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Indice

1. Preliminares Sobre o Tema ....................................................................................................................... 1

1.1 Problema do Trabalho ......................................................................................................................... 2


1.1.1 Hipóteses do Trabalho ................................................................................................................. 2
1.2 Objectivos ........................................................................................................................................... 3
1.2.1 Geral............................................................................................................................................. 3
1.3 Específicos .......................................................................................................................................... 3
1.4 Justificativa do Trabalho ..................................................................................................................... 3
2. Metodologia .............................................................................................................................................. 3

2.1 Método de Abordagem ....................................................................................................................... 4


2.2 Técnica e instrumento da pesquisa...................................................................................................... 4
2.3 Delimitação do estudo......................................................................................................................... 5
Capitulo I - Referencial Teórica.................................................................................................................... 5

3. Da União de Facto .................................................................................................................................... 5

3.1 Noção e Enquadramento Jurídico da União de Facto ......................................................................... 5


3.1.1 Figuras Afins da União de Facto.................................................................................................. 6
4. Da Segurança Social ................................................................................................................................. 7

4.1 Noção, Breve Historial e Enquadramento Jurídico de Segurança Social ........................................... 7


4.2 Tipologia de Segurança Social ............................................................................................................ 9
Capítulo II – Relevância da União de Facto para Fins de Segurança Social .............................................. 10

5. A Irrelevância da União de Facto para o Regime de Segurança Social .................................................. 10

5.1 A Aplicabilidade da Figura da União de Facto no Regime de Segurança Social ............................. 11


5.2 Do Estudo do Caso Sobre a Relevância da União de Facto para Fins de Segurança Social ............. 12
5.3 Direito Comparado Sobre a Protecção dos Unidos de Facto na Segurança Social ........................... 13
II. Conclusão ........................................................................................................................................... 14
III. Resultados Esperados .................................................................................................................... 15
IV. Bibliografia ....................................................................................................................................... 16

0
I. Introdução

1. Preliminares Sobre o Tema


O presente trabalho com o tema “A Relevância da União de Facto para Fins de Segurança Social”,
com finalidade de avaliar a assimilação dos conhecimentos. A Segurança Social é importante para
os trabalhadores após a cessação da relação laboral com a entidade empregadora em virtude da
reforma, incapacidade laboral devido à doença não profissional e acidente ou incapacidade física,
bem como por causa da maternidade ou outro impedimento estipulado na Lei1, pois é esta entidade
que se responsabiliza no pagamento da remuneração no período em que o trabalhador não pode
prestar a sua actividade, porque a empresa só paga a remuneração ao trabalhador quando este
estiver a prestar a sua actividade efectiva2.

Esta Segurança Social, não só abrange aos trabalhadores mas também às pessoas em situação da
pobreza absoluta, crianças em situação difícil, idosos em situação de pobreza absoluta, pessoas
portadoras de deficiência, em situação de pobreza absoluta e pessoas com doenças crónicas e
degenerativas, nos termos do estipulado no artigo 7 da Lei n.º 4/2007 de 7 de Fevereiro.

Para além das pessoas mencionadas, a Segurança Social enquadra os familiares dos ex
trabalhadores na conjugação do artigo 18, n.º 1, alínea b), e o artigo 19, n.º 1, ambos da Lei n.º
4/2007. Havendo a abrangência dos familiares e sendo que o artigo 202 da Lei da Família3, inclui
a Unida de Facto, como uma fonte “para familiar”4das relações familiares, vai procurar-se saber
se esta extensão feita pela Lei da Família, no sentido da União de Facto ter efeitos “para
familiares”, pode ser feito para a área de Segurança Social, isto é, da União de Facto ser tido em
conta para o companheiro sobrevivo poder usufruir de pensões.

Há defensores de que não existe extensão, pois a pessoa unida de facto só usufrui do benefício de
Segurança Social, caso tenha filhos, porque o artigo 82 n.º 1, no tocante ao ponto 1.2., versa sobre

1
Sobre os danos, doenças ou situações materiais, que dão lugar à prestação de Segurança Social, vide o artigo 19 da
Lei n.º 4/2007 de 7 de Fevereiro, “in verbis”, “A Segurança Social Obrigatória compreende prestações nas
eventualidades de doença, maternidade, invalidez, velhice e morte”.
2
Lei do Trabalho aprovado pela Lei 23/2007 de 1 de Agosto.
3
Lei da Família aprovada pela Lei n.º 10/2004.
4
As relações “para familiares”, são aquelas que dão lugar a determinados efeitos jurídicos familiares prescritos na
Lei, não atribuindo em plenitude os efeitos familiares, GONZALA, Maria; Direito da Família e das Sucessões;
Almedina; Coimbra, 2008, 109 e seguintes.

1
o cônjuge sobrevivo e não da pessoa Unida de Facto, daí a necessidade da menção da data e local
do casamento. Este pensamento é defensável tendo em conta a interpretação literal e seguindo os
princípios da tipicidade e o princípio taxativo ou de fixação taxativa, (ANDRADE, Marcos, 2013,
pag. 45).

Esta pessoa Unida de Facto, caso não tenha filhos poderá ser desprovida deste direito, o que pode
colocar em causa os fins últimos de direito, que é a justiça, segurança e bem-estar das pessoas.

Mas uma outra visão pode ser tida em conta nesta problemática, que admite a possibilidade da
extensão do regime de Segurança Social para os Unidos de Facto, na base da interpretação
analógica e extensiva, que não são expressamente proibidos nesta área de Direito, tendo também
que se trata de Direito Privado, (BOAVENTURA, Alfredo, 2009, pag. 66).

É sobre estas duas posições que pretende se fazer a discussão do trabalho que tem como tema
Efeitos da União de Facto para fins de Segurança Social, tendo em conta o Direito Comparado e
os casos práticos que se irá apresentar.

1.1 Problema do Trabalho


A questão que se levanta no presente trabalho, consiste em indagar ou procurar saber se as pessoas
Unidas de Facto, estão ou não contempladas para se beneficiar das pensões de sobrevivência e
outros direitos de Segurança Social em nome próprio e não dos seus descendentes em caso da
morte do seu companheiro!

1.1.1 Hipóteses do Trabalho


 As pessoas Unidas de Facto, tem a faculdade legal de se beneficiar das pensões, abonos e
subsídios de Segurança Social em nome próprio, em caso da morte do seu companheiro;
 As pessoas Unidas de Facto, não tem a possibilidade de se beneficiarem dos direitos
oriundos da Segurança Social em nome próprio, porque a Lei de Segurança Social, só versa
sobre os cônjuges sobrevivo não separado de facto.
 O legislador prevê pessoas Unidas de facto aquele que até a data de morte vivia
maritalmente com o seu companheiro.

2
1.2 Objectivos

1.2.1 Geral
O presente trabalho, pretende analisar se os Unidos de Facto têm ou não o direito ou a prerrogativa
de se beneficiar dos direitos de Segurança Social, nas mesmas condições que os cônjuges se
beneficiam independentemente de terem ou não filhos.

1.3 Específicos
 Indicar a corrente que defende que os Unidos de Facto, não são incorporados em nome
próprio, os benefícios de Segurança Social e os fundamentos em que a corrente se baseia;
 Demonstrar a teoria que advoga que os Unidos de Facto são abrangidos em nome próprio,
os benefícios de Segurança Social e os fundamentos em que a teoria se baseia;
 Fazer comparação do regime moçambicano e o sistema português sobre a matéria;
 Analisar casos para tirar-se as ilações sobre o tratamento material do assunto.

1.4 Justificativa do Trabalho


A pertinência do trabalho, resulta do facto de pretender proteger as pessoas Unidas de Facto que
estão num número elevado de pessoas que constituem família5 em Moçambique, sendo que em
caso da morte de um dos companheiros que era trabalhador não encontra o sobrevivo a protecção
de Segurança Social. Ademais, com o trabalho, pretende-se atingir um dos fins últimos do direito
de trabalho, em especial do Direito de Segurança Social Laboral, depois de cessar a relação, que
consubstancia na segurança dos trabalhadores e das suas famílias em virtude da invalidez por
doença não profissional, acidente ou em caso de morte.

2. Metodologia
Antes de mais, de realçar que método é uma forma de seleccionar técnicas, forma de avaliar
alternativas para a acção científica e como as deve conduzir, ou seja, o método é o caminho pelo
qual se chega a determinado resultado, ainda que esse caminho não tenha sido fixado de antemão
de modo reflectido e deliberado, (LAKATOS & MARCONI, 1991, 39).

5
Família consubstancia num conjunto de pessoas ligadas entre si em virtude de casamento, parentesco, afinidade e
por via da adopção. Este é um conceito jurídico, mas existem outros conceitos como aquele que só valora as relações
de parentesco, dai o recurso as relações de consanguinidade.

3
Para a realização do trabalho teve o seguinte procedimento, o descobrimento do problema,
colocação precisa do problema, procura de conhecimento ou instrumentos relevantes ao problema,
como são os casos de manuais e da legislação, tentativa de solução do problema com auxílio dos
meios legislativos e a doutrina, posteriormente a elaboração de novas ideias guiadas por novas
hipóteses e filosofias, posteriormente formulam se novas soluções, depois as provas para essas
soluções, recorrendo a doutrina, bem como ao direito comparado o que permitiu a formulação das
novas hipóteses, teorias e procedimentos6.

2.1 Método de Abordagem


Para a aquisição dos objectivos pretendidos recorrer se ao método dedutivo, para indicar que (A e
B,) que são as pessoas unidas de facto, não recebem a pensão e subsídio por morte dos seus
companheiros caso exista uma viúva casada em registo civil, só é possível receber por causa de ter
filhos menores com os seus companheiros, assim conclui que os unidos de facto não têm direito
de receberem pensões de sobrevivência nem subsídios por morte e de funeral dos seus
companheiros.

No tocante ao método usou se o método bibliográfico, que consistiu na consulta de manuais


pertinentes da legislação e de outras fontes sejam elas primárias ou secundárias. A demais, irá
recorrer se ao método comparativo para aferir como esta matéria é tratada nos outros sistemas
jurídicos.

2.2 Técnica e instrumento da pesquisa


Quanto à técnica da pesquisa, recorreu se à técnica de consulta de entrevista, para demonstrar que
há várias pessoas que não conseguiram ter o direito ou a pensão de Segurança Social por morte do
seu companheiro pelo facto de não serem casadas, o que coloca um dos fins últimos de direito de
trabalho e de Segurança Social que é Segurança Social para o trabalhador e para a sua família.

6
LAKATOS Eva Maria, MARCONI, Maria de Andrade, Metodologia Científica, Ciência e Conhecimento Científico,
Métodos Científicos, Teoria, Hipóteses e Variáveis, Atlas Editora SA, 2ª Edição, São Paulo, 1991, pag. 46.

4
2.3 Delimitação do estudo
Esse trabalho foi elaborado dentro de padrões científicos, através de pesquisas bibliográficos, Lei
e Regulamento de Segurança Social Obrigatória em Moçambique sobre o tema A Relevância da
União de Facto para Fins de Segurança Social.

Capitulo I - Referencial Teórica

3. Da União de Facto

3.1 Noção e Enquadramento Jurídico da União de Facto


A união de facto consiste num vínculo jurídico para familiar, entre um homem e uma mulher com
capacidade jurídica para contrair o casamento, desde que essa relação tenha durado mais que um
ano sem no entanto haver qualquer interrupção7.

A noção acima apresentada refere que a união de facto é uma relação para familiar e não familiar,
porque esta relação não esta consagrada no artigo 2 como fonte das relações jurídicas familiares,
sendo que a Lei, só versa sobre o casamento, parentesco, afinidade e adopção como fonte das
relações familiares8.

A demais, a noção apresenta-nos um limite dos sujeitos da relação ao estabelecer que tem que ser
entre um homem e uma mulher, o que podemos tirar a ilação de que o nosso ordenamento jurídico
não aceita a união de facto entre pessoas de mesmo sexo, sejam elas de sexo masculino ou
feminino9.

A noção refere que estas pessoas tem que ter capacidade para contraír casamento, o que justifica
que não deve haver qualquer impedimento para a celebração do casamento, seja ele impedimento
dirimente absoluto, ou impedimento dirimente relativo, como são os casos de haver uma relação
próxima entre os unidos de facto ou um deles ser menor, ter uma incapacidade ou outros.

7
Artigo 202 da Lei da Família, aprovada pela Lei 10/2007.
8
SANTOS, Boaventura Sousa, O Casamento e a União de Facto, Uma Paradigma da Falência do Casamento,
Almedina, Lisboa, 2009, pag. 57.
9
Idem, pag. 87.

5
Outra questão é que a relação só pode ser havida como união de facto, se tiver durado por um
período superior a um ano, o que implica que as relações periódicas que não têm finalidade de
contraírem o casamento não consubstanciam em união de facto, mas outras relações.

As pessoas que pretendem estar unidas de facto não devem estar ligados por vínculo de casamento,
seja ele civil, religioso ou tradicional, para que possam ser considerados como os unidos de facto,
(GOMES, Almeida, 2006, pag. 76).

3.1.1 Figuras Afins da União de Facto


A união de facto não deve ser confundida com algumas figuras jurídicas ou afins da união de facto
tais como os casos de casamento, poligamia, uniões simples e outros por não apresentarem as
mesmas características constitutivas.

O casamento difere-se da união de facto, pois o casamento é uma relação formal, sendo que para
a sua constituição tem que ser registada, portanto antes do registo não existe o casamento. A união
de facto é uma relação material, o que implica que basta a existência dos requisitos para tanto, esta
união existe e o reconhecimento por via judicial é uma simples formalização, mas não constitutivo
da união que existe sem registo10.

A demais, o casamento basta registar é valido e existe e começa a produzir os seus efeitos jurídicos
não necessitando de esperar mais que um ano para ser havido como casamento como sucede com
a união de facto que só é havido como tal, decorridos um ano da existência da união sem no entanto
que haja interrupção.

A união de facto, não deve ser confundida com a poligamia, pois aquela implica uma ligação
singular entre duas pessoas de sexo diferente, enquanto a poligamia, implica uma ligação de mais
que duas pessoas numa relação, ou seja, é um homem que está ligado com várias mulheres, ou
uma mulher ligada a vários homens sem que nenhum deles seja casado, porque com o casamento
não há espaço da união de facto nem da poligamia11.

A união de facto não deve também ser confundido com as uniões simples, que são aquelas uniões
em que não cumpre os pressupostos da união, por falta do requisito temporal, que consubstancia

10
SANTOS, Boaventura Sousa, Ob. Cit., pag. 89.
11
Idem, pag. 98.

6
num ano, ou quando essas uniões não têm estabilidade exigida pela lei, que estas pessoas
pretendem de facto constituírem uma família12.

Não a união de facto não pode nem deve ser confundida com concubinato, pois no caso de
concubinato um dos consortes tem uma outra relação, vinculado por casamento, o que implica uma
intervenção de várias pessoas e não só de duas.

4. Da Segurança Social

4.1 Noção, Breve Historial e Enquadramento Jurídico de Segurança Social


Depois de abordarmos a matéria relativa à União de Facto, importa agora versa-se da matéria sobre
a Segurança Social, iniciando com a sua noção, onde podem verificar o âmbito do glossário da Lei
n.º 4/2007 de 7 de Fevereiro aprova a lei de protecção social, que consiste num sistema dotado de
meios aptos à satisfação de necessidades sociais, obedecendo à repartição dos rendimentos no
quadro da solidariedade entre os membros da sociedade.

A Segurança Social é sistema de organizações, instituições e meios humanos e materiais públicos


ou privados que tem como a finalidade à satisfação das necessidades ou interesses sociais e
colectivas, tendo em conta o princípio da proporcionalidade dos rendimentos bem como a
solidariedade entre os membros da sociedade ou duma comunidade, (SANTOS, João Viera, 2000,
pag. 33).

Em 1944 a Conferência Geral da Organização Internacional de Trabalho, reconheceu a


necessidade e a obrigação solene da Organização no auxílio à aplicação em todas as nações do
mundo de programas próprias que visem a extensão das medidas de Segurança Social de forma a
assegurar um rendimento de base a todos aqueles que necessitam deste tipo de protecção bem
como de cuidados médicos completos13.

Neste período depois da Guerra Mundial em que muitos trabalhadores viviam situação de
dificuldades de emprego e outras relativas à dificuldades económicos de toda a comunidade da
Europa, foi vista pela Organização Internacional de Trabalho (OIT), como propícia para lançar

12
Ibidem, pag. 103.
13
Departamento de Cooperação do Ministério da Segurança Social e do Trabalho de Portugal; Segurança Social, Um
Novo Consenso; Edição: Departamento de Cooperação do Ministério da Segurança Social e do Trabalho de Portugal;
Lisboa; 2002; pag. 1.

7
uma nova campanha com intuito de melhorar e alargar a cobertura de Segurança Social à todos
aqueles que necessitam a Segurança Social14.

De acordo com a Organização Internacional de Trabalho, a Segurança Social é muito importante


para o bem-estar dos trabalhadores, das suas famílias e de toda a colectividade, assim sendo, deve
ser bem gerido para favorecer a produtividade assegurando cuidados de saúde, segurança do
rendimento e serviços sociais.

A Segurança Social, deve ser dada prioridade absoluta à concepção de políticas e de iniciativas
específicas que proporcionem o benefício de Segurança Social às pessoas que estão abrangidas
pelos sistemas em vigor15.

A Segurança Social trata-se de um direito fundamental do ser humano e um instrumento essencial


de coesão social, que promove ao mesmo tempo, a paz e a inserção sociais. É por estes motivos
que a Constituição da República de Moçambique consagra a Segurança Social como um direito
fundamental sendo que no âmbito institucional, para a materialização deste direito dos cidadãos,
foi criado em 1989 o Sistema Nacional de Segurança Social que garante a subsistência material
dos trabalhadores em caso de doença, maternidade, invalidez e velhice, bem como a sobrevivência
dos seus familiares16.

Quanto ao enquadramento jurídico de Segurança Social, de realçar que está consagrado na


Constituição da República de Moçambique quando se plasmada que o Estado reconhece o direito
ao emprego, segurança e higiene no trabalho.

Para além da consagração constitucional, este direito fundamental está também plasmado na Lei
do Trabalho nos termos do artigo 234, sendo que para a sua materialização foi aprovada a Lei n.º
4/2007 de 7 de Fevereiro, que define as bases em que assenta a Protecção Social e organiza o
respectivo sistema.

Para a regulamentação da Lei acima mencionada, foi aprovado o Decreto n.º 53/2007 de 3 de
Dezembro, que é o Regulamento de Segurança Social Obrigatória. Para a institucionalização da

14
Departamento de Cooperação do Ministério da Segurança Social e do Trabalho de Portugal; idem, pag. 2.
15
Departamento de Cooperação do Ministério da Segurança Social e do Trabalho de Portugal; Ob. Cit.; pag. 2 e ss.
16
Instituto Nacional de Segurança Social; Segurança Social: Segundo Meio de Distribuição da Riqueza Nacional;
Segurança Social, Revista Trimestral, N.º 0 Jan. / Abr. /99, pag. 4.

8
Segurança Social, foi aprovado o Decreto n.º 17/88 de 27 de Dezembro que cria o Instituto
Nacional de Segurança Social, dotado de personalidade jurídica, de autonomia administrativa e
financeira e de património próprio.

4.2 Tipologia de Segurança Social


Depois de ter-se versado sobre a noção, breve historial e enquadramento jurídico de Segurança
Social, importa agora abordarmos sobre a tipologia de Segurança Social que nos termos do artigo
5 da Lei n.º 4/2007 de 7 de Fevereiro, consiste na Segurança Social Básica, Segurança Social
Obrigatória e a Segurança Social Complementar.

Na vertente da Segurança Social Básica, previsto no artigo 7da Lei n.º 4/2007 de 7 de Fevereiro,
que compreende pessoas em situação de pobreza absoluta, crianças em situação difícil, idosos em
situação de pobreza absoluta, pessoas portadoras de deficiência estado em situação de pobreza
absoluta e pessoas com doenças crónicas e degenerativas. A Segurança Social Básica concretiza-
se por via de prestações de risco e prestação de apoio social, como está plasmado no artigo 8 do
instrumento em análise.

No tocante à Segurança Social Obrigatória, e à sua composição prevista no artigo 11 da Lei n.º
4/2007 de 7 de Fevereiro, compreende prestações nas eventualidades de doença, maternidade,
invalidez, velhice e morte, nos termos do artigo 19 do instrumento jurídico acima mencionado.

Para além da Segurança Social Básica e Obrigatória, temos a Segurança Social Complementar que
visa reforçar as prestações dos trabalhadores inscritos no Sistema de Segurança Social Obrigatória,
nos termos do artigo 31 e 32 da Lei n.º 4/2007 de 7 de Fevereiro.

9
Capítulo II – Relevância da União de Facto para Fins de Segurança Social

5. A Irrelevância da União de Facto para o Regime de Segurança Social


Lei n.º 4/2007 de 7 de Fevereiro define a Segurança Social como um sistema dotado de meios
aptos à satisfação de necessidades sociais, obedecendo à repartição dos rendimentos no quadro da
solidariedade entre os membros da sociedade.

A lei acima mencionada no tocante à Segurança Social Obrigatória na vertente dos beneficiários
por morte do contribuinte, elenca os cônjuges e não as pessoas unidas de facto, o que significa que
as pessoas unidas de factos não tem este direito.

Sendo que a lei é taxativa e imperativa, o que implica que não se pode fazer uma interpretação ou
procurar o sentido através da interpretação extensiva ou analógica, porque se o legislador os
quisesse incluir, teria de forma tácita os referenciados sem haver a necessidade de qualquer
interpretação.

A interpretação17 que aqui deve se fazer tem que ser a literal e declarativa, indo há letra da lei e
ver o que está escrito e tirar a ilação de que só disse o que está escrito nos termos escritos.

A lei em análise é nova e entrou em vigor em 2007, período em que alguns ramos de direito no
ordenamento jurídico moçambicano, como a lei da família reconheciam a união de facto como um
instituto que produz efeitos jurídicos, sendo que se a lei de Segurança Social não incluiu a união é
que para este ramo de Direito não tem relevância.

A demais, uma interpretação extensiva, pode dar lugar a várias interpretações disparas e
antagónicas que podem colocar em causa a segurança jurídica, pois outras relações de facto, como
as relações de concubinato, poderiam também pretenderem se beneficiar deste direito de
Segurança Social que consiste no entanto no pagamento de pensões.

17
Sobre a tipologia das interpretações, vide a partir do artigo 9 do Código Civil em vigor Moçambique aprovado pelo
Decreto-Lei n.º47344, de 25 de Novembro de 1966 mandado a ultramar pela Portaria n.º 22869, de 4 de Setembro de
1967.

10
Assim, não se pode porque a lei não permite se incluir as pessoas unidas de facto como entes
jurídicos para receberem pensões em caso da morte de um dos companheiros para o bem-estar da
segurança e certeza de direito.

5.1 A Aplicabilidade da Figura da União de Facto no Regime de Segurança Social


As posições que procuram admitirem a aplicabilidade da figura da união de facto no regime de
Segurança Social, na sua lógica procuram bases nas alegações dos defensores da não
aplicabilidade.

Assim sendo, afirmam que não teria lógica o Código Civil, estabelecer as várias formas de
interpretação caso não fossem para serem usadas. Também, quando uma determinada cadeira
jurídica ou uma lei não admite uma certa interpretação afirma de forma categórica e expressa,
como sucede com o Código Penal que não admite interpretação analógica nem extensivo.

Ademais, o direito de trabalho donde tem a sua génese o direito de Segurança Social, é um Direito
Privado, que apesar da sua autonomia do Direito Civil tem a sua origem nesta área, por isso se
estabelecer no Código Civil o contrato de trabalho. Este direito de Segurança Social sendo um
Direito Privado com génese no Direito Civil, onde é a área do saber jurídico que se faz as
interpretações não deslumbra que haja qualquer limitação para o efeito, daí a união de facto poder
ser interpretado como casamento e as pessoas unidas se beneficiarem deste direito que se
demonstra bastante importante.

Os defensores desta visão, prosseguindo com as suas ideias, defendem que se o legislador pudesse
prever tudo, não teria tido a necessidade de colocar as questões de interpretação, bem como os
mecanismos para se preencher as lacunas que é por via da analogia que pode ser usado para o caso
da omissão da figura da união de facto no que versa a lei de Segurança Social por via do casamento.

Assim, a figura da união de facto é relevante para os fins de Segurança Social, isto é, por via da
analogia que se baseia na integração das lacunas, a união deve ser equiparado ao casamento, para
que a companheira possa se beneficiar das pensões relativas à Segurança Social como os cônjuges
recebem.

11
O legislador prevê caso de prestações nos termos de artigo 37 do Decreto n.º 53/2007 de 3 de
Dezembro versa prestações por morte e compreende, os subsídios por morte, funeral e pensão de
sobrevivência.

Os familiares com direito no seu artigo 40 do Decreto n.º 53/2007 de 3 de Dezembro, indica que
deve requerer os benefícios da Segurança Social no caso de morte, segundo o nº 4 do mesmo artigo
“ para efeitos do presente regulamento, é considerado como cônjuge sobrevivo aquele que ate a
data da morte do beneficiário com ele vivia em união de facto”.

O legilador na alinea a) do artigo 46 do decreto nº 53/2007 de 3 de Dezembro considera familiar


com direito à pensão de Sobrevivência o conjuge sobrevivo não separado de facto Contrariado o
artigo acima citado nº 4.

A questão que se coloca, neste caso consiste em procurar saber qual é que deve ser a percentagem
que os unidos de facto devem usufruir em caso da morte do companheiro, porque mesmo a lei da
família que trouxe esta figura diferencia, os efeitos da união de facto para fins dos bens e
paternidade.

5.2 Do Estudo do Caso Sobre a Relevância da União de Facto para Fins de Segurança Social
No ano de 2008, uma Senhora que vivia com o seu companheiro a mais de dois anos e tinham um
filho menor, sendo que o companheiro vivia também maritalmente com duas esposas cuja primeira
era casada oficialmente e tinham filhos menores, em virtude de doença este veio a falecer. A
Senhora em causa vivia com ele até a data da sua morte, tendo tido conhecimento de que o
companheiro fazia descontos para Segurança Social, se direccionou para a INSS, no intuito de
receber a pensão de sobrevivência que o companheiro descontava para o sistema, mas como ela
não constava dos dependentes do companheiro, que só mencionava os filhos que teve na primeira
união.

No em tanto o seu companheiro em vida não mencionou no seu nome no agregado familiar do
sistema de segurança social, e a Senhora não sendo casada viu se sem direito a receber a pensão
de sobrevivência e outros subsídios que o seu companheiro descontava na Segurança Social, viu
se lesada, mas se ela fosse casada teria direito de receber mesmo nos casos em que não constasse
como beneficiária. Só teve o direito a esta mesma pensão o filho menor e ela foi considerada como
tutor do filho.

12
Assim, a união de facto deve ser considerada por via da lei como uma figura que tem relevância
para efeitos de Segurança Social e não por via da interpretação analógica ou extensiva, evitando
deste modo interpretações disparas e antagónicas sobre o mesmo assunto.

5.3 Direito Comparado Sobre a Protecção dos Unidos de Facto na Segurança Social
A união de facto não é sui generes do ordenamento jurídico moçambicano, ele tem consagração
nos outros ordenamentos jurídicos como é o caso de Portugal18, onde neste País a lei dos unidos
de facto no seu artigo 4, prevêem que a pessoa unida de facto em caso da morte de um dos
companheiros, o companheiro sobrevivo tem o direito à casa da residência comum por um período
de 5 (cinco) anos, também tem o direito à metade dos bens que ambos constituíram. Assim sendo,
a pessoa unida de facto tem direito de poder usufruir da metade do valor que o companheiro morto
contribuiu na Segurança Social.

Este regime não protege integralmente os unidos de facto como sucede com o instituto de
casamento, mais pelo menos lhe atribui determinada eficácia jurídica que lhe protege em matéria
da união de facto em caso da morte do seu companheiro.

18
Vide também a Lei no 98/2009 de 4 de' Setembro, publicado aos 4 de Setembro, 13Serie, que Regulamenta o regime
de reparação de acidentes de trabalho e de doenças profissionais, incluindo a reabilitação e reintegração profissionais.

13
II. Conclusão
Ao longo do presente trabalho, procurou se discutir sobre a relevância da união de facto para fins
da Segurança Social, sendo que a pergunta de partida consubstanciou em procurar saber se as
pessoas unidas de facto, estão ou não contempladas para se beneficiar das pensões e outros direitos
da Segurança Social em nome próprio e não dos seus descendentes em caso da morte do seu
companheiro. Esta questão contemplou duas hipóteses, sendo que a primeira consagra que os
unidos de facto, tem a faculdade de se beneficiar da Segurança Social em caso da morte do seu
companheiro e outra contempla que os unidos de facto não têm a possibilidade de se beneficiar
dos direitos da Segurança Social.

Destas hipóteses surgiram duas correntes a que nega e a que aceita que os unidos de facto devem
ter direitos oriundos da Segurança Social. A corrente que aceita advoga que a Lei n.º 4/2007 no
tocante à Segurança Social obrigatória elenca os cônjuges e não as pessoas unidas de facto, sendo
que também que a lei é taxativa e imperativa, o que implica que não se pode fazer uma
interpretação ou procurar o sentido através da interpretação extensiva ou analógica. Por fim,
defendem que uma interpretação extensiva, pode dar lugar à várias interpretações antagónicas que
possibilitariam com que as relações de concubinato, poderiam também pretender beneficiar se
deste direito da Segurança Social.

Os que defendem que os unidos de facto estão contemplados, afirmam que não teria lógica o
Código Civil, estabelecer as várias formas de interpretação caso não fosse para serem usadas, dai
poder se fazer interpretação extensiva. Ademais, o direito de trabalho donde tem a génese o direito
da Segurança Social, é um Direito Privado, que apesar da sua autonomia do Direito Civil tem a
sua origem nesta área, por isso se estabelece no Código Civil o contrato de trabalho e este direito
não proíbe as interpretações e por via da analogia que se baseia na integração das lacunas, a união
deve ser equiparado ao casamento, para que o companheiro sobrevivo possa se beneficiar das
pensões relativas à Segurança Social como os cônjuges recebem.

Nós advogamos a última teoria, porque defende mais os direitos dos cidadãos e serve como o
reconhecimento dos direitos costumeiros, constitucionalmente consagrados, dai os unidos de facto
terem direito de se beneficiarem de pensões em caso da morte do seu companheiro.

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III. Resultados Esperados
1. Em primeira linha, aconselhar que o legislador ordinário, consagre a união de facto para
efeitos de benefícios de Segurança Social em caso da morte do seu companheiro;
2. A demais, de aconselhar que antes da sua regulamentação, os interpretes da lei equipare os
casados ou unidos de facto com o fim último de se proteger os direitos fundamentais dos
cidadãos;
3. Por fim que a união de facto, seja estendido para outras áreas jurídicas como são os casos
criminais, laborais, sucessões, como sucede na área da família.

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IV. Bibliografia
1. ANDRADE, Marcos, Direito de Trabalho e as Relações Jurídicas Laborais, Almedina,
Lisboa, 2013;
2. BOAVENTURA, Alfredo, O Direito de Trabalho e os Direitos dos Particulares, Verbo
Jurídico, Porto, 2ª Edição, 2009;
3. Departamento de Cooperação do Ministério da Segurança Social e do Trabalho de
Portugal; Segurança Social, Um Novo Consenso; Edição, Departamento de Cooperação
do Ministério da Segurança Social e do Trabalho de Portugal, Lisboa; 2002;
4. GOMES, Almeida, Direito da Família e das Sucessões, Atlas Editora, Coimbra Ed.,
Coimbra, 3ª Edição, 2006;
5. GONZALA, Maria; Direito da Família e das Sucessões; Almedina; Coimbra, 2008;

6. Instituto Nacional de Segurança Social; Segurança Social: Segundo Meio de


Distribuição da Riqueza Nacional; Segurança Social, Revista Trimestral, N.º 0 Jan. / Abr.
/99;
7. LAKATOS Eva Maria, MARCONI, Maria de Andrade, Metodologia Científica, Ciência
e Conhecimento Científico, Métodos Científicos, Teoria, Hipóteses e Variáveis, Atlas
Editora SA, 2ª Edição, São Paulo, 1991;
8. SANTOS, Boaventura Sousa, O Casamento e a União de Facto, Uma Paradigma da
Falência do Casamento, Almedina, Lisboa, 2009;
9. SANTOS, João Viera, Segurança Social: Segundo Meio de Distribuição da Riqueza
Nacional,Verbo Editora, Coimbra, 2000.

LEGISLAÇÃO
1. Código Civil de Moçambique aprovado pelo Decreto-Lei n.º47344, de 25 de Novembro de
1966 mandado a ultramar pela Portaria n.º 22869, de 4 de Setembro de 1967;
2. Lei n.º 4/2007 de 7 de Fevereiro;
3. Lei do Trabalho aprovado pela Lei 23/2007 de 1 de Agosto;
4. Lei da Família aprovada pela Lei n.º 10/2004.

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