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MODELO DE RESP

Excelentíssimo Senhor Desembargador Vice-Presidente do Tribunal de


Jusitiça de Minas Gerais.

Apelação Cível/Embargos de Declaração: XXX

XXX, já qualificado nos autos dos APELAÇÃO


CÍVEL em que contende com XXX, em curso perante esse Egrégio Tribunal
(Colenda 8ª. Câmara Cível) vem à presença de Vossa Excelência, através de
seu procurador abaixo-assinado, não se conformando, “data vênia”, com a r.
decisão que rejeitou os embargos de declaração e com o acórdão proferido
nos mesmos autos, oferecer, tempestivamente,
RECURSO ESPECIAL
com fundamento no artigo 105, III, “a” e “c” da Constituição Federal
esperando seja o admitido e, após as formalidades legais, encaminhado ao
Superior Tribunal de Justiça, a fim de que seja provido, nos termos do
arrazoado anexo.

Termos em que, respeitosamente,


Pede Deferimento

Juiz de Fora, 19 de setembro de 2012.

____________________________________
ADVOGADO OAB/MG XXX
MODELO DE RESP
Excelentíssimo Senhor Ministro-Presidente do Excelso Superior Tribunal de
Justiça.

Egrégia Turma:
Senhores Ministros:

Merece ser conhecido e provido o presente recurso


especial. Senão vejamos.

DA ESPÉCIE – SUA SÍNTESE

Cuida-se de ação de embargos à execução promovida


pelo ora recorrente em desfavor do ora recorrido, ao fundamento de que:

Entre as partes fora celebrado uma cédula de crédito


industrial regida pelo Decreto-lei 412/69, tendo o embargante sido avalista
da referida cédula, sendo que, na hipótese, por não ter o título circulado,
poderiam ser opostas as exceções do devedor principal.

Assim, em razão da possibilidade de se deduzir tais


exceções, alegou o embargante:

a) que não seria devida “in casu”, multa prevista em cláusula penal de 10%
em razão de ter sido decretada a falência da empresa Saboral Alimentos, o
que vulneraria o disposto no artigo 23 da antiga LEF.

b) Igualmente, no tocante aos juros alegou não poderem ser os mesmos


cobrados, com a decretação da falência, por força do artigo 25 da antiga Lei
de Quebras.

c) pleiteou, também, a limitação dos juros remuneratórios a 12% a.a., à vista


do silencio do CMN, com a aplicação da Lei de Usura.

d) esgrimiu a tese de que seria de impossível cumulação a cobrança de juros


remuneratórios com moratórios após a caracterização da mora ou, se possível
fosse tal cumulação que a mesma se ativesse a juros moratórios à razão de
1% ao ano;
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e) discorreu ainda sobre a impossibilidade de remuneração dúplice sobre o
capital mutuado, através da instituição da TJLP acrescida de 6% ao ano, o
que, nitidamente, caracterizaria anatocismo.

A SENTENÇA MONOCRÁTICA

A sentença monocrática acolheu boa parte dos pleitos


vestibulares, determinando fosse decotada da execução a cobrança de juros à
taxa superior a 12% a.a. no que diz com os remuneratórios e 1% a.a. no que
tange aos moratórios.

Apesar da expressiva vitória e do alto valor da causa


(mais de R$700.000,00), condenou a embargada no pagamento de míseros
R$1.500,00 a título de honorários advocatícios, em especial se observada a
responsabilidade da causa, seu valor, dentre outros aspectos relevantes à sua
fixação, mas que serão objeto de tratamento próprio neste recurso.

O RECURSO DE APELAÇÃO

Inconformadas, ambas as partes recorreram ao TJ-


MG. A ora recorrente pleiteou fosse reformada a sentença para que fossem
acolhidos os demais pleitos exordiais, como também fosse adequado o
comando sentencial aos termos do artigo 20, § 3º do CPC, tendo em vista a
sucumbência experimentada pela parte contrária.

O ACÓRDÃO QUE JULGOU OS APELOS

O acórdão parcialmente hostilizado negou provimento


a ambos os apelos, sendo certo que, com relação ao do embargante o mesmo
foi improvido ao argumento de que responde de forma autônoma o apelante,
por se tratar de obrigação cambiária, não se beneficiando das vantagens da
quebra.

Em razão deste fato, responderia o embargante pelos


juros remuneratórios vencidos após a caracterização da mora, além de
cláusula penal de 10%, juros moratórios incidentes a partir do vencimento da
dívida da empresa.
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EMBARGOS DECLARATÓRIOS

Percebendo a existência de contradição e omissão no


acórdão proferido a parte ora recorrente embargou de declaração pelos
seguintes motivos:

1) Contradição no acórdão. Haveria contradição a ser sanada haja vista


que o voto minoritário proferido pelo relator dava provimento ao apelo
do BDMG, para julgar totalmente improcedente a ação de embargos à
execução, assim, não apreciava o pedido de majoração da verba
honorária feita no apelo do embargante, por prejudicado. Porém, os
votos majoritários negaram provimento ao apelo do BDMG,
portanto, não poderiam utilizar a mesma razão de decidir do voto
minoritário quanto ao pedido de majoração da verba honorária.

2) Quanto à omissão: alegou ainda ter havido omissão no acórdão posto


que o mesmo não se manifestara sobre ponto em relação o qual
deveria fazê-lo, qual seja, a possibilidade de o devedor solidário poder
opor as exceções pessoais do devedor principal nas obrigações
cambiárias se o título não circulou.

DO ACÓRDÃO QUE JULGOU OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS

O acórdão que julgou os embargos declaratórios os


rejeitou ao argumento de que, a divergência entre os votos deveria ser
discutida pela via dos infringentes. Ademais, a pretensão contida nos
declaratórios seria tão somente de se manifestar o Tribunal sobre matéria
sobre a qual já fizera no bojo do próprio acórdão. Rejeitados os embargos.

DO RECURSO ESPECIAL ANTERIORMENTE INTERPOSTO

Foi então manejado recurso especial interposto pela


parte ora recorrente, ao argumento de negativa da prestação jurisdicional,
tendo em vista que a omissão e contradição apontadas nos embargos de
declaração não foram sanadas pelo TJMG, quando do julgamento dos
embargos de declaração, notadamente, porque não se apreciou o pedido de
majoração da verba honorária fixada em R$1.500,00, além do que, pleiteou
fosse facultado a ele discutir nos embargos, questões atinentes à devedora
Saboral Alimentos Ltda., tendo em mira que o título não circulara,
pedindo, assim, fossem extirpados da execução movida contra o
embargante os juros após a decretação da quebra de Saboral Alimentos,
bem como multa penal.
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O recurso especial foi admitido e, por decisão


monocrática do relator, provido para que "para que se proceda à apreciação
das questões levantadas nos embargos de declaração”

DO JULGAMENTO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS PELO


TJMG

O TJMG apreciou uma das questões, qual seja o


pedido de majoração da verba honorária, fê-lo, no entanto, para manter a
decisão de primeiro grau, então fustigada, com a seguinte fundamentação:

“Na espécie, verifica-se dos autos que os embargos à execução foram


julgados parcialmente procedentes, com o seguinte dispositivo:

Ante todo o exposto e por tudo mais que dos autos consta, julgo
PROCEDENTES EM PARTE O PRESENTE EMBARGOS propostos
por MIGUEL ANTÔNIO FONSECA DA SILVA em face do BDMG -
BANCO DE DESENVOLVIMENTO DO ESTADO DE MINAS
GERAIS S/A, apenas para o fim reduzir os juros remuneratórios ao
percentual de 12% ao ano, bem como os juros moratórios para o
percentual de 1% ao ano, nos moldes do caput e
do parágrafo único, do artigo 5º, do Decreto-Lei 413/69, condenando
aquele ao pagamento de 50% das custas e honorários advocatícios
arbitrados em R$1.500,00 (hum mil e quinhentos reais), nos termos do §
4º, do artigo 20, do CPC, cujo pagamento fica suspenso por estar o
Embargante litigando sob o pálio da assistência judiciária, nos moldes
do artigo 12, da Lei 1060/50. Condeno, outrossim, o Embargado ao
pagamento de 50% das custas e honorários advocatícios arbitrados em
R$1.500,00 (hum mil e quinhentos reais), nos termos do § 4º, do artigo
20, do CPC. Determino que sejam os autos remetidos à Contadoria
Judicial para elaboração de novos cálculos, conforme o que restou
decido. ("Sic", f. 111.)
Nas razões de apelação (f. 114/122), entre outras questões, nsurgiu-se o
apelante contra a parte da sentença que fixou honorários advocatícios,
devidos pelo apelado, em R$1.500,00 (um mil e quinhentos reais), à
alegação de que se encontrava em desacordo com os critérios
estabelecidos nas alíneas do § 3º do art. 20, ou seja, sem apreciação
equitativa do juiz.

Na espécie, não obstante, verifico que o valor arbitrado atende a tais


critérios, tendo em vista a curta tramitação da demanda - menos de um
ano entre a oposição dos embargos e seu julgamento -, a desnecessidade
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de dilação probatória - pois a discussão se restringiu a tese jurídica
reiteradamente debatida na jurisprudência -, bem como o zelo dos
patronos do embargante na condução da causa - normal.

Portanto, entendo que se mostra razoável o arbitramento dos honorários


advocatícios no montante de R$1.500,00 (um mil e quinhentos reais),
que remunera, com justiça, o labor dos dvogados do embargante, sem
onerar demasiadamente o embargado.

Com estas considerações, acolho os embargos, para suprir a


contradição existente no acórdão nos termos acima, sem conferir-lhes,
contudo, efeitos modificativos”.

DAS RAZÕES PARA PROVIMENTO DO RECURSO ESPECIAL

DO CABIMENTO PELA ALÍNEA “a” DO PERMISSOR


CONSTITUCIONAL

VIOLAÇÃO AO ARTIGO 535, I do CPC

É triste, lamentável, mas, infelizmente, o ora


recorrente, uma vez mais tem que interpor recurso especial novamente
fundado na negativa da prestação jurisdicional, “máxima vênia”.

Como Vossas Excelências hão de ter observado, o


ora recorrente, quando do recurso especial anteriormente interposto,
esgrimou a tese da negativa da prestação jurisdicional, por duas razoes:

a) a contradição no acórdão referente à distribuição do ônus da


sucumbência;
b) a omissão do acórdão de apreciar a tese consistente na possibilidade
de se discutir matérias atinentes ao devedor principal, pelos demais
envolvidos (exceções pessoais do devedor principal), se o título não
circulou. As questões que seriam atinentes ao devedor principal no
caso concreto seriam: extirpar cobrança de cláusula penal e juros
após a quebra da devedora principal Saboral Alimentos Ltda.

Não há dúvida de que o acórdão sanou a contradição


apontada nos embargos de declaração, ainda que não tenha conferido aos
embargos declaratórios efeitos infringentes, no tocante à distribuição do ônus
da sucumbência e, em especial, à verba honorária do patrono do embargante.
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Porém, nas palavras do Ministro Relator, o recurso especial foi provido para:
"para que se proceda à apreciação das questões levantadas nos
embargos de declaração”.

Como se observa, não foi inutilmente que o Senhor


Ministro Relator decidiu o recurso especial, provendo-o, para determinar que
o Tribunal a quo, apreciasse as questões e não apenas uma
questão trazida nos embargos de declaração.
Assim, constata-se que o acórdão então embargado
ainda não entregou a prestação jurisdicional de forma completa, pois deixou
de apreciar a segunda das duas questões trazidas nos embargos, qual seja: se
à vista da constatação de que o título não circulara, em razão dessa
circunstância específica, se seria possível aos demais devedores,
argüirem exceções pessoais do devedor principal (exclusão dos juros e
cláusula penal após a quebra deste último).

Nestas circunstâncias, por ser de sabença comum que,


nos termos da Súmula 211 do STJ, são inadmissíveis recursos especiais sem
o devido prequestionamento, ainda que a parte tenha manejado os
competentes embargos declaratórios e a Corte Estadual não tenha se
manifestado sobre a matéria nele contida, outra alternativa não resta ao ora
recorrente a não ser a interposição de outro o recurso especial por negativa
da prestação da tutela jurisdicional – violação dos mencionados dispositivos
do Código de Processo Civil.

Como já observado em linhas volvidas, o ora


recorrente, quando da interposição de embargos, pleiteou fosse facultado a
ele discutir, nos embargos, questões atinentes à devedora Saboral Alimentos
Ltda., tendo em mira que o título não circulara, pedindo, assim, fossem
extirpados da execução movida contra o embargante os juros após a
decretação da quebra de Saboral Alimentos, bem como multa penal.

Os pedidos de retirada de juros e multa penal foram


indeferidos ao argumento de que, cuidar-se-ia de uma obrigação autônoma,
cuja discussão sobre em torno do artigo 23 da LEF/45, não poderia ter
tomado lugar nestes autos.

Porém, como já dito anteriormente, há


entendimento doutrinário colocado pela parte segundo o qual, não tendo
o título circulado, seria dado ao avalista, levantar discussão ou opor
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exceções pessoais do devedor principal, no caso a Saboral Alimentos
Ltda.

“Data venia”, tal argumento, apesar de ter sido


colocado à discussão pelo embargado, não só na apelação, como também nos
embargos declaratórios, consoante seguintes termos:

Seja conhecido e provido o presente embargo declaratório para que


Vossas Excelências façam prequestionamento, lançando razões
expressas pelas quais rejeitam ou acolhem o argumento deduzido pelo
embargante segundo o qual, por não ter o título circulado, poderiam
ser opostas exceções pessoais do devedor principal, pelo avalista e,
uma vez analisada esta matéria dêem ou não provimento ao presente
recurso, em caráter infringente, também quanto a esta matéria.

Apesar do pedido expresso da parte, o Tribunal “a


quo” entendeu que não seria o caso de se apreciar tal matéria, tendo em vista
que a matéria já fora discutida.

“Data venia”, persiste a omissão quanto a ponto


essencial da demanda. A parte tem um argumento que, “data vênia”, é
relevante ao julgamento da causa: a possibilidade de discussão de matéria
atinente aos efeitos da decretação da quebra da devedora principal, sobretudo
a impossibilidade de cobrança de juros e cláusula penal, se o título não
circulou, o que levaria a essa possibilidade.

Assim, não resta outra opção ao jurisdicionado senão


requerer, igualmente, quanto a esse ponto da demanda, seja conhecido e
provido o presente recurso especial, com fundamento na violação ao artigo
535, II do CPC e assim determinar a anulação do acórdão proferido, para que
outro se prolate, com a apreciação da matéria versada na apelação e aqui
reiterada.

NO MÉRITO

DO DISSENSO JURISPRUDENCIAL – HONORÁRIOS


ADVOCATÍCIOS – MAJORAÇÃO – NECESSIDADE – CONFLITO
COM NOVO ENTENDIMENTO DO STJ

No caso concreto, o acórdão hostilizado manteve o valor


de R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) para remunerar o trabalho
profissional de advogado que prestou seus serviços e tese êxito substancial,
numa causa que no ano de 2003 tinha valor equivalente a R$ 729.260,63 e,
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na data da interposição do presente recurso especial, somente pela correção
monetária do STJ tem valor equivalente a R$ 1.165.092,30

“Permissa vênia”, o acórdão recorrido divergiu dos novos


parâmetros adotados pelo STJ a respeito da matéria, como se demonstrará a
seguir.

DO ACÓRDÃO RECORRIDO – SUAS PREMISSAS FÁTICAS

A primeira premissa que se tem no caso concreto é a de que


de acordo com a decisão hostilizada, não há dúvida de que a parte
embargante teve êxito em parte importante da causa, tanto assim o é que
distribuiu o percentual das custas em 50% para cada uma das partes.

Pois bem.

A segunda premissa é a de que o valor da causa é da ordem


de R$729.260,63 ou R$1.165.092,30, corrigidos até a data da interposição do
presente segundo os índices de atualização do próprio TJMG (vide tabela da
Corregedoria anexa ao recurso).

A terceira premissa é a de que apesar da veracidade das


duas primeiras premissas, o acórdão fixou o valor dos honorários em favor
dos advogados da parte embargante em R$1.500,00.

Para tanto, asseverou o acórdão que:

“Na espécie, não obstante, verifico que o valor arbitrado atende a tais
critérios, tendo em vista a curta tramitação da demanda - menos de
um ano entre a oposição dos embargos e seu julgamento -, a
desnecessidade de dilação probatória - pois a discussão se restringiu a
tese jurídica reiteradamente debatida na jurisprudência -, bem como o
zelo dos patronos do embargante na condução da causa - normal.

Portanto, entendo que se mostra razoável o arbitramento dos


honorários advocatícios no montante de R$1.500,00 (um mil e
quinhentos reais), que remunera, com justiça, o labor dos advogados
do embargante, sem onerar demasiadamente o embargado.

Com estas considerações, acolho os embargos, para suprir a


contradição existente no acórdão nos termos acima, sem conferir-
lhes, contudo, efeitos modificativos.”
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Portanto, o valor dos honorários arbitrados, numa ação de


embargos à execução onde o advogado tem êxito substancial na demanda,
labora na primeira instância fora de sua Comarca de origem, na segunda, faz
a entrega de memoriais aos Desembargadores (no primeiro acórdão então
embargado Sua Excelência ali faz menção expressa a tal situação), elabora,
posteriormente, embargos de declaração, recurso especial (provido), foi
fixado no importe de R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) valor que
corresponde a, exatos, 0,12% (zero virgula doze por cento) sobre o valor da
causa corrigido.

DO ACÓRDÃO PARADIGMA

O acórdão paradima é de 1.085.318/PR, Relatora Ministra


Nancy Andrighi, publicado acórdão no DJU 17.11.2011, cuja transcrição do
voto, naquilo que é pertinente à questão ora discutida é a seguinte:

Passando à análise do mérito do recurso especial, vê-se que, em que


pese a alta complexidade da matéria discutida ao longo deste
processo, essa impugnação discute uma matéria simples: a justiça na
fixação de honorários pelo sucesso de C. R. ALMEIDA na exceção de
pré-executividade que apresentou contra a execução aparelhada por
JORGE EVÊNCIO.

A execução se iniciou pelo valor de R$ 3.813.573,23. Os honorários


advocatícios foram estabelecidos em R$ 20.000,00, ou seja, em
montante equivalente a 0,52% do suposto crédito perseguido.

A jurisprudência desta Corte, usualmente, tem entendido ser


impossível revisar a quantia fixada a títulos de honorários
advocatícios, por esbarrar no Enunciado nº 7 da Súmula/STJ, salvo
em hipóteses de evidente exagero ou excessiva modicidade.

Via de regra, consideram-se irrisórios honorários fixados, com


fundamento no art. 20, §4º, do CPC, em montante inferior a 1% do
valor da condenação. Nesse sentido: AgRg nos EDcl no Ag
1.181.142/SP (Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, 3ª Turma, DJe
de 31/8/2011); REsp 962.915/SC (3ª Turma, minha relatoria, DJe de
3/2/2009).

Para hipóteses de execuções impugnadas pela via de exceção de pré-


executividade, esta 3ª Turma já exarou precedentes específicos. Posso
citar, nesse sentido, dois julgados relativamente recentes, ambos de
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minha relatoria: o do REsp 1.042.946/SP (DJ de 18/12/2009) e o
REsp 1.063.669/RJ (DJe de 24/8/2011).
No primeiro deles, discutia-se a necessidade de observância de uma
regra de simetria no tratamento da impugnação a uma execução civil.
A parte argumentava que, se ao despachar a petição inicial, o juízo
usualmente fixava em 10% os honorários advocatícios para o caso de
não pagamento ou de insucesso na impugnação, não haveria motivos
para que, nas hipóteses de sucesso da oposição do executado, os
honorários fossem fixados em patamar menor. Nessa oportunidade,
ponderei que não haveria ofensa ao princípio da isonomia pelas
seguintes razões:

A melhor análise da questão exige uma correção de perspectiva. Como é


cediço, os embargos consubstanciam uma ação autônoma de impugnação,
proposta visando a desconstituir o título executivo, ou declarar a
inexistência de relação jurídica de crédito e o inadimplemento.

A constatação da autonomia entre os dois processos (execução e embargos


à execução) evidencia que não há ofensa ao princípio da igualdade na
fixação dos honorários. No processo de embargos, tanto o autor, como o
réu, sujeitam-se às mesmas regras processuais: se o embargante vencer,
seus honorários, nesse processo, serão fixados com base no §4º do art. 20
do CPC.

Se, por outro lado, o embargado vencer, seus honorários, também nesse
processo , serão fixados segundo o mesmo padrão: art. 20, §4º, do CPC. A
regra é a mesma para as duas partes.

A perplexidade do recorrente não diz respeito, portanto, aos honorários dos


embargos , mas aos honorários da execução . É nos 10% fixados no
despacho inicial da execução que está a alegada distorção, não na sentença
dos embargos à execução que, como ação autônoma, se desenvolve sob a
mais absoluta paridade de armas.

Ao final, naquela oportunidade, esta 3ª Turma fixou em R$


1.500.000,00 os honorários advocatícios para defesa da parte em uma
execução de R$ 26.833.608,91. Os parâmetros utilizados para se
chegar a esse valor foram os do art. 20, §3º, do CPC, ou seja: o grau
de zelo profissional, o local da prestação de serviços, a natureza e
importância da causa, o local da prestação do serviço e e as
dificuldades gerais apresentadas pelo processo. Especial relevo foi
dado à importância da causa, notadamente porquanto, ainda que
desempenhe um trabalho objetivamente simples ao apresentar uma
mera exceção de pré-executividade, não se pode desprezar a
expressiva responsabilidade assumida pelo advogado ao aceitar
defender seu cliente em uma ação de execução de tamanho vulto.
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No segundo precedente supracitado, REsp 1.063.669/RJ, esta Corte
fixou honorários de R$ 300.000,00 para o sucesso de uma exceção de
pré-executividade apresentada em uma execução de R$ 8.653.846,39,
valendo-se dos mesmos critérios suprarreferidos. Citei, no voto que
proferi nessa oportunidade, recente manifestação da Associação dos
Advogados do Brasil no sentido de iniciar campanha pela valorização
profissional do advogado, com especial atenção para a necessidade de
elevar a fixação de seus honorários de sucumbência (consoante
notícia colhida no site Direito na Mídia:
direitonamidia.blogspot.com/2011/06/advogados-lancam-campanha-
por.html, acesso em 21/10/2011). Em edital publicado em junho de
2011, sob o título "Honorários não são gorjeta"
(http://www.aasp.org.br/aasp/informativos/honorarios/editorial.asp,
acesso em 21/10/2011), a Associação fez as seguintes observações, a
justificar a medida:

Honorários não nos vêm, regular e automaticamente, como vencimentos.


São contraprestação derivada de mérito, de honor, da honra que se
empresta à profissão e que é devida ao profissional pelo trabalho e
dedicação ao seu mister, durante anos. Vale lembrar que o custo do
exercício da digna profissão do Advogado e da Advogada (manutenção e
material de escritório, gastos com pessoal, cursos de aperfeiçoamento) é, na
grande maioria das vezes, assumido pelo profissional antecipadamente,
que, com base no suor do seu trabalho, conta com o resultado favorável a
seu cliente e com a respectiva verba de sucumbência. Assim, quando
supostamente o valor de determinada condenação sucumbencial aparenta
ser elevado, na verdade aquele valor é dedicado a cobrir inúmeras
despesas, investimentos e, quando possível, justa melhoria de vida para o
profissional da advocacia.

Essa iniciativa, tomada por uma grande e respeitável associação


como é o caso da AASP, não pode passar desapercebida. Todos
sabemos que, ao contrário do que se diz no aludido manifesto, os
Tribunais sempre procuram, mesmo diante da notória sobrecarga de
trabalho, analisar com cautela e atenção cada um dos processos de
modo a fixar os honorários no patamar mais razoável possível.
Contudo, se a postura até aqui adotada tem gerado indignação
significativa a ponto de gerar um manifesto oficial, talvez seja o
momento de, com humildade e parcimônia, revê-la.

Como mencionei no referido julgamento, Os bons advogados têm de


ser premiados. As lides temerárias devem ser reprimidas. É notório o
fluxo recente de profissionais gabaritados ao ramo consultivo, no
direito, em vista das dificuldades apresentadas pelo contencioso, com
a demora na solução das lides, o baixo valor envolvido e, muitas
vezes, a impossibilidade de percepção de honorários que compensem
o trabalho despendido. Essa tendência tem de ser invertida. A parte
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que ajuíza uma execução de quase 10 milhões de reais, deve estar
ciente da responsabilidade que isso envolve. Os honorários, sem
dúvida, devem refletir a importância da causa, recompensando não
apenas o trabalho efetivamente realizado, mas também a
responsabilidade assumida pelo causídico ao aceitar defender seu
cliente numa causa dessa envergadura.

Na hipótese dos autos, não se trata de uma execução de quase 10


milhões de reais, como naquele precedente, mas igualmente de uma
execução de vulto: quase 4 milhões. A remuneração dos advogados,
que foram diligentes a ponto de contratar parecer de renomado
professor de direito para respaldar a pretensão de seu cliente (fls. 535
a 579, e-STJ), não pode ser resumir ao montante de R$ 20.000,00. A
remuneração nesse patamar, de fato, avilta a profissão do advogado.
Vale frisar, como dito acima, que todas as considerações tecidas pelo
recorrido, em sua petição de fls 1.129 a 1.131 (e-STJ) acerca da
suposta inidoneidade da empresa recorrente são irrelevantes para a
decisão deste recurso. Aqui, discutem-se os honorários a que fazem
jus os advogados. A suposta inidoneidade da empresa e seus reflexos
para as relações jurídicas mantidas por ela e pelo recorrido, devem
ser objeto de outro processo, não influenciando na qualidade da
atuação dos respectivos causídicos.

Forte nessas razões, conheço e dou provimento ao recurso especial


para o fim de reformar o acórdão recorrido, majorando os honorários
advocatícios para o patamar de R$ 200.000,00, corrigidos da presente
data.

Portanto, de imediato, se põem em linha as matérias


discutidas nos presentes autos e no acórdão paradigma: discussão de
honorários sucumbenciais em lides de maior relevo econômico,
notadamente, em embargos à execução/exceção de pré-executividade. Mais,
se no critério da fixação dos honorários de sucumbência de tais lides, deve
ser ou não, levados em conta o valor da causa, que aponta para a
responsabilidade do advogado que assume tal causa.

O acórdão guerreado aponta no sentido de que não


entra na fixação de tais parâmetros a responsabilidade do profissional que
aceita o encargo de uma lide com um valor expressivo.

Cabe aqui, repisar tal entendimento:

...que o valor arbitrado atende a tais critérios, tendo em vista a curta


tramitação da demanda - menos de um ano entre a oposição dos
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embargos e seu julgamento -, a desnecessidade de dilação probatória
- pois a discussão se restringiu a tese jurídica reiteradamente debatida
na jurisprudência -, bem como o zelo dos patronos do embargante na
condução da causa - normal.

Portanto, entendo que se mostra razoável o arbitramento dos


honorários advocatícios no montante de R$1.500,00 (um mil e
quinhentos reais), que remunera, com justiça, o labor dos advogados
do embargante, sem onerar demasiadamente o embargado.

Com estas considerações, acolho os embargos, para suprir a


contradição existente no acórdão nos termos acima, sem conferir-
lhes, contudo, efeitos modificativos.”

Como visto, em nenhum momento, o acórdão


guerreado tem como critério de fixação a responsabilidade do advogado que
assume uma causa de vulto, como a que se vê nos autos.

Noutro quadrante, se coloca o acórdão paradigma que,


segundo a Ministra Relatora, traz igualmente, os mesmos parâmetros: o local
da prestação do serviço, o zelo profissional, mas além de tais critérios
também constantes do acórdão guerreado, traz como critério para fixação
dos honorários, a importância econômica da causa e a responsabilidade
profissional daí advinda:

Ao final, naquela oportunidade, esta 3ª Turma fixou em R$


1.500.000,00 os honorários advocatícios para defesa da parte em uma
execução de R$ 26.833.608,91. Os parâmetros utilizados para se
chegar a esse valor foram os do art. 20, §3º, do CPC, ou seja: o grau
de zelo profissional, o local da prestação de serviços, a natureza e
importância da causa, o local da prestação do serviço e e as
dificuldades gerais apresentadas pelo processo. Especial relevo foi
dado à importância da causa, notadamente porquanto, ainda que
desempenhe um trabalho objetivamente simples ao apresentar uma
mera exceção de pré-executividade, não se pode desprezar a
expressiva responsabilidade assumida pelo advogado ao aceitar
defender seu cliente em uma ação de execução de tamanho vulto.

Noutra visão mais objetiva da questão, o acórdão


paradigma traça limites claros para aferição da constatação da irrisoriedade
dos honorários: se estes são inferiores a 1% do valor da causa, vejamos:

Via de regra, consideram-se irrisórios honorários fixados, com


fundamento no art. 20, §4º, do CPC, em montante inferior a 1% do
MODELO DE RESP
valor da condenação. Nesse sentido: AgRg nos EDcl no Ag
1.181.142/SP (Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, 3ª Turma, DJe
de 31/8/2011); REsp 962.915/SC (3ª Turma, minha relatoria, DJe de
3/2/2009).

Como demonstrado alhures, o acórdão guerreado fixa


os honorários em 0,12% sobre o valor da causa corrigido, dissentindo,
portanto, flagrantemente, do acórdão paradigma que fixa como parâmetro
mínimo à caracterização da modicidade extrema dos honorários, sua
fixação em menos de 1% sobre o valor da condenação.

Há, pois, flagrante dissídio jurisprudencial e,


“permissa vênia”, deve prevalecer o entendimento sufragado pelo STJ a
respeito da matéria.

Nesta conformidade, deve ser provido o presente


recurso especial, pela divergência, para que esta Corte fixe os honorários
advocatícios em favor dos patronos dos embargantes, em pelo menos 5%
sobre o valor da causa, corrigido, ou em valor fixo que se aproxime de tal
patamar.

DO CONHECIMENTO E PROVIMENTO DO RECURSO ESPECIAL


PELA ALÍNEA “C” DO PERMISSOR CONSTITUCIONAL

DA VIOLAÇÃO AO ARTIGO 20, § 4º, CPC

Há no caso em tela ainda, violação ao artigo


supramencionado.

Ocorre que, o acórdão vergastado faz uma análise


do §4º do aludido artigo 20 do CPC, não o aplica ao caso concreto, porque
fugiu da apreciação equitativa a que faz alusão a dicção do texto legal e não
levo em conta o critério importância da causa na fixação dos honorários
sucumbenciais.

Deve ser destacado, inicialmente, que durante


muito tempo, o STJ veio se posicionando no sentido de não se admitir a
reapreciação da fixação de honorários sucumbenciais em sede de recurso
especial, por, em tese, representar tal questão mergulho na análise fática da
causa, o que seria vedado à Alta Corte, pela aplicação da sua Súmula 7.
MODELO DE RESP
Porém, como demonstrado no item anterior deste
recurso especial, houve uma mudança de paradigmas perante o STJ,
passando-se a admitir a análise de recursos especiais, quando fixados pelas
Cortes Estaduais, honorários de sucumbência em percentuais inferiores a 1%
sobre o valor da condenação (ou da causa) porque presumida, em tais
hipóteses, o aviltamento da verba.

No caso concreto, a verba honorária foi fixada em


R$1.500,00, que correspondente a 0,12% sobre o valor da causa corrigido
pelos critérios do próprio TJMG, R$729,260,63 x1,5976350 (índice TJMG,
para correção de agosto de 2003, data do ajuizamento dos embargos)=
R$1.165.092.306.

Portanto, adotado o parâmetro objetivo do STJ em


casos símiles é inconteste a caracterização da fixação de honorários
aviltantes no caso concreto, neste sentido, confira-se ainda: AgRg nos EDcl
no Ag 1.181.142/SP (Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, 3ª Turma, DJe de
31/8/2011); REsp 962.915/SC (3ª Turma, minha relatoria, DJe de 3/2/2009).

Em reforço aos argumentos já trazidos, deve ser


destacado que não é o fato da causa ter um valor significativo que os
honorários devem ser reduzidos. A responsabilidade do advogado ao assumir
causas de vulto é integral. Não há qualquer redução da responsabilidade
civil do advogado em casos de conduta culposa no exercício da advocacia
nestas causas de maior vulto, logo, se vitorioso, ainda que parcialmente,
tal como no caso vertente, deve obter ganho que expresse, de forma
simétrica ao valor econômico da causa em questão, e não um valor que
não demonstra qualquer relação com a importância econômica da causa
ora em questão.

Com tais expedimentos e, é claro, com os áureos


suplementos de Vossas Excelências, desde já solicitados, o recorrente
encontra motivos para requerer seja o presente recurso especial provido,
igualmente, pela alínea “c” do permissor constitucional e, via de
conseqüência, fixar os honorários de sucumbência em, pelo menos, 5%
sobre o valor da causa, corrigido, ou em valor fixo que se aproxime de tal
patamar.

DOS REQUERIMENTOS FINAIS

Diante do exposto requer seja conhecido e provido o


presente recurso especial, para, preliminarmente, com fundamento na
MODELO DE RESP
violação ao artigo 535, I do CPC, determinar a anulação do acórdão
proferido, para que outro se prolate, com a apreciação da matéria versada na
apelação e aqui reiterada.

No mérito, seja provido o recurso especial seja pela


divergência, seja pela violação a dispositivo de lei federal, para majorar o
valor dos honorários sucumbenciais a, pelo menos, 5% (cinco por cento)
sobre o valor da causa corrigido, por ser medida de inteira Justiça!

Termos em que, respeitosamente,


Pede Deferimento

Juiz de Fora, 19 de setembro de 2012.

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ADVOGADO OAB/MG XXXX

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