penal,
convertendo-se em sua ciência auxiliar e desperdiçando a
oportunidade de ser uma ciência básica que formule
autonomamente seu interesse e objeto de investigação. Por isso
considera o labelling approach que há que dirigir a atenção
criminológica aos processos de atribuição da criminalidade, ao invés
de a seus resultados 28.

Leciona BARATTA29 que “o horizonte de pesquisa dentro


do qual o labeling approach se situa é, em grande medida,
dominado por duas correntes da sociologia americana,
estreitamente ligadas entre si. Em primeiro lugar, realmente, tal
enfoque remonta àquela direção da psicologia social e da
sociolinguística inspirada em George H. Mead, e comumente
indicada como interacionismo simbólico. Em segundo lugar, a
etnometodologia, inspirada pela sociologia fenomenológica de Alfred
Schutz, concorre para modelar o paradigma epistemológico
característico das teorias do labeling”.

Entre os principais representantes desta teoria cabe citar os


seguintes: GARFINKEL, GOFFMAN, ERIKSON, CICOUREL,
BECKER, SCHUR e SACK30.

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Dentre estes seleciona-se a seguinte passagem de BECKER31


para ilustrar o presente ensaio: “Os grupos sociais criam a desviação
mediante a elaboração de normas cuja infração constitui essa
desviação, mediante a aplicação de tais normas aos indivíduos e
mediante o etiquetamento (labelling) dos mesmos como excluídos
(outsiders). Deste ponto de vista, a desviação não é uma qualidade
do ato ou da ação cometida pela pessoa, mas sim uma consequência
da aplicação, por terceiros, das normas e sanções a um ofensor. O
desviado é uma pessoa a quem esse rótulo lhe tenha sido aplicado
com êxito, a conduta desviada é o comportamento assim rotulado
pela gente”.

Este o conteúdo essencial do labelling approach, que não


fica a cavaleiro de críticas. Sintetiza-as HERRERO32:
“A teoria do labeling approach não parece que pode sustentar-
se em seu conjunto, porque, ainda que se admita que as sociedades
atuais (ao menos as sociedades pós-industrializadas e democráticas)
tenham grandes disfunções e que, entre elas, está a do uso do poder
nem sempre de forma justa e ponderada, sem embargo, não parece
razoável assegurar que determinada delinquência não agrida a bens
fundamentais da comunidade em quanto tal (crimes contra a vida,
integridade física, liberdade, etc...) e, desde logo, nem sempre o
exercício do poder se faz em proveito de uns poucos.

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O labeling approach estaria correto, se denunciasse que os


agentes de controle social (legislador, executivo, judiciário, polícia,
estabelecimentos penitenciários) nem sempre guiam o exercício de
suas próprias funções segundo a exigência do bem comum
(“delinquência” e “delinquentes artificiais”), que a lei nem sempre
se aplica a todos de acordo com o princípio da igualdade, que
existem “privilégios” para determinados infratores. Mas não é
sustentável sua postura quanto absolutiza e universaliza tais
“déficits”, carências e abusos. Parte da delinquência, segundo a
teoria em foco, pode ser fruto de uma reação desproporcionada dos
mecanismos sociais de controle (sobretudo os formais), mas outra
parte (possivelmente a majoritária) é uma delinquência real,
ontológica. O que ocorre é que nem sempre os processos de
incriminação e desincriminação se ajustam ao verdadeiro bem
comum. E que, desde logo, resulta frequentemente que a
delinquência convencional se aborda com mais dureza do que a
chamada delinquência não convencional que geralmente é mais
perniciosa para a comunidade. Ademais, aos autores desta se trata
(ou se parece que) com mais benignidade.
Em todo caso, esta teoria, sobretudo em suas origens, nega
que haja de se explicar a deliquência de forma etiológica. É afatorial,
o que é congruente com sua maneira de analisar tal fenômeno”.
À guisa de conclusão diga-se que, de fato, o labelling
approach se contrapõem às “Teorias da Criminalidade”, posto que
estas, de uma maneira ou de outra, põem a ênfase em estímulos

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psicobiológicos, psicomorais, ou psicosociais, tratando de explicar o


fenômeno delinquencial acudindo a um sistema fatorial.
Já para a teoria em apreço - que se insere no rol das “Teorias
do Processo Social” - se propõe a compreender a delinquência não
como fenômeno real, mas sim como fenômeno definitorial. É dizer,
como fenômeno atribuído contra os membros das classes sociais
marginalizadas por aqueles que manejam o poder. Se trata, por isso,
de uma explicação afatorial da criminalidade, já que esta, como se
concebe no labeling approach, não existe: é um produto inventado33.

TEORIAS CIENTÍFICAS SOBRE O PROBLEMA DO CRIME

1. Criminologia tradicional
1.1. Escola clássica
1.2. Escola positiva
1.2.1. Teorias bioantropológicas
1.2.2. Teorias psicodinâmicas
1.2.3. Teorias psico-sociológicas
1.3. Sociologia criminal
1.3.1. Teorias ecológicas
1.3.2. Teorias da subcultura
1.3.3. Teorias da anomia
2. Criminologia nova ou crítica
2.1. Teoria da rotulação

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2.2. Etnometodologia
2.3. Criminologia radical

A ciência que investiga o problema do crime pode ser classificada


em criminologia tradicional e criminologia nova ou crítica, segundo
Jorge de Figueiredo Dias e Manuel da Costa Andrade
(Criminologia: o homem delinquente e a sociedade criminógena.
Coimbra: Coimbra Editora, 1997).
A criminologia tradicional procura quais as causas do crime; como é
possível prevenir a sua ocorrência. Já a criminologia crítica, também
investigando o fenômeno criminal, indaga porque determinadas
pessoas são tratadas como criminosas; quais as conseqüências dessa
seleção; como ela é efetivada. Enfim, sobre o mesmo objeto, os
cientistas elaboram questões diferentes que reclamam respostas
diferentes. Existindo, entre essas vias de explicação do crime, mais
uma relação de complementariedade do que de exclusão, fazendo
da criminologia uma ciência interdisciplinar que envolve a biologia,
a psicologia e a sociologia.
Nessa visão, os autores citados agrupam as teorias criminológicas
da seguinte maneira: 1. Criminologia tradicional: escola clássica,
escola positiva e sociologia criminal; 2. Criminologia nova ou
crítica: teoria da rotulação, etnometodologia e criminologia radical.

1.1. Para a escola clássica (séc. XVIII / XIX), o crime não é uma
entidade de fato, mas de direito. O homem, dotado de razão e livre-

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arbítrio, atua movido pela procura do prazer (hedonismo) e a ordem


social resulta de um consenso em torno de valores fundamentais,
visando o bem-estar de todos (contrato social). Assim, a conduta
criminosa é uma escolha racional, uma opção do criminoso que
avalia os riscos e benefícios da empreitada criminosa. Logo, a pena
(castigo) é necessária e suficiente para acabar com a criminalidade,
sendo determinada segundo a utilidade para manter ou não o pacto
social.

1.2. Diante do fracasso das reformas penais inspiradas pelos


clássicos, a escola positiva (séc. XIX / XX) propõe outros postulados.
Nega o livre-arbítrio e afirma a previsibilidade do comportamento
humano (determinismo), passando a investigar as causas dos crimes
a partir dos criminosos. O crime é uma entidade de fato. Um
fenômeno da natureza, sujeito a leis naturais (biológicas,
psicológicas e sociais) que podem ser identificas, estudando-se o
homem criminoso. A pena (castigo) é inútil, pois a conduta
criminosa é sintoma de uma doença e como tal deve ser tratada, em
nome da defesa da sociedade. Atualmente, as teorias que analisam o
criminoso, buscando uma explicação para o crime, podem ser
agrupadas da seguinte maneira (teorias de controle):

1.2.1. Teorias bioantropológicas. Há pessoas predispostas para o


crime. A explicação do crime depende de variáveis congênitas

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(relativas à estrutura orgânica do indivíduo). O criminoso é um ser


organicamente diferente do cidadão normal.
1.2.2. Teorias psicodinâmicas. O criminoso é diferente do não-
criminoso, mas essa diferença não é congênita. Decorre de falhas no
processo de aprendizado e socialização do criminoso, uma vez que o
homem é, por natureza, um ser a-social (homo lupus hominis). Para
compreender as causas do crime, investiga porque a generalidade
das pessoas não comete crimes. O crime decorre do conflito interior
entre os impulsos naturais e as resistências adquiridas pela
aprendizagem de um sistema de normas.
1.2.3. Teorias psico-sociológicas. Predomínio dos elementos sociais e
situacionais sobre a personalidade.

1.3. A sociologia criminal (séc. XIX / XX), por sua vez, busca as
causas do crime na sociedade. O crime é analisado como um
fenômeno coletivo, sujeito às leis do determinismo sociológico e, por
isso, previsível. A sociedade contém em si os germes de todos os
crimes. O criminoso é mero instrumento no comportamento
criminoso. A solução para o problema do crime está na reforma das
estruturas sociais. “A sociedade tem os criminosos que merece.”
Atualmente, as teorias que analisam a sociedade criminógena,
privilegiando a dimensão causalista na conduta desviada, são
denominadas de teorias etiológicas e se subdividem em:

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1.3.1. Teorias ecológicas ou da desorganização social (escola de


Chicago). A explicação do crime decorre da antinomia mundo
urbano/mundo rural. “O cristianismo proclama o mandamento do
amor ao próximo; (...) mas na moderna sociedade não existe
qualquer próximo.” A cidade moderna caracteriza-se pela ruptura
dos mecanismos tradicionais de controle (família, vizinhança,
religião, escola) e pela pluralidade das alternativas de conduta.

1.3.2. Teorias da subcultura delinqüente. O crime resulta da


interiorização (aprendizagem, socialização e motivação) de um
código moral ou cultural que torna a delinqüência imperativa. “As
teorias da subcultura partem do princípio de que delinqüentes são
as culturas e não as pessoas.” À semelhança do que acontece com o
comportamento conforme à lei, também a delinqüência significa a
conversão de um sistema de crenças e valores em ação.

1.3.3. Teorias da anomia ou da estrutura da oportunidade. O crime é


o resultado normal do funcionamento do sistema e da atualização
dos seus valores. O sistema produz o crime e o produz como
resultado normal (esperado) do seu próprio funcionamento. A
teoria da anomia caracteriza-se pela sua natureza estrutural, pelo
determinismo sociológico, pela aceitação do caráter normal e
funcional do crime e pela adesão à idéia de consenso em torno de
valores fundamentais para a sociedade.

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2. A criminologia nova também estuda a sociedade criminógena,


mas em outra perspectiva. Ao indagar as causas do crime, pesquisa
a reação social: por que determinadas pessoas são tratadas como
criminosas? quais as conseqüências dessa seleção? como ela é
efetivada? Ampliando, assim, o campo de investigação para
abranger as instâncias formais de controle como fator criminógeno
(as leis, a Polícia, o Ministério Público e o Tribunal). Ainda segundo
os autores citados, representam essa via de explicação do problema
do crime:

2.1. Teoria da rotulação ou Labelling Approach (surge na década de


60). O crime não é uma qualidade ontológica da ação, mas o
resultado de uma reação social. O crime não existe. O criminoso
apenas se distingue do homem normal devido a rotulação que
recebe de criminoso pelas instâncias formais de controle. “A
sociedade tem os criminosos que quer.”

2.2. Etnometodologia (também surge na década de 60). Com base na


fenomenologia, estuda a intersubjetividade do cotidiano, como ele é
verdadeiramente vivido por seus participantes. O crime é visto
como uma construção social realizada na interação entre o desviante
e as agências de controle.

2.3. Criminologia radical ou criminologia marxista (surge na


década de 70). Baseia-se na análise marxista da ordem social. Critica

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a teoria da rotulação e a etnometodologia, pois, fundamentalmente,


não diferem da criminologia tradicional, funcionando para a
conservação da ordem social opressiva. Considera o problema
criminal insolúvel em uma sociedade capitalista, sendo necessária a
transformação da própria sociedade.

Ao final desse resumo sobre as teorias científicas sobre o problema


dos crimes, percebe-se que a investigação científica depende de uma
prévia visão do homem e da sociedade. Na escola clássica o homem
é dotado de livre-arbítrio e vive em uma sociedade consensual
(existe um consenso em torno de valores fundamentais). A escola
positiva e a sociologia criminal negam o livre-arbítrio e a
criminologia nova, o consenso social. É do desdobramento dessas
questões fundamentais em torno da natureza humana e da ordem
social que surgem as perguntas e as respostas ao problema do crime,
ou seja, as teorias científicas sobre o crime.

Daí a conclusão de Sykes: “Ao estudar o crime devemos ter


consciência de que as descobertas científicas, normalmente
consideradas como impessoais e objetivas, trazem invariavelmente
consigo a marca do tempo e do lugar.”
Igualmente, quando o profissional do direito penal interpreta e
aplica a lei penal também efetiva a sua visão de mundo. São as suas
crenças sobre a natureza humana e sobre a ordem social,
conscientemente ou não, que determinam a adoção dessa ou

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daquela jurisprudência; desse ou daquele entendimento doutrinário


– liberdade ou prisão para o seu semelhante!

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