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O que é comum, vulgar, geralmente abundante é considerado sem valor.

O que é raro é
geralmente considerado valioso. Provavelmente os ricos para fazerem valer o seu lugar
de poder, cercaram-se de coisas raras ou encontradas em lugares muito distantes; coisas
que os diferenciavam dos demais por ser necessário muito dinheiro para adquiri-los,
encontrá-los ou conquistá-los. Os valores econômicos dos objetos raros ou vulgares
foram transferidos para as pessoas. Pessoas “distintas”, que se diferenciam das demais
por possuírem muitas riquezas ou ocuparem posições de poder, são diferenciadas das
demais, consideradas “vulgares”, tais como os objetos acessíveis e abundantes. São
consideradas sem valor, ou vagabundas. No sentido de quem empresta sua força de
trabalho para alguém e consegue em troca meios de adquirir coisas para suprir suas
necessidades. Vulgar ou vagabundo tornaram-se termos ofensivos, muito embora
correspondessem á posição da maioria das pessoas. Observamos também que a palavra
“vadia” refere-se a quem não trabalha para sobreviver e tem conotação muito ofensiva
por também ser aplicado às prostitutas, que também são chamadas de vagabundas. Ou
seja; pessoas que não trabalham e (por isso) não tem valor (para o capitalismo).
As pessoas vulgares ou vagabundas tinham que provar que eram pessoas de bem, ou
seja, com um comportamento considerado moralmente correto. O comportamento
moralmente correto consistia em ser honesto, o que significava que essas pessoas não
deviam mentir ou tomar coisas que não eram suas, ou seja, não era permitido que
possuíssem tais coisas. Não mentir significava ser fiel ao seu senhor, estar totalmente
sobre o seu controle e não roubar significava proteger a propriedade do senhor, fosse ou
não legítima. Quanto mais raro e inacessível a fonte de um tecido, por exemplo, e
quanto mais trabalho demandasse, como a seda importada da China, por exemplo, mais
difícil de obter, menos vulgar e portanto maior seria o seu valor e a distinção de quem a
usava. Ou seja se a moda fosse cobrir-se de folhas de bananeiras, vulgares e abundantes,
não haveria como distinguir-se em usá-las. Mas uma roupa que para ser tecida
necessitava de máquinas e uma complexa sequencia de produção, seria mais difícil de
adquirir e portanto não poderia ser considerada vulgar.A elaboração, o requinte e a arte
empregados na confecção de um objeto que demanda trabalho e habilidades especiais o
torna mais valioso. Era importante desvalorizar ou até proibir o uso de coisas
abundantes e vulgares, ou deixá-las apenas para o uso dos pobres e miseráveis, pois não
teriam a característica de exclusividade e não confeririam nenhuma importância especial
a quem as possuia. Além disso, a escassez pode criar fortunas e crises, enquanto a
abundância cria estabilidade e facilita a recuperação do equilíbrio quando este é
rompido, por isso a abundância é a tônica da natureza. A natureza precisa sobreviver em
qualquer condição, por isso investe em abundância, principalmente na base da cadeia
alimentar. Especialistas raros são preservados pela natureza como uma carta na manga
para o caso de uma mudança extrema. Os ricos para manterem-se no controle
especializaram-se em criar e cultivar coisas raras. Uvas raras, gemas preciosas, metais
raros. Para encontrar tais coisas era preciso mover mundos e gastar muito dinheiro, o
que naturalmente só eles tinham, a propósito foram eles que desviaram a função do
dinheiro de um símbolo de troca para um símbolo de acúmulo. Enquanto símbolo de
troca o dinheiro cumpria uma funcão de promover a cirnulação das mercadorias,
fazendo com que pudessem chegar a quem delas precisava. Entretanto alguém começou
a reter e guardar os símbolos de troca, o que significava que possuiam a possibilidade
de possuírem muitas coisas, e essa possibilidade os agradava tanto que gostavam mais
dela doque das próprias coisas que podiam possuir. Podiam então negociar essas
possibilidades com outros em troca de serviços, transferindo-as a quem quizessem e
assim a economia começou a girar suas rodas. As possibilidades passaram a não ser
apenas trocadas, mas a ser multiplicadas. Como? Quando alguém tomava emprestado as
possibilidades de compra de um outro e se comprometiam a devolvê-las acrescidas de
mais algumas. Para isso bastava que o valor simbólico de algumas coisas fosse maior do
que o de outras. Podia-se convencionar por exemplo que algum metal raro ou cristal de
rocha valesse o mesmo que uma grande quantidade de coisas mais vulgares como por
exemplo, uma tonelada de farinha. Então esses objetos tornaram-se também símbolos de
riqueza e foram cobiçados e procurados pelo mundo a fora. Assim esses símbolos valem
muito e podem ser trocados por muitas coisas ou por muito trabalho. Pode-se oferecer
serviços em troca desses símbolos para poder então trocá-los por coisas que são
necessárias. Os simbolos de intermediação que se tornaram símbolos de acumulação,
tornaram alguns em reis e outros em escravos.
Ficou proibida a utilização de outros símbolos e alguns desses símbolos começaram a
circular entre diferentes nações, tornando os poderosos cada vez mais poderosos.
Alimentos abundantes (folhas, frutos e sementes) sempre foram desprezados como
objetos de consumo, já que não poderiam em algum momento tor