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Esboço sobre a História do Ensino da Música no Brasil

O ensino da Música no Brasil, iniciou-se com a chegada dos Jesuítas ainda na época do Brasil
Colônia, visando o fornecimento de material humano para os ofícios religiosos. Os primeiros a
receber tal instrução foram os índios, que encantados com a nova maneira de produzir sons, se
entregaram de corpo e alma a nova fé que vinha com a música.
Apesar de possuírem uma cultura musical adequada ao seu desenvolvimento como sociedade,
o fascínio pela música européia, muito mais elaborada, foi o principal fator de aniquilação da
cultura indígena.

Na esquadra de Pedro Álvares Cabral, junto com frei Henrique de Coimbra, vieram o frei
Pedro Neto, cantor de ordens sacras e o frei Maffeo, organista que “exerceu grande influência no
espírito dos aborígenes por ocasião da primeira missa, havendo experiência certa de que o
demônio também se afugenta com a suavidade das harmonias”. (A Música no Brasil, Guilherme
Mello, Imprensa Nacional – Rio de janeiro RJ, 1947 - 2ª Edição)
Em 1549, chegam os primeiros jesuítas além destes dois freis, tendo a frente os Padres José de
Anchieta, Manuel da Nóbrega e Álvaro Lobo, que iriam se utilizar não só da música , mas também
do teatro para a catequese, onde as duas línguas iam sendo misturadas.

Porém, o primeiro músico a pisar em território brasileiro com a finalidade específica de


ensinar foi o cantor, ator e bandurrista português Francisco de Vacas (Portugal 1530? – Salvador
1590?), que em 1554 fechou contrato de 20$000 anuais com o Bispo Pero Sardinha para atuar
como professor de música no Colégio dos Jesuítas na Bahia. (Raízes da Música Popular Brasileira,
Ary Vasconcelos – Instituto Nacional do Livro/MEC Brasília 1977)
O Pe. Fernão Cardim, que aqui esteve entre 1583 e 1590, descrevendo algumas aldeias de
índios catequizados nos diz: “Em todas esta aldeias há escolas de contar, cantar e tanger; tudo
tomam bem e há já muitos que tangem flautas, violas, cravo e oficiam missas em cantos de órgão,
coisa que os pais estimam muito” (Tratados da Terra e Gente do Brasil, São Paulo, 1939 –
Companhia Editora Nacional)
Podemos ver que toda música feita no Brasil durante o século XVI era de cárter religioso.
Durante o século XVII poucas referências temos a respeito do ensino da música. Apenas uma
Lei Orgânica das aldeias indígenas, promulgada entre 1658 e 1661 determina o ensino do canto
aos índios.
A música religiosa continuou a ser a mais praticada, porém a música popular foi-se
estruturando e no fim do Período Colonial já conviviam a música popular e erudita, sendo que dois
gêneros se destacam dentro da música popular: a modinha (de influência portuguesa) e o lundu (de
influência africana).
No início do século XVIII com o aparecimento dos primeiros teatros, as manifestações
musicais vão-se tornando mais freqüentes não só no Rio e na Bahia, mas também em Minas, São
Paulo e Pernambuco.
Em 1739 no Seminário de Órfãos do Rio de Janeiro, além da Cartilha do ABC, ensinava-se
latim, instrumento e cantochão. Ainda no Rio, a fazenda de Sta. Cruz, ligada à igreja do mesmo
nome, era considerada um Conservatório, “pelo elevado padrão musical de seu ensino, onde havia
prática de orquestra, coros para ofícios religiosos e pequenas óperas”. (A Musicalização na
Escola – Emília D’Anniballe Janibelli Ed. Lidador, 1971)
Destaca-se nesta época a figura do Pe. José Maurício Nunes Garcia (1767-1830) que além de
músico prodigioso, é também professor de música. De início no Conservatório Sta. Cruz, onde
estudara, e depois em sua própria Escola, onde ensinava “a cantar sem fazer esforço”. (mesmo
livro)

Com a vinda da Côrte Portuguesa em 1808, multiplica-se a atividade musical no Brasil, e


torna-se necessário a criação de Escolas Leigas para o ensino da música. Chegam ao Brasil os
primeiros pianos.
A mais famosa foi fundada em 1833 por Francisco Manuel da Silva (autor do Hino Nacional):
a Sociedade Beneficente Musical, que se transformará em 1841 no Imperial Conservatório de
Música, em 1890 no Instituto Nacional de Música, em 1903 na Escola Nacional de Música da
Universidade do Brasil, e que hoje conhecemos como Escola de Música da UFRJ.
Apesar de todo apoio e incentivo às Artes em geral que a Côrte Portuguesa promoveu, só com
a República é que começou a preocupação séria de se ensinar música à população através do
Ensino Público, e somente em 1928, através da Lei 3.281 é que a música passa a ser ensinada em
todos os níveis através do “1º Programa de Música Vocal e Instrumental” elaborado pelo maestro
Francisco Braga.
Mas é a partir de 1932 com a criação da Superintendência de Educação Musical – SEMA
dirigida pelo maestro Heitor Villa Lobos ate 1942, que o ensino da música no Brasil ganha seu
grande impulso, com a edição de diversas coletâneas de canções apropriadas à Educação Musical,
e com a realização de diversos cursos de especialização e formação de professores de música.