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ROBERTO MOREIRA DE ALMEIDA

Cmso de
DIREITO
ELEITORAL
CONFORME
NOVO
CPC
11- edição I revista, atualizada e ampliada

2017

1^1 EDITORA
m p o d iv m
www.editorajuspodivm .com.br
1^1 EDITORA
yusPODIVM
www.editorajuspodivm.com.br

Rua Mato Grosso, 175 - Pituba, CEP‘.41830*15t - Salvador - Bahia


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Conselho Editorial: Eduardo Viana Portela Neves, Dirley da Cunha Jr., Leonardo de Medeiros Garcia, Fredie
Didier Jr., José Henrique Moula, José Marcelo Vigliar, Marcos Ehrhardl Júnior, Nestor Távora, Robério Nunes
Filho, Roberval Rocha Ferreira Filho, Rodolfo Pamplona Filho, Rodrigo Reis Mazzei e Rogério Sanches Cunha.

Capa (Adaptaçõo): Ana Caquetti

Almeida, Roberto Moreira de.


Curso de direito eleitoral / Roberto Moreira de Almeida - 11. ed. rev. ampi. e atuai.
- Salvador: JusPODIVM, 2017.
896 p.

Bibliografia.
ISBN 978-85-442-1133>5.

1, Direito eleitoral. I. Título.

C D D 341.28

Todos 05 direitos desta edição reservados à Edições JusPODIVM.


é terminantemente proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio ou processo,
sem a expressa autorização do autor e da Edições JusPODIVM. A violação dos direitos autorais caracteriza
crime descrito na legislação em vigor, sem prejuízo das sanções civis cabíveis.
S obre o A utor

- Mestre e Doutor em Ciências Jurídicas.


- Membro do Ministério Público Federal (Procurador Regional da República)
- Ex-Membro do Ministério Público Federal em São Paulo/SP.
- Ex-Procurador Regional Eleitoral.
- Ex-Promotor de Justiça Eleitoral.
- Professor Universitário (cursos de graduação e pós-graduação).
- Professor da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU).
- Professor, nos últimos quinze anos, em cursos preparatórios para ingresso nas carreiras jurídicas e
exames da Ordem dos Advogados do Brasil em diversos estados da federação brasileira.
- Conferencista em congressos, simpósios e seminários nacionais e internacionais.
- Graduado em Direito e Engenharia Civil e Licenciado em Ciências.
- Orador oficial das turmas de Direito e de Engenharia Civil e na conclusão do Curso Preparatório à
Magistratura.
Pós-Graduação èm Direito Constitucional Comparado pela Universidade Lusíada do Porto - Portu­
gal.
Pós-Graduação em Direitos Humanos e Sistema Penitenciário pela UNICRI ("United Nations Interre­
gional Crime and Justice Research Institute") -Turim-Itália.
- Aprovado e nomeado em diversos concursos públicos na área jurídica, tais como: Ministério Público
estadual e federal, magistratura estadual, professor universitário de universidade federal, procura­
dor autárquico (hoje procurador federal), dentre outros.
- Autor de diversos artigos jurídicos publicados em revistas e jornais especializados.
Autor dos seguintes livros e mais de uma centena de artigos publicados em jornais e revistas:
1) L ei Antitruste - 10 anos de combate ao abuso do poder econômico. Belo Horizonte: Del Rey, 2005
(participação coletiva);
2) Ação Civil Público - 20 anos da Lei n? 7.347/85. Belo Horizonte: Del Rey, 2006 (participação coletiva);
3) Político Nacional do Meio Ambiente - 25 anos da Lei n» 6.938/1981. Belo Horizonte: Del Rey, 2007
(participação coletiva);
4) Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional - 20 anos da Lei nS 7.492/86. Belo Horizonte: Del Rey,
2007 (participação coletiva);
5) Teoria Geral do Processo: civil, penal e trabalhista. São Paulo: Método, 2013 (4.8 edição) (autoria
individual);
6) Curso de Direito Eleitoral. Salvador: JusPodivm, 2012 (88 edição) (autoria individual);
7) Direito Penal paro Concursos e OAB: Parte Geral. São Paulo: Método, 2010 (autoria individual).
8) Questões Comentadas CESPE de Direito Eleitoral. Salvador: JusPodivm, 2011 (autoria individual)
9) Temas de Direito Eleitoral no Século XXL Brasilia: ESMPU, 2012 (autoria coletiva).
10) Temas Aprofundados do Ministério Público Federal. 2® Ed. Salvador: JusPodivm, 2013 (autoria coletiva).
Agradecim entos
Ao Grande Arquiteto do Universo, sobretudo
pela existência e plenitude de vida;
Aos editores da Juspodivm, na pessoa de
Ricardo Didier, por acreditarem no
êxito do presente labor; e
A todos aqueles que direta ou indiretamente
contribuíram para a conclusão do livro ora
apresentado à comunidade jurídica brasileira.

D edicatória
Dedico este livro
Aos meus pais, Antônio F. de Almeida
e Terezita Moreira de Almeida (“in memo­
riam”), bem como a todos os amados fami­
liares que tornaram viável o meu aprendizado
de direito e pelas inúmeras lições de vida e de
companheirismo ao longo desses longos anos.
A Magaly Agnes Almeida, minha mu­
lher, Mayara Rayanne Almeida e Antônio Al­
meida Neto, meus filhos, pelo integral apoio
e pelo tempo deles roubado para a feitura do
presente trabalho e
Aos meus alunos e mestres de ontem,
de hoje e de amanhã.
N ota do autor
À 11 .» EDIÇÃO

Caro(a) leitor(a),
A décima edição do Curso de D ireito Eleitoral, com duas tiragens, para nossa alegria, em
pouco menos de um ano, se esgotou.
A mutabilidade e a dinâmica do Direito Eleitoral brasileiro, sobremdo após a realização das
eleições municipais de 2016 (primeiro e segundo turnos), nos impuseram que realizássemos uma
ampla revisão, correção de alguns pontos e ampliação da obra, com o afã de que possa servir mais.
e melhor aos operadores do Direito e cidadãos em geral que, direta ou indiretamente, atuam
ou aplicam institutos eleitoralísticos no dia a dia, sejam, entre outros, meros eleitores, eventuais
candidatos ou ocupantes de um munus público (magistrados, membros do Ministério Público,
advogados públicos e privados, professores universitários e serventuários da Justiça Eleitoral).
As leis eleitorais n .° 13.107, de 24 de março de 2015, e n .° 13.165, de 29 de setembro de
2015, foram aplicadas pela primeira vez e promoveram, dentre outras, as seguintes alterações ao
processo eleitoral: a) filiação partidária: prazo reduzido para seis meses antes das eleições (o
cidadão, nas eleições anteriores, precisava estar filiado há pelo menos um ano antes do pleito); b)
convenção partidária: tradicionalmente, as convenções para escolha de candidatos e deliberação
acerca de coligações ocorriam entre 10 (dez) e 3 0 (trinta) de junho do ano do pleito, porém,
a partir das eleições municipais de 2016, já ocorreram entre 20 (vinte) de julho e 5 (cinco) de
agosto; c) registro de candidaturas: os pedidos de registro de candidatos passaram a ser formu­
lados à Justiça Eleitoral até 19h do dia 15 de agosto; d) propaganda eleitoral: houve redução da
campanha eleitoral de 90 (noventa) para 45 (quarenta e cinco) dias, iniciando-se não mais em
6 (seis) de julho, mas a partir de 16 (dezesseis) de agosto; e) idade mínima: para candidatos a
Vereador, a idade mínima de 18 (dezoito) anos passou a ser aferida na data-limite para o pedido
de registro de candidatura, não mais na data da posse; f) doações por pessoas jurídicas: as
eleições de 2016 foram a primeira a não mais admitir doações de campanha advindas de pessoas
jurídicas; g) administração financeira da campanha: o candidato passou a fazer, ele próprio ou
através de pessoa por ele designada (extinguiu-se a figura do comitê financeiro), a administração
financeira de sua campanha, seja por utilizar recursos próprios, doações de pessoas naturais ou
recursos oriundos do Fundo Partidário; h) infidelidade partidária: revogou-se parcialmente a
Resolução T S E n.° 22.610, sendo fixado, inclusive, o direito à mudança de partido, sem prejuízo
do mandato, no período de trinta dias (janela) antes do término do prazo de filiação partidária; i)
limite de gastos: houve adoção de critérios objetivos para cada eleição, cargo eletivo pleiteado e
quantidade de eleitores como parâmetros para a fixação, por lei, do limite de gastos por candidatos
nas campanhas eleitorais; j) novas elei0es: em caso de indeferimento de registro, cassação do
diploma ou perda do mandato eletivo em pleito majoritário, decretado pela Justiça Eleitoral, viu-se
a necessidade de realização de novas eleições, independentemente do número de votos anulados;
k) desobrigação de prestação de'contas: os órgãos partidários municipais, sem movimentação
financeira, ficaram desobrigados da prestação de contas, mas, no prazo legal, devem declarar a
ausência de movimentação de recursos; 1) eleições proporcionais: adotou-se novo parâmetro
CU RSO D E DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

para a obtenção do cálculo para a escolha dos eleitos em eleição proporcional; m) desaprovação
das contas: estabeleceu-se uma única punição aos partidos políticos, em caso de desaprovação
das contas, qual seja a devolução da importância recebida irregularmente, salvo no caso de não
apresentação da prestação de contas (nesta hipótese pune-se também com a suspensão do repasse
das cotas do fundo partidário); e n) novos partidos políticos: foram fixadas r ^ ta s mais rígidas
para a criação de novas agremiações partidárias.
Por seu turno, com a entrada em vigor da Lei n .° 13.105, de 16 de março de 2015 (Código
de Processo Civil), em março de 2016, foi necessário atualizar a obra ao novo diploma legal pro­
cessual. Para o novo C PC, adotamos a sigla N C P C em razão da necessidade de distingui-lo do
vetusto instrumento normativo processual.
Por outro ângulo, para facilitar a leitura e plena compreensão dos diversos assuntos tratados,
resolvemos inserir novos quadros esquemáticos, novas indagações didáticas (com as respectivas
respostas) e nova jurisprudência do ano de 2016.
Não esquecemos, outrossim, de manter na obra assuntos de alta indagação já cobrados em
concursos públicos recentes, tais como, somente para exemplificar, a “teoria da conta e risco” , a
“teoria dos votos engavetados” e a “teoria da vedação do prefeito itinerante”, entre outras.
Por oportuno, também acrescentamos em cada capítulo questões extras de concursos públicos
realizados no ano de 2016, algumas de alta complexidade, com os respectivos gabaritos oficiais
e comentários.
Ademais, no Anexo II, também a pedido de leitores, fizemos constar o inteiro teor das úl­
timas 16 (dezesseis) provas objetivas e discursivas aplicadas pelo Ministério Público Federal para
o cargo de Procurador da República, com o respectivo gabarito oficial ao final, acrescentamos o
conteúdo programático de Direito Eleitoral oficialmente adotado para o 29® Concurso do MPF,
a se realizar entre os anos de 2016 e 2017.
Por fim, fizemos inserir, no Anexo I, ao lado das súmulas editadas pelo Tribunal Superior
Eleitoral, aquelas elaboradas pelo Supremo Tribunal Federal que, direta ou indiretamente, são
aplicáveis às ações e recursos eleitorais.
N o Anexo V, mantivemos o Calendário Eleitoral para as eleições de 2016 (Resolução T S E n.°
23.450, de 10 de novembro de 2015), eis que há matérias disciplinadas até dezembro de 2017.
As revisões, ampliações e atualizações levadas a cabo nessa jornada, contudo, em nada alte­
raram o essencial do livro, qual seja, tal qual nas edições anteriores, estudar o Direito Eleitoral de
forma clara, didática e objetiva.
Esperamos continuar a receber de você, ilustre leitor(a), a quem desde já ^radecem os por sua
opinião, crítica ou mensagem, as quais serão muito bem-vindas e servirão para que continuemos
a aprimorar a presente ferramenta de estudo do Direito Eleitoral.
Que o Grande Arquiteto do Universo o(a) ilumine.
Paz e bem.

10
A presentação

Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do quintal.
Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de estimação. Aproximou-se
vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com suas amadas aves,
disse-lhe:
- Oh, bucéfalo anácroto! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos emplumados bípedes
palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito de minha residência, le­
vando meus oviparos à sorrelfa e à socapa. Se fizeres isso por necessidade, transijo; mas se é para
zombares da minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala
fosfórica bem no alto de tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima
potência que o vulgo denomina a partícula insignificante do átomo!
E o ladrão, sem pestanejar, respondeu ao mestre baiano:
- Senhor, eu deixo ou levo os patos?!
Da leitura do folclórico diálogo acima transcrito, verificamos que a linguagem rebuscada do
Águia de Haia foi inadequada para a ocasião. Redundou em uma total ausência de compreensão
do enunciado.
Infelizmente encontramos dificuldades de compreensão também em certas obras jurídicas,
que parecem ter sido escritas apenas e tão-somente para pessoas muito eruditas. São obras quase
que incompreensíveis para muitos.
Na feitura do presente trabalho, diversamente, resultado de labores acadêmicos e de esquemas
de aulas por mim ministradas ao longo de vários anos em cursos de graduação, pós-graduação e
em cursos preparatórios a concursos na área jurídica, optamos por uma linguagem direta, ciara,
objetiva e sem rebuscamento.
Destina-se a obra a servir aos operadores do direito, aos estudantes, aos candidatos a concur­
sos públicos e à comunidade jurídica, bem como aos brasileiros em geral, como instrumento de
pesquisa e objeto facilitador do estudo dos principais institutos jurídicos relacionados ao Direito
Eleitoral brasileiro.
Em cada capítulo, após o estudo da matéria, inserimos uma sinopse e exercícios de fixação, na
maioria questões extraídas de concursos públicos e exames da Ordem dos Advogados do Brasil, com
as respectivas respostas, com vistas a que o leitor possa aferir a compreensão do assunto ministrado.
Aguardamos receber do público leitor as sugestões e críticas para o aprimoramento da pre­
sente obra.
Contatos eventuais com o autor poderão ser feitos através do e-mail: r.m.a.2007@hotmail.
com ou do site da editora: www.editorajuspodivm.com.br.
ROBERTO MOREIRA DE ALMEIDA
www.editorajmpodivm.com.br
r. m .a.2007@ hotm ail. com

11
P refácio

Quanto ainda precisamos conquistar, em termps de democracia, em nosso Brasil?


Atingimos estabilidade política e econômica, inelhoramos significativamente os índices de
qualidade de vida e desenvolvemos um dos mais modernos e seguros sistemas de votação do
m undo, de abrangência nacional, com larga acessibilidade e que proporciona rápida apuração
dos resultados. Contudo, ao lado dessa tecnolog^aVavançada, ainda estão presentes resquícios
incôrnodos de um a cultura política patrimonialista,^^ronelista, atrasada.
Boavetitura de Sousa S ^ t o s adverte que a “fiu s^ ç ã o sistemática das expectativas democráticas
pode levar à desistência da democracia é, com isso, aSdesistência da crença no papel do direito na •
construção da dem ocraci^. E - continua —“esse t r ^ c o resultado é tanto mais provável quanto
maiores forem as desigualdades sociais è á consciência social da injustiça que representam”.
O desenvolvimento de um reginie dcnnocrátibo sólido passa pelo amadurecimento e pe
constante renovação do compromisso nacional reasum ido há pouco mais de vinte anos. Assim,
se não mais cabe uma yisáp idealizada de democracia —que já nasceria completa de sua previsão
na Cpnstituição tambein è preciso acreditar ná possibilidade real de construí-la, pois é essa
crença que nos move na luta cotidiana contra todas as nocivas modalidades de contaminação do
processo eleitoral, tais como abusos de poder polítio) e econômico, fraudes, corrupção e captação
"ilícita de .votos.'^'--'i 'j,;.^
D em ocracia requeriexpèrim êntaçáo e criatividade - social e institucional - m as não
apenas isso. A am pliação do repertório de práticas públicas possibilita m aior m argem de
atuação diante de eventuais problemas, tanto para o Estado, quanto para a sociedade civil,
que deve “apropriar-se” da democracia com o valor seu, perene e presente em diversos espa­
ços de coexistência social e na vida pública, e não apenas nos m om entos de renovação dos
quadros dirigentes.
Para que isso se realize de modo efetivo, exigem-se, também, o amadurecimento e o aprimo­
ramento permanente das |institu|ções, porque não há evolução sem aprendizado.
É certo que não cabé ap Direito substituir a Política e sim permitir que ela se desenvolva de
acordo com os compromissos assumidos em nossa Constituição, de forma atenta aos princípios
republicanos, aos direitos humanos e à liberdade política.
Astim, pode-se dizerjque o direito eleitoral - em intenso diálogo com o direito constitucional,
a ciência política, a sociologia e com outros ramos do conhecimento rr, cumpre relevantíssimo
papel de guarnecer a democracia, fornecendo, com seu arcabouço teórico e normativo, o instru­
mental necessário a assegurar a lisura do processo eleitoral, contribuindo decisiyamente para a
legitimação da representação política e para o fbrralecimento da democracia.
Neste contexto, é de celebrar-se o minucioso estudo realizado pelo estimado colega Roberto
Moreira de Almeida, Procurador Re^onal da República, que, a partir de sua experiência institucional
no Ministério Público Federal, desenvolve oportunas reflexões sobre variados aspectos do direito
eleitoral, oferecendo, com isso, sua colaboração para a realização da legitimidade democrática.

13
CURSO DE DIREITO B L B I O H M - Roberto Moreira de Almeida

Ao tempo cm que me congratulo com a Editora JusPcJtlivm pela oportuna publicação, felicito
o autor pela excelente obra.
ROBERTO MONTEIRO GURGEL DOS SANTOS
Ex-Procurador Geral da República
Ex-Procurador Geral Eleitoral
Ex-Presidente do Conselho Nacional do Ministério Público (C NM P)

14
N ota de um I lustre L eitor

o procurador Roberto Moreira de Almeida é detentor de respeitável pluralidade. Divide


entre intensas atividades no Ministério Público Federal c na Docência.
E vai além, desafiando o poeta romano Ovidius, que considerou “o tempo devorador de
coisas” , Dr. Roberto Moreira incursiona com descortino pela literatura jurídica.
O seu livro “Curso de Direito Eleitoral” é abrangente e esgota aspectos conceituais, ma
riais e processuais. Estão contidas nesta obra, abordagens, inclusive, sobre a legislação eleitoral e
jurisprudência as mais atualizadas.
Trata-se de um instrumento valioso para estudantes e operadores do direito, isto porque, a
visão imersa no arguto trabalho não é tão somente a do “parquet”, unicamente a do professor,
mas, sobretudo, a de jurista comprometido com a discussão hígida.
Antes de arrematar, em forma de verso, náo poderia deixar de vaticinar;
O D IR EIT O ELEITO RAL
É D IF ÍC IL E C O M PLIC A D O
MAS C O M RO BERTO M O REIRA
É D E FÁCIL A PREN D IZ A D O
Felicito, destarte, o autor pela obra, ao tempo em que auguro boa leitura aos brasileiros que
tiverem o prazer e o privilégio de conhecê-la e de desfrutar dos ensinamentos do ilustre Mestre.
Cam pina Grande, dezembro de 2011.
RONALDO CUNFIA LIMA'

Ex-G overnador d o Estad o da Paraíba, Ex-Senador da República, ex-Deputado Federai e ex-Prefeíto de Cam pina
Grande. Foi poeta e m em bro da Academ ia Paraibana de Letras. Faleceu em 07 de julho d e 2012.

15
S umário

ÍNDICE DE Q U E ST Õ E S......................... 33 3.2. Jurisprudência selecionada........ 59

CAPÍTULO I 4. QUE5TÕES DE EX AM ES E C O N CU RSO S. 61


INTRO DU ÇÃO AO 4.1. Questões extras......................... 63
DIREITO ELEITO RA L........................... 43
5. G A B A R IT O .................................... 64
1. INTRO DU Ç ÃO AO DIREITO ELEITORAL. 43
1.1. Conceito de Direito Eleitoral......... 43 CAPÍTULO II
1.2. Objeto.................................... 44 N A C IO N A L ID A D E ............................... 67

1.3. Taxonomia e autonomia.............. 44 1. N AC IO N A LID AD E......................... 67

1.4. Fontes.................................... 45 1.1. Conceito................................. 67

1.4.1. Fontes diretas..................... 45 1.2. Distinção entre nacionalidade e


cidadania..................................... 67
1.4.2. Fontes indiretas................... 47
1.3. Termos Jurídicos relacionados à
1.5. Codificações eleitorais................ 49
nacionaiidade................................ 68
1.6. Competência legislativa............... 51 1.3.1. Povo................................ 68
1.7. Princípios do Direito Eleitoral........ 51 1.3.2. População.......................... 68
1.7.1. Conceito de princípio............ 51 1.3.3. Nação.............................. 68
1.7.2. Princípios do Direito 1.3.4. Estado.............................. 68
Eleitoral em espécie..................... 52
1.4. Espécies de nacionalidade............ 68
1.7.2.1. Princípio da anualidade
1.4.1. Nacionalidade originária....... 68
ou da anterioridade da lei eleitoral 52
1.4.2. Nacionalidade derivada........ 68
1.7.2.2. Princípio da celeridade.... S3
1.5. Critérios para a obtenção da
1.7.2.3. Principio da nacionalidade originária.................... 68
periodicidade da investidura
1.5.1. Critério do jus soli (local do
das funções eleitorais................ 54
nascimento).............................. 69
1.7.2.4. Princípio da lisura das
1.5.2. Critério do jus sanguinis
eleições ou da isonomia de (fator sanguíneo)......................... 69
oportunidades....................... 55
1.6. Critérios adotados pelo Brasil........ 69
1.7.2.5. Princípio da
responsabilidade solidária entre 1.7. Nacionalidade derivada............... 70
candidatos e partidos políticos.... 56 1.7.1. Noção.............................. 70
2. S IN O P S E ............................. i. ........... 58 1.7.2. Requisitos para a aquisição
da nacionalidade derivada no Brasil... 70
3. PARA CONHECER A JURISPRUDÊNCIA.. 58
1.7.3. Situação jurídica dos
3.1. Informativos.......................... 58 portugueses residentes no Brasil..... 70

17
CU RSO D E DIREtTO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

1.8. Diferenças entre brasileiros natos •i.3.2.1. Conceito .................... 91


e naturalizados............... .......... . 71
I.3.2.2. Condições de elegibilidade 92
1.8.1. Tratamento diferenciado
1.3.3. Inelegibilidade.................... 96
para a ocupação de certos cargos
(CF, art. 12, § 3S)......................... 71 1.3.3.1. Cofrceito..................... 96
1.8.2. Tratamento diferenciado 1.3.3.2. CaSos de inelegibilidade.... 96
para o exercício de funções
relevantes................................ 72 1.3.3.3. Desincompatibilização.....128
1.8.3. Tratamento diferenciado 1.3.3.3.1. Conceito 7......;................ 128
para a propriedade de empresa
JòrifeíístiÈã'e 'der radiodiftj^ó de 1.3.3.3.2. Finalidade....... . 128
sons e imagens.......... .................. 72
1.33.3.3. Heterodesincompati-
1.8.4; Tratamento diferenciado bilização e àütodesincompatibili-
para ã extradição..........__.„7.....;...;.... 72 za^ò;.;.;;í.ip.aí;........................ ;128
1.9. Perda da nacionalidade............... 73 1.3.3.3.4. Dèsincompatibilizaçâo
1.9.1. Perda da nacionalidade : definitiva é temporária.... ...........129
por exercício de atividade
1.3.3.3.5. Tabela resumo de
nochra aò interesse n ã d ó n á í{é lv'
art. 12, § 4fi, I ) ...... .............. . 73 desinconrpátibiliífeçãò...;............. 129

1.9.2. Perda pOr aquisição ^ 1.3.4. Reelegibilídade........ .7.......— ... 129


voluntária de òütra naciònalidade... 73 1.3.4.1. Conceito... .......... 129
1.10. Vocabulário................ 73 1.3.4.2. Hipóteses constitucionais.. 130
2. S IN O P S E ................................. 73 1.3.5. Privação dos direitos políticos... 131
3. PARA CONHECER A JURISPRUDÊNCIA.. 75 I.3.5.I. IntTÒdúçáo.;.;....!;..;........ 131
3.1. Informativos...... í ;/..;í ...>...7....... <... 75 1.3.S.27 fiipótêses legais................. 131
3.2. Jurisprudência seledonãda;....;......... 76 1.3.67 Direitos políticos dós militares.. 135
4. QUESTÕES DE EX A M ES E CONCURSOS. 78 1.3.7. DiréítòS políticos dos
magistrados.......................... 136
4.1. Questões extras ;.............. 81
1.3:87 Dírèítól políticos dos
5. G ABARITO .... 82 mêmbros dá triBünais dê Contas......136
1.3.9. Direitos políticos dos
C A P ÍT U L O III membros do Ministério PúbíiCo........ 137
D IR E IT O S POLÍTICOS......;........;...;...;;;.... 85
1.4. Político Ficha L i m p a .. 138
1. DIREITOS POLÍTICOS;..;. 85
1.4.1. O r i g e h t . 7 ....;........ 138
1.1. Conceito...................... 85
1.4.2; Legislação................... 138
1.2. Democracia. .... ...;.....í ......í .;.í ... 86 1.4.3. Aplicabilidade imediata......... 138
1.3. M od a lid a d es................ . 87 1.4.4. Efeito Suspensive................. 143
1.3.1. Direitos polídçps ativos 1.4.5. Aditaníento recursal.............. 144
(capacidade eleitoraíativa);........... 88
1.4.6. Elegibilidade mantida.............. 144
1.3.1.1. Conceito...... 88
1.4.7. Quadro resumido.......146
1.3.1.2; Sufrágio 88
2. SIN O PSE ;.;......;.;í ..v.;....í .;;..148
1,3.2. Direitos políticpspassivos
(capacidade eleitoral passiva)',.y^.y..... 91 3. PARA CONHECER A JURISPRUDÊNCIA..150

18
SU M AR IO

3.1. Súmulas TSE.................................. 150 2. S IN O P S E ...................................... 203


3.2. Informativos............... 152 3. P ARA CONHECER A JURISPRUDÊNCIA..204
3.3. Jurisprudência selecionada............ 156 3.1. Súmulas do TSE..........................204
4. QUESTÕES DE E X A M E S E CÒNCURSOS.157 3.2. Informativos............................. 204
4.1. Questões extras.............;....... 168 3.3. Jurisprudência selecionada............210
5. G A B A R IT O .................. 170 4. QUESTÕES DE E X A M ES E CONCURSOS.210
CAPÍTULO IV 4.1. Questões extras......................... 218
PARTIDOS POLÍTICOS 179
5. G A B A R IT O .................................... 219
1. PAEÍTI D O S POLÍTICOS.....,...:............179
i;i. ConceitPi.i;;..v;.vi.,..,.;.vii.;;.............. 179 CAPÍTULO V
JIJSTIÇA
1.2. Natureza jurídica........ ..j............... 182
ELEITORAL......... ..............................225
1.3. Finalidade...... ;.!..;......ií;........... . 183
1. JUSTIÇA ELEITORAL...................... 225
1.4. Sistemas partidários. .............. 183
1.1. O rige m ........... 225
1.5. Regramento constitíicional............184
1.2. Garantias e vedações da
1.6. Autonomia partidária...................186 magistratura em geral e da
1.7. Recursos do fundo partidário e magistratura eleitoral....................... 225
propaganda gratuita no rádio e na T V ... 187 1.2.1. Garantias........................... 225
1.7.1. Fúrido partidário í .í ;í ;.;;í /.:;........187 1.2.1.1. Vitaliciedade................ 225
1.7.2. Acesso gratuito áo rádio e à
1.2.1.2. Inamovibilidade............. 226
televisão........................... 190
1.2.1.3. Irredutibilidade de
1.8. Atuais partidos políticos brasileiros . 191
subsidio ................................ 226
1.9. Infídelidádè pàrddária pôr
1.2.2. Vedações............. 227
fixação Jurisprudencial........... 195
1.9.1, Noções gerais.........i.......;...... 195 1.2.2. Í. Exercèr, ainda que
em disponibilidade^ outro
1Í9.2. Constitucionàlidadé^da
cargo ou função, salvo uma de
Resolução TSE n,2 22.610/Ú7............... 197
magistério..............................227
1.9.3. Legitimidade ativa e prazo
para a propositura da ação..... 197 1.2.2.2. Receber, a qualquér
título ou pretexto, custas ou
1.9.4. Tutela antecipadai.;;,.... ......... 198
participação em processo, bem
1.9.5. HipóteseS;idè justa causa;....... 198 como auxílios ou contribuições
1.9.6. Competência 199 de pessoas físicas, entidades
públicas ou privadas,
1.9.7. Atuação dò Ministério
Público Eleitoral ;..... ..^víí............... 199 ressalvadas as exceções
previstas em lei.............. 227
1.9.8. Procedimento 199
1.2.2.3. Dedicar-se à atividade
1.9.9. Duração razoável dp processo.. 201
político-partidária e exercer a
1.9.10. Vigência 201 advocacia no juízo ou tribunal -
1.10. infidelidade partidária por do qual se afastou, antes
fixação legal ...................;•......... ..... 202 de decorridos três anos do

19
CU RSO D E DIREITO ELEITORAt - Roberto Moreira de Almeida

afastamento do cargo por 1.3.1. Autonomia funcional e


aposentadoria ou exoneração......228 administrativa............................. 259

1.3. Organização da Justiça Eleitoral...229 1.3.2. Autonomia financeira............259

1.3.1. Introdução......................... 229 1.4. Organização..............................259

1.3.2. Tribunal Superior Eleitoral...... 229 1.4.1. Ministério Público da União


|MPU)....................................... 260
1.3.2.1. P o si^ o topográfica.........229
1.4.1.1. Chefia institucional..... . 260
1.3.2.2. Composição.................. 230
1.4.1.2. Ramos integrantes......... 260
1.3.2.3. Competência................ 231
1.4.2. Ministério Público dos Estados. 261
1.3.3. Tribunais Regionais
Eleitorais (TREs).......................... 235 1.4.2.1. Chefia institucional.......... 261

1.3.3.1. Conceito......................235 1.4.2.2. Órgãos integrantes......... 262

1.3.3.2. Organizado.................. 236 1.5. Garantias..................................262


1.5.1. Vitaliciedade.......................262
1.3.3.3. Competência................ 237
1.5.2. Inamovibilidade................... 262
1.3.4. Juizes eleitorais...................239
1.5.3. Irredutibilidade de subsídios... 262
1.3.4.1. Posição topográfica.........239
1.6. Vedações................................. 263
1.3.4.2. Competência................ 239
1.6.1:0 recebimento, a qualquer
1.3.5. Juntas Eleitorais...................240 título e sob qualquer pretexto,
de honorários, percentagens ou
1.3.5.1. Posição topográfica.........240
custas processuais........................ 263
1.3.5.2. Competência................ 241 1.6.2.0 exercício da advocacia...... 263
2. S IN O P S E .......................................242 1.6.3. Participar de sociedade
comercial, na forma da lei............... 263
3. PARA CONHECER A JURISPRUOÊNCIA..243
1.6.4. Exercer, ainda que em
3.1. Informativos............................. 243
disponibilidade, qualquer outra
3.2. Jurisprudência selecionada............245 função pública, salvo uma de
magistério..................................264
4. QUESTÕES DE EX A M E S E CONCURSOS.247
1.6.5. Exércer atividade polltíco-
4.1. Questões extras.........................252 partidária.................................. 264
5. G A B A R IT O .................................... 253 1.6.6. Receber, a qualquer
titulo ou pretexto, auxílios ou
contribuições de pessoas físicas,
CAPÍTULO VI entidades públicas ou privadas,
M IN IST ÉR IO PÚBLICO ELEITORAL......... 257 ressalvadas as exceções previstas
1. M IN IST É R IO P Ú B LIC O ................... 257 em lei....................................... 264

1.1. Conceito.................................. 257 1.7. Conselho Nacional do Ministério


Público (CNMP)............................... 264
1.2. Princípios institucionais............... 257
1.7.1. Origem..............................264
1.2.1. Unidade.............................257
1.7.2. Composição........................ 265
1.2.2. Indivisibilidade.................... 258
1.7.3. Atribuições......................... 265
1.2.3. independência funcional........ 258
1.7.4. Reclamações e
1.3. Autonomia............... 259 representações........................... 265

20
s u m a r io

2. M IN IST ÉR IO PÚBLICO ELEITO RA L...... 26S 1.5.2. Facultatividade................... 293

2.1. Conceito................................. 265 1.5.3. Vedação............................ 293

2.2. Organização............................. 266 1.6. Domicílio eleitoral...................... 294


2.2.1. Ministério Público Eleitoral 1.7. Procedimento para o alistamento.... 294
perante o Tribunal Superior Eleitoral.. 266
1.7.1. Introdução..........................294
2.2.1.1. Atuação.......................266
1.7.1.1. Qualificação.................. 295
2.2.1.2. Atribuições...................267
1.7.1.2. Inscrição......................295
2.2.2. Ministério Público perante o
Tribunal Regional Eleitoral...............268 1.7.1.3. Deferimento................. 296
1.7.2. Impugnações e recursos ao
2.2.2.1. Atuação.......................268
alistamento................................297
2.2.2.2. Atribuições................... 268
1.7.3. Encerramento do alistamento .. 297
2.2.3. Ministério Público perante
os Juizes e Juntas Eleitorais............. 269 1.8. Consequências do não alistamento.. 297

2.2.3.1. Atuação.......................269 1.9. Transferência, revisão, segunda


via, cancelamento e exclusão.............. 298
2.2.5.2. Atribuições................... 270
1.9.1. Transferência.......................298
2.3. Funções do Ministério Público
1.9.2. Revisão.............................299
Eleitoral segundo a doutrina............... 271
1.9.3. Segunda via... .....................300
2.3.1. Em ano sem eleição.............. 271
1.9.4. Cancelamento e exclusão........ 300
2.3.2. Em ano eleitoral ................... 272
1.10. Fiscalização do alistamento......... 304
2.4. Designação de promotores eleitorais273
1.11. Título eleitoral..........................304
3. S IN O P S E .................. 276
2. S IN O P S E ...................................... 305
4. PARA CONHECER A JURISPRUOÊNCIA..277
3. PARA CONHECER A JURISPRUDÊNCIA..306
4.1. Informativos..............................277
3.1. Informativos............................. 306
4.2. Jurisprudência selecionada............281
3.2. Jurisprudência Selecionada........... 308
5. QUESTÕES DE E X A M ES E CONCURSOS.28Z
4. QUESTÕES DE EX A M ES E CONCURSOS.310
5.1. Questões extras......................... 284
4.1. Questões extras......................... 314
6. G A B A R IT O .................................... 286
5. G A B A R IT O .................................... 31S
CAPÍTULO VII
ALISTAM ENTO ELEITORAL................... 291 CAPÍTULO VIII
C O NVENÇÃO PARTIDÁRIA
1. ALISTAM ENTO ELEITO RAL............. 291 E REGISTRO DE C A N D ID A T U R A S........... 319
1.1. Conceito.................... ;............291
1. C O NVENÇÃO PARA ESCOLHA DE
1.2. Obrigatoriedade........................ 291 CAN DIDATO S.................................... 319
1.3. Facultatividade........................... 292 1.1. Noção..................................... 319
1.4. Vedação ........................ i ......292 1.2. Espécies.................................. 319
1.5. Direito de voto.......................... 293 1.2.1. Convenção municipal............320
1.5.1. Obrigatoriedade............... 293 1.2.2. Convenção regional.............. 320

21
C U R SO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

1.2.3. Convenção nacional ..........320 4.2. "friformativos... ........... 341

1.3. Prazo...................................... 320 4.3. Jurisprudência selecionada............343

1.4. Local das convenções.......... .:......320 5. QUESTÕES DE EX A M E S E CONCURSOS.345

1.5. Escolha de candidatos ...........321 5.1. QuéStõêS e x t r a s ......... .........352

1.6. Propaganda intrapartidária............321 6. G A B A R IT O .................................... 353

1.7. Coligações....................‘.......... 321


CAPÍTULO IX
1.7.1. Conceito............................321 P R O PAG AN D A POLÍTICA................ 359
1.7.2. Natureza jurídica...................322
1. PRO PAG AN DA POLÍTICA................. 359
1.7.3. Denominação..................... 322
1.1. Conceito de propagarida............... 359
1.7.4. Verticalização......................323
1.2. Distinção entre propaganda
1.7.5. Regramento legal................. 323 eleitoral, propaganda intrapartidária
1.7.6. Quem representa a coligação ... 325 e propaganda partidária.......................360

2. REGISTRO DE C A N D ID A T U R A S.......... 325 1.3. Princípios.......... 361

2.1. Introdução............................... 325 1.3.1. Princípio da legalidade........... 361


1.3.2. Princípio da liberdade............361
2.2. Competência.............................325
1.3.3. Princípio da responsabilidade... 362
2.3. Requisitos legais .........................326
1.3.4. Princípio da igualdade............363
2.4. Prazo............. 327
1.3.5. Princípio da disponibilidade.... 363
2.5. Quantidade de candidatos;.............328
1.3.6. Principio dó controle judicial
2.5.1. Nas eleições majoritárias........ 328 da propaganda......... ............. 364
2.5.2. Nas eleições proporcionais..... 328 1.4. Propaganda partidária ......i.... 364
2.6. Percentual mínimo de vagas , 1.4.1. Previsão legal..... ................ 364
para o sexo masculino e feminino
nas eleições proporcionais.............. 329 1.4.2. Espécies.......... 365
1,4.3.,Finalidades...... ................... 366
2.7. Identificação numérica dos
candidatos..... ....... í .,,........>í .... 330 1.4.4. Vedações 367

2.7.1. Nas eleições majoritárias........ 330 1.4.5. Desobediência..................... 367

2.7.2. Nas eleições proporcioriais......330 1.4.6. Propaganda intrapartidária.... 368


1.5. Propaganda eleitoral....................368
2.8. Variação nominal dos candidatos.... 331
1.5.1. Introdução........... 368
2.9. Substituição de candidatos............332
1.5.2. Previsão legal...................... 368
2.10. Cancelamento de registro............333
1.5.3. Prazo e propaganda
2.11. Candidatura nata..... 333 antecipada ou extemporânea.......... 368
2.12. "Check list" da Justiça Eleitoral 1.5.4. Identificação e idioma (CE,
para o registro de candidaturas.............334 art. 242; e Lei das Eieições, art. 36,
§ 4B).................................. :.... 369
3. S IN O P S E ............... 338
1.5.5. Meios Rscalizatórios.............. 370
4. PARA CONHECER A JURISPRUDÊNCIA..340
1.5.6. Meios de veiculação de
4.1. Súmulas do T S E . . . ... 340 propaganda... u..,,.;;;,.............. . 370

22
SUMARIO

1.5.6.1. Introdução....................370 1.3.1. Conceito............................427

1.5.6.2. "O utdoors"................... 370 1.3.2. Quociente Eleitoral (Q E).........428


1.3.3. Quociente Partidário (QP)....... 429
1.5.6.3. Imprensa escrita.............371
1.3.4. Distribuição das sobras.......... 431
1.5.6.4. Rádio e televisão............371
2. C O M P O SIÇ Ã O DO PARLAM ENTO
1.5.6.5. Debates ...................... 376 BRA SILEIR O .....................................432

1.5.6.6. Pesquisas e testes pré- 2.1. Congresso Nacional (Parlamento


eleitorais...... ..........................377 da União)...................................... 432

1.5.6.7. internet.......................381 2.1.1. Câmara dos Deputados.......... 433


2.1.2. Senado Federal................... 434
1.5.6.8. Outros meios de
propaganda............................ 382 2.2. Assembléias Legislativas
(Parlamento dos Estados-membros).....435
1.6. Direito de Resposta...................391
2.3. Câmara Legislativa (Pariamento
1.6.1. Introdução....!...................... 391 do Distrito Federal).......................... 436
1.6.2. Competência.......................391 2.4. Câmara Municipal (Parlamento
1.6.3. Legitimação ativa e passiva.....392 dos Municípios).............................. 437

1.6.4. Prazo para o exercício............392 3. O RG AN IZAÇ ÃO TERRITORIAL E


POLÍTICA D O ELEITO RAD O ..................438
1.6.5. Procedimento...................... 393
3.1. Introdução............................... 438
2. SINOP5E ............. 398
3.2. Circunscrições eleitorais...............438
3. PARA CONHECER A JURISPRUOÊNCIA..400
3.2.1. O país (território nacional)..... 439
3.1. Súmulas do TSE....................... 400 3.2.2. O território do Distrito Federal. 439
3.2. Informativos.......... 400 3.2.3. O território dos Estados-
membros .................................. 439
3.3. Jurisprudência selecionada............406
3.2.4. O território do M unicípio...... 439
4. QUESTÕES DE E X A M E S E CONCURSOS.410
3.3. Zonas eleitorais (ZE).................... 439
4.1. Questões extras.................. 417 3.4. Seções eleitorais........................ 439
5. G A B A R IT O .....................................419 4. M E D ID A S P RELIM IN A R ES Ã VOTAÇÃO .440
4.1. Introdução............................... 440
CAPÍTULO X
SIST E M A S ELEITORAIS, 4.2. Mesas Receptoras...................... 441
O RG AN IZAÇ ÃO TERRITORIAL 5. S IN O P S E .......................................443
E POLÍTICA DO ELEITORADO E
M E D ID A S P R ELIM IN A R ES À VOTAÇÃO... 425 6. PARA CONHECER A JURISPRUDSNCIA..444

liS IS T E M A S ELEITORAIS.......................425 6.1. Informativos............................. 444

1.1. Noções prévias e conceito............. 425 6.2. Jurisprudência selecionada............446

1.2. Sistema majoritário...... ...............426 7. QUESTÕES DE EX A M ES E CONCURSOS.451


1.2.1. Conceito............. 426 7.1. Questões extras.......... 455
.

1.3. Sistema proporcional...................427 8. G A B A R IT O .................................... 457

23
CURSO OE OffiEtrO ELEnORAL -KoberttiM oteirpdeAJm eldo

CAPÍTULO XI 3.6. Pren^gativas e vedações a partir


VOTAÇÃO, APURAÇÃO, da díplomação....................... 483
TOTALI2AÇÃO D O S VOTOS, 3.6.1. Prerrogativas (CF, art. 53)........483
PRO C LAM AÇ ÃO D O S RESULTADOS E
D IPLO M A Ç Ã O P O S ELEITOS ....... ;..... ..461 3.6.Í.1, Foro privilegiado por
prerrogativa de função..... ^....... 483
1. VOTAÇÃO m.í .',ii*..^.......461
3.6Í.2. Prisão................ 483
1.1. Lugares de votação (CE, art, Í3 5 ) ... 461
3.e,i.3. Sustação de processo penal.. 483
1.2. Sistema eletrônico de votação....... 462
3.6.1.4. Facultatividade de
1.3. Sigilo e inviolabilidade do voto prestar testemunho...................484
(CE, art. 103)..... 464
3.6.1.5. Incorporação às Forças
1.4. Folha eletrônica de votação (Lei Armadas................................484
ns 9.504/97, art. 62)..... 464
3.6.2. Vedações (CF, art. 154, i, "a" e "b*)484
1.5. Procedimento da votação..... ,..... 464
3.6.2.1. Firmar ou manter
1.5.1. Providências preliminares contrato com pessoa jurídica
(CE, art. 142)....................... ..464 de direito público, empresa
1.5.2. Inicio dos trabalhos (CE, art. pública, sociedade de
143)......... 464 ecpnòriila mista ou empresa
concessionária de serviço público.. 484
1.5.3. Prioridade na votação.,.,....,,..... 466
1.5.4. Horário de recebimento dos 3.6.2.2. Aceitar ou exercer
votos (CE, art. 144)........... 467 cargo, função ou emprego
público remunerado....... . 484
1.5.5. Assinaturâ dos eleitores (Lei
nS 7.33^/85, art,18) 468 ' 3.7. Perdà dò àiplòfna.......... ...(i».„;™(484
2. APURAÇÃO, TOTALIZAÇÃQ P Q S 4. S IN O P S E ........... ....;........48S
VOTOS E P RO C LAM AÇ ÃO DOS ELEITOS ...471
5. PARA CONHECER A JURISPRUDÊNCIA..486
2.1. Introdução...............................471
5.1. Informativos..;......................... 486
2.2. Competência (CE, art. 158)............475
. , 5.2. Jurisprudência Selecionada ......... .. 489
2.3. A utilização das urnas eletrônicas....479
6. QUESTÕES DE E X A M E S E CONCURSOS.494
2.4. A proclamação dos resultados
6.1. Quéstões extras.........................498
(proclamação dos eleitos)............. 480
7. G A B A R IT O .................................... 500
3. D IP L O M A Ç Ã O ......................... 481

3.1. Conceito................................ 481 CAPÍTULO XII


3.2. Natureza jurídica........................481 A B U SO DE PODER, CAPTAÇÃO '
ILÍCITA DE SU FRÁ G IO S E
3.3. Prazo....................... ..482 CONDUTAS V e d a d a s .... .............. so s
3.4. Competência para diplomar...........482 1. abu so ;PE PO DER .. ,........ ........... 503

3.4.1. Tribunal Superior Eleitoral...... 482 1.1. Introdução.................... 503

3.4.2. Tribunal Regional Eleitoral .... 482 1.2. Espécies de abuso de poder...........504
3.4.3. Junta Eleitoral.....................482 1.2.1. Abuso de poder econômico.504

3.5. Fiscalização da díplomação............482 I.2.I.I. Conceito................... 504

24
s u m a r io

1.2.1.2. Limitação dáinfluência 3.3.2. Durante todo o ano eleitoral


do poder econômico.................. 505 (Lei ne 9.504/97, art. 73, § 10)..........519

1.2.1.3. Sanções... .U....^............ 506 3.3.3. A paitir de abril do ano


eleitoral (Lei n® 9.504/97, art. 73,
1.2.2. Abuso de poder político.........506 inc. V III) ................................... 520
1.2.2.1. Conteito ...i......... 506 3.3.4. Nos três meses que
antecedem o pleito eleitoral (Lei
1.2.2.2. Limitado dà influência n® 9.504/97, art. 73, incs. V e VI e
do poder político ...j...... 507 arts. 75 e 76).....,.......... .............. 521
1.2.2.3. Sa p õ e s .....1...... 507 3.4, Sanções legais........................... 524
1.2.3. Abuso de poder no uso dos 3.5. Procedimento |egal.................. 526
meios de comunicação social.......... 508
4. S IN O P S E .......................................526
1.2.3.1. Conceito .................. 508
5. PARA CONHECER A JURISPRUOÊNCIA..527
1.2.3.2. Limitação do poder dos
meios de comunicação social..... 508 5.1. Informativos..................... 527
1.2.3.3. Sanções....;................... 510 5.2. Jurisprudência Selecionada ........... S35

2. CAPTAÇÃO DE S U F R Á G IO .................512 6. QUESTÕES DE EX A M E S E CONCURSOS.537

2.1. Conceito...............i. .................. 512 6.1. Questões extras......................... 541

2.2. Origem.................................... 512 7. G A B A R IT O .................................... 542

2.3. Previsão íegal..........;.......r..v......... 512


CAPÍTULO XIII
2.4. Elementos configuraldores da POLÍCIA JU DIC IÁRIA ELEITORAL,
captação ilícita de sufrágio..................513 C R IM E S ELEITORAIS E PROCESSO
2.4.1. Ã prática de uma conduta PEN AL ELEITORAL..............................547
punível................ 513 1. POLÍCIA JU D IC IÁR IA ELEITORAL-------- 547
2.4.2. A legitimidade da conduta..... 514
1.1. Introdução............. 547
2.4.3. A f i n a l i d a d e .............. 514
1.2. Polícias judiciárias.......................547
2.4.4. O lapso tempoial.................. 514
1.2.1. Policia Judiciária da Ünião....... 548
2.5. Sanções............. 515
1.2.2. Polícia judiciária estadual........ 548
2.5.1. Multa................................ 515
1.3. Polícia judiciária incumbida de
2.5.2. Cassação do regjstro ou do apurar a prática de crimes eleitorais.....548
diploma... ............ 515
1.4. Apuração dos crimes eleitorais....... 548
2.5.3. Inelegibilidade».................... 515
1.4.1. Polícia Judiciária Eleitoral........ 548
2.6. Procedimento legal... ..................516
1.4.2. Notícia-crime eleitoral........... 549
3. CONDUTAS V ED A D A S AO S
1.4.3. Inquérito policial (IPL)
AGENTES PÚBLICOS E M C A M P A N H A ..... 516 e termo circunstanciado de
3.1. Introito.................................... 516 ocorrência (TCO) eleitoral................550
1.4.4. Prisão em flagrante e
3.2. Previsão legal................. L........ 517
liberdade provisória com ou sem
3.3. Rol de condutas vedadas.............. 517 fiança.......................................551
3.3.1. Condutas vedadas..............517 2. C RIM ES ELEITO RAIS........................ 552

25
CU RSO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

2.1. Conceito.................................. 552 3.6. Rrocedimento processual penal


eleitoral........................................ 571
2.2. Natureza jurídica........................ 552
3.6.1. Introito..............................571
2.3. Classificação das infrações penais
eleitorais.......................................553 3.6.2. Competência.......................572

2.3.1. Crimes eleitorais contidos 3.6.2.1. Regra geral....................572


no Código Eleitoral (arts. 289 a 354) .. 554 3.6.2.2. Competência funcional
2.3.2. Crimes eleitorais contidos por prerrogativa de função......... 572
na Lei n^ 6.091, de 15 de agosto 3.6.2.S. Competência pela
de 1974 (fornecimento gratuito de
prática de crime eleitoral por
transporte, em dias de eleição)........562
menores de 18 anos de idade...... 575
2.3.3. Crimes eleitorais na Lei
Complementar n$ 6 4 / % (Lei das 3.6.2.4. Competência pela
Inelegibilidades).......................... 564 prática de crime eleitoral
conexo com crime doloso
2.3.4. Crimes eleitorais contidos na contra a vida........................... 575
Lei n« 9.504, de 30 de setembro de
1997 (Lei Geral das Eleições)........... 564 3.7. Rito processual por crime eleitoral... 575

3. PROCESSO PEN AL ELEITORAL......... 567 3.7.1. Procedimento criminal


eleitoral da primeira instância........ 575
3.1. Conceito.................................. 567
3.7.1.1. Procedimento criminal
3.2. Condições da ação penal eleitoral.... 568 previsto no CódigoEleitoral........ 575
3.2.1. Legitimidade "ad causam" 3.7.1.2. Procedimento criminal
(legitimação para agir)...................568 previsto após o advento da Lei
3.2.2. Interesse de agir...................568 n® 11.790, de 20 de junho de 2008.577
3.2.3. Possibilidade jurídica do pedido 569 3.7.2. Procedimento criminal
eleitoral da segunda instância
3.3. Classificação das ações penais (Tribunal Regional Eleitoral).............583
em geral..... ......... 569
4. REVISÃO C R IM IN A L ELEITORAL (RCE) ..S8S
3.4. Classificação das ações penais
4.1. Previsão legal............................ 585
eleitorais.......................................569
4.2. Natureza Jurídica........................ 585
3.5. Ação penal pública eleitoral........... 569
4.3. Cabimento............................... 585
3.5.1. Conceito............................569
4.4. Efeitos.....................................585
3.5.2. Princípios........................... 569
4.5. Prazo...................................... 585
3.5.2.1. Obrigatoriedade
(legalidade).............................569 4.6. Forma de interposlçãoe resultado... 586

3.5.2.2. Indisponibilidade 5. S IN O P S E ....................................... 586


(indesistibilidade)..................... 570 6. PARA CONHECER A JURISPRUDÊNCIA..588
3.5.2.3. indivisibilidade.............. 570 6.1. Súmulas d oTSE............ 588
3.5.2.4. Oficialidade.................. 570 6.2. Informativos........... 589
3.5.3. A denúncia .... .... ...i.......... 570 6.3. Jurisprudência selecionada............595
3.5.3.1. Conceito.......;........ .... 570 7. QUESTÕES DE EX A M E S E CONCURSOS.601
3.5.3.2. Requisitos............... 571 7.1. Questões extras...................... 609
3.5.3.3. Prazos......... 571 8. G ABARITO ....................................609

26
s u m a r io

CAPÍTULO XIV 4.2. Objeto e previsão legal................ 625


AÇÕES CONSTITUCIONAIS E
4.3. Requisitos................................625
AÇÕES ESPECIAIS ELEITO RAIS..............615
1. M A N D A D O DE S E G U R A N Ç A .............615 4.4. Legitimidades ativa e passiva......... 626

1.1. Conceito.................................. 615 4.4.1. Legitimidade atíva................ 626

1.2. Espécies.................................. 615 4.4.2. Legitímidade passiva............. 626

1.3. Natureza jurfdica........................ 516 4.5. Efeitos.................................... 626

1.4. Previsão.................................. 616 4.6. Mandado de injunção em


matéria eleitoral............................. 627
1.5. Origem....................................616
5. H A BEA S CO RPU S............................ 629
1.5. Objeto.................................... 615
5.1. Conceito.................................629
1.7. Requisitos específicos.................. 616
5.2. Espécies.................................629
1.8. Partes legitimadas.......................617
5.3. Legitimidades ativa e passiva......... 630
1.9. Procedimento........................... 618
5.3.1. Legitimidade ativa................ 630
1.10. O mandado de segurança em
matéria eleitoral..............................620 5.3.2. Legitimidade passiva............. 630

2. M A N D A D O DE SEG U R AN ÇA C O LETIVO 620 5.4. Cabimento...............................630

2.1. Conceito.................................. 620 5.5. Prazo......................................630


2.2. Previsão legal e origem................ 621 5.6. O habeas corpus no Direito Eleitoral 630

2.3. Objeto.....................................621 6. AÇÃO DE IM P U G N A Ç Ã O


2.4. Legitimados ativos......................621 AO PED ID O DE REGISTRO DE
C AN D ID ATU R A (AIRC).........................630
2.5. Pressupostos............................. 621
6.1. Previsão legal............................ 630
2.6. Coisa julgada............................. 621
6.2. Finalidade................................631
2.7. Mandado de segurança coletivo
em matéria eleitoral......................... 621 6.3. Legitimidade.............................631
3. HABBAS D A T A ................................624 6.3.1. Ativa................................ 631

3.1. Conceito.................................. 624 6.3.2. Passiva.............................. 632

3.2. Origem e previsão.......................624 6.4. Prazos {LC n.a 64/90, art.3.®)........ 632

3.3. Natureza jurídica........................ 624 6.5. Competência.............................633

3.4. Finalidade................................ 624 6.6. Procedimento........................... 633

3.5. Cabimento............................... 624 7. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL


3.6. Legitimidades ativa e passiva..........624 ELEITORAL (AIJE)............................... 635

3.6.1. Legitimidade ativa.................624 7.1. Conceito.................................. 635

3.6.2. Legitimidade passiva............. 625 7.2. Previsão legal............................ 636


3.7. Habeas Data em matéria eleitoral.... 625 7.3. Prazo......................................636
4. M A N D A D O DE IN J U N Ç Ã O ................ 625 7.4. Legitimidades ativa e passiva...... 636
4.1. Conceito................................625 7,4.1. Legitimidade ativa..............636

27
CU RSO D E OIREITD ELEITORAL - «oberto Moreira de Almeida

7.4.2. Legitimidade passiva..........637 10.3. Previsão legal...........................647

7.5. Competência............................ 637 10.4. Competência para julgar o recurso. 647

7.6. Causa de pedir.......................... 637 10.5. Prazo de interposição.................648

7.7. Rito processual............. 637 10.6. Cabimento..............................648

7.8. Peculiaridades........................... 639 10.7. Legitimidades atíva e passiva....... 648

8. AÇÃO DE IM P U G N A Ç Ã O DE 10.7.1. Legitimidade ativa........... 648


M A N D A T O ELETIVO (A IM E )................. 640
10.7.2. Legitimidade passiva....... 649
8.1. Conceito.................................. 640 10.8. Procedimento..........................649
8.2. Previsão legal..................... 640 10.9. Peculiaridades.......................... 650
8.3. Natureza jurídica........................ 640 11. REPRESENTAÇÃO OU
RECLAM AÇÃO POR INFRIN G ÊN CIA À
8.4. Origem....................................640
LEI DAS ELEIÇÕES (LEI N* 9.504/97)........650
8.5. Fundamento.............................640
11.1. Previsão legal...........................650
8.6. Finalidade................................640
11.2. Competência........................... 650
8.7. Prazo de interposição.................. 641
11.3. Legitimidade........................... 651
8.8. Competência.............................641
11.4. Procedimento..........................651
8.9. Legitimidades ativa e passiva......... 641
11.5. Peculiaridades..........................652
8.9.1. Legitimidade ativa................ 641
12. SIN O P SE...................................... 653
8.9.2. Legitimidade passiva............. 642
13. PARA CONHECER A 1 U R ISPR U D ÊN C IA 657
8.10. Rito processual........................ 643
13.1. Súmulas do TSE........................ 657
8.11. Peculiaridades..........................643
13.2. Informativos............................ 658
9. AÇÃO RESCISÓ RIA ELEITORAL (ARE) ....644
13.3. Jurisprudência Selecionada..........664
9.1. Conceito.................................. 644
14. QUESTÕES DE E X A M ES E
9.2. Previsão legal............................644 C O N CU RSO S..................................... 671

9.3. Natureza Jurídica........................ 644 14.1. Questões extras....................... 677

9.4. Legitimidade ativa...................... 645 15. G A B A R IT O ...................................678

9.5. Cabimento............................... 645


CAPÍTULO XV
9.6. Competência.............................645 RECURSOS ELEITO RAIS....................... 683
9.7. Prazo de interposição.................. 646 1. TEORIA GERAL DOS R E C U R SO S.......683
9.8. Competência.............................646 1.1. Conceito de recursos.................. 683
9.9. Peculiaridades........................... 646 1.2. Finalidade................................ 686

10. RECURSO CONTRA DIPLO M AÇ Ã O 1.3. Fundamento............................. 687


(R C D ).............................................. 646 1.4. Características........................... 688
10.1. Noção prévia........................... 646 1.5. Classificação..............................688
10.2. Natureza jurídica.......................646 1.5.1. Quanto ao objeto tutelado... 688

28
su m A r io

1.5.1.1. Recursos ordinários ou 1.7.6. Principio da voluntariedade.....693


normais................................688 1.7.7. Princípio da lesividade.............. 694
1.5.1.2. Recursos 1.7.8. Princípio da personalidade,......694
extraordinários ou especiais........ 688
1.8. Juízo de admissibilidade (juízo de
1.5.2. Quanto ao fim pretendido......688 prelibação).................................... 694
1.5.2.1. Reforma........................ 688 1.9. Pressupostos gerais recursais.........695
1.5.2.2. Invalidação................... 688 1.9.1. Pressupostos subjetivos......... 695
1.5.2.3. Esclarecimento ou 1.9.2. Pressupostos objetivos.......... 695
integração .............689
1.10. Renúncia e desistência do recurso.. 698
1.5.3. Quanto à extensão da matéria.. 689
1.10.1. Desistência....................... 698
1.5.3.1. Recurso parcial.............. 689 1.10.2. Renúncia..........................699
1.5.3.2. Recurso total.................689 2. ESPÉCIES RECURSAIS ELE IT O R A IS... 700
1.5.4. Quanto à fundamentação....... 689
2.1. Recursos contra decisões dos
1.5.4.1. Recurso de Juizes Eleitorais............................... 700
fundamentação livre ou ilimitada .. 689 2.1.1. Apelação criminal eleitoral
1.5.4.2. Recurso de ou recurso eleitoral criminal (REC)....700
fundamentação vinculada ou 2.1.2. Recurso em sentido estrito
limitada.... ......... 689 (RESE).......................................701

1.5.5. Quanto à fonte.................... 690 2.1.3. Recurso inominado eleitoral .... 702

1.5.5.1. Recursos constitucionais... 690 2.2. Recursos contra decisões das


Juntas Eleitorais.............................. 704
1.5.5.2. Recursos legais.............. 690
2.2.1. Introdução..........................704
1.5.5.3. Recursos regimentais...... 690
2.2.2. Recurso parcial.................... 704
1.6. Efeitos.....................................690
2.3. Recursos contra decisões dos
1.6.1. Efeito devolutivo.................. 690 Tribunais Regionais Eleitorais.............. 705
1.6.2. Efeito suspensivo................. 690 2.3.1. Recurso parcial.................... 706
1.6.3. Efeito extensivo....................691 2.3.2. Recurso inominado eleitoral... 706
1.6.4. ' Efeito regressivo............... 691 2.3.3. Embargos de declaração.........706
1.6.5. Efeito translativo.................. 691 2.3.4. Recurso Especial Eleitoral....... 708
1.6.6. Efeito substitutivo.................691 2.3.5. Recurso Ordinário Eleitoral
(ROE)....................................... 710
1.7. Princípios.................................692
2.3.6. Agravo de instrumento.......... 711
1.7.1. Princípio do duplo grau de
jurisdição................................... 692 2.4. Recursos contra decisões do
1.7.2. Princípio da taxatividade.........692 Tribunal Superior Eleitoral.................. 712

1.7.3. Princípio da singularidade 2.4.1. Recurso inominado...............713


(unirrecorribilidade).............. 692 2.4.2. Embargos de declaração.........713
1.7.4. Princípio da fungibilidade .T......692 2.4.3. Recurso extraordinário........... 713
1.7.5. Princípio da vedação da 2.4.4. Recurso ordinário
"reformatio in pejus"..................... 693 constitucional (ROC)..................... 715

29
CU RSO D E DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

2.4.5. Agravo de instrumento.......716 2..S.5. Sanções pela extrapolação


dd limite de gastos....................... 749
3. S IN O P S E ................ ................... 717
2.6. Prestação de Contas de Campanhas. 749
4. PARA CONHECER A JURISPRUDÊNCIA..718
2.6.1. Quem deve prestar c o n ta s?... 749
4.1. Súmulas dó TSE....... ................. 718
2.6.2. Qual o. prazo para a:
4.2. Informativos............................ 719 prestação de contas final de
campanha?..;......^..;;;;..;;.... v............ 750
4.3. Jurisprudência selecionada...........723
2.6.3. Há preVisão dé prestação de
5. QUESTÕES DE E X A M E S E CONCURSOS.727 contas parc|ál de campariha? ...........750

5.1. Questões extras......................... 731 2.6.4. Acã»] òs candidatos ou


partidos políticos não prestem
6. G A B A R it O .................................... 732 contas nòpràzo legal, qual devera
ser o comportamento da Justiça
Eleitoral?... ............ 750
CAPÍTULO XVI
F IN A N C IA M EN T O 2.6.5. Quais peças e documentos
devem ser apresentados no
E PRESTAÇÃO DE CONTA?
momento da prestação de contas? .... 751
ELEITORAIS E PÀRTIDÂRlÀS................... .737
2.6.6. Como deve ser realizada
1. IN T R O D U Ç Ã O ................. ......737
a prestação de contes e -^^
2. FIN A N C IA M EN T O EPRESTAÇÃO DE encaminhada à Justiça Eleitoral? .752
CONTAS D A S C A M P A N H A S ELEITO RAIS...738 2.6.7. Análise e Julgamento das
Prestações de Contas.............. .752
2.1. Introito.................... ..............1...... 738
2.6.7.1. Procedimento...............752
2.2. Legislação aplicável....... ..............738
2.6.7.2. Julgamento,..í.— ......... 753
2.3. Orlgeriíidòs recíjrsos..‘.i;....i..i.........739
2.6.7.3. Recursos .V..Í ...... ...... .754
2.3.1. Fontes de arrecadação
permitidas.^..... ...........^;...i.............. 739 2.6.7.4. Fiscalização ............ .754
2.3.2. Fontes dé arrecadação védádas 741 2.6.8. Resultado financeiro.......... .754
2.4. Procedimento pará o início da 2.6.9. Representação Eleitoral por
arrecadação é gastos de r e c i i r s o s . 742 Excesso de Doação (REED)
e Representação Eleitoral
2.4.1. Pedido dê registro de por Captação Ilícita de
candidatura................. 743 Recursos (RECIR)....... ............ ;... .755
2.4.2. CNPJ “ Cadastro Nacional da 2.6.9.1. Representação Eleitoral
Pessoa Jurídica............................743 por Excesso de Doação;(REED):... .755
2.4.3. Conta bancária eleitoral.........743 2.6.9.1.1. Previsão Legal.......... .755
2.4.4. Obtenção dos recibos eleitorais 744 2.6.9.1.2. Legitimidadev;.;;i........i. .756
2.5. Gastos êlêitòrais 745 2.6.9.1.3. Competência v.iiii......... 756
2.5.1. Introito.... ......................... 745 2.6.9.1.4. Prazo....... ..................757
2.5.2. Data para início e térrhino 2.6.9.1.5. ' Rito processual...... 758
da arrecadação de recursos e
realização de despesas...........;............ 746 2.6.9.2. Representação Eleitoral
2.5.3. Elenco legal.................. 746 pOr Captação Ilícita de Recursos
(RECIR)Í..L..........„...................... 758
2.5.4. Limitação de gastos de
c a m p a n h a ... .748 2.6.9.2.I. Previsão Legal.......... 758

30
SU M ÁR IO

2.6.9.2.2. Legitimidade............... 758 5.1. Informativos............................. 773


2.6.9.2.2.2. Legitimidade passiva... 760 5.2. Jurisprudência Selecionada........... 781
2.6.9.2.S. Competência........... 760 6. QUESTÕES DE EX A M E S E CONCURSOS.787
2.6.9.2.4. Prazo........................ 760 7. G A B A R IT O .................................... 788
2.6.9.2.5. Procedimento............. 761
A N E X O 1...........................................791
2.6.9.2.6. Efeitos da decisão.........761
2.6.9.2.7. Recursos...................761 A N E X O II

3. PRESTAÇÃO DE CONTAS D O S P R O G R A M A OFICIAL E 16 PROVAS DO


PARTIDOS P O LÍT IC O S......................... 761 CO N CU RSO DO M IN IST ÉR IO PÚBLICO
FEDERAL (CARGO: PRO CURADO R DA
3.1. Legislação aplicável..................... 761 REPÚ BLICA)......................................795
3.2. Prazo...................................... 762 P R O G R A M A OFICIAL DO 29«
3.3. Competência............................. 762 C O N CU RSO PARA PRO VIM EN TO
DE CARGOS DE PRO CURADO R DA
3.4. Receitas partidárias permitidas e
R EPÚ BLIC A ...................................... 797
vedadas.........................................762
16 PROVAS DE CONCU RSOS DO M I ­
3.5. Despesas partidárias....................763
N ISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (CARGO:
3.6. Obrigações partidárias................. 764 PRO C U RA D O R D A REPÚ BLIC A)............ 799
3.7. Exames técnicos, auditoria das
A N E X O III
contas e parecer conclusivo................ 766
Q U A D R O R E SU M ID O
3.8. Julgamento das contas DE D ESIN C O M PATIBILIZAÇ Ã O .............. 851
partidárias pela Jusdça Eleitoral e
sanções em caso de desaprovação....... 767 AN EXO IV
ALISTAM ENTO ELEITORAL
3.9. Recursos.................................. 768
(RESOLUÇÃO NS 21.538/03-TSE)........... 857
3.10. Tomada de Contas Especial (TCE)... 768
AN EXO V
3.10.1. Conceito...........................768
CALEN DÁ RIO ELEITORAL: ELEIÇÕES
3.10.2. Regramento legal................768 2016 (RESOLUÇÃO NS 23.450, DE
4. S IN O P S E ....................................... 769 10/11/15, T SE ).................................. 879

5. PARA CONHECER A JURISPRUDÊNCIA..773 REFERÊNCIAS B IB LIO G R Á FIC A S............895

31
Í n d ic e d e Q uestões

CAPÍTULO I
INTRODUÇÃO AO DIREITO ELEITORAL........................ ............................. ......... 43
ífc' Medida provisória pode ser editada sofare matéria eleitoral ou partidária?....... ........... 46
Ifc" Houve um quinto Código Eleitoral na história do Brasil?......................................... 50

CAPÍTULO II
N A C IO N A L ID A D E .................................................... ^.................................... 67
P»' Algum estrangeiro foi equiparado a brasileiro naturalizado?................................. 68
P ' Registro de nascimento em repartição diplomática ou consular................................ 69
P=- O que vem a ser nacionalidade originária potestativa? .......................................... 69
P ' Já houve na história do Brasil hipótese de naturalização tácita?................................ 70
P=' A concessão de naturalização a estrangeiro é ato vinculado ou discricionário?............... 71

CAPÍTULO III
DIREITOS POLÍTICOS...... .......... .................................................................... 85
P»" Como a pessoa adquire os direitos de cidadania?................................................. 85
P>- 0 que você entende por "recall" político e vetop op u la r?....................................... 87
P ' 0 que você entende por sufrágio censitário?............. ........................................ 89
P»' 0 que você entende por sufrágio capacitário?..................................................... 89
P- O que viria a ser o sufrágio restrito por razões sexuais ou raciais?............................ 89
P=- Há previsão legal de eleição indireta no Brasil?.................................................... 90
Que cargo eletivo é privativo de brasileiro nato?................................................... 92
P- Um jovem de 21 anos é eleito para o cargo de Deputado Federal e,
simultaneamente, para ser Presidente da Câmara dos Deputados. Ele poderá, em
caso de vacância, substituir ou suceder o Presidente da República, já que a idade
mínima para ser chefe do Poder Executivo da União é de 35 an os?............................ 95
P ' A declaração da inelegibilidade de candidato a Presidente da República se
estenderá ao respectivo Vice?......................................................................... 97
P ' Como se comprova a alfabetízação de um candidato?............................................ 98
P ' Pai e filho podem se candidatar, na mesma eleição, um a Governador de Estado e o
outro a V ice ?............................................................................................. 100
P- Tício é Prefeito da cidade do Rio de Janeiro. Tício Jr é filho de Tício e pretende se
candidatar a Deputado Estadual pelo Estado do Rio de Janeiro. Tício Júnior é elegível?.... 101
P ' O Presidente da República, que vier a perder seu cargo eletivo por infringência
a dispositivo da Constituição Federal, pode ser enquadrado na hipótese de
inelegibilidade encartada no art. is, inc. I, alínea "c", da LC n.® 64/90? ....................... 103

33
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - R o b e rto M o re ira d e A lm e id a

Tício, detentor de cargo na Administração Pública, beneficia a si próprio, através


de práticas abusivas do poder econômico ou político, cdmprovadas pela Justiça
Eleitoral (por órgão colegiado). Ele poderá ser enquadrado na hipótese de
inelegibilidade prevista no art. l.s, inc. I, "d", da LC n.s 64/90?................................... 104

Tício, prefeito municipal da Cidade do Recife/PE, teve parecer prévio ofertado pelo
TCE/PE opinativo pela desaprovação das contas por ele prestadas relativamente ao
ano de 2010. A Câmara de Vereadores da capital pernambucana, na hipótese, não
julgou as referidas contas até o momento do pedido de registro de candidatura na
eleição de 2016, na qual Tício pretende se candidatar ao cargo de Vereador. A não
apreciação das contas pelo órgão competente (Câmara de Vereadores) por si só é
capaz de gerar inelegibilidade?....................................................................... 111

Tício, Governador de Estado, foi condenado, em decisão transitada em julgado, por


prática de conduta vedada nas eleições de 2006. Ele foi enquadrado no art. is, inc.
I, alínea "j", da LC ns 64/90. Tício é elegível ou inelegível para as eleições de 2014?
Advirta-se que as eleições de 2006 ocorreram em primeiro de outubro, sendo que
as eleições de 2014 estão com data marcada para cinco de outubro. Fundamente a
resposta................................................................ ..... ;;............................ 113

O que você entende por inelegibilidade inata e inelegibilidade confinada?................. 127

O que você ehtende por inelegibilidade absoluta e Inelegibilidade relativa?.............. 127

P^ Tício, prefeito da Cidade de Salvador/BA, por dois mandatos consecutivos,


transferiu o domicílio eleitoral para a cidade de Ilhéus/BA, um ano antes da eleição
municipal. Tício é elegível ou Inelegível para Prefeito do novo dom icílio?.................... 130

P» Hipótese de perda dos direitos políticos............................................................ 132

Há suspensão dos direitos políticos em casos de transação penal, suspensão


condicional do processo e suspensão condicional da pena (sursis)?............................ 133

O júri popular, nos termos do art. 436 do Código de Processo Penal (CPP), é uma
obrigação a todos imposta. O indivíduo que se recusar a tal serviço obrigatório, por
escusa de consciência, ficará com os direitos políticos suspensos? Justifique................. 134

P=- Qual a distinção entre suspensão dos direitos políticos e inelegibilidade?.................... 135

P=- Como se dá a contagem do prazo de oito anos de inelegibilidade em caso de


condenação por atos ilícitos praticados entre o primeiro e o segundo turno de
determinada eleição?..................................................... ............................. 141

CAPÍTULO IV
PARTIDOS P O L ÍT IC O S.................................................................................... 129
Quais os passos para se instituir um novo partido político?........ ............................. 130

Pode ocorrer fusão e Incorporação de dois ou mais partidos políticos? Como üma
agremiação partidária pode vir a ser extinta? Fundamente a resposta......................... 130
O que um partido político necessita fazer para participar de uma eleição?................. 133

P»' Podem ser criados Partidos Políticos com organização paramilitar?............................ 136

(fe- A quem cabe distribuir e qual o montante de recursos que cada partido político
receberá do Fundo Partidário?........................................................................ 136

34
(N DICE DE Q U EST Õ ES

Quando da criação de um partido político, como se dará a divisão dos recursos do


fundo partidário (a partir do momento de sua criação) e do tempo de propaganda
gratuita no rádio e na TV (na primeira eieição que participar)?.................................. 189
Partido Político poderá utilizar os recursos do fundo partidário para pagamento de
multas aplicadas pela Justiça Eleitoral? Justifique.................................................. 189
No caso de criação de um novo partido político, qual o prazo a ser observado pela
agremiação partidária e pelo filiado para participar do pleito eletivo futuro e qual o
prazo razoável para se realizar a nova filiação?............. ........................................ 198
P*" A Resolução TSE n.s 22.610/07, que trata da infidelidade partidária, aplica-se para
cargos preenchidos por sistema eleitoral proporcionai e majoritário?......................... 202

CAPÍTULO V
JUSTIÇA ELEITO RAL.................. 225

P>- Há previsão de "quarentena de saída" para Juizes Eleitorais? Fundamente a resposta...... 228
P” Tício, Juiz de Direito, litiga com Mévio, Prefeito, em ação civil proposta perante
a Justiça Federal. No curso da demanda, Tício é nomeado Juiz Eleitoral. Mévio é
candidato à reeleição. Tício poderá exercer suas funções no processo eleitoral
relativo à eleição de M é v io ?........................................................................... 228
P»" Tício, Juiz de Tribunal Regional Eleitoral, toma ciência de que o seu primo Trácio
é candidato a Governador de Estado. Há impedimento legal para o exercício da
função eleitoral por parte do magistrado tício? Fundamente a resposta...................... 229
P=- O § 3S do art. 96 da Lei n2 9.504/97 instituiu a figura dos Juizes Auxiliares de
Tribunais Eleitorais....................................................................................... 229
P ' Existe previsão legal de prioridade na tramitação processual eleitoral para
magistrados no ordenamento jurídico brasileiro? Fundamente a resposta.................... 230
P=- Ministro do STF estará impedido de participar de julgamento de recurso
extraordinário quanto tiver funcionado no mesmo processo junto ao TSE?
Fundamente a resposta................................................................................. 231
P ' Na eleição para escolha de magistrado, bem como de advogado, para o Tribunal
Regional Eleitoral, a sessão deve ser pública ou fechada? O voto deve ser aberto ou
secreto?................................................................................................... 237
P ' Podem ser criadas na mesma localidade mais de uma Junta Eleitoral? Esta será
sempre presidida pelo Juiz Eleitoral zonal? Fundamente a resposta............................ 241

CAPÍTULO VI
M IN IST ÉR IO PÚBLICO ELEITO RAL..................................................................... 257
P ' Existe previsão legal de prioridade na tramitação processual eleitoral para
membros do Ministério Público? Fundamente a resposta........................................ 258
P - Magávio, Promotor de Justiça, foi filiado a partido político há três anos, isto é,
antes de ingressar no Ministério Público. Ao ser empossado no referido cargo
como Promotor de Justiça substituto, Magávio poderá ser designado para exercer a
função eleitoral?..... ............................... ............................................. ;...... 266
P ” O Procurador Regional Eleitoral poderá vir a ser destituído da função eleitoral
antes do término de seu m andato?................ .................................................. 268

35
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - R o b e rto M o re ira d e A lm e id a

Os Procuradores Regionais Eleitorais poderão requisitar Promotores de Justiça para


auxiliá-los?..................................................... 269
O Ministério Público Eleitoral pode instaurar inquérito civil para subsidiar ação eleitoral? . 270

CAPÍTULO VII
ALISTAMENTO ELEITO RAL......................... ..................................................... 291
Ç2=- 0 alistamento e o voto para pessoas portadoras de necessidades especiais
alfabetizadas são facultativos ou obrigatórios?.................................................... 292
Inalistabilidade do menor de IS á n o s ...................................................... .......... 293
pa- Português residente no Brasil.......................................................................... 293
P ' Tício possui diversos domicílios civis. Onde poderá se alistar eleitor?.......................... 294
py É permitido alistamento a pessoa com quinze anos de id a d e ?.................................. 295
Pa- Quais as operações que podem ser realizadas com o R A E ? ...................................... 295
pa- 0 eleitor que tem o título de número 123456780100 votará em que Estado da federação? 296
pa- Como é emitido e que informações constam do título de eleitor?.............................. 297
pa- O trabalhador pode se ausentar do trabalho para realizar alistamento? Por quanto
tempo? Haverá prejuízo salarial? .................................................................... 299
P=- O eleitor em situação irregular com a Justiça Eleitoral poderá obter transferência
de domicílio eleitoral?.................................................................................. 299
pa- O direito de requerer segunda via se encerra no mesmo prazo para alistamento e
transferência? Sem o título de eleitor, é possível o exercício do direito de sufrágio?........ 300
P^ Batimento nacional eleitoral.......................................................................... 302

P=- Pode haver revisão em ano eleitoral?................................................................ 303


P=- Qual o procedimento a ser realizado para o cancelamento da inscrição do cadastro
eleitoral?................................................................................................... 303

P^ Após cancelada, é possível uma nova a inscrição eleitoral? Fundamente a resposta......... 303
P=-O que vem a ser TÍTULO N ET?......................................................................... 304

CAPÍTULO VIII
C O NVENÇÃO PARTIDÁRIA E REGISTRO DE C A N D ID A T U R A S................................... 319
P=- As convenções servem apenas para a escolha de candidatos e deliberação acerca
de eventual coligação?................................................................................. 319
P» Uso de prédio público por partido político........................................................... 320
P»- Fusão ou incorporação entre partidos políticos.................................................... 321
P> Quais as semelhanças entre uma coligação e um partido político isolado?.................... 322
Ps- Relativamente à divulgação do nome das entidades partidárias, como deve ser
veiculada a propaganda eleitoral nas eleições majoritárias e proporcionais? ................ 322

P»- Uma coligação majoritária é formada entre os partidos: PMDB, PT, PSB e PV. Na
eleição proporcional, haverá de ser realizada a coligação entre os quatro partidos?........ 324

36
INDICE DE QUESTÕES

i*» Quem pode subscrever o pedido de registro?............................................... 327


Quando o candidato deverá fazer seu pedido de registro individuaimente?............ 327
Há reserva de vagas para candidatos do sexo mascuiino e feminino nas eleições
brasileiras? Dê exemplo prático. E se não for observado o percentual mínimo de
30% para candidatos do sexo feminino, quai a consequência juridica para o partido
ou coligação?...................... ............................................................... 329
Está correto se um determinado partido registrar em uma eleição para Deputado
Federal 40% (quarenta por cento) de candidatos do sexo feminino e 60% (sessenta
por cento) do sexo m asculino?................................................................. 330

Como se dá a numeração dos candidatos a Senador, quando houver duas vagas


para ser preenchidas por Estado-membro e Distrito Federal?............................. 330
P=' Há prioridade na escolha dos números de identificação de candidatos?............... 331
R»- Como é feita a numeração de Identificação dos candidatos em caso de coligação? .... 331
Çfe' Existe restrição relativamente ao número de caracteres do nome de candidato para
o registro de sua candidatura?.................................................................. 331
R» Se a renúncia, impedimento ou morte de candidato mais votado em cargo do
Executivo ocorrer entre o primeiro e segundo turnos de uma determinada eleição,
o partido por ele registrado ou a respectiva coligação terá o direito de indicar substituto? 333

É necessária a renúncia expressa da candidatura por candidato declarado inelegível


pela Justiça Eleitoral ou o partido político pode fazer a substituição sem a anuência
dele candidato?.......................................................................................... 333

R=' Com a Emenda Constitucional da reeleição (EC ns 16/97), os chefes do Poder


Executivo têm direito liquido e certo à recandidatura?........................................... 334

CAPÍTULO IX
PRO PAG AN DA POLÍTICA.. 359

R»- O que vem a ser "propaganda institucional"?...................................................... 360


R=- É permitido censura na propaganda eleitoral?..................................................... 362
R ' Há responsabilidade solidária entre candidatos, partidos e coligações quando
da aplicação pela Justiça Eleitoral de multas por infringência à legislação por
candidato, o qual agiu individualmente ou na companhia de outros postulantes?.......... 362
R" Em que casos há responsabilidade solidária no âmbito da aplicação da legislação
eleitoral?.................................................................................................. 363
R ' A propaganda partidária, a requerimento da agremiação partidária, poderá vir
a ser veiculada no rádio e na TV no horário matutino ou vespertino? Haverá tal
modalidade de propaganda no segundo semestre do ano eleitoral?.......................... 364
R=- O que vem a ser considerado por "direito de a n te n a "?........................................... 366
R=- Os partidos precisam pagar pelo uso do espaço na mídia (rádio e TV)? ....................... 366
R=- Quem tem legitimidade e qual o órgão jurisdicional competente para processar e
julgar as representações por irregularidades na propaganda partidária?...................... 367

R- Quando deve terminar a propaganda eleitoral? .................................................. 368

37
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - R oberto M oreira de Alm eida

i permitido usar uma faixa ou uma pintura em um mufe particular com as


71
dimensões de um "outdoor"?...................................................................... 371
73
Como se dá a propaganda eleitoral no rádio e na TV no segundo turno?.................... 373
■74
'P=' O que é propaganda eleitoral gratuita desblocada?.............. ............................... 374

P»- Quando deverá se afastar das funções um candidato apresentador de programa de


;7 5
rádio ou de T V ?...................................................................................... 375
Em que hipóteses e por quanto tempo a Justiça Eleitoral poderá determinar a
suspensão da programação normal de emissora de rádio e TV por infração à
;7 5
legislação eleitoral?.................................................................................. 375
^ Pode haver debate sem a presença de candidato com registro deferido pela Justiça
;7 7
Eleitora! e que o partido político conte com mais de nove Deputados Federais?............ 377

Ifc' Quais as sanções por descumprimento às regras do Debate Eleitoral para os


!7 7
veículos de comunicação?.......................................................................... 377
;7 9
Pesquisas e testes eleitorais para consumo interno.............................................. 379
;8 0
Acesso ao sistema interno de controle............................................................. 380
A Justiça Eleitoral é competente para deferir ou indeferir pedido de registro de
180
pesquisa eleitoral? Ela pode impedir a sua divulgação?......................................... 380
!81
Suspensão do acesso................................................................................ 38i
182
ife' Punição ao provedor de conteúdo e de serviços multimídia................................... 382
!8 5
É permitido utilizar trio elétrico em campanhas eleitorais?..................................... 385

|í=- A Lei ns 12.891/13, ao acrescentar o § 12 do art, 39 da Lei ns 9.504/97, inovou ao


!8 5
conceituar, para fins eleitorais:..................................................................... 385
S86
Homem-cartaz........................................................................................ 386
S92
É assegurado direito de resposta a terceiro?..................................................... 392
Qual a repercussão jurídica se ofendido, no momento do exercício do direito de
J9 5
resposta, não responder aos fatos veiculados na ofensa?...................................... 395

Há prioridade legal para o processamento do direito de resposta e representação


396
por propaganda irregular?.......................................................................... 395

CAPÍTULO X
SISTEMAS ELEITORAIS, ORGANIZAÇÃO TERRITORIAL E POLÍTICA DO ELEITORADO E
125
m e d i d a s PRELIMINARES À VOTAÇÃO.................................................. 425
ii- O que vem a ser "sistema majoritário por maioria simples" e "sistema majoritário
por maioria absoluta"? Qual ou quais dos sistemas foi ou foram acolhidos pela
126
democracia brasileira?.............................................................................. 426
Em uma eleição majoritária de candidato único, é possível a realização de um
126
segundo turno de votação?......................................................................... 426

Se os eleitores combinarem em votar maciçamente em branco e nulo e, de fato,


mais da metade dos votos apurados forem declarados nulos, haverá uma nova
127
eleição presidencial, para Governador ou Prefeito? Fundamente à r e s p o s t a . ....... 427

'38
(NDICE DE QUESTÕES _________

p» 0 que ocorre se mais de 50% (cinquenta por cento) dos votos forem dados a
candidato a Prefeito ("sub judice"), mas com registro de candidatura indeferido por
sentença judicial transitada em julgado? Fundamente a resposta............................... 427
P ' O que vem a ser "sistema proporcional de lista aberta", sistema proporcional de
lista fechada", "sistema distrital", "sistema distrital misto" e "sistema distritão"?............ 428
py Nas eleições proporcionais, quem figurará como suplente? Para ser suplente, o
candidato haverá de obter votação nominal mínima de 10% (dez por cento) do
quociente eleitoral? Na ocorrência de vaga, não havendo suplente para preenchê-
la, o cargo permanecerá vago?........................................................................ 432

CAPÍTULO XI
VOTAÇÃO, APURAÇÃO, TOTALIZAÇÃO DO S VOTOS, PRO CLAM AÇÃO DOS RESULTADOS
E D IPLO M AÇ Ã O D O S ELE IT O S......................................................................... 461
Ifc- No Brasil, para quem o voto é obrigatório, facultativo e vedado? .............................. 462
Çfc- Quando são realizadas ordinariamente as eleições no Brasil? Fundamente a resposta...... 463
Documento com foto e vedação do uso de celular ou máquina filmadora ou fotográfica.... 464
O que é zerésima?.................................................................................... 465

Ifc- Em quem o eleitor poderá vo tar?.................................................................... 465


ji- O que é biometria e qual sua aplicação nas eleições brasileiras?............................... 466

P=- 0 idoso que tem prioridade de votação é o maior de 60 ou 65 anos de idade?............... 466

P=' O que é legalmente previsto para facilitar a votação de pessoas analfebetas e


eleitores portadores de necessidades especiais?.................................................. 467
P»- O que ocorre se o eleitor, após a identificação, se recusar a votar ou apresentar
dificuldade na votação eletrônica antes de confirmar o primeiro v o to ?....................... 468
P - O que ocorre se o eleitor confirmar apenas um voto e abandonar a votação para
outros cargos? ........................................................................................... 468

P- O que é voto impresso pela urna eletrônica?..................................................... 469


P' Há voto em trânsito no Brasil?....................................................................... 470
P- Justificativa de não comparecimento à Eleição.................................................... 470
P O que vem a ser a "teoria da própria conta e risco" e "teoria dos votos
engavetados" no processo eleitoral? Fundamente a resposta................................... 472
P Qual o procedimento a ser adotado para a apuração da votação por meio de
cédulas? Fundamente a resposta...................................................................... 478
P Municípioscom várias Juntas Eleitorais............................................................. 482

P Quem assina os diplomas eleitorais?................................................................ 482

CAPÍTULO XII
A B U SO DE PODER, CAPTAÇÃO ILÍCITA DE SUFRÁGIOS E CONDUTAS V E D A D A S........... 503

P Exige-se a potencialidade ou gravidade da conduta para a incriminação por


captação ilegal de sufrágio?........................................................................... S14

39
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - R o b e rto M o re ira d e A lm e id a

Mévio, Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro/Rl e candidato à reeleição,


compareceu, um mês antes das eleições, a inauguração de obra pública no
município de Juiz de Fora/MG. Mévio teria praticado conduta vedada e abuso do
poder político ficando sujeito às sanções do art. 77 da Lei das Eleições?............. ...... 524

CAPÍTULO XIII
POLÍCIA JUDICIÁRIA ELEITORAL, CRIMES ELEITORAIS E PROCESSO PENAL ELEITORAL..... 547
P ' APLICATIVO MÓVEL PARDAL PARA O RECEBIMENTO DE NOTÍÍCÍAS DE INFRAÇÕES
ELEITORAIS NAS ELEIÇÕES DE 2016............ ......... ..... ........................................ 549
P ' Pena mínima dos crimes eleitorais.................................................................... 567
É permitido prender eleitor, membro de mesa receptora, fiscal de partido ou
candidato no período eleitoral?....................................................................... 568
O que é carência de A çã o?............................................................................. 569
P ' Há ação penal eleitoral privada?...................................................................... 569
Ifc" Inércia do Ministério Público Eleitoral................................................................ 570
P>- Há transação penal por prática de crime eleitoral?................................................. 570
P ' Quando a denúncia ou a queixa-crime deve ser rejeitada?....................................... 576
P=- Qual o recurso cabível da decisão judicial que não recebe a denúncia ou a quebça-crime?.. 576
P"" Quantas testemunhas podem ser arroladas no procedimento comum ordinário?........... 578
P - Como deve ser citado réu militar, funcionário público e preso?................................. 579
P=^ Há citação com hora ceita no processo penal brasileiro?................... .................. 579
P ' Qual o prazo para apresentação das alegações finais orais pelo assistente da acusação? .... 581
P»- Alegações finais escritas (memoriais)....................... 581
P - Termo de assentada..................................................................................... 581
P» Procedimento sumário substitutivo de sumarfssimo.............................................. 582
P»" Delegação da prática de atos processuais........................................................... 585

CAPÍTULO XIV
AÇÕES CONSTITUCIONAIS E AÇÕES ESPECIAIS ELEITORAIS.................................... 615
P * O que fazer quando a documentação comprobatória do direito líquido e certo
estiver em poder da autoridade coatora?........................................................... 618
P=" Qual o recurso cabível da decisão do relator que indeferir pedido de liminar em
Mandado de Segurança?............................................................................... 618
P»- A quem cabe a instrução do processo de Mandado de Segurança em causas
originárias de tribunais?................................................................................ 620
P ' Candidatos "sub judice" (Lei da Ficha Limpa), votos não computados e "Teoria dos
Votos Engavetados"...................................................................................... 635
P» Quando haverá novas eleições majoritárias e quando será chamado o segundo
colocado para tomar posse no cargo eletivo em caso de indeferimento em
definitivo de candidato "sub judice"?................................................................ 635

40
ÍNDICE DE QUESTÕES

P»- Há possibilidade de propor AIJE após a dipiomação?............................................. 636


Formação do lítisconsórcío passivo necessário em RCD, AIME, AIJE e
representações eleitorais............................................................................... 643

CAPÍTULO XV
RECURSOS ELEITO RAIS................................................................................... 683
ft- APLICAÇÃO DAS N O RM AS DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL (LEI N.s
13.105/2015) NO ÂMBITO DA JUSTIÇA ELEITORAL................................................ 684
Há teses contrárias à teoriarecursal?................................................................. 687
Duplo grau de Jurisdição................................................................................ 687
9=- Desuso do recurso parcial.............................................................................. 705
Ifc” É cabível ROE de decisões oriundas de eleições municipais?.................................... 710
(*>• Reexame da matéria probatória em sede de recurso extraordinário............................ 714

CAPÍTULO XVI
FIN A N C IAM EN TO E PRESTAÇÃO DE CONTAS ELEITORAIS E PAR T ID Á R IA S................. 737
ft- Qual O limite de doação de um candidato a ou tro?................................................ 740
ft- Os gastos eleitorais encartados no art. 26 da Lei das Eleições são taxativos ou o rol
é meramente exemplificative? ........................................................................ 748
ft- Prato para conservação da documentação comprobatória das contas partidárias........... 754
(!>• Qual deve ser o comportamento da agremiação parbdária, se viera receber uma
doação oriunda de fonte não identificada?.......................................................... 763
9=- Qual deve ser a destinação das sobras de cam panha?............................................ 763

41
C ap It u l o I

I ntrodução ao
D ireito E leitoral

SU M A RIO * 1. Introdução ao direito eleitoral. 1.1. Conceito de Direito Eleitoral. 1.2. Objeto. 1.3.Taxonom iaé
autonomia. 1.4. Fontes. 1.4.1. Fontes diretas. 1.4.2. Fontes indirctAs. 1.5. Codificações eleitorais. 1.6. Com petenda
legislativa. 1.7. Princípios do Direito eleitoral. 1.7.1.. 1.7.2. Princípios do Direito eleitoral cm espécie. 1.7.2.1.
Princípio da anualidade ou da antcrioridade da lei eleitoral. 1.7.2.2. Princípio da celeridade. 1.7.2.3. Princípio
da periodicidade da investidura das funções eleitorais. 1.7.2.4. Princípio da lisura das eleições ou da ísonomia de
oportunidades. 1.7.2.3. Princípio da responsabilidade solidária entre candidatos e partidos políticos. 2. Sinopse.
3. Para conhecer a jurisprudência. 3.1. Informativos. 3.2. Jurisprudência selecionada. 4. Questões de exames c
concursos. 4.1. Questões extras. 5. Gabarito.

1. IN T R O D U Ç Ã O A O D IR E IT O E L E IT O R A L

1.1. C on ceito de D ireito E leito ral

Segundo Fávila Ribeiro', “o Direito Eleitoral, precisamente, dedica-se ao estudo das normas
e procedimentos gue organizam e disciplinam o funcionamento do poder de su fr^ io p o p ü E , de
modo a que se estabeleça a precisa adequação entre a vontade do povo e a atividade fiovernamental”.
De acordo com Ornar Chamon^, "o Direito Eleitoral, ramo autônomo do ditó^ gúblico,
regula os direitos políticos e o processo eleitoi^. Todas as Constituições trataram^^^
Cuida-sé deTri'sfrumemq.parajf efetiva demoçraçia, ou se ^
popular na atividade estatal”.
N a lição de Joel José Cândido’ , “Direito Eleitoral é o ramo do Direito Público que trata de
institutos relacionados com os direitos políticos e das eleições, em todas as suas fases, como forma
de escolha dos titulares dos mandatos eletivos e das instituições do Estado”.
Conforme os ensinamentos de Bernard Maligner^, o Direito Eleitoral “e’est done la blanche
du droit qui permet de donner um contenu concret à I’affirmation de príncipe suivant laquelle
‘la souveraineté nationale appartient au peuple”".
Conceituamos o Direito Eleitoral como o ramo do D irdtq Rúblico constituído por normas^
e princípios disçiplinadqres do alistamento, da C9mvençâo .pattidária,JÍarcgistto de candidaturas.

1. RIBEIRO, Fávila. Direito eleitoral. Rio d e Janeiro; Forense, 2000, p. 04.


2. C H A M O N , Ornar. Direito eleitoral. S3 o Paulo: M étod o, 2006, p. 21.
3. C Â N D ID O , Joel José. Direito eleitoral brasileiro. S S o Paulo: Edipro, 2004, p. 20.
4. M A LIG N E R , Bernard. Droit électoral. Paris: Ellipses, 2007, p. 11.
5. é o ram o d o direito que perm ite conferir conteúdo concreto á afirm ação d o princípio se gu n d o o qual a soberania
nacional pertence a o povo.

43
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - R o b e rto M o re ira d e A lm e id a

da propaganda política, da votação, da apurado e da diplomação dos eleitos, bem como das açóes,
medidas e demais garantias relacionadas ao exercício do^ufrágiò popular.

1.2. Objeto
Incumbe ao Direito Eleitoral tratar sobre:
• A organização da Justiça e do Ministério Público Eleitoral;
• As diversas fases do processo eleitoral:
a) o alistamento eleitotal: inscrição, transferência, revisão, cancelamento e exclusão de eleitores;
b) a convenção partidária: momento e disciplinamento para escolha de candidatos e for­
malização de coligações;
c) o registro de candidatos: competência dos órgãos jurisdicionais, documentação necessária
para o registro e demais regras específicas;
d) a propaganda política: o disciplinamento da p ro p ^ an d a partidária, intrapartidária e
eleitoral;
e) os atos preparatórios à votação: distribuição das seções eleitorais e sua composição,
material para votação, organização das mesas receptoras e respectiva fiscalização;
f) a votação: a forma do voto e do sufrágio, os lugares de votação, a polícia dos trabalhos, o
horário de início e de encerramento da votação;
g) a apuração; e
h) a diplomação dos eleitos.
• A estruturação dos partidos políticos®;
• A fixação das regras de competência e procedimentos em matéria eleitoral;
• O estabelecimento de punições administrativas e criminais no âmbito eleitoral, etc.

1.3. Taxonomia^ e autonomia


O Direito Eleitoral é, indubitavelmente, ramo do direito público, pois cuida, sobretudo, das
medidas e demais garantias relacionadas ao exercício do sufrágio popular.
Com efeito, as normas e princípios emanados deSse ramo da dogmática jurídica são cogen­
tes, principalmente quando disciplinam as relações entre as entidades, órgãos e agentes públicos
com particulares (pessoas físicas e jurídicas), a estruturação de órgãos destinados ao exercício da
atividade político-administrativa em prol do interesse público calcado no regime democrático e
na concretização do Estado Democrático de Direito.
N ão menos indiscutível é asseverar que o Direito Eleitoral adquiriu autonomia científica,
didática e normativa.

e. Discute-se em sede doutrinária se a questão relacionada à disciplina dos partidos políticos, que são pessoas jurídicas
de direito privado, integra ou não o Direito Elejtoral.
7. Taxonomia ou taxionomia consiste na ciência da classificação.

44
Capitu lo I . INTRODUÇÃO AO DIREITO ELEITORAL

Dizemos que há autonomia científica porque existem normas e princípios próprios de Direito
Eleitoral, os quais serão examinados ao longo do presente livro
A autonomia didática calca-sç na presença de disciplinas específicas de Direito Eleitoral nos
cursos de graduação e pÓs-graduação em direito.
No que concerne à autonom ia normativa, encontramos no ordenamento jurídico brasi­
leiro uma grande quantidade de normas jurídicas autônomas e específicas de Direito Eleitoral,
exempli gratia, dentre outras, a Lei n® 4.737, de 15 de julho de 1965 (Código Eleitoral); a Lei n“
9.096, de 19 de setembro de 1995 (Lei O rgânica dos Partidos Políticos); a Lei n® 9.504, de 30
de setembro de 1997 (Lei das Eleições); e a Lei Complementar n® 64, de 18 de maio de 1990
(Lei das Inelegibilidades). Tais diplomas legais, como já foi salientado, sáo normas jurídicas de
efeito cogente (imperativo), isto é, não podem ser alteradas em prol de interesses de particulares
(eleitores, candidatos ou partidos políticos) envolvidos no processo eleitoral.

1 .4 . Fontes
O vocábulo fonte, originariamente, refere-se ao local onde algo é produzido, isto é, à sua
procedência ou à sua origem. Designa a n ^ çen tt d’3 g ^ - N o campo jurídico, fela-se
em fontes históricas, materiais (reais) e formais. Nas lições de John Gilissen': a) fontes históricas:
são todos os documentos prévios que influenciaram a formação do diploma normativo; b) fontes
materiais ou reais: são as concepções filosóficas, doutrinárias e até religiosas que justificam o direito
posto em determinada época; e c) fontes formais; são as formas de expressão do direito e refletem os
meios de elaboração e sistematizaçâo das normas jurídicas e do direito em um determinado grupo
sociopoiítico. [GILISSEN, John, Introdução histórica ao direito, Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1986,
p. 135]. Elencam-se ainda as fontes formais estatais (as oriundas do devido processo legislativo) e
as fontes formais não estatais (aquelas não positivadas, ou seja, os.costumes e o negócio jurídico).
As fontes do Direito Eleitoral, isto é, aquelas que dizem respeito à sua origem ou ao fim-
damento do direito, podem também ser classificadas em dois grandes grupos: fontes diretas ou
primárias e indiretas ou secundárias.

1.4.1. Fontes d iretas


São fontes diretas ou primárias do Direito Eleitoral, dentre outras:

A ) A_^
Ê a fonte suprema.
O je ^ e ito Eleitoral brasileiro, como todos os demais ramos da dogmática jurídica, retira
fundamento de validade da Constituição Federal promulgada e publicada em cinco de outubro
d e i9 8 5 . ____ ________
É Qélâ^nde estão inseridas os princípios fujndaj^êntài&eleito^ísticos, as dispçtri^es.açerca
da forma e dg sktema de goyernoiiegrasgerais sohre m direitos politicos e p ^ d o s

8. tUSSEN, John. Introduçõo histórica ao direito. U sb oa; Calouste Gulbenkian, 1986, p. 135.
9. Por simetria constitucional, pode-se dizer que as Constituições Estaduais, a Lei Orgânica do Distrito Federal e as
Leis Orgânicas dos Municípios também são fontes,diretas de Direito Eleitoral.

45
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - R o b e rto M o re ira d e A lm e id a

políticos, bem como, dentre outros relevantes temas, a organização da justiça Eleitoral e a com­
petência legislativa em matéria eleitoral.

B ) O C ó^go E le ito ral (L e i 4 .7 3 7 , de 1 5 .0 7 .1 9 6 5 ) e le is po steriores que o


alteraram
O Código Eleitoral, embora promulgado à época de sua edição como lei ordinária, foi re-
cepcionsdp^çomo lei complementar pelo caput á o art, 121 da Lei Ápice de 1988.
Dispõe acerca da organiução e do exercício de direitos políticos, precipuamente os de votar
e o de servotedo; estabelece a co ih ^ siçã o e a competência da JustiçalEleitoral; fixa as regras ati-
nentes ao alistamento eleitoral, aos sistemas eleitorais, ao r a s t r o de candidaturas, à propaganda
política, aos atos preparatórios e à votação propriamerité dita, à apuração e à diplomaçáo dos eleitos.
Aborda, ademais, as garantias eleitorais, os recursos e as disposições penais e processuais
penais eleitorais.
Está em vigor, salvo na parte não recepcionada pelo texto constimcional, bem como na parte
derrogada pela legislação superveniente.

C ) A L e i O rgânica dos P artid o s P o liticos (L O P P )(L ei n "9 .0 9 6 , de 19.09.1995)


A LOPP dispõe, dentre outros assuntos, sobre a criaçáo e o registro dos partidos políticos; o
funcionamento parlamentar; o programa, o estatuto e a filiação partidária a fidelidade e a disciplina
partidárias; a fusão, a incorporação e a extinção das agremiações partidárias; a prestação de contas
e 0 fundo partidário, bem como o acesso gratuito das entidades partidárias aó rádio e à televisão.

D ) A L e i d as In ele^b ilid ad es (L ei Com plem entar n<* 64, de 18.05.1990)


A LC rt.° 64/90 regulamenta o § 9 .° do art. 14 da Gonstituiçâo Federal, ao fixar os casos
específicos de inelegibilidade, os prazos de cessação e determina outras providências. Foi substan­
cialmente alterada pela Lei da Ficha Limpa (LC n .° 135/10).

E ) A L e i d as Eleições (L ei 9 .5 0 4 , de 3 0 de setem bro de 1997)


A LE fixa normas gerais para as eleições brasileiras, tais como as regras atinentes à formação
de coligações, ao registro de candidatos, à arrecadação e à aplicação de recursos nas campanhas
eleitorais, à prestação de contas, às pesquisas e testes pré-eleitoraís)'à propaganda eleitoral em
geral, ao direito de resposta, ao sistema eletrônico de votação e à totalizaçáp dos votos, às Mesas
Receptoras, à fiscalização das eleições, assim como às condutas vedadas aos ruentes públicos em
cam p ^ h as eleitorais.

► INDAt.At.ÃO D I D Ã n C A

pmvisóriapodeser«N|ttÃÍ|»'nibK matéria cIcitQtai ott


Não. É vfdad.i 3. cdiç.iu clc m edilias ptovisótias sobre m au ■i lElaciv) a a ddadaniT,
.1 direitos poliiiLUs, .<|i.irtidos polí[ic9lt.«KjDKeitO Eleitoral (CF. art fi2, , de acordo
to m a E C n" 32/01).

46
Capítulo I . INTRODUÇÃO A O DIREÍTO ELEITORAL

1 .4 .2 . Fontes in d iretas
São chamadas fontes indiretas ou subsidiárias porque podem ser aplicadas supletivamente
ao Direito Eleitoral, a saber:

A ) Código P en al (C P )
O CP fixa as regras gerais para:
i) aplicação da lei penal; anterioridade da lei, lei penal no tempo, lei excepcional ou tem­
porária, tempo do crime, territorialidade, lugar do crime, extraterritorialidade, pena cumprida
no estrangeiro, eficácia de sentença estrangeira, contagem de prazo e frações não computáveis
da pena;
ii) o crim e: relação de causalidade, superveniência de causa independente, re le t^ c ia da
omissão, crime consumado e tentado, desistência voluntária e arrependimento eficaz, arrepen­
dimento posterior, crime impossível, crimes dolosos e culposos, descriminantes putativas e erros
sobre elementos do tipo e sobre a ilicitude d o fiito, coação irresistível e obediência hierárquica e
exclusão da ilicitude por estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento do dever
legal ou por exercício regular do direito;
iii) a im putabilidade penal e o concurso de pessoas;
iv) as penas: privativas de liberdade, restritivas de direitos e multa;
v) a aplicação d a pena; fixação da pena, critérios especiais da pena de multa, circunstâncias
agravantes e atenuantes, cálculo da pena no concurso material, no concurso formal e no crime
continuado, limites das penas em trinta anos;
vi) dá suápensão cóndicionál da pena, do livramento condicional;
vii) os efeitos da condenação, da reabilitação, das medidas de segurança e da extinção
de punibilidáde'°.

B ) Código de Procesio P en al (C PP)


O CPP estabelece p disciplinamento relativo ao processo penal em geral [inquérito policial,
ação penal, ação civil, competência, questões prejudiciais e processos incidentes, conflito de
jurisdição, restituição das coisas apreendidas, medidas assecuratórias, incidentes de fitlsidade e
mental do acusado, meios de próva em geral, atores processuais (juiz. Ministério Público, acusa­
do, defensor, assistentes e auxiliares da justiça), prisão, medidas cautelares e liberdade provisória,
citações e intimações, aplicação provisória de interdições de direitos e medidas de segurança e
sentença], aos processos em espécie, à execução, às núlidades e aos recursos ém geral, bem como
às relações jurisdicionais com autoridades estrangeiras.
A propósito da aplicàçãõ do CPP ao procèsso penal eleitoral, reza o art. 364 do Código
Eleitpj;j: “ 1^0 processo e julgamento dos crimes çleiforais e dos comuns que lhe forem conexos,
assim como nos recursos e na execução, que lhes digarti respeito, aplicar-se-á como lei subsidiária
oU supletiva, o Código de Processo Penal” . "

10. Especial destaque está contido no art. 12 do Código Pefiàl; "As regras gerais deste Código apllcam-se àos fatos
Incriminados por lei especial, se esta nSo dispuser de mddo diverso". No mesmo dIapasSo, dIspSe o art. 287 do
Código Eleitoral; "Aplicam-se aos fatos incriminados nesta Lei as regras gerais do Código Penal".

47
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - fío b e rto M o re ira d e A lm e id a

C) Código C iv il (CC)
O Direito Civil fornece ao Direito Eleitoral, dentre outros, os conceitos de domicílio,
pessoa física e jurídica, capacidade, responsabilidade, direitos de personalidade, decadência
e prescrição.
Também fixa os graus de parentesco e regramentos para casamento, união estável e união
homoafetiva, temas indispensáveis para a aplicabilidade das diretrizes atinentes às inelegibilidades.
Por fim, nas campanhas eleitorais, dentre outros, é indispensável conhecer diversos ins­
titutos jurídicos originalmente civilísticos, tais como doação de recursos (a partidos políticos
e candidatos), assunção de dívidas e cessões de débitos, fornecimento de materiais e prestação
de serviços.

D ) Código de Processo C iv il (CPC).


O C P C orienta os operadores do direito como devem proceder na contagem dos prazos
processuais e estabelece diretrizes gerais recursais. É aplicado subsidiariamente ao processo eleitoral
em tudo aquilo em que a lei eleitoral não tenha disposto de forma diversa.

E) Resoluções do T ribun al Su perior EleitoraV^*^


De grande valia as resoluções emanadas do T S E (plenário do TSE).
Estão relacionadas ao poder normativo da Justiça Eleitoral, cujo respaldo legal está encartado
nos arts. 1°, parágrafo único c/c o art. 23, inc. IX do Código Eleitoral.
Entendemos que, não obstante figurarem como uma das fontes de maior importância do
Direito Eleitoral, devem ser editadas no exercícip do poder regulamentar, ou seja, como norma
“secundum legem".
C om efeito, reza a Lei das Eleições: “Até o dia 5 de março do ano da eleição, o Tribunal
Superior Eleitoral, atendendo ao caráter regulamentar e sem restringir direitos ou estabelecer
sanções distintas das previstas nesta Lei, poderá expedir todas as instruções necessárias para
sua fiel execução, ouvidos, previamente, em audiência pública, os delegados ou representan­
tes dos partidos políticos” (Lei n" 9 .5 0 4 /9 7 , art. 105, caput, com redação dada pela Lei n“
12.034/09).
N a prática, todavia, tem-se observado crescente expansão da atividade regulamentar do
T SE , com a edição de resoluções com conteúdo de norma autônoma não emanada do Congresso
Nacional, o que fez, certamente, alguns doutrínadores a classificarem tais atos normativos como
fontes primárias ou diretas de Direito Eleitoral'*.

11. Tam bém consideram a s resoluções editadas pelo TSE co m o fontes indiretas ou subsidjárias de Direito Eleitoral:
Fávila Ribeiro, Francisco Dirceu Barros, Thales Tácito Cerqueira, Cam ila A lbuquerque Cerqueira e Ornar Cham on.
Este últim o chega a reconhecei^ que não é tarefa pacifica inform ar a natureza jurídica d as resoluções ao asseverar,
In verbis: 'P are ce-nos que, por absoluta ausência d e autorização constitucional, a Justiça Eleitoral não tem com ­
petência para editar norm as com o patam ar d e lei. A jurisprudência encontra-se dividida sobre o tem a" (Direito
Eleitoral, p. 26).
12. N o âm bito estadual e n o território d o D istrito Federal, o s tribunais regionais eleitorais devem cum prir e fazer
cum prir a s decisões e instruções d o Tribunal Superior Eleitoral (CE, art. 30, inc. XVI).

13. Joel José Cândido, por exemplo, considera a resolução d o TSE fonte direta de Direito Eleitoral. Assevera que tal ato
norm abvo tem força de lei ordinária IDireito eleitoral brasileiro, p. 20)

48
C apitulo I . i n t r o d u ç ã o A O DIREITO ELEITORAL

F ) C o n su ltai*
O T S E pode responder, sobre matéria eleitoral, às consultas que lhe forem feitas, em tese,
por autoridade com jurisdição federal òu por órgão nacional de partido político (competência
consultiva prevista no inc. XII do art. 23 do Código Qeitoral decorrente de delegação constitu­
cional contida no art. 121 da C F/88).
D ois são os requisitos para que possam ser respondidas (condições de admissibilidade):
i) apresentação p o r au torid ade com petente [com jurisdição federal (“exempli gratia”.
Tribunal Regional Eleitoral, Senador da República, Deputado Federal) ou por órgão nacional de
agremiação partidária (“verbi gratia”, presidente do diretório nacional do PST U )]; e
ii) indagação em tese: jamais deverá ser respondida consulta (brmulada sobre i&to concreto.
Inobstante não terem caráter vinculante, podem servir as respostas dadas às consultas como supone
para futuras decisões judiciais.
D aí a importância das consultas para o Direito Eleitoral.
Acerca das consultas respondidas pelo T S E , a propósito, já assentou o STF'^ ^ “ato norma-
tívo em tese, sem.efeitos concretos,-por-se tratarjJcj)rientaçãQ sem força executiva çpmjreferência
a situaçâq^]urtílça.de.qualquer pessox em^axtLçulai;”.

1.5> Codificações eleitorais'^


A partir da Revolução de 1930, o Brasil ingressou na era das codificações eleitorais. Desde
então, o país já contou com quatro códigos, a saber:

A ) O D ecreto n ° 2 1,076, de 24 .0 2 .1 9 3 2
O Decreto n.° 21.076/32 possuía 144 artigos e era dividido em cinco partes, o que foi
seguido pelos demais códigos.
É considerado o primeiro Código Eleitoral brasileiro.
Foi editado sob os reclamos oriundos da Revolução de 1930.
Criou a Justiça Eleitoral; instituiu o voto feminino; previu o sufrágio universal, o voto direto
e secreto em aibina indevassável; e o eleitor tinha legitimidade para propor ação penal eleitoral.

B ) A L e i n” 48, de 04.05.1935'^
Tal qual o primeiro, o ségurido C ódigo Eleitoral adveio sob á.Erá Yá'r^.

14. Os tribunais regionais eleitorais também respondem a consultas, s o b re matéria eleitoral, em tese, quando formu­
ladas por autoridade pública estadual ou do Distrito Federal (exemplo; Juiz Eleitoral, Deputado Estadual, diretório
estadual/distrital de partido político, etc. (CE, art. 30, inc. VIII).
15. STF, RMS n.» 21.185/DF, Relator Min. Moreira Alves, j. de 14.12.1990.
16. Tramita no Congresso Nacional projeto de lei complementar (PLC ns 195/94) que se propõe a ser o futuro Código
Eleitoral ou, na redação do próprio diploma normativo, o "Código de Poder de Sufrágio".
17. Em 1937 foi decretado um Estado de excejão democrática no Brasil com a implantação do denominado Estado Novo
por Getúilo Vargas. Foi nesse ano decretada a extinção da Justiça Eleitoral, a abolição das agremiações partidárias
existentes e a suspensão das eleições livres no pais. Perdurou o regime autoritário até 194S, quando se deu a queda
do presidente Vargas, a redemocratização nacional, a eleição do presidente Eurico Gaspar Dutra e a promulgação
da Constituição Federal de 1946 (democrática).

49
CU RSO D E DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

Consistiu em um diploma l^ a l com 217 artigos. '


D ispôs, em capítulo próprio (arts. 4 9 a 57), acerca da atuação do M inistério Público em
todas as fases do processo eleitoral; e acrescentou, com o órgãos integrantes do Judiciário, as
Jun tas Eleitorais (na época cham adas de Juntas Especiais) incum bidas de apurar as eleições
m unicipais.
O s Juizes Eleitorais passaram a ter competência para processar e julgar os crimes eleitorais
(competência esta até então privativa dos Tribunais Eleitorais).
Reduziu os prazos prescricionais para a prática de crimes eleitorais para cinco anos (quando
previstas penas privativas de liberdade) e dois anos (nos demais casos)'^

C ) A L e i n» 1.164, d e 2 4 .0 7 .1 9 5 0
O terceiro Código Eleitoral possuía 202 artigos.
Foi editado quando da vigência da Constituição Federal de 1946.
Previu o sufrágio universal e o voto direto, obrigatório e secreto.
Acolheu, tal como hoje, os sistemas eleitorais proporcional e majoritário.
Dispôs sobre a propaganda eleitoral em capítulo específico.
Não destinou capítulo próprio ao Ministério Público Eleitoral.

D ) A L e i n» 4.737, de 1 5 .07.1965
É 0 quarto e atual Código Eleitoral. Embora lei ordinária, foi recepcionado como lei com­
plementar pela Constituição de 1988.
Possui 383 artigos e está organizado em cinco partes:
I. Parte Primeira - Introdução (arts. 1® a 11);
II. Parte Segunda —D os Órgãos da Justiça Eleitoral (arts. 12 a 41);
III. Parte Terceira - D o alistamento (arts. 42 a 81);
IV. Parte Quarta - Das Eleições (arts. 82 a 233); e
V. Parte Quinta - D isp o si0 es várias (arts. 234 a 383).

► i \ n A ( , A ( \() n i D Á n c A

R' H ou ve u m q u in ta

Não. Em 28.05.194
um diploma legal clcitor.il um a
m ciitáo em scr Código Hlc noem am o, foi

18. O se gu n d o C ó digo Eleitoral teve ápiicabilidadé efêmera, pois e m 10 d e h o v e m b io d e 1937, o Presidente G etúlio
Vargas decretou o Estado Novo, im pôs o fecham ento d o C o ngresso NaCjõnál/e^extinçao d o s partidos políticos e
outorgou u m a nova Constituição, qu e lh e cimferiu o controle total do’P oder Executivo, bem com o, n ã o permitiu a
realização d e eleições, inclusive, para o Poder Legislativo. Som ente e m '29de>outubro de 1945, com a deposição
de Vargas pelos militares, é qu e foi restabelecida a dem ocracia no Brasil. '

50
Capítulo I . INTRODUÇÃO AO DIREITO ELEITORAL

u t sido o tesponsávcl pclo rcnasLimcncu da Justiça Eleitoral brasileira, extinta pela ContiituiçSo de 1937.
A d o u ti|tia brasileira, em sua maioria, não u clcnca como um Código Elcitar,il’. .'■. i - .

1.6. C om petên cia leg islativ a

A competência para legislar sobre Direito Eleitoral é privativa da União.


Com efeito, assim dispõe o inc. I do art. 22 da Lei Ápice, in verbis:
" A rt. 2 2 , Compete p riva tiva m e n te à U n iã o le ^ s la r sobre: I — direito c ivil, comercial, penal, processual,
eleitoral... ”

Não obstante incumbir à União legislar sobre Direito Eleitoral, nada impede que os Estados e
o Distrito Federal legislem específica e supletivamente sobre os mecanismos de democracia direta
nos seus respectivos territórios.
Esses meios de democracia direta” estão inseridos nos incisos I a III do art. 14 da C F de
1988. São eles: plebiscito, referendo e iniciativa popular.^
Por fim, é digno de registro informar que, tal qual estatuído no parágrafo único do art. 22 da
Constituição Federal, léi complementar federal poderá autorizar que os estados-membros legislem
sobre questões específicàs de Direito Eleitoral.

1.7. P rin cíp ios do D ireito E leito ral

1.7 .1 . Conceito depH ncipio


O vocábulo princípio tem vários sentidos ou significados.
Jânio Quadros^' elencou os seguintes significados da palavra sob disceptação: " é ato de princi­
piar; momento em que se fàz alguma coisa pela primeira vez ou em que alguma coisa tem origem;
causa primária; origem; começo; razão fundamental; elemento que predomina na constituição
de um corpo organizado; regra; teoria; preceito moral; estreia; germe; opinião; modo de ver; o
princípio da vida; primícias; rudimentos: antecedentes; opiniões: convicções; regras fundamentais
e gerais de qualquer ciência ou arte”.
Segundo ensinam ento de R obert Alexy^^ princípios “são norm as que ordenam que
algo seja realizado na m aior m edida possível dentro das possibilidades jurídicas e fáticas
existentes” .
N o campo jurídico, princípio pode ser empregado no sentido de regra fundamental, regra
padrão ou regra paradigma à ciência do direito^.

19. Sobre plebiscito, referendo e iniciativa popular, vide capitulo III, item 1.2., d o presente livro.
20. Conf. art. 16, CF, com a redação determ inada pela Em endá Constitucional ne 4, de 14 de setem bro de 1993.
21. Q U AD RO S, Jânio. N o vo dicionário prático da língua portúguesâ, p. 923.

22. ALEXV, Robert. Teoria dos direitos fundam entais. Trad. Virgílio A fonso d a Silva. Sáo Paulo: M alheiros, 2008, p. 90/91.

23. A LM E ID A , Roberto M oreira de. Teoria g e ro /d o processo; c /v A A Ç n o le troóa//»5fo. 4> edição, p. 24.

51
CU RSO OE DIREITO E U ITO R A L - Roberto Moreira deMrruáda

1.7-2. P rin cípios do D ireito E leito ral em espécie

1 .7 .2 .1. P rin cipio d a an u alid ad e ou d a an terioridad e d a le i eleito ral


E o princípio que está inserido no art. 16 da Constituição Federal^^, com a redação dada pela
E C n ° 4/93, assim redigido; "a lei que alterar o processo eleitoral entràré ètn vigor na data de sua
publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até 1 (um ) ano da data de sua vigência”.
Destarte, para que uma lei modifícadora ou alteradora do procésso eleitoral produza eficá­
cia especificamente a determinado pleito, ela terá que ser publicada no Diário Oficial da União
(D O U ), no mínimo, um ano e um dia antes da data da respectiva eleição.
O que se deve entender por “lei”?
Interessante resposta é dada por Rodrigo Moreira da Silva” , à qual nos filiamos, in verbis-.
“Repare que a Constituição refere-se a ‘lei que alterar o processo eleitoral'. Trata-se, nesse caso, de lei
em sentido amplo, ou seja, qualquer norma capaz de inovar o orderuimentojurídico. Excluem-se d a i
os regulamentos, que são editados apenas p ara promover a fie l execução da Ui e que não podem ex­
trapolar os limites dela. Não podem os regulamentos criar algo novo. Em junção disso, '(...] essa regra
dirige-se ao Poder Legjslativo porque apenas ao parlamento i dado inovara ordemju ríd ica eUitoral'. A
consequência prática disso é a inaplicabilidade do princípio ao pqdernom uuivo do Tribunal Superior
EUitoral (TSE), logo as resoluções desse Tribunal, editadaspara dar bom andamento às eUições, podem
ser expedidas há menos de um ano do pleito eUitoral (art. 105 da Lei n "9-50411997)”.
E o que pode vir a ser entendido por processo eleitoral para finç do referido art. 16 da
Constituição Federal?
A resposta foi dada em duas ocasiões pelo próprio Supremo Tribuii^ f*ederí|l,
A primeira, quando do julgamento da A D I 3.345, na qual se discutia a eventual inconstitu-
cionalidade da Resolução do T SE que fixava o número de verèadòres. Extrai-se, a propósito, do
Informativo ST F n ° 398, de 22 a 26 de agosto de 2005, que a norma do art. 16 da Constituição
Federal, “consubstanciadora do princípio da anterioridade da lei eUitoral, fo i prescrita no intuito
de evitar que o Poder Legislativo pudesse inserir, casuisticamente, no processo eUitoral, modificações
que viessem a deformá-lo, capazes de produzir desigualdade de participação dos partidos e respectivos
candidatos que neU atuam ”.
A segunda, quando do julgamento da A D I n ° 3.741, o Pretório Excelso decidiu haver vio­
lação,do postulado da anterioridade ou anualidade da lei eleitoral quando 3. xíoxtav. a) produzir
rompimento da igualdade de participação dos partidos politicos e dos respectivos candidatos no processo
eUitoral; b) introduzir deformação de modo a afetara normalidade das eleições; c) contiver dispositivo
consideradofator de perturbação do pUito; ou d ) derivar de alteração motivadaporpropósito casufstico.

24. O art. 16 da CF foi redigido originariam ente co m o seguinte conteúdo; "A lei que alterar o processo eleitoral só
entrará em vigor um ano ap ós a sua promulgação". N o m eio jurídico tal texto legal passou a ser Intitulado oú conhe­
cido co m o "principio da anualidade eleitoral". Verificou-se, no entanto, no texto transcrito, um a atecnia legislativa,
pois houve no dispositivo certa confusão entre vigência e eficácia da norm'a. A EC nv 4, publicada n o Diário Oficial
da U nião de 15.09.1993, aperfeiçoou a redação e tornou clara a matéria. Com efeito, com a novel p re v j^ p não
há dúvidas de que a lei entrará em vigor na data dé sua publicação (vigência), m as não produzirá efeitos Jurídicos
(n ão terá eficácia) para eleição que ocorra a m en os de um ano da data de sua publicação,
25. SILVA, Rodrigo M oreira da. Principio da anualidade eleitoral. Brasília: Revista Eletrônica EJE, n.a 4, a n o 3,2013.

52
C a p ítu lo I •in t r o d u ç ã o AO DIREITO ELEITORAL

I.7 .2 .2 . P rin cipio d a celeridade


Em razão da temporariedade do exercício dos mandatos eletivos, o Poder Judiciário tem de
dar a maior prioridade possível na apreciação dos feitos eleitorais.
C om efeito, estando para ser apreciado um processo oriundo da Justiça Eleitoral e outro
advindo da Jusdça Com um , o magistrado dará prioridade àquele, ressalvados apenas os casos de
“habeas corpus” e de mandado de segurança.
A tapidet ha oamitaçlpprocessual, portanto, deve ser a marca registrada do processo eleitoral.
C om o reflexo do princípio da celeridade no processo eleitoral, é possível elencar:
a) recursos: devem os recursos eleitorais, na sua maioria, ser interpostos, no prazo de 3 (três)
dias (CE, art. 258), salvo exceções expressamente previstas em lei“ c, via de regra, não terão efeito
suspensivo^^ (CE, art. 257);
b) irreconibilidade das. decisões do T S E : o T S E é a última instância possível para recursos
em matéria estritamente eleitotal“ ;
c) p red usão instantânesp como o processo eleitoral é composto de uma sucessão de flises
bem definidas e sucessivas (alistamento, convenção partidária, registro de candidaturas, propagan­
da eleitoral, votação, etc.), concluída uma, não podem mais ser impugnadas eventuais nulidades
ocorridas em fases anteriores, salvo matérias de ordem constitucional ou l^ a l de ordem pública,
isto é, as impugnações decorrentes de irregularidades ou nulidades relativas devem ser alegadas
de imediato, sob pena de predusão (“exempli gratia”: i) art. 147, § 1® d o C E : “A impugnação à
identidade do eleitor, formulada pdos membros da mesa, (iscais, delgados, candidatos ou qualquer
eleitor, será apresentada verbalmente ou por escrito, antes de ser o mesmo admitido a votar”; ii)
art. 149 do C E : “Não será admitido recurso contra a votação, se não tiver havido im p u ^ ação
perante a Mesa Receptora, no ato da votação, contra as nulidades a i^ id a s”); e
d) prazo de um an o com o du ração razoável do processo eleitoral q u e p o ssa resultar
em p erda de m an dato: a tramitação do processo eleitoral que possa redundar em perda de

26. Há recursos eleitorais a ser apresentados n o prato d e 24 (vinte e quatro horas), tais como, por exempio, na Lei n<
9.504/97: i) art. 58, $ S t: da decisão sob re o exercido d o direito d e resposta cabe recurso à s instâncias superiores,
em vinte e quatro horas da data d a su a publicação e m cartório o u sessão; ii) art. $ 8>; qu an do cabível recurso
contra a decisão, este deverá seç apresentado n o prazo d e vinte e quatro horas da publicação da decisão em cartório
ou sessão, assegurado a o recprridp o o le te d m e n to d e contrarrazões, e m igual prazo, a contar d a sUa notíficação".
Sobre recursos eleitorais, vide Çapftulo XV,
27. H á exceções, isto é, existem recursos eleitorais recebidos n o s efeitos devedutivo e suspensive. Sã o exemplos: a)
q u a n d o s e nega, cancela o u a m d a ó p è iR d o d e rèidstro c o m b ase em d e c is io proferida e m A IRC; aplica-se a regra
contida n o art. 15 d a LC n » 64/90, pois, e n qu an to n ã o transitar e m julgado a decisão, o candidato Tsub jqdice" p o­
derá fazer cam panha e ter seu npmie na u r r a eletrônica; b ) q u a n d o se d e d a ta ineleidbttidade p o r a b u so d p pod er
econôm ico o u poUdeo, com siqíed ãn eb rio art. 1>, *d*, d a LC n< 64/90, co m redaçSo d àd a pela LC ii< 1 3 S / l0 : 's ã o
inelegíveis o s que tenham contra su a pessoa representação julgada procedente pela Justiça Eleitoral, e m decisão
transitada e m Julgado o u proferida p o r & g ã o c o l^ ía d o , e m processo d e apuração d e ab u so d o pod e r econôm ico
ou politico, para a eleição na i ^ a l concorrem ou ten ham sid o diplom ados, bem co m o para a s que se realizarem
n os 8 (oito) a n o s se gu in tes' (e r^ e -se , portanto, trânsito e m julgado da decisão ou d a decisão proferida p o r ó r ^ o
colegiado pata se gerar a inelegibilidade); ç) q u a n d o s e profere d ecisão penal condenatória o u absohrtéria: 'D a s
decisões finais d e condenação o u a b s o M ^ » cab e recurso para o Tribunal Regional, a se r interposto rto prazo d e
10 (dez) dias* (CE, art. 362).
28. D ispõe a Lei Apice: 'S ã o irrecorrfveis a s decisões d o Tribunal Superior Eleitoral, salvo as que contrariarem esta
C o n s tit u ito e a s denegatórias d e 'h a b e a s-c o rp u s ' o u m an d ado de se gu ran ç a' (CF, art. 121, § 3<).

53
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

mandato eletivo (em todas as suas fases e graus de jurisdição) não poderá ultrapassar o prazo
de um ano^’ .

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saa viabthdade Emmatatpab&pa,ddumfÍedoniquííht>ieidm^M-lriiat>úriiieaaiu. lo
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2. Ineasu, em bont^lt& f^M Í^^Èi^0^iâ^lkàdè^iÍed^erptirtedaaüâ^ladepsb^nâi’‘ '


'e^ttni{áodosfaloA^i^HtB,‘fièsi^idh â& léirtêttn i0l»iítâiirafiloáotà^àfriloteM ^o
-MinatMo P ú bb câiÁ lIid ieia^d oí^íiittò k^im íiità da Ofãopenal, linpae leafjeifãede
puzopita tua canthdS» tmgUnfio m ^ a /t ^ d a VíMveldientpmdopmieuodemmi^íáoi,
im df que opaetíiUrniai^a lulrmeiidt« um^reudimenm
},^ -R e , H ‘ i ro rp u tarfu t t tU p p n ilU ^ n im i'a ta p u i la o a d tn fa u e a d r ter' m>
-p ara II iiii.ilu ao do tn q u ln tap d iita l A co iM d íiism m istm d B T n b t ^ ^ £ ^ ^ r F tetu n al,p o r
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do vtijucriw , n a s termos do vota r íi R-Liiaru (7 í> F , Recurso em n“ ( À - 5 3 IM G
R ilatont M m tsm tLuciana Lõiiu), ] 3 0 9 2 ()l‘í) t* '

1 .7 .2 .3 . P rin cípio d a p erio d icid ad e d a in vestid u ra d as Jun ções eleito rais


Os magistrados e os membros do Ministério Público Eleitoral são investidos na função eleitoral,
salvo motivo justificado, por um prazo de dois anos e nunca por mais de dois biênios consecutivos.
Vê-se, destarte, a ausência do princípio constitucional da vitaliciedade inerente à magistra­
tura e ao MP, mas sim a presença da regra da periodicidade da investidura das funções eleitorais.
Nesse sentido, dispõe o § 7-° dp art. 121 da Constituição Fedetal de 1988, in verbis-. "O sjuizes
dos tribunais eleitorais, salvo motivo justificado, servirão por doisanós, no mínimo, e nunca por mais
de eiois biênios cqrisecutivos, sendo ds substitutos escolhidos tu mesmd ocasião e pelo mesmo processo,
em número igual p ara cada categoria".

29. Reza a Lei das Eleições: "Art. 97-A. NoS téríriòs do Inciso LXXVIII do art. 55'da Cònstitulçlo Federal, considera-se
duração razoável do processo qüe pòS'sà resultarem perda de mandato eletivoó periOdo:UrtáxiHnode 1 (um) ano,
contado da sita apresentação à JUstiçá Eleitoral. § 1°. A duração do processo de que trata o 'caput' abrange a
tramitação em todas as Instâncias da Justiça Eleitoral. § 2:^. Vencido o prazo de que trata o 'caput', será aplicável
o disposto no art. 97, sem prejuízo de representaçãoaoConselho Nacional de Justiça' (Lei n° 9.504/97, art. 97-A,
incluído pela Lei nv 12,034/09).

54
Caprtulol .INTRODUÇÃO AO DIREITO ELEITORAL

I.7 .2 .4 . P rin cipio d a lisu ra dm eleições ou d a isonom ia de oportunidades


As eleições em um regime verdadeiramente democrático devem ser pautadas pela igualdade
de oportunidades entre todos os candidatos em disputa.
A garantia da lisura das eleições no Brasil está calcada na ideia de cidadania, de origem popular
do poder e no combate à influência do poder econômico ou político nas eleições.
C om efeito, na Constituição Federal de 1988 há diversos dispositivos voltados ao tema,
dentre os quais se podem elencar, a título meramente exemplificativo:
a) a República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios
é do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como um de seus
fundamentos a cidadania (art. 1“ , inc. II); e
b) todo 0poder em anado povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente,
nos termos desta Constituição (an. 1®, parágrafo único); e
c) Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a
fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mándatò Considerada a
Vida pregressa do candidato, e a normalidade e leptim idade das eleições contra a influência do poder
econômico ou o abuso do exercício de junção, cargo ou emprego na adm inistração direta ou indireta
(art. 14, § 9®, com redação dada pela E C R n® 4/94).
Por seu turno, no plano infraconstitucional, o princípio está expressamente tratado no art. 23
da Lei das Inelegibilidades (L C n® 64/90), in verbis: “O Tribunal formará sua convicção pela livre
apreciação dòs fatos públicos e notórios, dós indícios e presunçõès e prova produzida, atentando
pára circunstãhciás ou íàtos, aitida que não indicados ou a l a d o s pelas partes, mas que preservem
ò interesse públko de lisura eleitoral”.
Ademais, grande passo no sentido de buscar a lisura nas eleições brasileiras foi dado com a
aprovação da: ‘
a) Lei de Combale à Conrupção Eleitoral ou Lei da Captação Ilícita de Sufrágios (Lei n®
9.840/99): com o objetivo de combater a prática nefasta da compra de votos nas eleições brasilei­
ras, foram acrescentados o art. 41-A e § 1.° à Lei n® 9.504/97, atualmente com a seguinte redação;
“Ressalvado o disposto no art. 26 e seus incisos, constitui captação de sufrágio, vedada por esta Lei,
o candidato doar, oferecer, prometer, ou entregar, ao eleitor, com o fim de obter-lhe o voto, bem ou
vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública, desde o registro da
candidatura até o dia da eleição, inclusive, sob pena de multa de mil a cinquenta mil Ufir, e cassação
do registro ou do diploma, observado o procedimento previsto no art. 22 da Lei Complementar
h® 64, de 18 dê maio de 1990. Para a caracterização da conduta ilícita, é desnecessário o pedido
explícito de votos, bastando a evidência do dolo, consistente no especial fim de a^ r”;
b) Lei das Eleições (Lei n® 9.5 0 4 /9 7 ): visando coibir a prádca de abuso do poder econômico
é político nos pleitos eleitorais brasileiros, sobretudo após o àdvehto da Emenda Constitucional
da Reeleição no país para cargos do Poder Executivo (E C n® 16/97), o legislador previu uma série
de condutas vedadas, sob pena de multa e eventual cassação do registro e do diploma, bem como
a declaração de ineleglbilidadê’ °; e

30. O e stu d o d as condutas vedadas, bem co m o d as prádcas d enom inadas de ab u so de pod er econômico, políbco e
dos m eios de comunicação, pOde se r realizado com a leitura d o s capítulos XII e XVI.

55
CU RSO D E DIREITO EU ITO R Al; - Roberto Afore/ra de Almeida

c) Lei da JPicha Lim^a (LC 135/10)^'4 foi aptoyáda a partir de umamobilização d


entidades da sociedade civil, com o objetivo de se Rferir a ídqnçidade dos candidatos a cargos ele­
tivos e impedir, pelo prazo de oito anos, candidaturas de pesspas condenadas por decisão judicial
transitada em julgado ou por deliberação de órgão colegiado do Poder Judiciário, dentre outras
hipóteses l^almenté eleiidadid.

I . 7 .2 .5 . P rin cip io d a re ^ ó iú a b ilid a d e so lid á ria en tre can d id ato s e p a rtid o s


p o litico s
O princípio da responsabilidade solidária entre candidatos e pairidos.políticos na propaganda
eleitoral está expressamente contido no an. 241 do Código Eleitoral: “Toda propaganda eleitoral
será realizada sob a responsabilidtde dos partidos e por eles paga, intputando-lhes solidariedade nos
excessos praticados pelos seus candidatos e adeptos".
Todavia, com o advepto da Lej n® 12.891/13, houve restrição, à responsabilidade soli­
dária entre candidatos e partidos, a o se acrescentar o parágrafo úiriço ao supratranscrito art.
24l do CE, assim redigido: “a solidariedade prevista neste artigo é restrita aos candidatos e
aos respectivos partidos, não alçançando outros partidos, mesmo quaridp integrantes de uma
mesma coligação”.
Adernais, pek Lei n,“ 13.165/1 %.novainente houve mais restrição apprincípio da responsa­
bilidade solidária para partidos politicos por sanções aplicadas pela Justiça Heitoral a candidatos,
pois foi inseriejo o § 11 ,ap arç. 96 da Lei n.® 9.5Q4/97, com a seguinte redação: “As sanções
aplicadas a candidato em razão do descuinpriinçnto ,de disposições desta Lei não se estendem
ao respectivo partido, mesmo na hipótese de esse ter se beneficiado da conduta, salvo quando
comprovada a sua participação”.
Não obstante, a Lei n° 9.504/97, em diversos dispositivos, torna explícito o aludido princípio
da responsabilidade soUdjiria quandp apevera;
a) As despesas da campanha eleitoral serão realizaclas sob a responsabilidade dos partidos, ou de
seus candidatos, efinanciadas na.form a desta.Lei (art- ,17);
b) O candidato i solidariamente responsável com a pessoa indicada na form a do art. 2 0 desta
Lei pela veracidade das informaçõesfinanceiras e contábeis de sua campanha, devendo ambos assinar
a respectiva prestação de contas (art. 21; com redação dada pela Lei n“ 11.300/06); e
c) Independe da obtenção de licença m unicipale de autorização da Justiça Eleitoral a veiculação
de propaganda eleitoralpela distribuição de folhetos, adesivos, volantes e outros impressos, os quais
devem ser editados sob a responsabilidade do partido, coligação ou candidato (art. 38, caput, com
redação dada pela Lei n° 12.891/13).
O TSE, por sua vez, tradicionalmente tem se posicionado pela responsabilidade solidária
entre partidos políticos e seus candidatos por excessos na propaganda eleitoral. Nesse sentido os
seguintes arestos jurisprudenciais:
"Propaganda eleitoral irregular. Placas. C om iti de candidato. Bem particular. Retirada. [ ...}4 . N os termos
do art. 2 4 l do Código Eleitoral, os partidos politicos respondem solidariam ente petos excessospraticados p o r

31. Sobre Lei da Ficha Limpa ou Politico Ficha Limpa, recom endam os a leitura d o Capitulo III, item 1.4.

56
Capitulo I .IN T R O D U Ç Ã O A O DIREITO ELEITORAL

seus catuíidatos e adeptos no que tange àpropagan d a eleitoral, regra que objetiva assegufqrjo p sp ip rip m to
,.dq. legislofâo eleitoral obrigando as agrem iações a fisc a liz a r seus cartdidatos efiliad os. [ ..,] " (T S E , Ac, de,
2 2 .2 .2 0 1 1 no AgR-A I n" 3 8 5 4 4 7 , rei. M in, A rnaldo V ersiani); e

"[...J. P ropaganda cleitoralextem porân ea,’M u lta. R esponsabilidade so lid d ria do p artid o e do locutor
d a p ropagan da eleitoral extem porânea. A rt. 2 4 1 do C E . O m issão configurada. [ ...] 2 . C on figurada
om issão qu an to à suposta violação do a rt. 2 4 1 do C ódigo E le ito ra l N o entanto, corretos os fu n ­
dam entos adotados no acórdão p ro ferid o p elo T R E /M G que aplicou o p rin cip io d a solid aried ad e
entre o p artid o p o lítico e o interlocutor d a p ro p agan d a eleito ral extem porânea. C arece de fu n d a ­
m ento o p ed id o de redução d a m ulta ao m inim o legal, h a ja v ista o aresto que ju lg o u o recurso na
representação ter estipulado a p e n q lid à d e fie stfp a ta m conform e se verifica tia leitu ra d a em enta
: (fls. 9 4 -9 5 ). 4 . N ão se ípjslum bra a ocorrência d e b is in idern in con stitu cion al a o se a p lic a r m ulta
ao p artid o p o litico e aó interlocutor de p ro p agan d a eleito ral extem porânea quan do este últim o fo r
notadam ente can didato a cargo p o litico. [ ...] . "(T S E , A c, de 1 5 .3 ,2 0 0 7 fio sE D clR E sp e no 2 6 .1 8 9 ,
rei. M in . fo sé D elgad o,) .v -

Por seu turno, é digito infprrnar, ainda sobre 0 tema da responsabilidade, que o art. 15-A
da Lei n° 9.096/95 (LOPP), c.iT]o caput foi modificado pela Lei nR 12.034/09,e parágrafo único
acrescentado pela Lei n® 12.891/13, passou a ten a seguinte redaçáo, in litteris:
Art. 15-A. A responsabilidade, inclusive c iv il e trabalh ista, cabe exclusivam ente qo órgão p artid ário
m unicipal, estad ual ou nacion al que tiv er dado cau sa ao não cum prim ento ela obrigação, à violação
de direito, a dano a outrem ou a q u alq u er ato iltcite, excluída a solid aried ad e d e outros órgãos de
direção p artid ária.

Parágrafo único, O órgão nacional do p artid o politico, quando responsável, somentepoderá ser dem andado
judicialm ente n a ciresm scrição especialju d ic iá ria d a su a sede, inclusive nas ações de natureza cível ou
trabalhista.

Na linha do art. 15-A da LOPP, pela responsabilidade individual e náo solidária entre os
diversos órgâps de direçáo partidária, assim decidiu o TSE:
EMENTA. PRESTAÇÃO D E CONTAS ANUAL. E X E R C jO O FINANCEIRO D E 2009. PAR­
TID O REPUBUCANO BRASILEIRO (PRB). APROVAÇÃO COM RESSALVA&
1. A respom ahilidadepela apropriação contábil d as sobras d a cam panha m unicipal d e 2 0 0 8 é do respec­
tivo órgão de direçãom unicipal, a teor do art. 3 1 , caput, d a L e i 9 .5 0 4 /9 7 , reproduzido no art. 2 8 d a
R es.-T SE 22.7 1 5 /2 0 0 8 . Assim , descabepenalizar o órgão de direção nacionalpela ausência d e inform ação
sobre su a existência. Precedente.

2 . A comprovação das despesas com alu gu el de hem im óvel se d á p ela apresentação de recibo, nos termos
do disposto no art. 1 " da L ei 8 .8 4 6 /9 4 c.c. art. 9 °, 11, d a R es.-T SE 2 1 .8 4 1 /2 0 0 4 . N a espécie, a ausência
desse documento pode ser suprida p o r depósito n a conta ban cária do locador ante a su a recusa em em itir
recibo p o r estar em contenda ju d ic ia l com o p artid o, hão havendo comprometimento d a regularidade das
contas e do seu efetivo controle p eta ju stiç a E leito ral

3 . A comprovação d a doação de serviços estim áveis em dinheiro efetuada p o r pessoa ju ríd ic a se d á pebt
apresentação de termo de doação e d a nota fisc a l ou recibo d a prestação dos serviços. A ausência de tais
documentos não compromete a regularidade d as contas no presente caso, tenth ém vista que o próprio
prestador de serviços inform ou a doação estim ável à ju stiç a E leitoral Precedente.

4. Contas aprovadas com ressalvas [Prestação de Contas n "9 2 7 -1 1/D F R elator: M inistro jo á o O távio de
N oronha D fE de 1 4 .1 1 .2 0 I4 J.

Incumbe acrescentar, por último,“que, eventual responsabilidade penal por crime eleitoral
será individual do infrator (sempre pessoa física), pois não há previsão legal de punição por prática
de aludido delito por pessoa jurídica.

57
CU RSO D E DIREITO ELEITORAL - Roberto Morelm de Almeida

2 . SINOPSE

é o ramo do Direito Público constituído por normas e princípios dÍsci|>IÍnadores do alistamento, da


convenção partidária, do registro de candidaturas, da propaganda política, da votação, da apuração e
da diplomação dos eleitos, bem como das ações, medidas e demais garantias relacionadas ao exercício
do sufrágio popular.
2.2. Objeto
O Direito Eleitoral cuida, dentre outras matérias, da organização da Justiça e do Ministério Público
Eleitoral; das diversas fases do processo eiéitoral (do alistamento até a diplomação dos eleitos); da
disciplina dos partidos políticos; da fixação de regras de competência e procedimentos em matéria
eleitoral, bem como do estabelecimento de punições administrativas e criminais no âmbito eleitoral.
2.S Taxonomia c dutanom ia I______
O Direito Eieitorai é ramo do direito público. Possui autonomia didática; cièntífica e normativa.
a 2 .4 . ■" ■' ‘

Fontes diretas (Constituição Federal e leis eieitorais) e fontes indiretas (Código Penal, Código de Pro­
cesso Penal, Código Civil e Código de Processo Civil, Resoluções do TSE e Consultas).
. Codificdçõcs eleitorais
0 Brasil, após a Revolução de 1930, ingressou na era das codificações eleitorais. Desde então, o país já
contou com quatro códigos eleitorais (1® Código Eleitoral: Decreto n® 21.076, de 24.02.1932; 2« Código
Eleitoral; Lei n® 48, de 04.05.1935; 3® Código Eleitoral: Lei n® 1.164, de 24.07.1950; e 4® Código Eleito­
ral: Lei n® 4.737, de 15,07.1965 (CÓDIGO ATUALMENTE EM VIGOR).

Incumbe à União legislar privativamente sòbfe Direito Eleitoral (art. 22, inc. I, da Constituição Fe­
deral). -
9S eleitorais
O termo principio pode ser empregado no sentido de regra fundamental, regra padrão ou regra pa­
radigma à ciência do direito. São elencados como princípios eleitorais; a) anualidade ou da anteriori-
dade da lei eleitoral; b) celeridade; c) periodicidade da investidura das funções eleitorais; d) lisura das
eleições ou da isonomia de oportunidades; e e) responsabilidade solidária entre candidatos e partidos
politicos.

3. PARA CONHECER A JURISPRU DÊNCIA

3.1. Informativos
I) Informativo STF n® 398-Resolução do TSE. Fonte do Direito Eleitoral. Princípio da Anterioridade da
Lei Eleitoral.
Em relação ao mérito, concluiu-se pela inexistência das apontadas violações aos princípios da reserva de
lei, da separação de poderes, da anterioridade da lei eleitoral e da autonomia municipal.
Esclareceu-se que a Resolução 21.702/2004 foi editada com o propósito de dar efetividade e concreção
ao julgamento do Pleno no RE 197917/SP (DJU de 27.4.2004), já que nele o STF dera interpretação defini­
tiva à cláusula de proporcionalidade inscrita no inciso IV do art. 29 da CF, conferindo efeito transcendente
aos fundamentos determinantes que deram suporte ao mencionado julgamento.

58
C a p ftu lo l -IN T R O D U Ç Ã O A O DIREITO ELEITORAL

Salientando que a norma do art. 16 da CF, consubstanciadora do princípio da anterioridade da iei eleito-
rai, foi prescrita no intuito de evitar que o Poder Legislativo pudesse inserir, casuisticamente, no processo
eieitorai, modificações que viessem a deformá-lo, capazes de produzir desiguaidade de participação dos
partidos e respectivos candidatos que nele atuam, entendeu-se não haver afronta ao referido dispositi­
vo, uma vez que a Resolução sob análise não ocasionou qualquer alteração que pudesse comprometer a
finalidade visada pelo legislador constituinte.
Oa mesma forma, foram afastadas as demais alegações de infringência a postulados constitucionais.
Afirmou-se que o TSE, dando expansão à interpretação constitucional definitiva assentada pelo Supremo
- nà sua condição de guardião maior dá süprémacia e dã intaiigibilidade dá Constituição Federal - em
relação à citada cláusula dé proporcionalidade, submeteú-se, ha elaboração do ato impugnado, ao prin­
cípio da forçá normativa da Constituição, òbjédvahdo afastar as divergências interpretativas em tomo
dessa cláusula, de modo a conferir uniformidade de critérios de definição do número de Vereadores, bem
como assegurar normalidade às eleições municipais.
Vencido o Min. Marco Aurélio que dava pela procedência dos pedjdos, ao fundamento de que o TSE
extrapolou sua competência para editar resoluções - a qual estaria lirnitada ao cumprimento do Código
Eleitoral (Cód. Eleitoral, art.,23, IX) - ao fixar tabela quanto ao núniero de vereadores, cuja ipcumbência,
nos tefmos do inciso IV do seu art. 29 da CF, e desde que observados os limites mínimo e máximo previs­
tos neste últirho dispositivo,, seria de cada Câmara de Vereadores, por meio de Lei Orgânica dos Municí­
pios. AbÍ3345/DFe ADI 3365/;pF, rei. Min. Celso de Mello, 25.8.2Q05. (ÁDÍ-3345) (ADI-3365).

II) Informativo TSE n» 31 - Norma de Direito Eleitoral. Prestação de contas. Matéria processual. Lei
nova. Aplicação imediata. Irretroatividade.
A aplicabilidade irnédiata da lei processual não tem efeito retro-operante em relação a situações Jurídicas
consolidadas sob a égide da lei anterior, devendo respeitar o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e
â Coisa julgada.
A da inovação trazida péla Lei nà 12.034/2009 - que acrescentou os parágrafos 62 e 72 ao art.
d e sp e ito
30 da Lei n? 9.504/1997 para áSséhtar O caráter jurisdicional da prestação de contas e o cabimento de
recurso especial - observa-se que, pelo-princípio "têmpus regit actum", a eficácia imediata da lei nova
não alcança OS atos consumados rià vigência da lei anterior, a exemplo do acórdão regional proferido sob
0 entendimento de que a prestação de contas ostenta caráter meramente administrativo e, portanto,
não desafia a interposição de recurso especial.
Conforme entendimento jurisprudencial do Tribunal Superior Eleitoral, a interposição de recurso rege-se
pela lei em vigor ha data da publicação da decisão recorrida.
Na espécie, o recurso especial eleitoral é incabível, porquanto interposto contra acórdão publicado èm
2.9.2009, antes da Lei n2 12.034/2009, em vigor desde 30.9.2009. Nesse entendimento, o Tribunal, por
unanimidade, desproveu o agravo regimental (Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n2 12.268/
SP, rei. Min. Nancy Andrighi, em 13.10.2011).

3.2. Jurisprudência selecionada


Lei eleitoral e princípio da anterioridade da lei eleitoral
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI 11.300/2006 (MINIRREFORMA EUITORAL).
ALEGADA OFENSA AO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE DA LEI ELEITORAL (CF, ART. 16). INOCORRÊNCIA.
MERO APERFEIÇOAMENTO DOS PROCEDIMENTOS ELEITORAIS. INEXISTÊNCIA DE ALTERAÇÃO DO PRO­
CESSO ELEITORAL. PROIBIÇÃO DE DIVULGAÇÃO DE PESQUISAS ELEITORAIS QUINZE DIAS ANTES DO PLEI­
TO. INCONSTITUCIONALIDADE. GARANTIA DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO E DO DIREITO À INFORMAÇÃO
LIVRE E PLURAL NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO: PROCEDÊNCIA PARCIAL DA AÇÃO DIRETA.
1- Inocorrência de rompimento da igualdade de participação dos partidos políticos e dos respectivos
candidatos no processo eleitoral.
II - Legislação que não introduz deformação de modo a afetar a normalidade das eleições.
III - Dispositivos que não constituem fator de perturbação dò pleito.

59
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

IV - Inexistência de alteração motivada por propósito casuístico.


V - Inaplicabilidade do postulado da anterloridade da lei eleitoral.
VI - Direito à informação livre e plural como valor indissociável da ideia de democracia.
VII - Ação direta julgada parcialmente procedente para declarar a inconstitucionalidade do art. 35-A da
Lei introduzido pela Lei 11.300/2006 na Lei 9.504/1997.
Decisão
O Tribunal, por unanimidade, julgou a ação direta procedente, em parte, para declarar inconstitucional
o artigo 35-A, conforme a redação que lhe deu a Lei n®. 11.300, de 10 da maio de 2006, e improcedente
no mais, nos termos do voto do Relator. Votou a Presidente, Ministra Ellen Gracie. Ausentes, justificada-
mente, os Senhores Ministros Gilmar Mendes e Cezar Peluso. Falou pelo requerente. Partido Social Cris­
tão - PSC, o Dr. Vítor Nósseis. Plenário, 06.09.2006 (ADI 3741/DF - DISTRITO FEDERAL. AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE. Relator(a): MIn. RICARDO LEWANÒOWSKI. Órgão Julgador: Tribunal Pleno).

Emenda constitucional e aplicação do princípio da anterloridade da lei eleitoral


EMENTA; AÇÂÒ DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 2< DA EC 52, DE 08.03.06. APLICAÇÃO IME­
DIATA DA NOVA REGRA SOBRE COLIGAÇÕES PARTIDÁRIAS ELEITORAIS, INTRODUZIDA NO TEXTO DO
ART. 17, § 1®, OÃ CF. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA ANTERÍORIDADE DA LEI ELEITORAL (CF,
ARt. 16) E A s GARANTIAS INDÍViDUAIS DA SEGURANÇA JURÍDICA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL (CF,
ART. 5®, CAPUT, E LIV). LIMITES MATERIAIS À ATIVIDADE DO LEGISLADOR CONSTITUINTE REFORMA­
DOR. ARTS. 60, § 4®, IV, E 5®, § 2®, DA CF.
1. Preliminar quanto à deficiência na fundamentação do pedido formuiado afastada, tendo em vista a
sucinta porém suficiente demonstração da tese de violação constitucional na inicial deduzida em juízo.
2. A Inovação trazida pela EC 52/06 conferiu status constitucional à matéria até então integralmente
regulamentada por legislação ordinária federal, provocando, assim, a perda da validade de qualquer res­
trição à plena autonomia das coligações partidárias no plano federal, estadual, distrital e municipal.
3. Todavia, a utilização da nova regra às eleições gerais que se realizarão a menos de sete meses colide
com o princípio da anterioridade eleitoral, disposto no art. 16 da CF, que busca evitar a utilização abusiva
ou casuística do processo legislativo como instrumento de manipulação e de deformação do processo
eleitoral (ADI 354, rei. Min. Octavio Gallotti, DJ 12.02.93).
4. Enquanto o art. 150, 111, b, da CF encerra garantia individual do contribuinte (ADI 939, rei. Min. Sydney
Sanches, DJ 18.03.94), o art. 16 representa garantia individual do cidadão-eleitor, detentor originário do
poder exercido pelos representantes eleitos e "a quem assiste o direito de receber, do Estado, o neces­
sário grau de segurança e de certeza jurídicas contra alterações abruptas das regras inerentes à disputa
eleitoral" (ADI 3.345, rei. Min. Celso de Mello). 5. Além de o referido princípio conter, em sl mesmo,
elementos que o caracterizam como uma garantia fundamental oponível até mesmo à atividade do legis­
lador constituinte derivado, nos termos dos arts. 5®, § 2®, e 60, § 4®, IV, a burla ao que contido no art. 16
ainda afronta os direitos individuais da segurança jurídica (CF, art. 5®, caput) e do devido processo legal
(CF, art. 5®, LIV).
6. A modificação no texto do art. 16 pela EC 4/93 em nada alterou seu conteúdo principiológico funda­
mental. Tratou-se de mero aperfeiçoamento técnico levado a efeito para facilitar a regulamentação do
processo eleitoral.
7. Pedido que se julga procedente para dar interpretação conforme no sentido de que a inovação trazida
no art. 1® da EC 52/06 somente seja aplicada após decorrido um ano da data de sua vigência.
Decisão
O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem suscitada pela Relatora no sentido de que não é o
julgamento da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental prioritário em relação ao da Ação Direta
de Inconstitucionalidade, podendo ser iniciado o julgamento desta (...). O Tribunal, por maioria, julgou pro­
cedente a ação para fixar que o § 1® do artigo 17 da Constituição, com a redação dada pela Emenda Cons­
titucional n®. 52, de 8 de março de 2006, não se aplica às eleições de 2006, remanescendo aplicável à tal
eleição a redação original do mesmo artigo... Plenário, 22.03.2006 (ADI 3685/DF-DISTRITO FEDERAL. AÇÃO
DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. Relator(a): Min. ELLEN GRACIE. Órgão Julgador: Tribunal Pleno).

60
Capitulo I ■ in t r o d u ç ã o AO DIREITO ELEITORAL

4. QUESTÓES D E EXAMES E CONCURSOS


01. (MPF/PROCURADOR DA REPÚBLICA -1 9 » CONCURSO). A lei que alterar o processo eleitoral
a) terá vigência Imediata, apllcando-se às eleições em curso e às que venham a ser realizadas em breve,
se já escolhidos os candidatos em convenções partidárias;
b) somente entrará em vigor um ano após sua promulgação;
c) não prejudicará o recurso cabível, segundo a Constituição, para o Tribunal Superior Eleitoral, de de­
cisões dos Tribunais Regionais Eleitorais que anulem diplomas ou versern sobre inelegibilidade nas
eleições municipais;
d) entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data
de sua vigência.

02. (MP/PI - PROMOTOR DE JUSTIÇA). Assinale a alternativa incorreta


a) é competência privativa da únião legislar sobre Direito Eleitoral.
b) a democracia tem arcabouço na concepção do povo como autêntico titular do poder soberano, logo,
é este que legitima a investidura e o exercício do poder governamental.
c) os Tribunais e Juizes Eleitorais são órgãos do Poder Judiciário.
d) o Direito Eleitoral trata de estabelecer a forma de participação no exercício do poder, seja para a
ocupação das instituições, ou para exercer do sufrágio universal.
e) o plebiscito é um modo de participação no exercício do poder, sendo uma manifestação de assenti­
mento exarada peio voto popular para conferir validade a uma proposição normativa ordinária.

03. (MP/PI - PROMOTOR DE JUSTIÇA). Assinale a alternativa incorreta. É objeto do Direito Eleitoral
a] a distribuição do corpo eleitoral (divisão do eleitorado em circunscrição);
b) a organização do sistema eleitoral (sufrágio universal ou restrito);
t) ditar normas que se devem cumprir quanto à forma (voto secreto ou público, cédula individual ou
única), quanto à mecânica de representação proporcional; quanto às regras sobre aquisição e perda
da capacidade;
d) o processo eleitoral propriamente,dito (conjunto de atos, desde a organização e distribuição de me­
sas receptoras de votos, a realização e apuração das eleições, até o reconhecimento e diplomação
dos eleitos, que se desenvolve perante os Juizados Criminais);
e) a especialização do conjunto normativo pertinente às eleições majoritárias e proporcionais.

04. (MP/PI - PROMOTOR DE JUSTIÇA). Assinale a alternativa correta. São disposições próprias do Código
Eleitoral para os fins eleitorais.
a) 0 conceito de funcionário da Justiça Eleitoral e de funcionário público,
b) as relativas aos crimes e as penas e sua aplicação, atinentes às questões de imprensa, rádio, transpor­
te de eleitores, processamento de dados, dentre outras.
c) quanto à ação penal eleitoral, que é pública condicionada.
d) relativamente ao órgão com atribuições em matéria de crime eleitoral, que é o Ministério Público
junto ao Tribunal de Contas, que atua como "custos legis";
e) as pertinentes à especialização dos crimes eleitorais, sendo que alguns estão na legislação comum,
tais como a abusiva propaganda eleitoral e a corrupção eleitoral.

05. (MP/PI - PROMOTOR DE JUSTIÇA). É fbnte direta do Direito Eleitoral, salvo


a) Resolução do Tribunal Superior Eleitoral;
bj Constituição Estadual;

61
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto/More/ra d e A l m e id a

c) Lei das Inelegibllídades;


d) Constituição Federal;
e) Código Eleitoral.

06. (M P /M T - PROMOTOR DE JUSTIÇA). A lei que aitera o processo eieitoral


a) entra em vigor após um ano de sua publicação;
b) entra em vigor na data de sua publicação;
c) só entra em vigor na data da publicação quando não há eieição prevista para até um ano depois;
d) nenhuma.

07. (MP/M6 - PROMOTOR DE JUSTIÇA - XL CONCURSO). O art. 16 da Constituição Federal dispõe que
"a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando
à eleição que ocorra até 1 (um) ano da data de sua vigência". Considerando as teorias que tratam da
aplicabilidade e da eficácia das normas constitucionais, a norma acima pode ser considerada
de aplicabilidade Imediata e eficácia contida porquanto, conforme dispõe em si mesma, a aplicação da
lei referida ficará contida em relação à eleição subsequente que ocorrer até um ano após sua vigência;
de aplicabilidade imediata e eficácia plena, independentemente da lei referida;
de aplicabilidade imediata e eficácia limitada vez que limita no tempo a aplicação da lei referida;
d) equivalente às normas "not self-executing" da doutrina constitucional norte-americana;
e) de aplicabilidade imediata e eficácia restringível, posto que restrinja temporalmente a vontade do
legislador infraconstitucional.

08. (TJ/RN - JUIZ ESTADUAL). uma lei que altere o processo eleitoral seja promulgada e
Su p o n h a qu e
p ublicada em m arço d e 2002. Suponha ainda que haja eleições em outubro de 2002 e em outubro de
2004. Essa lei
a) estará em vigo r apenas dois anos após sua publicação, aplicando-se à eleição de 2004 e às subse­
quentes;
b) entrará em vigo r na data de sua publicação, aplicando-se já à eleição de 2002 e às subsequentes;
c) entrará em vigo r apen as um ano após sua publicação, aplicando-se à eleição de 2004 e à s subsequen­
tes;
d) terá e n trad o em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição de 2002, mas apenas à de
20 04 e às subsequentes.
e) entrará em vigo r apenas um an o ap ó s sua publicação, aplicando-se apenas às eleições subsequentes
à de 2004.

09. (O A B /P E - E X A M E D A O A B ). A ssinale, dentre os itens abaixo, o mecanismo de exercício da soberania


p o p u lar que não resulta de norm a de Direito Eleitoral

a) plebiscito;

b) referendo;

c) iniciativa popular;
d) eleição direta.

10. (O A B /D F - E X A M E D A O R D E M ) . À luz do Direito Constitucional, m arqu e a o p çã o correta


a) os p artid o s políticos são p e sso a s jurídicas de direito público;
b) os Estados, assim co m o a União, são d eten tores de soberania;'
c) é com petên cia concorrente da União, d os Estad o s e d os M uriicípibs legislar s o bre Direito Eleitoral;
d) é com petên cia da União legislar privativam ente sobre Direito Eieitoral.

62
Capftulo I • INTRO D UÇÃ O AO DIREITO aEITORAL

11. (CESPE/SENADO FEDERAL/CONSULTOR LEGISLATIVO). Julgue o item a seguir Certo ou Errado


I. se uma lei ordinária federai publicada em 1990 criasse hipótese de inelegibilidade para proteger a
legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico, ela seria recepcionada pela Cons­
tituição da República.

12. (CESPE/SENADO FEDERAL/CONSULTOR LEGISLATIVO). Julgue O item a seguir Certo ou Errado.


Se uma iei ordinária federal publicada em 2008 criasse hipótese de inelegibilidade para proteger a
legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico, ela seria recepcionada pela Cons­
tituição da República.

13. (FCC/TRE/RN-ANALISTA JUDICIÁRIA- A r e a ADMINISTRATIVA). A Emenda Constitucional n< 45, de


2004, inseriu, no inciso LXXVIII do artigo SR da Constituição Federal, norma expressa assegurando a
razoável duração do processo, tanto no âmbito Judiciai quanto administrativo, bem como estipulou
ao legislador ordinário a obrigação de prever os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.
No âmbito eleitoral, tal princípio tem relevância destacada, especialmente no processo que possa
resultar em perda do mandato eletivo. Sob tal premissa, a Lei n> 12.034/09 trouxe importante inova­
ção, qual seja a
a) fixação de um critério objetivo para a conformação do princípio da duração razoável do processo,
considerando como tal o lapso temporal máximo de 1 ano, contado da apresentação do processo à
Justiça Eleitoral.
b) previsão de prazos mais curtos de tramitação para cada fase processual, os quais são diminuídos pela
metade em relação aos demais processos eleitorais.
c) irrecorribilidade das decisões interlocutórias e o recebimento dos recursos apenas no efeito devolutivo.
d) relativização do principio da motivação das decisões judiciais, permitindo aos juizes eleitorais a ado­
ção de fundamentação sucinta e a dispensa do relatório no julgamento dos feitos.
e) adoção de procedimento sumarísslmo de instrução e julgamento, exigindo a concentração da produ­
ção das provas em um único ato e a lavratura da sentença pelo juiz no prazo máximo de 5 dias após a
audiência.

14. (TJ/SP - VUNESP - Juiz de Direito Substituto). Sobre a legislação eleitoral, assinale a opção correta.
á) A lei ou Resolução do TSE que alterar ou regulamentar o processo eleitoral entrará em vigor na data
de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência.
b) A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando a
eleição que ocorra no exercício seguinte à sua publicação.
c) A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à
eleição que ocorra àté um ano da data de sua vigência.
d) A lei ou Resolução do TSE que alterar ou regulamentar o processo eleitoral entrará em vigor na data
de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra no exercício seguinte à sua publicação.

4.1. Questões extras

15. (TRE/AC-AOCP-Técnico Judiciário-2015). O Código Eleitoral é a legislação central do regime jurí­


dico eleitoral, sendo as demais legislações acessórias naquiio em que eie for omisso.

16. (TRE/AC - AOCP - Técnico Judiciário - 2015). É inaplicável, dentro do sistema processual eleitoral,
qualquer disposição do código de processo civil, em razão da sua incompatibilidade com o que dispõe
o código eleitoral.

17. (TRE/AC - AOCP - Técnico Judiciário - 2015). A cada eleição, será publicada, pelo Tribunal Superior
Eleitoral, Lei específica dispondo a respeito do pleito a ser realizado.

63
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

18. (TRE/AC- AOCP - Técnico Judiciário - 2015). Além das disposições constitucionais, somente Lei com­
plementar pode dispor acerca de rnetéria eleitoral.

19. {TJ/MG - FUNDEP - Juiz de Direito - 2015). Independente e próprio, com autonomia científica e
didática, o Direito Eleitoral está encarregado de regulamentar os direitos políticos dos cidadãos e
o processo eleitoral, cujo conjunto de normas destina-se a assegurar a organização e o exercício de
direitos políticos, especialmente os,que envolvam votar e ser votado.

20. (TJ/MG - FUNDEP - Juiz de Direito - 2015). A Lei Eleitoral é exclusivamente federal por força do Artigo
22,1, da Constituição Federal, podendo, no entanto, os Estados e Municípios disporem de regras de
cunho eleitoral supletivamente.

21. (TJ/MG - FUNDEP - Juiz de Direito - 2015). As Medidas Provisórias podem conter disposições com
conteúdo eleitoral.

5. GABARITO

A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não
01.D se aplicando à eleição que ocorra até 1 (um) ano da data de sua vigência (CF, art. 16).
a) Certo. Compete privativamente à União legislar sobre Direito Eleitoral (CF, art. 22, inc.
I).
"ífA i b) Certo. Os Tribunais (TREs e TSE), os Juizes Eleitorais e as Juntas Eleitorais são ór­
gãos do Poder Judiciário,
c) Certo. São órgãos do Poder Judiciário:
' - '
d) Certo, t correto asseverar que o Direito Eleitoral trata de estabelecer a forma de
02. È ' participação no exercício do poder, seja para a ocupação das instituições, ou para
exercer do sufrágio universal.
S ill
e) Errado. O plebiscito, embora seja um modo de participação no exercício do poder
e uma manifestação de assentimento exarada pelo voto popular, não confere vali­
dade a uma proposição normativa ordinária. Ele é prévio, ou seja, é utilizado antes
da proposição normativa ordinária. Estaria certa a questão se tivesse inserido no
lugar de plebiscito o tema referendo. Para entender melhor a distinção entre ple­
í. biscito e referendo, recomendamos a leitura do capítulo 3, item 1.2.
A alternativa errada se encontra na parte final da letra D. De fato, o processo elei­
03. D . toral não se desenvolve perante os Juizados criminais, mas perante a própria Justiça
Eleitoral.
a) Certo. O próprio Código Eleitoral conceitua, para fins eleitorais, funcionário da Jus­
tiça Eleitoral (art. 283, incs. I a IV) e funcionário público (§§ is e 2® do art. 283).
b) Errado. Não há disposição própria do Código Eleitoral sobre questões de imprensa,
rádio ou processamento de dados.
c) Errado. Todas as ações penais eleitorais são públicas incondicionadas (vide Capítulo
XIII).
d) Errado. Incumbe à própria Justiça Eleitoral processar e Julgar os crimes eleitorais
(vide Capítulo XIII).
e) Errado. Os crimes eleitorais não estão encartados na legislação penal comum, mas
no próprio Código Eleitoral e em leis eleitorais extravagantes (vide Capítulo XIII).
Não são fontes diretas do Direito Eleitoral as Resoluções do Tribunal Superior Eleitoral.
D S .A Nãoobstante, o tema é polêmico, conforme já esclarecido acima. ____ ___

64
Capítulo I • i n t r o d u ç ã o A O DIREITO ELEITORAL

A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicaçlo, não
OS.B
se aplicando à eleição que ocorra até 1 (um) ano da data de sua vigência (ÇF,,art. 16).
0 art. 16 da Constituição Federal é norma constitucional dé eficácià plena e aplicabi­
07. B
lidade imediata. Ela vigora independentemènte da lel referida.
A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicapâo, não se
aplicando ã eleição que ocorra até 1 (um) ano da data de sua vigência (CF, art. 16). Se a
08. D
lei foi publicada em março de 2002 entrará em vigor na data de sua publicação, não se
aplicando, contudo, às eleições daquele ano, mas apenas à de 2004 e às subsequentes.
A iniciativa popular não resulta de norma de Direito Eleitoral, mas com previsão cons­
0R.C
titucional inserida no § 2R do art. 61 da Constituição Federal.
a) Errado. Os partidos políticos são pessoas jurídicas de direito privado (CF, art. 17, § 2.s).
b) Errado. A República Federativa do Brasil (ente soberano) compreende os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos (CF, art. 18, coput).
10 D c) Errado. É competência privativa da União (não é competência concorrente) legislar
sobre Direito Eleitoral (CF, art. 22, inc. 1).
d) Certo. Compete privativamente à União legislar sobre direito eleitoral (conf. art.
22,1, CF).
As hipóteses de inelegibilidade devem ser tratadas em lei complementar, conforme
11. e r r a d o determina o § 9® do art. 14 da CF. Uma lei ordinária afrontaria a Lei Maior e, portanto,
não seria válida.
As hipóteses de inelegibilidade devem ser tratadas em lei complementar, conforme
determina o § 9^ do art. 14 da Constituição Federal. Uma lei ordinária publicada em
12. ERRADO 2008, ao criar hipótese de inelegibilidade para proteger a legitimidade das eleições
contra a influência do poder econômico, ela seria inconstítudonal, porque violaria a
Lei Maior da República.
A Lei n912.034/09 fixou um critério objebvo para a conformação do principio da dura­
ção razoável do processo aos feitos eleitorais, considerando como tal o lapso temporal
máximo de 1 ano, contado da apresentação do processo à Justiça Eleitoral. Nesse sen­
13. A. tido, foi acrescentado à lei ns 9.504/97 o art. 97-A, com a seguinte redação; "Art. 97-A.
Nos termos do inciso LXXVIII do art. 5S da Consbtuição Federal, considera-se duração ra­
zoável do processo que possa resultar em perda de mandato eletivo o período máximo
d e i (um) ano, contado da sua apresentação à Justiça Eleitoral. §1A duração do processo
de que trata o 'caput' abrange a tramitação em todas as instâncias da Justiça Eleitoral".
A resposta é transcrição literal do art. 16 da Constituição Federal.
É preciso, contudo, fazer alguns esclarecimentos.
Resolução doTSE não se confunde com lei eleitoral.
A lei eleitoral, em razão do principio da anualldade encartado no art. 16 da Constitui­
ção Federal, ao ser editada, desde que altere o processo eleitoral, entrará em vigor
na data de sua publicação, mas não se aplicará à eleição que ocorra até um ano da
data de sua vigência.
Í4 iC • ’ ■'
A resolução do TSE, dado o seu caráter de norma secundária ou regulamentar (não é lei
Í í i i í.; em sentido estrito), poderá ser editada no mesmo ano da eleição e em sendo editada no
■■ ’ •■ í 4 í i ano eleitoral servirá para disciplinar o respecbvo pleito. A propósito, reza o caput ào art.
105 da Lei n.s 9.S04/97, com redação dada pela Lei n.s 12.034/09: "Até o dia 5 de março
do ano da eleição, o Tribunal Superior Eleitoral, atendendo ao caráter regulamentar e
sem restringir direitos òu estabelecer sanções distintas das previstas nesta Lei, poderá
expedir todas as instruções necessárias para sua fiel execução, ouvidos, previamente,
em audiência pública, os delegados ou representantes dos partidos políticos".

65
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - R o b e r t o M o r e i r a d e A l m e id a

iT i'- V ' c o m e n t á r io s 'V . S .

0 regim e jurídico-eleitoral brasileiro é fo rm a d o b asica m e n te po r qu a tro leis princi­


pais (não há superiorid ad e o u ace sso riedad e entre elas): i) C ó d ig o Eleitoral (Lei n.s
15. EI^RADO
4.737/65); ii) Lei d as Eleições (Lei n.5 9.504/97); iii) Lei d as Ine le gibilid ad e s (LC n.s
64/90); e iv) Lei O rgân ica d o s Partidos Políticos (Lei n.® 9.096/95).

O C ó d igo de Pro cesso Civil é fon te secundária d o siste m a proce ssu al eleitoral. H a ve n ­
1b TRRADO
d o lacuna, o CPC é plen am en te aplicável ao siste m a p ro ce ssu al eleitoral.

O TSE não tem p o d e r legiferante, eis qu e as leis eleitorais d e ve m ser o riu n das do
C o n gre sso Nacional. N ã o obstante, cabe ao TSE, a cada eleição, editar, a ten d e n do
17. ERRADO a o caráter regu lam en tar e sem restringir d ireitos o u estab e le ce r sa n ç õ e s distintas
às previstas na lei eleitoral, as in stru ções necessárias para sua fiel ejcecução (Lei n.®
9.504/97, art. 105, ca p u t, co m redação dada pelâ Lei h.R 12,034/09).

A lém d as d isp o siçõ e s constítucionais, leis co m p le m e n ta re s e leis ord inárias p o de m


18. ERRADO dispor acerca de m atéria eleitoral. S ã o exem plos: i) jei co m p le m e n tar: a lei d as in ele­
gibilidades (LC n.s 64/90); e ii) lei ordinária: a lei d as eleições (Lei n.s 9.504/97).

O Direito Eleitoral tem au to n o m ia didática (há disciplinas especificas n o s cu rso s de


grad u ação e p ó s-gra d u aç ã o em direito), científica (presença de n o rm a s e princípios
19. CE R T O
próprios de Direito Eleitoral) e norm ativa (há um a gran d e q u an tid ade de n o rm a s e s ­
pecíficas de Direito Eleitoral).

A lei eleitoral é privativam ente federal (da União), nos te rm o s d o art. 22, inc. 1, da
20. ERRADO CF. Lei com p le m e n tar da U n ião po derá autorizar q u e 'o s E stad o s e o Distrito Federal
(jam ais os M u n icípio s) legislem específica e supletlvafnente so b re Direito Eleitoral.

M e d id as provisórias não p odem d ispor sobre Direito Eleitoral, p ois há ve d a çã o encarta­


21. ERRADO
da na alínea "a " d o inc. 1d o § l . s d o art. 22 d a CF, c o m re d ação dada pela E C n.® 32/01.

66
C ap It u l o I I

N acionalidade

SUM ÁRIO • 1• N a c io n a lid a d e . 1 .1 . C o n c e i t o . 1.2. D is t in ç ã o e n tre n a c io n a lid a d e e c id a d a n ia . 1 .3 . T e r m o s j u r í ­


d ic o s re la c io n a d o s à n a c io n a lid a d e . 1 .3 .1 . P o v o . 1 .3 .2 . P o p u la ç ã o . 1 .3 .3 . N a ç ã o . 1 .3 .4 . E s ta d o . 1 .4 . E sp é cie s d e
n a c io n a lid a d e . 1 .4 .1 . N a c io n a lid a d e o r ig in á r ia . 1 .4 .2 . N a c io n a lid a d e d e riv a d a . 1 .5 . C r it é r io s p a ra a o b te n ç ã o d a
n a c io n a lid a d e o rig in á ria . 1 .5 .1 . C r i t é r i o d o ju s s o li (lo c a l d o n a s c im e n t o ). 1 .5 .2 . C r i t é r i o d o ju s s a n g u in is (fa to r
s a n g u ín e o ). 1 .6 . C r it é r io s a d o ta d o s p e lo B ra s il. 1 .7 . N a c io n a lid a d e d e riv a d a . 1 .7 .1 . N o ç ã o . 1 .7 .2 . R e q u is ito s p a ra
a a q u is iç ã o d a n a c io n a lid a d e d e riv a d a n o B r a s il. 1 .7 .3 . S itu a ç ã o ju r í d i c a d o s p o rtu g u e s e s re s id e n te s n o B ra s il.
1 .8 . D if e re n ç a s e n tre b ra sile iro s n a to s e n a tu ra liz a d o s . 1 .8 .1 . T r a t a m e n t o d ife re n c ia d o p a ra a o c u p a ç ã o d e c e rto s
carg os ( C F , a rt. 1 2 , § 3 " ) . 1 .8 .2 . T r a t a m e n t o d ife re n c ia d o p a ra o e xe rcíc io d e fu nçõ e s relevantes. 1 .8 .3 . T r a t a m e n t o
d ife re n c ia d o p a ra a p ro p rie d a d e d e e m p re s a jo rn a lís tic a e d e ra d io d if u s ã o d e sons e im a g e n s . 1 .8 .4 . T r a t a m e n t o
d ife re n c ia d o p a ra a e xtra d iç ã o . 1 .9 . P e rd a d a n a c io n a lid a d e . 1 .9 .1 . P e rd a d a n a c io n a lid a d e p o r e xe rcício d e a tiv id a d e
n o c iv a ao interesse n a c io n a l ( C F , a rt. 1 2 , § 4 ” , 1 ). 1 .9 .2 . P e rd a p o r a q u is iç ã o v o lu n t á r ia d e o u t r a n a c io n a lid a d e .
1 .1 0 . V o c a b u lá rio . 2 . S in o p s e . 3 . P ara c o n h e c e r a ju ris p ru d ê n c ia . 3 .1 . In f o rm a tiv o s . 3 .2 . Ju ris p ru d ê n c ia selecionada.
4 . Q u e s tõ e s d e e xam es e c o n c u rs o s . 4 .1 . Q u e s t õ e s e xtras. 5 . G a b a r it o .

1. NACIONALIDADE

1.1. Conceito
N a lição de Nelson Oscar de Souza', “nacionalidade constitui o laço jurídico que liga as
pessoas a uma determinada sociedade política”.
Gilmar Ferreira Mendes, Inocêncio Mártires Coelho e Paulo Gustavo Gonet Branco^ ensi­
nam que “a nacionalidade configura vínculo político e pessoal que se estabelece entre o Estado e
o indivíduo, fazendo com que este integre uma dada comunidade política, o que fãz com que o
Estado distínga o nacional do estrangeiro para diversos fins” .
Nacionalidade, em nosso pensar, é o direito ftmdamental que une o indivíduo a um deter­
minado Estado. Sob essa ótica, perante um Estado, a pessoa é nacional ou estrangeira.

1.2. Distinção entie nacionalidade e cidadania


Não há como confundir nacionalidade com cidadania.
A cidadania é o status que permite ao nacional exercer os dirdtos políticos de votar e de ser votado.
A cidadania, no entanto, exige com o requisito prévio a nacionalidade, ou seja, para ser ci­
dadão é “conditio sine qua non" set antes nacional, pois todo cidadão é nacional, mas nem todo
nacional é cidadão.

1. SOUZA, Nelson Oscar de. M a n u a l d e d ire ito c o n stitu c io n a l. Rio de Janeiro; Forense, 1994, p. 307.
2. MENDES, Gilmar Ferreira e outros. C u rso d e d ire ito c o n stitu cio n a l. S ã o Paulo: Saraiva, 2007, p. 679.

67
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - R o b e rto M o re ira d e A lm e id a

Em suma, podemos chamar de ddadáo o nacional que se encontra no exercido dos direito políticos.

► IN H A C .A C A O D ID Á IIC A

I ^^ ^ 4-r.^ i

Sun. N o « ic r n ia s ■ . .-t 1 3 d a C o i In t R i I f l i o F e d í i i l ■> [ 'n n u g u iis ( m n l i o i 111..1 l u l de


F o r iu g t l)r e s id e n t e ã o B r . i.ii. i> ir.iestrangei r h r i o l c q u lp a n d u 1 In 1 1'e b o n a t u i - i l i 'i d i 'i 1 • d i i q in
' i i r c s e r s o t d o d csd ■ 1 a la is e g U R 'I'r n r i n d i r e i iA a h i d in.iie.>ldenKeiii ■ iiiii> r< n lf r n.o

I.3. Termos jurídicos relacionados à nacionalidade


1 .3 .1 . Povo
Povo consiste na totalidade de nacionais de um Estado.

1 .3 .2 . População
População é o conjunto de indivíduos que habitam um determinado país, estado-membro,
município ou regiáo. É um conceito mais amplo que povo. A população abrange os nacionais e
os estrangeiros que habitam um determinado local ou território.

1.3.3. Nação
Nação é o grupo de pessoas fixadas em um ou mais Estados, que íãla uma mesma língua e
há laços culturais, raciais, econômicos e históricos.

1 .3 .4 . E stado
Estado é a nação politicamente organizada. E uma entidade política dotada de personalidade
jurídica de direito público internacional.
O Estado possui indispensavelmente três elementos: população, território c governo soberano.

1.4. Espécies de nacionalidade

1 .4 .1 . N acion alidade origm ária


Há nacionalidade originária ou primária quando o indivíduo a obtém cm decorrência do
próprio nascimento.

1 .4 .2 . N acion alidade derivada


Dá-se a nacionalidade derivada, secundária ou adquirida quando a pessoa, em um determinado
estágio de sua vida, por opção, se submete a processo de naturalização e obtém nova nacionalidade.

1.5 . Critérios para a obtenção da nacionalidade originária


Existem basicamente dois critérios para a obtenção da nacionalidade originária: o “jus soli”
e o “jus sanguinis”. São ambos aplic,idos a um determinado faro natural: o nascimento.

68
Capitulo II •NACIONALIDADE

1 .5 .1 . C ritério do ju s so li (lo cal do nascim ento)


O critério do “jus soli” leva em consideração o local de nascimento do indiv/duo. E nacional
a pessoa que nasce em determinado território, independentemente da nacionalidade dos pais.

1 .5 .2 . C ritério do ju s san gu in is (fato r sanguineo)


Independe do local de nascimento. O critério do “jus sanguinis" leva em consideração o fator
hereditário do nascituro. Este terá a mesma nacionalidade dos seus ascendentes (pais), indepen­
dentemente do local em que venha a nascer.

1.6. Critérios adotados pelo Brasil


A Constituição Federal de 1988 adotou, simultaneamente, os critérios do “jus soli” e do “jus
sanguinis” para a fixação da nacionalidade brasileira originária. Nos termos do seu inc. I do art.
12, são brasileiros natos apenas os nascidos:
• N o Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país
(jus soli)\
• N o estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço
da República Federativa do Brasil Qus sanguinis + atividade funcional); e
• No estrangeiro, de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejatn registrados em repar­
tição brasileira competente (consulados ou embaixadas) ou venham a residir na República
Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela
nacionalidade brasileira (jus sanguinis + critério residencial + vontade do indivíduo)’ .

► IN FOR M AÇÃO D ID Á n C A
[y , ' ",I ^ "
denascimentocmlepartifáodiplomáticaouconsidar
I O s n a s c id o s n o e.str.^ngeiro e n tte 7 de ju n h o de 1994 e 20 de setem bro d e 2007, filhos deípai
b ra s ile iro o u m ã e b ra s ile ira , p o d e r á o ser re g isc ra d o s e m re p a rtiç ã o d ip lo r o á n c a .q u : cppsular brasilèira'
c o m p e te n te o u c m o fle io d e re g is tro , se v ie r e m a re s id ir n a R e p ú b lic a F e d e ra tiv a d o B ra s il (Art. 9 5 , ADCT,
a c re s c e n ta d o p e ia £ C n " 5 4 / 0 7 ). ■■ ‘ ‘U q r '

► IN D AGA ÇÃO D ID Á TICA


S i®
O ^ | j ^ , ? ^ ’fl4«lonalidade,ipriginátiapotcstatíva? ' ;i
:Q tí^ ra s ilife m | io 'lra :te n h a a d o t a d o s im u lt a n e a m e n t e os c rité rio s d o “ j u s s o li” á? d o í/ 'jÜ S 's â n g 'u in i's ", ' í
a c o lh e u u in ^ h ip ó te | e je r q ,q u e a n a c io n a lid a d e fica n a d c p e n d ê n c ia jd a ç n a n ifc s ta ç á o d a v o n ta d e .d a p e s s o a .
Esse t í p b i In tjjtu la d o p i^ a d o u t r i n a d e n a c io n a lid a d e o r ig in á r ia p o te s ta tiv a , está c o n t i d o n a C o n s t i t u i ç ã o
T e d e n d , 'a r t " f â ; 1 i í t S Í ; 'a l j n e í i '“ c ’’ , p a rte f in a l, c o m re d a ç ã o d á d a jpeIá‘! É t n ‘L 5 4 / 0 7 ,” n o s '6 e g iiih te s ’ t e r n ib s : '
‘'sáo brasiíeir6s'i>atoss)siiàsc:idos no estrangeiro de p a i brasileiro oti deiinãetbriüiletrd,' 'deideii]tiei(. é}yvenham a 1

residir n a B p jp 0 lica Ipderativa do B rasil e optem , em qualejuer tentfo, depois de atfn gida a m aioridade, p ela
e d ia m a d a d e n à a ò n a lid á d e p o te s ta tiv a p o r q u e fica n a d e p e n d ê n c ia ^
d a v o n ta d e d e o i n d i v í d u o n M c id o n o e x te rio r, m a s f ilh o d e b ra s ile iro s ( “ j u s s a n g u in is ” ) , v i r a r e s id ir h o '
p a ís e p o s t u la r (re q u e re r, d a í o a spe cto p o te s ta tiv o ) p a r a ser b ra s ile iro n a to .

Redação dada pela Emenda Constitucional n? 54, de 20 de setembro de 2007.

69
íwUKiU Ub UIKEITO ELEITORAL - R o b e r t o M o r e i r a d e A l m e id a

1.7. Nacionalidade derivada «

1 .7.1, Noção
A nacionalidade derivada é aquela obtida por opção do indivíduo, o qual se submete a um pro­
cesso de naturalização. É uma nacionalidade secundária, que se dá mediante ato voluntário do agente.

1 .7 .2 , R equisitos p a ra a aq u isição d a n acion alid ade derivada no B ra sil


A Constituição Federal disciplina a obtenção da nacionalidade brasileira, para os estrangeiros que
a desejarem, mediante habilitação em processo de naturalização (nacionalidade derivada expressa).
Traça a Lei Ápice, no inc. II do art. 12, òs seguintes requisitos para a aquisição da naturalização:
• Os estrangeiros que, na forma da lei, resolvam adquirir a naciondádade brasileira, exigidas
aos originários de países de língua portuguesa, apenas residência por um ano ininterrupto e
idoneidade moral; e
* O s estrangeiros de qualquer nacionalidade residentes no Brasil há mais de quinze anos inin­
terruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira.

► i n d a ( ; a (;A o d i d a u c a

S' |jho «c na hiitõna do BctíU hipâese de n atu ilãiM ^


r í , . - , * , .
ConstituiçãoK-denl de 1891 pi aúnicaqueadotou a nacutalistçãotácitano Btasil. Dispunl
■ viii iti >SI u |,Ki a . l irt Pulitici
110 Brasil aos 13 de novembro de 18.S9, n.iu
.1 Constituição, u áninio dc conscrv i lu ■ I l'm itlocotli;en
a I

1.7.3. Situ ação ju ríd ic a dos portugueses re sU ^ te s no B ra sil


Os portugueses receberam, pelo texto constitucional, tratamento diferenciado em relação
aos demais estrangeiros. Existem duas regras traçadas para os lusitanos;

A ) equiparam -se a b rasileiro s n atu ralizad o s


Se houver reciprocidade em favor de brasileiros residentes em Portugal, os portugueses do­
miciliados no Brasil possuem idênticos direitos atribuídos aos brasileiros naturalizados.
C om efeito, assim reza o § 1° do art. 12 da Constituição Federal de 1988: “aos portugueses
com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão atri­
buídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição”.
O português em tal situação, portanto, embora estrangeiro, é equiparado a brasileiro natu­
ralizado.

B ) podem ad o tar a n acion alid ade b rasile ira d erivad a expressa


Em tal caso, terá o português que seguir todo o procedimento para a obtenção da naturali­
zação, tal qual definido para os nacionais originários de países de língua portuguesa.

70
p a Caprtulo II • N A CIO N ALID AD E
m
Exigem-se: residência por um ano ininterrupto, idoneidade moral e desejo de ser brasileiro
(requerimento de naturalização).

► IN D A C iA C Ã O D lD A l IC A

A concessão wuUhilizoçáo a istr^ngeiiOié ato vinculado ou cUscimonãno’


'' JastàassiiiriUqiit i>.uiii.essáodenaniializaçáoé atodiscricioníriodoEstadoioheianqiGabeao
f Poder ExecutivodeferirounSoopedidoto rpnula^dppeloestrangeiro, sc|acli lii.iianouu urigin-lriodr
í outrana^o, silvoquandodbpn-enchimentodisrcgrasiconstitucUináisi è itu a çõ e !, e in q u e h á d ir e it o
il'^adciiilriJoànacinnilitUdebia.slIéira ■ .».

Í.8. Diferenças entre brasileiros natos e naturalizados


Apenas e tão-somente a Constituição Federal pode estabelecer distinção entre brasileiros
natos e naturalizados ou entre brasileiros natos e portugueses residentes no Brasil (portugueses
equiparados a brasileiros).
Ao analisar o texto constitucional, observamos quatro tratamentos diferenciados, a saber:

1.8,1. Tratam ento d^eren ciadopara a ocupação de certos cargos (CF, art. 12, § 3 °)
Existem certos cargos que são privativos pata brasileiros natos. São eles;

• Presidente da República;
• Vice-Presidente da República;
• Presidente da Câmara dos Deputados;
• Presidente do Senado Federal;
• Ministro do Supremo Tribunal Federal;
• Carreira diplomática;
• Oficial das Forças Armadas; e
• Ministro de Estado da Defesa'^.

Macete interessante para identificar os cargos privativos de brasileiro nato [lembre-se: MP3.COM
(iniciais dos cargos)] *
M in istro d o Su p re m o Tribunal Federal (M )
Presidente e V ice-Presidente da República (P)

Presidente d o S e n a d o Federal (P)


Presidente da C âm ara d o s D e p u ta d o s (P)
Carreira Diplom ática (C)
Oficial d a s Forças A rm a d a s (0)
M in istro d a D efesa (M).

4. Cargo acrescentado pela EC n« 23, de 2.09.1999.


CURSO DE DIREITO ELEITORAL - K o b e rto M o re im d e A lm e id a

1.8 .2 . Tratam ento d^eren ciado p a ra o exercício de fun ções relevantes


O s seis cidadãos que integram o Conselho da República, nos termos do inc. VII do art. 89
da Constitiúçáp Federal, d ^ e m ser brasileiros natos.

O Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente da República. Inte­


gram aludido órgão, além dos seis cidadãos brasileiros natos*, o Vice-Presidente da República, o
Presidente da Câmara dos Deputados, o Presidente do Senado Federal, o Ministro da Justiça, os
líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados e os lideres da maioria e da minoria
no Senado Federal.

1 .8 .3 . Tratam ento diferen ciado p a ra a prop riedade de em presa jo rn a lístic a e de


radiodifu são de sons e im agens
O brasileiro naturalizado somente pode ser proprietário de empresa jornalística e de ra­
diodifusão sonora e de sons e imagens (TV ) se a naturalização tiver ocorrido há mais de dez
anos. C om efeito, assim dispõe o caput do art. 222 da Constituição Federal: “A propriedade de
empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e i m ^ n s é privativa de brasileiros natos
ou naturalizados há mais de dez anos, ou de pessoas jurídicas® constituídas sob as leis brasileiras
e que tenham sede no País” .

1.8 .4 . Tratam ento diferen ciado p a ra a extradição


Bastante lúcida a lição de Hildebrando Accioly^ para quem “extradição é o ato pelo qual um
Estado entrega um indivíduo, acusado de um delito ou já condenado como criminoso, à justiça
do outro, que o reclama, e que é competente para julgá-lo e puni-lo”.

A Constituição Federal tratou de forma diversa a extradição de brasileiros natos, brasileiros


naturalizados e estrangeiros. Assim dispõem os seus incs. LI e LII do art. 5°:

• “Nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado
antes de naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes
e drogas afins, na forma da lei” (inc. LI); e

• “Não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião” (inc. L ll).

EXTRADITANDO ' '< EXTRADIÇSO

1) brasileiro nato 1) em n en hu m a hipótese será extraditado;

Os seis cidadãos brasileiros natos que integram o Conselho da República devem ter mais de 35 anos de idade. São
dois deles nomeados pelo Presidente da República, dois soo eleitos pelo Senado Federal e dois eleitos pela Câmara
dos Deputados. Todos possuem um mandato de três anos e é vedada a recondução.
A possibilidade de aquisição de empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens por pessoas
jurídicas foi introduzida pela Emenda Constitucional n® 36, de 28.05.2002.
ACCIOLY, Hildebrando. M a n u a l d e d ire ito in te r n a c io n a l p ú b lico , São Paulo: Saraiva, 1995, p. 105.

72
Capftulo II • N A C IO N A U D A D E

2] somente poderá ser extraditado em dois casos:


2) brasileiro naturalizado ou português residen­ a) prática de crime comum antes da naturalização;
te no Brasil equiparado a brasileiro naturali­
b) envolvimento com tráfico ilícito de entorpecen­
zado
tes e drogas afins, nos termos da lei, antes ou
dèpois da naturalização;

3) poderá ser extraditado, salvo por prática de cri­


3) estrangeiro
me politico ou de opinião.

1.9. Perda da nacionalidade


O nacional poderá vir a perder a nacionalidade brasileira nos casos taxativamente encartados
na Constituição Federal. São tais hipóteses;

1 .9 .1 . P erda d a n acion alid ad e p o r exercido de ativ id ad e n ociva ao interesse


n acion al (CF, a rt. 12, § 4 °, I)
O brasileiro naturalizado, ao praticar ato nocivo ao interesse nacional, reconhecido esse ato
por sentença judicial transitada em julgado, poderá vir a ter a decretação judicial da perda da
nacionalidade brasileiia. O instrumento para a perda da nacionalidade deriva de processo judicial
para cancelamento de naturalização.

1 .9 .2 . P erda p o r aq u isição volu n tária de ou tra naciona lid ad e


O brasileiro nato ou naturalizado que, voluntariamente, obtiver outra nacionalidade receberá
como sanção a perda da nacionalidade brasileira. O texto constitucional, todavia, estabelece duas
exceções. Destarte, não deborá de ser brasileiro aquele que:
■ Tiver o reconhecimento de outra nacionalidade originária por lei estrangeira; ou
* Sofrer imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao residir em Estado estrangeiro,
como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis.

1.10. Vocabulário
a) apátrida (heimados). Chama-se apátrida o indivíduo que não possui nacionalidade; e
b) polipátrida. Consiste na pessoa detentora de duas ou mais nacionalidades.

2. SINOPSE

É o direito fundamental que une o indivíduo a um determinado Estado. Sob essa ótica, perante um
Estado, a pessoa é nacional ou estrangeira.

73
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - R o b e rto M o re ira d e A lm e id a

2.2. Distinção entre nacionallAidc e cidadani i


C id a d ã o é o nacional que se e ncontra no exercício d o s d ireitos políticos.

Z.3. Termos jurídicos reiacionados à nacionalidade

a) povo: consiste na totalidade de nacionais d e um d e te rm in ad o Estado;

b) p o p u lação : é o conjunto de indivíduos que hab itam üm d e te rm in a d o país, e sta d o -m e m b ro , m u n i­


cípio ou região. É um conceito m ais am p lo q u e povo. A p o p u la çã o a b ra n ge o s nacionais e os e stran ­
ge iro s que habitam num d e term in ad o território;

c) n ação: é o gru p o de pe sso as fixadas em um o u m ais Estados, que falam um a m e sm a língua e estão
ligad as po r laços culturais, raciais, eco n ô m ico s e históricos;

d) e stad o : é a nação politicam ente o rgan izada e po ssu i in dispe nsave lm e n te três e lem en tos estrutu-
rantes, ou seja, população, território e go ve rn o so berano .

'i l i l l i i 2.4. Espécies de nacionalidade '


Nacionalidade Originária: qu an d o o indivíduo a ob té m em decorrência do próprio nascim ento.
Nacionalidade derivada: q u a n d o o indivíduo, ap ó s o nascim ento, po r opção, se su bm e te a p ro ce sso
de naturalização.

2.5. :--
Critérios
- ;.....para
...■.a^obtenção
.. ......__da;_nacionalidade
:. originária;' '
a) "Jus soli": leva em co nsideração ao local d o n ascim e n to d o indivíduo;

b) "ju s sa n g u in is": leva em co n sid e ração o fator sa n g u ín e o e he re d itário d o nascituro, isto é, terá a
p e sso a a m e sm a nacionalidade d os se u s ascen den tes, in d e p e n d e n te m e n te d o local e m qu e v ier a
nascer.

2.6. Critérios adotados pelo -

A C o n stitu ição Federal de 1988, n o inc. I d o art. 12, a d o to u sim u lta n e a m e n te o s critérios d o "jus soli"
e d o "jus sa n g u in is" para a aq u isição d a nacion alid ad e brasileira originária.

2,7. Nacionalidade derivada


É um a nacion alid ad e secundaria, a qual é o b tid a m ed ian te ato vo lun tário d o agente (p ro ce sso de na­
turalização).

2 .8 . iííl
O s p o rtu gu e se s receberam tratam e n to d iferen ciado em relação a o s d e m a is estran ge iros pelo texto
constitucional. Existem d uas regras traçad as para o s lusitanos:

a) e q u ip a ra m -se a o s brasileiros n atu ralizad o s: d e sd e que haja recip ro cidad e é m fa v o r de brasileiros


residentes em Portugal; ou b) o b te n h a m a n atu ralização : p o d e m a d o t a r a nacion alid ad e brasileira
d erivada expressa, desd e que op te m pelo p ro ce sso d e naturalização (para o po rtu gu ê s, basta a
residência po r um an o Ininterrupto e idon e id ad e moral).

Ibes entre brasileiras nato. nat


______i
So m e n te a Co n sb tu ição Federal pode estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados. A
CF/88 fixou as seguintes: a) determinados ca rgo s p ú b lico s so m e n te p o d e m ser o cu p a d o s p o r brasileiros
natos ((Presidente da República, V ice-Presidente d a República, Presidente da Câm ara dos Deputados,
Presidente do Sen ad o federal. M in istro d o Su p re m o Tribunal Federal, Carreira Diplom ática, Oficial das
Forças A rm ad as e M in istro de Estado da Defesa (lembre-ísé d ò M P3.C O M )]; b) exercício de funções pú­
blicas relevantes: o s seis cid ad ão s que integram o C o n selho d á Republica; c) p ro p rie d a d e d e empresa

74
Capítulo II •NACIONALIDADE

jornalística e de radiodifusão de sons e Imagens; o brasileiro naturalizado somente pode ser proprie­
tário de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens (TV) se a naturalização tiver
ocorrido há mais de dez anos; e d) extradição; "nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado,
em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico
ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei" (inc. LI do art. 5« da CF).

' ' ■ ...• '


Perderá a nacionalidade brasileira: a) o brasileiro naturalizado por exercício de atividade nociva ao
interesse nacional; b) o brasileiro nato ou naturalizado que, voluntariamente, obtiver outra nacionali­
dade, salvo se tiver o reconhecimento de outra nacionalidade originária por lei estrangeira ou sofrer
Imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao residir em Estado estrangeiro, como condição
para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis.

Apátrida: é o Indivíduo que não possui nacionalidade.


Pollpátrida: é a pessoa que detém duas ou mais nacionalidades.

3. PARA CO NHECER A JURISPRUDÊNCIA

3.1< Informatívos
I) Informativo STF n» 309 - Extradição - Brasileiro Nato - Impossibiiidade Constitucional - Extraterri-
torialidade da Lei Penal
EMENTA; EXTRADIÇÃO. CONFLITO POSITIVO DE NACIONALIDADES. DUPLA NACIONALIDADE. POSSE
CONCOMITANTE DA NACIONALIDADE BRASILEIRA PRIMÁRIA OU ORIGINÁRIA. CRITÉRIOS CONSTI­
TUCIONAIS DO JUS SOLI E DO JUS SANGUINIS. EXTRADIÇÃO REQUERIDA AO GOVERNO DO BRASIL.
INADMISSIBILIDADE. VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL ABSOLUTA, TRATANDO-SE DE BRASILEIRO NATO
(CF, art. 5», LI). POSSIBILIDADE, NO ENTANTO, DE APLICAÇÃO EXTRATERRITORIAL DA LEI PENAL
BRASILEIRA. HIPÓTESE DE EXTRATERRITORIALIDADE CONDICIONADA. CONSIDERAÇÕES DE ORDEM
DOUTRINÁRIA E DE CARÁTER JURISPRUDENCIAL.
1. O brasileiro nato, quaisquer que sejam as circunstâncias e a natureza do delito, não pode ser extra­
ditado, pelo Brasil, a pedido de Governo estrangeiro, pois a Constituição da República, em cláusula
que não comporta exceção, impede, em caráter absoluto, a efetivação da entrega extradicional da­
quele que é titular, seja pelo critério do "jus soli", seja pelo critério do "jus sanguinis", de nacionali­
dade brasileira primária ou originária. Esse privilégio constitucional, que beneficia, sem exceção, o
brasileiro nato (CF, art. 5S, LI), não se descaracteriza pelo fato de o Estado estrangeiro, por lei própria,
haver-lhe reconhecido a condição de titular de nacionalidade originária pertinente a esse mesmo
Estado (CF, art. 12, § 4S, II, "a").
2. Se a extradição não puder ser concedida, por inadmissível, em face de a pessoa reclamada ostentar
a condição de brasileira nata, legitimar-se-á a possibilidade de o Estado brasileiro, mediante apli­
cação extraterritorial de sua própria lei penal (CP, art. 7S, II, "b", e respectivo § 29) e considerando,
ainda, o que dispõe o Tratado de Extradição Brasil/Portugal (Artigo IV).
3. Fazer instaurar, perante órgão judiciário nacional competente (CPP, art. 88), a concernente "per­
secutio criminis", em ordem a impedir, por razões de caráter éhco-jurídico, que práticas delituosas,
supostamente cometidas, no exterior, por brasileiros (natos ou naturalizados), fiquem impunes [...],
(STF, H C - MC 83.113-DF, Rei. Min. Celso de Mello, j. 21.05.03, DJe. 27.05.03).

II) Informativo STF n9 121 - Extradição, Estatuto da Igualdade e Prisão Preventiva para Extradição
N o s te rm o s da Convenção so b re Igu ald ad e de Direitos e D everes entre Brasileiros è Portugueses (Decreto

75
C U R SO D E DIREITO ELEITORAL - R o b M o Moreira de Almeida

70.391/72), o Tribunal, resolvendo questão de ordem nos autos de prisão preventiva para extradição, re­
querida pelo Governo dã Itália, cassou o decreto de prisão preventiva da extraditandà, dé naciohaiidade
portuguesa, que tevè récónhecida a igualdade de direitos e obrigações civis pelo governo brasileiro, de
acordo com o art. 99 da referida Convenção ("Os portugueses e brasileiros que gozèm do estafütò de
igualdade não estão sujeitos à extradição, salvo se requerida pelo Governo do EstadO da naciOnalida-
de."). (STF, Prisão Preventiva para Extradição 302-ltália (ClQ), rei. Min. Moreira Alves, j. 2,9.98).

Ill) Informativo STF na 382 - Opção de Nacionalidade e Requisitos


EMENtÁ: CONStlTUClÚNAL. NACIONALIDADE: OPÇÃO. C.F., ART. 1 2,1, c, COM A EMENDA CONSTI­
TUCIONAL DE REVISÃO NS 3, DE 1994.
I. São brasileiros natos os nascidos no estrangeiro, de^pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que
venham a residir no Brasil e optem, em qualquertempo, pela nacionalidade brasileira.
II. A opção pode ser feita a qualquer tempo, desde que venha o filho de pai brasileiro ou de mãe brasi­
leira, nascido no estrangeiro, a residir no Brasil. Essa opção somente pode ser manifestada depois de
alcançada a maioridade. É que a opção, por decorrer da vontade, tem caráter personalíssimo. Exige-
-se, então, que o optante tenha capacidade plena para manifestar a sua vontade, capacidade que se
adquire com a maioridade.
III. Vindo o nascido no estrangeiro, de pai brasileiro pu de mãe brasileira, a residir no Brasil, ainda me­
nor, passa a ser considerado brasileiro nato) sUjeità essa nacionalidade a manifestação da vontade dò
interessado, mediante a opção, depois de atingida a maioridade. Atingida a maioridade, enquanto não
manifestada a opção, esta passa a constituir-se em condição suspensiva da nacionalidade brasileira..
IV. - Precedente do STF.
V. - RE conhecido e não provido. (STF, AC 70-QO/RS, rei. MinistroSepúlveda Pertence, Plenário, 25.9.03,
de 1 Z 3 ,04). r,; k i:

ly) Informativo STF.nfrS98r/Ppi(ã,ode NacionRijifãdee Requisitos ^


Considerando aiOríehtáÇãoidÓ^TFno sentido deque a OpçãoTdã nacionalidade, prevista no art. 12,1, c,
da CFi(alterado peiaECR 3/94)At4tn Caráter personalíssimo, sotnenfe podendo ser manifestada depois de
alcançada a capacidade plenaq,tuma vez atingida a.maioridade dull, enquanto não manifestada a opção,
esta passa a constituir-se em condição suspensiva da nacionalidade brasileira, a Turma manteve acórdão
do TRE da 4f| Região.que deferira o registro provisdrio de naspimento a menores, nascidos na Argentina,
de mãe brasileira e.domlcÍíiados np Bmsil. , ,
Sustentava-se> na espécie, a concessão definitiva da nacionalidade brasileira, sob a alegação de que a
opção independería da;maioridade, ]á que o optante podería manifesté-la "a qualquer tempo", conforme
disposto no referido dispositivo constitucional ("Art. 12.: São brasileiros; H natos:... c) os nascidos no es-,
trangeiro, de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que venham a residir na República Federativa do
Brasil e optem, em qualquer tempo, pela nacionalidade brasileira;").
Asseverou-se que a aludida condição suspensiva só vigora a partir da maioridade, haja vista que, antes, o
menor, ppr intermédio do registro provisório (Lei 6.015/73, art. 3!*, § 2«), desde que residente np país, é
considerado brasjleirp nato para tpdos ps efeitos.
Salientou-se o acerto do acórdão recorrido, tendo em ponta, ainda, p,fat.o,de ser comum que a eleição
da nacionalidade brasileira possa ocasionar a perda, pelo optante, da nacionalidade do sçu país de nasci­
mento (STF, RE 415957/RS, rei. Min. Sepúlveda Pertence, 23.8.2005).

3,2. Jurispradênda seledonada


Opção de nacionalidade por menor residente no País, mas nascido np estrangeiro sem que o pai ou a
mãe esteja a serviço do Brasil. > i
EMENTA; OPÇÃO DE NACIONALIDADE BRASILEIRA (CF, ART. 12,1, C): MENOR RESIDENTE NO PAÍS, NAS-

76
Capitu lo II • NA CIO N ALID AD E

ClOO NO ESTRANGEIRO E FILHO DE M A E BRASILEIRA, QUE NÃO ESTAVA A SERViÇQ D D IWASIL: VIABI­
LIDADE DO REGISTRO PROVISÓRIO (L. REG. PÚBLICOS, ART. 32, § 2«), NÃO O D A ÓPÇAO DEFINITIVA.
1. A partir da maioridade, que a totna possível, a nacionalidade do filho brasileiro, nascido no estrangeiro,
mas residente no País, fica sujeita :à coíidiçãdsuSpensiva da homologação jiidiciaí dá dj>ç3ò.
2. Esse condicionamento suspensivo, só vigora a partir da maioridade; antes, desde que i;esidente no
País, 6 menor - mediantè o registro pròvitórip previsto no art. 32, § 2®, da Lèldos fe^s^ròs Públicos - se
considera brasileiro nato, para todos ós efeitos.
3. Precedentes (RE418.096,2« T„ 23.2.05, Velloso; AC 70-QO, Plenário, 25.9.03, Pertence, OJ 12.3.04).
Decisão
A Turma conheceu do recurso extraordinário, mas lhe negou provimento, nos termos do voto do Relator.
Unânime. 1® Turma, 23.08.2005 fíff 415 9 57 / RS - RIO GRANDE DO SUL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
Relqtor(a): Min. SEPULVEDA PERTENCE. Órgão Julgador: Primeira Turma).

/^uisiçSo da nacionalidade bfasíleira por estrangeiro e concurso público.


EMENTA: RECURSO |XTRAORDINA r ÍO. CONCURSO PÚBLICO. ESTRANGEIRO. NATURALIZAÇÃO. RE­
QUERIMENTO F O R M A L IU D O ANTES DA POSSE NO CARGO EXITOSAMENTE DISPUTADO MEDIANTE
CONCURSO PÚBLICO. INEXISTÊNCIA DE OFENSA À ALÍNEA " B " DO INCISO II DO ARTIGO 12 DA M A G ­
NA CARTA.
0 requerimento de aquisição da, nacionalidade brasileira, previsto na alínea "b " do inciso II do art. 12
da Carta de Outubro, é suficiente para viabilitar a posse no cargo triunfalmente disputado mediante
concurso público. Isto quando a pessoa requerente contar com quinze anos ininterruptos de residên­
cia fixa no Brasil, sem condenação penal.
A Portaria de formal reconhecimento da naturalização, expedida pelo Ministro de Estado da Justiça,
é de caráter meramente declaratório. Pelo que seus efeitos hão de retroagir à data do requerimento
do interessado. Recurso extraordinário a que se nega provimento.
Decisão
A Türrtia negou provimérito ao recurso extraordinário, nos termos do voto do Relator. Unânime. 1®. Tur­
ma, 29.06.2005 (R E 264848 / TO - TOCANTINS. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CARLOS
BRITTO. Órgão Julgador: Primeira Turma).

Opção da nacionalidade brasileira originária por peisspa nascida no exterior


EMENTA: CONSTITUCIONAL. NACIONALIDADE: OPÇÃO. C.F., ART. 12,1, C, COM A EM ENDA CONSTITU­
CIONAL DE REVISÃO N«. 3, DE 1994.
São brasileiros natos òs nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que ve­
I.
nham a residir no Brasil e optem, em qualquer tempo, pela nacionalidade brasileira.
II. A opção pode ser feita a qualquer tempo, desde que venha o filho de pai brasileiro ou de mãe bra­
sileira, nascido no estrangeiro, a residir nò Brasil. Essa opção somentê pode ser manifestada depois de
alcançada a maioridade. | que a opção, por decorrer da vontade, tem caráter personalíssimo. Exige-se,
então, que o optante tenha capacidade plena para .manifestar a sua yorrtade, capacidade que se adquire
com a maioridade.
III. Vindo o nascido no estrangeiro, de pai brasileiro ou de mãe brasileira, a residir no Brasil, ainda
menor, passa a ser considerado brasileiro nato, sujeita èssa nacionalidade a manifestação da von­
tade do interessado, mediante a opção, depois de atingida a maioridade. Atingida a maioridade,
enquanto não manifestada a opção, esta passa a constituir-se em condição suspensive da naciona­
lidade brasileira.
IV. - Precedente do STF: AC 70-QO/RS, Ministro Sepulveda Pertence, Plenário, 25.9.03, "DJ" de 12.3.04.
V. - RE conhecido e tião provido. ,
Decisão “
A Turma, por votação unânime, conheceu do recurso extraordinário, mas lhe negou provimento, nos ter­
mos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, neste Julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbo-

77
CU RSO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

sa. 28 Turma, 22.03.2005 (RE 418096/R S-R IO GRANDE DO SJJL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a):
Min. CARLOS VELIOSO. Órgão Julgador: Segunda Turma).

Jurisprudência. Evolução constitucional da opção da nacionalidade brasileira por pessoa nascida no


estrangeiro
EMENTA: I. NACIONALIDADE BRASILEIRA DE QUEM, NASCIDO NO ESTRANGEIRO, É FILHO DE PAI OU
MÃE BRASILEIROS, QUE NÃO ESTIVESSE A SERVIÇO DO BRASIL: EVOLUÇÃO CONSTITUCIONAL E SITU­
AÇÃO VIGENTE.
1. Na Constituição de 1946, até o termo final do prazo de opção - de quatro anos, contados da maiori­
dade o indivíduo, na hipótese considerada, se considerava, para todos os efeitos, brasileiro nato sob a
condição resolutiva de que não optasse a tempo pela nacionalidade pátria.
2. Sob a Constituição de 1988, que passou a admitir a òpção "em qualquer tempo" - antes e depois da
ECR 3/94, que suprimiu também a exigência de que a residência no Pais fosse fixada antes da maioridade,
altera-se o status do indivíduo entre a maioridade e a opção: essa, a opção - liberada do termo final ao
qual anteriormente subordinada -, deixa de ter a eficácia resolutiva que, antes, se lhe emprestava, para
ganhar - desde que a maioridade a faça possível - a eficácia de condição suspensive da nacionalidade
brasileira, sem prejuízo - como é próprio das condições suspensivas -, de gerar efeitos ex tunc, uma vez
realizada.
3. A opção pela nacionalidade, embora potestativa, não é de forma livre: há de fazer-se em Juízo, em
processo de Jurisdição voluntária, que finda com a sentença que homologa a opção e lhe determina a
transcrição, uma vez acertados os requisitos objetivos e subjetivos dela.
4. Antes que se complete o processo de opção, não há, pois, como considerá-lo brasileiro nato. II. Extra­
dição e nacionalidade brasileira por opção pendente de homologação Judicial: suspensão do processo
extradiclonal e prisão domiciliar.
5. Pendente a nacionalidade brasileira do extraditando da homologação Judicial ex tunc da opção Já ma­
nifestada, suspende-se o processo extradicional (CPrCiv art. 265, IV, a).
6. Prisão domiciliar deferida, nas circunstâncias, em que se afigura densa a probabilidade de homologar-
-se a opção.
Decisão
- 0 Tribunal, por decisão unânime, resolvendo questão de ordem na cautelar, indeferiu o pedido de rela­
xamento de prisão, determinou a suspensão do cufsú do processo de extradição e concedeu, ex officio,
o benefício da prisão domiciliar ao paciente. Votou o Presidente, o Senhor Ministro Maurício Corrêa.
Ausente, Justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Grade. (Plenário. A C - Q O 7 0 / R S -R IO GRANDE DO
SUL. QUESTÃO DE ORDEM EM AÇÃO CAUTELAR. Relator(a): Min. S E P Ú L V E D A PE R T E N C E . Órgão Julgador:
Tribunal Pleno).

4. QUESTÕES DE EXAMES E CONCURSOS

01. (MP/MT - PROMOTOR DE JUSTIÇA). O bf asílelro naturalizado pode


a) exercer cargo de oficial das Forças Armadas brasileiras;
b) exercer qualquer cargo da carreira diplomática, menos o de embaixador;
c) ser Ministro de Estado, salvo no âmbito datDefesa;
d) nenhuma. • •

02. (OAB/DF- EXAME DA ORDEM). Sobre nacionalidade marque a opção correta


a) são cargos privativos de brasileiros natos, dentre outros. Procurador Geral da República;
b) o brasileiro sempre perderá a sua nacionalidade quando adquirir outra nacionalidade;
c) são considerados brasileiros natos os filhos de brasileiros nascidos no estrangeiro desde que o pai, ou
a mãe, esteja a serviço do Brasil;

78
Capítulo II • NACIO N ALID AD E

d) um casal de brasileiros, a passeio na Itália tem um filho naquele país. Para a criança ser brasileira nata
se faz necessário que venha a residir no Brasil antes da maioridade para, só depois de alcançada esta,
venha a optar pela nacionalidade brasileira.

03. Marque a assertiva correta


a) nacionalidade pode ser conceituada como o laço jurídico que liga as pessoas a uma determinada
sociedade política;
b) nacionalidade pode ser conceituada como o vínculo político e pessoal que se estabelece entre o Es­
tado e o indivíduo, fazendo com que este integre uma dada comunidade política, o que faz com que
o Estado distinga o nacional do estrangeiro para diversos fins;
c) nacionalidade pode ser conceituada como o direito fundamental que une o indivíduo a um determi-
” nado Estado;
d) todas as assertivas anteriores estão corretas.

04. Marque a assertiva correta


á) p o d e -se dizer que nacionalidade e cidadania são palavras univocas;
b) p o d e -se dizer q u e to d o nacional é cidadão;
c) a cidadania é o statu s qu e perm ite ao nacional exercer os direitos políticos de votar e ser votado;
d) to d a s as assertivas anteriores estão corretas.

05. Marque a assertiva correta

a) o Estad o é fo rm ad o b asicam ente por três elementos: população, território e governo soberano;
b) 0 Estado é formado basicamente por três elementos: população, território e governo autônomo.
c) o Estado é formado basicamente por dois elementos; povoe território.
d) o Estado é formado basicamente por quatro elementos: população, território, governo autônomo e povo.

06. Tido é filho de Lívio (brasileiro) e Thélia (argentina). Nascido na Argentina, Tício vem residir permanen­
temente no Brasil e opta, aos 21 anos de idade, pela nacionalidade brasileira. Pode-se dizer que Tfcio
a) é brasileiro nato;
b) é brasileiro naturalizado;
c) é argentino;
d) nenhuma das opções anteriores está correta.

07. Warlowsky, nascido na Ucrânia e filho de ucranianos, reside nò Brasil há ininterruptos 20 anos.
Wariowsky possui idoneidade moral e nunca sofreu condenação criminal. O ucraniano requer a
nacionalidade brasileira
a) será negada, porque é vedado conceder nacionalidade brasileira a ucranianos;
b) poderá ser concedida a naturalização a Warlòwsky;
c) poderá ser concedida a nacionalidade originária ao ucraniano;
d) todas as assertivas estão incorretas.

08. Epaminondas é português nato, m as tem residência permanente no Brasil. Pode-se dizer que
a) Epaminondas é equiparado a qualquer outrO estrangeiro residente no Brasil;
b) Epaminondas é equiparado ã brasileiro naluralizadõ, desde que Portugal conceda o mesmo direito a
brasileiro residente em PóKugal; ,
c) Epaminondas é equiparado a brasileiro nato, desde que Portugal conceda o mesmo direito a brasilei­
ro residente em Portugal;

79
CU RSO DE DiRErrO ELEITORAL - Koberto Moreiro de Almeida

d) Epaminondas é equiparado a estrangeiro de pais de Kngua portuguesa residente no Brasil.

09. Doisberto Felizberto da Silva é português com residência permanente no Brasil.


a) Doisberto pode exercer o cargo de Presidente da República;
b) Doisberto pode exercer o cargo de Ministro de Estado da Defesa;
c) Doisberto pode exercer o cargo de Ministro do Superior Tribunal de Justiça;
d) todas as assertivas anteriores estão incorretas.

10. Marque a assertiva correta


a) o brasileiro naturalizado, ao praticar ato nocivo ao interesse nacional, reconhecido esse ato por sen­
tença judicial transitada em julgado, poderá vir a ter a decretação judicial da perda da nacionalidade
brasileira;
b) o instrumento para a perda da nacionalidade deriva de processo Judicial para cancelamento de natu­
ralização;
c) o brasileiro nato ou naturalizado que, voluntariamente, obtiver outra nacionalidade, receberá como
sanção a perda da nacionalidade brasileira, salvo aquele que tiver o reconhecimento de outra nacio­
nalidade originária por lei estrangeira ou no caso de sofrer imposição de naturalização, pela norma
estrangeira, ao residir em estado estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou
para o exercício de direitos civis.
d) todas as assertivas estão corretas.

11. (CESPE/IFB - PROFESSOR DE DIREITO). Cargos relativos à carreira diplomática e ao oficialato das
Forças Armadas são privativos de brasileiros natos.

12. (CESPE/POLfCIA CIVIL/RN - AGENTE DE POLÍCIA). Marcos é brasileiro naturalizado, Norita é japonês
residente no Brasil e Tadeu é brasileiro nato. Considerando essa situação hipotética, assinale a opção
correta à luz da CF.
a) Marcos não poderá ocupar o cargo de ministro do STJ,
b) Se Norita residir no Brasil por um ano ininterrupto e não tiver condenação penal, terá direito a reque­
rer a nacionalidade brasileira.
c) Tadeu jamais perderá a nacionalidade brasileira.
d) Marcos poderá ocupar o cargo de oficial das Forças Armadas.
e) Tadeu não poderá ser extraditado para outro país.

13. (CESPE/POLÍCtA CIVIL/ES - PERITO PAPILOSCÓPICO). Se um embaixador de país estrangeiro, em


exercício no Brasil, e sua esposa, também estrangeira, tiverem um filho nascido em território brasilei­
ro, esse filho será considerado brasileiro nato.

14. (CESPE/TRE/BA - ANALISTA JUDICIÁRIO - TAQUIGRAFIA). Como forma de aquisição da nacionali­


dade secundária, de acordo com a CF, é possível o processo de naturalização tácito ou automático,
para todos aqueles estrangeiros que se encontram no país há mais de dez anos e não declararam a
intenção de conservar a nacionalidade de origem.

15. (CESPE/TCE/BA- PROCURADOR). Somente o brasileiro naturalizado pode perder sua nacionalidade
em virtude de atividade nociva ao interesse nacional.

16. (F6V/0AB NACIONAL - EXAME DE ORDEM). A Constituição de 1988 proíbe qualquer discriminação,
por lei, entre brasileiros natos e naturalizados, exceto os casos previstos pelo próprio texto constitu­
cional, Nesse sentido, é correto afirmar que somente brasileiro nato pode exercer cargo de

80
Capftulo n • N A C » N A U O A O E

a) Ministro do STF ou do ST).


b) Dipiomata.
c) Ministro da Justiça.
d) Senador.

4.1. Questões extras


17. (FUNCEPE/CAMARA m u n ic ip a l d e ACARAÚ - CONSULTOR LEGISLATIVO • 2015). A Constituição
vigente impede que legislador ordinário estabeleça distinção entre brasileiro nato e naturalizado.
Assim sendo, am bos podem exercer os cargos de;
a) prefeito, oficial das forças armadas e deputado federal;
b) presidente da Câmara dos Deputados, senador e procurador-geral da república;
c) prefeito, governador de estado e senador;
d) ministro do Supremo Tribunal, do Superior Tribunal de Justiça e de Tribunal Superior do Trabalho;
e) senador, deputado federal e vice-presidente da república

18. (FCC/TRE/AP - ANAUSTA JUOICIARIO - ADMINISTRATIVA - 2015). Um casal de italianos, Pietro e An-
tonella, veio ao Brasil à serviço de seu pais e, após dois anos em território brasileiro, Antonella deu à
luz a Filomena. Um casal de brasileiros, Joaquim e Carolina, foi a Alemanha à serviço do Brasil e, após
três anos em território alemão, Carolina deu à luz a Clara. Um casal de espanhóis, Juan e Maria, veio
a o Brasil a turismo e, a p ó s um mês em território brasileiro, prematuramente Maria deu à luz a Luiz.
Considerando e ssas três situações, são brasileiros natos;
a) Clara e Luiz;
b) Filomena, Clara e Luiz;
c) Filomena e Luiz;
d) Luiz, apenas;
e) Clara, apenas.

19. (FCC/TRE/AP - ANALISTA JUDICIÁRIO - ADMINISTRATIVA - 2015). Antônio, cidadão brasileiro e em­
pregado público concursado do Banco do Brasil, sociedade de economia mista federal, foi transferido
para a agência bancária situada na cidade de Viena, capital da Áustria, em janeiro de 2009, onde
permaneceu até Janeiro de 2012. Enquanto trabalhava nessa cidade, Antônio conheceu Irina, cidadã
russa residente em Lisboa, com quem teve um breve relacionamento. Dessa relação, nasceu, na cida­
de de Salzburg, na Áustria, em abril de 2011, a menina Kaba.
Considerando o caso hipotético e o texto da Constituição brasileira de 1988, a filha de Antônio e
Irina
a) será brasileira nata se os pais a tiverem registrado no co n su lad o brasileiro e ca so ve n h a a residir no
Brasil até os 18 anos;
b) é brasileira nata, independentemente de qualquer opção ou registro consular;
c) será brasileira nata se vier a residir no Brasil e opte por tal nacionalidade até um ano após a maiori­
dade.
d) será brasileira nata se os pais a tiverem registrado no consulado brasileiro e caso opte, a qualquer
tempo, por tal nacionalidade.
e) não poderá acumular a nacionalidade brasileira nata que lhe seja reconhecida com eventuais nacio­
nalidades natas austríaca e russa, que lhe sejam garantidas pela legislação desses países.

81
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira deAlmeida

20. (CESPE/MPOG/AP - ANALISTA ADMINISTRATIVO - 201S). Em nenhuma hipótese, o brasileiro nato


poderá ser extraditado.

5. GABARITO

:a) ERRADO- Brasileiro naturellzado nSo pode exercer cargo de oficiei das Forças Ar-
.'.triadas brasileiras. ,,,,, j
b) ERRADO. Brasileiro naturalizado nSo pode exercer qúalquèr cargo da carreira di­
0 1.c
plomática.
c) CERTO. N io há impedimento de um bras|leiro naturalizado ocupar o cargo de Mi­
nistro de Estado, salvo o da Defèsa, conforrne inc. Vii do art. 12 da CF.

02.C " S3o brasNelros natos os nascidos na República Federátiva do Brasil, ainda que de pais
estrangeiros, desde que estes nSo estejam a serviço de seu pais (CF, art. 12,1, "b").
03 D - Todos os conceitos estão corretos

04. C CIdádSò é 0 nacional que se encontra Wo exércfcio dòs difèifò‘à políticos de votar e
de ser votado.
0 5 .A ,/ 'v. S3o elementos constitutivos do Estado: população, território e governo soberano.
l *
É brasileiro nato, porque, embora nascido no estrangeiro, é filho de brasileiro, veio
06 A residir permanentemente nò Brasil e optou pela nacionalidade brasiieira, conforme
art. 12,1, "c", CF.

Estrangeiro que reside no Brasil há mais de quinze atios ininterruptos, sem condena­
07. B ção penal, pode adquirir a nacionalidade brasileira derivada, através de processo de
naturalização, conforme art. 12, II, "b", CF.

Os portugueses residentes no Brasli, desde que Portugal assegure idêntico direito a


. OB B brasileiros residentes em Portugal, são equiparados a brasileiros naturalizados, con­
forme § IR do artvl2 da Constituição Federal. >1 '
.■ iv?
O cargo de Ministro do Superior Tribunal de Justiça não é privativo de brasileiro nato.
'0 9 C Assim, 0 cidadão português Doisberto Felizberto dà Silva, desde que residente no
Brasil e Portugal assegurando idêntico direito a brasileiro residente em Portugal,
poderá ocupar aludido cargo . ..
Todas as assertivas estão corretas: ! r.; , ,
a) CF, art. 12, §4®, inc. 1;
no D ' b) a perda da nacionalidade é decorrente de processo judicial’dê cancetãmento de
naturalização; , - i
.. À c) CF, art. 12/§48> inc. II, alíneas "a" e"b". > ,• ,
1 Reza a ConstttÜiçãô Federal: Art. l2. [...]. § 3R. São privativos de brasileiro nato os
cargos: i) de Presidente e Vice-Presidente da República; ii) de Presidente da Câmara
dos OepütadosT iii) de Presidente do Senado Federal; iv) de Ministro do Supremo
U . CERTA Tribunal Federal; v) da carreira diplomática; vi) de oficial das Forças Armadas; e vii)
de Ministro de Estado da Defesa. É certo, destarte, afirmar que os cargos relativos à
carreira diplomática e ao oficlalato das Forças Armadas são privativos de brasileiros
natos.

«2
Capítulo II • NACIONALIDADE

a) Errada. O cargo dé rnihistro do sfj nãò é privativo de brasileiro nato. Pode ser
ocupado por Marcos, eis que elé é brâsiíeiro naturalizado.
b) Errada; S3o brasileiros naturalizados; i) os que, na forma da lei, adquiram a na­
cionalidade brasileira, exigidas aOs originários de países de língua portuguesa
apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral; ou ii) os es­
trangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do
Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penai, desde
que requeiram a nacionalidade brasileira (CF, art. 12, inc. II, alíneas “a" e "b").
Norita é japonês. Terá direito adquirido a obter a nacionalidade brasileira se
residente nõ Brasil há mais de quinze anos (não é um ano) ininterruptos e não
tiver condenação criminal.
Errada. Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que adquirir ou­
tra háçionálidade, salvo nos casos: I) de reconhecimento de nacionalidade ori­
ginária pela lei estrangeira; oú ii) de imposição de naturalização, pela norma
estrangeira, ao brasileiro (CF, art. 12, § 49, inc. II, alíneas "a" e "b", de acordo
com a Emenda Constitucional n« 3/94). Se Tadeu vier a adquirir outra naciona­
lidade; deixará de ser brasileiro; salvo imposição de naturalização imposta pela
norma estrangeira.
d) Errada. Ser oficiai das forças arniádas é privativo de brasileiro nato (CF, art. 12, §
3®, Ihc. VI). Marcos, sendo brasileiro nato, não poderá ocupar tal cargo.
e) Certa. Nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado; em caso de cri­
me comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento
em tráfico i|ícitode entorpecêntes e drogas afins, na forma da lei (CF, art. S®, inc.
LI). Tadeu jámals poderá ser extraditado, porque é brasileiro nato.

São brasileiros natos os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais
estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país. (CF, art. 12, inc. I,
alínea "a"). O filho do embaixador, mesmo nascido no Brasil, não será brasileiro nato,
I pois é filho de estrangeiro a serviço de outro país.

São brasileiros naturalizados os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes


na República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem con­
denação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira (Constituição Fede­
ral, art. 12, inc. II, "b", com redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão
n9 3/94). Destarte, não é correto falar em naturalização tácita (toda naturalização
depende de requerimento do interessado), também é errado falar em residência
no país há mais de dez anos (o correto é o prazo de quinze anos) e não haver conde­

È nação criminal.
Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que tiver cancelada sua natu­
ralização, por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional
{Constituição Federal, art; Í2; § 4®, inc. l). Destarte, somente o brasileiro naturaliza­
do pbdèrá vir a perder süá háelòhálídade em virtude de atividade nociva ao interesse
nacional.

Dos cargos mencionados, os únicos que são privativos de brasileiro nato são o de
Ministro do STF e o Diplomata. Lembre-se do MP3.COM!. Os cargos de Ministro do
■ STJ, Ministro da Justiça e Senador podem ser ocupados por brasileiros natos ou na­
turalizados.

83
CU RSO D E DIREITO ELEITORAL - Roberto Wofefro de Almeida

Sâo privativos de brasileiro nato os cargos: i) de Presidente e Vice-Presidente da


República; ii) de Presidente da Câmara dos Deputados; iii) de Presidente do Senado
Federal; iv) de Ministro do Supremo Tribunal Federal; v) da carreira diplomática; vi)
de oficial das Forças Armadas; e vii) de Ministro de Estado da Defesa (CF, art. 12, §
17. C. 3.“ com redação dada pela EG n.® 23/99).
Destarte, a única assertiva em que todos Os cargos podem ser ocupados por brasi­
leiros natos ou naturalizados é a C, onde constam prefeito, governador de estado e
senador.
Filomena não é brasileira, porque é filha de italianos e ambos estão a serviço da Itália
no Brasil (CF, art. 12, inc. I, alínea "a").
Clara é brasileira nata, pois, não obstante ter nascido no exterior (Alemanha), é filha
18. A. de brasileiros que estavam a serviço do Brasil (CF, art. 12, inc. I, alínea "b").
Luiz é brasileiro nato, porque, embora seja filho de estrangeiros, nasceu em territó­
rio brasileiro e seus pais não estavam a serviço da Espanha no Brasil (CF, art. 12, inc.
I, alínea "a").
Kátia é brasileira nata, pois, não obstante ter nascido no exterior (Áustria) é filha de
brasileiro que se encontra no estrangeiro a serviço da República Federativa do Brasil
(CF, art. 12, inc. I, alínea "b").
19. B. Considera-se a serviço do Brasil não apenas quem trabalha fora do território nacio­
nal para a União, mas também os que laboram para os Estados, para os Municípios,
bem como para autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mistae fun­
dações públicas de quaisquer entes federativos.
20 CERTO,. b brasileiro nato jamais será extraditado (CF, art. 5R, inc. LI).

84
C a p ít u l o I I I

D ireitos P o lítico s

SUMÁRIO • 1 . D ir e ito s p o lític o s . 1 .1 . C o n c e it o . 1 .2 . D e m o c ra c ia . 1 .3 . M o d a lid a d e s . 1 .3 .1 . D ir e it o s p o lític o s a tivo s


(ca p a cid a d e eleitora l a tiv a ). 1 .3 .1 .1 . C o n c e it o . I . 3 . I . 2 . S u ü á g io . 1 .3 .2 . D ire ito s p o lític o s p assivos (c a p a c id a d e eleitora l
p a ssiva ). 1 .3 .2 .1 . C o n c e it o . 1 .3 .2 .2 . C o n d iç õ e s d e e le g ib ilid a d e . 1 .3 .3 . In e le g ib ilid a d e . 1 .3 .3 .1 . C o n c e i t o . I . 3 . 3 . 2 .
C a s o s d e in e le g ib ilid a d e . I . 3 . 3 . 3 . D e s in c o m p a tib iliz a ç ã o . I . 3 . 3 . 3 . I . C o n c e it o . I . 3 . 3 . 3 . 2 . F in a lid a d e . I . 3 . 3 . 3 . 3 . H e -
te ro d e s in c o m p a d b iliz a ç ã o e a u to d e s in c o m p a tib iliz a ç ã o . I . 3 . 3 . 3 . 4 . D e s in c o m p a tib iliz a ç ã o d e f in it iv a e te m p o rá ria .
I . 3 . 3 . 3 . 5 . T a b e l a re s u m o d e d e s in c o m p a tib iliz a ç ã o . 1.3 .4 . R e e le g ib ilid a d e . 1 .3 .4 .1 . C o n c e i t o . I . 3 . 4 . 2 . H ip ó te s e s
c o n s titu c io n a is . 1 .3 .5 . P riv a çã o d os d ire ito s p o lític o s . 1.3 . 5 . 1. In t r o d u ç ã o . 1 .3 5 .2 . H ip ó te s e s le gais. 1 .3 .6 . D ir e ito s
p o lític o s d o s m ilita re s . 1.3 .7 . D ir e ito s p o lític o s d o s m a g is tra d o s . 1 .3 .8 . D ir e ito s p o lític o s d o s m e m b r o s d e T r ib u n a is
d e C o n t a s . 1 .3 .9 . D ir e ito s p o lític o s d os m e m b ro s d o M in is t é r io P ú b lic o . 1 .4 . P o lític o F ic h a L i m p a . 1 .4 .1 . O r i g e m .
1 .4 .2 . Le g isla ç ã o . 1.4 .3 . A p lic a b ilid a d e im e d ia ta . 1 .4 .4 . E fe ito su sp e n sivo . 1 .4 .5 . A d it a m e n t o te c u rs a l. 1 .4 .6 . E l^ i-
b ilid a d e m a n tid a . 1.4 .7 . Q u a d r o re s u m id o . 2 . S in o p s e . 3 . P ara c o n h e c e r a ju ris p ru d ê n c ia . 3 .1 . S ú m u la s T S E . 3 .2 .
In f o rm a tiv o s . 3 .3 . J u ris p ru d ê n c ia se le cion ad a . 4 . Q u e s tõ e s d e e xam es e c o n cu rs o s. 4 .1 . Q u e s tõ e s e xtras. 5 . G a b a r it o .

1. DIREITOS POLÍTICOS

1.1. Conceito
£ cediço que cidadania não se confunde com nacionalidade, pois esta é inerente àquela, eis
que todo nacional que se encontra no exerdeio dos direitos políticos ativos ou passivos é ddadão.
Mas como podemos conceituar direito político?
Para José Afonso da Silva', “o regime representativo desenvolveu técnicas destinadas a efetivar a
designação dos representantes do povo nos ó r^ o s governamentais, A ptindpio, essas técnicas aplica­
vam-se empiricamente nas épocas em que o povo deveria proceder à escolha dos seus representantes.
Aos poucos, porém, cenos modos de proceder foram transformando-se em que o direito de­
mocrático de pattidpaçáo do povo no governo, por seus representantes, acabara exigindo a formação
de um conjunto de normas i^ a is permanentes, que recebera a denominação de direitos políticos”.
O s direitos políticos podem vir a ser conceituados, em apertada síntese, com o o poder que
possui o nacional de participar ativa e passivamente da estrutura governamental estatal ou de
ser ouvido pela representação política. Em outras palavras, consistem no conjunto de normas
disdplinadoras da atuação da soberania popular.

► IN D A G A C .X O D I D Á l IC A

iiil.n l u ii I S.IO aiift I id n , lu i n n u iic iiio d a ali

1. SILVA, José Afonso da. Curso d e direito constitucional positivo. São Paulo: Malheiros, 200£ç p. 329.

85
CURSO DE DIRErrO ELEITORAL - Roberto Moreira de Alm dd a

e m qUL >■ im l» id u o obtém , iio s l o i ii o k d j lei. A q u a lid i d i J i (.le n o i ^ ‘y v o t i a n id q iiiie o d i m i » d i


' o u t I I I . i li i^iM s c iii (>eial, iio s plehhbiuiii i n o s rch.iendos, b ein % d iln & fle^ u b sctever p h ije to s d e le i d e
in ic ia ii' I I'o p iiL ii.

Aiapicid-idr Ju m r d p i UM (direimdi«rvoridfi) uiiiiudo, é g n d jc m an dcnniu mos


desde q u e demai s lo p ^ w s ti|blègibilidade, ad q u iie^ a cdpabtdade p a » serVaeadoc^ aos
i l (vinte c umj aims, ^laiia set Déj^dtádô Distrital, DepuMdoT^enJ, P t ^ t o op Vlce-Plelcito
c Juiz d c J t e aos 30 {itiAta) anoi; Goej^ikàor e V!ce-Goveni.-idDr ddEeiado ou do DistmarHediTiI,
e aos 3 ã (tnntaceiuco) atms;para Prâideri&,'Vke-Ptesldenteda Repüblká é Scbadob :■ >

* A idade minima ronstitucionalmente estabelecida como condiç3,0 de elegibilidade é y ^ fic a d a


tendo por referência a data da posiic,j5alw> quando fixada cm dezoito anos, hipótese em que
será afcrida na data limite para o pedido de registro |U i n e 9 504/97, art 11, S 2 A e o p i roda
çáo dada pela Lei n e 13165/2015),

1 .2. Democracia
O líder inglês Winston Churchill exclamava em seus discursos: “a democracia é a pior de
todas as formas imagináveis de governo, com exceção de todas as demais que já existiram”^.
Mas o que vem a ser democrada?
Para Pinto Ferreira^ “a democracia é o regime político baseado na vontade popular, expressa
nas urnas, com um a técnica de liberdade e igualdade, variável segundo a história, assegurando o
respeito às minorias”.
O conceito mais direto e objetivo, no entanto, é o dado por Abraham Lincoln (presidente
dos EUA, de 1861 a 1865): democracia é “o governo do povo, pelo povo é para o povo” { “the
democracy is the government o f the people, by people an d fo r the people").
A democracia pode ser classificada como direta (os ddadáos partidpam , por si, das decisões
estatais fundamentais, fazendo leis, julgando e administrando, tal como na Grécia antiga), inditeta
ou representativa'* [o povo participa dos negócios do Estado, através de seus representantes eleitos
(parlamentares e governantes, que recebem dos eleitores um mandato para representá-los), tal
como sói acontecer na atualidade na grande maioria das nações] e semidireta, mista, eclética ou
participativa (a população politicamente ativa panicipa ora direta ora indiretamente dos destinos
governamentais estatais).
A democracia semidireta foi acolhida pela C F de 1988 (parágrafo único do art. 1°) ao as­
severar que “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou
diretamente, nos termos desta Constituição”.
C om o instrumentos de democracia direta ou de soberania popular foram previstos o plebis­
cito, o referendo e a iniciatiya popular. ,
Analisemos os instnihiiejntos die deinocfacia direta inávidualm ente: tí .

2. N o origin al: "th e dem oéracy is the w orst fo r m o fg o v e m m e n t except a líó th e rs w hich have been tried".
3. FERREIRA, Pinto. M a n u a l de d irelto constitucional. Rio de Janeiro: Forense, 1989, p. 207.
4. Ensina-nos D alm o de Abreu Dailari (Elem entos de Teoria G eral d o Estado, S3 o Pauio: Saraiva, 2005, p. 192), sobre
democracia representativa, citando M ontesquieu: "O povo era excelente para escolher, m as péssim o para governar.
Precisava o povo, portanto, de representantes, q u e Iriam decidir e querer è m H o m e d o povo".

86
C apítulo III • DIREITOS POLITICOS

Plebiscito^ É uma consulta prévia feita ao cidadáo para decidir objetivamente (sim ou náo)
sobre determinado assunto político ou institucional. A Lei n° 9.709/98 (art. 2 °, § 1°) assim
se reporta; “o plebiscito é convocado com anterioridade a ato legislativo ou administrativo,
cabendo ao povo, pelo voto, aprovar ou dcnegar o que lhe tenha sido submetido” ;
Referendo*^. É uma consulta a posteriori, ou seja, o cidadão é consultado para que ratifique ou
rejeite objetivamente (sim ou não) determinado ato administrativo ou normativo já editado.
A Lei n° 9.709/98 (art. 2 °, § 2 °) dispõe: “o referendo é convocado com posterioridade a ato
legislativo ou administrativo, cumprindo ao povo a respectiva ratificação ou rejeição”; e
Iniciativa popular. É o direito dado a um grupo de cidadãos para apresentar projetos de
lei diretamente ao Poder Legislativo. É um procedimento complexo e de pouco uso prático.
Nos termos da Carta de 1988 (art. 61, § 2°), “a iniciativa popular pode ser exercida pela
apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por
cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de
três décimos por cento dos eleitores de cada um deles”.^ Nada impede que a Constituição
Estadual e a Lei Orgânica do Distrito Federal ou de Município prevejam a possibilidade
de apresentação de leis de iniciativa popular no âmbito dos Estados, Distrito Federal ou
Município.
Decreto legislativo é o instrumento legal apto a convocar plebiscitos e referendos no Brasil.

► i n i ) A ( . a (;A o d i d á t i c a

O que vnu. (.luciidc pui “ fli iir'-poMtiiu i. vito popuUfí


■’.r II
'.r H pf ilitii, (.
L II <c[ti
«ccti |iii|>ill‘jr<Sbuntil
piipilV^ílr^Soiiiirii ini-irumcn
in'-trumcn n .iniçánpo|mhrnh insiituiii;
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, ijr 111'iicraciascmidireta. N.IO foraiiíjltjldlflàb, acolhidos pela CqífslUui^.io FeiiéntI'dt!4 $S8 :
O “recair pollci i l>i i iim ufBItndduos I st do Lindos
^ um mandato iletivo Fmoutnis^adçjí^oiiiprovadaa
■ % v s í v clqucocleiiji aii+vu do eSeftíctft d .iteito de su
í ' Veto popiiI.li, por 8ífr.iaí&í..M7íí o inslfiiiiiii.nio legal através do qu.il u ii.liil i < , nltrin vetii .i
tòioutiivão de prujeros dê lu iio Cmigccs o Mkiun 1 AssemblciaXcgislativa ou Cím.ir.i l.<^sÍMiva do('
Federal ou de Munlçipip- , ...

1.3. Modalidades
Sobre o tema, podemos distinguir duas modalidades de direitos políticos: direitos políticos
ativos ou capacidade eleitoral ativa e direitos políticos passivos ou capacidade eleitoral passiva.

A própria Constituição Federal previu expressamente a realização de plebiscito para o eieitorado brasiieiro definir
a form a (repúbiica ou m onarquia constitucional) e o sistem a de governo (parlam entarism o ou presidencialismo) a
viger no Pais (ADCT, art. 2«).
Tanto nos referendos co m o nos plebiscitos, a participação é: a) obrigatória; para os m aiores de dezoito anos; b)
facultativa: para os m aiores de 16 e m enores de 18 anos, para o s analfabetos e para as pessoas com m ais de setenta
anos; e c) vedada: para o s estrangeiros e, durante o serviço militar obrigatório, para os conscritos. Em am bos os
casos, 0 cidadão vota na própria seção eleitoral a que está inscrito.
Há leis oriundas de projetos de iniciativa popular, inclusive em matéria ejeitoral. Pode-se, a título de exemplo, citar
a Lei n< 9.840, de 28.09.1999 (Lei d e Com bate à Corrupção Eleitoral). A iniciativa contou com a assinatura de m ais
de um m ilhão de pessoas, que se m obilizaram para tentar coibir a compra de votos, flagelo de nossa democracia.

87
CU RSO DE DIREITO ELEITORAL - Roberta Moreira de Almeida

1 .3 .1 . D ireitos p o lítico s ativ os (capacidade eleito ral ativ a)


l .Í . 1.1. Conceito
N a lição de José Afonso da Silva®, “direitos políticos atiyos consistem no conjunto de normas
que asseguram o direito subjetivo de participação np processo político e nos órgãos governanjentais”.
Direito político ativo ou capacidade eleitoral ativa é O idire ito que possui o cidadão de parti­
cipar diretamente do processo eleitoral, através do voto, .seja em eleições, seja em plebiscitos, em
referendos (direito de votar) ou de subscrever projeto de lei de iniciativa popular.
N o Brasil, são quatro os requisitos básicos para o exercício da capacidade eleitoral ativa, a
saber: a) ter alistamento eleitoral; b) possuir nacionalidade brasileira; c) ser maior de 16 (dezesseis)
anos de idade; e d) não ser conserito (não prestar o serviço militar obrigatório).

I .3 .I.2 . Su frágio

I) Conceito
A palavra sufrágio deriva do latim “sufragium”, que significa apoio, aprovação. Em termos
jurídicos, su fr^ io consiste no direito público e subjetivo assegurado ao cidadão para eleger.

II) D istin ção entre su fráp o , voto e escrutín io


Não se deve confundir o sufrágio com q, voto ou com o escrutínio.
José Afonso da Silva’ extirpa dúyidãs sobre os institutos « n tela corn bastante lucidez: “as
palavras sufrágio e voto são empregadas iComumcnte çomp sinènim as, A C onstk^ no en­
tanto, dá-lhes sentidos diferentes, especialmente, nOiSeu art, I4 j p or onde se vê que o sufrágio
é universal e o voto é direto e secreto e tem valor iguala A palayrá voto é empregada em outros
dispositivos, exprimindo a vontade.num processo decisóriq. Esçrutínio é outro termo com que
se confundem as palavras sufrágio e voto. É que os três se inserem no processo de participação do
povo no governo, expressando: um, odireito (sufrágio), outro, p seu exercício (o voto), e o outro,
o modo do exercício (escrutínio)”. , f
Destarte, o sufrágio é o direito público e subjetivo de participar ativamente dos destinos
políticos da nação; o voto nada mais é do que o exerdeio concreto do direito de sufrágio e o escru­
tínio consiste no modo através do qual a pessoa exerce o direito de sufrágio (público ou secreto).

III) Su fráp o , voto e escrutínio n a C onstituição do 1988


A Constituição Federal de 1988 (art. 14, caput) é taxativa ao asseverar que “a soberania popular
será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos...”.
D a leitura do diploma constitucional, observa-se a opção do constituinte p do:
• Sufirágio: universal;
• direto e igual; e
• Escrutínio: secreto.

8. SILVA, José A fon so da. Curso d e direito c onstitutio n al p ositivo. S S o Paulo: M alheiros, 2006, p. 333.

9. Idem , p. 309.

88
Capftulo III • DIREITOS P O Ltn C O S

IV ) Espécies de m jrágM í» votos e escrtitímos^^^^^^ %


Diversas dassiíicações doutrinárias têm sido div u l^ d as ao longo dos tempos acerca do su-
fr%io, do voto e do escrutínio. Fávila lUbeiro'® traz a seguinte tipologia; ,,

a) X^uasdo à extensão
Quanto à extensão, o sufrágio pode sèr re trito (qu^iíicativo) ou univerrál.
• R estrito. É quando existem liihitàçóes ao exercídò do sufrágio por motivos diversos, tais
como fortuna, grau de instrução, sexo ou raça.

► IN l)A (.A C Á C ) D I D .V n C A

p o M n o d w de nifiicca ou fortuna
i| ^ ]^ d d e íl« 2 á ),p s^ .ig io n o nardio-tensiuíno. porque
o ró to

► IN D A G A Ç Ã O D I D Á n C A
O q u cto çe o ^ d cp o rs
■ íf
I i.i. ' . Mini I lu tó g lo i' ■ iiipporiuotiva^jointiili.i.iu.il.
Qgatido ,c exdol b«lfaiGkf>i rn do diri^io'^^t^iur, p or exemplo, esníilíb/fliàntede um regime qpc
Id o u o s u lr. . M <tn» e«pac . _ _ m

► IN D A G A Ç Ã O D ID Á n C A

í • O q i i i tir) n a s a ro s u h .ig iu n u iii» |iO r A i/iu is < < ta u a ito u n ic ia iá i'" '’' . ' ' T v i/ íir
S',< |iriinc1ro plano n il'ri Iin dl nu iqt'iii s'litundo apin is in linniLiii uii a miiUiii (I v i<
^ n s t i t u i ç ó ^ ^ ^ ^ l í l i s d e 1824 ( i m p e r i a l ) e ( a p t i m e i n r e p u U i c ã S v O o S o a d n ã ^ ü ^ i l s u f r ^ ^

o sufoigio Tii I I 'OI I I I I I I I ', 1ri 1aquele nn qual se excluísse dererminada raç.iou am a ilo
. ptOcejSQ'd eliRial lE ' ,l.i i m m , legiiiieí d ca tg itg çSo taual dominantes na África do Sul (Ajiar^
i l i é i d r : . s « ; X í O e no& U tú d o ^ ii è ç , X l X ) p c s ncgn>5 n ã o p o ssiiíjiin o& dÍFeico.s d e v o ra r e dip'

' ’ ‘ >*’ - C l ' - ' ' #

• Universal. Sendo eliminadas as limitações restritivas ao exercício do voto, diz-se que o sufiágio
é universal.

b) Q uanto à fo rm a
Quanto à forma, o escrutínio pode ser secreto (fechado) ou público (abeno).
É secreto aquele emitido em sigilo, sem que as pessoas, salvo o próprio eleitor, tenham como
saber o conteúdo do voto. t

10. RIBEIRO, Fávila. Direito eleitoral. Sâo Paulo: Forense, 2000, p. 59/75,

89
CU RSO D E DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

É público o escrutínio quando realizado às e s c a n d a s e de modo a que haja publicidade do


voto do eleitor.
A propósito, a garantia do sigilo do escrutínio é uma das mais importantes em qualquer regime
verdadeiramente democrático, sobretudo por evitar que o eleitor possa eventualmente ser vítima de
represálias acaso tenha sufragado ou deixado de suüagar o nome de candidato govemista ou de oposição.

Nesse diapasão de assegurar na prática a garantia fundamental do sigilo do escrutínio, o


Código Eleitoral (art. 103, incs. I a IV), ainda quando se utilizavam cédulas de votação em todo
o Brasil, previu as seguintes providências: a) uso de cédulas oficiais em todas as eleições; b) isola­
mento dó eleitor em cabinaindevassável; c) verificação da auteiitiadadé da Óédula oficial a vista
das rubricas; e d) em p r^ o de urna que assegurasse a inviolabilidade do su fi^ io .

C om a implantação do sistema eletrônico de votação, mantém-se o cuidado para que o


conteúdo do voto do eleitor não seja de conhecimento público. Dentre as medidas, encontram-se
a proibição de o eleitor levar para a cabina de votação aparelhos telefônicos celulares ou equipa­
mentos de filmagens.

c) Q tuintà ao modo de exercício


Quanto ao modo de exercício, o voto pode ser direto ou indireto.

Diz-se direto, quando o eleitor elege pessoalmente os seus candidatos.

Tal não ocorre com o voto indireto, porque neste o eleitor se utiliza de terceiros ou de inter­
mediários (mandatários) para eleger alguém.

Durante o período dâ ditadura militar np Brasil (1964-1984), por exemplo, a elé i^ ó para
Presidente e Vice-Presidente da República se dava por via indireta (Colégio Eleitoral).

► INDAGAÇÃO D ID Á l ICA

^ H á prcvís.io ((c clei^ao iiiilircta no Brasil?


V S'D i'>’o l{c ( 'ni. II1 ( n K srauivo (Prcsiclemc d.i República. Governador de Estndo
ou do r ) I. "O l*':m i im , ..ii^rüs dc Vilc*I’n'sidonu! da Riípública, Vice-Govemidor e
' Vice-Pr. k I oj , o ^ { s' l1ic !o i | muii . 1«. «.i • ^ i d i i c ü ír i i vu. iiKii do; catgo$^(títãlaí:^e
vkc) nc L^ii> '.i.iin . los Jo n( dn j^it 'id' m..i ' m ii.csmo scdá. poi dineuiaconscKudoiial, nos Estados,
w 'HO D m rio 1ui . V ')• Munu II ^ ' v~o ;mi t II I i i i r t fura fniiii di i depois dc aberta a
últim a'. 'M .iD i'.. . :.iu iL, p ’I'-í .I ' ndos*. a dcíção iodiréta dar ^ 1 no iimbicú da
A‘wemhlehiI.fígLçlativac, nos Municípios e L^isrrito Poderá!. pelas ciroaras I^ ^ ^ ^ ^ d is td c a í ou municipais. Bm
dos casos, os elcuo,s devenío completar o período de seus antccc5so ie ^ o as^ |,|^ in |)n rá o um m a n ^ to
tampão; A prevísãoí dè'iákÍçâo indireta no Brasil e.stá contida no § I do a rt. 8 ldaL ciM aiol , assim cedi^Jo:
/Irt. 81, Vagando os cargos dc Presidente c Vice-Presidenie da eleifão nátíinta
dias depois de aberta a última uaga. , ' , '

, í Ocorrendo a vacância nos últimos dois ano -h n.udopiestdettcial, a Heifãopata ambos


os cargos seráfetta trinta dtas depois da úãttma vaga, pelo Conmsso Nacional, naform ada leL
S 2. Ètn qualquer dos casos, os eleitos deverão comple ar opM oda de seu, an iécessdres". ‘

90
Capítulo III • DIREITOS POLITICOS

Por reu turno, rczain os §§ 3.° c 4° do art. 224 do Código LIcitoral, com redaç.ío dadíi pcl.i Ijei

§ 3 A deettãa 'd i Justiça Eleitoral q u e importe o tn d efin m en to S ngtstto, a (ossaetut do diplo-


, <í ta a o i, 1 p e n b d o n i ’ I t'll ilitto em pletto m a jo iita n o a ceT fta . apt), n ti tn s iío i » - 1 t!;;id",
-■ ,^ i4 tlu .i- ii> d e n o ia ii^ ttiti II ie p i’ lrrie u .ih h i,'iii.iii.ii d e tig fffá itu la d o s,/,,

•Jt I t e la f io tt q 'ii se rejêre o S 3 " c o n r id a expensas d l Ju s ttfO -B ld to n tl e'seidr. •

P m dneta, se a iacãiitia do raigo oiorref a menos d e sets n eses do f t h t d do mandato;

II) diretilètilirden)at> casos. >'

d ) Q uanto ao valor
Quanto ao valor, o voto pode ser igual ou plural.
E igual quando se impede o eleitor de votar mais de uma vez em determinada eleição. Segue
a tradição norte-americana, segundo a qual a cada homem se atribui um único voto (“one man,
one vote'). Ademais, segundo o princípio da isonomia e do voto igualitário, a cada sufrágio deve
ser atribuído o mesmo valor (mesmo peso), independentemente de quem seja o eleitor.
Diz-se plural ou múltiplo, quando se permite a determinado eleitor votar mais de uma vez
õu se atribui ao voto um peso maior que aos dos demais eleitores. Exemplo: um eleitor com
nível superior teria voto com peso três; outro com nível médio, peso dois; e um terceiro cidadão
analfabeto ou sem o ensino fundamental concluído, voto com peso um.

V) O brigatoriedade e facu ltativ id ad e ao exercício do d ireito ao su frágio


N o Brasil, nos termos do § 1.“ do art. 14 da C E o voto, assim como o alistamento eleitoral, é:
a) obrigatório: para os maiores de 18 anos de idade; e
b) facultativo: para os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos de idade, para os
analEibetos e para os maiores de setenta anos de idade.
Veda-se, outrossim, segundo o § 2.® do art. 14 da Lei Maior, o direito de alistaiem-se eleitores;
a) aos estrangeiros; e
b) aos conscritos, durante a prestação do serviço militar obrigatório.

1 .3 .2 . D ireitos p o lítico s p assiv o s (capacidade eleito ralp assiv a)

1 .3 .2 .1. Conceito
Os direitos políticos passivos ou capacidade eleitoral passiva tem a ver com a elegibilidade
da pessoa ou o direito de ela ser votada.
São as condições ou os requisitos exigidos do cidadão para ser votado e, uma vez eleito, poder
ocupar um cargo público eletivo.

91
CU RSO D E DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

1 .3 .2 .2 . Condições de elepbilidade*^
Para que o indivíduo possa vir a ser eleito, é preciso antes que preencha determinados re­
quisitos (condições de elegibilidade) e não incorra em nenhuma das hipóteses de inelegibilidade
previstas em lei.
Nos termos do § 3 ° do art. 14 da Constituição Federal, exigem-se dos candidatos o preen­
chimento das seguintes condições de d e b ilid a d e , as Iquais devem ser verificadas, como regra,
ressalvadas as alterações fiiticas e jurídicas supervenientes, bem como a idade mínima, no momento
da formalização do pedido de registro de candidatura.
C om efeito, dispõe o $ 10 do art. 11 da Lei n .° 9.504/97: “As condições de e le b ilid a d e e
as causas de inelegibilidade devem ser aferidas no momento da íbrmalização do pedido de regis­
tro da candidatura, ressalvadas as alterações, fáticas ou jurídicas, supervenientes ao registro que
a&stem a inelegibilidade”.
Exam inem os a seguir as condições de elegibilidade segundo o ordenamento jurídico
brasileiro.

I) N acion alidade b rasileira


O primeiro requisito para ser candidato no Brasil é ter o indivíduo a nacionalidade brasileira
(ser brasileiro nato ou naturalizado).
Exçepciona-se tal regra ao português que tenha residência permanente no Brasil, desde
que Portugal conceda Idêntico direito a brasileiro residente em terras lusitanas. Embora seja
estrangeiro, o português residente no Brasil foi equiparado pelo texto constitucional a brasileiro
naturalizado.
Os requisitos para se adquirir a nacionalidade brasileira, seja por meio de nascimento ou por
intermédio de naturalização, foram estudados no Capítulo 02 do presente livro.

► IN D A G A Ç Ã O D ID Á T IC A

íè- Q u e Csirgo clctUo c prív.ttivo dc bra&ilciro nato?


E x ig e -s e á n a t io n a lid á d e o r ig in á r ia (cieve sc r b ra s ile iro nato) para o candidato a Presidente da Re­
p u b lic a c V i c e - P r à i d e i i r e da R e p ú b lic a . x

Sáo> adâmalsy p ri^vivos de brasileiros natos os demais cargos elencados $ 3^i do arU; J 2 da
Constituição Federal, quais se)am: a) Presidente da Cântara dos Deputados; b) Presidente do Senado
Federal; c) Ministro do Supremo Tribunal'Bidera.!; d) rCarieIrâ diplomática; c) Oficial das ForçasrArmadas;
:e f) Ministro de Estado da Defesa (MACETE: M P3.G O M ]. A GF também exige que os seis cidadãos
iategrantes d o Conselho da República {digâo dc assessoramento direto da Presidência da República)
sejam brasilcíróis natos. '' • ’ . r

11. Pode-se dizer q ue existem dois tipos o u du as e spécies de condições de etegibilidade: a) a s expressas (próprias,
típicas ou nom ínadas): estão contidas n o art. 14, § 3~ d a Constituição Federal (nacionalidade brasileira, pleno gozo
d o s direitos políticos, alistam ento eleitoral, dom ícRio na círcunscrição, filiação partidária e idade mínima); e b) as
im plícitas (im próprias, atípicas o u In om ín ad as): são verdadeiros obstáculos o u im pedim entos eleitorais sem os
quais a pessoa não pode concorrer a um pleito eletivo (ser escolhido em convenção partidária, desíncompatíbilU
zaçao, ser alfabetizado, quitação eleitoral, etc.).

92
C apitu lo III • DIREITOS POLITICOS

H ) Pleno gozo dos d ireito s p o lítico s


O eleitor que, por qualquer motivo, vier a perder ou tiver seus direitos politicos suspensos,
ficará impedido de exercer as capacidades eleitorais ativa e passiva.
O s casos de perda e de suspensão dos direitos políticos foram elencados no art. 15 da Lei Maior.
A perda é a privação definitiva dos direitos políticos.. Dar-se-á em duas hipóteses;
a) cancelam ento de natu ralização p o r sentença ju d icial tran sitad a em ju lg a d o , p o r
prática de atividade n o d v a ao interesse nacional (CF, art. 15, inc. I): hipótese exclusivamente
aplicável ao brasileiro naturalizado; e
b) aquisição de ou tra nacioualidade p o r naturalização voluntária (CF, art. 12, $ 4 .°, inc.
II) : situação cabível tanto pata o brasileiro nato quanto para o naturalizado.
A suspensão é a privação temporária dos direitos políticos.
Ocorrerá nos casos de;
a) incapacidade civil absolu ta (CF, art. 15, inc. II);
b) condenação crim inal transitada em ju lgado (CF, art. 15, III); e
c) escusa de consciência (CF, art. 15, IV ).
Ainda sobre o tema perda e suspensão dos direitos políticos, vide o item 1.3.5.2. infra.

III) A listam ento eleito ral


A pessoa somente obtém a condição de eleitora com a respectiva inscrição junto ao juízo
eleitoral de seu domicílio.
O alistamento eleitoral é exigido tanto para o exercício da capacidade eleitoral ativa (direito
de votar) como para o exercício da capacidade eleitoral passiva (direito de ser votado).
Ele é obrigatório para os maiores de 18 (dezoito) anos de ambos os sexos, mas facultativo para
os analfabetos, para os maiores de 70 (setenta) anos, bem como para os maiores de ] 6 (dezesseis)
e menores de 18 (dezoito) anos.
O procedimento para o alistamento é bastante simples.
Basta o eleitor comparecer ao Cartório Eleitoral de seu domicílio munido da documentação
que ateste a sua qualificação [carteira de identidade, carteira de reservista (para alistandos do sexo
masculino), comprovante de residência, etc.].
Ato contínuo, há o preenchimento do RAE (Requerimento de Alistamento Eleitoral) e, ao
final, expede~se o documento comprobatório da cidadania, que é o título de eleitor.
Sobre alistamento eleitoral, recomendamos a leitura do Capítulo VII.

JV ) D om icilio eleito ral n a circunscrição


A legislação exige que a pessoa tenha domicílio eleitoral no local onde pretende votar, bem
como se eleger.
O prazo mínimo de domicílio para o exercício da capacidade eleitoral ativa (direito de vo­
tar) é de até 151 (cento e cinquenta e um) dias antes do pleito (período em que a pessoa deverá
providenciar a inscrição ou a transferência eleitoral em/para determinada zona e seção eleitorais).

93
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto M o re ira d e A lm e id a

Por seu turno, o prazo mínimo de domicílio eleitoral para o exercício da capacidade eleitoral
passiva (direito de ser votado) é de um ano antes do pleito, iniciando a contagem a partir da data
da entrada do requerimento (Lei das Eleições, art. 9.°).
A circunscriçâo do Vereador, do Vice-Prefeito e do Prefeito é o Município (local onde o indi­
víduo necessita comprovar o domicílio eleitoral); do Deputado (Federal, Estadual e Distrital), do
Senador, do Governador e do Vice-Governador é o Estado ou o Distrito Federal; do Presidente
e Vice-Presidente da República é qualquer seção eleitoral do país.
O domicílio eleitoral não se confunde com domicílio civil.
A propósito, o T S E (Acórdão 18.124/2000) já pacificou o seguinte entendimento; “O domi­
cílio eleitoral não se confunde, necessariamente, com o domicílio civil. A circunstância de o eleitor
residir em determinado município não constitui obstáculo a que se candidate em outra localidade
onde é inscrito e com a qual mantém vínculos (negócios, propriedades, atividades políticas)”.
Mais sobre domicílio eleitoral, vide item 1.6 do Capítulo VII do presente livro.

V) F iliação p artid áriaf^ '’^*'*'^^


Toda pessoa que resolva se candidatar a determinado cargo público eletivo deverá fazê-lo por
intermédio de uma agremiação partidária.
N o Brasil, diversamente do que se dá nos Estados Unidos, por exemplo, não existe candidatura
avulsa, isto é, sem a intermediação de um partido político.
Para concorrer às eleições, o candidato deverá estar com filiação partidária deferida pelo
partido no mínimo seis meses antes da data da eleição (Lei n.“ 9.504/97, art. 9.“, c a p u t , com
redação dada pela Lei n.“ 13.165/15).
Podem filiar-se todos os brasileiros que estiverem no pleno gozo dos direitos políticos.

12 . OispSe a LOPP (Lei 9.096/95): "Art. 19. N a se gu n d a sem an a d o s m eses d e abril e outubro de cada ano, o partido,
por seus órgãos de direção municipais, regionais ou nacional, deverá remeter, a o s juizes eleitorais, para arquiva­
mento, publicação e cum prim ento d o s prazos d e filiação partidária pata efeito d e candidatura a cargos eletivos, a
relação dos nom es de tod os o s seus filiados, da qual constará a data d e filiação, o núm ero d os titulos eleitorais e
das seções em que estão inscritos.
§ le Se a relação não é remetida nos prazos m en cion ados neste artigo, perm anece inalterada a filiação de tod os
os eleitores, constante da relação remetida anteriorm ente.
§ 2^ O s prejudicados por desidia ou m á-fé poderão requerer, diretam ente à Justiça Eleitoral, a observância d o que
prescreve o caput deste artigo.
§ 3. O s órgãos de direção nacional d o s partidos políticos terão pleno acesso às inform ações de seus filiados cons­
tantes do cadastro eleitoral".
13. Reza a Súm ula TSE ns 20, publicada n o OJ d e 21 d e a gosto d e 2000; "A falta d o n om e d o filiado a o partido na lista
por este encaminhada à Justiça Eleitoral, n o s term os d o art. 19 da Lei 9.096, de 19.9.9S, pode ser suprida por outro;
elem entos de prova de oportuna filiação".

14. Haverá o cancelamento im ediato da filiação partidária n os casos de; a) m orte; b) perda d o s direitos politicos; c
expulsão; d) outras form as previstas no estatuto, com com unicação obrigatória a o atingido no prazo d e quarenti
e oito horas da decisão; e e) filiação a ou tro partido, desde que a pessoa com unique o fato ao juiz da respectivr
Zona Eleitoral (LOPP, art. 22, ines. I a V, de a cordo com a Lei n® 12.891/13).

15. C o m 0 a ^ de acabar um a vez por tod as com eventuais fraudes em filiações partidárias, o TSE instituiu o sistem;
eletrônico FILIAWEB, através da edição da Resolução n® 23.117, de 20.08.2009, alterada pela Resolução n® 23.198
de 16.12.2009, o qual se propõe a cruzar dad o s e localizar multiplicidade de filiações partidárias em qualquer part'
d o território brasileiro.

94
Capítulo III • DIREITOS POLITICOS

Caberá ao estatuto partidário definir as regras para a filiação partidária.


Com o advento da Lei n.° 12.891/13, houve simplificação do procedimento legal de filiação
partidária, sobretudo com vistas a evitar a dupla filiação, que gerava nulidade e inelegibilidade.
Atualmente, após o advento desse novel diploma legal, temos o seguinte regramento, qual
Seja,a filiação a outro partido político, desde que a pessoa comunique o fiito ao Juiz Eleitoral
da respectiva Zona Eleitoral, gerará o cancelamento imediato da filiação partidária anterior. Se
houver coexistência de filiações partidárias, prevalecerá a rhais recente, devendo a Justiça Eleitoral
providenciar o cancelamento das demais (Lei n .° 9.096/95, art. 22, inc. V e parágrafo único, com
redação dada pela Lei n .° 12.891/13).
Não é mais preciso, destarte, fiizer-se dupla comunicação (ao Juiz Eleitoral zonal e ao órgão
de direção municipal do partido político) em caso de desfiliação e nova filiação partidária. Basta
que a comunicação seja feita ao magistrado eleitoral zonal, o qual providenciará o cancelamento
das demais filiações anteriores.
O cancelamento imediato da filiação partidária dar-se-á nos casos de: a) morte; b) perda dos
direitos políticos; c) expulsão; d) outras formas previstas no estatuto partidário; ou c) filiação a
outro partido, desde que a pessoa comunique o fato ao juiz da respectiva Zona Eleitoral (Lei n.“
9.096/95, art. 22, incs. I a V).
Reza, por fim, a Súmula n.° 2 do T SE : “Assinada e recebida a ficha de filiação partidária até o
termo final do prazo fixado em lei, considera-se satisfeita a correspondente condição de elegibilidade”.

VI) Idade m inim a


Não é na data do certame eleitoral, do alistamento ou do registro da candidatura que se deve
aferir a idade mínima do candidato.
A Lei n° 9.504/97 (art. 11, § 2 °), modificando o entendimento jurisprudencial esposado
na Resoluçáo/TSE'^ n° 14.371/94, estabeleceu que os candidatos devem ter as seguintes idades
mínimas na data d a posse: a) 35 anos: para Presidente, Vice-Presidente da República e Senador;
b) 3 0 anos: para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal; e c) 21 anos:
para Deputado Federal, D eputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e Juiz de Paz.
A idade mínima para Vereador, por seu turno, é de 18 (dezoito) anos, mas a contar da da-
ta-limite para o pedido de registro de candidatura, não mais na data da posse (Lei n.“ 9.504/97,
art. 11, § 2.°, com redação dada pela Lei n.” 13.165/15).

► IND.4GACÁO D I D Á T I C A

;o p a t a o c a tg o d c D e p u u d o F ed eral c , sim u ltan eam en te, paiát se r


o s D e p u ta d o s. E le p o d erá, c m caso d e v acâueiãi su b stitu ir o u su ce d er
:ca; já q u e a id a d e m ín im a p a t a se r ch efe d o P od er E aecn tivo d a U n ião

16. A Resolução/TSE n® 14.371/94, da qual foi relator o M in. M a rco Aurélio, previa que o requisito idade mínim a deveria
ser aferido na data da eleição.

95
CURSO D E DIREITO ELEITORAi: - Roberto Moreira deAlmeMa

I ri 11 I.C ill III il i;; 1^ II1 1 n.io lem le^O'i 1 1 ■ pre no ti >u -on*.y[ui.iiindl nu l.£al, ma
■ iiiiii iimipi Cl o i<>iiiniiica, dhjCrvi i uui ilc pci It i .in uinir a Pitsldéncii

'( i i i ii i K i i o i iiiu Ij iii I kIc. piiiinrM (n^Àf^iilKliil in cim o ili‘P iefi'onii i.*j K | ' Jo
posnlliinri. 1 III iiIl iiiiniiin (It I ' iiii<) n f S â 'luiihiiide lo n i i Hi itm d a le <ecunJli lia do
P ru id iiiii i l a t im jiid o IL p iin d q ttiwllt> n.i liiili i siite .dria,p cililtm i l , d t i 7 n . i r l . cn o e d i
p jild im iiiiiii'•il'< 1 B i i / i J i i ( 1 I Ml 'X |iMi.« I d c 'io ; il.-ni . r.d..iI.iastHasili:i[0 }O ii''
tdadeig in l <ui siipii.iic a 21 anos) '!
Desi iru , (OHIO aConsEitui^i'id InicKiI c .i Ui ni(j impoctn 35p n o sclt tdailepara si.r presuit me da
Cftmara dos Dtpm .'dusi fivciuiial inup.inte cio L.up.o <-om !dadc mcWoi ijuc 6$ta podert* o .iip ii n cargo
de Ptesiclciiii' J.i Ki riiblic,!, se|a ii i oniluão ili siiliciituto ou tu ctsio r ifescc.

/.3.3. IneU gibilidade

1 .3 3 .1 , Conceito
Alexandre de Moraes'^ assim se reporta ao tema: “os direitos políticos negativos correspondem
às previsões constitucionais que restringem o acesso do cidadão à participação nos órgãos governa­
mentais, por meio de impedimentos às candidaturas. Dividem-se em regra sobre inelegibilidade
e normas sobre perda e suspensão dos direitos políticos” . E acrescenta: “A inelegibilidade consiste
na ausência de capacidade eleitoral passiva, ou seja, da condição de ser candidato e, consequen­
temente, poder ser votado, constituindo-se, portanto, em condição obstativa ao exercício passivo
da cidadania” .

Dizemos inelegível a pessoa que, embora no gozo dos direitos políticos, esteja impedida de
exercer temporariamente a capacidade eleitoral passiva (direito de ser votada) em razão de algum
motivo relevante fixado em lei complementar.

As inelegibilidades não se confundem com as condições de elegibilidade. Com efeito, en­


quanto estas constituem requisitos para que o cidadão possa concorrer a determinado cargo eletivo
(requisitos positivos); aquelas consistem em impedimentos ou obstáculos que, se não afastados,
obstam a candidatura (requisitos negativos).

Destarte, para que alguém possa pleitear um mandato eletivo, deve preencher as condições
de elegibilidade e não incidir em quaisquer dos casos de inelegibilidade legalmente previstos.

Por fim, é digno de registro informar que as condições de elegibilidade são traçadas obri­
gatoriamente no texto constitucional ao passo que as hipóteses de inelegibilidade devem estar
inseridas na Lei Maior ou em lei complementar.

1 .3 .3 .2 . C asos de in elegibilidade
As hipóteses de inelegibilidade que estão inseridas diretamente na Constituição Federal e na
LC n° 64/90 (Lei das Inelegibilidades) são as seguintes;

17. M O RAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo; Atlas, 2005, p. 214/215.

96
C apitulo III • DIREITO S POLITICOS

► IN I ) A ( . A Ç Ã O D I D Á T I C A

' A d e c l a n f S a d a iiiL U i'ibilidadB decjU B did.iiii i l’ u n K iiu d a R e p u b lica l i s i c n d i ia a n ll^

Não Deapotdocomoart 18‘d aLOn» 64/90. i i H ) u ii i j; i i i II i uididato a Vice J’lisidcmej Via-tio


dor ou Vice-l’ieieii I d .ll■ .’çaod■ 1 llell.£lb■ l
n i il’ie^d l >. l ■> T I i i •
nadorht de Estado B do Djstnto Federal ou a PisSiito iimi<ii.ipil i micomoadestu iiui jfcurá a daqiu 1-s

I) In elegibilid ades con stitucion ais


As inelegibilidades constitucionais n lo precluem (podem ser arguidas a qualquer tempo),
seja por intermédio de ação de impugnação de registro de candidatura (AIRC) ou mediante o
manejo de recurso contra a expedição de diploma (RCD)
As condições de elegibilidade e as causas de inelegibilidade, quando do processo de registro de
candidaturas, podem ser reconhecidas ex officio pela Justiça Eleitoral. Nesse sentido, o seguinte julgado:
E M E N T A i A G R A V O R E G IM E N T A L . R E C U R SO E SP E C IA L E L E IT O R A L . E L E IÇ Õ E S 2 0 0 8 .
C A U SA D E IN E L E G IB IU D A D E . R E C O N H E C IM E N T O D E O F ÍC IO . P O S S IB IL ID A D E .
D E C ISÃ O A G R A V A D A IN O V A ÇÃ O . IN V IA B IL ID A D E . N Ã O -PR O V IM E N TO .
1. Nos processos de registm de candidatura, o Ju iz E leitoralpode conhecer de oficio vícios que acarretam o
indeferimento do registro, sijam eles decorrentes da ausência de condição de elegibilidade ou d a existência de
causa de inelegibilidade (art, 4 6 d a R es.-T SE no 2 2 .7 1 7 /2 0 0 8 ). Precedentes; AgR-REspe n o 3 1 -3 30/P R
de m inha relatoria, publicado na sessão de 1 9 .1 1 .2 0 0 8 ; AgR-REspe no 3 4 .0 0 7 /P E , de m inha relatoria,
publicado na sessão de 2 6 .1 1 .2 0 0 8 ; AgR-REspe no 33-558/P I, rei. M in. Joaqu im B arbosa, publicado
na sessão de 3 0 .1 0 .2 0 0 8 ; AgR-RO no 1.178/R S, re i M in . CezarPetuso, D Jd e 4 .1 2 .2 0 0 6 ; R O no 9 3 2 /
G O , rei M in . Jo sé D elgado, publicado na sessão de 1 4 .9 .2 0 0 6 .
2 . Com relação à natureza d as irregularidades que ensejam m a rejeição d as contas, o agravante inova
nas razões do recurso especial o que se m ostra inviável em agravo regim ental Precedente: AgR-REspe no
31.368/P A , re i M in . A ld ir Passarinho Ju n ior, publicado na sessão de 3 .!1 .2 0 0 8 . 3 . Agravo regim ental
não provido. P ublicado n a sessão de 3 .1 2 .2 0 0 8 . A gravo Regim ental no Recurso D p e cial E leito ral no
3 2 .915/P R . R elator: M in istro F elix Fischer.

Estão as inelegibilidades constitucionais previstas nos §§ 4 .° a 7.“ do art. 14 da Lei Maior.


Segundo a Constituição Federal, são inelegíveis para qualquer cargo:

a ) 0$ sem -dom icilio,


■■ Aqueles que não possuírem domicílio eleitoral na circunscrição, no prazo legalmente fixado
(um ano antes da eleição, no mínimo), ficarão inelegíveis e, ipso facto, não poderão pleitear cargo
eletivo naquela localidade.

► EX EM PLIFIC A Ç Ã O D l D Á l lCA

F i 'n i e i' 'J U « é ; l i 'i i - i i d . i d c pmsiii (loniiLÍijo eleitoral. Não poderá CO


exemplo, a cargo (.Iliívo em .São I’.iiilo. s,rUo .st- provide iili.w a truiisicêncir. de domicilio eleiioi.il
nova clrcunscn^.io iia qual picien d '-'C c.-iidii! i'.i. . .'-.Iii . i .. os um . noantes do pleito.

18. Sobre o manejo das ações eleitorais (AIRC, AME, AIME e RCD, vide Capítulo XIV).

97
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - R o b e r t o M o r e i r a d e A l m e id a

b) O s sem -filiação \
A C F exige a filiaçáo partidária para a elegibilidade do indivíduo, isto é, que esteja a pessoa
filiada a determinada agremiação partidária.
Sem a intermediação de partido político, não poderá o agente postular cargo público eletivo
algum.
A lei eleitoral, tradicionalmente, estabelecia que o candidato tivesse filiação partidária há
pelo menos um ano antes da eleição, salvo exceções, tais como;
i) prazo menor que um ano (seis meses ou quatro meses):i a) para magistrados (CF, art.
95, parágrafo único, inc. III); b) membros do Ministério Público (CF, art. 128, inc. II, “e”); c)
membros de Tribunais de Contas (CF, art. 73, § 3.“); e d) militares (CF, art. 142, § 3.“, inc. V); ou
ii) prazo maior que um ano: se o estatuto partidário assim o determinar [se o fizer, ou seja,
se fixar prazo de filiação maior que um ano, não poderá ser o estatuto partidário alterado durante
o ano em que houver eleição (Lei das Eleições, art. 9 .° c/c LOPP, arts. 18 e 20)].
C om o advento da Lei n.° 13.165/2015, pata concorrer às eleições, o candidato deverá estar
com a filiação partidária deferida há pelo menos 6 (seis) meses da data da eleição.

c) Osin alistáv e is
Estando o ^ e n te privado da capacidade eleitoral ativa (ausência de alistamento eleitoral),
não poderá vir a ser candidato.
São inalistáveis:
i) os estrangeiros (salvo o português com residência no Brasil e desde que Portugal garanta
idêntico direito a brasileiro lá residente); e
ii) os conscritos (jovens do sexo masculino que prestam, às Forças Armadas, o serviço militar
obrigatório).

d) O s an alfabetos'^
Foi vetado ao analfabeto, não obstante possuir a capacidade eleitoral ativa (direito de votar)“ ,
o exercício da capacidade eleitoral passiva (não poderá vir a ser votado).

► IN D A G A Ç .A o D I D Á T I C A

!comprova.iaifãbctizaçãndeiiincandidato?
Ç.ÍO é c o i ii p r ( iv .i d a c o n 7 a e n tre g a , n o a ^ o d o p e i li d o d e rrgi<.cto d e c a n d i d a u i i .i . d<
mp
ol.nul.idc Aureni o c a n d id a t o i . r,i/ci 11,0 ilc urna i

19. O entendimento pacificado do Tribunal Superior Eleitoral é pela elegibilidade para qualquer cargo de candidato
semianalfabeto. Nesse sentido, REsp. 16721/CE, REspe. 29395 PA, REspe. 29322 MG, REspe. 16933 CE, REspe 23714
MG, dentre outros.
20. Até 1985 os analfabetos estavam excluídos do processo eleitoral brasileiro (não votavam e não podiam ser votados).
Com o advento da EC n< 25, de 15.05.1985, ele passou a exercer o direito de voto, sem, contudo, poder vir a ser
votado. Essa garantia foi mantida pela Constituição Federal de 05.10.1988.

98
Capítulo III •DIREITOS POLfTICOS

ou tlijeiur-sc a umaafcri^So cootdtnacla pelo J 1117 Lkitoral HI procedimento ioi cttiiuido p m -is tlu
fões de 2004 pela Resolução T S £ n° 21,608/04 c mantido part os pleitos poseenores Veja 1 proposito,
a redação do art 28, inc. VII, $ de,sse diploma legal, in verbis
A rt J 8 O fiin n u íd rio R àiuerím eitto de Regtstro eh C an d id atiaa (R R C ) sera apresentado com
os seguintes docum entos:

i
V II - com provante d e escolaridade,

§ 4 “ A au sêm ia do com provante a que se refere o inciso V IIpoderá sei supr.da p o r decLtraçao dt
próprio punho, podendo 0 ju iz , sefo r 0 raso, determ iiutr a afiriçáo, p ô r outros meios, d a condição
de a lj tb etaad o .*

Os testes aplicados pela Justiça Fleitor.il 11,10 podem ser ejrçessivamcntc rigorosos nem ofensivos à
di^Idade da pessoa humana. Nesse sentido, já decidiu o TSF,:
' EMENTA: {tEtilSTRO . IN ELEGIBIU D AD E. A N A LFA Bm SM O . TESTE D E A L­
FABETIZAÇÃO.
/ O iigo r d a ajen ção no que tange à alfabetização do can didato não pode cercear a direito
atm ente ã e k p b tlu íu h

2 Se o candidato, em um teste de gr,m elevado, acerta itlgum as questões, não_ hd como se assentar
ser ele am illàbi to A guvo regim enti' p u ,J o ( ’S E - AgR-RFspe: 3 0 0 7 1 A L , Relator; M m . A R ­
N A LD O V H iSM N I / E IT E SO A R E S, D ata ile Julgam ento: 1411012008, D ata de Publicação:
P S E S S - P iiblitiido eiii S kuio , D ata ld /lO /2 0 0 8 )

E M F M \ ItlÜ ISIRO D rCA M D lD Ò lTO A N \Ir\R P T lSM O .N A O T rN D O .SID O


Q tirS T lO N A p A A V A U D A títD O V O M P llO W N Itü l I-^CÓLAHIÒADE DE
VI M D IH K IU Õ R U .ISIK O .O lE ST E D E A L FA B E T IZ A Ç Ã O N Á O P O n F M R
( O n l l \ 0 1’ lllíC F D IN IIS .
l h , t !- e d i t j , •o l^ iitiid id a tiiiiid o 'ii lO SL D l PAULO SA N ITAGO ao cargojU vereq^tT ^
'■ '■ ■i‘n tn i'.' ita m iilM a ijl 2 ) O G iiididuto,ipnseiitou,àgiiisadetom pioiauh rUescolaridade,
.nu, i‘ iH critapelad iictoi.id aivol,ilu.id u allocal.dequ eestaraiigidaiiiiiiitrm atriculado
i .,a . 1 r a li ., >iento nounode 1 9 8 2 ^ l-‘ scriedoEnsinoEm jdanjeiital AíoU iciiilom jiaatqção,
I , .i , l,,id ^ a (llp ,5 )n p lia ti^ e ie a e ile a lfa b e tiz a if^ J^ Jia v e iid o ii(M iid ^ 6 % ^ d o
I .., - I . I „i,zj'ilgu iip m eiü n tealm p p fftaçe,‘ ' 1. Iç rm d 'ran > , . .■ .-.J i>
I , . ‘ II ; iro f ) IriB u n alR e^n d lE L itom lcorfirm au d ^& êliãii nioiioiiiiiiiii liiedghado, 0
( 1.1 , I •„ 1pòi a te Recurso E sjie c ia l^ 4 5 ) A kga queóeoinptoõaun de m olandadcapm enta-
/I ! , • . > ' II .iraliatdo. A fim ia que, apesar do pouco trato cpm as letras; mbe let c iicic ■ ti, não
I 'I '11 , 1 I iiitideiadobn alfibeto.jfrigii'nenta .i,.e , :r ,i r i ,ji 'i f .i lt . iiii._ .lu tu ra ,
t ‘ Mil t u ,, 1'ublUo opina pelo nápeoréecunentojr. se lo n h e e ^ peto ditjçnrnmcntu do R íiu n o.

' Ví lí'.. !s a t^ tla rid a d e proaSfU al e a tenqiestiiitrlade,.m ereçe íOiihreiniento o Ricurso Em


•lu ih ," laoine^to questionou-se a i^ n e id a d e tio com pravantede-auilatidade apiesentado peto
G inituLuo IkUhCortetem et. ,• H do. se, "não tendo ,tiíoqiR stion ad iia valldadt dodoium ento
cúirtpiobaiurio d a c,to laiid .id i. dciv-se d tfiriro legntio Adernaá, 0 tipo de íeSte deidl,dieticaçao a
que 0 -CandidapoJui slfbitictido nao em ontia ii p ab lo na jiirisp ru d in a.i d ità ^ o u e , poi<foi 1 oU tiiio,
segunêbi ton sia d a a la dt au d u n u a C olaiiano leien its julgados desta C une 1 - H at etido duotda
sobre a atJabetkaçaQ^ do 1 aiidulato, o ju iz potient \ubiiii U -Io a teste ( ontiido, em 11,10 padeia si r
coletivo! I(A iá id ã o n '’ 2 3 .1 0 2 , d i 1 1 .8 2 0 0 1 . lelatoi M inistro P eçan h iM artin .l, R F d lS lliO
E L E IÇ Ú F S D E ?(d )4 .A N A L F A liF lN A O F b S T E DFCLARAÇÁO D E PRO PRIO PU N H O
P O SSIP IIID A D È . R I (.U R SO PRO VIDO P M PARTE. A Constituição Federal não adm ite que
j ç , ç. 0 candidato a iiirg ie le tiio s^ j^ p o sto u teste que Ure agrida a diptidade. Subm eter 0 suposto an ab
iiSii
ig g fàb eta a teitepúblico e sa k n ^ ^ ^ ^ apurar-Uie 0 trato com a s letras é agredir a dignidade hum ana,

99
C U R S O D E DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

E m tendo d ; ;lt, ••ihi, , ! -nMi rio Liindidítto (C E a rt h , Ih i •


teste re„'> to W m e H a ' • : UM, am m tagjn n d eap iu cu lo ro k tn iqt<^ > u la apu rae lip ra d a z
cfítistruo^ o. >fa {AcotrJ,t I . ’ / 07, de 8 .2004, lelatot Mtmstro H im ln rio á m u t di Jíin u s).

S .r in te , I I'/’tri, r/ou ‘ ,iir . >itn ao Rtcurso É p ectd l (m (d ^ 7-, do E IT SB X B n b ili, 2 0


dl s, lem oio <L 2 0 0 -j. Iihisd i G ilm ar M endes (T S E - i '/ s/V ^ M G , R elatou i J i r
G IlA f.m PER RJÍtRA M E N D E S, D á tà M S M eam ento JO .0'.>;200, 'J..t,i d i P ub L cição
P S E S S - P ubluado em Sessão, D atg 2 Í.

e) Os parentes de chtfes do Executivo

São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge^' e os parentes consanguineos


ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado
ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os houver substituído dentro dos seis
meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.

Essa regra de inelegibilidade, todavia, sofre exceção.


S ^ u n d o orientação do T S E , se o titular do mandato eletivo se aiàstar definitivamente do
cargo seis meses antes das eleições e não se candidatar à reeleição evitará a inelegibilidade dos
respectivos parentes. Tal fenômeno é conhecido no meio jurídico por heterodesincompatibilização.

► e x i ;m i >l i m c a ç â o d i d á i i c a
... . ..............
aM óvjo , C o v tr iit’ clor tio F* > >t«i >..í m p n o H íiio «BAudaio ic m i a no « w g o seis m c w s
a icts d o p lc i i o N . i o li«ivu*« im p e d im e n t o pai .1 JJ u/lIlIl-CA. OH p j W IU L dele co ii^ an giiú ie o o u afim ,
.u t -«e ^ u n d o ^ r .u i úLi p o di ' ' m ' cm cl:d atar a o respectivo «.aryi p.u.i u m ú n ic o m a n d a to
s u b s e q u e n te o u a o u t r o c a rg o d e t ív o .

► INDAGAÇÃO D ID Á l ICA
TTfl
Pai t filho poih 111 \i i iiiiliil IIII na im iiii i c liiç ã o iiiii i G n te iiu ilu r d t r s ia ilo i u o u tro a Vice?
Sim. Não hn qual juci impedimento dt \.ínos parentes ou lonjuge^concorrerem h uma mesma
i‘K‘i(,ao, «icjii como ali.idoh (ríiiii.ir c v}i.c do b.xc.cutivo, supl d> v n uior IXpmado Lse iiiilal, Federal
ou DistniaO ou iidvcrsM u >1 • il m i •! Ics for ocup m d wlnha do luicctidvo. u.i i.ircun.scriçáo
1'k'hoiaii, nos sus meses que anlLcedun o plciio * '*'■ ' • » •
Com tfeito. o qiic ger.i a ine egibdidade i d . i» i i Mr ti *.iiidid.Uiir JianiO»Jna circunscrição
do LÒiijiii>(' ((u in |> a n liã i« ou i'ii, w lii>iiiOai<.iiva) l dqspaiences'ctiRsaaguiQcos o u afins, até o segundo
grau ou por .idov.io. sendo estes 1’rtsideiitc da República, íltw tn i idui J i Lsmdo (on ih Distrito Federal)

llá ,io d a v ia,iu n acx rcv ão ãreg iatraçad an o p jii,rtfliiii' riui b eltr i'ip e „ n p o d c rs e c a n d id a ta r
no mesmo territóKo ciiuinscricional dè seu paruiie cliile iln PnJei I. eeiiiivu qu indo ja ocupante de
m andato eletivo e candidata ã reciriçâo.

21. Segundo o entendimento do TSE, o termo "cônjuge" se interpreta extensivamente. Consideram-se como tai quem
é casado, quem vive em união estável ou mesmo em concubinato. No mesmo sentído, são inelegíveis aqueles que
vivem em relação estável homoafetiva.

100
C a p itu lo I I I . DIREITOS POLITICOS

Jbjcemplifiquemos: . -
Caso 1. P.ii e filho candidato'., irtpccSvam ciut., a Giivernadur t Vlce-Govtirnador (por -.Inietcla
o oicmplo seni; para Prefeito e Presidente da Repiihlna) im uma niisma eleição (vejj qn i iiiu ir i
circunsLilçãa). Ambo-s são elegiveis;
CaisoS'. P.ii c Governador de l-jt.idoi'filhdpretende-se iaildld.ii.ir .t DeputadoSsiãdbal. Pai .seafiista
dll Cargo deGov(.rnador(dcsincomp.iiibilia3(^} SO', oiests antes do pleito. O pale o filho s.io (.legíveis
:i (jualquer cargo, salvo a Governador se.òp^ j&'foi leeleiio paia aludido cargo;
Caso 5 . P.ii é Governador de listado e caudld.no .'i rcclcn,.io. l-ilho pretende ^e can.did.uar a Oepu-
i.ido listadual. P.ii não se afasta do cargo rfe GÓvejnador nos seis nicscs que antecedem O pleito. O filho
é inelc .ívcl a qii 1 quer cargo (parente consanguineo em piiiiieiro grau no tctritdtio do cliete ilo Poder

Caso 4s Pai t Governador de listado e'candidaio à reclei(,.io. Pilho pretende se candidatar reeleiç.io
de fleputado Estadual. Pai náose af.ista do Icatgo de Coveinador no prato d e 'Cis me>es‘antes do pleito
O filho'e elqgtvel^ois, náo obstante patente do Cihcfe do EMCiitivo,'já-é ocupante de cargo clciiso e

► IN D AGA ÇÃO DID Á TICA

T ic io é P refeito d a c id ad e d o R io d e Jan e iro - T íe io J r d fillio d c 1 u-io c p K ic iid c .se 1 ain lidai .1 r


a D e p u ta d o E sta d u a l p e lo E sta d o d o R io d e laiieiro . T ic io lu iiio r c c l i g í t i l l
Sim .'íáo h .i inelegibilidade n 1 h ip o ie s ^ pois .1 ( m.ini.ei ic 10 eleitoral de D eputado Estadual (ter-
".'.'■ 10 do I staco-mcm'i’.-o - R l) é n -.-m r q i't a dc Pn Ano (sede d o ^ u n ic ip id ). Seria inclegiVclTíciòiJf,';
po-'c i i p l i . . l i c i o i o s s e l ..dor do Estado do R i o de Janeiro 011 PrcsidentedaRepúblitát (nos seis
m. . .lei , . geleição) tem .nnbos occasos,ó n f ritu iio do m iintcípioestadadentrodaLilpunseriçâo
m.iio ,i I I n I . 't a d o i 'i i .'I I .. Torfm eiiiqiii'eqt ■r dos c t s o s 'Iit 1,1 luoinr ena lie p n d I D ,'iit ido
; E s t a d u a l .SC ja ocupasse tal cargo e fosse'candidato & re e le ito

j) Os ocupantes de determinados cargos públicos


Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, o Governador de Estado e do
Distrito Federal, bem como os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos eletivos até
seis meses antes do pleito.
Outras autoridades também precisam se afestar dos cargos públicos que ocupam nos prazos
estabelecidos na LC n“ 64/90, os quais sáo fixados em três, quatro ou seis meses.

II) Inelepbilidades infraconstitucionaís


E permitido que outras hipóteses de inelegibilidade, intituladas inftaconstitucionais ou legais,
sejam fixadas em lei complementar. Reza, a propósito, o § 9" do art. 14 da CF, com redação dada
pela E C R n .° 4/94: “Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos
de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para o exercício do
mandato, considerada a vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições
contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na
administração direta ou indireta” . X
A regulamentação do texto constitucional adveio com a edição da L C n ° 64/90, com as
alterações implementadas pela L C n° 81/94 e pela L C n ° 135/10 (Lei da Ficha Limpa).

101
CU RSO D E DIRErrO E L E n O R A L - Ro6atoM ore/ra de Almeida

Devem tais inelegibilidades ser arguidas, salvo se-supervenieiites, no periodo da formaliza­


ção do registro, única e exdusivãmehte através do manejo de ação de impugnação de registro de
candidatura (AIRC), sob pena de preclusão.
Estãò ^ u p a d a s em sete níveis, a saber:

I N E I J E G I B I L I D ^ E S i n f r a c o n s t i t u c i o n a í s D E N ÍV E L 01
(A BSO LU TA S: PARA Q U A ISQ U ER C A R G O S)

A ) Ih elep b íÍid ad e de in aU M veis e aniayubétos (art. l .\ i n c .I ,‘V ')


N os termos da alínea “a” do ihc. I d d art. l . “ da L C n.“ 64/90, são inelegíveis para qualquer
cargo, os inalistáveis e os analfabetos.
São inalistáveis os estrai^eiios e os conscritps. C om o somente através do alistamento se adquire
a cidadania, vedada a alistabílidade, por via oblíqua, está defesa a el^ b ilid ad e para qualquer cargo.
O s anal&betos, não obstante possuírem a capacidade eleitoM ativa, não podem exercer a
c a p a c id a d e e le it o r a l p a s siv a .

B ) InelegibtUdade p o r perda de mandato le^ la tiv o (art. 1.^, inc. I, % ’*)

N o s term os d a alínea “ b” do inc. I do art. 1,® d a L Ç n.9 6 4 /9 0 , são inelegíveis para


qualquer cargo, os membros do Congresso Nacional, das A ^em bleias Legislativas, da Câm ara
Legislativa dò D istrito Federal e das C âm aras M unicipais, que hajam perdido os respectivos
t! mandatos s e : , , ,
ly desde ád iplb h íáçâo: *
a) firrháreth oií rriãntiverérn contrato com pessõà jurídica-de direito público, autarquia, em­
presa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo
quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes;
b) aceitarem ou exercerem cargo, função ou emprego remunerado, inclusive os de que sejant
demissíveis “ad nutum”, nas entidades cónstantes da alínea anterior; ou
ii) desde a pòssc:
a) forem proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente
de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercerem função remunerada;
b) ocuparem cargo ou função de que sejam demissíveis “ad nutum”, nas entidades constantes
do item anterior;
c) patrocinarem causa em que seja ipteressada qualquer das entidades aludidás ha letra “a”;
d) forem titulares de mais dé urh cárgò òu mandato público eletivo; ou
e) cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlaméhtar^^.
N o caso dos parlamentares da União (Deputados Federais e Senadores), à perda do mandato,
nas hipóteses acima elencadas, deve ser decidida por maioria absoluta dos membros da respectiva

22. É incompatível com o decoro parlamentar, aíéíin dos casos definidos no regimento íntèrrid, b àtüsd dás prerrogativas
asseguradas a membro do Congr'esso Nacional òü a percepção de vântai^ehis Indevidas (CF, arti SS, § l.s).

102
Capitulo III • DIREITOS POLITICOS

Casa Legislativa (Câmara dos Deputados ou Senado Federal), mediante provocação da respectiva
'Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa (CF,
' art. 55, § 2.°, conn redação dada pela EC n.° 76/2013).
A inelegibilidade em apreço dar-se-á:
' i) para as eleições qüe se realizarem durante o período remanescente do mandato para o quál
o parlamentar tenha sido eleito; e
;ii) para os oito anos após o término da legislatura.

Ç) P erda dem an dato executivo (art. 1 ,°, inc. / , '‘c ”)


Nos termos da alínea “c” do inc. I do art. 1.° da LC n.“ 64/90, são inelegíveis para qualquer
• cargo, o Governador e o Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal e o Prefeito e o Vice-
"Prefeito que perderem seus cargos eletivos por iniringência a dispositivo da Constituição Estadual,
da Lei Orgânica do Distrito Federal ou da Lei Orgânica do Município.
Há na hipótese sub oculis a inelegibilidade dos ocupantes dos cargos de chefia do Poder
Executivo estadual, distrital ou municipal pela prática de crimes de responsabilidade (processo
de “impeachment”), cuja competência é atribuída, respectivamente, às Assembléias Legislativas,
à Câmara Legislativa do Distrito Federal e às Câmaras Municipais.
. A inelegibilidade em apreço dar-se-á para as eleições que se realizarem durante o período
remanescente'e nos oito anos subsequentes ao término do mandato para o qual tenham sido
eleitos.

► IN D A G A Ç Ã O D lD Á l IC A

^ C) P residebte dft R íp ú b lu .1, q u e m c r .1 p e t d u se u ca rg o eletiv o p o r infiringência a d isp o sitiv o


d I ( o n sfitu ífã o F e d é t ^ , pnile scr eiuiuadradi 1 1 1 hipótesL tic iiitk g ib ili dade e n cartad a n o art.
h', m c .I ) aU nea V ’« d a l C , n ." (1 f/q o?

\ II Nota-se que, na - !' iln í nteícvi, ssi. omenre ha previsão de aplicabilidade dc mc-
Icgib'lid I w para casos de *imp< 1 ii*i (.lu de G 0\ i.i.ido i \ u -Go^ernadoi d<. I m i J o l <10 Disrnio
Federal i< m como dc Frefeicu c \ lc Pil lho

líicamente tel iç d l ‘u ‘ dcr.te ( '1 R c ' L»iica v » . K l c d o P i u l u i .11 1' d a U i ' í o ^ ,


aplica-<>( 1 hipótese contida 1 0 » 1 a fo ú n i c o d o a rt. ‘S2 d a C o n s t i t u i ç ã o F e d e ra l, q u a l sci.i u m a v e z
condop I » por 2^5 (dois tervoM 4 m e m b r o s d o S e n a d o F e d e ra l, p o r p iá n c a d c u u m e d e re s p o n s a b l-
lidadt.,! • era '‘Inabllicaçâo, por c 1 o .1 PU > ''• e u i I d e iu n ^ (• publi,.», ‘‘Cm p ic jiii/o d.is cernais
sançóws iiKüdals cabíveis”,
Cl iLudor guando d a apli 1 o d . i grj <lo ' 1 i])L.ichmem ’ i Prtsiduiu, da R tpúblici D i h i i
;^ p s s í.n , Sc nadq^i^Q lw 'pcrir n u 1 1 1< o cmu ui (tt olt^r i exerv.ei iim uics publicis n t 10 apu!,
confirm l{(i o teu impedimeiiU) |u I ' m id c c p m c d t rcspònsibiiidide, Hio t ” que n *'nu i ^ .,.0
n hcudo in'o fòtramento do m sm . LniM,iUiu(Miai F n s o q u c a ire d íd i .1 o lM*.cri.i comn *-i* Urida,
cíâ’q u c t i„xio Oòjlstltucional acii n I 1 < iio c i risi dino ao n l o ruiip ^ lam bém advo<'i iie s s d a
íticindib íiciadc o decano do S 1 1 • Mn 10 C )to l Melo, <iu iiido''Sii.voroti LOm'ib^Gb»ip>'opno«-
dade, tp 'cu reW sea concedida .1 . n.ulc d. impí i s i O par.r rato ú ulo do arii,jo 52 da Constituição
d â Kcpplil ca cnfnpóe um a csiniiiiM uun m? n u ir o r cl, iiidccom ponivd. Üc Lil jnodo que, importa a
sdfiçãü cU'^dtucoita consistence d 1 u nuu. lO do pietid< tuc da Republica, a u^abiiUação tcniporóna poi 8
anos par i n exercício dcqualquei mitr.i lui cão 1 libii a ou cletp a is,prcsenta um a consequância i uui J,
um U eito neco«,!>iriodaman}íèsi i,,oi.{t]icUiiacoriadoSpnado

103
CU RSO D E DIREITO ELEITORAL - Robeno Moreira de Almeida

D ) In ele^ ilid ad e p or abuso de poder econômico ou politico de quem não seja titu lar de
cargo na Adm inistração Pública (art. L ”, inc. I, “d ”)
Nos termos da alínea “d” do inc. 1 do art. 1 da LC n.® 64/90, sáo inelegíveis para qualquer
cargo, os que tenham contra sua pessoa representação julgada procedente pela Justiça Eleitoral,
transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado, em processo de apuração de abuso do
poder econômico ou político.
Aplica-se a quem não é detentor de cargo na Administração Pública.
Se o abuso de poder econômico ou político for praticado por quem é ocupante de cargo pú­
blico, a inelegibilidade a ser aplicada é a prevista na alínea “h” do inc. I do art. 1.®da LC n.” 64/90.
Tal hipótese legal de inelegibilidade está em consonância com o comando constitucional
insculpido no § 9.® do art. 14 da Lei Maior, com redação dada pela ECR n.° 4/94, segundo o
qual deve-se proteger a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder
econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou
indireta.
São, basicamente, de três espécies os abusos de poder nas eleições, a que a legislação eleitoral
tenta combater: i) o abuso de poder econômico: ii) o abuso de poder político; e iii) o uso abusivo
dos meios de comunicação.
De fato, sem a implantação de técnicas limitadoras de tais influências nas eleições brasileiras,
indubitavelmente, não haveria equilíbrio de forças entre os diversos postulantes em disputa por
cargos eletivos.
Acerca dos regramentos legais eleitorais que se destinam a combater tais abusos, bem como
impedir a captação ilegal de sufrágios e á coibiçáo de práticas de condutas vedadas a agentes pú­
blicos, recomendámos a leitura do Capítulo 12.
Na hipótese sob disceptação, enquadram-se duas situações de abuso, quais sejam, a do poder
econômico e a do poder político.
Note-se que, para a incidência da inelegibilidade, é preciso que a Justiça Eleitoral venha
julgar procedente o pedido de representação (AIJE, seguindo-se o procedimento encartado
no art. 22 da LC n.“ 64/90) formulado contra alguém, por prática de abuso do poder eco­
nômico ou político, com decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado
(TSE ou TRE).
A inelegibilidade dar-se-á para a eleição na qual concorrem os infratores ou tenham sido
diplomados, bem como para as que se realizarem nos oito anos subsequentes.

► IN D A G A Ç Ã O D ID Á T IC A
"•a»
: T ic io , detente ca rg o n a A d n j^ |j;||iáj!^ ô áêú b lica, b cn eR cia a s i p r ó p rio , através d e p ráticas
a b u siv a s d o pj t e c o n ô m ic o ó p pplíti.çp, c o m p ro v a d a s p d a Ju s t iç a E le ito ra l (p o r ó rg ã o
co leg iad o ). E l c p ^ c i á se r en q u a d ra d o n a h ip ó te se d e in ele gib ilid ad e p revista n o a rt, Iv®, inc.
I ,“d”,d a L C n ,» ^ W f ,. ' . .
Não. O s detentores dé cargos na^administração pública direta, indireta ou fundaeional:x|ue bène-
ficiarem ã s i ou a terceiros,-pelo abuso dó~poder econômico ou político, e vierem a ser condenados em
decisão-ínansitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, serão enquadrados na hipótese
legaliestatuída no art. 1.®, inc. I, “i r , da LC n.® 64/90.

104
Capitulo III • DIREITOS POLITICOS

l>cM<u ic, j .il/m-a “h”, uinb^in civsú mnir aprática do abuso do puder econdinicqçdp abi su
d ^ p o d ri pulíticu nas eleições, exige que r seja “detentor de cargo n.i ailm inistr isfio pAMica i i
abusando de suxs atribuições, beneficie a terceiros no pleito.

JS) In elegib ilid ad ep or condenação crim in al (art. l .° , inc. I, “e”)


Quem sofre condenação criminal transitada cm julgado, nos termos do inc. III do art. 15
da Lei Maior, fica com os direitos políticos suspensos. Tais pessoas náo podem exercer, enquanto
perdurarem os efeitos da decisão condenatória, a capacidade eleitoral ativa (direito de votar) e a
capacidade eleitoral passiva (direito de ser votada).
A L C n.o 64/90 foi mais severa com relação a determinados delitos, os quais, para se declarar a
inelegibilidade do infrator, não precisa o trânsito em julgado, mas a simples condenação proferida
por órgão colegiado (Tribunal do Júri, T J, TRE,TRF, ST J, T S E e STF).
C om efeito, nos termos da alínea “e” do inc. 1 do art. 1.° da L C n.“ 64/90, são inelegíveis
para qualquer cargo, os que forem condenados criminalmente, com sentença transitada em julgado
ou proferida por órgão judicial colegiado, pela prática dos seguintes crimes:
i) contra a economia popular, a fé pública, a administração pública e o patrimônio público;
ii) contra o patrimônio privado, o sistema financeiro, o mercado de capitais e os previstos
na lei que regula a falência;
iii) contra o meio ambiente e a saúde pública;
iv) eleitorais, para os quais a lei comine pena privativa de liberdade;
v) de abuso de autoridade, nos casos em que houver condenação à perda do cargo ou à ina-
bilitação para o exercício de função pública;
vi) d e lav ag em o u o c u lta ç â o d e b e n s , d ire ito s e valores;
vii) de tráfico de entorpecentes e drogas afins, racismo, tortura, terrorismo e hediondos;
viii) de redução à condição análoga à de escravo;
ix) contra a vida e a dignidade sexual; e
x) praticados por organização criminosa, quadrilha ou bando.
Não há a inelegibilidade em epígrafe pela condenação pela prática dos seguintes ilícitos penais
(LC n.° 64/90, art. l.°, § 4.“);
i) culposos:
ii) definidos pela lei como de menor potencial ofensivo; e
iii) de ação penal privada.
A inelegibilidade em estudo dar-se-á desde a condenação^’ (trãnsita em julgado ou proferida
por órgão colegiado) até oito anos após a extinção da pena.

23. O term o Inicial da Inelegibilidade deve ser contabilizado: I) da data do trânsito em ju lga d o da sentença penal
condenatória (decisão de primeiro grau); li) da publicação da condenação oriunda d o Tribunal do Júri; e iii) a pu­
blicação d o acórdão penal condenatório nos casos de pessoas dotadas de com petência originária por prerrogativa

10 5
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto M oreira de Alm eida

N o momento do cumprimento da pena, a pessoajeadquire os direitos políticos (capacidade


eleitoral ativa), mas permanece inelegível por oito anos após esse marco temporal.

»IOTd*MAÇSOJimiSI>KUDENCUI. V » !
do Tribunal Superior Eleitoral, p o t raaioiia, assentou que condenação p ot c r ig ^ d e . f
sviola^etd^ditièito autoral (arc. 184, §1°, do Código Penal) não gera a inclegibilidade do art. l “,Sgsè5’,
2 j.^ liL M :i^ ^ p le m e n ta r n" 64/1990, por náo se enquadrar na classificação legal de crim e cotj|fg:o
, v ik j
o Ministério Público Eleitoral interpôs recurso ordinário contra acórdão p to f e t id ^ ^ b . í
T R E /f ê ‘que;defetiu registro de candidatura a candidato ao cargo de deputado estadual que foiiCondmSâo ;
pelolcrimetdeVialaçâo de direito autoral. A matéria está ptevista no art. 1", I, c, 2, da Lei C o m p len S ttar í:
. li;;
'o ^ ^ A r t. 1 ° São inelfgiveis; I - p ara qualquer cargo: [ ...] e) os que forem condenados, m c k c U ã à ^ ^ - f
u tad a em ju lgad o ou proferida p o r órgão ju d ic ia l colegiada, desde a condenação até o - t r a t i^ ^ '■
t .; ;, do.prazo de 8 (ono) anos após o cum prim ento d a pen a, pelos crim es: [ ...] 2 . contra o p a trir^ n lo
privado, 0 sistem afin anceiro, om ercado de cap itais e os previstos n a lei que regula a fa lê t^ a ,
O Minrstro João O távio de N oronha, relator, asseverou queias causas de inclegibilidade d ^ ^ a
set interpretadas rcstritivamentci cirando entendim ento por ele fitm ado no REspe n" 76-79, n o ^ m ll ^
externou que essa matéria desafia, sem qualquer som bra de dúvida, um a interpretação e s trita r^ â o
se pode utilizat critérios hermenêuticos como a analogia pam restringir direitos. N o caso verteqtecp ■
legislador expressou-se de forma bastante clara; “Crim es ctffitra a adm inistração” e náo aqueles*^e
ferem os interesses da administração pública. Esta'redaçãàiparia um a am plitude deveras a c e n fe S a ■
ao dispositivo. Destacou que descabe o enqiiadratriento dO crim e de violação de direito autotaji na
hipótese de crime contr.i o patrim ônio privado, ,i despeijo de precedente cm sentido contrario diesta
C orte firmado no K f spc n" 202*â6, dc relaionã do M inistro Arnaldo Versiani. Vencidos os M inistros
Luiz Fux c Dias Toffoli qii i tend iii t ber lo i , retc aferir o que seria patrim ônio privado. O
Tribunal, por maioria, desproyéu p recurso (TSE, Recurso O rdinário n “’9 8 ) -5Ò, Porto A le g r e i^ , rei. .
M in. João O távio de Norpnhai j, em 30.9^2014). ‘

F ) In clegibilidad e p o r in dign idade do o ficialato (art. l." , inc. / , “f ”)


N os termos da alínea “f ” do inc. 1 do art. 1.“ da L C n .° 64/90, são inelegíveis para qualquer
cargo aquelas pessoas declaradas indignas do oficialato, ou com ele incompatíveis.
E salutar informar que, nos termos dos ines. VI e VII do § 3 .° do art. 142 da CF, o oficial
(das Forças Armadas e, por analogia, da Polícia Militar e dos Corpos de Bombeiros Militares)
somente perderá o posto e a patente se for julgado indigno do oficialato ou com ele incompatível,
por decisão dc tribunal militar de caráter permanente, em tempo de paz, ou de tribunal especial,
em tempo de guerra.
Uma vez condenado pela justiça comum ou militar a pena privativa de liberdade superior
a dois anos, por sentença transitada em julgado, será o oficial submetido a julgamento relativo à
indignidade ou à incompatibilidade do oficialato.
D a leitura do texto constitucional, nota-se que a perda do posto e da patente de oficial não
é efeito automático da condenação criminal.

de função ou publicação do acórdão condenatórío nos casos de apreciação de recursos (decisão de segundo grau
ou por corte superior!.

106
Capítulo III • DIREITOS POLITICOS

É preciso que se cumulem dois requisitos:


i) condenação criminal do oficial a pena privativa de liberdade superior a dois anos; e
ii) perda decretada pelo tribunal competente (justiça comum ou militar).
A inelegibilidade dar-se-á pelo prazo de 8 (oito) anos.

C ) In elegibilid ade p o r rejeição de contas (art. inc. I, “g ”)


Nos termos da alínea “g” do inc. I do art. l .° da L C n .° 64/90, são inelegíveis para qualquer
cargo aquelas pessoas que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas
rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa,
e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada
pelo Poder Judiciário.
Para a configuração da aludida hipótese de inelegibilidade, é preciso que se cumulem seis
requisitos:
V.i) prestação de contas em razão do exercício de cargos ou funções públicas;
ii) julgamento e rejeição das contas prestadas;
iii) rejeição das contas por irregularidade insanáveP'';

24. O TSE já entendeu por irregularidades insanáveis, dentre outras, a s seguintes:


a) ausência de apiicaçSo d o percentual m ín im o d e 2 5 % e m educação e d e recolhim ento d e contribuições previ-
denciárias;
EM EN TA: ELEIÇÕES 2012. PREFEITO. REG ISTRO DE CA N D IDA TU RA . INELEGIBILIDADE. ART. 1°, I, G, D A LEI C O M P L E ­
M E N TA R 64/90. A U SÊ N C IA DE APLICAÇÃO D O PERCENTUAL M IN IM O DE 2 5 % E M EDU CA ÇÃ O E DE RECO LHIM ENTO
DE C O N T R IB U IÇ Õ E S P R EV ID E N C IÁ R IA S. D E SP R O V IM EN T O .
1. A rejeição de contas do agravante em virtude da nSo aplicação do percentual mínimo de 2 5 % exigido no art. 212
da CF/88 configura irregularidade insanável e ato doloso de Improbidade administrativa
2. A ausência de recolhimento de contribuições previdenciárias ■ parte patronal - também atrai a inelegibilidade
prevista no mencionado dispositivo. Precedentes.(...]. (Ac, de 29.11.2012, no AgR-REspe n? 7486, rei. M in. Nancy
Andrighi, no m esmo sentido o Ac de 27,11.2012 no REspe 24659, rei. Min. Nancy Andrighi).
b) pagam en to a Vereadores em d escom p asso com a Constituição Federal:
ELEIÇÕES 2012. ELEITORAL [...]. REGISTRO DE CA ND IDA TU RA . REJEIÇÃO DE CONTAS. P A G A M EN T O A VEREAD O R ES
E M D E SC O M P A S SO C O M O ART. 57, § 7S, D A CO NST IT U IÇÃ O FEDERAL. IRREGU LARID A DE INSANÃVEL. PRECEDEN­
TES, [...].
3. O indevido pagamento a vereadores a título de participação em sessões extraordinárias fere o § 7® do art. 57
da Carta da República e configura irregularidade insanável. Acarretando dano ao erário e atraindo a incidência da
causa de inelegibilidade. [...]. (Ac. de 13.11.2012, no AgR-REspe n®. 32908, rei. Min. Laurita Vat).
c) pagam en to irregular de verbas d e gabinete:
E M EN TA: REGISTRO. INELEG IBILID AD E, REJEIÇÃO DE CONTAS. [...]
2. É insanável a irregularidade consistente no pagam ento irregular de verbas de gabinete, Agravo regimental não
provido (Ac. de 30.10.2012 no AgR-REspe n» 9180, rei. M in, Arnaldo Versiani).
d) d escum prim en to da Lei de Respon sab ilid ade Fiscal:
E M EN T A : R E CU RSO ESPECIAL. R E G IST R O D E CA N D ID A TO . IN D E F E R IM E N T O . ELEIÇÃO 2012. IN ELEG IB ILID AD E.
REJEIÇÃO DE CO NTA S [...] D E S C U M P R IM E N T O . LEI DE RE SP O N SA B IL ID A D E FISCAL. V ÍC IO INSANÃVEL. D ESP R O ­
V IM E N T O .
1. O descumprim ento da Lei de R esponsabilidade Fiscal constítui vicio Insanável que configura ato dd ioso de
improbidade administrativa para fins da incidência da cláusula de inelegibilidade prevista no art. 1®, I, g, da Lei
Complementar n - 64/90 [...].

107
CU RSO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

iv) que a irregularidade insanável seja caracterizada como atoi doloso de improbidade admi­
nistrativa;
v) que a decisão condenatória seja irrecorrível (não passível de recurso) e proferida pelo órgão
competente para julgar as contas: e
vi) que a decisão não esteja suspensa ou não tenha sido anulada pelo Poder Judiciário [nota-se
que não basta o simples ajuizamento de ação para sustar os efeitOS da decisãp que desaprovou as
contas do gestor público ou ordenador de despesas, mas a necessidade de que o Poder Judiciário,
suspenda (através de medida cautelar ou concessão de tutela antecipada) ou anule a decisão do
órgão de contas]. !:
Caberá à Justiça Eleitoral examinar a matéria, qualificar se os fetos a ela apresentados con­
figuram “irregularidade insanável” e “ato doloso de improbidade administrativa” para, ao final,
decidir pela elegibilidade ou inelegibilidade do candidato. Pensamento idêntico possui José Jairo
G o m e s ^ *, in v erb is:

"Além de insanável, a caracterização d a inelegibilidade em apreço a in d a requer que a irregularidade


'configure ato doloso de im probidade adm inistrativa'. Assim ela deve ser insan ável e com tituir ato doloso
de im probidade adm inistrativa. N ão é exigida a p révia condenação do agente p o r ato de im probidade
adm inistrativa, tampouco que h aja ação de im probidade em curso n a Ju stiça Com um . N a presente alínea
g o requisito de que a irregularidade tam bém cottfigure 'ato doloso de im probidade adm inistrativa’ tem a
única fin alid ad e de estruturar a inelegibilidade. Logo, é d a Ju stiça E leitoral a com petência p a ra apreciar
essa m atéria e q u alificar osfato s que lhe são apresentados; e a competência a í é absoluta, porque ratione
m ateriae, É , pois, a Ju stiça E specializada que d irá se a irregularidade apontada é insanável, se configura
ate doloso de im probidade adm inistrativa e se constitui pu não in e!egibilidade,Jssp deveserfeito.ecclusi-
vam ente com vistas ao reconhecimento de in elepbilidade, não afetando outras esfiras em .que osm esnua
fa to s possam ser apreciados. D estarte, ttão h á f p k r em cortdpttaçãp em im probidade adm inistm tiva jsela
Ju stiça Eleitoral, m as apenas em apreciação e q u alificação ju ríd ic a rie fa to s e circunstâncias relevantes
p ara a estruturação d a ineleghilidade em apreÇo".

Vaticina do mesmo raciocínio jurídico Rodrigo Tenório“ ao asseverar a obrigatoriedade da


comprovação cumulativa de “irregularidade insanável” e “ato doloso de iniprobidade administra­
tiva” para a configuração da inelegibilidade,//W erw:

2. Recurso especial desprovido (Ac. de 18.10.2012 n o REspe n° 20296, rei. M in. M a rç o Aurélio, red, design ado M in.
Dias TofFoli.).
e) o m issS o n o dever de prestar contas:
EMENTA; [...]. DEPUTADO ESTADUAL. O M ISSAO NO DEVER DE PRESTAR CONTAS. ATO DOLOSO DE IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA. PREJUÍZO AO MUNICfPIO. CONFIGURA ç AO. NÃO PROVIMENTO.
1. Segun do a jurisprudência d o TSE, a o m issio no dever de prestar contas, devido à característica de ato de im pro­
bidade administrativa (art. 11, VI, da Lei n« 8.429/92) e a o fato de ser gerador d e prejuízo a o m u n id p lo (art. 25, §
l<r, IV, a, da LC ne 101/2000), configura vicio de natureza insanável [...].
2. Na espécie, ficou configurada, em tese, a prática de ato d oloso de im probidade administrativa, um a vez que o
agravante, m esm o depois de pessoalm ente cientificado quanto a o descum prim ento d e suas responsabilidades,
apresentou docum entação inservível ao controle de gestão d o patrim ônio público.
3. N o caso, o prejuízo aos cofres municipais se evidencia porque, nos term os do art. 25, § 1«, IV, a, da LC n« 101/2000,
o m unicípio adm inistrado pelo agravante ficou im pedido de receber novos recursos oriundos de convênios.
4. N o s term os da jurisprudência desta c. Corte, o pagam ento de m ulta não afasta a inelegibilidade de que trata o
art. l í , I, g, da LC n s 64/90 (...) (Ac. de 15.12.2010 no A gR -R O n» 261497, rei. M in . Aldir Passarinho Junior).

25. G O M E S, José Jairo. Direito eleitoral. 9.* ed. S l o Paulo: Atlas, 2013, p. 199.

26. TENÓRIO, Rodrigo Antonio. Direito eleitoral. Sã o Paulo; M étodo, 2014, p. 149.

108
Capitu lo in • DIREITOS POttTICOS

"Com o dito, com a L C 1 3 5 /2 0 1 0 , a irregularidade insan ável só p assa a ter relevância ju ríd ic a p a ra a
inelegihilidade se configurar im probidade adm inistrativa. A questão a ser respondida não é m ais se a irregu­
laridade é insanável, m as se configura ato doloso de im probidade adm inistrativa. Respondidapositivam ente
a últim a, o mesmo daenlace terá a prim eira. Toda irnprobidade configura irregularidade insanável M as
0 contrário não í verdadeiro. H averá, p o r isso, casos de pessoas que ficariam inetegveis se vigente a redação

anterior, m as deixarão de ser sancionados atualm ente, Se, de um lado, a L Ç 1 3 5 /2 0 1 0 aum entou o prazo
de inelegibilidade de três p a ra oito anos, contados d a decisão, de outro, estreitou as balizas p a ra os vícios nas
contas que poderíam gerá-la".

N o mesmo sentido, é a orientação pretoriana, in verbis-.


E M EN TA : E U S I0 E S 2 O 1 Z C A N D ID A TO A P R E FE IT O . R E C U R SO S E SP E C IA IS E L E IT O SA IS.
R E G IS T R O D E C A N D ID A TU R A D E F E R ID O . IN E L E G IB IL ID A D E D O A R T . P>. m a S O I,
A U N E A g d a l e i c o m p l e m e n t a r N » 6 4 /im > . N Ã O IN C ID Ê N C IA N A CA U SA D E I N E
L E G IB IU D A D E R E E X A M E D E P R O V A S. D E SC U M P R IM E N T O D O A R E 2 9 - A .I N a S O I
E § l " , D A C F /1 9 8 8 . D E SP R O V IM E N T O D O S R E C U R S O S

1 . A in eleg b ilid ad ed o art. 1", inciso I, alínea g d a L C n ° 6 4/I9S>0 não i im posta p ela decisão do Tribunal
de C ontas estadual que desaprova contas, m as pode ser efeito secundário dessa decisão adm inistrativa,
verificável no momento em que o cidadão requerer o registro de su a candidatura.

2 . Nem toda desaprovação de contas em eja a causa de inelegbilidade do art. l" , inciso I, alínea g d a L C n"
6 4 /1990, somente a s que preenchem os requisitos cum ulativos constantes dessa norm a, assim enum erados:
i) decisão do órgão cortipetente; ii) decisão irrecorrível no âm bito adm inistrativo; U i) desaprovação devido
à irregularidade insanável; iv ) irregularidade que configure ato doloso de im probidade adm in istrativa;
v) p raza de oito anos contados d a decisão não exaurido; vi) decisão não suspensa ou an u lad a pelo Poder
Ju d iciário.

3 . N a lin h a d a ju risp rífd ln çiq deste T ribu n al p ara fin s d e incidência d a causa de inelegibiUdadeprevista
no art. I ", inciso I, alín ea g,, d a L C n ° 6 4 /1 9 9 0 , exige-se “o dolo genérico, relativo ao descumprimento
dosprincípios e norm as qué vinculam a atuação do adm inistrador p ú blico " (ED-AgR-REspe n "2 6 7 -4 3 /
M G , re i M in. D ias Tojffbli, ju lg ad o em 9 .5 .2 0 1 3 ).
4 . O T ribunal R e g o tial E leito ral an alisan do o conjunto probatório dos autos, concluiu p ela ausência
de ato doloso de im probidade adm inistrativa, o que não perm ite o reenquadram ento ju rid ico dosfato s.

5 . Recursos especiais desprovidos. A gravo regim ental prejudicado (T SE , Recurso E special E leito ral n "
3 3 2 -2 4 /R J, Relator: M in istro G ilm ar M endes, D JE de 2 6 .9 .2 0 1 4 ).

Por seu turno, o julgamento das contas dos administradores públicos não é da competência
da Justiça Eleitoral.
Essa atribuição é conferida, para certas pessoas, ao Poder Legislativo (Presidente da Repúbli­
ca: Congresso Nacional; Governador de Estado: Assernbleia Legislativa; Governador do Distrito
Federal: Câmara L ^ sla tiv a do D F ; e Prefeitos Municipais: Câmara de Vereadores) e, para outras,
pdos próprios Tribunais ou Conselhos de Contas.
A matéria é disciplinada na Constituição Federal e recebe o seguinte tratamento jurídico:

I) julgam en to de con tas p elo P oder L egislativo


O Tribunal de Contas da União (T C U ) aprecia as contas prestadas anualmente pelo Presi­
dente da República, mediante parecer prévio, que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar
de seu recebimento. %
O T C U emite parecer prévio, sem caráter vinculante, sobre as contas prestadas pelo chefe
do Poder Executivo da União.

109
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - R o b e r t o M o r e i r a d e A l m e id a

O parecer emitido pelo T C U , na hipótese, é opiçativo no sentido de que as contas pres­


tadas são:
a) regulares: quando expressarem, de forma clara e objetiva, a exatidão dos demonstrativos
contábeis, a legalidade, a legitimidade c a economicidade dos atos de gestão;
b)regulares, com ressalvas: quando evidenciarem impropriedade ou qualquer outra falta
de natureza formal de que não resulte dano ao Erário; ou
c) irregulares: nos demais casos.
Uma vez sendo o parecer prévio do T C U pela desaprovação das contas prestadas pelo Pre­
sidente da República por serem consideradas irregulares, o Congresso Nacional poderá manter a
desaprovação ou. se entender pertinente, aprová-las. Nesse caso, aprovadas as contas pelo Poder
Legislativo, estará o gestor livre da inelegibilidade aqui prevista.
O mesmo tratamento da matéria é dado, por simetria constitucional, aos chefes do Po­
der Executivo estaduais, distrital e municipais, os quais, submetem suas contas à apreciação,
anualmente, aos respectivos tribunais ou conselhos de contas (T C E s,T C D F o u T C M , onde
houver).
O julgamento das referidas contas, todavia, é da competência do Poder Legislativo (assem­
bléias legislativas. Câmara Legislativa do D F ou câmaras legislativas municipais), o qual pode
decidir pela aprovação das contas, a despeito de recomendação cm sentido contrário no parecer
prévio do T C E ou TC M .
A propósito, no que pertine aos gestores municipais, reza o § 2 ° do art. 31 da C F: “O pa­
recer prévio, emitido pelo órgão competente (T C E ou T C M ) sobre as contas que o Prefeito deve
anualmente prestar, só deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos membros da Câmara
Municipal” .
O T S E tem firmado entendimento, inclusive, segundo o qual, esteja no exercício da função
de executor do orçamento ou mero ordenador de despesas, o gestor municipal somente pode ser
julgado pela Câm ara de Vereadores e, a partir do que decidido pelo órgão legislativo, vir a ser
reconhecida a inelegibilidade, salvo na hipótese de celebração de convênios (questão a ser estudada
no parágrafo a seguir). Nesse sentido, o seguinte julgado:

E M E N T A :A G SA V O K E G IM E N T A L . B E C V S S O O R D IN Â R ia R E G IST T tO D E C A N D ID A T U -
RA . D E P U T A D O E ST A D Ü A L . IN E L E G IB IL ID A D E I C N - 6 4 /9 0 , A S T . /» , /, g . A LTERA ÇÃ O .
L C N » 1 3 5 /2 0 1 0 . R E JE IÇ Ã O D E C O N T A S P Ú B U C A S . P R E F E IT O . Ó RG Ã O C O M P E T E N T E
CÂM ARA M U N IC IP A L P R O V IM E N T O JU D IC IA L . D E SP R O V IM E N T O .

1. A despeito d a ressalva fin a l constante d a nova redação do art. 1 ", I, g d a L C n " 6 4 /9 0 , a compe­
tên cia p a ra o ju lgam en to d as contas de Prefeito, sejam relativas ao exercício fin anceiro, à fu n ção de
ordenador d e despesas ou a de gestor, í d a C âm ara M un icipal, nos term os do art. 3 1 d a C onstituição
F ed eral Precedente.

2 . C abe ao Tribunal de Contas apenas a emissão de parecerprévio, salvo quando se tratar de contas atinentes
a convênios, pois, nesta hipótese, compete à Corte de C ontas decidir e não somente opinar.

3 . N os term os do art. 11, 10, d a L ei n ° 9 .5 0 4 /9 7 , inserido p ela L e i n ° 1 2 .0 3 4 /2 0 0 9 , a concessão d a


lim in ar, a in d a que posterior ao pedido de registro, é cap az de afa sta r a in elegibilidade decorrente d a
rejeição de contas no exercício de cargos públicos.

4 . Agravo regm en tal desprovido (T S E , A g.R -R O n® 4 2 0 4 6 7 /C E , R ei M in. M arcelo Ribeiro, P S E S S


de 5.10.2010).

110
Capitulo III • DIREITOS POLITICOS

É curial esclarecer, todavia, que, tratando-se de verbas de convênios firmados entre o Municí-
; pio e a União Federal, onde há prestação de contas diretamente ao Tribunal de Contas da União,
é pacífico o entendimento segundo o qual o órgão competente para jtilgar tais contas, mesmo se
prestadas por prefeitos, é o próprio T C U .
Nesse sentido, o seguinte julgado: “ ...cabe ao Tribunal de Contas apenas a emissão de parecer
ipréviõ, salvo quando se tratar de contas atinentes a convênios, pois, nesta hipótese, compete à
:Corte de Contas da União decidir e não somente opinar” (T SE , V^R-RO n.“ 2. 249.184/BA, j.
/6.1 0,2010); e
IJ) julgam ento de contas pelo próprio órgão de contas (TCU, TCE ou TCM)

O T C U , ele próprio, e, por simetria, os T C E s e T C M s, julga as contas dos ordenadores de


íiespesas [(administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da Admi-
. nistração direta e indireta, inclusive as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder
^ Público, bem como as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade
de que resulte prejuízo ao erário) (CF, art. 71, inc. II)].
Nessas hipóteses, as contas são apresentadas diretamente ao órgão de contas que, constitu­
cionalmente, tem atribuição para julgá-las.
A inelegibilidade em apreço dar-se-á para as eleições que se realizarem nos oito anos
seguintes, contados a partir da data da decisão que julgou desaprovadas as referidas contas
prestadas.

► INDAGAÇAO D in A T IC A

1 1> m , |iK.tLiin iiiiinlcip.ll ila l ul iik ilu I k i ile, P £ | Ceve paK C i;i pcévio o fe rta d o p e lo T C I i/ . . .
I'l iipiii.iiiM i |irl.i clusapim içãu il is H 'lii is p u r cic p r ittiid a s tcliuivi'm cn tc ao a n o d c 2 0 1 0 .
( im ir 1 ill \ i R .j i l o i i s il 1 L i|iu al p m i iiu b iii iii i, n a h ip o tc sc, n ãii iiilgoii a s referidas co n tas atê
o m om en to d o p ed id o d e legÍRtro d e i in d id a m ra iia e le iç ã o d e 2 0 1 6 , n a q u ilT ic io p rclen deitè
c a iid i d u i r i o i i n > < > d i \ i n id o r V iim ip r iii.iç á o d a s c o n i.i^ p ilo u ig it ic o m p e t e n t e ( C á m á t a
d e Vcreadote.s) p o r si só c c a p a / d e g i r .u in elegib ilid ade? .

N ão. A !ião m inilcstav-io i tpeesta d o I'udcr Legislativo m unicipal,sohri .i ptcstaç.K> de con tas náp
f.uprevalecer i> <ircccr prévio i-mitido pelo liibun,il de C o n tas ^ '
E m o u i' > 1 I ivias, não Ivi .'iptOvi^.lo , m desaprovação de co ittas'pdr di u n s > de prizo.'
N esse u r i d Lipidat liç.io í expost.i | j r jo s í J.nro G o m is", í » jwrtó.-

■ >' ilg m e n to dí' bA R k i'-f •> 2 A .9 2 U \M (l>uhlniU Íonases<ito etc 9 -1 1 -2 0 0 4 ), ih^cie-


, • , r S T epic pri i .ileeei i et are n ão d a Cerne d c ( 'utetae se o pence cr p o r ela em itedu meo
' <> teciado c jiitz .iilo pettt < 'âmetra M ieiiicipeil na ptei.-o'kga't, p it jn to 'n a l e t O iqiin in i
e! ' íteiiicipio ISi.lici.in ta, esse cnteiidinit nro tielo pioepcrau n a jiiiiíp iiid é n c la , (.'onw nnrc
I no lU sspe n.o l9 9 ^ ? tS P . pel^adopetet C o ite Su p erio r R lcitoieil et» 2 9 - I l 2 0 1 9 , a > *
1 />. ncidsde nutntjeuaçãq Üà U igiío J.egis.',itiiin stihre en can tas peto f,iz prévqlect i o paicee i

h in icò e triítid o p c t o T r ilp ^ ld e C ontas. lew p arqu e, no cetsO deprejeeta O a ittg a M , Í 2 ",
d a C ^ ^ ^ ^ iç S o F e d e ra ^ ^ e p re sso ,io inepar a m iin ilieiiifão d a C ihn,int M iin iripeit, não
'am ento e a xejcutio d as contas resultarem d a 'f^ g a o dess0órgáo legis^tjfqo,
K g
ntc. a não aprcci,ição d as contas p elo P oder co j^ e te n te obsta a fo r m a 0 f ,'^ .

. i 'p k é ' «
* s G O M E á / l á i ja i r o . DircirÓílleitoral. 9.» êdí SSo PàÜ ô; A d is, 2Ò)Í|l, p. 2 02; ^

111
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - R o b e rto M o re ira d e A lm e id a

O L O m n S - A l IN tA G DO AKriGO 1« D Aja-I COM-


64/] 99U - A lO DOLOSO DE IMPltODIDADE - «NOBSER-
V ^l D E r e s p o n s a b i l i d a d e FISC/U,JE DA CONS^DOIÇAO
FED se tr a ta n d o d e a tfç p X p r tm e m o d a Lei^rj^^^spotfsabiii^dt fis c a l ^ .
d a C o n s(itu lfd o fiederal, esta u llln -a rjuanto n u flieação, n ó tem ltto, d e tnd er abatxo do
fiso Jh c a d a , o a to surge com o d e m tp ta b u b d i, sendo tn stto o d e m e n to subjettvo - o dolo
(TSE, REspe. n* 196-62/SP, Relaton Ministro Marco Ani4lio> unànisíe, DJE de
22.10.2013).

H ) In elepbiU dadepor abuso do poder econômico ou p olítico de detentor de cargo


n a adm in istração (art. /.®, inc. I, “h”)
Nos termos da alínea “h” do inc. I do art. l . ° da L C n .° 64/90, sáo inelegíveis para qualquer
cargo, os detentores de cargo na administração pública direta, indireta ou fúndacional, que bene­
ficiarem a si ou a terceiros, pelo abuso do poder econômico ou político, que (orem condenados
em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado.
A hipótese é análoga à prevista na alínea “d ” do inc. 1 do art. l . ° da L C n .° 64/90, que
também trata de inelegibilidade em decorrência de condenação por prática de abuso do poder
econômico ou político.
Naquele caso (alínea “d ”), diversamente dá situáçáp prevista nesta alínea “ h”, ora estudada,
o agente não é detentor de cargo na administração jjúblitâT hías é condenado por contribuir ou
se beneficiar dè ábüsó dò poder econômico oú político.

i:X E M PL l I I C A C A O D 1D A l I C A

M t iio , C o tc rn a d o rd u T s u d o d o A>.ri, no L\ctcíciu d o cargo, abus,i dn poder político que ila c m


com o a lá du beneficiar (tlcgerl o stiL iie so rL iM o M ei. lo, poi ociip.ti cargo público, n o exereíeio d »
t i i i l >r I <■ I i>u L 'M -i i i l i II III) l i e 1.1 i i d n i ilii 1 1 li di iiii I d o iri I d i K
1 I ' I III 1 i | i ii I I p II 1 1 p 'I i ' i ' 1 II ipi iliii III iiliiii II IIII i t i ]a l i 1 1 1 II
titular de- caig o publico, m as bcneiiei m u d.i ação ilii 1 1 dc M evm , su a conduta será enquadrau-l na
alínea d' do iiic 1 do art 1 " da 1 C. ii ' 6 j/ 9 0

A inelegibilidade em epígrafe dar-se-á para a eleição na qual os condenados concorrem ou


tenham sido diplomados, assim como para as que se realizarem nos oito anos subsequentes.

I) In elegib ilid ad e p o r exercido de cargo ou fu n ção de direção, adm in istração


ou represen tação em in stitu iç ão fin a n c e ira liq u id an d a (a rt. in c. I,
“i" )
Nos termos da alínea “i” do inc. I do art. 1.® da L C n.® 64190, são inelegíveis para qualquer
cargo, os que, em estabelecimentos de crédito, financiamento ou seguro, tenham sido ou estejam
sendo objeto de processo de liquidação judicial ou extrajudicial, hajam exercido, nos 12 (doze)
meses anteriores à respectiva decretação, cargo ou (únção de direção, administração ou represen­
tação, enquanto não forem exonerados de qualquer responsabilidade.

112
Capítulo I I I . DIREITOS POLITICOS

O s estabelecimentos de crédito, de financiamento e de seguro (instituições financeiras)


podem vir a sofrer liquidação judicial ou extrajudicial^^ e a liquidação pode resultar em falência.
Ficam inelegíveis, enquanto não forem exonerados de qualquer responsabilidade pela in-
solvência da instituição financeira liquidanda, todos aqueles que exerceram cargo ou função de
direção, administração ou representação em tais entidades nos doze meses anteriores à decretação
da liquidação.

J) In elegib ilid ad ep o r corrupção, captação ile g al de su frág io , captação ou gasto


ilícito de recursos em cam panha ou p o r conduta vedada (art. l .° , inc. I, “j ”)
Nos termos da alínea “j ” do inc. I do art. 1.° da L C n :° 64/90, são inelegíveis para qualquer
cargo, os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão co-
legiado da Justiça Eleitoral, por corrupção eleitoral, por captação ilícita de sufrágio, por doação,
captação ou gastos ilícitos de recursos de campanha ou por conduta vedada aos agentes públicos
em campanhas eleitorais que impliquem cassação do registro ou do diplom a.
Para melhor conhecimento acerca dos temas “captação ilícita de sufrágios” e “condutas ve­
dadas” recomendamos a leitura do Capítulo 12.
N o que concerne à cormpçâo eleitoral, uma chaga da democracia, nos termos do § 10 do art.
14 da Lei Ápice, tal prática pode dar ensejo ao ajuizamento de ação de impugnação de mandato
eletivo (AIME).
Especial destaque à hipótese sob disceptação é dado por José Jairo Gomes^*, o qual assevera:
(pela prática de corrupção) “só há geração de in e l^ b ilid a d e se houver cassação de registro ou
de diploma o que pressupõe a gravidade dos fatos. A aplicação isolada de multa não acarreta a
inelegibilidade. Atende-se com isso ao princípio constitucional de proporcionalidade, pois se
entender com o adequada tão só a aplicação de multa, a conduta considerada certamente terá
pouca gravidade. Nesse caso, a lesão ao bem jurídico n ã P é de tal m onta que justifique a privação
da cidadania passiva por oito longos anos” .
A inelegibilidade em epígrafe dar-se-á pelo prazo de oito anos a contar da eleição.

^ I Islad o ( ^ ‘conikfiildo. un d u isãa iraiisu tda eni )(|{gã4í>i'FW praiiL i j


í - f ^ j ^ l ^ a s eldçóes-j^l; 2 0 0 $ ^ e foi enquadliiilíb no art. “i”, da
L C n "6ã/90.T iãoécleg|in 4p u lfh ^p «i}'p arjasfel^içJiis<ls20i i-'Ad%irii saque isik içu as
de 2006 ocomxain e n |miilpiro de ouiubnti sendo qu eas cleipoes <1^ 2 0 1 4 i s u » son data
m anadapa(acincad^!}}è^-^iindaniqnfeam^ . «.C lí » /
T-uosUsensi _ , ;
.'S
, C o n it lc iio éd i|>n n d t iv g fstH >in iiseiL SL ru >n ieú d D d ed ecisgoad m in istrafivad ò‘Í^ Ê > a p a r tir 4 la
^ C onsulta n° 380-63, Biasflía/Ò R 'alàtoT NGn. M ateo A luflio, formulada pelo D e p u tad o Federal Lcandio

27. A s instituições financeiras sujeitàm-se a liquidação extrajudiciai por determinação d o Banco Central (Lei n.s 4.595/64,
art. 45).
28. Op. at., p. 193.

113
CURSO D E DIREITO ELEITORAL - fíoberto Moreira de Almeida

T il jin .í''o ii ■■ II .1 > cnk.11 ^ i lu n i m in a luv.i conteúdo.da.i«$ttpst.i em anado do l'SE e extraído


d'i In'oriii iir.o I I i í t ano XV , d e i . • d nuevnihro de 2 0 1 3 , :■

“O J ’lt'riuriotlo ’fn h im alSu perrn t I ',,i n jl, p oi unarftmttLtHe. i.tiettd, . m siiht,, n ,t );■ , v
q u e 0 tm iunt) íla tn-le^htlidiitli u plctto u r jít t r t z J fatoi.rpí uuent <.,nfortntopi.. '<
m $ fO 'fo m t . l l d a L e i n ” ') O i/l‘)'i~

A eoTâiilr t Jo t fvrm utaifu nos '.i/fn ■ timo^’

l ) Ca-o 0 canduhito s ija fkter, m f, n ., i gthilulatfe d eactarfap o rfo r(,t de dectsnojudtaiif, cost,
prrtzo lerto editerm inndo, qm • •> n a n ts d o diadirselctçãei. porem íçm term m opo,tm ar
ttd a t.id i req.ierw ietitodoreg’ n o d , i ,■ M atura, pack ser defer tdo o w ^ tro d r rua cMuUdaturá
no n.im ., , , de apresentação? < 'ot uà • ir. ia que no d ia d as cíetçâ^s, e-iard elegivel. F v a lapétese
nao ■ ied egfh ü ttlad esu i i. t.u t.u ja qu’ o tértriin ad ep ero d o d esn efegd n lid a^ p o ssu i
t í l i a f i .') ,i I iir t a í • j

, 2 j K :r ,i u i re do eritendum nui d ,u i il'i.d o Jrib u n a td e que não poderã d e fin ro r^sfrSr H0 \,


ito r í I rujuerim ento, m en ,,, ,am o térm ino tfa tnelegihiUdatle ante, do d i a a ,
lan d ih ' i , , tmdetáser m antida ram o tegutro 'suhjndice', loni o p io ie«o sobrestsdo, defirtnda-o
n a d ai i ,/ ' rm inado em que term in ará a inelegtbilidade, perm itindo o cSm pW h 'iiih iat dos
tates do .„n d id at 0 lu q u elas eíeifoed i- i'

O M in i tio M arco Aurélio, relatar, apirnoii que a m alin a não esta p,u tfirád a Úestè irib u t,al,
haiendoprecedente, tanto pelo dejennunto quanto peUr indejerim ento de reffUro de Candidatura
quando cesSada a in elegibiluíide antes l í i eleição , . ' '

0 § I 0 ,d p a p ,l l desL ei re' O .'iO -illW d iip ó e-.^ co n d igb p sd eelegih Ü id q d ee.l^ cau sq sd e
tnelutuútdade devem ser a /iiu íis na momento d a firm alização d o p e d i^ ,d e registro d a c m \
d id n .,1 ,1, n stub ad as as a tie n iio i,, fán u is ou lu rtíieas, supenieiuem es ‘a d rm u ro que afasiem '
u ,r,e le g íb ll!d d d ?p “ i y .

o r ila to lts e v ^ u que o térm ino d a inelegibilirlade a n u , r íi ríu a l ii, rkqôes i ^ s e r ,c


Ja to Slip, r,,iiie>ifí! , '110 tem ios do § 1 0 do a rt. 1 1 tL le i t i O .o O V id l f„n u }ttrJo e o r e g , ro
d a la n d datura, pnr sn a única sH tq .o to m ie ta d i ,iplM tai> do duponti o

Fi, f m eou ain d a p , ,i $ 10 destin a se a d , inç tr /I afteráio e, ju rid ii .> th itii t> in ,' fs
' lie nc, ii„ i'. ,ipãs .1 d a ta í i rreisin t de t in d e tltu ib eaiic e , d ,, e/etfSét ,alien f,'n d i
. tiiC .uo o il.sptn iiivo lie itH o u que, im ii I ' i'an ,/o de
pyieií w It T no fit 'an d td aiw rat,

rfí6 tiu dt JO í ^ p7oftrut ditersa^ detísões m *


units i s . v tv attcrizew jJato sHpenwmenté, n ,t e t i e m f o r ^ ^ .í o l u M o
no '1 , 1 'Vi ii;ii< .t i'ii> O Tribunal, por uiun irn ulade, n / ,n ,u <, i , on sul',, not term os do noto

Descarte, no c.i&o em I'e to , a partii ua resposta \ consulta aciiiii t "<s lita uniLida p c lo T S F £ de
d i/c r que T id o sttd co.i" derado cle p i.sl, |á que o pra/o de incle<^iíiil I nt. de m m anos a contar das
■ e iç ó esd c 2 0 0 6 (1 0 -1 0 /2 0 0 6 ), encerrou m 1 " /! 0 /2 0 1 -í E m O í/lU -lO l (d a ta d - cltn,ócs), j i estarí
I íu o elegivdl para ai uclc pleito.

K ) In elegib ilid ad ep or renúncia a m andato eletivo (art. 1 ,°, inc. I, “k ”)


Nos termos da alínea “k” do inc. I do art. l .° da LC n.° 64/90, sâo inelegíveis para qualquer
cargo, o Presidente da República, o Governador de Estado e do Distrito Federal, o Prefeito, os
membros do Congresso Nacional, das Assembléias Legislativas, da Câmara Legislativa, das Câmaras
Municipais, que renunciarem a seus mandatos desde o oferecimento de representação ou petição

114
Capítulo III • DIREITOS POLITICOS

^tíàpaz de autorizar a abertura de processo por infringenda a dispositivo da Constituição Federal,


• êa Constituição Estadual, da Lei Orgânica do Distrito Federal ou da Lei Orgânica do Município.
f > A sirhples reiiúncia para atender a prazo de desíncompatibilização com vistas a candidatura
â cargo eletivo ou para assunção de mandato eletivo não gera a presente inelegibilidade, salvo se
ípconhecida, pela Justiça Eleitoral, fraude ao dispositivo legal.
A inelegibilidade em epígrafe dar-se-á para as eleições que se realizarem durante o período

i
^i'emanescente do mandato para o qual foram eleitos os infratores c nos 8 (oito) anos subsequentes
o término da legislatura.
g ... .■
t£ J Inele^biU dadepor ato doloso de im probidade adm inistrativa (Ort 1. inc. I, “l”)
,Nos termos da alínea “1” do inc. I do art. 1.“ da LC n.“ 64/90, são inelegíveis para qualquer
cargo, os que forem condenados à suspensão dos direitos políticos, em decisão transitada em
julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, por ato doloso de improbidade administrativa
i}ue importe lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito.
' A C F trata da questão da improbidade administrativa nos arts. 15, inc. V (é proibida à
àeassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão dar-se-á, nos estritos casos previstos pela
í Lei Maior, nos casos de improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4 .°) e art. 37, § 4.“
' (“os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda
da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na íbrma e gradação
prevista em lei, sem prejuízo da ação penal cabível”).
O texto constitucional veio a ser regulamentado através da Lei n .° 8.429/92, que estabelece
tr& espécies de improbidade:
,1) atos de im probidade adm inistrativa que im portam enriquecimento ilícito [(att. 9.°):
^anções: i) perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio; ii) ressarcimento integral
. do d ^ o , quando houver; iii) perda da função pública; iv) suspensão dos direitos políticos de 8 (oito)
' a 10 (dez) anos; v) pagamento de multa civil de até três vezes o valor do acréscimo patrimonial; e vi)
proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefício ou incentivos fiscais ou creditícios,
ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de dez anos];
a) receber qualquer vantagem econômica, direta ou indireta, a título de comissão, percent
gem, gratificação, ou presente de quem tem interesse, direto ou indireto, que possa ser atingido
ou amparado por ação oU omissão decorrente das atribuições do agente público;
% b) perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para facilitar a aquisição, permuta ou
locação de bem móvei ou imóvel, pelas entidades públicas, por preço superior ao valor de mercado;
\\ c) perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para facilitar a alienação, permuta ou
locação de bem público ou o fornecimento de sefviço por ente estatal por preço inferior ao valor
de mercado;
d) utilizar, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas, equipamentos ou materi
í qualquer natureza, de propriedade ou à disposição de qualquer entidade pública, bem como o
trabalho de servidores públicos, empregados ou terceiros contratados por essas entidades;
e) receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para tolerar.a
ploração ou a prática de jogos de azar, de lenocínió, de narcotráfico, de contrabando, de usura ou
j' de qualquer outra atividade ilícita, ou aceitar promessa de tal vantagem;

115
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - R o b e rto M o re ira d e A lm e id a

f) receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para fazer declaração
falsa sobre medição ou avaliação em obras públicas ou qualquer outro serviço, ou sobre quan­
tidade, peso, medida, qualidade ou característica de naerçadorias ou bens fornecidos a qualquer
das entidades públicas;
g) adquirir, para si ou para outrem, no exercício de mandato, cargo, emprego ou função
pública, bens de qualquer natureza cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou
à renda do agente público;
h) aceitar emprego, comissão ou exercer atividade de consultoria ou assessoramento para
pessoa física ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser atingido ou amparado por ação ou
omissão decorrente das atribuições do agente público, durante a atividade;
i) perceber vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação de verba pública
de qualquer natureza;
j) receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indiretamente, para omitir
ato de ofício, providência ou declaração a que esteja obrigado;
k) incorporar, por qualquer forma, ao seu patrimônio, bens, rendas, verbas ou valores inte­
grantes do acervo patrimonial das entidades públicas; ou
l) usar, em proveito próprio, bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial
das entidades públicas;
2) atos de im probidade adm inistrativa que causam prejubco ao erário [(art. 10): sanções:
i) ressarcimento integral do dano; ii) perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patri­
mônio; iii) perda da função pública; iv) suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos; v)
pagamento de multa civil de até duas vezes o t ^ o r do daiio; e v) proibição de contratar com o Poder
Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda
que por intermédio dé pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos]:
a) facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular,
de pessoa física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial
das entidades públicas;
b) permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, ver­
bas ou valores int^rantes do acervo patrimonial das entidades públicas, sem a observância das
formalidades legais ou r^ulam entares aplicáveis à espécie;
c) doar à pessoa física ou jurídica bem com o ao ente despersonalizado, ainda que de fins
educativos ou assistências, bens, rendas, verbas ou valores do patrimônio de qualquer das entidades
públicas, sem observância das formalidades l^ a is e regulamentares aplicáveis à espécie;
d) permitir ou facilitar a alienação, permuta ou locação de bem integrante do patrimônio
de qualquer das entidades públicas, ou ainda a prestação de serviço por parte delas, por preço
inferior ao de mercado;
e) permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior
ao de mercado;
f) realizar operação financeira sem observância das normas legais e regulamentares ou aceitar
quantia insuficiente ou inidône^

116
C íp ltu lo i ll. DIREITOS POLITICOS

g) conceder benefício administrativo ou fiscal sem a observância das form alidades legais ou
regulamentares aplicáveis à espécie;
h) frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensá-lo indevidamente;
i) ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulam ento:
j) agir negligentemente na arrecadação de tributo ou renda, bem com o no que diz respeito
à conservação do patrimônio público;
k) liberar verba pública sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qual­
quer forma para a sua aplicação irregular;
l) permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente;
m) permitir que se utilize, em obra ou serviço panicular, veículos, máquinas, equipam entos ou ,
material de qualquer natureza, de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades públicas,
bem como o trabalho de servidor público, empregados ou terceiros contratados por essas entidades.
n) celebrar contrato ou outro instrumento que tenha por objeto a prestação de serviços
públicos por meio da gestão associada sem observar as formalidades previstas na lei; ou
o) celebrar contrato de rateio de consórcio público sem suficiente e prévia dotação orçamen­
tária, ou sem observar as formalidades previstas na lei; e
3) atos de im probidade adm in istrativa qu e atentem co n tra o s p rin c íp io s d a A d m in is­
tração P ú blica [(art. 11): sânções;
i) ressarcimento integral do dano,
se houver; ii) perda da função pública;
iii) suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos;
iv) pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente; e
v) proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais
ou crediticios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa ju ríd ica d a qual
seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos]:
a) praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na
regra de competência;
b) retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;
c) revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e qu e deva
permanecer em segredo;
d) negar publicidade aos atos oficiais;
e) frustrar a licitude de concurso público;
0 deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fázê-lo; ou
g) revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro, antes da respectiva divulgaç
oficial, teor de medida política ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria, bem ou serviço.
Para a caracterização da hipótese de inelegibilidade encartada no art. 1.°, inc. I, ‘T , da L C
n.o 64/90, porém, é preciso que se cumulem os seguintes requisitos:

117
CURSO DE DIREITO ELEITORAL-RobertoMoreiradeA/meWo

i) condenação judicial a suspensão dos direitos políticos, em razão de prática de ato de im­
probidade administrativa;
ii) decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado;
iii) ato doloso de improbidade;
iv) lesão ao patrimônio público; e
v) enriquecimento ilícito.
A inelegibilidade em epígrafe dar-se-á desde a condenação ou o trânsito em julgado até o
transcurso do prazo de oito anos após o cumprimento da pena.

* INI OKMAÇAO lURISPRUDKNOAI


É n e c e s s á iio q u e a d u iis .iii ir a iifiic e m |iil(;.u lo c v e g o iia a sc r p in fi-riila p o r ú rg á o )u c lic ia lc o te -
g ia d o an tes d a s e lclçãcs, isto é, ate o d ia d a clei^ao, inclusive. S o b ri s nidn a s elti^u es, iian c. ta b isc l
a tg u ir a in elegib ilid ade su p e r ■ n itiu c m esm o cni se d e d e le c u rso lo n t ia i le p e d is lo d s d ip lo m a s.
' .'N e sse se n tid o , o segu in te jiilg.tdo:

E M E N T A i E l 1 K ’ O L S ;i ) 1 2 . \('.R A V O R E G I M l-N lA J.. i l l C U R S O E S P E C I A l .


R C E D .IN E L 1 (.IIIII.II»A U I S l PI RVI N IE N lE - r U U . l » , U „ I M J ü O N ‘> W /9 0 .N Â O ‘
IN C ID Ê N C IA . D E C IS Ã O C O L L C .IA D .A A 1 > Ó S O PI I I I I ) I> E S P R O V lM E N T O .

1. A m ílíg ih ili... ,'e lU ptruiM cntf que uiitm iM a tniei/im qiui de lecurso contra expedição de
tliplom a.fitndado m in c iso l d o a u 2 • ' . i ■ / .i .a,/u r^ u íff,m m o r e ^ r o de candidatura,
m as deve ocorrer até a d ata do p in ta (1’iecrdente; REspe n® l3 I3 0 5 9 tB A , Rei. M in . Carm en
L ú cia, D J e d e •'». i s .......... .
2. In casu, c o n s id e r a n d o 'o deórdao do T ribu n al de Ju fU ça de Sao P aulo, q t » confirm ou
< a condenação dú ag rao ad o p o é im probidade ad m in istrativ a, jo s proferido a p é s a s eUtçóes, j
in viável a arguição d a alíêfiidu in e b ^ b iliã a d e supervtríiertté'en isède.li n iiiru iiim tT i r \ , i ‘
dtção de diplom a. . • , /.
3 . Agravo reginentiddesprovido p rSB , A gravo R egm en taln o Recurso E sp e iia tI'eam il n •’ >
^ /S P , R elatora; M in istra lÈtiçiana Lóssio, unânim e, ju lg ad o em 1A .1Ò .2011]

M ) In eU ^ b ilid ad ep o r exclusão do exercício p ro fissio n al (art. /.®, in c .I, “m”)


Nos termos da alínea “ni” do inc. I do art. l.“ da LC n .° 64/90, são inelegíveis para qual­
quer cargo, os que forem excluídos do exercício da profissão, por decisão sancionatória do órgão
profissional competente, em decorrência de infração ético-profissional.
N o Brasil, há diversas profissões regulamentadas por lei e sujeitas à fiscalização de conselhos
profissionais.
São exemplos: i) OAB (O rdem dos Advogados do Brasil): advogados públicos e privados;
ü) C R M (C onselho Regional de M edicina): médicos; iii) CRA: C onselho Regional de A dm i­
nistração: administradores; iv) C R O (Conselho Regional de O dontologia): odontólogos; v)
C R EA (Conselho Regional de Engenharia e A gronom ia): engenheiros, agrônomos e bacharéis
em Geografia, Geologia e Meteorologia; etc.
Essas entidades, no exercício de sua função fiscalizadora do exercício profissional, podem apli­
car sanções disciplinares, sendo a mais grave, a exclusão, a qual deve ser antecedida de um regular
proce.sso administrativo disciplinar e no qual se deve assegurar o contraditório e a ampla defesa.

118
C apitulo III ■ DIREITOS POLÍTICOS

A punição de exclusão do exercício profissional, quando aplicada, terá repercussão também


na seara eleitoral, pois implicará na inelegibilidade do excluído pelo ptaxo de oito anos, a contar
1da data da publicação da sanção, salvo se o ato administrativo houver sido suspenso ou anulado
pelo Poder Judiciário.

N ) In elep b ilid ad ep o r sim ulação de desfàzim ento de vinculo con jugal (art, 1 .",
inc. I, “n”)
f N os termos da alínea “n” do inc. I do art. l . “ da L C n.“ 64/90, são inelegíveis para qualquer
âirgo, os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial
çolegiado, em razão de terem desfeito ou simulado desfazer vínculo conjugal ou de união estável
|iara evitar caracterização de in d^ibilidade.
I Com efeito, o § 7.” do art. 14 da C F prevê uma hipótese de inel^ibilidade reflexa, assim
pescrita: “são inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consan­
guineos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador
ne Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro
i dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição” .
Sabeitdo existi i tal impedimento constitucional, algumas pessoas simplesmente desfazem
ou simulam a prática de desfazimento de sociedade ou do vínculo conjugal ou mesmo de união
estável, com a única finalidade de excluir a inelegibilidade reflexa acima trMscrita.
O desfazimento do vínculo matrimonial, que na prática nunca ocorreu ou, se ocorreu, foi
com o único intuito de excluir a inelegibilidade reflexa, quando tal situação é reconhecida pelo
Poder Judiciário, gera a inelegibilidade pelo prazo de 8 (oito) anos.
' O órgão do Poder Judiciário competente para conhecer e julgar a demanda (ação dcciaratória
de simulação de dissolução de vínculo matrimonial ou união estável) é a Justiça Comum (Vara
Estadual Cível de Família).
Nada impede, todavia, em nosso pensar, que, em sede de ação de impugnação de registro de
candidatura (AIRC), a parte interessada pode comprovar, perante a Justiça Eleitoral (TSE, T R E ou
Juiz Eleitoral), a ocorrência da situação em epígrafe, para fins estritamente eleitorais, e se declare
a inelegibilidade sob disceptaçáo, desde que a decisão seja proferida por órgão çolegiado (T R E
ou T SE ) ou tenha transitado em julgado (decisão proferida por juízo eleitoral de primeiro grau).

* IN[ORM\v.\()JURlSPRUDENOAl (DIMASSMENiO 0£UNIÃOESTÍVEL) |


F M t N IVb E L E IÇ Õ E S 2 0 1 2 . REC I U SO i SP FC .IA I i 1 1 IT O R A L . R E G IS T R O D £ ‘
C \N T > Í D .\r L 'U \.C A N D ]D .V r A A O < M M .O D G V E R I \ l ) O R , I N E L E G I B I U D A I # í ,
D O A R E 1», IN C IS O f . A L ÍN E A n , I >A 1 1 1 C Q M P L 1 M l S T A R N ° 6 4 /1 9 9 0 . U N IÃ Q
C S T Á U sL R r C O N H E t I D A N A E I I K . . 1 0 l ) E 2 0 0 i I M R L C U R S O C O N T R A E lj' '
D IÇ Á O D E D i P E O m . S U P O S T O l )l SI A /1 M IW T < ) 0 ( i SIM U L A Ç Ã O D E D |~
2 Í M E M l Ó D £ Í I N l Á O I S T Á \ l :U N .l O O ( O R R ÊN C l \ I) v I N E L E G IB IL I D A D |
C A S O C Ó N C k É T O A U S É N È Í a ' D E R E Q U IS tT Ò . P R O V IM E N T O D O F “

1. Com base n a comptceman d a reserva U galpioporaoruih a\ tam as de t/ielegibilida


interpretadas restrtiivam inte. evttando-Sta n ta\,to de reW 'tno de direitos p o tü ic a sjA
e iHsitpiras decorreutts d , vi, .. i>r ■ .. .. «Iê’.-it!t dvgm dtica de proteção dos:direitos
' jund.im enttm Priàedetin > ' ' 'r ' " -‘’'í

119
CU RSO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

J /íc M isiií/e in e le g iíiiliiiíd fy ira il l^ jin u fu lia lm e a » , ^ L C n " 6 4 l l ‘J ^ 0 sa iic io )t.i "os
íju c jo n n : rondenatlo<., im 4 ^ c i»to trrtn d taJttem lu lg a tlu ftt p> » < i\..o }h tà ,t
colegtado, im r a z ti . u • i » i rh i .to tm s t t íiv ^ o tU sfajief Vímulo co n ju gal ou d e un ult
estável p u ra e v itar caim t/rb safãu de W íliglb iiieL íd t, p elp p ta M de è '(Oito) an ú s aj>
decisão rjue reeonhi, . uaudi '‘ressswue af^íjiid iiialque condene u parteporjhiude,
ao desfazer ou simulat desjíaSipirnio dé vsncula'ii^jugal'^ '4f umatftuavel pum fin'' ne
inelegihiliilade. 'i;
3 . A negatw a de u ^ Ja io (de vniuo istáv el em d ç íl^ , èni recuso eou l^ajopcdiião d i diplopta,
não pode c o n d u jt à ■ . . .e a c à u d iilii& ^ h c o u tm ato líú itd (d esfez ou um ulou o
desfaztm ento d a união estávelpara jm s de ItielegíhUfddãO. Tnita-se de th ra p t -sunção, ipte não
pode a tr o ira irtele^bibdadeprèvida no a ^ l", alín ea n. d a 'l f » ” 6 -Í/I9 9 0
4. Recurso eqífeialèleitoudpr^tddo p a ra d ejen r o

I A o id „n . 1 s m n istn /' . Irib u n ' 'su p ifio ' l í 'ita t, pu’ v.nam m iáade, em prover
p a m d ifiiir o ri^ stto d e c à ^ d tU u ra d a re A rre n U , no^lêhnos do voiSdo relator. [T S E , Re,
& p e e ia ÍB !Íto r a ln > 3 !> 7 i^ (i^ R Ja te r M tim tro (S b » á r .'d eiid ts/j. 2 1 .0 8 .2 0 1 4 ],

O ) In elep b ilid ad ep o r dem issão do serviço pú blico (art. i.®, inc. I, “o”)
'" 'm

Nos termos da alínea “o” do inc. I do art. 1.° da L C n.° 64/90, são inelegíveis para qualquer
cargo, os que forem demitidos do serviço público em decorrência de processo administrativo ou
judicial.
A demissão do serviço público é uma punição aplicada em processo administrativo ou judicial.
Em ambos os casos há de se assegurar ao servidor o contraditório e a ampla defesa.
Nos termos do art. 132 da Lei n .° 8.112/90 (Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos
Civis da União, das autarquias e das fúndaçòes públicas federais), a demissão será aplicada em
vinte casos, a saber:
i) crime contra a Administração Pública;
ii) abandono de cargo;
iii) inassiduidade habitual;
iv) improbidade administrativa;
v) incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição;
vi) insubordinação grave em serviço;
vii) ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima defesa própria ou
de outrem;
viii) aplicação irregular de dinheiros públicos;
ix) revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo;
x) lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional;
xi) corrupção;
xii) acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas;
xiii) valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade
da função pública;

120
Capitu lo 111• DIREITOS POLITICOS

xiv) participar de gerência ou adm inistração de sociedade privada, personificada ou não


personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário;
xv) atuar, com o procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se
tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge
ou companheiro;
xvi) receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão de suas
atribuições;
xvii) aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;
xviii) praticar usura sob qualquer de suas formas;
xix) proceder de forma desidiosa; ou
xx) utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares.
Sendo demitido o servidor público, por decisão administrativa ou judicial, dada a gravidade
da infração, ficará inelegível, pelo prazo de 8 (oito) anos, contado da decisão, salvo se o ato de-
missório houver sido suspenso ou anulado pelo Poder Judiciário.

P ) In elegib ilid ad ep o r doação e leito ral ile g a l (art. l .° , in c. 1, “p ”)


N o s termos da alínea “p” do inc. I do art. 1 da L C n .° 6 4 /9 0 , sã o inelegíveis para
qualquer cargo, a pessoa física e os dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis p o r doações
eleitorais tidas por ilegais por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão c o l^ ia d o
da Justiça Eleitoral.
A Lei 9.504/97, até as eleições de 2014, limitava as doações para candidatos em campanhas
eleitorais, nos seguintes termos:
i) p ara pessoa física (doações em dinheiro ou estim áveis em dinheiro): a) p essoa n ão can d i­
data: dez por cento dos rendimentos brutos auferidos no ano anterior à eleição: e b) p essoa
candidata: recursos próprios no valor máximo de gastos estabelecido pelo próprio partido
(Lei n .° 9.504/97, art. 23, com redação dada pela Lei n.“ 12.034/09); e
ii) p ara pessoas ju rídicas: dois por cento do faturamento bruto do ano anterior à eleição (Lei
n.» 9.504/97, art. 81, § l.°).
A doação de recursos acima dos limites legais sujeitava o doador, em ação jurisdicional
promovida perante a Justiça Eleitoral, ass^ u rad a a ampla defesa e o contraditório, à m ulta no
valor de cinco a dez vezes o montante doado irregularmente e, sendo pessoa jurídica, também
à proibição de participar de licitações e celebrar contratos com a Administração Pública pelo
período de cinco anos.
A partir das eleições de 2 0 1 6 , as doações eleitorais passaram a ser restritas a pessoas
físicas, nos seguintes termos; a) p esso a n áo c a n d id a ta : limite de 10% (dez por cento) dos
rendimentos brutos auferidos pelo doador no ano anterior à eleição; e b) p e sso a crandidata:
usar recursos próprios em cam panha até o lim ite de gastos estabelecido em lei para o cargo
ao qual concorre (Lei n .° 9 .5 0 4 /9 7 , ^ t . 23, § § l . “ e 1°-A, com redação dada pela Lei n.“
13.165/2015).
A inelegibilidade em epígrafe dar-se-á pelo prazo de oito anos, contado do trânsito em julgado
da decisão condenatória ou decisão proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral.
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - R oberto M o reira de A lm e id a

* INKMtM \t) II IllSPRUDENCIAL


' nOAÇAO LI 1 11( >lt \I 11 1 (. \l £ 1NELL<;iBlI I D ^ E -
OPlen.ii d o 'Irihuii.il Siiperioi II ..om i'ii. u!i III niiclüde,sssemou qiii..i& doaçõesclcicoijis Üegii>
ensei.idorasd.i incligihilid.idv previu ■ - m ,iii ■, I I 1.'( 1. >i'nt.i p, da L f O nnplem cntar n" õ-í /1990 s.i i
as oiie, em si, rcpieseiu.ini qiichr.i il.i isoiiomi.i i-mre os cindidatos, tisio i ormalidadc u legicimldad:
dos pleitos, ou qiiu SC aprOYimcin do .ifniso dii podci CLonomthd'OU puliticu '
N o cjso \crccm i c.imlidito ,io c.iigi dc d ip u u d u fcdciál interpôs rci iir'O ordinariocoiiti.i acórdão
dc I'RF/PB qiic iiilgou pioLcdi ii iiip ii >i i, n o i, ■i,ii i di. c.mdiditii lu rcsotrente i toposra pelo
Ministério Piiblito Ueiior.d.
A matéria está prevista no .iii. 1". I, p, d.i l.ci ( 'ninpli-mentar é 4 h 9 9 0 , jn verbis. ‘Art. 1° São
inelegíveis: I - para qualquer cargo: | ,.| p) .i pesso,i t'isic,i e os dirigentes dc pessoas jurídic.is responsáveis
ppç;ç|pações eleitorais tidas poi ileg.iis por d<.us,m i i.iiisit,id,i s m julgado qu ptqfepda por órg,To colegpado
Wi:
d a Justiça Eleitoral, pelo pi.i/.o de 8 (oiio) .uios .ipós ,i decis.'io, ob^ervando-se o ptocedimento previsto
ft
*SÍ 'O M inistro H enriqiit Neves, lel.irni, .isseveioii que ii.io c qualq'uer tipo de doaç.io que gera i
inelegibiiidadc, mas somente ,u|iiel,is ipie se eiiqu.idr.im eoiiio tloações'ilegais, pordccisio enuiiuda da
Justiça Kieitotal a qual não esteja revog.id.i ou siispens.i e lenh.i sido toniad.i cm proccdiniuito eni que se
observou 0 rito previsto 110 art. d,i L çH 'om plem ciuar 11" ó í/1 9 9 0 . '•
, ' Destacou que, nas doações realizadas por pevsnas jiirídic.is. constiiiii requisito p.ira configuração
d a inelegibiiidadc a demop.s^.iç.io de o canditi.iio osteiit.u a qualidade dc diligente da pessoa jurídica
condenada por doação tida como ilegd. s ' > - . ,
Enfatizou que, aplican^o-.se'a'lntcrprctação iógico-sistemática à norma, deve-se rçcoidiqcer a,sua
incidência apenas nas hipóteses em qtic os bens jurídicos protegidos pela Constituição da República
venham a .ser viúlado.s por m ei& da q a e b rã -d a ^ ^ ò m ia entre os cantÕdátòS ób 'e^lam inaçâo do pleito
pelo abuso do poder cconfi)tn|çq. , .’j
)<0 M inistro Joao OtdvIbitd^NOjiOjdJIwiessalyou quanto ã configuca.çãoida|uielegibilidade dq atç.
1", inciso I, alínea p, d.i ^4/1990 para o dirigente d e entpresa que não: panicipa
da relaçao processual, entendendo-.oela: nece: |d e da formação dc litisconsórcio no poló passivo, em
respeito ao principio doja<ri^|do pi;oçcsso
O Tribunal, por unánirntdadeTpròvetfb-reclitso para deferir o registro dc candidatura [TSE, Recurso
Ordinário n° 534^30, Jóâò Pèásóà/PBÍfelJM ttiífHenrlque Neves, j. em 16.9.2014]. ‘ '

0) IneU^bilidade por aposentadoria compulsória e perda de cargo da m a ^ tra -


tura e de membro do M inistério Público (art. l.° , inc, I, “q”)

N o s term os da alínea “q” do inc. I do art. l . “ da L C n .° 6 4 /9 0 , sâo inelegíveis para


qualquer cargo, os magistrados e os membros do Ministério Público que forem aposentados
compulsoriam ente por decisão sancionatória, que tenham perdido o cargo por sentença ou
que tenham pedido exoneração ou aposentadoria voluntária na pendência de processo adm i­
nistrativo disciplinar.

Dentre as garantias da magistratura e do Ministério Público, a Constituição Federal previu


a vitaliciedade (adquirida, em primeiro grau, somente após dois anos de efetivo exercício).

Tal garantia impede que magistrados e membros do Ministério Públicos possam vir a perder
o cargo por mero processo administrativo disciplinar.

122
i||;
Capttulo III. DIREITOS POLITICOS

!í ’ I Disdplinarmeiite, quando da prática de condutas graves, tais agentes públicos são aposenta­
dos compulsoriamente ou postos em disponibilidade remunerada com proventos proporcionais
10 tempo de contribuição, pois a perda do cargo por membro vitalício fica na dependência de
sentença judicial transitada em julgado.

N o âmbito eleitoral, todavia, ficará inelegível o magistrado ou o membro do Parquet, pelo


prazo de oito anos, quando:

j i) aposentado compulsoriamente por deci.sáo sancionatória (punição administrativa por


prática de conduta grave);
ii) decretada a perda do cargo por sentença judicial;
: iii) exonerado do cargo a pedido, quando pendente processo administrativo disciplinar; ou
iv) aposentado, a pedido, na pendência de processo administrativo disciplinar.

IN E L E G IB IL ID A D E S D E N ÍV E L 02
(RELATIVAS: PARA P R E S ID E N T E E V IC E -P R E SID E N T E D A R EPÚ BLIC A )
O art. 1.°, inc. II da LC n.” 64/90 exige a determinados ocupantes de cargos, empregos ou
funções que deles se afastem, em prazos expressamente fixados, para concorrerem nas eleições,
sob pena de, não o fazendo, ficarem inelegíveis.
Em outras palavras, a Lei das Inelegibilidades determina a desincompatibilizaçáo de ocupantes
de certos cargos, empregos e funções (públicas e privadas), em determinado prazo (três, quatro
011 seis meses) antes da eleição.
São cargos, empregos ou funções públicas que exigem desincompatibilização para os cargos
de Presidente e Vice-Presidente da República:
Í-V'áí'-' •
,, i) Ministros de Estado;
ii) chefes dos órgãos de assessoramento direto, civil e militar, da Presidência da República;
iii) chefe do órgão de assessoramento de informações da Presidência da República;
iv) chefe do Estado-Maior das Forças Armadas;
v) Advogado-Geral da União e o Consultor-Geral da República;
vi) chefes do Estado-Maior da Marinha, do Exército e da Aeronáutica;
vii) Comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica;
viii) Magistrados;
ix) Presidentes, Diretores e Superintendentes de autarquias, empresas públicas, sociedades
de economia mista e fundações públicas e as mantidas pelo poder público;
x) Governadores de Estado, do Distrito Federal e de Territórios;
xi) Interventores Federais;
xii) Secretários de Estado;
xiii) Prefeitos Municipais;
xiv) membros do Tribunal de Contas da União, dos Estados c do Distrito Federal;
xv) Diretor-Geral do Departamento de Polícia Federal;

123
CU RSO D E DIREITO E lfIT O R A L ~ fíoberto Moreira de Almeida

xvi) Secretários-Geiais, os Secretários-Executivos, os Secretários Nacionais, os Secretários


Federais dos Ministérios e as pessoas que ocupem cargos equivalentes;
xvii) tenham exercido, nos Estados, no Distrito Federal, Territórios e em qualquer dos po­
deres da União, cargo ou função, de nomeação pelo Presidente da República, sujeito à aprovação
prévia do Senado Federal;
xviii) tiverem competência ou interesse, direta, indireta ou eventual, no lançamento, arrecada­
ção ou fiscalização de impostos, taxas e contribuições de caráter obrigatório, inclusive parafiscais,
ou para aplicar multas relacionadas com essas atividades;
xix) membros do Ministério Público; e
xx) demais servidores públicos, estatutários ou não, dos óigãos ou entidades da Administração
direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e dos Territórios,
inclusive das fundações mantidas pelo Poder Público.
São cargos, empregos ou funções privadas que exigem desincompatibilização para os cargos
de Presidente e Vice-Presidente da República:
i) diretores de empresas envolvidas em práticas anticoncorrenciais, previstas na Lei n .°
12.529/11, quando possam tais empresas influir na economia nacional (a L C n .° 64/90 refere-se
às empresas previstas na Lei n.“ 4.137/62, a qual foi ab-rogada pela Lei n.° 8.884/90, sendo que
esta foi quase que integralmente revogada pela Lei n .° 12.529/11);
ii) direção, administração ou repre.sentação em entidades representativas de classe, mantidas,
total ou pardalmente, por contribuições impostas pelo Poder Público ou com recursos arrecadados
e repassados pela Previdência Social;
iii) Presidente, Diretor ou Superintendente de sociedades com objetivos exclusivos de
operações financeiras que façam pubiicamentc apelo à poupança e ao crédito, inclusive através
de cooperativas e da empresa ou estabelecimentos que gozem, sob qualquer forma, de vantagens
asseguradas pelo Poder Público, salvo se decorrentes de contratos que obedeçam a cláusulas
uniformes; e
iv) direção, administração ou representação de pessoa jurídica ou de empresa que mante­
nha contrato de execução de execução de obras, de prestação de serviços ou de fornecimento de
bens com órgão do Poder Público ou sob seu controle, salvo no caso de contrato que obedeça a
cláusulas uniformes.
Os prazos de desincompatibilização são variáveis de três a seis meses antes da data marcada
para o pleito eleitoral.
Podem ser agrupados tais lapsos temporais em:
a) três m eses (afastam en to sem p re rem u n erad o): os servidores públicos em geral,
estatutários ou não, dos órgãos ou entidades da Administração direta ou indireta da União,
dos Estados, do Distrito Federal, dos M unicípios e dos Territórios, inclusive das fundações
mantidas pelo Poder Público, salvo os que tenham que se afastar pelos prazos de quatro meses
ou de seis meses;
b) quatro meses: os servidores que tenham ocupado cargo ou função de direção, adminis­
tração ou representação em entidades representativas de classe, mantidas, total ou parcialmente,
por contribuições impostas pelo Poder Público ou com recursos arrecadados e repassados pela
Previdência Social; ou

124
Capítulo m • DIREITOS POLÍTICOS

c) seis meses; nos demais casos elencados n o inc. II do art. 1 d a L C n .° 6 4 /9 0 , tais como
por exemplo: Ministros de Estado, Prefeitos M unicipais, m agistrados, m em bros do Ministério
Público e do Tribunal de Contas da União, dos Estados e do D istrito Federal, etc.

INELEGIBIUDADES D E NÍVEL 03
(RELATIVAS: PARA GOVERNADOR E VICE-GOVERNADOR D O ESTADO E DO
DISTRITO FEDERAL)
N os termos do inc. Ill do art. 1.“ da L C n.® 6 4 /9 0 , são inelegíveis p ara G overnador e
Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal, os inelegíveis para o s cargos de Presidente da
República elencados na alínea “a” do inc. II do art. 1." da lei d as inelegibilidades e, no tocante
às demais alíneas, quando se tratar de repartição pública, associação ou em presas que operem
no território do Estado ou do Distrito Federal, observados os m esm os prazos de três, quatro
ou seis meses.
Exige a lei o afastamento definitivo dos seguintes cargos ou funções, n o prazo de seis meses
antes da eleição:
i) os chefes dos Gabinetes Civil e Militar do Governador do E stado o u do D istrito Federal;
ii) os comandantes do Distrito Naval, Região M ilitar e Z on a Aérea;
iii) os diretores de órgãos estaduais ou sociedades de assistência aos M unicípios; e
iv) os secretários da administração municipal ou m embros de órgãos congêneres.

INELEGIBILIDADES D E NÍVEL 04
(RELATIVASi PARA PREFEITO E VICE-PREFEITO)
Nos termos do inc. IV do art. 1.° da LC n.° 64/90, são inelegíveis para Prefeito e Vice-Prefeito:
i) no que lhes for aplicável, por identidade de situações, os inelegíveis para os cargos de
Presidente da República e Vice-Presidente da República, G overn ador e Vice-Governador
de Estado e do Distrito Federal, observado o lapso tem poral de quatro m eses para a de-
sincompatibilizaçáo;
|i) os membros do Ministério Público e Defensoria Pública em exercício na comarca, nos quatro
meses anteriores ao pleito, com proventos integrais; e
iii) as autoridades policiais, civis (exemplos: delegados da polícia civil ou federal) ou militares
(exemplos: oficiais das Forças Armadas, da Polícia M ilitar ou do C orp o de Bom beiros), com
exercício no Município, nos quatro meses anteriores ao pleito.

INELEGIBILIDADES D E NÍVEL 05
(RELATIVA: PARA O SENADO FEDERAL)
N os termos do inc. V do art. l . ° da L C n .° 6 4 /9 0 , são inelegíveis p ara S en ad o r da
República:
i) os inelegíveis para os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República especificados na
alínea “a” do inciso II do art. 1° J a LC n® 64/90 e, no tocante às dem ais alíneas, quando
se tratar de repartição pública, associação ou empresa que opere no território do Estado,
observados os mesmos prazos; e

12 5
CU RSO DE D IR E T O ELETORAL - Roberto Moreira de Almeida

ii) em cada Estado e no Distrito Federal, os inelegíveis para os cargos de Governador e Vice-
-Governador, nas mesmas condições estabelecidas', observados os mesmos prazos.

INELEGIBILIDADES DE NÍVEL 06
(RELATIVAS: PARA A CÂMARA DOS DEPUTADOS, ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA
OU CÂMARA LEGISLATIVA DO DF)
Nos termos do inc. VI do art. 1 da L C n.“ 64/9 0 , são inelegíveis para a Câm ara dos
D eputados (D eputados Federais), As.sembleia Legislativa (D eputados Estaduais) e Câmara
Legislativa (D eputados D istritais), no que lhes for aplicável, por identidade de situações,
os inelegíveis para o Senado Federal, nas mesmas condições estabelecidas, observados os
mesmos prazos.

INELEGIBILIDADES DE NÍVEL 07
(RELATIVA: PARA A CÂMARA MUNICIPAL)
Nos termos do inc. VII do art. 1.“ da LC n.° 64/90, são inelegíveis para a Câmara Municipal
(Vereadores)^^
i) no que lhes for aplicável, por identidade de situações, os inelegíveis para o Senado
Federal e para a Câmara dos D eputados, observado o prazo de seis meses para a desincom-
patibilização; e
ii) em cada Município, os inelegíveis para os cargos de Prefeito e Vice-Prefeito, observado o
prazo de seis meses para a desincompatibilização.

' ; INEIEGIBILIDADE RELATIVA ^


(PARÀ ^UALlíU lil M k é ó ) (PARA CERTOS CARGOS)
1. Sem domicílio
1.1. Eleições municipais: no município; 1. Motivos funcionais
1.2. Eleições gerais: no Estado-membro ou no Dis­ 1.1. Para o mesmo cargo (reeleição); e
trito Federal; e em 1.2. Para outros cargos (desincompatibilização).
1.3. Eleições presidenciais: no país.
2. Inelegibilidade reflexa
2. Inalistáveis
2.1. Parentesco por consanguinidade ou afinida­
2.1. Estrangeiros; e
de; e
2.2. Conscritos.
2.2. Cônjuge, união estável ou união homoafetiva.
3. Inelegíbilidade de militares e de certos agentes
políticos
3.1. Militares;
3. Sem filiação partidária.
3.2. Magistrados;
3.3. Membros de tribunais de contas; e
3.4. Membros do Ministério Público.
4. Inelegibilidades Legais (apontadas pela LC n?
4. Analfabetos.
64/90)

126
Capitu lo I I I . DIREITOS POLITICOS

Ql I iTICODEINELEGiep EDO
(VICE-PI GOVERNADOROU PREFE
dente, oVIca ti Vlce-Prefetto poder indidjtdNse a outrpgcars
bsous ma |b, dpsde que, nos ulti seibmesas antariores aoJ
dotenham stitufdoo titular (LCn |^ / 90, art,,ÍtÀ, g 2.B)]
HIPÓTESE 03
HIPÓTESE 01 VICE QUE SUCEDE O TITULAR DA CHEFIA DO EXE­
CUTIVO. Poderá ser candidato ao próprio cargo
VICE-CHEFE DO EXECUTIVO CANDIDATO Â REELEI­
uma única vez, pois é considerada a hipótese como
ÇÃO. É reelegível para um único mandato subse­
reeleição.
quente.
Ex.: Thélio é Vice-Presidente da República. Nos seis
Ex.; Tido é Vice-Prefeito de Olinda/PE. Poderá ser
meses antes da eleição, ele assume a Presidência
candidato à reeleição (vice novamente), na mesma
da República por renúncia do titular. Thélio poderá
circunscrição eleitoral, para um único mandato sub­
concorrer ao cargo de Chefe do Executivo da União,
sequente.
mas na condição de candidato à reeleição, ou seja,
para um único mandato subsequente.
W p ÓTESE 02 H IP Ó T E S E 0 4

yiCE-CHEFE DO EXECUTIVO CANDIDATO A CHEFE VICE QUE DESEJA CONCORRER A OUTRO CARGO
b o EXECUTIVO. Poderá ser candidato a chefe do ELETIVO QUE NÃO A REELEIÇÃO OU NÃO AO DO
Poder Executivo e, se eleito, candidatar-se à ree­ TITULAR. Não há desincompatibilização, mas se
leição. substituir o titular nos seis meses antes do pleito,
Ex.: M é v io é Vice-Governador do Estado do Rio fica inelegível.
Grande d o Sul. É escolhido em convenção partidá­ Ex.: Magno é Vice-Governador do Rio Grande do
ria como ca n d id a to a Governador daquela unidade Norte. Deseja concorrer a Deputado Federal. Não
da federação. P o d e rá concorrer regularmente e, se poderá assumir o cargo de Governador, nos seis
içleito, tentar a re e le ição para a chefia do Executivo meses antes do pleito, sob pena de se tornar ine­
,do RS. legível.

► I N D A f iA Ç Ã O D I O Á I 1C:A

I» O que -você en ten d e p o r inclegibilid.ide in ata e ■


•\ inclcgibilidade inata, primária, implícita ou imprópria é aquela olíuttd^dat(ilÇ !.d^yim P u mais
condições de elegibilidade da própria pessoa [exemplo; Tício é ànalfiibcto (é carente de um a eíe^lzilidade
tonsiiri.iuonal e, de.st4tte,'lnclegívíl para qualquer óleiçáo)]. " ' i ’’ ■" ««'TTCi-
\ inelcgibilidade cominada, Secundária ou própria ti aquela decorrente de tira'a s a n ç ã o ^ à i i i c a
. e iini ■conduta ilícita [exemplo: Mévio é condenado por prática de im probidade administrativa.'Ajtós
1 -iin ip r. K t.io da pena, há d c lic’ r intlcgnel por i:i-i período J : ò oito) anos fes'i ip-le.'ibihdade
1 ,la s M liru .a c o m o c o m ín a d a o u s c L íin d iin p o rd c to rie id e u n n inçio p o t prática d t ito lUcito)].

► IN D A G A Ç Ã O D I D Á riC A

O que vdcE en ten d e p o i in c leg ib il.d di. a b s o lu ti c in c li,'11111111,1(10 telativ.i


A ínelegibilidade absoluta se refere às vedações legaLs e constitucionais ao indivíduo para qualquer
si cleiç.to e para qualquer cargo [exemplo: 1 ívio ó.cidadão tusso (há inqlejgjthjUdade absoluta:, o,.fato de
ssi-r estrangeiro), pois não pode se candidatar a qualquer cargo eletivo cm qualquer parte do territórip
i,hacioqál]i,(|t< ) 1(1 ifi i‘l iir'1 írt, i ' iiirt,» > * (U,H. (* •) i

127
CU RSO DE DIREITO ELEITORAL - RolSerto Moreira de Almeida

A inilLgibiliiiade iLlacivj sc
m m ada cliiçiio [cxLmpIo HLdlio c
E stado dc A lagoas, «na razão de n
legal (seis inc ls) H a inelegibilidadL aque
poderá H iéh o ser candidato à leeleição].

1 .3 3 .3 . D esincom patíbiU zação

1 .3 .3 .3 .1 . Conceito
Desincompatibilizar significa interromper ou afastar do exercício de um cargo, emprego ou
função para se tornar elegível. , .
A desincompatibilizaçâo é uma exigência legal.
A LC n ° 64/90 determina que ocupantes de certos cargos, empregos ou funções venham
a se afastar temporária ou definitivamente deles para que possam pleitear um mandato eletivo.

1 .3 .3 .3 .2 . F in alid ad e
N os termos do § 9 ° do art. 14 da Constituição Federal, a desincompatibilizaçâo se destina
a “proteger a probidade administrativa, a moralidade para o exercício do mandato, considerada
a vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do
poder econômico ou o abuso do exercício de ifunção, cmgo ou emprego na administração .direta
ou indireta”.
Pode-se asseverar, indubitavelmente, que a medida tem por finalidade impedir que o candidato
se utilize indevidamente do cargo, emprego õ u função que ocupa em proveito pessoal ou de sua
família e isso gere um desequilíbrio de forças no processo eleitoral.

1 .3 .3 .3 .3 . H eterodesincom patibüização e autodesin com patibilização

I) H eterodesincom patibilásação
É o afastamento da pessoa de determ inado cargo, emprego ou função que ocupa com
vistas a permitir a candidatura de um terceiro, qual seja, um parente dele p o r consanguinidade
ou afinidade, . ,

> EX EM PLIFIC A Ç Ã O D lD Á l ICA

SimIoc pr(.<.idi.iu(.dajtoábl'i..i ii.'iuileuiuoi lilbodc bisiln, piaciidc


si (.nuliciitii .1 C o v írju d o t<30 nii .Sihm tliqiic c me1qdniãlf|£|tiô «. Smio, mu t’enitor, m.
ck'.iiKoiiip.uibili/.ir (rcnüAcllir.i rristaên^àfl.i Repiiblic.O nu pra/udeSeis nfct%sanus du pliitu < )ioricii
na hipoitse heiuodciinçgi^p.uibili/.tyão dç Sí.silo, N.u> luveiá. lui caip,,inc|cgibilid.idc por p.miucMo.

II) A utodesincom patibilização


É o afastamento da pessoa de determinado cargo, emprego ou função que ocupa com vistas
a permitir que ela própria venha a pleitear determinado cargo eletivo.

128
C apitu lo I I I . DIREITOS P OLITICOS

► E X E M P L IFIC A Ç Ã O DIO/VI IC A

S is ife e p jp s id e n ic d a it c i > I’ l i u i d i It IUI iiii> p lò iio ir o I I ijo d c t in v im iid o r d o b jir a d o d o


^ Piaui/pAige a Coni>iCRii^áQ« a L ( ^n " M I9 0 q iic ilc sc aiasic .1 d c f ín M v i m im r d ir n . i d t iiiiid a R e »
i IS nil. s diiiLS i Im ]il' no, so b pen,I de inclcf;ibilid,idc. 1lá .iiitodcsini iiin p ililiiliu ^ ui i oiii i reniiULid di
Sisiio p .itaq u ee lL sc (.andidaic a o u tio L,irgo, 110 i,ISO, G o v e rn ad o r d o lu ta d o ^ '

I.3 .3 .3 .4 . D esin com patibilização d efin itiv a e tem p o raria

I) D esin com patibilização d efin itiv a (ren ú n cia ou exon eração)


Para a chefia do Executivo e respectivos cargos ou funções de confiança (Ministros de Esta­
dos ou Secretários Estaduais, por exemplo), a lei exige um afastam ento definitivo (renúncia ou
exoneração). É a chamada desincompatibilização definitiva.

► E X EM PLI Id CAÇÃO D ID Á T IC A

^ Máyib'.é P re^ ||o d a C ldadi de l-loi i.inópoli.s. D eseja se can didaditii^G ovctnador do Ê stado de Santa
/-C aiarin aiA ’Ici exigf q u o ele ren n i i , se .il,isii drfiiiitiv.aiiicnte d a chefia d o Executivo:ixiunicipal
:io pi.’ io dc su s h jífe s antes d.i icspcuiv.i eleição. . -

II) D esincom patibilização tem porária (licença)


A desincompatibilização temporária dar-se-á nas hipóteses em/que a lei exi^r do ocupante de
cargo, emprego ou função apenas o seu afastamento provisório (temporário). Para ser candidato,
o indivíduo não precisa renunciar, mas, tão-somente, pedir licença. ,

> EX EM PLIFIC A Ç Ã O D ID Ã I ICA

liielio < s'doi olicp estatiii.iri' ■u i -ne .'idmiaistr.iiis-o) de úrgão d,i A t'm
. r., dl, l'si ,'i. do Ib. iiiiins. Dcscj.i rli i e , , rgo dc D ip iitad o i-st,idu,d. O pr.i/o de
iiti!'.'i .içáo p i. 1 o em ( I .C n » l S < ! / y O ) . antes do p ie i'o gar.iii.ido o
d o s s e i i s v e i i c i .1. lio s I •errais.

1.3.3,3‘5. Tabela resum o de desin com patibilização


Por questão de espaço, ijesolvemos inserir uma tabela resumida ou quadro geral de desin­
compatibilização no Anexo III, o que remetemos o leitor.

1.3,4, R eelegibilidade

1,3.4.1. Conceito
k Na lição precisa de Uadi Lammêgo Bulos^^, “reeleição é a possibilidade de o titular do mandato
eletivo pleitear nova eleição para o próprio cargo que estava ocupando. Ê também chamada de
recandidatura, pois o candidato à reeleição candidata-se, sucessivamente, à função que já exerce” .

29. BU LO S, U adI Lam m êgo. Curso de direito constitucional. S ã o P a u lo ; S a ra iv a , 2 0 0 7 , p. 6 8 1 .

129
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

A rcelegibilidade é a faculdade assegurada a titulaE.de mandato a concorrer ao mesmo cargo


eletivo que já ocupa com ou sem necessidade de afastamento ou desincompatibilização.

1.3.4.2, H ipóteses constitucionais


Todas as constituições brasileiras, inclusive a de 1988, proibiram a reeleição para cargos
eletivos do Poder Executivo.
Aos ocupantes de cargos do Legislativo, contudo, sempre foi assegurado o direito de recan-
didatura.
A EC n ° 16/97 passou a permitir que Presidentes da República, Governadores de Estado e
do Distrito Federal, os Prefeitos, assim como os seus substitutos ou sucessores, concorram à ree­
leição para um único segundo mandato consecutivo, sem necessidade de desincompatibilização.
C om efeito, assim estão redigidos os §§ 5“ e 6 ° do art. 14 da Constituição Federal, acres­
centados pela EC n° 16/97, in verbis-.
• O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos
e quem os houverem sucedido ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos
para um único período subsequente (§ 5°); e
• Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado e
do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses
antes do pleito (§ 6°).

► IN D A G A Ç Ã O D ID Á T IC A

T íc io , prefeito d a ( icUdc dc Salv ad o r/B A , p o r dois mandatos consecuti'j^s^ tníiufcriu o'^


cíiio eleito ral p ara a ci^ É d c d e Ilh é u s/B A , u m ano antes da eléiçáo m u n l i ã j^ t ^ í é i o i « I'
ou inelegível p.ir.i 1’ do novo dom icílio?
U ',|'o s n . l i u o í el p tra o i ugo tk Prefeito de Illieus/BA
T.il fenômeno passo conhecido no m undo juridico.brasileiro com o ‘
. , ^ » 0 TSE fixou cnteni ento segundo o qual é vedada a tec!eição. de prefeÚ 1 urnsitefceito

rn ^ d a to consecutivo, .aim ue em cidade diversa daquela onde ele exetceu.o carg & f c it o |iq |; duas
vezesí A decisão está assi rada;
RECURSO I^ E C IA L ELEITORAL. MUDANÇA D E DOMICÍLIO ÊIÍITORAL. ‘^RE-
FEriO miMBRANTE”. EXERCÍCIO CONSECUTIVO DEMAIS DEDÍ0IS MANDATOS
DE CHEFlÀDiO EXECiraVO EM MUNICÍPIOS DIFERENTES, IM ^ S IB IL ID A D E
INDEVIDA PERPETUAÇÃO NO PODÉR. OFENSA AOS §§ 5» E 6? DO ART. 14 DA
C O N Sm U lÇ Ã O DA REPÚBUCA NOVA JURISPRUDÊNCIA DO TãE.
N ão V pod e^^^d ian te a p rática de ato form alm ente licito (m udança de dom icilio elêitom l),
alcançar jin a li^ d e s tncom pativeis com a Constituição: a perpetuação no poder e o apoderam entokd
de u n id ad esj^ e rad as p ara a form ação de clãs políticos ou hegem oniasfam iliares, * /
p p rin cíp io republicano está a inspirar a seguinte interpretação basilar dos §§ 5^ e 69 do art. 1 4
d a C arta P olítica: somente c possível eleger-se p a ra o cargo de^frefeito m um cipal"por.duas vezesí
consecutivas. Após isso, apenas permite-se, respeitado o prazo de desincom paubilizaçâo die 6 meses,
d candidaiúÍA ia fo u tro cargo’\ ou seja, a niàndató legislativo, ou aos cargos de G overnador de
Estado w de ^ s id e n te d a R ipública; não m ais de Prefeitp M unicipal, p o i tanto
; N ova q^Í€tiM 0p jurispruden cial do T ribu n al Superior E leitprdlffirn iada no Respe 3 2 .5 0 7 CISE» ■
Recurso Éspecihí E leitom l3 2 .5 3 9 , P alm eira dos índios!Á L, R elator M arcelo H enrtqttes Ribeiro
de OiiveirÁ,^^publicado em sessão, j . em i7 .1 2 .2 0 0 B f

1 30
Capítulo III •DIREITOS POLÍTICOS

. a«»A>W5i. , ■ .•.«-
. ‘ ‘ “ turno, re co ^ tg !t^ % ^ ^ r(fisfãp g eral d a 7n atíirift^ i^ firm o u a nova orientação
‘i esfostfda pelo T SE ao d e c ld t ff i^ ^ ^ ^ e io fia l U.J>rdtica intitulàdit Pprefeito itinerante" (S T F ,
s ■,, SE6Sm5mj.reLMin.Gitnu,rÍde«de,.j,^mlSÇl$M^^^
1‘ y F m lííiif e íif ílS a nova o r i e n t a ç ^ ^ ^ l ^ ^ á f i í í ^ l í S T S ^ I i  ^ S ^ ^ - s e vetada a prática do ,í-'
É ^ ^ d p p ffliàsil. ■ ................ .
\ T í c i d e s t í . d c i j f t e . in e le g ív e l p a nandato contecutivo J e p rdeko.

1.3.5. Privação dos direitospoU ticos


1 .3 .5 .1. Introdução
j, , Em um estado democrático de direito, apenas em casos excepcionais se admite a privação
í^effnitiva (perda) ou temporária (suspensão) do exercício da cidadania do indivíduo.
*í N o Brasil, a Constituição Federal de 1988 (incs. I a V do art. 15) vedou a cassação dos
'direitos políticos, mas estabeleceu os casos de perda e suspensão sem, no entanto, distingui-los.

1.3.5.2. H ipóteses legais


Coube à doutrina elencar as hipóteses de suspensão e perda dos direitos políticos, eis que a
CF, conforme dito acima, não o fez.

I) Cassação
jft'. ' fI*
É expressamente vedada a cassação de direitos políticos no Brasil (CF, art. 15, caput).
ví Ocorreu, por exemplo, quando da vigência da Constituição Federal dc 1967, com a edição do
Ato Institucional n° 5’° (AI-5, art. 5°) pelo Governo Militar, que cassou, por ato administrativo,
õs direitos políticos de inúmeros brasileiros.
.>t-
V ://; Perda
A perda é a privação definitiva dos direitos políticos.
A doutrina não é uníssona em elencar as suas hipóteses de ocorrência, mas entendemos que
são as seguintes:

A) Cancelam ento de n atu ralização p o r sentença tran sitad a em ju lg ad o , p o r


p rátic a de atividade nociva ao interesse n acion al ( CF, art. 1 5 ,1).
Sendo cancelada a naturalização do indivíduo, este voltará à condição de estrangeiro. Em
tal ocorrendo, ficará privado definitivamente do exercício dos direitos políticos no Brasil, eis que
não mais gozará do “status” de brasileiro.

30. o Al nv s foi o quinto de uma série de decretos editados pelo governo militar pós-1964. Foi lançado em 13.12.1968,
durante o governo do General Costa e Silva. Dava poderes extraordinários ao Presidente da República, suspendia
diversas garantias constitucionais e cassou os direitos politicos de inúmeros brasileiros. Na realidade, o AI-5 foi
escrito em represália à decisão da Câmara dos Deputados, que negou licença para processar o Deputado Federal
Márcio Moreira Alves por um discurso inflamado no qual questionava até quando o Exército abrigaria torturadores
e pedia aos brasileiros que boicotassem as festividades de sete de setembro. A primeira consequência do Al-S foi
o fechamento do Congresso Nacional pelo prazo de um ano.

131
CURSO DE DIREITO ELEITORAL-Roberto Moreira de ^/meWo

B ) A quisição de outra nacionalidade p o r n aturalização voluntária ( CF, art. 12,


§ 40, 11)
O brasileiro que, por ato voluntário, adquirir outra nacionalidade passará a ser classificado
como estrangeiro e, assim, ficará inalistável e privado definitivamente do exercício dos direitos
políticos ativos e passivos no Brasil.
A Constituição (art. 12, § 4°, II, “a” e “b”), entretanto, fixou duas exceções ao regramento
em epígrafe, ou seja, não perderá a nacionalidade brasileira aquele indivíduo que adquirir outra
nacionalidade em virtude de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira ou de
imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente no exterior, como condição
para permanência em seu território ou p ara o exercício de direitos civis.

► I N I O R M A Ç Ã O D lD A T I C A

H ipótese d e p c td a dos direitos


sã Alexandre de ^O í^es postula a te. um 1 (lim a lu sj de pcrd.i dos d iieitos políticos
Seria a bipótese d ílfe tu r a liz a ç ã o do I a ser amil.id.t por decisão judicial transit.ida cro
julgado em ra zao |âi^ étâ[erm , dolo, coi( ^ simulação) A .iiiulação d.i natuialiisifáo levaria o
indivíduo ã c o n i% ^ p f |i^ ^ n g e ir o c, do exercício dos direitos polítíct» n o BiasiLC

III) Suspensão
A suspensão é a privação temporária dos direitos políticos do cidadão. Configura-se nas
seguintes hipóteses:

A) Incapacidade civil absoluta (C F, art. 15, II)t


O indivíduo que era interditado por incapacidade civil absoluta, por sentença judicial tran­
sitada em julgado no âmbito cível, ficava privado, enquanto não cessado o motivo da interdição,
do exercício dos direitos políticos no Brasil.
Eram absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: I) os menores
de dezesseis anos; II) os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário
discernimento para a prática desses atosj e III) os que, mesmo por causa transitória, não puderem
exprimir sua vontade (Código Civil, art. 3°, ines. I a III).
Todas essas causas, exceto a menoridade, deveríam ser reconhecidas por sentença judicial
transitada em julgado para ensejarem a suspensão dos direitos políticos.
Com o advento da Lei n.“ 13.146/15, são apenas absolutamente Incapazes de exercer pes­
soalmente os atos da vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos, os quais, pelo simples critério
etário, já estavam fora do processo eleitoral.

B ) Condenação crim inal tran sitada em julgada^‘ (C F, art. 15, III).


A pessoa que sofrer condenação criminal transitada em julgado fica privada, enquanto perdu­
rarem os efeitos da condenação, do exercício dos direitos políticos. A propósito, dispõe a Súmula

31. Poderá a condenação criminal transitada em Julgado ou por órgão colegiado gerar a inelegibilidade por 8 (oito) anos.
Nesse sentido, vide o art. 1®, inc. I, alínea "e", da LC ns 64/90, com as alterações da LC n? 135/10 (Lei da Ficha Limpa).

132
Capftulo III • DIREITOS POLITICOS

n ° 9 do Tribunal Superior Eleitoral, “a suspensão dos direitos políticos decorrente de condenação


criminal transitada em julgado cessa com o cumprimento ou a extinção da pena, independendo
de reabilitação ou de prova de reparação de danos”.
Por seu turno, a suspensão dos direitos políticos por condenação criminal transitada em
julgado permanece ainda que a pena privativa de liberdade seja substituída por pena restritiva
de direitos. Nesse sentido, o seguinte julgado: “A substituição da pena privativa de liberdade por
restritiva de direitos não impede a suspensão dos direitos políticos. N o julgamento do R E 179.502/
SP, Rei. Min. M oreira Alves, firmou-se o entendimento no sentido de que não é o recolhimento
do condenado à prisão que justifica a suspensão de seus direitos políticos, mas o juízo de repro-
vabilidade expresso na condenação.” (STF, R E 577.012-AgR, Rei. M in. R icardo Lew andow ski,
julgamento em 9-11-2010, Primeira Turma, D JE de 25-3-2011.).

► IN D AGA ÇÃO D ID Á TIC A

\~^ H.I suspensão dos direitos políticos cm casos dc transarão penal, s u sp e n sã o c o n d ic io n a l d o


piiiicsso t siispeiis.iii itiiidicional da pena (suisis)?
a n ira n sa 5 á o p c n a l. 0 ben ern.iod.itr.iiis.içãopcn.il(lx,ii''*> 0 *i‘)/ 0 s i r i 7 b )n S 0 u ili'isR .« in lu r iiça
condcii ■ ri • i il< > u • ii n i ' muco despcnalirador. D estarte.nãogctastlsper^ddtW .dllcIn^^olítíclòs;
bi Siispinsiii >iiiidiiloiial do processo (snrsisprocessual), 1-m,í jiievLsto iiir,ir( 89 dti I.ei n°
9 099/91 r.imbêm i. insiiti ro d(.sp<.ii.ili/.idoi. O beneficiado não iir.i a ai. pen lo du ■ d licitu jm llticos; e
r) S u sp e n sã o c o n d ic io n a l d a p e n a (sw rsrs). E stá in seri 1 no tri 7 " d o C A digo Ps ii it O b c iie -
'I M iio e r M M recebi se n ten ça pen al co n d en ató ria trai) n ad a rn i ju lg a d o . E n q u a n to d u ra re m
o s efeitos d a co n d en ação e s n r ã õ s u ^ p e h s o s Jp e lo jn e im o p r.u o . <> liic in p olíticos

C) JBsçusa de consciência (CF, art. 15, IV ) ,


Ficará com os direitos políticos suspensos o brasileiro que se recusar a cumptíÉ.(òu não realizar
por completo) obrigação a todos imposta e prestação alternativa, fixadas em lei, alegando escusa
de consciência (convicção religiosa, filosófica ou política).
Existe um dissenso doutrinário sobre se a escusa de consciência seria caso de suspensão ou
perda dos direitos políticos.
Alexandre de Moraes, Pedro Lenza, José Afonso da Silva, Manoel Gonçalves Ferreira Filho
e Celso Ribeiro Bastos entendem que é caso de privação definitiva (perda) dos direitos políticos.
Já Sylvio Motta, William Douglas, Joel José Cândido, Marcos Ramayana, Francisco Dirceu
Barros, Thales Tácito Cerqueira e Camila Albuquerque Cerqueira classificam a hipótese com o de
suspensão dos direitos políticos.
Entendemos que é caso de suspensão dos direitos políticos.
Com efeito, a partir do advento da Lei n“ 8.239, de 04/10/1991, que veio a regulamentar o
art. 143, §§ 1“ e 2 ° da Constituição e dispor sobre a prestação do serviço militar obrigatório, não
há mais dúvidas de que a hipótese é de suspensão e não de perda dos direitos políticos.
; De fato, vejamos o que dizem os arts. 3 ° e 4 ° da Lei n° 8.239/91:
An. 3". O Serviço M ilitar inicial e-obrigatirio a todos os brasileiros, nos termos da lei.
§ 1°. Ao Estado-Maior das Forças Armadas compete, naforma da lei e em coordenação com os Ministérios
Militares, atribuir Serviço Alternativo aos que, em tempo de paz, após alistados, alegarem imperativo

133
C U R S O DE DIREITO E i m O R A l - R o b e r t o Moreira de Almeida

de consciência decorrente de crença religiosa ou de-convicção filosófica ou política, para se eximirem de


atividades de caráter essencialmente militar.
§ 2®. Entende-se por Serviço Alternativo o exercício de atividade de caráter administrativo, assistencial,
filantrópico ou mesmo produtivo, em substituição às atividades de caráter essencialmente militar.

Art. 4^. Aofinal do período de atividades previsto no § 2 ° do art. 3 ° desta Lei, será conferido Certificado
de Prestação Alternativa ao Serviço M ilitar Obrigatório, com os mesmos efeitos jurídicos do Certificado
de Reservista.
§ 1^. A recusa ou o cumprimento incompleto do Serviço Alternativo, sob qualquer pretexto, por motivo
de responsabilidade pessoal do convocado, implicará o não fornecimento do Certificado correspondente,
pelo prazo de 2 (dois) anos após o vencimento do período estabelecido.
§ 2®. Findo 0 prazo previsto no parágrafo anterior, o Certificado só será emitido após a decretação, pela
autoridade competente, da suspensão dos direitospolíticos do inadimplente, quepoderá, a qualquer tempo,
regularizar sua situação mediante cumprimento das obrigações devidas.

o jtSri p o p u lar, n o s tem u^


to d o s im p o sta. O i n d i v i d ^
fícàrá co m o s d ire ito s p ò § á i
S i m . 'Ó í ú t i p o p u l a r é u i ú f É l n r - repercutirá na
s u s p e n s S o 't i o s d ir e it o s p o ;ía . ■

N e s s e s e n t id o , re za o a r t . 4 3 8 q u e, a p ó s o ad v en to < I d e ju n h o d e
2 0 0 8 , p a s s o u a c o n t a r c o m a s e g u in t e r e d a ç á o ts ttS
í ' f';. “*
Art. 4.58. A recusa ao serviço dojh
1( tara no dever d ep r^ ^ ^ tv iço attii
não prestar 0 serviç,
1 !•'
§ 1“ Entende-se pot SérPiço alteriç ámtmstratfvòii
assistencial, fUantrdpfCO ou mesmo i
Ministério PúblkdW^im entidade |
..................
0 ju iz fixará 0.serviço alter
2.®. Ifttlpij^idk^prpporcipnalidade e da .
razoabiltdade. .y

to d o s

D ) Im probidade adm inistrativi^^ (C F, art. 15, V)


A p r á t ic a d e a to s d e im p r o b id a d e a d m in is tr a tiv a , d e a c o r d o c o m o q u e d is p õ e o § 4 ° d o a rt.

3 7 d a C a r t a d e 1 9 8 8 , a o la d o d e r e p e rc u tir n a p e r d a d a fu n ç ã o p ú b lic a , n a in d is p o n ib ilid a d e d o s

Para suspender os direitos políticos é preciso que haja o trânsito em julgado da sentença condenatória em ação civil
pública por ato de improbidade administrativa. A LC n® 135/10 (Lei da Ficha Limpa) estabeleceu, conforme estudado
supra, contudo, que a condenação em primeira instância transitada em julgado ou por órgão colegiado (m esm o sem
trânsito em julgado) por prática d e ato d oloso de improbidade administrativa que importe lesão a o patrimônio público
ou enriquecimento ilícito gera inelegíbilidade d o infrator desrle a condenação até 8 (oito) anos após o cum prim ento
da pena, nos termos da LC ns 64/90, art. 1®, inc. I, alínea *T, conform e redação dada pela LC n® 135/10.

134
Capítulo III •DIREITOS POLITICOS

'.bens e no ressarcimento ao erário, gera a suspensão dos direitos políticos pelo prazo fixado em
; l,ei, sem prejuízo da ação penal cabível.
A Lei de Improbidade (Lei n“ 8.429, de 0 2 /06/1992) estabelece os seguintes prazos de
suspensão dos direitos políticos;
. I i) se o ato de im probidade im portar enriquecim ento ilícito (art. 9 .“): oito a dez anos:
” ; I ii) se o ato de im probidade causar prejuízo ao erário (art. 10): cinco a oito anos; e
í iii) se o ato de im probidade atentar contra os princípios da adm inistração pública (art.
11): três a cinco anos.

► IN D AGA ÇÃO D ID Á TIC A

Qual a distinção entre suspensão dos direitos políticos einclcgíbilídade?, '.;,.;,!


A d is tin ç ã o £ .sim ples. A s u s p e n s i o d o s d ire ito s p o lí t i c o s .it in g c t;imo a c a p a c id a d e e lc it o r a la t iv a
(d ir e it o d e votar) q u a n t o a c a p a c id a d e e le iio i.il pas,siva (d i r e i t o d e ser \ niado). A in q lc g ija ilid a d e , d iv e rs a - :
r e s p iílg e a jie n a fiji c a p a c id a d e .e le ito ra l pa,ssiy^',(ç|i^reijfy d e .s e r votado). ^
r Em resumo, a pessoa com os direitos políticos stfSpmoí,i durante o prazo da suspmsáo.mo poderá votar
lé^trOh^ a sirthotadaiméisujeito inelegioel, durante ô’^iÍíúdo >ddPuk vigmeta, poderd'voiar, mas não estará
apto d vir a ser votado, ' '

1,3.6, D ireitos políticos dos m ilitares


O militar” , enquanto em serviço ativo, embora alistável, não pode se filiar a partido político
(CF, art. 142, § 3°, V).
N ão obstante a vedação constitucional, ao militar foi concedido o direito de se candidatar.
Com o deverá fazê-lo, já que náo pode se filiar a partido político?
A resposta foi dada pelo Tribunal Superior Eleitoral, com a edição da Resolução n° 20.100/98^'',
cujo § 1 ° do art. 4“ está assim redigido: “Ao militar candidato basta o pedido de registro da can­
didatura, após prévia escolha em convenção partidária (C F arts. 14, § 8°, e 42, § 6“)” .
Observa-se, destarte, que o militar, mesmo não estando filiado a qualquer partido político,
ressalvado o conserito (pessoa inalistável e inelegível), poderá participar de convenção partidária
e, uma vez escolhido candidato, vir a ser registrado perante a Justiça Eleitoral.
O militar alistáveP’” *' e elegível ficará sujeito a afastar-se ou a se agregar no momento do
pedido de registro de candidatura, nos seguintes termos:

33. Lembre-se de que ao conserito são vedados os direitos de se alistar eleitor, votar e ser votado.
34. Ac. 11.314, de 30.08.90, Rei. Min. Octávio Gallotti.
35. 0 militar da reserva não está submetido às regras do art. 14, § 8®, da CF. Com efeito, ele deverá ter filiação partidária
regular, tal qual os demais cidadãos civis. Com efeito, o § 2^ do art. 12 da Resolução TSE n® 20.993 permite apenas
ao candidato militar da ativa 0 direito ao registro na forma estatuída no texto consbtucional. No mesmo sentido,
Ac.-TSE ns 11.314, de 30.8.90.
36. O militar que exerce função de Comando (coronéis), uma vez candidato, deve se afastar da atividade militar seis
meses antes do pleito (TSE, Acórdão 12.913/92), salvo se candidato a Prefeito ou VIce-Prefeito (neste caso D prazo
de desincompatibilização é de quatro meses), Se não exerce função de Comando, o prazo de desincompatibilização
é de três meses para Prefeito, Vice-Prefeito ou Vereador.

135
CURSO DE DJISITO ELEITORAL - Roberta Mordra de Almeida

a) se contar menos de 10 (dez) anos: deverá afastar-se definitivamente’ ^^ d a atividade; e


b) se contar com mais de 10 (dez) anos de serviço: será agregado pela autoridade superior
e, uma vez eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade. N ão sendo
eleito, retornará à atividade.
Uma vez deferido o pedido de registro de candidatura de militar, o Juiz Eleitoral deverá
informar tal decisão ao Comandante da Unidade Castrense. Nesse sentido, dispõe o § 4 ° do
art. 16 da Resolução T S E n® 22.717/08, in verbis: “defhido o registro de m ilitar candidato,
o Ju iz E leitoral com unicará im ediatam ente a decisão à àutoridode a que o m ilitar estiver
subordinado, cabendo igrm l obrigação ao partid o politico, quando o escolher candidato".

1.3.7. D ireitos politicos dos m agistrados


Os magistrados nunca estiveram obrigados a cumprir o prazo de 1 (um) ano de filiação
partidária.
Estão proibidos, enquanto na ativa, todavia, de acordo com o inc. III do parágrafo único do
art. 95 da Lei Maior, de dedicar-se à atividade político-panidária.
Precisam, destarte, para concorrerem a cargo eletivo, se abistar definitivamente do exercício da
magistratura (por aposentadoria ou por pedido de exoneração), nos termos do n .° 8 da alínea “a”
do inc. II do art. 1.° da LC n.“ 64/90, no prazo de seis meses antes da eleição (quaisquer cargos,
exceto Prefeito e Vice-Prefeito) ou 4 (quatro) meses antes do pleito (para Prefeito ou Vice-Prefeito),
lapso temporal no qual deverá providenciar a filiação partidária.

1.3.8. D ireitos politicos dos membros de Tribunais de Contas


Aos membros de Tribunais de Contas (Ministros do T C U e Conselheiros dos T C E e T C M )
foram fixados os mesmos regramentos para a tha^tratura, ou seja, devem se afastar defínitivamente

37. o militar, com menos de 10 anos de serviço, deve alastar-se definitivamente da atividade quando concorrer a cargo
eletivo, à luz do que dispõe o art. 14, § 8», I, da CF ("§ 8« - 0 militar alistável é elegível, atendidas as seguintes con­
dições; I - se contar menos de dez a nos de serviço, deverá afastar-se da atividade"). Essa a conclusão do Plenário
ao prover, por maioria, recurso extraordinário, a ele afetado pela 2^ Turma, interposto contra acórdão em que
determinada a reintegração no serviço ativo, com o ressarcimento das vantagens devidas, de ex-servidor militar
que fora demitido "ex officio", por ter pleiteado afastamento para candidatar-se ao cargo de vereador quando
possuía menos de 10 anos de serviço - v. Informativo 343. Considerou-se que o entendimento do acórdão recorrido
caracterizaria ofensa ao mencionado preceito constitucional, ao equiparar as situações definidas em seus incisos I
e II, apesar de diversas. Realçou-se, no ponto, que a Constituição, claramente, separaria a hipótese do militar com
menos de 10 anos de serviço ativo (inciso I), que corvorre a cargo eletivo, daquela do militar com mais de 10 anos
(inciso II) (STF, R E 279469/RS, rei. o rig. M in . M a u r íd o Corrêa, rei. p / o acórdão M in . C e ia r Peiuso, 16.3.2011).
38. O militar, com menos de 10 anos de serviço, se não se afastar definitivamente da atividade, a pedido, deverá
ser afastado por conveniência do serviço. Nesse sentido, o seguinte julgado: "EMENTA: SERVIDOR PÚBLICO.
MIUTAR ALISTÁVEL. ELEGIBILIDADE. Policial da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, com menos de 10 (dez)
anos de serviço. Candidatura a mandato eletivo. Demissão oficial por conveniência do serviço. Necessidade de
afastamento definitivo, ou exclusão do serviço ativo. Pretensão de reintegração no posto de que foi exonerado.
Inadmissibilidade. Situação diversa daquela ostentada por militar com mais de 10 (dez) anos de efetivo exercício.
Mandado de segurança indeferido. Recurso extraordinário provido para esse fim. Interpretação das disposições
do art. 14, § 8v, incs. I e II, da CF. Voto vencido. Diversamente do que sucede ao militar com mais de dez anos
de serviço, deve afastar-se definitivamente da atividade, o servidor militar que, contando menos de dez anos
de serviço, pretenda candidatar-se a cargo eletivo" (STF, Plenário, RE n.e 279.469, Rei. p/ acórdão Min. Cezar
Peiuso, j. 16.03.2011).

136
C a p ítu lo III • D IREITOS POLITICOS

do cargo respectivo, no prazo de 4 (quatro) meses antes da eleiçáo (para Prefeito ou Vice-Prefeito)
ou 6 (seis) meses antes da eleiçáo (para qualquer outro cargo eletivo), lapso temporal no qual
deverão providenciar a filiação partidária.

1.3.9- D ireitos políticos dos m em bros do M in istério P ú b lico


Após 0 advento da Emenda Constitucional n. 45, aos m em bros do “ Parquet” aplicam-se as
mesmas regras de inelegibilidade destinadas aos magistrados.
Devem, se quiserem se candidatar a cargo eletivo, se afastar definitivam ente da instituição,
por aposentadoria ou exoneração.
Nesse sentido, decidiu o egrégio Tribunal Superior Eleitoral*’ , in verbis-.
“Consulta. Exercido de ativ id ad e poU tico-partidária, Prom otor d e ju stiç a . E leições 2 0 0 6 .

1. N ão-conherím ento:Escapa à com petência d a Ju stiç a E leito ral

2 . Os m em bros do M in istério P úblico, p o r estarem subm etidos à ved ação co n stitu cio n al d e filia ç ã o
p artid á ria , estão dispensados de cum prir o p razo de filia ç ã o fix a d o em le i o rd in á ria , devendo satisfazer
ta l condição de elegibilidade a té seis meses an tes d m eleições, d e aco rd o com o a rt. 1 °, inciso II , letra
j , d a L C n " 64190, asseverando ser o prasso de filia ç ã o dos m em bros d o M in istério Público o mesmo
dos m agistrados.

3 . O p razo p a ra desin com patibilização dependerá do cargo p a r a o q u a l o can d id ato concorrer, prazos
previstos n a L C n“ 6 4 1 90."

N E: com o advepto d a E m enda C on stitucion al n " 4 5 , a situ ação dos m em bros do M inistério Pú­
blico d a União fic a corno a d os m agistrados, q u e p a ra dedicar-se à a tiv id a d e p o lítico -p artid ária, h á de
desvincular-se definitivam ente de suas Junções".

Àqueles que ingressaratn na carreira antes do advento d a C on stitu ição Federal de 1988, ou
seja, antes de 5 de outubro de 1988, porém, desde que tenham íêito op ção pelo regime anterior'” ,
será permitida a candidatura a cargos eletivos, respeitados os prazos d e desincompatibilização
previstos na L C n“ 64/90. Essa ressalva veio contida no art. 2 9 , § 3 ° , d o A to das Disposições
Constitucionais Transitórias'*!.
Havia, a ])ropósito, uma corrente intermediária, então acolhida pelo C onselho Nacional do
Ministério Público (Resolução n ° 5/2004), a qual reconhecia o direito adquirido à candidatura
dos membros do MP, desde que tivessem ingressado no cargo antes de 3 1 .1 2 .2 0 0 4 (advento da
EC n ° 45/04). Essa corrente, todavia, não foi acolhida pelo Tribunal Superior Eleitoral, o qual
decidiu por não admitir direito adquirido a regime jurídico (T S E C T A n ° 1153).
Por fim, seja em caso de licença, exoneração ou aposentadoria, o m em bro do MP, para con­
correr a cargo eletivo, nunca precisou de um ano de filiação partidária, m as prazo menor idêntico
ao fixado para os magistrados [quatro meses (Prefeito e Vice-Prefeito) e seis m eses (demais cargos)].
Nesse sentido, a seguinte Consulta oriunda respondida pelo T S E :

39. Conf. Res 22.012, de 12.4.2005, rel. M in . Luiz C arios M adeira. N o m e sm o se n tid o a Res. 22.015, d e 17.5.2005, rei.
M in. Caputo Bastos.
40. A opção pode ser feita: a ) para m e m b ro s d o M P U ; até d ois a n o s d o a d v e n to d a LC na 7 5 /9 3 ; e b) para m em b ros
d o M P d o s Estados; a qualquer te m p o (T Í e , RO na 1.070/05).
41. "Poderá optar pelo regim e anterior, n o que respeita à s garantias e v a n ta ge n s, o m e m b r o d o M in istério Público
adm itido antes da prom ulgação d a Constituição, observando-se, q u a n to à s v e d a ç õ e s, a situ aç ão juridica na data
desta" (art. 29, § 3«, ADCT).

137
CU RSO DE DIREtTO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

E M EN TA . CO N SU LTA . D E SIN C O M P A T IB IL IZ A Ç Á O . F ÍL U Ç Ã O P A R T lD Á m A . E L E IÇ Õ E S
2 0 1 Z M E M B R O D O M IN IST É R IO P Ú B L IC O E ST A D U A L IN G R E SSO . P O ST E R IO R ID A D E
C O N ST IT U IÇ Ã O F E D E R A L D E 1 9 8 8 . A FA ST A M E N T O D E F IN IT IV O . C A R G O P Ú B U C O .

1. A ju risp ru d ên cia do T ribu n al Su p erior E leito ral é no sentido de que membro do M in istério P ú­
blico E stad u al que ingressou n a in stitu ição depois d a C onstituição Federal de 19 8 8 e an tes d a E C n^
4 5 /2 0 0 4 deve se a fa sta r definitivam ente d e seu cargo público p a ra concorrer a eleições (R O n ° 9 9 3 /
AP, R ei M inistro C ESA R A SFO R R O C H A , p u blicad o na sessão de 2 1 .9 .2 0 0 6 ). C onsulta respondida
positivam ente.

2 . Os membros do M inistério Público E stad u al se submetem à vedação constitucional defiliação p artid ária
(E C n ° 4 5 /2004). N o entanto, an te essa vedação, o p razo de filiaç ão p artid ária p a ra os que pretendam
se can didatar nas eleições de 2 0 1 2 , dependerá do prazo de desincom patibilizaçâo exipdo ao membro do
M inistério Público em geral, conforme o cargo que pretenda disputar, se fo r p ara prefeito, 4 (quatro) meses
(artigo P , inciso IV, alín ea b, d a L C n ° 6 4 /9 0 ), se fo r p a ra vereador,6 (seis) meses (artigo 1^, inciso VII,
alín ea a . d a LC n^' 6 4 /9 0 ) (T S E - C ta: 1 5 0 8 8 9 D F, R elator: M in. G IL SO N LAGARO D IPP, D ata
de Julgam ento: 13/10 /2 0 1 1 , D ata de P ublicação: D JE - D iário d a Ju stiça Eletrônico, Tomo 2 2 2 , D ata
2 5 /1 1 /2 0 1 1 ,p . 5 1 ).

1.4. Político Ficha Limpa

1.4.1. Origem
Em abril de 2008, foi lançada a Cam panha Ficha Limpa.
O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (M C C E ), com o afã de melhorar o perfil
dos candidato.s a cargos eletivos no Brasil, elaborou um projeto de lei de iniciativa popular des­
tinado a alterar a LC n° 64/90 e incluir novas hipóteses de inelegibilidade, em especial daqueles
indivíduos já condenados em processo administrativo ou judicial (órgão colegiado ou decisão de
primeiro grau transitada em julgado).
O M C C E , após colher o apoio de mais de um milhão e trezentos mil eleitores brasileiros, de
todos os estados da federação e do Distrito Federal, entregou, nas mãos do Presidente da Câmara
dos Deputados, deputado federal Michel Temer, o projeto de lei de iniciativa populat intitulado
Ficha Limpa.

1.4.2. L e ^ la ç â o
O projeto de lei Ficha Limpa, alterado em sua essência por diversas emendas parlamentares,
foi aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Presidente da República Luiz Inácio
Lula da Silva, dando origem à Lei Complementar n ° 135, de 4 de junho de 2010, publicada no
D O U em 7 de junho de 2010.

1.4.3. A plicabilidade im ediata


Nos termos do art. 5 ° da referida norma, a LC n ° 135 deveria entrar em vigor na data de
sua publicação, ou seja, em 7 de junho de 2010, data da publicação no Diário Oficial da União.
Surgiu, no entanto, uma acalorada discussão jurídico-acadêmica sobre a não aplicabilidade
da referida lei já para as eleições de 2010, eis que teria alterado o processo eleitoral. Tendo sido
publicada naquele ano, a aplicação imediata afrontaria o princípio da anualidade ou anterioridade
da lei eleitoral, encartado no art. 16 da Constituição Federal, segundo o qual: “a. le i que a lte ra r

138
C apítulo I I I . DIREITOS POLITICOS

0 processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição
que ocorra até 1 (um) ano da data de sua vigência”. Com o a lei foi publicada em junho de
^010 (a menos de um ano das eleições de 2010), a novel norma somente seria aplicável para as
cfeições municipais de 2012.
1 ' Em sentido diametralmente oposto, vieram os defensores da aplicabilidade imediata da norma,
o argumento de que a LC n“ 135/10 não teria alterado o processo eleitoral e que este sequer
BâVia iniciado (argumentou-se que o início do processo eleitoral ocorreria no momento do registro
t candidaturas e a L C n° 135/10 foi publicada antes de tal estágio, ou seja, em 07.06.2010).
;; A discussão foi levada à apreciação do Tribunal Superior Eleitoral, através de consulta formu-
? lá‘d a pelo Senador da República Arthur Virgílio (PSDB-AM ), vazada nos seguintes termos: “lei
I elbitoral que disponha sobre inelegibilidade e que tenha a sua entrada em vigor antes do prazo de
^ d è julho poderá ser efetivamente aplicada para as eleições gerais de 2010?”.
A consulta foi encaminhada ao plenário do T SE que, em 10 de junho de 2010, após a ouvida
,da Ilustre representante do Ministério Público Eleitoral, Dra. Sandra Cureau (Vice-Procuradora
GÍtal Eleitoral), por maioria (seis votos favoráveis e um voto contrário), decidiu que “lei eleitoral
disponha sobre inelegibilidade e que tenha a sua entrada em vigor antes do prazo de 5 de
jBlho poderá sim ser efetivamente aplicada para as eleições gerais de 2010”.
Foi relator da matéria o ministro Hamilton Carvalhido. Em seu voto vaticinou que “o pro-
cèiso eleitoral não abarca todo o direito eleitoral, mas apenas o conjunto de atos necessários ao
funcionamento das eleições por meio do sufrágio popular”. E que a novel norma não viola o art.
16 da Constituição Federal, pois não alterou o processo eleitoral já que entrou em vigor antes
do seu início.
Em 17 de junho de 2010, o T S E veio a ratificar o entendimento anterior de que a Lei da
Ficha Limpa teria aplicabilidade imediata e integral para as eleições de 2010, quando da resposta
a uma outra consulta'*^, esta formulada pelo deputado federal Ilderlei Cordeiro (PPS), vazada nos
seguintes termos:
"I) Lei eleitoral que alterar a s causas de inelepbU idade e o período de duração d a perda dos direitos
políticos, sancionada no ano d as eleições, pode ser ap licad a neste mesmo ano?

II) L ei eleitoral que alterar a s causas de inelegibilidade e o período de duração d a p erd a dos direitos
políticos, aplica-se aos processos ern tram itação iniciados antes de su a vigência?

III) L ei eleitoral que alterar as causas de inelegibilidade e o período de duração d a perda dos direitos p o ­
líticos, aplica-se aos processos em tram itação, jd ju lgado s e em grau de recurso, com decisão onde se adotou
punição com base na regra legal então vigente?

IV ) A s disposições de nova lei eleitoralpodern retroagir p ara agravar a pen a de inelegibilidade ap licad a
na fir m a d a legislação anterior?

V) A s disposições de nova lei eleitoral podem estabelecer execução de pena de perda dos direitos políticos
(inelegibilidade) antes do trânsito em ju lgado da decisão?

VI) Supondo-se que entre em vigor nova lei eleitoral, estabelecendo período m ais extenso de inelegibilidade,
devem ser aplicados aos processos j á iniciados as penas estabelecidas p ela lei vigente à época dosfato s ou a
punição estabelecida na lei nova?*'

42. CTA n s 1Í4709/DF. Consulente: D epu tad o Federal Ilderlei Cordeiro. Relator: M inistro A rnaldo Versiani. Decisão
plenária em 17 de junho de 2010.

139
CURSO DE DIREITO ELEITORAL -R o b e rto IMore/rade/Wme/do

Responderam-se, por maioria, positivamente as cinco primeiras perguntas e prejudicado o


sexto quesito.
O relator da matéria, o ministro Arnaldo Versiani, varicinou em seu voto que inelegibilidade
náo se confunde com pena e, em razão disso, não é possível dizer que a lei eleitoral, que trata de
inelegibilidade, não poderia retroagit para prejudicar alguém agravando uma situação anterior à
sua vigência. Em apertada síntese, nas palavras do insigne magistrado, “ [a Lei da Ficha Limpa]
não tem caráter penal. É uma lei para resguardar o interesse público”. E, em arremate, enfatizou
que “a lei tem aplicação imediata e atinge uniformemente a todos no momento da formalização
do pedido de registro da candidatura” . Foi acompanhado integralmente por todos os demais
integrantes do TSE , com exceção dos ministros Marcelo Ribeiro e Marco Aurélio.
O ministro Marcelo Ribeiro respondeu afirmativamente à quinta e, com ressalva, à primeira
questão. Votou também favoravelmente, porém reservando-se ao exame de cada caso concreto,
aos questionamentos de números 2, 3, 4 e 6.
O ministro Marco Aurélio, por seu turno, votou pelo não conhecimento da consulta e,
no mérito, negativameme a todos os seis questionamentos. Salientou que “uma lei que altera o
processo eleitoral não pode ser aplicada à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência,
de acordo com o art. 16 da Constituição Federal” e que “uma lei nova, em regra, não pode reger
situações passadas”. Foi voto vencido.
O Ministério Público Eleitoral foi favorável à aplicabilidade imediata da novel lei. Opinou
que “ [a nova lei se aplica] não só a situações que vierem a se configurar entre o período de 4 de
junho até a data das eleições, mas às outras hipóteses já configuradas” .
Tratando-se de matéria constitucional, a última palavra caberia, como de fiito coube, ao
Supremo Tribunal Federal.
O primeiro recurso extraordinário atacando a decisão do T S E foi ajuizado pelo ex-gover-
nador Joaquim Roriz (PSC), quando postulava o quinto mandato à frente do Executivo do
Distrito Federal.
A defesa de Roriz elencou cinco argumentos para que o S T F reformasse o entendimento
do TSE , qual seja, a aplicabilidade imediata da Lei n ° 135/10 para as eleições de 2010, a saber:
i) a nova lei violou o principio d a anualidade d as leis eleitorais, conforme determ ina o art. 1 6 d a Cons­
tituição Federal;

ii) a renúncia de R oriz ao m andato de Senador, em 2 0 0 7 , caracterizou-se como um “ato ju ríd ico per­
feito ", não podendo ser causa de inelegibilidade, p ois realizada tris anos antes de a L ei d a Ficha Lim pa
ser sancionttda;

U i) a le i d a Ficha Lim pa violou o principio d a presunção de inocência;

iv ) houve abuso do poder de le ^ slar ao se estipular um p razo de inelegibilidade na L ei d a Ficha Lim pa


que viola o principio constitucional d a proporcionalidade; e
v) 0 indeferimento do registro da can didatura afronta o principio constitucional do devido processo legal.

O recurso extraordinário foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal e teve a relatoria


do Min. Carlos Ayres Britto.
Após um empate histórico, quando cinco Ministros entendiam pela aplicabilidade imediata
da Lei da Ficha Limpa e outros cinco votavam pela não aplicabilidade da novel legislação para as
eleições de 2010, o julgamento foi suspenso.

1 40
Capítu lo I I I . DIREITO S POLITICOS

Dias após a realização de aludida sessão plenária, Joaquim Roriz com unicou a renúncia de
sua candidatura. O STF, de posse dessa informação, decidiu por declarar extinto o R E por perda
de objeto. Votaram pela extinção do processo sem a análise do mérito os M inistros Marco Aurélio,
DiasTofFoli, Gilmar Mendes, Ellen Gracie, Celso de Mello e Cezar Peluso e, pela prejudidalidade
do recurso, por perda superveniente do objeto, os Ministros C árm en Lúcia, C arlos Ayres Britto,
Ricardo Lewandowski e Joaquim Barbosa.
Ponto positivo do julgamento da demanda [(R E n ° 6 3 0 1 4 7 - D F ) - caso Joaquim Roriz]
se deu com o reconhecimento da repercussão geral da matéria.
Com a nomeação do Ministro Luiz Fux para o Suprem o Tribunal Federal (1 1 ° ministro),
foi pacificada e consolidada a matéria no sentido de que a Lei da Ficha Lim p a não seria aplicável
para as eleições de 2010, pois, se tal ocorresse, haveria violação ao princípio da anualidade ou
anterioridade da lei eleitoral contido no art. 16 da CF.
Em 09.11.2011, o Ministro Luiz Fux, nesta ocasião sendo relator de três ações direta de
inconstitucionalidade"*^ que buscavam esclarecer o que seria aplicável da Lei d a Ficha Lim pa
para as eleições de 2012, reconheceu que a nova lei é constitucional e p ode atingir condenações
anteriores à sua vigência, eis que os efeitos dessas decisões persistem nos anos seguintes. Segundo
Fux, a moralidade e a democracia são valores maiores que o direito individual de se candidatar
a cargo eletivo.
No voto do eminente ministro do STF, extrai-se:
1) Q uanto à razoabilidade d a L e i d a F ich a l i m p a . “A lei encontra lastro na segurança jurí­
dica. Uma expectativa é legítima quando o sistema jurídico reconhece su a razoabilidade. E
razoável a expectativa de candidatura de um indivíduo já condenado p o r decisão colegiada?
A resposta há de ser negativa” ; e
2) Q uanto à relativizaçáo d a presunção de inocência. “A presunção de inocência sempre tida
como absoluta, pode e deve ser relativizada por princípios eleitorais co m o os d a lei comple­
mentar 135 [ficha limpa]. O diploma não está a serviço de perseguições políticas” .
Por outro lado, reconheceu inadequados e inconstitucionais d o is d ispositivos da L C n°
135/10, a saber:
1) Contagem d o prazo d e inelegibilidade. Entendeu que o lapso tem poral de oito anos de
inelegibilidade, contado a partir da condenação do político por órgão colegiado, viola a
Constituição Federal. Sugeriu que esse prazo seja amenizado, extraindo-se dos oito anos o
tempo entre a condenação e o fim do prazo para o cidadão recorrer;

► IN D A G A Ç Ã O D ID Á IIC A

^ Como su da atiOACagini dn iiazn ili niiu .unos de inelK^iU d^^^^i" de <-on


' atos íUcitfN p ç jt i ^ ò s entre ç p r im e ir o e o segundo turno de determinada e le iç ã o ?
A con tagenrrdopiaiíoii.i d t si.rí^li.i(.oin ba.se n i data'ent‘q u e r ã a ]iz a d a a e k iç ã o cin prim eiro
N tsse sen tid i s .n i st p o sitio n m i'n M i il ^

43. As A D Is foram propostas pelo C o n se lh o Federal d a O rd e m d o s A d v o g a d o s d o Brasil (O A B ), p e lo P artido Popular


Socialista (PPS) e pela Confederação Nacional d as P rofissõe s Liberais (CNPL).

141
CU RSO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

O Plenário cioTribunal'Su'peclot Elditoral.Ciii i.i<'iiiiiuid.uli: cie jd li;-11] nc'' | .ir maioria, decidiu que
a data do prim eiro u im o ,.unstltui term o 1111C.1.1 1 1 1 , . p i.i/o í de inclegil-il'd 'di 1 tos no art. 1 ® incisO

, 1, alíneas d, h e j, da I.ei C om plem entar n " ó á / l') ’(), ii'.undo os atos il iti', i n dor^ídasçd^deB^iliSpp
tenham ocorrido entre o prim eiro a o segundo cui n ).
O M inistro G ilm ar .Mendes, relator, rem em orou pieccdentes deste T ribm ul no sent d o i', que a
inelegibilidade das aiíneasd, h e j inicia-se t partir d data d,i eleição Neste sc.ii di,. o . -eguintcs {i.lgados:

1 ) 0 prazo de inelegibllíBàíé dc 8 fo 'to ' anos prcvi.sro na alínea d do iii 1 , 0 I i!,s iri. 1 ’ il 1 L C n"
6 4 /1 9 9 0 deve ter in iio na data d a eteiçáo d o ano d i co n deiuçâo por abuso d i p,ui, 1, e -i", indu no dia
d e igual núm ero dc início slo oitavo ano subteqtien.e, com o disciplina o art. 13-’ . ' . .io < .-dn.a C isil,
seguindo a m esm a regra cstabe|ççida para a alínea j do m esm o dispositivo legal (Consult.i n ° 4 3 3-44/
D F ,re i. M m . liic ia n a L ó ssió ); ^ , C _ ,,
' 2 . E M E N T A ; C O N S U L T A I N E I I G IB U ID A D E ' i VA I ÍNF.V H D L ) INCil.SO I D O ART. 1 "
D A L C N " 6 -n i 9 ‘)U. C O N T A G E M . P R A Z O 1 . Ci ,si ,'> d jneL’gibilLd,tdc prisitta n i ,>!inca h do inciso
I do art. l® da L C i r 6 1 /1 9 9 0 nSo se conta da decis ,i> s<i'i j-.,id i ou do tr.insitoem julgado d; condenaç-io
p or abuso do poder econôm ico ou polítiso, m as, tim, d. d.,1.1 -ia cieiç.io, observando-te a legra do ?! 3“
, d q g r t , 132 cio C ód igo Civil,: “ Ç s prazos de meses c anos expiram no dia.c
início, ou no im ediato, te faltar ex.ita co ir.-pundèi ci.i’. 2. A condenação por a l
ou econôm ico constitui requi,<iltó essencial para a caraaeii/,iç.io da inelegibilidati . ,
inciso I, alínea h, da Lei CoiÀjiIeméntar 11° 6 4 /1 9 9 0 . Poiém. a data em que prõfb'ríHá a prlm eim d ed sáò
eoiegiada ou em que se deu 0 trânsito em julgado da decisão coi d, 1 irúri.! 11.10 deve ter considerada pata
a contagem do prazo d c ineleglbilidade, cujo term o inicial é a data da eleição em que verificado o abuso
(C ta n® 131-15/D F, tel. M in. H enrique N eves, julgada em J4 .6 .2 0 1 4 ); e

3. Inelegibilidade. Ptiízô. Art. 1 ®, a lín e a ), d a j- c í C^omplemcntar n * 64/1 !/9bí'l)fendé> em corita o


disposto na alínea j do art. 1 “ d a Lei C o m p lem cd Ô íi® ^ /Í 9 9 0 ,'ò 'p iã 2 o à e inelegjíbilidadc náo coincide
’ com a unidade d c tem po de de janeiro a 31 dc dezem bro, mas com a d ata d a eleição CRcspe-tavSdr-SO/
BAi rcl. M in. M arco Aurélio, julgado em 5 .1 2 .2 0 1 3 .). ■ ., ;. j ' . t,:
Por fiiTjiiO relator enfatizou qu e.o § 3 ® ,jio a ^ ,77 d a C onstituição d a P e p p b iic a n á q a d ^ |r|e rd p -
terpretado dc form a literal, m as sistem ática,considerando q ue o segundo turno não constitui,uqia nova
eleição. C ó m efeito, assim dispõe 0 a r ^ ^ 7 ,"§ â®, d a C F / 8 8 : ‘, .

A n . 7 7 . A eleição d o p r e s b ^ f e do vice-presidente d a República realtzar-se-ã, sim ultaneam ente,


no prim eiro dom inio de cm prim eiro ium o, e no últim o domingo d i ò tíM Í^ e m segundo
turno, se houv > do jn o an terior ao do tirm m o do m andato presidencial vigente.

§ 3 " Se nenhum c,in dirLto alcan çar irtiiioria absoluta n a prim eira votação, far-se -ã nova eleição
em até vinte dta< .ipot a proclam .nao do resUltàdo, concorreiidú-os dais candidatos m ais 1 ata,its
e considerandi - e eleito .iqtiele t}ur ohttver entm lorla ‘do- votos iálirio s '

O M m istro Q lm a r M endts ai^upicm ou * tu in o j>án req.icr ntaViLVUíficaçao dc


prccr.i-'u'iK .1 n d, oidi^ocs dc cleg\bj]jdjdc i 111 id I I I III I i d e m il ^il il
dos c.iiit'iLl rov . i ' l l [trfo I 111 ri* iCiOnaf p m uiu ■« 1 1 ii i ■i ii *i n ü ío m .tbçnliitii .1 C
L..1I' ov I.U J V\ do IZxccutivo Bsdarcccu<trndaq(hiyiol.in.io p in u ip io d i ison^inja n u > ^ g « m
do pi.i7o ik-'J t 1 .vMfu (1 ' . I 'I 1J A[*i i i i f b d i t 4 d o I 'u i d i i iiir 'i ,1' •; tr^nuneiico
dcbigu.il ti m e n .-. .,11 ns, sc'm ticnliam lumLitiicÁCO ou ra/Uiibilidado. Dssucou<|U^C0nsidpAjiO Se­
cundo ttuMii ;< niLi 111K i.ll do pra/o di iiick'gihihd.idc da<i nlincas d. Ii c ),
I'or ilicitüs ,'i it]t uli* Vicrc o pninciro c ( '>>,undo lu in o , im plicaria cm menu dci clot m n ifn io a
' 1 'icgibiUdnd.. \ uh i M iniscra M«iri > v;nc ciu ciid ia com o term o inlcial da coi^ttigem do
P i 170 de iiielcg d data d o segundo :u m o O li>kvtn.il, poi niaiona c | or fl|ndam eiit<^^I\crsoSi
I t,OUprqvimen’ 'i n .u lusos [T b ll, Rcc ii'O O nit> n ‘ Jo a o Pcvsoa/PB, rcl. Ndjç. G iin u r
M endes, cm

142
Capítulo I I I . DIREITOS POLITICOS

■r r: 2) Inelegibilidade de candidato que renunciou p ara escapar de cassação.


Segundo o ministro, só deveria ficar inelegível a pessoa que tivesse renunciado ao mandato
eletivo depois de instaurado o processo de cassação pela Casa Legislativa.
Fizeram sustentação oral e apresentaram argumentos em favor da validade integral da Lei
ídã Ficha Limpa para as eleições de 2012, o Procurador-Geral da República, Dr. Roberto Gurgel,
: o AdvÓgado-Geral da União, Dr. Luis Inácio de Lucena Adams, e o Presidente da Ordem dos
. Advogados do Brasil, Dr. Ophir Cavalcanti.
ft Segundo o Dr. Gurgel: “A solução do conflito deve ser harm onizar os valores constitucionais. A
•ifònderação entre os direitos tom a certo que a conservação da moralidade pública não pode ser com­
prom etida pro interesses individuais".
Nas palavras de Dr. Adams: "Atospraticados na vidapregressa são considerados pela lei relevantes
-• para o exercício da representação política".
\ Conforme o Dr. Ophir: "A Lei da Ficha Lim pa introduz a tão alm ejada reforma política em
nbao pais. A sociedade estd a dizerpara a mais alta Corte de Justiça dessep ais que ela j á não mais pode
thlèrár esse estado de cosias em relação à política que se pratica nesse pais. O regime democrático só se
realiza em plenitude se para as junções governativasforem alçados os melhores cidadãos".
Após o voto do relator, o julgamento do processo foi suspenso em razão de pedido de vista
do ministro Joaquim Barbosa.
1! Em 30.11.2011, o ministro Joaquim Barbosa emitiu voto-vista e reconheceu que a Lei da
Ficha limpa é “totalinente constitucional” e que “mais do que isso: considero que a referida lei ao
complementar o dispositivo constitucional a ele se integra para formar um todo que poderiamos
qualificar como Estatuto da Ética e da Moralidade da Cidadania Política Brasileira, vocacionado
a reger as relações entre o eleitor e seu representante”. Ainda, segundo o ministro, “é chegada a
hora de a sociedade ter o direito de escolher e de orgulhar-se de poder votar em candidatos probos,
sobre os quais não recaia qualquer condenação criminal; sobre os quais não pairem dúvidas sobre
o envolvimento em crimes ou malversação do dinheiro público; sobre aqueles que honram seus
mandatos até o fim; sobre aqueles que têm por preocupação o interesse público e não o interesse
pessoal” .
Depois da leitura do voto-vista, o min. Luiz Fux pediu a palavra para reformular seu voto
que havia proferido quando apresentou o seu relatório. Voltou atrás na questão da inelegibilidade
pela renúncia, e a considerou constitucional, porém manteve sua outra ressalva no que concerne
à alínea 'e’ do artigo 1° da L C n° 64/90. Dispõe a lei que quem for condenado fica inelegível
depois do trânsito em julgado da condenação e, depois de cumprida a pena, por mais oito anos.
Para Luiz Fux, esse dispositivo “é um meio oblíquo de cassação de direitos políticos”.
Em 15 e 16 de fevereiro de 2012, o ST F concluiu o julgamento da A D C n° 29/DF, A D C
n° 30/D F e ADI n“ 4578, todas as ações sob a relatoria do Min. Luiz Fux e, por maioria, decidiu
que a Lei da “Ficha Limpa” é compatível com a Constituição e pode ser aplicada a atos e fatos
ocorridos anteriormente à edição da LC 135/2010.

1 .4 .4 . E feito suspen sivo


As pessoas que tiverem sido condenadas por decisões colegiadas (as que dão ensejo à inelegibilidade
ora estudada) poderão obter junto à instância superior (a que couber a apreciação do recurso) medida

143
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - R o b e rto M o re ira d e A lm e id a

cautelar para suspender a eventual inelegibilidade. Concedido o efeito suspensive, a elegibilidade


estaiá restaurada. Em tal caso, todavia, o julgamento do recurso deverá ter prioridade de tramitação
sobre todos os demais, ressalvados os casos de mandado de segurança e de “habeas corpus”.
Sendo mantida a condenação anterior, no momento da apreciação do recurso pela instância supe­
rior, ou, a qualquer tempo, havendo sido revogada a liminar concessiva do efeito suspensivo'*'’, deverão
ser desconstituídos o registro da candidatura ou o diploma eventualmente concedido ao recorrente.

1.4.5- A ditam en to re cu rsal


Uma vez interposto o recurso antes da vigência da LC n“ 135/10, houve a possibilidade de
o recorrente aditar a peça recursal, com o afã de se obter o efeito suspensive acima mencionado
(LC n“ 64/90, art. 26-C, acrescentado pela LC n ° 135/10).

1.4.6. Elegibilidade m antida


Pata que não pairem dúvidas de interpretação acerca da aplicabilidade das novas regras de
inelegibilidade trazidas pela L C n ° 135/10, é digno de registro informar que permanece elegível
a pessoa (NÃO É FIC H A -SU JA ):
a) simplesmente indiciada em inquérito policial;
b) indiciada em inquérito policial e denunciada pelo Ministério Público;
c) indiciada em inquérito policial, denunciada e pronunciada para julgamento pelo egrégio
Tribunal do Júri;
e) indiciada, denunciada e condenada em primeiro grau (juízos monocráticos), salvo aquela
com sentença penal condenatória transitada em julgado ou por decisão condenatória emanada
de tribunal por prática dos seguintes crimes:
1) contra a economia popular, a fé pública, a administração pública e o patrimônio público;
2) contra o patrimônio privado, o sistema financeiro, o mercado de capitais e os previstos
na lei que regula a falência;
3) contra o meio ambiente e a saúde pública;
4) eleitorais, para os quais a lei comine pena privativa de liberdade;
5) de abuso de autoridade, nos casos em que houver condenação à perda do cargo ou à
inabilitação para o exercício de função pública;
6) de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores;
7) de tráfico de entorpecentes e drogas afins, racismo, tortura, terrorismo e hediondos;
8) de redução à condição análoga à de escravo;
9) contra a vida e a dignidade sexual; e
10) praticados por organização criminosa, quadrilha ou bando;
f) condenada por juiz ou tribunal por qualquer crime de ação pénal privada, ainda que a
decisão tenha transitado em julgado;

44. D e v e r á s e r r e v o g a d o o e fe it o s u s p e n s iv o c o n c e d id o q u a n d o d a p rá tica d e a to s m a n ife s ta m e n te p r o t e ia t ó r io s p o r


p a r te d a d e fe s a a o lo n g o d a t r a m it a ç ã o d o r e c u r s o (§ 3 ° d o art. 2 6 - C d a LC n v 6 4 / 9 0 , In c lu íd o p e la LC n v 1 3 5 / 1 0 ).

144
C apitulo III • D IREITOS POLITICOS

g) condenada por juiz ou tribunal por prática de crime de m enor potencial ofensivo, ainda
que a decisão tenha transitado em julgado:
h) condenada por juiz ou tribunal por prática de crime culposo;
i) condenada, em decisão emanada de juízo de primeiro grau ainda não transitada em julgado,
em processo de apuração de abuso do poder econômico ou político;
j) que tiver suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por
irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, antes da decisão
irrecorrível do órgão competente, bem como quando houver suspensão ou anulação da decisão
do órgão de contas pelo Poder Judiciário;
k) detentora de cargo na administração pública, acusada de beneficiar a si ou a terceiros, pelo
abuso do poder econômico ou político, ainda que condenada em decisão em anada de órgão de
primeiro grau de jurisdição, ainda não transitada em julgado;
l) condenada, por decisão de primeiro grau de jurisdição ainda não transitada em julgado,
por corrupção eleitora], por captação ilícita de sufrágio, por doação, captação ou gastos ilícitos
de recursos de campanha ou por conduta vedada aos agentes públicos em cam panhas eleitorais
ainda que impliquem cassação do registro ou do diploma;
m) que renunciar a seu mandato para atender à desincompatibilização com vistas a candidatura
a cargo eletivo ou para assunção de mandato, salvo se se provar eventual fraude aos dispositivos
da Lei das Inelegibilidades;
n) condenada à suspensão dos direitos políticos, por prática dolosa de ato de im probidade
administrativa que importe lesão ao patrimônio público e enriquecim ento ilícito, por decisão
emanada de juízo de primeiro grau ainda não transitada em julgado;
o) excluída do exercício da profissão, por decisão sancionatória do órgão profissional compe­
tente (CREA, C R M , C R C , C R E C I, etc.), em decorrência de infração ético-profissional, quando
o ato houver sido anulado ou suspenso pelo Poder Judiciário;
p) condenada, por decisão emanada de órgão judicial de prim eiro grau ainda não transitada
em julgado, em razão de terem desfeito ou simulado desfazer vínculo conjugal ou de união estável
para evitar caracterização de inelegibilidade;
q) demitida do serviço público em decorrência de processo administrativo ou judicial, quando
o ato punitivo houver sido suspenso ou anulado pelo Poder Judiciário; e
r) responsável por doações eleitorais tidas por ilegais por decisão judicial em anada de órgão
de primeiro grau de jurisdição ainda não transitada em julgado.^*-"**

45. Infringência dc quaisquer das proibições constitucionais estabelecidas n o art. 54 d a Constituição Federal, a saber: I)
desde a expedição do diploma: a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, em presa
pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo q u a n d o o contrato obedecer
a cláusulas uniformes (exempli gratia: contratos com cláusulas uniform es d e fornecim ento d e água, energia, gás, tele­
fone, etc.); ou b) aceitar ou exercer cargo, função ou em prego remunerado, inclusive o s d e q u e sejam dem issiveis "ad
nutum", nas entidades acima elencadas; e II) desde a posse: a) ser proprietários, controladores ou diretores d e em presa
que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função rem unerada;
b) ocupar cargo ou função de sejam demisçlveis "ad n u tu m " em pessoa jurídica de direito público, autarquia, em presa
pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público; c) patrocinar causa e m que seja
interessada pessoa jurídica de direito público, autarquia, em presa pública, socied ad e d e econ om ia m ista o u em presa
concessionária de serviço público; ou d) ser titular de m ais de um cargo ou m an d a to público eletivo.
46. O político cujo procedimento for declarado Incom patível co m o d ecoro parlam entar.

14 5
CU RSO DE DIREITO El£ITORAL ~ Roberto Moreira de Almeida

[
1.4,7. Q uadro resumido
f gan a sBESiuiEg r y g :
. QUADRO RLSUMIDO GIBILIDADES POR DECISÃO
A D M IN ISIR A n V A OU JUDICIAL AI iIffO DA LEI DO t>OL(TICO
V.ii!:'!!!;
PRAZO
SUJEITO HIPÓTESE
DE INEIEGIBILIDADE
1) Membros do Congresso Na­ Perda do mandate por infringenda do Para as eleições que se
cional, das Assembleias disposte nos incisos 123 e 1124 do art. realizarem durante o pe­
Legislativas, da Câmara Le­ 55 da CF, dos dispositivos equivalentes ríodo remanescente do
gislativa e das Câmaras M u­ sobre perda de mandato das Constitui­ mandato para o qual fo­
nicipais ções Estaduais e Leis Orgânicas dos M u­ ram eleitos e nos 8 (oito)
nicípios e do Distrito Federal. anos subsequentes ao
término da legislatura.
Para as eleições que se
realizarem durante o pe­
2) Governador, Vice-Governa- Perda do cargo eletivo por infringência
ríodo remanescente e
dor de Estado e do Distrito a dispositivo da Constituição Estadual,
nos 8 (oito) anos subse­
Federal e o Prefeito e o Vice- Lei Orgânica do DF ou Lei Orgânica do
quentes ao término do
-Prefeito. Município.
mandato para o qual te­
nham sido eleitos.
Para a eleição na qual
Representação julgada procedente pela
concorrem ou tenham
Justiça Eleitoral, em decisão transitada
sido diplomados, bem
3) Qualquer pessoa. em julgado ou proferida por órgão co-
como para as que se re­
legiado, em processo de apuração de
alizarem nos 8 (oito) anos
abuso do poder econômico ou político.
seguintes.
4) Qualquer pessoa. Condenação, em decisão transitada em Desde a condenação até
julgado ou proferida por órgão judicial o transcurso do prazo de
coleglado, pelos crimes: 8 (oito) anos após o cum­
i) contra a economia popular, a fé públi­ primento de pena.
ca, a administração pública e o patri­
mônio público;
ii) contra o patrimônio privado, o siste­
ma financeiro, o mercado de capitais
e os previstos na lei que regula a fa­
lência;
iii)contra o meio ambiente e a saúde
pública;
iv) eleitorais, para os quais a lei comine
pena privativa de liberdade;
v) de abuso de autoridade, nos casos em
que houver condenação à perda do
cargo ou à inabilitação para o exercí­
cio de função pública;
vi) de lavagem ou ocultação de bens, di­
reitos e valores;
vii) de tráfico de entorpecentes e drogas
afins, racismo, tortura, terrorismo e
hediondos;

146
Capítulo 111• DIREITOS POLÍTICOS

PRAZO
SUJEITO HIPÓTESE
DE INELEGIBILIDADE
viii) de redução à condição análoga à de
escravo;
ix) contra a vida e a dignidade sexual; e
x) praticados por organização crimino­
sa, quadrilha ou bando.

:5. Oficiais das Forças Armadas,


das Policias Militares e dos Declarados indignos do oficialato, ou
Prazo de 8 (oito) anos.
Corpos de Bombeiros Mili­ com ele incompatíveis.
tares.

Contas rejeitadas por irregularidade in­


i6. Administradores e demais Para as eleições que se
sanável que configure ato doloso de im­
^ responsáveis por dinheiros, realizarem nos 8 (oito)
probidade administrativa, e por decisão
bens e valores públicos da anos seguintes, contados
irrecorrível do órgão competente, salvo
administração pública direta a partir da data da deci­
se esta houver sido suspensa ou anula­
e Indireta. são.
da pelo Poder Judiciário.

Para a eleição na qual


Beneficiarem a si ou a terceiros, pelo
concorrem ou tenham
7. Detentores de cargo na ad­ abuso do poder econômico ou político
sido diplomados, bem
ministração pública direta, e que forem condenados em decisão
como para as que se rea­
.i indireta ou fundacional. transitada em Julgado ou proferida por
lizarem nos 8 (oito) anos
órgão Judicial colegiado.
seguintes.

8. Ocupantes, nos 12 (doze) me­


ses anteriores, de cargo ou
Enquanto não forem
função de direção, adminis­ Objeto de processo de liquidação Judi­
exonerados de qualquer
tração ou representação em cial ou extrajudicial.
responsabilidade.
estabelecimentos de crédito,
financiamento ou seguro.

Condenada, em decisão transitada em


julgado ou proferida por órgão colegiado
da Justiça Eleitoral, por corrupção eleito­
ral, por captação ilícita de sufrágio, por
Pelo prazo de 8 (oito)
9. Qualquer pessoa. doação, captação ou gastos ilícitos de
anos a contar da eleição.
recursos de campanha ou por conduta
vedada aos agentes públicos em campa­
nhas eleitorais que Impliquem cassação
do registro ou do diploma.

10. Presidente da República, Renúncia aos mandatos desde o ofere­ Para as eleições que se
Governador de Estado e cimento de representação ou pedção realizarem durante o pe­
do Distrito Federal, Prefei­ capaz de autorizar a abertura de pro­ ríodo remanescente do
to, membros do Congresso cesso por infringência a dispositivo da mandato para o qual fo­
Nacional, das Assembléias Constituição Federal, Consdtuição Es­ ram eleitos e nos 8 (oito)
Legislativas, Câmara Legis­ tadual, Lei Orgânica do Distrito Federal anos subsequentes ao
lativa e Câmaras Municipais. ou Lei Orgânica do Município. término da legislatura.

147
CURSO DE DIREITO BLBtTORALrHobertoMoreiradeAlmeida

■HPfuifSP
iiikgVrrri- PKAZO
SUJEITO
DE INELEGIBILIOADE
Condenada à suspensão dos direitos
políticos, em decisão transitada em Desde a condenação ou
julgado ou proferida por órgão judicial o trânsito em julgado
11. Qualquer pessoa. colegiado, por ato doloso de improbi­ até 0 transcurso do pra­
dade administrativa que importe lesão zo de 8 (oito) anos após
ao patrimônio público e enriquecimen­ 0 cumprimento da pena.
to ilícito.

Pelo prazo de 8 (oito)


Excluídos do exercício da profissão, por
anos, salvo se o ato
decisão sancionatória do órgão profis­
12. Profissionais liberais. houver sido anulado ou
sional competente, em decorrência de
suspenso pelo Poder Ju­
infração ético-profissional.
diciário.

2. SINOPSE

....
2 4- Direitos polftieos ^
Direitos politicos são o poder que possul o nacional de participar ativa e passivamente da estrutura
governamental do Estado ou de ser ouvido pela representação política.
..........,................. — ----------- ----------- — ----- , 1,'," ■ íi"
_____________2.2. Democfae}a#«*&ty.
Tradicionalmente é definida como o governo do povo, para o povo e pelo povo.
2.9. Capacidade eleitoral àtiva ; 'i ■. v-r;--,! £ -. c . - g
É 0 direito que possul o cidadão de participar diretamente do processo eleitoral, através do voto, seja
em eleições, seja em plebiscitos ou em referendos, bem como na subscrição de projetos de lei de ini-
ciabva popular. Relaciona-se ao direito de votar.
2.4. Sufrágio
Consiste no direito público e subjetivo assegurado ao cidadão para eleger e ser eleito.
toeescrutínlo_____________
Sufrágio é o direito público e subjetivo de participar ativamente dos destinos políticos da nação; o voto
nada mais é do que o exercício concreto do direito de sufrágio; e o escrutínio consiste no modo do
exercício do sufrágio. ___

Nos termos do caput do art. 14 da Lei Maior, "a soberania popular será exercida pelo sufrágio universal
e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos...". Destarte, o sufrágio é universal, o voto é
direto e igual e o escrutínio é secreto. __________________
% í~ «jftSyfe 2.7i<Espéries^e:sMfráglpS/.yô^s e escrutfnios' ms
a) quanto à extensão: sufrágio restrito (qualificativo) e universal;
b) quanto à forma: escrutínio secreto e público;
c) quanto ao modo de exercício: voto direto e indireto e
d) quanto ao valor: o voto pode ser igual ou plural. ___________

148
C a p ítu lo III • DIREITO S PO LITICO S

2.8. Cai ad e eleitoral passiva


Os direitos politicos passivos ou capacidade eleitoral passiva tem a ver com a elegibilidade da pessoa
ou o direito de ela vir a ser votada. São as condições ou os requisitos exigidos do cidadão para ser vo­
tado e. uma vez eleito, poder ocupar determinado cargo público eletivo.
‘ 2.9.’’C DBdi^eli'de% legibilidade'
Para que o indivíduo possa vir a ser eleito, é preciso antes que preencha determinados requisitos, de­
nominados de condições de elegibilidade (ter nacionalidade brasileira, estar no pleno gozo dos direitos
políticos, possuir domicílio e alistamento eleitorais, filiação partidária e idade mínima), bem como não
incorrer em nenhuma das hipóteses de inelegibilidade previstas em lei (LC ns 64/90).
2.10f Ineleglbllidade <
É inelegível a pessoa que, embora regularmente no gozo dos direitos políticos, esteja impedida de exer­
cer temporariamente a capacidade eleitoral passiva (direito de ser votada) em razão de algum motivo
relevante fixado em lei.
2.11. Hipótesejs d e inelegibilidade
a) inelegibilidades constitucionais: são absolutas e podem ser arguidas a qualquer tempo; estão pre­
vistas nos §§ 4^ a 72 do art. 14 da Constituição Federal de 1988; e
b) inelegibilidades infraconstitucionaís: são relativas e devem ser arguidas no prazo legal, sob pena
de preclusão; estão previstas na Lei Complementar n2 64/90 (Lei das Inelegibilidades).

._____ ^ 2.12, Desincompatibilização


Desincompatitailizar significa interromper ou afastar do exercício de um cargo, emprego ou função
para se tornar elegível. A desincompatibilização é uma exigência legal. A LC ns 64/90 determina que
ocupantes de certos cargos, empregos ou funções venham a se afastar temporária ou definitivamente
deles para que possam pleitear um mandato eletivo. A medida tem por finalidade impedir que o can­
didato se utilize indevidamente do cargo, emprego ou função que ocupa em proveito pessoal ou de
sua família e isso gere um desequilíbrio no processo eleitoral. Pode haver heterodesincompatibilização
(quando se quer evitar a inelegibilidade de um parente do indivíduo) ou autodesincompatibilização
(quando se quer evitar a inelegibilidade da própria pessoa). Há, ademais, desincompatibilização defini­
tiva (renúncia) ou temporária (licença).
2.13. Reelegibilidadc
É a faculdade assegurada a titular de mandato eletivo a concorrer ao mesmo cargo que já exerce, sem
necessidade de afastamento ou desincompatibilização.
7TS
M- 2.14.' H ipóteses constitucionais
Todas as constituições brasileiras, inclusive a de 1988, proibiram a reeleição para cargos do Poder Exe­
cutivo. Aos ocupantes de cargos do Poder Legislativo, no entanto, era assegurado o direito de postular
reeleição de forma ilimitada. A EC n® 16/97, todavia, permitiu que Presidentes da República, Gover­
nadores e Prefeitos, assim como os seus substitutos ou sucessores, concorram à reeleição para um
segundo mandato consecutivo, sem necessidade de desincompatibilização.
VaçüO dus direitos politici
* JüSiT m
A Constituição Federal de 1988 vedou a cassação dos direitos políticos, mas estabeleceu as hipóteses
de perda (privação definitiva) e suspensão (privação temporária) dos direitos políticos. Haverá perda
nos casos de: a) cancelamento de naturalização por sentença transitada em julgado, por prática de
atividade nociva ao interesse nacional; e por b) aquisição de outra nacionalidade por naturalização
voluntária. A suspensão dos direitos políticos decorrerá de: a) incapacidade civil absoluta; b) con­
denação criminal transitada em julgado; c) escusa de consciência; e d) condenação por prática de
improbidade administrativa.

149
CU RSO D E DIREITO ELEITORAL - H(^)erto Moreira de Almeida

Ititares
O militar (salvo o conserito), enquanto em serviço ativo, embora alistável, não pode se filiar a partido
político. Mesmo não estando filiado a qualquer partido político, poderá o militar participar de con-
venção partidária e, uma vez escolhido candidato, poderá obter o registro da candidatura perante
a Justiça Eleitoral. O militar da reserva, todavia, deverá preencher as condições de elegibilidade dos
demais civis.
Direitos políticos dos m agistrados • M ÈÍ'
Os magistrados também nunca estiveram obrigados a cumprir o prazo de 1 (um) ano de filiação parti­
dária. Precisam, porém, se afastar definitivamente (por aposentadoria ou exoneração) do cargo ocupa­
do na magistratura. Exige-se a filiação partidária pelo prazo de 6 (seis) meses antes da eleição.

Os membros de tribunais de contas (ministros do TCU e conselheiros) devem se afastar definitivamen­


te do cargo respectivo, no prazo de 4 (quatro) meses antes da eleição (para Prefeito ou Vice-Prefeito)
e 6 (seis) meses antes da eleição (para qualquer outro cargo eletivo), de acordo com a LC n« 64/90.
dos m em bf^:% lÜ^lstério Públlc^ í í

Aos membros do Ministério Público se aplicam as mesmas regras atinentes aos magistrados, ou seja,
não podem se filiar a partido político, nem se candidatar a cargo eletivo, saivo afastamento definitivo
da instituição (por aposentadoria ou exoneração), ressalvados aqueles que ingressaram na instituição
antes da promulgação da Constituição Federal de 1988 e fizeram opção pelo regime anterior.
3. PolítillBfi^ha limiriji^i «sSisS!;

A Campanha Ficha Limpa nasceu em 2008.0 MCCE recolheu mais de um milhão de assinaturas de elei­
tores de todo 0 Brasil e foi apresentado projeto de lei de iniciativa popular a Câmara dos Deputados. O
projeto foi aprovado, com alterações, pelo Congresso Nacional. A LC ns 135, sancionada e promulgada
em 4 de junho de 2010, veio a ser publicada no DOU em 7 de junho de 2010. Segundo entendimento
do STF, acolhido por maioria, referida lei não deveria ter aplicabilidade imediata já para as eieições de
2010, pois haveria violação ao princípio da anualidade ou anterioridade eleitoral contido no art. 16 da
Constituição Federal.

3. PARA CONHECER A JURISPRUDÊNCIA


3.1. Súmulas TSE
Súmula 1. Proposta a ação para desconstituir a decisão que rejeitou as contas, anteriormente à impugna­
ção, fica suspensa a inelegibilidade (Lei Complementar ns. 64/90, art. is, Inc. I, alínea "g").

o TSE assentou entendimento posterior segundo o qual a mera propositura da açqioanulatdria, ||


sem a obtenção de pioviniento liminar ou tutcl.i .m trclpada, não suspende a (nelegibilídade |>
(AC.-TSE, de 24.8.2006, no RO n». 912; de 13.9.200b, no RO N« 963, de 29.9.2006, no RO n". 965 u
e no RESP. nS. 26.942; e di> 16.11.2006, no AgRgRo l\|ü. 1.067,dentrc outros).

Súmula 2. Assinada e recebida a ficha de filiação partidária até p termo final do prazo fixado em lei, con­
sidera-se satisfeita a correspondente condição de elegibilidade, ainda que não tenha fluído, até a mesma
data, o trfduo legal de impugnação. i< i

Súmula 5. Serventuário de cartório, celetista, não se inclui na exigência do art. 12, II, L, da LC n®. 64/90.

150
Capitulo M l. DIREITOS POLITICOS

Súmula 6. É inelegível para o cargo de prefeito, o cônjuge e os parentes indicados no § 72 do art. 14 da


constituição, do titular do mandato, ainda que este haja renunciado ao cargo há mais de seis meses do
pleito.

; ATENÇÃO ' , ; ■ ' ■ •,


[ o TSE assentou entendijiti,e'qto posterior;segundo o quajA^ônjuge e os parentes do chefe.|io exe?
I cutiuo são elegíueis para^jnesmo eaj;|o.^5^|ti!lar, q u ^ d g èite for reelegíyel e tiver se áfastaflo,
^ definitívamente até sei| gièses antes,dg.pljêíío (Acótt|ag^ÇÍ|j.l9.442, de 21/08/2001, Resolução.
20:931, de 20/ll/2O01'e Acórdão N'a.^

-‘súmula 2. É inelegível para o cargo de prefeito a irmã da concubina do atual titular do mandato.

i,_ATENÇAO _ í.'rts-ísfTthufü ttíST.Tíii ;


I Súmula cancelada pela Resolução na>20l92Òj'de 16/10/20Q1.

Súmula 8. O Vice-Prefeito é inelegível para o mesmo cargo.

Í.®í6í;{Si
ATENÇÃO
«.úiTilta-
I Súmula cancelada pela Reso|u.çpo nR 20.920, de 16/10/2001

Súmula 9. A suspensão de direitos políticos decorrente de condenação criminal transitada em julgado


cessa com o cumprimento ou a extinção da pena, independendo de reabilitação ou de prova de repara­
rão dos danos.

Súmula 12. São inelegíveis, no município desmembrado e ainda não instalado, o cônjuge e os paren­
tes consanguineos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do prefeito do município-mãe, ou de
quem o tenha substituído, dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato
eletivo.

Súmula 13. Não é auto-aplicável o § S-, art. 14, da Constituição, com a redação da Emenda Constitucional
de Revisão ns. 4/94.

Súmula 14. A duplicidade de que cuida o parágrafo único do artigo 22 da Lei 9.096/95 somente fica ca­
racterizada caso a nova filiação houver ocorrido após a remessa das listas previstas no parágrafo único
do artigo 58 da referida lei.

At e n ç ã o ,
dS,úmula cancelada pela Resolução nR 21.885, de 17/08/2004.

Súmula 15.0 exercício de cargo eletivo não é circunstância suficiente para, em recurso especial, determi­
nar-se a reforma de decisão mediante a qual o candidato foi considerado analfabeto.

Súmula 19.0 prazo de inelegibilídade de três anos, por abuso de poder econômico ou político, é contado
a partir da data da eleição em que se verificou (art. 22j XIV, da LC 64, de 18/5/90).

Súmula 20. A falta do nome do filiado ao partido na lista por este encaminhada à Justiça Eleitoral, nos
termos do art. 19 da Lei 9.096, de 19.9.95, pode ser suprida por outros elementos de prova de oportuna
filiação. ' Ví

151
CU RSO D E DIREITO ELEITOR AL-R oberto Moreira de Almeida

3-2. Informativos
Informativo STF n< 522 - Dissolução do Casamento no Curso de Mandato e Inelegibilldade de Ex-Côn-
juge
A dissolução da sociedade conjugal, durante o exercício do mandato, não afasta a regra da inefegibili-
dade, prevista no art. 14, § 7®, da CF ("São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge
e os parentes consanguineos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República,
de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído
dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reelei­
ção.").
Com base nesse entendimento, o Tribunal, por maioria, desproveu recurso extraordinário interposto
contra acórdão do TSE e cassou liminar, que suspendera os efeitos do recurso extraordinário, deferida
em favor de ex-cônjuge de prefeito (eleito no período de 1997 a 2000, e reeleito no período de 2001 a
2004), que fora eleita vereadora, em 2004, para o período de 2005 a 2008. Na espécie, a separação de
fato da vereadora, ora recorrida, ocorrera em 2000, a judicial em 2001, tendo o divórcio se dado em
2003, antes do registro de sua candidatura.
Asseverou-se, na linha de precedentes da Corte, que o vínculo de parentesco persiste para fins de ine­
legibilldade até o fim do mandato, inviabilizando a candidatura do ex-cônjuge ao pleito subsequente, na
mesma circunscrição, a não ser que o titular se afaste do cargo seis meses antes da eleição.
Aduziu-se que, apesar de o aludido dispositivo constitucional se referir à inelegibilldade de cônjuges, a
restrição nele contida se estende aos ex-cônjuges, haja vista a própria teleologia do preceito, qual seja, a
de impedir a eternizaçâo de determinada família ou clã no poder, e a habitualidade da prática de separa­
ções fraudulentas com o objetivo de contornar essa vedação.
Citou-se, ainda, a resposta à consulta formulada ao TSE, da qual resultou a Resolução 21.775/2004, nesse
sentido. Vencido o Min. Marco Aurélio, que, salientando que o parentesco civil é afastado com a disso­
lução do casamento, provia o recurso, por considerar que o vício na manifestação da vontade não se
presume, devendo ser provado caso a caso, e que as normas que implicam cerceio à cidadania têm de
receber interpretação estrita.
Por fim, o Tribunal determinou o imediato cumprimento da presente decisão, ficando vencido, neste
ponto, o Min. Marco Aurélio, que averbava a necessidade da tramitação natural do processo, aguardan­
do-se a confecção do acórdão e a possível interposição de embargos declaratórios. Precedentes citados:
RE 433460/PR (DJU de 19.10.2006); RE 446999/PE (DJU de 9.9.200S). RE S68S96/MG, rei. Min. Ricardo
Lewandowski, is.10.2008. (RE-S68S96).

Informativo STF ns 404 - Art. 14, § 5R da CF e Elegibilidade de Vice-Governador eleito por duas vezes
consecutivas ao cargo de Governador.
ATurma manteve acórdão do TSE que, aplicando a orientação consubstanciada na Resolução 21.026/2002
daquela Corte, entendera que Vice-Governador eleito por duas vezes consecutivas, que sucede o titular
no segundo mandato, pode reeleger-se ao cargo de Governador, por ser o atual mandato o primeiro
como titular do Executivo estadual.
Sustentava-se, na espécie, ofensa ao art. 14, § 5®, da CF ("O Presidente da República, os Governadores de
Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido ou substituído no curso dos man­
datos poderão ser reeleitos para um único período subsequente."), sob a alegação de que o recorrido
seria inelegível para o terceiro mandato subsequente, haja vista que, eleito duas vezes para o cargo de
Vice-Governador, tendo substituído o Governador no primeiro mandato e o sucedido no segundo, não
podería pleitear a reeleição.
Diferenciando substituição de sucessão, esta pressupondo vacância e aquela, impedimento do titular,
rejeitou-se a alegada violação, tendo em conta que o recorrido somente exercera o cargo de Governador,
em sua plenitude, em sucessão ao titular, quando cumpria o segundo mandato eletivo, sendo possível sua
candidatura para um segundo mandato de Governador. Leia o inteiro teor do voto do relator na seção
Transcrições deste Informativo. RE366488/SP, rei. MIn. Carlos Velloso, 4.10.200S. (RE-366488)

152
Capítu lo III ■ DIREITOS POLITICOS

Informativo TSE n* 12/16 - Domicílio Eleitoral por relaçSo profissional


EMENTA: RECURSO ESPECIAL. DOMIClUO ELEITORAL POR RELAÇÃO PROFISSIONAL. FATO CONSTANTE
APENAS DO VOTO DIVERGENTE. ART. 941, § 3', DO NOVO CPC. MATÉRIA DE DIREITO. PROVIMENTO DO
RECURSO.
1. Os fatos constantes do voto vencido devem ser considerados pela instância revisora, mormente quando
nâo estiverem em conflito com o que descrito no voto vencedor. Inteligência do art. 941, § 3s, do novo CPC.
2. O domicilio eleitoral, nos termos da jurisprudência do TSE, vai além do domicílio civil, sendo devida
a autorização para a transferência quando estiverem comprovadas relações econômicas, sociais e/ou
familiares entre o cidadão e o município para o qual se pretenda a transferência.
3. A análise do domicílio eleitoral, quando não há controvérsia, a respeito dos fatos, é questão de direito
e pode ser plenamente avaliada pela instância extraordinária. Recurso especial provido. Ação cautelar
julgada procedente (TSE, Recurso Especial Eleitoral n« 75-24/RN Ação Cautelar ns 0601438-47/RN Re­
lator: Ministro Henrique Neves,da Silva, DJE de 18.10.2016).
Informativo TSE na IS / IS - Decisão acerca da inelegibilidade e inexistência de coisa julgada
O Plenário do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, respondendo à consulta, asseverou que o
reconhecimento ou não de determinada hipótese de inelegibilidade para uma eleição não configura coisa
julgada para as próximas eleições.
Afirmou também que, para efeito da aferição do término da inelegibilidade prevista na parte final da
alínea I do inciso I do art. da Lei Complementar ns 64/1990, o cumprimento da pena deve ser com­
preendido não apenas a partir do exaurimento da suspensão dos direitos políticos e do ressarcimento ao
Erário, mas a partir do instante em que todas as cominações Impostas no titulo condenatório tenham sido
completamente adimplidas, inclusive no que tange k eventual perda de bens, à perda da função pública,
ao pagamento da multa civil ou à suspensão do direito de contratar com o poder público ou de receber
benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente.
Destacou que, por ser a inelegibilidade prevista na alínea e do inciso I do art. 1® da Lei Complementar ns
64/1990 uma consequência da condenação criminal, não havería como incidir a causa de inelegibilidade
ante o reconhecimento da prescríção da pretensão punitiva pela Justiça Comum.
O Tribunal, por unanimidade, respondeu à consulta nos termos do voto reajustado da relatora.
Consulta ns 336-73, Brasília/DF, rei. Min. Luciana Lóssio, em 3.11.2015.

Informativo TSE ns 4/15 - Impossibilidade da mescia de regimes jurídicos para fins de contagem do
prazo de inelegibilidade
O Plenário do Tribunal Superior Eleitoral, por maioria, assentou não ser possível mesclar regimes jurídi­
cos de inelegibilídades, mediante interpretação que combina o regime anterior da Lei Complementar ns
64/1990 e o atual, da LC n® 135/2010, devendo-se aplicar de forma integral o mais novo.
No caso vertente, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais manteve sentença de primeira instância
que indeferiu o registro de candidatura do recorrente ao cargo de prefeito, com fundamento no art. 1°,
inciso I, alínea g, da LC n° 64/1990, em razão da desaprovação, pela Câmara Municipal, de suas contas
relativas ao exercício de 1988.
A rnatéria está prevista no art. 1®, i, g, da Lei Complementar n® 64/1990, in verbis:
Art. 1®São inelegíveis: I - para qualquer cargo: (...) g) os que tiverem suas contas reiatívas ao exercício de
cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanávei que configure ato doloso de improbi­
dade administrativa, e por decisão irrecorrívei do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa
ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes, contados
a partir da data da decisão, aplicando-se o disposto no inciso II do art. 71 da Constituição Federal, a todos
os úrdenadores de despesa, sem exclusão de mandatários que houverem agido nessa condição;
0 TRE/MG, combinando o regime anterior da LC n® 64/1990, a jurisprudência do TSE à época, a mudança
jurisprudencial ocorrida no ano de 2006 e o novo prazo de inelegibilidade introduzido pela LC n® 135/2010,
concluiu pela incidência da causa de inelegibilidade do art. 1®, inciso I, alínea g, da LC n® 64/1990.

153
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - R o berto M o re ira d e A lm e id a

O Ministro Gilmar Mendes (relator) asseverou que "com baite na compreensão da reserva legai propor­
cional, as causas de inelegibilidade devem ser interpretadas restritivamente, evitando-se a criação de
restrição de direitos políbcos sobre fundamentos frágeis, inseguros e indeterminados".
Ressaltou que os arts. 14, § 9®, e 16, ambos da Consbtuição Federal, estabelecem verdadeira garantia
fundamental para o pleno exercício de direitos políticos, por criarem barreiras ao legislador contra abu­
sos e desvios da maioria, além de formarem um núcleo interpretative aos operadores do Direito.
Destacou ainda que "a decisão regional, ao mesclar regimes de inelegibilidades e a jurisprudência do TSE
firmada em cada período, descumpriu o que decidido pelo STF na ADC n® 29/DF".
Vencido o Ministro Dias Toffoii, presidente, que rememorava o precedente firmado no REspe n® 14313,
o qual entendia que a contagem do prazo de inelegibilidade ficaria suspensa pela simples propositura de
ação Judicial, reiniciando-se a partir da alteração jurisprudencial no ano de 2006, quando passou a ser ne­
cessária a obtenção de provimento judicial que suspendesse ou anulasse os efeitos da rejeição de contas.
O Tribunal, por maioria, deu provimento aos recursos para reformar o acórdão recorrido e deferir o regis­
tro de candidatura de José Leandro Filho, nos termos do voto do relator (TSE, Recurso Especial Eleitoral
n® 5318-07, Ouro Preto/MG, rei. Min. Gilmar Mendes, em 19.3.2015).

Informativo TSE n® 16/14 - Concessão de liminar afastando condenação por improbidade administra­
tiva e prazo para consideração das causas supervenientes ao registro que afastam a inelegibilidade
0 Plenário do Tribunal Superior Eleitoral, por maioria, assentou que a concessão de liminar, até a data da
diplomação, suspendendo os efeitos de condenação por improbidade administrativa, causa do indeferi­
mento de candidatura, constitui fato superveniente a permitir o registro do candidato.
Ressaltou o Colegiado ser caso de aplicação da norma constante do art. 26-C da Lei Complementar n®
64/1990, que preconiza:
0 órgão colegiado do tribunal ao qual couber a apreciação do recurso contra as decisões colegiadas a
que se referem as alíneas d, e, h, j, I e n do inciso I do art. 1® poderá, em caráter cautelar, suspender a
inelegibilidade sempre que existir plausibilidade da pretensão recursal e desde que a providência tenha
sido expressamente requerida, sob pena de preclusão, por ocasião da ínterposição do recurso.
Destacou que, estando em curso o processo eleitoral e não havendo trânsito em julgado da decisão de
indeferimento do registro de candidatura, cabe conhecer provimento judicial liminar deferido após as
eleições, que afasta a causa de indeferimento do registro do candidato.
Enfatizou ainda que o conhecimento de fatos supervenientes ao pedido de registro tem sido admibdo por
este Tribunal nas hipóteses de reconhecimento de inelegibilidade, mobvo pelo qual haveria razão para
conhecê-los nos casos de afastamento da inelegibilidade.
Vencida a Ministra Maria Thereza, que rememorava entendimento deste Tribunal no sentido de ser a
data das eleições termo limiar para serem considerados no processo de registro de candidatura fatos
posteriores ao pedido, alteradores da condição de elegibilidade do candidato.
0 Tribunal, por maioria, acolheu os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para deferir o
registro de candidatura do embargante, nos termos do voto do relator (TSE, Recurso Ordinário n® 294-
62, Aracaju/SE, rei. Min. Gilmar Mendes, em 11.12.2014).

Informativo TSE n.® 23/2014. Irregularidade Insanável verificada e inelegibilidade da alínea g.


0 Plenário do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, reafirmou o entendimento de que a inele­
gibilidade prevista na alínea g do inciso I do art. 1® da Lei Complementar n® 64/1990 está configurada
quando a irregularidade caracteriza ato doloso de improbidade administrativa e há prejuízos insanáveis
concretamente verificados.
(...].
No caso vertente, candidato ao cargo de deputado estadual teve o seu registro de candidatura indeferido
pelo Tribunal Regional de São Paulo, diante da rejeição de contas pelo Tribunal de Contas do Estado de
São Paulo.
Em decisão monocrática, o Ministro João Otávio de Noronha, relator, negou provimento a recurso or-

154
Capitulo III • DIREITOS POLITICOS

dinário interposto pelo ora agravante, mantendo o indeferimento do respectivo pedido de registro de
candidatura, por entender configurada irregularidade insanável caracterizadora de ato doloso de impro­
bidade administrativa a contratação de pessoal sem a realização de concurso público.
Ao apresentar seu voto-vista, o Ministro Tarcísio Vieira de Carvalho Neto divergiu do relator.
Asseverou que a inelegibilidade prevista na alínea g "se prende a prejuízos insanáveis concretamente
verificados" e "além de insanáveis, as irregularidades devem caracterizar ato doloso de improbidade
administrativa".
Ressaltou que compete à Justiça Eleitoral aferir e qualificar os fatos descritos no Julgamento das contas
; com vistas ao reconhecimento da inelegibilidade.
0 Ministro João Otávio de Noronha, relator, reajustou seu voto para acompanhar o voto-vista.
O Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, proveu o agravo regimental para dar provimento ao re­
curso ordinário e deferir o registro de candidatura (TSE, Recurso Ordinário ns 1216-76, São Paulo/SP, rei.
iMin. João Otávio de Noronha, em 11.11.2014).

Informativo TSE n.R 18/2014. Desincompatibilização e prática de atos de governo ou de gestão.


0 Plenário do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, assentou que, para configurar a causa de
i inelegibilidade prevista no art. 1«, § 22, da Lei Complementar n® 64/1990, é imprescindível que o subs­
tituto automábco do chefe do Poder Executivo pratique atos de governo ou de gestão no período de
afastamento do titular.
No caso de origem, coligação interpôs recurso ordinário contra acórdão do TRE/RN que deferiu pedido
de registro de candidatura ao cargo de senador, por suposta substituição do titular da chefia do Poder
Executivo nos seis meses anteriores ao pleito.
A matéria está prevista no art. 12, § 22, da lei complementar, in verbis; Art. 1^ São inelegíveis; I - para
' qualquer cargo: [...] § 2° O vice-presidente, o vice-governador e o vice-prefeito poderão candidatar-se a
outros cargos, preservando os seus mandatos respectivos, desde que, nos últimos 6 (seis) meses anterio­
res ao pleito, não tenham sucedido ou substituído o titular.
O Ministro Luiz Fux, relator, destacou que; "o (correto) equacionamento de controvérsias envolvendo
a desincompatibilização (ou não) de pretensos candidatos não pode ficar adstrito apenas a um exame
meramente temporal (i.e., se foi, ou não, atendido o prazo exigido na Constituição ou na legislação in­
fraconstitucional), mas também se o pretenso candidato praticou atos em dissonância com o télos sub­
jacente ao instituto".
Asseverou a irrelevância de perquirir se ocorreu ou não a substituição automática nas hipóteses de au­
sência do chefe do Poder Executivo, sendo necessário examinar no caso concreto se o substituto praticou
atos de governo ou de gestão que possam ultrajar os valores que o instituto da incompatibilidade visa
tutelar. O Tribunal, por unanimidade, desproveu o recurso. (TSE, Recurso Ordinário n® 264-65, Natal/RN,
rei. Min. Luiz Fux, julgado em 12.10.2014)
Informativo TSE n® 2/2009 - Rerreleição. Impossibilidade.
Eleições 2008. Agravo regimental. Recurso especial. Candidato reeleito. Terceiro mandato. Impossibilida­
de. Decisão agravada. Fundamento inatacado. Prefeito eleito em 2000 e reeleito em 2004 não pode ser
candidato à chefia do Executivo Municipal em 2008, sob pena de ferir o § 5? do art. 14 da CF/88, ainda
que tenha exercido o mandato no segundo quadriênio, de maneira precária, por força de liminar conce­
dida em sede de recurso eleitoral por ele interposto. É inviável o agravo que não infirma especificamente
os fundamentos da decisão agravada. Nesse entendimento, o Tribunal negou provimento ao agravo regi­
mental. Unânime (Agravo Regimental no Recurso Especial Eleitoral n® 34.037/PR Rei. em substituição
Min. Ricardo Lewandowski, em 19.12.2008).

Informativo TSE n® 3/2009 - Rejeição de Contas pelo TCU e Inelegibilidade.


Eleições 2006. Ação rescisória. Impugnação de registro de candidato. Rediscussão. Impossibilidade. Re­
jeição de contas. TCU. Liminar. Tutela antecipada. Ausência, Inelegibilidade. Caracterização. Lei. Oispo-
sibvo. Violação. Demonstração. Necessidade. Não é possível a rediscussão de causa de indeferimento

155
CU RSO D E DIREITO ELEITORAL ^ RobertoMoreira de Almeida

de registro de candidato por meio da via excepcionai da ação rescisória. A Jurisprudência do TSE exige
provimento jurisdicional, ainda que provisório, para suspender es efeitos de rejeição de coptas peloTCU
e afastar a inelegibilidade prevista no art, 1®, I, g, da LC no !54/90. A vioiação iiterai de dispositivo de iei,
fundada no art. 485, V, do CPC, deve ser claramente identídeada, demonstrando-se ainda como ocorreu
tal afronta. Nesse entendimento, o Tribunai Juigou improcedente a ação rescisória. Unânime (A çõo Re s­
cisó ria nR 2S1/M A . Rei. M in. Felix Fischer, em 17.2.2009).

Informativo TSE n« 21/2009 - Cônjuges. Prefeito e Vice-Prefelto numa mesma contenda eleitoral. Ele­
gibilidade.
Consulta. Cônjuges. Candidatos a cargo eletivo. Prefeito. Vice-prefeito. Possibilidade. Não há empecilho
para que os cônjuges pleiteiem os cargos de prefeito e vice-prefeito numa mesma contenda eleitoral.
Nesse entendimento, o Tribunal respondeu positivamente à consulta. Unânime. (C onsulta n® 1.589/DF.
Rei. M in. Joaquim Barbosa, em 23.6.2009).

Informativo TSE n« 28/2009 - Presidente de Câmara Municipal. Candidatura a Prefeito. Desnecessida­


de de desincompatibilizaçâo.
Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECEBIMENTO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL ELEITO­
RAL. NOVAS ELEIÇÕES. VEREADOR. PRESIDENTE. CÂMARA MUNICIPAL. CANDIDATURA. PREFEITO. DESIN-
COMPATIBILIZAÇÃO. DESNECESSIDADE.
I - O Ministério Público Eleitoral possui legitimidade para recorrer de decisão, ainda que não tenha im­
pugnado o registro de candidatura.
II - A jurisprudência deste Tribunal Superior é firme no sentido de que "O Presidente de Câmara Muni­
cipal que exerce interinamente cargo de prefeito não precisa se desincompatibilizar para se candidatar
a este cargo, a um único período subsequente" (CTA 1.187/MG, Rei. Min. Humberto Gomes de Barros).
III - É pacífico o entendimento de que as eleições decorrentes do art. 224 do Código Eleitoral são consi­
deradas um novo pleito, no qual se reabre todo o processo eleitoral.
IV - Possibilidade de um vereador eleito nas eleições regulares, que tenha assumido interinamente o
comando do Poder Executivo como Presidente da Câmara Municipal, se candidatar ao cargo de prefeito
nas novas eleições sem se desincompatibilizar.
V-A gravo regimental desprovido. (A gravo R e gim e n ta l n o R e cu rso E sp e cia l Eleitoral n * 3S.5S5/AL. R e­
lator: M in istro R icard o íe w a n d o w sk l. DJE d e 18.9.2009).

5.3. Jurispradência selecionada


Aferição de inelegibilidade de eleitor analfabeto
EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. INELEGIBILIDADE. ANALFABETISMO. PARTICIPA­
ÇÃO EM PROGRAMA DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS. PRESUNÇÃO DE ALFABETIZAÇÃO. INOCOR-
RÊNCIA. REALIZAÇÃO DE TESTE PARA AFERIR ALFABETIZAÇÃO. POSSIBILIDADE.
1. A mera participação em programa de alfabetização de Jovens e adultos não gera a presunção de que o
agravante foi alfabedzado.
2. É possível a realização de teste de escolaridade do candidato se houver dúvida sobre sua condição de
alfabetizado.
3. Agravo regimental a que se nega provimento. Publicado na sessão de 25.11.2008. (A gra v o R e gim e n tal
n o R e cu rso Esp e cia l Eleitoral n o 30.131/RN R R elator: M in istro E ro s Grau}.

Possibilidade de reconhecimento e x officio de causa de inelegibilidade pela Jú stí^ Eleitoral


EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. ELEIÇÕES 2008. CAUSA DE INELEGIBILI­
DADE. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. DECISÃO AGRAVADA, INOVAÇÃO. INVIABILIDADE.
NÃO-PROVIMENTO,
1. Nos processos de registro de candidatura, o Juiz Eleitoral pode conhecer de ofício vícios que acarre­
tam 0 indeferimento do registro, sejam eles decorrentes da ausência de condição de elegibilidade ou da

156
C a p R u lo I I I . DIREITOS POLÍTICOS

existência de causa de inelegibilidáde (art. 46 da Res.-TSE no 22.717/2008). Precedentes: AgR-REspe no


31.330/PR, de minha relatoria, publicado na sessão de 19:11.2008; ÁgR-REspe no 34.007/PE, de minha
relatoria, publicado ha sessão de 26.11.2008; AgR-REspe no 33.558/PI, rei. Min. Joaquim Barbosa, publi­
cado na sessão de 30.10.2008; AgR-RO no 1.178/RS, rei. Min. Cezar Peluso, DJ de 4.12.2006; RO no 932/
GO, rei. Min. José Delgado, publicado na sessão de 14,9.2006.
2. Com relação à natureza das irregularidades que ensejaram a rejeição das contas, o agravante inova nas
razões do recurso especial, o que se mostra inviável em agravo regimental. Precedente; AgR-REspe no
31.368/PA, rei. Min. Aldir Passarinho Junior, publicado na sessão de 3.11.2008.3. Agravo regimental não
provido. Publicado na sessão de 3.12.2008. Agravo Regimental no Recurso Especial Eleitoral n^ 32.915/
PR. Relator: Ministro Felix Fischer.

Causa de inelegibilidáde agitada em fase diversa da impugnação de pedido de registro de candidatura


EMENTA; REGISTRO. ACOLHIMENTO PELO TRE DE CAUSA DIVERSA DA ARTICULADA E DECIDIDA NA IM ­
PUGNAÇÃO. MALTRATO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. ADPF 144/STF.
1. Representa maltrato aos princípios da ampla defesa, do devido processo legal e do contraditório, o
acolhimento pelo Tribunal Regional Eleitoral, de causa de inelegibilidáde, agitada apenas em sede de
contrarrazões de recurso eleitoral, diversa daquela arguida e debatida na instrução probatória, sem au­
diência da parte e sem propiciar-lhe por isto mesmo chance de defesa.
2. A impugnação teve por base eventual desaprovação pela Câmara Municipal relativa ao exercício de
2003. Provada no recurso do impugnado situação diversa, qual seja, a aprovação pela casa legislativa,
o acórdão teve por base desaprovação das contas do exercício de 2004, tema somente articulado em
contrarrazões pela coligação impugnante.
3. Ação civil pública por Improbidade administrativa, sem decisão final com trânsito em julgado não con­
duz à inelegibilidáde, ADPF 141/STF.
4. Agravo provido para, conhecendo do especial, deferir o registro. (P u b lic a d o n a s e s s d o d e 3.12 .20 08 .
A g ra vo R e gim e n tal n o R e cu rso E sp e cia l Ele ito ra l n o 33.066/RJ. R e lato r: M in istr o F e rn a n d o G onçalves).

4. QUESTÕES D E EXAMES E CO N CU RSO S

01. (MPF/PROCURADOR DA REPÚBLICA - 219 CONCURSO). As condições de elegibilidade, segundo a


Constituição
a) somente permitem que os candidatos sejam eleitos se forem competentes e íntegros e obtiverem
apoio partidário e popular;
b) são condições impostas a todos, partidos políticos e candidatos, sob pena de inelegibilidáde absoluta;
c) condicionam a votação do eleitorado à verificação futura da moralidade administrativa do candidato
pela Justiça Eleitoral;
d) são pré-requisitos para a candidatura a cargos eletivos, como filiação partidária e domicílio eleitoral,
sendo as inelegibilidades restrições ã capacidade eleitoral passiva.

02. (MPF/ PROCURADOR DA REPÚBLICA^ 179 CONCURSO). São inelegíveis


a) o cônjuge e os parentes consanguineos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, dos Senadores e
Deputados;
b) os inalistáveis e os analfabetos;
c) os brasileiros naturalizados;
d) os militares, os magistrados e òs membrtá: do Ministério Público.

03. (MPF/ PROCURADOR DA REPÚBUCA -1 4 « CONCURSO). São inelegíveis


I. os analfabetos, os estrangeiros e, durante o período do serviço militar obrigatório, os conscritos;
CURSO D E DIREITO ELErTORAL - Roberto M ortíra de Almeida

II. no território da jurisdição do titular, os parentes consa{iguineos ou afins, até o segundo grau ou por
adoção, do Vice-Prefeito ou do Vice-Governador que tenham substituído o Chefe do Executivo den­
tro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se Já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição;
III. para os mesmos cargos de Presidente da Repúbiica, Governadores de Estado e do Distrito Federai, e
Prefeitos, os que os tiverem exercido em qualquer época e os titulares ou quem os houver sucedido
ou substituído no período de seis meses anteriores ao pleito;
IV. os que incidirem nas hipóteses previstas em lei complementar, visando a proteger a probidade na
administração pública, a moralidade no exercício do mandato, considerada a vida pregressa do can­
didato, e a normalidade das eleições contra o abuso do poder econômico ou de autoridade.
Analisando as assertivas acima, pode-se afirmar que:
a) todas estão corretas;
b) somente as de números I e IV estão corretas;
c) estão corretas apenas as de números II e III;
d) as de números I, II e IV estão corretas.

04. (MPF/PROCURADOR DA REPÚBLICA-21» CONCURSO). São inelegíveis


os candidatos que incidirem nas hipóteses de inelegibilidades previstas na Constituição Federal e na
Lei Complementar n® 64/90;
II. os candidatos declarados como tais pela Justiça Eleitoral, em decisão transitada em julgado, julgando
procedente representação por abuso de poder econômico, de poder de autoridade ou utilização
indevida de veículos ou meios de comunicação social;
III. os candidatos à reeleição para a Chefia do Executivo, e quem os houver sucedido ou substituído no
curso dos mandatos, para mais de um período subsequente;
IV. os candidatos à reeleição para o Poder Legislativo, por mais de dois mandatos, seja pelo sistema pro­
porcional ou segundo o princípio majoritário.
Analisando-se as assertivas acima, pode-se afirmar que:
a) todas estão corretas;
b) apenas as de números I e II estão corretas;
c) estão corretas as de números I, II e III;
d) todas estão Incorretas.

os. (MPF/PROCURADOR DA REPÚBLICA -1 7» CONCURSO). São condições de elegibilidade


a) 0 registro da candidatura, a intensa propaganda eleitoral e a obtenção de votos;
b) 0 alistamento eleitoral, a filiação partidária e o dornicíiio eleitoral na circunscrição;
c) aquelas estabelecidas em lei complementar, a fim de proteger a probidade administrativa e a morali­
dade para o exercício do mandato;
d) as que, nos termos do Código Eleitoral, são estabelecidas por Resolução do Tribunal Superior Eleitoral.

06. (MPF/PROCURADOR DA REPÚBLICA - 19» CONCURSO). Na democracia brasileira


1. a soberania popular é exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, cláusula pétrea na
Constituição;
todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, me­
diante piebiscito, referendo ou iniciativa popular;
adota-se sistema parlamentarista, não podendo o Presidente da República realizar oseu programa de
governo sem o apoio de maiorias eventuais na composição partidária do Congresso Nacional.
Analisando-se as assertivas acima, pode-se afirmar que: •
estão corretas as de números I e II;

158
C apítulo III • DIREITOS POLÍTICOS

Bj somente as de números II e III estão corretas;


c) todas estão corretas;
apenas as de números corretas,

07. (MPF/PROCURADOR DA REPÚ BLICA-19® CONCURSO). Os direitos politicos, segundo a Constituição


da República
à) não podem ser cassados, nem suspensos em nenhuma hipótese, porque essenciais à consolidação do
t regime democrático no País;
b) podem ser cassados nas hipóteses de corrupção e subversão, visando a garantir a lisura nos pleitos e
a probidade na administração pública;
c) , podem ser suspensos, ou ter decretada a sua perda, nas hipóteses de condenação criminal transitada
em julgado, enquanto durarem seus efeitos, incapacidade civil absoluta, cancelamento de naturaliza-
:' i ção por sentença transitada em julgado, recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação
alternabva e improbidade administrativa;
d) não podem ser cassados, nem suspensos, nem ter sua perda decretada, salvo nas hipóteses de estado
de sítio e estado de emergência.

08. {MPF/PROCURADOR DA REPÚBLICA -17® CONCURSO). Os direitos políticos


a) não podem ser cassados ou suspensos em nenhuma hipótese;
b) podem ser suspensos nos casos de Improbidade administrativa e de condenação criminal transitada
em julgado, enquanto durarem os seus efeitos;
c) serão cancelados, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral, nas hipóteses de cassação de mandado
de Parlamentar por violação do decoro;
d) podem ser cassados definitivamente, nos casos de prática de crimes hediondos e terrorismo.

09. (MPF/PROCURADOR DA REPÚBLICA -1 9 « CONCURSO). As inelegibilidades


a) são restrições a direitos políticos que somente podem ser estabelecidas no próprio texto da Constí-
tuição ou no Código Eleitoral;
b) podem ser constitucionais ou infraconstitucionaís, sendo que estas são previstas em lei complemen­
tar para proteger a probidade administrativa, a moralidade para o exercício do mandato e a normali­
dade e legitimidade das eleições contra a influênda do poder econômico ou o abuso do exercício de
função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta;
c) implicam restrições à capacidade eleitoral ativa e passiva, impedindo, como restrições dos direitos
políticos, o direito de votar e de ser votado;
d) devem ser interpretadas de forma extensiva e analógica visando a restringir direitos políticos ativos
e passivos de participação no processo eleitoral, inclusive o alistamento e o voto.

10. (MPF/ PROCURADOR DA REPÚBLICA -1 8 « CONCURSO). As inelegibilidades


a) se não arguidas na impugnação do registro de candidatura, podem ser opostas a qualquer momento,
mesmo as de natureza infraconstitucional;
b) estão previstas na própria Constituição e no Código Eleitoral;
c) são restrições impostas a pessoas que tiveram seus direitos políticos suspensos por decisão da Jusfiça
Eleitoral;
d) estão previstas na Constituição Federal e em Lei Complementar, estabelecendo esta outros casos e
os prazos de sua cessação.

11. (MPF/PROCURADOR DA REPÚBLICA - 19« CONCURSO). São condições de elegibilidade, segundo a


Constituição

159
CURSO DE O m m O E L E n O R M - R o berto M oreira de A lm e id a

a) a receptividade pelo eleitorado de acordo com pesquisas registradas, nos termos da lei, no Tribunal
Superior Eleitoral;
b) para Deputado Federal, Senador e Presidente da República ser brasileiro nato, ser filiado a partido
político e ter domicílio eleitoral na circunscrição;
c) as condições impostas pelos partidos políticos para aprovação em convenção partidária da escolha
do candidato, isoladamente ou em coligação com outros Partidos, considerando os princípios da de­
mocracia interna e da autonomia para definir sua estrutura interna, organização e funcionamento;
d) a nacionalidade brasileira, o pleno exercício dos direitos políticos, o alistamento eleitoral, o domicílio
eleitoral na circunscrição, a filiação partidária e a idade mínima prevista para os respectivos cargos
eletivos.

12. (MPF/PROCURADOR DA REPÚBLICA - IBS CONCURSO). São condições de elegibilidade, na forma da


lei
a) a obtenção de votos válidos nas eleições e ter sido registrada a candidatura;
b) a filiação partidária e o domicílio eleitoral na circunscrição;
c) para Presidente da República, Governadores de Estados, Senadores e Deputados Federais, a condi­
ção de brasileiro nato, em pleno exercício dos direitos politicos, e a idade mínima prevista para os
respectivos cargos eletivos;
d) a não configuração de hipótese de inelegibilidade e o registro do candidato na Justiça Eleitoral.

13. (MPF/PROCURADOR DA REPÚBLICA - 15® CONCURSO). São condições de elegibilidade, segunda a


Constituição
a) ter o candidato concluído curso de nível superior ou, pelo menos, de nível médio, e ter a idade míni­
ma prevista para o cargo eletivo;
b) estar o eleitor no pleno exercício dos direitos políticos, ter no mínimo vinte e um anos de idade se bra­
sileiro e se estrangeiro, deve ainda falar fluentemente o idioma oficial do País e não pode concorrer a
cargos privativos de brasileiro nato;
c) o alistamento eleitoral, a filiação partidária e o domicílio eleitoral na circunscrição;
d) a capacidade de persuasão do candidato e os meios materiais usados na campanha, mesmo que não
seja filiado qualquer partido político.

14. (MPF/PROCURADOR DA REPÚBLICA- 20« CONCURSO). São condições de elegibilidade, na forma da lei
a) atender aos anseios populares e ter votos suficientes nas eleições;
b) ser Integro e ter a competência e experiência necessárias para o cargo eletivo pretendido;
c) a nacionalidade brasileira, o pleno exercício dos direitos políticos, o alistamento eleitoral, o domicílio
eleitoral na circunscrição, a filiação partidária e a idade mínima para os cargos eletivos, nos termos
da Constituição;
d) as exigidas pelos partidos políticos para as candidaturas, dentre outras as de moralidade administra­
tiva e competência, além das cotas para as mulheres nas hipóteses de eleições proporcionais para
Deputados Federais e Estaduais;

15. (MPF/PROCURADOR DA REPÚBLICA - 13« CONCURSO). Tratando-se de perda e suspensão de direi­


tos políticos, pode-se afirmar que
a) a perda equivale à cassação;
b) os efeitos de uma condenação criminal transitada em julgado são causa de suspensão;
c) a condenação judicial, por ato de improbidade administrativa, nos termos do artigo 37, inciso 4«, da
Constituição Federal, é causa de perda;
d) a aquisição voluntária de outra nacionalidade é causa de suspensão.

160
C apftu lo III • DIREITOS POLITICOS

16. (MPF/PROCURADOR DA REPÚBLICA - 13B CONCURSO). Tratando-se de inelegibilidade, pode-se afir­


mar que
a) 0 Vereador é inelegível para o mesmo cargo, no período subsequente, no mesmo Município;
b) 0 Prefeito é inelegível para o cargo de Vice-Prefeito, no mesmo Município, no período subsequente;
c) é inelegível o Vereador, filho de Prefeito do mesmo Município, para o mesmo cargo de Vereador;
d) é ineiegível para Deputado Estadual o filho do Prefeito, do mesmo Estado-membro.

17. (MPF/PROCURADOR DA REPÚBLICA -1 3 » CONCURSO). Oficial, da ativa, de qualquer das Forças Ar­
madas, com mais de dez anos de serviço
a) é inelegível, porque proibida constitucionalifiente sua filiação a partido político;
b) é elegívei, não se lhe aplicando o prazo de filiação partidária, mas, apenas, o de registro de candidato;
c) se eleito Deputado Estadual, torna-se agregado, no ato de diplomação;
d) se eleito Senador, passa para a inatividade, independentemente do ato de diplomação.

18. (MPF/PROCURADOR DA R E P Ú B U C A -13^ CONCURSO). Tendo em vista os direitos politicos, pode-se


dizer que
a) a inelegibilidade acarreta a suspensão dos direitos políticos;
b) a suspensão dos direitos políticos pode ser decretada por sentença judicial, em ação ordinária, de
caráter não penal;
c) a reaquisição dos direitos políticos suspensos depende de declaração judicial;
d) a inelegibilidade acarreta a inalistabilidade.

19. (MPF/PROCURADOR DA REPÚBLICA- 14B CONCURSO). A soberania popular é exercida pelo sufrágio
universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, podendo ser candidatos a cargos
eletivos
a) os brasileiros natos ou naturalizados inscritos como eleitores, filiados a partidos políticos e no pleno
exercício dos direitos políticos;
b) so m e n te o s brasile iro s n a to s n o p le n o e x erc íc io d o s d ire ito s p o lític o s;
c) os brasileiros natos ou naturalizados que preencham as condições do item "a" e, além disso, tenham
a idade mínima para o cargo pretendido, domicílio eleitoral na circunscrição e não sejam analfabetos
ou inelegíveis, ressalvados os cargos privativos de brasileiro nato;
d) os brasileiros natos ou naturalizados inscritos como eleitores, filiados a partidos políticos e no pleno
exercício dos direitos políticos, desde que não sejam analfabetos, tenham a idade mínima para o
cargo pretendido e domicílio eleitoral na circunscrição.

20. (MPF/PROCURADOR DA REPÚBLICA - 15* CONCURSO). A soberania popular, segundo a Constitui­


ção, é exercida
I. pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, em eleições periódi­
cas para o Legislativo e o Executivo;
II. mediante plebiscito ou referendo;
III. pela liberdade sindical, o direito de greve e a dispensa temporária de trabalhadores;
IV. através de iniciativa popular, pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito
por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com
não menos de três décimos por cento .dos eíeitores de cada um deles.
Analisando as assertivas acima, pode-se afirmar que:
a) Todas estão corretas;
b) Somente as de números I, II e III estão corretas;

161
CU RSO D E DIREITO í\£S TO R A L-R o berto Moreira de Almeida

c) Estão corretas apenas as de números II, III e IV;


d) Apenas as de números I, II e IV estão corretas.

21. (MPF/ PROCURADOR DA REPÚBLICA - 20» CONCURSO). A soberania popular, segundo a Constitui­
ção
a) é fundamento da democracia representativa e manifesta-se apenas nas eleições dos representantes
do povo;
b) é exercida unicamente por meio dos seus representantes e nunca diretamente pelo próprio povo;
c) significa que o povo tem poderes inerentes ao soberano e sempre diretamente exercido pór ele pró­
prio;
d) será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todòs, e, nos
termos da lei, mediante plebiscito, referendo e iniciativa popular.

22. (MPF/PROCURADOR DA REPÚBLICA -1 5 9 CONCURSO). Os direitos políticos, segundo a Constituição


I. Não poderão ter sua perda ou suspensão decretadas em nenhuma hipótese, sob pena de violação de
princípio fundamental do Estado Democrático de Direito;
II. Ficarão suspensos na hipótese de condenação criminai transitada em julgado, enquanto durarem
seus efeitos;
III. Terão sua perda ou suspensão decretada nos casos, respectivamente, de inelegibilidade absoluta ou
relativa;
IV. Terão sua perda decretada nos casos de aquisição voluntária de outra nacionalidade e de cancela­
mento de naturalização por sentença transitada em Julgado.
Analisando as asserções acima, pode-se afirmar que:
a) Somente a de número I está correta;
b) As de números II, III e IV estão corretas;
c) Estão corretas apenas as de números II e IV;
d) Apenas as de números III e IV estão corretas.

23. (MPF/PROCURADOR DA REPÚBLICA -16® CONCURSO). As inelegibilidades, conforme a Constituição


a) são condições de elegibilidade que têm caráter absoluto, em todas as hipóteses, visando a assegurar
a lisura no processo eleitoral;
b) distinguem-se das condições de elegibilidade e, além das inelegibilidades constitucionais, outras hi­
póteses de inelegibilidade de natureza infraconstitucional, são estabelecidas em lei complementar;
c) podem ser absolutas ou relativas, constitucionais ou infraconstitucionaís, implicando restrições a
direitos políticos somente nas hipóteses definidas pelo Ministério Público diante da gravidade das
violações à lisura do pleito; ? ■
d) não permitem a reelegibilidade para os cargos de Chefia dos Poderes Executivo Federal, Estadual e
Municipal, salvo nas hipóteses de plebiscito.

24. (MPF/PROCURADOR DA REPÚBLICA - 20« CONCURSO). As hipóteses de inelegibilidades


a) estão previstas no Código Eleitoral e resultam de decisões da Justiça Eleitoral nele baseadas;
b) são situações fáticas, sem previsão legal, apuradas em representações por abuso de poder econômi­
co e político;
c) estão previstas na Constituição Federal e ainda em lei complementar a fim de proteger a probidade
administrativa, a moralidade para o exercício do mandato, considerada a vida pregressa do candida­
to, a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do
exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta;
d) são situações de direito eleitoral, tipificadas como crimes eleitorais, tendo em vista a improbidade admi-

162
Capitu lo III • DIREITOS POLITICOS

nistrativa e as ilegalidades nos gastos nas campanhas, corrupção, fraude e abuso do poder econômico.

25. (MPF/PROCURADOR DA REPÚBLICA -1 5 « CONCURSO). S3o Inelegíveis


I. os inalistáveis e os analfabetos;
'll. o cônjuge e os parentes consanguineos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da
República, do Governador ou do Prefeito, no território da Jurisdição do titular, em qualquer hipótese;
ílll. os que forem condenados criminalmente, com sentença transitada em julgado, pela prática de crime
contra a administração pública, peiò prazo de três anos após o cumprimento da pena.
aqueles que não se tenham afastado de determinados cargos públicos mencionados na lei das inele-
gibllidades, a que se refere a Constituição Federal, nos prazos legais para desincompatibilização.
,1.) Analisando as assertivas acima, pode-se afirmar que:
. a) As de números I, li e III estão corretas;
<b) Estão corretas apenas as de números II, III e IV;
■ c) Somente as de números 1, III e IV estão corretas;
d) Todas estão corretas.

26. (MP/MG - PROMOTOR DE JUSTIÇA - 39« CONCURSO). Assinale a assertiva falsa: nos termos da Lei
Complementar n«. 64, DE 18 DE MAIO DE 1990
a) são inelegíveis para qualquer cargo os analfabetos.
b) são inelegíveis para qualquer cargo aqueles que forem declarados indignos do oficialato, ou com ele
incompatíveis, pelo prazo de 4 (quatro) anos.
c) são inelegíveis para qualquer cargo os que forem condenados criminalmente, com sentença tran­
sitada em julgado, pela prática de crimes contra a economia popuiar, a fé pública, peio tráfico de
entorpecentes e por crimes eleitorais, pelo prazo de 3 (três) anos, após o cumprimento da pena.
d) compete ao Tribunal Regional Eleitoral decidir as arguições de inelegibilidade, quando se tratar de
candidato a Governador.
e) compete ao Juiz Eleitoral decidir as arguições de inelegibilidade, quando se tratar de candidato a
Deputado Estadual.

27. (MP/MA - PROMÒTOR DÉ JUSTIÇA). Com relação à inelegibilidade, no direito brasileiro, é correto
afirmar
a) decorre exclusivamente da Constituição Federal e do Código Eleitoral.
b) decorre excluslvamente da Constituição Federal e de Lei Complementar.
c) decorre excluslvamente da Constituição Federal.
d) decorre excluslvamente de Lei Complementar.
e) decorre excluslvamente do Código Eleitoral.

28i (MP/MA - PROMOTOR DE JUSTIÇA). Sobre as condições constitucionais de elegibilidade é incorreto


, afirmar
a) 0 candidato deverá possuir domicílio eleitoral na respectíva circunscrição pelo prazo pelo menos, um
ano antes do pleito.
b) 0 candidato a Presidente da República deverá ter, no mínimo, trinta e cinco anos de idade.
c) 0 candidato a Deputado Federal e a Senador da República deve ser brasileiro nato.
d) 0 candidato deverá estar com filiação deferida pelo partido político no mínimo há 6 (seis) meses da
data da eleição.
e) 0 candidato a Deputado Estadual deverá ter, no mínimo, vinte e um anos de idade.

29. (MP/MA - PROMOTOR DE JUSTIÇA). Acerca da elegibilidade é Incorreto afirmar

163
CURSO DE DIREITO ELEITOR A L-fíoberto Moreira de Almeida

a) idade mínima de 35 anos para Presidente da República, Vice-Presidente e Senador;


b) idade mínima de 30 anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal e De­
putado Federal;
c) idade mínima de 21 anos para Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz;
d) Idade mínima de 18 anos para Vereador;
e) é privativo do brasileiro nato o cargo de Presidente da República.

30. (MP/PB - PROMOTOR DE JUSTIÇA - l i s CONCURSO). Muitas são as condições de elegibilidade que devem
ser preenchidas para a participação política ativa e passiva. Rinaldo é oficial da Polícia Militar do Estado e
conta mais de dez anos de serviço. Resolveu ser candidato a Deputado Estadual. Nesse caso, ele é
a) elegível e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomaçâo, para a inatividade.
b) inelegível, porque os policiais militares estaduais são inalistáveis.
c) elegível e, se eleito, deverá permanecer afastado de suas funções até o término do mandato.
d) inelegível, visto que o militar só pode ser candidato a cargo eletivo após vinte anos de serviço.
e) elegível e só será afastado de suas funções se o requerer e não houver compatibilidade de horários.

31. (MP/PB - PROMOTOR DE JUSTIÇA - 1 1 * CONCURSO). Dentre os relacionados abaixo, são elegíveis
para qualquer cargo
a) os maiores de 15 (dezesseis) e menores de 18 (dezoito) anos;
b) os maiores com 21 (vinte e um) anos;
c) os inalistáveis;
d) os maiores de 70 (setenta) anos;
e) os analfabetos.

32. (MP/RN - PROMOTOR DE JUSTIÇA). De acordo com as d isp o siçõ e s da Lei C o m p le m e n ta r n®. 64/90,
ju lgue as se gu intes assertivas, atribu in d o-lhes (v) verdad eiro ou (f) falso, a ssin alan d o a alternativa
qu e contenha a sequência correta
1. Qualquer partido político, coligação, candidato ou Ministério Público Eleitoral poderá representar à
justiça Eleitoral, diretamente ao Corregedor-Geral ou Regional, relatando fatos e indicando provas,
indícios e circunstâncias e pedir abertura de investigação Judicial para apurar uso indevido, desvio ou
abuso do poder econômico ou do poder de autoridade, ou utilização indevida de veículos ou meios
de comunicação social, em benefício de candidato ou de partido político;
li. Constitui Ilícito administrativo, punido com multa, a arguição de inelegibilidade, ou a impugnação
de registro de candidato feito por interferência do poder econômico, desvio ou abuso do poder de
autoridade, deduzida de forma temerária ou de manifesta má-fé;
III. Entre o u tro s efeitos, a sentença prolatada, antes da eleição, torna o rep re se n tad o inelegível para o
pleito e para os que se realizarem nos 4 an os su b se q u e n te s à eleição e m que se verificou o ato enseja-
do r da ação de investigação judicial eleitoral, bem co m o o can celam e n to d o registro da candidatura;
IV. A d eclaração de inelegibilidade do candidato a prefeito m unicipal atingirá o candidato a Vice-Prefeito;
V. São inelegíveis, para qualquer cargo, o prefeito e o vice-prefeito que perderem seus cargos eletivos
por infringência a dispositivo da Constituição Estadual ou da Lei Orgânica do Município, para as elei­
ções que se realizarem durante o período remanescente e nos 4 anos subsequentes ao término do
mandato, para o qual tenham sido eleitos.
a) VFVVF

b) FVFVF
c) VFVFV
d) VFFFF

e) FVFFV

164
C a p ítu lo III ■ DIREITOS POLITICOS

33. (MP/MT - PROMOTOR DE JUSTIÇA). Ao inscrever-se como candidato a determinado cargo eletivo,
o indivíduo
a) exerce um direito político ativo;
b) exerce um direito político positivo;
c) ambas as alternativas procedem, uma vez que se completam;
d) nenhuma procede.

34. (MP/MT - PROMOTOR DE JUSTIÇA). O regime de sufrágio adotado pela Constituição Brasileira é
a) universal censitário;
b) universal inígualitário;
c) universal capacitário;
d) universal igualitário.

35. (MP/TO - PROMOTOR DE JUSTIÇA). São condições de elegibilidade


a) a nacionalidade e o pleno exercício dos direitos políticos;
b) filiação partidária e residência no local onde o candidato pleiteia sua candidatura, ainda que inscrito
e m outra circunscriçâo eleitoral;
c) Idade mínima de 21 anos para a disputa de qualquer cargo;
d) segundo grau completo, em qualquer escola do país ou do exterior, para a disputa do cargo de Presi­
dente da República;
e) n ã o e star re sp o n d e n d o a p ro c e s s o crim inal.

36. (M P /C E - PROMOTOR DE JUSTIÇA). Assinale a opção correta


a) n e n h u m b rasileiro p o d e se r e xtrad itad o ;
b) d u ra n te o p e rio d o de prisão alb ergue, o condenado por senten ça crim inal tran sitada e m Julgado não
so fre a s u sp e n s ã o d o s se u s d ire ito s politicos;
c) atos de improbidade administrativa a c a r r e t a m a perda dos direitos políticos;

d) so m e n te b rasileiro s p o d e m titularizar c a r g o s pú b lico s;


e) o a n a lfa b e to n ã o p o ssu i c a p a c id a d e e le ito ral p assiva.

PROMOTOR OE JUSTIÇA - ADAPTADA). A id a d e m ínim a, variável se gu n d o o cargo eletivo, é


37. ( M P / S E -
uma das condições de elegib ilid ade. E ssa c o n d iç ã o d e ve estar atendida na data d o certam e eleitoral,
segundo entendeu o Tribunal Su p e rio r Eleitoral. Tod avia, para a Lei ns 9.504, que estabelece normas
para as eleições, e sse lim ite é o dia (salvo p a ra e le iç ão d e vereador):
a) anterior às eleições.
b) do alistamento eleitoral.
c) do registro da candidatura.
d) da diplomação.
e) da posse.

3 8 . ( M P / P A - P R O M O T O R D E J U S T IÇ A ) . E m r e la ç ã o à in e le g ib ilid a d e d e g e s t o r m u n ic ip a l d iz - s e q u e :

a) s e g u n d o a le i d o s p a r t i d o s p o l i t i c o s , a d u p l a f i l i a ç ã o o c o r r e q u a n d o o f i l i a d o c a n c e l a s u a i n s c r i ç ã o e m
u m a a g r e m i a ç ã o e, a p ó s t r ê s d i a s , s o l i c i t a i n s c r i ç ã o e m o u t r a a g r e m i a ç ã o , e f e t u a n d o c o m u n i c a ç ã o à
p r im e ir a a g r e m ia ç ã o .

b) o a n a lf a b e t o n ã o p o d e a lis t a r - s e , n ã o t e n d o , p o i s c a p a c id a d e e le ito r a l,

c) é c o n d iç ã o d e e le g ib ilid a d e p a r a a C â m a r a d e V e r e a d o r e s s e r m a io r d e 2 5 a n o s .

165
CU RSO D E DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

d) o órgão competente para rejeitar contas de Prefeito Municipal, tornando-o inelegível, é a Câmara de
Vereadores.

39. (OAB/DF - EXAME DA ORDEM). Sobre os direitos políticos marque a opção correta.
a) o maior de 16 e menor de 18 anos não é obrigado a se alistar como eleitor, no entanto, uma vez alis­
tado, estará obrigado a votar.
b) nacionalidade se confunde com direitos políticos.
c) a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor um ano após a sua promulgação.
d) o Governador de um determinado Estado não mais pretende se reeleger, não obstante a constituição
permitir, no entanto sua esposa deseja candidatar-se ao mesmo cargo (Governadora). Nesse caso,
não haverá impedimento para a candidatura referida desde que o seu marido renuncie ao cargo até
seis meses antes do pleito.

40. (OAB/MG - EXAME DA ORDEM). Marque a única alternativa correta


a) o alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para os maiores de dezesseis anos;
b) são condições de elegibilidade ter nacionalidade brasileira e ser alfabedzado;
c) de acordo com as últimas reformas constitucionais, apenas o Presidente da República poderá ser
reeleito para mais de um período consecutivo, enquanto os demais ocupantes de cargos públicos só
poderão ser reeleitos para um único período subsequente;
d) a idade mínima para se candidatar ao cargo de Presidente e Vice-Presidente da República e Senador
é de trinta anos.

41. (OAB/PI - EXAME DA ORDEM). Com relação aos direitos políticos, assegurados na Constituição Fede­
ral, é correto afirmar que
a) a co n d e n ação p o r ato d e im p ro b id ad e ad m inistrativa implica na suspensão dos direitos políticos.
b) to d o s aqu eles que podem vo tar p o d e m ser votados.
c) o a listam en to eleitoral e o voto são obrigatórios para todos os brasileiros maiores de dezoito anos.
d) são co n d içõ e s de elegibilidade: a nacionalidade brasileira, o alistamento militar, o domicílio eleitoral
na circunscrição, a filiação partidária e a idade mínima de vinte e um anos.

42. (OAB/RN - EXAME DA ORDEM). O direito de sufrágio é a essência do direito político, expressando-se
pela capacidade de eleger e de ser eleito. Assim, o direito de sufrágio apresenta-se nos aspectos se­
guintes. Assinale os aspectos corretos referentes ao direito de sufrágio
a) capacidade eleitoral subjetiva e ativa
b) capacidade eleitoral passiva e direito de ser votado,
c) capacidade eleitoral ativa e Capacidade Eleitoral Passiva
d) capacidade eleitoral ativa e alistabilidade.

43. (SP/SSP - DELEGADO DE POlfCIA CIVIL). A idade mínima exigida como condição de elegibilidade para
o cargo de Senador é de
a) vinte e um anos.
b) trinta anos.
c) trinta e cinco anos.
d) quarenta anos.
CONSIDERANDO A SITUAÇÃO HIPOTÉTICA DESCRITA NO TEXTO, JULGUE AS QUESTÕES SEGUINTES:
"Gabriel, oficial da Marinha brasileira com seis anos de serviço, decidiu candidatar-se a Deputado
Federal pelo Rio Grande do Norte - RN, nas eleições de 2002, pelo Partido Azul (RA). Embora,

166
Capítulo III •DIREITOS POLITICOS

durante os últimos três anos, Gabriel tenha residido no RIM e esteja inscrito em uma Seção Elei­
toral de Natal - RN, por força de sucessivas remoções ex officio, ele não residiu por mais de seis
rneses seguidos na mesma cidade, durante esse período, sendo que sua última remoção ocorreu
em 10/1/2002, quando se mudou para Mossoró - RN? Para evitar transtornos, Gabriel consultou a
assessoria jurídica do Ministério da Marinha acerca de como ele deveria proceder para afastar-se
de sua atividade. Em resposta, obteve a informação de que precisaria afastar-se definitivamente da
abvidade militar para concorrer a cargo público eletivo, pois somente os militares com mais de dez
anos de serviço poderiam afastar-se temporariamente do cargo até a eleição. Afirmou também a
referida assessoria que, de toda forma, não havería mais tempo hábil para que Gabriel se desligas­
se das Forças Armadas e fosse candidato nas eleições de 2002, pois ele não mais poderia cumprir
a exigência da legislação eleitoral no sentido de que somente podem concorrer a cargo eletivo
eleitores filiados ao respectivo partido político pelo menos um ano antes da data do pleito".

44. (CESPE/SENADO FEDERAL/CONSULTOR LEGISLATIVO). Se Gabriel não fosse oficial e estivesse pres­
tando serviço militar obrigatório durante os seis meses que antecedessem à eleição, então ele não
seria alistável no período em que os partidos devem registrar seus candidatos e seria inelegível para
0 cargo a que pretendia candidatar-se.

45. (CESPE/SENAOO FEDERAL/CONSULTOR LEGISLATIVO). É improcedente a afirmação da assessoria


jurídica de que Gabriel seria inelegível por não mais poder cumprir o tempo mínimo de um ano de
filiação, pois essa é uma exigência da legislação eleitoral que se aplica aos candidatos em geral, mas
não aos oficiais das Forças Armadas.

46. (CESPE/SENADO FEDERAL/CONSULTOR LEGISLATIVO). É incorreta a afirmação da assessoria jurídica


, de que Gabriel precisaria afastar-se definitivamente da atividade militar para concorrer à eleição,
pois seria suficiente um licenciamento provisório até a realização do pleito, sendo que o afastamento
definitivo deveria ocorrer apenas na eventualidade de o candidato ser efetivamente eleito.

47. (CESPE/SENADO FEDERAL/CONSULTOR LEGISLATIVO). Se O PA efetuasse O pedido de registro da


candidatura de Gabriel, a autoridade competente para apreciar esse pedido não seria o Juiz Eleitoral
de Natal responsável pela Seção Eleitoral em que Gabriel é Inscrito.

48. (CESPE/SENADO FEDERAL/CONSULTOR LEGISLATIVO). Supondo que o Partido Branco (PB) tenha
impugnado o pedido de registro da candidatura de Gabriel, sustentando que ele não preenchia um
requisito básico de elegibilidade porque, na data da eleição de 2002, ele não terá cumprido a exigên­
cia de domicílio eleitoral na circunscrição de Natal - RN durante o período de um ano, então a justiça
eleitoral deverá declarar a inelegibilidade de Gabriel, pois o PB tem legitimidade ativa para proceder
à impugnação e sua argumentação jurídica é procedente.

49. (CESPE/SENADO FEDERAL/CONSULTOR LEGISLATIVO). Os analfabetos são inelegíveis, mas podem


alistar-se e votar.

50. (TRE/SP - ANALISTA JUDICIÁRIO). O analfabeto


a) pode ser eleito para as Assembléias Legislativas.
b) pode ser eleito para a Câmara dos Deputados.
c) só pode alistar-se se souber ao menos assinar o nome.
d) pode ser eleito Prefeito Municipal.
e) é inelegível para qualquer cargo eletivo.

51. (CESPE/TRE/MT - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA). Considere que certa eleição municipal
com dois concorrentes ao cargo de prefeito tenha terminado empatada, sendo que um dos candida­
tos teve seu registro indeferido pela justiça eleitoral, sob o argumento de que se encontrava inelegí-

167
CURSO D E DIREITO i L B U O m . - Roberto Moreira de Atmelda

vel em decorrência de ter suas contas reprovadas peto tribunal de contas. Com base nessa situação
hipotética, assinale a opção correta.
a) A aferição das condições de elegibilidade e causas de Inéiegibilidade deve ser realizada até o dia da
eleição.
b) Será necessariamente declarado eleito o candidato que teve o registro deferido, por ter sido o único
que obteve votos válidos.
c) Para fins de aplicação do dispositivo previsto no Código Eleitoral, somam-se aos votos anulados em
decorrência da prática de conduta vedada os votos nulos por manifestação apoKtIca de eleitores.
d) A reprovação de contas pelo tribunal de contas ou pelo Poder Legislativo necessariamente acarreta
inelegibilidade e, por consequência, indeferimento do registro.
e) Caso 0 registro seja posteriormente deferido pela justiça eleitoral, deve ser declarado eleito o candi­
dato mais idoso.

52. (CESPE/TRE/MA - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA - ADAPTADA). Artur, com 17 anos de
idade, registrou-se como eleitor e filia-se tempestivamente a um partido político para concorrer ao
cargo de vereador. Nessa situação hipotética, em face das disposições constitucionais e legais a res­
peito da candidatura, Artur
a) poderá tomar posse no cargo, desde que tenha completado 18 anos de idade até a data-limite para o
pedido de registro de candidatura.
b) deverá ter sua candidatura negada pela justiça eleitoral, por não cumprir exigência constitucional de
idade mínima.
c) somente será legalmente considerado candidato se completar 18 anos de idade até a data da eleição.
d) deverá ter sua candidatura declarada ilegal, em qualquer situação, pois a idade mínima, no caso, é de
21 anos de Idade.
e) poderá ser legalmente considerado candidato apenas se obtiver autorização judicial prévia.

S3. (CESPE/MP/RN - PROMOTOR DE JUSTIÇA). Pedro, com nove anos de serviço, é militar alistávei e
teve o seu nome aprovado em convenção partidária para ser candidato a deputado estadual. Nessa
situação hipotética, Pedro
a) deve ser afastado do serviço militar.
b) deve ser agregado, podendo retornar ao serviço militar após a eleição.
c) perderá o cargo apenas se for eleito e empossado.
d) deve ser afastado temporariamente, podendo retornar ao cargo após o fim do mandato,
e) pode permanecer no serviço militar com todos os direitos.

S4. (CESPE/TJ/RR - ADMINISTRADOR). Julgue certo ou errado.


O legislador ordinário não tem competência para estabelecer normas relativas aos critérios de filia­
ção e de escolha de candidatos dos partidos políticos, visto que, no texto constitucional, é assegurada
ãs agremiações partidárias a autonomia para estabelecer as normas relativas à sua estrutura interna,
organização, fidelidade e disciplina partidárias, bem como ao seu funcionamento.

4.1. Questões extras

01. (TJ/SP - VUNESP - Juiz de Direito Substituto - 2014), Assinale a opção correta, a respeito da inele-
gibllldade.
a) A dissolução do vínculo conjugal, no curso do mandato, não afasta a inelegibilidade do cônjuge, que
não seja titular de mandato eletivo do Presidente da República, de Governador de Estado ou de
Prefeito, no território de jurisdição do titular do mandato, salvo se já titular de mandato eletivo e

168
C apftu lo III •DIREITOS P OLfriCO S

candidato à reeleição.
b) São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, os parentes consanguineos ou afins, até o segun­
do grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou de Prefeito, mesmo
que seja titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.
c) A dissolução do vínculo conjugal, no curso do mandato, afasta a inelegibilidade do cônjuge, que não
seja titular de mandato eletivo do Presidente da República, de Governador de Estado ou de Prefeito,
no território de jurisdição do titular do mandato.
d) São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, os parentes consanguineos ou afins, até o se­
gundo grau ou por adoção, de quem haja substituído, dentro de seis meses anteriores ao pleito, o
Presidente da República, o Governador de Estado ou o Prefeito, mesmo que seja titular de mandato
eletivo e candidato à reeleição.

02. [WIP/RS - Promotor de Justiça (adaptada) - 2014]. Julgue o item a seguir


São inelegíveis para todo e qualquer cargo, nos termos da Lei Complementar n.s 64/1990, com a re­
dação dada pela Lei Complementar n.s 135/2010 (Lei da Ficha Limpa), os inalistáveis e os analfabetos.

03. (MP/GO - Promotor de Justiça - Questão Discursiva). Discorra, em no máximo 1 (uma) lauda, sobre
a inelegibilidade reflexa e elegibilidade restrita ou limitada.

04. (MP/GO - Promotor de Justiça - Questão Discursiva). O TSE, nas eleições municipais, realizou julga­
mento em que se discutia a incidência e alcance da regra do art. 14, § 7°, da Constituição da República
de 1988. Pergunta-se (máximo de cinco linhas para cada resposta). O Juiz Eleitoral de primeira ins­
tância, ao julgar pedido de registro de candidata a Prefeita, pode reconhecer a inelegibilidade em de­
corrência de relação estável homossexual mantida com a Prefeita do Município? Justifique a reposta.

os. (MP/MS - Promotor de Justiça - Questão Discursiva). Em que momento o postulante a cargo po-
lítico-eletivo deve reunir as condições de elegibilidade, em face da legislação eleitoral? Quando re­
querer o registro de sua candidatura, no dia das eleições, na diplomação ou na posse? Como essa
questão vem sendo tratada na jurisprudência predominante do Tribunal Superior Eleitoral? Quando
a legislação permitiu a comprovação no momento da posse?

06. (M P/MS - Promotor de Justiça - Questão Discursiva). As condições de elegibilidade previstas no art.
14 da Constituição Federal, encerram todas as exigências para que o cidadão possa ser candidato a
cargo eletivo. Se afirmativa a resposta justifique. Se negativa, quais são as outras condições e justi­
fique?

07. (lESES/TRE/MA-Analista Judiciário - 2015). Jorge Silva é prefeito, pelo partido da Vida, do município
de Esplendor Dourado e seü filho Marcos Silva é presidente do partido da Ação, principal partido
de oposição no município, sem exercer mandato eletivo. Na próxima eleição municipal Jorge Silva
se candidata a reeleição ao cargo de prefeito e Marcos Silva concorre a prefeito como candidato de
oposição. Com relação ao tratamento das inelegibilidades é correto afirmar:
a) Marcos Silva poderá concorrer ao cargo de prefeito em razão de ser líder de partido de oposição e não
se beneficiar do fato de Jorge Silva, seu pai, ser o prefeito, inexistindo assim inelegibilidade reflexai
b) Marcos não poderá concorrer ao cargo de prefeito em razão de ser ocupante de presidência de par­
tido no mesmo território em que Jorge Silva, seu pai, exercer a função de prefeito, sendo neste caso
inelegível por ocupar a presidência do partido da Ação.
c) Marcos Silva é inelegível para concorrer ao cargo de prefeito do município de Esplendor Dourado em
razão de Jorge Silva, seu pai, ser ocupagte do cargo de prefeito neste município, ocorrendo incidência
da inelegibilidade reflexa.
d) Marcos Silva poderá concorrer em razão de Jorge Silva, seu pai, já ser titular de mandato eletivo e
estar concorrendo a reeleição, sendo este um caso.de inaplicabilidade da inelegibilidade reflexa.

169
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

08. (CESPE/TJ/DF - Juiz de Direito Substituto - 2015). Pedra e M arco s, este últim o casad o co m M aria,
fo ram eleito s para os c a rg o s de prefeito e de vice-prefeito, respectivam ente, do m unicípio X. N o
m a n d ato im e d ia ta m e n te posterior, fo ram reeieitos nos m e sm o s cargos. N o s seis m eses anteriores ao
p ró xim o pleito, M a r c o s su bstitu iu Ped ro tem porariam en te.
Marcos poderá se candidatar ao cargo de prefeito do município.

09. (CESPE/TJ/DF - Juiz de Direito Substituto - 2015). Pedro e Marcos, este último casado com Maria,
foram eleitos para os cargos de prefeito e de vice-prefeito, respectivamente, do município X. No
mandato imediatamente posterior, foram reeleitos nos mesmos cargos. Nos seis meses anteriores ao
próximo pleito. Marcos substituiu Pedro temporariamente.
Maria será inelegível no território da jurisdição de Marcos, sendo essa condição classificada como
cominada, isto é, sanção Juridica que se aplica a Maria por força de seu casamento.

10. (CESPE/TJ/DF - Juiz de Direito Substituto - 2015). Pedro e Marcos, este último casado com Maria,
foram eleitos para os cargos de prefeito e de vice-prefeito, respectivamente, do município X. No
mandato imediatamente posterior, foram reeleitos nos mesmos cargos. Nos seis meses anteriores ao
próximo pleito. Marcos substituiu Pedro temporariamente.
Maria não poderá se candidatar no território da jurisdição de Marcos; sua inelegibilidade é direta, por
decorrer de fato específico relacionado a si própria.

11. (CESPE/TJ/DF - Juiz de Direito Substituto - 2015). Pedro e Marcos, este último casado com Maria,
foram eleitos para os cargos de prefeito e de vice-prefeito, respectivamente, do município X. No
mandato imediatamente posterior, foram reeleitos nos mesmos cargos. Nos seis meses anteriores ao
próximo pleito, Marcos substituiu Pedro temporariamente.
Pedro ficará inelegível para um terceiro mandato no cargo de prefeito, o que não o impede de trans­
ferir seudomicílio eleitoral para município diverso, onde poderá concorrer validamente para o refe­
rido cargo.

12. (CESPE/TJ/DF - Juiz de Direito Substituto - 2015). Pedro e Marcos, este último casado com Maria,
foram eleitos para os cargos de prefeito e de vice-prefeito, respectivamente, do município X. No
mandato imediatamente posterior, foram reeleitos nos mesmos cargos. Nos seis meses anteriores ao
próximo pleito. Marcos substituiu Pedro temporariamente.
Marcos poderá concorrer novamente ao cargo de vice-prefeito do município.

13. (CESPE/TRE/RS - Técnico Judiciário - 2016). As eleições presidenciais fundamentam-se no princípio


da isonomia da concorrência, não diferenciando o peso dos votos dos eleitores brasileiros.

14. (CESPE/TRE/RS - Técnico Judiciário - 2016). Adotam-se no Brasil o caráter sigiloso (secreto) do voto,
o plurípartidarismo e o sufrágio restrito e diferenciado.

5 . G A B A R IT O
■ M’ i

As condições de elegibiticlade, segundo a Constituição, são pré-requisitos para a


candidatura a cargos eletivos, como alistamento eleitoral, filiação partidária, do-
'0 1 . 0 ' micílio eleitoral na circun:icrição, idade mínima, etc. As inelegibiíidades, conforme
estudado, são causas rest ritivas à capacidade eleitoral passiva (restrição à capaci-
dade para ser votado).

170
Capítulo III •DIREITOS POLITICOS

Os inalistáveis e os analfabetos são inelegíveis (art, 14, § 4«, CF).

As assertivas I, II e IV estão corretas. De fato, são inelegíveis: i) os analfabetos,


os estrangeiros e, durante o periodo do serviço militar obrigatório, os conscritos
(art. 14, § 2P e 4e, CF); li) no território da jurisdição do titular, os parentes consan­
guineos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Vice-Prefeito ou do Vice-
-Governador que tenham substituído o Chefe do Executivo dentro dos seis meses
anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição
(art. 14, § 7®, CF); iii) para os mesmos cargos de Presidente da República, Gover­
nadores de Estado e do Distrito Federal, e Prefeitos, os que os tiverem exercido
em qualquer época e os titulares ou quem os houver sucedido ou substituído no
período de seis meses anteriores ao pleito (não há inelegibilidade nessa hipótese,
mas reelegibilidade, conforme art. 14, § Ss, CF); iv) os que incidirem nas hipóteses
previstas em lei complementar, visando a proteger a probidade na administração
pública, a moralidade no exercício do mandato, considerada a vida pregressa do
candidato, e a normalidade das eleições contra o abuso do poder econômico ou
de autoridade (art. 14, § 9®, CF).

As assertivas I, II e III estão corretas. Com efeito, são inelegíveis: i) os candidatos


que incidirem nas hipóteses de inelegibilidades previstas na Constituição Federal e
na Lei Complementar nS 64/90; il) os candidatos declarados como tais pela Justiça
Eleitoral, em decisão transitada em julgado, julgando procedente representação
H iff: í por abuso de poder econômico, de poder de autoridade ou utilização indevida de
' Vt u veículos ou meios de comunicação social; iii) os candidatos à reeleição para a Chefia
04. C do Executivo, e quem os houver sucedido ou substituído no curso dos mandatos,
para mais de um período subsequente (a reelegibilidade é permitida apenas para
■M :■ iÍ'
Plj um único período subsequente, conforme art. 14, § 5*, CF); iv) os candidatos à re­
P eleição para o Poder Legislativo, por mais de dois mandatos, seja pelo sistema pro­
porcional ou segundo o princípio majoritário (essa assertiva é falsa, porque não há
previsão constitucional ou legai de inelegibilidade para os candidatos à reeleição
para o Poder Legislativo).

São condições de elegibilidade: o alistamento eleitoral, a filiação partidária e o do­


DS. B
micilio eleitoral na circunscrição (art. 14, § 3®, CF).
-iii
Estão corretas apenas as assertivas I e II. De fato, na democracia brasileira: i) a sobera­
nia popular é exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, sendo uma
cláusula pétrea, conforme art. 60, § 4®, inc. II, da Constituição Federal; ií) todo o poder
emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, me­
06. A diante plebiscito, referendo ou iniciativa popular (art. IR, parágrafo único c/c art. 14,
incs. I a III, todos da Constituição de 1988; iii) adota-se sistema parlamentarista, não
podendo o Presidente da República realizar o seu programa de governo sem o apoio
de maiorias eventuais na composição partidária do Congresso Nacional (está errada a
assertiva, eis que no Brasil se adota o sistema presidencialista de governo).
Os direitos políticos, segundo o art. 15 da Constituição Federal, embora não possam
vir a ser cassados, há causas para sua suspensão ou perda, nas hipóteses de: i) con­
denação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos; ii) incapa­
07. (
cidade civil absoluta; iii) cancelamento de naturalização por sentença transitada em
julgado; iv) recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa e
v) improbidade administrativa.

171
CURSO D E DIREITO ELEITORAL ^ S o b e r t o Moreira de A lm e id a

^ ■■ ■
Os direitos politicos podern ser suspensos nos casos de: a) Improbidade administra­
tiva e b) de condenação criminai transitada em juigado, enquanto durarem os seus
efeitos.
As ineiegibiiidades podem ser constitucionais ou infraconstitucionaís, sendo que
estas são previstas em lei complementar (LC ns 64/90) para proteger a probidade
administrativa, a moralidade para o exercício do mandato e a normalidade e legiti­
09. B
midade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício
de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta, conforme redação
do art. 14, § 98, CF/88.
As ineiegibiiidades estão previstas na Constituição Federal (art. 14) e em Lei Com­
10. D plementar (LC ns 64/90), estabelecendo esta outros casos e os prazos de sua ces­
sação.

"liliT São condições de elegibilidade, segundo a Constituição (art. 14, § 38) a nacionalidade
brasileira, o pleno exercício dos direitos políticos, o alistamento eleitoral, o domicílio
n .D
eleitoral na circunscrição, a filiação partidária e a idade mínima prevista para os res­
pectivos cargos eletivos.
São condições de elegibilidade a filiação partidária e o domicílio eleitoral na circuns-
12. B
criçâo (art, 14, § 3=, CF),
São condições de elegibilidade o alistamento eleitoral, a filiação partidária e o domi­
19 r
cílio eleitoral na circunscrição (art, 14, § 3S, CF).
- '■ ' São condições de elegibilidade, segundo a Constituição (art. 14, § 3*) a nacionalidade
brasileira, o pleno exercício dos direitos políticos, o alistamento eleitoral, o domicílio
eleitoral na circunscrição, a filiação partidária e a idade mínima prevista para os res­
pectivos cargos eletivos.
Tratando-se de perda e suspensão de direitos polítibos, pode-se afirmar que os efei­
15 .B
tos de uma condenação criminal transitada em julgado são causa de suspensão.
Tratando-se de Inelegibiiidade, pode-se afirmar que o Prefeito é inelegível para o car­
go de Vice-Prefeito, no mesmo Município, no período subsequente, salvo se titular
16. B
do primeiro mandato de Prefeito e renunciar seis meses antes da eleição (desincom-
patibilização).
O militar, salvo o conserito, é elegivel. Segundo orientação jurisprudencial, ele não
precisa observar o prazo de filiação partidária, mas, apenas, o de registro de can­
didato. Isso se deve ao fato de ser vedada ao militar, enquanto em serviço ativo, a
filiação partidária, conforme art. 142, § 3®, inc. V, da Constituição. Basta ser o militar
simpatizante de determinado partido e, uma vez escolhido em convenção, poderá
receber o registro da Justiça Eleitoral.
A suspensão dos direitos políticos pode ser decretada por sentença judiciai, em ação
, 18..B ordinária, de caráter não penal, tal como na condenação de alguém por prática de
improbidade administrativa, nos termos da Lei n® 8.429/92.
A soberania popular é exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e se­
creto, com valor Igual para todos, podendo ser candidatos a cargos eletivos, os
brasileiros natos ou naturalizados inscritos como eleitores, filiados a partidos
19. C políticos e no pleno exercício dos direitos políticos e, além disso, tenham a idade
mínima para o cargo pretendido, domicílio eleitoral na circunscrição e não sejam
analfabetos ou inelegíveis, ressalvados os cargos privativos de brasileiro nato
(art. 14, § 38, CF).

172
Capftuto 111' DIREITOS POLITICOS

... i.As assertivas 1, II e IV estão corretas. Com efeito, a soberania popular, segundo a
Constituição (art. 14, caput e incs. 1a III), é exercida: i) pelo sufrágio universal e pelo
■ voto direto e secreto, com valor igual para todos, em eleições periódicas para o Le­
}/ / / ► , ,„ -íC gislativo e o Executivo; ii) mediante plebiscito ou referendo e iii) através de iniciativa
ZO D popular, pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por,
' no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco
Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.
A liberdade sindical, o direito de greve e a dispensa temporária de trabalhadores não
são elementos integrantes da soberania popular.
A soberania popular, segundo a Constituição (art. 14, caput e incs. 1a III), é exercida:
21 D i) pelo sufráigio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos; ii)
mediante plebiscito ou referendo e iii) através de iniciativa popular.
As assertivas II e IV estão corretas. Com efeito, conforme estudado, são casos de
22. C . perda dos direitos políticos a aquisição voluntária de outra nacionalidade e o cance­
lamento de naturalização por sentença transitada em Julgado.
Não há como confundir causas de ineleglbllidade com condições de elegibilidade. As
inelegibilidades distinguem-se das condições de elegibilidade, pois, além das inelegi-
2 Í.B
bilidades constitucionais, outras hipóteses existem e estão previstas na Lei Comple­
mentar n* 64/90.

24. C As hipóteses de inelegibilidade são aquelas previstas na Constituição Federal e na Lei


Complementar ns 64/90.
As assertivas 1, III e IV estão corretas. De fato, são inelegíveis, segundo a Lei Com­
plementar n5 64/90: i) os inalistávels e os analfabetos; iii) os que forem conde­
nados criminalmente, com sentença transitada em julgado, pela prática de crime
contra a administração pública, pelo prazo de três anos após o cumprimento da
/S c
pena e iv) aqueles que não se tenham afastado de determinados cargos públicos
mencionados na lei das inelegibilidades, a que se refere a Constituição Federal,
nos prazos legais para desincompatibilização. Não são inelegíveis, em qualquer hi­
pótese, 0 cônjuge e os parentes consanguineos ou afins, até o segundo grau ou por
adoção, do Presidente da República, do Governador ou do Prefeito, no território
da Jurisdição do titular.
A única assertiva falsa é a letra E. Não compete ao Juiz Eleitoral, mas ao Tribunal
76 F Regional Eleitoral, decidir as arguições de inelegibilidade, quando se tratar de candi­
dato a Deputado Estadual.

27. B As hipóteses de inelegibilidade estão inseridas na Constituição Federal ou na Lei


Complementar ns 64/90 (Lei das Inelegibilidades).

28 C j A única assertiva errada é a letra C. 0 candidato a Deputado Federal e a Senador da


1 República pode ser brasileiro nato ou naturalizado.

1 A única assertiva incorreta é a letra B, pois a idade mínima exigida para Deputado
. Í9 B
j Federal é 21 anos (art. 14, inc. VI, CF).
0 militar Rinaldo, oficial da Polícia MÍÍitar do Estado, é elegível. Como conta com mais
'30. A de dez anOs de serviço, uma vez eleito vai automaticamente, no ato da dlplomação,
1 para a Inatividade (art. 14, § 8®, II, CF),

31. D Os maiores de 70 (setenta) anos, sendo allstávels e não analfabetos, preenchendo as


1 demais condições de'elegibilidade, são elegivels para qualquer cargo.

173
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de M m eida

Apenas a assertiva I é verdadeira. De fato, qualquer partido político, coligação, can­


didato ou o Ministério Público Eleitoral poderá representar à Justiça Eleitoral, direta­
mente ao Corregedor-Geral ou Regional, relatando fatos e indicando provas, indícios e
circunstâncias e pedir abertura de investigação judicial para apurar uso indevido, des­
vio ou abuso do poder econômico ou do poder de autoridade, ou utilização indevida
de veículos ou meios de comunicação social, em benefício de candidato ou de partido
político, conforme previsão contida no art.22, caput, da Lei Complementar n® 64/90.
É um direito político positivo inscrever-se como candidato a determinado cargo ele­
33. B
tivo. 0 direito político ativo consiste no direito de o indivíduo votar.
A Constituição Federal de 1988 adotou o sufrágio universal e igualitário (art. 14,
34..D
caput)
São condições de elegibilidade ter a nacionalidade brasileira e estar no pleno exercí­
iê 1. cio dos direitos políticos (art. 14, § 3^, incs. 1e II, CF).
0 analfabeto não possui capacidade eleitoral passiva, ou seja, pode votar, mas não
pode ser votado.
0 art. 11, § 29, da Lei n* 9.504/97 determina que a idade mínima para o exercício da
capacidade eleitoral passiva deve ser aferida no momento da posse. Porém, a Lei
n.9 13.165/2015 fixou a idade mínima de 18 anos, destinada ao cargo de vereador,
1 ® S Íc i. ^
sendo esta aferida na data-limite para o pedido de registro de candidatura, não mais
•, if í
na data da posse.
■■ ■■
0 órgão competente para rejeitar as contas de Prefeito Municipal, tornando-o inele­
38. D
, gível, é a Câmara de Vereadores (art. 31, caput, CF).
O Governador de um determinado Estado não mais pretende se reeleger, não obs­
tante a constituição permitir, no entanto sua esposa deseja candidatar-se ao mesmo
cargo (Governadora). Nesse caso, não haverá impedimento para a candidatura refe­
rida desde que o seu marido renuncie ao cargo até seis meses antes do pleito. Essa
hipótese ocorreu de fato no Estado do Rio de Janeiro com o casal Garotinho. Firmou
Jurisprudência no Brasil.
Conforme Já visto reiteradas vezes, são condições de elegibilidade: ter nacionalidade
40. B
brasileira e ser alfabetizado.
41. A A condenação por ato de improbidade administrativa (art. 37, §49, CF).
A capacidade de eieger reiaciona-se com a capacidade eleitoral ativa e a capacidade
de ser eleito coadunarse com a capacidade eleitoral passiva.
A idade mínima para Senador da República é 35 anos, conforme arti 14, inc. VÍ, letra
"a", CF.
Se Gabriel estivesse prestando serviço militar obrigatório (conscrito) seria inalistável
e, destarte, inelegível.
0 militar, salvo o conscrito, é elegível. Segundo orientação Jurisprudencial, ele não
precisa observar o prazo de filiação partidária, mas, apenas, o de registro de candida­
to. Isso se deve ao fato de sér vedada áo militar, enquanto em serviço ativo, a filiação
partidária, conforme art. 142, § 39, iric. V, da Consbtüição.
0 militar alistável é elegível e, se contar menos de dez anos de serviço, deverá afas­
46. ERRADO
tar-se da atividade (art. 14, § 89,1, CF). í j
0 registro da candidatura de Gabriel incumbiria ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio
Grande do Norte, pois é candidato a Deputado Federal.

174
Capítulo III ■ DIREITOS POLITICOS

ARITO . COMENTÁRIOS
A Justiça Eleitoral não deverá declarar a inelegibilidade de Gabriel, pois, pelas razões
I ^ 48 . ERRADO já expostas, ele é elegível. Assim, embora o PB tenha legibmidade ativa para proce­
der à impugnação, a sua argumentação jurídica é improcedente.
Os analfabetos são inelegíveis, mas podem alistar-se e votar (art. 14, § 4S c/c art. 14,
49. CERTO
II, "a", todos da CF).
50. E O analfabeto é inelegível para qualquer cargo eletivo (art. 14, § 45, CF).
a) Errada. A aferição das condições de elegibilidade e causas de Inelegibilidade deve
ser realizada no momento do registro, porém os candidatos com candidaturas
impugnadas podem regularmente exercer os atos atinentes à campanha eleitoral
(candidaturas "sub judice").
« S - b) Errada. Não será necessariamente declarado eleito o candidato que teve o regis­
tro deferido. A outra candidatura poderá também vir a ser acatada pela instância
superior. Sè isso Ocorrer, deve ser declarado eleito o càndidato mais idoso (Código
Eleitoral, art. 110).
c) Errada. Não são computados para qualquer fim os votos nulos e os em branco de
51 E uma determinada eleição.
d) Errada. A reprovação de contas pelo tribunal de contas ou pelo Poder Legislativo
acarreta inelegibilldade do responsável legal, salvo se a decisão houver sido sus­
pensa ou anulada pelo Poder Judiciário (LC n® 64/90, art. 1®, inc. I, "g").
e) Certa. Em caso de empate, haver-se-á por eleito o candidato mais idoso (Código
Eleitoral, art. 110). Destarte, no caso narrado, como o candidato mais idoso teve
o registro deferido pela Justiça Eleitoral (numa eleição com votação empatada),
deverá ser ele declarado eleito.
A idade mínima constitucionalmente exigida para vereador é 18 (dezoito) anos (CF, art.
14, § 3®, VI, alínea "d") e deve ser aferida no momento da data-limite para o pedido de
registro de candidatura, não mais na data da posse (Lei n® 9.504/97, art. 11, § 2®, com
redação dada pela Lei n.® 13.165/2015). Destarte, Artur, com 17 anos de idade, regis­
trado como eleitor e filiado tempestivamente a um partido político, poderá ser candi­
dato e, uma vez eleito, tomar posse no referido cargo, desde que tenha completado 18
anos de idade até a data-limite para o pedido de registro de candidatura.

Sobre a elegibilidade de militares no Brasil, de acordo com a Constituição Fede­


ral de 1988, temos: a) inelegíveis (também inalistáveís); apenas o conserito, isto é,
aquele que presta o serviço militar obrigatório (art. 14, § 2®); ou b) elegíveis: todos
os demais (soldados, cabos, sargentos, tenentes, capitães etc.).
- r r
K l' O legislador ordinário não tem competência para estabelecer normas relativas aos
li •I critérios de filiação e de escolha de candidatos dos partidos políticos. Tais matérias
são "interna corporis" da agremiação partidária.
Com efeito, "é assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estru­
M tura interna, organização e funcionamento e para adotar os critérios de escolha e
y 4 . j||T O i o regime de suas coligações eleitorais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as
candidaturas em âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus
J S estatutos estabelecer normas de disciplina e fidelidade partidária". (CF, art. 17, § 1®,
íiiWS;
com redação dada pela EC n® 52/06).
Emreforço,oseguintejulgado:, :,
"EMENTA. REGISTRO. CANDIDATO. ESCOLHA EM CONVENÇÃO.

175
CURSO OE DIREITO ELEITORAL^ Roberto M o re ira d e A lm e id a

1. A escolha dò candidato eni convenção é requisito exigido para o deferimento do


pedido de registro de candidatura.
2. A Justiça Eleitoral é incompetente para julgar os critérios utilizados pelo partido para
54. CERTO escolher os candidatos que disputarão as eleições, haja vista se tratar de matéria in­
terna corporis. Agravo regimental não provido (TSE, Agravo Regimental em Recurso
Especial Eleltoml n« 484336, Acórdão de 15/09/2010, Rehtorfa) Min. ARNALDO VER-
SIANI LEITE SOARES, Publicação: P SE SS-P u b lica i ^ S e ssã o , Data 15/9/2010).

Para responder à questão, é preciso conhecer:


I) o conteúdo do § 7S do art. 14 da Constituição:
"Sâp inelegivels, no território de jurisdição do titular, p cônjuge e os parentes con­
sanguineos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da Repúbli­
ca, de Governador de Estado ou Território, do Disüjto Federal, de Prefeito ou de
quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já
titular de mandato eletivo e candidato à reeleição"; e
II) o texto da Súmula Vinculante n.< 18 do STF:
"A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal, no curso do mandato, não afas­
ta a inelegibiljdade prevista no § 7t do artigo 14 da Constituição Federal".
EXTRA <U.'A Vejamos:
a) CERTO. A dissolução do vinculo conjugal, no curso do mandato, não afasta a ine-
legibllidade d o cônjuge, que não seja titular de mandato eletivo do Presidente
da República, de Governador de Estado ou de Prefeito, no território de jurisdi­
ção do titular do m andato, salvo se já titular de mandato elePvo e candidato
à reeleição. Nota-se que, na primeira parte desse quesito, há a transcrição do
en u n ciado da Sú m u la Vinculante n .8 18 d o STF e, na segunda parte, o conteúdo
imSmií
e n cartad o n o § 7® d o art. 14 d a Co n stitu ição Federal.
b) ERRADO. N ã o sã o inelegíveis, de ju risdição do titular, os parentes
no território
do Presidente da
co n san gu in e o s o u afins, até o se g u n d o grau o u p o r ad o çã o ,
República, de G o v e rn a d o r de E stad o o u d e Prefeito, DESDE QUE jA SEJAM TITU­
LARES DE MANDATO ELETIVO E CANDIDATOS À REELEIÇÃO.

c) E R R A D O . A dissolução d o vínculo conjugal, no curso d o m andato, NÃO afasta a ine-


legibilidade d o cônjuge, que n ão seja titular de m an d ato eletivo d o Presidente da
República, de G overn ador de Estad o o u de Prefeito, no território de jurisdição do
titular do m andato. É o que dispõe o enunciado da Súm ula Vinculante STF n.s 18.
EXTRA 01. A d) E R R A D O . N Ã O S Ã O IN E L E G ÍV E IS, n o território d e ju risdição d o titular, o s parentes
co n san gu in e o s ou afins, até o se gu n d o grau o u po r a d oção, de qu e m haja s u b s­
tituído, dentro de seis m eses anteriores ao pleito, o Presidente da República, o
G o v e rn ad o r d e Estad o o u o Prefeito, D E S D E Q U E seja titular de m a n d ato eletivo e
can d idato à reeleição.

O s inalistáveis e o s an alfab eto s sã o inelegíveis para q u alqu e r cargo. Essas hipóteses


de inelegibilidade, porém , fo ram inseridas o rigin alm en te na alínea "a " d o inciso I do
ERRADO. artigo 1.2 da Lei C o m p le m e n tar n.2 6 4 /9 0 e não a partir do a d ve n to da Lei C o m p le ­
,$ ‘ / ') m en tar n.® 135/2010 (Lei da Ficha Limpa).

In elegibilidade é a falta da capacid ad e eleitoral passiva.


Dizem os Inelegível, pois, quem , e m b o ra ho gozo d o s direito políticos, esteja im p e d i­
da de exercer tem p orariam e n te o direito de ser vo tad a em razão de algum m otivo
relevante fixado em lei.

176
CapftulQ III • DIREITOS POLITICOS

As inelegibilidades nSo se confundemcom as condições de elegibilidade. Com efeito,


enquanto estas constituem requisitos para que o cidadão possa concorrer a deter­
minado cargo eletivo (requisitos positivos); aquelas consistem em impedimentos ou
obstáculosque, se não afastados, obstam a candidatura (requisitos negativos).
Destarte, fiara que alguém possa pleitear um mandato eletivo, deve preencher as
condições de elegibilidade e não incidir em quaisquer dos casos de inelegibilidade
legalmente previstos.
Doutrinariamente, a inelegibilidade possui diversas tipologias, dentre as quais po­
demos citar: a) inelegibilidade própria; quando inata à própria pessoa do candidato
(exemplo: Tido, analfabeto, possui inelegibilidade para concorrer a qualquer cargo
eletivo); e b) inelegibilidade reflexa: quando decorrente de parentesco (exemplo:
Mévio, filho do Governador do Estado de Slo Paulo, é inelegível para o cargo de Pre­
EXTRA 03.
feito do Município de Campinas). A inelegibilidade reflexa está prevista no § 7.s do
DISCURSIVA
art. 14 da Constituição Federal; S"ão inelegíveis, no território de jurisdição do titular,
o cônjuge e os parentes consanguineos ou afins, até o segundo grau ou por adoção,
do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Fede­
ral, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao
pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição".
Outra tipologia, esta sobre elegibilidade, elenca; a) elegibilidade plena: a pessoa é ele-
gível para qualquer cargo (exemplo: Thélio, brasileiro nato e maior de 35 anos de idade,
bem como preenchedor das demais condições de elegibilidade e não se enquadrar em
quaisquer das hipóteses de inelegibilidade, possui elegibilidade plena e pode se candi­
datar a qualquer cargo eletivo); ou b) restrita ou limitada; o indivíduo pode concorrer
a apenas determinados cargos (exemplo: Flávio, jovem de 18 anos de idade, tem elegi­
bilidade restrita, ou seja, somente pode concorrer ao cargo de vereador).
Sim. De acordo com o § 7.2 do art. 14 da Constituição Federal, são inelegíveis, no
IXTRAUI território de jurisdição do titular, os cônjuges. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral,
bl5CURSIV<t 0 termo "cônjuge" se interpreta extensivamente. Consideram-se como tal quem é
SIM. casado, quem vive em união estável ou mesmo em concubinato. No mesmo sentido,
são inelegíveis aqueles que vivem em relação estável homoafetiva.
A jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (conf. AgR no REspe 480-70, Rei. Min.
Nancy Andrighi, DJe. 08/04/2013, p. 23) é pacífica no sentido de que a presença das
condições de elegibilidade e a ausência de causas de inelegibilidade devem ser aferi-
das no momento da formalização do pedido de registro da candidatura, ressalvados
EXTRA 05. os casos de superveniência de alterações fáticas ou jurídicas que afastem a inelegibi­
DISCURSIVA lidade, como, por exemplo, a posterior absolvição em processo criminal ou em pro­
cesso cível de improbidade administrativa. No que concerne ao requisito da idade
mínima para se candidatar, a Lei das Eleições, diversamente, estabeleceu como data
limite 0 dia da posse (Lei n.s 9.504/97, art. 11, § 2.2).
EXTRA 06 Para que o cidadão possa ser candidato a cargo eletivo ele deve, além de preencher
DISCURSIVA. as condições de elegibilidade previstas no art. 14 da Constituição, não Incidir em ne­
NÃO, nhuma das hipóteses de inelegibilidade encartadas na Lei Complementar n.2 64/90.

- Marcos Silva é inelegível, porque seu pai Jorge Silva (parente consanguineo em linha
reta em primeiro grau) é prefeito do município Esplendor Dourado e candidato à
reeleição.
EXTRA 07. C.
Com efeito, são inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os pa­
rentes consanguineos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da
República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou

177
C U R SO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

GABARITCW '
7 ^sísm COMLNTÀRinS í .... . ., .
de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já
titular de mandato eletivo e candidato à reeleição (CF, art. 14, § 7.R).
Acaso Jorge Siiva tivesse renunciado ao cargo de Prefeito seis meses antes da eleição
Í5ÍÍTRA07.C.
é que Marcos Silva, seu filho, seria elegível, porém, uma vez eleito, não podería con­
correr à reeleição, em razão da vedação a um terceiro mandato consecutivo pelo mes­
mo grupo familiar, conforme entendimento jurisprudencial (TSE, RESPE n.s 31.979).
Marcos (vice-prefeito) pode se candidatar ao cargo de prefeito, não obstante ter
EXTRA 08.
substituído temporariamente Pedro (prefeito) nos seis meses anteriores ao próximo
CERTO.
pleito.
Não obstante Maria ser inelegível (é cônjuge de Marcos, tendo este assumido tempo­
EXTRA 09. rariamente a chefia do Executivo nos seis meses anteriores à eleição), a inelegibilida-
ERRADO de em razão do parentesco não é cominada, ou seja, não é decorrente de uma sanção
por prática de uma conduta Ilícita.
A inelegibilidade de Maria não é direta por decorrer de fato especifico relacionado a
EXTRA 10.
si própria, mas é oriunda do casamento com Marcos. No caso de desincompatibiliza-
ERRADO.
çâo (heterodesincompatibilização) de Marcos, Maria ficará elegível.
EXTRA 11. Segundo jurisprudência consolidada do TSE, não é admitido a alguém transferir o
ERRADO. domicílio eleitoral para concorrer a um terceiro mandato de prefeito consecutivo.
Marcos (vice-prefeito), tendo substituído temporariamente Pedro (prefeito), nos seis
EXTRA 12.
meses anteriores ao pleito, somente poderia concorrer ao cargo de prefeito e, na
, ERRADO.
hipótese, estaria sendo considerada reeleição.
A soberania popular no Brasil, independentemente do cargo eletivo, é exercida pelo
EXTRA 13.
sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos (CF, art.
CERTO.
14, caput).
Adotam-se no Brasil o caráter sigiloso (secreto) do voto e o pluripartídarismo, mas o
EXTRA 14.
sufrágio não é restrito e diferenciado, mas universal e pelo voto com valor igual para
ERRADO. ■
todos (CF, art. 14, caput).

178
C apítulo IV

P artidos po líticos

S U M Á R IO • I. Partidos políticos. 1.1. Conceito. 1.2. Natuteza jurídica. 1.3. Finalidade. 1.4. Sistem as partidá­
rios. 1.5. Regram ento constim cional. 1 . 6 . A utonom ia partidária. 1.7. Recuisos d o fim do partidário e propa^uida
gratuita no rádio e na TV . 1.7.1. Fundo partidário. 1.7.2. Acesso gratuito .ao rádio e .4 televisão. 1.8. A tuais
partidos políticos brasileiros. 1.9. Infidelidade partidária por fixação jurispm dencial. 1.9.1. N oções gerais. 1.9.2.
C on stitu don alidade da Resolução T S E n” 2 2 .6 1 0 /0 7 . 1.9.3. Legitim idade ativa e prazo para a propositura da
ação. 1.9.4. Tutela antecipada. 1.9.5. H ipóteses d e justa causa. 1.9 .6 . C om petência. 1.9.7. Atuação d o M inistério
Público F,lcitoral. 1.9.8. Procedimento. 1.9.9. D uração razoável d o processo. 1.9.10. Vigência. 1.10. Infidelidade
partidária por fixação l^ a l. 2. Sinopse. 3. Para conhecer a jurispm dência. 3.1. Súm ulas do T S E . 3.2. Informativos.
3 .3. Jurisprudência selecionada. 4 . Q uestões de exames e concursos. 4 .1 . Q uestões extras. 5. Gabarito.

1. PARTIDOS POLITICOS'
1.1. Conceito
Uadi Lammêgo Bulos^ nos ensina que “partidos políticos são associações de pessoas, unidas
por uma ideologia ou interesse comuns, que, organizadas estavelmente, influenciam a opinião
popular e a orientação política do país” .
Segundo os ensinamentos de Celso Ribeiro Bastos', “trata-se de uma organização de pessoas
reunidas em torno de um mesmo programa político com a finalidade de assumir o poder e de
mantê-lo ou, ao menos, de influenciar na gestão da coisa pública através de críticas e oposição” .
Nas lúcidas palavras de Thales Tácito Cerqueira c Cam ila Albuquerque Cerqueira'*, partido
político “é um fragmento do pensamento político da nação, cujos adeptos ou simpatizantes se
vinculam a ideologias por afinidade, buscando o exercício do poder (situação) ou a fiscalização
dos detentores desse poder (oposição), sem prejuízo de atividades administrativas e institucionais.
Conceituamos partido político como a pessoa jurídica de direito privado, integrada por um
grupo de indivíduos que se associam, estavelmente, em torno de um objetivo determinado, que
é assumir e permanecer no poder ou, pelo menos, influenciar suas decisões e, ipso facto, pôr em
prática uma determinada ideologia político-administrativa.

Fazetido-se uma abordagem histórica, verifica-se que na Gráda e Roma antigas, atribula-se o nome de partido a
um grupo de seguidores de uma ídeia, doutrina ou pessoa. Na primeira metade do século XVItl, contudo, mais
precisamente na ingiaterra, houve a criação, pela primeira vez, de instituições de direito privado com o desiderato
de aproximar pessoas com idéias políticas comuns. Nasciam ali as priníeiras agremiações partidárias: o partido
Whig e 0 partido Tory. Na segunda metade do século XVIII, sdbretudo após a eclosão da Revolução Francesa e a
Independência dos Estados Unidos da América, o fenômeno da criação de entidades partidárias se alastrou pelo
mundo ocidental.
2. BULOS, Uadi Lammêgo. C u r so d e d ire ito co n stitu cio n a l. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 707.
3. BASTOS, Celso Ribeiro. C u r s o d e d ire ito c o n stitu cio n a l. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 275.
4. TÁCITO CERQUEIRA, Thales e CERQUEIRA, Camila Albuquerque. D ire ito e le ito ra l e s q u e m a títa d o . São Paulo: Saraiva,
2011, p. 2 7 5 .

179
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

► INDACyVÇÂO D lD Á r iC A

R' Q ii iis us p I svs |i ira SC u ísiiiiiii n u i iio so p iriiilu iiiiliin »


As rcjjras li.[;ais p.ita a cri.ii,.io dc um patcidu político fo ia m trajad as na Lei n .° 9.
K csolujao r S E n ■■ 23.,i82/201l>.
Podem os iisu in n tal p toccd iim iiio em três fases oii passos, a sab
‘ l o p à s s o ; C ria ç ã o
■ n) Eundavaii pDi, 110 m ínlnui, 101 (cento c um ) eleitores, com < io eleitoral cm.
um t o ijo d o s 1 siados,
b) ,£lnbniaj,io do Prograin.i e I'.siatiito'partidaiios,
c) Eleiç lo do,s I1 .U.1 )ii us provisórios,
á ) KcqiKriípcnto d o rcgisiio miação p aitid.íiu no ( jcro Civil das
dic.ts lio Disirico rcdcieiK o qu it imlic.ii.i o n o m e e funçiio dos dír óriob c o ciidcrrvo d a sede
do p.{iudo it.iCapit il i'edeixd. Sir.í n i(.s{Uciimetitoaconip m lijd o | autém icada da atiàda leülm ó-
<|c luml.t^.io do pai tido; )i) cxi'inp!.ii<..s d o O iáno OiiLui .pK publicou, JiO seu inteiio teor o programa e o
estiiuito m) a relai,ao dc todos os fundadores com o noinc completo» profissão, domicilio naturalidade c
apixst ni.it^óo do u't iilo cleiioral dt. i ui i uiiu com infbrinaçio M>brc o número, Zona, bc^io, Munictpío c b4>tado
U m a vezsaiisíciias as csigônu.u ligais, o O íid .ü do Registro C iv d fjcó o^reglstro no hvio correspond
c cure, expedindo Cl itidão d l iiuciií ium B&tó adquirida >i personalidade jurídica dajgrcm iaçâopariid,trid.
2 ' R.isso \ i>oÍD m ín im o d e eleito res ' v ’
D e iitoi !•■ I Mill o 5 ' i ‘i (lo 111 7 " d.i I t l n® 9 09(5/95 to m redação dnda pela I,ci n ® 13 165/15, c
p 't t ’sotjm - I igi riiK.iii I ' iin d 5 iia ‘ tcnlia canitt! n itio n al, loiisideranilo-se com o m 1 a q u tlt qu t com ­
prove, i'.o pectodo (L sK'is m o s,o aaoiam enw tloolauoics não filiados a parçido político, totn »pon den te <:
a,'pelo menos, 0,S'i ■ icincodépim os p o rcen to ) d o s votos dados na última eleição geral para a QÂmazados
D eputados, n ão ciiin p in ailo so s so to se m b ia n c ó o q s nulos, distribuídos p or um iíerip, o u m ã isd o sE íia -
1 CIS 1 '1 n ' 1! 1 i 4 í ( um décim o pui cento) do clciiorado q ifeb aja votado ein c,adà um deles” ) '
3® P a sto Kl a> ii o d o E lia tu to p i r a i ii i (I I SI ’ '
O te q u e iiin c n to d o r e ç ^ tro d c v e e slira c u in p a i l< dos.scguintes docum entos: .
a) e\vmpl-ii aiitam lcãdodoiinsitD teoi do prug ii i tatuto partidários ioscritos no regisiiocis-il;
b ; certic', 1 0 d cim d ito te o rd o C artório d o Regí n o t is'1 das Pessbas JurÉlCas do Distrito Pcderal; ’
c) certidões dos càrtórios tk ito m is. que to -n p ;., , " icr a agrcAÍiação ^ n ld á r ia obtido o apuio
1 Miiimo de tleiioics. . " ‘S í
Julganuo preenchidos.todas os requisitos I t i y . o J õ E autoriza o registro, do partido. É coni o
rcgiStro perante o T b E que a ag rtm n c lo p a ru d a m ui.qiiire o direito de p .iru ôp ar do processo ck iior.il,
receber recursos d o bundo Partid.iiio c tci acesso gr.nuiic .tu r.idio e à iclcvi^o
Ê também c o m o regiiitto junto ao F S L que o paitidn adquire o d ire ito a b ü só , com ezdnsividade,
d> denom inação, da sigla e d e sím bolos, sendo proibida t utilização, poi ou tra w tid a d e partidária, d c
,-i'i.ições q ue venham a indúzir o eleitor a eiro o i eonlus.lo (Lei n " 9 09(j/p5,.8r);j.7-^. 9 d-;)-

► IN D A (iA Ç Ã O D l D Á n C A

INidc ocorrer fusão c ineurporafão üc dois ou mais partidas ^ÊÍSooi^'Oomo uma agremiação
partidária pode vir a ser enintaí Fundamente a lesposta.
O caput do art. 17 da CJF “E livre a criação, fusão, inçotpoçaçáo e ezpnçãq de partidos
piilitieos, resguardados a sober iiii i ii leinn il u i ç ime democRÍiiui. o pluii|uriidan tino, os direitos
ftiiu^nicntais da pessoa humana ‘ ,

180
Capitu lo I V . PARTIDOS POLITICOS

• A lu if i o L (in !.isii ■ .1 1 1 1 1 ) ^ 0 o n ir . d n i^ o u m a i s p a r t i d o s p o l i i 'i u i>.ira a crm$.'n> d c u i.i • u v o . A in


' ''f p o R i ^ á o t .1 .ib su rs I d t iiiii p a r t i d o p o r o u t r o . £ n i .in ib o s o s i o u • U S..I c Íii(.(ir p o r a ç ^ o , c precj& o
' ■ « h a j a duLisfiD i.tM>i o d d o s ó r g ã o s 'r a c io n a i s p a r t i d a n o s .

C o m e f u t o . a i i c n a 6 d is c ip li n a d a p e lo .irt. 2 ‘1 d a la r i n ’ '1 O tl6 /9 5 > c o m a . alcetaçÕ L s ii i i Ias


l’ d a 1^1 ij.ii 1 3 .1 0 7 / 1 ■■ in ictím.

Atr 2i) • dtctsjodi setn i..í 'i II,. lOKaii de dilibir,não, dots ou mi.i^ pamdu-pi,:. Uufun-
dir-iem, . ooutm orporj-
§ } i No primeiro caso, obsemaiíe-ão as sipiintes
I- o s órgãos de direção dospartuhs eliiboraião projetos comuns de estatuto eprograma;
' 11 - os órgãos nacionais de deliberação dos partidos em processo drfitsao votarão em reunião
, 1■ conjunta, por maioria absoluta, os piojcfis, e elegerão o órgão de diret áo «./< ional quepromgMtfi
0 regstro do novopartido. ' ,.’& í

§ 2 ° No caso de incorporação, observada a ht iiiil. taheni ao patudo tncorpotando deliberar


; por maioria absoluta de voto,, i m seu orgão nacional de deliberação, sàbrep attocao do esláiutol
iilS í e do p ró g ^ sa de outra agemiação, . , '

» [ § 3 ‘‘A c^^o s 0 estatuto e oprograma dopartido incorpontdor, realizar-se-d, em reunião Wújun^;


f, dos órg^^acionais de deliberação, a eleição do novo órgão de direção naeipnáll '
i § 4? Nastí^ótese defusão, a existência legal do novo partido tem início com o ngistro, no Ofício
í ,s C ivil co^etente da Capital Federal, do estatuto e do programa, cujo requerimento deve ser
acompanhado das atas das decisões elos órgãos competentes. j j j r i W í f i s - - u í Éí W

No caso de incorporação, p instrumento respecti^ dejie ser levado ao Oficio Civil competente,
.5" 5 "
cjue devófentão, cancelar 0 regstró do partido incorjmàdlo à outro.' ‘ ' ' if

•§ 6 ° No caso de incorporação, o insmtmenío têspectivo deve ser levado aodfíficio Chãl competente,
Vffequedeve, então; cancelar oregsfro doiftàdèóincorporado a outro.* ,4 !»«? , • ( « jc i jfs :

7 * Havendo fusão ou incorporação, eíèolífíldèiííiomados CXclusivarA^ü os votos dòppar^Bs


■ fundidas OH tmoipouidgs obtidos na ultima eU i^ogeudpa m a C ^ ^ , dos D eputf^s, papa
e- , n . .
m ao das recursos do Fttndp^ I s , gg fádioe^^levjsão.

E atu to ou instrum ento de


no O ficio C iv il e no Trib.
m itida a fiisã o oit im
I defim iivo do 'Iritn in al Superior Eleii
a rcgism lp^erlsado, s ,í

I p a r t id o p o l í t ic o , p o r s e u t u r n o , p o i
al (! d a d o p e lo s a r u , 2 / c 2 8 d a I a ;i n . “ p c la L e .
í liueiis- í ,
/ l iiii lam ib id a rupio ao O ficio C iv il e âp:
) que, na fatma th séu èstatuto, «■ dissolva,
O Iribu n ,d Superior M eitoiiil, stpos tr,im ito
id o registro c im le d o istu tu to d o p a u td o ssnura
bula ou estar n ieb eitão lei ursos Jin am
11 - est,i subordinado a

111 ~'não ter prestado, ndk à Ju siiç ^ fiito ra l;


IV -que m antém o rgan tzd ^ o p àram ilitán
í 10 A -u I i,,:ii. i.ii a qu e se t /< <e este artigo d . • • s e r p r e c e d jfíg ^ processo ^ t w C 0 U ^ ^
ass.egur, V i/--.' ‘T " ' , # ’ ' ’ " » » :

1R1
CURSO OE DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

i2 O firocts II eíe la n i L m iito i m u íatlo peln h i/> u i,.i,t v tsra Je de’ •I’lratd eg aaltiu ei'eleitor,
l‘‘ > .,ire!en tai.ted fp jritili> ou d , rejin sen tafan d” l ‘>"iu r.táo r-G eru li leitofàL'

,itru a e m g la/g aer otiit I pum , o , ume eonseguêncí i d, / 1 , < p r i ’r ado’ p o r irgrtos t, u u, .-s

'14 Deipe'1. re,iltzad asp ar õrpptt, p o r td M o s m tm iLip.iís nu i ju U u ais •< / ot canriidatus m a-


o>. '„rio s «. 'eipeittvM tríj^u^íSít f serm sum iA is e p a p s & tdu^n.vntiH epela. esferu
/•rfx .d d rifir e! n. pan den tt, utlvo a ordu t vpre so i otn 4rgãõ de o u tra edi ra p aríid tin a,
§lr Em

tju,i eontm, < .< dh id a everutada.

í i í O d u ; ’ «u m íp o lljd o e a p n 're fe te -se a p e m sa ç ro rfflo s iitcw n eisáospu m .d i ; > 'tteas


qui deixai / de p reitar im i’a s ao h ib u n .d Superior E leito ial, nan acm iniiiio o i,i>. , ’„ento
do leffstro •! c dv f t a iu n do p a i ,d o guan do a om issSo fo r J n o ig Jo i p jitid ir to s > gion irs

* C o m u a d v e n to cIr 1 11 n .’ 13.107/15. p o r felh no piou... o legítiativo, os Ç ' U" uo a it. 2 9 d .i 1 > i


n." 9 .0 9 6 '9 5 pass.ir. "i i ler ,i m esm a led aç ão

1.2. Natureza jurídica


Após o advento da C arta de 1988, os partidos políticos, indubitavelmente, são pessoas
jurídicas de direito privado.
C om efeito, após adquirirem personalidade jurídica nos termos da lei civil, registrarão seus
estatutos perante o Tribunal Superior Eleitoral (CF, art. 17, § 2 °).
O Supremo Tribunal Federal, ao verificar a natureza do rejgiétro dos estatutos partidários
perante o Tribunal Superior Eleitoral, decidiu que tal ato é merameiite administrativo e destinado
a verificar a obediência ou não da agremiação partidária interessada aos requisitos constitucionais
e legais.
Eis a posição do Pretório Excelso’ : “O procedimento de registro partidário, embota formal­
mente instaurado perante órgão do Poder Judiciário (T SE ), reveste-se de natureza materialmente
administrativa. Destina-se a permitir ao T S E a verificação dos requisitos constitucionais e legais
que, atendidos pelo partido político, legitimarão a outorga de plena capacidade juridico-eleitoral a
agremiação partidária interessada. A natureza jurídico-administrativa do procedimento de registro
partidário impede que este se qualifique com o causa para efeitò de impugnação, pela via recursal
extraordinária, da decisão nele proferida’.
A Lei n® 10.825, de 22 de dezembro de 2003, acrescentou ó inc. V ao art.; 44 do Código
Civil de 2002 e inseriu, ao lado das associações, das sociedades, das fundações e das organizações
religiosas, os partidos políticos no rol das pessoas jurídicas de direito privado., :
Em resumo, as agremiações partidárias adquirem personalidade jurídica na forma da lei
civil (são pessoas jurídicas de direito privado), m as precisam, após a aquisição da personalidade

5. STF, RE 164.458-AgRg., Rei. Min. Celso de Mello, DJ de 02/06/1995.

182
Capítulo I V . PARTIDOS POLÍTICOS

jurídica (nascem com o registro de seu estatuto no Cartório de Registro Civil de Pessoas jurídicas
do Distrito Federal), registrar o respectivo estatuto perante o Tribunal Superior Eleitoral'’.

► INDAGAÇÃO DIDÁTICA
U ‘U \U ’^ > 'f A-<
o queumpartida [tico necessita de uii^a
(|ik Linu

ly-tèrthVo estatuto n^lstrado junto a(5x||;]ibU0^'iS,MpjifIoi FJeitoraÍfl?jí5pelO;)neno;|'Úpt,5j|4'o antes


da‘e (e iç á o I;á -r:\. /Jíü sf.,* •; SAÍ r s i - ' ■’ .
1'^ fWj&W; ? I f lM ia O f r r W T»‘, P í V í á W f t Lifct-VÍ./,»?<■< L • '
'% 2) (i^febristituíaOs^anotado o órg.To déaNi^SmacfenaliWás eleições |> i:^ è M S ^ ;{ p ’é ^ je ^
OiÓSgüo dt^iflireçao estádüíl (perante o TRE)m u;o 3Õtj^txd 6:dit|çáo m u riic í^ fi^ e itb w ^ jm yEleitoral)
a t é p d a t a ^ i c o n v e j i ^ ^ a B c e s c o l h a d e c a n d | ^ t d ^ .'

1.3< Finalidade
Os partidos políticos se destinam a assegurar, segundo os ditames do regime democrático, a
autenticidade do sistema representativo, a postular pela defesa dos direitos fundamentais encar­
tados na Constituição Federal, bem assim, como já dito antes, assumir e permanecer no poder
ou, pelo menos, influenciar suas decisões e, ipsofacto, por em prática uma determinada ideologia
polídco-administrativa.

1.4. Sistemas partidários


A doutrina tem elencado três sistemas partidários: o monopartidarismo, o bipartidarismo e
o pluripartidarismo.

a) Monopartidarismo

É o sistema partidário que só admite a presença de um único partido político.


O monopartidarismo está praticamente em extinção no mundo.
Tem prevalecido apenas em algumas nações islâmicas do Oriente Médio e em poucos países
africanos e asiáticos.
Como exemplos, lembremos do Partido Nazista, na Alemanha de Hitler e do Partido Co­
munista, único da extinta União Soviética, de Cuba e da China continental.

b) Bipartidarismo
É o sistema que permite a existência de apenas dois partidos políticos: um de situação e
outro de oposição.
Verbi gratia, o modelo adotado nos Estados Unidos da América, onde há vários partidos,
mas apenas dois (o Republicano e ò Democrata), concentram as atenções dos eleitores.

6. O registro perante o TSE permitirá ã agrem iação partidária participar d o processo eleitoral, ter acesso gratuito
a o rádio e à TV, receber verbas d o Fundo Partidário, bem co m o possuir com exclusividade denom inação, sigla e
sím b olo s próprios. í ; j: .i

183
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - R o b e rto M o re ira d e Alm e id a

Outro exemplo, na história recente do regime militar brasileiro pós-1964, havia a permissão
de funcionamento de apenas duas agremiações partidárias'’: i) A R EN A (Aliança Renovadora
N acional): partido governista; e ii) M D B (M ovim ento D em ocrático Brasileiro): partido de
oposição. 'i V

c) P lu rip artíd arism o


Pluripartidarismo, multipartidarismo ou polipartidarismo é o sistema que permite a presença
de tantos partidos quanto forem as correntes de opinião existentes.
De fato, desde que atendidos certos princípios constitucionais e legais, podem ser criadas
várias agremiações partidárias.
A Constituição Federal de 1988, no inc. V do art. l.° , estabeleceu expressamente como
fundamento da República Federativa do Brasil o pluralismo político. Nesse diapasâo, mais de
trinta partidos políticos estão registrados perante o T S E e participando das eleições em todo o
território nacional.

1 .5 . R e g r a m e n to c o n s titu c io n a l
A Lei Ápice de 1988 (art. 17, ines. I a IV) fixou o princípio da liberdade para a criação, fusão,
incorporação e extinção de partidos políticos.
A regra da liberdade partidária, no entanto, não é ilimitada ou incondicionada.
Com efeito, devem as agremiações partidárias observar os seguintes preceitos:

a) C aráter nacionaP
É vedada a criação de partidos políticos regionais, estaduais ou municipais.
A agremiação partidária deve se dispor a ter caráter nacional, sob pena de não ser deferido
o pedido de registro de seu estatuto perante o T S E .

b) P roib ição de recebim ento de recursos fin an ce iro s de en tidades ou governos


estran geiros ou de subordin ação a estes
A previsão constitucional se destina a respaldar o interesse nacional e a evitar que a agremiação
partidária venha a defender interesses de nações ou entidades estrangeiras ou mesmo que fiquem
vinculadas ao capital alienígena.

O Ato Institucional n® 2, de 27 de outubro de 1965 (Al 2/65), no art. 18, previu "ficam extintos os atuais partidos
políticos e cancelados os respectivos registros". O Ato Complementar n.® 4, de 20 de novembro de 1965, vatici-
nou: "Aos membros efetivos do Congresso Nacional, em número nio inferior a 120 deputados e 20 senadores,
caberá a iniciativa de promover a criação, dentro do prazo de 45 dias, de organizações que terão, nos termos do
presente Ato, atribuições de partidos políticos enquanto estes não se constituírem. Nascia all o bipartidarismo
brasileiro, com a criação da ARENA e do MDB, únicos partidos políticos autorizados a funcionar. Com o advento
da Lei n® 6.767, de 20 de dezembro de 1979, foi restabelecido o pluripartidarismo, vigente ã época do Decreto
n» 7.586/45, diploma legal que condicionou as candidaturas aos cargos eletivos por intermédio de agremiações
partidárias.
Os Partidos políticos foram expressamente previstos na legislação brasileira no Código Eleitoral de 1932. Podiam, à
época, ser aceitas como tais as associações de classes legalmente constituídas. No início, as agremiações partidárias
eram, em sua maioria, estaduais ou regionais. A partir das eleições de 1945, passaram a ter caráter nacional.

184
Capítulo IV • PARTIDOS POLITICOS

cj P restação de con tas à Ju stiç a E le ito raU


H á obrigatoriedade de prestação de contas:
i) d a agteniiaçáo partidária (CO N TA S P A B T ID A R I A S )o s partidos políticos, através de seus
órgãos nacionais, regionais e municipais, devem manter escrituração contábil, de modo que se possa
conhecer a origem de suas receitas e a destinação de suas despesas (Lei n ° 9.096/95, art. 30); a feita
de prestação de contas implicará a suspensão de novas coras do Fundo Partidário enquanto perdurar
a inadimplência e sujeitará os responsáveis às penas da lei (Lei n .° 9.096/95, art. 37-A, incluído pela
Lei n.° 13.165/15); e a desaprovação total ou parcial das contas do partido implicará exclusivamente
a sanção de devolução da importância apontada como irr^ular, acrescida de multa de até 20% (vinte
por cento) (Lei n.“ 9.096/95, art. 37, caput, com redação dada pela Lei n.° 13.165/15): e
ii) d as cam panh as eleitorais (C O N T A S D E C A M E A N H A )"’^’’ : até 180 dias após a di-
plomação (ou enquanto pendente de julgam ento qualquer processo judicial relativo às contas),
os candidatos ou partidos conservarão a documentação concernente a suas contas de campanha
(Lei n ° 9.504/97, art. 32, caput e parágrafo único). Por falta de um controle rigoroso da Justiça
Eleitoral, bem como pela prática de condutas ilícitas de “caixa dois”, por exemplo, a prestação de
contas das entidades partidárias e das cam panhas eleitorais no Brasil acaba funcionando como
uma “prestação de faz de contas” .

d ) Funcionam ento p arlam en tar de acordo com a le i.


A agremiação partidária funciona, nas Casas L^jslativas (Senado Federal, Câmara dos Deputa­
dos, Assembléias Legislativas, Câm ara Legislativa do Distrito Federal e Câmara de Vereadores), por
intermédio de uma bancada, que deve constituir suas lideranças de acordo com o estamto do partido,
as disposições regimentais das respectivas Casas e as normas desta Lei (Lei n .° 9.096/95, art. 12).
Para que a entidade partidária tivesse direito a funcionamento parlamentar, seria necessário
o cumprimento de uma cláusula de desempenho ou cláusula de barreira.
A cláusula de desempenho ou cláusula de barreira está prevista no art. 13 da LOPP assim redigido:
“Tem direito a funcionamento parlamentar, em todas as Casas Legislativas pata as quais tenha elegido

9. Sobre prestação d e contas, re com e nd am o s a leitura d o capitulo XVI.


10. A prestação de contas partidárias está disciplinada n os arts. 30 a 37 -A da LOPP.
11. A prestação de contas relativam ente à arrecadação e ga sto s d e ca m p a n h a s eleitorais é regida pelos arts. 28 a 32
da Lei d as Eleições.
12. A Justiça Eleitoral verificará a regularidade d as contas de cam panha, decidindo: a) pela aprovação, quando estiverem
regulares; b) pela aprovação com ressalvas, q u a n d o verificadas falhas qu e não lhes com prom etam a regularidade;
c) pela desaprovação, q u a n d o verificadas falhas qu e lhes co m p ro m e ta m a regularidade; d) pela não prestação,
qu a n d o não apresentadas a s contas a pós a notificação em itida pela Justiça Eleitoral, na qual constará a obrigação
expressa de prestar a s suas contas, n o prazo de setenta e d u as horas (conf, art. 30, incs. I a IV d a Lei d as Eleições,
co m redação dada pela Lei ns 12.034/09).
13. Q u a lq u e r partido político ou co ligação p od erá representar à Justiça Eleitoral, no prazo d e 15 (quinze) d ias da
diplom ação, relatando fatos e indicando provas, e pedir a abertura d e investigação judicial para apurar condutas
em d esacordo co m a s n orm as desta Lei, relativas à arrecadação e ga sto s d e recursos. Na apuração dessa conduta,
aplicar-se-á o procedim ento previsto n q art. 22 da LC n o 64/90, n o q u e couber. C om provados captação ou gastos
ilícitos de recursos, para fins eleitorais, será n egad o diplom a a o candidato, ou cassado, se já houver sido outorgado.
O prazo de recurso contra decisões proferidas e m representações propo stas com nessa matéria será de 3 (três)
dias, a contar da data da publicação d o julgam ento n o D iário Oficial (Lei n® 9.504/97, art. 30-A, § § 1® a 3®, com
redação dada pela Lei n® 12.034/09).

185
CU RSO D E DIREITO ELEITORAL ~ fíoberto Moreira de Almeida

representante, o partido que, em cada eleiçáo para a Câmar^ dos Deputados obtenha o apoio de, no
mínimo, cinco por cento dos votos apurados, náo computados os brancos e os nulos, distribuídos em,
pelo menos, um terço dos Estados, com um mínimo de dois por cento do total de cada um deles”.
Destarte, a esse percentual mínimo de votos que deveria conquistar a agremiação partidária
passou a ser intitulado de cláusula de barreira ou cláusula de desempenho.
Atingido tal percentual de votos, o partido faria jus ao funcionamento parlamentar, isto é,
teria direito à estrutura de liderança de bancada; a indicar parlamentar seu para atuar em comis­
são mista do Congresso Nacional, de comissão especial ou de comissão parlamentar de inquérito
(CPI); bem como a participar da Mesa Diretora da Casa Legislativa (Presidente, Vice-Presidente,
1“ Secretário etc.).
A cláusula de desempenho, ademais, deveria servir para a distribuição dos recursos do
Fundo Partidário e para o disciplinamento do tempo de propaganda partidária gratuita no
rádio e na TV.
O STF, quando do julgamento conjunto das ADI 1.351-3 e 1354-8, ajuizadas em 1995, res­
pectivamente, pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e pelo Partido Socialista Cristão (PSC),
declarou inconstitucional, por unanimidade, dispositivos da LOPP (inclusive o art. 13), por conside­
rá-los desarrazoados a ponto de chegar a provocaria o que se denominou por “massacre das minorias”.

P o d em sei (.ri.tdos P a rtid o s Pi

Náo. O § 4:® do .út. 17 da


org,-)nizacáu p a ia m ilu . 1 itende-s

6 estrutura hiecacqtlizada à semelh:

1.6. Autonomia partidária


Foi assegurada'"' ao partido político a autonomia adequada para definir sua estrutura interna,
organização c funcionamento.
No que pertine à autonomia partidária, o art. 15 da LO PP determina que o estatuto deverá
conter um conteúdo mínimo, com normas definidoras:
a) do nome, denominação abreviada e o estabelecimento da sede na Capital Federal;
b) da filiação e desligamento de seus membros;
c) dos direitos e deveres dos filiados;
d) do modo com o se organiza e administra, com a definição de sua estrutura geral e iden­
tificação, composição e competências dos órgãos partidários nos níveis municipal, estadual e
nacional, duração dos mandatos e processo de eleição dos seus membros;
e) da fidelidade e disciplina partidárias, do processo para apuração das infrações e aplicação
das penalidades, assegurado amplo direito de defesa;
0 das condições e da forma de escolha de seus candidatos a cargos e funções eletivas;

14. Art. 17, § 1», CF, com a redação d ada pela Em enda Constitucional n s 52/2006.

i! í
186
Capitulo IV • PARTIDOS POLITICOS

g) das finanças e contabilidade, estabelecendo, inclusive, normas que os habilitem a apurar


as quantias que os seus candidatos possam despender com a própria eleição, que fixem os limites
das contribuições dos filiados e definam as diversas fontes de receita do partido, além daquelas
previstas na LOPP;
h) dos critérios de distribuição dos recursos do Fundo Partidário entre os órgãos de nível
municipal, estadual e nacional que compõem o partido; e
i) do procedimento de reforma do programa e do estatuto.
Incumbe, igualmente, ao estatuto partidário, dentre outros assuntos, estabelecer normas
de fidelidade e disciplina partidárias, eis que a ideologia partidária é matéria interna corporis e,
portanto, excluída de qualquer interferência estatal.
Por sua vez, cabe ao partido político adotar os critérios de escolha e o regime de suas coligações
eleitorais, sem obrigatoriedade de vinculaçáo entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual,
distrital ou municipal. A EC n.° 52/2006 acabou, de uma vez por todas, com a verticalização das
coligações, criação pretoriana da Justiça Eleitoral brasileira.
Por fim, as entidades partidárias também possuem autonomia, observados os limites legais,
para definir o cronograma das atividades eleitorais de campanha e executá-lo em qualquer dia e
horário (Lei 0 .° 9.096/95, art. 3.°, incluído pela Lei n .° 12.891/13).

1.7. Recursos do fimdo partidário e propaganda gratuita no rádio e na TV


As agremiações partidárias, nos termos do § 3.® do art. 17 da Constituição Federal, estão
habilitadas a receber recursos do fundo partidário (com autonomia para contratar e realizar des­
pesas) e ter acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei. Em contrapartida, terão que
prestar contas à Justiça Eleitoral.

1 .7.1. Fundo p artid ário


As entidades partidárias necessitam de recursos para cobrir suas despesas. O s recursos parti­
dários são de difèrentes origens, dentre as quais, pode-se citar: a venda de produtos, as doações,
as contribuições de filiados e o fundo partidário.
O fundo panidário (Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos'^) consiste
na principal fonte de recursos partidários e é constituído, nos termos da Lei n“ 9.096/95, por:

• Multas e penalidades pecuniárias aplicadas nos termos do Código Eleitoral e leis conexas;

• Recursos financeiros que lhe forem destinados por lei, em caráter permanente ou eventual;

• Doações de pessoas físicas ou jurídicas, efetuadas por intermédio de depósitos bancários


diretamente na conta do Fundo Partidário; e

15. Se gu n d o dad o s d o TSE, a U nião repassou a o s partidos políticos no ano de 2013, a título de fu n do partidário, a
quantia de mensal (duodécim o) de R$24.514.010,33 (vinte e quatro milhões, quinhentos e quatorze mil e dez reais
e trinta e três centavos), se n do u m total anual aproxim ado de R$300 m ilhões. Em 2014, houve a distribuição de
cerca de R$365 m ilhões a o s partidos políticos. Em 2015, ò s valores repassados pelo Fundo Partidário à s diversas
agrem iações partidárias totalizou a cifra d e R$867,5 milhões. Nota-se que o valor d o fundo tem crescido progres­
sivamente nos últim os anos.

187
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

• Dotações orçamentárias da União em valor nunca inferior, em cada ano, ao námero de eleitores
inscritos em 31 de dezembro do ano anterior ao da proposta orçamentária, multiplicados
por trinta e cinco centavos de real, em valores de agosto de 1995.
O s recursos oriundos do fundo partidário deverão ser empregados, segundo o art. 44 da Lei
n ° 9.096/95, com as alterações trazidas pela Lei n.“ 13.165/15:
• N a manutenção das sedes e serviços do partido, permitido o p:^amento de pessoal, a qualquer
título, observado, do total recebido, os seguintes limites; a) 50% (cinquenta por cento) para
o órgão nacional; b) 60% (sessenta por cento) para cada órgão estadual e municipal;
• N a propaganda doutrinária e política;
• N o alistamento e campanhas eleitorais;
• N a criação e manutenção de instituto ou fundação de pesquisa e de doutrinação e educação
política (devem-se aplicar, no mínimo, vinte por cento do total recebido nessa atividade);
• N a criação e manutenção de programas de promoção e difusão da participação política das
mulheres, criados e mantidos pela secretaria da mulher do respectivo partido político ou,
inexistente a secretaria, pelo instituto ou fundação ou fundação de pesquisa e de doutrinação e
educação política, conforme percentual a ser íixado pelo órgão nacional de direção partidária,
o observado o mínimo de 5% (cinco por cento) do total;
• N o pagamento de mensalidades, anuidades e congêneres devidos a organismos partidários
internacionais que se destinem ao apoio à pesquisa, ao estudo e à doutrinação política, aos
quais seja o partido político regularmente filiado; e
• N o pagamento de despesas com alimentação, incluindo restaurantes e lanchonetes.
Para a utilização dos recursos do fundo partidário, os partidos políticos, em razão da au­
tonomia legal para contratar e realizar despesas, não precisam cumprir as exigências licitatórias
contidas na Lei n .° 8.666/93 (Lei n.® 9.096/95, art. 44, § 3.“ , com redação dada pela Lei n.®
12.891/13).

► INDAGAÇÃO D l DÁ I ICA

A q u em u b c d istrib u ir <. qual o ni(iiit.iiin-(I i iirsiis q u e l nl i p ,in iilo p o b u r o n u b r i ú ilu


F u n d o P ariid ario ?

Cabe ao Tribun.il R'lpcr.tir cloi'era'I / n ,i i ao<-uifjdos lULionar ilo'Partidos os


recursos do fundo partidário, r m f " ''
r,o q,i , nncerne .i r u inti i que deve ser repassada a cada agrqmiaçãopartidária, haveremos
de .TH r e -'n tema sob irusenfo IN' i ii 1 1 esinnsecutivas:ia)quandorijL>di(aodn 10PP;‘'2R)
quciiioe i,i expedição de norma especifica pelo TSE; e 3®) quando da ádição da lei n® 11 Viu/O?
(regra.itudi) Vejamos ‘ -i C - f . - , / •, /.
........ ' ■
1® critério (previ-to originanamcntc no art 41 da Lei n® 9 5 declarado Inconsti-
tucional pelo STF)“ : , í ■ ^

a) 99% (noventa e nove por-cehto) paia os partídos que ^, em cada eleição prra
a ( ainaia dos Deputado', o.ipoio de, no mínimo, cinco porcento '^uraüãs, nãotompu-
j tados os brancos jç os nulm, diAubuidos c m, pelo) menos, um C sta ^ s, com um niinimo
lór centò do toi al de cada um d e le s;'
de dois por

188
C a p itu lo I V . P ART ID O S POLITICOS

h) iJS (urn p’or cento), em partes iguais, para todas a* entidadi-s partidaiias com estatuto
registrado no TSF, indluMve aquelas contemplados na hipotesi- anterior, ■ ■*
V criténo (cstatuido-em 06 02JID07, pelo TSE, no Processo A d m i n i s t r a i n * 19.731/07):
12 (<iu iri ni I r dois poi cento] em partes iguais, para tOdos'OS^^^dos com rrgistro

hi 56^ iiinq u n t i l o U o p o ic n*o) para as enPdadei purtidarias i om representantes eleitos


p irT aldn iji, do DtpniadCjE) e
3' critfiiolcniartddo np art 41 A da LOPP.ocrescentado pela lei n®11.459/07, com reda$3o
d.idapclasU isnBlZ 8 7 5 /lic L c i n " 13 165/15íatualmenteaplicado)]:
iibJMc1ncoporcento)i*iMipirti im i ' i para todos o.. pa. n I ■ que atendam aos requisitos
constiliiiaonals da acesso aof icL'ir'-o do rundo Poitidano; e
b) 9$% (noventa e cinco por cento), distribuídos na proporção dos votos obtidos na últim.i ■ li*iç lu
geralpat^laCâmaiadosSeputados para cada entidade partidária, sendo desconsideradas as mudança,
uaibCluer hipóteses. v,

► IN D A G A Ç Ã O IT ID A 1K :A

1^ 1 ^ , 0 da iri.i^.iii dc uin pai lido político, i


piitidari» 1.1 pjiliniii iiioiiunu dcsuactiafãi
L 11,1 r v lii.i pniiii ir 1ill içao que participar)?
N o julgam ento d a ^ o idade n®4.7!
•Tribuiiái F cd èl|lÍ^ *ifiè< M -* ejm .nd al “aòs
oi lic çi* ih r a a 'C it'i i ‘i ' I' direi
d o iLBipu d tin u 1 I >i'M II I I ira) n o fftdio c ha televisão.
^ - 1 -f»-
piitados K d e rais q i i m igrarem d ir u rnicnte d o s p artid o s p elo s q u ais Ibrem
na ijia cria tã o '. l’oi .Mialoeia a c>.'i fiiie n d in icn to , o T S E jia m b é m d e c id i^
ii 'id i 'i p iiM .'i ,1 uj;uvi o aiii ip itão nos cccursQs.vdg^lundo
..Iriilado a |<arui it.i leprineosaçáo jiarlaniLiiiar q u e p ara ele
i i m á l d o 6 i i t i i b i O ^ á ^ l S , tndavi. 1, entrou em \ i i o r a Lei n " 12 8 7 l / I
J i ',i| ' t 1iÍ v anin ii' iien u psu ll ’ 1 l l ■ i'tl' I 'l<-rêneia de leeiii os d o fundo p ,
p i o p a j ^ ^ lid to r a l gr ,il'i i no rad io c na. J V, d s,u in partido político a
d c tiu i isidaiiien lar desie parà iip iii i tl.u ii is hipóteses de íusáo ou in

I' n 2 '' d r eiemtiro de 2 0 1 5 , foi pabm ulgada a Lei n .° 13.165. DC


d ãJâ aè p-uairiile úiirco do ari 4 1-A da L ei b,® 9 .0 9 6 /9 5 , está definldvamèm
rectitSÒsJÍdliirtdo partid.i-io c de t t ^ p o de fUopagãnda cleitorhlftifiáílíôíé na
a ouiro, por ocasein de migraç.io d 'u m | iin ii.m ir desce para aqui

► I M ) \G .\(, \ 0 D ID Á T IC A

iju stiç a F l^ to ra l Nesse* sentido, ^ ceidiu o l ^ l e i i d o Tribunal S u p eiio r U aiioral, em acórdão assim Ã
'titado, m

189
CU RSO DE DIRErrO ELEITORAL - Roberto M o fa ro de Almeida

I MI M A : CONSULTA. PAHTlllO PO LÍTICO . AI*I ICA^-^O III CURSOS FUNDO


1*AIU ID.VRIO. PAGAMEN fO IIL MUUTAS ELElTO BA IS-iM PO SSIBlI lOADC.
Rl (.RAMENTO DO ARI i Í DA I £ l N • 9.096/95.
>. I Af orgamaiçóesparudariaspossjfeM, Wfno garantia conftituudn/il, igcurjospubhigtpufa o
fumtonatunto t a dtvulgaçãi • ^ti't*p>api utt EmreiantOi a Lri dos Parttdos
beleceu cntnias para utilização dos ieeuisfs do Fundo Partiddna, desmtos ne art. 44. ;
2 . A uttbziíçao d r recursos do Fundo P trtidd rto p a ra ejítu afp t^ am en to d- ’ lu k is e le ito rr .
decorrente de infração a Lei d.i< Fleiçiles, não se enquadra ent h jn b iitn a d.is hipóteses p n oista\
«s no d ssp o stu v o b ^ iem comento. Respendiibi negatitam ente IConSub^^U'' 1 3 % -2 J/D F iielatot
o rig ^ id o íiM tíS 0 t- G ilson D ipp, R edatora p a ra o acórdão M ih ístta L u itan a l óssio. F>JE dc
13.92013].

1 .7 .2 . A cesso g ra tu ito a o rá d io e à te le v isão '^

As emissoras de rádio e de T V estão obrigadas a realizar transmissões gratuitas para as agre­


miações partidárias, na forma da lei, entre as dezenove horas e trinta minutos e as vinte e duas
horas, por iniciativa e sob a responsabilidade dos respectivos órgãos partidários.
A propaganda partidária gratuita no rádio e na TV , nos termos do an. 45, ines. I a IV da Lei
n.o 9.096/95, com redação dada pela Lei n.® 13.165/15, deverá ser realizada para:
• Difundir os programas partidários;
• Transmitir mensagens aos filiados sobre a execução do programa partidário, dos eventos com
este relacionados e das atividades congressuais do partido;
• Divulgar a posição do partido em relação a temas politico-comunitários; e
• Promover e difundir a participação política feminina, dedicando às mulheres o tempo que
será fixado pelo órgão nacional de direção partidária, observado o mínimo de 10% (dez por
cento) do programa e das inserções.
São vedadas, nos programas veiculados pelos partidos:
• A participação de pessoa filiada a partido que não o responsável pelo programa;
• A divulgação de propaganda de candidatos a cargos eletivos e a defesa de interesses pessoais
ou de outros partidos;
• A utilização de imagens ou cenas incorretas ou incompletas, efeitos ou C[uaisquer outros
recursos que distorçam ou falseiem os fatos ou a sua comunicação.
E digno de registro informar as penalidades e o procedimento para a aplicação de sanções
aos partidos políticos por descumprimento às regras acima transcritas. Ne.sseidiapasão, rezam os
§§ 2° a 6° do art. 45, da LOPP, com redação dada pela Lei n° 12.034/2009, /« w rtó:
Art. 45. [...]
$ 2 " O partido que contrariar o disposto neste artigo (art, 4 S da LO P P) serã punido:

16. N o que concerne à distribuição do tempo de propaganda partidária gratuita no rádio e na télevisão entre as diversas
agremiações partidárias, recomendamos a leitura do tema no Capítulo IX, item 1.4,2.

190
Capítulo IV. PARTIDOS POLÍTICOS

/ —quando a infração ocorrer nas transm issões em bloco, com a cassação do direito de transm issão no
semestre se^tinte;
I I —quando a infração ocorrer nas transmissões em inserções, com a cassação de tempo equivalente a 5
(cinco) vezes ao d a inserção ilícita, no semestre seguinte.
§ 3 ° A representação, que som ente poderá ser oferecida p o r p artid o político, se rájtd g ad a pelo T ribunal
Superior Eleitoral quando se tratar de program a em bloco ou inserções nacionais e pelos Tribunais Regionais
E leitorais quando se tratar de program as em bloco ou inserções transm itidos nos Estados correspondentes.
§ 4 ° O p raza p a ra o oferecimento d a representação encerra-se no últim o d ia do semestre em que fo r veicu­
lado o program a im pugnado, ou se este tiver sido transm itido nos últim os 3 0 (trin ta) d ias desse período,
até o 1 5 ° (décim o quinto) d ia do semestre seguinte.
§ 5^ T>as decisões dos Tribunais R egionais E leitorais que ju lgarem procedente representação, cassando
0 direito de transm issão de propagan da p artid á ria , caberá recurso p a ra o T ribun al Superior E leitoral,

' '' que será recebido com efeito suspensivo.


$ 6 ° A propaganda p artid ária, no rádio e na televisão, fic a restrita aos horários gratuitos disciplinados
nesta Lei, com proibição de propaganda paga.

t.8. Atuais partidos políticos brasileiros


Adotando o sistema pluripartidarista, já foram criadas quarenta agremiações partidárias no
irasil, após o advento da Constituição de 1988, sendo cinco já extintas.
I Elencamos, a seguir, o nome dos partidos políticos com os respectivos números, alguns já
extintos:

Partido Republicano Brasileiro (PRB) (Ex-PMR); [o PRB foi registrado perante o TSE em 5.S.2005
(Processo de Registro nS 301, deferido em sessão de 25.8.2005, nos termos da Resolução n«
22,072/05, publicada no DJ de 6.9.2005)).
OBS.: Por intermédio da petição registrada sob o número 13.318/2005, deferida em sessão de 10
11.3.2006, nos termos da Resolução/TSE n® 22.167, publicada no Diário da Justiça de 31.3.2006,
ocorreu a mudança de nomenclatura e sigla da agremiação partidária de Partido Municipalista
Renovador (PMR) (denominação originai) para Partido Republicano Brasileiro (PRB).
Partido Progressista (PP) (Ex-PPB): [a ARENA (Aliança Renovadora Nacional), partido governista
durante o governo militar pós-1964, mudou a sigla e nomenclatura partidária em 1980 para PDS
(Partido Democrático Social); o PDS, mais tarde, se fundiu com o PDC (Partido Democrata Cristão) e
torhou-se o PPR (Partido Progressista Reformador). Por seu turno, o PST (Partido Social Trabalhista)
incorporou-se ao PTR (Parbdo Trabalhista Renovador) e passou a adotar pela primeira vez a no-
I menclatura e sigla PP (Partido Progressista). Por intermédio do Processo de Fusão ns 277, deferido 11
i em sessão de 16.11.95, nos termos da Resolução/TSE nS 19.386, publicada no Diário da Justiça de
16.12.95, passou a existir uma única agremiação partidária, englobando todas as demais, qual seja,
o PPB (Partido Progressista Brasileiro). Finalmente, em 04 de abril de 2003, resolveu-se alterar a
[denominação da entidade parbdária para PP (Partido Progressista) (PET 104, Resolução TSE n®
21.401, publicada no DJ de 4.7.2003), nomenclatura e sigla que perduram até os dias atuais).
Partido Democrático Trabalhista (PDT): [registro provisório em 16.9.80, nos termos da Re­
solução/TSE n® 10.899, publicada no Diário da Justiça de 24.9.81 e registro definibvo em 12
10.11.81, nos termos da Resolução/TSE n® 11.123, publicada no Diário da Justiça de 05.02.82).
Partido dos Trabalhadores (PT): [registro provisório em 1.12,80, nos termos da Resolução/
TSE n® 10.965, publicada no Diário da Justiça de 29.4.81 e registro definitivo em 11.2.82, nos 13
termos da Resolução/TSE n® 11.165, publicada no Diário da Justiça de 18.3.82).

191
CU RSO DE DIREITO BLEfTOm -KKobertoM oreiradeAlm eida

Partido Trabalhista Brasileiro (PTB): (registro provisório em 12.5.80, nos termos da Resolu-
ção/TSE n9 10.843, publicada no Diário da Justiça de 24.6.80 e registro definitivo em 3.11.81,
nos termos da Resolução/TSE n? 11.120, publicada no Diário da Justiça de 31.3.82).
OBS.l. Em 20/1/2003, foi apresentado pedido de incorporação dp PSD (Partido Social Demo­
crático) ao PTB (Petição ns 1304, classe 18, deferida em sessão do dia 20/2/2003, Resolução 14
n^ 21.350, publicada no Diário da Justiça do dia 13/3/20Ò3).
DBS. 2. Em 19.2.2006, ocorreu pedido de incorporação dò PAN (Partido dos Aposentados da
Nação) ao PTB, (Petição ns 2456, classe 18, deferida em sessão do dia 15.3.2007, Resolução/
TSE n® 22.519, publicada no Diário da Justiça de 28.3.2Ò07).
Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB): (registro provisório em 6.5.80, nos
termos da Resolução/TSE n® 10.841, publicada no Diário da Justiça de 11.6.80 e registro defi­
15
nitivo em 30.6.81, nos termos da Resolução/TSE n® 11.042, publicada no Diário da Justiça de
8.8.81).
Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) (EX-PRT): (registro provisório em
8.6.93, nos termos da Resolução/TSE n® 19.135, publicada no Diário da Justiça de 22.6.94 e
registro definitivo em 19.12.95, nos termos da Resolução/TSE n® 19.420, publicada no Diário
da Justiça de 8.3.96). 16
OBS.: Originalmente chamado de PRT (Partido Revolucionário dos Trabalhadores), em 23.7.93,
em reunião da comissão diretora nacional, decidiu-se alterar a nomenclatura e a sigla da agre­
miação partidária para Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).
Partido Social Liberal (PSl): [registro provisório em 19.12.94, nos termos da Resolução/TSE n®
264, publicada no Diário da Jusdça de 29.3.95 e registro definitivo em 2.6.98, nos termos da 17
Resolução/TSE n® 20.211, publicada no Diário da Justiça de 23.6.98).
Partido Social Trabalhista (PST) [EXTINTO); [deixou de existir ao ser incorporado ao PL (Re­
solução TSE n® 21.374/03); o Pl, por seu turno, não existe mais, pois, a partir da fusão com o
18
PRONA (Partido da Reedificação da Ordem Nacional), deu ensejo ao surgimento do PR (Partido
da República), nos termos da Resolução/TSE n® 22.504, publicada no DJ de 12.2.2007].
Partido Trabalhista Nacional (PTN); [registro provisório em 26.6.95, nos termos da Resolução/
TSE n® 19.318, publicada no Diário da Justiça de 11.8.95 e registro definitivo em 2.10.97, nos 19
termos da Resolução/TSE n® 19.984, publicada no Diário da Justiça de 21.10.97).
Partido Social Cristão (PSC): [registro provisório em 26.11.87, nos termos da Resolução/TSE n®
13.976, publicada no Diário da Justiça de 4.2.88 e registro definitivo em 29.3.90, nos termos da 20
Resolução/TSE n® 16.357, publicada no Diário da Justiça de 10.5.90].
Partido Comunista Brasileiro (PCB); [registro provisório em 19.8.93, nos termos da Resolu­
ção/TSE n® 252, publicada no Diário da Justiça de 22.9.93 e registro definitivo em 9.5.96, nos 21
termos da Resolução/TSE n® 19.550, publicada no Diário da Justiça de 21.5.96).
Partido da República (PR) (EX-PL): [o Partido Liberal (PL), ao se fundir com o PRONA (Partido
da Reedificação da Ordem Nacional), deu ensejo ao surgimento do PR (Partido da República), 22
nos termos da Resolução/TSE n® 22.504, publicada no DJ de 12.2.2007).
Partido Popular Socialista (PPS); (registro provisório em 17.12.87, nos termos da Resolução/
TSE n® 14.026, publicada no Diário da Justiça de 10.3.88 e registro definitivo em 6.3.90, nos
termos da Resolução/TSE n® 16.285, publicada no Diário da Justiça de 6.6.90).
OBS.l; Através do requerimento protocolado sob o n® 12.481, foi solicitada a alteração da 23
denominação e sigla do PCB para PPS (Partido Popular Socialista). 0 requerimento foi de­
ferido em sessão de 19.3.92, nos termos da Resolução/TSE n® 17.930, publicada no DJ de
26.5.92.

19 2
Capítulo IV . PAim DOS POLITICOS

Partido Democratas (DEM) (Ex-PFL): (registro provisório em 09.07.85, nos termos da Resolu-
ção/TSE n* 12.180, publicada nO Diário da Justiça de 5.9.85 e registro definitivo em 11.9.86, 25
nos termos da Resolução/TSE ns 13.067, publicada no Diário da Justiça de 15.10.86).
Partido dos Aposentados da Nação (PAN) [EXTINTO): Não existe mais, pois, em 19.2.2006,
ocorreu pedido de incorporação do PAN ao PTB (Petição nS 2456, classe 18, deferida em ses­ 26
são do dia 15.3.2007, Resolução/TSE n® 22.519, publicada no Diário da Justiça de 28.3.2007).
Partído Social Democrata Cristão (PSDC) (EX-PDC): [registro provisório em 17.8.85, nos ter­
mos da Resolução/TSE n® 19.333, publicada no Diário da Justiça de 6.9.95 e registro defini­
27
tivo em 5.8.97, nos termos da Resolução/TSE nS 19.891, publicada no Diário da Justiça de
22.8.97).
Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB): [registro provisório em 28.3.95, nos ter­
mos da Resolução/TSE n* 19.222, publicada no Diário da Justiça de 3.5.95 e registro defini­
28
tivo em 18.2,97, nos termos da Resolução/TSE 19.785, publicada no Diário da Justiça de
11.3.97).
Partido da Causa Operária (PCO): (registro provisório em 7.12.95, nos termos da Resolução/
TSE n* 19.411, publicada no Diário da Justiça de 14.12.95 e registro definitivo em 30.9.97, nos 29
termos da Resoiução/TSE n® 19.981, publicada no Diário da Justiça de 27.10.97).
Partido Geral dos Trabalhadores (PGT) [EXTINTO]: [deixou de existir a partir da incorporação
ao PL (Parddo Liberal) (Resolução TSE n® 21.374/03), o qual, posteriormente, veio a se trans­
30
formar no PR (Partido da República), nos termos da Resolução/TSE nS 22.504, publicada no DJ
de 12,2.2007).
Partido Humanista da Solidariedade (PHS) (EX-PSN): [registro provisório em 19.9.95, nos ter­
mos da Resolução/TSE ns 19,351, publicada no Diário da Justiça de 9.11.95 e registro definitivo
em 20.3.97, nos termos da Resolução/TSE n® 19.825, publicada no Diário da Justiça de 16.4.97).
DBS.1. Em 24.9.97, o Partido Solidarista Nacional - PSN requereu a alteração da nomenclatura
para Partido da Solidariedade Nacional - PSN, deferida em sessão de 19.2.98, nos termos da 31
Resolução/TSE ns 20.097, publicada no Diário da Justiça de 13.3.98.
DBS.2. Em 28.1.2000, o PSN requereu nova mudança de nomenclatura e sigla para Partido Hu­
manista da Solidariedade - PHS, deferida em sessão de 30.5.2000, nos termos da Resolução/
TSE nS 20.636, publicada no Diário da Justiça de 25.8.2000.
Partido da Mobilização Nacional (PMN): [registro provisório em 30.6.89, nos termos da
Resolução/TSE n? 15.381, publicada no Diário da Justiça de 13.9.89 e registro definitivo em
25.10.90, nos termos da Resolução/TSE nB 17.021, publicada no Diário da Justiça de 28.11.90). 33
DBS.: Em 13.04.2013, 0 PPS se fundiu ao PMN, nascendo o MD (Mobilização Democrática),
mantido o número 33, mas, em 28.07.2013, houve a desistência da fusão.
Partido 'Trabalhista Cristão (PTC) (EX-PJ e EX-PRN): [registro provisório em 3.12.87, nos termos
da Resolução/TSE nB 13.992, publicada no Diário da Justiça de 4.2.88 e registro definitivo em
22.2.90, nos termos da Resolução/TSE nB 16.281, publicada no Diário da Justiça de 14.8.90).
OBS.l. Originalmente, a agremiação partidária foi registrada perante o TSE sob a sigla PJ (Par­
tido da Juventude).
OBS.2. Através de requerimento (Processo n® 9.977), o PJ solicitou alteração de sigla e nomen­ 36
clatura para PRN (Partido da Reconstrução Nacional), sendo deferido pelo TSE em sessão de
11.5.89 (Resolução nB 15.244, publicada no Diário da Justiça de 13.6.89).
OBS. 3. Em sessão de 24.4.2001, nos termos da Resolução/TSE ns 20.796, publicada no Diário
da Justiça de 8.6,2001, a pedido, houve mudança de nomenclatura e sigla para Partido Traba­
lhista Cristão (PTC).

193
CURSO OE DIREITO ELEITORAL - R o b e rto M o r e ir a d e A lm e id a

P ARIinuPO lITIC O ' I


ri
Partido Socialista Brasileiro (PSB): [registro provisório em 21.4.87, nos termos da Resolução/
TSE n - 13.617, publicada no Diário da Justiça de 25.6.87 e registro definitivo em is.7.88, nos 40
termos da Resolução/TSE n® 14.359, publicada no Diário da Justiça de 8.3.89).
Partido Social Democrático (PSD antigo) [EXTINTO): Em 20/1/2003, foi apresentado pedido
de incorporação do PSD (Partido Sociai Democrático) ao PTB, originando a Petição ns 1304,
41
classe 18, deferida em sessão do dia 20/2/2003, Resolução n- 21.350, publicada no Diário da
Justiça do dia 13/3/2003.
Partido Verde (PV): [registro provisório em 20.8.91, nos termos da Resolução/TSE ns 17.578,
publicada no Diário da Justiça de 12.12.91 e registro definitivo em 30.9.93, nos termos da Re­ 43
solução/TSE nS 243, publicada no Diário da Justiça de 9.2.94).
Partido Republicano Progressista (PRP); [registro provisório em 17.8.89, nos termos da
Resolução/TSE 15.467, publicada no Diário da Justiça de 26.9.89 e registro definitivo
44
em 29.10,91, nos termos da Resolução/TSE ns 17.670, publicada no Diário da Justiça de
10.6.92).
Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB): (registro provisório em 6.7.88, nos termos
da Resolução/TSE n® 14.366, publicada no Diário da Justiça de 2.9.88 e registro definitivo
45
em 24.8,89, nos termos da Resolução/TSE ns 15.494, publicada no Diário da Justiça de
25.10.89).
Partido Socialismo e Liberdade (PSOL): [requerimento protocolizado sob número 9.460/05
deu origem ao processo de registro n2 303, deferido em sessão de 15.9.2005, nos termos da 50
Resolução TSE n® 22,083/05, publicada no DJ de 30.9.2005).
Partido Ecológico Nacional (PEN): estatuto partidário aprovado em 19.6.2012 (TSE, Acórdão
51
ns 153.572, publicado no DJe de 16.8.2012).
Partido Pátria Livre (PPL): [Em 4 de outubro de 2011, o Tribunal Superior Eleitoral concedeu,
54
por maioria, o registro do Partido Pátria Livre (PPL)).
Partido Social Democrático (PSD): [o novo PSD nasceu oficialmente em 27 de setembro de
2011, quando o Tribunal Superior Eleitoral, por maioria, deferiu o seu pedido de registro par­ 55
tidário).
Partido da Reedificação da Ordem Nacional (PRONA) [EXTINTO]: [deixou de existir a partir da
fusão com o PL (Partido Liberal) que deu ensejo ao surgimento do PR (Partido da República), 56
nos termos da Resolução/TSE n® 22.504, publicada no DJ de 12.2.2007).
Partido Comunista do Brasil (PCdoB): [registro provisório em 7.4.87, nos termos da Resolu­
ção/TSE nfi 13.609, publicada no Diário da Justiça de 27.2.89 e registro definitivo em 23.6.88, 65
nos termos da Resolução/TSE nS 14.323, publicada no Diário da Justiça de 27.2.89).
Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB); [registro provisório em 3.12.91, nos termos da Re­
solução/TSE n® 17.729, publicada no Diário da Justiça de 20.3.92 e registro definitivo em 70
11.10.94, nos termos da Resolução/TSE n® 244, publicada no Diário da Justiça de 20.2.95).
Partido Solidariedade (SD); Estatuto do Partido registrado em 7.11.2012 (TSE, Acórdão de
77
24.09.2013).
Partido Republicano da Ordem Social (PROS): Estatuto do Partido registrado em 24.09.2013
90
(TSE, Acórdão de 24.09.2013).
Partido' Novo (NOVO): Estatuto do Partido aprovado em 15.09.2015 (TSE, Acórdão de
30
15.09.2015).
Rede Sustentabilidade (REDE): Estatuto do Partido aprovado em 22.09.2015 (TSE, Acórdão
18
de 22.09.2015).

194
Capítulo IV ■ PARTIDOS POLÍTICOS

Partido da Mulher Brasileira (PMB); Estatuto do Partido aprovado em 29.09.2015 (TSE, Acór­
35
dão de 29.09.2015).

1.9. Infidelidade partid ária p o r fixação jurisprudencial


/1.9.1. N oções gerais
A parte final do § 1 do art. 17 da Constitui<;áo Federal, com redação dada pela EC n.“ 52/2006,
dispõe que os estatutos partidários devem “estabelecer normas de disciplina e fidelidade partidária”.
A Lei n.° 9.096/95, regulamentando a Lei Maior, destinou os arts. 23 a 25 a tratar do tema
da fidelidade partidária, ocasião em que dispôs que “a responsabilização por violação dos deveres
partidários deve ser apurada e punida pelo competente órgão, na conformidade do que disponha
ó estatuto de cada partido” .
Seja pela leitura do texto constitucional ou mesmo dos dispositivos legais atinentes à infideli­
dade partidária previstos na Lei Orgânica dos Partidos Políticos, não se vislumbrava na legislação
brasileira hipótese constitucional ou legal a ensejar a perda do mandato eletivo.
Não obstante a ausência de previsão normativa, o T SE , quando do exame da Consulta n .°
1.398/97, formulada pelo Partido Democratas (então PFL), vaticinou que o mandato eletivo
pertence ao partido político ou à coligação e não ao parlamentar. Tal entendimento foi estendido
aos mandatos executivos quando da Consulta n.° 1.407/97.
A quest<áo foi levada ao conhecimento do Supremo Tribtinal Federal, através da impetração
dos mandados de segurança n.° 26.602, 26.603 e 26.604. O Pretório Excelso, ratificando o
entendimento agasalhado pelo Tribunal Superior Eleitoral, afirmou que o mandato pertence ao
- partido, não ao agente político.
Em consonância com os precedentes citados, o T S E editou a Re.solução n ° 22.610, de
25.10,2007, alterada pela Resolução n° 22.733, de 11.03.2008, que disciplinou o processo de
perda de cargo eletivo em virtude de infidelidade partidária e estabeleceu regras de justificação
para a desfiliaçáo partidária.
Aludida resolução foi editada no sentido de reconhecer que o mandato eletivo penence ao partido
político e, destarte, a troca de legenda, após o pleito, sem uma justificativa plausível, é considerada
infidelidade partidái ia a sujeitar o infrator ao perdimento do próprio cargo para o qual fora eleito.
Eis, a propósito, a íntegra da aludida resolução;
RESOLUÇÃO No 22.610, de 25 de outubro de 2 0 0 7 "
Relator: Ministro Cezar Peluso.
O TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORÁE no uso das atrihttiçóes tjue lhe confere o art. 25. XVIJÍ, do
Código Eleitoral, e na observância do t^ue decidiu o Supremo Tribunal Federal nos Mandados de Segu­
rança M 26.602, 26.603 e 26.604, resolve disciplinar o processo de perda de cargo eletivo, hem como de
justificação de desfiliaçáo partidária, nos termos seguintes:
Art. I " - O partido político interessado pode pedir, perante a Justiça Eleitoral, a decretação da perda de
cargo eletivo em decorrência de desfiliaçáo partidária semjusta causa.

17. Republicada por determ inação do art. 2S da Resolução n® 22.733, de 11 de m arço de 2008.

195
CURSO DE DIREITO íL E n O R A i-^ f ^ o b e r t o M o r e ir a d e A lm e id a

§ I^ r^Consiílem’:sejusta causa: ,
I) incorporação ou fitsão do p artid o;
II) criação de novopartido;
III) m udança substancial ou desvio reiterado do program a p artid ário ;
IV) grave discriminação pessoal,
§ 2 ° - Qtiando o partido politico não formular o pedido dentro de 30 (trinta) dias da desfiliação, pode
fazê-lo, em nome próprio, nos 30 (trinta) subsequentes, quem tenha interesse juridico ou o Ministério
Público eleitoral.
5 " - O m andatário que se desfiliou ou pretenda desfiliar-se pode p ed ir a declaração da existência de
ju sta causa, fazendo citar o partido, na fo rm a desta Resolução.
Art. O Tribunal Superior Eleitoral é competentepara processar ejulgarpedido relativo a mandato
federal; nos demais casos, é competente o tribunal eleitoral do respectivo estado.
Art. 3^ - Na inicial, expondo ofitndamento do pedido, o requerentejuntará prova documental da desft-
liação, podendo arrolar testemunhas, até o máximo de 3 (três), e requerer, justipeadamente, outras provas,
inclusive requisição de documentos em poder de terceiros ou de repartiçõespúblicas.
Art. 4^—0 mandatário que se despliou e o eventual partido em que esteja inscrito serão citados para
responder no prazo de 5 (cinco) dias, contados do ato da citação.
Parágpafo único —Do mandado constará expressa advertência de que, em caso de revelia, se presumirão
verdadeiros osfatos aprmados na inicial.
Art. 5 " “ Na resposta, o requeridojuntará prova documental, podendo arrolar testemunhas, até o máximo
de 3 (três), e requerer, justipeadarnente, outras provas, inclusive requisição de documentos em poder de
terceiros ou de repartiçõespúblicas.
Art. 6° - Decorrido o prazo de resposta, o tribunal ouvirá, em 48 (quarenta e oito) horas, o representante
do Ministério Público, quando não seja requerente, e, em seguida, julgará o pedido, em não havendo
riecessidade dedilação probatória.
Art. 7^ —Havendo necessidade de provas, deferi-las-á o Relator, designando o 5 " (quinto) dia útil sub­
sequente para, em única assentada, tomar depoimentos pessoais e inquirir testemunhas, as quais serão
trazidas pela parte que as arrolou.
Parágrafo único - Declarando encerrada a instrução, o Relator intimará as partes e o repmentante do
Ministério Público, para apresentarem, no prazo cornum de 48 (quarenta e oito) horas, alegaçõespnais
por escrito.
Art. 8^ - Incumbe aos requeridos o ônus da prova defato cxHntivo, impeditivo ou modipcaúvo da eficácia
do pedido.
Art. 9 ° - Para ojulgamento, antecipado ou não, o Relatorpreparará voto epedirá inclusão do processo na
pauta da sessão seguinte, observada a antecedência de 48 (quarenta e oito) horas. É faatltada a sustentação
oralpor 13 (quinze) minutos.
Art. 1 0 - Julgando procedente o pedido, o tribunal decretará a perda do cargo, comunicando a decisão
ao presidente do órgão legislativo competentepara que emposse, conforme o caso, o suplente ou o vice, no
prazo de 10 (dei^ dias.
Art. I I —São irreconiveis as decisões interlocutórias do Relator, as quais poderão ser revistas nojulgamento
final, de cujo acórdão cabe o recurso previsto no art. 121, § 4^, da Constituição da República.
Art. 12 —0 processo de que trata esta Resolução será observado pelos tribunais regionais eleitorais e terá
preferência, devendo encerrar-se no prazo de 60 (sessenta) dias.
Art. 13 - E sta Resolução entra em vigor na d ata de su a publicação, aplicando-se apenas às desfiliações
consum adas após 27 (vinte e sete) de março deste ano, quanto a m andatários eleitos pelo sistem a propor­
cional, e, após 1 6 (dezesseis) de outubro corrente, quanto a eleitos pelo sistem a m ajoritário.

196
C apítu lo IV * PARTIDOS POLÍTICOS

Parágrafo único — Para cs casos anteriores, o prazo previsto no art. 1^, § 2^, conta-^e a partir do início
de vigência desta Resoli^âo.
Marco AuréUo - Presidente. Cezar Peluso —Relator. Carlos Ayres Britto.
José Delgado, A ri Pargendler. Caputo Bastos. Marcelo Ribeiro.
Brasília, 25 de outubro de 2007.

1.9.2, C onstitucionalidade d a Resolução T SE n ° 22.610107


Muito se debateu acerca da inconstitucionalidade da Resolução T S E n ° 2 2 .6 1 0 /0 7 , bem
como da Resolução T SE n° 22.733/08.
Nesse diapasão, foram apresentadas duas ações diretas de inconstitucionalidade ju n to ao
Supremo Tribunal Federal; a primeira, contra a ResoluçâoTSE n° 22.610/07, ajuizada pelo P S C
- Partido Social Cristão (ADI n ° 3.999/D F, relator Ministro Joaquim Barbosa); e a segunda,
contra a Resolução T S E n ° 22.733/08, proposta pelo Procurador Geral da República (A D I n °
4.086/DF, relator Ministro Joaquim Barbosa).
As resoluções em análise deveríam ter sido declaradas inconstitucionais, pois, em nosso pensar,
“data vênia”, extrapolaram o caráter regulamentar a elas inerentes, bem como restringiram direitos
e estabeleceram sanções não previstas em lei.
Com efeito, a Resoluçâõ T S E n .° 22.610/07, bem como a Re.solução T S E n .° 2 2 .7 3 3 /0 8 ,
previu hipóteses para a perda de mandato eletivo por infidelidade partidária, estabeleceu regras
processuais e procedimentais, fibeou. parâmetros de çprjipetência, além de ter limitado a In tim id a d e
do Ministério Púbjico. Houve clara usurpaçáo da competência lègislativa da U nião para legislar
sobre direito processual e direito eleitoral (CF, art, 22, inc. I).
O Pretório Excelso, todavia, por maioria, preliminarmente, conheceu das duas ações diretas
de inconstitucionalidade, mas, no mérito, também p or maioria, as rejeitou, pois reconheceu
como válidas (constitucionais) ambas as resoluções impugnadas até que o Congresso N acional
dispusesse sobre a matéria, o que somente veio a ocorrer com o advento da Lei n.® 1 3 .1 6 5 /1 5 .

1.9 .3 . Legitím idade ativa e prazo p a ra a propositura da ação

Tem prevalecido o entendimento jurisprudencial segundo o qual o partido político detentor


do mandato eletivo tem o prazo'* decadendal de 30 (trinta) dias, a contar de desíiliação, para
propor o processo administrativo para a perda do mandato eletivo junto à Justiça Eleitoral.
Ultrapassado o primeiro trintídio legal,, cabe ao Ministério Público Eleitoral ou a terceiros
interessados (vices e suplentes), nos trinta dias subsequentes, ingressar (legitimidade ativa suple­
tiva e concorrente) em juízo pleiteando a perda do mandato eletivo por infidelidade partidária.
N o meu pensar, no polo passivo da demanda haverá de ser form ado um litisconsórcio ne­
cessário entre o parlamentar ou o chefe do Poder Executivo (considerado infiel) e a agremiação
partidária atual, isto é, aquela na qual aquele se filiou.

18. A contagem d o prazo é feita com base ncjart. 184 d o CPC, subsidiariam ente aplicável a o caso, o u seja, exclui-se o
dia da desíiliação ("dies a q u o") e inclui-se o dia final ("dies ad quem "). Se o prim eiro dia (desíiliação) o u o últim o
dia (trigésim o) ocorrer em sábado, dom ingo, feriado o u data se m expediente forense, o prazo inicial o u final será
prorrogado para o dia úbl seguinte.

1 97
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de/Wme/do

1.9.4. Tutela an tecipada


N ão obstante a Resolução n ° 22.610/07 admitir a possibilidade de julgamento antecipado
da lide, o entendimento esposado pelo Tribunal Superior Eleitoral tem sido no sentido da não
admissibilidade da tutela antecipada na ação para a perda de cargo por infidelidade partidária.
Nesse diapasão; a) M S n® 3699, Acará/PA, j. 11.03.2008, Relator Ministro José Augusto
Delgado, DJ. 11.04.2008; e b) M S n° 3.671, Avelinópolis/GO, j. 27.11.2007, Relator Ministro
Carlos Ayres Britto, DJ. 11.02.2008.

1.9.5. H ipóteses de ju sta causa


A própria Resolução n“ 22.610/07 estabeleceu expressa e taxativamente {numerus clausus)
quatro as hipóteses justificadoras de desfiliação partidária.
São elas:
a) incorporação ou fusão do partido;
b) criação de novo partido'^;
c) mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário: ou
d) grave discriminação pessoal.
Estando o agente político enquadrado em uma dessas hipóteses, não haveria que se falar em
infidelidade partidária.

► INDAGAÇÃO D lD Á riC A

Nocasodecriaçãodeumnovopartidopolítico, qualoprazoasérobservadopelaagremm^o
pailidáriitcpeloliliddoparaparticipardopleitoeletivoRituro’eiqualoptxm razoávelpahi
serealizar,3novafili|^o?
A.resolução é clara áo estabelecer quatro motivos justificadorastde desfiliação partidária.
Dentre essas hipóteses dejusta causa, está a criação de novo. partido político, tal qual apregoava O ;
no inc. II do § do art. 1® da Resolução 22.610/07.
O novo partido político, no entanto, para participar de eleição futura, deveria ter sido consti­
tuído e registrado perante o TSE há, no mínimo, um ano antes das eleições. Aludido prazo haveria
de ser observado também para as filiações partidárias para quem pretendesse postular candidatura
a cargo eletivo. Deveria, por fim, haver de ser consideration para fins de comprovação da justa causa
de desfiliação; um prazo razoável de trinta dias entre ò fato e o pedido de reconhecíménto partidário.
Nesse sentido, trecho de consulta respondida pelo TSE: "Ò partido político que pretenda
participar ídas elelçõés deve estar definitivámente constituído, com o estatuto registrado no TSE,
há polo menos urrijàno antes das eleições (art. 70, § 2®, da Lei 9.096/95>e art. 4® da Lei’9.504/97).
Esse também é ip ptazo mínimo de filiação partidária para aqueies.que postulam candidatura a um
mandato eletivo (àrt. 18 da Lei dos Partidos Políticos). [...] Assim, registiádo o estatuto do partido
no TSE em prazójhferior a um ano das eleições, seus filiados nao poderiO’participar da disputa [...].
jPara Ojreconheçippento da Justa causa para desfiliação partidária, devçihaver um prazo razoável-
entrè o fato e ó;pedido de reconhecimento, de modo a evitar um.quadro de insegurança jurídica,
por meio do qual se chancelaria a troca de partido a qualquer tempo. Desse modo, para aqueles

Os interessados em mudar para o novo partido deverão fazê-(o em 30 (trinta) dias após a criação (TSE, Consuita
n.v 735-35).

198
I Capitulo IV . PARTIDOS POLITICOS

, quo contribuiram P^ra a çriaçãp do novo partido,jé.razp^vfl:aplicar anajogicamente o prazo de,3Q,


^ dias previsto no art. 9®, § 4®, da Lei 9.096/95, a contar da data do registro do estatuto pelo TSE".
{TSE, Ac. deÍ.6.2011mCtíinS7SS3S,reL'ti/íín'. kanêy'Ânénghi}.
Com 0 advento dá'^el n.® 13.165/15 (t^i’d ^ ifeWiiifoVsb^uir), todavia, houve revogação par-
risl da Resolução TSE n.9 22.610/97,%ãò' hS‘vehd6’rhdis’íüstdòàüáa pafa'thUdâhçàdé âgrèítiiaçãõ'
partidária pelo rnotivo de criação de novo partido político. Ademais, para concorrer às eleições, o
candidato deverá estar corti filiação partidária deferida ho prazo mínimo de6:(Cêisj meses da data.
da eleição [não mais há exigência de um anoj.

1.9.6. Competência
Jamais o juízo de primeiro grau da Justiça Eleitoral teve ou terá competência para processar
e julgar a ação para a decretação da perda de mandato eletivo por infidelidade partidária.
Com efeito, a competência para dirimir a lide em comento é sempre originária de tribunal,
nos termos do art. 2“ da Resolução n° 22.610/07, a saber:
a) Tribunal Superior Eleitoral: quando se tratar de mandato eletivo federal (Presidente da
República, Vice-Presidente da República, senadores, suplentes de senadores, deputados
federais e suplentes); e
b) Tribunal Regional Eleitoral: nas hipóteses relativas a mandatos eletivos estaduais ou mu­
nicipais (governadores e vices, deputados estaduais, distritais, suplentes, prefeitos, vices e
vereadores).

1.9.7. A tuação do M inistério Público E leito ral


O Ministério Público Eleitoral, na condição de defensor do regime democrático, tem le­
gitimidade para atuar no processo para perda do mandato eletivo por infidelidade partidária na
condição de parte autora ou fiscal da lei {custos legis).
Perante o Tribunal Superior Eleitoral, atuará o Procurador Geral Eleitoral e, no âmbito do
Tribunal Regional Eleitoral, o Procurador Regional Eleitoral.
Lembre-se, a propósito, de que, não obstante o Promotor de Justiça Eleitoral não ter atuação
processual (aludidas demandas sempre tramitam em tribunais), ao tomar conhecimento de desfiliação
partidária no âmbito municipal (Prefeitos, Vice-Prefeitos e Vereadores), nas zonas eleitorais em que atuar,
deve comunicar o fato ao Procurador Regional Eleitoral para as providências que entender cabíveis.

1.9.8. Procedimento
O procedimento para a tramitação processual das ações para a perda do mandato eletivo por
infidelidade partidária está traçado nos arts. 3 ° a 10 da própria Resolução n° 22.610/07.
Existem, a rigor, dois processos administrativos eleitorais relativos ao assunto:
a) Processo Administrativo Heitoral Para a Perda do Mandato Eletivo Por Infidelidade
Partidária (PAEPPMEPIP). Cabe ao requerente provar a infidelidade partidária e postular pela
perda, por tal motivo, do mandato eletivo. Tem natureza jurídica desconstitutiva ou constitutiva
negativa; e

199
CURSO DE DIREITO ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

b) Processo A dm inistrativo Eleitoral de Justificação de Abandono de Sigla (PAEJAS).


Incumbe ao requerente provar que abandonou a agremiação partidária ou pretende abandoná-la
em razáo da existência de uma j usta causa. É processo de natureza jurídica meramente declaratória.
Em ambas as demandas, podemos dividir o procedimento em cinco fases: I) postulatória;
II) saneamento; III) instrutória; IV) decisória; e V) recursal.

I) Fase p ostu latória


Ao direcionar a petição inicial ao Presidente do T R E (mandatos eletivos estaduais ou muni­
cipais) ou d o T S E (mandatos eletivos federais), o requerente não poderá esquecer de:
a) anexar a prova documental da desfiliação ou a manifestação da pretensão de o mandatário
desfiliar-se da agremiação partidária;
b) requerer a juntada de outras provas documentais em poder de terceiros ou de repartições
públicas (serão tais documentos requisitados);
c) inserir o rol de testemunhas, até o máximo de 3 (três); e
d) pedir a declaração da existência de justa causa para a desfiliação (no PAEJAS) ou a perda
do mandato eletivo por infidelidade (no PAEPPMEPIP).
Citação^'* para, no prazo de 5 (cinco) dias, contados do ato citatorio, responder:
a) no PAEPPMEPIP: cita-se o parlamentar ou o chefe do Poder Executivo que mudou de
partido sem justa causa; e
b) no PAEJAS: cita-se a agremiação partidária.
N a defesa (resposta), o requerido juntará prova documental; poderá arrolar testemunhas,
até o máximo dc 3 (três); e requerer, justificadamente, outras provas, inclusive a requisição de
documentos em poder de terceiros ou de repartições públicas.

II) Fase de saneam ento


Decorrido o prazo de resposta, o tribunal deverá ouvir, em 48 (quarenta e oito) horas, o re­
presentante do Ministério Público Eleitoral, quando não seja requerente, e, em seguida, julgará o
pedido, em não havendo necessidade de dilação probatória (Resolução T S E n° 22.610/07, art. 6°).
É plenamente cabível julgamento antecipado da lide nos casos de:
a) matérias exclusivamente de direito; ou
b) matérias de direito e de fato, mas o fato estiver comprovado com provas pré-constituídas.
Se houver necessidade de colheita de provas orais, o Relator deferi-las-á e designará data para
a realização de Audiência de Instrução.

III) A fa se instrutória.
A fase instrutória, sob o comando do Relator, está bem definida nos arts. 7 ° e 8 ° da Resolução
T S E n ° 22.610/07, a saber;

20. No mandado de citação deverá constar expressamente a advertência de que, em caso de revelia, se presumirão
verdadeiros os fatos afirmados na inicial (Resolução TSE n® 22.510/07, art, 4S, parágrafo único).

200
Capítulo IV . PARTI£X)S POLfTICOS

A ri. - H avendo necessidade de provas, deferi-las-á o Relator, designando o 5® (q u in to) d ia ú til sub­
sequente p ara, em única assentada, tom ar depoim entos pessoais e in q u irir testem unhas, a s q u ais serão
trazid as p ela p arte que as arrolou.

P arágrafo único —D eclarando encerrada a instrttção, o R elator in tim ará a s p artes e o representante do
M inistério Público, p a ra apresentarem , no prazo comum de 4 8 (quaren ta e oito) horas, alegações fin a is
p o r escrito.

Art. 8^ —Incumbe aos requeridos o ônus d a prova d efato extintivo, im peditivo ou m odijicativo d a eficácia
do pedido.

Encerrada a instrução, as partes deverão ser intimadas para, no prazo com um de 48 (quarenta
e oito) horas, apresentarem alegações finais por escrito.

/V? t ’itse decisória.


Para o julgamento, antecipado ou não, o Relator terá que preparar seu voto e pedir a inclusão
do processo na pauta da sessão seguinte, observada a antecedência de 48 (quarenta e oito) horas.
N a sessão de julgamento, é facultada às partes sustentação oral pelo prazo de 15 (quinze)
minutos.
Ao ser julgado procedente o pedido, o tribunal:
a) no PA EPPM EPIP: decretará a perda do cargo, comunicando a decisão ao presidente do
órgão legislativo competente para que emposse, conforme o caso, o suplente ou o vice, no prazo
de 10 (dez) dias; e
b) no PAEJAS: reconhece ou declara a justa causa para o abandono da agremiação partidária.

V) FaserecursaL
Dispõe o art. 11 da Resolução que “são irrecorríveis as decisões interlocutórias do Relator,
as quais poderão ser revistas no julgamento final, de cujo acórdão cabe o recurso previsto no art.
121, § 4“ , da Constituição da República” .
Cabe, contudo, a interposição de recursos das decisões emanadas pelos tribunais regionais
eleitorais em sede de PAEPPM EPIP e PAEJAS. Pode-se recorrer, a propósito, conform e o caso,
para o Tribunal Superior Eleitoral, valendo-se para tanto dos recursos especial e ordinário
eleitorais.

1.9.9. D uração razoável do processo


N o intuito de assegurar uma rápida solução para o litígio, sobretudo pelo fato de os man­
datos eletivos terem prazo determinado, o T SE , ao editar a Resolução n“ 22.6 1 0 /0 7 , asseverou a
observância da prioridade processual nas ações para a perda do mandato eletivo por infidelidade
partidária e fixou o lapso temporal razoável de 60 (sessenta) dias para o seu encerramento.

1.9.10. Vigência
Embora a Resolução tenha entrado em vigor na data de sua publicação, houve previsão de
que alcançaria apenas as desfiliaçóes consumadas após 2 7 (vinte e sete) de março do ano de 2007,
quanto a mandatários eleitos pelo sistema proporcional, e, após 16 (dezesseis) de outubro de 2007,
quanto a eleitos pelo sistema majoritário.

201
CU RSO D E DIREITO ELEITORAL - R o b e rto M o re ira d e A lm e id a

1.10. Infídelidade partidária por iixaçáo leg^


A Lei n.° 13.165/2015, em boa hora, passou a disciplinar a questão da infidelidade partidária
no Brasil, ao acrescentar o art. 22-A à Lei n.° 9.096/95, com a seguinte redação:
Art. 22-A. Perderá o mandato o detentor de cargo eletivo que se desfiliar, sem justa causa,
do partido pelo qual foi eleito.
Parágrafo único. Consideram-se justa causa para a desfiliaçáo partidária somente as seguintes
hipóteses:
I - m udança substancial ou desvio reiterado do program a p artid ário ;
I I - grave discrim inação p olítica pessoal: e
II I- m udança de partido efetuada durante o período de trin ta d ias que antecede o prasso de filiação exigido
em lei p ara concorrer à eleição, m ajo ritária ou proporcional, ao térm ino do m andato vigente.
Nota-se que, a partir das eleições de 2016, estarão revogados parcial e tacitamente alguns
dispositivos da Re.solução T S E n.° 22.610/97.
yl priori, não mais existem quatro hipóteses de justa causa para a desfiliaçáo partidária: a)
incorporação ou fusão do partido; b) criação de novo partido; c) mudança substancial ou desvio
reiterado do programa partidário; ou d) grave discriminação pessoal.
Doravante passam a ser previstas apenas três causas para desfiliaçáo, a saber; a) mudança
substancia] ou de.svio reiterado do programa partidário; b) grave discriminação política pessoal; ou
c) mudança de partido efetuada durante o pctíodo de trinta dias que antecede o prazo de filiação
exigido em lei para concorrer à eleição, majoritária ou proporcional, ao término do mandato vigente.
Por seu turno, nota-se que a criação, incorporação ou fusão de entidades partidárias não é
mais motivo para desfiliaçáo partidária.
Ademais, com a novel legislação, há liberação para que os titulares de mandatos eletivos
migrem livremente para qualquer agremiação partidária, desde que o faça nõ phazo de trinta dias
antes da filiação partidária prevista no art. 9 .° da Lei n.° 9.504/97-
Por fini, a Lei n.° 13.165/15 não previu o procedimento para a perda de mandato por infi­
delidade partidária. Permanece, na hipótese, o disciplinamento então contido na Resolução T S E
n .° 22.610/97, que permanece plenamente em vigor.

► I N D A G A Ç Ã O D I1 5 Â T IC A

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tl'O tjginariam cm c, a Resolução TSE o.® 22. tínava-sc p.ira uidos os ear|;os ,(^tIvos pror
porèjonájsse majoritários.
H ó u v e , c o n tu d o , o a ju iz a m e tito d e A ç ã o D i f i loílhstitucionalid.ulc, lemlo o Supteirio Trilnin.il
■ E e d | M (f c d a r a d o .ser a R e s o lu ç ã o n.® 2 2 .6 1 0 / 0 'J ivcl p:ira a perda do m.mclato por infidelidade
p.iriidária .11) s i s i c n u c ic iio i.il m a jo r it .ír iu .

,í .ífS V á lc c is iio c s c í assiih e m e n ta d a : - '

f EltóSÍTAí DIREITO CONSTl ík A L E E L E IT O R A L . A Ç Ã O D IR E T A D E


6 * I N C O N S T I T U a O N A I .1D A D L lilç A O N® 2 2 .6 1 0 /.> « ()' I K ) I S E . IN A P U -
C A R I M O A D E I>A R E G R A O i H Á D O M A N D A T O l’ O K I M ID E L ID A D F .
PA R T ID Á R IA A O S I S T E M A " ^ M A JO R IT Á R IO .
I C a b im e n to iL i a ç ã o K i s A I l I s ^ fÍÒ 8 6 lD P , discutiu-SC II alrancí dopoilei regul.t-
■ iil& > m entar d a Ju stiça B leito ral e su a c ò ls^ e ih i^ fifj^ a dispor acerca dt. p i ttlu rir nuindatm

202
t Capitulo I V . PARTIDOS POLITICOS

O poii. n .ifjld iscu tid o ru p re sth i'u n iih n •itcd iv in n sat- 1 se é te i,!tb n a a ex’ 'nsao A í
regr.i ,i i iidr.':d.idepartidiiria^aos i itidid.i: . i-ii n pelo sistc’i i tu jio rilu iio

2. i t! t’i‘i \thAfjudido:deSegit>^it:^.t^{'r02 2i’ (iOde2i'60’t'iííeyiifíítiimopauodtlu?ido


0 • I . /'f ■/ ’cwnal, que e a d o tjd ' ; .n.. le lr i,,.' .'erk p u l.to i/iji/’ la is.e i,.d iia ise v ti .doies,
yl. . I. I. do.itteto tproporc k : d. u nn ~u„ ” ,in i t.o n itns m ’i d f p d ' partsdos . <n,im
,1 t :d i.'i.” i p i ’ tid d iia tm ponanti irie iii o],, m jm 'Ileus jc . pelo ele ',u no
•I ’r i \ ; ■ , L I . '.ío ej^m m im m an ! n t i ’i ' r i . l , \ l l i í u lip p ii'" lad ed e ’ ,h c re ta ru ' tj
d ii,..".-i.ir,’ do ’..m didito q u ealu n d ot. . , <• ^nuL p e ii q u o ln e l . ,i.
à n . n :..-n itiiriii, adotudo i-ó u -.o i. pieaidente, p/, m od’» , / '<‘’’ro e aenu '•
tem lóp 'ii’ \,n iica direi ,ts d a do i- ■), ■ "t i, o c iiin jl /!> itii ,i ,erístu ,n d • ■ item il m aja-
ritãrio, tafdst II.1 ’.{iir.i do t.i-.d rL 'o / ; em lOni qui , i , rda d i m ’lata,- no caso
de mud ’! • ; . ’■ tiJo .ji’i ire j i ‘jn i.iio--l. i ! , ’i > e iiiln iie a soi .rtia p a p u ’. ' ( C E a t t ..l”,
, ,ii,ipi,.i I’ll y-í. .put}
‘f Proet 'n ' i .1 >j-dido i,'mtilado etn lo .luet.i de inioi stttiir ■idad’ ÍS TF, A D l 5 0 8 1 ,
Rclatort-O: M ill. K O B l li I O B A R R O M ), T ribu n al P leno, ju lg .id o cm 2 7 /0 5 /2 0 1 5 ).

2. SINOPSE

Partidos po»
' '2.1. Partido politico >
de d i r e i t o privado, integrada por um grupo de indivíduos que se associam, estavel-
É a p e s s o a j u r í d ic a
mente, em torno de u m objetivo determinado, que é assumir e permanecer no poder ou, pelo menos,
influenciar suas decisões e, ipso facto, pôr em prática uma determinada ideoiogia poiítico-administrativa.
Jt*?r

Os partidos poiiticos se destinam a assegurar, segundo os ditames do regime democrático, a autentici­


dade dp sistema representativo, a postuiar pela defesa dps direitos fundamentais encartadps na Cpns-
tituiçâp Federai, bem assim assumir e permanecer np ppder pu, pelo menos, influenciar suas decisões
e, ipso facto, pôr em prática uma determinada ideologia poiítico-administrativa.

Três s3o os sistemas partidários: a) monopartidarismo; partido único; b) bipartidarismo: admitem-se


apenas dois partidos políticos; e c) pluripartidarismo: permitem-se vários partidos políticos.
2;4v Regramentoconistituicfonat - -
A CF de 1988, ao acolher o sistema pluripartidarista, estabeleceu o principio da liberdade para a cria­
ção, fusão, incorporação è extinção dos partidos políticos, mas exige que as agremiações partidárias;
a) tenham caráter nacional; b) não recebam recursos financeiros de entidades ou de governos estran­
geiros òu que se subordinem a estes; c) prestem contas à Justiça Eleitoral; e d) tenham funcionamento
parlamentar de acordo com a lei. ___ ____________________________ ^ ______
2.5. Autonomia partidária
Assegurou-se aos parbdos políbeos: autonomia para dehnir sua estrutura interna, organização e
funcionamento; autonomia para adotar os critérios de escolha e o regime de suas coligações eleito­
rais, sem obrigatoriedade de vincuiação entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual, distri­
tal ou municipal; e autonomia para estabelecer normas de fidelidade e disciplina partidárias.______
fundo j^aftlflârio e propaganda gratuita no rádio e na televisão________
As agremiações partidárias registradas perante o TSE estão habiljtadas a receber recursos do fundo
pàrridário e têifi acessó gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei.

203
C U R SO D E D IR B T O ELEITORAL - Roberto Moreira de Almeida

Adotando o sistema pluripartidarista, já foram criadasiquarenta agremiações partidárias no Brasil,


após o advento da Constituição de 1988, algumas já extintas.
2.8. í dária
O TSE editou a Resolução ns 22.610, de 25.10.2007, alterada pela Resolução ns 22.733, de 11.03.2008,
que disciplina o processo de perda de cargo eletivo em virtude de infidelidade partidária e estabelece
regras de justificação para a desfiliaçâo partidária, com as alterações advindas no art. 22-A da Lei n.s
9.096/95, acrescentado pela Lei n.2 13.165/2015.

3. PARA CONHECER A JURISPRUDÊNCIA


3.1. Súmulas do TSE
súmula 1. Proposta a ação para desconstituir a decisão que rejeitou as contas, anteriormente à impugna­
ção, fica suspensa a inelegibilidade (Lei Complementar n®. 64/90, art. 1®, inc. I, alínea "g").

ATEIjlÇÃO,,- , . . , , Sai,
O J|5E assentou eo^ndimento posterior segi^do o qual a propo$|| ntilatória,
sem a obtenção de provimento liminar ou tutela antecipada, não su egi^ilidade
(AC.-TSE, de 24.8.2006, no RO n«. 912^ ||2006, no RO N8.963; de Z9.9.Z006, no RO n“. 965
e no RESP. nS. 26."942; e de 1 6 4 Õ gRo NB. 1.067, dentrepütiíé^If

Súmula 2. Assinada e recebida a Rcha de filiação partidária até