Você está na página 1de 61

Índice

Seção do Leitor
4
Utilização de controle de vazão e
Notícias
6 nível na batelada de água potável
para preparação da massa para
Problemas e Soluções
12 biscoito
Conheça neste artigo, um exemplo de um sistema simples,
Reportagem
14 porém eficiente, de automação industrial.

38
Caso de aplicação: motorreduto-
res na indústria de tecidos Controle em redes híbridas
16 O processo evolutivo das redes industriais resultou na criação
de um sistema de comunicação aberto, com interoperabilidade
entre os fabricantes distintos e com a liberdade de escolha do
Fuso de esferas: especificação e usuário final.
reparo
O fuso de esferas é um dispositivo mecânico de deslocamento
40
linear indispensável na indústria moderna, seja qual for o equi-
pamento ou seu campo de atuação. Este artigo aborda sua
Transmissores de temperatura
Entenda o princípio de funcionamento, sua simbologia, como
especificação e os aspectos de sua recuperação.

18
aplicá-los e como resolver alguns dos problemas mais
comuns.

Como selecionar a válvula


44
correta para sua aplicação Interferência eletromagnética
As indústrias perdem milhões de reais a cada ano devido às con-
por ESD
seqüências da seleção incorreta de válvulas, que pode provocar
Conheça os problemas causados pelas descargas eletrostáti-
falhas acarretando perda de fluidos em sistemas, produção fora
cas e também como preveni-los, desde perturbações de fun-
das especificações, despesas com equipamento parado, condi-
cionamento até o dano permanente.

46
ções inseguras de trabalho e danos ambientais.
24
Características das
Evitando problemas com transmissões em redes
inversores industriais - 2ª parte
Este artigo aborda algumas questões gerais que apesar de Veja o que acontece com os dados numa rede de automação
simples, causam alguns transtornos em aplicações de inver- industrial desde a sua formatação pela aplicação até a trans-
sores. Evitar pequenos problemas (erros) pode acelerar o pro- missão pelo meio físico.
cesso de aplicação do equipamento.

28 50
Eficiência da Combustão
Ethernet Industrial Conheça a aplicação de analisadores na melhoria da combus-
Conheça os benefícios que o emprego da tecnologia Ethernet tão através da adequação da relação O2/CO em um dos pro-
Industrial traz para a automação do chão de fábrica, garan- cessos mais conhecidos nos meios industrias: o de caldeiras.
tindo comunicação em tempo real.

31 54
Caldeiras - Como gerar vapor Manutenção Preditiva -
com economia Análise de vibrações
Identifique as várias maneiras de economizar combustível Muitas empresas no Brasil estão investindo nesta técnica, que
na geração de vapor, algumas vezes adquirindo novos instru- permite conhecer e melhorar os equipamentos industriais tra-
mentos, em outras mudando apenas os procedimentos ope- zendo como conseqüência economia, qualidade na manuten-
racionais. ção e segurança.

34 57
Editora Saber Ltda.
Diretores
Hélio Fittipaldi
Thereza M. Ciampi Fittipaldi Editorial
www.mecatronicaatual.com.br Tema sobre sensores
Mecatrônica Atual
Editor e Diretor Responsável Nos últimos dois meses recebemos vários e-mails de leitores
Hélio Fittipaldi
solicitando a publicação de artigos e matérias sobre sensores.
Editor Assistente
Paulo Gomes dos Santos Constatamos que o tema é vasto, visto que existe uma grande
Publicidade variedade de sensores aplicados na área de automação indus-
Carla de Castro Assis trial. Alguns tipos de sensores foram abordados nesses dois anos
Melissa Rigo Peixoto
Ricardo Nunes Souza de existência da Mecatrônica Atual, entretanto, estamos verifi-
Conselho Editorial cando quais tecnologias dessa área despertam maior interesse
Alexandre Capelli
Juliano Matias
de nossos leitores. Também estamos selecionando técnicos e
Newton C. Braga engenheiros que possam dissertar sobre o tema, isento de inte-
Reportagem resses comerciais.
Sérgio Vieira

Colaboradores Nessa edição da Mecatrônica Atual trouxemos mais alguns


Alaor Mousa Saccomano
Alexandre Comitti temas que estão relacionados, mais diretamente, à área de pro-
Bruno Castellani
Carlos Henrique C. Ralize
cessos industriais como é o caso do tema de capa: geração de
Edson Jorge Michalak vapor com economia, além da eficiência da combustão. Esses
Gilberto Branco
Jonn Wawrowski dois temas também estão ligados às empresas de manufatura,
Leonardo Tavares
Osmar Brune entretanto, são supervisionados pela equipe responsável pelas
Reginaldo de Mattos Onofre áreas de utilidades (tratamento de água e efluentes, geração de
Roberto Godoy Fernandes
Rogério Dias Gimenes energia elétrica, etc)
Samir Kassouf
Wellington Rossi Kramer
Na reportagem dessa edição trouxemos um pouco dos desa-
ASSINATURAS fios que a Ethernet possui pela frente ao completar seus 30
www.mecatronicaatual.com.br
Fone/Fax: (11) 6195-5335 anos de idade. Pelo que foi constatado pela nossa equipe, a
Atendimento das 8:30 às 17:30 h Ethernet Industrial em automação já é um caminho sem volta
Impressão e a tendência, agora, é superar os desafios em aplicações críti-
Bandeirantes Gráfica
cas.
Distribuição
Brasil: DINAP
Portugal: Midesa Entre os dias 18 e 20 de novembro, a Revista Mecatrônica
MECATRÔNICA ATUAL Atual estará participando do ISA Show, evento realizado pelo
(ISSN - 1676-0972) é uma publicação
da Editora Saber Ltda. Distrito 4 da ISA e que apresentará vários temas referente a
Redação, administração, automação industrial (veja anúncio), além da exposição de pro-
edições anteriores, publicidade e
correspondência: dutos e serviços. Na oportunidade, estaremos ouvindo todas
R. Jacinto José de Araújo, 315
CEP.: 03087-020 - São Paulo as críticas e sugestões para que possamos adequar, cada vez
SP - Brasil
Tel.: (11) 6195-5333
mais, este veículo de comunicação.
Empresa proprietária dos direitos de
reprodução:
EDITORA SABER LTDA.

Associado à: Atendimento ao leitor: a.leitor.mecatronicaatual@editorasaber.com.br


ANER - Associação Nacional dos
Editores de Revistas

ANATEC - Associação Nacional das Os artigos assinados são de exclusiva responsabilidade de seus autores. É vedada a reprodução total
Editoras de Publicações Técnicas, ou parcial dos textos e ilustrações desta Revista, sob pena de sanções legais. São tomados todos os cui-
Dirigidas e Especializadas. dados razoáveis na preparação do conteúdo desta Revista. Caso haja enganos em texto ou desenho, será
publicada errata na primeira oportunidade. Preços e dados publicados em anúncios são por nós aceitos de
boa fé, como corretos na data do fechamento da edição. Não assumimos a responsabilidade por alterações
nos preços e na disponibilidade dos produtos ocorridas após o fechamento.
www.anatec.org.br
Atual Seção do leitor

Seção do Leitor
Sensor Magneto Restritivo
Gostei muito de conhecer a tecnologia entre o envio do pulso de interrogação e o retorno do
usada nesse tipo de sensor linear de pulso de torção e, assim, temos a distância.
posição (sem contato físico entre compo- Como dá para entender pela explicação acima, o
nentes). Contudo, fiquei curioso e gos- funcionamento do sensor é eletrônico e magnético, não
taria que detalhasse um pouco mais (se havendo nenhum componente sonoro como você ques-
possível) como acontece a emissão de um tionou. Além disso, realmente houve um erro de digita-
pulso sônico. Quando o campo magnético ção no referente à velocidade de propagação do pulso
gerado pelo pulso elétrico (aplicado ao pelo guia de onda. Com relação à resolução do sensor
guia de onda) encontra o campo magnético Temposonics, isso vai depender do tipo de saída esco-
constante emitido pelo elemento desli- lhida. Caso você escolha uma saída com comunicação,
zante, que é o cursor? Será devido à por exemplo Profibus, a resolução chega a 0,002 mm
pequena torção sentida pelo guia de onda, independentemente do comprimento do sensor.
quando os dois campos magnéticos acima Caso você escolha uma saída analógica, a resolu-
interagem? ção do sensor é infinita, porém, a sua resolução irá
Existe dentro da cabeça do sensor depender da resolução do circuito A/D que utilizar para
(onde ficam os componentes eletrônicos) ler o sinal.
um emissor de onda sonora (onda de pres- Espero que suas dúvidas estejam esclarecidas e que
são), que é acionado exatamente quando você se torne um usuário desta tecnologia de ponta.
o guia de onda sofre a torção referida Gilberto Abrão Jana Filho
acima? Qual seria a resolução de leitura Gerente de Engenharia da Metaltex
para um sensor desse tipo com comprimento
máximo de medição igual a 50 mm?
Será que a unidade da velocidade não
está invertida, ou seja: o correto não
seria 0,35 mm/microssegundo no lugar
de 0,35 microssegundo/mm, conforme está
impresso no artigo? Essa velocidade é
correspondente à propagação do campo mag-
nético gerado pelo pulso elétrico apli-
cado ao guia de onda, ou da onda sonora
produzida pela cabeça do sensor ?
Sidney Nogueira
Engenheiro de Vendas
Hydrex

Na verdade, o sensor Temposonics funciona pela


emissão de um pulso elétrico na extremidade inicial do
sensor e, este pulso, chamado pulso de interrogação,
caminha pelo sensor. Quando o campo magnético do
pulso de interrogação interage com o campo magnético
do cursor, uma torção ocorre no guia de onda e, conse-
qüentemente, um pequeno pulso que retorna à cabeça
do sensor. Como o pulso percorre o guia de onda à
uma velocidade conhecida (aproximadamente 0,35 mm/
microssegundos) o circuito eletrônico calcula o tempo

Enviar suas cartas para


Editora Saber Ltda. As mensagens devem ter nome completo, ocupa-
Rua Jacinto José de Araújo, 315 - CEP 03087-020 - ção, cidade e estado. Por motivo de espaço, os
São Paulo - SP, ou e-mails para: textos poderão ser editados por nossa equipe.
a.leitor.mecatronicaatual@editorasaber.com.br

4 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Seção do leitor Atual

Sensores e relés Sistemas supervisórios


Gostaria de solicitar aos senhores que publiquem Lendo o artigo “Retrofitting” da
algo sobre relés de proteção tipo: códigos ANSI(ex.49, revista Mecatrônica Atual número
50/51, 86, etc), abordando técnicas de calibração, 7, me interessei sobre a utiliza-
literaturas a respeito, instituições que ministram ção de Redes Neurais para a cor-
cursos sobre o assunto. Se possível alguma dica sobre reção de inversão por quadrante.
os modelos antigos eletromecânicos ou comparativo com Gostaria de conhecer mais sobre
os atuais microprocessados, pois, trabalho em uma a aplicação desse método na solu-
empresa que ainda utiliza relés eletromecânicos ABB ção de problemas em processos de
Whestinghouse em seus projetos atuais. fabricação e em máquinas opera-
Daniel Rocha dos Santos trizes. Se possível, vocês pode-
Operador técnico eletricista riam me informar sobre modelos
Air Products Brasil específicos de máquinas operatri-
zes que utilizam esse recurso?
Sou estudante de Automação Industrial e preciso Gustavo de Oliveira Castelhano
apresentar um trabalho sobre sensores de des- Bauru - SP
locamento e velocidade. Abordando: princípio de
funcionamento (forma de conversão), tipos de fabri- Não temos conhecimentos sobre a apli-
cantes, modelos, explicando quais os mais utiliza- cação de Redes Neurais em máquinas ope-
dos, custos, e em que indústrias são aplicados. ratrizes. Essa lógica de controle possui um
Emilene Silva campo de atuação muito grande e, na área
NORPEL - Pelotização do Norte S/A da indústria, ainda não vimos nada a res-
Companhia Vale do Rio Doce peito. Para outras informações sobre esse
método de controle entre em contato com
A partir desta edição introduzimos o assunto sobre medição a Sociedade Brasileira de Redes Neurais
de nível e vazão. Em momento oportuno, pretendemos introduzir pelo telefone (21) 3114-1204.
mais informações sobre calibração e sensores. Quanto a parte
de relés, nossa outra publicação, (a Revista Saber Eletrônica)
aborda esse assunto com mais profundidade. A migração desse
assunto para a Mecatrônica Atual está em estudo porque temos Cicloconversores
uma enorme preocupação em não perder o foco dos nossos leito-
res. Entendemos que numa planta industrial há várias tecnologias Sou assíduo leitor da Mecatrô-
interligadas numa mesma arquitetura de automação, mas nossa nica Atual, Técnico Mecânico e
preocupação principal é não desviar o foco das nossas publica- aprecio muito a maneira como a
ções. Por esse motivo, pedidos como os dois acima e centenas revista é escrita, principalmente
que chegam todos os meses à nossa Redação passam por uma pelos artigos do José Ricardo e
análise criteriosa. Paulo Pansiera. Um colega de tra-
balho me falou que algumas vezes
utilizam-se cicloconversores em
controle de velocidade. Poderia me
CLP Mitsubishi explicar o que são e como funcio-
nam? Quais suas aplicações?
Trabalho com CLPs da Rockwell e os conheço pro- Aman Kirar
fundamente, entretanto, estou em uma concorrência Técnico Mecânico
de serviços de manutenção em uma fábrica com tec- Curitiba - PR
nologia toda importada do Japão e que opera com
CLPs da Mitsubishi. Eles possuem um formato de Os cicloconversores configuram uma
instruções que não estou acostumado a trabalhar. classe de acionamentos para altíssimas
Mauro Carvalho cargas, mas com o aspecto de variarem a
Técnico em Eletrônica freqüência de saída até cerca de 20 a 30
Autons Automação Hz, no máximo. São aplicados a cargas de
inércia muito altas. Têm como caracterís-
Desde o momento que recebemos o seu e-mail tentamos entrar tica comum o acionamento por chaves de
em contato com a Mitsubishi das mais diferentes formas (telefone, baixa velocidade de comutação (tiristores),
e-mail e site). Infelizmente, ninguém da área de indústria da empresa que comutam em média de 6 ou 7 por ciclo.
prontificou-se a responder as nossas solicitações. Decidimos publicar Normalmente, esses tiristores têm seus dis-
sua mensagem na intenção de que alguns dos nossos leitores possam sipadores refrigerados a água.
entrar em contato com a Mecatrônica Atual para ajudá-lo. Alaor Saccomano

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 5


Atual Notícias

Mecatrônica
Notícias
Sérgio Vieira

Parker cria programa “Vazamento Zero”


Uma pesquisa realizada pela utilizados podem comprometer sig-
Parker Hannifin revelou que os nificativamente o bom funciona-
vazamentos em sistemas hidráu- mento do equipamento.
licos resultam em sérias perdas “Como resultado de desenvolvi-
financeiras, além de outros aspec- mentos tecnológicos em busca da
tos agravantes envolvendo segu- eliminação total de vazamento, o
rança, saúde e meio ambiente. sistema EO-2 da Parker consiste
Segundo a empresa, na maioria em separar as funções de vedação
das vezes, os vazamentos crôni- e fixação, ou seja, existe um ele-
cos encontram-se nas peças de mento específico para cada pro-
união dos circuitos hidráulicos, mais pósito”, explica Marcos Venanzi,
especificamente nas conexões dos gerente de Vendas de Produtos da
tubos e mangueiras. Divisão Fluid Connectors.
A partir dos problemas identifi- Na solução apresentada pela
cados, a Divisão Fluid Connectors empresa, anilhas e porcas pré-mon-
da Parker criou o programa “Vaza- tadas formam um único elemento
mento Zero” que pretende divulgar onde o anel de vedação é pro-
os benefícios de algumas tecnolo- tegido pela porca. Essa inovação
gias para o combate a vazamen- evita riscos de falha na montagem
tos. pelo extravio ou inversão dos com-
Em média, as mangueiras e ponentes. Outra vantagem está na
conexões representam menos de redução no número de componen-
3% do custo total de um equi- tes, o que proporciona ganhos em
pamento. No entanto, produtos de manuseio e logística de controle de
baixa qualidade ou incorretamente estoque.

Dexter apresenta nova versão do PG


A Dexter está disponibilizando µDx roda em Windows 95, 98 ou conectar-se com até quatro módu-
na Internet a versão 6.0 do software Millenium. Para uso em Windows los de expansão de entradas e
PG utilizado para programação do XP, o usuário deve utilizar o software saídas (ou 36 entradas e 36
controlador µDX (MicronDX). Tra- UserPort para permitir o acesso às saídas). O novo µDX Plus possui
zendo maior número de retentati- portas paralelas e seriais do compu- 256 endereços DXNET (16 conjun-
vas de comunicação e operação tador. A versão 6.0 ocupa espaço de tos de 16 endereços DXNET cada).
estável em ambiente Windows XP, 900 Kbytes. A versão mais recente No site da empresa também é pos-
a nova versão apresenta várias do software PG pode ser encon- sível conhecer o novo driver que
melhorias no programa, helps e trada no site www.dexter.ind.br permite utilizar os equipamentos
nas mensagens de erro. A Dexter está na versão 8.2 da empresa com o sistema super-
A versão PG dos controladores do controlador µDX Plus que pode visório da Elipse.

6 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Notícias Atual

Terminais de válvulas
ISA forma professores brasileiros A Festo está lançando novos termi-
nais de válvulas que conectam as
Mesmo estando em meio ao medição, calibração, modelos propor- válvulas CPA, Midi/Maxi e MPA aos
super blackout que afetou 14 Esta- cionais, integrais e derivativos. De sistemas Fieldbus (DeviceNet, Profi-
dos americanos, dois professores acordo com Carlos Martins, este dire- bus-DP, Interbus, CANOpen e CC-
brasileiros conseguiram concluir os cionamento aconteceu devido à voca- Link). Batizados de CPX, os terminais
primeiros cursos oferecidos direta- ção natural (material e humana) do são baseados em módulos configu-
mente pela sede oficial da ISA - The CTAI para treinamentos e serviços da ráveis, em que diversas interfaces
Instrumentation, Systems and Auto- área de controle, além disso existe de funções elétricas e pneumáticas
podem ser montadas para se ade-
mation Society. “Os alunos poderão uma demanda para esse tipo de curso
quar às exigências das mais variadas
beneficiar-se de mais reconheci- em todo o território nacional. aplicações. O CPX é construído em
mento profissional, informações atua- A estadia nos Estados Unidos pos- camadas - bloco de interconexão
lizadas, comodidade para realizar sibilitou aos professores terem uma (na base); módulo eletrônico
na própria instituição vários cursos visão interessante do conhecimento (intermediário); e, bloco
que somente são oferecidos no exte- industrial recebido por estudantes de conexão (supe-
rior, parceria com uma instituição americanos e, dessa forma, fazerem rior).
de renome internacional e contatos um comparativo com a situação dos
com outros pesquisadores membros estudantes brasileiros. “O estudante
da ISA”, avalia Carlos Fernando brasileiro é muito mais empreendedor,
Martins, coordenador de Desenvol- dinâmico e pró-ativo. Isso é gerado
vimento Tecnológico do Centro de muitas vezes pela falta de recursos da
Tecnologia em Automação e Informá- própria escola, onde o aluno tem que
tica Senai/CTAI de Florianópolis, que ter muita criatividade para desenvolver
esteve nos Estados Unidos junta- as suas experiências. Já o estudante Controlador em plataforma
mente com André Tonon, coordena- americano tem em mãos melhores aberta
dor do Curso Superior em Tecnologia equipamentos, as escolas são dota- Prometendo um novo conceito em
e Automação Industrial. das de orçamentos bem maiores que controle de processo, a GE Fanuc
A iniciativa da ISA vai de encon- as brasileiras. Isso facilita e muito o está apresentando a família PACSys-
tro a um antigo pedido dos mem- aprendizado” analisa Carlos Martins. tems que, segundo informativo, foi
construída em plataforma aberta de
bros brasileiros que é a publicação Entretanto, ele acha difícil res-
hardware e software. De acordo com
de apostilas para apoio nos cursos ponder se o estudante americano Bill Step, vice-presidente de equipa-
promovidos pela entidade no Brasil. está muito mais próximo da indústria mentos de automação da GE Fanuc
A novidade foi anunciada no ano que o estudante brasileiro. “Fica fácil Automation Americas, o PACSystems
passado durante o ISA Show pelo responder que os EUA dão muito representa “uma mudança revolu-
próprio presidente da entidade, Pier- mais importância à educação do que cionária no segmento de controlado-
giuseppe Zani. “Certamente a tra- o Brasil. Porém, me parece uma edu- res, possibilitando tanto convergência
dução desses materiais para o cação muito mais voltada para os quanto integração, independente-
mente das partes e peças envolvidas
português é uma outra comodi- EUA que para o mundo”, comentou.
no processo.” Entre as características
dade, pois aumenta as possibilida- Com a iniciativa, o Senai/CTAI técnicas da nova família encon-
des de ´entendimento` dos alunos” será o primeiro centro de certificação tram-se: CPUs Pentium III de 300
comenta Carlos Martins. ISA do Brasil. Fundada em 1945, nos MHz e 700 MHz; Backplane VME64;
Os dois professores realizaram Estados Unidos, a ISA congrega hoje Ethernet 10/100 Mbits embutida nas
cursos voltados para a área de 40 mil profissionais em automação e CPUs; 10 MB de memória para exe-
controle com foco em sistemas de instrumentação em todo o mundo. cução, armazenamento de programa
e documentação; suporta placas
VME de outros fabricantes para fácil
comunicação com outros dispositi-
vos; aceita vários tipos de comuni-
cação: Ethernet, Genius, Profibus e
DeviceNet; e opção de comunicação
Serial RS-232 e RS-485.

Carlos Martins durante


aula no SENAI de
Florianópolis.

7
Atual Notícias

Honeywell: em pleno processo de reestruturação


Ainda um pouco distante da
mídia, a Honeywell está procurando Gilberto Machado: tra-
colocar a casa em ordem após a balho com empresas
tentativa de uma das compras mais terceirizadas.
espetaculares na história da globa-
lização. Em junho de 2000, o Grupo
GE tentou comprar a empresa pelo
valor extraordinário de US$ 42
bilhões. O processo caminhava bem
nos Estados Unidos, mas as leis
antitruste da União Européia bar-
raram o processo de compra ale-
gando que estava sendo criado um
dos maiores monopólios mundiais
para o fornecimento de peças e
equipamentos de controle para a
fabricação de aviões (veja crono-
grama a partir de junho de 1999).
Antes da fusão com a Allied
Signal, a Honeywell estava divi-
dida pelas áreas: industrial, resi-
dencial, aviônica e automação. Com companhia indevidamente. Não é pre- recem, inclusive, produtos concor-
a tentativa de compra pela GE, a ciso procurar muito para encontrar no rentes com a linha Honeywell. Em
Honeywell foi recomendada a fazer mercado uma série de empresas que grandes clientes, como é o caso
uma reestruturação interna onde se dizem “representantes Honeywell”, da Petrobras, a Honeywell designou
foram criadas divisões de negócios. mas que, na prática, nada têm a engenheiros para realizarem um
A parte de SDCD, por exemplo, ver com a companhia. Em alguns atendimento exclusivo mantendo a
hoje, está sob o guarda-chuva da casos, essas pequenas empresas ofe- qualidade dos serviços prestados.
área de Sistemas, enquanto que
produtos isolados encontram-se na
Divisão de Produtos. Já a parte
Trajetória da Honeywell desde 1999
de instrumentação, um dos grandes Junho de 1999 Fusão da Allied Signal com a Honeywell for-
carros-chefe do Grupo, é outra que mando uma empresa de US$ 25 bilhões. Per-
manece o nome Honeywell.
está sendo englobada pela Divisão
de Sistemas.
Dezembro de 1999 Compra do grupo americano Pitway por US$
De acordo com Gilberto Carlos
7 bilhões. Grupo é forte em instrumentação
Machado, atual diretor e líder de
residencial.
vendas da Divisão de Automação e
Controle, o processo de reestrutura- Grupo Honeywell tenta comprar a United Tech-
Junho de 2000
ção iniciado pela companhia atinge, nologies, forte na linha aerospacial.
inclusive, a parte de manutenção.
Hoje, essa área está sob a respon- Junho de 2000 Oferta de compra da Honeywell pelo Grupo GE
sabilidade de cada um dos milha- pelo valor de US$ 42 bilhões.
res de produtos que compõem toda
a linha da empresa. “Estamos tra- Janeiro de 2001 Governo americano aprova compra da
balhando com algumas empresas Honeywell
terceirizadas para atender os ser-
viços de assistência técnica”, disse Março de 2001 Comunidade Européia questiona aquisição da
o diretor. A companhia está estrei- Honeywell devido ao monopólio criado na linha
tando os laços com alguns Solution aviônica.
Providers para representar alguns
produtos estratégicos. É o caso do Julho de 2001 Após dezenas de tentativas de acordos, Mário
controlador híbrido HC 900, usado Monti, responsável pela comissão antitruste da
em pressão, temperatura e vazão. União Européia, dá o veredicto final: a compra
Outro foco da Honeywell é tentar da Honeywell pela GE está descartada.
coibir a ação de algumas peque-
Agosto de 2002 Honeywell compra Divisão de Sensores da
nas empresas que usam o nome da
Invensys por US$ 415 milhões.

8 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Notícias Atual

Dürr do Brasil exporta para os EUA Calibradores


A Dakol divulgou nota informando
que o calibrador MC-5IS da Beamex,
Com uma participação de 82% trabalhos acabou se tornando res-
até o momento, é o único calibrador
no mercado mundial de pintura auto- ponsável pela exportação de uma multifunção que possui a aprovação
motiva, o grupo Dürr fechou um con- parcela superior a 15% do total do ATEX, norma que regulamenta a cir-
trato de US$ 150 milhões para projeto projeto. De acordo com Luiz Cos- culação de produtos em atmosferas
e instalação das plantas de pintura celi, presidente da Dürr do Brasil, potencialmente explosivas. O produto
automotiva da fabricante de automó- todo o sistema elétrico desta ins- é comercializado com exclusividade
veis coreana Hyundai, no Alabama talação será feito no país. “Além no Brasil pela Dakol.
(EUA). A filial brasileira participará da do fator da taxa do câmbio, o
construção da unidade de pintura da Brasil está se tornando mais
Hyundai juntamente com as outras competitivo em mercados tradi-
filiais do grupo localizadas na Alema- cionalmente reservados a países
nha, Coréia e México. detentores de tecnologia avança-
Inicialmente, a Dürr do Brasil iria das”, explica.
responder pela produção de 10% De acordo Roberto Tkatchuk,
do projeto, mas depois do início dos gerente geral de contratos da Dürr
no Brasil, a competitividade do país
obrigou os engenheiros brasileiros
a buscarem aperfeiçoamento téc-
nico com padrões internacionais e CLPs em cinco línguas
hoje, eleva-os ao mesmo nível dos Dotado de cinco tipos de lin-
europeus”, complementa. guagens diferentes: Ladder, Lista
As principais etapas da instala- de Instruções, Linguagem Estrutu-
ção de pintura são: Pré -Tratamento rada, Grafcet e Blocos Lógicos, a
(spray e imersão); Pintura Eletro- linha Xsystem da Moeller Electric
forética (imersão); Pintura Primer apresenta versões com CPU e
I/Os incorporados. A nova linha
(interna manual e externa auto-
também conta com porta Ethernet
mática); Pintura esmalte e verniz que pode ser usada tanto para pro-
(interna e externa automática). O gramação quanto para aquisição
Grupo Dürr possui uma divisão de dados por um sistema supervi-
que é responsável pela produção sório.
de salas de tinta, sistemas de
bombeamento/abastecimento,
estações “Blow Off”, máquinas de
limpeza, máquinas e robôs de pin- Série F7 de Inversores de
Cosceli: sistema elétrico 100% brasileiro Freqüência
em projeto internacional tura e estações automáticas de
A série F7 de Inversores Vetoriais
calafetação. de Fluxo lançada pela Yaskawa Elé-
trico do Brasil, apresenta novas
características técnicas como a
borneira extraível, que permite a
Versão 6.0 do Simatic troca da placa de controle sem
desligar a fiação, facilitando a
A Divisão Indústria da Siemens um dos diferenciais da nova versão
manutenção, menores dimensões e
está divulgando no mercado a versão está no atalho que leva o operador com ventilação inteligente, diversas
6.0 do Simatic PCS 7. De acordo com direto à tela onde está o alarme opções de configuração e parame-
Diogo Jorge Barreto, engenheiro da de maior prioridade. Segundo a Sie- trização. A série possui operação
OMG, fabricante de catalisadores, mens, existem hoje no Brasil cerca de escalar, escalar com encoder, veto-
30 soluções Simatic PCS 7 implan- rial de fluxo em malha aberta ou
Simatic: 30 soluções no Brasil. tadas nos mais diversos segmentos fechada, e opera em torque cons-
das indústrias de processos, mais de tante ou variável. Permite ainda
alto torque de partida mesmo em
140 instalações nas Américas e cerca
baixíssimas rotações e auto-ajuste
de 2.100 sistemas em todo o mundo. com motor rodando ou parado.
Trata-se de uma plataforma completa Os inversores F7 contêm eletrônica
de controle e visualização (hardware avançada com microprocessador
e software), desenvolvida para aten- de 32 bits e memória não volátil
der as mais variadas necessidades tipo flash, com resolução de fre-
de controle no segmento de automa- qüência de 0,01 Hz, permitindo
ção de processos industriais controle preciso em baixas veloci-
dades.

9
Atual Notícias

CAD criativo
A partir de uma série de expe- HSM/HBC: O estado da arte em usinagem
rimentos educacionais com CAD,
realizados em diferente cursos de Atualmente considerada como autores da obra, acredita que o resul-
Arquitetura e Engenharia civil, a obra o estado da arte em termos de tado mais importante no trabalho de
“CAD criativo” se destina a qualquer usinagem, a tecnologia de altíssi- C. Salomon foi o fato de que, acima
pessoa que queira aprender a utilizar mas velocidades (HSC ou HSM) foi de uma determinada velocidade de
o computador para projetar de uma desenvolvida há mais de 70 anos. O corte, as temperaturas de corte come-
maneira criativa, não importando seu
método criado por C. Salomon e foi çavam a cair. Na obra apresentada é
conhecimento prévio do assunto.
Dividida em duas partes, a primeira
patenteado em 27 de abril de 1931, possível conferir algumas figuras que
apresenta diferentes princípios com- na Alemanha. A patente foi conce- comprovam essa teoria.
positivos muito utilizados por arqui- dida à Friedrich Krupp AG. Quando desenvolveu seu mé-
tetos e designers. A segunda parte Depois de décadas relegada ao todo, Salomon tinha uma série de
traz a automatização de processos esquecimento, a tecnologia res- limitações em termos de máquinas.
repetitivos, através da algoritmiza- surgiu nos anos 80 a partir de estu- Para realizar seus experimentos,
ção de processo de projeto e da dos realizados em vários países, utilizou uma serra circular de grande
geração automática de alternativas.
especialmente na Alemanha. Nos diâmetro. Mesmo com baixa rota-
De autoria de Gabriela Celani, “CAD
criativo” é publicado pela Editora anos 90, a tecnologia começou a ção, ela permitia uma velocidade
Campus e custa R$ 39,00 chegar ao ambiente industrial. Hoje, periférica bastante alta.
pode-se dizer que a HSM/HSC já As pesquisas na área de alta
garantiu seu espaço na manufatura, velocidade foram retomadas após a
especialmente nos segmentos de Segunda Guerra Mundial. Primeiro
peças aeronáuticas, automobilísti- por Kustnetsov, na Suíça, e depois
cas e de moldes e matrizes, com por Vaughn e Kronenberg, já no final
grande potencial ainda para ocupar da década de 50 e início dos 60.
outros nichos. As pesquisas visando o desenvolvi-
Para apresentar esta tecnologia mento da tecnologia com fins indus-
ao mercado brasileiro, onde também triais só tiveram início nos anos 80,
é crescente o número de usuários, pelo professor Herbert Schulz, da
a fabricante de ferramentas de corte Darmstadt University of Technology,
Sandvik Coromant reuniu um grupo da Alemanha.
de pesquisadores, professores, jor- A retomada e o grande desenvol-
C++Técnicas Avançadas nalistas e especialistas em ferramen- vimento atual do tema HSM/HSC se
Capaz de resolver vários tipos de tas para escrever o livro “Usinagem deve não só ao aumento da veloci-
problemas computacionais, a lingua- em Altíssimas Velocidades - Como dade de produção de uma determi-
gem C++ está estruturada para per- os conceitos HSM/HSC podem revo- nada peça, mas também à melhoria
mitir o acesso a todos os recursos
lucionar a indústria metal-mecânica”, da qualidade superficial das peças
do sistema operacional e do próprio
hardware, além de possuir excelen- publicado pela Editora Érica. usinadas com o emprego deste pro-
tes compiladores e ambientes de Klaus Schützer, um dos maiores cesso. Com altíssimas velocidades e
desenvolvimento que facilitam a sua especialistas no assunto e um dos avanços de profundidades de corte
programação para todas as plata- mínimas as alterações na microestru-
formas de computação importantes. tura do material se dão de modo dis-
Esta obra aborda de forma simples tinto, garantindo maior integridade e
e clara a utilização de C++, resistência ao desgaste à peça aca-
esclarecendo e proporcionando ao
bada. “HSM/HSC: O estado da arte
programador, uma visão abran-
gente de todos os níveis dos siste- em usinagem” é uma obra indispen-
mas computacionais. “C++ Técnicas sável para os mais variados seg-
Avançadas”, publicado pela Editora mentos industrias, com destaque
Campus, é de autoria de Rosângela para as empresas com processo
Hickson e sai pelo preço de R$ de manufatura.
69,00.

Obra traz mais de 20


autores.

Importante
- Compre através do site www.saber
marketing.com.br ou pelo telefone: (11)
6195-5330.
10
Notícias Atual

Projetos
SUPERVISÃO

Usina Guarani Recap - Refinaria de CEEE (RS)


A Aneel autorizou a empresa Paulínia (SP) A Companhia Estadual de Energia
Açúcar Guarani S/A a ampliar a A Refinaria de Paulínia, uni- Elétrica (CEEE) do Rio Grande
capacidade instalada da termelé- dade do Sistema Petrobras, do Sul foi autorizada pela Agência
trica Guarani. A usina passará a acaba de retomar a produção Nacional de Energia Elétrica -
ter 55 MW de potência e vai bene- da Unidade de Destilação Aneel - a implantar o quarto cir-
ficiar mais 268,3 mil habitantes. A (U-200A), que ficou parada cuito da linha de transmissão Gra-
térmica está localizada no municí- para manutenção e amplia- vataí II - Porto Alegre (RS). Com
pio de Olímpia (SP) e opera desde ção de capacidade de proces- extensão de 29,3 quilômetros, a
1987. O novo turbogerador, de 25 samento de petróleo de 27 linha Gravataí II - Porto Alegre
MW, deverá entrar em operação mil m³/ dia para 30 mil m³/ opera na tensão 230 quilovolts
em maio de 2005. dia. O ajuste possibilitou à Refi- (kV).
naria processar petróleos mais
pesados, característica principal
do produto explorado na Bacia
de Campos (RJ).

AUTOMAÇÃO

Petrobras
Através de um contrato de R$ 17
milhões, a Petrobras estará implan-
tando uma extensa modificação nas
plantas P-40, P-38, P-12, P-07,
Enchova, Pampa e Garoupa. Nas
plataformas de P-40 e P-38, por
exemplo, estará sendo implantado
todo o processo de manutenção,
incluindo planejamento, controle de
material, de sobressalentes e mão-
de-obra direta (mecânica, elétrica,
instrumentação, refrigeração, eletrô-
nica e automação). O contrato foi
conquistado pela ABB.

INSTRUMENTAÇÃO

Inpe (SP)
O Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais - Inpe -
está adquirindo duas válvulas
gavetas do tipo pneumática
para flange CF100 e outras
duas válvulas eletropneumáticas Samarco Mineração (MG)
110VAC (60Hz) para aciona- A mineradora Samarco eliminou
mento de válvula gaveta. seis fontes radioativas com a
troca de seus medidores de den-
Manaus Energia (AM) sidade de polpa de minério. Eles
A Manaus Energia S/A está con- foram substituídos pelos medi-
tratando uma empresa especiali- dores DT301, equipamentos da
zada para prestação de serviços Smar, que calculam a densidade
de recuperação, eletromecânica através do diferencial de pressão
e rebobinamento de motores hidrostático. Para que o trans-
elétricos na classe de tensão de missor pudesse ser instalado foi
trabalho de 600 volts (AC ou desenvolvido um tanque amostra-
CC) e nas potências nominais dor que desvia parte da polpa da
de 1/8 a 150 cv ou hp. O serviço tubulação para o seu interior onde
será realizado em 189 motores, feita a homogeneização do fluido
além do rebobinamento de 20 por meio do movimento espiral. O
solenóides de 125 Vca ouVcc movimento evita a sedimentação
até 1/2 HP. da polpa no interior do tanque.

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 11


Atual Problemas e...

Problemas e
Soluções

Aplicando contatores comuns em manobras de capacitores para


correção de F.P.
Alaor Mousa Saccomano de alimentação que sob fator de potên- cia) limitadora de corrente e logo
cia unitário permite a circulação de 100 após, acionamento livre (figura 1);
Um dos dispositivos mais utiliza- A para executar trabalho útil, sob fator - Caracterizado pela IEC 947
dos nos sistemas de fornecimento de potência 0,30 permitiria apenas 30 como classe de emprego AC6-b
e distribuição de energia elétrica é A para este trabalho, pois o restante (figura 2).
o capacitor. Sua aplicação em sis- seria de energia reativa circulando
temas de energia se deve princi- no mesmo...e energia reativa não exe- No caso da não disponibilidade
palmente à correção do fator de cuta trabalho, apenas aquece o cabo, deste tipo de elemento de mano-
potência, seja por imposição das desarma disjuntores e limita a atuação bra, pode-se optar pela aplicação
concessionárias de energia, seja de chaves e elementos de manobra. de um contator comum (classe de
pelo uso inteligente por parte do Quando se aplica um capacitor emprego AC-3) e faz-se uma des-
consumidor, no que diz respeito à em uma máquina, especialmente um classificação do contator. Para tanto
economia e boa utilização da ener- motor de indução assíncrono trifá- pode-se inferir:
gia elétrica. sico, o mesmo deve ser operado após - Contator classe AC-6b:
A aplicação da correção do fator o motor alcançar a velocidade nomi- Icontator = incap
de potência pode ser realizada em nal e desoperado pelo menos junto
dois momentos: com o desligamento do motor para - Contator classe AC-3:
- Na entrada da distribuição, seja evitar que sobretensões danifiquem Icontator = incap . 1,43
na alta ou baixa tensão; os capacitores.
- Sobre a entrada de um equipa- Os contatores de manobra para onde i ncap é a corrente nomi-
mento ou máquina específica. aplicação em capacitores devem ser nal do capacitor.
A primeira aplicação tem como do tipo específico para manobra: Outro cuidado que se deve
objetivo equilibrar o Fator de Potên- - Dois estágios impondo no pri- impor é instalar um indutor para
cia do usuário (classe A1, A2 ou meiro uma resistência (ou indutân- limitar a velocidade de cresci-
B, entre outros) para que seja man-
tido o nível de utilização de energia
reativa dentro dos padrões impostos
pelas concessionárias e agências
de energia elétrica. O segundo caso
busca um melhor aproveitamento da
energia distribuída dentro da fábrica
ou ambiente industrial, logo após
a subestação de energia. Neste
momento nos ateremos a este caso.
Quando se equilibra o fator de
potência que, segundo a portaria
atual (Aneel-456/2000), se encontra
acima de 0,92 indutivo das 6h30min
até as 24h30min e acima de 0,92 para
os demais horários na maioria das
regiões industriais (algumas exceções
são também encontradas), obtem-se
uma sensível economia da energia F.1 Topologia dos contatos em contator de dois estágios para manobra de
“disponível”. Por exemplo: um cabo capacitor de correção de Fator de Potência.

12 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


...Soluções Atual

Aplicando contatores comuns em manobras de capacitores para


correção de F.P. (continuação)
cerca de 22A. Comercialmente,
Alaor Mousa Saccomano bra motores (AC3), necessitaríamos: deve-se atentar para um valor ligei-
mento da corrente no momento da icontator = 15,16 . 1,43 ramente superior como 25A/AC3.
inserção do capacitor na rede. Na icontator = 21,68 A Quanto aos cabos de alimentação
prática, basta aumentar o períme- e fusíveis de proteção, deve-se proce-
tro de cabo entre a saída do con- Observa-se assim que agora deve der considerando um possível pico de
tator e o capacitor. Este perímetro ser aplicado um contator que suporte corrente e a temperatura ambiente.
a mais pode ser calculado. Para Para uma temperatura padrão de
efeitos práticos adota-se um valor 40oC, deve-se desensibilizar os valo-
entre 1 metro e 3 metros a mais res de cabo e fusíveis em 60%.
de cabo. Assim, sendo ifus a corrente à que se
deve aplicar o fusível e cabo, vem:
Aplicando
incap . 1,6 = ifus
Vamos exemplificar a utilização
de um conjunto de capacitores liga- No caso exemplo:
dos em triângulo, que compõem 10 ifus = 15,16 . 1,6
kVAr em 380 V. A corrente nominal
do conjunto será de: ifus = 24,256 A
incap = 10 kVAr/ (380V)1/2 (valor comercial de 25 A)
incap = 15,16 A
O cabo também deverá seguir
O que nos possibilita a utiliza- este valor de corrente. Quanto ao
ção de um contator de 16A/AC6-b. F.2 Contator para manobra de ca-
fusível, deve ser do tipo ação retar-
pacitor, modelo de 2 estágios segundo
Se, no entanto, fossemos aplicar um dada com atuação contra curto-cir-
AC6-b.
contator que normalmente só mano- cuito em toda faixa (gL-gG).

Mesa XY perde em comportamento repetitivo


Samir Kassouf
se mostrou presente após a manuten- manutenção feita pelo cliente para
Em uma linha de montagem de ção da mesa. Prontamente, a mesa reforma de um fuso ou troca de
uma peça veicular, um braço mecâ- foi desmontada e observou-se que o uma bucha, seja alegado que o
nico posicionava um componente acoplamento fornecido pelo almoxarife acionamento (motor passo a passo
que deveria ser montado em um era um acoplamento comum, e não ou servo) comece a parecer muito
corpo trazido e posicionado milimé- um acoplamento sem folga como exige fraco para o trabalho de desloca-
tricamente por uma mesa de deslo- tal projeto de precisão. O acoplamento mento da mesa em algum ponto
camento, sendo que esta mesa era foi trocado e o problema do cliente foi do curso total. Logicamente, aí o
acionada por um motor de passo. resolvido rapidamente. desalinhamento dos eixos é o res-
Como as peças variavam de com- Pelas características rígidas de ali- ponsável por este problema, que
primento (de acordo com o modelo nhamento das mesas, não são inco- desaparecerá com seu realinha-
do veículo), o curso de aproxima- muns os casos nos quais, após uma mento.
ção da mesa deveria ser variado. O
drive estava conectado a uma IHM
(na qual o operador explicitava o
tipo de peça a ser feito e conse-
qüentemente o curso da mesa).
A reclamação do cliente era que
a mesa não tinha mais um comporta-
mento repetitivo. Às vezes ela parava
a 4 mm da peça, às vezes 2mm e
em outras ela chegava até a bater na
peça. A mesa já estava em funciona-
mento havia mais de 8 meses, e só
agora o problema tinha aparecido. O
operador adiantou que tal anomalia F.3

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 13


Atual Reportagem

Ela tem 30 anos


e um monte de desafios Sérgio Vieira
Ao chegar aos 30 anos, a Ethernet precisa resolver suas desvan-
tagens nas aplicações industriais

Q
uando os leitores da que vão além de tudo o que já foi des-
Revista Mecatrônica Atual coberto até agora. lembrar que a “descida
começarem a ler esta repor- O primeiro desses desafios, da Ethernet” para o chão
tagem, muito provavelmente, alguma e um dos mais comenta- de fábrica foi por imposição dos
novidade referente à evolução da dos em seminários usuários, já o oferecimento de vários
Ethernet deverá estar sendo divulgada e palestras, é a modelos para essa “descida” partiu
no mercado. Algum novo chip para questão dos fabricantes.
“conversar” com essa rede, algum do determi- A segurança em áreas intrínsecas é
switch, ou algo bem ligado à infor- nismo da Ethernet. outro desafio a ser vencido pela Ether-
mática, num prazo de duas semanas, Como determinar o net. Numa rápida consulta a alguns
pode estar sendo divulgado em tempo exato de uma men- sites da Internet constata-se que esse
conjunto com as facilidades sagem numa rede Ethernet e é um dos grandes desafios da rede
da Ethernet. “Já existem qual é a garantia de entrega? Para para o seu fortalecimento na indústria
redes atingindo a casa baixar a probabilidade de atrasos, de processo, principalmente nas áreas
dos GB de veloci- procura-se deixar o tráfego na rede química, petroquímica e de petróleo.
dade, sendo bem inferior aos limites estabele- Segundo Paulo Rocha, no caso da
que tal cidos. Aumenta-se a velocidade e Ethernet/IP falta apenas o um adapta-
padrão deve pode-se até determinar o tempo de dor para levá-la à área de segurança
chegar ao mercado uma mensagem, mas as colisões intrínseca. “Em breve, esses adapta-
num curto espaço de ainda são inevitáveis. Para resolver dores serão lançados no mercado”,
tempo”, prevê Nilton Marus- o problema de colisão algumas solu- avisou.
sig, diretor comercial da NWM ções comerciais propõem o uso de Um outro problema que parece
Automação e Sistemas. switches, mas mesmo assim, o tempo que ainda não tem solução na Ether-
Toda a euforia em torno dessa de resposta pode ser inútil em algu- net, é a sincronização na casa dos
rede está fazendo com que várias mas aplicações. Além disso, o custo microssegundos. Em aplicações não
empresas dêem uma atenção espe- de switches e hubs ainda é conside- muito críticas, o tempo pode até pare-
cial a esse protocolo de comunicação. rado alto por boa parte dos usuários. cer irrisório, mas em áreas industriais
Aqui mesmo na Revista Mecatrônica Entretanto, na visão do fabricante, essa diferença de sincronismo pode
Atual nº 2 (fevereiro de 2002), o as realidades entre switch e hub são ser a diferença entre uma arquitetura
gestor de produtos da Festo Automa- bem diferentes. “O preço do switch de automação eficiente e outra cheia
ção, Bruno Tasinari, demonstrou os caiu bem mais que o hub”, avalia de problemas. De acordo com Paulo
vários campos em que a Ethernet Paulo Rocha, engenheiro de aplica- Rocha, o problema de sincronização
pode atuar nas áreas comercial, resi- ção da Rockwell Automation. de microssegundos não acontece na
dencial e industrial. A interoperabilidade é mais um transmissão de 100 MB e avisa: “O
Nas duas primeiras áreas citadas, dos desafios a ser vencido por essa problema será resolvido na casa dos
realmente, o campo de atuação da rede. Como foi algo já constatado GB”.
Ethernet é enorme devido às diferen- há algum tempo, desde que se falou Pelo que foi constatado nesta
tes conectividades possíveis. Mas, e em Ethernet Industrial, cada grupo de reportagem, a Ethernet em ambiente
na indústria? Como é que as coisas interessados correu para um lado dife- de chão de fábrica é algo conso-
estão acontecendo quando se fala em rente no que diz respeito à camada lidado e é um caminho sem volta.
conectividade, segurança e informa- de aplicação. Foi então que come- Resta agora, resolver algumas ques-
ção em tempo real? Bem, os acompa- çaram a surgir protocolos proprietá- tões que foram citadas acima porque
nhantes desse mercado, pelo menos rios e encapsulamento na Ethernet geram muitas dúvidas aos usuários
uma vez, já devem ter ouvido falar dos pacotes de protocolos de bar- tanto no aspecto técnico quanto
em Ethernet Industrial. Sem dúvida ramento de campo. Como encap- comercial deste protocolo de comuni-
nenhuma que, esse novo modelo da sulamento da rede encontra-se cação. Apesar dos desafios para dis-
Ethernet, foi um grande avanço para Modbus/TCP, Ethernet/IP, Profinet, seminar-se, ainda mais, no ambiente
sua disseminação na área industrial, etc. Pelo que se vê, voltou-se a um de chão de fábrica, a Ethernet já se
mas os desafios dessa rede que problema antigo, não há padroniza- prepara para uma nova onda: a elimi-
chega aos 30 anos de idade parece ção na camada de aplicação. É bom nação dos cabos.

14 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Atual Automação

Caso de aplicação:
motorredutores em
enroladores e
desenroladores
de tecidos
Sérgio Vieira

F
abricante de máquinas têxteis res de cilindros com elevada capaci-
desde 1952, a Texima é uma dade de evaporação, instalações para
empresa especializada na tingimento de índigo e acabamento de
fabrica- ção de equipamentos têxteis Denin, além de máquina para encolhi-
e, nesses 50 anos de trabalho, já for- mento compressivo.
neceu mais de 800 “ramas” para várias Além de fabricar toda a parte meta-
indústrias do país e do exterior. No seu lúrgica de suas máquinas, a Texima
portfólio de equipamentos fabrica seca- também especializou-se em montar
dores, equipamentos tingidores com os painéis eletrônicos que controlam
tecnologia pneumática, chamuscadeira as entradas e saídas dos vários
para melhoria da qualidade, secado- tipos de tecidos industriais. Por esse

50 Mecatrônica Atual nº10 - Junho - 2003


Automação Atual

T.1 Características técnicas do motorredutor da SEWDRIVE..

Características técnicas Valores


velocidade 10 a 45 m/min
rotação de entrada 1760 rpm
redução 24,75
ponta de eixo da saída 70x140 mm
potência do motor 18,5 KW
tensão do motor 220/380 V
freqüência do motor 60 Hz
grau de proteção IP 55
classe de temperatura F
tensão do freio 380 V
torque de frenagem 300 Nm
retificador do freio BGE 1,5
tensão da ventilação forçada 220/380/60 V
F.1 texto.

motivo, a empresa adquiriu vasto


conhecimento tanto no uso de ins-
trumentos como sensores, inversores,
relés, assim como na parte de auto-
mação com os controladores, interfa-
ces homem máquina (IHMs) e PC`s
industriais.
Nas grandes máquinas fabricadas
pela Texima, chama a atenção o sin-
cronismo obtido para a montagem dos
equipamentos enroladores e desen-
roladores de tecido, instalados, res-
pectivamente, na saída e entrada de
máquinas. Para a construção desse
tipo de equipamento, basicamente,
são utilizados motoredutores e con-
versores para se obter o perfeito des-
lizamento do tecido. “Conseguimos F.1 texto.
trabalhar com essas variáveis insta-
lando os motoredutores da SEW e tipo de tecido. Ruschioni observa, por conversor também é aplicado na
os conversores MovieDrive”, comenta exemplo, que desenroladores concen- engomadeira de fios. Nessa apli-
Renzo Ruschioni, engenheiro de pro- tram grande quantidade de água na cação, a Texima utiliza a série de
jetos elétricos da Texima que utiliza os base das bobinas e, por esse motivo, servoconversores Movidyn para ins-
motoredutores e conversores da SEW existe uma mudança nos valores das talá-los nos eixos do: acumulador,
há cinco anos. variáveis, principalmente de peso. Foulard de Goma, secadeira, puxa-
Recentemente, a Texima instalou Além dos enroladores e desen- dor após secadeira e nos dois eixos
um desenrolador para trabalhar com roladores, o conjunto motoredutor/ dos bobinadores.
o tecido do tipo Felpudo (toalha). Para
chegar ao equipamento final foi utili- T.2 Características técnicas do desenrolador.
zado o motoredutor da SEW com as Características técnicas Valores
seguintes características: tipo de tecido felpudo
Mediante essas características do peso específico do tecido até 1 kg/cm
motoredutor, juntamente com o con- peso da bobina cheia 4200 kg
versor MovieDrive, foi montado um peso da bobina vazia (cilindro) 190 kg
desenrolador com as seguintes carac- largura do tecido 2800 mm
terísticas técnicas: velocidade mínima 10 m/min
O conjunto motoredutor e conver- velocidade máxima 45 m/min
sor também é aplicado em outras
diâmetro máximo da bobina 1750 mm
partes das máquinas fabricadas pela
diâmetro mínimo da bobina 220 mm
Texima. Vale lembrar que os dados
altura do centro da bobina em relação chão 1360 mm
citados acima mudam conforme o

Mecatrônica Atual nº10 - Junho - 2003 51


Atual Mecânica Industrial

Fuso de ESFERAS:
Especificação
Protótipo da Força Aérea Ameri-
e Reparo
cana, onde as duas turbinas são
basculadas por fusos de esferas. Controle de ângulo de tiro feito por um
fuso de esferas na base do lançador.

Ÿ Responsabilidade;
Samir Kassouf* Ÿ Precisão (pré-carga nas casta-
nhas);
O fuso de esferas é um dispositivo mecânico de deslocamento Ÿ Operação limpa e silenciosa;
linear indispensável na indústria moderna, seja qual for o equi- Ÿ Durabilidade;
Ÿ Ruídos médios;
pamento ou seu campo de atuação. Como exemplo, podemos
Ÿ Baixa manutenção.
citar os ramos: aeroespacial, bélico, farmacêutico, siderúrgico, Essas características fazem com
bebidas, mineração, automobilístico, construção, usinagem, ali- que o fuso de esferas seja utilizado
mentício, etc. Vamos abordar, neste artigo, o lado construtivo, como componente em projetos mais
sua especificação e os aspectos de recuperação desse tipo de complexos, de larga utilização nas
indústrias, que agregam outros ele-
equipamento. mentos de máquina. Exemplificando
podemos citar equipamentos como as

A recuperação de um fuso,
supostamente no fim da
vida, pode ser sinônimo
de uma grande economia para a
no centro de rolamento das esferas),
podendo ser retificado (de alta preci-
são) ou rolado.
Embora o sistema pareça ser com-
mesas XYZ, os macacos mecânicos
e atuadores lineares (ver artigo na
Mecatrônica Atual nº 11), a mesa
pantográfica, elevadores, etc.
empresa. Um fuso pode ser recupe- plexo à primeira vista, seu princípio Os componentes que compõem
rado de três a cinco vezes, gerando é extremamente simples e remonta um fuso de esfera (figura 2) são:
economias de 30 a 70% se com- na antiguidade, a 2800 a.C., mais Ÿ
parado com um novo. Temos vários especificamente com os egípcios, que Ÿ Flange;
fabricantes de renome no mercado para a construção das pirâmides, des- Ÿ Tubos de Retorno;
brasileiro, oferecendo equipamentos locavam imensos blocos de pedra Ÿ Fuso;
de alta qualidade, onde podemos citar, fazendo-os rolar sobre troncos em Ÿ Raspadores;
entre outros: TBI, Star, ABBA, Thom- encostas de morros e ladeiras (). Ÿ Esferas calibradas.
son Industries, Warner Electric, NSK, Da mesma forma, os fusos de esfe-
THK, Nook Industries, etc. ras deslocam tremendas cargas com Observamos que as esferas
O fuso de esferas é responsável baixas potências. empregadas nesses equipamentos
pela conversão de energia de rota- Os fusos de esfera são emprega- apresentam perfis variados, variam
ção (gerada por um motor AC, motor dos nos mais variados projetos, onde de fabricante para fabricante e não
de passo, servomotor, etc.) em movi- se exige: podem ser misturadas. Os perfis mais
mentação linear. Na aplicação mais Ÿ “Repetibilidade”; comuns são Gótico e Circular. Outro
comum, um fuso mancalizado nas Ÿ Confiabilidade; agravante, é que os diferentes perfis
extremidades recebe movimento de Ÿ Elevada eficiência (ao redor de de esferas não podem ser detectados
giro de um motor e, por contato direto 90%); a olho nu. Veja a figura 3.
com esferas de aço que se alojam Os tubos de retorno podem ser
entre a castanha e o fuso, provoca internos ou externos, sendo que os pri-
o deslocamento de uma castanha ou meiros fornecem mais espaços para
porca (onde está presa a carga a ser a fixação da carga e menores ruídos.
movimentada). As esferas metálicas Os tubos de retorno devem ser pro-
são, por sua vez, guiadas e realimen- jetados com uma preocupação muito
tadas por canais de recirculação na grande pelo fabricante, pois são eles
castanha ou porca, dando linearidade que receberão toda a quantidade de
e suavidade ao movimento. movimento das esferas, em altas velo-
Um fuso de esferas pode apre- cidades de trabalho, e deverão redi-
F.1 Método de deslocamento empre-
sentar diâmetros de 3 até 80 mm, gado pelos antigos egípcios para recioná-las tangencialmente para os
ou mais (o diâmetro deve ser medido deslocamento de grandes cargas. circuitos internos da castanha.

18 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Mecânica Industrial Atual

máquina especial projetada pela


FLANGE
Kalatec Automação e montada pela
Automatec, ambas de Campinas-SP,
TUBO DE RETORNO onde entre vários processos automa-
tizados, lonas de freio são furadas e
dispensadas, e o movimento de vai-
vém da broca é feito com precisão
milimétrica por um fuso de esferas
da TBI e guias prismáticas da ABBA,
FUSO instalados na base do carro, que
faz a aproximação da parafusadeira
(figura 5).
Outra aplicação interessante, con-
CASTANHA ESFERAS CALIBRADAS siste em um espalhador de fios pro-
jetado e construído pelas mesmas
F.2 Componentes de um fuso de esferas. empresas. Nela, um motor de passo
da Applied Motion é preso a um aco-
plamento sem folga e este a um fuso
da Thomson mancalizado com casta-
nhas duplas (que, como poderemos
ver mais tarde, tem por função retirar
totalmente a folga do carro de deslo-
camento). O acionamento do motor,
que foi pré-programado por um soft-
ware (disponível na revista Saber Ele-
trônica Especial nº 9), gera um movi-
mento uniforme de ida e vinda da
castanha e, por conseqüência, um
F.4 Exemplo de castanhas espalhamento uniforme de um fio no
F.3 Perfil de esfera. pré-carregadas. enrolamento de uma bobina.

A pista do fuso (ball screw) é endu- mesas pantográficas, elevadores de


recida (de 58 A 62 RC), retificada equipamentos, vans, máquinas vulca- VANTAGENS
(mais precisas) nos casos de fusos nizadoras, máquinas de raios-X, equi-
de alta precisão, como é o caso pamentos cirúrgicos, prensas, ponte Ÿ 90% á 95% de eficiência (rosca
dos fusos empregados em máquinas para embarque em aviões, envasa- acme: 30 á 40%);
operatrizes; ou roletados, usados em doras, de aviões, torre de posicio- Ÿ Baixo torque de partida e par-
aplicações de transporte de menos namento de tiro em canhões, corte tidas suaves, evitando “trancos” nos
responsabilidade. e solda, impressoras, automações, movimentos;
Nessas pistas rolam as esferas de máquinas especiais etc. Ÿ Folgas baixíssimas ou folga
aço (balls) que podem até ser ocas Um bom exemplo de projeto uti- zero;
para diminuir seu peso, como nos lizando esse equipamento foi uma Ÿ Baixa manutenção.
modelos usados na indústria aeroes-
pacial, onde até os fusos são ocos
e utilizados como conduítes hidráuli-
cos). O movimento contínuo do fuso
será responsável pelo deslocamento
da carga e a castanha externa (ball
nut) tem por função agrupar e recircu-
lar as esferas, além de ser nela que
a carga a ser deslocada é fixada atra-
vés de uma flange (figura 4).

APLICAÇÕES E EXEMPLOS
DE PROJETOS

Aplicações comuns, além das cita-


das acima, são: máquinas operatrizes,
macacos mecânicos e atuador linear, F.5 Aplicação de fuso de esfera.

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 19


Atual Mecânica Industrial

Ÿ Vida previsível, não necessita tenções freqüentes. Há várias manei-


ajustes com o passar do tempo, fácil e ras de retirar a folga axial entre o fuso
rápido retrofit. e a castanha. Vamos citar de maneira
rápida os dois métodos mais usados
VANTAGEM SOBRE:A EMBREAGEM pelos fabricantes e suas característi-
PARA CORRENTE. cas principais, lembrando que a pré-
Quando há transmissões de carga sempre diminui a vida do fuso.
movimento para grandes distâncias, O pre-load ou pré-carregamento,
nota-se uma indesejável instabilidade F.6 Rosca RH e LH no mesmo fuso. nada mais é que duas castanhas nor-
da corrente, além de um alto ruído. mais unidas por um dispositivo de
Precisão do Passo: É a precisão pré-carga (por molas ou contra-por-
VANTAGEM SOBRE: SISTEMA COROA- que o fuso deverá ter para o posi- cas que têm por função pressionar as
PINHÃO cionamento de sua carga. Com esse esferas contra os flancos do fuso, em
Esse é um sistema simples, eco- dado é possível determinar o erro total sentidos opostos) eliminando assim
nômico e eficiente para conversão para um curso do fuso, sendo que o a folga do equipamento (figura 7). A
de movimento rotativo em movimento erro não é acumulativo (tabela 1). grande vantagem é que dobramos a
linear, mas, como desvantagem, apre- capacidade de carga com este artifí-
senta uma baixa capacidade de carga, cio e aumentamos a vida da casta-
onde um dente do engrenamento nha, além de termos um dispositivo
suporta toda a carga do sistema. que nos habilita a compensar instan-
taneamente as folgas que aparecem
VANTAGEM SOBRE: FUSOS DE ROS- com o uso; e a parte negativa é o
CA ACME: custo maior, o equivalente a duas cas-
Um dos dispositivos mais usados tanhas mais o dispositivo de folga.
na indústria, mas apresenta baixo ren- A segunda maneira mais comum
dimento (30%), baixo confiabilidade e T-1 Precisão do passo. utilizada pelos fabricantes é optar em
alto desgaste. fabricar a castanha com duas hélices
de passos diferentes (figura 8), e obri-
VANTAGEM SOBRE: SISTEMAS HI- Castanha: Existem vários modelos gando as esferas a se comprimirem
DRÁULICOS E PNEUMÁTICOS. de castanha, onde variam o número nos flancos do fuso. A vantagem aí é
Não há atraso nos tempos de res- de circuitos das esferas, o material o custo, pouco mais elevado do que
posta (start / stop), o motor que aciona de construção, ter recirculação interna uma castanha comum, porém apre-
um atuador (fuso) “sente” menos as ou externa, o tipo de da pré-carga senta a desvantagem da não conceder
variações de carga do sistema. Não ou montagem do flange e o fato da regulagem da folga com o desgaste
necessita de equipamentos, como castanha ter a característica do anti- normal do equipamento.
bombas, tanques linhas de pressão, backlash ou não, características essas
portanto menos sujeito a vazamentos que serão analisadas no próximo item Tipos de montagens dos fusos:
e manutenções. deste artigo. Existem quatro fixações básicas dos
extremos em mancais e que serão
Castanhas com Zero Backlash fundamentais para a especificação do
ELEMENTOS PARA ESPECIFICAÇÃO ou Pré-carga: Existem aplicações mesmo e dependem exclusivamente
onde não pode haver folga no curso, dos preceitos assumidos no projeto
Passo (lead) e Rosca (RH ou como é o caso dos sistemas de (figura 9).
LH): é o deslocamento linear da cas- controle numérico computadorizado
tanha quando se dá uma volta de (CNC) para posicionamento das Usinagem das pontas do fuso:
360º no fuso (nem sempre a distân- mesas X, Y e Z, ou até mesmo siste- Outro critério a ser considerado é a
cia entre os flancos é o passo, pois mas com altas cargas inerciais com usinagem (ou não) das pontas do
existem fusos com mais de uma rampas abruptas de frenagem que, fuso, que podem ser conforme solici-
entrada). Quanto menor for o passo, por essa característica, geram manu- tação do cliente, ou padrão conforme
mais lentamente irá se deslocar a cas-
tanha para a mesma rpm. Se forem
desejadas altas velocidades de des-
locamento, é recomendável utilizar
fusos com grandes passos. Os passos
mais empregados são 5, 10, 20 mm
(em milímetros) e 0,2”, 1⁄4”, 1⁄2” e 1” (em
polegadas). O fuso pode ser também
de rosca esquerda (LH), rosca direita
(RH), ou montagem com ambas as
roscas (figura 6). F.7 Pre-load ou pré-carregamento.

20 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Mecânica Industrial Atual

F.8 Castanha com duas hélices de


passos diferentes.
F.9 Fixações básicas.
catálogos. Na desmontagem, verificar
a condição das mesmas. técnica do produto. Não esquecendo, Ÿ Vibração;
nesse caso, de questionar o fornece- Ÿ Ruído anormal;
Wiper kit: Nada mais são que dis- dor quanto a importância de poder Ÿ Perda da precisão costumeira;
positivos que permitem a distribuição contar com uma oficina gabaritada de Ÿ Falta de sincronismo com fusos
do óleo lubrificante por toda a pista do recuperação desse equipamento. paralelos, etc.
fuso, e evitam a entrada de contami-
nantes externos. Existem que funcio- Falhas
nam como uma escova com cerdas, RECUPERAÇÃO DE FUSOS DE ESFERAS
“varrendo” para fora os elementos con- As causas que levam ao desgaste
taminantes, e outros feitos de resina O custo de um fuso de esferas prematuro de um fuso são várias,
rígida que adquirem o perfil da hélice com castanha vem caindo significati- mas podemos mostrar as caracterís-
do fuso. São localizados nas extremi- vamente nos últimos anos. Uma redu- ticas visuais das quatro falhas mais
dades das castanhas e deles depende ção superior a 50% ocorreu em vários comuns (figura 10) e citar com mais
a “saúde” da castanha. modelos nos últimos 10 anos devido detalhes as duas principais que pro-
a fabricação em série, materiais alter- vavelmente se enquadram nos proble-
nativos, dispositivos de fabricação e mas do leitor.
ESPECIFICAÇÃO DO FUSO DE ESFERAS aferição mais rápidos. Apesar disso, A falha é conhecida como bri-
este produto novo ainda é conside- nelling ocorre quando há carga exces-
Basicamente, três gráficos são rado de alto custo para algumas apli- siva no fuso gerada por um erro
necessários para especificar um fuso cações. de dimensionamento ou uma altera-
de esferas. O primeiro é de Carga Muitos fusos de esferas podem ser ção do projeto da máquina, ou seja,
Vida (em polegadas ou metros) que reparados ou ter a sua vida útil esten- a carga manipulada foi aumentada
estima a vida útil do fuso e, de acordo dida se empregados certos artifícios. no equipamento, porém não houve a
com a aplicação, poderá ou não ser As oficinas geralmente são peque- preocupação da substituição do fuso
aceita pelo projetista. O segundo veri- nas, mas com dispositivos precisos de para compensá-la. A característica
fica se a velocidade de trabalho do diagnóstico e reparo. visual deste problema são pequenos
fuso não é crítica, o que poderá levá-lo Citamos abaixo algumas das riscos longitudinais a pista do fuso.
a ter uma vida curta devido ao fenô- características que podem ser obser- O spalling pode ser causado pela
meno de ressonância. Para obter tal vadas nos equipamentos que empre- entrada de contaminantes externos
gráfico é necessário ter pré-estabe- gam esses fusos e que, portanto, são nas pistas do circuito (e são compri-
lecida a maneira de se fixar o fuso fortes candidatos a uma manutenção: midas pelas esferas), ou pela falta de
(exemplo: Metro/min. distância entre Ÿ Perda de “repetibilidade”; lubrificação. Uma dica é a observação
mancais e tipo de fixação). Já o ter- Ÿ Perda da uniformidade dos movi- das condições da castanha que mos-
ceiro gráfico checa o fuso quanto mentos; tram acentuado desgaste nos flancos
a carga de compressão e sua possí-
vel flambagem (Carga distância entre
mancais).
Esses gráficos variam de fabri-
cante para fabricante e fica a critério
do projetista a escolha do melhor
fornecedor. Como já dissemos ante-
riormente, há uma grande gama de
fabricantes atuando no mercado com
produtos de ótima qualidade, sendo
que normalmente os fatores determi-
nantes são o prazo de entrega, dis-
ponibilidade em estoque e assistência F.10 Os quatro tipos principais de falhas.

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 21


Atual Mecânica Industrial

da crista. Alguns procedimentos errô- básicos, a saber:


neos que podem levar a estas falhas Ÿ Inspeção;
são: Ÿ Limpeza;
Ÿ Pré-load excessivo; Ÿ Troca de Esferas;
Ÿ Fuso empenado; Ÿ Desempenamento.
Ÿ Raspadores defeituosos;
Ÿ Carga excessiva; Vamos agora analisar os níveis de
Ÿ Falta de lubrificação; reparo:
Ÿ Contaminação; F.11 Guias circulares.
Ÿ Subdimensionamento; Nível I: Trata do problema mais
Ÿ Cargas laterais; comum de perda de “repetibilidade”
Ÿ Batidas na castanha; devido ao desgaste. Novas esferas
ŸEmpenamento. deverão substituir as antigas. O
Como complementação, lembramos segredo aqui é usar a regra de para
ao leitor que todo o fuso deve ser guiado cada 0,076 mm de desgaste radial,
por meio de guias circulares (figura 11) use uma esfera 0,025 mm maior.
ou prismáticas (maior rigidez – figura O desempenamento aqui também é
12), o número mínimo de guias no pro- necessário para evitar excesso de
jeto deve ser de duas por eixo. F.12 Guias prismáticas. momento nesse trecho e futura falha
da castanha.
conjuntos sem pré-carga, onde uma Segundo o engenheiro responsá-
MANUTENÇÃO DE UM FUSO folga radial de 0,229 mm significaria vel por este setor na Kalatec Automa-
DE ESFERAS 50% de desgaste (nível I), e 0,381mm ção, Sergio Lacerda, que fez cursos
o nível VI ou a substituição do con- de recuperação de fusos empresa
A maneira mais segura de se junto. Thomson Industries nos EUA e tem
determinar quando um fuso de esferas Observe que existem outros casos mais de 15 anos de experiência
precisa de reparos, é medindo suas onde a substituição do conjunto é obri- neste ramo, “uma atenção especial
folgas. Esse método foi estabelecido gatória e qualquer paliativo pode por deve ser dada ao fornecedor das esfe-
pela empresa Thomson Industries dos em risco a funcionalidade do equipa- ras empregadas na recuperação dos
EUA, um dos mais renomados fabri- mento: fusos, pois elas devem ter rigidamente
cantes desse equipamento no mundo, Ÿ Danos físicos ao equipamento diâmetros muito próximos. Na prática,
com mais de 60 anos no ramo. Infe- causado por batidas ou manuseio uma variação máxima de 0,00064 mm
lizmente, há a necessidade de um kit impróprio; seria a tolerada pelo lote de reposição
especial de aferição, além de ferra- Ÿ A camada de dureza superficial (tolerância difícil de achar em fabri-
mentas dedicadas, o que inviabiliza restante não é bastante para um novo cantes nacionais), o que nos força a
sua prática nas indústrias. retrabalho na pista; importar tal produto”.
A folga radial (diametral lash) é Ÿ A troca das esferas acarretaria Lacerda observa que caso um
uma medida que pode ser facilmente esferas de uma dimensão superior reparo seja feito com esferas normais
obtida na planta com o fuso ainda aos recirculadores; encontradas no mercado, apenas as
montado ou na oficina de reparo, e Ÿ Fusos flexionados que não retor- esferas maiores carregariam toda a
essa medida passará a ser o nosso nam à sua posição correta por terem carga a ser transportada, o que leva-
termômetro para a definição do nível sofrido processos de fabricação que ria a uma falha muito rápida do con-
de reparo necessário no conjunto. endureceram a raiz do fuso. junto, e acrescenta: “Temos clientes
Caso conjunto fuso/castanha tenha que fizeram o reparo em ‘supostas
sido desmontado, ele é apoiado em empresas especializadas’ e se admi-
blocos V retificados, e a castanha NÍVEIS DE REPARO ram com a pouca durabilidade do
começa a ser levantada por calços serviço e esta é a causa principal.
calibrados, (que fazem parte do kit Quando um fuso chega à uni- Infelizmente, eles terão que arcar com
mencionado). dade, ele é inspecionado e avaliado mais horas de máquina parada, além
Para uma folga radial de 0,0127 segundo o nível de reparo necessário. de todo o trabalho de desmontagem
mm, o que indica um fator de des- Esse processo leva de um a dois dias. do equipamento”.
gaste de 50%, podemos dizer que Em geral há quatro níveis de reparos Nível II: Deve-se acrescer ao nível
um reparo nível I seria suficiente para de custo compensador, enquanto que I, o retrabalho das pistas da castanha.
repará-lo e devolvê-lo á máquina. cada nível subseqüente torna-se mais A castanha é o componente do fuso
Uma folga radial de 0,0889 mm custoso. Além do nível IV, dificilmente que desgasta antes por ser sujeita a
representa 80% de desgaste e indica, um reparo seria compensador às mais contatos das esferas.
ou um nível crítico de recuperação empresas, salvo aqueles casos que Nível III: Normalmente, neste nível
(nível IV) ou a necessidade de troca as unidades novas não sejam facil- são repetidos os procedimentos do ní-
do equipamento. Seguindo o mesmo mente encontradas no mercado. Todos vel I, e acrescentado o retrabalho das
raciocínio, podemos trabalhar com os reparos envolvem procedimentos pistas do fuso e das pontas de eixo.

22 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Mecânica Industrial Atual

Nível IV: Neste nível, são retra- (por ser considerado um acessório CONCLUSÃO
balhados a castanha e o fuso, e da castanha). Eles têm como carac- O fuso de esferas deverá “reinar
as esferas são trocadas. O serviço terísticas principais o confinamento soberano” ainda por vários anos,
é quase completo, mas o fuso fica do lubrificante na jaula de esferas emprestando seu som futurista a
com as características de um novo. O e a limpeza do fuso ou guia, reti- vários equipamentos na indústria ou
problema é que este processo pode rando mecanicamente os contami- fora dela. O motor linear, um dos
chegar a custar entre 80 e 90% do nantes maiores. únicos equipamentos que poderia
valor de um fuso novo, o que nos deve A graxa só deve ser empregada ameaçar esse reinado, ainda repousa
fazer refletir a respeito de seu custo- em aplicações específicas por poder latente num quadro de elevado custo
benefício. diminuir a vida das guias com o acú- e limitações de cargas.
mulo de contaminantes e apenas à Como vimos, por ser um produto
baixa velocidade de trabalho do equi- de precisão tanto na especificação
LUBRIFICAÇÃO pamento. Caso seja inevitável sua uti- como manutenção, esses atributos
lização na aplicação, usar graxas a devem ser concedidos à firmas idô-
Na maioria dos casos para os base de lítio e evitar aquelas à base neas e respeitáveis, para que certos
fusos de esferas (como para as guias de bissulfeto de molibdênio por atacar detalhes como o perfil de uma esfera
lineares), quando a velocidade de os anéis de vedação. não comprometa o funcionamento e a
trabalho é alta e a carga a ser O curso de deslocamento do fuso durabilidade de todo um sistema.
transportada é baixa, é sugerido um é muito importante para garantir a Nestes dias difíceis em que vive-
lubrificante de baixa viscosidade (32 recirculação de todas as esferas de mos, baratear os custos dos produtos
a 68 cst). Já quando as característi- um circuito e sua total lubrificação e ligados a esse equipamento, assim
cas da aplicação são opostas a esta, uma prova visível de que isto não como diminuir o tempo de horas para-
ou seja, baixa velocidade de trabalho está ocorrendo é o desgaste visual das das máquinas como um todo, são
em altas cargas, são recomendados do trilho. Como outra regra, podemos condições fundamentais para a sobre-
os lubrificantes de alta viscosidade citar a necessidade de um desloca- vivência e sucesso do empreendedor.
(90 cst). Os selos, citados anterior- mento mínimo da castanha de duas
mente, são comuns aos fusos, mas vezes o comprimento da mesma (des- *Samir Kassouf é Engenheiro Mecânico da
devem ser considerados nos pedidos considerando os selos). Kalatec Automação.

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 23


Atual Instrumentação

Como selecionar
a válvula correta
para sua aplicação
John Wawrowski*

escolha de uma válvula. Por exem-


plo, considere a seleção de materiais
em aplicações com temperatura alta
ou baixa; materiais de componentes
com coeficientes de expansão dife-
rentes podem permitir vazamentos
de fluido. Componentes plásticos
podem contrair ou vazar, ou podem
absorver água e outros fluidos do
sistema e se tornarem quebradiços
em baixas temperaturas. Os elas-
As indústrias perdem milhões de reais a cada ano devido às tômeros também podem endurecer
conseqüências da seleção incorreta de válvulas, que pode pro- e trincar em aplicações criogênicas,
vocar falhas acarretando perda de fluidos em sistemas, pro- além de possuírem altos coeficien-
dução fora das especificações, despesas com equipamento tes de dilatação térmica. Além disso,
parado, condições inseguras de trabalho e danos ambientais. o diferencial de pressão pode afetar
a capacidade de vedação. Veja que,
Em vista disso, como é possível selecionar com segurança uma um sistema operando a 1000 psig
válvula que permita fácil instalação, opere com segurança e poderá vazar uma quantidade 10
confiabilidade e ofereça o menor custo geral e de manutenção vezes maior de produto em relação
em seu sistema? ao mesmo sistema operando a 100
psig.
Quando for especificar ou substituir uma válvula na próxima
vez, analise primeiramente seu sistema e considere estas dire-
trizes simples, destinadas a ajudá-lo a selecionar válvulas que A VÁLVULA SERÁ UTILIZADA EM
atendam aos requisitos específicos de seu sistema. SERVIÇO SEVERO?

Se necessitar de uma válvula que


COM QUE TIPO DE FLUIDO O significativos de ignição e o menor opere com confiabilidade em serviços
SISTEMA IRÁ OPERAR? vazamento para a atmosfera pode ser severos, considere uma válvula pro-
catastrófico. Se o fluido de um sistema jetada especialmente para esse tipo
ntes de selecionar uma vál-

A
for um gás tóxico, como a arsina (AsH3) de serviço e verifique se ela atende
vula, considere o tipo de ou fosfina, o vazamento para a atmos- às normas e exigências industriais
fluido que o sistema irá fera pode apresentar riscos para os em vigor. A seguir, estão indicados
transportar. O fluido é viscoso ou fino? trabalhadores da fábrica. Gases ou alguns exemplos de aplicações e as
Gasoso ou líquido? Corrosivo ou inerte? líquidos corrosivos, como ácido clo- normas correspondentes reconheci-
Essas variáveis podem afetar os com- rídrico, ácido sulfídrico ou até vapor, das pelo mercado.
ponentes do sistema e sua operação. podem danificar componentes e até - Válvulas utilizadas em aplica-
Por exemplo, a viscosidade do fluido mesmo remover material por ataque ções de segurança contra incêndio
afeta a vazão do sistema e as caracte- químico ou físico. - Norma API 607 - Especificação de
rísticas da válvula. Fluidos mais visco- Segurança contra incêndio;
sos reduzem a vazão e os vazamentos - Válvulas para aplicações com
do sistema. Por outro lado, um gás leve QUAIS SÃO AS CONDIÇÕES DE gases ácidos - Especificações NACE
e com alta pressão irá fluir mais facil- OPERAÇÃO DO SISTEMA? MR0175 (National Association of Cor-
mente através do sistema, mas poderá rosion Engineers);
apresentar mais problemas de veda- As condições de operação do sis- - Válvulas utilizadas em aplica-
ção. Alguns tipos de gases, como hidro- tema, como temperatura e pressão, ções com fluidos térmicos - ANSI/
gênio e metano, apresentam riscos também são fatores importantes na FCI 70-2 - Especificações para válvu-

24 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Instrumentação Atual

las com bloqueio estanque e Norma mero e por uma vedação plástica car- ticas, de metal contra metal. Repe-
para risco de incêndio similar à API regada por mola. tindo, existem diversos fatores que
607; O método mais simples de veda- os fabricantes de válvulas podem
- Válvulas utilizadas em siste- ção carregada dinamicamente utiliza controlar e que podem afetar a inte-
mas com cloro - Folheto Nº 6 do um anel-O de elastômero. A resiliência gridade da vedação metal contra
Chlorine Institute, “Sistemas de tubu- do elastômero proporciona o carrega- metal. Por exemplo, há uma relação
lação para gás cloro seco”. mento dinâmico. No método de car- direta entre a qualidade do acaba-
regamento por mola, a vedação pode mento da superfície da válvula e o
empregar um material plástico, porém, seu desempenho e integridade de
QUAIS SÃO OS REQUISITOS como estes não são tão resilientes vedação. Ou seja, ajustar a ponta de
ESPECÍFICOS NECESSÁRIOS PARA como os elastômeros, uma série de uma haste e de uma sede com um
O PROJETO DA VÁLVULA? molas com um guia de metal propor- acabamento retificado pode resultar
cionam o carregamento dinâmico. Uma em uma folga menor entre essas
Após examinar as características porca comprime as molas para manter duas superfícies do que a que existi-
do fluido e as condições de opera- uma carga uniforme na vedação. ria se o acabamento das duas super-
ção, é importante entender as carac- Válvulas sem gaxeta, como vál- fícies fosse regular.
terísticas de projeto da válvula que vulas-diafragma ou válvulas com Outro fator que afeta a integridade
são importantes para o seu desem- foles, proporcionam vedações está- da vedação metal contra metal é a
penho. Embora os fabricantes de
válvulas não possam controlar os
parâmetros de projeto de seu sis-
tema, tais como o fluido do sistema
e as condições de operação, eles
podem controlar as características
de projeto que afetam o desempe-
nho da válvula.
Uma característica importante é
o modo de vedação da válvula para
a atmosfera. As válvulas podem ser
fornecidas com vedação conven-
cional ou vedação ativa. Em vál-
vulas com vedação convencional,
uma gaxeta cilíndrica em PTFE se
encaixa com pouca folga ao redor da
haste da válvula (figura 1). Quando
a porca da gaxeta é apertada, o
material PTFE é forçado para fora,
contra o castelo da válvula, e para
dentro, contra a haste, formando F.1 Formação da vedação convencional (W-PH-0242).
uma vedação.
Outro tipo de projeto de vedação
para válvulas é a vedação “dinâ-
mica” (figura 2). O carregamento
dinâmico submete a vedação a uma
compressão uniforme, que garante
sua estanqueidade, mesmo em sis-
temas com freqüentes alterações na
pressão ou na temperatura, ou com
altas ciclagens. Vedações dinâmi-
cas bem projetadas exercem uma
pressão mínima para atingir a veda-
ção, sem aumentar a quantidade
de torque requerido para a atuação
da válvula. Dessa maneira, o car-
regamento dinâmico também reduz
o desgaste e danos na vedação da
haste em aplicações com grande
ciclagem. Os dois métodos mais
comuns de vedação ativa são por F.2 A porca comprime as molas para manter uma carga mais uniforme na
vedação com um anel-O de elastô- vedação plástica desta válvula com carregamento dinâmico (W-PH-0350).

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 25


Atual Instrumentação

dureza dos materiais. A ponta da haste - Diâmetro interno da tubulação; de referência comum. Outras carac-
deve ser fabricada com um material -Características do fluido, como terísticas do projeto da válvula a
mais duro que a sede, de modo que densidade e temperatura; serem consideradas incluem a atua-
a sede se deforme ligeiramente e crie - Perda de carga entre a entrada e ção manual ou automática e os
uma vedação estanque. a saída. métodos de conexão empregados.
A experiência mostra que válvulas
É fácil entender que uma passa- com conexões integrais nas extre-
DIMENSÃO DAS VÁLVULAS gem direta do fluxo, como a de uma midades minimizam os pontos de
válvula de esfera (figura 3), deve per- vazamento em potencial e simplifi-
O tamanho da válvula é descrito mitir uma vazão maior que a pas- cam os procedimentos de instalação
geralmente pelo tamanho nominal de sagem equivalente de uma válvula e manutenção.
suas conexões. Mas, para a maioria agulha (figura 4), que apresenta uma
dos sistemas de fluidos, um valor passagem muito mais sinuosa para o
mais importante é a indicação da escoamento do fluido. QUE TIPO DE PROCEDIMENTO
vazão com que a válvula pode operar. Em vez de realizar cálculos com- DE INSTALAÇÃO EU
Os métodos de cálculo de vazão plexos para entender melhor a vazão DEVO SEGUIR?
pedem que certos aspectos da tubu- de um fluido, é possível comparar
lação e do fluxo sejam conhecidos, o coeficiente de vazão (Cv). O Cv Após ter selecionado a válvula cor-
como: agrupa os efeitos combinados de reta para sua aplicação, analise como
- Tamanho e formato do orifício e todas as restrições de vazão em uma ela será instalada e procure carac-
passagem do fluxo; válvula e apresenta um único número terísticas que maximizem o desem-
penho e minimizem problemas de
manutenção. Uma instalação incor-
reta irá afetar o desempenho e
a confiabilidade. Considere essas
sugestões:
- Instale válvulas com suportes
para painel, suportes inferiores ou
suportes especiais. Lembre-se de que
os suportes das válvulas devem resis-
tir a cargas externas, como a expan-
são do sistema, e devem absorver
o torque do atuador da válvula, de
modo que a tensão não seja transfe-
rida para as conexões ou para a tubu-
lação;
- Instale uma válvula de maneira
F.3 A válvula de esfera proporciona uma passagem reta para o fluxo e, portanto, que ela seja apoiada pelo suporte de
deve permitir uma vazão maior que uma válvula agulha com dimensão equiva- montagem da válvula e não pelo sis-
lente (W-PH-0775) tema de tubulação;
- Instale válvulas em locais visí-
veis, de fácil acesso, protegidas contra
danos ou atuação acidental;
- Instale as válvulas com a seta de
vazão voltada para a direção do fluxo;
- Não instale válvulas em áreas
onde podem ser utilizadas como apoio
para os pés ou para pendurar algo.

Em resumo, ao escolher a válvula


correta, você ajuda a manter um
ambiente seguro, elimina custos por
equipamento parado e se beneficia
com o aumento da confiabilidade e
desempenho e de uma operação livre
de vazamentos.

* John Wawrowski é gerente de produto para


F.4 Esta válvula agulha apresenta uma passagem mais sinuosa para o fluxo instrumentação analítica da Swagelok Com-
em comparação com uma válvula de esfera (W-PH-0242, em corte). pany, Solon, Ohio, EUA.

26 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Atual Manutenção

Evitando problemas
com inversores
Alaor Mousa Saccomano*
tância de carga deve ser inserida em
Neste artigo, abordaremos algumas questões gerais que apesar
cada fase de saída do motor, nunca
de simples, causam alguns transtornos em aplicações de inver- nos condutores de aterramento, e
sores. Evitar pequenos problemas (erros) pode acelerar o pro- o mais perto possível do inversor.
cesso de aplicação do equipamento. Temos por exemplo a Danfoss, que
recomenda a aplicação de um módulo
específico denominado de filtro LC,
CORRENTES DE FUGA NOS CABOS para seus inversores da linha VLT.
Segundo esse fabricante, seu filtro,
ma questão não menos quando aplicado junto com seu inver-
importante na aplicação de sor, atenua as correntes capacitivas
inversores de freqüência é de fuga e também as cargas dos
a relacionada aos cabos de alimen- picos de tensão. Um outro aspecto
tação dos mesmos, especificamente positivo é a diminuição do ruído acús-
entre o motor e o inversor. A saída de tico das bobinas do motor devido
um inversor é um conjunto de sinais ao chaveamento do PWM sobre o
quase quadrados variantes no tempo mesmo.
(em alta freqüência) segundo o algo- Um método universal para diminui-
ritmo PWM que lhe é imposto pelo ção dos efeitos de fuga para terra ou
controlador, conforme a velocidade curtos entre fases, dados aos aspec-
desejada informada pelo operador do F.1 Detalhe de uma reatância de tos capacitivos, é a diminuição da fre-
sistema. Sendo o cabo um elemento carga. qüência de chaveamento do PWM.
passivo, observa-se nele uma atua- O inconveniente é que valores meno-
ção nos âmbitos resistivo, capacitivo e mais crítico quanto maior a freqüência res de chaveamento do PWM (entre 1
indutivo: de chaveamento da saída do inversor kHz e 2,5 kHz) se situam nas faixas
Resistivo: a característica intrín- ou quando são utilizados cabos muito audíveis, o que pode ser incômodo.
seca dada pela resistividade do mate- longos (acima de 50 metros) e blinda-
rial associada a sua dimensão em dos, ou ainda acima de 100 metros
distância e área seccional que é, de quando não blindados. EMC
acordo com a Segunda lei de Ohm:
R= ρ.L Nessas considerações é preciso Outro fator importante que deve
S observar que, principalmente devido ser observado na aplicação de um
onde L é o comprimento total do aos efeitos de fugas de correntes inversor é a geração de ruídos e inter-
cabo, S a área e ρ sua resistividade capacitivas, além de eventuais spikes ferência eletromagnética. Para que
dada em Ω. m. (dadas as grandes capacitâncias dos haja a real garantia de que a emis-
Indutivo: este aumenta a impe- cabos de alimentação), alguns cui- são de interferência estará dentro dos
dância do cabo com o aumento da dados devem ser tomados com os valores normalizados, os fabricantes
freqüência da alimentação que lhe mesmos. Podem-se atenuar as cor- de inversores têm melhorado muito
está imposta. Utiliza-se desta disponi- rentes de fugas e spikes pela simples suas especificações de equipamento.
bilidade física para limitar também o introdução de reatâncias de carga Um modo prático de limitar essas
crescimento de corrente no sistema, entre o motor e o inversor. As rea- interferências está em seguir os con-
principalmente nas partidas, pois um tâncias de carga (figura 1) diminuem selhos de “boa instalação” dados a
sistema indutivo limita o crescimento a rápida variação de tensão provo- seguir:
da corrente. cada pelos efeitos capacitivos (dv/dt) - Instalar o inversor e seus aciona-
Capacitivo: cabos longos e parale- eliminando, quase por completo, os mentos auxiliares como relés e conta-
los atuam como um grande capacitor. problemas de sobretensão (spikes) e tores em gabinetes independentes de
Esse capacitor provoca, eventual- correntes de fuga. Certamente, pro- outros dispositivos, principalmente de
mente, atuações incertas dos elemen- vocarão uma determinada queda de controladores e PLCs;
tos de proteção devido ao incremento tensão entre a saída do inversor e - Utilizar somente cabos blinda-
das correntes entre fases de alimen- o motor (entre 0,5 a 3%) que, de dos tanto para energização do motor
tação e também ocasional fuga para qualquer modo, não influenciará no quanto para controle e comando. De
terra. Esse problema se torna ainda desempenho global do mesmo. A rea- preferência, cabos que possuam valo-

28 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Manutenção Atual

res de impedância de transferência grande número de harmônicas de com a 11ª harmônica. Em termos de
(ZT) os mais baixos possíveis; baixa ordem (3ª, 5ª, 7ª e 9ª), distor- distorção harmônica, esta não contri-
- Manter todos os pontos de terra cendo a alimentação e provocando bui com mais de 1% para o THD, o
vinculados por cabos independentes, quedas de tensões harmônicas. Entre que é muito pouco para interferir na
garantindo a equipotencialidade dos os inúmeros problemas gerados pelas conformação senoidal da rede de ali-
mesmos; harmônicas podemos destacar a redu- mentação.
- Aterrar as malhas de todos os ção do fator de potência da rede, Outra forma de solução é a inser-
cabos através de braçadeiras; distorção em corrente e tensão das ção de elementos que aumentem a
- Nos cabos de controle, para redes de alimentação, elevado THD impedância de entrada do circuito de
evitar circuito AC de retorno ao terra, (distorção harmônica total), deteriora- alimentação. Isso pode ser feito atra-
pode-se instalar um pequeno capaci- ção e destruição dos capacitores de vés da instalação de reatâncias de
tor (100 nF a 220 nF) entre a malha e correção de FP (fator de potência) e rede em série com o circuito retifica-
o terra. Esse capacitor atuará como aumento das perdas Joule nas ins- dor e a fonte de alimentação (figura
um pequeno supressor de interferên- talações, principalmente nos cabos e 3). Essa reatância imporá dada queda
cia. transformadores. Um problema não de tensão na rede, principalmente nos
perceptível, ocasionado pelas harmô- valores harmônicos, reduzindo a cor-
Entre as diversas soluções pro- nicas, é o surgimento de correntes rente eficaz de entrada, diminuindo o
prietárias de fabricantes, uma interes- desbalanceadas na linha (fase-fase), THD e aumentando o FP do inversor.
sante é a utilizada pela SEW. Para ocasionando seu escoamento “via Os valores usuais de queda de tensão
a supressão de interferências eletro- neutro e terra”. Isso torna os neutros se situam entre 1% a 4%, depen-
magnéticas em seus equipamentos carregados, o que não é sensato. Em dendo da rede de alimentação. Uma
da série MOVIDRIVE MD_60A, ela instalações antigas os neutros não regra prática: quanto mais próximo do
disponibiliza uma bobina de núcleo são dimensionados para atender a transformador de entrada da fábrica,
de ferrite por onde se deve passar esse novo contingente de correntes ou mais próximo de bancos de capa-
os cabos de alimentação do inversor harmônicas, o que leva ao sobreaque- citores, mais se deve aproximar de
ao motor (cinco voltas). Ela denomina cimento, atuação dos elementos de 4% de queda de tensão.
esse dispositivo de bobina HD. No proteção de forma espúria e desba- Uma equação empírica para se
catálogo dos equipamentos MOVI- lanceamento da rede. Nas instalações calcular o valor da reatância pode ser
DRIVE®, se encontra ainda a diretriz novas, muitas vezes, é uma tendên- dada por:
para que o mesmo seja inserido fora cia do engenheiro-projetista dobrar a ddp.Vef
R=
do espaço mínimo para ventilação do dimensão de neutros e terras, supondo 3.2.nƒr.In
inversor. que haverá um incremento no nível de
De um modo geral, os fabricantes corrente em termos de harmônicos de onde L é indutância dada em H,
seguem os padrões europeus defini- rede. ddp é o valor percentual da queda de
dos nas normas EN 50081, EN55011 Um modo de minimizar os efeitos tensão desejada, Vef é a tensão da
e EN61800-3 que tratam especifica- das harmônicas de baixa ordem é o rede em valor eficaz, fr é a freqüência
mente dos limites para EMC. emprego de inversores que possuam da rede de alimentação e In é a cor-
em sua entrada retificadores de 12, 18 rente nominal do inversor.
ou 24 pulsos. Nesse caso, as harmôni- Entre os fabricantes, a Weg possui
O PROBLEMA DAS HARMÔNICAS cas de baixa ordem iniciarão em valo- ainda a possibilidade de inserir no cir-
res mais altos de freqüência e mais cuito intermediário de seus inversores
A entrada de um inversor possui fáceis de serem atenuados. Por exem- CFW09 de 16A/220-230V e 13A/380-
uma função de tensão e corrente não plo, em um inversor de 12 pulsos, sua 480V um indutor. Este tem atuação
linear, isto é, a lei de Ohm é res- harmônica ímpar mais crítica se inicia semelhante ao de uma reatância de
peitada ponto a ponto e não como entrada.
uma função de reta. Isso devido prin-
cipalmente aos elementos de retifica-
ção de entrada (diodos ou tiristores) e FRENAGEM
aos capacitores do link DC ou circuito
intermediário do inversor. Além disso, Em algumas aplicações, não basta
no momento de chaveamento de um apenas a atuação de rampas de desa-
diodo para o outro, um curto instantâ- celeração para a parada do inversor.
neo ocorre na rede, limitado apenas No momento da parada, não há a ime-
pela reatância dos cabos de alimen- diata extinção do campo girante do
tação e resistência de corpo do ele- motor, e por isso mesmo o rotor conti-
mento de retificação (figura 2). Essas nua cortando as linhas de campo. Por
características tornam um inversor um curto período de tempo o motor
um elemento não linear. Elementos se comporta como um gerador. Além
não lineares atuam em sua rede disso, no circuito intermediário há um
de alimentação contaminando-a com F.2 Instante de comutação. alto valor de tensão eficaz no mesmo.

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 29


Atual Manutenção

pelo resistor é que esta seja 25% do tantes em valores altos, cerca de 20 a
valor de potência máxima do resistor. 40 segundos, e diminua lentamente até
A tabela 1 nos dá alguns valores de o ponto em que o sinal de realimenta-
resistores de frenagem em função da ção começa novamente a oscilar;
potência do motor. 6. A partir deste valor, aumente I
entre 20% e 60%;
7. A constante de tempo derivativo
AJUSTANDO O PID (D) deve ser aplicada somente em pro-
cessos que possuem rápidas varia-
A disponibilização de um contro- ções de velocidade. Para sistemas que
lador PID interno para aplicar o con- possuem variações lentas de dinâmi-
trole de velocidade do motor através de cas de erros é interessante minimizar
um sistema de malha fechada referen- o valor de D. Para sistemas de varia-
ciado ao processo pode facilitar muito a ção rápida, valores de D que sejam de
sua atuação, dispensando controlado- três a cinco vezes os impostos para I,
res externos (como um PLC). O grande podem ser uma solução confiável.
problema na maior parte dos casos está
em quais valores são ideais para se Algumas vezes, após regulagem
adequar o PID. Isso demanda um pro- dos valores de PID, podem-se ter pro-
fundo conhecimento do processo, de blemas com as malhas de correntes
F.3 Reatância de rede. suas variáveis de estado (aquelas que (limitadores) no inversor. Uma elevação
se identificam com a energia do pro- do limite da função de proteção ou limi-
Para que ocorra uma frenagem em cesso) e também conta muito a expe- tação de corrente pode eliminar esse
tempo menor, é conveniente a dissi- riência de quem está parametrizando problema. Outra questão ainda com
pação de energia o mais rápido possí- o inversor no sistema. Muitos algorit- os sistemas de PID dos inversores é
vel. Excetuando-se uma regeneração mos são disponíveis para aplicação quanto aos filtros de baixa freqüência
da energia de frenagem (frenagem de levantamentos de valores de PID. (passa-baixa). Limite os mesmos a valo-
regenerativa), a frenagem dissipativa Em uma abordagem prática e geral, res mais baixos (constantes de tempo
ou reostática é uma boa solução. Uma pode-se atuar da seguinte forma: para corte em 0,05 a 0,1 segundo).
pequena dificuldade está em se calcu- 1. Monitore o sinal de saída de Observe que estas “dicas” são
lar qual é o melhor resistor (valor em velocidade com um osciloscópio; nor- relativas e dependem sempre do pro-
Ω e W) que se deve empregar. Esse malmente pode-se utilizar o ponto de cesso. Em muitos casos, interagir com
valor sempre dependerá de quanto realimentação (feedback) para tanto. a engenharia do fabricante do inversor
tempo se deseja para uma frenagem, Se for optativo que o mesmo receba é fundamental. Outra opção é aplicar
quantas vezes em um período se uti- sinais de corrente ou tensão, sinalize procedimentos padrão como Ziegler
liza a mesma e qual é a potência do ao inversor o sinal de tensão; Nichols, entre outros.
motor a ser atendida. Vários fabrican- 2. Desabilite a função anti-windup
tes possuem tabelas específicas con- quando existir;
templando qual é o melhor valor para 3. Inicie a partida do motor e regule CONCLUSÃO
o seu resistor de frenagem. Uma apro- o valor de ganho proporcional (P) com
ximação pode ser feita por: valores entre 0,1 e 0,5; Abordamos alguns problemas
4. Observando o sinal de realimen- comuns em campo, de solução ime-
IR=imax. tfr
5 tação, aumente o valor de P até que diata na aplicação de inversores. Con-
este comece a oscilar; a partir deste sideramos que para soluções mais
onde, iR é o valor eficaz do resistor ponto reduza P para metade do valor; completas, uma observação mais
de frenagem, iMAX é o valor máximo de 5. Coloque o valor do tempo de inte- detalhada do problema deve ser apre-
corrente de frenagem e tfr é o tempo gração (I), que será responsável pela sentada. Contar com o auxílio dos
de atuação de frenagem durante o atuação em eliminação de desvios cons- agentes de engenharia dos produ-
mais severo ciclo de 5 minutos. Este tores de equipamentos e suas res-
conceito é largamente utilizado pelos T.1 Valores de resistores de frenagem. pectivas ATs é fundamental para a
inversores da marca Weg. Para um otimização da aplicação de inversores
Potência máxima
cálculo mais preciso basta lembrar- de freqüência.
Resistência (Ω) de frenagem (kW)
mos que: Neste artigo, além de nossa expe-
100 7
riência nos valemos de manuais e
68 10
PMAX= VCC /R 2
informativos técnicos das empresas
47 15 citadas.
sendo PMAX a potência do resistor 39 17,5
R e VCC a tensão do circuito inter- 18 38
*Alaor Mousa Saccomano é professor do
mediário. Um valor interessante para 15 45
departamento de engenharia da UNIP
a potência que pode ser dissipada 12 75 (campus Alphaville-Bacelar).

30 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Redes Atual

Ethernet Industrial
A tendência na indústria para a automatização
do chão-de-fábrica
Roberto Godoy Fernandes*

Do chão-de-fábrica à verticalização ao nível administrativo agre-


gando serviços, garantindo comunicação em tempo real.

A
comunicação em Ethernet
vem sendo utilizada em
nível administrativo duran-
te anos em nossas empresas. Seu sur-
gimento no início foi discreto, pois não
existia nada sobre comunicação. Nos
anos 60 foram conectadas quatro
Universidades nos Estados Unidos
(UCLA - UCSB - UU - SRI). Dez anos
mais tarde, já na década de 70, a
Ethernet interligava grandes computa-
dores, atingindo 20 Hosts em 1972.
Chegamos aos anos 80 com o desen-
volvimento do padrão TCP/IP (1983),
que só seria comercializado em 1986
até a implementação do “www &
.com” nos anos 90, a qual se tornou
padrão mundial de comunicação com
o TCP/IP V6.0 e a expansão no ende-
reçamento de 32 para 128 bits che-
gando, finalmente, aos anos 2000 na
“nova era” das comunicações digitais.
Atualmente, há mais de 300 satélites
lançados como o Cyberstar 3, Celestri
63+9, Astrolink 9, Teledisk 288, Spa-
ceway 8, Sky Bridge 64 entre outros.
É possível transmitir e receber
dados, voz e imagem, desenvolver
páginas HTML (que serão empacota-
das no http) ou fazer uso de plata-
formas independentes avançadas de
linguagem de programação, como o
Java, que cria os “Applets” e permite
outros recursos e serviços adicionais.
Empregada do chão-de-fábrica até
o nível administrativo, a Ethernet pos-
sibilita cada vez mais a integração
total do mercado, não mais somente
para a integração de departamentos
internos e prédios, fazendo uso dos
serviços ligados à Internet (sistema
global de redes conectadas, comuni-
cação de dados, trocas de arquivos,
e-mail, www) e à Intranet (rede pri-
vada, utilizando-se de recursos inter-
net, disponível apenas dentro de uma
empresa, local ou prédio) - (figura 1). F.1 Possibilidade de integração da Ethernet.

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 31


Atual Redes

gada desses se efetue sempre no


mesmo instante. Porém, a Ethernet
se baseia no mecanismo CSMA/CD
que faz uso do “collision detection
and avoidance” como meio de parti-
lha da rede, sendo este um método
totalmente não determinístico, dado
que a resposta da rede varia de uma
forma não-linear devido ao tráfego
de informações na rede. Este método
detecta colisões de comunicações na
rede a fim de evitá-las.
F.2 Modelo OSI.

O padrão OSI (“Open Systems tocolos e serviços de informática e TRABALHANDO COM O


Interconnection”) é um modelo de de Internet - TCP/IP. Para que o sis- DETERMINISMO
arquitetura de rede desenvolvido pelo tema seja associado à planta é reco-
ISO (International Standards Organi- mendado que se faça união a um Com o objetivo de resolver o
zation) para o projeto de sistemas protocolo de automação que seja desempenho das redes em Ethernet
abertos de rede. Todas as funções simples e aberto, para que haja a Industrial é preciso combinar a solu-
de comunicação são divididas em comunicação com o chão-de-fábrica, ção de uso correto dos serviços
sete camadas padronizadas: Física, como no caso do Modbus, solução e pacotes de dimensionamento de
Enlace de Dados, Rede, Transporte, oferecida pela Schneider Electric, redes com o exato dimensionamento
Sessão, Apresentação e Aplicação. lembrando que o grande mérito da e projeto físico de nossas redes.
No mercado atual, diversas solu- associação Ethernet - TCP/IP é a A configuração de um sistema
ções de várias empresas são encon- possibilidade de misturar, de forma com base em Ethernet Industrial deve
tradas. Todas buscam viabilizar cada segura, vários protocolos numa única levar em consideração os seguintes
vez mais a integração (verticaliza- linha de comunicação a um disposi- aspectos:
ção) entre o setor administrativo e o tivo, sem contar que as redes IP são 1. Para baixar a probabilidade de
controle do chão-de-fábrica, (figura escaláveis. atrasos, o tráfego deve ser mantido
3). Na verdade, o mercado de Ether- A integração é completa: vertical significativamente inferior aos limites
net ocupa 93% em relação a outros desde o nível administrativo até o nível teóricos, evitando as possíveis coli-
padrões de redes abertas (fonte: ARC do dispositivo. No chão-de-fábrica, sões;
e Schneider Electric Automation). porém, a utilização da Ethernet nos 2. Redes Ethernets mais rápidas
Alguns motivos para a abrangên- níveis de controle e de dispositivos não eliminam as colisões, mas podem
cia do mercado de Ethernet é que ele suscita algumas questões relaciona- aumentar a probabilidade da entrega
conta com as seguintes vantagens: das com problemas, tais como: dos pacotes num instante predeter-
- Plataforma aberta e realmente 1. Segurança na Rede; minado;
global; 2. Cablagem; 3. Quando acontece a colisão,
- Tecnologia acessível e de fácil 3. Determinismo. ela afeta diretamente a largura de
compreensão; banda.
- Segurança, velocidade e confia- Tomando como foco o determi-
bilidade garantida pela evolução da nismo, este permite a previsão, com Para solucionar problemas rela-
própria informática; exatidão, da velocidade de transmis- cionados ao determinismo podemos
- Dados disponíveis em qualquer são de dados e garante que a che- empregar recursos disponíveis e
sistema operacional;
- Acesso às informações da planta
via redes públicas e redes privadas;
- Diversidade de serviços disponí-
veis para melhor desempenho;
- Inúmeros equipamentos dispo-
níveis de diversos fabricantes.

O PROTOCOLO NO MEIO INDUSTRIAL

O protocolo de automação indus-


trial é simples. Na verdade, ele é
formado pela união do meio físico e
de acessórios: Ethernet mais os pro- F.3 Modelo OSI.

32 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Redes Atual

conhecidos aplicados para a Internet


e a Intranet, que são os “Domínios”
(grupo de computadores e compo-
nentes em uma rede que possui
um nome de grupo associado) e os
“Workgroups” (grupo de computado-
res e componentes de rede onde um
componente de rede está alocado).
Computadores que regularmente divi-
dem recursos estão colocados em
um mesmo “Workgroup”).
A primeira solução é manter a
rede dividida em grupos de traba-
lhos não muito grandes, utilizando
“routers” ou “bridges” industriais para
segmentar a rede Ethernet em domí-
nios de colisões separados, evitando
a troca de dados entre muitos com-
ponentes simultaneamente e per-
mitindo que um interfira no outro.
A estratégia, na verdade, consiste
no uso de “routers” e “switches”
combinando a segurança dos rote- F.4 Utilização de “routers” e “switches”.
adores com a velocidade dos swi-
tches, (figura 4). endereçamento automático dos dis- proprietária que define um conjunto
Outros problemas associados são positivos de uma rede Ethernet; de interfaces padrão, baseadas na
os “Runts”, pacotes de dados bem DHCP (Dynamic Host Configu- tecnologia OLE/COM da Microsoft.
pequenos que violam as regras da ration Protocol): na automação, ele A aplicação do OPC é criar um
Ethernet, originados pela propaga- é utilizado para o endereçamento ambiente ininterrupto entre as aplica-
ção de ruídos na rede, e o “Bro- automático de um novo equipamento ções de automação e controle, sis-
adcast storm” que é a difusão de após uma falha. O DHCP é baseado temas e componentes de campo e
grande quantidade de pacotes do no BOOTP. O endereço do equipa- aplicações no nível administrativo.
tipo “broadcast” num curto espaço de mento danificado deve retornar ao
tempo, que são melhorados em sua servidor para voltar novamente para
maioria pelo seccionamento da rede o novo equipamento; CONCLUSÃO
em grupos menores. SNMP (Simple Network Mana-
gement Protocol): todos os equipa- Os benefícios do emprego da tec-
mentos que possuem este serviço nologia Ethernet Industrial incluem
OS SERVIÇOS DISPONÍVEIS podem ser monitorados por software- uma arquitetura aberta e veloz de
padrão de gestão de rede, permitindo comunicação de Ethernet TCP/IP,
Entre os serviços direcionados ao o seu diagnóstico e análise do rendi- contando com contínuas atualizações
TCP/IP podemos destacar: mento; e avanços tecnológicos.
HTTP (Hypertext Transport Pro- Virtual LAN: permite suporte de É possível manter um sistema
tocol): trata-se de um grupo de segurança e isolação por segmenta- de automação industrial funcionando
regras que controla a troca de arqui- ção virtual dos dados no chão-de- continuamente, permitindo alertas e
vos na Internet. Uma página WEB fábrica que são enviados de outros controle em tempo real, dos estados
escrita em HTML é empacotada componentes e usuários; de seus componentes graças a ser-
em http. Este pacote é rodado no Fast Spanning Tree: o protocolo viços e funções de rede, que per-
TCP/IP e transportado para o nave- “Spanning Tree” permite uma rápida mitem isolar e proteger grupos de
gador da empresa. Em automação convergência da rede. Se ocorrer trabalho, realizar novamente endere-
este serviço funciona nos dispositi- um defeito em algum nó da rede, çamento do componente após falha
vos com servidores WEB que per- o link redundante alternativo assu- ou direcionar o link para um cami-
mite a manutenção e o diagnóstico mirá automaticamente a comunica- nho alternativo, realizar diagnósti-
dos produtos alocados na rede atra- ção. Com o “Fast Spanning Tree” as cos, bem como gerar mensagens
vés de um navegador padrão de redes são comutadas de forma muito de erro por e-mail, garantindo segu-
mercado; veloz e os nós se tornam disponí- rança e determinismo nas comuni-
BOOTP (Bootstrap Protocol): veis novamente em menos de um cações industriais.
protocolo que possibilita a um dispo- segundo;
sitivo obter seu IP de um servidor OPC Server Support: o OPC *Roberto Godoy Fernandes é Engenheiro de
central. Este recurso permite um é uma especificação técnica não Treinamento da Schneider Electric Brasil.

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 33


Atual Instrumentação

Caldeiras
Como gerar vapor com
economia
Reginaldo de Mattos Onofre*
a informação. Desta forma, julgamos
melhor, ao longo das edições da
Revista Mecatrônica Atual, analisar-
mos cada uma destas etapas.
Economizamos combustíveis nas
seguintes fases da geração de vapor:
- Combustão;
- Tratamento de água;
- Alimentação de água;
- Distribuição de vapor;
- Retorno de condensado.

Para não fugir do foco da Revista,


Aallborg/Divulgação

os assuntos aqui citados e explana-


dos não se aprofundarão em cálculos
e teorias de maior complexibilidade.
Nos processos industriais quase
sempre há consumo de calor em
alguma fase. Por exemplo:
O objetivo deste artigo é identificar as várias maneiras de 1. Aquecimento de tanque com
economizar combustível (e, portanto, dinheiro) na geração de petróleo;
2. Aquecimento de água para uso
vapor, algumas vezes adquirindo novos instrumentos, em outras
industrial;
mudando apenas os procedimentos operacionais. 3. Cozimento de alimentos em
cozinhas industriais.

A
lguns testes aqui mostra- no caso do carro, e a geração de
dos têm como referência vapor, no caso da caldeira, porém o As quantidades de calor produzido,
uma caldeira Aquotubular consumo de combustível será elevado assim como de óleo queimado, são
de 10 kg/cm2 de pressão de trabalho e tanto no veículo como na caldeira. grandes, e por isso sua utilização deve
produção máxima de 12 T. Todavia, os Existem várias etapas na geração ser muito bem conduzida e os equi-
conceitos aqui utilizados são básicos de vapor que deverão ser analisadas e, pamentos relativos devem ser muito
e de notório conhecimento, podendo em algumas delas, será possível auferir bem operados. Somente procedendo
ser empregados em qualquer gerador grande economia com simples mudan- dessa forma, os custos de fabricação
de vapor de médio e pequeno porte ças de procedimentos, enquanto que podem ser mantidos baixos.
(aproximadamente 90% das caldeiras em outras nem tanto, mas o mais Assim sendo, necessitamos conhe-
instaladas têm esse perfil). importante é que a somatória de todas cer os fatores relativos à combustão,
Para entender como uma caldeira as mudanças fornecerá: combustíveis e os equipamentos empre-
é capaz de gerar vapor economizando - Economia - Melhora o índice de gados.
óleo, vejamos a seguinte analogia: custo / benefício do vapor gerado;
Uma viagem de carro pode ser - Segurança - Aumenta a segu-
feita com os pneus descalibrados ou rança do equipamento e dos operado- COMBUSTÃO
com o motor desregulado, assim como res na operação da caldeira;
uma caldeira pode operar com as vari- - Poluição - Ameniza o impacto É uma reação química, na qual o
áveis: temperatura do óleo, pressão no meio ambiente (perda da biodiver- O2 (oxigênio, geralmente do ar), com-
de atomização, volume de ar atmos- sidade, poluição atmosférica, altera- bina-se com o carbono (C), hidrogê-
férico, entre outras variáveis, fora do ções climáticas). nio (H2) e enxofre (S). É, portanto,
ponto de ajuste. Em ambos os casos uma reação de oxidação. Uma reação
serão atingidos os objetivos, sendo o Escrever sobre este processo em química consiste em modificações na
deslocamento entre um ponto e outro, apenas um artigo seria empobrecer natureza da matéria, ou seja, esta se

34 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Instrumentação Atual

T.1 Composição dos gases no ar atmosférico. nitrogênio (N2) presente no combus-


tível e no ar ambiente combina com
Composição Massa Molecular Em volume (%)
oxigênio do ar (O2) para formar o
Nitrogênio - N2 28,018 78,03
monóxido de nitrogênio (NO). Depois
Oxigênio - O2 32,000 20,99
de algum tempo, este gás incolor
Argônio - Ar 39,01 0,94 oxida-se em combinação com o oxigê-
Bióxido de Carbono - CO2 44,01 0,04 nio para formar o dióxido de nitrogê-
Outros gases - -
nio (NO2). O NO2 é um veneno para o
Vapor d’água variável variável
pulmão quando respirado e contribui,
em combinação com a radiação ultra-
transforma. Exemplo: nos e dos animais converte o oxigênio violeta, para a formação de ozônio. Os
Ao fazer uma fogueira, colocamos em dióxido de carbono. Está criado componentes monóxido de nitrogênio
madeira, papel e calor em contato e aí o equilíbrio, que o gás proveniente NO e dióxido de nitrogênio NO2 juntos
ocorre a combustão onde a madeira da combustão distorce. Esta distorção são chamados de óxidos de nitrogênio
e o papel se transformam em gases acelera o efeito estufa. Os valores típi- (NOx). Os valores típicos encontrados
e resíduos chamados vulgarmente de cos encontrados no gás de combus- no gás de combustão para queimado-
cinzas. tão para queimadores a óleo variam res a óleo ou a gás variam entre 50
Como a nova matéria formada entre 12,5% e 14% e para queimado- ppm e 100 ppm.
(gases e cinzas) tem menor energia res a gás entre 10% e 12%. Dióxido Sulfúrico (SO2): É um gás
que a matéria original da combustão Monóxido de Carbono (CO): O tóxico e incolor com um cheiro acre.
(combustível e oxigênio), este excesso monóxido de carbono é inodoro, incolor, Ele é formado pela presença do sulfú-
de energia é liberado na forma de veneno para a respiração e é um pro- rico no combustível. O ácido sulfúrico
luz e calor. A energia liberada na duto da combustão incompleta. Uma (H2SO4) é gerado em combinação com
reação é denominada entalpia de alta concentração impede o sangue água (H2O). Os valores típicos encon-
reação que, no caso da combustão, de absorver o oxigênio. Se, por exem- trados no gás de combustão estão
chama-se entalpia de combustão, plo, um ser humano respirasse o ar em entre 180 ppm e 220 ppm.
esta grandeza é expressa em uni- uma sala contendo 700 ppm de CO, Hidrocarbonos incombustos
dades de energia por unidades de ele estaria morto em 3 horas. Os valo- (CxHy): São formados quando a com-
massa (cal/g, kcal/kg, BTU/lb, etc.). res típicos encontrados no gás de com- bustão é incompleta e contribui para
Oxigênio (O2): O oxigênio dissol- bustão em queimadores a óleo variam o efeito estufa. Os valores típicos
vido no ar (O2) combina-se com o entre 80% e 150% e para queimado- encontrados no gás de combustão
hidrogênio (H2) no óleo para formar a res a gás, entre 80% e 100%. são menores que 50 ppm.
água (H2O). Dependendo da tempera- Óxidos de Nitrogênio (NOx): Em Fuligem: Fuligem é quase puro
tura do gás de combustão, esta água altas temperaturas (combustão), o carbono (C), resultado da chama
pode estar como gás úmido ou um
condensado. O restante do oxigênio
nos gases fornece a medição da efi-
ciência da combustão e é usada para
determinar as perdas de combustível
e do dióxido de carbono contido nos
gases. Os valores típicos encontrados
no gás de combustão para queimado-
res a óleo variam de 2% a 5% e para
queimadores a gás de 2% a 3%.
Nitrogênio N2: O nitrogênio cor-
responde a 79% do volume do ar
que respiramos. Ele entra na câmara
de combustão, onde é aquecido e
enviado para a atmosfera através da
chaminé, não participando da com-
bustão. Os valores típicos encontrados
no gás de combustão para queimado-
res a óleo ou a gás oscilam entre 78%
e 80%.
Dióxido de carbono CO2: O dió-
xido de carbono é um gás inodoro
com gosto ligeiramente ácido. Sob a
influência da luz do sol as plantas con-
vertem o dióxido de carbono CO2 em F.1 Comportamento típicos dos gases de combustão (O2, CO, CO2) em
oxigênio O2. A respiração dos huma- função do excesso ou falta de ar.

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 35


Atual Instrumentação

O nitrogênio é inerte no processo da


combustão, desta forma ele não par-
ticipa da reação química chamada
coombustão.
Por mais acurada que seja sua
visão, um operador experiente não
conseguiria distinguir se há um
excesso de ar entre 30% ou 80%.

Processo da combustão
Steanmmaster /Divulgação

O processo da combustão é com-


posto pelas variáveis:
- Volume de ar que entra na forna-
lha;
- Pressão de atomização;
- Temperatura do óleo combustí-
vel;
- Pressão do retorno do óleo;
F.4 Exemplo de caldeira onde ocorre a combustão. - Regulagem do ar primário e
secundário.
incompleta. Os valores típicos encon- atacar as partes mais frias dos equi-
trados no gás de combustão para pamentos (pré-aquecedores de ar).
queimadores a óleo estão entre 1 e 2 Os demais componentes não reagem VOLUME DE AR REAL
na escala de opacidade. com o oxigênio e são completamente
inúteis e mesmo prejudiciais. Tecnicamente, é impossível asse-
gurar uma combustão completa apenas
COMBUSTÍVEIS com suprimento de ar teoricamente
CÁLCULOS DA COMBUSTÃO necessário. Quanto maior for o excesso
Definição: É toda substância, natu- de ar, tanto maiores serão as perdas
ral ou artificial, no estado sólido, Os cálculos de combustão de calor sensível dos gases da com-
líquido ou gasoso, capaz de reagir baseiam-se nas relações estequiomé- bustão lançados na atmosfera (levados
com oxigênio mediante escorvamento, tricas (quantidade de oxigênio teórico) pelo nitrogênio aquecido) após passa-
liberando calor e luz. dos elementos combustíveis. Os ele- gem pelo gerador de vapor.
Classificação: Os combustíveis mentos ativos dos combustíveis (C, H2 Para operar economicamente um
podem ser classificados segundo o e S) reagem com o oxigênio do ar. sistema de queima, o operador deve
critério do estado físico (sólidos, líqui- Combustão completa: Quando ter alguns conhecimentos básicos
dos ou gasosos) ou segundo a origem toda a massa do carbono, hidrogênio sobre o processo de combustão, suas
(naturais ou artificiais). e, eventualmente, enxofre tenham rea- causas e efeitos.
Composição: A quantidade de gido com o oxigênio para formar, res- A chama deve ser limpa, sem o
energia liberada em uma combustão pectivamente, CO2, H2O e SO2. Os aparecimento de fagulhas, de forma
depende do combustível, ou seja, produtos da combustão, sempre gaso- estável e a fumaça na chaminé
combustíveis diferentes liberam quan- sos, são chamados gases da com- deve ser teoricamente invisível. A cor
tidades de energia distintas e o que bustão. da chama deve ser bem definida,
caracteriza um combustível é a sua Combustão incompleta: Neste podendo variar de laranja claro para
composição química. Portanto, saber processo, não se verifica a queima um amarelo reluzente brilhante.
a composição de um combustível é de toda a massa combustível. Nos Quanto maior o excesso de ar,
importante, pois há combustíveis que gases da combustão comparecem, menor o CO2 e quanto menor o CO2,
são ótimos fornecedores de calor portanto, além de CO2, H2O, SO2 e maior a perda de calor sensível pela
(energia) ao contrário de outros que NO2 também CO, H2 e o próprio car- chaminé.
são péssimos. Todos os combustíveis bono livre, responsável pelo escure-
podem possuir em sua constituição: cimento dos gases que escoam pela Qual o valor ideal de CO2?
carbono, hidrogênio, enxofre, nitrogê- chaminé, desprendendo a chamada O CO2 ideal é aquele que asse-
nio, oxigênio, matérias voláteis, água, fuligem. gura uma combustão completa com
sais minerais, mas geralmente eles A fonte normal de oxigênio para o alguma margem de segurança. Para
são ricos em carbono e hidrogênio, processo de combustão é o ar atmos- se ter poucas perdas de calor, o CO2
por serem os maiores responsáveis férico que é uma mistura de oxigênio, deve ser o mais alto possível.
pela energia produzida, embora o nitrogênio e, em menor proporção, de
enxofre produza calor na combustão, gases nobres, contendo também uma Analisando o gráfico da figura 1
ele é prejudicial ao combustível, por quantidade variável de vapor d’água. verificamos que a faixa de operação

36 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Instrumentação Atual

Weca/Divulgação
F.4 Entrada de ar é conseguida sem
acompanhamento do analisador de
O2 .

este calor sairá pela chaminé sendo


indicado no termômetro instalado na
lateral da torre e, dependendo da pro-
porção, uma fumaça branca surgirá.
Um analisador mais o gráfico da
figura 2 fazem o ajuste fino da com-
bustão.
A falta de ar fará com que apa-
reçam carbonos livres responsáveis
pelo escurecimento dos gases que se
escoam pela chaminé, desprendendo
F.3 O2 e CO2 x ar em excesso. a fuligem.
Utilizando-se de um medidor de
econômica é a verde, e também que excesso de ar, ocorre uma grande CO2 ,no exemplo na tabela 2 abaixo,
as perdas por óleo não queimado formação de CO . Na maioria das ins- regulamos o sistema de queima para
são maiores que por excesso de ar. talações de queima , a formação de valores menores de excesso de ar,
Nota-se também que o CO2 alto pode CO se dá ou por insuficiência de ar , conseguindo mais economia.
não significar economia e sim perda mistura ou defeito mecânico no quei- Reduziu-se o excesso de ar até
por óleo não queimado. Assim sendo mador. Dizemos que uma combustão obter um resultado mais alto e cons-
não basta apenas medir o CO2, mas está bem regulada , quando também tante no valor do CO2, em torno de
sobre os analisadores de gases cita- os valores de CO estão em níveis 12,5%. Após a 3ª medição todas as
remos mais adiante. muito baixos. alterações efetuadas conduziram a
Um baixo teor de CO2 nos gases , É possível regularmos a entrada resultados inferiores. Neste exemplo a
pode ocorrer devido a : de ar na caldeira sem o acompanha- economia foi de 4% em combustível
- Tiragem excessiva; mento do analisador de O2. Diminua poupado.
- Excesso de ar na queima; o volume de entrada de ar até que Na próxima Revista Mecatrônica
- Entrada de ar falso na fornalha; comece a sair fumaça escura pela continuaremos com o tema combus-
- Atomização / mistura imperfeita chaminé, depois aumente a entrada tão, onde abordaremos os tipos de
entre ar / combustível; de ar até que a fumaça desapareça, analisadores de gases, característi-
assim manteremos um volume de ar cas de medição e o que significam os
acima do valor calculado (valor este- valores medidos.
CO - MONÓXIDO DE CARBONO quiométrico), garantindo que todo car-
bono terá reagido com o oxigênio. * Reginaldo de Mattos Onofre é técnico de Ins-
Quando nos aproximamos muito Um excesso de volume de ar na forna- trumentação na Petrobras Transporte - Terminal
de uma faixa estreita de baixo lha seqüestrará o calor sensível impe- São Caetano e diretor da Standher & Associa-
dindo a troca de calor com a água, e dos Cursos e Treinamentos

T.2 Exemplo mostra economia obtida.


Composição 1ª Medição 2ª Medição 3ª Medição
Temperatura dos gases da chaminé 310 C 280 C 250 C
Temperatura ambiente 25 C 25 C 26 C
Diferença 285 C 255 C 224 C
CO2 nos gases da chaminé 11 % 11,6 % 12,5 %
Perda de calor através dos gases 14,5% 13% 10,5%
Eficiência da queima 85,5% 87% 89,5%

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 37


Atual Automação

controle de
Utilização de
vazão e nível na batelada de
água potável para preparação da
massa para biscoitos
Rogério Dias Gimenes*

Afortunadamente, tem-se observado nas últimas décadas, onde através de mangueiras utilizando
apenas a pressão atmosférica, fazia
que um grande número de indústrias brasileiras estão uti- a transferência da água potável do
lizando sistemas cada vez mais automatizados, na con- tanque medidor para o vaso de mis-
fecção de seus produtos. O benefício obtido pelo uso da tura dos ingredientes para a prepa-
instrumentação não só tem simplificado alguns processos, ração da massa. O tempo utilizado
na dosagem da água até sua incor-
promovendo uma diminuição no tempo de trabalho, mas
poração dentro da massa era, em
também uma melhora considerável na qualidade e quanti- média, quatro minutos, podendo ser
dade do produto final. Infelizmente, muitas indústrias ainda um pouco maior em algumas situa-
não têm aderido à utilização da instrumentação, o que ções. Desses quatro minutos, dois
se aplica principalmente às indústrias de pequeno porte. eram gastos pelo operador no preen-
chimento do tanque medidor móvel
O desconhecimento da existência de opções de sistemas e depois no seu carregamento até
automatizados mais simples e de baixo custo faz com que próximo ao vaso de mistura. Os dois
alguns fabricantes ainda continuem realizando seus pro- minutos restantes eram gastos na
cessos com sistemas ultrapassados, que levam a desperdí- abertura da válvula manual do tanque
medidor para dar início à transferên-
cios de matéria-prima e maiores gastos de capital.
cia dessa água até o final do preen-
chimento desse vaso.

O
objetivo deste artigo é apre- padrão alimentício ou sanitário de As desvantagens deste sistema
sentar um sistema simples, acordo com as normas para a indús- eram a perda de tempo durante o pro-
porém eficiente para oti- tria alimentícia, de bebidas e farma- cesso, a falta de precisão na medição
mizar o processo de confecção da cêutica em geral. da água do tanque medidor e ainda
massa para biscoitos de água e sal a perda de água durante o transporte
em uma indústria de pequeno porte do tanque até o vaso de mistura.
que, antes, utilizava a medição de FUNCIONAMENTO DO PROCESSO Essas variações na dosagem de
água de forma manual. O novo sis- ANTES DA IMPLANTAÇÂO DE UM água se refletiam na qualidade da
tema utilizará a instrumentação para SISTEMA DE CONTROLE massa preparada, cada batelada
um controle simples, no intuito de apresentava características diferentes,
reduzir as perdas para zero, contabi- Nesse processo, a água potável principalmente na sua cor, sabor, alte-
lizando e controlando o consumo de era o último ingrediente adicionado no rando sobremaneira a qualidade do
água potável, tendo assim, o controle vaso de mistura para a preparação da produto final. Nos casos mais graves,
sobre toda a receita. A implantação massa antes que essa fosse para o havia perda total da massa prepa-
desse sistema levará a um grande forno. rada, visto que não há processo de
aumento na produção e na qualidade Cada batelada de água potável era recuperação para massa de biscoitos.
dos biscoitos e, conseqüentemente, de 20 litros. Para essa dosagem, o Nesses casos, as perdas eram ainda
aumento nos lucros da empresa. operador utilizava sempre um tanque maiores para a indústria, pois além
Esse sistema é indicado também medidor móvel de 20 litros e uma do tempo dispensado no processo de
para fábricas de pequeno porte que válvula de bloqueio proveniente do fabricação, as matérias-primas como
necessitem realizar dosagens de líqui- tanque master de água potável. Essa água, farinha, sal e fermento, eram
dos ou de produtos químicos em fase válvula era aberta manualmente até totalmente desperdiçadas.
líquida, assim como para a transfe- que o tanque medidor móvel fosse Algumas indústrias ainda defen-
rência e transporte de líquidos e em enchido, esse processo levava cerca dem o emprego do processo acima
empresas que compram e vendem de um minuto. Após o preenchimento referido, por acreditarem que é um
líquidos a granel, etc. É necessário do tanque com os 20 litros de água, processo mais econômico, visto que
ressaltar que todos os equipamentos esse era transportado pelo operador ao utilizarem a transferência de líqui-
usados nessa fábrica devem possuir até próximo do vaso de mistura, dos por pressão atmosférica ou gra-

38 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Automação Atual

vidade, dispensam o uso de bombas automaticamente acionará o controla- forma precisa sobre os outros ingre-
que provocariam um gasto maior de dor de nível “LIC” que atuará na vál- dientes da massa que já estão dosa-
energia e tempo de manutenção. vula de controle proporcional “LCV” dos no vaso de mistura, promovendo
Em contrapartida, a implantação para que ocorra a realimentação da assim, uma massa sempre uniforme
de um novo sistema incluindo instru- água potável de acordo com seu set e de propriedades adequadas para
mentos e válvulas, demanda pouco point (100%). Essa válvula “LCV” está passar pelo processo de cozimento.
investimento e gera ótimos resultados ligada mecanicamente entre o tanque Além de garantir o padrão e a qua-
em pouco tempo. master de água potável, com capa- lidade dos biscoitos de água e sal,
cidade de 20.000, litros e o tanque esse sistema de controle levará a um
de alimentação de água potável com aumento considerável na quantidade
FUNCIONAMENTO DO PROCESSO capacidade para 2.000 litros, que adi- de produção devido à rapidez do pro-
APÓS A IMPLANTAÇÃO DE UM ciona essa água ao vaso de mistura cesso, visto que o tempo de cada
SISTEMA DE CONTROLE para a preparação da massa. batelada de água, que anteriormente
O tanque master para 20.000 litros era de 4 a 5 minutos, passou a ser
A implantação de um sistema de fica situado externamente à fábrica, apenas de um minuto.
controle no processo de fabricação no ponto mais alto do terreno, recebe
dos biscoitos de água e sal permite a água potável do fornecedor através
que a dosagem dos 20 litros de água da válvula manual “HV1” e possui CONCLUSÃO
potável seja feita de forma automá- um medidor de nível hidrostático “LIT”
tica, assim como a sua incorporação semelhante ao medidor do tanque A utilização de instrumentos no
no vaso de mistura da massa. Esse de alimentação, mas que funciona controle da batelada permitiu uma
sistema é automatizado mediante a apenas como indicador de nível local. redução significativa no tempo de
utilização de válvulas e instrumentos Cada vez que o nível da água deste preparo da massa e também uma
de precisão. tanque baixar dos 10.000, o fornece- padronização na receita da massa,
Para que o processo se inicie, o dor será acionado para que adicione aumentando a qualidade dos biscoi-
operador deve acionar o botão “iniciar” água até completar o nível de 20.000 tos de água e sal.
no controlador de batelada “FQI” loca- novamente. Essa água é transferida A otimização do processo de fabri-
lizado num pequeno painel, conforme para o tanque através de uma bomba cação promove um aumento nos
mostra o diagrama de malha (figura proveniente do caminhão tanque. ganhos econômicos a um curto prazo,
1). Dessa forma, o controlador FQI A válvula manual “HV2” funciona visto que, não ocorrerão mais os
abre a válvula solenóide “S” via saída como um bloqueio de segurança desperdícios de matéria prima e de
a relé e inicia a batelada de 20 litros de quando for necessário, visto que esta tempo, havendo um aumento na quan-
água potável que será mensurada pelo fica aberta quase o tempo todo para tidade do produto final.
medidor de vazão tipo turbina “FE”. alimentar o processo. Soluções simples utilizando instru-
Esse medidor envia um sinal de pulsos A tubulação utilizada no processo mentação nos processos de fabrica-
referente à vazão medida e totalizada de fabricação é toda de 1“, incluindo a ção de variados produtos, também
para o “FQI” que indicará a vazão secção das válvulas manuais “HV1” e estão ao alcance de empresas de
encontrada. Assim, cada vez que o “HV2”, da válvula de controle proporcio- pequeno porte, sem que estas tenham
“FQI” totaliza 20 litros, ele automatica- nal “LCV”, da válvula solenóide “S”, do que fazer grandes investimentos.
mente fecha a válvula, encerrando o medidor de vazão tipo turbina “FE”, etc.
processo de batelada. Ao término de O correto funcionamento do sis- *Rogério Dias Gimenes é representante
cada batelada de água potável, o ope- tema acima descrito, permite que a técnico comercial da Metroval Controle de
rador poderá acionar, em seguida, o água seja dosada e incorporada de Fluídos Ltda.
botão iniciar do “FQI”, para uma nova
batelada. Esse sistema de controle
automático de nível permite que o
tanque de água se mantenha com o
nível 100% em 2000 litros.
Esse controle automático é com-
posto por um medidor de nível tipo
hidrostático “LT”, que mede o nível
através da pressão hidrostática gerada
pela coluna de água do tanque. Um
controlador e indicador “LIC” instalado
num pequeno painel junto com “FQI”
(controlador de batelada) pode ter seu
set point ajustado em 100% e assim,
quando o nível do tanque de alimenta-
ção começar a baixar durante o con-
sumo de água, o medidor de nível “LT” F.1 Diagrama de malha.

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 39


Atual Redes

Controle em
redes híbridas Leonardo Tavares*

A evolução tecnológica dos últimos anos motivou muitos estu- dade, número de dispositivos em
dos de soluções e tendências no mundo da automação indus- uma única rede, número de conduto-
res, imunidade a ruído e muito mais.
trial, especialmente os das redes de comunicação de dados no
O fato é que a utilização de redes de
chão de fábrica. Nesse sentido, várias empresas se destacaram comunicação de dados no chão de
lançando suas redes fechadas, as quais chamamos de redes fábrica é cada vez mais freqüente
proprietárias, pois seus componentes só se comunicavam entre e indispensável no campo da auto-
si não permitindo a inclusão de componentes de outros forne- mação e controle dos mais variados
tipos de processos. Em geral, não
cedores na mesma rede. Mas, certamente esse início teve uma se começa um projeto de sistema de
parcela de contribuição muito significativa nessa jornada, pois controle, hoje em dia, sem pensar na
outros fabricantes sentiram-se obrigados a andar na mesma implementação de um sistema inte-
direção diante da necessidade de fazer igual, ou melhor, em rela- grado. Embora a informação esteja
no chão de fábrica, essa integração
ção ao seu concorrente, fato que contribuiu ainda mais para
pode ter seu ponto de partida aí
evolução desses sistemas. Quanto às vantagens, estas então mesmo, uma vez que agora temos
são notáveis em relação aos sistemas convencionais de instru- muitas outras informações disponí-
mentação onde, normalmente, os cabos são levados a painéis veis nos instrumentos de campo,
centrais em grandes salas de controle. podendo passar por sistemas de
supervisão, sistema de manutenção,
sistemas administrativos e muito

C
ontudo, todo esse processo temas e quais seriam as caracte- mais.
evolutivo resultou na cria- rísticas desta tecnologia FieldBus, É nesse âmbito que estes sis-
ção de um sistema de protocolo de comunicação, veloci- temas de Automação Industrial
comunicação aberto, com interope-
rabilidade entre fabricantes distintos
mas, principalmente, com a liberdade
de escolha do usuário final de con-
ceber seus sistemas de controle sem
estar necessariamente preso a um
determinado fabricante. Chamamos
essa tecnologia de FieldBus e, final-
mente, em 1998, a conhecida “Guerra
dos Buses” ganhou a atenção de
todos e esses sistemas digitais
ficaram cada vez mais divulgados
e conhecidos pelo público. Dessa
forma, suas características, vanta-
gens e desvantagens puderam ser
mais bem examinadas.

SISTEMAS FIELDBUS

Muito se discutiu e especulou


a respeito da utilização destes sis- F.1 Níveis de automação.

40 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Redes Atual

apresentam estas tecnologias no


contexto de um sistema de produ-
ção mais eficaz, onde os instrumen-
tos não são simplesmente meros
componentes isolados e com função
única de informar apenas o valor da
variável medida ou de uma válvula
ou de um inversor, mas que apre-
sentam, além de tudo isso, alguma
“inteligência”, comunicando-se entre
si tornando as informações dispo-
níveis o tempo todo, praticamente
Real Time.
F.2 Tela de programa
de supervisão.
NÍVEIS DE AUTOMAÇÃO

Com toda essa informação dis- fast-ethernet ou outros, conseguem 4. Nível de Campo
ponível, podemos estabelecer uma atingir um tempo de resposta muito No nível mais baixo, está locali-
divisão de camadas das informa- pequeno a taxas de comunicação zado o FieldBus que é responsável
ções existentes dentro da automação elevadas. pela comunicação entre os dispositi-
em quatro níveis, o nível de geren- É também a partir deste nível que vos mais simples utilizados no chão
ciamento, o nível de supervisão, o é efetuada a comunicação bidirecio- de fábrica (sensores e atuadores) e
nível de controle e o nível de campo nal com o exterior, utilizando as redes seus respectivos controladores.
(figura 1). públicas de transmissão de dados A comunicação neste nível é feita
como a Internet. através de um mestre de rede Field-
1. Nível de gerenciamento Bus. Esse mestre possui escravos
No nível mais alto da topologia 2. Nível de supervisão aos quais são conectados os senso-
encontram-se os sistemas corpora- No nível de supervisão, são efe- res e atuadores inteligentes ou con-
tivos com uma visão macro, tendo tuadas as operações de condução vencionais presentes no sistema. A
todas as ações da rede de comunica- e controle do processo por setores, forma física de conexão ou a topolo-
ção dirigidas para o controle gerencial em face das ordens vindas do nível gia empregada depende de cada tipo
da produção, aqui estão integradas superior e de restrições e informação de FieldBus.
e são tomadas todas as ações de vindas do nível inferior. Este nível se caracteriza, em
controle estratégico e é efetuada a É também função deste nível termos de comunicação, por pos-
supervisão global do sistema e dados supervisionar continuamente os índi- suir uma quantidade de informações
gerenciais integrados com os conhe- ces de qualidade da produção, anali- baixa trafegando na rede, e traba-
cidos sistemas de supervisão distri- sar tendências na variação de todos lhando com velocidades de transmis-
buídos em estações de trabalho na os parâmetros críticos e emitir relató- são também baixas, mas a resposta
concepção “Client x Server”. Estes rios de produção (figura 2). é satisfatória. Estas redes de baixo
sistemas de supervisão são conec- nível (Fieldbus) estão sendo cada
tados aos PLCs, por exemplo, atra- 3. Nível de Controle vez mais utilizadas nos sistemas
vés da rede Ethernet e utilizam driver No nível de controle, são designa- industriais por sua tecnologia redu-
de comunicação dedicado ou OPC das funções de tempo crítico, envol- zir drasticamente os custos. Pesqui-
(OLE for Process Control) e , através vendo constantes de tempo da ordem sas indicam que cerca de 30% das
destas estações, os operadores po- de 20 ms a 100 ms. Neste nível estão despesas atribuídas a custos de HH
dem visualizar e gerenciar alarmes, localizadas células onde os controla- para detalhamento de instrumenta-
dados estatísticos, históricos, recei- dores gerenciam processos. ção, distribuição de cabos, comis-
tas e a operação propriamente dita A comunicação neste nível é feita sionamento, start-up, montagem e
do processo. entre os mestres como, por exemplo, manutenção dos sistemas de con-
Neste nível, estão envolvidos um CLP no comando de processos trole, podem ser diminuídos significa-
setores como a administração, gerên- industriais ou máquinas automáticas. tivamente.
cia industrial, manutenção, produção, Estes diversos controladores se comu-
compras/vendas, banco de dados, nicam entre si através de um pro-
entre outros. tocolo padrão definido no projeto da REDES HÍBRIDAS
Em termos de comunicação a rede, e a comunicação com o nível
quantidade de informações que tra- mais superior é feita por meio de sis- A primeira coisa que deve ser
fega pela rede é maior, porém os temas de supervisão que faz em a co- compreendida é que, como vimos
desenvolvimentos atuais de redes leta das informações necessárias para anteriormente, há níveis distintos nos
de comunicação padrão ethernet, transmissão ao nível superior. sistemas de automação e que para

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 41


Atual Redes

cada um desses níveis há diferentes


tipos de redes que se amoldam melhor
dos mesmos, trazendo os benefícios
necessários à aplicação e ao projeto
como um todo. Nesse sentido, pode-
mos ainda dividir um pouco mais as
redes de campo e encontrar nesses
diferentes níveis as características
adequadas e bem dimensionadas para
cada aplicação, lembrando que não
se trata de ser melhor ou pior, mas
sim da rede adequada para cada situ-
ação (figura 3).
Alguns barramentos servem ape-
nas para interligar sensores e atuado-
res discretos, basicamente transmi-
tindo estados e bits de comando. Eles
são denominados Sensorbus. Dentre
eles a rede ASI, por exemplo, se
destaca como uma excelente opção,
visto que é um protocolo muito sim- F.3 Rede híbrida.
ples, eficiente e, principalmente, de
fácil instalação, uma vez que é
necessário apenas um único cabo
contendo um par de condutores pas-
sando pelos dispositivos da rede, não
esquecendo obviamente do mestre
e da fonte de alimentação. Como
se trata de uma rede direcionada
para sensores e atuadores discretos
bastante utilizada e muito adequada
nesta concepção de rede híbrida,
vale a pena conhecê-la um pouco
mais.
A rede ASI é composta essencial-
mente por quatro componentes: um
mestre, uma fonte, um cabo com um F.4 Dados e alimentação no mesmo cabo.
par de condutores e, é claro, os escra-
vos. Todos esses componentes são A topologia também é flexível Finalmente, restam as redes de
ligados em paralelo, literalmente, e os podendo-se utilizar estrela, linha, ramo instrumentos de campo especializadas
dados são enviados e recebidos de e árvore e assim flexibilizando ainda em variáveis analógicas e controle.
cada escravo endereçado na rede de mais a instalação física, na hora da Além do padrão FieldBus Foundation
forma seqüencial. distribuição de I/Os. (IEC/SP50 H1), temos o Profibus PA e
O número de escravos que podem A parceria destes tipos de redes o WorldFIP.
ser conectados em uma única rede com as redes de nível mais alto é per-
depende da versão: a 2.0 ou a 2.1. feita. Isso porque para ler ou escrever
A primeira permite até 31 escravos informações de sensores e atuadores BENEFÍCIOS
e a segunda até 62 e, apesar da discretos (nível de bit) em uma rede de
diferença, são compatíveis entre si nível mais alto, é necessário agrupá- Este tipo de topologia traz uma
podendo, por exemplo, uma rede estar los em pequenos painéis, junction box série de benefícios. Embora pareça
utilizando escravos na versão 2.0 em ou algo parecido. complexa a sua implementação, em
uma rede onde o mestre está na Um segundo nível é representado geral as redes híbridas são interli-
versão 2.1. pelas redes capazes de interligar dis- gadas em níveis hierárquicos distin-
Os dados e a alimentação estão positivos inteligentes mais comple- tos e, no menor nível, normalmente
presentes no mesmo cabo (figura 4) xos, enquadrados na denominação estão as de menor tráfego. A van-
e este último serve para alimentar genérica de devicebus. As mensa- tagem deste tipo de concepção é o
o escravo e também para acionar gens aqui já são orientadas a byte. melhor dimensionamento e aprovei-
dispositivos como solenóides, todavia Nesta categoria se enquadram as tamento nos respectivos níveis da
alguns tipos de escravos requerem redes Interbus, DeviceNet, Control- automação, isto é, podemos apro-
uma fonte auxiliar. Net e outras. veitar melhor as potencialidades de

42 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Redes Atual

F.5 Menos cabos, calhas e eletrodutos para


encaminhamento até o painel.

F.6 Redução no tempo de montagem.

cada sistema, sem superdimensionar durante um comissionamento de uma divulgação para que os técnicos e
ou subdimensionar e, como conse- planta. profissionais da área tenham cons-
qüência, o custo x beneficio aumenta Manutenção: o diagnóstico da ciência e saibam das vantagens
significativamente. rede e dos respectivos componen- de sua utilização na indústria. Sem
Nas diversas etapas de um projeto tes agiliza a manutenção, direcio- dúvida, a resistência à mudança
encontramos pelo menos um aspecto nando a ação do técnico no sentido existe, mas da mesma forma que
positivo, quando desta utilização: de solucionar mais rapidamente o saímos da era pneumática (3 a 15
Projeto e detalhamento: horas problema. PSI) para entrarmos na eletrônica (4
de detalhamento são economizadas a 20ma), temos que ultrapassar a
num sistema fieldbus, uma vez que barreira da mudança mais uma vez
a documentação se torna mais sim- CONCLUSÃO e entrar na era da comunicação digi-
ples com menos cabos, calhas e ele- tal, o FieldBus.
trodutos para encaminhamento até o Verificamos que as tecnologias
painel (figura 5). denominadas FieldBus trazem inú- * Leonardo Tavares é diretor da T&T Auto-
Material: como o sistema diminui meros benefícios já comprovados, mação e Sistemas Industriais e professor de
a quantidade de cabos, o que já entretanto, são extremamente recen- Automação Industrial do CEFET campus/RJ.
é uma grande economia, o material tes no mercado, necessitando um
para montagem que conduziria todos forte trabalho de esclarecimento e F.7 Possibilidade de utilização
esses cabos até um painel centrali- de vários fabricantes numa mesma
zado ou mesmo painéis distribuídos, rede.
também tem uma redução drástica.
Montagem: agora que reduzimos
os cabos e material de montagem,
o tempo para montagem do Fieldbus
com menos cabos e calhas será bem
menor e, com isso, os custos também
são menores (figura 6).
Instrumentação: como a rede é
aberta, ao contrário das redes pro-
prietárias que possuem rede fechada
a um único fabricante, ela possibilita a
utilização de vários fabricantes numa
mesma rede (figura 7).
Comissionamento e Star-Up: a
configuração remota permite configu-
rar os dispositivos de campo sem
necessidade de ir ao campo, redu-
zindo tempo, o que é necessário

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 43


Atual Instrumentação

Transmissores de
Temperatura
Bruno Castellani*

A
A utilização de transmis- um sinal analógico padrão (4 a 20 analógica, 4 a 20 mA ou com um resis-
sores de temperatura na mA). Há no mercado transmissores tor shunt (250 ohms) para 1 a 5 Vcc.
indústria em geral está de temperatura analógicos e micro-
relacionada aos seguintes processados. Os primeiros, são ins-
fatores: trumentos que não possuem, na sua SIMBOLOGIA
Economia de fiação: Em muitos estrutura, componentes microproces-
casos, a escolha em usar um trans- sados e sendo assim, toda a forma Conforme a norma da ISA S5.1,
missor de temperatura é mais viável, de ajuste e configuração são feitas a simbologia para transmissores de
pois em longas distâncias o custo com manualmente no próprio instrumento. temperatura é mostrada na figura 1.
cabos de extensão para termopares e Possuem um preço baixo, não linea-
cabos a três fios para termo-resistên- rizam sinais de termopares, possibi-
cia é inviável, em comparação com a litam a mudança do “range” e o tipo COMO LIGAR UM TRANSMISSOR DE
utilização de um transmissor de tem- de sensor de mesma família. Já os TEMPERATURA
peratura e um par de cabos de cobre transmissores de temperatura micro-
para a transmissão do sinal de saída. processados são totalmente configu- Existem duas formas para a ligação
Isolação Galvânica: É uma prote- ráveis, com entrada universal, imunes de um transmissor de temperatura:
ção entre a entrada e saída do trans- a ruídos, têm isolação galvânica, pos- Ligação a dois fios: Transmissor
missor de temperatura contra loops suem filtros de sinal na entrada, linea- de temperatura em que a ligação da
de terra e ruídos da linha. rização e sua configuração é feita via alimentação está em comum com a
Compatibilidade eletromagné- software por comunicação serial digi- transmissão do sinal de saída (figura
tica: Como em um processo industrial, tal ou comunicação Hart. 2). Onde o TE envia o sinal prove-
onde haja, por exemplo, motores de
indução, o campo magnético gerado
pode interferir nas transmissões dos SINAIS DE ENTRADA E SAÍDA
sinais, daí a importância de um instru-
mento com imunidade a essa interfe- Os sinais de entrada que o trans-
rência. missor de temperatura aceita são:
Linearização do sinal: Como o termopares, termo-resistências, sen-
sinal do sensor primário não é linear sor-mV e potenciômetros-Ω. A saída é
(termopares), o transmissor de tempe-
ratura lineariza o sinal de saída con-
forme o sinal do sensor primário.

FUNCIONAMENTO

Um transmissor de temperatura,
de forma bem simplificada, converte
um sinal que está sendo transmitido
por um sensor primário (termopar,
termo-resistência e sensor-mV ) em F.1 Simbologia. F.2 Ligação a dois fios.

44 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Instrumentação Atual

niente da temperatura do processo leitura, na transmissão e/ou não fun-


para o TT, no qual converte para um cionamento do instrumento.
sinal analógico (4 a 20 mA) e trans- Tomemos como exemplo um ter-
mite para um TIC. mopar tipo K, que vai trabalhar na
Ligação a quatro fios: Trans- faixa de temperatura entre 100oC a
missor de temperatura em que a liga- 900oC. Na configuração, o transmissor
ção da alimentação está separada da F.5 Termo-resistência a três fios em de temperatura deverá possuir estes
transmissão do sinal de saída (figura entrada a quatro fios. mesmos valores (termopar tipo K e
3). Onde o TE envia o sinal prove- faixa de trabalho de 100oC a 900oC)
niente da temperatura do processo sação de resistência de linha, justa- para que a saída seja proporcional à
para o TT, no qual converte para um mente pelo fato do jumper não possuir entrada, como 100oC = 4 mA e 900oC
sinal analógico (4 a 20 mA) e trans- a mesma resistência de linha de RL. = 20 mA.
mite para um TIC. Para termo-resistência a três fios, use Entretanto, caso o tipo de sensor
transmissores para ligação a três fios. instalado no campo seja um termopar
Termo-resistência a quatro fios tipo K, mas na configuração do trans-
em entrada a três fios (figura 6): missor seja escolhido termopar tipo J,
Neste caso, as duas resistências de como as curvas (Temperatura x Ten-
linhas (RLs) ligadas no borne 1 estão são-mV) entres eles são diferentes,
dividindo a RL pela metade, por esta- o transmissor irá transmitir um sinal
rem ligadas em paralelo, razão pela como se estivesse um termopar tipo
qual ocorrerá um erro na medição. Para J instalado no processo e, sendo um
que não haja erros na medição, as três termopar tipo K, ocorrerá um erro de
RL terão que ser iguais. Para termo- temperatura na transmissão.
resistência a quatro fios, empregue
transmissores para ligação a quatro
fios ou transmissores com ligação a ONDE É INSTALADO
três fios, isolando um dos fios da termo-
resistência. Os transmissores de temperatura
são instalados no próprio cabeçote do
sensor primário (formato bolacha) ou
F.3 Ligação a quatro fios. em painéis de controle com trilho Din.

PROBLEMAS MAIS COMUNS


TENDÊNCIAS
Os problemas mais comuns refe-
rem-se às ligações dos sensores no Protocolo Hart: É uma comuni-
transmissor de temperatura: F.6 Termo-resistência a quatro fios cação que sobrepõe ao loop de 4 a
Termo-resistência a dois fios em em entrada a três fios. 20 mA uma freqüência, através de
entrada a três fios (figura 4): Neste uma chave comutadora de freqüên-
tipo de ligação, não existirá a com- Polaridade de termopares (figura cia (FSK), na qual, transmite uma
pensação da resistência de linha (RL), 7): Na ligação de um termopar, ligar freqüência de 1200 a 2400 Hz, tendo
pois o jumper não possui a mesma RL sempre a polaridade correta no trans- com isso a não interferência no sinal
interferindo na resistência do Pt100, missor de temperatura para ter uma analógico de 4 a 20 mA, possibilitando
possibilitando um erro de temperatura. medição e transmissão corretas. a introdução de valores para a alte-
Para termo-resistência a dois-fios uti- ração de todos os tipos de parâme-
lize um transmissor para conexão a tros possíveis, através de software ou
dois fios ou a três fios compensando hand - held.
a resistência. Comunicação Serial Digital: A
Termo-resistência a três fios em utilização de uma rede de comunica-
entrada a quatro fios (figura 5): Neste ção digital como, por exemplo, Profi-
tipo de ligação, não haverá a compen- F.6 Polaridade de termopares. bus ou Fieldbus, possibilita que uma
malha de controle tenha a monito-
CONFIGURAÇÃO DO TRANSMISSOR ração, configuração e alteração em
DE TEMPERATURA vários instrumentos que estejam na
mesma malha e que possuam o
Para a configuração de um trans- mesmo protocolo de comunicação.
missor de temperatura é necessário
saber o tipo de sensor e sua faixa *Bruno Castellani é técnico em instru-
mentação e controle de processos e estagi-
F.4 Termo-resistência a dois fios em de trabalho, pois caso seja configu- ário de engenharia do controle e automação
entrada a três fios. rado incorretamente, haverá erro de na Ecil Temperatura Industrial Ltda.

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 45


Atual Energia

Interferência
eletromagnética
por ESD Osmar Brune*

Os engenheiros encaram dois tipos de problemas causados por Nota


ESD (electrostatic discharge): os que ocorrem durante a fabri- - Este é o quinto artigo de uma série sobre
EMC/EMI. A leitura dos artigos anteriores da
cação do produto, e aqueles que surgem depois que o mesmo série é recomendada para uma melhor com-
já está no campo. O primeiro é um problema de manufatura, e o preensão de alguns conceitos citados neste
artigo.
segundo é um problema de EMI (electromagnetic interference).
Neste artigo abordamos o segundo tipo de problema, cujos efei- ordem de nanossegundos ou pico-
tos variam desde perturbações de funcionamento até o dano segundos). Esta ruptura rápida causa
muitos problemas em equipamentos
permanente. eletrônicos modernos. Os pulsos típi-
cos (na ordem de nanossegundos)

A
distinção entre os dois tipos Mais cedo ou mais tarde, uma des- são equivalentes a freqüências da
de problemas, feita ante- carga de ESD irá ocorrer, portanto ordem de centenas de MHz. Devido
riormente, é importante. um projetista deve se preocupar em a esta alta velocidade e freqüência, a
Muitas companhias tem excelente como a ESD pode afetar adversa- energia de ESD pode danificar circui-
controle de ESD durante a produção, mente o seu produto. Felizmente, com tos, provocar oscilações nos terras e
mas seus produtos falham no campo pequenos cuidados, pode-se diminuir até mesmo causar perturbações atra-
devido à ESD. O risco de ESD existe radicalmente a vulnerabilidade a este vés de campos eletromagnéticos.
em toda parte, não apenas na fábrica. problema. A ESD se divide em duas fases:
Um bom projeto pode evitar proble- Abordamos, neste artigo, técnicas pré-descarga (acúmulo de carga) e
mas de ESD no campo. para prevenir e corrigir problemas de pós-descarga (a ruptura do iso-
Há uma grande diversidade de ESD no momento do projeto do equi- lamento). Como projetistas, nos
fontes de ESD, tais como seres pamento. Antes disso, entretanto, ana- interessamos principalmente pela pós-
humanos, móveis, papéis e plásticos. lisaremos o fenômeno de ESD e os descarga, mas é útil entender como o
Também existem múltiplos caminhos modos de falha. problema começa, em primeiro lugar.
de acoplamento, entre eles, circuitos, A figura 1 mostra a forma de onda
terras e campos eletromagnéticos. E, típica de um evento de ESD.
finalmente, existem diversos modos O FENÔMENO ESD Muitos de nós conhecemos como
de falha, veja perturbações, danos se gera a eletricidade estática. O
permanentes, ou falhas latentes, entre Um evento de ESD é caracterizado método mais comum é a carga pela
outros. por um acúmulo muito lento de ener- remoção de elétrons de um objeto
O problema de ESD vem piorando. gia (tipicamente dezenas de segun- (resultando numa carga positiva),
À medida que os circuitos tornam-se dos), seguido de uma ruptura muito transferindo-os para outro objeto
mais rápidos, eles ficam mais susce- rápida do isolamento (tipicamente da (resultando numa carga negativa). Em
tíveis a perturbações, porque pulsos
rápidos de ESD podem ser confundi-
dos com sinais legítimos. E à medida
que os circuitos se tornam mais com-
pactos, eles ficam mais suscetíveis a
danos, porque não podem mais dissi-
par com segurança a energia de ESD
em seu pequeno volume.
Há duas escolhas para tratar a
ESD: preveni-la ou ser imune a ela. A
prevenção é a estratégia normalmente
adotada na manufatura, pois um único
evento de ESD pode danificar circui-
tos ou placas vulneráveis. Para equi-
pamentos no campo, no entanto, esta
estratégia de prevenção não é viável. F.1 Forma de onda típica de ESD.

46 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Energia Atual

um condutor, esta carga se recombina gir a tensão suficiente para a ruptura mediários para dissipar a energia de
quase instantaneamente. Mas em um do isolamento. Estudos mostram que ESD.
isolante, a carga pode permanecer com umidade superior a 50%, seres O segundo modo de falha é a
separada. A carga estática resulta humanos dificilmente produzem ten- perturbação (funcionamento errôneo)
numa tensão estática (V = Q/C, onde sões superiores a 2000 V. Com 5% de causada por oscilações no terra do cir-
C é a capacitância e Q é a carga). umidade, essas tensões podem atin- cuito. Esta situação pode ser sutil, pois
Quanto melhor for o isolante, mais gir 15000 V ou mais. Mesmo assim, geralmente admitimos que o terra tem
tempo levará para que haja uma existem casos em que tensões tão baixa impedância. Mas, com pulsos de
recombinação significativa da carga, e baixas como 2000 V podem causar 1 nanossegundo (mais de 300 MHz),
maior será a tensão que pode surgir. problemas. a impedância pode não ser baixa
Fontes típicas de carga estática são devido às indutâncias parasitas, e o
os seres humanos, móveis e mate- terra oscilará. Em alguns casos, este
riais ou dispositivos em movimento. MODOS DE FALHA modo de falha pode causar danos, por
Se a tensão atinge um nível sufi- exemplo, em circuitos CMOS (efeito
cientemente alto, uma rápida ruptura A figura 3 exibe 4 modos de latch-up).
do isolamento pode ocorrer através falha causados por ESD. Em muitos O terceiro modo de falha é a per-
do ar, que é o arco de ESD (em uma casos, mais do que um modo de falha turbação causada por um campo ele-
tempestade, o resultado é o raio). podem estar presentes simultanea- tromagnético. Este efeito raramente
Na figura 1, pode-se observar que mente, o que podem complicar bas- produz dano, porque tipicamente uma
a corrente de pico de ESD pode exce- tante a detecção do problema. pequena fração da energia ESD é aco-
der dezenas de ampères (descargas O primeiro modo de falha causa plada em circuitos vulneráveis. Este
provocadas por seres humanos), e perturbação no circuito, ou dano efeito depende altamente do tempo
o tempo de subida está na faixa de latente ou permanente, devido à cor- de subida, das áreas de loop do cir-
nanossegundos. rente de ESD que flui através de um cuito, e da presença de blindagem.
Por quê analisar a corrente, e não circuito vulnerável. Esta situação é Em alguns casos, não é necessário
a tensão? Porque, provavelmente, a idêntica à preocupação com ESD na que a descarga de ESD ocorra muito
corrente é o problema. É como o manufatura: qualquer corrente inje- próxima do circuito. Já foram observa-
estouro de uma represa, o que causa tada em um pino pode danificar o dos problemas desta natureza onde
o dano é o fluxo da água em si, e dispositivo. Dessa forma, qualquer a descarga aconteceu entre 5 a 7
não a pressão que havia na represa conexão direta a um circuito inte- metros de distância do circuito. Este
antes do estouro. A tensão é apenas grado a partir do mundo externo, modo tem se tornado tão importante
uma medida conveniente da “pressão” seja através de um conector ou de que a maior parte dos testes de
antes do evento de ESD. um teclado, não é uma boa idéia. ESD, atualmente, estão verificando
Além da corrente, o tempo de Deve-se utilizar componentes inter- este efeito de acoplamento indireto.
subida é muito importante. No mundo
de EMI, freqüentemente convertemos
tempo de subida (Tr) em freqüência
equivalente (F), onde:
F= 1
π . Tr
Esta equação é baseada na trans-
formada de Fourier, como ilustra a
figura 2.
Para um pulso de ESD de 1 nanos-
segundo, temos uma freqüência equi-
valente maior que 300 MHz. Isto não F.2 Tempo x Freqüência para ESD.
é mais eletricidade estática, portanto
requer técnicas de projeto de VHF
(very high frequency), e não de cor-
rente contínua.
A umidade está relacionada à
probabilidade de eventos de ESD.
Quanto maior a umidade, menor
esta probabilidade. A umidade ajuda
a diminuir a impedância superficial
dos materiais isolantes, diminuindo
o tempo necessário para recombina-
ções de carga. Dessa forma, é mais
difícil acumular carga a ponto de atin- F.3 Quatro falhas provocadas por ESD.

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 47


Atual Energia

O quarto modo de falha é devido Proteção no nível do circuito evitar que a indutância dos terminais
ao campo elétrico provocado pela alta acabe bloqueando a energia que seria
tensão na fase de pré-descarga, isto É aconselhável utilizar protetores dissipada por eles. Como regra, ter-
é, antes de ocorrer a ruptura do iso- de transientes e filtros em todas os minais possuem uma indutância da
lamento. Não é muito comum, mas sinais externos, e também usar filtros ordem de 10 nanohenrys por cm. Um
pode aparecer em circuitos analógi- nos sinais críticos internos (resets, ESD típico de 15 A com 1 nanos-
cos de alta sensibilidade e muito alta interrupções, etc). A figura 4 traz um segundo de tempo de subida produ-
impedância de entrada. Em circuitos resumo das recomendações de prote- zirá 200 V sobre 2 cm de terminais. A
digitais, talvez seja uma questão de ção no nível do circuito. figura 5 mostra o contraste entre uma
tempo ocorrer este tipo de problema, Protetores de transientes devem boa e uma má instalação.
devido ao decréscimo progressivo de ser rápidos. Para ESD, isto exclui pro- Pode-se utilizar filtros de alta fre-
suas dimensões. tetores contra descargas atmosféricas, qüência para proteção contra ESD.
Também deve-se considerar o tipo que atuam na faixa de micro-segun- Protetores de transientes disparam
de falha provocada, que pode variar dos, ao invés de nanossegundos. num nível fixo de tensão, enquanto
desde dano permanente até uma per- Os dispositivos mais adequados são que filtros reduzem ESD de forma pro-
turbação mínima. Mesmo no caso de zeners e tranzorbs, sendo preferíveis porcional. Da mesma maneira como
perturbações, elas podem ter efeitos os tranzorbs. MOVs padrão (metal em protetores de transientes, eles
graves, dependendo do custo da falha oxide varistors) não funcionam bem também agem em alta freqüência,
(por exemplo, num sistema de con- para ESD, mas existem novos modelos e portanto valem as mesmas reco-
trole vital). de MOVs (multilayer surface mount) mendações para manter curtos seus
É importante observar ainda que que podem ser utilizados. terminais. É aconselhável que os fil-
circuitos digitais rápidos são bem mais É muito importante manter curtos tros proporcionem uma atenuação
suscetíveis a perturbações do que os terminais destes dispositivos, para mínima de 40 dB entre 100 e 300
circuitos analógicos lentos. Circuitos MHz.
digitais acima de 300 MHz são espe- F.4 Recomendações para ESD no Se possível, deve-se aterrar os
cialmente suscetíveis, pois pulsos de nível de circuito. protetores de transientes e os filtros
ESD podem ser confundidos com no terra da carcaça, e não no terra
Protetores de Transientes:
pulsos legítimos. - devem ser suficientemente rápidos para do sinal, para evitar oscilações no
ESD terra do sinal. Deseja-se desviar as
- mantenha os terminais curtos correntes de ESD tanto dos sinais
TÉCNICAS DE PREVENÇÃO como do terra do sinal. Isto é parti-
CONTRA ESD Filtros de Alta Freqüência:
- devem atenuar na faixa de 100 MHz a
cularmente importante se não forem
300 MHz utilizadas placas de circuito multi-
A primeira estratégia é determinar layer. Em placas com 2 layers, cada
os pontos mais prováveis para des- Ferrites: trilha é um indutor em freqüências
cargas ESD. Alguns são bem óbvios, - cuidado para selecionar o tipo correto de ESD.
como teclados, conectores, chaves (ferrites EMI)
Também pode-se inserir pequenas
- usar capacitores shunt em entradas de
e indicadores. Qualquer coisa metá- alta impedância impedâncias série, tais como resisto-
lica é suspeita, especialmente quando res de 50 a 100 Ω ou pequenas
possui conexões elétricas. O plano é Placas de Circuito Impresso Multilayer: ferrites. Isto diminuirá a corrente de
bloquear, desviar ou limitar a energia. - 10 vezes mais eficientes contra campos ESD. Estas ferrites devem apresentar
É possível bloquear ESD com uma iso- eletromagnéticos
uma impedância entre 50 e 100 Ω
lação adequada. Se ESD ocorre, você Proteção de Circuitos Críticos entre 100 MHz e 500 MHz. Deve-se uti-
pode desviá-la dos circuitos vulne- - resets lizar ferrites específicas para EMI, não
ráveis através de filtros ou supresso- - interrupções qualquer ferrite. Ferrites são melhores
res de transientes. Também é possível - sinais de controle do que resistores, pois apresentam
limitar as correntes de ESD com impedância menor em freqüências
pequenas ferrites ou resistores. mais baixas.
Uma segunda estratégia é deter- Não se pode usar apenas ferrites
minar os circuitos internos mais vulne- em entradas de alta impedância.
ráveis a perturbações causadas por Neste caso, além das ferrites em série
oscilações no terra ou acoplamento com a entrada, você deve empregar
eletromagnético, tais como “resets”, pequenos capacitores entre 100 a
interrupções e outros sinais de con- 1000 pF em paralelo com a entrada,
trole críticos. O plano é limitar esses para diminuir a impedância em alta
efeitos perturbadores. Pode-se prote- freqüência.
ger esses circuitos críticos individu- Placas de circuito impresso multi-
almente com filtros, ou coletivamente layer podem reduzir entre 10 e 100
com blindagens nos cabos e gabi- vezes os efeitos de acoplamento ele-
F.5 Indutância dos terminais de prote-
nete. tromagnético provocados por ESD.
tores de transientes.

48 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Energia Atual

Isto também acaba aumentando a ciente. A figura 6 ilustra algumas reco- modo de falha de acoplamento eletro-
imunidade contra RFI (radio frequency mendações para aumentar a robustez magnético.
interference), conforme visto em arti- de seus cabos e conectores contra
gos anteriores desta série. Em pri- ESD. Recomendações no nível de software
meiro lugar, neste tipo de placas as Os cabos e conectores devem ser
áreas de loop que poderiam funcio- de alta qualidade para enfrentar ESD, Algumas práticas de software
nar como antenas, são reduzidas. Em que é um problema de 300 MHz. podem ser extremamente eficazes
segundo lugar, a impedância do terra Cabos externos devem ser blinda- contra perturbações geradas por ESD
de sinal é extremamente reduzida, dos, e o conector deve ser metálico ou RFI. Isto pode ser chamado de “sof-
diminuindo as oscilações no terra de ou com cobertura metálica. Para blin- tware tolerante a ruído”. Escreva seu
sinal. dagem, tente malha sobre folha, ou software considerando que o ruído
Proteger circuitos críticos é um malha de alta cobertura. A união entre pode distorcer seus dados, em espe-
último conselho no nível de circuito. a malha e o conector deve abranger cial entre sub-sistemas diferentes (é
Por exemplo, uma pequena rede RC 360 graus, ou toda a circunferência. o caso de redes de comunicação,
junto do reset de um microproces- Não utilize conexões por fio entre a ou mesmo no barramento interno do
sador pode evitar muitos problemas malha e o conector. O conector fixo seu sistema). Por exemplo, interrup-
de ESD. Siga as recomendações ao chassis também deve ser metálico ções não utilizadas do seu sistema
do fabricante do microprocessador (não use plástico). podem ter um tratamento simples, que
para implementar tais redes. Além Se não puder blindar, então filtre é uma instrução “return from inter-
dos resets, outros sinais de con- cada sinal externo, inclusive terras rupt”. Pode-se também incluir códi-
trole, como interrupções, também de sinal, conforme discutido anterior- gos de detecção de erros no final
devem ser protegidos de forma mente. de blocos de dados transferidos entre
semelhante. Não esqueça dos cabos internos sub-sistemas diferentes (checksums
em seu equipamento. Tenha cuidado ou CRCs, por exemplo). Em redes de
Proteção em conectores para não passá-los perto de fendas comunicação, tais códigos de detec-
e cabos ou aberturas do chassis, pois depen- ção de erros são, via de regra, sempre
dendo do tamanho destes cabos, utilizados, pois é absolutamente certo
Cabos e conectores são críticos eles podem funcionar como antenas que, mais cedo ou mais tarde, o ruído
no controle de ESD. Cabos podem escondidas. Deixe seus cabos inter- distorcerá os dados.
agir como antenas escondidas e como nos no mínimo uns 5 cm longe destas
condutores indesejáveis para energia áreas. A figura 7 exibe como um cabo
de ESD. Além disso, um conector ruim interno pode funcionar como antena TESTES DE ESD
pode tornar um excelente cabo inefi- escondida.
A norma chave para testes de ESD
Recomendações para aterramento e é a IEC 61000-4-2, adotada na Comu-
blindagem nidade Européia, mas que também é
um padrão de fato no mundo para
As recomendações para blinda- testes de ESD. É preciso conformi-
gem e aterramento para proteção dade com essa norma para vender
contra ESD são similares àquelas produtos eletrônicos na Europa.
feitas em artigo anterior desta série,
para RFI (Imunidade à Interferência
por radiofreqüência). Portanto, reco- CONCLUSÕES
mendamos que seja lido novamente
esse artigo. Deve-se observar que os Este quinto artigo da série sobre
dois fenômenos (ESD e RFI) produ- EMC/EMI abordou problemas de ESD,
F.6 Cabos e conectores contra ESD. zem efeitos similares, considerando o e seu controle em nível de projeto.
Artigos subseqüentes desta série
prosseguirão abordando tópicos rela-
cionados, como componentes, blinda-
gem e aterramento.

Bibliografia
- Daryl Gerke e Bill Kimmel
EDN: The Designer’s Guide to
Electromagnetic Compatilibity
Kimmel Gerke Associates Ltd.

*Osmar Brune é projetista de produtos e sis-


F.7 Cabos internos como antenas escondidas. temas da Altus Sistemas de Informática.

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 49


Atual Redes

Características
das transmissões em
redes industriais 2ª parte
Carlos Henrique C. Ralize*

Na primeira parte deste artigo tratamos da transmissão dos poderíamos descrever o funciona-
sinais de uma rede através de pequenos segmentos, os frames, mento de qualquer rede de automa-
ção existente, mas escolhemos criar
e também dos mecanismos de controle de acesso ao meio
um protocolo para fazê-lo mais sim-
físico. Agora, criaremos um conjunto de comandos para a trans- ples que uma aplicação real.
missão de dados em uma rede de automação industrial hipoté- Para começar devemos definir
tica. Ao final do artigo veremos o que acontece, da formatação as características de nossa rede. A
dos dados pela aplicação à transmissão pelo meio físico, para figura 1 mostra a configuração do
barramento. O meio físico é RS-485
melhor fixar a relação entre todos os conceitos apresentados. (para conhecer as características
elétricas dessa rede leia o artigo
A CAMADA DE APLICAÇÃO um circuito entre o meu telefone e “Aplicações de redes RS-485” na
o destino. Quando a outra pessoa edição nº 10). Os dados serão apre-

V
árias atividades de rede atender ao telefone, considerando sentados fisicamente com a codi-
tais como o controle de que não haja defeitos, posso ter cer- ficação em caracteres UART de
acesso ao meio físico, teza de que ela poderá me ouvir e 11 bits com o seguinte formato:
o endereçamento e a divisão dos eu poderei ouvi-la, mas não posso 115200-8-E-1 (115,2 kbps, 8 bits,
dados em frames não são influen- ter certeza de que vamos nos enten- paridade Par, 1 Stop Bit). O meca-
ciadas pelo conteúdo da informa- der. Para isso é preciso que falemos nismo de controle de acesso é
ção transmitida. Quando dizemos a mesma língua. A aplicação de rede Mestre-Escravo. Nossa rede poderá
que uma rede é baseada no meio é exatamente a língua comum que ter 255 endereços de dispositivo,
físico RS-485, com apresentação de os equipamentos falam. Sem ela, de variando de 01 (o mestre terá obri-
dados em um frame UART de 11 bits nada adiantaria que toda a sincro- gatoriamente este endereço) a FF.
e trabalhando em configuração Mes- nização e controle de acesso fun- O endereço 00 será reservado para
tre-Escravo, estamos descrevendo cionassem, pois os dispositivos não transmissões do tipo broadcast, que
na verdade centenas de redes exis- saberiam como interpretar os dados explicaremos mais adiante. Lem-
tentes no mercado que funcionam de recebidos ou como formatá-los para bre-se: isto é válido para a nossa
forma semelhante. Com estas carac- transmissão. rede. Os protocolos existentes no
terísticas podemos garantir que os Vamos criar neste artigo uma apli- mercado podem ter características
dados enviados pelo mestre (um cação de rede fictícia. É lógico que diferentes. Para o nosso exemplo
computador, por exemplo) serão
transmitidos pela rede e chegarão
até um dispositivo escravo (um
módulo de saídas digitais, por exem-
plo). Mas não podemos ter certeza
que o escravo conseguirá interpretar
esses dados, realizando os coman-
dos enviados ou respondendo satis-
fatoriamente ao mestre. Para ter
certeza disso temos que garantir
que os dois trabalhem com a mesma
aplicação de rede.
Para tornar este conceito mais
claro podemos comparar os elemen-
tos acima a uma rede telefônica. Ao
tirar o fone do gancho e discar um
número de qualquer lugar no mundo,
a central telefônica fará as comuta-
ções necessárias para estabelecer F.1 Configuração da rede.

50 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Redes Atual

vamos considerar que o mestre da endereço inicial da variável (offset).


rede é um CLP. O dispositivo 02 é Por exemplo, em nosso cartão de 4
um Módulo de 8 saídas digitais, entradas digitais, o valor 00 indica a
o dispositivo 03 é um módulo de primeira entrada e 02 a terceira.
entradas e saídas analógicas com 4 N - Este campo indica quantas
entradas e 4 saídas com resolução variáveis seqüenciais serão lidas a
de 16 bits cada. O módulo 04 é um partir do endereço “Off”. Para garantir
inversor de freqüência. O Módulo 05 que os frames de dados não serão
é uma IHM. excessivamente longos, limitaremos
este valor a 32 bytes.
FIM - Octeto de finalização do
O FRAME DE DADOS frame de dados. Algumas redes usam
um código CRC ou Checksum neste
Já vimos no primeiro artigo como F.2 Frame de dados de nossa aplicação. campo. Na nossa aplicação escolhe-
funciona o protocolo da UART, que remos arbitrariamente um terminador
transmite cada byte de dados como dos que prevêem todas as possibilida- padrão “01010101” em binário ou “55”
um frame de 11 bits. Mas este não é des de utilização da rede. Em nosso em hexadecimal.
o único tipo de frame em uma rede. exemplo definiremos apenas alguns
Contida nos bytes transmitidos tere- comandos mais comuns, como lei- As tabelas 1 e 2 apresentam os
mos as informações específicas, da tura de valores analógicos e digitais, valores possíveis no campo Cmd em
aplicação. Vejamos a figura 2. escrita de valores analógicos e digi- nosso protocolo. Para cada comando
As estruturas apresentadas são tais, reset dos dispositivos e códigos enviado pelo mestre existe uma estru-
frames de dados usados para definir de erro. O comando define ainda o tura de frame. Em alguns casos os
a seqüência com que as informações tamanho do campo de dados. Um dados são enviados juntamente com
serão apresentadas na rede. Vamos comando de reset ou o reconheci- o comando. O número de octetos
analisá-lo: mento de uma mensagem não precisa de dados pode ser fixo ou variável,
End - A primeira parte do frame de campo de dados. A leitura de uma dependendo do comando. Em outros
indica o endereço. Como já defini- entrada digital ocupa um único bit, casos apenas os comandos são envia-
mos que nossa rede é do tipo Mes- mas para fins de alinhamento trans- dos, sem nenhum dado associado. A
tre-Escravo, nós podemos ter certeza mitiremos sempre octetos completos. tabela indica o número de octetos de
que qualquer comunicação será tra- A leitura/escrita de uma só entrada/ dados da solicitação e da resposta.
vada entre o mestre e um dos escra- saída analógica ocupa 2 octetos. A Por exemplo:
vos. E já sabemos que o endereço leitura de várias entradas terá compri- Solicitação: End-Cmd-Off-FIM:
do mestre, é sempre 01. Portanto, só mento variável dependendo do tipo, 03-01-0A-55 (solicita leitura da entrada
precisamos indicar um endereço ao resolução e quantidade de variáveis. 0A)
início da comunicação, que é o do A tabela 1 apresenta os comandos Resposta: End-Cmd-Dados-FIM:
escravo. Em comunicações origina- de nossa aplicação, suas respectivas 03-01-00-55 (resposta valor 00 -
das no mestre, este campo indica respostas e o tamanho do campo de Falso)
o destino da mensagem. Nas res- dados associado. O comando “00” -
postas dos escravos, este campo Ack indica que o escravo recebeu o
indica a origem da mensagem. Como comando e o executou normalmente. O FLUXO DE INFORMAÇÕES
nosso endereçamento pode ter valo- Off - Quando um comando soli-
res entre 00 e FF, bastará um octeto cita a leitura ou escrita de uma ou Agora que já definimos a codifi-
(8 bits) para este campo. Quando mais variáveis, este campo indica o cação de comandos, podemos enfim
o endereço neste campo for “00”, o
comando é do tipo Broadcast, ou T.1 Comandos de leitura e escrita.
Octetos Octetos
seja, deve ser recebido por todos. de dados de dados
Normalmente comandos broadcast Cmd Descrição (solicitação) (resposta)
são usados para sincronização, inicia- 01 Ler 1 entrada digital 0 1
lização ou diagnóstico da rede. Aten- 0
02 Escrever 1 saída digital 1
ção: Em redes que não se baseiam
03 Ler 1 entrada analógica 0 2
no mecanismo Mestre-Escravo pode
04 Escrever 1 saída analógica 2 0
haver comunicação entre qualquer
05 Ler várias entradas digitais 0 Variável*
par de dispositivos. Nesses casos,
06 Escrever várias saídas digitais Variável* 0
seria necessário indicar sempre o
07 Ler várias entradas analógicas 0 N
endereço de origem e o de destino
em campos separados. 08 Escrever várias saídas analógicas N 0
Cmd - Este campo indica o FF Reset (O dispositivo destino deve ser 0 0
reinicializado)
comando de rede. Uma aplicação bem
projetada possui dezenas de coman- * Para N de 1 a 8, ocupa 1 octeto; de 9 a 16, 2 octetos, e assim sucessivamente.

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 51


Atual Redes

T.2 Códigos de erro. Em resposta a qualquer comando. Utilizam o Frame C. interpretado e executado o comando,
ela deve dar uma resposta ao mestre.
Cmd Descrição
Normalmente, existe um tempo
A0 - Variável inexistente. O valor indicado no campo “Off” é inválido.
máximo de resposta. Podemos definir
para nossa rede que o tempo máximo
A1 - Valor de N inválido. O valor do campo N excede o tamanho máximo ou a
é de 20 BT (o tempo para transmitir 20
quantidade indicada é maior que o número de variáveis disponíveis.
bits - neste caso 172 µs). O frame de
resposta, nesta situação, não contém
A3 - Dados inválidos. Os dados enviados em um comando de escrita não
dados porque foi dado um comando
estão corretamente formatados ou excedem os limites da variável.
de escrita. A resposta incluirá o ende-
reço do escravo, o mesmo código de
A4 - Frame Inválido. O formato esperado do frame não foi obedecido. Pode
comando enviado pelo mestre e o ter-
indicar falha de transmissão. minador: “03 08 55”
Após receber o comando, o mestre
A5 - Timeout. O tempo máximo de transmissão ou processamento de uma precisa ainda ler os dados das 4 entra-
informação foi excedido. das analógicas. A solicitação será feita
pelo seguinte frame: “03 07 08 00
A6 - Comando inválido. O comando solicitado não pode ser executado. Por 55”.
exemplo um comando de escrita em um módulo de entradas. Supondo que os valores em hexa-
decimal das entradas 0 a 3 sejam
FA01, 0234, 0F3E e 5CC0, o escravo
analisar o que acontece durante uma transmitir um bit, neste caso, 8,6 µs), responderá a esta solicitação com o
comunicação. Suponhamos que o uma vez que o Start Bit de cada frame seguinte frame de dados: “03 07 01
mestre precise transmitir os valores reinicia o sincronismo da transmissão. FA 34 02 3E F0 C0 5C 55”. Supondo
das 4 saídas analógicas ao módulo A seqüência completa de 13 octetos que entre cada frame físico foi respei-
03 e receber como resposta os valo- será transmitida assim: tado o tempo máximo de 1 BT e
res das 4 entradas analógicas desse 01100000001 - 00001000011 - entre cada pergunta e resposta ocor-
mesmo módulo. O software da camada 00001000011 - 00000000001 - reu um tempo de 5 BT, podemos cal-
de aplicação de rede vai escolher 01100111101 - 00101010011 - cular o tempo total desta comunicação
os comandos adequados na tabela 00010101011 - 01100110111 - como 3,405 ms. Algumas redes pos-
acima para realizar essas operações. 01100010011 - 00000000001 - suem comandos de leitura e escrita
Primeiramente, ele transmitirá pela 00000100011 - 01111001011 - de grupos de variáveis em uma única
rede o seguinte frame de 13 octetos: 01010101001 operação. Esse método seria mais efi-
03 08 08 00 F3 2A 54 B3 23 00 10 A figura 3 ilustra como os dois ciente que o mostrado neste exem-
4F 55, significando: mensagem para primeiros octetos serão transmitidos plo.
o escravo 03, comando 08 - Escrever pelo RS-485. Ao final da transmissão acima, o
várias saídas analógicas, 8 bytes a Todos os dispositivos da rede Mestre verificará se os dados rece-
partir do byte 00, depois os valores receberão estes dados, mas apenas bidos são válidos. Caso haja alguma
dos 8 bytes de 00 a 07: F3, 2A, 54, a estação 3 os interpretará. Os inconsistência ou erro de transmissão,
B3, 23, 00, 10, 4F. E por fim o termina- demais dispositivos ignorarão o o Mestre repetirá a solicitação. Em
dor 55. frame a partir da transmissão do alguns casos, o escravo não responde
Cada um destes octetos, represen- endereço de destino. A estação 3 até o tempo limite. Aqui, o Mestre
tados aqui em seu valor hexadecimal verificará o comando solicitado e o repete a solicitação um certo número
serão então codificados pela UART no executará. Neste exemplo ele terá de vezes. Caso a falha continue, o
formato de frame físico por nós defi- que escrever 8 bytes a partir do byte Mestre envia para o programa aplica-
nido: 115200-8-E-1. O primeiro octeto 00, correspondentes às 4 saídas tivo um alarme de defeito na estação
por exemplo (03 - o endereço) será analógicas do módulo. Ao receber que falhou. A rede por si só não pode
transmitido assim pela rede: os bytes ele deverá reordená-los, decidir o que fazer nestes casos. Cabe
01100000001 uma vez que eles são transmitidos ao programador do sistema configurar
ou seja: Start Bit = 0, 8 bits de do menos significativo para o mais ações de contingência que podem ir
dados 00000011 (apresentados do significativo. Portanto os bytes 00 desde a repetição dos últimos valores
menos significante para o mais signi- e 01 (F3 e 2A) devem ser reor- válidos, sem maiores conseqüências
ficante), Paridade par = 0, 1 Stop Bit = denados para formar o número para o funcionamento do sistema, até
1. 2AF3Hex=10995Dec. O mesmo para a parada do processo, nas situações
Imediatamente após o primeiro as palavras B354Hex=45908Dec, em que os sinais que não são recebi-
byte, o segundo será transmitido no 0023Hex=35Dec e 4F10Hex=20240 dos são imprescindíveis.
mesmo formato. Entre cada frame Dec. Após o octeto terminador, o Terminada a comunicação com a
físico e o próximo, a UART pode mestre se coloca em modo de recep- estação 3, o mestre passará à próxima
aguardar um pequeno intervalo de até ção e libera a rede para o escravo. no sistema. A comunicação é cíclica e
um Bit Time (o tempo necessário para Uma vez que a estação 3 tenha para cada dispositivo é reservado um

52 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Redes Atual

tempo máximo. Dessa forma, pode- níveis, alguns dispositivos especiais cante organizasse as comunicações
mos calcular qual o tempo máximo de podem fazer a interface entre pro- desses dispositivos da forma que
duração de cada ciclo. Isso é impor- tocolos distintos para permitir a desejasse, um usuário que utilizasse
tante para aplicações de controle que comunicação entre redes diferentes. equipamentos de fabricantes diferen-
precisam de garantia de atendimento Esses dispositivos são chamados de tes poderia se deparar com incon-
periódico dos dados. Gateways ou conversores de proto- sistências ou métodos contraditórios.
colo. Para evitar essa situação, os con-
Além dos serviços de rede, alguns sórcios que administram alguns dos
SERVIÇOS DE REDE E PERFIS protocolos de automação industrial protocolos de automação, desenvol-
DE APLICAÇÃO possuem ainda facilidades de confi- veram perfis de aplicação que unifor-
guração: mizam o método de endereçamento
Uma rede de automação indus- Arquivo de Descrição de Dis- de memória e as funções de comu-
trial não se limita à transmissão de positivo - este mecanismo permite nicação neste tipo de dispositivo,
variáveis analógicas e digitais. Há descrever as características de simplificando o processo de configu-
várias outras funções que podem ser determinado módulo em um for- ração.
desempenhadas remotamente e faci- mato de arquivo padronizado. Este
litam a configuração e manutenção arquivo contém o endereçamento
da rede e dos equipamentos conec- das entradas e saídas e demais CONCLUSÃO
tados a ela. Essas funções normal- características do módulo. Durante a
mente são chamadas de “serviços de configuração da rede através de um Assim encerramos esta série,
rede”. software, estes arquivos são lidos esperando ter deixado clara a forma
Entre os serviços mais comuns, e as características dos módulos como os dados são transmitidos atra-
estão: transferidas para o mestre da rede. vés de uma rede. Logicamente, os
Configuração remota - permite Isso permite diminuir o tempo de poucos comandos que criamos aqui
alterar o endereçamento, formatação configuração e programação do sis- não seriam suficientes para uma rede
de dados e programação de dispositi- tema. As redes Profibus, CANOpen, funcional. Há muitos detalhes que
vos através da rede. DeviceNet e Interbus possuem esta nem foram abordados, neste artigo.
Diagnóstico - para localizar facilidade. Por exemplo, em algumas redes
defeitos nos dispositivos (fios rompi- Perfis de Aplicação - alguns dis- Mestre-Escravo, é possível a estru-
dos, curtos, falhas na alimentação) positivos possuem uma estrutura de tura multimestre. Em alguns casos,
ou na própria rede (falhas em repeti- memória complexa, com diversas vari- também é possível a comunicação
dores, baixas taxas de transmissão, áveis analógicas e digitais no mesmo escravo a escravo através de fun-
etc.). equipamento. Por exemplo, um ções de rede especiais. Para ambas
Roteamento, retransmissão e inversor de freqüência ou uma IHM as situações, o campo de endereço
conversão de protocolos - em podem possuir centenas de variá- único de nosso protocolo não seria
redes mais complexas, com vários veis de todos os tipos. Se cada fabri- suficiente.
Há ainda grandes variações no
que se refere ao frame físico. As
redes baseadas no mecanismo CAN
(CANOpen, DeviceNet e Control
Net) e a rede Asi não utilizam o
frame físico UART de 11 bits. E
as redes baseadas em Ethernet,
cada vez mais freqüentes no mer-
cado de automação industrial, pos-
suem longos frames com milhares
de bytes.
Os conceitos aqui apresentados
são utilizados pela maioria das redes
existentes no mercado e conhecê-los
é importante para melhor comparar
as características desses protocolos.
Entendê-los, mesmo que superficial-
mente, nos ajuda a perceber que uma
rede é, na verdade, muito mais sim-
ples do que se costuma imaginar.

* Carlos Henrique de Castro Ralize é técnico


em eletrônica do Departamento de Engenharia
F.3 Transmissão dos dois primeiros octetos do comando de escrita. de Manutenção da Sabesp.

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 53


Eficiência
da Combustão
Aplicação de analisadores na melhoria da
combustão através da adequação da relação O2/CO
Gilberto Branco

Um dos processos mais conhecidos nos meios industriais é o de caldeiras. Esse tipo
de equipamentos pode ser utilizado das mais variadas formas, entre as mais conhecidas
podemos citar: geração de vapor, produção de vapor para geradores de energia, aqueci-
mento de outros processos e instalações, processamento de alimentos ou medicamentos,
aquecimento de unidade de destilação (em plantas petroquímicas, por exemplo), etc.
Quaisquer melhorias em processos de combustão são bem vindas, pois se traduzem
basicamente em economia de insumos para operação, em outras palavras significa
dinheiro que deixa de ser gasto no processo ou redução de custo (o que foi e sempre
será uma das principais metas para qualquer empresa).

A
lgumas empresas utilizam O2/CO, primeiramente devemos enten- excesso de ar na combustão implica em
tanto combustível nesses der como a combustão ocorre. Basica- uma quantidade de combustível desne-
processos que qualquer mente, a combustão é a combinação cessária sendo queimada somente com
pequena economia gerada de combustível e oxigênio na presença o propósito de aquecer esse excesso de
pode significar muito dinheiro de eco- de calor, resultando assim na geração ar. Assim sendo, o combustível estará
nomia anual. Assim sendo, qualquer de grandes quantidades de calor. literalmente “saindo pela chaminé”.
possibilidade deve ser analisada a luz Na maioria dos casos, essa geração Além do aspecto econômico, o
da relação custo-benefício que possa de calor é utilizada pela caldeira para a excesso de combustível pode ser
causar. A seguir, apresentaremos uma produção de água quente ou vapor. Essa perigoso. Então, a análise do custo-
idéia que utiliza a adequação da rela- energia servirá então para operar equi- benefício de um sistema de melhoria
ção Oxigênio/Monóxido de Carbono pamentos ou processos. Geralmente, da combustão através da adequação
em um processo de combustão. o controle do processo de combustão da relação ar/ combustível pode levar
envolve a regulação da relação destes a resultados de combustão bastante
três fatores (ar, combustível e os produ- eficientes.
O QUE É COMBUSTÃO tos da combustão) - figura 1.
Basicamente, a preocupação das
Para o completo entendimento do empresas com esses processos (além ADEQUAÇÃO DA RELAÇÃO O2/CO
sistema de melhoria da combustão das condições de segurança) é obvia-
através da adequação da relação mente o aspecto econômico, uma vez As análises de Oxigênio e Monó-
que o combustível é o responsável pela xido de Carbono são indispensáveis
maior parte dos custos. O consumo de
combustível é minimizado quando esti-
ver sendo queimado na exata relação
com o ar e a demanda de carga. Um
Instrumentação Atual

mantém uma quantidade de O2 cons- tes. Se um dos limites de O2 for alcan-


tante na saída de gases da combustão, çado através, por exemplo, de uma
os queimadores ficam menos eficien- mudança rápida de carga, o controle
tes com o passar do tempo ou com é transferido automaticamente para o
o acúmulo de sujeira nos mesmos. O2. O controle de CO tem um ganho
Dessa forma, os queimadores ineficien- relativamente baixo, enquanto o con-
tes liberarão pela chaminé quantida- trole de oxigênio tem um ganho mais
des cada vez maiores de combustível alto. Assim sendo, o controlador tem
não queimado. A análise de CO é o uma resposta rápida quando são alcan-
meio através do qual a condição dos çados os limites de O2 e uma resposta
componentes do sistema de combus- mais lenta para variações no CO. O
tão pode ser monitorada. sistema de controle adequado sin-
F.1 Processo de Combustão. Sem sombra de dúvida, a instala- toniza continuamente a relação de
ção de um analisador de CO pode se ar/combustível para que a melhor efi-
para se chegar ao ajuste máximo tornar uma ferramenta adicional para ciência de combustão sempre seja
da eficiência operacional na relação um controle de combustão mais efe- obtida.
ar/combustível. Muitas empresas vêm tivo que irá resultar em economia de Um queimador sujo causará um
utilizando este tipo de controle já há combustível. A análise de CO propor- aumento na concentração de CO sem
alguns anos. Assim, os operadores e cionará a visibilidade necessária aos um efeito no nível de oxigênio. Isso
engenheiros de processo podem uti- engenheiros e operadores do processo fará o controlador de CO “pedir” mais
lizar diferentes técnicas para determi- de combustão de forma que decisões ar, mas o controlador de oxigênio
nar o mínimo nível operacional para oportunas possam ser tomadas sobre assumirá quando o limite superior de
o excesso de O2 (desde que manti- quando e onde o “set-point” do con- O2 for alcançado. O sistema alertará o
dos os aspectos de segurança) para trole de O2 deve ser mudado. Essas operador para a transferência de con-
melhorar a eficiência de combustão. mudanças podem ser feitas manual- trole e assim ele pode entrar com a
Os analisadores de CO por infra- mente pelo operador, ou através da ação corretiva para solucionar o mau
vermelho (informações sobre este instalação de um controlador de CO na funcionamento do queimador.
método de análise podem ser obtidas malha de controle do queimador. Além da adequação do controle
na última edição da revista) proporcio- CO/O2, o controlador de CO pode ser
nam uma análise direta e em tempo configurado para desempenhar outras
real da concentração de CO, o que A FILOSOFIA DO CONTROLE O2/CO funções associadas ao processo de
serve para ajudar a determinar a combustão.
melhor relação de ar/combustível do Um sistema de controle típico opera A figura 3 mostra um exemplo
processo. O resultado dessa análise com os limites superior e inferior de de malha de controle para adequação
de CO, quando interpretado junto excesso de O2 (figura 2). Quando o da relação ar/combustível em um pro-
com o resultado da análise de O2, é queimador utiliza gás na combustão, cesso de combustão típico.
o indicador do desempenho da mis- esses limites podem ser de 0,3% e
tura dentro do queimador. As perdas 1,0%. Quando o queimador utiliza óleo,
pela chaminé aumentam conforme as tipicamente os limites são de 1,0% e CONCLUSÃO
mudanças da relação ar/combustível 2,0%. O “set-point” do Monóxido de
variem para qualquer dos lados, Carbono pode ser de 200 ppm. Nessas Um sistema de controle de CO/O2
levando-se em consideração a rela- condições, o CO é o controle primário efetivo pode economizar muito
ção quimicamente correta (este- desde que o O2 esteja dentro de limi- dinheiro na operação das caldeiras.
quiométrica). As perdas aumentam
rapidamente quando acontece uma
combustão inadequada. Então, um
analisador de CO realiza a função de
maximizar a eficiência de combustão
e detectar se a mistura no queimador
apresenta problemas. A análise de CO
”on-line” indica a condição de com-
bustão (independentemente, da ope-
ração do queimador) e a existência de
vazamentos de ar nos dutos. Conse-
qüentemente, o CO pode ajudar bas-
tante na manutenção de uma queima
eficiente e segura.
Embora visto pelo lado do controle
do excesso do O2 que, se mantido
dentro dos parâmetros pré-concebidos, F.2 Relação CO/O .
2

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 55


Atual Instrumentação

Atualmente, o mercado disponibiliza


diversos tipos de analisadores “on-
line” que podem oferecer meios confiá-
veis de análise de CO em chaminés.
Quando combinado com um sistema
específico de controle de combustão,
torna-se um pacote completo, que
melhora a eficiência de combustão
diminuindo a necessidade de inter-
venção manual do operador.
Nota: As informações aqui apre-
sentadas têm apenas o caráter informa-
tivo, e embora tenham sido buscadas
da forma mais exata possível, devem
ser analisadas e aplicadas de forma
customizada para cada aplicação. O
autor não se responsabiliza por even-
tuais problemas que o uso destas infor-
mações possa causar.

*Gilberto Branco é Engenheiro de Aplicação


da Contech Engenharia.

Bibliografia
- HADS 106-910A - Oct 1995 – E. Pro-
cess
- Analisadores Industriais – SENAI –
Santos. B.L. Costa Neto e C.H. Brossi.
F.3 Configuração típica do controle CO/O . 1982.
2

56 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Manutenção Atual

Manutenção Preditiva
Análise de
vibrações Alexandre Comitti*
Wellington Rossi Kramer**
Edson Jorge Michalak***
O estudo das vibrações tem uma importância fundamental para As principais conseqüências das
a engenharia moderna. A análise das vibrações em máquinas e vibrações são:
- Altos riscos de acidentes;
equipamentos permite-nos conhecê-los, melhorá-los e ganhar-
- Desgaste prematuro de compo-
mos muito em qualidade, desenvolvimento, etc... nentes;
Muitas empresas no Brasil estão investindo nesta técnica, o que - Quebras inesperadas (com para-
trará grandes lucros para a nação num futuro próximo. Se das repentinas de produção);
todas as máquinas que movem o país pudessem ser analisadas - Aumento do custo de manuten-
ção (consumo excessivo de peças de
por esta técnica moderna, com certeza faríamos uma economia reposição);
significativa de energia, ganharíamos muito em qualidade na - Perdas de energia;
manutenção, segurança, outros. - Fadiga estrutural;
- Desconexão de partes (instabili-
dade geométrica);
investimento em manuten- problemas. Mas deficiência de pro- - Baixa qualidade dos produtos
ção preditiva tem um jetos, erros de especificação, fabrica- (acabamento ruim);
retorno muito grande para ção, transporte, instalação, operação - Ambiente de trabalho inade-
as empresas. A implantação de sis- e manutenção nos conduz a máqui- quado.
temas preditivos não só reduz o custo nas pouco confiáveis.
de manutenção, mas também faz com A análise de vibrações é uma fer- O controle dos fenômenos vibrató-
que os técnicos e engenheiros melho- ramenta poderosa no trato destes rios pode ser conseguido por 3 proce-
rem seus conhecimentos e, auto- problemas. Isto porque podemos dimentos diferenciados:
maticamente passem a definir que verificar, por exemplo, a qualidade - Eliminação das fontes: balan-
melhorias devem ser introduzidas nas de manutenção numa troca de rola- ceamentos, alinhamentos, trocas de
máquinas de modo que estas se mentos, onde medições anteriores e peças defeituosas, eliminação de
tornem de alta confiabilidade e robus- posteriores à troca nos fornece um folgas, etc...
tez ao desgaste, ou seja, “Engenha- check-up do serviço. Através da aná- - Isolamento das partes: instala-
ria de Manutenção”. A manutenção lise de vibrações, podemos não só ção de um meio elástico amortecedor
preditiva por análise de vibrações é questionar um serviço de troca, mas de modo a reduzir a transmissão da
hoje uma técnica bastante desenvol- também o projeto do equipamento,
vida. Com o surgimento dos cole- sua instalação, etc..., com o objetivo
tores analisadores de dados digitais de obter um conjunto confiável e de
(figuras 1 e 2) mais os programas vida longa.
de gerenciamento, o potencial de uma
equipe de manutenção aumentou con- F.1 Pré-analisador de vibrações
sideravelmente em termos de controle (VISTEC).
das máquinas.
Algumas máquinas necessitam de
vibrações, como alguns transportado-
res, peneiras vibratórias, etc... Porém
quase na sua totalidade, máquinas,
equipamentos, estruturas e o próprio
ser humano não se adaptam em
ambientes vibratórios.
Quando se coloca em marcha
uma máquina nova, espera-se que
esta tenha vida longa e isenta de F.2 Coletor de dados (CSI).

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 57


Atual Manutenção

vibração a níveis toleráveis;


- Atenuação da resposta: alte-
ração da estrutura (reforços, massas
auxiliares, mudanças de freqüência
natural, etc...).

Exemplos de Defeitos Diagnosti-


cáveis por Análise de Vibração:
- Desbalanceamentos;
- Desalinhamentos;
- Folgas Estruturais;
- Folgas Internas(mancais e aloja-
mentos);
- Problemas em Engrenagens;
- Problemas em Rolamentos;
- Correias;
- Cavitação;
- Eixos Empenados;
- Falha de Lubrificação;
- Ressonâncias Estrutural; F.3 Análise através do espectro de freqüências.
- Problemas Elétricos(Motores).

ANÁLISE DE VIBRAÇÕES

Todos os equipamentos emitem


freqüências de vibração quando
estão em operação. Através de
equipamentos adequados, podemos
captar quais são as freqüências nor-
mais de funcionamento e quais aque-
las que aparecem apenas quando
o equipamento se encontra com
defeito.
Através do acompanhamento
periódico dessas máquinas, temos
o comportamento da sua tendência.
Isso visa diminuir custos e aumen-
tar a disponibilidade dos equipamen-
tos monitorados, pois ao invés de
se fazer revisões periódicas e trocar
todos os itens, estas serão realiza-
das apenas quando forem necessá- F.4 Sinal no domínio da freqüência.
rias e somente os itens defeituosos
serão trocados.
A coleta de dados se dá através
de um acelerômetro ligado a um cole-
tor de dados (figura 2). Esses dados
são passados para o computador,
onde podem ser analisados. A aná-
lise é feita através do espectro de fre-
qüências (figura 3), onde é possível
distinguir as diferentes freqüências,
bem como a sua amplitude. Todo
sinal é captado em forma de onda
pelo coletor de dados, ou seja um
sinal no domínio do tempo.
Fourier, um matemático francês,
demonstrou que era possível tomar
um sinal no domínio do tempo e F.5 Espectro normal em velocidade.

58 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Manutenção Atual

identificar os conteúdos de freqüên-


cia por uma série de cálculos de
senos e co-senos. A Transformada
de Fourier evoluiu para a Trans-
formada Direta de Fourier (Direct
Fourier Transform - DFT), que leva
muito menos tempo na execução
dos mesmos cálculos. Na realidade,
nem todas as freqüências são cal-
culadas com o DFT, o que resulta
em uma transformação mais rápida
e o nome de Transformada Rápida
de Fourier - FFT surgiu. Neste
processo o sinal é convertido para
um espectro de freqüência, ou seja,
agora ele apresenta um sinal no
domínio da freqüência. F.6 Utilizando o recurso Peak View.
Um sinal de domínio de freqüên-
cia é impresso com o eixo vertical (Y)
como a amplitude e o eixo horizontal
(X) como a assinatura de freqüência,
conforme figura 4.
O sinal de entrada é composto
de muitas ondas de senos diferentes.
O FFT pega estas ondas de senos
complexas e as separa em ondas de
seno por componente. Estas ondas
de seno separadas são projetadas
no eixo da freqüência e temos um
espectro. F.7 Acelerômetro.
Além do espectro de freqüências,
temos ainda o recurso da demodula-
ção de freqüências, (envelope, peak
view), onde podemos analisar rola-
mentos e engrenamentos.
Como exemplo, temos o caso de
um problema de rolamento (figura 5).
No espectro normal em velocidade
fica impossível saber se o rolamento
está com problemas.
Já com o recurso do Peak View
(figura 6), temos a clara informação
a respeito do problema, ou seja,
defeito na pista externa, (BPFO).
Como tínhamos previamente inse-
rido no sistema o tipo de rolamento,
temos certeza desse defeito, pois
podemos ver a coincidência dos
picos do espectro com as linhas de
defeito daquele rolamento em parti-
cular, (linhas tracejadas).
O acelerômetro (figura 7) é o
transdutor que capta a vibração. Ele
é constituído de um cristal piezoelé-
trico que tem a característica de enviar
um sinal elétrico que é proporcional a
sua deformação.
Um ponto importante, que deve
ser levado em consideração, é o
tipo de base na qual o acelerômetro F.8 Exemplos de leitura.

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 59


Atual Manutenção

qüências de defeito de rolamento


estavam em alta, principalmente no
rolamento traseiro.
Quando é: Em dias normais de
trabalho.
Quanto é (tabela 1):

T.1 Custos.
Itens Valores
Rolamento FAG 6318 C-3 R$634,00
F.9 Exemplos de pontos de medição numa máquina. Rolamento SKF NU222 EC R$886,00
Selo R$234,00
está fixado. Toda estrutura possui EXEMPLOS DE PROBLEMAS Juntas R$202,90
a(s) sua(s) freqüência(s) de res- DETECTADOS POR ANÁLISE DE Mão-de-obra R$280,00
sonância(s). A faixa útil do acele- VIBRAÇÃO Total gasto R$2.236,90
rômetro é justamente a que fica na
região anterior a esta faixa de resso- Com o objetivo de demonstrar o Caso o motor queimasse e tivesse
nância. emprego desta ferramenta na detec- que ser rebobinado, teríamos (tabela
Para as medições feitas por um ção de falhas, ilustramos, através de 2):
mesmo acelerômetro em um mesmo relatórios colhidos em campo, exem-
ponto de uma máquina, as leituras plos de inspeções por análise de T.2 Custos.
podem ser diferentes, caso se altere o vibração realizadas por pessoal téc-
tipo de fixação (figura 8). Os pontos de nico de Manutenção: Itens Valores
medição acompanham o fluxo mecâ- Rebobinamento R$7.161,17
nico da máquina (figura 9). Total com a troca de R$9.398,07
Portanto, é por isso que a análise CASO 1 rolamentos
de vibrações é tida como a melhor
maneira de saber o que se passa com Problema: Tendência do rolamento Deve-se ainda levar em considera-
um equipamento sem a necessidade em elevação. ção o fato de que para o motor em
de desmonta-lo, mas para isso, temos Aonde é: Rolamentos do Motor do questão não existe reserva, e o seu
que acompanhá-lo e saber quais são CS0016. rebobinamento levaria em torno de 3
os itens que o compõem. Como é: As vibrações nas fre- semanas para ser executado.

F.10 Rolamento Traseiro FAG F.11 Defeito na pista interna do rola- F.12 Marca na pista externa do rola-
6318 C-3. mento traseiro FAG 6318 C-3. mento traseiro FAG 6318 C-3.

F.13 Rolamento dianteiro SKF F.14 Marcas no anel interno do rola- F.15 Marcas no rolo do rolamento dian-
NU222 EC mento dianteiro SKF NU222 EC. teiro SKF NU222 EC.

60 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Manutenção Atual

Análise

Desde o dia 20 de fevereiro, a


tendência do rolamento traseiro vem
aumentando sensivelmente, como
demonstra o gráfico da figura 16. Aqui
ele mostra inclusive a medição após a
troca do rolamento.
Podemos verificar as linhas de
defeito da pista interna (BPFI) do rola-
mento FAG 6318 de nove esferas coinci-
direm com os picos do espectro colhido,
(assinalados com X na figura 17).
Após a troca, verificamos que os
picos existentes anteriormente sumi-
ram. Os picos que aparecem no espec-
tro são relativos as freqüências dos
elementos do compressor. Apenas F.16 Tendência do rolamento traseiro.
aparecem maiores devido ao ajuste
automático da escala do eixo vertical
do gráfico (figura 18).

Vida do Rolamento

O compressor começou a operar


no dia 12 de dezembro de 1998.
Tomando um período aproximado de
3,5 anos de uso ininterrupto, temos:
Rotação do motor = 1.782 RPM
936.619.200 Rotações / ano X 3,5
anos = 3.278.167.200 de Rotações

Através do Manual SKF de Manu-


tenção de Rolamentos, temos uma
vida útil estimada em cerca de
2.000.000.000 de rotações.
Com isso, tivemos uma sobrevida
de 1.278.167.200 rotações para o
rolamento, o que equivale a um perí- F.17 Espectro antes da troca.
odo de 1,3 ano a mais do que o esti-
mado através do catálogo.
Graças à análise de vibrações,
pudemos monitorar o comportamento
do rolamento durante todo esse tempo
e saber o tempo de quando trocá-lo.

CASO 2

Problema: Tendência do rola-


mento em elevação.
Aonde é: Rolamento da biela do
excêntrico.
Como é: As amplitudes de vibra-
ções nas freqüências de defeito de
rolamento e folgas estavam aumen-
tando em demasia.
Quando é: Em dias normais de
trabalho.
Quanto é: tabela 3 F.18 Espectro após a troca.

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 61


Atual Manutenção

T.3 Gastos por troca durante o processo. F.19 Superfície espelhada.


Itens Valores
Rolamento SNH 22317 EA R$874,29 tendências também baixaram após a
(1 pç)
troca dos rolamentos.
Rolamento NSK UC 315 DH R$867,38 F.5
O que significa dizer que a análise
(2 pç) de vibrações proporcionou uma redu-
Mão-de-obra para a troca R$165,00 ção de custos de cerca de 67% se
do excêntrico comparado ao valor citado anterior-
Mão-de-obra para a R$400,00 mente de troca do conjunto excêntrico
recuperação do excêntrico durante a produção.
Perdas de produção R$4.464,64 Deve ser revisto se o alojamento
(6 horas) do rolamento na biela está gasto e
Total de gastos por troca R$7.001,31 caso isso se verifique, providenciar a
durante o processo confecção de uma nova. Montar os
rolamentos com travas anaeróbicas.
ANÁLISE

Podemos verificar no gráfico de CONCLUSÃO


tendências (figura 22), a evolução do
estado de deterioração do rolamento Convém, lembrar que nenhuma
da biela. Esse rolamento rodou no tecnologia de preditiva é “milagrosa”,
mancal, resultando no espelhamento e que todas as técnicas possuem limi-
da sua superfície externa,como pode F.20 Marcações do rolo. tações. Uma das tarefas mais difícieis
ser visto na figura 21. Após a substi- para um analista de vibrações está
tuição do mesmo, a biela voltou a ter em determinar o momento para troca
parâmetros aceitáveis em seu nível de rolamentos no equipamento, uma
de vibração. vez que, o aumento de vibração indica
Nas tendências da figura 23, te- que está havendo desgaste no com-
mos as condições dos rolamentos dos ponente, não necessariamente que
mancais de suporte do eixo. Esses ele já esteja deteriorado. Em muitos
rolamentos não estavam tão ruins, casos, é possível efetuar-se a troca
podendo ter sofrido a influência da sem que haja indicativos visuais de
biela. Podemos verificar que essas falha no rolamento, no entanto nova
leitura de vibração indicará diminuição
T.4 Gastos com análise de vibrações. da amplitude da vibração. Uma melhor
F.21 Pista externa. determinação do momento adequado
Itens Valores
Rolamento SNH 22317 EA R$874,29
(1 pç)
Rolamento NSK UC 315 DH R$867,38
(2 pç)
Mão-de-obra para a troca R$165,00
do excêntrico
Mão-de-obra para a R$400,00
recuperação do excêntrico
Perdas de produção R$4.464,64
(6 horas)
Total de gastos com análise R$2.306,67
de vibrações

T.5 Economia com análise de vibrações.


Itens Valores
Total de gastos com análise R$2.306,67
de vibrações
Total de gastos sem análise R$9.398,07
de vibrações
Economia c/ a análise de 67%
vibrações F.22 Pista externa.

62 Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003


Manutenção Atual

F.23 Tendências para rolamentos dos mancais fixos.

para manutenção só poderá ser con- ços de Manutenção, contribuindo de ** Wellington Rossi Kramer é engenheiro
seguida com um correto acompanha- maneira significativa para redução de Mecânico e analista de vibrações das Fundi-
mento e histórico do equipamento a custos e perdas. ções Tupy Ltda.
ser inspecionado. Apesar disso, a aná-
lise de vibração é uma ferramenta * Alexandre Comitti é Engenheiro Eletricista, *** Edson Jorge Michalak é técnico mecânico
valiosa que vêm somar-se as outras, formado pela Universidade do Estado de e analista de vibrações da Terranova - São
para uma maior qualidade nos servi- Santa Catarina (UDESC) Bento do Sul/SC

Mecatrônica Atual nº12 - Outubro - 2003 63