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FACULDADE DE EDUCAÇÃO SÃO BRAZ

EVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO BRASIL NO CONTEXTO


HISTÓRICO

CURITIBA/PR
2017
FACULDADE DE EDUCAÇÃO SÃO BRAZ
ANGELO ANTONIO LEITHOLD

EVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO BRASIL NO CONTEXTO


HISTÓRICO

Trabalho entregue à Faculdade de Educação São Braz, como requisito


legal para convalidação de competências, para obtenção de certificado de
Especialização Lato Sensu, do curso de EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA COM
ÊNFASE NA FORMAÇÃO DE TUTORES, conforme Norma Regimental
Interna e Art. 47, Inciso 2, da LDB 9394/96.

Orientador:

CURITIBA/PR
2017
RESUMO

O presente Trabalho de Conclusão de Curso tem o objetivo de demonstrar brevemente a Evolução da


Educação a Distância no Contexto Histórico. Visa analisar tal evolução desde seu início até a
atualidade. Também analisa a diferença temporal entre a EAD e a Legislação, pois se percebe uma
defasagem temporal entre ambas, em que supostamente a segunda segue a primeira. Com o avanço
da tecnologia nem sempre a legislação conseguiu acompanhar adequadamente tal evolução, assim,
houve um atraso óbvio e um afasatamento entre ambas. Porém, a partir da década de 90 é que a
legislação finalmente alcançou a evolução da Educação a Distância, seu marco legal foi a
promulgação da Lei 9.394 de 1996 em seu artigo Artigo 80. A conclusão seria que, após a legislação
finalmente alcançar as técnicas da EaD, ocorreu um aumento exponencial no número de matrículas,
aumento da qualidade e ensino e redução dos custos para os estudantes.

Palavras-chave: História. Educação. Legislação. Educação a Distância.


1. INTRODUÇÃO

Este trabalho é uma breve descrição da História da Educação a Distância no


Brasil e sua legislação. Dentre as inúmeras ciências, a “Teoria de Sistemas”,
estuda as interconexões e interações entre diversos subsistemas. A EAD e a
legislação podem ser vistas sob um olhar histórico, em que se pode analisar
brevemente se houve algum prejuízo, ou não, para o aprendizando. Isso ocorre
porque ambas, a legislação e a Educação a Distância são autoalimentadas, como
um sistema evolutivo conjugado entre o social, o legal e o educacional, num arranjo
uniforme de uma variedade de insights em uma visão geral logicamente fundada
numa construção do ensino, em que cada parte ocupa seu lugar racional.
O objetivo da presente pesquisa é evidenciar a defasagem entre a Educação
a Distância e as leis que a regem, assim provocar uma reflexão se é possível
melhorar a EAD. Tentando mostrar que a partir da agilidade das interconexões na
atualidade, governos, empresas e instituições de ensino podem melhorar a
eficiência do aprendizado, a partir da desburocratização e de um olhar mais
atualizado e inteligente deste segmento do aprendizado.
Com o passar do tempo e a evolução das telecomunicações, houve a
dinamização do processo ensino-aprendizagem tanto convencional, quanto outros
modais. A Tecnologia da Informação propicia uma grande redução de custos devido
a maximização dos sistemas operativos. Da mesma forma que o comércio e a
indústria se dinamizaram, a educação também o fez, assim, a justificativa do
presente trabalho reside em demonstrar que é importante a adaptabilidade como
um todo às novas tecnologias, pois, caso contrário ocorrerá uma retroação deveras
danosa para toda a sociedade. Ou seja havendo adaptabilidade constante, a
eficiência dos sistemas organizacionais e educacionais será aumentada
exponencialmente, e a maior beneficiada será a sociedade.
A relevância do presente estudo está na reflexão de que o ensino e a
aprendizagem podem ser maximizados se a legislação acompanhar a evolução
tecnológica. Pois, além da legislação ágil facilitar a educação como um todo, fará
os custos reduzirem de tal forma que uma grande parcela da população que não
tem recursos e mobilidade para o estudo convencional, o terá cada vez melhor na
modalidade da Educação a Distância.
2.HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO BRASIL

A Educação a Distância no Brasil iniciou em 1891, no Jornal do Brasil havia a


publicação de um anúncio de curso de datilografia por correspondência. A EAD já
conta com mais de cem anos de existência. Em 1904 foi instalada no Rio de Janeiro
as Escolas Internacionais – instituição privada com sede nos Estados Unidos - que
oferecia cursos à distância por correspondência.

Anúncio publicado no jornal O Estado de S. Paulo – 25/3/1909 (Fonte: Estadão)

Segundo Schwanz, a História da EaD no Brasil teve sua caminhada por


etapas, pois as políticas públicas decorrentes do período interferiram no processo,
levando muitas vezes a lentidão na sua inserção. Mas os fatos ocorridos não
impediram os programas de ser desenvolvidos, levando até o Brasil a destacar-se
nessa modalidade de ensino. A profissionalização por correspondência marcou um
período da história da EaD. Quem desenvolvia o curso conhecido por “Datilografia”
era uma professora particular, no período de 1900 e na década de 70, ainda era seu
principal foco o material impresso. Porém, na medida em que a tecnologia
avançava, a televisão, fitas de áudio e vídeo, além da interação por telefone
começaram a tomar corpo, e a legislação se modificou de forma a adequar e
normatizar a EAD. (SCHWANZ, 2016)
Basicamente entre 1942 e 1995 foi a fase preliminar da EaD, o educador que
foi o responsável pela primeira legislação de EaD no Brasil foi Gustavo Capanema
– Reforma Capanema – Dec-Lei 4.244/1942 – Artigo 91. Esta fase preliminar
abrangeu a educação aberta e a distância, os cursos Madureza e Supletivos com
certificação e a Educação Profissionalizante livre de regulamentação. Este universo
é abrangido pelas Leis 4.244/1961; 4.024/1961; 5.692/1971. Entre 1996 e 2000
ocorreu a legitimação da EaD no Ensino Superior, válida para todos os níveis e
modalidades. A LDB de 1996 e a regulamentação inicial permitiram a implantação
dos primeiros projetos e desenvolvimento de modelos: UFMT – EaD com suporte
presencial em Centros de Apoio; UFSC – EaD com uso intensivo de tecnologias
interativas, videoconferências e internet, sem a criação de centros presenciais.

Figura 1: Evolução do crescimento da EaD entre 2002 e 2006. Fonte: Vianney, 2007.

A Educação a Distância é opção da atualidade, por causa da crise


econômica que afetou a renda, e as condições do Fies que se deterioraram.
Segundo a Folha, Figura 2 é possível verificar o crescimento do segmento em
milhões de matrículas. Entre 2001 e 2005 houve uma sensível expansão da EaD no
ensino superior, se consolidaram três modelos no Brasil, o modelo de pólos ou
franquias em que o setor privado domina o mercado; o modelo de Educação a
Distância adotado pelo MEC para a Instituições de Ensino Superior Públicas (IES) a
partir da UVPBr , Unirede, Cederj, UAB.
Historicamente o Instituto Monitor, especializado em publicações técnicas,
inicia diversos cursos por correspondência em 1934 e o Instituto Universal
Brasileiro, em 1939, mas não havia regulamentação profissional alguma. Do ponto
de vista da legislação a Madureza Ginasial foi iniciada por Gustavo Capanema pelo
Decreto-Lei 4.244 de 1942 em seu Artigo 91:
Dos estudos secundários dos maiores de dezenove anos:
Art. 91. Aos maiores de dezenove anos será permitida a obtenção do
certificado de licença ginasial, em consequência de estudos realizados
particularmente, sem a observância do regime escolar exigido por esta lei.
(BRASIL, 1942)

Na Figura 2 se vê claramente o avanço exponencial da quantidade de


matrículas entre 2003 e 2017:

Figura 2: Evolução das matrículas da EaD em milhões de alunos entre 2003 e 2017 (Fonte:
Folha).

Porém a educação aberta e a distância dependiam de interpretação


subjetiva, os cursos Madureza e Supletivos com certificação e a Educação
Profissionalizante livre de regulamentação, não tinham um texto claro, mas abriam
precedentes para interpretações sobre o “estudo particular”. Assim o modelo de
universidade virtual atende corporações e parcelas da população com inclusão
digital. É elaborada uma nova regulamentação, o Decreto 5622/2005 que oficializa
o sistema de pólos ou franquias. A EaD é redefinida de auto-aprendizagem para a
aprendizagem por mediação entre alunos e professores.
O Sistema Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em São Paulo,
Capital, entre 1947 e 1961, criou a chamada “Universidade do Ar (Unar), que
funcionava usando o rádio. O objetivo era oferecer o ensino comercial a distância
para os empregados do comércio do estado de São Paulo, através de um curso
único, chamado “Curso Comercial Radiofônico”. O Senac e o Sesc, juntamente às
emissoras associadas, em 1950 atingiam 318 localidades e oitenta mil alunos
(SENAC, 2013).
Em 1959 no Estado do Rio Grande do Norte, a Igreja Católica criou escolas
radiofônicas que originaram Movimento de Educação de Base. No Rio Grande do
Sul a Fundação Padre Landell de Moura passou a ofertar EAD via rádio. Em 1961
a Lei 4024/61 e o Decreto-Lei Nº 236, de 28 de fevereiro de 1967 que modificou a
Lei número 4.117 de 27 de agosto de 1962, não estabeleciam parâmetros claros
para a EaD. A Lei no. 5.692/71 previa os programas de educação a distância,
considerados “experimentais”. Somente a partir da Lei 9.394 de 1996, artigo 80 é
que há referência à Ead. A Lei de Diretrizes e Base de 1961 - Lei 4024/61 não
normatizava ainda o ensino a distância, embora o mesmo já fosse aplicado no
Brasil há cerca de sessenta anos. A LDB da década de sessenta, em seu artigo
104, cita “cursos ou escolas experimentais, com currículos, métodos e períodos
escolares próprios”, mas não existe uma legislação robusta. O Ensino a distância
assim era precariamente normatizado pelos Conselhos Estaduais de Educação, nos
casos de cursos do primário e ginásio. Em 1967 foi promulgado o decreto lei de
número 236, do Código Brasileiro de Telecomunicações, este apontava para uma
provável legislação normativa. Esta foi iniciada em função da transmissão de aulas
por meio da televisão educativa.
A Lei 4024 de mil novecentos e sessenta e um e o Decreto-Lei Nº 236, de 28
de fevereiro de 1967 eram concomitantes. O Decreto 236 também foi escrito de
forma a modificar e complementar uma lei anterior, a de número 4.117, de 27 de
agosto de 1962.
Sobre o Decreto Lei 236, alguns autores atribuem que foi ela o marco legal
da EaD, mas esta não tinha natureza educacional, era disciplinadora do Código
Brasileiro de Telecomunicações. Mas o DL - 236 organizava indiretamente o ensino
através das televisões educativas. Na época de sua elaboração já estava defasado
da realidade tecnológica e não organizava as metodologias de ensino.
Segundo o curso de Formação de Tutores em Educação a Distância (FTEaD),
“existe um novo sujeito que está em crescente expansão no Brasil”.

Estima-se que existam mais de 2,6 milhões matriculados em cursos EaD e


sabe-se que essa demanda é cada vez mais crescente. Os novos sujeitos
necessitam de um novo modelo e esse tem sido o desafio dos educadores:
aliar a técnica pedagógica com formas de motivação e manutenção desse
aluno diferenciado, de modo a evitar a evasão escolar (FTEaD – Aula 1).
Com o avanço da tecnologia, novas demandas foram necessárias, a nova
maneira de ensinar pela Educação a Distância passou a fazer parte não só da vida
dos telespectadores. Na década de sessenta surgiu o "Curso de Madureza
Ginasial" (MADUREZA GINASIAL, 2013). Segundo seus criadores o desafio era
mostrar que aulas transmitidas pela televisão poderiam ser “eficientes e
agradáveis”. O ensino convencional na década de sessenta/setenta era dividido
entre primário, ginásio e científico, com a Lei 5692 pasou para primeiro e segundo
grau.
Atualmente, no ensino convencional, o professor propicia o conteúdo que é
exposto de forma unilateral ao aluno que recebe a informação a partir de textos ou
cópias do quadro. A resolução de exercícios é por imitação, e não por aprendizado.
Com as TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação), o ensino passou a ser
acelerado devida a maximização da oferta e disponibilização do material de estudo.
O aluno, “obrigado a aprender” pelo professor, o segundo facilitado pelo novo
protagonista do ensino-aprendizagem, o tutor. O aluno-pesquisador passou a ser o
estudante, aquele que busca, e não aquele que recebe a informação. O art. 67 do
Código Brasileiro de Telecomunicações de 1967, complementa e modifica a Lei
número 4.117 de 27 de agosto de 1962 :

Art. 67. A perempção da concessão ou autorização será declarada pelo


Presidente da República, precedendo parecer do Conselho Nacional de
Telecomunicações, se a concessionária ou permissionária decair do direito
à renovação. (BRASIL, 1962)

No parágrafo único cita a concessão ou a permissão do serviço de


transmissão de sinal televisivo:

[...] Parágrafo único. O direito à renovação decorre do cumprimento pela


emprêsa, de seu contrato de concessão ou permissão, das exigências
legais e regulamentares, bem como das finalidades educacionais, culturais
e morais a que se obrigou, e de persistirem a possibilidade técnica e o
interêsse público em sua existência. (BRASIL, 1962)

No artigo treze, também as previsões redigidas somente regulavam a técnica


de veiculação e os programas de televisão. Mesmo assim, tal regulamentação já procurava
apontar muito sutilmente para uma nova maneira de ensinar, e a Educação a Distância
passou a fazer parte cada vez mais da vida dos telespectadores. O art. 13 do Código
Brasileiro de Telecomunicações de 1967:

Art 13. A televisão educativa se destinará à divulgação de programas


educacionais, mediante a transmissão de aulas, conferências, palestras e
debates.
Parágrafo único. A televisão educativa não tem caráter comercial, sendo
vedada a transmissão de qualquer propaganda, direta ou indiretamente,
bem como o patrocínio dos programas transmitidos, mesmo que nenhuma
propaganda seja feita através dos mesmos. (BRASIL, 1967)

Da mesma forma que o Artigo 13, o Artigo 14 descrevia as atribuições de


exploração do serviço de Televisão Educativa, informando quais instituições
poderiam explorá-la e sobre a legislação do Código Brasileiro de Telecomunicações.
Artigo 14 do Código Brasileiro de Telecomunicações de 1967:

[...] Art 14. Sómente poderão executar serviço de televisão educativa:


a) a União;
b) os Estados, Territórios e Municípios;
c) as Universidades Brasileiras;
d) as Fundações constituídas no Brasil, cujos Estatutos não contrariem o
Código Brasileiro de Telecomunicações.
§ 1º - As Universidades e Fundações deverão, comprovadamente possuir
recursos próprios para o empreendimento.
§ 2º - A outorga de canais para a televisão educativa não dependerá da
publicação do edital previsto do artigo 34 do Código Brasileiro de
Telecomunicações. (BRASIL, 1967)

O Artigo 15, disciplina a distribuição de sinal, Artigo 15 do Código Brasileiro


de Telecomunicações de 1967:

[...] Art 15. Dentro das disponibilidades existentes ou que venham a existir,
o CONTEL reservará canais de Televisão, em todas as capitais de Estados
e Territórios e cidades de população igual ou superior a 100.000 (cem mil)
habitantes, destinando-os à televisão educativa. (BRASIL, 1967)

O Artigo 16 aludia os programas educacionais e deixava bem clara a


obrigatoriedade da transmissão de programas voltados para a educação, estes
foram os embriões da normatização da metodologia de ensino a distância no modal
de transmissão de imagens. Artigo 16 do Código Brasileiro de Telecomunicações de
1967:
[...] Art 16. O CONTEL baixará normas determinando a obrigatoriedade de
transmissão de programas educacionais nas emissoras comerciais de
radiodifusão, estipulando horário, duração e qualidade dêsses programas.
(BRASIL, 1967)

Artigo 15 do Código Brasileiro de Telecomunicações de 1967, parágrafos 1°


ao 4°:
[...]
§ 1º - A duração máxima obrigatória dos programas educacionais será de 5
(cinco) horas semanais.
§ 2º - Os programas educacionais obrigatórios deverão ser transmitidos em
horários compreendidos entre as 7 (sete) e as 17 (dezessete) horas.
§ 2° Os programas educacionais obrigatórios deverão ser transmitidos em
horários compreendidos entre as sete e as vinte e uma horas.
(Redação dada pela lei nº 13.415, de 2017)
§ 3° O Ministério da Educação poderá celebrar convênios com entidades
representativas do setor de radiodifusão, que visem ao cumprimento do
disposto no caput, para a divulgação gratuita dos programas e ações
educacionais do Ministério da Educação, bem como à definição da forma
de distribuição dos programas relativos à educação básica, profissional,
tecnológica e superior e a outras matérias de interesse da educação.
(Incluído pela lei nº 13.415, de 2017)
§ 4° As inserções previstas no caput destinam-se exclusivamente à
veiculação de mensagens do Ministério da Educação, com caráter de
utilidade pública ou de divulgação de programas e ações educacionais.
(BRASIL, 1967 e BRASIL, 2017)

Com a industrialização crescente e com o fortalecimento de instituições, a


exemplo do sistema “S”, ainda, com a entrada no Brasil do “tecnicismo”, houve uma
mudança brutal no ensino na década de setenta. Houve substancial avanço da LDB
na década de setenta com a promulgação da Lei 5692, de 11 de agosto de 1971,
esta em seu artigo 64, dá aos Conselhos de Educação a possibilidade de autorizar
experiências pedagógicas: “Os Conselhos de Educação poderão autorizar
experiências pedagógicas, com regimes diversos dos prescritos na presente Lei,
assegurando a validade dos estudos assim realizados [...]” (BRASIL, 1971). A atual
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei 9394 de 20 de
dezembro de 1996, faz menção direta à educação a distância e é a responsável por
um novo status desta modalidade de ensino no Brasil. Assim se pode arremeter ao
artigo 80 da LDB. Lei 9.394 de 1996, estabelece as diretrizes e bases da educação
nacional, artigo 80:
LDBE - Lei nº 9.394 de 20 de Dezembro de 1996 - Estabelece as diretrizes
e bases da educação nacional. Art. 80. O Poder Público incentivará o
desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em
todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada.
(BRASIL, 1996)

Nos parágrafos 1°, 2° e 3° norteia a regulamentação dos exames e registros


de diplomas, normatiza a cooperação e integração dos sistemas que aplicam a
educação a distância. Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB. Lei 9.394 de
1996, artigo 80 parágrafos 1° ao 3°:

§ 1º A educação a distância, organizada com abertura e regime especiais,


será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União.
§ 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e
registro de diploma relativos a cursos de educação a distância.
§ 3º As normas para produção, controle e avaliação de programas de
educação a distância e a autorização para sua implementação, caberão aos
respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e integração
entre os diferentes sistemas. (BRASIL, 1996)

A Lei Nº 12.603, de 3 de abril de 2012, altera o inciso I do § 4° do artigo 80 da


Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Assim ela beneficia o ensino a distância.
Isso ocorre devido a redução de custos em meios de comunicação que sejam
explorados mediante autorização, concessão ou permissão do Poder Público. Lei nº
12.603, de 2012 estabelece:

§ 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado, que incluirá:


I - custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão
sonora e de sons e imagens e em outros meios de comunicação que sejam
explorados mediante autorização, concessão ou permissão do poder
público; (Redação dada pela Lei nº 12.603, de 2012)
II - concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas;
III - reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos
concessionários de canais comerciais.” (BRASIL, 2012).

O Artigo 80 da Lei 9.394 de 1996 diz que “cabe ao Poder Público incentivar o
desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os
níveis e modalidades de ensino e de educação continuada”. (BRASIL, 1996).
O Decreto n° 2.494 de 1998 foi substituído, em 19 de dezembro de 2005,
pelo Decreto no. 5.622 que caracteriza a Educação a Distância, e esta com o
advento da Internet e comunicações via satélite, possibilita a flexibilidade de
horários propicia ao estudante a possibilidade de escolha e o diploma de
graduação a distância tem o mesmo valor que o de um curso presencial.
No ensino convencional ou presencial o ator principal é o professor em
salas de aulas, a interação é direta. No caso da Educação a Distância, a figura do
professor passa a ser um profissional que está distante do aluno. Isso ocorre
porque quanto maior a quantidade de alunos, maior a dificuldade de um professor
sozinho poder atendê-los individualmente. Embora os professores sejam
imprescindíveis, o sistema de ensino a distância não comporta a interação direta
professor/aluno, são necessárias estratégias diferenciadas que facilitem o
aprendizado.
Na Educação a Distância o número de alunos é muito maior que no ensino
presencial, assim é exigida uma equipe que tem a finalidade de atender as
necessidades dos alunos. Nesse caso, a estrutura de ensino em geral necessita
de coordenadores de tutoria, coordenadores de curso, além de tutores a distância.
Sempre haverá um professor ou pesquisador cuja função é criar ou
possibilitar a criação de material didático e desenvolvimento de metodologias de
ensino. Mas na atual estrutura da EAD, o professor terá a incumbência de atuar
mais nas atividades apoio ao ensino e no desenvolvimento de projetos de
pesquisa relacionados aos cursos e programas. Segundo a Comissão Assessora
para Educação Superior a Distância “os ambientes de ensino e aprendizagem se
redefinem com a utilização de novas tecnologias e metodologias educacionais que
agregam importantes elementos na dinamização desse processo [...]”. (CAESD,
Portaria MEC no 335/02 apud AMARAL, 2017, p 6).
O corpo técnico que dá o suporte ao estudante deve ser multidisciplinar, e
deve ser capaz de gerenciar todo o processo de ensino e aprendizagem. Os
profissionais que compõe o corpo técnico são pedagogos, professores formadores
e conteudistas, tutores, designers instrucionais e gráficos, técnicos da área de
Tecnologia da Informação, além de profissionais de apoio como monitores,
revisores e outros profissionais. Segundo AMARAL, 2017, p 8, no Brasil conta-se
com várias instituições que se dedicam exclusivamente a assessoria na área
educacional.
[...] Esse avanço tem possibilitado a exploração de espaços, culturas e
conhecimentos espalhados por todo o planeta e a implementação de
trabalhos cooperativos entre alunos, professores e instituições, por
intermédio das tecnologias de informação e comunicação e da rede
Internet (BRASIL, 2002, p. 10 apud AMARAL, 2017, p 8).

Sem o estudante não há ensino, logo é para ele que todo o sistema deve
ser construído e mantido, existe uma grande diferença entre o papel de aluno e o
papel de estudante. O papel do estudante deve ser do sujeito que busca, inclusive
pelo autodidatismo, as informações necessárias para que possa se sair bem no
seu aprendizado. O estudante do ensino a distância deve ser sujeito disciplinado
quanto aos seus objetivos buscados, para isso deve ser sistemático, caso contrário
não conseguirá atingir seu principal objetivo, o aprendizado. Na busca do
conhecimento o estudante deve planejar, desenvolver estratégias que o auxiliem e
facilitem seu trabalho, de forma a maximizar seu tempo, caso contrário não
conseguirá sair do lugar, o planejamento é de vital importância no seu crescimento
intelectual e acadêmico. Um dos pontos relevantes é que as tecnologias são
ferramentas essenciais para que a Educação a Distância (EAD) aconteça, elas
diminuem as barreiras geográficas e aproximam os estudantes, os tutores e os
demais atores da EAD, facilitando a mediação pedagógica ainda que estejam em
lugares, espaços e tempo diferentes. O foco é que seja garantida uma formação
de qualidade” O estudante tem a liberdade de estudar individualmente com
liberdade do tempo a que se dedica ao estudo. Assim, no caso da moderna EAD a
tecnologia assume importante papel na interação do estudante com a instituição
de ensino. Para tal as metodologias e o grau em ofertas de ensino podem ser
variáveis. (AMARAL, 2017).
Não é possível a um estudante da Educação a Distância aprender e
apreender informações e conhecimento se não for capaz de pesquisar e procurar
pelas informações, para tal há que ser autônomo, usar da liberdade de busca para
melhorar o desempenho acadêmico. Outro fator de substancial importância é a
busca de soluções na medida em que os problemas vão aparecendo, o estudante
da EAD deve obrigatoriamente ser parte das soluções e não dos problemas, deve
ser resiliente e proativo. A inércia é um dos fatores mais frustrantes, a demora à
ação pode levar a resultados danosos. Dentre os efeitos de inércia, a
procrastinação tem uma importância relevante quando se faz pesquisas. Ela pode
prejudicar substancialmente o rendimento do estudante, assim, é imperioso que o
acadêmico procure fazer seus trabalhos, sem deixar nada para outra hora e lugar.
A Educação a Distância não existe sem recursos tecnológicos, dentre estes
é considerado atualmente um dos mais importantes o Ambiente Virtual de
Aprendizagem (AVA). Trata de uma aplicação tecnológica concebida para facilitar a
comunicação pedagógica entre os participantes num processo educativo. Seja
completamente remoto ou de natureza mista, isto é, que combina ambas as
modalidades em proporções diversas, o virtual e o presencial. Um AVA pode ser
definido como uma "sala de aula sem paredes", distal e multicrônica, diferente da
sala de aula tradicional, pode ser síncrono ou não. Dadas as suas características,
oferece flexibilidade aos seus participantes, que o acessam a partir de nós
distantes de interação e em momentos diferentes. O sistema ou ambiente permite
criar e desenvolver comunidades de aprendizagem para interagir através de
diferentes idiomas e de forma colaborativa. Assim, um AVA é apresentado como
uma área para promover a aprendizagem a partir de processos de comunicação
multidirecional (professor / aluno - aluno / professor e alunos entre si). É um
ambiente de trabalho compartilhado e multifuncional para a construção e
disseminação de conhecimento com base na participação ativa e colaboração de
todos os membros do grupo. É um ambiente eletrônico, não material no sentido
físico, criado e constituído por tecnologias digitais. O estudante pode ter acesso
remoto ao seu conteúdo através de algum tipo de dispositivo com conexão à
Internet. As aplicações ou programas de computador que o compõem servem de
suporte para as atividades de treinamento de professores e alunos. O
relacionamento didático não ocorre neles "face a face" (como no ensino de sala de
aula), mas mediado por tecnologias digitais. É por isso que o AVA permite o
desenvolvimento de ações educativas sem a necessidade de professores e alunos
se adequarem no espaço ou no tempo. Do ponto de vista funcional/tecnológico é o
produto de um design e não uma mera acumulação de páginas HTML não
relacionadas. Possui múltiplos autores: professores, alunos, especialistas, que são
os principais atores da Educação a Distância. Também pode ser definido como um
espaço social que favorece o encontro e a interação dos atores. Muitas vezes, é
baseado no princípio da aprendizagem colaborativa, que permite aos estudantes
fazer suas contribuições e expressar suas preocupações nos fóruns. Dependendo
da gestão do seu design, pode favorecer o papel ativo dos alunos na apropriação
do conteúdo, proporcionando assim os meios necessários para que os alunos
possam aprofundar seu papel como sujeitos autônomos no processo de
aprendizagem. Pode ser parte também de um programa de educação presencial
complementando a mesma de formas criativas e diferentes. O AVA integra
ferramentas múltiplas favorecendo o gerenciamento de materiais de aprendizagem
e a gestão dos participantes. Também inclui sistemas de monitoramento e
avaliação do progresso dos alunos. Do ponto de vista didático, oferece suporte
tecnológico para otimizar diferentes fases do processo de ensino e aprendizagem:
planejamento, implementação, desenvolvimento e avaliação. No AVA, os
processos de comunicação podem ser síncronos e / ou assíncronos e podem ser
desenvolvidos através de vários idiomas: oral, escrito, hipertextual, audiovisual,
dentre outros.
3.CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho trata de uma breve descrição da evolução da legal


Educação a Distância. Durante o estudo se verificou que no início do século XX
não havia nenhuma referência legal sobre a EaD. O ensino a distância
propriamente dito era informal, em que profissionais se dispunham a ensinar sua
arte para aqueles que queriam aprender. Na medida em que o tempo avançou, a
EaD passou a evoluir, os próprios métodos de ensinotambém se desenvolveram,
porém, a certificação era inexistente. O Sistema Nacional de Aprendizagem
Comercial (Senac) em São Paulo, Capital, entre 1947 e 1961, criou a chamada
“Universidade do Ar (Unar), que funcionava usando o rádio tendo uma aceitação
positiva, e, em 1950 a Universidade do Ar chegou a atingir 318 localidades e
oitenta mil alunos, mas ainda a certificação dos estudantes era informal, sem
amparo legal. Ou seja, na medida em que a EAD avançaou a legislação brasileira
não acompanhou. No decorrer do estudo foi demonstrado que até meados da
década de sessenta o avanço se deu sob ponto de vista técnico, ou seja a
legislação previu as Televisões Educativas, mas não as metodologias de ensino
nem sua certificação. Somente na década de 90 é que a legislação finalmente
alcançou a evolução da Educação a Distância, seu marco legal foi a promulgação
do Artigo 80 da Lei 9.394 de 1996 que em seu caput dispõe que “cabe ao Poder
Público incentivar o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a
distância, em todos os níveis e modalidades de ensino e de educação continuada”.
A partir das evidências do presente estudo se conclui que a Educação a
Distância no Brasil somente ganhou corpo a partir de 1996. Como o Brasil é país de
proporções continentais e carente de instituições de ensino, tal modal assume
importantíssimo papel na educação. Num futuro próximo seria interessante
aprofundar este estudo no sentido de pesquisar estatísticas tocantes ao
desenvolvimento da EAD no país.
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