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DPC SEMESTRAL Criminologia Mônica Resende Data: 03/04/2013 Aula 4

DPC SEMESTRAL Criminologia Mônica Resende Data: 03/04/2013 Aula 4

RESUMO

SUMÁRIO

1)

Prevenção Delitiva;

2)

Tríade das ciências criminais;

3)

Política Criminal;

4)

Classificação dos criminosos;

Lembrando que a criminologia possui três finalidades, sendo que a principal é a prevenção delitiva. Subsidiariamente a criminologia tem por finalidade a reparação do dano à vítima e a ressocialização do criminoso.

PREVENÇÃO DELITIVA:

São as modalidades de prevenção:

Prevenção Primária:

-Envolve um trabalho de conscientização geral - isso com a finalidade de neutralizar a atuação criminosa (criar uma estrutura “antidelito” nas pessoas, principalmente jovens) - atuação prévia ao ato criminoso.

-Atuação anterior à perpetração do delito.

-É a modalidade mais eficaz de prevenção do delito, isso em face exatamente dessa estruturação da pessoa.

-Trata-se de um processo de médio a longo prazo (atuação desde a infância).

-Necessidade de um trabalho de campo social / intervenção comunitária - ou seja, não basta a atuação do modelo dissuasório de resposta ao delito (seria a reprimenda estatal através do cárcere) - o mero modelo dissuasório pode provocar o que se denomina “ladeira escorregadia” (Salomão Shecaira), que é o “caminho sem volta” de uma pessoa que ingressa no sistema carcerário, pois não mais se ressocializará. Atentar que o modelo dissuasório de resposta ao delito é o modelo atual do Brasil (A “justiça restaurativa” - também modelo de resposta ao delito - poderia ser uma alternativa ao modelo dissuasório - evitaria o efeito da “ladeira escorregadia”).

-Também é composta por ações dirigidas ao meio ambiente físico e social.

-Ressalta a educação, a habitação, o trabalho, a inserção do homem ao meio social (dignidade da pessoa humana) e a qualidade de vida como elementos essenciais para a prevenção do crime.

Exemplos de manobras de prevenção primária:

a) Campanha do desarmamento;

b) Limitação do horário de funcionamento para saques bancários;

c) Trabalho do PROERD nas escolas sobre o uso de entorpecentes.

DPC SEMESTRAL 2013 Anotador(a): Tiago Ferreira Complexo Educacional Damásio de Jesus

 Prevenção Secundária : -Atua após a ocorrência do delito; -Atua a curto e médio

Prevenção Secundária:

-Atua após a ocorrência do delito;

-Atua a curto e médio prazo;

-Engloba a política legislativa penal (melhoria da legislação na tentativa de recuperar o delinquente - evitar a pena privativa de liberdade diretamente), assim como a ação policial (policiamento comunitário);

-Ações preventivas dirigidas a pessoas e grupos mais suscetíveis de praticar ou sofrer alguma ação criminosa.

Prevenção Terciária:

-Única que possui destinatário identificável, qual seja, o preso, bem como objetivo certo, que é evitar a reincidência;

-Dirigida ao preso durante o cumprimento da pena para evitar a reincidência;

-Atuação a curto prazo;

-O trabalho de prevenção terciária é feito através da laborterapia prisional, que é o ensinamento de um ofício durante o cumprimento da pena (microcriminologia ou criminologia clínica - é o trabalho de prevenção terciária voltada à ressocialização do preso);

-A finalidade da prevenção terciária é resgatar o indivíduo, fornecendo subsídios para a pessoa voltar ao convívio social após o cumprimento de pena.

-É tida como a menos eficaz das três espécies de prevenção na perspectiva de antecipação à ocorrência do delito.

Técnicas de Prevenção Situacional:

Prevenção situacional: São técnicas / manobras de precaução para impedir a ocorrência do delito.

1) Técnica do Esforço:

É a alteração do cenário criminal, ou seja, trata-se de uma proteção individual (cuidar do espaço público e privado para se defender do fenômeno delitógeno - vinculação com a Escola de Chicago).

Assim, agregam-se ao ambiente social alguns aparatos / obstáculos físicos (cadeados, cercas elétricas), materiais (muros, portas) e pessoais (porteiros, vigilantes), tudo para dificultar a ação dos criminosos.

2) Técnica do Risco:

Tentativa de controlar a entrada e saída de pessoas em alguns locais através de dispositivos de segurança (quando não é possível ou não é suficiente a alteração do cenário criminal).

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Exemplos: Procedimentos de alfândega, dispositivos de segurança (alarmes), vídeo-vigilância, porta giratória de

Exemplos: Procedimentos de alfândega, dispositivos de segurança (alarmes), vídeo-vigilância, porta giratória de bancos, dentre outros.

3) Técnica da Recompensa:

Ações que visam desestimular o ato delitivo mostrando que a recompensa a ele é pequena.

-Em tentativas de assaltos a caixas eletrônicos, as máquinas liberam tinta para manchar a cédula de modo a inutilizá-la. -Utilização de cartões magnéticos ao invés de cédulas ou moedas soltas. -Controle pelo número de série em cédulas.

4) Técnica do Sentimento de Culpa:

É técnica que tenta incidir na consciência do infrator.

Reforço da condenação moral - peso na consciência - remorso na cabeça do infrator.

São feitas campanhas de conscientização (bebida e direção / desarmamento / uso de drogas) que tentam chocar o indivíduo para não pratique crimes (tanto para quem já praticou para quem ainda não o fez).

TRÍADE DAS CIÊNCIAS CRIMINAIS ou TRÍPLICE ALCANCE DA CRIMINOLOGIA

Abrangem as ciências criminais:

Criminologia (etapa explicativa):

-Direito Penal (ciência); -Criminologia (ciência); -Política Criminal (disciplina).

Traz o substrato empírico da situação criminal. Reúne informações válidas e confiáveis sobre o problema criminal.

Política Criminal (etapa decisiva):

Transforma a experiência criminológica em estratégias específicas a serem adotadas pelo poder público. A política criminal faz a “ponte” entre a criminologia e o direito penal (evolução dos crimes de trânsito relacionados à embriaguez ao volante).

Direito Penal (etapa instrumental):

Converte o substrato empírico da criminologia e as estratégias da política criminal em proposições jurídicas.

Política Criminal:

É um aparato (conjunto sistemático de princípios e estratégias) do Estado para reduzir os índices criminais (Desde sursis, livramento condicional, menoridade penal, iluminação pública - tudo com vistas ao controle delinquencial) - são estratégias / ações governamentais.

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Uma das atuações da política criminal incide nesse trâmite legislativo - criação de tipos penais.

Uma das atuações da política criminal incide nesse trâmite legislativo - criação de tipos penais.

Franz Von Liszt é considerado o patrono dessa disciplina. Obra: Princípios de política criminal (1889).

Direito Penal X Criminologia:

Direito Penal

 

Criminologia

Proteção de bens essenciais ao convívio em sociedade através das sanções penais

Prevenção do delito é um de seus principais objetivos

Não dá o diagnóstico do fenômeno criminal

Faz diagnóstico do crime e a tipologia do

criminoso, analisando o meio em que vive, seus antecedentes emocionais, motivações

do

crime

Preocupa-se unicamente com a dogmática, isto é, com o crime enquanto fato descrito na norma legal, para descobrir sua adequação típica

Busca conhecer a realidade para interpretá-la

criar soluções para prevenir o delito visando o progresso

e

É a ciência normativa do “dever ser” - baseia- se em hipóteses. Analisa a adequação (formal) do fato à norma

É a ciência empírica do “ser”. Baseia-se em dados fáticos.

Ambas as ciências estudam o crime e a criminalidade.

CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMINOSOS

Classificação de Cândido Motta:

1) Delinquente habitual:

São os profissionais do crime. A pessoa que vive da prática reiterada do crime de forma contumaz, rotineira (Ex: receptador, estelionatário, traficante, rufião).

Não há arrependimento aqui. É alto o índice de reincidência nesses casos.

2) Delinquente ocasional:

É a pessoa que pratica crime eventualmente, de acordo com uma oportunidade surgida (Ferri: é o indivíduo que caiu em tentação).

Geralmente pratica delitos de pequena monta. Ex: apropriação de coisa achada.

É comum o arrependimento nesses casos. Baixa reincidência.

3) Delinquente impetuoso:

É a pessoa que pratica o crime motivada por um sentimento (vingança, raiva, assédio [ stalking : assédio moral], amor).

Ex: Vitriolagem (jogar ácido sulfúrico na face do companheiro), bulling etc.

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4) Delinquente Fronteiriço : Indivíduo que está entre a sanidade e a insanidade mental. O

4) Delinquente Fronteiriço:

Indivíduo que está entre a sanidade e a insanidade mental.

O psicopata faz parte desse grupo.

5) Delinquente louco:

É o inimputável.

Classificação de Hilário Veiga de Carvalho:

Trabalha com a influência mesológica (meio social) ou biológica no comportamento delitivo.

1) Biocriminoso puro (indivíduo criminalóide = falso criminoso = ausência de discernimento = inimputável):

É equiparado ao louco ou ao semi-imputável.

2) Biocriminoso preponderante:

Age 70% motivado por um fator biológico e 30% por um fator mesológico.

Ex: Infanticídio - 70% estado puerperal.

3) Mesobiocriminoso / Biomesocriminoso:

São aqueles que sofrem influência biológica e social, não sendo possível identificar qual fator predominou na ocorrência do crime. Pouca probabilidade de reincidência.

4) Mesocriminoso puro (indivíduo criminalóide = falso criminoso = ausência de discernimento = inimputável):

Exemplo do índio que sai nas ruas seminu.

5) Mesocriminoso preponderante:

Age 70% motivado por um fator mesológico e 30% por um fator biológico.

Ex da jovem sem condições que furta determinado objeto da moda (fator social prepondera, porém há influência biológica - No entanto, nem todos os jovens sem condições adotarão a mesma atitude!).

Fórmula de Abrahamsen:

C

= Comportamento criminoso.

T

= Tendências criminais (carga biológica - caráter [já nasce] / personalidade [é desenvolvida]).

S

- Situação global (fatores sociais - meio ambiente).

R

= Resistências (lei).

C

= T + S

R

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