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A OCUPAÇÃO DA AMÉRICA

É ocupação de diferentes áreas do mundo inclui também a América. A ideia


de que ela foi ocupada e colonizada pelos portugueses e espanhóis não deve ser
considerada como verdadeira. Muito antes da chegada dos europeus já havia a
formação de sociedades muito adiantadas no Continente Americano.
A povoação da América aconteceu a partir da imigração dos povos do
continente Africano e Asiático, entretanto, não se sabe como ela aconteceu, pois os
estudos apontam diferentes meios de ocupação para este continente. As teorias
mais prováveis são:
Estreito de Bering – é um canal marítimo raso entre o Alasca (Estados
Unidos) e a Sibéria (Rússia). No período da glaciação diminuiu o nível do mar e
tornou-se possível passar por ele, permitindo ir da Ásia para a América.
Oceano Pacífico – através da navegação das ilhas da Polinésia, chegando
do lado oeste da América do Sul, atravessando o Oceano Pacífico, que fica entre os
dois continentes.
Acredita-se que a ocupação aconteceu entre 14 a 12 mil anos atrás. Os
grupos que ocuparam o Brasil eram caçadores e coletores nômades, assim como os
outros grupos pré-históricos estudados na África, Ásia e Europa.
Ocorreram duas ondas migratórias, na primeira os povos vindos são de
origem africana, enquanto os pertencentes ao segundo grupo vieram da região da
Mongólia (Ásia), daí os índios brasileiros terem uma aparência maior com os
asiáticos do que os africanos.
A pré-história da América apresenta outra divisão, diferente européia, não
apenas nos nomes, mas também nas datas.

PALEOÍNDIO ARCAICO FORMATIVO IDADE MODERNA


Caça de grandes Plantio de milho Civilizações e Chegada Invasão
animais e mandioca grandes impérios dos do Império
Uso do cobre Europeus Inca pelos
Pesca. Espanhóis
Primeira onda
migratória, através
do Estreito de
Bering.
+ ou – 20.000 a.C + ou – 8.000 a.C + ou – 2.000 a.C 1492 d.C 1531 d.C.
FALAR A RESPEITO DO GABINETE DAS CURIOSIDADES NA EUROPA
Muitos animais de grande porte (pesavam toneladas e com muitos metros de
altura) desapareceram do território brasileiro. Não se sabe se a razão seriam as
mudanças climáticas ou se haveria uma caçada a eles, o que levou ao fim das
espécies.
Um dos sítios arqueológicos mais importantes encontrados no Brasil é o de
Lagoa Santa, no estado de Minas Gerais. Nas descobertas realizadas está o crânio
de um fóssil considerado o mais antigo no território brasileiro e da América – Luzia
com 11.680 anos. Ao reconstruir sua aparência, através de programas de
computador, descobriu-se que ela tem semelhança física ao de povos da África e
Austrália.
Em Lagoa Santa acredita-se que a expectativa de vida era baixa, não
ultrapassando os trinta anos de idade, entre 8 a 4 mil a. C já produziam importantes
instrumentos que ajudavam na sua alimentação e na vida em sociedade.
Os grupos que viveram no Brasil por volta de 8.000 anos atrás, passaram a
fazer uso não apenas da caça e coleta, mas também da pesca, principalmente por
estarem próximos ao litoral, o que favorecia a realização de ambas as atividades.
Outro grupo de importância são os que viveram nas florestas do Sul e
Sudeste do Brasil. São chamados de povos umbus. Uma de suas maiores
habilidades está o trabalho com pedras, que lhes possibilitou caçar animais ágeis.
Nas regiões litorâneas, especialmente entre o Pará e Santa Catarina,
estiveram os povos sambaquis (os sambaquis são formação de conchas
empilhadas que possuem a aparência de um morro e surgiram com o aumento do
nível do mar ou deixadas pelos próprios povos que comiam os moluscos e deixavam
as deixavam ali). Os estudos revelam que a existência dos sambaquis estavam
relacionados a rituais realizados pelos povos daquela região. Possivelmente estes
rituais eram funerais, pela existência de fogueiras e por serem encontrados colares,
pequenas estátuas e outros instrumentos.
Estes povos que residiam próximos aos sambaquis eram hábeis: produziam
esculturas de pedra, instrumentos de pedra polida, pescavam, teciam redes e
realizavam inscrições em pedras. Foram extintos provavelmente em conflito contra
os povos Tupis.
O surgimento dos índios no Brasil ocorreu há aproximadamente dois mil anos
atrás. Um dos locais onde se tem provas de sua existência é na Amazônia. Duas
culturas indígenas se destacaram – marajoara e tapajós.
Cultura Marajoara – eram povos sedentários, realizavam práticas agrícolas,
além da caça e pesca. A existência de uma grande quantidade de alimentos
possibilitou que esta cultura se dedicasse a outras atividades, como a religião e o
artesanato, através da arte em cerâmica. Os marajoaras também se dedicavam a
troca de mercadorias, o que indicava um importante indício de comércio.
Esses povos possuíam organização política, o líder da tribo era o cacique.
Uma de suas ações de maior importância era impor à comunidade a criação dos
tesos, que consistiam em uma habitação, com aproximadamente 12 metros de
altura, para livrar a comunidade marajoara das grandes cheias que ocorrem
anualmente na Amazônia.
Cultura Santarém ou Tapajós – está localizada nas proximidades do Rio
Tapajós (entre o estado do Mato Grosso e Pará). Acredita-se que a sociedade
tapajós possuía uma hierarquia, isto é, divisão em grupo segundo as habilidades de
cada um. As principais características desta sociedade são: produção de artefatos
de cerâmicas; realização de trocas comerciais com grupos vizinho e habilidade para
ter acesso a alimentos.
Uma das possíveis razões para sua extinção foi o crescimento da cidade de
Santarém, no Estado do Pará.
20/12/2006 - 10h48

Homem ocupou o Piauí há 58 mil anos


CLAUDIO ANGELO
Editor de Ciência da Folha de S.Paulo
RAFAEL GARCIA
da Folha de S.Paulo

A arqueóloga Niède Guidon riu por último. Evidências apresentadas ontem indicam
que as ferramentas de pedra descobertas pela pesquisadora no Boqueirão da Pedra
Furada, em São Raimundo Nonato, foram mesmo feitas por seres humanos e têm entre 33
mil e 58 mil anos de idade. São, portanto, a evidência mais antiga da ocupação da América.

Durante mais de duas décadas Guidon, paulista de origem francesa, foi ridicularizada
por seus colegas por propor uma idade tão antiga para os instrumentos. Mas uma análise
das ferramentas da Pedra Furada apresentada ontem por Eric Boeda, da Universidade de
Paris, e Emílio Fogaça, da Universidade Católoca de Goiás, silenciaram os críticos.

"Do meu ponto de vista, esta é uma evidência incontestável de que os artefatos
foram feitos por humanos", disse à Folha o arqueólogo Walter Neves, da USP, até então
principal adversário intelectual de Guidon. "Ela merece esses louros", disse, referindo-se à
colega.

Os artefatos têm causado controvérsia desde a sua descoberta, em 1978. Eles foram
achados juntamente com supostas fogueiras no abrigo, cujo carvão foi datado em até 50 mil
anos. Uma datação realizada depois na Austrália recuou a idade ainda mais: 58 mil anos.

O problema era que, naquela época, as evidências apontavam que a presença


humana tinha no máximo 15 mil anos no continente. A arqueologia era dominada pelo
chamado paradigma "Clovis first", segundo o qual os ancestrais dos índios chegaram
recentemente, por uma ponte terrestre aberta entre a Sibéria e o Alasca na última glaciação.

Pedras rolantes

O paradigma "Clovis first" seria derrubado mais tarde, mas os arqueólogos sempre
se recusaram a aceitar as datas de Guidon. As fogueiras, argumentavam, poderiam muito
bem ter sido produto de combustão espontânea e não havia ossos de animais ou humanos
no local.

"O que acontecia até agora também é que alguns colegas americanos diziam que os
objetos [achados no Piauí] eram apenas pedras que tinham rolado e se quebrado
naturalmente", diz Niède. "Mas agora não há a menor dúvida de que foram feitos por seres
humanos. O consenso geral é que agora existe um fato."
Essa impressão já havia começado a mudar quando, nos anos 1990, o arqueólogo
americano Tom Dillehay, da Universidade do Kentucky, viu os instrumentos e reconheceu
que alguns deles pareciam feitos por seres humanos.

Cadeia operatória

O estudo de Boeda não parece deixar mais dúvidas. O francês é considerado um


dos maiores especialistas do mundo em tecnologia lítica (de pedra) pré-histórica. Ele
desvendou a chamada cadeia operatória dos artefatos, ou seja, a seqüência de lascamento
do material, e descobriu que aquilo foi, de fato, produzido por humanos.

"O que se está discutindo agora é como esses homens chegaram aqui", diz Guidon,
que não reconhece como uma certeza a chegada do homem às Américas pelo estreito de
Bering no Alasca. "Na realidade o caminho por Bering e pelas Ilhas Aleutas é muito mais
longo e difícil do que vir pela África mais diretamente."

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u15740.shtml