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ESTADO DO RIO DE JANEIRO


PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
DÉCIMA TERCEIRA CÂMARA CÍVEL

APELAÇÃO CÍVEL Nº. 0013018-87.2013.8.19.0209


APELANTE: FABIANA GUIMARÃES DE OLIVEIRA
APELADO: GILMAR SABINO
RELATOR: JDS MARIA CELESTE P.C. JATAHY

Apelação Cível. Ação de Cobrança de Aluguéis e


encargos vencidos. Locação residencial. Autor alega
inadimplência da locatária aos termos do contrato.
Pedido contraposto formulado pela ré, de condenação
do autor ao pagamento de indenização por danos
materiais e morais, sob o argumento de que o imóvel
fora arrombado e seus pertences subtraídos pelo
locador. Sentença que julga parcialmente procedente o
pleito autoral, condenando a ré ao pagamento dos
aluguéis e encargos convencionados, excluída a multa
da cláusula 8 (oito) do contrato, até a data da efetiva
desocupação do imóvel, abatendo-se a caução que foi
paga pela demandada. Improcedência do pedido
contraposto. Recurso interposto pela parte ré,
postulando a reforma do julgado. Inadimplência
reconhecida pela locatária. Multa contratual, de 03
(três) vezes o valor do imóvel, por inadimplência da
obrigação de pagar os aluguéis, que não foi fixada pelo
magistrado de piso, por configurar bis in idem.
Ausência de comprovação, pela ré, de que realizou o
pagamento no valor de R$ 700,00 (setecentos reais), a
título de caução. Prova dos fatos constitutivos do
direito que deve ser produzida pela parte que os alega.
O Judiciário não pode intervir em favor da parte, a fim
de produzir a prova que requer. Confissão de dívida
referente aos valores devidos nos meses novembro e
dezembro de 2012 que não configura novação.
Ausência dos pressupostos aliquid novi (nova
obrigação) e animus novandi (intenção de inovar).
Continuidade dos termos avençados no contrato de
locação do imóvel. Entendimento do STJ no sentido de
que a simples composição, para permitir que o
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Processo nº. 0013018-87.2013.8.19.0209

MARIA CELESTE PINTO DE CASTRO JATAHY:8207 Assinado em 11/04/2018 17:20:57


Local: GAB. JDS. DES. MARIA CELESTE PINTO DE CASTRO JATAHY
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inadimplente pague a dívida, não importa em


novação. Precedentes. Registro de Ocorrência Policial
que não goza de presunção de veracidade, não sendo
suficiente a comprovar o alegado arrombamento do
imóvel, com retirada dos seus pertences pelo locador.
Ausência de outras provas neste sentido. Sentença que
se mantém. Gratuidade de justiça indeferida, ante a
ausência de comprovação, pela ré, de que não possui
condições de suportar as despesas do processo.
Majoração dos honorários advocatícios, com fulcro no
art. 85, §11 do CPC. NEGADO PROVIMENTO AO
RECURSO.
ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de apelação n.º 0013018-


87.2013.8.19.0209 interposta por FABIANA GUIMARÃES DE OLIVEIRA
figurando, como Apelado, GILMAR SABINO.

ACORDAM os Desembargadores que integram a Décima Terceira Câmara


Cível do Tribunal de Justiça Estado do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos,
em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.

RELATÓRIO

Trata-se de recurso interposto ante o julgado proferido nos autos da Ação


Ordinária de Cobrança de Aluguéis ajuizada por GILMAR SABINO em face de
FABIANA GUIMARÃES DE OLIVEIRA.

Na forma regimental (art. 92, §4º, do RITJERJ), adoto o relatório constante


da sentença (índice eletrônico nº 000407), que passo a transcrever:

“GILMAR SABINO, devidamente qualificado na inicial,


propõe ação de despejo cumulada com cobrança em face de
FABIANA GUIMARÃES DE OLIVEIRA, igualmente
qualificada, alegando, em síntese, que as partes firmaram
contrato de locação residencial do imóvel situado na Estrada
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dos Bandeirantes, nº 11.609, lote 9, quadra C, apartamento


201, Vargem Pequena, com início em novembro de 2012,
pelo valor mensal inicial de R$550,00 (quinhentos e
cinquenta reais), acrescido de R$ 20,00 (vinte reais) e taxa
de condomínio. Aduz que, no entanto, a Ré deixou de
cumprir o contrato, tendo firmado acordo e confissão de
dívida, também descumprido. Requer, portanto, a
antecipação da tutela para a imediata desocupação do
imóvel; a ser confirmada ao final, com a rescisão do contrato
de locação firmado entre as partes e a condenação da Ré ao
pagamento do débito referente aos aluguéis e demais
encargos vencidos, acrescidos de multa e juros, além dos
respectivos ônus da sucumbência. Pede gratuidade de
Justiça. Junta os documentos de fls. 10/30. Deferida a
gratuidade às fls. 34. Às fls. 40, informa o Autor que a Ré
abandonou o imóvel. Emenda da inicial às fls. 48/55 para
alterar o pedido para cobrança de alugueres e demais
encargos. Contestação às fls. 199/216, aduzindo, em síntese,
que nunca abandonou o imóvel locado, tendo sido dele
expulsa pelo Autor, sendo certo que deixou de pagar os
alugueres por questões alheias a sua vontade. Aponta que o
imóvel necessitava de pintura quando locado, razão pela
qual realizou tal serviço mediante abatimento do valor do
aluguel e esclarece que deixou pago, como caução, o valor de
R$ 700,00 (setecentos reais), mas que não recebeu da
administradora qualquer recibo referente a tal pagamento,
pretendendo comprovar o pagamento através de
testemunhas. Prossegue esclarecendo que veio a perder seu
emprego no mês de dezembro, razão pela qual deixou de
honrar com seus compromissos, tendo comparecido à
imobiliária para explicar o ocorrido e solicitar prazo para o
pagamento, mas, pressionada, acabou por assinar confissão
de dívida. Alega que terceira pessoa, para quem prestou
serviços, depositou na conta da patrona do Autor o valor de
R$ 650,00 (seiscentos e cinquenta reais), com o fim de quitar
o valor em aberto, mas que não possui mais contato com tal

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pessoa para comprovar o deposito, razão pela qual pretende a


expedição de ofício ao banco da patrona do Autor, para que
se apure se houve o referido depósito, no mês de janeiro.
Quanto ao suposto abandono do imóvel, esclarece que, no
dia 16.4.2013, após um exaustivo dia de buscas de emprego,
foi avisada por uma vizinha que haviam invadido seu
apartamento e trocado a fechadura, vindo a receber, logo em
seguida, uma ligação do próprio Autor informando que
havia mandado seu funcionário trocar a fechadura do
imóvel, para que ela não mais entrasse, em razão do atraso
no pagamento. Tal fato foi comunicado à Autoridade
Policial, tendo a Ré contratado um chaveiro para entrar no
apartamento e nele pernoitar. Esclarece que, no dia seguinte,
ao retornar novamente ao imóvel, foi surpreendida com a
porta arrombada, e ausência de diversos pertences, inclusive
documentos, fato que se repetiu por mais uma vez,
acarretando novos comunicados à Autoridade Policial.
Afirma que passou a temer por sua vida, sendo, portanto,
obrigada a deixar o imóvel, situação que lhe causou grande
trauma e prejuízos de ordem material. Apresenta, pois,
pedido contraposto para que haja a compensação pelos danos
materiais e morais sofridos. Pede gratuidade de Justiça.
Junta os documentos de fls.217/245. Ata de audiência de
conciliação (CPC/73, artigo 277) às fls. 248/250.
Manifestação do Autor às fls. 253/255. Despacho saneador
às fls. 293, irrecorrido. Decisão indeferindo a gratuidade
requerida pela Ré às fls. 344, irrecorrida. Ata de audiência
de instrução e julgamento às fls. 402/404, ocasião em que as
partes dispensaram a oitiva de suas testemunhas. Os autos
vieram conclusos para sentença em 19.6.2017. É o relatório.
Passo a decidir.”

A parte dispositiva da sentença foi lançada nos seguintes termos:


“Pelo exposto, JULGO PROCEDENTE, EM PARTE, o
pedido, para condenar a Ré ao pagamento dos aluguéis e
encargos convencionados, excluída a multa da cláusula 8,
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até a data da efetiva desocupação do imóvel, abatendo-se a


caução que foi paga, sendo os valores devidamente corrigidos
pelos índices divulgados pela Corregedoria Geral de Justiça e
acrescidos de juros moratórios de 1% (um por cento) ao mês,
contados dos respectivos vencimentos, e de multa moratória
de 10% (dez por cento) sobre o valor do débito. JULGO
IMPROCEDENTE o pedido contraposto, nos termos da
fundamentação supra. Considerando que a Ré decaiu da
quase totalidade do pedido, condeno-a, ainda, ao pagamento
das custas processuais e dos honorários advocatícios que fixo
em 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação.
Transitada em julgado e decorridos cinco dias sem
manifestação, dê-se baixa e arquive-se. Publique-se, registre-
se e intimem-se.”

Razões de recurso da ré – Índice Eletrônico nº 000413 - postulando a


reforma do julgado, para afastar a incidência da multa contratual, determinar a
correta compensação dos valores e limitar a condenação aos valores pactuados na
confissão de dívida, bem como para julgar procedentes os pedidos contrapostos.
Requer, ainda, o deferimento da gratuidade de justiça.

Não foram apresentadas contrarrazões pela parte autora, conforme se infere


da certidão do índex 000430.

É o relatório. Passo ao voto.

O recurso merece ser conhecido, pois se encontram presentes os


pressupostos de admissibilidade.

Versa a presente demanda sobre cobrança baseada na suposta


inadimplência da ré à obrigação de pagar os aluguéis e encargos vencidos,
referentes ao contrato de locação firmado pelas partes, que tem por objeto o imóvel
situado na Estrada dos Bandeirantes, nº 11.609, lote 9, quadra C, apartamento 201,
Vargem Pequena.

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Cumpre registrar, inicialmente, que o autor ajuizou a ação com o objetivo de


ver declarada a rescisão do contrato de locação, com o consequente decreto de
despejo da ré, e condenação ao pagamento dos aluguéis e encargos vencidos.
Todavia, o imóvel foi desocupado pela locatária dias após o ajuizamento, tendo
havido a perda de objeto do pedido de despejo, prosseguindo-se o feito somente
em relação aos demais pedidos.

Ao se manifestar nos autos, em sua peça de defesa, a ré reconhece que


deixou de pagar os aluguéis, mas afirma que seu imóvel fora invadido pelo autor,
que teria retirado de lá os seus pertences. Sustenta que não deve ser obrigada a
pagar a multa contratual, uma vez que não abandonou o imóvel, mas foi expulsa
do mesmo, e, ainda, que deve ser abatido do total cobrado pelo requerente o valor
de R$ 700,00 (setecentos reais), pagos a título de caução. Formula pedido
contraposto, requerendo a condenação do autor ao pagamento de indenização por
danos materiais e morais.

Proferida a sentença de mérito, insurge-se a parte ré contra o decisum.

Entendo que não assiste razão à recorrente.

Verifica-se, da análise dos autos, em especial pelo documento anexado no


indexador 000222, que autor e ré firmaram contrato de locação de imóvel
residencial, obrigando-se mutuamente ao cumprimento dos termos ali pactuados.

O autor afirma que a ré não cumpriu a obrigação de pagar os aluguéis


estipulados no contrato, bem como as despesas com o condomínio. Sustenta que
concedeu à ré a possibilidade de pagar parcelado o débito existente, referente aos
meses novembro e dezembro de 2012. Todavia, a locatária não quitou a dívida.

A ré reconhece que não quitou o débito, restando incontroversa a questão


concernente à obrigação de pagar os alugueres em atraso.

Bom registrar, por oportuno, que, embora tenha sido estabelecida multa
contratual no valor de 03 (três) vezes o valor do aluguel para os casos de infração,
por parte dos contratantes, o Juízo a quo corretamente afastou a sua incidência, por
configurar evidente bis in idem, uma vez que já fixada multa de 10% sobre o valor
do débito vencido (aluguel inadimplido).

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Assim, descabida a pretensão da recorrente no que concerne à exclusão da


multa.

Quanto à compensação dos valores, afirma a ré que realizou pagamento de


R$ 700,00 (setecentos reais), a título de caução, que devem ser abatidos do total
cobrado pelo requerente.

Todavia, a demandada não fez prova de que tenha efetivamente pago tal
importância.

Ressalte-se que o ônus de provar os fatos constitutivos do direito é daquele


que os alega, não competindo ao Judiciário intervir em favor da parte, no sentido
de perquirir acerca do efetivo recebimento da quantia pelo locador.

Não cabe ao Judiciário determinar diligências como a postulada pela ré,


obrigando as empresas privadas a fornecerem documentos que servirão de prova
na demanda.

Assim, não merece qualquer retoque a sentença que condenou a ré ao


pagamento dos aluguéis e de seus encargos, abatendo-se tão somente a caução
comprovadamente paga, no valor de R$ 400,00 (quatrocentos reais). A ré
reconhece, no acordo assinado com o autor (índex nº 000010 – fls. 29/30), ser
devedora da importância de R$ 700,00, referente à diferença do valor pactuado
como caução.

Vejamos a cláusula que estipula a referida garantia (índex nº 000010 – fls.


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Não há de prevalecer, ainda, a tese defensiva de que, firmada a confissão de


dívida, ocorreu a novação, devendo ser observados os termos do novo negócio
jurídico.

Ora, o que se tem no referido acordo (confissão de dívida) restringe-se aos


aluguéis dos meses novembro e dezembro de 2012, não modificando o contrato
inicial de locação firmado pelas partes.

Desta forma, a continuidade negocial é clara, sendo impossível falar-se em


novação, uma vez que o contrato de confissão ou renegociação da dívida é a
simples expressão do saldo devedor apurado em certo momento da relação
negocial entre as partes, permanecendo hígidas as demais cláusulas do contrato
locatício.

O total apurado refere-se aos valores dos aluguéis de novembro e


dezembro/2012, devidamente corrigidos e acrescidos de multa e juros moratórios,
mais a diferença do valor da caução (R$ 700,00), ainda devida. Exatamente o que
será considerado na apuração do débito da requerida.

De acordo com o art. 360 do Código Civil Brasileiro, a novação ocorre:

I - quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e


substituir a anterior;

II - quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este quite com o credor;

III - quando, em virtude de obrigação nova, outro credor é substituído ao


antigo, ficando o devedor quite com este.
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Como registra a doutrina civilista, "são requisitos ou pressupostos


caracterizadores da novação a existência de obrigação anterior (obligatio novandi), a
constituição de nova obrigação (aliquid novi) e o animus novandi (intenção de novar,
que pressupõe acordo de vontades)".1

Para que se configure novação deve haver algo que se exsurja de novo, o
que não ocorreu no caso dos autos, em que já se devia aquela importância. O que
se permitiu foi nada mais do que o parcelamento dos aluguéis do período
compreendido entre novembro e dezembro de 2012.

Aplica-se à hipótese o previsto no art. 361 do Código Civil:

Art. 361. Não havendo ânimo de novar, expresso ou tácito mas inequívoco, a
segunda obrigação confirma simplesmente a primeira.

O Superior Tribunal de Justiça já firmou o entendimento de que a simples


composição, para permitir que o inadimplente pague a dívida, não importa em
novação. Confira-se o julgado:

“DIREITO CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO


ESPECIAL. LOCAÇÃO. OFENSA AOS ARTS. 165, 458,
II E III, E 535, I E II, DO CPC. NÃO-OCORRÊNCIA.
ARTS. 145, V, E 146 DO CÓDIGO CIVIL DE 1916.
PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULAS
282/STF E 211/STJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
NOVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. PRECEDENTES.
FIANÇA. OUTORGA MARITAL. AUSÊNCIA.
ACORDO JUDICIAL. HOMOLOGAÇÃO NO JUÍZO
DA EXECUÇÃO. CONVALIDAÇÃO.
POSSIBILIDADE. VÍCIO DE CONSENTIMENTO.
AFERIÇÃO. MATÉRIA FÁTICA. EXAME.
IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO

GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: Teoria Geral das


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Obrigações. 7. Ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 331).


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JURISPRUDENCIAL. INEXISTÊNCIA. RECURSO


ESPECIAL CONHECIDO E IMPROVIDO. 1. Os
embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual
obscuridade, contradição ou omissão existentes na decisão
recorrida. Não há falar em ofensa aos arts. 165, 458, II, e III,
e 535, I e II, do CPC, quando o Tribunal de origem, como
ocorrido na espécie, pronuncia-se de forma clara e precisa
sobre a questão posta nos autos, assentando-se em
fundamentos suficientes para embasar a decisão.
2. A teor da pacífica e numerosa jurisprudência, para a
abertura da via especial, requer-se o prequestionamento,
ainda que implícito, da matéria infraconstitucional.
Hipótese em que a Corte estadual não emitiu nenhum juízo
de valor acerca dos arts. 145, V, e 146 do Código Civil de
1916, restando ausente seu necessário prequestionamento.
Incidência das Súmulas 282/STF e 211/STJ.
3. É firme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça
no sentido de que a simples composição para permitir que o
devedor inadimplente pague parcialmente a dívida não
implica novação. Precedente. 4. Tratando-se a fiança de ato
que visa apenas o interesse patrimonial dos cônjuges
(particular, portanto), não ferindo dispositivo de interesse
público, é possível que a ausência da outorga conjugal seja
sanada por meio da celebração de ato de vontade posterior.
5. Tendo o Tribunal a quo firmado a compreensão, com base
no conjunto probatório dos autos, no sentido de que não foi
comprovado o vício de consentimento dos recorrentes no
momento da celebração do acordo homologado nos autos da
execução, rever tal entendimento encontra óbice na Súmula
7/STJ.
6. Dissídio jurisprudencial não comprovado.
7. Recurso especial conhecido e improvido.”

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(REsp 826748 / SP – Relator: Ministro Arnaldo Esteves


Lima – QUINTA TURMA – Julgamento: 18/03/2008 –
Dje: 02/06/2008)(grifo nosso)

Colaciono julgado desta Corte no mesmo sentido:

0072197-55.2017.8.19.0000 - AGRAVO DE INSTRUMENTO

Des(a). JOSE ROBERTO PORTUGAL COMPASSO - Julgamento: 20/03/2018 - NONA CÂMARA CÍVEL

AGRAVO DE INSTRUMENTO. Ação de despejo cumulada com cobrança de aluguéis. Acordo celebrado
entre as partes homologado pelo Juízo. Decisão determinando a penhora sobre imóvel do fiador, não
acolhendo a alegação da impenhorabilidade por ser bem de família. Recurso dos fiadores. O Superior
Tribunal de Justiça já firmou o entendimento de que a simples composição para permitir que o
inadimplente pague a dívida não importa em novação. Higidez das cláusulas ajustadas no contrato de
locação. Não é oponível a impenhorabilidade por obrigação decorrente de fiança concedida em contrato
de locação. Inteligência do artigo 3º, VII, da Lei nº. 8.009/90. Em julgamento a recurso com repercussão
geral, o STF ratificou a constitucionalidade da penhora do bem de família do fiador de contrato locatício.
Sob o rito dos recursos repetitivos, o STJ firmou entendimento no sentido da legitimidade da penhora de
bem de família pertencente a fiador de contrato de locação. Súmula 549 STJ. Dupla garantia. Não constitui
dupla garantia quando os fiadores indicam, no próprio contrato de locação, imóvel para garantir a
obrigação assumida. Recurso a que se nega provimento.

0311408-82.2015.8.19.0001 - APELAÇÃO

Des(a). MAURO DICKSTEIN - Julgamento: 13/03/2018 - DÉCIMA SEXTA CÂMARA CÍVEL

APELAÇÃO. EMBARGOS À EXECUÇÃO LASTREADA EM CONTRATO DE LOCAÇÃO, DO QUAL O EMBARGANTE


CONSTA COMO FIADOR. INEXISTÊNCIA DA NOVAÇÃO INVOCADA. TERMO ADITIVO QUE ESTIPULA TÃO
SOMENTE A REDUÇÃO DO VALOR DO ALUGUEL, COM DISPOSIÇÃO EXPRESSA DE QUE CONTINUARIAM EM
VIGOR TODAS AS CLÁUSULAS DO CONTRATO ORIGINAL, SEM, EM NENHUM MOMENTO, REFERIR-SE À
NOVAÇÃO, VALE DIZER, A CONSTITUIÇÃO DE UMA NOVA OBRIGAÇÃO EM SUBSTITUIÇÃO À ANTERIOR, O
QUE IMPEDE O ACOLHIMENTO DA TESE QUE, EM VERDADE, AS PARTES PROCEDERAM ÀQUELA
MODALIDADE DE EXTINÇÃO DA RELAÇÃO. ANIMUS NOVANDI QUE É REQUISITO ESSENCIAL PARA A
EXISTÊNCIA DA NOVAÇÃO, PORQUANTO TAL FORMA EXTINTIVA EXIGE A RENÚNCIA AO CRÉDITO ANTIGO E
AOS DIREITOS ACESSÓRIOS QUE O ACOMPANHAVAM. ADEMAIS, A ALTERAÇÃO INTRODUZIDA, REDUZINDO
O VALOR DO ALUGUEL, CAMINHA EM DIREÇÃO AOS PRÓPRIOS INTERESSES DO EMBARGANTE, NÃO
IMPORTANDO NO AGRAVAMENTO DA GARANTIA, MAS SIM EM DIMINUIÇÃO DO ÔNUS. ALEGAÇÃO DE
CERCEAMENTO NO DIREITO DE DEFESA EM RAZÃO DO JULGAMENTO IMEDIATO DA LIDE. DECRETAÇÃO DE
NULIDADE DE ATOS PROCESSUAIS QUE DEPENDE DA NECESSIDADE DE EFETIVA DEMONSTRAÇÃO DE
PREJUÍZO DA PARTE INTERESSADA, POR PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO PAS DE NULITTÉ SANS GRIEF, O QUE
NÃO OCORREU NA ESPÉCIE. AUSÊNCIA DE PRODUÇÃO DE PROVA ORAL QUE NÃO DETERMINA, PORTANTO,
A NULIDADE DOS ATOS PROCESSUAIS PRATICADOS, IMPONDO-SE A SUA PRESERVAÇÃO E VALIDADE.
RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.

Quanto ao pedido contraposto, não logrou a ré comprovar que foi vítima do


arrombamento do imóvel, com a subtração dos seus pertences (móveis) pelo
locador.

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Como bem asseverou o magistrado sentenciante, o Registro de Ocorrência


lavrado na Delegacia de Polícia, a pedido da ré, não goza de presunção de
veracidade quanto aos fatos alegados, uma vez que não foi produzida qualquer
outra prova neste sentido.

Percebe-se que sequer foi vistoriada a residência da requerida, não havendo


prova do arrombamento ou do furto, tampouco de que o autor seria o responsável
pelo ocorrido.

Ressalte-se que na audiência de instrução e julgamento realizada no Juízo


de origem (índex nº 000404), a ré desiste da oitiva da testemunha arrolada no
processo.

Assim, não comprovado o ilícito atribuído ao autor, correta a improcedência


do pedido contraposto.

Por fim, devo apreciar o pedido de gratuidade de justiça, formulado pela


requerente, que não merece prosperar.

A simples alegação de impossibilidade de arcar com as despesas do


processo não caracteriza a necessidade financeira alegada pela requerente.

A alegação de hipossuficiência financeira constitui presunção iuris tantum e


não iure et de iure, competindo àquele que requer o benefício trazer aos autos
elementos mínimos que comprovem a necessidade financeira, sob pena de
desvirtuamento do instituto da gratuidade de justiça.

A ré teve oportunidade de fazer prova da situação de insuficiência de


recursos alegada, mas sequer acosta aos autos declaração do imposto de renda ou
qualquer comprovante de que não desempenha atividade remunerada, não sendo
suficiente a cópia da carteira de trabalho. A rescisão do contrato de trabalho está
datada de 21/07/2015, não havendo informação quanto à subsistência da
demandada.

Mesmo com o indeferimento da benesse pelo Juiz dirigente do processo, a


requerida persiste no intento, sem, contudo, trazer novos documentos que
justifiquem o pleito.

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Transcrevo julgado que versa sobre a matéria:

0008591-19.2018.8.19.0000 - AGRAVO DE INSTRUMENTO

Des(a). MARIO ASSIS GONÇALVES - Julgamento: 21/03/2018 - TERCEIRA CÂMARA CÍVEL

Agravo de instrumento. Ação indenizatória. Indeferimento do benefício da gratuidade de justiça. O


benefício da gratuidade de justiça foi criado para facilitar o acesso à justiça daqueles que não possuem
condições de arcar com o pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, sem
prejuízo do sustento próprio ou de sua família. Prevê o Código de Processo Civil vigente, em seu artigo
98, que o benefício da assistência judiciária deverá ser concedido à pessoa natural ou jurídica, com
insuficiência de recursos para pagar as custas e despesas processuais. Da análise dos autos principais
(processo nº 0009847-21.2017.8.19.0068), embora a agravante alegue que não possui condições de arcar
com as despesas processuais, verifica-se que a recorrente possui empresa, localizada no município
agravado, com cerca de 08 funcionários, o que demonstra que a mesma se encontra em patamar superior
à média do trabalhador brasileiro. Com efeito, a documentação apresentada pela recorrente não tem o
condão de fazer prova inequívoca de seu estado de hipossuficiência financeira, não restando
comprovado nos autos que arcar com as custas judiciais lhe prejudicará o sustento. Além disso, não
trouxe a recorrente nenhum argumento novo que pudesse infirmar a conclusão do juízo, tendo a
agravante apenas repisado as alegações e documentos já constantes na exordial. Assim, forçoso convir
que o recorrente não se enquadra na situação de hipossuficiência financeira estabelecida pela Lei nº
1.060/50. Precedentes. Recurso ao qual se nega provimento.

Dessa forma, indefiro a gratuidade requerida, eis que não comprovada a


hipossuficiência financeira da ré.

Diante do exposto, meu voto é no sentido de se NEGAR PROVIMENTO AO


APELO DA PARTE RÉ, mantendo-se a sentença tal como lançada, majorando-se,
contudo, os honorários advocatícios para 15% sobre o valor da condenação, com
fulcro no art. 85, §11 do CPC.

Rio de Janeiro, na data do julgamento.

MARIA CELESTE P.C. JATAHY


Juiz de Direito de Entrância Especial
Substituto de Segundo Grau

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(M)
Processo nº. 0013018-87.2013.8.19.0209