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SUMÁRIO

1. Apresentação do e-book/2
2. Em busca de uma LiteraturaCatólica /3
3. Literatura Católica /7
4. G. K. Chesterton/11
5. Georges Bernanos/13
6. São Gregório Naziazeno/14
7. São Basílio/15
8. George Macdonald/17
9. São Tomas More/ 19
10. Pe. Antônio Vieira/21
11. Luis de Camões/22
12. Santo Tomás de Aquino/23
13. Miguel de Cervantes /25
14. Charles Dickens/ 26
15. Dante Alighieri/27
16. Fiodor Dostoievski/28
17. Gustavo Corção/29
18. São Bernardo de Claraval /31
19. Santo Agostinho/33
20. C. S. Lewis/ 34
21. J. R. R. Tolkien/36
22. Thomas Mann/37
23. Hugo de São Vitor/39
24. Joaquim Nabuco/40

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Apresentação do E-book

Caros leitores, primeiramente, bem-vindos ao Congresso de


Literatura Católica. Este será o primeiro congresso que vai reunir
tantos professores brasileiros de lugares distintos nesta quantidade
e tantos autores de tal magnitude como estes dos quais estamos
tratando neste e-book. Lembrando que os temas apresentados aqui
não se limitam a estas personalidades, embora eles tenham o
encargo de carregar a carga principal, pois sem eles, possivelmente,
é claro, não poderíamos tratar tão bem dos outros assuntos como “o
que é literatura católica?”, “o que define o escritor católico” e assim
por diante.

Aqui você encontrará artigos e breves biografias a título de


informação, pois este e-book, por tanto, é como um convite formal
para este evento. Bom proveito!

www.literaturacatolica.com.br

para mais informações.

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Em busca de uma Literatura Católica

“Abrirei a boca em parábolas; proclamarei coisas ocultas desde a fundação


do mundo.” Mt 13, 35.

Muito se tem dito e escrito acerca das parábolas de Cristo no Evangelho,


mas nem tanto se ouve ou se lê acerca das parábolas enquanto gênero literário
e como podem lançar luzes a missão do literato e do leitor católicos.

Quando se fala em literatura católica, o que vem à cabeça de muitos são


os escritos de defesa e exposição da fé ou ainda os escritos que tratam da oração
e da vida espiritual. Podemos pensar também em obras ficcionais que tem o
claro objetivo de servir como novas parábolas, sendo alegorias, onde quem as
escreveu teve desde o começo o objetivo de aproximar as pessoas da fé católica.
Mesmo que não se possa dizer que os exemplos citados anteriormente não
sejam literatura, geralmente não tem um fim literário.

O fim literário ou a intenção literária seria a disposição do escritor em


produzir uma boa história, e nesse caso para ser boa precisaria ser bela. Ou seja,
escrito com uma forma e um uso da língua que faça o leitor ver a sua grandeza,
afinal de contas ela possibilitou que imagens tão harmônicas fossem
produzidas. Por isso para muitos o ápice de um idioma é a grande literatura
que foi escrita se utilizando dele. Quando o fim é apologético ou doutrinário, a
beleza no uso da língua ou a engenhosidade da história não é a meta do autor,
mas sobretudo a condução à Verdade. Evidentemente ele pode, e até mesmo
deveria, se lhe estivesse ao alcance, usar técnicas literárias, pois é adequado que
se empregue a beleza da língua ao serviço da Verdade. Por isso, quando se trata
de mera literatura, do motivo literário de um autor, se está dizendo que essa
pessoa usa belamente a língua para dar a conhecer ou comunicar algo criado ou
fato, geralmente ordenadas conforme o gênero de narrativa.

Dito o que é literatura, é preciso definir de alguma forma o que significa


católico. Católico quer dizer universal e para além do significado etimológico
temos o significado em que essa palavra é lida pela maioria das pessoas: o que
se refere a Igreja que tem o bispo de Roma como sua cabeça visível, aquele que
“em virtude de sua missão , tem na Igreja o poder ordinário supremo, pleno, imediato e
universal, que pode sempre exercer livremente”. (CIC, 331). Tanto assim o é que, em
alguns contextos, os católicos são chamados, com pretenso tom pejorativo, de

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papistas. Contudo ser católico não é meramente obedecer ou seguir o papa de
maneira positiva, como alguém que segue uma série de leis emanadas de uma
autoridade impessoal. A origem do papado e da Igreja Católica é o próprio
Jesus Cristo. A Igreja é o local no mundo, a comunhão, onde cada homem, no
caminho singular de sua vida, acaba descobrindo e amando Jesus Cristo, morto
e ressuscitado. Esse encontro não é só formativo, ou seja, não é uma ideia
abstrata, mas sim uma realidade que repercute em todo o comportamento da
pessoa, sendo assim performática, pois exige uma maneira de agir que deve
estar presente em todos os aspectos da vida. O corpo de Cristo é a Igreja, pois
não há como ter comunhão com a cabeça e não ter com o corpo. Essa comunhão
deve ser na hierarquia, no culto e no credo.

Toda a ideia de santidade que possui a Igreja Católica está fundada na


prática do amor e imitação de Jesus Cristo. Não é nenhum absurdo tentar
imaginar sobre o que escreveria Jesus se tivesse se dedicado à literatura. Que
gênero escreveria? Quais seriam seus personagens? Livros extensos ou mais
breves? Será que ganharia o Nobel ou o perderia para Bob Dylan? E Cristo leitor
o que leria? Talvez o exercício não seja tão desprovido de bases materiais e aqui
retomamos o versículo que abre esse artigo.

Cristo ensinava amplamente através das parábolas e por imagens e era


dessa forma que também provava a inteligência e a bondade de seus ouvintes.

As parábolas são narrativas que, usando elementos conhecidos do


cotidiano dos ouvintes, empregam essa previa compreensão para fazer
entender alguma verdade mais profunda ou sútil; do contrário, o amor de Deus
por nós ou a solicitude de Cristo para com as almas poderiam ficar muito
ininteligíveis. Contudo, como se vê na parábola, o amor e o perdão de um pai
por seu filho que desperdiçou metade do patrimônio, além de ser algo
chamativo e até impressionante, não tem nada de ininteligível; é algo que apela
a elementos bem consolidados no imaginário da maioria das pessoas, afinal
todos são ou pai ou filho de alguém. Evidentemente uma parábola vai ter mais
repercussão para uns que para outros conforme as circunstâncias. E justamente
por esse motivo, elas podem ter sido a forma preferida por Cristo em boa parte
de sua pregação pública, pois também servem de “filtro” para a disposição de
cada um na busca da verdade. Um coração honestamente empenhado na busca
da verdade ouviria a lição velada acerca da vida, da morte, do reino dos Céus e
do amor. Já alguém que não busca a verdade e que, via de regra, sempre evitou
seguir os seus chamados, não ouviria mais do que umas histórias um tanto
quanto simplórias acerca de ovelhas e dracmas perdidas e achadas, da rotina da
semeadura ou da inveja de algum vizinho que deseja destruir a plantação de

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um trabalhador inocente, “nada de novo no front, muito bem, vamos embora, é
vida que segue...” rumo ao nada.

Coisas ocultas serão publicadas, ocultas desde a origem do mundo; o


Senhor revelará aquelas verdades que o homem anseia por conhecer, mas que
por sua força não poderia alcançar. Ele não faz através de uma linguagem,
explicita e descritiva, como quem cria um tratado ou dá uma série de leis. Ele
conta histórias. Jesus propõe grandes imagens e muitas vezes essas imagens
compõem uma narrativa que atende a uma pretensão literária; não tem
compromisso com a história, pois podem se dar em qualquer tempo, seu
compromisso é com a verdade profunda da história. Assim como Aquele que
as contou, acabam entrando no tempo mas não se limitam no tempo e
alcançam a eternidade. O homem que transformar as parábolas em vida
permanecerá para sempre como a casa na rocha. Com isso não quero dizer que
Jesus não deu ordens bem concretas aos seus doze Apóstolos e a seus muitos
discípulos, pois sabemos que o fez. Mas surpreende o fato de que a parábola
era, mesmo para os discípulos, muitas vezes um enigma a se interpretar,
porque aos discípulos Jesus abria de maneira mais ampla os tesouros da
revelação e, no entanto, se alguém quiser considerar isso uma injustiça, basta
pensar que, após a Ascensão do Senhor, eles não seriam os guardiões daquilo
que pessoas desejassem que o Evangelho fosse, mas da verdadeira palavra.
Pasmos como nós, pela pregação de Jesus ser especialmente através das
parábolas, perguntam:

Por que lhes falas em parábolas?


11Respondeu Jesus: Porque a vós é dado compreender os

mistérios do Reino dos céus, mas a eles não.


13Eis por que lhes falo em parábolas: para que, vendo,

não vejam e, ouvindo, não ouçam nem compreendam.


14Assim se cumpre para eles o que foi dito pelo profeta

Isaías: Ouvireis com vossos ouvidos e não entendereis,


olhareis com vossos olhos e não vereis,15porque o
coração deste povo se endureceu: taparam os seus
ouvidos e fecharam os seus olhos, para que seus olhos
não vejam e seus ouvidos não ouçam, nem seu coração
compreenda; para que não se convertam e eu os sare (Is
6,9s).
16Mas, quanto a vós, bem-aventurados os vossos olhos,

porque vêem! Ditosos os vossos ouvidos, porque


ouvem!17Eu vos declaro, em verdade: muitos profetas e
justos desejaram ver o que vedes e não o viram, ouvir o
que ouvis e não ouviram.

Diante desse trecho do Evangelho, temos talvez o resumo do que


significa, na sua essência, a Literatura Católica, profana ou sagrada. Através
dos sinais ficcionais confrontar o homem com aqueles temas decisivos aos

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quais dependendo da escolha da pessoa ou da comunidade, pode realizar ou
arruinar uma vida ou uma civilização. Ainda que não tenha a força própria da
Revelação contida nas Parábolas de Cristo, o escritor cria como católico
quando coloca o sabor delas em sua produção. Tolkien inclusive irá dizer que
o ímpeto de criar histórias, é fruto de termos a origem que temos, afinal Deus é
o grande “contador de histórias”.

Porém, todo grande escritor foi antes um grande leitor. O que Cristo
teria lido? Acho que nunca veremos um best seller do The New York Times
intitulado : “A biblioteca de Jesus”. Contudo podemos pensar que a Criação é
como que um outro livro da Revelação. São Paulo irá dizer aos Romanos:

Porquanto o que se pode conhecer de Deus eles o lêem em si mesmos, pois


Deus lho revelou com evidência.20Desde a criação do mundo, as perfeições
invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à
inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar.21

As parábolas revelam o olhar de Deus e o olhar do homem que tem o


coração segundo Deus. Cristo conta suas parábolas para revelar o homem a
verdade acerca de Deus, de sí e do mundo, mas como nEle tudo é harmônico, o
que é verdadeiro é também belo e bom! Estamos aí diante do modelo acabado
de toda a literatura católica. Uma literatura que, eivada de verdade, transfigura
o mundo na beleza e realiza o bem.

Por fim cabe dizer que ainda que se saiba algo sobre o que é e o que não
é a literatura católica, como exaurir as formas que a fé e a visão de mundo
católicas podem inspirar? Quantas formas católicas existem para contar uma
história? Talvez haja autores que não sendo católicos acabam escrevendo livro
prontos para uma leitura católica. Esse é outro aspecto fascinante do tema: Qual
o impacto da leitura católica, de livros que não foram escritos nem por católicos
nem com qualquer intenção católica, mas que que acabam sendo instrumentos
para inspirar a caminhada dos filhos da Virgem? E assim poderíamos ir por um
longo caminho, de pergunta em pergunta, e pelo visto continuaremos até o céu
em busca de conhecer mais profundamente quais são as formas que o homem
encontra para imitar o estilo de Deus contar histórias, mas na falta de uma nome
melhor, vamos chamando de literatura católica.

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Literatura católica

Cônego Ápio Campos

Revista A Ordem, do Centro Dom Vital (RJ). Dezembro, 1958

Terá validade o termo literatura católica?

A resposta deverá forçosamente, encarar dois aspectos da pergunta. Se


quisermos, pela denominação, entender uma literatura orientada num sentido
apologético do catolicismo, uma espécie de “dirigismo” religioso em literatura,
semelhante ao dirigismo da literatura soviética, então a resposta será
necessariamente negativa. A literatura é, como a própria Verdade, espontânea,
livre, nascida mais de uma necessidade interior, de uma reação pessoal do autor
diante da Vida, do que de suas ideias e de suas convicções política ou religiosas.
A sua linguagem tem de, necessariamente, ser universal, porque a autêntica
obra de arte não tem pátria e a beleza não tem língua própria: toda gente a
entende. É por isso que toda vez que, com piedosos propósitos, alguém se põe
a fazer literatura só porque quer servir à sua religião, seja ela qual for, temos
mediocridade na certa. Isto então adquire maior dose de veracidade quando se
trata de ficção. Um bom romance será um bom romance. Mas um romance
católico, ou protestante, ou espírita, pode ser de um bom católico, um bom
protestante, ou um bom espírita: só não será ROMANCE. Poderia eu citar, sem
nem de longe subestimar-lhes o valor pessoal, os romances de alguns
sacerdotes?

É preciso, entretanto, não confundir romance católico com romance que


tenha por tema o catolicismo, em qualquer de seus aspectos. Sim, porque em
qualquer romance, seja ou não de autor católico, pode entrar o catolicismo, nas
mais trágicas situações psicológicas ou históricas que ele cria, como tema dos
mais sedutores, e seu o autor for honesto, respeitará a Verdade. Se, porém, além
de honesto, o autor for sinceramente católico, então a sua preferência temática

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levará consigo a força de expressão da Fé interior do artista, e a obra não será
propriamente apologética, mas fundamentalmente teológica. É o que podemos
chamar, legitimamente, de literatura católica.

Tais autores puderam fazer, de fato, uma literatura católica, não


principalmente porque eram católicos, mas porque foram, anteriormente,
artista e, neves, a Providência fez coincidir, para nossa edificação e estesia, a
Arte e a Fé. O Cardeal Wiseman, Manzoni, Sienkiewiez, Gertrude Von Le Fort,
Bourget, Coppée, Montemos, Bernanos, Graham Greene, e, aqui no Brasil,
Otávio de Faria, Gustavo Corção e João Mohana, - para só citar os que
espontaneamente me ocorrem – todos estes escreveram uma autêntica literatura
católica, não porque puseram a sua arte sobre a estrutura temática de sua fé, nos
seus contornos históricos ou nas suas tragédias de consciência. E isto é
verdadeira literatura, e isto é verdadeiro catolicismo.

Ora, ultimamente, talvez mais do que em qualquer outro tempo, a


literatura se volta para a religião, como fonte inspiradora de seus temas mais
autênticos e preciosos. Não é mais o sentimentalismo religioso que caracterizou
o romantismo e que pode coexistir, num esdrúxulo conúbio, com toda a
descrença de Rousseau ou Zola ou Hugo Junqueiro. Agora, é que a literatura se
volta para a Vida e esta adquire um relevo especial quando focalizada pela Fé,
quando visualizada pelas luzes do sobrenatural. Quando do lançamento da
pedra fundamental do novo seminário de Belém, o sr. Armando Mendes
afirmou, na oração que pronunciou então, que “o mundo moderno descobriu o
Padre”. Creio que podemos acrescentar que a literatura moderna descobriu a
Igreja.

Sabemos que os tempos difíceis são os mais propícios para a inspiração


das artes autênticas. É que na Dor existem dioramas esplêndidos de vitalidade
concentrada, de meditação e interiorismo, de volta ao homem espiritual que se
oculta dentro de nós quando a comunidade nos exterioriza, e que se patenteia
quando a Dor nos adestra em nossas estruturas íntimas.

É por isso que a arte moderna, especialmente a literatura, é tão existência.


E é por isso também que, ao sentir as palpitações da Vida, o artista atual sente a
presença vital e vitalizante da Igreja, como resumo dos mistérios humanos,
como moldura sobrenatural do Homem.

O testemunho dessa presença é a função específica da literatura católica.


A pesquisa das dimensões da Igreja, nos seus modismos humanos e divinos, é
a missão característica dos literatos católicos, como têm feito Claudel e Cesbron,

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por exemplo. É missão árdua, por vezes, porque a Igreja transcendente o âmbito
do plano temporal, para arrojar-se no que há de mais enraizado na economia de
Deus, e o literato tem o dever de tentar, inutilmente algures, reduzir a Igreja à
compressão dos leitores, aos limites da humana inteligência. Tateia, nesse
mister, nem sempre percebe os entretons da Providência, que é o fundo musical
constante dos êxitos e dos fracassos daqueles que seguem o evangelho. Daí a
importância de ter o literato católico uma linha de orientação segura, uma baliza
firme, que margine as suas atividades e sustente a sua obra. Por essas razões é
que a Igreja, muitas vezes, se sente no dever de traçar normas, de sugerir
orientações, no sentido de tornar a literatura católica cada vez mais despojada
dos percalços do tempo e cada vez mais inclinada na direção de uma
construtividade emocional e psicológica, da qual os cristãos só terão que lucrar.

É dentro desse sentido orientador que se situa o recente e importantíssimo


documento do Episcopado Alemão sobre literatura católica. A carta pastoral
dos Bispos Alemães é de uma ressonância ímpar, num tempo em que se discute
a validade da leitura católica e em que se põe em dúvida, até mesmo em meios
eclesiásticos, o sentido evangélico de literatura. Entre os distintos da literatura
católica contemporânea, os Bispos Alemães enumeram o realismo e o sentido
do choque, juntamente com a preferência por certos temas, como pecado, o
suicídio, a crítica da burguesia, o casamento, aspectos sombrios da vida
humana, a Igreja, O Padre.

Sobre cada um desses aspectos, O Episcopado Alemão diz uma palavra


orientadora, frisando a responsabilidade do romancista católico e o equilíbrio
que deve haver em sua análise da Vida. Depois de salientar o papel de primeiro
plano que a literatura católica ocupa, depois da guerra, na Europa, mesmo nos
meios não religiosos e talvez principalmente nestes, a Pastoral dos Bispos
Alemães augura que cada vez mais se difunda a sadia leitura, cujo papel é igual
ao daqueles que têm por missão anunciar, pela palavra, o reino de Deus.

Termina a Pastoral: “Nós, os Bispos, desejamos agradecer sinceramente


aos poetas da Palavra e escritores católicos, a sua enorme contribuição no
serviço da Palavra que, em sua significação mais profunda, conduz a Deus. Nós
nos sentimos ligados à missão deles, em razão de nossa função divina, e
suplicamos a sua ajuda para as necessidades atuais da Igreja”.

Se nos faltasse até agora um argumento em favor desse fecundo mister,


tão caluniado por vezes, dos escritores e poetas cristãos, a palavra autorizada
da Hierarquia Alemã seria decisiva. Porém, independentemente de
argumentos, a luz da Verdade brilha onde lhe apraz e a Poesia e a Literatura,

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incompreendidas embora, continuarão na tarefa gloriosa de dar testemunho do
Amor, através da Palavra que, sendo digna e autêntica, não é senão o reflexo do
próprio Verbo de Deus.

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G.K.CHESTERTON

Gilbert Keith Chesterton, nasceu em Londres em 29 de maio de 1874. Mais


conhecido como G.K. Chesterton, foi um escritor inglês, poeta, filósofo,
dramaturgo, jornalista, orador, teólogo leigo, biógrafo e crítico literário.
Chesterton é frequentemente chamado de "príncipe do paradoxo". É conhecido
por seu personagem detetive, o padre Brown, e por seus escritos apologéticos
como "Ortodoxia", "Hereges" e "O Homem Eterno". Chesterton foi sempre
muito estimado por muitos dos que com ele em nada concordavam.
Confessava-se Católico Romano, tendo se convertido já adulto e maduro, foi
proclamado Fidei Defensor pelo Papa Pio XI. George Bernard Shaw, seu "inimigo
amigável", disse sobre ele: "Ele era um homem de grandeza colossal". Os
biógrafos o identificaram como um sucessor de autores vitorianos como
Matthew Arnold, Thomas Carlyle, o Cardeal John Henry Newman, e John
Ruskin. Morreu em 14 de junho de 1936, na cidade de Beaconsfield, Inglaterra.

Principais obras

 Hereges – aponta os principais erros nas filosofias de seu tempo.

 Ortodoxia – criticado por, na obra “Hereges” apenas ter apontado


os equívocos das filosofias, escreve “Ortodoxia” como maneira de
expor seu pensamento no que chama de “conjunto de imagens
mentais”.

 O Homem Eterno – reconta a história da humanidade de maneira


brilhante, dando luz a duas particularidades: a criatura homem e o
homem Cristo.
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 Santo Tomás de Aquino e São Francisco de Assis – Com as
biografias dos santos, o autor mostra que a Igreja sempre dá o
remédio para as doenças da sociedade. Com a crise do mundo que
se esqueceu da beleza, dá São Francisco para anexar a si as belezas
da natureza. Com a crise do mundo racional do século XX, a Igreja
ousa anexar a si as delícias da razão.

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GEORGES BERNANOS

Louis Émile Clément Georges Bernanos nasceu em 20 de fevereiro de 1888,


em Paris, foi um escritor francês tendo servido como soldado na Primeira
Guerra Mundial. Esse descendente de Santa Joana d´Arc, era um católico
romano com tendências monarquistas, sempre crítico do pensamento burguês
e opositor daquilo que identificou como derrotismo. Ele acreditava que isso
levara à derrota da França e à eventual ocupação da Alemanha em 1940 durante
a Segunda Guerra Mundial. Morreu em 5 de julho de 1948, na cidade Neuilly-
sur-Seine aos 60 anos.

Principais Obras

 Diário de um Pároco de Aldeia – no romance, narra a vida de um


jovem padre francês. Denuncia com maestria literária como o
cristianismo transforma-se em rotina. Bresson fez uma adaptação
para os cinemas deste romance na década de 1950.

 Sob o Sol de Satã – como comumente acontece na obra de Bernanos,


o dilema da condição humana é retratado nesta obra pela figura de
uma jovem desesperada e um sacerdote atormentado pelo diabo.
Foi adaptado para o cinema em 1987, por Maurice Pialat.

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SÃO GREGÓRIO NAZIANZENO

Gregório de Nazianzus nasceu em 329 D.C, em Arianzo, próximo de


Nazianzo na Capadócia, atual Turquia, foi arcebispo de Constantinopla e
teólogo do século IV. Considerado o estilista retórico mais consumado da
patrística. Como orador e filósofo classicamente treinado, infundiu o helenismo
na igreja primitiva, estabelecendo o paradigma dos teólogos bizantinos. São
Gregório teve um impacto significativo na forma da teologia trinitária entre
teólogos de língua grega e latina. Juntamente com os irmãos São Basílio Magno
e São Gregório de Nissa, ele é conhecido como um dos Padres Capadócios.
Morreu em 25 de janeiro de 389, em Arianzo, em terras de sua família aos 60
anos.

Principais Obras:

 Orationes: Discursos proferidos pelo santo ao longo de sua vida.


Um dos seus discursos mais célebres é sobre a Trindade.

 Cartas: Em número de 249, versam de variados assuntos.

 Poemas: Estão divididos em cinco grupos: Carmina dogmatica,


Carmina Moralia, Epigramata, e sobre si e sobre seus amigos. Ao
todo são 408 poemas.

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SÃO BASÍLIO

São Basílio nasceu na cidade de Cesaréia da Capadócia em 329 em


meio de uma família da qual ele não foi p único santo. Foi irmão de São Gregório
de Nissa e São Pedro de Sebaste. Estudou na sua localidade quando jovem e
depois seguiu para Constantinopla para ter lições com o mais celebre mestre de
retórica de Bizâncio. Indo a Atenas, passou a dominar a beleza de estilo helênico
e se encontrou com seu amigo Gregório de Nazianzo.

Ao concluir a sua formação voltou à pátria onde se tornou celebre


nos tribunais, mas não encontrando satisfação do espírito nas atividades do
século, recebeu o batismo em 357 e passou a percorrer os mosteiros, depois de
ter doado todos os seus bens aos pobres. Foi ordenado padre em 364 e aclamado
bispo de Cesaréia em 370, onde esteve ativamente envolvido no combate ao
arianismo, batalha que empreendeu com firmeza e inteligência, mas acima
dessas qualidades, com profunda caridade. O imperador Valente, tentou
demovê-lo da fé católica duas vezes, em ambas voltando atrás. Seu zelo pastoral
o levava de lado a lado para animar as comunidades e resolver disputas. Sua
morte se deu 379, na cidade de Cesaréia.

Principais Obras:

 Sobre o Espírito Santo: Apologia da divindade do Espírito Santo, atacada


pelos arianos.

15
 Contra Eunômio: Nessa obra São Basílio combate as ideias de Eunômio,
um ariano radical.

 Hexamerão: Reflexão profunda acerca do capítulo um do Gênesis.

 Carta aos jovens sobre a utilidade da literatura pagã.

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GEORGE MACDONALD

George MacDonald nasceu em 10 de dezembro de 1824, em Huntly, na


região escocesa das Highland, mais especificamente em Aberdeenshire, foi um
escritor, poeta e ministro da Igreja Congregacional escocesa. Ele era uma figura
pioneira no campo da literatura de fantasia e o mentor do colega escritor Lewis
Carroll. Seus escritos foram citados como uma grande influência literária por
muitos autores notáveis, incluindo W. H. Auden, C. S. Lewis, J.R.R. Tolkien,
Walter de la Mare, E. Nesbit e Madeleine L'Engle. C.S. Lewis escreveu que
considerava MacDonald como seu "mestre": "Certo dia, levando uma cópia de
Phantastes em uma oficina de trem, eu o comecei a ler. Poucas horas depois",
disse Lewis, "eu sabia que eu tinha cruzado uma grande fronteira ". G. K.
Chesterton citou The Princess and the Goblin como um livro que "fez a diferença
para toda a minha existência". Além de seus contos de fadas, MacDonald
escreveu vários trabalhos sobre apologética cristã. Morreu em 18 de setembro
de 1905, na cidade de Ashtead, sul da Inglaterra, aos 80 anos.

Principais Obras

 A Princesa e o Goblin – conta a história de uma princesa que mora


em uma grande casa com sua avó. A menina descobre que há,
debaixo da terra, seres nada amigáveis, estes são os goblins. Seu
amigo Curdie tenta entrar no mundo desses seres e acaba sendo
descoberto, o que leva à princesa ir até as terras subterrâneas para
resgatá-lo.

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 Phantastes: relata a jornada de Anodos, um rapaz comum que está
explorando seu castelo recém-herdado quando, uma fada
imponente aparece para ele prometendo-lhe que no dia seguinte ele
iria encontrar o caminho para o Reino das Fadas. Anodos então
embarca em uma aventura cheia de mistério e fantasia em um
mundo repleto de seres fantásticos. Esse livro, assim como toda
obra de MacDonald, apresenta temas como a fé, honra, coragem,
caráter e bondade. Phantastes foi a uma grande influência para C.S.
Lewis, inclusive inspirando trechos de as “As Crônicas de Nárnia”.

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SÃO TOMAS MORE

São Tomas More (1478-1535) nasceu em 7 de fevereiro de 1479, em


Londres, foi um advogado inglês, filósofo, autor, estadista e notável humanista
do Renascimento. Ele também foi conselheiro de Henrique VIII e Lorde
Chanceler da Inglaterra de 1529 a 1532. More escreveu Utopia, publicada em
1516, sobre o sistema político de uma nação fictícia, fortemente contrastando
com a Europa de seu tempo. Cabe dizer aqui igualmente que More não deseja
em sua célebre obra apresentar a sociedade ideal, ele mesmo coloca-se diversas
vezes a questionar seu interlocutor, Rafael Hitlodeu, trazendo para o relato
grandes pontos de interrogação em relação à bondade dessa conformação
social.

No contexto dos conflitos religiosos desse tempo se opôs à Reforma


Protestante, em particular à teologia de Martinho Lutero e William Tyndale;
também se opôs à separação promovida pelo rei, entre a Igreja na Inglaterra e a
Igreja Católica, recusando-se a reconhecer Henrique VIII como Chefe Supremo
da Igreja na Inglaterra e a anulação de seu casamento com Catarina de Aragão.
Depois de se recusar a assinar o juramento de supremacia, ele foi condenado
por traição e decapitado em Londres, em 6 de julho de 1535, aos 57 anos. De sua
execução, ele teria dito: "Morro como bom servo ao rei, mas de Deus primeiro".
O Papa Pio XI o canonizou em 1935 como mártir. O Papa São João Paulo II, em
2000, declarou-o "Patrono dos Governantes e dos Políticos".

Principais Obras

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 Utopia – a Utopia é uma ilha afastada do continente europeu que
possui uma sociedade imaginária ideal. Por meio da obra, o autor
tece críticas fundamentadas contra os males econômicos e políticos
do seu tempo e um forte apelo de retorno a uma sociedade pacífica.

 Diálogo do conforto contra tribulação - Escrito em 1534 durante o


encarceramento que precedeu sua execução, esse trabalho combina
pensamento político e reflexão espiritual. Situado na Hungria
durante as conquistas otomanas, a partir do dialogo entre um
sobrinho (Vicente) e seu tio (Anthony). Sir Thomas More oferece,
nessa obra, uma exploração penetrante da natureza fugaz do prazer
e a essência do poder temporal em oposição ao poder redentor de
Cristo.

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PADRE ANTÔNIO VIEIRA

O Padre Antônio Vieira, nasceu em 6 de fevereiro de 1608 em Lisboa, era


um pregador, filósofo e escritor jesuíta português, o príncipe dos oradores de
seu tempo, considerado por alguns como o Crisóstomo Português. Um dos
intelectuais mais influentes do século XVII nos campos da política e da oratória,
foi missionário em terras brasileiras. Defendeu incansavelmente os direitos dos
povos indígenas, a quem evangelizava, combatendo a sua exploração e
escravização. Era por eles chamado "Paiaçu" (Grande Padre/Pai, em tupi).
Defendeu também os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos
(judeus convertidos, perseguidos à época pela Inquisição) e cristãos-velhos (os
católicos tradicionais), e a abolição da escravatura. Criticou ainda severamente
os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição. Na literatura, seus sermões
possuem considerável importância no barroco brasileiro e português. Morreu
em 18 de julho de 1697, na cidade de Salvador, aos 89 anos.

Principais Obras

 Sermões – escreveu cerca de 200 sermões onde são privilegiados a


retórica e o encadeamento lógico de ideias e conceitos. Um dos
sermões mais famosos é o da “Sexagésima”, onde Vieira,
embasado na parábola do semeador, condena aqueles pregadores
que pregam de maneira vazia a palavra de Deus.

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LUÍS DE CAMÕES

Luís Vaz de Camões nasceu em Lisboa, provavelmente em 1524 e tem seu


período de formação e estudos incerto, mas pode se dizer com segurança que
teve sólida formação clássica e aprendizado do latim. Considerado o maior
poeta de Portugal e da língua portuguesa, esteve na corte de Dom João III. Com
uma vida turbulenta, envolvendo amores e combates, viveu em África e Ásia
lutando as lutas do rei português. Seu domínio do verso foi comparado com o
de Shakespeare, Vondel, Homero, Virgílio e Dante. Ele escreveu uma
quantidade considerável de poesia lírica, mas é melhor lembrado por seu épico
trabalho Os Lusíadas. A influência de Os Lusíadas é tão profunda que o
português pode ser chamado de "A Língua de Camões". Morreu em Lisboa, em
10 de julho 1580.

Principais Obras

 Os Lusíadas – Considerada a “epopeia portuguesa por excelência”,


é composta de dez cantos e, em média, 100 estrofes, que narram a
descoberta do caminho de Vasco para a Índia e as glórias do povo
português.

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SANTO TOMÁS DE AQUINO

Tomás de Aquino O.P. Nascido em Roccasecca em 1225, foi um frade


dominicano, padre e Doutor da Igreja. Foi filósofo, teólogo e jurista com imensa
influência na tradição escolástica dentro do qual também é conhecido como
Doctor Angelicus e Doctor Communis, pois sua teologia foi tomada como a mais
perfeita jamais vista na Igreja. Ele foi o principal proponente da teologia natural
e o pai do que viria ser chamado de tomismo. Sua influência no pensamento
ocidental é incalculável, e muito da filosofia moderna se desenvolveu seguindo
suas ideias ou opondo-se a elas nas áreas da ética, da lei natural, da metafísica
e da teoria política. Ao contrário de muitas correntes da Igreja na época, Santo
Tomás abraçou várias ideias apresentadas por Aristóteles, a quem chamou de
"o filósofo", sintetizando a filosofia aristotélica com a verdade cristã. Morreu em
7 de março de 1274, na abadia cisterciense de Fossanova, próximo a Priverno,
na região do Lácio, atual Itália, aos 49 anos.

Principais Obras

 Suma Teológica – trata-se de uma síntese idealizada para aqueles


que iniciavam seus estudos teológicos. A intenção do Aquinate era
auxiliar os estudantes a caminhar com ordem e clareza pelos
conceitos fundamentais da fé.

 Suma Contra os Gentios – escrito de maturidade do Santo, foi


escrita nos seus últimos anos de vida, quando sua filosofia já estava
suficientemente constituída. Pretende oferecer ordenadamente
uma defesa da fé com forte base filosófica.

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 O Ente e a Essência – em síntese, visa explicar o ente, o ser, a
substância em suas divisões e individuação, o acidente e as relações
lógicas de tudo isso. A obra transparece diretrizes gerais da
metafísica tomista.

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MIGUEL DE CERVANTES

Miguel de Cervantes Saavedra, nasceu em 29 de setembro de 1547, na


cidade de Alcalá de Henares, foi um escritor espanhol que é amplamente
considerado como o maior escritor da língua castelhana e um dos principais
romancistas do mundo. Sua obra-prima, Dom Quixote, foi traduzida para mais
idiomas do que qualquer outro livro perdendo só para a Bíblia. Dom Quixote,
que pode ser considerado o primeiro romance moderno, é um clássico da
literatura ocidental, uma das melhores obras de ficção de todos os tempos. Sua
influência na língua espanhola tem sido tão grande que o idioma é muitas vezes
chamado de "A Língua de Cervantes". Morreu em Madrid, em 22 de abril de
1616, com 68 anos.

Principais Obras

 Dom Quixote – parodiando as antigas histórias de cavalaria,


Cervantes coloca o seu “Quixote” como um herói às avessas. De
alma nobre, sem dúvidas, mas com idealismo que beira a loucura.
Toda aventura do Quixote possui a união entre o imaginário e o
real.

25
CHARLES DICKENS

Charles John Huffam Dickens, nasceu em 22 de fevereiro 1812, na cidade


de Landsport, distrito da cidade de Portsmouth, no sul da Inglaterra, foi um
escritor e crítico inglês. Ele criou alguns dos personagens de ficção mais
conhecidos do mundo e é considerado por muitos como o maior romancista da
era vitoriana. Seus trabalhos desfrutaram de popularidade sem precedentes
ainda em vida e, no século 20, os críticos e estudiosos o reconheceram como um
gênio literário. Seus romances e contos gozam de popularidade duradoura.
Morreu em 9 de junho de 1870 aos 58 anos, na cidade Higham, no condado de
Kent no sul da Inglaterra.

Principais Obras

 David Copperfield – Copperfield é um jovem rapaz que feliz vivia


com sua mãe viúva. Esta se casa com um senhor cruel que envia o
menino a um rígido internato. A mãe do rapaz morre
prematuramente, desgostosa com a crueldade do esposo. Rejeitado
pela nova família que o adota, David se vê sozinho no mundo.
Conhece o sofrimento com profundidade, mas também a amizade
e o amor.

 Oliver Twist – relata as aventuras de um órfão rapaz. Trata,


basicamente, das precárias condições da sociedade inglesa de sua
época. Foi o primeiro romance inglês em que o protagonista é uma
criança.

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DANTE ALIGHIERI

Dante Alighieri (1265 - 1321) Nascido em Florença, foi um grande poeta


italiano que viveu o fim da chamada Idade Média e início do chamado
Renascimento. Sua Divina Comédia, originalmente chamada Comedia e mais
tarde batizada Divina por Boccaccio, é amplamente considerada o poema mais
importante da Idade Média e uma das mais importantes obras da literatura
universal. Morreu em Ravena aos 56 anos.

Principais Obras

 Divina Comédia – descreve uma viagem de Dante através do


Inferno, Purgatório e Paraíso. Guiado por Virgílio através do
inferno e do purgatório, e por Beatriz, sua amada, para o paraíso. A
obra encantou grandes nomes das Belas Artes e da literatura
póstumas. Dante usa imagens belíssimas, a respeito disso escreve
Vasco Graça Moura, tradutor da Divina Comédia para a língua
portuguesa:

“Dir-se-ia que , muito avant la lettre, a escrita de Dante tem uma


qualidade visualmente cinematográfica: a precisão exaustiva das indicações
topográficas aliam-se um não menor cuidado em alterar sucessivamente os
ângulos de tomadas de vista (para cima, para baixo, para a frente, para trás,
para a direita, para a esquerda) e em passar do plano de conjunto para o
enfoque do grande plano, uma preocupação constante em definir as posições
relativas dos protagonistas e os seus gestos, em assinalar indicações de
movimento, em dar a localização dos acidentes da paisagem, [...]”.

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FIÓDOR DOSTOIÉVSKI

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski, nascido aos 11 de novembro 1821 em


Moscou, foi um romancista, contista, ensaísta, jornalista e filósofo. As obras
literárias de Dostoiévski exploram a psicologia humana nas perturbadas
atmosferas políticas, sociais e espirituais da Rússia do século XIX e envolvem
uma variedade de temas filosóficos e religiosos realistas. Morreu aos 9 de
fevereiro de 1881, em São Petersburgo, aos 59 anos.

Principais Obras

 Crime e Castigo – conta a história de um assassino em busca de


redenção espiritual. Explorando com maestria as diversas faces da
psicologia do homem, apresenta suas fraquezas e distorções.

 Os Irmãos Karamazóv – traz à baila questões existenciais que


afligiram o autor durante toda a vida, principalmente a degradação
moral da sociedade que se afastou dos ideais cristãos.

 Memórias do Subsolo – prefiguração do existencialismo do século


XX, a obra inaugura uma nova fase na produção do autor. O
personagem se põe contrário a tudo e todos, contra ciência, razão,
superstição, progresso, atraso, mas, acima de tudo, contra as bases
da própria consciência.

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GUSTAVO CORÇÃO

Gustavo Corção Braga, nas aos 17 de dezembro 1896 no Rio de Janeiro, foi
um escritor Católico Romano brasileiro. Fora educado na Escola Politécnica da
UFRJ, mas deixou a instituição em 1920 sem se formar em engenharia,
especializando-se depois em eletrônica. Ele era um membro ativo do Partido
Comunista Brasileiro neste momento. Depois de conhecer Alceu Amoroso
Lima, no entanto, manteve-se distante dos grupos comunistas e permaneceu
perto dos círculos católicos até sua conversão, em 1939. Corção estudou
tomismo e teologia com monges beneditinos e desempenhou um papel
importante no Centro Dom Vital no Rio, fundado por Jackson de Figueiredo.
Participou do movimento do "ressalva católico" no Brasil, que converteu muitos
intelectuais previamente atraídos para o positivismo. Os escritos de G. K.
Chesterton tiveram um forte efeito sobre Corção. Seu trabalho foi sempre
altamente considerado por Antonio Olinto, Ariano Suassuna, Gilberto Freyre,
Nelson Rodrigues e Manuel Bandeira. Morreu no Rio de Janeiro, em 6 de julho
de 1978, aos 81 anos.

Principais Obras

 Lições do abismo – diário de um homem que se descobre com


leucemia. Mergulhado na memória, começa a avaliar o sentido da
vida. São reflexões sobre a alma, a verdade, o absoluto, o amor, a
frivolidade, o ciúme. Documenta uma volta à fé e o reencontro com
a graça.

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 A Descoberta do outro – primeiro livro de Corção, é o relato do
autor do processo de descoberta da própria miséria e a busca pela
entrega total de si à verdadeira Caridade. Tudo o que põe o mundo
enquadrado abole a verdadeira relação entre os homens e impede
que o outro se transforme no próximo a quem se deve amar.

 Conversa em Sol Menor – reunião de artigos do autor, que juntos


formam sua autobiografia. Por eles, é rememorado sua infância,
momentos importantes da vida e meditações que tinha Corção
sobre a vida e a morte.

 Três Alqueires e uma Vaca – Síntese da visão de Corção acerca das


linhas mestras do pensamento de G.K. Chesterton.

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SÃO BERNARDO DE CLARAVAL

Bernardo de Claraval, nas aos 4 de dezembro de 1090 em Fontaine-lès-


Dijon no nordeste da França. Foi um abade francês e um líder importante na
reforma do monaquismo beneditino que provocou a formação da ordem
cisterciense. Após a morte de sua mãe, Bernardo buscou admissão na ordem
cisterciense. Três anos depois, ele foi enviado para fundar uma nova abadia no
Val d'Absinthe. Segundo a tradição, Bernardo fundou o mosteiro em 25 de
junho de 1115, nomeando Claire Vallée, que evoluiu para Clairvaux. Lá,
Bernardo pregaria uma fé imediata, na qual o intercessor seria a Santíssima
Virgem Maria. No ano de 1128, Bernardo compareceu ao Concílio de Troyes no
qual traçou os contornos da Regra dos Cavaleiros Templários, que logo se
tornou o ideal da nobreza cristã. Após a derrota cristã no Cerco de Edessa, o
Papa encarregou São Bernardo de pregar a Segunda Cruzada. Ele foi o primeiro
cisterciense colocado no calendário dos santos e foi canonizado pelo Papa
Alexandre III em 18 de janeiro de 1174. Em 1830, o Papa Pio VIII concedeu a São
Bernardo o título de Doutor da Igreja. Morreu em 20 de agosto 1153 aos 63 anos,
no mosteiro de Claraval, na França.

Principais Obras

 Tratado do Amor de Deus – é uma obra que trata de como e por


que devemos amar a Deus. Aborda também temas como os graus
do amor, como devemos amar a nós mesmos e a Deus, além de da
lei e amor que é próprio aos filhos e ainda o estado bem-aventurado
dos santos no céu.

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 As Heresias de Pedro Abelardo – dá a conhecer o debate travado
por aqueles que possivelmente foram as duas maiores
personalidades do século XII: Pedro Abelardo e São Bernardo.

 Sermões de Natal – escritos sobre algumas das maiores festas do


Cristianismo: Natal, Epifania e Apresentação de Nosso Senhor no
Templo. O Doutor Melífluo exorta-nos à conversão humilde,
condição indispensável para que possamos abeirar-nos da
manjedoura e oferecer a Deus que nasce a pousada que os homens
lhe negaram.

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SANTO AGOSTINHO

Agostinho de Hipona, nasceu em 13 de dezembro de 354 na cidade de


Tagaste no norte da África, foi um dos primeiros teólogos e filósofos cristãos
da Numídia, cujos escritos influenciaram o desenvolvimento do cristianismo e
da filosofia ocidentais. Ele era o bispo de Hipona no norte da África e é visto
como um dos mais importantes Padres da Igreja no cristianismo ocidental por
seus escritos. Entre suas obras mais importantes estão A Cidade de Deus, Sobre
a Doutrina Cristã e Confissões. Morreu em Hipona, em 28 de agosto de 430, aos
75 aos.

Principais Obras

 Confissões – autobiografia do santo, inaugura uma nova maneira


de fazer filosofia, não se baseando apenas em conceitos abstratos,
mas sobretudo na observação dos movimentos psicológicos, das
motivações interiores e dos pequenos sinais cotidianos.

 A cidade de Deus – é uma interpretação do mundo à luz da fé cristã.


Constitui a primeira obra de teologia e filosofia da história.

 Da Trindade – exerceu forte influência na formulação do dogma da


Trindade na teologia ocidental. Nele são expostas a doutrina bíblica
e a relação das Pessoas no seio da Trindade.

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C. S. LEWIS

Clive Staples Lewis, nasceu em 29 de novembro de 1898, na capital da


Irlanda do Norte, foi um romancista, poeta, acadêmico, medievalista, crítico
literário, ensaísta, teólogo leigo, locutor, conferencista e apologista cristão.
Ocupou cargos acadêmicos nas universidades de Oxford e Cambridge. Ele é
mais conhecido por suas obras de ficção, especialmente As Cartas Screwtape,
As Crônicas de Nárnia, e A Trilogia Espacial, e por sua apologética cristã de
não-ficção, como Cristianismo Puro e Simples, Milagres, e O Problema da Dor.
Lewis e J. R. R. Tolkien foram amigos íntimos. Eles atuaram no corpo docente
de inglês da Universidade de Oxford e no informal grupo literário de Oxford
conhecido como Inklings. Seus escritos filosóficos são amplamente citados por
apologistas cristãos de muitas denominações. Morreu em 22 de novembro de
1963, na cidade de Oxford, aos 64 anos.

Principais Obras

 As Crônicas de Nárnia – conjunto de sete livros que atraem o leitor


a um mundo em que a magia encontra a realidade. A obra faz várias
alusões à Bíblia e ao Cristianismo. Algumas histórias já receberam
diversas adaptações para o cinema.

 Cristianismo Puro e Simples – trata-se de um livro que, escrito em


períodos da Segunda Guerra Mundial, deu sentido à vida de
muitos cidadãos de todas as classes e profissões. Busca relembrar

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aos homens aquilo que é mais importante na vida e apontar o
caminho da alegria e do contentamento.

 A Abolição do Homem – é um dos livros mais debatidos de Lewis.


O autor defende a moralidade absoluta e os valores universais,
além de expor as consequências da falta desses princípios na
sociedade. Criticando o relativismo, alerta para os perigos de
questionar os valores morais objetivos, sem os quais os homens
correm o risco de perder a humanidade.

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J. R. R. TOLKIEN

John Ronald Reuel Tolkien, nasceu em 3 de janeiro 1892 na cidade de


Bloemfontein, atual África do sul, e foi um escritor, poeta, filólogo e professor
universitário inglês e Católico Romano. É mais conhecido como o autor das
obras clássicas de alta fantasia O Hobbit, O Senhor dos Anéis e o Silmarillion.
Amigo íntimo de C. S. Lewis frequentou com este o grupo informal de discussão
literária conhecido como Inklings. Tolkien foi nomeado Comandante da Ordem
do Império Britânico pela Rainha Elizabeth II em 28 de março de 1972. Morreu
em 2 de setembro de 1973, na cidade de Bournemouth, aos 81 anos.

Principais Obras

 O Hobbit – o livro segue a busca do hobbit Bilbo para conquistar


uma parte de um tesouro guardado por um dragão. O crescimento
pessoal e as diferentes formas de heroísmo são os temas centrais da
história. A jornada leva o hobbit a encontrar um anel, que será o
principal tema da obra seguinte, “O Senhor dos Anéis”.

 O Senhor dos Aneis – obra mais conhecida do autor, é uma trilogia


de fantasia que continua a obra de “O Hobbit”. O “um anel” é o
elemento central da saga. A história narra o conflito entre o bem e
o mal que se alastra na Terra-Média.

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THOMAS MANN

Paul Thomas Mann, nascido em 6 de julho de 1875 cidade Lübeck, foi um


romancista alemão, contista, crítico, filantropo, ensaísta e prêmio Nobel de
Literatura de 1929. Seus romances épicos e novelas altamente simbólicas e
irônicas são conhecidos por sua visão sobre a psicologia do artista e intelectual.
Sua análise e crítica da alma europeia e alemã usaram histórias alemãs e bíblicas
modernizadas, assim como as ideias de Goethe, Nietzsche e Schopenhauer.
Mann era um membro da família hanseática Mann e retratou sua família e classe
em seu primeiro romance, Buddenbrooks. Seu irmão mais velho era o escritor
radical Heinrich Mann e três de seus seis filhos, Erika Mann, Klaus Mann e Golo
Mann, também se tornaram importantes escritores alemães. Quando Adolf
Hitler chegou ao poder em 1933, Mann fugiu para a Suíça. Quando a Segunda
Guerra Mundial estourou em 1939, ele se mudou para os Estados Unidos,
retornando à Suíça em 1952. Thomas Mann é um dos expoentes mais
conhecidos do chamado Exilliteratur, literatura alemã escrita por aqueles que
se opunham ou fugiram do regime de Hitler. Morreu em Zurique, aos 12 de
agosto de 1955, com 80 anos.

Principais Obras

 A Montanha Mann – a partir da trajetória do jovem engenheiro


Hans Castorp durante sua inesperada estadia em um sanatório
para tuberculosos, o autor escreve um dos grandes testamentos
literários do século XX. Repleta de relações entre os personagens

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enfermos que encarnam os conflitos espirituais e ideológicos que
antecederam a Primeira Guerra Mundial.

 Morte em Veneza – a paixão platônica de um escritor de meia-idade


por um jovem e belo rapaz é enredo da questão central da narrativa
- a atração do escritor é, na verdade, pela beleza e pela perfeição do
jovem, que representa o reflexo temporal da beleza eterna, seu ideal
de beleza que tanto buscou na arte e acaba levando-o à ruína.

 Doutor Fausto – O escritor fez uma releitura moderna da lenda de


Fausto, na qual a Alemanha trava um pacto com o demônio. O
protagonista é o compositor Adrian Leverkühn, um gênio isolado
da cultura alemã, que cria uma música radicalmente nova e balança
as estruturas da cena artística da época. Em troca de 24 anos de
verve musical sem paralelo, ele entrega sua alma e a capacidade de
amar as pessoas. Mann faz uma meditação profunda sobre a
identidade alemã e as terríveis responsabilidades de um artista
verdadeiro.

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HUGO DE SÃO VITOR

Hugo de São Vítor, nasceu em 1096, na Saxônia, foi um cônego regular,


teólogo e escritor místico. Devido à agitação civil pouco depois de sua entrada
no convento, o tio de Hugo, Reinhard de Blankenburg, que era o bispo local,
aconselhou-o a transferir para a Abadia de São Victor em Paris, onde ele próprio
havia estudado teologia. Ele aceitou o conselho de seu tio e fez a mudança para
lá onde passaria o resto de sua vida. Os escritos de Hugo de São Vítor são dos
mais importantes e influentes de toda a teologia e cultura católicas. Segundo
São Boaventura, Hugo de São Vítor é o mestre de tudo. Faleceu em Paris -11 de
fevereiro de 1141, com 45 anos.

Principais Obras

 Didascalicon – no tratado, o autor afirma que é principalmente por


dois instrumentos que alguém adquire o conhecimento: a leitura e
a meditação. Observando ambos, ele nota que é a leitura que vem
em primeiro lugar na instrução, e justamente por isto, neste livro
ele tratará dos preceitos e regras para a boa leitura.

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JOAQUIM NABUCO

Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo, nasceu em Recife em


1849 foi um político, diplomata, historiador, jurista, orador e jornalista
brasileiro formado pela Faculdade de Direito do Recife. Foi um dos
fundadores da Academia Brasileira de Letras. Na data de seu nascimento,
19 de agosto, comemora-se o Dia Nacional do Historiador. Foi um dos
grandes diplomatas da nossa história, além de orador, poeta e
memorialista.

Além de O Abolicionismo, Minha Formação figura como uma


importante obra de memórias, onde se percebe o paradoxo de quem foi
educado por uma família escravocrata, mas optou pela luta em favor dos
escravos. Nabuco diz sentir "saudade do escravo" pela generosidade deles,
num contraponto ao egoísmo do senhor. "A escravidão permanecerá por
muito tempo como a característica nacional do Brasil", sentenciou. “O
verdadeiro patriotismo é o que concilia a pátria com a humanidade.”
Morreu em Washington D.C, aos 17 de janeiro de 1910.

Principais Obras

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 O Abolicionismo: Nessa obra, Nabuco busca fundamentar a relação
entre a liberdade da pessoa humano e o progresso de uma sociedade
verdadeiramente virtuosa, sendo a degradação do escravo algo que
impacta na degradação da sociedade inteira.

 Minha formação: Livro de memórias onde autor relata livremente


elementos de sua vida político, intelectual e diplomática. Perpassando
suas experiências no exterior, fala da influência de países onde esteve e
da sua relação e convivência com figuras de releva dos campos político
e cultural.

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