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2. MACROECONOMIA.

2.1 Contabilidade Nacional.

2.1.1 Os conceitos de renda e produto.

2.1.2 Produto e renda das empresas e das famílias.

2.1.3 Gastos e receitas do governo.

2.1.4 Balanço de pagamentos: a conta de transações correntes, a


conta de capital, o conceito de déficit e superávit.

2.1.5 Contas Nacionais do Brasil.

2.1.6 Conceito de deflator implícito da renda.

2.1.7 Números índices, tabela de relações insumo-produto.

2.1.8 Conceitos alternativos de déficit público.

Atenção: Preço de Mercado. Tanto o PIB, como os demais agregados


macroeconômicos são calculados com base no preço de mercado.

PIB – PRODUTO INTERNO BRUTO

 A Relação entre o Fluxo Circular de Renda e a compreensão do


PIB:

Para entendermos as óticas de mensuração do PIB é importantes


compreendermos o Fluxo Circular da Renda.
Ou seja, entender que os produtos e serviços produzidos pelas empresas
são vendidos no Mercado de Bens e Serviços em troca da moeda que as
famílias possuem, pois recebem Renda.

Essa Renda é a remuneração


das Famílias que ofertam seu
trabalho no Mercado de Mão
de Obra, para a produção
desses bens e serviços,:

O Fluxo Circular acima é


simplificado, para
entendermos melhor devemos
analisar o fluxo ampliado
abaixo:

 Cada uma dessas setas é um fluxo que virará, mesmo que, em


alguns casos por um breve momento, um Estoque.

Nesse Gráfico podemos ver que:

1º As empresas: nem sempre gastam todos os seus recursos para


produzir Bens e Serviços Finais.
Também pensam em aumentar sua produção e reduzir seus custos.
Assim, demandam Bens de Investimento (ou de Capital = máquinas,
equipamentos...) do Mercado de Bens de Investimento, bem como
Capital do Mercado de Fundos de Capital.

Atenção! esses Bens de Capital, também são produzidos


pelas empresas. Ou seja, as empresas produzem: Bens e
serviços de Consumo e Bens e Serviços de Capital.

2º As famílias nem sempre Consomem toda sua Renda, também Poupam-


na, formando um Mercado de Fundos de Capital, cujos recursos
financeiros as empresas tomam para investirem, remunerando esse
recurso com Juros.

 De qualquer forma uma máxima permanece: um Fluxo de


Produção corresponde a um Fluxo de Renda.
 Podemos apreender também outra coisa Renda não consumida que
vira Poupança é = ao Investimento das Empresas.

 Poupança e Investimento em Keynes:


 Diferença entre fluxo e estoque:

Na Macroeconomia as variáveis estudadas ou são Variáveis de Fluxo ou


Variáveis de Estoque.

 A variável de fluxo:

É aquela cuja quantidade se mede por unidade ou período determinado


de tempo; por exemplo, o investimento nacional anual, a inflação, o PIB
por trimestre, etc.

 A variável de estoque:

É aquela cuja quantidade se mede em um determinado momento do


tempo; por exemplo, a população, a riqueza, o estoque de capital, a oferta
monetária, etc.

É possível entender melhor essa diferença através de uma exemplo:

“Quando uma empresa compra uma máquina nova para aumentar


sua produção, ela está realizando uma Variável Fluxo: mandando
dinheiro (fluxo monetário) e recebendo a máquina (Fluxo físico).

Essa máquina que foi incorporada ao seu patrimônio modifica a


sua Variável Estoque. No caso, aumento no Estoque de Capital
(pois a Máquina é um Bem de Capital1)”.

 Tipos de Estoque:

As empresas têm muitas Variáveis de Estoque: Estoque de Capital,


Estoque de Dívida, Estoque Financeiro (de Títulos de Outra empresa ou
da Dívida Pública por exemplo).

1 São os equipamentos e instalações, são bens ou serviços necessários para a produção


de outros bens ou serviços.
Esses Estoques Financeiros por exemplo também oscilam através de
Fluxos, como a compra e venda de ações que pode aumentar ou diminuir
o volume em Estoque da Empresa.

 Todo Estoque é alimentado por um Fluxo, assim, a diferença entre


o valor do estoque em 02 momentos oferece o valor do fluxo.

Estoque A → Fluxo 1 → Estoque B = Estoque B – Estoque A = Fluxo 1

 Importância da compreensão das variáveis fluxo e estoque para o


Sistema de Contas Nacionais (Efeito Terremoto e o PIB):

Quando um terremoto destrói um país ,há um aumento subsequente no


PIB. O que pode parecer uma deficiência no Sistema de Contas Nacionais,
diante do paradoxo destruição/aumento do produto agregado, pode ser
explicado pela oscilação das Variáveis Fluxo e Estoque.

Na verdade, essa catástrofe diminuiu o Estoque do País, quando da


destruição do Patrimônio. Esse passa a ser reposto, pelas Variáveis Fluxo.
Exemplo:

“Uma Fábrica foi destruída = perda de Estoque de Capital, que terá


de ser reposto por Fluxo de Capital = construção de nova fábrica,
compra de novas máquinas, etc.”

ÓTICAS DE MENSURAÇÃO DO PIB

Existem 03 óticas de mensuração do PIB:

1. Ótica do Produto (mede a: Produção)

2. Ótica da Renda (mede o: Rendimento)

3. Ótica da Despesa (mede o: Gasto)

 Em tese, essas 03 maneiras devem ter resultados idênticos.


1. ÓTICA DO PRODUTO (ou Produto Interno Bruto)

O PIB pela ótica do Produto = Valor a Preços de Mercado de todos os


bens e serviços produzidos em território nacional.

 O PIB pela ótica do Produto pode ser calculado de 03 formas:

a) ∑ (valor dos bens e serviços finais)

Exemplo:

Uma economia composta de três setores: um setor que produz


petróleo, um setor que transforma todo o petróleo extraído em
borracha, e um setor que transforma toda a borracha em pneus. O
quadro baixo apresenta os valores referentes a cada um dos setores.
Essa economia não tem governo e não mantém relações com o resto
do mundo:

P. Calcule o PIB da economia pela ótica da produção (valor dos bens


finais)?"

O bem final desta economia são os pneus. E o seu preço é = Custo dos
Insumos + Valor adicionado = 900+400 = 1300

b) ∑ (valor a preço de mercado do produto) –∑ (valor dos insumos


adquiridos de outras empresas)
Observação: é necessário abater o custo dos insumos produzidos por
outras empresas, para que esse valor não seja somado duas vezes.

 Nesse sentido, podemos dizer que o PIB de um país (Valor


Agregado) é o somatório dos Valores Adicionados pelas empresas
(valor que é adicionado por cada empresa através da equação
anterior).

 Contribuição de uma firma ao PIB nacional (ou seja, o valor que


essa firma adiciona ao PIB nacional):

Valor do seu produto final – insumos adquiridos de outras empresas.

Exemplo:

P. Qual a contribuição dessa firma ao PIB nacional?

Valor do seu produto final – insumos adquiridos de outras empresas2 =


R$ 1000,00 – R$ 300 = R$ 700.

b) ∑ (valores agregados)

Estendendo esse mesmo raciocínio (Valor do seu produto final –


insumos adquiridos de outras empresas) podemos calcular o PIB de uma
Economia com vários bens.

Exemplo:

2
Aqueles insumos de produção própria não são descontados.
P. Qual o PIB dessa economia?

∑ (valores agregados) = (Valor do seu produto final – insumos


adquiridos de outras empresas) = 100 + (300-100) +(500-200) = 600

CUIDADO: há bens ou serviços produzidos no país que não são


contados no PIB, Exemplo:

LISTA DE ATIVIDADES NÃO CONTABILIZADOS PELO PIB

1. Trabalho doméstico das donas de casa: embora seja uma atividade


produtiva é de difícil mensuração.

2. Venda de drogas ilícitas: não se contabiliza, tanto por


impossibilidade estatística, como por não ser uma atividade
produtiva e não contribuir para o bens estar da sociedade.

3. Venda de produtos intermediários: Não, pois haveria dupla


contagem, é o caso dos insumos.

4. O valor do dia de serviço em que um trabalhador faltar:

 Do ponto de vista da Renda: na medida em que é descontado do


salário do trabalhador tem o dia faltado, esse valor não será
registrado,

 Do ponto de vista da Produção: como ele não produziu naquele


dia, o valor também não poderá ser computado pela ótica da
produção.
2. ÓTICA DA RENDA (ou Renda Interna Bruta)

Como pudemos ver no Fluxo Circular da Renda os bens e serviços


gerados se transformam mais à frente em Renda.

 Ou seja, o Fluxo de Produção, se transforma em um Fluxo de Renda.

Assim, podemos calcular o PIB, também, através da contabilização da


remuneração dos Fatores de Produção de todas as unidades dos país.

Utilizando a mesma tabela anterior:

Nos perguntamos quais são as remunerações desta tabela:

1. Salários = remuneração da Mão de Obra:

2. Lucro = remuneração do Capital3 (Bens de Capital).

PIB pela ótica da Renda: PIB: = salários + lucros + juros + alugueis.

3. Ótica da Despesa (ou Despesa Interna Bruta)

Também vimos no Fluxo Circular da Renda que a Renda se transforma


em gasto, que pode ser:

3 Não confundir este: Capital, que se refere aos bens de capital, que é adquirido no
Mercado de Bens e Serviços de Capital e que é remunerada pelo Lucro, com dinheiro
(exemplo: empréstimo) que é adquirido no Mercado Financeiro e que é remunerada pelo
Juros.
1. Gasto Corrente: gasto com bens e serviços no Mercado de Bens e
Serviços, ou em

2. Gasto em Formação de Capital4: ou seja, o dinheiro que é guardado na


poupança, títulos de empresas, é um Fluxo que se direciona para compor
o Estoque Financeiro que será oferecido para empréstimo o Mercado
Financeiro.

Ora, essa Renda (Salários e Lucro) ser reverteram em algum momento


em Gastos.

PIB pela ótica da Despesa: Y = C + I + G (X-M).

C: Consumo Privado

I: Investimentos

G: gastos do governo

X: Exportações

M: Importações

4 Nesse caso dinheiro para empréstimo no Mercado de Capitais (ou Mercado


Financeiro).
Ou seja, (X-M) = Exportações Líquidas de Bens e Serviços.

O PIB PELA ÓTICA DA RENDA EM DIFERENTES SITUAÇÕES

Y = C + I + G (X-M).

 Economia Fechada e sem governo

Y = C + Ip

 Nesse caso, como a economia é fechada e sem governo:


Y = RPD (já que não existe RLG – Renda Líquida do Governo)

Nesse caso:

I = S, investimento é igual a poupança.

Sp = poupança privada (já que não existe poupança do governo)

Ip = investimento privado (já que não existe investimetno do governo)

Assim, Sp = Ip

RPD = C + Sp

Tem: Não tem:


C: Consumo Privado G: gastos do governo
I: Investimentos X: Exportações
S: Poupança M: Importações

 Economia Fechada e com governo

Y=C+I+G

 Nesse caso, como a economia é fechada e com governo:


Y = RND (Pois RND= RPD + RLG)
RPD + RLG = C + I + G

 O investimento “I” nesse caso = Investimento Privado e Público


= Ip + Ig

RPD + RLG = C + Ip + Ig + G

 Como vimos acima: RPD = C + Sp

C + Sp + RLG = C + Ip + Ig + G

 Não podemos esquecer que S = I, pois Sp = Ip e Sg = Ig

Assim: C + Sp + RLG = C + Ip + Ig + G

RLG = Ig + G  Ig = G – RLG

 Não podemos esquecer que S = I, pois Sp = Ip e Sg = Ig

Sg = RLG – G

Se S = I  I = Sp + Sg  I = Sp + RLG – G  I + G - RLG = Sp

Sp = I + (G – RLG)

Tem: Não tem:


C G: gastos do governo X: Exportações
C: Consumo Privado M: Importações
I: Investimentos
S: Poupança bruta
Sp : Poupança Privada
Sg : Poupança Governo
RPD: Renda privada disponível
RLG: Renda Líquida do governo.

P. Qual é a aplicação prática dessas equações da poupança pública e


privada? Sg = RLG – G e Sp = I + (G – RLG)

Ora, I = S  I = Sp + Sg

Assim, se RLG < G, a poupança do governo é negativa, pois seus gastos


ultrapassam sua receita.

Exemplo: RLG = 20 e G= 30  Sg = RLG – G  Sg = 20 – 30  Sg = -10

Nesse caso: I = Sp – 10

Nesse caso, parte dessa Poupança Privada custeará as despesas


correntes do governo

Em outras palavras: o governo pegará dinheiro emprestado da


poupança privada para pagar suas contas.

Mas caso RLG > G a poupança do governo é positiva, pois sua receita
ultrapassam seus gastos.

Exemplo: RLG = 30 e G= 20  Sg = RLG – G  Sg = 30 – 20  Sg = 10

Nesse caso: I = Sp + 10

Em outras palavras: a poupança do governo se somará a poupança


privada e aumenta a quantidade de dinheiro para investimentos.

 Nesse contexto, é positivo que o governo arrecade menos do que


gaste para que sua poupança aumente o Estoque Financeiro para
investimento.
No entanto, como observou Keynes, a poupança, por si só, não se
reveste em investimento em ativos fixos (que através do efeito
multiplicador geram: emprego e renda).
Para tanto, é necessário, também, uma taxa de juros baixa para
estimular o investimento e uma expectativa positiva na
economia.
Caso contrário, esses capitais, parados, não geraram emprego e
renda.

 PIB a Custo de Fatores (PIBcf) e PIB a Preço de Mercado (PIBpm):

 PIB a Preço de Mercado (PIBpm):

Reflete o custo do consumidor final, incluindo, por isso, os impostos


indiretos e excluindo os subsídios (ambos repassados ao preço final dos
bens)

 PIBpm = PIBcf +Impostos – Subsídios.

No entanto, é possível o cálculo do PIB a Custo de Fatores PIBcf.

 PIB a Custo de Fatores (PIBcf):

Reflete o custo do produtor, exclui Impostos e inclui Subsídios.

 PIBcf = PIBpm - Impostos + Subsídios.

PIB – PRODUTO INTERNO PER CAPITA

É uma referência importante como medida síntese de padrão de vida e


desenvolvimento econômico dos países.

 É obtido dividindo-se o PIB do ano pela população =


PIB/População
 O PIB per capita realmente mede o Padrão de Vida?

 E o tempo gasto com lazer?

Apesar de ser uma referência importante, podemos afirmar que o PIB per
capita não afere satisfatoriamente a qualidade de vida de uma população.
Afinal, tendo por referência a produtividade ele não considera o tempo
gasto com lazer (bastante relevante no bem-estar). Assim, podemos
afirmar que o PIB pode subir e a qualidade de vida cair.

 E a distribuição de renda?

Outro aspecto relevante é a percepção de que um PIB per capita alta não
reflete se a população em geral está, realmente, tendo acesso a essa
Renda, pois isso oscila de acordo com a distribuição de renda dentro
dessa sociedade.

 E o nível de Preço Interno?

Para relacionar o PIB per capita com a qualidade de vida da população


devemos avaliar o nível de preços internos vez que, não adianta ter uma
renda alta em um país com produtos e serviços muito caros.

 PIB per capita em queda:

PIB per capita pode cair se:

1. Houver uma queda do PIB

2. A Taxa de Crescimento da população for mais alto que o Taxa


de Crescimento da economia.

 Em ambos os casos isso significa:


a) empobrecimento da população

b) Também pode indicar: aumento na Taxa de Desemprego.

RNB – RENDA NACIONAL BRUTA ( ou PNB – PRODUTO NACIONAL


BRUTO)

O PIB, pela ótica do Produto, mede o Valor a Preços de Mercado de todos


os bens e serviços produzidos em território nacional, mas desconsidera a
origem do capital.

Ora, em uma Economia Aberta há Fatores de Produção (capital e


trabalho) de origem estrangeira produzindo bens e serviços no país, bem
como, Fatores de Produção nacionais, produzindo bens e serviços no
exterior.

Assim, no conceito Interno: contabiliza-se tudo produzido em território


nacional, mas no conceito Nacional: o que se contabiliza é a origem dos
Fatores de Produção.

 RNB = PIB-RLEE ou RNB = PIB + RLRE

Nesse Exemplo:

a) O PIB é R$ 700,00 = Valor da Produção – insumos;

b) Porém o RNB = R$ 500,00 = Renda paga a brasileiros = Salários: R$ 400


+ Receitas Líquida de Vendas: $100,00.
 Também é possível calcular a partir do PIB – os valores pagos aos
estrangeiros = R$ 700 – R$100 (de salário) – R$ 100 (receitas líquidas
de vendas) = R$ 500,00

 RNB (Renda Nacional Bruta), RND (Renda Nacional Disponível),


RLG (Renda Líquida do Governo) e RPD (Renda Privada
Disponível):

 RNB - Renda Nacional Bruta

Como já vimos é : RNB = PIB -RLEE ou RNB= PIB + RLRE

Ou seja, é um agregado que trabalha apenas com Rendas (remuneração de


fatores de produção de residentes) .

 A partir da RNB podemos calcular a RND e RPD:

 RND - Renda Nacional Disponível:

Difere do RNB porque leva em consideração as Transferências correntes


recebidas e enviadas ao exterior5.

 Transferências correntes recebidas e enviadas ao exterior

Toda movimentação de recursos entre agentes econômicos e países, que


não remunera fatores de produção.

Exemplo: remessa de imigrantes para sua família em seu pais de origem,


doação, etc.).

Assim, a RND - Renda Nacional Disponível = aos recursos que os agentes


econômicos no Brasil tem para gastar ou poupar.

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Toda movimentação de recursos entre agentes econômicos e países, sem contrapartida com o
processo de produção. Ou seja, é aquele recurso que está sendo enviado para o exterior, mas que não
é Renda Enviada ao Exterior: não é juros, de capital emprestado, não é salário de estrangeiro, não é
royalties, nem lucros de empresa com sede no exterior.
P. Porque RND é igual aos recursos que os agentes econômicos no Brasil
têm para gastar ou poupar?

Pois é a Soma da RND = PIB +6 RLRE + 7TUR (Transferências Correntes


Líquidas, nesse caso se recebeu mais que enviou)

 TUR - Transferências Correntes Líquidas:

TUR = Transferências correntes recebidas - Transferências correntes


enviadas

Ou seja, RND é o somatório do que se tem de recursos para gastar dentro


do país, por isso o nome “Disponível”.

Como sabemos o dinheiro que eu nós temos em mãos, ou gastamos ou


poupamos, por isso podemos dizer que:

RND = C + SD

C: total de despesas de consumo

SD : total da poupança doméstica (ou Poupança Bruta)

 Relação PIB e RND:

Estendendo, posso dizer que:

a. PIB = RND – RLRE – TUR (quando se recebeu mais


transferências se que enviou) ou
b. PIB = RND – RLRE + TUR (quando se enviou mais
transferências se que recebeu) ou mesmo
c.

P. No caso “b” por que eu posso afirmar que o PIB é menor que a RND?
Cite um País em que, provavelmente, isso ocorre e justifique.

Não, pois a RND = PIB + RLRE – TUR.

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Esse sinal pode oscilar: será – se for RLEE, ou seja, sair mais renda do que entrar e + se for
RLRE, ou seja , receber mais renda do que sair.
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Esse sinal pode oscilar: será – se sair mais transferências do que entrar e + se entrar mais
transferências do que sair.
Nesse caso a RND só será maior que o PIB se a Receita Líquida Recebida
do Exterior for maior que a Transferência unilateral líquida.

Isso supondo, com base na equação apresentada, que foi recebida mais
renda que enviada ao exterior e que foi enviados mais recursos em
transferências correntes do que recebido do exterior, o que também, supus
em razão do sinal negativo a frente da Transferência Corrente Líquida.

Mantendo essas suposições, creio que essa equação poderia ser aplicada
para encontrar a Renda Nacional Disponível de um país como os EUA. A
grande quantidade de empresas americanas no exterior, o volume da
capital emprestado pelos agentes americanos, os serviços e produtos
vendidos por empresas americanas no mundo todo, assim como, o grande
Estoque de Bens Incorpóreos (tecnologia, marcas, outras patentes diversas,
dentre outros), me levam a crer que os EUA receba mais renda do exterior
pela remuneração dos fatores citados do que envia.

No entanto, é sabido que os EUA tem uma enorme população imigrante, e


que, ao menos parte dela, remete parcela de sua renda aos seus países de
origem.

Porém, não creio que o volume de transferências corrente líquidas


enviadas ao exterior dos EUA sejam superiores a RLRE. Nesse sentido,
acredito que a RND nos EUA é maior do que seu PIB.

P. Análise o gráfico apresentado:

De acordo com esse gráfico podemos afirmar que, nesse ano, a RND no
Brasil, correspondeu a seguinte equação:
RND = PIB – RLEE + TUR

Isso porque vemos que foi enviado ao exterior mais renda do que recebido,
no entanto, o Brasil recebeu mais transferências correntes do que enviou.

 RND (Renda Nacional Disponível), a RLG (Renda Líquida do


Governo) e RPD (Renda Privada Disponível):

Por fim, podemos relacionar a RND (Renda Nacional Disponível) com a


RLG (Renda Líquida do Governo) e a RPD (Renda Privada Disponível):

RND = RLG + RPD

 Atente para o fato de que podemos desenvolver, também a seguinte


equação: C + SD = RLG + RPD.

Isso porque, tanto a RLG como a RPD viraram consumo ou


poupança.

RELAÇÃO: PIB E PIL – PRODUTO INTERNO LÍQUIDO

(CONCEITOS: BRUTO E LÍQUIDO)

A diferença básica é que o PIL considera a valor da Depreciação do capital


utilizado no esforço de produção:

PIL = PIB - DEPRECIAÇÃO

 Depreciação do capital utilizado no esforço de produção:

Incorpora não só o desgaste físico do Estoque de Capital, mas também a


obsolescência das maquinas e equipamentos.

P. Calcule o PIL da economia abaixo:


PIL = PIB – DEPRECIAÇÃO

PIB = VALOR FINAL DA PRODUÇÃO – INSUMOS

Assim, 1000 – 300 = PIB = 700

PIL = 700 – depreciação = 700 – 10 = 690.

2.1.6 CONCEITO DE DEFLATOR IMPLÍCITO DA RENDA OU DO


PIB.

Como vimos, o PIB mede a despesa total em bens e serviços em todos os


mercados de uma economia.

Se a despesa total aumentou de um ano para o outro uma dessas duas


coisas ocorreu:

1) A Economia está produzindo uma quantidade maior de bens e


serviços.

2) Ou os bens e serviços estão sendo vendidos a preços mais elevados.

Para respondermos o que de fato ocorreu precisamos entender a


difenrença entre os Valores Nominais e os Valores Reais:

 Valores Nominais x Valores Reais:

Valores Nominais: são os valores correntes da variável, aqueles que são


normalmente oferecidos pelas instituições. Já os:

Valores Reais: são os valores nominais descontando a taxa de inflação de


sofrida no período que estamos analisando.
Lembre-se: o que é gasto é = o que é recebido como renda. Assim, se
pode falar do Deflator como Deflator do PIB, bem como Deflator da
Renda, vez que ele reflete quanto se perdeu de renda.

Compreendendo que a Inflação diferencia os valores nominais dos


valores reais dos bens e serviços, precisamos, então, definir como
calcularemos essa Inflação, que é, no caso em análise, um Deflator do PIB
Nominal para encontrarmos o PIB Real. Com relação a qual seria o
melhore Deflator, calculo da Inflação a ser utilizado, existe em economia
grande controvérsia. Vejamos:

 Controvérsia em relação a qual Deflator do PIB ultilizar

Tal como todas as categorias e estatísticas da Contabilidade Social, as


taxas de crescimento são objeto de algumas controvérsias. Entre estas se
encontra a questão do deflator adequado para o cálculo do crescimento
real. Sim, pois o que importa não é crescimento nominal do PIB, que é
inflacionado pela elevação dos preços, mas o crescimento real, referido ao
aumento da oferta de bens e serviços. O problema é que nem todos os
bens e serviços têm sua oferta aumentada na mesma magnitude, assim
como nem todos sofrem variações similares de preços.

 Tipos de Calculo da Inflação/ Deflator do PIB?:

A depender da metodologia de cálculo da inflação adotada – e existem


diversas, a começar pelas clássicas de Paasche (utilizada para o cálculo do
Deflator Implícito do PIB) e Laspayeres (utilizada para o cálculo dos
mais diversos Índices de Preço ao Consumidor) – e da cesta de bens posta
sob controle e acompanhamento as taxas de inflação serão distintas.

Portanto, dependendo da metodologia aotada, serão distintas as taxas de


crescimento do produto em termos “reais”.

 Algumas metodologias de calcúlo da Inflação/Deflator do PIB-


Renda, adotadas no Brasil:

a) O Índice Nacional de Preços ao Consumidor:

É calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e


tem como base de ponderação dos preços a estrutura de consumo de
famílias com renda entre 1 e 6 salários mínimos. A pesquisa de preços é
feita em nove regiões metropolitanas: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo
Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém,
além do DF e de Goiânia.

 IPCA: O IBGE também calcula o IPCA (Índice Nacional de Preços


ao Consumidor Amplo), com base na estrutura de consumo de
famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos (o IPCA é tomado
como referência pelo Banco Central para a fixação de metas de
inflação).

b) O Índice de Preços ao Consumidor:

É calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da


Universidade de São Paulo e é o índice de preços mais antigo do país. A
base de ponderação é a estrutura de consumo de famílias que apresentam
renda entre 1 e 20 salários mínimos. A coleta de preços é fei a somente no
município de São Paulo.

c) O Índice Geral de Preços (Disponibilidade Interna):

É calculado pela Fundação Getúlio Vargas e consiste em uma média


ponderada de três outros índices calculados pela mesma instituição: o
Índice de Preços por Atacado (referente aos preços de matérias-primas),
com peso de 60%; o Índice de Preços ao Consumidor-FGV, medido nas
cidades de Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis,
Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São
Paulo, para famílias de 1 a 33 salários mínimos de renda, com peso de
30%; e o Índice Nacional da Construção Civil (referente aos preços de
insumos da construção civil), com peso de 10%. Este é um índice
calculado com a mesma metodologia há mais de meio século, sendo
tradicionalmente usado como medida geral da inflação. A FGV também
calcula um IGP-Oferta Global, com maior ponderação relativa a produtos
destinados à exportação.

d) O Índice do Custo de Vida: é calculado pelo Departamento


Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos. A base de
ponderação é a estrutura de consumo de famílias cuja renda varia de 1 a
30 salários mínimos. A coleta de preços é feita na cidade de São Paulo
(um índice do custo de vida equivale a um índice de preços ao
consumidor).

 Qual a utilidade dos deflatores?

Com os deflatores, conseguimos definir o preço real dos produtos e


serviços, tendo por referenia, obviamente, um ano base, assim,
conseguimos calcular por exemplo, qual foi o aumento da quatidade
consumida de determinado produto de uma no para o outro, dado esse
quepoderia estar maquiado por um simples aumento de preço.

 Como descobrirmos a alteração da quantidade consumida de um


ano para outro?

No caso do PIB real, por exemplo, descontamos a inflação, para poder


assim analisar apenas o aumento da produção no período, sem deixar
que o aumento do preço influenciar no nosso resultado.

Logo:

PIB REAL = ∑ (PREÇO ANO BASE X QUANTIDADE CORRENTE).

Já o PIB nominal não desconta os efeitos do aumento de preço, sendo


dado em valores correntes:

PIB NOMINAL = (∑ PREÇO CORRENTE X QUANTIDADE


CORRENTE ).

 Sabendo os valores do PIB Nominal e do PIB Real, como fazemos


o calculo do Deflator,ou seja, da Inflação da Economia?

BIBLIOGRAFIA INDICADA
Contabilidade Social – A nova referência das contas nacionais do
Brasil. Cap. 02 (p. 18/49)