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A promulgação da lei de diretrizes e bases da Educação Nacional em

1980, inaugura um novo cenário para a educação e o ensino no Brasil. Cenário este
marcado pela busca da formação para a cidadania. A própria LDB é chamada nos meios
acadêmicos de LDB da Cidadania, exatamente por ela conter em seus princípios básicos
elementos constitutivos, e leis, que promovem o ensino como processo formativo para a
cidadania; elementos esses inéditos em relação a outras leis promulgadas no país.
Portanto, o início de um novo projeto educacional para o país; e este coincide (ou
não?) com retorno, ainda que provisoriamente facultativo, da disciplina
filosofia. Provisoriedade que se transformaria depois, com a Lei Nº 11684/08, em
obrigatoriedade. Esse novo projeto de construção de uma educação para a cidadania, que
busca formar no indivíduo uma forte consciência crítica e participativa. Que o torna apto
a refletir sobre sua condição enquanto cidadão livre, emancipado e consciente da sua
importância e da importância do outro enquanto seres livres, críticos e autônomos, é fruto
de uma grande influência de autores e filósofos do Iluminismo bem como dos humanistas
da modernidade, que sempre divulgaram a necessidade de libertar o homem através da
razão e que a educação tem papel fundamental neste processo de emancipação e
esclarecimento do indivíduo.
Com a implementação de uma educação voltada para a formação para a cidadania
a nova lei de diretrizes e bases da Educação Nacional traz consigo a reformulação do
papel do educador no processo de ensino e aprendizagem. A autonomia. A liberdade de
cátedra, já como elemento constitutivo do fazer educacional na sala de aula torna-se muito
mais nítida e importante quando da promulgação da LDB, que passa a tratar o papel do
professor como agente livre; como agente participativo no processo. Ao contrário das
outras leis anteriores que tinham em seu arcabouço o princípio da repetição mecânica de
conteúdos sem que o professor pudesse questionar ou posicionar-se de forma contrária
aos conteúdos ali propostos. processo esse que dá a professora a liberdade de posicionar-
se criticamente frente aos vários elementos constitutivos dos currículos bem como da
realidade a eles aplicadas ou comparada. Ao contrário exige-se do professor o
posicionamento próprio a seus conceitos e vivências, para que esses próprios conceitos e
vivências possam ser comparados, testados e confrontados junto conceitos propostos nos
currículos escolares.
A ideia de posicionar-se perante o mundo de forma crítica exigida nos textos
legais e complementares da lei de diretrizes e bases bem como os parâmetros
curriculares. o conceito de esclarecimento proposto por Kant é amplamente promovido
no que tange às leis e orientações curriculares ainda que a dificuldade de implementação
prática desses conceitos seja muito grande; ainda que de forma estrutural e em sua
totalidade a educação e o ensino no país não estejam preparados ou não em um estágio
pleno de esclarecimento, as orientações curriculares as propostas curriculares a própria
lei de diretrizes e bases da educação nacional caminha nesse sentido pelo menos no que
tange a letra da lei, ainda que pouco se verifique na prática pedagógica na prática
educacional, ideologicamente a uma tentativa de caminhar nesse processo lento que é a
emancipação e o esclarecimento como proposto por Kant. é certo que há muito o que
melhorar nas próprias leis isso sem mencionar a prática a estrutura organizacional da
educação brasileira.